It's Fearless
História por Raí | Revisão por Gabriella


Prólogo



13 de março de 2012 – Férias, 16 anos & Esperanças.

Às vezes, quando menos esperamos, acontecem coisas que passam por nossos olhos totalmente despercebidos. Os anos, por exemplo. Parece que foi ontem que eu estava pedindo um colo pra minha mãe, ou que eu estava no parque brincando em um balanço. E é hoje que percebemos o quanto esse tempo foi maravilhoso. Pedíamos tanto pra que aquela fase passasse e, hoje, 16 anos depois, percebemos o quanto aquilo faz falta. Não tínhamos preocupações, não tínhamos noção de problemas, não precisávamos de responsabilidade, e agora tínhamos todas essas características e um pouco mais. Fale a verdade, você preferiria estar vivendo em um conto de fadas ou nesse pesadelo de problemas que nós, adolescentes, temos? São esquentações de cabeça com notas, pais pegando no nosso pé, escolas, espinhas... Me desculpe, mas eu queria de volta meu rosto e meu corpo de criança de 10 anos.
Ok, a adolescência não é um bicho de sete cabeças, eu sei. Talvez você não veja nenhum efeito colateral da adolescência, mas eu, com certeza, escolheria ser criança novamente. Apesar de não fazer muita diferença hoje em dia.
Bom, essa semana vai acontecer muitas coisas. Amanhã vou sair daqui de Dallas e vou pegar um avião pra Los Angeles. Confesso pra vocês, estou um pouco nervosa. É uma mudança drástica pra mim, que nunca saí daqui do Texas, mas seja o que Deus quiser. É bom começar do zero, esquecer coisas ruins e dar espaços a coisas boas – eu espero. Eu vi as fotos da minha nova casa e é incrível. Claro, perto daquelas mansões de LA, minha casa é uma quitinete, mas eu simplesmente amei a minha nova casa. Depois de amanhã, é meu aniversário de 16 anos e, como eu imaginei, meus pais aprontaram comigo. Vou para um cruzeiro e só volto daqui a duas semanas. Eu recusaria, mas meus pais já estão pagando há cinco meses – imagino o preço, afinal, é em LA. Sim, eu confesso que estou animada com esses 16 dias que vou passar no cruzeiro, afinal, um cruzeiro é um sonho, né? Tudo tão sofisticado, arrumado... Eu acho que vai ser bom pra mim. Ficar um pouco longe dos meus pais e arejar a ideia com relação a essa mudança – que ainda é bem difícil de me acostumar. O cruzeiro vai passar por mais 4 cidades e vai fazer paradas em todas elas, para comprarmos alguma coisa.
Nossa... agora eu consegui ficar realmente animada com isso e estou extremamente confiante com tudo. Com a nova escola, com esse cruzeiro e, principalmente, com essa nova vida. Sinto que tudo pode, sim, dar certo pra mim, ao menos essa vez. Faz bem mudar às vezes, faz bem pra nós e para as pessoas que estão à nossa volta. Estou sentindo meus sonhos nascerem novamente e isso é bom, muito bom. E, dessa vez, estou decidida a dar tudo de mim pra não os fazer morrerem. Por nada. Nunca mais. Pensando bem, ter 16 anos parece ser muito convidativo, não é mesmo? Sonhos, mudanças de personalidade e de mentalidade. Sinto que me falta mais alguma coisa. Mas acho que vocês vão poder me ajudar com essas novas descobertas.

Ass., Miss .




Capítulo 1



O sol daquela manhã de segunda-feira já havia invadido o meu quarto, fazendo meus olhos se abrirem lentamente. Era bastante estranho olhar aquele quarto esbranquiçado, totalmente diferente do que eu dormia no Texas. Não sei se era o ar daquele quarto que era diferente, ou se era pelo fato de que tudo estava dentro de caixas. Meus móveis vão chegar amanhã, mas eu não vou estar aqui pra vê-los como são.
Desde que pisei em solo californiano, percebi de imediato que a vida não seria fácil aqui. As pessoas andam com os narizes totalmente em pé, roupas e bolsas de grifes, cercadas de glamour e dinheiro. Espero que isso seja apenas impressão minha. Eu realmente quero estar errada em relação às pessoas daqui.
Levantei-me lentamente da cama e fui em direção ao meu banheiro fazer minha higiene matinal. Dá pra acreditar que daqui a algumas horas serei oficialmente uma adolescente de 16 anos? Nossa, não me canso de lembrar como passou rápido... Ainda bem! Minha infância foi, digamos, uma fase “chata” da minha vida que prefiro não lembrar. Afinal, eu estou em L.A., onde os sonhos acontecem, não é mesmo?
Ouvi algumas risadas vindas do andar de baixo e jurei para não serem meus pais aprontando de novo comigo. OK, eu definitivamente AMO meus pais, mas às vezes acho que eles precisam de um freio, se é que me entendem.
Coloquei a roupa que havia passado ontem quando eu cheguei de viagem, uma t-shirt com alguns ‘peaces’ coloridos, um colete preto, uma calça jeans skinny e o insubstituível All Star. Lembrar que daqui a exatamente seis horas eu já estaria dentro de um cruzeiro me deixava enjoada. Sim, eu estava muitíssimo animada, mas bate aquele nervoso, sabe?
Fui descendo as escadas, pensando em como seria esse cruzeiro, quando um grito me fez dar um certo pulo, fazendo com que saísse desses pensamentos imediatamente.
- FELIZ ANIVERSÁRIO! – Meus pais gritaram em coro, fazendo com que um sorriso se formasse nos cantos de minha boca.
Eles me abraçaram ao mesmo tempo, me esmagando, óbvio. Olhei para a mesa e consegui ver um bolo, pequeno, mas que parecia muito, muito bom. De chocolate branco com chocolate preto... Nossa, eles sabem mesmo como me deixar animada em plenas 9h da manhã.
- Como passou a noite no quarto novo, aniversariante? – Disse minha mãe, Silvia, me puxando para a mesa, onde o bolo estava.
- Por incrível que pareça, bem. – Eu disse, soltando uma risada curta e abafada.
- Eu sabia que você iria ficar bem no seu novo quarto... Sabia que ele é maior do que o nosso? – Disse meu pai, David, acendendo a vela.
- Obrigada. – Disse, sorrindo pra eles dois.
E o que se ouviu a seguir foi aquela típica música de ‘Parabéns pra Você’. Não tinha como aquele primeiro dia em L.A ficar melhor. As pessoas que eu amo, num dia especial, não tinha como ser melhor. Quer dizer, especial de acordo com eles, porque pra mim era mais um aniversário.


Daquela hora em diante, o dia passou voando, o que significa que se eu não saísse de casa naquele exato momento, não conseguiria chegar ao porto às 15h.
Peguei minhas três malas e fui pro carro. Dali até o porto era uns 30/40 minutos mais ou menos. Sorte que meu pai já havia morado em L.A, a trabalho por dois anos, senão nos perderíamos na certa.
Como eu disse, em 40 minutos chegamos ao porto e estava lotado de adolescentes, o que me assustou um pouco. As garotas daqui são extremamente lindas, ganhando de mim por 10 a 0 em quesito beleza... Sem dúvidas.
Já haviam anunciado a partida do cruzeiro e eu tive que me despedir dos meus pais. Confesso que me deu um aperto no coração. Nunca tinha me separado deles por tanto tempo, a não ser pela aquela vez que eu fiquei internada, mas não gosto de falar nisso.
Já havia dado minhas malas para serem levadas diretamente pro meu quarto e esperei o último aviso pra entrar, afinal, queria passar aquele tempo que me restava com a minha família.
Dez minutos depois, o último aviso foi dado e era a minha deixa. Abracei meus pais fortemente e disse que os amava, porque nunca se sabe o dia de amanhã.
Dito isso, adentrei no cruzeiro com meu coração acelerado, a ponto de ter um colapso nervoso. Enquanto o mesmo se movia lentamente, acenei para os meus pais que ainda estavam ali, como muitos outros pais também. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, mas não era uma lágrima de tristeza... Bom, não sei explicar muito bem, era medo misturado com felicidade, esperança e muitas coisas juntas.
Com minha mochila nas costas, fui andando pelo imenso navio a procura do meu quarto. Era de número 305 e eu já estava perdida. Pedi ajuda a algumas pessoas que trabalhavam por ali e finalmente encontrei os corredores onde havia os quartos, até encontrar o número 305.
Peguei a chave e abri, notando uma segunda cama vazia. Minhas malas já estavam por lá e eu tratei de desfazê-las logo. Não demorei muito tempo para isso. Como guardei minhas roupas dobradas por ordem de peças nas minhas malas, colocar nas gavetas durou cerca de 30 minutos apenas. Deixei apenas minha mochila do jeito que estava, pois lá eu tinha deixado meu notebook, a internet, meu Ipod, meu Iphone e seus carregadores.
Sentei na cama e fiquei brisando. Literalmente. Não fiquei pensando em nada, só estava quieta. Até que a porta se abriu.
A garota que entrou era magra, tinha os cabelos loiros, lisos até a cintura e um olho tão verde que dava pra se perder neles.
Ela me olhou indiferente, jogou sua bolsa em cima da cama. Como não queria dar uma de antipática, fui me apresentar.
- Oi! – Ela me olhou e continuou a espalhar suas coisas pela cama. – Sou ... Sua colega de quarto...
Ela nada respondia.
- Eu acabei de me mudar pra L.A... – Ela me interrompeu, jogando seus cabelos para trás.
- Eu sou Avril... E não adianta tentar ser minha amiga, porque não vai rolar, ok? – Ela me olhou de cima a baixo e saiu, batendo a porta.
Acabei de descobrir que além de lindas, as garotas de L.A são um amor de pessoa.


Fiz um rabo de cavalo e saí para dar uma volta, tomar um sorvete... Qualquer coisa!
Fui andando lentamente pelo navio, olhando todos à minha volta, cada detalhe, até o sotaque deles. Achei uma pequena sorveteria e pedi um com sabor de pistache. Era incrivelmente delicioso... Conseguia ser melhor do que o sorvete do Texas.
Por incrível que pareça, fui andando pensando no sorvete delicioso, quando meu sonho se tornou pesadelo: alguém esbarrou em mim e o sorvete foi parar direto na minha blusa. E, pra variar, TODOS estavam olhando pra mim rindo. Ótimo!
- Não olha por onde anda não, garota? – Disse o garoto, me fazendo olhar para ele. – Você sujou meu braço!
Olhei em volta e eu estava na área da piscina, onde todos os californianos gostam de ficar.
- Desculpa, não sabia que aqui era a área feminina! – Os risos se intensificaram e o garoto ficou me olhando, sem entender o que eu disse. – Oras, pra você estar tão preocupado com seu lindo bracinho de frango, deve ser porque você é bem afeminado, né?
Os deboches agora foram todos pra ele. E pra aproveitar a situação, peguei o sorvete que grudara na minha blusa e taquei na testa dele.
- Desculpa aí, moça! – Eu disse em tom irônico, saindo daquele recinto. Eu estava tremendo e só conseguia ouvi-lo reclamando com os amigos no fundo.
Porque eu nunca tive essa atitude antes? A gente se sente tão bem...
E então fui rindo mentalmente até chegar ao meu quarto novamente. Tomei um banho e coloquei um short jeans, uma sandália aberta e uma bata, pois estava um calor forte ali.
De acordo com a programação do navio, às 19h iria ter um festival de pizza de graça na pizzaria, para dar as boas-vindas ao pessoal.
Como faltavam apenas 20 minutos para as 19h, desci e aproveitei para levar minhas roupas sujas de sorvete para a lavanderia.
Saí da lavanderia e fui direto para a pizzaria, que estava extremamente lotada de gente. E adivinhem? Eu não tinha com quem sentar, porque minha colega de quarto... Não era minha colega. Todas as mesas estavam ocupadas e eu estava prestes a sair dali, quando olho para o lado e vejo uma menina na mesma situação que eu: olhando para o grande salão na esperança de encontrar um lugar pra sentar.
Ela me olhou e eu sorri amigavelmente, ela retribuiu. Andei em sua direção e me apresentei.
- Oi... – Eu disse com medo de levar uma ‘patada’ igual como a Avril fez comigo. – Eu sou ...
Ela foi logo respondendo.
- Oi, ... Eu sou Ashley. – Ela sorriu. – Me deixe adivinhar, não fez amizade com sua colega de quarto, acertei?
Ela disse, soltando uma risada sem graça.
- Na mosca... – Acompanhei sua risada.
- Então somos duas! – Ela disse... – Tem uma mesa lá no meio, quer sentar comigo?
Vou me ajoelhar e agradecer a Deus por ter pelo menos uma pessoa legal nesse lugar. Sério.
- Claro! – Disse sorrindo e andando em direção à mesa.


Batemos muito papo e, claro, comemos muita pizza. Estavam todos falando alto, porque com aquele falatório da pizzaria, tínhamos que aumentar o tom de voz.
Ela tinha muitas coisas em comum comigo, muitas mesmo. Acho que ela, sim, deveria ser minha colega de quarto e não aquela Avril. Mas enfim, temos que superar isso, não é mesmo?
Quando deu 21h30, algumas pessoas já estavam deixando o salão e Ash – como ela gosta de ser chamada – já mostrava sinais de cansaço. Então levantamos e fomos até aos nosso quartos – que por coincidência, ficava um de frente para o outro – e nos despedimos.
Como eu estava sem sono, peguei um livro e fui até a parte da piscina, pegar um pouco de ar puro e relaxar. Eu estava lendo Querido John e aquele livro era realmente incrível. Fiquei ali por algum tempo, até ser interrompida por uma bola de Futebol Americano batendo em cima do meu livro, me assustando imediatamente.
Fechei o livro e peguei a bola, quando olhei quem havia tacado a mesma, juro, me deu vontade de tacar aquela bola no mar. Era o tal garoto do sorvete. Quer dizer, a garota do sorvete era eu, mas ele que destruiu ele.
Ficamos nos encarando. Nem ele vinha e nem ia. Os amigos dele, impacientes, começaram a empurrar ele, fazendo-o vir pegar a bola.
- Oi. – Disse ele, passando a mão no cabelo.
- Oi. – Eu disse seca.
- Me desculpa pela bolada, é sério, não foi minha intenção... – Ele pausou e me olhou, esperando que eu dissesse algo, mas eu só fiquei o encarando. – É que eu não jogo muito bem, sabe...
- Eu não quero saber... – Disse interrompendo-o. – Só toma cuidado com essa bola e sempre quando eu estiver no seu campo de visão, porque, pelo que eu percebi, é capaz de você me tacar em alto-mar.
Ele me olhou incrédulo.
- Na-não, é sério, não vai acontecer de novo! – Ele disse, gaguejando.
- Espero! – Me levantei e bati com a bola em seu peito até ele segurar e saí andando em direção ao meu quarto.
Fui andando e quando passei pela grande porta que separava a área da piscina e o corredor, ouvi alguém gritar. Olhei para trás e era ele vindo correndo atrás de mim.
- Hey! – Ele disse, como estivéssemos nos vendo pela primeira vez agora.
- Oi? – Eu disse, sem entender o que ele queria.
- Você esqueceu seu livro! – Ele disse sorrindo e estendendo-o pra mim. Eu estava tão, hum, ‘irritadinha’, que até esqueci o livro lá.
- Oh!... Obrigada... – Disse dando um sorriso amarelado, tentando parecer educada.
- Bom, como eu te sujei de sorvete e te atrapalhei na sua leitura, eu estava pensando se você não iria querer tomar o café da manhã comigo, que tal? – Ele disse num tom um tanto sedutor, mas parecia sincero... Ou era impressão minha?
- E o que te fez pensar isso?
- Ah, eu não sei... É uma forma de eu te pedir desculpas e nos conhecermos melhor... – Ele pausou. – Aliás, me chamo ... – Ele pausou novamente. – Te vejo amanhã às 10h?
- Talvez... – Eu disse me virando e andando, a fim de chegar ao meu quarto.
Ok, isso estava muito estranho... Um garoto nunca veio falar comigo, muito menos pra me chamar pra tomar café da manhã... Minhas mãos estavam trêmulas e eu nem sei por quê... Ele é branquinho, mais ou menos alto... E tinha olhos lindos... Na verdade, nem parei para reparar muito neles... Seu cabelo era de um encaracolado perfeito... Estranho...
Mas eu não posso me deixar levar por isso, não mesmo... Vai que ele só quer brincar comigo? Olha o que eu já estou pensando, em relação amorosa, nossa. Ele só deve querer minha amizade e isso eu não posso negar a ninguém! Não é mesmo?
Deitei na minha cama e diante disso tudo, desse turbilhão de pensamentos, adormeci.


Capítulo betado por Larissa Console

Capítulo 2



O relógio da minha cabeceira gritava desesperadamente para me lembrar que já se passavam das nove horas. Levantei em um pulo e corri para o banheiro para fazer minha higiene matinal.
Escovei os dentes, penteei o cabelo, passei um pouco de maquiagem e fui trocar de roupa.
Eu estava tão nervosa com o café da manhã, que não fazia ideia de qual roupa usar. Revirei a gaveta inteira e nada. Eu já estava em desespero e já era quase 10h.
- Ok, , se acalma... – Disse em voz alta pra mim mesma – Você vai encontrar uma roupa incrível, que mostre quem você é...
Aliás, era um café da manhã, não precisava de muitos exageros... Ou precisava?
Enquanto guardava todas as minhas roupas novamente, achei um vestido que eu nunca usara antes. Ele era soltinho, branco e perfeito. Sorri para mim mesma, terminei de guardar minhas roupas e vesti o vestido. Coloquei um All Star de cano médio amarelo e saí correndo, afinal, já era 10h.
Andei pelo corredor e muitas pessoas passavam por mim, conversando e contando do seu dia com sua amiga. Olhei em volta e nada de Ashley por ali. Continuei andando até chegar ao grande salão onde, literalmente, TODOS se encontravam. Olhei em volta e nada do ... Decidi esperá-lo bem na entrada, para caso ele chegasse, ele iria me ver.
10h40 e nenhum sinal dele. Meu coração palpitava rápido demais para que eu soubesse o por que... Raiva? Tristeza? Eu não saberia explicar caso alguém me perguntasse. Decidi desistir de ficar ali em pé e me sentei. Pedi uma tigela de cereais, era o suficiente. Comi e nada dele. 11h e nada.
Desisti de esperá-lo e saí do salão em direção ao meu quarto. Chegando lá, tirei o tênis, entrei no banheiro para lavar o rosto e tranquei a porta.
Quando estava prestes a abrir, ouvi a porta se abrir e ouvi Avril entrar toda falante com alguém que eu não sabia quem era, mas devia ser alguma amiga.
- Me conta como foi! – Disse a tal garota. Ouvi uns risinhos tomar conta do quarto e Avril continuou:
- Foi INCRÍVEL! Nossa, ele é perfeito, beija suuuuuuper bem, foi difícil ter que parar, mas ele disse que tinha um compromisso e foi embora.
Eu continuei ali, ouvindo tudo. Ok, eu sei que isso é falta de educação, mas se eu saísse de lá agora, eu não sei o que aconteceria comigo. A tal garota continuou.
- Mas ele falou se ia te ligar, ou alguma coisa do tipo?
- Disse, vamos nos encontrar hoje à noite, no jantar... Ai, ele é perfeito pra mim, ele ainda vai ser meu, pode acreditar!
As duas caíram no riso, até que ouvi a porta bater novamente e o silêncio tomar conta do quarto. “Ótimo, elas já foram embora!” Pensei comigo mesma e abri a porta.
Saí do banheiro e caí na cama. Como o almoço só sairia às 13h, decidi dar uma olhada rápida no blog. Como o sinal não me permitia posts, eu veria pelo menos os comentários e o número de visitas.
Liguei o notebook e, para minha infelicidade, dentro do meu quarto não pegava um mísero sinal de internet. Calcei o chinelo e fui andando até onde o sinal ficava melhor. Fui andando, andando até chegar à piscina, onde a internet funcionou perfeitamente.
Nem olhei para quem estava ali, só sei que sentei em uma das cadeiras e fucei o blog. Abri meu último post e me surpreendi: 800 comentários e 2000 visitas. Um sorriso imenso se abriu e eu não conseguia parar de sorrir. Aquele blog era tudo para mim, era meu refúgio, onde eu podia expressar meus pensamentos sobre as pessoas e sobre o mundo sem que me julgassem. E não, não era só pelo fato de eu ser “anônima”, mas era porque eu via que as pessoas se identificavam com ele.
Li algum dos comentários que diziam: “Incrível”, “O Melhor Post...”, “Concordo Plenamente com tudo”... Nada era mais gratificante do que fazer o que você gosta e começar a ser reconhecida por isso.
Enquanto sorria pra mim mesma, senti alguém se aproximar de mim. Olhei para cima e avistei com uma cara um tanto “diferente”. Meu sorriso se desfez na mesma hora.
- Olha, me desculpa, eu tive um problema... – Ele começou a falar e eu me levantei, não dando a mínima e saindo dali. Não olhei pra trás pra ver a cara dele, também nem precisava. Ele não era importante, que se dane o que ele pensa e o que ele queria me dizer.
Fui andando tão rápido, que acabei esbarrando em alguém e esse alguém caiu no chão. Quando olhei quem era, meu coração foi na boca.
- VOCÊ NÃO OLHA POR ONDE ANDA, SUA VADIA? – Gritou Avril, com os olhos vermelhos de raiva. Nesse momento, todos olhavam pra nós e o silêncio se fez presente ali.
- M-m-e d-d-escu-ulpa... – Gaguejei de medo. Ela levantou e me encarou com os olhos fervendo de ódio. Em um movimento tão rápido, ela derrubou meu notebook e veio pra cima de mim, e eu fui andando pra trás até encostar na parede.
- Desculpa? Você sabe quem eu sou? – Ela disse em um tom ameaçador que me fez ter calafrios.
- Avril, me desculpa, não foi a minha intenção... – Ela me interrompeu.
- Não foi sua intenção? – Ela pausou e em outro movimento rápido me deu um tapa na cara, que me fez cair no chão. Ouvi as pessoas cochicharem com o ocorrido e eu só conseguia olhar para o chão. – Desculpa, querida, também não foi minha intenção.
A ouvi dar uma risada tão debochada, que fez meus olhos marejarem. Eu não queria olhar pra ninguém.
Peguei meu notebook e saí andando daquele lugar, olhando apenas para o chão até chegar ao meu quarto. Afundei minha cabeça no travesseiro e desabei no choro. Eu sabia que nada que era bom durava muito tempo, só não sabia o porquê de eu acreditar sempre que as pessoas podem ser diferentes. Aquela viagem foi um erro, eu sabia disso. Eu só queria ser feliz, só queria sair daquele lugar e viver de novo. E o que eu ganho? Mais humilhação? Mais sofrimento?
Não era isso que eu queria pra mim, eu só queria ser aceita.
Ouvi baterem na porta. Eu não queria ver ninguém.
- Hey... Eu sei que você está aí... Abre a porta, vai... – E a voz dele invadiu meu quarto. Ouvi a porta se abrir e eu senti meu coração acelerar, mas o medo e a vergonha me impediram de olhar pra trás.
Enterrei ainda mais meu rosto no travesseiro enquanto minhas lágrimas, que se multiplicavam a cada segundo, se misturavam com o tecido que sustentava meu rosto.
Senti sua mão me tocar nos ombros e meu corpo estremeceu ao seu toque, me fazendo olhar pra trás involuntariamente até nossos olhos se encontrarem.
- Eu vim ver se você está bem...
- Eu pareço bem? – Fixei meus olhos nos dele e ele não falou absolutamente nada. Ficamos ali nos encarando apenas por alguns segundos, até que num movimento ele me abraçou.
Seu abraço era quente e me trazia uma boa sensação que eu não saberia explicar se alguém me perguntasse, mas tudo que eu sabia, era que eu queria estar ali durante todo o tempo que me sentisse com medo.
Fechei meus olhos e me acomodei em seu peito enquanto, aos poucos, minhas lágrimas cessaram.
- Não ligue pro que ela diz... Nunca se sinta inferior, ela gosta disso. E eu sei que você é forte e muito mais do que isso. Não deixe que nem ela nem ninguém a faça se sentir assim.
De alguma forma, aquelas palavras me fizeram sentir melhor. Não sei qual poder ele tinha, mas ele mexia comigo. De todas as formas. Era isso que mais me dava medo: não ter medo. Eu sabia que tinha que viver minha nova vida do melhor jeito possível e que eu não deveria sentir medo de errar.
Eu o vi dizer mais algumas coisas, mas meu pensamento estava em outro lugar bem longe dali. Também o vi me dar um beijo nas minhas bochechas e passar pela porta, e eu senti uma necessidade de desabafar. De desabafar com aquelas pessoas que se sentiam assim como eu.
Peguei meu notebook e, milagrosamente, o sinal ficava estável dentro do banheiro. Abri-o imediatamente e direcionei para aquela página que me trazia mais uma esperança desse mundo que alguns ainda tentavam viver.

22 de Abril de 2012 – Afinal, o que é sentir medo?

O que é sentir medo? O medo necessariamente tem que ser ruim? Eu não sei. E queria saber.
Eu ainda não entendo o porquê das pessoas sempre dizerem para não sentirmos medo de nada, para seguirmos em frente como se não houvesse o amanhã. Mas e se o medo nos proteger de sofrer? Talvez aquele medo atormentável, seja exatamente o medo que devemos ouvir. Aquele que nos avisa de que aquilo não é possível ou real.
Mas como sabemos disso se não tentarmos? É aí que está. Tudo leva para o mesmo caminho: Ou você arrisca sem medo e sofre, ou você retrai e sofre também.
São perguntas que nunca iremos obter resposta. Talvez o medo em relação àquela pessoa, seja exatamente o medo que nos impede de errar e sofrer mais... Muito mais. Mas quando chegamos a esse ponto, é sinal de que não há mais jeito, é sinal de que o medo já te encheu a cabeça. E aí não temos mais para onde ir. E começamos a sofrer.
Vocês sabem o que é medo? Já sentiram medo?
Talvez vocês possam me explicar.

Ass., Miss .



Capítulo betado por Larissa Console

Capítulo 3



Duas semanas depois...

Avril não dormia comigo no dormitório desde... Sempre. Ela sempre passava a noite na cabine de suas amigas, o que era bom, porque ver a cara dela todos os dias não era uma coisa, digamos... Agradável, pra ser específica. Ainda mais depois daquela história no corredor, que não gosto nem de me lembrar.
Falando em corredor, depois do incidente, se tornou um total príncipe, daqueles que todas as garotas sonham ter consigo. Tinha vezes que ele ficava praticamente o dia inteiro na minha cabine fazendo absolutamente nada. Mas até o “nada” com ele se tornava interessante. Ele me dizia coisas tão bonitas, e houve até vezes que quase nos beijamos, o que me deixava com a cabeça nas nuvens. Mas eu não podia descartar o fato de que nunca mais nos veríamos, já que duas semanas se passam num piscar de olhos.
Infelizmente, fazia três dias que eu e ele não nos falávamos direito. Pelas vezes que eu o vi, ele estava meio estranho, não conversava comigo olhando em meus olhos, como sempre fazia, e, assim, em fração de segundos, nos tornamos desconhecidos. Típico.
Felizmente eu tinha a Ash, que a cada 30 minutos me procura pra contar alguma coisa que viu ou ouviu. Pelo menos eu não me sentia mais tão sozinha aqui.
Pra falar a verdade, eu estava feliz por ter que voltar à minha rotina – não seria começar? – e rever meus pais, afinal, são 15 dia sem vê-los. Acho que nunca passei tanto tempo longe deles. E só de lembrar que daqui a três dias começa o ano letivo, me dava arrepios. Acho que peguei trauma de L.A. em 15 dias. Parece engraçado, mas não é. E o pesadelo só está começando.

Ouvi a sirene do navio avisando que acabara de atracar. Quase não conseguia respirar de tanta ansiedade, saudade, emoção de ver meus pais... Nunca havia ficado tanto tempo longe deles e era por isso que eu mal esperei a passagem se abrir para correr até eles.
Demorei um pouco para encontrá-los, o que me fez bater um pouco de desespero, mas aqueles cabelos curtos e castanhos escuros encaracolados, que só minha mãe tinha, me fez sorrir instantaneamente.
Fui ao seu encontro e a abracei como se eu tivesse passado anos sem vê-la, e fiz o mesmo com meu pai, que não parava de sorrir e falar o quanto sentira minha falta. Depois disso, fomos em direção ao carro e de lá, em direção à minha casa. Meus pais não paravam de falar em como L.A. era linda e como as pessoas são simpáticas. Bom, de acordo com a minha tese, esta informação está completamente incorreta!
Cheguei em casa e fui em direção ao meu quarto, e pude ouvir uns risinhos da minha mãe ao me olhar ir em direção à ele. Quando abri a porta, tive uma completa surpresa: O quarto estava PERFEITO! Com exatamente TUDO que uma adolescente precisava pra sobreviver ao ensino médio. Tinha meu closet, uma área de estudos, uma cama gigante, TV... Não poderia ser melhor!
Tirei minhas roupas e minhas outras coisas da mala e arrumei tudo em seus devidos lugares. Tratei logo de estrear a cama, já que não tinha dormido nada na noite anterior, o que fez com que o sono viesse numa rapidez, que mal vi a hora que tudo escureceu.

Os três dias se passaram incrivelmente rápido, mas só caiu a ficha de que era o primeiro dia de aula quando o despertador tocou. A primeira coisa que vi quando acordei, foi minha mochila dos Simpsons pendurada perto do computador. A sensação que eu tinha era que o tempo passara rápido demais para o começo do ano letivo e que demoraria quase séculos para que terminasse.

Capítulo 4



Procurar roupa para o primeiro dia de aula parece fácil, mas acredite, é um desafio e tanto. Em L.A. as coisas se baseavam nas primeiras impressões, ou seja, se você for vestida como uma vadia no primeiro dia de aula – mesmo que você não seja uma -, você será uma vadia pelo resto do ensino médio. Por isso, era completamente importante escolher uma roupa que descreva quem você é para não ter que aguentar pessoas falando besteiras de você pelas costas.
Revirei meu guardarroupa e decidi optar pelo básico mesmo. Meu objetivo nesta cidade é passar despercebida pelo resto do Ensino Médio e ser feliz assim, como sempre fui.
- Espero realmente que esse look sirva... – Falei para mim mesma enquanto soltava meus cabelos e a porta se abria, sem que eu ao menos percebesse.
- Falando sozinha, filha? – Disse minha mãe dando uma pequena risada.
- Talvez... – Disse me virando para encará-la. – Essa roupa está feia?
Minha mãe soltou uma gargalhada abafada.
- É claro que sim... Desde quando se importa com roupa pra ir pra escola?
A imagem das pessoas daquele navio veio à minha cabeça, o real motivo de querer ser aceita. Não queria ter que passar por humilhações. Não que minha roupa provocasse isso, mas pelo menos me livrava de falatórios e um pré-conceito que eu não suportaria.
Dei um sorriso para minha mãe, fazendo-a sorrir de volta. Ela não sabia do ocorrido no navio, por isso tratei logo de mudar de assunto.
- Papai está pronto?
- Sim, vamos! – Disse ela, se virando para que eu a seguisse.
Papai me levaria para escola até eu tirar finalmente minha carta de motorista.
À medida que eu me aproximava da Hollywood High School, meu coração batia mais forte. Sim, eu tinha medo da escola. Tenho trauma de pessoas superiores e nessa cidade o que mais tinha era isso. As pessoas se aproveitam da sua fraqueza para te pisar e mostrar pra todo mundo que é superior que você. Minha vontade era de descer do carro e correr para um lugar bem distante dali. Mas não dava mais tempo.
- Chegamos! – Ele disse olhando pela janela a escola adiante. Eu segui seu olhar e avistei uma multidão de pessoas andando, chegando com seus carros de luxo, umas conversando, outras no celular... Ok, esse lugar é TOTALMENTE diferente do Texas. E eu definitivamente não me acostumaria tão cedo. – Já pode descer do carro, ... - Disse meu pai, tentando me expulsar do carro de forma amigável.
Respirei fundo e desci do carro com as pernas bambas enquanto acenava um adeus para meu pai, que na mesma hora partiu para o trabalho.
Olhei ao redor e aquilo parecia um filme de terror. E eu estava apavorada.

