You Will Remember Me
História por Sáh Mendonça Vieira | Revisão por Carol Mello

Capítulo 1

e moravam em Londres desde os dezessete anos. Sempre foram melhores amigas. Elas estudavam na mesma escola, e logo no segundo ano passou no teste pra líder de torcida.
Ela era popular e invejada, não só por ser líder de torcida, mas também namorada do capitão do time de futebol, Peter, o moreno que arrancava suspiros das meninas por onde passava. era linda, e os meninos não desgrudavam os olhos dela. Por onde e Peter passavam juntos, surgiam muitos comentários e muitos, muitos olhares invejosos.

acordou e fez sua higiene matinal. Estava feliz pelo ótimo desempenho das animadoras de torcida no jogo da manhã anterior, pelo time ter vencido e Peter, seu namorado, ter ganhado mais um jogo. Colocou um short curto e um casaco de moletom.
Seu celular começou a tocar em cima da cama e ela saiu do banheiro correndo, atendendo sem olhar no visor.
- Alô?
- , desce, senão vamos nos atrasar. – Falou .
- Tudo bem, só vou pegar minhas coisas.
pegou sua mochila e desceu.
- Bom dia. – Disse quando abriu a porta do carro.
- Bom dia amiga – disse sorridente. – Alguma fofoca?
- Nossa, nem entrou direito e já quer saber das novas? – disse rindo da amiga.
- Ah! Sou curiosa! E como eu sei que você fica de plantão, conta logo.
- Não exagera. – se fingiu de ofendida e olhava pra pista. – Lembra da Ashley? – Ela olhou de canto de olho pra .
- Lembro. Aquela que estudava na nossa escola no primeiro ano? – concordou. – Ela era uma vadia.
- É ela.
- O que tem?
- Ela voltou pra Londres, e pelo que parece, hoje mesmo já vai pra escola.
- Sério? Eu não acredito. – disse começando a ficar com raiva. - Espero que ela não entre no meu caminho. – Falou bufando.
Ashley estudou com elas no primeiro ano, e era uma atirada. E pra piorar, se jogava em cima de Peter o tempo inteiro. achava aquilo ridículo, como todas as outras que queriam o Peter, mas agora namorava ele, as coisas seriam diferentes.

Chegando ao colégio, e foram direto para a aula de Filosofia que teriam juntas, sentaram em seus lugares, não demoraria muito e o Sr. Brown já entraria em sala.
- , acha que a Ashley ainda é apaixonada pelo Peter? – perguntou com receio na voz. Ashley era muito bonita também.
- , quem não é? – revirou os olhos.
- Não é isso – bufou. - Quero dizer... Ela ainda vai ficar correndo atrás dele?
- Só esperando pra ver.
- Srta e Srta , por favor, podem virar pra frente e parar de conversar? – Sr. Brown chamou atenção das meninas.
- Tudo bem Sr. Brown – Disseram em uníssono.

tinha aula de Química, e de Biologia, precisariam se separar, algo que as duas odiavam.
- Te vejo no intervalo. – mandou beijo no ar pra amiga.
- Até. – retribuiu.
Chegando à sala de química, foi se sentar mais pro canto, não queria atenção, só queria pensar no que estava pra acontecer.
Ela até gostava de química, mas naquele momento não queria nem olhar para o que o Sr. Charles tentava explicar. Só viu o garoto que sentara na cadeira à sua frente. Ele era e ficava muito concentrado na matéria, o que ela também deveria estar fazendo. deduziu que aquele devia ser um dos amigos da .
- Srta , pode me dizer quantos elétrons “pi” tem nessa cadeia? – Sr. Charles perguntou, dispersando a atenção de e atraindo a atenção da sala pra ela.
- Hm, quatro? – perguntou depois de um tempo.
- Tudo bem, dessa vez você escapou. Mas trate de prestar atenção na aula.
- Desculpe, isso não vai mais se repetir.
As atenções voltaram para o professor, e foi salva pelo sinal do intervalo, ou teria que aguentar fingir prestar atenção naquela aula, e ela não estava nem um pouco a fim disso.

- Eu não consegui prestar atenção em nada do que o Sr. Charles falou.
- Ta preocupada com a Ashley? Não liga pra ela, ela não... – parou de falar quando se deparou com a cena na mesa dos garotos do futebol.
Ashley estava se insinuando para Peter.
- Quem aquela piranha pensa que é? – disse incrédula, indo em direção à mesa.
- Calma , não vai fazer nada... – estava preocupada com a amiga.
foi à mesa onde os garotos estavam lançando um sorriso falso pra Ashley.
- Oi meu amor – Disse indo até Peter e dando um selinho no namorado.
- Ei linda. – Ele disse sorridente abraçando .
- Perdeu alguma coisa aqui? – perguntou irônica pra Ashley.
- Não, querida. – Ashley falou olhando de cima a baixo.
- Se perdeu me avisa, posso ajudar a encontrar, mas acho que não deve estar por aqui. – Disse quase matando Ashley com o olhar.
Ashley se virou debochada e foi em direção à mesa de um grupo de alunos da sala dela.
- O que foi isso? – Peter perguntou preocupado com a ação da namorada.
- Não se faça de idiota, ela tava quase te comendo com os olhos. – disse com raiva.
- Não exagera, ela só tava conversando...
- Sei a conversa. – já não estava mais suportando a conversa.
A verdade era que Peter sempre foi mulherengo e sabia muito bem disso.
- Vai ter festa sábado. Ta sabendo? – Ele perguntou tentando mudar o rumo da conversa.
- Isso não acabou aqui, ok? – percebeu que ele estava querendo fugir do assunto. – Mas, não to sabendo, não me disse nada.
- Não vou nem perguntar se você quer ir. - Ele disse rindo.
- Nem precisa, eu já estou lá. – Riu. – Vou ficar um pouco com a , e se aquela vadia chegar aqui de novo, vai ter briga. E nem adianta mudar de assunto. – olhou séria pra Peter.
- Tudo bem amor. – Deu um beijo rápido na namorada. – Te vejo na aula de Geografia.
foi em direção à , que estava com seus amigos “esquisitos”. O que estava em sua sala de química estava lá. Ela nem olhou para os meninos direito, e chamou pra conversar.
- . – Ela olhou pra amiga com o olhar de “precisamos conversar”.
- Vejo vocês depois. – disse acenando pra eles. não estava com saco pra cumprimentar ninguém àquela hora. – O que foi?
- Você ta sabendo da festa de sábado?
- To sim.
- E você não ia me contar? – perguntou fingindo aborrecida.
- Claro que ia, é que você nem me deu tempo, só falava da Ashley. – se defendeu. – Eu sei que você não perde nenhuma festa. – Riu. – Vai ser na casa do Andrew, ele chamou praticamente a escola inteira, perfeito. – completou animada.
- Que horas, Srta Jornal Nacional? – perguntou rindo, zombando de .
- Ah, não é pra tanto, né? Alguém tem que saber das últimas. – se fingiu de sentida com o comentário. – Nove horas já começa.
- Ótimo. – disse olhando pra mesa de Peter pra ver se tinha alguma garota atirada chamada Ashley rondando por lá enquanto ela e conversavam despreocupadas.
- Posso ir pra sua casa antes da festa?
- Claro que pode, nem precisa perguntar. – Riu.
- Até , , e vão. – disse toda feliz. Era raro seus amigos aparecerem nas festas de pessoas da escola.
- Quem? – olhou com o cenho franzido.
- Meus amigos, aqueles com quem eu tava conversando antes de você chegar. – bufou. – Você tem que se preocupar mais em fazer social, sabia?
- Ah , desculpa. – fez careta. – Eles parecem quietos demais.
- Isso é o que você pensa. – riu. – E não os conhece.
- Tudo bem, outro dia você me apresenta.
Apesar de ser popular na escola, ela não falava com todos, não tinha o costume de “fazer social”.
O sinal tocou e foi ao encontro dos seus amigos. foi até Peter, eles teriam a aula de Geografia juntos.
- me disse que a festa vai ser na casa do Andrew. – comentou.
- É, acabei de saber pelos meninos. Te pego às 9h? – Peter perguntou, entrando na sala de aula.
- Pode ser. Tem problema se a for junto?
- Claro que não.
- Será que a vaca da Ashley vai? – falou sentando-se à mesa da frente de Peter.
- Hum... Parece que sim. – Peter disse e olhou pra ele querendo uma conclusão. – A ouvi comentar que não perde essa festa por nada.
- Era só o que me faltava. Vou ter que aguentar aquela lá te olhando a festa toda. – bufou.
- Não liga pra ela. – Peter tentou passar confiança, mas sabia que não poderia confiar tanto assim.
e Peter namoravam há quase 2 anos, Peter era muito “galinha” e isso fazia com que ficasse atenta. Eles não se amavam, apenas eram apaixonados. Há os que digam que eles só namoram pela reputação e popularidade um do outro. Antes de ser popular no colégio, Peter era rodeado de garotas, não que ele não seja mais, ele é. Só que agora é compromissado. morria de ciúmes da Ashley porque sabia que os dois já tiveram um rolo há uns anos atrás.
- Ta, vamos esquecer esse assunto. – disse paciente.
- Sr. Lewis e Srta , deixem pra namorar depois das aulas. – O professor de Geografia chamou a atenção dos dois que conversavam despreocupados.
- Acho que hoje eu bati meu recorde. Até agora todas as aulas eu fui pega conversando – comentou baixinho com o namorado que riu. – Não tem graça. – Ela riu do próprio comentário também e Peter deu língua pra ela.
- Podemos? – Sr. Paul perguntou novamente.
- Sim Sr., desculpe. – Peter disse segurando o riso.

O sinal bateu avisando o fim das aulas. e Peter foram aos armários guardar seus livros, e logo se dirigiram em direção ao carro de Peter.
- Não se esquece de estar pronta às NOVE, NOVE, ta bom? – Peter falou parando o carro em frente à casa de .
- Tudo bem, você veio falando isso o caminho todo, eu não vou me atrasar amor. – falou abrindo a porta.
- Isso é o que você fala toda vez. – Peter falou rindo.
- Mentiroso. – estreitou os olhos pra ele.
- Tudo bem, não está mais aqui quem falou. – Levantou as mãos.
- Te vejo amanhã. – Sorriu para o namorado e o beijou calmamente.
- Até amanhã linda. – Peter sorriu.

- , o Peter já ta buzinando há uns cinco minutos, rápido. – dizia pra que ainda estava na frente do espelho.
- Calma, não me apressa. Só falta o batom. – falou ignorando que tentava apressá-la.
- Mas já estamos atrasadas. - falou apressada.
- Já acabei, sua enjoada. – disse bufando.
e saíram em direção ao carro de Peter, que já estava esperando há quase dez minutos. usava um vestido azul escuro tomara-que-caia e bem curtinho; usava um lilás frente única, curto também. Estavam lindas.
- Já tava na hora. Isso porque eu disse que era pra estar pronta às nove. Ta vendo por que eu insisto? – Peter falava sem parar enquanto as meninas entravam no carro. – Mas estão perdoadas, porque estão lindas. – Continuou quando as meninas entraram.
- Boa noite pra você também. – disse irônica. – E obrigada pelo elogio, você também está lindo amor. – Completou.
Os três seguiram falando assuntos aleatórios durante o caminho até a casa de Andrew, onde seria a festa.

- Bem vindos, pessoal. – Andrew já um pouco feliz demais cumprimentou quando Peter acompanhado de e logo ao lado , chegaram.
- Obrigado. – Peter disse fazendo um cumprimento com Andrew e as meninas apenas sorriam simpáticas pra ele.
A casa estava escura, iluminada apenas pelas luzes coloridas do DJ e o globo no centro da sala. Estava cheia, parecia que todos da escola tinham resolvido ir à festa de Andrew.
- Awn, os meninos estão ali. Vou falar com eles. – disse sorridente indo em direção aos amigos , , e que sorriam pra ela.
- Quer beber alguma coisa? – Peter perguntou, falando alto devido à musica do local.
- Agora não, vou esperar um pouco. – Sorriu fraco olhando preocupada para os lados.
- Ta procurando alguém? – Perguntou Peter franzindo o cenho.
- Não. – Tentou sorrir de novo e deu um selinho no namorado que retribuiu.
- Linda, vou com os meninos um pouco, tudo bem? – Peter perguntou depois de um tempo quando avistou os companheiros de time.
- Pode ir. Eu vou procurar a . – sorriu.
Caminhou um pouco entre as pessoas na festa que dançavam animadamente e logo avistou com seus amigos.
- Amiga, deixa eu te apresentar. – disse puxando pela mão.
- Esse é o . – Disse apontando para o amigo e o cumprimentou. – , e . – Completou e repetiu o gesto. – E meninos, essa é a , mas isso vocês já sabem – Disse arrancando risos.
- Prazer, meninos. – disse sorrindo. – A fala muito de vocês. – Riu olhando pra .
- E ela fala muito de você também, – Disse todo simpático.
- Pode me chamar de .
- Tudo bem. – era o mais brincalhão dos quatro.
Os seis ficaram batendo papo por um tempo e nem viram à hora passar.
- Alguém quer beber alguma coisa? – perguntou.
- Sim. – Responderam os cinco em uníssono, se entreolharam e riram.
- Vou precisar de ajuda. – disse levantando e indo em direção ao “bar” improvisado que tinha perto da cozinha. e foram com ele, e os acompanhou. Sobrando apenas e .
- Você é da aula de química, certo? – disse olhando pra . Os olhos dele eram bem atraentes, ela nunca tinha reparado assim, na verdade esse era o primeiro diálogo que os dois estavam tendo.
- Sou sim – disse sorrindo simpático. – Preparada pra prova da semana que vem?
- Na verdade não. – fez bico. – Não prestei atenção na última aula direito. – Confessou ela. – E você?
- Bem vinda ao clube. – sorriu pra ela.
- Ta brincando? – fez cara de surpresa. – Eu achei que você era um nerd. – Completou.
- Nossa, tenho cara de nerd? – Perguntou se analisando. – Errou feio, Srta. ! – Disse imitando a voz do professor Charles e arrancando uma gargalhada da garota.
- Me surpreendeu, Sr . – disse rindo e tentando imitar a voz do professor também. nunca tinha conversado com os garotos e depois dessa percebeu o quanto eles eram legais e simpáticos.
“O até que é atraente, só tinha que se arrumar mais e dar uma ajeitada no cabelo” pensou e balançou a cabeça espantando o pensamento.
Os meninos chegaram com as bebidas e voltaram a conversar.
- , vou procurar o Peter. – disse perto do ouvido de que concordou com um aceno de cabeça.
conversou tanto com os meninos que até tinha se esquecido de que seu namorado estava na mesma festa que Ashley Portman.
Saiu em direção à parte de fora da casa, já que não encontrara Peter na pista e nenhum dos seus amigos também.
Chegando a parte de trás da casa onde tinha um enorme jardim iluminado e uma piscina avistou os amigos de Peter em uma mesa, quando pensou que ele não estava lá, viu um dos amigos dele se levantar, dando assim, pra ela ver quem estava na frente dele. Viu Ashley conversando com Peter que sorria, os dois estavam bem próximos, ele segurava uma garrafa de Heineken na mão, e era de se imaginar que ele já estivesse um pouco alterado. Ashley o provocava, agora com a boca bem próxima da de Peter. Aquilo foi o fio pra estourar e sair andando apressada em direção aos dois.
Quando Ashley a avistou sorriu sem mostrar os dentes e debochada.
“Acho bom mesmo você não mostrar esses dentes, senão eu arranco todos eles de você sua vagabunda” pensou enquanto ia em direção a Peter.
- Não cansa de se meter onde não deve? – perguntou lançando um olhar ameaçador pra garota que tinha um sorriso no canto dos lábios.
- Não vou descansar enquanto não tiver o que foi meu desde o início. – Disse Ashley analisando .
- Seu? Quer o que é seu? – Perguntou rindo sarcástica. – Então toma. – fechou a mão e levou-a com bastante força no meio da cara de Ashley, fazendo algumas pessoas ao lado olharem assustadas, inclusive Peter, que segurou antes que ela partisse de novo pra cima de Ashley. – Feliz agora? – Sorriu de canto olhando a menina colocar a mão no nariz que sangrava.
- Você me paga por isso. – Ashley disse levantando com a ajuda de Sean que era parte do time de futebol.
- Sa... – Peter tentou falar mais foi interrompido pela namorada.
- E você cala sua boca e me acompanha. Ou ta querendo um murro também? – disse ameaçando Peter que ia atrás dela. Lógico que Peter era muito mais forte que , e isso não precisava nem comparar, mas ele tinha medo pelo jeito que ela falava e o ameaçava, podia ser muito, muito brava quando queria. Isso sim era de dar medo em Peter.
- Quem você pensa que é pra brincar comigo desse jeito? – disse quando chegaram a um lugar não muito movimentado da festa.
- Eu... - Peter foi falar, mas foi interrompido de novo.
- Eu não terminei. – disse aumentando o tom de voz – É só chegar uma vagabunda perto e você se entrega assim? Por tão pouco? Acorda, eu não sou nenhuma idiota sem cérebro igual às meninas que você comia no primeiro ano, seu idiota.
- , eu... – Peter estava ficando nervoso com a situação.
- Me deixa terminar, porra. – já estava perdendo o controle de tanta raiva ao lembrar-se da cena anterior. – Se eu ver algo acontecer mais uma vez entre você e a tal da Ashley ou qualquer outra, você pode esquecer dois anos da sua vida e esquecer que eu existo. Entendeu? – terminou apontando o dedo pra ele.
- , não aconteceu nada, é sério. Ela só chegou perto, foi só o que você viu, por favor, , confia em mim. – Peter implorava.
- Sem mais, não quero ouvir suas desculpas. – finalizou a conversa.
Apesar de somente apaixonados, Peter gostava de e se sentia bem quando estava com ela, ela era divertida, e acima de tudo era linda. Mas o problema dele, era ser mulherengo demais, isso o atrapalhava e deixava com preocupações. Eles tinham terminado uma vez, quando tinham um ano de namoro, havia visto Peter com uma garota. Não que Peter fosse o safado e a namorada fiel, não, bem diferente, também já havia traído Peter um pouco depois do acontecido, mas eles resolveram dar outra chance um pro outro, até a Ashley aparecer, o que já tinha percebido que tornariam as coisas muito difíceis.
- Agora me leva pra casa que essa festa já acabou pra mim. – Ela disse bufando e indo me direção ao carro de Peter.
Eles foram o caminho inteiro sem falar nada. Peter tinha um olhar de culpa, e evitou o olhar durante aquele tempo.
- , por favor, me perdoa. – Peter disse segurando o braço de quando chegaram em frente a casa dela.
- Tchau Peter. – Ela disse se soltando das mãos dele e bateu a porta, entrando em casa logo em seguida.
demorou um pouco para conseguir pegar no sono, mas logo foi vencida pelo cansaço que falava mais alto.

Capítulo 2

Coloquem pra carregar! Acordou com o despertador que marcava 9 horas da manhã.
- Droga! – Disse tateando a mesinha ao lado e não encontrando o despertador. – Esqueci de desligar essa merda de novo. – Ela dizia sozinha e agradeceu quando achou o barulho irritante que a tinha feito acordar cedo em pleno domingo.
Tentou voltar a dormir, mas foi em vão. Levantou, fez sua higiene matinal e discou o número que era costume.
- Alô? – uma voz sonolenta do outro lado da linha.
- , é a .
- O que aconteceu ? Não te vi na festa depois que você foi encontrar o Peter, aconteceu alguma coisa? – estava preocupada.
- Ah amiga, longa história, te conto depois. – disse com a voz tristonha. – Vamos sair hoje? – Perguntou mais animada.
- Eu e os meninos vamos ao shopping e depois ao cinema. Você pode ir, o que acha? – disse feliz.
- Tudo bem, que horas vocês vão?
- Onze horas, a gente aproveita e almoça por lá também.
- Ok, passa aqui pra me pegar então.
- Ok, beijo. – desligou o telefone.
foi tomar um banho e se arrumar para sair com os novos amigos, e isso a fez ficar mais feliz naquele dia que tinha tudo pra ser péssimo.
Ouviu uma buzina e logo deduziu ser . Desceu as escadas correndo. estava dirigindo um carro, e o acompanhavam. Logo atrás avistou no banco do carona e no volante. Acenou para os meninos no carro de e se dirigiu em direção ao carro de .
- Ei amiga. – disse sorridente.
- Oi . – Se inclinou e deu um beijo na bochecha de . – Oi . – Sorriu para o garoto.
- Ah, eu não vou ganhar um beijo na bochecha também? – Fez cara de cachorro abandonado e e sorriram, ele também não pôde deixar de sorrir.
- Desculpa. – riu e deu um beijo na bochecha de que sorriu. – Bom dia.
- Agora sim, melhor. – Brincou. – Oi pra você também e bom dia.
- Como você ta? – perguntou. – Ficamos preocupados ontem. – Completou.
- Ah, problemas com o Peter. – fez bico e fez uma careta. Com certeza ele não gostava de Peter, assim como todos os outros meninos da escola.
- O que houve? – perguntou franzindo o cenho.
- Hm... Além de eu ter quebrado o nariz de Ashley Portman e ter brigado com o Peter, não aconteceu nada. – Disse ela, calma.
e abriram a boca de espanto.
- Uau. - conseguiu falar. - Quero morrer seu amigo. – Brincou e as meninas riram.
- O que ele fez dessa vez? – perguntou muito preocupada e curiosa.
contou toda a história pra e que ficaram boquiabertos com tudo o que tinha acontecido.
- Ashley mereceu. – disse. – Pago pra ver ela com o nariz quebrado amanhã. – Sorriu marota.
achava Ashley linda, mas na opinião dele a garota mais linda do colégio era , só que isso ela não precisava saber. Não por enquanto.
- Só quero ver a cena. – Riu.
Chegando ao estacionamento do shopping encontraram o resto dos meninos. cumprimentou eles e em seguida entraram para o shopping.
perguntou o que havia acontecido na noite anterior, como ela não queria repetir toda a história, encarregou-se de contar. ficou boquiaberto, mas logo soltou uma gargalhada.
- Essa garota é das minhas. – Riu e espalmou a mão com a de que ria dele. Apesar de Ashley ser bonita, odiava garotas que se achavam a última coca-cola do deserto, os outros meninos também.
- Mandou bem . – abraçou ela. – Ela mereceu. – Sorriu.
- É assim que se faz. – completou.
- Agora vamos mudar de assunto. – Disse .
Foram em direção a praça de alimentação conversando e comentando sobre algumas pessoas estranhas que passavam por eles. Antes de chegar à praça, e pararam pra olhar a vitrine de uma loja de jóias.
- Já vai começar? – bufou. – Vamos, eu to com fome. – Disse passando a mão na barriga e fazendo uma careta.
- Calma . – disse.
- Mulheres. – Completou .
- Não da pra parar depois? – disse fazendo bico. – Tem coisas bem mais interessantes ali na frente. – Disse apontando pra praça de alimentação. – Tipo comida. – Implorou. e bufaram.
- O que vocês olham tanto? – estava tentando entender. – Não sei a graça de parar em todas as vitrines e ficar olhando.
- Não tente entender as mulheres. – riu.
- Parem de encher a paciência. – disse. – Vamos logo.
Foram pra praça de alimentação, cada um foi pra um lugar diferente pedir sua comida. Terminando, foram para o cinema, no andar de cima.
- Que filme vamos ver? – perguntou.
- Ta passando Piratas do Caribe, 3D. – disse apontando para o cartaz, toda animada. – O que acham?
- Apoiada. Johnny Depp – Disse com os olhinhos brilhando e suspirou.
- Garotas. – disse revirando os olhos.
- Vai, vamos logo antes que eu desista. – completou.
- Ah, qual é. Vai me dizer que você também não acha o Depp gostosão? – perguntou fazendo uma cara bem feminina e as meninas gargalharam.
- Sou mais você amor. – piscou e mandou beijo, entrando na brincadeira.
- Joga purpurina. – fez gesto com as mãos.
- Seus gays. – disse rindo. – Anda, vamos logo. – Entraram para a sala do cinema e sentaram na seguinte ordem da direita para a esquerda: , , , , e .
O filme começou, e davam suspiros toda vez que o ator aparecia na tela.
- Ele fica mais gostoso assim de perto. – comentou rindo. Seguiram concentrados no filme, menos as partes que e faziam comentários desnecessários.

