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For All Stars






Capítulo 1


Olhei-me no espelho mais uma vez, procurando qualquer vestígio de dor ou destruição que pudesse ter deixado em mim. Há duas horas eu estava destruída. Quer dizer, eu estava jogada no meu colchão de mola, com a cara enfiada no travesseiro e chorando todos os litros de lágrimas que meu corpo pudesse produzir em sua cota diária. Aí me ligou e, depois de uma terapia por telefone, de mais ou menos meia hora, eu já me sentia melhor. Quer dizer, não ótima e feliz, mas minha velha amiga havia conseguido despertar em mim um momentâneo desejo de sair de casa e encher a cara.
E é aí que voltamos a , meu namorado de longa data que havia me colocado um belo par de chifres há mais ou menos duas semanas. Creio que ele não esperava que eu fosse descobrir, mas eu o fiz mesmo sem querer, porque eu jamais havia desconfiado que alguma parte de não me amasse. Mas veja só, eu estava errada.
Retoquei meus lábios com o batom vermelho e limpei cuidadosamente a parte do meu rosto que havia se manchado com o lápis escuro. Ajustei meu vestido no corpo e subi o zíper, deixando o tecido azul rendado se ajudar ao meu corpo com rapidez, como se houvesse sido feito por medida. Calcei meus saltos pretos cuidadosamente, não deixando que a minha tipica falta de equilíbrio me levasse ao chão. E pela primeira vez, em duas semanas, eu me senti bonita.
Mas havia algo faltando e por mais que eu quisesse ignorar o fato, eu não conseguia. Não era um pouco mais de maquiagem e muito menos a roupa que não combinava muito com os sapatos. Não, não era nada disso, era algo muito mais pessoal e profundo, algo que doía no fundo do meu peito e o fazia arder. Fechei meus olhos e apertei meus lábios, balançando minha cabeça lentamente para os lados, procurando afastar todos os típicos pensamentos que insistiam em invadir minha mente e me fazer ter vontade de voltar correndo para debaixo do edredom. A buzina do carro de me impediu de ter mais pensamentos absurdos e eu agradeci mentalmente por isso. Suspirei profundamente, peguei minha bolsa de mão e desci as escadas.
A sandália brilhante fazia meus pés doerem brevemente, aquela costumeira pontadinha que todo salto alto nos dá e eu acho que esse era o principal motivo de eu quase não usar salto.
- Que horas você chega?
A voz de Nicholas imundou meus ouvidos e me fez dar minha melhor risada irônica. Eu sabia que meu irmão gêmeo era protetor, até demais, mas parece que desde que rompi com , isso tinha ficado pior.
- Não é da sua conta. - Revirei meus olhos, caminhando até papai que tentava se concentrar em seu notebook, aberto da mesa da cozinha e lhe dando um beijo na testa. - Volto logo.
O velho Morgan me puxou para baixo e deu um beijo no topo de minha cabeça, sem dizer uma única palavra e deixando o carinho durar poucos segundos, até seus dedos voltarem para o teclado furiosamente. Mamãe faleceu há cerca de três anos, Nicholas e eu estávamos cientes dessa realidade, mas aparentemente meu pai não.
Era como se ele fosse sugado para uma realidade alternativa e ficasse preso lá até o trazermos de volta á realidade. Quer dizer, ele estava presente, como sempre esteve, mas parecia que algo tinha se quebrado dentro dele, algo que não dava para consertar.
- Seja uma boa menina, .
Papai sorriu levemente,direcionando, por mais alguns segundos, seu olhar para mim. Apertou minha mão e voltou seus olhos para a tela do computador. E então, mais uma vez, ele se perdeu em seu mundo privado. Éramos próximos e ficamos mais próximos ainda após a morte da minha mãe, mas de uns dias para cá, papai parecia distante de Nicholas e de mim.
Atravessei a sala, me esforçando em ignorar o olhar furioso que Nicholas me lançava, até passar pela porta e dar de cara com o lindo e nada discreto camaro vermelho de , que vibrava ao som de Pink!, me proporcionando um ótimo começo de noite.
- Estou começando a achar que essa é a única música que você tem. - Brinquei, abrindo a porta e me jogando no banco do carona. sorriu, ligando o motor do carro.
- So What nos descreve essa noite, minha cara. - Revirei meus olhos, mexendo na bolsa á procura de um cigarro. - Voltou a fumar?
- Nunca parei. - Sorri de lado. - tentou, mas falhou.
- Credo. - murmurou, esticado sua mão para pegar o mesmo. Deu um trago. - Ele tem esse lance estranho com cigarro desde que sua avó morreu.
- Imagino quanto o pai dele sofre. - Murmurei, pegando o cigarro de volta e controlando minha vontade de rir. - Senhora Rose morreu porque ficou resfriada.
- Fala isso para ele!
era a única pessoa com quem eu conseguia falar sobre sem me acabar em lágrimas. Mas também não havia como chorar perto dela, emanava felicidade.