Enquanto passava entre aquela multidão, percebia alguns olhares do tipo “mais uma caloura”... Tentei não me ligar muito nisso e continuei andando até adentrar na grande escola. O lugar era inacreditável, e adivinhem? Eu não sabia para onde ir. Olhei para o papel para procurar meu armário e guardar os livros que não usaria para a primeira aula.
Dei voltas e voltas até finalmente encontrar o armário 543. Peguei novamente o papel para verificar a senha do armário e para ver qual eram as primeiras aulas. Inglês e Cálculo. Então decidi guardar o resto dos livros para pegá-los após do intervalo.
Logo após guardar os livros, o sinal tocou. E se você achava assustador só ter que olhar para as pessoas do lado de fora, imagine ter que ver todas elas correndo para as classes. Ao mesmo tempo! SOS!
Olhei para o número da minha sala e fui à procura como todos os outros. Confesso que achei que seria mais difícil encontrar, mas consegui achar antes mesmo do professor entrar.
Sentei na carteira do fundo da classe, encostada na janela – para o caso da aula ser chata, eu ter uma distração, mesmo que essa distração seja olhar a rua.
Quando todos os alunos estavam já na classe, uma professora entrou se apresentando.
- Bom dia, classe! – Disse ela enquanto colocava suas coisas sobre a mesa – Sou a professora Annabeth Dare e vou ensiná-los Inglês!
Enquanto ela falava conosco, pude ouvir alguns meninos perto de mim comentando sobre como a professora era bonita. Ok, isso eu tenho que concordar. Ela tinha olhos verde-claros, cabelos loiros curtos e um corpo de modelo. Tudo estava indo bem, até que ela disse a seguinte frase:
- Como sou nova na escola, quero conhecê-los, então, conforme eu for chamando os nomes de vocês, venham aqui na frente e se apresentem para a classe.
Ela se virou para pegar a lista de chamada e eu enterrei meu rosto em meus braços, querendo sumir.
As pessoas foram se apresentando e à medida que uma pessoa ia, eu ficava mais nervosa. Eu já disse que DETESTO falar em público? Então.
- ? – Disse a professora olhando para a classe – ?
Eu levantei a mão, trêmula, e pronto: Todos olharam para mim.
- Venha aqui a frente se apresentar, querida! – Disse ela, me lançando um sorriso encorajador, que, infelizmente, não me ajudou.
Andei até a frente e me deparei com 45 alunos me olhando, esperando que eu falasse algo.
- Eu... Hum... – Gaguejei, para variar. Respirei fundo e continuei. – Sou... ... Tenho... 16 anos...
- De onde você é? – Ela disse sorrindo e continuou. – Seu sotaque é de onde?
- Bom, na verdade sou brasileira... – Isso foi o suficiente para todos da classe falarem ao mesmo tempo coisas do tipo “como é o Brasil?”, “tem garotos bonitos lá?”... Não liguei muito para isso e continuei. – Me mudei para o Texas quando tinha 10 anos e vim para L.A. faz duas semanas mais ou menos.
- Que ótimo! – Disse a professora. – Pode se sentar agora, querida!
As pessoas me acompanharam com o olhar até que eu me sentei e logo após eu era a garota invisível de novo.
As horas se passaram e era o fim do segundo tempo de Inglês. Agora são mais dois tempos de Cálculo. Ótimo!

Tratei de guardar logo o livro de Inglês no armário e levei apenas o livro de Cálculo para a aula. Fui andando lentamente, pensando em absolutamente nada, e finalmente cheguei à sala. Quando abri a porta, dei de cara com um professor um tanto gordo, com os cabelos já grisalhos e mais 45 pessoas me encarando.
- Er... Oi? – Foi a única coisa que consegui dizer.
- Você deve ser a aluna nova... – Ele olhou na lista de chamada. Provavelmente os alunos novos já haviam feito suas apresentações. – , certo? A garota brasileira do Texas?
- Sim... – Lancei um sorriso meigo para ele... Costumava fazer isso no Texas para não levar bronca dos professores quando chegava atrasada.
- Espero que não se atrase mais, minha aula não é uma bagunça! – Disse ele rispidamente. Acho que meu sorriso não adiantou muita coisa. – Agora sente-se e abra na página 3 para eu dar continuidade à minha aula.
- Sentei no canto da sala, dessa vez sem janelas. Os alunos riram um pouco de mim, acho que levar bronca na frente de todos deve ser bem divertido. Para quem não é o motivo da piada, é claro. As horas finalmente passaram voando, e finalmente era a hora do intervalo.
Enquanto o sinal soava, as pessoas corriam pelos corredores a fim de conseguir o melhor lugar no imenso refeitório. Como sou uma pessoa nada apressada, andei lerdamente pelos corredores e acabou que quando cheguei ao refeitório, não havia mais mesas vagas para eu me sentar.
Do mesmo jeito, fui pegar o lanche e, assim que terminei de pegá-lo, os alunos vibraram, e aí percebi um homem alto e negro de óculos, vestido impecavelmente, entrando no “palco” do refeitório.
- Sejam Bem-Vindos à Hollywood High School! – Disse ele enquanto os alunos vibravam. Ele fez um pequeno discurso de boas-vindas aos calouros e também aos veteranos. Ele parecia uma pessoa bem simpática e daí finalmente ele terminou de falar.
- Então é isso, queridos alunos... Eu sei muito bem que essa gritaria não é por mim, então receba aqui no palco da Hollywood High School a banda que ganhou em 1º lugar no concurso de bandas do Ensino Médio de toda a Califórnia! – Ele deu uma pausa enquanto os alunos gritavam alvoroçados. – Recebam a ONE DIRECTION!
E então todos correram para perto do palco enquanto o diretor saía e entravam cinco garotos. Aproveitei que as pessoas saíram de suas mesas e me direcionei a uma enquanto a banda começava a cantar.
Dei a primeira mordida em meu hambúrguer e me virei para olhar a tal One Direction, e foi questão de dois segundos para que o pedaço de hambúrguer que eu havia mordido voasse pela minha boca.
Comecei a tossir e fechei os olhos. Me atrevi a olhar para a banda de novo e a cena que eu via parecia fazer meu corpo inteiro paralisar.
Olhei os cinco garotos, mas um em especial me chamou a atenção por seus cabelos encaracolados. Olhei para os outros meninos tentando não acreditar.
- Não é possível! – Disse enquanto meus olhos lacrimejavam lentamente. A primeira canção havia terminado e então eles começaram a falar.
- Olá, pessoal. Eu sou o !
- Eu sou o Liam!
- Sou o , pessoal!
- Sou o !
- E eu sou o ! – Meu coração paralisou. Era ele. O garoto que conheci no cruzeiro. Os cabelos encaracolados, os olhos azuis, aquele sorriso... Agora tudo fazia sentido. – E nós somos a One Direction!
Eles começaram a cantar outra canção e eu saí do refeitório aos prantos. Fui direto para o banheiro e entrei em uma cabine, me trancando logo em seguida.
Uma imagem de uma das tardes que passei com me veio na memória...

* * *
Flashback on...


- Então você é do tipo nerd? – Disse ele me lançando aquele sorriso encantador enquanto passava os olhos em um de meus livros que eu levara para o navio.
- Não digo que sou nerd... Só me esforço pra ter notas o suficiente para passar de ano... Não faço de estudos uma coisa chata... – Eu disse rindo...
Ele riu junto comigo.
- Eu confesso que não tiro notas muito boas... Mas sempre passo de ano... Não consigo passar 3 horas por dia estudando, é tão chato...
Enquanto ele falava, ele se deitava lentamente sobre a cama, de modo que ele me visse melhor.
- Mas o que você quer pro seu futuro? – Eu disse, tentando quebrar o silêncio.
- Música... – Disse ele, olhando para o teto como se ele mesmo se imaginasse daqui a uns anos. – Quero viver da música.
Eu sorri.
- Isso é incrível! Você canta?
- Não canto muito bem... – Ele disse aos risos e logo voltou ao início do assunto. – Você tinha muitos amigos no Texas?
- Não... – Eu disse com a voz fraca. Na verdade, eu não tinha nenhum amigo no Texas. – E você? Você tem cara de ser o cara popular!
Eu disse aos risos, mas sua fisionomia mudou um pouco.
- Eu? Nunca... – Disse ele aos risos, como se escondesse algo. – Ninguém liga pra mim, sou o excluído da minha escola também...
Ele disse rindo e, antes mesmo que eu fizesse mais perguntas, ele mudou de assunto.
- Você está com fome? Vou buscar algo para comermos!
E então ele se levantou e foi em direção à porta, sumindo por ali.

Flashback off...


- Como ele pôde? – Eu disse dando um murro na porta. Ele havia mentido para mim. Ele mentiu pra mim praticamente o verão todo! Depois daquele dia, ele insistia em me dizer que não falava com ninguém na escola, que nenhuma garota pedia ou aceitava sair com ele... Mas não era o que parecia! Todas as garotas gritando por eles, ele era... Popular!
Ai meu Deus... Minha cabeça estava girando, eu estava ao ponto de vomitar! Como ele mentiu pra mim? Que droga!
- Estúpida! – Eu disse para mim mesma enquanto chorava silenciosamente no banheiro. Não sei quanto tempo passei ali dentro, só sei que quando olhei no relógio, já era 10h40. Eu estava dez minutos atrasada para a aula de biologia!
Saí do banheiro às pressas enquanto enxugava minhas lágrimas e corria achando a sala. Por sorte não era longe do banheiro, e então abri a porta afobadamente, dando um susto na professora!
- Perdão, professora! – Eu disse enquanto a classe toda ria de mim. Ela olhou para o relógio.
- Está dez minutos atrasada, Srta... Hum, qual é o seu nome?
- ! ! – A professora soltou um “Ah!”, assim que eu disse meu nome.
- A aluna nova do Texas, certo? – Assenti. – Seja bem-vinda, ! Bom, que bom que você chegou agora, íamos tirar os papéis para definir os pares até o final do ano letivo. Tire aqui um papel, querida, e leia em voz alta.
Fiz o que ela pediu e coloquei a mão dentro do pote de vidro que continha vários papéis com os nomes. Desde que entrei na sala, não parei para olhar para as pessoas e isso me fez ficar mais nervosa.
Assim que tirei o papel e li, meu coração parou. Eu já não sentia mais minhas pernas e eu tremia antes mesmo de falar em voz alta.
- Diga em voz alta, querida! – Ela disse simpaticamente.
Respirei fundo e finalmente disse.
- . – Falei de cabeça baixa e, assim que a levantei, nossos olhos se encontraram, e era como se mais ninguém existisse. Era ele, ... Aquele que eu conheci e que sinceramente não sabia se eu realmente o conhecia de verdade. Sorte ou azar? Era isso que eu estava me perguntando enquanto me sentava ao lado dele.

Capítulo 5



O aroma de seu perfume me fazia querer abraçá-lo e dizer o quanto ele mexeu comigo em 15 dias apenas. Mas eu não podia. Eu não o conhecia. Será que ele havia mentido sobre mais coisas? Será que ele me fez de boba esse tempo todo? Ele foi a melhor parte daquela viagem para mim, mas eu sinceramente não sei se eu fui apenas mais uma para ele.
- Oi... – Ele disse um tanto constrangido. Com muita dificuldade, olhei para ele e, assim que aqueles olhos de um azul profundo encontraram os meus, me fez paralisar, e eu não consegui dizer absolutamente nada.
Eu estava magoada, pois depois de muito tempo, eu realmente senti algo forte por alguém, e descubro que foi tudo uma mentira. Eu confiei nele, contei tudo o que eu sentia, meus medos, meus sonhos... Enquanto ele distorcia a verdade e provavelmente ria de mim por trás. A boba apaixonada. De novo.

A aula parecia não acabar e aquilo já estava me matando. Passamos a aula inteira em silêncio. De vez em quando eu sentia seu olhar em mim, mas não tinha coragem de olhá-lo. Nesse momento eu sentia vergonha. Vergonha de tudo o que disse e me arrependi amargamente de tudo o que eu havia dito para ele.
Finalmente o sinal tocou anunciando o fim da aula de biologia e eu tratei de levantar o mais rápido possível. Terminei de colocar minhas coisas dentro da bolsa e me virei para sair dali, até que senti sua mão segurar meu braço.
Seu toque fez com que meu corpo sofresse um tipo de choque elétrico.
- Precisamos conversar... – Ele disse em um tom calmo e sereno, me fazendo tremer ainda mais.
- Não temos o que conversar... – Ele me interrompeu.
- Temos sim, ... – Ele respirou fundo e se aproximou, me olhando nos olhos. – Por favor, ... Deixe eu te explicar o que houve...
- Não quero ouvir... – Eu o interrompi, com os olhos já lacrimejando. Respirei fundo e tratei de me controlar para não chorar. Pelo menos não na frente dele. – Esquece o que aconteceu, eu não preciso te ouvir e nem quero, ok? Preciso ir.
E me virei, ouvindo-o sibilar um “merda” enquanto eu saía da sala. E, para ficar melhor, assim que cruzei a porta dei de cara com ela. A única que eu realmente não queria encontrar nunca mais.
- Ora, ora, ora! – Disse Avril aos risos enquanto era seguida por quatro amigas. As mesmas que estavam no cruzeiro. – Olha quem veio para a nossa escola, meninas.
Era um tom debochado e não sei o porquê, mas assim que ela disse aquelas palavras, o corredor inteiro parou e nos assistiu.
- Você não cansa de cruzar o meu caminho, garota? – Ela disse em tom de deboche. – Você realmente vai passar o ano inteiro aqui? Que droga, vai ser realmente muito desagradável ter que cruzar contigo todos os dias no corredor... Então me faça um favor? Mantenha distância, ok? Antes que...
- Antes que o quê? – Uma voz masculina soou atrás de mim. Era ele... De novo! – Pelo amor de Deus, Avril, não cansa, não? É o primeiro dia da garota, pare de assustar os calouros assim!
A expressão dela mudou e a postura de “sou a dona do mundo e de tudo” rapidamente desapareceu.
- Como quiser, ! – Disse ela em tom sedutor, lançou uma piscada de olho para ele e virou as costas, saindo do campo de visão.
Se me perguntassem o que eu estava sentindo naquele momento, eu realmente não saberia o que responder. Era uma mistura de ódio, medo e mais vários sentimentos misturados. Não gostava daquele tipo de situação, nunca gostei de servir de entretenimento para as pessoas. E aquilo me fazia sentir um lixo completamente.
- Você está bem? – Disse ele, parecendo realmente preocupado. Mas eu não queria ceder. Eu sabia exatamente aonde aquilo iria me levar. Eu iria dar uma chance para ele se explicar, eu iria me apaixonar e por último e o mais divertido – para ele -, me pisar e me tratar como mais uma da lista das apaixonadas pelo .
Enquanto virava as costas e seguia pelo corredor, eu podia ouvir as pessoas cochichando sobre como o era lindo, como o era talentoso, como o era isso, como o era aquilo... Isso já estava me deixando louca! O que elas tinham na cabeça? Será que elas só viam beleza, popularidade? Isso realmente é o mais importante? E o que ele é? Ninguém se importa em descobrir? Isso realmente me deixava triste, pois pessoas assim, que só veem a aparência, são dignas de pena, pois não sabem o que é realmente se apaixonar por alguém que realmente valha a pena, que realmente tem valor.

Depois de mais dois tempos de Sociologia, finalmente era a hora da saída. Quando saí, tive que ver a cena de várias líderes de torcida em volta dos meninos da One Direction e era realmente, hm, ARGH! Não sei explicar, não sei o que estou sentindo. Só sei que quero ir pra casa, o mais rápido possível!
Avistei o carro da minha mãe e fui em direção a ele.
- Como foi seu primeiro dia? – Perguntou ela, dando a partida no carro.
- Melhor impossível! – Falei em tom de ironia.
Cheguei em casa em questão de minutos e não perdi tempo: Fui direto pro computador. Eu realmente precisava desabafar, dizer a todas aquelas pessoas o que eu estava sentindo e como eu estava frustrada.

15 de maio de 2012 – E começa o ano letivo...

Mais um ano letivo se inicia... Mas será que sou só eu que sinto medo? Aliás, sentia! Depois de hoje, não é mais medo o que sentia – talvez até seja -, mas o sentimento que mais fazia meu coração acelerar era o ódio! Não que isso seja uma coisa boa, mas certas atitudes de certas pessoas me fazem sentir ódio. E pena também.
Superioridade é uma doença e tanto, vocês sabiam? Não que isso seja um problema, o problema mesmo são essas pessoas quererem jogar na sua cara o quanto você é insignificante e o quanto é legal fazer você ser o motivo de piada para as pessoas.
O que eu queria era que eu começasse o ano letivo com a certeza de que tudo iria ser diferente, que as pessoas fossem diferentes. Que elas parassem de vomitar ego por toda a parte, que parassem de fazer questão da opinião alheia... Que parassem de mentir! O que essas pessoas vivem são mentiras, são atitudes que não as levam a lugar nenhum.
Ser popular não é tudo e não ser popular não é um bicho de sete cabeças. Temos que viver nossas vidas sem precisar de plateia, temos que nos permitir errar sem que as pessoas esperassem um simples erro para nos expor ao extremo e distorcer a verdade.
Eu quero liberdade. Eu quero a verdade. E eu só quero pessoas que valham a pena perto de mim, pois ao contrário desses hipócritas que desfilam nos corredores, eu sou uma estudante que busca um futuro naquilo que eu realmente acredito: A verdadeira essência. É a minha verdadeira essência que vai me levar ao alvo dos meus objetivos, porque não preciso e nem quero ser aquilo que as pessoas querem que eu seja.

Ass., Miss .



Capítulo betado por Larissa Console


Capítulo 6



Acordei naquela manhã de sábado, com meu quarto totalmente tomado pelo sol californiano. Agradeci mentalmente por não ter aula, afinal, aquela semana havia se passado tão devagar que já estava quase pedindo socorro. Era complicado ter que olhar para a cara da Avril – e de suas amigas horrorosas – e do todos os dias, pois a cada dia da semana eu tinha quatro tempos com um ou com o outro. Sem esquecer que todas as sextas-feiras eu terei Educação Física com o e com a Avril. Todos juntos. Incrível!
Ainda de pijama, desci as escadas e procurei meu cereal, pois estava com muita fome. Peguei a tigela de cereal e levei para o meu quarto, e o comia enquanto meu notebook ligava.
Para manter o foco nos estudos, decidi não entrar tanto no computador todos os dias, mas com a cabeça em outro mundo, me esqueci de checar o blog desde a minha última postagem.
- Não... Acredito! – Foi a única coisa que consegui dizer. 2000 comentários e 4550 visitas. Era inacreditável como o meu blog, meu refúgio, meu diário pessoal se tornara tão bem visto pelos leitores.
Ler os comentários de elogios me fazia abrir um sorriso, pessoas dizendo que se identificavam, que estavam passando pelas mesmas coisas... Nada me dava mais motivação e coragem para seguir em frente.
Tentei responder alguns comentários e dei algumas dicas de como passar o ano letivo “em paz”, digamos assim. O que era estranho pra mim, mas como eu sempre digo, os melhores conselhos que damos são os que nós mesmos não conseguimos seguir.
Terminei de comer o meu cereal e tratei de arrumar algo para fazer naquele sábado, já que meus pais estavam trabalhando e só voltariam à noite para o jantar.
Fiz minha higiene matinal, e durante o banho, tive a ideia de ir ao Starbucks e aproveitar para fazer umas compras. O que era morar em L.A. e não comprar nada, não é mesmo? E eu precisava sair, conhecer a parte boa da cidade, e não ficar dentro de casa me doendo por pessoas que provavelmente nesse momento nem estão pensando em como estou me sentindo.
Troquei de roupa e peguei um táxi até o centro. Como já havia visto onde era o Starbucks mais próximo, não demorei muito para chegar até lá. Pedi um Iced Café Mocha, meu preferido, e me sentei do lado de fora, enquanto olhava as pessoas passarem com suas enormes sacolas de lojas.
Enquanto estava sentada ali, fiquei pensando na minha vida... Eu não queria ser a garota medrosa dos outros anos, e não iria permitir que Avril tirasse isso de mim. Ela não ia me derrubar, e as pessoas não iriam rir de mim. Não dessa vez! Era como se eu desse a ela o que ela realmente queria. Ela gostava de assustar as pessoas, de fazê-las se sentirem submissas a ela. E eu não ia dar isso a ela. Eu não vou ser como os outros daquela escola e me render às vontades e exigências dela. Nem que eu vire aquela escola de cabeça para baixo, eu não vou ser como eles.
- Oi? – Meus pensamentos foram interrompidos com uma voz desconhecida. Não sabia exatamente se era comigo, mas me virei para ter a certeza.
Era um dos amigos de , da One Direction... Não sabia qual o nome dele, confesso, mas ele me lançou um sorriso simpático enquanto eu o fitava com cara de bocó.
- Sou o , me desculpa te incomodar, mas eu te conheço de algum lugar... – Disse ele se sentando na mesma mesa que eu enquanto tomava um gole de seu frappuccino.
- Eu estudo na mesma escola de você... – Pausei e o fitei bem... Não era só da escola que eu o conhecia. – E eu acho que você estava no mesmo cruzeiro que eu há umas três semanas atrás...
Ele soltou uma risada.
- Verdade! Você é a !
Demorou um pouco para eu raciocinar corretamente. Como ele sabia o meu nome se há um segundo atrás ele nem sabia da onde eu era?
- Como você sabe meu nome?
Ele tomou um grande gole de seu frappuccino novamente, como se quisesse fazer um suspense e me lançou um olhar de o tipo “eu sei o que você fez no verão passado”! Literalmente.
- Eu sei o que você fez no verão passado! – Ao falar aquelas palavras eu arregalei os olhos, pois não sabia do que ele estava falando. – Você saiu com meu amigo !
Respirei pesadamente e não consegui segurar uma risada abafada. Talvez por que quando eu fico nervosa ou com vergonha, eu tenho crises de riso.
- Eu não saí com o ! – Tentei continuar, mas ele foi mais rápido do que eu.
- Saiu sim! – Disse ele aos risos. – Ele nem tinha mais tempo pra mim, me largou no navio com os outros pra ficar com você. Você foi a garota que roubou o meu de mim!
Dei uma gargalhada, pois ele havia falado com a voz chorosa.
- Ai, meu Deus, pare com isso, é sério! – Falei ainda aos risos, mas a verdade era que falar do era complicado pra mim. Eu não queria me importar com ele ou com o que passamos no cruzeiro, mas a verdade era que eu não parei de pensar nele um só segundo desde que saí de lá. Depois de anos sem olhar pra nenhum garoto, era assustador pensar que você poderia estar apaixonada pelo garoto mais popular da escola. Uma história típica, mas se tratando de mim, essas histórias nunca tinham finais felizes.
Ele atendeu ao meu pedido e mudou de assunto.
- É verdade que você é do Brasil?
- Sim! – Eu disse sorrindo. – Sou do Rio de Janeiro!
Ele se empolgou.
– Sério? Meu sonho é ir pra lá! A passeio e com a banda, sabe? Meu sonho é que nossa música dê certo.
Ele parou e respirou fundo, como se estivesse imaginando a si mesmo na banda daqui a alguns anos. Era engraçado, pois ele tinha o mesmo olhar que quando... Af, lá vou eu falando dele de novo.
- Nada é impossível! Acredite em mim, vale a pena se esforçar, pois a recompensa é bem melhor! Pode escrever o que eu estou dizendo, vocês ainda serão a banda número 1 do país!
Ele abriu um sorriso.
- Se Deus quiser!

Ficamos ali durante horas conversando. era realmente muito engraçado e me fez chorar de rir diversas vezes. Pena que ele teve que ir embora, pois tinha ensaio da banda.
Aproveitei que ele foi embora e comprei algumas roupas da vitrine de uma loja que me agradara. Nada tão caro comparado ao resto das lojas daquele lugar, apesar de que valia a pena cada centavo gasto ali.
Voltei para a casa, fiz uma janta simples e deixei no forno até que meus pais chegassem.
Corri pro computador e abri meu Facebook. Havia 3 solicitações de amizades: Uma era de Ashley, e não pensei duas vezes em aceitá-la – aproveitei e mandei uma mensagem para ela dizendo o quanto sentia sua falta -, a outra solicitação era de e o aceitei também. A terceira solicitação me fez sorrir e não sorrir ao mesmo tempo. “ – Confirmar | Agora não”.
“E agora, ?” Pensei e repensei durante alguns minutos e o aceitei. Ok, eu podia estar contradizendo aquilo que falei, mas é só uma solicitação de amizade, no que isso é importante?
Naveguei na internet normalmente, enquanto a outra aba do Facebook permanecia aberta. Enquanto via um site com um tutorial de maquiagens, ouvi o famoso barulho do bate-papo do facebook.
Quando abri a aba, era . Minha cabeça não queria responder e queria excluí-lo daquele site agora mesmo, mas meu coração falou mais alto e eu me permiti responder.


Oi... Você está por aí? Preciso realmente falar com você!

Estou aqui! O que você quer?

Só queria conversar... E te pedir desculpas! Eu sei que eu não fui franco contigo no cruzeiro, e eu realmente sinto muito...

Isso não importa mais... Esqueça o que aconteceu! Aliás, não aconteceu nada, então está tudo certo! =)

Não aconteceu? Então é isso o que você acha?

Você mentiu sobre quem você era. Sobre o que mais você mentiria? Com certeza mentiu também quando disse que eu era especial pra você... Mas deixa, você não tem que se explicar pra mim. Não me interessa mais!

Você entendeu tudo errado! Eu não contei por que tive medo de que você fosse como as outras garotas, que se importasse mais com o que você faz do que com o que você realmente é... Só isso!

Só isso? Como você acha que eu sou? Eu não sou assim, eu fui franca, eu jamais mentiria pra você... Quer saber? Esquece tudo isso! Aquilo foi um erro, eu não deveria ter me envolvido com você! Definitivamente não temos nada a ver, temos cabeças diferentes e isso não leva ninguém a lugar nenhum.

Mas eu queria pedir desculpas e começar de novo...

Mal li a última mensagem e lancei a resposta que eu me arrependi no momento que eu a enviei.

Vamos fingir que nada aconteceu! Me esquece, finge que somos apenas colegas de classe. Nem como sua amiga pertenceria a esse seu mundinho. Adeus!

E então desliguei o bate-papo.

Capítulo betado por Victória Borges

Capítulo 7



’s POV on.



Eu tentei explicar pra o que acontecera, mas ela era cabeça dura. Eu percebi isso nela desde que a conheci. Era estranho pra mim se sentir desse jeito, pois nunca fiquei assim por menina alguma. Ela era diferente, não fazia força pra ser popular, diferente de Avril. Meu maior erro foi tê-la trocado pela Avril diversas vezes, enquanto ela achava que eu era o príncipe encantando quando na verdade eu não era. E ela descobriu isso da maneira que eu mais temia.
Eu achava que não a veria mais e por isso menti. Mas de uma forma, o destino quis rir da minha cara e a colocou no meu caminho. Por um momento pensei que era para ser, que estava tudo sob controle e que eu iria convencê-la de que eu podia ser o príncipe encantado que ela tanto sonhava do jeito certo, mas não.

Já era de noite e eu estava deprimido. E eu não sabia o porquê – e não queria descobrir. Eu não queria passar o meu sábado a noite daquele jeito, mas por sorte, meu celular tocou.

VAS HAPPENIN, ?!
Festa hoje na casa da Avril, os pais dela viajaram! Passo aí pra te buscar com os meninos às 22h, esteja pronto.
x x

Então era isso. Olhei no relógio e eram 20h40. Tirei a roupa ali mesmo no quarto e corri para a banheira. Precisava esfriar a cabeça.
Escolhi a roupa aleatoriamente e fui para o sofá ver TV, até que chegasse para me buscar.
Para falar bem a verdade, minha vontade era de ficar em casa jogado no sofá vendo TV a noite inteira, mas meu corpo e minha mente necessitavam de festa e de doideira com os amigos, enquanto meu coração queria... Não sei o que meu coração queria.
Estava tentando entender o sentimento que havia surgido em mim de repente há algumas semanas atrás.
Será que iria à festa? Absolutamente não, fora de cogitação. Argh! Eu precisava explicar para ela, olhando nos olhos dela o porquê de eu ter mentido.
Por que as mulheres não conseguem perdoar os homens de cara? Porque elas têm que fazer jogo duro na esperança de que nós homens vamos correr atrás? Mas elas têm que aprender que as coisas não funcionam assim e não vai ser de uma hora para a outra que vamos mudar.
Ouvi a buzina do carro de do lado de fora e desliguei a TV. Coloquei meu casaco e saí.
Como sempre o carro estava barulhento – exceto pelo e pelo Liam que sempre eram os mais quietos: só riam de tudo e não falavam quase nada. , como sempre, não parava de falar besteiras, fazendo-nos rir e muito. estava tentando ao máximo se concentrar na estrada, mas era quase impossível com ao lado dele contando piadas.
Finalmente chegamos à casa de Avril e parecia que a escola inteira estava ali. Várias garotas e até alguns nerds se faziam presente na festa.
Descemos do carro e fomos em direção à porta da frente. Algumas pessoas acenavam para nós, alguns olhares de desejo pendiam sobre nós. Assim que passamos pela porta, encontramos com Avril, que se jogou em meus braços.
- ! – Exclamou ela me soltando e me olhando como se tivesse ganhado na loteria. – E meninos...
Ela mencionou os meninos, mas como eles – com exceção de – não gostavam muito de Avril, eles se separaram e foram cada um para um lado, me deixando ali com ela.
- Que bom que você veio! – E então ela começou a falar o quanto estava feliz de me ver ali, e falar mais e mais coisas que eu sinceramente fiz questão de não prestar atenção. Avril era linda com seus cabelos loiros compridos e seus olhos verdes, mas de um tempo para cá, aquilo não me impressionava mais. Ela falava demais e agia como se eu fosse prioridade dela, e eu não gostava muito disso.
Por sorte alguém a chamou e então ela se foi, dizendo que me encontraria depois para conversarmos.
Fui direto para a parte onde estavam as bebidas. Como eu já havia ido para sua casa algumas vezes, sabia exatamente onde as bebidas eram guardadas.
Bebi o máximo que pude todos os tipos de bebidas alcoólicas que se encontravam ali. Não era certo, e ninguém gostava de quando eu bebia, mas o que eu podia fazer? Eu estava de cabeça quente e precisava espairecer. As mulheres me deixavam com raiva e era por isso que eu não tinha um relacionamento sério desde... Sempre!
Ouvi os barulhos das pessoas na área da piscina e, por um impulso, tirei minhas roupas e pulei na piscina. Todos riram de mim, pois eu estava bêbado e era normal fazer um showzinho quando eu bebia.
Avril apareceu no pé da piscina chamando pelo meu nome e sibilou algo do tipo “o que você está fazendo?”, ofereceu sua mão para que eu saísse da piscina com sua ajuda e novamente quebrei as regras. Ao invés de me escorar em sua mão para sair da piscina, eu a puxei para dentro. Ela sibilou alguns palavrões, mas eu a calei com um beijo. Talvez eu não fizesse isso sóbrio, mas já não era mais eu ali naquele momento.
Eu não lembro o momento certo de que o beijo se tornou mais sério, só sei que em questão de poucos minutos, já estávamos dentro de seu quarto, totalmente nus.

Acordei naquela manhã de domingo no chão de seu quarto sem qualquer roupa. Olhei em volta e o sol que batia dentro do quarto fazia minha cabeça doer ainda mais. O que mais eu fizera naquela noite?
Enquanto tentava me levantar, olhei em volta e minha roupa estava espalhada no quarto. As peguei e vesti a calça, quando Avril entrou no quarto com uma bandeja.
- Bom dia, dorminhoco! – Disse ela com um sorriso no rosto. – Trouxe seu café da manhã.
- Ah... Obrigado... – Eu demorava a raciocinar, pois estava com muita ressaca. Como nunca havia ficado antes.
Comi alguma das coisas que Avril trouxera e então ouvi o meu celular tocar.
- Alô?
E então uma voz desesperada soou do outro lado da linha.
- Cadê você, meu filho? – Disse minha mãe.
- Estou na casa de um amigo... Estou indo para casa agora, não se preocupe. – E desliguei o telefone assim que ela sibilou um “não demore!”.
Despedi-me de Avril e então ela me beijou. Eu não tive uma reação, deixei rolar e fui embora.

Não me pergunte como cheguei em casa, mas em 1 hora já estava lá. Assim que abri a porta, me deparei com uma nervosa.
- AONDE VOCÊ SE METEU? – Ela começou a falar. E muito! – Você passou a noite fora, !
Eu não poderia simplesmente dizer “eu transei com uma garota”, não sou maluco para tanto. Tentei explicar que eu pelo menos bebi na casa dele e peguei no sono. Ela não falou mais nada e me deixou subir para que eu tomasse um banho.
Troquei de roupa e tomei um remédio para dor de cabeça, que fez com que 10 minutos após, a dor cessasse.
Abri o computador e entrei no meu facebook. Eu temia que se espalhasse o que havia acontecido entre eu e Avril, mas já havia fotos minha com ela na piscina com vários comentários. Senti vergonha daquilo, mas eu – como sempre – havia feito besteira e tinha que arcar com as consequências.
Fechei o facebook, abri outra página e fui para o blog de Miss . Era estranho, pois postagens de uma garota me faziam sentir melhor por um dia inteiro. Às vezes eu me sentia como ela e às vezes sentia vergonha por ser o tipo de pessoa que a deixava frustrada. Por sorte, ela acabara de postar alguma coisa; eu não perdi tempo e li tudo com atenção.

