Escrita por: Thay Sandes
Betada por: xGabs Andriani




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Capítulo 1


Mais uma tarde de sábado, mais uma tarde de tédio, mais uma tarde assistindo TV.
estava deitada no sofá da sala, assistindo a maratona do seu desenho predileto, Bob Espoja. Estava ali, vegetando há mais ou menos três horas. Claro que seu estômago já havia reclamado algumas vezes, mas a preguiça era maior do que qualquer coisa. Quando percebeu que não haveria outro jeito, seguiu até a cozinha.
- , a gente tem que fazer supermercado. - Gritou para ele que devia estar no... Quarto?!
- Ô , você viu aquela minha camisa azul que tem uns… - Ele chegou na cozinha e viu que ela usava a camisa que ele procurava. - Ah , você tem que parar com essa sua mania de roubar minhas camisas.
- Eu não tenho um homem que me empreste uma, então eu roubo as suas ué! - Falou como se fosse óbvio.
- Se alguém chegar aqui e te vê assim... - Apontou pra ela que tinha os braços cruzados e cara de quem não sabia do que ele tava falando. - Vão achar que a gente estava transando loucamente.
- Só que não, né bocó ?! Todo mundo sabe que eu SÓ moro com você e que você é SÓ meu melhor amigo ou melhor, você é quase SÓ um irmão chato que não me deixa usar as camisas dele.
- Óbvio , depois minhas camisas ficam com o SEU cheiro e eu sou obrigado a tentar explicar as garotas que é SÓ a minha melhor amiga que rouba as minhas camisas, que eu SÓ moro com ela e que ela SÓ usa minhas camisas pra cima e pra baixo.
- Tá , tá bom! - Ela bufou e tirou a camisa, entregando-a em seguida e desvendando seu sutiã vermelho com renda preta e a minuscula calcinha em renda preta.
- Nossa Senhora. - abriu a boca involuntariamente. - Puta que pariu , toma isso. - Devolveu a camisa.
- Mas você não mandou eu tirar ainda agora? - Fez uma cara confusa.
- Se eu soubesse que você estava só com isso por baixo... - Apontou pra ela. - Eu não teria mandado.
- ! - O repreendeu e gargalhou. - Deixa de besteira vai, tenho certeza que você já viu menores do que esse por aí.
- Bom, é… - Ele olhou de cima a baixo. - Porra , eu sou homem, né? - Ela gargalhou mais uma vez.
- Vai, me dá essa camisa. - Pegou a camisa e vestiu-a novamente. - A gente tem que fazer supermercado.
- Pode ser amanhã ? - Ele se sentou em um dos bancos da bancada que servia de mesa e divisória entre a sala e a cozinha. - Estou com pouco dinheiro, meu salário atrasou e eu tenho um encontro mais tarde.
- Pode. - Ela se encostou na bancada. - Então pede pizza?
- Com que dinheiro, maluquinha?
- , eu tenho pena da garota que vai sair contigo mais tarde. - Falou com ar de analisadora.
- Por quê?
- Como você vai sair com ela sem dinheiro?
- É por isso que eu queria falar com você. - Ele fez cara de esperto.
- Por… - Ela ia perguntar, mas parou ao perceber as intensões dele. - A não, nem adianta, nem rola, nem pensar .
- Só hoje , por favor. - Ele fez uma cara de pidão, no maior estilo Gato de Botas já existente. - Olha, eu prometo que a gente não faz muita zoada.
- Eu já falei que não, . - Ela falou rude, como uma mãe que dá bronca no seu filho teimoso.
- CHATA!
- INSUPORTÁVEL!
- Troca de roupa vai. - Falou após bufar.
- Pra quê?
- A gente vai no supermercado.
- Mas eu achei que… - A interrompeu.
- Primeiro, se meu dinheiro se juntar com o seu, dá pra fazer as compras do que tá faltando. Segundo, você não me deixou trazer a garota aqui, então vamos fazer o que é necessário: Comprar comida.
- Meu bebê vai ficar sem a comida favorita dele hoje, é? - Falou debochando.
- Sem deboche, por favor.
- Nossa, isso tudo é só porque eu te proibi trazer a garota aqui ?
- querida, amor da minha vida, azeitona da minha empada... - Dizia sarcástico - Você sabe o mal humor que eu fico quando eu não saio no sábado a noite, então, não enche. - Trincou os dentes.
- Idiota. - Revirou os olhos. - Vou trocar de roupa e aliás, eu quero falar com você sobre a Fernanda, tá?
- Aquela nossa paciente?
- Ela mesma, já volto. - Soltou beijos no ar e foi em direção ao quarto trocar de roupa.
tomou um banho e vestiu uma camisa tradicional branca e um short jeans escuro. Desceu as escadas e encontrou dormindo no sofá com uma bermuda e uma camiseta simples.
- , levanta. - Cutucou ele.
- Hm. - Resmungou. - A , me deixa dormir vai.
- Vai resmungão, a gente não ia ao supermercado?
- Tá, tá. - Ele se levantou bufando e ajeitou um pouco os cabelos, sem sucesso, pegou a chave do carro e a carteira. pegou a bolsa e ambos desceram juntos para o supermercado.
Quem via e tão juntos assim, juraria que eles eram um casal de namorados ou de recém-casados, e que estavam muito felizes assim. Eles realmente estavam felizes, mas nunca chegaram a casar, nem namorar e por incrível que pareça, nunca ficaram. Eles se conheceram na faculdade, no curso de obstetrícia e já no primeiro dia se tornaram grandes amigos e descobriram que iam morar na mesma república. Moraram lá por um tempo, até que arrumou uma briga feia com a proprietária da tal república por ela achar que estava dando em cima do seu marido, o que acontecia totalmente ao contrário. , ao ver a sua melhor amiga na rua daquele jeito louca por um apartamento tentou ajudar, mas todos os apartamentos que eles encontravam eram muito caro e ela sozinha não conseguiria pagá-lo, até que propôs em dividir um apartamento com ela e desde então eles moram juntos. Eles conseguiram emprego na mesma maternidade e as vezes, até os mesmo pacientes dividiam. Eram muito unidos e não importa o que acontecesse, estariam um ao lado do outro e não abririam mão disso. Só suportava ela na TPM e só ela o aguentava de ressaca. A casa funcionava com as seguintes regras: Nada de conquistas de ambas as partes na casa, nada de bagunça pela casa, serem amigos acima de tudo, despesas divididas e por último, mas não menos importante: Se as portas do quarto estivessem fechadas, não adiantaria bater, nenhum dos dois abriria a porta por nada nesse mundo.
Nem sempre o dinheiro dava para o supermercado, e quando isso acontecia, eles tinham que discutir se levariam o amendoim do ou o chocolate de , que eram vicio de ambas as partes e sempre era motivo de discussão feia pra decidirem o que iriam levar. Naquele momento eles estavam no meio dessa discussão.
- Eu vou levar o meu chocolate. - falava com os dentes trincados.
- Nada disso, da última vez quem levou foi você, agora é a minha vez de levar.
- e que tinham um sorriso bobo no rosto.
- Tchau. - Responderam e acenaram juntos.
- Sempre isso, né?
- É.
- Pode levar o chocolate.
- Relaxa, pode levar o amendoim.
- A gente leva os dois e tira um desses salgadinhos.
- Certo.
Levaram as compras até o caixa e pagaram. Foram pra casa, arrumaram as coisas em seus devidos lugares. Ela logo tirou sua roupa e colocou uma camisa dele como de costume e seguiu para o quarto para estudar alguns exames. Ele ficou só de samba canção, assistindo a um filme qualquer que passava na TV.
- Você queria falar comigo? - falou algumas horas depois que haviam chegado, estava em frente a porta do quarto da menina, que estava aberta.
- Sim, é sobre a Fernanda. - Falou sem olhá-lo, ainda examinava seu os papéis.
- O que que tem ela?
- Entra. - Ele entrou no quarto dela e se sentou em sua cama. - Você sabe que a gravidez dela é de risco, né? - Ela falou caltelosa.
- Sei, mas onde você quer chegar?
- Você sabe que ela ou o bebê dela podem morrer no parto, né?
- É sério isso?
- Aham, olha esses exames. - Mostrou-lhe os exames que mostrava que a paciente tinha hipertensão arterial.
- Caraca, e agora?
- E agora que você vai ter que falar com ela.
- EU?
- Algum problema pra você?
- , a Fê se preocupa muito rápido, o que vai fazer com que a pressão dela aumente. Eu não sei a reação que ela vai ter ao saber disso e embora eu seja meio “delicado”... - Fez aspas no ar. - Eu não sei se posso falar isso com ela.
- Tudo bem, eu falo. - Ela suspirou derrotada.
- Posso ir agora?
- Pode.


Capítulo 2


estava sentada na varanda do apartamento tomando um pouco de chocolate quente e olhando a paisagem. O tempo estava frio e parecia que ia chover a qualquer minuto. Sua mente vagava longe, não tinha a mínima ideia de como contaria para Fernanda que ela teria que escolher entre a própria vida e a vida da filha. Sim, era uma menina, forte e saudável. Sem perceber, seus olhos já estavam marejados.
- Não consegue dormir? - A voz de ecoou baixa pelo terraço, assustando-lhe. Ela logo limpou o canto dos olhos, odiava que alguém, principalmente , a visse chorando.
- Insônia. - Respondeu a primeira coisa que lhe veio a cabeça.
- Você não é de ficar com insônia, muito menos de chorar... E principalmente os dois ao mesmo tempo. - A voz dele continuava calma e sussurrada.
- E quem disse que eu estava chorando ? - Sua voz vacilou.
- Ei, eu te conheço. - Sentou-se na espreguiçadeira junto com ela. - O que te preocupa, pequena?
- Ah, . - Ela não segurou mais as lágrimas e ele, por sua vez, a puxou pela cintura pra um abraço apertado e confortante. Logo depois deitou-a em suas pernas e começou a fazer cafuné em seus cabelos. - Se você soubesse o quanto vai doer ter que contar tudo isso pra Fernanda... - Fungou. - Ela ama a filha dela mais que tudo, é só falar da bebê que os olhinhos dela brilham, sabe? Cara, ela vai ter que ser forte. Eu não sei se aguentaria se estivesse no lugar dela. - Fungou.
- Oh pequena, vem cá, vem. - Ele a abraçou novamente, aquele abraço apertado, aquele abraço que só ele sabia dar e que só ele a acalmava.
- Eu me coloquei no lugar dela. Estou com um nó na garganta, um aperto no peito... É uma dor que eu não sei como faz pra passar isso. - Ela gesticulava com as mãe, em sinal de desespero e entre soluços.
- Se acalma. , por favor. Você sabe que eu não gosto de te ver assim. - Ele segurou o rosto dela com uma das mãos e com a outra, começou a secar-lhe as lágrimas. - Olha, eu sei que está doendo, mas se lembra da promessa que a gente fez? Que a gente estaria junto com os nossos pacientes...
- Não importa o que acontecesse. - Completou.
- Então, não importa o que que a Fê vai escolher, o que importa é que nós vamos ter que apoia-la, seja lá o que ela escolher.
- Eu sei. - Falou um pouco mais calma e baixando a cabeça.
- Agora levanta essa cabeça, toma um banho e tenta dormir. Amanhã é um dia cheio e ela é a sua primeira paciente, não é? - Ela apenas acenou com a cabeça positivamente. - Então pronto, vai lá. vai.
se levantou e foi em direção ao seu quarto, pegou uma das camisas de e foi para o banheiro, tomou um banho quente e demorado para relaxar e voltou para o quarto, fechando a porta e indo em direção a cama. Talvez por seu cansaço ser tão grande, ela conseguiu dormir.

**


O dia amanheceu tão frio e nublado quanto a noite anterior, parecia que estava triste, assim como também estava. O que conseguiu dormir a noite foram pouco mais de duas horas, pois teve um pesadelo terrível e desde então, não conseguiu mais dormir. Embora sendo sete da manhã e seu plantão só começasse às nove, ela já estava de pé, tomada banho e escrevendo algumas anotações no seu caderno de trabalho. desceu e a viu sentada na mesa, com sua camisa, como sempre.
- Ei, pequena. - Aproximou-se dela, e depositou um beijo em sua bochecha.
- Oi. - Fez um esforço pra sorrir.
- Está melhor?
- Um pouco.
- O dia vai ser longo?
- Vai.
- Vai parar de ser monossílaba?
- Vou. - Os dois sorriram. - Me dá uma carona?
- Claro, só me deixa tomar banho e por algo no estômago.
- Tudo bem, eu já estou acabando aqui. Pode ir tomar banho enquanto eu faço algo para gente comer.
- Certo. - Deu-lhe um beijo na testa e seguiu para tomar seu banho. Quando desceu, ambos tomaram café. tomou seu banho e eles foram em direção a maternidade e, como sempre, foram conversando assunto variáveis.

Quando chegaram na maternidade cada um foi para sua sala para organizar suas coisas e enfim, começar aquele longo e duro dia de trabalho.
- Então Mel, cancela essa reunião pra mim? Hoje realmente não vai rolar, minha cabeça está doendo muito e eu ainda tenho um monte de coisas para resolver. - falava para a secretária linda e morena a sua frente.
- Certo, Dona .
- , por Deus, né? - A repreendeu. - Nós somos amigas, tira esse 'dona' daí.
- Aqui é meu local de trabalho e eu gosto de formalidades, Dona . - Sorriu largamente.
- Tudo bem, você é quem sabe. - Deu de ombros. - Cadê a ?
- Deve estar resolvendo algo com Seu .
- Hm. - Pensou um pouco. - Vamos sair amanhã?
- Pra onde ?
- Ah, sei lá. Eu falo com o e a gente resolve.
- Se ele chamar o , pode contar comigo.
- Está certo, sua tarada. - As duas gargalhavam e foram interrompidas pela porta que se abrira. . - Do que vocês sorriem tanto?
- Nada , deixa pra lá. - cortou o assunto. Assunto de mulheres, ficam só entre mulheres, certo?!
- Certo. Bom dia, . - Disse dando um beijo na bochecha da moça.
- Bom dia, Seu .
- Eu já falei pra você esquecer essas formalidades.
- E eu já disse que não consigo. - Ela revirou os olhos.
- Tudo bem.
- Bom, eu vou pra minha mesa. - estava quase saindo da sala, mas virou-se para dar um último recado. - Dona , já já a Senhorita Barreto chega.
- Ok, . - Suspirou. - Quando ela chegar, por favor me informe.
- Certo. Tchau, Seu e Dona . - Acenou para os dois e saiu.
- E aí? Pronta pra encarar a Fê? - Ele disparou de uma vez.
- É pra ser sincera? - Ela arqueou uma das sobrancelhas.
- Sempre.
- Não. - Ela passou as duas mãos pelo rosto, após tirar os óculos que usava. - Parece que a cada segundo que se passa, o meu coração vai se apertando mais, entende?
- Sei. Você quer que eu venha dar a notícia com você?
- Seria pedir muito?
- Claro que não.
- Então eu te mando uma mensagem na hora e… - Foi interrompida por que abrira a porta para informar que Fernanda havia chegado ao local. - Tudo bem, mande-a entrar. - Ela olhou pra , como se suplicasse por um pouco de confiança que ele tanto passava pra ela.
- Vai dar tudo certo. - Ele sorriu e beijou o topo de sua cabeça. Assim que o fez, a porta foi aberta e uma mulher morena de cabelos negros e lisos, e um barrigão, entrou por ela. - Bom dia, Fê.
- Bom dia, Doutor .
- Bom, vou deixar vocês duas a sós agora, beijo Fê. Tchau . - Ele soltou um beijo no ar e foi em direção a porta do consultório.
- Tchau. - Ela sorriu sem mostrar os dentes e virou-se para olhar a mulher a sua frente. - Bom dia, Fernanda.
-Só Fê, Doutora , por favor.
- Certo. - Ela sorriu. - Como você está?
- Estou bem e a senhora?
- Nossa Senhora está no céu. - Elas sorriram juntas. - Bom, mas o assunto aqui é você e sua be…
- Luna, ela vai se chamar Luna. - Fernanda interrompeu .
- Então, vamos ver como a Luna está?
- Vamos.
encaminhou Fernanda para o banheiro, para que ela pudesse retirar as suas roupas e vestir o avental hospitalar. Feito isso, a levou até a maca e passou o gel em sua barriga, pegou o aparelho e começou a deslizar o mesmo por cima da barriga dela. Aos poucos a imagem foi se formando, e a pequena Luna já era vista. Por algum motivo especial, aquela ultrassonografia estava sendo mais emocionante do que as outras. podia imaginar o porquê disso, mas não falaria ainda. Estava tentando a todo custo adiantar o assunto que estava a atormentando.
- E então doutora ? - Fernanda sorriu abertamente. - Como ela está?
- Está mais saudável do que nunca.
- Sabe Doutora, as vezes eu fico tonta do nada. Isso é normal? - engoliu seco, ali não seria hora e nem lugar pra falar sobre aquilo, afinal, elas ainda estavam na sala de ultrassonografia, então tomou a decisão que pra ela seria a mais fácil naquele momento.
- Bom Fernanda, vá trocar de roupa, precisamos conversar. - Ela falava enquanto limpava a barriga da paciente, que assentiu e seguiu para o banheiro para se recompor. Em quanto isso acontecia, aproveitava pra mandar uma mensagem para .
"Vem, vai ser agora. Por favor, não me deixa sozinha nessa. Xx ."
Assim que viu a mensagem, não pensou duas vezes, fechou os arquivos do seu computador e foi em direção ao consultório da .
- , eu vou no consultório da . Se alguém me ligar ou me chamar, pede pra esperar um pouquinho?!
- Ok.
Ele passou por , que estranhou a ida dele até ali, mas não comentou nada.
- Cadê ela ? - Perguntou assim que entrou no consultório.
- Trocando de roupa. - já tinha a voz engasgada.
- Ei, fica calma, vai. - Ele falava sussurrando, afinal, Fernanda estava ali ao lado e não podia ouvir aquela conversa.
- Não consigo.
- Eu estou aqui, não estou? - Ela assentiu com a cabeça. - Então...
- Segura a minha mão?
- Sério isso? - Ele brincou. - com medo?
- Deixa de ser idiota. - Ela sorriu.
- Doutor ? - Fernanda estranhou a presença dele no local.
- Ah, oi Fernanda. - Ele a olhou, mudando rapidamente sua expressão facial.
- Aconteceu alguma coisa ? - Ela perguntou desconfiada.
- Fernanda, sente-se. Nós precisamos conversar. - pediu.
- Aconteceu alguma coisa, Doutora? A minha filha? A Luna, ela está bem, não está? - tinha os olhos cheios de lágrimas, respirava fundo e olhava para o alto para que suas lágrimas não caíssem.
- Sabe o que é, Fê? Aconteceu uma complicação na sua gravidez. - Ele começou calmamente.
- Como assim, Doutor ? Minha filha, o que tem ela? - Ela começou a desesperar.
- Primeiramente se acalme, Fernanda. - Ele pediu, mas ela ainda estava atordoada.
- Fê, me esculta. - respirou fundo e tomou coragem, sabe-se Deus lá de onde. - Lembra que você me falou que vinha ficando tonta do nada? - Ela assentiu. - E que no mês passado eu te pedi para fazer alguns exames?
- Lembro. Mas o que que tem a ver Doutora?
- O resultado desses exames saíram.
- E o qual foi o resultado? - Fernanda segurava firmemente as mãos de .
- Eu vou direto ao ponto, tá? - perguntou vendo a paciente assentir freneticamente. - Você stá com uma complicação muito séria na sua gravidez, o que faz que com noventa e cinco porcento desses casos ocasionem o falecimento de algum dos indivíduos.
- Como assim, Doutora? me explica melhor. - novamente olhou pro teto tentando segurar as lágrimas, então continuou.
- Bom, o que acontece nesses noventa e cinco porcento, é das duas uma: Ou o bebê morre ou a mãe morre.
- E no meu caso? O que vai acontecer? - Fernanda já chorava, mas mantinha um autocontrole surpreendente.
- No seu caso você é quem vai escolher entre a vida da sua filha e a sua.
- Eu… eu… preciso pensar. - Fernanda olhava em todas as direções tentando fazer com que tudo aquilo fizesse sentido.
- Tudo bem, qualquer coisa você me liga, ou vem aqui, ou vai lá em casa. Você ainda sabe o endereço?
- Sei. Agora, eu vou embora. Tenham um bom dia. - Fernanda se levantou ainda chorando e foi em direção a porta, a abrindo e indo rumo a só Deus sabe onde e deixando chorar como uma criança que acaba de perder seu brinquedo favorito e rodeando a mesa para abraçá-la.
- O que será que ela vai fazer, hein? - perguntou em meio a soluços.
- Não sei, meu anjo. Mas a gente conhece a Fernanda e não é de hoje, com certeza ela vai tomar a melhor atitude possível.
- Será, ? - Ele suspirou.
- Vai sim, agora se acalma que já já as outras pacientes chegam e vão ver seus olhos inchados e perguntarem o que aconteceu.
- Tudo bem. - Sorriu fraco e ele lhe deu um beijo no topo da cabeça, se encaminhando a porta do consultório. - . - Ele se virou para olhá-la. - Obrigada, viu?
- De nada. - Sorriu e foi para sua sala.

**


O dia se passou lento. Embora tendo feito três ou quatro futuras mães felizes ao descobrirem o sexo dos seus filhos, matinha a preocupação e o medo do que Fernanda iria fazer. Dentre um dos seus momentos de descanso, resolveu que iria sair aquela noite, precisava sair, fazia quinze dias que não ia pra uma boate ou que não chegava aos tombos em casa ou até mesmo que não voltava para casa.
- , você vai sair hoje ? - perguntou na porta do consultório dele.
- Não, amanhã eu tenho que está aqui cedinho. Por quê?
- Estava pensando em sair, esfriar a cabeça.
- Mas você não vai trabalhar amanhã?
- Não. Quer dizer, só a tarde.
- Ah ok, então vai ué.
- Certo. - Ela sorriu. - Me dá uma carona quando a gente largar?
- Lógico. - Ele retribuiu o mesmo sorriso que ela tinha nos lábios.
- Então deixa eu voltar ao trabalho, beijo.
- Beijo.
Diferentemente do dia, a tarde passou como um furacão. e saíram por volta das dezoito horas da maternidade. Assim que chegaram, comeram alguma comida congelada e foi se arrumar para sair, enquanto tomou um banho, pegou suas coisas e foi para sala resolver suas pendencias do trabalho.
- ! - gritou do quarto.
- Que é? - Ele estava concentrado em digitar algo no seu notebook.
- Vem aqui por favor.
- Estou ocupado.
- É rápido, por favor. - Ele bufou, tirou o notebook do colo e em foi direção ao quarto dela.
- Oi. Você.. está… linda. - Falou entrecortadamente. estava estupidamente linda. Vestia um vestido tomara que caia preto, com um leve decote. O vestido estendia-se até o meio das coxas e marcava bem sua cintura, e no quadril tinha um leve volume. Os bolsos laterais continham spikes dourados para completar a beleza do vestido. Uma maquiagem que destacava os olhos, sendo preta na parte de fora e na parte interior um marrom quase bege. Sua franja estava presa e o resto do seu cabelo solto, com cachos desconfigurados. Nos pés, usava um scarpin salto 15, também preto.
- Obrigada. - Sorriu meiga. - Me ajuda a por isso aqui? - Mostrou-lhe uma gargantilha prata.
- Claro. - Aproximou-se dela, que segurou os cabelos e ele colocou. - Minha amiga vai arrasar corações hoje. - Ele depositou um beijo no pescoço dela quando terminou de colocar a gargantilha, fazendo-a arrepiar-se.
- Bobo. Agora dá o fora que eu tenho que terminar de me arrumar.
- Certo.
Ele desceu as escadas e voltou seu foco ao trabalho, enquanto terminava de se arrumar. Ela pegou seu celular, dinheiro, lápis, rímel e o gloss, colocando-os dentro de uma bolsa-carteira preta com detalhes prateados e desceu as escadas.
- Fui, gatinho. - Ela piscou um dos olhos para ele e foi em direção a porta.
- Boa festa, gatinha. - Ele devolveu a piscadela.
- Não sei se volto hoje, tá?
- Certo, se divirta por mim.
- Pode deixa. - Soltou beijinho no ar, pegou as suas chaves e girou a maçaneta da porta, mas não esperava vê-la ali.
- Fer.. nanda - estava atônita com a presença da mulher ali, esperava que ela fosse falar com ela, mas não agora, não naquele momento, não quando ela ia tentar se divertir pra esquecer os problemas da maternidade.
- Er… Doutora … Er… - Ela estava sem graça, percebeu que iria sair pra alguma festa e não queria interromper esse momento. - Desculpa Doutora , amanhã, amanhã eu falo com a senhora. - Falou rapidamente.
- Não! Relaxa Fê, entra aí. - sentiu uma onda de frustração, mas logo o seu subconsciente lhe lembrou que isso era o desafio da profissão.
- Não, Doutora. Pode deixar, amanhã eu volto, não tem problema.
- Fê, entra logo vai. - já estava ficando irritada e isso era perceptível em sua voz.
- Tudo bem, mas olha, eu juro a Senhora que eu não queria te atrapalhar de sair pra se distrair, me desculpa mesmo.
- Vou ficar mais irritada se você continuar me chamando de Senhora. Relaxa e entra. - deu espaço a mulher que entrou no belo apartamento que ela dividia com .
- Fernanda? - perguntou confuso olhando pra mulher que estava andando na frente de que a essa altura já estava com a cara toda emburrada e retirava os saltos.
- Er, oi. - Sorriu de canto timidamente.
- Aconteceu alguma coisa? - Ele a olhou preocupado.
- É…
- Senta Fê, eu vou buscar um copo de água pra você. Você quer alguma coisa, ?
- Não, obrigado. - foi até a cozinha e logo voltou com um copo d’água para a mulher.
- Então Fernanda, o que devo a honra da sua visita? - falou num tô irônico que só percebeu e sorriu disfarçadamente.
- Então, eu queria falar sobre a minha gravidez. - Ela começou calma e nervosamente.
- Pode falar. - falou após dar um suspiro pesado.
- Eu vou tentar ser direta.
- Por favor. - já havia fechado seu notebook e agora prestava atenção nela.
- Se eu escolher a vida da minha filha, com quem ela fica?
- Ela pode ir pra adoção ou você escolhe com quem você quer que ela fique. - respondeu.
- E eu vou morrer de imediato?
- Não. - disse. - Você pode sobreviver entre dois ou três dias, mas com a ajuda de um aparelho.
- E se eu escolher minha vida?
- Aí a Luna não resistirá.
- E quanto tempo ela terá de vida?
- No máximo doze horas. - disse. - Nem com a ajuda de aparelhos ela sobreviveria por mais tempo?
- Essas doze horas já serão com a ajuda de aparelhos. - Ela falou e mordeu o lábio inferior em seguida.
- Certo. Eu já tenho minha decisão.
deixou-se cair sentada no sofá atônita pela segunda vez nessa noite. , que antes estava sentado de mal jeito, logo se sentou eretamente e os dois fizeram uma expressão de surpresa.
- E... E o que… que que você decide? - conseguiu dizer.
- Que eu já conheço bem quem são as pessoas que vão ficar com minha filha.
e se entreolharam e logo olharam novamente para Fernanda.
- E quem seria essa pessoa? - falou agradecendo aos céus por sua voz não sair falha e nem ao menos conseguia dizer um “a”.
- Essas pessoas, no plural. - Ela frisou.
- Quem são essas pessoas ? - Ele refez a pergunta.
- Vocês. - no impulso segurou um dos pulsos de e o apertava com todas as suas forças. Lágrimas desciam descontroladamente pelo rosto dela e ela sentia que a qualquer momento poderia desmaiar por falta de ar.
- Co-co-mo como assim? - dessa vez nem se preocupou com a voz entrecortada.
- É isso mesmo gente, eu quero que minha filha sobreviva. Ela tem a vida toda pela frente e tem saúde pra dar e vender, não tem? - Ambos assentiram com a cabeça. - Então, ela agora só precisa de uma nova família e ela será vocês.
- Calma Fernanda, também não é assim.
- É assim sim, querido . Olha... - Pegou na mão deles dois, fazendo com que soltasse o pulso de . - Eu conheço vocês não é de hoje, eu ainda lembro de quando eu ia a escola e via aquela menina toda estudiosa de cabelos longos e encaracolados. - Sorriu pra . - E também lembro de quando eu passava as férias na casa da minha avó e tinha como vizinho, um pirralho super gente fina. - Sorriu para . - Então gente, eu sei como vocês foram criados, eu confio e amo vocês e eu não vejo ninguém mais apropriado que vocês para criar a Luna.
- Mas, e o pai dela ? - ainda estava em estado de choque, mas pelo menos conseguia falar alguma coisa.
- Ele nunca a quis e não vai ser agora que ele vai querê-la e como vocês sabem eu não tenho mais ninguém nesse mundo, então acho melhor e vou deixar minha filha com vocês, não vou mandá-la pra adoção, pra que, Deus me livre, alguém acabe machucando-a. Eu confio em vocês, sempre confiei e mesmo se não fosse isso, eu já iria chamar vocês para serem padrinhos dela. - Ela sorriu. - Por favor, agora a vida dela só depende de vocês, cuidem dela pra mim?
- Eu… acho que…
- Cuido. - ainda chorava, mas finalmente já conseguia falar algo. - Eu cuido da Luna pra você.
a olhou surpreso, não esperava essa reação. Além disso ser algo que mudaria a vida de ambos, eles iam ter que se tornar pessoas mais responsáveis. Mas algo dentro dele dizia que tudo ia dar certo, que ele se tranquilizasse. Afinal, meio que de um jeito digamos torto, ele iria realizar seu sonho. Ele iria ser pai.
- Vocês fariam isso por mim ? - Ela sorriu ainda sem acreditar. Pequenos filetes de lágrimas já escorriam por seu rosto.
- Cla-cla-claro, né ? - Enfim, se lembrou de que não vivia sozinha.
- Claro, ficamos com ela sim.
- Vocês não sabem como eu fico feliz em ouvir isso. - Fernanda já deixava as lágrimas caírem desesperadamente. - Minha filha vai ser muito feliz ao lado de vocês dois.
- Que isso Fernanda, a gente é que agradece a confiança. - disse.
- Bom, mas agora eu tenho ir. - Ela falou levantando-se e enxugando as lágrimas. - Amanhã eu falo com o Naldo pra ele trazer as coisinhas dela que eu já havia conseguido comprar. - Passou a mão na barriga. - São poucas coisas, ainda não tive tempo de procurar o resto...
- Não precisa Fê, pode deixar que a gente compra. - interrompeu-a ainda chorando, no final deu um sorriso que mais pareceu um sopro de ar.
- Eu faço questão que pelo menos minha filha tenha algo deixado pela mãe.
- Tudo bem. - espremeu os lábios e chorou mais ainda.
- Bom gente, agora eu vou mesmo. Fiquem com Deus e não precisam me levar até a porta, eu já sei o caminho. - Ela sorriu, deu um beijo na bochecha de cada um e partiu, deixando e em completo silêncio, que só era interrompido pelos soluços sufocados de .
- Ei , se acalma.
- Eu estou tentando, mas minha cabeça está com um turbilhão de informações, eu não sei se consigo. - Ela falou com a voz embargada, era quase impossível de entendê-la.
- Faz o seguinte, eu acredito que você não vai mais sair, né? - Ela assentiu. - Então sobe lá, tira esse vestido, essa maquiagem borrada e toma um banho demorado e quente enquanto eu preparo pipoca, chocolate quente, um filme e a sala pra gente. Pode ser ? - Ela assentiu e o abraçou demoradamente.
- Eu não sei o que seria de mim sem você, sabia? - Falou com a voz abafada por estar com o rosto enterrado em seu ombro.
- Eu também não sei o que seria de mim sem você. - Deu um beijo no ombro dela que fez o mesmo com ele. Então ela se levantou e foi fazer o que ele havia dito.

**


desceu as escadas, como sempre usando uma das camisas do e uma calcinha-short. estava na cozinha terminando de fazer a pipoca e o chocolate quente.
- Ei, terminou?
- Já! Estou colocando a pipoca no balde.
- Que bom. - Sorriu. - Tem coca?
- Tem, mas eu fiz o chocolate.
- Que tal os dois?
- Sério? - Fez careta.
- Aham, algum problema?
- Tudo bem, mas que é estranho.
- Que seja. - Deu de ombros. - Vou pegar os copos, a coca e alguns chocolates.
- Tá. Eu já escolhi o filme, coloquei os colchões na sala e o chocolate quente está quase pronto.
- Que filme você escolheu? - Ela falou enquanto pegava os copos no armário.
- Adrenalina em Bangkok, já assistiu? - Ele estava colocando o chocolate nos copos.
- Não, é bom? - Ela se virou pra ele encostada no balcão com os chocolates e copos em mão.
- Eu gostei. - Ele pegou os copos de chocolate e o balde de pipoca. Ela foi até a geladeira e pegou a coca e foram para a sala. Organizaram as coisas no colchão e deram play no filme. Quando o filme acabou, já se passava da meia noite.
- A melhor parte é quando ela descobre que o segurança é gay, sem dúvidas. - dizia gargalhando.
- Verdade. - Ele também gargalhava. Aos poucos as gargalhadas foram cessando e o silêncio foi tomado naquela sala. fitava a televisão, que estava desligada. E fazia o mesmo. - Você está preocupada? - Ele falou quebrando o silêncio e voltando o seu olhar para ela que deu um grande suspiro.
- E tem como não estar? - Ela falou como se fosse óbvio e virou seu olhar para ele.
- Ér, verdade. Mas vai dar tudo certo. Eu amo crianças e você também.
- Mas nossa vida vai mudar né, ?
- Eu sei, , mas a gente tem que pensar pelo lado positivo, né?
- É. - O silêncio mais uma vez pareou sobre o local. Depois de alguns minutos, foi a vez de quebrar o silêncio. - Vamos cantar?
- Hã?
- Cantar, tocar... Vamos? Por favor, . - Falou fazendo um bico fofo.
- Vou pegar o violão. - Ele falou se dando por vencido. - Mas eu não quero cantar e nem tocar, deixo isso pra você.
- Tá bom, seu chato. - Deu língua pra ele que logo após foi pegar o violão. Ela aproveitou e organizou a sala, mas deixou a sala no mesmo escuro.
- Está aqui. - Estendeu o violão para ela.
- Obrigada. - Ela pegou o violão, colocou o cabelo atrás da orelha e dedilhou algumas notas até achar a música certa. - "E a gente nem ficou, mesmo assim eu não tiro você da cabeça, o pouco que durou, nosso encontro me faz duvidar que um dia eu te esqueça, sei que pra nós dois um romance é, coisa delicada demais…"
- Nada disso, . - Ele a interrompeu, tomando o violão da mão dela, a deixando sem entender nada. Quando ele percebeu seu olhar, tratou-se de explicar. - Se for pra cantar, que não seja música dor de cotovelo, né?
- Puff, então escolhe uma aí. - Ele esperou um momento e começou a dedilhar, fazendo gargalhar ao reconhecer a música. - Sério isso? - Ele assentiu, o que a fez gargalhar mais uma vez. Então ele começou.
- "Enrosca o meu pescoço dá um beijo no meu queixo e geme, que o dia 'tá nascendo e nos chamando pra curtir com ele... Adoro esse sorriso bobo e a tua cara de assustada. Baby, enrosca o meu pescoço e não queira mais pensar em nada…"
- "Enrosca o seu ouvido em minha boca, que eu te boto tonto. Desliza a sua mão no meu cabelo, aperta minha nuca. Oh oh oh. Eu adoro esse sorriso bobo e a sua cara de assustado, enrosca o meu pescoço e não queira mais pensar em nada… Eu adoro esse sorriso bobo…"
- "E a tua cara de assustada…"
- "Enrosca o meu pescoço e não queira mais pensar em nada…" - Cantaram juntos.
- "Pensa em nada, baby…" - cantou. - "Pensa em nada…"
- "Enrosca o meu pescoço e não queira mais pensar em nada…" - Juntos.
- "Nã nã não, não não não não…" - .
- "Pensa em nada, baby…"
- "Enrosca o meu pescoço e não queira…" - Juntos.
Assim que a música acabou, eles sorriram cúmplices e tentaram recuperar o ar que foi desgastado ao cantar forçadamente.
- Se a gente não fosse obstetra, com certeza essa seria uma carreira que a gente poderia seguir. - Ele falou fazendo ambos gargalharem.
- Também acho.
- Vai ficar tudo bem, princesa. Relaxa. - Ele a abraçou e deu um beijo na testa dela, com ambos ainda sorrindo.

**


A semana se passou com algumas turbulências, mas nada que pudesse ser tão forte quando eles saberem que dali há um mês, teriam que tomar conta de um bebê. Era um sábado de manhã e estava zapeando alguns canais na TV, deitado no sofá. desceu as escadas, e por um milagre, usava um short de jeans e uma regata simples.
- .
- Que é? - Respondeu sem olhá-la.
- A gente tem que resolver o negócio dos quartos.
- O que dos quartos? - Dessa vez olhou para ela.
- Aqui só tem dois quartos. Onde é que a Luna vai ficar? - Falou como se fosse óbvio.
- No seu quarto ? - Falou o mais obviamente possível.
- Pirou?
- Por quê? - Ele falou levantando e sentando-se no sofá, cruzando os braços.
- Caso você não lembre, o maior quarto dessa casa é o seu, se a Luna for pro meu quarto não vai sobrar espaço nenhum naquele ovo. - Colocou uma das mãos na cintura e com a outra gesticulou com o dedo indicador, inclinando-se para frente.
- E o que que você quer que eu faça?
- A Luna precisa de um quarto só para ela.
- Nada disso, eu não venho dormir aqui na sala.
- Então a gente divide um dos quartos.
- Eu não durmo em cama de solteiro.
- Muito menos eu.
- E como a gente vai dividir o mesmo quarto, sua louca?
- A gente dorme na mesma cama, ué.
- O que? Como? Onde? Quem? - Falou rapidamente em tom de desespero.
- Simples, . A gente divide a mesma cama.
- Faz sentido, por favor? - Ela revirou os olhos e bufou.
- , eu confio em você e sei que você não vai fazer nada demais, e…
- Eu também confio em você. - A interrompeu. - Mas ao contrário de você, eu não confio em mim.
- Por que não?
- A , eu sei que você é minha amiga, mas você tem um corpo que, puta merda. - Ela gargalhou.
- O grande garanhão não tá querendo dormir ao lado da sua amiga por medo de não resistir a perdição de ter a sua melhor amiga gostosa... - Deu ênfase na última palavra. - dormindo ao seu lado?
- A para vai, .
- Tudo bem, parei. Mas a gente dá um jeito, eu quero que a Luna tenha um quartinho só dela, só por um tempo pelo menos. Se não der certo a gente arruma outro jeito, sei lá, se muda pra um apartamento com três quartos, não sei.
- Tudo bem, mas com algumas condições.
- Imponha.
- Nada de suas coisas espalhadas pelo quarto, você sabe que eu odeio bagunça.
- E desde quando eu deixo minhas coisas ao relento?
- Desde quando você vai sair e deixa suas maquiagens, roupas e sapatos espalhados pelo quarto, com a desculpa de que vai arrumar depois. - Ela deu um sorriso e fez cara de desentendida.
- Só isso?
- Não, tem mais uma coisa, mas ela não é nem um pouco menos importante.
- Fala logo. - Cruzou os braços nada paciente.
- Nada de provocações, Dona .
- Que provocação?
- Não se faça de desentendida.
- Tá bom. - Ela sorriu. - Eu vou pra praia agora, vamos?
- Não obrigado, mas isso explica isso. - Apontou para a roupa dela.
- Explica o quê?
- Você não está usando um das minhas camisas.
- Idiota. - Ela revirou os olhos, pegou o óculos escuros e a bolsa. - Fui.
- Se cuida.
- Tá.

**


O dia passou devagar, foi a praia com a e a e contou a novidade, que as fizeram pular de excitação. Já se passava das três da tarde quando a ligou.
- Fala, .
- Onde você está?
- Na praia.
- Isso eu sei, mas em que lugar?
- Naquela área que tem coqueiros, você sabe que eu gosto de ficar aqui.Certo, daqui a pouco eu apareço por aí.
- Certo. Beijo.
- Beijo. Ah, eu vou com o e o .
- Tudo bem, as meninas estão aqui também.
- Tá bom então, até daqui a pouco.
- Até.
A tarde também passou rápida, entre brincadeiras, gargalhadas e troca de olhares entre e . Já se passavam das dezoito horas quando e chegaram em casa.
- , eu não fiz janta. Pede pizza? - gritou do quarto dela para que ele pudesse ouvir.
- Não estou afim de pizza hoje. - Ele apareceu na porta do quarto dela.
- E a gente vai comer o quê? - Falou virando-se para ele.
- Sei lá, vamos comer fora.
- Onde?
- Pode ser naquele restaurante que abriu semana passada.
- Tá, só me deixa tomar um banho, porque é meio óbvio, né? - Ela abriu os braços para mostrar a roupa que estava, a roupa da praia.
- Tá bom, eu também vou tomar o meu.
Ele saiu do quarto e foi tomar banho, ela fez o mesmo. Ele vestiu uma calça jeans, tênis branco, uma camisa cinza e usava um relógio preto no braço esquerdo. Ela usava um vestido azul simples, com um cinto fino e branco marcando a sua cintura e uma simples sapatilha preta nos pés, cabelo natural e sem maquiagem. Desceram, pegaram o carro e foram em direção ao restaurante, tudo isso conversando e discutindo variados assuntos.
- O que vão querer ? - O garçom perguntou.
- Eu vou querer uma massa, me acompanha? - perguntou pra .
- Sim.
- Então tá... E de bebida, traz um vinho por favor.
- Certo. - O garçom saiu.
- Você acha que tem alguma chance do ficar com a ?
- Claro, a é louca por ele.
- Ótimo.
- Está dando de cupido agora, ?
- Mais ou menos, me ajuda? - Nesse momento o garçom trouxe o vinho e os serviu.
- Sempre. Mudando de assunto, a Fê me ligou hoje.
- O que ela queria?
- Falar que segunda vai levar os móveis do quarto da Luna.
- Hum… - O garçom chegou trazendo as massas. - Obrigado.
- Obrigada. - O garçom saiu. - Aí eu estava pensando da gente tirar os móveis do meu quarto e sair pra comprar as tintas pro quarto da bebê.
- Amanhã? - Ela assentiu. - É, pode ser, você já sabe a cor que vai pintar?
- Ainda não, estava pensando em escolher com você.
- É, pode ser. - O resto do jantar foi em silêncio. - Posso pedir a conta?
- Claro. - Ele acenou para o garçom que trouxe a conta e lhe entregou o cartão. - , eu vou ao banheiro e já volto.
- Ok.
foi até o banheiro e, na saída não esperava ver o garçom ali na porta.
- Ei, gata.
- Com licença, eu vou voltar pra minha mesa.
- Qual é? Vai se fazer de difícil agora? - Falou segurando fortemente no braço dela.
- Hey, me larga.
- Não antes de você me dar um beijo. - Ele a empurrou contra a parede e tentou forçar o beijo.
- Me solta. - tentava de todas as maneiras se soltar dele, a sua voz já estava esganiçada.
- Eu acho que ela mandou você soltar ela.


