Capítulo 1 – Numa época em que uma agulha caindo no chão é motivo pra se jogar da janela...
Voltando a fita e passando rapidamente por alguns anos!
Londres, Fevereiro de 2002 - 7 anos atrás.
Pipipipi-pipipipi... 6:45 da manhã, despertador tocando. ‘Eu não estava com nenhuma saudade da sua voz, sabia?!’ Ela pensava enquanto tateava a mesinha ao lado da cama procurando o despertador pra desligá-lo. Depois de derrubar meio mundo de coisinhas e finalmente desligar o despertador, ela deixa seu braço esquerdo "despencar" pra fora da cama e em seguida o mesmo com a perna esquerda. Abrir os olhos era a última coisa que null pensava em fazer.
Meia hora depois, passou correndo pela cozinha.
- Tchau mãe!
- Não vai comer nada? – Julie preocupou-se com a histeria da filha.
- Não mãe, estou atrasada! Nem era pra eu estar aqui ainda! – ela beijou o rosto da mãe com tanta pressa que foi mais um empurrão com a boca do que um beijo. E saiu...
null caminhava até a escola, que não era tão longe. Era a única hora que ela podia pensar tranqüilamente, caminhando pelas ruas do bairro tranqüilo onde tinha a sorte de morar, sim ela adora seu bairro! ‘Tomara que minha best esteja na mesma sala que eu... e tomara que aquelas metidas estejam em outra bem distante da nossa! Como tem gente metida nesse colégio.’
- ! – null interrompeu os pensamentos da amiga pulando em cima dela, as duas estavam em frente à porta da escola – Sétima série! – null falou abrindo os braços e movendo a cabeça pra cima.
- Acorda null... Até parece que é grande coisa.
- Claro que é! Nós já estamos prestes a completar os treze e é quando os meninos mais bonitos e as coisas mais legais acontecem na nossa vida!
- Sei... – null olhou pro lado num total desânimo.
- Anda, vamos ver se estamos na mesma turma!
Claro que elas estariam na mesma turma. As duas estudam nessa escola desde a primeira série e sempre estiveram juntas, onde uma estava, a outra estava também.
Entraram na sala e sentaram na mesma localização de sempre; na fileira do canto, nem no fundo da sala onde ficava a turminha de pseudo-rockers e nem na frente beijando a mesa do professor; pelo meio. Distraíram-se mostrando seus novos materiais escolares (lê-se: agendinha, canetinhas coloridas, fichário com folhas decoradas e todas essas frescurinhas) uma à outra, mas não puderam deixar de olhar quando um garoto novato passou pela porta.
- Quem será esse menino? – null perguntou baixinho movendo o rosto em direção à amiga mas sem tirar o olhar de cima dele.
- Nunca vi... – null deu de ombros e voltou a rabiscar alguma bobagem testando as cores das canetas de null. Viu que a amiga ainda estava parada observando o garoto – Gostou dele ou perdeu alguma coisa ali?
- Hun... o quê... erm... – null voltou seu olhar pra amiga e ficou sem graça. – Deixa de bobagem null! Eu só fiquei curiosa, dá licença?! – Fato! Ela só chamava a amiga pelo sobrenome quando ficava sem graça.
O tal garoto sentou na frente, na fileira do meio. O professor entrou e pediu que os alunos dissessem seus nomes, null null era o nome dele. Durante toda a aula, null não tirou os olhos dele, mesmo ele estando de costas pra ela ‘Como será o jeito dele? No final da aula eu falo com ele!’ e ficou pensando nessas bobagens enquanto não fazia a mínima questão de ouvir o que o professor falava e muito menos de saber que matéria ele ensinaria durante o resto do ano.
Trimmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm
O longo sinal tocando e ensurdecendo todos os presentes, fim daquela aula.
null e null se levantaram e começaram a caminhar em direção a saída da sala, mas null ainda não tinha esquecido sua idéia de passar na mesa do aluno novo e puxar um assunto com ele antes de sair.
Quando as duas estavam a alguns passos do menino, Britanny chegou como um foguete e sentou na carteira ao lado dele, com aquele sorriso de “vem-ni-mim-que-eu-tô-facim”. Por razões óbvias, null adiou seu papo com o tal garoto mas passou olhando pra ele, queria gravar aquele rosto tão perfeito na memória. Ela não o viu mais aquele dia, apenas na hora da saída. Ele caminhava com Britanny no seu encalço.
- Ótimo... Agora ele vai ser da turma daquela metida e não vai nem querer saber meu nome. – null disse cabisbaixa à caminho de casa com a amiga ao seu lado.
- Quem null? Do que você está falando?
- Ah, não! Eu estava pensando alto.
- Mas você pensava sobre quem então?
- Que curiosidade! Quer invadir até meus pensamentos... Coitado do ser que namorar a sério com você algum dia, vai afogá-lo nas perguntas!
- Não foge, null! Eu sou sua amiga ou não sou, poxa?
- Ah... É que o null, ele...
- HÁAAAA! – null não deixou null completar sua frase e começou a apontar os dois dedos indicadores na cara dela. – Eu sabia, eu sabia que era ele! Você não tirou os olhos dele, eu vi! Se olhar tirasse pedaço ele estava dividido em muitas partículas, dona null, pensa que eu não vi? Eu sou demais!
- Se sabia, por que ficou enchendo pra eu dizer, criatura?
- É que eu queria ver a sua carinha derretida ao pronunciar o nome dele... ‘É que o null, ele...’ – ela disse debochada imitando a amiga com gestos exagerados pelo meio da rua e levou um tapa na cabeça.
- Pára com essa palhaçada ou os vizinhos vão confirmar que nós cheiramos!
- Tá bom, mas falando sério agora... Você não tem mau gosto, ele até que é bonitinho, mas não faz meu tipo! Você sabe de quem eu gosto desde o ano passado...
- O professor de Química... – null deu um longo suspiro e revirou os olhos, estava cansada de ouvir a amiga dizer que gostava de um cara oito anos mais velho.
- Sério, null! Um dia o Chris vai me notar, pode escrever o que eu estou dizendo! [n/a: sim, o professor Chris é inspirado no Christopher Robert Evans, ou Chris Evans como preferir... Com um professor de quimica desses, eu tatuava um 20Ca nas costas! Não, melhor, a tabela inteira!]
Agosto de 2003 - 6 anos atrás.
- Ai null! Não fica assim... Vem, tem sorvete de chocolate na geladeira!
null foi dormir na casa de null. Estava mal mais uma vez por ver null desfilando abraçado com uma menina o tempo todo, eles passaram umas cinco vezes na frente dela na hora do intervalo.
- Não me conformo, null! Que raiva eu tenho de mim por sofrer por um cara tão galinha! Por que ele age assim?!
- Vai ver são os hormônios... Ele só tem 14 aninhos, null! Igual a nós! Só que nós parecemos um pouco mais adestradas porque somos meninas!
- Droga... A cada menina diferente que ele pega é como se me fizessem mais um furo no estômago.
- Já vi que até o fim do ano eu não vou ter mais amiga e sim um queijo suíço. – null murmurou tão espontaneamente que as duas se olharam e desataram a rir.
- Você precisa arrancar esse null de você, dedetizar, pulverizar, desinfectar, incinerar, esfumaçar, desmaterializ... Outch! – null levou um tapa na testa depois de tantos sinônimos para a frase ‘Esquecer null’.
- Tá bom, eu já entendi! Vou fazer tudo isso aí, mas pára de falar, aff!
- Se bem que...
- Se bem que o quê?
- Vocês são amigos e... ele tem uma queda enorme por você, não?
- null null? A fim de mim, com tantas garotas lindas pela escola? Impossível!
- Claro que ele é! Ou você não percebe o jeito como ele vem cumprimentar nós sempre com aquele sorriso de “bebê assistindo Teletubies”?!
- Grande coisa, null... Ele está SEMPRE com aquela cara!
- Mas quando ele te vê, consegue piorar! E se ele quiser ficar com você?!
- Você não já me perguntou isso hoje?
- Sim e você fujona como sempre não respondeu... Se ele chegasse em você, ficaria com ele?
- Na verdade, eu acho que ele quer ficar com todo mundo! Até a irmã dele ele pegaria se tivesse uma da minha idade! Mas comigo isso não rola! Pra quê?! Pra depois de dez minutos ele estar com outra e eu sentir meu estômago, meu fígado e todo meu aparelho digestivo explodir de uma vez e eu querer me matar ali mesmo?!
- Ai, minha amiga dramática... – null sacudiu a cabeça numa negação e passou um braço no ombro da amiga – Quer saber?! Eu tenho certeza que se ele chegasse com aquele sorriso de Mickey-Mouse-apaixonado pra cima de você, o seu cérebro simplesmente abandonaria seu corpo!
- Por incrível que pareça, você tem razão dessa vez... Acho que eu não resistiria.
- Claro! E pra que fugir? Aproveita ué!
- Não... Se é pra virar só mais uma na lista quilométrica, eu prefiro nem chegar perto!
- Você é uma medrosa! No seu lugar eu dava uns bons amassos nele e aproveitava bem, nem que fosse só uma vez! Ele deve beijar muito bem pra várias meninas quererem ficar com ele. Sem contar que depois que uma garota fica com ele, vários outros meninos caem em cima e a menina fica popular por uma semana! Eles parecem gostar dos restos do null e você devia mesmo aproveitar!
- Olha as bobagens que você está falando sem parar... O que é que tem nesse sorvete, hein? Melhor irmos dormir.
- Tá bom... – null se levantou do sofá e elas começaram a andar em direção a escada.
Capítulo 2 - That’s what I go to school for!
Junho de 2004, 5 anos atrás
- Mais um ano que se passa... Estou com 15 anos, no primeiro ano do ensino médio e nada mudou!
- Como assim nada mudou?! Agora temos peitos! Outch! Por que você me bate o tempo todo?! Vou perder meu cérebro daqui a pouco!
- Você só fala besteira, nunca vi! E você não vai perder o cérebro porque não se perde o que não se tem!
- Tá bom, eu posso não ter cérebro, mas eu tenho coragem, coisa que você nunca teve!
- Do que você ta faland... ah não! O que você fez agora? Tentou dar em cima do professor de novo?
- Hoje eu esbarrei no Chris! – null começou a sorrir com cara de boba – Ele cortou o cabelo, ficou simplesmente ‘uau’!
- E o que você falou pra ele?
- Que ele estava um gato e o corte novo combinou.
- OMG! Não acredito! Isso ainda vai dar encrenca...
- Você precisava ver como ele ficou coradinho!
- Bom dia! Abram o livro na página 235, vamos estudar as Américas hoje. – o professor Brendan de geografia falou entrando na sala.
O professor Brendan é um senhor de 57 anos, muito simpático e bem humorado! As aulas costumam ser engraçadas, o que estraga um pouco é que ele tem um problema de dicção e às vezes não se entende o que ele diz.
No decorrer da aula, null estava tentando entender o que o professor Brendan explicava, olhou pro lado e viu null lá na fileira do outro canto olhando pra ela, seu olhar cruzou com o dele por alguns segundos e apesar dos 6 metros (assim,
chutando a largura da sala) de distância, era como se ninguém mais existisse e os dois estivessem frente à frente. Depois ele desviou, porque o Brendan perguntou pra ele
alguma coisa sobre a cultura do México.
- Aw... erm... elesfalammexicano! – null virou pro professor assustado e respondeu rápido a primeira coisa que lhe veio à cabeça.
Todos riram da resposta dele.
xxx
- Ai desculpa, mas esse menino é muito esquisito, tem horas que ele pega e fica pasmando, nunca vi uma coisa dessas... – null
falava de null enquanto abocanhava um sanduíche, era o intervalo e estavam caminhando pelo pátio da escola.
- Eu tô lá tentando entender o que Brendan falava com aquele jeito de Patolino, e quando eu olho pro lado ele estava lindo lá no canto dele e... só desviou quando o Patolino
fez a pergunta!
- Sim! – null desatou a rir levando a mão à testa.
- Ele não tem cara de ser burro, todo mundo riu dele, coitadinho... Por que será que ele deu um fora desses?
- Por causa de você, criatura! Ele estava no mundo da lua, não entende?
- Pára de falar que ele gosta de mim, caramba! Se ele gosta, então por que ele passou por mim hoje na entrada da sala e nem disse ‘oi’?
- Erm... Será que é por que você estava conversando super animada com aquele moleque da outra sala? – null perguntou como se
fosse óbvio.
- Primeiro: O nome dele é Matthew e não moleque! E depois, eu não estava ‘super animada’, eu só ri porque ele contou uma piada, só isso... e ele só veio me pedir a
matéria da última aula de física emprestada.
- Certo... E por que diabos você acha que ele ia querer a matéria de uma aula que vai ser passada na sala dele amanhã ainda?
- Verdade... As aulas de física deles são nas sextas. Nem tinha lembrado disso!
- Acorda sua lesada! Ele só veio puxar assunto com você! E claro que null percebeu! Você está muito tapada, não está percebendo
as coisas! Onde anda o seu sexto sentido feminino?
- No mesmo lugar que a sua educação.
- Hey, não precisa me ofender não, eu só estou querendo te ajudar! Você nos últimos dias parece que está cada vez mais em Marte! O que está acontecendo?
- Ah sei lá... As coisas lá em casa estão estranhas.
- Como assim?
- Minha mãe anda estranha e meu pai mais ainda... – null deu de ombros, olhou pra frente e parou de falar ao ver
null se aproximando.
- Oi! – ele comprimentou as duas com beijinhos nas bochechas. – Posso falar com vocês?
- Uhum. – elas afirmaram com a cabeça e ele continuou.
- É que eu vou dar uma festa no sábado! Vocês não podem faltar meninas! – ele terminou e sorriu.
- Vamos sim! – null respondeu na mesma hora e sorriu de volta. – Algum aniversário?
- Não... É que eu vou me mudar. – null desmanchou o sorriso e olhou com uma carinha triste.
- Sério? Pra onde? – null também desmanchou o sorriso instantaneamente.
- Meus pais vão se mudar pra outra cidade na semana que vem. Esse é meu último fim de semana aqui e como eles vão ficar até segunda arrumando a casa lá, eu resolvi
fazer uma festa de despedida.
- Hum... – null abaixou o olhar, não sabia o que dizer. Sentiu que terminaram de furar seu pobre estômago de vez.
- E que horas começa a festa? – null cortou o silêncio que se instalou.
- Podem chegar lá às oito! Vai ser le... – null não terminou de falar ‘legal’ porque um de seus amigos pulou nas costas dele. – Saí
de cima de mim, retardado! EU ESPERO QUE VOCÊS VÃO, NÃO ESQUEÇAM! – null berrava pelo pátio enquanto ia sendo puxado
pelo amigo. Os dois foram embora deixando uma null estática e uma null preocupada com o
estado da outra.
- Você não vai falar nada?
- Eu acho que ainda não me toquei! Ele disse isso mesmo, null? Vai sumir daqui pra sempre? Diz que eu estou tendo um
pesadelo...
- Ai amiga, fiquei com dó de você agora... – null passou um braço pelo ombro dela e elas foram caminhando devagar pra sala.
- Eu sou a culpada! Se eu não tivesse perdido tempo! Tem dois anos que nos conhecemos e eu sempre gostando dele em segredo, como eu sou otária.
- É, tem raz... ai, quer dizer... imagina, você não é otária! Só um pouquinho tímida e medrosa. Mas não fica assim não, porque vamos nessa festa e eu sei que estaremos
lindas!
null deu um meio sorriso e elas entraram na sala.
Dia da festa!
- null, me empresta aqueles seus brincos de ouro branco que eu adoro?
- Claro, pode pegar! O que você acha se eu usar aquele colar que ganhei no meu aniversário de quinze anos? Ele era da minha avó, já te contei, né?
- Já! E eu acho que vai ficar perfeito! Coloca, você não usou ainda desde que ganhou! E toma, coloca também essa pulseirinha que eu te dei ano passado, por coincidência
ela combina incrivelmente com o colar da sua avó!
- É, tem razão! – null pôs as jóias indicadas pela amiga. – Olha, o táxi chegou! – ela se aproximou da janela de seu quarto.
null se arrumou lá também, uma ajudou a outra a escolher roupa e etc. Ao se aproximarem da porta da sala,
null se virou pra null.
- null, cadê a sua mãe? Não a vi a tarde toda... – estranhou a ausência da senhora null que
sempre fora tão atenciosa com as visitas, principalmente com ela que frequenta a casa desde criança.
- Deve estar trancada no quarto, eu falei que ela está estranha... – null deu de ombros e abriu a porta.
Ao chegar na casa de null, null desceu do táxi guardando na bolsa o pequeno espelho
onde se olhou a cada três minutos durante o caminho. Haviam algumas pessoas no gramado em frente à casa e a porta estava aberta. As duas foram entrando e olhando
tudo ao redor, observando as pessoas, até que surge um null extremamente lindo e bem vestido na frente delas.
- Oi! Que bom que vieram! – ele disse sorrindo e cumprimentando as duas. – Venham, lá no jardim está mais animado. – null
pegou null pela mão e saiu puxando, ela por sua vez puxou null.
- Uau... – foi o único que null pôde dizer ao ver como o lugar era grande e estava bem decorado.
- Gostaram?
- Sim! – null respondeu entusiasmada.
- Você gostou, null? – Ele se dirigiu à null que parecia estar numa espécie de transe.
- Claro, está tudo muito bonito! – ela corou e viu que ainda segurava a mão dele, ele também viu, os dois se soltaram e sorriram sem graça.
- Erm... Bom, eu preciso continuar recebendo os convidados. Se divirtam bastante, ok?!
- Tá, null! Obrigada... – null foi interrompida pelos cutucões nervosos que
null dava em seu braço. – O que deu em você? Pára com isso, inferno!
- Cala a boca e olha quem está ali! – null apontou com o olhar e logo null entendeu o ataque
epilético da amiga, era o professor Chris!
- Nossa! O professor de química!
- OMFG! Não sabia que ele vinha! Se eu soubesse tinha me produzido mais!
- Mais?! Não viaja null, você já está linda!
null estava com um vestido preto de frente única de comprimento até o joelho, cabelo preso num rabo de cavalo deixando os belos
brincos à mostra e pra completar uma rasteirinha.
- Estou mesmo?! Ai obrigada, você também ficou demais!
null usava um vestidinho jeans tomara que caia, cabelo solto, seu lindo colar no pescoço e uma sandália de salto plataforma.
- Vem, vamos dançar! Tira o olho um pouco do Chris, até porque ele agora parece ocupado! – null se referia à conversa que Chris
estava tendo com uma garota, os dois estavam bem próximos.
null saiu fuzilando o casal com os olhos.
Naquele momento estava tocando Satisfaction do Benny Benassi, fazendo todo mundo se animar. As duas amigas gastaram horas dançando como se isso afastasse todos os
problemas. Até que null sentiu que precisava parar de pular por um tempo e foi pegar algo pra beber, enquanto isso um garoto que
null não sabia o nome, mas já tinha visto pelos corredores da escola, se aproximou e começaram a dançar juntos.
Chris andava depressa entre as pessoas, esbarrou em alguns caras e em seguida entrou na casa. null observava tudo enquanto
bebia um licor de cereja... Momentos depois, ela avistou seu lindo Chris chegar na varanda de um dos quartos, que ficava praticamente acima da piscina, tanto que alguns
bêbados haviam acabado de se jogar de lá. A menina viu ali, uma ótima oportunidade, não pensou duas vezes e foi atrás de seu sonho. Ela chegou e o avistou de costas,
apoiando os braços no murinho de gesso, como quem está pensando na vida.
- Oi! Esperando alguém? – ela disse chegando ao lado dele.
- Não eu... só vim pensar um pouco!
- Está tudo bem com você? Eu te vi parecendo um tanto desesperado lá embaixo, aconteceu alguma coisa?
- Ah, aquilo? Quando eu sai correndo? – ele perguntou sorrindo. – Não, não... Eu subi rápido porque queria impedir aqueles idiotas que estavam dizendo que iam subir aqui
pra pular na piscina, mas por sinal eu falhei! – eles olharam pra baixo e os dois garotos bêbados ainda estavam lá na água.
- Ainda bem que não se machucaram, não é?! – null soltou o seu melhor sorriso colgate e viu que o professor a olhava de um jeito
que nunca olhou.
- É... Está gostando da festa?
- Sim! Mas eu não imaginava que você viria.
- É, o null é um garoto legal, só ele mesmo pra chamar um professor!
- Oh não... Não foi por isso que eu disse! É que se eu soubesse da sua presença eu caprichava mais no visual, sabe... – null se
aproximou dele e deu um meio sorriso quando viu que ele corou um pouco.
- Imagina, você está linda! – Agora foi a vez dela corar e ele sorrir.
De repente, as batidas da música psy que tocava cessaram e deram lugar a uma música suave, a primeira música calma da noite.
Lá no jardim, null ainda dançava com o mesmo menino, só que agora ele se aproximou e a tomou em seus braços.
I'm one man to make a difference
I'm one soul all persistence
In a dark world, just trying to make things right, yeah
Choices we weren't given
Any heroes and our decision
Is to stand up and fight for ourselves
To be free
Is all we want to be
When everything seems so far out of reach
But I know, no matter where we go
I'll never stop believing in me
null encostou sua cabeça no peito do menino que ela agora sabia o nome – Peter, do segundo ano B – e fechou os olhos imaginando
que podia ser o null no lugar dele.
Woke up bent and broken
Just to find that fate has spoken
And I call out I call out for change
For every moment that remains
For every sinking stone to find its place
Long before they're washed away
Ao acabar de pensar isso, sentiu uma leve vibração nos braços que a envolviam, abriu os olhos e levantou a cabeça. Viu que Peter estava sendo cutucado por
null! Peter cedeu null para null e foi procurar
outro par pra dançar depois que olhou pra ela e viu o sorriso bobo que se instalou na face da menina ao ver null atrás dele.
To be free
Is all we want to be
When everything seems so far out of reach
But I know, no matter where we go
I'll never stop believing in me
Os dois estavam dançando juntinhos. null voltou a fechar os olhos, suspirando cada vez mais fundo como se quisesse aproveitar todo
o aroma do perfume no pescoço de null. Ele por sua vez, envolvia seus braços na cintura dela como se quisesse prendê-la para
sempre, e sentia o perfume delicado que vinha de seus cabelos. Aquela música do The Calling acabou e começou outra, eles nem perceberam. [n/a: ouvir ‘meet you
there’ do simple plan vai dar mais emoção enquanto você se imagina na cena... e eu sei que você deve tê-la jogada por aí em alguma pasta!]
Now you're gone
(Agora que você foi embora) I wonder why you left me here
(Eu me pergunto por que você me deixou aqui) I think about it on and on,
(Eu penso nisso sempre) and on, and on, and on again
I know you're never coming back
(Eu sei que você nunca vai voltar) I hope that you can hear me
(Espero que você possa me ouvir) I'm waiting to hear from you
(Estou esperando pra ouvir de você) Until I do
(Até que eu faça)
You're gone away
(Você se foi) I'm left alone
(Fiquei sozinho) A part of me is gone
(Uma parte de mim se foi) And I'm not moving on
(E eu não consigo superar) So wait for me
(Então espere por mim) I know the day will come
(Eu sei que o dia chegará)
Na verdade, eles perceberam sim a música e estavam impressionados como aquela letra se identificava com o momento, ele tendo que ir embora, uma despedida onde
tanto ele quanto ela sentiam que esperaram demais pra mostrar o que realmente guardavam dentro de si mesmos...
I'll meet you there
(Eu te encontrarei lá) No matter where life takes me to
(Não importa pra onde a vida me leve) I'll meet you there
(Eu te encontrarei lá) And even if I need you here
(E mesmo que eu precise de você aqui) I'll meet you there
(Te encontrarei lá)
I wish I could have told you
(Eu gostaria de ter te dito) The things I kept inside
(As coisas que guardo dentro de mim) But now I guess it's just too late
(Mas agora acho que é muito tarde)
So many things remind me of you
(Tantas coisas me lembram de você) I hope that you can hear me
(Espero que você possa me ouvir) I miss you
(Sinto sua falta) This is goodbye
(Isso é adeus) One last time
(Pela última vez)
(...)
null sentiu os lábios de null passeando suavemente pelo seu pescoço, isso fez com que seu
coração virasse uma bateria de escola de samba e um frio gostoso tomasse conta do estômago. Ela então se afastou um pouco pra poder olhar o rosto dele, mesmo assim,
estavam ainda muito próximos e logo a respiração um pouco ofegante dos dois fazia cócegas nos lábios um do outro. null afastou
alguns fios de cabelo que o vento acabara de soprar no rosto dela, com muita delicadeza tocou seu queixo e encostou a boca na dela. Depois ele passou a língua em seu
lábio inferior sentindo o gosto do protetor labial de morango. null abriu a boca e deu passagem para que a língua dele se
encontrasse com a sua, fazendo-a se sentir como se estivesse tirando os pés do chão.
(…)
I'll meet you theeeeere...
And where I go you'll be there with me
(Pra onde eu for você vai estar lá comigo) Forever you'll be right here with me
(Você vai estar comigo pra sempre)
I'll meet you there
No matter where life takes me to...
Os braços de null a envolviam com firmeza, pressionando-a cada vez mais contra o próprio corpo. Ela segurava a nuca dele com
uma das mãos e deslizava pelas costas dele com a outra.
...I'll meet you there
No matter where life takes me!
I'll meet you there
and even if I need you
I'll meet you there
(I'll meet you, I'll meet you, I'll meet you)
I'll meet you there
(I'll meet you, I'll meet you, I'll meet you)
I'll meet you there
O beijo durou até aquela música acabar. Eles abriram os olhos, null se sentiu voltando ao chão novamente,
null sentia como se várias joaninhas estivessem andando dentro da barriga, ele não sabia explicar aquela sensação toda e nem o
porquê de ter esperado tanto pra fazer isso. Não queria gostar de alguém justo agora que estava indo embora. Os dois continuavam se olhando, mas uma tontura tomou
conta dele fazendo a visão se tornar escurecida e ele quase caiu pra um lado. Lembrou-se que a única coisa que comeu o dia inteiro foi uma garfada num macarrão
instantâneo, que nem teve tempo de comer todo por conta dos preparativos com a festa. Ele recuperou o equilíbrio depois de cambalear um pouco.
- Tudo bem? – null segurou um dos braços dele.
- Erm... No-nossa... Manda parar de rodar! – Ele não estava mais tonto, mas começou a se fingir de bêbado.
- null, você já deve ter passado da conta hoje, não é?
- Ai... Me solta, você não é minha mãe! Bebi mesmo, essa é a minha despedida, caraíí!
- Claro... Nem deve saber o que está fazendo... – ela afirmou mais pra ela mesma, num tom de voz triste.
- Sei sim! Eu estou me despedindo da minha escola pegando o máximo de gostosinhas fúteis que eu puder!
null não achou essa última frase muito agradável e sentou a mão no rosto dele.
- Você não passa de um estúpido, null null! – ela gritou com ele e saiu furiosa por uma
direção qualquer, andando rápido e se trombando com todo mundo, só enxergava borrões à sua frente. ‘PQP! Parabéns otária, por que não viu que ele estava bêbado
antes?!’ ela pensava.
null ficou parado sentindo seu rosto formigar no local do tapa. Encerrou a encenação de bêbado e não sabia por que agiu assim,
mas sentiu que era melhor, sempre quis ficar com aquela menina e quando consegue, está prestes a se mudar de cidade! Se amarrar mais a ela o faria sofrer depois que
estivesse distante e sem poder vê- la. [n/a: ownn que fofo xp]
Enquanto tudo isso acontecia lá embaixo, null continuava na sacada com Chris, e... sim! Ela o beijou! Chris passeava com as mãos
pelas costas nuas dela, enquanto ela desabotoou alguns botões da camisa dele e alisava aquele peitoral malhado com uma das mãos e com outra mão baguncava os cabelos
loiros dele. De repente, ele rompeu o beijo quando sentiu que estava ficando muito intenso, um sentimento de culpa tomou conta dos pensamentos dele.
- Desculpa! – ele olhava pra ela assustado e ofegante – Não era pra eu ter...
- Não precisa se desculpar. Você não gostou? Eu gostei e... – ela o olhava e estava sem ar também, viu que a boca dele estava com tons de rosa por causa do batom
dela.
- Claro, gostei sim! – os dois estavam sem jeito, principalmente ele por ser o professor dela e a conhecer desde a sexta série – Mas isso foi errado! Você é minha aluna! E é
menor de idade, se descobrem isso, acabam comigo!
- Você é meu professor lá dentro do colégio, aqui você é o Chris! Ninguém precisa saber da sua vida fora dos limites da escola!
- Erm... Tenho que ir! – ele abotoava os botões da blusa com um certo nervosismo, depois deu um beijo na testa dela e saiu apressado.
null chegou na frente da casa com o celular na mão pra chamar o táxi que a levaria de volta pra sua casa. Sentou numa escadinha
depois da porta, ela não se conteve e deixou umas lágrimas ardidas cairem pelo rosto quente. null estava procurando por ela dentro
da casa e então mandou um sms.
! Onde você está criatura?!
Estou te procurando pela casa toda, xuxu!
Não me diga que está em algum quarto!
null.
null respondeu que estava na porta da saída e a amiga logo chegou, se sentando ao lado dela.
- Ué, por que você veio... Caramba dude, está chorando?!
Ela não respondeu nada, só abraçou null que ficou sem entender porcaria nenhuma.
- Por que tem que ser assim?! Quero ir pra casa! – ela finalmente falou alguma coisa se afastando do abraço e passando as mãos pelo rosto – Dorme lá essa noite?
- Claro, tudo bem... Você vai me contar o que aconteceu, não vai? Foi o null?
- Calma, quando chegar lá eu te conto... Se eu for contar agora só vou me irritar mais!
null compreendeu e as duas ficaram em silêncio esperando o táxi, que logo chegou e quando elas caminhavam em direção à ele,
null apareceu na porta. Ele vinha correndo porque se arrependeu da ceninha que fez, queria dizer alguma coisa. Mas as meninas
já estavam entrando e o carro arrastando.
Chegaram na casa de null, ela foi direto ao seu quarto e desabou de bruços na cama.
- E então? Vai me contar agora o que aconteceu e por que veio o caminho todo calada?
- Vou... – a garota se ajeitou sentando na cama. – Foi assim... – ela relatou tudo nos mínimos detalhes enquanto null fazia altas
caras e bocas.
- Nossa, que viadinho! Pelo menos ele te acha gostosinha... – null falou e null lançou um olhar
mortal pra ela – Calma, relaxa... Ainda bem que ele vai se mudar, senão eu ia cobrir ele de porrada! – null fez gestos exagerados
simulando uma briga com o travesseiro fazendo a amiga rir descontroladamente.
- Acho que você já deu nocaute no meu travesseiro! Só você pra me fazer rir... Mas me conta, ficou com alguém?
- Sim! E eu te dou três chances pra adivinhar!
- Hum... O Tyson!
- Aquele magrinho dos olhos azuis, da nossa sala?
- Sim, ele queria ficar com você!
- Mas eu não... Pensa! Quem é a única pessoa que eu amo nesse mundo?
- Ah... Não, não é possível!
- É possível SIM!
- VOCÊ FICOU COM O PROFESSOR? QUE VACA! – null gritou rindo.
- Shhhh! Cala a boca, porra! – null tampou a boca da amiga colocando uma almofada na cara dela. – Se a sua mãe escutar vai
pensar o que de mim?!
- É que é incrível! Não acredito!
- É eu sei! – null deu um sorriso bobo, abraçou a almofada de estrelinha azul que segurava e deixou o tronco cair pra trás, ficando
deitada na cama. – Foi mesmo incrível e ele tem uma pegada que eu nem te conto!
- Mas quem foi que beijou primeiro?
- Eu, claro!
- E o que ele disse depois?
- Bom... – null levantou e voltou a ficar sentada ao lado de null – Aí chegou a parte em que
ele ficou todo sem graça e foi embora.
- Sério?! Que retardado, será que ele não gostou de ter ficado com você?
- Ele disse que gostou mais que estava errado e você sabe, todo esse papo...
- E agora? Tipo... daqui pra frente?
- E agora é que eu vou mesmo partir pro ataque, ele que me aguarde, filha!
- Ohh! – null tampou a boca com uma mão – Que amiga mais piranha que eu fui arranjar! – e jogou outra almofada no rosto da
amiga, começando uma guerra boba entre a almofada de estrela e a de coração. Ao fim da guerrinha, null se levantou e foi ao
banheiro. De repente null ouve um grito lá de dentro.
- OH MY FUCKING GOD!
Ela então se moveu rapidamente até a porta e abriu com medo, imaginando que devia ter algum inseto asqueroso lá dentro.
- O que foi que aconteceu, null? Por que esse escândalo todo?
- Eu... eu... – null passou pela porta onde null estava de pé sem entender nada – Eu... Perdi
minha pulseira! – e começou a apontar para o pulso vazio onde devia estar a pulseira que ganhou de null.
- Céus! Vamos procurar, deve estar aqui no quarto, provavelmente se soltou durante a nossa guerra de almofadas!
Elas reviraram todo o quarto, sem nenhum sucesso. Depois tiveram a idéia de procurar pelo caminho que null fez ao entrar na casa
e se dirigir ao quarto. As duas desceram as escadas olhando em cada degrau, em cada cantinho, até chegarem ao fim da escada e continuaram, chegando na porta da rua,
que elas abriram pra olhar lá fora. Chegaram até a calçada sem encontrar nada.
- E foi aqui que eu desci do táxi.
- Pode ter caído no carro, ou... na casa do...
- null! – null completou a frase da amiga e elas se entreolharam assustadas.
Capítulo 3 – What's McFly?!
Abril de 2005
- E aí, foi bem na prova de química?! – null perguntou com um risinho sarcástico.
- Ao contrário do que você pensa, eu não fui muito bem. – null estava nervosa e bateu a porta do armário da escola, onde acabara
de guardar alguns livros.
- Não aconteceu mais nada depois daquele dia na festa, não é?
- Pior que não... Mais de um ano que ele foge de mim que nem cascão da chuva!
- E logo na matéria dele você pega e vai mal...
- O pior é que não dá pra entender como eu fui tão mal assim nessa prova! Estudamos juntas, estudamos pra caramba, lembra?
- Lembro... Acho que você vai pegar recuperação, ou aulas de reforço, sei lá...
- É, tô mesmo ferrada... Mas deixa pra lá! E aí, já foi conhecer o namorado da sua mãe, como é mesmo o nome dele, Renê?
- Nada a ver! É Robert! R- o- b- e- r- t! Eu fui sim, ele é legal. É viúvo e tem duas filhas. Uma é da nossa idade, se chama null e a
outra é um ano mais nova, se chama null.
- E o que você achou deles todos?
- Assim, a primeira vista eu gostei de todo mundo!
- Que bom! E o seu pai como está?
- Hoje faz uma semana que ele foi morar no Canadá...
- Ah, não faz essa carinha triste não. Lembra que pelo menos você vai ter um lugar pra ficar se um dia resolver conhecer a terra da Avril Lavigne!
As duas já estavam próximas da saída quando null sentiu um cutucão no ombro.
- Você é a null do segundo ano, né? Pediram pra te entregar. – Um menino que parecia novinho, com uns treze anos, entregou um
pequeno papel dobrado à ela e saiu. As duas se entreolharam, já desconfiavam de quem seria.
Outubro de 2006
- Não vejo a hora de terminar a escola! – null largou a mochila num canto da mesinha da sorveteria e sentou-se.
- Também! E quando eu não estudar mais lá, eu e Chris vamos poder assumir o namoro à vontade!
- O negócio está ficando sério, hein... Hoje vocês se encontraram escondidos de novo?
- Sim! Sabe aquela sala que guardam umas coisas velhas e ninguém vai porque todo mundo diz que já encontraram o corpo de uma mulher lá dentro?
- Sei, nunca fui lá mesmo!
- Então... Ele me levou lá hoje!
- Sério?! É muito assustador lá?
- Que nada menina! Só o caminho pra chegar lá que é meio feio, tem que subir umas escadas e tal... Mas entrando lá é uma sala normal com alguns materiais velhos das
aulas de educação física num canto e uns objetos quebrados do laboratório de química no outro e tem até um sofá!
- Sei... sofá! Então vocês ficaram ali só no sofazinho, huh!
- Não pense besteiras, sua perva! Não fizemos nada demais! Ele foi um fofo, me pediu desculpas por termos que ir naquele lugar, mas disse que me chamou ali porque não
agüentava mais de saudades e o fim de semana está muito longe...
- Quem diria que aquelas aulas de reforço duas vezes por semana iam dar nisso, han!
- Pois é, eu ainda não acredito... Quando ele me confessou eu fiquei puta! Corrigiu minha prova errada só pra eu ser a única da sala a precisar de aulas de reforço! Mas
depois eu perdoei, já que ele disse que não ia deixar minha nota ficar prejudicada e que só fez aquilo pra ficar perto de mim! – null
contava e seus olhos brilhavam cada vez mais.
- É... A história de vocês é mesmo incrível.
- O que foi? Te achei meio distante agora!
- Não, é que eu estava pensando... Semana que vem, dia 28, faz quatro meses que Peter me pediu em namoro!
- Own que lindo! O que vocês estão pensando em fazer?
- Eu ainda não sei, preciso pensar em algo legal!
- null.
- Diga.
- Assim... Lembra que você era vidrada no null, e... tipo...
- Sei, você está querendo perguntar se ainda lembro ou gosto dele?
- Uhum.
- null é passado null. Faz muito tempo que não tenho nem notícia dele. E o Pete é muito
especial, eu não ficaria com ele gostando de outro.
- Que bom amiga! O Pete é bonito e romântico! Lembra quantos bilhetinhos ele te mandou ano passado, até descobrirmos que era ele e vocês começarem a ficar!
- É... Ah, mas mudando de assunto, daqui algumas semanas vai ser a festa de aniversário da null. Você vai, né? Olha, já tem um
tempão que eu tô te avisando e você não disse nada!
- Ai, não sei... Eu só vi essa menina um dia, no casamento da sua mãe com o Robert.
- E o que é que tem?! Aproveita pra conhecer mais, ela é tão legal.
- Mas eu não conheço o jeito dela, não sei o que dar de presente!
- Eu conheço um pouco... Posso ir com você comprar o presente, vai ser divertido!
- Hum... Ok! Vamos amanhã a tarde então?
- Por que não pode ser hoje? Já estamos aqui na sorveteria mesmo...
- Prometi pra minha mãe que ia chegar cedo hoje...
- Hum... Então tá bom amanhã. – null fez uma pausa enquanto olhava pela janela da sorveteria e saboreava seu sorvete de
chocolate. Quando voltou a ter a boca livre pra falar, lembrou de uma coisa – null, sabe quem vai sair de Bedford pra vir na festa da
null?
- Hum? – null virou pra ela como se estivesse despertando de um transe.
- null.
- Seu primo?
- É!
- Ahn...
- Ele vai vir pra conhecer mais as novas primas que ainda não teve tanto contato, mas principalmente pra te ver!
- Me ver pra quê?!
- Já faz um tempo que ele não aparece por aqui, falou que estava com saudades da gente, ué! E você sabe que ele gosta de você!
- Não viaja null... – null sorriu e passou a mão pelo cabelo, ela sempre ficava um pouco
ansiosa ao falar do primo da null.
- Ele está com uma banda!
- Ah é? Que instrumento ele toca?
- Cabeça de pudim! Esqueceu que da última vez que fomos na casa dele ele tinha comprado um(a) null e estava aprendendo a
tocar?!
- Ahn é verdade... Tinha esquecido, deve ter uns quinhentos anos isso!
- Pois é, ele já deve estar tocando super bem!
- Hum… nulls costumam ser sexys!
- Gosto dos nulls!
- Rá! Você diz isso só por que null tinha um(a) null! Depois diz que não esqueceu
dele...
- Nada a ver! Você gosta do null por acaso? Ele tem um(a) null e você vive dizendo que
não gosta dele... A não ser que você esteja mentindo!
- Eu não tô mentindo! Não sou a fim dele mesmo!
- Então eu também não tô mentindo!
- Certo, que seja... Como chama a banda do seu primo?
- McFly!
- Tem a ver com o McDonald's?
- Também perguntei isso quando ele me contou! Mas não é não, tem a ver com um filme onde tem um cara chamado Marty McFly.
- É em De Volta pro Futuro?
- Uhum... Esse filme me faz lembrar do meu pai, quando eu tinha uns nove anos, quase todo sábado assistíamos... Falei ao telefone com ele hoje, vai se casar ano que vem
com uma canadense, Keleitha.
- Você gostaria que ele e a sua mãe voltassem?
- Sinceramente? Não. Ela está muito mais feliz agora e eu tenho que reconhecer que ele foi um canalha com ela... Enganou a pobrezinha durante seis anos com uma
amante ordinária, safada e vagabunda filha da mãe que depois ele largou também!
Dias atuais. Bedford. Casa do null.
- Sinceramente? Não acredito que isso exista! – null falou jogando uma bolinha de ping-pong pro teto.
- E por que você acha que tantos casais ficam juntos? – null ergueu uma sobrancelha.
- Porque eles são pacientes! Sério cara... Eu acho que amor é uma coisa que Deus inventou só pros seres humanos se reproduzirem. – null ainda brincava, mas deixou a bolinha cair no chão – Podemos dormir com milhões de mulheres e ter as mesmas sensações com todas.
- Diz isso porque nunca amou... Você é um fútil, dude! – null riu e deu um tapinha nas costas dele.
- A diferença está aí! Não se resume a apenas isso, a hora da transa, a diferença está no que acontece depois. – null falou com
cara de sábio.
- O que? Quando viramos pro lado e dormimos? – null perguntou como se fosse óbvio.
- Não exatamente... Por acaso null, quando você leva pra cama uma garota que conheceu na boate, e sem mais nem menos
acorda enquanto ela ainda dorme, gosta de ficar observando a garota dormir, como se aquela fosse a paisagem que você sempre quis ver na vida? – perguntou
null.
- Claro que não! Por que eu vou olhar uma pessoa que está de olhos fechados, sem fazer nada e provavelmente babando no meu travesseiro?!
- Humpf... Como imaginei. – null suspirou rolando os olhos e voltou a encarar null – E por
acaso você já acordou antes dela numa manhã e sentiu uma vontade incontrolável de trazer um café pra ela?
- Não... Senti uma vontade incontrolável de acordá-la pra ela ir embora e eu poder ir pra gravadora!
- Desiste null! null e null não têm sentimentos e
nunca amaram uma criatura sequer! Eles não devem conseguir dizer 'eu te amo' nem para as mães deles! – null riu e tomou um
gole de Gatorade.
- Não é verdade! – null cruzou os braços indignado – Não sou nenhum sem-sentimentos! E você, está falando o que aí? Nunca te ouvi
dizer que ama Delilah!
- Ahn... A Lilah é legal e hot! Gosto dela, mas é outra coisa, dude. Amei uma garota e pensava nela a cada segundo... Mesmo que indiretamente, tudo que eu fazia era por
causa dela, pra agradar, pra impressionar, pra chamar a atenção... Sabe, é como pegar um ‘gostar’ e multiplicar várias vezes!
- Nossa! Pra ele ficar assim, ela deve ser várias vezes mais gostosa que a Lilah! – null deu uma cotovelada em
null, que concordou sorrindo idiotamente.
- Vocês não entendem! – null jogou uma almofada em cada um, null só assistia, bebendo
cerveja. – Não gira tudo em torno da forma física, saca? Isso é só uma casca... concordo que no caso daquela garota, era uma casca muito, muito boa! Mas isso
não vem ao caso porque não é o mais importante, entendem?
- Não. – null e null se entreolharam e responderam juntos.
- Esquece eles! São uns insensíveis, mas ainda vão aparecer mulheres que darão jeito nesses cavalos! E um dia eles vão concordar conosco em tudo o que dissemos agora!
– null olhou pra null, que afirmou com a cabeça – Mas mudando de assunto, preciso ligar
pra minha prima! A minha mãe quer que chame as três pra passar férias aqui!
- Hmm, as primas! – os outros três se entreolharam com risinhos safados e null desenhava com as mãos no ar o contorno de uma
silhueta feminina.
- Parem com isso, seus animais! – null pegou bolinhas de ping-pong, raquetes e tudo mais que estava em cima da mesinha pra
tacar neles – Mais respeito, ok? Não esqueçam que eu vou matar o primeiro que sacanear uma delas!
- Sossega, dude! Só estamos zoando!
- Acho bom null! – null apontou pra eles e virou de costas. Instantaneamente os três
voltaram a sorrir – E tratem de apagar esses sorrisinhos bestas que eu sei que estão dando!
- Alô. – null precisou atender, estava sozinha em casa e teve de disfarçar a voz de choro.
- null? Tudo bem?
- Sim. É o null?
- Não, é a rainha... Claro! Pára de me enganar null, eu te conheço, você está chorando! O que foi que te fizeram?
- Ah null, por que você tem que ser tão esperto, hein? – agora ela parou de disfarçar e deixou a voz triste sair.
- É de família... Mas me diz aí vai, o que te deixou assim?
- O Pete... Lembra do meu namorado, Peter?
- Sim, vocês brigaram?
- É, na verdade terminamos...
- Por que? O que aconteceu? Fala logo!
- Lembra que ano passado ele foi estudar em Oxford, e que continuávamos nos vendo só em alguns finais de semana?
- Uhum.
- Então, chegou uma carta aqui ontem... Eu estranhei ele ter mandado carta ao invés de e-mail como sempre, mas aí eu li e tipo ele estava contando que não dá pra
continuarmos porque ele está gostando muito de uma colega da sala dele e tinha até um CD no envelope com algumas fotos e gravações deles dois se divertindo num
parque.
- Mas que filho da mãe!
- Nem me fale... Quem ele pensa que é? Por que ele precisava esfregar na minha cara que está com outra e mandar até vídeos deles felizes juntos? Será que ele não
pensou em como eu ia me sentir?!
- Claro que não, claro que não pensou! Mas calma guria, esquece essa biba! Você podia vir aqui pra casa, eu te liguei justamente pra isso, te convidar pra passar as férias
aqui, já que o McFly também ganhou uma folguinha de presente!
- Será null?! Hm... Não sei.
- Por que não?! Vai ser divertido e você aproveita pra sair dessa fossa que o idiota do Peter te deixou!
- Vou pensar null, amanhã te ligo. Beijo!
- Certo, beijos e melhoras.
null desligou e voltou pra sentar no sofá, empurrando antes os pés de null que estavam
em cima do acento.
- Que houve com a sua prima? – null perguntou se ajeitando no sofá depois de quase ter caido.
- O namorado terminou com ela.
- Qual delas era ao telefone? Não me lembro de nenhuma delas dizendo que tinha namorado! Elas mentiram? – null ficou
confuso.
- Não, inteligência! Acontece que você não conheceu essa que eu conversei agora! Se chama null e não veio junto com as outras
duas no réveillon porque tinha viajado, justamente pra ficar com esse namorado, o Peter, que está em Oxford.
- Ahn sim, você já tinha falado da null. – null lembrou.
- Pois é... Ela não merecia isso! O cara terminou com ela sem mais nem menos, pelo que eu entendi. – null falou cabisbaixo e
null o olhou com um sorriso malicioso.
- null... Me diz uma coisa, você e ela já... err... você sabe, deram uns pegas?
- Que pergunta é essa null?
- Sei lá, só pra saber... Mas e aí?
- É, já... Pra falar a verdade, minha primeira vez foi com ela – null falou naturalmente e todos o encaravam com a boca aberta.
null começou a rir e tacar mais coisas neles, que se defendiam como podiam.
- Claro que não, suas hienas gays! Não foi com ela e nunca tive nada com ela se querem saber! – ele gritava e ria ao mesmo tempo.
Enquanto isso, null deitou no sofá depois de ter desligado o telefone e null chegou em
casa cheia de sacolas.
- Oi null, como foram as compras?
- Ótimas! E você, andou chorando ainda? Calma, porque vai passar, tá bom! Ele é só um idiota que não te merece... Mas olha! Dá uma olhada nisso que comprei pra você! –
null estendeu uma sacola pra ela, dentro tinha um vestido azul claro, que null desdobrou e
ficou alguns segundos admirando.- Quando eu vi na vitrine, tive que comprar! Achei a sua cara! O que achou?
- Caramba null! Ele é lindo! Obrigada! – null começou a pular e deu um abraço na irmã. É,
elas se chamavam assim, mas na verdade eram amigas.
Minutos depois, null também chegou. Ela tinha ido apenas à locadora. Quando as três estavam reunidas,
null perguntou sobre as férias de julho que já começavam à partir da próxima semana.
- Meninas, o que vocês acham de passar as férias em Bedford?
- Na casa do null? – null perguntou sentando no sofá.
- É, ele ligou agora pouco convidando. – null sentou ao lado dela e pegou o controle da TV, que estava no chão, pra por em cima
da mesinha.
- Olha, podia ser legal! Fomos lá no fim do ano passado pro réveillon, lembra null?
- Lembro! Foi muito bom, conhecemos os caras da banda do null! Pena que você não foi null!
- É, viajei pra passar o réveillon com o... Peter. Já faz anos que não vou ver o null porque ele está sempre em turnê e eu sempre
com aquele imbecil! Nem acredito que não fui capaz de pelo menos conhecer a banda do meu primo enquanto perdia meu tempo com Pete!
- Ah, não volta a lembrar dele não! – null falou também se sentando no sofá – Você ainda não conheceu os colegas de banda do
null, eles são lindos, aposto que você vai gostar de algum deles!
- Uhum! Só evita gostar do null... – null olhou pra null e deu risada. – Senão a null é capaz de te jogar pela janela!
- Hum... Então é assim, fica apaixonada e nem me conta nada?! Já pensou se a null não me avisa e eu chego lá e gosto justamente
desse tal de null?
- Essa menina está inventando, você não sabe que ela é uma paranóica? – null estava visivelmente irritada e jogou uma almofada na
irmã.
- Ah! Eu inventando?! EU? Me diz se eu inventei todas as 50 mil vezes que você disse que ele estava lindo!
- Ok! Eu confesso, ele é mesmo lindo, gostoso, hot, é o cara mais sexy da face da Terra, mas nós não passamos de amigos!
- Sei... Isso porque só ficamos lá uma semana! Queria ver se fosse mais!
- Claro que não, larga de ser retardada... Não quero nada com ele. Você e a null podem ficar com ele esse mês todinho que eu não
ligo.
- Não, muito obrigada, não estou a fim de ser jogada pela janela, a casa do null é alta demais! Quem sabe uma outra vez... –
null levantou as mãos à altura dos ombros.
- Ah não... Agora que eu lembrei! – null falou se levantando e apontando o dedo pra null –
Tem um lá que combina muito com você e não é o null!
- É mesmo, e é lindo! – null balançava a cabeça freneticamente, mas depois parou e fez uma cara desanimada – Ahn, mas ele tem
namorada!
- Ah, é verdade. A garota enjoada! – null fingiu que ia vomitar
- Como é o nome dele? – null quis saber.
- Ai... – null levou a mão à testa. – Não tô lembrando... Ajuda aí null, como é o nome dele
mesmo?!
- É null, retardada! – null jogou outra almofada em null, que não conseguiu escapar, então já ia jogar de volta quando null entrou em choque.
- null?! Você disse null?!
- Disse ué... Por que?
- É que eu... eu... – ela começou a gaguejar [n/a: 0o que fraqueza!] – É que eu amei muito um menino que tinha esse nome.
- Aah null, fala sério! – null e null gritaram quase
juntas e jogaram almofadas nela.
- Quantos nulls você acha que existem por aí?! – null falou se jogando no sofá
novamente, quase em cima de sua irmã, que lhe deu um tapa no ombro.
- Ah, eu sei lá, é que quando vocês falaram de repente eu me assustei, mas tudo bem, já passou!
Elas ficaram em silêncio por alguns instantes e logo null olhou pra null e perguntou
pensativa: – E o null, null?
- Como assim, o que tem o null?
- Como 'como assim?!'? Tô perguntando se você e ele já... Você sabe, tiveram alguma coisa, alguns pegas sei lá!
- Alô?! null, ele é meu primo!
- Por isso mesmo, oras! Contato constante, desde crianças, ele um cara lindo, etc e tal... Normal você e ele se amassarem de vez em quando!
- null! – null arregalou os olhos, sorriu e cruzou os braços – Tenho medo de você, sabia?
Principalmente depois dessa! O null é como um irmão pra mim! Ele é lindo mesmo porque puxou a mim! – Nessa hora levou mais
uma almofadada de null, que protestou.
- Se ele é mais velho que você como pôde ter puxado a você mongol?
- Ah, você entendeu o que eu quis dizer! Mas como eu ia explicando, nunca passou pela minha cabeça de ficar com o null porque
ele é o irmão que eu não tenho! Mas vem cá... Por que esse interesse subto no meu primo, hein? Posso saber qual das duas senhoras é a fim dele?
- A null não é porque como eu disse, ela só gosta do null! Já eu, bom não fiquei a fim de
nenhum deles naqueles dias mas ficar com o null não seria nenhum sacrifício!
Enquanto null falava tudo isso, null olhava pra ela com uma pontinha de raiva. Não
queria ficar ouvindo toda hora que ela tinha gostado do null porque realmente não queria acreditar nisso.
Capítulo 4 – A caixa do Pete.
Uma semana se passou e já era segunda - dia de viajar pra casa do null e passar um mês longe de problemas! - Todo mundo
acordou cedo, embora só fossem sair de casa depois das onze da manhã... Isso é porque as meninas ainda não tinham terminado de organizar tudo o que queriam levar!
null separou numa caixa pra jogar fora todas as coisas que lembravam Pete. Era uma caixa de papelão verde, ali continham diversas
coisas até mesmo aqueles bilhetinhos do começo do namoro.
- Já está com tudo pronto, null? É um mês inteiro, precisa de bastante coisa! – null
perguntou sentando em cima de sua mala pra ver se conseguia fechar.
- Minha mala já está pronta, antes de ir eu só preciso jogar fora uma caixa com coisas do Pete... – null falou de costas, vestindo um
agasalho. null olhou pra um canto e viu uma caixa rosa, mas null se referia à caixa verde
que deixou em cima da pia do banheiro.
- Meninas, venham fazer um lanche! Não estão querendo viajar de barriga vazia, estão? – a senhora null as chamava ao pé da
escada, logo null e null saíram de um quarto e null
saiu do outro. Tomaram chocolate quente com biscoitos e null terminou de comer primeiro, não estava sentindo um grande apetite
naquela hora. Subiu até seu quarto novamente, escovou os dentes, depois pegou a caixa com os ‘restos’ de seu namoro com Peter e a levou pra fora. Se sentando no sofá
da sala pra esperar as outras logo em seguida.
Robert ficou de levá-las até lá de carro, o mesmo ficou combinado na volta. Ele tirou seu carro da garagem e o deixou parado na frente da casa. Logo
null e null apareceram, colocaram as três malas - uma de cada menina - no bagageiro
e sentaram nos bancos traseiros do carro, só faltava null. A última saiu de casa carregando, além da mochila nas costas, a caixa
rosa que tinha visto no quarto de null instantes atrás, caixa que - pra ela - null havia dito
que jogaria fora. Então a garota depositou a caixa em cima de um dos latões de lixo que ficam em frente à casa e entrou no carro, se sentando no banco do passageiro
animada. O pai começou a ligar o carro logo depois que ela fechou a porta e Julie acenava da porta de casa.
- Oi gente, cheguei! null, você esqueceu de jogar a caixa do Pete fora, não é?! – ela virou pra trás enquanto colocava o cinto, viu
null com a cabeça inclinada pra trás, olhos fechados e fones de ouvido. Pegou um caderno no porta-luvas, arrancou uma folha, fez
uma bola e jogou na menina que despertou rapidamente num susto arrancando os fones de ouvido.
- Que é isso?! Ficou maluca?
- Tentei falar com você, mas você não estava nem aqui!
- Foi mal... O que você queria falar?
- Que você esqueceu de jogar a “caixa do Peter” fora e eu tive que jogar pra você, sua esquecida.
- Eu não esqueci! Joguei logo depois que terminei de me arrumar.
- Então por que aquela caixa ainda estava lá do lado da sua TV?
- Fala de uma rosinha?
- Sim!
- OMG! Você a jogou fora?!
- Joguei... Não era?
- Não! O caminhão de lixo vai passar na nossa rua hoje! – null falava olhando pra algum ponto fixo à sua frente e com a mão sobre o
peito. – Pára o carro!
Ao ouvir o grito desesperado de null, Robert freou bruscamente e a garota desceu correndo no sentido contrário ao que o carro ia.
Todos lá dentro se entreolharam sem entender nada!
O carro já havia percorrido alguns metros então a menina precisou correr um pouco. Ao chegar viu que o caminhão de lixo realmente já estava na rua, mas ela foi rápida e
pegou a caixa em suas mãos antes dos lixeiros com aquelas luvas sujas. Robert fez a volta com o carro e enquanto ela respirava aliviada apertando a caixa contra o peito,
viu o carro do padastro parando na frente da casa deles outra vez. Ela foi feliz e saltitante pra entrar no carro abraçando sua caixa como se fosse um baú do tesouro sob o
olhar confuso do rapaz da coleta de lixo que achou que ela devia ser maluca!
- Então você não ia jogar a caixa do Peter fora?! Que mentirosa! – null apontou o dedo pra ela assim que entrou no carro e fechou
a porta.
- Não sou mentirosa coisa nenhuma! Essa não é a ‘caixa do Pete’! Aquela é a caixa do Pete, animal! – null apontou pra janela onde
se podia ver um dos rapazes carregando uma caixa verde para o caminhão de lixo.
- E agora, podemos ir? – Robert se divertia com a situação.
- Podemos Bert!
- Você não quer subir e colocar essa caixa de volta no seu quarto?
- Não... agora que ela já está aqui, eu vou levá- la!
- Então se ninguém tem nada que possa impedir a nossa partida, vamos embora! – Robert ligou o carro e saiu logo antes que alguém inventasse outra coisa. Ele sem
sombra de dúvidas é um ótimo cara! null sabia que sua mãe estava feliz agora e isso a fazia gostar mais dele.
- Se essa não é a caixa do Peter, é a caixa de quem então?! – null perguntou depois de algum tempo com aquele olhar
desconfiado, se virando pra trás novamente.
- De ninguém! Aliás... Ela é minha, tem minhas coisas.
- Hm... Desculpa ter jogado ela fora.
- Desculpo sim, mas só porque eu consegui recuperar, senão eu ia te esganar! – elas riram e logo depois direcionaram seus olhares pra null, que não tinha dito nada até o momento e apenas olhava pelo vidro da janela com fones de ouvido. null
pegou um dos fones da orelha dela e pôde escutar “...you make it easy, it’s easy as 1, 2, 1, 2, 3, 4! There is only one thing to do, 3 words for you: I love you…” –
Hum... – null murmurou depois de recolocar o fone na orelha da outra, que manteve os olhos na janela como se nem tivesse
percebido que o som ficou ‘monofônico’ por uns instantes. Enquanto isso, null tratou de fazer outra bola de papel, que foi parar no
meio da testa de null, fazendo-a despertar um pouco de seu transe.
- Hey! Quem foi a criança-problema que fez isso?!
- Quem mais podia ser? Ela está virando a maniaca das bolas de papel!
- E vai acabar com as folhas do meu caderninho. – Robert entrou na conversa mas voltou a prestar atenção no trânsito complicado que se formara à sua frente.
- Não é isso, é que vocês ficam viajando ou dormindo sei lá, aí eu preciso fazer alguma coisa! – null se defendeu.
- Eu não tava viajando! Eu estava só... olhando pela janela. Posso? Dá licença? – null retrucou.
- Estava olhando pela janela, mas com aquela música que você estava ouvindo, com certeza não era nesse prédio feio que você estava concentrada! – observou
null.
- E eu sei em quem ela estava pensando, começa com null e termina com null!
- Não! Termina com null! – null respondeu rapidamente sem perceber a armadilha feita por
null.
- Hááá! Te peguei! É o null! – null esticou o braço e apontou o dedo na cara dela.
- Nãããão! Não era. Eu vou torcer esse dedo! – null pegou o dedo esticado que viu à sua frente e apertou com força.
- Aiai, me solta! Pai!
- Querem parar?! Vocês não têm mais idade pra isso! – Robert as repreendeu sem desviar o olhar da avenida.
A viagem toda prosseguiu assim. Às vezes todas ficavam quietas e logo null recomeçava a implicar com as duas meninas quando
estas pareciam distantes.
Enquanto isso, null estava em casa, havia acabado de acordar e estava arrumando umas últimas coisinhas antes das meninas
chegarem mais tarde. Até que alguém tocou a campainha e ele foi atender.
- Hey dude! Entra aí! – ele deu espaço e null foi entrando e olhando a casa meio bobo, ela parecia mais arrumada que de
costume.
- Fala nullzito! Eu vim saber se vamos ensaiar hoje.
- Não, hoje não vai dar, cara. Esqueceu que minhas primas chegam hoje, man?! Talvez elas cheguem cansadas, queiram dormir, sei lá... – null explicou dando de ombros e vendo o amigo prestes a colocar seus grandes pés em cima da mesinha de centro. – Hey, nem pense em colocar o pé aí! Eu
acabei de limpar toda essa porcaria de sala!
- Já te disse que você vai ser uma ótima dona de casa?
- Muito engraçado, null. – e null se sentou na poltrona de frente pra ele.
- Sério, nunca vi essa casa assim, ela está sempre um chiqueiro!
- E a culpa é sempre de uns certos amigos retardados que eu tenho, sabe... Eles vêm, fazem a maior bagunça e vão embora.
- E você nunca ligou.
- É, mas hoje vão chegar visitas e eu não quero que elas fiquem com má impressão!
- null... Não é por nada não, mas já faz uma semana que você só fala nisso!
- Normal, né... Vou receber minha família, que eu não vejo faz tempo.
- Família... Sei... E aquela sua prima que você fala sempre mas eu nunca vi, como ela é?
- A null?
- Uhum, só conheço null e null. Essas duas não são suas primas de verdade, não é?
- É, elas não são minhas primas legítimas, o pai delas se casou com a mãe da null e a mãe da null é que é irmã da minha mãe. Mas é claro que eu já gosto delas, porque elas são muito gente boa! Você sabe né, já conhece as duas...
- Sim, elas são legais, e são também muito HOTs! Ouch! – null levou um pedala.
- Não fale assim das minhas primas, zé ruela!
- Mas você acabou de dizer que elas não são suas primas, caralho!
- Mas eu considero, ok? E não quero que você apronte com elas... e muito menos com a null!
- A null vai vir dessa vez, né?
- Vai! – ele respondeu feliz.
- Eu espero que ela não seja parecida com você, porque se for deve ser o cão! E muito chata!
- Cala a boca, seu cuzão! Ela é a garota mais linda e legal que você pode imaginar, tá bom?!
- null?! – null se aproximou dele estreitando um dos olhos – Você é apaixonado por ela,
dude!
- Claro que não! – null botou as duas mãos nos ombros do amigo e o empurrou pra longe. – Só por que você é incapaz de ter uma
relação de irmão com uma menina, não vá pensando que eu sou como você!
- Então você e ela são como irmãos?
- Praticamente.
Depois que null respondeu, o celular de null começou a tocar insistentemente.
I got no regret right now! (I'm feeling this)
The air is so cold and low! (I'm feeling this)
Let me go in her room! (I'm feeling this)
I wanna take off her clothes (I'm Feeling this)
- Não vai atender? Já está me irritando essa música sem parar, se você não atender, eu atendo!
- Não cara, vou desligar isso. Sabe quantas vezes a Delilah já me ligou hoje? VINTE E SEIS VEZES! Estou farto.
- E se for importante?
- Nunca é... – ele deu de ombros. Guardou o celular no bolso e levantou.
- Já vai?
- É... já que não vai ter ensaio da banda hoje, vou pra casa e à tarde eu vou sair por aí... talvez eu passe aqui depois pra conhecer sua prima.
- Ok. Vai sumir por aí de novo pra depois a Delilah ficar me perguntando onde você está e eu sem saber o que dizer?! Meu estoque de desculpas já esgotou,
null!
- Ótimo. Diz a verdade então.
- Não acredito na sua falta de vergonha na cara, null! O que está acontecendo entre você e a Lilah? Você não era assim com ela
antes. Onde está aquela coisa toda de chamá-la de docinho?
- O doce eu comi, já fiz digestão e virou merda... – enquanto null filosofava, null fez cara
de nojo. – Sabe aquela sensação que a pessoa só está com você por interesse? Pois é! E se é pra continuar assim quero que acabe logo.
- Mas você a ama ou não?
- No começo eu gostava bastante, não sei se cheguei a amar. Só que ela se tornou insuportável, sempre desconfiando de mim, mesmo quando eu não tinha feito nada, me
ligando o dia todo, enchendo o saco.
- É, ela é ciumenta... mulheres assim são mais perigosas do que o Bruce Willis, Vin Diesel, Wolverine e um Transformer juntos!
- É eu sei! Mas antes que eu morra, deixa eu ir pra casa relaxar um pouco!
- Tchau, seu loser... – null fechou a porta rindo e sacudindo a cabeça.
Depois de quase duas horas dentro do carro, Robert, null, null e null chegaram ao destino, Bedford!
- null!
- null! – null estava na porta de casa, todo sorridente e com os braços abertos.
null não fez outra coisa a não ser descer do carro e ir correndo pular nele imediatamente! null olhou pra null com um sorrisinho malicioso, ela enfiou na cabeça que null e
null eram ficantes desde... hum... SEMPRE?!
Depois de um tempo se cumprimentando, todos entraram na casa, null e Robert carregavam as malas das meninas. Elas se
instalaram cada uma em um quarto e antes de voltar pra Londres, Robert deu várias e várias e várias e intermináveis recomendações.
- Dormir! – null subiu as escadas correndo depois que Robert foi embora.
- Banho! – null subiu correndo logo em seguida.
- Comida! – null imitou a voz das outras duas e olhou pra null dando risada, e então os dois
foram pra cozinha.
- E aí, como vai com a banda? – null se sentou numa cadeira enquanto null pegava um bolo
de chocolate na geladeira.
- Estamos bem! Cada vez mais eu sinto que nasci pra isso!
- Que lindo! – null falou empolgada e null pensou que foi por causa do que ele havia dito,
mas percebeu que ela falava do bolo.
- Foi a mãe que fez. Ela pediu pra te pedir desculpas.
- Desculpar por que?
- É que foi assim, estava tudo pronto pra vocês virem e passarem o mês conosco e tal mas ligaram ontem pro pai dizendo que o irmão dele foi atropelado... Você sabe que
a família do meu pai mora toda na França então eles voaram pra lá sem data pra voltar. Aí minha mãe fez esse bolo 100% chocólatra (massa de chocolate, recheio de
chocolate e na cobertura mais chocolate) que você adora pra sei lá, se redimir pela ausência.
- Own que lindo! Se a tia voltar depois que eu for embora, diz pra ela que eu amei. Quer dizer... não o fato do seu tio ser atropelado, e sim o bolo! – Ela falou e os dois
ficaram rindo e conversando bobagens por um bom tempo.
null não demorou pra se juntar a eles. Apenas null permaneceu no quarto por horas,
ela havia dito que ia dormir e pelo visto apagou legal!
Já estava escurecendo, null e as duas meninas passaram o dia todo botando o papo em dia, nem ao menos saíram de casa o que é
praticamente inacreditável!
null e null inventaram de fazer profiteroles... null
apenas assistia enquanto eles se sujavam de farinha de trigo. O telefone começou a tocar na sala e ela foi atender, já que era a mais limpa. (ou talvez, apenas a menos
suja!)
Ela pegou o telefone e nem teve tempo de falar ‘Alô’ pois a pessoa do outro lado já chegou direto ao ponto.
- null, cadê o null?!
- Er... que null? – null acabava de lembrar daquela história de um dos amigos do seu
primo se chamar null e sentiu um gelo na espinha.
- Ué, eu liguei errado? Não é a casa do null aí?
- É sim, aqui é a prima dele. Eu vou chamá-lo, como é seu nome?
- Diz que é a Delilah.
null foi chamá-lo e ele bufou ao saber quem estava ao telefone. Conversou rápido com ela dizendo que não sabia nada do
null e quando retornou à cozinha, null estava curiosa.
- É sua namorada, null?
- Não, é de um amigo retardado...
- Ela me parecia alterada, o que seu amigo fez pra ela? – null se interessou na conversa.
- Eu não sei, o namoro deles vai de mal a pior... – null deu de ombros e eles voltaram a fazer a mesma bagunça de antes.
Durante a noite não aconteceu nada de muito surpreendente, todos foram para seus quartos cedo porque tinham acordado cedo.
- Dude, eu acho que vou dormir. – null falou se espreguiçando no sofá, eles tinham acabado de assistir filme.
- Verdade, eu vou também. – Foi a vez de null fazer o mesmo e levantar.
- Mas ainda são dez horas! Só velho dorme essa hora! – null protestava.
- Você fala isso porque não acordou cedo que nem a gente! Não é null? Fala pra ele que hora caímos da cama hoje!
- 7 horas null, SETE! – null mostrou os sete dedos pra ele.
- Quem mandou deixarem pra arrumar tudo hoje... – ele deu de ombros. – Mas e a null, hein? Ela capotou lá desde a hora que
chegou!
- Ah não liga pra ela não... Deve estar dormindo por duas noites, aposto que passou a noite de ontem toda em claro. – null falou
como se tivesse certeza.
- E isso tudo foi ansiedade em me ver? – null estufou o peito orgulhoso.
- Claro! E olha só como ela está aqui te vendo agora! – null riu irônica e levou um pedala do primo. Logo os dois estavam numa
guerra de tapas, gritinhos e até cócegas. null olhava confusa para aquela cena, será que null tinha razão quanto aos dois?
null por sua vez não parou de lembrar daquela conversa dias atrás quando null disse que o
null da banda do null se chama null. Entrou
em seu quarto e lançou um olhar para a caixa rosa que ela deixou em cima da cama. Sentou-se ao lado da caixa mas não abriu, apenas passou os dedos de leve em cima
da tampa. ‘Passei a tarde toda pensando em perguntar pro null sobre o tal null, mas não
posso fazer isso, nem conheço esse menino! Com certeza não é aquele null!’ Depois ela colocou a caixa dentro do guarda
-roupa e foi deitar.
Capítulo 5 – Memories!
Na manhã seguinte, depois que todos tomaram café, null queria tomar sorvete, null queria
fazer compras e null queria correr, já que o dia estava bonito. Então null resolveu deixar a
null no shopping, depois tomar sorvete com null e null foi sozinha correr no parque mais próximo.
BRRRRRRRRBBBRRRRRR! [n/a: ok, imagine um celular que acaba de receber uma mensagem vibrando em cima do criado mudo ao lado da cama, hauhauha.]
- Caralho, eu quero dormir! – null pegou o travesseiro e colocou em cima da cabeça, deitado de bruços. – Maldito celular... – ele
desistiu de tentar ignorar o som e pegou o aparelho. Viu que era uma mensagem de Delilah, e dizia o seguinte:
Estou te esperando naquele
lugar de sempre em 15 minutos!
#Lilah
Após ler, ele levantou foi ao banheiro, depois se vestiu e foi ao tal lugar. Era um parque ali mesmo no final da rua, daqueles com várias árvores, trilhas, banquinhos de
praça e tudo mais. Onde as pessoas que moram por ali vão levar seus cachorros pra passear pela manhã, fazer caminhada, correr... Um lugar realmente adorável. Mas
espera aí! Correr?! null foi correr lá também!
Quando null estava chegando, avistou sua namorada sentada num banquinho de costas pra ele. Ela estava de cabeça baixa e o
vento balançava de leve seus cabelos vermelhos. O garoto estava prestes a tocar no ombro dela quando uma moça passou correndo alguns metros à frente deles. Ela usava
uma regata cinza e folgada, um short também não muito apertado, tênis, óculos escuros, cabelo preso num rabo alto e seu I-pod estava preso ao braço. Mesmo com todos
esses detalhes, e o óculos tampando quase todo o rosto da menina, null a achou familiar e olhou até que ela sumisse de vista. Foi
acordado dos pensamentos quando uma folha da árvore próxima ao banquinho lhe caiu sobre a cabeça.
- Erm... Oi Lilah.
Ela se virou pra trás e o encarou séria.
- Oi null, está aí faz tempo?
- Não...
- Hm... senta aí.
Ele deu a volta e sentou ao lado dela. – Você queria falar comigo?
- É... null, sobre nós. – ela tinha firmeza nas palavras e parecia decidida.
- Pode falar. Tem algo errado?
- Não, tirando essas suas sumidas e eu nunca saber onde você está! – null ia abrir a boca mas Lilah prosseguiu – Você some
totalmente e às vezes parece até que você nem existe mais... Assim não dá, cansei de gente me perguntando se terminamos porque você foi visto com alguma menina por
aí... Se tem uma coisa que eu não quero é fama de chifruda, ok! E também não é só isso, eu... Estou conhecendo outra pessoa. Então não tem outra escolha a não ser
terminar logo porque as coisas não estão dando certo mesmo.
- Hum... Ainda bem que você enxerga isso. Quem é essa pessoa, posso saber?
- Mike.
- Mike? Quem diabos é Mike?
- Mariana's Trench... baixista.
- Ahn, agora entendi! Eles estão numa turnê por aqui! Você foi ao show, conheceu eles, o Mike te chamou pra sair e você já ta me trocando... – ele sorria irônico e fazia
gestos grandiosos com os braços, em seguida abandonou o tom irônico e a olhou sério – Não passa de uma Maria-Palheta!
- E você não passa de um galinha! É isso que você é e sempre foi! Você é uma pessoa pública null, devia saber se comportar! Não
posso ficar sendo corneada pelo null do McFly o tempo todo!
- Certo, então é isso que eu sou pra você não é? Só o null do McFly que você namora, ou melhor, engana há quase um ano pra
conseguir alguma fama e as pessoas te conhecerem! – ele ficava cada vez mais irritado e ela também o olhava com raiva – Anda, deixa a sua máscara cair logo, pra que
ficar enganando o null aqui, você nem namora mais ele, não é?!
- Tá bom null, é isso que você quer ouvir? Tudo bem, eu ficava com você porque te achava bonitinho e ainda por cima um famoso,
depois começamos a namorar mas apaixonada eu nunca fui. Satistfeito?
- Ótimo, eu já desconfiava de tudo isso depois que eu li uma entrevista ridícula sua pra uma revista teen mais ridícula ainda! Vai lá... Maria-Palheta, sugar a sua próxima
vítima!
- Você não presta, null! Pelo menos o Mike gosta de mim!
- Eu também gostava, ou você acha que não? Tanto que eu nem enxergava como você é! Se tinha alguém que fingia sentimentos aqui era você.
- Eu não fingia nada, tá legal? Gostava da sua presença... Você é que de uns tempos pra cá transformou tudo num inferno! Eu já vou, se perguntarem, diga que ainda somos
amigos, ok.
- Não faço amizade com piranhas... – ele comentou sério olhando pra frente, enquanto ela já se levantava do banco.
- Certo... Então vai correr atrás daquela cadelinha que passou. Pensa que eu não sabia que você estava aí olhando pra ela? – ela falou e foi embora.
- PELO MENOS NÃO DEVE SER FALSA COMO VOCÊ! – berrou enquanto Delilah se afastava.
null continuou lá sentado, perdido em pensamentos, era um namoro de oito meses se acabando! Depois de esfriar a cabeça ele foi
pra casa, tomou um banho e logo saiu outra vez. Voltou ao parque, foi procurar aquela garota, queria ver se ela ainda estava por lá, a imagem dela não saia da cabeça,
tinha certeza de já tê-la visto antes mas não conseguia lembrar. Na verdade só a achou muito parecida com alguém... Estando de volta ao parque, ele começou a caminhar
enquanto observava cada um ao seu redor. ‘Eu devo estar ficando louco!’ pensava e balançou a cabeça negativamente ‘Se eu visse aquela garota de novo... Aposto que ela
não é nem tão parecida assim com quem eu tô pensando! Eu vi coisas, só pode! Como é que a null ia parar aqui assim de repente?!’
null caminhava tranquilo e as lembranças começaram a invadir sua cabeça, tão nítidas como se fossem da semana passada.
Play null's Flash Back
- Oi null, por que está sozinha aqui? – encontrei a null sentada numa escada, fora da sala
em horário de aula, e ela parecia triste.
- Oi null... Não conta pra ninguém, mas... é que eu não estava com saco pra assistir aquela aula de matemática, ficar aqui fora
sem fazer nada está sendo melhor, pelo menos hoje.
- Hum... posso sentar aqui?
- Uhum. – me sentei ao lado dela e dude... ela usava um perfume divino! Nossa, divino é uma palavra extremamente gay! Vou trocar por gostoso mesmo vai...
- Você está fugindo da aula também?
- É... acho que eu estou sempre fugindo. – olhei fundo nos olhos dela e mudei o assunto depois. Como eu disse, estou sempre fugindo! – Erm... Aconteceu alguma coisa
ruim com você hoje?
- Aconteceu. Mas eu já devia ter me acostumado.
- Pode me contar o que foi?
null ficou pensativa... Talvez não quisesse me contar, mas acabou contando.
- Eu vi um casal se amassando hoje. O que não seria nada demais se o menino não fosse aquele que eu gosto.
- Deve ter sido horrível.
- Você nem imagina...
- Imagino sim.
- Não imagina não! – ela falou rindo.
- Por que acha que não?
- Porque null null nunca deve ter sofrido por amor.
- Gostaria que fosse verdade.
- Tá dizendo que você já sofreu?
- Não. Tô dizendo que eu sofro ainda até agora.
- Então se sofre é porque quer! Fala sério, null! – ela riu e me deu um tapinha no braço. Acho que era pra ser de leve, mas doeu
um pouco... – Você sabe que todas as meninas do primeiro ano, ou melhor, desse colégio todo dariam um braço pra ter você.
- Mas aí é que tá! Não quero todas as meninas do 1º ano, nem muito menos as do colégio inteiro. A única que eu gostaria que desse um braço por mim é a que menos se
importa comigo.
- Hm... Então por que você fica com todas as meninas do colégio ao invés de conquistar esta ameba? – assim que ela falou eu ri desembestadamente, ela estava chamando
a si mesma de ameba e nem sabia.
- Nossa, como você é besta pra rir, só porque chamei a menina de ameba... Mas ela deve ser mesmo, pra não perceber que você gosta dela, porque quando você gosta de
alguém, sinceramente null, você não é discreto!
- O problema é que com ela eu sou, acho que é medo. Queria que ela me notasse. Criei essa fama toda pra ela também querer ficar comigo. Só que ao invés de atrair,
afastou mais.
- Talvez ela também goste de você e tenha medo de ser só mais uma na sua numerosa lista.
- Não! Ela não devia pensar assim porque ela é única! Na verdade ela é a razão pra eu ter uma numerosa lista! Trocaria toda a minha lista enorme por uma que
tivesse apenas o nome dela. – realmente, quase todas as meninas que eu pegava era pra ver se ela ficava com algum ciúme, mas parecia não fazer nenhum
efeito.
- Talvez você esteja usando a tática errada desde o começo. Estou usando muito talvez não é! Tudo bem... Vou afirmar uma coisa agora, você devia simplesmente mostrar
que gosta dela, tomar atitude com ela.
- Você está certa. – falei e percebi que estávamos relativamente próximos! Aquela era a hora! Parece que o tempo ficou parado ali e eu guardava cada detalhe do rosto dela
visto de pertinho. Seus olhos grandes olhando pra mim, dava pra ver todo o meu reflexo lá dentro, a pele suave, os ossos logo abaixo do fino pescoço... Já falei que ela tem
as saboneteiras mais sexies?! Pena que a merda do sinal tocou! Assustei-me e ela riu de mim. Mas depois dessa conversa eu tive certeza que era de mim que ela estava
falando! Cheguei em casa feliz da vida naquele dia, eu estava parecendo um viadinho, ela tem esse poder sobre mim, me deixa tão gay que já cogitei a possibilidade dela
ser um garoto disfarçado! Só que como sempre tem alguma coisa pra me derrubar, minha mãe me veio com uma notícia que acabou comigo: íamos nos mudar! Dude...
senti meu chão desaparecer aquela hora! Perder meus amigos e tudo que eu tenho aqui?! E justo agora que eu consegui ter quase certeza que a null também gosta de mim. Simplesmente não posso ficar mais com ela.
Stop null's Flash Back
null chegou na casa do primo e ele disse que sua amiga tinha ligado.
- Cadê a null, ela estava com você, não estava? – ela perguntou como se não tivesse escutado sobre a ligação.
- Ficou lá na sorveteria, encontrou umas meninas conhecidas da gente e devem estar fofocando alguma coisa desinteressante até agora.
- Ah... tá. Você falou o que mesmo assim que eu entrei?
- Sua amiga ligou.
- Que amiga, null?
- null. – ele respondeu e sua expressão facial se tornou estranha.
- Hum... ela falou o que queria? Conversou com ela?
- Nop. Falei que você ligava depois. Ela parecia triste.
- Fazia tempo que vocês não se falavam, não é?
- Acho que sim... – ele tentou parecer vago.
- Te conheço null! Você ainda não esqueceu dela!
- Como assim ‘esquecer’? Por acaso um dia eu gostei?
- O que?! Pensa mesmo que eu nunca vi os seus olhares pra ela?
- Você e essa sua mania de ver romances em tudo!
- É, é verdade, eu vejo mesmo! – null se aproximou e olhou pro rosto dele franzindo a testa como se estivesse tentando enxergar
alguma coisa na cara dele – Inclusive aqui na sua testa! Está escrito ‘null, amor da minha vida’! – ela acabou de falar rindo, e viu a
cara enfezada que null começou a fazer, então logo saiu correndo pois null não ia deixar
barato. Ela correu pra cozinha e rodeou a mesa umas três vezes com o primo atrás dela, depois foi pra sala e subiu num dos sofás, ele subiu no que fica de frente. Os dois
a todo momento ficavam fingindo que iam pular mas não pulavam, o que aumentava o nervosismo de ambos. null fingiu que ia pular
pra direita mas acabou indo pra esquerda e passou na frente de null que continuou correndo atrás dela até o hall de entrada da
casa, foi quando ele já estava quase pegando null pela blusa, mas tropeçou no tapete e caiu por cima dela.
- Machucou? – ele perguntou entre risos, ainda estava por cima dela e os dois estavam caídos em frente à porta.
- null... null? O que fazem aí? – a porta de repente abriu e era null que carregava algumas sacolas e null que a ajudava.
- Não foi nada! Esse retardado que se irritou comigo por causa de uma coisa boba que eu falei. – os dois se levantaram e ajeitavam as roupas sem graça.
- Você deve ser a null, não é? – null estendeu uma mão cheia de sacolas pra ela.
- Ai, espera aí! Deixa eu pegar essas coisas e levar pro sofá. – null o ajudou.
- Uhum! E... você que é o null? – ela estava torcendo pra ouvir um sim e acabar com sua dúvida de vez.
- Não, sou o null.
- Oh desculpe! É que eu só ouvi falar no null até agora... – disfarçou completamente - E outra vez. - sem graça em menos de um
minuto de contato.
- Dude, acredita que a Delilah ligou aqui ontem procurando o null e foi a null que atendeu!
– Foi a vez de null falar enquanto fechava a porta e os outros iam andando pra sala.
- Nosso amigo não tem mesmo jeito. – null comentou e null ficou tensa, o
null que ela conhecia também não tinha jeito.
- Deixa o null! Ele ainda vai aprender a ser que nem o nullzinho aqui! –
null apertou uma das bochechas do garoto que sorriu sem graça – Encontrei com ele no shopping e ele fez questão de me trazer de
volta, mesmo sendo perto!
- Não ia ser legal você voltar com todas essas sacolas, parece que comprou o shopping todo!
- Err... null, eu espero que não se incomode mas eu tava correndo no parque e acabei de chegar, preciso subir pro quarto agora!
- Tudo bem, vai lá, foi bom te conhecer!
- Também gostei de você, fofuxo! Até mais. – ela subiu as escadas e se trancou no quarto.
Enquanto isso, null ainda estava na sorveteria. Encontrou Delilah e a amiga dela, Holly. Conheceu as duas no réveillon do ano
passado, quando passava uns dias na cidade. A amizade delas se resumia a conversar sobre música, festas e claro, boys!
- Você tem sorte de ter ganhado o null como primo! Além de ser lindo, tem três amigos de perder o fôlego! – falava uma delas
animada.
- É Holly... Mas não adianta nada se você gosta muito de alguém que só te vê como amiga, ou talvez nem isso! – null respondeu
desanimada encarando sua terceira taça de sorvete que o mocinho da sorveteria acabava de colocar sobre a mesa.
- Nem me fale! Homem só sabe dar trabalho! Hoje mais cedo eu terminei com meu namorado e ele não fez nenhum mínimo esforço pra gente pelo menos continuar
amigos.
- Mas Lilah, você queria que ele ficasse rastejando? Você estava terminando com ele, cacete! – Holly tentava compreender a amiga, quando olhou pra frente e viu
null na entrada da sorveteria – null, não olha agora mas o...
- null! – antes que Holly terminasse de avisar, null soltou um escandaloso grito e
null se virou, assim como todos ali dentro, o que deixou null com vontade de enfiar
a cabeça dentro da taça de sorvete.
- Oi null! – ela sorriu e levantou pra cumprimentá- lo.
- Oi! O null me falou que você vinha! Que legal, dude! – null estava exageradamente
empolgado e puxou a menina pra um abraço que a deixou surpresa, apesar de ter adorado, claro.
- Quer se sentar conosco? – ela se soltou do abraço e indicou a cadeira vazia ao lado de Holly, de frente pra ela.
- Demorou! Tudo bem, gatas?! – ele cumprimentou Delilah e Holly, depois se sentou.
Os quatro conversaram animados mas foi por pouco tempo, logo que Holly e Lilah terminaram a taça de sorvete que estava pelo meio quando null chegou, elas foram embora deixando os outros dois sozinhos.
Depois de alguns minutos olhando da menina pro sorvete e do sorvete pra menina, ele resolveu perguntar uma coisa qualquer.
- Está gostando da faculdade? Lembro que você parecia bem empolgada pra começarem às aulas!
- É, eu estava mesmo bem ansiosa... Tem sido legal, conheci pessoas, fiz amizades.
- E conheceu alguém especial por lá? – ele parecia curioso.
‘Que pergunta foi essa?! null está querendo saber se eu tô namorando? OMG!’ ela pensava enquanto ainda tinha sorvete na boca e
esperava engolir pra responder.
- Errm... Alguém especial? Quer dizer com síndrome de down? – ela brincou se fazendo de boba.
- Não, tonta! Quero dizer alguém especial pra você. – ele falou e apareceu um sorriso no canto da boca.
- Não null... Lá não tem ninguém especial se você quer saber.
- Vai ver você não prestou atenção direito... Às vezes a pessoa pode estar bem na sua frente. – ao vê-lo falar isso e sorrir, sentado bem na frente dela,
null respirou fundo e quase teve um troço ali mesmo. Ela segurava a última colher de sorvete, que levaria à boca se não tivesse
ficado paralisada por alguns segundos. Ficar parada com a colher no ar não foi uma boa idéia pois fez o “material” da colher despencar e cair em cima de uma de suas
pernas.
- Oh não, você se sujou? – null se levantou e foi até ela. Vendo que a bolota tinha caído na perna dela e que ela estava de
minissaia, ele quis soltar um risinho safado mas se controlou porque isso a deixaria mais envergonhada do que já estava! null levou
uma das mãos à testa e ficou olhando indignada para a cagada que tinha feito, enquanto null pegava uns guardanapos e se
ajoelhou ao lado dela.
- Err... Posso te ajudar? – ele perguntou meio sem jeito com as duas mãos cheias de guardanapos.
- Pode. – ela soltou um sorriso meio nervoso.
- Segura esses aqui. – null entregou os guardanapos que segurava em uma das mãos pra ela. Foi limpando o sorvete e a cada vez
que a pele dele encostava na dela os dois sentiam correntes elétricas. Nem precisa dizer que o rosto dela estava vermelho-beterraba com luzes piscando. E ele, nem sabia o
por que mas percebeu que suas mãos estavam um pouquinho trêmulas. ‘Que pernas... Não, null null! O que é isso, que pensamentos são esses?! Calma dude, ela é sua amiga e você está ajudando, é só um sorvete!’ ele pensava enquanto tentava
disfarçar o terremoto nas mãos. Quando finalmente ele terminou, levou os guardanapos sujos até a lixeira e ela se levantou, depois pagaram a conta e saíram juntos.
null estava ainda no parque, andou por todos os cantos daquele lugar e não encontrou de novo a garota que corria. ‘Só eu mesmo
pra achar que ela ia estar por aqui ainda... mas tudo bem, agora é melhor eu ir pra casa almoçar e amanhã eu volto naquela hora que a vi hoje e sento no banquinho pra
esperar! Será que ela vem todos os dias? Será que ela vem amanhã? Tomara que sim! Preciso olhar pra ela de perto pra acabar com essa cisma! Ela deve ser muito
parecida com a null, por um momento pensei até que fosse a própria!’
Capítulo 6 – And we'll be together in the dark…
- Como assim eu não te avisei?! – null estava em seu quarto comendo biscoito recheado e conversando com null ao telefone.
- Esqueceu totalmente de mim, que amiga! Foi a sua mãe que precisou me avisar quando eu cheguei na sua casa desesperada ontem!
- Te avisei sim que tava vindo pra cá sua lesada! Deixei recado no seu MySpace! E não foi só eu, a null e a null também deixaram.
- Ahn... É que eu não entrei lá esses dias. – a voz da menina estava triste.
- Tudo bem... Mas por que você disse que foi lá em casa desesperada? O que aconteceu?
- To precisando de você amiga, o momento ta difícil! – null começou a chorar, alguma coisa grave tinha acontecido.
- Você ta chorando aí?! O que aconteceu? Me fala!
- O... O Chr-chris...
- Sim, o Chris, o que aconteceu com ele? Fala null, to preocupada já!
null ficou um tempo quieta tentando respirar e controlar o soluço, até que falou tudo de uma vez – ELEÉCASADOETEMTRÊSFILHOS!
- Hun?! O quê? Só entendi filhos, repet... – ela ia pedir pra amiga repetir, quando a ficha caiu – OMG! Ele tem três filhos e é casado, foi isso que você disse?
- Uhum.
- Ai caramba! Esse tempo todo ele ficou te enganando? Como você descobriu? A mulher dele te viu?
- É... Ele me enga-nou esse t-t-tempo todo!
- Calma null, inspira... Expira... Espera um pouco, com você soluçando desse jeito vai ficar ruim pra gente conversar!
- Ta bom, ta ru-im mesmo p-pra fa-fa-falar desse jeit-o! Vou lav-var o rosto e daqui-qui a pouco eu t-t-te ligo.
- Ok.
null desligou o telefone e null deitou-se na cama, ficou olhando o teto e pensando na vida enquanto esperava com o telefone na mão. Demorou uns 10 minutos e a amiga retornou um pouco melhor.
- Oi null, ta melhor pra falar agora meu anjo?
- To sim, null. Já lavei o rosto e to comendo uns bombons!
- Hm... Então me conta que história é essa!
- Ah, o Chris é um viadinho da pior espécie, pra começo de conversa! Ele me enganou todo o tempo que estivemos juntos. Enquanto eu estudava, a gente mantinha o relacionamento escondido e eu entendia, porque ele era meu professor e tals... Mas depois, eu terminei de estudar lá naquela escola e mesmo assim a gente continuava sem se assumir totalmente, já te falei que ele nunca me levou na casa dele?!
- E como você descobriu tudo?
- Foi ontem. Estávamos andando pelo shopping, a gente não tava de mãos dadas nem nada porque ele sempre dizia que tinha problemas com demonstrações públicas de afeto, e eu otária acreditava! Aí, de repente pára um cara na frente da gente, acho que deve ser algum amigo dele, o homem tava com os olhos esbugalhados e falou pra ele mais ou menos assim “Que bom que te achei! O que aconteceu com seu celular, han? Você precisa correr pro hospital, Christopher! A sua mulher vai dar a luz cara!”
- OMG! E você o que fez?
- Eu senti como se o teto do shopping tivesse caído na minha cabeça! Eu e ele ficamos parados lá, eu não conseguia nem me mexer. Até que não sei como eu arranjei força, olhei pra ele e soltei um “vai logo!” então ele e o amigo saíram correndo em direção ao estacionamento enquanto eu fiquei lá parada por uns instantes, depois fui pro banheiro mais próximo e desatei a chorar, parece que a ficha tava caindo só naquela hora. – null não conseguiu dizer nada, apenas deixou o queixo cair, então a amiga prosseguiu – Depois que sai do shopping, eu fui pra sua casa. Como você não tava, eu vim pra minha e quando liguei o celular tinha um monte de mensagens do Chris contando a verdade, que ele é casado e tem filhos mas que me ama e não suportaria me perder e blá, blá, blá.
- Você respondeu alguma coisa?
- Não. Por mim, que morra. E falando nele, o desgraçado ta aqui tocando a campainha.
- Vai falar com ele?
- De jeito nenhum. Ele pode estragar o botão da campainha que eu não vou lá. E também não tem mais ninguém em casa, então a porta não vai se abrir sozinha, certo?!
- E se ele estiver aí pra dizer que quer ficar com você?
- E largar a família dele? Pois aí é que ele vai ser mais canalha ainda! Você sabe null, meu pai fez exatamente a mesma coisa com a minha mãe quando eu era pequena, largou minha mãe comigo pra ficar com uma vadia que devia ter a nossa idade naquela época. Não desejo isso pra ninguém, portanto não quero que ele largue a família dele. Se ele construiu, agora que cuide! E se eu fizer o Chris abandonar os filhos eu vou ser igual a vadia que tirou meu pai de mim, entende?
- Entendo! E acho que você ta muito certa... Fala pra ele isso tudo que você me disse e ele vai te deixar em paz.
- É, acho que eu vou escrever uma carta, o que acha?
- Uhum, cartas são tiro e queda. – ela falou num tom irônico, lembrando da carta que recebeu do ex.
- Ai meu Deus! – null se assustou de repente e assustou null também.
- Que foi?! Que foi?!
- Ele cansou de tocar a campainha e começou a esmurrar a porta null! Vai arrombar aquela droga! O que eu faço? To com medo já!
- Calma! Calma! Não se desespera! Olha, ele não vai arrombar nada! A sua porta é a mais segura e a mais blindada de toda a rua, então fica calma!
- É verdade, eu e mamis sempre fomos medrosas, ainda mais morando sozinhas! A nossa é a casa mais cercada e mais segura por aqui! – ela riu e se acalmou um pouco.
- Então... Quando ele for embora e você estiver mais calma, escreve a sua carta e coloca tudo que você me disse e mais um pouco. – null fez uma pausa no que ia dizendo e logo teve uma idéia – null! O que você acha... de...
- Fala logo mulher!
- VIR PRA CÁ!
- Pra Bedford? Fazer o quê?
- Ué, passar uns dias!
- Aí na casa do null?
- É MANÉ!
Nesse momento, null começou a bater na porta do quarto.
- null, posso entrar?
- Entra null. – ela falou e começou a tampar o telefone.
- Eu vou ao mercado, você vai querer que traga alguma coisa?
- Não, obrigada.
- Ta bom então. – ele virou as costas pra sair do quarto, mas ela o chamou de volta.
- null, posso te pedir um favor?
- Pedir você pode, se eu vou fazer é outra coisa! – ele brincou mas viu que a prima estava bastante séria e parou de rir.
- É sério null, é sobre a null, aconteceram algumas coisas com ela que a deixaram muito mal... Tava pensando se eu podia convidá-la pra passar uns dias aqui.
- Tudo bem, pode sim, quarto aqui é o que não falta!
- Ai null, obrigada! Você é um anjo sabia! – a menina levantou de onde estava sentada, largou o telefone na cama e o abraçou.
- É eu sei que sou demais... – ele fez sua melhor cara de convencido enquanto se soltava do abraço e levou um tapinha no ombro. Depois voltou a falar enquanto null voltava a se sentar na cama – Mas o que aconteceu com ela?
- Foi coisa com o Chris... Mas é melhor que ela mesma conte.
- Ta bom. Então, fala que ela pode vir e passar quantos dias precisar... Ela pode dormir no meu quarto, já que eu to no dos meus pais. Deixa eu ir agora, o mercado me espera! Tchau!
- Tchau amor!
- Alô? null, você ta ai? Ta falando com quem? – null ainda estava ao telefone sem entender nada.
- Oi null! Acabei de falar com o null, ele disse que você pode vir e passar quantos dias quiser, não é o máximo?!
- Ai... Não sei.
- Claro que sim, deixa de doce! Se você ficar aí só vai sofrer mais por causa do Chris, enquanto que passar uns dias aqui vai ser ótimo pra te ajudar a esquecer esse idiota!
- É! Tem razão! Vou fazer uma mala! Amanhã eu já to aparecendo por aí, ta bom? Depois te ligo de novo pra dizer a hora que vou chegar, acho que vou de trem, você me busca?
- Claro! Tudo Ótimo! Até!
- Até amore!
Elas desligaram e null se sentiu realmente mais animada com essa idéia, foi como se tivessem acendido uma luzinha no fim do túnel em que se encontrava. Ela se pôs a escrever a carta pra colocar amanhã no correio, antes de viajar pra Bedford.
Já estava escurecendo e null ainda não tinha tomado um banho, pois passou horas conversando com null! E também percebeu que só tinha comido biscoito recheado depois de voltar do parque. Então resolveu ir até a cozinha, mas ao chegar na sala, se deparou com uma cena que a deixou surpresa - null e null se beijando! Ela nem ao menos sabia que eles tinham alguma coisa... Lembrou-se que a própria null disse que não tinha gostado de nenhum deles e subiu confusa. Seu estômago estava roncando mas ela não quis passar por ali pra não atrapalhar. ‘Melhor eu ir tomar meu banho primeiro.’ ela pensava enquanto subia as escadas em silêncio.
- Err... Obrigada e desculpa! – disse null ao terminar o beijo alguns minutos depois.
- Imagina! – ela sorriu e brincou em seguida, fazendo-o rir também – Estamos aqui pra isso!
- Se você quiser bater em alguém, bata no null! Foi ele que inventou essa aposta que eu não tinha coragem de te pedir um simples beijo. – null via um menino corar de um jeito extremamente bonitinho à sua frente.
- Tudo bem null, eu não me importei, não significou nada, pode ficar tranqüilo. Ouvi quando null te desafiou e o achei um metido!
- A-ah, você ouviu?
- Uhum! E eu só aceitei te beijar assim de repente por isso, viu?! Eu não costumo ser assim tão fácil! – ela ria já discontraída enquanto ele tentava disfarçar que aquelas palavras dela o cortaram totalmente porque pra ele significou sim e bastante se quer saber!
null já havia chegado há algumas horas e subiu direto pro quarto, nem almoçou já que passou a manhã se entupindo de sorvete. Se fechou em seu quarto e sentiu as forças abandonarem as pernas, obrigando-a a se jogar na cama e começar a olhar para o teto... Até mesmo o teto lhe parecia mais bonito hoje! ‘Hoje foi tudo tão... perfeito?! Sim, essa é a palavra! O sorvete tava perfeito, o sol tava perfeito, minha roupa estava perfeita e null É sempre perfeito! Preciso adimitir que a null tem razão, eu devo estar mesmo muito a fim dele...’ ela passou a tarde perdida em seus pensamentos.
Não demorou muito e null chegou em casa trazendo null, null e... cervejas! Se juntaram a null e null numa conversa animada sobre quantas latas de cerveja cada um precisa pra perder o rumo totalmente. Algum tempo depois, null também chegou na sala e ouviu um pouco da conversa antes de ser vista por eles. Era null quem falava.
- null, cadê a null? Eu to achando que essa sua prima é imaginária! Ela nunca ta aqui! Eu já vi gente que tem amigos imaginários, mas primas eu nunca vi!
null ia abrir a boca pra responder algo, mas null chegou antes falando e caminhando em direção à eles.
- Ela ta tomando banho, daqui a pouco ela vem, sossega null!
- Oi null! – ele levantou de onde estava sentado e foi correndo de um jeito totalmente afeminado-desengonçado pra cima dela.
- Nossa, eu to achando que vocês adoram gritar meu nome! – ela sorriu e o abraçou.
- Como você cresceu! – ele continuava a falar daquele jeito gay que tanto fazia os outros rirem, segurando as duas mãos dela e balançando de um lado pro outro.
- Eu não to mais em fase de crescimento null, não tenho mais doze anos!
- Bom, erm... Isso eu já percebi... Owtch – finalmente ele abandonou o jeito gay de falar pra adotar o jeito safado olhando a menina de cima a baixo, o que fez null responder com um belo tapa em seu braço. Em seguida, se sentaram e null se viu mais uma vez sentada à frente de null, que a olhava de vez em quando provocando tsunamis e furacões internos na garota.
null estava em seu quarto terminando de se vestir, dava pra ouvir a conversaria que vinha da sala e logo deduziu que o tal null devia estar lá também. Escolheu então umas roupas bonitas, mas não se produziu muito pra não dar bandeira, botou uma leggin preta com um mini-vestido rosa claro e um tamanco com um pequeno salto. Se olhou no espelho e prendeu o cabelo num cóque meio mal feito deixando a franja e umas mexas caídas, só pra fazer o estilo “Oi-nem-me-arrumei-porque-não-sabia-que-tinha-visitas!” sem contar que a qualquer momento ela poderia soltar o cabelo e balançá-lo pra fazer um charme, dependendo de como fosse esse tal null. À essa altura já havia apagado a idéia de ele ser aquele null, então só queria mesmo se divertir naquele mês que passaria por lá. ‘Está certo, eu sei que ele tem namorada e que eu estou totalmente errada aqui! Mas logo eu vou embora e... ele já é um galinha mesmo!’ ela fez uma pausa, repensando no que havia pensado - não fazia idéia que ele já tinha terminado com a namorada. ‘Ah, não! Isso não justifica, null! Por que diabos você está tão ansiosa pra ver um cara que tem namorada? Acho que eu sou detestável... Nem mesmo o fato de eu estar um pouco na fossa,ainda por causa do Peter, justifica isso!’ Depois de se arrumar com todas essas pequenas estratégias e se martirizar olhando no espelho logo em seguida, finalmente null abandonou o quarto, mas parou um pouco no topo da escada ouvindo que alguem começou a tocar violão. Então ficou apressiando a música, achou a voz muito bonita, apesar de eles estarem apenas zoando.
Room on the 3rd floor
Not what we asked for
I'm not tired enough to sleep
- Vai null, mostra pra elas dude! – null pôde reconhecer a voz do primo gritando e soube então que quem cantava era justamente o tal null
One bed is broken
Next room is smoking
Air-conditioning stuck on heat
Outside it's raining
There's a guest upstairs complaining
About the room that's got their
TV too loud
Guess times like these remind me
That I've got to keep my feet on the ground
A partir daqui, null continuou apenas tocando, pois null começou a cantar no lugar dele com sua voz 30% rouca e 100% sexy, deixando uma null 500% maluca. [n/a: certo, se não é o Danny aqui pra você, ignore a parte da voz 30% rouca rsss]
Wake up early
'Round 7:30
Housekeeping knocking on my door, yeee!!
Do not disturbed sign the back of her mind
I must have left it on the floor
null também não conhecia null ainda, mas supôs que era ele por eliminatória. Gostou muito daquela voz também. Os próximos versos, null começou a cantar junto com null.
My eyes are hurting
'Coz the cheap nylon curtain
Let's the sunlight creep in through from the cloud
Guess it's times like these remind me
That I got to keep my feet on the ground
Come oooon! – null gritou fazendo todos os presentes na sala cantarem juntos a parte do na na na.
A garota escutava tudo ainda no topo da escada. Ria com as risadas e palhaçadas deles e agora estava ainda mais curiosa pra ver o tal null da voz que ela achou fofinha!
Começou a descer as escadas quando tudo se apagou! Sim, faltou luz bem no meio do na, na, na, na... na, na, na, naaa, interrompendo tudo e deixando todos num completo breu!
Capítulo 7 – Como rolar na escada com seu mcguy preferido
- null, você não pagou a conta de luz?! – null pegou uma almofada pra bater em null mas acabou acertando null. – Err... Pelo gritinho eu acho que não foi no null que eu acertei, não é?
- Não, seu palerma! Você me acertou!
- Desculpa null! Foi sem querer!
- Tudo bem null, mas vai ter volta, ouviu?
- Gente, ta assim na rua toda! – null falou depois de ter conseguido chegar até a janela com muito custo.
- O que será que aconteceu? – perguntou null, que também tentava chegar até a janela tateando tudo pelo caminho. Sem querer, ela ‘tateou’ o que não devia!
- Hey! – exclamou null assustado
- null! Era você? Me desculpa! OMG que vergonha! – isso mesmo que você pensou, ela tinha acabado de passar a mão em cheio na bunda dele. Claro, SEM QUERER!
- O que aconteceu? – null perguntou curiosa
- NADA! – null e null responderam em coro.
- null?! null?! – null esticava os braços tentando encontrar o amigo.
- Que foi? Eu to aqui.
- Sobe lá no meu quarto e pega uma lanterna.
- Por que eu? O quarto é SEU!
- Porque sim cara! Vai logo!
- Ta, eu vou! Mas depois ela vai ser só minha! – null foi tateando os móveis pra ir em direção à escada. Porém, null já tinha lembrado desse detalhe -que null tinha uma lanterna grande no quarto- e estava lá procurando. ‘Só há uma lanterna nessa casa... E vai ser minha porque eu tenho medo de ficar carregando velas porque tem horas que parece que o vento vai soprar aquele foguinho na minha cara!’ ela pensava bobeiras enquanto procurava embaixo da cama dele.
Depois de subir as escadas devagar, e ir tateando a parede do corredor, null finalmente chegou no quarto do null.
Ele foi andando bem devagar, sem enxergar sua própria mão na frente do nariz. null ainda estava procurando a lanterna embaixo da cama, pois sempre soube que o primo deixava muitas tranqueiras por lá. Então a garota estava ainda de quatro e a cama de null é encostada na parede lateral, ou seja, null estava de quatro e de lado para a entrada do quarto, por onde null vinha caminhando reto. Assim, o rapaz que chegava ali, tropeçou e rolou por cima dela, caindo ao chão do outro lado. Claro que os dois gritaram histéricos!
- AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH! - null distribuia tapinhas no que quer que estivesse deitado ali no chão.
- AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH! – e ele tentava se defender como podia daquela louca que parecia ter 14 mãosinhas batendo nele, impossíveis de controlar.
O resto do grupo que estava na sala ouviu os gritos e imaginaram o que devia estar acontecendo, então caíram na gargalhada.
- Calma! Calma! – Finalmente ele conseguiu prender as mãos da menina e os dois respiravam ofegantes.
- Quemévocê? Taarmado? Oquetafazendoaqui? Foivocêquecortoualuz?! – ela vomitou um batalhão de perguntas em cima dele.
- Onullmandoueulanternapegarvir! Digo... – ele se enrolou totalmente nas palavras!
- Mas... hein?
- O null... – tomou um fôlego e continuou mais calmo – pediu pra eu vir pegar uma lanterna.
- Ah ta! Eu também vim fazer isso! – ela riu e em seguida ele riu também. Os dois ficaram rindo daquela situação ridícula por um tempinho.
- Err... você... será que... – ela mexeu os braços e ele percebeu que ainda os prendia com suas mãos. Soltou imediatamente e null se levantou, depois o ajudou a se levantar também.
- Eu tinha acabado de tocar na lanterna quando você tropeçou em mim, sabia?!
- Desculpe! Mas tudo bem, eu pego! – ele se abaixou e pegou. Levantou de novo, porém quando foi ligar, viu que estava sem pilha. – Haa! Eu mato o null!
- Que foi?! Ta quebrada?
- Ta sem pilha.
- Merda... Vamos pra sala então, a gente tira a pilha de alguma coisa que tenha por lá, nem que seja a do controle remoto!
Os dois saíram do quarto. Agora um se apoiava no outro e nas paredes. Chegando ao topo da escada, null pisou em falso e os dois perderam o equilíbrio, já que estavam segurando um no outro. Isso resultou em dois seres rolando escada abaixo! Com o barulho enorme, todo o grupo que estava na sala tentou correr até a escada o mais rápido possível. null conseguiu chegar primeiro, mas como não estava vendo nada, tropeçou na perna de null e caiu. E isso aconteceu com todos os outros ceguetas, que formaram uma montanha em cima do acidentado.
- Saiam de cima de mim! Não viram que eu acabo de cair de uma escada, caralho?! – era null tentando se mexer.
- Pelo menos você ta acordado cara! – null se levantando e ajudando os outros a se levantarem também – Mas... Cadê a null? Ela não caiu também?
- Gente eu achei, ela rolou um pouco mais e ficou aqui perto da porta. Só que ela ta desmaiada, me ajudem! – null tentava levantá-la pelos braços.
- Pelo menos a gente não caiu em cima dela também! – null esticava os braços andando devagar pra chegar onde null estava. Ele pegou null no colo e null o ajudou a se guiar até o sofá mais próximo. Os outros também se dirigiram para a sala, null e null ajudaram null a chegar numa poltrona, ele sentia uma dor incômoda no lábio inferior, junto com um fraco gosto de sangue. Se lembrou da hora que bateu o queixo e então deve ter mordido o próprio lábio. Temia que aquilo estivesse muito feio!
- Hey null, você pelo menos conseguiu achar a lanterna?
- Achei, seu inútil, mas ela tava sem pilha!
- Ah, quanto a isso não tem problema, tem pilhas aqui. Vou procurar a lanterna que deve ter caído em algum lugar, espero que não esteja quebrada... – null foi procurar a lanterna com as pilhas na mão.
- Você ta bem dude? – null estava em pé ao lado dele, mas dava tapinhas por todo o rosto do amigo, como se não estivesse encontrando-o.
- null... null... – null tentava se livrar dos tapinhas irritantes – PÁRA DE BATER EM MIM PORRA!
- OKAY! EU SÓ QUERIA SABER SE VOCÊ TAVA BEM, INGRATO!
- Shhhh, parem de gritar moças! – null chegava com a lanterna e jogou o foco de luz diretamente sobre os dois – Não estão vendo que tem uma desmaiada logo ali?!
- null, você tá sangrando! – null falou assustada quando pôde ver null. Ele passou a mão pela boca e confirmou sua suspeita que tinha mordido o lábio inferior.
- Acho melhor arranjar alguns lencinhos pra você. – null disse.
- Toma – null jogou a lanterna pra ela – Vai até a cozinha, já aproveita e pega uma daquelas coisas que se usam na TV pra dar para os desmaiados cheirarem!
- Vinagre? – ela perguntou como se fosse óbvio, já indo em direção à cozinha.
- Que seja... – null falou revirando os olhos.
- null – null olhou pra ele, quer dizer, imaginou que estava olhando – Eu continuo sem saber se a sua prima é imaginária porque afinal de contas eu ainda não a vi!
null, null, null e null esperavam null retornar da cozinha e foram caminhando pra ficar em volta do sofá. null já estava sentado no sofá com as pernas de null no colo.
- Verdade... Eu também nunca a vi! Só o null que viu. Ela é hot, null? – null perguntou logo depois do que null havia dito.
- null! Por acaso isso é hora de perguntar se alguem é hot seu retardado? Se eu estivesse te vendo, te daria um pedala! – null respondeu
- Deixa... – null sabia que estava do lado dele e lhe deu um tapa na cabeça.
- Hey! – null gritou, mas não foi pelo tapa.
- Desculpa aí, mas você mereceu! – null resmungou cruzando os braços.
- Não, num é isso é que... A GAROTA SUMIU!
- Hun? – todos perguntaram sem entender o descontrole do null.
- A null! Não ta aqui! Passa a mão aí no sofá, ta vazio!
- CARALHO, MINHA PRIMA SUMIU! – null tateou o sofá e depois levou as mãos à cabeça.
null segurava suas gargalhadas, já tinha percebido a situação. Até que null chegou da cozinha, mirando a lanterna no sofá onde estavam os quatro desesperados.
- Mas vocês são retardados mesmo! Eu e null a colocamos NO OUTRO SOFÁ, seus animais! – ela agora mirou a luz no sofá do outro lado e eles viram a menina e também um null que ria descontroladamente.
- Olha null, na cozinha não deu pra achar nada melhor que uns guardanapos mesmo... Mas já dá pra você limpar a boca. – null entregava uns guardanapos a null, quando a luz de repente voltou e todos fizeram aquela algazarra. Depois de algumas palmas, assovios e aleluias, null bateu os olhos na menina desmaiada e sua expressão se tornou um misto de ‘nada-com-qualquer-coisa’ instantaneamente, mas ninguém reparou. Ele a reconheceu assim que viu aquele rosto. ‘Não mudou quase nada’ ele pensava enquanto ficava paradão.
- Agora só falta acordar a null! – null dizia já umidecendo um guardanapo no vinagre.
- E se ela não acordar? A gente vai ter que chamar uma ambulância... E se ela morrer? – null falou ao observar a irmã aproximar o papel molhado com vinagre do nariz da menina, que nem se mexia.
- Aff, nem fala uma coisa dessas! A mãe dela mata a gente e o pai dela leva nossos corpos para o Canadá! – null falou e todos riram. [n/a: vê se isso é jeito de tratar uma desmaiada u.ú tsc tsc tsc!]
- Quer dizer que vocês não estão preocupadas comigo e sim com meus pais é?! Ai... – null acordou falando, para o alívio geral, mas teve dor e precisou pôr a mão na testa ao tentar mexer a cabeça.
null estava no seu ‘momento excluído’, ele ficou alguns passos atrás dos outros que rodeavam o sofá, mas não tinha se dado conta disso, ele apenas estava sem saber o que fazer! Não sabia qual deveria ser sua reação quando ela o visse, não sabia se ela iria reconhecê-lo, não sabia que cara fazer pra ela, não sabia de nada!
- E o menino que caiu comigo? – null se lembrou de repente num susto e se pôs sentada – Ele tá bem? Ele morreu?
- Morrer?! Ah, esse vazo ruim não quebra fácil não! Esse merda só cortou o lábio! – null se virou pra null e deu tapinhas no ombro dele ao dizer a última frase. null também o reconheceu logo. Os dois ficaram um tempinho se olhando com suas melhores expressões de ‘nada-com-coisa-nenhuma’, até que null começou a esboçar um sorriso tímido e ela também. Logo os sorrisos tímidos de canto de boca viraram risinhos e depois gargalhadas. Todo mundo pasmava assistindo esse aparente surto psicótico.
- Cada vez mais eu tenho certeza de que essa casa é um hospício! – null falou se afastando um pouco e desistindo de entender a situação.
- Eles bateram a cabeça, dude! Amanhã voltam ao normal... – null abanou o ar à sua frente e foi sentar numa poltrona.
null e null já secavam lágrimas nos cantos dos olhos de tanto que deram risada.
- Então VOCÊ é a prima do null que eu achava que era imaginária!
- Sim, ela é minha prima desde que nasceu! Dá pra explicar qual é a graça agora ou vocês querem rir mais um pouquinho?
- Calma null, é que eu e o null já nos conhecemos. – null explicou, já mais tranquila.
- Ahn... – null falou num tom de voz de quem está boiando – E isso é engraçado?!
- Na verdade... Não. – null falou pensativo.
- Nem um pouco. – null completou e eles voltaram a rir, só que dessa vez era pra provocar os amigos mesmo.
- Desisto! Cansei de entender esses esquisitos! – null falou e em seguida pegou o controle da TV.
- Um incêndio numa fábrica de fogos de artifício atingiu a rede elétrica, o que causou um apagão em alguns lugares. Nesse momento a energia já foi estabilizada em alguns pontos da cidade. Voltamos a qualquer instante com mais informações. - o cara do jornal falava enquanto mostravam o local que pegava fogo.
- Pelo menos a gente já sabe o porquô disso tudo! – null falava surpresa enquanto mantinha os olhos na TV.
Depois daquele primeiro momento, tanto null quanto null ficaram um pouco sem graça. ‘OMG ele ta tão homem agora, não é mais aquele garoto que ficava sentado na escada da escola matando aula comigo... Droga! Tanta gente no mundo e meu primo tinha que ser amigo justo do null! O que eu fiz pra merecer isso, hun? E por que eu estou tão incomodada a final de contas? Ele também já foi meu amigo... Veja pelo lado bom, pelo menos ele não deve se lembrar da última vez que a gente se viu!’ null pensava olhando pros lados, pra TV, para os outros, menos pra null! ‘Então só pode ter sido ela quem estava correndo hoje de manhã! E não é que ela está linda?! Quer dizer... Não que ela fosse feia antes, mas é que ela agora está mais mulher só que continua com aquele olhar de criança traquina que eu sempre adorei... Agora me diz! Ela não podia ter engorado uns 30kg e ter raspado o cabelo? Ela linda desse jeito é tortura! Definitivamente!’ null pensava enquanto a observava. De repente ela finalmente olhou pra ele, o que o fez fingir imediatamente que olhava pra outro lado.
- null – ela chamou e o menino à sua frente voltou a encará-la – Desculpa ter feito você cair, afinal fui eu que me desequilibrei e te arrastei junto...
- Hey, a culpa não foi sua! E depois, nem aconteceu nada comigo! – ele sorriu e ia se aproximando dela, quando todos se assustaram com um barulho que vinha da rua.
- Salve-se quem puder! Quem for do McFly primeiro! – null falou se jogando no tapete e tampando os ouvidos, fazendo todo mundo rir.
- Mas falando sério... Que porra foi aquela? – null falou chegando perto da janela depois de parar de rir com a brincadeira do null.
- Parecia um monte de coisas caindo no chão, junto com alguns vidros... – null se aproximou de null na janela, falando também confuso.
- Parece que não foi na rua, não tem nada jogado aí. – null concluiu depois de observar um pouco.
- Veio dessa casa aí na frente. – null afirmou com certeza na voz.
- Como sabe? – null perguntou pra ela se aproximando e cruzando os braços.
- Eu tava aqui, perto da janela e tava olhando pra fora quando a gente ouviu o barulho e deu pra ter quase certeza que veio daquela direção. – ela apontou pra casa da frente e os quatro meninos olharam pra ela com uma cara meio espantada.
- O que foi? – estranhou os olhares.
- Erm... null... É que essa casa ta vazia. – null levantou uma sobrancelha.
- O quê? – null entrou na conversa.
- É, não tem absolutamente ninguém morando aí há quatro meses. – null afirmou e null deixou seu queixo cair.
- Ma-mas... – null gaguejava de nervoso – E o Dean?
- Ele... foi assassinado. – null contou o fato e as três meninas, que não sabiam do ocorrido se assustaram, mas a reação de null foi a mais exaregada, com direito a mão sobre o peito e olhos esbugalhados.
- Como ele foi assassinado? Por quem? Prenderam o bandido? – null recuperou o fôlego e disparou nas perguntas.
- Bom... A principal suspeita era a mulher dele, porque eles discutiam muito, aí ela simplesmente desapareceu! – null explicava e null prestava atenção em cada palavra. Até que eles ouviram mais uma vez um barulho um pouco ‘menor’ que o anterior e todos os que olhavam confusos pra null e suas reações, agora voltaram seus olhares para a janela.
- É verdade, null! Parece que o barulho vem mesmo de dentro daquela casa! – null concordou com null falando pensativo, surpreso e chocado ao mesmo tempo.
- Eu não disse!
- É mas... Como pode se ela está vazia? – null lançou essa pergunta no ar e todos ficaram silenciosos.
- Ainda não acredito que o gostoso do Dean morreu. – null pensou alto com os braços cruzados e o olhar perdido. Só que ela pensou alto demais e todos puderam compartilhar esse pensamento. Então voltaram a olhar pra ela com umas caras tipo ‘hã?!’
- O quê? Ah, qual é... – ela ria sem graça – Vai dizer que ele não era bonitinho?!
- Não sei, naqueles dias que a gente passou aqui, não o vi nenhuma vez.
- Ah null! Em que mundo você tava, hein? Em todos os dias da semana era ele quem pegava o jornal na frente da casa!
- Eu também não o conheci. Na última vez que vim pra cá eles não moravam aqui ainda, mas essa casa já tava aí! E ninguém morava nela, que nem agora.
- Eles se mudaram pra cá tem um ano eu acho... – null olhou pra cima, meio que tentando lembrar.
- Bom, azar o de vocês se não o viram! Ele era realmente LINDO! Quem eu nunca vi foi a vaca da mulher dele... Ah, mas se eu pego ela... Por que ela fez isso hein?
- Dizem que é porque ele era muito galinha e ela se irritava sempre com isso... – null respondeu e levantou os ombros. Ele ficou chateado vendo a menina que ele gostava falando tanto de outro cara, como se fosse apaixonada por ele.
- Cara, ainda bem que eu e Delilah terminamos hoje! Acho que eu ia ter o mesmo futuro com ela! – null comentou fazendo todos rirem. null ficou pensativa, acima de tudo, sentiu uma pontinha de felicidade ao saber que ele terminou.
- AAAAAHHH! – null grita assustado e se afasta da janela dando passos pra trás e indo parar no sofá onde null ainda estava sentada.
- Que foi null?? – ela perguntou ao primo colocando uma mão sobre o ombro dele.
- Ali na janela daquele quarto! – null esticava o braço apontando um dos quartos da casa em frente – Uma luz muito forte piscou lá dentro, bem rápido, eu vi! Foi como um relâmpago! Mas não era! Porque foi só lá dentro! – ele afirmava assustado e confuso ao mesmo tempo – Ninguém mais viu?
Todos balançaram a cabeça negando.
- Uhhhh, o null ta vendo coisas! null ta com medo! Se cagando! – null brincava de fazer caras e bocas colocando a lanterna embaixo do queixo na frente do amigo.
- Me dá isso aqui! – null tomou a lanterna da mão dele e foi andando em direção à porta.
- Hey! Aonde você vai?! – null perguntou se levantando e foram todos atrás dele.
null abriu a porta e foi caminhando decidido com o olhar fixo na casa do outro lado da rua, até que parou e ficou na calçada mirando a luz da lanterna pra dentro da casa, ou melhor, pra dentro daquele quarto no segundo andar da casa onde ele viu uma luz piscar. O resto de seus amigos se amontoaram na porta pra assistir e nenhum deles quis passar dali!
- null, volta logo seu maluco! E se piscou mesmo uma luz aí dentro o que você tem com isso, han? – null pedia que o primo voltasse, mas ele nem ao menos se virava pra trás.
- Dude, pára com isso! Não tem nada aí, ok? – agora foi a vez de null tentar.
- Mas quem explica aquela luz então? Eu juro que eu vi, ta! – null falava alto de onde estava, na calçada, levantando os braços e virado para os amigos.
- OMG! – null esbugalhou os olhos e pôs a mão na boca. Ela acabara de ver as cortinas da sala se mexendo como se alguém estivesse sacudindo.
- Que foi! O que aconteceu?! – null virou de lado e perguntou rápido enquanto movimentava a cabeça de um lado pro outro afobado, olhando a casa e seus amigos.
- Aquelas cortinas... Parecia que alguém estava mexendo nelas! Vocês viram? – null perguntou na esperança de não ter percebido aquilo sozinha, mas todos negaram ter visto qualquer cortina se balançar.
- Ow, droga! Vocês me fizeram virar de costas pra lá bem nessa hora! – null deu um soquinho no ar e riu.
- Pode ter sido o vento, null! Não se assuste, não vai na onda do null! – null disse passando um braço pelo ombro de null, depois aproximou o rosto do ouvido dela e continuou a falar – Ele é do mal, só quer assustar a gente... – e então deu um beijo que fez barulho em sua bochecha. Preciso dizer o quanto a menina se arrepiou e esqueceu de tudo? Não, creio que não preciso!
- Pra mim já chega! Essa noite já foi muito cheia de sustos! Eu agora quero dormir... Se você prefere ficar aqui fora congelando, null, por mim não tem problema!
- Calma null! Não precisa ficar bravinha na frente dos meus amigos, eu já to indo! – null se dirigia de volta pra casa enquanto ria da cara que null fazia. Todo mundo foi entrando e ele passou um braço pelo ombro de null, que passou seu braço pela cintura dele. Os dois entraram juntos e logo atrás estavam null, null e null.
- A null acha esses dois suspeitos... To começando a pensar que ela tem razão! – null comentou com os dois meninos. null soltou um sorrisinho com um olhar safado, null deu de ombros e não gostou muito desse comentário.
Os sete ficaram conversando e zoando mais um pouco na sala de null. Meia hora depois, mais ou menos, null, null e null se despediram dos meninos e foram dormir. null, null e null também não demoraram muito depois disso e logo foram para suas casas.
Capítulo 8 – War of the Cookies!
- null, acorda! – null pulava em cima da cama de null - detalhe: com ela deitada lá...
- null vai chegar, null vai chegar! – null também dava seus pulinhos histéricos só que no chão mesmo.
- Han... o quê? Vocês estão derrubando meu quarto! Que horas são? – null tentava se sentar na cama sonolenta.
- Duas da tarde. – null pulou pra fora da cama e olhou em seu relógio no pulso.
- CARALHO, VOCÊS ME DEIXARAM DORMIR ATÉ AGORA?! – null se livrou rápido das cobertas e levantou da cama – null chega daqui à meia hora lá na estação, temos que voar pra lá!
- Calma, null! O null já se ofereceu pra levar vocês até lá de carro e trazer a null! – null tentava desacelerar um pouco a menina que jogava roupas em cima da cama enquanto escovava os dentes.
- O quê? Cooarrim oces? – null falou com a boca cheia de pasta mas achou melhor terminar e repetir – Como assim vocês, quer dizer que você não vai?
- Não, porque eu fui encarregada de ficar aqui e preparar umas guloseimas! – null tem habilidades na cozinha e isso é muito legal!
Uns minutos depois, null, null e null já estavam quase prontos pra sair, quando tocou a campainha.
- Fala, dude! – null abriu a porta e era o null.
- E aí, null! Vim pro ensaio... faz tanto tempo que não tocamos que eu já estou ficando com saudades!
- Hummm... essa frase foi comprometedora, hein null?! – null falou aparecendo atrás de null.
- null! Já falei pra não deixar as meninas descobrirem o nosso relacionamento! Seja mais discreto! – null apenas falou rindo e deu um tapa na cabeça do amigo.
- Oi, null! Olha, você vai ter de esperar só mais um pouquinho pra matar a saudade, tá?! – agora foi null que apareceu ao lado de null.
- Por que? null, você tinha falado ontem que o ensaio foi adiado pra hoje ou é impressão minha?
- Uhum! Eu tinha adiado mesmo pra hoje, mas esqueci de avisar que tem uma amiga da null chegando e eu vou buscá-la agora. Se quiser esperar eu voltar pra ensaiarmos...
- Ah não... não tem pressa, estamos de férias com a banda mesmo! Podemos desenferrujar amanhã ou outro dia... deixa que eu aviso os caras. – null já ia virar pra ir embora quando null falou.
- Por que você não entra? A null ia gostar de te ver...
- Hum? Ela não vai sair com vocês?
- Não, ela está na cozinha preparando alguns lanches gostosos pra quando voltarmos! – null explicou com um sorriso de segundas intenções que null captou e imitou logo depois.
- Pensando bem... acho que ela não ia gostar de ficar sozinha sem ninguém pra ajudar, não é?!
- Hey, eu não vou te deixar sozinho numa casa com uma prima minha! – null se fingiu de muito injuriado.
- Poxa, null! Se você não confia no seu amigo, pelo menos confia na sua prima... – null pediu lançando aquele olhar suplicante que toda mulher - e também do gatinho do Shrek - sempre sabe fazer.
- Tá bom, entra logo que já estamos atrasados, null. E... juizo com ela, okay?! – null apontou o dedo pra null enquanto ele passava ao seu lado. Mesmo não sendo primos de verdade, null se preocupava com null e null como se fossem. Ele fechou a porta e foi com null e null em direção ao carro. Enquanto null, dentro da casa, observava da sala a entrada para a cozinha e podia ouvir os barulhos que null fazia lá dentro. Foi se aproximando devagar com passos pequenos e silenciosos.
No carro!
- Acho que a null deve ter ficado feliz quando viu null! – null dizia já dentro do carro com null dirigindo e null no banco do passageiro. Eles acabavam de dobrar a esquina ao final da rua.
- Você acha? Eu tenho infinita certeza! – null repondeu rindo.
- O null é um cara legal, ele não seria capaz de sacanear a null. – null sorriu ao volante e olhou rapidamente para a null e null que também sorriam.
