CAPÍTULOS: [Prólogo] [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8]









PRÓLOGO


Olhe nos meus olhos. Nos profundos globos escuros e misteriosos. Feche os olhos. Você está vendo sua vida caso continue ao meu lado, está vendo o vale do abismo, está vendo seu último sorriso. Eu sou sua primeira e última pessoa, sou a única, porque quando você vem até mim, não tem mais volta, não tem mais porta. Só tem gritos e suspiros, de alguém esquecido. Eu sou o monstro dentro do seu guarda-roupa, com corpo de mulher, sorriso de maníaca, com raiva da vida. Eu mordo e ouço seu choro. Como se isso me machucasse. Realmente? Eu quero que a droga da realidade se ferre. Eu sou a aberração que viveu presa em um alçapão, apenas ela e a solidão.
Quando a noite se faz escura e as estrelas ocupam suas posições, eu apareço e trago o medo.
23:50
Todos saiem de suas sombras.
23:55
Ruídos, escuridão. Poços abertos.
00:00
Era da extinção, era dos escolhidos. Eu só tenho escuridão para oferecer e na maioria das vezes, todos querem um pouco de luz. E isso ninguém vê. Precisam entender: eu nasci pra morrer. Eu sou aquela do arrepio, que faz tremer o joelho e gaguejar palavras sem sentido. Sou aquela que procura um pouco de sorriso, que vai rezar toda noite antes de dormir, para quem sabe, parar com toda essa maldade. Eu vou achar engraçado, seu jeans desbotado e seus chuck taylors de cano alto. Que parece escutar um rock pesado, mas é apenas Michael Bublé, cantando no rádio. Alguém que quer sair do amargo. Eu sou apenas uma experiencia. Da aberração, a perfeição. Que perguntou a um cara: "Quer casar comigo?" e ele disse: "Não". Tomei um banho frio, deixei as lágrimas se misturar com a água, deixei as cicatrizes que ele fez em mim expostar. Uma blusa sem mangas. Cor de rosa. Fui até o rio São Francisco e me joguei dali, mas então lembrei que era invencível. Submergi de volta e fui procurar ele de volta. Me humilhei aos seus pés e de mulher, voltei a menina. Voltei a ser apenas uma na multidão. Eu me arrependo desse dia amargamente. Me arrependo do dia que me entreguei para ele de coração e mente. Eu quis voltar atrás, mas não pude. Então continuei me humilhando. Até que conheci ele. E tudo mudou, por tantos anos e achei alguém para ver comigo, aquele por-do-sol mexicano, alguém que eu possa dizar: "Casa comigo?". E que responda: "Com certeza, mais que amigos."

CAPÍTULO 1- A HISTÓRIA DA MINHA VIDA


Respirei fundo, assim que ouvi os gritos ensurrecedores e histéricos da platéia, logo após Nick Elástico Wills sair com um sorriso vitorioso do enorme palco, que mantinha uma estrela em seu centro e estava coberto por uma lona das cores do arco-íris. No teto, holofotes ligados de diversos tipos que iluminavam a todo local. Vi ele se dirigir até os bastidores, segurando um buquê de rosas vermelhas, que imanavam um cheiro doce e afrodisíaco que me lembravam o Caribe. Já que por minhas contatações, de alguns livros sobre aventuras de piratas, tesouros perdidos, papagaios falantes e sol, era um ótimo lugar para se desfrutar bebidas com pequenos guardas-chuvas apoiados na beira de seus copos. Pois aqui no Alasca, não vemos, sentimos ou percebemos uma miníma onda de calor ou bebidas assim e acredito que continuaremos a sonhar com esse dia, ou pelo menos EU continuarei. Enquanto garotas na minha faixa etária de 17 anos estudam, namoram e saiem com suas amigas, em vestidos acima dos joelhos e saltos gigantes para baladas de alguma cidade conhecida, eu estou casada, com um homem nojento 20 anos mais velho, dono de um circo que fede a whisky e charutos e dorme com uma mulher diferente a cada dia. Se é que elas são mulheres, mas sim: putas.
Me livrei de meus pensamentos, percebendo Nick me olhar com desprezo, por estar secando suas flores. Sorri pra ele, olhando fundo em seus olhos, enxergando seus globos verde que se tomaram uma cor escura quando percebeu o que eu estava fazendo. Tarde demais. Percebi ele baixar seu olhar pra mim e não piscar ao menos uma vez sobe meu comando. Idiota. Mas logo depois, pude ouvir a voz de Wayne, se espalhar pelos altos falantes do picadeiro e a platéia mais uma vez, ficar auvorecida. Olhei em uma das janelas e vi a nevasca que caía do lado de fora da tenda, o vento era forte e uma das montanhas ameaçava arrastar tudo a sua frente, parecia que hoje a mãe natureza não iria dar uma folga para ninguém. Avistei um carro, que imaginava ser uma Land Rover, eu acho. Pois agora queria saber: o que um carro desses, que provavelmente deveria abrigar pessos importantes dentro dele, fazia nos emirados do Pólo Norte, ou Alasca, como preferir. Comprar um iPhone é que não é. Então, hipoteticamente, devem ter vindo ver o show de aberrações. Pensava que a vida na cidade grande fosse super interessante e etc... Mas pelo visto é entediante, porque você querer vir a um lugar super broxante como esse, é porque o clima tediante não te faz bem. E relativamente, você está drogado.
Ouvi aplausos e gritos histéricos do picadeiro. Esse é o último ato. Agora sou eu. Senti um calafrio percorrer minha medula e me arrepiei com o ato, percebi alguém por suas mãos em minhas cinturas, mas antes mesmo de virar, o cheiro de whisky e charuto invadiu meus pulmões.
- É sua hora, querida.- disse Ben, fazendo-me grunhir pelo ato.
Me virei para ele e percebi que o mesmo tinha um charuto em seus lábios apagados e secos. Em uma tentativa falha, ele tentou me dar um beijo nos lábios, que foram transportados para minha bochecha gélida, assim que me virei.
- Que foi princesa? - ele disse tentando parecer homem de verdade ao menos uma vez. - Um beijinho de boa sorte.
Olhei para ele incrédula e Ben apenas sorriu de um jeito cafajeste para minha expressão incrédula.
Tentei me livrar de seus braços ao redor de minha cintura e notei que ele tinha uma cicatriz em seu pulso direito, o que não me fez impedir de fazer. Afastei-me, andando sorrateiramente para seu pulso direito, o que não me fez impedir de fazer. Afastei-me, andando sorrateiramente para trás, mas ele apenas fez um sinal de negação com a cabeça. Senti-o se aproximar e por os lábios frios em meu pescoço. será que eu realmente seria violentada ali?! E o pior é que todos a minha volta reagiam como se fosse a coisa mais normal do mundo. Me senti um nada. Era sempre assim. Nada. Logo lágrimas insistentes acumularam-se em meus olhos.
- Oh, frágil . Não chore. - Ben passou seus dedos sujos por minhas lágrimas.
Notei que ele me olhava com admiração e fixava seu olhar em meus lábios. Notei-o se aproximar lentamente e grudar sua boca na minha. Em um instinto, mordi seu lábio inferior. Ben se soltou de mim e passou a mão sobre o local. Olhou e viu que sangue escorria pelos seus lábios. Vi ele me olhar com raiva e estreitar seu olhar para mim.
- Sua vadia, como ousa?
Então um tapa foi transferido para minha face, que começou a arder e imagino que a marca de seus dedos ficaram ali. Mais uma vez as lágrimas voltaram, meu rosto virado para o lado levantou, percebendo Ben me encarar com nojo.
- Sua vadia.- ele disse cuspindo as palavras - Eu deveria te dar uma lição aqui mesmo!
Então ele se pôs a chutar minhas pernas, fazendo eu cair no chão e sentir uma pontada nos joelhos.
Nisso eu já estava chorando descontroladamente, com as mãos apoiadas sobre o rosto.
- Eu só não acabo com você aqui mesmo porque agora é a sua deixa...
Continuei com a cabeça baixa, vendo as lágrimas molhar o chão embaixo de mim. Do nada, senti um puxão em meus cabelos, fazendo eu olhar para cima.
- Olhe para mim quando eu falo com você cadela. - Ele disse com raiva - Escutou?
Me mantive calada. O tapa que ele lançou em meu rosto ainda ardia e eu não iria respondê-lo, ele não manda em mim. Mais um forte puxão em meus cabelos, pulsionou minha cabeça mais para trás.
- Eu disse: "Escutou?" - ele falou balbuciando.
Apenas o olhei com nojo. Por que eu fui vendida para aquele homem? Quem é meu pai, minha mãe e porquê eles fizeram isso? Qual é a história da minha vida, afinal?
Gritei, quando senti ele me puxar pelos cabelos mais uma vez. Me fazendo levantar e olhá-lo, meus joelhos tremiam e a única coisa que me sustentava era sua mão fechada em meus fios castanhos. Senti cada mínimo fio se soltar do meu coro cabeludo, e repreendia gritos de dor, percebendo ele esperar pela minha fraqueza.
- Mas ela não presta mesmo... teimosa. - ele falou sacana - Quando tudo isso acabar, preste bem atenção vadia: Eu vou acabar com você.
E me soltou, fazendo-me cair no chão com tudo. Reprimi um gemido de dor e abaixei minha cabeça vendo os passos de Ben para longe de mim.
- Pronta?
Levantei minha cabeça e vi Jackson me olhando incrédulo.
- Foi ele? - ele perguntou alterado.
Apenas continuei imóvel, vendo o chão cobre, sendo tomado por cupins e mofo. Respirei fundo, sentindo o cheiro de enxofre tomar conta de meus pulmões.
- ... Foi ele? -Jackson perguntou rispído.- Foi Ben que fez isso em você?
Olhei-o, vendo algumas veias saltarem de sua testa e suas bochechas em um vermelho vivo.Jackson era meu segurança desde que eu tinha 10 anos. Ele me viu crescer, ouviu a primeira palavra, os primeiro passos. Ele é meu primeiro amigo, meu primeiro pai.
Apenas abaixei a cabeça e imaginei que ele já soubesse a resposta.
- Eu vou...
- Não vai nada. - disse cortando sua fala.
- Mas como você pode? - ele falou incrédulo. - Ele te bate, , e faz sei lá o quê e é assim?
- Calma, a hora dele ainda não chegou.- disse me levantando e limpando a roupa sexy demais, que eu vestia, é com isso que eu tenho que me apresentar. - Ainda.
- E quando vai ser a hora dele? - Jackson perguntou.
Me levantei e andei mancando em direção ao palco. Passei por algumas pessoas e respirei fundo antes de entrar. Percebi as luzes e holofotes bateren diretamente em meu rosto. Pisquei várias vezes, me acostumando com aquilo. Olhei pra trás e vi Jackson me olhando com uma expressão indecifrável.
- Em breve. Em breve.- disse com um sorriso sapeca no rosto e esquecendo da dor por um momento.
- Recebam aquela que vai deixá-los hipnotizados com sua beleza, que tem na palma das mãos seu futuro e seu passado, ela sabe de tudo da sua vida com um simples estalar de dedos, tomem muito cuidado com ela. A maravilhosa .- A voz estridente de Joseph ecoou pelo picadeiro.
Ouvi as palmas e gritos da platéia preencher o espaço. Respirei fundo e adentrei ao grande local.Um nó se fez em meu estômago assim que vi dois olhos azuis me encarando de uma das arquibancadas.
- ? - Joseph me chamou - Que droga que você tá olhado?
Continuei vidrada naqueles malditos olhos azuis. Até que sintou alguma coisa bater em meus ombros, Bem me olhou com raiva e sussurrou um "Faz alguma coisa, vadia.".Sem reação alguma, apenas olhei para todos e o homem não estava mais lá. Olhei para todos e diminuí meu olhar, entrando na mente de cada um e os deixando estáticos. Saí daquele lugar correndo, sentindo um braço me puxar.
- Que droga que você tá fazendo ? - Perguntou Ben apertando meu braço com força.
- Calma que eu já hipnotizei eles, não é isso que você quer? O dinheiro deles? - disse dando um puxão dorte fazendo ele soltar meu braço.
- Patrão? -ouvi a voz de Joseph ecoar.- Temos que pegar as carteiras?
Peguei meu casaco que estava no cabideiro, o vesti e saí daquele local. Abri a porta e um vento frio invadiu meu corpo descoberto. Apertei mais o casaco ao meu corpo, porém as penas ainda estavam descorbertas. Andei um pouco, até, quem sabe, encontrar um iglu para passar a noite.
Senti uma mão agarrar meu braço direito que estava enfiado nos bolsos, em meu casaco lilás.
- Onde a boneca pensa que vai? - disse uma voz rouca que me arrepiou.
Virei pra trás, já pensando em usar algum dos meus dons, mas o maldito usava...
- Óculos escuro, princesa... Pode guardando seus dons pra você mesma.- ele falou.
- Olha só, pensei que a gente fosse ter que passar uns dias aqui, mas pelo visto você conseguiu, . - disse um moreno de voz estridente aparecendo.
Fiz força pra tentar me livrar dos braços do loiro.
- E até que ela é bem gostosa hein...- disse o mesmo encarando minhas pernas descobertas.
- Que foi gracinha, com medo? -disse outro moreno.- A gente cuida de você, gostosa.
- ! Cadê o ? - disse o loiro ainda mantendo-me firme em seus braços.
- Eu acho que...
Mas antes que ele pudesse terminar, uma Land Rover, que parecia ser a mesma que vi a pouco tempo, apareceu em meio a nevasca, buzinando como louco.
- E aí gatinha, qual seu nome? - o moreno de voz estridente falou.
Me mantive calada. Ele que se ferre, eu não vou falar nada.
- Seu eu fosse você falava, porque eu estou pedindo com educação, mas pelo visto, vai ter que ser do meu jeito. - ele disse.
- É melhor você falar,- o loiro disse - ninguém quer ver o estressado.
Antes que pudesse dar uma resposta bem mal-educada a eles, fui interrompida pela porta do carro que se abria.
- Então garotos, conseguiram a...- assim que me viu parou de falar. - Que gostosa! - um garoto de cabelos cacheados, porém bagunçados, disse.
- Não é? - aquele loiro disse entrando comigo no carro.
- E ae' princesa? - o cacheado disse. - Com medo?
Revirei meus olhos e o vi rir pelo nariz. Assim que todos entraram o carro decolou pela neve, fazendo eu cair no colo daquele de voz estridente. Me levantei para sair dali, mas meu quadril foi puxado pra baixo. Fiz força e acabou que caí, fazendo todos ao meu redor rirem.
- Tão frágil...- disse o cacheado tirando seus olhos do caminho por um momento e passando as costas das mãos em meus lábios.
Me lembrei das palavras de Ben e mordi sua mão.
- Filha da mãe! - o cacheado disse. -Sua cachorra, você não perde por esperar.
- , cadê a mordaça? - disse " ".
- Toma. - ele falou entregando-lhe um pedaço de pano vermelho.
Arragalei os olhos e ele somente riu do meu ato. Percebi derramar um líquido irreconhecível e então sorrir para mim, com segundas intençãos.
- , segura a cabeça dela. - disse.
Quando ele foi chegar perto, me debati, em uma tentativa falha de impedí-lo. Senti suas mãos segurarem meus dois lados da cabeça á força. Ele pôs aquilo sobre meu nariz, fazendo pressão, senti aquele líquido se misturar com o ar, e o fôlego faltou, fui fechando os olhos aos poucos.
- Nada de se aproveitar da menina, garotos. - disse fazendo todos rirem.
- Eu não te garanto que não vou fazer nada.- o cacheado disse.
Apenas ouvi risos e fui caindo em um sono profundo sentindo pela primeira vez, o sol.