Capítulo 3


Deem Play na música quando eu mandar: A Flor – Banda F.U.S.C.A.

- Ora, ora, ora, se não é o namoradinho da vadia indefesa querendo salvá-la. - O garçom falou. Era como se tudo estivesse a seu favor, o restaurante vazio, ninguém indo ou dentro de um dos banheiros, uma mulher linda e perfeita, sendo esmagada contra a parede por sua força brutal e um homem, duas vezes menor e aparentemente mais fraco que ele.
- Solta ela. - rosnou.
- E se eu não quiser ? - O provocou.
- Eu já mandei você soltar ela. – Rosnou mais ferozmente dessa vez, se é que era possível.
- Só depois que eu foder ela do meu jeito... Duro.
Essas palavras foram demais para . Mesmo imaginando toda a força que aquele ‘armário’ tinha, ele não deixaria falar isso com sua menina, com sua pequena, com a sua . Ele o empurrou contra parede e fechou o punho, jogando toda a sua força em um soco perfeito na cara do garçom que estava imóvel. Enquanto o batia, saiu desesperada atrás do dono do restaurante, que logo apareceu desesperado.
- Mas o que está acontecendo aqui ? - O dono do restaurante chegou ao corredor do banheiro e se deparou com socando a barriga do garçom. A fala dele fez com parasse. - Meu Deus, Richard.
- . - falou com a voz embargada do choro que estava entalado em sua garganta, correu até ele e o abraçou. - Meu Deus, você está cortado. - Tocou a sobrancelha dele e recebeu um gemido de dor como resposta.
- . - Engoliu seco. - Vamos pra casa.
- Gente, perdão, eu não sabia que ele tinha esse comportamento, aliais, eu vou ligar agora mesmo pra polícia, me perdoem. - O dono do restaurante falava desesperadamente, afinal, não queria ficar sem fregueses e o pior, com má reputação.
- Não se preocupe, não comentaremos com ninguém o ocorrido aqui, mas, por favor, escolha melhor os seus funcionários. - falou sério e sarcástico ao mesmo tempo.
- Tudo bem, mas uma vez, mil perdões. - O dono falou apertando a mão de e logo após a de . Logo ambos saíram do restaurante.
Por estar com a sobrancelha cortada, achou melhor ir dirigindo, mesmo nervosa, conseguiu chegar em casa. Ela entrou na frente, jogando a bolsa em qualquer canto e indo em direção ao banheiro para pegar o kit de primeiros socorros. Quando voltou para sala, estava sem camisa e os botões da calça estavam abertos. Estava sentado com a cabeça jogada para trás no encosto do sofá e mantinha os olhos fechados.
- . - o chamou baixo, mas ele a ouviu, isso fez com que ele abrisse os olhos devagar. - Você está bem?
- Só estou um pouco dolorido. - Fez careta. - E você?
- É superável. - Ambos sorriram fraco. - Vai, me deixa ajeitar essa sobrancelha. - Ela falou sentando-se na mesinha de centro de frente para ele. Ela pegou o algodão e o embebedou com um remédio específico para cortes. se desencostou do sofá para que ficasse mais fácil a passagem do remédio. estava entre as pernas dele. - Vai doer um pouco. - Ele assentiu e aproximou seu rosto dela.
- Ai, ai, ai. - Ele resmungava enquanto ela passava o algodão levemente.
- Calma. - segurou o rosto dele com as duas mãos, jogando o algodão de lado e assoprou suavemente o local machucado, o que fez , que matinha as mãos nas pernas dela, fechar os olhos e só então percebeu uma coisa.
Ela nunca havia reparado o rosto dele, quer dizer, não tão de perto e nem tão detalhadamente. Seus pensamentos voaram longe quando ela percebeu os desenhos que suas linhas faceais tinham. A sobrancelha desenhada, os olhos, que mesmo fechados, se encaixava perfeitamente naquele rosto, o seu nariz e finalmente a sua boca…
- . - a chamou retirando-a do seu transe.
- Oi. - Ela falou meio atordoada.
- Vai demorar muito? - Ele mantinha os olhos fechados.
- Não… eu… eu… - Respirou fundo. - Eu estou quase acabando.
- Certo. - Ela terminou de limpar o machucado e fez o curativo.
- Pronto. - Ela falou fechando a caixinha ao seu lado.
- Obrigado. - Ele deu um beijo na bochecha dela.
“Meus Deus, desde quando esses lábios são tão macios ?” Ela pensou.
- De nada. - Sorriu meiga.
- Vou tomar banho, você ainda vai querer ir amanhã?
- Amanhã? - havia esquecido completamente do que tinha combinado com ele.
- É, comprar as tintas pro quarto da Luna.
- Ah, sim. - Bateu na própria testa. - Claro, a gente vai naquela loja do centro?
- Claro, que horas você quer sair?
- Não sei, a gente dorme com as portas abertas, quem acordar primeiro, chama o outro. Pode ser?
- Pode. - Ele se levantou e deu um beijo no topo da cabeça dela. - Até amanhã .
- Até .
ainda ficou sentada na mesinha de centro. Por que isso estava acontecendo? Sempre conviveu com e isso nunca havia sido um problema. O beijo de nunca lhe pareceu tão doce. E agora? Eram perguntas que rondavam a mente dela e pensando assim, ele resolveu tomar um banho, se organizar para o outro dia e ir dormir. Não demorou muito pra que pegasse no sono, mas até em seus sonhos, aquelas perguntas estavam.

***


-, , . - estava sentado na beira da cama dela, já era domingo e se passava das oito quando ele acordou e decidiu chamá-la para escolherem as tintas do quarto da Luna.
- Hum. - Resmungou. - A não , hoje é domingo, vai. - Resmungou pondo o travesseiro na cabeça.
- Para com isso. - Puxou o travesseiro dela. - A gente não ia comprar as tintas do quarto da Luna hoje? - Ela fez um barulho com a boca afirmando que sim, mas ainda mantinha os olhos fechados. - Então, levanta pra gente ir lá. Vai ter muita coisa pra gente fazer hoje.
- Mas , é só mais um pouquinho. - Ela abriu os olhos e o olhou fazendo um biquinho fofo.
- Só mais um pouquinho é ? - Ele perguntou como se falasse com uma criança dengosa e ela sorriu sapeca afirmando com a cabeça. - Nada disso, levanta.
- Chato. - Ela se levantou da cama indo em direção ao banheiro, o deixando sorrindo dela na cama. - Dá licença que agora eu vou tomar banho.
- Certo, te espero lá em baixo.
Alguns minutos depois, desceu usando um short jeans e uma regata branca e simples, complementada com uma camisa xadrez. já estava usando uma camisa do seu time e uma bermuda simples.
- Vamos?
- Vamos, só me deixa achar minha bolsa. – logo a achou, pegou a bolsa e colocou algumas coisas dentro. - Pronto.
pegou as chaves de casa e do carro e eles foram em direção a loja Home Center no centro da cidade. Enquanto estavam no carro eles foram escolhendo uma cor para o quarto, ou melhor, tentando.
- Que cor você escolheu?
- Rosa.
- Rosa, ? - E por que não?
- Porque rosa é uma cor comum demais para quarto de meninas.
- E que cor você quer Senhor “não quero cor de rosa no quarto da Luna”?
- Verde, branco, sei lá. - Eles já estavam no estacionamento, saindo do carro e adentrando na loja.
- Verde é cor de menino e branco é simples demais. - Ele revirou os olhos.
- , rosa não.
- Querem ajuda ? - Uma das funcionárias sorriu docemente para eles.
- Sim, queremos ver tintas pra parede.
- Claro, por aqui. - Eles seguiram a mulher em silêncio. - Já sabem que cor vão escolher ?
- Rosa.
- Já disse que rosa não.
- Vejo que o casal não se decide em relação à cor. - Eles sorriram sem graça. - Por que não escolhem uma cor que agrade os dois?
- Ou ele escolhe rosa e todos somos felizes?
- Fico com a opção da moça. - falou sorrindo o que fez a funcionária se derreter por ele.
- Vai ser menino ou menina?
- Menina. - Responderam uníssonos.
- Por que não tentam amarelo?
- Amarelo? - disse.
- É. O amarelo é animador, inspirador e estimulador de raciocínio, o amarelo ajuda no autocontrole e no desenvolvimento dos olhos e ouvidos. - A vendedora explicou.
- Que legal. Olha aí, , a gente pode fazer amarelo.
- É, eu concordo.
- Então, vai ser amarelo mesmo ? - Vendedora.
- Sim.
Eles pagaram as tintas e compraram alguns acessórios para o quarto e foram para casa, falando sobre como iriam desfazer a decoração do quarto da , virar um amarelo calmo.
- A gente pode fazer metade da parede. - foi interrompido por um bip vindo do celular da . - O que foi?
- Uma mensagem da Fê dizendo que os móveis que ela comprou vão ser levados hoje lá pra casa.
- Ótimo! Aí a gente já deixa ele literalmente pronto.
- Isso. A gente podia ir naquela lojinha perto de casa comprar alguns ursinhos, né?
- Pode ser.
E assim fizeram, compraram alguns bichinhos de pelúcia e algumas coisas para cama e banho.
- Vai, , me deixa comprar aquele macacãozinho pra ela. – Ela mostrou um mini macacão branco, com o escudo do seu time de coração bordado na frente.
- NUNCA.
- CHATO.
- , não.
fez um bico enorme e assim eles seguiram pra casa.

***


Quando chegaram em casa, já era por volta de uma e meia da tarde. Eles pediram almoço em um pequeno restaurante que existia perto da casa deles e almoçaram. Depois de fazerem a digestão resolveram arrumar o quarto da pequena Luna.
- Você pode ir desarmando as coisas do meu quarto.
- Certo. - A campainha tocou. - Atende pra mim, por favor?
- Claro. Cuidado pra não quebrar nada em .
- Pode deixar.
- Dona ? - Um rapaz sorridente falou, assim que abriu a porta.
- Pois não?
- Nós viemos fazer a entrega de alguns móveis em nome da Dona Fernanda Barreto.
- Claro, podem deixa aqui na sala mesmo.
- Mas se a Senhora quiser, nós já deixamos os móveis montados.
- Não, obrigada, meu amigo e eu montamos daqui a pouco. - Ela abriu espaço e o homem entrou. Ele a olhou estranhando tudo aquilo, mas não falou nada. Colocou os móveis na sala e em seguida foi embora.
- Quem era? - estava apenas com uma bermuda estilo surfista meio surrada, sem camisa, descalço e cabelo assanhado.
- O entregador. Ele veio trazer os móveis. - Ela estava encostada no batente da porta.
- Hum. Eu estava pensando, será que vai ficar legal daquele jeito que a gente imaginou? - O quarto já estava completamente vazio. já havia tirado os móveis, enfeites e papeis de parede.
- Se você fizer direito, vai.
- Tá bom, sua chata. - Deu língua para a mesma que retribuiu o gesto. - Mas agora me deixa fazer a parte branca.
- Tá, mas na parte amarela me chama.
- Ok.
o deixou sozinho e, enquanto ele fazia a parte branca do quarto, ia olhando e babando as roupinhas que haviam comprado. Horas depois, ela já havia adiantado a janta e terminado a parte branca. havia ido ao banheiro trocar de roupa pra pintar a parte amarela.
- Pronto. - Ela apareceu com um short curto e uma camisa do .
- Minha camisa?
- Está velha, , nem vem. - Essas palavras foram o suficiente para deixá-lo calado, ele sabia que se entrasse nessa briga ela iria ganhar de todo jeito.
- Eu quero pintar ali em cima.
- , você é baixinha, não alcança.
- E escada existe pra que, ? - Ela falou subindo as escadas, mas ela era desastrada demais para isso, e sabia disso.
- , sai daí. Você vai acabar caindo. - se aproximou da escada.
- Eu não vou cair nada. Me passa a tinta. - Nesse momento, se virou e escorregou. , em um reflexo, a pegou no colo. A respiração de ambos estava ofegante. O olhar deles eram penetrantes e paralisados, um dentro do outro. E os rosto ? Bom, os rostos estavam perto demais.

***


- É... … você, você. - engoliu seco, estavam próximos demais e a dificuldade para falar era imensa. – Você já pode me por no chão.
- Ah, claro. - Ele respirou fundo, percebendo que estava ‘acordando’ e percebeu que olhava para a boca dela. Ele a colocou no chão e assim, em silêncio, eles começaram a pintar o quarto.
Já era por volta das oito da noite quando eles acabaram de pintar o quarto. O clima ainda estava estranho entre os dois, afinal, eram anos de amizade e convivência diária e isso nunca havia acontecido.
- Vamos jantar? - perguntou quebrando o silêncio.
- Vamos, só me deixa tomar uma banho. - Ela fez careta e os dois gargalharam ao perceber que ambos estavam completamente melados de tinta.
- Eu acho que também vou.
- Está certo, então.
Os dois foram para os seus respectivos banheiros. Alguns minutos depois, ela desceu as escadas com um short jeans e camisa preta e um coque frouxo, encontrando com só de bermuda e cabelo desarrumado, esquentando a comida.
- Acho que hoje a gente termina.
- Sério, ? Eu já estou morto.
- Eu também, mas quero deixar tudo pronto. - Fez manha. - Por favor.
- Tá bom. Só não faz manha pra se levantar amanhã.
- Tá bom.
Eles logo jantaram e subiram pra arrumar o quarto. Montaram primeiro o berço, depois a cômoda que era colada com o trocador, colocaram a poltrona e as pranchas e quadros na parede. Todos os móveis completamente brancos.
- Pronto, agora só falta decorar.
- Tá, me dá esses bichinhos que eu coloco aqui. - saiu jogando os bichinhos de todo jeito, sem delicadeza, o que fez virar uma bagunça.
- . - falou em tom de reprovação.
- O que foi?
- Não é assim, deixa eu te mostrar como é.
- Nada disso. Da última vez quase que você cai, se não fosse eu, você poderia estar em um hospital agora. - ruborizou-se com a lembrança do quão próxima estava dos lábios dele.
- Então põe nessa ordem: Esse palhacinho… - E assim, foi mostrando como cada coisa deveria ser posta em seu lugar, o deixando completamente lindo.
- Ficou…
- Perfeito.
O quarto era pequeno, porém, aconchegante. Tinha uma segunda parede branca, que vinha do chão a metade de todas as paredes, da metade para cima, era um amarelo calmo. O trocador ficava na parede da janela, que por sua vez, estava rodeada de pranchas com brinquedos simples e de pelúcia. Em cima da cômoda, tinha um abajur branco, e toalhas azuis e amarelas estavam aparentes nas prateleiras do trocador. A direita ficava o berço, já estava montado e organizado, os lençóis se destacavam em um azul e amarelo claro. Na parede do berço, ficavam três pranchas quadradas com sapinhos e urso de pelúcia de enfeite. A poltrona ficava na parede oposta, nessa parede, tinha um trenzinho de um leão bebê como enfeite.
- É , está tudo muito bom, está tudo muito lindo. Mas eu estou cansado e amanhã a gente trabalha.
- Tá bom, bocó.
- Vai dormir comigo?
- Não, estou sem sono, vou assistir a um filme lá na sala.
- Tá certo. Beijo. - Ele deu um beijo na bochecha dela, deixando-a sozinha no quarto e perdida em seus pensamentos.

***


Três semanas se passaram desde então. Faltava apenas uma semana para o nascimento da Luna e Fernanda havia chamado e para um jantar em agradecimento por tudo que eles haviam feito por ela, desde a adolescência até o dia de hoje, coisa que ninguém havia feito antes e nunca faria por ela.
- Vamos, . A gente já está atrasado.
- Já vou. Só me deixa terminar de me calçar. Pronto.
- Wow, está linda, hein!?
- Você também, tchuco. Mas vamos?
- Vamos.
usava camisa branca e calça preta, ambos sociais. Nos pés, um sapato preto tão social quanto a roupa. Porém, seus cabelos continuavam desgrenhados. usava um vestido de seda, cor bege e marrom. A parte de cima era lisa e a gola do vestido era presa ao pescoço, deixando os ombros à mostra. A saia do vestido tinha desenhos florais e um cinto marcava a cintura. A gola, o cinto e a barra do vestido eram marrons. Nos pés, um scarpin preto. Eles saíram de casa e foram em direção a casa de Fernanda, foram conversando sobre a nova vida que levariam dali pra frente, as saídas que diminuiriam e as responsabilidades que aumentavam. Chegaram a casa de Fernanda por volta das oito horas.
- Boa noite. - Fernanda abriu a porta com um belo sorriso no rosto.
- Boa noite, Fê. - deu um beijo na bochecha de Fernanda e entrou na casa da mesma.
- Boa noite, Nanda. - deu um beijo nela e entrou.
- Como vocês estão ?
- Bem e você? - respondeu.
- Ótima, mas vamos jantar que eu estou varada de fome. - Eles sorriram e foram jantar.
E assim foi o jantar, com brincadeiras, conversas simples e gargalhadas. No fim do jantar e quando eles já estavam indo embora, Fernanda lembrou-se de uma coisa muito importante.
- Esperem um pouco, quero que levem uma coisa com vocês.
Fernanda voltou para sala com uma pequena caixa amarela clara e algumas florezinhas rosa.
- Bom gente, aqui tem um pequeno tesouro. - e estavam sentados um ao lado do outro no sofá e Fernanda sentava-se a frente deles na mesinha de centro. - Aqui tem uma coisa que eu quero que vocês entreguem para a Luna. - Tocou em seu ventre, e apenas observavam atentos. - Mas não agora, só no aniversário dela de quinze anos. Antes disso, eu não me importo que ela saiba da minha existência.
- Como assim, Fê ? - perguntou incrédula.
- Bom, a Luna, a partir de hoje, é literalmente a filha de vocês.
- Desculpa, Fernanda, mas eu não estou entendendo. - Foi a vez de .
- Bom, no próximo sábado vai ser o nascimento da minha pequena e desde que vocês me contaram da minha complicação para esse parto, eu tomei a decisão de que vocês é que vão ser os pais da minha pequena. Não precisa dizer a ela que ela não veio do seu ventre . Olha, o que vocês estão fazendo por mim, não tem preço. A partir de hoje eu exijo que quando vocês forem falar dela ou sobre ela, as chamem por minha filha. E isso aqui. - Mostrou a caixa. - Tem várias coisas minhas e algumas coisas que eu quero que ela saiba.
- Mas se ela só souber da sua existência quando ela tiver quinze anos, não vai ter nenhuma complicação quando ela souber? - perguntou.
- Se vocês a criarem do jeito certo, o que eu acho que vai acontecer, ela não vai ter raiva.
- Obrigada, Fê. - tinha os olhos marejados. - Obrigada por tudo.
- Eu é que agradeço, querida. - Ela enxugou algumas lágrimas que antes estavam contidas e respirou fundo. - Bom, não é querendo expulsar vocês nem nada, mas eu tenho que dormir, gente. A Luna tem que estar saudável para vocês. - Todos sorriram.
- Tudo bem, Fê. A gente tem que ir mesmo. - falou se levantando e abraçando a mulher a sua frente.
- Mais uma vez obrigada. Está aqui a caixa. - Entregou a caixa rpaa . - Tomem conta dela.
- Certo, pode deixar.
- Até sábado.
- Até.
e sorriram e saíram da casa dela. Foram todo o caminho em silêncio e assim que chegaram ao apartamento, se dirigiu ao pequeno quarto amarelo, onde dali uma semana, a sua pequena estaria. Sim, sua pequena.

***


ficou por horas a fio dentro do quarto, ela estava sentada em posição de índio na poltrona e imaginando como seria quando sua pequena chegasse. Já se passavam das duas da manhã e foi atrás dela.
- Não vai dormi, ? - apareceu na porta do quarto com a calça do pijama, sem camisa e coçando os olhos.
- Já vou. - A voz de estava embargada, nem ela havia percebido que estava chorando.
- Está chorando?
- Não. - Ela desejou que sua voz não vacilasse o que não aconteceu.
- Ah , sem mentir, vai. Eu te conheço. - Ele falou se aproximando, e se agachando na frente dela.
- Eu nem tinha percebido, .
- E por que você está chorando? - Ele falou acariciando o rosto dela, enxugando as lágrimas que havia por ali.
- Ai , eu estou muito feliz. Tão feliz que você não imagina. Você sabe que o meu sonho sempre foi ser mãe e agora esse desejo irá se realizar, e por mais engraçado que seja eu vou fazer o parto da minha filha. Você nem imagina o quanto de felicidade tem aqui. - Apontou para o coração e deu um sorriso amarelo, enquanto ele já tinha um sorriso que não cabia em seu rosto.
- Sabe, , por mais confuso que isso seja, eu sinto tudo isso também. Eu sempre quis ser pai e, de uma maneira meio torta, Deus me enviou minha menininha e ainda me deu ela pra cuidar com minha melhor amiga, minha princesinha. - Ainda acariciava o rosto da loira. Ela tinha um sorriso no rosto enorme, e as lágrimas brotavam e desciam descontroladamente, assim como o coração de ambos estavam descompensados. O por quê ? Ninguém sabia.
- Quando ela nascer, eu vou cantar muito pra ela.
- E por que a gente já não começa a deixa esse quarto mais musical?
- Como assim?
- Assim. - saiu do quarto e foi em direção ao quarto dele e voltou logo em seguida com o violão em mãos.
- E o quê que você vai tocar ? - Ela falou vendo ele se sentar em sua frente. dedilhou algumas notas e começou.

Deem play na música

- Mais uma flor nasce sem intenção em meio ao caos do tempo. Se descuidar e não deixar o sol bater, respirar pra deixar a flor crescer... Não deixe que o vento leve, não deixe que o tempo cure, não deixa intervir ao acaso. Com muita chuva ela morre, se morrer, resseca e perde a cor. - saiu da cadeira e sentou-se ao lado dele, as lágrimas haviam voltado a cair e mantinha os olhos fechados. - A chuva é o vento que leva, o sol é o vento que traz, me diz porque tanto, bem-me-quer ou mal-me-quer, não diga que plantou e não deu a flor mal nasceu, morreu e ao deixar o chão, suspirou e se rendeu. A chuva é o vento que leva, o sol é o vento que traz, me diz porque tanto, bem-me-quer ou mal-me-quer, não diga que plantou e não deu, a flor mal nasceu, morreu, e ao deixar o chão, suspirou e se rendeu. - abriu os olhos e começou a cantar olhando nos olhos de . - Mais uma flor nasce sem intenção, em meio ao caos do tempo, se descuidar e não deixar o sol bater, respirar pra deixar a flor crescer, não deixe que o vento leve, não deixe que o tempo cure, não deixa intervir ao acaso, com muita chuva ela morre, se morrer, resseca e perde a cor, a chuva é o vento que leva, o sol é o vento que trás, me diz por que tanto, bem-me-quer ou mal-me-quer, não diga que plantou e não deu a flor mal nasceu, morreu, e ao deixar o chão, suspirou e se rendeu. - não conseguia parar de chorar e seus olhos estavam conectados com os olhos de , como se fossem imãs. - A chuva é o vento que leva, o sol é o vento que traz, me diz por que tanto, bem-me-quer ou mal-me-quer, não diga que plantou e não deu a flor mal nasceu, morreu, e ao deixar o chão, suspirou e se rendeu a chuva é o vento que leva, o sol é o vento que traz.
O olhar, o clima e a música, talvez fossem o motivo para o impulso de . Ele não sabia como, mas a vontade era maior, ele não sabia se isso ia ser certo, mas seu coração pediu por aquilo, pedia a todo o momento, há muito tempo. E esse era o momento de se entregar, ele não imaginou e nem ao menos percebeu. Quando viu, seus lábios já estavam colados ao dela.


Capítulo 4


O beijo antes calmo e romântico passou a criar volúpia, não era nenhuma surpresa saber que ele duraria pouco, afinal, o ar ainda é uma coisa necessária –nessas horas, nem tanto- para o ser humano.
- Okay, isso foi estranho. – falou após recuperar um pouco do fôlego que lhe faltava, mas seu rosto ainda estava próximo ao de , que respirava tão ofegante quanto ela.
- Verdade. – Ele disse em um sopro de voz. – Mas você quer parar?
Alguns minutos de silêncio vieram por seguir. Aquela era sim uma situação estranha para ambos, mas como resistir? Era de fato, impossível. Talvez fosse possível se os rostos deles não estivessem tão próximos e nem o emocional tão abalado e se o gosto do beijo não estivesse na boca deles, nem se o mesmo estivesse com gosto de “quero mais”. Por fim, eram muitos “se” que podiam ser deixados para perturbar a mente outra hora, outro dia. Sendo assim, porque parar? Em resposta a pergunta de , lhe beijou tão intensamente e voluptuoso quanto antes, se é que era possível. Não era atoa que o beijo deles demorou menos que o outro. Certo, oxigênio é necessário, mas tem horas que a gente precisa deixa-lo para alguém que ainda tenta dar seu último suspiro na vida, certo?!
arqueou a cabeça para trás recebendo beijos e leves chupões de em seu pescoço. Suas mãos estavam a segurar e arranhar o pescoço dele. Não demorou muito para que o calor os atingisse, afinal, além do quarto ser pequeno, o contato físico era intenso e não ajudavam muito. Em segundos, a camisa dele já estava em algum lugar daquele escuro quarto. a tirou arranhando-o levemente as costas, o fazendo soltar um suspiro mais pesado.
rapidamente passou a mão direita sobre a parte de trás dos joelhos dela, enquanto a outra, a segurava pela coluna. Levantou-se e com ela em seu colo, levou-a até o quarto que até então, dividiam. Deitou-a sobre a cama e rapidamente tirou a blusa que ela usava, rompendo o beijo que vinha desde o cômodo anterior, apenas para tirá-la de vez.
O suor já começava a brotar pelo corpo de ambos. deixava marcas pelo pescoço dela que arfava não só com a carícia em seu pescoço, mas também com uma das mãos de que “brincava” com seu seio direito, ainda por cima do sutiã.
Os beijos desceram sobre o corpo da mulher, leves e molhados. Ele parou apenas para abrir o botão do short que ela usava, o mesmo foi parar tão rápido ao chão, que nem eles mesmos sabiam como. Ele voltou a beijá-la com ainda mais intensidade. Os gemidos e suspiros dela já não eram mais contidos e não havia hipótese alguma deles pararem. As peças intimas de ambos já haviam saído do corpo deles há muito, quando resolveu penetrá-la. Até que...
- ? – a despertou dos pensamentos.
- Oi? – Perguntou tentando entender o que acabara de acontecer.
- Eu perguntei se você quer parar com isso. - Apontou para os dois com o dedo indicador.
- Ah… Eu… - Ela gaguejava, não acreditava que acabara de ter um pensamento erótico com . - Eu… Acho melhor sim, . - Ela falou se separando dele e respirando todo ar que fosse possível caber em seus pulmões.
- Mas porque, ? Estava tão bom. - Ele falava tentando entender o que estava acontecendo.
- Justamente, . - Ela falou levantando-se.
- Faz sentido, por favor? - Também se levantou.
- , olha. - Se aproximou dele. - Eu não quero estragar nossa amizade, principalmente agora com a chegada da Luna.
- Mas , são só uns beijos, o quê que custa?
- , esse filme eu já conheço. A gente é amigo, dai vem à amizade colorida e depois cada um toma seu rumo e isso eu não quero. - Suspirou.
- Tudo bem, você é quem sabe. - estava visivelmente chateado, por mais confuso que parecesse para a cabeça dele, ele queria continuar com aquilo tudo.
- Não fica chateado, caramba. - estava se sentindo culpada, sabia que ele estava chateado e o pior, sabia que o motivo desse aborrecimento era ela.
- Fique tranquila, eu só preciso de um tempo sozinho.
- … - Falava quase implorando para que ele não fizesse isso.
- Por favor, , só respeita. - Após dizer isso, ele pegou o violão e deu as costas a ela, saindo do quarto.
Ambos precisavam pensar, por a cabeça em ordem. Por mais absurdo que poderia parecer, os dois estavam sentindo algo que até então, não tinha nome e nem ao menos sentido para ambos. tinha gostado mais do que nunca ter ficado com ele, queria ter continuado, mas seu lado racional não a permitiu. Seu outro lado queria isso e nesse momento esses dois lados estavam em conflito.
estava no mesmo barco que ela. Ele já havia provado vários tipos de beijos, mas nenhum fora tão doce e viciante quanto o de , mesmo tendo o provado apenas uma vez. Para ele parecia que os lábios dela haviam sido feitos para serem encaixados nos dele. Ele queria ter continuado, afinal, não custava nada. Ela também queria e ele sabia disso, mas também sabia que o lado racional dela havia falado mais alto. Sim, ele a conhecia bem para saber disso.
Essa confusão de sentimento daria uma bela dor de cabeça para eles e eles sabiam bem o que fazer antes que ela chegasse.
- Quer cantar? - apareceu no batente da porta da sala vendo deitado no sofá dedilhando algumas notas no violão.
- Pode ser. - Falou sem vontade, mas mesmo assim se levantou e se sentou, deixando espaço para que ela se sentasse.
- E o que você quer cantar?
- Não sei, você é quem sabe.
- Toca Smells like teen spirit.
- Nirvana?
- Por que não? - Ela sorriu e ele começou a tocar.
- Load up your guns and bring your friends…

**


- Vamos dormir?
- Vá na frente, eu vou tomar um banho e depois eu vou.
- Tá certo, só não demora. - apenas assentiu com a cabeça, enquanto lhe dava um beijo na testa.
Ela ficou novamente pensando em como tudo havia mudado em sua vida desde os tempos de faculdade, até os dias de hoje. Viu que tinha amigos que permaneceram e amigos que foram apenas passageiros. Mas nenhuma mudança foi tão extrema como ter que cuidar de um bebê. Ela não sabia o que ia acontecer, na verdade, se algum tempos atrás alguém dissesse que ela iria cuidar de um bebê, ela não acreditaria. Quanto mais cuidar de um bebê com o seu melhor amigo no qual ela estava se apaixo…
- Apaixonando? - balançou a cabeça como se pudesse espantar essa ideia do seu pensamento. - Hora de dormir, . - Disse a si mesma enquanto se levantava e ia em direção ao banheiro para tomar um banho, fazer suas higienes e ir dormir.
A noite foi longa para ela. Antes de conseguir dormir ainda pensou em várias coisas, principalmente na semana que estava por vir, iria ser uma semana longa, onde ela iria ter de ir do supermercado para a maternidade. Esta aí outra coisa que ela não sabia se ia conseguir: Fazer o parto da sua filha. Mas, apesar de tudo isso, ela tinha a certeza de uma coisa: Ele estaria com ela. Não importava a situação, ele sempre estaria lá, sempre esteve e não seria agora que ele iria deixa-la só. E com essa certeza ela conseguiu dormir.
O dia amanheceu rapidamente e como sempre, acordou primeiro que . Mas dessa vez, ele viu uma cena que nunca havia visto. estava deitada e encolhida, o que dava um ar de menina indefesa. O rosto estava apoiado em cima das duas mãos, a boca entreaberta em busca de ar e alguns fios dos seus cabelos caíam sobre seu rosto. Ele não sabia o que fazer. Queria cobri-la e dizer que ele a protegeria de tudo. Queria que aquele momento de eternizasse, mas de todas as alternativas, a única coisa que ele fez foi pegar o edredom, cobri-la e começar a retirar fio por fio do cabelo que caía no rosto dela, só não esperava que aquela vontade voltasse. Aquela vontade que estava o atormentando há alguns dias e principalmente depois da noite anterior. Tudo estava acontecendo rápido demais e ele não sabia o que ia acontecer dali pra frente, apenas tinha a certeza de ficar ao lado dela e isso seria uma promessa. Mais uma vez, seus olhos foram puxados como imãs para a boca dela. Mas ele não podia, aquela vontade não podia ser maior que ele. Mas nesse momento, isso não importava.
- Se você continuar olhando pra minha boca desse jeito, eu irei ficar mais sem graça do que já estou. - falou acordando dos seus pensamentos, ele estava tão hipnotizado com a boca dela que nem tinha percebido que ela havia acordado.
- Desculpa. - Saiu mais como uma dúvida do que como um pedido.
- Relaxa. - Ela sorriu meigamente e se levantou ficando sentada na cama. - O que você vai fazer hoje?
- Trabalhar, ué. E você?
- Vou trabalhar, comprar algumas coisas para o quarto da Pequena e da um jeito nessa… - Foi interrompida pelo toque do celular dele que avisava um novo sms. - Acrescenta na sua agenda um almoço com a Fernanda. - Falou entregando o celular a ele para que ele lê-se o sms.
- Sim, senhora ocupada. - Falou irônico e indo em direção ao banheiro. Ela revirou os olhos e saiu da cama, indo procurar uma roupa para vestir.
- VOCÊ TAMBÉM VAI NESSE ALMOÇO, NÃO É? - Gritou do quarto para que ele ouvisse.
- VOU. - Falou indo em direção ao banheiro. - Posso entrar?
- Só espera eu fechar o box. - Falou fechando o mesmo que era metade de vidro fosco e metade de vidro comum. - Pronto.
- Já que você vai estar mais desocupado que eu…
- Está me chamando de desocupado, ? - Perguntou irônico.
- Está querendo tomar no cu, ? - Falou no mesmo tom, ele apenas gargalhou como resposta. - Voltando ao assunto, já que você vai está mais desocupado do que eu, você poderia fazer um favor para mim?
- Se estiver ao meu alcance. – Deu de ombros.
- Você poderia comprar um violão pra mim? - Falou após enxaguar a boca, já que estava escovando os dentes.
- Pra quê?
- Pra que serve um violão, mané? - Falou como se fosse óbvio.
- Eu sei idiota. - Falou saindo do box com uma toalha enrolada na cintura e indo em direção a pia para escovar os dentes. - A pergunte é: Pra que você quer um violão, tendo o meu aí?
- Justamente por isso, ele é seu e não meu.
- Sério, ? A gente nunca teve frescura com isso.
- Eu sei, , mas eu quero ter um violão só meu. - Ambos estavam encostados do balcão de mármore, ele escovando os dentes e ela gesticulando. - E outra, quando a Luna nascer, nós dois podemos cantar pra ela com os dois violões.
- Se você quer assim. - Falou se virando pra enxaguar a boca.
- Prefiro e não fica chateado. Agora você pode me dá licença, por favor?
- Pra que? Eu ainda não terminei.
- E eu preciso de um banho.
- Toma, ué.
- Com você aqui dentro? É... NÃO!
- Por quê?
- Sério? - Ela lançou um olhar fuzilador e ele entendeu o recado.
- OK, já estou saindo.
- Aproveita e faz o café, gatinho. - Falou irônica.
- Vou tentar, gatinha. - Ironizou a última palavra e saiu piscando o olho.
- Idiota. - Respirou fundo, retirou a roupa que vestia e entrou no box, ajustando a temperatura da água e começando a cantar uma música qualquer.
Já se passavam do meio dia, e estavam presos no trânsito tentando chegar ao tal restaurante para o almoço com Fernanda.
- Ninguém merece. - reclamava a cada cinco segundos, deixando cada vez mais irritada.
- , POR favor, você poderia calar esta merda de boca que não serve para nada?
- Nossa. Tudo bem, fico mudo agora. - E assim se instalou o silêncio dentro do carro. Alguns minutos depois, respirou fundo e sussurrou:
- Desculpa.
- Por...?
- Por tudo, sei lá. - Seu tom de voz já estava como de costume. - Essa semana vai acontecer muita coisa e eu estou muito nervosa. Ainda tem esse almoço que eu não faço a mínima ideia do que vai acontecer ainda por cima esse trânsito infernal, sem contar que eu estou com uma puta dor de cabeça e ainda teve o… - ia falar sobre o beijo, mas sabia que ali não era hora e nem lugar para aquilo. - Deixa pra lá.
- O beijo? - olhava para os carros parados à sua frente, assim como ela. O silêncio era constrangedor e ambos não tinham a mínima coragem de encarar um ao outro.
- Eu acho que aqui não é hora e nem lugar para falarmos sobre isso, . - Ela o encarou por fim.
- E por que não? - Ele voltou o seu olhar para ela.
- Por que além de estar com dor de cabeça, nós estamos no meio de um engarrafamento indo pra um restaurante, almoçar com a mãe da nossa filha.
- Tudo bem. - Voltou à atenção para o trânsito que voltava a andar lentamente. - Mas não pense que a senhorita vai fugir desse assunto.
- Sim, senhor. - Falou batendo continência para distrair o ambiente. Logo após o silêncio se instalou no carro. Mas ao contrário dos outros, esse tinha uma ponta de constrangimento. Para distrair e talvez até mesmo descontrair, ligou o rádio e sintonizou em uma estação qualquer cantando a música que tocava.
- Vou caçar mais de um milhão de vaga-lumes por aí, pra te ver sorrir eu posso colorir o céu de outra cor, eu…
- Mãe da nossa filha? - a interrompeu.
- Han? - O olhou sem entender.
- Belo título pra Fê, mas que é estranho é. - Eles se entreolharam e como era de se esperar, começaram a gargalhar.

**


e chegaram atrasados ao restaurante. Fernanda já estava à espera deles e se levantou ao vê-los entrando no restaurante.
- Boa tarde. - O meitrê falou com eles.
- Boa tarde, nós viemos almoçar com a... - Foram interrompidos pela mesma que chegou ao local.
- Pode deixar, eles vão almoçar comigo. - Ele assentiu e os levou para a mesa. - Boa tarde, gente.
- Boa tarde, Fê. - Responderam uníssonos.
- Então, vamos fazer o pedido?
- Claro. – O pedido foi feito e eles rapidamente almoçaram.
- Eu acho que vocês estão se perguntando até agora o porquê deu ter chamado vocês pra almoçarem, né?
- É. - respondeu timidamente. apenas confirmou com a cabeça.
- Então, é que eu falei com meu advogado e enfim saiu o documento que a gente precisava.
- A gente? Como assim, Fê? - franziu o cenho.
- Esse documento. - Tirou o mesmo de dentro da bolsa e deu duas cópias para eles. - Ele diz que a partir de hoje vocês são oficialmente os pais da Luna.
- Como? - ficou surpresa.
- É, nele tem dizendo que vocês são os pais da Luna e também dá direito a toda a minha herança.
- Herança? - estava cada vez mais confuso com tudo.
- Sim, não parece, mas eu tenho alguns bens muito valiosos.
- Valiosos, quanto? - estava mais confusa que .
- Assim. - Ela tirou outra cópia de documentos de dentro da bolsa.
- Ma…. mas… mas Fernanda. - falou, não conseguia falar um ‘ai’ se quer. - Isso, é muito…
- Eu sei, mas é pra vocês.
- A gente não pode aceitar isso. - enfim falou.
- Gente, por favor.
- Fernanda, isso é…
- Eu sei, mas eu quero que vocês fiquem com isso.
- Isso, você quer dizer um apartamento no valor de um milhão e meio de reais, uma conta no banco com mais um milhão e suas casas no exterior?


Capítulo 5


- É - Fernanda falou como se fosse algo simples.
- Olha, Fernanda, eu sei que a gratidão que você tem por nós é muito grande, mas eu acho que não chega a valer isso tudo. - disse.
- Gente, é o seguinte: eu vou morrer mesmo, pra quem eu vou deixar isso tudo?
- Mas é muita coisa, a gente não pode aceitar isso. - .
- Eu exijo que vocês aceitem isso. - deu um longo e pesaroso suspiro, e olhou de para Fernanda e depois fez o caminho inverso.
- Olha, Fê, é o seguinte, a gente aceita…
- Ótimo. - Fernanda interrompeu .
- Mas tem uma condição... - falou, surpreendendo Fernanda.
- Que condição?
- A gente aceita o apartamento, mas todo o dinheiro e todos os outros bens são para a Luna.
- Mas, gente, o que é que custa?
- Ou isso, ou nada. - falava o mais sério que podia, sabia o que queria e como queria. Não queria o dinheiro de Fernanda, não precisava disso, o dinheiro que ganhava junto com dava muito bem pra pagar as contas e às vezes sobrava pra comprar alguma coisa pessoal. Tá que dinheiro era sempre bem vindo, mas ela não aceitaria. - E ai? O que você escolhe?
- O que você acha, ? - Fernanda o olhou com a esperança de que ele fizesse mudar de ideia, mas assim como , ele também não queria esse dinheiro.
- Olha, Fernanda, eu também tenho a mesma opinião que a . A gente não precisa desse dinheiro, o que a gente ganha dá pra pagar muito bem e por muitas vezes ainda sobra dinheiro.
- Mas, gente, não é nada demais.
- Fernanda, escolhe ou isso, ou nada. - era tirada do sério muito rápido e essa insistência de Fernanda a estava tirando do sério mais que o normal.
- Vocês não querem mais tempo para pensar?
- Olha, Fernanda, a gente já se decidiu, então, por favor, escolhe. - , o mais calmo, também estava se irritando.
- Tudo bem, fica tudo pra Luna, mas aceitem o apartamento.
- Tudo bem, a gente aceita, mas o resto fica pra Luna.
- Tudo bem, então. , você poderia sair comigo essa semana pra gente escolher a decoração do apartamento?
- Fernanda, você é quem escolhe isso, tá? – falou, massageando as têmporas, aquela discussão acabou em uma bela dor de cabeça para ela.
- Certo! - Fernanda estava inconformada, mas se era assim que seus “anjos” queriam, era assim que iria ser.
- Bom, Fê, a gente tem que ir. O dever nos chama.
- Tudo bem, eu vou com vocês até a porta... - eles assentiram com a cabeça. Fernanda pagou a conta e se levantaram indo em direção à porta. - Ah, , a gente tem consulta essa semana?
- Sim, na quinta-feira.
- Tudo bem, vão com Deus e até lá! - Fernanda deu um beijo na testa de que entrou no carro, deu um beijo na testa de Fernanda e foi em direção ao banco do motorista.
- Tchau, Fê.
- Tchau. - Acenou e eles foram embora, deixando Fernanda que em seguida pegou um táxi indo rumo ao apartamento. Queria deixar tudo pronto pra chegada de Luna e o apartamento iria ficar ao gosto de . Ela se recordava bem de como era o apartamento que ela dividia com e como boa decoradora que era, sabia bem o gosto de ambos.

***


e haviam voltado à maternidade, estavam na sala de conversando sobre uma de suas pacientes, até que resolveu interromper a “reunião” dos dois.