Em casa!
null ainda não tinha visto que null estava ali, ele simplesmente ficou escondido atrás da entrada da cozinha. Achando que estava sozinha, null começou a cantarolar a música que ouvia em seus inseparáveis fones de ouvido. Era uma música animada, que fez a menina se soltar um pouco mais e começar a balançar a cabeça pros lados enquanto cantava o refrão.
…
Let's rough it up
(Vamos bagunçar) Till they shut it down
(Até que eles desliguem)
It's oh-oh-obvious
(É, oh, oh, óbvio) Right here's where the party starts
(É bem aqui que a festa começa) With you and me all alone
(Com você e eu sozinhos) No one has to know
(Ninguém precisa saber) It's oh-oh-obvious to me
(É oh, oh, óbvio pra mim) How it's gonna be
(Como vai ser) Oh-oh-obvious
(Oh, oh, óbvio) When you come close to me
(Quando você chega perto de mim)
Mesmo ela não sendo cantora nem nada, conseguiu prender toda a atenção de null, ele deu uns passos pra frente e ficou parado observando-a cantar e mexer os quadris de costas pra ele. Ficou tão hipnotizado que levou um susto muito grande que o fez perder o equilíbrio e cair quando seu celular começou a tocar no bolso do agasalho. null arrancou os fones da orelha e foi ver que barulho foi aquele que ela quase tinha certeza que escutou atrás do balcão. Viu então um menino bobão com a bunda no chão...
- null?! V-você está bem? – ela de tão surpresa gaguejou um pouco.
- Estou... me ajuda aqui? – ele estendeu as duas mãos pra ela puxar e ajudá-lo a se levantar do chão. Ao ficar totalmente de pé, null percebeu que os corpos dos dois estavam perigosamente próximos! Ela podia sentir suas bochechas ardendo, provavelmente estavam vermelhas como uma plantação de morangos e ele escutava seu próprio coração batendo como se estivesse ao lado do ouvido.
- Você não... não vai atender? – null falou pausadamente pra não gaguejar outra vez. Ela se referia ao celular que ainda tocava no bolso dele.
- Awn... é o Fletch. Espera só um instantinho. – ele olhou o visor do celular e resolveu atender, podia ser importante... foi conversar com o empresário na sala enquanto null tentava voltar a se concentrar nos cookies que fazia.
O papo com Fletch foi rápido e logo depois, null já ligou pra null e null dizendo pra eles não aparecerem pra ensaiar.
- Oi, null. – null parou mais uma vez na entrada da cozinha, só que dessa vez, deixando sua ilustre presença ser percebida.
- Han... já conversaram?
- Ah, é foi rápido! Era só o Fletch dizendo que quando acabarem as nossas folgas, ele vai querer conversar conosco... – null explicou e puxou uma cadeira.
- Hum... Fiquei surpresa quando te vi aí. O que fazia sentado no chão, posso saber? – null conversava de costas, sem se virar pra ele.
- Eu caí porque me assustei quando o celular tocou. Acho que estava prestando muita atenção em alguém que dançava na minha frente. – após ouvir isso, agora sim ela virou a cabeça pra trás. Não conseguiu pensar em nenhuma resposta, então apenas sorriu tímida e voltou a olhar pra frente instantes depois.
- O que você está preparando?
- Cookies. Você gosta?
- Uhum! Quer ajuda?
- Se não for pedir muito, seria ótimo! – os dois sorriram, null se levantou da cadeira e foi pro lado dela.
- Então... o que eu faço?
- Corta em pedacinhos pequenos essas barras de chocolate enquanto eu estou misturando a massa...
- Yes, sir! – ele fez sinal de continência e começou a lavar as mãos.
No carro!
- Chegamos crianças! – null falou parando o carro e puxando o freio de mão. As meninas desceram e foram os três entrando na estação de trem. null já olhava para todos os cantos da estação procurando pela amiga, que podia estar sentada em algum banquinho esperando por eles. Como ninguém achou null esperando em canto nenhum, procuraram informações sobre o trem que ela pegou e foram esperar na plataforma certa.
- Tomara que ela passe vários dias aqui conosco! Ela virou a minha companheira de compras preferida! –null falava empolgada.
- Puxa, fiquei até com ciúmes agora... – null se fez de ofendida.
- Ah null, você sabe, poxa! É que você e a null cansam logo enquanto que eu e ela não, podemos passar uma semana inteira fazendo compras sem parar!
- Vocês são doentes, isso sim! – null riu e os três viram que o trem já vinha. Ficaram de pé e observaram o trem parar, depois várias pessoas saírem e nada da null. Ok... ela foi uma das últimas a sair!
- null! Eu já estava desesperada pensando que você não estava aí nesse trem! – null foi abraçá-la e em seguida, null. null esboçou um pequeno sorriso e lhe deu um beijo na bochecha.
- Demorei um pouco pra sair porque nem vi que já estava chegando, eu caí no sono!
- Err... deixa que eu carrego.
- Obrigada, null. – o garoto se ofereceu pra levar a mala e ela agradeceu com um sorriso tímido.
- Então... você está melhor, null? Mandou a carta? – null quebrou o silêncio enquanto eles começavam a caminhar.
- Uhum. Foi a primeira coisa que eu fiz quando acordei hoje!
- Que carta? – null quis saber e null já andava mais à frente com a mala.
- Quando chegarmos eu conto tudo direitinho pra você e pra null. Aliás, ela está bem? Por que ela não veio?
- Ficou lá preparando alguma coisa pra comermos quando você chegasse. Mas eu temo que nós vamos ter de ficar com fome porque com o null lá sozinho com ela, acho que vai acabar não preparando nada! – null ria maliciosamente.
- Você acha? Agora sou eu quem tenho infinitas certezas! – null acompanhou com a mesma risada.
- Não estou entendendo, quem é esse null?
- É um amigo do null, faz parte da banda... vocês serão apresentados depois! Mas vamos logo porque eu quero chegar em casa e ver se teremos ou não algo pra comer! – null começou a correr saltitante em direção ao carro. Viu que null acabava de pôr a mala da null no porta-malas e estava desprevenido. Logo, pulou nas costas dele. Adorava fazer isso porque ele sempre se assustava! Só que dessa vez ele não se assustou e começou a girar com ela presa às suas costas. Eles soltavam aquelas risadas alegres e todo mundo passava olhando e achando que eles eram só mais um casal de bobos e apaixonados. null e null se entreolharam vendo os dois, bufaram e entraram no carro.
Em casa!
- Não, null! – null ria enquanto tentava se defender como podia dos pedacinhos de chocolate que null jogava no rosto dela, tentando acertar a boca.
- Espera! Fica quieta! Eu vou acertar um!
- Pára, null! Me ajuda a terminar de pôr os biscoitos na placa primeiro!
- Tudo bem! Está com medo que eu acerte mesmo!
- Não! Estou com medo que os cookies não estejam nem sonhando em estar prontos quando null chegar! – ela respondeu ainda tentando ficar séria. Coisa meio impossível com null null e suas criancices fofas.
- Essa null deve ser uma obesa, se você tem que ficar preparando cookies pra ela! – null cruzou os braços como uma criança emburrada.
- Nossa, ela é muito gorda, você não imagina o quanto! – null falou num tom irônico, null era a pessoa mais magrinha que ela já viu em toda a vida. null foi ajudando a completar a placa com biscoitos, quando terminaram ela levou ao forno e ao se virar de volta pra ele, mais pedacinhos de chocolate já estavam voando em sua cara!
- Falei que eu não ia desistir? Não deve ser tão difícil! Fique aí onde está!
- null... sinceramente! Deve ter alguma criança de cinco anos possuindo o seu corpo nesse exato momento!
Eles não perceberam, mas null e null haviam acabado de entrar na casa. A porta estava aberta e eles foram entrando... chegaram perto da cozinha e antes que pudessem ver as duas figuras, ficaram ouvindo a conversa.
- Espera... fica assim mesmo que está ótimo!
- null! Isso é inacreditável, não acredito que estamos aqui no meio da cozinha...
- Calma, null! Abre a boca mais um pouco, senão não vai entrar.
As caras que null e null faziam eram inexplicáveis!
- null, águem porre rregarr! – ela falava com a boca um pouco aberta, quis dizer ‘alguém pode chegar!’
- Só mais um pouquinho, eu estou quase conseguindo!
null já passava as mãos bagunçando todo o cabelo e sacudia a cabeça incrédulo, enquanto null estava roxo de tanto prender a gargalhada alta que queria sair.
- AH! Foi!
Na hora que os dois ouviram os gritos de null e null rindo, não conseguiram se conter e botaram as caras na entrada da cozinha. Viram null com pedacinhos de chocolate nas mãos e os braços esticados pra cima. Não puderam se segurar com aquela cena e as gargalhadas saíram altas, surpreendendo os dois na cozinha, que ficaram quietos.
- null... null? O que fazem aqui? – null perguntou um pouco envergonhada pela bagunça que ela e null estavam fazendo na cozinha da mãe do null.
- É que a porta estava aberta... mas, dude, vocês são loucos! Quase nos mataram de susto! – null falava um pouco embolado, devido aos risos no meio das palavras, enquanto null, nem ao menos respirar conseguia.
- Hum? Morrer de susto? – null perguntava sem entender enquanto comia alguns dos pedaços de chocolate que restaram nas mãos.
- A gente chega... Ouve você falando pra null ter calma e abrir mais a boca senão não vai entrar! Você quer que pensemos o que?! – null falou recuperando o fôlego depois das risadas. null arragalou os olhos e olhou pra null, que sorria de um jeito abobado com o queixo ligeiramente caído.
- null, taca chocolate neles! – null gritou e apontou para os dois meninos. null fez que sim com a cabeça e imediatamente já começaram os pedacinhos de chocolate voando pela cozinha outra vez. Os quatro bagunçaram ainda mais aquele lugar, se é que isso era possível! Quando deram por si, havia chocolate por todos os cantos e neles também...
- OMFG! null vai chegar e isso vai estar... ASSIM?! – null se desesperou olhando pro relógio, eles já deviam estar chegando!
- Dizemos que foi tudo culpa do null! – null falou.
- Hey?! – null cruzou os braços.
- É... pior que foi mesmo null, você que começou com esse negócio de querer jogar o chocolate dentro da minha boca!
- Ah, mas se os enxeridos do null e do null não tivessem entrado aqui sem ser convidados pelo null... null! – null viu null em pé logo atrás dos outros três que estavam à sua frente, parou de falar na mesma hora e ficou pálido. null, null e null se viraram pra trás devagar pedindo mentalmente que aquilo fosse brincadeira do null... não era.
- Err... Oi! – null falou rápido e se escondeu no meio dos dois meninos, botando eles na sua frente.
- O que aconteceu aqui? Passou um furacão?! – null olhava incrédulo o estado da cozinha.
- Caralho! O que vocês fizeram?! – null apareceu logo atrás de null, também observando tudo pasma. null e null se infiltraram no meio deles, que estavam tampando a entrada. Quando entraram ali também ficaram surpresas e apenas riram.
- Desculpa aí, dude... foi mal... – null e null sussuraram baixinho como se tivessem combinado.
- E você, null? Não tem nada pra dizer, não?! – null se dirigia ao menino que parecia estar em transe. ‘Retiro o que disse sobre ela ser obesa!’ null pensava antes de ser acordado.
- Hum? E-eu? – olhou pra null, acordando do transe que ficou ao ver null entrar e rir pra ele. Quer dizer... rir dele!
- Claro que é você! Está vendo outro null Idiota null sujo de chocolate por aqui?
- Desculpa cara! Foi sem querer, quando vimos já estava assim... – Após essa frase de null, os outros três ‘culpados’ afirmaram com a cabeça olhando pra null.
- Por acaso tem mais desses malditos chocolates picados aí? – null perguntou levantando uma das sobrancelhas. null olhou pro balcão de mármore, havia milhares deles ainda. null foi caminhando calmamente até o balcão enquanto todos o observavam quietos. Pegou um punhado, jogou alguns pedaços na boca. Todos se entreolhavam. Quando null lançou seu olhar mortal pra todos eles...
- Coooooooooorreeee negadaaa! – null gritou e todos dispararam pela casa debaixo de chocolates e mais chocolates acertando suas cabeças.
Capítulo 9 – A casa-monstro.
A guerra de chocolates durou até a hora que eles sentiram o cheirinho bom dos cookies assando no forno. Interromperam a brincadeira imediatamente e foram comer, feito uns mamutes esfomeados no deserto...
- Dude... isso foi muito bom! – null falou pousando a mão sobre o estômago. Ele se encheu de biscoitos assim como os outros.
- É o null? – null, que estava ao lado de null, sussurrou e ela apenas afirmou balançando discretamente a cabeça, olhando a amiga de canto de olho e esboçando um pequeno sorriso.
- null! – null o olhou – Fiquei surpresa em te ver! O que faz aqui?
- Oi, null! Que saudade de você também! – ele riu irônico e voltou a falar – Faço parte da banda e fiquei também muito surpreso quando soube que a prima imaginária do null era a null!
- Imaginária? – null e null perguntaram ao mesmo tempo, se entreolharam e olharam pra ele.
- Era brincadeira minha, porque o null sempre fala da null, sendo que eu só tinha visto null e null...
- Sempre fala de mim, null?! Ahn... descobri porque é que minha orelha às vezes ferve! – ela brincou e estranhou vendo que null estava um pouco vermelho. Mas não foi pelo que acabaram de dizer à mesa, e sim porque às vezes seu olhar se encontrava com o de null e, enfim...
- Minha mãe está me ligando. Acho que ela quer que eu vá pra casa! – null se levantou mas antes que ele pudesse dar o primeiro passo, null correu e parou na frente dele.
- Ninguém vai sair daqui sem ajudar a limpar toda a bagunça antes, está ouvindo senhor null?!
- Anh... que seja... – null bufou e revirou os olhos. Assim como null mandou, todos foram limpando a casa, até não sobrar mais nenhum pedacinho de chocolate grudado no chão, paredes ou móveis. Ficaram limpando até o anoitecer. O que eles sujaram em alguns minutos, precisou de horas pra limpar!
- Espera null, ainda tem chocolate no seu cabelo! – null avisou e null ficou parada esperando a amiga terminar de tirar alguns pedacinhos de chocolate que null grudou no cabelo da prima sem a menor dó.
- Tem chocolate no meu cabelo e é tudo culpa do null! – null tentou lançar o seu melhor olhar fuzilante mas não conseguia prender o riso.
- Você tinha razão, null! Vir pra cá foi a melhor coisa pra eu esquecer dos problemas! – null também estava sorrindo. Aliás todos exibiam sorrisos bestas, apesar do cansaço que foi limpar aquilo tudo que eles bagunçaram.
- Também acho! – null estava próximo a elas e entrou na conversa.
- Também acha o que, null? – null se virou pra ele sem entender direito o que ele queria dizer.
- Que foi bom ela ter vindo! – respondeu com um sorriso no canto da boca e sentiu o rosto corar um pouco. Pois é, meus caros, não foi impressão! null ficou terrívelmente e instantâneamente fascinado pela null. null não deixou de notar isso, durante todo o tempo que eles passaram limpando a sala e a cozinha, null viu cada olhar que null lançava à null e sentia pontadas no fígado cada vez que via null corresponder. Pontadas no estômago quando os dois sorriam um pro outro. Pontadas no peito quando trocavam palavras tipo ‘Ah, deixa eu te ajudar aqui. Oh, obrigada!’ enfim, pontadas por todos os lados corroiam null.
null também não parecia muito à vontade. Ninguém sabe, nem mesmo null, mas ele e null estiveram juntos por um pouco tempo, ele ia praticamente todo final de semana visitar a prima e ver null. Mas isso terminou logo que ele descobriu que ela ficava também com o professor de química às escondidas.
Play null's Flash Back
- null, eu sou péssimo em química, não dá pra te ajudar a estudar! – estávamos no quintal da casa da null. Ela insistia que eu podia ajudá-la a estudar pra prova enquanto o que eu mais queria era sair dali pra encontrar null na sorveteria! Terceira vez que íamos ficar. A primeira foi na festa da null há duas semanas! Mais algumas vezes e eu ia pedir em namoro. Pena que deu tudo errado...
- Você não é tão péssimo, null! Com certeza não tanto quanto eu! Me ajuda, resolve só um negocinho desses pra eu saber como é...
- Mas eu não sei! Por que não pede ajuda ao seu professor?
- Porque ele fica muito ocupado ajudando null na salinha abandonada... – ela resmungou meio baixinho, eu não entendi muito bem mas ouvi o nome da null e quis saber.
- null? Salinha abandonada? Do que você está falando?
- Ai null... nada, não foi nada! Você está me deixando nervosa, se não quer me ajudar aqui tudo bem! Vai passear, vai. – ela ficou mesmo um pouco nervosa e começou a passar as folhas do caderno freneticamente. Aí tem coisa!
- Agora você vai ter de explicar o que foi que você disse! – olhei firme pra ela e ela evitava me encarar.
- É coisa da null, null! Não posso falar.
- Nem pro seu primo favorito? – lancei meu melhor olhar de coelhinho da páscoa!
- É que ninguém pode descobrir, null! Senão tanto ela quanto uma outra pessoa podem ficar muito mal.
- Que outra pessoa? Você está me deixando mais curioso!
- Uma pessoa que pode perder o emprego.
- Quem? Anda, null! Eu juro que não conto! Até porque, eu nem moro aqui! Eu ia contar pra quem?!
- Que isso não saia daqui está bom?
- Prometo que não!
- É que a null... Bom ela... Estápegandooprofessor.
- O que? Fala mais devagar, criatura!
- Ela e o professor de química estão... tendo um caso!
- Sério? – ouvindo aquilo parecia que todo o telhado da casa dela caía sobre mim. Fiz das tripas coração pra não deixar transparecer isso, ainda nem tinha contado que fiquei com a null algumas vezes, acho que null também não contou...
- Uhum. É isso.
- Nossa... que... diferente. – não sabia o que dizer, as palavras sumiram do meu vocabulário.
- Nem me fale! Mas só eu sei disso, ouviu?! Ignore totalmente esse fato! – claro, como se fosse fácil! A garota que tem me tirado algumas noites de sono está tendo um caso com o professor dela e eu fui feito de palhaço!
- Erm... null, eu acho melhor você continuar estudando. Não quero te atrapalhar, vou dar uma volta, ok?
- Está bom, né!? Ninguém quer me ajudar mesmo... – ela fez aquela carinha de ‘awn-puxa-vida!’ que só ela sabe fazer e eu sempre acho engraçado, mas naquela hora eu estava com muita raiva pra achar qualquer coisa engraçada! Me levantei, dei um beijo na testa dela e saí. Meus passos eram largos e eu cheguei rápido até a sorveteria. Queria ouvir da própria null aquela história toda, ainda tinha esperança que fosse um mal entendido, mas não era. Cheguei e null já estava sentada numa mesa me esperando.
- Oi, está aí há muito tempo?
- Um pouco...
- Hum... estava na casa da null. Já pediu alguma coisa? – me sentei de frente pra ela.
- Já tomei um suco. – ela respondeu e olhou pro copo vazio ao seu lado. Fiquei fitando o copo até tomar coragem.
- A null estava estudando pra uma prova de química, você não quer estudar também?
- Ah não, não precisa.
- Ah não? Engraçado, nunca ouvi a null dizer que você é boa em química...
- É que eu já estudei, null. – ela fez uma pausa, depois olhou pra mim – Você está estranho, o que foi?
- É que ser usado e feito de palhaço não é lá muito confortável, sabe!
- Do que você está falando?
- É óbvio que você não precisa estudar pra química, porque você DÁ para o professor!
- Pirou, null?! Que maluquice é essa agora? – ela se desesperou um pouco e comoçou a olhar para os lados. Com essa reação, não tem nem o que perguntar mais...
- Pára de negar, eu já sei de tudo.
- Como assim? Tudo o quê?
- Olha, a null não teve culpa, tá?! Ela não sabe que nós ficamos... eu estava lá e ela resmungou alguma coisa, fiquei curioso quando pensei ter ouvido algumas palavras como ‘ocupado’, ‘null’ e ‘salinha abandonada’ na frase dela. O resto você já sabe, pressionei e ela me contou.
- null... é verdade, mas eu não queria que você descobrisse assim.
- Ah, é? E queria que eu descobrisse como então? Pegando vocês dois juntos? Ah claro, pra eu me machucar mais... só que isso ia ser meio impossível já que o otário aqui mora um tanto LONGE e só vem nos finais de semana, quando você não está na escola, seria perfeito manter dois idiotas assim por um tempão, não acha?!
- Pára de falar assim, tá bom?! Eu ia te contar!
- E ia fazer isso quando? Depois de aproveitar mais um pouquinho de mim? – comecei a me sentir uma mocinha!
- Eu estava tomando coragem... você não imagina como eu me senti mal nesses últimos dias porque eu gosto de você! Ficar com você me deixou confusa.
- Confusa o suficiente pra me enrolar ao invés de contar a verdade... Mas tudo bem, pode ficar com o seu professor. Não se preocupe comigo, não vou espalhar seu segredo! – caía uma lágrima no rosto dela e eu não estava mais com paciência para aquilo. Me levantei e saí antes que ela falasse mais.
Stop null's Flash Back
O grupo, agora de oito pessoas com a chegada de null, se ajeitou pra conversar sentados no chão da sala. Não queriam sentar no sofá pois havia manchas de chocolate em suas roupas!
- Até que conseguimos deixar mais limpo do que estava antes! – null olhava ao seu redor – Pena que eu esteja completamente moída! – e se jogou no colo da pessoa ao lado, que por acaso era o null. Ele ficou alisando o cabelo da garota e perdeu a total noção do mundo. ‘Sério, eu podia passar o resto dos meus dias alisando o cabelo da null!’ ele pensava enquanto sorria bobo ao ver que ela já estava quase dormindo no colo dele.
null estava ao lado de null, que estava ao lado de null, que estava ao lado de null, que estava ao lado de null, que estava ao lado de null, que estava ao lado de null, que estava ao lado de null, que estava ao lado de null. Formaram uma rodinha, e vendo os amigos em círculo, null teve uma idéia.
- Dudes, vamos jogar?
- Ah não, null! Verdade ou desafio de novo não! – null protestou, nessas brincadeiras ele sempre acaba tendo que fazer coisas que nunca faria.
- Por que não?! – null insistiu.
- Porque isso é brincadeira de adolescentes... – null falava de braços cruzados mas o telefone começou a tocar.
- Espera, vou atender essa jossa... – ele se levantou, caminhou até o canto da sala e pegou o aparelho – Alô?... Oi! NÃO TEM VOZ NÃO, PORRA?! – e desligou o telefone.
- Nossa, o que aconteceu? – null falou se levantando sonolenta do colo de null, ela estava quase sonhando já.
- Eu atendi e ninguém disse nada. Malditos trotes! – null respondeu erguendo os ombros.
- Pega o número e liga de volta?! – null falou como se fosse uma idéia óbvia.
- Claro! Vamos zoar com eles agora! – null se levantou e foi animado esfregando as mãos pra perto do telefone. O número de onde receberam a ligação já estava sendo discado e começou a chamar, então null pôs no viva-voz.
- Uma... duas... três... ninguém vai atender, cara! – null contava os toques impaciente.
- Espera aí... é impressão minha ou eu estou ouvindo um barulho de telefone tocando? – null perguntou e olhou pela janela aberta da sala. Todos olharam pra ela e em seguida voltaram seu olhares para a janela também. null deu alguns passos pra se aproximar da janela, em poucos instantes, estavam todos juntos ali no maior silêncio prestando atenção no toque do telefone, que parecia muito vir da casa da frente, sincronizado perfeitamente com o barulho das chamadas no viva-voz. Os dois sons pararam ao mesmo tempo, como se alguém tivesse atendido e desligado em seguida. Todos ali se entreolhavam estáticos enquanto ouviam o ‘tu-tu-tu’ no viva-voz, perceberam muito bem que o telefone tocava mesmo na casa da frente! Foram dando passos pra trás, se afastando devagar e null fechou os vidros da janela com cara de assustado. Se virou para os amigos, que permaneciam em silêncio e levou as mãos à cabeça.
- Ah não, essa casa de novo!
- O-o-o telefone estava tocando lá?! – null apontou e olhava fixamente pra janela, como num estado de choque.
- Não pode ser... – null falou pensativo.
- Ué, gente! Era lá mesmo que estava tocando, naquela casa ali da frente que estava com as luzes apagadas! Não entendi o porquê de tanto espanto! Vizinhos folgados passando trote tem em todo lugar... – null falava sem entender aquelas caras preocupadas que todos faziam.
- Seria normal SE TIVESSE ao menos UM vizinho folgado lá! – null respondeu mas ela continuou com aquela cara de quem não estava entendendo ainda.
- null, meu frapêzinho de chocolate! Presta atenção... – null olhava pra ela como se fosse explicar algo à uma criança de três anos – É uma longa história, mas resumindo, não tem ninguém naquela casa porque o homem que morava aí foi assassinado, quatro meses atrás.
- O QUÊ?! OMG! – null se assustou e agarrou a primeira criatura que encontrou ao seu lado esquerdo, era null.
- Ai, está me sufocando, cacete! – depois de algum sacrifício, null se livrou do sufoco e null ainda desesperada grudou na pessoa do seu lado direito, que era null. null apenas revirou os olhos, provavelmente sentindo mais uma pontada em algum de seus órgãos internos...
- Estamos ficando loucos, dude! Como pode sair uma ligação de lá, se ali não mora ninguém?! – null, que ficou até agora calado, se pronunciou.
- Estou começando a me assustar! Isso foi igualzinho aquela cena de A Casa Monstro!– null falou olhando pro nada e null olhou pra ela surpresa.
- Você está começando a se assustar?! CARALHO, EU JÁ ESTOU EM PÂNICO! Com certeza não vou conseguir dormir! – ela cruzou os braços e se encolheu no meio dos ombros.
- Calma, null, pode dormir no meu quarto se quiser. – null se aproximou, passou um braço pelo ombro dela e lhe beijou no topo da cabeça.
- Hmmmm... – null e null riram maliciosos. null ficou só observando.
- Hey, seus pervertidos! Não tive segundas intenções, tá?! – null lançou um olhar de reprovação aos dois que ainda riam.
Capítulo 10 – Os opostos se distraem, os dispostos se atraem
null, null e null passaram em suas casas pra tomar banho, trocar de roupa e pegar alguns objetos pessoais, tipo escova de dente, pasta, etc e tal. Depois voltaram pra passar a noite na casa de null e assim proteger as meninas assustadas. Colocaram dois colchões de casal no chão da sala entre os dois sofás pra todo mundo dormir ali e ninguém ficar com medo.
- Vai caber todo mundo aí? – null perguntou de um jeito meio fresco apontando pros colchões.
- Claro que cabe! Mas se você preferir... Pode ir dormir sozinha lá no seu quarto. –null brincou e ela negou com a cabeça freneticamente na mesma hora.
Ficou um colchão para três garotos e o outro para as três garotas, sendo que null dormiu num sofá e null no outro.
Já passava das quatro horas da madrugada quando null acordou num susto porque pensou ter visto uma luz azul piscando na sala. Ela ergueu o tronco e ficou por um tempo sentada no sofá, observando os outros dormirem nos colchões. ‘Foi estranho! Quando eu abri o olho foi como se uma luz que estivesse iluminando a sala inteira e tivesse se apagado bem rápido! Deve ter sido algum delírio meu, afinal eu tava dormindo né... Vou tomar água. Ah não! Antes preciso ir fazer xixi!’ Pensando nisso, ela se levantou e foi ao banheiro do primeiro andar. Enquanto ela estava lá dentro, null também acordou e foi direto à cozinha.
- OMG! – null se assustou ao entrar na cozinha e ver alguem lá. Mas se acalmou logo, ao perceber que era só o null – você me assustou, não sabia que estava acordado!
- Ah, eu acordei de repente com sede... E você, tá conseguindo dormir ou ainda tá com medo da casa monstro?
null riu um pouco com a pergunta e comentou sobre o incidente da luz que ela pensou ter visto. Os dois conversavam baixinho agora, mas null já havia acordado com os gritos iniciais de null ao se assustar com null. Continuou deitada no colchão de olhos fechados, apenas ouvindo os sussurros e algumas risadinhas.
- Eu também já fui acordado por uma luz... – null contava depois de ouvir a história de null.
- Hum?
- É, os meninos estavam tirando fotos de mim dormindo porque eu tava babando!
- Ergh! – os dois riram e null continuou contando as brincadeiras idiotas que eles gostavam de fazer quando alguém estava dormindo no ponto. Ouvindo as várias risadas baixinhas vindas da cozinha, null passou a imaginar o que eles estavam fazendo lá sozinhos, no escuro, e ficou triste sentindo o estômago pesado. ‘Ah, ele não muda mesmo...’ Pensou e depois abriu os olhos um pouco pra olhar os dois sofás e confirmar se eram eles mesmo. Após ver o sofá atrás dela vazio, null percebeu que o braço de null “repousava” sobre seu estômago! ‘Bem que eu tava sentindo um peso extra aqui...’ Pensou enquanto retirava o braço de cima dela com cuidado e voltou a fechar os olhos, dormindo tão rapidamente que nem viu se demorou para null e null retornarem. E isso não demorou muito, logo voltaram, mas agora null foi ao banheiro antes de se deitar. null estava se ajeitando no sofá, quando olha de relance para a janela e vê num cantinho uma cabeça que some rapidamente. Ela fica paralisada com as mãos na boca e os olhos esbugalhados. null retorna do banheiro e estala os dedos na frente do rosto dela.
- Hey, você tá bem?
- null – ela olhou pra ele ainda com os olhos asustados e a voz falha.
- O que foi? – ele perguntou num tom de voz calmo e baixo.
- Tinha alguém na janela!
- Espera. – ele então foi observar, não viu nada e voltou.
- Não vi ninguém null.
- Mas tinha null! Olha só... Eu tava aqui e quando bati o olho na janela, assim sem querer, eu vi o formato de uma cabeça ali! Aí a “cabeça” se abaixou rapidinho...
- Eu não sei se era isso, mas a única coisa que eu vi foi um cachorro aí na calçada. – ele deu de ombros e beijou a testa da garota, que parecia estar se acalmando agora. Os dois voltaram a dormir em seus sofás.
Amanheceu e nossas crianças foram acordadas logo cedo pelo sol que entrava pelo grande vitrô da sala e batia naqueles rostinhos lindos.
- É muito cedo dude! Que dia é hoje mesmo? Acho que vou pra casa pra continuar dormindo na minha caminha!
- Primeiro: Hoje é quinta! E segundo: Deixa de ser manhoso null! – null jogou seu travesseiro nele – Aproveita que já tá todo mundo aqui e vamos ensaiar de uma vez!
- É cara... O Fletch ligou ontem no meu celular, perguntou se a gente tem ensaiado ou se a gente criou alguma música nova.
- Como que é mesmo o nome disso que a gente ganhou por um mês? Pensei que se chamasse F-É-R-I-A-S! – null falou ainda deitado e esticando os braços.
- A gente tá de férias dos shows, mas isso não significa que a gente tem que ficar sem tocar ou criar músicas! Nem sei como conseguimos um mês inteiro de férias, geralmente são duas semanas... – null falava já dobrando seu cobertor.
- To vendo que meu priminho acordou trabalhador hoje, hein! – null se sentou e esticou os braços pra cima, levantando o cabelo junto. null, que estava logo atrás dela deitado no sofá, não pôde deixar de ver a tatuagem em sua nuca...
Play null’s Flash Back
- null, eu acho que to me arrependendo! – null ficou com uma expressão inexplicável no rosto ao dar de cara com as agulhas.
- Relaxa null! Esse desenho é pequeno, vai ser rápido! E eu to aqui com você, pra fazer a mesma tatuagem! Vamos enfrentar juntos, você vai ver! – eu falei cheio de ânimo e acho que consegui encorajá-la um pouco. A null é medrosa de tudo, mas está sendo obrigada a fazer uma tatuagem!
- Maldita a hora que fui apostar com você null! – ela bufou e eu ri da cara bravinha e bonitinha que ela fazia.
- null! Olha bem pra mim, – segurei no ombro dela e a olhei firme – a gente vai passar por essa juntos! Vamos tatuar o mesmo desenho! Você na nuca e eu no peito. Daqui alguns anos, isso vai ser uma puta recordação que teremos um do outro! Não acha?
- Não tem um jeito menos dolorido pra gente se lembrar um do outro?
- Não vai doer tanto null, eu garanto! Pode começar moço... – olhei pro tatuador e ele mandou null se deitar de bruços e tirar o cabelo do pescoço. Dei minha mão pra ela e antes mesmo de começar a ser tatuada, ela já apertava como se estivesse num parto! Achei que fosse ficar sem mão naquele dia.
Stop null’s Flash Back
null permaneceu no sofá por um tempo, lembrando do dia que levou null pra fazer a tatuagem que ele acabara de ver em seu pescoço.
Com exceção dele, todos se levantaram para ocupar os... (leia brigar pelos) banheiros da casa.
PÓC-PÓC [n/a: sim, esse é o som de batidas na porta hushuahush]
- Errr... Eu não sei quem é que tá ai dentro, mas já tá ai há vinte minutos e tipo eu preciso MESMO fazer xi... – null interrompeu a fala quando viu quem abriu a porta – null!
- Oi null. – os dois ficaram se olhando e ela até esqueceu o que ia fazer no banheiro.
- Oi... – respondeu e olhou pra baixo.
- Tudo bem?
- Uhum. Você?
- Também... – ele fez uma pausa, queria muito perguntar uma coisa, mas não sabia se era a hora. – Você ainda não contou por que tava chorando no telefone.
- Ahn... – ela engoliu seco, não queria falar do Chris pra ele – Nada, eu só descobri que não passo de uma perdedora, só isso... – afirmou parecendo calma.
- Hum... E o que foi que você perdeu para ser uma perdedora?
- Meu tempo... Talvez, algumas chances de ser feliz também. Mas pra que quer saber?
- Por nada... Pode usar o banheiro, você queria fazer um null, não é?
- O quê?!
- Quando eu abri a porta, você dizia quero fazer...
- Ah tá! – null lembrou do que estava falando – Não seja bobo null! – e deu um tapinha no braço dele.
O dia passou rápido e agradável. Os meninos ensaiaram na presença das garotas, que assistiram comendo pipoca, se divertindo e babando neles, claro!
Nesse clima de diversão o tempo simplesmente vôa! Dez dias passaram voando e já foi tempo suficiente para acontecer algumas coisas! Felizmente não tiveram mais sustos com a casa da frente. Dois dias depois da chegada de null, na sexta, foram todos ao cinema. Ela ficou com null e isso resultou numa senhora fossa para null, por ainda gostar dela. Começou a escrever músicas com mensagens melosas e emos como “Dói ter que saber que eu não fui nada pra você” etc e tal... Mas percebeu que null ficava estranha e quieta quando todos começavam a ensinuar que ele pegava a prima, null. Essa foi a luz que acendeu no fim do túnel de null. Começou a tornar mais freqüentes aquelas ‘brincadeirinhas inocentes’ com null, que tanto davam o que falar. Quando estavam na presença de todos, ele sempre fazia alguma coisa com ela, bagunçar o cabelo, fazer cócegas, carregá-la montada em suas costas pela casa, dizer que vão se casar se por acaso ficarem encalhados, dar mordidinhas... E a cada uma dessas ceninhas felizes, todo mundo tinha mais certeza que eles tinham alguma coisa mesmo. As reações de null diante dessas situações eram positivas para null, porque ela ficava emburrada! Mas não foi só null que sentiu seus pulmões pegando fogo de raiva ao ver null e null dividindo os fones de ouvido, ela sentada no colo dele e os dois cantando cantando Fall Out Boy “Sitting out dances on the wall, trying to forget everything that isn't you, I'm not going home alone cause I don't do too weeeell!” na maior animação. null também se sentia numa chuva de canivetes a cada situação dessas. ‘Você tá ferrado null! Você ainda gosta dela, depois de tantos anos ainda sente um sei-lá-o-quê por ela que te machuca toda vez que a vê com o null. Parece que eu voltei aos tempos de escola, quando ela dizia que tava com alguém era assim mesmo que eu me sentia. Um completo loser. Droga...’ null pensava enquanto caminhava pela rua com as mãos no bolso do moletom e olhando pro chão. Até que se topou com uma pessoa que andava em sentido contrário, também distraída.
- Ai null, desculpa!
- Eu que peço desculpas null! Eu tava viajando!
- É... Eu também! – ela respondeu e sorriu fraco.
- Você tava indo pra onde?
- Adivinha!
- Sorveteria?
- Uhum!
- Nem tá tão calor, mas eu já percebi que você não vive sem uma sorveteria, não é?
- Yep! Quer ir comigo?
- Ahn, é que eu tava pensando em ir ao parque logo ali... Por que você não vem comigo até lá?
- Bom... Lá vai ter algum tiozinho vendendo sorvete?
- Suponho que sim.
- Então ta! – null abriu um sorriso maior e começou a caminhar junto com ele. Foram andando quietos, provavelmente continuaram cada um em suas viagens durante o caminho. Quando chegaram, escolheram alguma árvore e sentaram na sombra que ela fazia.
null, null e null estavam largados no sofá assistindo algum episódio repetido de Desperate Housewives com aquelas caras de tédio-pós-almoço... A campainha tocou e null foi animada atender, mesmo sem saber quem era.
- Oi null!
- Oi null! – null falou e foi cumprimentá-la com um beijo na bochecha, mas por um “acidente” o beijo saiu quase na boca, o que os deixou um tanto sem graça.
- Err... Quer entrar? O null tá ali, jogado no sofá.
- Não, deixa ele jogado lá mesmo! Na verdade era você que eu queria ver... Quer dar uma volta?
- Yep! Vou calçar um tênis, espera um pouco!
- Ok... – null subiu as escadas e null foi entrando na casa, chegou na sala e viu null e null numa briga besta pelo controle da TV. – Hey crianças! Não briguem!
- Oi null! Você não morre tão cedo, a null tava falando de você agora há pouco! – null afirmou e null o olhou de canto de olho.
- Sério? O que ela falava?
- Que ela te acha gostoso, mas você tem mau hálito e CC! MUAHAAHAHAH
- null seu tosco! – null lhe deu um tapa na cabeça – é mentira null, a gente nem tava conversando nada...
- null... Você não sabe brincar! – null lançava o ‘olhar mortal’ pra ela – E me dá esse controle vai, tá me dando nos nervos essas donas de casa que estão mal comidas porque seus maridos são impotentes!
null rolou os olhos vendo que os dois voltavam a disputar pelo precioso controle, viu que null já vinha e sorriu meio bobo quando ela se aproximou e segurou a mão dele.
- CRIANÇAS! – ela gritou fazendo null e null pararem como estátuas – Mamãe e papai vão sair, não derrubem a casa amores!
- Hey null, acho que nós somos adotados! Nossos pais são da nossa idade!
- Ohhh não! Eu sou adotado! Eu sempre desconfiei que sou muito bonito pra ser filho dele – null começou a gritar como se estivesse chorando com as mãos no rosto.
- Vamos null, esses dois parece que estão com quatro anos hoje!
- Humpf... Já é um progresso, o null geralmente parece que tem dois! – Assim que null falou, null o acertou com uma almofada. null o puxou e os dois saíram correndo antes que null jogasse mais almofadas, ele é dono de uma ótima pontaria!
- Ainda bem que você me salvou desses dois! – null falou sorrindo enquanto null encostava a porta da casa de null.
- Quero só ver quando eles casarem... – null comentou, os dois se entreolharam e deram risadas.
xxx
- Sabe... To te achando meio pra baixo esses dias, não sei se é impressão minha. – null começou o assunto e null o olhou. Ela carregava um olhar meio vazio.
- Não é impressão...
- O que aconteceu? Estamos de férias! Era pra estar pulando, não acha?
- Acho! Mas não posso fazer nada null... É mais forte que eu.
- Se estiver precisando de alguem pra desabafar, estou aqui.
- Isso é o que eu mais preciso! Tá tudo guardado aqui e eu sinto que posso explodir a qualquer momento se continuar assim.
- Pode falar pra mim! Mas eu cobro por minuto, tá bom?
- Certo! Contanto que não conte pra ninguém...
- Ok! Pode começar.
- Tá bom, vou ser direta. É o null.
- Hmm, por que será que eu já disconfiava?!
- Pois é… E ainda dizem que os homens nunca percebem essas coisas!
- Ai querida, você não se toca que eu não sou totalmente homem?! – null desmunhecou uma das mãos fazendo null virar o rosto pra cima e gargalhar.
- É, que bom, eu sempre quis ter um amigo gay mesmo!
- Então você já arranjou quatro, fofa!
- Não me faça rir null!
- Ahn puxa… Pensei que era pra isso mesmo que eu tava aqui!
- É, verdade! Obrigada então por me fazer rir um pouco… Ultimamente isso tem sido difícil! Principalmente quando todo mundo se reúne e eu tenho que engolir seco assistindo o null e a null se comendo num canto da sala.
- Isso é mesmo difícil dude! Ver quem você gosta com outra pessoa... Parece que vai sair fogo dos olhos, mas como isso não é possível, saem só as lágrimas!
- É null, e o pior é que a minha raiva maior não é nem dela, que é minha amiga mas não desconfia que eu gosto do null, nem dele também porque ele não tem culpa de se sentir atraído por ela. A maior raiva que eu tenho é de mim mesma. Desde o final do ano passado, quando eu conheci o null, não tirei mais ele da minha cabeça! E eu fui besta porque mesmo percebendo que eu sempre acabava pensando nele de alguma forma, não admiti isso nem pra mim mesma. Não contei pra ninguém o que eu sentia e foi isso que acabou comigo! – null falava enquanto já dava pra ver o brilho de pequenas lágrimas se formando em seus olhos. null ouvia atento e se identificou com a situação toda.
- Te entendo... Te entendo até mais do que eu gostaria!
- Hum? Como assim?
- Eu também dormi no ponto! Só que o meu caso é um pouco mais grave que o seu, porque eu vacilei por anos!
- Sério, você passou ANOS gostando de alguem sem dizer? – null olhou pra ele realmente surpresa com isso.
- Yep.
- Eu conheço?
- Sim.
- É a null?
- Uhum.
- Xiii...
- Eu sei!
- É que ela e o null... Err... Você sabe né! É o que se comenta...
- Pois é, e é por isso que eu to mal também.
- Mas por que você deixou passar tanto tempo null?
- Porque eu sou um loser. Eu sabia que levar um fora dela ia me deixar péssimo e ainda por cima acabar com a amizade. Mas de que adiantou se eu também ficava péssimo do mesmo jeito se soubesse que ela tava com alguem?!
- Estudaram juntos da sétima até o colegial, não é?
- Uhum.
- Durante todo esse tempo, nenhum dos dois demonstrava nada um pro outro? Se a gente gosta de alguém com quem tem um contato todo dia fica difícil, praticamente impossível esconder por tanto tempo, não é?
- É, mas eu acho que o quê eu fazia a deixava com medo de falar... Eu era o maior galinha da escola! – null falou e sorriu em seguida se lembrando dos bons tempos.
- E por que você era assim?
- Bom, era legal vai! Tinha muitas gatas naquela escola! – recebeu o olhar de reprovação de null e voltou a falar depois – Mas principalmente, eu queria ver se a null tinha alguma reação com isso.
- E ela tinha?
- Se tinha escondia muito bem. Perdi a conta de quantas vezes ela me viu com outras meninas e não fez nada.
- Ah mas... O quê você queria que ela fizesse? Desse um ataque? Vocês nem tinham nada, iam chamá-la de louca!
- Sei, mas que pelo menos ficasse sem querer falar comigo ou um pouco brava... mas não, ela aparecia lá na escola no dia seguinte como se nada tivesse acontecido.
- Certo... Então vocês ficaram nessa enrolação por mais de dois anos?
- Uhum, mas pelo menos a gente foi os melhores amigos um pro outro, isso eu garanto!
- Tem certeza que nunca rolou nada? Porque se você gosta, a amizade mesmo que ótima, não é o suficiente! Precisa de muito mais que isso, precisa agarrar aquela pessoa, dizer que ama, enfim... Não sei como vocês se seguraram!
- Isso a gente fazia, só que de brincadeira... Teve um dia que a gente tava sentado na escada, eu tava bem perto dela e eu quase ia beijá-la mas tocou o sinal! Depois daquele dia, se eu não tivesse recebido a notícia que meus pais iam mudar eu ia correr atrás sabe!
- Quer dizer que justo quando você decidiu sair de cima do muro, seus pais resolveram mudar?
- É dude... Foi foda! Aí eu resolvi que foi melhor assim, não tinha ficado com ela ainda e decidi que não queria mais porque sentir falta de uma coisa que você nunca teve é menos doloroso do que sentir falta de algo que você já teve e não tem mais.
- Ounn... Mas então vocês nunca se pegaram?
- É, na minha festa de despedia a gente dançou e se beijou depois.
- Hum... Que legal! E depois? Como se resolveram com a coisa da mudança?
- Não resolvemos. Fingi que eu tava bêbado e consequentemente não ia me lembrar de nada depois e nem sabia o que tava fazendo!
- Cruzes null! Por que fez isso?
- Sei lá, acho que pra fugir dessa parte de lidar com a distância e tudo mais!
- Acho que isso pegou mal...
- Ah, que seja... Cansei desse papo! Hey, você não queria tomar sorvete? Olha o tiozinho passando. – os dois se levantaram do chão e caminharam em direção ao homem com carrinho de sorvete.
xxx
null e null almoçavam no shopping depois de terem feito compras. null ria de todas as coisas bestas que null fazia e acabava por imitá-lo. Resultado? Realiza... Duas criaturas bebendo coca-cola e arrotando à mesa, no meio de uma praça de alimentação lotada! Todos olhavam pra eles, mas não estavam nem aí.
- Pô null, assim não tem graça! As meninas costumam ficar tão bravas com isso!
- Hey! – null olhou pra ele com um sorrisinho maléfico, ela adorava simular brigas – Quer que eu fique brava? Você ainda não me viu irritada, EU VIRO O DEMÔNIO! – ela disse com a voz já se alterando de mentirinha, claro, e null percebeu, entrando na brincadeira
- Como assim? Do que é que você tá falando? Quantas vezes eu vou precisar repetir que não te traí com a Tracy?! – ele falou um pouco alto e fazendo gestos espalhafatosos.
- Ah! Mas o quê aquela periguete tava fazendo com seu celular hoje de manhã, hein?!
- V-você me ligou hoje de manhã?
- Liguei! E aí, vai me explicar ou não, Reginaldo Carlos?
- Erm... É que eu achei que tinha perdido ele! – null respondeu se prendendo pra não rir do nome que acabou de ser chamado.
- Sim, agora vai me dizer que aquela VACA da Tracy achou pra você, não é?! – ela também fazia gestos escandalosos.
- Acredita em mim, Fátima Teresa! – null jogou seu olhar meigo de macaquinho pedindo bananas e null abaixou a cabeça rindo de seu novo nome. A essa altura, todos já olhavam pra eles.
- Só se você MATAR aquela Tracy pra mim e me trouxer o coração dela até AMANHÃ! – é, as pessoas das mesas ao redor se assustaram um pouquinho!
- Claro! Minha bruxa da Branca-de-Neve!
- Ounn, meu anãozinho!
- Hey! Eu to longe de ser um anão, tá bom!
- Eu sei, seu bobo... É só pra entrar no clima!
Eles se levantaram e foram pro estacionamento, ainda sob os olhares de algumas pessoas.
- Fingir essas briguinhas é engraçado! Viu a cara das pessoas?! – null falava enxugando algumas lágrimas resultantes do ataque de riso enquanto caminhavam em direção ao carro de null.
- E aposto que todos acreditaram, pelo menos no começo...
- É! Mas é melhor a gente sair logo daqui, acho que a qualquer momento pode chegar uma ambulância pra nos levar pro hospício!
- AHAHAHA! Tomara que não apareça nenhuma Tracy sem o coração e assassinada até amanhã pela cidade! – null falou sem pensar e null riu mais.
- Sem o coração E assassinada? – ela repetia em meio a risadas – Se vai estar sem o coração, como pode não estar assassinada, cabeça de pica-pau?!
- Ah, você já entendeu... – ele sacudiu as mãos no ar – Mas o importante é que não apareca nenhuma Tracy morta!
- AHAM! Por acaso, você conhece alguma?
- Nop. E você?
- Também não... – os dois riram e entraram no carro.
- Hey, por que cabeça de pica-pau? – ele se virou pra ela depois de um tempo.
- Ah, sei lá! Inventei na hora! – ela deu de ombros e ele gargalhou.
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- Tá bom o seu sorvete de pêssego?
- Totalmente! E o seu de melância?
- Mais que totalmente! – null falou e null riu, os dois caminhavam devagar pelo parque e já estavam no segundo sorvete. Até que null soltou um gritinho do nada e parou de andar.
- O que foi?
- Meu olho null! Caiu alguma coisa nele!
- Espera, deixa eu ver. Consegue abrir? – null se aproximou e ela abriu o olho que tinha alguma coisa e estava lacrimejando.
- Tá vendo alguma coisa? O que caiu aí null?
- É só um cílio. Ele está prestes a cair e por isso às vezes entra no seu olho, mas acho que se você fechar o olho ao mesmo tempo que arquea as sobrancelhas, eu posso tirar. – null assim fez e null retirou o cabelinho solto com bastante cuidado. null abriu seu olho de novo e aqueles olhos tão perfeitos e null que pareciam obra de Photoshop a encaravam muito de perto. null se aproximou um pouco mais e pôde sentir seu nariz encostando no dela, as respirações já se misturavam um pouco fortes e nenhum dos dois sabia o que estava fazendo direito. Ambos se sentiam carentes e queriam aquilo, então foram se deixando levar, logo se entregaram a um beijo gelado e com gosto de frutas, as suas línguas já estavam explorando a boca do outro. null a segurou pela cintura com um dos braços, pois o outro segurava o sorvete, null pousou a mão sobre um dos ombros dele, já que também segurava seu sorvete com a outra mão.
- Olha null, um carinha vendendo sorvete, você quer?
- Quero! Será que ele tem de... – null parou de falar e parou o olhar num ponto fixo.
- De... de... de quê? – null não percebeu que ela estava vendo alguma coisa que fez seu queixo quase chegar até o chão.
- Ali, null! – null, impaciente, colocou as duas mãos no rosto de null, virando-o para a direção que ela também olhava.
- Wow! Não é o null ali?
- Uhum! E ele tá com a null, dude!
- Nossa... O negócio deve estar bom ali, hun?! E eu que tinha a impressão que ele era a fim da null...
- Pra você ver! – null falou e os dois sorriram, depois começaram a fitar os pés. Vendo a cena de null com null, null queria beijar null ali e imediatamente. Mas null foi mais rápida e cortou a aproximação dele.
- Err... É melhor a gente ir, eu... To começando a sentir frio. – ela falou quando um vento gelado bateu no rosto, apesar do solzinho que fazia.
- Tudo bem, vamos. – null passou um braço pelo ombro dela e os dois foram caminhando sem pressa.
- Obrigada pela volta, gostei de conhecer o bairro – null falou quando chegaram na porta da casa do null.
- Disponha! Sou o melhor guia turístico de Bedford! – null estufou o peito
- Menos, null! Se é o melhor eu não sei, mas é meu preferido!
‘Droga, não sei por que que eu to tão sem jeito... Ninguém nunca me deixou assim antes’ null pensava.
‘Pronto, minhas mãos estão geladas mas estão suando! Dá pra entender umas coisas assim? Tem umas mil borboletinhas aqui dentro, se eu sorrir um pouco mais elas podem sair a qualquer momento!’ null também pensava enquanto sorria pro menino à sua frente, até que ele chamou sua atenção ao dizer algo.
- Olha, uma borboleta pousou no seu ombro!
Uma borboleta toda branquinha pousou no ombro de null, que apenas olhou e sorriu.
- Deve ter saído do meu estômago! – ela pensou alto.
- O quê?
- Não, nada... – sorriu disfarçando o que acabara de falar. null se aproximou dela e encostou o dedo indicador no ombro onde a borboleta ainda estava. Ela passou do ombro da garota para o dedo de null, ele então foi movendo a mão bem devagar até parar com o dedo esticado e a borboleta sobre ele, entre os dois rostos que estavam próximos. Fixaram seus olhares na borboleta, que logo saiu voando e deixando o casal a milímetros de distância um do outro. Os dois sorriram se olhando nos olhos, se aproximando mais.
- Acho que ela tava de vela... – null sussurou já com seu nariz encostado ao de null, que estremeceu e apenas balançou a cabeça devagar numa afirmação. Fecharam os olhos, encostaram seus lábios e null, sentindo os lábios macios de null, tirou a conclusão em pensamento que poderia ficar ali pelo resto da vida colando sua boca na dele. null pôs as mãos de leve sobre cada lado da cintura da garota e contornou o desenho da boca dela com a língua, ela abriu a boca para as duas se encontrarem lá dentro e logo uma já fazia massagem na outra. Os dois sentiam os corações acelerar mais a cada movimento, como se isso fosse possível! null fazia carinhos na nuca dele, o que o fez envolver seus braços na cintura dela, puxando-a pra mais perto. Eles pareciam um só agora, de tão juntinhos que estavam! E passaram vários minutos assim, até partirem o beijo sorrindo. Estavam ofegantes e os lábios vermelhos, null se aproximou de novo e mordeu o lábio inferior de null, que sorriu com a boca presa à dele.
- Te adoro! – ele sussurrou soltando-a.
- Eu também! – ela falou no mesmo tom e rindo.
- Até mais, moça das borboletas! – ele foi se afastando com passos pra trás, de mãos dadas com ela.
- Até mais ver null! – ela sorriu de novo e as mãos dela se soltaram das dele. Quando ela pensou que ele já ia, null voltou rápido pra dar mais um selinho nela e saiu correndo e pulando em seguida. null ria, mas na verdade era isso mesmo que ela queria fazer também de tão feliz que aquele simples beijo havia deixado-a. Ficou observando null se afastar até ele ficar pequenininho, depois entrou em casa e foi direto pro quarto, não viu nem ouviu ninguém, como se ela não estivesse nesse mundo.
null e null, que estavam sentandos no sofá se entreolharam. Primeiro viram pela janela, null passar pulando e sorrindo feito um bambi desgovernado, depois null entra com aquela cara de quem tava no paraíso e vai direto pro quarto. Adivinharam o que devia ter acontecido e começaram a rir, felizes pelos amigos.
- Bom, pelo menos alguns conseguem se acertar por aqui, né! – null falou ao terminar de rir.
- É... Bom pra eles!
- Uhum... E você só não se acerta também por que não quer.
- Hum? Tá falando de quê?
- Não se faça de besta seu mongol! Eu percebo a cara que você fica toda vez que vê null com null!
- Ai puxa! Você descobriu meu segredo! Não conta pra ninguém que eu gosto do null! – null forçou uma voz feminina pra brincar e fugir do assunto.
- Sério null, quantas vezes eu vou ter que dizer que você não pode fugir assim? Você gosta da null, e fica aí sofrendo, cheio de ciúmes!
- Eu não tenho ciúme de null nenhuma! Não agüento mais você insistindo com isso.
- Você devia me agradecer por eu tentar abrir seus olhos e querer te ver feliz!
- Se você quer me ver feliz então pára de falar que eu gosto dela, até por que ela tá com meu MELHOR AMIGO!
- Não tem nada sério entre eles null, você sabe que é só pegação! null tá sofrendo, ela precisava de alguém que a ajudasse a esquecer o que ela passou com Chris. Você sabe, já te falei da história...
- Contou porque quis, pensou que eu fosse ficar com pena? Ela mereceu por se envolver com aquele professorzinho!
- Não! Num foi pra você ter pena nem nada... É que eu acho que essa é a sua chance, você não devia deixar passar!
- Chance pra quê criatura?! Já falei que não tem nada entre eu e ela, nunca ia dar certo!
- Por acaso já tentou?
- Não. – mentiu sem olhar pra null.
- Então tenta droga! É melhor do que ficar aí com essa cara de mal comido por causa do ciúme que sente toda vez que ela passa por você com o null ou com qualquer outro do lado!
- Eu... não... TENHO CIÚME NENHUM PORRA!
- TEM SIM CARALHO, E TÁ ME USANDO PRA FAZER CIÚME NELA TAMBÉM! [n/a: Crianças discutindo... tsc tsc tsc...]
- D-De onde você tirou isso?
- É óbvio, né null? Tá certo que a gente sempre foi próximo, mas ultimamente você tá mais grudado em mim do que minha sombra e principalmente quando ela está por perto!
- Paranóia sua! E quer saber?! RETIRA TUDO O QUE DISSE AGORA!
- NÃO RETIRO PORQUE ESSA É A VERDADE, TÁ BOM?! E JÁ QUE VOCÊ QUER ASSIM, FICA AÍ NA MERDA!
xxx
Enquanto isso, null e null conversavam ainda no parque. Depois do beijo inesperado, null ficou sem jeito.
- Err... Desculpa null!
- Imagina null, foi bom. Não me arrependo.
- Eu também não, mas é que alguns minutos atrás eu tava falando de outra menina todo triste e de repente beijo você, o que vai pensar de mim?!
- O mesmo que você vai pensar de mim! Eu também tava falando de outro menino, não é? E você beija bem...
- Você também! – null a interrompeu.
- Obrigada! Mas como eu ia dizendo, apesar de nós beijarmos bem, isso não apaga o que sentimos por aqueles idiotas! – ela falou e null riu concordando em seguida.
- É, infelizmente não apaga nem um pouquinho!
- A gente tava carente por causa daqueles dois bobos...
- Uhum, olha só o que eles fazem com a gente, nos obrigaram a fazer esse sacrifício!
- Né! Mas isso não vai mais se repetir! Até por que, você é gay, certo?!
- Oh é! Tinha até esquecido! O null não pode saber que eu te beijei mocréia, senão ele te expulsa da casa dele e termina comigo! – null voltou com as imitações de bicha afetada e os dois riram. Depois deram as mãos e foram voltando para a casa do null. Mesmo em pouco tempo, conseguiram construir uma boa amizade, principalmente depois dessa tarde, sentiam que podiam contar tudo um pro outro.
Capítulo 11 – Give me more love than I’ve ever had
null e null davam uns amassos pra lá de nervosos dentro do carro estacionado na frente da casa do null. Como o carro não tinha insul-film, quem passava podia vê-los, mas como sempre, não estavam nem aí! null se aproximava com null e quando viram os dois se agarrando lá dentro, ele sentiu que ela apertou a mão dele um pouco mais forte. null então deu um beijo no topo da cabeça dela, em sinal de conforto.
Quando os dois chegaram mais próximos ao carro, null e null já saíam de lá com sorrisos de coringa que parecia até que foram rasgados ali e com algumas sacolas nas mãos. Os dois casais pararam do lado do carro e se cumprimentaram. null ficou surpreso ao ver os outros dois de mãos dadas... Os quatro sorriam, mas o sorriso de null era só pra não chorar. ‘Chorar pra que? Só rindo mesmo!’ falava consigo mesma em pensamento.
- AH, VOCÊ NÃO VAI RETIRAR O QUE DISSE? – eles começaram a ouvir os gritos de null dentro da casa – ENTÃO EU VOU JOGAR FORA A SUA CANECA PREFERIDA! – null pegou em cima da mesinha da sala uma caneca de porcelana rosa e branca decorada com o desenho de um gatinho e o nome ‘null’ escrito. Depois correu até a janela da sala e estendeu o braço segurando a caneca pra fora, enquanto continuou olhando pra dentro, ou melhor, pra reação da null.
- HEY! DEVOLVA MINHA CANECA, !
- ENTÃO RETIRA O QUE DISSE !
- NÃO RETIRO! E QUER SABER?! PODE JOGAR FORA, FOI VOCÊ QUE ME DEU MESMO... VOU CORRER NA COZINHA E PEGAR A SUA PRA JOGAR TAMBÉM!
- ÓTIMO – ele disse e jogou a caneca sem nem olhar pra fora. Por um azar, ela foi parar na cabeça do pobre null, que caiu na mesma hora.
- ! – null gritou, fazendo null olhar pra fora.
- MINHA NOSSA! – ele levou as mãos pra trás da cabeça vendo o amigo caído.
- Que foi null?! – null correu pra janela – OMG! Vamos lá pra fora! – e puxou o primo, que estava em estado de choque.
null abaixou perto dele com uma mão tampando a boca e outra sobre o peito, muito assustada. Saía sangue da testa do garoto. A caneca estava caída perto dele e faltava um pedaço. null parou o olhar nela, percebendo que começava a ficar com a visão embaçada por lágrimas que se formavam. Não demorou muito e ela viu dois pés parando perto da caneca, olhou pra cima e era null desesperado.
- Ai meu Deus, o que que eu fiz?! Matei meu amigo!
- Calma null, não foi culpa sua, ok! – null o segurou pelos ombros mas também estava em pânico.
- Vamos levar pro hospital, vem null me ajuda a pegá-lo e botar dentro do carro. – null falou já erguendo null pelos braços.
Colocaram null no banco de trás e prenderam o tronco com o cinto de segurança do banco pra ele não ficar sambando. null foi dirigindo e null no passageiro, as garotas ficaram em casa esperando, nenhuma tinha condições de acompanhar, estavam todas assustadas. Entraram na casa do null e ficaram na sala, de vez em quando alguma delas olhava pro telefone, esperando que null ligasse. null precisou tomar água com açúcar. null desceu e se deparou com as meninas andando de um lado pro outro na sala.
- Hey, o que aconteceu? Estão querendo fazer um buraco no chão da sala do null e nem me chamaram? – ela brincou, mas as outras continuavam sérias.
- Você não ouviu nada? – null se aproximou dela.
- Não, tava no banho... O que foi?
- E-eu tava aqui na sala com o null, a gente entrou numa discussão besta, pra variar, e ele pegou aquela minha caneca que eu trouxe lá de casa e atirou pela janela...
- E aí a caneca acertou o null que tava lá fora comigo, null e null. Por pouco não foi em mim! – null completou entre soluços o que null dizia.
- E ele se machucou muito? Cadê ele?
- null e null levaram pro hospital no carro dele. – null terminou de explicar e as quatro ficaram esperando juntas.
Quase duas horas depois e nada... As meninas já estavam dando ataques nervosos-ansiosos-agudos-suicídicos{?} e null já discava o número do celular do primo, quando viram o carro parar em frente à casa e foram todas abrir a porta.
null já não estava mais sendo carregado. Ele caminhava, apesar de parecer bastante sonolento e estar apoiado no ombro do null.
- Ele ta bem? – null perguntou quando null passou com null pela porta. null que vinha logo atrás começou a contar.
- O médico disse que ele vai ficar bem, só precisa de um repouso. Fizeram os curativos na testa, alguns exames e deram um remédio pra ele dormir.
- Ele vai passar a noite aqui, os pais dele já estão sabendo e concordaram desde que ele volte amanhã pra casa. Me ajuda aqui null, pra subir as escadas! – null falou e foram deixar null no quarto dos pais dele, que era onde ele estava dormindo esses dias, já que lá a cama é grande.
Depois de ajeitar null na cama, os meninos desceram pra sala de novo e null foi pra casa.
- Obrigado dude! – null se despedia dele com uns tapinhas no ombro.
- Não por isso! Qualquer coisa me liga. Vou contar pro null o que aconteceu, ele não deve estar sabendo ainda...
- Ok, vai lá... See ya! – ele fechou a porta e olhou para as meninas – Que acham de uma pizza?
Elas concordaram e cada uma foi pra um lado, null subiu pro seu quarto pra tomar banho e null fez o mesmo, null foi ligar pra pizzaria, null e null foram lavar alguns pratos pra eles comerem.
Uns vinte minutos depois, null estava no corredor dos quartos, próxima à escada encostada no corrimão. Esperava null sair do quarto, quando isso aconteceu ela sorriu.
- Oi null!
- Oi...
- Erm... Quer dizer que você agarra o gostoso do null e nem me conta?!
- Hum?
null estava dentro de seu quarto, (que é ao lado do da null) prestes a abrir a porta, quando escuta que estão falando do null! Então ela cola seu ouvido na porta e continua ouvindo a conversa no corredor.
- Do que v-você ta falando? – null gaguejou e ficou brava com ela mesma.
- Ah null! Pode parar de esconder! Eu te vi no maior beijaço com ele hoje! E aí? Como é o beijo null?
- Erm... – null engoliu seco, não sabia se desmentia ou não! Nem teve tempo de pensar nessa questão depois do que aconteceu com null. – É que eu não tava esperando... Mas você sabe né, rolou. Foi legal.
- Ai putz! Como assim, ‘legal’?! Você precisa me contar isso com mais detalhes depois! E não pense que vai fugir, huh!
- Ok. A pizza já chegou? To morrendo de fome! Vou comer e depois venho ver o null... – e null saiu de perto de null antes que perguntasse mais coisas. null também já ia descendo as escadas, quando null abriu a porta de seu quarto e soltou um ‘psiu’, null olhou pra trás e null acenou pedindo que se aproximasse. Ela subiu alguns degraus que já tinha descido e null deu espaço para que null entrasse no quarto. Depois fechou a porta.
- Que foi null?
- Ah... null, desculpa eu ter escutado... Mas é que vocês conversaram aqui na frente e...
- Tudo bem null, eu já entendi. Então você ouviu né...
- Uhum. Você viu a null e o null juntos?
- É. Vai ser bom pra ela, esquecer o null, já que ele ta com a null. Não é?
- É... – ela murmurou concordando em tom de desânimo.
- null?
- O que?
- Eu sei que você e o null se conhecem desde antes e panz e que você já gostou dele, mas... Gosta do null ainda?
- N-não, não... Eu... – ela negava sacudindo a cabeça rápido e nervosa.
- Ta, não precisa se estressar comigo, eu sei que a minha pergunta foi besta, já que você ta com o null!
null se sentiu gelar e deixou o queixo cair um pouco, mas quando ia responder, null bateu na porta.
- Ow vocês duas, eu sei que estão aí! As pizzas já chegaram, desçam logo!
As duas desceram e se juntaram à null, null e null à mesa.
null fez como havia dito, depois de comer foi ver null, que ainda dormia pesado. Ela apenas entrou no quarto e deitou ao lado dele... Ficou observando como ele dormia tranqüilamente, parecia que estava tendo um sonho bom, a boca fazia quase um sorriso. E foi assim até que ela pegou no sono também.
Os outros, depois de comer, ficaram conversando na sala, mas não demoraram pra ir dormir. null já se preparava pra dormir, mas sabia que não ia conseguir tão cedo porque não parava de pensar em como as coisas sempre acabam iguais. ‘null não muda. Definitivamente. Imagina só?! Pegando a null assim do nada... Quer apostar quanto que amanhã no meio de uma conversa ele vai me contar isso? Igual quando a gente estudava... Eu queria que ele se explodisse! O quê?! Não posso ficar sofrendo por ele o resto da vida, né?! Ou você acha que não foi torturoso esse jantar? Ficar olhando pra null ali na minha frente, eu queria voar nela, dude! Na minha própria irmãzinha! Não me perdoaria se eu fizesse isso! Até porque ela não tem culpa e...’ Seus pensamentos foram interrompidos quando alguém bateu na porta do quarto. Ela secou uma lágrima que escorria pela bochecha, foi abrir a porta e null estava lá.
- Ué null, que foi?
- Oi, obrigado por me deixar entrar! – ele riu irônico, plantado na frente da porta.
- Bobo... Entra aí! – ela riu e deu espaço pra ele passar, fechando a porta em seguida.
- Desculpa ter jogado a sua caneca fora!
- Ta, eu também já tratei de quebrar a sua em mil pedacinhos e depois eu tava pensando em comprar um revólver, pra te fazer ajoelhar sobre eles! – ela falou e piscou, fez uma pausa e riu em seguida vendo a cara desesperada que ele fazia – Ok, parei de brincar!
- Você não seria capaz de acabar com a minha caneca como eu fiz com a sua. Prometo que compro uma nova!
- Beleza! Agora me desculpa por ficar te irritando, eu juro que não vou mais falar naquilo... – fez uma pausa e olhou pro teto – Mesmo eu tendo razão!
- !
- !
- Você ainda vai insistir nisso?
- Se é verdade!
- Eu não sou a fim da null!
- É sim!
- Não sou! Você ta querendo me atirar pra ela por acaso? E a gente?
- Como assim e a gente, null? Você sabe melhor do que ninguém que esses dias a gente tem ficado algumas vezes, mas não quer dizer nada! – os dois discutiam baixinho, mas queriam gritar de novo.
- Não quer dizer nada? – ele a puxou por um dos braços fazendo os corpos quase se chocarem – Então vê aí se isso é nada! – beijou-a de repente, muito rápido, nem deu tempo pra null ter qualquer reação, então apenas se rendeu ao beijo intenso.
null sabia que estava se enganando, nunca esqueceu null. Durante esses dias que ela estava lá na casa dele, foi quase impossível se comportar normalmente, toda hora tinha que dizer pra ele mesmo que não gostava mais dela... Uma forma que achou pra tentar se convencer disso, foi se aproximar da prima de outro modo. Eles nunca tinham ficado assim antes daquelas férias. Estava sendo conveniente para os dois acreditar que se gostavam de verdade e já tinham esquecido null e null, mas uma hora a ficha cai sempre.
À medida que o beijo ia avançando, eles iam caminhando com passos curtos e sem pará-lo. null sentiu a batata da perna encostando na cama e sentou puxando null pra cima dela. Eles se desgrudaram por um segundo pra null poder tirar a camisa, mas quando ele ia voltar a beijá-la, null teve um momento de raciocínio e o segurou pelo ombro.
- Espera aí dude... – ela disse meio ofegante, os dois estavam.
- Você não quer? Já ficamos algumas vezes e eu confesso que nunca pensei em você dessa forma, mas estou gostando!
- Pára null, você sabe que não ta certo! A gente se gosta, mas não é por aí, estamos juntos numa mentira! – null ouviu, suspirou, rolou os olhos, ficou em silêncio por um tempo e a encarou de novo.
- Está certo. Você tem razão. O tempo todo você tinha razão.
- Eu não disse! Admite null! Todo esse grude comigo é por causa da null!
- É, é! O que você quer que eu diga?! E-eu, eu, sei lá! Assim que eu a vi naquela estação de trem, parecia que eu estava sendo levado por um furacão de memórias, depois de um tempo sem vê-la era como se eu tivesse esquecido tudo o que sentia, mas eu não esqueci porque senão num teria voltado, entende?
- Claro que eu entendo null!
- Quando ela começou a ficar com null eu achei que fosse ter um troço! E eu nem sei o que foi que me deu, você sabe que eu te amo! Só que não dessa maneira...
- Eu sei! Também te amo besta! – ela riu e bagunçou o cabelo dele.
- Começamos a ficar de repente, foi tão inesperado quanto uma chuva de verão!
- Culpa do aquecimento global!
- Pode crer!
- Acho que a gente meio que se usou simultaneamente.
- Me senti como um loser esses dias e acho que passei um pouco da minha loserice pra você! – e os dois sorriram. Depois encostaram as testas.
- null... Promete que vai enfrentar as coisas ao invés de ficar tentando fugir delas?
- Uhum! E você promete que vai se resolver com seu passado?
- Erm... Meu passado? – ela descolou a testa da testa dele e ajeitou a postura enquanto ele vestia a blusa.
- Quando eu entrei no quarto você tava chorando... O que aconteceu?
- Como assim?
- Eu sempre sei quando você chora, lembra? – ele sorriu e apertou aquele nariz que estava um pouco vermelho, ela rolou os olhos e respirou fundo.
- Não dá pra esconder nada de você...
- É que eu me preocupo com você null! Se você chora eu quero saber quem foi que causou...
- Foi você.
- EU?! QUE FOI QUE EU FIZ? – enquanto ele gritava, null ficou rindo.
- Brincadeira, quer dizer, de uma forma indireta, talvez.
- Han? Quer explicar?
- Se você não fosse amigo do null, eu não teria reencontrado aquela praga da minha vida!
- Ahn... Mas o que foi que ele te fez?
- Nada. Só o mesmo de sempre. – ela começou a olhar pros lados e queria acabar com aquele assunto porque não gostava de ficar choramingando.
- Então... É aquele garoto que te fazia chorar porque pegava quase todas as meninas da escola né! Por acaso ele pegou outra menina de alguma escola? – ele fez null rir mas logo ficou séria.
- Não... Mas isso é passado! O que mais me surpreende é que ainda sofro se fico sabendo que ele pegou alguém! Tem alguma coisa errada comigo null, não sou normal! – desabou no choro e abraçou o primo.
- Calma, não é pra tanto... – ele alisava os cabelos dela, que permanecia com a cara enterrada no ombro dele. Depois de um tempo assim, ela se afastou um pouco e disparou a falar.
- É do mesmo jeito que você falou sobre null, null! Voltou tudo, até a raiva de mim mesma por ser uma incompetente e medrosa. Me sinto exatamente igual a antes, sem forças pra chegar nele e dizer o que sinto, parece simples porque eu sei que ele também sente, mas ao mesmo tempo não quero ter o null por um dia e perder...
- Eu entendo. Vai dar tudo certo, as coisas sempre se resolvem, você sabe!
- Obrigada por tudo, null! E desculpa ter ficado com você só pra ver se tinha esquecido o null, mesmo sabendo que não.
- É, eu digo o mesmo...
- Hum... Então você também não consegue esquecer o null, huh?
- NÃO! Digo... Ah, você entendeu! Digo o mesmo só que sobre null! – sorriram ao mesmo tempo que encaravam os pés.
- Isso não vai acontecer de novo, né?
- O que?
- Você sabe, a gente ficando, só pra se enganar...
- Não. Isso foi bom porque nós dois somos um casal irresistível! – ele estufou o peito e deu uma piscada – Mas... Não foi a atitude mais correta. Daqui pra frente nós seremos irmãos, pode ser?
- Pode mano!
- Ta bom então, já to indo! Eu to aqui no quarto da null porque ela caiu no sono por lá mesmo com o null.
- Uhum... Ei null! Você nunca gostou desse quarto aí ao lado! Lembra? Quando você era criança dizia que tinha medo de dormir nele sozinho - null lembrava os tempos de infância e os dois riram.
- Verdade, depois que meu padrinho teve um infarto e morreu enquanto dormia lá dentro, passei um tempo sem encarar aquele quarto! – null falou e o sorriso dos dois foi desaparecendo devagar.
- Você gostava muito dele... E eu também!
- Sim... Ah, mas isso era bobeira de criança, não tem nada a ver com o quarto em si! – ele fez uma pausa e sua expressão começou a mudar – Aff, bela hora pra você me lembrar disso viu!
- AHAUHUA! Quer ficar aqui hoje? Não tem problema, eu posso invadir o quarto da null ou da null.
- Não, num precisa. Podemos dormir juntos, somos magros! Não somos?
- É, somos... Mas nada de gracinhas! Na primeira eu te ponho pra fora!
- Não vou fazer nada! Que mania de me julgar, acabei de dizer que somos como irmãos agora, cacete!
- Ta, ta... A gente dorme junto hoje. Só que tem uma condição!
You count 'em one, two, three
You look so cute when you get that mad
You drain the life from me, and it feels oh so good
The looks you give are so contagious
The way we move is so outrageous
Just let me in, wasting time, just let me in
Lets make it look right
Stay up and get down sleeps just time
Spent wasting time
So get down, get down
Lets make it happen all night
null ouvia essa música e ela vinha da cozinha... Quem será que estava ouvindo música na cozinha? Ele foi ver! Chegou lá e null dançava de olhos fechados segurando uma colher-de-pau como microfone. Ela parecia não estar notando sua presença ali e num piscar de olhos a garota, que estava com todas as peças de um pijama, de repente ficou só com as pantufas do frajola, a calcinha, que ele pôde ver que tinha um desenho de um sapinho e a camiseta regata do pijama. Nem ele entendeu como de repente ela estava sem a calça, mas gostou do conjunto da obra! Ela se movia sensualmente fazendo ondinhas com o corpo e isso fazia null sentir os batimentos acelerando enquanto se aproximava. Depois, null derrubou todos os objetos que estavam em cima da mesa e subiu nela, continuando a dançar e cantar em seguida.
You're moving close, my pulse is racing
Wer'e getting close
Yeah i can taste it
I've never done it quite like this
So slow it down now, just slow it down
The looks you give are so contagious
The way we move is so outrageous
Just let me in, wasting time, just let me in, let me in
Stay up and get down sleep's just time
spent wasting time
So get down, get down
Lets make it happen all night
No meio da madrugada, mais ou menos 3 da manhã, null acorda do sonho que estava tendo. Dá de cara com null, deitada de lado, virada pra ele. ‘Dormindo assim, parece a criança fofinha da mamãe!’ sorriu com o próprio pensamento e tocou o rosto dela de leve achando a pele mais macia que já pudera tocar, ajeitou o cabelo atrás da orelha e isso a fez acordar, ela abriu os olhos devagar e ficou feliz ao dar de cara com null sorrindo à sua frente. Tão feliz que abriu um sorrisão e pulou em cima dele pra abraçá-lo. Ficou com a cabeça enterrada no pescoço dele e sentia um alívio por ver que ele estava bem.
- Você matou a gente de susto! – ela falou já se afastando e dando um tapinha leve no braço dele.
- Nossa, desculpa por ter levado uma pancada, juro que foi sem querer! – ele riu irônico e ela sacudiu a cabeça.
- É sério null, entramos em pânico vendo sair sangue da sua testa! Se sente bem?
- Uhum... Vaso ruim não quebra fácil babe! E todos nós aqui somos vasos péssimos por sinal! Você viu o null, rolou daquela ‘pequena’ escada e saiu ileso! – os dois riram mais um pouco, ele passou os dedos sobre o curativo na testa e pressionou de leve fazendo cara de dor – Dói um pouco aqui ainda.
- Tudo bem, o médico disse que não foi profundo.
- Hum... Acho que eu to com fome! – passou a mão pelo estômago fazendo uma careta, null riu e foi se levantando enquanto falava.
- Imaginei que você pudesse acordar no meio da madrugada, guardei uns pedaços de pizza. Estão lá no forno, vem! – ela chegou ao lado dele e estendeu a mão, ele sorriu e a segurou. Precisou de uma ajuda pra levantar e caminhar até a cozinha, pois estava ainda um pouco tonto. Enquanto ele comia pizza, ela pegou uma maçã... Os dois não conversaram durante esse tempo, ou melhor, não trocaram palavras, mas os olhares falavam por si só. De vez em quando null olhava pra ela e sorria, mesmo mastigando e null retribuía igualmente.
- Hey, aonde você vai? – null perguntou baixinho quando chegaram no corredor dos quartos e null caminhou em direção oposta ao quarto onde ele estava.
- Vou pro meu quarto... – ela respondeu no mesmo tom de voz, como se fosse óbvio.
- Ah não! Fica aqui! – e ele fez a carinha, aquela carinha de coelhinho da páscoa sendo assaltado que null não ia conseguir resistir se ficasse olhando, então desviou o olhar pra tentar ser mais durona.
- Mas e se a null for lá de manhã e eu estiver lá ainda? Ela vai pensar o que?
- Ela não vai pensar nada! A gente ta só ficando...
- Mas... mas ela vai ficar brava comigo depois!
- ‘Mas... mas... mas’ – ele a imitou afinando a voz e tentando rebolar – Não complica null! Ela não vai ficar brava, o que eu poderia fazer com você no estado em que estou? Anda vai... Faz o sacrifício de dormir ao lado desse moribundo!
- Menos null, você não ta moribundo! – null riu e foi caminhando pra mais perto dele.
- Isso é um sim? Você vai ficar aqui? – ele perguntou com cara de criança que acabou de ganhar um Kinder Ovo.
- É... – ela respondeu um pouco tímida.
- YEEEEE! – null soltou um gritinho e levantou os braços sem se tocar que ainda estavam no corredor.
- Shhh, vai acordar a casa toda! – null tampou a boca dele com uma mão e lhe deu um tapinha no braço com a outra mão. Os dois estavam em frente à porta do quarto e a poucos centímetros de distância um do outro. null começou a ficar hipnotizada com aquele olhar sobre ela e foi tirando lentamente a mão que ainda tampava a boca do menino, mas ele segurou o pulso antes que ela terminasse de abaixar e deu um beijo delicado nas costas da mão. Numa fração de segundo, um choquinho gostoso percorreu todas as veias da menina e como se isso não bastasse, null chegou bem perto da orelha dela e sussurrou um ‘Obrigado’. null sentiu um friozinho percorrer toda a espinha dela até chegar na nuca.
- Imagina, null – ela respondeu com a voz falha. Os dois continuaram assim bem próximos, até ouvirem um barulho dentro de algum dos quartos. Afastaram-se num susto e entraram no quarto... null estava sem graça ‘Não faça nada com ele! Não chega perto, não olha, não toque nele null! Sendo sério ou não ele ta com a null e eu não posso ser tão falsa amiga assim! Tipo vilã de seriado adolescente!’ ela pensava.
- Não vai apagar a luz amor?! – null falou com uma voz gay, já deitado na cama e a fez acordar dos pensamentos.
- Claro mona! – ela sorriu, apagou a luz e se deitou como antes, de frente pra ele, mas não muito perto, tinha medo de perder o controle da situação com aquele sorriso de orelha à orelha que ele tinha estampado no rosto.
- Você já chamou alguém com um sonho? – ele perguntou de repente com uma voz baixinha que fez eco na cabeça dela.
- Não, por quê? – ela respondeu estranhando a pergunta.
- Você vai rir... E pode não acreditar! Mas você tava no meu sonho agora há pouco! E aí quando eu acordo você ta aqui na minha frente! Sabe, isso foi... UAU! – ela não pôde deixar de sorrir ouvindo aquilo, lembrou que ele parecia feliz quando dormia, será que foi na hora do sonho com ela?
- E eu fazia o que no sonho? – ela perguntou depois de um tempo sorrindo.
- Estava ouvindo uma música. – sim! Ele escondeu alguns detalhes...
- Que música?
- Conhece The Maine? Count 'Em One, Two, Three.
- Uhum, gosto de The Maine e dessa música, mas ainda prefiro Plain White T’s... – ela afirmou de olhos fechados e sorriu, não demorou a dormir e ele também não, estavam com sono.
- Como será que o null está?
- Dormindo numa casa cheia de meninas? Deve ta ótimo! – null respondeu a pergunta de null. Dez horas da manhã e os dois já estavam na frente da casa do null. null segurava uma filmadora, queriam acordar o null e quem mais estivesse dormindo na casa! Como a porta estava fechada, eles foram entrar pela janela da sala, que viram que estava aberta.
- Ainda bem que não somos assaltantes dude! – null comentou enquanto terminava de pular pra dentro, null já estava lá.
- Sorte do null... Mas do jeito que ele é relaxado e deixa isso aqui aberto, não vai demorar!
Os dois foram caminhando devagar e ao chegar no corredor cheio de quartos, sorriram um pro outro vendo que todos eles estavam com as portas fechadas, ou seja, provavelmente todos dormiam ainda, um prato cheio para duas crianças felizes com uma câmera na mão!
- Quem vai ser a primeira vítima? – null perguntou com um sorriso maligno.
- O null! – null respondeu com o mesmo sorriso e esfregando as mãos – A câmera já ta ligada dude?
- Já, desde que a gente tava lá fora ainda!
- Perfeito! – eles conversavam baixinho enquanto se aproximavam devagar da porta do quarto onde null ficou, mas ao passar pela porta do quarto onde null estava, foram surpreendidos pela garota, que abriu a porta.
- Eii! O que vocês dois fazem aqui? – ela perguntou baixo, porém um pouco irritada.
- Que susto garota! Só porque você ia ser a próxima vítima! – null dizia como se estivesse inconformado.
- Hum? Vítima? Estão falando de quê?
- Ele quis dizer a próxima a ser acordada... – null esclareceu – A gente tava indo acordar o seu peguete!
- Ahn...
- Vem, vai ser engraçado, estamos filmando! – null a puxou pela mão com cara de sapeca.
Chegaram no quarto do null e null abriu a porta devagar, null e null vinham logo atrás. Eles entraram em silêncio e fecharam a porta pra evitar de acordar os outros com as risadas. Quando olharam para a cama, se surpreenderam ao vê-lo abraçado a null, ela dormia de barriga pra cima e ele com um braço e uma perna jogados por cima dela. null olhou de rabo de olho pra null mas ela não esboçou nenhuma reação, apenas passava os olhos pelos objetos do quarto, procurando por algo que eles pudessem usar pra assustar os dois. null caminhou até a penteadeira e pegou um frasco de perfume, olhou pra null e colocou o perfume ao lado do rosto, fazendo um olhar como de quem diz olha só o que eu tenho aqui! null gostou da idéia e ela passou o frasco à null. Os três se aproximaram da cama, null tirou a tampa do frasco e mirou bem na cara do null... null e null já soltavam risinhos abafados pelas mãos na frente da boca e null começou a espirrar perfume nos dois, que deram um pulo e já levaram as mãos ao rosto.
- Mas que caralho! – null dizia esfregando as mãos pelo rosto e tentando ficar sentada.
- Vocês são loucos seus merdas? – null também levantava sem acreditar naquela maluquice. Os outros três riam como hienas desmamadas!
null agora já ria da situação, mas quando viu null, diminuiu um pouco o sorriso, afinal, tinha outra menina deitada ao lado dele! null percebeu que ele a olhava um pouco tenso e piscou pra ele, que ficou aliviado, mesmo sem entender muita coisa e voltou a sorrir.
- null, caiu perfume no seu olho? – perguntou null preocupado vendo que a menina não tirava a mão de cima do olho.
- Acho que sim!
- Sério? Desculpa null! – null já correu até ela meio desesperado e sentou na beirada da cama.
- AHHHH! – null gritou tirando a mão do rosto e começando a fazer cócegas em null, que logo deitou se contorcendo e rindo.
- PÁÁÁÁRAA! – null começou a fazer o maior escândalo porque null pegou o frasco de perfume da mão dele e começou a espirrar nos dois.
- Shhhh! – null fez sinal pra eles diminuírem o barulho – Tem mais adormecidos pra gente acordar!
- Ela ta certa! Vamos procurar a próxima vítima! – null concordou e se dirigiu com a câmera até a porta do quarto. Os outros o seguiram pra fora e quando chegaram no corredor, o próximo quarto seria o da null, mas como ela já estava entre eles, o próximo era o da null. Todos olharam pra porta do quarto de null e depois se entreolharam com aqueles sorrisos de gremilin malvado! null foi do mesmo jeito que da outra vez e abriu a porta devagar, com o resto do grupo atrás dele. Agora a surpresa foi geral... null estava lá! A principio, os mais afetados com a visão foram null e null. Sentiram ao mesmo tempo o teto do quarto caindo sobre eles... null olhou pro amigo e tocou no ombro dele, enquanto null queria sair correndo mas não podia dar essa bandeira. Todos eles ficaram se perguntando mentalmente se aconteceu alguma coisa ali ou não, mas vendo como os dois estavam, qualquer um diria que não, pois null estava de costas pra ele e de frente pra parede abraçada com um gato azul de pelúcia. Enquanto null estava virado para a borda da cama, também de costas para null e tinha nos braços um porquinho rosa (que null fez questão de focalizar bastante!). E estavam com todas as peças de roupa completas e sem sinais de amassado! (Olha que análise profunda! Peritos profissionais!). Ao analisar melhor a cena, tanto null quanto null se sentiram mais aliviados, não estava parecendo que os dois tinham... err... você sabe, se comido!
- E então, como a gente acorda eles? – null perguntou baixinho. Começaram a passear os olhos pelo quarto e o que mais tinha era bicho de pelúcia. null abriu o guarda-roupa e deu de cara com uma caixa rosa notável. ‘O que será que tem nessa caixa? null null, que coisa feia, querendo fuxicar na vida dos outros... francamente!’ ele sacudia a cabeça pra afastar os pensamentos sobre a caixa quando null sussurrou pra ele algo que não entendeu.
- Hum?
- null, pega logo a vaca da null! – null repetiu e ele agora entendeu as palavras, mas continuou sem entender o que ela quis dizer. A menina, vendo a cara que ele fazia começou a rir baixinho e apontar pra dentro do guarda-roupa, ele olhou e viu uma vaquinha malhada de pelúcia. Sorriu idiotamente do que havia pensado e a pegou. Entregou pra null, que estendia os braços pra ele e então ela olhou pra null, ou melhor, para a câmera e contou até três com os dedos, colocou a vaca perto da cabeça dos dois e apertou a barriga da vaquinha, que começou a se balançar e soltar uma risada extremamente escandalosa junto com uns gritos. null sabia que aquela vaquinha fazia isso pois quando null a comprou, ela estava junto. As cabeças de null e null se bateram por causa do susto que tomaram e os amigos não sabiam se estavam rindo pela risada contagiante da vaquinha ou por eles terem se batido!
- OMFG! – null se sentou com as mãos na cabeça.
- Bando de retardados! – e null atirou o porquinho que segurava contra o grupo. – Hey, como vocês entraram aqui em casa? – ele perguntou depois olhando pra null e null.
- Pela janela da sala... – null disse simplesmente.
- Zé ruelas – null falou fechando os olhos e rindo. null também não parava de rir e esconder o rosto.
- Pára de me filmar! Eu acordo horrível!
- OMG, SOCORRO É A SAMARA MORGAAANNN! – null falou quando olhou pra ela e fingiu tomar um susto, ela lhe deu um tapa no braço que fez um barulho alto.
- Você é linda todas as horas do dia null – null falou sorrindo e ela corou visivelmente.
- Vamos guys! Ainda falta a null! – null falou logo em seguida.
- Precisa ver se ela ta dormindo ainda depois de todo esse escândalo aqui! – null falou se levantando.
- Ahh! Você não conhece o sono de PEDRA da null! – null falou rindo e seguindo null, que já ia em direção à porta. Quando chegaram no quarto da última que faltava, null abriu a porta com cuidado e pôs a cabeça pra dentro, fez um sinal de joinha indicando que a menina dormia e abriu mais a porta.
- O que vamos fazer com essa daí? – null perguntou esfregando as mãos com um sorriso de abóbora de halloween para a câmera.
- Tive uma idéia! – null falou e sorriu maliciosa pra null. – Entrega a câmera pra alguém, você vai entrar em ação agora!
null não sabia o que ela tinha em mente mas entregou a câmera pra null e null imediatamente começou a tirar a camisa dele.
- Ei, o que ta fazendo?! – ele sussurrou assustado.
- Calma! Não vou te devorar! Ou pelo menos não aqui na frente deles... Se você quiser a gente pode combinar qualquer dia desses lá na sua casa... – null ria e começou a explicar sua idéia – Parei! É o seguinte, você fica só de boxers e deita ao lado dela, quando ela acordar o susto vai ser tão grande que eu aposto como ela vai gritar!
null parecia não concordar com a idéia, sacudia a cabeça negativamente enquanto seus amigos sacudiam afirmando e sorrindo. Ele viu que não tinha escolha e começou a desabotoar a calça.
E lá estava null, só de boxers e morrendo de vergonha.
- Ahh vá null, já tiramos a roupa num palco, esqueceu?! – null perguntou dando um tapa no ombro dele. null fez cara de conformado e subiu na cama. null estava na beirada da cama, deitada de lado e de costas para eles. Perfeito para null deitar no outro cantinho de frente pra ela... Assim ele fez, deitou e se ajeitou lá mas ela nem se mexeu.
- Falei que ela dormia que nem pedra! – null falou rindo pra câmera.
- Faz alguma coisa null, passa a mão no rosto dela – null deu a idéia.
null começou a alisar o rosto dela, rosto que ele considerava o mais perfeito do mundo... Ficou olhando cada traço, nariz, boca, ficou imaginando que podia acordar todo dia ao lado dela! E enquanto ele se perdia nesses pensamentos, null começou a abrir os olhos devagar. Primeiro ela sorriu, estava achando que era um sonho! Depois ‘acordou’ um pouco mais e se deu conta que ele tava ali mesmo e SEM ROUPA! Quer dizer, estava com a boxer, mas ela nem teve tempo de reparar nesse detalhe.
- AAAAAAAAAAHHHHHHH! – ela gritou na cara dele e o susto foi tão grande que a fez ir pra trás e cair da cama. Quando estava lá de bunda no chão, olhou pra cima e viu null com a câmera na mão, se acabando de rir, junto com os demais que já botavam a mão sobre a barriga de tanto que riam da cara dela.
- Seus cretinos! Filhos da mãe vocês me pagam! – null falou se levantando.
- Calma null, era só brincadeira! – null falou se sentando na cama.
- Você vai ser o primeiro! – ela apontou pra ele e pegou seu travesseiro, começou a dar umas travesseiradas nele, que logo saiu correndo – VEM CÁ FILHO DA PUCCA! – ela foi correndo atrás dele.
Os outros só sabiam rir e foram atrás pra filmar!
null corria pela casa toda desesperado, só com a roupa de baixo e com uma maluca correndo atrás dele com um travesseiro nas mãos. A essa altura ele já não sabia direito o que estava fazendo, olhou pra janela por onde entrou com null e não pensou duas vezes, pulou pra fora da casa esquecendo de um detalhe: ele ainda estava só de boxers.
- VOCÊ TA SÓ DE BOXER! – null tentou avisar mas já era tarde demais.
- Oh... my... Gosh – null falou serrando os dentes ao se dar conta que estava no meio da calçada só de cueca. As pessoas passavam olhando e rindo... null correu até a janela e a fechou, depois ficou rindo e apontando o branquelo lá fora.
- COITADO, ABRE A PORTA PRA ELE ENTRAR! – null gritava lá dentro.
- Ah, não... Deixa ele se divertir mais um pouco! – null falou com a chave da porta na mão.
- VAI , ANDA LOGO PORRA! – null gritou de volta.
- Ei, não foi você que praticamente expulsou ele? Pra que essa pressa toda?
- Porque ta frio!
- Ta bom, já vou abrir... – e foi abrir a porta com bastante moleza, girou a chave com toda a calma do mundo.
- Ai como vocês são cruéis! – null falava rindo.
- Vocês uma vírgula! Eu ainda tentei avisar! – null se fez de ofendido.
- Ounn tudo bem null, então só null e null são cruéis! Feliz? – ele sorriu e sacudiu a cabeça dizendo sim enquanto ela bagunçava os cabelos dele. Finalmente null terminou de abrir a porta e null entrou bufando.
- Por que demorou tanto pra abrir? Eu já tava virando ponto turístico lá fora! – ele entrou e junto com ele algumas luzes de flashs.
- Hey! Nunca viram um homem de cueca não? Suas MAL COMIDAS! – null berrou para algumas mulheres que se juntavam observando a paisagem, e em seguida fechou a porta.
- Isso foi engraçado cara! – null chegou em null e eles deram um toque de mãos.
- E você, porque fechou a janela seu cuzão?! – null chegou apontando o dedo pra null.
- Você não veio acordar a gente? Isso foi uma vingança! – null respondeu cruzando os braços.
- E do null, ninguém se vinga não? Ele veio comigo!
- Baah, o null é só um bobão que todo mundo arrasta pra onde quer... – null falou dando de ombros.
- Oww não fala assim dele não! Ele é o mais bonzinho de vocês quatro – null protestou e se agarrou a um dos braços dele.
- Ele é um gay! – null gritou levantando os braços.
- É null? Que eu saiba, não fui eu que acordei com um PORQUINHO ROSA nos braços hoje!
- Ihhhhh – todos começaram a gritar e apontar pra null, que ficou sem graça.
- Foi a null que me obrigou! – quando ele falou a menina apontou pra si mesma com cara de ‘interrogação-cínica’ – E eu não quero falar sobre isso! Vamos tomar café da manhã!
- Ta bom null, não precisa ficar assim, a gente já desconfiava desde o começo mas não se preocupe... Não temos preconceito! – null dava tapinhas no ombro dele enquanto já caminhavam pra cozinha. null parou de filmar nessa hora e null foi se vestir.
Capítulo 12 – Pegações, Passado e... Chaminés!
- Agora a casa é nossa! – null falou da janela quando viu o carro do null se afastando na rua. Ele e os outros boys saíram com a desculpa de levar null em casa, mas as garotas sabiam que eles queriam chegar lá e ficar conversando assuntos masculinos, tomando cerveja, comendo batata frita e assistindo futebol ou coisas piores.
- Eu espero que null tenha leite condensado no armário! – null foi correndo abrir os armários da cozinha.
- Se não tiver me fala que eu vou ao mercado e compro! – null gritava da sala.
- Vamos ouvir música! – null foi caminhando em direção ao aparelho de som.
- Olha o que eu achei garotas! – null veio tentando segurar duas latas de leite condensado em cada mão.
- BRIGADEIRO! – null esticou os braços pra cima.
null ligou o som e a música começou a tocar...
Well I met this girl,
Just the other day
I hope I don't regret,
The things that i said now
And when we're laughing and joking with each oth…
Mas null deu pause.
- Pô gente, McFLY? Fala sério! A gente ta NA CASA DO , com os AMIGOS DO invadindo o tempo todo aqui, e assim por acaso eles SÃO OS MCGUYS! Pra ouvi-los tocar basta assistir os ensaios ao invés de usar um aparelho de som idiota, como fazem as outras meras fãs, não acham? [n/a: ta, desculpa aí né! Quem pode é outra coisa hushushusa]
- É, isso... É verdade... – null concordou pensativa.
- Ai, os ensaios... null toca tão bem... – null suspirou e pensou alto, pra variar.
- Hum? – null.
- Como? – null.
- Mas hein? – null.
- Ahn... O quê? Eu falei que o null toca muito, por que? O que é que tem? Por acaso é mentira?
- Calma null, é por que todos eles tocam bem e não só o null! – null explicou e sentou ao lado dela no tapete da sala.
- É que o null é diferente... Às vezes ele olha pra mim e sorri, é tão bonito! Me causa umas sensações que nem sei explicar! – null falou com a voz suave e um risinho besta já brotava em sua face. As outras se entreolharam e voaram pra cima dela num montinho desajeitado.
- CARAÍÍ TO SEM AR! – null soltou um grito abafado e as meninas saíram de cima dela.
- Mas vem cá... Eu me lembro que você falou que nem tinha gostado de nenhum dos meninos! Mudou de idéia foi? - null se ajeitava de novo no tapete.
- É que na verdade, eu só tinha olhos pro Dean, era o meu G.S.A... [n/a: Gato Só pra Admirar hauhua]
- OHHH EU SABIA! EU SABIA! O VIZINHO GOSTOSO DO QUE VOCÊ FALAVA SEMPRE!
- PUTAKEUPARIU ! Vai ressuscitar uma múmia ao invés de gritar no meu ouvido cacete! - null se incomodou com o entusiasmo de null berrando ao seu lado.
- Ele já te viu também ou só você que ficava pasmando em cima dele? – null perguntou, interrompendo a guerrinha de tapas entre null e null.
- Erm... Sim. – null afirmou meio sem graça enquanto as outras fixavam seus olhares nela. – Logo no primeiro dia que eu cheguei aqui, eu já o vi pela manhã, o pai estacionou o carro aqui na frente e o Dean parecia estar vindo da padaria... Ele passou com um sorriso lindo e me olhou de cima à baixo!
- Como foi que eu não vi isso? – null cruzou os braços.
- Estava muito distraída conhecendo null. – null ficou com as bochechas vermelhas e as outras prenderam um riso. null continuou a falar – Então no dia seguinte eu fui fazer uma caminhada e acabei encontrando o cachorro do Dean.
- Hey o homem ta morto! Não fala assim dele! – null jogou uma almofada em null.
- Não besta! Falei do cachorro de verdade mesmo, o Dean tava levando pra passear, mas acho que se soltou e não sei por que, veio justo até mim! Por sorte não me atacou... Aí o Dean pegou o cachorro e nós começamos a bater papo! No dia seguinte nos encontramos lá de novo e ficamos conversando enquanto andávamos, no outro dia a mesma coisa e até que no meu último dia por aqui, ele me deu um beijo.
Nessa hora as meninas sorriram e abafaram gritinhos gays com as mãos à frente da boca.
- Nem precisa essa animação toda, eu detestei aquele beijo! Sabe quando você não sente nada? Eu não gosto de falar de quem já se foi, mas ele beijava mal! Sei lá, ele tinha a língua meio grande e atrapalhada demais, acho que ele poderia alcançar meu útero com ela!
- Sei... Por cima ou por baixo? – null soltou a piadinha e depois de alguns segundos "assimilando o contexto" todas estavam gargalhando.
- PORRA , VAI TOMAR N****! – null jogou de volta aquela almofada.
- Desculpa, eu tive que soltar essa! – null falou meio embolado pelo riso – Vai, pode voltar a contar aí!
Elas se levantaram quando lembraram que iam fazer brigadeiro e continuaram conversando à caminho da cozinha.
- Ok, o fato é que eu detestei. O que não quer dizer que ele deixou de ser lindo! O Dean era mesmo um tesão, mas só pra olhar porque o null vale por 50 mil Deans!
- Então você e o nullzinho... Ta rolando algo aí?
- Claro né null! Fiquei com ele ontem. Primeiro a gente passeou pelo bairro e foi tão perfeito... Eu já tinha ficado com ele uma vez, mas eu insistia em repetir pra mim mesma que não tinha significado nada, nem contei pra ninguém.
- Quando foi que vocês ficaram a primeira vez?
- Foi antes de você chegar, null. Foi por causa de uma aposta besta lá que o null fez. Antes de beijar o null eu achei que ia ser normal, mas depois eu comecei a passar os dias aqui imaginando como era cruel olhar pra ele e não poder beijar de novo! Eu juro que não sentia nada por ele até provar o beijo null, ou se sentia, não sabia! Foi completamente diferente do beijo com o Dean, eu pude sentir meu coração levando choquinhos...
null soltou um risinho de canto de boca e lembrou de quando viu os dois juntos na sala. Todas elas ficaram felizes porque, pensando bem, os dois tinham muito em comum e tudo pra dar certo.
xxx Casa do null xxx
- AHAHAHA nem com quinhentos anos de malhação você ia ficar um Rodrigo Santoro da vida! – null ria apontando pra null, que havia acabado de comentar que ia passar mais tempo na academia pra ficar tipo o Rodrigo Santoro. null apenas deu um pedala e ele parou de rir imediatamente.
- Ouch! Vê se isso é jeito de tratar alguém que estava no hospital! – null fez cara de “Ooooh, I can’t believe” enquanto passava uma das mãos na cabeça e deu um tapa no braço do amigo.
- Ahw – null suspirou se jogando no sofá e abrindo uma lata de cerveja – Aquelas meninas devem estar derrubando a casa toda! Mas eu não vou ligar dessa vez, elas que arrumem depois!
- Por falar nelas, como é que vai o seu rolo com null, null? – null foi se sentando numa poltrona e tomou um gole de Red Bull.
- Não sei, eu acho que a gente não vai ficar mais. Ela gosta de outro. – Quando null terminou a frase, null se engasgou com sua cerveja e todos ficaram olhando pra ele.
- Calma eu to bem, eu só engasguei.
- De quem ela gosta null? – null desviou o olhar de null para null.
- Não vou falar porque não tenho certeza.
- Pô, que chato cara. – null dando tapinhas nas costas dele.
- Não... Ta tudo bem! Só falta a gente conversar agora. Foi melhor assim, sabe a gente se identificou muito porque ela é uma cópia minha em versão feminina e cara... Não quero andar com uma cópia minha pra cima e pra baixo porque eu sou muito panaca às vezes!
- Ainda bem que você reconhece! – brincou null.
- Quando a gente foi te acordar e você tava com a null, pensei que ela fosse fazer um barraco! – null lembrou rindo.
- Quando eu a vi ali também gelei, mas sabe o que ela fez? PISCOU pra mim! – null também ria enquanto contava.
- E o que foi aquilo afinal de contas, hein null? Você com a null? – null perguntou e null teve a impressão que ele estava bravo.
- Olha e-e-eu também não sei cara, quando eu acordei ela tava lá!
- CALMA , NÃO VÁ FAZER NADA COM ELE, O É SÓ UMA CRIANÇA E DEPOIS VAI FALTAR UM CARA NA BANDA E... – null sacudia null pelos ombros se fazendo de muito assustado.
- PÁRA DE ME BALANÇAR CARALHO! Aff! Só tem louco! Por que eu ia fazer alguma coisa com null?
- Bom, eu achei que você tivesse ficado com ciúmes – null coçou a cabeça confuso.
- Ciúmes null? Da null ou do null? – null perguntou rindo
- De ninguém! Nem sei do que esse lunático está falando.
- Só perguntei porque eu e a null te vimos pegando a null.
- O QUÊ? VOCÊ PEGOU A null? – agora foi null que se assustou e quase engasgou, mas voltou a falar num tom de voz mais aceitável quando viu que os amigos (e até ele mesmo) estranharam aquela reação – Erm... Quando foi isso?
- Aah aquilo... Não ta rolando nada entre a gente, foi uma vez só.
- Não quero saber de ninguém zoando as minhas primas, ouviu null? Já te falei isso no outro dia! – null olhou pra null com olhar de vilão da novela das nove e em seguida pra null, que engoliu seco. Todos tinham um medinho de null e seus olhares cortantes! Podia ser a coisa mais besta e sem importância, mas quando null lança os olhares mortais, nenhum deles contraria...
- Sossega ta null! Já tem alguém que a null é muito a fim e não sou eu.
- Quem dude? – null se aproximou parecendo interessado em saber.
- Você não contou da null, então eu também não conto dela!
- null, você ta muito interessado em saber da vida da null, o que foi? – null perguntou
- E-eu... – ele gaguejou um pouco e os outros perceberam uma tensão no ar.
- Anda null, se gaguejou é por que vem coisa! – null se levantou de onde estava sentado e foi caminhando até null, que já estava de pé e começou a dar passos pra trás. null e null também se levantaram de seus lugares e foram ajudar null a encurralar null contra a parede.
- Não precisa ter medo null, já falei que não tenho nada com ela.
- Medo? De vocês? Imagina! Só três loucos avançando em cima de mim! – null sorria irônico e nervoso, a parede já estava chegando atrás dele que ficaria sem saída.
- O que é que tem demais em dizer, null? Se você prometer que não vai ser um canalha com minha prima a gente até te dá uma mãozinha!
- Ok, se afastem seus marmanjos fedorentos! Senão eu grito! – null estendeu os braços com as palmas das mãos voltadas pra eles. Os três riram e ficaram parados esperando null falar alguma coisa.
- Tipo... Não é que eu esteja gostando dela, mas é que sei lá, ela sempre é tão atenciosa comigo que eu até sonhei com ela!
- E como é que foi esse sonho? – null sorriu malicioso.
- Ela tava dançando de biquíni cara! E sem a parte de cima... – Sim! Ele aumentou alguns detalhes.
xxx Casa do null xxx
...
Whenever you get this way
Just getting up for the let down,
Mmm here they come and they're here to stay
Just getting up for the let down
...
null colocou outro CD pra tocar quando retornaram para a sala, null ainda contava sobre null e seu sorriso parecia aumentar a cada minuto.
- Aí foi isso... A borboletinha sentou no meu ombro, foi tão lindo! – null contava para as outras que estavam sentadas no tapete numa rodinha e já tinham seus potes com chocolate e colheres em mãos.
- É, bem que eu vi! Eu tava aqui na sala com o null e o null passou correndo, a gente viu pela janela, foi tão engraçado!
- Por que vocês começaram a discutir afinal de contas? – null perguntou parecendo mais interessada na colher de brigadeiro à sua frente do que na conversa.
- Porque eu falei umas verdades, mas prometi não falar mais nada a respeito daquilo pra ele. É algo que o irrita bastante e eu nem sei por que, se é tão simples.
- Ouvi o null gritar pra você retirar o que disse, pode contar o que foi que você disse? – null perguntou curiosa.
- Erm... É... É melhor não, sabe...
- Ok, deve ser assunto de casal – null afirmou simplesmente e null se sentiu gelar por dentro de novo.
- Por que você fica dizendo que eu e null somos um casal, null?
- Ué! Não são?
- Não.
- Tem certeza? – null estava incrédula.
- Total.
- Assume vai null, eu sempre desconfiei que vocês tinham alguma coisa! E depois desses dias que a gente já passou aqui, eu tive quase certeza! null! Ele te deu aviõesinhos de sorvete! Que primo faz isso?
- A gente é como irmãos, null. Nunca tivemos nada.
- Pode contar null! Não tem problema, eu já vi tantos primos se casarem! Eu sei que vocês devem ter medo dos pais de vocês não aceitarem, mas a gente jura que vai dar toda a força pra vocês! – null falava com tanta emoção que fez null rir daquela cena toda. – Do que você ta rindo? Eu aqui oferecendo minha ajuda de todo coração e você ri?
- null, null, olha pra mim... Calma ta! Eu vou falar a verdade pra vocês me deixarem em paz! – ela suspirou e começou – O null e eu nunca tivemos nada... Até agora!
Essa afirmação de null chegou como uma bomba em null, que apertou os olhos por uns segundos enquanto as outras duas meninas sorriam vitoriosas pelo ‘acerto’ na intuição. Ninguém disse nada e null prosseguiu.
- Mas não foi nada realmente importante pra nós dois, porque eu sei que quando o null ta na presença de uma pessoa ele fica mexido. Então o null ta mega mexido esses dias e como eu também fiquei meio confusa por causa de umas coisas, acabamos ficando... A gente se beijou lá duas ou três vezes, mas nada que significasse entende?! Ele passou a querer mesmo que todo mundo acreditasse que a gente tem um super romance meio escondido, mas não é verdade, ele só fazia essas coisas quando tinha uma certa pessoa por perto. Alguém que ele queria provocar...
- Sério?! Putz... Quem é que mexe com ele? – null perguntou passando os olhos pelas outras três meninas à sua volta.
- Acho que a própria já deve saber que estou falando dela. – null, que olhava pro seu pote de chocolate, começou a olhar pra null – Eu sempre disse que ele era apaixonadinho por você não disse?
null sentia suas bochechas arderem e não tinha nenhuma reação, além de olhar pros lados. Então null continuou a falar.
- Foi isso que eu disse pra ele, mas ele não quer aceitar porque null está com null...
- Acho que não é por isso que ele não quer me aceitar... Na verdade eu nem to mais com null.
- Não? – null olhou rápido pra ela.
- Não, null. E eu sei que tem um clima entre vocês. E não é de agora, ele sempre gostou de você e eu só cheguei pra atrapalhar!
- Claro que não! Como você diz que ele gostava de mim se ele ficou encantado assim que te viu?
- Meu lance com ele foi uma atração que tivemos de início, mas sinceramente eu o prefiro como amigo! Não vou ficar mais com ele e a gente vai conversar, talvez amanhã... E eu sei que ele pensa o mesmo. – null terminou de falar e null já nem ouvia mais nada, começou a esboçar um pequeno sorriso com os olhos vidrados em algum objeto inútil da decoração da sala. null percebeu e estranhou todo aquele papo, aqueles casais estavam tão confusos que ela já não sabia mais quem gostava de quem! ‘Mas eu a vi com o null! Pensei que estivessem juntos... Ainda bem que eu e null não somos confusos desse jeito!’ ela pensava até ouvir null perguntando algo à null que ela quis saber a resposta.
- Mas se você e o null não estão mais juntos, qual é o outro motivo pro null não assumir de vez que é a fim de você?
- Ah, eu vou contar uma coisinha que vocês não sabem, nem você null. – ela suspirou antes de continuar, não agüentava mais, tanto tempo sem contar pra ninguém que já esteve com null mas escolheu ficar com Chris – Três anos atrás, eu e o null... A gente teve um rolinho.
- O QUÊ? E VOCÊ NÃO ME CONTOU?
- Calma null, deixa ela continuar, cacete! – null quis acalmar null, que ficou quieta e null prosseguiu.
- Ficamos juntos pela primeira vez numa festa de aniversário da null.
Play null’s Flash Back
- O null ta olhando pra cá... Aposto que se eu sair ele vem falar com você – eu e a null estávamos dançando e ela, como sempre, insistindo no null!
- Não! Você sabe que eu não posso, to saindo com o Chris, esqueceu?
- Eu sei amiga... Só falei que ele ta olhando, to mentindo?!
- Tem tanta gente aqui, ele pode estar olhando pra essa loira aqui atrás da gente ou até mesmo pra você!
- Rá! Conta outra... Que seja, null... Vou beber alguma coisa!
- Ta, volta logo que eu não quero ficar sozinha.
- Não vai ficar sozinha xuxuzete!
Ela logo sumiu no meio das pessoas e eu continuei dançando. A música da Kylie Minogue estava animada e eu me soltei. De repente uma voz falou atrás de mim e eu me arrepiei.
- Sozinha null?
Virei-me e era o null... Ele estava l-i-n-d-o, eu fiquei sem fala por um instante com aqueles olhos null tão perto dos meus!
- Não... A null foi beber alguma coisa mas já deve estar voltando!
- Ah sim, estou vendo o quanto ela gosta de beber! – null olhava numa direção e eu me virei pra trás, vi a null se pegando com o bonitão do Peter num canto do salão! ÓTIMO! FAÇAM BOM PROVEITO! Me deixou sozinha aquela lá, deixa ela...
- Hum... É, eu devia saber que uma hora ela ia largar a amiga pra ficar com o bonit... digo, o namorado! – me virei pra ele e falei sem graça.
- Queria conversar com você, vamos lá fora? – OMG! Não aceita null, não aceita, não aceita...
- Claro! – Puta merda, aceitei! Com esses olhos null, isso é covardia pô!
Ele pegou a minha mão e eu pude jurar que tinha eletricidade no garoto naquela hora! Foi me puxando pra fora do salão e chegamos num jardim muito bonito, tinha um chafariz cheio de luzes piscando, alguns bancos, árvores... Aproximei-me de uma árvore toda florida, não sei o que era aquilo, mas eram flores branquinhas e macias. Fiquei distraída e ele chegou perto me fazendo arrepiar de novo, malditos arrepios!
- Você ta linda hoje! Mas isso não é surpresa né...
- Obrigada! – soltei aquele sorriso sem graça, tímido e broxante no qual eu acho que sou mestre! Tentei desviar meu olhar dos olhos dele, mas não consegui. Eu não reajo assim com ninguém, nem o Chris me deixa tão boba!
- O que eu quero falar é que... De uns tempos pra cá... Bom, você sabe que a gente se conhece desde criança, você e a null são amigas desde que entraram no jardim da infância! – e ele riu, ai que sorriso! Dá pra alguém me tirar daqui? Estou começando a ficar com medo de agarrar este ser incrivelmente gostoso que ta na minha frente e não soltar mais! – A gente sempre foi amigo, a null ia lá em casa e você ia junto às vezes, ou então eu ia na casa dela e você tava lá... Até dois meses atrás eu jurava que era só seu amigo, mas ultimamente ta ficando impossível jurar isso porque amigos não fazem o que eu quero fazer com você! – ele tava se aproximando enquanto falava ou era impressão minha? Não null, não era impressão sua querida... Ele tava SIM se aproximando cada vez mais. Isso era errado, eu sabia que não podia seguir em frente, tem o Chris na história! Quem disse que o coração tem alguma conexão com o cérebro está muito enganado! Não existe nada ligando esses dois, nem um fiozinho que seja! Eles simplesmente habitam num mesmo corpo, mas nunca se comunicam! Meu cérebro dizia, se afasta mulher e diz pra ele que tu já tem compromisso... O coração obedeceu? Claro que não! Só ficou batendo lá, desesperado! Achei que eu fosse morrer ali, parecia que eu tinha uns 300 batimentos por minuto, isso não pode ser normal! Ele pôs as mãos na minha cintura, a boca dele já estava a um milímetro da minha, era o último segundo que eu tinha pra sair correndo e fazer o que era certo, mas à essa altura do campeonato eu já não me importava com mais nada. Agarrei o pescoço dele e nossos lábios se colaram com vontade! Parecia que não tinha mais chão ali, eu simplesmente não sentia nada embaixo dos pés... A língua dele brincava com a minha como se as duas já imaginassem e quisessem aquele momento há muito tempo. Quanto tempo demoramos no beijo? Sinceramente não tenho idéia! Mas sei que se nos soltamos foi apenas por uma questão de sobrevivência, pois ficamos sem fôlego nos pulmões.
Stop null’s Flash Back
- Ahn... Mas eu fui lá fora também e por que eu não te vi mais pelo resto da festa?!
- Porque você tava com o Pete?! – null perguntou como se fosse óbvio.
- Mas mesmo com o Peter eu tava te procurando, chata!
- Ah, é que eu fui embora.
- Com o null? – null perguntou com o olhar sugestivo.
- Não... Sozinha. Falei pra ele que comecei a me sentir mal por causa de alguma bebida. Pedi também pra não comentar nada com a null, porque eu queria que nós contássemos juntos. Eu não sei se ele acreditou nessas coisas, mas pelo menos fez a parte dele e a null não ficou sabendo. – null olhou pra null e ela não parecia chateada, apenas a olhava com os joelhos dobrados e a cabeça apoiada neles.
- E aí você decidiu ficar com o Chris? – falou null.
- Eu não sabia o que fazer... Depois que fiquei com o null, ele não saía mais da minha cabeça! Teve até um dia que eu pensei nele enquanto beijava o Chris e me senti a pessoa mais detestável do mundo por isso. Então o null ia lá em fins de semana ver a null e em dois sábados seguidos a gente se viu escondido. Mesmo sabendo que eu estava sendo horrível com os dois, não conseguia ficar sem vê-lo. No último sábado que a gente se encontrou foi numa sorveteria, ele tinha descoberto sobre o Chris e não quis mais saber de mim. Depois até passou um tempo sem voltar pra Londres e quando ia era rápido, pra evitar de me ver... – null falava cabisbaixa.
- Fui eu que contei! – null disse de repente e meio assustada – M-me desculpa e-eu não sabia!
- Tudo bem null, ele mesmo me disse que você contou sem saber.
- Se você não tivesse me escondido isso eu não ia ficar brava e também não ia contar pra ele sobre o Chris, ia deixar você mesma falar e tudo tinha sido diferente!
- Eu sei, eu fiz tudo errado mesmo... Me arrependi tanto de não ter dado logo um pé no Chris, ainda mais sabendo que ele não valia nada!
- E do jeito que o null é orgulhoso! Sem querer te desanimar, mas... Essa ta difícil pra você! – null finalmente falando alguma coisa, nas outras horas ela estava mais preocupada em ouvir e comer brigadeiro.
- Caralho eu nem imaginava tudo isso – null falava parecendo distante. De repente olhou rápido pra null – Mas teve uma coisa que eu fiquei sem entender... Por que você ficou tão aérea e feliz quando a null falou que o brócolis dela não é o null e sim o null?
- Brócolis? – null perguntou surpresa.
- Eu? Feliz? – null perguntou ao mesmo tempo que null.
- Uhum, brócolis pra não dizer xuxu! Todo mundo diz xuxu... – explicou pra null e depois se voltou pra null – Não to entendendo mais nada porque eu te vi atracada com o Mr. null lá no parque! – null terminou de tocar no assunto e null olhava pro chão como se houvesse alguma coisa muito interessante ali no tapete.
- E eu vi vocês de mãos dadas! – null completou apontando pra ela como se fosse surreal vê-los de mãos dadas.
- Não tenho nada com o null além de amizade, aquele beijo foi uma coisa que nenhum dos dois esperava. Quando a gente se soltou, concordamos que nosso beijo não serviu pra apagar nossas paixonites platônicas. Naquele dia estávamos tristes, ficamos um bom tempo falando sobre dois seres que não ligam pra gente!
- Hm... Então um desses seres é por acaso o null? – perguntou null.
- Por acaso é sim – null sorriu.
- Agora só falta descobrir quem é que gosta do null, você ou o null! – null brincou e levou um pedala de null, provocando risos nas outras.
- Deixa de nullzisse null! Esses dias ficando com o null te deixaram afetada! – null gargalhava e null lhe devolveu um tapinha na testa.
- Ah, se o null gostar do null também eu vou ter que brigar com aquela bicha tocadora de null! – null brincou fechando os punhos.
- De quem o null falou no parque, null? – null perguntou e null olhou pra null. null ficou de pé e começou uma brincadeira.
- A minha amiga secreta... É alguém que o null já conhece desde os tempos que a internet discada era novidade! – todas sorriram e null se encolheu no meio dos ombros porque null não tirava os olhos dela – Estudaram juntos por alguns anos, se tornaram muito amigos, mas os dois eram covardes e não diziam um pro outro que não queriam ser só amigos! Ele queria ver se ela tinha ciúmes e sempre desfilava na frente dela com alguma menina. Um dia eles quase se beijaram sentados numa escada, – nessa parte null sorriu um pouco, se lembrando daquele dia – só não fizeram isso porque tocou o sinal. Nesse dia, null viu que tinha chance e estava decidido a falar tudo e lutar por ela se fosse preciso, mas recebeu a notícia que ia se mudar em breve. Ele não quis mais ficar com ela porque já ia embora e isso não ia dar certo. Só que na festa de despedida que null fez, eles se agarraram finalmente, mas depois null se fez de bêbado pra afastar essa menina pra ela não querer saber mais dele, não ficar com saudade e assim os dois não precisariam se resolver com o problema da distância. E então? Sabem quem é a minha amiga secreta?
- Nem sei quem é essa criatura! – null olhou pra null – Mas se eu souber eu dou um cacete nela por não ter pegado logo o null-gostosura-null de uma vez!
- Putaqueopariu... Não aguento mais ouvir isso! Se eu não gostasse dele como gosto, eu até teria ficado logo com ele e não me importaria se no outro dia o visse com outra. Mas justamente por gostar muito dele eu sabia que não ia suportar uma coisa dessas... Eu era sua melhor amiga e ele ficava me contando todas as meninas que ele queria catar e depois que catava, me contava como foi e eu tinha que aturar... Não era fácil... Depois que ele foi embora e eu comecei o namoro com Pete, já não lembrava mais tanto dele, mas agora que vi o null de novo parece que voltou tudo! E ainda pra ajudar, a dona null me obriga a trazer aquela caixa! Outro dia eu a abri e parecia que eu tinha voltado aos quinze anos!
- Yéééé! Você só trouxe aquela caixa por causa de mim! Mas... O que tem lá mesmo?
- São coisas do null, fotos nossas zoando, fazendo caretas e poses. Tudo que me lembra dele ta lá.
- Oun, deixa a gente ver! – null pediu.
- Vamos, ta no meu quarto! – null se levantou, não tinha mais por que ficar escondendo as coisas... As outras foram atrás dela curiosas pra ver o conteúdo da caixa, principalmente null, que ficou curiosa desde o dia que viu null disputar com o rapaz da coleta pra não perder a caixa!
xxx Casa do null xxx
- Sei lá, eu fiquei meio feliz e saí pulando, ela deve ter me achado ridículo!
- Vuchê é rijículo, null – null falou com a boca cheia de batatinhas fritas.
- null apaixonadinho... Aiaiai-uiui quem diria! – null voltava da cozinha com um pacote de biscoitos e esfregou a mão na cabeça de null ao passar por ele.
- Apaixonadinho eu não sei, mas gostei dela desde que a gente se conheceu e de lá pra cá eu não tirei mais a null da cabeça, é algo que não sei nem explicar! Quando eu deitei ao lado dela fiquei desejando que aquela situação fosse de verdade!
- Se você parecer um cabrito enlouquecido depois de cada vez que ficar com ela, eu vou parar de ser seu amigo! Sério, você parecia uma gazela passando na rua, eu e a null estávamos na sala, a gente rachou até umas horas! - Estavam sozinhos em casa até aquela hora, não estavam? – perguntou um null curioso.
- Huuhumm – null e null fizeram algum som em tom malicioso.
- Pois é dude, teve uma hora que a gente tava sozinho, aí começou passar um acasalamento de elefantes na TV e então eu acho que ela ficou excitada e avançou pra cima de mim de repente, saca! Sentou no meu colo, arrancou minha blusa fora, arranhou minhas costas, me agarrou mesmo, a gente fez sexo lá no meio da sala, foi tão selvagem e inexperado... – null ia falando. null estava pálido como se estivesse prestes a vomitar, null e null quase babavam de queixo caído. Se os dois fossem desenhos japoneses, estariam com os olhos redondos à metros de distância do rosto. null pegou latas de cerveja vazias e foi tacando em cada um, como sempre fazia quando os amigos acreditavam nessas besteiras desse tipo entre ele e a prima – Seus pervertidos, claro que não foi nada disso! Pra começo de conversa, a gente tava assistindo Speed Racer e que parte do ‘ela é minha prima, caralho’ vocês não entendem? O ela, o é, o minha, o prima ou o caralho?
- É que tem alguns primos que... Você sabe né... – null disse agitando os braços numa dancinha estranha.
- Mas ela não é só minha prima, a null agora foi promovida!
- Promovida? – os três perguntaram juntos.
- Agora somos irmãos! – null disse com um sorriso bobo e os três caíram na risada.
- Claro! E vocês foram adotados pelo sargento Panela e a fada dos dentes! – null brincou, estava um pouquinho alterado já o coitado.
- A fada dos dentes eu conheço, mas quem é sargento Panela?– null se virou para null e levou um tapinha no rosto.
- Fica quietinho aí vai null...
- CHEGA seus cabeças de cookie! Parem de rir porque eu to falando sério cacete!
- null, ninguém pode resolver que é irmão assim de repente! – null, depois que parou de rir.
- Pode sim.
- Pode não!
- Eu posso porque eu sou famoso! E vou tratá-la como se fosse minha irmã e ela também comigo.
- Ok, senhor null-eu-sou-famoso-null...– null ergueu os braços.
- Mas então... – null pôs a mão no queixo fazendo cara de pensativo – Vocês não tinham lá um casinho escondido?
- Não.
- Mas vocês pareciam tão íntimos e... felizes e... JUNTOS! – null sem acreditar.
- Tu tem certeza?! – null aumentou o volume da voz pra cima dele.
- Ta bom vai, mais ou menos... A gente ficou algumas vezes.
- É, todo mundo desconfiava. – null começou a olhar pro chão.
- Eu sei dude e era isso mesmo que eu queria.
Todos olharam pra ele confusos.
- Não façam essas caras, eu explico... Amo a null! – null falou só pra judiar um pouquinho do null, percebeu que ele parecia que ia sair correndo. – Mas não desse jeito, é amor de irmão e tudo que eu quero é protegê-la. Meu comportamento com ela tava mais exagerado nesses últimos dias, a gente andou ficando, coisa que nunca tínhamos feito e tudo por que eu queria provocar uma pessoa.
- Quem? – null cruzou os braços e sorria aliviado por dentro.
- Eu sei null, que você queria me atingir, mas não adianta, eu não volto pra você – null afinou a voz, afastou null com a mão e virou a cara pro lado oposto.
- Não null! Volta pra mim meu amor! – null entrou na brincadeira e começou a tentar abraçar o amigo e beijar a bochecha dele, enquanto ele tentava se livrar de todo jeito, os outros dois se rolavam de rir e foi quando a mãe de null entrou em casa e se deparou com a situação. Os quatro pararam com as bricadeiras ao ver a senhora null olhando pra eles como se dissesse ‘ahh esses garotos de hoje...’
- Oi Sra. null – null se ajeitando no sofá.
- Boa tarde Sra. null – null ajeitando o cabelo.
- Já é quase boa noite, não acha null? Boa noite senhora null – null disse.
- E aí mãe, tudo bem?
- Tudo... O banco estava tão cheio hoje... E você, como passou a tarde? Como é que está esse machucado?
- Tudo bem mãe, os dudes estão aqui pra me distrair!
- Que bom meu filho... Continuem à vontade, – olhou pros garotos – Eu vou subir, boa tarde pra vocês também.
- Viu, eu disse que era boa tarde! – null jogou uma almofada em null.
- É que já ta anoitecendo cara...
xxx Casa do null xxx
- Que bonitinha! Adorei essa foto de vocês de ponta-cabeça! – null estava olhando as fotos da caixa. Todas elas já haviam retornado à sala, onde tinham deixado cada uma o seu pote de brigadeiro pela metade.
- Ele gosta de você ainda null, assim como você dele! E agora que você sabe disso, porque ELE MESMO me disse, se resolve com ele de uma vez poxa!
- Mas... mas... E se eu pegar ele com outra no dia seguinte? Eu vou querer morrer!
- Larga de doce! – null rolou os olhos – Eu sempre te disse isso, né?! Como é que pode pensar no fim se ainda nem começou? Mesmo se isso acontecesse, você não vai morrer por causa de um homem, certo? E você devia confiar mais nele agora, já que ele ainda gosta de você, confia na mudança dele! – null falava e null entrou em transe, seguindo um mosquito com o olhar, até que null lhe balançou pelos ombros – Olha pra mim, cabeça de cookie! Ele NÃO VAI ficar com você e depois te trair com outra no dia seguinte, ouviu?!
