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Última atualização: 22/09/17

CAPÍTULO 1


beijava meu pescoço quando ouvimos vários gritos e ele parou, foi até a janela e fechou a cortina.
- O que aconteceu? – levantei-me da cama e toquei no ombro dele.
Ele me olhou, possesso de raiva.
- Como essas vadias sabiam que nós estaríamos aqui? – perguntou.
Eu fiquei confusa por um breve momento, mas então deduzi que “as vadias” eram as fãs que estavam lá em baixo com faixas e cartazes gritando nosso nome.
- Não sei, mas você sabe como as notícias correm né, aqueles fãs que estavam no restaurante devem ter nos seguido e avisado algumas pessoas – falei – Mas tudo bem, só fingir que eles não estão aqui.
- É difícil com essa gritaria toda
Abracei-o.
- Você consegue. - disse
se esquivou do meu abraço e abriu a cortina.
- Eu quero que vocês vão todos pro inferno seus merdas! – gritou.
- , o que você ta fazendo?
- O que eu to fazendo? Esses merdas estragaram nossa noite!
- Se acalma. – tentei, mas eu sabia que ele não iria se acalmar
- Será que ninguém sabe o que significa privacidade não? – gritou mais uma vez pela janela.
Eu puxei a blusa dele o forçando a sair da janela.
- Você quer parar com isso? Eles só estão tentando conseguir atenção dos ídolos deles, é só a gente sair, acenar e talvez distribuir alguns autógrafos que eles vão embora.
- Eu to cansado disso, ! Lembra na semana na passada quando você estava na minha casa e duas imbecis invadiram meu quarto? Então, aquilo foi à gota d’água pra mim. – ele bufou – Eu quero que todos eles morram. Todos esses fãs de merda, e que seja uma morte bem lenta e dolorosa pra que eu possa rir da cara deles enquanto agonizam.
- para!
- Eu cansei deles, eu cansei de ouvir eu te amo umas mil vezes por dia ou ouvir umas retardadas falando que eu sou o marido delas, eu nunca me casaria com essas mal comidas do inferno! Se nem caras normais as querem por que eu iria querer? – ele voltou pra janela de novo – Ouviu? Vocês são um bando de mal comidos!
Bufei e o puxei de novo, depois tranquei a janela.
- Já chega! Eu sei que você está com raiva, mas xingar aquelas pessoas não vai adiantar em nada...
- Claro que adianta. Quem sabe eles não se tocam que são insignificantes e saiam daqui para irem se jogar de uma ponte. – ele me interrompeu.
- Não esqueça que você só chegou aonde chegou por causa de pessoas como as que estão lá em baixo agora gritando nossos nomes. – tentei comovê-lo.
- Eu to nem ai. Quero que todos eles morram.
Os gritos continuaram e dessa vez mais altos.
- Ok, vai tomar um banho, quem sabe assim você não se acalma. – sugeri puxando ele pela mão.
não se opôs e foi tomar banho sem dizer nada.

No dia seguinte

- ! vem aqui agora! – acordei com o gritando da sala e levantei correndo pra ver o que ele queria, pelo tom de voz dele e por ele não ter me chamado pelo apelido eu deduzi que ele estava bravo comigo.
O estava sentado no sofá com o notebook no colo, eu sentei do lado dele e o abracei.
- Bom dia pra você também,
Ele me empurrou para que eu parasse de abraçá-lo e eu fiquei sem reação.
- Assiste isso aqui – e mandou, apontando pra tela do notebook.
Eu olhei a tela sem entender nada e ele apertou play.
- O que é...
- Assiste, você vai adorar! – me interrompeu, falando em tom irônico.
Voltei à atenção para a tela, era um vídeo de ontem à noite. Mas o vídeo não tinha sido gravado lá em baixo por um dos fãs que o tinha xingado, nem por alguém de algum prédio vizinho do nosso hotel, muito menos por alguém que estava no quarto ao lado do nosso... Tinha sido filmado de dentro do nosso quarto.
Fiquei boquiaberta.
- Co-como filmaram ess...
- Agora lê da onde o site conseguiu o vídeo – me interrompeu de novo e saiu do vídeo para me mostrar o que o site tinha escrito sobre ele.
“O vídeo foi publicado numa das redes sociais da atriz ontem à noite com a seguinte legenda: “Esse é o cara que vocês amam?”, logo depois do ator e cantor ter xingado os fãs que estavam em frente ao hotel Bourbon, no qual e foram vistos entrando juntos.”
Eu me recusava acreditar no que estava lendo e nenhuma palavra conseguia sair da minha boca.
- Então, como eu tinha certeza que você ia falar que era mentira eu fui até seu perfil na internet e olha o que eu encontrei – ele me mostrou meu perfil e lá estava o vídeo com a legenda que o site tinha falado.
Tirei os olhos da tela do notebook e olhei para os olhos dele, tão e tão cheios de raiva.
- Ora, ora, para onde foi a garota que tinha uma resposta pra tudo? – perguntou ele sarcasticamente. – Será que você é tão idiota, , ao ponto de pensar que eu nunca descobriria que foi você?
Esforcei-me pra dizer alguma coisa, eu tinha que me defender.
- Mas não fui eu! – foi só o que conseguir dizer.
Ele gargalhou.
- Ok, o show acabou. Você já pode parar de atuar.
- Não estou atuando, ! Eu nunca faria isso.
Ele gargalhou de novo.
- Ah, então se não foi você, quem foi? – perguntou, mas eu não respondi – Viu, nem alguém pra acusar você tem.
Segurei sua mão, mas ele a soltou da minha e levantou-se.
- Eu juro que não fui eu, dou a minha palavra de que eu nunca faria algo nem parecido com isso.
fechou a mão em punho visivelmente irritado.
- Jura?
- Sim! Eu juro! – respondi.
Ele encarou o chão por alguns segundos, fechou os olhos, respirou fundo e, só então, voltou a me olhar.
- Mas que porra , só nós estávamos no quarto
- Eu sei, mas não fui eu...
- Supondo que não tenha sido, você não acha muito estranho o vídeo ter sido publicado exatamente na hora que eu fui tomar banho, e no seu perfil? – ele apontou para o notebook – Pode olhar a hora da publicação, .
Olhei a hora, ele estava certo, foi publicado dois minutos depois de o ter entrado no banheiro.
- Foi apenas uma...
- Se você disser que foi uma coincidência eu te arrebento.
Ele nunca tinha falado comigo daquele jeito.
- Você não seria capaz de fazer isso! – agora foi a minha vez de gritar.
Levantei-me e ele chegou bem perto de mim, depois segurou um dos meus braços com muita força.
- Do jeito como eu estou fora de mim hoje, seria capaz de fazer qualquer coisa. Até mesmo as que eu nunca faria: como bater em você.
- Me solta! – empurrei o peito dele.
segurou meu rosto e me fez olhá-lo nos olhos. Os olhos que queimavam como fogo de tanto ódio.
- Eu juro que você vai se arrepender por ter feito isso.
Ele soltou meu rosto e eu, num ato involuntário, o abracei chorando.
- , eu amo você, eu nunca faria isso, porque te amo!
soltou meus braços de volta da sua cintura, mas continuou segurando-os, dessa vez sem fazer força, depois me olhou nos olhos.
- Eu te amei, muito. – falou de uma forma doce, havia lágrimas em seus olhos – Mas isso foi imperdoável, você, definitivamente, acabou com a minha carreira...
- ... – tentei dizer alguma coisa, mas ele me interrompeu.
- E com o meu amor por você. – terminou de dizer, pegou o celular e saiu pela porta sem nem olhar para trás.
- ! – gritei, mas a porta já tinha sido fechada.

2 anos depois.

Abri os olhos, minha cabeça doía. Levantei-me e fui para a cozinha pegar um remédio.
Dei de cara com e me assustei.
- Cara, você me assustou!
riu.
- Desculpa, minha diva, eu só estava preparando um chá pra você – respondeu.
- eu odeio chá.
- Ah é, verdade – ele encarou a xícara, deu de ombros e depois voltou a me olhar – Então eu tomo.
Ri e fui pegar a caixa com remédios. não era só o meu empresário, era meu melhor amigo também.
- Sabe quem estava na festa da Hilary ontem? – puxou assunto.
- Antes de eu perguntar quem, preciso perguntar o que diabos você estava fazendo na festa da siliconada rainha do country?
Ele riu.
- Consegui um convite com o Sebastian, aquele ex-integrante do Drift que ta pegando a irmã da Hilary, sabe?! – explicou – E eu queria muito que você estivesse lá pra ver o vestido horrorosamente pink que a aniversariante tava usando, dava pra notar ela até em Plutão.
Gargalhei.
- É bem a cara da Hilary usar essas coisas bregas e chamativas – tomei um comprimido com água – Mas, quem estava na festa?
- O – ele falou – !
Aquele nome ainda significava alguma coisa para mim e ele ainda provocava um aceleramento no meu coração.
- O ?
- Sim, o ! – deu mais um gole do chá – Ele encheu a cara e mal conseguia andar.
- Sério?
- Eu fui tentar ajudá-lo quando ele caiu, e ele me mandou te falar uma coisa.
Por um segundo eu me permiti pensar que era algo como “eu sinto sua falta” ou “eu ainda amo você”, mas a resposta que o me deu em seguida foi totalmente avessa da que eu queria ouvir.
- Ele disse exatamente assim: “Fala pra aquela vadia da que se ela morrer pode ter certeza que fui eu quem matou”.
Ri.
- O não se cansa de dizer isso. – respondi – Ele me ligou na semana passada, completamente bêbado, e falou exatamente a mesma coisa.
riu.
- Ele mereceu o destino que teve! – falou. – Acho que eu não devia te contar isso, levando em consideração que você ainda sente alguma coisa por esse merda, mas na festa, depois de eu o ter ajudado e ele ter me mandado dar esse recado, eu conversei com o Sebastian, você sabe, eles eram melhores amigos e ele me contou que o não tem feito outra coisa além de beber ultimamente.
O sempre gostou de passar um pouco dos limites em relação à bebida vez ou outra com o Sebastian ou comigo, mas ficar bêbado toda hora, isso ele nunca fez.
- Não sabia que a coisa tinha chegado nesse ponto. – respondi por fim – Quer dizer, vi algumas notas na internet sobre alguns porres dele, mas não achei que fosse tão freqüente.
- Pois é, nem eu.
Peguei mais um copo de água.
- E quem falou pra você que eu ainda sinto alguma coisa pelo ?
- A sua foto com ele no porta retrato que está na sua estante – respondeu e eu revirei os olhos – Ok, eu vou mudar de assunto!

Eu tinha um comercial de perfume para gravar e era pra chegar cedo, então me arrumei correndo pra que desse tempo de passar em alguma padaria pra tomar café.
- Eu quero casar com aquele pão de queijo! – já no carro, comentou sobre o melhor pão de queijo que a gente comeu.
- Entra na fila porque eu também quero. – brinquei – Temos quanto tempo?
- Uns trinta minutos até eles começarem a reclamar que você está atrasada – respondeu – Mas tudo bem, nenhuma câmera vai ser ligada se você não estiver lá, então eles que esperem o tempo que for preciso!
Ri.
O trânsito estava um caos, ninguém saia do lugar.
- O que está acontecendo hoje, em? – estava incomodado com a demora.
- Parece que eles tiveram que interditar um pedaço da rua por causa de umas reformas – o motorista respondeu.
- Mas que droga em – resmungou.
Eu fiquei olhando a janela esperando que o tempo passasse, até que eu vi alguém que me parecia familiar.
- , olha aquele cara ali deitado no banco – apontei.
- Esses mendigos bêbados, ficam sujando a cidade!
- Não , não é um mendigo, ta arrumado demais pra ser um – observei mais um pouco – Ele me parece familiar.
também deu uma boa olhada.
- Pra mim não, eu não conheço esse tipo de gente.
- Ai cala a boca – falei, mas depois ri pra parecer que não tinha sido sério e ele riu também.
O cara se virou pro lado para se ajeitar no banco e deu pra ver seu rosto, imediatamente eu arregalei os olhos.
- é o ! – gritei.
Ele olhou pela janela pra ter certeza de que eu não estava viajando, depois se ajeitou no banco do carro de novo e voltou a mexer no celular.
- É, pior que é ele mesmo – e falou sem se importar.
- Vamos ajudar ele – pedi
- O que? Não!
- Por que não?
- , ele te odeia mais do que qualquer um no mundo... – começou, mas eu o interrompi.
- Mas isso não quer dizer que a gente tem que deixar ele no jeito que ele está. – argumentei – , ele ta longe de casa e, se ainda não foi assaltado, vai ser daqui a pouco.
respirou fundo.
- O que eu não faço por você, em?! – falou e depois se encostou ao banco da frente pro motorista ouvir ele – Markus, eu quero que você faça o balão e estacione o mais perto possível daquele banco ali com aquele cara de cabelo jogado nele, eu sei que o trânsito ta complicado, mas tente fazer isso o mais rápido possível.
- Sim senhor – Markus respondeu e eu abri a porta do carro.
veio logo atrás de mim, que sai correndo pela rua sem se importar com os carros.
- Não é porque ta tudo parado que você tem que atravessar a rua sem olhar. – gritou.
Fingi que nem ouvi o que ele disse e parei na frente do banco que o estava. Ele cheirava a bebida ,e vômito também, e estava abraçado com uma garrafa quase vazia de vodca.
- ? – chamei.
Ele abriu os olhos com dificuldade e tossiu.
- ?
- Caramba, como ele ta fedendo! – chegou ofegante.
- Me ajuda aqui – pedi
- Eu não vou tocar nele, tem vômito por toda parte.
- Deixa de frescura e me ajuda a levantar ele – mandei.
- Eu não quero sua ajuda – disse com dificuldade.
Olhei no rosto dele e havia também um pouco de sangue, ele deve ter arrumado alguma confusão.
- Viu, ele disse que não quer a nossa ajuda, então podemos ir antes que você se atrase pro comercial – falou já se preparando pra ir embora.
- Esquece essa porra de comercial e me ajuda – gritei o tava me irritando.
Ele cruzou os braços, irredutível.
- Mas ele não quer nossa ajuda!
- Não quer, mas precisa – rebati e ele ficou quieto.
me ajudou a levantar o , que vomitou em mim segundos depois.
- Olha ai, como você vai gravar o...
- Se você disser a palavra comercial mais uma vez... – o interrompi
- Tá, tá, já entendi – e ele me interrompeu. – Cadê o Markus com a porcaria do carro em?!
- Eu odeio você disse antes de vomitar de novo, só que dessa vez no chão.
- Eu já sei disso – respondi.
O motorista parou o carro bem perto e saiu correndo pra nos ajudar. e Markus conseguiram tirar o do banco, que foi andando com dificuldade e apoiado nos dois, eu abri a porta de trás e eles deitaram o
lá, eu também entrei atrás e coloquei a cabeça dele em cima da minha perna.
- Vamos ir para o hospital? – o motorista perguntou.
- Não, ele só tomou um porre mesmo, isso se cura com um banho bem gelado – falou – Nos leve pra casa dele, a sabe te explicar onde fica.
Eu expliquei pro motorista como chegava lá e ele foi seguindo o caminho.
- Olha o estado como o carro ta, , esse cheiro vai ficar eternamente impregnado no banco – resmungou .
- Eu te dou outro carro
- Vou cobrar! – ele virou pra trás para olhar pra mim. – Acho que nem voltou pra casa depois da festa da Hilary, ele ainda está usando o mesmo terno azul de ontem.
- Como ele chegou nesse ponto? – perguntei olhando pra ele e mexendo em seu cabelo.
- Não falem de mim como se eu não estivesse presente - resmungou .
- Nossa, fica com a boca fechada , o cheiro de cachaça veio aqui na frente – reclamou tampando o nariz.
- Não é cachaça, é vodca, e da mais cara – explicou com aquela voz mole – Falando nisso, cadê minha garrafa?
- Ela ficou pra trás – respondi.
- Caralho em , tinha vodca ainda – ele disse e eu respirei fundo pra não o mandar tomar no cu – Sua vadia.
me encarou.
- Ele não merece ajuda, sério mesmo. – respirou fundo – Minha vontade é de matar esse merda porque a existência dele é totalmente desnecessária.
- Por que você não tenta seu viado de merda? – provocou
- Do jeito ridículo que você se encontra não seria muito difícil. – rebateu.
- Chega vocês dois. – mandei – Markus é aqui!
Markus parou o carro e abriu a porta de trás, sai primeiro e os dois ajudaram o a sair.
- Markus, você pode ir, obrigada pela ajuda – falei passando um braço do por trás do meu pescoço.
- A gente liga se precisar de você – disse – E tenta tirar esse cheiro repugnante do carro, não importa quanto vai custar.
- Sim, senhor.
Entramos no prédio e o porteiro nos encarou, mas não disse nada, depois voltou a folhear a revista. Eu entendi aquele gesto como uma forma um tanto que grosseira de dizer que a gente podia subir.
No elevador soltamos o para descansarmos, depois de ter que levar tanto peso, e ele ficou sentado no chão.
- Eu preciso do número do andar e a chave da casa – falou .
Eu me abaixei e comecei a mexer nos bolsos dele a procura das chaves que, felizmente, estava no bolso direito. Entreguei para o .
- É o décimo andar – respondi.
apertou no 10 e em alguns segundos já chegamos no andar dele.
- Cara, que espetáculo de apartamento, também quero um assim! – falou depois de termos aberto a porta e entrado no apartamento– Só que o meu não vai estar bagunçado assim.
- Vai ficar analisando o apartamento ou vai me ajudar a levar o pro banheiro? – chamei a atenção dele.
veio me ajudar, mas se levantou sozinho.
- Eu não preciso de ajuda – falou – E pra você é , sua puta.
- Até o fim do dia eu juro que bato nele, disse pra mim e eu fiz um sinal de positivo.
quase caiu, mas eu o segurei.
- Não precisa de ajuda o caralho, olha seu estado! – rebati e o levei pro banheiro.
- Precisa de alguma coisa? – perguntou na porta do banheiro.
- Só umas roupas limpas pra ele. Procura lá no closet – pedi e ele saiu da porta.
Ajudei o a tirar a roupa dele, exceto pela boxer branca, liguei o chuveiro bem gelado e o enfiei de baixo da ducha.
- Caralho, isso ta muito gelado porra! – ele gritou.
- Aqui as roupas – – Eu vou ir lá na sala para ligar avisando que você não vai gravar o comercial hoje.
- Ok.
se jogou na banheira, depois olhou pra mim.
- Por que você não vai gravar o comercial? – e perguntou.
- Porque eu encontrei você no meio do caminho.
Ele riu.
- Eu não precisava da sua ajuda, poderia muito bem levantar e vir andando até aqui.
- Aham, claro que poderia – ironizei. - O que aconteceu com seu rosto?
Ele passou a mão na testa, viu o sangue na mão e fez uma careta.
- Uns pivetinhos de merda tentaram me assaltar e eu reagi. – e explicou.
Ri.
- Ora, ora, , você apanhou de crianças?
Ele me encarou.
- Eu não apanhei dos pivetes, apanhei dos caras que estavam com eles.
Balancei a cabeça negativamente e disse:
- Eles poderiam estar armados e ter matado você por ter reagido.
fechou os olhos e deitou a cabeça na lateral da banheira.
- Se quer saber, eles teriam me feito um favor. – e murmurou.
Ouvir aquilo dele foi pior do que quando ele me disse que eu acabei com o amor dele por mim. Não me contive e tirei um pouco de cabelo que estava cobrindo parte dos olhos fechados.
- Precisa de mais alguma coisa? – deixei minha mão segurando o rosto dele.
- Só que você vá embora. – ele disse – Pra sempre.
Respirei fundo e me levantei, eu queria tanto beijá-lo, mas eu não podia. Então eu fui embora com o coração apertado, querendo ficar

CAPÍTULO 2


Fomos nos sentar na pracinha em frente ao prédio até que o Markus chegasse com o carro.
- Não sei qual é o seu problema, , o cara é um ingrato – começou – Ele nem ao menos disse obrigado.
- A culpa é minha.
- A culpa é sua pelo que? – ele ficou confuso.
- Até que se prove o contrário, fui eu quem publicou aquele vídeo que acabou com a carreira dele. – meus olhos se encheram de lágrimas.
- Pra começo de conversa, não foi o vídeo que acabou com a carreira dele, foi ele mesmo que fez isso! Tem famoso que só falta cagar nos fãs que eles continuam idolatrando-o, depois de um tempo aquele vídeo ia ser esquecido, mas o começou a encher a cara e é por isso que foi expulso da banda e que não foi mais chamado pra fazer filmes. – segurou minha mão – E não foi você que publicou aquilo.
Comecei a chorar.
- Mas, mesmo assim, pro fui eu e ele me odeia – limpei algumas lágrimas – E ver ele naquele estado foi uma das coisas mais difíceis pra mim.
- Meu Deus! ! – ouvi uma voz feminina gritar – Eu não posso acreditar, eu amo você, você é minha diva, por favor, tira uma foto comigo!
a encarou.
- Você não percebeu que é uma péssima hora e que está sendo inconveniente? – e disse.
- Ai meu Deus, você ta chorando? O que aconteceu ? Eu faço qualquer coisa pra que você fique bem!
Apesar de ela ser um pouco inconveniente, eu achei bonitinho sua preocupação e sorri.
- Ta tudo bem, eu posso tirar a foto com você. – respondi e ela se sentou do meu lado com as mãos trêmulas.
O pegou o celular dela e tirou uma foto nossa depois ela perguntou de novo se eu estava bem, eu respondi que sim, e ela foi embora toda feliz.
- Esses fãs aparecem nas horas mais inconvenientes – reclamou ele. – Não sei como você tem paciência.
- , qual vai ser a chance dela me ver de novo? Não tem problema, eu até gostei.
Markus buzinou e nós fomos para o carro.
- Da próxima vez me chama pra ajudar a tirar a roupa dele – puxou assunto, me fazendo rir.
- Deixa de ser safado!

Já em casa, a primeira coisa que fiz foi entrar no banho. Enquanto a água quente caia, eu só conseguia pensar no jogado naquele banco, e em como eu, tecnicamente, era responsável por aquilo. Também me permiti pensar em como estaríamos hoje se aquele vídeo nem tivesse sido gravado, será que ainda estaríamos juntos? E se estivéssemos, o que estaríamos fazendo nesse momento?
Sai do banho, me troquei e fui direto para geladeira procurando alguma coisa para comer de almoço. Minha empregada, Jenna, estava de folga e o tirou uma folga de mim (como ele mesmo disse brincando), porque eu já o tinha feito passar por muita coisa hoje, e foi almoçar com a mãe dele.
Sentei no sofá da sala comendo uma pizza de microondas e peguei meu notebook. Tentei enganar a mim mesma pensando que eu só ia dar umas atualizadas nas redes sociais, checar uns e-mails e pronto, mas a verdade era que eu queria saber se alguma coisa foi publicada sobre o , seja sobre ontem na festa da Hilary, ou hoje, jogado no banco todo vomitado.
“Que o iria encher a cara na festa da Hilary Manson todos nós já sabíamos, afinal, não precisa ser nenhum vidente pra saber que em qualquer oportunidade e em qualquer lugar vai encher a cara... MAS, não é sobre a bebedeira dele na festa da rainha do country que eu vim falar, é sobre um acontecimento inusitado que ocorreu nessa manhã.
Bem, eu nem preciso dizer o quanto o odeia desde quando a ex (que na época não era ex) publicou aquele vídeo que afundou a carreira dele. Mas sabem o que os paparazzi do GF acharam hoje pela manhã?Vejam com seus próprios olhos as imagens a seguir”
Estava escrito no blog gente famosa, eu sabia que eles iriam publicar algo sobre isso, só não sabia que eles seriam tão cruéis com ele.
Fui rolando para baixo e vendo as fotos, tinham dez, que começavam com o jogado no banco sozinho até a parte que o levamos pra dentro do carro. O ia querer me matar quando visse aquilo.
Tinha mais um comentário de baixo das fotos:
“Mas que feio que ficou pro em?! Ter que ser levado pra casa pela ex e mais dois caras HAHAHAHAHAHA Me sinto envergonhado por ele”.
Caramba, como eles são rápidos, quer dizer, ainda era uma hora da tarde e o negócio tinha acontecido de manhã. Quando o ler vai querer botar fogo em mim e era bom eu me preparar par o combate.

23:30 daquele mesmo dia.

