Why Guys Love Girls
Paula P.


O que vou escrever agora é uma pequena seqüência de fatos que percebi na minha vida depois de deixar de ser o garanhão arrasador de corações para passar a ser um cara comportado. Não vá achando que eu sempre soube de tudo na ponta da minha língua porque não. Eu nunca soube. Tive que fazer muitas pesquisas, mas, quando descobri, senti-me um cara inteligente.
Você provavelmente deve estar pensando que sou um cara bem idiota, porém o meu dilema sempre foi o mesmo: vou ficar com todas as meninas que tiver vontade. Não me importa o que as pessoas vão achar disso (nem a minha mãe). Só que uma coisa é certa: depois de explorar tanto, quando achar uma garota que eu ache que valha a pena, vou ficar com ela e só com ela. Não vou mais pegar ninguém a não ser essa garota. Não vou ser mais o garanhão de antes. Quero ser o melhor homem para ela.
Conseguiu entender? Espero que sim, porque é muito fácil. Enquanto não acho, sou um cafajeste. Quando acho, sou fiel. Simples, não? Poderia ter colocado apenas isso, mas quis me explicar melhor para você ter uma boa impressão de mim.
E você me pergunta, ao todo, com quantas meninas já fiquei. Não tenho resposta. Depende da noite. Às vezes são sete, às vezes são setenta. Sou meio assim: oito ou oitenta.
Não vou mais enrolar você e quero que entenda porque nós, homens, apesar de fingir que não, não podemos viver sem as mulheres. E pelo fato principal: por quais motivos os homens gostam tanto das mulheres?

Vamos por tópicos. Assim é mais fácil.

Tópico #1 – O cheiro delas é sempre gostoso. Mesmo que seja apenas xampu.
Desde que conheci a minha atual namorada, comecei a reparar em coisas que eu nunca tinha notado antes e foi muito legal descobrir um lado das mulheres que eu não conhecia. Tal como o cheiro delas.
Sabe... Quando nos encontramos com uma mulher, ela está sempre com um cheiro que talvez nenhuma outra esteja. Nunca cheguei a ficar com meninas que usavam o mesmo perfume na mesma noite. Em outras noites, sim, mas não na mesma. O que acontece é que elas são sempre tão cheirosas com a quantidade de milhares de perfumes que se têm hoje em dia que o real cheiro delas, o nu, nunca senti. Nem mesmo depois de uma noite. E adivinhe? É, eu consegui sentir com a minha namorada.

Eu estava sem muitas coisas interessantes para fazer, então desliguei a TV e avisei à minha mãe que iria sair. Sim, ainda moro com ela porque não concluí a faculdade de Comunicação. Coloquei um casaco de couro e arranquei as chaves do meu carro do criado-mudo. Dirigi até uma pequena floricultura que ficava no meio de dois cruzamentos e encostei o carro.
– Arranje-me um ramo com uma de cada – pedi, já abrindo a carteira. O senhor que parecia descendente de algum japonês me entregou o tal ramo super bem enrolado e estava muito maneiro. Paguei mais do que devia, porém o cara fez seu trabalho super bem e deixei o ramo no banco do passageiro.
Acelerei devagar, passei pelo cruzamento e chequei as horas. 08:35 PM. Peguei o celular e nem precisei olhar para discar o número dela. Chamou algumas vezes. Ela atendeu com a voz cansada.
– O que você estava fazendo? – perguntei enquanto olhava o ramo. Eu precisava ter cuidado para não desmanchá-lo.
Estudando algumas coisas. Tenho prova amanhã na faculdade – ela estudava Biologia. – Não agüento mais ter que decorar tantos nomes difíceis. O que eu tinha na cabeça quando escolhi Biologia?
– Não faço a mínima idéia, mas podia ter sido teatro. Você é muito dramática – virei o carro na esquina da casa dela e vi que a luz da sala e do quarto de cima estavam acesas. É, ela morava sozinha.
Que engraçadinho – fingiu um riso forçado. – Comunicação deve ser muito difícil, realmente.
– Ei, quer parar de desmerecer a minha futura profissão, por favor? – ri enquanto estacionava o carro. Desliguei-o, peguei o ramo de flores e abri a porta com o celular no ouvido.
Desmereço porque não tenho nada melhor para fazer.
– Tenho algo para você fazer – eu disse, trancando o carro e jogando as chaves dentro do bolso do casaco. Ajeitei o celular na mão e baguncei o cabelo. – Que tal abrir a porta? – ela fez um barulho como se tivesse levado um susto e eu ri.
Estou indo. Espero que esteja sozinho – concordei e desliguei o celular, guardando-o no bolso da calça. Ela abriu a porta e sorri, entrando. Fechou-a e balancei de leve o buquê/ramo para que ela pegasse. A menina arregalou os olhos e tampou a boca com a mão. – Oh, meu Deus, para que tudo isso? Não precisava! – pegou as flores da minha mão e me abraçou pelo pescoço, tomando mais cuidado com o ramo do que com o meu cabelo. Ok, isso foi fútil.
Passei os meus braços pela cintura dela e a senti arrepiar. Dois motivos: eu e a falta de roupa dela. A garota usava uma blusa velha branca com um ombro caído e uma calcinha/short amarela gema do Bob Esponja. Até que era engraçadinha. “Estou em casa. Não indo ao Grammy”, ela falava toda vez que eu reclamava quando a via naqueles trajes.

A menina me apertou mais e fiz o mesmo, abaixando minha cabeça e encostando ao pescoço dela. O cheiro de xampu emanava dos cabelos dela, mas nada se compara até hoje com o cheiro que senti quando cheirei o seu pescoço. Era uma coisa estranha e boa ao mesmo tempo, misturada com sabonete. Era incrível. Era o cheiro dela, o nu dela. Não era como o 212 Women ou sei lá o que, mas era bom. Foi a primeira vez que senti de verdade o cheiro de uma pessoa que não fosse a minha avó Chelsea.
– Lógico que precisava. Venho lhe fazer uma visita e de mãos abanando? – ela balançou a cabeça depois que se afastou um pouco de mim e espalmou uma mão no meu peito.
– Obrigada – disse enquanto se aproximava. Recebi um selinho e ela me soltou, balançando as flores. – Vou arranjar um lugar para elas. A casa é sua – pisquei para a mesma e me sentei no sofá.

Tópico #2 – O jeito que elas têm de sempre encontrar o lugar certo em nosso ombro.
Você pode acreditar ou não, mas a cabeça das mulheres se encaixam de modo certo no ombro dos homens. Qualquer cara. Só que você sabe quando a pessoa é certa, que mesmo que ela encoste a cabeça ao meu ombro é de um jeito que nunca foi com nenhuma outra. É como se tivesse sido moldado, como se fosse feito para ficar ali, e sempre gostei muito disso.

Depois de ela arranjar um lugar para as flores, voltou à sala com um short azul em cima da coisa amarelo gema que vestia.
– Está bem melhor agora. Acredite – ela deu uma voltinha e fez pose. – Os meus olhos agradecem – a menina riu e se sentou no meu colo. Sorri, puxando-a mais para mim.
Ficamos um tempo curtindo nós mesmos até que misteriosamente a TV da sala ligou, o Bob Esponja começou a rir e meu ouvido doeu. Ela abaixou o volume da TV e olhei bem para a tela e depois para ela.
– Nickelodeon?
– Não é você que diz que tenho que estar atualizada para quando for ver desenho com os nossos filhos? – ela levantou uma sobrancelha como se estivesse cem por cento certa.
– Isso é verdade, mas a criança não vai ver essa esponja amarela com calças. Nenhuma esponja usa calças – ela cruzou os braços e riu.
– Qual é o seu real problema com o Bob? – Bob? Que intimidade! – Diga a verdade, apenas a verdade.
– Ele é gay! – eu disse jogando os braços para cima e a garota riu alto. – E ele me persegue. Aonde eu vou está esta esponja com dentes e calça com gravata embutida.
– Você fica tão bonitinho falando do Bob – cara, estávamos tendo uma discussão sobre uma esponja que fala. Sério. Comecei a achar que era melhor eu ter ficado em casa. – E então... Alguma novidade na faculdade? Passou no exame de semana passada?
– Na verdade, ainda não peguei o resultado, porém acho que foi tudo bem – ela sorriu e se sentou de lado no meu colo, fazendo-me ter que me ajeitar para que ela pudesse se encolher e esconder o rosto no meu ombro. – Você está preparada para o seu essa semana? – ela negou com a cabeça e a balancei, sem ter muita coragem de me mexer porque estávamos perfeitamente colados um no outro. – Mentirosa. Sempre se dá bem em todos.
– Que tal se você cantasse para mim? – ela deu um beijo no meu pescoço suspirei. – Canta “Can You Feel The Love Tonight”?
– Elton John? Vou estragar a música do cara.
– Vou estragar o seu rosto se você não cantar – passou um braço pelo meu pescoço e se aconchegou mais. Passei os braços pela sua cintura e comecei a cantar, mesmo que desafinado.

Tópico #3 – A facilidade com que cabem nos nossos braços.
Meninas são coisas frágeis. Não que nós homens não choremos. Choramos, sim, mas somos pioneiros em esconder isso. Parece que temos orgulho por isso e é verdade. Existem coisas sobre os homens que, assim como sobre as mulheres, nunca serão decifradas.
Elas têm um jeito incomum de, mesmo sendo grande, conseguir caber exatamente e perfeitamente nos braços de um cara. Não sobra espaço, o braço não dá voltas. É uma coisa que se encaixa. E não, não é como um simples quebra-cabeças. É algo mais complexo.

Eu saí do café mais conhecido do mundo, o Starbucks, depois de me despedir de uns amigos, e fui caminhando, tomando o resto do meu café e ouvindo uma música. Eu estava, como combinado, indo buscar na faculdade, já que ela iria fazer a prova e ir embora. Era por volta de 11:17 AM e me apoiei em um cotoco de concreto do meio da rua. Não deu mais que cinco minutos e pude vê-la mexendo no cabelo. Fazia isso quando estava nervosa. Olhou para frente e os nossos olhares se encontraram. Sorri e ela apertou o passo, quase correndo.
Abri os braços e ela me abraçou forte pela cintura. Abracei-a, passando os meus braços por suas costas e nunca foi tão confortável abraçar alguém.
– Você se deu bem? – perguntei sem soltá-la e ela negou. – Tudo bem. Não é o fim do mundo.
– Eu precisava tirar boa nota nessa prova. Sabe... Amo Biologia, mas tenho travas com nomes difíceis.
– Tudo bem. Acontece com todo mundo. Na próxima, tira uma nota melhor – disse, tentando reconfortá-la, e recebi um selinho.
– Você está cheirando a café – concordei e ela me puxou para andarmos. – Tem problema se voltarmos para o lugar de onde você acabou de sair?
– Nenhum problema – baguncei a franja dela e mordi A sua bochecha, enquanto a fazia quase andar na minha frente, devido ao meu braço estar em seu pescoço e forçá-la a andar. Ela apertou o meu nariz e acabei espirrando depois. – Viu só?! Tenho alergia a você.
– Espere chegar a casa para você ver a alergia – abri a boca, fingindo-me de espantado, e ela me deu um tapa enquanto ria. – Não quis dizer isso.
– Ah, você quis, sim, madame – belisquei-a na cintura e ela se soltou de mim, andando na frente, olhando sempre para trás para ver se eu não estava a ponto de pegá-la. Não daquela vez.

Tópico #4 – O jeito que têm de nos beijar e, de repente, fazer o mundo ficar perfeito.