21 de maio de 2012 – Se é amor, FUJA!

Acho que todo mundo já se apaixonou algum dia, isso é fato. E também todo mundo sabe como isso é complicado. A verdade é que tudo vai bem até que você, por um segundo, descobre que está apaixonada. Mas não se preocupe, aqui vão algumas dicas pra você não cair no mar da insanidade:

Regra nº1: Não haja como uma completa idiota. Tudo bem se você quiser arriscar e tentar conquistá-lo, mas se ele for o tipo de garoto que não vale a pena, desencana, porque se lembrem: Eles são garotos. E garotos são idiotas.
Regra nº2: Seja você mesma e se valorize. Não corra atrás como se fosse uma cachorrinha. Se ele for gostar de você, vai ser porque você é interessante do jeito que você é. Não vale a pena mudar a personalidade ou fazer coisas estúpidas por eles.
Regra nº3: Garotos gostam do que não tem, isso é fato. Mas nem por isso você precisa sair com o melhor amigo dele para chamar a atenção. Isso vai fazer com que você seja tachada de vadia ou algo do tipo.
“Mas e se ele for o garoto mais popular da escola?” FUJA! Normalmente, esses tipos de garotos se aproveitam da popularidade para brincar contigo. Eles SEMPRE são assim, falam que se interessou, você se entrega e BUM! Ele te trocou por outra. Não acredite nas coisas que eles dizem, pois eles sempre decepcionam! O pior é quando achamos que eles mudaram e, quando você entra em alguma rede social para se desculpar por ser tão cabeça dura, se depara com mais decepções. Fotos, comentários... A escola toda sabendo o como ele é ridículo e galinha. Ou seja: Os garotos populares não nos merecem, eles são infantis demais para saber do que realmente se trata quando o assunto é o sentimento de uma garota normal.

Mas toda regra tem a sua exceção. Você conhece alguma exceção? Como vocês se sentem sobre isso? Espero não ser a única que está passando por isso.

Ass., Miss .



Como sempre, os textos da Miss . mexeram comigo. Era como se ela falasse de mim, de tudo o que tem feito. Mas eu não sabia como mudar, pois eu já havia feito e não tinha mais volta.
A verdade é que eu estou gritando por socorro. Eu não quero mais diversão, não quero mais várias por um final de semana e sim apenas uma para me fazer feliz. Ninguém realmente se importava comigo, ninguém perguntava o que eu queria... Elas só querem o vocalista da One Direction, o garoto popular, e não o verdadeiro que ninguém nunca se interessou em conhecer.
Era assim que eu me sentia, e a única pessoa que me fez conhecer um sentimento que eu nunca havia descoberto era , e eu a fiz de idiota. A enganei enquanto dizia que achava ela especial e depois disso ia para a cabine de outras garotas para me divertir. Eu não sabia o que fazer e pelo jeito, não tinha mais o que ser feito. já não me dava ouvidos e eu só queria uma chance de fazer tudo certo pela primeira vez na minha vida.
Com lágrima nos olhos, fui à caixa de comentário pedir uma dica para Miss . Talvez ela me desse uma dica do que fazer... Nada como uma garota para me ajudar com outra.

’s POV off.



Capítulo 8



Escrevi no blog fazia umas 2 horas e já se passavam de 1.000 comentários. A cada dia me sentia mais livre com o blog. Como de costume, fui ler os comentários. Passei o olho em vários e decidi que leria os mais interessantes.
Respondi uns 10 comentários, quando um em especial me chamou a atenção: Um garoto havia comentado. Não que garotos não possam ler blogs direcionados às meninas, mas era raro isso acontecer. O nome dele era . e fez meu coração acelerar quando li o que ele escrevera.

. É complicado ler esse tipo de coisa, pois sou exatamente esse tipo de cara que você descreveu. O pior é que estou me apaixonando por uma garota diferente de todas que já conheci e ela nem ao menos olha para mim ou me ouve. Pelo menos não mais. Eu menti, fui infantil e agora não sei reparar meu erro e conquistá-la de novo. O que eu faço?

Eu sinceramente não sabia o que responder, ele estava sendo sincero e eu precisava ajudá-lo. O post me fazia lembrar justamente do – aliás, foi por isso que eu escrevi – e justamente um . veio na minha inbox pedir ajuda. Era uma coincidência engraçada, mas eu senti bem no fundo do meu coração que ele precisava de uma resposta, e então comecei a escrever.

Garotas com personalidade forte não cedem tão fácil. O melhor a se fazer é mostrar a ela que você mudou e realmente faria tudo para conquistá-la, mas você tem que fazer isso não com palavras, e sim com atitudes. Através de suas atitudes, ela vai realmente perceber que você gosta dela e vai ceder e começar a te ouvir. Mas se você não está pronto para enfrentar foras e um “chega pra lá” dela, é melhor nem tentar. Se você não aguenta ser rejeitado de uma hora para outra, significa que não está pronto para assumir um amor.

Ass., Miss .



Depois de respondê-lo, desliguei o computador e entrei no meu facebook, e o incrível me pediu o número do meu celular. Na mesma hora passei e saí do facebook, logo após dele dizer que me ligaria a qualquer hora.
Aproveitei que não faria nada naquele fim de tarde de domingo e coloquei minhas tarefas de casa em dia.
Após 1h30 fazendo tarefas, decidi anotar algumas ideias para o blog. Eu queria ajudar as pessoas a realizar sonhos e para isso, faria uma página para divulgação. Eu queria mais coisas no blog, queria posts de moda também, de tudo que uma garota precisa.
Enquanto anotava tudo em uma folha, o meu telefone tocou. Quando olhei o número era desconhecido, mas deduzi que seria .
- Alô?
- É o ! – Ele pausou soltando uma risada abafada. – Como você está?
- Tô bem... E contigo?
- Ótimo! – Ele continuou. – Vamos sair hoje à noite? Estou sem nada para fazer e queria sair... E acho você não conhece a vida noturna daqui de L.A., então pensei em te apresentar a cidade, o que você acha?
Na verdade a ideia era ótima e eu já não fazia absolutamente nada desde que eu chegara naquela cidade, então não pensei duas vezes.
- Seria ótimo! – Eu falei animada.
Passei meu endereço para que ele viesse me buscar “exatamente às 20h30”, como ele dissera. Conversamos sobre mais alguns assuntos aleatórios e então desligamos.
Fiz mais algumas coisas – não importantes – naquele fim de tarde e então fui procurar uma roupa para sair com .
Decidi colocar uma roupa confortável e optei pelo cabelo solto e uma make não muito pesada.

Já eram 20h30 e eu estava no sofá esperando vendo TV. Minha mãe cismava em perguntar se era algum ‘ficante’ meu – o que era estranho, pois não imaginava da onde que minha mãe descobrira o que era isso. Meu pai só ria.
Na minha casa tudo funcionava ao contrário: minha mãe quem me enchia de perguntas e meu pai quem a parava, apesar de muita das vezes ele rir da minha cara, enquanto minha mãe brincava comigo.
Eram 20h45 quando ouvi a buzina do carro várias e várias vezes. Mesmo quando eu já estava a caminho do carro, ele não parava de buzinar. Entrei no banco do carona, ao lado de , quando percebi duas pessoas no banco de trás.
- Me desculpa a demora... – Disse ele dando a partida no carro. – É que eu não sabia que os dois bocós iriam vir também...
Eu ri e olhei pra trás.
- Esses são – E garoto loiro acenou sibilando um ‘oi’. – E esse é Liam!
O garoto de cabelos castanhos jogados de lado – como o de Justin Bieber – acenou também, lançando um simpático ‘oi’. Percebi que os dois também estavam no cruzeiro e provavelmente sabiam do que houvera entre mim e , mas preferi deixar esse assunto de lado, pois não queria estragar a minha noite.
O caminho até onde ele estava me levando – ele insistia em fazer mistério – foi extremamente engraçado. e estavam brigando sobre futebol. Um falando que o time do outro era ruim e vice e versa. Eu ria de absolutamente tudo o que eles falavam, mas o papo teve de ser interrompido, pois havíamos chegado ao lugar.
Olhei por sob a janela do carro e avistei vários prédios, mas um deles – enorme por sinal - que continha um letreiro grande escrito ‘The Hollywood Highlands’.
Os meninos já haviam descido do carro e abrira a porta para que eu descesse também, mas eu estava tão dispersa olhando aquele imenso prédio, que uma voz que eu conhecia muito bem me fez voltar ao mundo real.
- Caramba, vocês demoraram, heim... – Ele falou com , que saiu da minha frente e se virou para responder, mas o interrompeu. – Por que vocês demo...
E então ele parou de falar quando me viu. Eu engoli a seco e continuou respondendo a ele.
- Fui buscar a ... – Ele pausou e olhou para nós dois. – Você se lembra dela? Ela estava...
E então o interrompeu.
- Eu sei, eu sei... – E então ele se aproximou de mim, fazendo meu coração acelerar.
Ele estava impecável e minha respiração foi falhando na medida em que ele se aproximava.
– Oi.
Oi? Isso é tudo o que ele disse? Ele vem na minha direção, com o olhar mais sedutor do mundo, me fazendo quase enfartar e diz oi?
- Oi. – Respondi seca. Pareceu que percebeu o clima pesado que pairava entre mim e e ele se aproximou, pigarreando de forma que nossa atenção se voltasse para ele.
- Vamos entrar?
Todos assentiram e entramos. Por sorte, havia feito a reserva de um dos camarotes do lugar e, por isso, não precisamos enfrentar a imensa fila formada do lado de fora.
Eu andava ao lado de e logo atrás de mim o resto dos meninos. Eu sentia o olhar de sobre eu praticamente o tempo inteiro, mas confesso que não tinha coragem para retribuir o olhar. Dava para sentir que ele estava incomodado com a minha presença, pois eu também estava.
Por mais que tivesse me convidado, não havia passado na minha cabeça a possibilidade de ir também e isso me deixava muito nervosa. Como não havia pensado nisso antes?
Finalmente chegamos à área vip e e foram direto para o bar. Típico. Quem já estava lá era a namorada de Liam, Danielle. Ela era da minha turma de História e Espanhol, uma garota reservada e inteligente. Eles foram para um canto, enquanto , e eu nos sentamos em uma das bancadas.
Começamos a conversar sobre o lugar. estava me contando a história desse prédio, quando percebemos que começara a ficar inquieto. No começo não demos importância e continuamos falando, mas à medida que ele ficava mais disperso e mais trêmulo, nos fez perder a paciência.
- ! – Gritou nada simpático. – O que você tem, caramba? estava realmente assustado com o grito e eu não consegui segurar a gargalhada.
- Nada... É só... – E então eu e seguimos o olhar de e nos deparamos com um grupo de garotas. soltou um riso, parecendo entender o porquê de ele ter ficado inquieto tão repentinamente.
Eu não estava entendendo nada, mas parecia que leu meu pensamento e tratou de começar a me explicar.
- , tá vendo aquela menina de jaqueta preta e blusa de caveira? - Ele me olhou esperando que eu encontrasse a tal garota e então assenti assim que localizei uma garota meio loira, magra e baixinha – mais ou menos da minha altura – naquele grupo de garotas. E então a reconheci das aulas de Literatura, Artes e Ed. Física. – O nome dela é e ele é apaixonado por ela desde a quarta série! Nós éramos amigos, mas o bocó do nunca foi tão próximo dela por vergonha... Quando entramos na 7ª série nos afastamos, porque ela viajou, e então não nos falamos desde então...
Voltei meu olhar para ele e me deparei com um totalmente corado, apesar das luzes baixas do lugar.
- Oh, meu Deus, isso é muito fofo, ! – Eu falei soltando um riso abafado. – Por que você não fala com ela?
E isso foi o suficiente para começar a me enrolar: “Bla bla bla ela nunca olharia para mim”, “bla bla bla eu não faço o tipo dela”, “bla bla bla eu morreria”... Essas coisas típicas de uma garota, num garoto. Na verdade eu nunca vira um garoto ficar desse jeito por uma garota e isso era extremamente fofo!
- Ai, meu Deus, ela vai me ver com essa cara de vergonha! – Ele ainda tagarelava, até que tive uma ideia.
- , escute! – Ele se calou e me olhou. – Eu vou ajudar você! Vou conversar com ela, não hoje, e vou dar um jeito de apresentá-los formalmente... Certo? Não precisa se preocupar, deixa comigo!
parecia corar mais ainda, mas logo ele foi voltando ao seu estado normal conforme falava de outros assuntos.
Ficamos ali durante algum tempo e trouxe algumas bebidas. Como eu era fraca com a bebida, bastou uma garrafa de cerveja para que eu me sentisse um tanto ‘diferente’, mas não era o bastante para me fazer sair da sanidade. Eu continuava ali, a de todos os dias, só que mais solta e mais despreocupada.
Enquanto conversava com uma garota e com outros amigos que eu não conhecia, eu estava sentada no banquinho do bar. Sozinha. Essa era a parte ruim de não conhecer ninguém na cidade, pois uma hora você sempre acaba sozinha sem ninguém para conversar. Na verdade, eu nem tinha o que reclamar, pois estava me fazendo companhia, mas ao ver que uma garota morena – muito bonita por sinal – não tirava os olhos dele, insisti para que ele fosse conversar com a garota, e lá estava ele.
Decidi dar uma volta pela pista de dança, pois apesar de estar “sozinha”, minha noite não poderia se resumir somente em horas e horas sentada no banco do bar.
Andei ao redor da pista de dança e até fui parada por alguns meninos, o que era bem estranho. Próximo ao outro bar, vi e bem alterados pela bebida. conversava com uma garota e, em poucos minutos, ela já estava pendurada em seu pescoço. não estava com ninguém e eu não sei explicar como eu realmente me sentia por isso.
Com seu sorriso bobo ainda ali, ele ria da situação de e passava os olhos por toda a pista de dança, até que nossos olhares se encontraram. Eu estava presa em seus olhos e nem percebi quando ele bebeu o que restava da bebida no copo e veio em minha direção.
Quando percebi que ele se aproximava, me virei e apertei o passo, tentando despistá-lo. A verdade era que bêbado ou não, eu não queria falar com . Na verdade queria, mas não queria. É difícil de explicar, mas o fato era que eu tinha medo. Medo de que ele me iludisse e depois risse de mim.
Parei perto do bar onde eu estava e respirei fundo para recuperar o fôlego, o que foi em vão, pois em fração de segundos, pude sentir sua mão fria segurar o meu braço, me fazendo perder a respiração.
- Hey... – Ele disse com a voz um tanto trêmula em meu ouvido, me fazendo sentir arrepios por todo o meu corpo.
- O que você quer, ? – Eu disse me virando, ficando frente a frente com ele. Ele aproximou seu rosto do meu, perto o suficiente para que eu pudesse sentir seu hálito de Big Apple.
- Eu só quero conversar... – Ele disse em um tom baixo, fazendo com que sua voz sumisse conforme a música se iniciava. Era uma música lenta e todos em volta dançavam, exceto nós dois, que permanecíamos imóveis, mas perto o suficiente para qualquer dança. – Você está linda.
Eu bem que tentei, mas suas palavras me fizeram sorrir. Parecia que ele também estava tenso como eu, mas ao ver o que suas palavras fizeram comigo, seu sorriso se iluminou, me fazendo perder o chão.
Parecia que o mundo todo não existia mais, que naquele momento, só existiam eu e ele. Talvez eu me machucasse, talvez eu me decepcionasse com ele novamente, mas algo me dizia, bem no fundo do meu coração, que aquele que eu conheci no cruzeiro realmente existia.
- Eu sei que você não vai querer conversar comigo hoje, porque estou bêbado... – Ele embolava as palavras entre as risadas abafadas, mas nada que tirasse seu encanto. - Então eu queria que você saísse comigo na sexta-feira depois da aula.
Eu estava a ponto de dar um grito histérico, típico de adolescentes normais – ou líderes de torcidas – quando o garoto popular a chama pra sair. Eu não sou como elas, não mesmo. Meu caso era diferente e eu posso me arrepender amargamente da minha resposta naquela hora, mas eu precisava arriscar.
- Tudo bem... – Falei num tom contido para não transparecer minha felicidade. Não sei quanto tempo fiquei ali o vendo sorrir, só sei que quando olhei para o relógio, era bem tarde, e como eu tinha colégio no dia seguinte, decidi não prolongar o passeio.
Despedi-me dos meninos e saí do prédio, pegando um táxi logo em seguida. Não sei se era porque eu ainda estava em choque pelo que ocorrera, mas sem que eu notasse em como o tempo passara voando, eu já estava em casa.
Troquei de roupa, fiz minha higiene e me deitei na minha cama. Em meio a sorrisos e lembranças de um simples diálogo que mudou minha noite, adormeci.

Capítulo betado por Tayná M

Capítulo 9



Acordei com o despertador gritando ao meu lado, anunciando que se eu demorasse mais 2 segundos naquela cama, eu chegaria atrasada. Me arrumei loucamente, colocando uma t-shirt branca, calça skinny e all star vermelho. Prendi meu cabelo num rabo de cavalo alto, logo após de passar uma maquiagem leve para esconder as olheiras. Peguei minha mochila e desci.
Me sentei na mesa e tratei de comer qualquer coisa para não alongar meu café da manhã. Minha mãe não estava mais em casa e enquanto eu comia, meu pai terminava de se arrumar. Enquanto mastigava um pedaço de bolo, mandei uma SMS para .

Nada de se atrasar. Quero você estudando mesmo de ressaca! xo xo

A mensagem mal foi enviada e meu pai me chamou para entrar no carro e partirmos. Meu pai não falou nada durante o caminho até a escola, mas não deu tempo de eu perguntar o porquê, pois havíamos acabado de chegar. Nos despedimos e então desci.
Como de costume, o estacionamento estava lotado de pessoas perambulando por ali, mas eu não me importava muito com isso.
Andei até o meu armário, peguei os meus livros de inglês e fui para a sala. Por sorte, a professora Annabeth era incrível e sua aula não podia ser diferente. Para ser sincera, queria que a aula passasse devagar. Ou rápido. Não sei. Simplesmente não sei se quero ver na aula de biologia.
Aula de cálculos é sempre uma droga e assim que entrei na classe, me fez ter a certeza de que eu queria sim que a aula acabasse o mais rápido possível. Mas estar naquela sala tediosa, com aquele professor tedioso, e aprendendo – ou tentando aprender – uma matéria tediosa, fazia as horas se arrastar e querer me fazer gritar SOS, mas ninguém me ouviria. Ou seja, o jeito era esperar o incrível sinal do recreio – que nunca fora tão esperado em toda a minha vida.

Fui andando lentamente pelos corredores do colégio, enquanto as pessoas insistiam em correr para pegar os melhores lugares no refeitório. Pra mim não fazia muita diferença, já que eu não tinha com quem sentar mesmo.
Guardei os livros no meu armário e fui em direção ao refeitório. Eu não pretendia comer, mas meu estômago gritava por comida, então eu fui obrigada. O corredor já estava praticamente vazio e então eu adentrei no refeitório e a escola inteira estava lá.
Fui direto para a fila e peguei uma bandeja. Como não tinha muitas opções, peguei o hambúrguer de sempre e uma coca-cola. Me virei e passei os olhos pelo grande refeitório.
Pode parecer estranho e impossível, mas sim, todas – sem exceção de nenhuma – as mesas estavam ocupadas. Pensei se aquele ano seria igual aos outros no Texas, em que eu teria que passar o intervalo na cabine do banheiro comendo sozinha, pois não tinha amigos.
Estava a caminho da porta de entrada com a bandeja na mão, até que ouvi um grito extremamente histérico.
- ! HEEEEEEEEEEEEEY! – Aquele grito ecoou por todo o refeitório, fazendo todos se calarem e olharem pra mim. – Vem sentar aqui comigo, AGORA!
Eu soltei uma risada um tanto nervosa, pois agora todos olhavam pra mim com cara de “quem é essa garota?”. definitivamente não era nada discreto, mas eu atendi ao seu grito, fui até ele e me sentei ao seu lado.
- Oi... – Falei tímida enquanto me sentava. Na mesa estava Liam, , , e um garoto que eu não conhecia. – Achei que você não viria pra escola...
me lançou um olhar raivoso.
- Eu não ia, mas certa mensagem de certa garota me acordou. – E então sorriu ironicamente, enquanto me mostrava como seu lanche era incrivelmente mastigado dentro de sua boca.
Soltei uma gargalhada. Era impossível não rir dele.
- Você é nojento! – Falei por fim, mordendo meu hambúrguer.
não estava na mesa e eu me segurei para não perguntar a onde ele estava, mas daria muito na cara de que eu estava interessada nele. Quer dizer, eu não estava interessada, só... Preocupada. É, preocupada é a palavra. Ora, estava trêbado na noite passada e eu me preocupava com isso.
Conversamos sobre várias coisas naquele curto tempo de intervalo, mas às vezes – pode parecer impressão minha, não sei – ouvia certos cochichos nas outras mesas. Coisas do tipo “por que uma caloura está sentada na mesa dos garotos da 1D?”, ou “quem é essa tal amiga dos meninos da 1D?”. Era estranho, muito estranho, principalmente quando eu olhava para trás ou em volta e me deparava com várias pessoas com olhares curiosos sobre mim.
O sinal finalmente tocou e então todos levantaram. Liam foi de encontro com Danielle, e saíram correndo para o outro lado com o garoto que eu não conhecia, enquanto eu e íamos junto pelos corredores. Lembram que eu disse que podia ser impressão minha das pessoas cochicharem sobre mim por estar com a 1D? Então, agora era oficial! Assim que eu e aparecemos no início do corredor, todas as pessoas que mexiam em seus armários pararam e olharam para nós. parecia nem perceber ou ligar, pois ele continuava a tagarelar sobre como ele estava mal em química.
- Você tá escutando? – Ele falou assim que percebeu que eu estava estática.
- Oi? Sim, claro... – Menti.
Ele riu.
- Agora eu tenho tempo vago... Você tem aula de que?
- Biologia... – Falei fazendo beicinho.
Ele riu e deu um grito que sinceramente não entendi, pois ele falara muito rápido. Acho que ele sibilou um “Você está atrasada e precisa da ajuda do SUPERMAN!”.
Bom, não sei se foi exatamente isso que ele dissera, pois antes mesmo que o perguntasse, ele me pegou no colo e saiu correndo comigo pelos corredores. Eu gritava e ria ao mesmo tempo, mas deu certo. Se ele não tivesse corrido comigo, chegaria atrasada de novo para a aula.
Ele me deixou em frente à sala de aula ofegante e então me deu um beijo na testa e entrou para a sala ao lado, onde teria aula de química.
Em meio a risos, entrei na sala de aula e, para minha surpresa, não tinha ninguém a não ser uma pessoa que não reconhecia no fim da sala de cabeça baixa.
À medida que chegava mais perto, me assustei, até que finalmente descobri quem era que estava ali.
- ? – O chamei. E chamei de novo. E de novo. Decidi o sacudir, pois já estava preocupada. Assim que o encostei para sacudi-lo, ele deu um pulo da cadeira e gemeu, pousando as mãos sobre a cabeça, me assustando. - Você está bem? – Perguntei enquanto colocava minha mochila sobre a mesa e sentava ao seu lado. – Achei que estava desmaiado aqui!
Ele coçou os olhos e pareceu que só então me reconhecera. Ele tentou me lançar um sorriso, mas foi em vão, pois seus olhos e suas olheiras mostravam cansaço, muito cansaço.
- Estou, hm... – Ele pausou tentando dizer o que eu já sabia.
- Ressaca! – Falei enquanto abria minha bolsa e pegava um remédio de dor de cabeça e entregava um comprimido em suas mãos.
- Obrigado! – Disse ele tomando o remédio e pousando sua cabeça em seus braços sobre a mesa novamente.
A professora entrou e começou a passar matéria e exercícios para fazer em dupla. Como de fato não estava em condições de fazer nada, tive que fazer tudo sozinha.

Felizmente, a aula acabou e então saímos todos da sala, inclusive . Ele não se despediu nem nada, saiu e então não o vi mais durante o resto do dia.
Enquanto guardava uns livros em meu armário, recebi uma SMS do meu pai, dizendo que ele teve que fazer uma viagem de emergência para o Brasil e que minha mãe chegaria só de noite em casa. Sinal de que eu teria que me virar na cozinha durante o tempo que meu pai passaria no Brasil.
Fui em direção à saída e ouvi novamente me chamar. Fui até ele e estavam todos lá, inclusive .
- Oi? – Falei desanimada. – Não posso demorar muito, tenho que ir pra casa...
- Aconteceu alguma coisa? – Disse ele me interrompendo.
Respondi que não e contei da mensagem de meu pai. Ele riu da minha cara.
- Quer almoçar na minha casa? – Perguntou ele.
- Ah não, que isso, não precisa... – Eu tentei arrumar desculpas pra ir, mas era do tipo que agia antes mesmo de você pensar. Ele começara a me puxar para dentro de seu carro, enquanto os outros meninos riam da cena – com exceção de , que mantinha a cara fechada.
Entrei em seu carro e então ele deu partida.
- Você pensa que se manda... – Ele começou a falar. – Quando eu digo “você quer almoçar na minha casa” quer dizer que você vai almoçar na minha casa e fim de papo. E você vai almoçar lá quantas vezes eu quiser, porque quem manda aqui sou eu!
Eu soltei uma gargalhada como de costume e assenti ironicamente. Conversamos sobre algumas coisas, mas como o caminho até a casa dele era curto, paramos de conversar assim que o carro parou em frente a uma casa de um amarelo bem claro e cercas brancas, que guardavam o gramado impecável. Além do carro de , havia mais 2 na garagem.
Ele saiu do carro e abriu a porta para que eu saísse, mas eu não me movi.
- Essa é a hora que você sai do carro... – Disse ele não entendendo nada.
- Eu estou com vergonha... – Eu falei em tom baixo – Não vou entrar...
- Vergonha de que? Não tem ninguém em casa!
Eu arregalei os olhos.
- Não tem ninguém em casa? – Gritei com ele. – Você é doido, ? O que vão pensar se alguém chegar?
Antes mesmo que eu continuasse, ele me puxou fortemente pelo braço e me tirou do carro a força.
- Não discute e vem! - Disse ele em meio a risadas. – Meus pais e minhas irmãs não estavam em casa... Ah, qual é, eu também não gosto de almoçar sozinho, por isso te chamei!
Eu ri, mas assenti, afinal, para onde mais iria já que estava na casa dele? Ele abriu a porta para que eu entrasse e eu assim o fiz. A casa dele era bem bonita. Bem bonita MESMO.
- Por aqui! – Disse ele me direcionando a escada, me fazendo despertar de meus pensamentos.
Subimos a escada e demos de cara com uma porta branca. Ele a abriu e então entramos. Seu quarto era de paredes brancas, exceto pela parede em que ficava sua cama, que era vermelha.
Ele jogou sua mochila sobre a cama e antes que eu pensasse, pegou minha mochila e a tacou também. Ele ligou seu computador e tirou a blusa. Ok, aquilo era um pouco constrangedor, mas eu fingi não me importar, apesar de estar meio desconfortável ali em seu quarto com ele sem camisa.
- Pode entrar aí na internet... – Disse ele tirando os tênis. – Vou tomar um banho rápido e já volto, mas pode ficar a vontade, tá?
- Ok! – Respondi enquanto me sentava na cadeira do computador. Ele já havia entrado no banheiro e eu estava ali sozinha no quarto. Bom, como ele provavelmente vai demorar no banho, decidi me logar no blog e ver como anda o site.
Eu tenho um sério problema em me inspirar para escrever quando não estou perto do meu computador. Mas eu precisava escrever, me expressar. Então decidi fazer uma postagem ali mesmo no computador de .

27 de maio de 2012 – Good feelings...

E cá estou eu escrevendo novamente. Sinceramente, tem coisa mais libertadora do que isso? Acho que não!
Ultimamente venho sentindo tantas coisas que até para colocar em palavras tem sido difícil. Quando eu penso que está tudo certo, BUM! Acontece uma coisa que vira toda a minha vida de cabeça para baixo. E quando eu me conformo com a bagunça que se tornou essa minha vida, BUM! Ela me surpreende. Dá para entender?
A verdade é que eu estou surpresa comigo mesma. Consegui fazer um amigo – e muito especial, digo de passagem – e, com ele, estou aprendendo o significado da palavra amizade, coisa que eu nunca conhecia.
Sinto-me mais sociável e talvez até mais confiante comigo mesma. Tudo por causa dele – como isso é possível? Talvez por eu sempre ser sozinha e sem ninguém, nunca tenha percebido como uma amiga – no meu caso um amigo – pode nos fazer mudar nossa perspectiva de vida.
Antes eu era quieta, não me soltava... Mas agora, me surpreendo comigo mesma. É legal a sensação de ter com quem contar quando precisar.
Precisamos perder o medo e nos jogar nas amizades. Se não der certo, se você se decepcionar, é porque nunca foi de verdade. Mas acredite, quando a amizade for real e verdadeira, não há motivos para decepções.
Então se você é como eu, com medo e receios e quer uma dica, lá vai: não tenha medo e seja feliz, aliás, já passou da hora de perder tempo na nossa vida nos preocupando com esses tais ‘medos’ que só nos atrapalham. E me façam um favor? Mantenham-me informada sobre a vida social de vocês, pois não quero ser a única com progressos na vida social.
Ass., Miss .


Sorri involuntariamente quando li novamente o texto que eu já havia postado. Ultimamente era assim que eu me sentia... E, sinceramente, eu me sentia incrível, destemida. E cheguei à conclusão de que era isso que eu deveria ser. Destemida. Não ter medo da vida e muito menos deixar que as pessoas me façam sentir o contrário. Tenho que encarar as coisas sem medo, pois assim, ninguém progride.
E lá estava eu, sentada à mesa do computador, olhando vagamente, enquanto as notificações de comentários iam aparecendo.
- NÃO ACREDITO! – Exclamou atrás de mim olhando para o mesmo site que eu. Eu estava tão dispersa que não senti quando se aproximara. Meu coração palpitava, eu não sabia o que dizer e por isso, tudo o que fiz foi gaguejar algo como “Hã-Dãh... É...”, enquanto ele me empurrava, tirando-me da frente do computador. – Você é ela! AI, MEU DEUS, você é a Miss !
Ele falava e gargalhava ao mesmo tempo, e eu não sabia se sua risada era do tipo “OMG, você é a Miss , que incrível!” ou se era “OMG, que patético!”. E, sinceramente, o que eu menos queria era estar ali pra ele me confirmar uma de minhas teorias.
Enterrei minha cabeça em minhas mãos e corri. Fui descendo as escadas e quando estava no último degrau, senti um peso em cima de mim.
Eu poderia ser parada de várias formas, mas acho que para , a melhor forma de parar alguém era se jogando sobre ela. Bom, para falar a verdade, eu não sei o que estava pensando, mas eu não conseguia pensar mais em nada, pois estávamos ali estirados no chão e eu já estava me sufocando.
- Onde você pensa que vai? – Disse ele saindo de cima de mim finalmente.
Respirei fundo e olhei-o novamente. Aqueles olhos esverdeados me fitavam esperando que eu dissesse algo. Eu não ia dizer nada, mas ele me encarava e isso me deixava nervosa.
- TÁ BOM, EU SOU A MISS , SATISFEITO? ARGH! – Soltei tudo como uma explosão. Ele fez uma cara que eu sinceramente não sei explicar. Só sei que enterrei novamente meu rosto em minhas mãos. – Promete que não conta pra ninguém?
Ele nada disse. Olhei-o novamente e ele me lançou um sorriso caloroso que dizia tudo. Ele então me abraçou.
- Eu jamais contaria, pode confiar em mim... – Disse ele me apertando cada vez mais, até me fazer gritar. – Agora vamos comer e daí você vai me contar tudo!
Estremeci com essa ideia, mas assenti.