Coloquei os brincos correndo e quase cai quando colocava o sapato de salto enquanto andava pelo quarto ao mesmo tempo atrás do meu celular.
O interfone tocou e eu fui correndo até a cozinha pra atender.
- Senhorita , o motorista já está a sua espera – disse o porteiro.
- Ah, obrigada por avisar – desliguei o interfone e fui pegar minha bolsa na velocidade da luz.
Desci e entrei no carro correndo. Era a festa de 22 anos da Samara, ela era a irmã mais nova do Sebastian, eu a conheci na época em que o era vocalista do Drift e o Sebastian era o baterista, então nós sempre saíamos juntos e ela acabou se tornando uma das minhas melhores amigas. A festa era a fantasia e eu estava de Alice no país das maravilhas.
Por sorte, o lugar nem era tão longe da onde eu morava e eu nem estava tão atrasada assim, mas tem toda essa questão do trânsito demorado, que é aonde você acaba se atrasando.
O carro parou, nós já estávamos na frente do salão, exatamente meia hora depois de eu ter saído de casa. Eu agradeci o motorista e sai do carro, sendo recebida por milhões de flashes logo em seguida e eu quase fiquei cega.
- ! Meu Deus você veio! – Samara, que estava vestida de Cinderela, me abraçou logo depois que eu deixei meu presente na mesa de presentes – Eu pensei que você não viria.
Fiquei confusa.
- Ué, como assim eu iria deixar de vir? – e perguntei.
Ela deu uma olhada em volta antes de me responder.
- Por causa do... Você sabe.
Por causa do , caramba, eu nem tinha pensado nisso.
- Ele está ai? – quis saber.
- Aham, e o restante dos integrantes do Drift também – explicou – Eles vão tocar hoje.
Fiquei surpresa, fazia muito tempo que eu não via o Drift se apresentar.
- Isso é Sério? Quer dizer que eles voltaram?
Ela fez uma cara meio triste.
- Na verdade não, eles só vão tocar porque eu pedi – respondeu.
Fiz a mesma expressão que ela.
- Ah, que pena, eu queria muito que eles voltassem – falei – Mas, feliz aniversário Cinderela!
- Obrigada Alice. - Samara me abraçou e teve que ir correndo receber os outros convidados.
Eu fui direto para a parte do bar pegar uma bebida, a decoração estava fantástica, eu me senti como se eu estivesse em um verdadeiro conto de fadas. Mas meu conto de fadas passou para um filme de terror quando eu vi o próximo da onde eu estava... Bebendo.
Meu celular tocou.
- Alô?
- ! Me conta tudo sobre essa festa - era o no telefone – Quero saber cada detalhe, qual fantasia cada convidado está vestindo e até a decoração.
Respirei fundo e ri.
- Bem, vamos começar então – olhei em volta – A Sasha Greyson ta fantasiada de pavão, tem umas penas pink... É a coisa mais feia que eu já vi na vida.
gargalhou.
- Devia ter ido de roleta de ônibus, porque é tão rodada quanto!
E eu gargalhei junto com ele.
- O Harald Benson ta de Mario Bross. – continuei.
- Por favor, me diga que ele não combinou fantasia com a namorada dele. – disse .
Ri.
- Desculpe, combinou sim, ela está de Peach.
- Eu gosto tanto da Peach pra uma horrorosa como a Ramona se fantasiar dela! – o era viciado em Mario Bross.
- E o ... – falei, mas parei antes de completar a frase.
- Eu não acredito que ele ta ai! – gritou.
- Está sim, e parece que o Drift vai ressurgir das trevas hoje para fazer um show especial. – contei.
- Não, sério?! Como eu queria estar ai, certeza que o vai dar um vexame cantando bêbado – praguejou - Mas me conta, do que ele ta vestido? De bêbado? Ah não, ele já se fantasia assim normalmente.
Eu tive que rir disso.
- Ele está de Capitão América. E você nem imagina o quanto ele está gostoso nesse uniforme.
gargalhou.
- Imagino! – pausa – E ele ta bebendo?
- Aham, que raiva – parei de falar quando o barman me deu minha bebida – Hoje de manhã ele tava jogado num banco extremamente bêbado e agora ta aqui de novo enchendo a cara.
- Vê se não vai falar com ele, porque você sabe... O barraco vai acontecer e...
- Relaxa, eu não vou ir falar com ele – disse – Não agora.
-! Me prometa que você não vai falar com ele a festa inteira!
- Prometo – disse cruzando os dedos.
- Assim é melhor.
Ri e desliguei o telefone. Promessas de dedos cruzados não precisam ser cumpridas.
Fiquei sentada olhando o movimento e, vez ou outra, olhando o que o estava fazendo. Era uma dose atrás da outra de várias bebidas, ele estava querendo se matar e, no mínimo, ele ia ter que ser carregado quando saísse daqui e isso estava me irritando.
- ! – uma voz masculina chamou e eu tirei minha atenção do para ver quem era. – Lembra de mim?
Era claro que eu me lembrava daquele cara fantasiado de Thor... Benson, meu ex-namorado.
- ?!
Ele riu.
- Eu mesmo. – respondeu – Quanto tempo.
- Pois é! – concordei – O que você está fazendo aqui?
Ele riu de novo.
- Organizando a festa – disse – E, vou confessar, fiquei muito feliz quando vi seu nome na lista de convidados.
Corei e sorri pra disfarçar
- E eu nem sonhava em encontrar você aqui. – admiti.
pediu uma bebida.
- Tenho ouvido muito sobre você, parece que no final do ano começa a gravar um filme, certo? – ele puxou assunto.
- Na verdade as coisas não estão muito certas, mas, eu espero que sim.
- Eu amava aquele seriado que você fazia – falou.
- As Desventuras do amor? É eu sinto falta dele – admiti – Mas, depois de cinco temporadas não tinha mais histórias pra contar e, se continuasse, ia acabar ficando uma coisa chata.
Ele balançou a cabeça afirmativamente.
- Sim, claro, uma hora tem que acabar né?! – pausa – Mas, se quisessem continuar, eu não me importaria de continuar assistindo, desde que você ainda fizesse parte do elenco.
Corei de novo.
- Para, o resto do elenco era ótimo! – protestei.
- Digamos que eu só assistia o seriado pra ver você, e pulava as partes que você não aparecia.
- Isso quer dizer que você não assistiu a segunda temporada? – perguntei.
Na segunda temporada de “As desventuras do amor” eu tive que sair, porque foi nessa época que aconteceu aquele rolo com o e eu fiquei tão abalada que suspendi a maioria dos trabalhos que eu estava fazendo parte por não conseguir pensar em outra coisa. Por sorte, meu diretor Chistopher, conseguiu arranjar um meio de a minha personagem malvada ficar uma temporada inteira sem aparecer.
- Isso mesmo!
Fiquei boquiaberta.
- Mas então você não entendeu merda nenhuma! – supus.
- Eu não precisava.
Rimos.
- , temos um problema – uma mulher vestida de mulher gato e uma prancheta na mão tocou o ombro dele.
Ele me olhou sorrindo.
- O dever me chama – e falou.
- Ok. – respondi.
- Foi muito bom te reencontrar – falou ele, depois saiu.
Encontrar tinha sido bom, eu tenho que admitir, ele era um ótimo namorado e eu não tenho o que reclamar dele. Mas, então, eu conheci o e o jeito badboy dele atraiu minha atenção e me fez perceber que, na verdade, eu não era apaixonada pelo como eu pensava... Dois meses depois de conhecer , eu terminei com o e no mês seguinte eu e começamos a namorar.
Às vezes eu me pegava pensando se o já chegou a supor que eu terminei com ele por causa do . Quer dizer, não que isso fizesse diferença, mas pra mim era melhor ele pensar que nosso namoro acabou porque acabou mesmo do que pensar que acabou porque eu tinha me apaixonado por outro cara (mesmo que essa seja a verdade). Eu ainda tinha um carinho pelo e eu não queria que ele se sentisse muito pior do que eu o fiz se sentir quando terminei com ele, mesmo que isso já faça muito tempo.
- ? – uma voz masculina me chamou por cima dos meus ombros.
Virei à cadeira do bar para olhar quem me chamava, era um dos repórteres daquela revista, a GF, que também tinha um blog.
- Sim. – respondi.
Ele era alto e tinha cabelos cacheados castanho escuros, aparentava ter seus trinta e poucos anos.
- Meu nome é John, eu sou repórter da GF e gostaria de fazer algumas perguntas, é para a revista – pediu educadamente.
Por mais simpático que ele estivesse sendo, eu sabia que as perguntas que ele iria fazer iam praticamente me obrigar a ser grosseira.
- Se for sobre o que aconteceu nessa manhã, nem insista porque eu não vou falar nada. – respondi.
John respirou fundo.
- Eu juro que são só algumas perguntas – insistiu – Acho que os fãs gostariam de saber o que te levou a ajudá-lo...
- Ok, vocês querem uma resposta sobre o que me levou a ajudá-lo? Então ai vai – respirei fundo para continuar e ele rapidamente pegou o papel e a caneta para anotar – Não interessa nem a vocês da GF nem a ninguém! – terminei de falar e me levantei sem esperar qualquer resposta.
Me dirigi com meu copo de vodca com mais alguma coisa que eu não tinha ideia do que era para a porta que dava pro lado de fora do salão, tinha algumas pessoas perto da porta, mas eu fui em direção ao banco mais afastado. Tomei o resto de vodca que tinha no copo quando me sentei, era o terceiro que eu tinha tomado desde que tinha chegado à festa e eu estava naquele estágio que você começa a ficar alegrinha.
Fiquei olhando o céu e pensando se o que eu falei pro repórter da GF era efeito da minha raiva da imprensa por tornar a vida do uma droga, que eu já vinha guardado de dois anos pra cá, ou era porque a bebida já estava fazendo efeito e acabando com o meu autocontrole. A resposta eu não sabia, mas agüentar a imprensa no meu pé, principalmente hoje, querendo saber cada detalhe do que aconteceu mais cedo não estava nos meus planos para essa noite... Assim como encontrar e também não estava.
Tirei a atenção do céu no momento exato que o Thor/ passou pela porta com uma garrafa de alguma coisa na mão, me viu e sorriu, depois veio vindo na minha direção.
- Mas quem é que deixou a Alice sozinha assim aqui fora? – brincou ele.
Eu sorri.
- Já resolveu seu problema, Thor? – perguntei entrando na brincadeira.
sorriu também.
- Sim, esses penetras fazem de tudo pra irem à festa de famosos – confessou – Mas ainda bem que eu consigo convencer as pessoas e, assim, fazer com que eles fossem embora por livre e espontânea vontade antes que os seguranças os tirassem a força, e ai já sabe né, as revistas só iam falar disso e ninguém aqui quer um escândalo.
Balancei a cabeça afirmativamente.
- Puxa, então você salvou o dia hoje com sua lábia! – falei e ele riu.
- Sim, eu sou um verdadeiro herói, não é mesmo? –e perguntou.
- Com certeza! E dos melhores. – respondi sorrindo.
Ele olhou alguns segundos para a garrafa antes de voltar a me olhar.
- Quer champanhe? – e ofereceu.
Eu fiz que sim e ele me passou a garrafa.
- Eu não sabia que iria te encontrar no caminho, por isso só estou com uma taça, mas você pode beber nela – ele foi me passar à taça, mas eu recusei e bebi o champanhe no bico mesmo.
Ofereci a garrafa para ele e ficou olhando pra ela e depois pra mim, mas não a pegou.
- Não me diga que você tem essa de não querer beber numa garrafa que outra pessoa já botou a boca? – falei e ele pegou a garrafa, mas não a bebeu – Qual é, nós nos beijamos por um ano e meio, você ingeriu mais baba minha do que vai ingerir se beber nessa garrafa.
gargalhou.
- Não é nada disso, – disse por fim – É que ficar bêbado em serviço não é uma coisa da qual eu costume fazer.
Revirei os olhos.
- Então, se você não ia beber o que estava fazendo com essa garrafa? – quis saber.
- Ia levar para uma pessoa. – respondeu ele.
- Hummm... Uma pessoa? – maliciei.
bufou.
- Você entendeu tudo errado – pausa – Cassyd Johnson me subornou e me intimou a conseguiu uma garrafa de champanhe só para ela, já que os garçons estavam demorando de mais com as taças e ela tinha pressa em beber.
Gargalhei. Cassyd Johnson era uma apresentadora de TV que adorava ficar de fogo em festas.
- Ops, então quer dizer que ela vai continuar esperando. – peguei a garrafa da mão dele e dei mais um gole – Porque essa aqui já é minha!
gargalhou.
- Vai com calma – e depois pediu.
- Se você não me ajudar, eu vou bebê-la inteira – dei mais uma golada – E nós não queremos isso não é mesmo?!
Ele pegou a garrafa da minha mão, deu um gole demorado e olhou pra mim logo depois que tirou a garrafa da boca.
- Satisfeita, moçinha?
Fiz que sim com a cabeça e ele deu mais um gole.
- Me sinto tão mal, afinal eu acabei de induzi-lo a beber em serviço – falei brincando.
abriu um sorriso, o sorriso que eu mais gostava dele.
- Eu não fui induzido! Mas, se tivesse sido, não me importaria porque foi você quem me induziu.
Eu desviei o olhar dele envergonhada e quando fui pegar a garrafa para dar mais um gole, ele a escondeu atrás dele.
- Você só bebe mais com uma condição – falou.
- Eu aceito, agora me dá – respondi gargalhando.
- Aceita mesmo? – ele quis confirmar.
- Sim – fitei-o, ele estava com uma expressão maliciosa. – Mas o que eu aceitei mesmo?
Ele deu um sorriso malicioso, segurou meu rosto com uma mão, chegou mais perto de mim e colocou a boca perto da minha orelha, me fazendo arrepiar inteira ao sentir o ar quente do seu hálito quando disse:
- Isso – e me beijou.
Em nenhum segundo eu pensei em fazê-lo parar, pelo contrário, eu queria que ele continuasse e não parasse até que eu não conseguisse mais respirar. Passei meus braços pelo pescoço dele e ele colocou delicadamente suas duas mãos na minha cintura.
Alguns minutos depois ele quebrou o beijo.
- Mas que droga , na melhor parte? – resmunguei.
Ele riu.
- É melhor eu voltar, um segundo de descuido e a festa vem a baixo – justificou, depois me deu um selinho e se levantou – E você vem junto.
- Ah não, aqui ta bom – falei – Nada de repórteres fazendo perguntas inconvenientes ou algo do tipo.
pegou na minha mão e me obrigou a levantar.
- Você consegue enfrentá-los, sempre fez isso. – passou o braço por trás do meu pescoço e começou a andar me fazendo ir junto.
Eu sorri e ele tirou o braço quando se aproximamos da porta, para que ninguém visse, eu acho, e saiu para outro lugar quando entramos no salão.
Dirigi-me pro bar, e vi pela movimentação que o parabéns ia ser cantado.
- Galera, hora de cantar parabéns para minha irmãzinha favorita – Sebastian disse no microfone em cima do palco, logo depois fez Samara subir com ele. – Há 22 anos atrás nascia uma pirralhinha que iria infernizar minha vida eternamente e que me tirou do posto de filho único.
Todo mundo gargalhou, e o Sebastian continuou com o discurso de como ele a amava muito, que só queria o melhor pra ela e todo esse blá blá blá de festas de aniversário. O bolo azul celeste gigante foi levado para o centro do salão e eu sai do bar para chegar mais perto.
Dois ex- integrantes do Drift subiram no palco, e foram se preparando para tocar, subiu logo em seguida e meu coração acelerou quando eu vi aquele cara vestido de Capitão América pegando o microfone.
O parabéns começou a ser cantado, eu cantei também, depois veio o com quem será e, claro, todo mundo falou o nome do namorado dela.
- Essa noite não é especial só pelo fato de que minha irmãzinha está ficando mais velha – Sebastian começou – É também o dia em que o Drift vai fazer o seu primeiro show depois de dois anos separados. – os gritos começaram.
- É muito bom poder estar com meus velhos amigos juntos de novo como na época do Drift, mesmo que por uma noite – Sebastian admitiu e passou o microfone para o , que sorriu.
Eu pude ver as pessoas cochichando e até ouvi uma mulher dizendo: “Ele não é aquele cara do vídeo?”, gostaria de ir meter a mão na cara dela, mas o pouco autocontrole que me sobrou conseguiu me impedir.
estava feliz, eu consegui ver isso, o Drift era a vida dele. Eu me lembro que ele sempre costumava dizer: “Existem apenas duas coisas que eu amo incondicionalmente na vida, o Drift e você”. Fico pensando como foi pra ele ter perdido essas duas coisas, primeiro eu que, para ele, o traí publicando aquele vídeo e depois o Drift, que ele teve que sair porque entrou em depressão e começou a beber, no começo o Sebastian até que tentou ir levando a banda, mas o não ia aos shows, ficava em bares ao invés de ir ensaiar e, então, eles chegaram à conclusão de que não dava pra continuar como estavam e que a banda sem o não seria a mesma coisa, então eles se separaram, mas sem brigas nem nada. E como eu sei de tudo isso? Sebastian contava para Samara que contava pra mim.
Ele corria pelo palco, cantava, pulava, exatamente como antes. O meu estava de volta, mesmo que só por uma música. Foi só quando a música acabou e ele agradeceu a platéia, que eu percebi que estava chorando, eu sequei rapidamente as lágrimas antes que alguém visse e procurei sorrir. desceu do palco e um monte de pessoas foi cumprimentá-lo, eu ouvi algumas dizendo o quanto ele tinha cantado bem e quase eu mesma fui lá pular nos braços dele e dizer que ele tinha sido sensacional, como sempre fazia depois dos shows.
Vi o mesmo repórter da GF que veio falar comigo conversando com e pedi mentalmente a Deus que ele só fosse perguntar de como tinha sido pra ele se apresentar com o Drift depois de dois anos, e fui andando para o bar em passos largos. Comi rapidamente o bolo que eu peguei da bandeja de um garçom pelo caminho, e depois tomei mais dois copos daquele negócio que eu tinha bebido no começo que eu só sabia que tinha vodca, mas que era muito bom.
Continuei na minha quando alguém agarrou meu braço com força.
- Precisamos conversar, agora! – gritou no meu ouvido ou por causa da música muito alta, ou porque ele estava com raiva ou um pouco dos dois.
- Me solta! – gritei de volta.
Ele apertou mais meu braço.
- Eu encontro você no quarto da dispensa em cinco minutos, e é bom que esteja lá! – dito isso, saiu andando em passos largos pelo salão.
Seja lá sobre o que ele queria conversar comigo, eu sabia que era algo bem ruim e que iríamos brigar... Mais uma vez.
Tratei de me apressar para ir a tal dispensa, antes que ele voltasse e desse um escândalo em público. Tomei o resto de bebida do copo e fui até o lado de fora, a dispensa ficava numa parte mais afastada do lugar e eu não sabia como ele tinha conseguido a chave. As coisas estavam girando um pouco e eu devia estar andando trançando as pernas, mas tentei não me importar com isso e me concentrar em achar o lugar.
Parei em frente a uma porta, parecia ser uma dispensa, mas eu não tinha certeza. Me virei de costas para porta para olhar em volta e ver se tinha outra porta, e foi nessa hora que fui puxada pra dentro.
A luz estava acesa, era um quarto pequeno e tinha umas vassouras no canto. trancou a porta e depois me encarou.
- Você não cansa mesmo – a frase saiu como um rosnado da sua boca.
Arregalei os olhos, ele ia me matar ali mesmo.
- Não me canso do que? – criei coragem para perguntar, e a pergunta o irritou mais ainda.
- “Não me canso do que?” – ele repetiu tentando imitar minha voz – Não se faça de boba! – e gritou.
Eu engoli em seco e fiquei quieta.
- Você não se cansa de destruir minha vida mesmo não é?! – ele agarrou meu braço com força e me empurrou na parede – Certeza que foi você quem pagou um paparazzo da GF para fotografar você me ajudando.
Algumas lágrimas começaram a se formar nos meus olhos.
- Por que faria isso? – perguntei.
- Não sei, me responde você! – ele se aproximou do meu rosto – Você deve sentir um prazer tão grande em me ver na pior, não é mesmo ?
Engoli o choro e continuei encarando-o.
- E você deve ter uma mania de perseguição tão elevada ao ponto de achar que eu contrataria um cara pra tirar fotos que sujariam sua imagem – retruquei – Mais do que já está.
Essa última frase incitou mais ainda a raiva que crescia dentro dele, seus olhos poderiam virar fogo a qualquer hora.
- Ah, então você vai vim com essa de novo, de que não foi você. – ele conseguiu me levantar um pouco do chão me prensando na parede.
Eu me mexi e consegui me soltar e voltar no chão, depois o empurrei.
- Fica longe de mim! – gritei.
- Eu devia matar você. – ele disse, e eu quis acreditar que ele só falou aquilo porque estava com raiva.
- Então por que não faz isso? Uma sujeira a mais ou uma a menos na sua imagem não vai fazer diferença – provoquei.
segurou o ar, visivelmente irritado e, quando eu já estava se preparando para levar um soco ou algo assim, ele virou e chutou um balde com força pra descontar a raiva dele, o balde rachou. Depois ele se virou, havia lágrimas em seus olhos.
- Às vezes eu me pego pensando no que eu te fiz para que você me odiasse tanto ao ponto de querer destruir minha vida a todo custo – sua voz era mais calma agora. – Quando a única coisa que eu fiz foi te amar.
Meu coração se partiu em um milhão de pedaços naquele momento e, por impulso, eu fui abraçá-lo, mas segurou meus dois braços quando eu tentei fazer isso.
- Eu não odeio você, e nem quero te ver na pior – falei.
- Mas eu odeio você, e muito.
Aquelas palavras me deixaram sem reação por um momento.
- Um dia, , você vai acordar e vai descobrir que nada do que aconteceu foi minha culpa e talvez até tente se desculpar, mas daí vai ser tarde de mais e eu já terei desistido de você. – alertei.
Ele respirou fundo.
- Mas que porra , porque você não se coloca no meu lugar? – pausa – Hoje era pra ser um dia especial, eu pude tocar com o Drift de novo e, por uma música, eu pude esquecer tudo o que aconteceu, era como se eu estivesse há dois anos, mas daí a música acabou e um repórter da GF veio me perguntar sobre as fotos publicadas no blog hoje à tarde, até me mostrou elas...
- Então você não sabia? – murmurei.
- Então você sabia? – ele respondeu com outra pergunta.
Fiz que sim com a cabeça.
- Eu as vi hoje à tarde, mas isso não quer dizer que eu tenha algo a ver com elas, eu só queria te ajudar.
- Ajudou muito me fazendo parecer um patético bebum. – resmungou.
- Mas que merda , será que dá pra parar com esse ódio?! Ele ta te cegando para a verdade e te fazendo acreditar que eu quero destruir a sua vida, mas eu não quero, eu não preciso destruir sua vida pra ter satisfação nem nada disso. – argumentei.
- Se você não quer destruir minha vida, então o que explica o vídeo e agora essas fotos?
Eu tentei usar meu autocontrole, mas falhou e eu gritei:
- Mas que porra, eu não tenho nada a ver com isso! – eu vi que argumentar não ia adiantar nada, que ele ia continuar me odiando, então falei – Quer saber, vai se foder, você nunca vai me ouvir mesmo, então tchau pra você.
Ele segurou meu braço para me impedir de sair.
- Você não vai a lugar nenhum!
Eu tentei me soltar, mas ele continuou me segurando, então eu o empurrei e fui para porta, mas ele me agarrou por trás e me prensou na parede de novo. Por um momento nós ficamos olhando um ao outro, ofegantes, sem dizer nada e, quando eu comecei a me incomodar com o silêncio, fez algo totalmente inesperado... Ele me beijou.
Fiquei sem reação de princípio, mas depois passei os braços pelo seu pescoço e ele agarrou minha cintura com força. Quando ficamos sem ar, ele quebrou o beijo e beijou meu pescoço, eu gemi baixo e tentei me controlar.
Suas mãos foram descendo, ele levantou meu vestido e tocou minha calçinha, depois foi abaixando até que tirasse ela. abaixou um pouco sua calça da fantasia juntamente com a cueca boxer e me pegou no colo com raiva, depois voltou a me prensar na parede e me beijar.
Meu autocontrole tinha desaparecido e tudo que eu conseguia pensar era dar pra ele ali mesmo, e foi exatamente o que eu fiz.

CAPÍTULO 3


Levantei correndo e fui direto para o banheiro vomitar.
- Parece que a noite ontem foi ótima! – apareceu na porta do banheiro, me assustando.
- Caralho , você parece um fantasma, aparece do nada. – resmunguei e vomitei de novo.
fez uma cara de nojo, mas continuou na porta.
- Foi tão boa que você nem tirou a fantasia que usou ontem à noite – continuou.
Revirei os olhos, me levantei e fui escovar os dentes. Depois fui para a cozinha pegar remédio pra minha dor de cabeça.
- Ah, você prometeu que iria me contar TU-DO.
Respirei fundo.
- Calma, eu nem acordei ainda!
Ele riu.
- Nossa, retiro o que eu disse, acho que alguém teve uma péssima noite. – deduziu.
- Claro, dois ex-namorados numa única festa não é algo que torne sua noite muito boa. – comentei, tomando uma golada de água após colocar um remédio de dor de cabeça na boca.
arregalou os olhos.
- Dois ex-namorados? Um deles era o , mas o outro... – parou para pensar um pouco. – Quem era o outro?
- . – respondi.
- ? Não! O que ele tava fazendo lá?
Sorri.
- O que ele sempre faz em festas: trabalha.
- Me conte mais!
Revirei os olhos. ia surtar com o que eu estava prestes a dizer.
- E eu o beijei.
- Você beijou o ?! – gritou.
Ri.
- E transei com o – murmurei.
- O que? !
Respirei fundo.
- Eu tava bêbada, não controlei minhas ações. – argumentei.
- Mas ele é o , , o mesmo que só falta criar um clube “Unidos contra ”. – me repreendeu. – E como você conseguiu isso? Porque, até onde eu sei, o te despreza tanto, que mesmo bêbado ele continua te odiando.
- Eu não sei, só aconteceu.
Ele ficou pensativo.
- Foi bom pelo menos? – perguntou.
Fiquei um pouco surpresa com a pergunta, mas não consegui esconder meu sorriso.
- Aconteceu num quartinho da dispensa e foi uma coisa rápida, mas foi muito bom. Sério, eu tinha me esquecido o quanto era bom...
- Coisa rápida? Quero detalhes! Quantos minutos, segundos, centésimos. – sempre exigia os mínimos detalhes. – E como é que vocês passaram de arqui-inimigos para pervertidos no quartinho da dispensa?
Revirei os olhos.
- Devem ter sido uns seis, sete minutos... Eu não tava contado! – respirei fundo, e contei tudo o que o queria saber sobre nossa briga antes do sexo.
Ele ficou boquiaberto.
- Gente, que homem mais bipolar! Numa hora tá te odiando e na outra, tá te comendo... – ele parou o que tava falando para olhar o celular, depois de um barulho de mensagem. Ele ficou encarando a tela por alguns segundos, sem reação.
- Eu realmente espero que ninguém tenha visto seu pequeno deslize com o , porque com o eles viram, e tiraram fotos. – me deu o celular para que eu pudesse ler a notícia.

DE VOLTA AO PASSADO! A festa a fantasia dada em comemoração ao aniversário de Samara Wisley, irmã do ex-integrante da banda Drift, Sebastian Wesley, foi cheia de polêmicas, e eu não estou me referindo a fantasia de pavão pink de Sasha Greyson. Na foto a seguir, é possível ver o Thor beijando a Alice, mas não se enganem, esse Thor é, na verdade, , ex-namorado de . E essa Alice, adivinhem quem é... !”.

Devolvi o celular para o sem saber o que falar.
- Bem, pelo menos não foi uma foto minha com o .
- E vamos rezar pra que continue assim!
Cruzei os dedos e respirei fundo.
- Vou tomar um banho – falei. – Se tiver algum compromisso pra hoje, cancele! Tô morta para fazer qualquer coisa. – pedi. – E se alguém ligar, manda essa pessoa ir para o inferno.
riu.
- Vou tentar seguir suas ordens, minha lady.
Sorri e fui para o banheiro.
Enquanto a água gelada caia, eu tentei encher minha cabeça com um milhão de outras coisas para não pensar na noite anterior. Primeiro fiquei pensando nos boatos que saíram sobre eu ser chamada para um filme, no qual eu seria a personagem principal, depois pensei sobre o seriado que eu fiz parte, desventuras no amor, que acabou no ano passado e em como eu me divertia no set de filmagem... Atuar para mim sempre foi mais uma diversão ou um hobby do que um trabalho.
Desliguei o chuveiro e sai do banheiro feliz por ter conseguido ficar, pelo menos, dez minutos sem pensar em nada relacionado a ex-namorados, muito menos a noite passada.
Fui para a sala depois de colocar uma roupa limpa, e o estava sentado no sofá em uma pose relaxada, assistindo a algum reality show na TV. vivia mais tempo na minha casa do que na casa dele.
- Uma pessoa ligou pra você enquanto estava tomando banho. – ele disse ao me ver.
Revirei os olhos e me joguei no sofá.
- Não sei quem é essa pessoa, mas tomara que ela morra!
riu.
- Ah não, seria um grande desperdício morrer, ele é bonitinho demais. – ele disse, encarando a TV e prestando muita atenção nela.
Sai da pose relaxada que eu estava sentada e fiquei boquiaberta.
- O ligou para mim?
- Sim.
Bati de leve no braço dele e ele tirou a atenção da TV.
- O que ele queria? – perguntei.
pareceu muito animado quando falou:
- Te chamar para almoçar com ele hoje!
- E o que você respondeu pra ele? – quis saber.
Ele sorriu.
- Que você ia, óbvio.
Bufei.
- O que? ! – fechei a cara.
- Qual o problema? – ele se fez de desentendido.
- Eu não vou! – respondi, e levantei-me do sofá.
levantou também.
- Por que você não vai? – questionou.
Respirei fundo.
- Porque não!
Ele revirou os olhos.
- É por causa do ? – perguntou. – Porque, se for, você merece uma tapa bem no meio da cara!
- Talvez sim, talvez não. O fato é que eu não vou sair com ele! – sai da sala e fui em direção à cozinha.
Peguei o telefone, mas entrou na minha frente e tirou ele da minha mão.
- O só beijou você ontem à noite e hoje te ligou pra te chamar pra almoçar com ele. Já o ... – pausa. – Ele transou com você e nem uma mensagem ele se importou em te mandar. O máximo que ele pode fazer é te mandar uma mensagem, dizendo que te odeia, quando estiver bêbado.
Pensei em argumentar, mas ele começou a falar logo em seguida.
- Você me disse que não tinha o que reclamar do , que ele tinha sido um bom namorado...
- Tá, e daí? – o interrompi.
- E daí que ele foi um bom namorado uma vez, isso quer dizer que ele pode ser um bom namorado de novo!
Revirei os olhos.
- Não foi você quem disse que voltar com ex é a mesma coisa que comprar de novo o carro que você vendeu: é o mesmo carro, só que mais rodado. – joguei essa frase na cara dele.
- É, mas dessa vez é diferente.
- Por que é diferente? – questionei.
- Porque ele não foi um idiota com você, igual o foi. – colocou o telefone no gancho de volta. – E você não precisa namorar ele de novo, se não quiser, mas dê uma chance pra ele se aproximar.
Respirei fundo, ele venceu.
- Ok, eu vou almoçar com o . – murmurei.
deu uns pulinhos e me abraçou.
- Essa é minha garota! – disse, empolgado. – Agora vai se arrumar que ele vai vir te buscar meio dia.
- Meio dia?! , já são onze e meia! – resmunguei, olhando para o relógio.
- Então se apresse, querida.
Fui para o quarto procurar, no closet, alguma roupa sociavelmente aceitável. Coloquei um vestido azul marinho liso, coloquei a sapatilha mais feminina que eu tinha no armário, que combinasse com o vestido, e passei uma maquiagem básica.
já estava na sala conversando com o , quando eu terminei de me arrumar, ele não reclamou da demora igual o costumava fazer. Ah, chega de , ! Hoje é restritamente proibido pensar no ou em qualquer coisa relacionada a ele.
- Você está linda! – disse com empolgação ao me ver. – Como sempre esteve.
Sorri, envergonhada.
- Podemos ir? – perguntei.
fez que sim com a cabeça.
- Com certeza! – ele respondeu.
Antes de sair pela porta, olhei para trás e o estava me encarando, com aquele olhar malicioso que você olha para os seus amigos quando eles estão com alguém. Eu revirei os olhos e fechei a porta.
Quando chegamos ao carro, abriu a porta pra mim e eu agradeci. Boa parte do caminho nós ficamos em silêncio e quando eu me senti incomodada, perguntei:
- Onde vamos almoçar?
sorriu, parecendo aliviado por eu ter falado alguma coisa.
- No Queóps! – respondeu, empolgado.
Engoli em seco. Queóps era o restaurante que eu sempre ia com o...
- Que bom, eu adoro o Queóps. – respondi antes que eu pensasse nele.
- E quem não adora aquele restaurante?