- Aonde vamos, salvadora? - Perguntei enquanto jogava o resto do cigarro pela janela. - À mais uma boate?
- Não. - rodou os olhos, boate não era muito a nossa praia, por só conter caras imaturos e bêbados; nós gostávamos de perigo, e não de coisas que achariam em qualquer canto da escola. - Fiquei sabendo que abriram um pub na saída da cidade. - A encarei franzindo minhas sobrancelhas, aquilo me cheirava á um grande problema. - Ei, não me olha assim! Meu pai disse que é legal. - O pai de era viúvo, então tudo o que ele tinha no mundo era ela. A relação deles era adorável, falavam de tudo e dividiam segredos, como dois adolescentes que são capazes de tudo um pelo outro.
- Um bar de velhos?
- Não é um bar, é um Pub. - rodou seus olhos. - E não é para velhos, meu pai nem chegou aos quarenta ainda.
Tentei não rir, mas a forma como falava era terrivelmente engraçada. A mãe de morreu no parto, ela era nova demais e não resistiu a gestação de risco, deixando o senhor Parker criando uma garota sozinho, sem ter a mínima ideia de como trocar uma fralda.
- Não estou chamando seu pai de velho. Estou dizendo que o "Pub" - Enfatizei. - Que seu pai frequenta, é de velhos.
- Ah, qual é! - bufou. - Não quer esfregar esse belo par de coxas na cara de alguns coroas?
Nós já havíamos tido uma saideira daquela antes e, com toda certeza, tinha sido a noite mais feliz da minha vida!
- Você me conhece, sabe que depois de uns copos, eu perco o juízo. - Ri, retirando mais um cigarro da bolsa. Eu estava nervosa, tinha medo de não conseguir me divertir e acabar com a noite da minha única amiga. - Só não me deixe ir para os cantos com nenhum deles.
riu fazendo uma cara de desgosto, parando o carro na frente do estabelecimento.
- Só não fique grávida.
Acertei-lhe um tapa antes de descer do carro e a vi o esfregando freneticamente e desnecessariamente, eu só não contava que ao me virar iria dar de cara com Peter e Rick os dois caras mais lindos e idiotas da escola.
- Boa noite, princesas.
A voz de Peter era gostosa de se ouvir, eu tinha que admitir e, por um breve momento, me peguei cogitando a ideia de ouvi-la bem perto do meu ouvido. Balancei a cabeça e forcei um sorriso.
- Boa noite, rapazes. - sorriu, dando um tapa na mão de Rick que tentava enlaçar sua cintura com um dos braços. - Vim atrás de homens, Rick, não de moleques.
Peter vibrou baixinho, sorrindo para mim.
- Vamos entrar, amor? - Perguntou.
Eu não era seu amor e apesar de saber o que ele dizia sentir por mim, eu não pretendia ser. Não queria tratá-lo mal e muito menos estragar a minha noite, por isso lhe direcionei um muxoxo e olhei para franzindo o nariz.
- Preciso ligar para o meu pai. - Falei, inventando a única desculpa que passava pela minha cabeça na hora. Fucei na bolsa e tirei o celular de lá, fingindo discar o número. Só queria ficar sozinha e repensar se era uma boa ideia estar ali. - Segurem um lugar para mim.
concordou, puxando Rick pelo braço que foi seguido por Peter que não tirava o sorriso bobo do rosto. Quando eles já tinha sumido de sua vista, dei um último trago no cigarro e o atirei para longe. Guardei o celular na bolsa, e analisei o lugar com os olhos. Não era maravilhoso, mas pelo menos não era capenga como o último. Ri sozinha ao ver que as letras em néon que diziam Bill's, estavam quase caindo. É, na verdade, era bem capenga.
- Não. - Uma voz próxima bradou. - Você disse que levaria seus amigos aí, não a escola inteira. - A voz do homem chamou minha atenção para ele, por mais que eu não fosse terrivelmente curiosa, não podia conter meus olhos ao ver um cara esbravejando perto de mim. - Eu sei o que eu disse. - O homem bufou. - Volto ás cinco, quero tudo em ordem.
- Seu filho? - Me arrisquei em perguntar assim que ele desligou o celular.
O homem sorriu, se aproximando discretamente. Ele tinha um cigarro entre os dedos, e naquela luz brilhante, pude notar o quanto ele era bonito e... Jovem. Droga.
- O que me entregou, meu tom de voz ou a minha idade?
- Seu tom de voz, com certeza. - Ri divertida. - Não lhe daria mais do que trinta anos.
Ele tragou seu cigarro e sorriu. Não um sorriso malicioso que os homens mais velhos costumavam me lançar, mas um confortante e carinhoso.
- Generosidade sua. Senhorita...? - Sua voz morreu, na espera que a minha desse continuação á sua frase.
- . - Lhe estiquei à mão direita, e quando ele a apertou, complementei. - Só .