Já passavam das 16h e eu realmente esperava almoçar de verdade, mas com seu talento inexplicável para cozinhar, fez pipoca e pegou refrigerante. Não era bem o que eu esperava, mas não podia negar que a pipoca dele era demais.
Ele colocou em um canal musical com volume baixo, e nos sentamos no chão da sala, para que pudéssemos conversar.
Contei a ele a história do blog. Contei que não tinha amigos e que aquele era um modo de por pra fora tudo o que eu sentia em questão da sociedade ou da vida mesmo. Contei tudo, nos mínimos detalhes.
- Por que você não me contou que escrevia o blog? – Começou ele.
- Não tinha para que contar... – Eu pausei. Ele me lançou aquele olhar novamente, esperando que eu continuasse. – Ah, sei lá... Ninguém sabe sobre isso... Você é o primeiro!
Parei enquanto comia algumas pipocas.
- Por que você mantém isso em segredo? – Disse ele dando um gole na coca-cola. – Digo, não tem nada de errado em escrever o que você sente na web... Cara, você é a Miss ! A escola inteira lê seu blog...
- A ESCOLA O QUÊ? – Falei interrompendo-o, enquanto me engasgava com algumas pipocas.
- É... – Ele disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. – Praticamente a escola inteira lê seu blog... Eu, por exemplo, comecei a ler, porque vi um dia desses lendo e me dizendo o quanto ele gostava do jeito que a Miss escrevia... No caso você, né...
Meu mundo congelou. Ok, eu sabia que bastante gente lia o blog, mas não que o colégio quase todo conhecia. Muito menos que o lia. Mal sabe ele que muito daqueles textos eu escrevera pensando nele. Ou será que sabia?
- Hey? Você tá bem? – Perguntou ele. Provavelmente eu estava pálida ou vermelha, pois era desse jeito que eu ficava quando me batia vergonha. Assenti com um sim, mas era óbvio que para eu não estava. – Você não precisa se esconder atrás de um blog, viu... Você escreve super bem, você tem paixão em tudo aquilo que você posta... Não tem por que ter mais medo agora! Essa é a hora de você se mostrar, dizer que é você...
- Não é assim tão fácil... – Interrompi-o bebendo um grande gole de coca. – Sabe, não estou preparada para mostrar quem eu sou... Acho que é por isso que gostam de mim, porque eles não sabem quem sou... E prefiro continuar assim, sabe, até chegar a hora certa.
- Se você diz... – Disse ele voltando a atenção para a TV, que passava um clipe de uma boyband.
Ele tinha o mesmo brilho nos olhos, como , quando se tratava de música. Seu olhar expressava tanta esperança, tanta paixão pela música, que eu não precisei de muito para saber no que ele estava pensando.
- Um dia vai ser vocês aí...
- O que? – Disse ele despertando do transe e voltando o olhar para mim.
- One Direction. TV. Clipe... – Falei sorrindo. – Um dia vão ser vocês aí nessa TV, pode acreditar!
Ele me lançou um sorriso forçado e comeu mais pipoca. Eu era assim: Quando cismava com alguma coisa, ia até o fim. E era o caso.
era o segundo integrante da One Direction que eu havia prometido que a banda faria sucesso. Mas às vezes, para que isso aconteça, precisamos nos mexer. E eu estava disposta a ajudar a banda a fazer sucesso. Só não sabia como.
A pipoca já havia acabado e só estávamos bebendo coca. Começou um filme na TV e então decidimos ver para passar o tempo.

O filme já havia acabado e então fomos lavar a louça. Conversávamos sobre vários assuntos aleatórios. Ele começara a me contar sobre alguns micos dos meninos da banda, e o mestre dos micos eram , segundo ele. E o mais vaidoso era o .
- Sabe, faz essa pose de machão, mas é o cara mais doce que existe... Ele é como você, sabe, bem fechado, mas quando faz amizade, é o melhor amigo do mundo! – Disse enquanto colocava a louça no escorredor. – Posso te contar um segredo?
- Pode, pode! – Disse empolgada enquanto me aproximava dele.
Ele respirou fundo com um ar de riso e então começou a falar.
- Sabe sua última postagem no blog? – Disse ele segurando o riso. Eu assenti. – Você fez o chorar!
Meu coração se acelerou de alegria. Eu não tinha o que dizer, não tinha o que pensar, só estava feliz. Sinal de que meu texto surtiu algum efeito.
- Sério? – Disse quase sem ar.
- Sério! – Disse ele sorrindo MUITO. O que era bem estranho. – Agora tudo faz sentido... Acho que você ficou chateada pelas fotos da festa da Avril que rolou no facebook...
- NÃO! – Gritei interrompendo-o, mas não adiantou muito.
- CLARO QUE SIM! – Disse ele fazendo cócegas em mim.
Eu estava corada e não havia nada que eu pudesse dizer. Ele me conhecia tão bem em tão pouco tempo, que não importava o que eu dissesse, meus olhos e meu sorriso mostravam totalmente o contrário.

Capítulo 10




A semana passou voando e quando me dei conta, já estava em casa naquela tarde de quinta-feira. Desde o domingo estava tentando convencer a mim mesma que não estava ansiosa para a sexta-feira em que eu sairia com o . Ok, não quero pirar por isso, afinal, nem é um encontro de verdade. Digamos que é um “acerto de contas”.
Todas as vezes que nos encontrávamos no intervalo ou nos corredores – e nas aulas também, claro -, ele me lançava um sorriso tão doce que fazia meu cérebro inteiro derreter. Na aula não ficávamos muito perto, pois ele tinha seus amigos que não largavam do pé dele nem por um momento. Mas também não me importava, porque afinal de contas, amanhã teríamos uma tarde inteira para colocar certos assuntos em questão – ou não.
Enquanto trocava de roupa, estava pensando em – óbvio – e nos outros integrantes da 1D, até que uma ideia me ocorreu.
- Como não pensei nisso antes! – Disse a mim mesma, enquanto corria para o computador.
Como estava atolada de trabalhos durante a semana, não tive tempo para olhar o blog. Abri-o como sempre e vi muito mais comentários e visualizações do que o post passado, mas nesse momento, eu nem me importava. O único motivo de eu ter entrado ali era para colocar minha ideia em ação – que eu esperava realmente que ajudasse em algo.
Abri outra aba e coloquei no youtube, procurei logo por um vídeo da 1D. Achei vídeos de várias apresentações, tanto escolares, quanto em competições que eles fizeram. Dentre esses vídeos, encontrei Stand Up e achei o máximo! Não só porque eles interpretavam essa música super bem, mas também, porque a pequena plateia do teatro vibrava com a música.
Não pensei duas vezes e decidi colocar esse vídeo no blog com o seguinte texto:

Sei que não costumo fazer isso, mas não resisti e tive que fazer uma indicação surpresa para vocês. Não sei vocês, mas eu não consigo parar de ouvir a One Direction. Sério, pessoal, vocês TÊM que ouvir essa banda, e podem ter certeza que essa banda um dia fará muito sucesso. Com músicas que mexem conosco, nos fazem querer pular, gritar e dançar junto com eles, não tem como não viciar neles.
Caso não conheçam ainda, eles têm um twitter (@OneDirection) e facebook (facebook.com/onedirectionmusic); e eu não deixaria de seguir se fosse vocês – afinal, eles são lindos e cantam super bem, né?!

Ass., Miss .


E então postei. Eu ria internamente e estava esperando ansiosamente até que me ligasse ou desse um sinal de vida.
Enquanto isso, fui pedir algo pelo telefone. Optei por uma pizza de presunto – era minha preferida - e fiquei a espera da entrega, enquanto via algo na TV. Estava passando um programa em que eles falavam os novos talentos na web e os sites mais falados ultimamente. Eu sempre assistia a aquele programa, mas infelizmente não foi dessa vez que meu blog foi falado lá. Respirei fundo e fui passando por outros canais, e por fim parei na Nickelodeon, onde passava iCarly, meu programa preferido.
Esperei por algum tempo até que a pizza finalmente chegara. Por sorte, na mesma hora, minha mãe chegou do trabalho e pagou a pizza por mim.
Ela estava radiante como sempre, contando as novidades do trabalho e tudo mais. Tivemos uma noite bastante agradável.
Depois de comer e colocar o assunto em dia com minha mãe, subi para o meu quarto. Já se fazia duas horas desde que eu tinha postado sobre a 1D no blog e nenhuma manifestação de . Foi aí que eu percebera que meu celular havia se descarregado, e então tratei de colocá-lo no carregador.
Liguei o computador e entrei no blog, tinham MUITOS comentários, muito mais do que eu imaginara. Abri o vídeo dos meninos e o número de visualizações dobrara. E eu estava amando aquilo.
Entrei no meu facebook e estava uma loucura. Já imaginaram estar em um lugar em que TODOS falam do mesmo assunto? Pois é, no meu ‘feed’ só apareciam coisas relacionados a 1D. Eram pessoas parabenizando os meninos, outros comentando sobre o que a Miss postou, os meninos agradecendo... E aquilo me deixava muito feliz.
Vi que tinham me mandado uma mensagem no meu inbox e eu abri pra ver. Como eu imaginei, era agradecendo loucamente pelo meu ‘empurrãozinho’. Ele estava doido, mais do que o normal. Disse que ia me matar de beijos, que ia me bater, porque também não tinha contado que faria isso... Mas por fim, ele só agradeceu e disse que estava grato por eu ter feito isso.
Respondi a mensagem e então desliguei o computador, pois o dia seguinte prometia. Troquei de roupa, colocando uma camisola de patinhos – sim, isso é vergonhoso -, e enquanto fazia minha higiene, ouvi o barulho de mensagem vindo do meu celular.
Terminei o que estava fazendo e fui até ele, quando eu abri, era um número desconhecido, mas ao ler a mensagem, me fez querer mais ainda que chegasse no dia seguinte.

Oi... Só queria te dar boa noite e dizer que não vejo a hora de chegar amanhã.
PS: Espero que não se importe, mas peguei seu número escondido do . xo ;*

Meu coração para variar estava prestes a sofrer um colapso, mas ao invés disso, decidi – sem pensar duas vezes – em responder a mensagem.

Hahaha, sem problemas. Até amanhã, boa noite! :*

Ok, não era A MENSAGEM, mas era o máximo que eu conseguia escrever sem parecer maluca.
Deitei na minha cama e demorei um pouco para pegar no sono com esse turbilhão de pensamentos, mas adormeci após um tempo sonhando acordada.

? ? ?

Já estava na hora do intervalo e eu acabara de sair da aula de Ed. Física. Avril a todo o momento tentava chamar a atenção de , que assistia – junto com o resto dos meninos da turma – ao jogo de vôlei. Avril era do time rival, o que era normal.
Esse jogo tinha tudo para ser um jogo normal e sem estresse, mas como Avril não era muito minha fã, quando ela desistiu de dar seu show particular para , simplesmente decidira me atacar inúmeras vezes – literalmente. Ela só tacava as bolas na minha direção, com a maior força que tinha, mas por sorte, eu me desviava da maioria das bolas.
Eu não ligaria para isso, mas tudo se complicou quando em um desses ataques, eu caí bem na frente de – que por um lado foi vergonhoso, mas por outro, a fez ser expulsa de campo e eu ganhei a ajuda de para me levantar.

Entrei no refeitório, peguei meu lanche de costume e me sentei à mesa com os meninos. Assim que me sentei, me apertou tanto, mas tanto, que fez com que os outros meninos ficassem se perguntando o porquê daquele amor todo. Ninguém estava entendendo nada, mas eu sim.
Os meninos só riam, mas assim que me soltou, começou a tagarelar.
- , você não vai acreditar! A Miss postou nosso vídeo no blog dela e está sendo uma loucura! – Ele respirou e continuou. – Eu tô ficando doido! Tem muita gente me ligando, pessoas vieram de outros colégios só pra falar com a gente hoje... Eu estou impressionado!
Eu sorri.
- Isso é incrível! E eu concordo com tudo que a Miss disse, vocês são lindos e vão fazer muito sucesso, isso é fato! – Dei um sorriso.
Enquanto falava, podia perceber que várias pessoas passavam cumprimentando os meninos, mais do que o normal. Muito mais.
não parava de olhar para mim, e aquilo estava me deixando muito envergonhada. Eu não sabia se o encarava também ou se desviava. Mas antes mesmo que eu pudesse decidir, o sinal tocou, anunciando o fim do intervalo.
Os meninos, como de costume, foram um para cada lado, exceto por , que veio na mesma direção que eu.
- Tudo certo para hoje, né?! – Disse ele em tom baixo, para que somente eu escutasse.
- Sim! – Disse soltando uma risada.
Ficamos nos encarando por um tempo, os dois contendo um sorriso.
- Ok. – Eu disse por fim.
- Ok... – Ele falou aos risos e então me deu um beijo na bochecha e se foi.
Eu ficaria ali parado por horas, se não fosse pelo meu atraso para a próxima aula. Corri e por sorte cheguei à sala antes do professor.
Então assisti a aula, esperando ansiosamente pelo fim do 4º tempo.

Capítulo 11



Finalmente as aulas acabaram e o sinal bateu, anunciando que já estava na hora da saída. Não queria parecer desesperada, mas saí da sala como um jato e fui em direção ao meu armário, deixando lá meus livros de qualquer jeito.
Corri até o banheiro para checar se minha roupa estava em ordem e aproveitei pra retocar a maquiagem.
Fui em direção à saída e me juntei aos meninos. Estavam todos juntos, rodeados por várias pessoas. Para minha surpresa, no meio daquelas pessoas todas, estava Avril conversando com . Ele parecia meio desconfortável e, assim que me viu, seu rosto tomou outra expressão – o que era bom.
- ! – Ele exclamou assim que me viu, fazendo todos olharem pra mim, inclusive Avril, que me olhou com desdém.
Dei meu melhor sorriso e então ele veio em minha direção.
- Tchau, gente... – Disse ele, segurando em minha mão e me puxando para dentro de seu carro, fazendo todos me olharem de novo, mas dessa vez com a expressão curiosa, inclusive e , que pareciam não entender absolutamente nada!
Ele abriu a porta do carro para que eu entrasse e depois entrou também, dando partida no carro.
Estávamos em silêncio, parecia que nenhum de nós sabia o que dizer e aquilo estava bem esquisito. Eu realmente queria falar algo, mas não saía nada da minha boca, até que uma hora ele virou em uma esquina desconhecida que me fez falar, involuntariamente.
- Pra onde você está me levando? – Eu disse olhando ao redor. O lugar, apesar de ser de tarde ainda, era deserto, e não passava quase ninguém por aquelas ruas.
- Você já vai ver! – Disse ele, me lançando um olhar galanteador.
Eu ri e esperei, até que por fim, ele estacionou. Ele se levantou e veio abrir a porta para mim, então eu saí e olhei em volta. Tinham algumas lojinhas com músicas suaves ao fundo e, bem escondido, por entre as lojinhas, havia uma parede salmão, se destacando entre as cores fortes dos outros lotes ali. Então me dei conta que era uma espécie de “café”.
Fomos andando e então entramos no lugar, que tinha uma decoração impecável e um aroma doce incrível. Era quieto e só tinham casais no lugar, o que me fez corar involuntariamente. Era uma decoração não tão extravagante e cada objeto em seu devido lugar, dava uma sensação de paz e sossego, o que provavelmente vários casais optariam para um primeiro encontro ou algo do tipo. Sentamos em uma mesa para dois, um pouco distante do resto dos casais que ali se encontravam, e então veio uma garçonete, que parecia conhecê-lo.
- , que bom vê-lo aqui depois de tanto tempo! – Ela disse com um imenso sorriso no rosto. – Vai querer o de sempre?
- Sim, por favor! Vou querer dois! – E então ele olhou pra mim, logo após que a mulher saiu dali.
Ficamos um tempo ali, só nos encarando, mas não era o mesmo silêncio do carro... Eu estava encarando seus maravilhosos e hipnotizantes olhos verdes – que, no momento, estava em um tom azulado que eu nunca vira antes -, e não conseguia pensar em muita coisa, eu estava completamente e definitivamente encantada por ele. Sim, eu já estava antes, mas era como se só ali, enquanto o olhava nos olhos, nos entendêssemos. Seus olhos traziam uma expressão sincera, de carinho e proteção, que eu somente vira enquanto estava no cruzeiro e, pra ser sincera, naquele momento, eu não me importava com mais nada, pois já tinha a certeza de que o que conheci no cruzeiro existia bem debaixo da pele popular do incrível , até se me oferecessem pedra eu comeria.
Ele agradeceu a moça com aquele sorriso totalmente encantador e então começamos a comer em silêncio. Éramos completamente estranhos ali, como se fosse a primeira vez que estávamos nos vendo. Sem assunto, apenas com o barulho do ar condicionado e da TV perto de nós, que estava no canal musical, fazendo de Criminal a trilha sonora do nosso “encontro”.

Tá, agora o silêncio estava realmente constrangedor e eu permanecia com os olhos no último pedaço de cheesecake que eu mordera, até que na televisão, a música mudou. A melodia conhecida por nós dois foi tomando conta do lugar, até que nossos olhos se encontraram. Eu o vi sorrir e foi impossível não sorrir junto, pois a música, aqueles olhos, foi me trazendo lembranças do que talvez tenha sido o melhor dia da minha vida.

* * *
Flashback on...


E estávamos na cabine novamente, conversando sobre música, que era o que mais nos rendia tempo ali. Na verdade, eu poderia ficar o dia inteiro conversando sobre qualquer coisa com , pois, de uma maneira incrível, tínhamos uma sintonia tão profunda, que nos permitia conversar sobre qualquer coisa. Era quase um caso de suicídio quando ele tinha que ir embora – depois de ficar horas e horas jogando conversa fora.
Enquanto no rádio do navio tocava uma música do Maroon 5, ele estava falando das suas inspirações, do que ele gostava de ouvir e, claro, não deixou de mencionar Elvis Presley e Coldplay. Os olhos dele brilhavam e era engraçado vê-lo desse jeito, pois despertava nele certo ar infantil, principalmente quando ele sorria e suas deliciosas covinhas apareciam em suas bochechas. Ele era realmente lindo e seus olhos cintilavam um tom esverdeado que iluminava todo o meu quarto, e seu sorriso... Nem se fala! Ele tinha realmente uma coisa, algo que eu não consigo explicar, mas que faz meu coração acelerar a cada palavra que ele diz, a cada risada...
Ele estava me olhando – daquele jeito que faria qualquer adolescente alienada agarrá-lo na mesma hora, mas a minha sorte era que eu sabia me controlar – e eu provavelmente estava com uma cara de completa bocó, talvez por eu ainda estar fantasiando com aquele garoto perfeito em minha mente.
Ele se sentou, ficando bem na minha frente, e voltou a falar do assunto, já que aparentemente eu havia voltado à Terra.
- Agora sua vez, qual a música da sua vida? – Disse ele me olhando ainda, esperando minha resposta.
- Eu acho que não tenho uma música da minha vida, sei lá... – Falei pensativa. Eu realmente nunca tinha parado pra pensar nisso, afinal, eu tive mais momentos ruins do que bons na minha vida, momentos do tipo que uma música deprimiria mais meu estado de espírito.
- Ah, isso não é possível! – Disse ele, boquiaberto. – Todos nós temos que ter uma música!
- Não necessariamente! – Eu disse, acompanhando-o na risada e fazendo uma careta, dando continuidade. – Acho que não tive muitos momentos dignos de uma música, sabe...
Ele soltou uma gargalhada abafada, totalmente adorável, que fez suas covinhas aparecerem de novo, me fazendo derreter por dentro, pra variar.
- Então temos que dar um jeito nisso! – Ele disse, se aproximando, ficando com o rosto a poucos centímetros do meu. Ele tirou uma mecha do meu cabelo, colocando-a atrás da minha orelha enquanto me olhava nos olhos. Era como se ele estivesse me dizendo alguma coisa apenas com o olhar. Ele passava o seu dedo polegar em minhas bochechas e eu só conseguia ficar parada. Era como se ele estivesse me hipnotizando, pois até pensar estava sendo difícil com ele ali, enxergando minha alma, e talvez até tendo a certeza de meus sentimentos por ele, só com a nossa troca de olhares.
Ao fundo, a trilha sonora mudara e, de uma forma engraçada, a música que se iniciara fez todo o meu corpo se arrepiar. Se eu não conseguia finalmente admitir meus sentimentos para , aquela música, naquele momento, acabara de se encarregar desse trabalho.
Os primeiros versos de One And Only já estavam sendo cantados por Adele e eu me atrevi a colocar minha mão em seu peito. Pude sentir seu coração batendo tão forte quanto o meu. Ele encostou sua testa na minha e segurou meu rosto com sua mão e eu fechei os olhos. Não esperando por um beijo, mas sim, porque seu aroma estava me invadindo e sentir sua respiração ali, tão perto, me trazia uma moleza no corpo, como se ele fosse algum tipo de droga. Eu já não tinha mais controle de mim, ele me tinha nas mãos. Ele poderia fazer qualquer coisa que eu ficaria com um sorriso idiota no rosto, mas ele não fez.
Assim como eu, ele também estava sentindo a paz, e um sentimento tão forte como o meu ali. A música rolava e eu pude sentir que ele chorava.
- Me deixa ser a música da sua vida... – Ele disse num sussurro, perfeito naquele momento e eu nada conseguia dizer. Eu estava totalmente atônita, envolvida pela música, pelo momento, pelo seu toque... E então eu pude sentir as minhas lágrimas, enfim, caírem juntamente com as suas. Ninguém nunca havia me dito algo assim, talvez porque eu nunca tivera um momento daquele, ou com alguém como ele.
Eu havia mantido distância do amor e de qualquer tipo de sentimento desde que sofri com a minha primeira paixão, quando tinha apenas 12 anos. O que era pra ser uma paixão normal de criança, foi um trauma pra mim, principalmente quando o seu “príncipe” se junta com a escola inteira para te humilhar. Mas a verdade é que ninguém era como , ninguém tinha o coração que o tinha... Ninguém era ele, e eu estava amando. Algo tão forte tomava conta do meu peito, que eu estava prestes a explodir. Eu não conseguia explicar, não conseguia nem falar. Meu cérebro girava, borboletas em meu estômago voavam loucamente e eu só conseguia sorrir. Era a melhor sensação do mundo. Coloquei minhas mãos em seu rosto e o olhei nos olhos, enquanto ele abria seus lindos olhos verdes lentamente e me fitava também. Sorri involuntariamente, enquanto as lágrimas secavam lentamente. Ele se aproximou cada vez mais, e então ele encostou nossos lábios, não como um beijo, e sim como um toque, como se nossos lábios estivessem se conhecendo, e nem ele conseguiu conter o sorriso.
Estava tudo perfeito, até que One and Only foi cortada, e foi dado o toque de recolher.
Nos separamos ofegantes, e nenhum de nós conseguia falar nenhuma palavra sequer.
- Tenho que ir... – Disse ele totalmente sedutor e eu assenti. Ele veio até mim e me deu um beijo na testa demorado, passando as mãos em minhas bochechas novamente, me lançando um sorriso. E então ele partiu, deixando naquele quarto um vazio, como se a energia positiva dali dependesse somente dele. E talvez dependesse mesmo, pois quando ele estava ali, algo diferente acontecia, o que fazia dali, o meu lugar favorito de todo o mundo.

Flashback off...


* * *


Era a música. One and Only. Não tinha como ficar pior! Seus olhos brilhavam e eu tentava esconder meu desconforto, mas quando ele abriu aquele sorriso novamente, fez todo o meu desconforto ir embora.
- Acho que conheço essa música... – Disse ele num tom baixo e encantador. Eu queria bater nele, pois eu estava com vergonha, caramba! E ele ainda fica falando desse jeito que, ARGH, tem como ele parar de ser tão lindo?
Senti meu rosto arder completamente e ele riu, ficando com as bochechas coradas também.
- Gosto de te ver com as bochechas vermelhas, você fica adorável, sabia? – Disse ele com um sorriso imenso no rosto.
Eu soltei uma gargalhada, talvez pra esconder a vergonha – e também a vontade de morder ele de tão fofo e sedutor que ele era. Como ele consegue?
Ele bufou e levantou da cadeira rapidamente, parando do meu lado.
- Vamos! – Disse ele estendendo a mão.
- Pra onde?... – E antes mesmo que eu terminasse de completar, ele me puxou, me colocando de pé na sua frente.
Ele era mais alto do que eu – óbvio –, e quando eu pensei que ele me levaria embora, ele me puxou pela cintura e segurou minha mão, me conduzindo lentamente para uma dança ao som de One and Only.
Estávamos totalmente envolvidos na música, e estávamos dançando em perfeita sintonia, exatamente como no dia em que ouvimos juntos essa música pela primeira vez.
A música deixava no ar toda a verdade que eu queria dizer, tudo o que eu sentia, e ali, naquele momento tão verdadeiro – como da primeira vez –, não tinha como eu esconder os meus sentimentos pelo . Eu não sabia se era amor, não sabia de nada! A única coisa que eu tinha certeza era de que eu poderia ficar ali em seus braços, sentindo seu toque e seu cheiro por toda a minha vida. Nossos corpos se encaixavam, como se tivéssemos sido feitos um para o outro, e eu podia sentir sua respiração ofegante e as batidas do seu coração, me deixando com a dúvida se tudo tinha sido real, cada palavra, cada conversa.
Eu fui estúpida de ter feito uma tempestade em copo d’água, todos nós mentimos. Eu minto sobre quem eu sou e não tinha o direito de julgá-lo só porque ele omitiu um fato de sua vida. Mas eu estava disposta a reparar minha estupidez e começar tudo do zero. E estávamos realmente começando.

Capítulo 12



Na manhã seguinte, eu não poderia acordar de melhor humor. Acordei estilo Cinderela, comigo cantando com os pássaros, dançando pelo quarto... Só faltavam os ratos fazendo um vestido ou algo do tipo. Tá, eu estou literalmente viajando, mas era assim que eu estava; nas nuvens, e nada podia abalar o meu dia.
Na noite anterior, depois do encontro – incrivelmente perfeito –, me trouxe até em casa e ainda ficamos conversando por algum tempo, até que finalmente ele se foi. Eu estava tão cansada que entrei em casa com um sono surreal, mas nada conseguia me fazer ficar menos eufórica com esse dia, principalmente quando me enviara um sms quando eu estava prestes a pegar no sono. Um sms muito fofo, por sinal, que dizia que ele amou aquela tarde comigo e que queria fazer isso mais vezes. É ou não é de morrer?
Liguei o computador e fui direto pro blog, e fiquei impressionada com a repercussão do último post. A visualização dos vídeos dos meninos havia disparado, tinham MUITOS comentários, eles ganharam vários followers – e até fãs, obviamente. Isso era incrível, e eu estava muito feliz por eles.
Aproveitei minha super inspiração pra fazer um texto, porque não? Afinal, onde mais eu me expressaria a não ser lá?

E hoje eu acordei assim, como se nada mais pudesse passar por cima de mim ou daquilo que eu quero pra mim. Eu estou naqueles dias que eu prefiro denominar como “Amazing Days”, pra ser mais específica, e eram exatamente esses dias que estavam faltando para que eu me sentisse um pouco mais completa.
Eu estou definitivamente destemida, pronta para o que desse e viesse, pronta pra encarar a vida finalmente – e quem diria que isso tudo viria pelas pessoas que conheci? Mas isso não vem ao caso.
O que eu queria realmente deixar pra vocês é que não tenham medo, sejam destemidas, determinadas e nãos permitam que as pessoas passem por cima de vocês. Somos livres, temos o direito de sonhar e mais direito ainda de realizar. As coisas acontecem quando nos atrevemos a tentar, quando nos subestimamos e nos surpreendemos com o resultado.
Pratiquem o perdão, limpem a alma, esqueçam aquilo que um dia te feriu e sigam em frente.
É disso que vocês realmente precisam para estarem verdadeiramente preparadas para vida – e sem medo delas.

Ass., Miss .



E então postei como de costume, e saí do computador. Eu não tinha percebido, mas já se passavam das 11h e eu não havia comido nada ainda.
Eu estava praticamente morando sozinha, pois meu pai estava viajando e minha mãe não parava em casa pelo trabalho, ou seja, eu tinha a casa só pra mim o dia inteiro!
Desci até a cozinha para ver se tinha algo para comer e notei um bilhete rosa que minha mãe havia deixado com um cartão de crédito ao lado. O bilhete era curto e grosso, e dizia: “Vá comer fora porque estava sem paciência pra fazer comida pra você!” Isso era realmente bom, pois a comida da minha mãe não era aquilo que se diga “NOSSA, que comida deliciosa”.
Subi novamente até o meu quarto e fui tomar banho. Coloquei meu iPod pra tocar dentro do banheiro e fiquei tanto tempo ali no banho pensando na minha vida e nos últimos acontecimentos, que fiquei trancada no banheiro por 35 minutos ao som de todos os tipos de música possíveis.
Saí do banho finalmente – quem entrasse no banheiro, iria confundir com uma sauna de tão quente pela fumaça – e troquei de roupa.
O clima não estava tão quente como de costume e havia muitas nuvens no céu, o que era bem melhor do que um sol e um calor do deserto. Escolhi uma roupa confortável, pois aproveitaria o almoço para fazer mais compras.
Eu adoro ter um tempo pra mim, mas confesso que essa vida sem amigas tá me deixando deprimida. Ir ao shopping é ótimo, mas com uma amiga se torna melhor ainda. Era complicado fazer amizade naquele colégio, pois todos andavam em bandos e grupos, era difícil alguém andar sozinha – tipo eu –, eram sempre grupos de quatro pessoas pra cima, e isso me assustava muito. Imaginem uma pessoa extremamente tímida, sem amigos nenhum e que ainda tem dificuldades pra se comunicar. Prazer, sou eu.
Penteei meus cabelos – que por sinal estava bem bonitinho, o que era meio inédito – e os deixei soltos. Passei uma maquiagem leve, com apenas delineador, base, blush e um gloss. Peguei meus óculos e o celular, coloquei o cartão da minha mãe na bolsa e saí.
Eu odiava ter 16 anos e não ter um carro. Qual é, todos com a minha idade nessa cidade tem um carro! Não aguento mais ter que pegar táxi pra qualquer canto.
Pedi para que o motorista me levasse até Santa Monica – que todos me diziam que a vista do pôr do sol daquele lugar era incrível. A viagem durou um pouco mais de 30 minutos pelo pequeno engarrafamento e então ele me deixou em frente à praia, de frente para o píer.
Eu estava com uma fome monstro e assim que avistei o primeiro restaurante, eu entrei. Pedi o prato da casa – que sinceramente não me lembro o que era ao certo, só me lembro de ter carne e batatas.
Paguei o almoço e saí do restaurante. Já se passavam das 14h e eu decidi fazer minhas compras. Andei pelos arredores de Santa Monica e, sinceramente, aquele lugar era incrível. Era cada loja mais linda que a outra – umas mais caras e outras menos, pois era meramente impossível achar roupas baratas naquele lugar.
Comprei muitas coisas, confesso, espero que minha mãe não perceba que passei um pouquinho dos limites. Se ela souber que comprei um blazer azul de $250 ela me mata!
As horas passavam muito rápido e então decidi passar no pequeno Starbucks que tinha ali perto – aliás, onde não tem Starbucks em Los Angeles? – para comprar o incrível frappuccino de lá. Eu estava andando distraida, olhando as roupas das vitrines, quando esbarrei em alguém e deixei cair meu frappuccino todo no chão!
- Me desculpa! – Falei completamente sem graça, pegando o meu ex-frappuccino e o celular da tal pessoa do chão. Ser mais lerda pra que, né?
Quando fui entregar o celular e olhei para a menina que estava na minha frente, percebi que ela era familiar. Comecei a caçar sua imagem na minha cabeça e me lembrei do dia em que fui à boate com os meninos. O envergonhado, a garota loira, AI MEU DEUS, eu havia me esquecido completamente de ajudar o com ela!
- Tá tudo bem... – Disse a garota, tentando tirar o celular dela da minha mão de forma simpática, pois eu estava tão atônita, lembrando o que eu prometera pra , que estava prendendo seu celular. Será que ela estava achando que eu era uma maluca com cara de bocó que rouba celulares? Melhor falar alguma coisa.
- Caramba, eu te conheço! – Eu falei finalmente, depois de ter entregado o celular a ela.
Ela abriu um sorriso muito meigo. Já sei por que era apaixonado por ela, ela parecia ser realmente simpática.
- Sério? – Disse ela, pouco antes de soltar um “aah”, provavelmente se lembrando de mim. – Você é da minha turma de Literatura!
- E Artes também! – Soltei um sorriso. – Sou , prazer!
Ela estendeu sua mão e me deu dois beijos na bochecha, como no Brasil. Era engraçado, aqui na América ninguém costuma se apresentar assim, diferente do Brasil, mas preferi deixar quieto.
- E aí, fazendo o que por aqui? – Comecei a puxar assunto enquanto começamos a andar lentamente pela orla da praia de Santa Monica.