Chegamos ao Queóps, o movimento estava fraco e o já tinha reservado uma mesa para nós, uma perto da janela. Ótimo, mais fácil de os paparazzi’s verem.
pegou o cardápio e ofereceu um pra mim, eu recusei.
- Eu não preciso do cardápio, eu vou pedir o de sempre. – expliquei.
Ele sorriu.
- E o que seria o de sempre? – perguntou.
- O número oito. – respondi.
procurou pelo pedido número oito.
- Strogonoff? – perguntou para confirmar, e eu fiz que sim. – Seu prato favorito ainda é strogonoff?
Sorri.
- Sim.
Ele fechou o cardápio, sorrindo.
- Então vamos os dois comer strogonoff!
- Uhul! – comemorei. – O que você e o estavam conversando na sala hoje? – puxei assunto.
se ajeitou na cadeira.
- Coisas de homem. – respondeu. – Ou, no caso dele, quase homem.
Gargalhei.
- Mas por que a pergunta? – ele quis saber.
- Ah, é porque vocês não se falavam muito quando a gente namorava.
olhou pra baixo, depois voltou a me olhar.
- Realmente, mas eu descobri que temos algo em comum e então os assuntos fluíram.
Franzi a testa.
- Algo em comum? Você também gosta de homem? – brinquei.
Ele riu, depois respirou fundo.
- Não! – respondeu. – Nós amamos a mesma garota.
Fiquei vermelha, sorri e encarei minhas mãos, antes de olhá-lo de novo.
- Claro que de jeitos diferentes, mas amamos. – falou ele, e eu fiquei mais vermelha. – Não sei se você a conhece, ela é linda e tem talento...
- Para! – o interrompi, rindo e ficando mais vermelha ainda.
gargalhou.
- Você tá parecendo um pimentão. – riu mais – Que bonitinha.
Revirei os olhos, mas ri. ficou sério do nada e começou a encarar alguma coisa atrás de mim.
- O que foi? – perguntei, mas ele não respondeu. – Tem algum paparazzo?
- Antes fosse. – respondeu, sem tirar os olhos do que quer que estivesse atrás de mim.
Virei-me e lá no fundo, passando pela porta estava a pessoa da qual eu jurei que não pensaria hoje... .
Virei rapidamente para ele não perceber que eu estava olhando, também parou de olhar, depois bufou.
- Esse cara tá em todos os lugares! – falou.
- Vamos fingir que ele não está aqui. – sugeri.
balançou a cabeça afirmativamente e tentou mudar de assunto o mais rápido possível.
- A gente não chamou o garçom ainda. – ele percebeu.
Eu ri, mas pra esconder meu nervosismo por certa pessoa estar aqui. fez sinal para o garçom, ele veio e fizemos nossos pedidos.
Depois que o garçom saiu, ficou aquele clima meio estranho e o silêncio perturbava demais.
Abri a boca pra falar alguma coisa, mas de repente o parou na frente da nossa mesa, apoiou as duas mãos na mesma e me encarou, rindo.
- Dois ex numa noite, uau! Você deve estar muito orgulhosa! – provocou.
Fui responder, mas ele deu as costas e foi sentar na mesa dele, que era um pouco longe da nossa.
Olhei para o , um pouco chocada, ele estava me encarando com uma expressão de dúvida.
- O que ele quis dizer? – ele quis saber.
- Não faço a mínima ideia – menti. – Ele deve estar bêbado.
olhou pra mesa do , visivelmente irritado. Eu dei uma olhada por cima do ombro e o deu um tchauzinho pra gente, rindo, depois ficou sério e mostrou o dedo do meio.
- Eu vou até lá. – foi se levantar, mas eu segurei a mão dele.
- Não vale a pena, deixa ele provocar, é só ignorar. – aconselhei. – Venho fazendo isso nos últimos dois anos.
se ajeitou na cadeira, mas eu continuei segurando sua mão e torcendo para que o estivesse vendo isso.
- Como você aguenta essa provocação por tanto tempo?
Sorri.
- Depois de um tempo você se acostuma e liga um foda-se para todas as coisas que ele disser.
franziu a testa.
- Ligar o foda-se? – perguntou.
- É, quando ele diz “eu te odeio” e você pensa foda-se. – expliquei. – Ele gostar ou não de mim, não me incomoda mais, eu tô nem aí para o que ele pensa de mim, portanto, suas provocações não me afetam. – menti.
Ele riu.
- Vou começar a praticar isso!
- Isso! – falei, e o garçom chegou com nossos pratos.
A comida estava maravilhosa, como sempre. O Queóps era o melhor restaurante da cidade, na minha opinião, e por isso eu tentava não ser fotografada quando eu estava aqui porque eu não queria que ninguém mais descobrisse esse lugar. Acho que todo mundo tem um lugar seu, um lugar que você não quer que ninguém além de você saiba da existência dele, a mesma coisa para livros e músicas.
Terminei de comer e me levantei. - Eu vou ao banheiro. – disse.
sorriu e balançou a cabeça afirmativamente.
- Ok. – respondeu, e depois piscou.
Eu fui ao banheiro com a minha bolsa no intuito de retocar a maquiagem. O banheiro estava vazio. Revirei minha bolsa atrás do meu batom vermelho escuro, perdi uns cinco minutos nisso e nem dei bola quando ouvi a porta batendo de tão empenhada que eu estava em achar o batom, depois de achá-lo eu abri a tampa e, quando fui olhar no espelho pra passá-lo, o batom caiu da minha mão quando eu vi quem tinha entrado.
- , você não pode entrar no banheiro feminino! – gritei.
Ele revirou os olhos e foi olhando as portas pra ver se não tinha ninguém, depois ele trancou a porta.
- Então você está mesmo com o ? – perguntou, e logo em seguida parando na minha frente.
- Por que você se importa? – fui para outro lado para sair do banheiro, mas ele continuou na minha frente.
- Eu não me importo! – ele respondeu com aquele sorrisinho sarcástico dele que, apesar de lindo, me irritava.
- Então por que você está perguntando?
se encostou na pia de mármore, com os braços cruzados.
- Pra saber a que ponto você chegou e rir da sua cara depois disso.
Respirei fundo e contei, mentalmente, até dez para não perder o controle.
- Você é ridículo. – murmurei.
gargalhou.
- Ridículo é seu antigo ou novo namorado. – pausa. – Esse cara é um mané!
Segurei a gola da camiseta dele.
- O foi um dos melhores namorados que eu tive! – soltei a blusa dele e fui pegar meu batom, para jogá-lo dentro da bolsa e cair fora dali. – Melhor que você.
gargalhou de novo.
- Aposto que ele não transa tão bem quanto eu! – pausa. – Já que você só o beijou ontem, mas comigo...
- Me deixa em paz! – o interrompi.
Ele parou na minha frente e chegou bem perto de mim, tão perto que eu conseguia sentir o hálito de hortelã quando ele falava. O sempre foi viciado em bala de hortelã. Sua expressão se assemelhava a de um psicopata.
- Você vem se empenhando bastante em destruir minha vida nesses últimos anos e quer viver em paz? – ele segurou meus braços e continuou me olhando nos olhos. – Eu decidi entrar no seu jogo, , e se você pensa que vai viver uma vida linda e maravilhosa com aquele zé ninguém, que tá lá fora na mesa te esperando, você está muito enganada! Vou me assegurar de que você perca tudo que ama, assim como eu.
Me soltei dele e ele se afastou indo em direção a porta. Ele só parou quando eu disse:
- Você é um monstro, . – engoli o choro. – Um monstro frio e sem sentimentos.
abriu um sorriso.
- Não se esqueça que esse monstro foi criado por você, senhorita . – disse, e saiu do banheiro logo em seguida.

Capítulo betado por: Mel Maia




CAPÍTULO 4


Sai do banheiro cuspindo fogo de tanta raiva e desejando, desesperadamente, ir embora dali, só para não ter que olhar para o de novo. Me recompus antes de chegar à mesa, para que o não percebesse nada e não fizesse perguntas, afinal, para ele, o não me atingia mais com suas provocações.
- Nós podemos ir embora? – perguntei sem me sentar.
Ele pareceu surpreso e deu um sorriso diferente... Ah não, ele deve estar pensando que eu quero ir pra um lugar mais calmo com ele.
- Bem, eu pensei que ficaríamos sentados conversando mais um pouco, mas se você quer ir embora, tudo bem. – ele disse, se levantando. – Eu vou ir fechar a conta.
Concordei e peguei minha carteira, mas ele segurou minha mão.
- Você acha mesmo que eu vou deixar você pagar? – ele disse. Claro que ele não deixaria. – Eu te convidei, lembra?
- Mas... – comecei a tentar argumentar alguma coisa sobre eu querer pagar, por motivos de me sentir constrangida, mas ele fez que não com a cabeça e eu desisti de dizer alguma coisa.
foi até o caixa no final do restaurante e eu comecei pegar minha bolsa e meu casaquinho, que eu levei porque estava ventando um pouco.
- Onde é que o “namorado perfeito” vai te levar agora? – era o de novo. – Na ópera ou no museu?
Revirei os olhos.
- Para um lugar bem longe de você!
riu.
- É, acho que vai ser no museu mesmo... – começou ele.
- Por que você se importa mesmo? – repeti a mesma pergunta que fiz no banheiro.
- Eu não me importo, só estou te zoando. – ele respondeu, e o chegou bem a tempo de ver o do meu lado.
Engoli em seco e olhei para o , a raiva estava visível nele.
- O que você ainda está fazendo aqui? – quase berrou para o .
- Hmm, esse é um lugar público, posso ficar nele o quanto eu quiser. – respondeu.
olhou pra mim.
- Ele está te incomodando? – perguntou.
Abri a boca para responder, mas deu dois tapinhas no ombro do rindo e falou:
- Relaxa, cara, ela sabe se defender sozinha.
- Toca em mim de novo que eu arrebento sua cara! – elevou a voz e algumas pessoas que estavam ali já estavam começando a notar.
gargalhou.
- Apenas tente, mané. – respondeu.
Segurei no braço do e sussurrei.
- Lembra do que eu te disse, ligue o foda-se! – pedi, o puxando para fora do restaurante. Ele não se opôs, nem disse mais nada.
Entramos no carro, tudo o que eu queria fazer naquele momento era entrar no meu quarto e ficar trancada lá pelos próximos cinquenta anos sem ser incomodada.
- Ainda são duas da tarde, poderíamos fazer alguma coisa juntos – sugeriu.
- Eu acho que melhor não. – respondi.
pareceu incomodado.
- Olha, , se foi por causa de eu ter quase brigado com o , me des...
- Imagina! Não é por causa disso, ! – o interrompi. – É só que eu ainda estou sentindo as dores da noite de ontem, você viu o quanto eu bebi, então eu só preciso deitar e dormir.
riu.
- Você me chamou de ! – reparou. – Pensei que iria morrer antes de ouvir você me chamar assim de novo.
Eu não tinha o que dizer, então apenas sorri. O ‘’ tinha escapado acidentalmente e eu detestei o fato dele ter percebido isso porque, com certeza, iria significar algo mais pra ele.
me deixou em casa, muito gentil da parte dele e, antes que eu abrisse a porta do carro, ele me beijou em um jeito doce e envolvente.
- Obrigado por tornar um domingo comum e chato em um dia divertido – quebrei o beijo, sendo mais ou menos sincera.
- É, algumas coisas deram errado, mas acho que as que deram certo fazem com que as que deram errado percam sua importância.
Eu sorri educadamente.
- Com certeza. – concordei, discordando mentalmente.
Por fim desci do carro com a promessa de que nos veríamos mais vezes ainda nessa semana.
O elevador pareceu demorar mil anos para chegar e mais mil para ir pro meu andar. Quando eu entrei no meu apartamento, procurei por , mas havia apenas um bilhete fixado com um imã na geladeira dizendo:

“Dessa vez minha mãe decidiu que queria a família toda reunida para almoçarmos juntos e, por pelo menos um dia, fingirmos que nos amamos. Mas acho que você não irá sentir minha falta, afinal, tem um certo pra te fazer companhia durante a tarde... E a noite! Te vejo na quarta e eu juro que te mato se você me pedir que cancele os eventos do dia novamente.
Att. Seu melhor e mais gato amigo,
.”


Ri com o bilhete e o coloquei no mesmo lugar, agradecendo mentalmente que o não estivesse ali para me encher de perguntar sobre a catástrofe que foi o dia de hoje.
Fui para o quarto e joguei minha bolsa e meu casaco em algum lugar antes de chegar nele. Procurei na minha prateleira de CD’s um CD em especial, o álbum The Things I’ve Done, o primeiro álbum do Drift e que tinha a música que o fez para mim, que dizia que eu era a garota pra ele e ele era o cara pra mim.
Me joguei na cama e fechei os olhos, aumentei o volume e comecei a lembrar justamente da pessoa que eu jurei que não pensaria hoje de manhã... .

- , só porque o senhor tem que produzir uma festa hoje, não quer dizer que você tem que ficar em casa assistindo netflix e comendo que nem uma porca! – falou, tirando o pote de sorvete da minha mão – Agora levanta a bunda do sofá e vai trocar esse pijama! – mandou.
Revirei os olhos e levantei do sofá.
- Drift? De onde você tira essas bandas hein, ?
- Eles estão famosinhos agora e os integrantes são uns gatos. – começou ele. – Ah, vamos, se eles forem uma banda ruim nós nos divertimos zoando eles!
Ri.
- Tá bom. - cedi, o sempre soube como me convencer.
Eu vesti uma roupa sexy, mas nada vulgar, e fui praticamente arrastada para o tal show da tal banda em um tal restaurante/bar chamado Queóps (que eu nunca nem tinha ouvido falar sobre).
Chegamos quando a banda já estava no palco e, tinha razão, os integrantes eram muito bonitinhos. Não era uma banda ruim, eu sempre gostei desse estilo rock alternativo e as letras criativas do Drift saiam ainda melhor na voz sexy do vocalista de cabelo e olhos . O lugar estava lotado e eu e conseguimos nos espremer até conseguir chegar à frente do palco.
- Fala a verdade, eles valem uma noite! – gritou no meu ouvido.
Ri.
- Valem, mas eu tô de boa! – respondi, gritando também por causa da música alta.
- Eu disse só uma noite, ! – ele cantarolou.
- ! Eu tenho namorado!
Ele riu.
- Foi uma brincadeira. – respondeu. – Mas, então, sobra mais pra mim!
Quando o show acabou, foi tietar os integrantes da banda, enquanto eu me dirigi até o bar e pedi a primeira bebida que eu vi no cardápio. Sentei-me no barzinho e fiquei olhando em volta parando meus olhos num cara de cabelo tirando foto com umas garotas. Reconheci ele imediatamente, era o vocalista da banda e ele era, definitivamente, sexy!
Desviei a atenção dele quando o cara me deu minha bebida. Isso era errado, quer dizer, eu tinha namorado. Um namorado lindo, carinhoso e que me amava muito. Não tinha nexo eu olhar pra outros caras.
Peguei minha bebida e dei um longo gole, fazendo careta logo em seguida por ela ser muito forte e eu não estar muito acostumada a beber.
- Eu vi você me vendo! – disse um cara por cima dos meus ombros, ele logo se sentou ao meu lado no bar e então eu pude ver quem era: o vocalista da banda que eu estava encarando há alguns segundos atrás.
- Na verdade, eu estava vendo a banda num geral, não só você. – respondi dando mais um gole no meu copo e fingindo/esperando que ele estivesse se referindo ao show.
Ele riu, que sorriso lindo.
- Bem, eu não estava se referindo ao show...- ele disse, e eu quis enfiar minha cara num buraco. – Qual é, se você quer uma foto é só pedir, docinho.
Revirei os olhos.
- Não, valeu. – respondi, me preparando para me levantar quando ele disse:
- Espera, eu já vi você na TV! – sorriu. – Qual é o seu nome?
Sorri.
- Se você já me viu na TV, então me diga você mesmo qual é o meu nome.
Ele arqueou as sobrancelhas, rindo.
- Sabe, eu não costumo pesquisar o nome de garotas bonitas que eu vejo na TV. – falou e depois gritou para o cara do bar ‘Scott, número 5’, acho que era uma das bebidas do cardápio. – A não ser que ela seja uma ótima atriz pornô.
Gargalhei.
- Ah, ok! Prometo que quando eu decidir ser atriz pornô eu te mando todos os meus vídeos, assim eu poupo seu trabalho de procurar pelo meu nome.
Ele gargalhou também.
- Vou aguardar ansiosamente por eles! Mas acho que você tem que ter experiência... Eu posso te ajudar com isso. – ele falou, em tom de brincadeira. Ou, pelo menos, eu preferi acreditar que um cara que eu conhecia a menos de uma hora não sugeriu de dormir comigo. – Eu sou o , mas pode me chamar de , todo mundo me chama assim. – ele completou, depois de perceber que eu preferi não responder nada sobre o comentário dele sobre experiência.
- ! – respondi, me achando idiota depois por ter dito meu sobrenome quando nem ele disse o sobrenome. – Hmm... , não que eu precise, mas se um dia eu quiser adquirir experiência, meu namorado dará conta de me ajudar com isso. – completei. Ele era gato e valia muitas noites, mas eu tinha namorado e gostava muito dele.
me pareceu surpreso.
- Então aquele cara, que estava do seu lado na plateia, é seu namorado? – ele estava se referindo ao . – Não me leve a mal e desculpe-me destruir seus sonhos, mas acho que ele não curte muito o quê você tem entre as pernas. Pelo o que me parece, ele curte mesmo o que meu amigo Sebastian tem entre as pernas. – disse, apontando para o tirando foto todo empolgado com o guitarrista da banda.
Gargalhei.
- O ? Não! Ele não é meu namorado, ele é meu melhor amigo. – expliquei.
riu, e o cara do bar deixou uma cerveja no balcão para ele. Acho que era o que o tinha pedido. Ele pegou e deu uma golada antes de dizer:
- Então se aquele não é seu namorado, onde ele está?
Respirei fundo.
- Organizando a festa de alguma modelo famosa – respondi, tomei o resto que sobrou da minha bebida e pedi uma cerveja para o cara do bar.
gargalhou, tipo, muito!
- Espera, seu namorado é promoter?
- Não! O é formado em relações públicas! – expliquei, me irritando um pouco com a pergunta dele. O que foi idiota, mas eu acabei me acostumando a se irritar quando perguntavam isso, porque o se irritava. – E ele trabalha para uma das mais famosas agências de modelo, onde ele constantemente é responsável por organizar festas para promover a agência.
gargalhou mais ainda.
- Blábláblá, eu só consigo ouvir: PRO-MO-TER! – falou. – E gay também, por motivos óbvios.
- Aff. – murmurei.
se conteve.
- Ok, se ele está organizando essa festa, então o que é que você está fazendo aqui ao invés de estar lá? – perguntou. – Não me diga que você recusou uma festa classe A, só para vir me ver cantar.
Revirei os olhos e bufei ao mesmo tempo.
- Ah, claro que sim. – ironizei.
- Então qual outro motivo de você não estar lá, além desse?
Dei de ombros.
- A dona da agência, que é também a dona da festa, não saber da minha existência?
Ele riu.
- Ah, qual é?! Metade das pessoas que são convidadas para esse tipo de festa não conhecem o dono da festa e a outra metade o odeia! – argumentou. – Sem contar que seu namoradinho promoter é quem, provavelmente, faz a lista de convidados e, se não faz, ele está em constante contado com ela, ou seja, ele poderia muito bem colocar seu nome na lista, já que ninguém nem iria reparar e você nem seria notada pelo dono da festa. Metade das pessoas que ele convidou são só famosos que ele viu na TV ou ouviu falar sobre e ainda iria comer, e beber, do bom e do melhor de graça ao invés de estar aqui.
Revirei os olhos e dei de ombros.
- É, tanto faz. – murmurei.
- O que nos leva a crer que seu namoradinho prefira estar leve, livre e solto na festa para pegar geral, e quando eu digo geral eu me refiro ao geral mesmo e não só a mulheres.
Ele estava começando a encher.
- Falar mal do namorado das garotas é a sua melhor cantada?
sorriu sarcasticamente.
- Não costumo usar cantadas, eu só preciso ser o vocalista do Drift, que o resto vem fácil.
Que cara chato e egocêntrico.
- Desculpe, mas acho que o ‘ vocalista do Drift’ não funciona comigo. – respondi, me levantando, mas ele segurou no meu braço.
- Tem certeza? – perguntou, levantando-se.
- Absoluta!
Ele agarrou minha cintura e me prensou na bancada do bar, me olhando com um olhar cheio de malícia. Depois começou a me beijar de um jeito que o nunca tinha beijado... Selvagem.
Eu empurrei o peito dele, a fim de resistir e ir embora antes que mais alguma coisa acontecesse, mas quando ele me olhou de novo com aqueles grandes olhos da forma mais sexy possível, eu não resisti e puxei a gola da camiseta dele, recomeçando o beijo.


Abri meus olhos libertando-me das lembranças. Tateei em volta da cama procurando o controle para desligar o rádio, mas aquele refrão me impediu. Aquela música... A música que o fez pra mim quando nos conhecemos. Fui até a cozinha e enchi o copo de vodca pura e tomei-o inteiro, enquanto voltava pro quarto. Joguei-me na cama novamente, coloquei a música para tocar de novo e mergulhei nas lembranças.

Acordei com a campainha tocando e, por mais que eu tivesse enchido a cara ontem à noite, minha cabeça não estava doendo. Escovei os dentes rapidamente e fui correndo atender a porta.
- Que coisa feia, deixar um astro esperando! - fiquei paralisada e boquiaberta ao ver quem estava na porta. Era o , o vocalista que eu tinha conhecido na noite passada. – E já são onze horas, você tava dormindo ainda?
- , como você descobriu onde eu morava?
Ele gargalhou, visivelmente chapado.
- Eu tenho meus contatos!
Revirei os olhos.
- E como conseguiu fazer com que o porteiro te deixasse subir sem ser anunciado? - quis saber.
Ele riu.
- Dei algumas cervejas a ele. – falou, mostrando a caixinha de cerveja que estava na mão esquerda dele, com duas cervejas a menos – Vamos ter que ficar duas cervejas menos bêbados!
Tive que rir.
- Você é maluco! – falei, rindo.
- É, eu sei – ele pegou a outra caixa de cerveja (a que estava no chão) antes de dizer: - Você não vai me convidar pra entrar? Afinal, eu não só vim de táxi de Summerhill até aqui, como sacrifiquei duas cervejas por você.
Summerhill era um bairro realmente longe da minha casa. Fiz que sim com a cabeça e dei espaço pra ele entrar. colocou as duas caixas de cerveja em cima da mesa.
- E pensar que aquelas babacas de merda dos meus amigos apostaram que eu não viria aqui! – falou, chegando mais perto do meu rosto. – Que pijama fofo, mas acho que você ficaria melhor sem ele.
Esquivei-me dele.
- Eu vou trocar de roupa.
Ele bufou.
- Quando eu disse pijama estava me referindo a roupas num geral.
Ignorei-o e fui trocar de roupa. Pedimos pizza e bebemos a primeira caixinha antes dela chegar e depois de comermos a pizza bebemos a outra caixinha e mais algumas cervejas que estavam na minha geladeira há uma semana.
- Você me deixou bêbado, ! – disse , ao meu lado no sofá.
Gargalhei.
- A culpa não é minha, você já chegou aqui bêbado!
Ele deitou em cima de mim.
- Não, senhora! Antes de vir aqui eu não tinha bebido uma gota se quer de álcool. – falou, brincando com uma mecha do meu cabelo. – Eu só estava um pouquinho drogado, mas bêbado não!
Gargalhamos e ele começou a me beijar, depois desceu as mãos até minha cintura e começou a trazer minha blusa pra cima.
Empurrei o peito dele quebrando o beijo e impedindo que ele continuasse.
- Acho melhor você ir. – murmurei.
revirou os olhos.
- Você bebe minha cerveja e me manda ir embora?
Ri.
- Eu tenho namorado, você sabe disso.
bufou.
- É e ele é um mané! – ele disse, sentando-se.
- Você nem conhece ele...
- Se ele não fosse, você não teria me beijado ontem à noite, – me interrompeu. – E não venha dizer que fui eu que te beijei, porque quando um não quer, dois não se beijam.
Sorri.
- No ditado original é “brigam” ao invés de “beijam” – corrigi, brincando.
Ele deu de ombros.
- É, tanto faz.
Ficou um silêncio estranho por alguns segundos e eu só conseguia pensar no que eu queria, mas não devia fazer. Por impulso eu o puxei para mais um beijo e, em poucos minutos, já estávamos no meu quarto e eu já estava sem a minha blusa. O resto foi tirado rapidamente. Quando eu estava quase tendo um orgasmo ele disse:
- Você quer que eu vá embora agora?
Ri.
- Com certeza não.

Acordei com o ao meu lado na cama, escrevendo num bloco de notas. - O que você está fazendo? – quis saber.
- Compondo. – respondeu, sem tirar os olhos do bloco.
Me estiquei para tentar ver e ele escondeu.
- Sem chance, você não vai ver!
- Por que não? – eu queria muito ver o que ele escrevia.
- Porque não tá pronto. – falou.
Revirei os olhos e ele respirou fundo.
- Ai, tá bom, toma essa droga aqui.– me passou o bloco de notas.
Eu sorri e li as nove linhas que ele tinha escrito.
- Eu adorei, você tem que terminar de escrever logo!
Ele suspirou.
- Bem, daí vai depender de você. – ele respondeu.
Fiquei confusa.
- De mim? Por quê?
riu.
- Porque esse é o refrão, ou seja, a parte que merece ser repetida mais de uma vez, mas essa música não pode ser formada apenas por nove linhas, ela precisa de mais momentos que me darão mais inspirações para que eu possa terminá-la. – explicou. – E sim, ela é sobre você!


Capítulo betado por: Mel Maia




CAPÍTULO 5


Abri meus olhos, desliguei o rádio e decidi que eu tinha que parar com as lembranças. Levantei, tomei um banho e tentei limpar minha mente de qualquer coisa e, por incrível que pareça, foram bons dez minutos de uma grande página em branco, sem lembranças, sem pensamentos, sem qualquer coisa que seja.
Entrei de toalha no closet procurando a roupa mais confortável possível pra eu poder ficar o resto do dia assistindo netflix, mas uma coisa me parou. Havia uma caixa azul celeste no canto mais escondido possível do closet, com alguns casacos em cima dele, e por alguma razão eu não vinha notando essa caixa por muito tempo.
Puxei a caixa e logo eu me lembrei porque eu preferia fingir que aquela caixa não estava ali. Na tampa estava escrito “Coisas do ”. Eu sempre dizia que eu iria devolver pra ele, ou iria jogá-la fora, mas eu acabei deixando ela lá. Abri a caixa, e lá dentro tinham nossos filmes e CD’s favoritos (os mesmos que eu passei boa parte do primeiro ano pós-término evitando/odiando), algumas camisetas dele (entre elas a do Green Day que era uma das suas bandas favoritas), e também tinha coisas diversas como a garrafa vazia da cerveja favorita dele, alguns bilhetes e até mesmo folhas do bloco de notas dele com canções que ele começou a compor e não gostou.
Peguei a camiseta do Green Day e vesti-a, depois escolhi um dos nossos filmes da caixa e apertei o play.