- Até que enfim. – disse quando saíram da sala. – Não aguentava mais ver vocês suspirando pelo Johnny Depp. – Bufou.
- Ta com ciúmes? – riu.
- Claro que não, sou mais eu. – Disse rindo.
- Vocês vão dar mais voltas? – perguntou.
- Vamos, vamos. – disse animada. E olhou a cara de desânimo dos meninos. – Por favor. – Fez bico.
- Ah! Assim não tem como não ir. – disse rindo e abraçando .
Andaram quase uma hora pelo shopping, acabou que os meninos já não aguentavam mais andar e olhar vitrines.
- Agora chega, por favor. – implorou. – Não aguento mais dar voltas, acho que vou demorar uns anos pra voltar em um shopping. – Brincou.
- Apoiado. – Um super cansado levantou a mão e sentou no banco mais próximo de onde estavam. Os outros três meninos fizeram o mesmo.
- Vocês são moles demais. – comentou rindo. – O que vamos fazer agora? – Perguntou.
- Que tal irmos embora? Eu acho a melhor opção, não aguento mais ficar aqui. – sugeriu.
- Hey, que tal vocês irem lá pra nossa casa? A gente pode ensaiar, o que acham? – perguntou animado.
- Ótimo. Adorei – disse alegre.
- Ensaiar? – perguntou franzindo o cenho.
- É, a gente tem uma banda. – comentou. – Não é famosa, nem nada. Só ensaiamos juntos e já tocamos em alguns bares.
- Sério? – Perguntou boquiaberta. – Nunca imaginei. Vamos logo que eu quero ver isso. – Disse sorrindo animada.
e foram pra casa dos meninos pra verem o ensaio da banda. nunca tinha imaginado que eles fossem assim tão legais, estava amando passar o domingo com eles, e adorou saber que tinham uma banda.
- Bem vinda. – disse quando abriu a porta do quartinho onde eles ensaiavam. – É aqui que a gente passa a maior parte do dia. – Riu.
- Que música vamos tocar? – perguntou.
- Pode ser Star Girl – sugeriu e começaram a tocar.

Hey, I'm looking up for my star girl
Hey, eu estou procurando minha garota estrela
I guess I'm stuck in this mad world
Eu acho que estou preso nesse mundo maluco
The things that I wanna say
As coisas que eu quero dizer
But you're a million miles away
Mas você está a milhões de quilômetros de distância

And I was afraid when you kissed me
E eu estava com medo quando você me beijou
On your intergalactical Frisbee
No seu Frisbee intergaláctico
I wonder why, I wonder why
Eu me pergunto por que, eu me pergunto por que
You never asked me to stay
Você nunca me pediu para ficar

Começaram a tocar e amou a música e o desempenho dos meninos. Eles tocavam e cantavam super bem.

Ooh .. So wouldn't you like to come with me?
Ooh .. Então, você não gostaria de vir comigo?
Ooh .. Go surfing the sun as it starts to rise
Ooh .. Surfar o sol enquanto ele começa a nascer
Ooh .. Woah your gravity's make me dizzy
Ooh .. Woah, sua gravidade está me deixando tonto
Girl I gotta tell ya I feel much better
Garota eu tenho que te dizer eu estou me sentindo bem melhor
Make a little love in the moonlight
Fazer um pouco de amor sob a luz da lua

Hey, there's nothing on Earth that can save us
Hey, não há nada na Terra que poderia nos salvar
When I fell in love with Uranus
Quando eu me apaixonei por Urano
I don't wanna give you away
Não quero desistir de você
'Cause it makes no sense at all
Porque simplesmente não faz sentido

Ela estava boquiaberta, tinha gostado mesmo do som. já tinha os visto tocarem, e de primeira também tinha ficado surpreendida.

And Houston, we've got a problem
E Houston, nós temos um problema
The ground control couldn't stop them
O controle terrestre não pôde pará-los
I wonder why, I wonder why
Eu me pergunto por que, eu me pergunto por que
You never asked me to stay, yeah
Você nunca me pediu para ficar

Ooh .. So wouldn't you like to come with me?
Ooh .. Então, você não gostaria de vir comigo?
Ooh .. Go surfing the sun as it starts to rise
Ooh .. Surfar o sol enquanto ele começa a nascer
Ooh .. Woah your gravity's make me dizzy
Ooh .. Woah, sua gravidade está me deixando tonto
Girl I gotta tell ya I feel much better
Garota eu tenho que te dizer eu estou me sentindo bem melhor
Make a little love in the moonlight
Fazer um pouco de amor sob a luz da lua

Fly away, watch the night turn into day
Voar para longe, ver a noite se tornar dia
Dance on the Milky-Way
Dançar na Via Láctea
Melt me with your eyes, my Star Girl rules the sky
Me derreta com seus olhos, minha garota estrelar domina os céus
One, two. One, two, three, four!
1, 2. 1, 2, 3, 4!

arrepiou ao escutar cantando a parte lenta. Podia jurar que não tinha nada mais lindo do que aquela voz calma e doce.

Looking up for my star girl
Eu estou procurando minha garota estrelar
I guess I'm stuck in this mad, mad world
Eu acho que estou preso nesse mundo maluco, mundo maluco
The things that I wanna say, but you're a million miles away
Mas você está a milhões de milhas de distância

Ooh .. So wouldn't you like to come with me?
Ooh .. Então, você não gostaria de vir comigo?
Ooh .. Go surfing the sun as it starts to rise
Ooh .. Surfar o sol enquanto ele começa a nascer
Ooh .. Yeah, wouldn't you like to come with me?
Ooh .. Woah, você não gostaria de vir comigo?
Yeah. Girl I gotta tell ya I feel much better
Yeah. Garota eu tenho que te dizer eu estou me sentindo bem melhor
I can't get enough of you
Eu não me canso de você
Galaxy defenders, stay forever
Defensores da galáxia fiquem para sempre
Never get enough of you
Nunca me canso de você

A música terminou e quase não conseguiu falar.
- Nossa, vocês mandam super bem. – Disse de queixo caído. – Compraria fácil o CD de vocês. – Completou.
- Obrigado. – Disseram com sorrisos tímidos. Nenhum deles pensou um dia em estar tocando na frente da garota mais popular da escola.
- Qual o nome da banda? – perguntou.
- McFly – respondeu sorridente.
- De volta para o futuro? – franziu o cenho.
- Yep. Nosso caro é um pouco viciado. – comentou.
- Ta explicado. – Ela sorriu.
Os meninos tocaram mais umas três músicas. ficou encantada com o McFly, os meninos eram realmente bons.
- Meninos, eu amei a banda. – disse saindo da casa deles acompanhada de e .
- Fica à vontade quando quiser voltar. – disse sorridente. – já é de casa.
- E eu vou voltar mesmo. – Riu.
- Até amanhã meninos. – e mandaram beijo no ar pra , e . iria levá-las em casa.
- Até. – Responderam em uníssono.
Seguiram até o carro, e foram em direção a casa de . Não era muito longe.
- Até amanhã amiga. – disse dando um beijo estalado na bochecha de .
- Até . – disse fazendo o mesmo.
- Até amanhã meus amores. – Disse sorrindo e saiu em direção a seu apartamento.
passou para o banco da frente.
- Fiquei feliz em saber que você gostou da banda. – disse a olhando de lado e sorrindo.
- Eu nunca imaginei que vocês tivessem uma banda, eu amei. – Ela disse o olhando.
- Obrigado . – sorriu feliz olhando fixamente a estrada.
parou o carro chegando à frente o prédio de .
- Te vejo amanhã. – Ela disse abrindo a porta.
- . - chamou e ela se virou pra ele. – Hm... É... – Ele passava a mão nervosamente pelo cabelo. – Até amanhã. – Disse. franziu o cenho e saiu.

Capítulo 3

Pov On.
Isso mesmo seu idiota.
Por que eu não consegui a chamar pra sair? Eu ia me acusar eternamente por isso. Mas teria outra oportunidade, não teria?
Entrei em casa, e fiquei feliz de não ter encontrado nenhum dos meninos no caminho até o quarto. Eu estava péssimo comigo mesmo, meu dia tinha sido perfeito, passei o dia inteiro do lado da menina que me fez suspirar desde o primeiro ano. E eu estraguei o final dele, porque não consegui chamá-la pra sair, idiota, muito idiota.
Entrei no quarto, tomei um banho quente pra me relaxar um pouco e depois fui me deitar, teria que acordar cedo no outro dia pra ir à escola.

Acordei com o despertador irritante na cômoda ao lado da minha cama. Desliguei e me levantei indo pro chuveiro. Escutei falando alguma coisa no andar de baixo, pelo menos eles já estavam acordados, eu não precisaria jogar água gelada como da última vez.
Ainda era cedo, eu iria passar em um cabeleireiro pra cortar o cabelo (lógico) que estava um pouco grande.
- Guys, to indo cortar o cabelo. Vejo vocês na escola.
- Não atrasa. - falou e eu concordei saindo de casa.
Tirei minha touca e disse pro senhor cortar de um jeito diferente. Eu não achava meu estilo de cabelo feio, mas confesso que depois que vi o novo corte, me arrependi amargamente pelos anos que o deixei grande demais. Assim que o senhor deu as últimas ajeitadas eu vi meu “novo” cabelo, ele tava arrepiado, como se estivesse bagunçado, mas estava bonito, eu gostei. Tinha alguns fios perto dos olhos. Eu tava diferente. Paguei e entrei no carro indo pra escola. Quando cheguei, algumas pessoas me olhavam estranho, resolvi deixar pra lá e segui para o pátio, avistando meus amigos, com eles estava e .
- Oi galera. – Disse acenando e me aproximando deles, que me olhavam estranho. – O que foi? Esqueci a calça em casa? – Perguntei franzindo o cenho.
- Quem é você e o que fez com o ? – perguntou. me encarava com os olhos um pouco abertos demais (lê-se arregalados).
- Você ta outra pessoa, dude. – disse.
- É, te fez bem cortar o cabelo e tirar aquela touca. – disse ainda me olhando estranho.
- Obrigado. – Respondi sem graça. Estávamos esperando o sinal bater para irmos pra sala. Mas antes de nos separarmos ouvimos risadas e comentários, então olhamos pra onde todos os olhares da escola estavam direcionados e vimos nada mais e nada menos que Ashley Portman entrando na escola com um curativo enorme no nariz. Ela tava vermelha e parecia ser de vergonha, e de raiva também.
Não pude deixar de rir, Ashley mereceu por aquilo. O sinal bateu e nos separamos. Eu teria aula de física com o .
Todos da escola já sabiam que Ashley tinha apanhado, e quem bateu? Ela mesma. . Depois dessa eu gostava ainda mais dela.

Capítulo 4

e se dirigiram à sala de Física. , e tinham aula de Inglês juntos. Os boatos na escola corriam soltos. Até então, Peter e não haviam tido nenhum contato. Ela tentou ao máximo evitá-lo, o que não conseguiu por muito tempo, já que seu celular começou a vibrar em cima da mesa.
- Que merda. – Ela disse e bufou.
- É o Peter? – perguntou, curiosa, e concordou com um aceno de cabeça.
- Namoradinho insistente, uh? – brincou.
- Cale a boca, . – riu, dando um tapa no braço dele.
- Agressiva... – Disse, cerrando os olhos. abria a caixa de mensagens do celular.

“Me encontra no intervalo?”

Ela não respondeu, apenas fechou a caixa de mensagem. Voltou a conversar com e , às vezes fingindo prestar atenção na aula.
- Essa mulher é louca. – disse quase gritando, do lado de fora da sala. O sinal havia batido e eles estavam indo em direção ao pátio, onde encontrariam os outros meninos.
- ! – disse, rindo. – Sobe na mesa e grita pra escola inteira, de uma vez. – Completou, irônica, batendo a mão na testa. – Não somos surdas. Agora, se não quer que a professora escute, é melhor falar baixo. – Completou, rindo da cara de . - Ah, mas que saco! – Ele fez bico. – Vou me controlar.
A professora de Inglês tinha pedido a para que ficasse quieto por cinco vezes, e depois de não ter tido sucesso, pediu para que fizesse um trabalho e a entregasse na próxima aula. Ele nunca ficava quieto, essa era a verdade, e odiava qualquer tipo de trabalho ou tarefa pra casa.
- Os meninos estão ali. – apontou para a mesa onde , e estavam sentados.
- Vou ali com o Peter. – disse quando via o namorado se aproximar.
- Boa sorte. – disse, sorrindo pra amiga.

- Esse cara não larga ela? – Ao ver que estava indo em direção a Peter, perguntou, fazendo uma careta.
- O ciúme está no ar... – disse fazendo gestos engraçados com as mãos e rindo.
- É o amor. – Zombou .
- Calem a boca, vocês. – disse bufando.
- Deixem ele, meninos – disse, abraçando , que estava ao seu lado. – Ele está apaixonado! – Levou na brincadeira, arrancando risadas dos três.
- Ah, qual é , até você? – Perguntou , boquiaberto.
- Awn, não resisti. – riu apertando a bochecha dele.
- Não estou apaixonado! Parem com as besteiras. – Ele disse, fechando a cara e olhando para o lado.
- Imagina, só desde o primeiro ano. – lembrou, e todos olharam marotos pra ele, exceto que até aquele momento não sabia de nada.
- Hã? – Ela franziu o cenho, não entendendo.
- A não sabe? – perguntou boquiaberto e negou com a cabeça, quase o matando com um só olhar. – Sorry, mate! – Fez carinha de culpado.
- Alguém, por favor, me conta? – disse acenando com a mão e chamando a atenção dos meninos, que se entreolhavam. colocou os braços na mesa e deitou a cabeça, derrotado.
- Agora continua, – Levantou a cabeça, bufando, e logo depois abaixou de novo.
- Hm... É que... – passava a mão nervosamente pelo cabelo. – O ... Meio que é apaixonado pela desde o primeiro ano. – Completou.
- Meio? – perguntou franzindo o cenho.
- Ele a ama! – se intrometeu na conversa. levantou a cabeça e olhou incrédulo pra ele. – Ops... Desculpa cara, mas não adianta ficar escondendo isso da .
- Como assim? Como ninguém me contou? – Ela estava surpresa, achava que tinha sido apenas uma brincadeira deles.
- A gente achou que você sabia, que o já tinha te contado! – disse, e os meninos concordaram.
- ! – cutucou ele – Levanta e me conta essa história direito! – completou.
- Eu não sei. No início não contei porque achei que você poderia contar para ela. – Ele afirmou meio sem jeito.
- 'Tá, mas e agora? – continuou o interrogatório.
- Agora? – perguntou – Agora é por causa daquilo – apontou para e Peter que conversavam.
- Mas você poderia ter me contado, .
- Agora já sabe. – Disse irritado e voltou a abaixar a cabeça.
- Ah... Me desculpa, o abraçou de lado, depois de ter percebido que o chateara, e o silêncio constrangedor tomou conta deles. – Eu só fiquei chateada por ninguém ter me contado. Eu não vou contar, pode confiar em mim. – levantou a cabeça e a olhou.
- Tudo bem, , eu me irritei um pouco também, me desculpa por isso. – Ele disse, sorrindo fraco.
- Nossa, que romântico! – disse, irônico.
- Fica quieto, , porque o assunto aqui é a piscou para , que ficou um pouco corado. – Você nunca pensou em contar pra ela? – Perguntou.
- Claro que não, ! Eu sempre fui só o garoto da sala de química e o seu amigo que ela nem conhecia. – Respondeu ele.
- Awn! – fez uma carinha fofa – Mas agora, não é mais. – Completou.
- Mas agora ela tem o Peter, e eu acabei de conhecê-la. – Ele retrucou.
- É verdade, sou mais você que o Peter, o meu apoio você já tem, só falta a ver isso. – Sorriu fraco.
- Até arrumou o visual pra ficar gatão. – piscou também.
- Se era esse o plano, você conseguiu, ficou lindo, até a achou. – disse e sorriu marota. – Ela comentou comigo. – Completou, quando viu os olhares surpresos.
- Uh, garanhão – brincou.
- Eu sei que sou gato. – entrou na brincadeira. – Mas não fiquem me zoando! – Retrucou, fingindo-se de ofendido.
- Agora fica quietinho, se não quiser que ela saiba – alertou, quando viu chegando.
- E aí, amiga, como foi? – perguntou baixo, quando sentou ao seu lado. Os meninos conversavam entre si, fingindo não prestar atenção.
- Ah... Está tudo bem. – respondeu. – Mas já avisei que é a última chance, se ele deslizar de novo, no mínimo que seja, acaba tudo. Não dá para ter confiança assim. Ele disse que estava arrependido, mas eu já escutei essa história antes, e você sabe disso. – Completou.
- Amiga, não fica assim. Estou aqui, para o que você precisar. – disse, carinhosa.
- Obrigada, . – agradeceu, sincera.
- Ele até comentou sobre aquela pessoa. – disse, mais baixo ainda, para que só ouvisse. – E ficou nervoso, porque estou andando por aqui agora. – fez um careta.
- Que ciumento! – Ela disse, e concordou com a cabeça.
O sinal tocou, e tinham aula de Química. Foram andando em silêncio até a sala, onde o professor Charles já se encontrava.
- Com licença, Sr. Charles – pediu, enquanto dava espaço pra passar.
- e , trabalho em dupla. – Disse, entregando uma folha pra eles.
Sentaram-se em dupla e começaram a fazer os exercícios.
- Está quietinho hoje, comentou, enquanto anotava algumas coisas na folha. – Aconteceu alguma coisa? – Olhou pra ele.
- Não, , nada. – Disse calmo, passando a mão despreocupadamente no cabelo.
- A propósito, adorei o novo visual! – Comentou ela, despreocupada, voltando a atenção para a folha.
- Obrigado! – respondeu, todo fofo.
- Pessoal, sem conversa, por favor – Sr. Charles disse, autoritário.
fazia a maioria dos deveres e tentava ao máximo ajudá-la. Trocaram poucas palavras, apenas comentários sobre os deveres.
- Terminem de fazer em casa e me entreguem na próxima aula, sem falta. – Sr. Charles avisou quando o sinal tocou.
Estavam os seis saindo pelo pátio após o término das aulas. Peter foi ao encontro de .
- Vamos sair hoje? – Perguntou e acenou para .
- Hm... Na verdade não vai dar, tenho um trabalho para fazer e entregar na próxima aula do Sr. Charles. – Ela disse e olhou de canto pra , que tinha um sorriso bobo no rosto.
- Não dá para deixar isso para outro dia? – Insistiu.
- Desculpa, amor, a gente marca outro dia. – disse.
Ao escutar a palavra “amor”, fez uma careta para , que segurou o riso.
- Tudo bem. – Peter fez uma carinha tristonha. – Vou guardar esses livros aqui, e já te encontro, minha linda. – Disse, e deu um selinho nela.
- Ok. – Sorriu e acenou.
Os meninos se entreolhavam, querendo zoar da cara de , mas se segurando para não fazer isso na frente de . olhava para ele com um olhar de pena.
- Vai mesmo passar a noite fazendo trabalho? – perguntou.
- Aham, para a próxima aula – Disse, fazendo careta. riu. – Você pode ir em casa terminar o exercício hoje, ? – Perguntou olhando-o, e todos os meninos arregalaram os olhos, encarando o garoto que ria sem graça.
- Tudo bem, que horas? – Ele perguntou.
- Na hora em que for melhor para você, eu vou ficar em casa o dia todo. – Completou, rindo.
- Exercício? fazendo exercício com você? – perguntou.
- É, o professor Charles passou um exercício em dupla hoje e como não deu tempo de terminar em sala, ele pediu para próxima aula. – Disse ela.
- Hm... Sei, sei. – olhou pra e deu uma risada, sem que visse.
- Juízo, vocês – disse apontando para eles, mas olhando direto pra . olhou pra ela, franzindo o cenho. riu, sem graça.
- São só alguns exercícios, disse, como se não estivesse entendendo também.
- Vamos? – Peter chegou, entrelaçando as mãos com as da namorada.
- Vamos. – Ela disse, olhando para ele. – Até amanhã, meninos. – disse, acenando.
- Te ligo, depois – disse, piscando pra ela.
e Peter foram em direção ao carro dele, que não estava muito longe dali. Assim que entraram, os meninos começaram a zoar .
- Aposto que se fosse você quem ela chamou de “amor”, você nem ia ligar – disse rindo, e fez um careta pra ele.
- Se manca, – Ele disse.
- Trabalho a dois, é? – perguntou, maroto. – De química? – Riu.
- Vocês são uns idiotas, mesmo – bufou, e logo em seguida riu também.
- Peter sabe que você vai à casa dela? – perguntou, curioso.
- Pelo que parece, não – Afirmou .
- Ela nunca contaria isso à Peter. No mínimo, ele ficaria junto de vocês, ou não deixaria que fizessem esse trabalho – disse. – Ele não gosta de você, , já me disse isso. – Riu – Inclusive, essa foi uma das coisas sobre as quais eles conversaram no intervalo. Peter perguntou o porquê de ela estar andando com você. – Completou.
- Não faço questão, mesmo – Ele disse, dando de ombros – Estamos quites, também não gosto dele.
- Isso a gente sabe – disse e levantou o dedo do meio pra ele.
- O que você fez para ele não gostar de você? – perguntou.
- Depois, eu que sou “Jornal Nacional” – bufou e riu, deu a língua para ela.
- Não sei – respondeu, franzindo o cenho. – E nem quero saber. – Continuou.
- Tem certeza? – perguntou, olhando pra .
- Tenho – Afirmou. – Por quê?
- Lembra da Victória? – Ela perguntou e afirmou com a cabeça. – Ele era apaixonado por ela quando você a “namorou”. Se é que podemos chamar aqueles dois meses, de namoro.
- Sério? – riu. – Não acredito nisso.
- É, e acho que ele também percebe o jeito como você olha para a – Afirmou. - Hã? – perguntou, sério.
- Eu até já tinha reparado, quando eu falava dela, você ficava diferente, mas eu nunca pensei, achei que fosse coisa da minha cabeça – Completou.
- Ta brincando, né? - perguntou.
- Não. – disse confiante.
- Vou disfarçar mais, então – disse, rindo fraco.
- Bobo apaixonado. – brincou.
- Fofo – disse, fazendo biquinho, e olhou de canto para ela. – É fofo, você gostando dela assim. – Continuou – Se ela não estivesse namorando o Peter, você seria o cara perfeito. Quer dizer... Você já é, só falta que ela veja isso. – Sorriu pra ele. – O Peter não presta. – Concluiu.
- O também não. – disse, rindo.
- Cale a boca, disse, dando um pedala no amigo.
- Vamos embora, quero almoçar e dormir. – disse, passando a mão na barriga.
- Esfomeado – brincou.
- Vejo vocês amanhã – disse, indo para o seu carro, e mandou beijos no ar pra eles.
- Até. – Os meninos acenaram.