Já eram 20h e eu estava com a – como ela preferia ser chamada – vendo o pôr-do-sol no píer. Passamos a tarde inteira juntas e era como se já nos conhecêssemos há anos! Descobri várias coisas sobre a vida dela, como ela também descobriu da minha. Ela era extremamente engraçada, mas tímida ao mesmo tempo, gostava das mesmas coisas que eu e, por incrível que pareça, ela não tinha tantos amigos. Muita coincidência.
- Mas eu te vi com várias garotas no domingo passado, como você quase não tem amigos?
- Eu estava com uma prima, ela morava aqui em L.A., e no domingo passado foi a despedida dela, pois ela voltou para o Brasil.
Peraí. PARA TUDO. Como assim voltou pro Brasil?
- Voltou pro Brasil? – Eu estava confusa, pois é.
- É... – Ela pausou. – Eu sou brasileira! Vai dizer que não percebeu?
Eu soltei um grito que a fez dar um pulo e logo depois uma risada.
- O que foi? – Disse ela aos risos.
- Eu sou brasileira também! – Eu disse aos risos, fazendo-a arregalar os olhos. – Nasci no Brasil, cresci um pouquinho lá e fui pra Dallas, vim pra L.A. faz pouco tempo!
Falei pegando um cookie que estávamos dividindo.
- Cara, isso é MUITO legal! – Ela falou rindo bastante também. – Que coincidência engraçada! Eu também nasci lá e vim pra cá. Quando estava no sétimo ano fui pro Brasil e também voltei há pouco tempo pro ano letivo.
- Bem que o falou... – Falei sem querer. Droga.
Ela me olhou confusa – e corada também. Ficamos em silêncio e eu estava me segurando pra não rir.
- O ...? – Ela falou curiosa, aparentemente confusa. – O que ele falou? Como assim?
- Bom... – Eu comecei a gaguejar. Pensa rápido, pensa rápido... – No domingo passado eu te vi na boate e gostei da sua blusa de caveira, aí ele me disse que te conhecia e que você viajou quando vocês estavam no 7º ano e tal...
Eu espero realmente que essa desculpa tenha colado. Não podia simplesmente entregar o assim, ele me mataria!
- Ah tá... – Ela falou por fim, soltando uma risada. – Bom, tá ficando tarde, acho que vou embora...
- Sim, também tenho que ir! Tenho que chegar em casa primeiro que a minha mãe! – Falei enquanto nos levantávamos.
Fomos em direção até seu carro.
- Onde você mora? – Perguntou ela. Expliquei direitinho e então ela decidiu me levar até lá, já que ela disse que era caminho até onde ela morava e assim fomos embora. O caminho até em casa não demorou e, óbvio, não deixei de pegar o número do telefone dela, deixando claro de que a partir daquele dia não a deixaria mais em paz.

Capítulo 13
Três meses depois...



Acordei não muito bem naquela manhã de sexta-feira – quando digo manhã, lê-se meio-dia. Meu corpo inteiro doía e eu me sentia bastante febril. Eu definitivamente não estava bem para ir pra escola – de novo. Eu estava assim fazia quatro dias, mas não tinha forças pra procurar um médico ou algo do tipo e parecia que o remédio que eu tomava não fazia efeito nunca! Minha mãe ainda não sabia do meu estado, pois não parava em casa por causa do trabalho e meu pai nem se fala...
Aconteceram bastantes coisas nesses três meses. Meu pai estava no Brasil o tempo todo e adivinhem só, ofereceram um cargo melhor pra ele no Brasil e teríamos que nos mudar. Eu – óbvio – me recusei a me mudar de novo e por isso eu e minha mãe nos distanciamos. Era ruim pra mim, claro, ficar sem falar com a minha mãe direito e eu não queria prendê-la aqui se ir para o Brasil seria o melhor pra ela, mas eu tinha finalmente me encaixado em L.A. e, por incrível que pareça, não queria ir embora.
Sem contar que eu estava bem próxima de – ele tentara me beijar várias vezes, mas eu não cedia. Burrice? Talvez, mas é mais por precaução. Não quero me machucar de novo. Ele era um ótimo amigo – colorido, claro – e era extremamente fofo! Óbvio que ele continuava a ficar com outras meninas, afinal, não somos namorados nem nada, e eu não tinha o direito de sentir ciúmes, muito menos impedi-lo de viver sua adolescência.
Eu não podia estar mais amiga dos meninos da 1D. Eu amava passar tempo com eles e eu sempre arrastava a junto comigo nos nossos programinhas. Ela se sentia um pouco desconfortável, pois depois de tanto tempo sem contato, eles não tinham muito assunto com ela, então ela sempre ficava calada. O único que ela mais falava – e mesmo assim bem pouco –, era . Eu não podia comentar com ele a cena deles dois juntos conversando, pois ele me batia. De verdade. Era só eu começar a comentar em como ele ficava vermelhinho e sorridente – sem contar os olhos brilhantes e as idiotices que ele fazia ou falava – que ele me dava um soco no ombro. Pois é, pode ter a aparência de fofo e simpático, e ele até é, mas tem um lado dele que quase ninguém conhece que é esse lado ogro e bruto. Sem contar quando ele começa a me xingar, mas isso acabou quando entramos no acordo de que eu não o zoaria com a , e ele não me zoaria mais com . Justo.
Eu me aproximei muito de depois que eu e começamos a sair, ele era um fofo. Eu achava que ele era galinha – como – mas, para a minha surpresa, ele não era. Ele era bem sensível e romântico, mas não gostava de mostrar pra qualquer um esse seu lado, pois não gostava de quando as meninas se aproveitavam disso e o magoavam. Era engraçado, pois tínhamos vários “papos cabeça”, digamos assim. O pior era quando juntavam eu, , e pra conversar sobre a vida, pareciam vários filósofos conversando. Todos tão românticos e fofos falando de suas vidas amorosas, de suas experiências com as meninas... Era bem legal ouvi-los falar de amor, eu ficava impressionada e eu gostava muito de conversar sobre essas coisas com eles.
E a banda? Uau, era incrível ver a banda crescer. Na próxima semana eles vão viajar pra NY a convite de um produtor que os viu no meu site – incrível, não? – pra fazer meio que um “teste” pra uma grande gravadora. Nem eu e nem eles podíamos estar mais animados com isso! A cada dia que passava, eles eram mais reconhecidos em L.A. Era estranho andar com os meninos e do nada aparecer algumas pessoas para falar com eles e pedir fotos. Digo, não que eles não eram conhecidos quando eu fiquei amiga deles, mas agora a coisa realmente engatou! Incrível!

Nossa, eu estou realmente com saudades deles! Desde que eu fiquei doente que eu não falava com eles – talvez porque eles não estejam sabendo que eu estou doente, dã. Eu andara me sentindo tão sozinha ultimamente, odeio ficar doente!
era um amor e eu a amava muito, mas bem que ela poderia ter um ataque de sabedoria e correria pra cá ver o porquê de eu estar sumida, mas ela não fez isso, então o jeito é ter paciência.
Dei um gritinho enquanto tentava me levantar da cama e parecia que meu corpo havia sido esmagado por um canhão de tanta dor que eu sentia. Levantei com muita dificuldade, mas consegui e fui andando lentamente até o banheiro. Minha cara estava péssima, pior que o normal. Meu cabelo estava totalmente bagunçado, eu estava com olheiras, com a cara amarela e talvez até mais magra. Sentia-me muito fraca, porque desde que eu adoecera, não havia comido absolutamente nada, pois não tinha forças para descer as escadas e comer.
Andei até meu celular e ele estava desligado, sem bateria – deve ser por isso que ninguém tentou contato comigo. Peguei o controle da televisão, meu celular e o respectivo carregador e me joguei na cama – que no começo parecia uma boa idéia, até que meu corpo estremeceu e a dor se intensificou.
Conectei o carregador no celular – que ligou automaticamente – e liguei a TV, que por sorte estava começando uma maratona de Pretty Little Liars. Enquanto dava o comercial, eu olhei o meu celular, e tinham algumas mensagens dos meninos e algumas ligações perdidas. Respondi todas as mensagens, e avisei também que estava doente por eles terem perguntado o porquê de tantas faltas e então deixei meu celular carregar enquanto voltava a ver PLL.

Já se passavam das 16h e eu estava acabada. Só levantava para ir ao banheiro e olhe lá. Eu estava fraca pela minha fome e não aguentava mais ficar deitada, mas não havia mais nada que eu pudesse fazer.
Minha mãe demoraria a chegar e eu estava quase ficando louca. Não tinha mais nenhum programa legal na televisão e eu estava doida pra andar, sair, fazer alguma coisa, mas não conseguia. Ótimo.
Enquanto passava de canal, senti meu celular tremer do meu lado e quando olhei, meu coração disparou. Era uma mensagem de .

O que você tem? :s


Respondi para ele o que eu tinha e ele não respondeu mais. Fiquei chateada, confesso, mas não ia mandar outra mensagem pra ele – sou orgulhosa, sim, me processem. Tudo bem que eu estava carente e doida pra conversar – melhor ainda se fosse com ele –, mas não ia ficar “implorando” e perturbando as pessoas pra conversarem comigo.
Virei de lado e enquanto começava um filme qualquer, senti meus olhos fecharem lentamente. Eu estava prestes a dormir quando ouvi um barulho vindo do andar de baixo.
Me enrolei mais ainda no cobertor, tremendo pela possibilidade de ser um ladrão. Os passos foram ficando cada vez mais alto e mais perto, e deduzi que ele – ou ela – já estava no corredor que dava para o meu quarto. Comecei a orar pedindo a Deus que perdoasse meus pecados e que não me permitisse morrer. Eu estava desesperada! Nunca havia sido assaltada antes, muito menos na minha própria casa! Ouvi a porta do meu quarto se abrir e uns passos vindo lentamente até minha cama. Fechei os olhos e fingi que estava dormindo, pois assim o ladrão pegaria logo o que queria, ia embora e não me mataria.
Senti uma mão quente em meu ombro e dei um pulo da cama. Quando olhei para cima, para minha surpresa, não era um ladrão, era bem melhor que isso.
- Te acordei? – Disse , totalmente corado, com várias sacolas na mão.
- Não, não... – Eu falei com a voz fraca. – Eu achei que era algum ladrão, ! Por que não avisou que vinha?
Ele se sentou ao meu lado e olhou pra minha cara, me analisando.
- Você está com uma cara horrível! – Ele falou por fim. Era realmente ótimo ouvir aquilo do garoto que você gosta, mas eu não tinha forças pra protestar. – Eu trouxe comida e remédio pra você... Esse remédio é infalível, vai passar na hora! E minha mãe falou pra você tomar de seis em seis horas.
E então ele me entregou o comprimido, levantando na mesma hora pra pegar água pra eu tomar. Fiz o que ele pediu e então caiu a ficha. foi lá pra cuidar de mim, isso era... LINDO! Ok, eu não estava mais com raiva dele, era por isso que ele não me respondeu mais no celular, porque ele sabia que eu não o deixaria vir. Parecia que nos conhecíamos há anos, pois ele me conhecia tão bem, conhecia meu jeito, minhas manias e de tudo o que eu gostava. Ele era tudo o que eu precisava e tudo o que eu queria... Eu não precisava enganar ninguém quando eu estava com ele, pois ele me deixava livre para ser quem eu quisesse e era isso o que eu mais gostava nele.
Ele era sincero, sua fala mansa e sua voz faziam meu corpo todo estremecer e me dava vontade de ficar ali com ele, ouvindo-o falar o dia inteiro. Ele tinha um poder surreal sobre mim e falava comigo de um jeito que me fazia sentir especial e, hm, era por isso que eu o amava. Será que isso é possível? Amar alguém assim tão rápido? Era isso que me deixava mais com medo, saber que eu tinha um sentimento que eu nunca tivera antes por ninguém. É algo tão forte, que faz meu coração querer pular do meu peito de tanto que ele palpitava quando eu estava perto dele. Minha respiração falhava, meus olhos – provavelmente – brilhavam mais do que o normal, eu sentia minhas mãos suarem e o chão estremecia e vacilava aos meus pés.
Minha mãe sempre dizia que quando eu amasse alguém de verdade, seria um sentimento indescritível, e era como eu estava no momento. Eu não conseguia explicar, minha voz vacilava... Eu só sentia aquele sentimento dentro de mim me fazendo querer gritar. É, eu estava realmente perdida.

Capítulo betado por Larissa Console



Capítulo 14


- Tá de brincadeira, né? – disse eu, por fim, em meio às gargalhadas de , que não conseguia se conter e ria loucamente da minha cara. Provavelmente eu estava com cara de “tapada”, como todos diziam que eu ficava quando perdia algum jogo.
Estávamos jogando Mortal Kombat, eu sei, o jogo é bem velho, mas ele me desafiou, falando que era o melhor nesse jogo, e eu sou bem competitiva e, com isso, aceitei o desafio.
Como eu costumava jogar direto no Texas (logo depois que voltei do Brasil) e sempre fui viciada, sabia todos os macetes, o que me tornava invencível. E eu teria vencido, se não tivesse roubado.
- Isso que é ser invencível? – perguntou ele, arfando, tomando outro gole de coca-cola, enquanto lágrimas escorriam de tanto rir de mim. – Você é muito ruim, !
- Eu não sou ruim, você que fica roubado!
Eu estava realmente revoltada, mas não aguentei e caí na gargalhada junto com ele. Era difícil ficar com raiva dele, mas o que eu posso fazer? Aquelas covinhas me tiravam um sorriso até na hora de fazer provas escolares.
- Você é ruim sim! E muito! – disse ele, se levantando e tirando o jogo do vídeo-game.
Eram 21h. e estávamos no maior pique. Depois do remédio que ele me dera, me deixou com mais ânimo e eu até conseguia me mexer sem sentir tanta dor. A febre passava aos poucos, mas mesmo assim eu não fazia muito esforço, pois – um cavalheiro, devo dizer – fazia questão de fazer tudo pra mim. Ele até cozinhou cookies pro lanche e, sinceramente, estavam uma delícia. Eu não conhecia esse lado “chef” de , por isso ele fez questão de me fazer jurar que não contaria à ninguém sobre isso, o que eu realmente não entendia, pois isso é o tipo de coisa que se deve gritar aos quatro ventos! Um garoto de 16 anos que cozinha realmente era difícil de achar.
- Acho que vou tomar banho… – disse eu. por fim. Não queria deixar sozinho lá, mas também não era desculpa para estar fedendo a cama.
- Quer companhia? – perguntou ele, me lançando um olhar malicioso. Peguei uma almofada e joguei na cara dele, fazendo-o cair na gargalhada.
- Claro que não! – eu disse, por fim. – Mas enquanto isso você pode ir pedindo uma pizza se quiser, eu não me importo!
Ele soltou um riso abafado enquanto levantava para pegar o celular. – Claro, Madame!

Peguei minhas roupas e fui para o banheiro. Não queria demorar muito, então só fiquei no banheiro por 15 minutos. Coloquei um short curto e uma blusa bem larga e grande, que eu usava pra dormir, que cobria o short.
Quando saí do quarto, me deparei com um pensativo que não percebera minha chegada. Eu daria tudo pra saber o que ele estava pensando, pois ele mantinha uma expressão tão serena e tranquila, que tive certeza de que era algo bom. Ele tinha um sorriso no canto da boca um tanto discreto, mas totalmente encantador. Talvez eu poderia ficar ali o olhando por horas, sorrindo feito uma idiota só por tê-lo ali, mas o mesmo percebera minha chegada, me desviando de todos esses pensamentos.
- Hey, você está aí! – disse ele abrindo um imenso sorriso, totalmente reconfortante, enquanto suas bochechas coravam aos poucos enquanto ele olhava pra mim de cima a baixo.
- O que você estava pensando? – perguntei, tentando quebrar o clima estranho que começava a pairar ali.
Ele se levantou e veio em minha direção com um sorriso bobo no rosto. Ele parou na minha frente e colocou uma mecha do meu cabelo, ainda molhado, atrás da orelha.
- Em você… – Ele pausou. – Em nós.
Meu coração começou a bater tão forte, que talvez ele pudesse escutar. Eu não conseguia sorrir, eu tentava me conter, conter o que estava crescendo em mim. As palavras dele vieram como uma bomba, que estava quase me fazendo explodir. Eu queria responder, mas nada inteligente passava pela minha cabeça. Eu estava travada, e temia abrir a boca para falar besteira.
- Hm… – Foi o único som que saiu da minha boca. Ele soltou uma risada gostosa, divertida, enquanto suas bochechas coravam tanto quanto as minhas. Seus olhos tinham um tom de verde tão bonito, tão calmo como aquele momento.
- Eu não entendo como você pode gostar de mim… – Ele arfou e segurou meu rosto com as mãos, ainda sorrindo de canto. – Eu sou tão… Cafajeste, não mereço uma garota como você… Tenho tanto medo de te machucar, de te ver sofrer…
- Hey… – Eu o interrompi. – Você não tem que se sentir assim… Eu sei que o garoto que eu conheci naquele cruzeiro existe, e ele está bem aqui… É desse que eu gosto, e você tem que viver a sua vida, não se preocupe com o que sinto, você é livre e eu não quero te prender a algo de alguma forma… É por isso que nós não…
- Ficamos juntos? Pra valer? – Ele me interrompeu, se afastando um pouco.
Ele me olhava fixo e eu não sabia exatamente o que responder. Eu sabia da resposta, mas não sabia como falar.
- Talvez… – Eu respirei fundo. Eu ia continuar, mas ele foi mais rápido e se aproximou. Nossos rostos estavam tão próximos que eu conseguia sentir sua respiração, seu hálito fresco, e era como se eu estivesse em algum tipo de frenesi.
- Eu quero ficar com você, … – Ele falou tão rápido e tão baixo, que se eu não estivesse tão concentrada em seus lábios, não teria entendido. – Eu preciso de você… Se não for você, não vai ser ninguém… Por favor, me dá uma chance… Por favor!
Nossas respirações estavam fortes, ofegantes… Estava difícil processar os pensamentos, estava tudo tão confuso, tão embolado, que eu não encontrava palavras, não sabia o que responder. Será que seria o certo? Tentar começar um relacionamento com o ? Eu estava sendo difícil todo esse tempo e em nenhum momento se afastou, o que era provável que ele sentia algo por mim. Mas será que era o mesmo que eu sentia? Será que ele pensava tanto em mim como eu pensava nele? Isso parece tão certo, mas ao mesmo tempo tão errado… Eu quero estar com ele, quero ele pra mim… Mas será que isso realmente era pra acontecer?
Abri os olhos e então o encarei com firmeza, certa da resposta, mas incerta do que estaria por vir. Eu não saberia o que aconteceria se não arriscasse, mas no momento eu não sabia de mais nada. Só sabia o que eu queria. E o que eu queria estava bem na minha frente.
- , eu… – E então o telefone tocou. Merda.
Nos afastamos, ainda ofegantes, e eu atendi ao telefone, que por sinal era a minha mãe. Ela me disse que ficaria mais um pouco no trabalho e que de lá sairia com algumas amigas pra um lugar que não entendi qual era, mas disse que não me importava em ficar em casa. Desliguei o telefone e olhei para , que tinha as mãos no bolso e me olhava com apreensão.
- E aí? – ele disse, por fim, mordendo os lábios.
- E aí… – Eu soltei uma risada e me aproximei dele com um sorriso no rosto. – E aí que eu…
E novamente, quando eu estava preste a responder, ouvi batidas fortes na porta da frente da minha casa. Ouvi sibilar vários palavrões, e então descemos juntos, e quando abrimos a porta, nos deparamos com , , e , correndo em minha direção, me abraçando e perguntando se eu estava bem. Ok, lembra que eu disse que estava com saudade deles? Retiro o que disse.

Pedimos mais pizzas e vimos dois filmes. Eu e estávamos normais, mas a todo o momento podia sentir seu olhar sobre mim, enquanto ele sorria calmamente. Era pra ser desconfortável, mas quando nossos olhares se encontravam, era como se saíssem faíscas. Era engraçado, não me lembrava de ficar assim com ele nem nos nossos encontros, mas dessa vez era diferente… Eu tinha algo pra dizer, que não podia esperar.

- Já está bem tarde… Vamos embora? – disse assim que o segundo filme terminou.
Todos concordaram e então se dirigiram até a porta. Me despedi de cada um, inclusive de . Eu na verdade não queria deixá-lo ir, mas com todos ali nos encarando, eu não tinha o que fazer para impedi-lo. Fechei a porta, fui até a cozinha e bebi um copo de suco, até que ouvi três batidas na porta. Estranhei, e quando abri era .
- , o que…? – E antes mesmo que eu pudesse terminar, ele me puxou pela cintura e me beijou.
Era um beijo quente, calmo… Não tinha palavras que descrevessem. Era como se nossas bocas fossem feitas uma para a outra, pois se encaixavam de uma maneira tão surreal, tão verdadeira, que quem nos visse poderia ver o sentimento que tínhamos um pelo outro. Eu não conseguia pensar em muita coisa, eu estava em estado de choque. Ele era tão doce, tão delicado… E quando nossas línguas se encontravam, era como se todo o meu corpo fosse tomado por uma imensa eletricidade. Eu sentia meu coração arder enquanto ele colava seu corpo no meu. Ele me prendia contra ele, como se estivesse me impedindo de sair dali de seus braços, quando, na verdade, eu não pretendia tal ato, de qualquer maneira. Eu me sentia segura com ele, como se nada pudesse me atingir… Naquele momento, éramos um do outro. Ele me tinha e eu o tinha. Parece estranho? Pra mim era perfeito.
Aos poucos, o beijo foi ficando cada vez mais lento, até que ele afastou seu lábio do meu.
- Sim – falei, por fim, enquanto arfava.
Ele sorriu e me olhou nos olhos.
- Vou te fazer a garota mais feliz do mundo – ele falou, segurando meu rosto em suas mãos, enquanto acariciava minhas bochechas, docemente.
- Você não precisa… – eu falei e ele me olhou confuso. – Hoje você me tornou a garota mais feliz do mundo.

Capítulo betado por Nati



Capítulo 15



Duas semanas se passaram a cá estou eu, quase tendo um ataque epilético, implorando para que minha mãe saísse do meu banheiro – que eu não sei o porquê dela ainda não ter consertado o chuveiro do banheiro do quarto dela, mas enfim. Eu finalmente iria conhecer a família de . Era um sábado ensolarado, não tão calor – eu me lembrava que nessa época fazia um calor do sertão no Brasil, nada legal -, pois ventava bastante, o que deixava um clima agradável.
Já havíamos entrado nas férias de verão, e eu, finalmente, tinha passado de ano, o que me aliviava. O blog da Miss estava bombando – isso é bom, né? É, acho que é –, e eu não podia estar melhor com o . Como todo início de namoro, às vezes rolava uma certa vergonha... Não sei explicar, mas estávamos nos conhecendo ainda, e às vezes o assunto acabava, e era bem engraçado, pois nos encarávamos como se fôssemos duas crianças que acabaram de se conhecer.
Fora isso, era perfeito... Meu Deus, como esse garoto consegue ser fofo, engraçado, romântico, lindo e maravilhoso ao mesmo tempo? Ele sempre – lê-se todos os dias – me ligava à noite antes de eu ir dormir, e de manhã pra me acordar e dar bom dia. Isso quando ele não me acordava pessoalmente, pulando a janela e me acordando da forma mais doce possível.

Estávamos muito animados ultimamente, e quando digo estávamos, quer dizer eu, , e todo o resto da banda. Acho que me esqueci de comentar o que houve durante essas duas semanas. Resumindo: Os meninos foram chamados em Nova York para uma “entrevista” com um produtor musical e eles se apresentaram para o mesmo, e então, o Mr. Hawk – o produtor – falou que eles estavam muito “crus” ainda, pediram que os meninos ensaiassem durante um ano e depois agendasse uma outra visita para ver se eles gravariam uma demo ou não. Óbvio que os meninos voltaram arrasados da viagem, e pra mim, era hiper complicado ver meus melhores amigos tristes e com o sonho quase que destruído. Tentei ao máximo dizer que isso não era o fim do mundo, mas parecia que nada os animava. Por conta disso, eles até cancelaram alguns shows esse mês, e eu definitivamente não ia aceitar a derrota deles, e foi por isso que eu tomei uma decisão – precipitada, digo de passagem – e os contaria a novidade amanhã... É, amanhã é melhor... Se eu contar para eles hoje o que eu fiz, é capaz deles fugirem de mim e tudo der errado e isso TEM que dar certo.

Minha mãe finalmente saiu do banheiro, fazendo-me desviar dos meus devaneios, e então corri pra lá. Acho que tomei o banho mais rápido do mundo, pois em menos de 10 minutos eu saí de lá, e isso pra mim era um banho rápido.
Saí do banheiro enrolada na toalha e abri o closet pra pegar a roupa que tinha separado e a vesti. Não queria algo muito arrumado e passar a impressão de menina mimada e metida. Queria apenas a de sempre e sinceramente, acho que consegui a impressão exata de mim com a roupa que escolhi. Deixei meu cabelo solto e passei uma maquiagem leve, com apenas a base e o blush. Sem nada de exageros.
Ouvi meu celular tocar e, quando peguei, era uma mensagem de .

Já está pronta? Espero que sim, estou aqui na frente da sua casa. Desce logo. E não demora. Tô falando sério. Você adora demorar. Então... Desça. É. :) x

Ri alto da mensagem, mas, felizmente, estava pronta, então peguei meu celular e meus óculos e desci. Despedi-me da minha mãe e fui ao encontro do carro de . Na verdade, o carro era do padrasto dele, mas como ele insistia em se apossar das coisas, não havia quem o fizesse pensar o contrário.
- Oi! – falei enquanto entrava no carro, enquanto ele me dava um selinho demorado.
- Oi! – disse ele sorridente dando partida no carro e começando a tagarelar: – Adivinha só? Consegui um emprego de férias! Agora vou poder comprar meu próprio carro e mais um monte de coisas, eu estou super animado!
- Sério? Mas e a banda? – perguntei confusa.
- Ah, vamos dar um tempinho pra esfriar a cabeça, apesar de que vou trabalhar só meio período...
- Ah tá... – falei por fim. Deixa-os pensarem que vão desistir assim tão fácil... – Você arrumou emprego aonde?
- Na padaria da minha esquina! – disse ele todo sorridente e eu não entendia o porquê.
- Sério, ? Padaria? Você está desistindo da banda pra trabalhar na padaria?
Ele respirou fundo e me olhou, enquanto parava finalmente o carro em frente à sua casa.
- Foi o que eu consegui... Não quero ficar com a ideia fixa da banda na cabeça, quero me distrair e pensar em outras coisas... Eu sei que trabalhar na padaria é péssimo, mas é por pouco tempo... Eu acho.
Bufei e o olhei. Seu olhar me dava pena, eu não queria que ele sofresse, eu sabia como era desistir das coisas que eu mais amava, e era por esse motivo que eu não podia deixar isso barato.
- Ok – falei enquanto saía do carro. Ele fez o mesmo e entrelaçou nossos dedos e então me conduziu até a porta da frente de sua casa. Era uma casa simples, porém muito bonita. Tinha um tom de azul claro, com madeiras brancas e um gramado lindo. De longe, vi uma gata de cor caramelo e olhos cinza miando alto enquanto tentava subir no pequeno sofá da sacada da casa.
Conforme ia chegando mais perto da porta de entrada, mais meu coração acelerava. E se não gostar de mim? E se o também não gostar? Ai meu Deus, tira esses pensamentos de mim, por favor.
- Tá pronta? – disse ele com a mão na campainha, só esperando meu sinal verde pra apertar. Assenti que sim e ele apertou minha mão, beijando-a logo em seguida, enquanto apertava a campainha.
Em fração de segundos, uma mulher da mesma altura da atendeu a porta. Ela tinha um sorriso caloroso, seus olhos brilhavam de um modo incrível e ela estava em boa forma também. Já vi da onde herdou a beleza, mas eu não preciso falar isso pra ele.
- Oi! – exclamou , me tirando do transe. – Você deve ser a famosa , certo?
- Sim, sou eu mesma! – eu falei enquanto a abraçava. – Prazer em conhecê-la!
- O prazer é todo meu, querida. Entre, por favor – disse ela enquanto dava passagem para que eu entrasse.
Quando eu pensei que estava calma e que correria tudo bem, me deparei com a família inteira de na sala assim que cruzei a porta. Apertei a mão de levemente, e parece que ele percebeu meu nervosismo e então riu, depositando um beijo na minha testa logo em seguida, fazendo todos da sala fazerem um “ownnnnn” coletivo. Eu ria nervosamente, enquanto cumprimentava um por um, inclusive e , que se encontravam ali também. Tentei esquecer um pouco esse meu nervosismo à toa e então respirei fundo, deixando que as coisas acontecessem da forma que deviam acontecer, então se eles gostassem de mim, ótimo, mas não iria ficar louca pensando na possibilidade contrária.
Fiquei o tempo inteiro ao lado de e, felizmente, me dei muito bem com a , sua irmã. Ela tinha uma cabeça bem madura e éramos bem compatíveis em vários aspectos, o que consequentemente me deu mais liberdade para expandir os assuntos na hora de conversarmos. Ela me disse várias coisas que eu não sabia sobre o , e eu a achei muito engraçada. Enquanto conversávamos, acabei contando a ela sobre meu plano – que entraria em ação no dia seguinte – e ela apoiou totalmente, prometendo me ajudar também, o que tornaria tudo muito mais fácil.
O dia passou voando, e só me dei conta disso quando parou com o carro em frente à minha casa. Já se passavam das oito da noite, e eu arranjei uma desculpa para que ele me levasse cedo pra casa e, aproveitando a brecha, fazer o convite a ele, que daria um novo início – ou não – aos meninos. Ele veio tagarelando o caminho inteiro até a minha casa, tentando me fazer – em vão – contar o que eu estava planejando a ele. Eu apenas ficava quieta e ria internamente, pois sabia que se eu abrisse a boca, provavelmente eu contaria tudo a ele, e daí iria dar tudo errado.
- Última tentativa, , você não vai me contar?
- Ér... Não! – falei enquanto encarava seus olhos, que cintilavam no pôr do sol, abrindo logo em seguida a porta e seguindo o caminho até a porta, enquanto ele me seguia.
- É sério? – Ele pausou e me encarou, me segurando pela cintura. – Você me esconde as coisas e ainda sai do carro sem ao menos me dar um beijinho de tchau?
Ele fez um bico e algo engraçado e fofo com os olhos, que o fez ficar com cara de cachorro que acabou de cair da mudança, eu ri da situação.
- Você tá mais dramático que eu, pode parando, ok? – Ele riu e então depositou um beijo na ponta do meu nariz e logo após um na boca, começando um beijo suave e calmo, digno de um filme. Não sei quanto tempo ficamos ali nos beijando, era como se toda vez que começávamos, o tempo parasse e só existíssemos nós dois ali e mais nada importasse. Até o vento conspirava ao nosso favor, trazendo leves e doces brisas típicas de verão, pra deixar cada momento único e especial, que não importasse o que acontecesse, ficaria em nossas memórias pra sempre.
Nos separamos do beijo aos poucos e arfamos, sabendo que diríamos adeus – mesmo que por algumas horas.
- Esteja aqui em casa pra me buscar com os meninos às 7h, tá? Nem um minuto a mais, nem um minuto a menos...
- Mas...
- Sem “mas”, só me obedece! – Eu o interrompi antes mesmo que ele me perguntasse o que faríamos no dia seguinte. Eu já havia combinado tudo com os meninos e com a , que também estaria lá em casa a essa hora para irmos juntas até o local que mudaria a vida dos meninos.
- Ok, você quem manda! – ele disse por fim, depositando um beijo na minha testa. – Até amanhã, minha pequena.
Eu o vi ir em direção ao carro com aquele sorriso de sempre, que me trazia uma nostalgia inevitável. O jeito que o vento balançava seus cabelos, o som da sua risada, sua fala engraçada... Era tudo tão maravilhoso, mágico... Único. Ele era único, o único que me fazia sentir boba, o único que tinha o poder de me tirar sorrisos até quando sentia raiva, o único que me fez conhecer o verdadeiro significado da palavra amor. Ele era maravilhoso, um garoto de um coração grande o bastante pra se permitir mudar, pra se permitir se entregar. Mas ao mesmo tempo, por baixo desse forte , tinha o menino doce e – ainda assim – com medo da vida. Naquele momento, jurei a mim mesma que faria parte da vida dele até o fim, que enfrentaríamos todos os nossos medos juntos, que passaríamos por cada obstáculo e que, no fim, seríamos vencedores de tudo aquilo que nos foi preparado. Um final feliz pra nós dois, era isso que tinha que ser.
- Até amanhã... – falei por fim, enquanto via seu carro partir. Entrei em casa e antes mesmo de tirar a roupa, abri o blog, e antes mesmo de ver comentários ou algo do tipo, precisava escrever sobre algo que me incomodou assim que vi o carro de partir. Era algo estranho, diferente, que eu nunca tinha sentido antes e eu precisava desabafar, precisava, como sempre, colocar em palavras tudo aquilo que estava em mim, para que eu pudesse tentar entender aquilo que meu coração tinha pra me falar.
E então, na tela do computador, a caixinha branca se abriu, a caixa que eu depositava todos os pensamentos possíveis, que me ajudava em tudo, que fez parte de mim por vários anos em que eu me sentia de alguma forma diferente ou mal. Que fez parte do meu crescimento, que conheceu todas as minhas dores, que conheceu muitas derrotas e, felizmente, as vitórias que vieram depois. A caixinha onde as palavras pareciam mágicas, onde meus pensamentos simplesmente fluíam e, no fim, algo ali se tornava especial e poderoso, que servia de ajuda não só pra mim, mas para aqueles que se sentiam da mesma forma que eu e liam aquilo, e ganhavam um novo motivo pra continuar por simplesmente saber que não estavam sozinhos. Era isso que o blog era, um meio de comunicação a todos aqueles que ainda não tinham voz, como uma vez eu não tive.