CAPÍTULO 2- SOL, CALOR E DOR.


Acordei sentindo minha cabeça latejar, abri os olhos lentamente, continuando a ver a escuridão. Pisquei diversas vezes, tentando provar a eu mesma, de que não estava sonhando ou qualquer derivado da ilusão, que me fizesse acreditar que não estava cega.
Até que vi um pequeno feixo de luz, sair da escuridão e atingir minha pele descoberta. Me levantei preguiçosamente, até aquele "sinal", talvez. Mas foi uma tentativa falha, porque assim que apoiei minhas mãos, para dar-me mais um pouco de suporte, algo como correntes, imagino, me impediram de continuar meu caminho até o feixe de luz. Fiz mais força, tentando me livrar do que quer que aquilo estava me prendendo seja. Senti uma pontada forte em meus pulsos e controlei um grito, com a mão direita, também presa, tateei o que tinha feito tal dor. Mas apenas tinha uma superfície lisa e desgatada, porque assim que pus as pontas de meus dedos em cima do material, ele se desfez em algumas pequenas migalhas, nas minhas mãos. Limpei as mesmas nas vestimentas que usava, as quais também não pude saber como eram, mas pelas minhas experiências com costureiras, senti aspectos grossos, como paitês e etc. Pois logo, uma lembrança veio a minha cabeça: land rover, mordaça e sol.Será que me encontrava no estabelecimento de alguns daqueles homens? Bufei. Não pode ser, ultimamente tenho tido muitas alucinações, quem sabe, é apenas minha mente fértil, agindo no lugar da consciência de novo. E droga. As costas começaram a coça. Revirei os olhos tentando amenizar aquela vontade matadora de esfregar cactos, para passar.Tentativa mal-sucedida. E em um movimento rápido levei minhas unhas, até o local, prestes a acabar com meu torturamento pessoal, mas as correntes impediram e fizeram alguns barulhos irritantes por um momento. Mas agradeço a Deus eternamente, porque as do meu braço esquerdo foram soltas. Sem perder tempo, levei minhas unhas afiadas até o local, esfregando mais e mais. Sentindo um atrito se formar ali, gritei com raiva de mim mesma pelo meu ato idiota, assim que pegar o próximo avião em direção ao pólo-norte, irei cortá-las, nem que seja a última coisa que eu faça.
Liberei um gemido de contentação, po aquilo finalmente passar. Mas logo depois pontadas chegaram ao mesmo local, rangi os dentes e pus minha mão livre, sobre a outra ainda presa. Sorri assim que senti a mesma ser solta com facilidade. Quem quer que seja o idiota que pôs isso em mim, agradeço a ele, por fazer tão mau o trabalho.
Me levantei mais uma vez, certificando que nada mais me impedia de sair daquela escuridão. Mas me arrependi amargamente de levantar, sem tatear a superfície abaixo de mim. A única coisa que me lembro, foi meu corpo ser arrastado para baixo, assim que o chão se abriu, me fazendo cair em uma superfície mais abaixo de mim. Gritei, assim que um objeto pontíagudo adentrou em meus tendões. Droga. Ouvi meus gemidos ecoar pelo local, enquanto mantinha meus olhos fechados, incomodada pela dor. Pude então saber, quando um calor forte, atingiu meu corpo. Abri meus olhos, com lágrimas nos mesmos. E vi ele. O sol. Fiquei de bruços no chão resistente, a qual pude saber, pela madeira escura, já que todo local estava iluminado. Fechei os olhos. Como aquela sensação era maravilhosa. O sangue borbulhava, os pelos se eriçavam pela nova sensação e a pele esquentava. Então era isso que falavam sobre esse maravilhoso astro. Claro, nitído e quente. Nunca sentido antes por mim, mas que agora, tenho certeza de que irá aparecer mais algumas vezes para minha alma fria. Sentei-me com um sorriso bobo no rosto, mas que logo desapareceu, assim que viu o gigante estrago. Franzi a testa e me arrastei, vendo um espelho a minha frente. Senti o cheiro de musgo horrível que aquele lugar imanava e as paredes desgastadas em um branco, prestes a virar preto. Cheguei próximo ao espelho, me apoiando em uma espécie de madeira, como um caixote. Sentei sobre ele de costas para o mesmo e me virei abaixando minha manga direita do vestido. Percebi o local nas costas, ao qual ardia, com uma textura espessa e levei minha mão, tomando cuidado com as unhas e passei levemente ali. Mas um gemido de dor ecoou pelo local. Vi que pareciam pequenos espetos, como os cactos que nascem na primaveira. "O que era aquilo?" pensei.
Levei as mãos mais uma vez, com mais cuidado ainda, mas em vão, gemi de novo. Estava super sensível a superfície. Duvido que foram minhas unhas que fizeram aquele estrago, elas não deixariam minha pele com espetos. Com certeza, não!
Olhei para o estrago no reflexo do espelho e bufei, eu tinha que fazer alguma coisa em relação aquilo. E por mais horrível que pareça, estava doendo mais do que o machucado recente no tendão. Levei mais uma vez a mão, para a expessura em minhas costas, com cuidado, pus minhas unhas sobre os espetos e puxei um. A sensação se igualava a enfiarem um palito na minha pele e em volta ter vários espetos o puxando junto.
"Puxa de uma vez só." pensei. Respirei fundo e puxei. Olhei para meu reflexo. Arregalei os olhos ao perceber que os mesmos estavam vermelhos e os globos pretos. De repente meu estômago revirou, começei a tremer, sentindo medo do que veria nas minhas mãos. Levantei lentamente e vi. O que era aquilo afinal? Era exatamente como pensava. Só que era preto. Me lembravam penas, como...
- O que é isso? - ouvi uma voz rouca dizer.
Rapidamente pus a mão para trás, escondendo o... espeto? Talvez. Olhei para a porta, minha visão ainda afetada pela claridade. Era " ". Fiz uma careta, mas logo depois pensei rápido, o que falar? Ah! Me lembrei dos meus tendões e apontei para ele, com minha melhor cara de dor, já que realmente doía.
- Meu Deus! - ele falou espantado, vindo correndo até mim. - GAROTOS, VENHAM. AQUI. RÁPIDO.
De repente a figura de mais 3 apareceram. Decidi não ficar mais calada.
- Me ajudem... Por favor. - disse implorando.
, e se aproximaram com uma expressão horrorizada no rosto.
- ... Você fez isso? - disse calmamente.
Como esse idiota agia calmamente? Eu estava sangrando feito uma represa e ele fala assim? Saí de meus pensamentos quando sinto uma forte pontada no lugar.
- Calma. Eu sei o que 'to fazendo. - disse o tal de .
Assenti, querendo que aquela dor parasse logo.
- , leve ela para cima. Só tome cuidado com os olhos. - disse .
-Eu... Não vou fazer nada... Com vocês. Só... Por favor... Me ajudem. - disse sem fôlego.
Por um momento, eles se espantaram por eu falar algo, mas sem demorar agiram.
me pegou nos braços e pude ver seus olhos azuis. Notei que todos vinham atrás. Mas adormeci ali, naquela perdição azul, que me encarava também.

Acordei, sentindo uma dor horrível na cabeça. Abri os olhos lentamente vendo 4 homens, conversando que nem malucos a minha frente. Percebi que estava em uma cama de lençóis pretos e de casal. Olhei ao meu redor, vendo o imenso quarto. O vento batia nas janelas, levantando-as de um lado pro outro. Fechei os olhos e respirei fundo. Nunca tive outra sensação na pele, a não ser, o frio. E agora que experimentei outras, eu realmente não quero voltar. Abri meus olhos de volta, levando-os para meu corpo e percebi que estava apenas de roupas intímas. Gritei, vendo eles perceberem que acordei.
- Oh! Você acordou. - disse .
- Sim, por que estou assim? O que aconteceu? - falei puxando a coberta para meu corpo despido.
Vi os 4 se sentarem na cama. Respirei fundo, sentindo minhas bochechas corarem ao ver todos me olhando.
- Bom - começou -, você não se lembra de NADA? - ele falou daquele jeito calmo que me irritava.
Neguei e esperei por uma resposta. começou.
- Bom, você desmaiou nos meus braços, mas logo que te botei na cama para analisar seu machucado, você acordou suando muito e me olhou, então... - respirou fundo- lançou aquele seu feitiço e eu fiquei a sua mercê, os garotas ficaram abismados e a única solução que acharam foi te dar uma paulada na cabeça. Aí você acordou agora. - disse calmamente.
- Eu te... Hipnotizei? - disse raciocinando tudo.
- Sim. - disse deboxado.
- Eu perguntei pra ele, não pra você. - disse rispída.
- Olha... Ela morde. - ele disse brincando. - Eu acho melhor nós apagarmos ela.
- ! - exclamou.
- Que foi? Ela fala demais. - ele disse.
- Garotos, vamos deixar ela raciocinar. - disse - Depois você desce..?
-. - disse calma.
-. - ele repetiu.
Vi eles saindo, mas parou no meio do caminho e me olhou estreitando os olhos.
- Ah e caso queira saber querida, não adianta tentar escapar... As janelas, - ele rodou o dedo indicador ao redor do quarto - tem segurança. A prova de balas, babe. - ele disse saindo, me mandando um beijo no ar. - Quer dizer... .
Bufei e atirei um dos travesseiros nele, que infelizmente, não conseguiu atingi-lo.
Levantei-me e senti as pernas vacilarem por conta do tendão. Vi que estava com uma faixa em volta do machucado. Sorri com o ato e me dirigi ao que imaginava ser o banheiro. Pus minha mão sobre a maçaneta e entrei, vendo um banheiro maior que meu próprio quarto. As paredes eram azul bebê e os azulejos brancos. Fui até a pia e encostei na mármore fria, liguei a torneira lavando minhas mãos e o rosto. Vi meu reflexo e os olhos tinham voltado a sua cor de origem. Soltei um suspiro de alivio e voltei para o quarto. Abri um grande guarda-roupa de madeira clara e me deparei com diversas camisas, bonés e jaquetas. Peguei uma camisa cinza, escrita: holister. Vesti a mesma e me dirigi até a porta deixando tudo aberto.
Olhei para o andar de baixo, vendo um lugar amplo e muito bonito.
Desci as escadas ainda sentindo dor no tendão, assim que cheguei vi eles sentados a mesa comendo. Cheguei mais perto e todos olharam pra mim.
- Senta aqui . - disse gentilmente.
Fui chegando mais perto e percebi que tinham armas na mesa. Parei de andar e encarei confusa.
- Que foi? - ele disse preocupado.
Não falei nada. Apenas voltei a andar. Sentei ao lado dele e de , que me deu um olhar malicioso.
- Então ... você é do Alasca, certo? - disse cortando a tensão.
- Não. - disse camalmente.
- Não? - ele disse espantado.- Ué, então... de onde você é?
- Brasil.
- Brasil? - disse. - Tá explicado o porquê você é tão bronzeada.
- É.
- Mas por que foi de um lugar calorento para um que parece meu freezer? - disse .
Ri com suas palavras.
- Não... Eu fui contra a minha vontade ainda pequenininha, tanto que nem me lembro do sol. - bufei.
- , por que você não faz um favor e conta logo pra ela o que nós queremos? - disse sem paciência.
Arregalei os olhos.
- O que VOCÊS querem? - disse espantada.
- Te matar. - disse de surpresa. - Calma... Só tava brincando. - todos riram. - É , fala logo.
- É que sabe... - ele se embolou todo.
- Fala logo! - disse.
- O que acha de se tornar a próxima Miss America?

CAPÍTULO 3- TORTURA


Olhei para o homem de olhos azuis, que me encarava aflito e arqueei minha sobrancelha pra ele. Seu olhar vibrante fez meu estômago virar por um momento e logo depois uma onda de arrepios, percorreu a extensão de minha pélvis. Respirei fundo e me desviei daquela "intimidação", percebendo o enorme lustre central, refletir diretamente em meus olhos, pisquei algumas vezes, me acostumando com aquilo. Mais uma vez, aquele mesmo local, na parte superior das costas, começava a arder. Mexi-me desconfortavelmente sobre a cadeira, que rangia sobre meus movimentos. Fechei os olhos, me concentrando em aliviar aquilo, que tanto me incomodava. Olhei disfarçadamente para , que me lançou um sorriso malicioso, revirei os olhos e pensei em mandá-lo catar coquinhos, mas apenas manti a calma e voltei a postura de alguém educado. Olhei para alguns bisturis e tubos, que estavam sobre uma espécie de maca. Arregalei os olhos, tentando pensar no que eles iriam fazer comigo. Coisa boa, não será. Já que ninguém usa ácido sulfúrico para fazer carinho ou qualquer outra coisa que envolva isso. Concentrei-me nas paredes brancas ao meu redor, testando se não tinham feito alguma coisa comigo.