estava em seu apartamento, esperando chegar. Já eram 15h e ele ainda não tinha aparecido, então ela resolveu começar a fazer alguns exercícios, para adiantar. Tinha resolvido dois exercícios quando o telefone tocou.
- Srta. , tem um rapaz aqui chamado , posso mandar subir?
- Pode sim, Joseph. Obrigada.
Alguns minutos depois escutou a campainha tocar e correu pra atender.
- Oi – deu um sorriso fofo.
- Oi , entra – disse, abrindo espaço para o garoto passar. – Sente-se, fique à vontade. – apontou para o sofá. No centro tinha uma mesinha em que estavam os exercícios, próxima do sofá. – Quer alguma coisa? – Perguntou.
- Não, obrigado . – disse, se sentando no sofá. – Já começou a fazer, sem mim? – Ele fez cara de ofendido, olhando os exercícios.
- É, não tinha nada pra fazer, então resolvi adiantar. – sorriu.
- Eu não me importaria se você tivesse feito tudo, também. – brincou ele – Sou péssimo em química – fez uma careta e riu. – Vamos continuar, então. – Concluiu, pegando a folha.
- Se quiser, eu te ensino enquanto a gente resolve os exercícios – sugeriu. – Eu não sei muita coisa também, mas posso te ajudar, se quiser.
- Ótimo – sorriu.
Eles começaram a fazer os exercícios. explicava muita coisa para ele. Às vezes, fugiam do assunto, comentando sobre algumas coisas que aconteceram durante a semana, afinal, ninguém é de ferro. Eram quase 17h, quando terminaram de fazer todos os exercícios.
- Até que enfim! – disse, se espreguiçando – Acabou! – Sorriu.
- Nossa, eu fui tão mal assim? – fingiu ficar ofendida.
- Não, você foi ótima, “professora”. Por mim, poderia até pegar o lugar do professor Charles, que eu iria gostar. – Brincou ele. – Mas o problema é esse monte de dever, isso cansa. – bufou.
- Vou pegar alguma coisa para a gente beber – disse, levantando-se e indo para a cozinha. Ela voltou com dois copos de suco em mãos.
- Desculpa, mas vai ter que ser suco. – disse, indo em direção a – Tenho que fazer compras esse mês. – sorriu.
Quando ia entregar o copo para , ela bateu o pé na mesinha, e acabou tropeçando. Sem querer, o líquido que estava em um copo, caiu em cima do rapaz. - Ah, meu Deus! Me desculpa, , eu tropecei, e... desculpa! – se embolou nas palavras, e colocou o outro copo em cima da mesinha.
- Tudo bem, , foi um acidente, nem derramou muito. – disse, achando engraçado o desespero dela.
- Vou pegar uma toalha pra você, espera. – saiu correndo em direção ao banheiro, voltando com uma toalha. – Toma. – entregou-a ao rapaz.
- Não precisa se apavorar, disse, rindo. – Só me molhou um pouco, não é como se eu precisasse ir para o hospital ou algo do tipo – brincou ele, e riu. – Isso te deixa mais calma? – Pegou o outro copo, que estava sobre a mesa e derramou um pouco em cima de si mesmo. – Pronto, eu me molhei. Se sente melhor agora? – Riu da cara que fez.
- Você é louco, mas sim, estou melhor. – Ela brincou, e eles caíram na risada. – Já se foi o suco, agora tem esse resto aí – apontou para o pouco suco que tinha dentro do copo. – Agora termina. Vai querer beber isso? – riu.
se molhou com o resto de suco, e olhou para , que mal acreditava no que ele estava fazendo. Para não deixar o líquido cair no sofá, foi desviar e espirrou, sem querer, suco em .
- , me desculpa, fui tentar não deixar que o suco caísse no seu sofá, e acabou que ele caiu em você! – Disse ele, sem jeito. – Deixa eu te ajudar. – Completou, aproximando-se mais dela e levando a toalha até seu rosto.
A proximidade dos dois e a troca de olhares fez com que o coração de se acelerasse. ficou um pouco sem graça devido àquela proximidade toda, que nunca tivera com , mas ela também sentiu algo diferente. manteve o contato visual, ainda passando a toalha pela bochecha de . Quando ele terminou, deixou a toalha no sofá e se aproximou mais do rosto do dela. sabia que aquilo era errado, afinal, namorava Peter, mas o desejo que o dominou por três anos falou mais alto. Seus narizes se roçaram e foi fechando os olhos devagar, sentindo sua respiração falhar. fechou os olhos quando sua boca encostou na dela e sentiu seu corpo inteiro corresponder. passou a língua pelos lábios de , pedindo passagem, o que não demorou muito para acontecer. Ele segurou o rosto dela com uma mão, fazendo um carinho delicado. Foi um beijo calmo, e não demorou muito. abriu os olhos devagar e encontrou a encarando. Ela sentiu uma sensação boa apossar-se de seu corpo. Nenhum dos dois sabia o que estava acontecendo direito, mas de uma coisa poderiam ter certeza, a partir dali, as coisas seriam muito diferentes.

Capítulo 5


O celular da começou a tocar e rapidamente ela desviou o olhar do meu. Deu pra ver o nome do Peter no visor e eu me levantei, passando a mão nervosamente pelo cabelo, bagunçando-o mais ainda.
- Preciso ir. – Falei, quase num sussurro. Ela deu um meio sorriso, parecia tão nervosa quanto eu.
Saí do apartamento dela e chamei o elevador logo em seguida. Fiquei inquieto o tempo todo, parecendo um pré adolescente que dá o primeiro beijo, ridículo. Definitivamente, mexia comigo, eu nunca tinha ficado daquele jeito antes, nem no meu primeiro beijo.
Passei pela recepção, recebendo um cumprimento do recepcionista. Dei um breve aceno e entrei no carro, partindo logo em seguida.
Cheguei em casa e notei que o sol já estava desaparecendo. Abri a porta, dando de cara com três folgados no sofá jogando vídeo game.
- Vocês não têm mais nada o que fazer? – Perguntei, fechando a porta.
- Não. – respondeu sem tirar o olho da TV.
- Como foi lá na ? – , que não estava jogando no momento, perguntou.
- Hm... normal. – Respondi, não queria comentar nada do que aconteceu com eles.
- A tava por lá? – Ele perguntou. Olhei pra , levantando a sobrancelha, não entendi o porquê da pergunta.
- Não. – Respondi. apenas concordou com a cabeça e voltou sua atenção para o jogo.
- O próximo sou eu. – Eu disse, sentando no sofá. Jogar era uma distração e tanto.
- Você não tem mais nada o que fazer? – perguntou, rindo, dando o troco. Deixa ele comigo!
- Não. – Respondi no mesmo tom que ele tinha usado antes comigo. – Aposto $50 que eu ganho de você – Disse, o olhando.
- Tá brincando? – Pela primeira vez ele parou o jogo e me olhou.
- Claro que não! – Respondi, segurando o riso.
jogava muito, era o melhor de nós quatro, mas, mal sabia ele que, ultimamente, eu andava praticando muito enquanto ele não estava em casa.
- Dude, o jogo! – disse, fazendo cara emburrada.
- Cala a boca, fominha. – falou, dando um pedala nele – Tem $50 em jogo. – completou – Fechado! – Ele disse e apertou minha mão.

- , você nunca vai ganhar do disse rindo e me entregando o controle, depois que já tinha terminado sua partida.
- Claro que vai, respondeu, rindo também, ele era o único que sabia dos meus treinos.
O jogo começou e confesso que me senti ameaçado durante os primeiros minutos. estava muito melhor que eu, mas eu não ia deixar que ele ganhasse. ria o tempo todo, falando que eu era um idiota por ter apostado. Eu só ignorava. Como a vingança é plena, eu consegui ganhar. 3x1.
- Perdeu! – Eu disse, gargalhando da cara de derrotado do . – Me passa $50 agora. – Completei.
- Isso não valeu, não é justo – disse, tirando a carteira do bolso. – Andou treinando? – Perguntou.
- Com toda certeza – Ri.
Não preciso nem dizer que o foi zoado pelo resto da noite, né? Já era tarde quando a gente foi dormir. Demorei um pouco a pegar no sono, imaginando se seria difícil o dia de aula amanhã, mas o cansaço me venceu.

- ACORDA, DUDE! – Eu, e tentávamos acordar a mocinha do , batendo na porta, o que estava meio difícil.
Olhei para o e acho que ele teve a mesma ideia que eu. Corri até a cozinha e peguei um balde de água, enchendo-o. Subi as escadas correndo e quando cheguei na porta do quarto, me olhou com uma cara assustada.
- O que você vai fazer? – Perguntou. Ele podia ser um completo burro quando queria.
- Vou beber. – Respondi, ignorando-o. gargalhou.
- Nossa! Você está com sede mesmo! – Ele arregalou os olhos.
- Cala boca, , vou jogar isso no – Eu ri, gargalhou.
- Pobre coitado. – É, a gente tem que aturar quando o seu amigo é daqueles últimos que entendem a piada – Joga logo. – Ele disse e abriu a porta.
Fiz gestos, indicando que eu ia jogar, chegando mais perto da cama, tinha um sono de pedra.
- ACORDA! – Nós três gritamos, assim que joguei o balde d’água em .
Ele deu um pulo da cama, gritando igual a uma gazela em perigo, e nós gargalhamos ainda mais.
- Eu ainda mato vocês. – Ele disse, levantando-se e indo para o banheiro. Levantou aquele dedo do meio, que vocês sabem muito bem qual é.
Fomos pra cozinha tomar café, e partimos pra escola.

- Meus amores! – disse, vindo em nossa direção. Estávamos sentados em um banco, num local não muito movimentado. estava com , e aquilo fez meu coração querer sair pela boca. Elas se sentaram com a gente e começamos a conversar, quer dizer, eles começaram, porque eu não consegui muito me concentrar, devido ao constrangimento de ontem.
- Hm... Gente, vou ali falar com o Peter, vejo vocês depois. – disse, se levantando e indo encontrar o namoradinho idiota.
- Aconteceu alguma coisa com vocês? – perguntou, me lançando aquele olhar de “É melhor me contar antes que eu descubra”, eu odiava quando ela fazia isso comigo.
- N-não. – Respondi. Vacilei.
- Certeza dude? Vocês ficaram calados demais. – acrescentou.
- E eu reparei o olhar que vocês trocaram. – disse com a mesma cara. Ah, eu contava ou não? Droga!
- É... É que... – Eu não conseguia formular uma resposta convincente, então achei melhor contar logo de uma vez. – Agentesebeijouontem. – Falei rápido.
- O quê? – perguntou. – Fala devagar. – Completou.
- A gente se beijou ontem. – Respondi rápido de novo, mas agora tinha certeza que eles tinham entendido muito bem pela cara que fizeram.
- VOCÊS O QUÊ? – perguntou de novo.
- É, isso mesmo – Disse.
- Como assim? Explica. – pediu. Pra quê eu fui falar mesmo?
- A gente estava fazendo o trabalho e ela me trouxe um suco, só que ela tropeçou em uma mesa que fica no centro da sala e o suco caiu em mim. – Eu disse explicando, baixo. – Ela ficou sem jeito e eu disse para que ficasse calma, que tinha sido um acidente, e joguei um pouco em mim, mas caiu nela também. Quando eu fui ajudá-la, a gente ficou muito próximo e eu não resisti. – Terminei, passando a mão no rosto, como se aquilo fosse tirar meu constrangimento.
- E depois? – me perguntou.
- Depois o celular dela tocou, era o Peter. Eu disse que precisava ir, e fui embora. – Disse, olhando para os quatro rostos assustados à minha frente.
- Olha, , eu sei que isso foi errado, porque a namora o Peter, mas eu não vou te culpar por isso. – disse pausadamente - Só que não vai dar certo se vocês continuarem assim, sem se falar e com esses olhares de quem está arrependido, mas não tem coragem de pedir desculpa. Você vai ter que falar com ela. – Terminou.
- Eu sei. – Eu disse, bufando.
Eu sabia que teria que falar com a mais cedo ou tarde. Eu gostava da companhia dela, e não queria perder isso por causa de um beijo por acidente (ou não tanto).
Depois disso, o silêncio tomou conta, mas fomos “salvos pelo gongo” porque o sinal tocou.

Já devia ser a milésima vez que eu tentava prestar atenção na minha aula de Literatura, mas pela força divina dos meus pensamentos, eu não consegui fazer essa proeza em nenhum momento. E se nessa aula eu já não estava conseguindo, imagina na próxima, que seria de Química. Eu tinha que arrumar um jeito de pedir desculpas para , só não sabia como fazer isso e o som do sinal só me fez tremer mais ainda (ridículo, eu sei, mas queria ver se fosse você no meu lugar).
- Turma, quero que vocês se sentem em dupla, a mesma com quem fizeram os exercícios da aula anterior, que eu vou passar para recolher e entregar esse último. – O Sr. Charles disse.
É legal sentar junto com a , ela é simpática, linda, e todos os meninos da sala gostariam de estar no meu lugar, mas, nesse dia, eu não estava nem um pouco a fim de encarar a realidade e falar com ela, por mais que fosse o certo a se fazer.
Ela já estava sentada no seu lugar, e a mochila dela estava onde eu pretendia me sentar. “Que ótimo” pensei, ironicamente.
- Hm... Posso? – Eu disse, apontando para o meu lugar e fazendo a melhor cara de arrependido que consegui.
- P-pode sim, . – Ela falou, tirando a mochila e eu sentei. ? Por que não ? E eu achando que ela não iria complicar tanto.
Esperamos o Sr. Charles passar e recolher os exercícios, o silêncio na nossa mesa era super constrangedor. Eu não queria quebrá-lo, até porque eu não tinha o que falar. O professor deu o último exercício, e disse para que, quando acabássemos era para estudarmos, pois ele iria anotar o desempenho dos alunos. Eu queria puxar assunto, mas o quê eu iria falar numa hora daquelas? “Será que vai chover?” “Oi, vem sempre por aqui?”. Ri sozinho dos meus pensamentos idiotas e, ainda bem que eu pensei nisso e ri, porque foi a salvação pra ela começar a conversa que eu não tive coragem.
- Tá rindo de quê, ? – me olhou com a sobrancelha arqueada, de um jeito engraçado. Pelo menos ela me chamou de , já foi um bom começo de conversa.
- De nada, estava rindo sozinho dos meus pensamentos. – Comentei, olhando para ela.
- Pensamentos? – Ela perguntou, sugestiva. “Nada, só estava pensando em como chegar para conversar com você” Pensei alto de novo e quase ri.
- Hm... Estava lembrando da cena com os caras hoje de manhã. – Menti, mas de fato, aquilo foi engraçado mesmo. estava emburrado o tempo todo antes de começarem as aulas. Uma dica pra vocês: nunca acorde uma pessoa com água fria de manhã, ainda mais se essa pessoa for o . – Jogamos um balde de água fria nele. – Eu ri e sorriu também, linda.
- Coitado do ! – Ela disse, ainda rindo. – Vocês não prestam! – Completou.
- Ah, pára! – Brinquei. me deu um soco de leve no braço e disse para nos concentrarmos no exercícios, e foi o que fizemos.
“Você ainda não pediu desculpas”, uma voz super irritante gritou na minha cabeça. Estava tão bom não me lembrar dessa parte.
- Hm... ? – Eu estava tentando achar o jeito certo de fazer aquilo, parece fácil quando não é com você.
- Diga. – Ela respondeu, concentrada nos deveres.
- Me desculpa por ontem. – Disse de uma vez, antes que desistisse. Ela parou de anotar o que quer que fosse, e me olhou, corada. corada? Hm... Eu estava me saindo bem... Ok, nada de piadinhas numa hora dessas. Pelo menos, eu consegui mexer com ela.
- Esquece isso , já passou. – Ela respondeu. Tá, não era esse meu objetivo, confesso.
- Desculpa? – Insisti, eu precisava ouvir da boca dela, queria começar do zero.
- Desculpado. – Ela disse. Agora sim. - Não que a culpa seja só sua. – Ela sussurrou, virando o rosto. Achei que não era para eu ter escutado, mas escutei. Ia conversar de novo, para ver se eu tinha escutado mesmo aquilo, mas o bendito professor chamou a nossa atenção. Maldita sala de aula.
Não falamos mais nada, só algumas coisas sobre o exercício, que não demorou muito para acabar. Logo em seguida o sinal tocou.

- A donzela ainda tá choramingando? – perguntou enquanto chegava para se sentar com a gente.
- Faz um esforço para melhorar a carinha, . – comentou rindo.
- Ela já não é bonita natural, emburrada então, nem se fala. – Eu disse, fazendo rir, e , escandaloso que só ele, gargalhar.
- Onde está a ? – perguntou, olhando para os lados.
- Ainda não apareceu. – disse.
- Disso eu sei, né?! Por isso perguntei – cortou e eu ri da cara de incrédulo do .
- Tá preocupadinho demais com a . – Comentei, olhando para ele.
- Não tô nada, é só estranho, porque ela sempre chega primeiro. – Ele tentou me enganar. Mas tinham duas coisas que o não sabia fazer, que eram, me enganar e prestar atenção na aula.
- Quem chega primeiro é você. – Retruquei, rindo, e concordou ao meu lado.
- Ela está ali – apontou para , que vinha com ao seu lado.
, na mesma hora mudou de postura, de ogro para gentleman.
Tive vontade de gargalhar e zoar muito da cara dele. tendo quedas pela ? Não me entenda errado, eu não queria rir pelo fato de ser a , até pode ser engraçado ela estar com a gente há tanto tempo e eu nunca ter suspeitado de nada. Eu queria rir é por estar apaixonado, era um caso raro de se ver, desde que ele tinha levado o maior toco no primeiro ano, eu nunca mais o vi apaixonado. Tá, mas isso não vem ao caso agora.
- Falando de mim? – perguntou, se sentando na cadeira ao lado de (ele que fez sinal para ela sentar do lado dele. Uhum, aí tem coisa).
- Claro. principalmente. – disse e arregalou o olho para ele.
- O quis dizer que... O comentou sobre a prova de História, e a gente lembrou de você, que gosta da matéria, e você não estava na mesa, ele perguntou onde você estava, principalmente. – Eu disse. Teve algum nexo no que eu falei? – Não é, ? – Perguntei e ele balançou a cabeça afirmativamente. Perguntei mais para mim do que pra ele.
e me olhavam, interrogativas, mas ela mudou de assunto. iria ter que comer muito sal se quisesse conquistar a .
- O que vocês vão fazer no final de semana? – Ela perguntou.
- Eu vou ficar em casa, jogando – foi o primeiro a responder. - Que fominha! – comentou.
- Olha só quem fala. – Eu disse, rindo.
- Vai fazer o quê no final de semana, ? – perguntou.
- Eu vou... ficar... em casa... jogando. – Ele disse, eu gargalhei. Meus amigos eram viciados.
- ? – Ela perguntou.
- Vou dormir, e sair de noite, talvez. – Ele disse. Alguém avisa pra ele, que se quiser sair com a , ele que tem que pedir?!
- E você, ? – Ela perguntou pra mim.
- Vou para Brighton. – Eu disse.
- Brighton? – perguntou. Até que enfim, uma palavra.
- É, meus pais se mudaram para lá faz pouco tempo, vou lá vê-los – Respondi.
- Eu estou indo para lá também. – me olhou.
- Fazer o quê? – perguntou. Te devo essa, !
- Tenho uma prima lá, vou fazer uma visita para ela. – respondeu.
- Se quiser, posso te dar uma carona. – Eu disse.
- Tudo bem. – Ela demorou um pouco pra responder.
- E você, vai fazer o quê, ? – Perguntei.
- Ah, ainda não sei. Não tenho nada de especial para fazer – Ela respondeu. Olhei para , esperando uma atitude dele, talvez o estivesse certo quando disse que o tinha só a metade do cérebro.
Eu ia comentar alguma coisa, mas as meninas logo entraram em outro assunto. Teria que conversar com depois.
O sinal tocou, a próxima aula: matemática. Não existe nada pior no mundo, coisa sem lógica, não sei para quê estudar matemática, se existe calculadora e outros métodos mais eficientes do que fazer conta em um papel, e muito menos achar o valor de um “X”. Mas, voltando ao assunto, minha aula de matemática é com a e com o , teria que agir, para ver se o pensava.
Entrei na sala e sentei na cadeira atrás dele, e sentou na cadeira da frente.
O professor já tinha entrado, e eu falei baixo para o ouvir:
- Por que não chamou a para sair? – Eu perguntei.
- Boa! – Ele disse, como se eu tivesse lhe contado um plano secreto. Tive que rir. – O que eu falo? – Ele perguntou.
- , até parece que você nunca chamou uma garota pra sair antes. – Eu disse. às vezes podia me irritar. – Ela não vai fazer nada no fim de semana, chama ela para tomar um sorvete, ou ir no cinema. Coisas que garotas gostam de fazer. – Eu disse, e me senti ensinando uma criança a paquerar.
se virou para frente e escreveu um bilhete, passando para . Na primeira vez que o bilhete voltou, ele fez uma careta, mas depois escreveu de novo. Quando voltou novamente, ele fez um sinal positivo com o dedo, e eu deduzi que ela tinha aceitado o convite.

Era sábado. Eu tinha combinado de passar na casa da , para irmos até Brighton.
- Bom dia. – Ela disse, entrando no carro.
- Bom dia. – Respondi, sorrindo. Combinei com ela de passarmos na casa dos meus pais primeiro, e eu a deixaria na casa da prima logo em seguida.
A viagem não demorava muito, fomos o caminho todo conversando sobre coisas diversas, às vezes só deixávamos uma música qualquer tocar.
- Chegamos. – Eu disse quando chegamos a Brighton. – Vou passar rápido na casa dos meus pais e já te levo para a casa da sua prima, ok? – Ela confirmou com a cabeça.
Estacionei o carro em frente à casa dos meus pais, não quis tocar o interfone, preferi abrir a porta com a chave reserva que tinha. Eu pedi a que viesse comigo, iria apresentá-la para os meus pais, parece até coisa de namorado, mas minha mãe iria gostar de conhecê-la.
A casa estava em silêncio, parecia que não tinha ninguém lá. Subi as escadas, com me acompanhando.
Quando abri a porta do quarto, vi meu mundo desabar, eu fiquei completamente sem chão e desnorteado. De uma coisa só eu tinha certeza, eu nunca mais pisaria ali. A única coisa que me impediu de fazer uma besteira, foi sentir a mão de segurando a minha.

Capítulo betado por Carolina Almeida

Capítulo 6

(Coloquem pra carregar McFly – Walk In The Sun)

Sabe quando parece que o mundo pisou em você, ou quando você sente ter despencado de um penhasco? Era assim que eu me sentia.
Eu não sabia o que fazer, fiquei totalmente sem reação ao ver a cena deplorável que vi. Eu ainda estava na porta do quarto, parado, imóvel. Não sei se tinha forças pra me mover dali. ainda segurava minha mão e eu agradecia mentalmente por isso.
Meu pai estava se levantando da cama, dizendo que não era o que eu estava pensando, como todos dizem enquanto uma puta qualquer se levantava da cama também.
TRAIÇÃO, não existe palavra pior e mais nojenta. E agora eu entendia muito bem a dor que aquilo causava. A raiva dentro de mim pulsava e na hora pensei na minha mãe sempre carinhosa e pronta pra tudo. Falaria com ela assim que pudesse. Juntei toda raiva possível pra sair dali sem nem olhar na cara do homem que eu chamava de pai.
Minha vontade era de chorar, desci as escadas o mais rápido que consegui, e ainda estava comigo. Quando entrei no carro e encostei a cabeça na poltrona, apertou minha mão, eu abri os olhos cheios d’água e olhei pra ela.
- Desculpa pelo que aconteceu, eu vou te levar na casa da sua prima. – Eu disse. Quando ia soltar minha mão da dela pra ligar o carro ela me impediu.
- Não, ! Depois eu invento uma desculpa pra ela. Eu quero ficar com você. – Ela pediu.
- Não precisa , eu te levo. – Respondi passando a mão no rosto.
- Não. Me deixa ficar. – Ela disse e me abraçou. – Por favor. – Falou. Acho que um abraço naquela hora era tudo que eu mais precisava.
- Obrigado. – Eu disse ainda abraçado com ela.

- Vamos embora? – Perguntei depois de um tempo em silêncio.
- Tem certeza que consegue ir? – Ela perguntou. – Não quer esfriar um pouco a cabeça?
- Não. Não quero ficar nem mais um segundo aqui. – Respondi e ela assentiu, liguei o carro indo de volta pra Londres.