- Ouvi cabeça de gelatina! Mas hey! O que você e o null têm contra os cookies? – null olhou pra amiga, que deu de ombros.
- null tem razão, se vocês não ficarem juntos de uma vez nunca vão seguir suas vidas em paz. – concordou null, ignorando o comentário dos cookies.
- Agora que vocês são adultos, vocês podem parar de frescura e serem felizes pra sempre! – null abriu um sorrisão.
- Nossa... Impossível cara... – null falou baixinho meio que em transe, outra vez, só que agora olhando atentamente à sua frente.
- Impossível? Vocês felizes? Mas por que, criatura? – null perguntou e logo as três perceberam que null olhava fixamente para a janela, elas ficaram de pé e viraram pra trás pra olhar pela janela também.
- O que você ta olhando null? – null coçou a cabeça ainda sem entender.
- Estranho... Estão usando a chaminé da casa da frente! – null saiu do transe e encarou as amigas em volta.
- Mas... Essa casa... – null começou a frase.
- Ta vazia dude! – null completou e todas se entreolharam.
- OMG! SE A CASA TA VAZIA QUEM ACENDEU ESSA CHAMINÉ? – null entrando em desespero. Todas começaram a gritar coisas como ‘OMFG’ e ‘CADÊ OS MENINOS!?’
xxx Casa do null xxx
- Anda, liga logo essa coisa aí! – null apressava null, eles iam assistir o vídeo que gravaram na casa do null.
- Pronto cara! – null terminou de plugar o cabinho na câmera e se jogou no sofá.
Logo no começo do vídeo, null e null estavam na frente da casa, a câmera filmou a casa do outro lado da rua enquanto null conversava com null e null viu uma coisa...
- Oh Gosh! Espera, pausa aí!
- Que foi null? – null pegou o controle e pausou assustado.
- Volta cara, volta! Eu acho que eu vi coisas!
- O que foxê fiu? – null falou com a boca cheia de alguma coisa que era em farelos e levou um empurrão de null – Pára de falar enquanto come, lesado!
- Shhhh, prestem atenção, olhem bem agora! Ali na janela da sala daquela casa que era do Dean.
- HEY, passou uma coisa ali! – null se levantou e ficou de pé no sofá.
- EOOO Fiii! – null falou ainda com a boca cheia espirrando farelo pra todo lado e levou empurrões e almofadadas. [n/a: imagina essa cena hsuhsuhsuhs que relaxo =x]
- Eu ainda não vi, vou voltar – e null foi repetir mais uma vez aquele pedacinho.
- Ahn! É daquilo ali que vocês estão falando? – null congelou a imagem e foi até a televisão apontando pra dentro de uma das janelas da casa da frente, onde dava pra ver um vulto. Com a imagem rodando, parecia uma pessoa passando rapidamente pela janela. Estava de branco.
- É, é, é aquilo! Tem alguem ali! De agasalho branco! – null falou tentando esconder o rosto dentro da gola de seu agasalho.
- Dude... Um dia a null me contou que viu uma cabeça do lado de fora da janela da sala da sua casa, null! – null falou meio pensativo e todos ficaram se olhando assustados feito crianças. Até que pularam de susto com a música que começou alta de repente.
You're looking for something you can't find
If you give it up, you'll lose your mind
There's always something in your way
What can you say?
You're gonna have a good day
Era o celular de null tocando.
- Alô!
- Oinulléanull!Vocêtanacasadonull? – falou rápido quase sem espaço entre as palavras.
- Uhum, por que? Aconteceu alguma coisa?
- ACONTECEU QUE TA TODO MUNDO SE CAGANDO AQUI – null gritava e ele pôde ouvir.
- Quer me explicar o que é que ta acontecendo? Que porra é essa?
- null, é que a gente acha que tem alguem nessa casa aí da frente!
- Ah, é... A gente também acha! – ele pensou alto, olhando pros amigos, que o olhavam de volta.
- Como é null?
- Não, nada... – não quis assustá-la ainda mais com a história do vídeo – Err... Mas por que você ta achando isso? O que fizeram dessa vez?
- A gente ta muito asustada! Tem alguem USANDO A CHAMINÉ! Ta saindo fumaça de lá... Vem pra cá null, please!
- Uhum, ok! Me espera. – e desligou.
- Que foi? – null assustado.
- A null ligou lá de casa falando que alguém acendeu a chaminé da casa da frente!
xxx Casa do null xxx
- Ele já vem, calma garotas se controlem! – null falava se afastando do telefone, e da janela também.
- Já ta escurecendo lá fora e eu não estou a fim de ficar observando essa fumaça sair da casa da frente! – null tampou o rosto com uma almofada.
- Tem alguém naquela casa, a gente podia entrar lá e ver, não acham? – null deu a idéia.
- NÃO! – recusada por todas.
- Se essa casa é igual a casa-monstro do filme, o Dean deve estar soterrado aí e agora ta fazendo a casa ganhar vida! – null falou olhando para as outras como se tivesse descoberto o segredo do tesouro perdido e as meninas pasmavam olhando pra ela de volta.
- Aff! – null voltando a Terra – Se liga null! O Dean era gostoso demais pra virar assombração! No máximo, ele podia virar um vampiro ou um lobisomem...
- Tanto faz! De qualquer forma eu quero mais é me esconder. Vou pro meu quarto! – null foi andando em direção à escada.
- Ow, a gente vai junto! – null foi correndo e as outras duas resolveram ir também. null, ao ver que já estava bem à frente de null e das outras meninas, resolveu brincar.
- QUEM CHEGAR POR ÚLTIMO FICA PRA FORA!
Elas se desesperaram e começaram a correr empurrando umas as outras pelo caminho.
POWFT!
null ficou pra fora...
Capítulo 13 – Fã-fã-fã-fantasma!
- Nossa, é verdade! Ta saindo fumaça da chaminé daquela casa! – null olhava pela janela do banco do passageiro, estavam chegando na casa do null.
- A gente vai descobrir hoje quem é que ta aí! Será que o Dean não morreu? – null desligando o carro.
- Ou pior... Será que ele morreu e ta assombrando a casa? – null falou com cara de sério e null lhe deu um tapinha no braço.
Quando null entrou em sua casa com os outros, as luzes estavam apagadas e o silêncio chegava incomodando... O único barulho era dos ventos fortes sacudindo as árvores lá fora, um temporal daqueles estava chegando.
- Cadê as meninas? – null olhava de um lado pro outro, confuso.
- Do jeito que elas são surtadas, devem estar se escondendo em algum lugar! – null foi andando pra sala.
- A gente se espalha e procura então... – null foi falando com null.
- Wait! Quem vai querer olhar o porão? – null perguntou com um olhar desafiador.
- Eu não tenho medo de procurar lá, mas que menina ia se esconder no porão? – falou null.
- Não sei, mas... Talvez estejam lá – null deu de ombros.
- Eu e null vamos ver. – null puxou null pelo braço e foram em direção à cozinha, onde num canto perto da porta pro quintal, há uma escada pro porão.
- Vou procurar em algum banheiro lá em cima. – null falou pra null, que assentiu com a cabeça.
null ficou sozinho na sala. Olhou pro chão e viu uma caixa, com sua tampa jogada ao lado. Reconheceu que era a mesma que estava no guarda-roupa da null. Abaixou-se e pegou uma foto na mão. Os meninos tinham acendido a luz da cozinha, mas a da sala não, então ele resolveu acender a luz da sala porque não conseguiu enxergar as pessoas que estavam na foto. Quando pôde ver, não conseguiu esconder um sorriso. Na foto, estavam null e null sujos de sorvete na casa da null, ele tinha acabado de grudar uma colher com sorvete de flocos na testa dela depois que ela tinha jogado sorvete e acertado na bochecha dele e foi quando null chegou e tirou uma foto de surpresa dos dois assim. Eles riam apesar de estarem com sorvete no rosto e a foto saiu engraçada... Impossível não sorrir olhando aquela foto, principalmente quando você é null ou null. Depois ele viu outra onde ela estava de costas levantando o cabelo e ele de frente, sem camisa, os dois mostrando as tatuagens com desenhos iguais, duas semanas depois que tinham feito. Virou a foto e identificou a letra dela em palavras entre aspas escritas no verso: “You’re still a part of everytinhg I do, you’re on my heart just like a tattoo” guardou essa foto no bolso.
Em algum banheiro lá em cima...
null abriu a porta do banheiro de um dos quartos e tomou um susto, null estava lá dentro lavando as mãos.
- Que susto null! Como é que você vai abrindo a porta assim de repente?!
- Que susto digo eu! Chego em casa e as meninas sumiram! Onde estão? – ele perguntou entrando no banheiro.
- Estão no quarto da null... Me trancaram pra fora, aquelas vacas!
- Vocês se desentenderam? – null estranhou e ela riu.
- Não... Num foi isso, é que foi uma brincadeira da null, quem chegasse por último ficava pra fora do quarto – ela explicou e deu de ombros.
- Hum... – os dois ficaram pasmando um pouco e logo se assustaram quando uma corrente de vento passou e fechou a porta com força. null ficou com as mãos sobre o coração e os olhos esbugalhados, null levou as mãos pra trás da cabeça.
- Putafodeu!
- Minha nossa! O que foi isso null!?
- Eu não sei, mas seja o que for, trancou a gente aqui!
- O QUÊ?
- Essa porta está com problemas, não pode bater assim com tudo.
- OMG! Tenta abrir! Tenta aí!
- Não dá, – null se esforçava pra abrir, sem resultados – só por fora...
null fez uma cara de ‘vou-morrer-ali-rapidinho-e-já-volto’, se encostou numa parede e foi deixando as costas deslizarem por ela até sentar no chão. null passava os olhos por todo o banheiro, procurando alguma coisa que pudesse abrir a porta.
- É... Não tinha ninguém no porão. – null chegou na sala e null vinha logo atrás.
- Oi null, que caixa é essa? Tinha alguém aí dentro? – null brincou e null pareceu nem escutar.
- Hum? – null saiu de um transe.
- Ihhh... nullsito não está bem, dude – null cutucou null.
- Não eu só... É que eu... Essa caixa tava aqui e... – null apontava para a caixa e se embolava na resposta.
- Ta bom, que seja null... Que seja. Vamos procurar nos quartos que elas devem estar lá. – null cansou de observar null se atrapalhar pra falar e foi andando em direção à escada. null foi junto e null terminou de pegar os objetos que estavam pra fora da caixa, colocando as coisas lá dentro e em seguida tampando-a. Depois foi atrás dos outros dois que já subiam as escadas para os quartos.
...Quarto da null
- Ai droga! Com a correria pra entrar no quarto eu esqueci minha caixa aberta lá no meio da sala... – null bateu na testa com a mão. Estavam as três dentro do quarto e nem se tocaram que os meninos já tinham chegado.
- E se o fantasma do Dean entrar e levar sua caixa embora? – null falou olhando pro nada, null rolou os olhos e deu uma travesseirada nela.
- VOCÊ TA COM ALGUMA TARA PELO DEAN-FANTASMA? JÁ NÃO BASTA GOSTAR DO VAMPIRO EDWARD NÃO? OLHA QUE EU FICO COM CIÚMES! – null brincou falando alto o suficiente pra null localizar o quarto onde elas estavam e ficar ouvindo antes de se pronunciar.
- Ei, vocês estão aí? – ele finalmente bateu na porta depois de ter certeza que escutou null falando do Dean pela milionésima vez.
- OI ! – null abriu a porta sorridente e pulou em cima do menino.
- Puxa... Eu também queria ser recebido assim algum dia em algum lugar! – null se fez de triste olhando pro pé. Ouvindo isso, null não pulou em cima dele, mas lhe deu um abraço apertado enquanto tremia ainda de medo e null, apesar de estar meio sem graça por toda aquela conversa durante a tarde, fez o mesmo com null.
- Cadê o null? – null perguntou se soltando de null.
- Não sei, ele falou que ia subir aqui – null deu de ombros.
- E a null, não ta com vocês? – null estendeu o pescoço olhando pra dentro do quarto vazio.
- Não, erm... Ela ficou pra fora – null explicou.
- Pra fora? – os três garotos fizeram caras desentendidas.
- Foi idéia da null, a gente tava na sala aí ela veio correndo até o quarto e falou que quem chegasse por último ficava pra fora. – null contou.
- Ela deve estar por aí né... – null andou pelo corredor, apenas colocando a cabeça pra dentro de cada quarto, não viu ninguém em nenhum deles e foi seguindo o resto do grupo, que ia pra sala.
- Nenhum dos dois estava nos quartos.
- Aonde eles foram? Será que saíram? É que vai cair uma chuva daquelas né... – null observava os ventos lá fora pela janela.
- O fantasma do Dean esteve aqui e levou os dois! Aquela batida que todo mundo ouviu agora há pouco... Foi ele! – null falou meio aérea e com o olhar assustado, todos olharam pra ela – Que foi? Pode ser, não pode?
- Hoje vamos descobrir isso, null! – null falou de repente e todos que olhavam pra null passaram a olhar pra ele.
- Oh, claro! Só se a gente... – null ia falando, mas nem completou a frase ao olhar pra null e ver a expressão estranha que ele tinha no rosto – O que? Você não está pensando nisso, está? - E por que não? Anda! Vamos colocar um pouquinho de adrenalina nas nossas férias! De quebra já descobrimos o mistério dessa casa, enquanto não fizermos isso não vamos ter tranqüilidade! – null parecia animado.
- null, você não pode estar falando sério! Isso é invasão, podemos ser presos! – null tentou jogar água no plano.
- Mas a casa ta vazia! Ou pelo menos, era pra estar... – falou null.
- Só que não ta, né null! Isso já ficou óbvio! – null ficou nervosa e começou a roer unhas.
- Calma, eu vou te proteger! – null se aproximou e a abraçou. Naquele exato segundo ele poderia levá-la pra qualquer lugar que quisesse.
- Não tem jeito mesmo? Vocês colocaram essa idéia na cabeça e não há quem tire? – null perguntava e os três garotos apenas balançavam a cabeça negando – Ok, vamos logo então!
- O null e a null é que são espertos! Fugiram dessa maluquice – null comentou mais pra ela mesma do que para os outros ouvirem. null estava ao seu lado, escutou a menina resmungando e lhe deu um beijo no topo da cabeça.
Saíram de dentro da casa do null, e quando estavam pra atravessar a rua, null sentiu o braço de null passando por seus ombros. Olhou pra ele, que sorria como se dissesse ‘vamos lá, vai ser legal’, ela retribuiu com um meio sorriso e voltou a olhar pra frente.
De volta ao banheiro...
- OLÁÁÁÁÁ! – null continuava dando trancos na maçaneta da porta, ainda sem sucesso. Enquanto null gritava sentada no chão mesmo.
- SOCORRO POR FAVOOOOR! Ah null, ninguém vai ouvir! Eles devem estar na sala.
- É... O jeito é esperar que alguém passe por aqui. – null parou de esmurrar a porta e se colocou de frente pra null, que agora colava a testa nos joelhos – Você ainda tem aquele problema?
Ele se referia à claustrofobia dela.
- Bem... Eu tive uma grande melhora! Se fosse um tempo atrás, eu já estaria sem ar agora e já teria dado a luz umas cinco vezes!
- Que bom! Porque eu não sei fazer partos, já vou logo avisando! – ele brincou meio sem graça e os dois sorriram um pouco nervosos. null não sabia se estava mais tensa por estar presa ou por estar COM .
- Mas eu to ficando um pouco estranha já, to com medo de ter uma recaída e começar a tremer. É horrível.
- Calma! Logo vai passar alguém pra abrir a porta por fora! Tem um monte de gente lá na sala, uma hora alguém vai precisar de um banheiro e com sorte vai vir nesse! – ele se sentou ao lado dela no chão, falando coisas pra acalmá-la.
- Ta, é só eu me distrair... Conversa comigo, sei lá... Como é que foi lá na casa do null?
- Foi divertido, você sabe como aquelas beechas são engraçadas né! A gente zuou, bebeu, até fofoca nós fizemos... Me senti num banheiro feminino. – fez uma voz meio fina na última frase e arrancou um sorriso de null. Se distraiu por alguns segundos observando, fazia tempo que ele não via aquele sorriso tão de perto.
- Hum... Fizeram fofoca é? Posso saber de que, ou melhor, de QUEM falaram?
- Ah, nada demais... O null contou que ficou com a null! E parece que ele gosta mesmo dela, tava todo bobo.
- Ouuun que lindo! Ela também falou dele aqui!
- Vocês também ficaram por aqui fazendo fofoca?
- Óbvio, né null?! Que pergunta... Se até vocês tiveram tempo pra isso!
- Claro... Devem ter fofocado muito mais que a gente!
- É. Talvez... O null falou alguma coisa... Erm... De mim?
- Falou que vocês dois se parecem bastante.
- É, acho que isso é verdade! Sabe, eu encontrei nele um amigo pra todas as horas! – deu um leve ênfase à palavra amigo.
- Ele sente o mesmo, pode acreditar. Se me dissessem um dia que eu ia ter um amigo que é a versão masculina da menina que foi meu amor de adolescência eu não ia acreditar! – aquelas palavras mexeram com null, ‘amor de adolescência’. Não sabia se tinha achado ruim, por dar a impressão de ser uma coisa que ficou no passado, ou se tinha achado bom, por ele ter chamado de amor. Ela passou alguns segundos sem dizer nada e a cada segundo de silêncio, null se arrependia x4 de ter falado aquilo. Saiu tão naturalmente e quando foi ver...
- Você me amou, null? – null finalmente disse sem pensar muito.
- Como?! – estava olhando pro nada e se surpreendeu com a pergunta.
- Você ouviu... Perguntei se me amou mesmo. – é, ele tinha ouvido, só quis ganhar tempo.
- Amei. Mesmo que você não merecesse. – Ai! Essa doeu.
- Eu sei que eu fui um lixo. Pode chutar.
- Erm... Isso já faz muito tempo, ok? Vamos deixar esse assunto pra lá.
- Não dá! Não consigo, não sai da minha cabeça esse arrependimento que eu sinto todos os dias!
- É, mas se arrepender não adianta de nada.
- Eu sei, se adiantasse você já tinha me desculpado.
- Eu já desculpei, já esqueci, e... Como eu disse, isso faz muito tempo.
- Não desculpou nada! Eu vejo isso quando você me olha. Ou melhor, quando você não me olha!
- Quer saber?! Ta bom, eu não perdoei mesmo. Sofri muito por tua causa garota, me deixou descobrir através de outra pessoa o que você não teve a capacidade de falar... Eu não tenho vergonha de admitir, eu tava mesmo todo iludido e do nada descubro que não passei de um otário na sua mão. Custou pra eu acreditar que você foi mesmo capaz de me enganar daquele jeito.
null passou um tempo sem dizer nada, apenas ouvindo e abraçando os joelhos. Sentia o rosto ir esquentando e uma vontade de chorar invadindo os pensamentos. Não queria revelar sua voz embargada, se a porta estivesse aberta seria a hora de sair correndo.
- Eu ia contar. – ela falou baixinho.
- Quando?! Ah, já sei! Uns três anos depois, quando você ia descobrir que o Chris é casado e você não poderia ficar com ele, então ia correr pro seu estepe de plantão aqui! – ele falou com todo o seu tom raivoso e sarcástico. null não foi capaz de segurar duas lágrimas que desceram tão sincronizadas como se estivessem treinadas...
- O que foi? Ta chorando por causa dele? Ele não quis largar a mulher pra ficar com você?
- Ta me achando com cara de que? Você me conhece null, sabe da história do meu pai e que eu não faria isso por que eu nunca vou ser igual a mulher que levou meu pai de mim.
- Aí é que você se engana, porque eu não te conheço! Eu conhecia uma menina linda por quem eu era apaixonado! Essa null que ta aqui a seqüestrou e deixou presa desde aquele dia na sorveteria.
- Não seja por isso... Oi, prazer, me chamo null null, tenho 20 anos. Um dia, quando eu tinha 17 encontrei o que eu julgo ter sido o amor da minha vida, po-porque aquilo foi o mais próximo disso que eu já senti, s-se não era amor eu não sei o que era então. Mas na época eu não me dei conta porque eu ti-nha um ídolo também, desde os doze anos. Me deixei confundir por causa do sentimento que eu tinha por aquele cara... Ídolos são pessoas mais imaginárias do que reais, a gente cria na cabeça um ser que não existe, dif-erente do que aquela pessoa realmente é. Enquanto que o ca-cara que eu amava não, eu sabia que ele não era perfeito e amava cada def-eito dele! Eu só demorei um pouco pra descobrir tudo isso porque meu cérebro não sa-sabe interagir com o coração. Lá no fundo meu inconsciente já sabia disso e tentava gritar toda vez que eu te via ou até mesmo quando ouvia seu nome, m-mas o cérebro não queria escutar... Quando a null falava de você era como se acendesse alguma luzinha aqui dentro, e quando eu tava com você, virava uma decoração de natal! Meu cérebro fechou os olhos e tampou os ouvidos pra tudo isso, acho que ta faltando algum fiozinho, um plug, t-tomada, sei lá – null ia falando algumas bobagens, mas era tudo que ela sentia e falava um pouco rápido pra evitar os soluços que eram por vezes inevitáveis – Voltar no tempo é uma coisa impossível, mas eu não pensaria duas vezes se eu pudesse voltar lá e fazer a coisa certa.
- Você pode voltar no tempo, finja que é null McFly. Qual é a coisa certa que você diz tanto que faria?
- Eu, erm...
- Fecha o olho, imagine onde você queria estar agora... – ela fechou os olhos e abaixou levemente a cabeça; mais um par de lágrimas escorreu.
- Eu queria ter tido coragem naquele dia que a gente se encontrou numa praça. Foi a primeira vez que ficamos juntos depois da festa. Eu não queria acreditar no que estava acontecendo comigo, passei a semana inteira com você na minha cabeça. Devia ter dito que tinha um compromisso com outra pessoa naquele momento, mas que tudo ia se resolver porque aquela pessoa já não significava nada pra mim depois que você apareceu e me deixou incapaz de amar mais alguém a não ser você mesmo. – sim! Ela estava extremamente romântica e inspirada! Conseguiu tocar null com suas palavras, ele a olhava falar e falar sem parar com os olhos fechados como se estivesse querendo ser calada de uma forma agradável. Ela abriu os olhos devagar e continuou a falar – eu já imaginei tantas vezes como teria sido se eu tivesse agido certo, mas isso não adianta! Eu já falei tudo que eu tinha pra falar e mesmo que você continue me tratando com toda a indiferença do mundo, pelo menos eu to me sentindo mais... – ela não teve tempo de falar a palavra ‘leve’ porque null a interrompeu com um beijo. Ele achou a maneira ultra-agradável para calar null, que agora apenas correspondia ao beijo que os dois esperaram tanto. Um beijo com força e urgência. Todas aquelas sensações voltando, o ritmo dos batimentos cardíacos deles poderia dar num agitado psy-trance! Eles realmente conseguiram voltar no tempo aquela hora, se sentiam como naquela festa, assustados, mergulhando numa coisa nova que nenhuma outra pessoa já os fizera sentir antes.
- Vamos começar do zero! – null já estava ofegante e quebrou o beijo, segurando o rosto dela com as duas mãos.
- Jura null? É o que você quer?
- Mesmo que eu tenha passado por maus momentos, não vale a pena ficar preso no passado! Não vou viver meu presente se continuar assim e não quero um futuro longe de você! – ele sorriu com o rosto ainda bastante próximo ao dela. null tinha o seu olhar preso nos olhos null de null à sua frente – eu quero começar do zero agora que nós dois somos livres e desimpedidos! Você não me quer mais? Porque eu não te esque...
- null... É o que eu mais quero!
- Sem passado;
- Sem Chris;
- Nós vamos ser felizes.
- Uhum, porque eu amo você [n/a: aunnn que bunitinhuuuu!! Parei...]
- Eu também! – eles falavam tudo quase ao mesmo tempo e se beijaram outra vez.
Na (ex-)casa do Dean...
- OMG! Tenho mesmo que fazer isso? Eu to de minissaia null! – null tentava se livrar de ter que pular a janela pra entrar na casa.
- Eu viro pra lá e não olho nada, ok! Vamos, todos os outros já entraram, só falta a gente!
- Ta... Ta bom, vou ver o que eu posso fazer. – ela ia tomar um impulso com os braços apoiados na janela quando null apareceu.
- Hey! Venham seus moles! Eu abri a porta por dentro!
null abriu um sorrisão e foi logo até a porta.
- Ah dude, você nem me deixou tentar ter uma visão interessante! – null cochichou ao passar pelo amigo, que riu.
- Ei, eu escutei essa, Mr. null-Quero-Ver-A-null-Pagar-Calcinha-null! – null gritou e ia começar a distribuir uns tapinhas nele, mas ficou embasbacada ao entrar na casa, era simplesmente lindo ali dentro, apesar de uma poeira acumulada sobre os objetos, dava pra ver que era uma casa realmente bonita!
Logo no enorme hall de entrada eles puderam ver o que restou de um lindo e grande lustre espatifado no chão. Lembraram da noite que ouviram barulhos de vidros quebrando e constataram que foi isso. Caminharam mais um pouco e chegaram numa sala, bastante agradável até. Lá estava a lareira! null caminhou até ela.
- Rá! Mas olha... É por controle remoto! – null apertava os botõesinhos do controle como uma criança encantada vendo a lareira acender e apagar.
- É, deve estar com mau-contato e ligou sozinha! Estão vendo meninas?! Não há com o que se preocupar! – null fez sua melhor pose de Chapolin Colorado.
- Certo... Mas e o telefonema? – null o lembrou como se estivesse querendo dizer ‘responde essa agora, gostosão!’
- Erm... – null coçou a cabeça – Vai ver é um telefone moderno que disca, passa trotes e pede pizza sozinho! – falou a primeira idéia que lhe veio à cabeça, provocando risos. O grupo continuou andando e chegaram à biblioteca.
- Nossa... O Dean não parecia o tipo de cara que gostava de ler! – null se admirou com o tamanho das estantes repletas de livros.
- Por que? Só por que ele era bonitão? Que preconceito! – null se aproximou dele sorrindo e lhe deu um tapinha no ombro. – Olha... – ela falou baixinho olhando num ponto fixo e indo pra um canto do cômodo. null foi atrás.
- Que foi? – chegou perto dela, que estava parada.
- Esse livro de psicologia é ótimo, meu professor recomendou! Falou que tem umas coisas legais e se você prestar atenção pode até descobrir como hipnotizar de verdade! – ela pegou um livro grande e pesado de capa vermelha.
- É meio antigo, né? – null examinava o livro nas mãos dela.
- É... Mas psicologia não muda porque as nossas mentes também não! E aí é que ta o bom da coisa – ela deu uma piscadinha, em seguida sorriu e olhou pra ele, que devolvia o olhar com uma carinha fofa. Os dois aproximaram os rostos e quando tinham os lábios a alguns centímetros, null fez uma cara meio estranha ao perceber uma coisa – null, você ta ficando corcunda?
- Hum? – ele tava meio fora das órbitas e sacudiu a cabeça.
- É... Parece que você ta ficando mais baixo!
- E você também! – os dois estavam abaixando devagar e sem perceber. O quadrado onde eles estavam com os pés era uma espécie de elevador. Quando se deram conta e começaram a chamar a atenção dos outros, já estavam com os ombros na altura do chão!
- Hey, olha! É areia movediça! – null apontava para o casal praticamente sendo engolido no chão.
- OMG! Me da a mão null! – null estendia a mão pra ela, mas não tinha forças pra puxar.
- Não dá, null! – null desistiu de tentar se puxar pela mão da irmã.
- Não se preocupem, a gente vê o que tem aqui em baixo e procuramos a saída pra voltar pra sala ou pro hall! – null falava e dava pra ver apenas seus olhos agora. Quando aquela plataforma onde eles estavam em pé encostou no chão do andar de baixo, outra substituiu o quadrado que ficou aberto no chão lá no andar de cima. Foi uma substituição rápida, de repente um outro piso igualzinho surgiu de lado e cobriu aquele espaço... Os que estavam lá em cima ficaram olhando pro chão perplexos.
- O que foi isso?! – null perguntou meio que em estado de choque – O que acionou essa coisa?
- Não sei e sinceramente não quero descobrir! Só quero a minha irmã de volta pra gente sair logo daqui! – null cruzou os braços e estava realmente assustada.
- Vamos esperá-los no hall? – null.
- Mas e se eles saírem na sala, ou em outro lugar? – null.
- Vamos continuar andando então, uma hora eles aparecem. – null.
No andar de baixo.
- Aai meu pé! – null acabava de pisar no pé da null.
- Desculpa, é que ta escuro!
- Tudo bem... Tem um celular ou alguma coisa com luz aí?
- É o que eu to tentando achar. – null procurava por todos os bolsos de sua calça, até que achou o celular e acendeu o visor dele.
- Isso é uma passagem secreta? – null observava o que conseguia ver com aquela baixa iluminação.
- É o que parece...
- Mira no teto pra gente ver se tem luz aqui.
- Nem tem! Droga! – null não achou uma lâmpada sequer no teto, mas ficou feliz ao ver uma mesinha com várias lanternas em cima – Mas olha o que eu achei!
- Puxa! Tem até aquele capacete com luzinha! Sempre quis usar um desses, me sinto num filme! – null se empolgou um pouco (muito) com um daqueles capacetes.
null ignorou o surto da outra e pegou uma lanterna pra ele. null ficou com o capacete e os dois foram andando pelo corredor que não tinha nenhuma entrada, mas para cada distância de aproximadamente dez passos eles podiam encontrar agrupamentos de uns 5 degraus, formando pequenas escadinhas e suavizando assim o que parecia ser uma leve subida pelo caminho.
No andar de cima
- Ounwnwn – null choramingava – Eu queria estar em casa assistindo Gossip Girl!
- Shhh! Agarra no null e fica quieta aí! – null impaciente.
- Agarrar?! Gostei dessa idéia... VEM CÁ null! – null besta.
- Shhh, bicha escandalosa! Eu mereço viu... Erm... null, por que a gente ta aqui mesmo, hein? – null assustado!
- Esqueceu por que estamos aqui? Procurando o aparelho de telefone dessa casa pra tentar descobrir como ele pode ter ligado pra casa do null, se era só apertar um botão, talvez alguma coisa tenha caído em cima dele, enfim! Encontrar uma explicação. – null respondeu, eles haviam subido a grande escada que começava no hall de entrada e terminava num corredor de quartos.
- É... Se não tinha nenhum lá embaixo, deve ter nos quartos. – null ia na frente de todos, que seguravam seus celulares pra iluminar o chão.
Casa do null, banheiro abafado...
Enquanto isso, null e null se curtiam no banheiro... Nem se lembravam mais que estavam presos. Estavam de pé e ele praticamente prensava-a contra a parede enquanto prendia os dois pulsos dela, um de cada lado de seu rosto no azulejo frio e distribuía-lhe beijos no pescoço ouvindo-a respirar forte com a boca próxima à orelha dele. Ele parou de prender os pulsos de null na parede, segurou a cintura dela e desgrudaram da parede sem parar o beijo. Giraram e ela percebeu que suas costas encostavam na pia agora. null então deu um impulso pra null se sentar na pia e assim se ajeitar entre as pernas dela.
- Aie null!
- Que foi?
- Nada... Me bati na torneira – e os dois soltaram risadas estranhas porque estavam sem fôlego pra rir normalmente. Ele se reaproximou e voltou com os beijos no pescoço dela enquanto soltava um lacinho na parte de trás da blusa que ela vestia; quando soltou o lacinho e mais três botõesinhos, a blusa deslizou e antes de desabotoar o sutiã, null se afastou um pouquinho e tirou sua camisa também. Depois os dois ficaram se olhando, observando como o outro respirava rápido e como aquele banheiro parecia abafado!
null começou a tirar o cinto da calça e ela logo deslizou pelas pernas, ficando embolada nos pés. Cruzou os braços novamente em torno da cintura de null fazendo os corpos parecerem mais colados do que antes. Ele tentava desabotoar o sutiã dela de uma forma desastrada enquanto recebia mordidinhas na orelha. null passou ao pescoço dele e sorria cada vez que arrancava um arrepio dele com seus beijinhos e chupões na nuca. null por fim desabotoou o sutiã, fazendo as alças deslizarem devagar pelo ombro dela. Se afastou um pouco observando-a terminar de retirar a peça.
- Você tem certeza? Digo... Vamos seguir em frente?
- null, eu esperei você por três anos! – null passou a mão pelo contorno do rosto dele enquanto o olhava nos olhos com a mesma doçura que tem num pudim de leite – Não vem me perguntar agora se eu tenho certeza!
Ele riu de novo e a ajudou a descer da pia pra poder abrir uma das gavetas. Pegou uma camisinha de lá.
- Quer dizer que você tem camisinhas escondidas pela casa toda? – ela perguntou rindo e deu um tapa no ombro dele.
- Claro... A gente nunca sabe quando vai ficar trancado no banheiro com uma gata dessas! – null deu risada e ele ia se aproximando de novo.
- Ah, espera! Apaga a luz aí! Eu sempre quis fazer isso num banheiro escuro em uma noite que estivesse chovendo com relâmpagos! – esse comentário fez null gargalhar virando o rosto pra cima.
- Você que manda! – ele apagou a luz e voltou pra perto dela. Foi beijar a boca e acertou o nariz, depois acertou a boca. Apenas as luzes dos relâmpagos iluminavam tudo de vez em quando. null foi desabotoando a calça que vestia enquanto os dois davam passinhos pra trás, mesmo sem nem saber onde estavam querendo chegar. null tropeçou na calça, que ainda estava embolada em seus pés e os dois caíram dentro da banheira sem água.
- Owch – null bateu a cabeça na parede, sem muita força. Não se feriu gravemente e só sabia rir.
- Minha nossa, você bateu a cabeça! Desculpa, eu tropecei na calça! Está doendo? Se sente bem? Quer que eu chame o Batman, o Homem-aranha, o Wolverine, um médico? Fala!
- Ai! – risos e mão atrás da cabeça – Tudo bem, tudo bem null! Foi de leve, não precisa chamar ninguém, você mesmo resolve!
- Hum... Como eu resolvo? – perguntou com um risinho safado.
- Dá beijinho que passa!
null sorriu enquanto trocavam selinhos e null segurou levemente o lábio inferior dele com os dentes, quando ele foi se afastar pra falar.
- Tem certeza que está bem? Não vá perder a memória ou algo assim! – eles se posicionavam de joelhos na banheira, um de frente pro outro.
- Eu to bem, mas se eu perder a memória você pode me conquistar de novo! Você faz meu tipo e beija bem! – null passou os braços em volta do pescoço dele, viu que ele mordeu o próprio lábio inferior com força a ponto de deixá-lo sem cor por uns segundos e o beijou de novo.
De volta à casa do Dean
- Achei! – null gritou dentro de um dos quartos, onde achou um aparelho de telefone sem fio.
- Certo... Mas cadê a base? – null se aproximou dela e cruzou os braços.
- Deve estar por aqui, estamos chegando lá! – null começou a procurar pela base do telefone.
- Parece um telefone normal, null! E não do tipo que pede pizza sozinho... – null zuou null, que apenas devolveu um – HAHA, sem graça!
No corredor
- Ué! O corredor acabou...
- É... Percebi. – null respondeu desanimado, eles se depararam com uma parede.
- OMG! É o Dean-bonitão! E de terno! Que lindo! – null teve um ataque apontando para um quadro na parede. Era um retrato em tamanho grande, colocado em uma moldura branca e dourada; estavam na foto o Dean com a mulher ao lado e na frente dos dois, o bolo de casamento.
- E essa era a mulher dele, que sumiu.
- Bonita também. – null falou meio sem graça pelo ataque de segundos antes. Parou de olhar fixamente o quadro para olhar null de rabo de olho, viu que ele olhava pra direção oposta ao rosto dela e sentiu uma pequena pontadinha de "Oops! Eu e minha boca grande!".
- É.
- Hum... Será que foi ela mesmo null? Que matou o Dean?
- Não sei... – e os dois ficaram meio pensativos.
- Mas e essa escadinha? Por que ela está aí se não há lugar nenhum pra subir aqui? Só tem o teto lá em cima. Que coisa mais estranha! – null mudou o assunto, percebendo um clima estranho ali e passou a encarar uma escada de madeira encostada na parede, aparentemente sem nenhum motivo pra estar ali.
- Caralho... Mais uma estante de livros!
- Livros! – os dois falaram juntos e se entreolharam, sorrindo sem graça depois.
- Me empresta esse livro aqui. – null pegou o livro que null ainda carregava e os dois observaram que havia uma vaga perfeita pra encaixá-lo ali. null olhou pra null de novo, meio que pedindo aprovação e ela concordou em silêncio. Quando null encaixou o livro lá, um quadrado igual àquele outro se abriu no teto e os dois sorriram. null subiu a escadinha primeiro.
- Ouch! – ela bateu a cabeça.
- O que está vendo aí? – null perguntou quando ela pôs a cabeça pra fora.
- Definitivamente não é a sala... E o teto é baixo! Bem baixo! Muito ba...
- Ta bom já entendi! É baixo! – e ele riu – Hum... Então termina de subir que eu to ficando agoniado aqui, vai que essa coisa fecha!
null subiu e engatinhou até um canto pra dar espaço a ele, não dava nem pra ficar de joelhos com o tronco ereto ali. Ela retirou o capacete da cabeça e o deixou no chão com a luz acesa. null terminou de subir e também pagou o mesmo mico que null, bateu a cabeça por conta da empolgação de sair, o que fez a menina rir. O que eles não perceberam é que aquilo não era um teto baixo. Acontece que haviam saído embaixo de uma cama! A cama tinha sua lateral esquerda encostada a uma parede, assim como a cabeceira. Encostado ao final dela estava um baú, deixando como única passagem a lateral direita. Os dois ficaram um tempinho pensando em como aquele ‘quadrado’ iria se fechar. Não viram nenhuma alça pra puxá-lo, nem mesmo um botãozinho, então chegaram na conclusão que aquele espaço provavelmente permanecia aberto enquanto o livro estivesse na estante. Não era automático igual ao outro, que se fechou sozinho. Se eles quisessem mesmo descobrir como funcionava o esquema das portinhas no chão, teriam que analisar mais, mas essa não era a prioridade do momento.
- A gente pode olhar outro dia como funcionam esses esquemas das portinhas, deve ter todo um mecanismo interno... Mas agora vamos sair logo desse teto baixo, ta me dando agonia! – null falava baixo e começou a engatinhar.
- Será que foi o Dean que fez? – null comentou no mesmo volume de voz, engatinhando devagar ao lado dele
- Acho que não. Foi alguém muito mais inteligente. – podia-se perceber uma pontada de irritação na voz dele.
- Ta chamando o Dean de burro, null? De novo?
- Não. Disse que ele não parecia inteligente o suficiente pra isso.
- O cara morreu, é feio falar mal de quem já se foi!
Eles foram engatinhando mais um pouquinho até tocarem no lençol branco da cama, que encostava no chão. null o suspendeu e eles passaram por ele, porém continuaram a engatinhar, enquanto discutiam sobre o nível intelectual do Dean.
- Eu não falei mal, caramba! – null respondeu com a voz rouca de quem cochicha, porém querendo falar alto.
Chegaram quase no meio do quarto e foi quando descobriram que já podiam ficar de pé. Olharam ao redor e riram da própria burrice por não perceberem que tinham saído em baixo de uma cama!
Foram parando de rir quase ao mesmo tempo, voltando aos poucos à expressão normal. Tinham os olhares fixos um no outro, mas null abaixou o olhar.
- Que bom que você está aqui. Nada seria engraçado se eu estivesse sozinha.
- Hey... – null se aproximou e tocou seu queixo, fazendo os olhares se ligarem de novo – Eu vou estar sempre aqui.
Ele fez uma referência encostando levemente o dedo indicador sobre a região onde provavelmente se encontra o coração dela. null sorriu sentindo uma enorme vontade repentina de abraçar aquela criatura fofinha, e foi o que ela fez, agarrando-o subitamente e enterrando o rosto no pescoço dele.
- Pode ter certeza disso null, você vai estar sempre aqui. Apenas você e mais ninguém. – deu ênfase à última palavra pra ver se consertava o incômodo que ele sentiu ao vê-la falando do Dean.
- E você aqui! – null se afastou do abraço sorridente, segurou uma das mãos dela e a fez espalmar sobre seu peito. null pôde ver que ele também ficava com o coração acelerado perto dela e gostou de saber que não é só ele que causa efeitos nela.
null deixou que sua mão fosse deslizando por cima da camisa de null até chegar ao abdômen e afastou a mão. Ela fixou o olhar em algum ponto imaginário enquanto mordia o lábio inferior e sentia o olhar dele sobre si.
- Você o conheceu? Digo... O Dean... Vocês... – null cortou o silêncio de forma desajeitada.
- Não. – null balançou a cabeça freneticamente. Preferiu ocultar os detalhes que não valiam a pena, teve medo do risco estragar as coisas com null por causa de umas conversinhas com o Dean e um beijo sem importância. null deixou um meio sorriso tomar conta de seus lábios.
- Eu já soube que você ia povoar meus pensamentos depois do dia que eu te conheci. – null falou depois de um tempo. Eles sustentavam um olhar cheio de brilho e logo foram aproximando os rostos. Fecharam os olhos e encostaram as testas.
- Essas velas por aqui te deixaram romântico! – null sussurrou enquanto sorria com os olhos fechados ainda.
- Eu sou romântico, você que não percebeu! – null respondeu baixinho, sorrindo também, mas interrompeu o sorrisinho e abriu os olhos repentinamente.
- Que foi? – null percebeu que ele descolou a testa da dela e afastava devagar o rosto.
- Você ta percebendo uma coisa?
- O que?
- O quarto ta claro e nós nem precisamos mais das lanternas, certo? – ele falou desligando a lanterna e deixando-a em cima da cama.
- Aham. – ela fez menção de tirar o capacete, mas ao tocar nos cabelos, lembrou que já havia deixado-o embaixo da cama.
- E isso é por que temos velas aqui, certo? – haviam velas acesas em vários cantos do quarto, em cima dos móveis.
- Aham.
- Mas... Velas não ficam acesas por mais de quatro meses o tempo inteiro sem derreter completamente, ficam?
- Kakam! – já tinha um certo tom de medo na voz da menina.
- E... Alguém acendeu, certo?
- Aham.
- E certamente não fomos nós, né?!
- KAKAM! – ela falou meio desesperada e se atirou de volta pra baixo da cama.
- OMFG! – ele a seguiu.
- null, quem acendeu essas velas? – null sussurrava morrendo de medo.
- Não sei null... E acho que não quero saber! – ele respondeu no mesmo volume.
De repente uma música começou a tocar baixinho.
Four letter word just to get me along
It's a difficulty and I'm biting on my tongue and I
I keep stalling, keeping me together
People around gotta find something to say now
- AIMEUDEUS! ! De onde vem isso?
- Shhhh! Não sei null! To me sentindo num filme de terror, quero sair daqui!
- É, parece aqueles filmes que tem umas vitrolas da *época-que-vovó-beijava-na-boca*, que sempre ligam sozinhas numas músicas estranhas! Essas cenas nunca terminam bem!
- null...
- Que?
- Eu te adoro – ele falou com uma voz meio chorosa e muito fofinha que fez null segurar uma das mãos dele.
- Ounn! Também adoro você null!
- Eu só queria que ficasse sabendo, caso aconteça alguma coisa comigo! – ele sorriu e apertou mais forte a mão dela. A música continuava, aumentando o volume cada vez mais...
…ame, ame, ame
They call me 'hell'
They call me 'Stacey'
They call me 'her'
They call me 'Jane'
That's not my name
That's not my name
That's not my name
That's not my name
They call me 'quiet girl'
But I'm a riot
Maybe Jolisa
Always the same
That's not my name
That's not my name
That's not my name
That's not my...
Até que alguém chegou, eles só puderam ver os pés, era um par de All Star vermelho. Essa pessoa pegou o aparelho que tocava e o fez parar, era um celular.
- Alô. – parecia a voz de uma adolescente e ela falava baixo – Oi Hannah! É, é... Continuamos na casa em frente a casa do null ainda, mas você não sabe o que aconteceu! Não, não... Deixa eu falar poia! Eles entraram aqui! Como quem cabeção?! Eles! Os Mcguys e algumas garotas, null, null e uma que não sei o nome ao certo, mas chamam sempre de null, deve ser null, ou sei lá... Só o null que não veio, nem ele e nem a ficante, ou ex-ficante do null.
Os queixos de null e null caíam cada vez mais, eles nem tinham reação! Como alguém podia saber tanto e conhecer todos eles, inclusive saber até os nomes das meninas e a relação de cada uma com todos eles?!
- Será que a base ta no outro quarto? Eu vou ver. – null saiu daquele quarto onde acharam o telefone sem fio e já tinham revirado tudo atrás de uma base idiota. Ela foi em direção ao último quarto que faltava olhar. Quando chegou na porta e olhou pra dentro do quarto...
- AAAAAHH! – Ela gritou ao ver uma menina em pé falando ao celular, deixou até o telefone sem fio que segurava cair no chão. null, null e null ouviram o barulho e foram ver, ao chegar na porta, encontraram uma null-estátua e uma menina-estátua-com-um-celular-na-mão!
- Q-quem é você? – null perguntou e a menina continuou totalmente parada.
- Ela é um f-f-fantasma! – null começou a puxar null pela roupa pra fora do quarto.
- Mas... Fantasmas não falam ao celular! – null falou.
- E NEM TÊM AMIGAS COM NOME DE HANNAH! – null e null saíram de baixo da cama gritando – E nem usam All Star vermelho também! – null completou apontando o pé da garota, que finalmente se moveu pra olhar pra baixo.
- Não?! – ela se perguntou confusa observando o tênis vermelho que usava.
- null! null! Como é bom ver vocês! – null também saiu do seu estado de estátua.
- Oi... Meu nome é Jamie – a garota sorriu tímida, passando os olhos por todos eles.
- Certo, Jamie. Você é alguma fantasma? – null insistia na história do fantasma, parece até que ela queria que fosse.
- Que eu saiba não, mas eu sou fã de vocês!
- Da gente? – perguntou null apontando pra si.
- Do McFLY! – uma voz falou no corredor e os que estavam na porta se viraram pra ver. Outras duas meninas foram entrando no quarto e se juntando a Jamie.
- Molly.
- Stacey. – as duas se apresentaram.
- Mas espera aí! Alguém pode explicar que diabos está acontecendo aqui? – null se irritou.
- A gente explica. – Molly ia falar, mas Jamie viu que ela estava muito desesperada pra qualquer coisa.
- Deixa Molly, deixa que eu falo. – Jamie deu um passo à frente dela – Primeiro, queríamos pedir desculpas. A gente sabe que não foi legal assustar vocês, mas não era essa a nossa intenção!
- É, não foi legal mesmo não, FOI PÉSSIMO! VOCÊS SÃO DOIDAS CARAÍÍ? – null quase avançou pra cima delas e null segurou seu braço.
- Segura sua onda aí dude!
- Então eram vocês que estavam aqui o tempo todo? Foram vocês que ligaram pra casa do null? – null perguntou.
- É... Olha, não foi por mal, a gente achou o número na lista e só ligamos pra confirmar se era o número do null, aí ninguém teve coragem de falar nada quando ele mesmo atendeu e desligamos. Depois quando ele retornou, ninguém quis atender porque ficamos com vergonha... – Jamie respondeu.
- Vocês invadiram essa casa? Como chegaram aqui e como souberam que ela estava abandonada? – null disse.
- A gente tava de férias, – Stacey começou – Estivemos no último show do McFly...
- Nós vamos em todos! – Molly a cortou.
- Somos muito fãs... – Stacey continuou – E um dia viemos passear aqui na rua onde o null mora. A gente não sabia qual era a casa direito, mas passamos um tempo visitando esse parque que tem no final da rua. Estávamos indo embora e já tínhamos ficado felizes por ter simplesmente passado pela rua que null passa todo dia.
- Aí... – Jamie continuando a história – Nós nos escondemos atrás de umas árvores quando vimos um carro chegar e o null saiu de dentro de uma das casas sorrindo, ele gritou ‘’ e ela, – Jamie apontou pra null – saiu correndo do carro e o abraçou.
- Foi assim que descobrimos qual era a casa do null – Stacey voltou a falar, todo o resto prestava atenção em cada palavra delas – Logo depois que todos entraram na casa do null, olhamos pra essa casa aqui. Percebemos que estava abandonada e entramos no quintal pra ver.
Play Stacey’s Flash Back
- Papai podia comprar essa casa... Já pensou como deve ser morar de frente pra um McGuy? – Jamie dizia empolgada, observando a ampla sala. Eu olhei pra Molly, a nossa prima, ela também olhou pra mim e nós olhamos pra Jamie. Então eu joguei um verde.
- Jamie... Hoje era o primeiro dia daquele acampamento, certo? A gente devia estar lá agora, não é?
- É! Mas nós somos fodas e despistamos os caras no primeiro dia! – Jamie se largou no sofá rindo, acho que ela não tinha entendido a intenção ainda, ela é meio lerda.
- Nossos pais foram viajar ontem à noite, junto com os pais da Molly, não é? – eu comecei a caminhar pela sala com a mão no queixo, dando uma de pensadora!
- Saquei aonde você quer chegar! – Molly sorriu e nós olhamos pra Jamie, ela continuava com cara de bunda, mal de Jones... Então nós gritamos e sorrimos juntas pra ela – Vamos ficar aqui!
- Oh Gosh! Vocês estão malucas! Essa casa pertence a alguém!
- Mas Jamie, você mesma concordou agora pouco que ela deve estar abandonada! – Molly tentava convencer minha querida irmã.
- Eu sei, mas também não é só isso, como vamos ficar aqui?! Essa casa não tem luz, não tem comida, não deve ter água também...
- Comida a gente tem, e de sobra! – Apontei para as nossas mochilas – Temos lanternas, água pra beber... E na hora de tomar banho a gente pode ir pro acampamento, que não é longe daqui! Depois fugimos de novo e voltamos pra cá!
- Isso! Genial Stacey! – Molly era a mais animada com a idéia depois de mim – Aproveitamos e pegamos comida por lá também, caso falte aqui!
- Hum... Ai não sei não! Isso não parece certo... O que vamos ficar fazendo aqui o dia todo nessa casa estranha?
- A gente fica olhando a casa do null! Vai dar pra tirar várias fotos, totalmente inéditas! E com certeza os outros guys da banda devem passar por aí todo dia! – falei e ela já parecia que ia topar.
- TA BOM! Não vai adiantar falar nada mesmo né! Mas se der confusão...
- Não vai dar confusão e essas férias vão ser inesquecíveis, ok? – Molly passou um braço pelo ombro da Jamie e o outro braço no meu ombro. Nós três ficamos sorrindo feito bestas. Nós TEMOS problema e gosto disso, obrigada!
Stop Stacey’s Flash Back
- E pronto, essa é a história de como viemos parar aqui, o resto vocês já sabem...
- Hum... Se vocês soubessem que um cara foi assassinado nessa casa, não iam querer nem entrar aqui! – null falou e já estava um pouco mais descontraída com as meninas.
- Ah, nós não temos medo dessas coisas! – Jamie abanou o ar.
- Você devia tomar umas aulas com elas! – null cochichou pra null, que deu um tapa nele.
- Vocês são corajosas, ficaram nessa casa enorme sozinhas! Não tem mais ninguém com vocês? – null também já estava mais a vontade com elas.
- Não, somos só nós três mesmo... – Molly falou e entrelaçou os braços com os braços das outras duas, que sorriram.
- Escuta... – null começou a ficar pensativa – Por acaso foi alguma de vocês que um dia à noite colocou a cabeça na janela da sala do null?
Elas se entreolharam e Stacey dedurou.
- Foi a Jamie! – ela apontou sorrindo. A acusada lhe deu um soco no braço e ficou sem graça. Enquanto null se sentia tremendamente aliviada.
- Err... Bem, eu percebi que vocês ficaram assustados com a ligação e os meninos voltaram pra dormir aí, então eu esperei ficar bem tarde e apareci na janela pra tirar umas fotos, estavam todos dormindo na sala, tão bonitinhos... Com um dos flashs, você acordou – e Jamie apontou pra null, que lembrou daquela luz rápida.
- Então deve ter sido um flash desses que o null também viu – null falou sorrindo e se lembrando do susto que o amigo levou.
- É, provavelmente! – Jamie sorriu – Ele se assustou muito? Nós vimos que ele ficou lá na calçada apontando a lanterna pra cá!
- Ele se borrou! – null respondeu e todos riram descontroladamente.
- Erm... Se não for pedir muito, será que vocês podem autografar nossos CDs e DVDs? – Stacey pediu depois que parou de rir.
- Hum... Ok! – null pensou um pouco, depois concordou sorrindo e cutucou null, que se fazia de irritado, mas abriu um sorrisão.
- Claro, ta tudo certo agora. – ele falou e todo mundo olhou pro null.
- Well... Vocês chegaram a tirar alguma foto de mim só de boxers aí na frente da casa?
- Não! A droga da câmera tava sem bateria naquela hora... – Molly deu um soquinho no ar e null respirou aliviado.
- Então ta bom!
O grupo saiu do quarto e logo estavam de volta à sala. As meninas buscaram seus CDs, DVDs e tudo mais que tinham do McFLY. Eles autografaram contentes, e null, null e null também assinaram alguma coisa nas agendas delas.
- Bom, melhor nós irmos então, ainda precisamos procurar o null! Ele sumiu e... – null falava depois que todo mundo terminou de distribuir autógrafos, mas null o cortou de repente.
- Espera! null, sexta-feira é seu aniversário!
- Uhum! E...?
- E daí que você ainda não planejou nada, não é?
- Pior que não... Estávamos pensando em dar uma festa na casa do null mesmo.
- null, o que você ta pensando aí? – null olhou pra null, que fazia uma carinha sapeca.
- Essa casa é tão grande... A gente podia arrumá-la e dar a festa aqui! O que acham? – quando ela acabou de falar, todos se entreolharam e sorriram... Por mais maluco que parecesse, eles gostaram da idéia.
- Será que conseguimos arrumar essa casa até sexta? Contando a partir de amanhã, temos três dias só! – null comentou analisando como havia pó em todos os cantos.
- Se for só esse o problema, não precisa se preocupar! Somos um grupo grande, se contar com as nossas novas amigas, que o null vai convidar é claro, ficaremos em onze pessoas! Com certeza vamos conseguir! – null falava otimista e as meninas sorriram radiantes ao serem convidadas.
- Aah, a gente ajuda sim! – Jamie sacudia a cabeça freneticamente.
- Agora só falta saber o que o aniversariante achou! – null falou e todos voltaram seus olhares para null, que se fazia de sério.
- Eu... ADOREI ESSA IDÉIA! Nós podemos deixar a decoração meio que halloween fora de época, tudo meio sombrio...
- Como no clipe de Transylvania! – Stacey completou sorrindo e eles concordaram. [n/a: Posso falar? Eoo gamo nesse clipe *---*]
- Então podem ir pra casa do null pra procurá-lo, nós vamos começar a limpar as coisas por aqui! – dizia Molly.
- Beleza! Amanhã nós viremos cedo, ok?! – null falou com null e null, que concordaram.
Todos eles foram pra casa do null, mas já nem lembravam que tinham de procurá-lo! null, null e null ficaram um tempo lá, conversando animados sobre o que aconteceu e como eles foram infantis ao pensar em fantasmas, sobre a festa, decoração, convidados, etc e depois foram pra suas casas. null, null e null foram para seus quartos tentar dormir cedo. null e null dormiram dentro da banheira!
Capítulo 14 – Closet...
DING-DONG ...Terça-Feira 8:30 a.m.
- Chegaram cedo! – null abriu a porta para os três amigos que sorriam de orelha à orelha.
- A gente achou que qualquer hora antes de meio-dia fosse madrugada pra vocês! – null apareceu ao lado de null
- Já tomaram café? Entrem, a null hoje ta inspirada! Já fez um bolo não sei do que e agora ta fazendo panquecas! – null deu espaço para eles entrarem na casa, que estava toda perfumada com o cheirinho bom que vinha da cozinha.
- Dude, só esse cheirinho... Parece que eu to no paraíso! – null cumprimentou as duas e pôs a mão sobre o estômago.
- Eu trouxe o vídeo da gente sendo acordado! Querem ver depois do café?! – null falou enquanto cumprimentava as meninas.
- Hum... Tenho até vergonha de assistir isso, eu devo estar horrível! Mas a curiosidade é maior! – null falou sorrindo e null jogou um CD em cima da mesinha da sala.
- Pra que ver depois criatura?! Vamos ver enquanto comemos! – null se jogou no sofá animada, puxando null e null juntos com ela, null foi pôr o CD onde gravaram o vídeo no aparelho de DVD... null, depois de cumprimentar null e null, foi até a cozinha e ficou parado vendo null virar as panquecas.
- OMG! – ela deixou cair uma no chão quando o viu.
- Sou tão feio assim que te assustei? Desculpa!
- Tudo bem, null! Você é um monstrinho, mas eu te adoro! – e deu um selinho nele.
- Hum... Esse bolo ta bonito! – null observou o bolo em cima da mesa.
- Vai cortando ele em pedaços pra levar pros esfomeados lá na sala!
Eles tomaram café na sala assistindo o vídeo e caindo nas risadas.
- Putz! Eu não acredito que vocês esvaziaram quase todo o perfume do null! Ele a-do-ra esse perfume! – null ria com as mãos na boca.
- Falando nisso, cadê ele? – null ficou de pé.
- Nem sinal da biba! – null respondeu.
- Eu vou ao banheiro e quando eu voltar, vamos precisar resolver o sumiço dele! – null foi saindo da sala e subiu as escadas. Os outros ficaram revendo o vídeo pela terceira vez.
- Atchim! – null acordou espirrando, estava apenas de calcinha, com a cabeça sobre o peito de null, que tinha somente uma peça de pano pelo corpo todo e o prendedor de cabelo da null que ele pôs no pulso como se fosse uma pulseira. Os dois deitados dentro da banheira, mas sem água e cobertos parcialmente por uma jaqueta grande e marrom que ele usava.
- Bom dia sol do meu dia! Melhor se vestir pra não ficar doente. – null acordou com os espirros dela.
- null, você acorda muito cafona! – null falou com os olhos ainda fechados e a voz embolada de sono. Ela passou a mão pelo rosto todo como se isso fosse fazê-la acordar magicamente e logo se pôs sentada, levando as mãos às costas. – Ai minhas costas! A gente devia ter enchido a banheira... Pelo menos não íamos ficar tão doloridos.
- Ah, e você queria acordar toda enrugada? – ele olhava pros lados, procurando sua boxer listrada.
- Um dia eu vou ficar assim mesmo... – ela deu de ombros segurando o sutiã com desenhos de joaninhas que estava para vestir.
- E eu vou te amar até esse dia... e depois... e depois... – ele ia falando e intercalando as falas com selinhos. Foi quando null abriu a porta de repente interrompendo o momento cute e fazendo null largar o sutiã que segurava para imediatamente tampar os seios com as mãos.
- My fucking God! – foi o único som que saiu da boca da null.
- PUTA MERDA! – foi o único que saiu da boca do null.
Enquanto que null só sabia rir. Depois ele virou de costas, percebendo que null precisava tirar as mãos de onde estavam pra poder se vestir. Ele riu até doer a garganta enquanto os dois desesperados se vestiam.
- Já colocaram as peças íntimas pelo menos, seus sem-vergonhas? – os dois murmuraram alguma coisa que null entendeu como sim e se virou pra eles – Então vocês passaram a noite aqui?! – enxugou as lágrimas que se formaram no canto dos olhos depois de tanto rir.
- É null, a gente ficou trancado. – null levantou e falou séria, pegou as sandálias nas mãos e caminhou até o vaso sanitário para sentar e calçá-las.
- Mas a porta não tava fechada... – null queria mais explicações.
- Foi assim null, vê se entende. – null fechava o cinto da calça – Lembra quando ontem eu falei que ia subir pra procurar as meninas?
- Aham.
- Então, eu vim até aqui nesse banheiro e achei a null. Só que eu deixei a porta aberta enquanto perguntava pra ela onde estavam as outras, um vento forte passou e bateu a porta. Você sabe... Eu já tinha avisado pro pessoal que a porta desse banheiro tava com defeito, não pode bater com força que ela fica trancada e depois só dá pra abrir por fora! – null acabou de contar a história e null já não ria mais, provavelmente acabou o estoque de risadas.
- Mas eu já vi essa porta emperrar, o null ficou preso aqui sozinho um dia e foi difícil de abrir até por fora! Precisou vir o seu pai, eu, você, o...
- Cala a boca null! – null apertava a boca e os olhos, como se null estivesse falando muito além do necessário. Percebeu que null olhava pro amigo e pra ele, desconfiada.
- A-a porta é sentimental oras! Hoje ela abriu fácil...
- Espera aí null, que essa história ta mal contada! – null ficou em pé ao lado de null, com as mãos nos quadris.
null olhava pro chão e não sabia se ria do amigo ou se ia embora dali.
- Erm... Vai ver ela não estava tão emperrada assim... – null falou baixo, passando a mão pelo cabelo.
- EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ TRANCOU A GENTE AQUI DE PROPÓSITO !
- CALMA ! Eu posso explicar, ta bom!
- null... null... Que coisa feia, tsc tsc tsc!
- null, fecha a boquinha por um instante, ok? null... De cara eu achei que a porta fosse ficar mesmo emperrada, mas depois eu vi que se eu me esforçasse um pouco mais eu poderia abrir mesmo por dentro. Só não fiz isso porque... eu... quis estar com você, ta bom?
- Ohhh null... – null se desmanchou num sorriso e passou a mão pela bochecha dele. null rolou os olhos e ia saindo, mas ela o chamou de volta.
- Hey, parado aí null! Onde vocês estavam? A gente gritou socorro um monte de vezes e ninguém veio!
- Ah, a gente tava na casa da frente. – ele respondeu simplesmente.
- Como é que é? Vocês foram lá?! – null ficou passado.
- Fomos. E a festa de aniversário do null vai ser lá!
- Espera aí! Não to entendendo mais nada! – null cruzou os braços.
- Erm... É uma longa história, ok! Vocês descem e eles explicam lá pra vocês...
- Ah, null! Por falar nos outros... Será que dá pra você abafar o caso aqui?
- Ta bom null, depois eu te mando por e-mail uma chantagem pelo meu silêncio... Agora eu vou usar outro banheiro, esse aqui eu não uso mais até que alguém arrume a bagunça que vocês fizeram! A noite deve ter sido muito proveitosa mesmo, huh! – null brincou e saiu correndo quando null ameaçou bater nele, enquanto null ficava vermelha.
- Olha lá, foi com essa parte que nos assustamos ontem! – null mostrava para as meninas a parte do começo do vídeo que foi filmada do lado de fora da casa, onde null se assustou ao ver uma pessoa dentro da outra casa.
- Ainda bem que agora a gente já sabe quem ta lá, né! – null sorriu aliviada.
- Imagina se a gente não soubesse! Estaríamos em pânico agora! – null fingiu uma cara de pânico.
- CARALHO, O QUE ACONTECEU COM MEU PERFUME?! – escutaram os gritos de null vindos do andar de cima.
- Oops... Acho que o null encontrou null! – null sussurrou meio assustado.
- Você acha? – null olhou pra ele.
- Gente... Erm... Que vocês acham de... – null levantou e foi andando de costas, observando a escada e o corredor lá em cima – CAIR FORA?!
null, null, null e null levantaram imediatamente do sofá e seguiram null até a casa da frente.
- null, me leva pra onde os outros foram... O null ta bufando lá no quarto! – null abordou null quando ele saía do banheiro, ele concordou em silêncio e os dois desceram as escadas.
- ! ONDE VOCÊ TAVA, SUA PANGUONA?! – null gritou ao ver null chegar na casa e correu junto com null pra abraçá-la, as três caíram no chão e todo mundo pulou em cima delas.
- AGORA É QUE EU VOU SUMIR DE VEZ! – null gritou com a voz abafada debaixo de todo aquele povo e todos começaram a sair.
- Onde você tava? Sério! A gente já tava começando a se preocupar de verdade! – null falou ajeitando a roupa que amassou um pouco.
- Ah, é uma longa história! Depois eu conto, mas... – null ia falando mas null não a deixou terminar. [n/a: oi? educação mandou lembranças viu! Que coisa feia ficar cortando as falas dos outros u.u]
- Você deu um susto em todo mundo! Ainda bem que foi só um susto, amiga! – null lhe deu um daqueles abraços sufocantes.
- Ta esmagando meus ossos, caralho! – null falou meio sem ar e null a soltou.
- É assim que você me trata por eu estar aliviada em te ver de novo?! Bate nela Jamie!
- Jamie?
- Ah sim! Esqueci de apresentar! – null bateu na própria testa – null, elas são Jamie, Molly e Stacey. Eram elas que estavam aqui na casa!
- SÉRIO?! CARAMBA! – null ia cumprimentando cada uma com cara de surpresa.
- Depois elas te contam a história toda também, mas antes... – null lhe entregou um rodo – A gente tem um longo trabalho por aqui!
- Ahh sim, entendi, a festa do null vai ser aqui, não é?
- Aham. Achou legal? Foi minha idéia! Só minha!
- Achei null, vai ser incrível! Mas antes eu queria saber onde está o null! Alguém sabe?
- Ele e o null estão nos fundos da casa, varrendo as folhas secas do chão. – null respondeu e null saiu.
- Já volto...
- HAHAAHA, você ta varrendo errado null!
- Num to não! Você é que ta me atrapalhando!
- Tenho culpa se você não sabe pegar na vassoura?
- HEEY ! – null chegou, mas eles não tinham visto ainda por causa da brincadeirinha deles, então ela precisou gritar.
- A-ah, oi null!
- Oi meninos! null, será que eu podia conversar com null por um instante?
- Claro! – null sorriu, encostou a vassoura num muro e se retirou. null caminhou um pouco e sentou-se numa balança, null sentou na balança ao lado.
- Precisamos de uma conversa – ela falou olhando pro chão.
- Também acho... – ele deu um meio sorriso e olhou pra ela.
- Acho que estamos pensando a mesma coisa. – ela sorriu e o encarou também – Vamos ser sinceros e diretos, a gente não é tão a fim um do outro assim, à ponto de levar isso à diante. E eu acho que somos mais é amigos!
- Isso nós somos! Temos tantas coisas em comum que às vezes chego a pensar que você é uma irmã gêmea que fugiu da maternidade! À propósito... Em que dia você nasceu mesmo?
- 17 de junho.
- Puxa! Não somos gêmeos – null deu um soquinho no ar se fazendo de decepcionado.
- Me sinto à vontade com você, null.
- E eu adorei ficar com você, te conhecer... – ele falou retomando um ar mais sério.
- Eu também! Adorei cada dia com você, a gente se divertiu tanto!
- Não precisa falar no passado, null! Desse jeito até parece despedida... Vamos continuar nos divertindo, só que como amigos – e ele bagunçou o cabelo dela.
- Com certeza! Você pode contar comigo pra sempre! – ela passou a mão pelo rosto dele, os dois sorriam sinceros, ele pegou a mão dela e deu um beijo.
- Você pode contar comigo também!
- Eu sei que tem um clima entre você e a null! Se precisar de alguma ajuda com aquela cabeça de cookie, é só falar! – ela disse depois de um tempo.
- Acho que gosto mesmo dela... Só demorei pra perceber!
- E ela também gosta muito de você!
- Isso eu descobri quando ela me tratou tão bem e se preocupou tanto comigo... Às vezes me vem uma vontade de cuidar dela também e protegê-la de tudo para que ela seja feliz.
- Vai ser. Vocês dois vão!
- E você também, com null!
- C-c... com null? Por que você ta falando do null?!
- Ah, null! Conta outra né... Só se eu fosse cego pra não perceber o quanto você ficava incomodada quando o via com a null!
- É verdade... Eu ficava destruída! Mas já descobri que eles não estavam juntos pra valer.
- Uhum, ele te ama, dá até pra ver, Fátima Teresa Aldegunda Bananéia de Oliveira!
- Eu sei! Eu também amo ele, Reginaldo Carlos Chapado Caio Escadabaixo!
- Minha Nossa senhora, que coisa horrível! Você precisa parar de inventar esses nomes, ou então nunca tenha filhos! – null falou entre risos. null quase se desequilibrou na balança de tanto que ria também. Depois se sentiu à vontade pra começar a contar o acontecido da noite passada. Estava tão feliz que precisava compartilhar isso. Conversaram por um bom tempo sentados nos balanços, os dois sentindo-se mais aliviados por saberem que a amizade deles tem validade indeterminada! Mais tarde retornaram ao interior da casa para ajudar os outros.
- Ta mais calmo amor? – null perguntou quando entrou e viu null sentado numa janela, limpando os vidros. Tirando null e null, todos se entreolharam surpresos, mas não perguntaram nada.
- Sim, eu vi o vídeo de vocês esbanjando meu perfume... E a idéia foi sua! – null desceu da janela, ficou de frente pra null e se fez de zangado apontando pra ela.
- Ai... Desculpa null! E-e-eu não queria gastar seu perfume à toa! Prometo que te compro outro se quiser! – ela falava dando passos pra trás, meio assustada ao ver o sorrisinho que ele tinha. Do nada, os dois começaram a correr feito loucos pela casa como se não houvesse mais ninguém ali.
- Quando eu digo que eles são malucos ninguém acredita! – null se virou pra null e null, que apenas sorriam observando o casal. null conseguiu pegar null e a jogou no sofá, enchendo-a de cócegas. Ele parou quando percebeu que todos estavam ao redor deles observando.
- Erm... – null sentou e se ajeitou no sofá, null fez o mesmo – Oi, meu nome é Capitão Fronha-Babada! – ele acenou com um sorriso mais idiota que conseguiu fazer enquanto null prendia o riso com a mão na frente da boca. Algumas pessoas rolaram os olhos, outras sacudiram a cabeça, mas todos sorriram e se dispersaram. null ainda entregou um espanador pra null antes de sair.
- Capitão Fronha o quê?! Assim... Tem mais algum maluco na sua família? – null brincava com as peninhas do espanador.
- Tirando a null, todo o resto é até que normal sabe...
- EU OUVI ISSO E VOCÊ TA FERRADO NA MINHA MÃO – null surgiu na janela fazendo null pular de susto, ela estava varrendo a varanda. null sorriu com isso e deu uma 'espanada' no rosto dele.
Todos passaram o dia varrendo, espanando, limpando janelas, planejando a decoração, às vezes alguém saía pra comprar coisas que usariam...
O dia da festa chegou rápido, mas eles conseguiram deixar aquilo lá um luxo só! Também... Com onze pessoas suando as camisas! No último dia que faltava, quinta à noite, eles ficaram lá até tarde. Na sexta-feira, logo de manhã, null chegou com vários tipos de bebidas e botou tudo na geladeira de casa. No começo da noite, null usou o carro dele pra buscar null, null e os três iriam juntos buscar o bolo. Passou primeiro pela casa de null e teve uma grata surpresa quando ele abriu a porta.
- ?! V-vo-você tá assim ainda? São 8:15, a festa começa às 9h e ainda precisamos buscar o bolo! – null estava de boxer e com a cara meio amassada.
- Nossa eu... capotei aqui no sofá! – esfregou o rosto com uma das mãos e percebeu que as bochechas de null pareciam um tanto coradas e ela olhava para o lado como se houvesse algo muito interessante para ser analisado na parede. No fundo (tá, nem tão fundo) adorou provocá-la, mas preferiu acabar logo com a situação.
- Erm... Entra! Me espera aqui na sala que eu vou só me vestir e já desço! – null entrou, ele fechou a porta e subiu as escadas correndo.
'Ai, a tatuagem ta lá... ' null pensava enquanto suspirava sentando no sofá. 'Ah, mas é claro que ta lá, anta! É uma tatuagem pô! Como ia sumir? Onde você ta com a cabeça null? Ah! Já sei, na tatuagem dele!'
Play null’s Flash Back
- Oi, a festa do Ricky foi boa? – encontrei o null na entrada da escola e ele não estava com cara de "manhã-pós-festa" se é que você me entende...
- Mais ou menos. Por que você não foi?
- Não tava a fim.
- Teria sido mais legal se você fosse. Aquilo tava um tédio pra falar a verdade.
- Ah vai null! Não começa a fazer tipo que eu já te conheço! Com quantas você dormiu,hun?
- , TA PENSANDO QUE EU SOU O QUE? Não fiquei com ninguém e até fui embora cedo!
- Você? Indo embora cedo de uma festa? Não dá nem pra acreditar...
- Eu estou tentando mudar, null.
- É mesmo? Por quê? – oops, impressão minha ou eu to sentindo uma pontada de nervosismo inexplicável dentro de mim?
- Tem uma pessoa que precisa saber que eu sou diferente.
- Sei...
- Isso foi em tom de dúvida? Não responda! Vamos apostar!
- Ok. Eu não acho que você consiga passar três semanas sem pegar ninguém! – Pronto, falei! O null não consegue passar uma semana sem galinhar! Vaquinho.
- Três semanas? Tudo bem, vai ser fácil. Se eu conseguir, você vai ter que...
Três semanas depois
Ele conseguiu. Não ficou com ninguém! Isso é incrível pra mim! E olha que eu vigiei direitinho cara! Por um lado eu estou muito feliz porque eu vi que ele pode realmente se comportar quando quer! Mas também estou frustrada por ter perdido a aposta...
- null, eu acho que to me arrependendo! – cara... quando eu vi aquelas agulhas, quis correr dali! Sério, nunca tinha feito uma tatuagem e sinceramente, não pensava em fazer nem tão cedo!
- Relaxa null! Esse desenho é pequeno, vai ser rápido! E eu to aqui com você, pra fazer a mesma tatuagem! Vamos enfrentar juntos, você vai ver! – null falou todo animadinho, acho que ele fica feliz me vendo assustada, só pode!
- Maldita a hora que fui apostar com você null! – Falei e sabe o que ele fez? RIU da minha cara! Me diz, o que eu fiz pra merecer isso? Ah sim, o que eu fiz foi perder uma aposta pro meu melhor amigo, por quem por acaso eu sou apaixonada! Foi isso que eu fiz!
- null! Olha bem pra mim, – ele pegou nos meus ombros e me encarou com aqueles olhos, e que olhos... Eu tenho medo deles! – a gente vai passar por essa juntos! Vamos tatuar o mesmo desenho! Você na nuca e eu no peito. Daqui alguns anos, isso vai ser uma puta recordação que teremos um do outro! Não acha?
- Não tem um jeito menos dolorido pra gente se lembrar um do outro? – claro que tem! E a minha caixa com as nossas fotos? Hein, hein, hein?! Ela ta até ficando cheinha já...
- Não vai doer tanto null, eu garanto! Pode começar moço... – ele falou e o tatuador me mandou deitar de bruços e tirar o cabelo do pescoço. Peguei a mão do null e só pra me vingar, antes mesmo da tortura começar, eu já apertei como se fosse ter um bebê! Mas até que foi rápido... Teve uma hora que eu nem sentia mais dor, acho que acostumou, sei lá! E admito que ficou bem bonita! Só que claro... Legal mesmo ficou no null! O desenho ficou logo acima do peito, e que peitoral e... QUE GAROTO! JESUSMEADICIONA!
Stop null’s Flash Back
Enquanto null ficava 'panguando' na sala, null corria pra se vestir. Enroscou o pé numa calça que estava jogada no chão e tropeçou.
- Putaqueopariu! – ele resmungou baixo enquanto se levantava do chão e pegou a calça de ponta cabeça. Uma foto caiu do bolso...
Play null’s Flash Back
- Eu não entendo por que você fica ligando pra essa garota quando pode ter a menina que quiser!
Stive falou depois de ver que eu observava atentamente cada movimento de null num canto do pátio com suas amigas, ela brincava com uma fitinha daquelas que usam em ginástica olímpica, eu não sei o nome daquela fita e não interessa ,ok?! Mas que aquela sainha dela parecia mais curta hoje, parecia...
- O que? – me virei pra ele, será que ele não se toca que eu tava ocupado?
- Essa sua amiga aí, que você carrega pra cima e pra baixo, às vezes até esquece da gente!
- Certo, essa frase foi muito gay! Você não quer competir pela minha atenção com as pernas da null agora, quer?
- Deixa de ser besta! Eu to tentando falar sério, caralho!
- O que é Stive?! – bufei meio sem paciência, o Stive é meio chato às vezes, mas é um amigo do caraíí!
- Dude! Você não pode continuar desse jeito, ok?! – ele me sacudiu pelos ombros, to ficando com medo dele! – Vai acabar pirando! Você é a fim da mesma menina desde não-sei-quando e fica aí pagando de amiguinho dela! Francamente viu... Ou você pega ela de uma vez ou acaba com isso!
- Ta bom pai. Acabou o momento sermão?!
- To falando isso pro seu bem cara, quero saber o que é que há contigo! Esses dias você ficou mais esquisito ainda.
- Tudo bem, é só que... Eu acho que não vou poder mais ficar com ela.
- Por que? NÃO ME DIGA QUE ELA TE DEU UM FORA ?!
- CALA A BOCA, seu porra! Quer falar mais alto pra null ouvir também?
- Ela te deu um fora! – Stive soltava um sorrisinho besta. Erm... esquecendo da coisa do 'amigo do caraíí', tudo bem se eu socar ele tipo... agora?!
- Não foi isso idiota! Não posso mais por que vou me mudar.
- Ah é, você me disse ontem... Chato pakas... Mas, o que tem isso a ver?
- Tu é burro ou só não pensa? – perguntei rápido e o otário ainda ficou pensando pra responder – Esquece... Olha só! Eu tenho certeza do que eu sinto por ela, sei que se a gente acabar ficando e eu me mudar depois vai ser muito ruim. Pra mim e pra ela também. Eu não ia conseguir me afastar dela e assim já fica mais fácil.
- Que paixonite mais desgramada, hein cara... – ele bateu no meu ombro como um perfeito jeca e eu me senti o próprio Flintstone!
- Nem me fale! Vamos sair hoje? – Yabadabadooooooo!
Stop null’s Flash Back
null terminou de se vestir, pegou a foto que caiu no chão e guardou numa gaveta. Era a foto que ele havia 'seqüestrado' da caixa da null.
'Ele ta demorando. Será que eu devia subir? Não! Sossega o facho aí menina! Puta merda... Essa deve ser a Delilah!' null já não estava mais sentada no sofá e se pôs a observar os objetos da estante da sala. Ficou intrigada ao ver que havia uma foto dentro do aquário do Emo – o peixe do null – ela se abaixou pra ver melhor a foto que estava com a frente encostada no vidro e null estava ali com uma garrafa numa das mãos e abraçava Delilah pela cintura com a outra mão. Delilah parecia beijar a bochecha dele com força enquanto ele fazia uma careta engraçada. Os dois bêbados very, fato.
- , VEM AQUI! – ela ouviu um grito da sala e foi correndo até o quarto. null já a esperava na porta, estava lindo e só faltava um calçado.
- Que foi null? Por que gritou?
- Me ajuda a escolher um tênis que combine com a roupa! – ele pegou o braço dela e a puxou pra dentro do quarto até o closet, onde havia vários pares de tênis arrumados, a maioria brancos com detalhes em outras cores.
- Puxa... Com tantos fica até difícil! – null pensava olhando pra roupa dele e depois para os tênis. Mas null não havia chamado-a ali pra isso... Ele já tinha até escolhido o tênis! Foi se aproximando dela, viu que ela ficou nervosa e isso foi um incentivo pra ele continuar a aproximação.
- Vai com aquele ali – ela apontou pra qualquer um e parecia que já tinha esquecido como respirar direito, tamanha era a proximidade de null! Ela estava de lado pra ele, mas virou de frente pra poder sair. Antes que ela completasse dois passinhos, ele segurou seu braço.
- null, você... precisa terminar de se arrumar – ela começou a frase olhando pra baixo, mas depois se fixou naqueles olhos que tanto a hipnotizam.
- Você não sabe do que eu preciso, nunca soube mesmo. – null falou num tom de voz suave e a trouxe pra mais perto.
- Como assim?
- Nunca soube que tudo o que eu mais precisava era ter você. – estava tão perto que fez seu nariz tocar o dela.
- Pára null, isso não é hora... – null tentava resistir e ser forte, mas quem quer saber de força com um null null encostando narizes com você?! O momento ‘fale de perto com Close-Up’ não poderia terminar de outro jeito. null tocou os lábios dela suavemente com os seus e ficou fazendo os dois se roçarem de um lado pro outro, null teve medo que seu coração pudesse estar sendo ouvido por ele, de tão alto e rápido que batia. Milhões de borboletas faziam aquela algazarra gostosa dentro do estômago dela e null podia jurar que todos os pelinhos da nuca estavam arrepiados. Principalmente quando ela abriu levemente a boca e deixou a língua avançar pra tocar nos lábios dele. null apenas deu passagem e encostou a língua na dela, produzindo vários impulsos elétricos nos dois ao mesmo tempo. Ela deixou a língua dele entrar em sua boca e relembrou o gosto bom da boca dele também, logo depois sentiu os braços dele envolvendo sua cintura num abraço cheio de saudade e vontade. Sentiu uma imensa sensação de proteção e não queria sair daqueles braços nunca mais. Pousou uma das mãos levemente sobre a nuca dele e o fez suspirar, depois começou a bagunçar o cabelo dele, sem nem se lembrar que tinham uma festa pra ir. Minutos passaram como frações de segundo, mas eles estavam dispostos a aproveitar cada segundinho que fosse, até que foram interrompidos por uma música de repente e se afastaram, ambos com os lábios vermelhos.
Now that the looove is goone-o-o-o-Oo-o-o-o-Oo-Oo-Oo-Oo-Oo-gone,gone,gone
Um remix de Love Is Gone, era null ligando no celular da null. Ela viu quem era e atendeu.
- Fala null. – tentou disfarçar que estava ofegante.
- null! O que aconteceu? Como você demorou pra chegar aqui, eu mesmo já peguei o carro e to indo buscar o bolo sozinho... O lugar que a gente encomendou é um pouco longe e não queremos que o principal da festa - depois das bebidas - chegue atrasado né!
- Ah sim, seu bebum! Desculpa null! Depois você pergunta o que aconteceu pro "Mr.Capotei-No-Sofá"! – ela falou e deu um risinho pra null, que também sorria à sua frente.
- null atrasado?! Fato! Ele é o que sempre se atrasa mesmo... Mas ta bom null. Bye!
- Tchau null! – ela desligou o celular e null se aproximava do rosto dela com um sorrisinho para outro beijo (lê-se: desentupidor de pia) daqueles de novo, mas ela pôs o dedo na frente dos lábios vermelhos dele.
- Wait! A gente não pode ficar se amassando aqui! Daqui a pouco vamos ter de passar nossas roupas de novo! – ela falava rindo porque ele se pôs a sugar a pontinha de seu dedo indicador fazendo a cara mais sexy e ao mesmo tempo hilária que conseguia – Você não quer chegar na festa todo amassado e despenteado, quer?
- Festa! Que festa? – ele soltou o dedo dela e fez a cara de esquecido mais fofa que ela já viu. null apertou o nariz dele do mesmo jeito que null costuma fazer com ela.
- Vem aqui! Preciso arrumar essa bagunça que eu fiz! – ela o puxou pela mão e o fez se sentar na frente da penteadeira. Começou a arrumar o cabelo dele com as mãos e null fechou os olhos, como um gato sendo acariciado. Depois que ela terminou de ajeitar, colocou as mãos sobre os ombros dele.
- Ta dormindo aí null? – ela perguntou rindo e ele abriu os olhos, ficou observando o reflexo dela no espelho e começou a sorrir também. Eles ficaram feito bestas, um olhando pro reflexo do outro por um tempo.
- Você vai ser a mais bonita da festa! – ele cortou o silêncio.
- Hum... Nada que eu já não saiba! – ela olhou pro teto e ficou enrolando nos dedos uma mecha do próprio cabelo.
- Hey, você não era convencida! O que aconteceu, hun?!
- Queria que eu dissesse o quê? Eu sei que você diz isso pra todo mundo! Até pro null você já deve ter dito isso!
- Ah, é verdade! Desculpa null, mas o null vai estar mais bonito que você hoje! – ele falou rindo e se levantando.
- Num falei! – bateu no ombro dele enquanto soltava uma risada um tanto contagiante – Você vai me trocar por ele quando chegar lá!
- É, quem sabe... Mas eu acho que ele não deve beijar tão bem! – null a pegou pela cintura e a beijou rápido antes que ela fugisse de novo dizendo que tinham uma festa pra ir. Começou tudo outra vez e os lindos cabelos dele foram bagunçados de novo, o vestido preto que ela usava ganhou alguns amassadinhos, falta de ar, a boca dele borrada com gloss, mas quem liga, não é?! Alguns minutos depois, null o ordenou que fosse calçar logo o tênis enquanto ela ia retocar a maquiagem. ‘Se não sou eu pra botar ordem nessa casa...’ ela pensava e ria pro espelho.
Alguns convidados já estavam chegando na festa, null também já havia chegado com o bolo e null parecia nervoso como uma noiva!
- PARABÉNS ZINHO! – null chegou por trás e pulou nas costas dele.
- OI ! Que bom que você apareceu, eu tava tão nervoso!
- Nervoso? Por que, my boy?
- Não sei! Acho que é ansiedade por estar ficando mais velho! – ele sorriu e só agora começou a observar o visual de null, ela usava um scarpin vermelho, calça jeans skinny preta, que parecia deixar as pernas dela mais compridas ainda, blusinha branca, brincos e pulseiras vermelhas combinando com os sapatos, no melhor estilo mamãe-quero-ser-modelo; os cabelos estavam soltos com alguns cachos que null fez com babyliss.
- Como você ta gata – ele falou quase babando.
- Isso tudo é pro aniversariante! Você viu o cara por aí? – ela se aproximou e entrelaçou os braços no pescoço dele.
- Não, mas... deixa o recado comigo que eu passo pra ele depois! – ele falou e null o beijou.
Não demorou e a casa já estava lotada! null ficou cansado de ouvir tantos parabéns...
Uma chuva fraca começou a cair na hora que null estacionava o carro de null na frente da casa. Ele e null desceram do carro com sorrisos que mal cabiam nos rostinhos. Os dois andaram praticamente colados até a entrada da casa para poderem ser protegidos pelo guarda-chuva de null. Logo que entrou, ela fechou o guarda-chuva, encostou-o próximo à porta e foi dar o presente que comprou pro null.
- Olha só quem chegou, o casal de pombinhos atrasados! – null se aproximou deles na entrada abraçado com null.
- E olha só quem ta aí, o casal de pombinhos grudados! – null respondeu debochado e deu um abraço no amigo.
- null! Vocês demoraram! – null queria que a amiga contasse imediatamente tudo o que aconteceu.
- O null demora mais que a Cinderela pra se arrumar!
- null, você vai mesmo ficar divulgando isso por aí?!
- Relaxa na graxa, null! Seus amigos já conhecem os null-secrets! Ah, o seu presente null!
- Obrigado! – null abriu o embrulho com euforia, que nem uma criança de seis anos – UMA LUNETA! Uma luneta?!
- É null! Pra você observar sua star girl...
- null, corre para aquele canto da sala que eu vou te observar! – null sorriu e nem percebeu que null estava atrás dela.
- AIMEUDEUS! Vocês são todos uns bregas! Mas eu até que gosto de vocês...
- O que você ta falando aí ow! Não vive sem mim, baranga! – null abriu os braços rindo e saiu correndo atrás da amiga, pelo meio da festa, pra dar o golpe do abraço-quase-mortal-by-null.
Capítulo 15 – Please, please, please, Rose please!
Ooh, baby, don't you know I suffer?
Ooh, baby, can't you hear me moan?
You caught me under false pretenses
How long before you let me go?
...
Quase 11 da noite ainda. Estavam tocando Supermassive Black Hole e apesar de todos já estarem bastante enjoados de ouvir aquela música nos seus Ipods, estavam curtindo ouvi-la na festa.
- Vocês não sabem quem eu acabo de ver estacionando o carro aqui na frente! – null chegou para as meninas, que conversavam.
- O Homem-Aranha! – null apontou pra ela sorrindo idiotamente, null negou com o mesmo sorriso.
- Não vai arriscar um palpite, null?
- Hum? – ela olhou pra null despertando de um transe, havia acabado de receber uma mensagem de null no celular dizendo que queria dançar com ela hoje porque ela estava reluzente como uma Ferrari Califórnia e notável como um Boeing 737. Aquelas comparações fizeram null soltar risinhos bestas enquanto lia, null rolou os olhos com a lerdeza da irmã e voltou a falar.
- Kyle!
- Que Kyle? – null perguntou.
- Dickherber. – ela respondeu e null simplesmente deixou seu celular cair no chão.
- Quem é esse? – null olhou pra null, que respondeu baixinho pra null não perceber.
- Deve ser de alguma dessas bandas que a null gosta e está viciando a gente.
- Eu não viciei ninguém, vocês estão ouvindo porque gostaram! – null se recuperou do choque inicial e se abaixou pra pegar o celular – E o Kyle do Click simplesmente NÃO PODE ESTAR AQUI! VOCÊ TA MENTINDO!
- É PANGARÉ! É verdade, olha ali! – null saiu da frente e ficou de lado, null pôde ver a porta, por onde seu querido Kyle passava.
- M-m-mas o que ele ta fazendo aqui? Quem chamou e por que ele ta sozinho?
- Por que você não vai perguntar isso pra ele? – null deu de ombros e null engoliu seco, tomando coragem.
- Fala seu emo! Cadê o resto dos viadinhos? – null se aproximava dele.
- Estão chegando, cara! Mas e aí, cadê o Mcfruta aniversariante? Quero dar um abraço naquela bicha!
null se aproximava sem acreditar, não pensava em algum dia estar na mesma festa que um integrante do The Click Five. As amigas iam atrás dela, pra encorajá-la e zoar dela depois. Elas se aproximaram quando null o cumprimentava.
- Meninas! Esse é o Kyle!
- A gente sabe, null! – null sorriu – O que a gente não sabia era que vocês conheciam os Clicks!
- Nos conhecemos num torneio de bandas. – null explicou e viu que null não tirou os olhos de cima dele. Isso o incomodou.
‘Como ele é lindo pessoalmente, e tão simpático!’ null pensava enquanto observava Kyle cumprimentando suas amigas com beijinhos nas bochechas. Quando chegou a vez dela, ela simplesmente o agarrou num abraço.
- Caralho, eu sou fã de vocês! Adoro as músicas! Me dá um autógrafo, Kyle, please!
- Claro! Onde tem caneta?
- OMG! Eu não sei, mas a gente TEM que arranjar! – e o puxou pela mão. Os dois foram em direção à biblioteca e sumiram. null ficou com as mãos nos bolsos da calça e olhando pra baixo, todo mundo reparou. As meninas se dispersaram, null deu seu drink pra que ele deu um gole e saiu de perto, null e null bateram nos ombros dele e saíram também.
‘Vai tomar no cu! Eu mando uma mensagem toda bonitinha pra depois ela nem olhar pra mim?!’ Ele pensava, ainda olhando pro chão. [n/a: TADINHO null!]
It's these substandard motels
On the, lalalala, corner of 4th and Freemont Street
Appealing, only because they are just that un-appealing
Any practiced catholic would cross themselves upon entering
The rooms have a hint of asbestos
And maybe just a dash of formaldehyde
And the habit of decomposing right before your very, lalalala, eyes
Along with the people inside
Oh, What a wonderful caricature of intimacy
Inside, What a wonderful caricature of intimacy...
Uns 40 minutos passaram voando. Panic At The Disco animava a festa agora com aquela música legalzinha de nome comprido. null foi se aproximando do equipamento de som, assim como quem não quer nada e trocou a música, fazendo os casais se ajuntarem. [n/a: coloca a musica pra dar mais emoção! Se o link não der certo por algum motivo, eu sei que você tem The Heart Never Lies aíí!]
null se aproximou de null.
- Pensei que você não gostasse de ouvir McFLY num simples rádio, como uma simples fã!
- Pois eu retiro o que disse! Eu acho que sou mesmo uma simples fã deles... – ela sorriu observando null girar null e depois concluiu – Eles são adoráveis e únicos!
null também sorriu e avistou null.
- Vou aproveitar a música pra dançar com null!
- Ok! – null piscou e depois que null se afastou, viu pela janela que null estava do lado de fora da casa. A mesma chuva fraca ainda caía, molhando as roupas e os cabelos do garoto aos poucos. null não pensou duas vezes pra pegar o guarda-chuva vermelho que ela havia encostado num canto na entrada e ir até lá.
- Por que está aqui tomando chuva? - null ouviu a voz de null perguntando alguma coisa atrás dele e um guarda-chuva parando sobre sua cabeça.
- Essa música me dá vontade de sair na chuva! - ele se virou pra ela e deu de ombros. null gargalhou com a resposta estranha.
- Hum... Então se você acordar resfriado amanhã a culpa é minha, fui eu que coloquei a música!
- Desde quando você gosta de ouvir McFLY?!
- Ah, pára de chatice null! Eu tenho total consciência que vocês compõem as letras mais lindas do mundo! Já virei fã!
- Não sabia que tinha uma fã tão hot! Quer dançar?
- Yep!
Os dois se aproximaram ali mesmo no quintal e começaram a dançar lentamente, como se não quisessem que aquele momento acabasse.
…
Some people fight
Some people fall
Others pretend
They don't care at all
If you want to fight
I’ll stand right beside you
…
null estava de olhos fechados e com o queixo apoiado no ombro dele, foi impossível não lembrar daquele dia na festa de despedida dele. null envolvia a cintura dela com os braços e pensava a mesma coisa.
- Eu lembro daquele dia – ele falou de repente no ouvido dela.
- E eu acho que as nossas cabeças estão tão próximas que você leu meu pensamento! – ela afastou um pouco a cabeça do ombro dele, pra poder olhá-lo.
- Você sabia que eu ia lembrar, e que eu não tava bêbado?
- null contou pra mim.
- Ah, aquela fofoqueira! – ele se fez de bravo.
- Entendi a sua atitude... Foi infantil, mas entendi. – ela passou a mão que estava livre pelo rosto dele, tirando uma mecha de cabelo molhado. Com a outra mão segurava a sombrinha.
- Eu não queria sentir algo forte por você e depois ter que me afastar, ficar te vendo só em finais de semana e passar os outros dias com o coração na mão, só imaginando o que você poderia estar fazendo... Só que não adiantou de nada porque eu já sentia muita coisa por você, sempre senti! – falando isso ele pegou a mão dela, que passava por sua bochecha e deu um beijo, depois aproximou mais o rosto e lhe deu um beijo na testa, outro na ponta do nariz, e enquanto isso ela sorria. Depois ele a beijou no canto da boca e ela começou a dar selinhos nele. O beijo ganhou força quando ele passou a língua pelo lábio inferior de null, mais uma vez provando o gosto do protetor labial de morango que ela tinha acabado de passar, o mesmo que ela usava no dia daquela festa há alguns anos. Aos poucos ela foi relaxando com a mão que segurava a sombrinha, deixando que a chuva a molhasse também.
…
I know you believe me
When you look into my eyes
Because the heart never lies
'cause the heart never liiiies yeah
Because the heart never lies
null estava com um copo de vodka na mão e foi se aproximando da janela. Não pôde deixar de reparar num 'ponto vermelho' no meio do quintal, era o guarda-chuva de null, que nesse momento não estava guardando-a de chuva nenhuma. 'Isso aí! Tem mais é que beijar na chuva mesmo!' null pensou e ficou feliz porque aqueles dois deram trabalho pra se acertar.
Plain White T’s começou a tocar na seqüência e null não conteve um sorrisinho. Era a música que a fazia lembrar do null... O quintal estava lindo, todo decorado com várias luzes penduradas nas árvores e ela se pôs a contemplar o próprio trabalho enquanto um vento fresco brincava com seus cabelos.
'Impressão minha ou o null ta parecendo distante? Depois do SMS ele não falou mais comigo, não olhou pra mim e me deixou aqui sozinha! Quer dizer... Não é como se eu estivesse louca pra dançar com ele, mas... Ahh, puta que o pariu null! Você ESTÁ louca pra dançar com ele!'
Os pensamentos dela foram interrompidos quando sentiu uma mão tocar levemente seu ombro esquerdo e quando se virou, deu de cara com null.
- Sozinha? E o Kyle?
- Ah, sei lá null. Ele me deu meu autógrafo, tiramos uma foto e ele foi curtir a festa! Por que a pergunta? – ela deu de ombros se controlando pra não rir.
- Ahn, nada não, achei que você estaria com ele, mas... Quer dançar? – ele estendeu a mão pra ela, que sorriu e segurou a mão dele. ‘Fato, null ficou com ciúmes e isso é fodástico demais, véio!’ ela pensava com um sorrisinho enquanto ia sendo conduzida por ele pro meio dos outros casais que dançavam juntinhos.
…
There's only one way
To say
Those three words
That's what I'll do
I love you
Give me more love from the very start
Peace me back together when I fall apart
Tell me things you never even tell your closest friends...
‘Que perfume bom...’ null cheirava o pescoço de null e isso estava causando nele uma série de arrepios.
- Está gostando da festa? – falou ao pé do ouvido dela e foi a vez de null se arrepiar.
- Uhum, ficou tudo incrível!
- E você também ta incrível, null! – ela sorriu e fechou os olhos, null estava tão próximo dela nos últimos dias que parecia até sonho.
- Sabia que essa música me faz lembrar você? – ela falou e pôs o rosto em frente ao dele.
- Por quê? – ele deu um sorrisinho e apertou mais os braços em volta da cintura dela. null se aproximou da orelha dele e sussurrou pedaços da música – I'm so glad I found you I love being around you. – ao terminar de cantar, deu uma leve mordida na orelha e null começou a beijar seu pescoço. null simplesmente pirou com aqueles lábios quentinhos e macios tocando sua pele com carinho. Depois ela encostou seu nariz no dele, e já de olhos fechados voltou a cantar baixinho outras frases da música - There's only one way to say those three words... – ele também fechou os olhos balançando a cabeça junto com ela, deixando os corpos irem no ritmo gostoso daquela música pra lá e pra cá lentamente. Depois colou seus lábios nos dela. Intensificaram o beijo logo em seguida e toda a fauna da floresta amazônica fazia a festa no estômago dos dois!
...
There's only one thing,
To do, 3 words,
For you.
I-love-you (I love you)
There's only one way,
To say those three words
That's what I'll do.
I love you (I love you)
- null... Acho ótimo você tratar bem as suas fãs, mas espero que você não seja tão 'simpático' assim com todas elas! – null falou com a testa encostada na testa de null, que apenas sorriu e se aproximou da orelha dela.
- O tratamento especial é só para a fã número 1! – ele sussurrou e ela sorriu.
- Olha, parou de chover... - ela se deu conta de repente olhando pro céu, que já estava limpo como num passe de mágica.
- Melhor a gente entrar, ta ventando um pouco e você pode pegar uma gripe com essas roupas molhadas! - os dois sorriram e começaram a caminhar abraçados em direção à entrada da casa.
Os casais estavam inspirados essa noite... null, null, null e null estavam sentados no sofá e riam muito porque null tentava abocanhar um copo plástico. null estava mais do que feliz, ria feito criança que ganhou ovo de páscoa de 7kg... Mas seu sorriso foi ficando menor quando ele começou a observar uma pessoa de casaco e capuz preto passando pela sala. Achou melhor mostrar pra null e o cutucou.
- Que foi. – null perguntou baixinho e null apontou para a pessoa com a cabeça. null lançou seu olhar e a avistou, estava indo direto para a biblioteca.
- Parece uma mulher, mas não deu pra ver o rosto direito... Vamos ver onde ela vai! – null levantou e puxou null com ele. As duas meninas se olharam preocupadas, também tinham visto a ‘criatura’ de capuz e não gostaram nada, nada.
null e null se puseram a perseguir a tal pessoa de capuz preto e esta já havia percebido. Tentava despistá-los dando voltas pela casa, mas eles sempre a encontravam de novo.
- Olha, ela subiu a escada...
- Como sabe que é ela, null? Ta tudo coberto!
- Ah, tanto faz cara... Mas eu acho que é mulher!
- Bom... Parece mesmo e é bem estranha. Mas e aí, vamos continuar vigiando?
- Com certeza! Pode ser alguma ladra! – os dois começaram a subir a escada e a suposta ladra já estava terminando de subir. Quando chegaram ao corredor dos quartos, conseguiram ver um vulto entrando no último quarto. null se lembrou que é ali que fica a passagem secreta em baixo da cama e começou a acelerar o passo com medo que a pessoa entrasse lá e eles a perdessem de vista, null ficou pra trás.
O quarto estava silencioso e null entrou mais silencioso ainda. Até que ouviu um ‘tooc’ e correu pra olhar em baixo da cama. Ele pegou a lanterna, que estava lá, do jeito que ele tinha deixado e foi abrindo aquela pequena passagem com cuidado... Jogou o raio de luz da lanterna lá dentro e viu uma mulher abaixada com uma mochila aberta no chão, ela já não tinha mais o capuz e revelava seus cabelos descoloridos. Ela olhou pra cima com uma cara assustada, levantou rápido, deixou cair uns maços de dinheiro que segurava nas duas mãos e saiu correndo pelo túnel subterrâneo. null desceu a escadinha de madeira bem rápido, como ele nunca tinha descido antes. Havia reconhecido aquele rosto. Aqueles olhos extremamente azuis e assustados, com algumas olheiras a mais, mas era ela. Era Rose, a vizinha do null, mulher do falecido Dean, principal suspeita pelo assassinato e estava ali na frente dele! Havia um cofre atrás daquele quadro que ele e null observaram, mas nem pensaram que pudesse ter um cofre ali, apesar de ser uma coisa extremamente clichê. Rose correu por todo o corredor com null na sua cola, quando viu que ele já estava para alcançá-la, tirou um revólver de dentro de um dos bolsos internos do casaco e se virou bruscamente pra trás apontando pra null, que parou de correr imediatamente e levantou os braços.
- Não se atreva a continuar correndo atrás de mim, porra! O que você quer?
- Calma... Calma Rose! Não atira em mim, por favor!
- Droga... Se pelo menos tivesse uma corda nesse lugar! – ela falava para si mesma enquanto mexia nos cabelos com a mão que estava livre.
- Eu volto! Eu volto pra lá e não conto pra ninguém que te vi!
- Cala a boca! Viadinho dos infernos... Vou ter que te levar comigo agora. Anda, vem! – ela o puxou pelo braço e começou a andar com o revólver apontado na cabeça dele.
- ! – null e null chegaram até null, que descia as escadas com cara de assustado.
- null... Cadê o null? – null perguntou pausadamente, ficando assustada com a cara nada boa do amigo.
- Ele foi atrás daquela pessoa de capuz no quarto, mas quando cheguei lá, não vi nenhum dos dois! Eles simplesmente sumiram! – null explicava confuso e com o olhar perdido. null teve um ‘click’ e começou a descer as escadas correndo. null e null não sabiam pra onde ela estava indo, mas a seguiram.
null foi até a biblioteca e ficou de pé num cantinho observando o chão.
- Que foi null? – perguntou null parando ao lado dela.
- O que tem aí? Por que ta olhando pro chão? – null chegando do outro lado dela.
- Shhh, quietos! O null pode sair por aqui!
- AAAHAHAHAH – null caiu na risada, com a correria pra preparar a festa, ninguém contou a ele ou a null o episódio da passagem secreta – Ele vai sair do chão? O que você be... – ele mesmo se interrompeu quando viu um quadradinho começar a se abrir no chão. Os três foram dando passos pra trás e quando começaram a ver as duas cabeças que emergiam, ficaram pasmos.
- R-Ro-Rose! – null gaguejou morrendo de medo ao vê-la armada. null e null só sabiam tampar a boca com as mãos e esbugalhar os olhos.
- Saiam da frente senão ele morre. – ela falou com sua voz firme e imponente.
- ! – null começava a sentir a visão totalmente embaçada pelas lágrimas e null a segurou porque parecia que ela queria avançar em cima dos dois pra soltar o null.
- Calma null... E-e-eu amo você! – ele falou com a voz trêmula, era o primeiro e talvez último "amo você".
- null, se afasta! – null puxou null pra longe da mulher e ela custava a sair, parecia que estava com os pés colados, não queria abandonar null. null ajudou null a segurar null quando a mulher passou por eles. A música parou quando os dois chegaram na sala.
- NINGUÉM SE MEXE! – a mulher apontou a arma para todos ao seu redor e voltou a encostá-la na cabeça de null em seguida.
- Putafodeu! – null estava mais distante assistindo a cena com null, null e null, que pegou o celular pra chamar a polícia.
- Olha Rose, se você me deixar aqui e ir embora ninguém vai chamar a polícia, a gente sabe que você não matou o Dean, v-vo-você não seria capaz de uma coisa dessas! – null tentava conversar com ela e falava com dificuldade, pois ela apertava forte seu pescoço com o braço. Os dois continuavam parados no meio da sala, cercados de convidados estáticos.
- É Rose... Não chamaremos a polícia, até porque nós invadimos a sua casa, nós é que seriamos presos, todos nós! – null se pronunciou num cantinho da sala.
- É, invadiram a minha casa, seus demônios! Eu devia acabar com todos vocês, que nem eu fiz com Dean – ela sorriu, parecia meio fora de si.
- Não, pelo amor de Deus, solta ele moça! – null também falou vendo que a situação ficava cada vez mais séria, ela não sabia se estava tremendo de medo ou de frio por causa das roupas ainda um pouco úmidas grudadas no corpo.
- Quem é você? Nem te conheço garota! Aah... Deve ser mais uma das periguetes que davam em cima do Dean! Eu tenho raiva de todas vocês, garotas bonitas e fáceis que faziam o Dean me trair e chegar tarde em casa! Sabe... Teve um dia que ele chegou cinco horas da manhã. Nem entrou no quarto, se jogou aqui nesse sofá e quando eu acordei às oito, o chamei... Discutimos muito naquele dia e ele me pediu o divórcio. – Rose contava e seu olhar vagava pela sala – Ele tava sempre com aquele sorriso besta estampado, devia se achar perfeito... E ele era mesmo, com seu rostinho bonito, olhos azuis, cabelo bem cuidado e um corpo cuidadosamente esculpido na academia. E de que valeu tudo isso, me diz? Isso tudo nem existe mais, agora que ele foi pra debaixo da terra – ao falar tudo isso começou a soltar um sorrisinho cínico de canto de boca, estava gostando de ser o show da noite.
- Você também é linda Rose, seus olhos são tão azuis quanto eram os de Dean e o seu corpo e rosto também são perfeitos! Não estrague a sua vida! – null continuava tentando acalmá-la, sem sucesso.
- Fica quieto aí! – ela deu uma batidinha com o revólver na cabeça dele que fez null soltar um soluço alto e null a abraçou.
- O que essa mulher cheirou? – null se perguntava em voz baixa.
- Hey! Espera aí... Você aí chorando feito louca, como é seu nome?
- O-o-o m-meu nome?
- NÃO, O MEU! FALA LOGO!
- null! – ela disse mais do que depressa, com os olhos esbugalhados.
- Hm... Sabia que eu tava te reconhecendo sua PUTINHA!
- Han?!
- Não adianta fazer essa carinha de desentendida não! O Dean tinha uma pasta no notebook dele que chamava 'null' e dentro várias fotos suas! 'null001.jpg', 'null002.jpg'...
Várias pessoas ficaram passadas ao ouvir isso, inclusive a própria null e principalmente null, que olhava pra ela incrédulo.
- Mas... Mas... A gente mal se conheceu! – null falou quase num sussurro, mas a sala estava em total silêncio.
- Então vai admitir assim na frente de todo mundo que o conheceu mesmo?! Foi mais fácil do que eu pensava!
- Não! A gente se viu algumas vezes no p-pa-parque, mas eu não sabia nada da vida dele, EU JURO!
- Não é o que as fotos dizem, vocês pareciam muito próximos! Principalmente na foto null022.jpg! Sabe qual é essa?
- Não. Eu nem sabia que ele tirava tantas fotos minhas se você quer saber! Eu achava que ele segurava o celular às vezes pra sei lá... ver as horas!
- Quanta ingenuidade, tsc tsc tsc... De qualquer jeito eu vou refrescar sua memória! A 22 é a foto do BEIJO de vocês!
null sentiu como uma facada na boca do estômago aquele olhar de desprezo que null lançou pra ela na hora que ouviu isso.
- FOI SÓ UMA VEZ, TA LEGAL! – ela agora berrava como se quisesse desesperadamente fazer com que null parasse de olhá-la daquele jeito – E não passou disso!
- Foi você que acabou com meu casamento! De fato, o Dean saiu com várias vaquinhas, mas por você ele se apaixonou, sabia?!
- VOCÊ NÃO TEM COMO PROVAR O QUE ESTÁ DIZENDO! POR ACASO ELE FOI LÁ DO NADA E CONTOU QUE ME AMAVA?
- FOI E POR ISSO EU ATIREI NELE!
Nessa hora o silêncio reinou e só se ouvia os 'óóóhs' das pessoas admiradas, além das respirações alteradas das duas.
- Ele disse... 'Agora é sério, Rose. Precisamos nos divorciar porque eu amo outra pessoa' – Rose começou a contar com o olhar perdido em algum canto da sala – Aí eu perguntei 'A menina daquelas fotos no seu celular. Por que eu não to surpresa?!' ele fez uma cara de piedade e veio me abraçar, eu subi as escadas e me tranquei no primeiro quarto que vi. Ele esmurrou a porta algumas vezes, falou que eu estava sendo infantil. Começamos a gritar um com o outro, eu dentro do quarto e ele fora. Até que ele parou de gritar e eu me sentei no chão, eu estava muito nervosa e chorava desesperada com a possibilidade do meu marido ir embora de casa. Sabe, no começo a gente tinha um casamento feliz! – Rose agora fez uma pausa pra fungar, pois estava chorando também – Comecei a ouvir uns barulhos de movimentação dele no quarto do lado, portas batendo e logo adivinhei que eram as portas do guarda-roupas. Ele estava fazendo as malas. Suspirei e olhei pra cima, focalizei minha visão numa caixa de sapato que estava no topo de uma estante daquele quarto. Peguei a caixa e ali estava minha arma! Havia comprado há pouco menos de dois meses... Ouvi passos apressados do Dean pelo corredor, e depois descendo as escadas. Quando ele estava perto da porta da rua, eu cheguei no topo da escada e foi um tiro certeiro! BAANG! Exatamente na nuca do infeliz. Ele ficou lá estirado, enquanto eu tratei de fazer minhas malas e pegar um dinheiro no nosso cofre. Na verdade todo o nosso dinheiro era só MEU. Cada vez mais eu tinha certeza que ele se casou comigo por isso.
Todo mundo prestava atenção no depoimento dela agora. null reuniu toda calma que tinha e começou a falar tranqüilamente.
- Rose, é a última vez que eu vou te pedir! Você já matou uma pessoa e tenho certeza que você não se agradou de ter feito! Então não faça isso de novo, aproveita a chance que você tem pra fugir daqui com todo seu dinheiro e começar uma vida nova em outro lugar!
- Sei... Pensa que eu não saquei que é desse bonitinho aqui que você gosta? Quero que você sinta o mesmo que eu senti vendo o homem que eu mais amei indo embora! Pode começar a se despedir do seu branquelo!
- NÃO, POR FAVOR! – null sentiu uma fraqueza nas pernas e quando foi ver, estava ajoelhada – OLHA, VOCÊ PODE ME LEVAR CONTIGO!
O pessoal estava tenso, a maioria ali nunca tinha visto alguém implorar pela vida de outra pessoa sem ser num filme. De repente, todos começaram a ouvir o som das sirenes. A polícia chegou realmente rápido! Rose esbugalhou os olhos e permaneceu estática por um tempo, todos olhavam pra ela. Quando ouviram o som de portas de carro batendo, ela reagiu e começou a caminhar com null para o hall. Vários policiais entraram na casa apontando armas pra ela, que apenas ria e começou a subir as escadas com seu refém.
- Não se atrevam a me seguir que eu atiro nele! – ela gritava no meio da escada e null pedia com o olhar desesperado que os policiais fizessem tudo que ela queria. Quando ela terminou de subir as escadas e saiu da visão deles, alguns policiais começaram a subir com cuidado. Rose ia correndo pelo corredor e puxando null pelo pescoço, ele já não agüentava mais aquele braço grudado no pescoço fazendo pressão, causando atrito, não via a hora de sair daquele pesadelo e amaldiçoou mentalmente a hora que começou a correr atrás dela. Ela abriu uma pequena porta e lá dentro havia uma escada para o sótão, mandou null subir e fechou a porta atrás de si. Dois policiais que viram do começo do corredor se comunicaram com os que estavam na sala e avisaram que ela o levou para o sótão e que pelo jeito sairiam no telhado. E não deu outra, dentro do sótão estava uma escadinha apontada para uma janela. Rose mandou null subir, abrir o vidro e sair. Assim ele fez e logo os dois estavam no telhado. Todo mundo correu pro lado de fora da casa ao verem que os policiais todos estavam indo pra lá.
- OMG! – null tampou os olhos ao ver null sendo segurado pela mulher na beira do telhado, à essa altura as quatro meninas amigas do garoto choravam e gritavam.
- É tudo culpa mi-nha! Eu que tive a i-dé-ia da festa ser aqui! Eu que me envolvi c-com a porcaria d-do marido de-la! – null falava entre soluços e tampou com as mãos o rosto cansado de ser molhado por lágrimas misturadas com maquiagem. null a abraçou, null beijou o topo de sua cabeça e null retirou as duas mãos dela da frente do rosto para segurá-las.
- Você não tem culpa de nada, ouviu! Quem está causando a situação é apenas a maluca! Foi ela quem matou o próprio marido! – null falou segurando as mãos da irmã firmemente, mas também tinha lágrimas pelo rosto.
- Solta o menino Rose e nada vai te acontecer – um policial falava no alto-falante.
- QUER MESMO QUE EU O SOLTE?! – ela gritou irônica entre risadinhas forçando null um pouco pra frente e provocando susto geral em quem assistia lá em baixo.
- Chame o nosso melhor atirador de elite. – o policial que antes falava no alto-falante, agora se virou pro outro, que concordou.
Uma hora se passou com a mesma enrolação, Rose dizendo que não queria ser presa e preferia a morte, então se jogaria com null. Policiais tentando negociar com ela, imprensa começando a aparecer e lotar o local... Os pais de null também foram avisados e chegaram lá desesperados. Já estavam todos cansados por permanecer em pé e ainda naquela tensão. null então, nem se fala. Mais duas horas de negociações se passaram e o cansaço só triplicou! Aquele pesadelo parecia não ter fim. Tentaram de tudo, disseram a ela que teria um bom advogado, que sua pena por matar o marido seria reduzida se confessasse e entregasse o garoto... Às vezes parecia que ela estava cedendo, mas logo voltava a ficar desesperada pra se jogar e acabar com tudo. Os policiais viram que aquilo não ia resultar em nada e que poderiam passar dias ali se não agissem logo.
- Rapaz, quem mora nessa casa? – o chefe da polícia abordou null e apontou para a casa em frente.
- E-e-eu. – respondeu gaguejando pelo alto nível de stress.
- Preciso de sua autorização para meus atiradores entrarem nela. Assine aqui, por favor, se você autoriza a ação na sua casa – entregou uma prancheta a null.
- Claro... – ele assinou e antes de devolver olhou nos olhos do policial – Acabem logo com isso e salvem a vida do meu amigo. – o policial apenas concordou com a cabeça e acenou para que seus homens fossem até a casa de null. null o abraçou e ele beijou sua testa.
Outros policiais distraiam Rose pra ela continuar lá em cima e sem perceber que estavam invadindo a casa da frente. Os atiradores que entraram na casa de null subiram até o sótão e o melhor deles, o mais experiente e bem preparado da equipe, saiu também por uma janelinha semelhante a que null saiu na outra casa. Ficou escondido ali no telhado e posicionou a mira em Rose. Era preciso muita concentração, a cabeça de null estava muito próxima da dela. Ele mirou bem e quando todos menos esperavam, Rose foi atingida no meio da testa! Por uma fração de segundo ela ainda continuou em pé e com os olhos abertos, seu corpo cambaleava pra trás e pra frente. Aquele tempo foi uma eternidade pra null, que pôde ver o minúsculo furo na testa dela e uma ‘lágrima’ de sangue escorrer por ele. Rose caiu, mas como ainda segurava null pelo pescoço, ele foi junto. Todos soltaram gritos desesperados quando o corpo de Rose se espatifou no chão feito um saco de batatas. Por sorte, null conseguiu se segurar no último momento na borda do telhado, mas as mãos dele não iam agüentar aquilo por muito tempo. Até porque, estava tudo meio úmido pela chuva de mais cedo. A mãe dele chorava sem parar e policiais entraram correndo na casa. ‘Ai, eu não vou agüentar, não to agüentando, parece que minhas mãos vão descolar do braço!’ null pensava de olhos cerrados, desejando que chegasse logo alguém pra tirá-lo. Segundos depois, dois policiais chegaram e cada um segurou um braço de null, ele finalmente respirou aliviado.
Quando ele saiu pela porta da frente, foi logo abraçado pelos pais. Sua mãe lhe enchia de beijinhos pela cabeça e depois pegou as mãos dele, fez uma cara de dó ao ver como estavam vermelhinhas, coisas de mãe!
- Mãe, calma! Eu to... eu to legal, já acabou – ele sorria pra tranqüilizar a mãe. Olhou mais à frente e viu uma menina de cabelos castanhos que sorria e chorava ao mesmo tempo. Viu também seus amigos um pouco atrás dela. Começou a caminhar na direção deles e null tinha esperanças que ele não tivesse ficado chateado com tudo que Rose disse, ela esperava poder abraçar null bem forte e calar toda aquela agonia que ainda estava sentindo só pela possibilidade de perdê-lo. Mas não foi assim. null passou por ela sem nem olhar seu rosto. Ela abaixou a cabeça, null estava ao seu lado e a abraçou enquanto null sumia no meio de um abraço com os amigos.
Capítulo 16 – Borboletas, peixinhos e a caneta da vovózinha
Durante o fim de semana, todos se esforçavam pra não lembrar daquelas imagens da festa - Rose, telhado, etc. null e null não se olhavam mais e nunca estavam num mesmo lugar ao mesmo tempo. Ele sabia que estava sendo exagerado porque, afinal de contas, se ela teve mesmo uma coisa passageira com o Dean o que importa? Mas não, os dois estavam orgulhosos demais pra se aproximarem e ter uma conversa.
- Oi, oi pessoas! – null abriu a porta e null chegou na sala, onde estavam todos reunidos assistindo filme.
- Oi null, tudo bem? Como foram as coisas lá na sua casa? – null perguntou enquanto cumprimentava-o.
- Ah, você sabe, todo mundo me paparicando, perguntando se eu quero isso ou aquilo outro... – ele fez uma careta engraçada que fez todos rirem, menos null. Ela saiu da cozinha enxugando as mãos num pano de prato. Ao ouvir a voz de null lá de dentro ela ficou com o coração acelerado, sua vontade era não sair da cozinha enquanto ele estivesse lá porque toda vez que se topavam ele vinha com alguma ironia pra cima dela, mas estava impossível evitá-lo morando tão perto. Quando chegou na sala, os dois se cumprimentaram com um fraco aceno de cabeça. Mesmo de longe, ela captou o olhar cortante dele, era justamente isso que ela não queria ter visto.
- Vou sair. – ela disse com voz de tédio, desamarrou um avental da cintura e jogou em cima de uma mesinha. Hoje fora seu dia de lavar a louça do almoço... null deu um meio-sorriso sarcástico.
- Algum encontro às escondidas? Quem é o bonitão da vez?
- null, onde você guardou aquela lista de compras que a gente tava fazendo ontem? – Se dirigiu à irmã, ignorando a pergunta de null e tentando não parecer tão nervosa.
- Ah, eu acho que ta lá no meu quarto. Quer que eu vá fazer compras com você?
- Se você não se importa de presenciar meu encontro às escondidas com o molho de tomate... – ela falou e já foi caminhando para a porta – te espero lá fora com a lista.
Os olhares se voltaram pra null, que apenas sentou numa poltrona tranqüilamente como se nada estivesse acontecendo. null levantou se espreguiçando e subiu para o quarto. Quando estava lá, apenas ajeitando rapidamente o cabelo, null e null bateram na porta.
- Certo, a situação ta preta! – null já foi disparando ao entrar o quarto.
- É errado se meter na vida dos outros, mas a gente PRECISA ajudar! – null cruzou os braços e sentou (lê-se: abandonou o peso) na cama. null fechou a porta e ficou pensando com o queixo apoiado na escova de cabelo.
- Eu acho que não tem nada a ver o null ficar agindo assim! – null também sentou na beirada da cama.
- Também acho. A null conheceu o Dean? Ótimo,
mas já passou e ele ta morto e enterrado, literalmente falando. – null voltou à frente da penteadeira pra achar algum enfeite fofo pro cabelo.
- Então a gente pensa com calma e bolamos um plano! – null ia falando animada e seus olhos brilharam ao falar ‘plano’ – Adoro planos! Principalmente pra juntar casais, é tão “coisa-de-filme-água-com-açúcar”!
- Ok. Todo mundo pensa com calma e mais tarde a gente se reúne de novo. Agora eu vou lá porque a null já deve estar impaciente.
- É, a gente se encontra aqui no quarto da null depois que todo mundo for dormir. Eu vou chamar as outras meninas, elas podem ajudar, são inteligentes! – null falou se levantando, null também levantou e as três saíram do quarto já pensativas. As outras meninas que null se referiu são Jamie, Stacey e Molly! Elas vieram passar os últimos dias em Bedford na casa de null, à convite do próprio, já que a casa de Dean e Rose ficou interditada pela polícia. Molly dividiu o quarto com null, Jamie com null e Stacey com null. O acampamento onde elas deviam estar acabava na última segunda-feira do mês, dia 27, e assim voltariam pra casa.
- Vocês estão sendo infantis. Os dois. – null falou encarando a TV, mas sem prestar muita atenção ao que passava.
- Eu já tinha perguntado do Dean pra ela, ta?! E ela mentiu pra mim. – null cruzou os braços em sinal de revolta, os outros apenas assistiam a cara que ele fazia.
- E por que isso é importante? O cara já morreu mesmo! – null deu de ombros e viu null se levantar num movimento brusco.
- Vocês não entendem que não é simples assim?! Ele ter morrido não impede que ela continue gostando dele!
null foi logo embora, não quis ficar discutindo esse assunto com os amigos e também não queria estar lá quando null voltasse. Ele sabia sim que precisava de uma conversa com ela, mas não queria isso agora.
As meninas passaram o resto do dia pensando em planos mirabolantes pra fazer os dois pararem de brigar por aquela bobagem. À noite, depois de jantarem, null seguiu discretamente pro quintal e sentou no chão, encostada numa árvore que havia lá desde que ela se entendia por gente. Depois de um tempo, null percebeu a ausência dela e foi procurar.
- Achei você! – ele se abaixou e sussurrou no ouvido dela, estava tão distraída que pulou.
- Você ta mesmo tentando me matar do coração? Porque é o que parece!
- Não... não... to tentando é saber o que se passa nessa cabecinha! Estou te achando meio distante, tem algum problema?
- Tudo bem... É sobre a null e o null! – quando ela falou, null soltou um suspiro como se dissesse ‘É, imaginei’.
- Relaxa, eles vão acabar se acertando! – deu um beijo no topo da cabeça dela e os dois ficaram em silêncio por um tempo. Ela só queria ficar ali com a cabeça apoiada no peito dele sentindo o perfume. Até que lembrou de uma coisa importante o suficiente pra fazê-la se afastar.
- null, o que uma foto sua com a Delilah fazia dentro de um aquário na sua sala?
- Erm... – null pasmou um pouco.
- null?
- Calma! Não é nada... É só que eu fiquei um pouco chateado na época que a gente terminou então eu peguei o porta-retrato onde pus aquela foto e o guardei pra uma foto que eu goste mais porque ele é muito especial pra desperdiçar com a foto dela! Daí a foto com ela eu deixei ali mesmo em cima da prateleira, um vento deve ter batido e derrubado dentro do aquário que fica logo abaixo...
null ficou um tempo com o olhar vago, null pensou até que ela havia ficado chateada ou algo assim.
- AAHHH! JÁ SEI!
- Caraíí, que susto null! Num faz mais isso! Eu acho que não tenho mais idade pra ficar levando esses sustos! – null repousava a mão sobre o peito enquanto ela ria.
- Tudo bem null, é que eu tive uma idéia que talvez possa ajudar o null e a null.
- Posso saber?
- Primeiro eu preciso falar com as outras meninas, na hora certa você saberá! – null deu um selinho rápido nele e se levantou animada.
Como foi o combinado, depois que todos foram para seus quartos, null, null, null, Stacey, Molly e Jamie se reuniram pra ter idéias e bolar planos pra ajudar null.
- Silêncio! Parem de piar ao mesmo tempo! Vocês querem que a null acorde? – null jogou um travesseiro em cada menina que falava sem parar.
- Quantas vezes eu vou ter que repetir que null dorme como uma pedra? – null cruzou os braços.
- Mas então, quem teve idéias levanta o braço aí. – disse null.
Molly, null e null levantaram os braços.
- Fala null…
- Olha só null! Tive uma idéia hoje conversando com o null. Me responde uma coisa, é impressão minha ou eu já ouvi o null dizer que queria ter um peixinho?
- É, acho que já... – null respondeu pensativa – mas e daí?
- A gente dá um peixinho, de pelúcia, todo cheirosinho com o perfume da null!
- Hum... null! Olha pra mim frapêzinho, – null se pôs à frente dela, do mesmo jeito que null já fez com ela chamando-a de frapêzinho – apesar do null rebolar e parecer uma maritaca falante às vezes, ele não é uma menina pra ficar recebendo bichinhos de pelúcia perfumados!
Todas riram e null fez bico.
- Posso falar? – Molly e null falaram incrivelmente ao mesmo tempo.
- Ah, fala você vai. – null passou a vez pra ela.
- Ah... Minha idéia era só trancá-los no armário! É blaster legal ficar presa no armário! Eu li uma fic uma vez que... Ahhi! – Jamie lhe deu um tapinha na testa.
- Você não consegue ficar sem falar de fic, Molly?! A GENTE NÃO TA NUMA FIC!
- Fic? Mas que diabos é fic?! [n/a: huheueaheuaheiah brinquei xp]
- Minha vez então... – e null ajeitou os cabelos animada – Lembram quando a null contou toda empolgada o beijo que ela deu no null aqui na frente, que a borboleta pousou no ombro dela e bla bla bla...
- Eu lembro, mas pensei que você estivesse mais concentrada no brigadeiro do que na conversa aquele dia, null – null falou e ia receber uma travesseirada na cara, mas se desviou.
- Continua null, olha o foco! – null chamou a atenção ao ver que null ia ficar tentando acertar null até conseguir – O que é que tem a borboleta?
- Ah, sim... A gente faz umas várias borboletinhas de papel, não deve ser difícil. Penduramos na garagem do null e marcamos um encontro entre os dois lá!
- Sei... Mas como fazer para que os dois compareçam e não fujam? – Jamie ficou pensativa.
- WAIT! – Stacey deu um pulo de repente que fez todas pularem também – Por que não juntamos as três idéias?
- De que jeito? – null coçou a cabeça em reação natural de dúvida.
- Damos o peixe de pelúcia. – ela falou e logo se virou para null – Mas não para o null e sim pra ela! null recebe uma mensagem do null pedindo pra ele vir aqui. A gente coloca as borboletas na garagem e o encontro será lá. A gente tranca os dois lá até que tenham conversado!
- CARAÍÍ! Não falei que elas eram inteligentes?
- É, senhorita ‘caraíí’?! Está pegando o null ou as manias dele? – null perguntou fazendo null corar levemente. Ela tinha mesmo falado igualzinho a ele. Isso é medonho.
No dia seguinte as meninas já foram colocar tudo em prática. null levou null ao shopping dizendo que era pra ela espairecer. null ficou em casa recortando as borboletinhas de papel, já que a idéia foi dela. Stacey, null, Molly e Jamie ficaram com a tarefa de ir comprar o tal peixinho de pelúcia como null disse, depois ir até a casa do null e passar o perfume dele no peixinho de alguma forma que ele não percebesse. Definitivamente, a tarefa mais difícil!