É possível alguém acordar bem e logo após se sentir mal também? Quer dizer, eu sei que é possível, mas a pergunta exata é: Por que isso acontece?
Enquanto via uma certa pessoa ir embora depois de um dia incrível, algo tocou no meu coração sobre despedidas. Comecei a pensar sobre isso pra saber o que realmente estava acontecendo comigo e o que eu deveria fazer, então resolvi vir compartilhar com vocês um pouco sobre a conclusão que obtive.
Às vezes, pensamos somente no “pra sempre” e nos esquecemos do tempo exato das coisas. Nada acontece por acaso e às vezes, por mais difícil que as coisas pareçam, ou até boas, como é meu caso, uma hora acaba. Momentos ruins acabam, e até momentos bons. Vivemos em um mundo que é sim possível ser feliz pra sempre, mas nunca podemos esquecer se o que estamos fazendo ou com quem estamos, vai fazer jus ao termo “pra sempre”.
O que quero dizer é que, se em algum momento da vida de vocês, vocês tiverem que dizer adeus, não hesitem, não pensem e, se for preciso, jamais ouça o coração, pois nem sempre o que está no coração é o certo. Às vezes o que é certo pra gente, não é certo para as outras pessoas, então vocês devem deixar que se vão, pois o que é pra ser nosso, sempre voltará e quando voltar, vocês saberão se é verdadeiro ou não, se é pra ser ou não.
Deixem as coisas fluírem da maneira que devem ser e, por mais confuso e difícil que isso possa ser, vocês, no futuro, saberão que foi preciso, pois isso sempre vai gerar o crescimento pessoal que precisamos, nos fazendo ter força o suficiente pra superar qualquer tipo de situação em nossas vidas.
Pensem nisso. Com amor,
Miss .


E então postei novamente o texto, não entendendo o porquê de sentir e pensar sobre despedidas. Fechei o computador e tomei um banho demorado, ainda tentando entender o porquê de sentir tantas coisas diferentes em fração de poucas horas. Dei uma última olhada no celular e tinha a típica – e doce – mensagem de boa noite do . Respondi com um sorriso no rosto, como sempre, e logo após, deitei na cama, ainda pensando sobre o post de despedidas, e mal sabendo o que estaria pra acontecer na minha vida, adormeci.

Capítulo betado por Nati



Capítulo 16



E lá estava eu na platéia, com meu coração na mão, vendo a One Direction se apresentar para sobreviver no reality show de maior audiência de todo território americano, The X Factor. Eles eram os únicos da categoria Grupos, que tinha como mentor o grande Simon Cowell. Eu estava chorando bastante, pra falar a verdade. Eu sentia todo o meu corpo se arrepiar a cada verso de “Torn”, e quando o cantava... Ai que saudade daquela voz perto de mim... Já fazia um tempo que não nos falávamos direito. O máximo que conseguimos conversar desde que eles entraram para o The X Factor, há exatos três meses atrás, foram 10 minutos e, bom, esses foram os piores da minha vida, pois foi quando ele terminou comigo. Era de se esperar que isso acontecesse, já que não tínhamos mais tempo um para o outro e ele só pensava na banda, só pensava em ensaiar. Não que eu tirasse a razão dele de querer vencer, mas desde que começaram os bootcamps, tudo mudou e, pra ser sincera, até hoje não sei exatamente o porquê.

Terceiro lugar... One Direction ficou em terceiro lugar, foi por muito pouco, mas infelizmente eles não venceram. Do fundo da plateia superior, pude ver o olhar de tristeza e decepção de cada um dos meninos. Não era isso que eu queria, não queria vê-los tristes... Meus olhos estavam marejados e eu comecei a sentir as lágrimas caírem novamente sob meu rosto, que provavelmente estaria corado e inchado, e, por isso, não vi quando eles saíram do palco. Eu não podia ficar ali, e então saí correndo. Não sei por onde saí exatamente, mas quando cruzei o portão, vi de longe os meninos no fundo, perto de um carro preto, cada um com seus familiares. Os meninos choravam bastante, enquanto as pessoas ali em volta tentavam consolá-los. Minhas lágrimas se intensificaram e então voltei a correr até chegar ao meu carro. Entrei e sentei no banco do motorista; desabei ali mesmo. Talvez fosse tudo minha culpa. Se eu não tivesse levado os meninos para aquela audição, nada disso teria acontecido. Eles não estariam decepcionados, não estariam tristes, e o ainda estaria comigo. Definitivamente foi culpa minha. Minha mania de me meter onde não é da minha conta finalmente surtiu algum efeito, que infelizmente não era bom. Minha vontade era de voltar lá e pedir perdão. Perdão pelo sofrimento que de alguma forma causei. Eu os iludi, dizendo que venceriam e que seriam famosos e que o sonho deles seria realizado, mas eu falhei com a minha maldita promessa. Eu queria estar lá com eles, abraçando eles e dizendo que tudo estaria bem, mas a essa altura eles já deveriam estar com raiva de mim por ter iludido eles e os convencido a entrar nessa furada. Não sei quanto tempo fiquei ali dentro do carro exatamente, mas sei que foi o suficiente para anoitecer. As lágrimas pareciam cessar, e então dei partida no carro, indo em direção à minha casa.

Saí do carro e fiquei parada, pensando em absolutamente nada. Eu não tinha reação, estava paralisada em um pensamento obscuro, sem sentido. Um filme então começou a passar pela minha cabeça, até que comecei a sentir alguns pingos de chuva caírem em meu rosto. A chuva foi ficando cada vez mais e mais forte, e decidi que era a hora de entrar na minha casa, que agora pertencia somente à mim. Maldita hora que meus pais se mudaram para o Brasil, agora eram somente eu e... ?

De longe, vi sentada na escada em frente à porta principal da minha casa, com o rosto enterrado nas pernas. Ela levantou a cabeça e me encarou, e daí eu pude ver que ela também chorava. Ela balançou a cabeça e se levantou, enquanto eu corri e a abracei forte. Ficamos ali, na chuva, chorando. Ambas magoadas, mas não pelo mesmo motivo. foi o garoto que ela mais amou, e ele nunca soube disso. O pior é que ele também a amava, mas agora ele jamais saberia.

Até que então, senti tudo estremecer ao meu redor, como se o chão sumisse por debaixo dos meus pés, e então tudo começou a escurecer. Minha visão foi ficando cada vez mais longe, e então eu sumi dali e uma música começou a tocar, alto suficiente para estremecer as paredes do meu quarto. De novo não...

- MERDA! – eu disse me sentando rapidamente na cama. Olhei em volta e eu continuava no meu quarto, como sempre. Eu estava suada, e meus olhos estavam levemente marejados.
Dois anos. Dois anos se passaram e eu simplesmente não consigo esquecer essas lembranças, não conseguia esquecer o . E, pra falar a verdade, agora não conseguiria esquecê-lo, mesmo se eu quisesse – a não ser que eu me enfiasse em uma caverna e não saísse de lá nunca mais. O que eu costumava conhecer, simplesmente passou do integrante banda famosa do colégio, para o incrível, sensual e mulherengo , da banda com álbum número 1 em 36 países, conhecida como One Direction. É, tudo mudou. E não foram só eles.

De um jeito estranho e de repente, meu blog ganhou vários prêmios de várias premiações importantes, dei várias entrevistas e, bom, Miss não era mais um segredo. Com isso, expandi o blog pra várias utilidades, abrangendo mais sobre decorações, divulgações e estilo, tendo como patrocinadora uma revista bem famosa, a Teen Vogue. Me mudei pra NY, lancei um livro, e fiz uma parceria com uma grande loja de departamentos, onde agora vende vários produtos e várias roupas assinados por mim. Loucura, não? Mas, pra variar, certas coisas não mudaram. Desde que terminou comigo não fiquei com ninguém. Não que eu não tentasse, porque eu tentei. Tentei continuar minha vida fazendo o que sempre faço, mas simplesmente não conseguia, pelo simples fato de que qualquer lugar que eu fosse, a One Direction me perseguia. Ele me perseguia. Se eu ia a um encontro numa lanchonete, lá estava tocando What Makes You Beautiful. Se eu fosse pra algum bar ou algo do tipo, estava tocando One Thing. Nem no elevador do meu novo – e incrível – apartamento eu me livrava deles, ouvindo quase todos os dias Gotta Be You, e por isso decidi usar as escadas todos os dias. Na verdade não adiantou muito, pois minha vizinha insistia em ouvir o cd Up All Night no último volume. Tínhamos a mesma idade – ambas 18 anos –, mas parecia que estávamos há anos luz de diferença em questão de maturidade. May me lembrava bastante Avril, o que não era bom. Ela era imatura, ignorante, arrogante e achava que o mundo inteiro girava ao seu redor. Um dia, no elevador, enquanto tocava Gotta Be You, ela me jurou que tinha ido pra cama com o em um show aqui na cidade, alegando que ele era bom de cama e que ainda pediu seu telefone para qualquer “after show”.
- Ele nunca sairia com uma garota como você... – pensei alto.
- E como você sabe? Por acaso você acha que ele ficaria com uma garota sonsa e “santinha” demais? – Ela bufou. – Se enxerga, ele gosta de garotas com corpo bonito e que tenham algo a mais a oferecer... O que você ofereceria a ele? Seu livrinho escroto?
E então ela saiu do elevador. Como eu a odiava. Mas eu não podia contestar. Eu mudei, ele mudou. Não sei mais como ele é... Talvez ele agora goste de vadias, só não entendo como o fato dele ser famoso atrai tantas meninas assim... Apesar de tudo, ele é só um garoto, não um tipo de troféu, que depois que você consegue, sai desfilando por aí e contando pra Deus e o mundo que conseguiu o que tanto queria. Pra mim, garotas que fazem esse tipo de coisas e que tem esse tipo de atitude, não são fãs, e sim garotas que se aproveitam de sua beleza pra ter histórias pra contar – mesmo que para isso elas se passem por cachorras e tenham fama de aproveitadoras. Deplorável.

Enfim, desviei-me desses pensamentos e finalmente me levantei da cama. Arrastei-me até o banheiro e me tranquei lá. Despi-me e comecei a tomar banho. Estava pensando em várias coisas aleatórias ao som de Save You Tonight, graças à minha querida vizinha, May. Aquilo estava virando tortura, mas eu tinha que conviver com isso.
Fiquei pouco tempo no banho, e então finalmente saí. Troquei de roupa e fui para a redação da Teen Vogue. Eu estava fazendo um “treinamento” para ser contratada, finalmente, pra trabalhar lá, sendo redatora de uma coluna que eu poderia falar sobre moda, celebridades, e muitas outras coisas, que iria sair todo mês. Eu – óbvio – estava animada, pois era a realização de um sonho de anos, então ter essa oportunidade era o máximo pra mim.

Terminei de me arrumar, peguei minha bolsa com minhas coisas e finalmente saí. Entrei no elevador e estava tocando – adivinhem só – Demi Lovato. Já disse que sou apaixonada por essa mulher? Então, nada melhor pra começar mais um dia de quase trabalho com a trilha sonora de Who’s That Boy. O elevador foi descendo direto, sem abrir nos demais andares, o que me deu a liberdade de cantar feito louca.
- And everybody here’s thinking. – Pausei ao ver o elevador se abrir. – Who’s that boy....
Um homem com olhar curioso parou em frente ao elevador, olhando-me com um sorriso de canto, provavelmente pela minha cara de bocó. Ele era lindo. Não, mais que lindo, esse cara é um Deus grego. Ele aparentava ter – no máximo – 24 anos. Seus olhos eram de um tom de azul claro sem igual, que brilhavam intensamente pela claridade do sol que batia no saguão do apartamento, destacando-se com sua pele branca, seu sorriso incrivelmente lindo e sua barba malfeita. Seu cabelo era bem preto e liso, penteado perfeitamente para o alto, exatamente igual ao cabelo de Liam Hemsworth. Ele usava roupa social, provavelmente estava indo para o trabalho. Atrevi-me a olhar para sua mão e, bom, ele não tinha nenhuma aliança. Isso é bom ou ruim?
- Você vai sair? – disse ele tentando parecer o mais delicado possível, enquanto eu continuava parada, com cara de idiota, imaginando meu casamento com esse Deus Grego e bloqueando a entrada do elevador.
- Oh, me desculpe! – falei rindo nervosamente enquanto saía e ele entrava. – Er, tenha um bom dia.
- Você também... – disse ele enquanto a porta do elevador se fechava.
Virei-me e fui em direção à garagem para pegar o meu carro. Será que ele era um novo morador daqui ou veio fazer visita a alguém? Eu teria reconhecido esse homem – vulgo lindo, maravilhoso, sedutor... – se ele morasse ou viesse aqui frequentemente. Estranho. Qual será o nome dele? Céus, eu sou uma besta mesmo, eu não poderia nem ao menos perguntar o nome do cara?

Liguei o carro e abri a garagem, indo em direção ao centro de Nova York, onde ficava a redação. Já se passavam das 10h. e eu estava um pouco adiantada, fazendo com que eu fosse não tão rápido para lá. Liguei o rádio e estava tocando o novo single da One Direction, More Than This. Troquei de estação e coloquei em uma que tocava Jessie J, perfeito. Coloquei num volume alto e fui cantarolando todo o caminho. O céu de Nova York estava começando a escurecer com algumas nuvens que começavam a pairar sobre a cidade, anunciando que uma chuva provavelmente cairia a qualquer momento, fazendo com que o clima ficasse um pouco mais fresco que o calor que estava fazendo durante toda a semana.

A Algumas quadras antes da redação, parei no sinal de trânsito. Enquanto esperava pelo sinal verde, olhei para o lado e vi um Outdoor de led anunciando que logo abriria a pré-venda do show da One Direction no Madson Square Garden. Respirei fundo, e um sorriso sincero, porém triste, surgiu no meu rosto. Eu achava que tinha feito a coisa errada levando-os para aquela audição, mas me enganei. Eu sabia dentro de mim, o tempo inteiro, que eles seriam famosos, mas nunca sequer imaginei que eles seriam tão grandes como eles agora são, com data confirmada para um show no palco do MSG.
Ouvi buzinas impacientes atrás de mim, e então saí de meus devaneios, dando partida no carro, enquanto dava uma última olhada nos rostos dos meninos da 1D.

* * *



- Amy Astley está te esperando! – Kristi Bones, assistente da editora-chefe da Teen Vogue, Amy Astley, apareceu na sala de espera, chamando-me para a “conversa” que poderia mudar a minha vida. Agradeci a Kristi e me levantei, indo em direção à grande porta de vidro que dava para a sala de Amy.
Olhei em volta e a sala era grande e impecável, com todos os móveis claros em tons pastéis, e alguns pequenos objetos coloridos contrastando com os móveis. A sala também contava com sofás e poltronas claras, e em frente à grande janela, estava Amy, impecavelmente elegante, com um vestido preto clássico e um scarpin preto. Com o cabelo loiro preso em um coque alto e deixando sua franjinha solta à frente da testa, ela sorria pra mim, vindo em minha direção, cumprimentando-me com um aperto de mão.
- Sente-se! – disse ela me direcionando à uma cadeira acolchoada em frente à sua mesa. Agradeci e me sentei, enquanto ela se posicionava atrás de seu IMac, ficando de frente pra mim.
Um turbilhão de coisas passou pela minha cabeça enquanto Amy mexia em alguns papéis que estavam em cima da mesa. Ela os arrumava e me olhava, perguntando se eu estava bem e como tinha sido os três meses de treinamento na redação. Eu respondia “cuspindo” as palavras, tamanho meu nervosismo, mas ao mesmo tempo tentava ser agradável e não parecer rude.

- Então, ... – Ela começou colocando os papéis de lado. – Vamos ao que interessa.

Capítulo betado por Nati



Capítulo 17



- E aí? Conseguiu? – dizia uma ofegante do outro lado da linha. – Fala logo, garota, quer me matar do coração?
- Calma, mulher, deixa eu me recompor. – Nós duas rimos no telefone, antes de eu finalmente contar o que havia acontecido naquela sala. – Enfim, ela começou falando em como meu desempenho no treinamento havia sido bom e disse que as pessoas gostavam de mim, já que ela revirou meu blog inteiro. Falou também que eu tinha conteúdo, opinião e personalidade forte, o que a interessava, mas que ao mesmo tempo ela tinha receio pela minha falta de experiência com o público direto aos adolescentes.
- Caralho, essa mulher é maluca? Você escreveu um livro sobre tudo o que você pensa nesse mundo escroto que vivemos e que vendeu muito bem, e você tem um blog premiado e acessado milhares de vezes por dia, e como essa mulher diz que você não tem experiência com o público adolescente?
- Posso terminar? – falei a interrompendo de seu ataque histérico. Ela assentiu com um “uhum” derrotado e então eu continuei: – Maaaaaaaaaaaaaaaaas, ela disse que nunca esteve tão certa em arriscar em uma coisa nova, diferente e ao mesmo tempo “incerta”.
- Isso quer dizer que... – Eu a interrompi, terminando sua frase.
- Quer dizer que eu FUI CONTRATADA! – Gritos. Gritos era tudo o que eu podia escutar no momento. Qualquer pessoa que passasse por mim no Central Park iria me achar louca por estrar gritando com um telefone. Eu estava muito animada, ofegante, e nem ligava para o frio que começava a fazer, pois eu estava suando tamanho a minha excitação com a minha nova fase.
Maldita hora que se mudou pra Londres, o que eu queria mesmo era estar pulando com ela nesse exato momento, mas a minha sorte era que ela voltaria – finalmente – dentro de alguns meses. Eu sentia falta de dividir as coisas com a , cara a cara mesmo, mas depois que ela se mudou pra Londres para fazer um intercâmbio, tudo ficou mais complicado. Eu não mudei com meu jeito reservado, não que eu não tenha feito amizades, mas nenhuma se comparava à que eu tinha com ela. Por mim, ficaria horas ali comemorando com no telefone, mas eu simplesmente não podia, pois a mesma disse que teria que estudar para algumas provas, e então desligou.
Olhei em volta e vi casais andando de mãos dadas, crianças correndo com seus pais, pessoas se divertindo, amigas andando em grupos... E eu ali sozinha. Às vezes é difícil ser eu, e penso o que eu teria ganhado caso eu fosse “desinibida” como a maioria das garotas aqui. Será que eu teria um namorado? Seria a líder de um grupo de amigos? Teria largado um foda-se e esquecido o e a One Direction de vez? A verdade era que eu simplesmente não conseguia mudar. Foram 18 anos sendo assim, sendo quieta demais, reservada demais. Acho que desde que comecei a morar sozinha, ninguém havia me conhecido de verdade, ou tentado tal ato. Ninguém além dos meninos da 1D e conseguiram me desarmar e me conhecer por dentro. Será que algum dia eu vou conseguir melhorar e ser uma pessoa mais legal? Para pelo menos ter amigos o suficiente pra sair ou compartilhar minhas realizações e sonhos?
Espero que sim... – Pensei comigo mesma enquanto me levantava e ia em direção ao meu carro. Aconcheguei-me no banco do mesmo e fui andando lentamente pelos arredores do Central Park, e passei em frente à 5th Avenue. Parei com o carro e pensei: Por que não comprar alguma coisa pra espantar esse espírito solitário e ter algo novo pra eu paparicar em casa?
E assim o fiz. Estacionei o carro o mais próximo possível da avenida, e desci. De cara, parei em frente à Tiffany & Co. Entrei na loja e vi cada coisa linda, maravilhosa e não resisti em comprar um anel de laço, um bracelete e um cordão com uma chave azul royal. Não era bem o que eu estava pensando em comprar na 5th Avenue, mas o que eu precisava no momento era de compras desnecessárias pra me fazer feliz. Continuei andando pela avenida, e entrei na Apple Store, procurando por um IPad. Eu estava a fim de comprar um faz tempo, mas minha linda e maravilhosa preguiça não me permitia. Enquanto andava pela loja lotada, procurando um atendente que pudesse me atender, tive a proeza de pisar no pé de alguém.
- Desculpa! – falei rápido.
- Sem problemas! – a menina respondeu. Na mesma hora, chegou um atendente e então nós chamamos ao mesmo tempo.
Estranhei tal coincidência, mas assim que o garoto chegou perto, fui logo disparando que eu queria um IPad, e a menina completou dizendo que também queria. Ele – super simpático – pediu que esperássemos no balcão enquanto ele iria ver no estoque. Enquanto estávamos esperando, parei para analisar a tal garota. Ela aparentava ter uns 20 anos, usava calça jeans skinny escura, com uma slipper laranja que contrastava com a blusa que também era escura. Seu cabelo era ondulado e estava preso num rabo de cavalo. Ela era bem bonita, tinha os olhos azuis e um corpo reto, típico das americanas, porém bonito.
Não demorou muito para o cara voltar, com apenas uma caixa em suas mãos e uma cara de poucos amigos.
- Desculpa pela demora, mas é que eu estava olhando pelo nosso estoque e no momento só temos um IPad.
Eu e a garota nos entreolhamos e falamos num disparo uníssono.
- Eu cheguei primeiro. Eu vou levar. – E então o atendente nos olhou assustado.
Era o tipo de coisa que se fosse no Brasil, resultaria numa briga, mas eu não estava ali pra brigar. Procurei me acalmar e então a menina começou a falar em um tom baixo e calmo.
- Desculpa, eu sou Rachel... – Ela pausou e me olhou. – Eu preciso muito levar esse IPad, é aniversário do meu irmão e como eu quebrei o dele...
Ela começou a falar e o tom dela era de desespero. Tudo por causa de um IPad. Assenti, não prestando muita atenção no que ela tinha a mais pra dizer, mas decidi deixar que ela o levasse. Ela agradeceu milhares de vezes, e ao sair da loja, vi que o céu estava escurecendo e barulhento, devido às trovoadas que começavam dar sinal de que a chuva estava começando, trazendo com ela alguns pingos que começaram a se intensificar conforme eu andava. O caminho até meu carro não foi tão longo, mas o suficiente para que eu me molhasse inteira.
Senti meu corpo inteiro estremecer com o frio que o vento me fazia sentir, e então dei partida com o carro, esperando chegar em casa o mais rápido possível.
Estacionei o carro e fui em direção ao elevador, ainda ensopada pela chuva. Estava ventando muito e podiam-se ouvir trovões a todo o momento, deixando um clima tenso na cidade. Passei pelo saguão e cumprimentei o recepcionista. Entrei quase como um jato no elevador vazio, e pouco antes da porta se fechar, uma mão a parou, impedindo tal ato.
Quando levantei a cabeça, vi que era o – deus grego – homem que vi hoje de manhã. Ele estava com a mesma roupa, porém com o cabelo um pouco bagunçado e ele estava ofegante. Ele sorriu pra mim com um dos sorrisos mais lindos que já vira em toda a minha vida, cumprimentando-me logo em seguida.
- Boa noite!
- Boa noite... – falei um pouco envergonhada enquanto a porta finalmente se fechava e então ficávamos a sós. Ele apertou o botão do andar de nº 13, um acima ao meu e então pude sentir o elevador subir.
- Que chuva estranha... – Pude ouvi-lo dizer. Meu coração acelerou e eu não sabia o que estava acontecendo. Eu já havia visto caras bonitos, mas nunca havia agido assim tão bestamente com um. Controlei a respiração e mantive a calma, tentando não parecer desesperada ou uma garota que nunca havia ficado a sós no elevador com um cara extremamente gato.
- Pois é... – “Pois é”. Era só isso que eu conseguia dizer?
- Você parece não ter escapado da chuva, né... – disse ele olhando-me de canto de olho, e vendo meu vestido inteiro encharcado.
- Esqueci o guarda-chuva no carro e não deu tempo de correr – falei rindo nervosamente e ele me acompanhou. Silêncio. – Você é novo aqui?
Atrevi-me a perguntar e ele deu de novo um daqueles sorrisos e falou calmamente, fazendo meu corpo inteiro amolecer com o tom rouco e ao mesmo tempo calmo de sua voz:
- Sim... Me mudei faz poucos dias... – Ele me olhou e estendeu a mão. – Sou Logan, prazer!
- ! – Apertei sua mão e parece que a corrente elétrica que passou pelo meu corpo não foi o suficiente, pois no mesmo momento em que isso acontecera em mim, o elevador parou e as luzes se apagaram.
O silêncio que pairou ali foi bem constrangedor, mas felizmente depois de alguns instantes - ou menos –, a luz de emergência ligou, mas ainda assim estávamos presos no elevador.

Logan Morris, esse era o nome do indivíduo. Enquanto conversávamos no elevador – esperando que ele abrisse –, eu sonhava acordada com ele. Sim, parece patético, mas a verdade era que a cada palavra que saía de sua boca, eu entrava em outra dimensão. Ele falava e eu apenas assentia, analisando cada detalhe de sua fala, seu rosto, todos os traços possíveis, sem conseguir mover um músculo sequer. Ele havia me contado várias coisas sobre sua vida, inclusive que era empresário, que acabara de fazer 24 anos – como eu havia previsto – e morou em NY a vida inteira, mas que viajou por vários países, menos pelo Brasil. Qual o preconceito?
- Você deveria conhecer o Brasil, tenho certeza que você não iria querer sair de lá.
- Como eu não falo português, o que falta é uma brasileira legal e que conheça tudo por lá pra me apresentar o país, não acha? – Ele lançou um olhar totalmente, completamente e definitivamente sedutor e convidativo. Abri meu melhor sorriso, sentindo minhas bochechas arderem.
Pensei em várias coisas pra responder. Pensei dar uma resposta sedutora, ou mais fofa, e até mais “dura”, mas antes que eu decidisse, a porta do elevador se abriu – depois de exatos 40 minutos. Suspiramos aliviados, vendo todo o prédio iluminado novamente, e então as portas se fecharam, indo rumo ao 12º andar, o que não demorou muito pra chegar.
- Foi um prazer, Logan... – falei saindo do elevador.
Fui andando rapidamente para a porta do meu apartamento, querendo logo trocar minha roupa, que permanecia úmida pela chuva, até que senti uma mão quente em meu braço.
- Er... – Logan falou passando as mãos no cabelo, dando continuidade logo em seguida. – Você poderia me dar o seu telefone, sabe... Pra marcarmos de fazer alguma coisa qualquer dia desses...
Meu coração estava acelerado, e minhas bochechas coradas novamente, enquanto eu respondia com a voz trêmula:
- Claro!
Passei o número do meu celular, e ele fez o mesmo. Ele me deu boa noite e em seguida dois beijos na bochecha, enquanto eu continuava parada, processando o que havia acontecido naquele dia.
Abri a porta do meu apartamento e corri para o banheiro, me despindo e entrando debaixo do chuveiro. Jurei pra mim mesma que não demoraria e, sendo assim, fiquei menos de 5 minutos, o que era um recorde pra mim. Saí do banheiro com meu pijama e me deitei na cama, pensando em como meu dia havia sido incrível. Emprego fixo na Teen Vogue, Logan Morris... Ok, não parece muita coisa, mas comigo uma coisa dessas acontece a cada 5/6 meses ou um ano. Sério. Então pra mim, é sempre uma festa quando um cara bonito fala comigo, ou quando me chamam pra sair.
Estava completamente sem sono, e ainda eram 20h, então decidi ver alguma coisa na televisão em qualquer canal, até que finalmente o sono veio e então adormeci, querendo que dias como esse se repetisse.

Capítulo betado por Nati



Capítulo 18



’s POV on.