- Sou . - Respondeu soltando seus dedos quentes dos meus. - Você me parece jovem demais para estar aqui.
- Vim com uns amigos. - Dei de ombros, vasculhando algo em minha mente para mudar de assunto e não dizer o real motivo de eu estar ali. - Seu filho está dando uma festa?
- Ele costuma fazer isso, acho que não tenho mais autoridade sobre ele.
- Fazemos coisas imprudentes às vezes.
- Eu sei bem. - riu. - Vamos entrar ou vai ficar aqui, analisando o letreiro?
Senti meu rosto arder. Que tipo de adolescente eu era, sentindo-me mal de chacoalhar um pub?
- Entrar me parece uma boa ideia.
Concordei me xingando mentalmente, enquanto o seguia porta á dentro. Não pude deixar de notar o quão bonito ele era, dotado de uma beleza estranhamente familiar, fazendo com que eu me perguntasse como um homem tão jovem já tinha um filho adolescente.
Não pude impedir meus olhos de analisá-lo enquanto ele caminhava na minha frente; pernas esquias mas que se mostravam bem trabalhadas por debaixo daquele jeans escuro e apertado, camiseta simples lavada em um cinza claro e uma jaqueta de couro complementando.
Exatamente o tipo de homem que eu nunca tinha visto, e o tipo de homem com quem eu sempre quis dar uns pegas e...
- ! - A voz de se fez presente, fazendo parar de caminhar e se virar, me encarando. - Venha logo e traga seu amigo junto!
Sorri sem graça corando mais uma vez, ao perceber que aqueles olhos escuros se fixaram nos meus.
- Quer fazer companhia á um grupo de adolescentes?
- Só não me peça para comprar bebidas para os seus amigos. piscou para mim, começando a caminhar em direção a que acenava ansiosa, descansando um de seus braços em Rick que ria de alguma coisa. Pude sentir os olhos de Peter grudarem em mim, mais uma vez naquela noite. Procurei não olhá-lo de volta, para não passar algum tipo de intenção que eu não tinha. Apenas bati na cadeira ao lado da minha e convidei a se sentar.
, que já tinha alguns copos de tequila colecionados na mesa, olhou para mim e depois para .
- Quem é o gato? - Cochichou, talvez alto demais, fazendo rir. Peter rolou os olhos.
- . - Respondi o mais indiferente que pude, erguendo meu dedo indicador para o garçom, no minuto seguinte. - Acabei de conhecê-lo.
E antes mesmo que eu pudesse falar algo mais ou tentar mudar a direção da conversa, já se encontrava debruçada sob a mesa, fazendo perguntas para ele.
- Um Whisky. - Falei, e então olhei para que murmurou dizendo que queria o mesmo.
- Trás a garrafa. - Bradou Rick. - O melhor que tiverem!
riu, devia estar se sentindo confuso no meio de todos aqueles adolescentes bêbados, mas aparentemente estava se divertindo.
- Parece que seu amigo não vai com a minha cara. - Murmurou perto do meu ouvido, quando conseguiu se desvencilhar das perguntas da minha amiga. Congelei por um breve instante, não esperando que sua voz soasse tão perto.
- Rick? - Perguntei, sem olhá-lo nos olhos.
- Não. - Ele negou com a cabeça, ainda sem se afastar. - O outro. Ele parece gostar de você.
estava mais atenta do que eu podia imaginar, pois assim que notou que estávamos falando de Peter, ergueu sua voz e disse em alto e bom som.
- Ele gosta. Mas quer "novas aventuras". Peter já é carteirinha carimbada.
Ela riu, sendo acompanhada por Rick. Peter murmurou alguma coisa e saiu da mesa.
- ! - Chiei, procurando-o com os olhos, mas naquela altura ele já tinha desaparecido na multidão. - Não fale assim.
- O quê? é nosso amigo agora, tem que saber de tudo! - Deu um gritinho. - Vamos dançar? - Mudou de assunto, olhou para Rick e depois para mim. - Peço até que coloquem sua música, torta de cereja!
Sorri fraco, não conseguiria ficar brava com ela, de qualquer forma. E aquela era para ser uma noite divertida, e por mais que me sentisse mal por Peter, sabia que a culpa não era minha.
- Torta de cereja?
riu, bebendo mais um copo.
- Warrant. - Respondi engolindo a bebida. - Cherry Pie.
- Uma boa música, bons tempos.
- Isso te fez parecer velho, . - Sorri ao notar que tinha falado besteira, mas antes que eu me desculpasse ou ficasse ainda mais vermelha, já tinha pedido que a música começasse.
sorriu ao ouvir os acordes iniciais e estendeu sua mão para mim se levantando. Neguei com a cabeça, mas ele não parecia afim de desistir, porque assim que viu que eu não cederia, procurou minha mão e me puxou para cima.
- Não acredito que vai me fazer dançar isso. - Falei, pegando a garrafa de Whisky com a mão livre.
