Beta: Cami


Uma noite de segunda-feira qualquer, null null já se preparava para dormir. Seu dia foi um dia desperdiçado, ela nada fez e mais uma vez ficou perdida na internet dominadora. Também não havia alternativa. Essas eram suas férias, ela já deveria ter aprendido isso.
Pegou seu pijama, o qual sentia total prazer de usar no dia-a-dia, quando sabia que seu dia se resumiria em "nada", e deitou-se. Nada lhe passava pela cabeça e o sono não chegava nunca. Resolveu se lembrar das suas conversas daquele dia, lembrou-se devagar de cada uma, e a última foi com sua parceira null. null era tão parecida com null. Nas atitudes, nos modos de pensar e em tudo mais. Eram verdadeiras amigas e null percebeu isso logo de cara. null se lembrou da história que null havia lhe contado, sobre null. Em uma viagem de cinco dias, null conheceu um grupo de garotos que tocavam muito bem Nirvana, por sinal, e null mal sabia que iria viver uma história curta, mas linda, com null, o cantor.
Era de dar inveja a história e pensando nisso, null adormeceu.

- null, onde estamos? - Perguntou a garota com a testa enrugada.
- null, eu também não sei. Mas isso realmente importa? Estamos indo para o melhor lugar do mundo, passar o nosso melhor aniversário, escolhemos o melhor presente de 15 anos, e eu tenho certeza disso. Vai ser ótimo a gente no parque do nosso Harry Potter! - Respondeu null nem um pouco entusiasmada, né.
- Ai, tem razão, nem acredito que são só algumas horas de voo e puft! Estaremos nos nossos sonhos!
- Acho que vamos descer agora, ai, meu Deus. Seria bem mais fácil se pudéssemos usar vassouras, que medo!
- null, você me mata de rir!
As duas desceram daquele avião e logo estavam no parque. Estavam realmente prontas para viver algo bem parecido com magia. null estava fingindo que um pequeno graveto que encontrou no caminho era sua varinha mágica. Ela estava se sentindo a Hermione e estava ensinando ao Rony invisível a como se falar "leviosa", e não "leviosá". null olhava aquela cena e não parava de rir. E claro, sempre fotografando cada minuto, seria com toda certeza uma viagem inesquecível.
- Não sei por onde começar. Ai, é tudo tão lindo, o parque, a gente, as pessoas que amam HP. É tão mágico que eu acho que só preciso ficar aqui respirando esse ar. - null falou, respirando lentamente.
- Ah, então você que fique aí, porque eu irei direto comprar uma varinha. - null deixou null para trás.
- HEY, ESPERE, TAMBÉM QUERO UMA, TÁ?
As duas saíram saltitantes e se sentiram realmente comprando o material para ir para Hogwarts. null queria uma varinha igual a do Harry, pois queria ter sido a escolhida para acabar com Lord Voldemort. null queria a varinha igual a de Lord Voldemort, porque ela era poderosa. Só depois de um tempo é que as duas perceberam a situação em que uma deveria matar a outra. Então, o tio Bill decidiu pelas duas, falou que ali realmente tinha uma magia, e depois de experimentar várias varinhas mágicas, null acabou com a da Hermione, e null com a do Rony.
Tiraram várias e várias fotos com as varinhas, compraram duas corujas que nem imaginavam como levariam de volta para o Brasil. Ficaram só imaginando a cena:
- Mãe, trouxe uma lembrança do parque!
- Sério? O quê, filha?
- Uma coruja!
- O QUÊ?
E então provavelmente a mãe das duas iria ter um ataque cardíaco e fim.
Mas elas iriam dar um jeito, tudo estaria valendo quando se tratava de um lugar tão mágico como aquele.
- null, não acredito, olha a loja do meu Fred! Vamos lá agora, né? - null falou com um sorriso enorme.
- Seu Fred e meu Jorge lindo sem orelha! Vamos agora mesmo!
As duas saíram correndo e já tiraram uma quantia enorme de dinheiro da bolsa. Sabiam que nessa loja iriam gastar, e como iriam gastar. null já chegou vendo os feijõezinhos coloridos, e ela fazia uma careta diferente a cada um que comia. null estava se divertindo tentando adivinhar do que a null estava comendo, eram citações bizarras e criativas que só a null poderia ter:
- Cera de ouvido, xixi de gato, cocô de golfinho!
- Cocô de golfinho? Golfinho?
- É, ué.
- Mas golfinho faz cocô?
- Um dia eu pergunto para algum, vamos tirar fotos, vai.
Tiraram várias fotos com todas as coisas mágicas que compraram, já haviam visitado todas as lojas e já haviam ido nas montanhas russas, só faltava uma coisa, a não menos importante: Hogwarts!
As escadarias, as salas, os personagens, os quadros nas paredes, era tudo tão lindo, tão perfeito. Tinha um guia para acompanhar todas as pessoas no castelo, mas eram null e null e elas não iriam acompanhá-los, não mesmo. null saiu de fininho de perto do guia e foi acompanhada por null. Logo, estavam sozinhas no castelo de seus sonhos. null não resistia à tentação de relar o dedo a cada quadro que via, eles se mexiam, de alguma forma tão maravilhosa quanto nos filmes. null só sabia pensar em visitar o dormitório e em ir conhecer Dumbledore.