Entramos no café e me sentei em uma mesa, observando o movimento de fora, enquanto ela ia até o balcão fazer o pedido. Cruzei os braços em cima da mesa, ignorando a educação que recebi em casa, e pude perceber um casal de turistas que tirava foto até do chão. Turista é um bicho engraçado, né? Em todo lugar, não importa onde, eles são sempre iguais.
voltou com o seu café e um sorriso no rosto. O café era quente. Ela me ofereceu. Neguei e voltei minha atenção apenas para ela.
– Estou o achando distante. O que o incomoda? – levantei uma sobrancelha. – Vamos. Não adianta você fazer esse jogo.
– Estou preocupado com o . Só isso – inventei uma desculpa qualquer. As minhas preocupações eram com a minha mãe que estava meio doente, porém sendo medicada. Óbvio que ela não acreditou.
Não sei se ela sabia o que era, mas, sem falar, fez-me ficar bem melhor. Esticou-se um pouco na mesa, puxando de leve o colarinho do meu casaco, fazendo-me ir para frente, e me beijou.
Sim. Mil vezes melhor do que mil palavras. Mulheres são boas com isso. Enquanto eu falaria mil coisas, tentando dizer apenas uma reconfortante, ela não disse nenhuma e tirou todo o peso das minhas costas.

A menina me soltou antes do que eu gostaria e sorriu.
– Você devia aprender a mentir melhor – concordei, dando um peteleco em seu nariz. – Ela vai ficar bem – disse, olhando-me, enquanto tomava o café.
Mulheres têm o poder de ler mentes.

Tópico #5 – Como são encantadoras quando dormem.

Depois do café, me fez andar um pouco pelas ruas, dizendo que queria fazer um passeio e liberar a mente. Mentira. Ela queria me arrastar de uma maneira fácil para um bazar no centro de Londres.
Fiquei sentado em um sofá não muito confortável no meio de um monte de mulheres loucas por roupas e acessórios e não sei mais o quê. Eu a perdia de vista quase sempre, mas logo a achava porque esta vinha me mostrar alguma coisa.
Resumindo, comprou umas sete blusas, dois casacos para ela, fez-me comprar um de lã, uma bota, um guarda-chuva, luvas, gorros e uns colares. Ah, e uma bolsa. Não posso me esquecer, claro. Também saiu de lá com um óculos, contudo esse acho que já era dela, se não me engano...
Fomos para a casa dela e, depois de ela colocar tudo para lavar, comemos lasanha e fomos ver uns filmes. No meio do segundo filme, senti um peso a mais no meu ombro e olhei para o lado. Ela dormia tranquilamente encostada a mim, sem preocupação alguma. Era tão bonito vê-la dormindo. Era encantador. Nenhuma mulher antes tinha me feito perceber aquilo.

Tópico #6 – Elas levam horas para se vestir, mas no final vale a pena.
Já comentei o quanto odeio quando preciso sair com alguma mulher e tenho que esperar? Dude, elas demoram muito. No tempo que demoram para se vestir, o mundo já foi criado, Moisés já abriu o mar vermelho, Noé já colocou o povão todo para dentro da arca, já deu a volta no mundo três vezes e elas continuam se vestindo. Quer me dizer o motivo para tanta demora? Quero dizer... Afinal, sou eu quem vai ver e apreciar mesmo. Ela me vê sempre. Que grande diferença faz?

Sei que naquele dia estávamos atrasados - por causa dela, só dizendo de passagem mesmo - e eu estava ficando agoniado. Tinha marcado um jantar com a minha mãe para comemorarmos o aniversário do meu primo. Só aceitei ir porque o menino ia fazer sete anos e me adorava. Gritei da escada da casa dela, já quase indo embora e deixando dinheiro para a menina pegar um táxi.
– Estou indo! – ela gritou essa novidade que eu ainda não tinha ouvido nas outra trinta vezes que tinha a chamado. – Desço em um minuto – fingi que acreditei e me sentei esparramado no sofá. Eu usava calça jeans, uma blusa social azul marinho e um All Star.
, você está indo para um jantar de criança. Não ao Grammy! – gritei e depois dei um longo suspiro. Enviei uma mensagem à minha mãe, avisando que estávamos chegando só para ela não pirar, e ouvi barulhos vindos da escada.
, prata ou preto?
– Eu sei lá, . Prata. Preto. ANDE LOGO!
– Ai, caramba. Estou indo – a voz dela sumiu e depois de um tempo voltou. – Pronto. Já pode tirar o pai da forca – virei-me para pegar a mão dela e andar logo, mas parei. Dude, não tenho palavras. Ela estava linda.
Não sei descrever roupas de mulher. Apenas sei que ela estava com um vestido branco um pouco mais colado no corpo, sem alça. Usava o cordão que eu tinha lhe dado - uma estrela prateada contornada com pedras brilhantes em branco -, um salto cheio de tiras prateado e um coque. Ela estava levando na mão uma bolsa pequena de tachas e, bem, umas pulseiras que a garota nunca tirava. Estava linda.
– Não era você que estava com pressa? Vamos! – pegou a minha mão e tirou a chave da porta, empurrando-me para fora.
Eu disse que a espera valeria a pena.

Na próxima vida, quero nascer mulher. Sério.
Mentira. Quero continuar sendo homem só para poder apreciar.

Tópico #7 – Porque estão sempre quentinhas. Mesmo que esteja fazendo trinta graus abaixo de zero lá fora.
O cara quando inventou o inverno não estava de bom humor. Só isso que lhe digo.

Londres já é fria naturalmente, mas olhe... No inverno, a coisa pega.
Eu estava com muito frio MESMO e queria porque queria que eu fosse até a casa dela ver filme. Disse que não ia nem que ela me pagasse, então eu estava de castigo por uns minutos. Era só enquanto ela não ligasse de volta.
Olhe, posso amar muito e ser bem fiel à minha namorada, mas sair de casa fazendo trinta graus negativos lá fora... Nem que Jesus me peça.
Ouvi a campainha tocando e, como só tinha eu em casa - a minha mãe tinha ido ficar com o meu primo na casa dele -, tive que descer e ir ver quem era o infeliz que estava lá embaixo me fazendo sair da minha cama quentinha para abrir a porta. Infeliz. Abri a porta já puto da vida, recebendo uma rajada de vento negativo na cara, e senti dois braços na minha cintura.
– Se você demorasse mais, eu ia congelar lá fora.
– Não acredito que saiu de casa com esse tempo – eu disse, fechando a porta, tirando o meu casaco e colocando nela. – Você é doente?
– Eu só não queria ficar sozinha. Está Ok? – dei um suspiro e a mandei subir. Fui até a cozinha e, como nunca aprendi a fazer chocolate quente, esquentei um leite com achocolatado. Deixei-o morno e subi.
– Não consigo acreditar que você veio de lá até aqui nesse frio do cão – fechei a porta e ela riu. Pude notar que estava sem nenhum dos casacos que estava antes. – Por que tirou os casacos? Você é doente. Só pode.
– Aqui dentro está quente – não estava, não, mas que não ia discutir. Deixei a caneca com o achocolatado em cima da mesa de cabeceira e me sentei ao lado dela. Ela se encostou ao meu peito e eu vou lhe dizer... Podia estar fazendo o número negativo que fosse lá fora, entretanto ela incrivelmente estava quente, apenas usando uma blusa de manga comprida.

Mulheres são quentes. Ok, piada infame. Vamos ao próximo tópico.

Tópico #8 – Como sempre ficam bonitas, mesmo de jeans com camiseta e rabo de cavalo.

Depois de passarmos meses no frio de menos quase cinqüenta – sem exageros – estávamos quase livres. Quase. Londres não é um lugar muito tropical. Eu tinha acabado de desligar o telefone. Estava indo em direção à casa de quando o meu celular tocou no bolso do casaco. Atendi-o sem nem ver quem era.
Olá. Está fazendo alguma coisa? – ela perguntou de um jeito que eu sabia que, mesmo que tivesse alguma coisa para fazer, me faria desistir. A menina tinha algum plano e, para ser franco, os dela eram sempre muito interessantes.
– Estou indo até a casa do . Por quê? – perguntei, já pensando nos argumentos que ela usaria. Algo como “hora de criança já terminou. Bob Esponja tem que ir dormir/passear” ou mesmo “espero que saiba que a sua namorada gosta do que você tem escondido”. Essa segunda me ganhava. Juro.
? Hum... Isso é interessante. Espere um minuto – ela me deixou esperando por quase dois minutos enquanto conversava baixo com alguém. Aposto com você um jantar que era com a melhor amiga dela, a . Sentei-me no meio-fio e fiquei lá, olhando as pessoas passarem enquanto esperava as duas terminarem de conversar. – Sinto muito, . Nada de X-Box ou Playstation hoje. Carregue o para o parque. Vamos dar uma voltinha por lá.
– “Vamos” você quis dizer “ e a sua amiga” ou eu e você também estamos inclusos? – eu já sabia perfeitamente o plano dela. era solteiro e não queria nada com a vida. A amiga dela provavelmente poderia dar um jeito nele, então estava tentando juntar os dois. Não que eu colocasse fé, mas tudo bem.
Ela não respondeu, provavelmente mais ocupada com outra coisa.
– Mas ele comprou Mortal Kombat! – eu disse com um braço aberto. Cara, eu estava louco para jogar.
Fica para outro dia – ela disse autoritária. Eu já disse que, quando mulher manda, você tem que obedecer? É... É assim que vivemos. – Legal que você concorda. Esperamo-no lá em dez minutos – concordei e continuei indo em direção à casa de .
Os dez minutos delas demorariam cerca de no mínimo meia hora, então corri o máximo que pude para poder chegar logo à casa de para que pudéssemos jogar pelo menos meia hora de MK.
Toquei a campainha e esperei por alguns segundos. atendeu a porta de short e blusa e me mandou entrar. Fechei a porta e fui logo avisando dos planos.
arrumou uma companhia para você hoje. Vamos ao parque daqui a meia hora. Por isso ligue logo esse jogo que temos pouco tempo.

Eu e estávamos, depois de uma hora, sentados e esperando as duas donzelas. Mais dez minutos depois e o meu celular vibrou. Nova mensagem de “Pessoa que mais amo”. Não, não era da minha mãe.

“Quer me dizer onde vocês se enfiaram?”

“No cu”, quis responder. Eu responderia isso para , porém se dissesse isso a , podia me dar como solteiro assim que o “envio concluído” aparecesse na tela.

“No banco em frente ao cara vendendo cachorro quente.”

Não deu dois minutos e as duas apareceram. Eu disse que era . Não disse? Ganhei um jantar. E, só para tirar onda e ganhar outro jantar, vou lhe dizer: não iria gostar da amiga dela. Ele nunca gostava das amigas que ela apresentava, contudo sempre concordava em conhecer a próxima, pois ela afirmava que iria ser a mulher da vida dele. A gente vai fingindo que acredita sem comentar, né...?
As duas vieram na nossa direção e logo sorriu. Levantei-me antes que ela chegasse e fez o mesmo. Ele parecia meio alheio a qualquer coisa, porém pelo menos jogamos quase uma hora de Mortal Kombat. Elas chegaram ao nosso lado e passei o meu braço pelo ombro de , enquanto ela me dava um selinho.
, essa é a – ela disse depois de cumprimentá-lo. Ele abriu o olho assim que se aproximou dele e na hora me olhou com cara de quem tinha vencido a batalha. – Ganhei um jantar? – ela perguntou, levantando as sobrancelhas.
– Você ainda não ganhou nada. Olhar não é gostar – disse, tentando fugir. – Fez-me esperar por uma hora. Quero um cachorro quente – puxei-a comigo para a barraca onde estava o cidadão vendendo o bendito do cachorro quente e comprei um. Nem perguntei se ela queria de birra.
Quando estávamos voltando, pude ver no maior papo com . Parecia que os dois eram amigos de longa data. me olhou sugestiva e riu.
– E aí? Já ganhei o jantar?
– O jantar é seu – eu disse, fingindo-me de emburrado, e ela apertou a minha bochecha, comemorando logo depois por ter ganhado um jantar. Quer dizer, era óbvio que de qualquer maneira, se fôssemos sair, eu pagaria, porém era sempre mais divertido quando competíamos.
– Yeah, vamos jantar tofu hoje! – hum, nada mal.