- Ah, oi null! – disse Stacey quando o menino abriu a porta. Eram onze da manhã e ele nem tinha penteado o cabelo. Mas estava hot, diga-se de passagem.
- Oi! Stacey?! Meninas! O que... o que fazem aqui essa hora da madrugada?
- Ah, a gente te acordou? – Agora null surgiu no meio delas.
- Não, eu tava tomando café. Entra aí. – ele deu espaço e as quatro entraram sorrindo, mas estavam super nervosas por dentro.
- Então, o que trouxe vocês até aqui?
- Ai null, é que eu acho que você ficou com uma caneta minha... Não a encontro em lugar nenhum desde o dia que vocês deram autógrafos pra gente! É só uma caneta simples, mas ela tem um imenso valor sentimental pra mim, eu não viria buscá-la, não viria te atrapalhar se fosse uma caneta qualquer! – nessa hora Jamie começou a fazer uma cara triste – Ela foi dada pela minha avó quando eu estava na quinta série! Comprou na última viagem que fez à Veneza... Ela achou Veneza tão linda, mas não teve tempo de voltar porque teve câncer. – Jamie já tampava a boca com uma das mãos e as meninas estavam abismadas com a interpretação dela. null foi abraçá-la e ela deu um sorrisinho tipo “como estou me saindo?” pelas costas dele. As outras três seguraram as risadinhas que queriam soltar.
- Olha, ela pode ter ficado na minha roupa, em algum bolso eu não sei... eu sempre esqueço! Se eu fiquei mesmo com a sua caneta, não ia ser a primeira vez sabe! Mas não que eu goste de roubar as canetas dos meus fãs, é que eu esqueço de verdade e se eles não pegam depois... – null se soltou do abraço e disparou a falar num tom de desculpas.
- Tudo bem, null! Será que a gente pode procurar a caneta dela no seu quarto? – null pediu.
- Claro! Querem que eu ajude?
- Não precisa – Molly respondeu rápido – Pode voltar a tomar seu café, a gente não veio com a intenção de te incomodar!
- Ok... Precisando de ajuda me chama.
- OMG! Vocês acham que ele desconfiou? Eu dei mole agora! Eu sei. Desculpem... – Molly falou depois que Jamie fechou a porta cuidadosamente.
- Ta tudo bem Moozinha, relaxa na graxa. – null respondeu já tirando o peixe de dentro da bolsa gigante.
Havia vários perfumes em cima da penteadeira. ‘Qual será o que ele usa quando vai ver a null?’ Era o que todas se perguntavam... Resolveram escolher simplesmente o que achassem mais gostoso e depois de quase cinco minutos chegaram num acordo.
- Ai, espirra logo nele todo! A gente demorou demais escolhendo, daqui a pouco null vem aqui! – Jamie dizia impaciente sacudindo as mãos enquanto Stacey espirrava o perfume no peixinho de pelúcia nas mãos de null. Molly colou o ouvido na porta pra avisar se escutasse passos.
Elas terminaram, foram só umas quinze espirradinhas... null voltou a guardar o bichinho na bolsa, Jamie abriu a porta com o mesmo cuidado com o qual havia fechado e elas saíram. Quando chegaram ao fim da escada, encontraram com null, que já ia subir.
- E então, acharam a caneta?
- Achei! Ela rolou pra baixo da sua mesinha de computador! – Jamie respondeu sorridente, mais uma vez com sua atuação perfeita.
- Que bom! Peço mil desculpas por isso!
- Imagina null! Nós é que temos que agradecer por você deixar que a gente viesse procurar assim no meio das suas coisas... Eu juro pra você que não mexemos em nada, só procurei a bendita caneta no chão e nos bolsos das roupas que você jogou em cima das coisas.
- Tudo bem... Nem tinha nada pra mexer lá, só essa bagunça mesmo!
- Certo, então ta tudo resolvido e a gente já vai. – null passou interrompendo o papo de Jamie e null, enquanto empurrava levemente as outras duas com as mãos escoradas em suas costas. null franziu a testa, fez uma cara estranha e discretamente curvou o pescoço pra cheirar o próprio ombro. As meninas se entreolharam.
- null? Que foi? – Stacey perguntou apreensiva.
- Ah, não, nada... É que eu não me lembrava de ter passado perfume hoje! Ah, é bobeira minha, esquece! – ele sacudiu a cabeça e abriu a porta para elas.
Quando elas voltaram pra casa, null já estava com as borboletinhas feitas. null chegou, ficou por dentro da situação e estava lá ajudando a prender fios de nylon em cada uma para que pudessem ser penduradas no teto. Na hora de pendurar, null também prestou sua solidária ajuda para as meninas.
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahii ateeeeeende o telefoooooone aíííííííííí.
Celular de null tocando afetadamente alto, era null que estava ligando e quase fez o pobre do null cair da escadinha com o susto, mas tudo bem...
- Oi null! O que foi?
- Ah null, como é que vai a coisa aí? É porque a null já quer voltar sabe... Ela foi ao banheiro agora, por isso eu liguei pra ver né!
- Ah, a gente ta pendurando as borboletas no teto e está ficando lindo! Mas não chegamos nem na metade ainda... – e null suspirou olhando pra cima – Você vai ter que segurar aí, pelo menos um pouquinho.
- Que jeito... Ela ta vindo. Tchau e vê se agiliza! – null falou depressa e desligou sem nem dar tempo pra null dizer tchauzinho.
- Pronto null, já podemos ir! – null chegou onde a amiga estava sentada com as sacolas das comprinhas que fizeram.
null não conseguiu lembrar de nada pra falar que precisavam fazer ainda, simplesmente porque já tinham feito tudo! Já tinham feito lanche, passaram no mercado, nas lojas...
- Ai! Ai eu não to me sentindo muito bem. – null levou a mão rapidamente até o estômago, foi a única maneira que ela achou pra enrolar mais um pouquinho.
- O que foi menina?! Está me assustando!
- Acho que eu comi demais e fiquei enjoada! Vou ao banheiro!
- É amiga, realmente você passou dos limites hoje! Eu nem ia falar nada, mas... – null foi seguindo null até o banheiro do shopping. null havia comido bastante mesmo, mas essa sempre foi uma característica dela, às vezes parecia o Taz, (Tasmanian Devil) em pessoa e nunca passava mal por isso. Nem sequer engordava.
Ela se fechou em uma cabininha e deixou que os minutos fossem passando... Doze minutos depois null batia na porta euforicamente. null então saiu, fingiu uma cara abatida, foi lavar o rosto e ali enrolou um pouco mais.
Ao chegarem na casa do null, null esperava por elas lá na frente. Puxou assunto e conseguiu dar ao pessoal que pendurava borboletas na garagem mais uns dez minutos. Logo depois, null entrou pela sala e foi direto ao seu quarto tomar banho. Assim que null ouviu que ela já estava com o chuveiro ligado, entrou no quarto e deixou uma caixa cinza, de tamanho mediano em cima da cama. Ficou ajeitando um lacinho rosa na tampa dela e levou um pequeno susto que fez o coração dar um pulinho dentro do peito ao sentir duas mãos envolvendo sua cintura por trás.
- Assustei você? – ele sussurrou perto do ouvido dela, que encolheu um pouco o pescoço, sentindo cócegas.
- Não, imagina... Eu só estava aqui concentrada na minha missão secreta de arrumar esse lacinho! – ela se virou de frente pra ele sorrindo, ainda envolvida pelo abraço dele.
- Estou tão orgulhoso de você! null realmente não poderia ter amiga melhor!
- Claro! Aqui é serviço de primeira! – null deu uma piscadinha e null aproximou seu rosto num movimento rápido, tão rápido que quando ela foi perceber já estava com seu lábio inferior preso nos dentes dele. Se ela pudesse ficar mais arrepiada que aquilo, até os cabelos da cabeça ficariam em pé.
null soltou o lábio dela de seus dentes, colocando a língua pra dentro da boca dela em seguida e apertou mais os braços em volta dela, vendo que ela cedeu completamente ao beijo. Eles esqueceram que uma coisinha chamada null poderia sair do banheiro a qualquer momento e ficaram de pegação ali mesmo. Se separaram ofegantes quando escutaram um barulho exagerado vindo de dentro do banheiro, seguido de um ‘Caraaalho!’ e null escondeu o rosto no pescoço dele abafando um riso. Nesse momento a porta do banheiro abriu e os dois olharam assustados vendo null sair de lá. Ela não poderia vê-los ali, pois iria descobrir que foram eles que deixaram a caixa e essa definitivamente não era a intenção.
null e null respiraram aliviados quando viram que ela vinha com os olhos tampados por uma toalha.
- Mas que espécie de anta ainda deixa cair shampoo no olho com uma idade dessas, hein null? – ela resmungava achando que estava sozinha. null se prendia pra não rir e puxou null pela mão pra fora do quarto.
- Já entregou a encomenda da null? – null se aproximou de null e null, que desciam as escadas.
- Entregadíssimo. – ela respondeu e quando pôs o pé no último degrau, pisou numa bolinha de ping-pong. null segurou-a pela cintura e então null não caiu. Ficaram se olhando porque null começou a sentir uma coisa estranha, tipo como se o conjunto de todos seus órgãos internos estivesse dançando funk. Quanto mais ela viajava olhando aqueles olhos null e sentindo os braços que a seguravam, mais confirmada ficava a certeza que ela achou a tampa da panela! null tinha um leve sorriso nos lábios, se segurou pra não pegá-la no colo e carregar pra casa. Esse momento todo durou menos de três segundos, mas pareceu bastante para eles. Só foi interrompido quando null falou.
- Vocês não ficaram de pegação lá em cima correndo risco de botar tudo a perder, ficaram?
- Que pergunta null! Que tipo de gente você acha que somos? – null se pôs de pé novamente, ajeitou a blusinha e deu um tapa no braço de null, depois um sorrisinho à null.
null já enviava o sms para null.
Duuuude! Passe aqui em casa RIGHT NOW!
ps: entre pela garagem porque eu perdi a chave da porta da frente
E agora era só esperar os dois entrarem na garagem para trancá-los. Fácil assim.
- Oun, que coisa mais linda! – null abraçava o peixinho fazendo o maior escândalo. [hunpf... coisas de null]. Ela sentiu o perfume de null exalando de cada fibra de tecido do peixinho de pelúcia e instintivamente apertou-o mais contra o peito. ‘Que falta eu sinto daquele orangotango! Será que ele mandou isso pra se desculpar ou qualquer coisa assim?! SERÁ QUE ELE ESTÁ AQUI? DEUSDOCÉU!’ Se levantou rápido largando o peixe em cima da cama e correu pra frente do espelho. Se maquiou bem rapidamente e voltou pra pegar o peixinho nos braços outra vez. Reparou que havia um pequeno papel azul no chão, perto da cama. Estava em cima da tampa da caixa, mas voou quando ela a abriu euforicamente sem nem vê-lo.
Queria te ver... Na garagem.
Era o que dizia.
‘null está cada vez mais louco! Onde já se viu perder a cópia da chave da própria casa? Pelamor!’ null pensava ao chegar na frente da casa do amigo. O portão da garagem estava meio aberto, ele se curvou um pouco e passou. null observava do outro lado da rua, escondido entre uns arbustos. Estava se sentindo o próprio Agente 007 com o poderoso controle do portão na mão. Assim que null entrou, o portão começou a se fechar e a escuridão anunciava que tomaria conta do local.
- null! Aonde vai? – null estava sentada no sofá da sala e perguntou como se não soubesse a resposta quando a viu descer as escadas como um foguete. null trazia o peixe pendurado na mão pela nadadeira.
- Ah, vou aqui! – fingiu diminuir o entusiasmo e já rumou em direção à porta na parede lateral que ligava o hall com a garagem da casa dos null. null soltou um meio sorriso e um sinal com a cabeça para que todos saíssem de trás dos armários/cortinas/sofás/etc...
null entrou no cômodo e fechou a porta atrás de si. Logo null se aproximou da porta e a trancou, abrindo em seguida um sorrisão maior que a boca para os outros que observavam mais distantes e estes logo trataram de diminuir a distância para colar os ouvidos na porta, juntamente com null, que entrava novamente em casa.
[n/a: frases em itálico são falas escutadas por eles do outro lado da porta.]
null estava com os braços estendidos, pra ver se achava o interruptor. null fazia exatamente a mesma coisa. Tateavam a parede onde estava o interruptor e o encontraram ao mesmo tempo. Quando acenderam a luz, os dois encolheram um pouco os olhos e null permaneceu com a mão sobre a mão dela por alguns segundos.
- Erm…null? – ele desviou o olhar para um lado qualquer e pôs as mãos nos bolsos da calça.
- Oi... UAU! – agora ela olhou pra cima e viu as dezenas de borboletas coloridas penduradas no teto, umas mais baixas, outras mais pro alto... Estava sorrindo com cara de boba.
- Quem... – null também teve perda temporária de palavras, até sacudir levemente a cabeça e recobrá-las – quem fez isso?
- A mesma pessoa que me entregou isso? – perguntou como se fosse óbvio, sorrindo levemente e erguendo a mão com a qual segurava o bichinho de pelúcia. null encarou o peixe azul com nadadeiras roxas e boquinha amarela. O pegou um pouco rápido da mão de null fazendo-a estranhar aquela reação. Com o movimento rápido, ele sentiu uma nuvem de seu próprio perfume passando rapidamente pelo olfato e aproximou o peixinho do nariz.
- null… Quem te entregou isso?
A menina bufou soltando um risinho incrédulo.
- null… Foi você! Quem mais ia me entregar um bichinho de pelúcia com o SEU perfume, oras?
- Claro que não fui eu e aliás...
- QUEM FOI QUE USOU O MEU PERFUME NUM PEIXE IDIOTA?
O pessoal que estava encostado na porta ouviu esse grito. null apertou os olhos.
- PARE DE GRITAR SEU BRONTO! NINGUÉM TA GRITANDO COM VOCÊ AQUI!
null também elevou a voz e os dois ficaram por instantes em silêncio. Respiravam um pouco rápido. null deixou o peixe em cima de uma mesinha onde estavam alguns objetos e passou a olhar pro lado como se houvesse algo profundamente interessante na vida da joaninha que andava na parede.
- Como você pode ser tão fofo num instante, dizendo que queria me ver aqui e quando eu chego se transformar num rinoceronte briguento?
- Mas hein? Eu nunca disse que queria te ver, muito menos aqui. E rinoceronte é a sua...
- ! Eu não acredito que me deixei levar… Eu estava quase acreditando que você podia ser um pouco descente!
- Descente?! Eu sou muito descente se quer saber, nunca me envolvi com pessoas casadas. Ao contrário de outras aqui nessa garagem.
- Então é isso?! Nunca vai esquecer esse assunto?
- Que assunto?
- Não me irrita, garoto! Você quer que eu fale do Dean? Ótimo, vamos falar dele então, o que você quer saber?
- Eu? Nada... Eu nunca fui interessado nele!
- Pára de ser infantil... Essa é a última vez que eu tento conversar com você. E pelo visto, já percebo que não vai dar.
- Ah, é a última vez. E depois você vai sumir?
- Você quer que eu suma? Pensei que aquela criança que ficou comigo embaixo de uma cama tinha dito que me adorava e tudo mais... Acho que ouvi errado.
- Uma criança que você enganou com muita facilidade.
- Enganar?! Certo. Me diz então onde foi que eu te enganei. [n/a: em que capítulo, hein?! ehuehuhuehu parei =x]
- Em tudo, desde o começo. Parecia a garota perfeita, mas foi só aparecer a Rose pra te desmascarar. Ela queria acabar comigo pra se vingar de VOCÊ! Sabe, depois que eu pensei melhor fiquei até preocupado, será que vão aparecer muitas outras esposas neuróticas querendo se vingar de você? Coitado do cara que estiver contigo porque sinceramente...
- CHEGA, TA LEGAL?! EU QUERIA SABER POR QUE É QUE VOCÊ IMPLICA TANTO COM ISSO! A GENTE NEM TAVA JUNTO QUANDO EU CONHECI O DEAN, MAS QUE DROGA !
- QUANDO EU TE PERGUNTEI SE VOCÊS TINHAM SE CONHECIDO VOCÊ DISSE QUE NÃO, MAS EU SABIA QUE VOCÊ GOSTAVA DELE!
- Ainn null, acho melhor você abrir o portão ou esses dois vão se pegar na porrada! – null roía as unhas de nervosa. As outras meninas também estavam nervosas, então o plano tinha sido um fracasso?
- EU VOU TER QUE REPETIR QUANTAS VEZES QUE EU NÃO GOSTAVA DELE?
- Aaaíh... Eu não acredito que vocês nunca viram o gostoso do Dean pegando o jornal de manhã! – null fazia trejeitos exagerados procurando imitar null – Ele se abaixava assim tão sexy, minha vontade era pegar na bunda del... – null não pôde terminar a última letrinha de sua fala porque levou um tapa naquela bochechinha macia.
null respirava mais rápido que antes e tinha os olhos úmidos, como se o tapa tivesse doído mais nela. Nem perceberam que a claridade do dia começava a invadir aos poucos o cenário, era o portão da garagem se abrindo vagarosamente.
- Eu não quero mais te ver null null.
null não disse nada, apenas repousava a mão sobre o local atingido. Voltou a colocar as duas mãos nos bolsos, deu meia volta e se curvou novamente para passar pelo portão que ainda não estava totalmente aberto. null sentiu que ia começar a soluçar e não conseguiu segurar. Depois de uns três soluços, olhou para o peixinho de pelúcia em cima da mesinha e o pegou com uma certa raiva.
- HEY! LEVA ESSE TROÇO FEDORENTO PRA SUA CASA! – null saiu da garagem e foi pro meio da rua de repente. null já estava alguns passos à frente, na calçada do outro lado. Viu o bichinho cair perto de seus pés e só então virou na direção dela.
- OLHA A MOTO!
[n/a: Quer narrar os fatos um pouquinho agora? Ótimo! Vai lá que eu to cansada!]
null’s point of view ON
- Foi o null gritando? – null franziu a testa e olhou pra cada um de nós.
- Acho que sim, mas eu nem entendi. – dei de ombros... Provavelmente respondeu a algum insulto da null! Parece que ele disse algo com... copo...
- Eu entendi! Ele disse ‘Olha a foto!’ – null disse sorridente e confusa ao mesmo tempo – Ah, mas por que ele iria falar pra ela “olhar a foto”?
- Erm... pessoas... eu acho que ele não disse foto, mas sim moto! – null estava em pé na porta e virou o rosto pra gente fazendo uma expressão assustada. Eu fiquei com medo.
- Moto?! Olha a... MOTO! OMG! – null se levantou rapidamente do degrau da escada, onde estava sentada e deu uns passos até a porta, null deu espaço e ela já saiu com as mãos na boca. Eu e todo o resto da cambada também corremos para a porta. Um frio gelado me cortou por dentro quando eu vi a situação ali.
Uma moto caída no meio da rua, null debruçado sobre uma criatura imóvel, que pode ser chamada de null, um capacete prateado, e um macacão preto jogado por ali também, cujo “recheio” pode ser chamado de motoqueiro distraído.
- OMGOMGOMGOMG! – parece que a null tinha esquecido como falar outras palavras e só falava essas três enquanto se aproximava do local do acidente.
null retornou logo ao interior da casa para ligar chamando uma ambulância. null observava atentamente se ela estava respirando, dava pra ver que suas mãos tremiam feito gelatina. Eu também me tremia toda, nunca tinha visto um acidente assim tão “próximo” em todos os sentidos, digo, estando fisicamente perto e tendo ligação próxima com a pessoa acidentada. Senti null me abraçar por trás de repente, acho que ele deve ter percebido que eu estava meio chocada... Não sei o que seria de mim se ele não estivesse aqui passando uma força! O ouvi sussurrar docemente na minha orelha ‘se acalma, ela vai ficar bem!’, em seguida apoiou o queixo na minha cabeça. Me segurei com força nas palavras dele, perder a null seria como perder uma irmã de quatro anos, porque afinal de contas, é mais ou menos esse o tempo que o pai da null se casou com a minha mãe e me deu essas irmãs de brinde! Eu reconheço que elas fazem umas merdas de vez em sempre, mas são muito importantes pra mim. Isso sem dúvida!
- null… – null falava baixo perto dela enquanto dava leves cutucadas em seu ombro. Não tinha marcas de sangue nem nada, mas ela bateu a cabeça no chão, isso sim é preocupante.
- Chegam em cinco minutos. – null veio falando. Não demorou muito e null parecia movimentar os dedos, que estavam entrelaçados aos dedos da irmã. Ela estava mesmo acordando, depois de um tempinho abriu os olhos.
- null! Como você ta se sentindo? Quer que chame o pai?
- Calma aí null... – ela respondeu e um sorriso fraco se formou em seu rosto. Parecia estar achando graça do estado de sua irmã.
- Espera null, num se mexe não. É melhor ficar parada, você não sabe se quebrou alguma coisa! – null pesou a mão sobre o ombro dela quando ela fez menção de levantar. null voltou a encostar a cabeça no asfalto e manteve o olhar na direção dele, ainda com o sorriso fraco nos lábios.
- E ele, será que morreu? – null se aproximou do motoqueiro, me toquei de como a gente foi cruel, nem demos atenção pra ele! Cheguei mais perto também. Me tranqüilizei um pouco ao ver que null estava pelo menos falando e pude me soltar dos braços de null. Não que estivesse ruim, mas... Ah, vocês entendem! Não dá pra fazer o null de chaveirinho também né, pelamor!
- nhounainuai! – o cara tava gemendo umas coisas que ninguém entendia.
- Hein, o que que foi? Você ta legal cara? Pode se mexer? – null se abaixou perto dele.
- yokigofuaorraé! – ele resmungou mais uma vez. Cara estanho! Será que é grego?
- Erm... Já chamamos a ambulância, daqui a pouco eles chegam! – tentei ser simpática né, apesar de não saber o que ele falava...
- TIRA ESSA PORRA DO MEU PÉ! – o sujeito gritou de repente. Me assustei, fact! De onde ele tirou força pra gritar daquele jeito se até agora parecia que tava miando?! Deve ser ninja...
- Eita, merda! – null viu que era uma parte da moto que havia ficado sobre o pé dele. null foi tirar. Graças aos céus aquela coisa não esmagou o pé do coitado. Seria feio de se ver, sabe!
Quando eu fui prestar atenção na null de novo, ela já estava sentada e com as mãos na cabeça. Se dizia tonta e a voz saía fraca. É, pelo menos o motoqueiro tinha seu capacete! null parece ter ficado pior que ele.
O barulho das sirenes pôde ser ouvido logo. Em menos de quinze minutos estávamos todos no hospital de Bedford.
null’s point of view OFF
null’s point of view ON
- Por que as meninas e aqueles dois enxeridos foram na ambulância com ela e eu não pude ir também? Mas que droga dude... – null resmungava enquanto passava as marchas de má vontade, aplicando mais força que o necessário. Comecei a ficar irritado com ele falando sem parar. Mas até que eu entendo o lado dele, ele gosta (mesmo) da null e se tivesse acontecido isso com a null eu estaria surtando também.
- Relaxa aí cara. null e null foram com elas e nós de carro, o que é que tem nisso?! E vê se dirige direito. Não queremos mais acidentes...
- Eu vou me sentir muito mal se ela não ficar bem! VOCÊ NÃO ENTENDE QUE FOI TUDO CULPA MINHA?
- Hey! Se acalma e presta atenção na droga da rua, caraíí! Quer que eu dirija?
- Não... – ele suspirou e parecia estar se acalmando. Agradeci mentalmente por isso!
- Não foi nada culpa sua, seu burro. Pode tirar essa idéia ridícula da cabeça. – falei mesmo! Ué? Não foi culpa dele! Era só o que faltava ele ficar com essas idéias de culpa e não sei mais o que...
- Eu só queria vê-la e queria ficar bem com ela de novo. – ele falou cabisbaixo e nós escutamos uma buzinada um tanto ignorante.
- Olha o sinal, mula – eu falei rindo e null acordou pra vida. É engraçado ver o null assim apaixonadinho, nunca pensei que estaria vivo pra vê-lo desse jeito!
- Mas que porra de trânsito...
- A GENTE JÁ TA PRATICAMENTE NA RUA DO HOSPITAL , SE CONTROLA FANDANGO SALTITANTE! – às vezes eu preciso segurar o braço do meu amigo e dar uns berros. Ele é meio atacado sabe... mas hein? Qual é a do fandango saltitante? Acho que to andando muito com a null, ela que diz essas coisas gays assim!
- É que esse caminhão de bosta – era o caminhão de lixo – não sai da minha frente, e por que diabos não tem nenhuma floricultura aberta nessa porra? Vão se foder! – eu vou dar um sabão daqueles de coco pro meu amigo lavar a boca! Só pra constar...
- Se quando a gente entrar no hospital você continuar falando alto esse monte de maluquices, eu vou fingir que não te conheço. – cruzei os braços e null respirava fundo enquanto me encarava. A gente já tinha chegado no estacionamento e o faniquito dele já estava me preocupando, de verdade.
- A null vai ficar comigo. Não vai?
- Vai cara! – dei uns tapinhas no ombro dele. É claro que eles vão voltar a ficar juntos sim, os dois são meio lunáticos, perfeitos um pro outro! Devem ser do mesmo planeta ou sei lá... Tudo bem, parei! Eu gosto do meu chapa, ok? Só eu posso falar que ele é lunático/atacado/gay! Vocês não.
Entramos no hospital e null já parecia um garoto normal de novo. Ainda bem, porque um monte de gente SABE que eu o conheço, então nem daria pra fingir... Fomos até o balcão perguntar pelo quarto da null e todas essas coisas; a mulher que estava lá disse que a null e também os nossos amigos estavam no segundo andar. Começamos a andar em direção ao elevador, mas de repente notei que null não estava mais do meu lado. Olhei pra trás e vi o safado do null chegando perto de uma garota. Ela segurava um vistoso arranjo de flores e... hey? Espera aí! O que ele vai fazer? Não... ele não vai fazer isso! Não seria capaz! Erm... COOOORREEE!
null veio correndo na minha direção com aquele buquê soltando pétalas pra todos os lados e nós dois corremos numa direção qualquer. Eu juro que eu mato esse filho da puta! Catou o buquê da menina, dude! E ela ainda tentou correr atrás da gente, mas nós somos fodas!
- Por que... você fez... isso... seu filho... da... puta?! – falei meio sem fôlego dentro do elevador. Será que eu to precisando malhar mais? Ou talvez fazer mais shows?
- Eu precisava... de um buquê... ué! – ele deu de ombros e a gente começou a rir.
- Ladrão de flores! – dei um pedala naquela cabeça parada à minha frente. null virando delinqüente. Sem comentários.
- Eu não roubei, você não viu o bolinho de dinheiro que eu joguei pra ela no chão?
- Assim... Não era mais fácil você perguntar se ela QUERIA vender?
- Ah, tipo 'Oi moça, eu sou um pobre cara que não encontrou uma floricultura aberta, dá pra me vender essas flores aí ou tá difícil?' – null torceu a boca de um jeito engraçado e eu ri dele. Maluquinho de tudo... Saímos do elevador e logo avistamos o quarto que nos informaram.
- Vai lá que eu fico aqui. – dessa vez eu sorri pra ver se encorajava null. Ele agora parecia estar se cagando. Alguém pode me dizer como é que ele roubou aquelas flores na maior moral e na parte mais fácil - que eu acho que é entregar as flores, né?! - Ele fica com aquela cara? Hunpf... coisas de null!
null’s point of view OFF
null entrou no quarto de número 205. Numa mão as flores e na outra o peixe de pelúcia, que ele fez questão de trazer. null estava lá apenas aguardando resultados de exames que fez da cabeça, alguns raios-x, etc. Ela estava em pé, observando a rua pela janela quando null encostou a porta e ela se virou.
- Oi.
- Oi null, o que ta fazendo assim de pé?
- Eu to bem, null. Foi só uma queda.
- Eu vi o acidente! Vi como você ficou lá parada! Não é como se você simplesmente tivesse caído da cama! – null foi andando pelo quarto e sentou no leito do hospital. Bateu no colchão para que ela sentasse ao lado dele.
- Eu trouxe o Jão.
- Jão?
- Jorjão! – null abriu um largo sorriso e ergueu o peixe de pelúcia na direção dela. null sentou e o pegou nos braços.
- É... tem cara de Jão. São minhas? – ela olhou agora para as flores.
- Ah sim! Comprei especialmente para você! – cara de pau.
- São lindas! Mas... – ela diminuiu um pouco o sorriso ao reparar bem nas flores, elas estavam meio ‘desmanchadas’.
- Mas o que?
- O que aconteceu? Elas parecem... erm, meio bagunçadas!
- Ah, é que tava ventando muito lá fora... – cara de pau ²!
- Oh, tudo bem! Adorei mesmo assim...
- Erm... null, me desculpa.
- null…
- Espera! É sério null! Por tudo! O acidente foi culpa minha, eu fiquei com medo de você não querer me ver!
- Você não teve culpa, eu que saí no meio da rua...
- Mas você não teria saído se não estivesse discutindo comigo! Eu te falei pra sumir, mas hoje eu vi mais uma vez nessa vida que eu preciso ter muito cuidado com o que peço quando to estressado! Olha, eu fiquei chateado com toda aquela história do Dean, mas isso ficou muito minúsculo perto do medo de não te ver mais! – null passou a mão pelo rosto de null. Ela manteve o olhar em algum ponto qualquer e ficou pensativa por segundos.
- O que te deixou tão perturbado nessa história com o Dean, null?
- Ah eu sei lá... Eu acho que eu tive ciúme, não sei.
- Mas é isso que eu não entendo! Como pode ter ciúme de um PRESUNTO? Em outras palavras... ele já morreu, né null!
- Eu sei, mas... eu tenho ciúmes do jeito como você fala dele, do jeito como você lembra dele, do jeito como você pensa nele, do jeito como você ainda gosta dele e sente saudades!
- Hey, hey pode ir parando! Quem disse que eu sinto tudo isso?
- Não precisa dizer, isso ficou claro pra mim depois de tantas vezes que eu ouvi sua voz pronunciando o nome dele de um jeito que não pronuncia o nome de mais ninguém. E o que eu vejo nisso tudo é que você nunca vai gostar de mim como gostava dele!
- Você é péssimo em ficar adivinhando pensamentos, sabia?! O tempo todo não era nada disso... Eu admito que me encantei quando vi o Dean pela primeira vez, mas quando ele me deu aquele beijo de repente não foi nem metade do que eu esperava. Eu acredito naquela coisa de borboletas no estômago, lombrigas sapateando, levitar do chão e tudo isso que parece impossível, mas que realmente pode acontecer e basta estar com quem a gente gosta. Não teve nada disso com o Dean e eu já pude perceber nos primeiros dez segundos de beijo que ele não era quem eu procurava.
- Mas e todas aquelas vezes que eu te vi falando dele como se fosse um rei e tal?!
- Eu tava brincando com as meninas... Ainda tava tentando assimilar que já tinha achado o cara que superou qualquer expectativa que eu tivesse. O cara que trouxe as borboletas pra dentro do meu estômago!
- Então você achou o cara é?
- É, achei! – estavam sorridentes e se aproximavam com pequenos pulinhos.
- Mesmo que ele tenha gritado com você e chamado o Jorjão de idiota? - e null apertou o rosto do peixinho com a palma da mão.
- Aham. Mesmo assim, as borboletas continuam todas aqui!
null parecia caçar alguma coisa no fundo dos olhos dele. Estavam bem próximos quando alguém abriu a porta e os dois voltaram a se afastar. Era o médico que a atendeu. Disse que estava tudo bem com ela, os exames deram ótimos resultados. Nem null e nem o motoqueiro precisaram de internação. Aliás, o motoqueiro permaneceu no hospital por menos de dez minutos. Logo saiu andando como se nada tivesse acontecido. Todo o restante dos amigos estavam numa sala de espera. null, null e null estiveram com null antes de null chegar. null se juntou a eles e as meninas explicaram que null fez uns exames e parecia bem normal.
null estava sentada no colo de null e começou a rir de repente.
- Que foi null?
- É que seu celular ta vibrando aí no bolso, me fez cócega poxa! – ela falou rindo e todos começaram a rir da cara dela. Não demorou muito pra passar uma enfermeira de cara feia pedindo silêncio.
null se afastou por uns minutos pra conversar e logo voltou sorrindo.
- Quem era? – null quase pulou em cima dele.
- Pra que quer saber?
- Ah, pra nada... Pensei que fosse algum show!
- Não vou contar pra você.
- Vai contar sim!
- null, manda a sua garota sentar senão eu não conto pra ninguém!
null abraçou null e a fez sentar em seu colo.
- Era o nosso amiguinho dos clicks, o Joey.
- Ah, e o que ele queria? – perguntou null.
- Convidando pra uma festa, sexta-feira.
- Eba, festa! – null suspendeu os braços – A gente ta precisando de uma festa pra esquecer o desastre que foi a última!
- Concordo! Mas a gente precisa saber como é que a null vai estar, né... - null lembrou desse detalhe e todo mundo ficou pensativo... Será que null e null estavam finalmente se entendendo ou não?
#Quarto 205#
- Então a senhorita está liberada a partir desse momento. – o médico dizia enquanto examinava uma última vez os olhos de null
com aquela luz irritante. – Foi sorte não ter acontecido nada, o seu acidente não foi tão leve assim!
- É doutor, mas ainda bem! – null estava lá dentro ainda e sorriu pra ela. O médico entregou a ele a receita de um antiinflamatório e se retirou dizendo que ela poderia ir embora a qualquer instante e passar na recepção. null segurava a receita e o agasalho pra ela e passou na frente para abrir a porta, mas null segurou seu braço.
- null…
- Hum? – ele se virou.
- Só me responde uma coisa.
- Diga!
- Me diz que aquele não foi o último amo você que te escutei falar.
null sorriu e encostou a testa na dela, sem desviar o olhar dos olhos dela.
- Olha null... Aquele foi o último sim. Daquela semana!
null’s point of view ON
Abri a porta e vi o que todo mundo queria ver, o casal de pombinhos no maior agarramento lá! Posso falar? Arrepiei!
null’s point of view OFF
null’s point of view ON
null pegador… RÁ! É dos meus!
null’s point of view OFF
Capítulo 17 – Um toque, uma palavra...
[n/a: Se quiser, pode ir botando pra carregar (All Hail The Heartbreaker by The Spill Canvas aqui, aqui, ou aqui) vai aparecer uma cena muito boa pra ler ouvindo essa música *---*]
Depois que null voltou pra casa, eles não souberam mais nada daquele motoqueiro. Na verdade, nem sabiam como ele era porque não tirou o capacete. Os casais estavam todos muito bem, obrigada! E a semana passou rápido. Lembrando que as três hóspedes continuavam na casa de null. Ele cobrou uma diária bem baixa de cada uma, só pra não dizer que elas ficaram lá de graça, então recebia £10,00 de cada uma por dia.
null e null ficavam juntos todos os dias que se viam, mas as sintonias eram diferentes, um estava querendo ir devagar com as coisas pra não se precipitar demais (tu mesma) e o outro querendo aproveitar todo o tempo perdido (ele, o apressado).
null e null também passaram os dias juntos e apesar de não estarem namorando, era como se estivessem. Mas isso era questão de tempo. Logo nos três dias depois do acidente, pela manhã, junto com o jornal (null pagou ao entregador de jornais no primeiro dia), ou de tarde quando ele aparecia por lá, null recebia uma caixa de bombons. As meninas estavam considerando algumas hipóteses: a) Ele quer engordá-la pra ela deixar de ser hot e nenhum cara olhar mais pra ela.
Ou b) Ele está querendo encher uma piscina com os papeizinhos das embalagens e nadar nu no meio delas...
null e null estavam ficando mesmo. Óbvio que ela estava nas nuvens, queria ficar com ele desde que chegou, no começo do mês. Só uma coisinha estava começando a preocupá-la... É que por várias vezes ela o viu conversando com a Jamie. Claro que conversar não dá nada, tanto que na primeira vez ela nem ligou, mas essa cena ficou muito ‘repetida’ por esses dias e a empolgação com que eles sempre estavam falando fez a pulguinha atrás da orelha de null ganhar vida.
null e null, ou melhor, seu Capitão Fronha – que era como ela (in)felizmente estava chamando-o quando estavam à sós – pareciam realmente ter passado uma borracha em todo aquele passado chato de coisas não ditas e professor Chris! E não era impressão, quando estavam juntos, os dois ficavam umas bestas-master! Mas tudo bem, porque esse era o null e essa era a null que null sempre conheceu - felizes, como ela já não os via há muito tempo.
Enfim, quando os amigos do null aparecem na casa dele, o que pode se dizer que acontece diariamente, a casa fica com 4 casais de pombinhos, resumindo a semana = grude, grude, grude, grude. Eca…
Quinta-feira. Um dia antes da festa que os guys, suas respectivas acompanhantes e as três novas amigas foram convidados. Todas as meninas combinaram de sair para comprar roupas novas durante à tarde. null havia acabado de tomar café da manhã (quase na hora do almoço, vida de férias é outra coisa!) e estava assistindo Acceleracers quando recebeu uma ligação de null no celular. Ele pediu que ela fosse visitá-lo em casa. null se sentiu com as pernas bambas após desligar o aparelho.
null’s point of view ON
Garota! Que perninhas bambas são essas minha filha?! Só porque o null pediu pra ir à casa dele dizendo que tem uma surpresa?
Acabei de ajeitar o cabelo, vesti um jeans skinny, blusinha baby look e um tênis branco. Desci e quase atropelei a null no caminho até a porta. O que ela fica fazendo no meio do meu caminho?!
- Vai tirar quem da forca?
- Minha curiosidade, beijos!
- Ta né... Não esquece de voltar logo pra gente ir fazer compras!
Ouvi null chiar uma última coisa, mas não dei muita atenção, só respondi um ‘ta’ antes de fechar a porta.
Fui caminhando com passos largos, a casa do null fica uns dez minutos à pé. Mas sabe, as coisas estão indo tão bem ultimamente que às vezes me passa um medo que tudo se estrague de repente. Insegurança? Não... Lei de Murphy! “A luz no fim do túnel, é o trem vindo na sua direção” [n/a: hsuhsuahuahhua EURI o/]
- E então, vai ficar de enrolação ou vai falar da surpresa? – já fazia um tempinho que eu havia chegado e ainda estava com ele no sofá. É legal ficar pertinho dele, sentindo os lábios dele nos meus e deixando cada contato da pele dele com a minha me provocar um pequeno choque gostoso! Mas eu também tenho um instinto chamado curiosidade! Comecei a ficar curiosa sobre a tal surpresa ué!
- Calma, mas que pressa é essa? Eu to achando que você não gosta de ficar comigo.
- É null, não é por nada não mas... você beija mal pacas. – apoiei a mão no ombro dele enquanto afirmava com a cabeça. Me segurei pra não rir da careta que ele fez.
- Eu não vou falar da surpresa enquanto você não retirar o que disse! – ele apertou mais os braços em volta de mim, tão seguro quanto um cinto de montanha russa.
- Olha que eu não costumo retirar as coisas que eu digo hun!
- Ta bom então você vai ter que me treinar até que eu fique bom! – o null é todo maluquinho, por isso eu gamo nele! Toda vez que ele me pega eu fico sem ar, isso é fato! Mas dessa vez eu achei que realmente não havia mais oxigênio na superfície terrestre quando nos soltamos.
- Eu to melhorando? – ele sorriu com a boca meio manchada de rosa, não deu pra eu ficar sem mostrar meus dentes também. Limpei as manchinhas do meu batom em volta da boca dele e no queixo com meu polegar.
- Progredindo, null… Sou a melhor professora! – dei um beijo rápido nele e levantei do sofá, pensa que eu esqueci?! Never! Quando alguém me diz que tem uma surpresa eu fico até a próxima encarnação com aquilo na cabeça! O puxei pela mão pra levantá-lo, mas ele forçou todo o peso pra baixo, safado!
- Você é muito curiosa, Deus me livre!
- Quem mandou me falar em surpresa?! Agora eu quero saber! Anda, levanta null!
- Taaa! – ele bufou meio rindo, ou riu meio bufando – vai saber - e levantou a bunda do sofá – É que também não é assim uma puuuuta surpresa, é só uma coisinha que eu pensei.
- Ah, não importa! Me mostra onde está!
Me puxou pela mão e a gente subiu as escadas, entramos no quarto dele e eu me lembrei do dia da festa do null, que a gente ficou no closet!
- Aqui. – ele me tirou de pensamentos idiotas me estendendo a mão com a qual segurava um porta-retrato. Lindo. Mas, um porta-retrato?
- Ah, legal... um porta-retrato?
- Não, um fogão. – ele fez aquela cara de demente e eu dei um tapa na cabeça dele, nós rimos porque essa cena acontecia diariamente quando a gente estudava juntos!
- Meio pequeno pra um fogão, não?! Dá pra fazer batata frita aqui?
- Pára vai, eu quero falar sério agora.
- Você que disse que era um fogão!
- Ok então, posso falar sobre o meu fogão?
- À vontade!
- É que o fog... digo, o porta-retratos que está na sua mão é um dos objetos importantes da nossa família sabe. Tipo daquelas coisas que foram de não-sei-quem e de não-sei-mais-quem e de um monte de gente até chegar na minha mão, sacas?
- Sei...
- Então... Eu não sei por qual razão eu coloquei uma foto minha com a Delilah nele. Eu sabia que eu não gostava dela tanto assim pra deixá-la fazer parte de uma coisa que vai durar pra sempre, como esse porta-retrato! Aí eu tirei a foto dela daqui, antes mesmo do fim oficial do nosso namoro. – eu prestava atenção em cada coisa que ele dizia, onde será que ele queria chegar?
- Ah null, não precisa me explicar aquela coisa da foto ter caído no aquário de novo. Tudo bem que o seu peixinho Emo – deixa eu fazer uma observação, esse é um nome totalmente sem criatividade! – deve ter morrido de susto quando a foto dela daquele jeito caiu lá dentro, mas eu já entendi...
- Não null, eu to contando isso de novo pra dizer que eu já achei a foto perfeita pra colocar nele! – ele abriu aquele sorrisão que sempre me contagia e se aproximou do criado mundo. Pegou alguma coisa dentro da gaveta e veio com ela escondida atrás do próprio corpo. Preciso mencionar que meu coração dava saltos triplos? Será que era uma foto comigo?
- Erm... o que você trouxe aí?
- Empresta...
null pegou o porta-retrato de minhas pobres mãos tremulas. Abriu um compartimento na parte de trás dele, segurava a foto com a parte branca virada pra mim.
- Será que você pode adivinhar que foto é essa? – ele perguntou antes de colocá-la no porta-retrato. Eu tentei usar meus poderes de mãe Joséfa e apertei os olhos como se isso fosse me fazer enxergar o outro lado da foto. null devia estar gargalhando por dentro da cara que eu fazia. Eu sei. Ele me adora. Anyway... eu não consegui mesmo enxergar o outro lado da foto, mas quando eu já estava pra desistir, vi a ponta de um risquinho de caneta rosa sendo tampado pelos dedos dele! Isso quer dizer que ali tem uma frase. Se realmente for uma das nossas fotos juntos, só pode ser aquela foto que a gente mostra nossas tatuagens, porque eu nunca escrevi de caneta rosa em foto nenhuma, só naquela! E eu acho que ele também não escreveria de caneta rosa... A frase ali dá todo o significado na foto: “You’re still a part of everytinhg I do, you’re on my heart just like a tattoo”, ele realmente vai fazer sempre parte da minha vida, como uma tatuagem no meu coraçãozinho... erm, isso ficou meio brega! Mas hein? Voltando ao foco, ONDE ELE PEGOU ESSA FOTO?
- E-e-eu acho que eu sei. – putz por que eu to gaguejando agora?
- Ah não, você viu esse pontinho, droga! – ele virou a mão com a foto, de modo que conferiu a visão que eu estava tendo, mas sem deixar ainda que eu visse a foto de frente. Pôs a foto no porta-retratos e finalmente virou a frente pra mim. Eu fiquei sem palavras. Minha cara devia estar ridícula! Como foi que ele pegou essa foto[2]?
- Como... como... – eu apontava para a bendita foto e pronto! Até esqueci como se fala!
- Eu explico. Achei jogada na sala, naquele dia que entramos na casa do Dean a primeira vez.
- Ah, sim! Ela ficava numa caixa. Eu deixei tudo desarrumado lá quando subi correndo pro quarto por causa daquela brincadeira das meninas.
- É, eu vi as coisas, arrumei algumas dentro da caixa, mas essa foto eu tive que seqüestrar!
- Ficou bem legal... – observei a foto no porta-retrato dele. Era bem bonito, nem parecia coisa antiga. Sou suspeita pra dizer, mas acho que combinou!
- Por enquanto ele vai ficar aqui, – null caminhou até o criado mudo e o deixou ali – mas quando você for pra casa eu quero que o leve contigo!
- Não null, é o seu porta-retrato, da sua família, como eu vou levar?
- Eu prometo que vou buscar em poucos dias, ta?
- Ah sim, então ele vai ser a desculpa que você vai ter pra me visitar?
- Exatamente! – certo. O que que eu faço com esse garoto? Quem foi que deu permissão pra ele nascer com o sorriso mais gamante da Terra? ‘Exatamente’, outra palavra que fica mais gata saindo do meio daqueles dentes. Eu devo ser a menina mais fraca do mundo porque eu tive que agarrá-lo sem aviso prévio! E daí que eu sou fraca? Nunca quis ser forte mesmo... Aff deixa eu parar de pensar porque tenho coisas mais importantes a fazer, com licença.
null’s point of view OFF
[n/a: pode playiar aquela música!]
Com alguns passos, null se aproximou de null e lhe deu um selinho. Afastou os lábios dos dele enquanto passava os braços em torno de seu pescoço, os dois sustentavam os olhares, era como se estivessem trocando idéias com eles.
Aproximaram novamente os lábios, mas as línguas se encontraram antes de selarem as boquinhas. Os dois acharam engraçado, null nunca se imaginou dando um beijo de línguas expostas, achava tão nojento... mas esse estava muito bom, obrigada. Pouco tempo depois, as línguas não estavam mais expostas e os lábios já se tocavam com sentimento de saudade, é como se os dois estivessem com a mesma vontade de compensar todos os anos que passaram longe e mais os anos em que eram apenas amigos. Esse beijo começou devagar e suave, estavam mostrando um pro outro o quanto queriam aproveitar o momento, já que em alguns dias as férias terminariam, ela iria pra casa e ele provavelmente logo estaria em alguma turnê. Porém tudo o que começa devagar e suave uma hora se torna mais rápido, ganha energia, vontade... Os lábios dela estavam sendo praticamente sugados agora e ele sentia como se fogos de artifício estourassem dentro de sua barriga. Nada muito desconfortável, só felicidade em excesso.
null sentiu null levantar sua blusa e a cada movimento das mãos dele em suas costas, as pernas pareciam amolecer mais. Ela também resolveu explorar o mundo por baixo da camisa de null null e percebeu que ele contraiu o abdômen, suas mãos deviam estar geladas. Sem mais cerimônias, quando ela foi ver, estava com uma das mãos sobre a bunda dele, por cima da calça. null beijava o pescoço dela no momento que se deu conta disso também. Ele sorriu e lhe deu um chupão que provavelmente deixaria marca. null se afastou um pouco rindo e ele aproveitou pra tirar a camisa. Voltaram ao beijo e as mãos dela deslizaram pelo tórax nu, a pele dele estava quentinha e macia naquela região, como se ele fosse alguém que passa 'óleo de amêndoas paixão' todas as noites depois do banho... A blusa dela ainda não havia voado pro chão do quarto, como a dele. Por baixo do tecido, null aproximava cada vez mais aquela mãozinha dos seios dela. Sinal amarelo? Talvez... Ela retirou a blusa e pôde reparar rapidamente que havia uma marquinha vermelha de quatro dedos que estavam apertando sua cintura segundos atrás. Provavelmente sumiria logo. Diferente das marcas de chupões no pescoço que null estava deixando do outro lado agora. null começou a desconfiar seriamente que ele pode ser um vampiro, pra gostar tanto de deixar marcas no pescoço dela! Os dois pareceram esquecer como respirar direito, as respirações estavam descompassadas e terminavam em forma de vento nos cabelos do outro. null tinha agora a mão esquerda totalmente em cima de um dos seios dela, sobre o sutiã. Primeiro apertou algumas vezes sem usar força. Teste de consistência? Talvez... Outras horas fazia movimentos circulares. O fato é que cada apertadinha mais forte resultava em uma falha na respiração dela. null então percebeu que davam passos lentos e parou de caminhar de repente.
- null… e se alguém entrar aqui? – olhou para a porta do quarto, que estava aberta.
- Não tem ninguém em casa null! – ele falou e a voz saiu meio abafada por ele estar com o rosto todo enterrado no pescoço dela. Percebeu que ela continuou meio incomodada com aquela porta aberta e a soltou pra poder ir fechar a porta. Enquanto isso ela tirou os tênis num movimento rápido.
- Melhor assim?
- Aham. – afirmou com a cabeça enquanto tinha um sorriso safado nos lábios. Estava se revelando essa tarde!
- Wow! Gostei das suas meias listradas de branco e vermelho... São do Arsenal?
- Não né... São do null, sei lá de que time é!
- Pegou as meias do null?
- É porque aquele spice-chato pegou todas as minhas pra lavar de uma vez, aí eu fiquei sem nenhuma!
- Ah, tudo bem, não precisa ficar sem graça por ter pego as meias usadas do null! Elas são até bonitas. – null se aproximava dela sorrindo. Ele dava passos lentos, mas null teve a sensação que ele vinha como um trem.
- Elas não são usadas! E não fiquei sem graça...
- Ficou sim que eu vi! E acho que você fica muito hot assim sem graça!
null voltou a pegá-la pela cintura e a puxou pra perto de si com certa voracidade, o que fez null sentir todas suas estruturas se abalando como num terremoto e assim soltar um gritinho controlado. Mais um beijo pra roubar o fôlego dos quatro pulmões ali presentes.
When you see my face, hope it gives you hell, hope it gives yooooou heeeell.
Era o celular de null tocando no bolso de trás da calça dela.
- Num atende não – null murmurou com os lábios colados aos dela.
null não parou de beijá-lo, mas pegou o celular e ergueu à altura dos olhos, atrás da cabeça dele. Abriu um dos olhos e pôde ver o nome “null” no visor. Abriu e fechou o celular rapidamente para que parasse de tocar e voltou a guardá-lo onde estava. Os dois continuaram no amasso, nem aí pro mundo. Vez ou outra, um prendia os lábios do outro entre os dentes e logo soltava. Ela mordeu a orelha dele e depois só de vingança, fez marcas no pescoço dele também.
null já conseguia perceber o resultado de todos aqueles chupões de pescoço, mãos bobas, carinhos e prendidas de lábios inferiores através do certo volume dentro das calças de null. Ela pensou por alguns minutos enquanto começavam a andar novamente em direção à cama. Será mesmo que deviam fazer isso agora? Estava se sentindo como uma adolescente em sua primeira vez. Mesmo assim prosseguiu porque null é o único cara que a faz ir à lua e voltar com apenas um toque, um olhar, uma palavra, um sorriso e muitos outros ‘uns’... null deitou primeiro na cama e ela por cima dele. Passou uma perna de cada lado do corpo dele e começou a depositar beijos em seu pescoço. Descobriu que ele sentia muitas cócegas por ali porque sorria feito besta. Ela foi descendo o alvo de seus beijos pro ombro, depois no peito, em cima da tatuagem dele, e continuou se movimentando até o abdômen, umbigo... Se perguntava como a pele dele podia ser tão macia a ponto de fazê-la não querer soltá-lo mais. Ele se perguntava se ela estava escutando a bateria de escola de samba com fogos de reveillon dentro dele. Há tanto tempo queria estar com ela e agora parecia até surreal!
When you see my face, hope it gives you hell, hope it gives yooooou heeeell.
When you walk my way, hope it gives you hell, hope it gives you hell.
Tocou de novo o celular. null estava prestes a abrir o zíper da calça dele.
null bufou e deu um soco no travesseiro ao lado. null revirou os olhos e pegou o celular no bolso da calça.
- Joga esse celular fora! Ele me detesta! Eu te compro outro depois. – null foi falando quando viu que ela observava o celular em sua mão, muito provavelmente pensando em atendê-lo.
- É a null de novo, pode ser importante!
null fez uma careta fofa e sentou, sem esquecer de trazer um travesseiro pra posicionar em frente à calça. Esse ato fez null abafar um risinho debochado antes de atender.
- Oi null.
- Onde é que a senhorita se enfiou, hein? Esqueceu que a gente ia sair?
- Ah é? Mas já? Digo... Agora?
- É null… – a outra bufou sem paciência – Aquela amiga da mãe do null, dona da boutique que tem os vestidos mais lindos da cidade e sempre dá descontos pra você por ser a prima dele, só trabalha até as três da tarde esqueceu? Precisamos ir logo! Eu e as meninas já estamos saindo. Você pode sair, seja lá de onde estiver e ir direto pro shopping!
- Ah, é verdade... – null falou com um certo peso na voz ao olhar pra null ali, todo gato e sem camisa.
- null? – null chamou depois de um tempo que null ficou muda.
- Hum?
- ANDA! – null afastou o celular do ouvido e desligou.
- É que eu e as meninas tínhamos combinado de ir comprar umas roupas hoje pra gente usar amanhã na festa que vai ter. – null explicou a situação enquanto guardava o celular de volta no bolso. Sentou na beirada da cama e já sentiu null abraçá-la por trás.
- Viu? Não era importante! – ele sorriu vitorioso, mas antes que pudesse atingi-la com um de seus beijos mortais no pescoço ela se levantou, fazendo-o quase cair da cama.
- É null, elas estão me esperando... E outra, a gente vai junto nessa festa, não vai?
- Sim!
- Então, você quer ser fotografado com uma menina se sentindo poderosa em sua linda roupa nova ou com uma menina de ombros encolhidos e olhar assustado se achando a patinha feia no meio das amigas super bem vestidas? – ela perguntou enquanto andava pelo quarto procurando sua blusinha, tênis e qualquer outra coisa que tenha se projetado pra fora do corpo...
- Primeiro, suas amigas nunca vão estar mais bonitas do que você! E segundo, fodam-se as fotografias todas!
null terminou de falar esticando os braços pra cima e levou no rosto a camisa que vestia minutos antes.
- Vai, me leva pro shopping!
null mostrou a língua pra ela e se deu por vencido, recolocando a blusa.
- A gente pode continuar outra hora... – null piscou e saiu correndo do quarto e ele disparou atrás dela. Correram assim até a garagem, fôlego de criança.
O dia da festa na casa do Kyle chegou finalmente. O motivo da comemoração é o aniversário da banda. Integrantes de outras bandas e fotógrafos de revistas estariam presentes. O pessoal não estava assim muito, muito animado pra ir, talvez só um pouquinho. Festas se tornaram um pouco traumatizantes.
A maioria das meninas na casa de null já estavam se preparando. Agora que havia meninas a mais, elas precisaram organizar uma ‘fila pro banho’ desde cedo, pra ninguém se atrasar, já que apenas dois chuveiros podiam ser ligados ao mesmo tempo na casa. null terminou seu banho e foi a vez de Jamie ir pro chuveiro. Quando null terminou de secar o cabelo, fechou os olhos por um instante e apertou um pouco mais o roupão macio contra o corpo. Se aproximou da cama e se jogou nela sorrindo. ‘Por que é que quando eu fecho os olhos aparece o rosto do null? Será perseguição? Ah, ta bom vai, chega de pensar nele, é só um cara... que eu conheço (e gosto) há muito tempo, mas mesmo assim, um cara. Pode parecer coisa de desenho animado da Disney isso que eu vou dizer agora, mas me sinto nas nuvens! Será que é pelo null ou é porque esse roupão é muito macio?! Ah, abafa! Piadinha mais sem graça...’
A roupa de null estava estirada ao lado dela em cima da cama. Ela olhou e sorriu mais uma vez, era um vestido tomara que caia de comprimento até o joelho, muito meigo com flores na saia. [fig]
null’s point of view ON
- ME AJUDA AQUI!
Escutei a null bater na porta falando alto igual uma louca. Jamie terminava de fazer o lacinho aqui nas costas do meu vestido, esperei ela acabar e fui abrir a porta curiosa.
- O que foi mulher?
- A panguona da null ta choramingando lá no quarto dela, não quer nem abrir a porta!
- Ué, mas por quê?
- Parece que não gostou do vestido! – mas hein?! null começou a andar em direção ao quarto da null e eu fui atrás. Nem vi se a Jamie ficou no quarto ou se veio atrás também. Mas como pode cara?! Eu vi quando ela provou aquele vestido lá, ficou com a maior cara de boba se olhando no espelho... Não é por nada não, mas às vezes eu acho que ela se acha! Isso fica em off, certo? Certo.
- Mas ela provou lá! – falei indignada com uma das mãos nos quadris.
- É, não sei o que está acontecendo...
null continuava dentro de seu quarto, encarando o espelho grande e torcendo a boca.
- null… Abre aí vai. – null pediu com calma batendo suavemente na porta.
- Nãão.
- Por que não? – perguntei.
- Por que eu não vou mais!
- COMO ASSIM?! Você era quem tava mais animada pra ir e ver o Kyle! Fez a gente ir comprar vestidos e o caralho a quatro! AGORA ATACA DIZENDO QUE NÃO VAI?! – null estressou fácil.
- Pega leve pô! Aí é que ela não vai abrir nunca! – null surgiu atrás de mim e null colocando uma mão no ombro de cada uma, abrindo espaço pra ficar entre a gente.
- Aconteceu alguma coisa, null?
- Aconteceu tudo, null!
- Tem a ver com o vestido que você comprou ontem? Aquele rosa?
- Não.
- Tem a ver com o que então? – null dialogava calmamente com ela. Provavelmente assim conseguiria saber de alguma coisa, muito melhor do que na base do berro!
- Com um vestido preto!
- Hum? – nos olhamos sem entender lhufas. Acho que todo mundo lembra bem que null comprou um vestido rosa muito cute ontem.
A porta do quarto foi se abrindo devagar, era Stacey abrindo pra gente. Entramos e logo vimos null sentada na cama, com o queixo apoiado nas mãos e os cotovelos apoiados nas pernas, que estavam posicionadas de um jeito torto, mais abertas do joelho pra baixo, com os pés um tanto entortados pra dentro. Posso falar? Pra mim parece pose que emo tira foto!
- O que aconteceu? E que roupa é essa? – null pôs as mãos nos quadris e analisou a irmã.
- Essa... foi a roupa que veio na caixa!
- Mas como? Não foi esse vestido que você comprou! – andei até a caixa em cima de uma mesinha e observei melhor a notinha que encontrei ao lado dela. Parecia diferente, o nome do vestido era outro, preço também... Então até a notinha que está aqui foi trocada! Estranho.
- É! Aquela atendente burra e iniciante deve ter trocado o meu pacote com o daquela outra perua burra que estava lá pagando também na mesma hora que eu! [n/a: nada contra vendedoras iniciantes, ok?! A menina aqui só ta com um pouco de raiva rss]
- Cará... – eu já ia dizendo o famoso ‘caraíí’ do jeito que null sempre faz, mas não terminei de falar porque null tampou minha boca antes e me fez rir que nem besta! É tudo culpa dele... Será que ele já pegou alguma mania minha também?
- Levanta aí pra gente ver como ficou! – null estava sentada ao lado da irmã e deu um tapinha em seu ombro. null torceu um pouco a boca e levantou. Todo mundo que estava ali presente no recinto sentiu seus queixos indo até o umbigo. O vestido ficou incrível, de parar o trânsito. Único problema era o comprimento... [fig]
- Isso está mais curto do que roupa de criança! Com a diferença que crianças não são chamadas de minivacas! – null bufou e cruzou os braços.
- Mas ficou lindo! – comentei parada ao lado dela no espelho.
- É mana, você tem boas pernas! Quase como as minhas! – null permaneceu sentada e null jogou uma piranha de cabelo na direção dela.
- null, num provoca a menina não porque o momento é crítico! – null falou virada para null e logo encarou null – Ficou realmente lindo em você, null!
- Mas o problema é o null gente! E se ele implicar?
- Vocês estão ficando há uma semana, ele ainda não ta no direito de escolher suas roupas! – Stacey falou com o curvex preso aos cílios.
- Ela ta certa, o null não é seu namorado. Não vai pegar no seu pé! – abanei o ar fazendo aquela cara de ‘relaxa na bolacha, darling’. Ah, é! O null já pegou essa mania de mim! Que lindo...
- Será que não? Anteontem ele não gostou do short que eu estava usando aqui dentro de casa! Falou que tava curto... Mas eu estava com ele porque os outros não estavam lavados! E ele não gostou mesmo assim, falou que se chegasse outro menino ia ficar olhando, bla bla bla e eu devia jogar fora aquele short!
- Ah, mas agora é diferente, aquele short é feio! É brega, laranja e verde com um troço doido pendurado, parece short de baranga... E esse vestido não, é lindo! Vai, chega de paranóia! – null se levantou e bateu palmas como quem quer espantar morcegos. Eu ri com isso e todas as meninas sorriram também, até null, que agora já estava achando o vestido bonito. Estava se olhando e sorrindo, eu já falei que ela se acha?! Brincadeira...
Então a null resolveu ir mesmo com o vestido, e como todo mundo já estava pronto, a gente desceu. null e null estavam lá na sala conversando sobre algo que eu não consegui prestar a mínima atenção porque fiquei pasmando no visual do null! Dessa vez ele botou um tênis surrado, porque hoje eu não estava lá pra ajudá-lo... Calça jeans escura e uma camisa cor vinho de manga comprida... Tipo básico, mas muito gato! [fig. look de Matt Dallas].
A gente ia em três carros, o do null, do null e do null, que inclusive deve estar chegando e trazendo o null.
- Eu sempre torci pelo Frajola, aquele pinto amarelo não me engana! Só pode ser gay! – null falava e levantou os braços. Os homens (principalmente o null) às vezes se empolgam falando de assuntos infantis. Acho isso engraçado e bizarro ao mesmo tempo... Coitada da null!
- Hey, cadê os outros meninos? – null andou até null e o abraçou.
- null! Como você ta hot! – null andou até mim com aquela carinha de criança e eu tive que rir pra ele.
- Oi null! – null gritou e acenou da porta da cozinha, com um copo de água na mão. Todo mundo olhou pra ele porque achamos que ele não tinha chegado ainda, quer dizer, ele viria com null, mas se ele já estava lá então é porque null também já estava.
- E aí null! – null foi até ele e quase derrubou algumas pessoas pelo caminho. Desorientada.
- Erm... Então o null já chegou? – null perguntou pra null.
- Aham, tem uns cinco minutos já, mas eu não o vi entrar aqui, só vi o enxerido do null!
- Ah... Vou lá fora ver. – null saiu andando e eu reparei que Jamie não estava ali com a gente... Ok, tive um mau pressentimento agora! Mas não que eu esteja com medo da Jamie! É que eu já peguei umas conversas, ouvi falarem que ela é null de corpo e alma e bla bla bla... Talvez ela seja muito fã dele e queira tentar alguma coisa com ele! Veja bem, ela ficou naquela casa só pra vê-lo...
- null… – a voz de null não saiu muito alta. Quando abrimos a porta vimos Jamie muito próxima de null, os dois encostados no carro dele. Parece que iam se beijar ou sei lá. Só sei que eu fiquei paradona lá. Como é que a Jamie faz isso, cara?! A gente confiou nela... OK! SERÁ QUE AGORA ALGUÉM PODE ME DIZER QUAL DESSAS TRÊS É A ?!
null’s point of view OFF
null se aproximou deles, null olhava pra ela e Jamie olhava para os lados. Ela vestia um sobretudo branco e sapatos brancos também.
- Nossa null, você vai assim? – null já foi falando antes mesmo que a menina chegasse mais perto.
- Boa noite pra você também null. E sim, essa é minha roupa. Estou bem?
- Está bem... bem descoberta!
- Hm... Ficou legal né! – ela tinha um sorriso falso de quem está na verdade P. da vida. Esse sorriso costuma anunciar uma briga feia!
- Qual é null! Você só pode ta brincando comigo... Anda, vai lá procurar o resto do seu vestido!
- Por que você não vai procurar o resto da sua vergonha na cara?
- Hum?! Do que você ta falando agora?
- ‘Qual é’ digo eu, null! Você começou falando logo do meu vestido só pra inverter o jogo que eu sei!
- Jogo?! Ficou maluca menina?
- É! Eu até ia deixar passar porque a gente não tem nada sério e tal, mas como foi você que começou a implicar comigo agora eu vou falar!
- Falar o que? E a propósito... a gente não tem nada a sério?!
- Para de se fazer de besta! A GENTE TA FICANDO E VOCÊ PENSA QUE EU NÃO VI QUE QUANDO ABRI A PORTA VOCÊ ESTAVA NO MAIOR CLIMÃO COM A JAMIE?! – null quase berrando na calçada e à essa altura, os amigos já estavam observando. null se aproximou e parou ao lado dela, mas ficou em silêncio.
- QUE CLIMÃO? NÃO VIAJA !
- Não é de hoje que eu ando desconfiando de vocês, eu não sou besta.
- Você fica vendo coisas onde não tem! Eu e a Jamie somos amigos, fala pra ela Jamie!
- É... null…
- Não quero nem saber! Você pode ficar quietinha aí que a conversa contigo é depois!
- Hey, não precisa crescer pra cima dela não, o que é que há?! Eu e a Jamie estávamos conversando!
- Ta bom então, será que precisa chegar tão pertinho pra conversar?
- Ah, sabe do que mais?! Agora eu é que acho que você está querendo inverter as coisas aqui! Eu ainda não engoli esse seu vestido, isso deve caber nas Barbies da minha irmã!
- Não seja imbecil... Passei uma tarde inteira comprando roupas pra você me ver e elogiar e olha o que você faz!
- Sei... Você não me engana, escolheu esse vestido pensando no Kyle!
- Mas o que é que eu tenho a ver com o Kyle, null? Eu só pedi um autógrafo pra ele, gosto do The Click Five!
- Você gosta é do guitarrista deles! E agora escolheu esse vestido de puta só pra ver se ele te pega!
null sentia cada gota de seu sangue se acumulando na cabeça. null teve medo de como isso poderia continuar e pôs as mãos sobre os ombros de null, virando-a para caminharem em direção ao carro de null que estava parado mais à frente.
- Já chega, né?! Vamos sair logo porque a festa lá já começou faz tempo.
- Pegou pesado cara... – null comentou baixo com null quando passou por ele.
null entrou em seu carro também e junto com ele foram null e null. null entrou no seu carro com null e Stacey. null foi com null, null, Jamie e Molly. null dirigiu em silêncio o caminho inteiro...
Capítulo 18 – Ghost Rider
O som tocava a todo volume, dava pra ouvir do começo da rua a música Get Free, que já é clássica para festas em casa (nos filmes dos anos 90 talvez). Havia vários carros estacionados, alguns com identificação de emissoras de TV, rádio, um dos carros era de uma revista famosa entre as adolescentes, Stacey cutucou null animada, dizendo que assina aquela revista...
- Já num to gostando! – null disse ao estacionar – Será que vai ter muito daqueles caras chatos que enchem o nosso saco a noite inteira e não deixam a gente se divertir?!
- Ih, relaxa null! Se você começar a ficar muito de saco cheio a gente vai embora ué... – null deu de ombros.
- O Joey me disse que teria poucos repórteres. – null se aproximou do vidro do carro deles e null tomou um leve susto.
null foi a primeira a entrar na casa, com null ao seu lado. Atrás delas vinham null, null, null, Jamie e por último null, null, null, Stacey e Molly. Kyle veio logo cumprimentá-los e num gesto masculino automático, não pôde deixar de reparar nas pernas de null à mostra. null bufou atrás dela e levou uma pequena beliscada de null.
- Aproveitem a festa, bebam à vontade porque hoje é por nossa conta!
- Ta chamando a gente de bêbados, Kyle? – null se aproximou e passou um braço pelo ombro do Kyle, já imitando a voz de um alcoolizado. Os dois começaram a conversar e se afastaram. Cada um foi pro canto que queria.
Havia várias mesinhas no jardim. A iluminação estava incrível e era uma casa realmente grande! null, null, null e null ocuparam uma daquelas mesinhas, cada um com um drink diferente na mão. Ethan, o baixista dos clicks estava de pé, ao lado da mesa deles, conversando animadamente.
- Ah, a gente nem mora aqui... Essa casinha é mais pra quando rola uma social assim!
Kyle estava passando sem rumo pelo quintal. null não deixou de comentar sobre ele.
- O Kyle está um T-E-S-Ã-O hoje! Quero tirar outra foto com ele, tenho que aproveitar né! – ela falou baixinho, mas Ethan ainda escutou a parte da foto.
- Ah, quer tirar uma foto com o Kyle? Por que ninguém quer tirar foto comigo? O Kyle é tão anti-social!
- Eu quero tirar uma foto com você bebê! Só vim aqui hoje pra isso! – null sorriu pra ele e Ethan ficou incrivelmente corado. Fofo não? Ele continuou um tempo parado, muita retribuição de sorriso ali. null
mandou um olhar feio pra ele, que sacudiu o rosto rapidamente e começou a berrar quando avistou Kyle.
- ÔW KYLE, A QUER TIRAR OUTRA FOTO COM VOCÊ SEU FILHO DA PUTA!
null e null se olharam e não seguraram o riso. null quis enfiar a cara na mesa quando viu que numa mesa não muito distante, null observava.
- Olá meninas! E... null. – Kyle chegou fazendo-os rir.
- Olha se não é o click-sexy! – null levantou os braços e tentou rebolar sentado. Quantas doses ele já tomou mesmo?
- Qual de vocês gatas quer tirar foto comigo?
- Ai, sou eu! Não ta vendo na minha testa ‘I S2 Kyle Dickherber’? – null se levantou e foi mesmo tirar uma foto com Kyle e Ethan, os três fizeram caretas.
Várias fotos foram tiradas, Kyle com null,
Ethan com null, null com os dois, todo mundo junto… ufa.
- Kyle tem um fornecedor lá na porta, ele quer falar com você e está com cara de poucos amigos! – Joey chegou em Kyle, acenou rapidamente pra todos e os dois saíram.
null continuava em sua mesa e com ele estava apenas Jamie. Ele não tinha uma expressão facial muito feliz...
- Olha null, eu sinto muito você ter brigado com a null! Eu não quis!
- Você não teve culpa Jamie… e eu já vou cuidar disso. – ele se animou de repente e pegou o celular.
- Hum? – Jamie estreitou os olhos na direção dele, viu que null escrevia algo no celular. Ela suspirou e se levantou.
- As férias do McFLY estão perto de terminar… Escrevi uma penca de músicas novas, to até ansioso – null esfregou as mãos em sinal de animação, todos sorriram e null lhe deu um beijo na bochecha.
- Já tem turnê marcada? – perguntou Ethan.
- Sim, é muito provável que voltemos ao Brasil pela milionésima vez. – null estufou o peito e passou o braço em volta dos ombros de null.
- É legal lá? Nunca fui… Por que o click five nunca foi lá? – Ethan se perguntou coçando o queixo.
- Eu classifico os brasileiros como felizes! É só isso que eu digo, são meus favoritos. – null terminou seu comentário sorrindo e segundos depois a bolsa de null pareceu ter ganhado vida própria em cima da mesa.
- Ai que susto! Será que é o celular?
- Não sei amiga! O que mais você carrega dentro da bolsa que possa vibrar? – null perguntou fazendo Ethan ter uma crise de riso assustadora, todos ficaram olhando pra ele porque foi engraçado, mas nem tanto assim...
- Desculpa, eu acho que já bebi demais! – Ethan afirmou olhando pro fundo do seu copo, como se estivesse analisando a composição química do conteúdo líquido dentro dele. Depois deu meia volta e foi andando sabe lá pra onde. Enquanto isso, null já olhava o que estava acontecendo no celular. Mensagem do null:
Oi, desculpa tre discutido com vc
Eu tnho q admitir q o sue vestido eh lindo!!
Ignorando alguns erros de escrita, talvez pela pressa, nervosismo ou limite de caracteres, null não conseguiu impedir que um pequeno sorriso brotasse no rosto. Ela olhou na mesa dele e o viu lá com cara de menor abandonado. Porém não gostou de ter visto Jamie voltando à mesa com dois drinks na mão, fazendo null desviar sua atenção pra ela.
- O que foi dessa vez null? – null perguntou ao ver a irmã ficando emburrada.
- Nada… É que o null ta me mandando mensagem aqui.
- E o que ele disse? – null se inclinou pra ver a tela do celular.
- Pediu desculpas. – null mordeu o lábio fazendo uma cara de cruel indecisão sobre a vida!
- Sabe o que eu acho? – null se dirigiu a ela e colocou o copo que segurava sobre a mesa – Você vai dizer que eu to defendendo meu amigo, mas eu acho que você conseguiu fazer em uma semana o que nenhuma outra garota, tirando a mãe dele, jamais fez! Você fez bem a ele, eu acho que o null gosta mesmo de você porque eu nunca o vi agir assim, feito adolescente. Só quando ele era mesmo adolescente, mas aí não vem ao caso...
- Será null? Você acha mesmo que o null pode... – null falava e de repente parou assim que mudou a direção do olhar. Todos olharam pra ela esperando que continuasse a frase, viram que ela olhava incrédula pra mesa do null e logo falou entre os dentes, meio rosnando – Alguém me segura que eu vou tombar aquela garota!
Jamie estava apenas tirando seu sobretudo branco e revelando um belo vestido rosa. Epa! Muito parecido com o vestido que null havia comprado.
- Erm... Parece o vestido que você comprou mana!
- Jura?!
- Ué, como assim? – null coçou a nuca sem entender.
- É que hoje quando null foi se vestir, a roupa dela tinha sido trocada. O vestido que ela comprou parece ser aquele que Jamie está usando, mas a roupa que estava na caixa era essa que a null foi meio que obrigada a pôr! – null explicou tudo meio rapidinho e null fez cara de ‘anh!’.
- Parece que eles vão dançar – null comentou enrolando uma mecha do cabelo e olhando sugestivamente para a irmã, assim como quem está provocando e dizendo ‘RÁ! Eu não deixava!’
- Mas não vão mesmo! Não com o MEU vestido! – null se levantou decidida, tendo o apoio da irmã.
- Isso!
null e Jamie caminhavam até o centro do imenso quintal, onde algumas pessoas dançavam ao ritmo de algum psy-trance. Antes mesmo que começassem a dançar, null se aproximou falando alto por causa do som.
- Ora, ora! Você Jamie tem um bom gosto admirável!
- Hum? – Jamie encarou-a com a expressão confusa.
‘Barraco em festa... E ainda por cima, por causa de homem! Que coisa mais descriativa! Ah, essa palavra não existe, mas e daí eu to só pensando mesmo, dãã! Eu só espero que ninguém se machuque muito seriamente porque eu não vou cuidar de nenhuma morimbunda! Brincadeira, das minhas amigas eu cuido sim!’ null pensava enquanto observava a aproximação de null, alguns passos atrás.
- Sabe, você tem um gosto impecável pra escolher homens, roupas... O único defeito é que você escolhe coisas que eu já escolhi, não é mesmo! – null deu uma risadinha falsa que fez Jamie olhar pra null e ele pra ela.
- Do que você ta falando null? Já bebeu tanto assim? Olha que a festa nem começou direito hein! – Jamie tinha um sorriso nervoso. null não precisava de mais nada pra ter certeza que ela fez a troca dos vestidos.
- Eu to bem ligada! Quer ver como eu to lúcida? Esse vestido aí eu sei bem onde foi que você achou! Posso dizer o nome da loja aqui na frente de todo mundo?
- null… – Jamie parecia pedir com o olhar que ela ficasse quieta.
- Que tal ‘Quarto da null’?
- No seu quarto? Mas que loucura é essa pra cima de mim agora?!
- Eu já entendi tudo, você pegou meu vestido e trocou por esse pedacinho de pano só pro null ter um faniquito!
- null, eu sei que você ta com ciúmes dele comigo, mas não precisa ficar inventando essas acusações!
- Que cara de pau! Roubou meu ficante, meu vestido e vai ficar negando até quando?
- Olha, eu... – null começou a se pronunciar.
- Segura sua onda aí! – As duas responderam em coro e ele ficou quieto.
- Eu não estou roubando nada, você que enxerga A e conclui B.
- Ah, ta bom então, que conclusão você ia tirar se o seu vestido sumisse misteriosamente e horas depois aparecesse no corpo de uma pessoa que estava na sua casa na hora que ele sumiu?
- Coincidências existem.
- AH, PELAMOR!
- Não acha que seria muito estranho se eu roubasse o seu vestido e viesse usá-lo bem aqui?
- Eu não sei, você é estranha.
Já havia algumas pessoas em volta delas assistindo a discussão e torcendo que elas se pegassem logo. Esse povo de festas, sabe como é né! Até a música já estava mais baixa.
- Jamie, você pegou mesmo o vestido da menina? – Stacey surgiu dentre aquelas pessoas agrupadas ali.
- Não! Deve ser um mal entendido!
- Admite logo, eu já ouvi um monte de vezes que você é louca pelo null! Então é claro que você é capaz de loucuras... Naquele lance de ocupar a casa vazia você até que se deu bem, mas trocar meu vestido foi demais! – null se aproximava dela mais ainda com os braços cruzados. Jamie fazia cara de pânico.
- Eu não troquei a porcaria do seu vestido, ESSE AQUI É MEU! – Jamie levantou a voz e null estava prestes a colocar as mãos no cabelo dela. Alguém chegou pra impedir.
- ESPERA AÍ ! Pode soltar a Jamie! – era null surgindo no meio das pessoas.
- Ué null, o que foi agora? Não vê que eu preciso dar uma lição nessa trocadora de vestidos?!
- Ela não é trocadora de vestidos, null.
- Not? – null relaxou as mãos que já seguravam os cabelos de Jamie com cara de decepção.
- Não... A moça da loja ligou hoje mais cedo. Falou que uma cliente que esteve lá ontem na mesma hora que nós, levou o seu pacote e você levou o dela.
- Ah! Aquela que eu chamei de perua escandalosa?
- Na verdade você chamou de perua burra, mas é essa mesma. Ela ligou pra loja pra eles entrarem em contato com você.
- E POR QUE DIABOS VOCÊ NÃO ME CONTOU ANTES?! – null até esqueceu da Jamie e foi pra perto da null.
- NÃO DAVA MAIS TEMPOO! Ta legal? Você já tava no banho e... ah vai, o vestido não é feio! Eu ia contar amanhã. Se eu soubesse que ia dar essa confusão por causa do vestido da Jamie...
null olhou pro chão por uns dois segundos e levantou o olhar devagar até encontrar o de Jamie. Boa hora pra fazer um buraco no chão e botar a cabeça.
- Desculpa. O seu vestido é parecido, mas não é o meu...
- Tudo bem.
- NINGUÉM ESTÁ MAIS DISCUTINDO AQUI! O QUE É QUE VOCÊS ESTÃO OLHANDO AINDA, SEUS DESOCUPADOS? – null fez questão de ajudar a dispersar aquela platéia que se formou. Logo tudo estava normal de novo e a música voltou a tocar.
- A gente pode conversar? – Jamie pediu à null, que agora estava muda e concordou com a cabeça. As duas entraram na casa e sumiram por lá.
- Que medo. Vocês confiam de deixar as duas sozinhas? – null perguntou para as meninas que estavam mais perto.
- Ah, relaxa... Eu não sei a Jamie, mas null tem seguro de vida. Em último caso a gente fica rico! – null riu, null lhe deu um tapinha na testa e logo null apareceu perto dela.
- Oi null! Que saudade de você…
- Ah null, não me diga que você já se encheu de álcool mano? Puta que pariu hein, nem fica em pé direito...
- Quer ajuda com ele? – null se prontificou.
- Ah sim, me ajuda a levar ele pra lavar o rosto!
- O null não sabe beber, eu já disse isso, né?
- Por que vocês ficam falando de mim comigo aqui? A mãe de vocês nunca ensinou que se for pra falar dos outros tem que esperar eles darem as costas? – null falou e logo estava andando de braços dados com null de um lado e null do outro.
Enquanto isso, null e Jamie entravam em um dos dezesseis quartos da casa.
- Erm... Desculpa de novo ta... É que você tem andado tão próxima do null ultimamente que eu me deixei levar, eu admito que fiquei com ciúmes! E quando te vi com o meu ves... quer dizer, com um vestido parecido com o que eu tinha comprado, aquilo foi a gota d’água.
- Sim, eu já entendi. Gosta mesmo dele, não é?
- Do vestido? - null perguntou e recebeu um olhar impaciente de Jamie, null entendeu que ela tinha perguntado do null, mas por razões desconhecidas ela queria fugir dessa resposta.
- Ah, não sei! Nós estamos... erm... estávamos ficando. Sim eu gosto dele, falei!
Jamie sorriu. As duas pareciam sem jeito.
- Eu também, mas entenda que é diferente do seu jeito de gostar!
- Hum? Como? Por que diferente?
- Não é como se eu quisesse disputá-lo com você! Ele só fica feliz quando está bem contigo e é isso que uma fã de verdade quer! Eu sou muito fã do null, as meninas brincam que eu sou null, mas isso não impede que eu tenha meu namorado e o ame acima de tudo.
- Então você não tava dando em cima dele?
- Confesso... No começo sim. Queria que ele aparecesse sem camisa lá na casa do null, queria sentar perto dele, encostar nele, sentir o perfume, essas bobagens... Depois eu vi que não é nada demais! Passar esses dias lá me fez ver o lado ‘pessoa-normal’ do null! Eu percebi que vocês têm uma coisa especial! Sabe, você é a menina mais bacana que o null já ficou, eu quero mais é que continuem juntos!
- Puxa... Vem cá, o seu namorado não sente ciúme do null?
- O null sente um ciuminho do Kyle, não sente? É a mesma coisa! Inclusive eu vi que quando você vê o Kyle seus olhos chegam a faiscar. Você se sente com o Kyle do mesmo jeito que eu com null... É coisa de fã, nós sabemos que é diferente! Você não trocaria o null pelo Kyle assim como eu também não trocaria meu namorado Ash pelo null!
- Claro... Quem não entende isso são os homens né!
- Ah, eles são bobinhos, deixa eles!
- Então... Fica tudo bem entre a gente?
- Por mim já é. E que fique claro que eu só te chamei aqui porque a gente está hospedada na mesma casa e ia ser chato pra caramba ficar brigada com alguém!
- Ah, eu também só aceitei conversar com você por isso! – null já abria a porta do quarto. As duas deixaram o quarto rindo, mas sem sorrisos falsos ou nervosos, pareciam até amigas de longa data. Estavam se sentindo com 20 quilos a menos de preocupação nas costas... Nada como a sensação de contas acertadas! Só tinha um porém, null agora estava com uma vergonha imensa do null! Preferiu evitá-lo a festa inteira.
Algumas horas se passaram sem grandes acontecimentos ou barracos... A festa não estava programada pra ir até muito tarde porque The Click Five vai sair numa nova turnê no dia seguinte. Então às quatro da manhã a maioria das pessoas já havia ido, isso inclui fotógrafos.
- Quem dá a última palavra aí? – null perguntou a null, estavam todos no chão da sala brincando de verdade ou desafio.
- Ela. null é extremamente cruel e mandona! Ela não deixou que eu bebesse mais depois daquela hora. – null revelou.
- Fiz pelo seu bem, ingrato! Quero você bem acordado essa noite! – null lhe deu um leve empurrão no ombro.
- Ihhh, null pegador! – null gritou com as mãos na frente da boca.
- Vai com tudo tigrão – null ria e gritava junto com null.
- Gente eu acho melhor vocês dormirem aqui, o que acham? – Ethan falou com o grupo, que ficou pensativo, um olhando pra cara do outro.
- Já ta tarde! Aproveita e dorme aí... Quarto é o que não falta! – Foi a vez de Kyle jogar seus argumentos.
- Acho bom, por mim ta legal! – null deu de ombros. Todos os outros concordaram, ou pelo menos, não discordaram!
- Então vão pegar seus carros e guardem na garagem. Ninguém quer seu carro cheio de gotinhas pela manhã, né?!
Assim, null, null e null foram guardar os carros que estavam estacionados na calçada. null se largou no sofá e parecia entretido demais com um cubo mágico. As meninas arrumaram um pouco da bagunça da sala e logo cada uma foi pra um quarto. Com exceção de null e null, que ficaram fofocando sobre a festa e tudo que aconteceu.
- null…
- O que?
- Escutou esse barulho?
- Barulho de que?
- De moto!
- Aff! De novo com essa história de barulho de moto?
- Mas você ouviu ou não?
- Não. E quer saber? Estou ficando preocupada já! Depois do dia do seu acidente você sempre ouve algum barulho de moto e fica assustada... Eu concordo que você passou um trauma, mas esquece isso amiga, já passou! – null apoiou uma das mãos no ombro dela.
- Ta, tudo bem... – null forçou um sorriso de canto de boca. Depois do acidente ela começou a sonhar com sons de motor de moto.
Todo mundo ficou sem falar nada por alguns minutos, até null quebrar o silêncio.
- Ué, cadê esses meninos que foram até a garagem e não voltam mais? – null de repente cruzou os braços.
- Devem estar falando das garotas que estavam na festa! – null viu null bufar e continuou – Ah, ué! A gente também falou dos bonitões que vimos hoje, é normal...
- Desse jeito eu fico com ciúmes. – null estava de olhos fechados com a cabeça pra cima.
- Você sabe que é o rei dos bonitões da minha vida, né null? – null se aproximou dele e lhe deu alguns selinhos.
- Ah, vão pro quarto! – null jogou uma almofada neles.
- Cara, ninguém avisou a gente que tinha duas garagens e a segunda era tão longe! – null chegou na sala e se jogou no sofá por cima de null e null.
- Hey! Três corpos não ocupam o mesmo espaço, sabia null? – null lhe deu uns tapas.
- Então saiam daí ué.
- null você é o null mais gay e folgado que eu já conheci! – null lhe fez algumas cócegas e logo levantou do sofá com null. null se espalhou por todo ele...
- Guardei meu carro e null também guardou nessa garagem aqui do lado, mas não sobrou espaço então Ethan disse que podia guardar o do null em outra garagem, só que ficou longe pra caramba! – null explicou o lance das duas garagens, fazendo null sentir um pequeno alívio dentro dela ao saber que o motivo da demora não foi por ficarem comentando de outras garotas. Não que isso fosse um grande problema, afinal como null disse, ela mesma falou de outros caras durante a festa e agora há pouco. Mas null não deixa de sentir aquela pontadinha fraca e chata ao imaginar null dizendo coisas tipo “Nossa, ta vendo aquela morena de rosa? Pegava fácil!” mesmo sabendo que ele não faria realmente.
- Não que eu esteja morrendo de sono, mas... vou procurar um quarto! – null falou se espreguiçando.
- Sei bem que quarto você vai procurar null-saliente! – null pegou uma almofada e tentou acertar nele, mas sua pontaria não estava tão boa no momento e a almofada passou a metros de null.
- Uhum, de preferência um quarto onde estiver uma certa pessoa dentro... – null completou o que null pensava.
- Ah, calem a boca! – null continuou andando e subiu as escadas. Ele realmente queria saber em que quarto null tinha se enfiado.
null não tinha nenhuma motivação pra subir e procurar quarto algum. Percebeu que null não se aproximou mais dele depois de ter conversado com Jamie e não sabia o porquê, não sabia o que elas tinham conversado, não conseguiu perguntar à Jamie também... Sua cabeça estava fervendo. Mesmo assim subiu e foi procurar um quarto vago, era melhor do que ficar de vela, pois só havia casais na sala.
- Hey null, tem um espacinho pra mim aí nesse seu sofá? – null perguntou ao notar que no mesmo sofá onde ela estava, null e null pareciam ocupados demais pra conversar com ela.
- Claro! O seu corpo pode ocupar o mesmo espaço que o meu! – null piscou sexy e se ajeitou pra dar um espaço. null se acomodou na beirada, de costas pra ele.
- Espera, eu vou cair!
- Eu te seguro. – [n/a: ui!] null o ouviu falar perto de sua orelha e logo braços aconchegantes envolviam sua cintura.
- Hey little boy, get a room! – null gritou pra null quando viu que ele e null estavam radicalizando no meio da sala.
- Você não manda em mim! Vão vocês dois oras...
- Não porque nós temos senso de ridículo! Não somos nós que estamos tornando disso aqui um conteúdo proibido para menores de 18!
- Mas a gente não ta fazendo nada!
- Calma null! Não vê que esse aí está exagerando só pra gente sair daqui e ele ficar sozinho com a null?!
- Claro que não, se vocês pararem com essa indecência e se comportarem com educação, podem ficar aí de boa!
- null… – null franziu as sobrancelhas e se ajeitou no sofá – Vê se cuida desse garoto, ele deve estar com frebe pra ter falado desse jeito! Tipo um padre...
- HAHAHA. OMG, como meu amigo consegue ser tão engraçado? – null sorriu sarcasticamente. Todos passaram alguns segundos sem falar nada e logo explodiram em risadas. Coitados...
- A gente não ta normal e isso é fato! – null se levantou do sofá tentando arrumar os cabelos num rabo-de-cavalo. – Eu vou ao banheiro e quando eu voltar quero ver meus amigos normais de novo!
- Qual é seu conceito de normal? – null também se levantou e esticou os braços.
- Sabe quando a gente não fica rindo do nada? É! Aí estamos normais. – null tomou o caminho do banheiro e null foi pra cozinha.
- Galera, vou procurar sorvete. Se eu achar, não trago pra ninguém!
- Obrigada null, você é tão gentil! – null sorriu e ficou ouvindo os passos de null se distanciando cada vez mais. Notou que null brincava com uma mexa de seu cabelo, enrolando-o como se estivesse fazendo um caracol. Aquela hora ela respirou fundo sentindo o ar preencher cada espacinho de seus pulmões. Se sentiu tão viva! Não que antes ela se sentisse morta, mas teve uma sensação muito intensa dentro de si, uma coisa inexplicável que tornava quase impossível desmanchar o sorriso permanente de seus lábios. Algo que traz força e calma, energia e paz... Seria isso a tão buscada felicidade? Tão citada em poemas e agora estava ali, dentro dela. null apenas fechou os olhos e curtia também. Aquela mexa de cabelo enrolada em seus dedos exalava um perfume um tanto doce, um tanto cítrico, um tanto viciante! Quase um veneno, ele concluiu. Com outras meninas null nunca tinha se dado a chance de ficar um tempo assim apenas apreciando a presença um do outro, sem malícia nos pensamentos. Ele sempre soube que com null tudo seria diferente.
- Que perfume passou hoje? – ele perguntou com uma voz calma, doce e levemente baixa e rouca que fez null quase tremer.
- É um mais antigo, que eu uso em dias especiais.
- A minha festa de despedida foi um dia especial?
null arregalou um pouco os olhos. Ela ainda tinha o perfume que usou aquele dia e realmente havia passado hoje. Não imaginava que ele ia lembrar, (ou muito menos perguntar!).
- Eu achava que ia ser, quando estava me arrumando. Não exatamente especial, mas marcante de algum jeito. – ela falou enquanto se virava pra ficar de frente pra ele.
- Então você estava certa.
- Aquela festa foi a mais doida e inesquecível que já fui até agora...
- Pra mim também! Acho que precisamos ir a mais festas!
Com um sorriso nos olhos... Sim, é possível sorrir com os olhos! Se era impossível, null e null acabaram de tornar possível. Com esse sorriso, eles diminuíram a quase nula distância entre os lábios e demoraram um pouco num selinho.
- Vem aqui comigo, tem uma outra coisa daquele dia que eu também não esqueci! – null desgrudou seus lábios dos dela e começou a se levantar de repente.
- Mas ir pra onde?
- Você vai ver! – puxou null pela mão e os dois deixaram a sala.
- HEY, AONDE VÃO? AQUI TEM SORVETE! – null chegou na porta e pôde vê-los andando lá fora.
- A GENTE JÁ VOLTA! – ouviu null responder.
Eles chegaram na garagem onde null havia deixado seu carro. Ele abriu o portão da garagem, que permaneceu aberto depois que entraram.
- Espere aqui, eu trouxe uma coisa no porta-luvas do carro que eu já devia ter dado pra você antes! – null se aproximava da porta do carro. Parecia empolgado pra pegar o tal objeto... null ficou pra trás, como ele pediu, mais próxima da entrada da garagem.
- null...
- Você vai me achar um ridículo quando eu disser, mas é verdade...
- null…
- Eu guardei esse objeto e imaginei milhões de vezes o dia que entregaria pra você! – null continuava falando como se não tivesse percebido que ela estava chamando-o.
- null, please…
- É uma coisinha realmente linda que eu olhava e me fazia lembrar da gente, me ajudou muito logo que eu mudei pra cá!
- ! – foi preciso chamar um pouco mais alto.
- QUE É CARAMBA?!
- Shhh! Tem um cachorro! – ela sussurrou agora, tinha cara de assustada.
- Cachorro? Onde? – ele deu alguns passos até que a visão da traseira de seu carro saísse da frente do Rottweiler que estava sentado logo na entrada da garagem, apenas alguns passos à frente de null.
- Eita porra... – null falou baixinho imaginando que poderia ser seu último palavrão. Com pequenos passos ele tentava se aproximar de null, tudo muito devagar. O cachorro já mostrava seus dentes e com certeza podia ouvir batimentos cardíacos desesperados. null chegou perto de null e a abraçou.
- É melhor ficar imóvel – sussurrou no ouvido dela sem tirar os olhos do cachorro.
- Por quê? Por acaso ele não sabe que estamos aqui? – respondeu no mesmo volume.
- Ah, não sei! É que nos filmes com animais carnívoros eles sempre falam isso... – null deu de ombros.
- Hey Assombração! – uma voz falou e o cachorro olhou na direção em que a pessoa vinha. Um cara de calça jeans, jaqueta e capacete pretos chegou e segurou na coleira do cachorro. – Não se preocupem, ele não vai atacar!
null ainda não tinha se recuperado do susto e estava reconhecendo aquela voz de algum lugar.
- E-e-esse cachorro é seu? O nome dele é Assombração? – null disparava perguntas, como sempre quando se sentia nervosa.
- Sim, é meu. Quando ele nasceu era muito feinho e aí colocamos esse nome! – o cara explicou e tirou o capacete sorrindo. A iluminação não estava muito forte, mas null reconheceu aquele rosto imediatamente e perdeu a fala por uns segundos.
- É, ele conseguiu me assustar então!
- Oh, desculpe!
- Você está de moto, não? Veio guardá-la pra dormir na casa do Kyle também? – null já dialogava tranqüilamente com o rapaz.
- null... – agora null estava lhe chamando com a voz baixa e cutucava seu braço.
- Você é amigo de alguém do The Click Five?
- null...
- Por que eu não te vi na festa?
- null!
- E onde está sua moto? – null fazia uma pergunta atrás da outra, sem tempo pro cara responder.
- CARALHO! – null gritou agora e a segurou pelos ombros, virando-a de frente pra ele.
- O QUE?
- Eu sei quem ele é! – null voltou a sussurrar perto do rosto dela com um olhar muito assustado.
- Quem null?
- É O VIZINHO DO , DEAN!
- Dean? Não é aquele que... – null olhou pra Dean de rabo de olho.
- Aham.
- OMFG! – ela cobriu o rosto com as mãos imaginando que quando olhasse de novo ele não estaria mais lá, como uma boa alma penada faria. Se enganou.
- Olha Dean você não tem nada contra mim, certo? Eu nunca te fiz nada! – null nem podia acreditar que Dean estava mesmo ali. Os dois estavam de frente pra ele com as mãos pro alto, como se o cara estivesse armado.
- Calma aí gente... – o rapaz parecia se divertir.
- Erm... Olha, você não vai atacar a gente né? Quer falar com a null? AH EU TO NEGOCIANDO COM UM MOTOQUEIRO FANTASMA SOCORRO! – null levou as mãos à cabeça. Ela sempre fora muito cética quanto a esse tipo de visão.
- Hei, o que é que ta acontecendo aqui? – null chegou e parou um pouco atrás do rapaz que estava de costas. null também veio junto com ela.
null não estava entendendo as caras de null e null, concluiu que estavam sendo assaltados e pegou o celular. Dean ainda juntava a coragem pra se virar de frente pra ela. Quando virou, assistiu a cena de outro casal ficando paralisado. null segurava uma taça de sorvete e a deixou cair com colher e tudo.
- Policial Williams falando, pois não? – dava pra ouvir a voz que falava no celular de null. Dean deu um passo na direção dela e ela num movimento rápido desligou o celular e deu um passo pra trás.
- O que... o que... – null tentava inutilmente dizer alguma coisa.
- Se acalmem vocês todos! Eu não sou um fantasma. – Dean olhou pra todos eles e começou a rir.
- Dá licença seu Dean. – null se livrou do braço de null que a segurava e deu um passo à frente – Como assim não é um fantasma? Que eu saiba, pessoas que morrem só conseguem ser vistas novamente na versão gasparzinho de ser!
Todo mundo abaixou a cabeça pro lado e soltou um risinho. Não é todo dia que essas situações acontecem!
- Mas eu não morri! – ele apalpou o próprio tórax numa tentativa de mostrar que podia se tocar. Começou a se sentir desesperado pra provar isso! Não deve ser fácil ser chamado de defunto assim na cara dura...
- Vai ver você morreu e nem sabe! – null deu mais alguns passos pra perto dele.
- null! – null chamou baixinho, assustado. – null, se eu fosse você não chegava tão perto, fantasmas podem fazer coisas com as pessoas!
null continuou sussurrando pra null se afastar e Dean podia ouvir. Ele ficou chateado por não estarem acreditando que estava ali de verdade... Se lembrou que ele e null mantinham contato constante, saíam juntos pra bagunçar, pescar, conversar, mas aquele garoto que estava vendo com cara de assustado nem parecia o mesmo.
- null o que há com você colega? Se fosse o null de antes já teria vindo aqui me cumprimentar!
- O null de antes não via gente morta! – null respondeu e continuava com o olhar assustado.
- Acho que eu vou ter que provar que estou vivo. – Dean falou e pegou a menina que estava mais próxima dele pelo braço. Ele a beijou e deixou todo mundo sem reação por uns instantes, essa menina foi null e ela aceitou o beijo no começo, mas pisou no pé dele depois.
- Owow! O que pensa que está fazendo com minha... – null puxou null pelo ombro, ele ia terminar a frase com ‘namorada’ e null sentiu o coração esquentar com a possibilidade dele dizer isso – com minha garota?
- Está bem vivo – ela concluiu meio envergonhada. ‘Acabei de agarrar um cara na frente do null! Não é como se ele tivesse me beijado à força, eu retribui! Takeopariu! Por que eu, hein?’ ela pensou e agora estava abraçada a null.
- Desculpem, eu estava ficando agoniado com essa insistência de vocês dizendo que eu morri etc e tal...
- Rose disse que te matou. – null falou baixo e com um certo rancor na voz. Tudo que lembra Rose e o que ele passou naquela outra noite uma semana atrás lhe trazia esse sentimento.
- null, eu… sinto muito! Vim aqui pra me desculpar com todo mundo! Foi isso que estive tentando fazer nos últimos dias, mas sempre que tento algo sai errado.
- Erm... – null falando com ele pela primeira vez – Onde você esteve esse tempo todo?
- Oi null, é bom rever você, está bem? – Dean se aproximou e ela se esquivou de um beijo na bochecha.
- Onde você esteve esse tempo todo? – repetiu a pergunta sem responder a dele. Dean bufou e rolou os olhos.
- No hospital... Eu fiquei em coma.
- Não é querendo insistir na sua “defuntisse”, mas eu e os outros garotos estávamos na casa do null e te vimos sendo retirado da sua casa coberto com aqueles sacos pretos de couro estilo CSI! – null falou.
- De primeira, acharam que eu tinha morrido, mas depois viram que não e então eu fui levado pro hospital. Fiquei internado lá em coma, acordei sem saber de nada e meu irmão me contou que já fazia três meses e meio que eu estava ali! Apenas ele e Felicity sabiam que eu estava vivo, mantiveram esse segredo para que Rose não ficasse sabendo. Certamente viria atrás de mim pra terminar o serviço...
- Mas, quem é Felicity? – null perguntou.
- É a prima da Rose. null, eu tenho muitas coisas pra te explicar! E pra você também – ele agora se dirigiu a null.
- Pode começar, temos o dia todo! – null abriu os braços relaxando-os, em seguida fazendo as palmas das mãos baterem nas coxas.
- Eu fui àquela festa em que Rose te fez de refém. Já fazia uma semana que eu tinha me recuperado e estava na cola dela pra impedir caso ela tentasse fazer algo contra vocês, principalmente contra a null. Eu sabia que ela ia tentar, mas não consegui impedi-la de pegar o null!
- Você viu que ela acabou se matando, né? – null cruzou os braços e olhou pra baixo, odiava ter que se lembrar daquela hora. Viu o sorvete que ele deixou cair espalhado no chão, do mesmo jeito que devem ter ficado os órgãos internos de Rose, torceu a boca de nojo ao fazer essa comparação em pensamento.
- É, eu assisti a isso também... Não queria que terminasse daquele jeito, mas não nego que só assim nós podemos ficar aliviados agora.
null e null não falavam mais nada, mas também não saíram. ‘Noite cheia de emoções! Wooooop woooop!’ null pensava.
- Então você foi na festa atrás dela? Por que ficou quieto ouvindo tudo que ela disse sobre a gente? Você sabe o quanto isso custou? Nunca tivemos nada e não adiantava o que eu dissesse ninguém acreditava em mim! – null estava agitada, parecia querer voar nele.
- Eu sei null, me perdoe! Nunca tivemos nada de verdade, mas eu não podia dizer naquela hora!
- Mas se você e null nunca se envolveram por que Rose acreditava nisso? E aquela história das fotos? – null também estava feito louco pra saber de tudo.
- Porque eu... inventei...
- Inventou o que, um caso comigo? A troco de que?
- Porque meu plano era fugir com a prima da Rose. Olha, Rose sempre teve uma disputa interminável com Felicity, eu era noivo dela antes, mas por um monte de fatores que não vem ao caso, eu acabei casando com Rose. Se ela soubesse que eu continuava apaixonado pela prima dela, que a gente continuava se vendo e que ainda por cima Felicity estava grávida, ela era capaz de matá-los entende? Digo, Felicity e o bebê que esperava! Eu armei um plano de fingir que tinha uma paixão secreta por uma pessoa desconhecida e assim eu fugiria com Felicity sem ela saber.
- Ok... Então você me usou e tudo bem se ela quisesse ME matar? – null apontou pra si mesma. Apesar de estar sentindo um alívio por estar resolvendo aquela história, se sentir usada não é a melhor parte.
- Mas é diferente null, você foi a pessoa perfeita pro plano porque ela nem sabia onde você morava! Você ficou aqui uma semana, logo ia embora e ela nunca ia te ver pessoalmente...
- É, mas você não pensou que eu poderia voltar na casa do meu próprio primo?
- Mas ela tava foragida e... ah, me desculpem por favor eu só vim pra isso! Não queria que tivesse acabado daquele jeito, acreditem em mim, eu fui naquela festa pra tentar proteger vocês!
- O null quase morreu no dia do próprio aniversário, o que você tem a dizer quanto a isso? – já se podia ver o brilho de algumas lágrimas sendo formadas nos olhos de null.
- O que eu tenho a dizer é que eu posso ter causado tudo, mas fui eu que salvei a sua pele cara.
- Hum? – null levou uns tapinhas no ombro e ficou sem entender.
- Quando você tava pendurado lá, os policiais estavam todos lá fora e havia uma policial dentro do sótão da casa. Você foi pego por duas pessoas, uma delas era eu porque os outros policiais não iam entrar na casa, subir as escadas e atravessar todo o corredor em alguns segundos, não é? E convenhamos que a policial que estava lá não ia te puxar sem minha ajuda, sem querer ser machista, claro... Depois chegaram outros policiais que formaram uma muvuca em cima de você, pareciam até fãs da sua banda! Aí eu voltei a ser invisível, quer dizer, eu estava de preto, ficou fácil eu me esconder nas brechinhas escuras...
- Certo, então você ajudou a me puxar... Não espere a minha eterna gratidão, ok?
- Não, eu só quero ouvir vocês dizerem que vão me desculpar e esquecer tudo isso de ruim, só isso!
- Assim... Não é querendo ser repetitivo, mas não rolou nada mesmo entre você e null, né? Você sempre amou a tal da Felicia?
- Erm, não é Felicia, é Felicity.
- Oh, sorry.
- E sim eu a amo. Quanto à null, mesmo que tivesse rolado de verdade algo entre a gente, eu sei que ela nunca ia gostar de mim como gosta de você! – Dean afirmou e fez com que null tivesse que controlar o sorrisinho bobo que queria dar.
- Ok, acho que não tem mais nada pra discutir aqui... Por mim a gente dá isso por encerrado e eu espero que você e a Felicity fiquem bem! – null sorriu e recebeu um abraço de Dean.
- É, caso encerrado – null cumprimentou Dean com um aperto de mão.
- null meu campeão, desculpa ter agarrado sua garota, é que você não sabe como é estressante ficar sendo chamado de fantasma!
- Foi muito mal educado da sua parte, mas tudo bem – null respondeu antes de null, vendo que ele torceu a boca ao tocarem nesse assunto. Ela precisou dar um pequeno cutucão nele – Né null?
- É, dessa vez passa... – null se aproximou e também o cumprimentou como nos velhos tempos, quando eles eram amiguinhos de balada.
- Pelo jeito essa moça está conseguindo botar algum juízo em você, huh? Não a deixe escapar! – Dean falou baixo perto do ouvido de null.
- Eu sei dude, ela é minha Felicity...
Dean foi com seu cachorro Assombração na garupa da moto, disse que ele e Felicity estavam indo morar na Austrália... Depois de tudo, o que restava a fazer era entrar na casa e tentar dormir, amanhã seria um longo dia pra contar tudo aos outros! Os dois casais voltaram pra dentro da casa abraçados.
No sábado à tarde a turma toda voltou pra casa de null, o fim de semana passou rápido e logo na segunda de manhã Jamie, Stacey e Molly já se preparavam pra ir embora. Os outros meninos ficaram de passar lá pra se despedir, Jamie viu que quando null chegou, null o cumprimentou de longe com um pequeno sorriso e logo sumiu de vista. Segundo ela, Molly estava chamando-a pra ajudar com a mala. Jamie a seguiu e ela simplesmente estava sentada no corredor.
- Oi null, o que faz aqui?
- Oi... To sentada no chão, o que mais parece?
- Sei... Por que saiu da sala?
- Ai Jamie, desculpa ta! Estressei!
- Com o que criatura?
- É que eu ia ficar sozinha na sala com o null e... – null movimentava as mãos pra lá e pra cá desajeitadamente. Eles não estavam brigados nem nada, não estavam se tratando mal, mas apenas pararam de ficar, estavam agindo como um pouco menos que amigos, digamos que... conhecidos!
- null, eu não estou te entendendo! A gente já conversou, o seu caminho pra ficar com ele está mais do que livre!
- Eu sei, não é isso... É que eu tocomvergonhadele!
- Hum? Vergonha do null?
- Sabe, eu discuti com você por nada, paguei mico, falei coisas equivocadas, passei os pés pelas mãos! Acho que ele não quer uma menina como eu ao lado.
- Você não vai saber se não perguntar...
- Eu não vou perguntar nada! Nem consigo olhar pra ele!
- JAMIE, SOCORRO A STACEY NÃO ME DEIXA FECHAR MINHA MALA! – as duas ouviram Molly falando alto dentro de um dos quartos.
- Agora sim parece que a Molly precisa de ajuda... – Jamie se levantou e foi ver o que era. null continuou sem se mexer.
- Oinullcadêanull? – null entrou na casa de null falando rápido.
- Não sei, procura! – null deu de ombros e fechou a porta depois que null passou.
- Como assim não sabe? Ela ta na sua casa, animal!
- Mas é a sua garota, você que devia saber...
- Lesado... – null falou baixo quando null deu as costas.
- Loser... – null devolveu.
- Hey, vocês se amam mesmo, hein! – null surgiu da cozinha.
- E aí null! É impressão minha ou você sempre aparece da cozinha? – null coçou a cabeça em sinal de dúvida, null se aproximou e lhe deu tapinhas na bochecha. Depois ele sentou ao lado de null no sofá e olhou para aquela criatura parada e quieta que estava ali.
- Hey null – null lhe deu um leve empurrão no ombro.
- Que?
- Ta estranho cara...
- Eu?
- Não, eu... ACORDA , SÃO NOVE HORAS DA MANHÃ! – null chacoalhou null pelos ombros.
- Dude, deixa o coitado, vai procurar o que fazer! – null jogou almofadas neles.
- Já volto. – null levantou e andou até a porta da casa. Antes de sair viu null sentada no corredor lá em cima. Ele saiu e sentou na escadinha em frente à porta, os outros ficaram calados, ninguém gostava de ver o null apagado assim.
Jamie foi até lá alguns minutos depois e sentou ao lado dele.
- Oi null! É impressão minha ou você e null não estão mais como antes?
- O que? Você acha?
- null, eu não queria ir embora e deixar vocês assim!
- Ah, fazer o que... Acho que é assim que vai ser agora.
- Não dude! Eu vou me sentir muito mal se eu for embora sem resolver isso aqui!
- Então sinto muito pelo seu mal estar... Eu não posso fazer nada, ela não é mais a fim de mim.
- Isso é mentira! Você pode fazer sim! Conversa com ela!
- Conversar o que? Dá pra contar nos dedos as vezes que ela olhou pra mim nesse fim de semana todo!
- Ela está confusa, você sabe como ela é! O comportamento dela não quer dizer que ela tenha deixado de gostar de você, muito pelo contrário!
- Como assim? Eu juro que eu não entendo! Do que você ta sabendo?
- O que eu to sabendo é que vocês dois estão perdendo tempo! E eu só vou embora tranqüila se você me prometer que vai fazer o que eu vou te dizer agora!
- O que?
- É uma idéia que eu tive...
- Oi null! E , SAIAM DE CIMA DELE AGORA! – null chegou na sala e viu que os três pareciam brigar por alguma coisa que ela não sabia o que era.
- ! Eles querem pegar a barra de Snickers que eu comprei pra você! – null se livrou dos outros dois que começaram a rir e dizer que era mentira.
- Jura null? – null perguntou com a voz derretida.
- Mentira null! Fui eu que comprei e é pra mim mesma, obrigada! – null tomou o chocolate da mão de null, null se aproximou dele e lhe deu beliscões na barriga.
- Ah ué, eu tentei... – null apenas fazia suas caretas, daquelas que ainda não conseguem enfeiar seu rosto.
Logo Molly, Stacey e Jamie estavam se despedindo de verdade. Elas iam se infiltrar de novo no acampamento como se nada tivesse acontecido e durante a tarde os pais iriam lá buscá-las. Para elas essas foram as melhores férias, realmente foram dias inesquecíveis que elas passaram morando em frente a um mcguy e depois na casa do mcguy!
- Tchau, obrigada por tudo e desculpem os sustos que fizemos vocês passarem! – Jamie se despedia abraçando todo mundo.
- Imagina... Voltem sempre, mas avisa antes, ta?! – null brincou antes de abraçá-la.
- Não falei que ia ser fodástico! – Molly sorriu e passou um braço pelo ombro da Stacey.
- A sua amiga Hannah vai cair pra trás! – Stacey olhou pra Jamie e as três sorriram.
- Quem mandou ela não querer vir?! – Jamie deu de ombros. Elas se juntaram na porta, deram mais tchauzinhos e saíram.
Depois que elas foram embora, null olhou pra trás e viu null com um largo sorriso aberto. Ela não percebeu o olhar dele até que ele desviou pra algum ponto fixo e passou a sorrir também. null agora estava considerando a idéia de Jamie como a última esperança.
Capítulo 19 – McFLY Mexicano
Na segunda-feira à tarde, os quatro rapazes disseram às meninas que iam pra casa do null ensaiar algumas músicas novas e elas combinaram com a perua-burra (como null chama) de se encontrarem pra fazer a troca dos vestidos. null queria muito ter seu vestido rosa de volta e fez questão de ligar pra tal moça e combinar um lugar. Elas concordaram em uma rápida conversa que era melhor não se encontrarem na loja onde compraram, além de causar confusão desnecessária, com certeza iria provocar a demissão de alguém.
Marcaram na frente do cinema e lá estavam as quatro garotas na hora combinada.
- E se ela perceber que ele foi usado? – null perguntou e mordeu os lábios.
- Não, acho que não vai... E mesmo que perceba, ela não pode reclamar! A culpa disso tudo é dela. – null abanou o ar e continuou tomando seu milkshake.
- Alguém lembra como é essa mulher? Porque eu nem cheguei a vê-la! – null olhava para os lados procurando alguém que se vestisse de forma aperuada, como diz null.
- Eunhemrialouca – null deu de ombros com o canudo do milkshake na boca. Quis dizer que não reparou no ser...
- Eu também não reparei muito nela, estava toda avoada por conta do meu vestido! Só lembro que ela usava umas pulseiras daquelas que fazem muito barulho! – null olhava pra cima, tentando lembrar de mais coisas. Por mais que ela tivesse visto essa pessoa na loja e soubesse de sua existência, não conseguia lembrar o rosto.
- O que eu lembro bem é que ela passou na nossa frente quando estávamos na fila pra pegar o pacote, eu fiz minha melhor cara de Pitbull olhando pra ela e ela nem se tocou! Será que eu não fui assustadora o suficiente? – null esforçava a musculatura do rosto pra fazer cara de fera até que null lhe deu um tapinha na bochecha.
- Hey pitbull, acho que estou vendo a perua ali! – null apontou com a cabeça e todas levantaram para ir até ela. A mulher estava de costas, com mais um de seus vestidos curtíssimos, a sacola numa mão e a bolsa na outra. Ela estava comprando pipocas, como se já fosse assistir um filme.
- Oi pe... pe... moçadovestido! – null gaguejou na tentativa de não chamá-la do jeito que estava acostumada. Também não conseguiu lembrar como ela disse que se chamava ao telefone.
- É Delilah! – a moça falou enquanto se virava pra elas. Todas, menos null, que não chegou a conhecê-la antes, ficaram um pouco surpresas, pois era aquela Delilah, ex do null.
- Erm... Lilah? – null ergueu as sobrancelhas. null sentia alguma coisa embolada na garganta e não conseguia falar.
- Puxa... Se não são as primas do null! De qual de vocês é o vestido que eu levei mesmo?
- Ué Delilah, você sabia que era com a gente que você ia se encontrar? – null perguntou por suspeitar do tom que ela usou.
- Bem, a moça da loja passou o número que vocês deixaram e eu vi que era o número da casa do null.
- E lá na loja? Você viu que era a gente e por isso trocou os vestidos? – null continuava com seu tom desconfiado, null lhe deu uma olhada para que ela parasse.
- Aí você já quer demais né! Primeiro que eu nem vi que eram vocês na loja... E depois, por que eu ia fazer isso de propósito? O meu vestido é £70,00 mais caro! – Delilah abriu um sorriso meio estranho e logo lançou um olhar para null – Amigas novas?
null abriu a boca, mas null falou primeiro.
- null é a prima do null, tipo... prima mesmo. E null é nossa amiga.
- Ah sim... Já ouvi falar de uma null. – Delilah pesou um pouco a voz ao pronunciar o nome da garota. Parecia examiná-la da cabeça aos pés, até null falar com ela de novo.
- Erm, trouxemos o seu vestido. – null apontou à sacola que null segurava.
- Muito obrigada! null esse seu vestido é até bonitinho, mas meigo demais pra mim! – Delilah deu um sorriso convencido enquanto fazia a troca das sacolas. null olhava pra ela estranhando aquele comportamento. Delilah nunca foi sua melhor amiga, mas nas vezes em que estiveram conversando ela não agia assim, com trejeitos de vilã de novela das seis!
- Você não vai querer abrir o pacote pra olhar o vestido? – null perguntou ao ver que Delilah já ajeitava a alça da bolsa no ombro pra ir embora.
- Não precisa, eu faço isso em casa... Confio em vocês! Agora eu tenho que ir porque uma pessoa já me espera na sala do filme que viemos ver. Caso antigo, sabe como é! – Delilah deu uma piscadinha para as meninas e foi andando. Quando ela se distanciou mais, null soltou todo o ar que estava preso.
- Delilah is back. – foi só o que ela conseguiu dizer enquanto olhava num ponto fixo.
- Essa aí é aquela que... – null começou uma pergunta enquanto elas davam meia-volta pra sair dali.
- É. – null e null responderam juntas.
- E não foi ela que...
- Foi.
- Ela não deu o...
- Deu.
- Mas ela não tinha um...
- Tinha, null... Tinha um namorico com null, mas deu o fora nele pra ficar com alguém do Mariana’s Trench, foi ela que a null viu num porta retrato na casa do null e é aquela que ele tava sempre reclamando porque se sentia perseguido. – null explicou e olhou pra null. Ela andava calada, sem olhar para vitrines de lojas, algo realmente muito estranho!
Ninguém falou mais nada e o assunto morreu. Elas estavam indo pra casa a pé, pois a casa de null é próxima do centro.
- Vamos dar uma olhada no ensaio dos meninos? – null perguntou com os olhinhos brilhando.
- Ah, é verdade! Fiquei curiosa com essas músicas novas que eles tanto falam... null disse que estariam na casa do null, vamos sim! – null concordou animada. null e null estavam mais animadas do que as outras duas, isso é fato.
Ao chegarem, tocaram a campainha e a senhora null abriu a porta.
- Oi meninas. Você é a null, não é? Já ouvi meu filho falando de você! – ela comentou sorridente.
- Oh, eu espero que tenha falado algo bom então... Erm, podemos falar com null? – null perguntou sentindo as bochechas quentes pelo comentário da mãe dele.
- Ah null, ele não está! Quer esperar por ele? É algo importante?
- Não... Não precisa, a gente só veio visitar mesmo. – null respondeu enquanto null concordava com a cabeça. As meninas voltaram pra casa do null achando tudo muito estranho, eles falaram que estariam lá, será que mudaram de idéia? null não deixou de considerar umas possibilidades... Estava se achando uma paranóica por imaginar o que imaginou, mas mesmo assim não descartou essas hipóteses. Mais uma vez elas deixaram o assunto morrer e quando null chegou, perguntaram a ele. Todas tiveram a mesma impressão que a pergunta o deixou surpreso/nervoso. Disse que saíram por uns instantes pra comprar pizza.
Mais dois dias se passaram, portanto agora já é quarta-feira dia 29, falta pouco para o fim do mês e conseqüentemente das férias... Essa expressão traz um gostinho ruim pra todos: fim das férias, volta às aulas! E não é apenas pela preguiça de voltar à rotina cansativa, é também porque as meninas vão voltar pra casa.
null passou esses dias se preparando pra fazer uma surpresa pra null... Foi a idéia que a Jamie lhe deu. Ele nem podia acreditar no que estava prestes a fazer, mas isso, pra ele, é com certeza menos ruim do que os dias que ele passou sem null! E aliás, os outros garotos também precisaram se preparar para a surpresa dele, estavam todos envolvidos! Já passava das nove horas da noite e null saiu sem dizer às meninas aonde ia.
- Nossa, esses meninos estão cada dia mais estranhos pro meu gosto! Os outros três nem vieram aqui e olha que é difícil eles ficarem sem aparecer por aqui, nem que seja pra dizer ‘oi gatas’ – null disse sentava no sofá com uma lata de coca-cola na mão.
- Verdade... Nem tinha reparado que não vi o null... – null deu de ombros. Todo mundo sabia a total ironia daquela frase, mesmo que nem ela admitisse. Estava louca de saudades do null.
- E eu não vi o null – null.
- Nem o null – null – Talvez seja alguma coisa com a banda.
- É, pode ser. Mas espero que amanhã eles estejam mais “disponíveis” porque depois de amanhã nós já vamos... – null falou com ar triste.
- Ah, não fica triste! A gente volta aqui nos finais de semana, se não tiver muito trabalho... – null passou um braço pelo ombro de null pra consolá-la.
Estavam se sentindo entediadas, sem nada pra fazer. null passou uns minutos isolada em seus próprios pensamentos, ainda não tinha perguntado a null sobre onde ele foi na segunda à tarde. Não perguntou por medo de parecer paranóica demais e ele começar a se queixar como fazia com Delilah.
- Hey, pensa rápido! – null jogou o controle da TV, interrompendo null de seus pensamentos fazendo com que ela se movimentasse para pegar o objeto voador antes que ele se partisse em sua cara.
- Nossa, seus reflexos estão bons! Parecia tão distraída – null se admirou por ela ter pego.
- É, isso não acontece sempre... Vai ver eu estou ganhando super poderes ‘woho’! – null só conseguiu dar um sorriso fraco depois de sua quase-piada sobre si mesma. Ninguém é tão forte que não deixe transparecer seus medos uma hora. As amigas de null sabiam no que ela estava pensando há poucos minutos.
- Em que você tava tão concentrada, hein? Tem a ver com a aparição mega-high-power-blaster-de-repente da Devaca? – null perguntou e mostrou que já havia encontrado um apelido carinhoso pra ex do null.
- Ah, esses dias eu fiquei pensando... Depois que eu vi a Delilah no cinema tudo anda tão estranho, quer dizer, o null, ele... anda misterioso, passando o dia inteiro não sei onde!
- Você não ta achando que... – null começou a pergunta.
- Estou. É isso. Eu imaginei se não era com ele que ela estava lá no cinema. Ela dizendo ‘caso antigo’ e a piscadinha depois, isso ainda está entalado no meu esôfago!
- Ah null... É claro que não era com ele, aquilo foi só pra provocar porque ela sabe quem você é! – null falou naquele tom calmo de mãe.
- Olha null... – null se ajeitou no sofá. null sabe que quando ela ajeita a postura e começa falando ‘olha null...’ é porque ela está prestes a falar algo sério. – Eu lembro muito bem do null de cinco ou seis anos atrás... Ele podia ser o galinha da escola, mas nunca te tratou como as outras. Digo, ele ficava diferente perto de você, era como se aquele fosse o verdadeiro null, um garoto legal, que te respeitava, que fazia todo mundo rir, que fazia o impossível pra você ficar legal sempre que as coisas ficavam pretas. O null galinha era aquela máscara que ele usava, a cada dia arranjando uma macaca diferente pra ficar pendurada no pescoço dele. Eu acredito que ele estava usando a velha máscara até um mês atrás, mas agora eu acho que é o cara que a gente conhece e por isso merece um voto de confiança da sua parte.
null acabou de falar e as palavras da amiga foram verdadeiras o suficiente pra trazer uma certa umidade aos olhos de null.
- É, ele era mesmo diferente. Quando eu e null viemos aqui ano passado, ele veio aqui na casa do null umas três vezes e o máximo que ficava era a duração de um filme, por exemplo. Delilah sempre aparecia uns dez minutos depois dele. – null rolou os olhos e null ficou se lembrando do comportamento bipolar de Delilah.
- Essa Delilah é realmente estranha. Ele não tava feliz com ela então por que ia ter uma recaída? Nas vezes que conversei com ela, parecia uma garota legal. Não tinha esse ar de Paola Bracho que tava lá no cinema! – o comentário de null fez as meninas rirem.
- Então ela é uma falsa que se comporta diferente na frente dos meninos. É aquele lance da máscara, pra gente ela se mostrou como é! – null balançava a cabeça como se tivesse anunciado a quinquagésima guerra mundial.
- Então vocês acham que eu devo deixar pra lá e nunca perguntar onde ele esteve na segunda à tarde? Acham que eu vou parecer uma Delilah-Bracho da vida se eu chegar e perguntar: “null, onde você esteve na segunda-feira dia 27 de julho de 2009 entre às 14:00 e às 17:00 horas?” – null falou como se trabalhasse na Scotland Yard ou algo assim. null lhe deu com a almofada na cara e dessa vez ela não escapou, mas continuou rindo da situação.
- Ah null, fala sério! Você nunca vai parecer com a Delilah-Carrapato! Mesmo assim eu acho que você não precisa perguntar isso, vai ver ele foi mesmo com os meninos comprar pizza, como null disse. E se foi outra coisa, deixe que ele mesmo seja honesto e diga depois. – null terminou a frase fazendo cara de sábia, se sentiu no seu momento mestre Miyagi [n/a: Karatê Kid heuhruerhuarh stopped :S].
- Aí é que tá! Dúvidas me corrompem! – null torceu os dedos das mãos à frente do rosto, fazendo cara de transtornada. Era visível como ela estava mais feliz agora, aquelas meninas realmente conseguiam alegrá-la!
- Hey e aquele papo todo de voto de confiança? Ahh, você não ouviu nada do que eu disse, né sua tratante! – null começou a jogar vários objetos na direção dela e null se desviava de quase todos. null havia esquecido que na época da escola, null era boa no jogo de queimada...
xxx Casa do null xxx
Os meninos estavam todos lá, por causa da coisa que o null anda aprontando.
- null, eu confesso que estou achando admirável todo esse seu empenho com a idéia da Jamie, mas não posso deixar de pensar no quanto você me parece precipitado com isso! – null conversava com null num canto da sala.
- Pareço?
- É, parece! Ficou com a null por uma semana e agora...
- Eu sei dude. Sabe... Eu cheguei a conclusão que esses três ou quatro dias que eu passei sem ela demoraram muito mais pra passar do que a semana em que eu estive com ela. Então, não é como se ela fosse a minha alma gêmea, porque não acredito nessa coisa toda, mas eu não sinto aquele interesse de antes só de pensar em sair e pegar geral, entende? A mesma coisa quando imagino null nessa situação. Cara, eu vou te falar, EU FICO PUTO pensando que ela vai voltar pra casa achando que o que teve comigo foi um romance de férias que já acabou e quando estiver lá vai ficar com outros caras!
- Wooohoo agora é oficial, null apaixonadinho! – null apareceu perto dele sorrindo junto com null. Os dois já estavam prontos pra ajudar o amigo.
xxx Casa do null xxx
- Não tem nada pra fazer. – null com tédio na voz. Depois da guerrinha de almofadas que rolou na sala, elas estavam todas de barriga pra cima, jogadas pelos sofás e poltronas.
- Ta um tédio mesmo, nada pra assistir – null concordou no mesmo tom que a outra.
- Nada interessante, os meninos sumiram do mapa e não tem...
- Nada pra comer! – null emendou na frase que null começou. Ela não se tocou muito do que havia falado, mas logo percebeu os olhares e sorrisinhos maliciosos sobre ela – O que foi? To falando de pipoca, salgadinho, doces, que seja... Como vocês são sujas! – cruzou os braços rindo e balançando a cabeça enquanto as outras riam também.
- null, você e o null já... – null perguntou ao terminar de rir. null olhou pra ela e mordeu o lábio inferior.
- Já! – ela respondeu e tampou o rosto com uma almofada, as outras riram do jeitinho infantil aos vinte – No dia que dormimos na banheira... E você com null?
- Sim! Nossa primeira vez foi no dia da festa do TC5. – null respondeu com um sorriso maior que o rosto.
- AH, EU SABIA! POR ISSO VOCÊS FICARAM DESAPARECIDOS DA MEIA NOITE ATÉ AS TRÊS DA MADRUGADA! – null gritou muito alto apontando pra ela e fazendo as outras rirem.
- CALA A BOCA AE OW SENHORA-MISS-BANHEIRA! – null tampou a boca dela com uma das mãos e as duas ficaram rindo depois.
- null... null? Não vão falar nada? – null perguntou depois que terminou de rir.
- Ah, o que você acha?! Ninguém aqui perde tempo não! – null respondeu pelas duas sorrindo maliciosa.
- Hey, espera aí! Fale por você, dona null!
- Ahh null, vamos encarar os fatos... – null cruzou os braços – Você está com um dos quatro caras mais lindos do mundo. Seria bobeira sua se vocês realmente não tiverem feito nada ainda!
- Mas é o que eu to dizendo, ok?! Eu e null não fizemos nada além daquilo que vocês podem ver! E aposto que null também não com o null.
- Como sabe?! – null olhou pra null assustada.
- Ah, sei lá... É o que eu acho, porque vocês ficaram juntos por uma semana e você, maninha, não me parece o tipo que entrega os pontos logo na primeira semana...
- É verdade... Não fizemos nada – null admitiu e ficou vermelha, mas logo ela deixou que o olhar triste tomasse conta de seu rosto ao lembrar que muito provavelmente nunca mais farão nada mesmo.