- Essa provavelmente pode ser a última vez que vamos nos ver, garota, balance!
Sorri ao ouvir falar um trecho da música no final de sua fala, coloquei o gargalo entre meus lábios, e engoliu o máximo que pode, tentando perder a vergonha e me divertir. segurou minha cintura e puxou meu corpo para perto do dele, chocando nossos corpos com força. Arrepiei brevemente, bebi mais um gole e murmurei.
- Você não sabe dançar! - Fiz uma careta e em um momento, totalmente alcoólico, me vi virando meu corpo contra o dele, encostando minhas costas em seu peito e friccionando no ritmo da música.- Você tem que seguir o ritmo.
- Não tenho mais físico para isso, garota. - Brincou.
ria atrás de mim, se balançando, seguindo a melodia. Seu corpo se esbarrava no meu, trazendo do fundo do meu corpo, uma sensação terrivelmente gostosa e alucinante.
Me virei para ele, estendendo a garrafa, ainda sorrindo. E foi então que notei a proximidade e a intimidade do contato que estávamos tendo. estava ali na minha frente, devorando o liquido da garrafa de uma maneira incrivelmente tentadora, com a mão livre pousada na minha cintura, balançando no ritmo da minha música preferida. Puta que pariu.
nunca faria o que o homem que estava ali, na minha frente, estava fazendo. nunca me faria divertir tanto. E foi com esse pensamento que eu tomei coragem, retirando a garrafa de sua mão, a pousando na mesa mais próxima, e com um último olhar, colei meus lábios nos dele.
Os lábios dele permitiram a passagem de minha língua imediatamente, misturando o gosto dele ao meu e me causando um efeito quase anestesiante. Suas mãos, ainda surpresas com a minha repentina coragem, demoraram a se decidir entre minha cintura e meu rosto. Eu bagunçava seu cabelo macio, sentindo um calor dominar meu corpo, especialmente onde havia contato com o corpo dele.
Senti meu rosto arder e uma vontade urgente de ar, me fez afastar meu rosto do dele, sugando seu lábio inferior e sentindo-o se afastar na direção oposta só para me fazer sugá-lo com mais força. E foi então, como em uma fração de segundos, que despertou da realidade. Suas pupilas se contraíram, seu rosto se tornou sério, se afastando totalmente do meu.
- Me desculpe. - Murmurou, soltando abruptamente a minha cintura.
Eu sabia o porquê de ele estar se desculpando, era óbvio, claro como a luz do dia. havia se lembrado da nossa diferença de idade, e aquilo parecia pesar mais para ele do que para mim.
- Vamos sair daqui. - Falei ignorando sua repentina vontade de se afastar, sabendo que ela não era real.
- ... Não podemos. Você tem idade para ser minha filha. - Chiou.
Eu estava bêbada, muito bêbada, e falaria qualquer coisa para não vê-lo se afastar. Eu não queria que ele se afastasse.
- Tenho idade para estar na sua cama, .
Sorri maliciosa para ele, mas ao me virar de costas pude sentir meus olhos se arregalando em direção a que ria divertida para mim, enquanto me assistia caminhar até a porta dos fundos.
Andei depressa até a parede gélida e encostei minhas costas nela, vendo de canto de olho sair pela porta e se aproximar em passos frenéticos e desesperados. Quando me alcançou, não me deu a chande de dizer uma única palavra, apenas colou seus lábios, novamente, nos meus, fazendo minhas costas baterem com força na parede.
Coloquei as mãos em seu peito definido e deslizei-as para cima sob a jaqueta até alcançar seus ombros. Quando os atingi, fiz o caminho inverso, descendo por seus braços e puxando sua jaqueta junto. Ele mesmo se desfez dela, enquanto eu mordia e puxava lentamente seu lábio inferior, provocando-o, trazendo-o para mais perto de mim.
Um sorriso de aprovação surgiu em meu rosto, e ele apenas permitiu que eu começasse a fazer o mesmo com sua camisa, alisando seu peito sob a mesma até a barra e depois a erguendo brevemente. Suas mãos deixaram minha cintura e agora apertavam meus seios com desejo, vez ou outra soltando mais ar que o normal em tom de aprovação. Minhas mãos ainda estavam inquietas, totalmente indecisas sobre qual parte tocar primeiro. Arranhei sua barriga e, sem pensar duas vezes, desci minha mão para o cós de sua calça, desabotoando lentamente sua calça jeans, e esgueirando minha mão para dentro dela. grunhiu sob meus lábios e suas mãos, que antes se perdiam em meu seio, pegaram-me pelas coxas e me ergueram para cima, fazendo com que eu perdesse aquele contato, mas ganhasse um ainda melhor em seguida.
Mordi meus lábios ao vê-lo se afastar e pude sorrir quando sua boca tocou a pela do meu pescoço, me fazendo arrepiar e me deliciar com a sensação de frenesi que me invadia totalmente, fazendo com que cada nervo do meu corpo saltasse sob a pele.