Eu tinha até quarta-feira de “férias”, já que, com o fora de cena e todos os compromissos adiados pra quarta, eu não precisava fazer nada além de relaxar um pouco, e não estava nem um pouco a fim de continuar com meu de volta ao passado que eu tinha vivido no final de semana. Relaxar, o que essa palavra significa mesmo? Já fazia muito tempo que eu não relaxava de verdade, eu só precisava de uma tarde sem me preocupar com nada, sem fãs, sem sorrisos, sem papparazzis e, principalmente, sem .
Na terça-feira, que tinha começado chuvosa e cinzenta, minha chance de ter uma tarde com todos os itens que eu queria, veio através de três toques no telefone da cozinha, que eu corri pra atender.
- Alô? – era o , com sua voz doce e calma. – Sou eu, o .
Sorri.
- É, eu sei! – respondi – Que bom ouvir sua voz .
- Você não imagina o quão bom é ouvir a sua também – começou – Já que isso significa que você está em casa! – ele pigarreou – E espero que não tenha nenhum plano de ir pra algum lugar pra hoje.
Ri.
- Por quê? – quis saber.
- Bem, eu fui dispensado mais cedo do trabalho... Então pensei que poderíamos nos ver hoje. – sugeriu ele.
- Claro que podemos, eu estava mesmo querendo curtir minhas férias temporárias. – comentei.
- Férias temporárias? – e ele ficou curioso.
- É, meus compromissos foram todos adiados para quarta-feira.
- Então eu devo mesmo estar com sorte – ele parou pra rir – Podemos ir ao Queóps de novo, o que você acha?
- Ah, nada de Queóps por hoje, por favor – respondi rapidamente – Poderíamos só passar uma tarde vendo filmes e essas coisas, como costumávamos fazer.
- Perfeito! – pausa – Estarei ai em um segundo.
Desliguei o telefone rindo. Sai correndo pra ficar mais ou menos aceitável pra que uma pessoa que esteja interessada em mim me veja e não saia correndo. Por sorte a casa estava bem arrumada, então não tive que me preocupar com isso.
Mais ou menos meia hora depois o interfone tocou, e era o porteiro perguntando se podia deixar o subir, eu disse que sim, claro. Duas batidas na porta minutos depois e lá estava o quando eu abri a porta, com sua camiseta pólo azul escura, calça jeans preta e perfeitamente cheiroso como ele sempre foi. Estranhei a roupa casual dele, não era a que ele costumava usar no trabalho.
- Olá, – disse ele – Vim o mais rápido que pude.
Sorri e dei passagem pra que ele entrasse.
- Olha, eu acho que você demorou demais, me deixou impaciente – falei brincando, fingindo tom sério.
ficou sério de repente, com uma expressão assustada.
- Me-me desculpe – começou – Eu tinha passado em casa pra trocar de roupa e, quando te liguei, eu ainda não tinha terminado de me arrumar...
- Hey, calma – o interrompi – Eu estava brincando, você não demorou.
Ele suspirou aliviado e eu ri, depois coloquei minhas mãos em seus ombros.
- Você é muito preocupado moço, relaxe um pouco – e disse.
riu, envolveu minha cintura com seus braços e beijou meu rosto.
- E é por isso que eu estou aqui!
Rimos e eu me esquivei de seus braços.
- Então, qual é a programação de filmes de hoje? – perguntei.
tirou um filme de dentro de uma sacola que eu não tinha notado quando ele chegou.
- Eu trouxe um vinho para tomarmos assistindo um filme que, até hoje, eu não consegui ver até o final – e ele me mostrou a capa: O Exorcista.
Ri.
- Sério que você ainda não viu até o final, ? – fiquei abismada. Quando eu e namorávamos sempre tentávamos ver o exorcista até o final, mas sempre um de nós ficava com medo e desligávamos o filme.
- Você já? – quis saber ele.
- Sim, eu superei meu medo – admiti – E vou superar novamente para que você supere o seu.
Ele respirou fundo.
- Eu juro que vou conseguir dessa vez! – prometeu ele.
- , você podia me ajudar com os colchões... – sugeri.
abriu um sorriso lindo.
- ... – repetiu – Primeiro no restaurante e, agora, de novo
Sorri constrangida.
- Você não gostou? – perguntei corando.
Ele colocou as duas mãos no meu rosto e sorriu.
- Claro que eu gostei – respondeu ele – E muito.
Corei mais ainda e não sabia o que dizer então , percebendo que eu estava um pouco constrangida, soltou meu rosto e foi pro quarto, eu fui logo atrás, para pegar os colchões. Pegamos umas cobertas e travesseiros.
foi colocar o filme e eu sugeri de pedirmos pizza, ele adorou a ideia. Eu pedi metade calabresa e metade frango e catupiri. Abri o vinho, servi duas taças, nos ajeitamos nas cobertas e eu peguei o controle remoto.
- Preparado? – perguntei.
Ele riu.
- Acho que sim.
Eu apertei o play e o filme começou. Terminei de beber minha taça e a coloquei no chão. Hesitei alguns minutos em me enroscar em e, depois de pensar muito sobre fazer ou não isso, decidi optar por não fazer... Acho que iria parecer que eu tava dando mole demais.
começou a ficar com medo, percebi isso pelos olhos arregalados dele encarando a tela quase sem piscar e então ele pegou na minha mão, apertando- a forte. Eu encostei minha cabeça em seu ombro e consegui vê-lo de relance sorrindo por causa disso.
O interfone tocou, eu pausei o filme e me levantei.
- Salvos pelo entregador de pizza – falei – Ou quem quer que seja que esteja tocando o interfone.
riu e se levantou também. Eu atendi o interfone e era o porteiro falando sobre o entregador de pizza.
- Eu vou lá. – se dispôs .
- Ok, vou ir pegar o dinheiro – fui procurar minha carteira pela cozinha, mas parei na hora que ouvi a porta bater... Claro que ele não ia me deixar pagar.
Quando estava de volta com a pizza em mãos, eu comentei sobre ele ter saído antes de eu pegar o dinheiro e ele respondeu o de sempre... Que não iria me deixar pagar. Levamos a pizza pra sala junto com o vinho e colocamos na mesinha de centro. Cada um pegou um pedaço e eu me voltei pra ele.
- Quer continuar?
riu.
- Claro que sim, hoje eu termino esse filme!- disse ele determinado.
Ri e apertei o play. O filme continuou e, quando eu terminei meu pedaço de pizza, tirou os olhos do filme por uns instantes e disse:
- Vem cá.
E eu, sem hesitar dessa vez, me enrosquei nele.
Quando o filme terminou, estava se sentindo vitorioso por, finalmente, depois de anos, ter conseguido terminar de ver o exorcista. Ele se levantou para tirar o filme e eu cantarolei “We are the champions”, o fazendo rir por isso. Depois de guardar o filme, ele se deitou ao meu lado novamente, deu uma olhada pra janela e só então me olhou nos olhos.
- É, acho que está tarde – percebeu ele.
Eu olhei por cima do ombro a janela e já tinha anoitecido.
- Você não precisa ir embora agora – respondi me enroscando nele.
abriu aquele sorriso lindo dele.
- Eu só fico mais um pouco com uma condição.
Sorri.
- Ah é? Qual condição? – quis saber.
- Um beijo, claro – respondeu ele rapidamente.
E foi exatamente o que eu fiz, sem pensar nem uma vez. sorriu quando me viu se aproximar e logo envolveu minha cintura com seus braços e nos beijamos. Eu não queria acelerar muito as coisas, mas era inevitável, eu sempre senti um carinho muito grande por , porque ele foi, sem dúvida, um bom namorado, mesmo que eu tenha, de fato, me envolvido mais emocionalmente com . Eu não amava , mas gostava dele o suficiente pra dar uma chance.
quebrou o beijo e foi tirar o filme do DVD. Peguei meu celular para dar uma olhada nas redes sociais. Parece que todo mundo estava falando de um vídeo e eu, curiosa claro, fui atrás desse tal vídeo pra saber o motivo de tanto falatório.
Antes de o vídeo carregar, pelos comentários e pelo título “ bêbado é preso” eu já fiquei apreensiva e contando os segundos para que o vídeo carregasse. No vídeo o estava visivelmente bêbado e se recusava a fazer o teste de bafômetro. Havia muitas pessoas em volta que falavam tantas coisas ao mesmo tempo, que ficou um borrão sonoro inteligível que se misturava com o que o falava pro policial, que também não dava pra saber o que ele dizia. O policial tentou mais uma vez fazer com que fizesse o bafômetro e ele, novamente, se recusou, rindo na cara do oficial logo em seguida, então, obviamente, o policial se irritou, algemou ele e o enfiou dentro da viatura.
- , que cara é essa? – percebeu.
Tirei meus olhos da tela do celular e fiquei uns bons segundos encarando procurando um jeito de dizer que eu precisaria ajudar o idiota do .
- O ...
- Ele está te incomodando? – me interrompeu e dava-se pra sentir uma raiva presente em sua voz.
Respirei fundo.
- Não – comecei – Ele foi preso.
, agora com o semblante desinteressado, não deu muita importância.
- Finalmente a lei desse país resolveu funcionar – murmurou.
Ignorei o comentário dele, peguei minhas chaves e me dirigi até a porta decida a ir ajudar o independente do que dissesse.
- Desculpa , mas eu me sinto obrigada a ajudá-lo – falei abrindo a porta.
parou o que estava fazendo no exato momento e foi para porta, provavelmente, com a intenção de me impedir.
- , eu não vou deixar você fazer isso!
Ele colocou um braço na frente da porta impedindo minha passagem.
- Até que se prove o contrário, eu sou a grande responsável pelo ter se tornado um grande idiota – passei por debaixo do braço dele – Então eu realmente preciso fazer isso, desculpe. – e sai sem mais delongas.
segurou meu braço antes de eu conseguir entrar no elevador.
- Se não tem como te impedir, eu poderia, pelo menos, te acompanhar? – sugeriu.
- , não, você não precisa...
- Por favor, eu vou ficar preocupado e nunca vou me perdoar por ter deixado uma mulher ir para uma delegacia sozinha uma hora dessas. – argumentou.
Cedi e fiz que sim com a cabeça. Entramos no elevador e eu procurei pela internet um lugar que informasse o local que o estava preso e, por sorte, eu consegui achar. Pegamos o carro do , exigência dele, e fomos direto pra delegacia.

Quando chegamos, eu desci do carro praticamente voando e percebi uma pequena movimentação de papparazzis e repórteres que pareceram ficar ainda mais agitados quando eu entrei em seu campo de visão, mas eu me assegurei de entrar tão rapidamente que eles sequer tiveram tempo de me abordar. Ao ver o delegado eu já estava ofegante e tinha me esquecido totalmente da presença do , que segurou minha mão quase que para dizer “eu estou aqui”.
- Em que posso ajudá-la, senhorita? – perguntou o delegado sem nenhum pouco de ânimo na voz e sem me olhar.
- Meu... Amigo – engasguei no amigo – Foi preso agora pouco...
- E quem é seu amigo? – ele me interrompeu.
- – respondi.
O delegado rapidamente levantou os olhos e me olhou no momento em que eu disse o nome do , se ajeitou na cadeira e pareceu mais interessado agora.
- Ah, o motivo dos repórteres ai fora – notou – Olha, é o seguinte, seu querido amigo estava dirigindo a 80 numa pista de 50, quando foi parado pelos policiais. Zombou na cara deles e se recusou a fazer o bafômetro – começou a explicar – O que não foi assim tão necessário para acusá-lo de embriaguês, já que temos um vídeo e a versão dos policiais que comprovam que ele estava bêbado.
Soltei o ar que eu não tinha reparado que estava prendendo.
- E isso tem fiança? – fez a pergunta que eu iria, com certeza, fazer.
O delegado suspirou.
- Infelizmente sim, isso é um absurdo – e mostrou sua indignação – 1915,45 e doze meses de suspensão da habilitação.
pareceu surpreso com o preço e deixou escapar um “nossa”. Eu, por outro lado, devia estar tão atordoada com a situação que não esbocei nenhuma reação em relação ao preço, apenas respondi rapidamente:
- Eu pago!
O delegado pareceu não gostar muito e, se não estava enganada, também não.
- Ótimo – respondeu o delegado sem ânimo na voz, pegou o telefone e disse – Traz o .
Abri meu talão de cheque, assinei o que tinha que assinar, e deixei em cima da mesa dele.
Minutos depois eu estava impaciente mexendo minha perna freneticamente, quando um policial apareceu trazendo um algemado e ainda com resquícios de sinais de embriaguez, que bufou assim que viu e eu.
- Hoje é seu dia de sorte – o delegado se dirigiu a com um tom de ironia – É bom ter amigos que pagam sua fiança.
fuzilou o delegado com o olhar.
- Quem disse que eles são meus amigos? – rebateu ainda enrolando um pouco nas palavras – E eu quero ir embora pra minha casa com meu carro agora!
O delegado respirou fundo.
- Sua habilitação de motorista está suspensa por doze meses – explicou tentando manter a calma na voz.
- O que? Você não pode fazer isso! – resmungou – Eu vou te processar!
- Vai, processa, eu quero ver – respondeu o delegado sem ânimo na voz.
levantou os pulsos pro policial e falou:
- Se a porra da fiança ta paga, por que você ainda não tirou essa merda de mim? – ele estava se referindo as algemas.
O policial revirou os olhos e soltou as algemas, logo em seguida fomos liberados. Saímos da sala do delegado, parou e ficou nos encarando.
- Interrompi algum programa romântico entre os dois?
bufou.
- Te espero no carro, – e saiu logo em seguida.
continuou com aquele sorrisinho sarcástico no rosto e eu o puxei mais pro canto.
- , qual é o seu problema? – comecei.
Ele chegou mais perto.
- O meu problema? – riu – O meu problema é, simplesmente, o fato de você ainda respirar.
Revirei os olhos.
- Não acredito que paguei sua fiança! – murmurei quase que pra mim mesma.
riu novamente.
- Não pedi pra ninguém pagar.
- É, eu devia te deixar preso até que você conseguisse alguém pra pagar pra você... – falei – Ah, verdade, você não tem ninguém, não é mesmo? Até sua mãe te largou pra casar com outro cara!
ficou me encarando um pouco surpreso com o que eu tinha acabado de dizer, e eu me arrependi do que falei no exato momento que disse. Na verdade a mãe do não tinha o abandonado de verdade, é só que ela sofreu um acidente, no qual ela esqueceu alguns acontecimentos e, depois disso, ela conheceu um italiano, casou com ele e se mudou pra Itália. Mas o já era adulto e tinha sua vida “feita”, então não foi abandono e eu me senti uma idiota por ter dito isso.
- Olha quem fala, pelo menos a minha está viva! – rebateu ele, e isso doeu um pouco, mas eu mereci – Seu único amigo é seu empresário, e o seu namorado atual era seu ex... Acho que estamos na mesma não é mesmo?
Respirei fundo, procurando uma calma inexistente.
- Ele não é meu namorado! – me irritei – E você me deve um “obrigado” já que, graças a mim, você não vai ver o sol nascer quadrado!
Ele revirou os olhos.
- É, tanto faz – deu de ombros – Seu namoradinho deve estar impaciente, melhor não deixar o senhor perfeito esperar muito.
Contei até dez mentalmente, recuperando minha paciência.
- Bem, você está sem poder dirigir... – comecei, sem acreditar no que estava prestes a sugerir pra ele – Então... er... Você precisa de carona?
pigarreou.
- Sim, mas dispenso a sua.
Não dava pra ser educada com ele.
- Você podia ser menos orgulhoso pra variar um pouco. – comentei.
Ele me interrompeu com uma gargalhada.
- Ok, pra que eu aceitaria sua carona? Pra que amanhã o mundo inteiro diga o quão bondosa é por ser solidária com seu ex-namorado que vive maltratando-a publicamente tirando-o da cadeia e ainda o levando até em casa?
Revirei os olhos.
- Eu não estou fazendo isso pra me mostrar pra ninguém – rebati.
- Aham, claro! – e cruzou os braços – Aposto que foi você quem ligou pros repórteres falando sobre eu ter sido preso.
- Seu idiota! Gravaram você sendo preso e publicaram na internet, ninguém precisou ligar pra ninguém – pausa – Ou vai dizer que fui eu quem gravou e publicou esse vídeo também?!
Ele me olhou sorrindo sarcasticamente.
- Deve ter sido, já que esse é seu passatempo favorito não é mesmo?!
Bufei e decidi que, se ele não queria minha ajuda, eu não ia ficar me humilhando, ele que se fodesse sozinho então. Virei-me pra sair.
- – mas parei quando me chamou – Se não foi pra se aparecer, então por que veio aqui?
Esbocei um sorriso.
- Porque eu não me perdoaria se, mesmo sabendo que poderia ajudar alguém, não ajudasse.
Ele me pareceu surpreso.
- Você sabe que, se fosse ao contrário, eu não te ajudaria né?
Suspirei.
- Sim, eu sei.
mordeu o lábio inferior um pouco confuso.
- Então por que continua me ajudando mesmo assim?
Eu não fique surpresa com a pergunta em si, porque, por mais que eu tentasse reprimir isso, eu sabia a resposta dela há muito tempo, mas fiquei surpresa por ele querer saber.
- Você sabe a resposta – sai antes dele ter qualquer reação ou dizer alguma coisa.

Quando eu entrei no carro já recebi o olhar fulminante do , que esperou segundos demais pra arrancar com o carro e sair do estacionamento daquele lugar.
- Eu já sei o que você vai dizer – comecei – Que eu sou uma idiota, uma estúpida... Acredite, eu sei, você não precisa dizer.
respirou fundo.
- Eu nunca diria isso – respondeu ele – É só que esse cara não merece ter alguém como você o ajudando o tempo todo.
- É que eu me sinto...
- Responsável pelo o que aconteceu com ele... – me interrompeu completando a frase – Eu sei, mas você não é! – ele se virou pra mim por alguns segundos, mas logo voltou a atenção pro trânsito – Só pare de se sentir responsável pelas coisas, viva a sua vida, , pessoas como o não merecem sua ajuda.
Suspirei.
- Eu sei de tudo isso, mas não consigo eliminar essa culpa – respondi – Tudo ficaria muito mais fácil se eu conseguisse achar quem publicou aquele vídeo...
sorriu de canto.
- Eu imagino – pausa – Achar o culpado é importante pra você, mas enquanto não o achamos você não tem que se culpar em nada nem se sentir responsável por ele... Afinal, o só é assim por causa dele mesmo, e não de nada que você tenha feito.
Sorri, estava certo. Peguei na mão dele.
- Obrigada – e murmurei.
me deixou em casa, eu insisti pra que ele entrasse, ele disse que estava tarde e que precisava trabalhar amanhã. Eu me senti mal pelo , quer dizer, ele não tem nada a ver com o e, mesmo assim, lá estava ele na delegacia, quando poderia estar passando a noite comigo. Provavelmente a que ele planejou não incluía tirar o meu ex, bêbado, da cadeia.
Entrei em casa e a única coisa que fiz foi me jogar na cama, e pegar no sono logo em seguida.

CAPÍTULO 6


Acordei com o mesmo ânimo matinal de sempre, ou seja: zero. ainda não tinha dado as caras, o que era bom, já que ele provavelmente já devia estar sabendo do ocorrido do dia anterior e iria me encher de perguntas por causa daquilo. Dirigi-me para cozinha a fim de preparar um bom café forte pra me despertar já que a manhã seria longa e iria exigir uma bem disposta e não sonolenta. Fiz meu café e fui checar as correspondências.
Deviam ter uns 10 envelopes, quatro eram cartas de fãs que pediam pro porteiro colocar no meio das minhas correspondências, eu as separei pra ler mais tarde. Cinco eram contas q eu joguei em cima da mesa sem dar importância e tinha mais um envelope, sem remetente, amarelo, apenas com uma frase escrita “O dinheiro da fiança que eu NÃO pedi que você pagasse”. Abri o envelope e lá dentro tinha uma quantia em dinheiro... Contei, era exatamente o preço que eu paguei na fiança de . Procurei por algum bilhete dizendo um “obrigado”, mas nada... Só o dinheiro.
O sangue parecia borbulhar dentro do meu corpo de tanta raiva, de como nem um obrigado era capaz de dizer. Troquei de roupa num instante, peguei a chave do carro e a analisei por alguns segundos, tentando achar um motivo não infantil pra justificar o que eu estava prestes a fazer. Ignorei minha ética, desci pra garagem e fui correndo pra casa do .

Já no prédio dele, o porteiro tentou me barrar, insistindo em me anunciar o que, claro, não daria certo já que não iria me deixar subir. Então, eu o subornei... E não, eu não faço isso com freqüência, só quando é extremamente necessário. Fui de elevador e, por sorte, não encontrei ninguém no elevador, o que era bom caso alguém me reconhecesse e saísse espalhando por ai que eu estava indo visitar .
Apertei três vezes a campainha, totalmente impaciente, e, quando estava prestes a apertar mais uma vez, um sonolento de cueca boxer cinza abriu a porta, arregalando os olhos de surpresa. Ele ameaçou fechar a porta, mas eu a empurrei e entrei.
fechou a porta, irritado, depois que eu passei por ela.
- Mas que porra você...
- Aparentemente é mais fácil pagar do que dizer um “obrigado” – o interrompi.
- Do que você ta falando?
Joguei o envelope em cima da mesa.
- Disso – e apontei pro envelope.
Ele bufou.
- Eu só paguei o que eu devia.
Respirei fundo e contei até dez mentalmente.
- A única coisa que você me deve é um obrigado... Pelos últimos acontecimentos que eu venho te ajudando e não recebendo nem um agradecimento por isso – cruzei os braços – Ah, e a propósito, eu não preciso do seu dinheiro.
Ele revirou os olhos.
- Olha , se você gosta tanto de mim ao ponto de querer me ajudar o tempo todo, eu não te devo nenhum agradecimento, eu não pedi sua ajuda. – ele cruzou os braços – Não vou te tratar como minha heroína quando tudo o que você fez foi foder com a minha vida e ainda continua fodendo com ela, porque me ajuda pra se promover perante a mídia e aqueles fãs estúpidos.
- Primeiro, eu to pouco me fodendo pra mídia, eu não faço isso pra me aparecer – soltei o ar – Segundo, eu não gosto de você.
riu.
- Se não gosta, então por que me ajuda?
Bufei.
- Porque tenho pena de você, , de como você é patético ao ponto de não conseguir se controlar em relação à bebida.
Ele foi se aproximando e eu me esquivando até tocar na mesa e ver que não tinha mais como me afastar.
- Então não é porque você ainda tem uma quedinha por mim? – ele perguntou com um sorrisinho malicioso no rosto.
- Não. – falei firme.
- Vamos ver então.
enfiou as mãos em meio aos meus cabelos e os emaranhou em seus dedos, depois os puxou, me fazendo olhá-lo nos olhos e soltar um gruído baixo. Com a outra mão ele apoiou na mesa e, então apertou seus lábios contra os meus, enfiando sua língua logo em seguida. Eu fiquei sem reação nenhuma e não consegui fazer nada além de corresponder o beijo, envolvi sua cintura com meus braços piorando totalmente a minha situação, já que era isso que ele queria... Mostrar-me que eu era sim afim dele.
Ele quebrou o beijo sorrindo sarcasticamente, me olhando nos olhos com a expressão quase que dizendo “eu venci”.
- Nem preciso dizer mais nada, não é mesmo? – disse ele ainda bem perto de mim.
Fuzilei-o com o olhar e o empurrei, saindo logo em seguida e ouvindo sua risada enquanto esperava pelo elevador.
Peguei meu carro e voltei pra casa ainda sentindo como se meu sangue estivesse borbulhando de tanta raiva. Na portaria do meu prédio, depois que eu estacionei o carro, estava gesticulando com o porteiro. Eu me aproximei e consegui ouvir o que eles estavam falando.
- Como assim ela saiu? – perguntou indignado pra ele – Ela disse aonde ia?
Quando o porteiro ia responder, eu apareci.
- , eu estou aqui – disse – Bom dia, Cristian – me dirigi ao porteiro, que sorriu pra mim e depois soltou o ar, acho que aliviado por eu ter chego e fazer com que o parasse com o interrogatório.
- Eu não sei se você lembra, mas a senhorita tem um compromisso que foi adiado pra hoje! – e começou a resmungar.
Eu me dirigi pro elevador e foi atrás.
- Não me esqueci de nada... – comecei – Eu só tive que ir num lugar.
Ele revirou os olhos.
- Ta, ok – pausa – Você tem, no máximo, dez minutos pra se arrumar entendeu?
Suspirei.
- Entendi. – murmurei.
Quando eu abri a porta do meu apartamento fui direto pro banho, que eu tomei super mega rápido, já que eu não tinha muito tempo. Depois fui ao closet e demorei uns três minutos pra achar uma roupa legal... O que me restou de tempo eu gastei me maquiando e tentando dar um jeito no meu cabelo. quase me arrastou porta afora quando eu terminei, dizendo que já estávamos atrasados e reclamando sobre tudo.

- Estão querendo fotografar você pra uma exposição de fotografia que acontece no mês que vem – Já no carro voltou a falar de trabalho – Eu pensei em confirmar logo de cara, que é o que eu devia fazer, mas achei que você gostaria de saber antes, já que será você quem irá ser fotografada.
Dei de ombros.
- Tá... Tudo bem pode confirmar – murmurei.
- Sério? Eles querem tirar as fotos o mais rápido possível!
- Sem problemas – disse.
- E não se esqueça que os testes pra aquela peça que você queria participar começam na segunda.
- Ok, não vou esquecer.
deu de ombros e foi anotar alguma coisa na agenda. Eu continuei encarando a janela e lembrando-me do dia anterior e de hoje de manhã. De como o era ingrato e insensível, e de como eu era burra por continuar o ajudando mesmo assim. Olhei pro céu acinzentado e jurei pra mim mesma que eu nunca mais faria aquilo de novo, que eu nunca mais iria ajudar , independente de qualquer circunstância.
Chegamos ao estúdio onde eu gravaria o comercial e, como sempre, tinha exagerado totalmente, porque não estávamos atrasados coisa nenhuma. Era um comercial de um perfume e eu já sabia o que tinha que dizer, não era muita coisa na verdade. Fui pro camarim trocar de roupa e me maquiar (sim, mais ainda).

Quando eu terminei o comercial, veio logo atrás de mim, me aplaudindo e dizendo que eu fui super bem. Atrás dele estava uma moça ruiva, que aparentava ter seus quarenta anos com uma câmera em mãos.
- , essa é a fotógrafa que eu te disse, Celine Mendes – a apresentou.
- Prazer – ela sorriu – Eu vim aqui para propor uma sessão de fotos suas pra minha exposição que acontece daqui um mês, o que você acha?
Eu sorri.
- Eu adoraria, Celina – respondi sorrindo e ela soltou o ar, aliviada.
- Sério?Quando podemos começar? – ela quis logo saber, empolgada.
- Quando você quiser – falei.
Ela sorriu.
- Que tal na semana que vem?
- Pode ser... Não é, ? – olhei pra ele e ele fez que sim com a cabeça.
- Te ligarei para marcarmos a hora e acertar o resto dos detalhes – disse, logo depois foi comigo até a porta.

Quando eu coloquei meus pés pra fora do prédio, uma avalanche de papparazzis veio sobre mim, quase me deixando cega com tantos flashs. Alguns deles insinuaram perguntar alguma coisa, mas logo me arrastou pro carro antes que qualquer um deles tivesse a chance.
- , eu gostaria de saber sobre ontem – disse logo quando fechou a porta, após sentar-se ao meu lado – O que aconteceu?
Suspirei.
- , eu estava com o quando vi um vídeo na internet – comecei – Era do sendo preso e eu senti que devia ajudá-lo, já que ele não tem ninguém.
revirou os olhos.
- , você tem que parar de se sentir responsável pelo – disse ele – E você acha que o ficou contente de você o ter largado pra ir “salvar” o idiota do ?
Suspirei.
- É, eu dei mancada com ele... – me senti culpada.
- Deu, e não foi pouco. – concordou.
Eu não tinha parado pra pensar nisso e, agora, olhando pelo lado do na história, vi que realmente tinha dado mancada com ele. Logo veio aquele aperto no coração mostrando minha culpa por isso.
- Mas nada que uma ligação não resolva – sugeriu.
Sorri.
- Podemos almoçar juntos? – perguntei.
- Claro, eu sempre posso almoçar com minha estrela!