Flashback ON
Tremi da cabeça aos pés, assim que ouviu o barulho do raio, tocar o chão pela segunda vez. O vento frio da Pensilvânia balançava meus cabelos escuros, e a cada segundo que soltava um suspiro, uma espécie de fumaça saia de meus lábios avermelhados. Enquanto meus pés se direcionavam para a grande casa rustica a minha frente, Ben caminhava, já sentindo o efeito que o cigarro faz para quem o usa, tomando fôlego a cada passo. Seu sobretudo de pele de urso, cobria a todo seu corpo, dando-lhe um ar de mistério, e deixando apenas seus tenebrosos olhos cinzas a mostra. Engoli seco, quando vi a casa a minha frente, de janelas abertas e cortinas voando. Quem em sã consciência deixaria a janelas escancaradas, nesse frio e aterrorizante lugar? Meus pensamentos foram interrompidos por um homem, que apareceu no local, fazendo força para fechar a mesma. Seu olhar se levantou diretamente para mim, com os dentes entre o lábio inferior, dando-me seu maior sorriso cafajeste. Dentes negros, que pareciam podres, apareceram em meu campo de vista, e rapidamente franzi a minha testa, imaginando minha cara nem um pouco bonita, de nojo. Vi ele sair dali, bufando por sua tentativa fracassada de fechar a janela emperrada. Percorri meu olhar por ali, não encontrando nenhum sinal dos “dentes podres", apelido óbvio que acabei de dar. Senti uma mão puxar meu braço em sua direção, virei minha cabeça, notando que o dono do puxão foi Ben. Seus dedos frios, em contato com minha pele, fez-me tremer mais ainda de medo. Apenas respirei fundo, analisando seus movimentos. O mesmo pegou em minha cintura, pondo-me lado a lado de seu corpo. Logo depois tomando rumo, para a porta do grande casarão.
- Melhor você permanecer ao meu lado - disse Ben, com sua voz rouca -, os homens aqui são bastante perigosos. Se eles quiserem você - ele apontou com a mão livre pra mim -, não existe pessoa, ou coisa alguma que irá impedi-los. É você e ponto. Então fique ao meu lado, e ponha isso. Ben estendeu uma touca preta, que cobria ao topo da cabeça, sinalizando para que pusesse ela.
- Não adianta nada Benjamin, esses malditos olhos castanhos ainda despertam minha vontade de fode-la.
Engoli seco ao ouvir o comentário fúnebre de Nicholas sobre mim. Envolvi meus braços, me sentindo em uma espécie de cela. Respirei fundo, assim que chegamos ao tapete de "boas-vindas", sob meus pés e em letras grandes, uma espécie de letreiro escrito: "Porto do desespero". Estremeci sobre aquilo, e olhei para trás, ainda imaginando a possibilidade fugir. Afinal, por que droga, eu concordei em vir para essa bosta? Onde eu estava com a cabeça? Talvez o ar rarefeito do Alasca tenha me feito mal, ou quem sabe, essas imensas horas presas em um avião, me impediram de pensar o que teria nesse lugar, já que onde Ben frequenta nada de bom acontece. Deixe-me resumir em poucas palavras o que acontece, de verdade, nas comemorações que Ben frequenta: Armas, drogas, bebidas e sexo. Pura luxúria. Puxei a touca da mão de Ben, me soltando com desprezo de seus braços. Pus a mesma sob minha cabeça, escondendo meus cabelos dentro dela e cruzando os braços. Bufei, já imaginando as mesmas coisas de sempre. Virei-me bruscamente, assim que senti uma mão repousar sobre minha mandíbula e me puxar.
- Escute aqui cadela... - Ben disse lentamente, com sua típica cara de psicopata. - Ou fica do meu lado, ou leva um tiro na cabeça.
Arregalei meus olhos, pelo seu ato inesperado e me aproximei de Ben, lentamente. Levando um urgente puxão, pela cintura. Gemi baixo, assim que suas mãos frias entraram por debaixo de meu casaco, provocando alguns arrepios de nojo. Ele apertou a pele sensível, tentando me puxar para mais perto. Bufei, mas perto não dá. Idiota. Olhei seus olhos claros, que agora estavam negros, como o céu. Alguns flocos de neve começaram a cair sobre seus cabelos, e sua testa se enrugou, quando percebeu que o observava.
- Não babe, querida. - Ele disse convencido. Revirei os olhos, quando o maldito disse isso. Tudo bem que ele é velho, tudo bem que é um drogado e tudo bem que me maltrata. Mas, cacete, como ele é gostoso! Livrei-me de meus pensamentos, assim que vi Nicholas tomar a frente, e levar sua mão até a campainha da imensa porta-principal. O som que aquilo fez me lembrava da coleção de relógios do Sr.Turner, quando tocavam todos a meia-noite e eu ficava ao seu lado, acompanhada de uma boa xícara de seu chocolate-quente, ouvindo-os, se espalhar por todo Alasca, fazendo ecos e mais ecos. Antes mesmos do terceiro soar, aquele homem, a qual tinha visto fechando à janela, abriu animadamente a porta. Encarei sua expressão duvidosa, e uma espécie de enjoo subiu minha garganta, assim que ele me encarou dos pés a cabeça. Imaginei que Ben tenha percebido o ato e assim que o "dentes podres" acabou de realizá-lo, Benjamin grunhiu, fazendo todos perceberem seu incômodo.
- Benjamin, você veio mesmo! - o homem disse.
- Claro Jack! -Ben disse estendendo a mão livre para ele, em um sinal para que a apertasse, o mesmo não pensou duas vezes, antes de apertá-la, em um gesto cordial. Logo depois, lançando seu olhar sobre mim.
- E quem será a bela moça? - Jack disse com admiração. Em uma tentativa falha de me esconder, juntei-me mais a Ben, que apertou mais sua mão gélida em minha cintura.
- Minha esposa, . - Ele falou grosso.
- Um prazer conhecê-la . - disse Jack pegando minha mão e dando um beijo na mesma- Por que sempre ficando com as melhores, Benjamin?
- Porque as outras você sempre pega, Jack - ele disse falando a última palavra com certo nojo.
Ouvi a risada de Nicholas se estender pelo local, desfazendo o clima tenso. Olhei para ele, que tinha uma expressão divertida no rosto e a mão sobre a arma. Um vento frio percorreu minha espinha, quando Jack repetiu o ato. Nick deu um passo, ficando em minha frente. Como um guarda-costas. Respirei fundo, sabendo o que viria a acontecer a seguir. Será que Ben não é homem o suficiente para lutar pelos próprios problemas? Sempre deixando as coisas com seus capatazes e etc. Um pequeno momento para fechar os olhos, e segundos depois, vejo Nicholas com sua arma, calibre 47, sobre a bochecha de Jack.
- Sempre tão lento, não é mesmo Gregory? - Nick disse com desprezo na voz.
- E você não muda nada. - Ele falou debochado- recebendo os velhos amigos, desse jeito desprezível? - Ele riu- Não mudou nada mesmo.
Franzi a testa, quando vi Nicholas soltar a arma e rir, juntamente com ele. Logo depois, os dois deram um abraço forte de urso, como se fossem amigos de longa data. Será que ele seria o qual Nick passava horas falando? Seu amigo inseparável do exército? Talvez.
- Vamos entrar? - Ben disse ríspido. - Os dois desfizeram o abraço caloroso, e se separaram. Fazendo Jack dar passagem, para entrarmos. Respirei fundo, assim que percebi seu olhar sobre mim, quando pus meu pé direito sobre a grande casa. Olhei em volta, notando um lugar amplo e cheio de coisas que me pareciam realmente, muito caras. Entre elas, a réplica perfeita da Monalisa. As paredes brancas perfeitas, iluminada muito bem, por um lustre de cristais e iluminarias. Olhei para minha frente, vendo uma sala grande, com móveis rústicos e outra coisa que chamou minha atenção: uma lareira acesa, que ao seu redor tinham peças que me lembravam da época da dinastia. Vi Ben com uma cara de cansaço ao meu lado. Ouvi uma voz rouca, a minha frente chamar pelo nome dele.
- Benjamin! - um velho que aparentava ter 70 anos, exclamou- Rapidamente, Ben se soltou de mim abraçando-o alegremente.
- Tio O'Donnel! - Ele falou feliz, e pela primeira vez, vi um sorriso verdadeiro no rosto de Ben. Algo que nunca tinha visto antes. Ele deveria sorrir mais vezes. Me senti um pouco deslocada com vários conhecidos ao meu redor, e apenas eu. Uma total estranha.
- E quem é essa a qual não posso reconhecer? - Ele disse me olhando.
- Oh, tio! Essa é , a qual lhe falei. - Ben disse calmo. O'Donnel sorriu para mim, logo depois vindo em minha direção, dando-me um forte abraço. Correspondi com a mesma intensidade. Tanto tempo que não sou abraçada desse jeito, desde que Ben tirou-me da família. É inevitável não se emocionar. Logo depois senti seus braços acolhedores se afrouxando ao meu redor. De repente, um sorriso cafajeste, foi lançado em seu rosto. Franzi a testa para ele, ainda duvidosa.
- Mais uma de suas vadias? - Ele disse seco. Olhei-o com repugnância. Uma vez ele me enganou. Como imaginei que alguém que pertence a linhagem de Benjamin, seria ao menos limpo? Até seu tom de voz mudou ao fazer aquela pergunta. Tornando o clima algo sujo e esquisito.
- Tão inocente, tão idiota?! - ele disse irônico- Você não sabe onde se meteu garota. Levantei minhas mãos, para lançar um belo tapa na cara de O'Donnel, mas alguém, a qual não pude reconhecer, segurou-me.
- Se eu fosse você não faria isso. - disse Jack, próximo ao meu ouvido. Me arrepiei com o ato, até que sinto uma mão me sustentar por cima de seu ombro. Só então notei que o felizardo era Nicholas. Comecei a me debater, tentando soltar-me, mas foram tentativas frustradas. Os quatro formaram uma rodinha, dizendo coisas que pude ouvir.
- Tudo pronto, tio? - ouvi a voz de Ben dizer.
- Sim, só se lembre, que terão consequências Benjamin - O'Donnel respirou fundo, antes de continuar -, e se alguém ser preso, ou até morto - ele engoliu seco -, eu não vou fazer parte disso.
Franzi minha testa imaginando o que eles iriam realizar. Parei pra pensar por alguns momentos. Por que Ben me trouxe pra esse lugar, afinal, ele odeia ser visto acompanhado por mim. E eu não saio de casa. Todo dia limpando, cozinhando e etc. Para alguém que não sabe, ao menos, agradecer. Livrei-me de meus pensamentos, assim que mais um trovão fez seu estrondo pelo local. As luzes piscaram por um momento, mas logo voltaram ao normal.
- Nicholas, leve-a para cima. - O'Donnel ordenou. Tremi da cabeça aos pés, quando ouvi sua voz rouca falar.
- Mas antes, acho melhor ela não ver nada. - disse Jack, sorrateiro. Me debati mais uma vez, assim que o vi se aproximar com um pedaço de pano branco, nas mãos.

Abri meus olhos lentamente, sentindo a luz invadí-los. Levei uma de minhas mãos até a vista, tampando-as por causa da claridade, que aos poucos me cegava. Respirei fundo, assim que consegui abrí-los. Olhei ao redor de onde estava, vendo paredes pintadas em marfim, com auto-retratos, de pessoas a qual não pude reconhecer. Movi-me sobre o que quer, que meu corpo estivesse apoiado, só então sentindo uma superfície fria sobre mim. Franzi a testa, quando tentei levantar para ver o que me mantinha estática. Notando uma maca branca, de metal, talvez?! O que era aquilo, afinal? Olhei para o lado, me contorcendo, em uma tentativa falha de soltar do que me impedia. Bufei, cansada daquilo. Só então pude notar o que aconteceu. Vi algumas sondas enfiadas por meu corpo, e um tubo, que descia até minha artérias, com o que eu acho, soro. Olhei incrédula para a cena e fiz a primeira coisa que veio em minha cabeça: gritar.
- Socorro! -gritei, ouvindo minha voz se alojar naquela sala. - Alguém, me ajude, por favor. Socorro! Eu não...
Fui cortada, pelo ruído da porta abrindo e um homem aparecendo diante dela. Enxerguei somente sua sombra, pela falta de iluminação sobre o mesmo. Forcei mais minha vista, tentando enxergá-lo melhor, mas tive apenas a visão de sua silhueta a minha frente, se aproximando.
- Oh moço! Me ajude, por favor - falei em um tom de súplica - não sei como vim parar aqui, será que podia me tirar dessas amarras...
Minha voz travou, assim que vi os primeiros reflexos de sua face, Aparecerem por diante de meus olhos. Tremi dos pés a cabeça, sentindo o cheiro forte do cigarro, entrar por minhas narinas.
- O que foi ? -ele disse sarcástico.
Arregalei meus olhos, assim que pude ver seu rosto por completo. Ben tinha uma espécie de cicatriz recente no lado direito, se direcionando para perto de sua orelha. Franzi a testa, não entendendo nada, e apenas engoli seco quando o vi se aproximar ainda mais. Encolhi-me sobre a maca, tentando esconder tudo o que conseguia dele, sabendo já o que iria fazer. Mas apenas, ouvi o som de sua voz rouca, se estender por todo o cômodo, em uma risada forçada.
- Sabe, você realmente não presta. - Ben disse me olhando com nojo. - Ao menos sabe o que fez. Ou talvez saiba -ele disse fazendo uma expressão esperta- e apenas não conta, porque sabe que se dizer algo, eu posso acabar com você. - ele falou frio.
- O que eu fiz? - disse incrédula
Algumas vezes, eu não faço nada e normalmente, sou a culpada de tudo. Sou eu quem aturo ele, quando as finanças caem, sou eu que ele desconta quando fica com raiva, ou até mesmo feliz. Porque, não sei se já disse, ele me adora ver sofrer. Eu sou a caça e ele o caçador. Eu sou apenas uma caixa onde você pode por todos os problemas. Que não reclama. Não briga. E aceita tudo quieta. Eu sou uma espécie em extinção. Uma mulher que ainda acha que os homens mandam em tudo que ela tem, e tudo que ela pode ter. Eu sou apenas uma na multidão, apenas um bicho trancado em um alçapão. Por um dono, sem ao menos, um coração.
- O que você fez? - ele falou calmo. - Você fez isso.
Vi Ben ranger os dentes e se aproximar mais uma vez.
- Eu vou ganhar milhões com você - ele disse admirado, acariciando meu rosto com as pontas do dedo.
Virei minha cabeça com nojo, para o lado oposto, em que ele estava. Ouvindo-o xingar algumas coisas inaudíveis. Fechei meus olhos, assim que senti mais uma vez seus dedos gélidos, sobre minha pele descoberta. Fechei os olhos com força, sentindo as lágrimas quentes, descerem até minha bochecha, se desfazendo pelo caminho.
- O que foi ? - ele falou irônico - Com medo? - Ben riu - Tão frágil, você tem que parar com isso querida.
Virei para ele, olhando-o com nojo, e o mesmo apenas continuou sorrindo daquele jeito cafageste, aproximando seu rosto ao meu. Engoli seco, quando percebi ele encarar meus lábios e lançar um sorriso malicioso.
- É realmente uma pena - ele falou ainda com o olhar fixo naquele local -, eu ter que acabar com esse seu rostinho lindo.
E em uma fração de segundos, vi a palma de sua mão se direcionar em meu rosto. Fechei meus olhos fortemente, já sentindo a dor do tapa. Mas felizmente, Ben foi interrompido pelo barulho de passos entrando no cômodo.
- Benjamin? - disse uma voz rouca.
Então a figura de um homem, que aparentava ter ao menos 71 anos, apareceu diante dos meus olhos. Meu salvador, se assim posso dizer.
- Ela acordou? - ele disse aparecendo na luz e só assim, me fazendo lembrar de tudo.
Velho. Mansão. Abraço. Mentiras. Jack.
- Tio O'Donnel - ele disse surpreso.
- Sim Benjamin, sou eu, seu tio O'Donnel - ele disse calmamente - E pelo que vejo, sua mulher acordou. Finalmente.
Franzi minha testa, assim que as memórias começaram a voltar. Vi ele me olhar sem demonstrar expressão alguma. Olhei-o com repugnância, e antes de lhe falar ou mandar a merda, o mesmo desfez o contato.
- Já testou o procedimento? - O'Donnel falou olhando uma prancheta em suas mãos.
- Ainda não - Ben disse bufando.
- O que você está esperando, então? - Ele disse - Ande Benjamin, quanto mais cedo acabarmos isso, mais cedo você poderá voltar para aquela geleira que chama de casa.
Olhei-os confusos, imaginando o que iriam fazer, mas apenas assisti Ben se dirigir a uma espécie de armário.
- Agora - ele falou enquanto voltava com uma espécie de tudo coletor -, você vai saber porque te amarrei assim.
Senti um calafrio percorrer meu corpo quando ele disse essas palavras. Observei O'Donnel com um sorriso cruel no canto dos lábios. Notei Ben juntar algumas peças, formando uma espécie de sugador. E em alguns poucos segundos ele veio até mim, tirando uma daquelas sondas e enfiando no mesmo lugar. Os meus gritos se estenderam pela grande sala. A sensação se igualava a enfiarem uma agulha de aço ou sei lá o que por minha pele.
- Isso...grita -Ben disse lentamente.
- Benjamin! -ouvi a voz de O'Donnel.
Meu corpo em um impulso se levantou da maca, não aguentando a dor daquilo. Mas ainda sim, aquelas fivelas me prendiam.
Não pude ouvir mais o que O'Donnel falava, pelo tamanho da dor. De repente, uma espécie de alívio percorreu meu corpo, então, pude sentir aquele tubo ser arrancado da minha. Fechei os olhos com força. Era adrenalina demais, uma hora, a pior sensação que eu já senti e em outra um certo alívio, como se tirassem um peso de mim.
- Me dê isso! -O'Donnel ordenou para Ben.
Vi ele estender seu braço para o mesmo, lhe dando o material em suas mãos.
- Vê se não faz nada, não pelo menos enquanto ninguém estiver aqui. -disse Ben, indo atrás de O'Donnel.
Ainda com minha respiração acelerada, assenti tremula, vendo-os se afastarem.
Respirei fundo, tentando controlá-la. Fechei os olhos e me mantive estática, e vendo meus pulsos livres -não sei como- me desfiz de todas aquelas mordaças.
Levantei-me, vendo minhas pernas não conseguirem sustentar. "Fique calma", pensei. Fiquei de pé ao lado da maca, por talvez 5 segundos, mas logo depois pude sentir meus joelhos vacilarem, e cair sobre eles no chão.
- Idiota - murmurrei pra mim mesma.
Olhei ao meu redor, tentando encontrar algum tipo de sustentação, sem ser aquela maca, mas acabei não encontrando nada. Bufei pelo único modo de me mover. Se arrastando. Pus a palma de minhas mãos sobre o chão frio e fui me arrastando, fazendo força até a porta de madeira, que talvez, seria meu escape. "Ande , você consegue", pensei. Logo depois me deparei com a mesma a minha frente, vendo a maçaneta um pouco mais alta, até onde minhas mãos conseguiriam alcançar. Abaixei minha Cabeça, quase desistindo. Olhei pra cima mais uma vez e me estiquei o máximo que pude para alcançá-la.
- Só mais um pouco - sussurrei.
Então, com a ponta do dedo indicador, senti a maçaneta por cima da pele. Estiquei-me de novo, e pronto. Consegui. Girei-a para direita, já sentindo meus braços cansarem. Logo que a mesma foi aberta, -não totalmente- vi O'Donnel e Ben conversando, quase inaudível. Olhei com atenção para aquilo, ouvindo atentamente a conversa dos dois.
- Positivo - O'Donnel falou para Ben.
Vi um sorriso se alojar em seu rosto, e logo depois em Benjamin.
- Eu sabia que você conseguiria tio O'Donnel! - Ben disse admirado.
- Claro! - ele riu - Eu sou Marcus O'Donnel.
Ambos riram. Arqueei minha sombracelha e continuei a prestar atenção, mas logo depois, Marcus adiquiriu uma expressão séria.
- Porém, saiba... - ele engoliu seco. - Ela é perigosa e a possibilidade dela destruir tudo o que tem pela frente é extremamente grande. Então, Benjamin, tome cuidado. - ele falou o alertando.
- Calma tio, não é capaz de machucar, ao menos, uma mosca - ele disse ainda rindo.
Franzi minha testa. Como assim, "eu posso destruir tudo o que vejo pela frente"? O que fizeram comigo afinal?
- Olhe, tome - O'Donnel lhe estendeu uma espécie de cordão - Sua nova aberração.
Fechei meus punhos, controlando minha vontade de ir até ele e arrebentá-lo.
- Hum... Experimento 49? - Ben falou desconfiado - Vejo que , não é a primeira.
- Não importa os outros 48, ela é a melhor e a mais perigosa - Marcus disse convencido - Mas, que nome você deseja gravar no cordão, Benjamin?
-Amana Lilith - ele falou olhando com atenção para o cordão. - Amana, quer dizer: Água que vem do céu e Lilith: Dama da noite.
- Eu sei disso. - O'Donnel falou. - Era o nome da sua avó.
- Sim. Minha imortal Amana. -Ben disse.
Arregalei meus olhos ao ouvir aquilo, mas logo me afastei para trás, tentando raciocinar a tudo que estava acontecendo.
- Amana -murmurrei- que amana é essa afinal?
Me arrastei mais um pouco, saindo de trás da porta. Mas logo depois, me arrependi. Uma cadeira, da grande mesa caiu, fazendo um estrondo. Arregalei os olhos, assim que a porta se abriu, com um Ben furioso perto dela.
- O que aconteceu? - ele disse com raiva - Você ouviu tudo, sua cadela. Acabou a vida pra você.
Tentei me arrastar para longe dele, mas apenas senti-o se aproximar e me empurrar com força.
- Onde pensa que vai temos muito a acertar. - ele disse - Se eu fosse você, desejaria nunca ter nascido.
Lágrimas inundaram meu rosto, assim que ele me arrostou para um dos quartos escuros daquela mansão. Notei ele jogar a chave em qualquer lugar e se aproximar, engoli seco e pedi a Deus para me proteger.
Flashback OFF