- Vê o que faz comigo, pequena? - Sussurrou perto do meu ouvido. - Eu nem a conheço, , e meu desejo por você está maior do que por qualquer garota com que eu já me deitei. - Suspirei, puxando seus cabelos, sentindo a maciez contra meus dedos, tornando tudo ainda melhor. Um garoto da minha idade jamais lhe diria aquelas palavras, daquela forma. Nenhum rapaz de dezessete anos me faria tremer daquela maneira, desesperada por um toque mais íntimo.
- ...
Soprei, ao sentir os dedos dele tocarem meu sexo sob a calcinha. Céus, já tinha tido relações com outros caras, mas nunca havia me sentido daquela maneira por nenhum deles. Nem mesmo por . Afastei rapidamente dos meus pensamentos, ao sentir os dedos de se arrastarem no tecido que cobria minha parte intima.
- Gosta que eu lhe toque aqui, pequena?
Concordei, completamente impossibilidade de dizer algo, me esforçando para manter meus olhos abertos e não fazer algo que me causasse problemas depois.
- Ah, querida, como eu queria a ter agora.
- Me tenha. - Sussurrei, delirando, sentindo minha cabeça rodar.
- Não posso, . - Ele grunhiu, devorando meu pescoço. - Você não é como as outras, é?
Neguei com a cabeça, apertando meus lábios. Céus, como era bom!
Um estrondo me puxou de volta á realidade e, aparentemente, fez o mesmo com , já que no minuto seguinte eu estava de volta ao chão arrumando meu vestido e ele abaixado, pegando sua jaqueta.
- Desculpe atrapalhar, mas parece que teve um começo de incêndio na casa dos e...
Meus olhos se arregalaram, só podia ser brincadeira. Dei um passo para mais perto de , ignorando o fato de ter feito o mesmo.
- Calma gente, sem neura. - riu visivelmente bêbada. - Só achei que ia querer saber, por causa do e tal. Podem voltar para o que estavam fazendo. - Sorriu passando pela porta, e a fechando atrás de si.
- Me desculpe , mas eu tenho que ir até lá. - Murmurei, encontrando um olhar assustado no rosto de .
- De onde conhece meu filho?
Engoli em seco, tentando absorver as palavras que ele havia pronunciado. . . Incêndio. Filho. Puta que pariu.
- Você é o pai do ? - Perguntei em choque, sentindo qualquer rastro de saliva deixar minha boca. concordou confuso, suspirei derrotada, ainda sem entender direito tudo o que tinha acontecido. - Sou a ex namorada do seu filho.
Capítulo 2


Tudo bem, o que era aquilo que tinha acabado de acontecer? Na última hora eu tinha conhecido um cara mais velho, bebido, dançado e me agarrado com ele, e descoberto que ele era meu ex sogro. Tá bom ou precisa de mais?
Quer dizer, que tipo de pessoa tem um puta azar desse, na vida? Eu nunca fui a garota mais sortuda do mundo, mas também nunca tinha me metido em uma enrascada daquela. Afinal, haviam tantas pessoas no mundo, tantos caras na cidade e eu tinha de ter beijado o pai de ? Tudo bem que não tinha como eu saber desse pequeno empecilho, mas qual é, alguém deve estar tirando sarro da minha cara lá em cima.
Xinguei-me mentalmente, enquanto seguia até seu carro; fazia uns cinco minutos que tínhamos saído do pub e em apenas esse tempo, eu tinha mentido para e para mim mesma, várias vezes e pior, eu estava mentindo tão bem que nem parecia que eu estava inventando! Talvez porque não fosse uma total mentira, quer dizer, eu provavelmente nunca mais veria na vida, então para quê me preocupar tanto?
Quando chegamos perto de seu Jeep Wrangler, eu ainda não tinha formulado uma boa frase para dizer, porque afinal, não havia uma frase certa para ser dita naquela situação. Ou eu deveria falar: "Olha só, a gente pode fingir que isso nunca aconteceu e cada um seguir seu caminho, o que você acha?"
- Você não me disse que era ex namorada do meu filho. - murmurou, me puxando de volta á realidade e abrindo a porta do passageiro para mim, agradeci com um aceno, sem olhá-lo nos olhos.
- E o senhor não me disse que seu filho se chamava . - Bufei, colocando o cinto, enquanto se acomodava no banco do motorista. - É uma cidade pequena, senhor . - Murmurei, meu tom de voz soou desgostoso, quase como se eu tivesse vomitado seu sobrenome. - Eu teria ligado os pontos.
- Não precisa me chamar de senhor. - balbuciou, seus olhos queimaram sobre mim por um pequeno instante e no momento seguinte, ele já guiava o carro pela estrada. - Só não conte para ele.
- e eu não temos mais nada. - Rodei meus olhos, soando sincera, pela primeira vez, em relação á e o nosso término. - Não devo nenhum tipo de explicação á ele.