- Hey dude, não precisa fazer essa cara! – null passou a mão nas costas dela.
- É que a gente já vai embora e eu sinto que minha situação com null não vai se resolver, foi tudo pro espaço!
- Não foi não – null disse simplesmente.
- Claro que foi null! Ele não ta a fim de uma doida como eu.
- null... Eu tive uma conversa com o null anteontem.
- Sério?! E por que você não me disse? – null olhou imediatamente pra null.
- Foi você que não quis saber. Eu comecei a puxar um assunto sobre o null e você disse que não queria mais saber dele. Agora vendo como você fica ao falar nele, eu tenho certeza que você quer saber.
- Tudo bem, ela quer saber sim! – null inclinou a cabeça na direção de null como se isso fosse fazê-la ouvir melhor cada detalhe do que ela ia contar.
- Hey, vocês vão ficar ouvindo o que ela tem a dizer PRA MIM sobre o null?
- Claro, é pra isso que a gente serve! – null se levantou da poltrona de onde estava e foi sentar mais perto.
- Bem... Eu tava achando muito mal explicado aquela coisa toda com a Jamie e tal, principalmente quando você viu os dois aqui na frente da casa. Aí eu perguntei pra ele o que foi aquilo né.
Play null’s Flash Back
- Eu... eu… estava nervoso aquele dia. Muito.
- Ué, por quê?
- Tinha tomado uma decisão, ia fazer uma coisa!
- Mas o que criatura?
- Pedirnullemnamoro! – null falou o mais rápido que pôde, mas não impediu que eu entendesse perfeitamente e ficasse surpresa logo depois.
- null... OMG!
- É eu sei, atitude precipitada. Por isso mesmo estava com medo que ela não aceitasse e meu nervosismo decolou como um foguete.
- Bom e então, o que isso tem a ver com Jamie?
- Ah, eu bebi um pouco de whisky antes de sair de casa, pra ver se me dava coragem. Quando cheguei na casa do null bebi mais um pouco antes de entrar e quando eu estava sozinho lá fora, Jamie saiu. Ela sabia dos meus planos, eu já tinha falado com ela sobre como me sentia em relação à null. Eu disse que logo ela ia voltar pra casa dela e não é muito perto daqui então eu ficava com medo que ela me esquecesse e tal... Então Jamie me deu essa idéia de firmar um compromisso com ela. No começo eu achei absurdo, mas depois eu vi que era uma ótima saída. Pedi que Jamie sentisse meu hálito pra ver se dava pra perceber que eu já tinha bebido, pra não dar bandeira sabe. Foi aí que a null veio e eu percebi pelo olhar dela como ela tinha entendido tudo errado. Comecei a ficar nervoso com ela se aproximando de mim daquele jeito, desconfiada. Falei logo do vestido dela pra ver se disfarçava meu nervosismo e o resto você já sabe.
Stop null’s Flash Back
- AI-MEU-DEUS! Você ta brincando comigo? null null ia me pedir em NAMORO?
- Não, não estou brincando e sim, ele ia.
- Então ele estava sendo fofo o tempo todo e eu doida fui lá e estraguei tudo?! – null tampou o rosto com as duas mãos. As outras meninas ainda estavam surpresas com a ação do null.
- Oun, você num estragou tudo não maninha, vem cá... – null lhe deu um abraço vendo que a irmã mais nova começara a chorar – A sua reação foi a de qualquer garota normal. Que garota não ia ficar cismada?
- Ele falou mais alguma coisa? Digo, sobre o que pretende fazer agora? – null se dirigiu à null.
- Não, ele num deixou escapar mais nada. Mas eu desconfio que tem alguma coisa aí!
- Por quê? – null levantou o rosto já vermelho do ombro de null com um olhar esperançoso.
- Não sei explicar, mas ele não me pareceu triste.
- Ahhh... – as palavras de null fizeram null aumentar o choro e afundar de novo a cabeça no ombro de null. – Se ele não estava triste é porque a fila já andou.
null tirou sua conclusão e logo estava secando o rosto, se recuperando do choro. null não estava gostando do ar de velório que aquela sala ficou. Saiu de lá dizendo que ia ao banheiro, entrou no quarto de null e foi procurar mais uma vez algo em baixo da cama. Dessa vez era um pacote enorme de confetes, fazer uma bagunça seria bom! Ficou em dúvida se ia achar aquilo lá ou não, mas acabou achando. Os objetos da infância do primo ainda estavam todos lá, milagrosamente.
Quando null chegou na sala, viu que null e null quase dormiam com a cabeça virada pra trás, e conseqüentemente com a boca aberta, enquanto null parecia observar suas unhas. Ela cutucou null, pediu silêncio com o dedo à frente do rosto e mostrou o pacote de confetes... Cada uma pegou um punhado.
- No 3! – null contava com os dedos – 1, 2, 3...
null e null se assustaram e deram pulos quando sentiram inúmeras rodinhas de papel colorido sendo arremessadas pra dentro de suas bocas. null chegou até a cair do sofá. Enquanto null e null só sabiam rir histericamente. Ficaram arremessando confetes umas nas outras até cansarem. Não é preciso comentar o estado que ficou aquela sala!
- Quando null chegar ele vai surtar – null comentou com a mão sobre a barriga, que já estava doendo por ficar rindo por muito tempo sem parar.
- Ah, amanhã a gente arruma... – null abanou o ar e esticou os braços pra cima.
- Acho que eu vou dormir sabe, assim pelo menos acordamos cedo e aproveitamos nosso último dia! – null se levantou, estava sentada no chão. As outras concordaram com a idéia.
xxx Casa do null xxx
- Dude, você aprendeu mesmo a tocar essa flautinha? – null perguntava pra null.
- Já disse que sim, a gente ensaiou 50 mil vezes – null colocava um paletó preto.
- Se acalma! – null bateu no ombro de null – Até parece que nunca fez isso!
- MAS EU NUNCA FIZ!
- Nervoso assim não vai dar certo... – null jogou uma gravata pra null.
- Dá pra ensaiar de novo? – ele perguntou baixinho se encolhendo entre os ombros.
- NÃO ! – os outros três responderam em coro e depois riram.
- Ah ta, obrigado.
- Wait! Temos que usar mesmo isso? E cadê minha calça? – null jogava pelos ares umas roupas que estavam em sacolas.
xxx Casa do null xxx
Duas horas mais tarde e já estavam todas dormindo em seus quartos. Quer dizer... menos null e null. Ainda estavam com as cabeças a mil, cheias de pensamentos. null felizmente parou de pensar na história com a Delilah, mas tinha outra coisa que ela começou a analisar. As palavras de null à respeito daquele assunto ficaram martelando na cabeça da garota romântica que esperava pelo momento certo. ‘Naah... eu não estou sendo molenga, foi falta de oportunidade! E minha relação com null é mais do que isso, nos gostamos há tanto tempo!’ null pensava deitada em sua cama e null, deitada na dela, se martirizava em pensamento. ‘Toloadj.1. Que diz ou faz tolices. 2. Simplório, ingênuo, abobado, apatetado, débil, idiota, imbecil, leso, pacóvio, palerma, tonto, ridículo, infundado. 3. Que não faz sentido. 4. null. Essa é minha palavra. Eu sou tola. Nesse momento eu poderia ser a namorada do null! Mas não, o que eu fiz foi só estragar tudo que... Hum? O que é isso?’ ela mesma interrompeu seus pensamentos ao escutar uma voz que fazia uma espécie de contagem, ficando mais alto a cada vez que recomeçava.
E logo em seguida entraram os instrumentos começando a tocar uma linda música que ela já conhecia bem. Então levantou da cama num pulo.
Give me more love than I've ever had
(Me dê mais amor do que eu já tive)
Make it all better when I'm feeling sad
(Faça tudo melhor quando eu estiver me sentindo triste)
Tell me that I'm special even when I know I'm not
(Diz que eu sou especial até mesmo quando eu sei que não sou)
Ela abriu a janela do quarto e lá estava null cantando no quintal, um passo à frente dos outros três. Se vestiam mais ou menos parecidos e estavam engraçados! Todos com camisa branca, calça preta e gravata borboleta vermelha... null e null com coletes pretos enquanto null e null com paletó. null e null tocavam violão, null estava com uma flauta e null apenas cantava lindamente.
Make it feel good when I hurt so bad
(Faça isso parecer bom quando eu magôo demais)
Barely gettin' mad
(Raramente ficando chateada)
I'm so glad I found you
(Eu estou tão contente que te encontrei)
I love being around you
(Eu amo estar perto de você)
You make it easy
(Você faz isso fácil)
As easy as 1, 2, 1, 2, 3, 4
(Tão fácil quanto 1, 2, 1, 2, 3, 4)
There's only one thing
(Há apenas uma coisa)
To do, three words
(A fazer, 3 palavras)
For you
(Para você)
I love you (I love you)
There's only one way
(Há apenas uma maneira)
To say those three words
(De dizer aquelas 3 palavras)
That's what I'll do (É isso que vou fazer)
I love you (I love you)
Todas as outras meninas abriram suas janelas e correram pro quarto de null, ao ver que a coisa era com ela.
- ! OMG! – null abriu a porta do quarto esbaforida com as outras três atrás.
- AI MEU DEUS digo eu! – null abanava as duas mãos rapidamente na frente do rosto – Venham aqui! Isso deve ser sonho! Será que eu dormi e não percebi? OUCH! – null prestou o favor de beliscar seu braço.
- Era só pra você ver que não está dormindo, baby!
Give me more love from the very start
(Me dê mais amor desde o início)
Peace me back together when I fall apart
(Traga paz novamente quando eu cair)
Tell me things you never even tell your closest friends.
(Me diga coisas que você jamais contou aos seus amigos mais próximos)
Make it feel good when I hurt so bad
(Faça isso parecer bom quando eu magôo demais)
Best that I've had
(O melhor que já tive)
I'm so glad I found you
(Eu estou tão contente que te encontrei)
I love being around you
(Eu amo estar por perto de você)
You make it easy
(Você faz isso fácil)
As easy as 1, 2, 1, 2, 3, 4
(Tão fácil quanto 1, 2, 1, 2, 3, 4)
There's only one thing
(Há apenas uma coisa)
To do, three words
(A fazer, 3 palavras)
For you
(Para você)
I love you (I love you)
There's only one way
(Há apenas uma maneira)
To say those three words
(De dizer aquelas 3 palavras)
That's what I'll do
(É isso que vou fazer)
I love you (I love you)
You make it easy,
As easy as 1, 2, 1, 2, 3, 4.
There's only one thing
(Há apenas uma coisa)
To do, three words
(A fazer, 3 palavras)
For you
(Para você)
I love you (I love you)
There's only one way
(Há apenas uma maneira)
To say those three words
(De dizer aquelas 3 palavras)
That's what I'll do
(É isso que vou fazer)
I love you (I love you)
I love you (I love you)
One, two, three, four.
I love you (I love you)
- OMG! – null enxugava lágrimas nos cantos dos olhos.
- A música acabou, desce lá! – null ia puxando null.
- Não, espera! Ele vai dizer alguma coisa... – null chamou a atenção das duas e null começou.
- null! Eu sei que a gente não ficou junto por muito tempo, mas eu não preciso de mais do que isso! Eu não saberia mais estar com outra garota que não fosse você! Porque when you walk in the room my heart goes boom... – ele falou sorridente e os outros meninos atrás fingiam chorar – Aceita ser minha namorada?
Ela ficou uns minutos sem reação com o olhar parado em algum lugar, null lhe deu um empurrão no ombro para que saísse do transe e dissesse alguma coisa logo pois todos estavam esperando!
- AÍEUACEEEITOO! – ela gritou rápido com um sorriso que devia estar mostrando até o último dente.
- ENTÃO VEM PRA CÁ AGARRAR SEU NAMORADO! – ele gritou abrindo os braços. Ela saiu correndo e as outras seis criaturas presentes começaram a gritar, assoviar e bater palmas quando ela chegou e o abraçou. null a beijou e depois a ergueu um pouco do chão pra poder girá-la.
- AEE DESENCALHAMOS O ! – null gritou erguendo a mão com a qual segurava a flauta.
- VIVALELUIAMÉM! – null gritou tudo junto fazendo uma reverência exagerada ao casal que estava abraçado.
- ALGUEM TRAZ CERVEJA? QUERO BRINDAR ESSE FATO! – null também gritou em meio a risadas e logo alguém mais estava gritando.
- HEY, QUE GRITARIA DO CARALHO É ESSA ÀS ONZE DA NOITE EM PLENA QUARTA-FEIRA?! – alguém gritava dentro da casa ao lado, mas ninguém deu atenção e continuaram do lado de fora por mais algum tempo.
- Vamos à sorveteria amanhã? – null deu a idéia.
- Ah, vai ser ótimo! – null concordou e lhe deu um selinho.
- Amanhã é o nosso último dia completo aqui... – null lembrou e todo mundo ficou em silêncio.
- Ah, mas ele vai ser bem aproveitado! – null abriu um sorriso e puxou null pra mais perto.
- Então eu acho que é bom a gente ir dormir, né? Não quero acordar no meio da tarde, vai encurtar meu dia! – null se despediu de null com mais um selinho. null fez o mesmo com null, null deu um selinho em null e ganhou um beijo na testa acompanhado de um boa noite, pequena... null também teve que se despedir de null porque ele ainda ia levar os meninos em casa, já que vieram todos no carro dele.
Depois de uns vinte e cinco minutos, null chegou e cada menina já estava em seu quarto. Elas fizeram bem em trancar suas portas...
- AAAAH, QUE PORRA É ESSA NA MINHA SALA? , , , ! EU VOU MATAR VOCÊS! AMANHÃ VOCÊS VÃO LIMPAR TUDO ISSO COM A LÍNGUA, ESTÃO OUVINDO?
Capítulo 20 – (4) Última(s) Noite(s)!
No dia seguinte, logo pela manhã, todos ajudaram na limpeza da sala. Não com as línguas, claro... À tarde saíram todos pra tomar sorvete e cada casal teria um jantar especial à noite! Como as meninas haviam dito, precisavam aproveitar o último dia.
- Desde segunda-feira a gente ficou sabendo dessa idéia do null... Eu só resolvi ajudar porque achei que ele não ia levar à diante! – null começou a rir e levou um tapinha na testa, dado por null.
Estavam todos na sorveteria desde o meio-dia. O grupo de oito ajuntou duas mesas e estavam fazendo aquela bagunça boa e saudável como uma grande despedida grupal.
- Eu sabia que você ia planejar alguma coisa null, você não tava com cara de conformado! Parabéns, o que você fez por ela foi lindo! – null falou com aquela voz e olhar de quem estava derretida. null percebeu e bateu com o ombro no ombro dela.
- Hey, eu estava lá também, ok? Você também podia se sentir presenteada...
- null... – null chamou e ela deixou de levar a colher de sorvete à boca pra olhar pra ele. [n/a: Parou com a colher no meio do caminho? Hum... isso já aconteceu nessa fic! Ahushauhsua]
- Diga...
- Minha mãe contou que você foi lá em casa e não me achou, eu...
- Ah, tudo bem null. Não precisa ficar me dando satisfações.
- Mas eu quero dizer! Não quero nenhum desencontro entre a gente. Durante esses dias, como null disse, ficamos ajudando o null e o plano da serenata. Então tivemos que ensaiar aquela música, eu tive três dias pra aprender a enganar com aquela flautinha, alugar aquelas roupas de mexicano... Por isso nós todos ficamos meio ausentes, eu digo isso agora a todas vocês em nome de todos nós, desculpem os nossos sumiços! – null disse a última frase em um tom mais alto, se dirigindo às outras três meninas também. Todas abriram sorrisos emocionados e até bateram palmas pro quase-discurso dele. null esfregou a mão no topo da cabeça dele e null o puxou pra um beijo.
- Agora eu é que to orgulhosa de você! – ela disse ao partir o beijo.
- null, cuidado! – null desviou o braço de null, de modo que a colher voltou a ficar na direção da taça. O sorvete que estava derretendo dentro da colher teria caído na perna dela se null não tivesse feito isso.
- Que susto null!
- É que o sorvete ia cair em cima da sua perna, acho que eu tive um dejà vú!
- Eu não ia me incomodar em limpar as coxas dela... – null sorriu.
- null! – null lhe deu um tapa no braço e continuou a rir. Alguém de óculos escuros e boina observava a duas mesas de distância. Essa pessoa foi invadida por um sentimento que não tem nada de nobre: inveja.
Ao entardecer, null já estava na porta da casa de null pra levar null pra uma noite à dois. Ela surgiu com uma saia jeans, sandálias de salto, uma blusinha preta do MCR e cabelo preso num rabo de cavalo alto.
- null, v-vo-você ta linda! Mudou o visual?
- Hum... Digamos que eu peguei um estilo emprestado de alguém! – ela sorriu e piscou pra null.
null a acompanhou até o carro, ele usava uma calça preta, All Star também preto e uma sobreposição de blusas, a de baixo azul-marinho de manga comprida com uma verde escuro de manga curta por cima e um desenho simpático na estampa.
Depois de passar com o carro por algumas subidas eles logo chegaram ao destino. Antes de chegarem, null pediu que null abrisse o porta-luvas, lá dentro ela encontrou um lencinho preto.
- Tampe os olhos com o lenço, se não conseguir amarrar, apenas o segure na frente dos olhos e quando chegarmos eu amarro pra você. – ele indicou à null o que fazer. Ela mesma conseguiu amarrar e quando chegaram, null ficou se certificando mil vezes que ela não via nada.
- Pra que tanto mistério, hein?! – null a deixou em pé num canto e ela precisou ficar assim por alguns minutos. Logo ela começou a ouvir uma música que parecia sair do som do carro. (Cross My Heart)
So here's another day
(Então aqui está mais um dia)
I'll spend away from you
(Que eu vou passar longe de você)
Another night I'm on another broken avenue
(Mais uma noite em que estou em mais uma avenida quebrada)
My bag is ripped and worn
(Minha mala está rasgada e gasta)
But then again so am I
(Mas então de novo eu também)
Take what you wanna take what you wanna take what you…
(Leve o que quiser levar, o que quiser levar, leve o que você...)
I miss the stupid things
(Sinto falta de coisas bobas)
We go to sleep and then
(Nós íamos dormir e aí)
You'd wake me up and kick me out of bed at 3 A.m
(Você me acordava e me tirava da cama às 3 da manhã)
Pick up the phone
(Para atender o telefone)
And hear you saying dirty things to me
(E te ouvir falando besteiras pra mim)
Do what you wanna do what you wanna do what you…
(Faça o que você quiser fazer, o que você quiser fazer, faça o que você...)
- Pode olhar! – ele gritou e quando ela tirou o lenço ficou boba com o que ele montou ali em pouquíssimo tempo! Havia um pano azul-claro estendido com uma tradicional cesta ao lado. Sobre o pano, um arranjo de flores, pratos para os dois e copos. Ela sorriu e ficou observando aquele menino com os braços abertos, sorriso enorme e a luz do pôr-do-sol refletindo em seus cabelos. Correu até ele e o abraçou.
Take me with you
(Me leve com você)
I start to miss you
(Eu começo a sentir sua falta)
Take me home
(Me leva para casa)
I don't wanna be alone tonight
(Eu não quero ficar sozinho hoje à noite)
And I do want to show you
(E eu quero te mostrar, sim)
I will run to you, to you 'till I
(Eu vou correr pra você, pra você, até eu)
Can't stand on my own anymore I
(Não agüentar ficar mais sozinho)
Cross my heart and hope to die
(Eu juro pela a minha vida)
Cross my heart and hope to die
Cross my heart and hope to...
- null, aqui é lindo! – ela olhava ao redor sem sair do abraço dele, estava terrivelmente emocionada. O lugar tinha uma vista incrível, um simples pôr-do-sol visto dali parecia simplesmente a coisa mais valiosa do mundo, dava pra ver toda a cidade sendo colorida de laranja aos pés deles.
Hotels are all the same
(Os hotéis são sempre iguais)
You're still away from me
(Você ainda está longe de mim)
Another day, another dollar that I'll never see
(Mais um dia, mais um dólar que eu nunca verei)
Gonna get a piece of the piece of the piece of something good
(Vai pegar um pedaço do pedaço do pedaço de uma coisa boa)
Lie just little lie, just a little lie, just a…
(Mentira, só uma pequena mentira, só uma pequena mentira, só uma...)
I wonder what you're doing
(Eu imagino o que você está fazendo)
I wonder if you've got it
(Eu imagino se você recebeu)
I wonder how we used to ever go so long without it
(Eu imagino como nós conseguíamos ficar tanto tempo sem isso)
No matter where I go
(Não importa aonde eu vá)
I'm coming back to you
(Eu estou voltando pra você)
Be where we outta be where we outta be where we out...
(Estar aonde nós devemos estar, aonde nós devemos estar, aonde nós...)
- Que bom que gostou! Isso tudo é pra você, tudo seu... – ele passava a mão pelo rosto dela.
- Até o pôr-do-sol é meu? – ela sorriu.
- Tudo! O sol, o lugar onde ele se esconde, aquela árvore logo ali, o passarinho que está cantando em cima dela, até essa música que ta tocando no rádio é sua, essa banda nem é mais Mariana’s Trench, pra mim é null’s Trench! [n/a: oops, se a sua amiga se chamar Mariana, não vai ter mudança rsss]
- Mas eu não quero tudo isso, eu quero só você mesmo! – os dois sorriram e trocaram beijos.
Take me with you
I start to miss you
Take me home
I don't wanna be alone tonight...
xxx
- Ei! Não dá pra esperar o null vir me buscar não? – null jogou almofadas em null e null, que já se amassavam no sofá. Vendo que aqueles dois não iam se largar tão cedo, ela sacudiu a cabeça e foi colocar os brincos. null falou que ia levá-la à um lugar elegante e ela tratou de ficar mais linda do que nunca com um vestido vinho. Ele era justo e pequenos círculos abertos nas laterais possibilitavam a visão das costelas e a cintura. [tipo assim]. A parte da frente do cabelo ela penteou pra trás, prendendo com uma bela presilha de borboleta decorada com strass. Maquiagem não muito pesada nos olhos, mas com bastante rímel e por fim um gloss transparente. A campainha tocou e quando ela abriu a porta, pôde ver um null babão, que ficou parado com os olhos nela, até que ela se aproximou e deu um selinho nele.
- Vamos né? – ela pegou na mão dele e fechou a porta atrás de si.
- Nossa... Hoje nem o null vai ficar mais bonito que você! – ele comentou fazendo-a rir e bater de leve com a bolsa prateada no ombro dele.
- Você também ta lindo! Aliás, você é lindo mesmo até de pijama e pantufa! – ele estava com um terno risca-de-giz, camisa azul-claro por baixo e a gravata dele por coincidência combinava com a cor do vestido dela.
- Ah, por que não me avisou?! Assim eu nem precisava me trocar... – ele se fez de chateado e os dois entraram no carro. Estavam indo ao Petrus, um restaurante romântico e com pratos franceses... Se melhorar, acho que estraga!
null ainda terminava de se arrumar, null combinou um pouco mais tarde com ela, ia levá-la à casa dele. null ‘abandonou’ null no sofá por uns instantes. Mesmo sabendo que não iam sair, ela também estava produzida! Se maquiou e colocou um vestido pretinho básico, o cabelo estava preso numa trança embutida e a franja lhe caía pelo rosto... null tinha ido arrumar mais alguns detalhes, ele preparou uma surpresa!
A campainha tocou e null foi abrir.
- Oi null! Espera lá na sala que a null ta terminando de se arrumar! – ela o cumprimentou e ele foi esperar na sala.
- Pena que esse seja o último dia de vocês aqui... – ele falou cabisbaixo.
- É, mas pelo menos está sendo bem aproveitado, como disse null!
- Isso é! A tarde na sorveteria foi ótima e a noite vai ser melhor ainda!
- Uhum... Não duvido nada! – null sorriu para alguém que vinha atrás de null, ele se virou e viu sua namorada radiante. Estava usando O vestido rosa que deu tanto trabalho! Sandália rasteira branca com tirinhas trançadas pela canela, cabelo solto, bastante rímel e lápis nos olhos deixando-os bastante expressivos.
- Caprichou, hein! – ele foi abraçá-la.
- Você acha? – ela deu um sorrisinho e o beijou rápido. Saíram logo em seguida e null voltou a se sentar no sofá e olhar para a TV imaginando o que null estaria aprontando!
- Aham... Finalmente a casa é nossa! – null surgiu na sala uns minutos depois e estendeu a mão para a garota que o olhava como se quisesse entrar em seu pensamento – Pronta para a última noite em Bedford? null segurou a mão dele e os dois foram em direção à cozinha, mas antes de saírem pela porta dos fundos, null tampou os olhos dela com as mãos e os dois seguiram pelo quintal com passos lentos.
- A gente nunca vai chegar? Não me agüento de curiosidade!
- Calma, já estamos chegando, é que estamos andando muito devagar, como você é medrosa, com medo de cair e... hey! – ele não terminou sua frase porque ela lhe acertou uma pequena cotovelada.
- Desculpe! Mas eu não sou medrosa! – ela ria e ele finalmente tirou as mãos que tampavam os olhos dela e passou a envolvê-la com os braços. Um sorriso instantâneo apareceu no rosto de null ao ver o que tinha à sua frente. - null! Eu nem lembrava mais...
- Eu sei, mas ela existe ainda!
- Dá pra entrar?
- Veremos! – ele a pegou pela mão e os dois seguiram para entrar numa casinha na árvore. Quando crianças, os três (null, null e null) iam bastante ali.
- Caramba, ainda conseguimos ficar em pé aqui! Será que nós somos baixinhos, null?!
- Não... A casa é que é grande! Quando a gente era criança, achava enorme, mas agora as nossas cabeças encostam no teto... – eles conversavam meio que encantados e perdidos em lembranças.
- OMG! – agora que null foi ver uma mesa posta no meio da casinha. Estava forrada com uma clássica toalha branca. As pratarias de mamãe null finalmente foram valorizadas por ele, que nunca tinha visto a importância de talheres de prata quando se tem os de inox... Mas hoje ele agradeceu aos céus pela prataria! Um castiçal prateado e um balde com champanhe estavam ao centro, em cada ponta um prato, uma taça e os talheres. Havia uma mesa menor num canto com uma bandeja coberta, null puxou a cadeira pra null sentar depois aproximou a mesa de rodinhas onde estava a bandeja e revelou uma bela macarronada.
- Foi o melhor que eu pude fazer. – ele deu de ombros e fez uma carinha fofa.
- Ounnn, que lindo null!
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- Mãe, esta é null, null esta é minha incrível mãe que preparou um monte de guloseimas pra gente! – null levou null em casa e a apresentava para a senhora null.
- Olá senhora null. – a menina estendeu a mão um pouco tímida, parecia bastante cedo para essas coisas de apresentar família, mas ela estava gostando!
- Oi null, o null só fala de você! Parece até que eu já te conheço e sei que é uma ótima menina. – null sorriu com as palavras da mãe de null e já se sentiu mais a vontade.
- Eu estou de saída – a senhora null pegava a bolsa – Cuide bem dele – ela deu um beijo na bochecha de null e se aproximou do filho depois – Não derrube a casa hoje depois das 3 da madrugada, ok?! Os vizinhos podem reclamar! – depois ela saiu sendo seguida pelo olhar de null e deixando uma null levemente corada.
xxx
- Adorei esse lugar, null! O ambiente, a comida... – null saboreava sua maravilhosa sopa bouillabaisse.
- Sabia que ia gostar! – os dois sorriam um pro outro e pareciam extremamente bobos! Na verdade, null e null são bobos, mas a atmosfera daquele lugar conseguia piorar qualquer casal!
- Quero voltar mais vezes aqui!
- Hum... E será que vai ser comigo?
- Claro bobo! Com quem mais seria?!
- Hum... null... – null tomou um ar sério – Você tem certeza que não sente mais nada pelo... pelo... Peter?
- Que pergunta é essa? Olha, o que eu vivi com ele foi legal e durou bastante, mas foi um tempo em que eu passei me enganando, sabe...
- Enganando?
- É null, tudo o que eu sentia por ele nunca chegou a ser nem um décimo do que o que sinto por você, eu não te esqueci em nenhum desses 1825 dias que ficamos longe!
- Eu também não esqueci você null! Confesso que cheguei a acreditar mesmo que tinha esquecido, mas não. Só me enganei com outras pessoas.
- Delilah?
- Também com ela. Não sei como fui me envolver com ela, você já chegou a vê-la?
- Só naquela foto... – preferiu apagar da memória aquele dia do cinema – E falei com ela um dia quando atendi o telefone lá na casa do null, ela tava te procurando.
- Ela sempre fazia isso.
- Você dava motivos pra ela ter tanto ciúme?
- Até certo ponto não... Depois eu comecei a não ligar mais. Primeiro que a natureza dela é ser possessiva mesmo e segundo que o que a fazia ficar atrás de mim não era ciúme e sim a própria reputação.
- Como assim?
- Ah, pra ela eu era só um cara famoso de quem ela estava se aproveitando... Só que ao invés de ser bom, eu comecei a prejudicá-la quando todos começaram a achar que eu colocava chifres nela.
- E colocava? – null estreitou um dos olhos pra ele. [n/a: òO]
- Err... bem... é... a-às vezes. Mas era de propósito, queria causar mesmo!
- Uhum... Algum dia você vai querer me tratar assim também? – ela perguntou e fez carinha de cachorrinho com frio.
- NÃO, NUNCA! – ele falou um pouco alto e chamou a atenção das pessoas ao redor, depois pôs as mãos sobre as mãos dela e suavizou o tom de voz – Você nunca seria igual a ela! A gente já se amava muito antes de McFly e tudo mais! Você não sabe quanto tempo eu passei achando que nunca ia poder te dizer assim olhando pra esse rostinho lindo que eu amo você! – as palavras emocionaram null. Que ela se emociona fácil isso é fato testado e confirmado! Os olhos dela já brilhavam por conta de lágrimas em começo de produção. Ela tentou se aproximar o máximo de null e ele fez o mesmo para que suas bocas pudessem se encontrar.
[n/a: Coloque pra ir baixando se quiser “If It Means A Lot To You” by A Day To Remember|aqui|-|aqui| ou |aqui| linda música *----*]
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- Acho que tenho tudo que uma garota podia querer reunido aqui... Esse lugar lindo, primeiro eu vi o pôr-do-sol mais fantástico de toda minha vida, e agora esse céu estrelado! O garoto mais perfeito está aqui do meu lado e eu tenho um pão com Nutella na mão, falta alguma coisa?! Se falta eu juro que não sei o que é! – null falava com a cabeça sobre o peito de null, os dois estavam deitados na grama.
- Falta sim... – null se movimentou um pouco, dando sinal que queria levantar e ficar sentado. Ela sentou, ele ficou sobre os joelhos e permaneceram em silêncio por uns segundos.
- O que falta null?
- Falta... – ele começou a tatear os bolsos da calça, até que achou uma ‘coisa’ lá dentro e tirou a mão fechada de lá – Falta esse garoto mais perfeito ser o seu namorado! – abriu a mão na frente dela e lá estava um par de alianças prateadas.
- ! OMG! – ela levou as mãos à boca e depois estendeu a direita para que ele lhe colocasse o anel. Os dois tremiam feito gelatina, null levou meia hora pra acertar o anel no dedo [n/a: ok, brinks rsss não levou meia-hora \o/] – Então agora não falta mais nada! – ela sorria como se fosse rasgar a própria boca, e ele? A dele já tinha rasgado, pareciam os smiles amarelinhos do messenger.
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null e null se divertiam lembrando coisas do passado.
- Lembra daquele dia que eu e a null brigamos porque eu deixei o peixinho dela cair na privada?! Foi sem querer, mas ela passou o dia todo aqui na casa da árvore! – null lembrava daquele dia quase que perfeitamente.
- Lembro sim! À noite a gente veio trazer um jantar pra ela e no final das contas acabamos todos dormindo aqui!
- É, de manhã estavam os três babando no chão de madeira.
- Nem me fale... Minhas costas doeram por uma semana! – null sorriu e os dois ficaram em silêncio por algum tempo, apenas saboreando o jantar e trocando alguns olhares de vez em quando com sorrisos bobos.
- Erm... null? – null lhe mandou um olhar direto e fez a menina gelar.
- Esse é meu nome! – brincou e deu uma piscadinha pra descontrair.
- Eu sempre adorei estar com você, desde criança... Quando eu era garoto eu ficava dizendo que te ‘aturava’ e que você era a menos-pior amiga da null! Mas você sabe que era tudo coisa de menino cheio de marra! – ele sorriu e colocou a mão sobre a dela, que estava em cima da mesa. Ela também sorria e tentava parecer normal apesar de estar suando frio, parece até que sabia onde ele queria chegar. – Eu não via a hora que meus pais fossem na casa da null e torcia que você estivesse lá, se não estivesse não tinha problema, mas se estivesse era melhor ainda! E quase sempre estava! Eu sorria por dentro te vendo rir exageradamente das palhaçadas da null, te vendo falar bobagens, te vendo correr na chuva... Estou certo que não vou amar outra pessoa tanto assim, a menos que eu nascesse de novo! Então... já que você é a mais aturável das amigas da null, será que aceitaria namorar o menos-pior dos primos dela? – ele tirou uma caixinha azul aveludada de dentro do bolso e abriu na frente de null. Ela pôde ver um lindo par de alianças de namoro. Ficou sem reação por um tempo. ‘Se pra pedir em namoro foi assim, imagina quando a gente for casar... Erm... Claro, se isso acontecer um dia.’ Ela pensava antes de voltar à Terra.
- Nossa... null... Me pegou de surpresa! Estou sem palavras!
- Diz só que sim. Oras...
- Eu digo mais, eu digo com certeza! – os dois sorriam como se estivessem no dentista fazendo cirurgia no último dente! Colocaram as alianças e depois de alguns beijos voltaram a comer. Até terminar, null de vez em quando olhava pra mão direita e apenas sorria.
- Foi você mesmo que fez? – ela falou passando o guardanapo delicadamente na boca – Isso tava bom demais, null!
- Claro! Eu sozinho e comigo mesmo! – ele deu uma piscada – Sou incrível...
- Eu ia te chamar de convencido, mas você é incrível mesmo!
- Você ainda não viu a sobremesa... – ele falou com um olhar malicioso e ela sorriu sacudindo a cabeça pros lados enquanto ele levantava e caminhava em direção à ela com um olhar de brontossauro indo pegar sua vítima... null começou a se levantar devagar da cadeira e quando ele estava bem próximo, ela saiu correndo em volta da mesa. Os dois deram umas três voltas ao redor da mesa, mas ele acabou encurralando-a e a fez esbarrar em um rádio que começou a tocar The Classic Crime.
I can't stop killing the songs you like
(Eu não posso deixar de matar as músicas que você gosta)
You look at me with eyes
(Você olha para mim com olhos)
That could beat the sunrise in a contest
(Que poderia ganhar do nascer do sol em uma competição)
No question
(Sem dúvidas)
Well, talk to all the others
(Bem, fale com todos os outros)
And bring me back to earth
(E me devolva para a terra)
I'm thankful for your mother for what it's worth
(Eu sou grato por sua mãe pelo o que ela fez)
Eles riam em meio a beijos… ou beijavam em meio a risos, que seja...
Oh, all the memories we had
(Oh, todas as recordações que nós tivemos)
Framed in our minds like photographs
(Guardadas em nossas mentes como fotografias)
Take a second, take a second
(Pegue um segundo, pegue um segundo)
And make this last
(E faça-o durar)
Here where the future meets the past
(Aqui onde o futuro conhece o passado)
I can never fall in love again
(Eu nunca vou me apaixonar de novo)
I can never fall in love again
(Eu nunca vou me apaixonar de novo)
O beijo foi ficando quente, null passeava com as mãos pelo corpo dela como se estivesse memorizando cada curva.
- Essa casinha nunca esteve tão abafada... – null falou com os lábios encostados nos de null e quando foram perceber, já estavam deitados no tão comentado chão de madeira. Ele tirou a camisa, ela o vestido e... [n/a: E... acredito que não precisa continuar narrando, certo?! Daqui a pouco vou ter que mudar a classificação dessa fic u.ú]
xxx
- AAAAAAAAH, SOCORRO! – null se desviava de uma almôndega que voava em sua direção. ‘Jantar na casa do null? Só podia acabar em guerra de comida!’ ela pensou e em seguida conseguiu acertar uma colher de molho branco na cara dele.
- O quê?! Isso não vai ficar assim! – ele apontou o dedo pra ela enquanto limpava o molho do rosto com a outra mão. Depois ele levantou segurando uma tigela de calda de chocolate com uma colher dentro.
- null... O-q-o que você vai fazer? – ela se levantou rapidamente e começou a andar pra trás se protegendo com as mãos à frente do corpo. Ele apenas sorria com cara de psicopata e dava passos lentos na direção dela. null disparou a correr por toda a casa com uma criança crescida chamada null atrás dela! Ele segurava a tigela prendendo-a contra o corpo com um dos braços e com a outra mão jogava, ou tentava jogar, colheradas fartas de chocolate nela, o detalhe é que na maioria das vezes não acertava a garota... Ela subiu uma escada correndo e ele resolveu não perseguir lá em cima, achou melhor se esconder atrás da estante. Alguns minutos se passaram e a casa estava num total silêncio, o único barulho que os dois ouviam eram suas respirações e batimentos cardíacos num momento de tensão. null começou a descer as escadas devagar, imaginando onde null poderia estar. Terminou de descer e não viu ninguém na sala, foi dando passos pequenos e tinha uma quase incontrolável vontade de rir. Ao passar pela estante foi surpreendida por null, que pulou em cima dela e os dois caíram sobre o carpete com chocolate e tudo mais. Apesar de ser um carpete grosso e fofinho, a queda foi um tantinho dolorida! Principalmente pra null que amorteceu a queda daquela ‘criança grande’. Ela tampou o rosto com as duas mãos e ria pra não chorar... null também ria sem parar com aquela risada altamente contagiante e começou a erguer o corpo. Havia chocolate entre os dois e no coitado do tapete também.
- Minha nossa! Olha o que você fez! – ela falava entre as risadas – Achei que essa cobertura fosse pra por sobre o bolo, não em nós! – Ficaram rindo mais até o estoque de risos acabar. Quando pararam, null ia pegar um impulso pra levantar, mas null pôs a mão em seus ombros impedindo.
- null, o que... – null raspou com o dedo uma poça de chocolate que ficou no pescoço dela e passou delicadamente sobre os lábios dela, enquanto ela o olhava meio sem reação. Ele foi se aproximando e beijou os lábios achocolatados da namorada. O beijo com gosto de chocolate foi intensificado com rapidez e vontade, null começou a ‘limpar’ o chocolate que ela tinha no pescoço e ela mordiscava a orelha dele que também tinha respingos de doce. null o ajudava a tirar a camisa enquanto ele lutava contra os botões do vestido dela, quando conseguiu ‘livrá-la’ do vestido, ficou um tempo olhando o corpo dela apenas de lingerie. Nisso ela ficava cada vez mais envergonhada...
- Espera! – null se levantou de repente e ela ficou sem entender. Ele foi correndo até a cozinha e voltou com um pote de sorvete.
- Por que eu tenho a leve impressão que você quer me engordar?! – ela falou quando o viu abrir o pote e tirar uma colher cheia de lá.
- Senta ali naquela cadeirinha vai amor... – ele apontou uma cadeira um pouco atrás dela – Sabe o que é...
- Ihh null, eu não to gostando dessa sua cara!
- Calma... Eu só tava querendo um replay daquele dia na sorveteria – ele se aproximava com a colher na mão e um sorrisinho maroto, chegando nela, se curvou e recomeçou a beijá-la, sem que ela estivesse percebendo ele foi entortando a colher que ainda segurava e... poft! O sorvete caiu na perna dela!
- AHHH – ela soltou um gritinho e interrompeu o beijo quando sentiu aquela massinha gelada sobre a coxa. Ficou olhando para aquilo e balançando a cabeça negativamente, depois deu um tapinha no braço do null, que só sabia rir.
- Calma, eu limpo! – ele se abaixou ao lado dela.
- Tem guardanapo?
- Não precisa de guardanapo... – ele a olhou e falou com a melhor voz sexy que sabe fazer, ela abriu a boca surpresa e começou a rir sentindo um pouco de cócegas quando os lábios de null encostavam em sua pele.
xxx
null e null conversaram por um bom tempo após terminar o jantar...
- Vamos então? Você quer ir pra algum lugar?
- Hum... Você que sabe, a noite ta bonita e ainda é cedo, 21:30...
- Beleza! Eu já sei aonde nós vamos! – null se levantou animado, deixando null curiosa.
Entraram no carro e null deu a partida com a mesma expressão animada.
- Pra onde vai me levar?
- É surpresa! – ele a olhou sorrindo e lhe deu um beijo rápido.
Ela apenas virou pra frente e se conformou em esperar chegar. Esperou, esperou, esperou... Meia hora se passou.
- Vai demorar muito? Acho que to com sono... – ela falou sonolenta, se ajeitando no banco.
- Vai demorar um pouco. Pode dormir. – ele passou a mão sobre os cabelos dela sem tirar os olhos da estrada.
xxx
- null... – null acordava com uma luz em seu rosto, eles dormiram no banco trazeiro do carro. Completamente nus, diga-se de passagem...
- Que foi? – null respondeu preguiçoso e sem abrir os olhos quando null começou a lhe dar leves cutucões.
- Um guarda...
- Relaxa, ele não ta vendo a gente, o vidro é escurecido. – ele continuava de olhos fechados e com a fala sonolenta.
- null, eu acho que ele ta vendo sim porque... A PORTA TA ABERTA!
- O QUÊ?! – ele abriu os olhos num susto e deu de cara com aquela luz, tentou esconder o rosto com o braço e o guarda tirou a luz de cima deles.
- É perigoso ficar aqui à noite, sozinhos e... pelados! Façam o favor de se vestirem e irem para suas casas, certo?
- Desculpe. – null respondeu baixinho, tanto ele quanto null estavam mais do que mortos de vergonha. Se vestiram rápido e perceberam que o guarda ficou por ali, então nem saíram do carro pra buscar algumas coisas que ficaram lá fora, tipo a toalha, a cesta que ficou vazia, o arranjo de flores... Apenas passaram para os bancos da frente e arrancaram com pressa e meio assustados. Ficaram o caminho inteiro sem falar nada, mas quando null estacionou o carro na frente da casa de null, os dois se olharam e simplesmente caíram na gargalhada.
- Relaxa... O vidro é escurecido! – null zombava.
- Acho que eu bati a perna na porta enquanto dormia e ela deve ter aberto! Maldita hora que eu quis esticar as pernas! – null recuperava o fôlego com a mão sobre o peito.
- Meu Deus... Aquele cara viu meus peitos...
- E o meu nullzinho também! Será que ele tirou fotos da gente? – null abandonou o sorriso e ficou meio sério.
- Ah... Acho que não, teríamos visto o flash.
- Mas eu tenho uma banda! Sou conhecido! E se sair no jornal?! – ele começava a entrar em pânico.
- null, null, relaxa dude! – ela o segurou pelos ombros – Ele não tirou foto nenhuma, ta bom? Que mania vocês celebridades têm de achar que tem sempre alguém pronto pra tirar foto até quando estão fazendo cocô! Relaxa... Talvez ele nem te conheça! Ou pelo menos, ele não me pareceu fazer o tipo ‘fã de McFly’, pra ele deve ser algo tipo ‘Pena Branca & Xavantinho’! [n/a: créditos ao professor Aparecido “quem acertar essa pergunta ganha ingresso pro show do Pena Branca & Xavantinho” shsuhauhuahua eu ri nessa aula o/]
- É... Você ta certa – ele concordou um pouco mais calmo e deu um selinho nela.
xxx
null estacionou o carro e ficou observando null dormir virada pra ele. Alisou o rosto dela e lhe deu um beijo na testa. Antes de abrir os olhos ela começou a ouvir um som que não lhe era estranho, mas custou acreditar que fosse mesmo verdade.
- null... Quanto tempo andamos? Onde estamos? – ela perguntou esfregando os olhos.
- Vira pra janela e veja!
Ela virou lentamente e se deparou com uma imensidão de areia seguida por uma imensidão de água que refletia a imagem da lua.
- OMG! – ela voltou a se virar pra ele de queixo caído.
- O que estamos esperando?! – ele sorria feito uma criança enquanto retirava o cinto de segurança e logo deixou o carro. Ela também saiu e quando se encontrou com ele, deram as mãos.
- null! Isso... isso... isso foi... – ela não achava as palavras, tinha adorado ser trazida para a praia de surpresa. Diante da falta de palavras de null, null lhe deu um beijo intenso e ao final, ela encontrou a palavra.
- Perfeito... – ela sussurrou com o nariz encostado ao dele. Os dois ficaram caminhando de mãos dadas por toda a areia, já devia haver pegadas deles por todo canto. Eles andaram, correram com os braços abertos sentindo a brisa e brincaram de pega-pega, como manda o script.
- Hm... – null tentou falar alguma coisa enquanto null a beijava.
- Que foi? – ele perguntou quebrando o beijo.
- Vem null, não entramos na água ainda! – ela começou a puxá-lo pela mão.
- Ah não, null! Vai estragar nossas roupas!
- Que estragar que nada null! Por acaso o mar é ácido?
- Mas... mas... – ele tentava impedi-la, mas já estavam se aproximando da água.
- Mas nada null! Deixa de frescura, seu gay! Eu sou a garota aqui, acho que era pra eu estar assim, né? – ele soltou um risinho abafado com o comentário, ela tinha razão, estava fresco! Então ele mudou de atitude e a pegou no colo, correndo pra água! A água não estava tão fria quanto pensaram que estaria e eles aproveitaram aquelas ondas até dizer chega! Foram andando de volta pra areia um tanto cansados e se jogaram lá. Deitaram lado a lado e ficaram fitando o céu estrelado por uns instantes.
- Ihh, meu relógio parou – null olhou o relógio no pulso e sorriu ao ver que ainda marcava meia-noite, devia ser muito mais que isso.
- Que bom! Significa que o tempo parou eu vou ficar pra sempre aqui, deitada na areia com você, olhando pro céu estrelado...
- Seria ótimo se fosse verdade! Eu ia adorar ficar aqui pra sempre e com você. – ele aproximou o rosto do dela e os dois encostaram as testas. Logo os lábios também se encostaram.
- Hum, beijo salgado – null murmurou com a boca colada na dele e os dois riram, mas sem se soltar do beijo, que ganhou intensidade rapidamente. Uma das mãos de null entrou pela abertura lateral do vestido de null e passeava pelas costas dela fazendo-a se arrepiar a cada toque, enquanto a outra mão ‘caminhava’ pela coxa.
Quando null menos esperava, ele a ergueu no colo e saiu andando com ela.
- Hey, pra onde vamos agora?
- Eu to te seqüestrado, fica quieta aí! – respondeu rindo.
- E onde fica esse cativeiro, hein?
- Bem aqui perto, é a bat-caverna!
Eles entraram numa caverna formada por uma abertura em uma das rochas. null pôs null no chão e eles ficaram observando aquilo. Depois ele tirou o paletó e o estendeu no chão, para que ela não ficasse sentada diretamente na areia.
[n/a: Põe pra tocar aquela música, If It Means A Lot To You...]
- null... – ele ficou sobre os joelhos perto dela.
- Fala nullzinho lindo da mamãe null! – null sorriu com a brincadeira e ficou sério de novo.
- A noite hoje foi perfeita e... e esses dias têm sido incríveis! Acho que eu estava congelado esses anos todos que você ficou longe e agora que você chegou eu pude voltar a respirar!
- Uau null... Eu não agüento esses momentos por muito tempo então, antes que eu tenha um surto do coração, onde você quer chegar?
- Na verdade... Eu planejei tudo pra te pedir em namoro hoje! Só que...
- Só que?
- Ah pequena, as alianças que eu encomendei não chegaram a tempo – null deu um soquinho na areia e abaixou o rosto.
- Ow... – null ergueu o rosto dele segurando pelo queixo – Não tem problema, null! Elas não são o mais importante, o que dá vida à relação não são as alianças e sim amor, amizade, respeito! E modéstia à parte, isso nós temos de sobra...
- Sério que você não ficou decepcionada?
- Talvez só um pouquinho...
- Eu juro que quando elas chegarem eu te faço o pedido oficial, nem que eu precise ir até a sua casa andando!
- Melhor ir de carro, não quero um namorado que precise amputar as pernas... – null o puxou pela gravata e lhe deu um beijo no pescoço – Mas hey, por enquanto eu ainda posso ser a sua fã número 1?
- Claro! Hey null, você aceita ser minha fã #1?
- Aceito e você aceita?
- Inteiramente aceitado! Onde é que eu assino?
- Aqui. – null pôs o dedo indicador sobre o pescoço e ele deu um beijo onde ela indicara.
- Aqui também – indicou a ponta do nariz – Não esquece de assinar aqui – indicou o ombro – Oops, faltou aqui – indicou os lábios.
Eles se beijavam com calma e null começou a deslizar o zíper do vestido dela pra baixo sem desespero. Quando o zíper chegou ao fim, o vestido se tornou folgado, fazendo as alças despencarem cada uma pra um lado. null depositou-lhe um beijo no ombro e olhou pra null como se estivesse perguntando se ela queria ir em frente. Como uma resposta positiva, null se levantou e começou a puxar o vestido pra baixo. Enquanto isso ele se livrou da gravata e começou a abrir os botões da camisa, tudo sem tirar os olhos dela. null se sentiu como uma modelo de catálogo de lingerie vendo o olhar dele tão atento e desejoso sobre ela. null tirou a camisa e viu null se deitar lentamente ao lado dele sobre o paletó estendido. Ele sentiu que poderia babar e antes que isso acontecesse ele se acomodou por cima dela voltando a beijá-la. Cada movimento deles parecia planejado e perfeito como se aquilo fosse uma coreografia. null passeava com a mão esquerda, desde as coxas até o busto e ficava indeciso sobre onde parar. Ela estava ofegante e não sabia se estava certo seguir em frente ali na praia, mas não queria parar por nada porque estava achando tudo tão lindo quanto um balé ou um espetáculo do Cirque du Soleil, portanto não podia estar errado! Não havia um lugar mais certo onde ela podia estar senão ali.
Depois que todas as peças de roupa já haviam sido gentilmente jogadas, eles se tornaram um só, como tinha de ser. Adormeceram por ali mesmo e aproximadamente três horas depois acordaram com uma claridade diferente colorindo as paredes das rochas, o sol estava para nascer. Eles se levantaram pra ficar sentados e assistiram emocionados aquela cena tão simples e perfeita.
- Que lindo... Esse é o nascer do sol mais bonito que já vi, sem dúvidas! – ela falou com a voz emocionada.
- Na verdade, eu acho que nunca vi o sol nascer! E se vi não prestei atenção como agora... – ele a abraçou e lhe deu um beijo na cabeça. Eles fizeram silêncio por um tempo, mas não era um silêncio incômodo, se sentiam preenchidos como se fossem os donos do mundo naquela hora!
- null – ele sussurrou cortando o silêncio e ela o olhou – Você viu que prestando bastante atenção dá pra ouvir o barulho da água caindo de cima do sol enquanto ele se levanta?
Ela sorriu docemente encarando aqueles olhos null e passou a mão no rosto dele.
- É null... – disse simplesmente e voltou a olhar pra frente. Depois de um tempo, quando quase toda a circunferência do sol já estava revelada, eles tiveram a idéia de se vestir antes que aparecesse alguém.
Now everybody's singin' laa...
Capítulo 21 – Bad day in Wonderland
null acordou por volta das nove da manhã sentindo suas costas pedirem por socorro. Viu que null estava com a cabeça em seu peito e depois de vagar em pensamentos tipo ‘Se me dissessem mês passado que aconteceria tudo isso eu não ia acreditar!’ ele estampou um sorriso bobo no rosto e balançou null delicadamente até ela se mexer.
- Nossa... Apagamos aqui na casinha! Ai... – ela se levantava – Precisamos parar com esse costume de dormir sobre superfícies tão, err... sólidas!
- É! Ainda ta cedo, vem... Vamos continuar dormindo numa cama de verdade! – ele se levantou e estendeu a mão para ajudá-la a levantar também.
Ao passar pela sala, null viu que tinha recado na secretária eletrônica e foi até o telefone pra ouvir enquanto null usava o banheiro do andar de baixo.
- YEEE, minha mãe vai voltar hoje à tarde! – ele esticou os braços pra cima quando viu null sair do banheiro.
- Que bom null! Pena que nós estamos indo, né... Justo hoje.
- É... Vocês bem que podiam ficar mais um pouco!
- Você sabe que não dá, null... Mas tudo bem, não é tão longe assim! – eles sorriram e foram abraçados subindo as escadas. Quando chegaram no corredor de quartos ouviram uma descarga. Os dois se entreolharam e foram checar se null estava lá. A porta do quarto dela estava aberta e ela dormindo como um anjinho.
- Mas então... quem está no banheiro? – null se virou pra null e falou baixinho, meio assustada.
- Vejamos... null e null devem estar na casa dele. null e null definitivamente dormiram fora. E eu vi quando o null e a null chegaram, ela entrou sozinha e ele foi embora. – null raciocinava em voz baixa.
- Como você viu a hora que a null chegou?
- Eu vim até a cozinha e vi quando ela passou pela sala na ponta dos pés como se alguém pudesse flagrá-la! Engraçada...
Ouviram mais um barulho dentro do banheiro e se olharam mais uma vez. Agora parecia alguém lavando as mãos, mas depois de todas aquelas eliminatórias, quem podia ser ali?
null foi andando até a porta devagar com null grudada no braço dele. Estava prestes a por a mão sobre a maçaneta quando...
- AAAAAAAAAAAAAH!
- PUTAQUEOPARIU! – null gritando.
- SEU FILHO DUMA... – null gritando.
- QUEREM CALAR A BOCA? – null acordando.
Os três estavam gritando porque null abriu a porta antes de null e se assustou com aqueles dois ali.
- null, socorro! Eles estavam me espionando enquanto fazia xixi! – null se jogou na cama ao lado de null e sumiu no meio dos cobertores.
- Não, idiota! A gente não sabia que você tava aqui. – null puxou os cobertores de cima dele.
- É, eu pensei que tinha algum estranho no banheiro! – null comentou assustada.
- Ah, ele foi muito bonitinho, mais ou menos uma hora depois que a gente chegou ele voltou aqui e escalou a janela! Não é um amorzinho? – null ficou passando a mão pela cabeça dele como se ele fosse um gatinho de estimação.
- Amorzinho eu não sei, mas por que alguém se daria ao trabalho de subir até a janela se não tem nenhum 'pai-furioso' em casa pra pegar no flagra? – null cruzou os braços.
- Po dude! Namorado que se preze tem que entrar pela janela da namorada pelo menos uma vez!
- OOOH , VOCÊS ESTÃO NAMORANDO! – null gritou e se jogou na cama por cima de null e null.
- SIIM E... espera! – null olhou pra mão da outra, onde um anel brilhava tanto que chegava a ofuscar a visão – VOCÊ TAMBÉM TA, !
- Dude! – null levantou da cama enquanto as duas faziam festa – O que aconteceu com aquela coisa toda de 'namorar é bobagem' e bla bla bla?
- Me diga você... – null deu de ombros e sorriu quando null piscou pra ele.
null acordou ouvindo uma música baixinha. ...
I need a little more luck, then a little bit
Cuz' everytime I get stuck the words won't fit
And everytime that I try I get tongue tied
I need a little good luck to get me by
...
Abriu os olhos devagar reconhecendo uma de suas músicas favoritas e sorriu involuntariamente. Notou que estava vestida num roupão branco e macio, mas não tinha nada por baixo. Se assustou ao perceber que estava num quarto, deitada numa cama grande e null não estava lá. Viu que a música vinha de um rádio relógio e ele marcava 10:15 a.m. Não demorou muito e null entrou com uma bandeja, fechou a porta do quarto, a colocou em cima de uma mesinha e sorriu. Estava com um roupão igual ao dela, só que aberto e com a boxer estampada de patinhas de gato que tanto fez null rir na noite passada.
- Dormiu bem?
- Aham, mas to com um pouco de dor de cabeça!
- Eu avisei pra não abusar, você ficou dizendo que champanhe não te deixa bêbada e olha o estrago – comentou rindo da cara confusa dela.
- Como eu vim parar aqui? Não me lembro de ter vindo pra cá!
- A gente dormiu lá na sala, mas eu acordei no meio da madrugada e te trouxe pra cá – ele se aproximou e deu um selinho nela.
- Ah, ta... ! – de repente ela o olhou meio espantada – Precisamos ajeitar aquela bagunça que ficou a sala!
- Relaxa! Brit já ta dando conta.
- Brit?
- É, Bridget, a empregada. Eu dei um dinheiro pra ela não comentar pra mamãe sobre isso! Combinamos tudo, o carpete ela pôs pra lavar e se a mãe perguntar ela vai dizer que estava cheio de pó. Tudo que estava fora do lugar ela já arrumou, começou cedo, e o seu vestido já pôs pra lavar também, deve estar na secadora agora.
- Ufa...
- Te trouxe um café, espero que goste de geléia de morango – ele fez uma carinha fofa e ela sorriu boba.
- Ouuun null! Eu acho que qualquer coisa que você me trouxesse e fizesse essa carinha eu ia gostar, até pedra! – ela o segurou pelo queixo, deu um selinho e pegou uma torrada.
Uma hora depois ele já estava levando-a de volta para a casa do null e estava uma bagunça danada por lá, as meninas correndo de um lado pro outro enquanto um som alto tocava na sala, se misturando com os barulhos do video game que null jogava concentrado. A casa parecia um hospício naquele momento... Quem liga mesmo?
There's a place off Ocean Avenue
Where I used to sit and talk with you...
- ALGUÉM ABAIXA ESSA MERDA? – null gritou, estava com dor de cabeça.
null foi abaixar o volume vendo que ninguém o faria, enquanto null ficou a observar a correria das outras.
- OMG! Você viu meu secador, null?! – null perguntava no corredor.
- NÃO! – null gritou dentro do quarto.
- É null... Pelo visto não fui só eu que não terminei de arrumar minhas coisas! – null comentou rindo quando ele se aproximou.
- Acho melhor você se juntar a elas na correria! Que horas seu pai vai passar mesmo?
- Duas.
- Oi null, o seu pai ligou faz poucos minutos – null veio da sala e se aproximou dos dois.
- Ah, é? O que ele disse? Você não falou que eu dormi fora, falou?
- Eu não, mas o null falou!
- ! – null e null gritaram juntos.
- Eu o que? – null perguntou sentado no sofá, ainda bem concentrado no seu jogo.
- Relaxa, olhem só... ESTOU CONTANDO QUE VOCÊ ESCALOU O TELHADO ONTEM E GRITOU LÁ EM CIMA QUE VOCÊ TEM HEMORRÓIDAS E QUE AMA O !
- Ah, é. – null respondeu sem prestar a mínima atenção.
- Viram? null me assusta! – null sorriu e os dois respiraram aliviados.
- Mas então, por que meu pai ligou?
- Ah, ele só ligou pra avisar que teve um problema com o carro e só vai poder passar à noite, por volta das 7.
- Ahn! Isso é bom, mais tempo! – ela abriu um largo sorriso – Vou subir e tomar um banho. – deu um selinho em null e subiu as escadas correndo.
- Cadê o null? – null olhou pra null depois de um tempo que ficou pasmando.
- Não sei, não apareceu ainda e nem a null. – null deu de ombros e os dois foram se sentar na sala.
- OUCHH! – null acordou quando uma bola de vôlei bateu em sua perna. O menino que a jogou ficou a observá-los na entrada daquela 'pequena caverna de rochas' onde eles estavam. Ele saiu correndo quando null levantou a cabeça.
- null... O que foi? – null murmurou ainda de olhos fechados.
- null, acho que a gente dormiu de novo depois que o sol nasceu!
- Ah é, mas que horas são? E de quem é essa bola? – null apontou com cara de zonza pra bola colorida que o menino abandonou.
- Foi um menino que arremessou na minha perna e depois ficou assistindo a gente acordar... Filho da mãe, aposto que vai ficar roxo isso aqui! – null murmurava enquanto foi andando pra ver em que lugar do céu estava o sol e assim tentar adivinhar o horário, já que seu relógio havia parado e o celular estava no carro.
- Ainda bem que a gente se vestiu direitinho naquela hora então... – null se levantou e começou a sacudir o cabelo por causa da areia.
- null... Que horas você disse que Robert ia passar lá na casa do null mesmo?
- Ah, ele disse que mais ou menos duas da tarde. Por quê?
- Não sei, mas parece que já é meio-dia, ou quase! – ele falou observando o céu, com o sol lá no meio.
- O QUÊ? – ela se virou na direção dele mais rápido do que a sonolência permitia e quase se desequilibrou – Mas... mas... tem certeza?!
- Olha, não que eu seja assim um fazendeiro e tal, mas acho que é sim.
- , A GENTE PRECISA CORRER! Robert vai passar daqui duas horas, não vai dar tempo! Ainda nem terminei de arrumar minhas coisas! – ela prendeu o cabelo e os dois foram andando rápido. Uma praia lotada ficou observando as duas criaturas saindo do meio das rochas sacudindo as roupas, cheias de areia grudada. null teve a impressão que até quem jogava vôlei parou para olhá-los. Sentiu as bochechas esquentarem um pouco, mas não podia fazer nada a não ser andar depressa. Em seguida, foram correndo para o carro visivelmente atrapalhados e apressados... O carro estava lá, do jeitinho que ele havia estacionado. [n/a: ok, isso é uma ficção mesmo aahusah! Vamo combinar né...]
null’s point of view ON
Entramos no carro e eu ainda precisava vestir minha camisa que eu vim carregando no braço. Eu estava morrendo de vontade de rir daquelas pessoas que ficaram paradas olhando pra gente, aquela cena foi digna de cinema! Por que eles ficaram tão admirados, ué? Só um casal com roupas sociais no melhor estilo 'me-formei-ontem-à-noite'! Sabia que eu não podia olhar pra null porque ela devia estar prendendo o riso também ou então com aquela cara irritantemente bonita de quando ela fica com vergonha. Não me controlei e olhei pra ela antes de dar a partida. Nós dois começamos a rir feito loucos... Acho que dormir na praia traz problemas mentais.
- As nossas caras deviam estar as melhores – ela estava falando e rindo ao mesmo tempo. Quanto mais ela ria mais eu queria rir também! Ataque de riso existe mesmo?
- Você quer dizer as piores né, pra ficarem olhando tanto!
- Porra null, aquelas garotas estavam olhando pra você sem camisa! – uau. Ela fala mesmo... Desse jeito eu não vou conseguir parar de rir pra poder dirigir, cacete!
- Mas aposto que você ficou toda orgulhosa por ser a dona de tudo isso, não ficou? – fui cutucando a barriga dela, diz aí se eu não achei uma boa saída? Aprendam comigo guys, não discutam com suas namoradas, apenas façam cócegas nelas e pronto!
- Ok, eu vou... deixar passar... mas pára... e dirige caraíí! – ela estava falando e rindo mais uma vez, mas agora era por causa das cócegas.
- Ah, é verdade! Estamos com pressa! – eu tratei de ligar o carro, mas antes que eu passasse a primeira marcha ela tocou meu braço, me olhou com aqueles olhos que param o meu mundo e me deu um beijo. Não foi um beijo que demorou muito, mas foi algo diferente. É como se ela estivesse confirmando que não se arrepende de nada, nem mesmo de ter saído sob os olhares de todos agora pouco, assim como eu que também acho que cada segundo valeu.
- Ta bom, agora pára de me olhar e vamos embora porque minha cara deve estar horrível! – Hum, deixa eu analisar... Não está horrível.
- Você ta bonita null! – eu falei, dei a seta e saí. O trânsito parecia complicado mais à frente... Odeio trânsito!
- Aiai, esses quase-namorados, como mentem! – null se ajeitou no banco sorrindo. Eu tive que tirar com ela depois disso!
- COMO ASSIM?! QUANTOS VOCÊ TÊM? – eu fingi uma voz afetada e ela virou o rosto pro outro lado, provavelmente rindo.
- Só você, mas é porque você vale por muitos! – e ela piscou. Agora foi ela quem achou uma boa saída, hum. [n/a: créditos à amiga da Aline ahsuhshas]
- Ihh, esse trânsito ta mais parado que o meu relógio aqui!
- A gente não pode fazer nada então não adianta estressar! Vou colocar uma música... – pegou o MP4 na bolsa e ligou no rádio do carro. Começou a tocar David Archuleta. O que ela ta querendo com isso?
- Ah null! David Ar-de-chulé essa hora da manhã?!
- Mas agora não é manhã null. [n/a: humpf ]
- Então põe uma música menos "quarto-de-mocinha".
- Touch My Hand não é "quarto-de-mocinha" – null encolheu um dos olhos e pôs as mãos nas cadeiras. Foi engraçado! Eu ri.
- Se você diz... – melhor concordar né... E o carro anda mais dois metros. Começou a ficar difícil ter paciência naquele trânsito enquanto sentia o sal e a areia pinicando em algumas partes do corpo! Mas a gente chega lá e é um tempo a mais pra eu passar com a null antes dela ir embora!
- Ahhhhin, a gente não vai chegar antes do Rob, null! E se ele levar minha mãe e ela me ver chegando assim?! Vai me encher de perguntas o caminho inteiro até em casa!
- Calma, a gente chega sim, eu prometo! Se a gente não chegar no horário, eu toco Touch My Hands em praça pública! E até danço, viu... – erm, a gente vai chegar no horário. Não vai?
null’s point of view OFF
Chegaram à casa do null às três da tarde. null desceu do carro apressada e quando o ‘casal milanesa’ entrou na casa, todos os presentes na sala ficaram olhando com cara de interrogação e caíram na gargalhada vendo o jeito meio assustado dos dois.
- Que foi? – null perguntou levantando os braços.
- Cadê o Robert? Minha mãe veio também? Ela vai me matar!
- Relaxa null! – null recuperava o fôlego depois de rir da cara apavorada dela – Ele ligou e parece que só vai passar no finalzinho da tarde.
null respirou aliviada com a mão sobre o estômago. – Mas por quê?
- Ah, foi algum problema no carro. – null abanou o ar.
- Por onde vocês andaram? Algum depósito de areia? – null perguntou fazendo os outros voltarem a explodir em risadas.
- Fomos! É um deposito enorme que começa com ‘pra’ e termina com ‘ia’! – ela falou sorridente e olhou pra null, que também sorria.
- Nossa! Vão à praia e nem chamam os amigos! – null cruzou os braços e null lhe deu um pedala.
- Cala a boca maritaca! Você ia querer segurar vela?
- Não me bate, coisa ruim! Assim eu vou ficar com traumatismo ucraniano!
- E seria esse traumatismo proveniente da Ucrânia? – null falou prendendo o riso.
- Ih, nunca tinha pensado nisso...– null fez cara de dúvida.
- Tem um monte de coisas que você nunca pensou, null! – null comentou e logo precisou colocar os braços à frente do rosto pra se defender das almofadadas da amiga.
- Vai ver o primeiro traumatizado no mundo apareceu na Ucrânia! – null respondeu como se aquilo valesse um milhão de reais.
- Ainda bem que a null e o null não estão mais juntos, imagina se tivessem um filho, como é que não seria a criaturinha! – null havia acabado de voltar do banheiro e quando passou por null lhe deu um pedala.
- Hey, é por isso que você e a null estão juntos! Só sabem maltratar os amigos, são dois brutos... – ele fez um biquinho afundando a cabeça entre os ombros e null lhe deu um beijo na bochecha.
- Eu não maltrato a null, eu amo essa mulher! – null ficou tentando agarrar null, que virava a cara e tentava afastá-la com os braços.
- Pensei que só a gente tivesse momentos gays! – null falou pra null e os dois desmunhecaram as mãos.
- Ah, minha null é uma flor, ela ama essa amiga dela! – null falou pra null enquanto null ainda continuava tentando beijar a bochecha de null.
- Não, aqui só tem uma flor e é a null! Ela nasceu on the floor – null passou um braço pelo ombro dela e ficou esperando A reação.
- On the floor?
- Sim! É no jardim on the floor nasce! – null terminou sorridente e todos fizeram OOOUUUN quando ele deu um selinho nela. null quase chorou.
- Put a keep are you null vai see food her! – null escreveu num caderno e jogou em cima dos dois.
- Essas crianças estão com fogo hoje! – null olhou pra null sorrindo depois de um tempo observando os amigos.
- Deixa eles... Eu vou tomar banho e trocar essa roupa horrível, acho melhor você ir e fazer o mesmo! – null o puxou pela mão até a porta.
- Ahn! Ontem você disse que meu terno era lindo! – null brincou fazendo cara de criança quando descobre que Papai Noel não existe.
- Ele é! Quando não está coberto de areia... – ela terminou rindo. Os dois se despediram e null foi pra casa.
null tomou seu longo e merecido banho, tirando areia e sal até dos ouvidos... Terminou de arrumar algumas coisas que faltavam nas malas, depois desceu pra sala e cumprimentou seus tios que haviam acabado de chegar.
- Tia! Pensei que eu fosse embora sem te ver!
- Oh, minha querida, foi tão inesperado! Uma pena não podermos estar aqui nas férias com vocês! – a senhora null abraçava a sobrinha.
- Espero que não tenham feito muita bagunça – senhor null apontava o dedo no rosto do filho.
- Que isso pai! Nós não somos mais adolescentes! – ele ergueu uma sobrancelha e olhou null de canto de olho – Mas e então... Como foi tudo?
- Ai meu filho... Seu tio ficou em coma por uns 20 dias, mas não resistiu. Foi difícil, tivemos que cuidar da minha sogra porque ela ficou terrivelmente abalada. – a mãe do null explicava enquanto tirava o agasalho.
Os pais de null ficaram um tempo na sala, conversando com toda aquela turma e depois foram tomar banho pra descansar.
Já passava das seis e meia quando null estava em seu quarto passando um lápis básico no olho e viu o celular vibrar em cima da penteadeira, mensagem do null.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Dá pra passar aqui?
Têm umas coisas que eu esqueci de dar pra minha fã #1!
Bjoooooooooo
null sorriu ao ver a mensagem, ficou muito curiosa imaginando o que seria e se daria tempo de passar lá...
- ! – ela gritou ao entrar na cozinha e ver o primo bebendo um copo de suco.
- Cralhocofcofoc, quase me engasguei agora! Que me matar de susto? Se eu morresse a culpa ia ser sua!
- Não, ia ser do suco de laranja! Mas esquece isso... Me leva com seu carrinho bonitinho até a casinha do nullzinho?
- Ora, mas é tão perto, vai a pé!
- A pé dá uns dez minutos null, não vai dar tempo de ir e voltar! Deixa de ser mala, poxa!
- E por que você inventou de ir lá agora?
- Ele me mandou uma mensagem... – mostrou o celular pra null – Anda vai... Deixa de preguiça e ajuda a sua prima uma vez na vida!
null’s point of view ON
Eu tinha acabado de ver que o MP4 da null estava aqui, na verdade ela o deixou no meu carro... Eu também queria entregar pra ela a pulseira, que eu to tentando entregar desde o dia da festa na casa do Kyle! Ela nem sabe que eu estou com essa pulseira, mal posso esperar pra ver a cara dela quando eu entregar! Erm... Será que ela lembra da pulseira? Tipo, ela deixou cair lá em casa uns séculos atrás e... ah, que seja!
Vejamos o que ela tem nesse MP4, ou ‘emepêquatrinho’, como ela fala... Será que tem McFLY?
null’s point of view OFF
null conectou o dispositivo em um computador na sala e então jogou a pasta ‘The Red Jumpsuit Apparatus’ na lista de execução.
DING DONG [n/a: yeap! Campainha baby xp! Ah! Se quiser, coloque pra tocar Face Down quando eu disser que a música deve rolar! Vai por mim, combina com o momento o/]
‘Mas já?! Cacete, ela é rápida! Acabei de enviar a mensagem!’ null pensava indo abrir a porta.
- Você?
- Oi null...
- O que veio fazer aqui Lilah? – ele cruzou os braços.
- Queria conversar, não vai me deixar entrar?
- A gente já conversou tudo que precisava.
- Não null! Aquele dia no parque eu tava nervosa, falei um monte de bobagens! – ela foi dando passos pra dentro da casa e null recuava.
- Não ligo e não quero saber! – havia um ar infantil na fala dele que fez Delilah achá-lo mais fofo.
- Mas você precisa saber, eu nunca estive com o Mike, juro! – ela falou já dentro da casa e encostando a porta atrás de si.
- Por que falou o contrário então?
- Sei lá, acho que eu não quis sair por baixo... Você tava me traindo e eu simplesmente perdi o controle, perdi a cabeça! – ela parou de andar na direção dele e os dois ficaram parados no meio da sala.
- Pode ser que você não tenha saído com ele, mas e daí? Se eu fiz o que fiz quando a gente estava junto foi porque a nossa relação se tornou insuportável pelo fato de você estar comigo por causa da banda... Isso não foi mentira, eu era só um null famoso pra você!
- Foi mentira sim e foi a pior delas! Admito que bem lá no comecinho das nossas saídas você era pra mim um null bonitinho, mas eu fui gostando de você, me apaixonei seriamente!
- Legal... Mas ah, quer saber?! Não faz diferença pra mim. O que a gente teve foi legal até, mas já acabou faz tempo.
- Não faz assim null! Pelo menos me desculpe por tudo então.
- Tudo bem... Podemos ser amigos. Como você queria! – ele sorriu sarcástico.
- Não quero ser sua amiga... – ela se aproximou olhando nos olhos dele – O que eu quero vai muito além disso e eu duvido que você não sinta mais nada por mim! – ela foi abrindo os botões do sobretudo que usava e quando terminou o deixou despencar ao chão, revelando seu corpo totalmente nu. null arregalou os olhos e sentiu o ar lhe faltar.
- V-v-veste isso, Delilah! Ficou maluca?
- Ué null, por que ficou tão tenso? Aqui não tem nada que você não tenha visto, tocado, experimentado... – ela sorria vitoriosa passando a mão no pescoço dele.
- Não é isso, é que se te pegam assim vai ficar mal pra mim! É-é-é melhor você ir! – ele já suava frio.
- Tem certeza que quer que eu vá? – ela sussurrou com o rosto bem próximo ao dele e começou a dar pequenas mordidas em sua orelha. null fechou os olhos e apertou os punhos, sentia que a qualquer momento ia perder o controle da situação! Ela foi passeando com a boca pela bochecha dele e quando as bocas ficaram frente a frente, ela avançou e beijou os lábios dele. null sabia que à pouco tinha chamado null pra ir lá e sabia que a porta estava apenas encostada, mas sabia também que não estava conseguindo controlar os próprios atos e que é difícil se livrar de um beijo! Principalmente quando a outra pessoa está nua... Ele apenas pedia mentalmente que não desse pra null passar lá até que ele conseguisse retomar o controle de seus atos novamente ou que ela nem tivesse visto a mensagem! Os dois foram dando passos até o sofá e logo Delilah o empurrou lá, deitou por cima dele e arrancou-lhe a camisa que vestia. null lutava mentalmente contra os próprios braços e fazia força para que eles não abraçassem o corpo nu e atraente que estava em cima dele, uma luta em vão. Os dois ouviram o barulho de um objeto caindo no chão, foi null que deixou o celular cair da mão ao entrar e dar de cara com a coisa toda. Junto com o barulho, null acabou mordendo aquela língua intrusa, fazendo Delilah se afastar do rosto dele com uma careta de dor e a mão sobre a boca. Os dois viraram o rosto ao mesmo tempo na direção da entrada da sala e viram null em estado de choque. null chegou ao lado dela e parou de pé no mesmo estado de choque. null só apertou os olhos sentindo todo o teto da casa cair sobre sua cabeça, não conseguia dizer nada. Não sabia o que dizer, não havia o que dizer. [n/a: e que role música]
- null... – ela falou com a voz fraca e respirou fundo, não queria de maneira alguma chorar ali. Delilah saiu de cima e pegou a camisa dele pra se cobrir até poder chegar ao sobretudo jogado no meio da sala.
- null, não é o que parece! – null levantou falando como se tivesse acordado aquela hora.
- Pode parar null! Pra mim não tem outro parecer aqui!
- Não, não, ela chegou aqui de repente e...
- E... e o que? Vocês começaram a se agarrar? Não tem o que explicar aqui! Por que diabos você me chamou? Pra eu chegar e ver essa peladona branquela com estrias na bunda?
- Não, nem era pra ela estar aqui!
- Epa! Eu não tenho estrias na bunda! E claro que era pra eu estar aqui, sou a namorada dele... – Delilah se pronunciou vestindo o sobretudo e null olhou pra null boquiaberta.
- OKAAAY! ENTÃO DESCULPA AÍ OS POMBINHOS! EU CHEGUEI NA HORA ERRADA? – null começou a falar mais alto. O barulho da música também estava tornando a situação ainda mais ‘agradável’, praticamente um passeio no parque.
- VOCÊ TA LEVANTANDO A VOZ PRA MIM POR QUÊ? VOCÊ NUNCA FOI NADA DELE! Ou pelo menos eu não vejo nenhuma aliança aí nesse seu dedo...
- , IGNORA ESSA GAROTA E OLHA PRA MIM!
null tentou segurar null pelos ombros, mas ela não falou nada, apenas se soltou e foi em direção ao computador. Chegando lá, pegou seu MP4 na mão, mas antes de desconectá-lo, escutou uma voz meio de longe.
- Eu sabia que vocês não eram nada... Esse lance de vocês não ia mesmo durar muito – Delilah comentou como se estivesse tranqüila observando as unhas.
- Que eu saiba eu não fui a namorada chifrada milhões de vezes, com direito a foto na internet e tudo mais... Acho que eu to no lucro ainda.
- Ah, você não devia ter dito isso. EU VOU TE JOGAR DENTRO DAQUELE AQUÁRIO! – Delilah avançou na direção de null, que ficou apenas desafiando com os braços abertos. Na hora H, null saiu da frente e Delilah acabou derrubando dois vasos da mãe do null pra desviar do aquário.
- PUTAQUEOPARIU – null levou as mãos à cabeça e pela primeira vez na vida, ele realmente não sabia o que fazer.
- ! Sua ex-namorada parece fora de controle! Você não vai falar pra ela parar? – null se aproximou e lhe deu um tapa no braço, vendo que ele parecia paralisado no meio do caos.
- Eu... Ela não é...
- MAS QUE CU! VAI FICAR AÍ PARADO, EU CONFIEI EM VOCÊ SEU BOSTA! – null também descontrolou geral e começou a dar soquinhos nele.
null assistia tudo paralisado como null, mas dava graças aos céus por não estar na pele dele.
- Eu confiei... eu fui legal... as meninas ficavam dizendo ‘dá uma chance pra ele’ – null afinou a voz e balançou rapidamente os quadris, como se estivesse querendo imitar suas amigas. Ela dava passos enquanto falava, chegou perto de outro vaso numa mesinha – Eu acreditei. E O QUE VOCÊ ME RETORNA É ISSO?!
Ao gritar a última frase, ela jogou o vaso contra uma parede. null só se desviou dos cacos voadores e apertou os olhos.
- Não null... Se você me escutar vai ver que não é bem assim!
- Ah não?
- Não!
- Então você não me traiu?
- Claro que não!
- Ah, já sei por que você está negando! – null deu uma risadinha e se aproximou novamente do computador. Desconectou o MP4 com violência fazendo a música parar bruscamente.
- Como assim, null? – null coçou a cabeça confuso com a resposta dela.
- Deve ter sido aquele lance de ‘fã #1’. Você acha que não me traiu porque a gente não estava namorando não é... Mas você devia ter lido melhor aquele contrato, null! Ser pego na sala com sua ex-namorada nua, provoca quebra de contrato e uma multa que é nunca mais olhar pra mim, falar comigo ou lembrar que eu existo! – com seu MP4 na mão ela foi se aproximando da saída da sala. O celular continuava no chão, mas ela nem lembrou.
- Eii, eu não deixei de te pedir em namoro porque eu quis! Eu te disse que as alianças não tinham chegado!
- Então ainda bem que não pediu. Assim eu não tenho que me arrepender e você não me deve explicações, a gente não é nada. – ela falou com a voz embargada e respirou fundo mais uma vez pra manter os olhos secos pelo menos ali na frente deles – Ela deve ser a sua fã número 35627, né?! Eu já vi que você tinha que dar algo pra ela também... Podem continuar se dando à vontade, eu vou pra casa. – falou séria e saiu rapidamente puxando null, que pelo jeito continuaria parado com a boca aberta e os olhos espantados se ela não fizesse isso.
- Anda null.
null levou uns segundos assimilando tudo. Sentia que sua cabeça poderia explodir a qualquer momento e seus miolos serviriam de alimento aos peixes do aquário.
- ESPERA AÍ! – ele sacudiu a cabeça pra apagar pensamentos toscos e correu até a porta. Viu null entrar no carro e null, antes de entrar no lado do motorista lançou um olhar raivoso ao amigo. O carro cantou pneus e saiu disparado, null bateu a porta e começou a caminhar meio nervoso na sala.
- Droga, droga! – ele repetia com as mãos na cabeça andando de um lado pro outro enquanto Lilah o observava fechando os últimos botões do sobretudo.
- Se acalma null...
- E você ta fazendo o que por aqui ainda? Já deu seu show, pode ir!
- Hey, se tem alguém que pode dar barraco sou eu, porque EU sou a namorada por aqui, certo?
- Você mesma terminou comigo caraíí! Parece que cheira!
- Exato, fui eu que terminei com você então tecnicamente eu posso voltar atrás!
- Ahn? Vai pra lá você também com esse papo doido, eu hein.
- Se essa null não tivesse brotado da terra agora, nós já teríamos voltado!
- Aposto que não. Eu não quero voltar com você e você também não quer nada comigo, já que vive dizendo que eu não presto.
- É, não presta mesmo e eu espero que ela já tenha percebido isso também.
- ÓTIMO! – null abriu os braços e gritou.
- ÓTIMO! – ela o imitou.
- Olha, eu nunca escondi isso de você, ta legal?! Uma vez você viu fotos aqui em casa onde tinha ela e você me perguntou quem era. Eu demorei, mas acabei contando tudo, não escondi nada, falei que eu gostava mesmo dela e agora que você sabe que eu tava com ela você chega pra causar? Isso foi o que? Não agüentou ver minha felicidade?
- Não, eu só queria minha vida de volta! A gente só terminou aquele dia porque você estava fugindo do controle!
- Isso mesmo, do seu controle. Você queria me controlar pra gente parecer o casal perfeito! Ninguém te avisou que casal perfeito não existe nem na ficção? Você acabou com a minha chance de ter uma vida normal, eu queria te estrangular agora! Mas como eu não bato em mulher, vou só mandar você sair da minha casa!
- Tudo bem. Você não bate em mulher, mas machuca muito mais do que se desse uns socos nelas. Simplesmente porque se você batesse elas parariam de gostar de você! Só o que você sabe fazer da vida é deixar um rastro de mulheres machucadas por onde passa, null! E a pior parte é que algumas continuam sem conseguir te apagar da cabeça! Pelo menos eu me vinguei hoje, eu fiz a null sentir naquela pele tatuada dela um pouco do que eu passei com você! E eu não sei se você percebeu, mas eu ainda chegava a deixar passar algumas sujeiras que você fazia quando a gente estava junto, e ela não! Ela já saiu arrastando o null daqui. Não duvido nada que ela fique com ele agora, sabe como é né, amor de primo...
- AAAAH, CALA A BOCA! – null ficou atacado – EU JÁ FALEI PRA VOCÊ IR EMBORA, O QUE MAIS VOCÊ QUER? JÁ TIROU A ROUPA NO MEIO DA SALA E AGORA FICA AI COM ESSA VOZ DE GRALHA DESAFINADA PIANDO SEM PARAR NO MEU OUVIDO! EU QUERO VOCÊ FORA DO MEU CAMPO DE VISÃO!
null foi empurrando-a pelos ombros enquanto gritava e logo que fechou a porta respirou fundo pra recuperar todo o ar.
- Mas que confusão foi essa aqui? Eu estava dormindo tranqüila no meu quarto e acordei assustada com o barulho das coisas quebr... AH, meus vasos! – a mãe dele apareceu e logo percebeu os cacos no chão. Ela cruzou os braços olhando pro filho e null apenas fez cara de gatinho atropelado, correndo para os braços dela.
- Ah mãe, a null ta brava comigo porque a Delilah chegou aqui e tirou toda a roupa! TODA-A-ROUPA mãe!
- Eu sempre soube que essa Delilah era capaz de aprontar, nunca fui com a cara dela! – a senhora null o abraçou fazendo carinho na cabeça dele.
- Agora a null vai voltar pra lá, não vai querer me ver nunca mais, talvez até volte com o ex e o que eu vou fazer? – ele falava pra mãe com a voz manhosa e com a cara afundada no ombro dela.
- Eu sei o que você vai fazer.
- Sabe? – se soltou do abraço e olhou pra mãe, esperando uma dica.
- Vai arrumar toda essa bagunça.
- Mas mãe!
- Shhhh... Calma, eu não terminei de falar!
- Ah ta, mas você tem alguma idéia?
- Tenho uma ótima. Compre vasos novos pra mim! – falou e saiu em seguida, deixando um null frustrado.
- Você ta bem? – null perguntou estacionando em frente à sua casa, passaram o caminho todo sem falar nada – Ah, claro, mas que pergunta essa minha... – bateu na própria testa.
- Depois daquela loucura a última coisa que estou me sentindo é bem. Mas vamos disfarçar, não quero preocupar meus tios já na hora de ir embora – ela falou e apontou com a cabeça para o carro de Robert parado mais adiante. Eles desceram do carro e Robert saía da casa junto com os tios de null, conversando e cada um puxando uma das malas das meninas que elas haviam deixado na sala.
- Oi null! – Robert sorriu pra ela, que retribuiu com um sorriso fraco – Aonde foram tão em cima da hora desse jeito?
- Fui comprar pilhas recarregáveis pra câmera do null porque perdi as dele. – null respondeu rápido e null concordou com a cabeça. Depois ela deu mais um sorriso fraco. Aquele era o máximo de sorriso que ela estava conseguindo no momento. Entrou na casa, sendo seguida por null.
- Ainda não acredito no que null fez! – null falou assim que fechou a porta do quarto que null acabara de entrar.
- É... Ele fez! – ela mexia no cabelo, tentando fazer um rabo de cavalo, mas estava tão nervosa que nem conseguia.
- Mas é que... é que... é inacreditável, ele parecia tão... sei lá, apaixonadinho, nhenhenhem, você sabe!
- O que tem de inacreditável nisso null?! Conheci o null antes de você e sei que não tem nada de tão inacreditável, ainda mais quando aquela era a ex-namorada grudenta, Devaca. – ela desistiu de tentar prender os cabelos e jogou o elástico longe.
- Calma null... – null se aproximou e a abraçou, ela encostou a cabeça de lado no peito dele e fechou os olhos – Se você quiser amanhã eu converso com ele, pergunto o que aconteceu, por que ele fez isso, etc e tal.
- Não, num precisa procurar ninguém pra falar disso. O que aconteceu é óbvio, não tem o que perguntar. Deixa como está, eu vou ficar bem... No fundo, alguma coisa sempre me disse que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde se eu ficasse com ele. A gente tava só ficando null, não tem nada de mais, não é como se a gente estivesse casado ou algo assim.
- Ah puxa... Só porque eu ia lá deixar uma cicatriz bem grande na cara dele pra ele deixar de ser o Mcflier-null-hot e ficar sendo apenas um McFlier-null-simpático!
- Haha! Primeiramente, eu acredito que nem morrendo aquela peste deixa de ser hot! E depois, eu não quero vocês brigando, ok?
- Hum... ok.
- Não, esse seu ok não me convenceu null! – null sorriu e deu um tapa no braço dele.
- AI O-KAY! Ok okokokok! – null intercalava os ok’s com cócegas na barriga dela e os dois ficaram rindo.
- Valeu null. – null o abraçou.
- Não por isso! E fica bem. – deu-lhe um beijo no topo da cabeça e a soltou – Já terminou de arrumar tudo?
- Sim. – ela respondeu pegando em cima da cama uma caixa de papelão rosa que ele certamente já viu várias vezes e que ela certamente estava querendo jogar da ponte.
- O que tem aí? – null apontou a caixa com o olhar.
- Coisas que eu vou ter de jogar fora. Se eu conseguir. – ela falou, ele deu de ombros e os dois saíram do quarto.
null’s point of view ON
Depois de todas aquelas despedidas, Robert, eu e as outras três maritacas (ah, rola uns apelidos carinhosos entre nós, só pra constar!) já estávamos no carro. null ia na frente, igual quando viemos, null na janela do lado do motorista, eu na outra e null no meio. Diferente da viagem de ida, quando null ficava fora do ar pensando num problema que começa com null e termina com null, dessa vez era eu que estava assim aérea, observando a janela com meus fones de ouvido. Talvez pra não ter de escutar toda a alegria eufórica das outras e ficar me sentindo culpada por sentir inveja. Confuso isso, né? Liguei logo o MP4, esperando que null não tivesse realmente olhado todo ele e visto que lá tem várias pastas de McFLY, uma pra cada álbum. Antes de pôr os fones, fui ao menu e escolhi ouvir na ordem do ‘acaso’ e fiquei torcendo: que não venha música de fossa, que não venha música de fossa, que não venha... Ah, ótimo... Touch My Hand. Prêmio Ironia pro meu emepêquatrinho! Logo a que a gente escutou hoje cedo quando eu ainda estava no país das maravilhas. Senta e chora. A música começou a tocar e eu podia simplesmente passar pra próxima, mas não o fiz.
Deitei a cabeça pra cima com os olhos abertos. Sabia que os flash backs não demorariam a passar como nuvens em meus pensamentos.
Play null’s Flash Back
Memory-one
Eu e null conversávamos dentro de um quarto no dia seguinte à festa do null...
- null, eu sempre disse que você devia deixar de medo e ficar com ele de uma vez!
- Verdade... E eu demorei tanto pra te escutar! Menina, ele me pegou de jeito naquele closet!
- HAHAHAH closets são hots! Que nem banheiros! – null sorriu maliciosa, às vezes ela me dá medo.
- Perva... – o sorriso foi desaparecendo do meu rosto e eu olhei pro lado.
- Que foi?
- Ah, você sabe. E se de repente tudo isso acabar?! E se o meu maior medo desde que o conheci se realizar? Digo... e se eu pegá-lo com outra tipo... amanhã?!
- Relaxa, ele não vai fazer isso! Não é mais o garotão da oitava série!
- Mas agora ele é o garotão de uma banda... Sem contar que uma vez galinha, sempre galinha! É sério null, e não ia agüentar se isso acontecesse! Acho que eu simplesmente morreria!
- Aff! Mas que drama, Deus me livre! Com quem você aprendeu a ser dramática desse jeito? Ah não, lembrei! Você já era dramática antes de nascer, por isso nasceu chorando! Aiê! – gritou com o tapinha que lhe dei na bochecha. Ah, eu não sou tão dramática!
- Eu dramática?! Fique sabendo que você é pior que eu às vezes, ‘oooh eu nunca vou gostar de mais ninguém como gosto do null! Oooh, oooh...’ – eu fazia gestos exagerados com os braços e usava uma voz ridícula. Parei quando ela me deu uma almofada na cara e ficamos rindo feito idiotas. Sério, nós temos perturbações psicológicas! Se afaste se puder.
Memory-two
Eu já estava arrumando a mala pra voltar pra casa. Trouxe realmente muita coisa, tanto que precisei começar a arrumar dois dias antes, colocando na mala algumas coisas que não ia usar mais. Fiquei distraída lá ouvindo música enquanto pegava alguns sapatos no guarda-roupas e quando menos esperava senti braços me envolvendo pela cintura. Opa! Conheço esses braços! E esse perfume! null!
- null! O que... faz... aqui... criatura? – eu fui falando entre um selinho e outro que ele me dava.
- Ué, não ta feliz em me ver? Então eu vou embora.
- Pelo contrário! É que você ficou meio sumido, não te vi desde ontem de manhã.
- É que eu e os caras estamos planejando algumas coisas. Sabe como é, uma banda nunca pode parar realmente!
- Sim, claro...
- Mas eu vim aqui pra ver se você arranja um espaço na bagagem pra... isso. – ele pôs a mão numa sacola que carregava e tirou de lá aquele porta-retratos onde colocou nossa foto. Será que eu sou exagerada por ter sentido o ar faltar por causa disso?
- Wow! O porta-retratos que você chamou de fogão!
- Sim! Você vai levá-lo, não vai?
- Erm, um fogão é meio grande pra por na mala, não? – tentei disfarçar minha emoção sem-causa com uma piada sem-graça. Pela cara dele, não funcionou. – Ah, tudo bem, é só que... eu não esperava que você fosse mesmo me trazer.
- E por que não?
- Porque é um objeto de família? Da sua família?
- null... Ta tudo bem pra mim se ele passar umas férias com você, eu não tenho ciúmes!
- Oun... isso é muito cute da sua parte, null!
- Yeeay! Ninguém nunca me chamou de cute! Tirando minha mãe...
- Cutecutecutecutecutecutecute – fiquei dando beliscadinhas pelo abdômen dele, é legal, ele sente cócegas! Mas sem brincadeiras agora, eu acho que as coisas já foram rápido demais e isso ta ficando sério! Já to até vendo o dia que ele vai me pedir em namoro... Espero estar preparada. Baah, eu estarei sim!
Stop null’s Flash Back
Sinal indo de amarelo para vermelho e o carro parou. Quando eu fui reparar, percebi que do outro lado da rua estava a casa de null. Mas que caralho. Esqueci que a rua da casa dele faz parte do caminho, assim como também esqueci desse semáforo odioso na frente da casa dele! Essa coisa tinha mesmo que fechar agora?! Tudo que eu precisava... Pra completar ele ta lá na janela do quarto. E ainda sem a camisa.
null’s point of view OFF
Não querendo de jeito nenhum que ele a visse, null foi fechando o vidro. Se bem que nem precisaria de vidro escuro, pois mesmo que ele estivesse aberto, null dificilmente a veria porque nem estava olhando pra rua. Ele tinha o olhar fixo no rótulo da garrafa que estava em uma de suas mãos, como se estivesse numa leitura muito interessante. Na outra mão ele tinha o celular dele. Acabava de ler a mensagem que null mandou em resposta e ele não viu na hora porque estava na sala...
O que quer entregar null?!
Fiquei curiosa!
Hm, null ta me levando aí! Até daqui a pouco...
xx null
Capítulo 22 – Aquele que não deve ser nomeado
Quando o carro de Robert já estava há quilômetros da casa de null - pro alívio de null - ela lembrou que deixou seu celular na casa dele. Lá mesmo no chão! Mordeu o próprio lábio de raiva e soltou alguns palavrões imaginando que ninguém ia prestar atenção nela já que null parecia empolgada ao explicar pra null como fazer mechas californianas em casa. Mas null se enganou porque ela percebeu sim.
- O que é que foi null? – null se virou pra ela.
- Que o que? – null despertou dos pensamentos.
- É que eu podia jurar que você estava xingando aí baixinho!
- É porque eu lembrei agora que esqueci meu celular...
- Se quiser a gente volta – Robert deu a opção.
- Não, não... Depois o null pode levar ou mandar pelo correio, sei lá! Eu sobrevivo sem ele.
- Certo. E como foi esse tempo de férias? Sentiram saudades de casa? – as meninas se animaram com a pergunta de Robert e todas começaram a falar ao mesmo tempo. Menos null.
- SILÊNCIO MARITACAS! – null berrou e levou um olhar feio do pai, então suavizou novamente a voz – Eu sou a maritaca que senta no banco da frente então eu começo a falar! Essas férias foram incríveis, pai! Teve tanto mistério pra gente resolver... Me senti até no desenho das quatro espiãs demais.
- O desenho é TRÊS espiãs demais. Maritaca-lesada. – null falou e jogou uma batata Ruffles nela.
- Mas nós estávamos em QUATRO! Maritaca-fedida. – ela jogou ovinhos de amendoim como resposta e quase acertou null, só não acertou porque ela desviou pro lado e se bateu com null.
- Ai null, foi mal! É culpa das Maritacas-pré-adolescentes aqui, sabe!
- Ah, claro... – null sorriu amarelo mais uma vez. Na verdade nem tinha reparado no motivo pra null pedir desculpa.
- Hey e aquele negócio do Dean! Gente aquilo deu muito o que falar! – null lembrou de repente e todas elas começaram a balançar a cabeça concordando.
- Verdade e a null ainda conheceu o famoso Dean! – null encostou o ombro em null dando leves empurrões.
- É! Ela conheceu a fundo – null comentou e elas ficaram rindo. null apenas ria sem graça.
- E o null, null? Ele não falou nada? – null perguntou ao parar de rir.
- Não, ele disse que tava de boa...
- Ah, o null é um amorzinho! – null abanou o ar e se virou pra frente. null estava lutando contra as lágrimas até agora, mas ouvir que null é um amorzinho foi pior do que qualquer música melosa e qualquer flash back. Definitivamente! Ela não conseguiu impedir que uma lágrima solitária rolasse pela bochecha esquerda.
- null? Tudo bem aí? – Robert a viu chorar pelo espelho.
- É... Foi só um surto de saudade. Acho que preciso ver minha mãe! – ela deu um sorriso, limpou a lágrima e ficou olhando pra janela. Robert voltou a prestar atenção no trânsito e null olhou pra amiga de canto de olho, realmente estava achando-a estranha, mas não comentou nada.
Ao chegar em casa, null deu um abraço de uns cinco minutos na mãe e depois foi direto ao quarto. Ficou desfazendo as malas e finalmente deixou que o choro saísse sem impedimentos ao se deparar com o porta-retrato que o próprio null havia colocado ali dias atrás. Ela não sabia como ia agir dali pra frente, se ia jogar as ‘null-things’ fora ou não, a caixa rosa e tudo mais...
- null, eu vim pegar um agasalho meu que ficou na sua mala... O que você tem? – null entrou no quarto e estranhou ao vê-la sentada no chão, com as costas apoiadas na lateral da cama. Acelerou o passo e sentou perto dela.
- Ah null – ela falou em meio ao choro e logo abraçou a amiga.
- Eii não me assusta, o que aconteceu?
- Eu não queria contar antes de chegar em casa e agora eu não to nem agüentando guardar isso...
- null, o pai ta perguntando se vocês querem pizza – null chegava no quarto e ficou parada na porta olhando null chorar e null abraçá-la.
- VÃO QUERER OU NÃO? – Robert gritou lá de baixo.
- SIM PAI, PODE LIGAR. – null respondeu.
- Na verdade eu já liguei, daqui a pouco chega – Robert passou sorridente pelo corredor de quartos e deu um beijo estalado na bochecha da filha parada na porta.
- Se já ligou por que me fez subir aqui?! – falou mais pra ela mesma, depois entrou e fechou a porta.
- null, alguma coisa grave aconteceu, fala pra ela contar logo!
- Espera, já que ta todo mundo aqui eu vou ligar pra null. Assim eu só preciso contar uma vez... – null levantou o braço e pegou o telefone na mesinha que fica ao lado da cama. Enquanto ela discava, null e null se olharam assustadas.
- Já ta no viva-voz. – null avisou e null já começou a falar.
- Oi null a null ta toda estranha aqui e eu acho que ela tem alguma coisa pra falar!
- Manda aí null! – null, também curiosa ao telefone.
- Eu peguei o null... – pausa pra respirar.
- Ah, mas você pegou o null todos os dias! No armário, na sala, no chão, em todos os lugares... – null deu risada e null lhe deu um tapa na testa.
- Não, eu peguei o null se agarrando com a Delilah.
Minutos de silêncio. null e null estavam boquiabertas e null sabia que null devia estar com a mesma cara.
- Então é por isso que você estava tão quieta lá no carro? – null perguntou baixinho, muito chocada pra falar normalmente!
- Ah, eu não queria estragar a alegria de vocês contando isso – null tampou o rosto com as duas mãos e abaixou a cabeça.
- PUTAQUEOPARIU! – null gritou de repente e deu um tapa na testa que fez barulho – E eu ainda chamando o null de amorzinho lá no carro...
- Tudo bem null. Você não sabia.
- Mas como foi isso null? Conta isso direito, foi na hora que o null te levou na casa do null? – null perguntou.
- É. Recebi uma mensagem dele pra eu ir lá, ai eu cheguei e a Delilah tava com ele embaixo dela no sofá. Detalhe: ela estava sem roupa.
- ELA TAVA SEM ROUPA? MAS QUE PERUA! – null começou a esganar um bichinho de pelúcia que segurava como se fosse o pescoço da perua em questão.
- Puta. – null xingou ao telefone.
- Devaca. Debaranga. Detonada. – null largou o ursinho.
- Debandida. Deformada. Derrubada. Desorientada. – null continuou inventando nomes.
- Denossaura! – null falou ao telefone e começou a rir sozinha – Que? Foi engraçado! Ah, vai, aposto que vocês estão rindo aí em silêncio!
- null, frapêzinho da null, olha bem pra minha cara e vê se eu sou de ficar rindo em silêncio... – null falou com voz de tédio.
- Eu olharia se eu não estivesse ao telefone, dar.
- É null, err, ela tem razão... – null fingiu estar pensativa.
- Fica quieta aí cabeça de feijão amassado. Eu devia te cozinhar!
- Fica quieta você, ficou chamando o null de amorzinho, deu a maior mancada já hoje!
- Ei meninas! Vocês podem fazer o favor de dar um abraço na minha amiga? Ela está sofrendo e vocês aí brigando, francamente viu! – null reclamou ao telefone e as duas irmãs se olharam, depois deram um abraço em null.
- O que você fez na hora que viu? Deve ter sido o pior choque da sua vida! – null perguntou se soltando.
- Ah, não sei se foi o pior choque da minha vida, mas eu fiquei muito chateada. Eu já entrei estranhando porque a porta estava só encostada, aí quando eu o vi sem camisa e aquela Deputa em cima dele eu queria gritar, mas nada saía da minha boca! Parecia que meu coração tinha parado mesmo, minha mão ficou mole e eu deixei meu celular cair no chão... O resto já dá pra imaginar, nós quebramos uns vasos lá da mãe dele.
- O null também viu? Ele estava estranho quando eu liguei agora pouco pra dizer que tinha chegado!
- É null, o coitado ficou tão chocado quanto eu.
- null, todas nós estamos chocadas! Ninguém imagina o null fazendo uma coisa dessas! – null se levantou do chão, onde estava sentada.
- Como é que vai ser agora? – null também se levantou e null continuou sentada com os ombros caídos.
- Eu não sei. Eu acho que definitivamente sou um queijo suíço cortado, prensado, empacotado e bem furado.
Apenas null lembrou e entendeu porque ela disse isso... [n/a: mais sobre isso na última nota do cap]
No dia seguinte, null foi visitar null.
- Oi null. – null falou meio sem graça ao abrir a porta.
- Você... por... acaso... ficou... maluco? – null intercalava as palavras com cutucadas no peito de null.
- Calma null! Entra aí, eu posso explicar tudo, ta bom?! – null abriu espaço e fechou a porta depois que null entrou com seus passos largos de quando está nervoso.
- Não tem explicação para o que você fez! Se eu não tivesse visto, nem acreditaria!
- Eu sei, eu sei! Nem eu acreditava no que estava fazendo, meus braços simplesmente não obedeciam os comandos do meu cérebro! A Delilah chegou aqui e ficou nua na minha frente sem mais nem menos e começou a se esfregar em mim, o que queria que eu fizesse?! Não sou de ferro, nem de prata, nem de alumínio, nem de plástico. Não valho nada.
- Você tinha que ter mandado ela se vestir porque a null tava chegando aqui, oras! Aliás, pelo menos vocês não estavam oficialmente como namorados, senão seria mais traição ainda, eu acho!
- É né... Eu ia pedi-la em namoro durante o jantar, mas tive que adiar porque eu fui comprar as alianças anteontem, só que eu pedi que fizessem um desenho nelas aí eles disseram que quando ficasse pronta iam enviar aqui em casa. Então resolvi esperar chegar, afinal oportunidades não iam faltar, eu pensava... Só chegaram hoje.
- Como assim? Que desenho?
- O desenho das nossas tattoos. Sabe, ao invés dos nossos nomes. Tirei uma foto da minha tatuagem e entreguei.
- Hum, original... O que aconteceu ontem depois que fomos embora?
- Como assim?! Ta pensando o que?
- Não sei... Ela já estava aí mesmo né, toda nua. – null chegou mais perto e estava prestes a segurá-lo pela gola da roupa.
- Nada, cara! Depois de vocês irem é claro que ela foi também.
- Menos mal... Que diabos ela queria aqui?! Vocês já não se viam há várias semanas!
- Disse que estava arrependida de tudo e que sentia a minha falta, sabe, essas coisas.
- E depois tirou a roupa?
- É.
- Que sem noção... O que você vai fazer agora?
- Não sei dude! Ah, você poderia entregar o celular da null? Ela esqueceu aqui.
- Ah, é verdade! Não quebrou quando caiu?
- Nop. Espera aí que vou buscar. – null foi pegar o celular que guardou no quarto enquanto null sentou numa poltrona e viu umas coisas em cima da mesinha. Reconheceu um objeto e pegou pra observar mais de perto.
- Aqui o celular. – null chegou e estendeu o celular pra null, que parecia distante olhando uma linda pulseira em suas mãos.
- De quem é isso null? Não sei, parece que eu já vi essa pulseira!
- Provavelmente... – null sentou no sofá perto dele e pegou a pulseira na mão. – É da null.
- Verdade! Como eu sou burro! Foi null que deu de presente de aniversário e eu até ajudei a comprar! Mas... faz tempo que eu não a vejo usando!
- null reconhecendo que é burro? Mas que progresso...
- Ei, não abusa não que eu ainda to bolado contigo.
- Certo senhor bolado... Então, ela perdeu lá em casa, digo, na outra casa.
- Ah, então faz tempo mesmo. null me contou, nenhuma das duas sabia onde estava a bendita pulseira e desistiram de procurar.
- Eu não vi na hora que caiu, vi uns dois dias depois, quando já estávamos nos mudando. Peguei do chão, estava num cantinho perto da escada e sabia que era dela porque ela usava bastante. Então guardei comigo, sei lá... pra lembrar.
- Foi isso que você disse na mensagem que ia entregar?
- Uhum. E o MP4, e mais algumas fotos que eu tinha... – null apontou com a cabeça pra um álbum em cima da mesa. Havia algumas fotos recentes dessas férias, e pra ficar legal, elas estavam intercaladas com as antigas.
- Que foto é essa? Quando foi? – null pegou o álbum e parou o olhar numa das fotos antigas. Aquela foi tirada numa excursão a um parque de diversões. null estava rindo, null beijava uma das bochechas dela e um menino que null desconhecia do outro lado. Ele encarou essa foto curioso, desde que ficou sabendo achava incrível aquela coincidência de null ter sido amiga do null antes dele.
- Isso foi numa excursão, acho que estávamos no primeiro ano. Esse carinha beijando a outra bochecha de null se chama Matthew Joseph alguma coisa. Ele era a fim dela, sabe... Nesse dia eles ficaram.
- Ahn... E você já gostava dela?
- Já.
- E por que você deixou ela ficar com ele?
- Não sei null! Eu ainda tava naquela onda que a gente era amigos e tal. Ela ficou com o Matt e eu com uma menina do segundo ano.
- Ah ta... Uma vez você me falou de uma garota que gostava muito na sua antiga escola, mas achava que não era correspondido porque ela era sua amiga e pans... Nunca ia imaginar que a garota era minha prima! Ainda fico impressionado quando lembro disso.
- Pois é dude, que mundo pequeno. Quando você falou que a sua prima namorava um cara chamado Peter, eu lembrei que lá na escola tinha um Peter, era um cara que de vez em quando eu via cercando a null. Mas nem fui capaz de ligar as coisas!
- Erm... Espera a poeira baixar ta bom. Pra falar com ela.
- Certo.
- Ah, o Fletch disse que a gente vai fazer uns shows em Manchester!
- Sério? Vamos passar por Bolton?
- Talvez, acho que sim.
- Legal!
- Uma semana lá... E não esquece que ele ainda quer falar outra coisa com a gente na segunda – null deu algumas palmadas no ombro de null e saiu. null encarou a pulseira em sua mão e respirou fundo, tinha uma difícil tarefa pela frente.
A semana se passou rápido e todos voltavam aos seus ritmos de sempre. Era uma manhã de sábado e null estava radiante por saber que null viria durante a tarde pra sair com ela antes de viajar para a turnê. Estava colocando o lixo pra fora e mesmo no meio de uma tarefa desagradável dessas conseguia cantarolar animadamente junto com o som que vinha de dentro da casa. ‘...You might as well go, go, go! I never wanna see your face round here anymore, cause it's a breakdown, a breakdown... Where do we go from here? It's a breakdown, a breakdown woahwoaaaw’ null a observava escondido atrás de uma árvore, queria surpreendê-la, mas alguém chegou primeiro. null foi pega por uma visão não muito agradável e parou de cantar seus “wowooooa” instantaneamente. Tentou entrar rapidamente em casa, mas foi segurada pelo braço.
- Hey, não foge de mim!
- Me solta, o que faz aqui? – ela sacudia o braço tentando livrá-lo da mão de Chris.
- Só vim te ver! Senti tanto a sua falta... – ele soltou o braço dela, vendo que ela permaneceria ali.
- Eu não senti a sua... – ela cruzou os braços e o encarou como uma criança emburrada.
- Não fala assim, não ta vendo que eu to arrasado?
- Você arrasado?! Eu fiquei arrasada primeiro. Como pensa que eu me senti quando aquele seu amigo te abordou no shopping?
- Eu sei... Me perdoa vai! – ele encarou os próprios pés, depois voltou a olhá-la – Isso não precisa terminar assim! Eu posso fugir com você, o que acha? Foi isso que eu vim te propor! – Chris terminou a frase sorridente enquanto null o olhava incrédula.
- Acho que você é um louco desprezível! Eu me dei ao trabalho de escrever uma carta, eu podia ter mandado um e-mail frio ou um telefonema, um sms, mas eu escrevi uma carta e você não leu?
- Li... Mas mesmo assim, vim aqui me humilhar pra você voltar porque eu não estou conseguindo ficar sem você! Parece que tem um grande vazio na minha vida.
- Como pode falar em vazio? Você tem toda uma família pra cuidar! Tem um filho recém-nascido! E outra, você não sabe o que é humilhante de verdade! Humilhante é crescer sem notícias do seu pai achando que você e sua mãe não devem valer grande coisa já que ele preferiu sumir no mundo com outra pessoa. Humilhante foi descobrir que vivi uma farsa enquanto estive com você. – ela falava firme e ao mesmo tempo com os olhos úmidos. Ouvindo isso, ele passou um tempo sem dizer nada, apenas encarando a porta da casa logo atrás dela.
- Então você não quer mesmo que a gente fuja?
- Quantas vezes eu... – ela ia falando impaciente e ele a interrompeu.
- Tudo bem, tudo bem! Já entendi! Se você não quer fugir... a gente podia... erm, continuar como estava?
- Hum?! – ela se surpreendeu com tamanha proposta cara de pau.
- É! Nós éramos felizes antes de você descobrir tudo, vamos fingir que isso não aconteceu e voltamos a ser felizes como antes! – ele começou a sorrir e null apertou os olhos com força desejando que ele sumisse quando ela voltasse a abri-los. Não foi o que aconteceu.
- Por mais que eu fale, entra por um ouvido e sai pelo outro, não é?! Eu nunca voltaria com você. – ela deixou uma lágrima solitária cair de um dos olhos.
- Por quê? Vai dizer não gosta mais de mim!?
- Não... não vou dizer isso, porque se eu dissesse isso, significaria que te amei um dia e isso não é verdade.
- Como assim? Eu não achei que você estava mentindo em nenhuma das cinqüenta mil vezes que você disse 'eu te amo'! – ele exaltou um pouco a voz.
- Eu achava que era, mas não era.
- E o que sentia por mim então?
- Eu te achava fodão, sabe... Sonhava com você, você era o professor de química e eu uma criança de treze anos com toda a vida pela frente achando que já sabia o que era amor. Aquilo nunca foi amor porque simplesmente o Chris que eu fantasiava não existia. Aquele Chris que eu idolatrava, um ser doce, gentil, cavalheiro e praticamente um herói que nunca mentiria pra mim era só um ser imaginário, criação da minha cabeça, um personagem que tinha a sua imagem. Eu vi da pior maneira que você não tem nada de heróico. – null ia falando e o desprezo ia exalando pelos seus olhos como uma coisa tóxica que fez Chris se sentir corroendo por dentro. – Depois a gente se conheceu melhor, começamos com aquelas ficadas escondidos pela escola, aquilo era uma adrenalina e o que havia ali não passava de tesão, empolgação, ou chame do que quiser. Aquele Chris que eu tinha na minha cabeça foi sumindo aos poucos, à medida que fui te conhecendo, até que não sobrou mais nada.
- Não é possível! Você só falou todo esse discurso agora porque está brava e decepcionada comigo! Como sabe que não me amava se eu via seus olhos brilharem cada vez que a gente se encontrava naqueles corredores?!
- Já disse que eu tinha um encantamento besta por você, vou ter que repetir tudo?!
- Então me beija. Quero ver você dizer que não tem mais nada comigo depois!
- Não preciso te beijar! Nem quero. Tenho total consciência que meus melhores sentimentos pertencem a outra pessoa que nem se pode comparar a você.
- Você é uma incrível mentirosa! Por que faz isso, huh?
- Não estou mentido e se não quer acreditar também não vou me esforçar pra isso.
- Está mentindo sim e na maior cara de pau! Quem é esse cara? Por acaso ele está aqui?! Não to vendo!
- Ele não está aqui porque não mora tão perto, mas isso não é da sua conta!
- Ótimo! Se ele não está aqui, acho que não vai se importar se eu fizer isso... – Chris foi se aproximando e a agarrou numa tentativa de roubar um beijo. Ela tentava manter a boca fechada e já sentia a língua dele fazendo pressão pra entrar.
null saiu de trás da árvore, já viu o suficiente e se orgulhou o suficiente das palavras dela. Agora precisava sair e defendê-la como um super-herói de filme. Chegou atrás do Chris e o afastou puxando pelo ombro.
- SOLTA ELA ANIMAL! – null gritou enquanto acertava um soco em seu rosto.
Chris foi parar no chão, com a mão sobre o nariz, que já sangrava. null abriu um sorriso e se jogou em null sem fôlego.
- Quem você pensa que é pra chegar e me bater assim?! – Chris levantou e começou a encarar null.
- Sou um cara que acabei de ver um filho da puta tentando agarrar minha namorada à força! – ele deu ênfase às palavras ‘minha’ e ‘namorada’.
- Então é ele? – Chris se virou pra null surpreso pois achou que ela estava mentindo sobre estar com outro cara. – É por esse garoto que você se diz apaixonada e tudo mais?
- Pára com essa cena Chris, vai pra sua casa e esquece que eu existo. – null cruzou os braços e encarou Chris enquanto null passava o braço sobre seus ombros.
- Tudo bem, eu vou. Te esquecer não vai ser tão difícil, tem muitas alunas bobinhas como você na sétima série esse ano. Mas abre o olho null, esse filhinho de papai deve ser igual ou pior que eu. E quando você se decepcionar com ele, não vá me procurar! – Chris falava já se afastando.
- Ela nunca vai precisar te procurar seu bosta! – null fez menção de ir até ele, mas null segurou seu braço.
- Eii null, não dê ouvidos para as provocações! Aproveita que ele já ta indo embora e deixa.
- É, tem razão. Te machucou? – passou a mão suave pelo rosto dela e ela fechou os olhos por um momento sentindo aquele toque que ela esperou a semana inteira pra sentir de novo.
- Não, graças a você! – ela sorriu e ele lhe deu um selinho.
- Quando eu vi aquele cara te agarrar eu... eu... juro que fiquei P. da vida!
- Shh... – ela encostou dois dedos sobre a boca dele – Já passou e ele não vai mais incomodar! Vem, vamos entrar. – e o puxou pela mão.
- E se ele vier aqui na semana que vem? Você sabe que eu vou estar fora, não sabe?
- Eu sei null, mas ele não vai voltar. O Chris é orgulhoso demais pra isso! Agora esquece e vamos curtir o nosso dia antes de você viajar!
- Tudo bem... Sua casa não mudou nada! – null andava pela casa olhando tudo ao redor.
- É, no máximo, às vezes mudamos os móveis de lugar! – ela falou e riu sentando no sofá. – Oh, você quer algo pra beber?
- Não... – e sentou ao lado dela.
- Hum... Achei que fosse chegar só à tarde.
- É que uma reunião que a gente tinha lá foi mudada pra mais cedo então eu já vim de manhã pra não ficar sem te ver!
- Ih, desculpa aí, ta todo importante com reunião e tudo!
- Não, não... Importante mesmo é a surpresa que eu tenho pra você! – os olhos dele começaram a brilhar.
- Sério?! O que é?
- Você aceita dar uma volta? – ele se levantou e estendeu a mão pra ela.
- null garoto dos mistérios! – ela pegou a mão dele e levantou rindo.
Os dois entraram no carro de null, estacionado algumas casas antes. null não sabia pra onde estavam indo e durante o caminho pensou em perguntar sobre o null. null passou a semana inteira sem tocar mais no assunto e sem pronunciar o nome dele. Achou melhor deixar esse assunto pra outra hora.
- É sério null! Quero saber onde estamos indo!
- Que foi? Não confia em mim? Acha que eu sou um maluco e to te seqüestrando?
- Olha... Sabe que isso não é má idéia?! Vem cá, deixa eu te amarrar e dirigir no seu lugar, vou te levar pro cativeiro!
- Ta bom, só não me bate que eu gamo! – ele falou meio afeminado e os dois riam descontrolados. O carro deles parou no semáforo e ao lado estava o carro de dois senhores que ficaram olhando como eles riam feito loucos. null percebeu, estavam do lado dela.
- Meu namorado é um gay! – ela disse apontando pra ele e rindo. Os dois idosos rolaram os olhos.
- Ah, esse mundo agora ta perdido! – o que estava dirigindo falou pro outro.
- Você não pode falar nada deles! – o outro respondeu. – Acha que eu não lembro quando você foi pego fazend... – não deu pra ouvirem o que ele ia dizer porque o sinal abriu e o carro deles entrou numa rua, null continuou reto e olhou pra null, os dois desataram a rir da conversa deles.
- Ah, esse mundo ta perdido! – null tentou falar imitando a voz do velho – Cheio de velho metido!
- Você quer uma dica de onde estamos indo?
- Yep!
- Lembra da última vez que eu te fiz surpresa, pra onde te levei?
- Pra casinha da árvore?
- Uhum.
- E...
- E... nada! Essa foi a dica, baby.
- Humryhweiuyhai – null fez careta e resmungou algo incompreensível, depois riu da própria embolada de língua.
- O que você tem hoje?! Parece mais afetada do que de costume! Incorporou o null de vez?
- Só estou feliz! E a culpa é 95% sua!
- Ahn! E os outros 5% são culpa de quem, posso saber?
- Não, não pode! Vai ficar com ciúmes!
- Ah não! Agora você vai ter que falar! Senão eu vou te seqüestrar de verdade e te torturar até a morte! Principalmente se for o tal do seu prof...
- O QUÊ? Ow, eu não acredito que você ia dizer isso! Os 5% são do Chad Michael, ta bom?! Eu estava assistindo One Tree Hill.
- Foi mal eu pensar que era aquele que não deve ser lembrado... Mas de qualquer jeito, não sei o que vê no Chad. Ok, estamos chegando.
- Um condomínio... não entendi!
- Novidade.
- COMO É QUE É ?!
- HUM? NÃO FALEI NADA! Eu só ia dizer que faz um tempo que a gente tem esses apartamentos aqui, pra quando estamos fazendo shows pela região.
- Oh, é verdade! null comentou sobre isso, mas falou que nunca veio aqui!
- É, porque nós só passávamos poucos dias aqui e estávamos sempre a trabalho então nem tinha tempo. – os dois entraram em um dos prédios e foram direto pelo elevador até a cobertura.
- Aqui estamos! – null falou saindo do elevador e esticando os braços pros lados – Esse corredor é basicamente ‘dominado’ por nós quatro. Desse lado null e eu, do outro null e null. – ele apontava as portas e null observava tudo com um sorriso, o lugar era bastante bonito e elegante, eles mereciam! Na verdade era melhor se fosse um andar pra cada um, mas... eles gostam mesmo de estar perto!
- Aqui é muito bonito! Vocês vieram passar mais alguns dias?
- Vem, entra. – não respondeu na hora, apenas abriu a porta de seu apartamento e deu espaço pra ela entrar. null mais uma vez sorria olhando ao redor, era tudo tão bem iluminado e espaçoso... null se jogou no sofá e pediu que ela sentasse ao seu lado.
- E então null? A surpresa é essa, vocês estão vindo passar uns dias aqui? Até quando ficam?
- Na verdade não é bem isso.
- Então diz logo o que é! Estou quase tendo um filho aqui!
- Sério! Como vai se chamar? – ele brincou e null deu-lhe um tapinha no braço.
- Besta, esse é o nome.
- Tudo bem eu falo de uma vez. Sabe, essa semana o Fletch conversou com a gente. Ele propôs que nos mudássemos pra cá logo depois dos shows em Manchester. Assim fica mais fácil pra atendermos aos nossos próximos compromissos agendados.
- AHHHH! SÉRIO ? VAMOS FICAR PERTO AGORA! – ela sorriu e abraçou o pescoço dele.
- Uhum, chegamos aqui ontem à noite, estava ansioso pra te contar!
- AAAAAAAAH, JURA ?! – null e null puderam ouvir um grito no corredor, se entreolharam e saíram. null e null estavam lá fora. null agarrada ao pescoço dele, do mesmo jeito que null fizera há pouco.
- E aí null, o null já te falou a novidade? – null perguntou abraçada a null e null sorriu pra ela.
- Uhum! Já era hora de vocês morarem aqui! Isso é motivo pra comemorar, não acham?!
- Já é! – e null estendeu a palma da mão pra que null batesse.
Os quatro entraram no apartamento de null, onde conversaram um pouco e comeram sanduíches. Não demorou para que null e null aparecessem, ambos pareciam ter acabado de acordar.
- Humpf... Fiquei até tarde arrumando as coisas. – null deu de ombros e mordeu uma maçã.
- Eu não consegui dormir... Encontrei a null no Msn e ficamos batendo papo.
- Falou pra ela que estamos aqui? – null estreitou o olhar na direção dele.
- Nop. Você disse que queria falar você mesmo...
- Sobre o que conversaram a noite toda? – null perguntou querendo provocar null.
- O null não pode ouvir! Vem aqui que eu te conto! – null a puxou pra um canto da sala e os dois começaram a fingir estar fofocando e rindo. null olhava pra eles com cara de desdém, mas uma hora se irritou e começou a jogar laranjas neles. null caiu no chão com as mãos sobre o tórax, puxando o ar com força e apertando os olhos, todos se aproximaram dela com as mãos na cabeça, inclusive null e também null. Quando null estava mais próximo ela pegou rapidamente uma laranja que estava na frente dela e o acertou na coxa, depois levantou rindo enquanto ele fazia caretas de dor e pressionava o local atingido.
- Ooooooooow! Laranjas doem!
- Jura?! Puxa, então você não sabia? – null arregalou os olhos e sacudia a cabeça.
- Eu... eu... não pretendia acertar vocês de verdade... – null fez carinha de ursinho de pelúcia.
- Desculpa docinho, mas foi você que começou. – null pegou no queixo dele e o beijou na testa.
- Erm... Eu tenho uma coisa pra fazer agora, null você vem comigo? – null se aproximou deles.
- Ah não, fica aqui e vamos combinar a comemoração! – null olhou pra null com cara de gatinho encurralado e null aceitou ficar, depois null levaria as duas de volta. null acompanhou null até o corredor.
- Sabe se a null ta em casa? – null já chamava o elevador.
- Acho que sim. E deve estar dormindo aquela preguiçosa!
null estava indo pra casa de null, devolver o celular e ver como ela estava. Claro, contaria também a novidade pra ela não ser surpreendida ao topar com null pelas ruas e, se desse, falaria com ela algo sobre o amigo. Não que ele achasse certo o que null fez, mas queria ver os dois felizes de novo e definitivamente eles não estavam felizes separados.
- null? – null atendeu a porta meio sonolenta, com um pijama de estrelinhas e uma cara amassada.
- Puxa, você caprichou no visual, huh!
- É... tava na balada dos cobertores, sabe? Aquela onde a gente encontra por acaso um travesseiro, fecha os olhos e sonha que está voando... e que você fez questão de me tirar! – ela falou abrindo mais a porta e dando espaço pra ele entrar.
- Aff, toma vergonha garota, já são onze horas! – ele foi direto à sala e se jogou no sofá.
- Toma vergonha você, vem acordar os outros num sábado! Eu não tenho uma boyband, precisei passar a semana toda estudando e tentando achar um emprego, docinho!
- Detesto quando você acorda mal humorada, fica impossível!
- Acontece que eu não acordei, ME acordaram! Saca? – ela deu uma piscadinha e os dois sorriram – E então, a que devo a honra de sua visita? – sentou ao lado dele.
- Eu vim trazer o seu querido celular.
- Ohhhh null! – ela deu um sorriso enorme pegando o aparelho em mãos e em seguida, pulando no pescoço dele.
- Hey! Agora você agradece eu ter te acordado, né?!
- Se todo dia você me acordar trazendo alguma coisa que eu perdi, seria ótimo!
- Ah, não dá, você perde muitas coisas! Felizmente não perde as roupas! Ouch! – null lhe deu um beliscão no meio da barriga e ele se contorceu.
- Mas se por acaso você andar perdendo as suas roupas por aí, eu vou poder te trazer todos os dias. – null afirmou sorridente e null ficou sem entender.
- Onde quer chegar null?
- Lugar nenhum... Só estou dizendo que posso passar aqui todo dia se quiser.
- Não me diga que... – ela abriu um sorriso.
- Uhum! Estou morando a quinze minutos daqui!
- WOOOOOOOOW ! – esticou os braços pra cima.
- Espera! A null, onde está?
- Deixou um bilhete dizendo que foi ao mercado...
- Ah ta, é porque o null não contou pra ela ainda.
- Hum... Então vocês todos estão aqui?
- Yep. Naquele condomínio que antes só servia pra gente passar uns dias.
- Ahn, que bom! – null deu um suspiro e olhou pra janela atrás do sofá. Ficou encarando a rua por um tempinho até voltar o olhar pra null de novo – Ta com sede? Fome? Quer alguma coisa?
- Tem aqueles biscoitinhos?
- Claro! Você sabe que eu sempre compro! – os dois se levantaram e foram até a cozinha.
- Cadê a tia e o Robert?
- Cada um em seus trabalhos. – null abriu o armário e pegou a lata de biscoitos amanteigados – Estão preparando tudo pra viajar daqui alguns dias comemorando o aniversário de casamento.
- Legal! Vão pra onde?
- Austrália.
- Hum... E você, como tem passado?
- Levando. Tentando voltar ao ritmo de não-férias! E vocês, vão viajar hoje mesmo?
- Yep. Duas da tarde. Voltamos daqui a uma semana pra começar a gravação do clipe novo e algumas entrevistas em rádios e programas de TV.
- Ótimo! Vocês vão ganhar o país daqui a pouco!
- Eu não quero um país! Ta me achando com cara de rainha? Talvez null quisesse... – null sorriu e logo ficou sério – null, eu sei que ainda ta muito recente pra falar sobre isso e que você ainda deve estar chateada, mas acho que você e o null precisam de uma conversa.
- Você conversou com ele, como disse?
- Ah, sim ele aprendeu a lição...
- ME DIZ QUE VOCÊ NÃO BATEU MELE!
- Ué, você não queria que eu o mandasse pro hospital?
- Você não faria isso com ele. Nem eu queria também...
- Ok, no começo eu queria brigar sim, mas depois a gente ficou só conversando e eu até acho que você devia escutá-lo.
- Pra ele me enganar de novo com aqueles olhos null e eu fazer papel de trouxa?
- Ele não vai te enganar, pelo menos eu acreditei no que me disse. Deve ser culpa dos olhos null...
- null, se você fosse mulher estava perdido! – os dois riram e ele tacou um biscoito na cara dela.
- Se eu fosse mulher seria lésbica! – e continuaram rindo.