Como combinamos, iríamos jantar tofu. Peguei o carro da minha mãe, já que o meu estava com a gasolina na reserva, e saí até a casa dela. Chegando lá, dei um toque para que ela descesse e esperei enquanto ligava o rádio. Pude ouvir o vozeirão da Shakira cantar “Loca” em espanhol misturado com um remix/mix de inglês e quem estava começando a ficar loca ali era eu.
Batidinhas na porta me fizeram acordar do transe e vi acenando para que eu destrancasse a porta. Fiz isso e ela entrou.
– Desculpe-me os trajes. Não achei nada melhor para me vestir rápido – neguei com a cabeça e a puxei para um beijo.
Man, nunca achei que uma mulher pudesse ficar tão arrumada em roupas tão simples. Ela usava apenas uma calça jeans mais colada, um All Star, uma camiseta sem nada, branca, e o cabelo estava preso em um rabo de cavalo. Nada mais simples e mais encantador do que aquilo.

Tópico #9 – Aquele jeito sutil de pedir um elogio.
Que as mulheres são carentes de natureza nós sabemos, mas, cara, vou lhe contar... Se você não elogiar, é capaz de elas o metralharem. Por isso, preste sempre muita atenção nas mulheres e, mesmo que ela esteja mais feia que um urubu com petróleo, diga que ela não pode se comparar porque, senão, as outras vão achar sacanagem. Essa é a melhor de todas.

Eu estava deitado na cama de , tentando me manter acordado. Eu tinha tido um longo dia na faculdade e estava morto. Já tínhamos jantado tofu (de novo) e eu precisava encarar um banho e, depois, cama. Ela estava se arrumando porque iria para um jantar de aniversário de uma amiga e fui chutado do jantar sem nem ser convidado. Veja se pode. Mas tudo bem. Nem liguei. Eu não iria nem que ela implorasse porque estava muito cansado.
Ela saiu do banheiro enrolada na toalha e abriu o armário.
– Não faço idéia de com que roupa ir – “você nunca faz idéia”, eu queria responder. Na verdade, toda mulher tem o direito de saber o que nós pensamos isso. Afinal, elas nunca sabem mesmo. – Que droga. Vou me atrasar – “você já está atrasada”, também queria dizer. Aliás, por que raios as mulheres nunca são pontuais?
– Impossível você não saber o que vestir. Olhe o tanto de roupa que tem – disse com um olho só aberto, apontando para o armário dela. Gente, eu só tinha algumas blusas, calças, uns casacos a mais e já achava que tinha muito.
– Mas já usei tudo, . Não posso ficar repetindo roupa assim. Elas vão comentar – mulheres e suas manias.
Levantei-me da cama, fazendo o maior esforço possível, e peguei um vestido cinza. Indiquei uma meia calça preta e ela negou. Suspirei, abri mais o armário e peguei uma blusa roxa que eu achava maneira.
– Ponha essa com uma calça jeans que vai ficar linda – beijei a sua testa e apontei o banheiro – Se você não se importa, preciso de um banho urgente – ela deu de ombros e tirei a blusa, jogando-a em cima da cadeira da escrivaninha dela.
Liguei o chuveiro e estava tudo tão silencioso que estranhei. Ela abriu a porta e deu uma voltinha como se quisesse que eu a visse de todos os ângulos.
– Acha mesmo que essa está boa? Estou achando tão old.
– Está linda – concordei e ela balançou a cabeça, saindo do banheiro.
O tempo de eu fechar os olhos por um minuto foi suficiente para a menina voltar ao banheiro, vestindo uma calça preta colada com uma sapatilha e uma blusa branca com um cinto marrom caído na cintura.
– Está muito mamãe usaria? – arregalei os olhos e ri alto. Ela abriu a porta do box e me deu um tapa. Não doeu. Óbvio. – Estou falando sério com você. – disse brav,a mas logo fez um bico e cara de coitada. – Vá, . Ajude-me.
– Mas você está ótima. Já disse isso na primeira roupa – ela bateu a porta do banheiro e fiquei sem reação. Voltei ao meu banho.
Terminei de me ensaboar e passar o xampu sem que a garota interrompesse. Quer dizer, ela me mostrava dois sapatos e perguntava qual que eu preferia.
Desliguei o chuveiro, peguei a toalha, enrolei-me e saí do banheiro. Não sem antes me olhar no espelho e bagunçar o cabelo. Adentrei o quarto novamente e abri uma gaveta, dando uma bundada na cintura de para que ela pudesse ir para o lado e me deixar abrir direito a gaveta. Peguei uma blusa minha do Mario e uma boxer.
– Você não devia andar assim por aí – ela disse, saindo do banheiro, prendendo um brinco na orelha. Ri e tentei fazer uma cara sexy. Não rolou porque a mesma riu. Parou na minha frente e me olhou séria. – E então... Como estou? – a minha vontade era de empurrá-la para fora de casa logo, porém sou um namorado paciente.
Olha, nunca vou entender as mulheres. Ela vestiu trinta mil roupas, calçou trinta mil sapatos, colocou todos os tipos de acessórios possíveis para, no final, usar a primeira coisa que colocou. É sério. É por isso que me estresso de leve com o atraso das mulheres. Por que elas escolhem tanto, se no final sempre colocam a primeira opção? N-ã-o e-n-t-e-n-d-o. Como não tiveram a capacidade para pensar nisso ainda, é um segredo nosso. Mas quando descobrirem, tudo será mais rápido. garanto.
A menina estava usando o vestido cinza que eu tinha indicado, juntamente com a meia calça preta e um sapato preto de bico redondo que tinha uma tira na frente. Eu adorava aquele sapato.
– Linda – eu disse, colocando a boxer. Desamarrei a toalha e joguei na cama, colocando a blusa.
... É sério – ela me olhou, mordendo o lábio.
, é sério... – imitei-a. – Você está linda – a garota rapidamente corou e fez um doce. Tudo para receber um elogio...
– Acha mesmo? – levantei-me, peguei a toalha, passei por ela, estendi no box e parei ao seu lado.
– Não só acho. Ok? – dei um beijo na bochecha dela e a empurrei para sair do banheiro. – Tenho certeza – demorou segundos para que ela me abraçasse e eu retribuísse. No final, sempre valia a pena.
– Obrigada por me ajudar a escolher a roupa.
– Sempre que precisar – pisquei e ela em beijou. Não durou muito porque estava atrasada. Ligou a TV e jogou o controle na cama. O celular dela começou a apitar e indiquei a porta.
– Qualquer coisa, ligue para mim.
, tenho vinte e dois anos. Não sete – rolou os olhos e saiu do quarto. Peguei o controle para mudar de canal. Logo ela reapareceu e ficou parada na porta, enquanto digitava freneticamente uma mensagem no celular. – Do que você se esqueceu dessa vez?
– Disso – correu até onde eu estava e me deu um selinho que pouco depois se transformou em um beijo.

Tópico #10 – Como elas ficam lindas quando discutem.
Não sou um cara de ficar brigando. Muito menos por qualquer coisa. Mas, em todo relacionamento, seja ele qual for (namoro, amizade, familiaridade), há um conflito. É normal. É bom. Colocamos as idéias na mesa, discutimos. Isto faz bem. Viver no mar de rosas não é muito agradável.