Andaram por todos os lados daquele castelo, estavam maravilhadas. null, quando chegou no dormitório, abriu um sorrisão de ponta a ponta, jogou-se em cima daquelas camas e se imaginou vivendo naquele castelo. Logo depois, foram para as salas, a do Snape, que null tanto detestava e null tanto gostava, a sala das mandrágoras. null ficou um bom tempo nessa imitando o desmaio de Neville logo no primeiro filme. Depois, foram para o banheiro da Murta Que Geme e null não parava de berrar lá, tentando chamar a Murta. Quando escutou um barulho estranho, saiu correndo com null.
Só faltava a sala do Dumbledore. Chegaram à sala com todos aqueles quadros mágicos, a fênix maravilhosa que renascia das cinzas, o chapéu seletor e tudo mais que poderia se imaginar. E a coisa mais importante, uma imagem praticamente real do Dumbledore. null fez questão de tirar foto ao lado do melhor diretor do mundo. null estava encantada com tudo. E quando se deram conta, as duas estavam chorando, literalmente chorando, só de imaginar que tudo aquilo já havia acabado. Por elas, Harry Potter não deveria acabar nunca. E na verdade, para elas, não tinha acabado mesmo.
Por mais que os anos se passassem, as duas juraram que ainda iriam assistir ao filmes, ainda suspirariam cada vez que vissem uma foto do Dan, do Rup, e sempre, realmente para sempre, estariam ligadas ao mundo de magias, que jamais será inesquecível para ninguém.
Foi assim praticamente a tarde toda das duas amigas, elas nunca riram tanto na vida como naquele dia, até mesmo na hora em que foram pegas por um dos seguranças bisbilhotando pelo castelo inteiro de Hogwarts sozinhas. E realmente foi engraçado, porque elas passaram por toda aquela fuga rindo da cara de lesado que ele tinha. null disse para null que ele mais se parecia com Monstro, o elfo dos Black, do que com um ser humano normal e trouxa.
Elas se olharam por um instante e nem precisavam de palavras, elas sabiam que aquele seria o dia mais feliz que elas poderiam ter na vida. Era uma pena saber que elas nem imaginavam que aquela felicidade poderia ser dobrada, mas seria em alguns minutos, quando null tropeçou em uma imitação da pedra filosofal que provavelmente algum fã despercebido deixou cair.
null se abaixou para recolher a pedra e, quando se levantou, deu de cara com uma null estranha, a menina parecia ter sido enfeitiçada. Ela estava completamente petrificada, com o braço esquerdo esticado e seu dedo indicador apontado para a coisa mais linda que null já vira: era um palco enorme com cortinas vermelhas, rosas, roxas, azuis e verdes, era tecido para tudo quanto é lado, e no centro do palco só havia a pessoa para quem null apontava, era ele, o mais lindo bruxo que já existiu nos filmes, Harry Potter.
null saiu daquele transe em um pulo repentino, que fez com que null desse um grito, null agora gritava como uma louca:
- Nããão creio, É O DAN, É O DAN! null, você está vendo o mesmo que eu? É O DANIEL LINDÃO RADCLIFFE, me belisca?
null, que também não tinha certeza de nada, fez a primeira coisa que veio à cabeça, obedeceu sua amiga, deu um beliscão forte no braço de null, que a olhou, passada com sua atitude.
- Que foi? - Disse null. - Você pediu!
Como se nada tivesse acontecido, null puxou null pela blusa até o mais próximo do palco, ela abrira caminho entre pessoas chorando, gritando e até mesmo as que olhavam com uma cara de psicopata, mas ela nem ligava, seu objetivo era fazer com que null e ela pudessem chegar o mais próximo possível perto do Dan.
Chegando onde mais queriam, as duas pararam para escutar o que Dan dizia, foi quando se tocaram que elas não entendiam nada. Ele falava inglês e muito rápido, enquanto as duas sabiam pouco de inglês. null olhou para null com cara de quem não entendia nada e foi retribuída com o mesmo olhar.
Dan balançava um colar igualzinho ao que Xenófilo Lovegood usava no filme, era o colar das relíquias da morte, e da sua boca saíam palavras que elas tentavam traduzir em vão. Perguntavam para as pessoas ao lado, mas ninguém respondia em um idioma conhecido, era inglês para todo lado.
Foi quando, de repente, Dan apontou para null, que, sem ter nem tempo de perguntar o que tinha acontecido, foi arremessada para cima do palco por uns caras enormes. Dan segurou-a antes que fosse parar com a testa no chão. Algumas das meninas vibraram com isso, outras soltaram um gritinho de "huuum!", que foi acompanhado por null lá debaixo.