Me movi mais uma vez sobre a cadeira, que rangia a cada movimento brusco. Respirei fundo, assim que vi os quatro se aproximarem de mim. Com minhas mãos presas atrás das costas, eu não poderia enfrentá-los, injusto, certo?
- Olha... - disse se aproximando - Se eu fosse você, falava tudo o que queremos saber e quem sabe - ele rodou a arma em suas mãos - Te deixamos sair daqui com vida.
- Não iluda ela, - disse sarcástico -, ninguém sai com vida.
- Então ouça bem: - foi a vez de se pronunciar - Ou fala, ou morre. Escolha sua.
- Nunca - pronunciei com nojo - Seus merdas.
- Olhem garotos... - disse sarcástico - ela tem uma boca suja.
Ouvi o riso deles, se estender por toda sala.
- Vai logo, gata. - disse - Será mais fácil.
- Acredito que assim, ela não falará nada, . - disse - Melhor fazermos do nosso jeito.
- Concordo com você, . - falou - , o alicate - ele pediu para o loiro.
Vi ele andar preguiçosamente até uma mesa e voltar com o objeto em mãos.
- , você não acha melhor pegarmos leve? - ele disse calmo.
- Leve? - falou incrédulo - Ela não faz isso pela gente, mas nós podemos fazer isso por ela? - ele riu - Acho que não.
- É, vai logo . Acaba com ela. - disse.
Vi o moreno se aproximar e por o alicate, próximo ao meu rosto.
- Sua mãe não te ensinou, que não deve bater em garotas? - disse para ele.
- Eu por acaso ligo pro que ela disse? - o mesmo falou.
Então, vi tomar distância com o alicate e acertar em meus rosto. A ardência começou e a dor também. Fiz menção, de cuspir o sangue que saiu do local machucado. Ben já fez bem pior. Eu aguento.
- Só isso que sabe fazer? - disse levantando a cabeça, que foi pro lado com o impacto.
- Quer mais é? - ele disse.
Outro golpe foi transferido, para o lado intacto do rosto.
- E Agora? Satisfeita? - disse.
Percebi-o arregalar os olhos, assim que me viu levantar mais uma vez.
- Só isso? - disse irônica.
- Saia ! Deixe-me fazer isso! - falou o empurrando.
Senti um chute em meu estômago. O que me fez tossir e engasgar. Ouvi sua risada, mas logo depois levantei, o olhando.
- Você não morre?
E me deu um soco no queixo. Ri o mais alto que pude, torci a mandíbula e o encarei.
- Você e são dois idiotas. Eu vou acabar com isso logo. - disse .
Engoli seco, já que fisicamente, ele era o mais forte. Então um puxão foi dado em meus cabelos, pondo minha cabeça pra trás.
- Anda vadia! Fala logo! - disse.
Apenas neguei com a cabeça.
- Você não irá aguentar por muito tempo - disse limpando o canto dos lábios.
- Posso não aguentar e talvez morrer. Mas prefiro tentar e dizer: "É, eu enfrentei 4 caras, e mesmo assim, não tive medo" - cuspi.
Um silêncio se fez no local, mas logo depois, vi fechar o pulso e levantá-lo em direção. Fechei os olhos e sorri. Quem sabe a morte não seja tão ruim.
- Parem! - ouvi gritar - Não acha que está bom o suficiente? A garota apanhou de vocês três, e ainda sim continua com um maldito sorriso no rosto. Ela sim, merece nosso respeito, idiotas.
Vi ele se levantar e andar até mim, mostrando um canivete na palma das mãos. Arregalei os olhos, o quê agora? Facada?
Mas ele apenas cortou as cordas que prendiam meus braços atrás da cadeira.
Notei que os 4 se entreolharam e reviraram os olhos.
- Bom, desculpa. - pronunciou.
- É, desculpa - falou - ?
- O que? - ele disse.
- Não tem nada a dizer? - disse.
- Ehh...você é demais! Aguentou 3 matadores profissionais? - ele perguntou incrédulo - Com certeza merece meu respeito.
Franzi minha testa e olhei-os. São bipolares, por acaso? Uma hora querem me matar, e agora pedem desculpas? Que droga é essa? Ergui uma sombracelha, ainda desconfiada, mas apenas bufei. Não queria morrer, quer dizer, não agora. Mas antes que pude dizer algo, se pronunciou.
- Mas, se quiser realmente ter paz nessa casa, é bom dizer sim a minha pergunta - ele falou.
Franzi minha testa. Eu disse que não falaria nada. Ele tem problema?
- Vai se tornar a próxima Miss América? - ele disse esperançoso, me olhando nos olhos.
Arrepiei-me, pelo contato e respirei fundo. Miss América? Longe de Ben e de Nicholas? Não me parece uma idéia tão ruim.
- Só pra saber, eu não uso nenhum vestido laranja. Eu não fico bem de laranja.
Ouvi a risada deles e me juntei ao ato. É, parece uma boa idéia pra mim.

CAPÍTULO 4- THE YOUNG MONEY


Olhei ao redor, assim que pus meus pés sobre o carpete, notando as paredes rosa, com alguns tons de verde, que me lembravam do quarto de uma garota de apenas, 12 anos. Faltavam somente, os bichos de pelúcia e revistas sobre a nova moda, primavera & verão. Bufei, notando as vozes, que entraram em contato com meus tímpanos. Mulheres, com seus rostos lotados de maquiagem, e vestidos acima dos joelhos. Todas rindo de uma maneira tão falsa, e lançando olhares com repugnância, medindo as companheiras de cima a baixo, comparando-se uma as outras, como uma disputa, de qual o melhor cabelo, roupa, sorriso e etc. Torci a mandíbula, olhando-me, a ponto de me sentir despida, diante daquelas jóias, maquiagens, e roupas caras, que as outras participantes -imagino- vestiam. Tirei meus óculos escuros, que estavam apoiados sobre minha gola da camiseta dos ramones, que vestia. Abri-os, levando até os olhos. Melhor não fazer contato visual com nenhuma dessas garotas, caso eu não queira ser o novo assunto na boca suja delas. Fui acordada de meus pensamentos, assim que senti um empurrão em minhas costas. Fazendo eu me virar para trás, dando de cara com uma figura loira, de olhos azuis. Réplica perfeita da Barbie.
- Dá pra sair da frente? - a mesma disse.
Dei um passo para trás, liberando o caminho, para ela passar. A "oxigenada" empinou seu nariz, em um sinal de superioridade. Correndo os olhos de cima á baixo, sobre mim. Logo depois fazendo seus saltos altos rosa, ecoarem pela sala a cada passo que dava. Sua voz de taquara rachada ainda ecoava por minha cabeça. Fazendo-me revirar os olhos, e respirar fundo, me controlando para não ir até ela e mostrar o que eu faço com pessoas assim. Mas apenas fechei os olhos, procurando me acalmar e lembrar o que é a palavra controle. Abri os olhos, dando alguns passos para frente. Na intenção de sair da porta, para evitar mais uma idiota igual a essa, esbarrar em mim.
Caminhei até um balcão, que se mantinha centrado no salão bem iluminado, a minha volta. Uma mulher que falava alegremente no telefone levantou seu olhar para cima, diretamente em minha direção, desfazendo o sorriso, assim que me viu parar a sua frente. Apoiei meu cotovelo sobre a bancada de mármore, enquanto batia minhas unhas freneticamente, esperando a atenção da oxigenada. Afinal, por que todas as minhas voltas eram loiras? Revirei os meus olhos, afastando os pensamentos. Ora, desde quando eu tenho que me preocupar com a cor do cabelo delas?!
- O que a senhora deseja? - A atendente falou, pondo o telefone sobre a base. Notei seu sorriso amarelo, incrivelmente falso, se direcionar para a camisa dos rolling stones que vestia, e o fato dela ser cinco números maior que eu. Não tenho culpa de ter o tronco largo e suas roupas ficarem gigantes sobre mim, eu visto o que tem. E se por acaso alguém tiver uma blusa de cinco números maiores que eu, vai ser isso que eu vou vestir, e nada mais. Então, fazendo um favor, tire seu olhar de mim. Em um gesto relutante, cruzei meus braços, fazendo a mesma me olhar nos olhos. Arqueei uma das sobrancelhas, correndo o olhar de cima a baixo, sobre ela. Só então, vendo o crachá escrito: Tina. Dei um riso irônico, e me apoiei perigosamente sobre o balcão.
- Eu queria saber, o que preciso preencher para participar desse concurso? - Disse visivelmente entediada.
Tina se levantou de sua cadeira, indo até uma pilha de papéis, fazendo seus saltos vermelhos ecoarem pela sala. Logo após, voltando com uma pasta verde em suas mãos e jogando-a descuidadamente sobre a bancada.
- Preencha isso. - Ela disse desinteressada, me dando uma caneta.
Peguei deseducadamente a caneta de suas mãos e dando meu sorriso mais falso para ela. Abri a pasta dando de cara com o que parecia ser o questionário e nele escrito coisas como: "O que você desejaria para o mundo?". Normalmente, eu botaria: "Que todos se fodam", mas como sou Miss, tem que ser "A paz mundial". A pura da verdade. Uma verdade de bosta se quer saber. Tirei a tampa da caneta, pondo ela sobre o pedaço de papel a minha frente. Logo depois, preenchendo as perguntas. Revirei meus olhos, assim que vi uma das perguntas: "Nome da mãe:". Respirei fundo e larguei a caneta sobre o balcão.
- Mentir é o melhor remédio - ouvi uma voz feminina.
Prestes a me virar e dar uma resposta como: "Eu não pedi sua opinião", vi uma garota de sorriso aconchegante e saltos nudes, me olhar divertida. Tentei lhe dar meu melhor sorriso, notando ela rir de minha tentativa falha.
- Brianna.- ela disse estendo a mão- Brianna McIntyre.
Apertei sua mão, tomando cuidado pra não machucá-la, com minha porção de anéis. Notei seu sotaque caipira encher meus tímpanos, me fazendo dar um sorriso tímido.
- - disse calma.
Vi Brianna arregalar os olhos e dar uma risada extremamente alta, fazendo todos ao nosso redor, olhar diretamente para nós. Senti minhas bochechas se esquentarem fortemente. Droga, ótima hora para corar, Seunome. Ótima hora.
- Desculpa... - ela falou tomando fôlego - é que esse é o nome da minha tia, avó; May.
Soltei um sorriso nasal para ela, que me olhou curiosamente. Seus cabelos ruivos, presos em um rabo de cavalo alto balançando, chamaram minha atenção. Olhei seu vestido florido lilás, que era apertado em seu corpo lotado de curvas. Brianna ao menos parecia ser da roça. Seu rosto não tinha ao menos uma sarda ou ruga. Brianna era linda.
- Hey garota! - Brianna disse. - Tudo bem? - Assenti para ela, que sorriu. - Você não é daqui certo? - Brianna disse alegre - Definitivamente você não é daqui de Nova York.
Como ela sabia? Eu 'tô tão nitída assim?!
- Não. Brasil. - disse interessada. Notei ela alagar seu sorriso e pular em mim. Segurei-me no balcão, quase caindo.
- Meu deus! - ela disse me olhando - Eu sempre quis conhecer uma brasileira. Então tá explicado porque você é tão linda, garota. - Ela falou divertida. Mais uma vez senti minhas bochechas esquentarem. - Esse concurso é meu sonho. Quer dizer... - ela coçou a nuca, desconfortavelmente - Da minha mãe.
Ri fraco para Brianna que retribuiu do mesmo jeito.
- Acredite, -falei irônica. - Esse também não é o MEU sonho.
É, Pelo visto, eu e Brianna nos daríamos super bem.