Logo null chegou do mercado trazendo uns donnuts. null também chegou pouco tempo depois e a levou dizendo que queria que conhecesse um lugar. null e null se entreolharam pois já sabiam e foram junto, comendo todos os donnuts no caminho.
- Hum... O lugar é legal, mas o que estamos fazendo aqui mesmo? – null perguntou sentada no banco do passageiro. null apenas passeava com o carro dentro do condomínio, por entre os prédios. null e null estavam no banco de trás conversando assuntos aleatórios e totalmente sem importância alguma para a humanidade.
- Você achou aqui legal? – null se virou pra ela, parando o carro.
- Uhum, é bonito. Ta pensando em se mudar pra cá?
- Pensando? Naahh... Já mudei picurruxa do campo!
- Sério mafagafinho do brejo?!
Os dois atrás não seguraram as risadas.
- Como vocês são ridículos! – null dizia com a mão sobre o estômago explodindo em risos, null caiu pro lado gargalhando e repetindo ‘mafagafinho do brejo’ entre as risadas. O casal nem ligou e começaram a trocar suas babinhas. Os outros dois foram parando de rir aos poucos e começaram a ficar incomodados com o avanço rápido do beijo deles.
- Owww picurruxa e mafagafo, querem parar? Tem crianças aqui atrás! – null gritou tentando afastar os dois puxando-os pelos ombros.
null se despediu do primo e viu os outros meninos rapidamente, menos null porque ele viajou para Manchester junto com Fletch pela manhã mesmo. Ela foi pra casa enquanto as outras meninas acompanharam seus namorados até o aeroporto.
- Cuidem bem da null! Vocês sabem que ela fica com essa pose de *não-estou-sofrendo-por-causa-do-null*, mas é tudo uma grande fachada! – null dizia ao dar um abraço em null.
- Pode deixar! E vocês... – null se soltou do abraço e apontou para os outros dois – cuidem do null garotão de vocês pra nenhuma Devaca chegar perto! Ele ainda é da null... Mesmo que ela não saiba disso!
Os garotos foram de jatinho e assim seria uma rápida viagem, quase como entrar num elevador... Eles tinham quatro shows marcados naquela cidade e seria uma semana cheia! O táxi levou os três direto ao hotel onde null já estava. null entrou no quarto do amigo e se assustou com a cantoria que vinha do banheiro.
Can't let the music stoooop oh noo until I touch your haaaand! Cause if I do it'll all be over, I'll never get the chance again, I'll never get the chance again, I'll never get the chance again...
null não estava cantando muito afinado, na verdade estava gritando e null começou a rir alto.
- Ah, já chegaram – null saiu do banheiro com uma toalha enrolada na cintura e outra menor, colocada de qualquer jeito sobre a cabeça.
- Sim, a tempo de ouvir você cantar! – null se jogou na cama rindo.
- É que eu não tiro essa música da cabeça – null deu de ombros, sentou na cama, pegou o celular e pôs a música pra tocar.
- Hum... – null analisava com a mão no queixo – Legal. Apesar de não ser assim exatamente do estilo das outras que você gosta e tal...
- Me faz lembrar da...
- Eeei, nada de depressão! – null tomou o celular e parou a música – Você sabe que eu gosto muito da null e não te diria isso em circunstâncias normais, mas durante essa semana, nós temos uma cidade pra conquistar então você não pode ficar lembrando dela!
- Eu sei cara. Mas você viu pelo menos como é que ela ta?
- Me parece normal. E não, não perguntou por você.
- Eu não ia perguntar isso! – null deu risada e alguém abriu a porta.
- Ih null, acho melhor a gente nem perguntar o que o null faz no quarto com null de toalha! – null entrou no quarto e logo correu pra se jogar na cama.
- O que?! Virou festa de machos isso aqui agora? – null levantou abrindo os braços.
- O null disse que precisava se jogar em todas as camas do hotel e se forem boas ele vai trazer a null aqui! – null começou a puxar null pra fora da cama pelas pernas enquanto ele gritava e se agarrava aos lençóis.
- Ew, que nojo. Tem muito marmanjo no meu quarto, vão lá pra fora! – null ameaçou bater neles com o travesseiro. Antes de sair, null conseguiu arrancar a toalha dele e todos começaram a gritar e rir enquanto null se tampava com o travesseiro. null jogou a toalha no chão e saiu por último, null quase bateu a porta na bunda dele.
Tudo correu bem durante a semana de shows. Exceto pelo fato de null ter cometido alguns errinhos muito bobos em Five Colours, Obviously e Star Girl no último show, mas não foi nada muito notável e os guys deixaram passar.
- null, por favor diz que você vai com a gente! – null pedia pra null ir visitar os guys unindo as pontas dos indicadores à frente do rosto.
- Já tem duas semanas que eu não vejo o... aquelequenãodevesernomeado, e tava muito bom assim.
- Nem o null você quer ver? – null perguntou com a cabeça levemente baixa e o olhar levantado pra ela, fazendo beicinho.
Estavam as quatro no quarto de null. Como é sempre a null que vai pra casa da null, dessa vez elas mudaram.
- Não é que eu não queira ver meu primo e os outros meninos. É que eu sinto que ver o...
- Aquele que não deve ser nomeado – as outras três meninas completaram em um coro entediado.
- Isso, vê-lo vai me causar danos mentais! E eu não me responsabilizo pelos meus atos.
- Deixa com a gente! Nós te tiramos de cima dele quando você começar a mutilá-lo – null sorriu e piscou.
- Tudo bem, até porque, vai ficar feio se eu não for, né! Mas olha! Vocês não vão comentar sobre a proposta que meu pai me fez.
- Por que não? Nem pro seu primo? – null cruzou os braços. Sempre lembrando do null...
- Porque não tem nada confirmado ainda null! – null torceu a boca. Durante a semana conversou mais do que o normal com o pai pelo telefone, ele informou que sua madrasta havia conseguido um ótimo emprego pra ela no Canadá. Trabalhar na TV.
- Mas você quer ir? – null perguntou com um certo medo na voz.
- Não decidi ainda, mas estou fortemente tentada! Vocês sabem que eu fui demitida de onde trabalhava. Não tem nada que me prenda aqui... Só a faculdade, mas eu posso trancar.
- COMO ASSIM?! – null fingiu estar zangada e esbugalhou os olhos – Como assim não tem nada? E a gente? E seus amigos?
- É, você vive dizendo que adora fazer publicidade e que gosta muito dos seus amigos de lá, eu sou testemunha! Você quer abandonar tudo isso? – null pôs as mãos nos quadris.
- E outra, você não precisa ficar desesperada por emprego! Você nem sabe o que vai fazer lá! O que você deve lembrar é que meu pai e a sua mãe já disseram que bancam sua faculdade até o final sem nenhum problema. E ainda tem o... – null ia falando seus argumentos, mas foi freada por um olhar feio de null quando ela ia falar o nome do null – Erm, você tem certeza que vai querer viver a um oceano de distância dele?
- Hum, ele é um dos motivos pra eu querer vida nova, null.
- Um dos motivos não, ele é O motivo! – null corrigiu.
- Mas não é melhor você se acostumar a ter contato com ele do que de repente ele ir fazer uma turnê lá no Canadá?– null perguntou.
- Ah, mas se o McFLY for fazer uma turnê por lá daqui a muitos anos eu já estarei recuperada!
- Eu não teria tanta certeza... – null comentou baixinho enquanto fingia prestar atenção nas unhas.
- OKAY, o que vocês querem que eu diga?! Que eu choro todas as noites e deixo a fronha úmida com minhas lágrimas?
- Bom... não era bem isso, mas... – null deu de ombros.
- A verdade é que eu ainda não me recuperei daquele dia. E depois da raiva que senti dos dois veio a raiva de mim... E depois raiva de tê-lo encontrado de novo! Seria tão melhor se fosse diferente! Por que eu tinha que ter ido passar as férias na casa do meu primo? Por que eu tinha que encontrar o null de nov... puta que o pariu falei o nome dele.
- Relaxa null! Uma hora você ia falar mesmo – null se divertindo com as confusões mentais da amiga – Seria cômico se não fosse trágico!
- Acho que os meninos já devem ter chegado! Vamos vê-los? – null falou com os olhinhos brilhando de saudade.
Estavam todas produzidas pra rever os namorados. Menos null, ela estava com uma calça jeans normal e um agasalho de tricô vermelho onde provavelmente caberia três nulls e batia no meio das coxas.
- Você vai assim? De quem é esse agasalho? – null apontou estranhando a peça.
- É meu, tava guardado aí...
- VOCÊ JÁ FOI GORDA?! – null levou as duas mãos à boca.
- Ela é gorda e você é cega? – null resolveu tirar.
- ESPERA AÍ! – null levantou com as mãos nos quadris – Eu tenho 49kg muito bem distribuídos por 1.65cm. Posso ser baixa, não gorda! Você que é muito magra...
- O null gosta de mim assim – null deu de ombros.
- Ah, eu nunca te contei, mas o null é a única pessoa dessa família que nasceu com um problema inexplicável... Mau gosto. Haha!
- Então ta explicado por que ele ficou com você. Haha! – null respondeu rindo.
- É, mas ele escolheu você. Haha! Mau gosto. – null respondeu sorrindo também.
- Eii! O que é isso?! A briga das gostosas contra as magrinhas?! – null ficou entre as duas.
- Puxa, então eu não sei de que lado eu fico. Sou magra e gostosa – null deu um sorriso convencido.
- Certo, o nível de gostosura ta equilibrado, precisamos encontrar nossos gostosos agora pra sossegar o facho! Mas null, vê se você não fica com essa cara de quem engoliu chumbo! – null apontou o dedo pra ela e null voltou a encolher os ombros, adotando novamente a cara de cachorrinho molhado e com frio.
- O que eu posso fazer se o meu estômago parece pesado como se tivesse quilos de ferro? Só de pensar em ter que falar com o null meu estômago embrulha.
- Hey, se for vomitar vira pra lá! Assim vai tudo no cabelo da null! – null levantou da beirada da cama de null e foi pra frente do espelho.
- E eu te obrigo a limpar tudo e ajeitar de novo, já que foi você mesma que arrumou. – null também se aproximou do espelho, null havia feito cachos nas pontas dos cabelos dela.
Já estavam na sala, prestes a sair quando a campainha tocou. Elas se entreolharam porque não estavam esperando ninguém, então quando null abriu a porta, um null sorridente já foi entrando na casa.
- Vim buscar vocês pra... ! – não terminou de falar quando viu null e correu pra abraçá-la.
null sentiu o coração apertar com a possibilidade de null estar lá fora. Respirou aliviada ao ver que null veio sozinho. Como se fosse fazer muita diferença vê-lo agora ou quando chegasse ao apartamento deles...
Capítulo 23 – Cause you are beautiful inside
- null! null! null! – null cutucava o braço de null insistentemente, vendo que ela encarava null como se fosse sair fogo pelos olhos daqui a pouco. Já estavam todos os oito reunidos no apartamento de null. Passaram a tarde comendo, bebendo e falando bobagens como sempre. Logo de início, null evitava olhar, e com certeza falar, com null, mas depois de apenas três latinhas de cerveja ela já não conseguia controlar seus olhares raivosos sobre o garoto, que apenas a encarava de volta.
- Que foi? – ela se virou pra null rapidamente.
- Vamos dar uma festa lá em casa?
- Comemorar o que?
- Como assim O QUE garota?! Andou bebendo foi? – e todos olharam pra ela, null ergueu sua latinha de cerveja na altura do rosto – Digo... ah, vocês entenderam, poxa! Como assim o que? A gente vai comemorar que o McFLY mora perto da gente agora!
- Essas pragas da cidade? Mas isso não é motivo pra comemorar e sim pra se enterrar!
- OMG! Não fala assim! – null tampou a boca de null com uma das mãos se fingindo de muito indignada – Eles são criaturas adoráveis! – e apontou pra todos eles, que faziam cara de desolados.
- Você diz isso porque não nasceu prima de um deles! – null riu e foi acertada por uma almofada que null jogou – Tudo bem, por mim que façam a festa... A mãe vai viajar com o Robert mesmo.
- Então vamos acertar o dia! – null se ajeitou no sofá empolgada.
- Que dia viajam? – null perguntou.
- Quarta-feira. Vão passar 15 dias fora! – null respondeu e tomou a latinha da mão de null pra tomar um gole.
- Então fazemos no próximo sábado! – null falou e null lhe deu um tapa na cabeça.
- Sábado vamos num programa de TV!
- Ihh, é! Mas que hora? – perguntou passando a mão no local que null atingiu com a sua santa falta de paciência.
- A gravação do programa é à tarde. – null deu de ombros.
- Ah, então ta tranqüilo! – null sorriu e ergueu os braços – Festa!
- Eu vou indo... – null falou depois de um tempo calado, só ouvindo a alegria dos outros. Ele se levantou ouvindo alguns tchau, cara e alguns tchau null, mas depois de dar uns passos ouviu outra coisa além disso.
- Que foi null? Triste com saudades da Delilah? – null falou encarando a latinha em sua mão, como se enxergar o líquido lá dentro fosse de extrema importância. null apertou os olhos, mas permaneceu de costas imaginando que talvez o olhar da garota estivesse queimando sobre ele. Isso de fato aconteceu quando ele começou a responder.
- Não... Eu a trouxe no porta-malas do meu carro. Quando eu quiser vê-la, trago pra cá. – ele falou sem olhar pra trás e deu mais alguns passos em direção à porta.
- Então vê se compra umas roupas pra ela. Não é como se ela fosse uma cadela, sabe... Ou pelo menos, não no sentido literal, se é que me entende! – null ficou de pé e tinha um sorrisinho do mal desenhado no rosto.
- Não, eu DE FATO não entendo você. No começo nem olhava pra mim e agora o que quer? ME PROVOCAR? – null exaltou a voz em algumas palavras e enquanto isso null se aproximava de onde ele estava.
- Se o que eu estou dizendo te incomoda é porque é verdade. Você e Delilah foram feitos UM-PRO-OUTRO – null separou as últimas palavras desenhando 'ligações' no ar com o dedo indicador.
- PELO MENOS ELA SEMRPE ACREDITAVA EM MIM!
- FINGIA ACREDITAR PORQUE TINHA O RABO PRESO! VOCÊS DOIS NÃO PRESTAM!
- Tudo bem anjinho da Inglaterra, não vou te contrariar! – null disse sua última frase antes de deixar o apartamento e bateu a porta à tempo de evitar que a latinha de cerveja que null tacou o acertasse. Era uma vez uma latinha que se chocou contra a porta e morreu.
null ficou olhando pra porta que ele bateu enquanto soltava o ar que parecia preso na garganta. Ninguém sabia o que dizer, o clima pesou...
- Traidor filho da puta – null falava coisas daí pra baixo e começou a caminhar de um lado pro outro com a mão na testa, varrendo toda a sua franja pra cima. null se levantou e com movimentos calmos, como se estivesse pisando em ovos, andou até ela.
- Vem, volta pro seu lugar. – null passou o braço pelos ombros de null.
- Desculpa pelo carpete null – null se desculpou com a voz murcha e baixa por causa do carpete próximo à porta que agora estava encharcado com a cerveja que ainda restava na latinha.
- Erm, imagina – null sorriu sem graça vendo que a prima não demoraria a chorar. E não estava errado, null começou a chorar e desabafar sentindo todos os olhares atentos nela. Era engraçado como ela estava tão aparentemente forte na casa da null horas antes e agora estava assim, só por tê-lo visto.
- Eu... eu, eu não consigo! Não dá pra ficar fingindo que ta tudo bem, que somos amigos e estamos nos tratando normal e civilizadamente! Eu simplesmente queria dar uma voadora nele! Aquela imagem nojenta ficou na minha cabeça esses dias todos, por mais que eu estudasse ou me distraísse...
- Calma null! Espera o tempo passar e você vai ver como tudo vai parecer menor. – null veio e se ajoelhou perto dela.
- Menor, null? – null relaxou os braços e falou em tom de desanimo – Eu e null vimos o null com aquela garota pelada na sala dele, você acha que isso um dia tem como ficar menor?
- Nem sei por que o null fez isso – null estava com o olhar fixo no chão e balançava devagar a cabeça – Ele gosta da null desde o berçário, parecia um pateta falando dela!
- Mas aí é que ta, meu caro null! Ele é um pateta. – afirmou null.
- E um fraco! – null completou.
- Eu te disse null, eu te avisei, era melhor eu não ter ficado com ele! Um dia depois de estarmos juntos eu o pego com outra! Falei que se isso acontecesse eu não saberia o que fazer!
- Mas você soube! Você está aqui inteirinha, não está?! – null falou sentando no chão perto dela.
- Não... num to inteira. Posso estar qualquer coisa. Menos inteira.
- Ele deve ter alguma explicação, eu nunca vi os dois tão felizes como na época em que estiveram juntos! Parecia que tinham colocado um disco de vinil dentro da boca dele de tanto que sorria! É simplesmente inacreditável que algumas horas depois ele faria uma coisa dessas por querer! – null falou abraçando as pernas e apoiando o queixo sobre os joelhos.
- Mas que explicação?! Por mais que ela tenha provocado, ele a agarrou, isso é fato! Mas e daí? Eu nem devia estar assim caramba! Eu sempre soube como ele era.
- null... – null a olhou, estava sofrendo por ela e também pelo amigo – Ele foi um tosco, isso não dá pra negar, ainda mais quando ele sabia que você estava prestes a aparecer por lá! Mas você não pode ficar odiando ele pelo resto da vida, ok? Você vai ter de superar isso e uma hora os dois terão que conversar! – null não disse nada, apenas concordou lentamente olhando pra baixo.
- null, esses não são os planos da null. – null falou de repente cortando o silêncio que havia se instalado.
- Por que null? – null perguntou e todos os olhares estavam agora esperando a resposta dela. null olhava como se implorasse pra ela ficar quieta. null não estava na intenção de trair a amiga ou fazer fofoca contando o que ela pediu pra ficar em segredo. Queria apenas o que era melhor.
- null não adianta me olhar assim! Você ia ter de contar uma hora...
- Não quero falar disso agora.
- Por que não null? A gente ta entre amigos! – null sorriu pra encorajá-la.
- Ela ta pensando em morar com o pai no Canadá – null falou rápido e fez cara de 'prontofalei'!
- Canadá! Por quê? – null parecia chocado e ficou de pé.
- Calma, não tem nada confirmado!
- Calma nada! Quando você ia me contar isso?
- Senta aí null! Po... eu sei lá! Meu pai ficou sabendo que eu não estou conseguindo trabalho e a mulher que ele se casou é diretora de um canal de televisão. Aí ele disse que ela poderia me botar lá dentro a qualquer hora que eu quisesse. Não com um salário milionário, mas algo que desse pra me sustentar...
- Mas você nem conhece sua madrasta! E se ela for uma louca?!
- É isso que a gente tenta dizer pra ela null! Quando meu pai se casou com a Julie eu morri de medo que ela fosse radicalizar comigo e com a null. Felizmente demos muita sorte porque a mãe da null é um anjo de pessoa! Nós estamos muito bem lá em casa na questão 'pais', você não precisa ficar brincando com a sorte! – null falou o que sentia de verdade e null olhou pra ela com um sorrisinho meigo.
- Eu sei gente, mas eu não pretendo chegar lá e ficar morando com eles! Vou ter meu próprio apartamento.
- Mas ela ainda vai ser sua chefe! Se ter a mãe como chefe às vezes é um pé no saco, imagine a madrasta! – null comentou.
- Pensei em tudo isso... Não dei nenhuma resposta ao meu pai e ainda quero conversar melhor com minha mãe. – null torceu a boca e null bagunçou seus cabelos.
- Não pensou não, eu acho que você não pensou na tia nem na gente, nas pessoas que te amam. Pensou só em você – null falou sério e frio.
- E por acaso você é uma dessas pessoas que me amam? – null se levantou novamente e respirou fundo.
- Por quê? Alguma dúvida disso?
- Todas. Se você me amasse mesmo, deveria me apoiar em qualquer decisão que eu tomasse. – ela atravessou a sala e caminhou pra perto da porta de novo.
- null aonde você vai? – null perguntou e ficou de pé também.
- Pra casa, acho que eu não estou sendo uma boa companhia hoje... Desculpem meninos, pela minha cara pode não parecer, mas eu estou muito feliz que estejam aqui! – null sorriu sincera e abriu a porta.
- Quer que eu te leve? Afinal fui eu que trouxe! – null se ofereceu pra ajudar.
- Não, obrigada null! É que eu estou com um mal estar que me faz pensar que eu preciso desesperadamente de ar, então é melhor eu ir andando.
Depois que ela saiu, os presentes na sala ficaram olhando uns para os outros. Alguém teria que contar a notícia ao null!
null’s point of view ON
Caralho. Merda. É, não tem palavras bonitas no meu pensamento agora! Acho que não tem crianças acessando meus pensamentos, então tudo bem...
Sabe, eu vou pegar uns salgadinhos aqui no armário, sentar no sofá e simplesmente comer. Os simples atos de mastigar e depois engolir parecem ter ficado muito mais difíceis nos últimos dias. Cada salgadinho que eu botava na boca se desfazia sem gosto sobre a língua... E não é só pra me alimentar que estou com dificuldades, pra respirar e dormir também. Isso desde a maldita hora que o sonho virou pesadelo! É engraçado como sonhos viram pesadelos do nada, basta aparecer um lobo mau ou um cara de capuz preto te perseguindo. No meu caso apareceu a Delilah, e sem capuz. Nem roupa nenhuma.
Eu fiquei um tempo largado no sofá, repensando em toda aquela cena e em como foi doloroso ver a null agora querendo me fuzilar, me enterrar vivo, arrancar meu coração, cortar minha cabeça - e outros membros também, err - me cortar em várias partes e queimar, ou talvez enterrar cada uma delas num canto do planeta, me jogar dentro de um vulcão, me enviar pro centro da terra, me deixar no olho de um furacão, me... opa, a campainha toca enquanto eu penso nas várias maneiras que a null teria me matado.
- null?
- Oi null, você ta legal? – eu abri mais a porta e ela foi entrando.
- To ótimo. Por que não estaria? – rolei os olhos e fechei a porta. A null é uma boa amiga, ouvinte, conselheira, mas eu não estava a fim de conversa! Acabei de sair de um quase-quebra-pau com a null, preciso recuperar minhas energias...
- Eu sei que é muito chato tudo que está acontecendo, null. Nós já falamos no Msn outro dia.
- Chato? Chato é ficar preso no elevador, é ter diarréia no dia de um show, ficar com ressaca... isso aqui é o inferno.
- Não se esqueça que...
- Ta, que foi culpa minha.
- É, e eu queria saber o que você esteve pensando nesses últimos dias porque no dia que conversamos no Msn você estava bem disposto a conseguir que ela te perdoasse. Ainda continua com o mesmo objetivo ou a viagem já mudou a sua cabeça?
- Eu... eu não sei. Quero muito que ela me dê outra chance, mas não sei como vou fazer isso.
- Então eu acho que você vai precisar saber como logo.
- Logo? Por quê?
- Eu vim aqui pra te contar isso. A null vai ficar chateada, mas nós chegamos num acordo e achamos que era melhor você saber com urgência porque só você está podendo impedi-la de fazer isso.
- Fazer o que? Você ta querendo que eu morra de curiosidade aqui? Porque se for pra eu morrer no último capítulo é só vocês me deixarem na frente da null numa sala isolada que...
- Mudar pro Canadá. – null me cortou e eu fiquei quieto. Ela tinha falado isso mesmo?
- Err, ma-mu-mudar?! Canadá? – eita caraíí, nunca eu gaguejei tanto como hoje.
- É, o pai dela mora lá, lembra?
- E ela vai morar com o pai assim de repente? Eu sempre achei que ela gostasse mais da mãe! Sogrinha Julie é tão legal...
- É, mas ela vai. Estava indecisa, mas se eu bem a conheço, depois do clima insuportável entre vocês hoje, ela deve ter se decidido.
- Ah, assim não dá! Quem teve essa idéia maluca de levar minha null pra milhas de distância?
- Foi a madrasta que arranjou um emprego pra ela lá.
- Só podia ser coisa de madrasta. – uma agonia tão grande cresceu dentro de mim que se eu estivesse segurando uma lata, amassaria facilmente.
- Ninguém quer que ela vá null, eu sei que você também não! Ela não vai ser feliz num país estranho, vivendo com o pai e uma mulher que ela nem conhece!
- Quer saber? Talvez seja melhor que ela vá mesmo. – cruzei os braços rapidamente porque ao falar essa frase foi como se eu tivesse me cortado. Pontadas. Insuportáveis pontadas, sinais da fraqueza humana.
- Não faz isso null, não entrega o jogo assim! É a null, sua velha amiga! Você é amigo dela há mais tempo que eu e com certeza gosta dela muito mais do que eu... E olha que eu gosto pra caralho! Você não pode deixá-la na mão de uma madrasta do mal, você quer que ela se torne uma espécie de branca de neve ou algo assim?
- Ela já é bem grandinha pra saber se defender de uma madrasta, null. – eu falei dando as costas pra ela e ficando de frente pra janela. Um conhecido aquecimento estava tomando conta das minhas bochechas ao mesmo tempo que minha garganta parecia estar dançando salsa. Em outras palavras eu estava prestes a chorar feito um bebê.
- Ok, eu achei que você ia querer ajudar a salvar a null dela mesma. Eu acho que se você está dando as costas agora é porque não a ama como diz. Quem ama protege a criatura amada mesmo quando ela não quer proteção. Talvez ela esteja certa ao se afastar de você...
- EU AMO A . – me virei depois de tanto ouvir a voz da null ecoando pela sala. Ela demonstrou surpresa ao ver minhas bochechas molhadas e o nariz levemente vermelho. – Não duvide disso!
Ela abriu um leve sorriso, acho que meio comovida com meus olhos vermelhos. Dude, eu odeio chorar.
- Eu a conheço e sei que não sou capaz de detê-la. Que idéia de vocês achar que eu ia impedir alguma coisa. Só se eu me matasse! – abaixei a cabeça e respirei pela boca. Parecia que tinha um concreto louco no meu nariz, totalmente bloqueado. Dude eu odeio chorar.[+1]
- Todo mundo sabe que você vai achar um jeito. Você é inteligente, você é null null – null pôs a mão no meu ombro e inclinou um pouco a cabeça pra tentar olhar nos meus olhos.
- Eu vou fazer o que eu puder, mas não garanto nada. Não sei nem por onde começar...
- Você é do McFLY! Compõe uma música pra ela e manda tocar no topo da montanha, sei lá! Eu ainda continuo apoiando uma carta quilométrica e bem fofa. Pega a nossa conversa, você estava muito fofo naquele dia! – null se aproximou da porta e eu a acompanhei. Ela pôs uma mão na maçaneta, mas antes de abrir, limpou minha bochecha com o polegar.
- Você errou ao se deixar levar pela Devaca, null. Mas agora você deve provar que merece outra chance. – é! Eu vou provar sim, mas espera... Devaca?
A null foi embora depois disso. Minha cabeça rodava e não era pela cerveja. Meus olhos estavam ardendo, receber essa notícia foi como se alguém tivesse jogado areia neles. Dude eu odeio chorar. Mas quando as coisas não estão bem com a null isso acontece. E acontece fácil! Quando as lágrimas saem eu sinto até um alívio, é o nó da minha garganta que folga um pouco. Infelizmente chorar não resolve nada. Tinha que ter alguma coisa "fofa" que eu pudesse fazer! Então eu segui a recomendação da null. Fui pro computador e peguei a conversa que tivemos no Msn antes da semana em Manchester. Foi uma conversa longa. Eu li na esperança de achar alguma inspiração pra escrever uma carta, ou compor, ou qualquer coisa que fosse.
Play histórico do Msn [nota¹: hauhsuhus que fic retardada... pode xingar! Os trechos a seguir estão em ‘linguagem de msn’. nota²: você pode colocar pra baixar se quiser Anywhere But Here - Safetysuit:x- x (2nd opção em caso de erro haha -->) x- x, mas só deixe tocar ao meu sinal ^^]
null diz: null!!!! Você por aqui uma hora dessas?!
null (L) mafagafo diz: Oi null! Cheguei da facul e nã tinha nada pra fazer... enfim, hj é sexta né! Proibido dormir cedo!
null diz: claaaro!! Q bom, assim não fico sozinho.
null (L) mafagafo diz: e vc, ta no msn pq? Não foi furunfar por aí?
null diz: ahn... vc sabe... a semana toda eu fiquei assim, derrotado!
null (L) mafagafo diz: eh eu sei, a null me contou.
null diz: eu sou um idiota null! Eu sabia que ela ia lá quer mais burrice q isso?!
null (L) mafagafo diz: realmente vc eh um idiota!
null diz: vc tb ta brava cmg? D:
null (L) mafagafo diz: só um pouco... na verdade, to mais decepcionada!
null (L) mafagafo diz: poha. null! E aquela conversa toda lá no parque?
null diz: eu sei eu sei!! não era mentira, eu amo msmo a null, mto!
null (L) mafagafo diz: e ai, como é q vc trai a menina, caralho òó?
null diz: é isso q eu me pergunto null! Todo dia!
null diz: nem eu mesmo entendo o q aconteceu =/
null (L) mafagafo diz: eu já ouvi a versão da null, agora me conta vc como foi.
null diz: conto... mas antes me conta o que ela te disse?
null (L) mafagafo diz: ah, nada além do que vc deve imaginar...
null (L) mafagafo diz: q vc mandou uma mensagem na última hora dizendo que era pra ela passar lá na sua casa pq vc tinha uns negócio pra entregar,
null (L) mafagafo diz: aí qd ela chegou la vc e a sua ex estavam se comendo.
null (L) mafagafo diz: aí ela ficou meio paradona e chocada, mas realizou a situação e ela com a sua ex quebraram uns vasos lá...
null (L) mafagafo diz: a coisa foi feia!!
null diz: foi mais do que feio!
null diz: aquele foi o pior momento da minha vida, cara!
null (L) mafagafo diz: pq? da SUA vida? Imagina a null!
null diz: é que eu senti uma dor me esmagando no peito como se a casa toda estivesse caindo em mim =x
null (L) mafagafo diz: seu emo
null (L) mafagafo diz: se vc sabia o q ia acontecer, pq fez isso, idiota?
null diz: já disse q não seeei caraíí!
null diz: foi assim... mandei a mensagem pra ela pq eu vi que ela tinha esquecido o mp4,
null diz: e tb tinha um álbum de fotos nossas que eu queria mostrar,
null diz: e junto ia devolver tb uma pulseira q ela perdeu na minha casa uns 500 anos atrás...
null diz: ai mandei a mensagem, pra ela ir lá buscar tudo...
null diz: assim que mandei, tipo coisa de segundos, a campainha tocou.
null diz: pensei “nossa que rapidinha” e fui abrir, aee era a delilah
null (L) mafagafo diz: pq vc deixou ela entrar? pra começo de conversa, né u.ú
null diz: o pior eh q eu não deixei oO!! Ela foi entrando e falando sem parar
null (L) mafagafo diz: certo... continua
null diz: ela tava falando que não queria ter terminado comigo e q não tava saindo com Mike do marianas e talz...
null (L) mafagafo diz: WAIT! PARA TUDOOO
null (L) mafagafo diz: ela saiu com o baixista do Mariana’s Trench??
null diz: foi o q ela disse qd terminamos, ms ela desmentiu dps
null (L) mafagafo diz: ms q maria palheta!
null diz: ehh, ms deixa eu continuar vai...
null diz: ela disse q num tava cmg apenas pq eu sou famoso, q gostava de mim e eu disse q agora não importava mais
null diz: ai ela pediu perdão etc e tal e chegou perto de mim dizendo q duvidava q eu não sentia mais nada por ela
null diz: então ela tirou o sobretudo e tava nua...
null (L) mafagafo diz: PUTAAAA putaputaptuaptuaptuaptuaputaput
null (L) mafagafo diz: ahiuwhiudfhai pourohnfkan dwegtnb @#$$#@##
null diz: é é é tuuuudo isso aí
null diz: e pára de acotovelar o teclado. não é legal..
null (L) mafagafo diz: foda-se null ms continue contando
null diz: ela chegou mais perto ainda e me mordeu na orelha, dps na minha bochecha, ficou se esfregando, me beijou e vc sabe... sou homem porra
null (L) mafagafo diz: e vc agarrou a vaca, certo?
null diz: ...
null diz: não conseguia me controlar, meus braços não me obedeciam! tdo q eu mais queria era soltar ela, eu juro!
null diz: fomos caminhando pro sofá, ela tirou minha blusa e a null chegou
null diz: a gnt só percebeu q ela tava ali qd ouvimos o barulho do celular q ela deixou cair no chão, eu me assustei e até mordi a língua da outra
null diz: eu fiquei meio sem acreditar que isso tava acontecendo msm, fechei os olhos com força pedindo que fosse só a minha consciência brincando cmg!
null diz: abri o olho e ela continuava lá me olhando
null diz: pensei que fosse infartar O- O!
null diz: a lilah se levantou e vestiu minha camisa enquanto eu ficava tentando falar algo, ms não vinha nada na cabeça a não ser aquelas frases tipo
null diz: ohhh, não eh nada do que vc ta pensando...
null diz: e coisa e tal
null (L) mafagafo diz: FATOO
null (L) mafagafo diz: isso é frase de culpado!
null diz:
null diz: não precisa ficar me lembrando desse detalhe
null (L) mafagafo diz: que seja... what else?
null diz: ela disse uma coisa q me fez pensar
null diz: disse q a gente não é nada =/
null (L) mafagafo diz: ms é verdade né? Ela disse q vcs só tinham um rolo, mas nada de namoro
null diz: certo, a gnt não tava namorando oficialmente AINDA, ms daí a não ser NADA?!
null diz: as nossas ficadas não podem ser reduzidas a nada!
null diz: sem contar q eu já teria pedido em namoro se tivesse conseguido comprar a droga da aliança no dia do jantar...
null diz: são alianças especiais, tem o desenho da nossa tatuagem gravada nelas =/
null diz: acredita q chegaram aqui em casa um dia dps da null ter ido embora??
null diz: to olhando pra caixinha nesse exato momento
null diz: são lindas =/
null diz: =/ =/ =/ =/ =/ =/ /= / =/ =/ =/ =/ =/ =/ /=/ /=´/
null (L) mafagafo diz: calma dude não choraaaa
null (L) mafagafo diz: e pare de acotovelar o teclado! se eu não posso vc tb não pode osh!
null diz: quem disse que eu to chorando?
null diz: nem instalei a web cam oO
null (L) mafagafo diz: relaxa, brincadeira xP
null diz: tudo bem... meus olhos estão aguados mesmo, vc não errou
null (L) mafagafo diz: ounnnnt as coisas vão se acertar vc vai veeerr!
null diz: ela não vai querer me ver nem com 50 mil alianças de namoro nas mãos!
null diz: null eu to perdido sem aquela mulheeeerr! FALO SÉRIO!
null (L) mafagafo diz: hauahuahuah ta parecendo aqueles bêbados que ficam debruçados no balcão enchendo o saquinho dos barmen ueheuheuhe!
null diz: kkkkkkkkk sabia q vc ia dizer isso
null diz: e eu to bêbado msmo, mas só um pouquinho...
null (L) mafagafo diz: o q vc ta bebendo?
null diz: vodka, energético, suco de maracujá e um troço estranho que eu achei debaixo da cama
null (L) mafagafo diz: eita porra 0o
null diz: to me sentindo o próprio john vesely falando coisas tão melosas e gays!
null (L) mafagafo diz: não chama o vesely de gay eu adoro secondhand!
null (L) mafagafo diz: e dizer q ta perdido sem a mulher naao é gay!
null (L) mafagafo diz: a menos q vc fosse mulher tb hauheuheuawe
null (L) mafagafo diz: e vc naoo ée
null (L) mafagafo diz: ou é oO?
null diz:
null diz: engraçada vc... voltando ao assunto ---> null null
null diz: eu sempre demoro um bocado pra conseguir ficar com ela e qd consigo acontecem essas tragédias!
null diz: amo a null! mais que tudo! desde sempre, vc sabe!
null diz: aquilo com a lilah foi uma terrível fraqueza
null diz: se eu pudesse voltar no tempo eu teria simplesmente olhado no olho mágico da porta antes de abrir pra ela
null diz: a lilah era minha namorada ms estar com ela era sempre uma enrolação pq eu não esqueci a null!
null diz: tudo q eu queria era ter outra chance
null diz: se cada pedacinho do meu arrependimento valesse um dólar eu não precisaria mais trabalhar!!
null diz: quero minha garota de volta
null diz: não posso perder ela outra vez!!
null diz: sabe qd a gnt era amigo, eu não catava ela como queria pq sabia que uma hora a gnt ia brigar, coisa q como amigos não acontecia nunca!
null diz: e aí eu ia ficar sem poder andar junto dela, sem ouvir a voz, sem zoar com ela... exatamente como agora! Talvez ela nunca mais dê uma risada pra mim e essa idéia me desespera!
null diz: nunca pensei que fosse gostar de alguém tanto assim! Vc acredita que eu a amo, não acredita?
null (L) mafagafo diz: acredito em vs... mas ela nunca ia ficar te ouvindo assim porque ela ta brava e eu não, certo?
null diz: yep. agora comofas?
null (L) mafagafo diz: faz ela saber de tudo isso que você me disse, tipo... escreve pra ela, cara!
null diz: tipo uma carta vc quer dizer?
null (L) mafagafo diz: uhm
null (L) mafagafo diz: aproveita e bota num envelope junto uma foto de vcs!
null diz: ms eu não sou bom em cartas
null (L) mafagafo diz: aprende errr! mais tarde vc pega esse histórico e copia no papel o que vc me disse, inteligência!
null (L) mafagafo diz: soh acrescenta mais coisas e tira os errinhos, claro huahauhs
null diz: eh pode ser... obrigado por estar do meu lado!
null (L) mafagafo diz: null... eu sou sua amiga e da null. Não to do lado de ninguém pq não há lados aqui, certo? num tamo numa guerra!
null (L) mafagafo diz: to do lado dos dois, quero que estejam juntos logo pq ficam muito chatos qd estão separados!
null (L) mafagafo diz: mas que fique claro que não to apoiando o que vc fez! Se trair minha irmãzinha de novo eu te excluo do msn! Òó
null diz: num vou fazer de novo
null diz: nem sei se vou ter outra chance de estar com ela, porra
null (L) mafagafo diz: ah vai se foder - |-
null (L) mafagafo diz: ...se fosse o null eu cortava aquilo lá dele! só pra ele nunca mais pensar com a cabeça de baixo!
null diz: aaaaaaaaaaaaaaaau vc é cruel! Vou falar pro null te largar!
null (L) mafagafo diz: pode falar docinho, ele não vai te ouvir mesmo...
null diz: uhauhauhauhauhu ele te ama!
null (L) mafagafo diz: eu sei *-------*
null (L) mafagafo diz: e amo ele tb
null diz: ele nunca tinha amado ninguém!
null diz: que bom que vc chegou pra salvar aquela alma! Me diz, ele já levou café na cama pra vc?
null (L) mafagafo diz: pq quer saber 0o?
null diz: só curiosidade!
null (L) mafagafo diz: jáaa =D
null diz: sabe, eh que ele falou q nunca faria isso... meu bebê mudou!
null diz: graças a voceeee!
null (L) mafagafo diz: yeeeeeeeeeeeeeeee!!!
null (L) mafagafo diz: ok, agora eu tenho q ir! vejo meus olhos se fechando u.u
null diz: ta bom, eu tb vou tentar dormir... amanhã eu vou viajar um pouco antes do que os garotos, vamos fazer uma turnê, cê sabe..
null (L) mafagafo diz: já sei. viajar antes, né? sakei a sua
null (L) mafagafo está digitando uma mensagem (...) 3minutos
null diz: sacou o que garota oO?
null (L) mafagafo diz: é pra não ver a null que vc vai antes!!
null diz: 1º=sim, não vai ser saudável pra nenhum dos dois
null diz: 2º=vc passou 3 minutos digitando essa frase? dava pra fazer um miojo
null (L) mafagafo diz: avisei que eu tava com sono
null diz: eu hein, tinha que ser amiga da null!!
null (L) mafagafo diz: boa noite null
null diz: ta bom soneca vai la... durma com o null e sonhe com os anjos
null (L) mafagafo diz: ahahshsahshahshahah diz pra ele que eu to com uma saudade da porra
null diz: onde vs aprendeu a falar isso? limpa esse teclado menina
null (L) mafagafo diz: não enche
null (L) mafagafo diz: bjsss
null (L) mafagafo parece estar offline
Stop histórico do Msn
null’s point of view OFF / null’s point of view ON
[n/a:solta o soom *- ~!]
Eu saí dizendo que ia pra casa, mas não estava a fim de chegar lá e ficar sozinha, então preferi andar pela rua. Um vento frio passou me obrigando a apertar o agasalho contra o corpo. O dia não estava muito bonito, era um dia branco. Sabe aqueles dias que desde o meio-dia até as cinco da tarde parece a mesma hora porque simplesmente é como se o sol não existisse? Há quem goste de dias assim, mas pra mim fica tudo tão sem cor! É como se eu fosse transportada pra um filme em preto e branco... Transportada. É, eu serei transportada para o Canadá! Gostaria que as minhas lembranças não se transportassem comigo! Seria tão mais fácil se eu pudesse deixá-las aqui, junto com null e os momentos que passei com ele. As malditas sensações que ele me causa e a maldita ex-namorada. O meu maior medo é não conseguir esquecer. null era o cara dos meus sonhos e em menos de meio minuto se tornou o monstro dos meus pesadelos. A minha cabeça está como esse dia. Monocromática, sem sol e sem graça. Talvez sejam meus olhos, mas o mundo está em tons de cinza... Bem que null diz que eu sou meio dramática! Só de pensar em me afastar daqui os meus olhos enchem de água...
Por que diabos eu passei uma semana inteira sem falar nem lembrar - juro que não lembrei do null - e agora que eu o vi ficou tudo tão perturbado na minha cabeça? Ao mesmo tempo que queria matá-lo, uma pequena parte de mim ficou contente ao bater os olhos nele. Isso foi percebido facilmente porque quando o vi, senti uma eletricidade percorrendo meu corpo e fazendo meu coração começar a se achar engraçadinho pra sorrir sozinho. Mas isso durou um segundo porque logo a parte que queria matá-lo começou a falar mais alto. Se eu pudesse, com o ódio que estava sentindo aquela hora, eu o fuzilaria, o enterraria vivo, arrancaria seu coração, cortaria a cabeça - não só a de cima como a de baixo também - o cortaria em várias partes e queimaria, ou talvez seria melhor enterrar cada uma delas num canto do planeta, o jogaria num...
- Ah, desculpa. – me bati com um cara que vinha na direção oposta, acho que nós dois estávamos distraídos. Ele ficou me encarando, mas eu não olhei pro rosto dele. Quem é esse cara que não olha por onde anda?
null’s point of view ON
Um retardado. É assim que eu me sinto quando leio as coisas que converso... Depois que terminei de ler a conversa, me pus a escrever. Era tudo que eu tinha guardado e queria falar, pra null e pra todo mundo.
- Mas que porra! – falei sozinho enquanto chutava a lata de lixo ao meu lado. Era a quarta vez que amassava um papel e pegava outro. As palavras me vinham na ment, mas quando ia escrever, não saiam do jeito que eu queria. Será que alguém pode me enviar uma luz divina? O que eu tenho que fazer?!
null’s point of view ON
O que eu tenho que fazer é me livrar de tudo que lembra o meu passado. Agora é oficial, vou mesmo morar com meu pai. Depois do que aconteceu hoje, essa raiva toda que eu senti vendo o null na minha frente, isso não deve fazer bem! E se eu vou recomeçar tudo, não há espaço pra ficar levando bagagens, certo?
null’s point of view ON
Certo. Acho que terminei de escrever, depois de muito lutar a luz divina se fez aqui! Coloquei no envelope a folha onde havia escrito uma senhora carta. Coloquei também uma foto, aquela do parque de diversões que o null viu e resolvi também entregar de vez a pulseira! Arranjei uma caixinha pra ela.
null’s point of view OFF
Quando null chegou em casa já estava escurecendo. Queria ter uma conversa com a mãe, mas encontrou um bilhete na porta de seu guardarroupas: Minha querida, chegarei mais tarde hoje.
Você sabe que nós precisamos conversar, não é? Faremos isto amanhã.
Tem lasanha na geladeira. Te amo.
Dra. Julie nunca tinha horários certos. Como a mãe não estava, foi com urgência botar em prática um outro plano.
Pegou sua velha e conhecida caixa rosa.
O plano: Queimá-la.
Abriu a porta que dá acesso à uma pequena varanda, para que a fumaça pudesse sair. Posicionou uma mesinha em frente à porta e pôs a caixa em cima. Tirou a tampa e a deixou ao lado. Respirou fundo olhando todas aquelas coisas lá dentro, parte de sua vida estava arquivada ali: A parte com null. Pegou uma das fotos numa mão e um isqueiro na outra, aproximou a duas e deixou que começasse a queimar a primeira foto. Ficou observando como o fogo avançava centímetro por centímetro e imaginou que a mesma coisa acontecia nesse momento com suas más lembranças. Uma sensação estranha começou a causar uma espécie de erupção no interior de null e uma lágrima grossa correu por sua face. Quando a foto em sua mão estava com poucos centímetros onde o fogo ainda não havia chegado, ela a jogou dentro da caixa e assim o fogo aumentou com a quantidade de material a mais para queimar. Várias outras lágrimas como aquela se sucederam enquanto seu rosto era colorido pela luz laranja do fogo. Todas as lembranças que aquelas fotos carregavam estavam evaporando na frente dela e isso causava dor.
Após cessar as chamas - e também as lágrimas - ela se entregou ao sono e cansaço que sentia.
No dia seguinte, um domingo chuvoso, null acordou ao pensar ter ouvido um barulho dentro do quarto. E realmente ouviu.
Era null, null o deixou entrar na casa e ele foi até o quarto dela. Colocou a carta em cima da penteadeira, depois a caixinha com a pulseira sobre o envelope. Quando ele saía do quarto, observou o que antes era uma linda caixa de papelão rosa muito bem cuidada pela dona. O tom de rosa ainda estava presente em algumas partes do papelão e na tampa, mas na maior parte da caixa, estavam visíveis as queimaduras. A curiosidade o fez olhar o interior e ele sentiu uma facada no estômago ao ver pedaços de fotos que não foram consumidos pelo fogo. Deu meia-volta pra sair e com o nervosismo tropeçou num tênis jogado, fazendo null se remexer na cama. Ele fechou a porta e saiu pálido.
- Que foi? Ela acordou? – null perguntou baixinho na escada.
- Eu pisei num tênis jogado e ela se mexeu.
- Mas ela te viu?
- Não... mas eu acho que a coisa é mais séria do que pensei. Umas palavras num papel não vão adiantar... – ele afirmou com a expressão séria enquanto passava por null em direção à porta.
- O que foi? Que cara é essa? – null perguntou quando os dois já estavam fora da casa.
- A caixa null! Ela acabou com a caixa onde guardava coisas que faziam lembrar de mim. Ela queimou o meu coração agora.
- Nossa, isso é mau... – ela falou pensativa, mas sem entender muito bem a parte do coração – Vamos continuar com o plano, ok. Vai embora que eu vou pegar a sacola dos donnuts e fingir que estou chegando agora. – null foi andando rápido até seu carro, que estava estacionado umas duas casas depois. Estava tudo acertado assim e null já havia passado com ele na padaria pra comprar os donnuts antes. null ficou com o ouvido colado na porta e ouviu null descer as escadas correndo, hora de entrar com tudo.
- Oi null! – ela sorriu vendo a menina com a cara espantada.
- Vo-você não tava em casa?
- Fui à padaria.
- Cadê a null?
- Ela bebeu demais depois que você foi. Os meninos acharam melhor deixá-la dormir lá no apartamento do null.
- E nossos pais?
- Eles saíram cedo, não te avisaram ontem? – null caminhou tranqüilamente até a cozinha com uma null assustada atrás.
- Não... quando eles chegaram eu devia estar dormindo. Minha mãe só avisou que ia chegar tarde. Preciso conversar com ela sobre o Canadá. Depois do que rolou ontem eu decidi que vou mesmo, null. O meu pai já até depositou o dinheiro da passagem na minha con... Espera eu desci agora só pra perguntar! QUEM ESTAVA NO MEU QUARTO?
- Tinha alguém no seu quarto?
- SIM! Eu ouvi um barulho lá! Não viu ninguém sair quando estava chegando?
- Não... ah null, deixa de bobagem! O vento deve ter derrubado alguma coisa no chão. Estava com a porta da varanda aberta?
- É, estava aberta. Será que foi isso então?
- Claro! Você só se assustou porque estava dormindo... Agora deixa esses assuntos pra depois. Volta lá pro seu quarto, lava o rostinho, penteia o cabelo e desce pra comer donnuts comigo! – null segurou os ombros de null e a virou de costas, empurrando-a de volta até a escada. null subiu um pouco desconfiada e null voltou pra cozinha, sentou e pegou um donnut com cobertura de brigadeiro. Esperou dez minutos lá enquanto comia seu donnut tranqüilamente, depois pegou um prato, colocou uns três donnuts e foi ao quarto de null. A porta estava entreaberta, ela empurrou devagar com o cotovelo e logo pôde ver null sentada de lado na cama com um papel na mão, era a carta. Viu também a caixa destruída que null mencionou. Será que ela o perdoou ou ele estava certo ao dizer que não ia adiantar nada? null pensava...
- Que houve? O que é esse papel? – null estava fingindo não saber de nada porque não queria que null a acusasse de ajudar o null e ficasse brava com ela, só ia piorar tudo.
- F-foi o null, null! – null estava aos soluços.
- null? O que tem o null?
- Foi ele que entrou aqui... – ela suspirou e limpou uma lágrima com a manga do agasalho.
- Te deixou alguma coisa? Foi esse envelope vermelho?
- Sim, ele trouxe algumas coisas. Tem essa carta, uma foto nossa antiga que eu nem lembrava mais e minha pulseira que eu sempre suspeitei ter perdido na casa dele...
- Ah, deixa eu ver a foto? Adoro ver vocês em versão baby!
- A gente não era baby, null! Mas enfim... – null suspirou se acalmando dos soluços e entregou a foto.
- Eu sei que é o null beijando uma de suas bochechas, mas quem é o garoto beijando a outra bochecha?
- Ihh... esqueci o nome dele. Droga. Mas ele era legal e bonito... Acabei ficando com ele nesse dia porque o null estava ficando com uma nojentinha lá mais velha que a gente. – null torceu a boca e rolou os olhos. O null romântico da carta não tinha muito a ver com o null das lembranças dela.
- O que diz na carta? – null se sentou ao lado com o prato no colo, null pegou um donnut e entregou a carta. null comia seu donnut distraída enquanto null foi lendo e deixou um sorrisinho escapar ao imaginar que ele deve ter lido a conversa de Msn pra se inspirar.
“Oi null! Se você está lendo é porque não rasgou a carta quando viu de quem era... Isso já é um bom começo! Eu entendo que você não conseguiria ouvir um 'me perdoa' saindo da minha boca sem me dar um tapa ou sair correndo. E eu entendo também que ao ler essas duas palavras você vai me mandar para aquele lugar mentalmente. Eu fiz tudo errado desde o começo, mas foi sempre querendo te impressionar. Certa vez você mesma me disse que talvez eu estivesse usando a tática errada pra conquistar a única garota na escola que parecia não se importar comigo. Não consigo evitar de sorrir quando lembro daquele dia! Eu demorei pra perceber que estava mesmo usando o pior plano de ação da história! Deixei que você tivesse a imagem de um null torto. E agora você não vai acreditar se eu disser que um demônio chegou na minha casa e queria me estuprar! Tudo bem, não é pra tanto, certo?! Eu com meus exageros... O 'demônio' se chama Delilah e ela forçou a barra sim. Não é normal uma pessoa chegar na casa de outra vestindo apenas um sobretudo! Porém isso não explica o fato de que num dado momento eu me deixei levar. Eu sou apenas um homem cheio de imperfeições com uma caneta na mão jurando a você que não significou nada aquilo ali que você viu, só tem uma pessoa no mundo que tem tantos poderes sobre mim e é você null, não me importo com outras garotas e só quero ter você na minha vida todo dia! Você também me quer, eu vejo isso. Não fique divulgando por aí que a gente não teve nada, ou nada importante.
Foram 926357 olhares cúmplices trocados.
171623 risadinhas - gargalhadas seriam incontáveis.
26330 vezes que você fez minhas mãos suarem.
25600 olhares apaixonados.
1825 dias sem te ver e sonhando com você.
900 carinhos.
547 choques da sua pele pra minha.
431 fotos nossas.
314 abraços.
202 beijos.
1 noite na praia.
Não dá pra chamar de pouco. Minha vida não seria nada sem esses números. Eu juro com todo meu coração que se passasse uma estrela cadente aqui eu só pediria pra ter esses números multiplicados, porque eu quero estar com você por muito tempo. Oops. Esqueci que eu não posso jurar com todo o meu coração porque ele nem está aqui comigo. Está dentro de uma caixa rosa que você mantém no seu guardarroupas! Você pode pensar que eu sou bom em escrever letras de músicas e por isso está sendo fácil colocar essas palavras no papel, mas não é bem assim! Isso aqui é novo pra mim, nunca me senti desse jeito ao escrever uma música... Me sinto como um astronauta explorando um lugar desconhecido e tudo que eu quero encontrar é um buraco negro que me puxe pra dentro dele do mesmo jeito que os seus olhos. A verdade é que eu fico perdido com os seus olhares e mais perdido ainda fico sem eles. Eu já cansei de me perguntar por que não consigo fazer nada sem você. Talvez os seus olhos possam me responder. Os meus olhos me mostram o quanto você é linda por fora mas os seus me mostram o quanto você é linda por dentro, tão apaixonante e a verdade é que eu prefiro estar em qualquer lugar, mas não aqui, sem você! Talvez eu ainda possa ser tudo que você sempre sonhou, é o que eu mais quero. E esse é o fim do momento, ou simplesmente um belo desdobramento de um amor que nunca será. Ou talvez será. Só depende de você perdoar essa criatura que nada faz na vida a não ser pensar em você.”
- Ele escreveu coisas fofas! – null terminava de ler e mesmo não sendo pra ela, não conseguiu evitar que os olhos ficassem úmidos. A carta ficou tocante pra quem não sabia escrever cartas! – O que vai fazer?
- Eu tenho que fazer alguma coisa?
- Pra escrever um texto lindo desses ele deve ter passado a madrugada toda.
- Ta! E as madrugadas que EU perdi porque ficava tendo pesadelos com aquela cena nojenta dos dois se atracando?
- Pelo que diz aqui ele se arrependeu né...
- Ah, é fácil dizer isso agora! Ele que pense que pode catar as negas e depois querer voltar a ficar comigo, me enviando uma cartinha fofinha e melosa que eu vou correr pra ele e ta tudo certo.
- Erm, você devia pelo menos agradecer pela pulseira!
- A pulseira eu já agradeci... Pra null, foi ela que me deu! Ele não fez mais do que a obrigação, se ele achou tinha que devolver. E olha que demorou bastante! – ela sorriu irônica na última frase, null encarou o chão.
- Acho que você está sendo muito durona e estressada!
- O QUÊ? Defendendo o null? Ah, vai se foder você também, nossa...
- Durona, estressada e mal educada.
- Não é pra menos, né? Queria ver se fosse o null! A essa hora já seria um mafagafinho desmafagafizado...
- Claro que não! E eu não to defendendo... err, vamos pra cozinha, fiz chocolate quente.
null entendeu o que null estava dizendo sobre queimar o coração. null se demonstrava inatingível e forte. Pensou em queimar também a carta, mas esses pensamentos só demonstram o quanto ela tem medo de acreditar e ser levada pelo sentimentalismo.
Capítulo 24 – Os ex-malas
[n/a: duas músicas terão destaque nas cenas desse capítulo. Se quiser começar a baixar: música da briga | música do striptease, putz! Quem será q vai fazer isso huh?! haha]
Naquele mesmo dia, null retirou a caixa dali. Ela estava inteira, mas seu material se tornou flácido e manchado de preto em alguns pontos. Quanto às fotos, algumas ficaram com pedaços inteiros... Foram os pedaços que null viu e se sentiu derrotado.
Depois que null pôs o que restou da caixa pra ser levada junto com o lixo, percebeu que sua mãe havia chegado, pois ela sempre entrava conversando alto. Ela falava alto, quase sempre. null ia sentir muita falta disso.
- Oi null, que bom que está acordada – Julie entrou no quarto da filha. null estava sentada na cama esperando mesmo que ela entrasse.
- Oi mãe, tudo bem com os assuntos da viagem?
- Tudo. Mas e a sua viagem? Tomou uma decisão?
- Tomei mãe, eu quero ir. – null mordeu o lábio vendo Julie sentar na frente dela pensativa.
- Você já é maior e o que decidir está decidido. Apesar de não achar que seja uma boa idéia...
- Ah mãe, se for ruim eu volto.
- Você fala como se fosse tudo muito simples null. Mas pelo menos você vai estar com seu pai.
- Vai dar tudo certo! Não fique preocupada comigo! – null abriu um sorriso confiante, mas diminuiu quando viu que a mãe continuava séria – Que foi?
- Tem outra coisa que eu quero ter certeza.
- Diz...
A mãe respirou fundo, parecia estar catando as palavras.
- Filhinha, eu vivi o bastante, quer dizer, não tanto assim porque não sou velha! Mas acho que já conheço muito bem os comportamentos femininos.
- Onde você quer chegar? Não entendi.
- A natureza, minha filha. Ela comete muitos clichês e a gente sabe quando ela está agindo.
Julie pegou uma das mãos dela e a trouxe pra perto de si. null continuou boiando na conversa.
- null, você me contaria se estivesse grávida. Não contaria?
- QUE É ISSO?! – null tomou um susto. Entender a conversa da mãe foi como dar de cara no chão.
- É isso que eu quero te perguntar. Eu sou sua mãe, você pode falar. Se você não confiar em mim, não vejo em quem você poderia confiar!
- Bom, se eu estiver... – por algum motivo, null sentiu dificuldade pra dizer a palavra – grávida, nem eu mesma sei! De onde você tirou isso?
- Eu sou médica, trabalho em hospital...
- Você não é ginecologista. – null cortou a fala da mãe olhando na direção do próprio ombro direito. Não estava gostando do papo, na verdade achou uma idéia absurda.
- Eu vejo muitas mulheres em começo de gestação pra lá e pra cá o dia inteiro. Acho que sei reconhecer uma grávida, mesmo que de algumas semanas.
- O que te levou a pensar isso? O que tem de errado comigo?
- Não é nada de errado. São coisas que acontecem, você já começou a dormir mais do que o normal. Você bebeu cerveja e isso não te fez bem, dá pra ver na sua pele. Na verdade, beber não faz bem em circunstância alguma, mas para uma grávida é potencialmente perigoso. E por último, mas não menos notável, está mais emotiva e chorona do que nunca.
- Como sabe de tudo isso? – null perguntou em voz baixa, acuada. Não tinha como negar esses sintomas.
- Eu sou sua mãe! Eu posso passar mais tempo no hospital do que em casa, mas eu reparo em você, ok? Você é o que eu tenho de mais importante e se estiver esperando um filho, não vou deixar que viaje de forma alguma. Não vou mandar minha filha grávida pra outro país!
- Mãe, isso não tem chance de ser verdade. Tudo que eu passei esses dias... Eu tenho motivos pra não estar radiante, pulando por aí.
- Mas eu não disse que você não estava radiante! – Julie pegou uma mexa do cabelo de null e ajeitou atrás da orelha – Você já deve ter ouvido falar que as grávidas ficam com um brilho todo especial nos olhos e eu vejo isso no seu olhar.
- Credo mãe, parece boba! – null cruzou os braços e desviou o olhar para o chão.
- Me diga null. Me diga agora, com quem e quando foi a sua última relação?
- Mãe! Eu...
- Sem enrolações.
- Tem algumas semanas aí. – null falou ainda olhando pra baixo e tentando embolar as palavras, mas elas saíram em bom som – null null.
- Ah, claro... Tinha que ser aquele seu amigo que vinha aqui em casa quando vocês estavam mais novos! Bem que eu perguntava se vocês não tinham nada a mais e a resposta era sempre a mesma: "não, mãe". Eu até gosto dele, mas achava que ele fosse no mínimo esperto! Por que não se protegeram?
- Nos protegemos mãe! É por isso que eu digo que não estou esperando coisa alguma!
- Quero que vá ao médico. Não compre passagem nenhuma pro Canadá nem pra canto algum enquanto não tiver certeza. – Julie comunicou sua decisão com a voz firme e ia sair do quarto.
- MAS EU TENHO CERTEZA!
- Como?
- Mãe, eu só não entrei em pânico com essas suas hipóteses porque eu tenho certeza do que digo.
- Então me diz pra eu ter certeza também. Filha eu só não quero que você viaje grávida e tenha o meu neto longe daqui.
- Mãe se controla! – null já falava com um certo humor na voz – Eu estava morrendo de cólica ontem à noite. Minha visita mensal já chegou esse mês. E eu também já disse que me protejo sempre. Não tem com o que se preocupar!
Ela levantou sorrindo e abraçou a mãe. Nunca teve tanta satisfação ao dizer que estava menstruada.
- Tem certeza que veio mesmo?
- Tenho.
- Então ta. POR QUE NÃO ME DISSE LOGO PRA EVITAR QUE EU PAGASSE MICO?! – Julie gritou e ficou rindo. Estava aliviada, mas também gostaria que a filha estivesse grávida e assim impediria a viagem.
- Você num tava deixando eu falar. – null fez beicinho.
- Vou confessar que eu inventei todo esse papo, queria jogar um verde e quem sabe fosse verdade... Eu queria que você estivesse grávida. Acho que era um pretexto pra não te deixar viajar.
- Eu entendo você e prometo visitar sempre que for possível!
Julie. 42 anos e uma mãe muito moderna, compreensiva e meio maluca às vezes. Fica explicada toda a personalidade de null quando conhecemos sua mãe. Ela sempre foi muito apegada à filha e com certeza é meio difícil soltá-la... Costumava ser só as duas depois do divórcio e antes de Robert aparecer!
Com a mãe convencida de que não há gravidez nem outros motivos que impeçam a mudança, agora só restou entrar em ritmo de viagem. Ainda no mesmo dia, com a chegada da noite, null recebeu uma ligação do primo e passou horas ao telefone com ele. Primeiro a mãe, agora null... Segundo familiar do dia querendo fazê-la desistir. Mas para ela, era como se já estivesse com um pé no outro continente. Às vezes as pessoas tem uma vontade cega de mudar a vida e mal sabem elas que estão sujeitas a caírem nos mesmos erros e armadilhas. A vontade de null podia ser vista como uma luz de farol alto. Daquelas que não nos deixam enxergar mais nada. Ela conversou com o primo e quando ele se deu por vencido, até admitiu que talvez fosse uma boa experiência e desejou que ela fosse feliz. null sorriu involuntariamente com esses votos porque era a única coisa que ela queria!
null então comprou sua passagem para quinta-feira da outra semana, sendo que uma semana antes, na quarta foi a sua mãe quem viajou. Ela partiu para sua viagem de quinze dias com o marido sabendo que quando voltasse a filha não estaria mais lá. Teve vontade de adiar a viagem com Robert, mas isso seria injusto com ele depois de terem planejado tudo juntos. Então na quarta Robert e Julie embarcaram pra Austrália. Durante os outros dias da semana, as meninas iam às vezes visitar seus namorados, mas null sempre ficava em casa e não via a hora de estar livre disso. Os meninos tiveram várias sessões de fotos, gravações de programas pra TV e rádio, entrevistas pra revistas teen... Estavam todos empolgados e morar ali definitivamente ajudava a cumprir os horários dos compromissos de trabalho!
O fim de semana chegou e como haviam combinado, sábado seria o dia da festa. null encarou também como uma festa de despedida, já que na próxima quinta estaria num avião. Convidou alguns amigos seus, inclusive os da faculdade, queria se despedir de todo mundo.
Durante à tarde os garotos ficaram num estúdio, gravando um programa que vai ao ar nas noites de quarta-feira. Enquanto isso, null estava na casa de null, null e null, se arrumando pra ficarem poderosas. null fez um penteado em null, null usou o vestido azul que null lhe deu antes das férias, null maquiou null e null emprestou um par de brincos à null, o mesmo que emprestou para a festa de despedida do null anos atrás.
Ficaram lindas, a casa estava linda e também espaçosa. Foram removidos da sala objetos frágeis e com valor sentimental (ou não)... Sofás afastados para os cantos e lá fora, várias luzes em volta da piscina decoravam o ambiente.
Já eram quase onze quando o motivo, ou melhor, os quatro motivos pra festa chegaram. As pessoas presentes soltaram gritinhos erguendo seus copos de cerveja pra anunciar a presença deles.
- MAGAFAFO! – null gritou, estava em pé numa cadeira e já um pouquinho alcoolizada. null riu porque ela não acertou pronunciar mafagafo e caminhou até ela. As outras três garotas se aproximaram também e pareciam mais sóbrias do que null...
- O que vocês deram pra minha picurruxa suas perversas? – null falava com null molenga em seus braços.
- Cara! Você tem que parar de chamar ela de picurruxa na frente dos outros! Nem parece o null que a gente conhece... – null colocou a mão sobre o ombro dele e balançou a cabeça, null sacudiu o braço para que null tirasse a mão do ombro dele e voltou a olhar pras meninas fazendo cara de bravo.
- Quem mandou você não estar aqui pra tomar conta dela? – null pôs as mãos na cintura.
- Por que demoraram tanto? A festa começou sem vocês... – null cruzou os braços e ficou encarando os meninos. null e null ficaram calados porque estavam ocupados demais se olhando. null estava lindo com uma camisa polo listrada, calça jeans preta e um tênis Nike também preto.
- Perdemos muita coisa? – null perguntou e elas negaram com a cabeça – Ah, é que nós tivemos um pequeno atraso. – e olhou pra null, que ficou vermelho e sem graça.
- Que atraso? – null perguntou curiosa interrompendo o beijo que dava em null.
- Ah, é que o null precisou de... – null ia falando, mas foi cortado por null.
- Precisou de um tempo a mais pra ficar conversando com a ajudante de palco e atrasou a gente! – Disse e olhou pra null de canto de olho. null ficou ainda mais sem graça e sem saber pra onde olhar, null forçava um sorriso amarelo de limão azedo e logo saiu dizendo que ia pegar uma bebida. ‘Preciso de algo forte!’ ela pensava enquanto se afastava do grupo.
- Dude, você quase ia contar a surpresa! – null sussurrou cutucando null.
- Mas era surpresa? – null encarou os amigos com cara de ‘hã’?
- Claro! Que graça tem ela saber agora? – null lhe deu um empurrão leve no braço. null ficou com as mãos no bolso e olhando para todos os lados possíveis enquanto as outras meninas o encaravam.
- null, que surpresa é essa? – null se aproximou dele estreitando os olhos e null junto.
- Não vou falar nada agora porque não vai adiantar! Amanhã, quem sabe...
- Ai null! Não faz isso com a gente! – null apelou um pouquinho.
- É algo que envolve você e a null fazendo as pazes? Não vamos contar pra ela, pode confiar! – null contribuiu mais na apelação. null continuou quieta, estava se sentindo zonza.
- OMG! O que a null vai fazer? – null olhou desesperado pra um canto da sala e as meninas se viraram pra olhar. Quando viraram de novo ele não estava mais lá, se afastou rindo antes de receber mais perguntas.
Ele se sentia animado, inspirado e com esperanças, a vida dele ia se consertar agora ou nunca! Foi a sua última jogada e se não desse certo ele ia se conformar que tinha de ser assim. Durante a festa, não se aproximou de null e apenas a observava de longe. Várias garotas chegavam todo instante pra conversar ou pra tirar uma foto e ele sempre via quando null olhava pra eles e logo depois fingia que não estava olhando, fazendo uma cara de desdém totalmente falsa. Isso fazia null sorrir por dentro porque finalmente ela estava demonstrando que se importava com ele.
A música rolava animada e mais uma vez null, null, null e null estavam largados no sofá se acabando de rir por alguma besteira que null fazia. Ele e null começaram de repente uma competição de arrotos e null queria participar, mas null a cutucou.
- Eii... Ta vendo aquela pessoa ali? – null apontou com a cabeça pra um cara de agasalho marrom encostado na parede e de cabeça baixa.
- To vendo, na verdade to sacando ele faz um tempo, mas não sei quem é!
- Não dá pra ver, o rosto dele ta todo coberto! – null apertou os olhos, mas o rosto dele estava mesmo meio impossível de ver porque ele estava de lado e com o capuz do agasalho abaixado.
- null! – null bateu com a mão no braço do outro, que soltava um arroto gigante – Nossas namoradas estão comentando sobre os garotos da festa assim na nossa frente enquanto arrotamos feito idiotas e nós não vamos fazer nada?
- Nós vamos sim... Nós vamos terminar com elas e continuar arrotando! – ele deu um soquinho no ar e null lhe deu um pedala. As duas meninas olhavam pra eles rindo.
- Não estamos comentando os garotos da festa! – null riu e foi sentar mais perto de null.
- E se estivesse, qual o problema? – null pôs as mãos na cintura e null fez algumas cócegas nela.
- Na verdade estávamos sim, comentando sobre um cara que achamos estranho porque não conseguimos reconhecer! – null explicou pra null enquanto null e null começavam a se agarrar.
- Cadê o zé ruela? – null perguntou divertido e null o apontou com o olhar.
- Acha que eu devo me aproximar pra ver quem é? – null ouviu null perguntar e tirou os olhos do rapaz para encará-la.
- De forma alguma! Se tem uma coisa que eu aprendi foi deixar os encapuzados esquisitos e irreconhecíveis em paz quando os vejo numa festa!
- É, tem razão... – ela concordou e deu um sorriso fraco, desviando o olhar meio pra baixo e lembrando daquele dia marcante em que null esteve prestes a morrer.
- Hey – ele tocou o queixo dela e fez com que levantasse o rosto. Seu olhar se encontrou com o dela e ele ainda sentia borboletas com isso.
- Desculpe, não deu pra evitar a lembrança daquele dia. – os olhos dela estavam úmidos e null a abraçou forte.
- Esquece isso, tudo aquilo já acabou! – ele falou no ouvido de null e depois se soltou do abraço, ficando com o rosto em frente ao dela.
- Tive tanto medo quando te vi lá em cima! – ela pôs a mão na bochecha dele e o menino fechou os olhos sentindo o toque, depois os dois encostaram as testas.
- Não se preocupe, não vai ser tão fácil pra você se livrar de mim! – ele sussurrou e a beijou em seguida.
- Nunca mais me assuste assim de novo – ela falou com os lábios colados aos dele.
- Eiii! – null berrou massageando o ombro direito porque havia se trombado forte com alguém.
- Desculpa cara, foi sem querer!
- Não foi nada. Machucou? – null viu que ele pressionava o dedo mínimo.
- Não, acho que eu devo ter dado um mau jeito no dedo quando me bati com você.
- Ahn, pode ter quebrado, cara.
- Acho que não é pra tanto... De qualquer forma eu já estava indo mesmo, desculpa aí de novo! – o rapaz deu leves batidas no outro ombro de null e foi embora. null chegava com um Martini na mão e só pôde ver o cara de costas.
- Quem era o do capuz?
- Não sei, ele se trombou comigo.
- E ele te machucou?
- Não.
- Ahn... Será que eu conheço?
- Provavelmente não... – null deu de ombros – Tem tanta gente nessa festa, duvido você conhecer todos eles! – e a segurou pela cintura sorrindo, ela riu e agarrou o pescoço dele com uma das mãos. Depois pegou um gelo dos que estavam dentro do copo que segurava e passou pelo contorno dos lábios dele, que estremeceu e sugou o cubinho pra dentro da boca, beijando null em seguida.
O rapaz de capuz ainda passou por null antes de sair, mas ela estava de costas conversando com alguns amigos do seu curso de publicidade.
- Naah, o professor de design gráfico é uma biba, com certeza! – um garoto magro, de olhos verdes, cabelo preto e trejeitos meio afeminados falava.
- Como tem tanta certeza Eric? Andou conferindo a biba? – null estreitou o olhar pra ele e mais dois garotos e duas garotas riram. De repente null parou de rir e ficou estátua, depois se virou pra trás rapidamente.
- O que foi mulher? – a amiga ao lado dela perguntou.
- Nada... eu... pensei ter sentido um perfume familiar. – ela respondeu franzindo a testa.
Olhou pra trás de novo e não conseguiu ver ninguém por causa das outras pessoas atravessando na frente. ‘Devo estar sonhando, vou parar de beber!’ ela pensou e voltou ao papo com os colegas.
O rapaz de capuz ficou parado na porta da casa. Estava prestes a sair, mas repensou no caso, tirou o capuz da cabeça e deu uma leve sacudida nos cabelos deixando-os arrumados e bagunçados ao mesmo tempo. Depois deu meia-volta e entrou novamente. Peter Cooby is back.
Após um tempo conversando com os colegas de faculdade, null sentiu que precisava deixá-los se espalharem, pra poderem conhecer o resto das pessoas da festa. Havia gente que nem ela conhecia, mas não estava querendo conhecer ninguém. Muito pelo contrário. Ela foi até a cozinha porque estava bebendo de estômago vazio e isso sempre a deixa vulnerável ao desequilíbrio. Em outras palavras, tonta demais pra qualquer coisa e a festa termina mais cedo. Ninguém quer isto, certo? Certo.
Ao chegar no cômodo se depara com duas pessoas. Uma delas, ela não queria ver. A outra, ela já não via faz tempo.
- Mat? É você?
O rapaz de olhos azuis (tão azuis que com certeza já inspiraram alguém a fazer poesia com eles) e rosto absurdamente bem desenhado conversava distraído com null. E os dois olharam em direção à porta, onde null estava parada e logo começou a se aproximar.
- null! – ele sorriu. null já havia esquecido o brilho daquele sorriso em conjunto com o par de olhos poéticos. – Me desculpe, eu nem sabia que estava rolando uma festa! Só vim aqui pra te visitar.
- Err, foi bom te ver por aqui cara. – null deu uns tapinhas no braço dele – Vou deixar que vocês conversem.
null saiu de cabeça baixa e se isso fosse um desenho animado poderíamos ver que os olhos de null foram saltitando atrás dele, acompanhando-o pra onde fosse. Depois de um pequeno suspiro ela despertou e olhou pra frente. Matthew estava lá. E ainda sorria.
- Que nada Matthew! Aproveita e fica na festa!
- O tempo foi generoso com você!
- Qual é Mat! Quem vê pensa que passou uma eternidade! – null lhe deu um abraço um tanto frouxo e sem ânimo. Sentia-se cansada. Como se null tivesse levado com ele os olhos e a vitalidade dela ao sair da cozinha encarando o chão e sem olhar pra ela.
- Mesmo assim o tempo foi generoso!
- Por falar em tempo, o que você ta fazendo aqui? Digo, faz um tempo que não te vejo em canto algum! – ela se deixou contagiar pelo sorriso dele que nunca cessava. Desde que o conheceu ele era assim. Incrível null ter entregue a foto onde estavam os três juntos no parque de diversões, como se estivesse prevendo a reaparição do colega! Ela sempre lembrava daquele dia com carinho, embora saiba que ficar com o Matthew não era o que ela queria.
- Como assim, não me viu em canto algum? E aquele dia que nos batemos na rua?
- Na rua? Eu te vi na rua?
- Ah, claro! Eu imaginei que você não tivesse me visto, nem olhou pra mim! Parecia bem distraída inclusive...
- Ah sim, acho que já sei que dia foi esse. Eu tinha mesmo umas decisões pra tomar.
- E já tomou? – Matt perguntou e tomou um gole de sua latinha de Coca-Cola. Um fato curioso sobre Matthew é que ele nunca acostumou com o sabor das bebidas com álcool, detesta ficar bêbado.
- Sim! Graças aos céus.
- Parece satisfeita com sua decisão... Posso saber do que se trata?
- É que eu vou morar com meu pai, no Canadá.
Após ouvir Canadá, Mat quase se engasgou com a Coca.
- Você vai morar onde?
- Canadá. Você está bem?
- Sim é que eu fiquei um tanto surpreso! Eu moro lá.
- Sério?! Nossa... O que eu posso dizer? Juro que não estou te seguindo!
- Eu fui pra lá quando terminei o colegial. Vim aqui apenas passar uns dias, mas já estou voltando. Aliás, quando você viaja?
- Próxima quinta.
- Podemos viajar juntos?
Matt estava sorrindo perigosamente e ela só balançou a cabeça afirmando. Seria ótimo viajar, e viajar com ele seria perfeito.
Algum tempo depois, Matthew foi embora dizendo que só havia passado para vê-la. Quando já passava um pouco das duas da madrugada, Lady Gaga tocava a todo volume animando todos com Love Game. Um garoto no auge do efeito alcoólico subiu no trampolim da piscina e começou a tirar a roupa lá em cima, mas caiu tentando tirar as calças... Começou a se afogar lá e sua namorada morrendo de vergonha empurrou o irmão na água para que tirasse o cunhado. Todas as pessoas da festa estavam agora reunidas no jardim pra ficar assistindo o emocionante resgate.
- Quem são esses? – Eric, o colega de faculdade estava com null ao seu lado.
- A garota e o irmão dela são vizinhos, o namorado é americano.
Eric fez uma cara de ‘Anh... saquei’ e depois foi procurar mais cerveja. null parou pra ficar pasmando outra vez, agora sim ela tinha certeza de estar sentindo o perfume do ex-namorado! Perfume esse que ela mesma deu de presente. Virou-se pra trás rapidamente e deu de cara com Peter. Acenou com a cabeça, deu um meio sorriso e voltou a virar pra frente. Logo as pessoas começaram a dispersar e null teve uma outra visão desagradável, Delilah estava ali no meio das pessoas. ‘Duas visões apavorantes assim em menos de um minuto?! O que mais falta agora? Freddy Krueger?! Será que eu to na casa dos horrores?’ ela sacudiu a cabeça e resolveu pegar mais bebida, sentiu que precisaria estar bêbada pra agüentar essa noite!
xxx
- AHAHAH, mas de onde você tirou isso, dude?
- Sei lá, achava que vocês deviam gostar muito de McDonald’s! – um rapaz amigo de null conversava com null, até que Lilah chegou por trás e pôs uma mão no ombro dele, que se virou rapidamente.
- Delilah? Como chegou aqui?
- Qual é null, isso é o de menos... Não vai me apresentar o seu amigo? – Delilah esticou o pescoço e null voltou a olhar pro cara que conversava, mas não lembrava o nome dele.
- Err... Não se incomodem comigo! Eu tenho que procurar a null, ela ficou de me apresentar uma gata hoje! – o rapaz se afastou dos dois e null voltou a encarar Delilah.
- O que está fazendo por aqui? Veio visitar a null? – ele sorriu sarcástico e null estava assistindo. De longe parecia um sorriso não-sarcástico e isso a fez começar a bater um dos pés no chão.
- Na verdade eu fiquei sabendo que haveria alguns convidados especiais nessa festa, sabe o McFLY? A banda que tem o meu null preferido... – falando isso ela se aproximou e deslizou uma das mãos sobre o peito dele. null virou rápido a cabeça pra outra direção antes que pudesse ver mais coisas. ‘Relaxa null, não perca a linha, você tem classe. 1,2,3,4,5,6...’ ela olhou pra baixo e em seguida pôde ver dois pés parando ao lado dos dela.
- Oi!
- Oi Pete.
- Tudo bem com você? – ele entortou um pouco o rosto, se aproximando dela e colocando o cabelo dela pra trás da orelha. Foi a vez de null bater o olhar na cena e sentir o sangue ferver. Segurou Delilah pelos ombros e a afastou com delicadeza. Nem mesmo ele sabia explicar como conseguiu ter movimentos leves e delicados se por dentro estava semelhante a um vulcão.
- Eu to legal. – null respondeu sem olhar Pete, ele pegou o queixo dela e a fez olhar pra ele.
- Não é o que parece. Sentiu saudades de mim?
- Não tive tempo, hum...
- Vamos, não precisa guardar rancor de mim! Aquilo tudo que eu disse na carta e os vídeos era mentira.
- Mentira? Então você é mais estúpido do que minhas amigas disseram que era.
- Não me trate assim, eu só vim porque senti a sua falta, eu queria te ver de novo.
- Já viu, não viu? Está vendo? Olhe bem... Eu deixo que observe cada detalhe e depois pode ir.
- Eu sei que você deve ter ficado mal, mas tudo o que eu disse e fiz foi pro nosso bem, eu não queria continuar com um namoro à distância entende, eu tive medo de te trair, e de você me trair também, mesmo que isso não tivesse acontecido.
- Não era mais fácil falar a verdade? Chegar e dizer ‘oee, eu não quero mais continuar com isso’? Era só uma frase! Mas ao invés disso você preferiu dizer um monte de outras coisas. Contou uma história gigantesca, praticamente uma fanfic com você e uma garota lá que eu nem sei se existe mesmo porque agora você já me confundiu. – null continuava a falar sem olhar pra ele e seu olhar se cruzou com o de null, que estava sentado numa mesinha redonda e Delilah ao seu lado.
- Errei mesmo, to admitindo já. Eu só queria matar a saudade, ficar com você hoje... – ele passou um braço pela cintura dela e a fez ficar de frente pra ele.
- Eu desculpo você, não to mais chateada nem nada, por mim seriamos até amigos, mas ficar já não rola!
- Por que não? É só por alguns dias! Semana que vem eu já to voltando pra Oxford. Só vim pra cá por causa do meu velho que fez uma cirurgia e pediu que eu ficasse cuidando da Surrey.
Surrey é a fazenda do pai de Peter. É aberta para visitação, passeios escolares e etc...
- Desejo melhoras ao seu pai. – null falou inclinando a cabeça pra trás porque Peter estava muito perto dela. null ainda assistia e estava conseguindo dar mais de três goles de cerveja por segundo, de tanto desespero que aquela cena estava lhe causando. Delilah falava algumas coisas, mas ele só balançava a cabeça afirmando. Se ela perguntasse se ele era gay provavelmente ele diria que sim naquela hora. ‘Eu vou mostrar para aquele Perdedor Cooby que ele ta mexendo com a garota errada! Não, espera... Deixa eu tomar mais um gole disso aqui antes!’ null tomava coragem e então se levantou e foi tentando caminhar com os passos mais firmes que conseguia dar enquanto cerrava os punhos e respirava acelerado.
- Você ainda não respondeu por que não quer ficar comigo!
- Quer mesmo ouvir essa resposta?
- Pode falar, toda a verdade!
- Você foi um patético e por isso não me atrai mais. Desculpe, mas foi você quem procurou e sabe que quando eu bebo um pouco já falo tudo na lata. – null e Peter conversavam bem próximos e null caminhava feito um touro em direção ao casal. Podia jurar que estava vendo tudo vermelho à sua frente. Quando chegou, simplesmente pôs uma mão em cada ombro e os afastou. null se assustou de início, mas agradeceu mentalmente por isso.
- Hey dude! O que ta acontecend... null?!
- Oi Peter! – null deu o sorriso mais falso que pôde e Peter olhou imediatamente pra null com um olhar de quem diz agora eu to entendendo.
- Err... null, ninguém te ensinou que não pode chegar e ir separando pessoas assim? Você já bebeu bastante e eu acho que está na hora de sentar um pouco e ficar quietinho num canto esperando o álcool sair da sua corrente sanguínea! – null disparou a falar sem parar, ficou com medo de repente porque os dois começaram a se olhar feito cachorros de rua.
- Pensei que nunca mais fosse te ver por aqui null.
- Engraçado, pensei o mesmo de você, Cooby. – null cutucou Peter no peito e null apertou os olhos como quem pensa fodeeeeu! Ela sabe que o ex-namorado detesta ser cutucado e numa situação dessas era só o que ele precisava pra partir pra cima do cutucador, no caso null null!
- Não me cutuca seu mcgay! – empurrou null pra trás pelos ombros. null sorriu sarcástico.
- Você bem que preferia que eu fosse gay, assim você não precisaria ter medo de perder a namorada pra mim!
- null, porra... – null sussurrou, queria que ele parasse de provocar porque Peter é o valentão que jogava futebol na escola.
[n/a: Pode soltar a *música da briga* (que é So What, Pink)]
So What começava a tocar e as batidas estavam fazendo a cabeça de null latejar um pouco.
Peter sorriu meio de lado e null só teve tempo de ver um punho fechado voando na direção de seu rosto. Conseguiu desviar e em seguida o acertou no estômago. O soco fez Peter perder um pouco o ar e dar vários passos pra trás. Algumas pessoas já paravam pra observá-los...
Peter se recuperou e veio correndo com a cabeça abaixada na direção de null, ele o acertou em cheio feito uma bola de boliche e os dois caíram no chão à metros de distância.
...Na na na na na na na
I wanna start a fight! (quero começar uma briga)
Peter ficou por cima e acertou um soco que pegou no queixo de null, que por sua vez tampava e empurrava todo o rosto de Peter com a palma de uma das mãos, enquanto com a outra lhe dava pequenos murros na lateral do corpo.
- Briga! Briga! Briga! Briga! – Vários desocupados da vida formaram uma roda em volta deles pra assistir.
- MAS QUE INFERNO! ALGUÉM SEPARA ESSES DOIS! – null gritava com as mãos na cabeça.
- Tinha que ser o ogro do teu namorado. Ele vai acabar com o rostinho do meu null. – null ouviu essa frase e quando olhou pro lado viu Delilah de braços cruzados.
- Vai tirar o seu null de lá! Quem sabe o Peter não aproveita e te bate também!
- Hey mal educada! Não me admira o seu namorado ser desse jeito!
- E eu não me admiro que você COLECIONE EX-namorados por aí, pois todos te largam!
Delilah abriu a boca olhando pra ela, depois cerrou os lábios e ergueu a mão pra dar um tapa, mas null segurou seu pulso.
- BATE SE TU É HOMEM! – null gritou e soltou o pulso de Lilah, que ficou por um tempo com uma expressão confusa.
Na na na na na na na
We're all gonna get in a fight! (todos vamos entrar numa briga)
Aproveitando a oportunidade, null lhe acertou um tapão na cara. Então Delilah voou com aquelas unhas enormes pra cima do cabelo dela.
null gritava com aquelas unhas cravadas em seu coro cabeludo, até que teve a idéia de socar a barriga dela. Deu uns três socos e no último concentrou toda a força que veio ao lembrar de quando a viu com null. Delilah caiu no chão e null montou por cima dela, acertou um soco com o punho esquerdo e outro com o direito naquela cara. Estava tomada de ódio como nunca esteve e o resultado disso foi o nariz de Lilah escorrendo sangue. Logo, as duas duplas estavam se esfolando no meio da roda. null rolou pelo chão com Peter e ficou por cima, distribuiu no rosto dele todos os socos que pôde à exemplo de null. Peter espalmou as mãos em seu tórax e empurrou null com força, fazendo-o sair de cima dele e cair de novo com a bunda no chão. Os dois levantaram rapidamente e já estavam preparados pra recomeçar tudo, eles pulavam agitados com os punhos à frente do rosto.
null e Delilah rolavam na grama disputando pra ficar por cima. null viu que Lilah ia ficar por cima dessa vez e a empurrou. As duas ficaram de pé.
So so what? (e daí?)
I'm still a rock star (eu ainda sou uma estrela do rock)
I got my rock moves... (tenho meus golpes de rock)
Elas ficaram se encarando um pouco enquanto respiravam ofegantes com as roupas sujas. Delilah passou o braço pelo nariz e limpou o sangue do rosto. Ela se aproximou de null, pisou em seu pé e saiu correndo em seguida! null abriu a boca surpresa com tamanha infantilidade e disparou atrás dela, as duas correram feito loucas por todo o quintal, passaram por null no momento em que ele derrubava Pete em cima de uma mesa e vários docinhos voaram pra todos os lados. null pegou alguns deles e esmagou na cara do adversário, deixando-o completamente empapusado... null alcançou Lilah, pegou seu braço e o segurou pra cima atrás das costas dela. As duas estavam próximas de uma mesa, então null olhou para a poncheira de cristal de sua mãe e viu uma luzinha acender. Guiou Delilah até a mesa, segurou os cabelos dela com a mão que estava livre e enfiou a cabeça dela no ponche de frutas. ‘Puxa dude! Sonhei tanto com uma coisa assim nos últimos tempos!’ ela soltou um sorriso besta-aliviado e tirou Delilah de lá quando ela começou a ficar sem ar.
Ba da da da da da (pfft!)
Enquanto isso, null estava horrorizada com tudo aquilo, as outras meninas não estavam diferentes. null passou por elas e deu uma piscada, guiava Delilah prendendo o braço dela atrás de suas costas, foram juntas assim até a porta da saída, onde null lhe deu um empurrão e jogou alguns guardanapos pra ela. Não demorou muito e Peter também estava sendo lançado pra fora, mas null não jogou guardanapo nenhum pra ele.
- Oi... – Peter se virou para a menina que passava os guardanapos na cara, ela rolou os olhos e lhe entregou alguns.
xxx
- Ela disse que nunca tinha brigado... – null falou meio chocada, com a porta da cozinha fechada atrás de si.
- Mas eu não acredito! VOCÊS SÃO MACACOS POR ACASO?! – null andava de um lado pro outro, da pia pra geladeira. null e null estavam sentados lado a lado em cima da mesa, mas não se olhavam... Enquanto null cuidava dos raladinhos no braço dela, null estava limpando alguns arranhões dele.
- A gente queria conversar um pouco, vocês podem se retirar? – null pediu e null virou o olhar na direção dele na mesma hora.
- Não quero conversar. Nem muito, nem pouco.
- Pessoal... – null olhou todos com cara de andem logo, facilita aí!
- Não quebrem a cozinha, casal-luta-livre. – null falou com a voz pesada. Ela não gosta que seus amigos briguem. Afastou null com um toque no ombro, pois ela ainda estava na frente da porta. Após abrir, saiu com seus passos largos. null saiu logo atrás dela, depois null e de mãos dadas com ele, vinha null. null saiu por último e null estava parada ao lado da porta aberta.
- Vamos picurruxa. – null envolveu seus ombros e a virou de frente para a saída.
- Mas ela disse que nunca tinha brigado! – null continuou com seu tom de admiração enquanto o namorado a empurrava carinhosamente para fora. Como estava mais bêbada do que quando os meninos chegaram, deve ter imaginado uma luta de gladiadores. null e null ficaram observando todos saírem. A música da festa entrou por uns instantes no cômodo e logo morreu quando null fechou novamente a porta. Demorou vinte segundos para que outro som se propagasse ali.
- Ótima conversa null, acho que posso subir pro meu quarto e trocar de roupa agora. – null sorriu com ironia vendo que null não pronunciou uma sílaba sequer. Ela saiu de cima da mesa e observou o estado de seu vestido. null havia lhe dado e no primeiro uso estava assim. Que vergonha...
- Espere. Eu ainda quero conversar, sobre...
- O que? Ficou chateado porque eu dei uns socos na sua boneca inflável?
- NÃO! NÃO É DA DELILAH! – null saltou da mesa irritado e a pegou pelos ombros. Depois de um breve mergulho em seus olhos, a soltou e abaixou o tom – Por que você tem mania de colocá-la no meio de todas as conversas? - Porque você tem mania de ficar entre as pernas dela!? – null respondeu em tom de piada.
- PORRA ! NÃO DÁ PRA FALAR SÉRIO? – null deu um soco na mesa e por sorte ela não se partiu ao meio. null estremeceu de susto.
- O o-oque, o que você quer falar? – ela gaguejou com voz de choro. null fechou os olhos e respirou fundo.
- Perdi o controle, desculpa – null fez menção de se aproximar e ela deu um passo pra trás.
- Você ainda não disse do que se trata isso aqui. – null recuperou o fôlego e a firmeza na voz, mas não conseguiu olhar pra ele. Havia alguma coisa na porta da geladeira, logo ali à direita, que parecia merecer mais os olhares dela.
- Você vai, err... morar com o Matthew? – null perguntou coçando o pescoço. Imaginar uma resposta afirmativa para esse absurdo era como se enforcar.
- De onde você tirou isso? – null respondeu rápido e logo estava olhando pra ele.
- Matthew me disse que mora no Canadá.
- Então você já sabe... – falou baixo, como se desejasse que ele não soubesse de nada sobre null + Canadá = verdadeiro.
- Como eu não ia saber? Parabéns, é o assunto do mês. – ele deu um sorriso forçado, como se obrigasse cada músculo do rosto a desenhar um rasgo atravessado na boca.
- Eu estou indo e não tem nada a ver com o Matt.
- Sei. Tem a ver comigo, não é?
- Com você? – e ela o olhou com um sorriso de descrença. Como quem diz Puxa, se toca!
- É! Você só vai embora pra não ficar aqui e ter que me enfrentar depois do que passamos. Você não quer que a gente converse, não quer me dar uma chance! Será que eu não tenho direito a ser julgado? Eu já fui condenado?
- Chega null – ela bufou impaciente franzindo as sobrancelhas – It's not about you. Não tem a ver com você. O mundo não gira em torno de você. O Dólar não depende de você. O Euro também não. A meteorologia também não. Existem muito mais coisas na Terra além de você.
- Então me explica por que diabos você vai se enfiar no Canadá! – null segurou um dos braços dela e a troca de olhares foi tensa. Se os olhos humanos fossem capazes de enxergar os olhares como faíscas, qualquer um poderia dizer que houve muitas faíscas trocadas, de todas as cores possíveis.
- Eu não te devo explicações da minha vida pessoal. – null quebrou o contato visual desviando o olhar para o chão. As faíscas que ainda saíam dos olhos dele esfumaçaram no ar sem ter os olhos dela para aterrissar.
- Não é assim que você diz, para os repórteres chatos? – ela soltou o braço da mão dele.
- Eu nunca os respondi assim. Já vi que você seria uma celebridade antipática.
- Pelo menos eu amaria meus fãs. Não sou como uns e outros que traem todos os fãs, do primeiro ao último.
- Eu ainda sou o seu fã número um – null soltou um sorriso comovente e tentou tocar o rosto dela.
- Arranje outro ídolo. Um que more no mesmo país que você, de preferência. – null se afastou antes que os dedos de null, secos pelo contato com a bochecha dela, pudessem se aproximar como queriam. Ele sentiu a decepção na pontinha de cada dedo.
- Eu não vou deixar – null falou mais pra ele mesmo e ela não entendeu. Parou antes de abrir a porta.
- Que?
Ele engoliu seco e trocou a frase.
- Vou pro meu apartamento trocar de roupa, volto daqui a pouco. – null pegou as chaves de seu carro dentro do bolso da calça. Ele foi levar o carro até seu apartamento, mesmo sabendo que não estava nas melhores condições pra dirigir. Depois retornou pra festa a pé.
Em poucos instantes, coisa de trinta minutos, os dois já estavam no meio da festa de novo como se nada tivesse acontecido. null vestiu uma camisa cor creme, de tecido fino e agradável no toque. Um jeans skinny e scarpin preto. null fez sua reentrada na festa com uma camisa azul de estampa alegre e informal. Pra completar, calça jeans e All Star.
Depois disso tudo, não aconteceu mais nada muito importante ou memorável... Todo mundo bebeu demais! null chegou a confundir null com null, só porque usavam calça jeans e blusas vermelhas. As blusas tinham modelos completamente diferentes, mas vai perguntar isso pra um homem bêbado! Chegou em null, que estava de costas, a cutucou e a beijou quando se virou. null viu, mas estava tonto demais pra reagir de outra forma então agarrou null pra se vingar... null deu um tapa em null, null empurrou null, os dois caíram cada um num sofá e não levantaram mais!
null dançava animadamente no meio do quintal com uma menina de nome desconhecido, chamando a atenção de muitos pela forma como rebolavam juntinhos. A dança deles estava cada vez mais sensual e null assistia sentindo a fumaça sair pelas orelhas! Mas ela não pretendia bater em ninguém... Ao invés disso, preferiu roubar a cena. Ela sabia que estava reagindo diferente às provocações de null agora. Não ia mais fingir que não se importava porque isso é como engolir um remédio ruim e amargo sem estar doente.
[n/a: música de striptease, DJ (D'azoo At Night)]
Ela chegou na sala e subiu na mesa de centro, que não estava no centro e sim encostada numa parede. Aviso: A cena a seguir descreve a jovem possuída por um espírito louco denominado álcool.
null se pôs a dançar em cima da mesinha e aos poucos as pessoas foram parando para olhar a desenvoltura dela. Mexia o corpo no ritmo das batidas da música que ainda estava no começo e pôs uma das mãos no botão da blusa. Quando a blusa já estava aberta, afastou os dois lados dela. Ainda dançando no ritmo.
null percebeu que houve uma queda de audiência para a dança dele com a garota. Parou de dançar com ela e viu que as pessoas estavam entrando na sala. Conforme se aproximava, foi entendendo um coro que dizia 'Tira, tira!' Ele se animou com o provável striptease que estaria rolando lá dentro. Tentou adivinhar com o pensamento quem seria o louco, ou melhor, o bêbado que estava pagando esse mico. Sentiu os batimentos acelerarem quando conseguiu ver de quem se tratava.
null jogou sua blusa e continuou a dançar no ritmo empolgante daquela música. Um cara estranho pegou a blusa no ar e a levou ao nariz, como se precisasse dela pra respirar. null fez cara de nojo com aquela fungada tarada em cima da blusa daquela que ele sempre considerou sua garotinha. Ela agora estava com vários olhares masculinos atentos ao pequeno buraquinho no meio de sua cintura que ia pra lá e pra cá. null quis tampar todos aqueles olhos com um cobertor gigante! Aquele umbigo era dele! Algo tinha de ser feito urgentemente.
null estava com uma das mãos sobre os botões da calça. Os gritos de 'Tira, tira' entravam na cabeça dela um por um e a deixavam zonza. Queria que sumissem. Queria que todos se explodissem. Mas se contentou em continuar dançando...
A resposta de null pra tudo isso foi subir num sofá, no outro canto da sala. De frente para a mesa de centro.
null parou por uns instantes para encará-lo. Viu que ele estendeu a mão e a mesma menina estranha subiu no sofá também. Aquele era o sofá que null caiu sentado, mas ele permaneceu no canto sem se mexer.
Os dois começaram a dançar em cima do sofá e null voltou a rebolar. Ela se abaixou rebolando e tocou o queixo do cara que pegou sua blusa, ele agora estava bem ali na frente como um cachorro de rua que observa aqueles frangos girando e assando. null podia não estar assando, mas estava esquentando o lugar. null não ficou para trás, ele tirou sua camisa azul e rodopiou no ar. null olhou pra ele e mostrou o polegar virado pra baixo.
- ISSO FOI MUITO BREGA, !
A menina que estava com ele deslizou a mão pelo peitoral agora nu e suado. null desejou com todas as forças que eles se explodissem juntos! Ela percebeu que estava precisando de um reforço. Avistou Eric ali do lado e acenou para que ele subisse.
- null, eu não... – o rapaz balançou a cabeça negando.
- Sobe aí seu gay! – ela o puxou e quando Eric subiu ficou com o corpo bem próximo.
Os dois casais entraram numa espécie de competição por algum tempo. A menina se esfregou em null, null se esfregou em Eric. null levou a mão de Eric até uma de suas coxas e a outra fez null segurar a coxa dela também... Mesmo null desconfiando não ser exatamente o tipo de Eric, se é que você me entende, quando percebeu já estava aos beijos com ele! Abriu um pouco os olhos durante o beijo e pôde ver null olhando pra eles com o rosto vermelho-raiva. Ela sorriu por dentro e voltou a fechar os olhos... Eric movimentava a língua com força dentro da boca dela e ela fazia o mesmo, não tinha total consciência dos atos, mas o beijo estava bom e ela estava se divertindo! Quando se afastou de Eric, os lábios estavam um pouco inchados e pulsavam devido à força que aquele beijo teve. Os dois respiravam ofegantes e quando null olhou pro sofá, viu a menina sozinha e null se debatendo com um e com outro pra abrir caminho em direção à saída da casa. Sentiu uma fraqueza nas pernas e abaixou a cabeça vendo que parecia ter quatro pés e todos eles estavam rodando. Levantou o olhar de novo e viu um Eric de três cabeças... Depois não viu mais nada porque ficou tudo escuro.
Capítulo 25 – Você me odeia, e eu...
[n/a: coloque pra carregar se quiser: Stay With You - Goo Goo Dolls aah, o link é do 4shared porque não achei um legal no YT... espero que não seja problema!!]
A festa acabou por volta das cinco horas da manhã, foi quando a maioria já tinha saído e alguns permaneceram jogados pela casa, bêbados demais pra qualquer coisa. Às onze e meia da manhã foi quando a maioria acordou. Estavam apenas null, null, null, null, null e null na sala.
- Ahnhumhn... – null acordou murmurando alguma coisa sonolenta. Estava de olhos fechados e sentia uma mão quentinha repousar em cima de sua coxa. Jurava que era a mão do null, mas quando acordou deu de cara com null e soltou um berro – AAAAH, TIRA A MÃO DE MIM! CADÊ O ?!
- MAS QUE PORRA! VÃO GRITAR ASSIM LÁ NO INFERNO BANDO DE CU! – null também acordou super bem humorada tampando o rosto com uma almofada – null, tira essa cabeça pesada de cima da minha barriga, ta doendo! – falou balançando null pelo ombro, mas o menino não se mexeu então ela se levantou assim mesmo, fazendo-o quicar a cabeça no chão e acordar assustado.
- Por que todo mundo grita quando acorda e me vê? – null ficou sentado no chão com a cara amassada e o cabelo terrivelmente bagunçado.
- Olha, eu não sei o que foi que a gente fez ou deixou de fazer pra acordar desse jeito, mas eu realmente não quero lembrar! – null também se levantou e estava ao lado de null, que dormia pesado mesmo com toda a gritaria. ‘Por que estou ao lado do null mesmo?’ Ela pensava...
- Pelo menos estamos todos com nossas roupas completas, é um bom sinal! – null estava sentado, com a mão na cabeça. null o olhou e mandou um beijo no ar.
Já passava das três da tarde quando null foi acordada com null balançando seu pé.
- Anhain... larga do meu pé, cacete! – ela falou e cobriu a cara com o cobertor.
- null... Você ta bem? Já faz tempão que tu apagou menina! – null se abaixou no chão perto do rosto dela. null tirou o cobertor de cima do rosto pra poder olhar quem estava no quarto. null em pé ao lado de null, null sentada na beirada da cama com os braços cruzados, null ainda balançava seu pé pra lá e pra cá irritantemente, null sentado num puff e null chegava com um copo que tinha algo borbulhando dentro.
- Eu to bem, eu acho. Só um pouco estranha, tipo... Minha cabeça ta pesada e parece que eu tenho um ferro de passar roupa no lugar do estômago! – ela foi se sentando lentamente – null pára de chacoalhar o meu péééé! – falou manhosa demorando-se na última palavra.
- Larga o pé dela! Deixa de ser chato... – null passou por ele e lhe deu um pedala. null ficou rindo e largou o pé da menina, que agora tomava o remédio que null entregara.
- Eu não sei bem o que eu vi, se eu vi ou se foi sonho... Mas você ficou com aquele seu colega bonitinho, não ficou? – null perguntou, null quase se engasgou e olhou assustada.
- Fiquei?
- Ficou sim que eu também vi! Logo depois que vocês dançaram em cima da mesa! Aliás, ele dança muito bem... – null começou a sorrir idiotamente e null olhou pra ela. Apagou o sorriso assim que percebeu.
- Da-dancei em cima de uma mesa? – null apontou pra si mesma como se estivesse chocada.
- Sim e tirou a blusa. Foi um trabalho pra gente pegar a sua blusa de volta com um carinha lá! Ele queria levar embora, mas eu só não deixei porque sei que foi cara!
- EU TIREI A BLUSA EM CIMA DE UMA MESA! Pensei que fosse pesadelo...
- Ta vendo, vai beber muito... Você desmaiou e eu ajudei Eric a achar seu quarto.
- Ele me carregou até aqui?
- Uhum. Me ajudou também a resgatar sua blusa e te vestimos de novo pra você não acordar sem roupa e assustada. E ele foi embora logo depois, como tava bêbado demais, chamou um táxi. – null explicou e pelo jeito era a que mais se lembrava das coisas – O carro dele ficou guardado aí na nossa garagem, é provável que logo mais ele venha buscar.
- null viu tudo isso? – null se virou pra null.
- Viu. Ele estava com uma menina também. – quando null falou, null abaixou o olhar. Estava começando a se lembrar.
- null ligou no seu celular de manhã, querendo saber se você já tinha acordado... Você deu susto em todo mundo desmaiando em cima da mesa de centro, mocinha! Eu não vi, mas quando contaram, nem acreditei! – null sentou na beirada da cama e beliscou de leve a barriga dela.
- Erm... – ela queria perguntar como null estava, mas preferiu mudar de assunto – Alguém passa o meu celular? Quero saber que horas a mula do Eric pretende vir aqui buscar o carro dele.
Quando Eric foi buscar o carro na casa de null, ele parecia não se lembrar de nada da noite anterior. Era melhor assim.
- Nossa, foi boa a sua despedida, viu! Bebi tanto que acordei sem saber onde estava! Detalhe: eu estava no meu quarto. Levei dez segundos pra reconhecer o MEU quarto! Tem noção disso?! Fiquei loucão! – ele deu uma risada daquelas meio 'débil-proposital' e fez null apertar os olhos sorrindo. Eric foi um bom amigo, ela ia sentir saudade.
Eric retirou o Citroen C3 da garagem e o estacionou na calçada. Ele saiu novamente pra conversar e ficou de pé ao lado da porta aberta.
- Então... você vai mesmo, não é? – null estava de frente pra ele e deu uma última olhada no carro. Lembrou das vezes que Eric já foi buscá-la em casa junto com o resto dos amigos pra estudarem para alguma prova super difícil e no final acabavam não estudando coisa alguma. Definitivamente sentiria saudades.
- É... vê se cuida das periguetes e dos dois paquitos-wannabe! Você sabe que a mais responsável sempre fui eu! Agora que eu vou embora, tome conta dos vadios por mim! E eu sei que eu já disse ontem, mas quando vê-los diga que eu amo todos e vou sentir muita saudade! – null percebeu que seus olhos estavam aguados e passou a mão pra enxugar.
- Pode deixar, você ta falando com o homem da casa, filha! – ele a abraçou – E você nunca foi a mais responsável! – falou quando a soltou e começou a rir. Ela lhe deu um tapa no braço e ao olhar um pouco pra esquerda, viu o Nissan Muranonada notável de null estacionado do outro lado da rua. O vidro escurecido não permitia que ela soubesse se ele estava olhando ou não. Sentiu o ar faltar.
Eric não percebeu que estavam sendo observados. Entrou em seu carro, mas antes de fechar a porta ele pensou por uns instantes. null se inclinou na direção dele, vendo que demorava a dar a partida.
- Algo errado com o carro?
Eric não respondeu, a puxou pelo braço e lhe deu um beijo. No primeiro segundo ela permaneceu com o olho aberto sem entender o que ele estava fazendo, mas depois apenas aproveitou, estava se despedindo mesmo, não é? Que mal há...
Um dos braços de Eric estava passando pelas costas dela e ela se apoiava com a mão no banco do carro. De repente lembrou que null estava ali e se sentiu mal com isso. Parou de beijá-lo aos poucos.
- Desculpe! Foi pra despedir, sabe...
- Tudo bem.
- Não sei se você lembra de ontem, mas eu lembro! Eu já ia embora sem falar isso, mas eu podia me arrepender. Espero que não guarde nenhum ressentimento!
- Sem ressentimentos Eric, eu também me lembro de ontem. Eu é que peço desculpa por ter te obrigado a dançar!
- Foi legal até. Sabe que tem um monte de meninas me ligando?! Só não sei como conseguiram meu celular!
- Imagino... aliás... não imagino não! Aproveitando o momento sinceridade, eu sempre te achei tão...
- Gay?
- Err, e o Bernard?
- Você sabe que eu nunca fui de contar muito sobre essa parte da minha vida pessoal para os colegas da faculdade, mas eu já te contei alguns episódios entre mim e Bernard. Nós estamos atravessando uma fase difícil! Parece que ele engravidou uma baranga.
- Ah, Eric! Sinto muito. Espero que se acertem! – null se inclinou novamente e o abraçou.
- Obrigado. – se soltaram e ela deu uma rápida olhada para trás ao voltar à posição ereta. O carro de null não estava mais lá e ela sentiu como se alguém tivesse lhe dado um soco entre os seios. Disfarçou e retornou à conversa.
- Quando você comentava comigo sobre Bernard, eu achava que você nunca ficaria com uma menina!
- Você não foi a primeira menina que eu fiquei, null. Mas foi a única que não me trouxe arrependimento. Você é minha melhor amiga, uma ótima pessoa e eu torço que seja feliz onde quer que esteja!
Ela abriu um pouco a boca, mas as palavras não saíam, então resolveu sorrir. Eric se endireitou no banco, fechou a porta e abaixou o vidro. Os dois acenaram e ele foi embora.
null sentou-se no meio-fio e permaneceu por horas pensando em como tudo pode dar errado assim! Pelo fato de null tê-la visto beijando Eric duas vezes em menos de vinte e quatro horas e nessas duas vezes ele apenas saiu frustrado. Se lembrou que antes esse papel cabia à ela. Na época do colégio, null ficava com outras meninas pra testar o ciúme dela e a reação dela era essa, desaparecer. Agora ela fez isso e descobriu que é ruim. É algo extremamente ruim beijar alguém sabendo que quem você gosta observa sofrendo.
O dia de domingo terminou rápido, visto que a maioria deles havia acordado no meio da tarde. E também, domingo sempre passa rápido mesmo...
Na segunda-feira, null, null, null e null não visitaram nenhuma das meninas e passaram o dia com os celulares desligados. Também não disseram onde estavam. null procurou nem pensar neles, pois só tinha planos para a viagem. Porém as outras meninas estavam desconfiadas! Conhecendo esses garotos, elas já entenderam que quando os quatro somem assim é porque um deles está mal com a namorada e provavelmente estão armando um plano mirabolante pra reverter a situação. Foi assim pra ajudar o null, depois o null e agora chegou a vez do null!
Terça-feira à tarde null saiu à convite de Matthew. Os dois queriam ir à sorveteria que fica perto do colégio onde estudaram. Ela continuava igual e vários outros adolescentes estavam por ali substituindo-os. Depois seriam substituídos também... Como o tempo passa.
- É bom relembrar! Eu vinha bastante aqui com null e null!
- É! E nunca veio comigo, né tratante?!
- Acho que faltou a oportunidade, mas nunca é tarde pra primeira vez, num é?!
- Claro... Por falar em null, eu notei algo estranho entre vocês na noite da festa. Foi impressão minha ou rola uma tensão entre vocês?
- Tivemos umas diferenças aí – null respondeu como se estivesse conversando com sua taça de sorvete.
- Mas até onde eu sei vocês eram amigos, não eram?
- Ah Mat, a gente se envolveu um pouco mais do que isso, mas eu não quero falar dele.
- Já entendi, desculpa aí.
- Entendeu o que?
- Que vocês continuam no mesmo joguinho de anos atrás.
- Que joguinho?! Não tem nenhum joguinho.
- Claro que tem e eu sempre achei muito engraçado! Vocês são amigos, estão sempre juntos, tem a mesma opinião pra quase tudo, e mesmo assim não conseguem admitir que tem mais coisa aí!
- Não tem coisa nenhuma, agora a gente nem é amigo. Não somos nada.
- Porque não querem.
- Porque é impossível!
- Num é não.
- É.
- Eu conheço vocês há um bom tempo e sempre foram assim! O null já ficou com outras meninas, você comigo e os dois fingindo que não tinha nada demais, quando na verdade, vê-lo com outra te causava embrulho no estômago e nele também.
- Haha... que bobo você.
- E vocês estão com medo de...
- Que é?! Virou psicólogo?
- Segundo ano de psicologia! Ainda viro um psicólogo e se até lá você e ele não tiverem se acertado, serão meus primeiros pacientes!
- Pára com isso Mat, eu e null numa mesma área é sinônimo de destruição.
- Pra mim é sinônimo de atração! Veremos quem é que está certo aqui – Matthew continuava com seu sorriso que nunca se apaga. Ficaram em silêncio por um tempo, apenas tomando o sorvete e null pensando em como detesta o null e não quer ficar com ele de jeito nenhum.
- Não tem certo nem errado, Mat. null e eu já tivemos todas as chances que foram possíveis e agora eu só quero começar uma vida nova num país novo, tudo zerado!
- Ah, acho que você vai gostar de lá! Eu gostei...
- Sério? Me conta.
- Assim... logo que eu cheguei foi meio difícil até adaptar com o sotaque, saber que eu era o estrangeiro e tal... Mas depois, tudo foi se ajeitando. Estou até noivo e vou ser pai!
- Ahhh, parabéns! – null se levantou pra abraçá-lo, empolgada por saber que um amigo estava bem. Ao voltar para o lugar, olhou disfarçadamente para os lados! Depois dos beijos com Eric, passou a ter impressão que null podia estar observando a qualquer momento. Ah e se estiver? O que é que tem eu abraçar meu amigo (com quem eu vou viajar pra outro país e null acha que dá em cima de mim)? Tenho certeza que se ele visse iria implicar... E é o único homem que fica até engraçado fazendo isso! Ah, esquece esse cara! Você vai se mudar mulher, vai se mudar! Eba eba!
Foi a nuvem de pensamentos dela. Continuaram falando sobre o Canadá e isso fazia a ansiedade de null aumentar cada vez mais pra ir logo. Era como um monte de formiguinhas se agitando na barriga... A tarde passou numa velocidade que ela poderia levar até multa por andar tão depressa. Mas que bobeira, a própria tarde não levaria multas. Só os humanos é que levam.
- Então a gente se vê na quinta-feira às 14 horas? Estamos no mesmo vôo! – Matt acabava de acompanhar null até sua casa.
- Uhum. Até lá!
- Até! – se despediram com um beijo no rosto e null entrou em casa com um sorriso de orelha à orelha. Se animou por saber como é o país, como são as pessoas, já estava se imaginando lá. Passou direto pro quarto e nem ouviu a voz de null conversando na sala. Se tivesse ouvido também não faria diferença. Ela estava muito confiante e completamente convencida de que não havia nem mesmo um resquício de null null nos pensamentos dela, na vida dela, no coração, em nada. Ainda assim precisaria provar isso à si mesma.
Quarta-feira, véspera da viagem. null acordou tarde naquele dia com null pulando em sua cama.
- OH , ACORDE FLORZINHA, HOJE É O SEU ÚLTIMO DIA NESSE PAÍS! – null tentava gritar no ritmo de alguma música enquanto pulava, depois caiu sentada vendo que null já se levantava.
- É, tem razão! Não posso ficar dormindo, né!
- Óbvio que não! O que vai fazer hoje? – null perguntou com os olhos brilhantes em cima dela.
- Calma, null! Também não é como se fosse o último dia do mundo, err!
- É, verdade... Mas o que vai fazer hoje? – tornou a perguntar empolgada e null riu. Já tinha pensado nisso a noite inteira, ou pelo menos, na parte onde ainda não havia conseguido dormir.
- Tenho uma coisa pra fazer antes de mais nada – null se inclinou e abriu uma das gavetas do criado mudo. – Segura! – ela jogou um porta-retrato na cama em direção à amiga, depois levantou e se fechou no banheiro. null ficou com uma cara de interrogação gigante.
Dez minutos depois ela saiu de lá com uma maquiagem leve e bonita. A sombra rosa-claro nas pálpebras e as bochechas levemente rosadas, junto com os olhos que pareciam naturalmente alegres, brilhantes e descansados, davam a ela a produção mais bonita que já tivera. null continuou a observar em silêncio até null terminar de se vestir. A interrogação continuou desenhada em cima da cabeça dela a todo instante. Por que estava se vestindo? Pra onde null ia? Ela só se perguntava.
- Estou bem?
null vestiu um short xadrez, uma camisa de babadinhos e calçou uma sandália preta que deu um ar todo chique à produção. Claro, sem esquecer da pulseira que null devolveu e agora estava sempre no braço dela.
- Pra onde vai assim?
- Assim como?
- Sei lá... Com essas pernocas de fora e saltão!
- Tenho que devolver esse porta-retratos do null.
- Hum... pensei que tinha queimado.
- Claro que não! Isso não é meu. Nem mesmo a foto que está aí dentro... Quer dizer, a foto é minha, mas... ah, deixa pra lá. – null pegou o porta-retratos da mão de null e colocou na bolsa.
- Não estou entendendo o seu comportamento! Por que vai à casa do null na véspera da sua viagem?
- null, meu docinho... tem coisas que não dá pra explicar! Simplesmente eu pensei em ir, e pronto.
- Você não vai matá-lo, vai? Deixa eu ver se não tem uma faca aí nessa bolsa! – null fingiu vasculhar a bolsa dela rapidamente e null sorriu. Outra coisa que ia sentir falta era dela.
- null! Eu só acho que precisamos de uma última conversa. Só isso... – null segurou a amiga pelos ombros e falou com seriedade. Depois deu uma última olhada no espelho e saiu. null estava sentindo que isso não ia prestar. Definitivamente.
null’s point of view ON
Hoje eu acordei cedo e fui correr. Sim, você acha que é fácil manter esse corpinho? Na verdade eu corro mais quando me sinto ansioso e hoje eu tenho motivos DE SOBRA pra me sentir assim! É que hoje vai ao ar o programa de entrevistas que gravamos no sábado. Minhas últimas fichas estão apostadas aí! Só de pensar nisso agora o meu coração foi de 75 pra 87 batimentos! Eu estou com o relógio que usei pra correr ainda, ele é muito bom...
Por falar em bom, eu tive vontade de fazer brigadeiro ao chegar em casa! Depois que aprendi a fazer não quero mais parar, simples. Eu sei que estou caindo em contradições... Como é que a pessoa faz exercícios e depois vai cair numa panela de brigadeiro quentinho? Mas o que eu posso dizer? Estou ansioso porque hoje à noite terei a última chance de impedir que a mulher da minha vida se afaste de mim! Ninguém vai me condenar por isso, vai?
Eu terminei de mexer o brigadeiro e apaguei o fogo. O cheiro que estava subindo entrava no meu nariz e se transformava em água na minha boca. Passei o brigadeiro da panela para um recipiente de vidro e agora era só esperar que esfriasse um pouco. Eu olhava para a colher coberta pela massa marrom e ela olhava pra mim de volta. A troca de olhares está intensa. null null aproxima os lábios da colher quando... A campainha toca. That's broxante!
Dude! Eu estava lá todo empolgado narrando a minha história com a colher de brigadeiro como se fosse um jogo de futebol e alguém toca a campainha! Ah, vai se foder!
- Devaca?! – eu abri a porta e me assustei. De verdade. Acho até que fiquei sem cor... Quem deixou ela subir assim? Que bando de cu.
- Me chamou de quê? – ela cruzou os braços e eu percebi que tinha chamado pelo apelido das meninas. Se elas estivessem aqui, ficariam rindo até semana que vem... Sem parar.
- Eu? Eu... de onde você surgiu? – agora eu cruzei os braços e ela foi entrando. Eita mania desgraçada!
- Quero falar com você!
- Nem deu pra perceber... – murmurei e empurrei a porta desanimado. Lá vem, lá vem! Lá vem coisa! É bosta da Devaca.
- O que?
- Vem cá, onde ficou a sua educação, huh?
- No mesmo lugar que a sua honestidade. – relaxa, ela não vai me tirar do sério. Bufei... coloquei as mãos nos bolsos da calça... dei um tempo.
- Não te dei intimidade pra você ir entrando na minha casa assim!
- E eu por acaso dei alguma intimidade para aquela garota bruta enfiar minha cabeça no ponche? – ela pôs as mãos nos quadris e eu quis rir. Aquela briga delas foi de matar de rir! Eu só não fiquei rindo muito porque estava tratando do Peter, arrgh!
- Eii, não me meta nessa história! Você que quis provocá-la!
- Mas ela me humilhou! Você vai deixar que ela me trate daquele jeito e não vai fazer nada?
- Err... você já quis enfiá-la inteira no meu aquário. – dei de ombros. Estava me sentindo tão em paz que nem a Delilah ia tirar minha calma hoje.
- Ah! – ela deu um gritinho dramático e voltou a cruzar os braços. Se ela não fosse tão ajeitadinha eu diria que ela leva jeito para travesti! Ok, deixe-me calar os pensamentos porque eu posso rir comigo mesmo aqui e isso não vai ajudar!
null’s point of view ON
Cheguei ao apartamento e pedi pra não ser anunciada no interfone.
Assim que me aproximei da porta de null, escutei umas vozes e meu coração fez assim: blarrrrghshs! É! Acho que é o barulho que o coração faria se ele se espremesse como uma laranja. E como uma laranja, ficou só o bagaço. Delilah estava lá com ele? Que diabos ela fazia lá? Eu ia embora, mas resolvi ficar. Olhei para os lados e assim como quem não quer nada, encostei o ouvido na porta. Que foi? Quem nunca fez isso que atire a primeira porta! Digo... ah, que seja.
[n/a: em itálico é o que ela escuta com o ouvido colado... bisbilhotando null null tsc tsc]
...ir entrando na minha casa assim!
- E eu por acaso dei alguma intimidade para aquela garota bruta enfiar minha cabeça no ponche?
- Eii, não me meta nessa história! Você que quis provocá-la!
- Mas ela me humilhou! Você vai deixar que ela me trate daquele jeito e não vai fazer nada?
- Err... você já quis enfiá-la inteira no meu aquário.
- Ah!
- Cara! Se foi sobre isso que você veio falar, pode ir. E se houver outra briga entre vocês, eu torço que a null ponha sua cabeça num refogado de jiló.
- Quê?
- Acho que você vai gostar mais porque é amarga como eles.
- Amarga, eu?
- E olha que o pobre jiló nem tem culpa, coitado. Já você não, escolheu ser assim.
- Assim como? Eu não fiz nada! Eu sou vítima nessa história! Só quem se ferra sou eu!
- E o que foi que eu disse? Você que escolheu. Digamos que foi meio infantil da sua parte terminar comigo e depois reaparecer só porque eu tava com a null.
- null, null, null! Percebe o que está dizendo, null? Essa menina te colocou 100% contra mim! – pelo tom da voz dela, estava prestes a chorar. Ela deve saber que null não se sente confortável quando uma mulher chora... Principalmente as bonitas, claro! Não que eu esteja admitindo que a Delilah é bonita, longe de mim! Bom, talvez ela seja só um pouco. Eu queria ver mesmo é se ela fosse feia, null não ia nem se importar com o choro dela! Insensível é o que ele é. - Você é que precisa ver o que está dizendo! Ela não me pôs contra você.
- Ah não pôs não? Então me diz por que você nunca mais quis contar comigo? Ela fez macumba null! Abre o olho!
- Ta bom Dev... lilah, eu vou abrir o que você quiser, mas dá pra você ir embora e voltar só em 2097?
- Aí! Já ia me chamar daquele nome tosco de novo! Aposto que foram aquelas infectadas que me chamaram assim. – é. Definitivamente agora é voz de choro. - Elas são minhas amigas. E sabe que elas poderiam ser mais amigáveis com você também se você não tivesse sido tão louca?!
- Quem disse que eu quero que alguém seja amigável? Eu só quero reaver o que é meu!
Eles ficaram quietos agora e parece que ela se aproximou dele. Hum... posso vomitar aqui nessa plantinha?
- Pára Delilah.
- Eu sei que eu mexo com você!
- Você nem faz meu tipo.
- Eu faço o tipo de qualquer garoto. Se toca!
- AAA ME SOLTA E SE TOCA VOCÊ! – gente que faniquito foi esse? - null! Não me diga que você virou gay? Bem que eu achava aquele null suspeito!
- CALA A BOCA! Eu não vou cair nos seus truques de novo. Nem chega perto de mim.
- Claro que você não quer que eu me aproxime! Você fica nervoso quando eu faço isso e se confunde todo! – credo. Aposto como ela deu aquele sorriso vitorioso que eu detesto. Queria tanto que ela usasse dentadura! - Não. – ele respondeu meio que sorrindo, ou sorriu meio respondendo! Não sei explicar! - Por que ta rindo?
- Porque eu tenho o prazer de te desmentir! Não quero saber de você encostando em mim porque me dá ânsia, desespero, chame do que quiser, mas não é agradável. O que eu posso dizer? Você caiu no meu conceito.
- É mentira. Como é possível uma coisa dessas? Eu prefiro me entupir de carboidrato a ter que sair daqui sem você admitir que tem um tesão louco por mim.
- Você não passa de uma vaidosa que só queria ficar comigo de novo pra alimentar o seu próprio ego.
- AH! Você é que é um vaidoso que me usava pra aparecer em algumas festas mais chiques e nos lugares mais informais se espalhava com as outras!
- VOCÊ SABIA QUE IA SER ASSIM! Affe... você sabia de tudo, você até disse um dia que aceitava relacionamento aberto e não sei mais o que.
- Não muda o foco da conversa. Eu só quero saber a porra do bicho que te picou! Ah vai se ferrar, aquela garota chega do nada e toma tudo que é meu!
- Tsc tsc... Sua frase tem um monte de erros. O nome dela é null, ela não chegou do nada e você SABIA que eu gostava dela ANTES de te conhecer.
- MAS EU ACHEI QUE EU PUDESSE TE MUDAR, QUE DROGA! – pronto. Agora ela ta chorando descontroladamente e aposto que se largou em algum sofá. - Delilah... já deu, né? Levanta e vai embora, vai...
- Levantar sim. Ir embora... não ainda!
- Mas o que você quer que eu diga?! Caralho que situação!
- Que você admita os bons momentos que tivemos e que eu não sou tão dispensável assim!
- Olha, eu não gosto de ser grosseiro com as mulheres. Não sou do tipo de celebridade que adora falar baixarias, mas você não ta me deixando muita alternativa!
- O quê? Espera, me deixa adivinhar! Vai dizer que não gostava de mim? Olha null, tem mulher que chega a fingir orgasmo, mas pra homem...
- CHEGA! SERÁ QUE EU VOU TER QUE DIZER COM TODAS AS LETRAS? Você é gostosa, mas já me enjoou, tem como entender isso? Dizem que os homens não sabem diferenciar amor e sexo, mas eu sou homem e sei muito bem. Simplesmente porque quando as duas coisas não andam juntas, é isso que acontece. Acaba. Vira algo tão banal quanto jogar video-game. Sexo eu posso encontrar com qualquer garota, se não for com você tem várias outras que gostariam do seu lugar. Aliás, em último caso, até a minha própria mão pode te substituir! Mas isso não seria preciso porque eu sou null null. Certo? Agora, você sabe que amor eu só tenho por uma. E é muito mais do que só achar que ela é gostosa... É cuidar dela, querer que ela esteja bem, é ajeitar os travesseiros do jeito que ela gosta, trocar um pouco das nossas gírias internas, é querer surpreendê-la o tempo todo, deixar o último bombom da caixa pra ela, a minha vida sem ela é como um relógio parado... Existem várias pequenas coisas que eu acho que você não conhece! E fico triste por isso, espero que conheça. De verdade.
Nossa! Choquei. Agora ficou silêncio. Ops! A Delilah deu um soluço. Estou ouvindo passos apressados se aproximando da porta, melhor me esconder.
null’s point of view OFF
- Tudo bem null, mas sabe o que EU espero? – Delilah abriu a porta e continuou a falar antes de sair – QUE AQUELA FILHA DA PUTA NUNCA VOLTE COM VOCÊ E QUE VOCÊ SOFRA TODOS OS DIAS COM ISSO!
- SOME DEVACA! DESAPARECE DESSE CONDOMÍNIO, COISA RUIM!
Os dois trocavam gritos agora no corredor. Delilah apertava os botões pra chamar o elevador como se quisesse machucá-los. null estava escondida atrás de uma planta que tinha um vaso branco enorme. null entrou e fechou a porta antes que Delilah conseguisse o elevador. Quando um deles abriu as portas, null saiu de lá com pilhas de livros nos braços. Delilah fez questão de esbarrar em cheio nele pra derrubar tudo.
- EI GAROTA, PERDEU A NOÇÃO? Ah, é a Delilah... Você nunca teve noção mesmo.
- Quem não tem noção é você e também a sua prima! Deve ser uma família de inúteis.