Tudo bem, acho que fui um pouco grossa demais. Eu me importava com e, por mais imbecil que isso soasse, eu não queria desmoralizá-lo para seu pai. Se bem que ele merecia que eu o fizesse e merecia coisa pior também, mas aquela não seria eu.
- Pois eu devo. - rebateu automaticamente, apertando o volante com as mãos. - Sou pai dele, divido um teto com ele, e agora quase transei com sua namorada.
- Ex. - Apertei meus lábios grunhindo baixo. Tateei dentro da bolsa á procura do meu maço amassado de cigarros, quando o achei, ergui na direção de pedindo permissão para poluir o ar limpíssimo de seu Jeep. - Se importa?
Ele apenas negou com a cabeça, deixando clara sua insatisfação quanto á eu fumar ali dentro, mas ao mesmo tempo demonstrando que não me impediria de fazê-lo e nem levantaria nenhum tipo de condição ou sermão. Parecíamos, no final das contas, dois adolescente tendo uma discussão idiota depois de, ambos, traírem alguém.
- Não precisa ficar tão incomodado. Não aconteceu nada. - Raspei a garganta. - E mesmo se tivesse, não contaríamos á ninguém. , - Enfatizei. - Nunca saberia de nada.
rodou seus olhos, murmurando algo á si mesmo, que eu não pude ouvir. Ele não respondeu, mas eu não esperava que o fizesse, seus olhos apenas passaram do meu rosto para a janela do seu lado, se tornando sério e rígido, deixando qualquer vestígio amigável, para trás.
- Que bosta. - Xingou baixo, batendo suas mãos no volante. - Quer que eu te deixe em casa?
- Não precisa. - Neguei com a cabeça, levando minhas mãos até a porta, sorrindo fracamente ao fazê-lo. - Eu vou andando.
- Eu posso te levar. - insistiu. - Só me deixa resolver isso.
- Tudo bem. - Rendi-me, saindo do carro. não parecia estar muito afim de conversa e lidar com dois adolescentes em uma noite, não parecia ser algo muito animador.
Um furioso caminhava em passos largos até , que parecia aflito. Aquela era a primeira vez que eu via em duas semanas, mas meu coração não palpitou e nem minhas mãos gelaram, eu apenas mantinha meu olhar fixo em , que nesse momento, agarrava uma de suas mãos no braço nu de .
- Pai, eu...
- Pode explicar? - tentava manter sua voz baixa, mas seu olhar fez o policial se afastar um pouco. - Eu deixo você se divertir e você coloca fogo em casa?
- Não fui eu.
parecia uma criança chorona implorando para não apanhar, era incrível como ele se tornava outra pessoa perto do pai. Aquele cara machão que assustava os nerds do colégio, não existia perto de . Não pude controlar o sorriso sacana que surgiu em meu rosto enquanto eu caminhava até eles. Aquilo era um tanto quanto divertido, eu não podia negar.
- Pessoal, eu... - Murmurei, surgindo por de trás de e ficando frente á frente com . Ambos me olharam ao mesmo tempo, totalmente confuso e nervoso com a proximidade que nos encontrávamos. - Acho que os policiais querem falar com o senhor.
- O quê diabos a está fazendo aqui?
Rolei meus olhos, dando alguns passos para trás e ficando o mais longe possível da respiração de que, insistia, em banhar meu rosto.
- Isso não importa. - desconversou. - Tire esses idiotas daqui.
E saiu, simplesmente caminhou até um dos tiras, e me deixou ali, plantada, cara á cara com . Baixei meus olhos. Droga, eu não contava com aquilo.
- O que você está fazendo com o meu pai?
- Eu... - Raspei a garganta, puta merda, onde eu tinha me metido? - Ele estava vindo para cá e eu também, nos encontramos agora.
Nunca fui muito boa em improvisos, mas aquele pareceu bom o bastante para cair nele. Seus olhos escuros apenas fitaram meu rosto, como se buscassem uma fagulha de mentira nele, mas pelo visto, não encontraram, pois no momento seguinte ele já tinha mudado de assunto.
- Certo. - Murmurou, levantando um de seus braços e o direcionando ao meu corpo. Senti um arrepio subir pela minha coluna, mas procurei ignorá-lo. - , eu queria conversar com você.
- Não, agora não. - Recuei para trás, vendo a mão de pender no ar e depois cair. - Mais tarde.
Eu só estava adiando o inevitável, eu sabia disso. Porém, naquele momento, a última coisa que eu estava, era pronta para falar com sobre o nosso término, ainda mais naquela situação e momento em que nos encontrávamos.
apenas assentiu com a cabeça e forçou um sorriso para mim, antes de se afastar e trombar com , que caminhava em minha direção. O pai sussurrou alguma coisa para ele e depois voltou a caminhar, se aproximando cada vez mais de mim.
- Reatou com o ?
