Conversamos com a Lan, autora do mês de Agosto. Ela escreve Ópera. O papo foi divertido e leve e você poderá conferir na íntegra agora.

Fanfic Obsession: Quais as suas principais influências e você pretende levar a carreira de escritora à frente? (@mimdeixa)

Lan: Eu sempre escrevi historinhas desde pequena, então as influências não foram de fato o que me fizeram escrever. Entretanto, comecei a pensar na escrita como profissão a partir dos meus oito anos de idade, quando minha mãe ia se deitar toda noite mais cedo para ler um tal de Harry Potter. Me interessei, pedi emprestado e desde então a magia por trás das palavras de J.K Rowling começaram a estimular minha imaginação e criatividade. Lembro-me de que algum tempo depois comecei a escrever uma história de magia sobre mim e minhas quatro amigas, e para me inspirar eu sentava no canto e lia pelo menos mais uma página de “O Prisioneiro de Azkaban”. Como uma boa nerd, também sempre gostei muito de desenhos japoneses. Coincidentemente, meus dois desenhos favoritos eram da mesma autora, Rumiko Takahashi. Foi a partir dela, creio eu, que eu comecei a virar mais a atenção para o romance nas histórias. Sempre cruzava os dedos e sofria com as personagens para que o amor delas desse certo e isso me influenciou muito.
Uma personagem singular e que foi carimbada na minha noção de elegância e em todas as minhas histórias foi o excêntrico mr. Darcy, de Jane Austen. Ela desmistificou a antiga ideia de príncipe encantado, mostrando que para um homem ser perfeito ele necessariamente tem que ser coberto de imperfeições.
Meg Cabot também não fica atrás. Sempre busco me inspirar nela quando quero manter minha escrita leve e divertida. A série: “A Mediadora” fez com que eu me identificasse com a personagem e me apaixonasse pela Meg definitivamente. Desde então procuro puxar alguns pontos mais fortes das personagens, de forma que elas se identifiquem mais com as leitoras.
Se eu pretendo levar a carreira de escritora à frente? Hm… Quem sabe? Se “o mar estiver pra peixe”…

FFOBS: Como surgiu a ideia para Ópera? (@vanesil)

L: Eu tinha acabado de escrever minha primeira fanfic e estava procurando outro assunto sobre o qual me inspirar. Quando eu menos esperava, assistindo televisão, passou a propaganda da nova Malhação e o ator Duam Socci surgiu na telinha. Não sei como e nem porquê, mas a partir dele eu comecei a desenhar toda a história, queria uma trama da qual ele fizesse parte e que se parecesse com uma novela (Soap Opera). A primeira coisa que pensei foi que, como uma novela, a história teria vários núcleos que se interligariam em uma parte da narrativa e por aí foi…

FFOBS: Você já tinha toda a fic Ópera na cabeça quando resolveu escrever ou resolveu mudar alguma coisa – o final, por exemplo – por causa da reação dos leitores? (@littlecamis)

L: Quando eu comecei a escrever eu já tinha praticamente a história inteira na cabeça. Já em um dos primeiros capítulos, eu peguei um caderno velho, sentei no canto e comecei a fazer tópicos do que aconteceria em cada parte, do capítulo cinco ao vinte oito (capítulo final). Mas confesso que, ao longo da escrita, algumas coisas sairam do curso planejado e eu tive que fazer voltas loucas na fanfic para que ela voltasse ao ponto que eu queria. O final da fic foi o mesmo esboçado no meu caderno, porém o epílogo só surgiu uns quatro dias antes de eu terminar de escrever Ópera. O epílogo teve pouco a ver com a reação das leitoras, aliás, ele surgiu exatamente naquela hora, no meio da madrugada, em que eu estava pingando de sono mas ao invés de dormir pensava na vida. Acho que eu concordei comigo mesma que aquele era o fim mais justo. Felizmente, creio que minhas leitoras também concordaram.

FFOBS: Há projetos novos em andamento ou até mesmo em fase de pesquisa e estruturação?

L: Há, sim. Mas prefiro não entrar em detalhes agora e deixar o suspense no ar…

FFOBS: Se você fosse escrever uma fic baseada em uma experiencia pessoal, qual experiencia você usaria? (@leticiafsays)

L: Que pergunta difícil! Hm… Eu acho meus diários bem interessantes, então provavelmente eu escreveria algo baseado neles. Algo baseado na experiência que estou tendo nos Estados Unidos, com o intercâmbio, também seria bem legal.

FFOBS: Finalizar uma história sempre dá aquela dorzinha no peito e uma saudade das cenas que nunca serão escritas, como foi o momento em quem você parou e pensou “Esse é o final, não há mais como continuar com isso”.

L: Não foi tão impactante quanto quando eu parei para pensar: “Deus, o que é que eu estou escrevendo?!”. Quando eu terminei de escrever Ópera, eram quatro horas da manhã e eu estava chorando como um bebê. Teria sido até um “término tranquilo” – já que eu precisava mesmo terminar de escrever antes de vir para os Estados Unidos – se eu não tivesse ficado tão envolvida com o epílogo. Quando eu terminei eu não estava muito: “Oh, Senhor, nunca mais vou escrever Ópera!” eu estava mais como: “O que foi que eu fiz?!”

FFOBS: Você gosta de montar suas personagens a partir de pessoas que você conhece ou simplesmente você vai agregando valores morais conforme vai escrevendo?

L: Todas as minhas personagens tem sua parte fictícia e sua parte real. Falas, por exemplo, são muito extraídas do que eu escuto das pessoas a minha volta, então, se algum conhecido próximo ler minhas fanfics, ele provavelmente vai se deparar com muitas situações familiares.

[Spoiler Alert] FFOBS: Desde o incio de Ópera, você sempre pensou no Duan como sendo o assassino? (@stephnunes)

L: Pensei, sim. Desde o momento em que vi o Duam Socci atuando como o vilão da novela, eu sabia que o Duan seria meu assassino. Entretanto, eu achei que o envolvimento dele no assassinato seria óbvio demais, então pensei em outras possibilidades como o primo ou até mesmo a senhora Paskin. O ruim das minhas novas opções é que elas não se encaixariam tão bem na trama que eu tinha desenhado quanto o Duan, então, para não ficar tão óbvio, eu apenas modifiquei seus motivos para matar…

FFOBS: Como você lida com aqueles chamados ‘fãs pentelhos’? Os que são bastante exigentes, nunca estão satisfeitos com uma atualização ou alguma coisa que aconteceu na história, sabe, estão sempre ali para cobrar ou criticar alguma coisa.

L: Eu os adoro, na verdade. Não que eu tenha algum ‘fã pentelho’, mas tenho leitores exigentes. Qualquer comentário que eu receba, por mais desaforado ou impaciente que seja, faz com que eu me sinta orgulhosa do meu trabalho. “Poxa, alguém está louco pra ler o que eu escrevi!”, é o que eu penso, “Que bom que estão envolvidos com a história!”. Quanta magia há nisso?
Até mesmo os comentários insatisfeitos servem para levantar o meu astral, porque mesmo não concordando com o que aconteceu, o leitor acompanhou até o fim.

FFOBS: Bom, essa estrevista vai terminando por aqui. Caso queira deixar algum recado final, fique à vontade!

L: Vixe! Tanta coisa para dizer e tantas palavras escapando! Bem, de qualquer forma, obrigada as leitoras de Ópera e ao FFOBS. Ganhar fic e autora do mês significou o mundo pra mim!