POV ON
Abri os olhos, vendo o local lotado de fumaça ao meu redor. Vi Daniel descansando sobre uma poltrona, com uma vadia em seu colo e um cigarro em seus lábios. Respirei fundo, sentindo o cheiro forte da maconha, entorpecer meu nariz, me deixando meio grogue. Franzi a testa, assim que notei a figura loira, caída ao meu lado no Divã. As cortinas a nossa volta, balançavam de um lado para o outro, por conta do vento que entrava no cômodo. Pus a mão sobre a testa, tampando a pouca claridade que tinha no local, evitando-a sobre meus olhos. Estendi minha mão livre, Indo até a cabeceira cegamente, e pegando um maço de cigarros. Ah sim, cigarro. Meu melhor amigo, inseparável. Ouvi os acordes de Michael Bublé tocar pelo cômodo e me perguntei quem teria posto. Mas em poucos segundos isso apenas se tornou zumbidos, em meus ouvidos. Levantei deixando Elena à deriva, ajeitei os botões da minha camisa branca e amarrei os cadarços de meu sapato. Caminhei para fora do divã, dando de cara com Wayne.
- Qual foi ? Já tá indo? - Ele disse debochado. Revirei os olhos, fechando meu pulso, prestes a dar um soco no meio de seu nariz.
- Sai da minha frente, Wayne. - Disse calmo. O mesmo permaneceu inerte, com um sorriso irônico no rosto. Pus minha mão sobre a arma, presa no cós da calça social.
- Vai ficar, não é mesmo, ? - Disse seco.
Dei meia volta, saindo de perto de Wayne. Até que sinto sua mão fria tocar meu pulso.
- Onde pensa que 'tá indo? Elena não vai ficar nem um pouco feliz de saber que o noivo dela, saiu mais uma vez sem dar notícias. - Disse ele.
Puxei a arma e virei diretamente para Wayne. Mirei-a em sua testa, olhando-o com desgosto. Idiota.
- Quem você pensa que é? - Disse alterado.
- ... - ouvi a voz de Daniel atrás de mim.
- Cala a boca! - disse sem tirar os olhos de Wayne. - Você vai aprender a não mexer comigo, seu merda.
Então, puxei o gatilho.
Um estrondo foi ouvido e espalhado por todo cômodo. Cuspi no corpo caído a minha frente e guardei a arma.
- Jogue-o no São Francisco, cimento nos pés. - disse enquanto saía.
- ! - Ouvi a voz de Elena.
Revirei os olhos, assim que sua voz irritante invadiu meus ouvidos.
- Volte aqui! - Ela exclamou.
Continuei andando para fora do "formigueiro". Ela realmente não entende, eu só quero fodê-la. Idiota. Entrei em minha ferrari, respirando ar fresco, que não fosse maconha. Teria que ir até o maldito concurso, ver como estavam indo as coisas, e se o nome da empresa estaria estampado no local correto. Liguei o rádio, ouvindo os primeiros acordes de "November rain", alguns dos acordes da guitarra de slash, me fizeram batucar os dedos no volante, o vento bagunçando meus cabelos e eu me sentindo livre daquelas drogas. Sentindo-me livre pela primeira vez dos The Black Moneys. Apertei os dedos no volante, acelerando mais, quando um idiota tentou me ultrapassar. Bufei, assim que enxerguei o salão principal. “Por que não dou mais uma volta no quarteirão?” pensei. Afinal, aquelas mulheres não podem me ver com essa cara de drogado. Parei no sinal, que estava vermelho, apoiando a cabeça sobre o banco e soltando a respiração pesadamente. Olhei para o meu lado, fora da janela, vendo uma loira peituda, dentro de seu porshe preto, sorrir maliciosa para mim. Cara, que -maldito - fetiche eu tenho por loiras!? Tenho que parar com isso. Mas o volume que cresce sobre as calças, diz outra coisa. Acelerei o carro, assim que o sinal abriu. Finalmente. Derrapei com o carro, ouvindo o barulho que os pneus faziam arrastando no chão, deixando o local, lotado de fumaça. Desci do carro, ajeitando minha jaqueta de couro. Peguei os óculos escuros, que estavam em um dos bolsos, pondo-o em seguida. Fechei a porta com força, fazendo todos ao redor olharem para mim. Acendi um cigarro que estava por trás da minha orelha, e logo depois dando uma tragada e soltando o ar. Andei até as imensas portas de vidro, que abriram assim que me posicionei em frente as mesmas. Entrei no local, vendo mulheres com saltos e batons mais caros que suas casas. Andei preguiçosamente até a bancada, vendo Tina suspirar, enquanto me observa indo em sua direção.
- Tina - disse do meu jeito galante.
- Sr. ! - ela falou despertando e me entregando alguns papéis, que reconheci como o quadro de garotas que se inscreveram.
- Obrigada. - Sorri, caminhando até o elevador.
Várias garotas abriram espaço para que eu passasse, e apenas as ignorei. Cheguei até o anfiteatro, que estava calmo, sem presença de mulher alguma, a minha volta. Caminhei até a cabine de efeitos, para ver se tudo estava dando certo, e me surpreendi vendo uma mulher loira de costas, mexendo no painel de luzes. Droga, porque tinha que ser loira?! Notei ela virar de frente pra mim, tomando um susto.
- Oh meu Deus! - ela falou com a respiração acelerada - Quem é você?!
- Quem é você? - Disse dando intensidade a última palavra.
- Isabella - ela disse estendendo a mão.
Olhei para seu gesto e deixei-a a deriva. Vi ela retirar a mão e me olhar com raiva.
- Eu tenho coisas mais interessantes pra fazer do que apertar a mão - sorri malicioso para ela. Peguei em sua cintura e grudei nossos lábios. Isabella negou no começo, mas logo depois cedeu. Peguei em suas coxas magras, levando-a para fora e soltando-a no chão. Soltei-me de seus lábios e deixei-a do lado de fora.
- Mas... - a cortei antes que dissesse qualquer coisa, fechando a porta na cara dela.
Joguei o cigarro no chão, limpando a boca com as costas das mãos. Olhei para fora do vidro, que separava a cabine de efeitos do resto do cômodo. Até que vi uma garota, que estava de costas para o palco, e bem, ela parece ser linda de costas, se você me entende.

CAPÍTULO 5- PADRE ROBERT MALIK OWEN


POV ON
- Padre - disse alterado -, eu pequei.
O confessionário rangeu novamente, assim que me movi sobre ele. Minha respiração estava acelerada e o suor escorria por minha testa.
A madeira rústica do local, mantinha ao meu redor, um ar sombrio, me dando calafrios e fazendo-me lembrar dos pesadelos da noite passada. Certamente deveria estar alucinado, ou drogado demais, já que a maconha corria como água por meu sangue. A adrenalina era evidente, eu estava totalmente alucinado, contando que tinha visto sombras me perseguindo, eu não estava em meu estado perfeito. Minhas mãos tremiam, e a jaqueta de couro gasta, que vestia, me trazia uma horrível sensação de sufocamento. Joguei a cabeça pra trás, pegando a arma no cós da cintura. Levei-a até a cabeça, respirando fundo, pronto para puxar o gatilho. Meus olhos se inundaram de lágrimas, mas que droga eu iria fazer? Abaixei o objeto em minhas mãos, dando um longo suspiro. Afinal, que tipo de idiota eu sou? Eu tenho o The Young Moneys, tenho dinheiro, tenho tudo. Droga de realidade. Talvez eu fosse mais feliz, com apenas meus 15 dólares no bolso, meu fusca 81, meu maço de cigarros. Eu era mais feliz quando chegava tarde da noite em casa, por caminhar bêbado, cantando alguma velha canção do Billy Joel. Sabendo que quando chegasse, encontraria Nana preocupada, me esperando. Mas eu preferi esses becos escuros, essas notas sujas, que são apenas notas vazias. Que não irão me trazer ao mínimo, um pouco de conforto. Eu trocaria a pistola, pela bola, eu trocaria essas mulheres com seus corações vazios, que serão apenas mulheres ao saírem da minha cama, sem destino ou rumo. Eu as trocaria. Trocaria o cheiro de sexo pelo cheiro da comida caseira.
Eu me apaixonei uma vez.
Quis chamá-la pra sair, dar um beijo nela e dizer: "Eu gosto de você".
Ela dizia que ia ligar. Então eu ficava em casa, com o telefone no colo, ansioso. Mas ela não ligava, e eu, idiota e apaixonado: Ligava. Uma, duas, três vezes. E na quarta, eu ouvia os gemidos dela no telefone. Com outro cara, que apenas queria fodê-la. E eu queria amá-la.
Ela ficava linda de qualquer jeito. Vestido preto e batom vermelho.
Quantas vezes eu acordei no meio da noite, pensando nela, perdoando ela, falando que ela vai voltar, vai ver o que perdeu. Mas eu era apenas um menino idiota, que rabiscava a própria bota. Um menino com esperança.
Ano passado eu voltei a aquela cidade. Vi ela. Linda. Meus olhos brilharam. A garota comentou o quanto eu tinha mudado. Realmente.
Saímos para uma lanchonete nova que tinha a melhor torta de limão. No mesmo dia ela prometeu que amanhã me chamaria de apelidos fofos, andaríamos juntos pelo porto. Mas quando eu fui buscá-la, percebi que era bom demais pra ser verdade, era bom demais, sem algum pingo de maldade.
Assim que subi as escadas de sua casa, ouvi os gemidos vindos do quarto. O mesmo homem de anos atrás estava fodendo a mesma garota de anos atrás, e eu continuava sendo o mesmo idiota apaixonado, de anos atrás.
E eu seria o matador de hoje em diante.
Foi tudo tão rápido, que ao menos, me lembro.
Dois corpos cheios de sangue, jogados no chão. Eu, com uma arma na mão, e um sorriso de satisfação.
Eu virei à nova aberração.
Primeira morte.
Primeiro gatilho puxado.
Primeiro coração parado.

Eu definitivamente, não era mais o idiota apaixonado.

Por esse garoto, eu luto todos os dias. Por ele eu estou tentando consertar os pedaços, por ele eu vou a qualquer lugar, eu vou segurá-lo quando for tropeçar. Por ele eu vou tentar, e por ele eu nunca mais vou procurá-la.
Porque ninguém precisa saber o que ele passou. Sei que ele não pode voltar a amar, mas prefiro acreditar, que esse garoto um dia, ainda vai tentar.
- ! O que você faz aqui?! - disse o padre Owen surpreso.
Estava cambaleando para um dos bancos velhos, daquela igreja, com a respiração acelerada. Eu a vi. Eu juro que a vi.
Poderia ser maluquice ou alucinação minha. Mas sim, eu vi. E não, eu não estou louco... Eu acho. Olhei para o crucifixo em minha frente, sentindo um calafrio percorrer minha espinha. Uma dor horrível sobre minha espinha tomou conta de mim. Curvei as costas para trás, gritando de dor. Notei Robert vir correndo até mim correndo, com suas sandálias gastas, ecoando pelas paredes do recinto. Meus joelhos tocaram o chão em um impacto, fazendo-me arquear mais, a costa para trás. Fechei os olhos fortemente, assim que senti as mãos de Robert me segurarem, então senti meus olhos fecharem lentamente.
- Aguente firme - ele disse -, aguente firme!
Abri meus olhos lentamente, vendo a luz que estava armazenada no local, se dirigir diretamente para meus olhos. Pisquei várias vezes me acostumando com aquilo, olhei para o relógio em uma das paredes de madeira ao meu redor, vendo que ainda era muito cedo. Sinceramente, parecia que eu tinha dormido por séculos ou talvez milênios. Quando na verdade foram apenas duas longas e confortantes horas. Dirigi o olhar para meu corpo, vendo a falta da camisa. De repente, um vento gelado entrou por aquelas persianas escancaradas, me fazendo arrepiar. Percebi que em minha cintura havia uma faixa branca enrolada, feito, talvez, para ajeitar minha costela e as dores horríveis que sentia. Então, lembrei. Ela. Eu á vi. Sem dúvidas.
Dei um pulo sobre a cama, que antes estava deitado, não me importando nem um pouco com a dor. Mas poucos segundos depois me arrependi, assim que ouvi minhas costelas se estalarem. Fechei os olhos, respirando fundo.
“Você consegue” pensei.
Pus a mão sobre a cabeceira, que mantinha apoiado sobre si: minha arma, cigarros e jaqueta. Perguntei-me onde estaria a camisa branca que minutos antes vestia. Bufei em cansaço e peguei a jaqueta de couro, vestindo ela rápido. Estiquei minha mão novamente, até o local, pegando o cigarro e a arma, guardando ambos no cós da calça.
Caminhei á fora, olhando todos os lados, para verificar quem aparecia. Eu iria fazer aquilo, nem que me matassem, eu iria matá-la primeiro. Mas a única pergunta que rondava minha cabeça era como a vadia estava viva?! É melhor avisarem-na para aproveitar os últimos momentos de sua maldita vida, porque eu estava prestes a acabar com ela em segundos.
Caminhei até o altar, fechando a porta com força, assim que saí, fazendo o barulho da madeira rangendo, ecoar por toda igreja.
Parei no meio do caminho, assim que vi o Padre Owen, ajoelhado sobre um dos bancos, com um terço em sua mão direita, falando palavras, as quais não pude distinguir. Dei passos lentos, tomando cuidado para que ele não sentisse minha presença.
- ?! - ouvi a sua voz rouca ecoar.
Bufei, em frustração. Que droga.
- Volte aqui! Eu quero conversar com você. - Ele exclamou.
Andei preguiçosamente em sua direção, tomando cuidado com a arma no cós da minha calça e respirando fundo, pronto pra mais um de seus discursos sobre "que eu devo me converter e etc..." Eu estava prestes a matar uma pessoa, será que ele não podia deixar isso pra outro dia?!
Sentei em um dos primeiros bancos de madeira, ouvindo-o ranger. Olhei fixamente em seus olhos azuis, notando seu tom de fúria.
- O que foi aquilo afinal? - Ele disse se controlando. - Diga - Robert incentivou.
- Não foi nada. - disse seco.
Me levantei calmamente, mas logo depois suas mãos me empurraram de volta para meu assento. Olhei-o com raiva, vendo sua expressão do mesmo jeito.
- Diga - Ele me incentivou.
- Olhe - disse estressado -, só foi mais uma daquelas crises de surto. Apenas isso.
- Apenas isso? - Ele repetiu ironicamente.
Assenti, sem paciência alguma. Até que ouvi sua risada ecoar pelo local.
- Por favor, . - Owen disse recuperando. - Conte outra.
Novamente, Robert tomou sua expressão séria novamente.
- Ela - disse, olhando para o chão.
Senti sua mão repousar sobre meu ombro, como um ato de conforto. Mas isso não me faria mudar de opinião. Eu iria matar aquela cadela.
- Filho, porque você não disse antes? - Robert disse.
- Pai. - olhei-o nos olho. - Ela está voltando a me assombrar, as memórias, estão voltando.
Em um movimento rápido, senti os braços dele, me envolverem, em um abraço aconchegante.
- Filho - Robert respirou fundo -, Amana morreu.
Lágrimas logo invadiram meus olhos, me soltei em seus braços. Droga, eu estava ficando louco. Não tomava mais o remédio, não fazia mais o tratamento, não acordava pra realidade. Sim, eu estava ficando louco. Perdendo o controle, por causa dela.
- Pai... - disse fungando - Eu quero minha vida de volta. Por favor, não diga que eu estou louco. Não volte a me internar naquele lugar. As paredes falam comigo - olhei em seus olhos -, eu as ouço chamarem meu nome, o de Amana. Pai tire essas vozes da minha cabeça, eu quero voltar a ser seu filho. Quero voltar a ser um . - disse em um tom de súplica, com lágrimas escorrendo sobre o rosto - Eu vou mostrar pro senhor que não estou ficando louco! - disse exaltado, me soltando de seus braços - Eu posso mostrar!
Caminhei apressadamente até a porta de fora da igreja, ouvindo a voz de Robert, chamar meu nome.
Ignorei totalmente aquilo, e assim que vi minha Land Rover estacionada, em frente ao local, corri até ela. Eu iria mostrá-lo e nunca mais iriam rir de mim.
Escutei a porta da igreja ranger, olhei rapidamente, vendo Owen me olhar com uma expressão de confusão. Voltei para o meu rumo, e liguei o alarme do carro, indo até o porta-malas. Sorri com aquela visão. Eu não poderia estar louco. Não mesmo.
Chamei Robert com o dedo, e o mesmo caminhou desconfiado até mim, logo depois arregalando os olhos com a visão que teve do porta-malas.
Sorri sínico com sua expressão, tirei a capa que cobria seu rosto, revelando a pessoa por debaixo. Owen cambaleou para trás vendo a pessoa que estava presa.
- Zayn, essa é - Ele disse gaguejando -, concorrente do concurso.
Arregalei os olhos.
-Não. Não é. - disse alterado - Essa é .
Eu não estava ficando louco. Eu DEFINITIVAMENTE não estava ficando louco.
Ou estava?