Revirei meus olhos e me pus a caminhar do seu lado. Apertei minha mão uma na outra e ignorei a pequena ferroada que pressionou minha cabeça. Sorri para ele, aquele tipico sorriso que dizia "não estou afim de falar nisso agora.". É, eu não estava e provavelmente nunca estaria.
- Nem passei perto disso. - Fiz uma careta, entortando meus lábios brevemente. - Pode me levar para casa?
- Claro. - Respondeu apontando para o carro. - Está menos bêbada?
- Se você quer saber se eu estava bêbada quando o beijei, - Disse, entrando no carro. Quando também se encontrava lá dentro, continuei. - Não, eu não estava. Não preciso de algumas doses de Whisky para beijar um homem como você, .
- Desistiu do senhor? - riu, seus ombros relaxaram por um momento antes que ele voltasse a falar. - Desculpe ter estragado sua noite.
- Você não estragou. - Ergui meus ombros, frustrada, me aconchegando no banco. - Seu filho estragou minha noite, meu ano e minha vida.
"Ah, e minha transa", mas eu não falaria aquilo em voz alta, não pegaria muito bem. Ou pegaria?
riu, a sua risada mais alta da noite. Ele havia relaxado, pude notar, e por mais que nossa cabeça estivesse uma bagunça, ele finalmente pareceu estar aonde queria, como se não houvessem motivos para estar em outro lugar.
- Pode me deixar na esquina. - Apontei. - Meu pai sempre acha que estou saindo com homens mais velhos quando paro na porta de casa. - Dei meu melhor sorriso. - E olha, ele tem razão pela primeira vez.
me acompanhou no sorriso e no movimento seguinte, levando sua mão até a porta e saindo do carro ao mesmo tempo que eu. Meu peito se apertou levemente ao pensar que eu teria de me despedir dele. Nós mal nos conhecíamos, porém, eu havia me divertido mais essa noite, do que em todas que passei com .
- Os rapazes de hoje não deixam garotas na porta de suas casas? - Neguei com a cabeça rindo. - Que tipo de homem deixaria sua namorada em uma esquina?
- me deixava no outro quarteirão. - Grunhi, ainda rindo. - Obrigada por me trazer, .
- Foi um prazer, .
Droga, ele estava tão lindo sob a luz amarelada daquele poste. E por um breve momento, eu me senti inteira, como se nada estivesse faltando. Talvez porque, naquele instante, nada faltava.
estava tão próximo e eu queria tanto tocá-lo, novamente. Suas mãos se encaminharam para o meu rosto e o abraçaram docemente. Seus olhos arderam sob os meus e faiscaram ao mesmo tempo em que eu fechava minhas pálpebras e aproveitava o carinho. - Quero te beijar agora. - O hálito adocicado de soprou contra a pele gélida de meu rosto, me fazendo arrepiar totalmente. Apertei meus lábios e então os entreabri, como em permissão para que ele fizesse o que queria. - Mas que tipo de homem eu seria se o fizesse?
Sua testa se encostou na minha, em um carinho silencioso. Eu podia sentir a nossa proximidade. Podia senti-la pela forma como sua respiração se misturava com a minha, pela maneira com a qual sua mão descansava em meu rosto e depois se arrastava até minha cintura.
- Um último beijo. - sussurrou, fazendo meu corpo tremer. Eu não queria que fosse a última vez, eu sabia que não seria a última vez.
- Uma última vez. - Concordei, grudando meus lábios nos dele vorazmente, sentindo o mesmo latejar.
Não havia como definir aquele beijo; era um equilíbrio entre delicadeza e brutalidade, pressa e calma, amor e tesão, mas ao mesmo tempo, conseguia ser tudo isso junto. Um turbilhão de sentimentos e pensamentos que se misturavam e perdiam-se entre si, somando a estranha confusão que rondava minha mente e fazia meus olhos arderem. Procurei não pensar em e em como aquilo era errado e injusto com ele, porque eu me importava, até demais, no final das contas.
desceu suas duas mãos até minha cintura e a apertou, friccionando seu corpo contra o meu e depois me empurrando, cuidadosamente, em direção à lateral do carro. O estalo do meu corpo contra o metal gelado, soou pela rua, nos fazendo rir por alguns segundos.
Era perfeitamente possível sentir seu coração acelerado pulsando contra sua pele e, consequentemente, contra a minha. continuava a me beijar, como se nada no mundo fosse capaz de impedi-lo de fazê-lo.
Levei minhas mãos incertas até o cós de sua calça e desafivelei seu cinto em dois segundos, puxando-o agilmente e atirando-o em qualquer lugar naquela calçada. A calça escura estava um tanto apertada na região superior, e o motivo disso provocou uma onda de calor e arrepios por meu corpo. Eu o abracei firmemente pelo pescoço, ficando na ponta dos pés, o que soou como um convite para que ele me puxasse mais para perto, permitindo-me sentir exatamente o que eu já supunha. Ele realmente estava tão excitado quanto eu, mas era difícil saber com certeza, já que devido a batalha furiosa de nossas línguas, eu não conseguia pensar com clareza.
agarrou uma de minhas coxas firmemente, a erguendo em direção a sua cintura e a prendendo lá. Suspirei contra seus lábios, eu podia sentir nossa proximidade, sabia exatamente o que ele estava fazendo comigo, sabia exatamente o que ele faria comigo nos dias que estavam por vir.