- Já sei! Acabou de levar mais um fora do null! Ta fazendo coleção?
- Pára de falar comigo mcloser.
- O que foi? Vai chorar?
- Vai dar o cu, viado.
- Ihh, ela já ta chorando! Tchau Delilah, desculpe não tenho lencinhos!
A porta do elevador se fechou e null levou um tempo recolhendo os livros. Enquanto ele ficava resmungando coisas incompreensíveis, null continuava escondida num cantinho atrás da planta. Ela agradeceu por aquela planta estar ali! Esperou que ele entrasse em seu apartamento.
null’s point of view ON
...é ajeitar os travesseiros do jeito que ela gosta, deixar o último bombom da caixa pra ela, fazer uma tatuagem igual a dela, ter milhares de fotos juntos e guardar todas. É, falei bonito! Ok, voltemos à paz agora. Dechata já foi e eu posso voltar ao meu brigadeiro. Já esfriou, droga. Perdi até a vontade... Mas é como eu disse, ela não conseguiu me desanimar! Hoje é o meu dia, eu vou fazer acontecer! É hoje que eu mato a saudade que estou de abraçar - e não só abraçar - a null e arranco de uma vez por todas aquela idéia maluca de... Puta que o pariu!
null’s point of view OFF
null pensava quando a campainha tocou de novo. Ele não queria mesmo abrir a porta, cruzou os braços e ficou olhando pra ela. De onde estava. Tocou de novo e ele não moveu nenhum dos dois pés pra dar um passo.
- null? Eu sei que você está em casa. – null não falou muito alto, mas ele ouviu. O som abafado da voz dela atrás da porta fez os batimentos aumentarem, ele viu pelo relógio que apitava de vez em quando. Os pibi's ficaram mais freqüentes. 76, 84, 90...
null abriu a porta ainda sem acreditar e quando a viu de fato, não teve reação. O que ela estaria fazendo ali? E desde quando?
- Pensei que não fosse abrir. – null estava com o ombro apoiado na lateral da porta. Desencostou dali e foi entrando.
- Err... eu estava no banheiro. – null coçou a cabeça e fechou a porta.
- Desculpe atrapalhar. Será que tem alguma garota aqui? – ela olhou para os lados e esticou o pescoço em direção ao corredor de quartos – Se quiser eu volto mais tarde.
- Não tem garotas. – bufou meio decepcionado. Achou que ela estava ali porque havia desistido de viajar. – Se você continua nervosa comigo, por que veio aqui?
- Não estou nervosa com você. Suponho que você já teve a oportunidade de me ver nervosa e definitivamente eu não estou agora.
- Ótimo. Como quiser. Mas... A que devo a honra da visita mesmo?
- Nossa! Desse jeito, qualquer um diria que quem está nervoso aqui é você. – null deu um sorrisinho e se sentou. Cruzou as pernas e por uma fração de segundo, os olhos de null se movimentaram até elas.
- Não to nervoso. Quem ta nervoso aqui? Não tem ninguém nervoso. – null cruzou os braços balançando a cabeça negativamente. Aquela visita o deixou desconcertado por estar completamente fora dos planos.
- Tudo bem, eu vou ser rápida.
- Vai ser rápida pra dar tempo de ir se despedir do Eric e depois encontrar o Matt?
- Como?
- Você esteve com os dois! Eu vi!
- O Eric é meu amigo! E o Mat... Ah, não te devo satisfação! Só vim devolver isto. – ela mexeu um pouco na bolsa e tirou de lá um porta-retratos. null se aproximou perplexo e o pegou.
- Achei que tivesse queimado. – ele deu uma risadinha pra disfarçar a frustração que sentia. Ela devolvendo a foto deles, dentro de um porta-retrato especial como aquele, causava uma série de emoções nele.
- Isso não é meu. Eu não queimaria algo que pertence à família de alguém. Mesmo que esse alguém fosse um null null da vida...
- Que quer dizer com null null da vida? Me odeia tanto assim?
- Não odeio. Você não precisa se preocupar com o que eu sinto, nunca se preocupou mesmo. – null levantou e ficou de frente pra ele.
- Odeia sim e eu preciso me preocupar!
- Não odeio e você não precisa.
- Odeia sim! Preciso sim!
- Não odeio! Não precisa não!
- ODEIA E EU PRECISO!
- NÃO ODEIO CARAÍÍ!
- VOCÊ ME ODEIA E EU TE AMO!
Depois dos gritos, os dois ficaram em silêncio. Apenas se encaravam como se pudessem entrar no cérebro um do outro. O único som era o pibi do aparelho medidor de batimentos de null. Subiu a 95 e foi acalmando.
- Ouça. O que você fez me deixou muito chateada por vários dias, mas já passou. A raiva daquele momento foi diminuindo com o passar dos dias e isso serviu pra me mostrar que eu não me importava com você e o que você faz ou deixa de fazer tanto assim como eu pensava. Serviu pra eu ver que você não ocupa um espaço tão grande assim na minha vida! Antes eu achava que se algum dia você me desse motivos pra me decepcionar, o meu mundo ia cair e eu ficaria sem ar. No final das contas... nenhum ar me faltou e meu mundo continua inteiro. O que quer dizer que você não foi tão importante assim. Não pense que eu estou rindo por dentro ao dizer tudo isso e que eu vim aqui só dizer essas coisas pra ver se te humilhava, não é nada disso! Eu só falei porque é verdade e você vai ter de acreditar querendo ou não. – ela se virou de costas pra null e caminhou em direção à porta. Ele deixou o porta-retrato que estava em sua mão numa mesinha e foi atrás. – Eu já vou embora, mas quero dizer que você pode seguir a sua vida sem culpas assim como eu seg...
A voz se calou e a palavra foi cortada ao meio. Uma morte rápida para a frase que ficou incompleta por culpa de null. Ele segurou um dos braços dela e a puxou para si, colando os lábios nos dela e impedindo que quaisquer palavras fossem ditas.
null por sua vez, não demonstrou resistência ao beijo. null até estranhou, mas não ficou pensando muito no caso. Quando a língua pediu passagem ele sentiu o bom e conhecido gosto do protetor labial dela. Que saudade daquele gosto! null também teve saudade do gosto do beijo dele. Claro que não tinha a ver com nenhum protetor labial, no caso dela era saudade da eletricidade que provoca o contato de sua língua com a dele. As duas se misturando e os corpos se grudando mais e mais. Eles matavam todas as saudades possíveis resultantes de algumas semanas de afastamento. Dava pra ver que estavam ansiosos por isso. Os braços dele envolveram a cintura dela e o aperto foi tão grande que ficou no limite entre o prazer e a morte. Ela também não estava sendo delicada e começou a puxar o cabelo dele. Alguns fios de null ficaram entre os dedos dela. Os dois estavam dando passos em direção ao sofá, mas tropeçaram numa pantufa que estava jogada no meio da sala e caíram. Por sorte, em cima do sofá. null caiu sentado em cima do controle do aparelho de som e uma música começou a tocar em alto volume de repente.
[n/a: já sabe o que fazer, né? hauhuhsuahs solta aquela música]
Ninguém pareceu se importar com o som. null pegou o controle e o jogou longe. null sentou no colo dele com seus joelhos dobrados, um de cada lado. Ele mordeu o próprio lábio inferior puxando os cabelos dela pra trás com as duas mãos, a cabeça dela também foi levemente pra trás. null avançou e beijou o pescoço dela. Depois beijou o queixo e voltou à boca. Uma das mãos dele parecia querer deixar uma marca eterna na coxa esquerda dela, de tanto que pressionava os dedos. A outra mão estava passeando por dentro da blusa dela. As mãos dela entraram por baixo da blusa dele e ela começou a passar as unhas de leve na pele das costas. O movimento das unhas foi ficando cada vez mais rápido e forte e ele começou a sentir arder, mas estava extremamente bom. Com certeza os dois sairiam com muitas marcas dali e essas foram só as primeiras. null segurou as duas pernas dela, pegou um impulso e se levantou com ela no colo. Ia levá-la para o quarto, mas ela viu uma coisa no balcão da cozinha que a interessou. A tigela de brigadeiro.
- Me leve até ali. – null sussurrou na orelha dele. Ele olhou para onde ela apontava com o olhar e foi. Quando chegaram à cozinha, sentou a garota sobre o balcão. null pegou nas mãos a tigela com uma colher dentro. Os olhos de null estavam presos pelos olhos dela, é como se não pudessem se mover dali. Ela pegou uma colherada e deixou que algumas gotas caíssem nas costas da mão. Aproximou a mão da boca de null e ele passou a língua pelo local, ainda sem tirar o olhar dos olhos dela. Ao terminar, null pegou a colher e fez um aviãozinho. Quando estava prestes a entrar na boca de null, ele desviava pra outro lado. Foi assim três vezes. Até que ela segurou o pulso dele e chupou o conteúdo da colher pra dentro da boca sem muita pressa. Os olhos dela estavam hipnotizando os dele de novo e pela cabeça dele se passaram muitas besteiras agora. null retirou a colher delicadamente de dentro da boca de null e viu que restou chocolate sobre os lábios e também no queixo. Se aproximou, passou a língua sobre esses locais e isso resultou no beijo mais doce que já provaram. Sem interrompê-lo, null pegou a colher e voltou a preenchê-la com o chocolate. null pôde sentir os pingos no pescoço e se tremeu por completo. Ela quebrou o beijo sorrindo e virou a colher deixando que mais brigadeiro caísse sobre o pescoço dele enquanto ele entortou a cabeça para o lado oposto, de forma que desse mais espaço a ela. null avançou no pescoço dele brincando de vampiro. Usou língua, lábios e dentes pra limpar o brigadeiro e, claro, deixar sua marca ali. Ao terminar, ela ficou com o rosto em frente ao dele e os olhos deles acenderam e apagaram como faróis quando motoristas querem indicar algo. Nesse caso, os dois queriam indicar que aquele momento não devia parar. null inclinou null até que ela estivesse com as costas sobre o balcão gelado. Abriu os botões da blusa dela até o último, pegou uma colher de brigadeiro e fez um rastro que começou na altura do estômago e desceu até o umbigo. Ao sentir a boca dele, teve cócegas e contraiu o abdômen. Ele foi limpando o rastro e demorou-se mais no umbigo. Passou a língua em volta e por dentro dele, enquanto isso null prendia os lábios com os dentes.
- null, se uma mulher que você acha feia estivesse chorando, ficaria com pena? – null ergueu um pouco a cabeça. Respirava rápido e null observava o abdômen dela se mexendo apressado.
- Bom, depende do motivo! Por que essa p... – null não deu muito tempo de resposta, ela levantou se apoiando nos cotovelos e o beijou. Ele largou a colher de qualquer jeito e ela caiu no chão. Em seguida, segurou novamente as pernas de null em volta dele e a carregou para o quarto. Eles não pararam o beijo durante o caminho e null teve que fechar a porta com um chute. Um poster do Muse despencou da porta com essa violência. Na sala, o rádio ficou tocando a todo volume enquanto que no quarto, os pibi's do relógio de null aumentavam a velocidade a cada movimento. Uma sinfonia de batimentos cardíacos acelerados, prestes a explodir como uma bomba relógio.
O resto da tarde voou. Minutos jogados pela janela. Bem aproveitados, com certeza. O abajur colorido de null girava espalhando suas cores, como de costume. Depois da última vez que ele sentiu suas forças lhe abandonarem e caiu na cama ao lado de null ofegante, ele se pôs a observar o quarto de uma forma que nunca havia feito antes. As cores do abajur se misturavam com uma fraca luz de sol que entrava pela janela. A tarde já estava chegando ao fim, dava pra ver pela luz laranja. Para null, todas essas luzes e cores dançando no teto tinham cheiro de perfumes doces e poesias. Estava fascinado.
- Olhe só essas cores! – ele ainda olhava para o teto. null nada respondeu. Virou pra ele sem muita expressão no rosto, nem sorrindo e nem zangada. É difícil não gostar de um homem que não só repara nas cores, mas também fala nelas. null virou o rosto de novo pra cima e viu uma palavra saindo de sua cabeça como uma bolha e estourando no ar: coragem.
Ela se levantou pra ficar sentada. Um lençol cor de chocolate cobria o busto, mas as costas ficaram de fora. null levantou um pouco o tronco e esticou o braço. Com a ponta do dedo indicador, ele desenhou algumas letras na pele dela: E U T E A M O. Não soube se ela havia entendido.
null viu sua calcinha branca por ali em cima da cama e pegou pra vestir. null só observou, ninguém dizia nada. Quando ela estava prestes a botar os pés no chão para levantar e pegar suas outras roupas, ele se aproximou e segurou null num abraço.
- Eii! Eu não estava pretendendo te deixar sair daqui tão cedo!
- Sinto muito null, mas eu tenho várias coisas pra arrumar ainda pra amanhã! – null retirou as mãos de null da cintura dela, uma de cada vez e se levantou.
- Pra amanhã? – ele ficou sem entender.
- Claro, esqueceu? Viajo amanhã.
- Mas, mas...
- O que? Você tava achando que eu tinha mudado de idéia ou algo assim?
- É... – null concordou sem abrir muito a boca. A voz dele saiu por uma pequena brecha nos lábios e soou infantil como em outras tantas vezes que null já presenciou.
- null! Você é tão esperto... Muito me admira ter pensado isso.
- Como assim? Por acaso foi absurdo eu pensar que a gente ia se acertar agora?
- Foi. Bem inocente da sua parte.
- Só falta dizer que se arrependeu de ter vindo aqui. – null cruzou os braços e permaneceu sentado.
- Claro que não. Mas entenda de uma vez que isso foi uma despedida.
- E que raio de despedida é essa?
- Você também fez uma despedida quando ia se mudar com seus pais, lembra? Claro que essa aqui foi bem melhor!
- Aah, eu não acredito que você ainda vai usar o que aconteceu na era do gelo contra mim!
- Não null, eu já disse que compreendi o que você fez aquele dia. Isso aqui foi bem diferente, não tem nada a ver.
- E "isso aqui" foi o que então? – ele fez aspas com os dedos, nem estava acreditando que a null de minutos antes estava se comportando assim agora.
- Pra você eu já não sei o que foi. Pra mim foi uma despedida e uma constatação.
- Constatação?! Constatação de quê?
null parou por uns instantes olhando pra ele com o par de sandálias nas mãos. Suspirou e sentou num puff.
- Que eu não preciso tanto assim de você.
- Não entendo nada. Você deve ter pirado.
- Eu nunca estive mais lúcida. Eu vou dizer o que eu acho pra ver se você entende. – null terminou de abotoar as sandálias. Já havia colocado o short e só faltava pegar a blusa cinza que estava no chão. – Gosto do seu toque, mas apesar de você me fazer ter orgasmos múltiplos, não é insubstituível. Deve ter muito canadense bom de cama, com certeza você não vai me fazer falta. Entende? Foi isso que eu percebi hoje. Eu achei que ia ser difícil ir embora depois de tudo, mas não está sendo. É mais fácil do que eu pensei.
Com as roupas completas, ela deixou o quarto. null permaneceu boquiaberto por uns instantes, sentado entre seus travesseiros e lençóis. Quando null já estava na sala pegando sua bolsa, ele apareceu atrás dela. Detalhe: veio sem roupa mesmo.
- EEEII, ESPERA AÍ! – chegou na sala esforçando as cordas vocais em razão do som alto. Ele arrancou a tomada do aparelho. – Espere aí mocinha! Você não pode chegar aqui, me tratar assim como objeto e depois ir embora como se nada tivesse acontecido.
- Pensei que esse fosse um comportamento normal pra você. Não é assim que trata todas as mulheres?
- Eu nunca te tratei assim!
- Hum... mas não interessa. Eu estou meio apressada pra ficar discutindo "comportamentos-pós-sexo" agora. – null abanou o ar e caminhou em direção à porta.
- Já sei! Você não pode ser a null! AH DEUS DO CÉU! Tem um demônio possuindo o corpo da minha garota! Esse corpo que você ta usando pertence a mim! Ordeno que saia dele agora!
- Só tem uma proprietária desse corpo aqui e sou eu. Desde que nasci. Faço com ele o que bem entender.
- Você não é a null! Ela nunca me trataria assim!
- Se eu não sou a null, quem eu sou? – null rolou os olhos e parou de costas pra porta.
- Demônio?
- Depois eu é que to pirada...
- É sério! Você ta muito estranha! OMG! Vou ver quem tem água benta!
- Chega de brincadeira, apenas encare os fatos null. Passamos uma última tarde juntos e eu agradeço por ela, mas estou indo agora.
- A null nunca me trataria assim! Você pode até dizer que é a null, mas você só pode ser a null-do-mal! De todas as patadas que ela me deu depois do incidente na minha casa com a Delilah, isso está sendo bem pior. Ela vem aqui, me ilude à toa e vai embora!
- Pára de falar de mim na terceira pessoa como se eu não estivesse aqui! Você está sendo um ridículo. Sem contar que, err... se eu fosse você, não viria até aqui sem roupa! Sabe que a sua sala tem enormes janelas, todas sem cortina... A menos que queira ser fotografado por algum paparazzi. Se isso acontecer, mande umas fotos pra mim no Canadá! Vai ser divertido!
- Ok então, se você é a null que eu conheço, por que não olhou nos meus olhos nenhuma vez enquanto falava essas bobagens?
- Ah null, não venha com essa besteira de olhos pra cima de mim agora! Isso já ficou clichê demais, você falou muito dos meus olhos naquela carta... Aliás, por que não aproveita aquilo e transforma numa música? Acho que dava pra ganhar bastante dinheiro. – ao terminar a última frase, null saiu. null ficou encarando a porta fechada por um tempo, da mesma forma como havia ficado no quarto minutos atrás. Ao cair em si, ele lançou um olhar desconfiado para as janelas e cobriu suas partes íntimas com as mãos. Voltou ao quarto literalmente com uma mão na frente e outra atrás.
null esperou a porta do elevador fechar e assim que isso aconteceu, alguns soluços começaram a se manifestar e ela teve que prender os lábios tentando impedi-los de sair. Não foi como ela havia afirmado, não foi algo fácil. Se sentia triste por ter de engolir sua própria mentira, mas sabia que foi a forma mais eficaz de fazer null acreditar que ela não sente nada por ele, que não tem mágoa, nem ressentimento, nem ódio, nem amor, e a única coisa que ela vai deixar pra trás é alguém bom de cama, coisa que pode ser encontrada aqui e ali. Os soluços faziam fila e se amontoavam na garganta. Aquele bolo estava formado ali por saber que nada é assim como ela disse. Engolir a imagem dele sentado entre os travesseiros fofos com cara de criança sem presente de natal enquanto ela deixava o quarto estava cortando tudo por dentro, chegando a provocar dores quase insuportáveis. null entrou num táxi e seus olhos estavam como nuvens. Pesados e cheios de água.
- Para onde quer ir? – o taxista perguntou depois de um tempo que null entrou no veículo e permaneceu quieta de cabeça baixa. Ela o olhou bem pelo espelho retrovisor, com sua visão embaçada e olhos de nuvem.
- Eu não sei! – respondeu num sopro de voz e deixou que as lágrimas chovessem em seu rosto.
- Contanto que pague, pode até ficar aí... – o taxista murmurou rolando os olhos e voltou a preencher suas palavras cruzadas.
Capítulo 26 – Você tem novas mensagens
Quarta-feira. Meio da semana. Para null era o dia que representava a véspera da sua mudança. Os efeitos colaterais disso foram dos mais diversos, frio na barriga o dia todo, ânsia de vômito, coração apertado, incerteza e o diabo a quatro. Para null, hoje é o dia em que vai ao ar um programa bem simples e comum até, mas que pode mudar uma porção de coisas. Todas relacionadas a null, claro.
Cora’s Interview é o programa que foi gravado no mesmo sábado em que eles tinham uma certa festa pra ir depois e contou com a participação mega especial do McFLY.
Logicamente, null sabe o horário do programa, oito da noite. Porém, eram cinco da tarde e ele já não tinha mais unhas. Mas também... null saiu de lá dizendo que ia substitui-lo por um canadense bom de cama! Não é coisa que se diga! Se quiser ver um homem aflito é só dizer que vai substituí-lo... É o mesmo que dizer a uma mulher que ela está gordinha. Provoca uma inquietação aguda que não nos deixa pensar em mais nada.
- Dona null null! Pode começar a explicar onde você se enfiou! Não é por que sua mãe não está em casa que você pode fazer o que quiser, ouviu?! – null foi falando assim que null chegou em casa. null e null estavam na sala jogando video-game.
- Eu tinha que resolver umas coisas, nada demais. – ela abanou o ar e mostrou sua intenção de subir a escada, mas null ficou no caminho.
- Ah, você não vai se trancar no quarto antes de contar umas coisas pra gente!
- É null, segura ela aí que eu já vou! Espera só eu ganhar da null aqui!
- Não vai ganhar merda nenhuma! Eu não vou deixar você desempatar!
null e null permaneceram disputando o jogo enquanto null era encarada por null.
- Ah, me deixa subir logo e tomar um banho! Eu juro que nunca mais saio de casa se você não quiser! – null uniu as mãos em frente ao rosto e começou a pedir exageradamente. null cedeu e null lhe deu um beijo no rosto antes de passar.
- SE VOCÊ DEMORAR A GENTE TE ARRANCA DO SEU QUARTO! – null gritou quando null já estava no topo da escada. Ela sentia as pernas bambas ainda por causa do acontecido na casa de null. Aquela tarde tirou as energias dela: Sofá-Cozinha-Brigadeiro-Quarto-Música-Co-res-dan-çan-tes-no-t-e-t-o... letras desenhadas nas costas. Sim, havia entendido as letras. Com um pouco de concentração, ela ainda conseguia sentir os traçados daquele toque, como uma delicada tatuagem invisível.
No andar de baixo, puderam ouvir a porta do quarto bater devastadoramente e sandálias de salto sendo arremessadas de qualquer jeito no chão. Essa é a nossa null.
- É o seguinte! null quer que a gente esteja às seis horas no apartamento dele pra sair todo mundo junto. Não vai dar tempo esperar a null sair daquele quarto porque quando ela quer fazer hora lá, ela consegue. – null jogou o joystick pro lado assim que null se aproximou do sofá. null fez o mesmo e as três ficaram se encarando. null bufou com um ‘S’ desenhado na boca. Elas levaram algum tempo pensando em como não estragar todo o plano de uma noite null perfeita.
- Vão vocês – null falou de repente – Vocês vão na frente e eu fico aqui pra perguntar pra ela o que houve e tentar fazê-la assistir o programa.
- Mas e você? Como vai pro Parque Vermonn depois? – null se levantou e pegou os joysticks pra guardar.
- Vocês podem pedir pra algum dos garotos ficar lá me esperando.
- E o que você vai dizer pra null? Aonde eu e a null poderíamos ir de repente sem vocês duas?
- Que o null e o null foram seqüestrados por elefantes amarelos da calda roxa e vocês estão indo salvá-los? – e essa é a nossa null, imaginação poderosa.
- Hum... diz só que eles ligaram. – null abanou o ar e saiu junto da irmã. null estava passando para buscá-las. null foi até a cozinha pegar um pote de sorvete pra esperar que a amiga descesse e contasse sobre a sua tarde misteriosa. Ninguém sabia ainda onde ela esteve e isso era perturbador pra quem ocupa o cargo de melhor amiga.
- null se você quer furar o chão, vai lá pro seu apartamento, ok? – null segurou null pelos ombros, o cara andava de um lado pro outro sem parar. Eram seis horas. Um belo começo de noite de quarta-feira com temperatura estável, céu delicadamente colorido e ventos fortes espalhando o otimismo de null. Daqui a duas horas começa um programa na tv muito importante pra ele!
A campainha tocou.
- Promete que se eu te soltar você vai ficar paradinho? – null brincou e null rolou os olhos.
- Abre logo cara, devem ser eles! – null falou sentado no sofá e sacudindo o pé num sinal de impaciência.
null foi abrir a porta e entraram null, null e null.
- Um. Dois. Três... ta faltando uma goiaba nessa cesta! Cadê a null? – null cruzou os braços olhando os três que entraram.
- Ela ficou lá e pediu que alguém a esperasse aqui – null explicou.
- Lá onde? E por quê? – null perguntou todo agitado. Estava lutando contra o próprio cabelo, não conseguia deixá-lo do jeito que queria.
- Lá em casa, null! – null se deixou cair no sofá ao lado de null e este passou um braço pelo ombro dela.
- É porque a null só chegou agora há pouco, nós não sabemos onde ela estava! null ficou com a tarefa de perguntar sobre isso e depois convencê-la com aquela conversa de ficar em casa hoje e assistir um programinha de tv enquanto todas nós saímos com nossos namorados...
Quando null comentou sobre não saberem onde null passou a tarde, null ficou vermelho.
- Err... então ta! A produção do programa quer que eu esteja lá no parque um tempo antes do horário pra fazer passagem de som, testar iluminação, câmeras, essas coisas, vocês sabem. – null se apressou em deixar o apartamento e os outros foram atrás. null ficou pra levar null depois.
null chegou na sala quando null já tinha quase terminado o pote de sorvete de flocos. Ela estava lá silenciosa e null chegou acordando null de qualquer pensamento em que estivesse mergulhada.
- Cadê as meninas? – null estava em pé atrás do sofá e apesar do tom suave da voz, fez a amiga estremecer de susto.
- Receberam chamados urgentes de null e null.
- Hum... E você ta fazendo o que aqui nesse silêncio, com a tv desligada?
- Dizem que comer assistindo tv engorda. Então eu não to assistindo tv! – null deu de ombros.
- Ah, muito eficaz...
null sorriu fraco e sentou ao lado da amiga. Em dias normais ela iria rir litros com as coisas que null diz, mas hoje não era um dia normal.
- Ta tudo bem? Quer sorvete?
- Sim, não.
- Mas hein?
- Sim, ta tudo bem e não, não quero sorvete.
- Ah... Você vai ficar em casa hoje?
- Vou e achei que vocês iam ficar comigo. Porra é minha última noite aqui, cadê minhas amigas?
- Ah, null! Desculpa aí, mas ninguém ta botando muita fé, a gente acha que você vai voltar logo.
- Puxa, obrigada pelo apoio. – null ergueu as sobrancelhas e abraçou os joelhos. Queria poder pular aquele momento e ir logo pro aeroporto, se era pra ficarem assim...
- Essa tarde a gente podia ter passado juntas. Ficamos todas aqui te esperando, você disse que ia devolver um negócio do null rapidinho e só chegou quase de noite! Depois reclama que as meninas saíram... A gente só quer que você fique numa boa.
- Mas vocês não sabem o que é preciso pra eu ficar numa boa!
- Ficar com o null? – null falou quase pra dentro e com mais ar de pergunta do que de resposta. Foi o medo da reação de null! Mas ao contrário do que ela pensou, a amiga fez um olhar calmo e compreensivo.
- null, a minha vida não depende de com quem eu fico. São as escolhas que eu faço e eu entendo que vocês podem sentir a minha falta quando eu me mudar, mas é uma escolha minha! Ninguém pode querer interferir nisso porque o que tiver de ser, será.
- Mas isso não nos impede de tentar, certo? – null torceu a boca e null só rolou os olhos. Houve um abraço e olhos úmidos.
- Tudo bem null. Amanhã eu prometo que todas vamos estar aqui pra você, seja lá o que for decidido. – null falou ao se afastar e null só concordou com um aceno de cabeça. O silêncio voltou a se espalhar por ali, como um vapor entrando e se espalhando pelo cômodo. null não conseguia tirar null da cabeça. Pra tudo que ela olhava, tudo que ela pensava, sempre acabava nele. Era como se todos os caminhos que ela escolhesse pra se distrair resultassem nele, assim como os rios acabam no mar.
- Onde você se enfiou essa tarde toda? E que marca é essa no seu pescoço? – null perguntou de repente e null apenas a encarou. Agora até a própria amiga estava começando uma conversa que ia terminar nele.
- Que marca? – preferiu se desviar da primeira pergunta, se bem que as duas têm quase a mesma resposta.
- Tem um vermelhinho aqui – null se aproximou apontando o local e null recuou cobrindo com a mão.
- Ah, deve ter sido picada de mosquito. – esse mosquito tem um nome, e não é o da Dengue.
- Foi um mosquito mutante então, pra deixar uma marca dessas! Veio da Amazônia? Oh céus! Será que foi uma abelha? – null viu outros pontos como aquele e observou riscos em meio ao vermelho, como marquinhas de dentes – Ei! Por acaso abelhas picam com os dentes? Achei que usassem ferrões... null null você anda saindo com um vampiro e não me disse nada?!
Como ela apenas sorriu e não respondeu, null voltou a falar em tom de brincadeira – Porque se for assim eu acho bom você não virar uma também! Eu já tenho medo de você naturalmente e...
- Eu tava com ele.
- Quem? Vampiro?
- null.
- Como assim? null null?
- É null... Tem outro null que a gente conheça?
- Era mais fácil ser outro do que ser aquele!
- Tudo bem que foi meio estranho mesmo, mas é verdade.
- Hum, ele te deu essas chupadinhas no pescoço?
- Uhum.
- E aposto que você arranhou as costas dele com suas unhas compridas e sexies, né?
- É rs! – null concordou sorrindo e tampando o rosto.
- Você ficou a tarde toda numa boa lá? JESUS! VOCÊ NÃO O MATOU DEPOIS, NÉ? – null sacudiu-lhe os ombros.
- E por que você acha que eu to fugindo pro Canadá amanhã?
- Puxa amiga, que pena ele era tão bonitinho e jovem...
- É né... Mas falando sério agora, foi uma tarde boa. Eu não devia ter feito, mas foi incrível.
- Me conta! Vai contar ou vai ficar enrolando?
- Calma! É que foi assim, eu fui lá devolver o porta-retrato que ele me deu. Quando cheguei, ouvi pela porta que a Delilah tava lá e eles estavam discutindo.
- Sério?! Ela te viu de novo? Vocês brigaram outra vez? Ela foi pro hospital? AAHH VOCÊ A MATOU! COMO FEZ? EMPURROU PELA JANELA? CÉUS! JESUS, MARIA E...
- HEEEY! Não fica tentando adivinhar amiga, você não é boa nisso!
- E você é uma desagradável... mas continue.
- Primeiro: realize que eu não matei ninguém, ok? E segundo: ela não me viu.
- Ah, sem assassinatos? Que sem graça.
- Melhor sem graça do que presa não acha não?! Mas enfim... eu escutei a conversa deles todinha e você não faz idéia do fora que ele deu nela! Eu me senti até vingada, foi melhor do que nos meus sonhos!
- Que lindo! E aí null a empurrou numa banheira de ácido clorosulfônico, você entrou e tacou um beijo apaixonado nele enquanto ela gritava de dor! [n/a: explico o ácido clorosulfônico na nota final do capítulo]
- WTF?! Ácido o que? Banheira? Olha... até que não seria ruim, mas o que foi que eu disse sobre as suas adivinhações mesmo?
- Ah, é que você enrola muito pra contar as coisas! Necessito saber!
- Ta! Ela foi embora aos berros com ele e até o null surgiu do nada pra esculachar com ela, você tinha que ver!
- Ahh o meu lindo null... Como estava o cabelo dele essa tarde? Pra frente? Pra trás? Pro lado? Ah, já sei! Pra cima, né?
- Olha o foco, null! Você quer que eu continue a contar ou não?
- Ah sim, continue!
- Então eu dei um tempinho e fui falar com o null. Ele demorou pra abrir a porta, acho que pensou que fosse a Delilah de novo! Aí nós discutimos um pouco depois que eu entreguei o porta-retrato. Ele disse que eu estou com raiva dele, então eu disse que não o odeio e ele disse que odeio sim, que eu o odeio e ele me ama.
- Ain... E você?
- Não sei, acho que no fundo eu tinha ido lá querendo me despedir de alguma forma. Olhei o rosto dele pra decorar cada pedacinho. Quando eu já estava pra ir embora ele me beijou e eu aceitei.
- Nossa, quem diria!
- Ah, null! Eu não sou essa durona que todo mundo ta pensando! Eu gosto de estar com ele sim e foi bom ter uma lembrança agradável pra recordar. É melhor levar a lembrança de uma tarde ótima do que rancor nas bagagens, não é?!
- Se gosta dele, por que não voltaram?
- Não, eu não disse que gosto dele. Disse que gosto de estar com ele.
- Não é a mesma coisa?
- Não. Eu não posso explicar isso, mas teve de ser assim e ponto, null.
- E ele sabe que vocês não voltaram?
- Ele achou que tínhamos voltado. Aí eu dei um jeito pra ele perceber que eu ainda vou viajar.
- AI CÉUS! QUE VOCÊ FEZ COM ELE?
- EU NÃO CAUSEI NENHUM DANO FÍSICO! Já deu pra entender?! Eu só saí dizendo que a gente tem uma boa química na cama, mas nem por isso ele é insubstituível!
- E ele?
- Ficou lá com aquela cara que você conhece. Reconheço que me deu um pouco de pena, mas foi o certo.
- Por que isso foi o certo? E por que você não pode me explicar? Eu não sou o null! Explique pra mim! Conte suas razões que eu vou apenas escutar e entender. Eu quero acreditar que você tem um bom motivo pra deixá-lo pra trás, null! Você ama aquele homem e tudo que tem a ver com ele! Eu te conheço. Você acredita em romances por causa de null null. Ele já provou que nunca mais vai tocar na Debruxa, então por que não esquece tudo?
null freqüentemente se deixa emocionar. Cada palavra que nasceu na garganta dela saiu com dose extra-especial de emoção na voz. Quando isso acontece, ela consegue tocar a melhor amiga. null sentiu o rosto esquentar e os olhos produzirem cada vez mais lágrimas, que já estavam disputando por espaço dentro deles. Ela não queria deixá-las cair outra vez hoje.
- É pro bem de todo mundo.
- Mas por quê? O que vai acontecer?
null apenas pensou um pouco. Achou bom não guardar todos os problemas sozinha e resolveu falar. Olhou bem nos olhos da amiga, como se a voz fosse sair por eles. Depois falou um nome:
- Delilah.
- null! O que essa menina ta fazendo com você? Me conta porque eu juro que bato nela!
- Algumas ameaças a mim, ao null, e...
- E...
- Ai amiga! Ela acha que eu to grávida porque me viu comprar um teste! – null se desabou no ombro da amiga.
Play null’s Flash Back
Domingo à tarde, após Eric ir embora, eu fiquei um bom tempo sentada na calçada de casa. Estava com o celular na mão, mas ele ficou desligado enquanto eu conversava com Eric. Resolvi ligar pra ouvir música e veio o aviso que tinha algumas mensagens de texto pra ler. Eu não devia ter aberto. Não devia.
•Mensagem 1• Olá null. Peguei seu nº
no cel do null, espero
que não se importe.
Quero falar com você.
vc já deve saber que é a Lilah... Me ligue o quanto antes.
•Mensagem 2• Que parte do me ligue o quanto antes
vc não entendeu?
•Mensagem 3• O tempo ta passando nullzinha
e eu to ficando irritada. Vc nunca me viu irritada. Não queira ver.
Não respondi nenhuma delas. O que essa retardada quer? Ser enfiada no ponche de novo? Se isso chegar a acontecer eu não vou tirá-la de lá após alguns segundos, não mesmo! Imaginei que devia ser apenas uma brincadeira irritante e coloquei meus fones pra ouvir música. Não sei ao certo quanto tempo se passou, mas foi um longo período sem a musiquinha chata de novas mensagens me interromper.
Porém, quando entrei em casa e fui pro meu quarto tomar banho, bastou colocar o celular em cima da penteadeira e ele começou a vibrar. Um toque engraçadinho fazia conjunto com as vibrações e o meu coração se remexeu lá dentro. Se apertou. Bateu mais devagar, era o medo.
E ele estava certo ao se assustar, mais Delilah:
•Mensagem 4• Por que não ligou? Ta achando que é
brincadeira? Acredite, eu não gosto de
ficar entrando em contato com vc, sua nojenta.
Eu falo serio.
•Mensagem 5• Por acaso o meu nº não aparece
no fim da mensagem?
Ou será que vc ta com medo de mim?
A minha voz te assusta?
•Mensagem 6• O que será que mais te assusta em mim,
nullzinha?
Hmm... com certeza são as coisas
que EU SEI de vc!
•Mensagem 7• Duvida que eu sei mais do que vc imagina?
Por que não vem tirar essa dúvida amanhã?
•Mensagem 8• 2 da tarde no Mcdonald's que fica perto
da London Eye. Não vou dizer o que vai
acontecer se vc não for pq vão acabar os caracteres...
Stop null’s Flash Back
null mostrou as mensagens ainda guardadas no celular. null ficou pasma.
- Que tenso! Você foi?
- Eu fiquei nervosa, ansiosa, curiosa... tentei não pensar nisso e me concentrar só nas coisas pra viagem, mas eu acabei indo.
Play null's Flash Back
Eu avistei aquela vaca sentada de costas para a entrada. Por que eu não trouxe a poncheira da minha mãe pra afogá-la de uma vez? Que garota encrenqueira! Olha as porcarias que o null arranja. Num vou nem comentar. Em último caso, afogo ela no milkshake, é!
- Finalmente. Achei que tivesse morrido.
- Por quê? Você pediu minha cabeça ao papai noel?
- Na verdade eu pedi que te carregasse pra longe, mas se você prefere o inferno mesmo...
- Quem vai para o inferno são pessoas como você, que infernizam a vida dos outros. E fala logo o que é que você quer pra terminar com isso.
- Não fale nesse tom de voz comigo. Você ainda não entendeu, quem está por cima aqui sou eu.
- Você? Por cima de mim? Ah eu não suportaria teu peso, você ta ficando meio gordinha.
- Você pode dizer que eu sou gordinha agora, mas eu sei que daqui a uns sete meses e algumas semanas, a BOLA da vez será você!
Notei minha própria expressão ficando séria repentinamente. Os olhos se abriram um pouco mais e meu coração pareceu parar de funcionar por alguns segundos. Greve temporária de sentidos. Que merda.
- O que? Já paralisou assim? Então eu acertei! Foi mais fácil do que eu pensei...
- Do que você ta falando? – eu respirei fundo e falei com calma, tentando não gaguejar ou tropeçar nas palavras. Ela olhou pro meu rosto, acho que fiquei pálida.
- Calma null, respire! Você não quer matar essa cabeça de ervilha que ta aí, né?!
- Porra! O que é que você ta falando?! – eu fiquei nervosa e bati com o punho cerrado na mesa. Algumas pessoas olharam e eu procurei manter a calma.
- Eu te vi comprando um teste. A mim você não engana! Todo mundo sabe que você voltou a ver o Peter, e tem aquele Matt, e o esquisito... Eric! null sabe que você andou por aí com todos eles recentemente então não seria difícil pra ele acreditar que você ta gerando um Pete, Matt ou Eric Jr!
- Não seja ridícula! Quem é que vai dizer isso pra ele? Você? Isso aqui não é novela, ele acreditaria em mim.
- Ah, mas isso é só uma parte do meu presente, null!
- Cara, você é muito ridícula – ao mesmo tempo que eu balançava o rosto para os lados, meu sorriso indignado não conseguia se fechar. Que idéia louca é essa agora?! Só o que me faltava!
- Sabe null, essa vidinha do tamanho de um grão de poeira que está aí em você é algo extremamente frágil. Mais do que qualquer outra coisa... É muito fácil perder uma merdinha dessas no início, muito comum.
- FALA... hm... – eu ia gritar de novo, mas me controlei. Ela estava ameaçando a minha possível gravidez? Precisei falar entre os dentes pra não sair alto. Raiva. – Fala coisa com coisa, miserável.
- Já ouvi dizer que grávidas não são seres humanos, são inferiores. Ficam frágeis, emocionais, perturbadas, nojentas... E pensar que isso é o sonho de algumas mulheres! Um sonho medíocre e pequeno.
- Eu não to grávida, imbecil.
- Não tente negar, ok? É pior. A sua reação já te entregou, confesso que tinha dúvidas, mas elas se foram junto com a sua palidez. Agora apenas preste atenção na proposta de negócio que vou te fazer!
- Você é muito estranha. Fala logo o que quer, vai...
- Você pode ir e carregar contigo toda a sua mediocridade em forma de barriga para o Canadá. Fica com o seu nojentinho lá, mas ninguém pode tomar conhecimento disso aqui.
- E se eu não quiser fazer isso?
- Eu vou ser obrigada a fazer uma vítima que nem está neste mundo... – Lilah tirou um canivete do bolso e pôs sobre a mesa discretamente. Agora me assustei de verdade! Posso correr dessa louca?
- Você não faria isso! É só uma vadia inútil, não uma criminosa!
- Pode até ser que eu não fizesse, mas o meu irmão drogado e seus amigos favelados fariam. E eles teriam o maior prazer! Acho que eu precisaria segurá-los pra eles não te matarem também! Se bem que você nem faria muita falta no mundo...
- Vou contratar guardas pra ficarem na minha casa!
- Não adianta, você não pode fazer nada. Se não te pegarmos, podemos pegar o null. Tenho certeza que meu irmão sozinho poderia arrebentá-lo inteiro!
- Arrebentar o null? Mas que porra é essa? Como você gosta dele desse jeito? Que filha da puta!
- Foda-se. Você estava certa, eu não gosto dele por completo, apenas algumas partes dele. A conta bancária, os carros, o sucesso... Quer dizer, eu gosto dele, mas não ficaria, nem lutaria por ele se ele não fosse quem é.
Merda! Merda! Merda! Puta que o pariu! Que vontade de voar no pescoço dessa vadia. Me segura!
- Não tem um centímetro de você que preste! Você é como um alimento podre!
- E daí? O null já me comeu e gostou.
Duas palavras: QUE-NOJO!
- Chega! Meu estomago ta embrulhando de ficar aqui com você.
- Como se fosse muito agradável pra mim te suportar. Olha, eu só to pedindo pra você ir numa boa pra onde você quiser. Contanto que seja longe o suficiente pra eu poder te apagar da memória do null. Caso contrário eu terei muitas alternativas pra acabar com todo o seu mundinho de filmes românticos pré-adolescentes. Você teria um lindo aborto e o null nem ia mais querer te ver por achar que o filho não era dele. Acredite, seria fácil fazê-lo pensar isso! Nem eu mesma sei se é! Ou então, se nós não conseguirmos pegar você, eu tenho certeza que os amiguinhos do meu irmão adorariam assaltar o apartamento de um mcguy! Seria hilário se saísse no jornal pra eu...
- Certo, certo. Pare de falar, que coisa irritante essa sua voz! Você não vai precisar se dar ao trabalho. Eu vou me mudar e você fica aí tentando agarrar o null. Só não garanto que você tenha condições de conseguir isso, ele já se tocou que você não passa de...
- Poupe suas palavras e sua imaginação pra me elogiar. E não se aproxime dele durante essa semana. Acho que você já entendeu o trato.
Stop null's Flash Back
- Meu Deus null! Você precisa chamar a polícia!
- Não null. Não tenho provas suficientes da ameaça.
- E-e-então nós precisamos... nós precisamos...
- Calma null! Vai ficar tudo bem! Eu vou pro Canadá e nada acontece.
- Mas... mas... você não quer ir e... AH MEU DEUS! VOCÊ TA GRÁVIDA!
- Shush! Cara, a vizinhança não sabe, ta? Na verdade nem eu sei! Comprei o maldito teste após uma conversa estranha com a minha mãe. Ela tava suspeitando disso e eu falei pra ela que tinha certeza que não estava porque minha menstruação estava em dia. Só que eu menti. A minha incomodação não tinha chegado e eu achei que podia ser um atraso normal, não estava preocupada, mas resolvi comprar o teste. E não tive coragem de fazê-lo ainda.
- Menina! Vai correndo fazer esse teste! Se você não estiver, pode acabar com os planos da Delilah!
- Não, é pior! Esqueceu que se ela não puder me atingir vai atacar o null? Eu tenho que me afastar de qualquer jeito. E acho que consegui me afastar ao máximo essa tarde, mesmo não saindo do país.
- Por quê?
- Disse muitas coisas pra ele. Bem depois que a gente, err... teve bons momentos! Pessoas ficam sensíveis depois de transar. Ele fica hiper-sensível e fofo! Eu acabei com ele! O que eu fiz e o que eu disse foi pior do que brigar ou ficar indiferente. Eu o fiz subir numa montanha bem alta, pra tocar numa nuvem e depois empurrá-lo ao chão. Mas era o único jeito null! Se eu não fizesse isso a gente ia se aproximar de novo!
- Tadinho, null! Aquele garoto é louco por você...
- Eu sei... mas é melhor ficarmos inteiros, não acha?
- É.
- Eu vou pro Canadá e vou começar uma vida nova lá! Não preciso do null na minha vida! Se a gente não pode ficar junto eu vou ser feliz de qualquer jeito, não importa!
- Acho que depois de hoje você não vai continuar pensando assim... – null pensou um pouco alto e null ouviu, mas não entendeu.
- Quê?
- Ah, você viver feliz é o mais importante pra mim.
null mordeu a boca olhando pro chão e nenhuma das duas falou mais nada. O celular de null tocou e era null dizendo pra ela ir logo.
- É o null. Eu vou... se você não se importa...
- Tudo bem null! Vai sair com o null numa boa!
- Você vai ficar bem aí?
- Vou.
- Sem matar? Sem fugir? Sem banheiras de ácido?
- Só se for pra Delilah!
- Ótimo. Assiste tv pra descontrair, você ta muito tensa! Hoje tem aquele programa que você gosta, né?
- É, o programa da Cora.
- Então... Assiste a Cora e as meninas estarão de volta antes de amanhecer, eu acho!
null a acompanhou até a porta e elas se despediram. A noite solitária estava só começando e ia ser longa.
Quando null e seus amigos chegaram, eles viram um palco armado no meio do parque. Era pequeno porém muito bonito. Todos ficaram sem fôlego por uns segundos. Antes que começasse o programa, null testou instrumentos, microfones, não queria nenhum imprevisto na hora H.
Um tempo depois, null e null finalmente chegaram e tiveram a mesma reação ao ver toda a decoração do ambiente. Aquele simples parque no centro da cidade nunca esteve daquele jeito.
- Tudo certo? A null vai ficar em casa? – null se aproximou deles. null ficou durante o caminho todo até lá pensando em como essa noite poderia mudar a decisão de null, ou mesmo que ela não mudasse, iria torturá-la bastante. Ela também tinha uma decisão a fazer, podia contar tudo pra null, mas teve medo de causar outra tragédia. Então deixou tudo rolar naturalmente e se comportou como os outros, feliz.
- Ah, sim. A gente conversou bastante, por isso o atraso, desculpem! Ela contou sobre hoje à tarde... – null quis ver a reação de null e olhou pra ele.
- Ma-mas ela vai ficar bem sozinha? – null coçou a orelha em sinal de nervosismo.
- Claro né null! Ela não tem mais dez anos! – null falou rindo. Todos foram convidados a entrar num trailer colocado pela produção do programa, para que eles pudessem assistir as partes que já foram gravadas.
- E você tem certeza que ela vai assistir? – agora null ia sendo empurrado pelos ombros até a porta do veículo, por uma null impaciente.
- Vai, null... vai sim. Ela sempre assiste a Cora quando por acaso está em casa numa quarta-feira à noite. Ta bom? Satisfeito? Agora sossega o facho e entra aí!
Todos se acomodaram no sofá do trailer e esperavam ansiosos pelo começo do programa. As meninas já sabiam que null tinha falado coisas tocantes sobre ele e null na entrevista. O plano era fazê-la assistir em casa enquanto eles assistiam lá e assim os dois ficariam juntos de vez.
[n/a: partes em itálico aqui é o que se passa na televisão]
- Aí eu comecei a sentir um grande incomodo dentro de mim...
- O que? Arrependimento?
- Não... gases. [risadas de fundo]
null assistia um programa humorístico entediada no sofá 'Queria eu estar com dor de gases. O que me incomoda é muito mais do que isso. Tudo pronto pra eu viajar amanhã e do nada eu começo a ouvir uma voz irritante dizendo o tempo todo que e não devia seguir com esse plano! E por que isso agora? Será que a Delilah já não foi ameaçadora o suficiente? Ou será que é uma premonição e o avião vai cair no meio do Oceano Atlântico?! Aposto que se eu perguntar isso aquela vozinha não vai saber responder. E é mais provável que ela (ou eu?!) não queira viajar por medo de assumir a derrota para aquela vaca, não por medo de acidente. E chega desse assunto, eu to com fome! Droga, não tem sorvete. Não tem batata frita. Não tem um mísero copinho de Nutella. Não tem pipoca de bacon. Eu acho que vou comprar alguma coisa, uma ansiedade tomou conta de mim e quando eu to assim preciso comer coisas calóricas e fingir que os kibes são meus amigos.’ null pensava enquanto revirava os armários e a geladeira. Ela subiu ao quarto e parou um pouco encostada na porta, não estava se sentindo bem. Há muito tempo não tinha uma dor de cabeça com tonturas daquele jeito, algo estava errado e ela não sabia o que era. Uma dor fraca que faria qualquer um acreditar que precisa ir dormir. Quando ela achou que a dorzinha estava passando e se desencostou da porta, sentiu um refluxo vindo do estômago. Uma substância quente subiu o esôfago em alta velocidade queimando tudo e null precisou correr para o banheiro. ‘Acho que eu usei demais o meu cérebro pensando nessa viagem! Eu preciso é de ar fresco.’ A dor de cabeça aliviou consideravelmente após vomitar. Ela escovou os dentes, ajeitou o cabelo e foi pegar um casaco. Depois calçou botas, pegou sua bolsa e saiu. Esqueceu de desligar a tv da sala.
- Caramba, não vejo a hora de ouvir o que null disse! – null batia palminhas feito criança. Continuaram no trailer todo esse tempo.
- Ele disse um monte de coisas gays, aposto que toda criatura do sexo feminino vai adorar! – null disse depois de tomar um gole de cerveja e null deu um tapa no braço dele.
- Aposto que deve ter sido lindo, null! Mesmo sem ter escutado ainda, eu já acho que você ta merecendo uma chance. – null sorriu vendo o amigo ficar mais nervoso diante da proximidade da hora do programa começar.
- Relaxa null! Você vai ver como ela vai te ligar assim que o programa acabar! – null bagunçou-lhe os cabelos e ele sorriu olhando algum ponto fixo.
- E logo ela vai vir pra cá e você vai olhar pra ela de cima do palco – null continuou a falar como acha que as coisas vão acontecer – você vai estender a mão pra ela, ela sobe, vocês se olham um pouco, depois se atracam um no outro e são aplaudidos e...
- Ta bom, null, ele já entendeu que vai ser o máximo! – null jogou a tampinha do batom que segurava nela.
null andava pela rua observando as luzes. “Luzes de Quarta à noite” pode não soar tão convidativo quanto “Luzes de Sexta à noite”, mas já que essa poderia ser sua última noite naquele país, até se fossem as luzes de segunda-feira serviriam. A idéia da viagem começou a perder força de repente. Havia alguma coisa dentro dela que dizia pra não ir, que Delilah estava blefando. ‘E mais uma vez eu venho andar na rua pra tentar relaxar, me distrair com alguma coisa. Em circunstâncias normais, andar sozinha pela rua sentindo o vento que passa brincando com os cabelos é... normal. Mas quando se têm problemas pra resolver e decisões difíceis, uma simples caminhada dessas pode se tornar uma cena dramática e emo. Tudo depende do que se passa dentro da cabeça da pessoa. Os ventos que estão na minha cabeça são cortantes como esses aqui de fora. Acho que está mais pra furacão. Antes eu estava com muita raiva do null e queria viajar. Depois a raiva foi passando. Aí vem a suspeita de uma gravidez... Agora eu não quero viajar, mas estou sendo forçada à isso. Se não fossem as ameaças da Delilah, eu certamente não viajaria mais. Essa idéia foi perdendo força e ela simplesmente caiu de vez depois que eu fiquei com null hoje. Porra eu amo aquele cara! Se eu desisti de me mudar, foi porque eu imaginei minha vida lá sem o null. E quer saber? Ela seria como uma rua com todos os semáforos no verde sem nenhum carro pra passar... Puxa ou eu sou muito filósofa ou muito retardada, que tal?! Certo, pode me internar! Que seja! Eu só ficaria aqui se tivesse certeza que a Delilah não vai cumprir as ameaças, mas quem me dá essa certeza? Quem vai proteger o null de um "assalto no apartamento"? E eu então?! E minha possível gravidez? Eu nem sei se isso é verdade porque sou uma covarde que nem tive coragem pra fazer o teste e ver o resultado positivo. E o pior é que independente disso, se eu não seguir o plano dela, o estrago pode ser grande de qualquer jeito! Com ou sem gravidez, porque como eu disse pra null, se ela não puder agredir o bebê, a segunda alternativa é o null. E eu não posso nem pensar em vê-lo morrendo por minha culpa. Ah, essa mudança precisa acontecer. Não tem como ser diferente. Amanhã eu viajo e vou levar minha vida como puder lá no Canadá, mas eu ainda volto! Ah se volto!'
null tinha sua cabeça cheia de pensamentos que ela definiu como os ventos cortantes. Os pensamentos dela só eram cortantes por serem sobre Delilah! Todas as pessoas devem se sentir confusas até a última hora ao precisar escolher um destino. Ela não é diferente.
Os ventos começaram a soprar com mais força, trazendo com eles os primeiros pingos de chuva. null passou por um casal feliz segurando sacolas de lojas de perfumes e trocando selinhos num ponto de ônibus enquanto começava a chover lá fora, no mundo real. Sentiu uma pontinha de inveja. Lembrou de null, queria estar assim com ele naquele ponto de ônibus e ir pra qualquer lugar que não começasse com CA e terminasse em NADÁ. Já fazia uns quinze minutos que estava naquela caminhada sem sentido, quando parou na frente de um pub e resolveu entrar, já que a chuva aumentava rapidamente. Sentou no balcão, uma tv estava ligada e ela se lembrou que deixou a tv de casa ligada, então deu um tapa na testa, mas resolveu que não ia voltar. Uns minutos se passaram até ela resolver olhar para a tv que estava ligada ali. Se surpreendeu vendo null, ou melhor, todos os quatro se apresentando. Estavam tocando That Girl bastante animados, como sempre e levantando a platéia. Ela se lembrou que deve ter sido o programa que eles gravaram sábado. Pediu um dry martini e se conformou em apenas assistir como se fosse ver qualquer outra banda.
- Parabéns, vocês são realmente muito talentosos! – a apresentadora, Cora, falava com um sorriso enorme que mal cabia na tela enquanto só se ouvia o som das palmas ao fundo. null gritou um ‘obrigado’ sorridente e esperaram as palmas e gritinhos pararem pra poderem conversar.
- O sucesso de vocês aumenta a cada dia, o que acham disso, huh?
- Somos realmente gratos, erm... agradecemos todo dia tudo de bom que está acontecendo. – null falou e a câmera focalizou seu sorriso charmoso ao final da frase, a platéia soltou mais gritinhos.
- Bom, parece que tudo o que vocês dizem provoca reações na platéia aqui, não?! – a apresentadora se virou um pouco pra trás e o público, formado basicamente por pessoas de sexo feminino, (como sempre naquele programa) soltou mais gritinhos – Calma garotas! Eu já vou chegar nas perguntas que vocês querem! Mas antes me digam, como anda a agenda de shows de vocês? Fiquei sabendo que tiraram umas pequenas férias recentemente, não foi?
‘Nhaim... não vou ficar assistindo isso. Assim já é tortura, po!’ null continuava sentada apoiando o rosto com as mãos e os cotovelos no balcão, tinha uma expressão de tédio e enjôo. Ao mesmo tempo que queria sair dali, também queria ficar. Os olhos custavam em desgrudar da tela, então ela permaneceu assistindo.
- Me dá mais um desse. – ela pediu olhando pra tv e sorrindo leve ao ver null gargalhar do nada.
- AHAHMAHAF – no trailer, null gargalhava com a boca cheia de batatas.
- null! Por que você teve esse ataque de riso histérico lá no meio da entrevista e agora de novo? – null franziu a testa e ficou esperando a resposta, que não veio dele porque estava vermelho de tanto rir e quase engasgando com as batatas... cena emocionante...
- É porque ele tava vendo a Stacey na platéia, lembra dela? – null respondeu pelo amigo.
- Lembro, claro, mas por acaso vê-la é motivo pra gargalhar? – null continuou sem entender, as outras meninas também esperavam a resposta.
- É porque ela tava com uma daquelas máscaras do pânico, saca? – null falou e fez uma careta depois. As meninas riram.
- Eu tava vendo aquela pessoa com máscara na platéia e fiquei só encarando. De repente ela resolveu tirar a máscara e fez uma cara engraçada que eu não agüentei! – null recuperou o fôlego e explicou novamente, da mesma forma que fez no programa. Os meninos lá contaram algumas coisas engraçadas que aconteceram nas férias, incluindo as partes com aquelas três fãs avoadas, que agora estavam na platéia sorridentes.
- Que bom que tenham se divertido tanto! Com certeza um descanso merecido depois de tantas turnês no começo desse ano. Mas agora eu vou ter que perguntar o que todo mundo quer saber aqui! Como andam os corações dos Mcguys?
- Bombeando sangue e provavelmente vermelhinhos! – null respondeu sorrindo maroto e a apresentadora apontou o dedo pra ele.
- Não fujam senhores... Que mal há nisso? É só dizer! Por que está com essa carinha, null?
- Eu... erm... tem uma garota que me faz ter coisas estranhas quando a vejo, tipo borboletas, joaninhas e bichinhos fofinhos, sabe? Ela deve estar assistindo agora, espero que não me ache muito ridículo, null! – ele fez uma carinha fofa na tela e um coração com as mãos.
null começou a sorrir boba e mandar beijinhos pra televisão, null deu um pedala nela.
- Ôh animal! O garoto ta aqui no trailer!
- Ah! Verdade! Bem lembrado! – null se aproximou de null engatinhando pelo tapete e começou a beijá-lo por todo o rosto.
- Hum... borboletas, huh! Deve ser alguém especial pra você! Estão namorando?
- Estamos! – ele sorriu mais ainda, como se fosse possível. Cora sorriu também e passou a olhar pra null.
- E então null? Vai deixar as meninas do auditório felizes hoje de novo?
null olhou para todas as meninas presentes na platéia e depois pra apresentadora.
- Uns meses atrás eu sei que vim aqui e falei que não tinha ninguém na minha vida, vocês devem lembrar... mas eu estava cego, tem sim uma pessoa que nunca saiu da minha cabeça e se hoje eu estou completamente feliz, é 99% por causa dela! Minha null! – e mandou um beijo pra câmera.
- 99%, null? O outro 1% vem de onde? – null se aproximou dele estreitando os olhos.
- Você deu 5% pro Chad Michael então eu acho que tenho esse direito também, não tenho? – ele arqueou uma sobrancelha e ela o imitou.
- Tudo bem, você tem sim. E é melhor nem me contar porque se for alguma gostosona da tv eu... – ele a interrompeu com um beijo e depois falou baixinho no ouvido dela.
- O 1% foi por eu ter mudado pra cá! – sorriu e ela segurou o rosto dele pra dar mais um selinho.
‘OMG... acho que não quero ver onde isso vai parar!’ null fechou os olhos por uns instantes e percebeu que já estava sentindo o senso de equilíbrio abandonar o corpo. Esqueceu-se da hipótese de estar grávida, ingerindo álcool loucamente.
- Quero outro. – não se importava, dane-se o equilíbrio. ‘E se chegar a vez do null e ele não falar nada?! E se falar de mim? E se falar de outra pessoa? E se falar que tem um caso com o Eric? OMFG! Eu devo estar mega bêbada pra pensar essas merdas! E quem se importa mesmo?!’ pensou e tomou uma golada grande e meio desesperada da bebida enquanto não tirava os olhos da televisão.
- Meninas da platéia, 50% do McFLY está indisponível. Sinto muito! – a apresentadora brincou e um AHHH cheio de dor e sofrimento ecoou pelo estúdio. – Mas não se preocupem, ainda têm os garotos do Faber Drive, eles serão os próximos entrevistados da noite! – depois que a apresentadora falou isso, os mcguys se fingiram indignados – Tudo bem, vocês sabem que é só brincadeira... Suas fãs amam vocês antes de mais nada pelo talento, bom humor, por vocês serem pessoas maravilhosas e o que elas mais querem é vê-los felizes! – agora a platéia bateu muitas palmas e isso deixou os garotos sorridentes. – Mas ainda não acabamos! null e null ainda não responderam a pergunta!
null olhou pra null e acenou com a cabeça. null começou a falar.
- Conheci uma garota incrível! Ela é acima de tudo muito amiga, sabe fazer cookies como ninguém, esteve do meu lado quando eu precisei e por um momento achei que ela devia ser meu anjo da guarda, mas apaguei essa hipótese rapidamente porque acho que anjos da guarda não têm pernas tão bonitas! – ele terminou de falar sorrindo e ficando um pouco corado.
- Ounnn mafagafo! Acho que eu fiquei até arrepiada agora! – null olhou nos olhos dele, os olhos dos dois brilhavam tanto que pareciam espelhos onde um podia ver o reflexo do outro.
- Considere-se mafagafizada! – ele aproximou o rosto, colocou a mão na bochecha dela, que passou a sorrir e fechou os olhos. null a beijou como se quisesse depositar na boca dela todo o amor que estava sentindo ali.
null sentia que o coração ia sair pela boca e cair diretamente dentro da quinta taça de dry martini que tomava naquela noite! A câmera focalizava null. Era agora, tudo ou nada.
- E então senhor null, parece que você ficou por último! Vai seguir os seus amigos e fazer alguma declaração?
- Olha Cora, o null não ta bem. – null falou e null ficou olhando com cara de “o que você está fazendo?”
- Sério? Quer nos explicar null?
- Ah, eu... Eu não devia falar disso.
- Fala cara! O programa pode te ajudar – null deu uns tapinhas encorajadores nas costas dele.
- Eu chateei demais uma pessoa que gosto e agora ela quer ir embora.
- É a prima do null, certo? – Cora perguntou meio afirmando e null fez uma expressão levemente assustada – Calma, os seus amigos me contaram. Nós podemos te ajudar, não podemos?
A apresentadora se virou sorrindo para a platéia e todas fizeram gestos afirmativos com alguns gritinhos. null lançou um olhar um pouco enfezado para os colegas.
- Conte-nos mais! Queremos saber sobre essa garota e o que você está sentindo! Assim podemos entender o que se passa!
- Não sei se eu mereço ajuda. Tive tantas chances com ela e nunca aproveitei. Depois da minha última burrada ela decidiu morar em outro país e eu acho que essa notícia me fez entrar em pânico. Eu não quero a minha garota em outro continente! Eu quero que ela fique aqui e seja só minha. Só minha fã número um! E eu serei o fã número um dela pra toda vida. Ela me ensinou a gostar de ir à escola. Me ensinou a ser mais sensível com as garotas. Me ensinou que não adianta ter o melhor plano se você não tiver em quem confiar. Me ensinou a prestar mais atenção na aula de geografia! Ajudou a me tornar mais corajoso pra admitir que não importa quantas trufas eu coma, se eu estiver com vontade de experimentar aquela maçã vermelha e brilhante no topo da árvore, é dela que eu vou lembrar e as trufas não vão me preencher. Só me deixarão mais frustrado comigo mesmo por não ter partido logo em conquista daquilo que eu queria. Daquilo que eu acreditava... A null entrou na minha vida pra me tornar melhor e eu sinto que se ela sair, nada mais vai fazer sentido porque sem ela aqui não tenho motivo pra ser melhor. – null terminou e falar e as lentes da câmera captaram os olhos úmidos dele. A platéia estava em silêncio e a apresentadora se emocionou também. null deu mais tapinhas nas costas dele e sussurrou um ‘mandou bem’.
- null, você aceita participar do quadro “Em Praça Pública”?
- Erm, e-eu?
- Eu imagino que você conheça o quadro, mas eu vou explicá-lo enquanto você vai assimilando. O participante do Em Praça Pública deve escolher uma área pública na cidade, uma praia, um parque ou uma praça, por exemplo... No dia em que o programa vai ao ar, quartas-feiras, no mesmo horário, o participante estará ao vivo no local escolhido. Veja bem, nós estamos gravando aqui no sábado e daqui a quatro dias, se você aceitar participar do quadro, nós estaremos te mostrando lá ao vivo no lugar que você escolher, passando sua mensagem pra null da forma que você bem entender. E aí?
- Faz null, não queria uma última chance? Ela está aí, agarre! – null cerrou o punho e deu um soquinho no ar. null parecia em outro planeta e o silêncio já estava ficando constrangedor. Cora resolveu falar.
- Hum, pessoas! Será que daqui a pouco nós estaremos mostrando null null ao vivo participando do quadro Em Praça Pública ou o programa de hoje seguirá normalmente como o ocorrido na semana passada? Está em suas mãos.
Ela deu a palavra a null novamente e a câmera o focalizou.
- Tem como falar com o David Archuleta? – foi a única pergunta de null. A apresentadora sorriu e a platéia começou a bater palmas com gritinhos de aprovação. Veio o intervalo comercial.
O som das palmas penetravam na cabeça de null, ela não piscava e parecia nem respirar também. A vinheta do programa passou, vieram os comerciais e ela continuou a olhar para a tela. Sentiu uma enorme necessidade de saber em que parte da cidade null se enfiou pra aparecer ao vivo, mas pra isso teria de esperar os comerciais. Às vezes uma espera que era pra ser pequena, como esperar um ônibus, ficar numa pequena fila, ou o fim de um intervalo comercial, se torna gigante. Vai depender do quanto a pessoa quer que essa espera termine. Para null foram dois longos minutos e mais trinta segundos. Para null foi um tempo rápido pra sair do trailer com a equipe que estaria presente e se ajeitar no palco pra ser transmitido em poucos minutos para todo o país. Os amigos de null e null também saíram do trailer e ficaram logo à frente do palco. A equipe mencionada que estava ajudando-o nisso, não eram seus colegas de McFLY e sim a banda do David Archuleta. Ele ia tocar Touch My Hand em praça pública!
- Voltamos com o Cora’s Interview, o programa de entrevistas e desafios românticos que esquenta as suas noites de quarta-feira! Pra quem chegou agora, hoje nós começamos recebendo a visita dessa banda incrível de garotos espertos e talentosos que é o McFLY! Nós soubemos recentemente por meio de algumas revistas que o null null null sempre gostou muito da prima do colega de banda, null null. E são realmente um casal muito bonito de se ver, mas estão enfrentando problemas e o programa está agora convidando null a participar do nosso quadro que ficou famoso por ajudar casais nessa situação. Nós do programa ajudamos a todos, não importa se você tem fama ou não, todo mundo tem problemas porque geralmente os “amores de nossas vidas” são pessoas teimosas! Então o null já topou participar do “Em Praça Pública”, e nós já temos as imagens ao vivo! Mas antes de mostrarmos que lugar da cidade ele escolheu, explique pra gente um pouco mais, null! Por que você quis falar com David Archuleta?
- Bom, tem uma música que eu me lembrei agora... Eu e a null escutamos no carro um dia, foi o dia que a gente brigou. É uma música do David e ela não saiu mais da minha cabeça depois daquilo! Eu quero tocá-la no Parque Vermonn e oferecer pra ela um pedacinho do meu arrependimento pelo que eu fiz.
- Okay, você manda! O que estamos esperando, diretor? Vamos às imagens ao vivo do parque!
Se null tivesse um relógio que mede o pulso, como o que null usa pra correr, os barulhos dos batimentos dela estariam enlouquecidos! Primeiro o coração parou ao ver a estrutura montada no parque. As luzes, as pessoas... E o sangue começou a ser bombeado com grande força dentro dela quando null começou a falar ao microfone.
- Boa noite! – null deu um grito animado. Estava fazendo um show de verdade ali, pois várias pessoas que estavam passando na rua pararam pra ver, claro! A chuva estava menos intensa agora, pingos pequenos e rápidos cobriam tudo que encontravam aos poucos, como se formassem um grande véu. Alguns relâmpagos vinham de vez em quando e pareciam flashs de máquinas fotográficas no céu.
- Primeiramente eu queria agradecer a todos os presentes e à produção do programa Cora’s Interview por me dar a chance de participar desse quadro genial que é o “Em Praça Pública”!
As pessoas aplaudiam entre cada frase e null mal podia descrever aquela emoção porque era diferente de qualquer show que ele já tivesse feito.
- Estou aqui hoje pra cantar uma música que não é do meu repertório. Agradeço ao querido David Archuleta! Nós não chegamos a nos falar pessoalmente e ele não pôde estar aqui hoje, mas num ato de extrema bondade, liberou sua equipe pra vir aqui para que eu pudesse tocar uma das músicas dele! Então palmas para David e sua banda! – mais uma porção de gritos, aquela praça estava lotando.
- Eu vou cantar Touch My Hand como se eu mesmo tivesse escrito e guardá-la numa caixa de presente! Vou jogar esse presente pro vento e espero que minhas palavras não sejam jogadas em vão! Eu quero que o vento carregue-as e plante como sementes em algum lugar do coração. Esse vento tem um nome, é null null e é pra ela que dedico Touch My Hand em praça pública.
[n/a: play Touch My Haaand]
Os primeiros acordes foram tocados no piano. null já não sabia se continuava bebendo, se levantava pra ir correndo até lá ou se ficava assistindo ao show.
Saw you from the distance (eu te vi de longe)
Saw you from the stage (eu te vi do palco)
Something about the look in your eyes (algo sobre o olhar em seus olhos)
Something about your beautiful face (algo sobre seu lindo rosto)
In a sea of people (em um mar de gente)
There was only you (só havia você)
I never knew what this song was about (eu nunca soube sobre o que era essa música)
But suddenly now I do (mas de repente agora eu sei)
Trying to reach out to you (tentando chegar até você)
Touch my hand (toque minha mão)
Reach out as far as you can (chegue tão longe quanto puder)
Only me, only you, and the band (só eu, você e a banda)
Trying to reach out to you (tentando chegar até você)
Touch my hand (toque minha mão)
Can't let the music stop (não posso deixar a música parar)
Can't let this feeling end (não posso deixar o sentimento terminar)
Cause if I do it'll all be over (porque se eu deixar, tudo estará acabado)
I'll never see you again (eu nunca vou te ver de novo)
Can't let the music stop (não posso deixar a música parar)
Until I touch your hand (até eu pegar na sua mão)
Cause if I do it'll all be over (porque se eu deixar, tudo estará acabado)
I'll never get the chance again (eu nunca vou ter a chance de novo)
I see the sparkle of a million flashlights (eu vejo o brilho de um milhão de luzes)
I wonder why all the stars (imagino o porquê, de todas as estrelas)
But the one that's shining out so bright (aquela que brilha mais,)
Is the one right where you are (é onde você está) ...
As palavras da música estavam sendo realmente plantadas em null. Ela até se lembrou do dia no carro, voltando pra casa, logo depois da noite na praia. Nem mesmo o trânsito ruim daquele dia foi capaz de deixá-la de mau humor porque null estava ali e estava tudo bem.
Quando mostraram as pessoas que assistiam ao show, ela viu alguns cartazes se levantando. Folhas de caderno mesmo, feitos de última hora. O que foi escrito com marca-texto rosa chamava bem a atenção e dizia: VEM PRA CÁ!
O TE QUER MTMTMTMTMT!
Ela tampou a boca com uma das mãos vendo isso. Começou a se imaginar chegando lá, subindo no palco e tacando um beijo nele enquanto os dois ficavam se molhando de chuva e o público aplaudindo. Depois sorriu sozinha com esse momento de “sonho pré-adolescente”.
- Quem será essa tal de null? – o rapaz que servia os drinks observava a televisão com um pano de prato nas mãos. null olhou pra ele e deu de ombros. Voltou a colar os olhos na tv e viu null sacudir os cabelos molhados pela chuva. A verdade é que seus pés estavam formigando pra sair daquele pub e ir até o palco de verdade. Então ela simplesmente se levantou, pagou a conta e foi. Simples assim. Só esqueceu de um detalhe: estava bastante bêbada. ...
Saw you from the distance (eu te vi de longe)
Saw you from the stage (eu te vi do palco)
Something about the look in your eyes (algo sobre o olhar em seus olhos)
Something about your beautiful face (algo sobre seu lindo rosto)
Can't let the music stop (não posso deixar a música parar)
Can't let this feeling end (não posso deixar o sentimento terminar)
Cause if I do it'll all be over (porque se eu deixar, tudo estará acabado)
I'll never see you again (eu nunca vou te ver de novo)
Can't let the music stop (não posso deixar a música parar)
Until I touch your hand (até eu pegar na sua mão)
Cause if I do it'll all be over (porque se eu deixar, tudo estará acabado)
I'll never get the chance again (eu nunca vou ter a chance de novo)
Trying to reach out to you (tentando chegar até você)
Touch my hand (toque minha mão)
Reach out as far as you can (chegue tão longe quanto puder)
Only me, only you, and the band (só eu, você e a banda)
Trying to reach out to you (tentando chegar até você)
Touch my hand (toque minha mão)
null foi andando mesmo até o parque onde null estava. Não era tão longe, ela foi andando rápido (na medida do possível) naquela chuva fina. Seus pensamentos não eram mais confusos. Decidiu-se por enfrentar Delilah. Os dois poderiam enfrentar juntos, a Delilah não podia sair vitoriosa com um plano tão ridículo e cruel. Ela não merece a glória e essa palavra não combina com ela.
null entrou numa rua um pouco deserta. Aliás, totalmente deserta. Havia apenas árvores dos dois lados e calçadas estreitas, mas ela nem sequer se lembrou de sentir medo porque estava só pensando no que dizer quando chegar lá no show improvisado e olhar pra null no palco. De repente ela já havia esquecido toda aquela coisa de se preocupar muito com a Delilah. Só queria chegar perto dele e dizer que não importa o que aconteça, eles enfrentam juntos.
Um carro passou naquela rua, depois de muito tempo sem nenhum movimento. Ele passou por null em alta velocidade e freou bruscamente uns 20 metros adiante. null continuou a caminhar pelo acostamento, porém agora estava assustada com aquele carro parado ali. Os passos foram diminuindo ao mesmo tempo que a vontade de voltar crescia. Afinal, por que diabos um carro ia frear de repente e ficar parado no meio da rua? A menos que houvesse um semáforo ali, mas definitivamente não era o caso. As luzes vermelhas acesas na traseira do carro aumentavam o pânico de null e ela, que já estava a passos muito lentos, parou de andar de uma vez e deu meia-volta pra se afastar daquele carro. Agora a única coisa que ocupava a mente dela era sair daquela rua e as palavras “show”, “palco” e “null” foram apagadas como numa lousa.
Os passos dela estavam apressados e ela nem via as poças d’água, pisava nelas. Espalhava água barrenta nas botas, mas não importava. Queria estar a salvo do que quer que fosse. null escutou o motor do carro fazendo manobras e olhou pra trás. O carro estava voltando. Ele acelerou como que pra brincar com a emoção dela e ela viu a fumaça subindo ao redor do carro. Começou a correr.
Delilah’s point of view ON
Estou no carro esperando meu irmão terminar de assaltar a joalheria para qual eu trabalho. Como meu dia foi acabar assim? Explico.
Fui à casa do null hoje de tarde e ele só faltou me botar num avião pra Angola com passagem só de ida! Eu fui lá achando que ele podia cair na real sobre aquela garota que nem gosta dele tanto assim! O que mais me chateia é que ele tenha me usado na cara dura, sabe? Bastou aquela putinha aparecer pra ele me ignorar como um ursinho velho. Aquela mimada, nojentinha, eu sou muito mais eu! Agora ela vem com essa coisa de querer ir embora do país, igual àquelas crianças que não sabem brincar e vão pra casa emburradas, batendo o pé. E null ainda fica desesperado com isso! Se eu fosse ele, mandava ela ir se foder lá no Canadá e bom proveito. Eu tenho vontade de afogá-la no ponche igual ela fez comigo, é.
Play Delilah's Flash Back
Era sábado e eu estava sentada desperdiçando meu tempo na gravação de um programa besta. Eu tenho uma prima adolescente e a escola dela fez esse passeio ridículo. Eu tive que acompanhá-la, mas a única coisa que me encorajou a prestar esse ato de solidariedade é a entrevista com o McFLY.
Então eu fiquei esperando que a hora chegasse. E ela chegou.
Nada até ali tinha sido tão cortante. Nada é tão desesperador quanto isso.
null falando todas aquelas coisas, e elas não eram pra mim.
- ...Depois da minha última burrada ela decidiu morar em outro país e eu acho que essa notícia me fez entrar em pânico. Eu não quero a minha garota em outro continente! Eu quero que ela fique aqui e seja só minha. Só minha fã número um! E eu serei o fã número um dela pra toda vida. Ela me ensinou a gostar de ir à escola. Me ensinou a ser mais sensível com as garotas. Me ensinou que não adianta ter o melhor plano se você não tiver em quem confiar. Me ensinou a prestar mais atenção na aula de geografia! Ajudou a me tornar mais corajoso pra admitir que não importa quantas trufas eu coma, se eu estiver com vontade de experimentar aquela maçã vermelha e brilhante no topo da árvore, é dela que eu vou lembrar e as trufas não vão me preencher...
Ele me reduziu a uma burrada ou sei lá o que, mas certamente algo que não deveria ter acontecido. Eu me senti como algo que não devia existir, me senti fora do lugar. Não sei o que senti, mas não queria deixar assim. Não podia!
Ouvi quando começaram a acertar os detalhes para o desafio dele, logo após encerrarem a gravação. Ficaram horas combinando esses detalhes, o que ia ter, o que não ia ter, ligaram pro David Archuleta e o caralho. Fizeram tudo e depois os quatro saíram parecendo apressados. Eu fui atrás. Deixei minha prima lá, ela que voltasse sozinha... Eles chegaram numa casa, eu logo vi uma daquelas afetadas, insuportáveis, loucas, que são amigas da null. Mais precisamente, a null. Só tem gente doida nessa porra. Ninguém nem notou ou quis impedir a minha entrada na festinha.
Stop Delilah's Flash Back
Pro inferno aqueles dois. Esquecendo null e seu chaveirinho null por um momento, cheguei em casa e o folgado do Nick estava largado no sofá. É outro inútil esse aí...
Nick é meu irmão mais novo. Irresponsável, idiota, delinqüente e infelizmente, menor de idade. Fiquei responsável por sustentar essa peste desde o ano passado, quando nossos pais morreram num acidente. Ele ficou se achando O rebelde depois disso e resolveu barbarizar por aí com uns amigos que não valem nada! Outro dia chegou aqui com caixas de latinhas de energético. Quando eu perguntei, ele disse que eles sacanearam o português da loja de conveniência. Estou pouco me fodendo... Não me envolvo nas besteiras do Nick. Mas hoje eu topei vir com eles para assaltar a joalheria da Jeena. É que a Jeena é uma tremenda filha da puta! Não, eu não costumo ser boca suja, só estou nervosa e sob influência de algumas balinhas que Nick me deu. Eu sabia que ele tomava ecstasy, heroína e um monte de outras merdas. É a primeira vez que uso. Mas voltando ao assunto da Jeena, sou designer de jóias e vendo pra loja dela. Semana passada ela veio dizendo que as minhas jóias estavam fracas, que eu precisava inovar e não queria pagar um preço justo. Meu irmão ficou puto, queria dar um susto nela, aí hoje ele me chamou pra fazer isso e como hoje eu estou daquele jeito por causa do cuzão do null acabei topando assaltar a bosta da joalheria. Só não quero ficar na encrenca depois.
Estão vindo! Vou ligar logo o carro pra gente fugir! É agora que eu trabalho!
- VAI LILAH! VAMOS, VAMOS! – Nick ficou gritando e esqueceu de fechar a porta, aquela anta... Eu fui arrastando e ele fechou a porta depois. Os dois amigos horríveis dele (eles são horríveis, nem precisam de máscara pra assustar!) estavam tirando o que roubaram de dentro das mochilas pretas que usaram. Eu vi algumas das minhas próprias criações, fiquei até emocionada em recuperar meus bebês!
Eu estava sentindo o poder nas minhas veias. É como se eu fosse naquele momento a dona da rua, eu nunca senti um carro dessa maneira! É como se eu estivesse correndo com minhas próprias pernas, chegou uma hora em que eu achei que tinha levantado vôo! Foi tão emocionante! Eu vi cada viatura da polícia se chocar contra outros carros atrás de mim, foram se desfazendo um por um, como num video-game. Quando o último deles se chocou com um caminhão, do qual eu escapei por pouco, houve uma explosão e eu apenas vi aquele fogo se distanciando pelo espelho. Meu irmão e os amigos estranhos comemoravam. Minha ficha demorou a cair, mas quando isso aconteceu, meu sorriso saiu feito uma explosão também, junto com um suspiro aliviado. Será que é assim que os atores se sentem nos filmes de ação? Não. Eles fingem. Eu tive nas mãos a real sensação disso e não tem como explicar. É como um orgasmo gigante ou sei lá... Chame como quiser, to doidona! Eu duvidei, mas isso salvou mesmo meu dia! Agora eu só quero... Ei! Que diabos! Acho que vi a null ali! Ou será efeito do ecstasy?
Não, é ela! E se ela está nessa rua, que por coincidência vai dar no parque onde está null e seu showzinho ridículo, então é porque ela ia quebrar o acordo! FILHA DA PUTA!
- Caralho ficou maluca?! – Nick reclamando da minha freada brusca no meio da rua.
- É aquela garota que te falei, null! Está andando ali olha, prestes a quebrar o nosso acordo! Preciso fazer alguma coisa.
- Ah, Lilah! Agora não é hora de você se vingar! E se a polícia chegar?!
- A polícia já era! Você ta vendo algum carro aqui?! Eu to dirigindo essa merda pra vocês, passei o maior sufoco pra deixar aqueles trouxas pra trás e agora que eu quero me divertir vocês vão impedir? Puta que o pariu hein!
- Ta bom, faz o que quiser...
Eu sorri e comecei a virar o volante. Fiz a manobra na estrada e vi que a null estava andando rápido na direção oposta.
- Caralho, ela vai fugir!
- Claro que não, a gente ta de carro e ela a pé! Jumenta. Põe a pata no acelerador aí.
- Fica quieto aí seu porra, não te perguntei nada.
- Ihh Nick, é a sua irmãzinha gostosinha que manda em você, é?
- Cala a boca. – Nick apontou o dedo na cara do amigo. Enquanto eles ficavam discutindo eu me aproximava de null, jogando a luz do farol alto nas costas dela. Quero ver a cara de gato acuado que ela vai fazer!
Delilah’s point of view OFF [n/a: pode tocar 8 ou 80 ^^]
Delilah dirigia um Fiat Stilo vermelho que não era dela, nem do irmão, mas sim de um dos amigos dele. O carro atingiu velocidade suficiente num curto espaço pra fazer um pequeno e discreto cavalo de pau. O carro virou 180º e parou bem na frente de null.
A porta do carro se abriu devagar porque Delilah queria assustá-la de verdade. null ficou em choque e não tinha pra onde correr. Os outros garotos desceram primeiro e null sentiu o coração apertar ao imaginar que seria abusada e talvez assassinada por eles. Quando ela finalmente viu que era Delilah quem dirigia, ficou sem saber se relaxava ou se era pra preocupar-se mais ainda.
- Hey null! Por que essa carinha assustada?
- Oi Delilah. – null falou entre os dentes, com uma certa raiva.
- Você já conhece o meu irmão Nick e os amigos dele?
- Não, eu nem costumo ter pesadelos... – null fez uma careta e o amigo patinho-feio de Nick ameaçou avançar nela. Delilah esticou o braço impedindo-o.
- Até numa hora dessas você é muito engraçada null, parabéns.
- Então ta. Foi um prazer conhecer vocês e eu já vou. – null deu meia-volta e apertou o passo. Delilah fez um aceno de cabeça para que Nick fosse buscá-la. Ele segurou com força um dos braços dela na altura do pulso. A mão dele quase podia se fechar e esmagá-lo.
- HEEY O QUE VOCÊ TA FAZENDO?! – null veio gritando ao ser puxada de volta.
- Calma null! Onde você vai com tanta pressa? Ah, eu acho que sei! Estava indo logo ali dar uma quebradinha básica num certo acordo! – Delilah cruzou os braços quando Nick soltou o braço de null e os cinco dedos estavam marcados.
- O que você quer? Não me enche! Por que não deixa todo mundo em paz e vai cuidar da sua vida, huh?
- Ihh, ta nervosa? Aah nullzinha se tem uma pessoa nervosa aqui, essa sou eu!
- Imagino porque... – null falou um pouco baixo olhando pro lado.
- O que você disse?
- Eu sei que o null te deu um fora astronômico hoje, eu estava lá. Eu vi. Delilah, você não tem chance alguma com aquele garoto. Esquece!
- Eu acho que tenho! Só preciso que certas pessoas desapareçam. – Delilah terminou de falar com a voz firme, se aproximou e deu um tapa no rosto de null. Ela balançou a cabeça pra retirar o cabelo que voou no rosto e ia avançar em Delilah, mas dois garotos a seguraram pelos braços.
- Então é assim que você quer me encarar, sua covarde?! – null tinha cada braço segurado por um rapaz. Ela se agitava na doce ilusão de conseguir se soltar.
Delilah chegou bem perto dela sem falar nada. Segurou o rosto de null apertando as bochechas com os dedos.
- Você não passa de uma cruz na vida do null! Ele te enxerga como um brinquedo novo agora, mas eu quero estar lá pra ver o dia em que ele vai te deixar num canto, usada! – ao terminar de falar soltou o rosto da garota, que ficou movimentando os maxilares doloridos.
- Não julgue o meu destino pelo seu! O null nunca gostou de você e você nunca foi nenhum brinquedo novo! Você era no máximo um brinquedo já bem gasto que ele achou e pegou pra passar um tem... – null não pôde terminar de falar porque Delilah acertou um murro em seu rosto.
- Continua! É bom levar uns socos na cara, não é? Continua falando aí pra ver o que você leva...
- O seu problema é que você não agüenta a verdade! Tenho certeza que as minhas palavras podem doer muito mais do que os socos porque você sabe muito bem o que null te disse hoje! Hum... como foi mesmo? – null fingiu parar pra pensar e logo voltou a olhar pra Delilah sorrindo debochada – Ele pode te substituir pela própria mão! Parece que ele prefere se masturbar do que ficar com você, De-vaca.
Delilah mordeu os lábios e acertou-lhe um soco no estômago. null perdeu um pouco o ar e demorou mais pra se recuperar dessa vez.
- Você não tinha o direito... OLHA PRA MIM ENQUANTO EU FALO! – Delilah obrigou null a erguer o rosto que estava abaixado, pegando pelo queixo. – Não tinha o direito de chegar sem mais nem menos e atrapalhar minha vida!
- Atrapalho? Desculpa aí! – null ainda tinha o sorrisinho debochado, apesar da expressão cansada de apanhar. Delilah deu mais dois socos nela, um no rosto e outro de lado, ao final das costelas.
- Vadia... – Delilah se afastou um pouco com uma das mãos no quadril e com a outra coçava o nariz.
- De-jeitada...
- É o que?
- Hum?
- O que você disse aí?
- Pfffft!
Tapa no rosto e um puxão de cabelo.
- Como é que vai a barriguinha, null? Dói aqui? – Delilah segurou a parte superior do cabelo de null, puxando os fios para trás e conversando com o rosto próximo ao dela. Com a outra mão, deu cutucões na área do abdômen onde já tinha acertado alguns socos.
- Vai pro inferno. – null sussurrou e Delilah a soltou.
- O null não te quer realmente! Se ele quisesse não teria se deixado levar por mim aquele dia. Lembra? “Oooh null não é o que parece!” – Lilah imitou as palavras de null no dia em que foi flagrado no sofá com ela. – Pois era o que parecia SIM! E se você não chegasse, bonitinha, a gente ia transar no chão da sala!
- Ele se arrependeu dessa burrada e de todas as vezes que te comeu só porque você era a cadela mais próxima!
null deixou que a última frase saísse misturada com tons de deboche e raiva. Delilah deu uma joelhada nela que atingiu o pé da barriga. A dor foi terrível e ela tentou dobrar o corpo ao máximo que pôde com aqueles rapazes segurando seus braços.
- O que foi? Acabou o ia que dizer? Hum, acho que eu estraguei o brinquedo novo do null!
- Não, Lilah. Sabe o que aconteceu hoje logo depois que você foi embora? – null já não tinha muito fôlego e a voz estava fraca, mas a vontade de provocar estava maior do que a dor física – EU fui lá nós e passamos toda a tarde juntos.
- Cala a boca.
- Foi uma tarde deliciosa. Ele não sente nojo de mim como sente de você!
- Cala a boca! – Delilah ia avançar nela e null soube esperar o momento certo para dar-lhe um chute. Delilah caiu numa poça e sujou os cabelos de barro.
- O carinho dele por mim foi mostrado todo o tempo, nos toques, nos beijos...
- CALA A PORRA DA BOCA! – Delilah se levantou mais furiosa e começou uma série de agressões sem parar, revezando entre uns poucos tapas no rosto e muitos socos na barriga. – Cala a boca, cala a boca!
null ficou imóvel e Delilah deu um sinal para que os rapazes soltassem os braços dela. Primeiro null caiu de joelhos e logo depois o resto do corpo foi ao chão. Próximo ao local onde estava o rosto de null havia outra poça d’água. Delilah se abaixou, pegou null pelos cabelos e colocou a cabeça dela na poça por uns instantes, assim como no episódio do ponche. Depois retirou o rosto de null da água barrenta e a colocou de lado.
- Quem é a Devaca agora?
Capítulo 28 – I know I'm gonna fall down
[n/a: A música do capítulo é Down - Jason Walker :D vou indicar a hora de tocar *-*]
Delilah deixou null deitada na rua e foi caminhando em direção ao carro. Estava sentindo que precisava de água urgentemente e caminhou apressada pensando em entrar no carro e dirigir até alguma lanchonete.
- Você é pra sempre a Devaca. – null falou baixo e ninguém ouviu. Começou a se apoiar com os braços trêmulos e foi se levantando novamente.
- VOCÊ! É PRA SEMPRE A DEVACA! – Gritou ao ficar de pé. A voz saiu rouca e cansada, os cabelos um pouco desalinhados. Delilah estava de costas, já abrindo a porta do carro, mas virou e viu null lá. Surpreendeu-se por ela conseguir levantar. Começou a caminhar em direção à null novamente, mas sua visão foi ofuscada por uma luz de farol que se aproximava. Ao chegar perto, o motorista diminuiu as luzes e parou o carro.
- O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO DELILAH?! – Peter desceu do carro e bateu a porta com força.
- Peter? – null o observou caminhar até Delilah e sacudi-la pelos ombros.
- ME SOLTA MALUCO!
- VOCÊ MACHUCOU A ? EU TE FALEI PRA NÃO FAZER ISSO, VOCÊ É TONTA?
- EU FIZ O QUE TINHA QUE FAZER SIM, E VOCÊ? VAI FAZER O QUE?
Peter empurrou Delilah e ela caiu de bunda no chão.
- É A POLÍCIA! – Nick gritou e entrou no carro ao ouvir o som da sirene. Delilah não teve tempo de levantar e entrar no carro, então se embrenhou no mato. Nick saiu cantando pneus e os carros da polícia passaram voando atrás dele. null e Peter ficaram num canto só observando.
De repente ficou tudo em silêncio quando todo aquele caos se afastou. null torceu com cada fibra de seu corpo que a polícia prendesse todos que estavam no maldito carro vermelho que a assustou. Esqueceu-se que Delilah não estava nele. Estava fugindo entre as árvores.
- null. – sentiu uma mão tocar seu ombro – Você ta bem?
Ela apertou os olhos por dois segundos, mal podia acreditar no que havia acabado de acontecer.
- Pete! Foi tudo horrível! – agora que caiu na real, o abraçou.
- Calma! Ela te machucou muito? Quer ir pro hospital?
- Só quero ir pra casa!
- Vem, eu te levo.
- Mas hey?! O que você está fazendo aqui?
- Eu estava indo pra casa. Peguei esse caminho hoje porque estava um trânsito infernal lá na avenida, e a culpa é daquele Metidinho-null! – Peter falava enquanto ia caminhando até o carro com null apoiada em seu ombro. Ela prendeu o ar quando ouviu aquele sobrenome, tinha até esquecido do show dele na praça.
- Hum... de qualquer forma, obrigada por aparecer! Mas agora você já pode ir, eu acho que vou andando até ali... – null apontou para o fim da rua e foi se desgrudando de Pete feito uma criancinha que quer correr para o tio dos balões.
- Não, nada disso! Ta pensando que é brincadeira? Vou te levar pra casa, você mal agüenta caminhar!
Ela foi empurrada até a porta do carro e sentou no banco. Se tivesse mais força, lutaria contra. O desgaste físico, emocional e a tontura causada pelos drinks estavam insuportáveis. Era como se ela precisasse fechar os olhos e dormir por três anos. [n/a: ahahh me acorde em 2016 pra ver as olimpíadas ;D heuaoheoaie]
- Achei que você já tivesse ido embora pra Oxford. – null quebrou o silêncio dentro do carro.
- Na verdade, volto amanhã... null? – Peter colocou o sinto de segurança e parou segurando a chave e olhando pra ela. A garota no banco do passageiro respirou fundo. – O que há entre você e null afinal de contas? É que eu pude ouvir algumas coisas que ele estava dizendo enquanto eu estava preso na fila de carros, ele falou de bla bla bla...
- Hein? – null se virou pra Pete, olhava pra ele atentamente, mas parecia não ouvir o que ele estava dizendo. Parecia tudo bla bla bla. As palavras estavam embaralhadas na cabeça dela. Uma pontada forte no meio da barriga a fez apertar os olhos e não conseguir abri-los mais.
- null, se ela não aparecer e nem te ligar depois de tudo o que você disse pra todo mundo ouvir eu juro que ela vai ser uma null morta amanhã! – null sacudia a cabeça com as mãos nas bochechas.
- Mas ela não ta ligando! Já se passaram dez minutos do fim do show! – null batia as pontas dos dedos das duas mãos. Era muita ansiedade pra um null só. O show terminou sem a presença de null. Até a platéia que se formou no parque foi se retirando aos poucos e não acreditavam que “a tal garota” não apareceu. null se sentou no palco balançando as pernas com o celular na mão, esperando que ela pelo menos ligasse.
- Sossega cara! Vai ver ela se emocionou e está esperando parar de soluçar! – null jogou algumas pipocas na cara dele.
- Conheço minha prima, ela se emociona até assistindo Tom e Jerry!
- Será que ela ta ligando pro meu apartamento? Hey! ELA TEM O NÚMERO DO MEU APARTAMENTO?
- ELA TEM, OK! – null o segurou pelos ombros e o olhou nos olhos – Fica frio, a gente deixou fácil uma agendinha na sala com os números de todo mundo!
- Deixa de ser retardado! Por que ela ligaria pro seu apartamento se você está AO VIVO aqui? A menos que ela ache que você é the flash... – null passou por ele dando um peteleco na orelha e se sentou ao lado dele em seguida. Grande parte da aglomeração já havia ido embora por livre e espontânea pressão da equipe do programa, que ordenou a desocupação do local para que eles pudessem desmontar as estruturas armadas. Apagaram as luzes, a bateria foi levada, a banda foi embora. Contando apenas com a iluminação comum dos postes, ficaram todos quietos. Cada um mergulhado em seus próprios pensamentos e null provavelmente fazendo reza brava pro celular tocar. Esse silêncio foi interrompido quando um risco vermelho passou. Na verdade era um carro em alta velocidade. Na verdade... era o carro de Nick. Ele perdeu o controle da direção e o carro girou sobre a pista molhada. Só parou quando acertou em cheio a trazeira do Renault Sandero azul de null, que avançou e por questão de milímetros não bateu na trazeira do Nissan vermelho de null. Duas viaturas cercaram o carro e um rapaz saiu correndo, os outros dois foram rendidos ali mesmo. null estava todo torto, virado pra trás para observar. Ele e null estavam em choque, paralisados demais pra mexer qualquer músculo. Ninguém tirava os olhos da cena! Eles viram uns policiais se aproximando e perguntaram de quem era o carro batido. O proprietário deveria tomar algumas providencias imediatamente, então null pediu um guincho e foi junto com eles até a delegacia.
- Eu vou com você se quiser – null tocou o braço dele.
- Não, aquilo não é lugar pra você ir! E eu não sei se vou demorar... você pode ir pra casa, ou me esperar no meu apartamento.
- Ok. Qualquer coisa liga! – se despediram com um beijo rápido e ele foi.
O rapaz que havia fugido correndo também foi capturado e as viaturas estavam prontas pra ir embora.
O resto das pessoas permaneceu sentada onde estavam. Todos estavam chocados pela violência da cena, o barulho da batida... Pelo menos ninguém se machucou! null se distraiu tanto que até esqueceu por que estava sentado naquele palco. Mas quando foram começar a desmontá-lo, ele se lembrou. null e todos os seus amigos foram chamados pra voltarem ao trailer, onde encontraram Cora. Ela olhou null com compaixão. Ele se sentiu o homem mais fraco do mundo por merecer receber um olhar assim. Um olhar de quem está vendo alguém miserável e sem sorte pra nada. null null nunca se sentiu tão no fundo do poço.
- Ahn... – null abriu os olhos devagar com uma luz forte na cara, era o farol de um carro que vinha na mão contrária.
- null? Que bom que ta acordando!
- Onde... onde eu to? Pete? – ela olhou pro lado com a mão na cabeça e viu Peter dirigindo, depois passou a mão pelo cinto de segurança, olhou um pouco ao redor e viu que estavam no carro dele. Aquelas cenas pavorosas voltaram à lembrança e ela sentiu o estômago embrulhar com isso.
- To te levando pra sua casa. Você disse que queria ir pra casa, não disse? Você se lembra, né?
- Relaxa Pete! Eu lembro... Não sou uma maluca, eu só apaguei! – 'Por que eu não to surpresa? Certo, esses apagões estão começando a me preocupar!’ ela pensava olhando pra janela. O carro parou no semáforo e ela pôde ver uma loja com aparelhos de tv ligados. Todos no mesmo canal. O programa da Cora estava sendo interrompido por alguma notícia urgente que não podia esperar. Por um segundo ela quis gritar para Peter dar meia-volta e levá-la ao parque, mas só de pensar nisso, uma pontada forte na barriga a fez desistir até de respirar por uns momentos. Sentiu que estava sem forças e qualquer coisa que ela quisesse fazer teria que esperar o dia seguinte. Cora's Interview foi substituído rapidamente pela vinheta do jornal. Estavam anunciando a bagunça feita nas ruas de Londres após um assalto a uma joalheria. Mostraram imagens de um cinegrafista amador e ela viu o Fiat vermelho em que estava Delilah. Peter olhou pra null e viu que ela estava com a cara praticamente grudada no vidro da janela.
- Err... você ainda não me respondeu, desde quando você e null...
- Olha, o sinal já abriu. – null viu que um carro já buzinava atrás deles e chamou a atenção pra fugir da pergunta. Ela não queria falar de null com Peter por se sentir desconfortável. Por saber que os dois nunca foram melhores amigos. Peter se lembrava que quando null foi embora da escola, ele estava no segundo ano e achou ótimo porque null e null só andavam juntos pra cima e pra baixo então não dava pra ele se aproximar da garota. ‘Será que se envolveram enquanto eu e null ainda estávamos juntos? E se ela me traiu?’ ele pensava sério e sem tirar o olho da estrada. Como se seu único medo na vida de repente fosse esse.
- Certo. Ela não vai ligar, muito menos aparecer. – null guardou o celular desanimado vendo que não tinha nenhuma ligação perdida. Já estavam indo pra casa e antes de entrar no carro null olhou ao redor, até onde seus olhos alcançavam. Tinha esperança de ver uma garota caminhando ao longe, tinha esperança que null ainda pudesse chegar.
- Talvez ela tenha dormido! – null comentou olhando pra null – ultimamente ela ta dormindo feito uma tartaruga!
- Não, eu acho que ela não quer falar comigo mesmo. Quer saber, eu vou logo pra casa e dormir. Essa coisa de show improvisado na praça cansa muito... – null deu a partida no carro e quem o observasse podia jurar que ele havia acabado de ligar o modo foda-se. ‘Tudo bem, agora é bola pra frente.’ Ele pensou e acelerou de uma vez, deixando aquela praça pra trás como uma lembrança ruim.
No meio da noite úmida, um par de tênis brancos sujos de lama caminhavam pelo mato. Abrindo caminhos entre as folhas, pisando em gravetos, produzindo sons na floresta escura. Delilah estava com medo. Se perdeu no mato. Ela teve o azar de tentar fugir da polícia por ali, se escondeu tão bem que nem ela mesma sabia onde estava. Não sabia mais o que era real. Preferia ser encontrada por policiais, de preferência, o mais rápido possível.
Delilah’s point of view ON
Eu não sei o que está acontecendo. Parece que eu to presa nessa bosta! Se o Peter não tivesse chegado, ele não teria me atrapalhado. Se bem que ele provavelmente vai levar a garotinha pra casa e se ele for esperto como eu acho que é, vai dar uns catas nela! Ela já ta grogue mesmo, não deve ser difícil catar uma menina assim... E se o null visse, ia resolver todos os meus problemas, olha só que maravilha! Eu sou foda! Já fugi da polícia duas vezes hoje, bati numa inimiga, recuperei minhas jóias! Tudo num dia só! Acho que o dia rendeu assim por causa daquelas balinhas! To aqui pensando seriamente em tomar logo umas oito amanhã! "grrrh"
Quê?
O que foi isso?
Ouvi um barulho! Eu ouvi! "grrrrgrrrrr"
AAAAAAAAAAAA MAMÃE! Calma Delilah. Pensa, pensa. O que pode ser isso? Hm... ta parecendo um bicho. Mas que bicho? Ah, minha cabeça ta doendo, essa porra toda ta girando, meu coração parece que vai explodir dentro do meu peito, feito um silicone barato. Eu só quero sair daqui antes que isso aconteça!
Delilah’s point of view OFF
Delilah se movia agitada por entre os troncos das árvores. O cabelo tinha algumas mexas coladas no rosto devido a um suor estranho que começou a brotar de repente por todos os lados. Foi ficando difícil respirar, a boca estava seca e não dava pra ver quase nada naquela escuridão. Quando estamos no escuro, os ouvidos assumem o controle, passando a registrar os mínimos ruídos à nossa volta. Ou talvez isso seja apenas uma conseqüência do medo. Seja como for, Delilah ouvia grunhidos. E eles ficavam cada vez mais próximos.
A escuridão se devia às copas das árvores, mas em alguns pontos o brilho da lua conseguia chegar e dava pra ter uma boa visão. Apesar disso, Delilah sentia seus olhos embaçados e por mais que esfregasse, não conseguia melhorar. A essa altura, ela já não entendia nada daquela caminhada sem sentido. Chegando até a esquecer, por alguns segundos, como foi parar ali.
Num dado momento, mesmo com sua visão embaçada, ela pôde ver dois pontos brilhantes num lugar alto. Não fazia idéia do que seriam aqueles pontos de luz, mas os achou hipnotizantes e começou a caminhar até eles. Caminhou com dificuldade, tropeçando nos gravetos e ao chegar mais perto, a surpresa não foi boa. Era um animal em pé sobre uma rocha. Um animal de grande porte que ela não se preocupou muito em identificar a espécie porque preferiu sair correndo a ficar ali pensando.
[n/a: pode tocar Down .-.]
Uma caçada começou e ela corria entre as árvores como se não fosse a mesma que estava caminhando com pequenos passos alguns segundos atrás. Reconhecia os mesmos grunhidos famintos de antes, só que agora correndo atrás dela. E correu como nunca havia corrido antes, desesperada. Após vários metros percorridos com aquela coisa perseguindo-a, uma dor começou a se espalhar pelo braço esquerdo. Era como a mãe de todas as câimbras. O ritmo da corrida diminuiu involuntariamente com isso e o que quer que estivesse atrás dela, a alcançou. Delilah tombou sentindo um peso enorme sobre suas costas. Ouviu o barulho de suas roupas sendo rasgadas e gritava por socorro numa última esperança de ser salva daquilo. De repente ficou muito curiosa pra saber o que seria "aquilo" e já que era pra morrer então que morresse olhando nos olhos "daquilo".
Com muito esforço ela se virou de barriga pra cima e viu. Era o contorno de uma cabeleira grande e despenteada. Focinho largo, boca enorme cheia de dentes... Ela só estava vendo um vulto, mas concluiu que era um leão. Um - faminto - leão. Você é pra sempre a Devaca.
Escutou essa frase num sussurro, mas não havia nenhum ser vivo ali, além do leão. Delilah pensou seriamente na hipótese do leão ter falado! O animal soltou um bafo muito próximo ao rosto dela e depois deu passos para trás. Ele chegou aos pés dela e passou o focinho por toda a extensão da canela, como se estivesse apreciando o cheiro da refeição antes de saborear. Delilah apertou os olhos e só se passou um segundo até ela escutar o barulho de sua carne sendo arrancada. Junto veio a dor... Ela desejou morrer rápido para não continuar sentindo. Os gritos puderam ser ouvidos a quilômetros de distância.
Policial point of view ON
Prendemos os assaltantes da joalheria, mas ainda falta uma. É uma moça, Delilah Miller.
Um dos rapazes que prendemos disse em sua confissão que a tal moça é irmã dele e mentora do crime. Ela não entrou no carro junto com ele, mas nós vimos quando entrou na floresta da Rua Franklin. Eu e mais um colega encostamos o carro por ali. O carro de um jornal e outro de uma emissora de rádio chegaram atrás de nós. Às vezes esses caras são tão enxeridos que me dá vontade de mandá-los pra puta que pariu. Eles prometeram não sair dos carros e assim é melhor, se viessem, teríamos que cuidar deles também.
Pelos postes de luz dava pra ver uma chuva fraca caindo. Será que minha caçula levou agasalho pra faculdade ou será que eu esqueci de avisar pra ela que seus agasalhos chegaram da lavanderia hoje? Oops! Foco agente Lane! Você está trabalhando!
Eu me perdi em pensamentos cotidianos e meu colega John provavelmente se perdeu nos dele. Nós dois estávamos calados, apenas checando as pilhas das lanternas e a munição das armas quando ouvimos gritos. Eram gritos apavorados, como eu nunca ouvi antes.
Corremos em direção aos gritos, que vinham de dentro da floresta. Eles foram ficando estranhos, como se a pessoa estivesse se afogando. Uma voz afogada por líquidos, formando sons borbulhantes. Conforme íamos nos aproximando, outros sons vinham à tona, como um barulho enfurecido de folhas secas. Achamos a pessoa e minhas suspeitas se confirmaram, era a moça fugitiva. Delilah se debatia e agora sua voz já não estava tão forte. Ela pulava com o corpo inteiro e batia com as costas no chão. Tinha vários tremeliques e o líquido que a afogava era o próprio vômito. Ao que parece, é uma convulsão, talvez overdose... Os médicos saberão identificar melhor que eu. Pedi pra Jonh mantê-la sentada, assim ela parava de se afogar. Ela falava algumas coisas, devia estar com alucinações.
Carregamos a garota, que continuava se debatendo e tentando falar. Um de seus braços estava dobrado, com a mão torta. Jonh mediu o pulso dela enquanto eu dirigia apressado, ele disse que estava fora do normal. Batimentos acelerados, talvez esteja enfartando!
Deixamos a garota com os paramédicos e não sabíamos se ela estava consciente, pois havia parado de falar e só tremia, com menos força. Nós, policiais, precisamos ser de tudo um pouco. E precisamos de coragem e estômago pra ver essas cenas de jovens morrendo todos os dias. A minha filha tem a idade dessa garota e... eu nem quero imaginar. Eles confirmaram que ela estava intoxicada. Começaram os procedimentos, mas ela não resistiu.
Policial point of view OFF
null, os meninos e as amigas de null chegaram ao condomínio sem entender ainda o que havia acontecido direito. Não tinham outros assuntos em que pensar. Ou lembravam da perseguição policial, ou da surpresa por null não ter aparecido nem no último minuto.
- Acho que vou pra casa, quero ver se a null dormiu mesmo! Caso ela tenha feito isso não tem problema, a gente tem o programa gravado, eu coloquei pra gravar antes de sair! – null riu com cara de ‘eu sou ou não sou um gênio?!’
- Quer que te leve? – null se ofereceu vendo que null não voltaria tão cedo, null estava mais pra lá do que pra cá e null foi direto pro apartamento dele.
- Yep!
- Você vai ficar aqui, null? – ele se virou pra null, que concordou com a cabeça.
- Vou te esperar voltar e acho que vou dormir por aqui mesmo...
- null?
- Também vou ficar, nullzito.
- Então vamos null, se despede aí dos seus amigos alcoolizados que beberam o tempo todo.
- Hey null, pode deixar que eu levo a null. – null já tinha ido ao seu apartamento e voltou ao de null.
- null, você não acha melhor deixar pra vê-la amanhã? – null o puxou de canto, com a mão em seu ombro.
- Não, null. Juro que não estou indo pra discutir com ela é só que... Ah, depois eu explico!
- Ta bom... vai lá.
null não quis explicar por que quis ir, se antes dizia estar tão cansado. É que o cansaço desapareceu quando ele viu um papel assinado pelo Peter, grudado em sua porta. Cante o quanto quiser!
Ela não vai aparecer aí porque não pode estar em dois
lugares ao mesmo tempo.
Então certamente ela prefere se despedir de mim,
que nunca a traí com a Delilah no sofá da minha casa!
Você já perdeu! Aliás, nós dois perdemos, mas pelo menos...
A DESPEDIDA É MINHA -he!
Peter já estacionava o carro na frente da casa de null. Ela continuava olhando pra janela, sem dizer nada. Os dois desceram e Pete foi com ela até a porta da casa.
- Desculpa pelo barraco na festa do outro dia. É que desde os tempos de escola eu já não ia com a cara do null e nem ele com a minha.
- Hm... – ela soltou algum som em desânimo representando um "Tanto faz" resumido.
- Será que eu podia entrar? É porque... se você não tiver jogado fora... tem um casaco meu que deixei com você naquele dia que pegamos chuva, lembra?
- Uhum. Pode entrar e esperar aí na sala, vou procurar. – ela abriu a porta e deu espaço pra ele entrar.
- Tenho boas lembranças dessa sala de estar. – ele sorriu maroto caminhando em direção ao sofá enquanto null rolou os olhos pelas costas dele e subiu as escadas.
‘Hanhm ok... onde foi mesmo que eu deixei o maldito casaco? PQP! Se as coisas não pararem de rodar eu não vou conseguir achar!’ Ela chegou ao quarto e parou na porta de novo. Levou uma das mãos à testa, a cabeça estava pesada e manter os olhos abertos começou a virar desafio, assim como ficar em pé sem cambalear! Abriu a porta do guarda-roupa e sem querer esbarrou com o braço em um monte de coisas que caíram no chão fazendo barulho. Tinha um diário que ela já não mexia há tempos. Havia muito de null nele, inclusive fotos. Esqueceu de queimar essas... Ela olhou pra baixo vendo o diário aberto e algumas fotos que estavam guardadas entre suas folhas escapando como se quisessem liberdade. Teve um certo alívio em saber que aquelas haviam escapado do fogo. A idéia de queimar tudo foi mesmo um impulso imbecil, quem nessa vida queima suas próprias fotos?!
Não demorou e Peter apareceu na porta.
- Deixa que eu te ajudo! – ele correu até a garota, que estava abaixada recolhendo as coisas. Abaixou-se também de frente pra ela.
- Não precisa... – null falou baixinho, mas ele já estava lá e não deu ouvidos. Pegou uma foto de null e olhou pra ela, cerrando os dentes com a boca fechada. Não disse nada e enfiou aquela foto entre as folhas do livrinho. Depois ia pegar a última foto que estava no chão, ela também foi e as mãos deles se encontraram. Ela o olhou e ele estava aproximando o rosto, então virou a cara e ficou de pé.
- Já falei como te achei linda assim que te vi de novo na festa? – ele falou num tom de voz um pouco baixo e sedutor ao mesmo tempo. Se levantou ficando de pé bastante próximo a ela.
- Err, melhor eu achar logo esse casaco. – desviou os olhos do olhar dele e quando ia se virar pro guardarroupas de novo, ele a segurou de leve pelo braço.
- O casaco é o de menos.
- O que... o que você quer Pete? Ainda não entendi.
- Eu to vendo que você bebeu bastante hoje, mas acho que não é difícil perceber o que eu quero.
- Desencosta do meu braço vai... – ela falou com a voz meio mole, Peter aproveitou a moleza dela e deu um puxão trazendo-a pra mais perto, os dois corpos ficaram colados. A respiração dele batia no pescoço dela provocando uns arrepios na espinha. A mão que ainda segurava o braço de null foi deslizando até chegar no pulso dela. Pete guiou a mão dela por baixo de sua blusa, fazendo-a deslizar pelo peitoral. Em seguida soltou o braço dela e tirou a camisa. null mantinha os olhos fechados e se sentia cada vez mais tonta, sem saber se era a bebida ou aquela cena que estava deixando-a assim. Ao abrir os olhos, viu que Pete aproximava o rosto. Estava meio escuro, mas ela podia jurar que estava vendo os olhos null de null ali ao invés dos olhos negros de Peter! Ficou encarando aqueles olhos meio sem reação e viu que miravam sua boca, não fez nada e o deixou beijá-la.
- Obrigada por me trazer, null! – null deu um beijo na bochecha dele.
- Vinte reais! – ele estendeu a mão.
- Você já é rico! Tem que trazer os amigos de graça mesmo! – null riu e ele também. Ficaram quietos depois.
- Será que...
- Você...
Eles falaram ao mesmo tempo e riram. Se referiam à mesma coisa.
- Err... será que... você acha que eu... devia entrar?
- Não sei! – null mordeu o lábio e ficou pensando. Acabara de ver o bilhete que null mostrou.
- Você não acha que ela estaria com o Pete, acha?
- Não mesmo. Quer saber, entra aí! Prova que é homem!
- É! Eu sou homem porra! Tenho coragem de entrar e pegar minha mina!
- Assim que se fala. – null saiu do carro e viu que ele demorava pra abrir a porta.
- Espera! – uma expressão medrosa tomou conta do rosto dele – E se...
- Ah null, vá se foder então. – null reclamou com humor na voz.
- Ok, já to entrando Miss Simpatia!
Ele foi caminhando bem atrás dela. Parou um pouco pra observar a janela do quarto de null, a luz estava apagada. A porta da frente estava aberta e null estranhou isso... ‘Luzes apagadas... o que essa tv faz ligada? Onde será que ela ta?’ Pensou e começou a subir as escadas.
- Não! Você espera aqui! Ela pode estar se trocando, pode estar de toalha, é melhor você ficar aí. – null sussurrou e null rolou os olhos.
- Não tem nada que eu não tenha visto ali!
- Eca! Não quero saber das coisinhas feias que vocês fazem! Você vai esperar aqui e ponto. Ah, desliga essa coisa aí.
Ele obedeceu e ficou ao pé da escada de braços cruzados. null subiu devagar pra não fazer barulho. Ela não estava achando que realmente ia encontrar Peter com null, mas se isso acontecesse, preferia ver antes de null.
- Uma estrada com sinais verdes, null! – null sussurrou parando o beijo e dando risadas. Pete sentiu agulhas na garganta com isso. Estava tudo muito embaralhado na cabeça de null, de repente ela queria muito que null estivesse por perto... Aquela tontura chata aumentava e a dorzinha na barriga também. Ela só teve tempo de passar um braço envolvendo a própria cintura e ver null parada na porta boquiaberta antes de perder os sentidos outra vez.
- O que você fez com ela? – null fechou a porta e foi entrando no quarto. Pete segurava uma null molenga nos braços.
- Eu nada! Ela ta assim porque bebeu muito!
- E o que você ta fazendo aqui? – ela pôs as mãos nos quadris.
- Err... é melhor colocá-la na cama antes de começarmos a discutir, não acha?
- É. – null cruzou os braços e ficou assistindo com olhares desconfiados Peter carregá-la até a cama. Depois ele caminhou até a camisa que estava jogada no chão e se abaixou pra pegar.
- Você espera aqui. – null pôs a mão no ombro dele para impedi-lo de sair do quarto. Lembrou que null estava lá em baixo e nessas circunstâncias era melhor que ele não visse Peter.
- Como? – Pete não entendeu e ela não explicou mais nada. Apenas saiu e trancou a porta por fora.
null desceu as escadas sem saber se estava fazendo a coisa certa! Mas null só ficaria mais triste se visse o outro lá, sendo que aparentemente não aconteceu nada de mais.
- Nossa! Você viu? Eu vi agora, teve um assalto e foram aqueles caras que bateram no carro do null! – null contava todo afobado com o controle da tv na mão e null ficou com medo que Peter escutasse sua voz. Se os dois percebessem a presença um do outro iam querer causar confusão e a última coisa que ela queria essa noite era briga de homens! Fingiu desinteresse na notícia.
- Ah é? Hm...
- E aí eu posso subir, Miss Simpatia?
- Mas que porra é essa de Miss Simpatia? Você deixa de ser besta hein!
- Ta... eu posso ir lá ou não? Tem alguém aí?
- Tem. Uma garota que dorme profundamente com um livro aberto no colo.
- Ah. E então...
- É null, aquela coisa do Peter foi só pra te assustar. Nem sei por que você dá ouvidos.
- É, tem razão. Eu vou indo então... Se a null acordar, mostre o programa pra ela!
- Pode deixar!
null o acompanhou até a porta e suspirou ao fechá-la. Subiu de novo ao quarto, com uma leve preocupação por ter deixado o lobo mal sozinho com a garota...
Ela abriu a porta e viu Peter sentado na cadeira do computador, batendo um dos pés no chão.
- Pronto. – null sussurrou e acenou pra ele sair do quarto.
- Você é louca?! – Pete levantou e falou num tom de voz um pouco alto.
- Fala baixo animal, não quero que ela acorde!
Os dois foram saindo do quarto em seguida sem falar nada até chegar na sala de estar.
- Vamos... pode responder! O que veio fazer aqui depois de ter terminado com a menina dizendo que tava fodendo outra e não sei mais o que?
- Hey! Não foi bem assim que eu disse pra ela! – Pete negou fazendo cara de horrorizado.
- Que seja... Mas não muda os fatos.
- Certo. Mas era mentira.
- Hum?
- Eu tava com medo, ta legal? Namoro à distância não é a coisa mais maravilhosa do mundo e tava começando a me cansar… Terminei com ela antes de traí-la de verdade!
- Olha que nem era tão "à distância" assim! Você a via quase todos os finais de semana!
- Eu sei… Mas às vezes não dava pra eu vir e outras vezes eu chegava aqui e ela tava ocupada. Isso tudo foi me estressando, é tão difícil entender?
- Tudo bem, eu já entendi que você fez isso antes de pôr os chifres nela ou ser chifrado e tal. Mas e aí, por que ta aqui agora? Por que brigou com null? Se arrependeu por acaso, gosta dela ainda?
- Na verdade não é bem isso… Eu vim passar uma semana na casa do meu pai, e eu tava me sentindo sozinho. – ele passou a mão pelo cabelo, num ato meio que de costume e null viu o pulso enrolado com gaze. Peter respirou fundo e continuou – Acho a null muito hot, saca! Eu não to ficando com ninguém agora e de repente… err… já que eu estou de passagem por aqui, achei que a gente pudesse ficar. Você sabe há quantas semanas não beijo ninguém?! É osso!
- Não interessa! Você só queria uma ficadinha? Por acaso pensou que se ela te amasse ainda, você estaria machucando a coitada, trazendo falsas esperanças?
- Você sabe que ela não me ama assim. Falando sério eu não pensei nisso mesmo porque eu acho que ela nunca me amou que nem ama o null. – Ele deu de ombros.
- E você?
- O que? Eu? Não, eu não amo null! – ele brincou.
- Pete!
- Ta bom, ta bom! Amei aquela garota por um tempo, mas acho que acabou… Se eu tiver forçado a barra, espero que ela me desculpe.
- E o bilhete que você deixou pro null? Se você queria dar um susto nele, parabéns, conseguiu.
- Acho que eu exagerei um pouco, mas não vou fazer mais nada. Juro.
- Ok. Só uma coisa...
- O que, você é da polícia por acaso? Vamos terminar esse interrogatório, Veronica Mars?
- Qual é Peter? Quem não deve não teme! Eu só queria saber se você e a Delilah andaram juntos ultimamente...
- Eu e quem?
- Vi vocês conversarem naquele dia da festa, depois que vocês saíram e ficaram sentados lá fora. Eu estava um pouco bêbada, mas lembro!
- É, mas eu não a vi mais.
- Ta bom Peter, vai lá, vai...
null acompanhou Peter até a porta e abriu pra ele. Antes de sair, ele hesitou um pouco.
- Err... Vê lá o que ela tem, ok? Não me parece muito bem. – e ele sabia bem o porquê.
- Deve ser a pressão baixa. Pode deixar que eu vou medir, tem o aparelho aí…
- Diga pra null que eu estou voltando pra Oxford amanhã, que peço desculpas pelo barraco na festa e tudo mais… Já falei isso pra ela, mas não sei se ela vai lembrar! – ele se despediu e saiu andando até seu carro.
Peter foi embora e ela fechou a porta. Não viu que null estava escondido por ali. Só observando...
Se sentiu traído também pela amiga. Por que ela acobertou Peter? Foi pra casa com várias perguntas martelando na cabeça, não podia acreditar que Peter estava saindo da casa da null! Como ela pôde depois de jurar de pés juntos que não gostava dele?
null’s point of view ON
Ok então. Se a despedida foi com o Peter eu não vou nem falar mais nada. Depois de tudo que eu fiz pra ela me perdoar, será que ela acha fácil ficar se humilhando na televisão?! Isso tirou até meu sono. Vou sentar aqui e escrever uma música... Quando estou com raiva elas saem ótimas!
Fui pro meu quarto e fiquei tentando escrever. Linhas e linhas... Por incrível que pareça, as palavras não tinham ódio! Pelo contrário. Um verso ficou assim:
Com um olho no relógio
E o outro no telefone
São 5:19
Estou me sentindo sozinho
Se eu pudesse falar com você
Eu queria que você soubesse
Que estou me sentindo sozinho
Mas não estou indo embora
Era realmente essa hora da manhã, cinco e pouco. E eu sozinho. Como ainda não tinha sono, preparei um leite com chocolate e fui pro sofá.
Merda, eu sentei em cima do controle. Que mania de deixar essas bostas no sofá! A tv ligou e eu já ia desligar, mas vi a apresentadora gostosa do jornal e... Hum?! Uma foto da Delilah ali no cantinho?
- O assalto à joalheria provocou caos na noite passada. Três integrantes da quadrilha foram presos.
A última era Delilah Miller. Morreu com uma crise de overdose ao chegar no hospital.
Delilah morreu? Ela estava fazendo um assalto? É coisa demais pra minha cabeça...
Capítulo 29 – The end's beginning
[n/a: uma música vai tocar no final do capítulo ^^ quem quiser ir carregando: Shattered/Trading Yesterday]
Amanheceu. Com exceção de umas poucas pessoas, o mundo parecia bem.
- null? – null apareceu na cozinha sentindo um cheirinho bom de panquecas, null estava de costas, no fogão.
- Oi null! Eu sei que não viro as panquecas tão sexy quanto você, mas espero que elas fiquem boas!
- Quem disse que não está sexy assim só de boxer?! – ela se aproximou e o abraçou por trás, começando a dar pequenos beijinhos na nuca dele em seguida. null ficou nervoso com isso e deixou várias panquecas caírem no chão.
- Ai droga... – ele falou baixinho e null se afastou sorrindo.
- Pronto, agora estamos quites!
- Hey! Isso foi só de vingança?
- Yeah, baby! Você me fez derrubar uma panqueca uma vez, lembra? – ela falou rindo e ele se aproximou. Pegou null pela cintura e a beijou antes que pudesse pensar... Ficaram se beijando até sentirem um cheiro de queimado. É isso, as panquecas que não caíram no chão agora estavam queimadas.
- Err... – null coçou a cabeça meio sem jeito.
- Vamos lá pra casa! A null sempre compra uns donnuts deliciosos que vende lá perto...
- Ok! Então vamos logo porque eu to varado! – ele passou a mão pelo estômago e ela lhe deu um selinho, depois ele foi se vestir enquanto ela foi arrumar os cabelos.
null dormia no sofá e a campainha começou a tocar histérica, ele tomou um susto e caiu no chão. ‘Porra...’ Foi só o que ele pensou ao abrir os olhos no tapete.
- null? O que quer? – ele atendeu com a cara amassada.
- Queria ver se você tem algum remédio pra dor de cabeça.
- Ahn... devo ter sim, entra. – deu espaço pro amigo entrar e fechou a porta, depois entrou no quarto com null atrás e foi até o banheiro.
- Cara, o que é tudo isso? – null observava todo o quarto enfeitado. Flores no criado mudo, uma parede com bilhetinhos coloridos pregados, ele viu até uma bexiga no teto e nem quis imaginar pra que ela serviria.
- Preparei porque, err... achei que null pudesse aparecer ontem. – ele disse fazendo careta. Voltou do banheiro com a cartela de remédios na mão.
- Puxa, que pena, dude. – null deu batidinhas no ombro dele e pegou a cartela – O que você vai fazer agora?
- Nada. Ela vai se mudar e preferiu passar a última noite com o Peter!
- Sério?
- É, eu vi o Peter na casa dela...
- E aí, rolou briga?
- Não, o filho da puta nem me viu.
- Então você já desistiu dela?
- Eu? Não... ela que desistiu de mim, ou talvez nem goste de mim tanto assim.
- Então vai deixar a null morar no Canadá pra sempre, sempre, sempre? – null falou a última palavra três vezes de um jeito exagerado e engraçado.
- Eu quero mais é que o Canadá inteiro se exploda, exploda, exploda! – null repetiu os gestos do amigo e os dois acharam graça. Depois continuou normalmente – Vou tocar minha vida, me dedicar à banda e se de repente eu conhecer alguém legal, estamos aí...
- Hm, você me pareceu tão animado falando isso!
- É... eu devo estar com fome! Vem, vamos tomar café e depois eu volto aqui pra arrumar isso tudo.
Antes mesmo que pudessem chegar à cozinha, o telefone começou a tocar. null se aproximou do aparelho e viu que o número era da casa de null. Ou era ela ligando ou era null, já que só estavam as duas lá. Mais provável que fosse a segunda opção, mas no momento dava na mesma porque ele não queria falar com nenhuma.
- Ow null, vai procurando alguma coisa nos armários aí que eu vou atender aqui no quarto.
null chegou no quarto de null e não a viu na cama, viu a porta do banheiro fechada, então pegou o telefone para ligar pro null enquanto esperava.
Ele atendeu após vários toques e sabia que era ela.
- Que é null?
- Que surpreendente a sua delicadeza pela manhã, null...
- Garanto que não tem nada mais surpreendente do que ser enganado por uma amiga.
- Do que você ta falando?
- Você me enganou, aquele melacueca tava aí e você não me disse! O que foi? O que a null fez pra te subornar?
- Ela não fez nada, ela nem me viu! Eu só não quis te contar tudo naquela hora porque você só ia ficar nervoso e...
- E por acaso você acha que é legal isso que você fez?
- Espera aí, mas que inferno! Eu te liguei pra contar agora.
- Num quero ouvir mais nada também.
- Sabe que você ta sendo o maior otário, né? Eu ainda sou sua amiga.
- De uma amiga que deixa o Ricardão fugir pela janela eu não preciso.
- Você acorda sempre insuportável assim? Coitada da null!
- É, coitada... ainda bem que ela vai pra bem longe!
- Ah, vai dá o cu! Depois eu te ligo.
Depois disso, null desligou. null voltou a entrar no quarto de null, pôs o telefone na base e ficou pensando no que fez, se fez certo... Será que valeu a pena evitar uma confusão àquela hora da noite, com a null mais pra lá do que pra cá e ter uma confusão maior agora?
Ela sentou na ponta da cama pensativa e nem percebeu a amiga sair do banheiro.
- Oi, bom dia! – null sentou na beirada da cama ao lado de null.
- Bom dia, dormiu bem?
- Mais ou menos...
- Você se lembra de alguma coisa da noite passada? – null perguntou e null mordeu o lábio inferior olhando pros lados.
- Lembro que resolvi sair logo depois que vocês saíram.
- Você foi pra onde? Não falou que ia ficar em casa?