Fomos pro Queóps, o lugar onde eu devo ter passado boa parte da minha vida. O lugar que, de dia, era restaurante e, de noite, era bar... Louco, mas perfeito. Peguei o telefone e disquei rapidamente o número de .
- Vai querer a opção oito, ? – perguntou enquanto fazia sinal para a garçonete vir nos atender, eu fiz que sim com a cabeça. – Duas opções oito, por favor.
Tocou, tocou, tocou e nada dele atender. Então caiu na caixa de mensagens e eu desliguei suspirando.
- Caixa de mensagens – disse pra , que me olhava com um olhar ansioso – Agora resta saber se ele não atendeu porque não ouviu chamar ou porque não quer falar comigo.
- Liga mais uma vez, se tocar até cair na caixa de mensagens é porque ele não pode atender – sugeriu ele – Se estiver desligado é porque ele não queria falar com você e desligou.
Respirei fundo e digitei os números novamente. Não deu nem um toque e a operadora informou que estava desligado.
- O telefone chamado está desligado ou encontra-se fora da área de cobertura. – repeti o que a gravação falou. – Vou deixar recado.
soltou o ar, aparentemente decepcionado, assim como eu.
- É, realmente, ele não quer falar com você. – admitiu ele.
- , me liga assim que ouvir esse recado – deixei a mensagem, depois desliguei o celular e me voltei pra - Mas eu pensei que estava tudo bem, ele não pareceu nem irritado na delegacia, ele até me tranqüilizou.
arregalou os olhos e ia dizer alguma coisa, mas foi interrompido pela garçonete roliça de olhos cansados com nossos pratos.
- Espera, você foi com o na delegacia? – não entendi a indignação dele – Diz que eu entendi errado, por favor.
- Qual o problema? – quis saber.
- “Qual o problema?” Você ainda pergunta? – respondeu com outra pergunta – Como você se sentiria se estivesse com o e ele fosse salvar a ex junto com você?
Suspirei.
- Mas eu não queria que ele fosse! – expliquei – Foi o que insistiu em ir junto comigo.
revirou os olhos.
- Porque ele é o , dãr, você o conhece bem o suficiente pra saber que ele é um cavalheiro! – suspirou – Meu deus, quem me dera ter um na minha vida, e você ai deixando o cara de lado pra ir atrás do canalha do seu ex.
Aquela dorzinha de culpa no coração voltou.
- Mas então porque ele não disse nada? Por que ele não disse no carro que se sentia incomodado com aquela situação?
bufou.
- , você realmente acha que ele diria alguma coisa?
Olhei a janela, pensando um pouco em .
- Claro que não, ele é gentil demais pra isso. – mordi o lábio inferior – Meu Deus, como eu sou estúpida.
- Desculpe, mas eu vou ter que concordar – só piorou a situação – Mas não é nada que não possa ser resolvido.
- Se até o final desse almoço ele não retornar minha ligação, eu vou ir ao trabalho dele! – disse determinada.
abriu um sorriso.
- É assim que se fala garota!
Eu sorri também, depois dei uma olhado no celular... Nem uma mensagem. Voltei pro meu prato intocado de strogonoff e comecei a comê-lo, checando de minuto a minuto o celular pra ver se tinha dado sinal de vida.
- Ficar encarando o celular não quer dizer que vai fazer com que fale com você - disse percebendo minha inquietação.
- Eu só queria me desculpar...
- Viu o que o causa na sua vida, ? – me interrompeu – Ele parece um tsunami que arrasta tudo de bom que vê pela frente.
- Nem me fale...
pegou na minha mão por cima da mesa, e me olhou nos olhos.
- Bem, eu sei o quanto você amou esse cara... Você e o tiveram um amor intenso, e eu não vou mentir que sempre achei que vocês foram feitos um para o outro – começou ele – Mas, por um azar da vida, ele preferiu ignorar o que sentia por você e acreditar no que a mídia falou... – suspirou – E, por mais que você, provavelmente, nunca vai amar alguém tão intensamente quanto amou o , que tal fazer o que ele fez? Se o pôde ignorar tudo o que ele sentia, você também pode.
- Eu vou esquecer o de uma vez por todas e ficar com o ! – falei determinada.
- Hey, espera – disse – Eu não estou dizendo que é pra você ficar com o , não se você não quiser, eu só estou dizendo pra você esquecer o .
- Mas eu me sinto bem com o – expliquei – Eu gosto dele, não tanto quanto do , mas gosto... E eu quero seguir em frente e virar essa página.
deu de ombros e sorriu.
- Só não faça nada que irá se arrepender depois.
Terminamos de almoçar e fomos pagar a conta. Dei mais uma olhada no celular e nada.
- E ai, algum sinal de vida? – perguntou por cima dos ombros antes de se voltar para a caixa.
Suspirei.
- Não – tirei o dinheiro da carteira – Toma, eu vou ir atrás dele.
Fui sair, mas segurou meu braço.
- Vai com o motorista, eu posso ir de táxi – sugeriu.
- Não, eu vou ir de táxi.
Sai em passos largos do Queóps e imediatamente olhei pela rua procurando um táxi e parecia que o universo estava conspirando contra mim, já que não tinha nem sinal de ter um táxi por ali. Bufei e, nessa hora, magicamente, um táxi brotou do além na esquina e eu corri chamá-lo, por sorte não tinha ninguém. Expliquei como se chegava ao trabalho de do jeito que eu lembrava, porque eu já tinha feito alguns trabalhos em lugares próximos ao prédio da construtora que ele trabalhava. O taxista conseguiu fazer o caminho, não tão longo, em dez minutos, isso porque tivemos sorte do trânsito não estar completamente parado.
Paguei e desci do carro apressadamente, o que era meio idiota da minha parte, já que o não estava prestes a morrer ou partir, mas o fato dele estar chateado comigo me incomodava.
- Posso ajudá-la? – uma mulher me perguntou quando me viu passando pela porta.
- Sim, pode – respondi – Eu preciso falar com .
Ela sorriu de canto.
- Ah, ele não está.
Soltei o ar desapontada.
- E você sabe onde ele está? – quis logo saber.
- Provavelmente em casa, ele pediu folga hoje. – explicou.
- Ah, obrigada – respondi sorrindo de canto.
Ela franziu a testa e começou a falar quando eu já estava me dirigindo para a porta.
- Você não é a...
- Não! – a interrompi saindo pela porta.

Droga ! Mais um táxi. Soltei o ar. Procurei por um táxi, mas nada. Dez minutos depois lá estava eu sentada na calçada esperando um táxi passar, com uma touca e óculos escuros tentando não ser reconhecida quando a vida decidiu colaborar comigo e me enviar um táxi. Eu levantei num salto e gritei pro taxista parar (meu Deus, que maluca eu sou) e ele, claro, parou. Expliquei aonde ele tinha que ir e peguei o telefone novamente, discando o número de e, quem me atendeu, foi a gravação da operadora dizendo que o celular estava desligado ou fora da área de serviço. Que saco!
O taxi parou em frente à casa de , respirei fundo depois de pagar e antes de abrir a porta do carro. Olhei a casa e estava um silêncio, até parecia que não tinha ninguém em casa, mas o carro dele estava na garagem. Toquei a campainha duas vezes e ouvi o barulho de destrancaram a porta.
- ? – abriu a porta com uma expressão surpresa.
Ele estava com uma camiseta branca e uma bermuda marrom claro. Totalmente diferente do que eu costumava vê-lo vestir sempre que nos encontrávamos.
- Você não viu meu recado? – perguntei.
- Aham - respondeu ele seco.
- E por que não me ligou? – quis saber.
colocou as mãos nos bolsos e encarou o chão. tinha razão, ele estava chateado. tirou os olhos do chão, deu espaço pra eu passar e fez sinal com a cabeça pra eu entrar.
Eu passei pela porta e ele a fechou. Olhei para ele e desviou o olhar.
- Como você sabia que eu estava em casa? – ele perguntou.
- Fui ao seu trabalho e me falaram que tinha pedido folga – expliquei – Por que você pediu folga?
Ele respirou fundo.
- Sei lá... Eu só precisava ficar sozinho um pouco.
Fiquei analisando-o por alguns segundos antes de responder alguma coisa.
- E suponho que minha ligação deve ter te incomodado muito... – comecei – Assim como minha presença, então acho que eu devo ir – e me dirigi pra porta, mas ele me impediu entrando na minha frente.
- Não vai embora, por favor – respondeu ele.
- Eu só queria me desculpar por ontem, mas você não me deu essa chance já que decidiu ficar inacessível sem explicação. – me irritei.
pareceu escolher as palavras certas.
- Olha , eu não te atendi porque eu ainda estou magoado com o que aconteceu ontem.
Mordi o lábio inferior.
- Desculpa , eu não tenho uma bola de cristal – comecei – Você podia ter me dito isso ontem mesmo.
Agora parecia estar irritado.
- Ah é? E como eu faria isso se você estava ocupada demais pensando no ? – ele disse rispidamente – E, nossa, o que seria meu ciúme perto do que ele estava passando, não é mesmo? Coitadinho.
Fiquei um pouco sem reação com a ironia dele.
- ...
- Então se você prefere o ingrato do seu ex, tudo bem, não se incomode em me pedir desculpas – ele encarou o chão novamente – Já que minha opinião não é relevante.
Cheguei mais perto dele, segurei uma de suas mãos e ele não se opôs.
- , é claro que sua opinião é relevante, senão eu não estaria aqui agora – comecei – Me desculpe por ter metido você nisso e não, eu não prefiro o ...
- Então por que foi ajudá-lo?
Suspirei.
- Você sabe por que, eu te expliquei no carro – disse – Mas foi um erro que já me arrependi.
me olhou nos olhos, mas virou a cabeça logo em seguida.
- , você já me trocou por esse cara uma vez, não vou aceitar que isso aconteça novamente... Já foi humilhante o suficiente na primeira vez.
Senti-me a pior pessoa do mundo o ouvindo dizer isso.
- Desculpe-me o ter feito se sentir assim... – falei sinceramente – Eu só não quero que você continue magoado comigo.
- Você não sabe o que eu tinha planejado pra ontem... – começou ele novamente – Eu sou um idiota mesmo por achar que você seria capaz de me amar de novo.
Fui pega de surpresa.
- O que você tinha planejado?
Ele soltou minha mão.
- Eu... Eu... – pausa – Eu só ia perguntar se... Bem... Se poderíamos recomeçar da onde paramos, antes de... Você sabe.
Sorri com as palavras dele e fiquei sem reação por uns segundos.
- Mas esquece, ta na cara que não tem espaço pra mim na sua vida.
Segurei suas mãos novamente.
- Bom, se a proposta ainda estiver de pé, eu adoraria. – respondi e ele ficou surpreso.
- Você não está falando sério, está? – perguntou pra confirmar.
- É claro que eu estou falando sério, mas acho que a proposta não está mais de pé, então é melhor eu ir – falei em tom de brincadeira e me virei indo pra porta.
segurou meu braço e disse sorrindo:
- E eu acho que é melhor você ficar – me deu um beijo rápido.
Sorri e o abracei, inalando aquele perfume maravilhoso dele.
- E é claro que minha vida tem espaço pra você, seu tonto – falei em seu ouvido o fazendo sorrir.
desfez o abraço.
- Bom, já que estamos esclarecidos, eu espero que sua agenda de atriz famosa não tenha mais nada para hoje – começou ele – Ou eu vou ter que ser obrigado a voltar para o trabalho.
- Então acho que você está com sorte, porque não tenho compromissos pela tarde.
Ele me deu um selinho demorado.
- Eu ando muito sortudo ultimamente – sorriu, se dirigindo para a cozinha logo em seguida e eu o segui – E que mordomia essa vida de atriz famosa, acho que vou pensar seriamente em largar o ramo de relações públicas e virar ator!
Ri.
- Bom, se você gostar de ser seguido pra todos os lugares por fãs, ou por papparazzis ou pelos dois... Bem vindo!
riu pegando duas taças.
- É, acho que prefiro ficar no anonimato mesmo – respondeu colocando vinho nas taças, logo em seguida me entregou uma.
- Às vezes eu prefiro também... – murmurei.
voltou para a sala e se sentou no sofá, eu fiz o mesmo.
- Mas é quase impossível para alguém como você, não é?! – ele quis saber.
Concordei com a cabeça.
- Quase, se não totalmente, impossível – respondi, o fazendo rir. – Eu gostaria de fazer coisas normais pra variar.
Ele pensou um pouco.
- Estamos fazendo algo normal agora mesmo – disse ele, depois fitou a janela da frente que estava com a cortina entreaberta – E, pelo o que me parece, não tem ninguém tirando fotos nossas nem pedindo um autógrafo.
- Ah, não subestime os papparazzis, você se surpreenderia com a capacidade deles de camuflagem – comentei rindo.
- Mas vamos pensar que eles não estão lá fora, que ninguém mais está e que somos apenas dois adultos tomando vinho, sentados no sofá – sugeriu ele.
Abri um sorriso.
- Vamos! – e concordei.
A tarde com o foi ótima, assistimos a um filme e comemos a macarronada que ele tinha preparado. Aquela tarde tinha sido como a tarde anterior, só que, dessa vez, ninguém sairia para salvar nenhum ex-namorado e isso era ótimo. Eu me esqueci totalmente da hora ou de qualquer outra coisa, só concentrei toda a minha atenção em e nada mais, exatamente o que eu precisava: um dia normal, com uma pessoa normal fazendo coisas normais. Talvez quando você não está estampado na capa de revistas famosas ou em noticiários de fofoca, um dia normal parece tão monótono e chato, mas, para uma pessoa como eu, um dia normal é tão anormal que parece ser a melhor coisa do mundo.
Meu celular vibrou no meu bolso, me fazendo ter que quebrar o beijo para checá-lo. Era confirmando o horário e o dia da sessão de fotos com Celina.
- Quem é? – quis saber .
- falando o dia da minha sessão de fotos – respondi.
- Humm... Sessão de fotos, é?
- É, uma fotógrafa quer me fotografar para a exposição dela – expliquei.
Ele sorriu.
- E quem não gostaria de te fotografar? Você é linda! – disse ele, me fazendo corar.
Olhei para a janela e já tinha escurecido.
- Nossa, já escureceu – levantei-me do sofá num pulo – Acho que é melhor eu ir, já que vou ter que pegar um táxi.
levantou.
- Ah, não vai, por favor... Nossa tarde foi tão boa que eu não quero que ela termine. – pediu ele com aquele jeito manhoso.
- Infelizmente ela acabou, hora de ir – respondi sem ceder.
Ele segurou minha cintura, me puxando pra mais perto.
- Então dorme aqui – sugeriu.
Fiquei um pouco sem reação no momento, pensando se aceitaria ou não.
- ...
- Por favor – implorou sussurrando no meu ouvido. – Quero ter a sensação que não tinha a anos de acordar com você do meu lado.
E era incrível como as pessoas conseguiam me persuadir tão facilmente, ainda mais se a pessoa em questão tivesse dois olhos e um jeito manhoso em te pedir as coisas, fazendo o pedido ser irrecusável.

CAPÍTULO 7


Abri meus olhos após sentir um beijo no meu rosto. estava parado com uma bandeja com meu café da manhã. Sorri.
- Bom dia senhorita – disse ele colocando a bandeja ao meu lado da cama – Espero que esteja com fome.
Sorri.
- E como! –respondi pegando uma torrada na bandeja.
se sentou ao meu lado e sorriu.
- Infelizmente eu não irei poder passar o dia com você – e começou – Entro às dez hoje.
Olhei no relógio na cabeceira da cama, nove e meia... Suspirei.
- Que pena – fiz uma cara triste. – Você pode me dar uma carona?
Ele me deu um selinho.
- Claro que posso – e sorriu. – Eu te amo !
Essas ultimas palavras me pegaram de surpresa, eu não amava , eu apenas gostava muito dele... Fiquei sem saber o que fazer e o abracei como resposta.
- Eu senti tanto sua falta! – ele surrou em meu ouvido.
- Idem – falei e ele começou a rir, entendendo que eu estava imitando o filme que assistimos no dia anterior, Ghost.
- Idem – e repetiu ainda rindo e, logo depois, se levantou. – Eu vou trocar de roupa, tente ficar pronta enquanto eu me arrumo okay?
Levantei-me também e dei um selinho nele.
- Sim senhor. – e respondi brincando.
riu e foi pro closet se trocar. Eu procurei minha roupa pelo quarto e a encontrei perfeitamente dobrada em cima de um baú, a vesti logo em seguida. Ele saiu do closet arrumando a gravata.
- Quer ajuda? – perguntei apontando para a gravata.
- Eu sei fazer muito bem um nó na gravata, mas prefiro que você o faça. – respondeu ele e eu sorri, começando a dar o nó na gravata dele.
- Prontinho – falei soltando a gravata e o beijando rápido logo em seguida.
olhou o nó e agarrou minha cintura.
- Perfeito! – e me deu mais um beijo, só que demorado dessa vez – Pena que temos que ir, adoraria passar mais uma tarde com você.
- Nem me fale!
riu e segurou minha mão, depois descemos as escadas. Ele pegou as chaves do carro e fomos até a garagem, entrando no volvo prata em seguida. Ele me deixou escolher a estação de rádio e eu escolhi uma que, normalmente, passava rock e indie... não curtia muito esses estilos, ele gosta muito de country e um pouco de música erudita, mas mesmo assim aceitou a estação do rádio comentando sobre algumas músicas.
Conversamos durante o caminho todo até meu apartamento, sobre tudo, desde nós até trabalho e vez ou outra pegava na minha mão. Um tempo depois ele parou o carro em frente do prédio onde eu morava e me deu um beijo demorado de despedida.
- Podemos almoçar juntos? – perguntou antes que eu saísse do carro.
- Eu tenho a sessão de fotos depois do almoço e ia almoçar com o como eu sempre faço, se você não se importar, pode almoçar conosco.
abriu um sorriso.
- Perfeito, que horas posso buscar vocês? – quis saber ele.
- Acho melhor nos encontrarmos lá no Quéops – sugeri.
- Tudo bem então. – ele concordou – Te vejo daqui a pouco.
Dei um beijo rápido nele e sai do carro.
O elevador não demorou a vir e eu fui direto pro banho quando cheguei em casa, já que estava com a roupa do dia anterior ainda. Não enrolei muito no banho, o que me deu um bom tempo até chegar a hora de almoçar com e . Fui pra sala e liguei a TV, assistindo um pouco sem dar atenção um programa aleatório que estava passando aquela cantora de country, Hilary Benson, toda extravagante com um vestido pink e unhas e sombra de mesma cor, não evitei de fazer uma careta e rir logo em seguida. e eu costumávamos rir dela o tempo todo, e sempre se referia aos meus batons rosa claro como “Batom Hilary”, o que era a pior comparação do mudo, porque os meus eram de longe parecidos com os que ela usava.

Chegada a hora do almoço, e eu fomos juntos ao Queóps e, quando chegamos, já estava na porta a nossa espera.
Cumprimentei com um selinho que não causou estranheza nenhuma em , já que eu tinha passado o caminho todo contando como tinha sido o dia de ontem.
- Ai que bonitinhos vocês! – disse do mesmo jeito que você fala com uma criança – A propósito, oi !
passou um dos braços em volta da minha cintura.
- Olá – ele respondeu e nós entramos.
Dessa vez nem eu nem pedimos “o de sempre”, e pediram alguma coisa com peixe e eu com muita carne... Os vegetarianos e veganos devem me odiar, porque não existe pessoa que coma mais carne no mundo que eu, e isso não é exagero.
e começaram a conversar sobre tudo que se pode imaginar, até sobre uma luta de UFC que acontecera no dia anterior... Eu nem me atrevi a entrar no assunto porque as únicas coisas que via na TV eram seriados ou reality shows quando não tinha nada mais interessante pra fazer ou quando o estava em casa, porque ele sempre fora viciado em reality show.
Nossos pratos chegaram e parou de conversar com repentinamente pra dizer num tom mais baixo:
- Acho que não estamos totalmente sozinhos – e fez sinal discretamente com a mão para trás de .
e eu olhamos e tinha um paparazzo tentando ser o mais discreto possível, mas ele tinha falhado óbvio. Eu sorri e dei de ombros.
- Apenas aja naturalmente – disse.
- Isso! – concordei e nos olhou com as sobrancelhas arqueadas, creio que surpreso com nossa tranquilidade em relação ao paparazzo.
E eu dei ao paparazzo exatamente o que ele adoraria ver, ou melhor, fotografar: puxei e o beijei, ele ficou surpreso no começo, mas logo retribuiu. Provavelmente todo mundo só ia falar desse beijo e de nós estarmos juntos que esqueceriam o ocorrido na delegacia, onde eu fui “salvar” o .
- Adoro ser a vela, nossa! – comentou e nós rimos.
Depois que terminamos nosso almoço, combinamos todos que iriamos dividir a conta antes que o senhor falasse que iria pagar. Dirigimo-nos pro caixa e eu dei uma passadinha no banheiro pra escovar os dentes. Quando voltei, e estavam parados em frente a uma parede cheia de pequenos quadros.
- Olha , fotos nossas! – disse quando notou minha que eu tinha voltado.
Olhei os quadrinhos e as fotos que estavam ali eram de shows variados que tiveram no Queóps, reconheci muito deles que vim com ou . Algumas fotos eram do show do Drift aqui, quando eu conheci ... Nas fotos tinha eu e o com mais pessoas aleatórias que eu nem tinha lembrado que tinha tirado foto, acho que devia estar tão alterada.
Eu sorri e posso jurar que meus olhos brilharam de tanta nostalgia.
- Isso foi um show? – quis saber.
- Sim, do Drift – expliquei, sem querer entrar em muitos detalhes, como a data desse show.
revirou os olhos, olhou pro relógio e disse que ia ir pro caixa. Eu ia acompanhá-lo, mas segurou um dos meus braços me fazendo parar e foi andando na frente sem notar que eu não o acompanhei. colocou o dedo em uma das fotos e meu olhar foi direcionado imediatamente pro lugar onde ele apontava... e eu estávamos no fundo da foto nos beijando, eu ri e fui andando pro caixa junto com o .