O caminho de volta parecia que demorava uma eternidade, eu não conseguia tirar a cena do meu pai com outra da cabeça. Quando chegamos em Londres fui deixar a em casa.
- , posso te pedir um favor? – Perguntei olhando pra ela.
- Diga. – Ela respondeu.
- Não comenta nada disso com os meninos, nem a , nem com ninguém, ta? Fica só entre a gente. – Eu disse.
- Claro. Pode ficar tranquilo – Ela disse e me deu um beijo na bochecha. – To aqui pra o que precisar. – Ela sorriu carinhosa e saiu do carro.
Era bom saber que eu podia contar com ela, se não fosse a eu não teria ninguém naquele momento, se não fosse ela eu teria feito uma besteira naquela casa, se não fosse ela eu nem sei onde eu estaria.
Segui o caminho pra casa, imaginando mil razões pra ter voltado tão cedo de Brighton caso me perguntassem.
Quando cheguei, como o de previsto, e estavam jogando, mas tava faltando um.
- Cadê o ? – Perguntei jogando a chave em cima da mesa.
- Oi pra você também. – disse. – E o saiu com a eu acho. – Completou.
- Pelo menos alguém tem que se dar bem nessa casa. – disse. Eu apenas sorri fraco e subi pro meu quarto. Não queria nem pensar no que faria o dia inteiro amanhã, precisava de algo pra me distrair ou seria obrigado a ficar pensando em hoje.
Liguei pra minha mãe e contei pra ela tudo o que tinha acontecido, disse que não fiquei pra ir vê-la, pois nem falei com meu pai. Ela mal acreditou, disse que iria resolver a história, e que isso foi a última peça que faltava, porque já desconfiava de algumas coisas, mas não tinha certeza e nem como provar, e que não era pra eu ficar preocupado, pois ela ficaria bem. Disse que me ligaria.
Deitei na cama pensando nas coisas que tinham acontecido no dia e não demorou muito eu peguei no sono.

Acordei com a claridade que passava pela fresta da cortina, olhei no relógio e vi que já marcava onze horas. Tarde? Que nada, dia de domingo é pra descansar mesmo.
Peguei meu celular e vi que tinha uma chamada perdida, era um número que eu não conhecia, resolvi ligar de volta, talvez fosse minha mãe tentando falar comigo.
Liguei e no quarto toque uma voz que eu não esperava atendeu.
- Alô? – A atendeu o telefone.
- ? – Perguntei. Vai que eu estava enganado? Ela nem tinha meu número.
- Ei . – Ela falou. – Desculpa ligar no domingo. – Completou.
- Que isso , pode ligar quando quiser. – Respondi. – Mas, aconteceu alguma coisa? Você nem tinha meu número. – Falei.
- É, pedi à e ela me passou. – Ela disse. – Não aconteceu nada. Só queria saber se você quer sair um pouco, sei lá, se ficar em casa o dia inteiro vai acabar pensando no que não deve, e to sem companhia também. – Ela falou e eu estranhei ela me chamar pra sair em um domingo e não o Peter. Ela tava sendo legal demais comigo.
- Claro , vai ser bom ter com quem conversar e não inventar desculpas e histórias sobre ontem. – Eu disse me sentindo bem em conversar com ela.
- Ótimo. A gente pode ir almoçar também. Você pode passar aqui? – Ela perguntou.
- Ta bem, só vou me arrumar e passo aí. – Respondi.
- Ok, beijo.
- Beijo. – E desligamos.

Me arrumei e desci com a chave do carro. Quando passei pela sala encontrei com o violão.
- E aí dude? – Acenei. – Noite boa ontem? – Perguntei lembrando que ele tinha saído com a .
- Noite boa. – Ele sorriu – A é incrível. – Os olhos dele chegaram até a brilhar quando falou dela. – A gente conversou muito, foi bem legal. – Ele respondeu.
- Boa sorte. – Eu disse indo pra porta.
- Onde você vai? – Ele perguntou me vendo sair com a chave do carro.
- Vou dar uma volta, nada demais. – Respondi e me olhou meio confuso. – Não demoro. Não me espera pro almoço. – Disse e ele concordou.
Peguei o carro e pro apartamento da . Quando cheguei avisei o porteiro e não demorou muito ela já estava lá em baixo.
- Ei – Ela disse sorrindo e me abraçou.
- Ei – Eu sorri também.
- E aí, como você ta? – Ela me perguntou enquanto saíamos do apartamento.
- Ah, to bem na medida do possível, ainda um pouco bolado com essa história toda – Eu respondi sincero. – Vamos caminhando? – Perguntei quando ela olhou pro carro.
- É melhor, da pra conversar mais no caminho e fazer uma caminhada. – Ela riu e eu coloquei a chave no bolso rindo. – Brincadeira. Não é muito longe. – Ela disse.
Fomos andando, conversando sobre várias coisas e também sobre a ida até Brighton. Ela perguntou se eu queria falar no assunto, desabafar ou coisa do tipo e eu disse que não era pra ela se preocupar de falar sobre qualquer coisa comigo.
- Quando eu tava com você e vi sua reação quando abriu a porta, logo percebi que aquela não era sua mãe. – Ela disse. – Olha , eu já passei por isso e em um momento pior do que o seu, porque eu fui a traída da história – Ela me contou enquanto a gente parava pra sentar em um banco num jardim pra descansar um pouco.
- Sério? – Perguntei. Eu não sabia que ela já tinha passado por aquilo.
- É. – Ela respondeu olhando pra frente – Com o Peter. – Ela respondeu e eu quase abri a boca. Que eu sabia que ele não prestava eu sabia, mas que ela já tinha pego ele com outra, isso eu não fazia ideia. – Já tem um tempo, foi difícil perdoá-lo, mas perdoei. - Completou. – Não vou mentir, vai demorar um pouco pra você esquecer isso, essa raiva vai ficar por um tempo em você. Mas depois vai sumindo, vai passando e você percebe que dá pra superar. – Ela disse agora olhando nos meus olhos.
- Eu não sabia que você já tinha passado por isso – Falei – Obrigado por estar sendo sincera comigo e me apoiando , eu nem sei como te agradecer.
- Não precisa – Ela falou – To aqui pra o que precisar. Fico feliz de ter você como amigo. – Disse.
- Eu fico feliz de ter você do meu lado – Sorri e me abraçou. Estávamos sentados, mas foi um abraço bom, eu me senti feliz do lado dela.

- Vamos almoçar? – Ela me perguntou depois de um tempo.
- Vamos. Já estou faminto – Respondi e levantei do banco.
Andamos mais um pouco e chegamos ao restaurante. Pedimos a comida que não demorou muito pra chegar.
Pedi a conta e não aceitei quando me entregou uma quantia de dinheiro pra dividirmos.
- Mas eu que te convidei, não vale – Ela disse com cara de pidona – Vamos dividir. – Ela falou.
- Não. – Respondi pegando o dinheiro – Deixa-me ser um cavalheiro uma vez na vida, por favor? – Pedi fazendo cara de gentleman e ela riu.
- Tudo bem, gentil cavalheiro – Ela disse ainda rindo. – Mas vou ficar te devendo uma. – Completou.
Paguei a conta e fomos andando no caminho de volta ao prédio dela.

- , posso te levar em um lugar? – Perguntei quando chegamos em frente ao prédio dela e ela me olhou com dúvida. – Você ta sendo muito legal comigo, me deixa retribuir? – Perguntei.
- Tudo bem – Ela sorriu pra mim e entramos no carro.
O caminho foi silencioso, até um pouco constrangedor.
- Aposto que você ta pensando que vou te raptar agora. – Eu brinquei quebrando o silêncio com uma brincadeira quando entramos em uma estrada de chão.
- Quase, você esqueceu de uma parte. Eu to achando que você é um maníaco tentando me raptar, isso sim. – Ela respondeu rindo.
Subimos um morro ainda de carro e cheguei onde eu queria levá-la.
- Pronto. – Eu disse sorrindo e desligando o carro. me olhou boquiaberta e eu sorri pra ela. – Que foi? Não gostou? – Perguntei e ela riu.
- Não gostei? Eu amei! É lindo – Ela sorriu. – Como você descobriu isso aqui? – Ela me perguntou ainda olhando o lugar.
Era um lugar lindo mesmo, grama bem verde, árvores e uma vista mais do que bonita pra cidade.
- Tava andando de carro sem nada pra fazer, procurando alguma coisa pra descontrair a raiva. Aí parei aqui e sempre venho fugir de algumas coisas. – Falei – Isso já faz um ano. – Completei e ela me olhou.
- É lindo! Vai ter que dividir comigo agora – Ela sorriu e eu também.
- Se isso for uma forma de agradecer tudo o que você ta fazendo por mim, eu divido sim – Sorri e ela desviou o olhar do meu, envergonhada. - Vamos sentar ali – Apontei pra sombra enorme que uma das árvores faziam no lugar e sentamos.
- Porque você tava sem companhia hoje? – Perguntei por curiosidade.
- Peter ta viajando – Ela disse olhando pra grama – Aniversário da prima dele – Completou.
- Acho que vou agradecer eternamente por isso que você ta fazendo por mim – Sorri.
- Não precisa agradecer, você pode contar comigo pro que precisar, e sabe disso. – Ela disse agora me olhando nos olhos.
- Obrigado – Falei e dei um beijo na bochecha dela.

- Preciso ir, ta ficando tarde. – disse depois de um tempo que estávamos em silêncio.
- Também, daqui a pouco os meninos vem me procurar – Eu disse brincando. – Eles me amam. – Ri levantando do chão e puxando comigo.
- Vocês são muito amigos – Ela comentou enquanto andávamos em direção ao carro. – Admiro isso. – Sorriu.
- Ah, eles são uns irmãos pra mim. – Falei entrando no carro.
- E vocês ainda tem uma banda! – Ela falou enquanto saíamos dali – É muito divertido! – Quando estiverem fazendo sucesso, quero ser a primeira a comprar o CD – Ela disse me olhando de lado e sorrindo.
- Pode deixar, senhorita. Vou dar um autografado pra você – Eu sorri.
- Estou me sentindo importante agora – Ela brincou.
- Você é! – Eu disse e pisquei pra ela, que ficou sem graça – Pra mim, pros meninos e pra também. – Falei pra aliviar a situação e ri.
- Bom saber disso. – Ela brincou de novo e eu sorri.

- Ta entregue, moça – Falei destravando o carro pra ela sair.
- Que preguiça – disse esticando as pernas.
- Quer que eu vá com o carro até a porta do seu apartamento? – Franzi o cenho e olhei pra ela. tampou o rosto com as mãos.
- Se tivesse como, eu até aceitaria a proposta – Ela brincou também e nós gargalhamos. – Até que seu carro ta confortável. Pode ir embora a pé, eu vou ficar por aqui mesmo – Ela zoou.
- Que preguiçosa! – Falei tirando a mão dela do rosto. – Não vou deixar meu carro na sua mão – Eu falei sério.
- Que machista! – Ela disse me dando um tapa no braço. E nós rimos.
- Não sou machista – Falei fazendo careta.
- Obrigada pela companhia e pelo passeio. – Ela sorriu.
- Que isso! Obrigado você por ter me chamado pra sair hoje. – Falei dando um beijo na bochecha dela.
- A gente se vê amanhã – Ela sorriu retribuindo o beijo e saindo logo em seguida.
Aquela tarde tinha sido o máximo, foi legal comigo e me deu uma das melhores tardes. Depois do acontecido no sábado eu estava duvidando que iria me sentir tão feliz assim em tão pouco tempo.
Dei partida no carro, e fui pra casa.

- DUDE! Que demora, já tava ficando preocupado – disse assim que eu abri a porta. – disse que você não iria demorar, e já ta escurecendo – Ele falou preocupado.
- Não esquenta, eu to bem – Falei.
- Onde você se meteu? – apareceu saindo da cozinha com a boca cheia.

- Come isso primeiro! – Disse rindo da cara dele. - Que nojo ! Ninguém nessa casa te ensinou bons modos? – zombou chegando na sala.
- Não mudem de assunto. Onde você tava? – perguntou.
- Ficamos preocupados, neném – falou mandando beijo pra mim.
- ! Já falei que nosso lance ainda é em off. – Eu disse abanando a mão pra ele que riu feito uma criança. ainda me olhava com uma interrogação bem grande na cara e eu diria que também. – Eu saí com uma pessoa. – Falei. Se eu contasse que seria a , eles me encheriam mais ainda de perguntas e eu não tava nem um pouco a fim de responder.
- WOW!!! – quase berrou. – ta se dando bem? – Ele riu. – Garanhão! – Ele fez algum gesto com a mão, não me pergunte o que era. Coisa de .
- Com quem você saiu? – perguntou.
- Ah, uma garota aí. – Respondi.
- Sério? Achei que fosse um homem! – falou rindo.
- Idiota! – Falei enquanto sentava no sofá e joguei uma almofada nele. – Depois eu conto pra vocês. – Falei tentando dar um fim na conversa.
- Parece que o domingo de alguém aqui foi proveitoso. – disse sem tirar os olhos da TV que passava um clipe.
- Não me encham! – Falei colocando uma almofada de cada lado do rosto.
- Você ta com cara de apaixonado. – falou subindo as escadas.
- Cala a boca! – Eu disse alto pra ele ouvir.
- APAIXONADO! – Ele gritou lá de cima e eu bufei.
- Que você ta com cara de apaixonado, isso ta – falou baixo pra que só eu ouvisse.
- Não to não. – Respondi.
- Não vai falar nada? – Ele perguntou com cara de indignado.
- Não. – Falei. – Não agora. – Completei.
- Tudo bem então – disse finalizando a conversa.
Levantei do sofá e fui pro andar de cima, escutei uma música vindo do quarto do , então encostei a cabeça na porta, pra tentar ouvir alguma coisa.

I wonder what it's like to be loved by you
Eu me pergunto como é ser amado por você
I wonder what is like to be home
Eu me pergunto como é estar em casa
And I don't walk when there're stones in my shoe
E eu não ando quando têm pedras em meu sapato
All I know that in time I'll be fine
Só o que eu sei é que com o tempo eu ficarei bem

I wonder what it's like to fly so high
Eu me pergunto como é voar tão alto
Or to breathe under the sea
Ou respirar embaixo d'água do mar
I wonder if someday I'll be good with goodbyes
Eu me pergunto se algum dia eu serei bom em despedidas
But I'll be ok if you come along with me
Mas eu ficarei bem se você vier comigo

It's such a long long way to go
É um longo, longo caminho para seguir

Where I'm going, I don't know
Para onde eu estou indo, eu não sei
Yeah, I'm just following the road
Sim, apenas estou seguindo a estrada
Through a walk in the sun
Caminhando sob o sol
Through a walk in the sun
Caminhando sob o sol

I wonder how they put a man on the moon
Eu me pergunto como eles colocaram um homem na lua
I wonder what is like up there
Eu me pergunto como é lá em cima
I wonder if you'll ever sing this tune
Eu me pergunto se você algum dia cantará essa melodia
All I know is the answer is in the air
Tudo que eu sei é que a resposta está no ar

Eu nunca tinha escutado aquela música antes, e só percebi que a fizera quando ele corrigiu algumas notas e travou algumas vezes. Resolvi entrar no quarto.
- Bater antes de entrar é super legal e educado, sabia? – falou irônico quando notou que eu tinha entrado no quarto e rapidamente tentou esconder um pouco as folhas.
- Desculpa – Falei. – Música nova? – Perguntei curioso. Tinha gostado da parte que ouvi ele tocar e cantar.
- Espionando atrás da porta? – Ele perguntou e eu afirmei. - To trabalhando nela. – Ele falou.
- Pela letra, deduzo que você começou a escrever ontem. – Falei.
- Virou vidente? – Ele perguntou boquiaberto e eu gargalhei.
- Não , só que essa letra tem cara de “ ” e você saiu com ela no sábado, então... Concluído. – Eu disse e me olhou assustado.
- Droga! Tudo bem que você sabe, mas não conta pra ela. Nem diz pros meninos que to fazendo essa música pra ela, não por enquanto. Já é? – Ele perguntou meio preocupado.
- Fica tranquilo, fica em segredo por enquanto – Eu falei. – Bom, infelizmente não posso te ajudar com a letra, mas se precisar de uma ajuda com as notas, só chamar. – Falei e fui saindo do quarto.
- Valeu cara. – agradeceu e pegou os papéis de novo.
Entrei no meu quarto e fechei a porta, às vezes precisamos de um tempo sozinhos. Fiquei lembrando da tarde de hoje, na , eu sempre escondi o que sinto por ela, mas a cada dia que passa e a gente se aproxima, vai ficando difícil esconder. Queria que ela soubesse o que sinto, queria que não existisse o tal do Peter Lewis. Mas um dia ela vai lembrar de mim.

Capítulo 7

Acordei com o despertador do meu celular tocando e tive vontade de arremessá-lo longe. Mas não fiz isso, não queria gastar dinheiro com outro e então, só desliguei o barulho irritante. É incrível, com tantas frestas na cortina, o sol cisma em entrar naquela que vem diretamente no seu olho. Se não fosse por ele, eu juro que teria dormido o dia inteiro e nem ligaria de não ir à escola.
Levantei meio zonzo pelo sono e cambaleei até o banheiro pra lavar meu rosto. Não teríamos de cumprir o ritual de acordar o hoje, já que era a vez dele de dar uma ajeitada nas coisas da casa e acordar cedo. Sim, o preferia acordar cedo pra arrumar a casa do que fazer isso de tarde. Pra ele a tarde era sagrada de jogar seu videogame e tocar.
também tinha acordado cedo, pra fazer o trabalho de Inglês que a professora pediu pela sua falta de comportamento. Acho que era a primeira vez que eu o vi fazendo um trabalho, ele sempre pedia pra alguém colocar o nome dele, só não me pergunte por que colocavam. devia estar acordando agora, como eu.
Troquei minha roupa, coloquei uma camiseta branca, minha calça jeans escura e um tênis branco largo. Desci pra tomar café da manhã e encontrei quase virando a casa de cabeça pra baixo.
- Você ta maluco? vai te matar quando ver essa bagunça que você fez. – Falei, olhando a zona.
- Se eu não achar isso eu to ferrado , literalmente ferrado. – Ele disse.
- O que aconteceu? – Perguntei chegando perto e quase fui atingido por uma almofada que jogou pra olhar embaixo dela.
- Eu perdi uma folha do meu trabalho, o que eu fiz ontem. – Ele disse olhando embaixo do sofá. Às vezes eu ficava espantado com a capacidade dos pensamentos dele. Eu ri e fui pra cozinha, abri a geladeira procurando algo pra comer.
- ! Isso é o seu trabalho? – Perguntei quando abri a geladeira e encontrei uma folha escrita: “Trabalho de Inglês para a querida professora Suzan”. Quase tive um ataque de tanto que ri.
- VOCÊ ACHOU! – Ele disse correndo e pegando o trabalho da minha mão. – Obrigado ! Te devo minha vida. – Ele falou me abraçando totalmente desajeitado e me dando um beijo na bochecha.
- WOW! Não precisa disso! – Eu disse empurrando ele pra longe. – Fica com seus ataques pra outro ok? – Falei fazendo careta e comecei a rir. – O que seu trabalho tava fazendo na geladeira, dude? – Perguntei.
- Ah, não me lembro. Eu tava grudado nessa folha pra terminar uma parte. Aí me deu fome, eu devo tê-lo trocado pela comida. – Ele se enrolou e falou.
- Você tem problema! – Falei balançando a cabeça e pegando uma maçã. – Tem problema e tem mais dois pra resolver. – Completei.
- Hã? – me olhou confuso.
- Primeiro: Você ta ferrado quando o descer e olhar essa bagunça que você fez na sala. – Falei fazendo o número com o dedo e logo depois apontando pra sala. – E segundo: acho melhor você fazer uma outra capa pro seu trabalho, porque “querida Suzan” não vai rolar. – Eu disse rindo da cara de desgosto que ele fez.
- O QUE É ISSO? – Um super espantado e bravo apareceu na sala.
- Ops! – Falei fazendo uma falsa cara de surpresa pra . – Eu bem que avisei. – Falei dando um tapinha no ombro dele, peguei a maçã que estava no fundo da geladeira e resolvi sentar, pra sair do meio do “tiroteio”.
- QUEM FOI QUE FEZ ISSO NA MINHA SALA? – Tive que gargalhar com a pergunta desnecessária dele. “Minha” sala? Qual é , você pode ser melhor que isso. Minha sala é coisa que se diz? Sempre achei errada essa mania. Minha mãe tinha o poder de que quando arrumava as coisas ela tomava posse. Ela dizia: “minha sala” quando arrumava; “minha cozinha” quando lavava louça, ou limpava a cozinha. Eu não me achava dono do banheiro quando o limpava. Mas é melhor pular essa parte.
- Desculpa, mate. – me acordou do pensamento. – Prometo arrumar tudo depois, é que perdi meu trabalho.
- BOM MESMO! Não acredito que acordei cedo à toa. – Ele falou passando a mão no rosto. – Quero isso tudo arrumado de tarde! – Ele falou apontando pra sala.
- Uau, quem é a mamãe aqui? – apareceu na porta da cozinha. – , não era seu dia de arrumar a casa hoje? – Ele perguntou franzindo o cenho. – Parece até que você inverteu a ordem das coisas. – Ele falou olhando pra sala.
- Não enche! Foi o que bagunçou tudo! – Ele falou menos irritado.
- Coitadinho do bebê. – falou apertando a bochecha do . – ! Você pegou minha maçã! – virou pra mim depois de checar que não tinha nada na geladeira. – A última. – Ele disse com cara de desespero. Agora descobri por que a maçã estava tão escondida.
- Hey! Não tava escrito seu nome nela. – Falei me defendendo.
- Mas era minha, eu deixei escondida no fundo da geladeira. – Por um momento me deu até pena da cara que ele fez.
- Quer? – Perguntei lambendo um pedaço dela.
- ECA! Que nojo. – falou fazendo careta.
- Tenha modos, falou e eu, e gargalhamos.
- Olha quem fala. O sujo falando do mal lavado! – gargalhou.

Terminamos de tomar o café da manhã e fomos pra escola. O caminho inteiro foi só implicância com o pobre que deixou o trabalho de Inglês na geladeira, e da capa horrível que ele tinha feito achando que iria ganhar mais ponto, foi difícil convencê-lo a tirar aquilo. Por fim, ele fez outra.
- Oh vida! – disse quando entramos no estacionamento.
- Ta reclamando de quê? – Perguntei.
- Da escola. – Ele falou emburrado saindo do carro – Não aguento mais!
- Ninguém aguenta. – Falei rindo.
Aproximamos da mesa, onde tava sentada e com do lado.
- Bom dia meninas! – falou sorridente sentando do lado da .
- Bom dia. – Elas disseram juntas. Cumprimentamos e sentamos também.
- Qual é a boa do dia? – perguntou, mais especificamente pra e todos nós olhamos pra ela.
- Isso ofende, ta? – Ela falou fazendo cara de ofendida e nós rimos. – A boa do dia eu ainda não sei, mas tive uma ideia ótima. – Ela disse e olhamos curiosos.
- Diz aí. – falou.
- Que tal uma pizza mais tarde? – Ela falou animada batendo palmas.
- BRILHANTE! – falou com os olhos brilhando.
- Tem que ser portuguesa! – falou com os olhos brilhando.
- Não, quatro queijos. – disse fechando os olhos como se já estivesse comendo a pizza.
- Mussarela. – fez o mesmo que .
- Vocês tão viajando aí, a gente nem ta comendo a pizza ainda! – falou fazendo careta e rindo da cara deles.
- Combinado. – Falei – Mas o sabor a gente decide depois. – concordou.
- Aonde vamos? – perguntou.
- Em uma pizzaria! – falou e nós rimos.
- Não, , vamos comer pizza no ponto de ônibus. – Falei revirando os olhos. É cada uma que me aparece.
- Que tal se a gente for ao Josh Pizza’s? – deu a ideia. – Lá é bem legal, a pizza é gostosa e ainda tem pista pra dançar e música ao vivo. – Ela disse animada.
- DEMAIS! – falou. – Cinco horas, pode ser?
- Ótimo. Nos encontramos lá. – disse.
- Encontro vocês no intervalo. – disse se levantando e mandando beijos. Ninguém entendeu nada, até o famoso Peter Lewis aparecer no meio do nada, ela foi até lá e eles se beijaram. Final feliz! Até ficou parecendo um conto de fadas, tirando o fato de que ele era um merda, que ela merecia coisa melhor, e que eu iria fazer de tudo pra conquistar ela e tirá-lo do caminho. Poderia ser um final feliz, mas com ele, o “feliz” ela não teria.