- Com licença, doutora . - falou na porta do consultório.
- Diga, Morena.
- É que a quer falar com a senhora e o doutor .
- E ela deixou minha sala ao relento? - as interrompeu.
- Desculpa, chefinho. - falou entrando na sala e ignorando as formalidades de .
- Tudo bem, , mas o que você quer aqui? - Sem mais delongas, puxou para dentro da sala e começou.
- É que eu percebi com a ajuda da Morena aqui... - deu um beliscão nela, não queria que sua patroa descobrisse que tinha dedo nela nisso. – Ai, . - falou, passando a mão no local do beliscão com intuito de amenizar a dor - Como eu ia dizendo, eu percebi que quarta é a folga de vocês dois, o que consequentemente, se torna nossas folgas também.
- E?
- Se liga, casalzinho ternura, vai ser folga, a gente vai poder sair amanhã.
- , sua linda, faz sentido, por favor! - bufou.
- Ai, gente, o negócio é o seguinte: eu e o meu Moreno sedução, vamos dar uma festa amanhã e queremos ver vocês lá.
- Primeiro, quem é seu moreno sedução e, segundo, festa no meio da semana?
- Minha Loira linda, para você que não sabe, o meu moreno sedução é o e, a festa, por que não?
- E a ressaca?
- Se liga, , quarta é folga. - falou.
- Pelo menos um desse casal tinha que ser inteligente, né?
- Vai se foder, ;
- Mais tarde, Loira, mas o que vocês me dizem?
- Ah, eu não sei. O quê que você acha, ?
- Que horas vai ser?
- Às vinte e duas.
- Pode confirmar a nossa presença.
- O QUÊ? - falou espantada com a resposta de .
- Cala a boca, , a gente vai e fim.
- Tudo bem, eu não posso dar opinião em nada mesmo.
- Exagerada. - reclamou.
- zinha querida, eu ainda acho que você precisa desse emprego.
- Fiquei muda agora.
- Enfim, gente, a festa vai ser às vinte e duas, estejam lá lindos e maravilhosos. Chefinho querido, chama o gato do pra minha querida morena e, ah, vão fantasiados, tá?
- Espera aí, fantasia? - perguntou.
- Loira, para de reclamar e vai, tá?
- Ela vai e, , volta pro seu posto que se chegar algum paciente lá, e você não tiver, vão reclamar na direção. Ai vão ser dois demitidos e pode deixar que eu vou chamar o , zita.
- Valeu, chefe, e até amanhã, Loira.
- Tchau, gente.
- Tchau - respondeu, se despedindo das duas que saíram da sala - Muito obrigada por me arrumar mais um compromisso essa semana – ironizou.
- De nada, - respondeu com a mesma ironia que ela havia falado. Ele se levantou, soltou beijos no ar e saiu da sala, deixando ela o mais irritada possível.

chegou em casa primeiro que . Por estar muito irritada, não queria brigar com ele. Do jeito que estava, iria ter briga na certa e isso era o que ela menos queria. Adentrou em casa e foi direto para o banheiro para um banho relaxante, ficou por volta de meia hora debaixo do chuveiro, nem percebeu que havia chegado, tanto que saiu andando pela casa apenas de toalha. Ela foi à cozinha pegar um copo d'água, e só percebeu a presença dele na casa quando o mesmo se manifestou.

- Assim você mata o papai, hein. - falou quando viu .
- Vai tomar no cu, . - falou com o maior mau humor do mundo.
- Nossa, , também não é pra tanto, né?
- Porra, , cala a boca. Você sabe que eu odeio quem me chamem de .
- Tudo bem, , eu sei que você está de mau humor.
- Que bom que você sabe. - ela falou colocando o copo na pia.
- Caraca, está difícil conversar com você, hein. – ele aumentou um pouco o tom de voz.
- Tchau, , tchau - falou indo em direção ao quarto.
foi para o quarto para trocar de roupa e ficou na sala, sabia que se entrasse no quarto com ela daquele jeito a briga iria ser feia, então preferiu ficar pela sala mesmo. Tirou a camisa e o tênis, ficando apenas de calça jeans. Foi até a cozinha e preparou um macarrão pronto, pegou um copo de coca e foi para a sala, ligando a TV em algum canal qualquer. Quando terminou, ele pegou as coisas que sujou e lavou, desligou a TV e resolveu enfrentar a “fera”. Ele terminou de arrumar as coisas no andar de baixo e depois foi em direção ao quarto. Quando chegou lá, viu que não estava dormindo na cama e sim em uma poltrona que tinha perto da janela, decidiu primeiramente tomar um banho antes de ir chamá-la para pô-la na cama. Ele demorou pouco no banho, vestiu uma calça de pijama e foi tentar acordar para ir para cama.

- , meu anjo, acorda. - ele falava fazendo cafuné nos cabelos da loira.
- Hum? - resmungou.
- Vem, .
- Não quero, . - falou sonolenta e se virou do jeito que pôde para o outro lado da poltrona, fazendo com que o fino lençol que a cobria caísse, mostrando a fina camisola preta que usava. engoliu seco.
- , por favor, se levanta, vai.
- Ai que saco, . - falou se levantando e indo em direção à cama, deixando se amaldiçoando por tê-la chamado. usava uma camisola preta e curta, tinha um fino bojo também preto, mas com renda em vermelho. O fino tecido que estava na parte de baixo mostrava o fio dental que usava, deixando excitado só com a cena que via.
- Deus, dai-me forças. - falou, voltando ao banheiro para um banho frio, um banho MUITO frio.

***


Lua acordou cedo por um milagre dos céus. Sentiu a falta de ao seu lado, se levantou e foi em busca dele pela casa e acabou o achando deitado no sofá.

- , acorda. - ela falou agachada ao lado do sofá, fazendo carinho nos cabelos do moreno.
- Não. - falou resmungando com um tom sonolento.
- Vai, dorminhoco, acorda. - ela sussurrou propositalmente ao ouvido dele.
- Chata. – resmungou se levantando e ficando sentado no sofá.
- Por que você dormiu aqui? - falou se levantando e indo em direção à cozinha para preparar o café da manhã.
- Sério que você ainda está perguntando isso? - falou, encostando-se no balcão que divida a sala da cozinha.
- Óbvio.
- , eu sou homem.
- Eu sei, mas o quê que isso tem a ver?
- Olha o pedaço de pano que você está vestindo. - falou como se fosse óbvio, fazendo com que bufasse.
- Mudando de assunto, já decidiu que fantasia você vai usar?
- Não e você?
- Também não, vou falar com as meninas pra ver se vamos juntas à loja.
- Certo. Que horas você vai?
- Na hora do almoço.
- Eu vou chamar os meninos pra gente ir tudo junto então.
- Claro que não.
- Por quê?
- Porque, pelo que eu conheço da , ela vai querer surpreender o . - ele bufou.
- Sério isso?
- Super sério. Agora me deixa ir tomar um banho, senão a gente sai atrasado! - Ela deu a volta no balcão e depositou um beijo no rosto do moreno.
- Quem te ve assim, nem parece a mulher mal humorada que chegou aqui ontem.
- Que bom que você já está acostumado, meu lindo. – falou, subindo as escadas e indo direto para o banho para o começo de um longo e cansativo dia que teria sua recompensar depois.

***


Já estava na hora do almoço, estava terminando de organizar sua mesa para sair com as meninas. havia dito que tinha uma loja de fantasias próxima à maternidade e assim foi o combinado, as três sairiam juntas para essa loja.

- Pronto, ? - falou, saindo do consultório.
- Sim, vamos chamar a ? - ela falou, saindo da sua mesa.
- Vamos! - E assim elas foram.
- Galega - falou quando chegou à mesa de .
- Opa, Loira! - Sorriu pra ela.
- Vamos?
- Sim, só me deixa terminar de imprimir esses papéis que a gente vai.
- Certo. Seu patrão está ai?
- Está sim.
- Então eu vou falar um negócio a ele, você vem, ?
- Não, eu vou ficar com a .
- Está certo, então. - falou, indo em direção ao consultório de , abrindo a porta. - Moreno.
- Loura. - Ambos sorriram - Vai sair agora?
- Vou sim.
- E aí? Já decidiu o que vai usar?
- Não faço a mínima. E você?
- Também não, vou pedir ajuda aos universitários.
- Universitários?
- e .
- Ah. – falou em tom de entendimento - A deve estar pirando tentando decidir que fantasia vai - falou gargalhando e foi acompanhada por .
- Tadinha, não fala assim dela.
- Mas é a verdade, meu filho.
- Se você diz... – deu de ombros.
- Vamos, Loira? - falou, interrompendo-os, entrando na sala.
- Vamos. Tchau, .
- Tchau e boa sorte.
- Não vai agora, ?
- Cadê a toda formal? - desconversou.
- Tá na hora de almoço, sem formalidades. Mas enfim, você vai agora?
- Não, me proibiram.
- Quem?
- Nada, morena, vamos. - falou, empurrando para fora da sala, deixando a mesma sem entender nada.

***


- Ah não, , assim você quer parecer o que?
- A coelhinha da playboy. - comentou, fazendo as três gargalharem. Elas já estavam na loja há algum tempo e diversas fantasias já haviam passado pelo corpo de cada uma.
- Nossa, gente, está tão ridículo assim?
- Ridículo é pouco, , troca isso, vai.
- Tá bom, tá bom! - Enquanto estava provando a sua outra fantasia, as outras davam uma olhada nas outras fantasias que estavam no local.
- O quê que você acha dessa, ? - mostrou uma fantasia de noiva.
- Assim vai ficar parecendo que você quer casar, .
- Não tem nada a ver.
- Você é quem sabe, mas eu acho que essa fantasia não tem muito a sua cara.
- Realmente... - colocou a fantasia de novo na arara.
- O que você acha dessa? - mostrou uma fantasia de médica.
- Uma médica fantasiada de médica, por Deus, né, ? - fez careta e colocou a fantasia de volta na arara.
- Gente, o que vocês acham dessa? - apareceu fantasiada de freira.
- , sua linda, para o que você com certeza quer fazer com o seu moreno sedução, vai ser um pecado você usar essa fantasia. - falou, fazendo ficar vermelha e voltar para o provador.
- O que você acha dessa? - mostrou uma fantasia de hippie.
- Não. , você é uma mulher sexy, procura uma fantasia que tem mais a ver com você e que deixe o aos seus pés. - fez uma cara pensativa e voltou a olhar a loja.
- O que você acha dessa? - mostrou uma fantasia de marinheira.
- Tradicional demais. Por que você não procura uma das princesas?
- Tem umas para o lado de lá. - apontou para o lado esquerdo da loja. - Você se importa se eu for lá?
- Claro que não, eu me viro por aqui.

Vinte minutos depois, estavam as três provando as fantasias dentro do provador. foi a primeira que saiu para olhar sua fantasia no espelho maior que ficava do lado de fora. Foi seguida por .

- O que você acha? - perguntou dando uma voltinha.
- Perfeita, é a sua cara. O que você acha da minha?
- Você vai usar com peruca?
- Não, com meu cabelo mesmo.
- Ah sim, porque assim fica mais linda.
- Tá bom mesmo.
- Está linda, amiga.
- Vem cá, a morreu lá dentro, foi?
- Não, querida, estou apenas terminando de colocar minha máscara. - Poucos segundos depois, saiu do provador deixando e de boca aberta. - E então, meninas, como eu estou?
- Caraca. , minha fantasia ficou sem brilho depois dessa. - falou fazendo biquinho e mexendo na saia.
- Realmente, eu acho que nem vou mais.
- Por que, gente?
- , se você for com esta roupa, todos os homens daquela festa irão olhar pra você.
- Ai meu Deus, , eu só quero o . O resto pode ficar com vocês.
- E se o ficar olhando pra você e esquecer de mim?
- Claro que não, - ela falou se virando para se olhar no espelho. - Mas e aí? A fantasia está boa mesmo?
- Está ótimo, amiga. - .
- Realmente, , se eu fosse homem eu juro que te pegava.
- Se você fosse homem, eu com certeza não te pegaria. - fez cara de magoada. - Eu já vou pegar o , se não fosse isso… - as três gargalharam.
- Você não presta mesmo, . - .
- Então, meninas, vocês vão levar essas mesmo? - uma vendedora da loja falou, chamando a atenção delas.
- Sim - As três responderam em uníssono.
- Me acompanhem, por favor! - E assim as três foram até o provador para trocar de roupa e depois foram até o caixa para pagar e receber as fantasias.

***


- Doutora , a dona Mercedes está lhe chamando... - entrou no consultório chamando a loira, já fazia algum tempo que elas haviam voltado para a maternidade.
- Dona Mercedes? Mas o que é que ela quer? - Mercedes era a diretora geral da maternidade.
- Não sei, ela apenas te chamou.
- Diga a ela que eu já vou, só falta eu assinar uns exames e já vou.
- Certo. - saiu da sala, e algum tempo depois também saiu para ir em direção à sala da sua chefe.
- ? O que você está fazendo aqui? - estava na porta da sala de Mercedes, e por coincidência, também estava lá.
- A dona Mercedes me chamou. E você?
- Ela também mandou me chamar.
- Mas pra quê?
- Não sei, ué.
- Ah, vocês já estão ai.

Mercedes abriu a porta da sala e os convidou para entrar. Ela era uma mulher na faixa de um cinquenta e cinco anos, os cabelos eram um pouco grisalhos na altura dos ombros e usava óculos que escondiam seus olhos azuis escuros. Embora ter aquela idade, o que aparentava era que ela tinha chegado aos quarenta a pouco.

- Sentem-se. - Apontou para duas cadeiras a sua frente - Então, eu chamei vocês aqui porque eu descobri uma coisa, é verdade que vocês vão adotar uma criança?
- Sim - respondeu.
- E essa criança é a filha da senhora Barreto que o nascimento está previsto para o próximo sábado, certo?
- Isso.
- Primeiramente, eu queria parabenizar vocês por esse ato, não são todos que tem essa mesma coragem que vocês dois estão tendo. Segundo, , eu andei vendo os arquivos e notei que você tá com um ano de férias acumuladas?
- Estão, mas…
- Mas nada, eu obrigo você a tirá-las agora para você cuidar do bebê. – falou sem dar bola para a boca aberta para um começo de protesto de . - , você tem apenas três meses e, assim como a , eu te obrigo a tirá-las.
- Tudo bem. - respondeu.
- E eu sei que é muito perto, mas é que no próximo sábado, após o nascimento do bebê, vai ter uma cerimônia para parabenizar os melhores obstetras da maternidade e a presença de vocês também é obrigatória.
- Mas como assim? Quem vai ficar com a Luna? - se exaltou.
- Arrumem um jeito, mas vocês terão que estar lá. Agora, estão dispensados! - e saíram da sala e seguiram para a sala de sem trocar uma palavra.

- PORRA! Quem essa mulher pensa que é? - falou assim que chegou a sua sala, batendo com toda a força a mão na mesa.
- Calma, , calma.
- Calma como, ? - já tinha os olhos marejados. - Eu não vou deixar a minha filha com qualquer um.
- A gente fala com a , sei lá... - também estava apreensivo, mas não queria demonstrar.
- , ela não pode fazer isso! - Ela já chorava e ele a abraçou, fazendo com que suas lágrimas molhassem sua camisa.
- Calma, princesa, o pior de tudo é que ela pode fazer isso sim, afinal, ela é a nossa chefe.
- Ela é a nossa chefe e não a nossa dona.
- Shh, relaxa, vai dar tudo certo. Eu estou aqui e vou cuidar de você. - Eu sei, , mas olha... - ele segurou o rosto dela com as duas mãos – a gente dá um jeito, a gente vai nessa festa hoje, vai se divertir... Sábado é o nascimento da nossa pequena e no outro sábado a gente vai nessa tal cerimônia. É só uma semana, apenas uma semana e a gente se livra dessa bruaca.
- Tudo bem. - falou suspirando. falando daquele jeito para ela trazia conforto e aquela paz, aquela certeza de que ele estaria sempre com ela estava estampada nos seus olhos. E isso foi o que a confortou, o que a fez ter a confiança que ele sempre passava pra ela. Assim, sempre.

***


- , me ajuda aqui! - estava terminando de por a sua fantasia.
- Nossa, vampirinho, vai morder quem hoje?
estava com uma fantasia de vampiro. Calça social preta vinda até a cintura, camisa social branca, uma capa vermelha e gravata do mesmo tom. Sapatos sociais pretos completavam o seu visual.
- Quantas me quiserem.
- Wow - ela gargalhou - Pronto, agora me deixa terminar de fazer minhas tranças.
estava vestida de Rapunzel. Seu vestido ia até metade de suas coxas em tons de branco, rosa e azul claro, sendo a saia e a lateral do vestido rosa e o espartilho azul. Seus sapatos estilo boneca, porém com saltos, em tom preto e meias brancas que iam até um pouco abaixo dos joelhos. Sua maquiagem estava simples, destacava apenas os olhos e os cabelos estavam secos para que fosse feitas tranças.

- Espera! - Ele a segurou pelo braço fazendo com que os olhares deles se cruzassem - Você não está bem, não é?
- Claro que estou, . Me solta, vai. - Ela se virou para que não visse os olhos dela, ela sabia que ele tem o “dom” de ler os mesmos.
- Olha pra mim, ... - Ela não o fez, assim como ele não soltou o braço dela. - Olha pra mim. - suplicou e aos poucos ela virou o rosto – Ei, pequena, vai ficar tudo bem.
- Eu sei, eu sei. – ela suspirou - Mas agora me deixa terminar de me arrumar, a gente tem uma festa pra curtir e você já está mais adiantado do que eu. - Pincelou o nariz dele.
- Tudo bem, vai lá. - ele deu-lhe um beijo na testa a deixando ir terminar de se arrumar.

Passava das vinte e duas horas quando e chegaram à festa, o som tocava alto e logo eles foram cumprimentar os donos.

- Caraca, , arrasou, hein. - falou, girando e dando um beijo na bochecha dela em seguida.

estava vestida de Cinderela. O vestido estava no mesmo comprimento que o de . Para falar a verdade, os vestidos eram bem parecidos, o que mudava eram as cores, já que o de era azul e a única coisa branca que tinha era a parte frontal que tinha um tecido como um “avental”. A maquiagem de destacava os lábios e o cabelo estava sendo dividido da franja por um diadema negro com um laço de mesma cor na lateral esquerda. Nos pés usava o mesmo que .

- Obrigada. - sorriu meiga.
- Fiu-fiu, dona . - disse assim que viu .
- Fiu-fiu digo eu, - ela retribuiu o elogio de .

estava fantasiado de lobo em sua forma humana. Vestia apenas uma calça jeans escura. Nada de calçado, muito menos camisa.

- Ai, meu pai, só tem gata nessa festa. - falou chegando perto dos quatro com uma bebida vermelha em mãos.
- O que é isso, heim, zinho? - falou indo abraçar o mesmo que estava vestido de Batman.
- , minha filha, onde estava escondido isso tudo, hein? - ela gargalhou e logo reparou uma pessoa entrando na casa.
- Deixa só aquela pessoa chegar perto de você. - desfez do abraço.
- Que pes… - perdeu a voz definitivamente assim que viu se aproximando deles.
- Boa noite, gente - falou sorrindo lindamente.
- Boa noite, Morena. - e falaram em uníssono enquanto os meninos ainda estavam de queixo caído com .

A mesma estava vestida de Mulher-Gato. A roupa negra e brilhosa marcava espetacularmente o seu corpo que era mais que perfeito. A bota, também na cor negra e de saltos agulha, chegava até seus joelhos. Nas mãos tinha um chicote, a máscara cobria parte do seu rosto e sua boca estava perfeitamente desenhada em um batom vermelho sangue. Os cabelos estavam soltos.

- Meninos? - esperou alguma reação dos meninos.
- , você está precisando de um balde? - sacaneou .
- Balde? - Ele ainda estava de boca aberta e tentava prestar atenção no que a estava falando.
- É que sua baba já está começando a cair. – falou, apontando parra o canto da boca do garoto.
- Baba? Onde? - ele começou a passar a mão da boca em busca da tal baba.- Ah, , vai se foder.
- Mais tarde, meu querido, mais tarde. – ela sorriu.
- Boa noite, . - falou, beijando as costas da mão da .
- Boa noite, . ?
- Boa noite, Morena. - ele falou, indo até ela e dando um beijo na bochecha dela.
- ? - ela falou e ele enfim se recompôs para falar com ela.
- Boa noite, minha colmeia cheia de mel. - falou galanteador, o que a fez sorrir abobalhada.
- Vamos dançar?
- Com você? Sempre. - E assim eles foram.
- Bom, amiga, eu também vou dançar. - falou para , enquanto puxava a mão de .

E assim, só restou , e um clima estranho. Um clima MUITO estranho.

Capítulo betado por Victoria Mazza




Capítulo 6


(Esse capítulo tem três músicas e elas não precisam, necessariamente, serem ouvidas, mas se quiser eu irei dar o nome das duas últimas, já que a primeira são só trechos. Enfim, aqui estão: Quem Ama Cuida – Maria Cecilia e Rodolfo e Te Espero no Farol – Tomate – Versão acústica).

- Quer dançar ? - falou estendendo a mão para .
- Sim. - Ela respondeu com um sorriso tímido no rosto e segurou na mão dele.
a levou até o meio do ‘salão’, onde Kiss Me do Ed Sheeran tocava, depositou as mãos na sua cintura e ela entrelaçou os braços no pescoço do moreno. Eles começaram a dançar ao ritmo da música, os seus rostos estavam colados e podia sentir o cheiro embriagante de , assim como ele podia sentir o doce perfume que vinham dos cabelos dela. A música lenta fazia com que os dois tivessem uma troca de carinho involuntária, mas as pessoas que estavam ao redor, ainda não haviam percebido isso. A música descrevia praticamente tudo o que um estava sentindo um pelo outro naquele momento. E por que não dar indiretas em forma de canção?
- Kiss me like you wanna be loved You wanna be loved, you wanna be loved This feels like falling in love. - sussurrava ao ouvido de , o que a fez fechar os olhos e sentir um frio diferente percorrer sua espinha.
- Falling in love. - também sussurrou.
- We’re falling in love. - Cantaram juntos.
As gargantas de ambos estavam ‘entaladas’, e eles mal sabiam se tinham aprendido a falar algo durante toda a existência deles. segurava firme a cintura dela, parecia que tinha medo de que ela fosse fugir e ela continuava com os braços entrelaçados ao pescoço dele e sua cabeça, estava deitada no ombro dele, ela estava na sua ‘casa’, sentindo o melhor cheiro que já sentiu em toda sua vida.
- We’re falling in love. - Eles cantaram mais uma vez juntos, mas dessa vez foi diferente, havia levantado seu rosto e olhava fixamente nos olhos de e ele fazia o mesmo. Ambos sabiam, eles estavam sim se apaixonando. Os olhos deles estavam em dúvidas entre olhos e boca e quando enfim perceberam que o desejo de se beijarem era maior, e que as bocas foram se encostando, ambos já podiam sentir o roçar dos lábios um do ouro, até que…
- Opa, desculpa. – Falou uma mulher ruiva, mediana e de olhos azuis, que acabara de esbarrar neles.
- Não tem pro... - começou a falar, mas foi interrompida.
- ? ? MEU ? - A mulher fez um ‘pequeno’ escândalo ao reconhecer o moreno.
- Julia? Ju? MINHA JUJUBA? - falou abraçando a mulher a sua frente, deixando enciumada e sem entender nada.
- , você não vai me apresentar a sua amiguinha, não? - falou após forçar a garganta.
- Ah, desculpa . - Falou se desvencilhando do abraço e segurando na cintura de Julia. - Ju, essa é a e , essa é a Julia.
- Prazer. - A ruiva falou com um sorriso sínico.
- O prazer é todo meu. - falou com um sorriso falso e em tom de deboche, apertando a mão da mulher.
- Cara, como você está diferente. - Julia se voltou para , deixando completamente de lado.
- Eu não mudei nada, já você…
percebendo que iria ficar por fora daquela conversa, decidiu sair dali. A música já havia mudado e ela foi em direção ao ‘bar’ da casa.
- O mais forte que tiver, por favor. - Ela pediu ao barman.
- E aê, Loura ? - falou.
- Oi. - Falou cabisbaixa.
- O quê que aconteceu? - perguntou preocupada.
- Nada não, só uma vadia que ressurgiu das cinzas. - falou olhando pra e Julia que conversavam animadamente.
- Nossa, amiga. Boa sorte. - falou ao ver que estava se aproximando delas.
- Vai ficar ai ? Vamos para pista? - Ele falou alegremente.
- Pensei que você preferia ficar com sua amiguinha. - Falou em tom debochado, pegando sua bebida e dando as costas para o moreno que não entendeu nada.
olhou para , com a esperança de que ela explicasse o que havia acontecido.
- Ih, nem olha pra mim que eu não sei de nada. - Falou levantando as mãos se ‘rendendo’ e indo em direção à pista de dança.
- Loucas. - sussurrou e foi em direção ao balcão para pedir uma bebida, e logo depois voltou para onde Julia estava. - Aqui. - Lhe entregou um copo de bebida.
- Obrigada. - Disse pegando o copo e bebendo a bebida pelo canudo de forma sedutora. - Então , você está solteiro?
- Sim e você? - Ele respondeu sem interesse.
- Sempre. - Disse insinuante colocando a bebida em um móvel qualquer por ali. - Vamos dançar?
- Vamos. - a puxou pela cintura e eles foram dançar.

Do outro lado da festa:
- Se ele pensa que eu vou ficar chorando por ai, ele está muito enganado. - Falou se olhando no espelho do banheiro. Ela retocou a maquiagem e se olhou mais uma vez. - Hoje vai ser o meu dia. - E saiu do banheiro.
- Ora, jogue-me suas tranças Rapunzel. – Um homem loiro de olhos verdes disse enquanto passava.
- Pra que jogar as tranças se você pode me pegar pelo braço?
- Wow, direta assim?
- Não gosto de pegar atalhos, baby. - E isso foi o suficiente para o homem puxar pelo braço e gruda-la na parede, fazendo-a gemer com o contato.
- E eu posso saber qual o verdadeiro nome da Rapunzel? - Ele falou distribuindo beijos pelo pescoço dela.
- Sem nomes, querido.
- Você é quem sabe. - Nesse momento o homem se apoderou dos lábios de , começando com a ‘sessão amasso’ por ali.

Do outro lado:
havia parado de dançar, estava um pouco cansado.
- Jujuba, foi muito bom te reencontrar, mas agora eu tenho que ir.
- Mas já? - A ruiva tinha os braços em volta ao pescoço de e fazia bico.
- Já. Amanhã eu quero tirar o dia pra descansar e arrumar algumas coisas na minha casa. - Ele falou enquanto fazia carinho na fina cintura da moça.
- Então tá, ué. - Sem nem ao menos perder tempo, a ruiva o deu um beijo. não queria beijá-la, mas já que ela pediu passagem, por que não ? O beijo era demorado e sem sentimentos e acabou sem selinhos.
- Agora é sério, eu tenho que ir. - Ele deu um beijo na bochecha dela e se despediu indo em direção à saída, se deparando com certo ‘casal’ aos amasso. – É. Com licença. - coçou a nuca envergonhado, abriu um olho e cessou o beijo.
- Com licença, gato. - se desgrudou do rapaz limpando os cantos dos lábios. - Você poderia ser breve, ? - Não se sabia o motivo, mas os dois estavam envergonhados.
- Claro, é… - coçou a nuca mais uma vez. - Você... Você vai agora?
- Não. - O olhou como se fosse óbvio, arqueando as sobrancelhas.
- Certo, então… Eu já vou. - falou por fim e depositou um beijo na testa de . - Se cuida. - Sussurrou.
- Pode deixar. - Ela disse no mesmo tom.

**


Passavam-se das duas horas quando chegou em casa, estava cansado, tirou sua fantasia, e foi em direção ao banheiro para tomar um banho quente, relaxante. Após o banho, vestiu apenas uma box e uma calça moletom Deitou-se, mas o que ele esperava não aconteceu, o sono havia se esvaído. Por mais que ele se virasse na cama, mais parecia que nenhum vestígio de sono passaria por ali.
As imagens daquela noite não saiam de sua mente. Ver ali, beijando outro cara, o fez pela primeira vez sentir uma angustia e um ciúme que ele nunca imaginara que sentira. Olhou no relógio novamente e ele marcava três e quinze em ponto e ainda não havia chegado. Pra ‘aliviar’ sua tensão, resolveu tocar. Pegou o violão e seguiu para o quarto de Luna, ele se sentia bem ali, era um canto que lhe dava paz, em pensar que em dois dias sua pequena estaria ali, ele não podia deixar de ter um sorriso amplo no rosto. Pegou o violão e começou a cantar.

Deem play na primeira música.
- Não ligue se eu lhe perguntar, nem vá se estressar se eu quiser saber, com quem, aonde você tá, que hora vai voltar, e o que vai fazer, não ‘tô’ pegando no seu pé, é que quando a gente quer, a gente vai à luta, mas não desligue o celular, eu vou te rastrear, porque quem ama cuida. - estava tão entretido cantando, que não havia escutado a porta do apartamento se abrir. - Ei não é ciúme; eu confio em você, e vou tá sempre onde você estiver, e mesmo estando ausente, eu vou estar presente, toda hora que você quiser, se me chamar eu vou e se for pra fazer amor, eu largo tudo, tudo e vou à luta, mas não desligue o celular, eu vou te rastrear, porque quem ama cuida… - retirou os saltos na sala mesmo, os pegou e foi em direção ao quarto, imaginava que já estaria dormindo. - Eu vou cuidar de você, todo dia, toda hora e a todo o momento, você jamais vai duvidar do meu sentimento, é de dar inveja um amor assim. - chegou ao quarto, mas não viu na cama. Estranhou, mas logo percebeu que uma melodia vinha do quarto de Luna. - Eu vou cuidar de você, todo dia, toda hora e a todo o momento, eu sou capaz de ler até seu pensamento, só pra saber se tá pensando em mim.
Nesse momento, chegou ao quarto e só então percebeu a presença dela. A troca de olhares foi intensa e era de se julgar que as respirações de ambos já não eram feitas. continuava com os olhos penetrados no de , sem nem ao menos dizerem uma palavra. Ela pegou o violão que ele havia comprado há alguns dias e se sentou em frente a ele. Dedilhou algumas notas e…

Deem play na segunda música.
- Sei, que um dia vai lembrar, o tanto que eu te quis, eu sei você vai ver, mas eu tenho que aceitar viver sem teu olhar, não posso resistir, vem pra perto de mim, faz o tempo parar, faz tudo acontecer, vou te fazer carinhos, até o amanhecer. - olhava para fixamente, que estava concentrada em tocar as notas da música corretamente, música no qual havia a ensinado a tocar. - Te espero no farol, pra ver o sol se pôr, fazer denguinho, fazer declaração de amor, te espero no farol, pra ver o sol se pôr, fazer amor, fazer amor… - conhecia a letra perfeitamente e sabia que ela estava cantando para ele, e sim, ele sabia que o que ela sentia era reciproco, pegou o violão e começou a tocar.
- Sei que um dia vai lembrar, o tanto que eu te quis, eu sei você vai ver, mas eu tenho que aceitar viver sem teu olhar, não posso resistir, vem pra perto de mim, faz o tempo parar, faz tudo acontecer, vou te fazer carinhos, até o amanhecer. - também tocava o violão, seus olhos já estavam marejados e ela tinha a certeza: Ele sentia o mesmo por ela. - Te espero no farol, pra ver o sol se pôr, fazer denguinho, fazer declaração de amor, te espero no farol, pra ver o sol se pôr, fazer amor, fazer amor…
- Te espero no farol, sol se pôr, declaração de amor, te espero no farol, sol se pôr…
- Fazer amor…
A música acabou e a sensação que o mundo havia acabado e que só existiam eles dois no local se instalou.
Olhos, boca...
Era o que o olhar de cada um tentava se decidir onde ficava. , mais que depressa colocou o violão de lado e chocou seus lábios com o de , sem medo de ser feliz.


Capítulo 7


Deem play quando for mandado: Pra Você Guardei o Amor – Nando Reis.

São nessas horas que o ser humano não sente necessidade alguma em respirar, e era assim que e estavam se sentindo, mas como a vida é dura e nunca é como a gente quer, eles tiveram que parar com o beijo para poder respirar. O beijo foi parado com três selinhos e uma ‘mordida’ no lábio inferior de .
Eles ficaram com as testas coladas após o beijo, esperando a respiração normalizar e quando isso aconteceu ambos exibiram um sorriso amplo em seus lábios.
- Eu não acredito que isso tá acontecendo. - falou em um sussurro.
- Por quê? - Ela perguntou no mesmo tom.
- Olha quanto tempo a gente tem de amizade e só agora que… - Ela colocou o dedo indicador na boca dele, o impedindo de falar.
- Shh, não estraga. - Ela falou e o beijou novamente. Um beijo calmo e terno.
O beijo aos poucos foi cessado e, sem dizer nada, os dois se levantaram, deixaram os violões em seus devidos lugares e foram de mãos dadas até o quarto onde dormiam. Assim que abriu a porta do quarto, puxou para um beijo calmo, mas que aos poucos fora ganhando velocidade, ele caminhou com ela até a cama, até que os joelhos dela dobrassem e eles se deitassem. Os beijos estavam cada vez mais quentes e o ar naquele quarto, parecia ter se esvaído há muito tempo. aos poucos foi descendo os beijos até o pescoço de e suas mãos seguravam os braços dela por cima da cabeça. Até que o mínimo de consciência que tinha naquele momento falou mais alto e aos poucos ela cessou os beijos com selinhos.
- … - Ele não deu atenção. - .
- Hum? - Ele resmungou enquanto deixava algumas marcas no pescoço dela.
- . - Ela conseguiu falar um pouco mais firme, buscando forças só Deus sabe de onde.
- Oi. - Ele falou parando os beijos e a encarando, ainda por cima dela.
- Vamos com calma, tá? - Ela falou sem jeito, arrancando um suspiro dele.
- Tudo bem, princesa. - Ela sorriu. - Afinal, temos todo tempo do mundo.
- Eu amo essa música.
- Hã ? - olhou-a sem entender.
- A música que tem essa frase?
- Ah, Tempo Perdido?
- Yes. - Ela assentiu sorrindo boba.
- Quer cantar ? - Ele perguntou sugestivo.
- Não.
- E o que você quer?
- Dormir. - Respondeu simplesmente.
- Dormir? - Ele franziu o cenho.
- Sim, de conchinha.
- Ah, assim? - Ele deitou ao lado dela e puxou ela pela cintura, entrelaçando suas pernas e abraçando-a, passando toda segurança do mundo.
- Uhum. - Ela tinha um sorriso lindo, mesmo que ele não mostrasse seus dentes perfeitos e brancos.
- E agora, o que você quer?
- Canta pra mim?
- Canto. O que você quer ouvir?
- Hum, me deixa pensar. - Ela fez cara de pensativa enquanto beijava sua nuca. - 93 million miles.
- Certo, fecha os olhos então. - E assim ela fez, deixando que a voz de soasse perfeitamente a fazendo dormir. - 93 million miles from the sun, people get ready, get ready, cause here it comes, it’s a light, a beautiful light, over the horizon, into your eyes…

**


A quinta e sexta-feira passaram como foguetes. e ainda estavam em clima de romance, mas sem “status”. , , e , estavam tão ansiosos quanto e para o nascimento da “Sobrilhada”, apelido que as meninas haviam dado a Luna, segundo elas era a mistura de sobrinha com afilhada. só faltou ter convulsão de tanto rir desse apelido.
Era por volta das três da manhã e não conseguia dormir. Ela olhou por cima do ombro e via que dormia serenamente e sentiu a respiração tranquila dele, que batia em seu pescoço. Eles dormiam de conchinha, mas diferente das outras vezes, não estava conseguindo acalma-la. Ela estava agoniada, para ela, as horas não se passavam e ela estava incomodada. Ela calmamente, sabe-se lá como, retirou o braço de que estava envolta a sua cintura e se levantou, indo em direção ao quarto de Luna.
- Minha pequena… - dizia enquanto ‘acariciava’ o berço. - Amanhã você vai estar aqui, se você soubesse o quanto eu estou ansiosa. - Os olhos dela já estavam completamente marejados. - Eu já te amo tanto e tenho certeza que teu pai também. - Ela sorriu ao falar a palavra pai. - Ele está tão feliz pequena, e eu também, esse amor que a gente sente por você é um amor novo, um amor que…
- Um amor que a gente nunca soube dar? - disse a surpreendendo.
- Estava ai há muito tempo? - Ela sorriu pra ele.
- Só a tempo de ouvir você dizer que eu já amo a pequena. - Eles sorriram. - Não estava conseguindo dormir?
- Não e você? Por que acordou?
- Você não estava na cama. - Ela sorriu sem graça. - Quer cantar?
- Pode ser.
- Hum… - pegou o violão que descansava por ali. - Que tal essa? - Ele dedilhou algumas notas da música.
- Ela é linda.
- Então vai ser ela.
- Certo. - limpou a garganta e começou.

Pode dar play.

- Pra você guardei o amor, que nunca soube dar, o amor que tive e vi sem me deixar, sentir sem conseguir provar, sem entregar, e repartir, pra você guardei o amor, que sempre quis mostrar, o amor que vive em mim vem visitar, sorrir, vem colorir solar, vem esquentar, e permitir, quem acolher o que ele tem e traz quem entender o que ele diz no giz do gesto o jeito pronto, do piscar dos cílios, que o convite do silêncio, exibe em cada olhar…
- Guardei, - começou a cantar. - Sem ter porque, nem por razão ou coisa outra qualquer, além de não saber como fazer, pra ter um jeito meu de me mostrar, achei, vendo em você, explicação, nenhuma isso requer, se o coração bater forte e arder, no fogo o gelo vai queimar…
- Pra você guardei o amor, que aprendi vendo os meus pais, o amor que tive e recebi, e hoje posso dar livre e feliz, céu cheiro e ar na cor que o arco-íris, risca ao levitar, o nascer de novo, lápis, edifício, tevere e ponte, desenhar no seu quadril, meus lábios beijam signos feito sinos, trilho a infância, terço o berço, do seu lar..
- Guardei, sem ter porque, nem por razão ou coisa outra qualquer, além de não saber como fazer, pra ter um jeito meu de me mostrar, achei, vendo em você, explicação, nenhuma isso requer, se o coração, bater forte e arder, no fogo o gelo vai queimar...

Tirem a música.
**


O sábado amanheceu ensolarado. Era por volta das oito da manhã e o nascimento da pequena estava previsto para as quatorze horas. Era para e estarem na maternidade as dez, já que a chefe deles queria falar com eles.
estava se arrumando, já havia colocado a calça jeans branca e uma regata de mesma cor, com sapatilhas em um tom claro. estava apenas com a calça branca e um tênis.
- , você viu aqueles papéis do... - parou de falar ao ver que estava penteando os cabelos distraída, sabia que ela não havia escutado nada do que ele tinha dito. - Hey. - Ele falou enquanto fazia uma massagem nos ombros dela, para aliviar a tensão. - No que você está pensando?
- Em tanta coisa. - Ela falou o olhando pelo reflexo do espelho.
- E o que seriam elas?
- Na Luna, no que a megera que falar, na minha vida daqui por diante, em... - Suspirou. - Nós.
- E o quê que te assusta?
- Tudo um pouco.
- Como assim? - Ela se virou para ele.
- A Luna é a coisa mais linda que vai acontecer na minha vida, só Deus sabe o quanto eu estou feliz por isso. - Ele sorriu meigamente enquanto falava, mas logo mudou de semblante ao começar a falar do outro assunto. - Depois vem aquele ser que nós chamamos de chefe, ela sempre tem o poder de me por pra baixo, impressionante. Depois esse um ano sem trabalhar, apenas pra cuidar da Luna, de mim, da casa, é estranho. Você sabe mais do que ninguém que eu não curto muito isso. - Ela finalizou.
- E nós?
- O quê que tem nós?
- Você esqueceu-se de falar sobre nós.
- Ah , isso a gente vai vendo com o tempo. - Fugiu do assunto. - Mas agora vamos que ainda temos um trânsito pra enfrentar.
nada disse, colocou sua camisa pólo branca e pegou suas coisas indo em direção a porta com sua pasta e as chaves do carro e do apartamento em mãos. logo o seguiu, pegando sua bata e a bolsa indo para o carro. Chegaram à maternidade faltando dez minutos para a tal reunião com a tal chefe deles.
- E ai mamãe do ano, como está se sentindo? - falou sorrindo ao ver a amiga.
- Sem saber o que é esse sentimento? - Ela sorriu. - Sério , eu não sei. Estou ansiosa, feliz, mas ao mesmo tempo com medo e agoniada.
- Nossa. - Ela sorriu abertamente. - E o pai? Como está?
- Mais besta que eu. - Falou sorrindo.
- Ai amiga boa sorte, que Nossa Senhora do Bom Parto ajude a Fernanda na hora que ela for dar a luz.
- Eu já fiz uma oração para Ela.
- Vai dar tudo certo, você vai ver. - Elas se abraçaram, mas se desvencilharam ao ouvir a voz de Arthur logo atrás delas.
- , tá na hora da reunião, vamos ?
- Vamos.
deu um beijo demorado na bochecha dela e eles foram em direção à sala da direção.
- Com licença Dona Mercedes. - falou após bater a porta e por a cabeça para dentro da sala.
- Podem entrar. - Eles entraram e sentaram-se na frente da mulher. - Eu vou ser breve. , você não fará o parto da Senhorita Barreto, vocês dois podem ficar na sala de parto, mas não fazer - Enfatizou a palavra. - O parto.
a olhou sem acreditar no que ela falara e as lágrimas já escorriam pelos olhos de involuntariamente.
Alguns longos, ou nem tantos, minutos passaram para que o que Mercedes havia falado fizesse sentido na cabeça de e principalmente na de . Ela estava horrorizada, como assim ela não poderia fazer o parto da sua filha? Era a pergunta que gritava em sua mente. Sem ter mais nenhum controle da situação, deixou que o sangue subisse a sua cabeça e explosão veio logo em seguida.
- Você é louca? - Ela perguntou com toda a fúria que existia dentro de si, olhando diretamente nos olhos da mulher a sua frente, deixando não só a própria, mas também , assustados com a situação. - Como assim eu não vou fazer o parto da minha filha?
- Primeiro, baixe seu tom de voz pra falar comigo… - Mercedes começou a falar, mas foi interrompida por .
- Eu falo do jeito que eu quiser sua mal comida. - já estava de pé.
- Calma . - levantou-se e a segurou pelo braço com medo de que ela partisse pra cima da mulher a sua frente.
- Solte-me, ou vai sobrar pra você também. - Ela falou o olhando profundamente nos olhos. O que o fez a soltar e levantar as mãos em rendição. - Anda, sua vadia. Por que eu não posso fazer o parto da minha filha?
- , se você ainda tiver um pouco de juízo, abaixe o tom pra falar comigo. - A mulher também estava de pé. - Você não tem condições de fazer esse parto, eu permito que vocês dois entrem na sala, mas fazer a porcaria desse parto não. - Falou a última palavra mais severamente, se é que isso era possível.
- Sua mal amada, sem coração. É por isso que nunca vai ser mãe nessa vida, sua velha filha da.. - ia continuar a frase, mas foi interrompida mais uma vez.
- , é melhor tirar sua amiga da minha frente, antes que ela perca o emprego.
- Tudo bem. - tentou puxar , mas ela estava irredutível.
- Sua mocre...
- CHEGA , CHEGA! - gritou conseguindo com que ela o desse atenção e o obedecesse.
- Só mais uma coisa, Doutora . - Mercedes a chamou enquanto já estava a sair da sala. - Lembre-se que essa filha é da Senhorita Fernanda e não sua. Então seu eu não sou mãe, você também não é.
ia responder ou mesmo partir pra cima da chefe, mas foi mais rápido e conseguiu sair daquela maldita sala.
passou andando apressadamente para sua sala, sem dá a mínima atenção para o que e tentavam dizer.
- Quem ela pensa que é ? - dizia chorando e gritando ao mesmo tempo. entrou na sala dela em seguida. - Meu Deus, o que eu fiz? Eu não mereço isso. Eu mereço, ? Responde. - Ele ia abrindo a boca pra falar, mas ela o interrompeu. - O que eu fiz? É claro que eu vou ter um filho. Essa pessoa não pode dizer isso de mim. Ela é minha chefe e não, ninguém que possa me julgar. Que ÓDIO, eu juro que um dia eu ainda abro a minha maternidade e acabo com essa recalcada. Essa merda só tem fama por causa de nós dois.
- , olha pra mim. - Ele chegou em frente a ela. - Eu sei que aquela mulher não presta e não é de Deus, mas ela é a nossa chefe e se não fosse ela, talvez não iriamos ter a Luna. - Ele acariciou o rosto dela, que logo depois encostou a cabeça no peitoral dele, fazendo com que ele a abraçasse. - Tem calma meu anjo, hoje é o nascimento da nossa filha e a gente… - ia continuar se duas mulheres não entrassem que nem loucas na sala. - O que aconteceu?
- Gente, corre, a Fernanda teve uma complicação e a Luna vai nascer agora. - estava mais branca que uma folha de papel e disse tudo de uma vez só.
- O que? - Foram as únicas palavras que saíram da boca de . apenas as olhava com a boca aberta, sem reação.
- Corre gente, a filha de vocês tá nascendo. - falou em desespero, ‘acordado’ do seu transe, que fez com que ela saísse correndo de mãos dadas com pelos corredores da maternidade.
- Pra onde levaram a Senhorita Barreto? - perguntou para uma enfermeira de meia-idade que passava por ali.
- Eu não sei. - A mulher respondeu simplesmente, fazendo com que voltasse a sua corrida.
- , pra onde levaram a Fê? - perguntou assim que o encontrou no meio do corredor.
- Eu estou indo fazer o parto dela agora, vocês vão poder entrar na sala, certo?
- Certo. - respondeu.
- Então vamos.
E assim eles foram, vestiram-se adequadamente e entraram na sala de parto, onde Fernanda gemia de dor.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH. - Fernanda gritava a cada contração que sentia.
- Fê, fica calma, a gente está aqui. - falou assim que chegou ao lado esquerdo da mulher, ambas já choravam.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH. - Ela gritou mais uma vez.
- Força Fê, ela já está nascendo. - disse ao lado direito dela, enquanto segurava sua mão fortemente.
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH. - Ela deu o seu grito mais longo e cansado, mas dessa vez ela ouviu a coisa mais linda que jurou já ter ouvido. Sua aparência era de uma pessoa cansada e lágrimas escorriam por seu olhos, assim como caiam nos de e .
- Sua menininha. - A enfermeira mostrou a pequena menina em seus braços ainda suja de sangue. Fernanda olhou para filha chorando ainda mais.
- Eu... Te… Amo. - Ela falou pausadamente, ainda recuperando o ar, mas sabia que não o recuperaria. - … - Ela os chamou quase sem fôlego após a enfermeira ter levado Luna de perto deles. e choravam não só de emoção, mas também porque sabiam o que ia acontecer. - Cuidem bem dela.
E essas foram as últimas palavras de Fernanda, que foi seguida por seu último suspiro.