Ao sairmos do restaurante cada um foi, literalmente, pra um lado. não iria me acompanhar na sessão de fotos, ele tinha que levar a mãe no médico e depois fazer outra coisa que eu não entendi direito, só concordei, e tinha que voltar pro trabalho.
- Te ligo mais tarde, ok? – disse segurando minha mão.
Eu fiz que sim com a cabeça e dei um beijo demorado nele. abriu a porta do carro que estava me esperando pra mim, eu agradeci e entrei no carro, colocando meus fones logo em seguida.
Quando eu cheguei ao lugar, nem precisei ser anunciada, só perguntaram meu nome e me deixaram subir.
- ! – Celina disse com empolgação quando abriu a porta pra me receber.
Eu sorri e ela pediu pra que eu me sentasse.
- Eu vou te explicar como vai funcionar a sessão de fotos – começou ela e eu fiz que sim com a cabeça, concordando – Minha filha tem nove anos, e ela é louca por contos de fadas. Uma vez ela me disse uma frase que me fez pensar muito até chegar ao tema dessa exposição.
Mordi o lábio inferior.
-O que ela disse? – e quis saber, interessada.
- Bem, ela sempre quis saber por que os adultos não gostavam de contos de fadas e eu expliquei que era porque eles cresciam e tinham outras coisas com que se preocupar – começou ela – Então ela me disse “Mamãe, eu acho que não importa se você cresce, todo mundo sempre vai gostar de princesas e príncipes. Que nem você e o papai, você encontrou seu príncipe e o papai encontrou sua princesa, isso é um conto de fadas, um pouco diferente da história da Ariel ou da Branca de Neve, mas é um conto de fadas”
Fiz aquela cara que você faz quando acha uma criança super fofa.
-Awn, que fofa! – falei – Só me dizer o que eu preciso fazer que eu faço.
Celina riu.
- Eu gostaria de te fotografar vestida de princesa andando na rua e, se possível, junto com a minha filha – disse ela – Também pensei em umas fotos aqui no estúdio.
Sorri.
- Eu adoraria! – falei empolgada – Mas antes poderia ver as fotos que você já tirou para essa exposição?
Os olhos dela pareceram brilhar com meu pedido, como quando você pede pra uma criança te explicar o desenho que ela fez e ela o faz toda orgulhosa, por alguém ter dado atenção.
- Claro! – e Celina levantou-se, pegou a câmera e me trouxe rapidamente. – Ainda não tive tempo de editá-las, por isso ainda estão na câmera.
Eu fui passando as fotos e me surpreendia a cada uma. Reconheci vários dos rostos fotografados de premiações ou, até mesmo da TV... Atores, atrizes, cantores, cantoras, escritores, jornalistas... Uns fantasiados de sapo, sereias, todos se divertindo tanto, como se tivessem voltado a ser criança.
- Eu adorei! – falei – Estão todas muito boas.
Ela sorriu e eu a entreguei a câmera.
- Com o que vamos começar? – e perguntei.
- Eu pensei em te fotografar na rua. – ela sugeriu – E depois voltamos pra fazer as fotos aqui.
- Ótimo – respondi e ela se levantou, eu fiz o mesmo.
Celina foi até um guarda-roupa e abriu uma parte que estava cheia de vestidos.
- Conversei com seu empresário e não teve como marcar pra você vir um dia antes para escolher sua roupa, por causa da sua agenda e da minha também – explicou – Mas ele me disse seu tamanho de vestido e eu trouxe várias cores do seu tamanho para que você escolhesse.
Olhei todos aqueles vestidos, era praticamente impossível escolher um só. Passei os olhos por todos, mas um me chamou a atenção e eu, sem hesitar, apontei para ele.
- O azul? – Celina perguntou para confirmar.
Eu fiz que sim com a cabeça. Ela pegou o vestido e um par de luvas brancas, me entregou e apontou o lugar que eu poderia ir para colocá-lo. Coloquei o vestido rapidamente e fiquei alguns segundos contemplando meu reflexo no espelho com aquele vestido enorme e sorri com o resultado.
Quando sai, havia um homem e uma menininha junto com Celina. A garotinha estava com um vestido exatamente igual ao meu.
- , essa é minha filha, Eva – Celina apresentou – E esse é o Kevin, ele irá nos ajudar com as fotos.
Eu sorri e disse um olá para ambos. Eva era muito fofa mesmo, com longos cabelos ruivos e lisos e grandes olhos azuis, e Kevin era alto, cabelo castanho escuro, olhos cor de mel e um corpo super bem definido.
- Eu sou muito seu fã! Eu amava desventuras do amor! – Kevin se aproximou, colocando minha coroa de princesa – É um prazer te conhecer.
Sorri e Kevin tirou o celular do bolso de trás da calça jeans, murmurando um “posso?” logo em seguida, eu assenti e ele tirou uma foto comigo.
- Você está igualzinha a Cinderela! – disse Eva – Eu amo a Cinderela, ela é uma das minhas princesas favorita.
Sorri mais uma vez.
- Você também está parecida com ela!– respondi e ela abriu um sorriso.
Celina nos apressou e fomos pro elevador, Kevin ajudou com os equipamentos e Eva foi conversando todo o momento comigo, sobre a escola e que as amigas dela nunca acreditariam que ela estava com uma atriz famosa. Eu ri.
- E é por isso que vamos tirar muitas fotos, assim elas não vão poder te contestar – eu respondi e ela adorou o que eu falei.
Saímos do elevador e minhas instruções foram bem simples, eu só tinha que andar normalmente de mãos dadas com Eva. Enquanto Eva e eu andávamos rindo na rua atraímos alguns olhares curiosos, e ouvi um “ela não aquela atriz da TV?”, mas ninguém veio pedir autógrafo nem selfie.
- Acho que já terminamos por aqui – Celine disse um tempo depois – Podemos voltar pro ateliê!
E foi o que fizemos. No elevador foi Kevin quem quebrou o silêncio, dizendo que eu e Eva éramos fotogênicas e que as fotos ficaram maravilhosas.
- Obrigada – agradeci corando um pouco.
- Eu tenho certeza que essa exposição será um sucesso! – continuou Kevin convicto.
- É o que eu espero! – Celina comentou e nós rimos.
- , quando mamãe me disse que íamos tirar fotos juntas, eu fui na internet saber quem era você, porque eu não sabia direito – Eva falou, chamando nossa atenção – E eu vi umas fotos de você com um homem bonito, acho que era o nome dele, e ele tinha um cabelo loiro e olhos azuis. Ele é o seu príncipe encantado?
De repente ficou aquele silêncio no elevador.
- Eva! – Celina tentou repreendê-la.
Apesar da situação eu sorri.
- Tudo bem – falei para Celine, depois me dirigi para Eva – Então, Eva, ele já foi meu príncipe encantado, mas agora ele não é mais.
Ela ficou confusa.
- Por quê? – e quis saber.
Tentei escolher as palavras certas.
- Porque, às vezes, alguns contos de fadas não dão certo e a gente tem que partir pra outro, para escrever uma nova história. – expliquei.
- Mas por quê? – e ela insistiu.
Sorri.
- Porque essa é a vida e nós temos que aprender a lidar com os imprevistos, você ainda irá entender algum dia. – falei e ela sorriu, parcialmente convencida.
O elevador chegou ao nosso andar e, quando paramos em frente à porta do ateliê, Celina e Kevin se entreolharam antes dela abrir a porta e eu entrei depois deles dando de cara com...
- ?! – quase gritei quando o vi sentado no sofá. Ele se levantou num pulo, igualmente surpreso por me ver – O que você está fazendo aqui?
- Eu pergunto o mesmo! – respondeu .
Ambos olhamos para Celina, pedindo uma explicação pelo olhar.
- Acho que acabamos demorando um pouco lá fora com – ela começou a explicar – Desculpe , se você puder esperar um pouco, já começamos com você – concluiu na maior tranquilidade.
Kevin estava rígido, acho que sacando o que estava rolando, diferente de Celina, que parecia calma e tranquila.
- Me ajuda a levar os equipamentos, Kevin, e traz a roupa do – disse ela, depois se voltou pra e eu – Eu já volto crianças. –saiu com Kevin e Eva logo em seguida. Obviamente ela não cometeria esse erro se soubesse que deixar eu e no mesmo ambiente era a mesma coisa que deixar dinamite perto de fogo.
me lançou um olhar intimidador logo que Celina e Kevin saíram.
- Vai ficar me olhando assim por quanto tempo? – perguntei, por fim, depois de um tempo.
Ele revirou os olhos.
- Até eu criar visão raio laser e fritar seus miolos – respondeu ele rispidamente – Aposto que isso deve ter sido armação sua...
- Ah claro, eu super armaria isso – falei ironicamente.
Kevin apareceu com a roupa de , a entregou para ele e falou onde era o provador. pegou a roupa e deu uma risadinha.
- Apreciem o show – e falou, tirando a camiseta cinza logo em seguida.
Kevin e eu nos entreolhamos estáticos e sem reação. tirou o jeans, revelando o resto daquele corpo tão desejável, e começou a vestir a fantasia.
Celina voltou na sala, o pegando ainda sem camisa e nos lançando um olhar com uma expressão confusa também. Quando terminou o showzinho, me lançou um olhar cafajeste com aquele sorrisinho sarcástico, e eu bufei. Celina foi ajudá-lo com os botões, porque ele não estava conseguindo abotoá-los.
- Desculpe, esqueceu o que significa ter modos – falei.
Celina e Kevin só assentiram com a cabeça.
- Modos e pudor são para idiotas que seguem padrões – ele respondeu.
Revirei os olhos e bufei.
- Então o príncipe quer protestar contra padrões? Acho que você devia ir num lugar público, porque aqui você não vai causar grandes impactos – rebati.
- Eu costumava usar as letras das minhas músicas pra isso, mas um certo alguém me tirou minha banda – sempre acha uma oportunidade pra jogar na minha cara que eu “fodi” com a vida dele.
- Fui eu mesma que fiquei enchendo a cara em casa e não ia a ensaios ou a shows – cruzei os braços. – E, nossa, falar de drogas o tempo todo é mesmo uma grande forma de protesto.
Celina e Kevin saíram da sala, nos deixando sozinhos novamente.
- , você é idiota? Tem uma criança aqui, imagina se ela visse você se despindo desse jeito no meio da sala – cheguei mais perto dele e sussurrei pra que só ele ouvisse.
- , um dia ela vai ver muito mais do que um homem de cueca de qualquer jeito.
Fiquei indignada.
- Você é doente! – aumentei a voz.
Ele riu.
- Não mais do que você que publica vídeos que destroem vidas ou tira pessoas da delegacia pra se promover – atacou ele.
Revirei os olhos.
- Afe – e resmunguei.
- Sabe a sua personagem naquele seriado que você fazia? Ela era toda boazinha, queridinha, fazia com que todos a amassem e, na verdade, era a pessoa mais nojenta e desprezível do mundo – ele começou – Qualquer semelhança com a realidade é apenas uma mera coincidência.
- Então você acha que me conhece?
Ele deu mais um daqueles sorrisos sarcásticos.
- Na verdade eu conheço sim, e muito bem – ele disse convicto – Pena que eu não conhecia tão bem assim quando me envolvi com você.
O sangue borbulhou dentro de mim.
- E se eu soubesse que você era um egocêntrico, idiota e infantil eu nunca teria nem deixado com que me dirigisse à palavra! – me irritei.
- Na verdade você teria sim porque, além de eu ser irresistível, você é muito fácil com qualquer um.
Fiquei boquiaberta.
- Eu não sou fácil! – retruquei.
- Aposto que seu namoradinho não teve grandes dificuldades de conseguir ficar com você, afinal, vocês voltaram a se falar na festa da Samara... Isso nem faz tanto tempo assim – ele se aproximou com o sorrisinho sarcástico – Você é muito influenciável e qualquer um consegue o que quiser de você se tiver uma boa lábia.
Engoli o choro.
- Isso não é verdade! Você sabe muito bem que, antes de você, eu só namorei o – argumentei.
Ele riu.
- Isso é o que você diz né... – ele cruzou os braços – Não da pra confiar.
- Você passou dos limites dessa vez! – alterei minha voz.
- Eu apenas trabalho com verdades.
Respirei fundo.
- Verdades? Então está na hora de te dizer algumas. – pausei e ele não retrucou – Você gosta de dizer o tempo todo que a culpa de tudo ser do jeito que é hoje é minha, mas a verdade é que você só, finalmente, achou alguém pra botar a culpa dos seus próprios fracassos...
-Mas a culpa é...
Cheguei mais perto dele, o fuzilando pelo olhar.
- Cala a boca que eu ainda não terminei e você vai me ouvir! – gritei, o interrompendo – Sua banda acabou? Ótimo, isso não era algo do qual estivesse tão longe assim antes daquele vídeo! Qualquer um conseguia perceber que você estava jogando o Drift no lixo com todo seu ego e desprezo pelos fãs, de como você não tinha nem a capacidade de, pelo menos, fingir que gostava deles. – joguei na cara dele os fatos – E esse mesmo ego também iria acabar com o nosso relacionamento, porque você não imagina o inferno pessoal que eu vivia tendo do meu lado uma pessoa que ama mais a si mesmo do que qualquer outro. Então, com o sem vídeo, você iria destruir todas essas coisas de qualquer forma.
ficou em silêncio com uma expressão surpresa e eu soltei o ar, como se tivesse tirado um grande peso das costas por estar dizendo aquelas coisas. Mas eu não tinha terminado.
- E já que na sua vida só tem espaço pra ninguém mais além de você mesmo, não é de se admirar que tenha fodido com a própria existência.
pareceu ter ficado pensativo, mas logo deu aquele sorrisinho sarcástico, acho que tentando mostrar que nada daquilo o tinha afetado.
- Já acabou? – perguntou me deixando mais furiosa ainda e eu não respondi nada, ele deve ter tomado aquele silêncio como um sim – Apenas vou deixar um comentário no ar: Talvez eu seja esse cara ai que você disse, mas bem que você adorava abrir as pernas pra ele. – e riu.
Eu arregalei os olhos e fiquei alguns segundos estática sem saber qual reação eu teria. Meu sangue pareceu ferver dentro de mim e eu, sem pensar, pulei em cima dele, o derrubando no chão logo em seguida e ficando em cima dele.
- Você vai se arrepender pelo o que falou ! – gritei, e depois tentei dar um soco na cara dele, falhando logo em seguida porque ele conseguiu me segurar.
- É isso que você chama de “se arrepender”? – ele gargalhou me provocando – Vai ter que fazer mais do que isso pra conseguir me fazer se arrepender de qualquer coisa.
Tentei acertá-lo com a outra mão, mas ele a segurou também.
- Você é um bosta egocêntrico e fracassado – eu perdi totalmente o controle.
riu de novo, me deixando mais furiosa.
- Nada do que disser irá me atingir, desculpe, eu sou totalmente imune a suas palavras – ele piscou pra mim – Mas você nem tanto, já que eu consegui te tirar do sério só com um pequeno comentário.
E então eu percebi que dei a ele exatamente o que queria: me fazer parecer uma louca descontrolada enquanto ele saia como o certo da história. Isso me tirou mais ainda do sério e eu me levantei.
- Boa garota, é sempre bom reconhecer que você nunca vai conseguiu me machucar, nem verbalmente muito menos fisicamente – ele falou rindo, ainda deitado no chão.
Eu não pensei nem meia vez e chutei as bolas dele em cheio. , imediatamente, colocou as mãos no local atingido, gemeu e deixou escapar um “filha da puta”. Eu ri de prazer com aquela cena.
- Quem é que nunca iria te machucar fisicamente, ? – e insultei enquanto ele se retorcia de dor.
me fuzilou com o olhar e disse:
- Você só se esqueceu de uma coisa... – e se levantou – Que eu sou muito bom em fazer as pessoas se arrependerem por terem me feito algo.
Engoli em seco e fui correr, mas ele segurou meus dois braços, me deixando totalmente imune. Foi nessa hora que percebemos que nossa briguinha tinha plateia, Celina e Kevin estavam parados nos olhando. Celina com a máquina em mãos com uma expressão indecifrável e Kevin totalmente aterrorizado.
largou meus braços e ambos olhamos para direções opostas e acho que ele, assim como eu, devia estar se perguntando por quanto tempo eles estavam ali.
- Um minuto sozinhos e vocês quase se matam! – foi Kevin quem interrompeu o silêncio – Eu sabia que era um erro os deixarem sozinhos!
- A culpa é dela! – acusou, como se fosse uma criança.
Revirei os olhos e preferi não falar nada, ou eu perderia a cabeça novamente. foi em direção ao lugar onde eu tinha me trocado mais cedo e entrou lá dentro. Minutos depois, saiu com a fantasia em mãos e a entregou para Kevin.
- Eu volto outra hora – falou para Celina – Quando esse lugar estiver melhor frequentado – E lançou um olhar fuzilador pra mim.
Celina apenas assentiu com a cabeça e disse que iria ligar mais tarde para remarcar, saiu pela porta logo em seguida e eu deixei meu corpo cair no sofá.
- Está tudo bem? – Kevin perguntou – Ele não te machucou não é?
Fiz que não com a cabeça. Não graças a eles.
Celina me olhava preocupada também, mas sem falar nada, e eu os tranquilizei.
- Podemos tirar as fotos aqui dentro? – e perguntei.
- Se você quiser podemos remarcar – Celina sugeriu e eu fiz que não com a cabeça.

Eu fiz todas as fotos que Celina precisava, mas aquele incidente não me saia da cabeça ao ponto de até chorar no estúdio. tinha me deixado mais irritada que o normal, e as coisas que ele disse...
- Você ainda está pensando no que aconteceu, não é? – Kevin perguntou enquanto estávamos no elevador, eu estava quieta e pensativa enquanto o elevador descia.
Balancei a cabeça afirmativamente.
- O que vocês acham de tomarmos um café juntos? – Celina sugeriu e Eva adorou a ideia.
- Pode ser naquele lugar que eles fazem o desenho de coração em cima? – e perguntou.
- Claro! – Celina a respondeu, depois se voltou para Kevin e eu – E então?
Kevin me olhou, esperando minha resposta para dar a dele. Dei de ombros.
- Pode ser, por mim tudo bem – e respondi.
- Um café seria ótimo – Kevin comentou e ficou decidido que íamos à cafeteria.
Andamos até o lugar, que não era muito longe do estúdio de Celina, mas um fã me parou durante o trajeto para pedir uma foto, e eu tentei parecer o mais feliz possível. Não sei se falaram alguma coisa para Eva, explicando o que aconteceu, mas ela não me fez nenhuma pergunta ou mencionou príncipes encantos novamente durante o trajeto.
Pedi um cappuccino e um muffin, escolhemos uma mesa no fundo do lugar, que Eva adorava porque tinha uma cadeira cor-de-rosa. Quando nossos pedidos chegaram, o silêncio estava incomodando e eu sentia que tanto Celina quanto Kevin queriam tocar no assunto, mas pareciam estar com receio de trazê-lo a tona.
- Me desculpem pelo o que aconteceu, eu acho que perdi a cabeça ou algo assim – e fui eu quem decidiu trazer o assunto a tona, para poder dar a minha explicação e as desculpas também – O realmente me tirou do sério, o que é bem difícil de acontecer, visto que eu já estou bem acostumada com esse tipo de situação.
Ambos sorriram, quase que aliviados por eu ter tocado no assunto.
- Imagina, você não tem que se desculpar! – Celina falou – Eu ouvi sobre vocês terem brigas frequentes, só não pensei que fossem tão frequentes assim.
Esbocei um sorriso.
- Você não imagina quanto... – murmurei.
- Olha, é bem feito pro mesmo terem publicado aquele vídeo! – Kevin entrou na conversa, defendendo seu ponto de vista – Eu sempre o odiei, ele é um total idiota e imaturo, estava na hora de alguém dar uma lição nele.
Celina deu uma cutucada em Kevin, o repreendendo.
- Você não acha que tenha sido eu, acha? – quis saber.
Kevin sorriu.
- Claro que não! – afirmou – Mas quem quer que tenha publicado aquele vídeo, é meu ídolo!
Celina deu outra cutucada nele e eu acabei rindo. Depois disso a conversa ficou mais descontraída e não tocamos mais no assunto da briga.
Algum tempo depois, Celina e Kevin tinham que voltar, pois tinham mais fotos a fazer. Pagamos a conta e eu os acompanhei até a porta do prédio onde a pouco e eu tínhamos tido uma briga feia... Celina e Kevin entraram, mas Eva demorou um pouco para entrar, parou na minha frente e disse.
- Sabe, nos livros de contos de fadas tudo é perfeito, mas eu já sou grande pra saber que os adultos não colocam toda a verdade nesses livros – começou ela e eu a fitei, tentando entender onde ela queria chegar – Uma vez mamãe me disse que ninguém é perfeito , e eu sei que os adultos, mesmo quando se amam, brigam... Mas isso não quer dizer que eles deixam de se amar. – e saiu correndo de volta para os braços da mãe, deixando aquelas palavras na minha cabeça.

CAPÍTULO 8


Um mês depois, lá estava eu me arrumando correndo pra exposição de fotos, atrasada pra variar. me esperava na sala e nos encontraria lá. Dei uma ultima olhada no espelho, meu vestido azul escuro longo me caia muito bem e eu tentei me prometer, mentalmente, que eu ia aguentar ficar com aquele salto preto até o final.
- Uau! Você está linda! – disse assim que me viu – Como sempre.
Ruborizei.
- Obrigada – respondi – E você também, como sempre elegante – completei reparando no terno preto dele, com gravata e tudo impecável... realmente sabia se vestir bem.
Ele sorriu e me deu um beijo rápido.
- Podemos ir? – quis saber.
- Claro!
A noite estava agradável, nem fria demais, nem quente demais. Fomos no carro de e o transito ajudou bastante, por um milagre não estava tudo parado.
ligou a rádio e estava tocando Drift, sorri, fazia tempo que eu não os ouvia tocar na rádio. já estava preparado pra mudar.
- Não, deixa nessa, eu gosto – disse.
Ele sorriu e assentiu. parecia estar prestando muita atenção na música enquanto eu cantava baixinho.
- É a voz do ? – perguntou depois de um tempo.
- Sim, essa música é do Drift.
revirou os olhos.
- , só porque o é um completo idiota, não quer dizer que suas músicas sejam ruins. – defendi.
Ele deu de ombros e disse:
- É, tanto faz. Chegamos ao lugar que tinha alguns paparazzi na porta nos aguardando. Peguei na mão de e entramos.
O lugar estava inteiramente decorado como se fosse um conto de fadas, com sapos, florestas encantadas e castelos por todos os lados.
- Pensei que vocês nunca mais viriam! – veio logo dizendo, exagerando como sempre.
- Minha culpa a demora, desculpe. – respondi - Você já viu as fotos?
- Não, estava esperando por você.
soltou minha mão.
- Eu vou pegar algo pra beber, vocês querem? – perguntou pra mim e .
- Eu vou querer – respondi.
- Não, obrigado – respondeu .
sorriu e saiu em passos largos logo em seguida.
- Eu não sei o que contêm nessas fotos, mas está um falatório aqui, estou muito curioso.
- Bom, da minha parte são só fotos normais – respondi.
- Tem certeza? Porque eu tenho certeza que ouvi o seu nome e de serem citados.
Ri.
- Certeza absoluta .
ficou encarando um ponto fixo atrás de mim, querendo rir, mas segurando o riso. Virei-me pra ver também, e dei de cara com , com a gravata borboleta totalmente errada.
- Muito inovador o jeito como você amarra sua gravata, provocou quando ele passava.
parou e o fuzilou com o olhar.
- É impossível amarrar isso! – resmungou.
- Vem cá, eu arrumo pra você – sugeri.
Coitado, só porque ele era babaca não quer dizer que ele merecia ser a piada da mídia com sua gravata. se aproximou, aceitando a ajuda e eu comecei a desfazer a gravata pra poder arrumá-la.
chegou com duas taças e ficou encarando aquela cena com uma expressão nem um pouco amigável.
- Calma, cara, ela só está arrumando minha gravata – disse para e eu senti o seu hálito de bala de hortelã, logo me veio aquela nostalgia, porque eu sentia esse cheiro frequentemente, já que estava sempre se entupindo dessas balas – Claro que ela gostaria de estar tirando-a junto com o resto da minha roupa, mas a vida não é uma fábrica de realização de desejos.
Revirei os olhos. pareceu mais irritado ainda e estava se divertindo com aquilo.
- Fica quieto ou eu aperto o suficiente pra te enforcar – ameacei e ele levantou os braços, como se estivesse se rendendo.
Terminei de arrumar a gravata e ele sorriu.
- Obrigado, senhorita – respondeu.
ficou confuso.
- Meu Deus eu devo estar sonhando, dizendo “obrigado”? – cutucou.
Ri.
- Essa é nova pra mim também – disse.
abriu um sorriso.
- É que hoje eu estou de bom humor – respondeu sorrindo.
revirou os olhos. Eu me perguntei o que teria conseguido fazer ficar de bom humor.
Avistei Celina, Kevin e a pequena Eva se aproximando.
- Olha se não são meus dois melhores modelos! – falou Celina, abraçando e eu logo em seguida.
e eu nos entreolhamos, creio que ambos lembrando-se do que aconteceu no estúdio. Eu não havia contado nem pra , nem pra .
Sorri para Celina e Eva me abraçou.
- Nossas fotos estão lindas! – disse Eva toda empolgada se dirigindo a mim e a .
- Sério? Vou ir vê-las então! – respondi e ela sorriu.
- Estou ansioso para vê-las – disse todo fofinho com ela.
Eu não sabia que Eva também tinha tirado fotos com .
Kevin veio nos cumprimentar, ele parecia um tanto nervoso.
- Olá , , ... – disse.
Franzi a testa.
- Você já conhece meu namorado? – perguntei.
- Sim. – respondeu ele.
lançou um olhar pra ele e Kevin abaixou os olhos antes de continuar:
- Das revistas, claro, todos tem falado muito sobre vocês dois... O casal perfeito. – deu ênfase no “perfeito” com um certo desanimo.
Franzi a testa. gargalhou.
- Nós também éramos o casal perfeito, lembra? – comentou , também dando ênfase no “perfeito”, só que, diferente de Kevin, com ironia.
revirou os olhos.
- Nem me lembre – respondi e ele riu mais ainda.
- Bom, eu vou cumprimentar os outros convidados, se precisarem falar comigo estarei aqui por perto – disse Celina.
e eu assentimos e Celina lançou um olhar suspeito à Kevin, que sorriu de canto, mas continuou parecendo estar nervoso.
Achei aquilo tudo bem estranho, mas tentei afastar aqueles pensamentos, estava tudo normal, era tudo coisa da minha cabeça.
- E então, vamos ou não ver as fotos? – perguntou impaciente – Estou super curioso!
- Não sei se você aguenta ver tanta beleza presente nas minhas fotos – disse a e todos nós rimos, menos , é claro.
- O que você ainda está fazendo aqui, ? – disse , impaciente e com a cara fechada.
, por outro lado, estava sorridente.
- Gosto de ser inconveniente e adoro ficar em um lugar onde sei que estou incomodando alguém – respondeu – Mas eu sou convidado e você só acompanhante, sem contar que eu protagonizo algumas fotos por aqui, então eu tenho mais direito do que você de estar aqui.
revirou os olhos e bufou. continuou com aquele sorriso sarcástico no rosto.
- Vamos parar né – os repreendeu e ninguém disse mais nada.
Fomos andando entre a galeria que parecia um labirinto com fotos por todos os lados. Paramos na minha foto sozinha fantasiada de princesa.
- Você linda como sempre, meu amor! – disse , me dando um selinho logo em seguida, eu sorri pra ele.
- Que puxa saco – estragou o momento – E que meloso esse cara, eca.
- Pelo menos eu sei como tratar uma mulher, diferente de você – rebateu.
sorriu maliciosamente.
- nunca reclamou – respondeu.
fechou a cara e respirou fundo, acho que se segurando pra não dar na cara de .
- , chega- o repreendi.
levantou os braços se rendendo. Passamos por mais uma foto minha, só que dessa vez com Eva, depois foi a vez das fotos de sozinho e depois acompanhado com Eva. A foto com Eva era uma explosão de fofura, estava gargalhando com ela no colo e ela também ria; lindos.
Vimos todas as fotos da galeria e paramos em frente à um portal com cortinas vermelhas e flores, também havia alguns sapos de plástico.
- Parabéns pelas fotos, , até pareceu que você era uma pessoa legal, olhando-as – provocou e todos riram, menos , claro.
- Eu sou uma pessoa extremamente legal! – respondeu ele.
- Só quando quer – rebati e ele mostrou a língua pra mim.
- Eu acho que tem mais fotos ali dentro – disse .
ficou bem interessado.
- Acho que deve ser as fotos que estão dando falatório! – disse empolgado – Vamos ver!
Passamos pela cortina e lemos a frase “mas os contos de fadas não são perfeitos como todos dizem. Há brigas, há desentendimentos, mas também há amor”. Depois havia fotos de vários atores conhecidos simulando uma briga, que pareciam bem reais.
Fomos indo olhando as fotos, parecia estar se divertindo muito com aquela parte da galeria, até que paramos quando vimos uma foto minha e de .
Fiquei paralisada, depois olhei para . O sorriso havia desaparecido de seu rosto e ele me lançou um olhar confuso, os olhos arregalados. Agora aqueles olhares suspeitos faziam total sentido... Kevin sabia que ficaria bravo vendo aquelas fotos, e Celina olhou pra Kevin provavelmente apostando como seria minha reação e a de quando víssemos aquelas fotos.
As fotos eram de mim e brigando e, diferente das outras fotos que se encontravam ali, nós não estávamos atuando, estávamos sendo 100% nós mesmos.
- Você não me disse que iria posar brigando com o – disse .
- Porque eu não iria – respondi.
me encarava, conseguia ver em seu rosto que ele estava bravo comigo... Com certeza porque eu não contei nada sobre .
- Isso é inacreditável! – se alterou – Celina se aproveitou da situação! Você sabia disso, ?
- Claro que não! – respondi – Estou tão surpresa quanto você.
- Eu vou falar com Celina! – disse e foi saindo.
Lancei um olhar pra e , e sai logo em seguida atrás de pra pedir explicações também.
Celina ria com dois convidados e Kevin. parecia estar indo para guerra, todo preparado para o combate, e foi então que eu percebi que eu devia tomar as rédeas da situação ou aquilo acabaria em um escândalo estampado na capa das principais revistas.
- Celina, você tem um momento? Precisamos conversar – disse calmamente.
Ela lançou um sorriso para os dois convidados que conversava e pediu licença. Kevin arregalou os olhos e engoliu em seco.
- Me acompanhe – ela disse pra mim e e nós a seguimos para uma sala pequena um pouco afastada, acho que ela já sabia que iria surtar.
Kevin fechou a porta e ainda continuava com a expressão amedrontada. Celina, por outro lado, se matinha tranquila e sorridente.
- Por que você tirou fotos nossas brigando? – perguntou quase gritando.
Ela soltou o ar.
- Bem, eu sabia que se eu sugerisse de tirar essas fotos, vocês não iriam querer e eu realmente precisava de vocês nessa exposição... – ela começou.
- Espera, então quer dizer que foi de propósito? – eu perguntei, interrompendo-a.
Celina fez que sim com a cabeça.
- Marquei o horário de vocês praticamente na mesma hora propositalmente – disse.
e eu nos entreolhamos.
- Como você sabia que iriamos brigar? – quis saber.
- Bom, eu já tinha visto algumas coisas sobre brigas públicas de vocês, mas mesmo assim, perguntei para o Kevin – ela olhou pra ele e depois voltou a nos olhar – E ele disse que deixá-los a sós era certeza de que brigariam...
Nossa atenção se voltou para Kevin, o fuzilou com o olhar.
- Não olhem pra mim, eu só respondi o que ela perguntou – ele disse quando percebeu nossos olhares – Também não disse nenhuma mentira, mas eu não ajudei a arquitetar nada disso, eu só fiz o que me mandaram fazer.
- Você é um grande pau mandado puxa saco mesmo – disse pra ele.
- Se você não precisa trabalhar, eu preciso e tenho que fazer o possível pra manter meu emprego! – Kevin rebateu.
revirou os olhos.
- Me desculpe, mas eu sabia que essas fotos dariam a repercussão que está dando... Vocês é um sucesso juntos! – disse Celina.
continuou com a cara fechada.
- E, no entanto, quem vai ser comentado na internet e nas revistas amanhã seremos nós! Muito obrigado por ter sido uma escrota agindo desse jeito! – disse totalmente alterado – Pra mim já deu! – disse, abrindo a porta e saindo logo em seguida.
Eu dei um sorriso para Kevin e Celina e sai da sala também.
Vi saindo furioso pro lado de fora, já tirando de dentro do bolso um maço de cigarros. O segui.
- Você tinha prometido que pararia de fumar – cheguei quando ele estava encostado na parede com seu cigarro já aceso.
deu um pulo de susto e eu ri. Ele revirou os olhos.
- É, quando a gente está apaixonado fala coisas idiotas mesmo – rebateu – E que bom que eu me livrei disso.
Revirei os olhos.
- Mas o que você quer aqui? – ele quis saber.
- Eu acho que você exagerou com Celina – disse.
Ele deu um trago e riu.
- Eu vou processar ela, me aguarde!
Revirei os olhos mais uma vez.
-Por favor, né , ela só tirou fotos de uma coisa que fazemos sempre: brigar - argumentei – E, aliás, essas fotos são o único assunto por aqui... Talvez Celina só tenha nos ajudado a ter mais gente falando sobre nós, e quanto mais gente falando, mais fama.
- Ah, nada melhor do que ser conhecido como o brigão – ironizou ele.
- E desde quando isso foi um problema pra você? – rebati. sempre teve uma fama de ser briguento, principalmente na época do Drift.
Ele revirou os olhos.
- Por que você não volta pro seu príncipe encantado e me deixa em paz?
Suspirei.
- Já estou sentindo falta do bem humorado que chegou aqui. – murmurei e já fui me preparando pra sair.
- Essas fotos me tiraram do sério – começou ele e eu parei – E eu ainda não estou 100% convencido de que você não sabia de nada.
Bufei.
- Pelo amor, é serio isso? – falei irritada – Eu tenho mais o que fazer pra ficar desperdiçando meu precioso tempo armando contra você, vê se cresce!
Ele abriu a boca pra responder, mas eu sai antes que ele dissesse qualquer coisa.
Voltei pra dentro e avistei junto com conversando e me dirigi imediatamente até eles.
- E então? – perguntou quando notou minha presença.
Contei tudo o que tínhamos conversado. ficou surpreso.
- Gente, que mulher perversa e genial ao mesmo tempo! – comentou rindo – Quero ser igualzinho a ela quando eu crescer.
Rimos, mas ficou com a cara fechada.
- O que foi ? – perguntei, mas eu já sabia que ele estava daquele jeito porque eu não contei que tinha brigado com .
- Nada – ele respondeu seco.
me lançou um olhar, percebendo que estava frio. Eu respirei fundo e fingi que não estava acontecendo nada, afinal, eu não iria ter uma DR ali.