O sinal tocou. Cada um foi pra sua sala. Minha aula de Literatura foi uma droga. Sério, por que se estuda isso? Na verdade nenhuma matéria tem muito sentido.
Resolvi abaixar a cabeça e dormir, era o melhor que eu podia fazer. Livrar minha mente do que a professora falava. Mas não foi possível, já que meu celular vibrou na mesma hora. Era uma mensagem.
“Filho, não se esqueça do casamento de seu primo Jimmy no próximo fim de semana. Beijos.”
Ótimo! Era o que me faltava. Teria de ir ao casamento do meu primo, e ainda por cima enfrentar a Claire, minha prima. Na verdade era um parentesco não muito próximo, mas ela fazia questão de ir a todas as festas da família, e eu tinha quase certeza que era só pra me irritar. Na última, eu tive que ficar o tempo inteiro procurando alguma coisa pra fazer, só pra não ter tempo livre e falar com ela. Mas depois eu conto essa história. Só sei que eu precisaria de alguém pra ir nessa festa comigo, urgente.
A professora continuou falando e falando, e eu continuava não entendendo uma palavra, parecia grego. Resolvi pedir pra beber uma água, entrei no corredor e, quando virei pra ir ao bebedouro, encontrei Ashley e Peter. Fingi que não vi, mas me arrependi amargamente quando pensei que poderia tirar uma foto da proximidade daqueles dois, poderia ter entregado a foto pra diretoria, mas sabia que se fizesse isso a notícia ia se espalhar. E eu sabia que a por mais inteligente que fosse, gostava dele e a última coisa que eu queria no mundo era vê-la sofrer, principalmente por alguém que não merecia. Se ela descobrisse isso, que fosse de uma maneira que eu não estivesse metido na história.
Quando me aproximei do bebedouro encontrei tomando água (não, tá no bebedouro descascando abacaxi, idiota! Claro que é tomando água né).
- E aí, dude? – Ele cumprimentou quando eu aproximei. – Não aguentou ficar na sala também não? – Ele perguntou.
- E tem alguém que aguenta Literatura? – Perguntei irônico e ele riu.
- Ninguém! – Ele disse. – Minha bunda já estava quadrada de ficar sentado. – com seus comentários desnecessários, mas tudo bem. Tive que rir quando ele falou isso. - Aconteceu alguma coisa? – me encarou preocupado. – Você tá com uma cara estranha. Quer dizer, mais estranha que o normal. – Ele disse.
- Já se olhou no espelho hoje? – Tive que dar o troco. fechou a cara. – Cara, acabei de ver uma cena nada agradável no corredor. – Falei. Do eu não ia conseguir esconder mesmo.
- O que aconteceu? – Ele perguntou curioso.
- O de sempre, Lewis e Portman. – Falei baixo e pausadamente.
- Eles estavam se agarrando? – perguntou preocupado.
- Não, não quando eu passei, mas não duvido nada que estejam fazendo isso agora.
- Que barra. – Ele falou me olhando. - Você vai falar alguma coisa? – Ele perguntou e eu o olhei confuso. – Digo, pra ? – Ele completou.
- Não, eu não posso fazer isso. Se ela tiver que descobrir, que não seja por mim. – Falei.
- É, no fundo você tá certo. Mas deve ser bem difícil pra você. – Ele me olhou com pena.
- Difícil é sim, mas se eu contasse agora, não iria adiantar nada pra mim, só ia ferrar. – Eu disse.
- Deixa baixo por enquanto. – falou.
- É melhor. – Falei – Agora vai lá estudar, se alguém pega a gente de papo aqui já sabe né? – Fiz uma careta e riu, já indo pra sala.
- Vê se estuda. – Ele falou.
- Olha só quem tá falando – Disse rindo, por já estar meio longe mexeu a boca falando uma palavra não muito bonita, não vou dizer qual, que fique aí sua na imaginação.
Voltei pra sala, mas assim que me aconcheguei na cadeira, se é que é possível, o sinal tocou.

As outras aulas seguiram normais e chatas, o de sempre mesmo. Até a hora do intervalo. Saí da minha sala indo encontrar os meninos que já estavam sentados nos lugares.
- Vocês não perdem tempo mesmo. – Falei sentando no meu lugar.
- Hã? – perguntou.
- Mal tocou o sinal e já estão aqui. – Disse – Alguém tem que estudar pra garantir o futuro. – Falei brincando.
- Meu futuro é tocar. – falou rindo.
- Apoiado. – disse.
- Esqueçam o que eu disse. – Falei rindo. – Cadê as meninas? – Perguntei olhando pros lados.
- As meninas ou a ? – perguntou maroto.
- Eu disse ME-NI-NAS. – Falei soletrando pra ele.
- Uhum, sei .– Ele sorriu de novo. – Bom, a tá vindo ali. – Ele apontou pra porta de entrada – Já a ... – Ele pausou – A me parece que está com o namorado. – Ele apontou discreto pra mesa das líderes de torcida. Reconheci no meio delas, e o Peter estava do seu lado. Ela estava com aquelas roupas de líderes de torcida, assim como as outras garotas, mas nenhuma me chamava a atenção como ela. O cabelo preso num rabo alto, a deixava mais linda que o normal e as roupas apertadas e curtas, eu nem preciso comentar.
- ? – Ouvi Nanda me chamar, despertando meus pensamentos que naquela hora não estavam muito inocentes.
- Oi? – Falei voltando minha atenção para a mesa onde meus amigos estavam.
- Dormiu de olho aberto? – Ela perguntou franzindo o cenho e olhou na direção onde meus olhos estavam a poucos segundos – Ou estava de olho na ? – Perguntou agora com o sorriso maroto. Nem precisei responder e já veio falando.
- Segure seus pensamentos aí, dude, que ela tá vindo pra cá com o shortinho curto. – Ele falou olhando um pouco atrás de mim. Lógico que eu também me virei pra olhar, o que a parte masculina toda que estava ali estava fazendo. Quando me virei, ela estava vindo em nossa direção, com um sorriso discreto no rosto, obviamente gostando de chamar tanta atenção, agora também da parte feminina que invejava. Esqueçam aquela parte que eu disse que não iria comentar das roupas, é impossível. O short curto, dando evidência as suas pernas... E que pernas! E a blusa curta, mostrando a barriga... E que barriga! Certo, eu sei tenho que me controlar mais.
- Oi meninos. – Ela disse sorrindo assim que chegou perto o bastante. – Oi . – Ela sorriu pra amiga que retribuiu o comprimento.
- Arrasando, hein? – disse. Virei-me pra ele com um olhar não muito amigável. me olhou e pediu desculpas sem emitir som, enquanto se sentava do lado de .
Conversa vai, conversa vem, até que me lembrei de uma coisa. Teria que arrumar uma companhia pra festa de casamento do Jimmy, e urgente, porque era no fim de semana.
- Você tá com uma cara de preocupado. – cochichou do meu lado.
- E estou mesmo – Falei passando a mão no cabelo.
- Posso ajudar? – Ela perguntou preocupada.
- Talvez. – Falei, ela me olhou e continuei. Quando me dei conta, , , e já estavam calados e escutando nossa conversa. Resolvi continuar. – Tenho uma festa de casamento do meu primo no fim de semana. E, se lembra daquela prima, que te contei a história uma vez? – Falei olhando pra , e ela concordou com um aceno de cabeça – Ela vai estar lá. – Completei fazendo uma careta.
- E isso que dizer que... – Ela disse pausando. – Você precisa de uma companhia, certo? – Ela leu o meu pensamento ou o quê?
- Isso. – Falei receoso. Decidi continuar de novo. – Mais do que uma companhia... – Disse. me olhou pensativa, deduzi que ela tinha entendido o que eu quis dizer. O resto da mesa me olhava com uma cara de interrogação. me olhou pedindo pra eu explicar, porque ficou óbvio que o resto não entendeu nada. – Preciso de uma namorada. – Joguei pra fora de uma vez. foi a única que sorriu, ela adorava esse tipo de coisa.
- Uma namorada... – disse. – Falsa. – Ela sorriu marota. Na hora que ela disse “namorada falsa” todos na mesa olharam pra , que tinha uma expressão complicada de decifrar.
- O que foi? – Ela perguntou com o cenho franzido. – Vocês não tão pensando que... – Ela ia falando quando foi interrompida.
- Claro que estamos. – falou.
- Por que eu e não você? – Ela perguntou pra . – Eu tenho namorado. – Ela falou.
- Longa história, . Ajuda vai, não é como se vocês fossem namorar. É só por uma noite, nada de beijos e compromisso. – Ela falou. ia dizer alguma coisa, mas eu a interrompi.
- Isso é verdade. É só ficar perto de mim o tempo todo, o máximo que faremos é dar a mão, nada demais. – Garanti pra ela. – E se você quiser ir, , não tem problema. – Falei.
- Não! – falou – A vai se sair melhor que eu, tenho certeza. – Ela piscou pra amiga.
Todos olharam pra ela de novo, esperando uma resposta. Os meninos não deram palpite nenhum, eles só ficaram igual aqueles bonecos que só viram a cabeça, acompanhando a conversa.
- OK. – Ela disse pausadamente. – Mas você me deve uma. – Ela falou me olhando.
- Fechado. – Falei sorrindo. É, acho que ia ser mais fácil do que eu pensava.
O sinal tocou, e antes de irmos pras salas, Nanda fez questão de lembrar uma coisa.
- E não se esqueçam da nossa pizza. – Ela disse mandando beijos. – Vejo vocês lá. – Terminou.

Depois que fomos pra casa, tive que aguentar os meninos falando o tempo inteiro.
- Uh, namorada falsa. – disse rindo.
- Isso não vai prestar. – falou subindo as escadas.
- Fica quieto, . – Falei subindo pra tomar um banho.
- Se eu fosse você tiraria um proveito. – falou malicioso. – Viram como ela estava hoje? – Ele perguntou pensativo.
- Claro que vimos, não somos cegos, . – disse. É, eles estavam a fim de tirar uma com a minha cara.
- Sexy. – falou aparecendo na porta do meu quarto.
- Calem a boca, vocês. – Falei. – Isso tudo é inveja. – Disse e eles riram.

Depois de uma tarde quase inteira tediosa, chegou a hora de irmos pra pizzaria. Combinamos assim: iria com e , enquanto eu passaria na casa da pra buscar ela e depois a .
Assim que chegamos, os meninos já estavam nos esperando. Ficamos um bom tempo esperando a pizza, e bebendo algo. Até resolver chamar alguém pra dançar com ela. E adivinha quem foi? !
- Vai lá garoto! – gritou pra ele.
Eles estavam dançando animadamente, até animados demais. Começamos a rir deles dançando, pagando mico, ou um King Kong, como preferir. não dançava, se jogava pra um lado e pra outro, fazendo qualquer coisa com os braços. Acho que eu quase tive um ataque de riso, assim como e os meninos. Enfim chegou o precioso momento em que a música acabou e eles se acalmaram.
- Para de rir, . – disse – Você só ri porque não sabe dançar. – Ela falou rindo.
- Sério que você não sabe dançar? – Perguntei. mordeu o lábio inferior e negou balançando a cabeça e rindo.
- Garota, você é uma líder de torcida e não sabe dançar? – perguntou.
- Não sei dançar, sei animar. – Ela piscou e nós rimos. – Sério, eu não danço, só sei fazer aquelas coreografias do jogo, não sou muito boa com músicas, principalmente lentas. – ela sorriu.
- Uau. – falou surpreso.
- Se quiser eu te ensino. – falou se achando.
- HÁ HÁ! – soltou uma gargalhada. – Dançando daquele jeito, ? , acho melhor você procurar um outro professor. – Ele disse rindo e nós rimos também.
- Eu gostei dele dançando. – falou.
- Será por quê? – Falei pensativo lançando um olhar pra eles.
Conversamos e comemos, depois chegou a hora de irmos pra casa, porque no outro dia teria aula cedo.
Entramos no carro, os mesmos que viemos e fomos embora. Deixei a em casa primeiro porque era mais próximo, e continuei o caminho pra casa da .
Coloquei umas músicas pra tocar. Começou a introdução de In The Street (http://www.4shared.com/mp3/OLB0MQcO/Cheap_Trick_-_In_the_Street_-_.htm), aumentei o som e nós começamos a cantar animados.

Hanging out, down the street
Dando umas bandas, rua baixo

The same old thing, we did last week

A mesma coisa velha, nós fizemos na semana passada

Not a thing to do, but talk to you

Nada pra fazer, além falar com você

Not a thing to do, out in the street

Não é uma coisa a fazer, na rua

Oh Yeah

Mom and dad live upstairs
Mãe e pai, vivem em cima

The music's loud so we don't care

A música está alta por isso não ligamos

Mis-used now

Mal usado agora

But rock lives now

Mas agora o rock vive

Oh yeah


- Refrão, vai! – Eu disse fazendo batidas no volante do carro e me preparando pra gritar o refrão da música. Nós ríamos muito.

We're still rockin' in Wisconsin
Estamos abalando em Wisconsin

We're all alright

Estamos bem

We're all alright

Estamos bem

Yeah, haha, oh


I'd steal the car

Eu roubaria o carro

And drive on down

E o dirigiria

Pick you up and we'd drive around

Pegar você e nós iriamos dirigir por aí


Not a thing to do but talk to you

Nada pra fazer, além de falar com você

Not a thing to do, oh yeah

Nada pra fazer, oh yeah

We're still rockin' in Wisconsin

Estamos abalando em Wisconsin

We're all alright

Estamos bem

We're all alright

Estamos bem

Yeah,oh yeah,oh yeah

Hello Wisconsin!

Olá Wisconsin!

Depois que a música terminou nós recuperamos um pouco do fôlego. Já estava quase chegando ao prédio da .
- Você é melhor tocando... – Ela disse rindo – Do que gritando. – Completou.
- Ah, vai dizer que você não gostou? Eu grito bem. – Falei me gabando.
- Não dá pra cantar gritando. – Ela riu – É um desastre. – Ela falou.
Quando eu estava quase virando a esquina pra casa dela, ela tocou meu braço.
- Continua... – Ela apontou pra estrada que seguia. – Quero te mostrar uma coisa. – Ela falou me olhando.
Eu não fazia ideia do que ela queria me mostrar, mas segui em frente. O que quer que fosse, eu sabia que não iria me arrepender.

Capítulo betado por Jess

Capítulo 8

Continuei dirigindo, entrava nas ruas onde dizia pra eu ir. Eu não sei por que, mas me sentia feliz. Sentia como se algo fosse acontecer, algo bom, mas não fazia ideia do que era. Como se algo fosse dar certo, em breve, mas ao mesmo tempo, sinto como se tivesse que atravessar uma barreira enorme pra conseguir chegar aonde queria. Talvez eu estivesse errado, e queria que estivesse, queria que esse “feliz” chegasse logo, ou talvez eu estivesse errado.
- Estamos quase chegando! – me trouxe de volta à realidade. – Só virar à esquerda e estamos quase lá. – Olhei pra ela, que sorria e, apenas concordei com um aceno.
No carro, ainda tocava algumas músicas aleatórias, enquanto ficávamos em silêncio algumas vezes, a música tirava o clima chato que ele trazia.
- Agora é você quem parece uma maníaca tentando me sequestrar. – Brinquei e nós rimos.
- A diferença é que você está dirigindo, então você mesmo ta se sequestrando. - Ela disse ainda sorrindo.
- Sem graça. – Falei fazendo bico.
- É ali! – Ela apontou pra um morro, não muito grande. Eu olhei pra ela, com cara de interrogação. E ela balançou a cabeça sorrindo. – Apenas suba, ok? – Ela disse.
Fiz o que pediu e, confesso que me surpreendi quando subi o morro que parecia pequeno, mas não era tanto assim. Dava pra ver uma boa parte da cidade, era um lugar iluminado só pela luz da lua. Ainda estávamos dentro do carro, nenhuma nuvem era vista no céu de Londres, apenas a lua, e algumas estrelas. olhava a linda cidade à sua frente, os olhos dela brilhavam. Talvez aquele lugar tivesse algum significado muito importante pra ela. E eu estava feliz porque ela tinha me levado ali, pra um lugar que traz boas lembranças, provavelmente passadas. Ela ainda não tinha dito nada, apenas olhava pra frente, com um meio sorriso no rosto. E eu ali, olhando pra ela, porque pra mim era melhor do que qualquer paisagem. Clichê? Eu sei, mas às vezes é impossível deixar o clichê de lado quando tudo que você pensa, é apenas nela.
Abri a porta do carro, saindo, e ela fez o mesmo em seguida. Nos encostamos na frente do carro, de frente pra cidade. Ainda era possível escutar a música.
- É lindo, não é? – Ela perguntou.
- Lindo! – Concordei. – O que te trouxe aqui? – Perguntei, curioso.
- Quando morava no Brasil, ainda criança, meu pai me trouxe a Londres, e eu disse a ele que queria ver a cidade inteira. – Ela pausou e sorriu – Como se isso fosse possível! – Completou. – Então, ele me trouxe aqui, e nós ficamos olhando a cidade, e ele me contando histórias, até anoitecer. Foi um dos melhores dias que passei com meu pai. – Ela disse, com os olhos brilhando.
- Sente falta dele, não é? – Eu falei. já havia comentado a história da comigo, uma vez. O pai dela abandonou a família, quando ela era pequena. Como ela sempre sonhou em morar em Londres, a mãe dela pagou os estudos aqui e convenceu a a vir junto, desde então, inseparáveis.
- Muita – Ela disse com os olhos enchendo d’água.
- Sei como é, também sinto falta do meu pai. – Eu disse. Apesar de meu pai ter machucado a minha mãe e a mim, por maior que tenha sido meu ódio por ele, eu ainda o amava, não se pode esquecer todas as alegrias que ele já me deu.
Ficamos ali, ouvindo o pouco som de carros que vinha da cidade, pensando, em silêncio. Por mais que eu fosse apaixonado pela , eu não sabia que ela era assim. Aquela garota linda, popular e durona da escola estava ali, quase chorando, na minha frente.
- Chega de assuntos tristes agora. – Ela sorriu, passando a mão no rosto.
- Como quiser. – Eu disse prestando continência e ela sorriu, me olhando.
Então, foi possível ouvir o início da introdução de “Stolen” do Dashboard Confessional que começou a tocar no carro.
- Eu amo essa música! – disse batendo palma e eu ri.
- Vamos dançar. – Eu disse estendendo minha mão pra ela que me olhou, como se perguntasse se tinha escutado direito.
- , horas atrás eu disse que não sabia dançar, principalmente música lenta, e você ta me chamando pra dançar Stolen? – Ela questionou.
- Sempre tem a hora de aprender, certo? – Eu disse sorrindo, ainda com a mão estendida. - Vamos, é fácil. – Falei.
- Ok, mas se eu pisar no seu pé, não reclame! – Ela falou sorrindo. Coloquei a mão na cintura dela, e guiei a sua até meus ombros, então, começamos a dançar.

You watch the season pull up its own stakes,
Você assiste a estação arrancar suas próprias estacas
And catch the last weekend of the last week,
E alcança o último fim-de-semana da última semana
Before the gold and the glamour have been replaced.
Antes que o dourado e o glamour tenham sido substituídos
Another sun soaked season fades away.
Outra estação encharcada de sol se vai

You have stolen my heart.
Você roubou meu coração
You have stolen my heart.
Você roubou meu coração

Invitation only grand farewells.
O convite só concede despedidas
Crash the best one, of the best ones.
Esmagar o melhor dos melhores
Clear liquor and cloudy eyed, too early to say goodnight.
Bebida clara e olhar nublado, muito cedo pra dizer boa noite.

You have stolen my heart.
Você roubou meu coração
You have stolen my heart.
Você roubou meu coração

Fui guiando ela, devagar, não queria meu pé machucado. Brincadeira.
- Não é tão difícil assim, é? – Perguntei perto do ouvido dela.
- Até que não. – Ela disse. – Você ta ensinando direito! – Nós rimos.
And from the ballroom floor we are a celebration
E do andar do bar nós somos uma comemoração
One good stretch before our hibernation.
Uma boa espreguiçada antes da nossa hibernação
Our dreams assured and we all will sleep well, sleep well.
Nossos sonhos garantidos e nós somos, nós vamos dormir
Sleep well, sleep well, sleep well
Dormir bem, dormir bem, dormir bem

You have stolen my heart.
Você roubou meu coração
You have stolen my heart.
Você roubou meu coração

I watch you spin around in the highest heels.
Eu te vejo rodopiar nos saltos mais altos
You are the best one, of the best ones.
Você é a melhor das melhores
We all look like we feel.
Nós todos nos parecemos com o que sentimos

You have stolen my
Você roubou meu
You have stolen my
Você roubou meu
You have stolen my heart.
Você roubou meu coração

A música falava por mim, e quando acabou, foi como se tivesse lido meus pensamentos. Toquei a mão dela, estávamos próximos, fomos nos afastando devagar, nos olhando. O clima de “o que faremos agora?” chegou. Deu pra notar que ela ficou um pouco sem jeito, e eu também, já havíamos nos beijado antes, então sabíamos o quanto aquilo podia deixar uma situação constrangedora, enquanto ela namorava o Peter.
- Acho melhor a gente ir. – Ela disse abaixando um pouco o rosto.
- Tudo bem, amanhã tem o casamento, precisamos descansar... – Falei indo em direção à porta do carro.
Nem preciso dizer que o caminho de volta foi silencioso, não é?
- Obrigada pela companhia. – Ela sorriu quando chegamos em frente ao apartamento dela.
- Obrigado pela confiança. – Sorri de volta. – Até amanhã! – Falei acenando um tchau e ela fez o mesmo, se virando em seguida e entrando no apartamento.

Cheguei em casa e os meninos já estavam dormindo, ainda bem. Interrogações àquela hora da noite não era um tipo de coisa que eu queria agora. Demorei um pouco a pegar no sono, o dia amanhã seria difícil, casamento, namorada “falsa”, fingimentos, família, e pra piorar, minha “nova namorada” seria a garota que tem namorado, e quem eu quase beijei há uns minutos atrás. E pela qual sou completamente apaixonado.