Ainda de olhos fechados, pude sentir alguns raios solares no meu rosto, fazendo-me prolongar minha estadia na cama, aproveitando o clima gelado de Londres. Olhei para o lado e vi o relógio que marcava 11h, e por mais que eu tivesse dormido exatas treze horas, eu podia jurar que ainda tinha mais sono para ser colocado em dia.
Eu estava cansado. Muito cansado. E pensar que há dois anos eu estava trabalhando em uma padaria, me deixava com a certeza de que muita coisa havia mudado. Eu havia mudado e até minha conta bancária também, por conta da banda que, aliás, era número 1 em 36 países. Às vezes, por um momento, queria voltar a L.A. e ser apenas o que trabalha na padaria, sem fãs, sem paparazzi, sem trabalhar o dia inteiro e sem ainda ter que ouvir críticas se você deixou de sorrir pra uma pessoa. Essa foi, definitivamente, a decisão mais difícil que eu podia tomar. Eu sabia dos riscos, sabia que perderia privacidade, tempo pra curtir, perderia algumas pessoas pela distância e em troca, ganharia pessoas oportunistas que só se importavam em aparecer na mídia, pessoas querendo ver minha imagem e meu caráter destruído e saudades. Nunca pensei que sentiria saudade das pessoas que conheci em L.A., da minha família – que agora eu via poucas vezes no ano – e até de uma namorada séria. Pra dizer a verdade, eu só havia tido uma namorada séria em toda a minha vida e eu a deixei escapar. Mas foi o preço que eu paguei: era ou a banda ou ela. E por mais que minha vida esteja uma loucura agora, eu não conseguia me arrepender do que eu havia feito.
De repente, toda a minha vida começou a passar como um filme na minha cabeça, desde quando formamos à banda, do The X Factor e até os dias de hoje... Eu podia falar, pensar ou agir de qualquer forma, mas de qualquer jeito, sempre seria grato à por tudo o que ela fez por mim e pela banda. Não, eu continuo não me arrependendo de ter terminado com ela, mas às vezes eu queria que ela estivesse aqui. Só pra me dizer o que fazer algumas vezes.
Eu confesso que agi feito um idiota muitas vezes desde que a banda se tornou famosa, talvez o que tenha me faltado ultimamente era a aproximação única com a que me fizesse querer ser melhor e agradável e não o cara que de alguma forma eu me tornei. Mas eu simplesmente não conseguia mudar mais. A fama, a gestão, tudo me forçava a ter essa imagem de “rebelde pegador” que eu não me lembrava de ter antigamente. É tanta pressão, tantas opiniões e tanto marketing que tentam jogar pra cima de mim, que às vezes – por imprudência minha, confesso – me faz esquecer que tenho fãs e pessoas que acompanham meus passos, e assim faço coisas indesejáveis, como ficar com várias mulheres e assim não me firmar com nenhuma. E não que eu queira desapontar as fãs de alguma forma, mas às vezes acho que é preciso que elas lembrem que sou jovem e também tenho uma vida fora da One Direction, e acho que isso é a pior coisa da fama, definitivamente.
Levantei da cama e fui andando até a cozinha, ainda com todos esses pensamentos borbulhando na minha cabeça e assim, preparei o café da manhã.
Eu morava “sozinho” em casa, apesar dos meus pais terem se mudado pra cá, já que os principais compromissos da banda eram aqui, e pra me dar um pouco mais de apoio, eles decidiram vir. Londres havia se tornado minha casa e de alguma forma, também me encaixava lá. Gostava do ar gelado e cortante de Londres, do jeito que as pessoas se vestiam e até da pele pálida da maioria das pessoas que moram aqui, diferentes de L.A., em que o povo tinha como meta ter a pele bronzeada a qualquer custo.
Peguei a minha tigela de cereal e me sentei no sofá da sala, ligando a TV logo em seguida, matando as saudades de dias calmos como esse, que não costumavam se repetir com frequência. Por conta das fotos que vazaram do beijo que dei em Emma Ostilly na saída de uma balada, minhas folgas se resumiam a dias em casa, com no máximo uma “party house”. E por mais que essa decisão não tenha saído de mim, eu conseguia me sentir bem com isso. Acho que era por isso que vinha me sentindo tão bem comigo mesmo, simplesmente por ficar em casa colocando a cabeça no lugar, do que ao invés disso estar numa balada e beijar garotas que disputavam um lugar no mesmo camarote que o meu.
Ouvi a porta se abriu e quando me virei, era ainda de pijama, com um café do Starbucks na mão e um prato com três pedaços de brownie de chocolate na outra – e ele ainda se perguntava o porquê de ter engordado tanto nos últimos meses. Às vezes me esquecia de que ele dividia o apartamento comigo, mas era só eu encontrar restos de bolos ou coisas espalhadas pela casa que eu me lembrava disso no mesmo instante.
- Acordou só agora?
Respirei fundo, vendo-o se jogar no sofá e trocando de canal na televisão, sem ao menos se importar se eu estava vendo ou não, mas pra não me aborrecer de manhã, logo respondi.
- Sim... – Falei com a boca cheia de cereal, enquanto o olhava passar impacientemente de canal, sem achar um definitivo, pra variar. Ele sabia que isso me irritava, então logo após parar em um canal qualquer – que reconheci ser a MTV –, soltou um riso debochado pra mim.
Começamos, enfim, a conversar sobre coisas aleatórias. Por mais que ele fosse irritante e às vezes elétrico demais para que eu o acompanhasse, ele era um bom amigo e uma boa companhia. Por mais atacado, engraçado e falante que ele fosse, ele sabia respeitar o espaço das pessoas e sabia dar conselhos como ninguém. Acho que era isso o que eu mais gostava nele.
Ele falava tagarelamente sobre uma menina que havia visto perto da entrada do apartamento, que ele disse achar que se chamava Emily. Ele cismou que ela deu mole pra ele, por simplesmente a mesma ter cruzado o olhar com ele. E mesmo assim ela o olhou porque ele havia tropeçado no próprio pé enquanto a olhava – como idiota, imagino eu. Ele tinha essa péssima mania de achar que todas o queriam, mas ele tão bobo e cometia tantas gafes, que não percebia que era esse o real motivo das meninas repararem nele. Isso me lembra da vez que estávamos numa boate em NY, quando ele tentou parecer hipster enquanto bebia uma cerveja pelo gargalo. Quando ele percebeu que uma garota – muito bonita, por sinal – o olhava, começou a abusar da sensualidade e engasgou com a cerveja. Resultado: Derramou cerveja na calça, deixando a impressão de que ele havia feito xixi na mesma, fazendo a garota ir embora. Era impossível não rir ao se lembrar dessa cena, e por causa disso, minhas gargalhadas se intensificaram e ele me olhou sem entender muita coisa, afinal, do assunto que começou com Emily, ele já falava algo do tipo “por que você tá rindo?” com a boca cheia de brownies. Comecei a rir mais ainda, até que ele desistiu e mudou de canal – de novo. Parei de rir na hora. Já disse que detesto isso?
- Sabia que você ia parar de rir feito idiota... – Disse rindo orgulhoso.
Aproveitei que ele já havia terminado de comer e dei um pulo sobre ele – o assustando – e então peguei o controle da televisão.
- PARA! – Gritei furioso, jogando logo em seguida uma almofada na cara dele.
E então uma onda de risos começou. Eu adorava esse tipo de clima que costumava pairar no apartamento... Apenas dois amigos, sem muitas preocupações. Eu tentava ficar com raiva de , mas simplesmente não conseguia. Costumávamos ficar assim por horas, rindo de coisas idiotas, falando besteiras, só pra descontrair.
Deitei no sofá e fiquei lá, enquanto vi levantar e ir até a cozinha. Ouvi o barulho da geladeira sendo aberta e imaginei que ele estivesse pegando alguma fruta, como sempre fazia de manhã. Eu me virei e fitei o teto, sem pensar em uma coisa fixa. Meus pensamentos estavam lentos ainda, devido o meu sono. Mas eu estava bem. Estava.
- Pois é... Eu costumava ser invisível demais e muita das vezes eu fui “tachada” como alguém que não tinha personalidade própria ou até uma típica garota robô que não fazia nada. Mas a verdade era que eu simplesmente absorvia tudo o que me era dito, absorvia tudo o que eu tinha, organizava os meus pensamentos e de uma forma estranha, eu só conseguia me sentir bem quando eu depositava tudo aquilo que me afetava no blog...
Meu corpo inteiro se arrepiou e eu não conseguia me mexer. Aquela voz eu reconheceria a quilômetros de distância e por mais barulho que pudesse ter, por mais confuso ou até bêbado que eu poderia estar, eu saberia quem era. A sonoridade de sua voz, seu jeito manso e até meio torto de falar era sua marca registrada. E eu não precisava olhar pra televisão pra saber que ela estava sorrindo com aquele sorriso que, por mais que eu negasse a mim mesmo, sentia falta.
- Eu sabia que, por mais estranha que eu pudesse soar, alguém se identificava. Eu sentia que tudo aquilo que eu não conseguia dizer a alguém, eu poderia dizer no blog. A Miss . permitiu que eu fosse alguém que hoje posso dizer que sou. Hoje em dia, a é totalmente a Miss . Eu não preciso mais me esconder, as pessoas me respeitam mais e aprenderam a se respeitar também. Eu me via como a covarde que se escondia atrás do blog, mas hoje sei que, para as pessoas, eu era o contrário: Eu era a pessoa que eles se inspiravam, se apoiavam, e hoje tenho orgulho de fazer parte da vida de alguém que eu não sei quem é, mas que se inspirou em mim e hoje é quem sempre quis ser.
Ainda paralisado, vi a sombra de aparecer atrás do sofá com o mesmo olhar que o meu. Levei um choque de realidade e olhei para , que tinha os olhos marejados.
- Eu sabia que ela conseguiria... – Disse ele quase num sussurro.
Enquanto ele vinha ao meu encontro, me sentei com esforço, enquanto ele se sentava do meu lado também. Ele tinha o olhar fixo na TV com um sorriso radiante, e só então me atrevi a olhar para a TV também. Fui subindo a cabeça lentamente, querendo que alguém me impedisse de olhar pra ela. Depois de dois anos, mesmo pela televisão ou pela internet, eu tinha vergonha de olhá-la. O jeito que eu terminei com ela, como eu a tratei assim que entrei no programa... Não era eu e, por isso, simplesmente não conseguia olhar pra ela sem sentir vergonha ou repulsa de mim. Eu sabia que tinha a feito sofrer e que por mais que ela dissesse que estava tudo bem, eu sabia que não estava.
Será que ela havia mudado? Será que ela estaria namorando e feliz nesse momento? Será que ela me esqueceu? Juro que a todo o momento eu tento ao máximo afastar esses pensamentos de mim, afinal, não fazemos mais parte da vida um do outro e eu em momento algum queria que depois desses anos, ela sofresse por minha causa ou se limitasse ao entrar em um relacionamento por medo que alguém a fizesse sofrer como eu a fiz.
Respirei fundo, e pude ouvir dizer algo como “olha como ela está diferente...”. Não consegui segurar a minha vontade de vê-la e então me livrei dos meus pensamentos e encarei finalmente a televisão. Por um momento, senti que minha cabeça deu algum tipo de pane, porque fiquei absolutamente estático. Ela estava... Linda! Seu cabelo estava bem maior desde a última vez que nos vimos, mas fora isso, ela não havia mudado em absolutamente nada. Ela mantinha o mesmo olhar doce e meigo de sempre, o mesmo sorriso tímido, seu corpo continuava lhe dando um ar de garota desprotegida e ao mesmo tempo de uma mulher forte e independente que ela havia se tornado. Ela estava tão igual, mas ao mesmo tempo tão diferente, que era difícil pra eu acreditar na mulher que ela se tornou. Por mais que todos os seus traços físicos indicavam ainda uma menina de 16 anos que eu costumava conhecer, eu conseguia ver que por mais de toda essa fragilidade aparente, ela era de fato uma mulher. Sua postura, seu jeito de falar e o olhar, me deixavam abismado. Ela era uma menina-mulher que eu queria ter conhecido mais, que eu queria poder ver a evolução de perto, mas me doía saber que o fato de uma dureza notória em sua postura, de alguma forma, era relacionado a mim, pelo o que eu havia feito passar. Eu havia sido uma perda de tempo pra ela. Eu era alguém que lutou para conquistar a sua confiança e ainda assim pus tudo a perder. A ideia de arrependimento começou a passar pela minha cabeça, mas eu simplesmente não conseguia me decidir entre estar arrependido e ter feito a coisa certa. Ou eu não precisava sentir ou decidir nada e ela poderia muito bem estar melhor sem mim. E esse pensamento, de alguma forma, me fez sentir uma pontada no coração.
Passei as mãos nervosamente nos meus cabelos, bagunçando-os ainda mais, na tentativa de ignorar todos esses pensamentos e prestar a atenção na entrevista.
- O que você acha que mudou, em você, depois de dois anos, quando você “estourou” com o blog?
Tudo. Acho que eu mudei em absolutamente tudo. Meu jeito de ver as coisas, de ver a vida, a forma de como as dificuldades aparece pra te deixar mais forte... Acho que tudo isso me fez mudar como pessoa. Hoje eu sou totalmente diferente da de dois anos atrás e eu me orgulho disso, acho que mudanças são boas.
A entrevistadora fez outras várias perguntas a ela, mas eu simplesmente não conseguia ficar ali. Me levantei do sofá, ainda entorpecido pela imagem de , que agora não saía da minha cabeça, e fui direto para o meu quarto enquanto sentia o olhar de pesar sobre mim, mas pelo fato dele me conhecer extremamente bem, ele ficou quieto e permitiu que eu batesse a porta com toda a força que eu tinha, na intenção de aliviar a tensão que agora tomava conta do meu corpo.
O barulho estrondoso que causei pela batida da porta, provavelmente teria assustado , mas eu não me importava. Eu não sabia por que estava me sentindo assim. Eu estava me mantendo o mais longe de possível depois desses dois anos, simplesmente por não aguentar o fardo de ter quebrado o seu coração – de novo. E eu não precisava que ninguém me dissesse que eu havia feito, pois eu sentia. Por mais incrível e estranho que pareça, eu sentia a mesma dor que ela. Eu senti também em sua voz no dia em que terminamos, uma força que ela até então não tinha, um controle para não desabar no choro ali, comigo. E eu, ao invés de ser o mais doce possível – por mais que a situação não fosse uma das melhores –, eu permanecia frio e despreocupado, como se aquilo não tivesse me atingido – e na verdade não havia mesmo. Até agora.

’s POV off.

Capítulo betado por Tayná M.



Capítulo 19



’s POV on.



- Por que você nunca me contou?
Eu falava extremamente alto, mesmo que eu estivesse tentando, em vão, controlar a minha voz. permanecia atrás da bancada, tentando manter o máximo de distância, talvez com medo de que eu avançasse pra cima dele. Uma ideia tentadora, pra dizer a verdade. Ele sem querer deixou escapar que sabia da história da Miss desde o início, sabendo que eu lia blog, e nunca havia me contado nada. Isso parece ser uma coisa idiota, mas sabe lá quantas vezes eles riram nas minhas costas pelas vezes que chorei e me senti mal por cada texto que a postava no blog? E pensar que muitos daqueles textos eram direcionados a MIM, e , meu melhor amigo, nunca havia tocado nesse assunto.
- Esquece isso, não importa mais! – ele falava mais baixo que eu, tentando esconder o medo em sua voz. Mas que diabos ele estava falando, é claro que isso importa. Sempre vai importar. Eu estava me sentindo traído, e não pelo fato da ter me escondido, mas sim pelo meu melhor amigo ter entrado nessa palhaçada de segredo estúpido. Era desnecessário tanto segredo, sabendo que uma hora ou outra eu iria descobrir? Ou melhor, que toda a América iria descobrir. Isso não era justo! Aquilo era só um blog qualquer, pra que tanto segredo? Ele deveria ter me contado.
Olhei para ele com os olhos semicerrados, estrangulando-o mentalmente, enquanto ele suava e arfava de medo. Eu estava pronto para avançar em cima dele, quando a porta se abriu bruscamente. , Liam e entraram correndo pela sala, e quando nos avistaram na cozinha, mal quiseram saber da tensão que pairava no ar, e foram logo disparando perguntas e mais perguntas – que pra ser sincero, eu não queria responder, muito menos ouvir.
"Vocês viram a na MTV?", "Ela estava linda!", "Viram como ela está diferente?", "Vocês viram que ela foi contratada pela Teen Vogue?"
Bufei ao ouvir todas as perguntas e fui à geladeira beber um como d’água. De repente, senti todos quietos à minha volta, provavelmente se lembrando de que eu, por mais que não tocasse no assunto, me importava – e muito – com qualquer coisa que envolvia o nome . Preferi ignorar todos eles, e me virei. Eles pareceram notar meu desconforto e desviaram o olhar também. Começaram a falar sobre assuntos aleatórios, para aliviar a tensão, e eu, bancando o-cara-que-não-liga-para-nada, entrei nos assuntos e fingi que nada havia acontecido. Óbvio que só fingi.
Conversamos sobre várias coisas, e por mais que eu respondesse, eu tinha total conhecimento de que de fato, minha cabeça não estava ali. Eu estava sendo o tipo de garoto que "falava tudo, mas não falava nada", pelo simples fato de não lembrar nem do assunto do momento, e nem das respostas que eu dava. Vez ou outra, me pegava olhando pro nada, consequentemente pensando em nada, e com isso, não vi o tempo passar.

* * *



Dei um pulo da cama ao ouvir meu celular tocar ao meu lado. Algo me dizia que não era a primeira vez que ouvia esse toque naquela manhã, e eu sabia exatamente o porquê. Com o lançamento do segundo álbum, andávamos fazendo uma maratona de entrevistas, sessão de fotos, e mais entrevistas para divulgar o álbum. Passamos por vários países em um curto período de tempo, e meu corpo começou a não responder do jeito que eu queria. Eu andava com sono acumulado e precisava de um descanso, mas é óbvio que essa palavra não existe no vocabulário da banda. Olhei pela janela, e vi que ainda estávamos em L.A. para uma última entrevista a alguma revista que eu não me interessava em saber o nome, só queria dar logo a mesma, tirar as drogas das fotos, ir embora dali e dormir em qualquer cama que me oferecessem. Me desviando desses pensamentos, esfreguei os olhos e peguei o celular, ainda com a voz embargada, tentando entender em meio aos gritos, o que Liam falava.
- Cadê você, cara? Já estão todos aqui embaixo te esperando, desce logo!
Fiz um grande esforço pra responder, e disse que já estava indo, e só então desliguei o telefone indo em direção ao banheiro tomar banho. Saí do chuveiro, e coloquei uma roupa qualquer que havia separado no dia anterior – um all star branco, calça skinny escura e uma blusa de manga básica cinza, que foi a única coisa que pensei antes de capotar de sono –, peguei minhas coisas e desci ainda com o cabelo molhado. Minha chegada ao saguão foi um alívio a todos que ali me esperavam, e só então, fomos em direção a van que nos aguardava ali em frente. Como em L.A. não poderia ser diferente, dei meu melhor sorriso e tentei tirar fotos com algumas das fãs que ali aguardavam nossa aparição. Tentei ser o mais educado possível com todos que pediam foto ou autógrafos, até que finalmente entrei na van e demos partida rumo a não sei aonde.
Tentei dormir dentro da van, mas parecia que eu era o único cansado ali, pois todos os meninos – principalmente – não paravam de gritar/pular/dançar na van. Qual é, quem é que dança Rita Ora em plenas 7h da manhã? Era óbvio que eu não conseguiria dormir, e muito menos ficar quieto por muito tempo, sendo assim, comecei a rir com a idiotice dos meninos. Com o tempo, o sono foi desaparecendo aos poucos, conforme eu me entrosava e ria com os meninos, conversando sobre assuntos idiotas, tais como o melhor sabor de pizza, melhor filme do ano, e por aí vai.
Conforme a van percorria o caminho devido, olhei para as ruas de L.A. lembrando de cada detalhe do tempo que passei ali, sendo apenas o que ninguém costumava conhecer – pelo menos não tanto. Cada esquina, cada curva, tudo tinha uma história ou um momento a ser lembrado. Sorri com as lembranças que passavam rápido pela minha cabeça. Lembrança do dia que conheci os meninos, da primeira vez que tocamos juntos como One Direction, do primeiro beijo de cada um deles... Tantas histórias, tantos momentos que aquele lugar trazia à tona que me espantava o fato de voltar ali poucas vezes. Seguindo meu olhar, pude ver , tendo talvez as mesmas lembranças que eu, pois o mesmo me olhava com um sorriso maroto, como se quisesse dizer “Esse lugar faz falta...”. Dei meu melhor sorriso de volta, e assim meus olhos foram fechando lentamente, até eu cochilar por pouco tempo.

Senti uma freada brusca e alguns xingamentos, me fazendo abrir os olhos imediatamente, podendo ver a tempo os meninos se levantarem aos poucos e ir descendo da van.
Me deparei com um prédio grande repleto de vidro, e no mesmo momento, achei que fosse um prédio comercial comum. Fui seguindo os meninos e o Paul, e então pegamos o elevador indo para o 4º andar. Quando as portas se abriram, me deparei com uma espécie improvisada – porém superlegal – de um fliperama, juntamente de pessoas andando de um lado para o outro, tentando dar os últimos retoques ao lugar. Fomos direcionados a uma sala, que no caso era o nosso camarim, e encontramos Lou, que iria cuidar da maquiagem e dos nossos cabelos como sempre.
- Aliás, essa entrevista é pra qual revista mesmo? – perguntei enquanto me sentava na cadeira de frente pra Lou, que ria da minha desinformação.
- Teen Vogue – ele bufou enquanto se jogava no sofá, esperando sua vez de se pentear. – E pelo que sei, a entrevista vai ser longa, então se prepare...
Revirei os olhos. Será que ninguém percebia que precisávamos dormir? Bufei por fim e me endireitei na cadeira, deixando que Lou fizesse seu trabalho em mim.
Os meninos não paravam de falar, e quando estávamos todos penteados e maquiados, trocamos de roupa. Colocamos roupas simples, aliás, eram as roupas do nosso guarda-roupa. Pelo que eu entendi, poderíamos ser nós mesmos nessa entrevista, o que significa que não teríamos que usar roupas sofisticadas, aliás, estávamos num “fliperama”. Olive – uma das fotógrafas e produtora, que me atrevi a perguntar o nome – nos direcionou para uma grande sala, aonde havia uma espécie de pula-pula, uma mesa de sinuca, pebolins, mesa de pingue-pongue e várias outras coisas para nos divertirmos.
Começamos pelo pebolim, deixando que a fotógrafa começasse a fazer o trabalho delas. Fomos para o pula-pula, e foi aí que engatamos de vez na sessão de fotos. Ninguém conseguia parar de rir. não conseguia pular, e aproveitamos que o mesmo estava no chão sem conseguir se levantar, pulamos mais alto ainda, o impedindo de se reerguer, arranco risadas de toda a equipe. Aproveitando o espírito de bullying, assim que saímos do pula-pula, pegamos pelas pernas e braços, e o jogamos dentro de uma piscina de bolinhas. Todos nos jogamos na mesma, e daí, se iniciou uma guerra de bolinhas, enquanto vários fotógrafos nos fotografavam de vários ângulos.
Já haviam se passado 2 horas desde que estávamos ali trabalhando e nos divertindo ao mesmo tempo. Engraçado foi que o meu sono sumiu fazia muito tempo, e eu finalmente estava me divertindo. Fomos direcionados a uma espécie de quarto, onde tinha vários pufes e sofás, com doces, pipocas, uma grande TV e um incrível X-Box. Começamos a jogar Mark of the Ninja, enquanto os fotógrafos continuaram a nos fotografar, mesmo depois de uma mini guerra de pipoca. Depois que acabamos, a Lou e sua equipe vieram nos arrumar novamente para que pudéssemos dar início à entrevista. Parte da entrevista seria gravada, para que pudesse ser postada no site oficial da Teen Vogue, em um blog que eu não sabia qual, mas de alguma forma estava animado, pois depois de toda essa diversão, começara a subir em mim uma adrenalina, me possibilitando ficar mais relaxado.
Já estávamos preparados, apenas esperando o entrevistador. Começamos a ouvir várias vozes por detrás da porta, várias pessoas falando ao mesmo tempo coisas que não dava pra entender nem se eu quisesse. Nesse mesmo momento a porta se abriu, e então vi um cara de quase 1,90m de altura, nos cumprimentando e ligando a câmera, para então falarmos a nossa frase habitual de todos os vídeos.
"Hey, I’m , , Liam, and . And we are the One Direction". Típico. Pediram para que falássemos mais algumas coisas que eram normais, coisas do tipo: "Obrigado pelo carinho, obrigado por nos receberem..." e por aí vai.
Mais uma vez falatórios, mas dessa vez mais longo. Começamos a conversar então e a fazer algumas palhaçadas, fazendo o cara da câmera rir. Ficamos ali durante mais 10 minutos, até que a porta se abriu. Várias pessoas entraram, umas 15, eu acho. Cada um com uma tablet na mão, a fim de anotar tudo e qualquer coisa que fizéssemos, mas a poltrona ao nosso lado – as pessoas estavam sentadas em cadeiras atrás da câmera – permanecia vazia. Não entendi o que havia acontecido, mas parecia que também estranhou e tratou de perguntar antes mesmo que eu pensasse nisso.
- Afinal, quem é o entrevistador?
Uma mulher – que aparentava ter seus trinta e poucos anos, abriu a boca para responder, mas antes mesmo que ela o fizesse, a porta se abriu novamente, fazendo com que meu coração fosse até a boca.
- ? – gritou tão surpreso quanto todos nós. Permanecíamos com o olhar vidrado enquanto ela andava em nossa direção com uma expressão quase irreconhecível. , , e Liam se levantaram quase num impulso para abraçá-la, fazendo com que ela sorrisse de forma graciosa, enquanto eu só conseguia permanecer sentado a olhando completamente hipnotizado pelos seus olhos.
Todos a abraçaram. Um abraço apertado e caloroso, que eu daria tudo para fazê-lo também. Senti uma ponta de inveja, por todos estarem tão próximos a ela e eu não poder fazer o mesmo. Quando a soltaram, pude ver como ela estava linda. Ela definitivamente havia mudado, e pra melhor. Mas doía pensar no fato de que eu a havia magoado, e que parte dessa mudança, se relacionava a mim. E eu tinha medo disso.
Os meninos se posicionaram ao meu lado, e pude vê-la olhando pra mim, com um olhar pesado. Levantei-me e a encarei, e parecia que todos da sala conseguiam sentir o clima pesado que pairava entre nós dois. Ela então estendeu a mão para me cumprimentar, com seus olhos sem expressão alguma, me impedindo de decifrá-la – por mais que sabia exatamente o que ela estava sentindo ao me olhar. Um vento entrou pela janela do quarto, fazendo seus cabelos soltos balançarem, e alguns fios de sua franja caíssem em seus olhos. Como num impulso, levantei minha mão em seu rosto, pronto para ajeitar seu cabelo, como fazia há dois anos atrás, mas antes mesmo de eu tocar sua pele, sua voz – pesada e magoada – ecoou pela sala, fazendo esvair-me dos meus pensamentos.
Ela sentou na poltrona que faltava ao meu lado e começou a entrevista. Em momento algum – por mais que eu tentasse – eu não conseguia tirar meus olhos dela. Ela me parecia atuar muito bem, pois cada risada, cada sorriso, era falso. Eu sabia que ela estava incomodada com a nossa presença. Com a minha presença. Eu tentava ao máximo parecer relaxado, mas sua presença ali, tão intimidante, me fazia ir à outra dimensão, outro mundo. Eu não conseguia me concentrar, desde quando ela era tão dura e fechada? Sua postura era séria, por mais que sua risada gostosa e ao mesmo tempo pesada, ecoasse pela sala. Ela não me olhava nos olhos, e quando alguma pergunta era direcionada à mim, ela fazia questão de olhar em seu iPad, disfarçando como uma desculpa para não me olhar. Eu sabia que ela não era assim. E aquilo já estava me deixando irritado.
A entrevista – para a revista – havia acabado. Já havíamos gravado também os vídeos que iria para o site, que falava de uma promoção para nos conhecer no show do MSG, e agora – para a minha surpresa – iríamos fazer uma Ustream com a , pela conta do twitter da própria Teen Vogue. Assim que a câmera foi ligada novamente, o twitter se encheu de perguntas direcionadas a nós. Ela pegou o iPad e começou a selecionar as perguntas e nos fazendo, quase ao mesmo tempo. Ela ainda não me olhava, e eu não sabia como agir.
Novamente ela pegou o iPad e leu uma pergunta em voz alta:
- Se vocês pudessem voltar no tempo até o The X Factor, o que vocês fariam de diferente e por quê? – ela dizia com a voz suave e encarou Liam, para que o mesmo respondesse, mas eu o cortei quase que involuntariamente.
- Bom, acho que... – ela então abaixou e olhou para o iPad. Eu não iria perder essa oportunidade. – Jamais teria ligado pra você naquele dia.
Eu falei lentamente, encarando-a, e quando eu terminei a frase, ela me olhou com uma aparente frustração. Admito que eu falei besteira, mas eu não podia evitar. ELA não podia me evitar.
- O quê? – ela deu uma risada abafada, enquanto me fuzilava com os olhos. Por mais que os outros da sala não percebessem, eu sabia que acabara de traçar um tipo de guerra. Talvez, pra ela, esse assunto tivesse morrido e ninguém mais poderia tocar nele. Até agora.
As pessoas que permaneciam atrás da câmera, nos olhavam com curiosidade, provavelmente não entendendo absolutamente nada. Bufei e tentei falar mais calmo, para talvez diminuir a tensão.
- Você sabe... – respirei fundo a olhando nos olhos. – Acho que o que eu faria de diferente seria terminar com você de uma forma mais decente. Se eu tivesse feito de uma forma melhor, você não estaria tão mascarada. Se é que me entende.
respirava pesadamente, provavelmente me achando um idiota. E eu era um, sabia disso. , que estava ao meu lado, me deu uma cotovelada e sussurrou, quase inaudível até pra mim, um “O que é que você está fazendo, cara?”, enquanto Liam e me olhavam com reprovação, e por sua vez, tentou amenizar a situação constrangedora que eu havia causado.
- Sabe, acho que eu jamais teria dançado, ou usado aquela roupa na audição... – disse ele, arrancando risadas – forçadas – de toda equipe, inclusive , que ria ironicamente, enquanto me olhava como quem que queria me matar naquele exato momento.
Depois disso, a Ustream não durou muito, e assim que a câmera foi fechada, levantou num pulo e cruzou a porta antes de todo o mundo. Confesso que me sinto um idiota agora. Eu não deveria ter falado aquelas coisas, e é óbvio que ela estava com raiva de mim, e agora mais do que nunca, queria me matar.
Fui para o camarim improvisado, junto com e Liam. e haviam sumido, e ficaram assim por uns 10 minutos, até que finalmente apareceram. Eu estava me sentindo culpado, e não só porque Paul, Liam, e até a Lou estavam brigando comigo. Era um detalhe que ninguém precisava se lembrar, por mais que tivesse ido conosco à audição. Ninguém se lembrava, e a culpa de tudo começar a virar uma bola de neve era minha. Ninguém estava pior do que eu, e eu precisava me desculpar.
Ouvi a porta do lado de fora bater, e quando cheguei mais perto, pude ouvir alguém sibilar um “Adeus, !”. Abri a porta correndo e fui até o elevador, que se fechara na mesma hora. Olhei para o lado e sem ao menos pensar, me lancei escadaria abaixo, a fim de encontrá-la a tempo. Tentei ir o mais rápido que pude, mas antes que eu chegasse finalmente ao térreo, pude ouvir o elevador se abrir. Cheguei na porta que dava ao térreo, e consegui vê-la, mas antes que eu pudesse pensar em sair dali e falar com ela, a vi com um cara. Na verdade, a vi dar um beijo no cara. Senti um formigamento no estômago, algo que eu não conseguia explicar. Só conseguia ver sua silhueta de costas e seus cabelos penteados como de um executivo, mas independente do ângulo, dava para ver que ele malhava, pela largura de seus ombros, e também era alto. Totalmente o oposto de mim: Não tão alto, magrelo, e cabelo bagunçado. Mas de qualquer jeito, era comigo que ela deveria estar... Não era?
Bati minha mão na minha própria testa, e senti uma raiva subir por todo o meu corpo. Comecei a ver sua imagem borrada, e só então percebi que estava começando a chorar. Eu não podia me sentir assim, não podia chorar por causa dela. Limpei as lágrimas antes mesmo que elas caíssem, e a vi ir embora, com as mãos entrelaçadas com a do tal cara.
Saí finalmente da escadaria e entrei no elevador, voltando para o 4º andar. Chegando lá, todos já estavam de saída, então eu apenas os acompanhei, ainda em silêncio, até a van, que no momento em que entramos, deu partida até o hotel.

* * *



Estava saindo do banho, quando ouvi uma conversa entre e do lado de fora do meu quarto. Tentei ficar quieto e colei minha orelha na porta, a fim de ouvir o que eles cochichavam.
- Não é melhor a gente avisar o ?
- Não! – gritou para , mas assim que percebeu que havia se exaltado, pigarreou e voltou a cochichar. – Não, não podemos... Ele vai ficar louco, e pode ficar com raiva da gente...
"Mas porque eu ficaria com raiva deles?" – Pensei enquanto colocava minha cueca boxer silenciosamente. Eu não deveria estar ali os espionando, mas já que o assunto de alguma forma se tratava de mim também, eu tinha esse direito. Né?
- Põe logo esse tênis antes que o saia do banheiro, a já deve estar esperando a gente no hotel! – falou impaciente para , e logo após, ouvi um ruído da cama, indicando que um dos dois, ou os dois, havia se levantado. Levei um certo tempinho pra raciocinar. Eles estavam indo se encontrar com a e não haviam me contado nada. Bufando de raiva, coloquei a camisa e calça preta rapidamente, a tempo de ouvir a porta sendo fechada. Desliguei a luz do banheiro e saí correndo, sem ao menos secar o cabelo. Peguei meu All Star branco, meu celular e minha carteira, e cruzei a porta, ainda descalço. Vi a porta do elevador, ao fundo do corredor, ser fechada e então me lancei escada abaixo de novo. Acho que só hoje havia perdido uns 3kg só pela minha corrida nas escadarias.
Cheguei ao Hall do hotel, e tinham várias fãs do lado de fora, e então deduzi que eles deviam ter saído pelo estacionamento dos fundos. Corri até lá, e vi um táxi dando partida, e deduzi que fossem os meninos. Por sorte, logo atrás, havia um táxi estacionando, saindo de lá uma senhora e uma menina de no máximo 15 anos. A menina me olhou boquiaberta, pronta pra gritar, mas eu não dei oportunidade, pois no mesmo momento entrei no táxi.
- Siga aquele táxi! – Falei para o motorista, que alcançou meu olhar até um táxi quase igual que saía do recinto.