Eu tinha acabado de sair da casa de . Ele e a amiga de estavam namorando. É, perdi um monte de jantares por isso. Eu estava caminhando calmamente para casa. Estranhava o fato de minha mãe ou mesmo a minha namorada não terem me ligado ainda. “Vai ver as duas foram passear por aí juntas”, foi o que pensei. Liguei para a minha mãe para saber se estava tudo bem e avisar que estava indo para casa. Foi curta e grossa quando me disse “estou fazendo faxina. Vá para a casa da ”. Quando ela fazia faxina, eu tinha que ficar o dia todo fora de casa. Eu ajudava lavando a louça, se você quer saber.
Mudei a rota do meu GPS interno e virei os meus calcanhares para a rua de trás. Fui em direção à casa de e pude ver a luz da sala acesa. Ainda eram 19:30, porém do mesmo jeito já precisava de luz. Bati na porta, mexendo no celular. Ouvi o barulho do trinco, entretanto a porta não foi aberta. Girei a maçaneta e então ela abriu. Entrei e a tranquei.
– Oi. A minha mãe está fazendo faxina e me enxotou para cá – virei-me para vê-la e o que vi foi uma mesa com dois lugares, pratos e taças postas. Quer dizer, uma estava faltando. Um vinho aberto em uma geleira e três velas juntas no canto da mesa. Vaguei o olhar pela sala até vê-la sentada no sofá com as pernas cruzadas e a taça de vinho rolando pelos seus dedos. Ela estava puta. Merda. – Do que foi que me esqueci?
– Nada – disse seca e tomou um gole do vinho. – Pode ver TV enquanto a sua mãe não libera a sua casa. Vou tomar banho – ela cuspiu e se levantou. Adiantei-me e parei na frente dela, não a deixando passar.
– Diga-me o que esqueci, por favor – pedi com cara de cachorro perdido. Vai que funciona. – Foi o seu aniversário? Porque o meu não é e não acho que seja o seu. Mas, se for, parabéns – abracei-a, contudo ela me empurrou para longe.
– Mas nem assim você se toca, né? É um tapado mesmo – deixou a taça do vinho em cima da mesa u tentei procurar alguma data em especial na minha cabeça, mas nada me vinha. Ela estava linda naquele vestido azul...
– Meu Deus – arregalei os olhos e ela cruzou os braços, esperando-me falar. – Você está grávida? Fez esse jantar para me contar? Ai, meu Deus, a minha mãe vai me matar e não está na hora, mas, cara... Vamos enfrentar essa barra de ter um bebê juntos – abracei-a forte. – Sempre quis ser pai. Não achei que seria tão cedo, porém tudo bem.
– Cale a sua boca. – ela me deu um tapa. – E vire essa boca para lá. Quero terminar a minha faculdade com a barriga lisa e, se depender de mim, você que não vai ser o pai dos meus filhos – ops, falei uma merda grande então. Ou fiz. Sei lá. Parecia que ela ia me matar mesmo. – , pelo amor de Deus, hoje é nosso aniversário de namoro! – MEU DEUS DO CÉU! Eu tinha me esquecido completamente. – Você é um idiota – reclamou, subindo as escadas e gesticulando com as mãos. – É o seu aniversário? Parabéns. – repetiu debochada. Fiz uma careta bem na hora que ela virou. Fiz merda de novo. A menina arregalou os olhos e abriu a boca.
– Ei, ei, ei, calma – eu disse, estendendo o braço para ela. – Foi mal. Vamos conversar. Quero consertar as coisas.
– Quer consertar de que jeito, hein? – perguntou, cruzando os braços. – Passei a tarde inteira ralando nessa cozinha dos infernos SÓ para fazer o seu prato preferido. A sua mãe veio aqui me ajudar e me disse que você iria adorar e que sabia que tinha um presente especial para mim. E para que tudo isso? Para você se esquecer da PORRA do dia do nosso aniversário de namoro. Você é um estúpido.
– Ei, dá para parar de me xingar, por favor? – pedi, já ficando sem graça por ela ter feito tudo aquilo só para mim.
– NÃO! NÃO DÁ, NÃO! OK?!
– Então faça o seguinte: vá se acalmar e depois a gente conversa – disse, ligando a TV. – Não vou discutir com você depois de ter bebido sabe-se lá quantas taças de vinho. Tome um banho e durma que, quando você acordar já mais calminha, a gente se acerta.
– Não vou acertar nada com você – ela arrancou o controle da minha mão. – Fora daqui AGORA! – maneiro. Eu estava sendo expulso de casa. Ok, não era minha cama, mas há muito tempo estava sendo. – E, para o seu governo, não tomei mais do que dois dedos de vinho – ela disse irônica e abriu a porta de casa. Fodeu.
– ‘Ta. Olhe, eu errei – parei e me virei para ela, bagunçando o cabelo. – Foi mal. Não foi por querer. Você sabe – ela continuou com a porta aberta, olhando-me. – Feche essa porta. O pessoal de fora não tem nada a ver com a nossa briga – ela obedeceu e se encostou à parede.
– Estou com uma raiva enorme de você. Passei o dia inteiro na cozinha para a comida esfriar e você nem se quer se lembrar.
– Que merda – ela concordou. – Conserto isso. Esquento e a gente come. Pode ser?
– Não estou mais com fome – suspirei. Ia ser difícil.
– Você quer brigar. Não é mesmo? – ela concordou e me jogou as chaves da minha casa.
– Sabe voltar sozinho – passou por mim, achando mesmo que ia subir. Peguei no braço dela e a olhei sério. – O que você está esperando para me soltar? – ri e ela tentou se soltar. – Vamos. Solte-me – neguei. – O que você quer de mim, hein? Já não basta se esquecer da data de hoje e ainda quer dar uma de metido a fortão?
– Vamos. Brigue comigo – eu disse calmo, perto do rosto dela. – Solte o que está aí dentro.
– O que está aqui dentro é a minha mão querendo acertar a sua cara – dei de ombros. Não achei mesmo que ela me daria um tapa na cara, mas o fez. E doeu.
Soltei-a na mesma hora. O meu plano era ouvi-la dizer tudo o que queria para depois me desculpar e pronto. Porém depois do tapa, fiquei sem o que pensar.
– Agora machucou. Não é? Bem feito. Espero que seja um milésimo da dor que estou sentindo.
– Qual é o seu problema? – perguntei, largando as chaves no chão. – Esqueci-me da droga do dia, mas e daí? Nunca me esqueci de um aniversário seu ou mesmo dos seus pais. E, olhe, o seu pai não vai com a minha cara – eu ri. – Nunca me esqueci de que você não pode ter um gato porque é alérgica. Nunca me esqueci do dia em que a conheci. Nunca me esqueci de como me senti quando a pedi em namoro. Nunca me esqueci de me afastar nos últimos dias do mês porque você fica de TPM. Aí, quando me esqueço da DROGA do dia do namoro, sou apedrejado. Qual é? É um dia como outro qualquer. Não importa o dia e, sim, o que a gente sente. Por que mulher é tão fresca?
– Você me acha fresca? – concordei. – Que bom. Então você pode ir embora agora, fazendo o favor.
– Não. Vou ficar. Quero saber qual é o motivo de você estar tão puta por eu ter me esquecido uma simples data.
– UMA SIMPLES DATA?! – berrou e jogou o sapato em mim. Cara, ela me jogou o SAPATO! O que eu fui arrumar? – A PORCARIA DA SIMPLES DATA É A MAIS IMPORTANTE DO CALENDÁRIO PARA MIM! VOCÊ NÃO ENXERGA ISSO?! – comecei a me sentir mal quando vi que ela queria chorar mas não conseguia. – ANIVERSÁRIO TODO MUNDO FAZ, MAS ANIVERSÁRIO DE NAMORO, NÃO! PREZO MUITO ESSAS COISAS! ESTÁ BEM?! EU NÃO IMPORTO PARA VOCÊ! NÃO É?! SE IMPORTASSE, TINHA SE LEMBRADO! – respirou fundo e me olhou séria. – Você não passa de um galinha.
– Ah, não – eu disse e a empurrei na parede. – Deixei toda a minha galinhagem de lado quando a pedi em namoro nesse mesmo dia há exatamente dois anos. E você sabe muito bem disso. Não finja que não.
– Do que importa eu saber? O galinha dentro de você continua vivo – ela estava fazendo para me provocar. Só podia ser. Mas eu ia agüentar porque adorava provocações. – Vai negar isso?
– Não vou, não. Quer saber? – olhei-a sério e me afastei dela. – Obrigado por ter me empurrado para fora de casa. Ainda bem que me esqueci do dia de hoje. Enquanto você vai ficar chorando aí no seu quarto porque nós terminamos, vou estar me satisfazendo com várias garotas – apontei o meu celular e sorri. – Basta um clique aqui e a minha noite está feita.
– Você disse que tinha apagado os números das vadias com quem costumava sair! – deu-me um soco no peito. Doeu.
– E você acreditou? – eu disse, rindo alto. Ela começou a ficar muito vermelha e a querer chorar. Se você quer saber, mulher com raiva é uma das coisas mais lindas que existe. Peguei no queixo dela e sorri. – Que bobinha.
– ARGH, SEU NOJENTO! – ela tentou me empurrar, mas não saí do lugar. Alguém precisa avisar para as mulheres que elas não são tão fortes quanto realmente acham. – EU TE ODEIO!
– Eu te amo – ri e ela parou de me empurrar. – Sabia que você fica a coisa mais linda toda irritada? – ela me olhou confusa. – , pelo amor de Deus, acha mesmo que eu iria terminar com você e sair por aí comendo metade da cidade? – concordou calada. – É muito boba. Não quero terminar com você. Só queria que você descontasse logo tudo em mim para eu poder me desculpar. Não me esqueci porque quis. Foi sem querer – ela abaixou o olhar e ficou encarando os pés. Depois passou para a parede da sala. – Não pode acreditar nas coisas galinhas que digo.
– Sinto muito – ela disse, sentando-se no sofá, e ouvi um “creck”. Droga. – Quebrei alguma coisa – disse preocupada, provavelmente achando que era o celular dela. Vi-a levantar a almofada e enfiar a mão embaixo do sofá. Olhou-me e depois mirou a caixa preta na mão dela.
– Comprei mês passado e não sabia onde colocar – dei de ombros. – Mês passado não tinha me esquecido e, quando comprei, não fazia idéia de onde esconder. Achei que aí seria o melhor lugar.
– Acho que quebrei – ela me entregou a caixa que estava com a tampa de lado.
– Tudo bem. O que está dentro está intacto – sorri e entreguei a ela o colar. Era simples. Tinha um coração com a minha inicial no meio. Eu gostava bastante. – Mil perdões por ter me esquecido. Prometo nunca mais me esquecer.
– Desculpe-me pela cena. Fiquei realmente chateada – ela disse, dando de ombros e olhando para baixo, enquanto examinava o colar. – Tudo bem se eu usar?
– Faça esse favor – peguei da mão dela e coloquei, deixando-a ver logo depois. Parou na minha frente e sorriu. – Já me perdoou?
– Se ano que vem você se esquecer, jogo esse colar para as piranhas comerem – abracei-a forte e enterrei o rosto no pescoço dela. – Agora me diga: que papo é esse do meu pai não gostar de você? – ri e me sentei na cadeira, puxando-a para o meu colo e empurrando a garrafa de vinho para ela.
– Já disse que você é a coisa mais linda do mundo quando está irritada?

Mulheres... Todo homem que se preza não gosta de pensar que o outro homem - que está namorando a filha dele - se aproveita dela. Isso é simples.

Tópico #11 – O modo que têm sempre de encontrar a nossa mão.

Eu estava parado em frente a um lago congelado perto de um parque. Estava pensando na minha mãe e na recuperação dela da gripe. Ela tinha mais idade, então eu estava preocupado. Não que a mulher tivesse oitenta anos, mas cinqüenta e cinco já me preocupava. Eu estava isolado de propósito para pensar um pouco.
Estava com vontade mesmo era de ir para casa e ficar embaixo de algum cobertor, tomando algo quente. De preferência um chocolate. Pena que eu nunca soube fazer um decente.
De repente, como se alguém tivesse ouvido as minhas preces, recebi uma ligação da minha irmã avisando que a nossa mãe tinha melhorado e já estava bem. Aliás, estava até limpando a casa. É, e eu morrendo de preocupação. “Vaso ruim não quebra”. Ri de leve e continuei vendo o lago congelado. Aos poucos, algumas pessoas apareciam e ficavam à beira do lago ou deslizavam com seus patins. Era legal de ver. Senti um calor diferente entrar em contato com a palma da minha mão. Aquele calor, aquela mão que se encaixava na minha...
– Eu disse que ela ficaria bem.
– Você sempre sabe de tudo – ela riu e me puxou para o lago congelado, mostrando-me o par de patins que tinha levado. Balancei a cabeça e a vi calçá-los.

Tópico #12 – O brilho nos olhos quando sorriem.
Toda mulher tem um brilho especial nos olhos e nós homens sabemos disso. Quando algo de bom ou inesperado (para o lado do bom ainda) acontece, elas acrescentam outro tipo de brilho e, nossa, é incrível como conseguem ficar mais bonitas.

patinava distraidamente enquanto eu continuava sentado em cima de umas toalhas que ela havia levado na neve. Ouvi um assovio e olhei para ela que me acenava, mandando-me ir até ela. Eu não queria ir, mas ela parou no meio do lago e juntou um pouco os joelhos, fazendo bico. Levantei-me em contradição e caminhei até a beira. Não queria me meter lá no meio e levar um tombão na frente de todo mundo. Não mesmo. Ela veio até mim e esticou os braços, mexendo as mãos para que eu as pegasse.
– Você é ótima. Não quero ter que ver de tão perto. Vou ofuscar o seu brilho – tentei achar uma saída enquanto ela me puxava. – Vamos. Deixe-me ficar aqui na terra firme.
– Vou quebrar esse gelo, se você não vier – ela disse, rindo, e bufei. Escorregando, porém indo, chegamos ao centro e a fiz dar várias voltas e piruetas na minha frente, segurando apenas alguns de seus dedos.
Ficamos um tempo ali e depois, graças às minhas insistências, voltamos até a terra firme que era onde eu preferia estar desde o começo daquela brincadeira. Sentamos-nos depois de ela tirar os patins.
– Acha que eu sirva para patinadora profissional?
– Prefiro você como bióloga – riu, dando-me um tapa no braço. – Já imaginou a nossa filha rodopiando nesse lago? – ela negou e se encostou ao meio peito. – Acho que podemos voltar para casa – vi-a concordar e se levantar com um cobertor nos ombros.
Entramos no meu carro e fomos até a casa dela. Eu queria ter parado em casa, mas ela me ignorou e me fez pisar no acelerador, fazendo a minha casa passar rápido pela janela do carro.