Acordei umas onze horas, com o barulho no andar de baixo. Na certa seria . Levantei, ainda zonzo, joguei uma água no rosto, escovei os dentes e desci.
- Que barulhada é essa? – Perguntei descendo as escadas. Era , tocando violão, ao que parecia o cubo estava no volume máximo – ! Ta surdo, mate? – Perguntei.
- Oi? – Ele se virou, parando a barulheira.
- Oi? – Imitei ele, revirando os olhos. – Ta acordando a casa toda. Ta surdo? – Perguntei outra vez.
- Desculpa , acho que me empolguei – Ele disse.
- Deixa eu chutar – Falei pausadamente. – Música da ?
- Hey, fala baixo. – Ele falou olhando pras escadas. – É, a música sim. – Completou.
- Ta explicada a empolgação – Falei indo pra cozinha – A música já tem um nome? – Perguntei.
- Ainda estou pensando. – Ele falou. – Que tal Walk in the Sun? – Ele perguntou.
- Ótimo cara. – Falei, sincero. – Pensei que você fosse colocar uma coisa do tipo: “Para a querida ” – Falei rindo.
- Cala a boca – Ele disse me jogando uma almofada e eu subi as escadas correndo, deixando-o sozinho.
Quando cheguei no quarto, escutei meu celular apitar e eram duas ligações perdidas, da . Retornei a ligação.
- ? – Ela atendeu.
- Ei . Tudo bem? – Perguntei.
- Tudo sim, e você? – Ela perguntou.
- Ótimo. – Respondi. – Um pouco ansioso só. – Fiz uma careta, parecendo um idiota já que ela não podia ver. – Tinham duas chamadas suas aqui. Precisa de algo? – perguntei.
- Eu e a vamos ao shopping, deu um problema no meu vestido e vou ver se encontro outro, e aproveitar pra passear um pouco nesse sábado tedioso. – Ela disse. – Você quer ir? Pensei que você também pudesse comprar algo. – Completou.
- Shopping? Com você e a ? – Perguntei. – Não me parece uma boa. – Brinquei e ela riu. – Ta legal, eu vou, mas só porque eu to precisando mesmo de uma gravata.
- Então ta, a gente se encontra lá, pode ser?
- Claro. Que horas? – Perguntei.
- Nós vamos almoçar lá. – Ela disse.
- Tudo bem, a gente se vê. – Falei.
- Até! – Ela disse, desligando.
- Huuuuuum, conversando com o amor. – disse, abrindo a porta e colocando a cabeça pra dentro do quarto.
- Alguém já te disse que entrar sem bater é má educação? – Perguntei e ele me mandou um beijo.
- Tchau amor! – Ele disse fechando a porta. Depois da doce ilusão de eu achar que estava sozinho, me entra o no quarto, e adivinha? Sem bater.
- Ei , é verdade que você vai sair com a agora? – Ele perguntou.
- Como assim? Virou um telefone sem fio? – Perguntei e vi passar pelo corredor. – Você escutou mesmo a conversa toda atrás da porta? – Perguntei não acreditando.
- Desculpa, não resisti. – Ele disse fazendo carinha de coitado. Esse ...
- Pra início de conversa, a me chamou pra ir ao shopping com ela e a . – Falei, e antes que o abrisse a boca, continuei. Olha, até rimou. – E não , eu não ia sair com a , não do modo que você pensou. – Falei dando um tapa da cabeça dele. – Estamos resolvidos?
- Beleza! – disse até mais feliz, saindo do quarto e eu ri. Eu não merecia morar nessa casa de retardados, mas no fundo eu também era um deles.
Fui tomar um banho, me aprontar, e fui ao shopping.
Dei um toque no celular da antes de chegar. Ela me mandou uma mensagem avisando que estavam na praça de alimentação. Tentei procurar um lugar pra estacionar, demorei e demorei, nunca conseguia entender por que esse povo era tão desocupado. Ta que eu também tava sendo um naquele momento, mas qual a graça de ir ao shopping ver todas as vezes as mesmas lojas e ficar andando e andando lá dentro? Mulheres, ou não.
Enfim achei uma vaga, fui em direção à praça de alimentação, difícil seria encontrar as meninas no meio daquele monte de gente. Comecei a procurar, não fazia ideia se olhava as filas, ou quem estava sentado. Não foi muito difícil achar, já que vi a acenando, parecendo que tava vendo o Jensen Ackles.
- Olá – Ela disse me abraçando.
- Oi . – Falei rindo com a espontaneidade dela.
- Oi – me abraçou e retribuí.
- Oi – Sorri. – Já almoçaram? – Perguntei, faminto.
- Não, estávamos te esperando. – falou.
Pedimos uma pizza, lógico, não fui ao shopping pra almoçar o que eu almoço em casa. E começamos a conversar.
- Quais são as novas? – Obviamente a fez essa pergunta.
- ficou todo nervosinho hoje achando que eu ia sair com você. – Falei rindo e elas não entenderam. Expliquei toda aquela história, começando pelo escutando a conversa e no final estava toda sem graça. - Apaixonado! – Falei rindo da cara dela.
- Nem comento. – disse, rindo também.
- Parem vocês dois! – falou tampando o rosto. O celular dela começou a tocar, e pra piorar, estava mexendo nele.
- ? – disse olhando o visor do celular da , e abriu um sorriso maléfico.
- Me dá isso! – foi tentar pegar o celular da mão da , mas ela esticou o braço e eu peguei, atendendo.
- Alô? – Falei, imitando outra voz, mais grossa.
- Quem ta falando? – perguntou.
- Namorado da , prazer. Com quem eu falo? – Disse, quase rindo, mas a acabou com a graça e roubou o celular da minha mão.
- , sou eu. É o que fez essa palhaçada! – Ela falou, eu e a continuamos prestando atenção na conversa. – O quê? – Ela perguntou. – !
Não demorou muito pra gente sacar o que estava acontecendo, estava na nossa frente.
- Olá – Ele disse sorridente.
- Oi ! – disse mandando beijos pra ele.
- Ei. – disse sorrindo. Eu apenas olhei.
- Não vai me cumprimentar, homem? – Ele disse irônico.
- Acabei de te ver, há quinze minutos atrás – Falei rindo.
- Então, o que vocês vão fazer? – Ele perguntou. Antes que eu abrisse a boca pra falar alguma coisa, me interrompeu. – Antes que você pergunte, eu vim porque saiu, e voltou a dormir, então eu sobrei em casa, sozinho. – completou.
- Ah, pobre coitado – Eu disse. – Mas, o que vamos fazer? – Perguntei pras meninas.
- Eu tenho que comprar um presente pra minha mãe, é aniversário dela. – disse.
- Eu quero tomar sorvete antes. – disse fazendo bico.
- Ok, então eu vou indo com o pra loja, e vocês dois encontram a gente depois. – Grande ideia, tomar sorvete é melhor que ir às compras. Pelo menos eu ganharia mais tempo livre.
- Tudo bem. – disse se levantando, e fizemos o mesmo. e foram pra tal loja, que eu nem sabia onde ficava, mais isso não era problema, porque sabia o shopping de cor e salteado, assim como a .
- Vamos naquela sorveteria. – Eu falei apontando. – Vou querer um picolé. Você vai querer sorvete mesmo? – Perguntei.
- Não, vou querer um picolé também. De chocolate. – Ela falou.
- Dois picolés – eu disse pra atendente. Ela me entregou a ficha, paguei, pegamos o picolé e fomos nos sentar.
- Já decidiu que cor vai ser a sua gravata? – me perguntou.
- Preta, com um detalhes em azul marinho. Meu terno tem uns. – Eu falei. Até me senti culto, falando de cores.
- Ok. Já sei uma loja onde tem. – Ela falou.
- Tá brincando? Você entra em lojas de homem também? – Falei rindo.
- Bobo! – Ela riu me empurrando com o ombro. – Eu olho as vitrines, esqueceu? – Ela perguntou.
- Ah, esqueci da mania – Falei rindo e pegando a ficha do picolé. – – Chamei e ela me olhou. – Olha aqui. – Disse apontando a ficha do picolé pra ela.
- Ela não assinou a ficha! – disse com um sorriso maléfico.
- Isso quer dizer que... Se ela não marcou a ficha...
- Teremos mais dois picolés de graça – Ela sorriu parecendo uma criança.
- Da primeira vez eu peguei, vai lá você agora, talvez ela ainda lembre do meu rosto – Falei entregando a ficha pra Sah. – Pega outro sabor agora – Eu falei rindo. Ela foi, e conseguiu mais dois picolés, sem a mulher nem desconfiar.
- Esse é por minha conta. – Eu disse enquanto ela me entregava o picolé, e ela riu.
- Então o próximo é por minha conta, porque ela não assinou de novo! – falou me mostrando a ficha de novo.

- Quem será essa mulher? Ela podia trabalhar aí pra sempre! – Falei admirado.
– Deve ser nova. Amei ela! – Ela riu enquanto terminávamos mais um picolé.
- Agora eu vou! – Levantei e fui até lá. De certo não dei muita sorte, foi uma outra mulher que me atendeu, e ela assinou a ficha. Maldição! Cadê a novata?
- Ela assinou? – perguntou quando eu cheguei com os picolés.
- Aham. – Falei fazendo uma cara triste. – Quero a outra mulher, ela é mais legal – Falei rindo.
- Da próxima a gente só vem quando ela tiver aí – Ela riu.
Decidimos nos levantar e irmos andando em direção à loja de vestido, mas não foi o nosso destino.
- Olha que calça linda! – disse apontando pra vitrine. – Preciso experimentar. – Ela falou me puxando pra dentro da loja.
- Tenha foco! Nós viemos comprar vestido, não calça! – Falei fazendo uma careta. – Ou você vai de calça pro casamento? – Perguntei.
- Claro que não – Ela riu.
- Boa tarde, em que posso ajudá-los? – A atendente perguntou.
- Boa tarde! – disse, simpática. – Quero ver aquelas duas calças da vitrine. – Ela apontou pros manequins. passou o número dela e a mulher foi pegar as calças.
- Ok, só um instante. – Ela disse.
Vi um lindo e confortável banco convidativo e fui me sentar.
A mulher voltou com as duas calças, e foi experimentar. O banco ficava de frente pro provador, provavelmente mais homens como eu esperariam ali.
saiu do provador, pra me mostrar a calça.
- Ficou boa? – Ela perguntou.
- Ficou ótima. – Falei. Tinha ficado mesmo.
- Vou experimentar a outra. – Ela disse analisando a calça enquanto entrava de novo no provador. – Essa ficou boa? – Ela perguntou, saindo uns minutos depois.
- Ficou ótima. – Falei, de novo.
- Qual das duas você prefere? – Ela perguntou, me olhando. Como assim? Eu nem lembrava da primeira mais.
- A primeira – Falei. Qual era a primeira mesmo? entrou no provador e não demorou muito pra voltar e me mostrar outra calça.
- Prefere essa? – Ela perguntou.
- Essa. – Falei. Aquela era a primeira? Não era?
- ! Eu nem troquei de calça – Ela falou rindo. – Essa é a primeira! – Ela disse pegando uma calça que estava dentro do provador. – Se fosse pra não reparar era melhor nem dar opinião. – Ela disse me dando um tapa no ombro. – Vou ficar com essa! – Ela falou entregando a primeira calça pra mulher.
- Eu te disse que não sou bom nessas coisas. – Falei me levantando. – Agora vamos lá comprar as coisas que viemos comprar! – Falei depois que ela pagou.
- Apressado! – Ela falou.
- Você que é uma enrolada! – Eu disse rindo. Depois de uns passos (lentos) que a dava, nós avistamos e . – Oi casal. – disse rindo. ficou sem graça, e ficou corada.
- Já compraram as coisas? – perguntou mudando o rumo do assunto.
- Ainda não. passou numa loja pra comprar calça. – Falei olhando de lado pra ela, que me deu língua.
- Ótimo! Aproveita, e eu te ajudo a escolher o vestido! – falou animada.
- Quanto a mim e ao ? – perguntou, se incluindo na conversa, comigo.
- Vocês vão com a gente. – Ela sorriu.
- Que tal a gente jogar? – me perguntou.
- Nada disso, vocês vão com a gente. – puxou e me olhou como se dissesse: “você também vem”. Até pareceu minha mãe.
Entramos em uma loja de vestidos, eu e ficamos iguais cegos em tiroteio lá dentro. Já a e a pareciam que estavam em um parque de diversões.
- QUE LINDO ESSE! – falou, quer dizer, gritou apontando pra um vestido azul marinho.
- Descobriu o mundo? – Perguntei rindo da cara que ela fez.
- ! Olha esse que lindo! – disse apontando pra um vestido lilás, tomara que caia, não muito curto, e nem muito longo, ideal pra casamento. Falou o cara que sabe tudo.
- Lindo amiga! – Ela falou indo pro lado onde a estava.
- Vou experimentar esse. – Ela falou, mostrando o vestido pra atendente.
Eu, e ficamos esperando ela, em frente ao provador. Alguns minutos depois, abriu a porta e colocou a cabeça pra fora, acho que era pra checar se a gente tava ali perto. Então, ela terminou de abrir a porta e saiu. Juro pra vocês que eu nunca vi algo tão lindo. Isso porque ela nem estava pronta pro casamento, apenas com o vestido, ou melhor, experimentando o que seria o vestido, talvez.
- Uau – , indiscreto falou.
- Uau – repetiu as palavras dele. E eu? Eu não consegui nem falar nada.
- Ficou maravilhoso. – A mulher que atendeu ela falou. – E o namorado? O que achou? – A atendente perguntou, virando-se pra mim.
- Não sou o namorado. – Falei, sem jeito.
- Ah, me desculpe. – A mulher ficou sem graça – Achei que fosse. Vocês pareciam próximos! – Ela se desculpou. Se bem que nem foi uma desculpa.
- Tudo bem. – Falei. – Mas, ficou lindo. – Completei, desviando minhas atenções pra novamente.
- Vou ficar com esse! – disse dando mais uma olhada no espelho e entrando no provador.
- Agora chega né? – falou bufando. – Vamos pra casa? – Ele me olhou.
- Tenho que comprar minha gravata. – Falei. foi até o caixa pagar o vestido, e saímos da loja.
Quando estávamos entrando na loja masculina, o celular da tocou. Acabando com a felicidade da nação, era o Peter.
- Oi amor! – Ela atendeu. Um tempo de silêncio – Estou no shopping com a e os meninos. – Ela falou e de repente ficou séria. – É Peter, estou.
- Já vi que o problema é comigo. – Falei baixo pra .
- Peter, depois a gente conversa, ta bom? – Ela falou. Isso aí, alguém tem que cortar a onda desse idiota. – Quando você volta? – Ela perguntou. – Tudo bem, me liga quando chegar. Beijo. – E desligou o celular. – Desculpa gente – Ela falou quando viu que estávamos esperando.
- Tudo bem falou. E ela me lançou um olhar, como se soubesse que eu já sabia que o problema era comigo.
- Sem problemas. – Falei, tentando passar que eu não me importava com o que ele pensava de mim, e não importo mesmo.
Entramos na loja e fomos procurar gravatas. Não demoramos muito pra achar, essas meninas tem uma percepção que nunca vi. Pra onde elas olham encontram algo.
- Vocês são boas nisso! – falou. – Acham rápido o que querem, só não entendo por que demoram tanto, ficando tanto tempo aqui dentro. – Ele falou, pensativo.
- Sem reflexões . – Falei rindo – Lembre-se de que é impossível entender as mulheres. – Falei apontando pra cabeça.
- Vocês são uns bobos! – falou rindo. - Agora vamos, porque o dia ainda é longo hoje. Daqui a pouco vocês tem uma viagem pra fazer. – Ela completou.
- Tudo bem. – falou. – Até outro dia meninas! – Ela falou se despedindo.
- Até. – falou sorridente.
- Até daqui a pouco! – falou pra mim.
- Passo na sua casa às 17h, pode ser? – Perguntei.
- Ok. – Ela falou – Estarei pronta.
e entraram no carro, eu fui no meu, e no carro do , já que chegou depois. O caminho inteiro fiquei pensando sobre esse sábado, teria uma noite longa, me dava calafrios só de pensar no que estava me esperando, não queria nem pensar na minha prima louca que estaria lá, ela bem que podia ter passado mal, mas era meio impossível, vaso ruim não quebra. Ok, exagerei. Parei rindo comigo mesmo. Espero que ela não atazane minha vida hoje.
Por fim eu estava feliz de ter a comigo, mas estava ansioso, porque ela vai ser minha namorada e a noite talvez seja difícil. Mas espero que dê tudo certo. Cheguei em casa e fui me arrumar.
Eu não sabia a noite que me esperava, mas com certeza, de todos os jeitos valeria a pena.

Capítulo 9

Coloque pra carregar: Hanson – Save Me.

Eram 17h, em ponto, nem mais e nem menos, e eu estava em frente ao apartamento da , esperando. 17h05min, e nada dela aparecer. Eu deveria ter fixado o horário. Se eu chegasse atrasado ao casamento do meu primo, minha mãe iria me matar.
17h10min, então resolvi ligar.
Primeiro toque, ninguém atende, segundo passou longe, e então caiu na caixa de mensagens. Qual é , vamos.
Alguns minutos a mais, e eu finalmente pude avistar alguém vindo em minha direção. Não, não era “alguém”, era ela, linda, tão linda que eu nem sabia se sairia algum som da minha boca quando ela me encontrou.
- Oi! – Ela sorriu. – Desculpa o pequeno atraso, nunca chego na hora certa. – Ela falou.
- O-oi. – Falei. Calma . Respira. – Tudo bem, a gente ainda consegue chegar na hora. – Eu disse, dando mais uma olhada na criatura linda à minha frente. – Mas valeu à pena o atraso, você ta linda – Falei.
- Obrigada! – Ela falou, é impressão minha ou eu vi bochechas rosadas? – Você está lindo também, todo chique de terno e gravata... – Ela falou fazendo uma cara de deslumbre.
- Obrigado. – Sorri. – Vamos? – Perguntei abrindo a porta do carro pra ela entrar e indicando com a mão.
- Obrigada, gentil cavalheiro. – Ela sorriu.
- De nada, bela dama – Eu sorri também e fui pro lado do motorista.
Entrei no carro e dei a partida. Meu coração batia num ritmo mais acelerado do que o normal, e parecia meio inquieta também.
- Então, como é essa sua prima louca? – Ela me perguntou rindo.
- Louca? Louca é um apelido carinhoso. Ela é uma psicopata. – Falei. – O nome dela é Katharine. Ela sempre correu atrás de mim, em todas as festas ou reuniões de família, nunca me deixou em paz. Até quando éramos adolescentes, mas o problema é que ela é a protegida da família, ela deve ser problemática mesmo. Evito o máximo de contato com ela. Uma vez ela tentou me trancar no banheiro quando estávamos na festa do meu avô... – Falei, fazendo uma careta.
- Que maníaca! – falou rindo da cara que eu fiz. – Não se preocupe, vou estar lá pra te proteger. – Ela falou se gabando.
- Ah, obrigado, super protetora! – Falei rindo.
- Qual o plano? – Ela perguntou. – Só preciso ficar do seu lado o tempo todo, sorrir e te dar a mão? – Perguntou.
- É, só isso. – Falei.
- Combinado. – ela disse prestando continência.

Enfim, tínhamos chegado. Pra minha sorte o casamento ainda não tinha começado, ainda bem. Saí do carro e fui abrir a porta pra . Dei a mão pra ela sair do carro, e ela saiu, dando uma ajeitada no vestido.
- Preparada? – Perguntei.
- Acho que sim! – Ela falou, sorrindo sem graça. – Só você pra me fazer passar por isso... – Ela falou me dando um tapinha no ombro.
- Apenas sorria e disfarce. – Falei rindo e estendendo minha mão.
entrelaçou os dedos nos meus, um arrepio percorreu meu corpo de início, como um choque, estar ali fazendo o que eu sempre tive vontade por três anos, ou melhor, fingindo. Mesmo que não fosse verdade, eu nunca ia desistir dela. As mãos dela estavam um pouco frias, mas não estava frio. Seria nervosismo?
- Olá ! – Meu tio me cumprimentou.
- Oi tio. – Falei cumprimentando-o.
- Quem é a bela moça? – Ele perguntou.
- Ah, esse é meu tio, Paul. Paul essa é . – Demorei um pouco pra completar a frase – Minha namorada. – Por fim falei. Meu tio logo abriu um sorriso enorme.
- Prazer , você é linda. – Ele disse, cumprimentando ela.
- Obrigada. – Ela respondeu. Opa, bochechas coradas de novo?
Andamos mais um pouco, e encontrei o noivo, meu primo Jimmy.
- Fala ! – Ele sorriu quando nos avistou.
- E ae cara. – Sorri. – Parabéns. – Falei.
- Obrigado. – Ele sorriu. – Quem é essa moça linda? – Ele perguntou. Me olhou, depois olhou pra e a cumprimentou.
- Essa é a ... Minha namorada. – Nunca pensei que um fingimento seria tão difícil. – esse é o Jimmy, meu primo que vai se casar. – Falei.
- Prazer! – cumprimentou.
- O prazer é todo meu. – Ele falou. – Espero que um dia vocês estejam aqui, passando o mesmo que eu. – Ele falou. Quase saí correndo. Eu mal cheguei com uma namorada e ele já falou em casamento? Dei um sorriso, nada mais do que isso, e fez o mesmo.
- Vejo vocês na festa. – Ele falou.
- Até! – Falei.
Fomos procurar um lugar para sentar, ainda não tinha visto minha mãe, mas não seria problema, teria a festa pra falar com ela.
Sentamos e o casamento logo começou. Músicas, e músicas, aquela cerimônia toda. Pessoas chorando, sorrindo, bla bla bla.
Eu queria que chegasse a festa logo pra poder descansar, comer, beber...

O casamento acabou. Cumprimentos na porta, e conseguimos sair. Avistei minha prima Katharine de longe, e saí logo pra entrar no carro, ainda com de mãos dadas comigo.
A recepção era um lugar lindo, o chão coberto de grama, algumas luzes pra iluminar o local, alguns bancos no jardim e um lugar do jantar reservado dentro da casa.
- Que lugar lindo! – falou, admirada.
- É lindo mesmo! – Falei ainda olhando o lugar. – Quer entrar agora ou prefere sentar aqui? – Falei apontando pros bancos do jardim. Um ficava embaixo de uma árvore que também estava iluminada.
- Prefiro ficar aqui por enquanto, me preparar pra entrar. – Ela riu.
- Tudo bem. – Falei rindo, guiando ela até o banco embaixo da árvore.
Vi uma flor lilás em uma pequena árvore atrás do banco. Peguei e coloquei atrás da minha orelha, fazendo uma cara de gay pra .
- OH NÃO! – Ela falou colocando a mão na testa, tentando não rir. – Estou saindo com um gay. – Ela disse, e desabou a rir.
- Desculpa, eu ia te contar, mas não achei uma oportunidade tão boa quanto essa. – Falei e não ri.
- Seu bobo! – Ela falou rindo e eu ri também. Tirei a flor e entreguei pra ela, que abaixou a cabeça e sorriu.
- Combina com seu vestido. – Falei, era exatamente da mesma cor. – E com você.
- Obrigada. – Ela falou, corada. – Ta me deixando sem graça. – Ela falou ainda com a cabeça baixa.
Coloquei a minha mão embaixo do queixo dela, levantei seu rosto. Não falei nada, apenas sorri e pisquei e ela sorriu.
- Vamos entrar? – Perguntei.
- Vamos. – Ela falou, levantando-se.
Fomos em direção à casa. Entramos, sentamos e comemos um pouco, depois minha mãe nos viu e foi nos encontrar.
- Oi meu filho! – Ela falou sorridente.
- Oi mãe. – Falei sorrindo também.
- Essa é a ? – Ela perguntou.
- É sim. , essa é a minha mãe. – Falei. As duas se cumprimentaram. Quando pensei que terminaria ali, minha mãe sentou e começou a falar.
- Você é tão linda! – Ela disse. – Bem que o me avisou. – Que isso mãe? Ferrou! – Fico muito feliz de vocês estarem juntos, você me parece ser ótima, e vejo que ele está muito feliz. – Ela falou. Posso ir embora agora? – Espero que dê certo e vocês sejam muito felizes. – Ela disse. Terminou agora né? já não sabia pra onde olhar, e eu tava quase me levantando.
- Obrigada! – Ela falou, sem graça.
- Vou lá ver o seu primo. – Minha mãe falou, levantando e saindo.
- Desculpa por isso... – Falei. – Não esperava.
- Tudo bem, nem eu. – Ela falou. – Katharine está por aqui? – Ela me perguntou.
- Hm, curiosa pra conhecer a fera? – Perguntei, rindo da cara que ela fez. – Aposto que só de olhar você já sabe quem é. Repare a pessoa que tem a maior cara de louca da festa. Aí você acerta na mosca. – Falei olhando pros lados, procurando Katharine.
- Ok. Veremos. – Ela falou olhando as pessoas a nossa volta. – Ela deve estar de preto, certo? – perguntou rindo.
- Não. Use sua mente, pense em algo mais venenoso! – Falei rindo.
- Vinho? – perguntou agora olhando pra mim e fazendo uma careta.
- Isso, ta indo bem! – Falei rindo da expressão dela.
- Deixe-me ver... Não tem muita gente de vinho aqui. – Ela disse.
- Vou te dar uma dica preciosa, ela está olhando pra gente agora, por isso seja discreta. – Falei, desviando meu olhar.
- Ual! Parece um serial killer. Estamos sendo observados? – Ela riu. – Agora fiquei com medo. – Ela falou fazendo cara de pânico.
- Você disse que iria me proteger, não corre do perigo agora! – Falei fazendo uma cara de mau.
- Ok, sou sua protetora, não vou deixar ela nos matar. Não por essa noite. – Ela falou, agora olhando nos meus olhos. Isso foi uma chantagem. – Bom... Certamente ela está olhando pra mim agora, então, diria que é aquela ali perto da varanda. – Ela desviou o olhar, pra que eu pudesse ver.
- Na mosca! – Falei batendo na mão dela. – Eu disse que você iria acertar.
- Eu sou a melhor. – Ela falou.
- Ok, não precisa exagerar. – Falei.
- Não estou exagerando. – Ela disse, me olhando.
- Convencida. – Falei fazendo cara de pasmo. Mas quando ia retrucar, a bendita Katharine veio em nossa direção. – Agora ta esquentando. – Disse, me virando.
- Olá . – Ela falou, sorridente.
- Olá, Katharine! – Eu disse irônico na simpatia, óbvio.
- Quem é a garota? – Ela perguntou, apontando pra .
- A “garota” é minha namorada, . – Falei. – , essa é minha prima, Katharine. – Disse me virando pra e fazendo uma careta.
- Prazer querida! – disse, sendo falsa.
- O prazer é todo meu. – Katharine disse. – Se divirtam, “casal”. – Ela falou fazendo aspas com a mão, saindo e mandando beijos.
- Não tão ruim quanto eu esperava. – Falei assim que ela se distanciou. – Mas pode piorar.
- Pode? Ela quase me matou com o olho! – disse.
- Nunca se sabe o que pode vir dela. – Falei. – Mas esquece, se ela foi pra longe é um bom sinal.
- Credo! – Ela falou.
Ficamos um tempo ali, conversando, às vezes passavam alguns parentes e amigos pra nos cumprimentar. era bem simpática com todos, e lógico, recebia altos elogios. Acho até que ela tava se acostumando.
- Vou ao banheiro retocar a maquiagem! – Ela falou, levantando e indo em direção ao banheiro.
Fiquei ali, sentado olhando a festa, enquanto ela estava lá retocando a maquiagem, se é que era mesmo necessário fazer isso. O jantar já tinha acabado, havia casais dançando na grande pista de dança no meio do salão de festas. Reparei alguns casais que dançavam alegremente, até demais, se é que me entende. Uns tropeços ali, e outros lá, coitada daquela mulher, o pé dela nunca mais seria o mesmo. Depois de alguns minutos percebi que estava demorando demais, quando fui me levantar, reparando que Katharine também não estava ali, vi saindo do banheiro, com uma expressão um tanto confusa no rosto, difícil de decifrar. Fui até o encontro dela.
- Aconteceu alguma coisa? – Perguntei, confuso com seu olhar.
- Não. – Ela respondeu, mas não olhou nos meus olhos. Fiz uma careta, não falei nada.
me puxou pela mão, até a pista de dança. Confesso, a atitude dela me surpreendeu, mas eu apenas acompanhei. Foi quando começou a tocar a introdução da música Save Me, dos Hanson. [n/a: coloque a música pra tocar]
- Eu adoro essa música, é a minha favorita. Vamos dançar! – Ela falou, parando no meio da pista, e aproximando o corpo do meu.
- Tudo bem. – Falei, encaixando minhas mãos em sua cintura.