CAPÍTULO 6- SEU E DE MAIS NINGUÉM


Flashback ON

31 de dezembro, 2009.


"Hoje era pra ser apenas mais um dia.
Era pra ser apenas mais uma vida, em meio às outras, era pra ser somente eu e esses gritos, que ouço. Mas hoje, a escuridão saiu das sombras, seus vícios entorpeceram meus pulmões, seus alçapões foram abertos e finalmente pude vê-lo de perto. Pude sentir o cheiro que você espalha, quando o medo atrapalha. Posso sentir o cheiro de seus cigarros, cada tragada, uma tentativa falha de esquecer meus olhos, em uma tentativa falha de isso ser apenas um até logo. Pois é a meia-noite, que eu ouço o relógio soar. Deixando sua dor se espalhar, deixando você se acabar. Eu sou incapaz de amar alguém. Eu sou apenas uma alma, vagando pelas paredes dessa casa que se torna mais e mais vazia, sem sua presença aqui. Eu apenas danço ao seu lado, para você deixar os problemas, eu apenas danço ao seu lado para atender aos telefonemas. Eu apenas danço ao seu lado, para você se perder na canção, e por um momento, soltar minha mão. Essa sou apenas eu, sendo eu. Mostrando-te a verdadeira pessoa que existe aqui dentro, apenas a verdadeira mulher que você está vendo. Eu sou seu pior pesadelo, pior que o Capitão Gancho com medo do crocodilo. Pior do que um inimigo, que finge ser amigo. Eu sou apenas a que te deixou naquele lugar de paredes brancas, com loucos conversando sobre suas loucuras. Então, largue minha mão. Porque ainda sou seu, ainda sou aquele que você beija no topo da cabeça, ainda sou aquela aberração, sem coração, ainda quieto. Agora, não me deixe ir. Não me deixe partir. Não queira me ver brava. Não queira me trocar. Porque uma vez que você veio até mim, não tem mais volta. Não tem mais porta, pra escapar das minhas histórias. Somos eu, você e nossos vícios. Apenas eu te puxando para mais perto, apenas eu, te prendendo sobe meu comando. Sem nenhum encanto. De louco, para louco. É, isso parece um bom conceito, totalmente justo. Dois corações, dois mundos. Com seus pensamentos imundos.
Pois eu ainda grito seu nome, te espero atender ao telefone. Eu espero por você. O quanto for necessário esperar, Amana.
A cada segundo que fecho meus olhos, vejo você sorrindo. O sorriso que destruiu meus sonhos, mais que continuo amando nesses longos anos. Aqui as paredes falam comigo. Elas falam. Sei que essa minha mania de reforçar as coisas te incomoda, mas eu ainda tento raciocinar, que eu te perdi e você nunca vai voltar.
É triste pensar.
Mas olhe pelo lado positivo.
Eu estou conseguindo te esquecer.
Estou me livrando de tudo que pertence a você.
Aqui no "Ankward", é simplesmente horrível. Pois o meu dormitório, é ao lado do forte. Então eu tenho uma bela visão do Farol. Dá para ouvir os gritos que saem daquele lugar. Eu peço para eles calarem-se, mas ninguém responde. Tenho medo daqui. Tenho medo das pessoas daqui.
Tenho medo de VOCÊ, Amana.
As vozes falam que quem matou Barry e Sandra, foi você. Eu não vou acreditar nelas. Porque eu sei que estão confundindo minha cabeça. Quem matou a eles, foi Marry, certo?
Sou o pior homem na face da terra. Estou duvidando da minha própria mulher.
Oh, Amana. Ajude-me. Por favor. Você levou tudo, e não deixou nem um pouco. Eu estou suando. Estou cansado. Você me prometeu uma vida feliz.
Mas você me internou aqui.
Como irei ter uma vida, se ela não for ao seu lado?!
Meus últimos centavos gastei com você. Eu te dei tudo. Só me dê liberdade. Apenas isso.
Esse foi o amor que você escolheu me dar. E eu aceito ele. Eu aceito. E te espero quantas eternidades forem precisas.
Minha Amana.
Eu te amo tanto.
Seu e de mais ninguém, .


Dobrei o pedaço de papel em minhas mãos, pondo-o em um dos bolsos daquele uniforme idiota, que usava. Joguei a caneta em qualquer lugar daquele cômodo, ouvindo o barulho que fez ao se encontrar com alguma superfície.
Fechei os olhos, me concentrando em ouvir o barulho, que os barcos faziam ao chegar ao porto. Pude ouvir alguns homens gritando coisas como: "Você viu aquele peixe?" Ou "O motor estragou, de novo". Um sorriso involuntário surgiu no canto de meus lábios, pensando nos marinheiros barbudos e com cheiro de rum, do lado de fora da "fortaleza".
“Eles poderiam me dar um pouco de suas bebidas e charutos” pensei. Fazia tempo que não sentia o gosto amargo do rum, correr por meus lábios. E confesso, daria tudo por um gole.
Abri meus olhos, assim que ouvi o barulho da porta ser aberta.
- Paciente . – ouvi uma voz reconhecida, citar meu nome.
Olhei para cima, vendo a expressão calma de Will. Não. Sem mais uma daquelas seções torturas. Será que ele não entende?! Eu não irei responder as suas perguntas. Era exatamente por isso que eu ficava louco. Ele me deixa louco. A cada dia que ouço seu coração batendo, minha vontade é de fazê-lo parar. Enfiar uma estaca, para ser mais óbvio. É quase incontrolável. Mas eu tiro controle, não sei de onde. Talvez seja Amana que me dá essa paz. Talvez.
- Então, , como estão os pesadelos? - Ele disse me olhando, com as mãos no bolso de seu jaleco.
Permaneci calado, deixando sua pergunta no ar. Andei até minha cama enferrujada, que fez um ruído, assim que me joguei sobre ela preguiçosamente. Fingi distrair-me com o cordão preso em meu pescoço, ignorando sua presença insignificante ali.
- Você vai querer fazer isso pelo modo difícil? - disse Will, e pude perceber sua voz se aproximando - Tudo bem, . Então, será pelo modo difícil.
Quando virei minha cabeça para descobrir o que ele iria fazer, vi sua mão direita se levantar, com uma seringa na mesma, prestes a injetar ela em mim.
Em um impulso, me levantei furiosamente do meu lugar e segurei suas mãos com força, apertando seus pulsos e fazendo Will gritar.
Soltei uma de suas mãos, pondo a minha sobre sua boca. Acabando com suas tentativas idiotas de ajuda. Empurrei seu corpo, em direção a alguma das paredes frias, do local. Retirei a seringa de sua mão e a pus em um dos meus bolsos, logo depois, pondo meu cotovelo em sua garganta, forçando a afundá-la.
Vi a expressão de terror estampada em seu rosto. Soltei um sorriso sarcástico, fazendo-o me olhar com repugnância.
- Você sabe quem eu sou não é mesmo Dr. Will? - disse ameaçadoramente.
O mesmo não respondeu o que fez meu sangue borbulhar. Fazia tempo que um coração não parava em minhas mãos, e eu não me negaria a essa velha sensação. Não mesmo. Apertei mais uma vez meu cotovelo em sua garganta, vendo lágrimas se formarem em seus olhos.
- Ande! Responda seu filho da mãe! - disse exaltado.
- Sim. - sua voz soou quase inaudível.
- Ótimo. Mas você não sabe o que eu sou capaz de fazer. - disse esperto - Ou sabe? - olhei-o fundo em seus olhos - Não importa. Porque daqui a pouco você terá sua resposta. - ri irônico - Mas antes...
Apertei mais uma vez meu cotovelo em sua garganta, ouvindo seus gritos abafados por conta da minha mão.
- Vários como você apareceram aqui, me fazendo perguntas iguais as suas - disse calmo -, eu ouvi a todos. Eu matei a todos. E você será apenas mais um. Você será apenas mais uma das vozes que me atormenta, que irá ficar naquele farol, junto com as outras almas. Camisa de força nenhuma me atrapalha de por as mãos em seu pescoço. Eu só te aguentei esse tempo todo, porque tive pena. Mas agora?! – ri - Agora você vai ser apenas mais um. E eu vou sair daqui. Ninguém nunca mais vai me prender. Então, me responda uma última vez doutor: "Você sabe quem eu sou?" - disse ameaçadora.
Vi Will negar com a cabeça e me olhar com raiva.
- Ahh sim. Você sabe. Sogro.
Seus olhos se arregalaram e vi ele se debater, tentando achar algum modo de se soltar.
- Amana. Sua filha. - disse calmo - MINHA mulher, sogrinho.
Apertei mais meu cotovelo em sua garganta e apertei com mais força.
- Veja. Eu sou bem teatral: - disse irônico - Era uma vez, uma menina de cabelos dourados chamada Amana, que tinha um pai babaca, seu nome é Will. Essa garota conheceu um menino chamado e eles se apaixonaram loucamente. Só sexo e drogas. Amana era uma vadia e todo dia que saía a noite, mentia pro seu papai, dizendo que iria ver as amigas e comprar roupa com elas. Quando na verdade, ela estava em algum beco, transando loucamente com . Will acreditava em tudo. Passaram-se anos, e o garoto amava muito a menina. Só que um belo dia, ela o internou em um hospício e adivinha quem era um dos médicos daquele lugar? Sim. O papai babaca. E esse papai, tinha um paciente, que era seu sexy e modesto namorado: . Um belo dia sem saber nada, Will vai fazer uma visita a seu paciente e ele descobre que na verdade, o tal "louco", era seu genro. Dá pra acreditar? - fiz uma expressão de surpresa - E o pior de tudo, é que o homem, está impossibilitado de falar, porque o namorado de sua filha está com o cotovelo em sua garganta. Fim. - falei satisfeito - Gostou?
Vi Will, ainda com sua expressão horrorizada no rosto, me encarar com nojo.
- Ah! Esqueci você não pode falar. Certo? - falei irônico - Ops. Uma última palavra? - disse afrouxando um pouco meu cotovelo de sua garganta.
- Vai... se... foder. - Ele falou quase inaudível.
- Hey! Isso é mais que uma palavra! - fingi estar ofendido.
Em um golpe rápido afastei meu braço de seu pescoço, e com a outra mão, peguei a seringa do meu bolso e injetei em sua cabeça. Deixei o corpo frio cair no chão e olhei ao meu redor.
Andei preguiçosamente até minha cama e me joguei sobre ela. Repousei minha cabeça no colchão e respirei fundo. Um sorriso involuntário apareceu em meu rosto. - Já posso ouvir sua voz, Will. - disse extasiado.
Flashback OFF