Esperei que ela tomasse banho enquanto fingia que sabia cozinhar. Esquentei algumas coisas, acendi umas velas e abri um vinho. Nada melhor no frio do que velas, vinho e comida quente. Hã, hã, hã, faltava algo.
A música, é claro!
Liguei o rádio da sala em qualquer estação e deixei tocando baixo.
– Nossa, isso tudo é para mim? – ela sorriu chegando àsala, já de banho tomado e cabelo seco. – Demorei tanto assim? Quer dizer, você fez um banquete no meio tempo em que fui tomar banho e secar o cabelo.
– Demorou o tempo suficiente para ficar linda – ela fez uma careta e depois me beijou.
Comemos em um espaço grande de tempo e ficamos tomando vinho e conversando.
Uma música animada e calma ao mesmo tempo começou a tocar e me levantei, puxando-a comigo.
– Vamos dançar? – ela sorriu animada. – Uau, o que o frio não faz com você!?
– Se gosta tanto de dançar, devia ter me pedido antes. Não me importo de dançar com você – sorriu e pousou uma mão no meu pescoço. Passei os meus braços por sua cintura e ficamos nos balançando no ritmo da música.
Momentos depois, separei-a de mim e peguei a sua mão, rodando-a exatamente como havia feito com ela no lago. A menina rodopiava lentamente e ria. Fiquei meio perdido pela visão dela rodando e rindo. Tinha um brilho inigualável no olhar. Aquilo me ganhava e me deixava entorpecido.

Tópico #13 – Ouvir a mensagem delas na secretária eletrônica depois de uma briga.

Infelizmente, e eu tínhamos brigado por algo fútil. Era sempre a mesma coisa quando tocávamos no assunto “filhos”. Ela queria, mas depois que estivesse formada e com uma carreira estável. Eu queria logo porque depois ia ficar muito ocupado com o trabalho para dar atenção ao meu filho. A minha mãe e minha irmã disseram que ela estava certa, até porque para mulher o mercado de trabalho era bem diferente que o do homem. Essas têm licença maternidade, porém, se não tiver qualificação, não volta e aí é um custo para achar outro trabalho. Homem era mais fácil porque qualquer coisa o ele está tomando conta. Mesmo que seja diretor de uma central gigante de marketing, se tiver que dar uma de segurança, ele dará.
Bem, o assunto começou depois que fui buscá-la na faculdade e ela disse que estavam repassando matéria sobre e genes e que ela já sabia. Acabou que a menina não chegou nem a entrar na minha casa. Saiu do carro e, em vez de me seguir, sumiu pela rua. Quando fui ver, ela já estava virando a esquina em direção à sua casa.

A melhor coisa que eu poderia fazer era ligar, desculpar-me por insistir no assunto, pedir perdão, falar que iríamos conversar melhor, acertar-nos e ter filhos apenas quando ela quisesse. Foi então o que eu fiz. Liguei para ela.
Na casa dela, ninguém atendia e nem no celular. Droga. Eu não devia ter esperado tanto. Devia ter ligado no dia da briga, mas mulheres depois que brigam precisam de um tempo para pensar e eu sabia disso. Três dias é muito tempo?
Ela não estava com outro e disso eu podia ter certeza.
A única coisa que eu queria ouvir não era nem ela me dizendo que perdoava. Era escutar apenas a sua voz. Liguei de novo para o celular e dessa vez ouvi a voz dela. Mas porque deixei cair na secretária.
“Oi. Você sabe para quem ligou, então, se for importante, deixe um recado. Tchau!”. Eu queria aquela voz perto de mim de novo.
Desculpe – eu disse em um sussurro e depois desliguei.

Tópico #14 – O jeito que têm de dizer “não vamos brigar mais, não…”.
Depois da minha apologize, fiquei em casa mesmo. Ajudei a minha mãe a arrumar a casa, levei a minha irmã com um pouco de má vontade até a casa do namorado dela, voltei, comi, tomei banho, estudei, fiz uns trabalhos e dormi.

Acordei com a minha mãe batendo na porta do meu quarto e me mandando descer com uma roupa decente porque ela tinha visitas. As visitas dela geralmente eram as suas amigas. Elas tinham um tal de “Clube da Leitura”, “Clube do Livro” ou algo do gênero.
Coloquei uma calça de moletom e uma blusa branca por cima um casaco e desci para falar com todas elas. Na verdade, antes passei no banheiro do corredor. Eu estava com cara de quem tinha chorado a noite toda e dormido depois. Estava meio inchado. Escovei os dentes, baguncei o cabelo e desci de verdade.
Cheguei à sala e elas pararam de comentar sobre algum livro.
– Oi – eu disse, dando um aceno, e elas acenaram de volta.
, eu lhe disse para colocar roupas decentes. Não isso! – a minha mãe rosnou ao meu lado com o livro do Harry Potter cinco mil na mão.
– Foi mal – dei de ombros e fui até a cozinha. Necessitava de cereal.
Fui andando e me sentei em um banco, esperando o meu sono passar. Eu tinha estudado e ficava me relembrando da matéria. Que saco.
A campainha tocou. Deixei a minha mãe atender porque provavelmente era a Violet, a amiga dela que sempre chegava atrasada (ela não era inglesa. Explicado). Ela me gritou da sala, mandando abrir a porta. Qual é? Tenho cara de mordomo? Mas fui porque sempre fui um bom filho e não tinha nada melhor mesmo para fazer. Precisava andar para me distrair e ignorar o fato de que a minha namorada estava me ignorando.
Abri a porta e já comecei o meu diálogo de toda semana quando a Violet chegava:
– A minha mãe está na sala – deixei um espaço para ela passar enquanto mexia no meu cabelo.
– Mas não vim aqui falar com a sua mãe – ela retrucou e só então me toquei de que não era Violet. – Recebi o seu recado – ela olhou para baixo e cruzei os braços, apoiando-me ao batente da porta.
– Eu não queria brigar com você – disse, já nem me lembrando de que minha mãe a as amigas dela estavam a poucos metros dali e, possivelmente, ouvindo a nossa conversa.
– Nem eu queria, mas é que... – ela chutou um pouco de neve que estava na sua bota para o lado. – Não é que eu não queira ter um filho. Muito menos com você. Quero, claro. Só não quero agora – cruzou os braços e fez um desenho com os pés na neve.
– Hum, filhos. Esse assunto é delicado – alguém comentou atrás de mim e só então fui me lembrar da minhas mãe e suas amigas. Suspirei, fazendo dar uma risada baixa. Ela também tinha se assustado com a voz.
– Ei, ! – a minha mãe disse assim que chegou ao meu lado. – Ignore a má educação do meu filho – ela puxou para dentro e fechou a porta, esbarrando de propósito em mim. Odiava quando ela fazia aquilo. – , por que não pôs a menina para dentro? Pelo amor de Deus! – vi as duas se sentando no sofá. A minha mãe insistia em tirar a bolsa de das mãos da mesma e ela negava.
– Mãe, vamos lá para cima – eu disse e negou com a cabeça, indicando as amigas de minha mãe. Ela não gostava muito de ficar na minha casa quando elas estavam lá porque era um pouco tímida. E até porque o nosso assunto era sério e ela gostava de discutir coisas assim em um lugar calmo. Por isso a maioria das brigas/discussões/reconciliações eram na casa dela. – Quer dizer, vamos até a Starbucks – a minha mãe concordou, ainda prestando atenção em mim. O que é que ela queria? Que eu tirasse um coelho da cartola? – Vocês querem alguma coisa?
– Ah, não precisa se preocupar. Só traga sete mochas e alguns muffins – ela disse, agradecendo-me pelo olhar. Balancei a cabeça, afirmando, e subi para colocar uma roupa melhor.
Cheguei ao meu quarto e nem me dei ao trabalho de fechar a porta. Antes que eu pudesse abrir o armário, vi a silhueta de parada na porta sem a sua bolsa.
– Só vou trocar de roupa – disse, virando-me para o armário e abrindo uma gaveta. Vi a sua calça parada ao meu lado e me levantei, ficando sem querer muito perto dela. mordia o lábio e me olhava inquieta. – Não estou bravo com você – disse, afastando-a ao meu lado para poder mexer na outra gaveta.
– Ei – ela me chamou e a olhei, suspirando dentro de mim. Só queria arrumar uma roupa para podermos conversar melhor. Levantei-me e tirei o casaco, jogando-o na cama. – Não vamos mais brigar, não – o jeito com que ela me olhou depois fez com que eu me esquecesse de qualquer coisa.
– Vamos apenas conversar – vi-a concordar calada, já se virando para ir embora. Chamei-a e ela se virou. – Venha aqui – assim que chegou ao meu lado, abracei-a forte. Ela retribuiu, colocando o rosto no meu pescoço. – Desça que vão achar que estamos aprontando aqui – ela riu e desceu.
Tirei a calça de moletom e troquei por uma jeans. Coloquei um casaco mais justo de couro. Calcei no pé os meus Vans e desci, guardando a carteira e o celular no bolso. Parei ao lado do sofá, tocando o ombro de .
– Vamos? – vi-a se levantar depois de dar um beijo em minha mãe e acenar para as amigas dela. Coloquei a minha mão em seu pescoço enquanto ela pegava as chaves e a guiei para fora de casa.
– Usem a camisinha! – alguma delas gritou, sendo repreendida por minha mãe, e pude ouvi-la retrucando algo como “acha mesmo que eles vão ali tomar um café? Vão é para um motel!”.
Bom, eu não sabia dela, mas com certeza eu e minha namorada iríamos tomar um café.

Tópico #15 – A ternura com que nos beijam quando lhes fazemos uma delicadeza.

Fui acordado pelo meu celular tocando às onze da manhã num desses sábados que você acha que vai hibernar. Eu estava muito enganado. O nome de brilhava na tela e passei a mão pelo rosto antes de atender.
Mil desculpas por ligar a essa hora – ela disse antes que eu pudesse dizer “alô”. – Sei o quanto fica de mau humor, mas é que me esqueci completamente do aniversário do meu primo.
– E o que eu tenho a ver com isso? – perguntei com a voz toda rouca e me virando na cama. Ela exclamou o meu nome e suspirei. – Já entendi. Fui escalado para ir junto. Adivinhei?
Bem, seria legal se você fosse... Porém se preferir ficar dormindo, eu vou. Não tem problema – ela provavelmente estava fazendo cara de coitada. Chantagem de mulher é foda.
Bom, já que ela tinha me acordado mesmo...
– Que horas é? – a menina deu um gritinho animado, dizendo que me amava, e ri.
Começa agora, mas tenho que passar no shopping para pegar o presente dele – concordei com um murmuro. Eu estava tão cansado que era capaz de dormir no carro. – Passo aí em meia hora?
– Pode ser – disse mais para mim do que para ela. – Vou me arrumar. Beijos – desliguei o celular e fechei os olhos.
Você sabe... Mulher diz meia hora, contudo na verdade demora quase duas. E com não foi diferente. Acredite.
Dormi por mais quase uma hora e meia. A buzina dela do lado de fora me acordou e saltei da cama, ligando para ela.
– Já estou descendo. Um minuto – coloquei uma calça jeans preta, uma blusa branca e azul listrada e a minha jaqueta de couro por cima. Resolvi usar o meu All Sar branco uma vez na vida. Lavei o rosto, escovei os dentes, baguncei o cabelo e desci.
Abri a porta do carro dela, vendo-a sorrir atrás de seus grandes óculos. Logo fui reparar nas orelhas de Minnie que ela usava.
– Você parece a Minnie Mouse usando isso – ela riu e acelerou. Ligou o rádio e ficou mexendo as orelhas o ritmo da música. – , pelo amor de Deus, tire essa porcaria. Está ridículo.
– Aaawn, alguém aqui está de mau humor – senti-a apertar a minha bochecha enquanto atravessava um sinal vermelho. – Sinto muito por isso, mas vai ser legal – recebi um selinho e virei o volante para ela.
Chegamos ao shopping. Ela parou na rua em frente para não ter que entrar no estacionamento, já que estava atrasada. Um homem com um pacote enorme parou ao lado do carro e ela saiu para ajudá-lo a colocar aquilo na mala. Seguimos para a casa da tia dela que ficava a quase meia hora (sem trânsito) de onde estávamos.
Quando finalmente chegamos, ela recolocou as orelhas de Minnie e logo entendi o porquê. A fachada da casa estava toda decorada com Mickeys e Minnies. Ela demorou para sair do carro porque foi colocar os sapatos, visto que só dirigia de chinelos. Pelo menos era seguro andar de carro com a garota.
Cara, ela estava linda. Usava um vestido marrom um pouco mais colado no corpo e por cima uma jaqueta branca que tinha um treco estranho na frente que ia quase até o joelho dela. Havia trocado os chinelos por um salto branco e me puxou. Tive que pagar o pato de levar o pacote gigante para ela (por isso que eu tinha vindo: para ser feito de carregador) e andar até o jardim de trás da casa. Chegamos e tinha um amontoado de crianças brincando com um palhaço.