Loving you like I never have before
Amando você como eu nunca amei ninguém antes
I’m needing you just to open up that door
Precisando de você apenas para abrir a porta
If begging you might somehow turn the tides
Te implorando, como se de algum como pudesse mudar a maré
And tell me too I’ve got get this off my mind
Então me diga, eu tenho que tirar isso da minha cabeça

Dávamos uns passos lentos. ainda parecia um pouco atordoada, com o olhar distante. A música parecia feita por mim.

I never thought I’d be speaking these worlds
Eu nunca pensei que estaria dizendo estas palavras
I never thought I’d need to say
Eu nunca pensei que precisaria dizer
Another day alone is more than I can take
Outro dia sozinho é mais do que eu posso suportar
Won't you save me?
Você não vai me salvar?
Saving is what I need
Salvação é o que eu preciso
I just wanna be by your side
Eu apenas quero estar ao seu lado
Won't you save me?
Você não vai me salvar?
I don't wanna to be
Eu não quero ficar
Just drifting through the sea of life
Apenas vagando sem rumo neste mar da vida

- Katharine estava lá? – Resolvi perguntar.
- Aham – Ela respondeu, sem dar muitas explicações.
- E? – Incentivei para que ela terminasse. Se algo tivesse acontecido dentro daquele banheiro, seja lá o que fosse eu queria que ela me contasse. Mas ela demorou um pouco pra responder.
- Ela me disse algumas coisas. – Ela respondeu.
- Que tipo de coisas? – Perguntei, curioso.
Won't you...
Você não vai...
Listen please baby don't walk out that door
Ouça, por favor querida não saia pela porta
I'm on my knees you're all I'm living for
Estou de joelhos, tudo que estou vivendo é por você

- Ela me disse que eu não precisava manter a farsa perto dela. – Ela falou. Fiquei meio confuso. – Ela desconfia . – Ela continuou. – Ela me disse que não sou sua namorada coisa nenhuma, e que nós ficamos meio receosos juntos. – Ela pausou. – E que nós não tivemos nenhum outro contato, ou momentos “apaixonados” a não ser ficarmos de mãos dadas o tempo inteiro. A gente não se beija. – Ela completou, por fim.

I never thought I'd be speaking these words
Eu nunca pensei que estaria dizendo estas palavras
Haven't gonna find a way
Nunca pensei que encontraria uma maneira
Another day alone is more than I can take
Outro dia sozinho é mais do que posso suportar

Aquelas palavras me deixaram meio confuso. Eu tinha ficado com mais raiva da Katharine, não sei se ela tinha dito só aquilo, mas tinha magoado a . Fiquei meio sem reação, não tinha ideia se continuava dançando, se falava alguma coisa, se eu ignorava, ou se eu trocava de assunto. Mas parecia já ter uma conclusão disso tudo.

Suddenly the sky is falling
Repentinamente o céu está caindo
Could it be it's too late for me?
Poderia ser tarde demais para mim?
If I never said "I'm sorry"
Se eu nunca disse "Me perdoe"
Then I'm wrong, yes I'm wrong
Então estou errado, sim eu estou errado
Then I hear my spirit calling
Então eu escuto meu espírito chamando
Wondering if she's longing for me
Imaginando se ela está ansiando por mim
And then I know that I can't live without her
E aí eu entendo que não consigo viver sem ela

- Mostra pra ela que ela está errada! – Ela falou, diminuindo o ritmo da dança e agora sim, olhando nos meus olhos. Aquela frase fez meu corpo inteiro gelar. Eu tinha mesmo escutado direito? Katharine nos olhava de longe.

Won't you save me?
Você não vai me salvar?
Saving is what I need
Salvação é o que eu preciso
I just wanna be by your side
Eu apenas quero estar ao seu lado
Won't you save me?
Você não vai me salvar?
I don't wanna to be
Eu não quero ficar
Just drifting through the sea of life
Apenas vagando sem rumo neste mar da vida

– Mostra pra ela! – repetiu, ainda me encarando. Então, eu a beijei.

Won't you save me?
Você não vai me salvar?
Won't you save me?
Você não vai me salvar?
Won't you save me?
Você não vai me salvar?

Capítulo 10

n/a: Coloquem pra carregar: (Fix You – Coldplay)

Eu queria que o mundo parasse naquele momento, mas não parou. Depois do que pra mim pareceram milésimos de segundos, finalizou o beijo. Ela afastou o rosto do meu devagar, então abriu os olhos e me encarou. Depois de tantos anos eu ainda não tinha me acostumado com a sua beleza surreal, sem dúvidas era a garota mais bonita da festa. Ao contrário da primeira vez que nos beijamos, o clima tenso não veio, agradeci mentalmente por isso. Parecia certo, parecia, mas não era e nós dois sabíamos muito bem disso. Nenhum de nós dois se importou, no momento, de olhar pra Katharine pra ver sua cara de derrotada, nenhum de nós dois se importou com qualquer um que estivesse olhando, afinal, todos ali achavam que éramos namorados, o que tinha de errado nisso? Nada. Não pra eles.
Por mais que eu tivesse gostado, meu coração implorava pra que aquele beijo não fosse só uma provocação, queria que tivesse um fundo de verdade naquilo tudo.
desviou o olhar do meu, provavelmente pra olhar a reação de Katharine. Acompanhei o olhar de , encontrando uma Katharine totalmente derrotada, e uma mãe me olhando como se eu estivesse dado aquele beijo do casamento, quando o pastor diz: “pode beijar a noiva”. Eu poderia estar feliz, mas uma preocupação começava a me atingir bem devagar, será que tinha sido só uma provocação? Sem me dar o tempo de pensar na provável besteira que eu tinha feito, entrelaçou a mão na minha e me puxou para o lado de fora da casa.
Eu estava esperando que ela falasse que foi um erro, ou pedir desculpas talvez pela provocação, mas me surpreendendo totalmente ela não fez isso. Acho chegarmos numa área um pouco afastada, debaixo da mesma árvore que tínhamos sentado antes de entrar pra festa, ela me abraçou. Eu estava surtando, o que aquilo queria dizer? Garotas têm mania de abraçar alguém depois que traem o namorado? Eu estava bem longe de compreender uma mente feminina. O que viria a seguir? Um pedido de desculpas por ter me usado? Na verdade ela nem me usou, eu que a usei primeiro, não foi?
- Isso foi outro erro? – disse baixo bem perto do meu ouvido. Compreendi bem quando ela disse “outro” erro.
- Sim, e não. – Eu disse. O que ela ia esperar que eu falasse?
- Seja lá o que foi, eu gostei. – Ok, aquele é o momento em que eu fico paralisado ou em que eu beijo ela de novo? Prefiro realmente a segunda opção. Afastei meu rosto do dela, podendo olhar em seus olhos.
Franzi o cenho, tentando raciocinar. , a líder de torcida mais cobiçada do colégio, e namorada do Peter tinha acabado de falar pra mim que tinha gostado do nosso beijo? Tive vontade de rir, mas um sorriso com gosto de vitória. Primeiro, era a garota por quem eu sou completamente apaixonado, e segundo, eu coloquei um chifre na cabeça do Peter pela segunda vez. E foi isso que eu fiz, sem reação, eu ri.
- O que foi? – perguntou, achando estranha a minha reação.
- Nada. – Falei, encarando ela de novo.
- Ta rindo de que? – Ela reformulou a pergunta.
- De tudo, da situação. – Eu disse, ainda com os braços em volta da cintura dela, e ela com os braços envoltos no meu pescoço. Eu acho que a gente tava ficando bom em fingir que éramos namorados.
- Tá... - disse, me olhando com a mesma expressão de “não estou entendendo nada”. Abracei ela de novo, devagar, ela não recusou.
- Podemos pular a parte constrangedora, e voltar na parte que eu te beijo de novo depois de você falar que gostou? – Falei ainda a abraçando. Ela afastou o rosto do meu, e me olhou, com um sorriso um pouco sacana, dando clara a intenção. Sorri junto com ela, antes de beijá-la novamente. Quando encostei minha boca na dela, ela logo deu permissão pra aprofundar o beijo. Cada centímetro do meu corpo reagiu quando nossas línguas se tocaram como há alguns minutos atrás. Dessa vez podia durar mais, certo? Era um beijo lento, calmo, nenhum de nós dois ali tinha pressa nenhuma, muito menos eu. ia passando as mãos delicadamente pelo meu cabelo enquanto eu ia descendo os beijos para o seu pescoço. Segurei um sorriso quando notei que ela tinha ficado arrepiada, ela me puxou meu corpo pra mais perto, me puxando pelo cabelo e em seguida mordendo meu lábio e grudando sua boca na minha novamente. O beijo ia tomando intensidade, eu não queria pensar em consequências nessa hora, não queria pensar que ela poderia ter me usado há alguns minutos, a única coisa em que eu pensava era no AGORA. Ela não estava me usando, não tinha ninguém pra nos observar, não tinha ninguém pra ela provocar, era somente vontade, desejo. A intensidade do beijo ia aumentando, enquanto minha mão passeava livremente por suas costas, só paramos quando notamos que precisávamos realmente de recuperar o fôlego.
Ficamos assim por alguns minutos, nos provocando com alguns beijos, até umas ilustres presenças chegarem.
- ta namorando, ta namorando. – Anne e Emily, minhas primas que tinham sido damas de honra do casamento estavam nos observando e rindo. Eu e nos afastamos na mesma hora, percebi que ela tinha ficado vermelha.
- Nojento! – Anne continuou.
- Parem vocês duas – Falei, fazendo minha melhor cara de “quem são vocês mesmo?” – Chatas – Falei, lógico que brincando com elas. Eram as crianças mais adoráveis da festa.
- Tá namorando – Emily continuou implicando. – Ela é linda – Falou.
- Ele sabe disso – Como se não bastasse duas pessoas implicando, minha mãe chegou. – Agora vão pra dentro vocês duas, porque estão deixando eles vermelhos – Ela falou. Minha mãe ainda com suas manias nada convenientes.
- A gente precisa ir embora. – Falei, olhando pra , que concordou. – Até mais mãe! – Dei um abraço na minha mãe.
- Não suma querido! – Ela disse. – E você, toma conta dele pra mim. – Ela falou, olhando pra que sorriu sem graça.
- Pode deixar. – falou. – Até mais senhora .
e eu entramos para nos despedir do meu primo e em seguida saímos, indo em direção ao meu carro, cumprimentando algumas pessoas no caminho. Como se já não bastasse o show de Katharine estava encostada no meu carro, provavelmente nos esperando.
- Pode desencostar do meu carro, por favor, Katharine? Limpei ele hoje. – Falei irônico. A cara de raiva dela foi impagável, não conseguiu evitar uma gargalhada.
- Você me paga por isso. – Ela falou, apontando pra .
- Tudo bem querida, manda a conta lá em casa. – falou, também irônica. Dessa vez eu que não segurei o riso.
- Idiotas – Ela falou, saindo batendo o pé.
- Adeus – Falei, entrando no carro. Dei a partida, indo embora pra casa.
- Impagável a cara dela – falou, relembrando da cena de alguns minutos atrás.
- Impagável mesmo! Poderia ter gravado a cena – Falei rindo.
- Ela é realmente apavorante! – Ela falou.
- Eu te avisei – Disse.
- Mas eu te protegi – Ela falou já se gabando.
- Não totalmente – Falei, lembrando quando ela ficou com raiva das ameaças no banheiro. deu um dos seus sorrisos lindos, e me olhou torto.
Continuamos rindo a viagem inteira, falando sobre diversas coisas, inclusive ainda debochando de Katharine, até que chegamos em frente ao apartamento da .
- Te vejo amanhã? – Perguntei.
- Até amanhã – Ela falou, dando um beijo na minha bochecha e saindo do carro em seguida.
Dei partida no carro, indo pra casa, com o maior sorriso idiota no rosto.

POV on
Entrei rápido pelo meu apartamento, verificando logo o meu celular, que tinha mais de 20 ligações perdidas. E adivinha de quem eram? , lógico! Retornei a ligação.
- ATÉ QUE ENFIM! – Ela atendeu.
- Boa noite pra você também. – Falei, rindo só de imaginar a cara que ela estava fazendo no momento.
- Me conta como foi a festa. – disse.
- Foi ótima. Tirando a prima totalmente louca do – Eu disse, sentando no sofá da sala.
- Katharine é louca mesmo. – Ela disse. – Me conta tudo! – , como sempre insistente. – Sinto que você ta me escondendo algo, sua voz ta estranha.
- Estranha como? – Perguntei.
- Não sei, diferente, como se você estivesse sorrindo do outro lado da linha – Ela falou. Eu estava mesmo sorrindo. Acho que iria indicar um trabalho de investigação pra . – ? – Continuou.
- Oi? – Perguntei. – Desculpa, viajei aqui.
- Sei, viajou pra onde? Pra festa? – Ela falou. – Pro ? – Continuou.
- ! – Falei, reprimindo milhões de perguntas que ela tava me fazendo. – Uma pergunta de cada vez. – Disse.
- Tudo bem. Me conta o que você está me escondendo mocinha – Ela falou.
- Eu beijei o – Joguei de uma vez.
- O QUÊ? COMO ASSIM? ME CONTA TUDO! – disparou a gritar no telefone.
- Calma, calma! – Falei. – Na verdade ele me beijou, mas foi eu quem pedi. – Falei fazendo uma careta.
- VOCÊ PEDIU? SUA SAFADA! – disse rindo.
- Katharine me afrontou, fiquei com raiva, pedi o pra me beijar, ele me beijou e eu gostei. – Falei e riu.
- Ai meu Deus! Mal posso esperar pra ver a cara de felicidade do amanhã – Ela falou.
- Quê? – Perguntei confusa.
- Opa! – falou, imaginei ela colocando a mão na boca uma hora dessas.
- ! Me explica isso direito! – Eu falei. Se tinha uma coisa que a não sabia fazer, era mentir.
- , preciso desligar. Vou viajar daqui umas horas, amanhã não vou na escola ok? Só volto na terça feira. Depois a gente conversa, tenho que ir. – Falou depressa.
- ! – Falei rápido pra ela não desligar na minha cara.
- Desculpa, tenho que ir, te amo. – Ela falou e desligou o telefone, na minha cara!
- AAAAAH! – Gritei. – Chata – Falei, olhando pro telefone, e ri logo em seguida.
Ela ia ter que me explicar essa história. Eram onze e meia da noite, entrei pro quarto e fui tomar meu banho. Precisava dormir, ou também não iria na escola amanhã. Quando pensei em ‘escola’ me veio o na mente, e meu coração bateu mais rápido. Isso não tinha que estar acontecendo comigo.
Tomei um banho pra relaxar, coloquei meu pijama e quando fui me ajeitar na cama a campainha tocou. Quem seria a essa hora da noite?
Abri a porta devagar, com medo de ser algum desconhecido, nunca se sabe quem toca a campainha da sua casa de madrugada.
Respirei aliviada, quando vi que era .
- O que faz aqui a essa hora da noite? – Perguntei.
- Preciso pegar um vestido emprestado – Ela falou e eu ri da habilidade de de sempre deixar as coisas pra última hora.
- Entra – Falei, dando espaço pra ela entrar. entrou e foi em direção ao meu quarto.
- Vai viajar agora? – Perguntei.
- Vou sim – Ela falou. – Pena que vou perder você e o amanhã. – Ela disse, despreocupada.
- Para com isso. – Falei – Foi só um beijo.
- Aham, sei. Um beijo que mexeu com você – Ela falou enquanto eu sentava na cama e ela mesma abria a porta do meu armário pra procurar um vestido.
- Não mexeu nada. – Falei. virou pra trás, me encarando com um sorriso bobo no rosto.
- Se não mexeu, então qual o motivo desse sorriso quando eu falei dele? – Ela perguntou.
- Por acaso você tem olho nas costas? – Perguntei rindo e tacando uma travesseiro nela.
- Eu te conheço muito bem – Ela disse.
- Sobre o que você falou no telefone, dele ficar todo feliz, me explica isso direito. – Falei. – Eu sei que você não sabe mentir, então, não finja pra mim. – Falei, acusando.
- Droga ! – Ela falou com cara de derrotada sentando na minha cama.
- Pode falar! – Falei, me ajeitando na cama.
- Se os meninos souberem disso, eles vão me fazer em picadinhos e me servir pro almoço – Ela falou e eu ri do desespero dela.
- Continuo querendo saber. – Insisti.
- Ta bom, ta bom, eu conto. – Falou derrotada. – Bom... – Pausou. – Caramba! Quer mesmo que eu te conte isso? – Ela perguntou.
- ANDA LOGO! SE NÃO QUEM VAI TE FAZER EM PICADINHOS SOU EU! – Falei dando um tapa de leve no braço dela.
- Lá vai – Ela falou, se ajeitando na cama e me olhando em seguida. – sempre foi completamente apaixonado por você, desde o primeiro ano. – Ela soltou.
- O QUÊ? – Perguntei – COMO NINGUÉM NUNCA ME CONTOU ISSO? – Disse.
- , até pouco tempo atrás eu nem sabia também. – Ela falou, se defendendo.
Caí na cama, mal acreditando no que ela tinha me falado.
- Eu que tenho que aturar ele todos os dias te olhando com cara de bobo, e a cara de revoltado quando ele te vê aos beijos e carinhos com o Peter. Se eu fosse na aula amanhã, teria que aguentar ele falando de você o tempo inteiro. – Ela falou.
- Não acredito nisso! – Falei. – É demais pra eu digerir.
- Você deve estar confusa agora, eu sei, e conheço essa sua cara de preocupação. – Ela falou. às vezes conseguia ler meus pensamentos. O que eu sentia pelo ? – Você tem que colocar na balança o que sente pelo Peter e, o que sente pelo , e bem rápido .
- Eu sei – Falei, pensativa.
- Eu te amo, você sabe disso. Mas se você partir o coração do , eu parto a sua cara! – Ela falou, me ameaçando.
- Não vou. – Falei.
- Bom, vou levar esse vestido seu – Ela falou, levantando e pegando um vestido preto curto que eu tinha. – Por favor, o que eu falei, que fique em segredo. – Ela disse. – Te vejo na terça. – falou, me dando um beijo na bochecha.
- Ei, pra onde você vai? – Perguntei.
- Vou ir a uma festa com o – Ela disse sorrindo toda boba. – Na cidade natal dele – Ela falou.
- Hum, ... Sei – Falei.
- Não estamos enrolados igual você e o – Ela disse.
- Vocês estão namorando? – Perguntei, me sentindo traída de estar tão fora das fofocas assim.
- Digamos que sim, mas não oficialmente ainda. – Ela falou.
- E POR QUE EU NÃO SEI DE NADA DISSO? – Perguntei.
- Ninguém sabe ainda. Na verdade você é a primeira. – disse.
- Own! – Sorri pra ela.
- Agora eu tenho que ir, estou atrasada já! – Ela falou olhando o celular.
- Beijo amiga, boa festa – Falei.
- Obrigada. E pense bem no que vai fazer. – Ela disse dando tchau e saindo.
Fiquei ali, parada, olhando pro teto enquanto pensava em tudo que tinha me dito. Eu estava completamente confusa. Só de pensar que escondia isso de mim por todo esse tempo, e eu só fui conhecer ele de verdade no terceiro ano. Meu coração acelerava quando eu pensava no nosso beijo na festa. Mas eu tinha Peter, e isso era um problema e tanto, não sabia o que sentia pelo ainda, e nunca tive a certeza de que amava Peter. Eu precisava rever as coisas.
Fiquei pensando por bastante tempo, até o sono me dominar, e me fazendo sonhar com o , a noite inteira.

