História por: Mary Bortoleto || Beta-Reader: Paah Souza


(nota da autora: Ouçam a música da Adele, “Don’t You Remember”.)


‘Quando vou ver você de novo?’ – essa era a incessante pergunta que perpetuava em minha mente durante os últimos 15 meses em que ele se fora sem ao menos dizer adeus, nem uma única palavra fora pronunciada por seus adoráveis lábios, finos e úmidos, nem um beijo para selar qualquer coisa. Eu não tinha ideia do estado em que estávamos, no que havia se tornado o que poderíamos chamar de relacionamento estável.
Ambos sabíamos do quanto o meu coração se tornara inconstante e amargurado depois de ter sido humilhada e abandonada pelo meu último namorado, mas ele, com todo o seu jeito meigo, se dispôs a juntar os pedaços do meu coração. Vivemos momentos maravilhosos juntos, nos quais eu me libertava e me esquivava de todos os problemas, de toda a tristeza do passado.
Ele sempre me dissera que eu o havia conquistado pelo poder de ser desafiado a todo o momento. Estar comigo sempre era uma caixinha de surpresas, o meu jeito meio bipolar, minhas crises de riso, de choro, meus momentos de coragem, de medo... E ele sempre vencia todos os desafios e se mantinha firme ao meu lado.
E quanto tudo parecia bem, ele simplesmente se distanciou de mim por tempo indeterminado, sem dizer adeus ou qualquer esclarecimento sobre o fim do relacionamento. E agora, depois de 15 meses sem vê-lo, sem possuir notícias de como anda a sua vida, sem saber o que pôs fim ao nosso relacionamento... Sempre voltava a me perguntar: ‘Quando vou ver você de novo? Eu errei em quê?’ E um peso se instalava na minha cabeça.
Eu havia sido convidada para um aniversário de uma velha amiga, decidi sair momentaneamente do meu estado depressivo e destrutivo e ir cumprimentá-la. Havia bastante gente para um minúsculo apartamento, me senti sufocada. Pedi licença para caminhar, tentar chegar à aniversariante parecia impossível. Foi aí que esbarrei em alguém conhecido e minha incessante pergunta finalmente obteve resposta. Ele estava ali, bem na minha frente. Pude sentir seu perfume forte encher as minhas narinas, os seus olhos vibrantes se chocaram com os meus e um semblante surpreso lhe tomou a face.
- Não esperava sua presença aqui! – ele disse, tentando respirar normalmente.
- Pude notar na sua expressão. Também não esperava que sua presença sumisse da minha vida assim... Tão repentinamente.
Ele fitou o chão, creio que tentando formular alguma frase para aquela terrível situação inesperada.
- Me diga apenas se você se lembra? – questionei, tentando ouvir o som da sua voz mais uma vez. Ele permaneceu calado, parado.
- Não se lembra? – insisti, já com os olhos marejados. Como ele podia não se lembrar de tudo o que vivemos em oito meses? Não foram oito segundos. Senti sua mão segurar com delicadeza o meu braço e me levar até a sacada que, por sorte, não tinha ninguém.
- Me perguntei por tantas vezes quando finalmente o encontraria. O que eu havia feito de errado para você sumir, o que definitivamente havia acontecido... Alguns meses depois, decidi que iria parar de perguntar às pessoas sobre você, daria um espaço para que você pudesse respirar. Mantive distância, assim você poderia ser livre de um relacionamento conturbado e instável, como você se referiu por diversas vezes, na esperança de que você solucionasse as coisas, esperando que você pudesse encontrar uma peça perdida que o trouxesse de volta pra mim. E assim você se lembraria da razão pela qual me amava antes. – finalmente pude desabafar todos os sentimentos retidos durante meses, juntamente com inúmeras lágrimas de dor. Ele se aproximou, secou uma lágrima que escorria e sussurrou.
- Te responderei todas as perguntas que te atormentam. Primeiramente, você não cometeu erro algum, eu cometi. Por isso perdi a coragem de olhar-te nos olhos. Fui covarde, fraco. – ele respirou e juntou forças. Eu me mantinha atenta. – Eu te traí... Com uma qualquer que sequer lembro-me do nome. – ele olhou nos meus olhos e pude sentir o quão arrependido e envergonhado estava. Minha dor só aumentava. – Foi isso que ocorreu. E então, para não te fazer sofrer, decidi me afastar.
- E você achou que seria melhor se afastar, que assim eu não sofreria? – ri irônica.
- Sei que você sofreu, eu também. Todos os dias ao acordar, tomar café, ir trabalhar, almoçar, jantar, dormir... Lembrava-me de você. Não a esqueci um segundo sequer. Acredite.
Percebi que lágrimas também haviam invadido os seus belos olhos. Ao fitar profundamente durante vários minutos o seu olhar, pude notar o quanto ele havia sofrido todos esses meses. O fato de ele ter me traído não mudava ou diminuía a dor que eu estava sentindo e senti. Mas ao notar o sofrimento dele e o quanto ele se arrependera de tudo, acreditei que ele merecia o meu perdão. Aproximei-me dele e selei os nossos lábios. Ele imediatamente envolveu a minha cintura e pude sentir o calor de seu corpo. Tudo à nossa volta era insignificante, eu só queria recuperar o tempo que havíamos perdido. Acredito que se ele viesse me contar que havia me traído, logo quando o fato ocorreu, eu teria brigado, terminado o namoro, aprontado um barraco, uma cena grotesca. Mas com a distância, ambos sofremos. Vimos o quanto foi difícil ficar separados e também que ninguém substituiria um ao outro. Ninguém supriria o amor que ele poderia me dar. E por mais desafiador que fosse o nosso relacionamento, não conseguiríamos sobreviver sem ele. O nosso conturbado e instável relacionamento. Ele rompeu o beijo, esbanjou um sorriso aliviado e disse:
- E sim, eu me lembro da razão pela qual amava e amo você! São tantas que demorarei uma eternidade para dizê-las.






nota da autora: É a primeira fanfic que eu escrevo, é a primeira inspirada na música da Adele *Diva. Já escrevi algumas web’s também, mas enfim, espero que tenham gostado e pretendo escrever outras. Beeijos :*
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nota da beta: É, essa fic prende bastante a gente :)
Erros, gatas? Avisem-me pelo email ou pelo twitter e eu corrijo. Ok?
Beijinhos, Paah Souza.

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