Joguei-me na cama e ela atirou a bolsa em cima da minha bunda. Nossa, aquilo pesava.
– Da próxima vez, jogue uma pedra ou um tijolo que será mais delicado – ela riu do banheiro, tirando os sapatos. Deixou-os ao lado da porta e tirou a maquiagem com um creme estranho.
Levantei-me depois de cochilar alguns minutos e ela não estava mais no quarto. Desci até a sala e pude vê-la saindo da cozinha com uma mini-bandeja com mini-sanduíches e um suco amarelo.
– Isso tudo é para mim? – perguntei, sorrindo até não poder mais. O meu estômago roncava.
– Você foi um bom menino hoje – entregou-me a bandeja e fiquei segurando, ainda olhando abobado. “Que maneiro!”, era a única coisa que se passava pela minha cabeça. – Obrigada por hoje – senti-a segurar o meu pescoço e logo aproximar os nossos rostos.
– Eu levaria o embrulho de novo, se você quisesse – logo ela me beijou como agradecimento.

Mulheres são assim: se você faz algo certo ou legal, algo que elas gostam, beijam-no de um jeito diferente. E é muito bom.

Tópico #16 – O modo de nos beijarem quando dizemos “eu te amo”.

Seguimos para a Starbucks depois de eu ter acordado no dia seguinte. Parei no balcão para fazer o pedido enquanto ela ia se sentar em uma mesa mais distante. Levei os cafés até ela e, quando ia me sentar à sua frente, esta negou e me fez sentar ao seu lado. É, estava frio o suficiente para nos sentarmos juntos.
Não deu nem cinco minutos que estávamos lá e ela se remexeu.
– Podemos voltar para casa? Acho que não foi uma boa idéia virmos para cá. Está muito frio – apenas concordei, peguei o café dela junto com o meu e me levantei. Ela enlaçou os braços por um dos meus e se encolheu quando abri a porta. Um forte vento soprou e quase desisti de voltar para casa para ficar ali. Mas, apesar da minha vontade, o frio não passaria e, de alguma maneira, uma hora ou outra, teríamos que sair dali.
Fomos andando um pouco mais rápido para a casa dela. Não estávamos de carro. É... Quem nós pensávamos que éramos para sair sem carro naquele frio do cão? Não podíamos ser normais.
Chegamos à sacada e batemos os pés no tapete. Demoramos quase vinte minutos para chegar, porém até que fomos rápidos. O caminho estava congelado, escorregando e... Bastante denso. Entramos rápido e ela fechou a porta, rindo.
– Parece que somos foragidos – ri alto, concordando, e deixei os cafés em cima da mesa de centro dela. Sentamo-nos no chão depois de tirar os sapatos e ela jogou um cobertor no meu colo. Liguei a TV e deixei no programa da Rachel Ray. – Se eu fosse essa mulher, a Starbucks nunca ganharia um centavo meu.
– Mas a Rachel Ray não faz café e, sim, comida – liguei o lógico ao claro e ela cerrou os olhos como quem manda calar a boca. Obedeci.
– Aliás, desculpe e obrigada por fazê-lo ir nesse gelo até lá comigo. Sempre o deixo nas piores com os meus desejos por café nos piores momentos.
– Não tem problema – eu disse, dando de ombros e prestando atenção no camarão que a mulher da TV fazia. Uh, se eu fosse o marido dela. – Não faço as coisas para você porque me obriga. Pelo contrário. Faço porque te amo.

Sabe quando eu disse que elas beijam com certa ternura quando fazemos alguma coisa certa? Pois é, esse é um dos tipos de beijos de agradecimento. Outro beijo, um dos melhores se posso dar a minha humilde opinião, é quando dizemos, em momentos inesperados, que as amamos.
Não pense que vai ganhar uma mulher assim. Você tem que conquistá-la antes.

Então ela se virou e recebi o meu beijo de agradecimento.

Tópico #17 – Pensando bem, só o modo de nos beijarem já basta.
É, era isso.
Apesar de elas, diferentemente de nós, terem um tipo de beijo para cada ocasião, o que importava é que sempre recebíamos o nosso prêmio no final e... Nunca liguei muito para o tipo de beijo que ela dava, até porque um ou outro levaria a outros lugares e outros ou uns eram apenas por diversão, o que mostrava que não éramos apenas amigos e nem casados. Éramos nós mesmo no meio de uma relação.
Cara, você conseguiu entender essa última frase? Espero que sim porque não sei explicar.
O que realmente importa para nós, homens, é que vocês, mulheres, nos beijem. Apenas isso já nos deixa bastante felizes.

Tópico #18 – O modo que têm de se atirar em nossos braços quando choram.

Cheguei da faculdade. Joguei-me na minha cama e dormi por uns minutos, até que a minha mãe me gritasse do corredor, dizendo que o meu almoço estava pronto.
Sabe, eu tinha que começar a me acostumar a morar sozinho e me virar cem por cento. Não que eu fosse filhinho de mamãe ou coisa do tipo, porém eu ainda morava com ela e tinha certas coisas que a mulher, por ser mãe, não me deixava fazer. Coisas como o meu próprio prato de comida.
Tomei banho, troquei de roupa e desci para comer. Tinha um prato enorme de massa na minha frente.
– Vai alimentar um leão hoje, mãe? – eu disse, fazendo-a rir. – Sei que como muito, mas isso já é demais. Assim fico gordo e perco a namorada.
– Ela vai continuar com você mesmo que ganhe uma barriga de chopp – dessa vez fui eu que ri alto e comecei a comer. O telefone tocou e estiquei o braço para pegá-lo. Atendi com a boca cheia e nem liguei.
Não diga que você está ocupado, por favor.
– Para você, nunca – achei que estava sendo legal falando aquilo, entretanto ela não respondeu. Ela ficou quieta e um nó se formou dentro do meu estômago. No mesmo momento, afastei o prato da minha frente. Tinha perdido o apetite. – Quer que eu vá aí? – ela concordou, desliguei o telefone e me levantei. – Mãe, vou sair e já volto – peguei o meu prato e o guardei dentro da geladeira. – Desculpe-me, mas é urgente – beijei a bochecha dela.
– Se não se casar com essa menina, vou matar você – ri e peguei o meu celular em cima do sofá.
A minha mãe sempre dizia aquilo quando eu saía no meio de algo importante ou parava de fazer alguma coisa para atender aos chamados de . Ela dizia que o homem só faz isso por duas mulheres (três no máximo): a sua mãe, sua(s) irmã(s) e a garota da vida dele. Não que eu achasse super certa a teoria dela. Apenas concordava quando a mesma dizia. E ela sempre repetia aquilo porque acreditava que, se eu não me casasse com , voltaria à minha antiga vida e não seria com mais ninguém. Por isso as duas se gostavam tanto.

Bati na entrada e ninguém atendeu. Olhei para os lados como se estivesse fazendo algo errado e abri a porta. Adentrei a casa de e tudo estava em um silêncio imenso. Onde ela teria se enfiado? O que teria acontecido? Será que fui eu?
Chamei-a um pouco mais alto do que o normal e não recebi resposta. Comecei a ficar preocupado e esperei alguns segundos até que alcançasse o meu celular no bolso. Logo ouvi um estrondo vindo da escada e senti os braços dela em volta de mim. Senti não. Ela se jogou em cima de mim, desabando. A minha camisa começou a ficar muito molhada. Um lado bom aquilo tinha: não era eu ou as minhas ações o motivo do choro.
– O que foi que aconteceu?
– Está tudo dando errado – ela reclamou, apertando-me mais. – Fui entregar o trabalho hoje na faculdade e me disseram que estava um lixo e que aquilo era trabalho de criança de quinta série. Tive que engolir, ir para a sala e pensar em fazer outro em casa até amanhã. São trinta páginas. TRINTA! – chorou mais e fiquei com um aperto no coração. A menina tinha demorado quase duas semanas para fazer o trabalho e, na minha opinião, tinha ficado muito bom. Não digo isso porque sou o namorado dela, mas sim por saber como é difícil fazer um relatório que seja bom o bastante. E ela tinha feito. – Depois fui para a aula e sabe aquela prova que fiz no mês passado? Eu fui reprovada. REPROVADA! Mas, como sempre fui bem e nunca tive falta em nada, eles me mandaram para uma sala e fiz outra prova NA HORA! Aí pensei que tudo bem. Eu ia me concentrar, fazer e acertar tudo. Quando fui pegar a minha caneta, vi que o broche da sorte que você me deu tinha sumido juntamente com o meu Bunny de pendurar e entrei em pânico. Não consigo fazer provas sem eles. Dei-me super mal na prova e agora vou ter que fazer o último ano da faculdade de novo! – ela chorou mais e deu um soco no meu peito. Ei, o que eu tinha a ver com a raiva dela mesmo? Porém tudo bem. A situação era delicada.
– E o pior é que o meu pai vai me matar. Ele paga para eu estar na melhor faculdade na cidade e vou reprovar.
– Ei, calma – encostei o meu queixo à cabeça dela e suspirei. – Nem tudo está perdido. Caso você não seja bióloga, pode ser modelo de catálogos – recebi outro soco, mas dessa vez foi de raiva de mim. – Ei, não pense nisso como um insulto. Se eu fosse dono de uma marca de roupas ou de perfume, iria adorar tê-la nos meus anúncios de televisão e catálogos.
– Mas quero ser bióloga – ela disse manhosa e ri, fazendo-a se remexer.
– Você pode ser o que quiser e confie em mim... Com ou sem broche ou Bunny, você vai passar nessa prova.
– Mas ainda vou ter que refazer o trabalho. Que, aliás, só tenho até amanhã para fazer e da última vez levei duas semanas. Estou arruinada.
– Então por que estamos enrolando? – eu disse, afastando-a de mim e a virando para levá-la em direção à escada. – Lave esse rosto, pegue o seu notebook e material da faculdade que vou preparar um chá e a ajudar a fazer o melhor trabalho do ano. Seu professor vai se arrepender de ter dito aquilo.
– ela me chamou e me virei no maior estilo Elvis. – Desculpe-me por ter perdido o broche.
– Deixe de besteira. Dou outro para você – empurrei-a escada acima e fui para a cozinha, achando-me o “Rachel Ray”.

Tópico #19 – O jeito de pedir desculpas por terem chorado por alguma bobeira.

Como eu estava com fome, acabei me divertindo na cozinha e fiz miojo para mim. Deixei o chá dela na mesa de jantar na sala e peguei o meu prato. Sentei-me assim que ela estava chegando e terminando de colocar as coisas na mesa.
– Então por onde começamos? – eu disse, pegando o trabalho que ela tinha feito. – Podemos usar isso como base.
– Você não acha que o professor vai me mandar ir à merda? – ri e neguei.
– Ele nunca vai saber que usamos isso como base – disse, levantando as sobrancelhas e vi o rosto dela se iluminar em um sorriso.