null olhou para Dan, que sorriu de volta e colocou o colar no pescoço dela. Ela tremia como gelatina de tanta emoção. Ele deu um beijo no centro de sua testa e ela quase caiu para trás, dessa vez se ouviam risadas da plateia. null corou, era um vermelho tão intenso que Dan a abraçou, tentando evitar que ela se sentisse encarada pela plateia.
E foi desse jeito que eles se retiraram do palco, abraçados, pareciam mais um casal de namorados que se conheciam há um ano do que um ator lindo e famoso e uma menina desconhecida e vergonhosa. As pessoas que estavam observando tudo aquilo nem se abalaram com o fato de terem sido abandonadas por eles e apenas um "bye, bye" do rapaz, pois foram em cima da atriz que faz Luna Lovegood como urubus em carniça. Sim, por mais que essa expressão seja estranha, combinou perfeitamente com o "auê" todo.
null foi a única que ficou no mesmo lugar, álias, não no mesmo, pois a menina foi arrastada uns dois metros pelas pessoas esbaforidas com as quais ela lutava contra naquele arrastão. Sem que ninguém percebesse, a não ser o boneco gigantesco de Grope, o meio irmão de Hagrid, ela foi bem devagar para trás do muro da loja da Zonko's e ficou observando null com Dan, quando, de repente, aconteceu o inesperado: os dois se beijaram. Foi tudo tão lindo, como em um dos filmes. Ele beijou a menina debaixo de um visgo, só que dessa vez ele estava beijando null, e não a Cho.
Foi o melhor beijo que null já dera em sua vida, parecia que a magia ultrapassava os cenários. Ela abraçou forte o seu ídolo, parecia que estava flutuando. Ela sempre sonhou com esse momento, desde pequena, quando assistiu ao primeiro filme da série no sofá de casa. Desde quando passou a assistir na casa de null, sua amiga, e quando ia ao cinema em dia de estreia, era o seu maior sonho, e estava se tornando realidade. Eles terminaram com um abraço apertado que até a velhice era de se duvidar que null chegasse a esquecer.
Antes de ir embora, Dan olhou fundo nos olhos de null e, pela primeira vez, a menina entendeu o que ele disse, pois fora dito com calma para que ela guardasse aquelas palavras na lembrança junto com aquele dia todo. Sorrindo, Dan disse calmamente:
- Don't forget, you belong with me now, and I really LOVE you!
E ali ele se foi, null não foi capaz de dizer sequer uma palavra, não poderia impedir, eles pertenciam a mundos diferentes e dessa vez não se tratava de mundo mágico ou trouxa. Aquilo que aconteceu entre eles era algo que ela jamais sonhara e agora ela teria que acordar desse sonho, que ficaria para sempre em sua memória. Quando suas lágrimas começaram a rolar pelas suas bochechas e sumiram no vão do seu sorriso, ela sentiu um abraço, era null que estava ali com ela.
- Sua sortuda, não chore, há de se imaginar que umas beijocas a alegrassem.... Agora, venha comigo, conte-me tudo o que sentiu e voltaremos a rir, porque eu tenho que achar o Rup para poder ter uma história como a sua para contar quando voltarmos para casa!
null havia brincado, mas mal sabia que ela também viveria uma história com Rup, era apenas uma questão de tempo. Ela também teria a sua história.
As duas caíram na gargalhada novamente e correram pelo parque todo para aproveitarem suas últimas horas por lá. E null tinha apenas uma certeza: ela levaria aquele beijo e aquele abraço para sempre.
As horas haviam passado e null só foi acordar dentro do avião, com um saco enorme de doces no colo e açúcar por cima da sua blusa. Ela olhou de lado e viu null toda largada na poltrona, dormindo de boca aberta. Olhou para o outro lado, um casal de japoneses. Ela forçou os olhos para enxergar melhor, forçou sua lembrança e tudo veio à tona. Só restava aquela dúvida que a deixou atormentada: foi tudo um sonho ou ela realmente passou por tudo aquilo? Já não tinha mais respostas, era muita coisa na sua cabeça, então, decidiu acordar null. Quando se inclinou, viu seu colar sair de dentro da sua blusa para ficar pendurado no seu pescoço, balançando de um lado para o outro, ela segurou, apertou firme. Era o colar das relíquias da morte.

N/A: A fic foi um sonho, que eu tive, e decide fazer uma fic, a Ana tava no meu sonho (olha que privilégio, rs.) daí tive a idéia da fic, e ela me ajudou a escrever uma boa parte. Se realmente gostarem da fic, to pretendendo fazer uma continuação, então quem quiser continuação, deixem comentários que juro que rapidinho faço a parte dois *-* Tenho que agradecer a minha beta linda, Cami, por ter sido tão paciente comigo, e por ter um sobrenome tão legal, rs. E a Ana minha amiga por ter escrito uma parte da fic, e por ter me apoiado na criação dela, mesmo sem entender nada, haha. E obrigada a vocês por terem lido, e ter perdido tempo também nessa nota da autora enorme, rs.

N/B: Se encontrarem qualquer erro, por favor, me mandem um e-mail? (camila.ov@hotmail.com) Cami, xx

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