CAPÍTULO 7- INDEFESA


POV ON
Sem forças, arrastei mais uma vez aquele corpo frio em minhas mãos, vendo o quão fraco estava e o quanto a maconha acabava comigo. O sótão nunca foi tão frio e quieto como agora. Pois desde que resolvi trazer algumas de minhas vítimas, para este lugar, parece que as almas delas ainda continuam aqui. Ainda sinto o mesmo cheiro de vingança, sangue e morte.
Antes mesmo de sair da igreja, o padre Owen, fez questão de rezar por mim. Como se isso ajudasse.
Eu sou uma alma. Sem coração, sem sentimentos. Sem nada. Eu sou mais seco que orvalhos no deserto. Eu sou um . Eu sou uma aberração.
O machado que mantinha em minha mão livre, arrastava-se pelo chão, fazendo ruídos a cada puxada. A madeira de seu sustento, velha e gasta, desgastava em minha palma da mão, dando lugar para alguns pequenos pedaços de farpa entrarem em meus dedos cansados. Soltei um grunhido, assim que senti o corpo se mexer. Olhei para baixo, vendo o saco plástico preto, na cabeça da vitima, ser forçado, em algumas tentativas falhas de sair. Ri com o ato idiota, já que nada a ajudava a sair da situação. Suas mãos presas atrás das costas não facilitavam nenhum pouco meu trabalho, já que a tal pessoa, não parava de se mover para os lados. Vendo-me já próximo a cadeira, pouco iluminada pela luz, joguei com força o corpo por cima da superfície, ouvindo um gemido de dor ecoar pelo local, com meu ato grosseiro. Bufei cansado e com o machado em minhas mãos, levei-o até os laços que a prendiam, notando o corpo inerte em minha frente, tremendo de medo, esperando uma reação ou tentativa de escapatória. Levei o machado acima dos ombros, sentindo o peso do objeto. E em um movimento rápido, cortei as cordas que a prendiam. Ouvi seu grito ser abafado pelo saco preto que a envolvia e franzi a testa. Tinha acabado de libertá-la das cordas, pelo menos agradecer, deveria ser sua reação. Mas saí de meus pensamentos, assim que vi um corte em seu pulso direito, causado - com certeza - pelo machado. Arregalei meus olhos, e desesperado, corri até um dos armários do grande local, procurando pelo meu kit de socorros. Retirei tudo da minha frente, a procura da maleta branca, e minhas mãos se moveram diretamente até a mesma, assim que a enxerguei, em meio ao entulho de objetos.
Corri novamente até o corpo, vendo sinal algum de pessoa ali. Arregalei meus olhos, imaginando que a mesma já teria escapado com facilidade dali, senti minhas mãos suarem frias, assim que senti um cano gelado em minha nuca. Virei-me perigosamente, sentindo minhas pernas tremerem ao ver um rosto iluminado sobre a fraca luz. “Quem é ela, afinal?”, pensei, “Não foi o rosto de Amana que vi a pouco tempo?”.
Porém confesso, nunca vi um rosto tão bonito e delicado, mas cheio de graça, em todos meus anos atormentados.
Pisquei diversas vezes ao ver a dona dos olhos brilhantes que transmitiam raiva em mim.
- Quem é você? - Ela disse inabalável.
Levantei uma de minhas sobrancelhas, vendo sua expressão não se alterar nem um pouco.
- Eu que devo lhe perguntar isso - disse calmo.
- Não fale como se não soubesse de nada. - ela respondeu prontamente.
Minha risada se estendeu sobre o cômodo, pela sua resposta idiota. Ela sabia o que fazia aqui, afinal, não foi ela a quem sequestrei. Foi Amana. Existe alguma coisa muito errada aqui.
Em meio a escuridão, vi seu rosto se aproximar ao único local iluminado do recinto e meus olhos piscaram diversas vezes, assim que seus cabelos se moveram de um lado pro outro, por conta da brisa fria que entrou pelo sótão. Notei suas mãos tremendo, por conta da arma que segurava. “Iniciante” , pensei.
Mas seu medo me fascinava de um jeito incrível. Ela não sabe o quanto fica atraente assim? Por um lado tão forte, mas por outro tão frágil, um pequeno corte para se quebrar toda. E esse medo, só me faz querer protegê-la. Sabe, eu não me apaixono assim, facilmente, mas se quando isso acontece, é como caio no sono, facilmente e gradativamente. Eu sou do time dos idiotas, que ainda acreditam que garotas irão gostar de mim, porque eu posso protegê-la do mundo e de todos.
Levantei minhas mãos perigosamente até a arma, vendo-a não se mover nenhum pouco. Puxei o objeto frio de suas mãos jogando no chão e chutando para longe de nós.
Vi seu rosto se abaixar, e algumas lágrimas grossas escorrerem por seu rosto.
- Ultimamente, as pessoas só sabem fazer isso. Me sequestrar, bater, forçar as coisas que eu não quero fazer... - Ela disse com a voz trêmula - Eu só quero ser normal, como qualquer outra garota é. Eu só quero um abraço.- Ela me olhou piedosa.
Um silêncio horrível se formou no lugar. Eu não podia abraçá-la não mesmo. Foi assim que tudo começou, entre mim e Amana. E eu não queria fazer outra mulher. Não com ela.
- Mas não será você o idiota a me dar esse abraço, não é mesmo? - ela disse irônica.
Olhei-a com pena, vendo a tristeza em seus olhos.
- Eu quero ir pra casa. - Ela disse quase inaudível.
Sem dizer palavra alguma, me movi até as escadas, sendo acompanhado por ela. Suas mãos estavam em volta do próprio corpo, em uma tentativa falha de se proteger do frio que corria pelo local. Sai do sótão, vendo o corredor lotado de quadros e peças caras, andei até a porta, ouvindo os passos da mulher atrás de mim. Faz anos que não recebo uma em minha casa, a última a comparecer no recinto, foi Amana, e sua presença não foi uma das melhores. Mas essa garota... ela me transmite paz, como nenhuma outra já transmitiu.
Abri a porta sendo recebido pelo vento frio da rua deserta de Nova Jersey. Peguei a chave do carro em meu bolso, indo até a garagem e logo ouvindo o barulho da porta fechar-se atrás de mim.
Eu sentia uma enorme vontade de abraça-la, mas seria contra as regras. Um simples abraço e um grande estrago. Eu não posso me machucar novamente.
Apertei o controle, notando o portão de ferro da garagem se abrir, dando meu primeiro passo em direção a um dos meus carros. Olhei pra trás vendo a garota distraída com a estante de livros, ao fundo do local.
- Quer um pra você? - disse, não resistindo.
Seu rosto virou rapidamente em minha direção, com uma expressão desconfiada, o que me fez soltar um riso fraco.
- Anda, pode pegar - disse incentivando-a.
E em segundos, a vi próxima a estante, com um olhar curioso, a procura de qual livro pegar.
Encostei-me no carro, observando a cena com um sorriso no rosto. Ela parecia uma criança em uma loja de brinquedos, e essa felicidade chegou até mim. E talvez em meses, eu dei meu primeiro sorriso, meu primeiro SINCERO sorriso.
Logo a mulher estava de volta a minha frente, estendendo dois livros: "A culpa é das estrelas", de John Green e "O diário de Anne Frank".
Levantei minha sobrancelha vendo seu ótimo gosto para literatura prevalecer.
- É que... eu não sei qual escolher. - ela falou com medo da minha reação.
- Fique com os dois - disse calmo.
Um olhar alegre surgiu em seu rosto, me fazendo sorrir largamente.
- Eu insisto – completei.
- Obrigado. - Ela disse feliz.
Fiz um aceno com a cabeça e logo me movi até o carro, abrindo as portas. Adentrei rapidamente em meu assento, logo ouvindo a outra porta se abrir.
Olhei para meu lado, assim que senti seu perfume adentrar por minhas narinas. Aproximei-me de seu corpo frio, notando o desespero em seus olhos.
Eu tinha que fazer isso.
E em um movimento rápido, puxei-a pela cintura e envolvi meus braços em suas costas, aconchegando-a em um abraço.
Suas mãos me envolveram e por um momento, eu me senti seguro.
Ficamos por mais um momento assim, em silêncio.
Desfiz-me de seus braços, voltando ao banco do motorista. Cambaleei minha cabeça pra trás, fechando os olhos. Um sorriso bobo se alojou em meu rosto. Droga, estava tudo acontecendo novamente.
- Afinal, quem é você? - Ela disse curiosa.
- Um monstro, talvez - disse olhando-a.
- Não, você não é um monstro - Ela disse calma.
- E o que te faz acreditar isso? - falei perigosamente.
Eu não posso deixá-la se aproximar de mim, não mesmo. Mas acho que já estou fazendo isso por nós dois.
- Porque monstros são ruins e você não é assim. Eu tenho certeza. - ela falou.
- Acredite, eu sou pior de perto. - falei calmo.
Notei a garota apoiar seu cotovelo sobre o banco, chegando a uma distância desconfortável próximo a mim.
- Mas você não é - Ela falou com um sorriso no canto da boca, e logo depois voltando a seu lugar.
Olhei-a curioso, ninguém disse isso pra mim. Ninguém. Todos sabem quem eu sou e o que fiz, e logo ela diz que eu não sou um monstro? Uma garota indefesa? Ela realmente não sabe o que eu sou capaz de fazer.
- Porque você me sequestrou? - Ela disse.
- Te confundi com alguém. - falei cansado - Eu fui idiota demais.
- Não, você só enxergou o amor, estranho demais. - Ela disse calma.
Ri de seu comentário, logo olhando para meu para-brisas.
- Eu a amava. - disse seco - A mulher com a qual te confundi. Apenas não sei como te comparei com Amana, ela é uma vadia, que retirou tudo o que eu tinha aqui dentro - respirei fundo - Então eu te vi - olhei para ela -, você tirou o que tinha sobrado, e isso me levou a loucura desde o primeiro minuto, só nessas 24 horas que estive ao seu lado.
Seu rosto logo ficou vermelho com meu comentário, o que me fez ter mais certeza do que nunca, que eu estava amando de novo.
- Eu sinto muito – continuei -, eu tentei te esquecer nesses poucos minutos, você merece ser esquecida por um louco como eu. Mas de qualquer modo, eu não podia te esquecer. Não hoje, amanhã ou nunca. E de qualquer modo, eu não posso. Eu te amo, estraguei sua chance de ter uma vida normal, e sinto muito. Mas eu estou louco por você, como nunca estive por outra.
Fechei meus olhos, imaginando a droga que tinha feito. Eu tinha me apaixonado. E isso estava errado. Não tinha nada de certo aqui, esse amor não é certo. Eu a amo, mas ela não. Isso quer dizer que estraguei tudo, de uma vez por todas, estraguei a única chance que tinha de ser feliz.
- Será que posso passar a noite aqui? - ela falou com cuidado.
Abri meus olhos, vendo sua expressão calma, tomando cuidado com minha reação.
- Claro.