Na hora de ir embora eu comentei com o de voltar com ele, já que tinha me ignorado o tempo todo, mas insistiu que nós precisávamos conversar e que voltar com de carro seria uma boa chance.
e eu fomos andando até o estacionamento, ambos sem dizer uma palavra sequer. Ele colocou a mão no bolso e tirou a chave do carro, depois o abriu e entrou, eu entrei logo em seguida.
Saímos do estacionamento e nenhuma palavra ainda não tinha sido mencionada... Acho que eu que devia tomar a iniciativa. Tentei abrir a boca pra falar alguma coisa, mas não consegui, eu não sabia o que dizer. Fiquei tentando escolher as palavras certas, mas eu, simplesmente, não conseguia dizê-las, acho que porque eu sabia que era, tecnicamente, culpada.
Algum tempo depois, estacionou em frente à meu prédio e ficou encarando a janela, provavelmente esperando eu descer pra ele dar o fora dali o mais rápido possível.
- ... – comecei – A gente precisa conversar.
Ele só me encarou, sem dizer nada.
- Vamos subir – continuei.
fez que não.
- Eu estou muito cansado, preciso ir embora. – respondeu ele seco.
- Por favor – pedi.
Ele suspirou e respondeu um “tudo bem”, logo em seguida entrou na garagem do prédio. Ainda assim, andamos silenciosamente pelo estacionamento até o elevador, depois até chegarmos à minha casa.
- Pode me dizer o que te incomodou tanto? – comecei, aquela conversa não seria fácil.
respirou fundo.
- Quando você voltou depois de ter tirado as fotos, eu perguntei como tinha sido e você respondeu que foi tudo bem, que Celina fez tudo parecer uma brincadeira e que você se divertiu muito – começou ele – Por que você mentiu pra mim?
- Eu não menti! – argumentei – Tirando a parte do , o resto foi bem legal mesmo, do jeito como eu te disse.
Ele bufou.
- , eu só não contei nada porque eu sabia que você ficaria furioso e, provavelmente, iria querer tirar satisfação com o – disse – Ou eu estou errada?
Ele suspirou.
- Você está certa, eu iria querer tirar satisfações – confessou – Mas isso não justifica ter me escondido.
- Eu só não queria ter que brigar pelo ... De novo. - murmurei.
- A maioria das nossas brigas é por causa dele – começou – E é ridículo isso porque ele é seu ex-namorado há quanto tempo? Dois anos!
Suspirei.
- E dois anos já é tempo o suficiente para superar alguém – continuou.
- Eu já superei o faz tempo! – menti
riu.
- Superou mesmo? – perguntou – Porque ir resgatá-lo na cadeia não me parece atitude de uma garota que superou seu ex.
Engoli em seco, ele estava certo.
- Primeiramente, eu só fui ajudá-lo na cadeia porque o que eu poderia fazer? Cruzar os braços e deixá-lo lá? – perguntei – se afundou depois daquele vídeo e eu, tecnicamente, sou responsável...
- Você publicou aquele vídeo como ele acha? – perguntou e eu fiz que não com a cabeça – Então, pronto! Você não deve se achar responsável por uma coisa que não fez!
Fiquei pensativa, ele até que tinha razão.
- E, por favor, se afundou porque quis! – continuou – A gente sempre vê por ai algum vídeo de algum famoso fazendo merda e, tempos depois, já tem um monte de fãs loucas correndo atrás dele que nem um cachorrinho novamente... As pessoas tem memória curta.
- Acho que o vídeo em si não o abalou tanto, mas sim o fato de ter sido publicado por mim. – respondi – Quem fez isso sabia muito bem como o iria reagir.
- Credo, que pessoa horrível! – se espantou.
Suspirei.
- Muito! Mas vamos parar de brigar, por favor.
- Não, tem mais uma coisa! – ele disse e eu soltei o ar, cansada daquela briga – Por que você foi atrás dele hoje, quando ele saiu daquela sala?
Engoli em seco.
- Porque ele pegou pesado com Celina! – falei – Claro que a atitude dela de armar tudo aquilo não foi das melhores, mas ele ter agido daquela forma e depois ter falado que iria processá-la, ai é demais!
- E você conseguiu mudar a cabeça dele em relação a isso?
- Provavelmente não – confessei.
- Viu, do que adiantou você ir lá se estressar atoa?
- Nada – respondi.
- É disso que eu estou falando, não adianta você estressar, brigar, ou tentar convencê-lo de algo... é imaturo demais pra poder te ouvir.
Era verdade, e isso eu não poderia discordar de .
- É, você tem razão – cedi.
pareceu se sentir vitorioso.
- Agora vamos parar com essa briga, por favor – pedi.
- Vamos! O dia de hoje me esgotou e eu preciso voltar pra casa. – respondeu ele, se preparando para sair.
Segurei sua mão.
- Parar com a briga não significa que você tenha que ir – disse – Dorme aqui – pedi.
sorriu, finalmente.
- Só dormir? – brincou.
Fiquei um pouco sem reação com o que ele estava sugerindo. Desde quando voltamos a namorar, eu e não tínhamos transado ainda.
- Talvez sim, talvez não, quem sabe – entrei na brincadeira – Mas acho que é melhor só dormirmos, já que você está muito cansado – continuei brincando.
sorriu maliciosamente.
- Eu acho que posso abrir uma exceção nesse caso – respondeu.
Nos beijamos mais intensamente, começamos a tirar nossas roupas e logo em seguida já estávamos indo para o quarto.
Então me peguei comparando o jeito como fazia sexo com o jeito como fazia. sempre foi mais doce em relação a tudo, a forma como agia, como beijava e como transava. , por outro lado, sempre foi o selvagem, no jeito como agia, se vestia e, com certeza, na cama. Talvez eu estivesse sentindo saudade do doce, mas também sentia saudade do selvagem.
O que eu estava fazendo? Eu estava comparando um com o outro! E, pior, estava querendo os dois! Tentei afastar esses pensamentos e curtir o que estava acontecendo, porque aquilo era a única coisa que eu teria e estava bom, claro que estava! é um cara legal, me ama e eu gosto muito dele e, com o tempo, eu vou mudando isso... Aprendendo a amá-lo mais uma vez.

CAPÍTULO 9


Abri os olhos, estava ao meu lado dormindo como um bebê. Fiquei analisando-o por alguns minutos, os cílios longos, o cabelo loiro bagunçado (o que você só vê pela manhã, já que jamais permitiria ser visto com o cabelo assim), as costas nuas e o jeito relaxado e tranquilo como ele dormia... Ele era realmente muito lindo e, sem dúvida um ótimo namorado. Às vezes me sinto mal por sentir algo por enquanto estou com , não é justo com ele, mas eu sinto que com as coisas são mais simples e estáveis, tanto que voltamos a namorar tão rápido e é isso que eu estou procurando no momento... Estabilidade e simplicidade.
se mexeu e eu desviei o olhar, fiquei olhando a janela, alguns feches de luz passando pela parte que a cortina não estava fechada e dava-se pra ouvir o som da chuva forte do lado de fora. Me virei para olhá-lo novamente e dei de cara com dois olhos me olhando de volta, ele sorriu logo em seguida.
- Bom dia – sussurrou.
Eu abri um sorriso e respondi “bom dia”. O telefone começou a tocar.
- Quem será uma hora dessas? – perguntei.
olhou no relógio do celular.
- “Uma hora dessas”... Já é uma da tarde – respondeu ele e riu quando percebeu minha expressão surpresa. – Vai atender que eu vou tomar um banho, ok?
Fiz que sim com a cabeça, dei um beijo rápido nele e fui correndo pegar o telefone sem fio na cozinha, enquanto se dirigia para o banheiro.
- falando – atendi ao telefone enquanto pegava um copo de suco de laranja na geladeira e ia para sala.
- falando – ele me imitou – Como foi ontem? Você e o se acertaram?
Joguei-me no sofá e liguei a TV, estava passando um programa de tatuagens.
- Você nunca ouviu falar de mandar mensagem, ? – brinquei, quase nunca me mandava mensagens.
- Blé, odeio mensagem! Prefiro ouvir a voz da pessoa – argumentou – Sem contar que assim você não pode demorar pra responder e você sabe como eu sou ansioso.
Gargalhei.
- Mas vai, fala logo! – pressionou ele.
- Não só nos acertamos como ele está tomando banho no meu banheiro nesse momento – respondi e deu um gritinho.
- Eu não acredito que vocês... – não completou a frase, deixando o resto subentendido.
- Meu Deus, , parece que somos dois adolescentes e eu estou te contando que tive minha primeira vez – brinquei.
riu.
- Quase isso – ele suspirou – Sabe quem está no meu banheiro tomando banho nesse momento?
Franzi a testa e tentei pensar em algum possível cara, mas não me lembro de dizer que estava saindo com alguém.
- Não sei, quem? – perguntei curiosa.
- O Kevin! – ele disse empolgado.
- O Kevin assistente da Celina? – perguntei pra confirmar.
- Sim, esse mesmo!
Fiquei boquiaberta.
- Mas como assim, o Kevin é gay?
- Na verdade bissexual, mas vou trazê-lo totalmente pro lado gay da força.
Gargalhei.
- Coitado, deixa o garoto ser do jeito dele – falei – Mas em, como que vocês chegaram a esse ponto?
soltou o ar .
- Depois que você e o saíram, eu decidi ficar mais um pouquinho e beber mais umas taças do que tivesse pra beber – ele começou com a história – O Kevin veio puxando assunto e conversamos até acabar a exposição.
- Que foi bem cedo, eu suponho.
- Sim, muito! Afe – resmungou – Queríamos beber mais, então eu chamei ele pra vir aqui em casa, porque bebida é o que não falta aqui... Ele aceitou e o resto você já supõe.
- E você pretende repetir a dose? – quis saber.
- Pretendo, e muitas vezes! – disse ele empolgado – Só basta ele querer!
Gargalhei.
- Você sabia que o vai apresentar o music awards desse ano?- perguntou.
Suspirei, eu sempre ia ao music awards com o .
-Não estava sabendo não – fiquei surpresa.
- Pois é, não sei que milagre aconteceu – disse rindo.
Ri e adentrou a sala só de cueca e com o cabelo molhado, eu fiquei encarando ele mordendo o lábio inferior.
- Adivinha quem acabou de entrar na sala só de cueca? – falei pra e riu.
- E adivinha quem vai ter que desligar o telefone porque a amiga tem que continuar o que começou ontem? – disse e eu gargalhei – Ah, antes que eu me esqueça, liguei mesmo pra dizer que quarta-feira você tem uma entrevista no the Hanna’s show.
- Ah, ok – concordei – Programas ao vivo me deixam um pouco nervosa.
me olhou com uma expressão confusa, eu sorri e sussurrei “trabalho”.
- De qualquer forma, eu sei que você vai se sair muito bem como sempre – fez barulho de beijo - Beijos, e use camisinha!
Ri.
- Beijos! – disse e desliguei o telefone.
se sentou ao meu lado e eu o abracei, sentindo aquele cheiro de banho em sua pele.
- O que o queria? – quis saber ele.
- Contar que eu vou dar entrevista no The Hanna’s show na quarta e as novidades, ele ficou com Kevin ontem – disse prestando atenção na televisão.
Olhei pra e ele me parecia surpreso.
- É, eu tive essa mesma reação – voltei a atenção para a TV e, no programa, estava mostrando as tatuagens prontas – Nossa que tatuagem linda.
Olhei novamente para e ele estava fazendo uma careta.
- Você não gosta muito de tatuagem,não é? – deduzi.
- Olha, eu acho bem desnecessário – começou ele – Quer dizer, você vai fazer uma só pra sentir dor e não vai somar em nada na sua vida.
Ri.
- Eu sempre tive vontade de fazer uma, mas nunca decidi o que fazer – comentei.
me deu um selinho.
- Eu acho que você é linda assim, não precisa de uma tatuagem – respondeu ele – Mas se você quiser fazer uma, só se for com o meu nome escrito.
- Credo que coisa cafona tatuar o nome do namorado! - rebati e ele gargalhou.
- Eu estava brincando, acho ridículo também. – concordou ele.
Voltei minha atenção para o programa e continuei achando as tatuagens maravilhosas. só franzia a testa reprovando cada tatuagem que era mostrada.
- Eu vou fazer uma tatuagem, tá decidido – falei alguns minutos depois.
- Agora? – perguntou abismado.
Ri.
- Claro que não, mas será em breve.
deu de ombros.
- Qualquer coisa que te faça feliz – me beijou – Mas o que faremos hoje nesse domingo? Sou todo seu.
Olhei pra ele maliciosamente e ele riu.
- Bom, acho que poderíamos aproveitar o clima chuvoso de hoje e ficar em casa vendo uns filmes, beber um vinho – sugeri – Eu estou meio sei lá pra sair hoje, ter fãs aparecendo toda hora...
riu.
- Mas se você quiser sair, tudo bem, eu faço um esforço – continuei.
- Não, ficar em casa tá perfeito pra mim – disse ele – O dia está propício pra isso.
Sorri, era mesmo um cara maravilhoso.
Durante a tarde comemos os mais variados tipos de besteira possível (meu personal trainer ia me matar com certeza), bebemos vinho, conversamos, demos uns amassos legais e assistimos filme... Foi bem divertido o dia, era sempre bom passar um tempo com .
- Você já pensou em ter filhos? – perguntou quando o casal do filme que estávamos vendo se casavam no final e tinham filhos.
Estranhei a pergunta.
- Não – respondi.
- Por quê? – ele quis saber.
Soltei o ar.
- Não sei – comecei – Por quê? Ta pretendendo me engravidar? – brinquei.
gargalhou.
- Era só curiosidade... Mas não seria uma má ideia.
Eu gargalhei. Mãe? Eu? Pouco provável!

Na quarta-feira à tarde eu estava indo para o The Hanna’s show fazer minha entrevista. Eu sempre tive um pouco de receio para programas ao vivo, qualquer coisa que você falar não dará pra ser editado, todo mundo vai ver.
sempre ia comigo para entrevistas, mas Kevin o tinha chamado pra sair e ele até queria desmarcar por causa do The Hanna’s show, mas eu disse que não tinha problema... Até parece que vou impedir meu melhor amigo de ir ver o boy só pra ficar vendo uma entrevista minha.
- Senhorita , você entra em cinco minutos - falou o assistente.
Respirei fundo e fiquei aguardando os cinco minutos até o assistente aparecer novamente e me levar por um corredor curto que dava no palco do programa.
Ouvi a apresentadora, Hanna, dizer meu nome,sendo seguido por muitos aplausos e gritos, o assistente fez sinal pra que eu entrasse.
Quando entrei no palco do programa, mais gritos e aplausos. Dei um tchauzinho para a plateia e cumprimentei a apresentadora, ela fez sinal pra que eu me sentasse na poltrona ao lado da dela.
- , é um prazer tê-la em meu programa mais uma vez! – começou ela – Finalmente vamos ter essa nova entrevista porque a ultima vez em que você esteve aqui foi para falar do término com .
Ri de nervosismo... Por que as pessoas sempre tem que citar o nas entrevistas? Existe vida após ele.
- É um prazer voltar aqui e, dessa vez, com notícias melhores – entrei na brincadeira.
Ela riu juntamente com a plateia.
- Já se passou algum tempo desde As Desventuras do amor, da qual acho que todo mundo aqui vai concordar comigo que sua atuação foi um espetáculo! – ela começou e a plateia gritou concordando com ela – Teve alguns trabalhos depois disso, mas existe algum atual projeto promissor?
Mentalmente agradeci aos céus por ela ter mudado de assunto.
- Sim, estou sendo cotada pra um papel principal em um filme, mas não posso dizer nada ainda sobre isso.
Ouvi um “aaaah” da plateia.
- Desculpa pessoal, prometi que só falaria isso – disse direcionada a plateia.
Os produtores do tal filme pediram sigilo total. Inclusive, nem o título do filme eu sabia, só que seria a personagem principal e uma das piores vilãs que o cinema já viu.
- Mas não podemos ter nem uma dica do seu papel? – Hanna quis saber.
Ok, ninguém tinha dito nada sobre isso, então acho que poderia falar.
- Eu serei uma vilã – respondi e ela riu.
- Você é conhecida por ser à vilã sempre,não é mesmo? – disse ela ainda rindo – Há quem diga que não só nas telas você mostra esse seu lado.
Eu captei a indireta, a que todo mundo sempre dava em relação ao vídeo do ... Quantas vezes mais eu teria que dizer que não fui eu?
- Posso assegurá-los 100% que sou só vilã nas telas, na vida real eu sou a mocinha – brinquei.
Todos riram, espero que tivesse sido do que eu falei e não de ironia.
- Inclusive, você achou seu mocinho também, não é mesmo? – começou ela – Strauss é o novo queridinho do público e já tem gente shippando muito vocês dois.
Ri e, quando ia falar alguma coisa, ouvi na plateia alguém gritar “mentira!”. Hanna olhou pra plateia também, não teve como não ouvir.
- Quem foi que disse isso? Dê um microfone para essa pessoa! Todos aqui têm direito de falar! – Hanna brincou e uma assistente levou o microfone até uma menina loira e um pouco baixa – Fale querida, você tem a palavra agora – continuou Hanna.
- O parece ser um cara legal, mas eu sempre vou shippar a com o – começou ela – Eles eram o casal perfeito e eu não vejo a hora de vê-los anunciando que reataram o namoro.
Fiquei um tanto que constrangida.
- O que você tem a dizer sobre isso ? – Hanna perguntou ao perceber que eu não falaria nada.
Sorri e fingi que a pergunta não me afetou.
- Ah, é legal saber que os fãs ainda têm um carinho especial comigo e com o , mas nosso término foi definitivo e não há nenhuma chance de reatarmos – confessei.
- Mas se não tivesse o e o quisesse voltar... Você voltaria? – Hanna perguntou e, imediatamente, a plateia se calou... Todos olhavam pra mim vidrados aguardando minha resposta.
Essa mulher me dava nos nervos, todas as pessoas entrevistadas em seu programa eram colocadas em maus lençóis. Hanna fazia questão de escancarar a vida pessoal de todos os famosos em TV aberta pra todo mundo ver.
- Não – respondi rapidamente antes que eu falasse alguma besteira que me complicaria com .
Hanna pareceu surpresa.
- Mas como não? Eu sei que o é esquentadinho, mas namorar com ele é o sonho de várias garotas por ai – começou ela – Lindo, charmoso, canta bem...
- Namorar com o não é as mil maravilhas que todo mundo pensa não – falei e me arrependi na mesma hora.
- Ah é? Então nos conte tu-do! – pediu ela.
Essa é a hora que eu saio correndo?
- Ele não está aqui pra se defender- argumentei.
Hanna deu de ombros.
-Qualquer coisa eu marco uma entrevista com ele pra que ele possa se defender – falou rindo.
A plateia começou com “conta, conta, conta” e eu fiquei totalmente nervosa, sem saber o que fazer. O programa era ao vivo e qualquer coisa que eu dissesse não daria pra ser editado, a plateia e Hanna começaram a me pressionar demais, o que me levou a falar:
- O , apesar de ser um cara legal, é um tanto que... Como posso dizer? ... Imaturo. Ele é bem impulsivo, o que deu na cabeça dele, ele tá fazendo – comecei – Então já teve vezes que um fã se aproximou de mim e ele foi querer arrumar briga por causa de ciúme.
Hanna sorriu, ela estava ganhando o que queria.
- Acho que a fama não fez bem pra ele, sabe, essa facilidade em conseguir as coisas só por ser ... O fez agir na impulsividade, de um jeito machista também, e achar que as coisas giram ao redor dele – despejei as palavras – Quantas vezes eu fui a premiações sozinha porque ele acordou revoltado com o universo e não poderia fazer um esforço.
A plateia estava em silêncio, atenção total em mim.
- É por isso também que ele tem algumas passagens pela polícia por dirigir bêbado ou por brigar por ai, tudo porque ele não filtra o que vai fazer... Ele só faz – falei – E tudo isso eu e o argente dele fazíamos o possível pra abafar o caso e ninguém ficar sabendo.
Até Hanna ficou surpresa com o que eu disse.
- Então não pensa nas consequências? – perguntou ela.
- Nem um pouco, às vezes eu me perguntava se estava namorando com um homem ou uma criança de cinco anos – falei – Meu relacionamento era baseado em esconder as burradas que ele fazia pro mundo.
Deu-se pra ouvir um “ooooh” da plateia.
- E você até hoje faz isso – começou Hanna – Quer dizer, a última vez que foi preso, que até então todo mundo pensava que era a primeira vez, você foi lá ajuda-lo mesmo sem ter mais nada com ele.
Soltei o ar.
- Eu achei que devia ajuda-lo, fiquei com pena dele.
- Mas o ...
- Eu pensei que essa entrevista era sobre mim e não o – a interrompi – Se quer tanto saber sobre ele, aconselho convidá-lo a vir aqui.
Ela deu um sorriso sem graça.
- É que uma coisa leva a outra,não é mesmo? – brincou Hanna.
Revirei os olhos.
- Bom, infelizmente nosso tempo acabou – disse ela e a plateia falou um “aaah” decepcionado – Adorei poder entrevistá-la novamente querida!
Dei um sorrisinho falso, um tchauzinho pra plateia e sai do palco querendo morrer.

CAPÍTULO 10


Ao chegar em casa, a primeira coisa que fiz foi me jogar no sofá e colocar o celular pra carregar. Liguei a TV e passava aquele mesmo programa de tatuagem que tinha visto com outro dia, fiquei entretida com as tatuagens por um tempo até que meu celular carregasse o suficiente pra que eu o pudesse ligar.
Quatro chamadas perdidas de e uma mensagem... Pra ter mandado mensagem é porque ele realmente precisava falar comigo.

“VOCÊ FICOU MALUCA ????!!!!! JÁ VIU OS TRENDING TOPICS???”

Ai. Meu. Deus. Liguei meu notebook e entrei pra ver os trends, lá estava em primeiro lugar: , em seguida vinha a tag #TheHannasShow, depois Music Awards e em quarto lugar o meu nome. Cliquei em cima do “ ” para ver o que as pessoas estavam tuitando sobre.

“Eu já achava que era um total babaca, mas agora eu tenho certeza! #TheHannasShow”
“Estava até voltando a gostar do , mas depois dessa entrevista da perdi totalmente a credibilidade nele!#TheHannasShow”
“@MusicAwards é esse tipo de pessoa que vocês querem apresentando seu evento? é um babaca total!”
“Nem acredito que já shippei a com o , olha o que esse cara faz, tadinha dela! Nem quero mais ver o @MusicAwards depois disso”
“Oi, é da TV por assinatura? Quero cancelar todos os canais que vão transmitir o @MusicAwards, por favor #TheHannasShow”
“A galera poderia combinar de jogar uns tomates quando o passar no red carpet do @MusicAwards né?! Seria ÉPICO e merecido tbm!”

Era uma infinidade de tweets falando mal de ou que não queriam mais vê-lo no Music Awards... Eu olhava a tela do notebook e a única coisa que eu conseguia pensar era “O que eu fiz?”, ia querer me matar com certeza.
Liguei pra imediatamente e ele atendeu no segundo toque.
- Por que você não atende o celular? – atendeu já dando sermão.
- Desculpa, ele tinha descarregado – me expliquei – Acabei de ver os trends.
- Se prepara que daqui a pouco aparece com uma metralhadora na sua casa! – exagerou ele.
- Mas eu não fiz por mal, não imaginei que viraria essa confusão toda – argumentei – E eu não disse nenhuma mentira.
- , querida, o problema não é se você mentiu ou não – disse ele – O problema é que quando você joga uma coisa na mídia, já era!
Suspirei.
- Se eu acho que ele mereceu? Mereceu sim! Não da pra ficar por ai pagando de melhor namorado do mundo injustiçado que sofreu um golpe da namorada – suspirou – Mas o problema é que isso afeta você, ele vai querer brigar e te humilhar como sempre... E isso vai te fazer muito mal.
tinha razão.
- Eu odeio programas ao vivo, eu odeio a Hanna! – praguejei.
- E eu que fui iludido pelo papinho dela de que iria fazer uma entrevista pra saber sobre o novo filme – contou ele – Essa mulher é uma dissimulada!
Suspirei mais uma vez.
- Mas fica calma, agora já foi – ele tentou me acalmar – Daqui a pouco algum outro famoso faz uma besteira e todo mundo esquece isso.
- É o que eu espero – falei.
Me despedi de e desliguei o celular. A cada minuto mais tweets apareciam, milhares deles. Eu levei a internet a odiar o , mais uma vez... E, diferente da outra, dessa vez a culpa foi minha.
Tentei me distanciar do que estava acontecendo e me peguei pesquisando sobre tatuagens pra fazer. Não me contive para fazer um tweet sobre, pois, além de receber ajuda poderia fazer as pessoas se esquecerem, nem que fosse por alguns minutos, o que tinha ocorrido. Havia um monte de mensagens sobre o pra mim, mensagens das quais ignorei totalmente quando postei o meu tweet:
“Louca pra fazer uma tatuagem, mas sem algo específico em mente. Alguém com uma ideia brilhante?”
Minutos depois lá estavam várias respostas. Um garoto sugeriu que eu fizesse algo que fosse especial pra mim. Fiquei refletindo sobre isso, o que era especial pra mim?
Procurei na internet e acabei achando um desenho legal de uma família de elefantes. Isso pode até ser clichê, mas aquele desenho era uma forma de eu eternizar meus pais que morreram quando eu tinha apenas 13 anos em um acidente. Fui atrás do contato do John Müller, um tatuador famoso e considerado um dos melhores da cidade. era fã número 1 das tatuagens dele, o que fez com que só se tatuasse com John, eu sempre ia junto com o quando ele ia se tatuar e John sempre dizia “eu ainda vou te tatuar garota!”. Não conseguia pensar em alguém mais qualificado que ele para minha tatuagem, mesmo que ele fosse amigo de .
Enviei uma foto como base e pedi pra que ele fizesse uma releitura da tatuagem, pra que a minha fosse única. No dia seguinte lá estava à foto da minha tatuagem, incrivelmente linda e com detalhes em aquarela. Marquei para fazê-la no sábado e imediatamente fui falar sobre isso no twitter:
“O tatuador John Müller fez um desenho incrível pra minha tatuagem, já tenho hora marcada no sábado! Mal posso esperar!”
Minutos depois uma avalanche de respostas ao meu tweet, perguntando o que eu iria fazer, mas mantive o mistério. Não vi mais nada sobre o ocorrido de quarta-feira e suspirei aliviada, será que as pessoas tinham se esquecido? Eu desejava incondicionalmente que sim, longe de mim arrumar mais uma confusão com o .
tinha ido resolver as últimas coisas do meu contrato com o filme novo e, quando acabou, me ligou.
- Contrato resolvido e fechado, temos nossa vilã confirmada! – disse – As gravações começam daqui dois meses.
Dei um gritinho comemorando. Desventuras do amor tinha sido uma fase boa na minha vida, mas estava na hora de deixar de ser conhecida por essa série apenas e evoluir minha carreira.
- Vamos comemorar! – sugeri empolgada
- Passo ás sete ai na sua casa pra gente ir encher a cara! – ele falou e eu ri – Chame seu boy também.
Ri.
- E você chame o seu! – pedi, riu e desligou o telefone.
Enviei mensagem ao :
“Hey, ! Consegui o papel que estava querendo muito naquele filme que te disse outro dia! Vou sair pra comemorar, você vem também?”
Alguns minutos depois o meu celular vibrou indicando que havia uma nova mensagem:
“Quem vai ir além de você?”
Digitei rapidamente:
“O e acho que o Kevin também... Você sabe, meus únicos amigos kkkkkk”
O celular vibrou mais uma vez.
“Bom, hoje ainda é quinta-feira e pessoas normais trabalham cedo no dia seguinte, mas parabéns pela conquista e tome cuidado lá. Beijos”
Eu senti que aquela mensagem tinha sido um pouco rude, mas só ignorei isso, enviei um “fica pra próxima então” e fui me arrumar pra comemorar.