- Falei, mas o armário estava tão necessitado de guloseimas que me deu tristeza e eu saí pra andar na rua – ela deu de ombros e a outra encarou um pouco o chão. ‘Ela não assistiu, por isso não apareceu!’ null pensou e deu um pequeno sorriso de cabeça baixa.
- Então... você encontrou seu ex na rua, né? – falou voltando a olhar pra null.
- Uhum. – ela nem sabia como começar a falar sobre o que aconteceu de verdade. (In)Felizmente não havia muitos hematomas no rosto, Delilah atingiu mais o abdômen.
- Ahn. Ele falou que você bebeu bastante. Ele te trouxe pra casa?
- Trouxe, você o viu aqui?
- Vi. Você estava com ele, err...
- É... eu já lembrei, nem precisa comentar!
- Por que você o deixou se aproximar? Quis ficar com ele?
- Não. Eu tava bêbada e tonta, de repente o rosto dele chegou perto do meu e eu, sei lá, acho que pirei. Comecei a ver o null... – null falou a última frase meio baixo, envergonhada em contar sobre a alucinação que teve e a amiga achá-la maluca.
- Own! Você viu o null! Por que acha que isso aconteceu? Alguma coisa te fez lembrar dele?
- Tudo bem null, é mais fácil você perguntar de uma vez se eu assisti a Cora!
- Ah... então você assistiu? – null ficou sem graça por não ter conseguido jogar indiretas que não fossem tão diretas.
- Uhum. Tinha uma tv ligada lá no pub onde fui.
- E...?
- Ai null... – o rosto dela se desmanchou. Uma fina camada de água foi surgindo na frente dos olhos enquanto ela mordia o lábio inferior. Apesar de ter amado tudo que null fez, não gostava de lembrar daquela noite. – Aconteceu um monte de coisas e a única parte boa dessa porra de noite foi vê-lo na TV!
- Minha nossa! O que aconteceu?
- Foi assim... Eu assisti o programa no pub e vi a parte que ele cantou no parque. Eu ia lá.
- Você ia?! Que lindo ia ser! Por que não foi? Sua tratante, ficamos te esperando!
- Delilah me achou no meio da rua e ficou me atormentando.
- OMG! O que ela fez? Vocês brigaram?
- Por que quando eu digo que vi a Delilah todo mundo já pergunta se teve barraco?
- Porque é o que acontece, não é?
- É! – null admitiu com um risinho.
- Mas e aí? Você com certeza a deixou hospitalizada, não foi?
- Não null... Dessa vez ela teve ajuda de amigos. Seguraram meus braços.
- AAA, MAS QUE FILHA DA PUTA!
- Quem? Eu? – null apareceu na porta do quarto.
- Oi null! – null sorriu.
- É, você mesma! Devia ter vindo passar a noite aqui!
- Por quê? O que ta rolando? Quem é esse povo lá fora? O null me trouxe aqu, mas nem conseguiu entrar ainda!
- Que povo? – null olhou null e ela deu de ombros. null apontou a janela e as duas foram olhar. Quando viram tomaram um susto!
- Quem são essas pessoas? – null se virou pra null, que estava chocada.
- E você vem perguntar pra mim? Isso é pra você! Olha as faixas, cabeça de couve-flor!
Havia mais ou menos trinta pessoas ocupando a rua, algumas seguravam faixas com umas frases. “Você é a fã #1” null leu em uma delas, “Faça um null feliz!” null leu em uma outra.
- Gente, o que é isso?! – null ficou sem fôlego e a voz saiu baixa.
- É A NA JANELA! – alguém gritou e deu pra ver flashs de câmera na direção delas, apesar da claridade do dia.
null e null fecharam as cortinas rapidamente, assustadas.
- Será que eu devia descer? – null engoliu seco.
- Vai sim! Você tem fãs! – null começou a pular e bater palminhas, subiu na cama e null quase a fez cair.
- Vai lá e ajuda o null, please! – null pediu num tom de súplica que quase fez null rir.
Ela saiu do quarto e o telefone tocou após alguns segundos, null atendeu. Dessa vez era o null do outro lado, queria saber da prima. null contou o que sabia.
Enquanto ela conversava com o null e null escutava, null se arrumava um pouquinho no espelho da sala antes de abrir a porta. Quando abriu, se impressionou.
Parecia um choque maior ver as pessoas através da porta do que pela janela. Apenas duas garotas chegaram mais perto, as outras tiravam fotos pra todos os lados e outras tiravam fotos com null.
- Oi, posso tirar uma foto? – uma menina ficou ao lado de null, a outra já estava segurando a câmera e tirou a foto antes que null tivesse alguma reação.
- É... quem... quem são vocês? – null perguntou meio desnorteada, enxergando apenas um borrão roxo, que segundos atrás era a luz do flash.
- Ah! Somos do...
- fã-clube do null! – as duas responderam juntas, fofinhas.
- Certo, por que estão aqui mesmo? Vocês não deviam estar lá no apartamento dele? – perguntou como se fosse algo óbvio.
- Bom, – a garota que segurava a câmera abriu um sorrisão – a gente veio exigir que vocês dois fiquem juntos de uma vez! – ela disse sem desfazer o sorriso. Como se estivesse pedindo um presente ao pai.
- Mas... mas... – null não entendia nada.
- Ele só fica feliz se estiver com você, nós sabemos da história de vocês!
- Sabem? História?
- Uhum. Sabemos que vocês se conheceram pré-adolescentes, sabemos que fizeram tatuagens iguais, sabemos que se re-encontraram depois do colégio e sabemos que você o pegou com a ex dele, aquela nojenta. Mas sabemos também que ele te ama mais que tudo e o que nós queremos é vê-lo feliz! Nós vimos ontem, você precisa voltar com ele, null! E como boas fãs que somos, nos juntamos aqui pra te pedir isso!
- Wow... isso é... a coisa mais fofa que já vi! Que eu saiba, as fãs preferem que seus ídolos estejam solteiros! Não é? – null perguntou ainda um pouco confusa.
- Não em alguns casos, null... – a segunda menina também começou a falar – De que adianta um null solteiro e infeliz? Ou pior, nas mãos de alguém como Delilah! A gente torce muito por vocês porque a história que tiveram não merece terminar assim!
- Ah... eu... eu sei! – ela tinha os olhos um pouco úmidos, não sabia se era por emoção, sono, dor, ou aquelas luzes de flash – Eu o amo muito também e garanto pra vocês que não vai terminar!
As duas garotas olharam pra trás, o resto do grupo prestava atenção e alguns assobiaram.
- Obrigada a quem veio aqui... eu preciso ir agora! – null entrou e enxugou uma lágrima no canto do olho, ao mesmo tempo que sorria sem acreditar. Permaneceu algum tempo encostada na porta fechada, esqueceu até do null. Esse continuou distribuindo autógrafos.
- E aí! – null chegou no apartamento de null e foi entrando porque a porta estava escancarada. Viu que null e null comiam biscoito recheado e se juntou à eles.
- Fala null... – null olhou pro amigo que puxava uma cadeira pra sentar.
- Ah, eu tava falando com a null. Eu liguei agora há pouco.
- Hey! E você nem pra me chamar, dude? – null cruzou os braços.
- Se queria falar com a null, ligasse você mesmo, não é? – null falou e null ficou de tromba com um biscoito inteiro na boca.
- E por que você ligou? – null perguntou tentando parecer desinteressado.
- Queria saber da null. Fiquei até preocupado com o que ela disse.
- O que foi?
- Primeiro null contou que ela saiu ontem à noite.
- Hum... mas, ela...
- Sim, ela assistiu! Estava num pub. null contou que na hora que você terminou de falar...
- Espera null, não sei se quero saber dela.
- Ele quer xim, null! Voxê prexija ver como ele decorou o quarto, ficou uma gaxinha! – null, pra variar, de boca cheia. null abaixou o olhar.
- Se é pra dizer que ela está de malas prontas pra viajar daqui a pouco não precisa nem falar null, eu sei reconhecer quando um jogo acabou e tudo o que eu preciso fazer é...
- Que droga null! Quer calar a boquinha, huh? – null então parou de falar e olhou pra null – Ela ia até lá, dude! Só que Delilah a impediu.
- Delilah? O que ela fez? – null perguntou depois de quase ter engasgado. Acabou de lembrar que viu no jornal que a Delilah estava morta. Isso ainda soava tão surreal.
- Parece que a Delilah teve ajuda de alguns amigos e acabou dando uma surra na null.
- Surra?! Como ela ta? Acha que eu devo ligar? Ir até lá?
- Ah, liga aí... – null pôs um biscoito na boca, enquanto null encarava o mármore do balcão.
- Eii null! A null acabou de me contar o que você contou pra ela! Desculpa, a gente nem imaginava o que você estava passando! – null disparou a falar assim que viu null entrar no quarto.
- Ah, sobre a Delilah... – null deu uns passos arrastados até a cama e se jogou. Ela sentiu uma pontada na barriga e levou a mão até o local imediatamente.
- O que você tem? – null percebeu o jeito que null estava.
- São umas pontadas. Acho que a Delilah acertou alguma coisa aqui, eu tive essas dores à noite toda. Mas não se preocupem, já passou.
- Argh! Aquela barafonga! Barafonga mijona!
- null... não fica inventando xingamentos, usa os que já existem, flor!
- Não enche null, eu to daquele jeito! Se eu cato aquela lá, não sei nem o que eu faço!
- É, eu também... Mas o que acontece agora, null? Se ela te bateu porque não queria que você fosse atrás do null, então você não vai mesmo falar mais com ele?
- Não sei.
- Eu acho que ele merece que você enfrente a Delilah! Ela não vai te bater de novo, a sua mãe logo vai chegar e você tem a gente também pra te dar uma força! Eu acho que vocês dois merecem uma chance! – null terminou de falar entrelaçando os dedos perto do pescoço e curvando o rosto numa pose fofa.
- Eu acredito nele e no que ele disse... O problema é que eu tenho medo porque a Delilah não ameaçou apenas a mim!
- Como assim? Hey, você vai viajar ainda? – null lembrou de repente da viagem.
- Não sei também. – null encarava os desenhos no lençol como se as florzinhas fossem uma pintura muito surreal.
- null...
- Hum?
- Ele ficou esperando você ligar. – null falou e null sentiu um aperto no peito.
- Eu quis ligar. Eu quis ir... mas eu tinha coisas pra pensar antes de tomar essa decisão. Acho que escolhi o caminho errado ignorando a ameaça da Delilah.
- Ah, mas e daí? Ela te pegou, te deu uns soquinhos e você ta inteirona! Eu nem vejo machucados no seu rosto! – null comentou de um jeito otimista.
- É que o foco dela não era o meu rosto. – null afirmou séria e as duas olharam pra ela meio desconfiadas. Enquanto olhavam, o quarto só não ficou em silêncio por causa das pessoas lá fora. O grupo de fãs já estava saindo porque alguns guardas apareceram, pois estavam congestionando o trânsito. Elas deixaram umas faixas no chão em frente à porta. O coitado do null ainda estava sendo usado e abusado para tirar fotos.
- E aí, você vai explicar ou vai deixar a gente aqui nessa tensão?
- Err... ela queria acertar minha barriga.
- OMG! Será que ela quer que você fique mal do fígado? – null perguntou com uma cara assustada. null olhou atravessado pra ela e achou melhor nem comentar sobre o efeito que null estava fazendo nela. É uma treva essa mafagafização, pensou ela.
- Não, null... Meu fígado ta ótimo. Na verdade ela pensa em outra coisa.
- O que?
- É que talvez eu... esteja só um pouquinho, err... grávida.
- O QUÊ? OMG!
- P-pensando bem eu não sei, é que eu estou atrasada, sabe.
- OMG! – esse veio de null. E foi um grito potente.
- E a minha ‘incomodação’ não é de atrasar!
- OMG! – esse de null.
- Querem parar de falar My God e me dizer algo de útil?!
- OMG! Você tem certeza? Quer dizer... existe essa possibilidade?
- É, null. E a coisa ta tensa.
- Você disse que vocês dois não tinham... – null movimentava uma das mãos antes de falar o verbo adequado.
- É, mas fizemos na praia.
- FIZERAM NA PRAIA?! O... – null tampou a boca dela quando ela ia dizer ‘oh my god’ de novo.
- Assim vocês estão me deixando mais nervosa! Eu nem sei se o que eu to falando é verdade, cara! De repente a minha ‘incomodação’ pode ter se tornado irregular de uma hora pra outra, isso não acontece?
- Acho que depende da menina, mas e aí?! Digo... vocês não se protegeram? – null com um olhar zangado.
- Aham.
- Ah, então ta...
- É que eu acho que ela estourou.
- QUÊ? – as duas se surpreenderam.
- Só pode ser, né?! Eu até pensei nisso durante... bom, aquela hora!
- E você não disse nada? – null se acabando de rir.
- Dizer o que? Ninguém imagina uma coisa dessas, numa hora como aquela! Eu não quis parar tudo por causa disso, achei que fosse impossível... E depois ele ia ficar nervoso, ia saltar pra longe de mim, perguntar se eu tenho tomado remédio e eu ia ter que dizer que não porque esqueci em casa!
- Então você não estava tomando?
- Não, né null! Eu tinha acabado de sair de um namoro traumático, o cara me chutou bonito, eu tava com a cabeça avoada, esqueci a caixa aqui em casa. E outra, não estava com ânimo, nem disposição, nem vontade de ter relações nem tão cedo, então relaxei mesmo!
- É, mas é bom sempre carregar essas ‘coisas’, porque a gente nunca sabe quando vai encontrar um parceiro de foda! Principalmente ao passar um mês na casa do primo bonitão... – null comentou enrolando uma mexa de cabelo.
- Eii, o que você ta insinuando? Eu não to mais te reconhecendo, o que você fez com a null? Cospe ela agora! – null sacudiu a amiga pelos ombros.
- Nada, me solta! – ela pediu rindo e ajeitando a alça da blusinha, que despencou na brincadeira – É que você e o null tiveram lá seus momentos também, né?
- Você está, por acaso, querendo perguntar se pode ser dele?
- Ah, foi você mesma quem fez a pergunta! Mas e aí? Pode ser?
- CLARO QUE NÃO! Imagina só, ele acabou de se acertar com a null! Isso ia acabar com todo mundo... Definitivamente não existe essa possibilidade, nós dois não chegamos à esse ponto!
- Ufa, ainda bem então...
- É! Olha, eu só trepei com dois caras nessa vida, o Pete e mais recentemente o null. Então eu não sou o que se pode chamar de uma garota rodada. Se eu estiver mesmo, ah... você sabe o que, só pode ser dele, ok?
- Ok, desculpa aí, mas e agora?
- Agora eu vou torcer pra não ter acontecido nada depois da surra. A viagem vai depender de vários fatores, então talvez eu viaje, principalmente se a Delilah continuar botando meu filho em perigo. – ela fez uma pausa após dizer meu filho, não estava preparada pra isso. – Mas se eu viajar, com certeza vai ser outro dia. Hoje nem dá mais. Tenho que ligar pro Matt pra avisar! Preciso ir ao médico pra ver...
O toque do telefone interrompeu o que ela dizia.
- null, atende aí? Você ta mais perto.
- Hm... null, eu acho que é o null.
- Por quê? Como assim?
- É que eu falei com o null enquanto você estava lá fora.
null ficou pálida. O coração acelerado. Ao mesmo tempo que queria falar com null, também queria pular essa parte.
- Contei que você assistiu o programa num pub e não foi ao parque porque a Delilah te impediu. A essa hora ele já deve ter ido fofocar com null e só pode ser ele agora, todo preocupado! – null terminou de falar com um sorrisinho e null mordeu a própria boca. E o telefone tocando... De repente ele parou e null quis rir, imaginando um null confuso, se arrependendo de ter ligado. null e null ficaram quietas por um tempo, esperando tocar de novo.
- Você já o perdoou mesmo? – null perguntou levantando-se da cama.
- Eu perdoei sim... – ela suspirou e pegou um travesseiro pra abraçar – E faz um tempo que penso nisso. Pegá-lo com a Delilah foi mais que tenso, foi traumatizante! Mas desde então ele tem feito de tudo pra corrigir. E eu acredito que ele não sente nada por ela, então por que não dar um voto?
- Ontem eu te vi com seu ex-namorado! Acho que você já se vingou dele. – null apontou pra ela com um sorrisinho.
- Ah, aquilo foi diferente! Eu tava bêbada e ele se aproveitou.
- Nessas horas, o comportamento dos homens é equivalente ao das mulheres quando bêbadas, já parou pra pensar nisso? – null perguntou e null gargalhou.
- Você gosta de soltar pérolas, né? Filosofou agora...
Mal null terminou de falar e o telefone tocou de novo. null deixou o telefone tocar menos dessa vez e entregou logo pra null. Ela respirou fundo, observando as meninas saírem e fecharem a porta. Depois atendeu.
- Alô – e ouviu uma respiração do outro lado.
- Err... null?
- Oi null.
- Tudo bem com você? Me disseram que os amigos da Delilah bateram em você, é verdade?
- Os amigos me seguraram, quem bateu foi ela.
- Que seja, mas você está inteira? Por que ela fez isso? Que diabos!
- Eu to bem agora null, não se preocupe. Ela queria que eu me mudasse...
null ficou em silêncio porque a pergunta estava engasgada, ele tinha medo de fazê-la.
- E... você vai?
- Depende de algumas coisas.
- De que?
- De umas coisas aí...
- Porra, de que coisas?! Sou eu? O que você quer que eu faça?
- Não é você null! Isso tem a ver com a Delilah!
- null, a Delilah está morta...
- Como é? – null nem acreditou no que estava ouvindo. Primeiro ficou feliz com a notícia e depois castigou-se mentalmente por ficar feliz com a morte de um ser humano.
- Eu vi no jornal hoje de manhã. Ela causou uma bagunça pela cidade e devia estar drogada, então teve um treco. Você não estava com ela?
- Sim, mas na hora em que ela estava comigo parecia normal. Bom, eu espero que ela descanse em paz.
- É.
null ainda digeria a morte da Delilah e as conseqüências disso. Perguntava a si mesma se o plano da viagem poderia ser adiado agora... Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos que pareceram eternidades. Esse silêncio estava corroendo feito ácido até que null precisou falar o que estava preso.
- O Peter soube cuidar bem de você? Por isso ele mereceu ter uma despedida?
- Peter? Despedida?
- Não finja que não sabe!
- O que? O Peter me encontrou naquela situação e me trouxe pra casa, só isso. Agora esse negócio de despedida que você ta dizendo aí eu não sei.
- Ah ta, ele te encontrou lá... Muito conveniente, né? Primeiro ele te salvou da Delilah e depois mereceu uma recompensa? POR QUE ELE PRECISOU IR ATÉ O SEU QUARTO, HEIN ? POR QUE A NEM DEIXOU QUE EU O VISSE? Ela deve ter pego vocês em alguma situação bem comprometedora... num é? Será que ele estava sem roupa?
- Que perguntas são essas? Agora é você desconfiando de mim? Cadê aquele cara que tava no programa ontem? Ele sumiu depois que você tomou banho?
- Ele sumiu depois que o bilhete do Peter se confirmou.
- Você não ta falando coisa com coisa. E essa agora de bilhete?
- Ele me deixou um bilhete, o próprio Peter! Dizendo que você não iria até lá porque preferiu ficar com ele. Como você quer que eu fique depois disso? Eu venho aqui e vejo o filho da puta saindo da sua casa! Porra! – null estava se exaltando e dava pra ouvir a respiração fora de ritmo. Sem nenhuma explicação lógica, os olhos de null voltaram a ficar aguados com esses gritos, não queria brigar com ele. Respondeu com a voz firme, porém calma e sem gritos.
- Não sei nada de bilhete. Só sei o que já disse, ele me trouxe e eu não estava bem. Cheguei a ver que a null estava parada na porta e apaguei. Peter deve ter me segurado pra não cair no chão. Depois disso eu nem vi a hora que ele foi embora. Não vou me chatear se você não acreditar em mim. Eu também não acreditei em você e olha no que deu...
- null, hm... tudo bem vai. Eu não quis gritar. Me desculpe, foi diferente. Eu não tinha bebido aquele dia, não tinha apanhado! Deixei que ela me agarrasse... eu sei que fui patético. Não te culpo por não querer me ver mais.
- Então a questão Pete já foi resolvida?
- Só preciso saber o que é que você sente por ele. Diz a verdade!
- Gosto dele. – null sentia-se como se estivesse transpirando, mas passou a mão pela testa e estava seco.
- Gosta? – de repente ele se sentiu meio sem chão.
- Gosto, ou pelo menos não odeio... Quer dizer, eu me acostumei com a companhia dele e tal, mas era uma coisa que não me completava. Existe um grande espaço vazio dentro da gente, assim como nos computadores... Tudo que a gente guarda na nossa memória ocupa um espaço. Peter era como um aplicativo leve que não ocupava quase nada desse espaço e agora que você falou essa coisa de bilhete ficou tudo tão confuso que eu acho que acabo de mandá-lo pra lixeira.
null riu da comparação com um computador e sentiu o clima da conversa aliviar. Não tinha mais dúvidas, pra ele já estava tudo certo.
- O que eu seria?
- Acho que você é um dos arquivos mais pesados. Levaria um tempo pra te transportar pra lixeira!
- Tipo um Photoshop CS1500? – um jeito infantil e divertido invadiu a voz dele. null sempre se derrete quando isso acontece.
- Tipo uns dez desses.
- Eu também não poderia te apagar nem que quisesse. E olha que eu já quis... mas já ta confirmado que eu não consigo viver sem você e uma tigela de brigadeiro! Me dá outra chance de consertar meus erros. Vou me comportar da melhor forma, prometo!
- Agora que você já bateu no meu ex e eu já bati na sua ex, ficaria até feio se nós não ficássemos mais juntos! – ela falou e deu uma risada meio desengonçada por causa da falta de ar que estava sentindo.
- Yep! Vem pra cá! Tenho uma surpresa, quando chegar no meu apartamento pode entrar, depois fecha a porta e vai direto no meu quarto. De que flor você mais gosta? Vou comprar! – null falou tudo meio rápido, com um entusiasmo à mil.
- Imagina! Não precisa disso!
- Diz aí mulher!
- Ah, eu gosto de todas, mas você sabe que eu tenho uma queda por dentes-de-leão! Acho irresistíveis aquelas sementinhas voando de pára-quedas!
- Hum, ta bom então. Só não garanto que vou achar isso aí!
- São sementes que se espalham, null! Você acha em qualquer lugar... Ah, saiba que eu só vou até aí porque me pediram ta! – null estava rindo, mas de uma hora pra outra sua respiração estava ficando cada vez mais difícil.
- Ah é! Quem?
- Esquece... deixa pra lá, quando eu chegar aí te conto isso e outras coisas mais importantes! – ela pegou um impulso pra levantar da cama, uma dor estranha queimava na barriga e aquela tontura aumentava como se ela estivesse bêbada. Ao ficar de pé e olhar pra cama viu uma mancha de sangue e se assustou – Ai droga! – ela falou meio ofegante ao telefone sentindo as pernas fraquejarem e pontadas no pé da barriga.
- Que foi null? O que ta acontecendo aí?
- Não... não sei que porra é essa! – ela respondeu com a voz fraca porque já estava sem fôlego pra falar e completamente assustada. Estava se apoiando no criado mudo porque suas pernas pareciam não agüentar totalmente seu peso e no momento em que sentiu as forças abandonando seu corpo, ela caiu arrastando junto vários objetos que estavam em cima do criado mudo. O telefone caiu da mão dela e escorregou pra baixo da cama. O barulho das coisas caindo foi notável e null logo chegou ao quarto. Depois de vários surtos ela pegou null pelos braços e começou a arrastá-la em direção à porta. Quando viu que a garota estava deixando um pequeno rastro de sangue, se assustou ainda mais. null gritava por null ao telefone, mas viu que ninguém ia responder nada e desligou. Começou a andar de um lado pro outro sem saber como agir.
null finalmente havia conseguido entrar na casa. Uma das fãs que estava lá fora enquanto ele tirava algumas fotos ouviu o estômago do pobre garoto e passou na padaria para comprar uma esfiha.
- Puxa null! Finalmente você conseguiu sair do meio daquelas meninas que querem te roubar de mim! – null abriu a porta pra ele e o observou sentar no sofá com um finalzinho de esfiha na mão. Ela segurava um pão com peito de peru.
- Se continuarem me dando esfihas assim, vão me roubar mesmo!
- Hein?! Como é que é a história aí?
- Você me deixaria morrer de fome! Elas vão me roubar pelo estômago... – null cruzou os braços e se fez de triste.
- Tudo bem, o estômago não é o órgão mais importante do seu corpo pra mim, elas podem ficar com ele. – null começou a cutucá-lo fazendo cócegas e foram interrompidos por um grito de null.
- , ALGUÉM ME AJUDA AQUI!
Os dois ficaram se olhando com as testas franzidas, meio assustados. null não demorou a aparecer na escada.
- O que foi null? Que cara é essa?
- Vem que você vai ver! – ela puxou null pela mão quando ele se aproximou e null foi atrás dos dois sem entender nada.
- ! O que aconteceu com ela? – null se assustou ao chegar na porta do quarto.
- Aaaa! Tem sangue! Que porra é essa? – null escondeu o rosto no braço de null.
- Eu não sei, mas precisamos levar pro hospital!
- Vamos logo então! – null foi até null e a carregou no colo até a sala. null tentava não observar a mancha vermelha na calça dela, era fraca pra ver sangue.
- DUDES! ACONTECEU ALGUMA COISA COM A ! – null segurava o telefone numa mão e o celular na outra. Entrou gritando no apartamento de null, que jogava video game com null.
- Porra null! Me fez perder com essa gritaria! – null jogou o controle no sofá enquanto null gargalhava da cara dele.
- Mas é que é sério! Aconteceu alguma coisa e eu não sei o que é!
- O que foi cara? Ligou pra ela ou não? – null levantou enquanto null ainda tomava ar.
- Liguei, a gente tava conversando numa boa e do nada ela começou a ficar estranha! Depois um barulho enorme como se o telefone tivesse caído no chão e ela ficou quieta...
- Ficou quieta?!
- Ficou quieta!
- Tipo... quieta?
- ÉÉ, CALADA, MUDA! VOCÊ QUER UM DESENHO DE UMA PESSOA QUIETA?!
- Calma dude! Perdeu a linha? Já ligou pro celular dela?
- Já, ninguém atende...
- Liga pro celular da null, ela deve saber te explicar o que aconteceu! – null chegava da cozinha com uma latinha de coca-cola.
- É! Boa idéia! – null começou a procurar por null na agenda do celular.
- Oi null! Ouvi você falar da null ou foi impressão minha? – null veio do quarto com uma toalha secando os cabelos e vestindo uma blusa de null que ficava no joelho dela.
- null, goiabinha... Não é por nada não, mas o condomínio inteiro ouviu o null falar da null agora! – null passou um braço pelos ombros dela sorrindo. null movimentou o corpo pra tirar o braço de cima.
- É sim, é porque eu tava falando com ela e acho que aconteceu alguma coisa, mas to ligando pra null pra saber.
- Tomara que seja alguma bobagem... – null cruzou os braços. Não ouviu o barulho que null descreveu, mas estava começando a ficar preocupado também.
Depois que null, null e null chegaram ao hospital, tiveram que ficar numa salinha de espera enquanto null foi levada por uma enfermeira. Ela foi colocada numa maca e levada às pressas, desacordada. Os três esperavam curiosos pra saber o que ela tinha.
- Você chegou no quarto e ela já tava lá caída? – null perguntou.
- Não, eu que dei uma facada nela... – null sorriu irônica – Mas claro, né null, ela tava lá no chão. Aliás, ela estava ao telefone com null, talvez ele saiba o que aconteceu! – ela lembrou de null e começou a procurar o celular nos bolsos da roupa. Ligou o aparelho e viu que null já tinha mandado algumas mensagens pra ela.
- É... pelo jeito ele sabe menos do que a gente! – null sorriu nervosa após ler os torpedos e resolveu ligar pra ele.
- Ah! Oi null! Eu tentei te ligar! O que aconteceu aí?
- Olha, eu nem sei viu... Só sei que cheguei no quarto e a null tava caída lá!
- Então ela só apagou? É a pressão? O que é?
- Hey, eu não sou a médica! Sim, ela apagou e caiu, só que deve ter se ferido na queda e...
- E...?
- E... – null não sabia como dizer ‘estava ensangüentada’ sem parecer assustador – deve ter se cortado em algum objeto pontiagudo.
- ESTÁ PERDENDO SANGUE?
- Calma muleque! Ela ta sendo atendida.
- Ahn... estão no hospital?
- Sim, você pode vir, estamos no St. Thomas.
- Por que vocês escolheram um hospital do outro lado do mundo? Puta que pariu!
- Não é tão longe assim! É mais perto da nossa casa. Você sabe vir, né?
- Sei.
- Ah, null...
- Hum?
- Ainda está chateado comigo?
- Ah, não sei... acho que só vou te perdoar quando você fizer cookies pra gente de novo!
- Mas que interesseiro!
- Não, é sério agora, você é uma ótima amiga pra mim e pra null. Eu seria um otário ficando chateado com você!
- Obrigada – null abriu um sorriso grande – Agora pára de ficar falando no celular e dirige pra cá!
- É! To indo! – null se despediu com uma agitação notável na voz e desligou o aparelho. – Está no hospital, to indo lá!
- NO HOSPITAL? CARALHO! Eu vou me vestir e vocês vão primeiro que eu vou depois! – null se levantou do sofá ainda vestida com roupas de null.
- Então eu vou com você e null e null vão depois. – null se levantou e acompanhou null até a porta. null também foi se vestir, pois estava apenas de bermuda.
No hospital nenhum dos médicos havia aparecido ainda pra dar satisfações. Enquanto isso, o carro de null corria a uma super velocidade de 10km/h.
- Eu não acredito que tem um caminhão tombado lá na frente. MAS QUE MERDA! – null acertou um soco de esquerda no volante. Se ele fosse uma pessoa ficaria roxo.
- Se controla, cara! Mais cedo ou mais tarde a gente chega.
- MAS EU QUERIA CHEGAR ONTEM!
- TA CERTO ENTÃO PASSA POR CIMA DE TODO MUNDO, SR. ATRASADINHO! – null zoou um pouco e viu que o amigo tinha o olhar fixo em alguém que passava na calçada. Ele virou o pescoço pra ver o que null estava olhando e tentar adivinhar a maluquice na qual estaria pensando.
- Hey, por que você ta com essa cara?
- null, você fica no carro.
- Você vai sair? Ficou maluco?
- Maluquice é ficar aqui! E não discute! – null apontou o dedo pra ele erguendo suas sobrancelhas. null pulou pro banco do motorista depois que o amigo saiu. Ficou observando-o passar à frente do carro e abordar uma senhora na calçada.
- Mas que diabos? – null sussurrava consigo mesmo observando a cena.
A senhora devia ter entre 50 e 60 anos. Andava de bicicleta com uma menina que parecia ter 7 anos ao lado. Provavelmente a neta...
- Oi moça! Pode me emprestar sua bicicleta? Obrigado! – null foi tomando a posse da bicicleta, aproveitando que a senhora ainda não estava acreditando que foi chamada de moça. E por null null! Suas filhas e a neta provavelmente ficariam loucas... Já montado na bicicleta, ele deixou um dinheiro na mão dela. A "moça" permaneceu observando-o se distanciar boquiaberta.
Ele pedalou forte na bicicleta e teve sensação de liberdade com aqueles ventos no rosto. Segurou-se para não rir dos motoristas otários presos em seus carros.
***
- Olá, boa tarde. Vocês são parentes de null null?
- Erm, somos irmãs dela. – null se levantou da cadeirinha onde estava sentada. null levantou em seguida e null estava chegando do banheiro.
- Eu sou o Dr. Burtton – ele estendeu a mão e cumprimentou os três – Podem voltar a sentar-se. A null chegou aqui num estágio avançado e, bom... eu sinto muito, não teve como salvar.
null’s point of view ON
Eu cheguei ao bendito hospital de bicicleta mesmo. Vivo e sem atropelar ninguém! Isso é um fato a se comemorar...
Logo eu vi o null fumando próximo à entrada. Ele só fuma quando está muito (muito, muito, muito) nervoso! Mau sinal?
- Hey cara, o que faz aqui fora?
- Uau, que bicicleta é essa? – eu percebi a intenção de desconversar e fui direto ao assunto.
- Comprei. Cadê a null? O médico já deu notícia?
- Olha, cara... eu não sei dizer isso, é que...
- Ta... Me diz então o número do quarto!
- 1209.
Mal ele terminou de falar e eu já estava praticamente lá. Por que diabos ele se embananou pra me responder? Eu não to gostando disso!
- Oi... me disseram que é aqui o quarto da null. – cheguei num quarto onde uma enfermeira estava ao lado de uma cama, cobrindo o rosto de uma pessoa com o lençol. A cama ao lado estava vazia. Eu já ia dar meia-volta porque certamente não era esse o quarto, mas a enfermeira falou comigo.
- Ohh, você é parente? – ela veio até mim e me olhou com uma cara de pena que não entendi.
- Sou namorado, quer dizer, vou pedir quando ela sair do hospital! – dei meu melhor sorriso e a enfermeira apertou a mão contra o próprio peito fazendo mais cara de dó ainda. O que há de errado com meu sorriso? Por acaso tem uma alface gigante nele? Eu uso fio dental, viu?
- Sinto muito senhor...
- Sente? Pelo quê?
- Fizemos... fizemos o que podíamos, mas infelizmente, ela... err...
- FALA LOGO – porra, eu to perdendo a paciência!
- Acaba de falecer. Se o senhor tivesse chegado quinze minutos antes ainda dava tempo de vê-la. – ela disse finalmente e eu acho que não ouvi direito. Fiquei parado. Que porra é essa, alguém pode me dizer?! Acabei de falar com ela no telefone caraí... os anéis null de meus olhos assustados corriam pelas paredes beges do quarto. Elas pareciam estar se aproximando de mim, pra me deixar trancado pra sempre.
- Como assim? Aaah, você ta brincando comigo! Cadê a câmera escondida? É algum programa de tv pregando peça, não é?
- Por Deus! Nós não brincaríamos com uma coisa dessas! Aceite o fato senhor, está doendo em mim dizer isso também, mas ela não está mais entre nós. – a mulher se aproximou, pôs uma das mãos no meu ombro e falou olhando firmemente nos meus olhos. Em seguida abaixou o olhar e caminhou em direção à porta do quarto. Antes de sair virou pra trás e olhou de novo pra mim, eu permanecia imóvel como um armário. – Eu vou te deixar ficar uns minutos a sós com ela. Avise aos outros familiares sim...
[n/a: pode tocar a música *-*]
A enfermeira saiu e eu só lembrei que sou um ser vivo quando precisei piscar os olhos. Estava tenso demais e passei a mão levantando os cabelos da testa. Depois esfreguei todo o rosto pra ver se eu poderia me fazer o favor de acordar do pesadelo. Eu ainda não podia acreditar!
Fui me aproximando da cabeceira da cama com passos lentos. Toquei de leve a ponta do nariz dela por cima do lençol. Meu coração estava disparado como se eu pudesse vomitá-lo a qualquer momento... Peguei a borda do lençol no topo da cabeça dela, mas estava sem coragem de descobri-la. Minhas mãos estavam suando frio e às vezes eu apertava os olhos, tentando acordar. Não é possível que eu não esteja dormindo!
null’s point of view OFF
null não conseguia abaixar nem um milímetro do lençol branco. Era como se o tecido estivesse queimando em sua mão e ele não conseguia sequer tocá-lo.
- Levante a porra do lençol, covarde filho da puta! – null falou pra ele mesmo e se afastou do leito com as mãos na cabeça. Os olhos estavam tomados por um vermelho-melancia, e cheios de água.
- Como você pôde perder a mesma mulher tantas vezes null? Você é um bosta. Eu sou um bosta! Era pra eu estar aí! Eu!
null deixou o quarto sem conseguir olhar a pessoa por baixo do lençol.
Ele passou pelo corredor com passos rápidos, queria se esconder de todos e dele mesmo. Abriu a primeira porta que percebeu ser diferente das portas dos quartos. Deu de cara com uma escada e começou a subir sem pensar onde ela daria.
Não demorou muito pra chegar ao terraço. Ele diminuiu o ritmo dos passos e foi andando enquanto tomava um fôlego. O vento frio parecia nem fazer efeito na pele do rosto quente. Ele parou de caminhar antes de ficar muito perto da beirada. Percebeu que apenas as partes mais altas da cidade ainda recebiam a luz pálida do sol, como os terraços dos prédios, por exemplo. Se null estava mesmo morta, ele gostaria de ficar ali. Mais perto do céu.
null estava com o rosto virado pra cima e olhos fechados. Algumas lágrimas escorregavam pelas laterais. Foi quando ele sentiu uma cócega na bochecha. Abriu os olhos e pegou uma coisinha branca em seu rosto, era uma semente de dente-de-leão. Observou que havia um pouco dessas flores plantadas num pequeno canteiro. Lembrou-se que null sempre achou os pára-quedas das sementes umas coisinhas mágicas. Então pegou uma delas, parecia um cabo com uma bola de pelos em cima. Ele assoprou e logo vários flocos brancos flutuavam ao redor dele com leveza.
Distraiu-se tanto com isso que não percebeu a presença de alguém. A porta enferrujada que dá acesso ao terraço fez o mesmo rangido de quando ele a abriu. null estava próxima à porta. Chinelos brancos, a camisola branca de hospital, cabelos soltos. Até sua pele vestia branco, estava um pouco pálida.
Ela o observou por um tempo de costas. Fascinado, assoprando dentes-de-leão.
Com pequenos passos, ela se aproximou um pouco mais e retirou do pulso a única coisa que não era branca em seu visual, uma pulseira. Pulseira que null conhecia bem. Arremessou o objeto num lance rasteiro. A pulseira voou baixo até chegar perto dos pés de null. Ele não viu logo, pois estava olhando pra cima, acompanhando com o olhar cada sementinha que voava. Porém uma delas não quis voar pra cima e foi caindo. null tentou pegá-la antes que caísse no chão, mas foi tarde demais, ela caiu bem no meio da circunferência que a pulseira fazia no chão. Ao se dar conta, só faltou ter um treco! As pernas ficaram moles e as mãos tremiam também.
Ele se abaixou lentamente para pegar. Sentia o coração bater como se alguém estivesse dançando rebolation dentro dele. null assistiu tudo sem falar nada e apenas sorriu quando null virou pra trás e olhou pra ela.
Ele começou a soluçar, null pôde notar a metros de distância. null deu o primeiro passo como se estivesse em cima de uma corda bamba, ele sentia que suas pernas pareciam gelatina. Depois do primeiro passo foi mais fácil, ele começou a andar cada vez mais depressa e largou o cabinho da planta que segurava com uma das mãos, ficando apenas com a pulseira na outra.
null também caminhava na direção dele, mas se sentia fraca demais pra andar muito rápido. A maior distância foi percorrida por ele, que logo chegou e a abraçou. Ela ficou com o queixo apoiado em seu ombro, sentindo o perfume dele fazer festa dentro dos pulmões. Não estava chorando, ao contrário dele, que se acabava.
- null! null! – null espalmou cada mão em uma bochecha da garota e movimentava o rosto dela formando caretas.
- Paa ji tefomar meu roxto, null!
- É que eu preciso saber se você é de carne e osso! Isso aqui não é nenhum encontro espírita não, né?
- E você ta me achando com cara de quem desce em qualquer mesa branca? – ela brincou e logo ficou séria. Pegou a pulseira do pulso dele e colocou em seu braço de volta. – Mas falando sério agora null... O que deu em você?
- O que quer que seja, agora eu não quero lembrar!
null viu os olhos null de null mirando seus lábios e agora sim eram realmente os olhos dele. O beijo aconteceu calmo pra ela e desesperado por parte dele. null podia quase escutar o barulho dos cacos de seu coração sendo lindamente colados e recolocados no lugar enquanto ia tocando a boca dela.
Capítulo 30 – You're on my heart just like a tattoo.
[n/a: último capítulo AAAA já to surtando heuaehuahua mas a mini nota aqui não foi pra isso /dãa we have a song: 5:19/Matt Wertz Aah, o capítulo pode ser meio grande rsss estão avisados!]
null trouxe o carro de null e chegou quinze minutos depois dele. Assim como aconteceu com null, ele também encontrou null sentado na entrada do hospital fumando.
- Eii cara! Por que está aqui fora? Há tempos você não fumava! O que aconteceu?
- Calminha aí metralhadora de perguntas AK-47! Uma de cada vez.
- Hum... aconteceu alguma coisa grave que eu deva saber agora e você ta enrolando pra falar? – null sentou ao lado dele, observando sua leve expressão apreensiva.
- É que eu acho que fiz merda agora há pouco...
- Tem banheiro no hospital, não ta sabendo não? – null quis brincar e recebeu um olhar atravessado. Ficou sério e encolheu os ombros – Ta bom, não teve graça.
- null chegou aqui tem uns minutos e me perguntou as coisas, mas eu não sabia como falar o que o médico tinha acabado de nos dizer!
- E o que era? A null ta bem?
- Vou repetir as palavras dele!
- Ta, mas pula as partes de "Olá, boa tarde. Vocês são parentes de null null?"
- Como você sabe que ele disse exatamente isso?
- Ah! Todos dizem mais ou menos isso, pelo menos na tv!
- Que medo de você... mas enfim, ele disse: "A null chegou aqui num estágio avançado e, bom... eu sinto muito, não teve como salvar."
- C-como assim? Você ta dizendo que aconteceu uma tragédia com ela? – null esbugalhou os olhos pra cima dele.
- Foi isso mesmo que eu perguntei! Mas não foi nada disso, ele se referia à criança!
- Que criança?
- Ela estava grávida, cara!
- Sério? E o null nem sabia?
- Não, ninguém sabia! Acho que nem ela! Agora imagina, como eu ia dizer pra ele? Quando ele chegou aqui eu estava tão tenso que ele pode ter pensado que quem morreu foi ela! Eu não soube como dizer que ela estava grávida e que perdeu o bebê... Do jeito que o null é surtado, tenho medo que ele tenha um treco.
- Ah, relaxa... Vamos encontrar as meninas lá!
null e null desceram do terraço antes que alguém procurasse por eles.
Ela ainda não havia entendido direito o motivo pra null ter ido até lá... Chegaram ao quarto onde ela estava, sem conversar durante o caminho.
- O que foi? – null percebeu que ele hesitava, parecia assustado e travou na entrada do quarto.
- Ali, você tava ali! – null apontou apenas com o olhar para a cama do quarto 1209, onde antes havia um corpo coberto.
- Eu? Quando? – null foi entrando e sentou na outra cama, a que estava vazia na hora da visita de null.
- Quando eu vim aqui minutos atrás! Você tava coberta naquela cama! E agora sumiu! – null tinha um certo medo na voz, os olhos estavam três vezes maiores do que o normal e ele não desgrudou da porta.
- Aquela não é a minha cama, seu paia. O meu leito é esse, de número... – ela virou a cabeça pra olhar na cabeceira – 273A!
- Mas eu cheguei no quarto e perguntei "Oiaquiéoquartodanull?" – null finalmente desencostou da porta e caminhou quarto adentro. Ele falava rápido e quem quisesse entender precisaria se esforçar um pouco. – Aí a enfermeira gordinha disse "Ah sim, eu sinto muito, ELA ACABOU DE MORRER!" Aí eu caí ao chão de joelhos e gritei agarrando a saia dela "NÃAAAAO, NUM É POSSÍVEL MEU DEUS! POR QUÊ?" e ela tocou no meu ombro de uma forma sinistra que me deu calafrios e respondeu...
- null, null, pode parar. Eu já entendi, ta tudo ok!
- NÃO TA TUDO OKAY! ELA TAVA FALANDO DE VOCÊ E DA PORRA DA SUA MORTE! – null agitava os braços. Fez null se lembrar daqueles bonecos de posto de gasolina com braços enormes e coloridos. Foi preciso uma força enorme pra não rir alto.
- Sushh! Estamos num hospital null. Espere pra imitar um boneco de posto quando chegar em casa! – null se divertia com o alvoroço dele. Tampou os próprios lábios com o dedo em sinal de silêncio. Ela já imaginava o que devia ter acontecido.
- Mas como você me explica isso? – ele agora sussurrou, entre dentes. Queria ter gritado.
- Foi um engano. Ela por acaso disse o sobrenome da garota morta? E você perguntou exatamente por null null?
- Hm... Não.
- Então era outra garota. – null explicou calmamente e deu tapinhas na cama para que ele sentasse ao lado dela. – Me colocaram nesse quarto. Eu já fiz vários exames desde que cheguei e no intervalo entre um e outro, eles me mandavam pra cá. Eu ouvi quando duas enfermeiras conversavam sobre ela. Se chamava null Rockfeller, parece que estava em coma. Hoje ia fazer um mês que ela estava aqui. As enfermeiras já se sentiam amigas dela, eu fiquei sabendo de quase toda a história da moça! – disse com uma risadinha e abaixou o olhar depois. Os dois ficaram um tempo olhando pro nada até que null tocou no queixo de null fazendo-a olhar pra ele.
- Você não sabe o tamanho da explosão emo que causou em mim só por aparecer ali no terraço! – null tinha os olhos aguados de novo. Olhou nos olhos dela como se fosse transferir suas lágrimas pra ela. Rangeu os dentes pra ajudar a conter o choro.
- E olha que eu já estive em modelitos melhores! – null soltou uma risada nervosa, pensando em como sempre consegue dizer coisas sem sentido nos momentos mais loucos. Ela ajeitou um pouco o cabelo dele, os dois estavam com os fios bagunçados pela ventania que estava no terraço. – Por que você foi até o terraço, null? Eu te vi subindo as escadas quando estava voltando pro meu quarto... aí fui atrás.
- Não sei, fiquei meio sem rumo! Eu não saberia o que fazer se você tivesse mesmo...
- Ah, ta bom! Já chega de pensar nisso. Foi um engano e agora você já sabe. Aliás, muita mancada do hospital colocar xarás no mesmo quarto. Ainda mais quando aparece um paia que nem você! Nem pra conferir o sobrenome! – null mal conseguia terminar a frase por estar rindo demais. Ela teve de abaixar o rosto até o nível do travesseiro, dando as costas pra null por uns segundos. Ele esperou que o som abafado da risada dela ficasse mais baixo.
- Eu fiquei nervoso. Quando você caiu, aquele som me fez imaginar muitas coisas. – null abaixou o olhar e mordeu a boca quando viu que null voltava a sentar-se normalmente. – Depois eu chego aqui e o null não consegue me falar bosta nenhuma, aí eu procurei o quarto, e mesmo utilizando o elevador, eu cheguei aqui arfando. – null percebeu uma pequena oscilação na voz dele, como quem vai chorar. – A imagem desse quarto, com uma cama vazia e outra com um corpo todo coberto já me deixou nauseado... A enfermeira se aproximou e disse o que você já sabe. Parecia que essas paredes apagadas de hospital estavam se fechando, elas não paravam de se fechar e eu achei que iam me esmagar. Acho que de fato esmagaram porque eu nunca senti tanta dor.
O rosto de null estava abaixado, mas null pôde ver uma lágrima pingar do queixo. Viu a gotinha cair na calça dele e formar um pequeno círculo. Os olhos dela automaticamente se encheram e ela olhou pra cima numa tentativa de não deixar as lágrimas saírem de dentro deles. Pegou a mão gelada de null. Estavam frias e trêmulas enquanto as de null estavam quentinhas. Ela fechou a mão dele num sanduíche com suas duas mãos. A diferença de temperatura foi reconfortante pra null, ele foi se inclinando lentamente até encostar a cabeça no tórax dela.
- Não fique assim! Desculpe por ter dado risada, eu sou uma insensível...
- Hoje eu passei alguns minutos acreditando que eu não poderia mais te ver, não poderia mais viajar nos seus olhos, nem sentir o toque reconfortante da sua mão, brincar com os seus dedos, ouvir você falando assim e perceber meu coração batendo lento, querendo parar o mundo todo pra você poder falar. – null mantinha a voz baixa, o suficiente para apenas null ouvir. Ele fez uma pausa e desencostou a cabeça do tórax dela, ficando reto de novo pra olhá-la de frente. – Eu não ia agüentar uma vida inteira disso. Porque eu te amo e você é como uma música que eu não posso parar de ouvir.
As lágrimas que null segurava caíram todas de vez. null a abraçou e beijou sua cabeça. Depois de tudo ela não sabia como contar do filho que perderam.
- Não vou te deixar de novo. Nem que você queira! – a voz dela saiu abafada contra o peito dele. Ela se afastou e o encarou. – Ainda preciso te contar o que me trouxe aqui.
- Sim, pode falar! Acho que o momento choradeira já passou, não tenho mais lágrimas!
- Espero que não se chateie muito comigo, eu também não sabia.
- O que? Está me assustando de novo! O que foi? Você só tem 6 meses de vida? Puta que pariu! Vamos nos casar e viajar pelo mundo!
- Fica quieto null! Por que todo mundo sempre tenta adivinhar o que eu vou dizer?! – ela deu um leve tapa na bochecha dele, que parou de surtar e a encarou.
- Ok, desculpe... é que você faz suspense! Mas não judia de mim porque você viu que eu to em choque e...
- Eu tive um aborto natural.
- Mas hein?! Eu entendi direito?
- É, isso aí que você entendeu.
- Mas... mas... você estava grávida?
- Parece que sim.
- E você não me contou?
- Acabei de falar que eu não sabia! – ela se justificou e depois soltou o ar.
- Mas como?! Grávidas sempre sabem quando estão... GRÁVIDAS!
- Só depois né, mas a minha estava muito no começo.
- E por que foi que ele morreu? Foi por causa de ontem?
- Segundo o médico, foi sim. Foi a briga, eu levei golpes na barriga.
- Filha da... e eu nem posso falar mal dela! – null pressionou os olhos.
- Falar mal dela não vai reverter as coisas, null.
- Ah, mas quer saber? Foda-se! Aquela puta, suja, mal amada, filha de uma chocadeira, dá-cu, destruidora-de-lares-que-anda-pelada, putinha fácil, não podia matar o nosso filho nem antes nem depois dele nascer! – null ignorou o resto da frase e deu um sorrisinho ao ouvir ‘nosso filho’ na voz dele. Saindo da boca dele, as palavras pareciam mais doces do que realmente são.
- É... – ela encarou o lençol até cortar o silêncio de novo – Você estava preparado, null? – perguntou de repente sem pensar muito.
- E-e-eu acho que apesar de não ser o melhor momento a gente dava um jeito.
- Desculpa por eu não ter percebido uma coisa tão óbvia, cheia de sinais e por vacilar bebendo. Eu também contribuí, eu já comecei sendo uma péssima mãe!
- Não! De jeito nenhum! Você não teve culpa. Tudo que acontece tem um motivo. – ele subiu a mão fazendo carinho no antebraço dela. – Vai ver tinha de ser assim.
Após alguns segundos de silêncio, a enfermeira que falou com null minutos antes entrou no quarto acompanhada por um outro rapaz. Este entrou no quarto furioso e já pegou null pela gola da roupa acabando com a paz e o silêncio do lugar.
- A enfermeira me contou que você esteve aqui dizendo que tem um caso com a null! MAS ELA ERA MINHA MULHER! Como ousa? SEU FILHO DA PUTA!
- Calma dude! É que teve um engano!
- Antes ela era sua namorada e agora vai negar? Agora que ela está morta e não tem como se defender!
- Mas é verdade, a null de quem eu falava era essa aqui! – e passou um braço pelo ombro de null, que concordava freneticamente com a cabeça.
- O-o-olha! Eusouanullqueeleveioprocurarmaseunãotavanoquartonahoraqueelechegou... – falou tão rápido e sem jeito que precisou parar pra tomar um fôlego – Meu nome é null null. – e por fim estendeu a mão ao homem, que parecia mais calmo agora.
- Prazer. Sou John. – apertou a mão dela, mas continuou olhando desconfiado pra null, depois o celular dele começou a tocar e ele saiu do quarto falando com o que parecia ser sua sogra. Ele fechou a porta e deixou o casal sozinho de novo, null olhou pra null e abaixou a cabeça prendendo um riso, ela sacudiu a cabeça enquanto também sorria. null pôs as mãos – já aquecidas – por cima das dela e lançou seu olhar quase hipnotizante nos olhos dela.
- Eu não saberia o que fazer se tivesse escrito null null ali naquela ficha ao invés de null Rockfeller! Acho que eu ia começar a enfartar e depois me jogar da janela, aí durante o caminho até o chão eu começaria a ter convulsões e podia ser acertado por uma bala perdida! Aí eu caía no meio da estrada e um camin...
- null! – ela tampou a boca dele colocando alguns dedos na frente – Ta certo que homem dramático é sexy pra mim, mas você ta exagerando hoje!
- Estou no meu momento romântico... de novo... dá licença?
- Ma... – ela estava rindo e ia falar algo, mas foi cortada também.
- Dá licença? Ótimo! O que eu quero dizer é que eu não me perdoaria se te deixasse escapar pela 153357º vez! Eu prometo não fazer mais nada que possa te afastar de mim de novo!
- Eu sei... só quero esquecer tudo aquilo.
- A gente pode voltar as cenas e dar play de novo de onde quisermos, só que aí fazemos tudo diferente.
- E você quer recomeçar de onde?
- Da última vez que estávamos felizes!
- A foda na praia?
- E lá se vai! Está arruinando todo meu romantismo. – ele cruzou os braços fazendo-a rir.
- Desculpe Sir!
- Já vi que hoje você ta querendo é falar menos e agir mais.
- Acho que já falamos o bastante. E eu senti sua falta. – ela sussurrou já com o rosto a milímetros do dele e passou o dedo indicador sobre o contorno de seus lábios antes de beijá-lo com força, vontade, malícia, alegria... Durante o beijo ela quis rir, porque nunca achou que estaria tão feliz depois de sentir uma dor desgraçada daquelas. Ela se afastou ainda prendendo o lábio inferior dele com os dentes e depois que o soltou ele riu.
- Até que pra uma assombração do inferno você beija muito bem!
- Eu andei treinando com Heath Ledger e Patrick Swayze... – ele apertou o nariz dela.
- Você ta muito do mal hoje!
- Foi você que começou me chamando de fantasma do inferno! Eu só entrei na brincadeira – ela deu um tapinha no braço dele, só pra não perder o costume. Depois olharam ao mesmo tempo para a porta que se abria.
- Hm, vejo que está bem humorada, null. – o médico entrou falando ao vê-la sorrindo de orelha a orelha.
- Oi, doutor...?
- Burtton.
- Dr. Burtton, como ela está? – null se levantou.
- A ultra-sonografia mostrou que o aborto foi completo, então não sobraram tecidos no seu útero. Eu só preciso de mais algumas horas até que a análise detalhada de seu exame de sangue esteja pronta e aí posso te dar alta.
null foi diminuindo o sorriso e Dr. Burtton saiu do quarto.
- Já tinha até esquecido porque que eu tava aqui mesmo... foi tudo tão de repente e só aconteceu pela minha falta de senso, noção, responsabilidade, ou sei lá! Matei um bebê, null!
- Não fale isso. – ele a abraçou e beijou o topo de sua cabeça – Você não teve culpa. Se não fosse a Delilah ter te golpeado no abdômen, nada disso teria acontecido.
- Mas...
- Escuta, esquece isso ta bom. Faz o seguinte, passa uns dias lá no meu apartamento que a gente resolve esse problema fácil!
- Hm? Resolver?
- É ué, podemos encomendar outros milhões de bebês se você quiser.
- Opa! Vamo aí – ela fingiu que ia agarrá-lo só pra entrar na brincadeira. Mas não pôde agarrá-lo de fato, ele estava rindo demais.
- Me solta sua tarada.
- Eu sei que você gosta quando eu te pego assim! Peitinn – ela fez a brincadeira e ele fez careta com a mão sobre o mamilo beliscado.
- Mas então... vai lá passar uns dias no meu apartamento.
- Ah, não sei! To com a maior preguiça de...
- Eu não perguntei se você quer ir! Falei que tu vai!
- Ui, assumindo o controle!
- Só quero cuidar de você.
- Certo... – ela o olhou de canto de olho enquanto ele dava um selinho – Espera, mas você vai ter que buscar roupas lá em casa então.
- Tudo bem, eu peço ajuda pra null ou pra null.
- A null ta aí? Por que ela não veio me ver ainda? null já veio aqui no quarto, por que ela não veio?!
- Sei lá. Talvez ela e o null tenham achado a cantina mais interessante!
Quando null acabou de falar, levantou preguiçosamente e deu um passo em direção a porta. De repente ela foi escancarada por quatro seres que pretendiam entrar todos ao mesmo tempo.
- Vai chegar alguém aqui pra brigar com vocês. – null estava atrás deles com null e fingia não conhecê-los. null conseguiu entrar primeiro, por se espremer e ser a mais magrinha, depois null também passou, isso aliviou um pouco mais o espaço e os outros dois não tiveram tanto trabalho pra entrar. null entrou rolando os olhos e segurando a mão de null.
- Caramba, eu acabei de perguntar por vocês!
- É que nós só conseguimos chegar agora, teve uma droga de um engavetamento na estrada e ficamos parados um tempão! – null resmungou sentando na beirada da cama.
- Quando eu vim pra cá tinha um caminhão virado e eu peguei uma bicicleta emprestada! Você viu null, eu acertei em pegar a bike! – null riu vitorioso pro amigo.
- E a velha da bicicleta nem conseguia acreditar! Quanto você deu pra ela null? Ela ficou pulando depois de contar as notas!
- Eu nem sei! E não sei onde deixei a bicicleta também!
- Que lesado o null! Dá zero pra ele! – null deu risada apontando o amigo.
- Ninguém dá zero não! Ele foi muito herói, muito divo se querem saber! – null pegou a mão dele e deu um beijo nas costas, como os cavalheiros faziam com as moças de alguma década perdida do século passado.
- Hum, vocês viram, né? Eu sou um divo agora, me tratem com respeito... Será que alguém pode me acompanhar até em casa? – null abusando de seu charme feminino que só aparece quando ele está feliz.
- Já vai embora null?
- Vou null... Passar na casa da null, – ele parou e olhou null com um sorriso – pegar umas roupas pra ela ficar uns dias lá em casa.
- Pode ajudá-lo null? – null pediu.
- E precisa de ajuda? É só pegar as suas roupas, ué...
- Ela não quer me ajudar! – null deu um soquinho no ar e fez bico.
- Ta bom, seu chatinho, vamos lá sim. – ela riu e se virou pra porta.
- Me liga em casa quando receber alta – null beijou a testa de null, entregou seu celular pra ela e se dirigiu à saída do quarto.
- Hey, me deixa em casa, dude! – null foi atrás deles.
null foi andando na frente pelo corredor e se sentia feliz inexplicavelmente. Entraram no elevador, que estava vazio e a música que tocava lá dentro o fez rir e olhar para os outros dois.
Tonight you're falling in love
Let me go now
This feeling's tearing me up
Here we go now
Now if she does it like this
Will you do it like that?
Now if she touches like this
Will you touch her right back?
Now if she moves like this
Will you move her like that?
Come on, shake, shake
Shake, shake, shake it
Shake, shake
Shake, shake, shake it (x4)
O elevador só abriu as portas de novo no andar térreo, algumas pessoas os esperavam e tiveram a grata surpresa de ver null null com uma das mãos no quadril e o outro braço esticado pra cima, balançando a mão com dois dedos esticados pra lá e pra cá no ritmo da música.
- Shake, shake, shake, shake, shake it – ele cantava balançando a cabeça e a bunda sem perceber que já tinha chegado por estar de costas pra porta, virado para os dois amigos que riam... Alguém pigarreou e ele se virou num pulo. Sua face se tornou avermelhada na mesma hora, mas ele abriu um sorriso e acenou com a cabeça para as pessoas que o assistiam sair do elevador, sendo seguido por null e null.
Como combinado, passaram na casa de null, pegaram as roupas, cremes, perfumes e maquiagens dela.
- Duvido que ela vá querer usar tudo isso! Está acabando de sair de um hospital! – null observava as coisas que null colocava dentro da mochila.
- Por isso mesmo! – ela o olhou e piscou.
- Arruma uma mochila também e vem pro meu apartamento hoje! Posso pedir umas pizzas. – null estava encostado na entrada do quarto.
- Não dá mafagafo, tenho faculdade. Que aliás, pelo jeito vou entrar atrasada... E depois vou ter que botar esse lençol pra lavar e esse carpete também. Espero que a dona null chegue logo pra me ajudar.
- Então eu fico aqui até ela chegar. O null provavelmente vai trazê-la e eu posso ir embora com ele depois.
- Ok! – null terminou e entregou duas mochilas pra null, uma com roupas e outra com os objetos de higiene pessoal.
- Mas é só daqui até segunda-feira! Ela vai mesmo usar tudo isso? – null ainda examinava as mochilas cheias de coisas – Quantos quilômetros de pele e cabelos ela tem? Ela troca de pele?
- Cala a boca null, cruzes! – null riu e apagou a luz do quarto, indo acompanhá-lo até a porta.
null voltou ao seu condomínio pra deixar as coisas e arrumar um pouco mais o quarto, colheu dente-de-leão no jardim e depois ficou só deitado no sofá, olhando pro teto, terminando aquela música na cabeça... Quando null ligou, duas horas depois, ele foi buscá-la.
Ela estava tocando músicas do celular dele, quando ele encostou o ouvido na porta pôde ouvir e entrou cantando junto.
And they're turning off all of the lights
We've been putting on a show all ni-i-i-ight
boys will be boys...
null o recebeu sorrindo e ele a pegou no colo. Passou com ela pela recepção do hospital, cantando junto ao som do celular a música Take It Home.
- E então, estava tudo certo com seus exames?
- Uhum... Espero que tenha trazido minhas coisas direitinho! – ela apontou o dedo na cara dele e ele fingiu que ia mordê-lo. Já estavam de volta ao prédio e subiam pelo elevador. Quando as portas se abriram, puderam ver que tinha alguém na porta do apartamento de null: Peter. Eles se aproximaram devagar.
- Pete? – o rapaz estava de costas e se virou com o chamado de null.
- Oi, eu... vim aqui pra... pedir desculpas.
null apenas olhava desconfiado sem dizer nada pois estava primeiro questionando mentalmente o nível de sinceridade dele.
- Pelo quê mesmo?
- Eu agi em conjunto com a Delilah ontem. A gente combinou que ela não ia deixar você chegar ao local do show. Mas eu juro que não sabia que ela ia fazer tudo aquilo! Muito menos que você estava grávida! Eu te juro null!
- To muito chateada com você Peter! Porra, eu perdi o bebê por causa dessa porcaria que vocês fizeram!
- Eu sei, eu sei! Fui longe demais! Saiu do meu controle! Pode dizer o que quiser. Quando eu passei por aquela rua, a cena que encontrei me deixou revoltado! E... – ele agora voltou o olhar pra null – desculpe pelo bilhete.
- Eu devia arrebentar a sua cabeça na parede. – null falou e null o olhou de canto de olho, meio assustada. – Mas só porque minha garota está bem e eu to feliz, não vou fazer isso.
Peter apenas deu um meio sorriso.
- Como eu disse, to voltando hoje pra Oxford. Só passei aqui rapidinho antes de ir.
- Hm, boa viagem Pete. – null nem sorriu e nem ficou muito séria, apenas normal.
- Obrigado! – ele devolveu com um sorriso e caminhou até o elevador – E tratem de ficar juntos agora, ok? Seria vergonhoso pra mim se outra pessoa tentasse separar vocês e conseguisse!
- Não se preocupe com isso amiguinho. – null acenou com um sorriso forçado, porém vitorioso. Manteve o sorriso até a porta do elevador se fechar e levar o Peter embora dali.
- Esse prédio é mesmo uma bagunça, todo mundo entra! Nem falo nada... – null ficou resmungando antes de abrir a porta e null apenas ria.
- Caramba null! Eu não acredito que você não foi capaz de arrumar a bagunça que eu fiz ontem! – null encontrou motivos pra rir mais após entrar. Lembrou de cada objeto em que seu bumbum teve a oportunidade de esbarrar e derrubar ao chão enquanto estava atracada com ele no dia anterior.
- Acho que a frase "Não repare na bagunça" nunca funcionou com você, né?
- E eu acho que a frase "Vai já arrumar seu quarto" também não funcionava quando sua mãe pedia, né?
Os dois sentaram no sofá e dessa vez não havia nenhum controle remoto jogado por ali. Milagre.
- Você ainda não me disse uma coisa. – null se curvou, aproximando-se dela.
- Que?
- Eu não sei se eu ouvi errado, naquela hora foi tudo tão confuso...
- Fala logo! – ela sorriu e deu um tapinha no joelho dele.
- No telefone, você disse que só ia fazer isso porque pediram?
- Isso o que? – se fez de desentendida, mas já tinha lembrado o que era.
- Não sei, me dar uma chance eu acho.
- Hum... é, eu falei mesmo isso.
- E...? Quem foi que pediu? null?
- Ela também. Aliás, eu desconfio que ela te ajudou o tempo todo, null!
- É, ela me ajudou sim! Principalmente no dia que eu invadi seu quarto.
- SABIA! SABIA QUE TINHA ALGUÉM NO MEU QUARTO! Seu tocador de null sem vergonha... Mas então, voltando ao foco, você também teve uma ajudinha de mais umas vinte pessoas.
- Quem?
- Suas fãs.
- Mesmo?
- Uhum. Me pediram, foram até lá em casa!
- Wow!
- É!
- Engraçado!
- Incrível!
- Queriam que você me perdoasse?
- É, apareceram lá na frente de casa hoje com placas e tudo mais. Você devia agradecer por ter fãs tão sensíveis.
- Agradeço todos os dias. Agora vou agradecer mais ainda! – ele sorriu e depois se levantou – Quer comer alguma coisa? Beber?
- Tem biscoitos amanteigados?!
- Ha! Nisso você é igual ao null! – e ela riu tampando o rosto com uma almofada.
- Tem ou não tem?!
- Claro! Quem é amigo dos null ou dos null não pode deixar de ter esses biscoitos e talvez uma Nutella pra acompanhar!
Ficaram conversando e comendo biscoitos com Nutella. Algumas horas passaram rápido enquanto eles falavam sem parar como se tivessem 10 anos de fofocas atrasadas.
Só saíram de lá quando acabaram os biscoitos e a Nutella.
- Acho que acabamos com os estoques! Se amanhã de manhã o null passar aqui eu vou dizer que você comeu tudo!
- Mentira! Você comeu mais da metade aí enquanto falava de boca cheia!
- Que seja... mas vem aqui, quero te mostrar uma coisa! – pegou a mão dela e a fez levantar-se.
- O que? Ah sim! Você falou ao telefone que tinha surpresa!
- É, eu espero que ainda esteja tudo do jeito que eu deixei.
Enquanto caminhavam até o quarto, null passava observando a decoração do apartamento. Não teve chance de fazer isso direito no dia anterior. Estava bem bonitinho apesar da atmosfera totalmente masculina.
- Bom, isso era pra estar acontecendo ontem então... não repare se as flores estiverem um pouco murchas – ele falou pouco antes de abrir a porta. Quando null entrou, abriu um largo sorriso de imediato. Estava tudo perfeito, as flores pareciam ter sido colhidas agora. null viu um arranjo lindo em cima do criado mudo e algumas pétalas soltas em volta dele, meio bagunçadas e charmosas.
- Não posso acreditar que você comprou mesmo dente-de-leão! – essa planta estava no meio das outras flores no buquê, não tinha como não ver.
- É... na verdade eu comprei essas rosas, mas você falou de dente-de-leão ao telefone e depois de toda aquela coisa no terraço do hospital, eu resolvi pegar umas dessas pela vizinhança e colocar aqui!
- Isso foi a coisa mais incrível! – ela tocou a bola de pêlos branca e algumas sementes soltaram em seus dedos. Não assoprou para não sujar todo o quarto.
Ao olhar para o lado, null viu uma espécie de mural. Foi andando devagar até a parede e quando parou de frente pra ela, sentiu os braços de null envolvendo-a por trás. Entrelaçou as mãos com as dele. Passou os olhos por cada coisinha que tinha ali enquanto sorria e tinha os olhos úmidos ao mesmo tempo.
Papéis coloridos cortados em quadrados pequenos estavam decorando a parede. Só havia isso, vários deles. Eram bilhetes. Amarelos, rosas, verdes, azuis...
Alguns tinham apenas carinhas felizes.
xD
^^
=]
Outros tinham algumas palavras, nomes de músicas conhecidas. I belong to you. I wanna love you. Put me back together. Havia uma seqüência vertical de bilhetes em papel azul, no meio. Cada um com uma ou duas palavras:
Espero
Que você
Ainda
Me ame
Essa noite
Porque deu
Um trabalhão
Da porra
Fazer isso!
S2 você!
- Isso é... eu não sei! Isso podia ser uma exposição!
- Você acha? Um monte de papel colado com fita adesiva transparente! Parece até idéia do null! – null riu e null ficou de costas para a parede, virando de frente pra ele.
- Se o null tivesse umas idéias desse tipo eu ficaria com ele e não com você!
- Então vai correr pro apartamento dele, é aqui pertinho!
- Duvida que eu vá mesmo?
- Duvido radicalmente porque eu não vou deixar!
null fingiu que ia escapar dele. null abriu os braços na frente dela e os dois ficaram como o goleiro e o cobrador do pênalti. Ela passou e ele a agarrou por trás. Os dois caíram na cama.
- Eu quero só ver você sair daqui agora!
- Aiae minha barriga!
- O que foi, eu te apertei? – null se soltou dela assustado. null ficou sentada e riu apontando pra ele. Levou uma travesseirada no rosto por isso.
- Nunca mais me assuste desse jeito, foi golpe baixo!
- Você é que não sabe perder! Mas hey... o que é isso?
- Abre aí! – eles se referiam a uma caixa no meio da cama. Tamanho médio, papelão roxo.
- AH-MEU-DEUS! Santo protetor das fotos perdidas! São vocês, meus bebês? – null surtou vendo suas antigas fotos, as que ficavam na caixa rosa e foram queimadas.
- Não, não são os seus bebês! São os meus! Quer dizer, agora são nossos.
- Mas como?! Eu não sabia que você tinha essas coisas!
- Ué, tão simples... quando as pessoas tiram fotos, todo mundo fica com cópias. Não é assim que funciona?
- Claro que é, meu anjinho das cópias! Claro que é... – null concordou com o que ele disse, mesmo sem estar prestando muita atenção.
- Que tal parar com essa coisa de anjinhos e santinhos? Isso é assustadoramente gay.
- Quem guarda fotos em caixas coloridas só pode ser um anjinho!
- O que? Ah não, eu não quero ser o anjinho e elas não estavam guardadas aí! Estavam em vários álbuns, mas eu pus aí pra ficar mais ao seu estilo!
- E por que você não quer ser o anjinho?
- Anjinhos não fazem sexo? – respondeu em um tom óbvio.
- Sabia que você ia dizer isso, bem a sua cara! Mas hoje você vai ter que ser um anjinho null, eu acabo de ter um aborto...
- Não, nem me lembre disso! Eu posso ser anjinho até quando você quiser, você sabe.
- Eu sei, meu anjo sexy!
- Ah, espera aí! – ele se levantou da cama e ficou perto da porta do banheiro, onde havia uma mesa de computador com alguns objetos bagunçados. – Pode fechar os olhos, por favor?
- null... eu acho que não agüento mais surpresas por hoje!
- Ah, só mais essa! Você não quer que eu fique triste, quer?
- Ok... – null fechou os olhos diante da carinha triste que ele fez. null tocou em uma linha de nylon quase invisível que estava presa embaixo da impressora. À medida que ia soltando a linha, uma bexiga ia descendo do teto. Ele foi soltando devagar. A lâmpada do quarto fica na direção do centro da cama, então null pediu que null engatinhasse um pouco mais para a esquerda, assim a bexiga cairia bem em seus braços. Ela o fez, e sentiu a superfície lisa da bexiga.
- Pode olhar.
- Uma bexiga. Aniversário?
- De repente, hoje pode virar uma data especial. Estoura essa coisa aí! – null estendeu a mão com um alfinete. Primeiro null olhou desconfiada e depois pegou. Antes de estourar a bexiga, viu que tinha algo lá dentro.
O barulho do estouro veio junto com um som metálico no chão. Fez o coração dela disparar e ela percebeu que estava com as mãos trêmulas. ‘Francamente null! Que palhaçada é essa? O que é que tem se depois de um monte de surpresas ele te aparecer com umas alianças? Nada de mais!’ ela pensava olhando para o chão. Viu uma coisa brilhar e pegou, eram mesmo alianças! As duas estavam presas para não se separarem. Eram as alianças que tinham os desenhos. null, sem pensar muito, pulou no pescoço dele sorrindo.
- Acho que isso me poupa da parte constrangedora e que me deixa nervoso, onde eu tenho que dizer aquela frase mágica te perguntando se você quer casar comigo, né? – ele sorriu depois que a garota o soltou.
- Ca-c-c-casar? – ficou surpresa porque aquelas eram as alianças de namoro, pensou ela.
- É... eu sei que as alianças estão erradas! Simples alianças de namoro... Mas eu já comprei um anel de noivado, entrego quando a sua mãe chegar da viagem dela.
- Comprou? – null estava com os olhos em choque, não prestou atenção em nada depois de comprei um anel de noivado.
- Claro. Não é difícil agir antecipadamente quando a gente sabe que a pessoa vai aceitar!
Ela pareceu acordar de repente e se desmanchou num sorriso. Pegou algumas pétalas que estavam em cima do criado mudo e jogou na cara dele. Em resposta, ele desmanchou dentes-de-leão na cabeça dela.
- Eu sou tão fácil assim? – e deu um tapinha no braço dele, que segurou o pulso dela e pôs o anel fingindo uma cena forçada. Como se a última coisa que ela quisesse fosse ficar com ele.
- Está vendo, agora não tem mais volta! Já pus um anel nesse dedinho!
- Ai que tragédia! Agora eu to presa a um assassino em série de dentes-de-leão! O que vai ser de nossos 14 filhos quando você for condenado por isso? – ela observava a mão que estava com o anel e ainda tampava a boca com a outra mão. Depois riu e abandonou o tom de brincadeira, pegou o outro anel e colocou no dedo dele. null deu leves tapinhas na cabeça dela pra retirar as sementes de planta que ele jogou. null não o deixou terminar e tomou impulso pra avançar sobre ele e fazê-lo cair deitado. Ela se apoiou com os cotovelos na cama e ficou com o rosto na direção do dele. null via os cabelos dela caindo em seu rosto como uma cachoeira. Pegou uma mecha pra cheirar, ela usava um shampoo com um cheirinho viciante pra ele, é o mesmo que fica no travesseiro. null lhe deu um beijo e depois se ajeitou sobre seu tórax. Podia ouvir o coração... era música pra ela. Os dois ficaram quietos, mas nenhum deles estava dormindo. Perceberam uma corrente de ar fresco passando pelo quarto. null viu uma enorme e linda cortina sendo empurrada pra dentro do quarto pelo vento.
- O que tem lá fora? – ela se levantou, mas null ainda a segurava pela mão.
- Ah, não... Só tem uma rede!
- Rede?! Eu quero!
Foram até a pequena área que havia ali. Encontraram uma rede como null disse, e um violão encostado no canto.
- Eu nunca dormi numa rede! – os olhinhos dela brilhavam. Ele se sentou e deitou, ela deitou junto, com a cabeça sobre o peito dele e naquele balanço suave que só uma boa rede sabe fazer, eles não demoraram a dormir. null foi rapidamente envolvida num sonho.
Sol, parque, crianças brincando... Isso está parecendo até um dia de domingo. Eu andei pelo meio das crianças, uma menina loira pulando corda, um cachorro simpático, uma menina com um grande sorriso no escorregador, várias crianças amontoadas naquele brinquedo de armação metálica onde elas apenas sobem, outras crianças faziam fila pra ficar nos balanços. Eu me senti criança! Tive vontade de sentar naquele brinquedo que gira, eu adorava quando tinha meus seis aninhos! Oops! Andava distraída e me bati com um menino.
- Precisa olhar mais pra baixo pra não bater nas crianças pequenas. – ele me respondeu sério, parecia até um adulto! Acho que fiquei com medo dele... brincadeira. Ele devia ter uns oito anos, eu acho.
- Desculpe menino! Foi sem querer.
- Menino não! Eu já vivi muito e sei de muitas coisas. – crianças metidas a espertas! Crianças assim viram políticos!
- Muitas coisas?!
- Sim. Eu sei de tudo.
- Tudo de quê?
- Tudo de tudo.
- Como pode saber tudo? Não tem nem tamanho pra entrar na faculdade!
- Eu não preciso disso! Minha bisavó me disse que eu sei de tudo agora porque eu ainda não conheci o mundo. Dentro de poucos anos conhecê-lo-ei, e então tudo esquecerei.
Certo, agora esse garoto me assustou. Quem é a mãe desse louco? É um anão?
- Você é anão? – aproximei meu rosto do dele e devia estar com cara de retardada. Acabei vendo que ele tem belos olhos e uma pele de porcelana, sem manchas ou sinais.
- Eu não sou anão. Eu estou ficando mais novo e dentro de poucos anos vou esquecer todas as coisas que sei do mundo, pra reaprender talvez 10% do que sei hoje. Me tornarei burro e vazio como uma folha de sulfite, e durante a minha vida essa folha nunca vai terminar de ser preenchida.
Eu continuava olhando desconfiada pra ele. Guri estranho.
- Cadê sua mãe?
- Não conheço ainda. Disseram que irei vê-la daqui a 172521736512627317373 minutos.
- Você foi criado por algum fanático em Star Wars?
- Existiram exatamente 182.625.267 fanáticos por Star Wars. Alguns já morreram e alguns ainda vão nascer.
- Você é o cara mais estranho que eu já conheci... mas eu gostei de você! – peguei na mão do menino e me senti feliz. Tive vontade de sorrir. Nós caminhamos juntos e sentamos num banquinho.
- Eu posso responder qualquer coisa que você perguntar!
- Sei...
- Faz uma pergunta.
- Vou pensar. – como é difícil pensar numa pergunta assim sem mais nem menos! – Qual a chance de eu estar ouvindo nos fones a mesma música que uma outra pessoa no mundo na mesma hora?!
- Às vezes a pessoa do seu lado pode estar ouvindo, já aconteceu. A chance é de 4,132%
- Puxa, impressionante... mas como eu vou saber que isso ta certo?
- Você ainda não acredita que eu sei tudo?
- Ah, sei lá... eu acho que eu to sonhando e...
- Eu posso responder uma pergunta que todos os poetas na Terra já tentaram. Ninguém nunca acertou porque a resposta é simples e eles sempre queriam enfeitá-la. Pode ser que a pessoa diga, mas nem percebe de tão insignificante que é a resposta.
- Mas que raio de pergunta é essa?
- O que é o amor. Você quer tentar responder?
- Isso parece muito fácil pra mim. Eu amo, eu sei.
- Não é só porque ama que você vai saber... Eu sei que você amou um menino na sétima série e que a sua vida virou de cabeça pra baixo a partir dali! Ah, mas enfim, pode falar.
Oi? Como ele sabe do null?
- Ah... é uma coisa que te faz perder a respiração e a fala!
- Não, o nome disso é bronquite asmática.
Eu hein! Franzi as sobrancelhas e olhei pra ele... Guri estranho²! Vou pensar em outra resposta.
- Hm, o amor te faz sair do chão e te transporta para lugares que nunca tinha visto!
- O nome disso é avião. O amor é outra coisa.
- Ok... Amor é uma coisa que chega de repente e te transforma em refém.
- Isso aí e S-E-Q-U-E-S-T-R-A-D-O-R! Tente de novo.
To ficando irritada. Vou ser presa se bater num menininho? Ai, bem que me deu uma vontade de sentar a mão no garoto irritante, mas eu não consigo mover minha mão pra ser violenta com ele... não sei por quê.
- AMOR – comecei quase gritando e soltei o ar antes de continuar – é uma coisa que deixa seu aroma por onde passa.
- Pra ser honesto... amor não deixa aroma nenhum. Só as vacas com diarréia é que deixam!
Eu ri. Esse menino é foda.
- Desisto. Pode falar então a sua digníssima resposta.
- Como eu disse, é algo simples. Todo mundo sabe, mas é uma resposta tão simplória que ninguém nem percebe. Amor é algo que não...
***
- Vai logo! Vão cercar a gente! – dava pra ver os reflexos azuis e vermelhos do carro da polícia chegando perto.
- Que mané cercar o que! – ela pisou mais no acelerador, se é que isso é possível e passou num pedágio levando embora aquele bracinho automático que fica na frente, que naquela hora pareceu feito de isopor. Eu entendi bem? Estamos fugindo da polícia?
- null, por que a gente ta fugindo mesmo? Estão atrás da gente?
- Claro que estão! Somos procurados por todo o país, caso tenha esquecido null!
- MAS O QUE A GENTE FEZ?
- null, não é hora pra perder a memória! Não me desconcentra caraíí!
- Espera aí! Quem diz isso o tempo todo sou eu! E de onde você tirou esse Nissan GT-R turbinado desse jeito? – eu não lembro de minha namorada ter um desses! Não mesmo.
- E AGORA! PEGO A PONTE OU O TÚNEL? VAI, ME DIZ O QUE ACHA, RÁPIDO! – ela ignorou minha pergunta e me pôs em pânico.
- PONTE! – gritei! Surtei! Já estava desesperado num carro a mais de 200km/h numa contra-mão!
- AAAH NÃO, A PONTE TA EM OBRAS! VAMOS MORRER! – ela começou a gritar e tirar as mãos do volante pra levar à cabeça. Eu também não sabia fazer outra coisa vendo aquelas barreiras avisando a obra na estrada. null passou com tudo jogando aquelas barreiras pra longe... Por que tudo que ela passa voa longe como se fosse de isopor? Não sei. Só sei que do nada aquela estrada acabou e nosso carro estava voando pelos ares... a porta do meu lado se abriu e eu caí pra fora, ESTOU VOANDO! VOU CAIR!
A claridade do sol que nascia já estava batendo no rosto de null. Ele levantou agitado e gritando, se esquecendo que estava numa rede e acabou caindo no chão. null acordou assustada com o agito.
- OMFG! Você ta bem? – ela não caiu junto por sorte e ficou observando o menino se levantar fazendo careta.
- Ouch... sonhei que a gente tava no Need For Speed. – ele falou com as mãos nas costas e ela gargalhou – Sério! Fugindo da polícia!
- Ai null... me tirou do meu sonho perfeito por causa disso?!
- Sei lá, me assustei porque o nosso carro saiu voando e acordei antes de cair no chão. – ele esfregava os cabelos com a cara amassada.
- Tem certeza que foi antes de cair no chão? – ela se ajeitou pra ficar sentada e começou a rir.
- É, agora eu sei... foi você que fez a gente voar pelos ares! Você tava dirigindo.
- Quem voou pelos ares aqui foi só você... da rede até o chão! – ela ria descontrolada da cara dele e ele foi até lá pra fazer-lhe cócegas até cansar. Acabaram caindo os dois por conta daquela agitação toda e ficaram no chão recuperando o fôlego.
- Desculpa null, o médico falou pra você ter repouso e olha o que eu faço, te derrubo da rede!
- Ta tudo bem, null... Você já reparou que estamos virando peritos em acordar na hora que o sol ta nascendo?
- Uhum! Deve ser porque a gente às vezes não dorme debaixo de tetos como pessoas normais. – ela deu um sorrisinho e ele logo se levantou, depois ajudou null a se levantar também – Fica aqui sentada na rede!
Ela não disse nada e sentou na rede, observando o que ele fazia. null caminhou até um canto, pegou o violão que estava ali encostado e sentou no murinho. De início, null ficou com medo que ele caísse dali, mas sua atenção foi desviada para os acordes e frases que ele começava a cantar.
I'd be lying through my teeth if I told you
(eu menti quando disse a você)
That I'm ok
(Que eu estou bem)
July came I thought I had it all together
(Quando chega Julho, eu penso como estávamos juntos)
Until you said
(Até você dizer)
I need some space
(Estou sufocada)
Truth be told
(Verdade seja dita)
It's so hard to wait
(É muito difícil esperar)
‘Ele não existe! Como pode uma criatura cantar tão lindamente depois de ter caído da cama, literalmente?!’ ela pensava enquanto o observava com o olhar de cachorrinho vendo o frango da padaria girar. Não queria nem piscar pra não perder um segundo daquilo. null sentado ali, cantando e olhando pra ela, a luz do sol que estava nascendo batia nos cabelos dele, deixando-os mais vivos ainda.
One eye on the clock
(Um olho no relógio)
And one on the phone
(E o outro no telefone)
It's 5:19
(São 5:19)
I'm feeling alone
(Estou me sentindo sozinho)
If I could talk to you
(Se eu pudesse falar com você)
I'd wanted you to know
(Eu queria que você soubesse)
I'm holding loose
(Que estou me sentindo sozinho)
But ain´t letting go
(Mas não estou indo embora)
Os olhares deles se encontravam às vezes e eles ainda tremiam com isso... ‘Quero olhar pra ela e me sentir assim até daqui a sessenta anos!’ ele pensou e mostrou seu sorriso de um milhão de dentes. null curtia a música e começou a sentir seus olhos úmidos. ‘Deve ter a ver com a gravidez, devem ser os hormônios! Por que eu estou ameaçando chorar quando era pra eu sair dando estrelinhas?’
We both know that I could think myself dizzy
(Nós dois sabemos que eu poderia me achar louco)
Right now I´m spinning around
(Agora mesmo estou sem direção)
And you said, "baby don´t worry"
(Eu sei que você disse, "Meu amor, não se preocupe")
But I just miss you right now
(Mas eu sinto sua falta agora)
I say I miss you right now
(Eu disse que sinto sua falta agora)
One eye on the clock
(Um olho no relógio)
And one on the phone
(E o outro no telefone)
It's 5:19
(São 5:19)
I'm feeling alone...
- HEY SON OF A BITCH! QUE BARULHEIRA DA PORRA É ESSA LOGO DE MANHÃ? – o som foi interrompido por uma voz conhecida. Era null gritando na janela ao lado.
- Calma null! É só uma música pra null, ela merece!
- Então toca mais baixo! Ou espere uma hora decente...
- Desculpe, é que o meu amor por ela é algo que eu não consigo esconder!
Na hora que null falou isso, null lembrou do sonho. Será que era isso que o menino ia dizer? Amor é algo que não dá pra esconder. Realmente não dá!
- É isso! – ela disse com um sorriso.
- null?
- Hum?
- Tudo bem?
- Uhum!
- É que eu perguntei se você queria que eu continuasse tocando...
- Ah, sim! Termine a música. Depois eu te explico porque fiquei assim, tive um sonho louco!
null assentiu e voltou a posicionar os dedos nas cordas do violão.
...If I could talk to you
(Se eu pudesse falar com você)
I'd wanted you to know
(Eu queria que você soubesse)
I'm holding loose
(Que estou me sentindo sozinho)
But ain´t letting go
(Mas não estou indo embora)
Baby, take all the time you need
(Baby, demore quanto tempo você precisar)
I just want you to know
(Eu só quero que você saiba)
I'll be here, waiting
(Que eu estarei aqui, esperando)
Enquanto ele tocava, ela ficou pensando no que era o amor. Teve certeza que agora a resposta estava certa, mesmo sem o menino estranho pra confirmar. E como ele havia dito, as pessoas falam essa resposta sem nem perceber. Não é complexa e nem poética, é só... a verdade. Não podemos esconder quando amamos alguém.
With one eye on the clock
(Com um olho no relógio)
And one on the phone
(E o outro no telefone)
It's 5:19
(São 5:19)
I'm feeling alone
(Estou me sentindo sozinho)
If I could talk to you
(Se eu pudesse falar com você)
I'd wanted you to know
(Eu queria que você soubesse)
I'm holding loose
(Que estou me sentindo sozinho)
But ain´t letting go
(Mas não estou indo embora)
null tocou as últimas notas ao fim da música e null batia palmas.
- Gostou? – ele se aproximava.
- É, mais ou menos, vai fazer um sucessinho... – ela sorriu ao terminar com a ironia.
- Tudo bem, nem fiz pra você mesmo – respondeu com mais ironia e ela deu a língua enquanto ele se sentava ao lado dela.
- Eu amo você, sabia? – null encostou a cabeça no ombro dele, que pôs a mão sobre os cabelos dela.
- Eu sempre sei de tudo, acostumei até.
- Ih, parece alguém que eu conheci hoje... – ela levantou a cabeça de onde estava apoiada e estreitou os olhos pra ele. Achou alguma coisa no olhar de null parecido com o do garoto do sonho.
- Quem você conheceu hoje?
- É que eu tava num sonho muito engraçado agora.
- Eu apareci nele?
- Não. Mas tinha um menino que disse que a minha vida ficou de cabeça pra baixo quando eu vi um garoto entrar numa sala de sétima série – null olhava pra dentro daqueles olhos tão parecidos com os do garoto do sonho. Parecia que estava sonhando de novo.
- E a minha virou um monte de músicas depois que eu vi uma garota passar olhando pra mim!
Fim [n/a: Enganei? Aposto que sim, num acabou ainda hehahehahaeheh que mala, pode me esganar :B mas antes, lê a parte que falta, ok?! Eu avisei que ia ser grande o capítulo? Ah, avisei OAIOAIAOIA! Pode botar pra carregar We'll Never Know se quiser, foi a música que me fez pensar na cena que começa daqui a pouco *-* mas nãão é ainda a música que falei na nota do começo do capítulo, aquela é oooutra e vai tocar mais adiante. Seu ponto de vista começa agora.]
Três anos depois
- Estamos aqui hoje reunidos... – o padre começava sua fala decorada que ele já deve ter dito mais de dez mil vezes. Eu não sei se estava mesmo abafado naquele lugar, ou se era a minha ansiedade trabalhando de dentro pra fora, mas eu comecei a transpirar. Um suorzinho modesto podia ser visto na raiz do meu cabelo e eu comecei a ficar inquieta!
- Mas que diabos... – eu cochichei em tom de irritação e null forçou levemente seu cotovelo na minha costela.
- O que você tem? Seja uma boa madrinha e fique em estado vegetativo enquanto o padre fala! – ele sussurrou entre os dentes. Nem respondi mais nada. Eu li o manual de como ser uma boa madrinha, ok? Só que é meio difícil manter o sorriso e o salto alto quando se está num local abafado, sem saber que hora o padre vai terminar de falar e tendo que equilibrar dez quilos a mais no seu peso. Sim, eu estou grávida e dessa vez não houve dúvidas como na primeira. Minha barriga está enorme, já está perto de nascer! É uma menina, e ela vai ser grande pelo tamanho da minha barriga! Talvez vire jogadora de basquete... Não sei nem como null me escolheu pra ser madrinha, com esta pança gigante. Certo, ela me ama! Eu a amo também, foi madrinha quando casei com null ano passado.
- Eu vos declaro marido e mulher – É, finalmente a cerimônia terminou. É tão emocionante ver minha amiga se casando com meu primo! Eu estou a ponto de chorar aqui! Gente, eu me lembro deles desde criança juntinhos... relaxa null, não chora. Olha a maquiagem. A verdade é que quando estou grávida fico muito mais chorona. Não sei se as outras mulheres são assim. Agora eu entendo por que eu chorava tanto na época da minha primeira gravidez, que eu nem sabia. Ok, não vamos lembrar daquela fase, já passou. Ficou tudo lá atrás. Eu e null fizemos nossos votos, prometemos ser verdadeiros, amar, respeitar e todas essas coisas. Não há outra pessoa com quem eu poderia estar melhor. Ainda sinto o coração batendo forte como no primeiro dia. Acho que não virei um queijo suíço, afinal!
- ...E eu acho que o meu amigo null sempre serviu como um grande exemplo pra mim, ele me fez acreditar que nem tudo ta perdido e o amor existe. Não está aposentado nem fora de moda. É só você se permitir. Eu soube no dia em que flagrei os dois no banheiro que não muito tempo depois eu assistiria o casamento! Ah, sim! E que flagra no banheiro, huh! Desculpe null, mas um dia eu teria que contar isso... – null estava deixando as suas palavras aos noivos com emoção e bom humor. O local da festa era uma chácara. Já ouviram falar numa coisinha que é filme em preto e branco? Aqui eu me sinto num filme verde e branco. Sério. O gramado se estende impecável por todo o território e todas as cadeiras, mesinhas e flores são brancas. A decoração está linda e as músicas são animadas. Agora mesmo começou a tocar uma do Lifehouse, minha amiga é muito chique! Tinha que ser minha BFF.
[n/a: opcional tocar We'll Never Know. Pode deixar em volume baixo, pra parecer o som da festa aheuheua o/]
Quando null terminar de falar será minha vez. Ontem à noite eu fiquei pensando em um monte de coisas que poderia falar, até me emocionei! null me viu com os olhos aguados e perguntou o que era. Eu disse que era um pouco de emoção e um pouco de frustração comigo mesma porque já sabia o que ele ia falar e não consegui um texto bom como o dele. Nós sabemos que ele é bom em falar coisas bonitas. E nós sabemos que eu não sou. Então não conte pra ninguém que ele escreveu pra mim algumas coisas que eu pudesse falar. Em outras palavras, ele me passou uma colinha! Vou confessar aqui, me senti na época em que nós estudávamos! Eu fazia pra ele as colas de biologia e ele as de matemática. null não precisava colar em nada, mas ajudava a gente nas horas de sufoco. Ótima parceria. Ótimos tempos. Mas agora os tempos também estão... aw! Alguma coisa aconteceu. Senti uma pontada, umas queimações loucas e acho que to melecada (eww!). Eu juro que não mijei e também não estou com diarréia. É pior que isso. Imagine o que pode ser pior do que mijar no meio do casamento da amiga. É, acertou. É dar a luz no meio da festa.
null’s point of view OFF
- null... – null chamou pedindo sua atenção, mas ele ainda falava e fez sinal que esperasse com a mão.
- E esse não é só um final feliz, é um recomeço. Vai por mim null, o primeiro ano é tudo maravilha! Eu ainda não sei como é que vai ser o segundo, então não posso dizer. Isso vai depender da abelha rainha aqui...
- Então eu acho melhor você dar uma olhada na sua abelha rainha! – null apontou para a prima, que dobrava o corpo levemente para frente com um dos braços sobre a barriga.
- null, null, o que ta acontecendo? Está na hora? – está na hora? pergunta mais comum dos maridos para suas mulheres nesse estado. É tão óbvia a expressão no rosto de uma mulher quando “está na hora”, por que eles precisam perguntar?
- Faz alguma coisa null, me tira daqui! – null puxou o braço de null e tentou falar baixo no ouvido dele, mas já estava com dores e sua voz saiu um pouco mais alta do que ela queria.
Fato 1: null morreu de vergonha dos outros convidados. Fato 2: Ninguém sabia o que fazer.
- null não perde a classe amiga, faz aquela respiração que te ensinaram – null ficou de pé ao lado dela.
- Respiração é o caralho eu quero ir pro hospital!
- Eii, não seja mal educada Sra. null! Você quer que a sua filha cresça falando assim? – null também ficou de pé e pôs as mãos nos quadris.
- Não! Ela só vai falar palavrão depois dos quinze anos. – null falou em meio à respiração ofegante. Cada palavra era arremessada pra fora da boca como se ela estivesse expulsando-as.
- Vamos, segura no meu ombro. – null se abaixou perto dela. Ele a ergueu em seu colo e começou a andar. No começo foi difícil equilibrar, mas logo conseguiu ganhar velocidade. null corria com null nos braços, movido certamente por alguma força sobrenatural. null corria um tanto desajeitada atrás dos dois com seu véu esvoaçante. null corria atrás dela segurando a calda enorme do vestido e mais atrás vinham null, null, null, null e todas as pessoas da festa. Até o padre seguiu o fluxo também. Corria lá em último, por conta de sua idade avançada.
- Ai null, amiga, boa sorte! – null chegou na janela do carro onde null colocara null e as duas uniram as palmas das mãos pelo vidro, deixando-o embaçado em poucos segundos devido à temperatura corporal elevada pela adrenalina. Por alguma razão, as duas tinham os olhos cheios de lágrimas. Quando o carro se afastou, null ficou com as mãos na boca e suas lágrimas despencaram pesadas feito pedrinhas de diamante. null a abraçou e deu-lhe um beijo na cabeça, em seus cabelos fofos.
Ao chegarem no hospital, null preferiu esperar do lado de fora. Dentro da sala, null não demorou muito pra ouvir um gritinho agudo e desafinado. Era ela. Aquela a quem ia despejar todo seu amor e proteção dali em diante. Porém quando null pensou que estava tudo tranqüilo e encostou a cabeça para trás, se houve dez segundos de sossego foi muito. Logo aquela dor arrebatadora voltou a queimar sua barriga. Imagens de prédios em chamas passaram pela cabeça de null e ela quis muito rir com isso, mas com a dor que sentia, forçar a musculatura do rosto pra sorrir elegantemente era exigir demais. O médico se esticou um pouco pra falar com ela e com alguns gestos explicou que havia mais um, então pediu que ela fizesse força outra vez. null nem pôde acreditar. Como assim mais um? Sentiu vontade de fechar as pernas e impedir que a coisa saísse, imaginando que podia ser o seu útero ou rins, de tanta força que fez anteriormente. Poucos segundos e mais um chorinho desafinado preencheu toda a sala. O choro cessou por alguns segundos enquanto a criaturinha encarava a mãe com olhos grandes. Esse já sabia mandar olhares profundos! Sim, era um menino! E null agora conseguiu sorrir, virando a cabeça pra trás de olhos fechados.
Alguns instantes depois, o médico foi chamar null. Ele estava sentado com os cotovelos apoiados nas coxas e balançando as pernas, tenso.
O médico apenas sorriu quando null levantou o olhar pra ele. Fez um gesto com a mão: Dois.
A princípio, null não captou a mensagem. Por que ele fez dois com a mão? Vendo a cara confusa de null, o doutor pediu que o rapaz o acompanhasse. Durante o caminho ele teve um baque. Percebeu que aquele dois só poderia significar uma coisa. Houve um espasmo gigante seguido de paralisia em seu corpo todo. O doutor riu de novo e abriu a porta do quarto, onde puderam ver null segurando um bebê em cada braço. null esfregou todo o rosto e ficou parado na porta, achou que fosse alguma brincadeira. Quando deu por si, o médico já havia adentrado ao quarto e estava parado ao lado de null, falando com ele.
- Ande logo com isso! Tem duas pessoas ansiosas aqui, pai!
null sacudiu a cabeça e teve um tremilique ridículo pelo corpo todo ao ser chamado de pai. Pela primeira vez ele estava oficialmente nessa condição. E em dobro.
- null, que surpresa foi essa? – sua voz saiu um pouco falha.
- Eu também não sei null! O nosso pobre menino estava lá o tempo todo e a gente não sabia!
null olhou pro médico mais confuso ainda.
- O erro foi meu, eu peço desculpas. Acontece que o espaço ficou pequeno dentro do seu útero e o rapaz aqui estava sempre escondido atrás da irmã na hora de fazer ultra-som. Eu vou deixá-los a sós. Os senhores têm dez minutos e depois os bebês serão levados para fazer alguns exames.
O médico saiu e null olhava dez segundos pra um, depois dez segundos pra outro, não sabia em qual parava o olhar.
- null.
- Hein?
- Temos um pequeno problema.
- Problema? Não temos problema algum null, nós tivemos gêmeos! – ele quase pulou ali. Até os bebês se assustaram, mas eles ainda iam se acostumar com o jeito eufórico do pai.
- Ta bom, não é um super problema. É um probleminha. Não escolhemos nomes de menino. – ela terminou de falar e a cara dele se tornou pensativa.
- PUTAFODEU! Também precisamos dos móveis dele, das roupas dele, do leite dele! Você tem leite pra ele, né? A gente ta ferrado!
- Calma null! O pior já passou... Agora é só comprar mais fraldas, mamadeiras, outro berço e roupinhas azuis!
- É! Então, eu vou comprar as coisas null, não se preocupe! Só relaxa aí e pensa no nome. Vai falando nomes até que ele demonstre alguma reação, é uma forma de dizer que foi ele quem escolheu. Se bem que eu não acredito muito nisso, mas enfim...
- Tudo bem. Não se preocupa Dylan, o pai vai trazer tudo que você precisar.
O menino sorriu e se agitou.
null viu que o nome foi escolhido e saiu em seguida. null teria alta em três dias já que ela e os bebês estavam bem. Era o tempo que ele tinha pra arranjar tudo.
Cinco meses depois
[n/a: Play 5:19 do Matt Wertz]
Alguma hora da manhã. null acordou sentindo algo úmido na mão que estava caída pra fora da cama. Era Sushi, uma cadelinha filhote da raça labrador que eles ganharam de null. Sushi lambeu as pontas dos dedos de null e ela custou a abrir os olhos. Quando o fez, percebeu o outro lado da cama vazio. Ela lembrou que era a noite de null ir socorrer os pequenos se um deles chorasse. Levantou sonolenta e cambaleou até o corredor.
• Pequena visualização do corredor •
Ao sair do quarto ela olhou para os dois lados. O corredor do segundo andar contava com cinco quartos e nas paredes vários quadros em diferentes alturas. O quarto dos gêmeos era o último, o que fica de frente pra quem chega na escada. O casal ficou com o quarto da segunda porta à direita, bem próximo ao dos bebês.
null entrou no quarto devagar e logo pôde ver null dormindo sentado numa poltrona macia com um bolo de pano nos braços. Chegou mais perto e constatou que enrolada nos tecidos estava Hayley. Pele rosada, cabelos da mãe, olhos do pai, nariz da mãe e lábios do pai. Curiosamente Hayley tem uma marca de nascença que é parecida com o desenho de uma maçã. Tem a cor de bronze, é como uma ilha no meio da pele clara ou, pra quem tem muita imaginação, como um montinho de areia no meio da neve. Um adorável desenho bem no meio de seu fino pescoço, absurdamente no mesmo lugar onde null tem uma tattoo. Ela preferiu chamar de coincidência, sem pensar muito nisso.
Após pegar Hayley dos braços do pai cuidadosamente e colocar no berço, ela observou Dylan por uns minutos. Este não nasceu com marca alguma, sua pele era clara e limpa como um tecido que foi lavado por profissionais. Podia estar muito cedo pra isso ainda, mas null achava que há no mundo dois tipos de pessoas que têm chances de sucesso na vida: As espertas e as inteligentes. E já classificando os dois, Hayley tinha cara de ser a esperta e Dylan o inteligente. Kelly já imaginava Hayley implicando com ele “Eu sou um minuto mais velha, me obedeça!” E sorriu com o pensamento, mal podia esperar pra ver essa cena.
null ainda dormia pesadamente na poltrona e ela se aproximou. Ao tocar a pele do braço dele percebeu que estava frio e pegou um cobertor de bebê no armário. Tinha de cuidar dele, afinal foi quem lhe deu seus maiores presentes. Nesse momento, as pessoas que estavam ali no quarto eram as mais importantes do mundo. null ficou observando como ele respirava calmo e as vitaminas da luz do sol que nascia deviam estar penetrando-lhe a pele do rosto. Vários pensamentos se passavam a todo instante na cabeça dela. Lembrou de quando conversava com null sobre o cara mais lindo que ela já viu e agora ele é simplesmente o seu marido. null pensou na palavra casamento e em como ela representa uma repetição. Todos os puxões de orelha que antes eram dados por seus pais, agora é papel de null. Mas isso é pequeno e não importa. O importante é que ainda que o sol nasça milhares de vezes, e mesmo que sua pele crie algumas rugas, ela vai ter o corpo marcado por uma tatuagem no pescoço. Não importa o tempo que passe. Comparando sua tattoo ao seu marido, ela concluiu que null foi a tatuagem que atingiu a mais profunda das dermes. O amor é a tatuagem que marca na alma e fica pra sempre.
FIM
[n/a:22-12-2009
Discursodiscursodiscursodiscursodiscursodiscursodiscurso AEHEIAHEIAHIAHEHAUEH
Eu espero que vocês tenham gostado da fic e principalmente desse final :B pq eu pensei em escrever algo diferente e menos meloso mas finais menos melosos não combinam comigo! Quando eu leio uma fic com final diferente -diferente tipo *eles-não-ficam-juntos* me dá até uma tristeza (até hj eu tenho raiva qd assisto Romeu e Julieta AHAUHAUHAUHAUHU) acho que pelo menos aqui nas páginas do word (ou do navegador que seja) eu tenho direito de surrupiar o lugar da Frankie e ser feliz pra sempre com o Poynter nénaum?
Hauahahahsauhsuinhaiiii *surtei*
Atenção para o detalhe :B vcs viram que ela sonhou com um garoto, três anos atrás. Ficou subentendido se aquele era o filho dela ms eu gosto de pensar que YES HUHEHEIAHUE~~ o filho que ainda ia nascer, não o que teve o aborto! Pq aquele lá mor-reu msm u.u... então era o Dylan, com uma certa idade, morgando no mundo dos anjos até nascer AHEUHEUHAUEUHU ALOK! A personagem esqueceu isso dps de três anos, ou não deu tanta importância, (até pq achava que ia ter só uma menina) o/ mas se a fic tivesse continuação ateee os gêmeos crescerem mais, tipo crianças de 6 anos e pah, ela provavelmt se lembraria q o garotinho dela tem a mesma aparência do menino do sonho de anos atrás. BUUTT essa fic não vai ter cont. então, err... Dylan vai ser pra sempre bebê msmo -qq
Atenção para o detalhe²: vc tinha uma caixa rosa que queimou completamente mãããs reencontrou uma caixa roxa bem na sua frente *-* ahahahehauehuah rima tosca :B
Puxa, me dá uma dorzinha pensar que cheguei ao final de Tattoo! Não é daquelas dorzinhas que a gente toma anador D: é a dorzinha da saudade ='( Quase UM ANO publicando capítulo por capítulo... Começou a ser publicada em janeiro/09! Dava tempo de plantar uma jabuticabeira, ela ficar enorme e eu colocar um balanço nela!! aoiesuhsuohuossushuahsusa abafa :P
Eu só tenho que agradecer! Se um dia eu quis me esforçar pra essa ser a minha melhor fic, isso é culpa do apoio de vcs *---* Na tentativa de deixá-la sempre melhor, tattoo acabou ficando maior do que eu pensei que fosse ficar... e eo axo que é a melhor fic que eu já escrevi até agora shushusas! (ups então pra quem não curtiu essa nem lê as outras :B)
Aaah eu pensei em tantas coisas pra colocar aqui, mas agora que eu sentei na frente do PC pra escrever sumiu tudo --' vsf! Isso que dá escrever a n/a às quatro horas da manhã u.ú yep eu escrevo tudo à noite hsuhsuhsus! Preciso de mais paz e tranqüilidade pra escrever do que pra dormir... então eu escrevo à noite e durmo de dia hsuhsushuah e sim, eu estudo à noite tb ^^ estudar à noite foi o milagre da minha vida *o* qd eu estudava de manhã minhas notas eram ridículas (professores de matemática que o digam!) -Q
Eita duude, por que eu to falando isso msmo?? *Foco* garota hsuhsuhsuas... É melhor eu falar logo das músicas ao invés de ficar castigando vcs com uma n/a do tamanho da fic oO! Se bem que... vcs já tão acostumados nee? As minhas notas raramente tem menos de 10 linhas (só qd a fic começou) AHAUEHUAEHUA e ela ta ai pra quem quiser ler nénaum o/ mas whatever~
193227393897329 músicas apareceram aqui KKKKKKK às vezes em uma frase, outras apenas tiveram os títulos mencionados, ou usados como título de capítulo, etc etc... Coloquei as mais importantes numa pasta que chamo de... musicastattoo aahahhaah quaaanta originalidade nesse nome!! -gzuz!
A pasta zipada está nesse link: [*] e o tamanho dela é de: 164MB :~ meio grande? OAIHSOHSOHOA no problem... eu dividi em suaves prestações pra quem estiver com a net mais lenta [Parte 1][Parte 2][Parte 3][Parte 4] cada parte tem +/- 40MB
Algumas músicas da pasta são mais populares e a maioria deve ter, por exemplo a do Panic e do FOB, (e até uma do David Guetta oO) ms eu não pude deixar de incluir, afinal elas fizeram parte! Vou exibir a lista do que tem na pasta, pra quem quiser dar uma olhada antes de baixar e ver se vale a pena :B OBS: não constam as músicas do início da fic, pq são musicas já bem 'gastas' em todo o planeta -qq
(Satisfaction - Benny Benassi, Believe - The Calling, Meet You There - Simple Plan, Feeling This - Blink 182)
Agora sim é o que tem na pasta .-. até a do McFLY eu pus ^^ aliás, principalmente a do McFLY! sapoha é de que afinal?? AOIHAOHOAIE
7 Minutes In Heaven - Fall Out Boy
8 ou 80 - Pitty
5:19 - Matt Wertz
1,2,3,4 - Plain White T's
All Hail The Heartbreaker - The Spill Canvas
All The Memories - The Classic Crime
Anywhere But Here - Safetysuit
Breakdown - Forever The Sickest Kids
Build God, Then We'll Talk - Panic At The Disco
Count 'Em One, Two, Three - The Maine
Cross My Heart - Mariana's Trench
Derb 2009 (Radio Edit) - D'azoo At Night
Down - Jason Walker
Face Down - The Red Jumpsuit Apparatus
Get Free - The Vines
Gives You Hell - The All American Rejects
Good Day - The Click Five
If It Means A Lot To You - A Day To Remember
In My Arms (Chris Lake Radio Mix) - Kylie Minogue
Now That The Love Is Gone (Club Remix) - David Guetta
Obvious - Hey Monday
Ocean Avenue - Yellowcard
Say Anything (else) - Cartel
Shake It - Metro Station
Shattered - Trading Yesterday
So What - Pink
Stay With You - Goo Goo Dolls
Supermassive Black Hole (Live At Wembley Stadium 2007) - Muse
Take It Home - The White Tie Affair
Tattoo - Jordin Sparks
That's Not My Name - The Ting Tings
The Heart Never Lies - McFLY
Tongue Tied - Faber Drive
Touch My Hand - David Archuleta
We'll Never Know - Lifehouse
35 músicas, até q não ta pouco :D é mais que uma por capítulo qq -eu sou uma pessoa que ouve música o dia todo bgs!
E não tem só música ai na pasta... tem um bloco de notas com n/as .-. quase todas elas, juntei e botei la hauehuehauheuha alok! Sabe pq eu fiz isso?! Éq a fic vai ter mais leitores deps de finalizada, ou sei la, assim espero haheuheau e às vezes na nota da pra esclarecer alguma coisa, se a pessoa tiver vontade de ver a nota de um capítulo específico e pans.. não quero que ninguém se sinta excluído -Q
Às vezes eu tenho vontade de ver as notas de muitas fics finalizadas que já li, não sei se todo mundo tem essas curiosidades ahahruehriaouhi ms o arquivo é leve, não me custa nada colocar lá =] Paula tb deixou algumas n/b's pelo caminho e elas tb estão lá! Paula foi uma beta incrível, que foi sempre prestativa, fofa, e era quem dizia relaxa kelly, quando eu tinha minhas dúvidas e crises existenciais :S eu devia pagar um salário milionário pra ela! A Paula teve o maior cuidado, testava todos os links e foi muito amiga da minha fic e quem faz bem pra minha filha ops FIC, faz bem pra mim logiko... mas eu não vou me despedir muito dela não AHAIUAHIAHEUHE ms num é que ela não mereça, a Paula fez por merecer e eu acho que em breve trabalharei com ela again *-*
Agradeço tb à Carly, que foi a primeira beta de Tattoo. Ela ficou por pouco tempo então não vamos ter notas dela... Não tive tempo de conhecê-la bem, ms eu sei que teria sido ótimo de qualquer forma ^^
Agradeço minhas amigas Line Judd, Celle Jones e Dani Fletcher que aceitaram ser os nomes das variáveis para o script da fic! Mesmo que algumas nem gostem de ler fics harhuehueh! Agradeço aos garotos do McFLY por eles existirem e serem tão lindos, engraçados e musos inspiradores absolutos, ui! Agradeço a Deus por vocês terem acompanhado isso aqui! Hauhshsuhuah e obrigada àqueles que leram depois de finalizada! Obrigada aos que comentaram, aos que não comentaram ^^ obrigada a todo mundo que viu o título da fic lá e clicou nele, pronto KKK!
Desde a primeira pessoa a comentar até a última delas, agradeço a todas pq foram as pessoas limds que me deram a força, a inspiração e a vontade de fazer um bom trabalho em Tattoo! Vcs foram as amigas que me ensinaram a ficar ansiosa por visitas que eu não posso cumprimentar com apertos de mão ms foram tão emocionantes quanto abraços. Me fizeram rir e chorar na frente da janelinha rosa do Haloscan :P
Eu morrimt com cada uma que comentava... é eu costumo morrer o tempo todo :S por falar em Haloscan (e mortes), eu espero que não tenhamos nenhum caso de morte de autoras com essa coisa do Haloscan fechando, pq sinceramente, fic sem comentários é fic morta u.u a minha primeira fic que o diga, os comentários dela sumiram D:
Releva~
Fiz uma imagem, tem os nomes de vcs *--* quem comentou de 24 de janeiro até o dia 22 de dezembro de 2009 ta aee, eu fiquei pensando no que podia fazer, mas a criatividade veio limitada .-. será q vcs vão demorar pra se achar aii? HAUHAHEHAUEHAH maldade qq PS: desculpe se alguém apareceu duas vezes, com apelidos diferentes
PS²: os nomes estão do jeitinho que vcs escreviam aí, com letra minúscula, maiúscula, com carinhas, a menos que a fonte não permitisse algum caractere especial.
Okeys, eu sei q essa é a última nota (sério msm?) e eu não ia deixar respostas diretas só pra algumas pessoas, como nos outros capítulos ms... AAAA eu peguei esse hábito heueruruehuhuahi e vou responder alguns comentários da última att, como sempre. Rubia aaaaahahauahueh nem lembrava mais q Pete existiu :B ainda bem q ele não foi como a Delilah e apareceu no último capítulo só pra ser um bom minino e ganhar presente de natal .-. sem ficar alongando a história toda com mais sofrimento :S olha, vc até q acertou qd perguntou o que tinha acontecido pra 'viver de novo' hahaurhureuahe uma das suas hipóteses foi que tinham te confundido ne, e foi isso :D espero que tenha curtido a Rubia Rockfeller poakepakepoerkoepa hm, o filme dessa fic já existe na cabeça de quem leu e pra mim ela vai ficar bem aqui no coração S2 Lari S Oien :B to lendo Goodbye, to no capítulo 4 e ta tão foofo cels eu fiquei rindo besta na parte "tenho quase certeza de que o ouvi murmurar um ‘Eu te amo’ baixinho." -sou fraca pra essas coisas qq ms deixa isso pra qd eu for comentar lá heueuaheu se eu ficar falando da fic aqui dps não tem graça o/ Parabéns pela primeira fic, vc escreve lindament *-* AAA e os comentários de cima pra baixo KKKK eu sempre deixei nessa ordem pq qd eu abro a caixinha, já vejo o último lá no topo sakas... assim eu não preciso arrastar a barra atéee lá em baixo aeshishioso ms liga não, como eu sempre digo, deve ser a descendência oriental, é tudo ao contrário lá nénaum! DÉEBI VS TA VIVA!! -mas msmo assim, não me dê bala na cara u.u ayayaytuayutay alok qqqqqq obrigada Débi, por aparecer sempre aee vlw msm! Maria Fer vc leu a fic toda consideravelmente rápido! Vc é speed racer, meus parabéns rss! Começou a ler no dia que abriu o FFOBS, dia 5 não foi? Eu mesma to enrolando pra reler minha própria fic ahahhauea *vergonha* Anonymous AHEHAUEAHEUHEUA torimd qq Annie antes de ver que era anônimo e o seu comentário de correção q vc enviou dps, eu imaginei q era você :B e dps q falou da velha de bike eu tive certeza, claaaro hahauehuehau sempre enchendo a tela com seus comentários gigantes e drásticos .-. o leão sair pela cidade aisoaoihoaihoi rialto e a semana de caçarem a minha pessoa deu resultados vioo KKKKKKKKKKK qd eu li o comentário q eu descobri! Primeiro me atingiram com uma bola de futebol... MICÃO mas tud bem... aii a senhora dona BOLA DE GUDE resolve q eh hora de vimnimim também --' dps até os móveis da minha casa acharam q seria interessante arrancar o meu dedinho do pé >.< tips nunk fui tão atingida por objetos assim paokapaapaooaaop eles estavam me caçando *o* psé me senti o patolino com gaguinho correndo atrás de mim e trazendo Jack Bauer pra ajudar a me matar .-. #eternamentetenso! Ms deixando de lado as coisas sem noção q eu tava dizendo, é obiviuu q o seu nome estaria presente na última nota! A partir do momento q eu comecei a incluir essas respostas diretas nela, eu tinha em mente que o seu não poderia faltar! Vc lutou pra Tattoo virar fic do mês e msmo q isso não tenha acontecido, é uma honra que essa idéia tenha passado na sua cabeça, na cabeça de alguém que já leu tantas fics e escreve sua fic! Karen_chan eu te vi lá na comunidade, não é? Acho que vii sim ^^! Foi vc q flw q lê com cantor coreano, right? Eu fui procurar a banda q vc disse e meldels *o* ventilei mil aqui! QUEQUEISSOOO??? vc me apresenta os coréias mais limmmds q eu já vi e sai assim? Como se nada tivesse acontecido?? quero saber kdkd os nomes deles? hahauheheuha eu já acho longe o meu lovaforeva ser da Inglaterra, imagina um da Coréia oO ceeeels eu ia querer pular nas asas de um pelicano ou qualquer troço que voasse pra lá {? hm, asho q avião seria o melhor, é} Ki eu nunca ia querer te matar amigs, espero q vc esteja viva agora! Vou sentir mta saudade dos seus surtos e das suas mortes a cada capítulo D: Carol C. Judd eu nunk vou deixar de ser autora então! Nem q eu escreva uma história de duas linhas ms eu vou escrever!!! Isso é pq eu adooooro o que faço e se eu não puder escrever, então me mate OYAOYAOYEOUIYAOYUYEI rilitros com a devaca ressuscitada >.< eu tinha q ter prendido ela num daqueles círculos bizarros q eles fazem em Supernatural... esse seriado é cultura... Jess Jones olha agora q vc falou, pareceu msmo Lua Nova! Posso jurar de pés juntos q não é plágio? poakspkspokpsak se eu jurasse de pés juntos vc não teria como ver :S eu posso juntar até uma sobrancelha na outra q vc não veria oO se bem que é meio impossível aproximar tanto as sobrancelhas... é, eu tentei. Sobre as suas perguntas, acho q já foram respondidas com essa att, vc tava msmo grávida e perdeu u.u ms dps vieram gêmeos :D OEEE! DaniPorci vc pediu agora agüente as conseqüências! hahaahehahhaue isso soou meio pornô :S ms enfim, o q eu quis dizer é q vc queria um capítulo grande e acho q o cap 30 foi de encher o estômago neam?! A n/a tb então eu espero msmoo que vc tenha lido tudin firme e forte ahahauehu! Muito obrigada por deixar a Tattoo ser tatuada em sua vida *-* profundo, não?! ahahahaueheuhui to loca hj, é esse final da fic! Louise oi limmds vlw por follow no twitter =] rsss num se preocupa não q vc fez parte dos 99,999% q acharam que o fave ia se jogar do terraço u.u e essa seria uma ótima forma de morrer, se eu quisesse me suicidar SEM me matar {? tipo, se eu quisesse ser assassinada -Q eu acho que iriam jogar uma bomba aqui em casa se eu fizesse isso!! AAA tenha certeza de que Tattoo se orgulha por ser a primeira fic a te fazer chorar! ahahauheuhu não que chorar seja uma coisa boa ms ah vc entendeu~ JuJu ainda bem que vc é beem brasileira! Acho q eu sou argentina, americana, francesa, qlqr coisa pq quando se trata de "paciência com internet" eu desisto fáaacil! Imagina, vc? Vergonha na cara? Vc já fez um comentário enoooooooooooooorme, que me encheu de orgulho! Lá no seu blog, qd Tattoo era só uma criancinha cutecute foi um post tooodo sobre ela! Eu guardei, é! E vc ainda diz que vem mais por ai haha vou precisar de lenços para minhas lágrimas e desfibriladores loucament *o* pq só assim pra lidar com uma situação dessas, receber elogio de uma pessoa que tem uma criatividade miiil e ainda escreve bem pakas, eu morromuito, bgs! Ju eu lembro de vc nas primeiras atts haahahha ainda bem q voltou nenaum! Os primeiros capítulos dessa fic nem se parecem com os últimos... acho que eu fui colocando mais emoção do meio pro final, e acho que melhorei minha escrita também. A cada coisa q a gnt escreve aprendemos mais um pouco. Nesse aspecto, Tattoo foi pra mim um grande curso =] Dayana oiinn obrigada pelo DIVINO e tudo mais *-* vc sabe que divinas são vocês, essas almas que vem aqui e falam tudo nos comentários! E comentam sobre as próprias vidas com alguém que elas nem conhecem! Tenho grande afeto por cada uma de vcs! Marih naum prende o choro minine! As lágrimas são os riozinhos q a gnt tem por dentro... e os rios seguem o caminho pro mar, nesse caso, é pra sair pelos olhos D: eu to falando/escrevendo umas coisas sem noção hj, tipo filosofia de bêbado haheuheuehaueh ms a culpa não é minha não! É que são 4:30 da manhã .-. Lê, acho que não tinha dia melhor pra vc comentar e dizer tudo que disse... eu tava naqueles dias emos sabe? Pensando no que vai ser da minha vida e bla bla bla. Eu quero escrever, ms quando as dúvidas chegam elas vêm com tudo e a kelly-boa-em-nada aparece me atormentando -he! Ms ai basta chegar uma Letícia criando comunidade pra fic, fazendo sucesso com sua banheira de ácido, sendo amiga, deixando comentários que chegam perto de me provocar lágrimas... e as dúvidas se desfazem, vão embora como os pára-quedas de sementes de dente-de-leão. Eu n teria inteligência pra botar em palavras um agradecimento equivalente ao que você merece! Eu tb me empolgo qd começo a falar de vcs, pessoas que comentam na minha fic :B não tem como não ficar feliz com isso ahahahahauhauhu desculpem as outras fics mas tattoo teve as melhores leitoras ever... Desculpa eu não conseguir ser uma leitora tão boa pra WUFM como vc é pra Tattoo. Qd eu comento lá, o meu comentário é a caspa do cabelo do ajudante do vilão derrotado do filme, perto dos comentários que vc deixou aqui! Mas saiba que Wake Up For Me é maravilinda e merece todo sucesso, todo apoio e todas as leitoras desse mundo e até de outros :D Mel AHAHAHHEHAHU o seu comentário começa com "creio q meu comentário n vá ser o maior de tds q eu já fiz aqui.. -hm.. mas eu tento ok??!" e dps ele foi até cortado KKK :D espero que o castigo da sua mamis tenha terminado :S a minha não me castiga assim (proibindo acesso ao mundo rs) qd ela ta chateada me dá um gelo terríiivel q eu fico preferindo um castigo logo --' sobre a tattoo, parabéns pela sua nova =] eu não fiz nenhuma ainda pq não tenho coragem *memata* AAAAHAHAHUEHUH o dougie antinha qqqq assim, eu fiz ele mandar mensagem pq eu queria que ela - a sua amiga - visse que ele tentou se comunicar com ela qd o celular dela tava desligado, e eu nem sei se o celular registra chamada perdida se ele estiver desligado então o paia manda uns SMS's total freak :B ele tava desesperado poaekpaopke foi avisar pro seu primo, atrapaioo o jogo dele --' tsc ms quem mandou vc dar aquele susto nele?! Derrubando telefone no chão oO qiiisso minine?! AAA o Photoshop pesa um bucadin no pc, tem máquinas em que ele trava o tempo todo! Ainda bem q meu computador tem boas configurações e ele não trava hahauheuheua -q o meu Photoshop é CS2 ainda, se não me engano o atual é CS4... ms tanto faz~ eee a sua fic ahahahrahruhae *tenho culpa de ser poluída?* RIALTO! Vc tem o poder de me fazer rir em cada comentário, acho q quem te conhece se diverte loucament o/ Lettiere foi a primeira vez q vc comentou, né? euri com o comentário hahehahahaheuhua vc chegou quase no final mas à tempo de dizer ooii e xaauu ^^!! Kah colocou seu irmão de cobaia HAUHAURHUHEUEIH o/ Desejo-lhe uma melhor sorte com a matéria q vc disse =/ vou conhecer minhas matérias ano q vem e qd penso nisso (o que raramente acontece ms aconteceu agora que falei heuiheriuheuiaei) já fico tremendo na base :S obrigada por tudo, que vc tenha um bom ano também *-*
Desculpe não responder todos :S vcs sabem que estão todos salvos no meu Word cerebral =]
iaaae num to conseguindo me despedir howmake?!
Não sei descrever o que senti ao ver fiction foi finalizada ao lado do nome de Tattoo, mas com certeza teve um pouco de tudo misturado. A sensação de dever cumprido tb esteve presente e acho que é uma das melhores coisas. Foi minha primeira fic mais longa então essa sensação veio maximizada, high power mega total GRANDE!
>.< essa n/a ficou msmo do tamanho da fic!! Não me matem pleeees, sou muito jovem ainda e tenho muitas fics na cabeça!!
Pretendo escrever outras siim então pode ser que logo vcs me vejam aee '-'
AAA se alguém quiser ler (ou evitar, vai saber né KKKK) tenho outra fic no site, minha primeira fic: Guardian Angel/McFLY/Finalizadas :D
=***************
Links: Kelly | Paula | Comunidade
n/b: Oi gente, tudo bom? Só passando pra avisar/pedir que se vocês encontrarem algum erro, seja ele qual for, me enviem um e-mail [paulabrussi@gmail.com] indicando o erro e o nome da fic. Obrigada ;)
Aviso dado, agora dá licença, me segurei o ano todo então vou soltar tudo o que segurei o/ desculpem se essa n/b ficar maior que a fic, beijos. UHSUASHUASH
Hm, como descrever o que sinto agora que Tattoo acabou? Tenho algumas palavras... Vazio, dor, alegria. Vazio, porque não vou mais esperar ansiosa por atualizações. Dor, por ela ter terminado. Alegria por tudo ter acabado bem. Li o último capítulo com um sorriso enorme estampado no rosto e prometi que não choraria. Quando li o primeiro “fim”, desabei. Não me agüentei. Quando vi que tinha continuação, quase bati com o teclado no computador de felicidade :B . Voltei a sorrir e continuei até o segundo “fim”. Até que me recuperei bem, mas quando comecei a ler a última n/a, desabei novamente. Acho que a ficha caiu como uma avalanche. Respirei fundo e acho que fiquei uns 20 minutos pensando no que ia escrever aqui. Espero, pelo menos dessa vez, conseguir passar o que Tattoo realmente significa pra mim. o/ (dramaqueenmodeon)
Bom, essa é uma das minhas fics favoritas e uma das que eu mais gosto de betar. A cada capítulo que recebia dava vários pulinhos na cadeira. A cada capítulo, mil e uma emoções, mil e um desesperos, mil e uma inquietações.
Kelly, querida, você já escrevia bem, e com o passar do tempo foi se aperfeiçoando. Era uma alegria ver seu crescimento como autora e da própria fic. E claro, sua criatividade às vezes me assustava *-* No bom sentido, é claro. Quantas vezes me perguntei de onde você tirava tanta criatividade – o que deixou a fic mais rica ainda.
Ri, chorei, gargalhei, me emocionei, sonhei. E desejo de coração que muitas pessoas continuem descobrindo essa fic e sintam o mesmo que todas nós sentimos. Espero que Tattoo continue fazendo sucesso (uhuu).
Desculpa todos os erros que cometi, toda a demora das atualizações, toda pequena falta de atenção.
Cada fic que beto é como um filho. A gente cuida, e assiste de longe ele crescer. Mas mesmo ali, de longe, a gente nunca realmente o abandona. Afinal, nunca é realmente a hora de dizer adeus. Então, qualquer probleminha, por menor que seja, é só me avisar que venho correndo o/
Desculpe, novamente, por tudo e obrigada por ter sido tão paciente.
Um beijão, e um grande abraço para todas as leitoras (aeee o/) And just like a tattoo, it will always be tattooed on our skin, soul and, mostly, in our hearts.