pov on
Acordei com uma dor de cabeça insuportável. e tinham feito bagunça a madrugada inteira, e não me deixaram dormir. tinha viajado com . Eu estava super cansado, mal conseguia levantar da cama direito.
- Acorda logo pegador, ta na hora de ir pra escola. – falou abrindo a porta.
- Não vou na escola hoje não. – Falei, tampando o rosto. – To com muita dor de cabeça cara, culpa de vocês. – Falei.
- Qual é, nem fizemos tanto barulho assim. – tagarelou passando pelo corredor.
- Não, imagina. Só jogaram guitar hero a madrugada inteira no volume máximo.
- Sua amada vai ficar sozinha na escola? – perguntou. Sim, eles me fizeram contar a festa inteira pra eles.
- Calem essas bocas e me deixem dormir. Eu não vou – Falei, jogando meu travesseiro na porta.
- Ta bom Cinderela – disse mandando beijos. Gay, eu sei. Depois que eles saíram, consegui dormir finalmente em paz. Dormi tanto, que nem me dei conta das horas, só fui acordar quando e invadiram meu quarto gritando desesperados.
- ! ACORDA! ! – Os dois diziam me empurrando. Abri o olho, e me deparei com caras assustadas.
- Por favor, que seja algo muito importante pra vocês estarem me acordando. – Falei colocando a mão na minha cabeça, que parecia que iria explodir.
- TOM! A ! – ia me falando afobado. Dei um pulo da cama.
- O que tem a ? – Perguntei.
- O Peter! – falou.
- O que tem o Peter? Droga! Falem logo – Eu estava preocupado.
- O Peter e a Ashley. – falou – A chegou na escola e pegou eles no maior beijo, na frente da escola inteira – Continuou, espantado. – Cara, foi uma cena de filme! – Ele falou.
- COMO ASSIM? AQUELE IDIOTA FEZ ISSO? – Eu estava com uma vontade imensa de socar a cara dele.
- Fez! E fez pra todo mundo ver! – falou.
- E a ? – Perguntei pegando meu celular pra ligar pra .
- Na hora ela não acreditou, mas parecia que ela já estava esperando por isso. – falou. – Ela pareceu durona no início, ela não revidou um soco como das outras vezes, e nem foi bater boca com o Peter, ela saiu com classe. Mas eu e o fomos atrás dela, e vimos ela saindo com o carro, em prantos. Ela parecia muito mal. – completou.
- Também, se fosse comigo eu teria arrumado um barraco – falou e gargalhou.
- , não é um momento bom pra você sair do armário ta? – falou e deu um tapa nele.
- Preciso ligar pra . – Falei, pegando o celular. – Droga, ninguém atende! – Falei.
- Tenta ligar pro . – falou. Disquei o número do e de novo ninguém atendeu.
- Levanta dessa cama, toma um banho pra tirar essa sua cara de doente e tentar ligar de novo depois – me disse.
Levantei, enquanto os dois saíam do meu quarto. Fui tomar o meu banho, não conseguia relaxar de jeito nenhum, meu corpo doía inteiro, e a cabeça com a mesma sensação de que iria explodir. Depois dessa notícia da então, juntou com a raiva toda armazenada pelo Peter.
Tentei ligar pra assim que saí do banho, mas ela não atendia minhas ligações. Fiquei realmente preocupado. Desci pra comer algo e meu celular tocou.
- ! Até que em fim! – Falei.
- O que foi ? – Ela perguntou.
- A ! Eu não fui na aula hoje, mas os caras me contaram que ela pegou o Peter e a Ashley se agarrando na frente da escola inteira. – Falei.
- O QUÊ? NÃO ACREDITO QUE AQUELE DESGRAÇADO FEZ ISSO! – Ela falou. – ! Não tem como eu sair daqui agora, vai atrás dela! Se eu conheço a , ela deve estar muito mal agora. – disse.
- Eu tentei ligar pra ela, mas ela não me atende. – Falei.
- Não importa, vai atrás dela! – falou.
- Tudo bem. – Falei, desligando em seguida.
Já estava quase escurecendo quando eu peguei o carro e fui atrás da . Parecia que quanto mais eu corria, mais longe o apartamento dela ficava. Quando enfim cheguei, parei o carro e fui correndo entrando na recepção.
- Por favor, quero falar com a – Falei pra recepcionista.
- me ligou, avisando que você viria. Vou ligar pra , só um momento. – Ela falou, paciente.
- Não! Não precisa avisar. – Falei. – Ela já sabe que eu estou aqui. – Falei, mentira.
- Tudo bem, pode subir. – A mulher disse e eu saí correndo pro elevador.
Eles deveriam inventar um elevador pra pessoas apressadas, parecia que aquele estava demorando séculos pra subir. Poderia ter ido de escada. Pra completar, uma senhora parou o elevador e saiu, em passos super lentos pra fora.
Cheguei no andar do apartamento da , e fui correndo pra última porta do corredor, que era o dela.
Bati, esperei alguns minutos e ninguém atendeu. Insisti de novo e quando a porta finalmente se abriu, me deparei com uma em prantos. Logo que ela terminou de abrir a porta e viu que era eu, ela se atirou nos meus braços e encostou a cabeça no meu ombro.
- Calma – Falei baixo dando um beijo na testa dela. – Eu to aqui. – Falei. Não era lá uma segurança eu estar lá, na verdade nós dois estávamos péssimos, eu mal conseguia parar em pé de tanta dor. Ela já devia ter imaginado que os meninos teriam me contado toda a história.
não falou nenhuma palavra, apenas chorava. Entrei em seu apartamento, ainda com ela em meus braços e sentei no sofá, com ela deitada no meu colo. Eu ia fazendo cafuné no cabelo dela, enquanto ela ia parando o choro.
Eu não falei nada, e nem esperei que ela falasse, em um momento daquela eu não poderia esperar nada. Fiquei ali, apenas com ela deitada no meu colo.

Só notei que o tempo tinha passado quando já estava bem escuro. Eu não sabia se a tinha dormido no meu colo, estava escuro pra ver. Tentei aproximar meu rosto do dela, pra ver se ela já tinha dormido, pra poder ir embora, meu corpo doía mais.
- Estou acordada. – Ela falou, ainda meio chorosa.
- , é melhor você dormir e eu ir embora. Não quero te incomodar. – Falei, dando indícios de que iria levantar. – Vem, vou te levar pro seu quarto. – Falei, levantando e ela me acompanhou. me deu a mão, me pegou desprevenido.
Coloquei ela na cama, ajeitei o lençol por cima do seu corpo.
- Você precisa descansar. – Falei, sentindo meu corpo pesado.
- Eu não consigo dormir. – Ela falou. Meu coração quase despedaçou com o jeito em que ela disse aquilo. – Não vai embora, ! Por favor, fica aqui comigo. – Ela falou. Jogo baixo.
Fiz uma cara de dúvida. Como eu iria ganhar forças pra negar?
- Tudo bem. – Falei, fazendo cara de derrotado e pela primeira vez vi um pequeno sorriso se formar no rosto de , um sorriso fraco, mas como se ela estivesse me agradecendo por eu estar ali com ela.
Me ajeitei na cama, e deitou a cabeça no meu peito.
- ? – Ela perguntou.
- Hm?
- Canta pra mim? – Ela falou. E novamente, não tinha como recusar.
Quando pensei em uma música, veio Fix You na cabeça, parecia a música mais certa pra cantar naquela hora. Então comecei, cantando bem devagar e baixo.

When you try your best, but you don't succeed,
Quando você tenta o seu melhor, mas não tem sucesso.
When you get what you want, but not what you need,
Quando você consegue o que quer, mas não o que precisa.
When you feel so tired, but you can't sleep
Quando você se sente cansado, mas não consegue dormir.
Stuck in reverse
Preso em marcha ré.

And the tears come streaming down your face
Quando as lágrimas começam a rolar pelo seu rosto.
When you lose something you can't replace
Quando você perde algo que não pode substituir.
When you love someone, but it goes to waste
Quando você ama alguém, mas é desperdiçado.
Could it be worse?
Pode ser pior?

Lights will guide you home
Luzes te guiarão até em casa
And ignite your bones
E aquecerão teus ossos
And I will try, to fix you
E eu tentarei, consertar você

Senti uma lágrima escorrer do rosto dela naquele momento. Mesmo com toda a dor que eu estava sentindo, se eu pudesse, eu pegaria a dela pra mim também. Ver a ali tão frágil nos meus braços parecia a pior coisa do mundo pra mim.

And high up above or down below
Bem no alto ou bem lá embaixo.
When you're too in love to let it go
Quando você está muito apaixonado para esquecer.
But if you never try, you'll never know
Mas se você nunca tentar,você nunca saberá
Just what you're worth.
O quanto você vale.

Tears stream down your face,
Lágrimas rolam no seu rosto
When you lose something you cannot replace
Quando você perde algo que não pode substituir
Tears stream down your face
Lágrimas rolam pelo seu rosto
And I...
E eu...

Tears stream down your face
Lágrimas rolam pelo seu rosto
I promise you I will learn from my mistakes
Eu te prometo que vou aprender com meus erros
Tears stream down your face
Lágrimas rolam pelo seu rosto
And I...
E eu...

Lights will guide you home
Luzes te guiarão até em casa
And ignite your bones
E aquecerão teus ossos
And I will try, to fix you
E eu tentarei, consertar você

Senti sua cabeça cair mais pesado sobre o meu peito e deduzi que ela já estava dormindo, ou quase dormindo.
- Boa noite . – Falei quase num sussurro, dando um beijo no topo da sua cabeça.
- Boa noite . – Ela falou e adormecemos logo em seguida.

Capítulo 11

Acordei pela manhã bem cedo, ainda estava dormindo, sorri ao vê-la ali. Me levantei tentando fazer o mínimo de barulho possível, e saí do apartamento dela. Não, não deixei recado. Veria ela na escola, ou ela me ligaria, ou eu ligaria depois.
Cheguei em casa e os caras já estavam acordando.
- E aí ! – falou, descendo as escadas assim que cheguei. – Como foi lá? – Ele perguntou, preocupado.
- Acho que ela está melhor. – Falei.
- Ela vai na escola hoje? – me perguntou, aparecendo por ali.
- Não faço ideia. – Disse.
- Não perguntou? – Continuou.
- Não, quando saí ela ainda estava dormindo. – Falei.
- Dormiu com ela? – perguntou, parecendo assustado.
- Não do jeito que você ta pensando. – Falei. – Eu tava vindo embora, mas ela me pediu pra ficar.
- Ah bom, já ia te chamar de aproveitador de corações partidos. – Ele disse. e suas piadinhas.
- Vou trocar de roupa. – Falei subindo as escadas e indo pro meu quarto. Senti meu celular vibrar no bolso, olhei e tinha uma nova mensagem da no meu celular.
Obrigada por tudo. Você saiu sem me avisar, nem tive tempo de te agradecer.
Sorri imaginando ela acordando e não me encontrando lá. Logo respondi a mensagem.
Sabe que se precisar de mim, é só gritar. Vai na escola?

Obrigada de novo. Não, só volto depois das férias, é a última semana, ninguém vai fazer nada naquele lugar.

Te vejo nas férias então?

¬Com certeza.

Te ligo assim que der. Beijo x

Beeijo x

- ANDA LOGO! – gritou. Troquei de roupa e desci.

bem que avisou, não teria nada naquele lugar pra se fazer. Semana que vem estaríamos de férias, e véspera de férias ninguém faz mais nada em salas de aula. - ! ! – me cutucou e me virei pra ele, estava do meu lado e também nos olhava.
- Que foi? – Perguntei.
- Casa da praia liberada nas férias. – Ele falou com a maior cara de felicidade.
- Demorou! – falou.
- Que ótimo cara! – Eu disse – Quem vai? – Perguntei.
- Eu, você, , , provavelmente a , e podemos chamar a também. – Ele falou.
- Será que ela vai querer? – perguntou.
- Lógico que vai – disse.
- Lógico que vai – Repeti.
- Hmmm bobinho apaixonado – falou jogando beijinhos.
- ! Estamos na sala de aula, se controla. – Falei e caiu na gargalhada fazendo com que o professor nos olhasse.
- Rapazes, por favor, deixem as piadinhas pro intervalo. – Ele disse e nos viramos pra frente.
No intervalo tudo parecia calmo, até duas pessoas aparecerem. Peter e Ashley... Novidade não é? Ela tinha o sorriso cínico estampado no rosto, já ele estava com a mesma cara idiota de sempre.
- O que ele quer? – perguntou quando viu Peter, sem Ashley, chegando perto da nossa mesa.
- Descobriremos. – Falei olhando pra ele.
- Eu vou ter ela de volta. – Ele me disse. – Ela sempre volta. – Falou.
- Sinto muito, mas acho que não. – Falei. – Chega uma hora que a gente aprende, e aprendeu a não dar mais valor a pessoas fúteis como você. – Continuei. e caíram na risada do meu lado, enquanto Peter, já sabe, com a mesma cara idiota de sempre. Se ele tava achando que ia tirar com a minha cara, se enganou.
- Ah é? E você acha que ela vai querer algo com perdedores como você? – Ele disse.
- Olha, acho que você ta enganado, porque se alguém perdeu alguma coisa aqui, esse alguém foi você. E perdeu feio cara! – Disse. Peter ficou vermelho, muito vermelho. Algumas pessoas do nosso lado escutavam a conversa e davam alguns gritos empolgantes rindo da cara do Peter.
- Olha só... Ta ficando vermelhinho. – disse um pouco mais alto, chamando ainda mais atenção.
- Vai caçar sua namoradinha rodada, vai Peter. Não quero criar confusão. – Falei, me virando de costas.
- Você me paga . Ela vai voltar. – Ele disse se retirando.
- Essa foi fácil. – Falei quando ele já tinha se afastado.
- Eu podia ter filmado. – falou fazendo cara de triste.
- Daria um ótimo vídeo. – disse rindo e olhando o celular.
- O que tem aí? – Perguntei, curioso.
- Mandei uma mensagem pro mais cedo, avisando das férias, ele acabou de responder que ele e a vão, e que a ligou pra e ela também vai. – Ele disse.
- Fechou! – disse animado.
O resto das aulas foi o mesmo de sempre, chato, chato e muito chato. Assim que fomos pra casa encontramos e lá.
- Olá garotas. – disse assim que entramos.
- Oi meu amor, senti tanta saudade! – disse e correu pra abraçar o .
- Sai fora, ele é meu! – disse e fez o mesmo.
- Alguém me salva dessa casa de garotinhas! – Falei levantando as mãos pro alto.
- Podem ir soltando meu namorado, por favor! – falou e nós a olhamos.
- Vocês estão namorando? – perguntou.
- Não, ela disse pra soltar o namorado dela, é o cara invisível ali do lado, não ta vendo? – apontou pro outro lado de . – Vocês tão namorando? – Perguntou e caiu na risada.
- Vocês tão namorando? – Perguntei. – Suspeitei desde o princípio. – Falei.
- Respirem. – falou.
- Sim, estamos namorando, agora oficialmente. – disse e deu um selinho nela.
- Eca! – falou.
- Respeitem, tem crianças na sala ainda. – Falei, dando um tapa na cabeça do .
- O ? Logo o , ? Eu estive sempre aqui e você nunca me notou! Sua ingrata! – disse fazendo drama e todos riram.
- Eu posso revezar... - disse entrando na brincadeira.
- Sai fora! – falou puxando pra mais perto dele.
- Isso que dá uma mulher convivendo com quatro homens. – disse.
- Ainda tem a . – falou.
- Mas ela já é do . – falou me olhando maroto. – Pelo que sei Peter já é carta fora do baralho. – Ele disse, todos me olharam.
- Me errem vocês! – Falei jogando uma almofada no .
- Se não quiser eu pego. – falou.
- ! Você ta atirando pra cima das mulheres dos outros. – falou rindo da cara que ele fez.
- Você não deu bola pra mim . – Ele falou fazendo cara triste.
- Tem o . – falou e todos gargalharam da cara que o pobre fez.
- Nem vem! A ta solteira, compete com o aí – falou apontando pra mim fazendo me olhar enquanto e riam da cena.
- Vai entrar na briga? – Perguntei pra ele indo à sua direção.
- Vou! – Ele disse também vindo na minha direção.
- Beleza. Vamos resolver na mão. – Falei.
- Demorou. – disse fazendo pose de como quem iria me bater.
- Par. – Falei.
- Ímpar. – Ele disse e o resto do pessoal ria.
- Um, dois, três e...- Falei jogando na sorte. Como eu tenho muita sorte, mas muita sorte, deu ímpar.
- A HÁ! Ímpar é meu, a é minha! Perdeu! – Ele disse gargalhando.
- Não vale. – Falei.
- Já era . – falou rindo.
- Essa disputa vai dar o que falar. – falou ainda rindo.
Passamos o resto da tarde nos divertindo, mesmo quando a gente mudava totalmente de assunto voltava a falar que a era dele. Me encheu o saco o resto da tarde e a noite inteira. A semana passou voando e logo chegaram as férias. No decorrer da semana não tive muito contato com , ela tinha feito uma viagem de última hora pra visitar os tios antes das férias.
Eu estava dormindo quando senti algo caindo em cima de mim, e de repente ouvi um grito.
- ACOOOOOOOORDA! ACORDA! ACORDA! – Levei um susto, quase pulei da cama. Era o me acordando. Era o dia em que partiríamos pro condomínio dos parentes dele para passarmos as férias.
- VOCÊ É MALUCO? – Perguntei, mal acreditando. Olhei no relógio e marcavam 7 horas da manhã.
- Shiu! Não grita, vamos acordar os outros. – Ele disse. Até que a ideia me agradou, resolvi seguir ele, não podia descontar a raiva que fiquei, porque já acordei ele de maneiras piores diversas vezes. – Você sempre me acorda primeiro, então você foi o primeiro. – Ele disse.
- Quem a gente acorda agora? – Perguntei.
- Vamos no . – falou. Quando abrimos a porta do quarto, entramos correndo e começamos a dançar em cima da cama dele e cantando.
- ACORDA! – Gritamos. não falou nada, apenas ficou olhando com uma cara de “WTF?”
- Vocês me pagam! – Ele falou.
- Cobra depois, vamos acordar o ! – disse e saiu do quarto.
- Meu sonho tava tão bom e vocês me acordaram. – falou.
- Aposto que era com a . – Falei, quando ia abrir a boca eu interrompi. – Não quero ouvir detalhes. – Falei saindo do quarto com ele junto.
- Eu não ia contar detalhes. – Ele falou.
- Ah, ia sim! – Disse rindo da cara que ele fez.
- Fiquem quietos. – disse quase sussurrando. Ele pegou a caixa da bateria e uma baqueta.
- Ótima ideia. – Falei. raramente tinha planos malignos assim.
Entramos fazendo o mínimo de barulho possível, mas não era muito problema já que todos na casa dormiam feito pedras.
- Um, dois, três. – disse baixo antes de começar a bater na caixa da bateria enquanto eu e gritávamos e pulávamos em cima do . Poderíamos ter filmado, o susto que ele levou foi muito engraçado.
- VOCÊS SÃO UNS GAYS! – Ele disse querendo se tampar com a coberta, mas não deixamos e jogamos ela no chão.
- ACORDA! É HOJE A VIAGEM! – disse gritando.
- Eu sei que é hoje, e não precisa gritar. – Ele falou tentando abrir os olhos.
- Já arrumaram suas coisas? – perguntou. Todos responderam que sim, menos o , ele sempre era o último a estar pronto. Como uma lady.
- Você ainda não arrumou nada? – perguntou.
- Já arrumei algumas malas, mas ainda faltam algumas coisas. – Ele disse.
- ENTÃO ANDA! – , o mais apressado falou.
se apressou. Enquanto nós nos arrumávamos para ir à praia. Depois de quase uma hora, começamos a apressar o . Ele parecia uma mulher pra se arrumar, até perfume ele passou antes de ir.
- Vamos ! – disse também já não agüentando.
- Vocês estão muito nervosos. – Ele disse nos olhando com toda calma do mundo. Fingimos que nem escutamos e fomos pra sala esperar. Nesse intervalo de tempo, chegou.
- Bom dia rapazes. – Ela disse toda feliz.
- Bom dia. – Respondemos. Não preciso nem falar que ela já foi direto pro né? Pois é.
- Vamos em dois carros? – Perguntei. Eram seis pessoas, teria que dividir.
- Não vai ser preciso. – falou e nós olhamos. – A não vai. – Ela disse.
- Como assim não vai? – perguntou, parecia que tinha lido meus pensamentos.
- Ela teve que ficar na casa dos tios por mais um dia, caiu uma chuva lá e não teve como ela vir. – explicou. – Se der pra ela ir ela só chega mais tarde.
- Então vamos logo. – disse se levantando.
- Tchau . – Falamos pra apressar ele.
- Esperem! Já terminei, me ajudem com as malas. – Ele falou aparecendo na escada.
- ! Você ta de mudança? – perguntou apavorada.
- Não me enche . – Ele disse mostrando a língua pra ela. – Ainda estou magoado com você por ter preferido o . – Ele falou. – Mas pelo menos ganhei a .
- Essa história de novo? – Perguntei. Foi pura sorte, eu teria conseguido se tivesse um pouco.
Depois de levarmos mais de três malas do pra passar apenas uma semana, seguimos viagem. Era um pouco longe, estava dirigindo, no carona ao lado, eu, e no banco de trás. Depois do que pra mim pareceram horas (e deveria ser), o começou a ficar impaciente.
- A gente já ta chegando? – Ele perguntou.
- Ainda falta um pouco. – falou.
e eram os únicos que já tinham ido nessa casa, mas parecia entediado demais pra olhar pra estrada.
Eu nem acreditava que a não iria, bem que dizem que tudo que é bom dura pouco.
- A gente ta chegando? – perguntou de novo.
- Tá parecendo o Burro do Shrek – Falei rindo da cara que ele fez e gargalhou.
- Help, I need somebody. Help, not just anybody. Help, you know I need someone, help! – Ele cantou, quer dizer, ele berrou. Porque não podia chamar aquilo de cantar, estava estragando a música dos Beatles!
- Canta direito! – disse, tampando os ouvidos. Então afinou ainda mais a voz.
- When I was younger, so much younger than today, I never needed anybody's help in anyway.
- Eu vou te socar disse tirando os fones que estavam no ouvido dele.
- Ta chegando? – Ele perguntou fingindo não ter entendido.
- TÁ, MAS FICA QUIETO! – disse.
- Help me if you can, I'm feeling down and I do appreciate you being round.
- Mereço. – disse. começou a dançar.
- Sossega, parece uma gazela. – disse.
- A gente já chegou? – Ele perguntou de novo.
- Chegamos! – disse.
- ATÉ QUE ENFIM! – Falei.
- Salvos pelo gongo. Nem queria imaginar se essa viagem demorasse mais algumas horas. – disse se referindo ao .
Quando chegamos fomos direto pra casa, era em frente à praia. Era um condomínio fechado, bem grande. A praia parecia particular. Era quase noite, já estava escurecendo. Entramos na casa e fomos direto para os quartos. Só tinham dois, então seriam um pra os homens, e um pras mulheres. Tinha uma área bem bonita atrás da casa, um jardim.
nos disse que tinha um salão de jogos, o que deixou estressada porque não queria ver a gente jogando as férias inteiras.
- Não quero saber de vocês lá o dia inteiro. – Ela disse.
- Não vamos. – disse, mas não senti um fundo de verdade naquilo.
- Não vamos sargento! – disse prestando continência. Arrumamos as coisas ( ficou um bom tempo fazendo isso) e depois ficamos jogados no sofá da sala vendo um filme que o tinha escolhido.
fazia uns comentários desnecessários sobre os atores que na opinião dela eram “super gatos”. lançava um olhar matador cada vez que ela fazia um desses comentários, enquanto nós só riamos da cena. Fui tomar água, aproveitei e para ir à janela ver se tinha algum movimento por ali, mas não encontrei nada, apenas uma pessoa bem lá longe na entrada do condomínio arrastando uma mala. Não reconheci imediatamente, talvez era parente de alguém ali, mas estava sozinho. Com o escuro não consegui enxergar, mas assim que a pessoa ia se aproximando eu pude ver, era ela. Agora sim minhas férias ficariam completas.

Continua...

Nota da Autora: Desculpem a demora pra atualização, final de ano, férias e nem tive muito tempo de escrever, o tempo que pude eu ia escrevendo aos poucos. Espero que estejam gostando da fic, continuem comentando, é muito importante pra mim. Vem muita coisa boa por aí ainda.
Tenho outras fics no site, quem quiser acompanhar o link está em baixo.
Neighborhood – Ian somerhalder – Em andamento (/fanfics/n/neighborhood.html )
I don’t wanna let you go – McFLY – Em andamento (ffobs.com.br/fics/i/idontwannaletyougo.html )

Nota da Beta: Qualquer tipo de erro encontrado nessa atualização, contacte-me por e-mail. Fique por dentro das fanfics que foram enviadas e as que ainda estão pendentes por aqui. Obrigada, espero que gostem da fic. XX

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