Capítulo 8


e estavam chorando por alegria e ao mesmo tempo por tristeza. A alegria de ter a filha deles nascida e a tristeza de ter perdido uma amiga como Fernanda. Eles estavam esperando a enfermeira os chamar para poder olha Luna mais de perto.
- Podemos entrar? - As lágrimas deles já haviam cessado quando eles perguntaram a enfermeira se podiam entrar no berçário.
- Podem. - A bela moça de cabelos castanhos falou.
E assim foi feito, e entraram no berçário para poder pegar a pequena e delicada criança no colo pela primeira vez. Assim que entraram no mesmo, logo viram , Sophia, e olhando-os através da enorme janela de vidro que tinha ali. Foi o dos momentos mais aguardado e especial para todos que estavam ali. As lágrimas já haviam voltado aos olhos deles, as meninas do lado de fora também tinham os olhos marejados e os marmanjos estavam com o sorriso mais idiota que já se vira na cara. Então a enfermeira pegou a pequena e frágil menina nos braços para ser entregue a . Quando pegou-a em seus braços, deixou que as lágrimas caíssem. foi ao lado delas e depositou um beijo na testa de e em seguida deu um beijo delicado na testa da pequena menininha no colo da mãe. Sim, mãe, não importa o que houvesse, seria a mãe dela, nem que tivesse que dar o seu sangue para isso.
- Vocês vão ser muito felizes, eu prometo. - falou olhando fixamente nos olhos de e depois ambos olharam para Luna.
- Eu amo tanto vocês. - Foram as palavras que saíram da boca de em seguida, fazendo com que abrisse um sorriso, que se possível, era mais largo que o próprio rosto.
Ficaram alguns minutos ali, paparicando e tirando fotos com Luna, até que a enfermeira os avisou que eles teriam que sair. Assim que saíram, , que há alguns minutos antes havia voltado para o seu posto de recepcionista, abordou .
- ...
- Oi.
- A Dona Mercedes quer você na sala dela. Agora.
- O quê que essa mulher quer, hein? - se intrometeu na conversa.
- Infernizar nossas vidas, só pode. - a respondeu e começou a caminhar em direção à sala da tão temida diretora. - Dona Mercedes... - Ele falou enquanto entrava na sala. - A Senhora queria falar comigo?
- Sim, eu quero o relatório de todos os seus pacientes na minha sala amanhã, as nove.
- Mas Dona Mercedes, não dá tempo.
- Sua “filha” - Fez aspas quando disse a palavra. - Não vai pra casa hoje e sua “amiguinha” - Fez aspas novamente. - Pode lhe ajudar. Agora, se me dá licença. - Apontou para aporta deixando com a maior fúria que já tivera na vida.

**


(Deem play na música quando eu mandar: Gostava Tanto de Você - Tânia Mara.)
e chegaram em casa por volta das vinte e duas horas, após terem paparicado o quando podiam a Luna, que só poderia vir para casa no dia seguinte. já havia xingado Mercedes de todos os nomes possíveis na face da terra e tentava acalma-la.
Assim que chegara, foi para seu quarto atrás de seus arquivos enquanto preparava algo para eles comerem. Após o jantar, pegou o notebook e foi para a mesa da sala, não queria ficar no quarto, pois podia acordar . Ela havia ido para o quarto para descansar e ir dormir, o dia havia sido cansativo, mas o que a deixava feliz, era que a filha dela havia nascido.
Já se passavam das duas da manhã quando passou a mão ao lado da cama e percebeu que ainda não tinha voltado, resolveu levantar-se para ver como ele estava e se deparou com a seguinte cena: de pijama, sentado ainda à mesa com pilhas e pilhas de papel, com o notebook em sua frente, quase dormindo.
- Ei, vamos pra cama, vai. Para um pouco, você está cansado. - Ela dizia enquanto fazia uma leve massagem nos ombros dele e em seguida depositou um beijo na nuca dele que se arrepiou com o ato.
- Não posso, só ganho férias se eu terminar tudo isso aqui e ainda nem cheguei na metade. - Ele disse segurando a mão dela e depositou um beijo na palma.
- Você quer que eu faça um chá ou uma xícara de café pra você?
- Pode ser o café, preciso me manter acordado pra isso. - Apontou para a pilha de papéis em sua frente.
- Tudo bem.
foi para a cozinha e preparou um chá para ela e uma xícara de café para , quando voltou para sala, viu que a pilha de documentos que estava organizando havia diminuído drasticamente.
- Nossa, demorei tanto assim?
- Não, achei alguns ou vários desses documentos salvos aqui.
- Hum... Olha aqui seu café. - Ela entregou a xícara a ele.
- Está muito bom. - Ele falou após tomar um gole do líquido, fazendo sorrir timidamente.
- Posso tocar?
- Claro. - Ele sorriu e ela deu um selinho nele indo em direção ao quarto da Luna para pegar seu violão.
- Vai tocar o quê? - Ela fez cara de pensativa e sorriu largamente ao escolher a música que iria cantar.

Deem play na música.

- Não sei porquê você se foi, quantas saudades eu senti e de tristezas vou viver, e aquele adeus, não pude dar, você marcou a minha vida, viveu, morreu na minha história, chego a ter medo do futuro e a da solidão que em minha porta bate... - cantava docemente enquanto estava terminando seu relatório. - E eu, gostava tanto de você, gostava tanto de você… Eu corro, e fujo dessa sombra, em sonho vejo este passado e na parede do meu quarto, ainda está o seu retrato, não quero ver pra não lembra, pensei até em me mudar, pra qualquer lugar que não exista o pensamento em você… E eu, gostava tanto de você, gostava tanto de você...
- Psiu. - foi interrompida por . Ela sorriu largamente, deixando o violão ao seu lado no sofá.
- Oi. - Não sabia o porquê, mas estava sussurrando.
- Terminei.
- Sério? - Ela sorriu abertamente e ainda mantinha o mesmo tom que ele também aderira.
- Uhum. - Ele sorriu igualmente e a puxou pela mão e dando um selinho demorado nela, rapidamente ele pediu passagem para um beijo que foi facilmente cedido.
Logo já estava sentada no colo de que a beijava delicadamente. Quando o clima começou a esquentar e eles levantaram e foram em direção ao quarto. Os beijos se esquentaram ainda mais e quando vieram perceber. já estava por baixo de na cama.
- Você tem certeza? - falou meio sem fôlego e apenas confirmou com a cabeça.
sabia que não era mais virgem, mas ao fazer aquela pergunta, ele quis ter a certeza de que ela aceitaria transar com o seu amigo-ficante-namorado-ou-algo-do-tipo, ainda não sabiam rotular, mas o mais importante era que ele era… Ele. Após a confirmação de , o beijo ficou mais intenso, fez com que seus corpos grudassem ainda mais, se é que isso era possível. Pouco tempo depois, sentiu as mãos delicadas da mulher chegarem a barra da sua camisa cinza, ela a puxou devagar, arranhando de leve as suas costas. A camisa logo estava em algum lugar desconhecido daquele quarto. “trabalhava” no pescoço de , enquanto suas mãos chegaram à regata branca do pijama que a menina vestia. Cada parte da pele da mulher que era revelada, fazia questão de beijar proporcionando á ela deliciosos arrepios. Ele não tardou em despi-la quase por inteiro deixando-a somente de calcinha, mas ele não estava muito atrás não, apenas uma boxer vermelha cobria aquela parte do corpo que tanto queria ver, admirar, pega, sentir.
O moreno “trabalhava” no seio direito de com a boca enquanto no esquerdo ele acariciava docilmente. Suspiros entre cortados vez ou outra escapavam dentre os lábios avermelhados da mulher. Sentir a língua e os dentes de em seu seio era algo indescritível. É fato que ela já esteve com alguns homens, mas ela nunca havia sentindo por nenhum o que ela estava sentindo naquela hora por . Ela não aguentava mais, ela o queria, o queria como jamais pensou que um dia quisesse alguém. Naquele momento ela se sentia sedenta, como se sua vida dependesse do que estava por vim. A mulher desceu suas unhas pelo peitoral, abdômen e desenhou o “caminho da felicidade” de , e não pestanejou ao invadir a boxer do rapaz. fechou os olhos e entre abriu os lábios fazendo com que o admira-se. Tão lindo e… Tão dela.
Sabendo o que a mulher queria, não tardou em retirar a última peça que sobrara em seus corpos, sem pudor algum ele admirava aquela mulher, aquela mulher que há alguns meses atrás não passava de uma amiga… De uma irmã. Mordeu o lábio inferior aprovando o que via e Lua corou, ela sentia suas bochechas queimarem, ninguém nunca havia á analisado tão minunciosamente. Ela puxou os cabeços da nuca de e o fez beija-la, ela queria ser dele, ele queria ser dela e nada mais poderia impedi-los.
E assim, eles fizeram amor. Sim, amor, mesmo que ainda não descoberto por parte de ambos, eles já se amavam, muito mais que meros amigos. O resto da madrugada passou-se rápido, e dormiam de conchinha, ou melhor, ele dormia, ela estava perdida em pensamentos enquanto fazia carinho nos braços dele e sentia a respiração calma dele em seu pescoço. Pensava em tudo e em nada ao mesmo tempo, o que era mais que confuso para ela. Ela estava com medo, mas não queria admitir. Talvez um dia admitisse, mas não agora. Ela olhou para o relógio que estava em cima da mesa de cabeceira, o mesmo marcava dez para às cinco. Só teriam que ir a maternidade as oito, para buscar a sua filha. Um sorriso rasgou o seu rosto quando ela pensou dessa forma. E assim, seus pensamentos se esvaíram e ela adormeceu.

**


acordou mais cedo que e com um sorriso abobalhado e invejável em sua face, se desvencilhou dela com cuidado, já que a mesma dormia sobre seu peitoral. Levantou-se e foi ao banheiro, fez sua higiene matinal e depois desceu as escadas para preparar um café da manhã descente para . Foi até o supermercado que havia perto de casa e comprou alguns mimos, quando voltou foi até a cozinha e separou alguns morangos, chantili, geleia, pão, fez panquecas e suco, pegou a bandeja e a montou perfeitamente. Demorou um pouco para encontrar um vaso simples e assim que o achou colocou a única rosa vermelha que havia comprado no caminho de volta ao mercado, logo depois colocou o vaso na bandeja e seguiu até o quarto.
Assim que entrou no quarto, viu uma cena que a julgou como a segunda mais perfeita que já havia se visto, já que a primeira era o nascimento da Luna. Encontrou deitada de bruços, coberta apenas por um lençol de algodão, que cobria apenas o bumbum, deixando suas costas completamente exposta, seu cabelo estava espalhado pelo travesseiro como um perfeito leque e seus braços esticados embaixo do travesseiro, deixando expostas as laterais dos seus seios, seu rosto estava tão calmo, que mais parecia um anjo, e era possível ser visto um sorriso tímido nos seus lábios. Ele sorriu com a cena e se encaminhou até a cama, deixando a bandeja que segurava em algum móvel qualquer, se aproximou dela e começou a depositar selinhos molhados nas costas nuas da mulher, que cada vez mais ficava arrepiada, à medida que os beijos iam de encontro a sua nuca.
- Bom dia, dorminhoca. - Ele sussurrou antes de dar-lhe o último selinho próximo a orelha dela.
- Bom dia. - Ela falou preguiçosamente se espreguiçando na posição que estava.
- Dormiu bem?
- Uhum. - Ela enfim abriu os olhos e logo encarou os olhos castanhos-avelã a sua frente.
- Fiz o café-da-manhã. - Disse ele se levantando e indo buscar a bandeja.
- Sério? - Ela se sentou se encostando a cabeceira da cama e puxando o lençol para cobrir os seus seios.
- Uhum. - Ele colocou a bandeja no colo dela, que estava procurando algo com o olhar, o que não passou despercebido por . - O que você está procurando?
- Sua camisa. - Sentiu as bochechas arderem. Ele sorriu entregando a camisa que estava ao lado do pé dele no chão.
- Vamos comer?
- Uhum, o quê que tem aqui, vamos ver. - Ela disse analisando a bandeja. - Morangos, pães, geleia, panquecas, suco de… - Ela tentou descobrir pela cor.
- Laranja. - Ele respondeu, mesmo sabendo que ela não havia feito uma pergunta.
- Suco de laranja, mas espera, está faltando uma coisa.
- Isso? - mostrou-lhe o chantili.
- Isso. - Ela sorriu sapeca e pegou a embalagem da mão do rapaz.
- Meu Deus, parece uma criança.
Ele sorriu sonoramente ao ver a garota com a boca toda suja de chantili. - Vem cá, me deixa limpar isso. - Ele se aproximou dela e passou os dedos nos lábios delicados da mulher. Era impossível não manter o contato visual, que às vezes era disputado com os olhares para a boca um do outro. E era isso o que mais chamava a atenção de ambos, as bocas deles eram como imãs, eram do tipo de imã mais forte que poderia existir, que se colavam e o mais difícil de tudo, era desgrudar. E antes que todos esses pensamentos e que o entendimento de ambos sobre física viessem à mente, eles já estavam se beijando. Um beijo doce, com sabor de morango com chantili.

**


Após um café da manhã recheado com vários beijos, e se prepararam para ir até a maternidade para ir buscar a Pequena. vestiu um vestido de alças floral larguinho, mas que marcava sua cintura, nos pés havia uma sandália rasteira e os cabelos soltos e vestia uma calça jeans de lavagem comum, uma camiseta branca e nos pés havia uma sandália de dedo. Ela pegou sua bolsa e ele a carteira, a chave do carro e do apartamento, além da pasta que ele foi obrigado a levar com os documentos que a Megera, lê-se: Mercedes pediu. Entraram no carro e como de costume, logo foi à busca de uma rádio que passasse uma música descente. Após parar em alguma estação qualquer, pegou um livro em sua bolsa e o abriu na página em que estava marcada.
- Será que ela vai gostar de música? - perguntou do nada, despertando do seu livro.
- Hã?
- A Pequena. Será que ela vai gostar de música?
- Ah, vai. Afinal, quem em sã coincidência não gosta de música?
- Verdade, mas será que ela vai gostar mais do meu estilo ou do seu?
- Como assim? - o fitava, enquanto ele mantinha sua atenção na estrada.
- Ah, eu gosto mais de música nacional e você de internacional.
- Não sei, mas acho que se ela for esperta, vai pegar um pouco de nós dois.
- É. - concordou pondo fim ao assunto. - Ô . - a chamou depois de algum tempo, ela já havia voltado sua atenção ao seu livro.
- Oi. - Ela falou sem desviar os olhos do livro.
- Com que idade a Luna vai poder namorar?
- Quê? - rapidamente voltou à atenção a ele, o olhando e franzindo o cenho.
- É, tipo assim, uns trinta anos, tá bom? - Ele falou pausadamente enquanto parava no sinal vermelho.
- , coitada. - falou incrédula.
- Mas … - Ele tentou argumentar, mas foi interrompido.
- querido, eu quero que me filha se divirta, faça amigos, namore, por tanto que me avise claro e não que vire uma freira como você quer.
- Mas eu não quero que ela seja dada. - revirou os olhos.
- Ela não vai ser, e além do mais, a Luna só tem pouco mais de vinte e quatro horas de nascida e o sinal - Ela “apontou” com a cabeça para o farol. - Já abriu.
, sem ter o que responder deu partida o carro e logo chegaram à maternidade. Chegando a mesma, logo tratou de correr atrás dos papéis que liberariam Luna dali e foi até a sala de Mercedes. Não demorou muito para que os dois já estivessem com Luna e saindo da maternidade. O caminho de volta para casa foi tranquilo, Luna dormia como um verdadeiro anjo, e não trocaram uma palavra, apenas pra manter a pequena dormindo, mesmo que o rádio do carro estivesse ligado, mas mesmo assim, a altura era mínima. No caminho do estacionamento para o apartamento, esteve com Luna nos braços, enquanto rodeava-a com medo de que ela a derrubasse, tornando a situação um tanto quanto cômica.
- , eu não vou derruba-la. - tentava segurar o riso.
- Vai saber né? Do jeito que você é desastrada. - Ele sorriu divertido.
- Vá tomar no cú.
- Só se você vier comigo. - Sorriu pervertido.
- Idiota. - rosnou, mas logo em seguida sorriu. Assim que abriu a porta, ele deu espaço para que pudesse entrar com Luna e assim que ela o fez, ele logo tratou de fechar a porta atrás de si. apenas o “esperava” com Luna ainda dormindo em seu colo. Logo já estava parado na frente delas.
- Seja bem vinda, meu amor. - disse com um sorriso bobo olhando para Luna, ele depositou um leve beijo na testa da Pequena e logo em seguida se direcionou a , dando-lhe um beijo demorado também na testa. Ela fechou os olhos ao receber a carícia, enquanto deixava uma lágrima de alegria correr por seu rosto.


Capítulo 9


(Deem play na música quando eu mandar: Fuckin' Perfect - Pink.)
Havia se passado três dias após a chegada de Luna. Tudo estava correndo bem, se não fosse o fato de que acordou com uma “bela” TPM naquele dia. O problema era que neste período ela ficava loucamente enlouquecida, era até capaz de que um leão faminto correr de medo dela, ao invés de atacá-la. Todos sabiam disso, e todos sofriam com isso. Principalmente o pobre do . não ficava pra ninguém, nem mesmo para crianças indefesas que só sabiam comer e dormi. Ela virava o Cão.
Eram nesses períodos em que ela e mais brigavam e era isso que eles estavam fazendo no momento. Ele havia chegado com Luna do banho de sol e ainda estava dormindo. Ao perceber isso, colocou a pequena, que ainda dormia, no quarto dela e foi em direção ao seu quarto, se aproximou de e depositou-lhe um selinho delicado em seus lábios, mas logo depois arrependeu-se amargamente de tê-lo feito. acordou como louca e, o pior, ele já sabia o que estava por vir. Primeiramente ela o xingou com todos os palavrões possíveis e impossíveis, existentes ou não nessa face da terra. Enquanto encarava-a assustado. Impressionante como todos aqueles anos morando juntos e ele ainda não havia se acostumado com o ataque de histeria daquela mulher. Foi só quando ela parou de falar, que ele ousou em dar algumas palavras.
- ...
- é o escambau.
- ...
- é a puta que te pariu.
- Mais respeito com minha mãe, .
- Foda-se você e esse tal de respeito.
- CHEGA!
- NÃO GRITA COMIGO, CARALHO.
- Porra, eu cheguei aqui com todo carinho do mundo e você me trata assim.
- Não te pedi pra ser carinhoso comigo.
- Só pensei que...
- Só pensou que podia me beijar, pra poder me comer em seguida.
- Nada disso garota. – Falou horrorizado.
- Olha aqui, eu não sou como copo descartável que você usa e joga fora não, tá?
- E desde quando eu te tratei assim?
- Eu não sei, meu filho, só sei que eu quero que você saiba que eu não vou ser mais uma de suas amiguinhas que você come e joga fora.
- E QUEM DISSE QUE EU QUERO QUE VOCÊ SEJA UMA DESSAS AMIGAS, CARALHO? - estava completamente sem paciência. - EU NUNCA TE TRATEI ASSIM E NUNCA VOU TRATAR, CASO VOCÊ NUNCA TENHA PERCEBIDO, EU TE TRATO COMO NAMORADA E É ISSO QUE EU IA TE PEDIR PORRA! - Ele gritou por fim, fazendo com que Luna acorda-se. Ele foi atrás da pequena, enquanto se trancava no quarto, para em seguida, chorar como um bebê encostada na porta, como sempre.

****


Horas haviam se passado após a briga. ainda continuava no quarto, estava sentada, escorada na cabeceira da cama, os braços abraçavam suas pernas, porém, continuava com o mesmo choro. já havia alimentado Luna e dado banho na pequena que adormeceu em seguida. Foi enquanto ele se alimentava que pensava no que havia acontecido. Não sabia como aquela briga chegou àquele ponto, ou melhor, sabia, mas não entendia. Nem mesmo o fato de assumir em voz alta que queria como namorada e não apenas como amiga, saíra inesperada pelos seus lábios. Assim que terminou com qualquer coisa que havia comido, já que nem prestara atenção nisso, resolveu tomar um banho. Lavou e guardou a louça que usou e foi em direção ao seu quarto, esperava que tivesse se afastado da porta, assim não precisaria trocar palavras com ela. Ele iria conversar com ela, mas não naquele momento. Assim que abriu a porta do quarto, ele a viu. A troca de olhares foi intensa e o aperto em seu peito foi grande, ao ver aqueles olhos, que tanto amava, sendo banhado de lágrimas. Ele respirou fundo e seguiu até o banheiro, precisava de um banho frio, para esfriar a cabeça e ter uma conversa séria com ela.
saiu do banho uma hora depois, tinha vestido uma cueca samba canção e enxugava os cabelos com uma toalha. o olhou com um olhar de súplica, estava mais do que nunca se sentindo culpada pela discussão e queria mais do que nunca que ele a perdoasse. Ela ainda estava na mesma posição, mas não chorava mais, porém seus olhos estavam mais vermelhos do que nunca. Seu rosto estava avermelhado e inchado. respirou fundo, jogou a toalha que tinha em mãos em qualquer lugar que ele não se preocupou em saber onde era e seguiu até a cama, sentando-se em frente a ela.
- Será que a gente pode conversar agora? - Ele começou calmamente, ela apenas assentiu com a cabeça, antes de falar.
- Desculpa?! - Sussurrou. Seus olhos já estavam cheios de lágrimas de novo.
- Tudo bem, , mas a gente sabe muito bem o que vai ter que acontecer a partir de agora. - Ele tomou uma das mãos dela.
- O quê? - franziu o cenho. Ela acariciava a mão dele.
- Você vai ter que aprender a se controlar…
-
- Não tem nada de , . - Ele a interrompeu. - Nós temos uma filha agora, você tem que aprender a se controlar. Eu sei que isso é difícil pra você, mas poxa, como você acha que a Luna vai se sentir se crescer com esse seu nervosismo repentino todo mês? - falava com uma calma inacreditável, parecia que estava apenas conversando com uma criança que havia feito algo errado pela primeira vez e estava explicando os motivos por aquilo ser errado. , no entanto, mantinha a cabeça baixa. - Olha pra mim.
- Desculpa. - sussurrou antes de olhá-lo nos olhos. - Eu sei que eu sou difícil e que tenho que aprender a me dar com essa TPM filha-da-mãe, mas acho que você já deve ter cansado das minhas promessas de mudanças e eu nunca conseguir cumpri-las. - concordou com a cabeça, mas não disse nada. Ambos tinham o semblante sério, embora o de ainda fosse sereno e transmitisse paz. - Então dessa vez eu não vou prometer nada, vou apenas dizer que vou tentar. Tentar não só por mim, mas por você e pela Pequena.
- Tudo bem. - assentiu. - Tentar já é um bom começo. E outra que você, ao invés de extravasar sua raiva em mim, ou futuramente na Luna, podia extravasar tocando. O que acha? - sorriu como se tivesse tendo a mais brilhante ideia de todos os tempos, e talvez fosse.
- Será? - Os olhos de brilharam.
- Quer tentar?
- Uhum. - Ela assentiu também com a cabeça, vendo sair da sua frente e indo pegar o violão dela.
- O que vai tocar? - Ele perguntou enquanto ela ajustava o violão em seu colo.
- Ahn… - Ela mordeu os lábios pensativa e logo dedilhou as primeiras notas das música.

Deem play na música.

- Made a wrong turn, once or twice, dug my way out, blood and fire, bad decisions, that’s alright, welcome to my silly life, mistreated, misplaced, missunderstood, miss know it, it’s all good, it didn’t slow me down, mistaken, always second guessing, underestimated, look i’m still around. - Nesse momento Arthur também pegou seu violão e começou a tocar e cantar o refrão da música. - Pretty pretty please, don’t you ever ever feel, like you’re lessthan fucking perfect, pretty pretty please, if you ever ever feel, like you’re nothing, you’re fucking perfect to me. voltou a cantar sozinha. - You’re so mean, when you talk, about yourself, you’re wrong, change voices, in your head, make the like you instead, so complicated, look how we are making, filled with so much hatred, such a tired game, it’s enough, i’ve done all ican think of, i’ve chased down all my demons, I see you the same. - mais uma vez cantou. A voz de ambos subia uma oitava. - Pretty pretty please, don’t you ever ever feel, like you’re less than fucking perfect, pretty pretty please, if you ever ever feel, like you’re nothing, you’re fucking perfect to me. – Ele deixou que ela continuasse só. - The whole word is scared, so I swallow the fear, the only thing I should be drinking, is an ice cold beer, so cool in lying, and we tried, tried, tried, but we try too hard, it’s a waste of my time, done looking for the critics, cause they’re everywhere, they don’t like my jeans, they don’t get my hair, stringe ourselves, and we do it all the time, why do we do that? Why do I do that? Why do I do that? - Eles pararam e contaram mentalmente quando deveria continuar a música. - Yeah? Oooh? - cantou essa parte deixando a próxima para . - Oh pretty, pretty, pretty. - Ela continuou. - Pretty pretty please. - Ambos. - Don’t you ever ever feel, like you’re lessthan fucking perfect, pretty pretty please, if you ever ever feel, like you’re nothing, you’re fucking perfect to me. - - You’re perfect, you’re perfect. - Ambos - Pretty pretty please, don’t you ever ever feel, like you’re lessthan fucking perfect, pretty pretty please, if you ever ever feel, like you’re nothing, you’re fucking perfect to me.
- Mais calma?
- Sim. - Ela lhe sorriu verdadeiramente.

****


Era por volta das oito da manhã quando acordou no dia seguinte. Havia combinado com e que elas iriam visitar a pequena Luna na manhã da quarta-feira. Resolvera fazer um almoço para receber as amigas, que provavelmente iriam com e também, já que elas estavam tendo um “caso” com eles, assim como a dissera. e Luna ainda estavam dormindo, ela não os acordaria, afinal, quando Luna acordou as duas da manhã, ele que foi tomar conta dela.
Ela levantou-se, tomou um banho quente e relaxante, desceu, comeu algo e logo em seguida fora em direção ao mercado para comprar as coisas para o almoço. Às nove e meia, já estava em casa, pondo a roupa na máquina e organizando a bagunça que tinha feito na cozinha. Precisava arrumar uma empregada, detestava ter que fazer o serviço de casa, a não ser cozinhar. Cozinhar era sua paixão desde pequena, fazia pratos e mais pratos diversificados quando tinha visita em casa.
Quando terminou de arrumar a cozinha, ouviu um barulho vindo do corredor. Luna havia acordado.
- Ei meu bebê. - Lua pegou Luna no colo. - Vamos tomar um banho, vamos? - Ela sorriu e seguiu para arrumar as coisas para dar banho na pequena, quando terminou de dar-lhe banho, colocou uma roupa fresquinha, já que o dia estava quente, e preparou sua mamadeira. Assim que a pequena comeu tudo, a colocou para arrotar. Olhou para o relógio, que marcava dez e meia, e decidiu acordar , afinal, precisava preparar o almoço e não podia fazer isso com Luna ao seu lado. - Vamos acordar seu pai, meu amor? - Ela seguiu para o quarto e dormia de bruços com um rosto angelical, a boca entreaberta em busca de ar e ela chegou até ter pena de acordá-lo. Ela se sentou na beirada da cama, com Luna no colo, pegou a mão da pequena e com ela, começou a acariciar o rosto do moreno. – Acorda, papai. - Ela fazia voz de bebê. - Vem ficar comigo pra ajudar a mamãe. Acorda. - suspirou fortemente se encolhendo na cama, ainda sem abrir os olhos. e Luna sorriram levemente com a cena. - Bom dia, papai. - falou e a pequena sorriu pra ele. Ele finalmente abriu os olhos.
- Bom dia, minha vida. - Ele depositou um beijinho na testa dela. - Bom dia. - Ele sorriu pra e deu-lhe um selinho.
- Bom dia. Tem como você ficar com ela pra mim? Tenho que arrumar as coisas para o almoço.
- Claro, só me deixa tomar um banho que eu já pego ela.
- Tudo bem.
Não demorou muito para tomar seu banho e logo depois ficar com a pequena, que logo dormiu. Gostava daquela fase de bebê, que só sabia comer e dormir. Às vezes sentia uma cólica, mas nada que um analgésico infantil não a fizesse passar.
- . - chamou entrando na cozinha.
- Oi.
- Vou ao supermercado comprar umas caixas de cerveja, os meninos me ligaram agora dizendo que também vinham.
- Tudo bem.
- Quer que eu traga algo?
- Não, não. Já tem tudo que eu preciso aqui, pode deixar.
- Está certo. Já volto então.
nada respondeu e foi em direção ao supermercado. Meia hora depois, estava entrando no apartamento com os meninos e as meninas em seu encalço.
- . - falou sorrindo e abraçando a amiga.
- Oi loira.
- Cadê a pequena? - perguntou olhando para todos os lados em busca da pequena.
- Oi , eu estou bem, meu dia está o ótimo, obrigada por perguntar. - Ela respondeu irônica.
- Lesa. - As meninas sorriram.
- Ela está lá dentro, vamos. - Ela levou as meninas até o quarto da pequena que dormia, mas que logo acordou com a movimentação que ali ocorria. deixou as meninas paparicando Luna e voltou para sala para falar com os meninos.
- Ô , eu estava pensando... Por que quê o céu é azul? - perguntou fazendo-a arquear uma das sobrancelhas.
- E eu lá que sei, ?
- Ah droga, ninguém consegue responder minhas perguntas. - Ele fez bico, fazendo os outros soltar uma risada sonora.
- Enfim, me deixa voltar pra cozinha pra terminar de fazer o almoço.
- Isso, volta para o lugar das mulheres. - falou.
- O homem que fala que lugar de mulher é na cozinha, não se garante no quarto querido .
- Toma. - e falaram sorrindo da cara do amigo.
- Tem certeza que eu não me garanto no quarto, querida ? - ficou sem resposta e o repreendeu com o olhar, saindo do ambiente em seguida.
- Iiiiiih. - falou. - O quê que a gente perdeu, hein?
- Nada , deixa pra lá. - falou.
- Tem certeza cara? - .
- Tenho, deixa isso quieto.
- , você poderia vir aqui, por favor? - gritou da cozinha.
- Oi.
- Não fala nada da gente por enquanto. - Ela falou suplicando com o olhar. - Olha, eu sei que isso tá legal e nem sei que nome se dá a isso, mas não precisamos dizer nada a eles agora. Eu não vou contar as meninas, e eu não acho necessário os meninos saberem também.
- Tudo bem, aquilo foi só um deslize, falei sem pensar.
- Tudo bem, volta lá com os meninos. Estou já terminando, já, já eu sirvo.
- Certo. - Eles ficaram se encarando por algum tempo, até não resistir mais e se aproximar dela, selando os lábios em um pequeno e demorado selinho. Só não esperavam que…
- , onde está a… - parou de falar ao vê-los se separarem rapidamente. - Ok. O que foi isso?
- Na... na… nada. - gaguejou olhando para a morena.
- Eu... Eu... Eu vou pra sala. - falou no mesmo estado que . Ele coçou a nuca e seguiu em direção à sala.
- ...
- Não fala nada, . E por favor, não conta pra e muito menos para os meninos.
- Tudo bem, só não me pede pra não pergunta o que foi isso. - suspirou pesado.
- Certo. Só deixa o pessoal sair daqui de casa, a é muito curiosa e não vai aguentar ficar sem saber o que eu e você tanto conversamos. E os meninos… Bem, os meninos, vão zoar a gente…
- O
- . - a interrompeu. - Por favor...
- Tá bom, quando o pessoal for embora, eu arrumo uma desculpa pra ficar e você me explica, pode ser?
- Pode.
- Certo. Agora me dá a chuquinha* da Luna que ela parece que está com sede. - confirmou com a cabeça, pegando a mamadeira menor e a enchendo d’água, entregando a em seguida. - Obrigada. - deu as costas para sair, mas fora interrompida por .
-
- Oi. - virou-se para ela.
- Obrigada, tá?
- Ai , você sabe que sempre que precisar eu vou estar aqui. Tá? - confirmou com a cabeça e seguiu em direção a para abraçá-la. - Te amo muito, viu loira.
- Também te amo, Morena.
- Agora me deixa ir, porque sua filha deve está com muita sede e a deve está pirando com minha demora. - sorriu fraco.
- Tudo bem, não vai matar minha filha sem água, viu.
- Pode deixar. - falou já saindo da cozinha indo em direção ao quarto da pequena.

****


A tarde passou rapidamente, entre brincadeiras entre os seis e com a pequena, que era paparicada de segundo em segundo pelos “padrintios”. Quando fora por volta das seis horas, todos se despediram, menos , que deu uma desculpa de que precisava ver uns papéis com , para poder ficar e conversar com ela.
- , será que você poderia ficar com a Luna? Preciso falar com a . - Ela coçou a nuca.
- Tudo bem, eu dou um banho nela, dou a mamadeira e a coloco pra dormir, certo?
- Coloque-a para arrotar antes.
- Pode deixar. - pegou a pequena dos braços de e saiu em direção ao quarto para preparar o banho da menina.
- E então? - perguntou depois de um tempo.
- O que você quer saber?
- Tudo.
- Tu...
- Tudo, desde o início.
- Tudo bem. - suspirou e então começou a contar tudo que aconteceu entre ela e , passando desde o primeiro beijo ao nascimento da Luna e enfim a briga que eles tiveram no dia anterior. ouviu tudo atentamente e por fim soltou um suspiro forte em seguida.
- Posso dizer o que eu acho?
- Deve.
- Que você está completamente apaixonada por ele.
ainda abriu a boca para negar o que a havia dito, mas fora totalmente interrompida por uma voz masculina que preencheu o local.
- Pronto. Luna de banho tomado, alimentada e dormindo. E eu, claro, de banho tomado, cheiroso e gostoso. - apareceu na sala apenas vestindo uma samba canção.
- E convencido também. - respondeu sorrindo.
- Sempre. - Ele respondeu cínico.
- Ai meu Deus, on… - começou a falar, mas fora interrompida pelo telefone que começou a tocar escandalosamente.
- Deixa que eu atendo. - se levantou e seguiu até o telefone.
Ligação On. - Alô?… Oi Tia… Tudo bem e a Senhora?… Está sim, só um momento. - falou tirando o telefone do ouvido e virando-se em direção a . - , é a Tia Kátia, ela quer falar com você. - Ele se levantou e pegou o telefone das mãos dela.
- Obrigado. - Ele sussurrou colocando o telefone no ouvindo e recebendo um sussurro de “de nada” de . - Oi mãe… Está tudo bem e com a Senhora?… A pequena está ótima… O que aconteceu?… Mas mãe, isso é impossível… Mãe tem a Luna, a está dormindo no meu quarto, não tem espaço pra ela… Mas, mãe… Tá mãe, tudo bem, já entendi… Eu sei mãe, eu sei… Quando ela chega?… Certo… Sua benção?… A senhora também, beijo. - suspirou fortemente e desligou o telefone.
Ligação Off.
- O que aconteceu? - perguntou preocupada.
- Minha prima…
- O que tem ela?
- Vai vir passar uns dias aqui.
- Que? - perguntou indignada. - , não tem espaço aqui…
- Eu sei, , mas foi um pedido da minha mãe. O que eu posso fazer?
- Dizer que aqui não tem espaço?
- Eu disse, mas lá na casa dela também não tem . O quarto de hospedes de lá teve um problema, está com infiltração e...
- E o seu quarto?
- Está com as coisas do quarto de hospedes.
- Mas...
- Não tem, mas, você sabe como a Dona Kátia é.
- Pior que sei. - Ela suspirou.
- Então gente, caso vocês não perceberam, eu ainda estou aqui. - falou fazendo os dois voltarem sua atenção para ela.
- Desculpa. - Responderam uníssonos.
- Tudo bem. - Ela sorriu sincera.
- , a gente queria falar com você, pra saber se a gente pode deixar a Luna com você nesse fim de semana, por causa da festa da maternidade, já que a Mercedes nos obrigou a ir. Será que você poderia fazer esse favor?
- Claro loira, fica tranquila.
- Então a gente passa no sábado antes de ir pra festa e a deixa lá. Provavelmente a gente só vai poder ir busca-la pela manhã, tudo bem?
- Claro. Bom, agora eu vou embora porque já está tarde e amanhã eu tenho que trabalhar. - Ela se levantou e seguiu até a porta, com a e o atrás de si. - Fiquem com Deus e juízo vocês dois.
- Pode deixar. - respondeu e fechou a porta, se virando em seguida e dando de cara com um com uma cara extremamente confusa. - Que quê foi?
- Por que ela mandou a gente ter juízo?
- Eu contei a ela.
- Sobre?
- Sério? - arqueou uma sobrancelha como se fosse óbvio.
- Você disse que não ia dizer nada a...
- Eu sei que disse, mas a é esperta e confiável.
- Eu sei, mas…
- Fica tranquilo. Ela não vai dizer nada a ninguém.
- Certo.
o deixou na sala e seguiu para o quarto, para tomar um banho relaxar. Quando saiu do banho, já estava deitado, ele sorriu para ela que seguiu até ele e sentou-se ao lado dele, dando-lhe um selinho.
- Você está bem? - Ele sussurrou e colocou uma mecha de cabelo dela atrás da orelha.
- Aham, e você? - Ela também sussurrou. - Me desculpa?
- Estou bem. Pelo que?
- Por eu ter falado a , sobre…
- Shh. - disse colocando dois dedos por cima os lábios dela. - Eu confio em você e confio nela, sei que ela não vai contar a ninguém.
- Tudo bem. - Ela suspirou.
- Cansada? - Ele acariciava o rosto dela com o polegar.
- Muito. - Ela respondeu dengosa.
- E você quer mesmo dormi? - perguntou maliciosamente.
- Não sei, sabe… - Ela respondeu sabendo das intenções do homem a sua frente.
- Não sabe é? - Em um movimento rápido, ele a puxou e deitou-se por cima dela. Ela apenas negou com a cabeça e sorriu assim que sentiu os lábios deles chocando-se com os seus rapidamente, logo a deixando ofegante. Ele desceu os beijos pelo pescoço dela, que reprimiu um gemido. Um lapso de memória passou por sua cabeça e ela se lembrou do que queria perguntar a ele assim que saísse do banho.
- ? - Ela tinha os olhos fechados.
- Hum? - Ele respondeu, ainda dando atenção ao pescoço da loira.
- Qual das suas primas que vai vir pra cá? - Ela perguntou após engolir seco.
- Pra que você quer saber disso agora? - Ele perguntou a encarando.
- Curiosidade.
- É a… - parou por alguns segundos, como se tivesse pensando se ele deveria falar ou não a ela naquela hora.
- Quem ? - Ela insistiu.
- A .

*Chuquinha: Não sei na cidade de você, mas aqui, ela é a menor mamadeira do trio de mamadeiras.