Ficamos de uma da tarde até as dez da noite fazendo o trabalho sem parar. Nem para ir até a Starbucks reabastecer. Não podíamos parar.
, deixe. Não agüento mais. Estou precisando descansar – ela disse derrotada, cruzando os braços na mesa e deixando a cabeça pender.
– Ei, vai entregar os pontos assim? – vi-a concordar baixinho. – Não mesmo! A minha namorada vai ser a melhor bióloga desse mundo inteiro! Ande. Levante a cabeça que dito a próxima parte – ela resmungou. – Ande, . Não resmungue. Se você tiver ido mesmo mal na prova, pelo menos com esse trabalho pode passar.
– Isso não é relatório e muito menos um trabalho. É a Bíblia aumentada em cinco vezes! – jogou os braços para cima e ri, levantando-me para pegar mais água. – Por favor, deixe-me tirar zero.
– Nem pense nisso. Até porque quando os nossos filhos perguntarem de onde vêm os bebês será você que irá responder – sorri malicioso e ela me jogou a caneta. – Assim eu gamo.
– Vá pegar água, vá. Cretino.

Mais quatro horas de trabalho e finalmente conseguimos terminar. Já eram duas da manhã e teríamos, os dois, que levantar às sete.
– Chega. Está pronto, ótimo e melhor do que antes – eu disse, fechando os livros que estavam abertos na mesa. – Acho que se você não passar, passo por você – juntei todos os livros e me levantei, espreguiçando-me. – Estou sabendo mais sobre Biologia do que Comunicação.
– Viu só? Agora pode explicar para as crianças da onde os bebês vêm – ri debochado e ela se levantou junto comigo. Guardamos todo o material, deixamos a Bíblia dela em cima da mesa de centro e nos jogamos no sofá. – Estou quebrada – concordei, resmungando. – Já são duas e meia. Não acredito.
– chamei mais dormindo do que acordado. – Preciso ir para casa – ela negou, fazendo um barulho parecido com o de um gato miando. Foi engraçado, mas o cansaço me consumia. – Sério. Se eu dormir aqui, não acordo para a aula amanhã.
– Está bem – ela disse, sentando-se no meu colo. – Mas obrigada por me ajudar hoje. Com certeza, se não fosse você, eu não teria nem começado o relatório.
– Não tem de quê – disse, passando os meus braços pela cintura dela e apoiando o queixo no seu ombro. Man, nunca estudei tanto biologia na minha vida. – Eu que agradeço. Se soubesse disso tudo antes, não tinha ficado de recuperação em Biologia por dois anos.
– Viu só? Aprendemos um com o outro – ela bagunçou o meu cabelo e passou o nariz pela minha bochecha. – Ei, antes de ir, eu queria me desculpar por ter feito aquela cena toda. Perdão por ter chorado.
– Não precisa se desculpar – ela sorriu de canto e dei um beijo forte na bochecha dela. – Tudo vai dar certo agora.
– Obrigada.

Tópico #20 – O fato de nos darem um tapa achando que vai doer.
Não sei qual é a relação amorosa que as mãos das mulheres têm com qualquer parte do corpo dos homens, mas realmente quero ficar sabendo. Não importa o porquê, mas elas estão sempre nos batendo. Sempre que podem, dão-nos um tapa no braço. Isso deve ser a diversão delas, porque não é uma ou outra mulher que o faz. São todas. Não que realmente doa, porém é chato.

– Cara, como você conseguiu ser tão lento para fazer aquele trabalho? – perguntei a que fazia faculdade de comunicação comigo. Andávamos pelo campus da universidade depois do término das aulas. Na verdade, não tinha terminado para todos. Apenas para nós dois que não queríamos assistir à última aula porque o professor era um capeta.
– Eu sei lá – ele deu de ombros e ri.
– Conheço essa sua cara – eu disse, dando uns cutucões nele. – Qual é, ? Aquela amiga da está mexendo com você, é?
– CLARO QUE...! – ele ia dizendo, mas levantei uma sobrancelha. Ele deixou os ombros caírem e olhou para o outro lado da rua. – Está – dei uma risada alta e bati com uma pasta no ombro direito direito.
– É isso aí, campeão. Agora agüente – ele me olhou confuso. – O que lhe resta é pedi-la em namoro e ver no que dá. Senão, vai ficar aí só pensando nela sem fazer nada.
, só me apaixonei duas vezes na minha vida.
, a sua cadela não conta – rolei os olhos, tentando decifrar o código de burrice do meu melhor amigo.
– Ei, tínhamos uma ligação. Está bem? – ele se fingiu de atingido e ri, concordando. – Mas também teve a Kate. Eu realmente gostava dela. Só que infelizmente ela quebrou o coração de um menino de quinze anos apaixonado e... Bem, agora é isso.
– Acho que você devia investir. Não acho aquela menina muito normal, mas se ela o fez lerdar no trabalho... Vale a pena.
– Cara, quem o possuiu? – ele riu nervoso. – Há algum tempo você nunca me diria isso. Nem que eu implorasse.
– Apenas aprendi a gostar de quem gosta de mim, – dei um tapa no ombro dele. A verdade era aquela mesmo. Anos atrás eu não diria aquilo. Diria até que ele deveria sair para se divertir e ver como era melhor do que ficar preso a alguém. Porém esses bons tempos se foram. – Até porque daqui a pouco você fica velho e não tem com quem se casar – eu disse só para colocar um terror. Ele arregalou os olhos e pegou o celular.

Deixei parado no meio da rua combinando de sair com e fui para a faculdade de a pé mesmo.
Cheguei lá quase vinte minutos depois e me sentei em um dos bancos que tinha lá fora. Deu um sinal irritante e começou a sair muita gente.
– Oi! – ouvi e logo depois senti um beijo na bochecha. – Tudo bem? – olhei para a menina e levantei uma sobrancelha.
– Tudo bem estranho. Foi mal, mas conheço você?
– Deixe que eu me apresento – ela disse rápido e esticou a mão. – Sou Liz.
– Ah, sim – apertei a mão dela. – – soltei a sua mão e me sentei de novo no banco, querendo limpar a baba dela da minha bochecha. Na verdade, queria lhe dar um empurrão porque ela estava exatamente na frente da saída da faculdade, atrapalhando minha visão. – Será que você pode dar licença, por favor?
– Está esperando alguém? – "não. Estou aqui marcando ponto mesmo", foi o que me deu vontade de responder. Apenas concordei e ela se sentou ao meu lado, jogando o cabelo para um lado e o braço no meu pescoço.
– Não acha que poderíamos nos conhecer melhor enquanto esperamos o seu amigo? – cara, que menina chata que era ela.
– Olhe só, não me leve a mal, não, mas tenho namorada – ela riu e concordou.
– Essa é a pior mentira que vocês, homens, inventam – ah, cara, eu teria que empurrá-la para fora do banco mesmo?
Fingi que o meu celular estava tocando no meu bolso e o peguei, colocando-o no ouvido. Enquanto eu fingia que conversava com , ela ficava me observando e retocando o batom. Garota chata. Liguei para quando a menina estava se ligando em outro menino e ela não atendeu. Liguei de novo.
Eu estava perdido. Teria que aturar a menina chata até a minha namorada chegar.
– Então, já perdeu o medo de mim? – ela sorriu.
– Não tenho medo de você – ri sozinho e um pouco nervoso. Por Deus, onde estava a minha namorada?

Fiquei dez minutos aturando a chata da menina até que finalmente vi a minha luz no fim do túnel. saía da faculdade com uma blusa regata e um short curto. Onde ela achava que estava indo vestida daquele jeito? Corri até ela sem nem dar tchau para a chata e agarrei o seu braço.
– ONDE você estava? – disse desesperado. Ela riu.
– Mandei uma mensagem avisando que eu tinha faltado à aula hoje. Acordei tarde e cheia de cólicas – bati na minha testa. Eu tinha me esquecido daquilo. – Tive que vir aqui apenas entregar um trabalho. Mas e você, o que faz aqui?
– Esqueci-me da sua mensagem e vim buscá-la – ela riu e bateu no meu peito com um papel dobrado, dizendo que eu era retardado. – Mas que horas que você chegou? Porque não o vi.
– Cheguei há cinco minutos. Vi-o conversando com a menina que faz Engenharia.
– E não foi lá falar comigo?! – quase gritei. – , a menina estava me assediando!
– Ah, achei que ela fosse sua amiga – vi-a dar de ombros e balancei a cabeça. – Sei lá, ué. Como eu ia saber se vocês eram ou não amigos?
– Só pelo fato de ela estar dando em cima de mim totalmente descarada?!
– Você precisa entender que amizade entre homem e mulher existe, – não estávamos conversando sobre a mesma coisa, então apenas concordei e fiquei calado. – Mas então... Ela estava dando em cima de você, é?
– Dando em cima é apelido – cruzei os braços e ela riu, empurrando-me para o lado. – Garota mala.
– É, falaram-me que ela era assanhadinha uma vez, mas não pude concordar. Não conheço a menina.
– Agora conhece. Através de mim – puxou-me para correr e atravessar o sinal. – Furei a última aula de hoje com o .
– O que vocês estavam conversando?
– Sobre a – ela sorriu. – Ele está gostando dela e dei umas dicas – mudei a pasta de mão e mexi no cabelo. – Sabe, também andei falando sobre outras coisas – sorri malicioso e ela riu.
– Até parece.
– Ah é? Duvida? – ela concordou, desafiando-me, e peguei o meu celular. Era sempre bom ganhar um jantar no meio da semana. – ? Venha cá. Diga aqui para a se não é verdade que lhe contei da vez que ela estava fantasiada de coelhinha... – deu um grito e arrancou o celular da minha mão, desligando-o. – EEEI!
– Menino! – ela disse brava. – Você não pode sair por aí contando as nossas intimidades! – recebi um tapa. Claro que ela achou que tinha doído e não deu outro. Porém quando ri alto no meio da rua ela começou a me estapear.
Como se realmente doesse. Não é?!
Deixei que ela se divertisse, batendo cada vez mais forte, e nem percebi quando chegamos à minha casa.

Tópico #21 – O modo com que pedem perdão quando o tapa dói mesmo (embora jamais admitamos que doeu).