estava parado perto da portaria do meu prédio esperando por mim na hora combinada, eu desci quando ele pediu ao porteiro que me avisasse.
- O Kevin não vem? – perguntei assim que entrei no carro e não o vi.
- Infelizmente não – respondeu, fazendo uma cara um pouco triste. – E o ?
- Não vem também.
Ele riu.
- Então seremos só nós hoje, sem agregados – falou e eu ri.
Encontramos um pub irlandês que nunca tínhamos ido, o ambiente era bem interessante o que me fazia ter vontade de tirar foto de tudo.
- Pode ter sido impressão minha, mas acho que o foi meio rude quando eu o chamei pra vir aqui – entrei no assunto assim que achamos uma mesa.
- Como assim? – ficou interessado e eu mostrei as mensagens.
Ele leu todas e fez uma expressão um pouco surpresa.
- Nossa...
- Você também notou? – perguntei e ele fez que sim com a cabeça.
- “Pessoas normais”... Não gostei do jeito como ele disse isso, foi como se tivesse dito “você que é celebridade não trabalha duro, mas eu sim”.
O ter notado isso só piorou a situação, já que demonstrava que eu não estava paranoica e que não tinha sido algo da minha cabeça.
- Mas eu não fiz nada pra ele falar comigo assim – murmurei.
pareceu um pouco tenso depois que eu disse isso, mas logo depois se recuperou. Fiquei me perguntando se era algo da minha cabeça.
- Às vezes nem é culpa sua, pode ser uma coisa que aconteceu com ele, no trabalho ou em outro lugar e então o só tá descontando em alguém – começou ele – Não que isso seja certo, eu só estou dizendo que a culpa não deve ser sua nesse caso.
pegou o celular e começou a digitar freneticamente... mandando mensagem? Isso era novo pra mim também. Esperei que ele me mostrasse o que tinha enviado, coisa que ele fazia quando nas poucas vezes que ele mandava uma mensagem pra algum cara que estivesse saindo, mas ele guardou o celular assim que terminou de escrever. Eu chamei o garçom e pedi uma porção de batatas fritas com queijo e cerveja artesanal pra mim e pro .
- Será que ele está bravo por causa da tatuagem?
ficou surpreso.
- Tatuagem? Que tatuagem?!
Ri do jeito que ele disse.
- Vou fazer uma no sábado com o John Müller! – respondi empolgada.
- Você não me conta mais nada mesmo! – falou em tom de brincadeira.
- Eu postei no twitter – respondi.
Ele riu.
- Quem diria que em três anos namorando o , que fazia uma tatuagem nova a cada mês, você iria se interessar em fazer uma só agora... Dois anos depois do término de vocês e namorando um cara certinho como o .
Eu ri.
- Inclusive, você quer ir comigo? – perguntei.
- Ah, eu adoraria! Mas já marquei uma coisa com o Kevin – pareceu um pouco triste por não poder ir.
- Hummmm, “uma coisa” – maliciei.
Ele gargalhou.
- É uma das minhas intenções sim – ele completou me fazendo rir – Desculpe por não ir, me sinto um péssimo amigo! Mas eu quero fotos assim que terminar!
Fiz que sim com a cabeça e disse que estava tudo bem dele não poder ir. Não vou impedir meu amigo de transar só pra ir me ver fazendo tatuagem.
- Mas, sobre o ... – ele retomou o assunto – Ele não tem que gostar de nada, o corpo é seu e você faz o que quiser com ele! Se o não está contente não tem problema porque você está na lista das mulheres mais sexys da forbes e tem um mundo todo aos seus pés.
Gargalhei.
- Não é pra tanto!
- É sim! – o celular de vibrou, ele deu uma olhada e continuou – O Kevin vai vir!
Franzi a testa.
- Mas você falou que ele não ia vir.
- É que o Kevin disse que talvez ficaria no trabalho até tarde ajudando a Celina com umas fotos, mas ele acabou de mandar mensagem dizendo que ela liberou ele! – explicou.
Sorri, o Kevin parecia ser um cara legal.
disse que precisava ir ao banheiro e saiu, eu fiquei sentada esperando a porção de batatas fritas e as bebidas, aproveitei também para dar uma olhada no celular caso o tivesse mandado alguma mensagem... Nada. O celular do vibrou na mesa, e eu nem tinha me dado conta que ele estava ali (o era tão desapegado com celular que nem ligava aonde deixava), percebi que ele estava desbloqueado e um pouco de longe dava pra ver que a tela que tinha parado era a conversa com o Kevin.
Fiquei mentalmente me dizendo pra não fazer o que eu estava pensando em fazer, mas meu cérebro só me relembrava o quão estranho aquilo parecia ser. Minhas desconfianças tinham explicações se você fosse parar para analisar: o Kevin dizer que não vinha e depois decidir vir poderia ter sido só uma questão de trabalho mesmo que deu certo ele ser liberado e o não me mostrar à mensagem, como a gente sempre fazia um com o outro, poderia ser só uma questão normal dele... Não éramos mais adolescentes que precisavam de opinião dos amigos pra conversar com alguém.
O celular vibrou mais uma vez, ainda sem apagar a tela e bloquear. Fiquei nessa de pegar ou não pegar e acabei escolhendo a primeira opção... Me desculpe pela invasão .

E as minhas desconfianças estavam certas...

CAPÍTULO 11


Meus pedidos tinham acabado de chegar quando vi Kevin entrando pela porta do pub, então larguei o celular do onde tinha sido deixado imediatamente. Acenei pra que ele me visse e Kevin veio rapidamente.
- , Parabéns!!!! – ele disse todo animado – Já estou ansioso para quando o filme for lançado.
Eu ri e agradeci. voltou pra mesa minutos depois.
- Olha só quem está aqui – disse sorrindo quando notou Kevin na mesa.
- Ao vivo e em cores – Kevin respondeu nos fazendo rir.
- Olha, eu não quero ser a vela por aqui em – brinquei – Infelizmente o meu boy não pôde vir para completar esse encontro de casais.
Falei isso de propósito e percebi que o Kevin mudou a postura dele e pareceu um pouco tenso quando percebeu essa reação proveniente de Kevin. Aquilo me deixou mais intrigada ainda.
- Vou chamar o garçom pra você fazer seu pedido, Kevin – mudou de assunto rapidamente, e fez o que disse que faria sem esperar nenhuma resposta vinda de quem ele tinha se dirigido.
Eu dei um gole longo no meu copo de cerveja enquanto o Kevin fazia o pedido dele, me peguei analisando-o... Eu, definitivamente, não devia ter lido nada. Aquilo iria me atormentar mesmo que não parecia assim grande coisa.
- Nem acredito que você irá voltar a atuar! – Kevin puxou assunto me tirando do transe que eu estava, praticamente dentro dos meus próprios pensamentos – Por favor, nunca mais faça isso de demorar tanto tempo para aparecer nas telas, seus fãs te amam.
- E é claro que o Kevin está incluído no “seus fãs” – completou.
Ri.
- É bom voltar a atuar, então eu tenho certeza que seu pedido será atendido – pausa – Nem que eu tenha que fazer testes todos os dias pra qualquer coisa.
- Isso é muito bom de ouvir, mas até parece que Paker precisa fazer muitos testes mesmo... Os diretores devem se estapear pra ter você em alguma das produções deles, não é? – quis saber Kevin.
- Que exagero! – comentei – Não cheguei nesse nível, sinto que preciso crescer muito como atriz ainda, mas obrigada. – ri.
- E você tem muito potencial pra isso, eu sei que tem – apontou , me fazendo sorrir. Ele sempre acreditou em mim.
- Como vocês se conheceram? – Kevin quis saber.
Eu e nos entreolhamos e rimos.
-Foi quando tínhamos treze anos, meus pais tinham falecido e eu fui morar com a minha vó em outra cidade – comecei e segurou minha mão mostrando apoio – Então eu era a aluna nova na escola que não fazia nada e não se importava com nada...
- Ela, literalmente, chegava à escola, abaixava a cabeça e dormia – completou e nós rimos.
- Então um dia eu estava chorando enquanto esperava o ônibus e o viu e veio falar comigo – continuei – Ele chegou dizendo “deixa de depressão mulher, tá chorando por quê?”.
Gargalhamos.
- Mas ai ela me contou a história e eu me senti mal, mas tentei apoiar ela ali naquele dia – continuou – E desde então ela anda no intervalo comigo.
Rimos mais uma vez com o trocadilho dele.
Continuamos conversando descontraidamente sobre várias coisas e rindo sem parar (o álcool ajudou um pouco nisso também), mas algumas vezes me pegava analisando Kevin e tentando entender o motivo daquelas mensagens.
- Um brinde a mais nova vilã que o mundo irá conhecer – Kevin levantou o copo de cerveja e nós o seguimos brindando também.

me levou em casa e, por mais que estávamos sozinhos no carro, não tive coragem de perguntar sobre as mensagens, já que eu teria que contar que peguei o celular dele e as li sem autorização. Despedi-me dele e subi até meu apartamento, me jogando na cama assim que consegui entrar em casa.
Fechei os olhos e a tela do celular vinha na minha cabeça.

:
O não vem.
KEVIN:
Tem certeza?
:
Sim, a me mostrou a mensagem que ele mandou pra ela dizendo que não viria.
KEVIN:
Será que ele não vai pelo mesmo motivo que eu?
:
Não sei, mas você ainda vai ter que me contar essa história!
KEVIN:
Kkkkkkk Estou indo então, bjs.

Fiquei me perguntando qual seria a razão que faria Kevin evitar de ir a algum lugar simplesmente pelo fato de que o iria. Também me fiz a mesma pergunta que Kevin havia feito a na mensagem: Será que o não tinha ido pela mesma razão que o Kevin não queria ir? Eu adoraria saber.
Liguei a televisão para me distrair e, na matéria que estava passando, na parte inferior da tela, dizia: Responsável pelo Music Awards se pronuncia sobre o caso de .
Aumentei o volume da TV, interessada na matéria.
“Em um primeiro momento nós não iríamos nos envolver já que o que nos interessa é o talento e não a vida pessoal dos apresentadores escolhidos para apresentar o Music Awards, mas recebemos muitas críticas depois de uma entrevista dada por Paker ao The Hanna’s show contando sobre o relacionamento conturbado que ela tinha com Freemam, como todos sabem, e, infelizmente, tivemos que tomar a atitude de substituir o ou nossa premiação desse ano seria um verdadeiro fracasso de audiência, isso sem contar alguns artistas que estavam se recusando a ir caso decidíssemos manter o como apresentador.”
Fiquei boquiaberta... Apresentar o Music Awards sempre tinha sido um sonho do e eu acabei com ele em alguns minutos em rede nacional.
Meu celular vibrou, era uma mensagem de :
“Acabei de ver a notícia sobre o ... Se prepara pro combate”
E ele estava totalmente certo.

No sábado à tarde eu estava toda empolgada enquanto me arrumava para fazer tatuagem. A campainha tocou e eu sorri quando vi na porta.
- Olha só quem apareceu, que surpresa boa! – disse dando um selinho demorado nele logo em seguida.
quebrou o beijo sorrindo e entrando no meu apartamento.
- Ia falar pra você se arrumar, mas, pelo visto, você já esta fazendo isso – ele percebeu – Eu estou atrapalhando?
Sorri.
- Claro que não! – respondi rapidamente – Eu vou ir fazer minha tatuagem, você pode ir comigo.
fez uma careta.
- Você não precisa fazer uma – argumentei.
- Eu sei, mas esses lugares não são muito minha praia e tatuagem costuma demorar demais pra ser feita, vou ficar entediado – ele riu – Mas te levo até o lugar e você me liga quando sair, então a gente decide algum lugar pra ir.
Fiquei um pouco triste por ele não me acompanhar, mas ignorei isso e disse:
- Combinado.
Terminei de me arrumar e depois fui até o carro com , Conversamos durante todo o caminho e eu até tentei convencê-lo de deixar na rádio que só tocava indie... Durou dois minutos até ele falar que não suportava e eu ri.
- , o que você acha do Kevin? – perguntei e percebi que ele ficou um pouco rígido enquanto dirigia, mas depois deu um sorriso.
- Por que essa pergunta? – ele quis saber.
Meu cérebro dizia pra mim: PENSA EM UMA DESCULPA RÁPIDO!!
- Ah, você sabe que ele está saindo com meu melhor amigo – comecei – Eu acho ele legal, mas sei lá... Queria uma opinião de outra pessoa. – foi à desculpa mais esfarrapada que eu inventei.
- Bom, eu não o conheço bem pra julgar...
- Mas olhando assim, à primeira vista, o que você diria a respeito dele? – interrompi .
- E-eu realmente não sei, não tenho uma opinião formada sobre ele – explicou – Não o conheço o suficiente pra ter algo contra ou algo a favor.
Respondi um “entendi” e a conversa morreu. Acho que a questão era só por parte do Kevin, já que se o tivesse algo contra ele, com certeza me falaria.
Paramos em frente ao estúdio de tatuagem e me deu um selinho.
- Por favor, não volte com uma tatuagem na testa! – pediu.
Ri.
- Farei o possível.
Desci do carro e entrei, indo falar com a recepcionista logo em seguida.
- Olá, eu tenho uma hora marcada agora com o John Müller – expliquei.
- Qual o seu nome? – a recepcionista toda tatuada perguntou depois de estourar a bola de chiclete.
- Você deveria ser demitida por isso Kim! – John apareceu do nada – Como assim você não sabe quem é Paker?!
Ela revirou os olhos e o John pediu pra eu o acompanhar.
- Desculpe, Kim às vezes vive alheia ao mundo – disse ele rindo logo em seguida.
Entramos em uma sala com paredes brancas cheia de quadrinhos retrô, havia também um espelho enorme, uma cadeira de tatuagem e todos os materiais necessários sobre um plástico em cima de um balcão preto. Me veio uma nostalgia entrando ali, o lugar era praticamente o mesmo de quando eu vinha com o , eu adorava acompanha-lo sempre que queria fazer uma tatuagem nova.
- Aqui está o decalque da sua tatuagem – ele me mostrou e eu fiquei encantada, ela era mais linda ainda ao vivo e devia ter mais ou menos uns oito centímetros – Onde você quer fazer?
- Eu pensei nas costas, perto do ombro esquerdo – respondi.
- Perfeito, vai ficar bom nesse lugar – pausa – Vamos colar o decalque então?
Fiz que sim com a cabeça e abaixei a alça da minha blusa regata de alcinha. Ele abaixou um pouco minha blusa na parte detrás quando foi colar o desenho e depois pediu pra eu olhar no espelho pra ver se eu gostei mesmo daquele lugar e não queria trocar por outro.
- Ficou bom assim, pode tatuar! – falei empolgada e ele riu.
Deitei e ele começou a fazer a tatuagem. Estava doendo, mas eu dizia mentalmente: vai ficar lindo e essa dor toda vai compensar. Às vezes ele dava uma parada, perguntava se estava tudo bem e continuava... Me lembro quando ele fazia isso com o e o mesmo dizia “É claro que está tudo bem, manda ver que eu não sinto dor”, mas, uns minutos depois, o pedia pra parar um pouco e a gente ria da cara dele.
- Pronto! – disse John um tempo depois me libertando das minhas lembranças.
- Ai meu deus eu estou tão ansiosa pra ver! – disse empolgada.
John passou um pano na minha tatuagem e deu uma risada.
- Vou pegar o plástico pra colocar nela e você pode ver no espelho – ele falou se retirando da sala logo em seguida.
Me levantei rapidamente e corri pra frente do espelho super curiosa pra ver minha tatuagem nova. É horrível tatuar em um lugar que não dá pra ver o processo, porque te deixa mais ansiosa ainda. Olhei sobre meus ombros para ver o resultado e, espera, o que era aquilo?

Não havia desenho algum, somente letras grandes que formavam o nome do ! Comecei a chorar e, em uma atitude desesperada, esfreguei meus dedos na tatuagem esperando que tudo aquilo fosse só uma brincadeira, mas ela não saía e eu só sentia dor todas as vezes que tentava tirar.
Pelo espelho pude ver parado perto da porta da sala rindo.
- Gostou da tatuagem nova? – ele debochou.
As lágrimas ficaram mais abundantes.
- Qual é o seu problema? – gritei – Você é ridículo!
Ele gargalhou.
- Você achou mesmo que ia me tirar o Music Awards e se safar? – ele ficou com a expressão séria, o ódio consumindo os olhos dele – O estado que você está vendo essa tatuagem eu fiquei três vezes mais e eu tive que me segurar pra não te ligar mandando você ir à merda.
- Mas não foi intencional, eu não queria ter tirar do Music Awards! – expliquei chorando desesperadamente – Uma tatuagem é uma coisa séria !
- Querendo ou não, você conseguiu matar mais um sonho meu, agora aguente as consequências.
Meu sangue parecia ferver dentro de mim.
- É a porra de uma premiação! – gritei mais uma vez – Daqui um tempo você supera, mas isso – apontei pra palavra nas minhas costas – É uma tatuagem! Era pra ser uma homenagem pros meus pais e você simplesmente acabou com ela! – chorei mais ainda.
pareceu ficar abalado com o que eu disse sobre meus pais, mas logo depois se recompôs... Ele não podia perder a pose.
- Bom, você pode continuar com essa tatuagem ai e mostrar ao mundo o quanto ainda me ama, ou pode tirar com laiser e a cada sessão de remoção que você fizer sentindo uma dor absurda, você se lembrar que foi exatamente assim que eu me senti quando o representante do Music Awards ligou na minha casa dizendo que eu não iria mais ser o apresentador.
Vi os olhos dele se encherem de lágrimas.
- Sabe, além de conseguir ser o apresentador já ter sido algo bem significativo pra mim, eu iria aproveitar a ocasião pra anunciar a volta do Drift...
- O Drift vai voltar? – o interrompi surpresa.
- Sim, e ia ser perfeito poder anunciar isso no palco do Music Awards onde nós ganhamos nosso primeiro prêmio – ele limpou uma lágrima que escorreu – Mas você estragou tudo... De novo.

CAPÍTULO 12


Saí da sala sentindo uma mistura de tristeza e ódio, John estava na recepção conversando com Kim, a mulher tatuada, e deu um sorrisinho quando me viu.
- O que achou da sua tatuagem nova? – ele disse provocativo.
- Você vai se arrepender por ter concordado com esse plano do ! – gritei – Espere pela visita do meu advogado!
- Bom, você assinou um termo concordando que o desenho da tatuagem estava a critério do tatuador, ou seja, eu! – disse ele – Seu advogado pode até vir, mas não vai adiantar em muita coisa.
Eu não acredito que cometi uma burrice dessas. Encarei-o feio e sai quase marchando pra fora do estúdio pegando meu celular imediatamente e discando o número do .
- Já terminou a tatuagem? – ele atendeu perguntando e eu respondi com um “sim” seco – Como que ficou?
- Eu não quero falar sobre isso agora – ficou mudo do outro lado da linha.
- Vo-você está chorando? – ele perguntou e eu murmurei um “sim” novamente – Estarei ai em um minuto.
Sentei em um banco ao lado do estúdio limpando algumas lágrimas que escorriam. Eu vinha tendo uma vida de merda desde aquele vídeo do , mas eu estava sendo punida por algo que nem tinha feito.
parou o carro na minha frente alguns minutos depois e, quando sentei no banco do carona, desmoronei, chorei todo o choro histérico que estava segurando na rua pra não chamar atenção.
- , você precisa me contar o que aconteceu! – pediu – Você quer ir a algum lugar?
Fiz que não com a cabeça e soltando mais um soluço.
- Vou te levar pra casa então.

Quando chegamos à minha casa a primeira coisa que eu fiz foi me jogar no sofá. sentou do meu lado com uma expressão perdida, sem entender nada.
- , o que aconteceu? Aquele tatuador fez alguma coisa com você? – disse sentando-se ao meu lado no sofá.
- Você não vai gostar – consegui falar.
- Me fala, eu sou seu namorado, estou aqui pra te apoiar!
Abaixei a minha blusa mostrando minha tatuagem. ficou imóvel, olhando pras minhas costas, incrédulo.
- Você tatuou o nome do seu ex – murmurou.
- Não foi proposital! – fiquei de frente pra ele – O armou isso com o tatuador quando soube que não vai mais apresentar o Music Awards.
ficou alguns minutos parado olhando pro nada, imerso em pensamentos.
- E o que você pretende fazer? – ele quis saber.
- E-eu não sei ainda, não pensei em nada.
- Ah, você não sabe – ele falou em tom irônico – Que tal ficar com essa tatuagem e aproveitar pra voltar pra ele?
Fiquei alguns segundos tentando absorver o que o tinha acabado de dizer... Ele estava bravo comigo por algo que eu tinha 0% de culpa? Eu não conseguia acreditar naquilo.
- Eu estou cansado disso, a sua vida ainda gira em torno desse cara! – continuou ele, levantando do sofá e me encarando de pé – Sempre é pra cá e pra lá, e agora você até tem uma tatuagem com o nome dele!
- , isso não foi minha culpa! – argumentei.
- Nunca é! Você sempre é a vítima de toda história ruim que acontece. Sempre injustiçada pelo ex-namorado babaca – rebateu ele – Mas você nunca parou pra pensar que também procura por isso?! Não duvido nada que não tenha sido você quem publicou aquele vídeo dele!
- Eu não acredito no que eu estou ouvindo, ! A troca de quê eu teria publicado aquele vídeo?
- Pra chamar atenção, ser a coitadinha da história! – argumentou ele – Desde quando namoramos a primeira vez você fazia isso, adorava se vitimizar pro dizendo que eu era um namorado ausente, que viajava demais e nunca tinha tempo pra você.
Tentei abrir a boca pra dizer alguma coisa, mas ele me interrompeu.
- A sua maior satisfação é ter plateia, as pessoas reunidas a sua volta te bajulando, te achando a coitadinha injustiçada, e eu estou cansado de fazer parte dessa plateia, de dar continuidade pro seu show.
- O que você quer dizer com isso? - questionei
- Que eu quero um tempo...
Aquelas palavras vieram como um balde de água fria no meu coração.
¬- Preciso pensar sobre a nossa relação e, definitivamente, ficar olhando pra sua tatuagem só vai piorar as coisas!
Meus olhos se encheram de lágrimas.
- Você acabou de dizer que é meu namorado e estava aqui pra me apoiar – argumentei – Onde está o seu apoio agora na hora que eu mais preciso dele? Por que você surtou do nada?
- Eu não surtei do nada, só venho acumulando isso há algum tempo! Eu pensei que o era imaturo, mas agora estou percebendo que você é também – começou ele e eu fiquei espantada com seu insulto – E quanto ao meu apoio, eu jogo essa pergunta pra você: onde está você pra me apoiar? Ou você acha que é fácil namorar com ? Tendo que evitar certos lugares por causa de paparazzi e sempre ter que dividir você com o mundo... Eu não consigo te ter só pra mim.
- E desde quando eu sou sua propriedade?
Ele revirou os olhos.
- Essa conversa está terminada – ele falou se dirigindo até a porta – Tchau, .
bateu a porta e me joguei no sofá mais uma vez, odiando tudo. prometeu que faria da minha vida um inferno e ele cumpriu a promessa.

Acordei desnorteada com a campainha tocando. Peguei no sono depois de chorar demais.
- ? Pensei que você ia passar o dia com o Kevin hoje – falei assim que abri a porta e vi meu melhor amigo.
- Eu ia e passei – ele falou rindo como se fosse óbvio.
Olhei no relógio do meu celular, oito da noite. Eu não acreditei que tinha dormido tudo aquilo.
- , aconteceu alguma coisa? Você parece péssima! – ele notou.
Eu deixei a porta aberta pra que ele entrasse e me dirigi até o sofá, me acompanhou depois que fechou a porta.
- Não aconteceu nada demais, só que tenho a pior tatuagem do mundo - falei revirando os olhos.
pediu para que eu explicasse. Contei sobre a tatuagem e abaixei um pouco a blusa pra mostrá-la.
- A tatuagem está bem feita pelo menos, e a fonte da letra é bonita – ele elogiou e eu o fuzilei com o olhar – Não me olha assim! Eu só estou tentando ser positivo.
- Não tem como ser positivo nesse momento.
-, hoje em dia tatuagem não é assim tão permanente, existem métodos para tirá-la ou até mesmo fazer uma cobertura.
- Algum desses métodos faz com que meu namorado volte? – murmurei e ficou surpreso.
- O terminou com você? – ele quase gritou quando perguntou.
- Pediu um tempo – comecei – Depois que mostrei a tatuagem, ele surtou.
Contei como foi o resto da briga.
- Acho que você vem se esforçando pra tentar limpar o da sua vida, mas talvez nessa questão esteja certo. O seu ex ainda faz parte da sua vida – começou e eu concordei com a cabeça, isso era sim verdade – Mas na questão do você ser propriedade dele... Isso foi extremamente machista! E te acusar de ter publicado o vídeo... Eu não tenho nem palavras pra descrever o quanto isso me irritou.
Suspirei.
- Agora você também odeia ele... – murmurei.
- Eu também? Quem mais odeia o ? – perguntou e eu percebi o que tinha feito.
- É... Ninguém – fiquei constrangida.
- Você sabe de alguma coisa e não quer me contar? – ele perguntou e eu fiz que não com a cabeça – , eu sou seu amigo há décadas e te conheço muito bem!
De repente a culpa me envolveu e eu não consegui evitar confessar:
- O Kevin não gosta do , eu já sei disso.
- E como você sabe?
- Então é verdade? – respondi com outra pergunta.
- Você não respondeu a minha pergunta.
Abaixei a cabeça refletindo, tentando pensar nas palavras certas.
- Quando fomos ao bar eu achei estranho você não me mostrar a mensagem do Kevin como sempre aconteceu, e todas as vezes que eu tocava no assunto você ficava meio estranho – comecei – Então você deixou seu celular desbloqueado, o Kevin enviou uma mensagem nova... Eu acabei lendo, e descobri que ele não queria sair com a gente por causa do .
ficou alguns minutos sem dizer nada, só me olhando com uma expressão decepcionada.
- , fala alguma coisa – pedi.
- Como eu vou dizer o quão decepcionado eu estou com você por ter invadido minha privacidade? – aquelas palavras dele me deixaram mal – Quando você pretendia me falar?
- Nunca – admiti – Eu estava esperando você me contar, o que não aconteceu.
- Eu estava esperando a melhor maneira e também saber o motivo, que ele ainda não me contou – se justificou – Mas por essa de você eu não esperava.
- Você mentiu pra mim também, falou que o Kevin não iria sair com a gente por causa do trabalho. – argumentei.
se levantou do sofá.
- Ah claro, e como você pretendia que eu te contasse? Tipo “oi , meu namorado odeia o seu, então se você convidar o , o Kevin não vai” – ele rebateu ironicamente e eu fiquei surpresa.
- Namorado? – preguntei.
- Sim, pedi o Kevin em namoro hoje e vim aqui pra te contar – ele falou sem perder a irritação na voz – Mas você não deixou, claro.
- Foi você quem perguntou se tinha acontecido alguma coisa comigo! – rebati com o mesmo tom de voz.
- Eu não acredito que você invadiu minha privacidade desse jeito! – ele retornou ao assunto.
- Me desculpa! Eu sei que não foi uma boa atitude, mas você não podia me esconder isso – tentei me redimir.
- Não, eu estou magoado demais com você, amanhã a gente conversa – saiu pela porta me deixando sozinha.
Ótimo, em apenas um dia minha vida conseguiu se tornar um verdadeiro caos. A única pessoa que eu poderia contar, que me apoiava e estava sempre ao meu lado, tinha acabado de sair pela porta e estava magoado comigo. Comecei a chorar me odiando e querendo poder voltar no tempo pra acertar toda essa confusão.

Continua...



Nota da autora:

Grupo da fanfic


Nota da Beta: Sinceramente, pior que isso não pode ficar então só espero as melhorias na vida dessa pobre mulher na próxima att. Porque olha... Coitada! Mas também, só se mete com embuste, dá nem pra defender. Larga esses boys, amiga, segue sua vida em outro lugar. Se liberta porque tu não é obrigada a nada, okay? Okay! xx




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