Capítulo 10


- Que? - falou empurrando de cima de si e ficou de pé em milésimos de segundo, como deduzira . -
- Fodeu, me chamou pelo nome. - falou descontraído.
- Não é hora de brincadeiras. - Ela andava de um lado para o outro. - Porra , a ? Logo a ? - Ela colocou as mãos na cintura, finalmente parando para fitá-lo.
- Sim, a niña.
- , a gente se odeia. - Ela falou sentando-se na beira da cama com a maior cara de indignada possível.
- Eu sei. - Ele falou após suspirar fortemente. - Mas vocês iram ter que se controlar.
- , é sério, isso não vai dar certo.
- E por que não?
- Qual parte do “a gente se odeia” você não entendeu? - Ela bufou em seguida.
- Justamente essa. Por que vocês se odeiam? - Ele perguntou olhando-a nos olhos. Desde que se viram pela primeira vez que e sua prima não se davam bem. Segundo , ela era uma sonsa, que todas acreditavam ser a melhor pessoa do mundo, quando na verdade, ela só queria foder, não só as pessoas, mas tudo e todos que estavam em sua volta. Dizia que ela era uma verdadeira puta, que só saía com homens mais velhos para “comer” o dinheiro deles e que era mais rodada do que beyblade. Por outro lado, a sua prima-quase-irmã, dizia que que era uma sonsa e que só estava esperando o tempo certo para ficar com ele e arruinar com a vida dele, já que ela não era capaz de sentir algo verdadeiro por alguém. Dizia que era um poço de falsidade e que só não enxergava quem não queria o que era noventa e nove vírgula nove por cento da população, os outro zero vírgula um por cento, era ela. E nesse ping-pong estava ele, que não podia defender a sua prima-quase-irmã, sem que ofende-se a sua amiga-irmã-que-ele-queria-namorar e vice-versa. Então, sempre preferia ficar em cima do muro. A salvo?
- Ela que começou isso tudo, . - desviou o olhar dele para qualquer lugar no quarto. Não diria o verdadeiro motivo nem sob tortura.
- Eu não quero saber quem começou ou não, quero saber o motivo. - Ele bufou. - E dá pra olhar pra mim, por favor?
- , olha - Ela se virou para olhá-lo -, eu e aquela… - abriu a boca para xingá-la de um palavrão qualquer, mas a interrompeu.
- Olha lá como você fala. - Ela revirou os olhos.
- Eu e aquela... Pessoa, nunca iremos nos dar bem. Eu a odeio, ela me odeia e esse ódio vai ser mantido pelo resto de nossas vidas.
- É só não provocá-la que vai ficar tudo bem. - bufou.
- Você realmente acha que eu quem começo, né?
- Sinceramente? Acho. - Ele cruzou os braços em frente ao peitoral.
- Está vendo? Está vendo porque é que a gente sempre briga quando ela está aqui, ? - Ela se levantou, cruzou os braços em frente aos seios e manteve o olhar preso ao dele. - Basta aquela pirralha falar qualquer merda, que saía daquela cabeça medíocre dela, que você já acredita.
- Primeiro: Para de falar assim dela. - Ele levantou um dedo para numerar o que dizia. - E segundo: Ela nem está aqui.
- Mas vai chegar e vai ser a mesma coisa de sempre. Ela fala algo, você acredita, ela me agride verbalmente enquanto você não está por perto e quando eu a xingo, você aparece do nada. Você às vezes parece o meu pai me dando uma bronca por eu ter brigado com aquela Coisa que tem uma paixão platônica por sobre você desde o tempo em que nós fazíamos faculdade.
- Se você se compor… - parou de falar, assim que assimilou o que havia falado. - Espera, isso tudo é ciúme?
- Ciúme? - olhou-o indignada, ou tentando transparecer isso, quando na verdade, sabia que era realmente isso que sentia por . Um ciúme incontrolável, que a consumia e a fazia perder qualquer forma de raciocínio lógico. – Pirou, ?
- Claro que não, tudo ficou claro agora. Você sente ciúmes da Niña por ela ser minha prima e porque eu sempre me preocupo e dou toda atenção a ela e ela...
- Cala a boca garoto. - bufou irritada e saiu do quarto batendo a porta do mesmo em seguida. sorriu sacana e abriu a porta encontrando-a encostada na parede. Assim que o viu, ela bufou e se preparou para sair dali, mas fora impedida por uma mão forte que a segurou pelo braço. - Me solta. - Ela sussurrou entre dentes. Não poderia gritar com Luna dormindo.
- Não. - Em um movimento rápido, puxou-a e a prensou na parede, segurando seus pulsos acima de sua cabeça.
- . - Ela rosnou tentando se soltar, mas, obviamente, era bem mais forte que ela.
- Nem adianta. - Ele deu um sorriso no canto dos lábios.
- Você é um idiota. - Rosnou mais uma vez.
- Que você adora. - Ele piscou um dos olhos, fazendo com que ela bufasse e revirasse os olhos.
- Vai se foder, .
- Vai vir comigo? - Ele falou aproximando-se o suficiente para que os lábios deles roçassem e ela solta-se um suspiro.
- , me solta. - tentou falar firme, mas quem ficaria firme com te prendendo na parede e tão próximo daquele jeito?
- Você sabe que eu não vou te soltar e sabe que quer isso tanto quanto eu.
- Se sabe que eu quero, por que não acaba logo com isso?
- Só estava esperando você pedir, . - Ela bufou.
- Faça o que tem que fazer, . - Quando ela acabou de falar, colou seus lábios em um beijo quase desesperado, ambos estavam fervilhando de vontade daquilo e ambos sabiam disso. Quando aprofundou o beijo ainda mais, se é que isso era possível, um choro ecoou pelo apartamento.
Luna havia acordado.

*******


Sexta-feira havia chegado, estava em um shopping qualquer, numa loja de roupas para festa, enquanto Luna estava por ali, em qualquer lugar com seu pai. estava escolhendo seu vestido e o smoking do para a festa que iria acontecer no dia seguinte. O motivo para não está com ela, fora justamente a sua justificativa de “não tenho paciência para esperar você escolher um vestido, vocês mulheres demoram demais pra nada”. simplesmente bufou e entrou na loja, deixando Luna com ele.
Fazia mais de uma hora que ela estava na loja, já havia escolhido o smoking de , mas já estava no décimo quarto vestido e ainda não encontrava um que a agradara. Estava entrando no provador, para provar o seu décimo quinto vestido, quando Arthur entrou na loja.
- E então? Já escolheu?
- Não.
- Mas já faz mais de uma hora que você está aqui.
- Eu sei... - olhava para as unhas.
- E quantos vestidos você já provou?
- Quatorze. - falou tão baixo, que se não fosse ela que tivesse falado, com certeza não saberia o que tinha dito.
- Quantos?
- Quatorze. - falou mais alto dessa vez, fazendo arregalar levemente os olhos.
- E você não gostou de nenhum?
- Não, ué.
- , pelo amor de Deus, escolhe logo um vestido.
- Eu estava indo provar esse - Levantou o vestido que tinha em mãos. -, quando você entrou na loja.
- Tudo bem, vai lá provar que eu espero aqui.
- Certo.
- Mas vai logo porque a Luna não pode ficar tanto tempo assim no ar-condicionado.
- Ok.
entrou no provador e minutos depois saiu dele com um vestido vermelho sangue. Ele era tomara-que-caia que realçava seus seios por ter um leve decote. Tinha um corte que ia da barra do vestido, até a sua coxa, deixando sua perna à mostra. engoliu seco ao vê-la daquele jeito, ela estava… Sexy.
- E então? - sorriu satisfeita ao notar o que causara em . Finalmente havia gostado do vestido como nenhum outro, parecia que havia sido feito especialmente para ela.
- Vo...vo..você nã..nã..não vai usar isso. - teve que engolir seco, para poder concretizar a frase, fazendo soltar um sorriso satisfeito.
- Por que não? - perguntou se divertindo com a situação.
- Porque…porque…porque ele não ficou legal em você. - Mentiu. Não deixaria sair com aquele vestido, mas não deixaria mesmo.
- Claro que ficou.
- , não… - já estava nervoso. - Toma, prova esse. - Ele entregou o primeiro vestido que viu em sua frente.
- ...
- Sem , com esse você não vai. Prove logo esse e vamos embora. - bufou dando-se por vencida, nãoiria deixá-la ir com o vestido que estava mesmo, e nem adiantava discutir, sabia muito bem como ele era. Por fim, pegou o vestido que tinha nas mãos dele e entrou no provador.
Algumas horas depois, a família já estava em casa. havia colocado Luna em seu berço e depois foi tomar banho, enquanto falava com a mãe dele pelo telefone. Alguns minutos depois que ligou o chuveiro, entrou no banheiro, fato que já não a assustara mais.
- O que a Tia queria?
- Avisar quando a Niña chega. - encostou-se ao balcão de mármore, cruzando os braços em frente ao peitoral.
- E quando ela chega?
- No fim do mês. - suspirou.
- Certo. - Ela pegou a toalha e se enrolou nela, pegando outra para secar os cabelos.
- … - estava pensativo.
- Hum? - Ela parou em frente a ele, ainda enxugando os cabelos.
- Me promete uma coisa? - Ele a encarou.
- O que?
- Não vai arrumar briga com a Niña? - bufou e jogou a toalha em cima do balcão.
- Eu não quero falar sobre isso. O que tiver que ser vai acontecer. Não quero pensar no futuro, não agora. - o respondeu e pegou a escova para pentear os cabelos.
- Tudo bem, como quiser.
Eles ficaram ali em silêncio. apenas fitava , que por sua vez, fitava o espelho, fazendo sua higiene e ignorando o fato de que a olhava como se tivesse pedindo perdão. terminou de fazer sua higiene e ia sair do banheiro, se não fosse uma mão que a segura-se.
- Não fica assim comigo, por favor. - a segurou pela cintura e grudou sua testa com a de .
- Assim como? - fechou os olhos para sentir o perfume que exalava, seu perfume natural.
- Ignorando esse fato, eu sei que você não tá bem, e que ignorar é uma das suas formas de defesa.
- ...
- Promete que não vai ficar chateada comigo, por favor. - Ele sussurrava. - Eu não tenho culpa, foi minha mãe que pediu e você sabe que eu não sei negar nada a ela.
- Eu sei.
- Então promete pra mim que você vai ficar bem?
- … Eu não posso prometer algo que eu não sei se vou cumprir. Você sabe que eu não consigo aceitar provocações e por mais que você não acredite em mim, ela é que me provoca.
- Tudo bem, mas pelo menos tenta?
-
- Por mim.

******


A noite seguinte chegou rapidamente. já estava perfeitamente vestido com seu smoking enquanto esperava descer. Já estava entediado, faziam, mais ou menos, meia hora que ele estava ali e ela não terminava. Se ela demorasse mais um pouco, era capaz deles chegarem atrasados, já que ainda tinham que levar a Luna na casa da .
- , não demora mais. - Ele a chamou da sala.
- Eu vou demorar mais um pouco.
- Mais? - Ele perguntou impaciente. - Ô , a gente ainda vai ter que levar a Luna na casa da .
- Eu sei...
- Se sabe, por que ainda vai demorar tanto? Nós vamos chegar atrasados.
- Por que você não leva a Luna só? Quando você voltar eu já estarei pronta.
- Tudo bem, estou indo então. - Ela ouviu a voz dele se aproximando do quarto.
- Manda beijo pra e não ouse abri a porta desse quarto. - Ela ameaçou.
- Por que não?
- Porque eu não quero que você me veja assim.
- Assim como?
- Do jeito que eu estou. Tchau, .
- Mas... - Ele se aproximou ainda mais da porta.
- Tchau, . - Ela falou em um tom assassino, que o fez gelar e dar meia-volta.
- OK. - Foi tudo o que ele respondeu antes de pegar a pequena e ir leva-la a casa da .
voltou a se arrumar, fez sua maquiagem, arrumou o cabelo, colocou o vestido e o salto. Colocou um pouco de perfume e pegou sua bolsa. Esperou mais um pouco, até que ouviu o “bip” do celular, que avisava um novo sms do .

"Já estou aqui em baixo. Vai descer, ou quer que eu vá ai pra descermos juntos?"

"Estou descendo."

Foi o que ela respondeu.
Fazia alguns minutos e ainda estava na frente de , esperando alguma reação do mesmo, que estava de boca aberta sem saber o que dizer. estava realmente perfeita e não havia elogios possíveis ou existentes para falar.
- ? - falou um pouco mais alto e ele enfim saiu do seu transe.
- Ah… Oi… É... Wow. - estava recuperando a respiração que havia perdido sem perceber.
- Perdeu a voz? - perguntou com um sorriso brincalhão ao perceber o que havia causado nele.
- É… - Ele coçou a nuca envergonhado. - Vamos?
- Vamos. - Ela soltou uma risada fraca.
abriu a porta do carro para ela, que logo entrou, deu a volta no carro e sentou no banco do motorista dando partida no carro. ligou o rádio que passava músicas divertidas, mesmo que não fossem agitadas. Cerca de meia hora depois chegou ao local da festa, entregou as chaves do carro ao manobrista e seguiu até que já havia saído do carro com a ajuda de um dos seguranças que ali estavam. Eles entrelaçaram os braços e entraram ao local.
O salão estava magnífico, com luzes, que variavam de um violeta a rosa, por todos os lados. O ar-condicionado estava numa temperatura agradável. Era um ambiente amplo e uma das paredes era de vidro, o que dava um luxo a mais ao local.
e foram à procura da mesa que lhes era reservada. No caminho encontraram alguns colegas, ou nem tanto assim, de trabalho. Acharam sua mesa e como cavalheiro que era, puxou a cadeira para se sentar, e assim que ela o fez, ele seguiu para sua cadeira e sentou.
- Ao invés de prêmios para os “melhores do ano” - fez aspas no ar. -, devia ser um prêmio para os mais falsos - Ele frisou. - Do ano.
- Verdade. - gargalhou antes de falar.
- Com licença, aceitam uma taça de champanhe? - Um garçom se aproximou da mesa.
- Cla... - começou a falar, mas foi interrompido por .
- MEN-TI-RA. - falou abismada.
- O que foi? - olhou-a preocupado enquanto ela olhava para o garçom com um sorriso lindo e era um sorriso recíproco.
- ?! - deu um salto da cadeira e abraçou fortemente o garçom, que havia colocado, sabe lá Deus como, a bandeja na mesa. mantinha a testa franzida, tentando entender o que acontecia.
- Minha Pirralha. - Ele frisou a primeira palavra.
ainda encarava a cena sem entender nada. Como assim a conhecia o garçom? Como eles trocaram aquele sorriso que ele achou que fosse rasgar o rosto dela? Como aquele cara poderia abraçá-la daquela forma? Afinal, ele era só um empregado ali. Não era?! E o pior de tudo, como aquele cara a poderia chamar de “minha”? Essas e várias outras perguntas metralhavam a cabeça de , assim como metralhadoras em guerra, que matava todos os que viam pela frente.
- . - finalmente se soltou do abraço, mas ainda estava com os braços em volta do garçom. - Esse é o , meu amigo de infância. Sush, esse é o , meu colega de trabalho.
- Prazer. - esticou a mão e sorriu mostrando seu mais belo sorriso para , que ainda estava tentando entender, como ele havia passado de “amigo colorido”, se era assim que se poderia chamar, para “colega de trabalho”, em meros cinco segundos?
- O prazer é todo meu. - levantou-se e esticou a mão, apertando a do rapaz que estava a sua frente. Para quem via de fora, como via, eles estavam apenas dando um aperto de mão cordial, enquanto para eles dois aquela troca de olhares, fora o bastante para que eles dessem o ponto de partida para a guerra que acabara de começar.
- Bom, mas eu tenho que ir agora tenho que voltar a trabalhar. - disse voltando-se pra . - Depois a gente se fala?
- Claro, toma aqui. - pegou a sua bolsa e tirou de dentro um pequeno cartão. - Me liga, pra gente conversar e colocar as novidades em dia.
- Pode deixar. - Ele piscou para ela e voltou-se para . - Valeu irmão, toma conta dela. - Bateu na mão dele.
- Pode deixar. - O mesmo olhar de antes estava ali e usava o seu sorriso mais sarcástico.
- Se cuida Pirralha, até depois. - Ele depositou um beijo delicado nas costas da mão de e pegou sua bandeja, partindo logo em seguida.
- O que foi aquilo? - falou assim que percebeu que havia tomando uma distância considerável da mesa deles e eles já estavam sentados.
- Aquilo o que? - se fez de desentendido.
- - ‘Fodeu’, pensou ele. -, parece que às vezes você esquece que eu te conheço o bastante para saber o que significa o seu sorriso sarcástico.
E assim, o silêncio foi instalado sobre eles.
Do outro lado do salão:
- Consegui.
- Ótimo, continue com o plano.


Capítulo 11


Duas semanas já haviam se passado desde o evento da maternidade. e ganharam dois prêmios, o de melhores obstetras e o de ‘preferidos’ da maternidade. Naquela noite, passou a festa toda emburrado, e o que piorava a situação era o Fernando não deixar aquela mesa um segundo em paz, passava próximo a ela o máximo que conseguia, como se dissesse “Oi, eu estou aqui”. Até já estava ficando incomodada com isso. Quando chegaram em casa, deu seu jeito de tirar a cara amarrada de , se é que me entende. Durante o resto da semana, tudo se passou como de costume, eles às vezes recebiam visitas, mas nada que os incomodassem. Fernando ligava quase todos os dias, o que só aumentava o ciúme de , tinha dias em que dava uma desculpa qualquer e desligava, mas havia dias em que eles passavam horas ao telefone, tagarelando qualquer coisa. Tudo estava bem… estava.
Era por volta das vinte e duas horas quando o interfone tocou, o que era bastante estranho, já que não estavam esperando por ninguém, principalmente àquela hora. se levantou da cama, onde estava assistindo a um filme qualquer com , aproveitando aquela noite fria e chuvosa e que ficava perfeita com um edredom bem quentinho, chocolate quente e pipoca, e o atendeu.
- Pois não?
- Seu Aguiar, tem uma moça aqui fora, dizendo que é sua prima.
- Minha prima? - franziu o cenho.
- Sim, uma morena, cabelos curtos…
- . - A voz dela pôde ser ouvida.
- Ah...
- Posso deixá-la subir?
- Claro.
Como assim, a ?
Era a pergunta que estava na cabeça de , por suas contas, ela só iria chegar daqui a uns cinco, seis dias, no máximo dez. Mas o que ela estava fazendo ali? Hoje? E com um tempo daquele? Os seus pensamentos foram interrompidos pelo toque da campainha.
- Pretinhoooooo! - pulou no colo de assim que o mesmo abriu a porta.
- Niña. - retribuiu o abraço. Mesmo com a surpresa e o espanto de vê-la ali, ele estava muito feliz. - Como você tá?
- Melhor agora, e você? - Ela desceu do colo dele.
- Estou ótimo... É... - Ele estava sem jeito. - Por que você veio hoje?
- Nossa, Pretinho, é assim que você me recebe? - Ela fez biquinho, fingindo-se magoada.
- Não é isso, é que eu só te esperava daqui a uns cinco dias.
- Ah, mas foi porque eu pude vir antes, então eu não vi problema algum em vir antes e sem avisar. - Ela sorriu.
- ... - apareceu na sala, mas parou assim que viu ali. - Ah, oi. - sorriu falsamente.
- Oi. - respondeu, sorrindo tão falsamente quanto , e ignorando o fato de tê-la visto apenas vestindo a camisa de .
- É, Lu, a Niña veio antes, porque ela não viu problema algum em vir mais cedo.
- Claro. Bom, , eu ia pedi pra você dá uma olhada na Luna enquanto eu tomo um banho, mas pelo visto você está muito ocupado, então, com licença. - saiu da sala, antes que respondesse alguma coisa.
- Quem é Luna? - perguntou sem se importar com .
- Minha filha. - disse como se dissesse “vou ali comprar pão”, deixando uma com o queixo quase no chão.
- Fi... Fi... Fi... Filha?
- É... - explicou tudo a ela, desde o início, até os dias de agora. Menos a parte em que ele estava “ficando” com , nem seus melhores amigos sabiam, por que deveria saber, não é mesmo?
- Entendi... Mas... - fora interrompida por um grito agudo.
- !
O que viu nos segundos seguintes, foi apenas o vulto de correndo em direção ao grito que dera. O apartamento era pequeno, mas as vedações das paredes eram surpreendentemente perfeitas para que nenhum barulho, a não ser que fosse um grito, fosse ouvido. Talvez fosse por isso que andava pra qualquer lugar que fosse com a babá eletrônica. Ele chegou até o quarto e se surpreendeu vendo aos prantos com Luna no colo.
- O que aconteceu? - Ele perguntou direto.
- A Luna... - tentava falar sem cortes na fala, mas os soluços não estavam deixando. – Ela... Eu...
- Lu, calma. - Ele foi até ela e pegou Luna no colo. - Respira, me diz o que aconteceu. - Luna se contorcia e choramingava em seus braços.
- Eu não sei o que ela tem . - tentava se controlar. - Eu estava no banho e de repente ela acordou, eu achava que era a fralda, mas ela está limpa, pensei que era fome, mas ela rejeitou a mamadeira…
- Você já tentou ver se é cólica? - falou tão natural. não tinha pensado na hipótese, ao ver sua filha vermelha de tanto chorar e não descobrir o verdadeiro motivo, foi tomada pelo desespero.
- Não... - Ela falou em um sussurro.
seguiu até o trocador, deitando Luna ali e massageando a sua barriga, a menina soltou um grito em desespero, quando o pai tocou em seu ventre. De fato, era cólica.
- Realmente é cólica. - Ele diagnosticou com seu olhar clínico. - Tem remédio pra cólica?
- Não. - falou após revirar a caixa de remédio.
- Certo. Fica com ela enquanto eu ligo pra farmácia.
apenas assentiu com a cabeça e guiou-se até para pegar a Pequena. Quando chegou à sala, lembrou-se de um pequeno detalhe que agora andava de um lado para o outro.
- Ni... - Ele ia pedir desculpas, mas fora interrompido.
- Não, tudo bem. É sua filha.
- Certo. - passou por ela, beijando-lhe a bochecha em agradecimento e seguiu até a cozinha para pegar o número da farmácia que estava grudado com um imã na geladeira, rapidamente digitou os números e ligou para farmácia, fazendo o pedido.
Assim que o remédio chegou, Luna fora medicada, mas nada impediu que ela demorasse a dormir, o que só aconteceu às três da manhã. Quando isso aconteceu, estava morta e nem se fala, todas as músicas que ele conhecera na infância, tiveram que ser cantadas para que ela caísse de vez no sono. Quando estavam os dois prontos para uma bela “noite” de sono, lembraram-se de um pequeno (grande) problema.
- Onde eu vou dormir? - apareceu do nada, como se a poeira do chão, tivesse se transformado nela, na frente de e .
- Não sei, se vira, garota. - foi curta e grossa, já não ia com a cara dela e quando estava com sono, era quase impossível de ter bom-humor.
- Ai, zinho, você vai deixá-la falar assim comigo? - Ela fez uma cara de falsa ofendida.
- Colabora, Niña. É... Lu. - virou para a mesma. - Eu pensei em a gente dormir no quarto da Luna, e deixar o nosso quarto pra Ni...
- Mas nem morta. - se exaltou. Como assim, a Guria mal chega e já quer sentar na janela?
- Só por hoje, ela deve está cansada da viagem e...
- , eu estava cuidando da minha filha e não sentada ou deitada na porcaria daquele sofá tirando um cochilo como essa pessoa estava segundos atrás! - Ela exclamou.
- Gente, eu estou aqui, tá? - se meteu. - Lu, eu sei que você tá cansada, mas é que eu enfrentei quase dez horas de viajem, só por hoje, eu prometo. - Ela olhou pra .
“Debochada”, a mesma pensou.
- Façam o que quiser, eu vou dormir com minha filha.
disse, se dando por vencida. Foi para o quarto e esperou que viesse trazer as roupas de cama para dormirem, estava cansada o suficiente para não arrumar confusão. Quando chegou, arrumou tudo e se deitou com a mulher ao seu lado.
- Boa noite. - Sussurrou ao seu ouvido, já estavam de conchinha.
- Boa noite. - Ela se virou e depositou-lhe um selinho. Olhando para o relógio, que marcava por volta das quatro e um da manhã, ela adormeceu.

No outro quarto, ainda não havia conseguido dormir, o relógio marcava seis e quinze quando o celular vibrou avisando a chegada de um novo sms:
"É hora de agir."
leu e logo respondeu.
"A essa hora?"
"Aja."
Foi a resposta que obteve. E como um cachorrinho…
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH. - e deram um pulo da “cama” e Luna havia começado a chorar, todos acordando com aquele grito. foi a primeira a chegar em seu quarto, já com Luna, que não parava de chorar em seu colo, estava logo atrás de si.
- O que houve, garota?
- Uma barata. - falou em tom de desespero.
- Mentira que você está fazendo esta merda de escândalo, acordando não só a mim, mas a minha filha, por causa da porra de uma barata? - expressou toda a raiva que tinha, fazendo até ficar com medo.
- Eu morro… - não esperou que ela terminasse.
- CHEGA! VOCÊ JÁ FALOU DEMAIS. SAI DO MEU QUARTO, AGORA! - não queria saber as consequências, já estava gritando.
- Mas...
- SAI, PORRA! - não disse mais nada, saindo do quarto de cabeça baixa. - E você... - Ela se virou em direção a que ainda estava atônito com a cena. – Toma, que a filha também é tua. - Dizendo isso, ela entregou a Pequena nos braços de , o expulsando-os do quarto. Trancou a porta atrás de si e deitou-se na cama, dormindo como se nada tivesse acontecido.

- Alô? - falou com a voz abafada e mal humorada, tinha acabado de acordar com o celular tocando (leia: berrando), próximo ao seu ouvido.
- Boa tarde pra você também, amor meu. - falou docemente, mas com uma pitada de ironia.
- Boa… Tarde?! - finalmente encarou o rádio relógio na mesinha de cabeceira, o mesmo marcava treze e cinquenta e nove. - Merda.
- Desde quando Blanco perde a hora? - estava surpresa, desde que conhecera , ela nunca havia perdido a hora.
- Desde que eu tenho uma filha pra criar. - tinha dado um salto da cama e começava a procurar algo descente para vestir.
- Ui, desculpa aí, minha filha.
- Ai, , desculpas peço eu. - estava mais calma. - Não dormi direito essa noite.
- Não dormiu direito, é? Sei. - falou maliciosamente.
- Cala a boca. - falou, risonha. - Me encontra no parque de sempre daqui a meia hora?
- Que que aconteceu?
- Por quê?
- Porque você tá querendo conversar comigo? Que quê o fez?
- , a gente se vê daqui a meia hora.
- Mas... - Tarde demais, havia encerrado a ligação na cara dela.
Ela seguiu até o banheiro, tomou um banho rápido e fez sua higiene matinal. Vestiu um short de tecido, uma regata branca e calçou o tênis, já que iria ao parque, por que não dar uma corridinha para manter a forma?
"Se lembra de ir com tênis."
Era o que dizia o sms que havia mandado para , assim que terminou de se arrumar.
Saiu do quarto e seguiu em direção à sala, sabia que deveria está com Luna em algum lugar, e foi na cozinha que eles se encontraram.
- Boa tarde. - Ela sorriu e deu um selinho rápido em .
- Boa tarde. - Ele sorriu. - Boa tarde, mamãe dorminhoca. - falou imitando a voz de um bebê para simbolizar a voz de Luna.
- Bom tarde, amor da minha vida. - Ela sorriu bobamente e depositou um beijo na testa da menina. - Vamos nos arrumar pra ir ao parquinho, meu amor?
- Parque? - perguntou com uma voz de preguiça.
- Sim, marquei com a daqui a meia hora.
- Ah não, Lu, eu estou morto. - Ele fez um bico que poderia se julgado a coisa mais linda do mundo por , tirando a Luna, é claro.
- Ah não digo eu, . - Ela fez um bico três vezes mais fofo do que o de . - Eu quero correr um pouquinho e também quero conversar com a .
- Mas…
- Mas nada, vamos, vai. - Dando-se por vencido, apenas suspirou enquanto via seguindo ao quarto de Luna para vesti-la para o passeio.
não havia dormido quase nada, depois que o expulsou do quarto, demorou um pouco para fazer com que Luna dormisse, acabou dormindo no sofá, com a Pequena dormindo sobre si. Ele dormiu apenas duas horas depois disso, a Pequena acordou rápido demais. Levantou-se e ficou cuidando de Luna, alimentou-a, deu banho e logo depois, fez o café da manhã para ele, regado de muito café, é claro, deveria se manter acordado. Cantou um pouco para a Pequena e depois foi fazer o almoço, enquanto ela ficava na cadeirinha. Por volta das doze horas, se alimentou e depois a alimentou. Estava a colocando para arrotar quando chegou. Depois de descobrir que ele não iria, finalmente, dormir em sua cama extremamente confortável, guiou-se para o quarto para tomar banho, o que fez rapidamente. Vestiu uma bermuda ocre e uma regata preta, pegou o óculos pretos Ray Ban (estilo “Restart”), calçou as havaianas, também pretas, e foi para sala, encontrando e Luna, que estava com um vestidinho amarelo com laranja e uma tiara de mesma cor, nos cabelos ainda ralos.
- Vamos? - Ele sorriu.
- Claro, só me deixa pegar o carrinho. - foi e logo voltou com o carrinho de bebê, rosa com lilás, ainda desarmado. - Vamos.
- Vocês vão sair? - Uma voz enjoada, segundo , ecoou pela sala, fazendo com que e , que já estavam na porta, a olhassem.
- É o que parece, não? - , como sempre, curta e grossa.
- Ah. - “murchou” com a resposta.
- Você quer vir? - perguntou, recebendo um par de olhos fuzilantes de de volta.
- Pos...
- Não, querida - a interrompeu -, sabe o que é? É que o passeio hoje é em família...
- Mas você não falou que a ... - ia interrompendo, mas o cortou.
- Então você fica. - Trincou os dentes, olhando feio para .
- Ah ta, desculpa, então, eu acho que vou à casa de uns amigos meus.
- Isso, vai lá, e de preferência, só volta daqui a dois mil anos.
- . - a repreendeu. - Tudo bem, Niña, até mais tarde, então.
- Até. - E assim, , e Luna, saíram para a pracinha. - Aproveitem enquanto a felicidade ainda pertence a vocês.
falou assim que fechou a porta atrás de si.


Capítulo 12


Coloquem essa música para carregar e só deem play quando lerem “E assim a música começou“.

Eles chegaram rapidamente ao Parque, arrancando olhares de todos não só porque eram conhecidos pela redondeza, mas também pelo ar de família feliz e amada que eles exalavam. Ficaram brincando e admirando a Pequena enquanto ela dormia, e aproveitavam pra namorar um pouquinho enquanto isso acontecia. Haviam chegado antes do horário marcado, então ficaram jogando papo fora.
- Cheiro bom você tem. - comentou. Ela estava sentada entre as pernas dele enquanto ele se mantinha encostado numa árvore e a Pequena estava no carrinho, a poucos centímetros deles. tinha o rosto enterrado no pescoço dele.
- Ah é? - Ele sorriu bobo.
- Uhum.
- E você tem olhos lindos, sabia?
- Sabia. - Ela gargalhou.
- Modesta você, hein? - Ele gargalhou de volta e a virou para si.
- Sempre. - Ela selou os lábios dele ainda sorrindo.
- Sabe, eu acho que esse namoro da gente realmente pode dar certo.
- Namoro?
- É... A gente não tá namorando?
- Desde quando?
- Desde que a gente tá junto.
- Mas você não pediu permissão.
- Pra?
- Me namorar, ué.
- Então esse é o problema?
- É.
- Não seja por isso. - fez menção em se levantar, mas foi interrompido.
- Eu sei que não deveria atrapalhar o momento do casal, mas será que eu posso roubar minha amiga, ? - havia chegado.
- Tudo bem.
- Não pense que você vai fugir desse assunto, . - falou levantando-se.
- Nossa, até eu fiquei com medo agora. - comentou entrelaçando o braço com o da amiga.
- Relaxa, nós resolvemos isso mais tarde. - Ele piscou pra .
- Certo, agora eu fiquei realmente com medo. - os olhou.
- Relaxa , não é nada demais. - falou gargalhando.
- Tem certeza que não é nada demais, ? - perguntou.
- Tá, é sim algo demais.
- Dá pra vocês pararem de falar em código e me contar logo o que está acontecendo? - falou já irritada com aquele joguinho.
- Vamos correr que eu te explico.
- Vamos.
E assim, Lua e foram se distanciando de , que ficou pensando como ia fazer o seu grande pedido.
- Então, o que aconteceu? - começou. Ela e estavam correndo em um ritmo nem ritmado (n/a: Não Thay, imagina ¬¬) e nem rápido a ponto de ser uma maratona, mas também não devagar ao ponto de estarem apenas andando rápido.
- Acredita que a puta – Rapariga, songa-monga, recalcada, roda bolsinha, falsa, nojenta, piranha, me-coma, o anjo que caiu do céu*, Severina Xique Xique**… Essas “delicadezas”, não chegavam a um terço do que pensava de . -, chegou ontem lá em casa?
- Quem?
- A , prima do .
- Ah, agora entendi o seu mal humor.
- É impossível ter bom humor com aquela pessoa dentro da minha casa.
- Por que vocês sempre tiveram essa implicância, hein?
- Ah , a culpa não foi minha, acontece é que quando aquele Ser está por perto, eu e o sempre brigamos, não importa o que seja, nós brigamos. No início, eu nem ligava muito, sabia que ela era prima e amiga de infância do , que eu achava que era só uma implicância boba por causa de ciúmes, mas com o tempo isso só foi piorando... Ela começou armar cenas para que eu parecesse culpada, o que sempre dava certo, ai eu brigava com ele…
- Foi por isso que vocês passaram quase um mês sem se falar naquela época?
- Sim, ela armou uma para parecer que eu havia jogado barata na cama dela e para o ela tem pânico de barata, o que não é verdade, e para completar, ela ainda decidiu fazer um jantar para acalmar nossos ânimos aquele dia, mas como era de se esperar ela aprontou colocando nozes naquela porcaria...
- Que você tem alergia? - Era uma pergunta retórica.
- E eu fui para no hospital por uma quase morte por asfixia. Quando eu saí do hospital, eu disse ao T que a culpa havia sido dela, mas ela reverteu à situação, ai nesse dia eu briguei super feio com ele, ao ponto de dizer que nunca mais o queria ver na minha frente, nem que ele fosse o melhor chocolate do mundo e viesse embrulhado em papel do ouro mais caro já existente na terra. Foi terrível, a gente mal se cruzava em casa, tinha dias que ele chegava bêbado e, como sempre, mesmo estando com raiva, eu ia o ajudar e ele me pedia desculpas, mas como meu orgulho é grande demais, eu não aceitava, até o dia em que…
- Ele te deu um buquê com cem rosas vermelhas no centro da sala de espera da maternidade, te pedindo desculpas.
- Isso mesmo.
- Que víbora. - estava indignada.
- Pois é, o pior é que ela tem um poder incrível sobre ele. Acredita que ela acordou a gente, que fomos dormi às quatro horas da manhã no quarto da Luna porque o havia cedido o nosso quarto a ela às seis e poucos por causa de uma merda de barata inexistente?
- Mentira? - Incredulidade, isso decifrava a expressão de .
- Pois é, minha filha.
- E você?
- Expulsei todo mundo do quarto e fui dormir.
- Sério? - gargalhou. - Essa foi ótima. Mas mudando de assunto, amiga como você e o estão?
- Segundo ele, nós estávamos namorando, mas como eu disse que não estávamos porque não houve pedido, ele ia fazer isso no exato momento em que você chegou.
- Sério que eu atrapalhei esse momento ternurinha? - falou fazendo biquinho.
- Sério, mas relaxa mais tarde a gente resolve isso.
- Falando em mais tarde, a Luna tem deixado vocês “namorarem”? - Fez aspas no ar.
- Às vezes, teve um dia que a gente estava nas preliminares e ela acordou querendo brincar ... Acabou que a gente teve que parar o que estávamos fazendo para ficar com ela.
- Ela tá linda, amiga.
- Ela é minha vida. - sorriu boba e debilmente. - Mas parando de falar de mim, e você e o ?
- A gente tá namorando. - Ela respondeu um pouco corada.
- Como assim ? Você só me conta isso agora? Assim, como se dissesse ‘vou comprar pão’?
- É, ué, você queria que eu te contasse como?
- Deixa pra lá. E a retardada Patricinha dos olhos azuis?
- Ela e o estão se entendendo, não assumiram compromisso, mas estão longe de estarem na pista.
- Hm, entendi. - E assim o silêncio foi estabelecido, não um desagradável, mas um natural.
- Sabe, eu estava pensando... - rompeu o silêncio. - Essa é a última semana de férias do , né?
- Sim. - respondeu não sabendo onde ela iria chegar.
- E todo esse tempo, vocês não tiveram tempo.
- Como assim?
- Assim, só pra vocês dois.
- É…
- Vocês não querem deixar a Luna lá em casa essa semana para viajarem para algum lugar?
Foi o necessário para parar de correr instantaneamente.

***


- Ainda acho que a gente não deveria fazer essa viagem.
- Relaxa , já falei a Luna tá com a .
- E a na nossa casa.
- E o que é que tem?
- Vai lá saber o que aquela pessoa vai fazer na minha ausência.
- Depois de ameaçar cortar as unhas dela com alicate, passar super bonder no cabelo dela e ainda arrancar toda a sobrancelha e cílios dela com a pinça... tenho certeza de que ela não vai fazer nada além de dormir.
- Que se dane. Mas vem cá, nós vamos pra onde mesmo?
- Surpresa.

voltou a sua atenção ao livro, ou ao menos, tentou.

- Que livro é esse?
- O Teorema Katherine.
- Quem é o autor?
- John Green.
- É aquele mesmo escritor que escreveu aquele livro que você parou de ler três vezes as últimas páginas por não conseguir parar de chorar?
- Sim.
- Qual era o livro?
- A Culpa é das Estrelas.
- Ah. - Ele falou como se tivesse recordado. - Lê pra mim?
- “Alguma vez você já se perguntou se as pessoas gostariam mais ou menos de você se pudessem vê-la por dentro? Tipo, eu sempre achei que as Katherines terminavam comigo logo que começavam a ver como eu sou por dentro… Bem, todas menos a K-19. Mas sempre me pergunto isso. Se pudessem me ver do jeito que eu me vejo, se pudessem viver nos meus pensamentos, será que alguém, qualquer pessoa, me amaria?”
- Me empresta depois?
- Claro.
- O porquê desse título do livro?
- É o que eu estou tentando descobri, mas você não cala a sua boca para que eu possa ler.
- Outch, delicada.
- Queridíssimo , eu sei que é uma honra ouvi-lo falar e perguntar sobre o quão é interessante o livro que estou a ler, e é um enorme prazer responder todas as suas perguntas dignas, mas se vossa excelência me permitir, eu pedirei que, por favor, poupe-me do seu adorável timbre de voz, para que eu possa voltar a minha leitura e lhe contar tudo o que acontece no meu excelentíssimo livro.
- Sim Senhora, Madame.
Algum tempo depois, ainda estava lendo o livro e dedicava toda a sua atenção na estrada.
- Vai demorar muito?
- Uma hora, mais ou menos.
- Posso dormir até lá?
- Claro.
- Tá.
E assim, foi para o banco de trás, pegou uma das mochilas, para fazê-la de travesseiro e dormiu.

***


- ? - sussurrou. Havia parado no Posto de Gasolina para abastecer e como já estavam perto do seu destino final, decidiu acordar a loira.
- Hm?! - Ela resmungou.
- … Mô..
- Hmmm? Só mais cinco minutinhos. - Ele sorriu nasalmente e baixo.
- Nada disso dorminhoca. - Ele ainda falava em um tom baixo. - Acorda vai, nós já estamos chegando.
- Já? - Ela respondeu mais já consciente, mas ainda de olhos fechados.
- Uhum. - Ele fazia carinho no cabelo dela.
- Tá bem. Sabe o que eu sonhei?
- Hum?
- Que eu estava morena.
- Mentira?
- Verdade. - Ela disse abrindo os olhos e se sentando, ainda no banco de trás. - Sabe, até que eu não fiquei tão ruim assim.
- É? Mas eu ainda prefiro você loira, minha - Frisou. - Loirinha linda.
- Ah é? - Ele apenas assentiu e segurou sua nuca para dar-lhe um beijo, o que não deu muito certo, já que ela desviou o rosto. - Não, eu estou com bafo. - Ela tapou a boca com a mão.
- Deixa de besteira.
- Não.
- Chata. - Ele fez biquinho e passou para o banco do motorista.
- Bobo. - Ela passou para o banco do passageiro e depositou um beijo na bochecha dele.
- Boba.
Ele sorriu e deu partida, em poucos minutos eles chegaram em seu local de destino: Teresópolis.
- Teresópolis... Como eu não havia percebido antes? - Lua falou com um sorriso bobo no rosto, tinha várias e boas, ou melhor, ótimas lembranças daquele lugar, com até.
- Realmente, mas faz quantos anos que a gente não vem aqui mesmo?
- Há uns dois anos. E quando a gente veio, ficamos na pousada da Naná.
- E quem disse que essa não é a pousada dela? - Eles já estavam parados na frente da enorme e luxuosa pousada.
- Tá de onda, né?
- Não. - Arthur sorriu da cara de espanto da “amiga”.
- Impossível, quando a gente veio aqui isso era bem menor e não tinha luxo.
- Falou bonito, minha Flor... Era. - se virou e deu de cara com a Dona Naná. Ela tinha um sorriso lindo no rosto, era mais baixa que , rechonchuda e tinha cabelos completamente brancos e curtos.
- Dona Naná! - abriu um sorriso largo e se apressou em abraçar a Senhora que ainda continha um sorriso perfeito no rosto. - Tudo bem com a Senhora?
- Tudo ótimo, minha Flor, e você?
- Estou ótima. - se afastou um pouco, mas ainda mantinha-se meio abraçada com a Senhorinha.
- Graças a Deus, vejo que veio acompanhada do seu amigo mais uma vez. - Ela falou olhando em direção de .
- Nem tão amigos assim, né? - falou olhando para todos os lados.
- Não vai me dizer que vocês estão…
- Namorando? Não. - respondeu.
- Por enquanto - Frisou. - Não. - falou abraçando por trás e depositando um beijo em seu ombro desnudo, fazendo com que ela separa-se de vez de Dona Naná.
- Oh, que lindo. Eu sempre disse que vocês dois formariam um belo casal. - Ela disse, fazendo com que e abrissem um sorriso que praticamente não cabia no rosto de cada um.
- Obrigada. - sorriu singela. - Bom, será que a gente pode entrar? Sabe como é né... Fome...
Naná e sorriram com a sinceridade da mulher. Eles entraram, fizeram o check in e subiram para o quarto, deixaram as coisas lá e logo depois desceram para o restaurante. Comeram um lanche simples e depois saíram para conversar, namorar e observar a paisagem. Era o primeiro dia deles juntos ali, queriam aproveitar cada segundo.
- Acho que a gente deveria voltar para a Pousada. - falou. - Por quê? Tá tão bom aqui. - Ela respondeu. Eles estavam no Mirante do Soberbo e a vista de lá era impressionantemente perfeita. estava sentado e tinha as costas contra o peitoral do moreno. Ele estava a abraçando pela cintura e volta e meia, ele beijava o pescoço dela e ficava sentindo a fragrância de lavanda que saia do cabelo dela.
- A gente vai sair mais tarde.
- Como assim? - se virou para ele.
- A gente vai sair, ué.
- Pra onde? - Ele soltou uma risadinha fraca, aproximou-se do ouvido dela e sussurrou:
- Surpresa.