CAPÍTULO 8- MULHERES, VADIAS E PROSTITUTAS


Fechei meus olhos mais uma vez, tentando achar um meio de me acomodar no pequeno sofá, que me encontrava. Minha visão estava embaçada e meus braços não encontravam sustento algum para se apoiarem e descansarem de todo peso que levaram ao longo do dia. Levei meus olhos preguiçosamente até o relógio posto no meio das paredes brancas ao redor da sala, vendo os ponteiros marcarem 5hrs. Olhei para a janela vendo as cortinas se mover de um lado para o outro, com o vento sereno e frio que entrava por elas. Saí das cobertas que me encontrava enrolado e caminhei lentamente até a janela, sabendo que o sono já se encontrava longe de mim e que não chegaria tão cedo. Senti o chão frio se encontrar com meus pés descalços, fazendo um arrepio correr por minha espinha. Concentrei-me em por meus pés um na frente do outro, já que minha cabeça girava e meu corpo estava querendo cair em alguma superfície plana, para nunca mais levantar. Andei até a janela de vidro que me dava uma visão ampla da rua e respirei fundo assim que senti o vento sereno entrar por minhas narinas. Apoiei-me sobre a superfície, vendo o quão deserta estava a rua, e quanto os postes de luzes falhavam, piscando e ameaçando apagar diversas vezes. Olhei para meu peitoral nu, vendo várias de minhas cicatrizes e marcas, da época em que ainda me encontrava preso em camisas de forças e alojações menores que uma caixa qualquer de sapato.
Nas últimas semanas senti uma falta imensa de minha casa no Nebraska, a lembrança de minha infância era resplandecente naquele local. E eu precisava dessas lembranças de volta. Precisava mais que nunca.
Virei minha cabeça em direção as escadas, ouvindo um ranger de madeira que me fez esticar o tronco para ver o que acontecia no andar de cima. Pisquei algumas vezes, tentando enxergar, mas logo depois bufei quando notei ser apenas uma impressão idiota, minha. Meus pensamentos se dirigiram para a garota a qual mantinha em meu quarto e dormia profundamente, assim acredito. Afinal, o que estava acontecendo comigo? Em menos de 1 hora, me declarei pra ela de um jeito que Amana só conseguiu fazer tais palavras saírem de minha boca em 3 longos anos. Eu, com certeza, tinha enlouquecido. Sua voz irritante ainda se mantinha em minha cabeça: “Posso passar a noite aqui?”. Não! Porque diabos eu tinha dito sim? Ou pior de tudo: “Claro”?! Tudo isso só pioravam as coisas ao meu redor. Eu tinha que ser mais convincente, mas duro. Tinha que ser mais . Porque além do mais: o que ela iria querer comigo? Eu sou um maníaco de jaquetas de couro e lotado de maços de cigarro no bolso. Então vou salvá-la, antes que afogue nesse mar de problemas sem volta. Apoiei minhas mãos frias sobre a madeira, pondo meu peso sobre a superfície e fechei meus olhos, transportando meus pensamentos para a garota que se encontrava em minha cama, enrolada em meus lençóis e com meu cheiro. Tudo no verbo meu, e ela também está incluída nisso. Eu sei que sou, talvez, uma das piores pessoas no mundo. Mas eu ligo pra isso? Nem um pouco.
Na verdade, eu a odeio. Tenho raiva dela. Desde o momento em que pus meus olhos sobre ela, e me afoguei por completo. Então, nunca mais vou deixá-la ir. Isso. Nunca mais. Quem sabe isso seja apenas uma forma de vingança, mas eu só quero poupar os outros homens de terem seus corações partidos. Estou dando o meu para ela estraçalhar, afinal, não era isso que ela queria? Sei que o meu é frio e duro. Mas ainda sim um coração. Coração de maníaco. O pior dos piores. O que esperaria de mim? Flores e amor? Aqui dentro existem apenas espinhos e sangue. Seco. Frio. Um vazio no meio de uma alma sem vida.
Só, por favor, não me chame de fraco. Quantas vezes eu tive que sair por aí e controlar minha vontade enorme de matar a todos em minha frente. Sem razão alguma. Apenas matar. Apenas sangue e alguns tiros. Como a época do sanatório, em que tudo, eu parecia sedento por morte. Esqueci-me disso por um momento, tentando me afastar do passado, e meus pensamentos foram até , e em seu corpo. Totalmente nua em minha cama. Sim, nua. Afinal, não poderia deixá-la com aquelas roupas sujas. Se eu me aproveitei? Talvez, ou não. Ninguém sabe. E se ela sentiu, pode ter certeza que gostou. Cada parte sua, se encaixa perfeitamente, em cada parte minha. Feita unicamente pra mim.
A garota fala enquanto dorme e pude ouvi-la sussurrar coisas como: “O que aconteceu com a doce menina de 17 anos, que queria aproveitar a vida?”. Depois disso, não ouvi mais nada, já que ela se moveu ameaçando acordar. Pois, não a deixaria me ver observando seu sono.
Acordei de meus pensamentos assim que ouvi o barulho de motor se aproximando, trazendo a areia em seus pneus, o que me fez tossir ligeiramente. Logo depois vi o porshe preto estacionar em frente à casa e um homem de touca preta sair de dentro do automóvel, caminhando em direção a mim. Abaixei-me rapidamente no chão frio sentindo um minha espinha se arrepiar, pelo contato. Levantei cuidadosamente minha cabeça para o lado de fora, não vendo mais ninguém ali. Dei um suspiro de alívio, mas logo depois ouvi um baque na porta, que me fez abaixar novamente, olhei para a cozinha, já sabendo um lugar estratégico, ao qual guardo armas. Rolei até o balcão, logo puxando debaixo do mesmo, uma calibre 47. Voltei a minha posição inicial, olhando de canto para a porta que em poucos segundos, cessou o barulho. Pus a arma sobre o peito, com o dedo indicador sobre o gatilho, até que uma bota preta, que indiquei ser o pé do tal cara, apoiou sobre o batente da janela, ameaçando pular para dentro de casa. Respirei fundo, contando de um a três. Fechei os olhos, começando minha contagem, 1..2...3. Levantei com a arma já apontada para o rosto do sujeito, que tomando um susto, se desequilibrou e fez menção de xingar um palavrão mais para si mesmo, do que pra mim. Ri ironicamente de sua situação constrangedora, mas logo depois forcei a arma sobre sua testa.
- Bote as mãos na cabeça. - falei ríspido - Rápido!
O mesmo continuou intacto, soltando o ar de seus pulmões, enquanto olhava para meu rosto, como se tentasse me desvendar.
- É assim que você trata os velhos amigos, ? - ele disse lentamente.
Seu timbre de voz me fazia lembrar alguém ao qual não reconhecia no momento, até que uma luz se acendeu sobre minha cabeça. Não podia ser ele.
- ? - falei incrédulo.
O homem riu e se desviou de minha arma, logo estendendo seus braços para mim, em sinal que queria um abraço.
- Isso mesmo. Em carne em osso. - disse risonho.
Tirei rapidamente a arma de sua testa e a abaixei, ainda vendo seu semblante em minha frente.
- Mas você não tinha...? - disse deixando a última palavra pelo ar.
- Morrido? - ele disse rindo - Você ainda acredita nos boatos? Realmente, pare de ouvir ao que todos dizem.
Continuei encarando-o, dessa vez menos surpreso. Afinal, como isso podia ter acontecido? Eu vi o corpo dele sobre o caixão. Eu vi.
- Nossa, e desde quando você se tornou tão frio, ? - ele disse abaixando os braços - Não vai, ao menos, me convidar pra entrar?
Abri a boca algumas vezes, tentando falar pronunciar alguma palavra ou som, mas tudo que fiz foi dar espaço para ele entrar.
em um pulo já estava dentro de casa, rolando seus olhos azuis por todo cômodo.
- Você realmente está mais rico do que nunca. - ele falou admirado - Mas é uma pena, porque quando estávamos juntos tínhamos muito mais...
- Cale a boca. - disse o cortando - Se veio fazer uma de suas malditas propostas, pode ir andando em direção à porta. Porque se quer saber, eu estou indo super bem sem você. Então, ou cala a merda da boca, ou sai logo.
- Hey, calma aí garotão. Pode baixando a bola, eu só queria vir aqui te fazer lembrar dos velhos tempos...
- , eu te conheço bem. E você não quer me fazer lembrar de merda nenhuma. - falei irônico.
- Ok, , pelo visto você ainda me conhece tão bem quanto eu imaginava. - disse admitindo sua tentativa - Mas, eu também queria vir aqui te ver, afinal, éramos tão unidos... Unha e carne, lembra? - falou com um sorriso brincalhão.
- Claro.
- Ótimo. Porque eu to precisando de uma grana. - ele disse se jogando no sofá.
- Eu sabia. não ia vir atrás de mim, só pra me ver. Tinha alguma coisa aí. - disse rindo e logo depois me juntando a ele - Diga logo. Tem alguma coisa a ver com garotas?
- Porque você acha que meu negócio tem sempre a ver com mulheres? - ele disse fingindo estar ofendido.
- Porque você é assim, admita .
- Ok. Você tem razão, mas dessa vez não tem qualquer espécie nojenta do sexo feminino, nos meus planos. - ele falou sério.
Ri de sua expressão mas logo depois o olhei curioso.
-Ah, ... Por que você odeia tanto elas? - disse calmo.
Seus olhos extremamente claros se escureceram, juntamente com um sorriso maligno, que tomou seu rosto.
- , eu as odeio só pelo fato de existirem. Odeio quando uma sorri, quando fala ou somente respira. Mulheres são bichos repugnantes que merecem sumir. Merecem ser mortas, merecem que cada uma de suas entranhas, apodreçam e queimem no fogo. Da mais nova, até a mais velha. Todas merecem morrer. Você sabe muito bem o que eu faço com essas criaturas repugnantes, não é mesmo ? Eu posso fodê-las, me introduzir em seus malditos corpos. Mas logo depois de saciado, eu as mato. Assim como baratas esmagadas. Elas são as presas, eu sou o caçador. E quero que nenhuma seja feliz, ou fique solta. Eu as quero na palma de minhas mãos, quero-as mortas e queimadas. Suas cinzas jogadas no lugar mais podre, porque é aí onde elas merecem ficar. Abaixo da terra. Enquanto nós, homens, pisamos em seus malditos esqueletos e restos de carne. Porque é isso que elas são... pior que qualquer outra merda. Vagabundas, prostitutas... lixos. Elas merecem ser extintas. - ele finalizou, se recostando no sofá, como se tivesse dito a coisa mais simples do mundo.
- ... Você TEM que parar com isso. - disse olhando-o.
- Parar com o quê? Eu só as trato como vermes merecem ser tratados.
Bufei cansado de tentar convencê-lo.
- Onde estava aquele que ria de tudo, e tinha as bochechas irlandesas mais adoráveis de todo o mundo? Que sonhava acordado planejando um futuro melhor pra sua família e pra si mesmo? -falei esperançoso.
- Ele morreu! - ele disse.
Um silêncio se fez no local, enquanto os olhos azuis dele me encaravam.
- Eu também só queria saber onde estava o , que saia para diversos lugares diferentes toda noite, e não gostava de ficar trancado em casa... Que se apaixonou pela garota de cabelos vermelhos e sorriso brincalhão? Onde está o que era... apaixonado pela Amana? - ele disse tomando cuidado com as palavras.
Tarde demais.
Em alguns segundos, meus dedos já estavam em volta de seu pescoço o puxando até a porta.
Com a mão livre abri a mesma, e vi ele se debater, tentando sair. Aproximei meu rosto do seu, perigosamente, e disse com a voz mais ameaçadora que tinha.
- Nunca. Mais. Volte. Aqui.
Então, com força, empurrei seu corpo para fora, que caiu sobre o gramado úmido, logo depois fechei a porta sobre seu corpo caído. Fiz questão de fechar a todas as janelas, garantindo todas as persianas fechadas. Até que ouvi um grande estrondo do quarto de cima. Até que em minha cabeça, o nome, , piscou.
Será que teria invadido ao quarto dela?
E em um impulso, eu já me via subindo as escadas apressadamente, em busca do quarto. Olhei para o corredor, vendo a única porta aberta, e antes que pudesse pôr meu pé sobre o tapete persa do local, vi o corpo da garota, suspenso sobre a varanda do quarto, enquanto a mesma, em uma tentativa falha, tentava escapar.
- Merda. - seus lábios vermelhos, que circulavam sangue a cada segundo, pronunciaram.
Vi seus olhos se moverem em minha direção e arregalarem quando me viu parado na porta, encarando-a.
Uma espécie de raiva tomou conta de mim, ao saber que ela estava tentando fugir. E a ideia de não poder ver mais seu rosto, me corroeu por dentro. Então tomei uma decisão: Eu com certeza, não a deixaria ir. Não teria mais volta.
Caminhei lentamente até ela com as mãos no bolso, olhando para seu corpo nu em minha frente, sem nenhuma censura. Eu a desejava. Eu iria tê-la. E ela não iria soltar palavra alguma, se não fosse para gemer meu nome.
Com uma rapidez gigante, peguei em seu braço trazendo-a até dentro do quarto e a joguei no chão com toda força que tinha, vendo sua cabeça bater contra um dos pés da gigante cama, e logo depois ela gemer. Puxei-a pelos pés, de volta pra mim e ri irônico de sua expressão assustada. Aproximei seu rosto do seu e sussurrei contra seus lábios, as palavras ao qual sei que ela entendeu: "Você nunca mais vai embora". Então, a peguei pelo pescoço, jogando-a na cama. Não tirei meus dedos dali, sentando sem cuidado algum sobre seus quadris, enquanto ela se debatia, tentando escapar. Pressionei, minha pélvis sobre sua deliciosa pele e a ouvi gritar, com medo do que faria a seguir.
- Você não queria fugir de mim? - falei ameaçador - Agora tente.
Vi ela se debater, obedecendo a minha ordem.
- Como se eu te deixasse fugir. – ri.
Com a mão livre, dei um tapa em seu rosto e logo acariciei a região.
- Vai ficar tudo bem, linda. Tudo bem. - falei calmo.
Logo depois, dei outro tapa no outro lado de sua face, e acariciei depois.
Fechei meu punho, e trouxe seu rosto para perto do meu. Ela sabia o que eu faria a seguir, meu punho sabia, e meu sangue circulava desesperado para logo fazer o meu ato. Juntei mais ainda nossos rostos e vi lágrimas em seus olhos. Acompanhei o caminho que uma fazia, descendo seu rosto, até chegar ao queixo e cair diretamente sobre meu peito nu, diretamente sobre minha pele... diretamente no coração. E como uma torre inabalável, eu desabei. Escorri para seu lado oposto da cama, e ouvi os soluços e grunhidos de sua voz suave preencher meus tímpanos.
O que eu tinha feito?
Aquele ar de psicopata tinha tomado conta de mim, de novo. Mas é assim que eu sou, certo? Não. Ao lado dela não.
Levantei-me da cama e cambaleei até uma das poltronas ali perto. Cai sobre o estofado macio, mas tudo em que eu encostava parecia espinhos e farpas. Eu havia machucado a ela. E estava arrependido. Estava querendo morrer. Querendo desaparecer. Ela não precisava suportar um monstro como eu. Um idiota. Um nada.
Apoiei minhas mãos sobre o rosto, escondendo minha face. O que eu tinha feito? É assim mesmo que eu sou? Que eu tenho que ser? Eu não posso continuar assim. Não mesmo. Não com ela.
Mas o que eu posso fazer? Esse sou eu. Flores, corações, bombons, esse não sou eu.
Mas eu posso mudar por ela.
Não, não posso. Nunca vou poder.
É sempre assim, ela me toca por alguns instantes e eu não tenho mais forças para machucá-la. Não tenho.
Levantei meu olhar para a janela, vendo alguns raios de sol fraco surgirem, mas a paisagem ainda nublada e chuvosa tomava ao céu inteiro. Olhei cuidadosamente para ela e vi seus dedos cheiros de sangue, no local onde ela tinha batido sua cabeça. Suas lágrimas saiam desesperadas, sem saber o que fazer. Eu tinha feito isso.
Caminhei até devagar, sentindo pontadas no coração.
- Eu posso...
Antes que pudesse terminar a frase, ela se afastou, sentada com os braços em volta ao joelho, tentando se proteger.
Abaixei minha cabeça e caminhei até a janela, olhando a rua deserta. Fechei o vidro com cuidado, pegando um dos cadeados e trancando-a.
- Desculpe-me. Mas, você não pode ir embora. Não vai embora. Eu não vou deixar. - arrisquei dizer.
- Por quê..? -a voz dela pronunciou lotada de rancor.
Nunca tinha a visto tão fraca.
Mas era ela quem eu amava. E eu não deixo quem eu amo ir embora. Não assim. Não desse jeito.
- Por quê? - disse repetindo - Porque meus vizinhos pensam e dizem pela cidade, que fiquei louco novamente? Porque eles não entendem, que você é tudo que eu tenho e preciso. E quando cheguei ontem com você, falavam coisas como: "Lá vai a pobre menina, andando com aquele cara problemático". Então você me toca por alguns instantes e eu não tenho forças para brigar, gritar ou te machucar. Tem algo que sempre me traz de volta pra você e não demora muito. Se eu puder fazer por você o que ninguém jamais fez por mim, eu faço. Tenho medo de você... Tenho medo do que há em você. Amor. Vivi anos sem saber que você existia, e agora não consigo ficar sem você por apenas alguns minutos. Tenho medo de um dia tentar te entender, e você escapar. Então, prefiro te prender. Desculpe-me. Mas você nunca mais vai embora. Eu não posso deixar.
Caminhei apressado até a porta e a fechei com força logo depois a trancando. Eu não queria uma resposta. Só queria que ela me ouvisse. Que soubesse de toda a verdade.
Fui até meu quarto e rapidamente, peguei a caixa de primeiros socorros, uma das minhas camisas e uma calça velha de moletom, como a que eu usava. Voltei até o quarto e destranquei a porta, vendo tentando se tampar com os lençóis. Ri de seu jeito atrapalhado e deixei tudo que carregava em cima de uma das poltronas. Andei de costas, arrumando algo para falar.
- Bom, eu...eu vou ao...mercado. - disse calmo - Isso. Eu vou ao mercado.
Logo depois dei de costas e fui até o andar de baixo. Calçando meus chinelos azuis, e pondo uma camisa da mesma cor. Passei os dedos sobre meus fios despenteados, arrumando de qualquer jeito. Peguei minha carteira e chaves, abri a porta, dando uma olhada em volta e logo depois saí, sendo recebido pelo vento frio que movimentava as árvores. Guardei os pertences, deixando a chave sobre a maçaneta para trancá-la e logo depois, fechei ouvindo o molho de chaves rodando, e depois sendo depositado no meu bolso.

Eu nunca gostei muito de frequentar mercados. Desde que tinha 2 anos e minha mãe me fez escolher absorventes para minha irmã. Desde então, eu odeio.
Passei meus dedos sobre a prateleira que continha diversos biscoitos, derrubando tudo sobre o meu carrinho. A parte de congelados tinha uma grande fileira de carnes e frangos, peguei dos dois tipos, e assim que passei por um de meus vizinhos, ouvi suas vozes irritantes falando:
"Disseram que ele voltou a ficar louco novamente", "Aquela garota não sabe o monstro que tem ao seu lado".

Grunhi de raiva e empurrei meu carrinho com mais força, "esbarrando", neles sem querer. Ouvi um xingar e se virar em minha direção. Mas o ignorei, continuando a caminhar em direção ao caixa.

Abri a porta, e logo depois, peguei as sacolas que faltavam na mão, juntamente com o bolo de chaves. Entrei de costas, dentro de casa, sentindo um estranho conforto assim que cheguei. Ela estava quente, aconchegante, receptiva. Não vazia, fria e silenciosa. A TV estava ligada, enquanto uma das piadas de Merlin, o peixe palhaço, ocupava meus tímpanos. Olhei para a cena, em que ele tentava fazer Dory, ler o endereço que tinha na máscara. Ri da cena e me virei para o sofá e vi a única imagem, que me fez sorrir verdadeiramente, hoje.
estava com minha camisa dos Lakers, NBA. Minha calça de moletom cinza, que ficava gigante em suas curvas detalhadas. Seu rosto estava calmo, e não me lembro de ter visto ela assim. Já que sempre que estava ao meu lado, parecia agitada, estressada. Tudo. Menos, como agora. E eu estava a amando. Quer dizer, amando a expressão, não a ela. Nunca.
O lado direito de sua cabeça estava com um curativo branco, recém feito. Deixei as compras sobre o balcão e respirei fundo caminhando até .
Peguei um dos panos que cobria ao outro sofá e estendi sobre seu corpo, vendo ela se aconchegar mais e sorrir sem mostrar os dentes. Passei meus dedos cuidadosamente sobre sua bochecha e depositei um beijo demorado ali. Sentindo a maravilhosa sensação de sua pele contra meus lábios, sorri bobo me afastando e sentando sobre o outro sofá e olhando suas feições. Ela era absolutamente a mulher mais linda que meus olhos tinham visto. A mais linda de todas as outras. Se é que existiam outras depois dela.
Era isso.
Porque, de hoje em diante, ela seria única.
- Por favor, não vai embora, por favor. Ninguém nunca ficou comigo tanto tempo antes. - ouvi a voz de Dory pronunciar pela TV.
Dei um sorriso fraco, enquanto observava serena.
- Eu não vou te deixar ir embora. Não vou. - disse caindo no sono.
E então, adormeci, prometendo a mim mesmo nunca deixá-la ir.

Continua...



Nota da autora: (19.11.2014) Oiii minhas xo flangos!
Como cês tão? Primeiro: EU TÔ MUITOOO FELIZ! Olhem só os números de comentários? Cara, eu queria até vocês e as abraçarem até ficarem roxinhas, PRINCIPALMENTE na minha BETA diva: MILLE! PALMAS PRA ELA!
Segundo: Tenho uma revelação CONSTRANGEDORA pra vocês:::::: A Miley Cyrus é a Hannah Montanna ~Brinks.
Agora é sério: Sabe a fic? Então... Adivinhem de quem foi o primeiro comentário? MEUUUUUU sim, meu. Podem rir, vão em frente. Idiota, eu sei. Mas eu botei tanta pouca fé em mim, que falei: "Ahh, vou dizer o quanto sou diva". Mas agora percebo, o quanto foi idiota. Então, riam a vontade.
Terceiro: EU AMO VOCÊS! CARA, AMO MESMO! Continuem comentando e me motivando, porque nesse exato momento, EU VOU ESCREVER O PRÓXIMO CAPÍTULO! UHUUUUUUUUU. Então, amo demais ocês.
E mais uma vez: Um imenso, incrível, super, extremamente grande, maravilhoso OBRIGADO.
Ahhh... Fiquei muitoooo feliz de vocês acharem a minha idéia pra fanfic, original. É sério, eu quebrei tanto a cabeça pra ter essa ideia e agora que tá dando tão CERTO, não posso abandonar o barco. Amo vocês, e agora, vou falar um poema que fiz pra vocês, MINHAS leitoras e MINHA beta divahhh:
“Minhas Xo flangos são demais,
Minhas xo flangos não são pra qualquer rapaz. Eu amo elas e elas me amam, e ficaremos juntas assim, por longos anos. Elas são minhas negas, minhas pretas, são minhas vacas com a língua afiada. Apesar de algumas serem malvadas, eu amo essas viadas." ~Sem palmas por favor.
Agora pra minha beta DILÍCIA. MILLE!
"Ela é minha e de mais ninguém, por ela eu passo no ENEM. Casa comigo Mille? Eu te amo, quero ver contigo aquele sol mexicano, junto com meu banjo. Então continue corrigindo meus erros de ortografia, porque você é de mais. É o motivo de eu acordar pela manhã, e comer meus cereais, te amo DEMAIS."
É isso, vejo vocês no próximo chapter ^-^




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