Fiz o motorista ficar ali comigo, esperando que os meninos saíssem, há exatas três horas. Prometi que pagaria 400 dólares para a missão espiã, e claro, ele não se recusou, muito menos contestou. Fucei o celular, a fim de eliminar minha tensão, e até tentando entender o porquê de eu estar ali. Por que aquilo era importante? Que idiotice a minha, eu estava parecendo uma adolescente maluca que fica esperando o ídolo sair do hotel, pronto para dar o bote e pular sobre ele pedindo um beijo ou alguma outra coisa. Eu estava me sentindo uma directioner, esperando que e saíssem para que eu pudesse entrar em ação... Nossa, vida de fã é realmente muito difícil. Depois de hoje, nunca mais reclamo da dedicação de todos eles.
Bufei, querendo ir embora, mas já estava ali há três horas, não podia ir embora com uma mão na frente e outra atrás. Olhei para o lado e finalmente vi os meninos e a do lado de fora. Ela estava de short, tênis e uma blusa de The Big Bang Theory, e não pude deixar de sorrir. Ela usava óculos de grau, e seus cabelos estavam presos num coque alto, evidenciando seu rosto angelical, que nem se eu quisesse, esqueceria. Ela deu um abraço apertado nos dois, assim que o táxi apareceu, e então eles foram embora. Aproveitei que o táxi havia virado na curva e saí também, pagando o prometido ao motorista e o liberando.
Entrei no hall e o elevador já estava fechado. Prometi a mim mesmo que não subiria as escadas de novo, e então me lembrei que não sabia o andar que ela estava. Olhei para o lado e de cara, encontrei uma recepcionista que permanecia posicionada atrás de um computador. Seus olhos estavam vidrados na tela do computador, e assim, não percebeu quando eu me aproximei.
- Senhorita... – Falei pigarreando logo após, fazendo-a olhar pra mim. – Por favor, será que você poderia me informar qual é o quarto de ?
A mesma me olhou com curiosidade, mas ao mesmo tempo com o olhar duro.
- E você, quem é?
- . – Falei lançando meu melhor sorriso.
Ela mexeu no computador e pegou o telefone.
- Vou comunicar a srta. – E começou a digitar um número. Um desespero súbito subiu em mim, e então num ato de reflexo, coloquei a mão no telefone, impedindo-a de continuar.
- Não é necessário! Eu estava com ela agora pouco, junto com meus amigos e da banda... Ela não informou? – ela suspirou, pronta para retrucar. – Eu esqueci meu celular com ela, e vim apenas buscar, mas não quero fazê-la descer novamente, por isso preciso que você me informe seu andar.
Ela bufou e me olhou.
- 10º andar, quarto 1016.
- Obrigado... – Falei lhe lançando uma piscada de olho, que ela pareceu ignorar.
Entrei no elevador e digitei o número 10, e então as portas se fecharam. Senti uma estranha adrenalina, misturada com medo e desespero. Afinal, o que eu falaria pra ela? Por que eu estava aqui? Eu tinha realmente um assunto pra tratar com ela? Nenhuma dessas perguntas fazia sentido, e a verdade era que eu estava sentindo sua falta e queria falar com ela outra vez, sem parecer um idiota. Me lembrei do episódio de hoje cedo na entrevista, e pela primeira vez em muito tempo, sentia a vontade de voltar no tempo e desfazer minha idiotice. Ela deveria me achar um babaca. Mais babaca do que antes, e pensar que seus pensamentos eram verdadeiros, me deixava uma sensação de como se alguém tivesse socado a boca do meu estômago. Eu conseguia impressionar todas as meninas, até quando eu falava alguma besteira, nenhuma delas parecia se importar. Mas com era diferente. Ela era diferente. E logo eu, que a conheço tão bem, cometo uma burrada dessas, na esperança de que uma só vez ela fosse como as outras garotas. Mas pensando assim, eu sabia que de alguma forma, não queria que ela fosse como as outras garotas. A verdade era que eu não havia me acostumado com o fato de ter me apaixonado com alguém totalmente fora da minha estúpida realidade.
Parei em frente ao quarto 1016, e automaticamente, apertei a companhia. Droga. Comecei a ver tudo preto, meus pensamentos se embaralharam, e havia me dado um branco total. O QUE EU FALARIA PRA ELA? Quando eu pensei que iria desmaiar ou vomitar ali mesmo, a porta se abriu. E não era a .
- Pois não? – Um homem aproximadamente 10cm mais alto que eu apareceu na porta. Ele era branco, tinha os olhos azuis claros e a arcada dentária perfeitamente branca. Ele estava sem camisa, o que me intimidou um pouco. Não porque um cara é malhado que tem que ficar exibindo o abdômen definido pra qualquer um que toque a companhia.
- Ahm... – empaquei. Eu estava envergonhado. Merda, pra que a mulher foi me dar o número do apartamento errado? – Desculpe, acho que errei de quarto...
Antes mesmo que eu terminasse meu discurso de desculpas, sua voz invadiu minha mente, e uma completamente desentendida apareceu no fundo da sala.
- ? – O homem então me olhou, agora furioso. Ela chegou na porta como um vulto, e seus olhos brilhantes, porém pesados, pairou sobre mim. – O que você está fazendo aqui?
Ela cuspiu as palavras e eu não sabia o que responder. Seria esse então o cara que estava com ela hoje de manhã? O que eles eram então? Namorados? Olhei para sua mão direita e vi uma aliança de ouro, idêntica a do grandalhão sem camisa que permanecia me encarando nervosamente. Senti meus olhos arderem, e então abaixei a cabeça e a olhei nos olhos com convicção.
- Precisamos conversar.

Capítulo betado por Verônica Miranda

Capítulo 20



’s POV on.




Estávamos no restaurante do hotel, e por mais que o silêncio estivesse constrangedor, conseguia me encarar nos olhos, conseguindo me deixar completamente envergonhado – se isso ainda era possível – de minhas atitudes passadas, enquanto eu, por minha vez, desviava seu olhar. Ela não sorria, e muito mal piscava. Seu rosto não expressava nenhuma reação, e eu me perguntava mentalmente onde estava aquela que eu conheci – apesar de saber exatamente da resposta.
- É sério que você foi até o meu quarto pra me fazer descer e te olhar enquanto você fica quieto olhando o chão? – Ela disse bufando, e quase pude ouvir um rosnado de sua voz. Ela costumava fazer um barulho que se assemelhava a um rosnado quando falava muitas coisas de uma vez sem respirar. Segurei um riso que quis sair, mas a situação não deixou.
Respirei fundo e levantei o olhar, finalmente encarando seus olhos, esperando que a envergonhada desviasse o olhar, como sempre fazia, mas não foi bem assim. Ela cruzou os braços e me encarou desafiadora, tentando me intimidar – e até que ela estava conseguindo, mas ela não precisava saber.
- Eu só queria conversar...
- A conversa tá tão boa que eu quero me matar... – Ela disse bufando enquanto me interrompia. – Me poupe, !
Ela colocou a mão direita na cara, esfregando os olhos cansados em seguida, e eu não pude deixar de perceber – de novo – seu anel de ouro e não tão discreto em seu dedo anelar. Meu coração se acelerou novamente, e as palavras saíram da minha boca tão automaticamente que não as pude controlar.
- Pra quando é o casamento?
Mais silêncio. Um olhar triste apareceu em seu rosto, e então ela olhou para sua mão direita, e logo a escondeu em seu colo. Ela abrira a boca várias e várias veze para me responder, mas a mesma estava tão sem palavras quanto eu. Ela fechou os olhos e abaixou a cabeça e suspirou, voltando a me olhar logo em seguida. Sua expressão mudara, e agora seu olhar era muito mais terno e caloroso. Eu não queria que ela respondesse, e estava prestes a pedir isso a ela, mas já era tarde demais.
- Dezembro... – E então foi a minha vez de abaixar o olhar. Respirei fundo e levantei o olhar novamente e encarando-a, enquanto ela continuava a olhar pra baixo. A tímida de sempre estava ali. Do jeito que eu havia deixado, e eu sabia que por debaixo de toda aquela pele de menina transformada, ela ainda era a que eu conhecia, e aquela era a prova e a minha deixa. Provavelmente ela deve estar pensando que eu estou magoado por ela. E eu não estou... Definitivamente não.
- Olhe pra mim! – Falei duro e autoritário, e então ela me encarou quase que automaticamente, aparentemente assustada. – Não desvie o olhar enquanto falo com você! Você não é mulher agora? Então me prove!
Meu corpo estava pegando fogo, e sinceramente, não sabia o por que de ter falado isso. Eu não estou magoado... Estou com raiva! Ela não era assim! Desde quando ela estava noiva?
- Você acha que está falando com quem, ? – Ela riu debochada. – Eu não tenho mais 16 anos, e você espera que eu te prove alguma coisa? Eu não preciso te provar nada, VOCÊ não é nada!
Ela bufou não muito alto, porém visivelmente com o tom de voz alterado. Meus olhos pegavam fogo, e eu sabia que não era totalmente pela raiva. Então eu não era mais nada pra ela?
- Qual é, , você ainda nem fez 18 anos e vai CASAR? – Enfatizei a última palavra, e ela me olhou incrédula, com um sorriso debochado nos lábios. Desde quando ela conseguia ser irônica desse jeito?
Enquanto olhava cada traço diferente em sua face, ouvi sua voz me atingir. Eu esperava qualquer resposta dela por mais rude que fosse, mas nunca imaginaria como suas palavras me cortariam ao meio como aconteceu.
- Não tenho culpa se ele está sendo em quatro meses o que você NUNCA foi em quase um ano... – ela pausou me analisando, parecendo calcular friamente suas palavras. – E sinceramente, pelo que eu vejo, você nunca vai conseguir nem chegar perto do homem que ele é.
Ela se levantou, pegando seu celular da mesa, enquanto eu a encarava sem ter o que falar. E o pior de tudo era que, em partes, ela tinha razão. Eu nunca fui e talvez nunca seria homem o suficiente pra ela. E depois de hoje, do que eu acabara de falar, ela nunca mais mudaria seu conceito sobre mim.
- Você sempre vai ser um moleque, ... – Ela bufou deixando uma lágrima cair pesadamente sobre suas bochechas avermelhadas pela raiva e amargura. – SEMPRE!
E então ela se virou e me deixou ali sentado e sozinho, enquanto as poucas pessoas que estavam ali no recinto me encaravam não tão discretamente. Por mais que não tínhamos nos excedido na nossa conversa, qualquer um que passasse ali perceberia que não estávamos em nossos estados de espíritos normais. Pousei meus cotovelos na mesa e enterrei meu rosto em minhas próprias mãos, deixando finalmente que algumas lágrimas insistentes rolassem. Eu me sentia um moleque, e o pior era que eu tentava convencer a mim mesmo de que eu não sentia ciúmes e não sentia sua falta. Mas eu simplesmente não conseguia, e vê-la de casamento marcado com outro cara tornava tudo muito mais difícil. Era como se alguém tivesse passado por cima de mim, pois eu não conseguia me mexer. Meu coração estava em pedaços, e eu nunca na minha vida imaginaria sentir isso que estou sentindo por alguém depois de tanto tempo. Girl I see it in your eyes you’re disappointed, ‘cause I’m the foolish one that you anointed with your heart… I tore it apart...
- Bela hora pra essa droga de música fazer sentido... – Sussurrei pra mim mesmo enquanto tentava me recompor.
Levantei a cabeça ainda com os olhos inchados e olhei instintivamente para a parede de vidro do hotel que dava para a rua lateral. Devido ao meu olho embaçado, levou-se um tempo para que a imagem da janela se projetasse nitidamente, e quando isso aconteceu, vi de lá um paparazzi com a câmera apontada pra mim. Merda!
-x-
’s POV.
(n/a: Coloquem essa música pra carregar.)
Ainda um pouco tonta pela minha conversa não tão agradável com , vi a porta do elevador se abrir no 10º andar. Saí do mesmo e encarei a porta do quarto, deixando que as últimas lágrimas que insistiam em cair rolassem. Olhei em volta e me vi sozinha, e quando percebi que as más lembranças do passado estavam prontas para me atormentar novamente, coloquei a mão na maçaneta, respirando fundo, e a abri, desviando-me de todos os pensamentos ruins que eu prometera a mim mesma que não deixaria que me abalassem nunca mais.
Já dentro do quarto, olhei em volta e não vi nenhum sinal de Logan, estava tudo muito quieto e me assustei com isso. Depois de ter revirado tudo sem encontra-lo, fui em direção à sacada assim que vi uma fresta de luz e finalmente o encontrei do jeito que o havia deixado, mexendo no computador na pequena mesa à sua frente. Ele estava de costas pra mim, e por isso não me viu chegar a ponto de não ver o que ele estava lendo e vendo. Várias abas estavam abertas com fotos minha com e os meninos, antes do The X Factor. Fotos na audição com eles, na escola, abraçada com os meninos, abraçada com ... Beijando o . A notícia havia se espalhado completamente, o fandom inteiro estava divulgando qualquer informação que eu – até então – nunca tinha revelado a ninguém. Minha cabeça pesava novamente, mas dessa vez, era o peso da minha consciência. Eu nunca havia contado essa parte do meu passado para Logan, e eu entendia completamente seu olhar amargurado assim que o mesmo se virou para me encarar. Através do seu óculos geek, o pude ver com os olhos avermelhados, mas antes mesmo que as lágrimas caíssem, o mesmo coçou os olhos e se levantou, passando por mim e indo para a sala.
Ele se sentou, colocando os óculos na mesa de centro e apoiou seu rosto visivelmente atordoado em seu braço, pousado em sua perna, olhando para frente, ainda sem me olhar.
Senti meus olhos arderem mais ainda e as lágrimas rolavam sem cessar. Eu não sabia o que dizer, e ao menos tinha o que dizer, mas aquele silêncio estava me matando por dentro.
- Eu sinto muito... – Falei baixo, soluçando, mas não o impedindo de me ouvir.
Mais silêncio. Aquilo estava me torturando, e eu não aguentava toda essa tensão. Ele mal se mexeu e fungou, percebi que ele estava chorando. O que será que ele estava pensando de mim? Que eu sou uma mentirosa? Será que ele não percebeu que eu fiz isso pra poupar o nosso relacionamento? Porque ele não diz alguma coisa? Qualquer coisa!
- Por favor... – Consegui dizer, deixando finalmente que todo meu choro acumulado subisse. Comecei a soluçar alto e caí no chão, sentada. Eu não sabia ao certo o que estava sentindo... Se era raiva de mim mesma, repulsa da audácia de em vir me procurar ou de estar fazendo Logan sofrer. E a última coisa que eu queria era isso... Logo Logan, que tanto me ajudou, cuidou de mim, me ajudou a me encontrar, me ensinou a não ter mais medo de expressar meus sentimentos... E logo a única parte que me permiti omitir, na esperança de que ninguém se importaria caso descobrissem, o faz ter essa reação. Eu nunca o vi assim, aquilo acabava comigo. Eu não iria aguentar caso ele me deixasse... E se ele me deixar? O que vai ser de mim?
As lágrimas continuavam rolando enquanto eu, com vergonha de toda essa situação, eu enterrava mais e mais meu rosto entre minhas mãos, até que senti seus braços me envolverem.
- Eu estou... – Ele começou fungando mais uma vez – Com muita raiva...
Ficamos em silêncio um tempo. A pior parte era que eu o entendia. Entendia o porquê da raiva, da amargura... Mas olhando pra situação, quando que o me abraçaria mesmo estando com raiva de mim? Logan era um homem incrível, de um jeito que todos sabiam que não foi, e talvez nunca fosse – olhando pro que aconteceu hoje. Ele sim era homem pra mim, e o único que eu deveria me preocupar. Eu ainda não sabia exatamente como essa “bomba” estava repercutindo, mas eu não ligava. Era com o meu noivo que eu deveria me importar agora.
- Eu quero saber de tudo... E por favor, não me esconda nada dessa vez!
Era isso que eu temia, contar toda a verdade. Pensei e repensei, abri e fechei a boca várias vezes... Eu não sabia por onde começar, e até pensei em omitir novamente certas partes, mas eu não podia. Ele queria a verdade, e eu tinha que dar isso a ele. Era seu direito. Parecia uma coisa boba, e até desnecessária da parte dele, mas ninguém entendia. Logan era amoroso, e por mais que não demonstrasse tanto, era extremamente sentimental quando se tratava de mentiras. Lembrei-me de quando ele me pediu em casamento, à exatas três semanas atrás... Aquele havia sido o melhor dia da minha vida... O dia que fui extremamente feliz, depois de muito tempo.

Flashback on...



Era um domingo tipicamente normal. Já se passavam das duas horas da tarde, e eu estava entediada em meu apartamento esperando um sinal de Logan. Ele havia prometido me ligar caso desse para sairmos, mas com o trabalho, ele não conseguira, e com isso, se faziam dois dias (desde sexta-feira) que não nos víamos ou nos falávamos descentemente. Pensei em passar em seu escritório e fazer uma surpresinha, mas mesmo sabendo que ele nunca me expulsaria de lá, o medo de deixa-lo ainda mais atolado me perseguia, então decidi ficar em casa. Respirei fundo e olhei em meu celular. 02:05pm. Sério que só 5 minutos se passaram?
Despenquei no sofá, e assim que minha cabeça encontrou a almofada, o celular vibrou, me fazendo levantar e atende-lo numa velocidade irreconhecível.
- Alô?
- Me tira desse escritório agora! – Logan bufou do outro lado da linha. – Quer ir ao Central Park?
- Qualquer coisa que me faça parar de assistir Bob Esponja!
Ouvi sua risada ecoar pelo telefone, e me vi sorrir involuntariamente imaginando-o rindo na minha frente, com seus olhos infinitamente azuis se fechando a cada gargalhada.
- Te vejo lá, e vê se não demora!
- Vou tentar... – Ri abafado.
E ele desligou o telefone, me deixando em dúvida se ele havia escutado o que eu havia ditou ou não. Mas isso não importava agora, EU IA SENTIR AR PURO! Levantei-me num pulo, e fui até meu closet. Ou nosso closet... Por mais que Logan também tivesse roupas dele lá – era uma briga pra ver quem ocupava mais espaço, já que éramos compradores incontroláveis –, ele insistia que eu usasse o termo “nosso”, já que agora ele começara a trazer suas coisas para que pudéssemos morar juntos finalmente. Éramos o casal perfeito, nada de brigas, muito amor e acima de tudo éramos melhores amigos. Um respeitava o espaço do outro, o trabalho do outro... Cada um tinha a própria vida na nossa relação, e isso era uma das coisas que eu mais gostava. A cada dia que passava, eu tinha a certeza de que fomos feitos um para o outro, pelo fato de nos entendermos tão bem. Eu ainda não havia dito a ele – por razões óbvias – que o amava, mas a cada segundo, a cada vez que via seu rosto, eu tinha certeza do que eu sentia.
Aproveitando o sol, e o pouco – e suficiente – calor, optei por um look mais despojado. Soltei meus cabelos e passei apenas um blush em minhas bochechas, e então desci para pegar o carro. O caminho até o Central Park não foi muito longo, e quando dei por mim, já estava sentada em um dos bancos no Central Park West, no banco em que eu sempre me sentava, e o Logan sabia muito bem, pois além de tudo, era a mais próxima da empresa. Olhei em volta, e sorri vendo casais passeando de mãos dadas, e essas coisas fofas que só se vê no Central Park, e consequentemente comecei a pensar em Logan também. Era difícil acreditar que ele existia, e que era meu namorado. Lembro-me de quando estava com uma forte cólica na redação da Teen Vogue, e mandei uma sms pra ele, só pra “me expressar”, até que poucos minutos depois, um entregador apareceu, com uma caixa de Ferrero Rocher e um buquê de flores, com um bilhete de Logan escrito: “Quando Rachel sentia dores, costumava comprar chocolates pra ela. Não sei se funciona, mas não custa tentar. Amo você.” Fui assunto na redação por semanas, pois todas as meninas ficaram abismadas com o cavalheirismo dele. E eu amava isso, amava as demonstrações de Logan, desde as mais simples, até as mais exageradas, como quando ele me fez uma serenata na frente do meu apartamento. Ele era maravilhoso, e o que eu sentia por ele, era algo tão diferente e mágico, que mal cabia em mim.
Olhei para frente e encontrei com seu par de olhos perfeitos vindo em minha direção. Prendi a respiração reparando em cada detalhe, e percebendo o quanto ele era perfeitamente lindo em todos os aspectos, detalhes e jeitos. Ele vestia uma roupa social, com calça de linho azul marinho e sapatos pretos, e a camisa branca, por dentro da mesma. Ele estava sem o blazer e a gravata, e com os dois primeiros botões desabotoados. Ele estava maravilhoso, e além de mim, percebi outras pessoas o olhando, enquanto o mesmo atravessava na faixa de pedestres divinamente. Sua barba estava por fazer, como sempre, e seu sorriso incrivelmente branco estava com um ar sapeca, deixando-o com uma aparência de menino-homem completamente e irresistivelmente sexy. Olhei para seus cabelos negros, que contrastavam de modo perfeito com seus olhos azuis – que balançavam levemente devido ao vento – e percebi que ele havia cortado novamente. Ele havia raspado quase que completamente as laterais e deixou um topete alto, me lembrando um pouco o Justin Bieber quando cortou. Ele foi chegando mais perto de mim, até que pude sentir seu 212 Men, e então eu respirei fundo, me levantando enquanto ele imediatamente me dava um selinho apertado. Logo em seguida, ele me abraçou forte, depositando um beijo no topo da minha cabeça.
- Senti sua falta... – Ele disse sussurrando, me afastando para que ele me olhasse.
- Também senti! – O sorriso dele me deixou envergonhada, e senti meu rosto corar. Era incrível o efeito que cada sorrido daquele tinha sobre mim. Respirei, retomando-me do transe, e falei. – O que faremos?
Ele sorriu de novo, mas agora de um jeito sapeca e divertido, me contive para perguntar o que estava acontecendo. Ele pareceu pensar, e só depois respondeu.
- Bom, ficar sem você três dias direto me deixou um pouco mais romântico do que o normal... – Ele riu, enquanto suas bochechas coravam. – Então que tal um passeio de carruagem?
Aceitei na hora, e partimos até encontrar um lugar que alugasse. Ele pagou pelo passeio de uma hora e meia, e então entramos na carruagem, que deu partida logo em seguida. Ficamos o tempo inteiro com a mão entrelaçada, e começamos a conversar sobre tudo. Colocamos os assuntos em dia, ele me contou o que tanto o “prendia” no escritório – talvez eles iriam abrir uma filial da empresa em outra cidade – e conversamos sobre mim também, e sobre o meu trabalho. Contei que talvez, eu entrevistaria a Demi Lovato para a próxima edição da revista, o fazendo rir da minha excitação. Ele sabia o quanto eu amava aquela mulher, e o mesmo achava engraçado o meu jeito de expressar isso, principalmente quando eu disse que seria capaz de pedi-la em casamento. “Lesbian for Demi... Isso não me surpreenderia em nada!” – Ele disse, me arrancando gargalhadas.
O passeio foi chegando ao fim, e conforme a carruagem se aproximava do Conservatory Water, lugar onde ele pedira pro Cocheiro nos deixar, senti as mãos de Logan tremerem um pouco, e o mesmo começou a se mostrar inquieto até demais.
- Tá passando mal? – Perguntei quando vi que ele não parava de balançar as pernas.
- Hã? Não, não... Só estou com fome. – Ele falou rindo nervosamente, mas antes que eu perguntasse mais alguma coisa, sua voz suave me fez esquecer o que estava me intrigando. – Chegamos!

* * *



Estávamos andando pelos arredores da Lagoa já há trinta minutos, e como era de se esperar num dia de domingo ensolarado, estava abarrotado de pessoas. Famílias com crianças, casais de jovens e idosos, todos pareciam se reunir ali, para curtir um fim de tarde. Já se passavam das 4pm, até que paramos em um banco, perto de um cara desconhecido que tocava violão e cantava em um microfone, ligado a uma pequena, porém alta, caixa de som, enquanto várias pessoas ficavam em volta, observando-o e depositando trocados na capa de seu violão que estava aberta.
Logan entrelaçou nossas mãos novamente, mas dessa vez com mais firmeza, e logo após depositou um beijo nas costas da minha mão. Nossos olhares se encontraram novamente, e seu olhar era tão terno, que era como se estivéssemos sozinhos. Ele não dizia absolutamente nada, e também nem precisava, pois nossos corpos falavam por si só. Acariciei seu rosto com minha mão livre, passando as mãos levemente pela bochecha, e indo até sua nuca, acariciando ali, e então ele fechou os olhos e sorriu de canto. Ele amava isso, e eu sabia disso muito bem, pois de uns tempos pra cá, uma necessidade de agradá-lo e ser o melhor que posso pra ele, me invadira de uma forma que eu não entendia. Mas agora eu entendo... Eu o amava, e muito. E eu nunca estive tão certa em declarar isso alguém, e ficava feliz por ele ser o primeiro e o único homem merecedor de ouvir isso da minha boca.
Ele colou nossas testas, e pude sentir seu hálito fresco, invadindo-me de uma forma ensurdecedora. Eu precisava dizer, minha língua coçava de tanta vontade de dizer as três palavrinhas, que provavelmente mudaria a nossa vida.
Abri a boca e respirei fundo para dizer, timidamente, porém com toda a certeza que uma pessoa poderia ter, mas ele foi mais rápido, e sua voz suave novamente me invadiu, me livrando dos meus transes.
- Se eu fizesse uma coisa louca agora, por você, você ficaria com vergonha de mim? – Ele disse baixo e rindo timidamente no mesmo tom, me olhando nos olhos, como uma criança pedindo um brinquedo pra mãe.
- Não sei... – Disse rindo também. – Acho que não... Por que?
Ele descolou nossas testas e se levantou, com o mesmo sorriso sapeca, me tirando o ar. Ele me deixou ali sentada, sem entender absolutamente nada, e foi até o cantor, que agora estava recolhendo o que ganhara com seu trabalho, e falou algo em seu ouvido, que o mesmo olhou pra mim, sorriu, e assentiu para Logan. Logan pegou o violão e posicionou a correia do mesmo em seu ombro, ajustando-o, e chegou ao microfone.
- Queria dedicar essa música, à primeira e única mulher que eu já amei em toda a minha vida. – Ele suspirou, e imediatamente fiquei estática, enquanto TODOS me encaravam. O vi sorrir e imediatamente relaxei, quando encontrei seu olhar. – É por ela que acordo todos os dias, por ela que tento ser o melhor que posso, e é com ela que quero passar o resto da minha vida.
Senti algumas lagrimas brotarem no canto dos meus olhos, enquanto ele começava os primeiros acordes, de uma música obviamente já conhecida por mim. (n/a: coloquem a música pra tocar agora.)


Heart beats fast
Colors and promises
How to be brave
How can I love when I'm afraid to fall
But watching you stand alone
All of my doubt suddenly goes away somehow
One step closer


Respirei fundo e abaixei a cabeça, deixando que as lágrimas rolassem livremente, sorrindo. Minha música preferida, e ainda expondo seu “talento oculto” na frente de todos ali por mim? Era muito mais do que eu esperava... E então eu o encarei, enquanto ele começava o refrão.


I have died every day waiting for you
Darling don't be afraid
I have loved you for a thousand years
I'll love you for a thousand more


Coloquei a mão na boca, ainda não acreditando no que ele estava fazendo. E eram coisas assim, que me faziam amá-lo cada dia mais.


Time stands still
Beauty in all she is
I will be brave
I will not let anything take away
What's standing in front of me
Every breath
Every hour has come to this
One step closer


Enquanto ele terminava essa frase, vários homens, que reconheci ser do trabalho dele, vieram cada um com uma rosa branca na mão, e como Logan estava exatamente na minha frente, porém distante, os homens fizeram um “caminho” entre eu e ele, enquanto todos observavam, e até filmavam o que Logan estava fazendo.


I have died every day waiting for you Darling don't be afraid
I have loved you for a thousand years
I'll love you for a thousand more
And all along I believed I would find you
Time has brought your heart to me
I have loved you for a thousand years
I'll love you for a thousand more


Eu chorava cada vez mais, ainda sem cair a ficha. Como alguém pode ser tão perfeito a ponto de fazer isso por alguém sem pudor algum?


One step closer
One step closer
I have died every day waiting for you
Darling don't be afraid I have loved you
For a thousand years
I'll love you for a thousand more
And all along I believed I would find you
Time has brought your heart to me
I have loved you for a thousand years
I'll love you for a thousand more


E então ele terminou de cantar a música, e todos aplaudiram. Eu estava estática, e desde que ele começou a cantar, não havia conseguido me mexer, e por isso, permanecia colada no banco. Ele pegou o microfone e veio andando lentamente em minha direção com aquele sorriso, e então ele me pôs de pé, percebendo que eu não me levantaria sozinha dali devido ao... Acontecimento inesperado. Eu também permanecia com as mãos na boca, sem conseguir dizer um som sequer, além da respiração rápida devido ao meu choro, que parecia não ter fim.
Ele tirou minhas mãos do rosto, e afagou minhas bochechas molhadas e rosadas delicadamente. Respirei fundo, e nossos olhos se encontraram novamente, e ele desviou o olhar no mesmo instante, se afastando de mim a um passo, e pegando minha mão esquerda e pousando em seu coração, que batia freneticamente, e então começou a falar no microfone. Só aí percebi que as pessoas continuavam ali nos observando atentamente.
- Sabe esse coração? – Assenti que sim, enquanto ele não conseguia conter o sorriso largo, fazendo-me derreter ainda mais por dentro. – Ele bate por você. SÓ por você.
Comecei a chorar novamente, e ele soltou a sua mão que pousava sobre a minha em seu peito, e limpou minhas lágrimas, continuando em seguida.
- Talvez eu nunca tenha te dito isso antes, mas desde que te conheci, eu mudei... Tanto, que finalmente consigo ver hoje o verdadeiro Logan. Você foi a única que conseguiu descobrir o verdadeiro Logan que até então só se mostrava para a família. Você me fez enxergar o mundo de outra forma, me fez ver a vida de outro ponto de vista. Você passou por tantas coisas, e hoje deu a volta por cima, ao contrário de mim, que sempre fui acostumado a ter tudo e quase nunca corri atrás de alguma coisa, mas nada se comparou ao que você teve que lutar pra conquistar. – Ele respirou, controlando-se pra não chorar também. – Eu AMO você, e eu tenho certeza absoluta disso, e de uns tempos pra cá eu tenho ficado com a impressão de que ainda não é o suficiente. Eu preciso de mais, preciso te dar a certeza de que estou aqui por você, que estou contigo sempre, e que eu SEMPRE vou estar.
O cantor agora dedilhava uma canção lenta ao fundo, e eu mal notava, pois estava completamente atônica com a situação. Eu não conseguia falar, me mexer, e muito menos pensar em alguma coisa. Afinal, pra quê exatamente era tudo isso?
Ele se ajoelhou, e então Adam – seu primo que, aliás, era seu assistente – apareceu com uma caixinha azul piscina, que eu reconhecia ser exatamente da onde era, e então ele a abriu, exibindo ali, uma aliança de ouro um tanto grossa, porém delicada. E incrivelmente linda! Ouvi gritinhos ao fundo, e vi dentre as centenas de pessoas ali, toda a sua família, filmando tudo.
- , eu não aguento mais um dia sequer sem te chamar de minha, e sem ter a certeza de que você vai ser minha pra sempre. Quero te ver de branco entrando na igreja, quero você mostrando pra todos essa aliança, e dizendo que tem você um homem em casa a sua espera, que te ama e que faria tudo pra te ver feliz e realizada. – Ele respirou fundo. – Quero construir uma família com você, quero receber todas as suas sms reclamando de cólica, e quero te surpreender a cada dia, mas pra isso, precisamos dar mais um passo no nosso relacionamento, e começar a construir verdadeiramente o nosso futuro.
Respirei fundo mais uma vez enquanto ele pegava a minha mão direita, sabendo exatamente o que viria a seguir.
- , eu, Logan Morris, não aguento mais um dia sem ter a certeza de que ouvirei em breve o seu “Eu aceito” no altar. Então, quer se casar comigo?
Respirei e deixei uma lágrima cair novamente e tudo começou a passar como um filme em minha cabeça. Ele era perfeito demais pra mim, tinha tudo e mais um pouco que todas as pessoas do mundo sonhavam, e ele estava ali, ajoelhado na minha frente, pedindo a minha mão em casamento. Ele me queria, ele me amava, e ele não poderia ter escolhido melhor forma de demonstrar isso. Fechei os olhos, e falei o que estava entalado em mim fazia muito tempo, e peguei a aliança.
- Eu te amo, Logan Morris! – E assim ele me beijou sob o som dos aplausos. Aquele fora o melhor dia de toda a minha vida, sem nenhuma sombra de dúvidas.

Flashback off...



Meu sorriso devido as lembranças daquele dia desapareceu imediatamente, quando novamente abri os olhos e me vi ali, sentada no chão, abraçada ao Logan. Ele tinha o olhar um tanto furioso, pois ele que queria uma resposta e eu precisava dar isso a ele. Ele ficaria magoado, e talvez até tdo, por eu ter escondido o fato de eu ter namorado, não somente alguém, como um dos integrantes da maior boyband da atualidade. Continuar mantendo isso em segredo obviamente nos afastaria, isso era um fato, e eu sabia que se eu quisesse manter Logan e nossa relação do jeito que era pra estar, eu tinha de fazê-lo. E assim o fiz.

Continua...

Nota da Autora: oooooooi de novo, gente, como vocês estão? Então, tenho uma notícia pra vocês: estou trabalhando! :O a parte ruim é que as atts vão demorar mais um pouquinho, pois só poderei escrever nos finais de semana, já que adora trabalho a semana inteeeeeira depois da escola e chego em casa mortinha. :( não fiquem bravos comigo por isso, vou tentar escrever o máximo nos finais de semana pra mandar uma att recheada pra vocês, ok? E enquanto eu não posto, continuem divulgando a fic pros amigos, pra todos que vocês conhecem, pra deixar a autora feliz e não deixem de comentar o que estão achando da fic também, isso é muito importante pra mim, e pra vocês também, porque assim posso melhorar e construir uma história em cima do que vocês esperam! Então é isso, sem pressão com a minha pessoa, sou uma só e mesmo que eu demore, NÃO ME ABANDONEM JAMAIS, porque eu não abandonarei a fic, ok? u_u soooooo keep calm, and keep reading. <33 amo vocês, e qualquer coisa vocês sabem aonde me encontrar (@brasilheart1D//facebook.com/RayCMartins - mandem inbox caso me adicionem, ok?). lots of kiss, Raí xx.

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