***


e logo seguiram para Pousada. subiu logo para o quarto para se arrumar, enquanto falava com Dona Naná algo sobre ”a Senhora pode me arrumar outro quarto para eu me arrumar?”. E assim foi feito, cada um para um quarto, como noivos em um dia de casamento. , para variar, terminou primeiro e ficou esperando na sala da Pousada.
Quase meia hora depois, apareceu. Palavras para descrevê-la? Não existia, mas não existia mesmo. Vestido simples, maquiagem simples, cabelo simples. Simplicidade e elegância, unidas na mesma mulher. Como isso era possível? Se nem os especialistas conseguiam explica, como ele explicaria?
- Oi. - Ela sorriu parando em sua frente.
- Oi.
- Vamos?
- Claro. - Ele flexionou o braço em sua direção e ela logo entrelaçou o dela ao dele.
"Lindo".
pensou. Não havia palavra mais perfeita que essa para descrevê-lo. era lindo e não só por fora. Mas era completamente lindo de todas as formas existenciais. duvidava de que se um dia aparecesse banguelo, careca, com uma verruga no nariz e barrigudo, ele ainda continuaria lindo.
Não demorou muito para que eles chegassem ao restaurante. Era um restaurante simples, porém, elegante o bastante para ocasião, tinha uma música ambiente deixando ainda mais magnificada com aquilo tudo. A temperatura, por um milagre dos Deuses estava agradável aquela noite, permitindo assim que nem ela e nem ele usassem agasalhos. logo fez os pedidos e eles jantaram com a companhia de um belo vinho.
- Tá gostando da viagem?
- Se eu estou gostando? Eu estou amando isso tudo, é como se... É como se… Fosse um sonho. - Ela respondeu com os olhos brilhando.
- Que ótimo. Mas algo me diz que você vai amar muito mais. - Ele segurava a mão dela sobre a mesa, os olhos sempre fixados como imãs um nos outros.
- Ah é?
- Uhum. - murmurou e acenou com a cabeça, fazendo o sinal para que o garçom avisasse ao músico que já podiam começar com o plano que haviam combinado enquanto ia ao toalete. - Vamos dançar, ?
- Quê? Claro que não, o restaurante tá lotado, vai ser um mico.
- Que mico que nada, vamos vai. - Ela olhou mais uma vez sugestiva para à “pista” de dança vazia, e assentiu com a cabeça, eles levantaram-se e seguiram até lá.

E assim a música começou.

- Baby I love you, I never want to let you go, The more I think about, The more I want to let you know, That everything you do, Is super fucking cute, And I can’t stand it.. - sussurrava no ouvido de . Ele estava com as duas mãos na cintura dela e ela tinha a cabeça depositada em seu ombro. - I’ve been searching for, A girl thats just like you, Cause I know, That your heart is true, Baby I love you, I never want to let you go, The more I think about, The more I want to let you know, That everything you do, Is super duper cute, And I cant stand it.
- Let’s sell all our shit, And run away, To sail the ocean blue, Then you’ll know, That my heart is true, Baby I love you, I never want to let you go, The more I think about, The more I want to let you know, That everything you do, Is super duper cute, And I can’t stand it.. - Ela começou a sussurrar para ele.
- You, you got me where you want me, Cause I’ll do, Anything to please you, Just to make it through another year, You, I saw you across the room, And I knew, that this is gonna blossom, Into something beautiful. - Eles cantaram juntos.
- You’re beautiful.. - Ele sussurrou.
- Baby I love you, I never want to let you go, The more I think about, The more I want to let you know, That everything you do, Is super duper cute, And I can’t stand it.. - Dessa vez era a voz do cantor que se era ouvida, eles apenas balançavam-se de um lado para o outro. - Baby I love youm, I never want to let you go, The more I think about, The more I want to let you know, That everything you do, Is super duper cute, And I can’t stand it, No I can’t stand it, no I can’t stand it.
E assim a música chegou ao fim, se afastou de e ajoelhou-se na frente dela. Ela ficou surpresa, mas era como se ela já esperasse pelas palavras vindas a seguir:
- , você aceita namorar comigo?

*: Para quem não sabe o único Anjo que caiu do céu, foi o popularmente conhecido com “Diabo”. Sim, ele era um anjo que não aceitava as leis de Deus, o que fez com ele fosse expulso do céu e assim ele fez as suas “próprias regras”. Por isso, quando me ouvirem dizer que alguém foi “um anjo que caiu do céu”, eu não estou elogiando e sim, xingando. **: “Severina Xique Xique” é uma música que conta a história de uma mulher que “comprou uma botique, para a vida melhorar”, mas tinha um homem sempre de olho na sua “botique”.


Capítulo 13


Inveja.
Ah, maldito sentimento. Maldito seja quem inventou a inveja. Não era à toa que esse é um dos sete pecados capitais.
Inveja.
Esse era o verdadeiro sentimento guardado no coração de . Uma inveja verdadeira, pura, profunda, como nem ela havia visto em toda sua vida.
Vida.
Esta aí uma coisa que ela queria saber como era ter uma. Seus segredos eram tantos. Sua vida fora roubada pela mãe e nem ela mesma acreditara que havia deixado isso acontecer. Malditos segredos, maldita inveja, maldita existência.
Às vezes dava vontade de fugir de tudo, fugir do mundo e por uma única vez na vida ser ela mesma, e não uma verdadeira pau-mandado. Aquela mulher um dia pagaria caro por tudo que a fez sofrer, claro que pagaria. Mas ela também não podia negar que às vezes agia por si só. Estava no meio de uma das suas crises existenciais quando o celular tocou. Olhou para o celular, e mesmo com um ódio infeliz que sentia pela pessoa cujo nome piscava na tela, sorriu. Sorriu, pois sabia quem falaria com ela. Sabia que ele falaria com ela. Sabia que a pessoa no qual valia a pena não ter vida própria, falaria com ela.
- Alô?!
- ? - A voz feminina falou do outro lado da linha, fazendo com que Giovanna revirasse os olhos.
- Diga. - Seca. Sempre seria assim com ela.
- Calma querida, não fale assim com sua mamãe. - Irônica, como sempre.
- Me poupe…
- Não me chama pelo meu nome sua vadia, você sabe que eu não gosto.
- Foda-se.
- Cala a boca, sua vadia mal comida, eu que mando nessa porra, mais respeito comigo.
- Ah, claro, e desde quando você sabe o que é respeito?
- Desde quando eu te coloquei no mundo.
- Desculpa, mamãe. - Desdém. - Mas eu esqueci como te respeitar quando você me abandou na casa da sua - Frisou. - empregada. Eu tinha quantos anos mesmo? Ah, é verdade, eu não tinha anos, na verdade, eu só tinha dois dias de nascida. - Ela quase gritava seu passado, seu ponto fraco, sua dor, tudo estampado ali.
- Foda-se , eu tenho meus motivos.
- Ah claro. - Bufou. - Vem cá, para que você me ligou mesmo? Já cansei de ouvir isso que você chama de voz.
- Voz tão parecida com a sua quando eu tinha sua idade. - bufou.
- Fala logo.
- OK. OK. Primeiro, porque eu quero saber como as coisas andam por aí.
- Normais. A e o viajaram e a criança está na casa da .
- Tudo calmo?
- Como um lago em um parque.
- Certo. Quando eles voltam de viagem?
- Na sexta, eu acho.
- Como assim ‘acha’, sua vadia? Nem para fazer um trabalho direito você sabe?
- Eles não me falam nada. A tem ódio de mim e o só tenta fazer com que a gente não se esbarre pela casa. E outra, você não tem nem o direito de reclamar, tá achando ruim? Vem fazer.
- Tenho certeza de que faria melhor do que você, mas já que não posso ir até ai, tem que ser você mesmo.
- Então para de reclamar.
- Cala a boca e presta atenção no que você irá ter que fazer agora…
Meia hora depois e a mulher finalmente terminou de dar instruções a sobre as próximas coisas a serem feitas. Farpas trocadas e enfim, hora de terminar a ligação.
Ou não?
- Eu já entendi. Agora me fala o outro motivo da sua ligação.
- E tem outro, querida?
- Não seja estúpida, você sabe que sim. - A mulher soltou uma risadinha.
- Ai, ai filhinha, você pensa que não, mas é tão igual a mim.
- Não me compare a você. - Cuspiu as palavras. Não era igual a ela, podia ser parecida, mas igual? Jamais.
- No fundo você sabe que é. Mas eu não quero discutir sua semelhança comigo agora, o Jonah quer falar com você. Espere um pouco.
sorriu. Olhos marejados, sorriso que quase não cabia em seu rosto. Saudade, maldita saudade que a consumia todas as horas longe dele. Longe da razão da sua existência, a única pessoa e único homem por quem ela largaria tudo, por quem ela arriscaria a vida, por quem morreria, mataria, se mataria. Alguns segundos depois, ouviu alguém segurando o celular e a voz que mais sentia falta de ouvir, a voz que era como melodia para seus ouvidos, a voz que a levava para o céu, como um anjo, ele era o seu anjo. Seu sorriso se alargou ainda mais quando o ouviu, Deus, como fazia falta aquele ser lhe chamando de:
- Mamãe.

***


Policial corrupto?
Quantos não existem nesse país? Quantos policiais, que deveriam cuidar da nossa segurança e, pelo contrário, estão nos colocando em perigo? Ele era só mais um nisso tudo. Mais um nessa merda de país que só faz decepcionar os jovens que querem ter um futuro e uma nação melhor. Só mais um que quebra as regras de modo errado, de modo que decepciona e envergonha o país.
Sargento Roncato.
De férias. Finalmente férias. Ou não? Espera... Ah é! Férias não existiam para quem faz trabalhos sujos como o dele. De dia, protege, agrada a população. À noite? Bom, às vezes (leia: sempre), é ótimo ganhar um dinheiro a mais, dinheiro sujo, mas era dinheiro, não era?
Ele não sabia como eles o encontravam, só sabia que os “trabalhos” chegavam até ele, e que ninguém da corporação desconfiava. Como não? Não se sabe. E é claro que ele ganhava por esses “trabalhinhos”. A ganância e a luxúria sempre gritava mais alto, sempre comandava o seu caminho, suas decisões.
E quando aceitou aquele trabalho da sua querida e amada Tia, nada seria diferente. Talvez até fosse com ela mesma que ele aprendera a fazer esses trabalhos sujos. Foi criado pela Tia, sabia todos os podres dela, e tudo que ela tramava. Quando terminou o ensino médio, iria seguir a sua carreira dos sonhos, mas é óbvio, que com a criação que teve, iria ser um dos policiais mais corruptos da corporação.
Ele estava em casa, de bobeira como sempre, na mesma cama de sempre, assistindo os filmes de ação de sempre, com uma samba canção de sempre. É, parece que “sempre”, estava sempre no seu vocabulário. Mas voltando ao foco, ele estava quase dormindo quando o celular tocou. Olhou o visor.
"Ótimo" - Pensou.
- Fala priminha linda e gostosa. - Ela revirou os olhos.
- Poupe-me, .
- Ih, está de mau humor? Que quê foi? Minha tia querida te ligou?
- Você sabe que sim. - Ele suspirou.
- Tanto sei que já esperava por sua ligação.
- Já sabe o que temos que fazer então?
- Sei. - Suspirou.
- Eu estou com medo, Ron.
- Medo de que? Você nunca teve medo de nada.
- Dessa vez envolve o meu filho. - O nervosismo estava estampado na voz de .
- Como assim envolve o Jonah? - Por mais corrupto e sem coração que fosse, amava aquele menino como se fosse seu filho, era o seu único ponto franco nesse mundo.
- Eu não entendi direito, mas parece que ela quer que a gente…
- Nem continua. Ela não pode querer que a gente leve o Pequeno pra isso, ela tá louca?
- Ron… - Ela falou com a voz chorosa. - É meu filho, isso machuca.
- Morango, vem pra cá.
- Ela vai acabar ma…
- Nem continua. Vem pra cá que a gente conversa direito.
- Tudo bem.
Ela finalizou a ligação. E se arrumou para ir em direção ao apartamento de . Pegou um táxi e seguiu para casa dele, em torno de meia hora depois, ela chegou a casa dele, mal tocou a campainha e logo o abraçou fortemente como sempre fizera quando ela descobriu ser filha de quem era e eles ficaram amigos e começaram a ser criados como irmãos.
Quem olhava de fora, podia até pensar que eles nutriam uma paixão platônica. Mas só ambos sabiam o que acontecia entre eles. Eles eram como se fossem a fortaleza um do outro. Quando a mãe/tia deles tinha os seus ataques e eles pensavam em desistir, era sempre um no outro que eles se apoiavam.
- Está mais calma? - Eles continuavam abraçados e ele fazia cafuné no cabelo dela enquanto sentia seu ombro desnudo ser molhado. Ela apenas balançou a cabeça em negação. - Calma, por favor, calma.
- É meu filho, Ron. Você não sabe a dor que eu estou sentindo em ter que estar nessa merda toda, saber que eu posso perder meu filho só porque aquela pessoa que se diz minha mãe quer. - Ela o fitou nos olhos.
- A gente não vai deixar o Jon se meter nisso.
- Como não? Mesmo que a gente não queira, você sabe que ela vai metê-lo nisso. - O medo e o desespero estavam estampados em seu olhar.
- Olhe para mim, eu vou está lá, eu vou proteger vocês, isso é uma promessa. Você está me entendendo? - Ele estava segurando o rosto dela, olhando nos olhos dela, naquela ligação que só primos têm, naquela ligação que só eles tinham.

***

Sexta-feira. Maldita sexta-feira. Maldita sexta-feira que vinha para acabar com as férias, semana de viagem e toda aquela folga.
- Maldita sexta-feira. - falou. Ainda estava deitado na cama, apenas coberto com o lençol e uma cueca box vermelha, enquanto desfilava pra lá e pra cá arrumando as coisas para viajarem, com uma das camisas dele, é claro. - E pra que você está arrumando nossas coisas agora? A gente só vai voltar de madrugada, certo?
- Para a gente aproveitar mais o dia, seu tapado.
- É assim que você trata o seu namorado? - Ele falou em um tom falso de indignação.
- Por isso mesmo, é meu, eu trato como quero. - Ele olhou, agora sim, indignado de verdade, fazendo-a cair na gargalhada. - Estou brincado. - Ela se aproximou dele e lhe deu um selinho, voltando logo em seguida para o que fazia. - E levanta vai.
- Eu não quero sair da cama hoje, você já viu quantos graus está lá fora?
- Quinze. Mas a gente pode aproveitar pra curti esse friozinho, comer um fondue, sair para jantar.
- Pelo visto você já planejou o nosso dia. - Ele a abraçou por trás e deu um leve selinho no pescoço dela.
- Uhum. - Ela se virou e beijou-lhe a bochecha. - Vai tomar banho, amor, eu quero sair. - As bochecha coraram.
- Repete. - Ele sorriu abertamente.
- Eu quero sair. - Ela mantinha o rosto baixo, ainda arrumando as coisas, fingindo não entender a pergunta e ele ainda a abraçava.
- Você entendeu. - Ele ainda sorria.
- Amor. - Ela sussurrou.
- Mais alto.
- Amor. - Ela falou um pouco mais alto, mas ainda era quase um sussurro.
- Fala direito, .
- AMOR. - Ela gritou de uma vez.
- Amor, amor, amor, MEU amor. - Ele a girou, abraçando-a e tirando os pés dela do chão, beijando-a logo em seguida.
- Tá, agora dá pra ir se arrumar?
- Agora eu vou a pé do Rio à Salvador se você quiser. - Ela sorriu e selou os lábios aos dele mais uma vez. Ele a colocou no chão lhe roubou um selinho e seguiu para o banheiro.
Vinte minutos depois, ele já havia tomado banho. Pegou a roupa que havia separado em cima da cama e a vestia. Era uma calça jeans num azul quase preto, uma camisa azul-petróleo, um sobretudo de couro marrom e um cachecol cinza-azulado e nos pés, um sapato social preto.
- Mô, vou lá embaixo, já volto. - Ele gritou para , que já estava tomando banho.
E assim ele saiu do quarto. Foi até a recepção e perguntou o que queria. Logo depois foi atrás do seu carro, para tirá-lo da garagem.
já havia tomado banho, vestido uma calça jeans azul escura, uma camisa pólo azul clara e um sobretudo preto, nos pés, uma bota cano médio, sem salto. Estava pegando as luvas, o cachecol e o gorro, quando alguém bateu na porta do quarto.
- Pois não?
- ?
- Sim?!
- Mandaram lhe entregar isso.
Ela sorriu envergonhada, com os olhos brilhando e marejados. Pegou o buquê que deveria conter umas vinte rosas vermelhas, suas favoritas. Pagou o entregador e fechou a porta do quarto, cheirou as rosas e pegou o cartão.
‘Me apaixonei do mesmo jeito que alguém cai no sono: gradativamente e de repente, de uma hora para outra.’

***


", mudanças de planos, você poderia trazer a Pequena pra minha casa amanhã, lá pelas oito?
Xx. ”.

"Claro amiga, pode deixar.
Xx. ”.

- Pronto querida Tia, a gostosa da já caiu na nossa lábia.
- Ótimo, vamos logo, temos que chegar na casa daqueles dois rapidamente.
- Tudo bem, vou acordar o Jonah.
Era por volta das duas da manhã, estava na casa da Tia, era hora de colocar o plano dela em ação. Agora sim, tudo estava como ela queria, agora sim iria ser sua vingança perfeita. E claro, como já era de se esperar, ela levaria o pequeno Jonah. Coitado, tão novo, tão pequeno e já estava metido naquela porcaria toda.
- Jon? Anda pequeno, acorde. - Ele sussurrou, sacudindo de leve o garoto.
- Hum? - Ele murmurou. - Aonde a gente vai, Tio?
- Vamos ver a sua mamãe.
Não foi necessária mais uma palavra a ser dita. Jonah pulou da cama, assim como um canguru e seguiu para o seu pequeno armário para pegar uma roupa descente, tirando logo o seu pijama de lã verde com coelhinhos brancos e colocando, desajeitadamente, uma calça jeans e uma camisa social, de mangas curtas, preta. Pedindo ajuda a para colocar o all star preto, de que tanto amava.
- Pegue um casaco Jon, está frio. - E assim o menino fez, colocando o casaquinho moletom vermelho que estava pendurado na porta do seu quarto.
- Vamos Tio, eu quero ver a minha mãe. - O menino puxou o mais velho pela mão, o fazendo sorri sonoramente.
- Jon vá indo para o carro, ok? Eu já vou com sua avó.
- Tudo bem. - Ele sorriu mostrando a sua fileira de dentes certos e brancos e foi em direção ao carro.
- Tia me explica o porquê de levar o Jonah?
- Está na hora do saber da verdade e além do mais, eu sei que a retardada da sua prima é capaz de desistir de tudo em cima da hora.
- Mas Tia, o Jonah…
- Oras , não seja um maricas, além do mais, o Jonah tem que saber a verdade sobre a família dele.
- Tudo bem. - Ele suspirou derrotado.
- Ligue para a vadia da sua prima, avise-a que nós chegaremos lá, dentro de uma hora.
Sem falar mais nada, seguiu em direção aos fundos da casa para ligar para . Ela ouviu tudo e só lamentou o fato de que Jonah também iria com eles. Não queria jamais por o filho nessa confusão, mas a que tudo indicava, ele já estava predestinado a isso, desde o momento em que se formava na barriga dela.
- Vamos.
E com essa palavra, ele entrou no carro e eles seguiram para o apartamento de e . O silêncio naquele carro era tenso, assustador e capaz até de causar arrepios a alguém mais sensível. estava com a cabeça trabalhando a mil, passando e repassando o plano em sua cabeça, com certeza esse seria o fim da sua carreira. Não só profissionalmente falando, como bom policial que era, mas também como corrupto e bandido que também era.
A cabeça dela era a que trabalhava mais, sem dúvidas, se a cabeça de trabalhava a mil, a dela estava trabalhando em um milhão. Finalmente sua vingança estava prestes a ser realizada. Finalmente sua tão sonhada e doce vingança, ia ser concretizada.
Jonah, o mais inocente dessa história. Não sabia de nada que estava acontecendo, nem em sonho imaginava o que ia acontecer naquele dia. Mal saberia as perdas e ganhos que iria sofrer. Nem sabia que participava de uma família que mais parecia uma quadrilha. Em sua inocente mente, ele apenas reveria sua mãe, que não via há quase um mês.

Teresópolis, 03Hrs05Min.

Corpo suado, olhos fechados, mãos descontroladas e enfim, um grito abafado e nem tão alto saído dentre o lábios de . O pânico estampados nos seus olhos agora abertos e a procura de saber onde estava. (N/A.: Pensaram besteira né ?). Respirou fundo e finalmente percebeu onde estava, no quarto da pousada e com o homem que amava ao seu lado. Mas a dor em seu peito, o maldito sonho e o mau pressentimento que estava sentido, a fez arfar.
- Amor, acorda. - Ela sacudiu de leve, mas ele não esboçou nenhuma reação. - , por Deus, acorda. - Sua voz beirava desespero, já falava mais alto do que o normal recomendado para o horário.
- Hum? - Ele murmurou.
- , caramba, acorda! - finalmente abriu os olhos e viu o desespero que a mulher estava.
- Que foi? - Agora sim ele estava preocupado.
- Eu quero voltar para o Rio.
- Hã? - Ele a olhou sem entender. - Mô, ainda faltam mais de duas horas para a gente voltar.
- Você não entende? - Ela saltou da cama. - Vai acontecer alguma coisa, . Eu quero voltar para casa, eu quero a minha filha.
- , meu Deus. - Ele começara a ficar desesperado. - Não vai acontecer nada, volta para essa cama.
- Se você não for, eu vou sozinha. - Ela falou já seguindo para o banheiro. A sua voz já estava embargada, a dor em seu peito aumentava gradativamente e estava sufocando-a.
- , o que aconteceu? - Ele entrou no banheiro, assim que ela entrou no box. - Eu não sei. - Sua voz estava fraca, as lágrimas quentes já caiam. - Eu estou com uma dor sufocante no peito, um pressentimento ruim. , vai acontecer alguma coisa. - Soluçou. - Eu quero minha filha.
- Você está me assustando.
- E você acha que eu estou como? - Ela falou dois tons mais alto.
- Olha, tudo bem, eu vou. Eu vou terminar de arrumar nossas coisas, quando você sair daí, eu tomo banho e nós vamos, mas se acalma, por favor.
- Eu vou tentar. - Falou ainda chorosa. - Eu vou tentar. - Sussurrou para si mesma dessa vez.
Uma hora depois, já estavam no caminho de volta para casa. queria ir o mais rápido possível, queria que o carro tivesse capacidade para voar ou algo assim, só queria ir para casa e esperar amanhecer para poder ir buscar sua filha na casa de . Sua garganta estava seca, não conseguia trocar nenhuma palavra com e cada vez mais que se aproximava do caminho de volta para casa, mais o seu coração apertava. Paciência nunca fora uma de suas virtudes e estava pouco se fodendo para todas as palavras que soltava dizendo que tudo ficaria bem. Será que ele não percebia que tudo só ficaria bem quando ela abraça-se sua filha?
Uma hora depois e finalmente estavam a meia hora de casa?! “Finalmente”, pensou. Era uma ponta de felicidade clareando em seu peito, mas nem ela conseguia diminuir a dor que ela estava sentindo. Pelo contrário, a felicidade sumiu, a dor aumentou, o desespero aumentou e como um nome de uma boate, que piscava em vermelho neon, a frase surgiu em sua mente:
"Felicidade de pobre dura pouco".
Aquela cidade definitivamente estava um caos, era o fim dos tempos, como assim pegar um trânsito, uma merda de engarrafamento, às seis horas da manhã? Deus só poderia está brincando com ela. Estava chegando o fim dela, queria que ela tivesse um ataque cardíaco, morresse e puff, adeus mundo cruel. tentava puxar assunto com a mulher, mas quem, em sã consciência, que está estressada e desesperada, vai ter paciência de conversar com alguém? Por favor.
Uma hora se passou lentamente, tão lentamente que até uma tartaruga estava, possivelmente, andando mais rápido que os ponteiros. A segunda hora de espera, nem preciso dizer que demorou mais que a primeira não é?
estava a ponto de explodir. Jogar uma granada no meio daquele inferno e acabar com tudo aquilo de uma vez. Só desistiu da ideia de ir andando para casa, quando o trânsito, enfim, começou a sair do lugar. Maldito seja! Seu coração estava apertando ainda mais naqueles quilômetros finais, sua angústia e aflição só estava aumentando. E como se estivesse em qualquer Rua de New York, um único nome piscava com todas as cores neons possível:
"PERIGO".

- UMA HORA? UMA HORA? Uma hora na merda de caminho que a gente usa só meia hora para chegar em casa. Realmente é o fim dos tempos. - resmungava enquanto seguia para o seu apartamento com em seu encalço.
- Calma meu amor, depois eu pego as malas, tudo bem? São oito e meia da manhã, , eu quero dormi. - Ele, mais do que tudo, estava cansado. Só queria sua cama e sua mulher do seu lado, para dormi em paz.
- Você é quem sabe.
E assim eles subiram. Ela apenas levava sua bolsa, apenas para pegar a chave e poder entrar em seu apartamento, ligar para e perguntar se já poderia ir buscar sua Pequena. Pegou as chaves e girou-a na maçaneta, só não esperava encontrar o apartamento todo revirado e com no centro da sala, amarrada e amordaçada.
- Mas que porra…
começou a falar. estava atrás dela, mas via tudo. Empurrou-a de leve para dentro do apartamento e já ia seguir para socorrer , se alguém não o tivesse dado uma chave de braço. imediatamente soltou um grito de pavor.
- Seja bem-vinda, doce e querida
- Mer.. Mercedes?


Capítulo 14


Nada mais parecia ter sentido. Os soluços do choro de , não podiam ser ouvidos e nem as batidas do seu coração. Nem sequer sentia que a respiração chegava aos seus pulmões. Tudo que via era aquela mulher, aquela maldita mulher que sempre infernizara sua vida, tornando-a um inferno de uma vez. Queria falar, gritar, correr atrás da sua filha, mas tudo que via era a mulher que mais odiava no mundo com um sorriso sínico no rosto e uma arma em punho.
O gemido de dor soando ao seu lado, a fez despertar. E então, tudo que antes parecia estar em câmera lenta, voltou ao normal. Os soluços de soavam a ponto de assustar e a briga de e… Espera! ?
Seu estômago embrulhou de vez. Não iria vomitar, não mesmo. Só queria acordar e ver que tudo aquilo não passava de um pesadelo.
- O que... O que... – Como é que se falava mesmo? – O quê que está acontecendo aqui? – A frase saíra cuspida. Nem mesmo sabia como havia conseguido formá-la.
- Sente-se, querida, temos que conversa.
- Não me chame de querida. E nós não temos nada para conversar.
- Ora sua vadia mimada, sente-se logo! Caso contrário, os primeiros miolos de hoje irão pelos ares. - Mercedes apontou a arma para , que soltou um grito de pavor, intensificou o choro e olhou suplicante para , fazendo-a engolir seco. – Você é quem escolhe… Querida.
- Certo. – Usando uma força e calma sobre-humana, ela seguiu até o sofá e sentou-se.
- Boa garota. , solte o .
- Ele vai reagir.
- Se ele reagir, irá ser o primeiro a ser morto. Estamos conversados, ?
- Es... Tamos. – Ele falou em um fio de voz, necessitava de ar urgentemente.
- Vamos, solte-o. – soltou , que logo se segurou no encosto do sofá. Precisava de ar, necessitava de ar, o elemento que ele às vezes detestava e que preferia que não existisse, estava precisando ironicamente dele. - Sente-se ao lado da .
fez o que ela mandou como um cachorrinho obedece a seu dono, um verdadeiro covarde. Estava confuso, com medo e completamente sem saber o que fazer. Em sua frente estava a terceira pessoa que mais amava no mundo, sua melhor amiga, uma psicopata e um idiota com armas em punho apontada na direção deles. A pessoa que ele mais amava no mundo, sua filha, com certeza estava naquela casa e a segunda, sua mãe, provavelmente ainda estava dormindo. Por meio das dúvidas e por meio de segurança, era melhor obedecer, embora no primeiro vacilo daqueles dois, ele iria atrás do seu mais profundo segredo. Nem ao menos sabia da existência desse segredo.
- Acho que vocês estão se perguntando o que eu estou fazendo aqui, certo? Mas calma, eu já vou começar a contar tudo. Mas antes, me deixa chamar algumas pessoas. – Tortura, doce tortura. Como amava aquilo. – , traga o Jonah e a Luna. - Ela pediu autoritária.
- Filha… - sussurrou, as lágrimas caíram sem perceber e quando fora tomar impulso para pegar sua filha, segurou-a. - Me solta.
- Não. - Ele sussurrou, porém, autoritário.
- Vejo que o é o cabeça da relação. - Mercedes debochou.
- Sua vadia, devolve minha filha. - quase gritou.
- Deixe-me ver… Não. Por enquanto não.
- O que você quer? - falou em um fio de voz.
- Vingança. Sente-se, já disse que vou contar uma história para vocês.
E assim, sentou-se novamente.
"Tudo pelo bem da minha família, TUDO". - Pensou.
- Acho que vocês tem curiosidade em saber o porquê disso tudo, não?
Mercedes falava com toda calma do mundo. tinha a respiração presa, mas nem ao menos sabia que o fazia. tentava ficar calmo a cada momento, sabia que era impulsiva, mas alguém teria que ser o paciente e calmo da relação, certo?! O choro descompensado de havia se acalmado um pouco, afinal, ela precisava respirar; as lágrimas ainda desciam, mas dessa vez, mais silenciosa. estava com Luna em seu colo e a mesma dormia tranquilamente, inofensiva a aquilo tudo. Jonah estava sentado ao lado da mãe, seu olhar era confuso, mas afinal, quem não ficaria ao ver a Avó e o “Tio” apontando armas para quem nem ao menos conhecia. Pelo menos ele não conhecia.
- Para de enrolar, conta logo. - disse seca, finalmente deixando que o ar chegasse aos seus pulmões.
- Calma querida, . Eu já ia começar, mas pra que tanta pressa?
- Oras, vá se foder!
- Cala a boca. Eu quem falo aqui. E eu vou começar contando uma história de amor a vocês.
"Há vinte e sete anos atrás, uma linda e jovem moça, no auge dos seus dezesseis anos, se apaixonou e ao contrário dos amores ou paixonites que acontecem hoje em dia, não era um amor platônico, era um amor verdadeiro e por que não concretizado?“
Era impressionante como todos estavam prestando atenção, nem mesmo ou , sabiam daquela história.
- Concretizado, mas havia um problema, ele já tinha um relacionamento, um maldito relacionamento com a irmã da melhor amiga dela. É claro que ela não deixaria isso passar em branco, mas não deixaria mesmo. Não com a criação que teve, não queria reviver no mesmo inferno que os pais viveram.
O tom de voz de Mercedes mantinha-se o mesmo, calmo e ao mesmo tempo, psicopático. O olhar que ficou diferente, o olhar antes melancólico, de sofrimento e até mesmo de dor, transformou-se em um olhar que qualquer um julgaria assassino.
- Os pais viviam mais separados do que juntos, por causa de uma vadia de esquina qualquer. Mas isso não vem ao caso. Acontece que esse casal, começou a se apaixonar na casa da melhor amiga dela, eles se esbarravam, conversavam, até que um dia o primeiro beijo aconteceu, um beijo apaixonado, de baixo de uma chuva.
"Com um tempo tudo foi se tornando mais intenso, mais apaixonado, mas o grande problema ainda era a maldita mulher real dele. A mulher que para lei era a dele. Mas não era, a jovem é que era para estar no lugar dela, ela é que era a verdadeira mulher dele".
tentava compreender toda aquela história, nada fazia sentido. O olhar de não estava diferente, pra que merda ela queria saber daquela história mesmo?! Mesmo não sabendo como aquela história terminaria, seu sexto sentido dizia que aquilo tinha haver com ela e essa sensação não estava a agradando em nada. apenas observava e ouvia. Não era à toa que era da Polícia; gostava de ouvir e observar tudo.
- Dois anos e meio depois, exatamente dois anos e meio depois que eles haviam se visto pela primeira vez, eles se encontraram, no mesmo lugar de sempre, mas ao contrário de toda a alegria que acontecia nos encontros deles, ele tinha a pior notícia que podia se ter na vida naquela jovem garota. A mulher dele estava grávida. Sim grávida. Só Deus sabe o quanto aquela notícia a abalou, mas ela não o deixaria, jamais o deixaria. Ela já havia conseguido com que sua melhor amiga brigasse com a irmã dela, elas não se falavam mais há anos, e não seria agora que elas voltariam. E nove meses depois, caro ... – Ela o olhou fixamente, ele não falou nada, apenas sustentou o olhar. – Você nasceu.
Ele jura que tentou, jurava com todas as forças que havia em seu ser, que havia tentado guardar tudo o que sentia para si, mas não conseguiu, não tinha como.
- Então você que arruinou com a vida da minha mãe, sua puta? – Ele cuspiu as palavras com toda a força que continha em seu ser.
- Cala a boca, seu moleque. Eu é que mando nessa porra e eu é que vou falar. E você... – Apontou para . – Seu choro está me irritando, já para fora desse apartamento e não ouse chamar a polícia.
Mesmo com o “alvará de liberdade”, não conseguia sair do lugar, estava travada ali com seus músculos contraídos de medo. Ela continuou como um estátua.
- ANDA SUA VADIA! – Mercedes gritou e, em seguida, atirou no abajur que ficava ao lado do sofá, ao lado de . Fazendo com que todos ali gritassem. Por instinto, pulou no colo de , baixando a cabeça. a abraçou envolvendo todo o seu corpo, como um escudo protetor. , por puro instinto de mãe, conseguiu envolver, sabe-se lá Deus como, Jonah e Luna em seu abraço, mas a última citada, chorou desesperada. apenas se esquivou. se encolheu mais ainda e colocou as mãos nos ouvidos. – Anda logo ou o próximo tiro será para estourar os seus miolos.
, com uma força vinda dos Céus, como poderia julgar naquele momento, levantou e foi em direção a porta desesperada, com soluços capazes de fazer com que ela tivesse falta de ar ecoavam por todo aquele apartamento. Antes que chegasse até a porta, Mercedes a chamou.
- Aproveita e leva essa menina, o choro dessa pentelha está me dando nojo. – Ela foi em direção a , arrancando Luna de seu colo sem cuidado algum.
- FILHA! – gritou chorando já desesperadamente, indo em direção a Mercedes com em seu encalço.
- Sai daqui, sua vadia. – Mercedes entregou Luna a de qualquer jeito e virou-se para , acertando em cheio o seu rosto com a mão. – Senta lá, já disse que eu é que mando nessa merda. E você... – Virou-se para . – Vai logo antes que eu desista.
- , cuida da minha filha, por favor. – sustentava , que chorava como nunca havia chorado antes em toda a sua vida.
- Vem amor, vem. – puxou de volta para o sofá assim que saiu do apartamento.
- Ótimo, vamos continuar com a minha história, já que meu querido enteado revelou de quem era a verdadeira história de amor. Mas antes que eu continue, deixa eu te contar a verdade sobre você mesmmo, queridinho. Sua mãe também não era uma santa como você pensa.
- Não. Fala. Da. Minha. Mãe. – disse tentando se segurar da maneira mais surreal que já havia existido.
- Como não querido? Você acha que a vadia da sua mãe tinha apenas o seu pai? – Ela sorriu sarcástica e iria avançar em cima dela, se não fosse o braço de que a segurava firmemente. – Sorte dela que você se parece muito mais com ela do que com seu verdadeiro pai. Não queridinho, não era só o marido da sua mãe que pulava uma cerca, sua mãe também traía o seu pai com um colega da faculdade e foi por isso que você nasceu, foi assim que você nasceu e advinha no colo de quem o marido da sua mãe ia chorar? No colo de quem ele matava a carência dele? Pois é meu filho, era no meu colo. NO MEU COLO.
Ela gritou por fim. ainda balançava a cabeça em negação, aquilo não podia está acontecendo, não podia. Então quer dizer que até agora a sua vida era mentira? Por mais que queria que tudo fosse mentira, sabia que no fundo ela tinha um pouco de razão, toda vez que perguntava a sua a mãe se tinha algo a ver com seu pai, ela desviava o assunto e toda vez que ele via uma foto dele, não se achava parecido com ele, como seus colegas de escola eram parecidos com seus pais. No fundo, ele sabia que tudo aquilo era verdade. Chegou a essa conclusão enquanto o abraçava e acariciava as suas costas.
- E em uma dessas vezes, quando você completava dois anos de idade, eu fiquei grávida, finalmente eu podia dar ao homem que eu amava uma filha, o fruto do nosso amor finalmente nascia. E foi assim, , que você veio ao mundo.
, que ainda abraçava o filho assustado, ajustou sua postura. Olhava a sua mãe com um ódio que nunca sentira antes. Um ódio maios que tudo que ela já sentira um dia.