Abri a porta e a minha mãe arregalou os olhos ao ver o meu braço direito todo vermelho e (não satisfeita) estapeando o esquerdo.
– Não ligue, não, mãe – eu disse calmo enquanto deixava as coisas da faculdade em cima da mesa da sala. Ela concordou ainda sem tirar os olhos de nós dois.
– Não vou mais repetir para você! – disse, parando de me bater. – Onde já se viu contar para os outros o que a gente faz? Você é um doente, ! – nessa hora, a minha mãe ficou tão assustada que chegou a cabeça para trás.
– Pelo amor de Deus – comecei a rir. – Acha mesmo que eu ia ficar contando por aí o que faço ou deixo de fazer com você?
– Ah, vindo de você, não duvido de nada. Não me esqueço de o que seu passado é obscuro – balancei a cabeça e a empurrei para a cozinha.
Tudo bem. Eu contava o que fazia com as garotas que eu pegava antes de ficar com ela para , mas não era nada super detalhado. Eu só comentava. Era engraçado e legal.
– Não consegue entender que de você não falo, né? – eu disse, abrindo a geladeira. – Quer coca? – ela negou com a cabeça. – Não sou capaz de abrir a boca para falar do que você faz. Até porque não se interessa – ela sorriu irônica. – Até porque nós dois não somos mulheres. Vocês, mulheres, que ficam contando tudo o que fazem com detalhes e o cacete.
– Não vou nem perguntar como sabe disso. Você entende de mulher mais do que eu – virei-me para ela e a vi mexer no celular, pouco ligando para mim. – Não se ofenda.
– Não me ofendi. Até porque você não é a única mulher no mundo. Se eu quiser, vou à casa da e faço umas perguntas para ela – se levantou e deu um tapa MUITO FORTE no meu braço. Man, aquele doeu. Deu um estalo alto que chegou a ecoar. A minha mãe meteu a cara na porta da cozinha e mostrei a coca para ela que concordou e saiu. Passei a coca pelo meu braço, apenas disfarçando que estava doendo.
– Devia tomar cuidado com o que fala.
– Mas falei de brincadeira! – ri enquanto ela se sentava na minha frente. – Você é boba. Já disse isso. Você, melhor do que ninguém, sabe que, se eu quisesse, poderia sair daqui que ali na esquina eu arranjava uma para hoje de noite.
– Não repita isso – ela disse, analisando o meu braço. – Nossa, isso está ficando roxo. Vai ficar um hematoma – concordei, olhando a mão dela marcada bem no meio de onde a manga da camisa não pegava. – Não vá espalhar por aí que isso aqui foi parte de alguma artimanha nossa porque vou negar tudo – ri alto, quase cuspindo a coca. – Ai, isso está me preocupando.
– Relaxe. Daqui a dois dias sara.
– Não. Temos que tratar disso agora. Posso? – ela apontou para o freezer e concordei. Pegou uns gelos e colocou em um saco, dando um nó. Depois pegou apenas um e ficou passando em mim. – Ai, desculpe, desculpe, desculpe. Eu não queria ter batido tão forte – ficou me dando vários selinhos e me olhou séria.
– Não está nem doendo. Fique tranqüila – menti. Estava doendo, sim, mas eu nunca ia admitir. Fiquei fazendo um jogo só para ela ficar se desculpando.

Tópico #22 – A maneira que as suas lágrimas nos fazem querer mudar o mundo para que mais nada lhes cause dor.

Recebi uma mensagem da minha mãe avisando que iria sair com as amigas. Decidi então que iria ficar agregado na casa da minha namorada por mais algumas horas.
Ela apareceu com um DVD e colocou. Acomodamo-nos no sofá e espiei a capa para ver o que iríamos assistir pelas próximas duas horas. A capa era branca com um casal deitado. PS: Eu Te Amo.
No começo, não entendi muito bem o filme, porém ela me explicou algumas partes e tentei juntar tudo. Esse filme é muito complexo, se você quer saber. E muito sentimental também.
Na parte em que a mulher estava na Irlanda, se não me engano, levantei-me para ir ao banheiro. Voltei e estava tremendo. Achei que era de frio, então a abracei sem nem olhar para ela. Não deu dez segundos e ela desabou no meu ombro. Parei o DVD já assustado. Qual era o problema? A mulher também tinha morrido?
– O que aconteceu? – perguntei, olhando torto para ela. – A mulher morreu também?
– Não – ela disse entre soluços. – Ela recebeu a última carta – e então chorou mais e mais. Cara, como mulher se emociona fácil. Era apenas um filme. Nada mais. – E agora escreveu uma carta para ele – fiz a garota se sentar entre asas as minhas pernas e fiquei esperando que o choro passasse. Eu não podia fazer muita coisa. – Promete que você nunca vai me deixar?
– Ei, que medo é esse? Isso é desnecessário – eu disse, desacreditando que ela estava mesmo me pedindo aquilo. Não poderia estar levando em conta o que o filme passava ou dizia.
Dei play de novo e a mulher passou já de cabelo loiro e um chapéu estranho, andando pelo meio da fazenda.
PS sussurrou e olhei para ela, abaixando a cabeça para entender melhor, achando que estava falando comigo. – Você sabe – e pronto. Bastou aquilo para que ela desabasse de novo.

Resolvi trocar o DVD. Peguei um com um cachorro na capa. Cachorros são legais e alegres. Talvez ela melhorasse.
É, eu errei. Talvez Marley & Eu não tivesse sido uma boa escolha.
– ela me chamou e a olhei. – O Marley vai morrer.
– Não vai, não – eu disse, segurando um dos braços dela. – Ele é um cachorro forte. E veja! Está sendo medicado.
– ela me chamou de novo e me virei para olhá-la. – O CACHORRO NÃO DURA PARA SEMPRE! – ela gritou, dando-me um susto.
– Mas foi você que chorou porque ele estava morrendo. Não eu.
– SEU INSENSÍVEL! – voltou a chorar.
Cara, como mulher tem lágrima. Sério. Tinha quase quatro horas que ela estava chorando.
– Que tal se mudarmos para “Nemo”?
– ELE TEM UMA BARBATANA DIFERENTE! – depois do “Nemo”, eu não sabia mais o que ver. “Up”. Não. A velha morre. “101 Dálmatas”. Não. Eles são seqüestrados e chega de cachorros. “O Rei Leão”. Não. O pai do Simba morre.
Porra, Disney, qual foi?! Só sabe fazer filme dramático?
chorava ao meu lado e a abracei forte. Como eu queria que, por mais que ela estivesse chorando por algo que eu achasse meio idiota, a dor dela fosse transferida para mim. Queria ter uma conversinha com o Walt Disney. Queria obrigá-lo a mudar todos os filmes. Queria fazer o mundo ser um mundo melhor, sem mortes. Queria que as coisas fossem mais fáceis. Eu queria que tudo mudasse apenas para não ver a mulher que eu amava chorando.

Tópico #23 – O jeito de dizerem “estou com saudades”.

Eu tinha viajado com para Nova Iorque. Não, não fomos lá passar uns dias de férias, tirar uns dias de folga da faculdade como fazíamos com as aulas chatas. Fomos até lá ter uma palestra com um cara que era o fodão da Comunicação e Marketing. A "viagem" durava uma semana e meia e já estávamos lá há mais ou menos quatro ou cinco dias.

Voltamos da palestra do dia e nos jogamos na cama. Ficamos em um hotel com que a faculdade tinha associação. Um andar inteiro era da nossa turma e tinha de dois a três caras por quarto. Eu tinha ficado com e um tal de Rick que eu nunca tinha visto. Mas também acho que o cara ou não foi ou mudou de quarto, porque ele nunca aparecia.
Fui tomar banho e, quando saí, falava com a mãe dele ao telefone. Logo ele desligou e foi para o banho também. Coloquei uma boxer e uma blusa cinza. Joguei-me na cama e do jeito que caí fiquei. Dormi por não sei quanto tempo, porém acordei com o meu celular vibrando embaixo da minha cara. Limpei um pouco da baba e atendi, esfregando o olho e a franja do meio da testa.
Desculpe por acordá-lo – ela disse do outro lado da linha e concordei, quase voltando a dormir.
– Tudo bem. Devo estar dormindo há um tempão já.
Como está indo a viagem? Nova Iorque é legal?
– Não tivemos muito tempo para descobrir isso ainda. As palestras duram quase o dia todo – ela concordou e ficou quieta. Olhei para o lado. dormia na cama todo largado. O cobertor e a colcha estavam no chão e o travesseiro dele estava quase caindo da cama. Ri baixo e logo me lembrei de que eu estava no telefone e a ligação era um pouco mais cara porque eu não estava na minha cidade e nem no meu país. – , tudo bem se eu desligar? Preciso descansar. Amanhã acordo cedo.
Ah, tudo bem – ela disse, dando um suspiro. – Só liguei porque... Bem – abaixou o tom de voz e quase não pude ouvir. – Estou com saudades.
– Também estou – sorri enquanto ela concordava. – Em poucos dias volto. Veja se não me chifra, hein? Outra igual a você não vou encontrar mais nessa vida.
Bobo – ela disse, rindo. – Vá dormir. Boa noite – pude ouvir o celular ser desligado antes que eu me despedisse. Deixei-o ao meu lado e virei a cara, voltando a dormir minutos depois no meio do meu pensamento de como as mulheres são engraçadas. Elas têm todo um jeito de dizer as coisas. E dizer que sentia falta era muito legal.

Tópico #24 – As saudades que sentimos delas.

O meu despertador tocou. Demorei um pouco, mas me levantei. Olhei para o lado e estava quase no chão. Dei um tapa na perna dele.
, levante-se. Temoss palestra daqui a pouco – ele resmungou alguma coisa e fui para o banheiro. Quinze minutos depois eu já estava pronto. Arrumei uma mochila e parou ao meu lado.
– Cara, será que a camareira vai ficar puta se eu não forrar a cama? – ele perguntou antes de abrir a porta. Empurrei-o para fora e deixei o celular no silencioso.
– Preocupe-se com a palestra. Não com a camareira. Depois vocês conversam – ele riu e fechou a porta do quarto. Apertei o botão do elevador, acenando para Rose, Derek e Ginna. Pegamos o elevador e acabamos comendo e indo juntos para a palestra.

Cinco horas de palestra e os meus olhos já estavam quase se fechando. Man, quando escolhi Comunicação não achei que me mataria tanto. Tivemos um tipo de recreio e fomos todos correndo para fora do prédio comercial de onde estávamos. , Derek e eu fomos até a Starbucks que ficava ali perto e viajei, olhando para algumas meninas.
– Qual é, ? Estamos falando com você – me deu um tapa. – Que cara é essa?
– Sei lá, dude. Estou cansado. Quero ir para casa e dormir o dia inteiro.
– Isso para mim está mais para falta de mulher – Derek disse, achando-se o garanhão. Ele se achava porque pegava a Rose que era gostosinha, mas grande coisa.
– Liguei ontem para a , porém ela estava ocupada. Nunca achei que eu ia sentir falta de ouvir uma mulher reclamando das novas tendências das passarelas – e a amiga de tinham engatado em um namoro há umas semanas. Ela estudava Moda ou algo do tipo, então ficava vendo desfiles. Diz (o entendido de moda) que os preferidos dela eram os de Milão e as Fashion Weeks que tinham. Como se eu soubesse o que era.
Eu sentia mesmo era falta de esperar a minha namorada sair da faculdade, de ir para a casa dela e ficar lá de bobeira, de sairmos para a Starbucks e comer alguma coisa por pura falta do que fazer... De ficar com ela. Uma semana e meia sem a menina e já estava ficando necessitado.
– É, meu caro . Fomos fisgados – eu disse, rodando o meu copo de café. – Sinto mais falta da cada da do que minha própria.

Mulheres podem ser implicantes às vezes, carinhosas em outras. Totalmente bipolares. Mas uma coisa é certa: sem elas, não vivemos e acredite... Mais de uma semana sem e nós já ficamos fora dos eixos.

Tópico #25 – A minha conclusão.
Cada um de nós tem exatamente a sua própria peça que falta do quebra-cabeças. Ela é o conjunto de todas as coisas que você leu e, exatamente na hora certa, no momento certo, você vai perceber que a sua metade da laranja pode estar ao seu lado. E é bom que faça isso antes de outra pessoa, porque senão serão dias ou mesmo meses tentando reconquistar o que era seu. Mas não se preocupe. Se for a pessoa certa, no final, tudo vai se acertar.
E se tratando de mulheres... Bem, você já sabe. Têm aí vinte e quatro dicas de como fazer a coisa certa.

Fim!


Aviso: os nomes dos tópicos foram tirados de uma lista deste site.

comments powered by Disqus