Capítulo 15


Ao contrário do que todos imaginavam, o ódio de não foi o suficiente para que ela abrisse a boca. Ela apenas apertou seu filho ainda mais forte, se é que isso era possível; o menino chorava silenciosamente e abraçava a mãe como se fosse a última coisa que faria na vida. e ainda estavam atônitos com a situação. Como assim era filha de Mercedes e não da Tia de ? A história estava se complicando ainda mais, e ambos estavam com medo do fim. Não só eles dois, mas todos os cinco. Mercedes não estava com medo, ela nunca teve medo de nada, por que iria ter agora, não é mesmo?
- O que era para ser o dia mais feliz da minha vida, acabou sendo um dos piores. É claro que eu pensei que depois de dar uma filha, que foi o que ele sempre quis: uma menina, algo que aquela pessoa que se diz sua mãe, não foi mulher o suficiente para dar... – Dirigiu-se a . – Ele ia largá-la e iria correr para os meus braços, nos casaríamos e viveríamos felizes para sempre, não é assim que acontece nos contos de fadas? Sim. – Ela enfatizou. – Eu ainda acreditava em contos de fadas, essas merdas de contos de fadas que nos fazem acreditar que tudo vai ser perfeito, que tudo é perfeito. – Ela sorriu sarcástica. – Mas me deixe contar uma coisa a vocês, nada nesse mundo é perfeito. NADA!
‘pra sempre’ existe. Ele sempre me prometeu algo mais, ele sempre me prometeu o ‘pra sempre’, mas quando descobriu que eu, eu – Enfatizou. -, estava grávida, ele me deu um pé na bunda, pois disse que ele não podia ter um filho de outro relacionamento e nem poderia, em hipótese nenhuma, deixar a mulher e o filho dele para viver com uma vadia."
Nesse momento uma lágrima solitária correu pelo rosto dela, que não tardou em secá-la.
- Ele me chamou de Vadia. - Ela gritou. - VADIA! Eu fui à única mulher que realmente o amei e ele me chamou de vadia. Eu vivia por ele e ele não quis trocar a verdadeira vadia dessa história e nem o bastardo para ficar comigo!
O silêncio que veio em seguida foi torturador. Ninguém diria nada e Mercedes parecia absorver e tentar continuar a história que ela começou. Verdade seja dita, não é fácil para ninguém nesse mundo, contar os seus pontos fracos. - Ele disse que a minha filha era só minha e que eu não podia garantir que ela era filha dele. – Ela começou amargamente e gargalhando sarcasticamente, um riso que dava medo. – Se aquele filho da puta soubesse que ele foi o único homem da minha vida. Se ele soubesse tudo o que eu deixei por causa dele. E foi por causa dele que eu te entreguei para minha melhor amiga. – Ela disse virando-se para .
Todos na sala seguiram o olhar em direção a , e ela tinha uma expressão confusa.
Como assim eu fiquei com a sua melhor amiga? Era a pergunta que pareava na cabeça dela. Desde pequena, ouviu dizer que fora abandona pela mãe, que a deixou com a empregada. Como agora, do nada, ela descobre que foi entregue a melhor amiga da mãe? Melhor amiga?
Céus, isso estava cada vez pior!
- Como assim eu fiquei com sua melhor amiga? – Perguntou de uma vez, soltando o filho e levantando-se em direção a mãe. – Você transformou sua melhor amiga em sua empregada, sua cachor… - Não deu tempo para ela terminar a frase, segundos depois sua bochecha estava quente, ardente e extremamente vermelha, coisas que aconteciam quando levava uma tapa no rosto, principalmente vinda de Mercedes.
- Me respeita garota. – Ela falou alterada.
- Respeito é uma via de mão dupla, se eu não tenho o teu respeito desde que nasci, por que agora eu iria devolvê-lo?
- , eu já mandei me respeitar. – Mercedes falou trincando os dentes, mostrando que sua paciência, ou resto dela, estava se esgotando.
- Engraçado é que você fala, fala, mas nunca escuta. – ignorou os comentários e o olhar odioso de sua mãe e continuou. – Quer saber de uma coisa Mercedes? Cansei de você! Cansei de tudo que me leva e me faz lembrar você. Cansei de ser sua filha, de ser sempre manipulada por você. Você nunca me amou e se um dia me quis, foi para segurar o homem com quem você era amante. Eu estou pouco me fodendo para sua merda de história, sua merda de vida. Você nunca se importou com a minha vida, nunca se importou comigo, por que eu me importaria com você? – Nesse momento a voz dela vacilou. O silêncio na sala era extremamente constrangedor e a guerra parecia travada entre elas duas. Seria agora, ou nunca mais. diria tudo que estava entalado em sua garganta há vinte e um anos de sua existência. – Você sabe o que é uma pessoa crescer sem uma mãe? Saber que foi abandonada e quando sua mãe tornou a lhe procurar foi por causa de um maldito plano que a mente doentia dela tem? Você sabe o que é passar o dia das mães sem ter a sua mãe por perto? Sabe o que é ver todos os seus amigos de escola sendo buscados e levados à escola por sua mãe, e você não tem nenhuma que faça isso? ‘Mas você teve a Luciana’! Tive, mas não se pode comparar ao amor, ou suposto amor, que ela tinha por mim comparado ao que a minha mãe biológica deveria ter.
"Quando você me procurou onze anos atrás, eu pensei que você havia se arrependido, sabe? Que me queria de volta porque queria ter sua filha de volta em seus braços, que queria me dar carinho, amor, conselhos, como toda mãe normal faz. E eu iria brigar com você, desobedecer, fazer careta toda vez que você viesse me abraçar, teria vergonha de você ao me levar e buscar na escola, assim como todo adolescente normal fazia naquela época. Mas não, nem ao menos um abraço você chegou a me dar. Nada. Nunca. Eu fazia besteiras pra chamar a sua atenção, e a maior de todas foi fumar maconha até ir para no hospital para que ao menos um dia, um único dia se quer, você voltasse a sua atenção para mim. E o que você fez? Você lembra o que você fez, Mercedes?"
As lágrimas já desciam incontroláveis pelo rosto de , mas por um milagre dos Céus, sua voz era firme. Como, ela não sabia. Mercedes a encarava de um modo estranho, como se só agora ela fosse ver o que tinha se esquecido da vida, o que havia perdido, enquanto montava seu miraculoso plano. As lágrimas já escorriam silenciosas pela face de , que ouvia e observava toda dor contida naquelas palavras, assim como . queria abraçar a sua prima e dizer que ele estaria ali para o que desse e viesse, mas sabia que não podia interromper aquele momento, não àquele momento no qual ele pediu tanto para que o fizesse um dia. Se interrompesse, mais tarde iria se arrepender. Jonah apenas os observava de maneira estranha, não estava entendendo nada, mas essa confusão toda não seria entendida por uma criança de cinco anos em nenhum lugar deste mundo. - Você não deve se lembrar. – falou amarga. – Você nunca lembraria. Mas me deixa refrescar sua memória: você me largou naquele hospital imundo como se eu fosse um gambá e aquele foi um dos piores momentos da minha vida. Nna hora de voltar para casa, se não fosse o me buscar, com certeza eu morreria por lá mesmo. Mesmo quando aconteciam coisas comigo, você me ignorava. Eu lembro o dia em que fui te contar sobre o meu primeiro beijo, um momento especial para mim, porque além de ser com o garoto mais lindo da escola, ele era o cara que eu gostava. Você lembra o que você fez? Disse que isso não tinha importância, que isso não te preenchia em nada e que ia dormi porque sua mente estava muito cansada.
"Dias depois eu comecei a namorar esse mesmo garoto e quando ele foi até você para pedir permissão para me namorar, você agiu de forma estúpida, o mandando ir estudar e dizendo que sua filha ele não namorava porque já tinha outra pessoa. Eu não tinha outra pessoa, era apenas sua parte do plano para melhorar a sua vida e arruinar com a minha."
"Quando eu fiz dezesseis anos, você me mandou para casa da minha tia, que não era minha tia na verdade, você disse que naquele final de semana eu teria que mudar a sua e a minha vida. E foi pensando nisso que eu fiz o que você mandou, achando que assim, você iria gostar de mim, mas…”.
- Sente-se, daqui eu continuo. Você sabe que eu é que tenho que contar isso. – Mercedes falou calmamente. Seu semblante era triste, cansado e por que não, arrependido?
O silêncio se prolongou pela sala durante pesados e deprimentes minutos. Mercedes ainda absorvia toda a indignação, frustração e raiva da filha, não podia negar que a tinha jogado para escanteio, mas era para o seu bem, era assim que pensava. - Como o cara que dizia que me amava me chamou de vadia, meu mundo acabou, desmoronou e parecia que o chão havia saído d’baixo dos meus pés. – Ela começou calmamente. – Depois do nosso último encontro, eu jurei que jamais o encontraria ou iria dizer que o amava, e até mesmo iria atrás dele para cuidar da minha filha. Mas a raiva ainda me domava, e o que eu mais queria naquele momento era me vingar de tudo que ele havia me feito passar. Foram seis anos da minha vida jogados no lixo, seis anos que um dia eu me vingaria.
"Um mês antes de nascer, eu reencontrei minha melhor amiga. Ela continuava a não falar com a Kátia e como ela sempre me ajudava no que quer que fosse, dessa vez não foi diferente. Contei toda história para ela e disse que queria me vingar e como era de se esperar, ela aceitou. Aceitou a fazer toda loucura que eu queria fazer, a começar por deixar minha filha com ela. No segundo dia de nascida, eu deixei a com ela, a única coisa que eu queria saber da minha filha era o seu nome."
- Você era um monstro. - cuspiu as palavras.
- O quê? - Mercedes falou como se alguém tivesse cortado sua linha de raciocínio e ela ao menos tinha ouvido a pergunta.
- Uma mulher de verdade, uma mãe de verdade, não abandona sua filha. Por pior que as circunstancia fossem, não se abandona. Eu posso não ser a mãe biológica da Luna, mas o que eu sinto por ela, o que eu faria por ela… - Ela pensou. - Deus! Não tem nome.
- Você não pode julgar uma pessoa que ama. - Mercedes hesitou, já mostrando que sua calma pouco aparente, estava de esvaindo.
- E você não sabe a diferença entre amor e doença. - Ela retrucou no mesmo momento.
- Como?
- Simples Mercedes. - levantou-se e encarou a mulher nos olhos. - Quando se é amor, amor de verdade, você não mede as consequências, mas nunca, em hipótese alguma, você machuca ou magoa alguém. Quando você ama, você cuida, você esquece de si mesmo, você se doa inteiramente àquela pessoa. Quando você ama, tudo no mundo gira em favor apenas daquela pessoa, você quer fazer de tudo para mantê-la por perto. Quando se ama, você quer ver o sorriso, os olhos brilhando e até mesmo as lágrimas de alegria daquela pessoa. Quando a gente ama, a gente nunca quer ver àquela pessoa triste com algo que a gente faça, a gente tenta jamais errar para que ela não se entristeça com a gente. Quando a gente ama, a gente não abandona.
"Quando se é doente, a gente pensa apenas na gente, esquecendo-se de quem realmente amamos. Ao contrário do amor, a gente quer que aconteça o que a gente quer pelo nosso próprio bem, sem pensar e nem medir as consequências. A gente pensa que está fazendo por amor, mas na verdade, está se afundando em todo o sentimento inútil e infeliz em uma tremenda vingança que outrora, não vai fazer sentindo nem na nossa própria cabeça."
Todos na sala tentavam absorver tudo que foi dito por . Mercedes a olhava de uma forma de quem realmente sabia o que ela estava falando. continuava observador. , e Jonah, apenas olhavam-nas atentamente.
- Agora me responde uma coisa, Mercedes. - quebrou o silêncio que pareceram durar minutos afinco. - Você é amante ou doente?
- CHEGA! - Mercedes esbravejou. - Eu não aguento mais vocês falando da porra da minha vida. A partir de agora, só eu que falo. Sente-se lá agora. - Sibilou olhando para , fazendo-a se sentar como foi mandado, não por medo, mas por saber que não valeria à pena insistir. - Jonah?
- Sim? - Ele a olhou com os olhos extremamente vermelhos, as lágrimas já não vinham e ele continuava assustado.
- Acho que já está na hora de descobrir quem é seu pai, não?
Jonah abriu a boca uma, duas, três vezes. Ele não acreditava que esse momento havia chegado. Ao longo dos cinco anos da sua existência, sempre quis saber sobre o seu pai, não acreditava que aquele momento havia, enfim, chegado. e estavam sem entender o porquê de Mercedes ter dito aquilo. tinha os olhos arregalados e ... bom, ela foi a única que se manifestou.
- NÃO! Você não vai falar para o Jon quem é o verdadeiro pai dele. Não assim, não agora! - exclamou, ficando de pé e colocando o filho atrás de si.
- Cala a boca. - Mercedes esbravejou, jogando sua mão com toda a força e raiva que existia em seu ser, no rosto de , que caiu no sofá.
- MÃE! - Jonah gritou, chorando novamente e correndo em direção a mãe.
- Cala a boca você também. Eu nunca te dei umas palmadas, mas hoje você está merecendo! - Mercedes segurou com força o braço de Jonah, o obrigando a olhá-la nos olhos. O medo do garoto só aumentou, fazendo com que ele sentasse no sofá e abraçasse a mãe.
- Quando eu decidi começar com a minha vingança. - Mercedes reiniciou. - Eu pensei na forma mais dolorosa que podia fazê-la, como ele amava demais o bastardo, eu decidi que começaria por ele.
"Então, depois de dez anos, eu fui atrás da . Eu a levei para minha casa e comecei a treiná-la para fazer tudo o que eu queria fazer. Fiz com que minha amiga voltasse a falar com Kátia, dizê-la que tinha uma filha... E ela burra como sempre, caiu como um patinho. A sabia muito bem que não era filha dela e sim, minha filha. Mas ela não abriu a boca para nada, facilitando assim o meu plano. Depois que a Kátia fez ou achou que fez as pazes com a irmã, ela começou a chamar a para dormir na casa dela, o que facilitou ainda mais. Ela e o ficaram amigos e no dia do aniversário de dezesseis anos da , eu a mandei fazer o seu primeiro trabalhinhos sujo. Lembra-se querida?"
- Acho que eu posso continuar daqui. - disse levantando-se.
- Claro, filha. - Mercedes foi extremamente irônica na última palavra.
- Antes, eu quero que você saiba, - Ela o olhou. -, que tudo que eu fiz, foi achando que eu estava fazendo o certo. A Mercedes me falou na época, que nós éramos filhos do mesmo pai, mas que ele só tinha dado amor a você e como eu me senti, mais uma vez, abandonada, eu quis me vingar. - apenas concordou com a cabeça, esperando que ela começasse a falar. - Bom…

Flashback on
Cinco anos antes.

estava perdida em seus próprios medos, mas não era como se tivesse escolha. Mercedes não lhe deixaria voltar atrás e ela mesma não sabia se queria desistir. Claro que tudo era arriscado demais e sua consciência lhe dizia que, mesmo que não fosse fazer nada de forma convencional, aquilo estava longe de ser algo normal. Era errado, doentio, mas ela queria seguir em frente para tentar acalmar toda a inveja que cresceu em seu peito assim que Mercedes lhe contou toda a história.
Melina tinha acabado de se despedir de e vinha andando na direção da amiga de forma desengonçada e apressada. Na mão, segurava algo cuidadosamente. sabia do que se tratava. O plano já tinha começado, agora era só seguir em frente.
As amigas se trancaram em um dos quartos e sentiu as paredes do cérebro se contraindo ao ver Melina tirar o preservativo usado de dentro do monte de papel que ela usou para embalar.
- Tem certeza que vai fazer isso? - Melina perguntou - Eu estou aqui pro que der e vier, mas ainda acho que você e a Mercedes precisam de um psiquiatra.
- A única coisa que eu preciso é justiça, Meli. - encarava o preservativo apoiado numa cadeira com certo nojo. Aquilo pertencia ao seu irmão. Não que eles não fossem próximos demais, ou sei lá, mas era sangue do seu sangue. Quer dizer… seu filho poderia nascer cheio de doenças, certo? Mas ela preferiu ignorar todos esses questionamentos e seguir em frente com o plano. Bastava ser positivista e tudo daria certo. - Você fica aqui, eu vou lá dentro resolver isso de uma vez.
-‘Isso’? Como se fosse apenas ‘tomar um banho’? Eu não estou te reconhecendo. - Melina disse meio amedrontada.
- Você vai reconhecer assim que tudo isso for colocado no lugar certo.
- Se você diz. - Melina deu de ombros e sentou na cama suspirando forte, ainda pensando em todos os riscos.
- É… obrigada! Eu sei que transar com o não é lá um sacrifício, mas você fez isso por mim e eu estou muito grata.
- O que é isso… Se precisar que eu fique com ele de novo… - A garota sorriu um pouco mais tranquila. - É só chamar!
balançou a cabeça sorrindo nervosa e se trancou no banheiro. ‘Agora ou nunca’ ela pensou.
A garota tirou toda a sua roupa e, antes de qualquer coisa, tomou um banho. Gravidez! GRAVIDEZ! Ela nunca imaginou que ficaria grávida ainda adolescente e, principalmente, que ficaria grávida sem ter contato com um homem para que as coisas funcionassem normalmente. Nunca imaginou que engravidaria unicamente por causa de um plano, um maldito plano, mas que era extremamente necessário.
E então começou. Não era difícil. O esperma estava todo ali, dentro do preservativo, ela só precisava fazer com que tudo caísse no lugar certo. Nada poderia ser desperdiçado ou teria muito mais trabalho para conseguir de novo. E, na verdade, deu mais trabalho do que ela imaginava, mas nada que pudesse ser considerado impossível. Ela conseguiu.
Depois de tomar outro banho, a garota se vestiu e voltou para o quarto, que agora já estava vazio e deitou na cama, abraçando os travesseiros e se encolhendo toda. Não havia como ter certeza se o plano havia funcionado, mas seu sexto sentido lhe afirmava que ela não estava mais sozinha. Já eram dois. Dois seres em um só lugar, e em nove meses, sua vida seria definitivamente diferente. E a hora de também chegaria, ele pagaria por tudo.
Flashback Off.

- Você está me dizendo que... Que... - já estava em pé, andava de um lado para o outro, esperando acordar desse pesadelo em que sua vida havia se tornado. - Céus, não tenho nem palavras! - Ele parou e a olhou, seus cabelos estavam completamente assanhados. - Como você pôde ser tão… Baixa? - Cuspiu a última palavra.
- , por Deus… O que você queria que eu dissesse? - As lágrimas já caíam descompassadamente pelo rosto dela. - Se põe no meu lugar, o que você faria se fosse abandonada duas vezes, caramba… - Ela começou a se explicar.
- Mas você não foi!
- Mas eu não sabia, caralho! - Ela retrucou. - Eu não sabia, essa mulher me fez acreditar que o meu pai, também era o seu pai e eu não sei o que deu em mim. Revolta, talvez? Eu não sei, eu era uma adolescente. Nos seus dezesseis anos, , ninguém pensa direito nessa idade, todos são facilmente influenciados.
- E por que você não me contou?
- Porque eu queria me vingar.
deixou-se cair nos próprios joelhos, seus soluços cortavam o apartamento e era de dar pena o seu estado. tinha os cotovelos apoiados nos joelhos e o queixo apoiado em suas mãos, às lágrimas silenciosas não eram seguradas, ela não tinha palavras para dizer sobre tudo que acabara de saber. tinha a cabeça baixa, talvez tivesse deixado uma ou duas lágrimas caírem, mas não era necessário alguém saber, era? Mercedes olhava aquilo tudo sem expressão. estava em busca do sentido, sua cabeça trabalhava a mil e, com certeza, não havia nenhum sentido por ali. Jonah, ao ver o desespero da mãe, a abraçou querendo passar-lhe paz, carinho e quem sabe dizer que ele estaria ali para tudo, talvez tudo aquilo começasse a fazer sentido na sua cabeça.
- Eu te amo, mamãe. - Jonah falou, segurando o rosto da mãe com as suas pequenas mãozinhas e secando as lágrimas dela com os polegares.
- A mamãe também te ama muito, meu pequeno. - beijou as palmas da mão do filho, um pouco recuperada do choro, e levantou-se. - Só não me pede pra dizer que eu me arrependi, - Ela esboçou um pequeno sorriso ao ver o filho abraçado a suas pernas. - Eu posso até ter me arrependido durante nove meses, mas ao ver o rosto dele, do meu pequeno, do meu Príncipe - Ela olhou o filho. -, todo o arrependimento foi embora. Se tiver alguém que me impeça de fazer as mesmas burradas que eu fazia na minha adolescência, esse alguém é o Jonah.
- Nem tanto, .
- Se toca, . - Ela se virou para a mesma que havia falado. - Isso teria que acontecer em algum momento. Eu pensei e muito antes de vir para cá e começar com toda essa história.
- Mas você podia ter contado antes.
- Eu sei que podia, mas a coragem não me deixou.
- E só te bateu coragem agora?
- Não, mas eu cansei de ser covarde. Há uma grande diferença entre ser corajoso e cansar de ser covarde.
- E qual seri?
- Quando você é corajoso, você vai e faz. Mas para você cansar de ser covarde, você precisa de um motivo.
- No caso o Jonah?
- No caso o Jonah. - suspirou e afirmou.
- Chega desse papo de Marica. - Mercedes falou, chamando a atenção para si.
- Não é papo de Marica, Mercedes, a gente está apenas esclarecendo as coisas.
- Foda-se. E então Jonah, não vai abraçar o seu… Pai?


Capítulo 16


Deem play nessa música: You’re Gonna Having My Baby – Glee

Jonah olhou para , esperando que a mesma concordasse com a teoria da avó e quando a mesma o fez, ele olhou para , como se pedisse permissão para abraçá-lo.
- Posso? - Ele perguntou olhando o mais velho.
- Claro. - sorriu enquanto o filho corria para abraça-lo.
Emoção podia resumir o que todos sentiam naquele momento.
tinha o seu sonho realizado. Ela podia ter errado em não contar nada para , podia ter errado em não contar como o Jonah foi gerado durante todo esse tempo, mas talvez, seu erro maior, foi não contar que tinha um filho. Ela estava tão feliz, que poderia morrer ali mesmo, pois saberia que seu filho teria alguém de confiança para ficar. A forma como se aproximou de era errada, mas ela não tinha culpa. A sua mãe era a verdadeira culpada, a única culpa que tinha nessa história era deixar-se ser manipulada. Mesmo com todos os erros, sua amizade com desde infância, não era falsa, ela jamais se permitiria ser falsa com o pai do seu filho.
estava feliz. Sabia do desejo que a prima tinha em contar toda a verdade para e para seu filho. E vê-la com aquele sorriso no rosto, só mostrou que tudo, até então, havia valido a pena. Foi por meios tortos, difíceis, mas foram, porque não, os mais certos.
não podia estar mais emocionada, agora com os dois abraçados, podia ver a semelhança entre eles. Jonah era quase a cópia de quando pequeno. Se achasse a foto dele quando criança e mostrasse a Jonah, com certeza ele, em sua inocência, perguntaria se era ele mesmo. O menino era baixinho para sua idade e com certeza puxaria ao pai, e seria pequeno na fase adulta. Tinha os lábios finos e fora a cor, que puxara da mãe, os olhos eram idênticos aos do pai, assim como o nariz era igual. Os cabelos eram tão negros quanto os do pai e o formato “cabelo de cuia”, ainda o deixava mais próximo de quando criança. Não havia dúvidas, exames de DNA e mais nada, Jonah, era definitivamente, a cópia de . Um mini .
, bom, esse não poderia estar mais feliz. Mesmo sendo a primeira vez que via e sabia que Jonah era o seu filho, ele já o amava. Como? Só Deus sabe. Talvez esse lance de “amor de mãe”, também existisse em forma de amor de pai. Sentir o seu filho, abraçá-lo, beijá-lo, poder sentir o seu cheiro, não havia coisa melhor. Lógico que amava Luna, mas ter conhecido Jonah, fez com que seu amor duplicasse. Seu coração de pai sempre caberia mais um, dois, três… Quantos a sua loirinha (que ainda não sabia disso) quisesse. Suas lágrimas já estavam molhando a camisa do filho há muito tempo.
Parem a música.

- O.K. Agora parem com esse showzinho barato. - A voz de Mercedes cortou quase toda emoção do momento.
- Deixe eles, Tia, eles merecem isso.
finalmente falou alguma coisa, deixando o olhando sem entender o porquê de ele chamar Mercedes de ‘Tia’, e o , mesmo abraçado ao filho, olhou-o da mesma forma.
- Tia?! - e perguntaram ao mesmo tempo. já havia “soltado” o filho, mas o mesmo ainda estava abraçado às pernas do pai.
- Oh, vejo que tenho mais histórias para contar. - Mercedes sorriu sarcasticamente. - Sentem-se.
olhou para e logo seguiu para sentar-se ao lado dela. Jonah correu para mãe e sentou-se no colo dela, no outro sofá.
- Bom, sem mais delongas, o é meu sobrinho. - Mercedes começou. - Eu, basicamente, o criei desde que saiu da barriga da irresponsável da mãe dele. Mércia morreu no parto, ela era viciada nas mais diversas drogas, o que só contribuiu para o seu falecimento pós-parto. Minha mãe ficou com ele a maior parte do tempo, eu basicamente ia a casa dela para ver como ele estava e levar dinheiro, roupa e alimentação para ele, coisas básicas…
- Tudo que você não me deu. - falou irônica.
- Cale a boca. - Respondeu olhando a filha pelo canto dos olhos. - Acontece que o foi crescendo rapidamente. Logo, já estava no ensino médio e neste ano, mudou-se de bairro. Por mais que tenha sido criado pela minha mãe e ser filho da minha irmã, ele herdou muito mais de mim do que qualquer outro membro da família. Ele sempre foi a ovelha mais negra da família. E tudo só complicou ainda mais quando ele se apaixonou pela primeira vez. Por uma loirinha que estudava com ele no primeiro ano.
engoliu seco. Sabia que era ela. Tudo batia. Conheceu no primeiro ano do ensino médio e ela era… A única loira da sala. Maldito azar. Àquilo tinha haver não só com , mas com ela também.
- Isso te lembra de algo, ? - Mercedes perguntou-a ironicamente.
- Você sabe que sim. - Ela, por uma força sabe-se lá de onde, respondeu friamente. ao seu lado, não estava entendendo nada.
- Deixe-me explicar caro, . - Mercedes falou ao ver a cara de espanto do garoto. - A e o se conheceram no primeiro ano do ensino médio e o mais surpreendente de tudo, é que ela era única loira da sala. E como pode perceber, o apaixonou-se por ela. Ela o fez sofrer…
- Não.
- O fez de gato e sapato…
- Eu não fiz isso Mercedes. - tinha os dentes trincados.
- Ela o fez chorar!
- NÃO! - levantou-se, as lágrimas já não caíam mais, mas ela continuava a repetir que ela não havia feito nada, até sentir a mão pesada de Mercedes em seu rosto, fazendo-a cair sentada no sofá.
- Você se lembra, doce , de quando deu o fora nele? - Mercedes puxou os cabelos de para trás, fazendo-a arquear a cabeça. - Você se lembra do que aconteceu aquela noite, sua vadia? - Soltou os cabelos dela com a mesma força que os segurava. - Conta.
- Não. - Ela sussurrou.
- Conta agora ou eu mato ele. - Mercedes apontou a arma para o neto, que involuntariamente, encolheu-se no colo da mãe, que o abraçou como se não houvesse amanhã.
- Deixa ele fora disso, Mercedes. - falou. - Ele não tem nada haver com isso. Você quer atingir a e não a mim, então não faça isso.
- Como se eu não tivesse te atingindo do mesmo jeito.
- Você sabe que está, mas você não vai usar o meu filho para atingir a mulher que eu amo.
- Se você quer assim. - Mercedes deu de ombros. - Conte, ou então eu o mato. - Ela apontou a arma para dessa vez.
- NÃO! Não faça isso, não o mate.
- Por que não, cara ?
- Você sabe que eu o amo Mercedes, não faça isso.
- Eu não o faço, querida, ao menos que conte o que aconteceu naquela noite.
- Tudo bem, eu conto.
levantou-se, sabia que tinha que contar aquela história olhando para . estava apenas esperando que ela começasse. Mercedes tinha um sorriso satisfeito nos lábios, afinal, havia conseguido o que queria, ela sempre conseguiria. não queria ouvir aquela história, sabia o final dela e sabia que relembrar aquilo tudo, o magoaria. começou a prestar atenção, mesmo sendo a melhor amiga do primo, ele nunca havia contado àquela história a ela, nem mesmo que conhecia .
- Bom, pra começo de conversa, eu quero deixar claro que isso foi no fim do meu primeiro ano, na festa de conclusão de ano. Eu nem ia nesta festa, mas minhas amigas praticamente me obrigaram, até minha mãe praticamente me obrigou, alegando que eu nunca ia para as festas da escola e que, pelo menos, naquela, eu precisava ir. Juro por Deus, que eu me arrependo de ir a essa festa. O pior é que eu me lembro de todos os detalhes da mesma. Lembro-me até da minha roupa…

Flashback On
estava em frente ao enorme espelho que tinha em seu quarto. Estava feliz com o resultado da mistura que havia feito para aquela festa. Seu cabelo estava preso lateralmente por uma trança, sua maquiagem leve: sombra com glitter nos olhos, rímel e um pouco de lápis, o blush tinha um tom bronzeado e nos lábios, apenas um gloss incolor. Descendo um pouco mais, no seu pescoço, um colar simples com um pingente de uma boneca, presente de aniversário da sua amiga no ano anterior. Seu vestido era em um tom salmão, tomara que caia e tinha uma fita embaixo do seio que era “segurada” por um broxe prateado, fazendo a ponta do tecido da fita chegar ao comprimento do vestido, que era na metade da coxa. Enquanto muitas de sua sala optariam por um salto prateado para completar o look, colocou o seu velho All Star branco companheiro de guerra. Estava sentindo-se linda. Deu uma última “checada” no visual e desceu as escadas, sorrindo abertamente ao vê seu par daquela festa, esperando-a na ponta da escada.
- ! Você está magnífica. - a girou, para “conferir” depois de tê-la abraçado.
- Obrigada! - Ela sorriu timidamente. - Você também não está nada mal. - Sorriu abertamente.
- Obrigada, belle dame*.
- Bobo.
- Boba.
- Vamos?
- Sim.
e logo chegaram à festa. E sabem como é, né? Bebidas pra lá, bebidas pra cá, música alta, o álcool surtindo efeito, drogas… ESPERA! DROGAS?! Sim, você leu drogas, mas não se assustem tanto, quem as usou foi e não , o que ela fez chegou a ser, quase pior. Afinal, dançar até o chão, ou melhor, até o balcão onde estava dançando no meio de todo o colégio, não era nada respeitoso para uma geek assumida.
bebeu a ponto de nem saber onde estava e depois de algumas garrafas d’água, sua mente pouco clareou, se não fosse suas amigas, não saberia o que fazer. Acontece que toda ação gera uma reação. O fato de ter dançado como uma vadia, em cima do balcão de bebidas, fez com que ela conhecesse um que com certeza, não queria conhecer, nem aqui, nem na Croácia. Se as pessoas já ficam diferentes com o álcool em seu sangue, imagine na combinação: álcool mais drogas. Pois é.
bem que tentou, de todas as maneiras possíveis, forçae a fazer o que ela não queria. E por uma força dos céus, ela conseguiu fugir dele, com certeza, Deus a amava muito.
Flashback Off.

- …Depois desse dia, eu passei um bom tempo sem falar com ele, ignorei ligações, e-mails, sms, recados e tudo que vinha dele, mesmo ele dizendo que nutria um amor por mim, muito além de amor de amigo. Dois meses depois, eu aceitei ter uma conversa franca com ele, o perdoei e ficamos mais amigos do que nunca, o que chega a ser impressionante. No último ano do ensino médio, ele me contou que sofreu muito com a nossa “separação”... - Fez aspas no ar. -Que chorou e tudo o mais, mas eu não conseguia me sentir culpada, ele havia errado, talvez eu também, em ter dançado daquele jeito, mas eu não sentia culpa e eu falei isso a ele. Ele se mostrou indignado, mas nada falou. Meses depois, eu o disse que iria sim, cursar para obstetrícia, que era meu sonho, desde que eu descobri de onde vinham os bebês e ele me falou que havia desistido e que iria para a Polícia.
"De início eu fiquei triste, poxa, eu iria me distanciar do meu melhor amigo, mas depois eu aceitei a decisão dele. No último dia em que eu o vi, antes dele mudar-se para Inglaterra, eu fiquei com ele, não só fiquei, mas também me entreguei a ele, foi a minha primeira vez.”
- Só me responde uma coisa – levantou-se e olhou nos olhos. -, por que você o perdoou?
- Eu… Eu… – tentou falar, mas as palavras não saiam da sua boca. Ao invés de olhar para , mantinha seus olhos fixos ao teto, na tentativa falha de não chorar, já que segundos depois, grossas lágrimas caiam dos seus olhos.
- Não precisa dizer mais nada. – Ele abaixou a cabeça e fez sinal de negação.
- , não é assim… – Ela tentava a todo custo se explicar. – Talvez, mas pelo amor de Deus, só talvez – Deu ênfase. -, eu estivesse apai…
- Não, de maneira alguma você estava apaixonada por mim. – os interrompeu.
- Você não pode dizer o que eu estava sentindo, nem eu mesma sei o que era quem dirá você.
- Se você estivesse mesmo apaixonada por mim, teria ido comigo.
- Para onde? – perguntou.
- O queria que eu fosse com ele, você sabe, para o curso para entrar na polícia.
- E por que você não foi?
- Porque não era àquilo que eu queria. E se te serve de consolo, eu não me arrependo da escolha que fiz.
- Não? – perguntou ainda indeciso.
- Claro que não. – Ela sorriu verdadeiramente, embora as lágrimas ainda caíssem. – Se eu não tivesse feito essa escolha e o deixasse ir embora, eu não teria entrado naquele curso, não teria te conhecido e nem ao menos morado naquela república. – Um sorriso singelo começou a surgir no rosto dele. – Nós não teríamos a ideia de morar juntos por causa de um imbecil, e não teríamos uma filha e nem estaríamos juntos. – Ela se aproximou dele. – Então , embora toda merda, escolhas e seja lá o que for que eu tenha feito no passado, ficou no passado, pois eu encontrei você. E se o preço a pagar por tudo que eu fiz for estar junto de você, eu quero pagar isso para sempre. Porque eu te amo, , amo como diz a música: Te amo como nunca amei ninguém, te quero como nunca quis um dia alguém, você mudou, a minha história…
Ela cantarolou. Ele não falou nada, afinal, nada era pra ser dito naquele momento, apenas sentido. Ele a puxou delicadamente pela cintura aproximou seu rosto ao dela, que automaticamente fechou os olhos e beijou primeiramente a testa, em seguida o nariz, a bochecha direita, à esquerda, o queixo e por fim, beijou-lhe os lábios. Um beijo calmo, doce, que demonstrava tudo que poderia ser dito, e não dito naquele momento.
- Como você tem coragem de fazer isso, sua puta? – Mercedes partiu o beijo deles, puxando pelos cabelos, fazendo-a arfar de dor.
- Isso o quê? – Ela perguntou em um fio de voz.
- Você ainda pergunta? Como você tem coragem de beijar alguém na frente do meu menino?
- Sinto muito se eu não posso devolver o mesmo sentimento que seu sobrinho tem sobre mim a ele mesmo, Mercedes. Mas até alguém como você, que se diz saber o que é amor, sabe que quando amamos alguém, é impossível ficarmos com outra pessoa. – Mercedes sabia que ela estava certa, mas não falou nada e em resposta a isso jogou sem dó ao chão.
- Acho que vocês querem saber como o voltou para sua vida, não?
- Mas isso a gente…
- Não, vocês não sabem. – Mercedes respondeu para . – Vocês são mesmo inocentes em achar que ele voltou para suas vidas por acaso. Não foi à toa que vocês começaram a morar juntos, trabalhar na mesma maternidade, muito menos terem ganhado aquele prêmio inútil. Eu paguei aos donos daquela república para arrumarem aquela confusão com vocês.
- Mas… Como?
- Ah minha doce , eu estou na vida de vocês há muito tempo. Pouco depois de vocês entraram na faculdade, na verdade, o me ajudou um pouco nisso, afinal, ele queria fazer o mesmo curso que você. Eu não deixaria para trás tudo o que você fez para o , mas não ia mesmo. Definitivamente, ter amigos certos e em lugares certos, é a melhor coisa do mundo.
- Dá pra fazer sentido? – Mercedes sorriu do misto de confusão e raiva que estava o rosto de .
- O Diretor da Faculdade é meu amigo. Aliais vocês deveriam me agradecer senão fosse por mim, vocês nunca haviam se conhecido.
- Cada vez mais, você faz menos sentido. Pirou de vez? Foi isso?
- Ai , não me faça rir. – Mercedes falou após uma risada macabra. – Acontece que eu falei para o Diretor colocar vocês na mesma sala. Ou seja, desde aquela época que cada minuto deste dia, está sendo planejado.
“É claro que rapidamente vocês fariam amizade, isso era óbvio para qualquer um. Logo depois, veio um dos passos mais fáceis: convencer àquele casal, donos da República, a arrumar uma confusão para expulsá-los da mesma.”
- O apartamento também foi você? – já estava em pé e encostada na mesa que havia ali. A incredulidade explícita em sua face.
- Não, isso era óbvio que o faria, ele tem o mesmo dom do pai de cavalheirismo. Então, deixei que o destino agisse por si só. Quando começaram a procurar emprego, a coisa mais fácil que existiu foi montar uma maternidade de fachada, é claro que ela funcionaria normalmente, mas era apenas para mantê-los ainda mais unido.
“E logo deixei que vocês vivessem suas vidas normalmente, não iria fazer nada até ter a certeza de que a hora certa havia, enfim, chegado. O já sabia de todos os meus planos e de toda a minha vida. É patético como as pessoas da minha família são influenciadas, chega a ser vergonhoso. Mas como não tem como escolher onde nós iremos nascer, foi o que me restou. Falei com ele, e ele aproveitou suas férias da polícia, e então, deu início ao nosso plano.”
- Polícia?
- Claro, , você acha mesmo que ele desistiu do sonho dele por sua culpa?
- Não… É… Isso. – Falou pausadamente, seu estômago fazia voltas. – , como você… Como… Meu Deus, você é pago para defender as pessoas.
- Nem sempre.
- Acontece que o meu querido sobrinho, faz parte da melhor equipe de corrupção desse Estado. – Mercedes falou com orgulho.
- O quê? – e falaram juntos.
- Não é bem corrupto, Tia. A Senhora sabe que eu não gosto de ser chamado assim. – reclamou.
- E como se chama um policial que rouba, sequestra, dá cobertura para criminosos e ainda aceita suborno, ou sexo, para liberar, ou nem ao menos prender os foras da lei? - Espera! Vocês estão me dizendo que o cara que é pago para salvar a humanidade, na verdade, é só mais um filho da mãe como tantos outros? – .
- Isso mesmo, docinho.
- Ridículo!
- Cale a boca vocês dois. Deixem-me terminar a história. – Mercedes gritou enraivecida. – Quando eu marquei aquela maldita festa, ela não era para parabenizar porra de obstetra nenhum. Era apenas para o aparecer…
- Mas ele estava trabalhando como garçom.
- Deixa de ser ingênua, , você não vê que também foi armação deles? – explodiu.
- Mas… Como? – Ela começou a andar de um lado para o outro. Sua mão direita estava na sua testa, segurando sua franja e a outra mão estava na cintura, estava andando de um lado para o outro, em busca de respostas.
- , Amor, vem cá. – parou na frente dela e a olhou diretamente nos olhos. – Qual parte do: “essas pessoas aprontaram para a gente a vida toda”, você não entendeu?
- Eu se, , eu já entendi, mas meu coração não quer aceitar. – As lágrimas já desciam desesperadamente. – Só em pensar, que a nossa vida toda, foi uma mentira, você não imagina tudo o que eu estou sentindo.
- Nem tudo foi uma mentira.
- Como não?
- O que a gente sente um pelo outro, nunca foi uma mentira.
- Is… – Ela até tentou falar, mas foi interrompida.
- Aqui é a Polícia, nós já estamos cientes de tudo que está acontecendo. Estamos dispostos à negociação!
- O quê? Mas que merda… – Mercedes foi até a janela do apartamento para ver o que estava acontecendo e quão não foi à surpresa ao saber que eles estavam…
Cercados.

*Bela dama.




- ! – e falaram em uníssonos.
Claro que ela iria chamar a polícia. De fato a mesma demorou, mas se e , bem conheciam a , ela devia ter deixado Luna com alguém, antes de ir atrás da polícia, ela não deixaria a pequena em risco. Não de novo.
- Arrume um jeito de a gente sair daqui. – Mercedes se virou para .
- Impossível.
- Você está maluco? Como impossível?
- Esse é o Batalhão que eu trabalho, eles aprenderam comigo as técnicas de invasão e como cercar a área, com certeza, deve ter gente até no bueiro.
- Mas é muito burro mesmo! Como alguém conta suas técnicas de fuga para outra pessoa imbecil?
- Caso tenha se esquecido, Titia... – Ele falou com escárnio, aquela situação, sem sombra de dúvidas, estava lhe tirando os nervos. – Eu trabalho para eles, eu tenho chefe, eu tenho que obedecer e ensinar tudo o que sei para os novatos, caso o contrário, nunca conseguiremos prender bandidos como você.
- Como se você não fosse igual a mim.
Mercedes falou dando fim ao assunto. Estava encurralada e precisava pensar, mas nada lhe vinha à cabeça, toda essa situação a fez perder até a capacidade de raciocínio, sua cabeça estava quente demais, ninguém conseguiria pensar dessa maneira.
- Mercedes… Mãe… – falava em um tom desesperado, era a primeira vez que chamava sua mãe de ‘mãe’. Mas não era esse o motivo pelo qual ela já estava chorando daquele jeito. – Por favor, libera o Jonah.
- E em troca de que eu iria liberá-lo?
- Mãe, é o meu filho, se você não sente o mesmo amor que eu sinto por ele, por mim, eu não tenho culpa. Ao contrário de você, eu daria a minha vida, por ele.
- Ah é? Eu duvido muito, querida. – Ela respondeu cinicamente.
- Se eu fosse você, não duvidaria. – Falou secamente.
voltou a se sentar no sofá com o filho. O clima da sala era tenso. a todo o momento olhava pela janela para ver se algo novo acontecia. Os policiais tentaram se comunicar mais vezes, mas não obtiveram sucesso. e estavam abraçados. Mercedes andava de um lado para outro tentando pensar.
- Vovó? – Jonah chamou a mulher, que parou rapidamente para olhá-lo furiosamente nos olhos. Estava quase chegando a uma solução quando o neto a interrompeu.
- Diga! – Falou deixando sua raiva transparecer em sua voz.
- Será que eu posso ir ao banheiro?
Um sorriso macabro apareceu no rosto de Mercedes. Era exatamente o que iria fazer. Que se foda o mundo, mas aquilo ela ia fazer. Um pecado a mais na sua lista de “por que mereço ir para o inferno”, não faria diferença mesmo.
- Claro, querido. – Ela sorriu.
Quando o mesmo deu as costas, o seu sorriso se transformou no sorriso do melhor jeito “Cheshire” de ser. logo percebeu o que aconteceria ali. Mas é claro que Mercedes iria lhe testar de alguma forma, mas não imaginou que iria ser desse jeito.
De repente, tudo parecia em câmera lenta. ficou estático, assim como e , no lugar que estavam. Enquanto Jonah se encaminhava para o banheiro, Mercedes ergueu a arma. correu, abraçou o filho e caiu com o próprio no chão.
Mas já era tarde demais, a arma já havia sido disparada.
O barulho da arma caindo ao chão, Mercedes a soltara após perceber o que havia feito, fez com que tudo voltasse ao seu tempo e velocidade normal.
De repente, a casa já estava sendo invadidas por policiais, Mercedes já chorava descontroladamente, havia ‘afundado’ o rosto no peitoral de , que a abraçava fortemente e estava ajoelhado ao lado dos dois caídos em questão.
Um dos policiais já estava quase algemando Mercedes, quando um sussurro de voz chamou atenção.
- Mãe… – A palavra saía como um sussurro, quase um sopro de um último suspiro.
O sangue já escorria pela sala. Jonah e estavam sujos e o choro de ambos era baixinho e desesperado.
- Não, não fala, é pior.
- Me… – Engoliu seco e tentou respirar o pouco do ar que era possível entrar em seus pulmões. – Deixa… Falar.
- Não, por favor. – As palavras saíram embargadas, o desespero explícito, o desespero de quem estava perdendo a pessoa que mais amava e se importava nesse mundo. – Alguém me ajuda, chama uma ambulância, socorro!
- Shh. – Colocou o dedo indicador nos lábios da pessoa em desespero. – Não… Adianta.
- Mas…
já chorava desesperadamente apertando a camisa de e o puxando ainda mais contra si, se é que isso era possível. Ele também chorava, mas as lágrimas caíam silenciosamente. Mercedes enfim conseguiu com que o policial a soltasse.
- Filha! – Seu choro era agoniante. – Filha, por favor, fala comigo.
lutava para respirar. A bala ardia dentro de si, e ela sabia que não iria resistir por muito tempo. A dor daquela bala, não chegava nem um pouco próxima do que ela estava sentindo por ver o filho naquele desespero. O pequeno só tinha cinco anos, tinha tanto para viver, e ela não ficaria ali para ver isso. O seu menino que parecia tão adulto naquele momento.
- , por Deus, eu sei que eu não tenho direito de te pedi isso, mas me perdoa. Por favor, me perdoa. – Mercedes falava desesperada ao lado da filha. – Por favor, fala comigo.
- Mãe… – conseguiu dizer após ‘engolir’ um pouco de ar. – Eu… Eu…
- Não fala é pior, eles vão te socorrer.
- Mesmo que eles me socorram não vai adiantar. – Ela falou de uma vez e tentou buscar um pouco de ar. – Jon?
- Mãe. – O menino levantou a cabeça para observá-la. A todo minuto o menino estava com a cabeça encosta no peito da mãe, ouvindo os últimos batimentos dela. Ela levou a mão ensanguentada para enxugar as lágrimas do filho.
- Não chora.
- Mas, mãe.
- Você é forte meu amor.
- Não vai embora.
- Filho… – Os olhos suplicantes do filho fazia com que ela quisesse viver mais, seu filho estava sofrendo demais, ele não merecia. – A mamãe vai te cuidar, seja onde ela estiver. - Mas eu quero você comigo.
- ? – a chamou. Ela olhou para que lhe beijou a testa e passou toda segurança do mundo com o olhar e foi para o lado da mulher agonizante naquele chão frio.
- Oi… – Ela falou em um sopro.
- Cuida dele pra mim? Você é a única pessoa que eu confio pra isso.
- Cla… Claro. – Ela sorriu amarelo.
- Mãe? Eu te amo e te perdoo, só não faz mais besteiras em tua vida.
- Meu Deus, filha, me desculpa. – Mercedes falava mais calma. – Eu não deveria ter feito nada do que eu fiz, eu sou a pior pessoa do mundo.
- Não se culpe. – balança levemente a cabeça em negação. – Eu entendo seus motivos.
- Eu te amo, filha. – Mercedes abraçou desajeitadamente a filha.
- . – sorriu para ele após soltar-se da mãe.
- Cala a boca, sua pequena imprestável, isso faz você morrer mais rápido.
- Cala a boca você, seu idiota. – Os dois sorriram.
- Eu te amo.
- Eu te amo. – Ele a abraçou do mesmo jeito que Mercedes fez antes.
- ? – a olhou e seguiu em direção a ela. Ela sabia que aqueles seriam os seus últimos momentos. Respirou o que conseguia. Pegou a mão de , a de e a de Jonah, colocando todas em uma junção só.
-
- Cuidem bem dele.
Aquelas foram às últimas palavras de , que foram seguidas pelo seu último suspiro.
O que pôde ser ouvido depois foi o soluço desesperado do choro de Jonah, que foi rapidamente abraçado por , que mesmo que não gostasse de , chorava como se tivesse acabado de perder uma irmã de sangue. , que continuava com seu choro silenciosamente incessante, abraçou a mulher e o seu filho.
já soluçava ao ponto de dá dó, ele estava abraçado ao corpo de , como se acreditasse que assim, ela acordaria.
O desespero maior era vindo, por incrível que pareça, de Mercedes.
- Não, não, não… – Ela repetia inconformada, a mesma maneira que seu rosto negava o que estava acontecendo. – Minha filha, eu matei, não, não, não, o que foi que eu fiz?! Eu sou a pior pessoa do mundo!
- Tia, calma… – tentou a abraçar, mas era difícil, já que Mercedes se debatia. – Tia, pelo amor de Deus, para!
- Eu a matei, , eu sou terrível, como eu pude ser tão ruim assim?
- Não aumenta esse desespero, por favor, para.
- Isso é culpa daquele maldito. Culpa do pai dela!
- A gente sabe disso.
- Mas eu sou a maior culpada, eu não deveria ter duvidado dela, é claro que ela amava o filho dela acima disso tudo. Mas eu também a amava, eu a amo, mas nunca tive coragem de dizer isso, na verdade eu sempre fui uma covarde. – Ela parou para tomar ar, mas continuou rapidamente. – Eu sempre fui covarde o suficiente para nunca ter dito que eu a amava mais do que a mim mesma, mais do que minha raiva, mais do que tudo, . Mas eu nunca tive coragem de dizer, porque eu sou uma covarde! – Ela gritou levantando-se. – Mas além de covarde, eu sou burra, otária, por ter duvidado dela, ela é mais corajosa que eu.
Mesmo que as frases que Mercedes soltasse, às vezes não fizesse sentido, as pessoas ali presente, entendia completamente o que ela queria dizer.
não foi só corajosa, ela demonstrou o seu amor, ela cumpriu o que disse, ao dizer que daria a sua vida pelo seu filho.
podia entender o que havia acontecido ali. Ela, sem dúvida alguma, daria a sua vida por um filho dela, pela Luna. Afinal, onde Luna estaria naquele momento?
- ? – Ela sussurrou baixo.
- Oi.
- Eu quero a Luna.
- Calma, a gente já vai buscá-la.
- , por favor… – Ela o olhou suplicante.
- A gente não pode sair daqui agora, – Ele sussurrava paciente. – Ela está bem, a deve tê-la deixado com a , então tenha paciência meu amor, a gente já vai sair daqui, eu prometo.
apenas concordou com a cabeça e abraçou-se mais a Jonah. Só não esperava ver o que estava para acontecer.
- Tia, sai daí! – gritou.
Mercedes estava sentada com as pernas para o lado de fora da janela. Eles estavam no sexto andar, uma queda dali, seria fatal.
- Eu não mereço viver, .
- Mas não deve se matar, você estará sendo covarde o suficiente se você fizer isso.
- Eu já fui covarde o suficiente para matar minha filha, qualquer coisa agora, não vai ser nada.
- Tia, por favor!
- Foda-se, !
E assim, ela se jogou.




Dois meses haviam se passado desde a morte de e do suicídio de Mercedes.
Jonah ainda fazia acompanhamento psicológico, pois apesar de ter uma idade mental muito maior do que sua verdadeira idade, ele ainda era uma criança de cinco anos. e continuavam firmes e fortes, cuidavam de Jonah e Luna de maneiras iguais, com mesmo amor e carinho. Luna, apesar dos poucos meses de nascida, não dava muito trabalho e já esboçava um sorriso sem dentes para qualquer idiotice que o pai fizesse. Jonah também a amava, de um jeito incondicional e inocente, sempre ajudava com os afazeres com relação à pequena.
, , e , por incrível que pareça, estavam noivos. O casamento estava marcado para dali há seis e sete meses respectivamente. Apesar do tempo, elas já estavam correndo pra cima e para baixo para que tudo saísse perfeito no dia, além, é claro, de enlouquecer os meninos com suas exigências malucas.

***


Era um domingo à tarde, assistia a algum filme infantil para distrair Jonah, enquanto Luna dormia entre os dois homens da casa, na cama do pai. terminava o almoço. Claro que, quando dava, ela ia paparicá-los.
- Amor, eu estava pensando… – entrava tagarelando no quarto.
- Shh. – falou antes que ela pudesse continuar. – O Jon está quase dormindo.
- Desculpa. – Ela sussurrou. – Mas é que eu estava pensando, será que... – foi novamente interrompida pelo telefone na casa, fazendo-a bufar. – Atende pra mim, por favor?
não falou nada, apenas pegou o telefone que estava na cabeceira da cama.
- Alô? Sim… – Ele sentou-se, demonstrando uma pose mais séria e rígida, deixando preocupada e sussurrando um ‘o que foi?’ para ser respondida com um pedido mudo de calma. – Certo, eu posso pensar sobre isso? – Ele esperou um momento. – Tudo bem, eu entrarei em contato – E assim, ele desligou.
- O que houve?
- Era da delegacia.
- ?
- Aham.
O fato era que estava preso durante todos esses dois meses. Claro que ele sentia a falta de Jonah e vice-versa, mas enquanto a Jonah, as idas ao psicólogo ajudavam em relação a isso.
- E o que ele queria?
- Que o Jonah fosse visitá-lo. – Ele suspirou pesadamente.
- Como é? – A voz dela saiu um pouco esganiçada.
- Fala baixo.
- Tudo bem, desculpa. – Ela concordou com a cabeça e respirou fundo. – Como assim ele quer ver o Jon?
- Ele disse que tem uma coisa muito importante para dizê-lo.
- Mas o que… Você acha que nós devemos deixa-lo ir?
- Eu não acho que seja uma boa ideia.
- E eu acho que essa pergunta deveria ser feita a mim e não ao meu pai.
e congelaram no mesmo momento. Era verdade que Jonah tinha razão, assim como era verdade o que falou sobre ele ir ao presidio. Ali, em hipótese alguma, era lugar de criança.
- Jonah, deixe com que eu e decidamos sobre isso.
- Não. Lembre-se que antes de você aparecer, o Tio sempre fez o seu papel de pai.
- Jonah, não seja tão duro com o . – o repreendeu.
- Eu não me importo, tenho que falar a verdade, não é isso que os adultos sempre dizem? Que temos que ser verdadeiros?
- Baixa o seu tom de voz para falar com ela! Antes de aprender a ser verdadeiro, você tem que respeitar a mim e a .
- Ela nem é minha mãe.
ofegou. Sabia que era verdade, mas durante os meses que se passou, ela criou um vínculo com Jonah, e não imaginava que ele falaria palavras tão duras para ela.
- Ela pode não ser a sua mãe, mas é a pessoa que vai cuidar de você até você ser responsável por si mesmo, então eu exijo que você a respeite.
- Tudo bem.
- Vocês podem falar mais baixo? A Luna está se remexendo muito. – falou calmamente e de cabeça baixa.
- Vamos para o quarto dela, assim, conversaremos melhor.
e Jonah, que não disse mais uma palavra, seguiram para o quarto da menina, que agora era divido com o menino. Jonah sentou-se na poltrona e , num banquinho que estava por ali.
- Vamos por partes, certo? – quebrou o silêncio. – Primeiro: você é pequeno, mas maduro o suficiente para saber que presídios não são lugares para você, não sabe?
- Sei pai, mas acontece que eu amo o Tio .
- Mas Jon…
- Tenta me entender, ele era a única “figura masculina”, não é assim vocês falam? – Ele fez aspas no ar, seguida de uma careta pela pergunta, que foi confirmada por com a cabeça. – Então, ele era a única figura masculina que eu tinha e não custa nada eu ir visitá-lo.
- É isso mesmo que você quer? – falou após suspirar pesadamente.
- É sim. – O garotinho sorriu.
- Tudo bem, vá tomar um banho.
, que ouvia tudo do batente da porta, apenas olhou Jonah passar feliz em direção ao banheiro. logo foi ao encontro dela, abraçando-a e intoxicando-se com o cheiro de maçã-verde que exalava dos seus cabelos.
- Vai ficar tudo bem.
apenas assentiu com a cabeça e beijou-a delicadamente nos lábios. Algumas horas mais tarde, ele e Jonah já estavam no presídio e havia ficado em casa para cuidar da pequena. Jonah e já conversavam há algum tempo, mas como o horário de visitas não era tão grande assim, principalmente, porque era uma visita fora de hora.
- Temos que levá-lo de volta. – Um dos policiais que ali estavam, informou para .
- Tudo bem, só me deixa despedir-me dele.
- Rápido. – apenas assentiu com a cabeça;
- O que vai acontecer agora Tio?
- Eu vou ter que voltar para lá.
- E quanto tempo o senhor vai ficar aí?
- Não sei. Mas eu te garanto que não vai ser muito, mesmo que eu tenha que tomar medidas drásticas para isso.
- Promete? – O pequeno sorriu feliz na esperança do Tio sair logo dali.
- Prometo. Agora vem cá, dá um abraço no tio. – deu a volta na mesa, ajoelhou-se para ficar do tamanho do menino e o abraçou como se fosse à última coisa que faria enquanto respirasse, e talvez fosse. – Aconteça o que acontecer, saiba que eu te amo mais que tudo que possa existir.
- Eu também te amo, tio.
O menino beijou a bochecha de , que logo voltou para a cela e foi ver o pai. logo o abraçou e o tirou rapidamente, mesmo que disfarçadamente, dali.
- E então campeão? Como foi?
- Sabe pai, o tio estava estranho. – Ele falava enquanto o colocava na cadeirinha.
- Como assim, filho?
- Como se algo ruim fosse acontecer.
- Não deve ser nada demais. – Ele beijou a testa do filho e foi em direção ao banco do motorista. Não queria demonstrar, mas ficou abatido com a informação que Jonah dera, sabia que o filho conhecia o tio bem demais para saber quando ele não estava bem.

***
Jonah e chegaram em casa por volta das dezoito horas. Por culpa do cansaço, o garoto rapidamente dormiu. Luna, como sempre, dormia mais que o berço. Normalmente dormia às dezoito horas, acordava vez ou outra para mamar, mas normalmente só acordava às seis da manhã. e normalmente aproveitariam para namorar, mas o cansaço era tanto para ambas as partes, que eles resolveram dormir cedo também.
Como de costume, eles dormiam com a TV do quarto ligada, e o primeiro que acordasse pela madrugada, que a desligasse. Para variar, quem acordou dessa vez foi . Ele foi ao banheiro, fez sua necessidade, e quando ia desligar a TV, algo lhe chamou atenção.
reconhecia aquele lugar, afinal, ele esteve ali mais cedo…
- E voltamos a falar do presídio, onde um ex-policial, preso há dois meses, foi encontrado pendurado, com uma corda no pescoço… – Dizia a repórter.
Jonah estava certo, algo ruim iria acontecer…
suicidou-se assim que Jonah saíra da sua visita com ele.

***


Coloquem essa música para carregar: Completo - Ivete Sangalo.

estava finalmente feliz. Seis meses depois de tudo o que acontecera com , ela finalmente estava indo buscar Jonah de sua última sessão na Psicóloga. O menino era maduro o suficiente, e suas sessões quinzenais já não eram mais necessários. Aquele dia, além de ser especial por Jonah, seria especial para e .
Finalmente, o grande dia havia chegado. Não era para menos que os dois estavam uma pilha de nervos.
pegou Jonah e foi diretamente para loja, pegar não só a sua, mas a roupa da sua família. Pegou todo o necessário e foi para casa, deixou Jonah com e seguiu para casa de . A divisão ficou o seguinte: Mulheres na casa da e homens na casa da . sabia que ia se arrepender disso depois, mas só depois. Agora ela estava mais interessada no casamento que estava se aproximando, afinal, já de passava das quinze horas e o casamento estava marcado para as dezoito.
Claro que daria seu atraso clássico e ‘charmoso’ que toda noiva dá. E é claro que iria ficar ainda mais elétrico com isso.
- E então? O que falta? – chegou ao quarto, jogando a sua roupa e a de Luna em cima da cama.
- Nada demais. – Respondeu .
- Nada demais? Nada demais? – falou estressada. – Pelo amor de Deus. Meu cabelo não quer ficar do jeito que eu quero, a maquiagem borra a cada cinco segundos e a minha unha, ai – ‘gritou’, com mais um bife que a manicure acabara de fazer. – Se continuar assim, eu vou ter bife para o resto da minha vida. – Ela falou tomando ar logo em seguida. e se entreolharam e caíram na gargalhada. – O quê? Do quê que vocês estão rindo?
- Você está parecendo qualquer coisa, menos a que a gente conhece. – falou após o excesso de riso.
- Como assim?
- Simples. Você é sempre a mais calma de nós três e está quase enfartando com besteiras. – disse. - Sério?
- Sério amiga. Olha, seu cabelo está perfeito, a maquiagem está sem palavras para descrever e ela não tá fazendo bife, é que seu nervosismo está tão grande, que qualquer beliscada que o alicate dá, você já pensa que é um bife novo. – Explicou . olhou para , que apenas confirmou tudo que a loira havia acabado de falar.
- Ai meninas, é que eu tenho medo de dar algo errado e o … – Ela abaixou o tom de voz.
- O o que? Desistir? – Perguntou , apenas confirmou balançando levemente a cabeça.
- Você ficou maluca? Ele jamais vai desistir, . – disse.
- Como você pode ter tanta certeza?
- Pelo que eu vi lá em casa, se você não o encontrar no altar, ele vai até Saturno te buscar.document.write(Mel) abriu um sorriso.
- E como você ainda tem dúvidas, Morena? – perguntou.
- Vai saber né?! – Ela deu de ombros.
- As belas damas já terminaram de fofocar? Ainda tenho mais duas mulheres para maquiar, ajuda gente. – O maquiador falou com a voz afetada. Elas gargalharam e se calaram, afinal, era pouco tempo, para três mulheres ficarem impecavelmente lindas.

Deem play na música.

Faltavam exatos três minutos para as dezoito horas quando chegou em frente ao caminho que a levaria até seu amado. Se houvesse uma palavra para decifrar algo além do impecável, ela seria usada para . Seu vestido branco e tão simples quanto a areia daquela praia. Seu casamento iria ser em um luau, como sempre sonhara, e o homem com quem dividia o seu sonho, estava ali a sua espera. Nas mãos, um buquê com lírios brancos. Seus cabelos negros com cachos perfeitos e sua maquiagem tão calma quanto o mar havia os presenteado naquele dia.
Seu pai beijou-lhe a testa e começou a guia-lhe para o homem da sua vida. Ele estava tão lindo, tão perfeito, tão além do que ela imaginava. O figurino branco de todos ali presente, foi uma exigência por parte dela. Branco simbolizava a paz, praia simbolizava paz e a junção da paz com o amor, era o que ela queria para seu casamento.
Quando finalmente chegou a , uma lágrima solitária escorreu pelo seu rosto. Não existia lágrima com tanta felicidade como aquela. beijou sua bochecha, secando sua lágrima e sorriso amoroso e carinhosamente para ela, que retribuiu o gesto dele mais largamente.
- Estamos aqui reunidos para celebrar o enlace matrimonial de e
E assim se sucedeu o casamento, lindo, perfeito, emocionante.

***


- ? - Oi, . – sorriu, mesmo sabendo que não podia vê-la por estarem falando-se por telefone.
- Tudo certo para mais tarde? – Ele sorriu com a mesma certeza que ela tivera antes.
- Claro. Que horas você trará a Luna?
- Eu pretendo sair de casa as quinze, tudo bem para você?
- Não precisa nem perguntar, a Luna será uma ótima distração para mim.
- Está chegando o big day?
- Exato. – Eles sorriram audivelmente.
- Bom , tenho que desligar, preciso organizar os últimos detalhes.
- Certo. Vi a previsão do tempo hoje, me parece que São Pedro tá colaborando com você. – Ela sorriu brincalhona.
- Verdade. – Ele sorriu da mesma maneira. – Tchau. E ah, obrigado mais uma vez.
- Não precisa, você sabe que eu gosto de ajudar.
- Sei, sei.
- Tchau, Baby.
- Tchau.
E assim a ligação foi encerrada. Como haviam combinado na mesma, as quinze em ponto saiu de casa, deixou Luna com , e logo seguiu para terminar o que deveria ser feito.
estava na casa da sua Tia. Obviamente não sabia o que esteve aprontando durante aquela tarde, melhor dizendo, durante toda a semana. Ele sabia fazer uma verdadeira surpresa.
- Pequena?
- Oi, Amor. – atendeu a ligação.
- Já posso ir te buscar?
- Claro.
- Te pego em cinco minutos.
- Okay.
- Beijo.
- Beijo.
Exatos cinco minutos depois, já estava entrando no carro de .
- Ué, por que não trouxe a Luna?
- Porque ela está com a . – Ele respondeu simplesmente.
- E o que ela está fazendo na casa da ?
- Ela vai ficar por lá esta noite.
- O que? – falou boquiaberta. – Dá pra fazer sentido, por favor?
- Surpresa meu amor, surpresa. – roubou-lhe um selinho e eles seguiram para casa com tentando roubar alguma informação de , o que, é claro, não deu certo.
Eles chegaram em casa por volta das dezoito horas. ainda estava estranhando todas as atitudes de , porém deixou o assunto para lá, sabendo que ele não a falaria nem sob tortura.
- Vida, a gente vai sair. – informou a assim que eles entraram no quarto.
- A não , eu quero ficar em casa, o tempo está fechando, eu só quero minha cama e um filme descente para assistir.
- Ah, e seu namorado você não quer?
- Ai meu Deus, me deixa corrigir: eu quero minha cama, um filme descente e meu namorado.
- Não adianta, vamos sair. – bufou.
- Posso saber para onde ao menos?
- Claro que não. – Ela revirou os olhos.
- Como eu vou saber o que vestir, se nem ao menos sei aonde vou?
- Por isso que eu comprei uma coisa para você, mas antes você vai me prometer uma coisa.
- O quê?
- Sem mais uma pergunta, dona . – Ela bufou e revirou os olhos.
- Tudo bem.
- Abre a sua parte do guarda-roupa.
Ela olhou-o desconfiada, mas mesmo assim seguiu em direção ao guarda-roupa e quando abriu à porta, sua surpresa não podia ser maior. O vestido que ela havia visto, ficado completamente louca por ele e havia comentado com no início da semana, estava ali.
O vestido era simplesmente perfeito. Ele não era longo como muitos imaginaria, ele chegava à metade da sua coxa e seu tom laranja claro realçava seu tom de pele. Seu modelo tomara-que-caia, tinha um leve decote e a cintura era demarcada por uma fita fina rosa escura, o laço fino ficava perfeito. A parte abaixo do laço era feita por babados no fino tecido que cobria o vestido. A echarpe de mesma cor do vestido dava um ar clássico e sofisticado ao vestido.
- É sério isso? – perguntou boquiaberta e sem acreditar no que via.
- Eu disse “sem perguntas”. Troque-se, vou está lhe esperando lá em baixo.
- Não irá se trocar? – Ela perguntou, já que ele vestia bermuda, camiseta, sapa tênis e um cordão no pescoço.
- Irei, no quarto da Luna.
- E por que não aqui?
- Pergunte menos e aja mais, querida.
cantarolou e deu as costas, puxando a porta atrás de si para trancá-la. Tudo estava dando certo, e ele só teria que dar mais uma ligação. O céu realmente estava nublando-se, como ele mesmo esperava. Era estranho isso, mas aquilo tornaria a noite ainda mais especial, e é claro, inesquecível.
Rapidamente foi ao banheiro, higienizou-se, tomou banho e fez a barba complementando a com a loção pós. Colocou sua roupa rapidamente. Simples, mas elegante. Uma calça jeans de lavagem escura, camisa social preta com os dois primeiros botões abertos, sapato social, e por último, mas não menos importante: um blazer também preto. Penteou os cabelos e os deixou numa mistura de penteado-bagunçado, que só ele sabia fazer. Perfumou-se e seguiu para sala. Como era de se esperar, ainda se arrumava. Passou a mão pelo bolso do blazer e sorriu.
Seu sorriso aumentou ainda mais quando olhou para ponta da escada. Deus, como aquela mulher conseguia ficar ainda mais perfeita a cada segundo que se passava? O vestido ficou tão perfeito quanto a imaginara usando. O cabelo dela estava solto e cacheado naturalmente, uma trança rodeava a sua cabeça, numa espécie de coroa sem a parte da frente. Sua maquiagem tão simples e ao mesmo tempo tão impactante, que ele se surpreendia de como ela conseguia fazer aquilo. Seus olhos eram cobertos por uma sombra marrom clara, quase imperceptível. Seus cílios cobertos por rímel, delineador e lápis de olho completava o destaque ali. Suas bochechas estão levemente coradas em um blush cor pêssego e seus lábios cobertos por um gloss rosa claro. Nas orelhas, um pequeno brinco em formato de coração, que fazia conjunto com o colar fino e quase que imperceptível que tinha um pingente do mesmo formato do brinco. Ah, como se lembrara daquele conjunto, ele a dera no primeiro aniversário dela que eles passaram como amigos. Nas mãos uma bolsa-carteira simples, nos dedos, apenas um anel duplo. Nos pés, um scarpin de cor neutra.
Magnífica.

Música: The Way You Make Me Feel – McFly

Mesmo que o céu estivesse nublado aquela noite, não poderia acha-la melhor. O homem que ela amava, estava bem a sua frente, tão lindo quanto tudo que já vira algum dia.
- Vamos?
Eles estavam em um dos melhores restaurantes de comida Japonesa da cidade. Após se alimentarem devidamente, trocando sorrisos bobos durante a conversa paralela que havia entre eles e carícias nas mãos.
- Uhum.
apenas confirmou, esperou que pagasse a conta, para que eles fossem para casa. Ou não. r, como um verdadeiro cavalheiro, ajudou a se levantar da cadeira, estavam passando pela pista de dança quando ouviu os primeiros acordes de uma música.

Deem Play na música.

I think yesterday
And all the times I spent being lonely
I watched the young be young
While all the singers sung
About the way I felt

- A não , por favor, nós temos que dançar essa. – Ela falou virando-se para ele.
- Mas , a gente ainda vai passar em outro lugar antes de irmos pra casa.
- Por favor. – fez um biquinho e não resistiu.

The days are here again
When all the lights go down,
What do they show me?
The rules are all the same
It’s just a different game
To tell you how I feel
Although it seems so rare
I was always there

Rapidamente ela colocou a bolsa-carteira de volta a mesa e foram à pista de dança. Dançavam de acordo com a música, olhava-se de maneira terna, afinal, aquela música dizia muito sobre eles.
- Oooh, oooh, I can’t stop digging the way you make me feel… – Eles cantavam de acordo com a música.
Os olhares que trocavam e todo o contato que trocavam, era especial, era como se eles soubessem que tudo ia além de um sentimento chamado: amor.
- Te amo.
- Te amo.
O sorriso de ambos poderia não caber no próprio rosto de tão grande que estavam.
- Vem.
Sem aviso prévio, a puxou, ela apenas teve tempo de pegar a bolsa que estava em cima da mesa e correr para dentro do carro. Sabe-se lá como, os manobristas já estava com o carro de estacionado na porta do Restaurante. Ao contrário das outras vezes, essa não fora combinada.
- Aonde vamos? – Ela perguntou ainda sorrindo da situação.
- Surpresa.
- Mais?
- Eu sou um homem que gosta de surpreender a mulher que amo.
apenas sorriu. Sorriu como não houvesse amanhã. E que se foda o mundo se ele não viesse, estava feliz demais. Um amor, dois filhos, sonhos, planos… Jamais poderia imaginar que a vida dela estaria dessa forma há algum tempo atrás, mas Deus não poderia ter transformado sua vida em algo melhor. Estava feliz não só por si, mas pelos seus amigos. Jamais fora egoísta, e se tratando dos amigos, ai era que ela não era egoísta mesmo. O sorriso dela aumentou ainda mais quando viu onde estava chegando.
Pause a música.

A quadra. Aquela quadra que marcou tantos momentos dela com . Onde eles ficaram amigos, onde eles estudavam, brincavam e até jogavam bola. Apesar de ser noite, alguns refletores estavam acesos, o que de certo modo, era estranho, jamais aqueles refletores era acesos se estivesse sem nenhum jogo. E pelo que vira, não havia bola e muito menos jogadores ali.
- O que… – tentou perguntar, mas foi interrompida.
- Shh… – repousou o dedo indicador sobre os lábios dela. – Você irá precisar disso. – Ele falou pegando uma venda que estava no banco de trás do carro.
- Pra…
- Sem perguntas.
Ele disse, e sem dizer mais nada, ela virou-se e esperou que ele coloca-se a venda nela. Tirou os saltos e deixou-se ser guiada por eles, para só Deus sabe onde. guiou-a até o centro do campo. Acenou para , que estava lá para ajuda-lo, é claro, e saiu rapidamente dali.
- Pode tirar a venda. – sussurrou no ouvido dela antes de se afastar por completo.

Música: Marry You – Bruno Mars

Ela tirou a venda, mas nem sinal de . Olhava para todos os lados, mas nem sinal dele por ali. Olhou para o chão, e a sua frente, estava uma caixa de presente. Pegou e abriu-a.

“It’s a beautiful night
We’re looking for something dumb to do
Hey baby
I think I wanna marry you…

Dez passos à frente querida, irá começar a sua caça ao tesouro.”


Era o que havia dentro do presente. A música tocava por todos os lados. gargalhou com o que leu e deu os dez passos a frente.

“Is it the look in your eyes
Or is it this dancing juice?
Who cares, baby
I think I wanna marry you

Seja esperta, amo. O que te lembra do seu primeiro aniversário que passamos juntos?”

Ela sorriu e seguiu para uma das arquibancadas. Nenhuma surpresa, mas um presente.
“Well I know this little chapel on the boulevard we can go
No one will know
Oh come on girl
Who cares if we’re trashed
Got a pocket full of cash we can blow
Shots of patron
And it’s on girl

‘Maldito trabalho de Biologia’, não?”


Ela sorriu e caminhou para o lugar onde eles sempre faziam os trabalhos juntos.
A cada passo que ela dava, sabia que estava mais próxima a ele. A música inteira se passou, no último trecho dela, a dica que a mais fez sorrir.

“Is it the look in your eyes
Or is it this dancing juice?
Who cares baby
I think I wanna marry you…

Oh não, você descobriu meu perfume.”


A dez passos dali estaria ele. Tão lindo, tão perfeito. Uma caixinha aveludada em mãos, um sorriso grande e contagiante. A chuva fraca já caía, e eles estavam, novamente, no centro do campo.
- E então, , aceita casar comigo?

***


Mãos suando, frio na barriga, minutos que não passam, música que não se é ouvida, olhares direcionados a você e a ela… Ela. Ela não poderia estar mais linda. Nunca a imaginara de noiva, nem a si mesmo como noivo, muito menos ambos casando-se, mas não poderia haver coisa melhor. Sua loirinha não poderia estar melhor.
não poderia estar mais nervoso. Estava no altar, olhando diretamente nos olhos de que estava adentrando a igreja. O sorriso gigante e ao mesmo tempo tímido em ambos os rostos, faziam todos ali suspirar só de ver. e que estavam no altar como madrinhas, deixavam as lágrimas escorrerem livremente pelo rosto. Uma por lembrar-se do que estava próximode acontecer e a outra, por relembrar o que sentiu quando estava a caminho do amor da sua vida.
estava como ela sempre foi: impecável. Seu vestido simples e ao mesmo tempo rico em detalhes, seu cabelo e maquiagem tão simples e detalhistas quanto o vestido. Nas mãos, um buquê de rosas vermelhas. Buquê esse, que foi dado pelo seu próprio pai, que a conduzia a .
… Estava tão lindo naquele terno. O sorriso que ele tinha nos lábios era o que o deixava ainda mais perfeito.
À medida que ia chegando ao altar, ela lembrava-se do quanto viveu o sonho que estava se realizando ali. Ela sempre sonhara em se casar na igreja, de branco… Toda essa ladainha de criança que a maioria das meninas tem. Quando a pediu em casamento, no dia seguinte ela já estava à procura de vestido, igrejas, buquês… E tudo, exatamente tudo, estava do jeito que ela queria.
Tanto na igreja, quanto na festa, tudo estava perfeitamente correto, nem mesmo os garfos estavam fora do lugar.
- Olha o Buquê! – Uma menina que beirava a segunda década passou anunciando e indo em direção as escadarias do salão de festas.
- Não vai pegar? – , que estava abraçando por trás, sussurrou em seu ouvido.
- Não. – Virou-se para ele. - Eu já sei que vou me casar mesmo. – Deu de ombros.
- Hum, é assim? – Ele sorriu de canto.
- Claro que é. – Ela empinou o nariz, deu uma risada e lhe deu um selinho. – Mas isso não significa que eu não queira ver. – Ela virou-se para frente, voltando a posição inicial.
- Então tá né. – fez um biquinho fofo e a abraçou ainda mais contra si, dando-lhe um beijo no pescoço em seguida, fazendo-a arrepiar.
- Vou jogar, hein. – anunciou do alto da escadaria. – 1, 2, 3 e… – Ela jogou as mãos para trás, mas não soltou o buquê. As meninas solteiras em baixo soltavam muxoxo, fazendo não só , mas todos que observavam a cena, gargalharem. – Agora vai. – anunciou novamente. – 1, 2, 3…
Dessa vez ela jogou, virando-se rapidamente para ver quem havia pegado.
E olha como o destino é: o buquê parou justo nas mãos de quem não queria pegar.




Ao lerem “a música começou a tocar”, vocês irão por essa música para tocar. (Prestem atenção porque ela é muito importante): Love is Not a Fight - Warren Barfield

Casar em uma tarde de primavera sempre fora o sonho de . Sonho que nunca foi esquecido, e sempre foi compartilhado com todos. Desde pequena esse era seu sonho e era óbvio que ela o realizaria. Estando com quem estava, seria impossível não realiza-lo. queria que o casamento deles fosse digno de realeza, mas a sua princesa era diferente. Sem castelos e carruagens, isso não era necessário. Mas quem disse que precisa disso quando se casa com alguém que ama? Até com aquela roupa surrada que só usamos para dormir e uma flor murcha serviria para tal cerimônia, desde que ame o seu companheiro, ou companheira, de verdade.
Estando ali, em frente ao espelho, vestida para o seu grande dia, esbanjava o sorriso que nunca vira em seu rosto. Um sorriso tão gigante, que nem ela mesma sabia como ele estava a caber em seu rosto. Há dez meses, sua vida estava totalmente diferente. As mudanças que houve nela não foram básicas ou simples, mas foram as melhores mudanças. Estava prestes a pegar o seu buquê, quando a porta do quarto em que estava, abriu-se.
Um mini , com quase seis anos, adentrou o local. Jonah estava lindo. Com um terninho apaixonante, ele seria um dos pajem, e estava explodindo de alegria por conta disso.
- Tia ?
- Oi meu amor. – Ela agachou-se para ficar do tamanho da criança.
- Eu queria ter uma conversa seria com você. – Ele falou em um tom sério, fazendo com que sorrisse da forma dele.
- Pode falar.
- Podemos nos sentar?
- Claro, mas você promete que vai ser rápido? É que a Tia já está atrasada, e conhecendo o seu pai, ele vai surtar ainda mais com essa demora.
- Ele já é surtado, tia. – Ele falou em desdém e gargalhou, em seguida, sentaram-se no sofá que havia ali.
- Então, meu anjo, me conta, o que quê houve?
- Assim Tia… – Ele demorou um pouco pensando se estava certo, ou não, pedir aquilo. – A senhora sabe que é muito importante para mim, não é?
- Eu não sabia até agora. – Ela sorriu emocionada.
- E sabe que depois da minha mãe e do meu pai, a senhora é a pessoa que eu mais amo:, não é?
- Sou?
- É Tia. – Ele falou como se fosse óbvio. Ela sorriu e o deixou continuar. – Eu sei que sou só uma criança, mas crianças podem, também, tomar decisões importantes. Não é isso que o papai diz quando eu tenho que escolher o brinquedo que eu quero levar para casa? – apenas confirmou com a cabeça. – Então, eu tomei uma decisão importante.
- Pode dizer.
- Tia, eu perdi minha mamãe muito cedo e isso ainda machuca o meu coraçãozinho. – Ele falou tristonho. – Eu lembro que ela falou que era para a senhora cuidar de mim,e eu sei que a senhora me cuida igual à senhora cuida da Luna. Tia, o que eu quero te pedir é uma coisa séria, a senhora entende?
- Entendo. – falou ficando preocupada com as palavras do pequeno.
- Tia… – Ele respirou fundo e soltou de uma vez. – Posso te chamar de mãe?
abriu e fechou a boca uma, duas, três vezes. O quê, e como dizer que sim para aquela criança a sua frente? Estava em choque, mas ao mesmo tempo estupendamente feliz. Desde quando ela se tornara tão importante na vida de alguém assim?
- A senhora não quer, né? Desculpa, tia, por favor. – Jonah abaixou a cabeça e estava a ponto de chorar.
- Não. Quer dizer, sim. – Atrapalhou-se. – Jon, olha pra mim. – Ele a olhou nos olhos. – É lógico que eu aceito que você me chame de mãe e não quero que você chore, é isso que eu estou tentando dizer.
- É sério isso, Tia?
- Mas é claro meu amor, como você acha que eu diria não?
- Obrigada, mãe. – O menino jogou-se nos braços da mulher, que o acolheu perfeitamente.
- Agora vamos? – Ela falou afastando-se dele e secando as poucas lágrimas que caíra.
- Vamos.
E assim eles foram. Saíram do quarto e foram em direção ao altar. A tarde estava perfeita, e aquele, sem dúvidas, era o casamento para . Abaixou a cabeça e chegou a frente ao tapete branco. Jonah e Luna, que dava seus primeiros passinhos, estavam à sua frente, a música começou a tocar, e já era difícil segurar a emoção.
Levantou a cabeça, e lá estava ele. Seu homem, seu amor, seu amigo, companheiro, sua vida… E seria pelo resto dela. A música lenta aumentava não só a sua, mas também a emoção de todos que estavam em volta. Calmamente começaram a caminhar, as pessoas sorriam, alguns choraram. Olhou para e quão não foi a sua surpresa ao perceber que ele também chorava. Seu sorriso estava tão grande quanto o dela mesmo e ali, ela novamente, tinha a sua certeza: Ela amava aquele homem acima de tudo em sua vida e, se um dia houvesse algo que os obrigassem a separar, ela iria preferir a morte.
- Eu te amo. – Sussurrou para ele, mesmo com a distância que ainda estavam.
- Eu te amo. – Ele sussurrou de volta, ambos aumentando ainda mais o sorriso.
Deu mais alguns passos e, enfim, estava frente a frente com ele. Eles sorriram cúmplices, os olhares penetrados daquela forma que só eles sabiam fazer. Olhos que gritavam ‘eu te amo, eu te quero, você é mais que tudo para mim…’
Delicadamente ele aproximou seus lábios da testa dela, um beijo delicado, suave, mas que demonstrava toda a emoção do momento. Após o beijo, uniram as testas, o sorriso mais uma vez ali e como não poderia deixar de ser, disseram ao mesmo tempo e com os olhos ainda fechados.
- Eu amo você!
Abriram os olhos em sua sincronia particular e viraram-se em direção ao Padre.
A cerimônia foi tão perfeita quanto todos imaginavam, sem imprevistos ou qualquer pessoa que viesse a dizer que aquele casamento não podia ser feito. Jamais algum convidado da festa viu um casamento tão perfeito. Já estavam na festa e a maior surpresa ainda não havia chegado.
- Boa noite. – A voz de soou na festa. – Eu queria pedir um pouco da atenção de vocês. – Todos se voltaram em direção a ele. , que estava conversando com alguns convidados, o olhou. – Esposa, será que você poderia vir aqui? – Todos sorriram da forma que ele falou.
- Pois não, marido. – Ela sorriu.
- Eu só queria dizer algumas palavras. – Ele virou-se em direção a ela. – , meu amor, minha vida, meu tudo… Eu queria te dizer, que você mudou a minha vida, meu mundo e tudo o mais que possa existir. Se tiver algo que eu agradeço a Deus, todos os dias, é por ele ter te colocado em minha vida. Com você eu sei que posso ir além, além de tudo. Sei que posso confiar em ti, não só nos momentos bons, mas nos ruins também. Sei que quando eu precisar de tua ajuda nas minhas fraquezas e traumas, você vai estar ao meu lado, sempre. Meu amor por você é o maior e mais puro que já vi, e tenha certeza, minha pequena, ele só tende a aumentar. Eu sempre vou amar esse seu jeito desastrado e organizado, sua calma e seu estresse repentino, essa menina mulher. Amo você grosseiramente fofa e, ao mesmo tempo, você como uma criança inocente. Amo sua imaginação e sonhos, amo quando você é desastrada até para abrir um pacote de pipoca e ri disso. E como eu dizia quando éramos apenas amigos: Eu te amo do tamanho do infinito vezes infinito, Minha Princesa.
Ele não precisava de respostas, ela sabia disso. A única coisa que fez foi beijá-lo. Um beijo com o gosto das lágrimas de felicidade derramada por ambos. Um beijo que poderia ser o último, mas sempre tinha gosto de primeiro. Um beijo como se não houvesse amanhã. Calmo e abrupto. Um beijo inesquecível como todos os outros.

***


Sabe aquele momento em que você sabe que já está acordada, mas não quer nem pensar em abrir os olhos? Seja por um sonho bom que teve ou apenas por preguiça mesmo? Era assim que estava naquele momento. Estava acordada, mas não queria abrir os olhos, porém tinha que abri-los, ou seu plano iria por água abaixo.
Abriu os olhos devagar para que a claridade não ferisse seus olhos e se deparou com as costas desnudas e musculosas de à sua frente. Estava dormindo em uma “conchinha inversa”, onde ela o abraçava por trás. Ela sorriu e levantou-se calmamente, sentando-se a cama. A última descoberta da sua vida fazia-a levantar bem mais lentamente que antes, onde poderia pular sem medo de cair. Olhou o rosto sereno de e sorriu levantando-se de vez. Pegou seu robe, vestiu-o e foi em direção ao quarto das crianças, que dormiam como anjos, pena que teria que acordá-las daqui a pouco.
Desceu as escadas e foi rapidamente em direção à cozinha. A surpresa seria feita logo ao café da manhã. Já tinha em mente tudo que iria fazer, só restava fazer. Enquanto preparava tudo, começou, como sempre, a pensar em sua vida. Fazia três meses que havia se casado.
Luna já estava com um ano, a festa dela foi feita há um mês, a pequena estava linda, não foi uma festa espalhafatosa, foi apenas para os amigos mais próximos e a família.
Jonah já estava com sete anos, foram completados quinze dias após o casamento dela, e do mesmo jeito que Luna, não teve uma comemoração muito grande. Apenas amigos da escola, da família e a família.
e , foi um dos amigos mais surpreendentes, há um mês haviam saído do Brasil. Califórnia era a moradia deles desde então. E para não surpresa de todos, já estava à espera de gêmeos.
e estavam no Japão há quinze dias e pelo último telefonema que havia feito, era uma viajem sem volta. Já estavam à procura de casa para morar e já havia abandonado a carreira de recepcionista para realizar o seu sonho: Modelagem. E pelo que via, ela teria um sucesso estonteante.
Por fim, ela e . Estavam muito bem casados, obrigada. A lua de mel deles havia sido na Inglaterra, em uma das casas que a Fernanda havia deixado para eles e foi lá que teve a grande ideia de se mudarem permanentemente e abrirem a própria maternidade no centro da cidade Inglesa. E assim foi feito, dali a um mês, estavam de mudanças para lá.
A convivência entre ela, o marido e os filhos, estava melhor impossível. Como diria o ditado: Se melhorar estraga. Para completar aquilo tudo, quando estavam voltando do aeroporto, da despedida do casal chocolate ( e ), eles encontraram um cãozinho abandonado próximo de casa e é claro que Luna e Jonah imploraram aos pais para poderem criar o coitadinho e é óbvio que eles deixaram. Então, para você não se perder nas contas, agora a casa estava com: , , Luna, Jonah e Freddie, o cachorro .
Despertando-se dos próprios devaneios, olhou para o relógio, o mesmo indicava que acordaria em vinte minutos, então, ela decidiu ir acordar as crianças. Já havia combinado com elas o que aconteceria, só precisava mesmo despertá-las.
E foi o que fez, acordou as crianças e desceu para terminar tudo de uma vez. Um prato, azeite e uma espécie de tampa para esconder o que havia feito no prato. Acessórios guardados em lugares estratégicos, as crianças já haviam descido, só faltava agora, .
Os exatos vinte minutos se passaram e como já suspeitava, desceu.
- Bom dia. – falou alegremente indo em direção à , que estava comendo morango e depositou-lhe um selinho. – Seu beijo já é maravilhoso e com morango então… – Ela sorriu audível do comentário e ele tomou a outra metade do morango que estava na mão dela. – Bom dia amores do pai. – aproximou-se dos pequenos e depositou um beijo na bochecha de cada um. – Que quê foi gente? Que silêncio é esse?
- Nada. – sorriu. – Não vai comer?
- Lógico, parece que tem um dragão no meu estômago. – Ele sorriu e sentou-se na bancada, tirou a ‘tampa’ que ali estava e ficou olhando sem acreditar no que via.
No prato, escrito com azeite, estava escrito: Pai.
Seus olhos marejados foram diretos para os de . A mesma estava com um sorriso abobalhado e em suas mãos, segurava um par de sapatinhos de bebê.
- Pa-pa… – Luna, que começava a dizer suas primeiras palavrinhas, o chamou, fazendo com que a olhasse, a mesma também estava com sapatinhos em mãos.
- Dois? – perguntou para , abrindo ainda mais o sorriso.
- Papai… – Jonah cantarolou e lá estava mais dois sapatinhos em sua mão.
Arthur gargalhou arqueando a cabeça para trás. Era isso mesmo que estava acontecendo? Sua esposa estava grávida?
Sem pensar duas vezes, ele deu a volta no balcão e a abraçou, girando-a no ar, lhe beijando docemente depois. Jonah, com Luna no colo, veio logo em seguida e Freddie correu em direção a eles.
Estava tudo muito lindo, tudo muito perfeito e eles até pareciam uma família de comercial de margarina, poderia ter música de fundo, até cair em si e perceber um pequeno, ou grande, detalhe.
- Espera, são trigêmeos?


FIM






Nota da autora (06/10/14): Acabou. Meu Deus, acabou! Bom, o que dizer nessas horas? Despedi-me de CBD não está sendo fácil, ela foi e sempre será meu xodó. Há um ano eu fui encorajada pela Tal para colocar ela aqui e, claro, nunca esperei que teria algum leitor. Hoje vejo como a fic cresceu, estando em primeiro lugar e sendo indicada em sites, com mais de 130 pessoas no Grupo. Meu Deus, eu não sei o que dizer. Eu só tenho a agradecer! A Tal, a minha Lila, a xiiiisGabiiiis, a Babs, Marida, Stelinda, Duda... Meninas, MUITO obrigada, se não fosse por vocês, eu não estaria aqui, literalmente. As minhas betas queridas, desculpem o trabalho e obrigada pelo encorajamento e a paciência. As minhas leitoras, eu não cansarei NUNCA de dizer: EU AMO VOCÊS, VOCÊS SÃO FODA! Obrigada por tudo gente, de verdade e do fundo do coração. P.S.: Não esqueçam de entrar no Grupo da Fic, lá também estão os links das minhas novas ideias. Sou eternamente grata. Beijos de uma Autora Emocionada.
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Nota da beta: Cara, acabooooou ): Muito obrigada Thay, pela fic linda *-* E não precisa agradeer, foi um prazer betar esta fic *-* Agora só digo uma coisa, eu quero o Jonah pra mim. Partiu fazer parte 2 comigo sequestrado ele? hahahah mentira :x rs Beeeeijos



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