Voltei a me inclinar sobre ele, criando uma coragem desconhecida por mim e voltando a colar nossas bocas. Deslizei minhas mãos por todo seu peito, só parando quando encontrei o que queria. Abri o botão e o zíper da calça sem demora, sentindo-o aumentar sua agressividade no beijo, e acariciei sua ereção por cima das boxers. agarrou meus cabelos da nuca em sinal de aprovação, e voltou a apertar minha cintura, arrastando seus dedos até a superfície arrepiada da minha coxa nua, erguendo o vestido mais que o necessário e se aventurando por lá. Dedilhei o caminho de volta, sentindo cada músculo de seu abdômen se contrair ao meu toque conforme eu subia, e seguia para suas costas atingindo a altura máxima possível, tateando em todas as direções que eu podia.
Foi quando as mãos de me soltaram no chão e em seguida pararam as minhas, me fazendo abrir os olhos abruptamente e totalmente confusa.
- Vá para casa, .
Sua voz era incerta, variando entre o que era certo e o que ele queria. Eu torcia firmemente para que seu lado imprudente vencesse.
- Você não quer que eu vá. - Murmurei, direcionando meus olhos á sua mão esquerda que ainda insistia em se agarram na minha perna. Movi meus lábios até seu ouvido, deslizando por toda a superfície de seu pescoço. - Faça o que quiser, , uma noite não vai nos matar.
- Não posso. - Soprou, suspirando profundamente.
- Por quê? - Retirei meus lábios de seu pescoço e procurei seus olhos, sentindo os meus começarem a arder. - É a minha idade? Porque, , são só números!
- a ama.
Meus olhos se fixaram em seus lábios quando ele falou, observando o movimento calmo que eles faziam ao proferir aquelas amargas palavras. Sem que eu pudesse me controlar, minha mão subiu lentamente até eles desenhando o contorno com a ponta de meus dedos. A expressão confusa em meu rosto permaneceu, refletindo o que eu sentia por dentro, e por conta disso aqueles lábios avermelhados, perderam a cor.
- não me ama. - Sussurrei, tocando-lhe com calma, docemente. - Ele me traiu, se deitou com outra e depois ficou se vangloriando na escola. Se aquilo é amor, então eu não quero.
Ele estava tão perto de mim, naquele momento, e ao mesmo tempo terrivelmente distante. Eu havia acabado de conhecê-lo e já sentia a dor de tê-lo feito.
- E você quer o que, transar com o pai dele? - Seu tom de voz me fez recuar. Sua mão que antes pressionava minha coxa, se afastou de vez. Franzi minhas sobrancelhas, totalmente surpresa. - Não seja como ele.
- Não estou aqui te dizendo que te desejo por conta da traição de . - Por que eu não desistia logo? Era tão importante assim, me sentir desejada por ele? - Vou para casa.
Ergui meu corpo e afastei minha mão de seu rosto, fazendo a curva pelo seu corpo e me levando para longe. Ele não me impediu, nem ao menos tentou, nem se deu ao luxo de me olhar nos olhos, apenas continuou ali, parado, perdido dentro de si mesmo.
- . - Chamou baixo, esperando que eu olhasse para que fizesse o movimento seguinte, esgueirando seu corpo por dentro da janela do carro. - Sua bolsa.
Suspirei, caminhando depressa até ele. Por que estava sendo tão difícil ir embora?
- Obrigada. - Estiquei minha mão e apanhei a bolsa, recuando quando parecia que nossas mãos se tocariam. Eu não poderia me dar ao luxo de tocá-lo de novo. Não faria isso comigo mesma, faria? - Boa noite, .


Capítulo 3


P.O.V

Eu havia sido um total imbecil, e o pior é que eu tinha repleta consciência disso. Desde o momento em que conheci , eu soube que era errado e tive certeza disso quando descobri quem ela era, quem ela havia sido na vida do meu filho. Mas isso não me impediu, eu até cogitei a ideia de deixá-la lá naquele bar e poupar dor de cabeça á nós dois, mas alguma coisa nela não deixava eu me afastar.
Bati a porta do carro com força e me ajeitei no banco, encostando minha cabeça contra o volante. A culpa era minha, essa era a verdade. O que um cara de trinta e cinco anos fazia com uma garotinha de dezessete? Eu era um aproveitador, no final das contas.
Como eu explicaria para ? Ele viu que alguma coisa não se encaixava, que tinha algo de errado acontecendo, talvez se eu tivesse sido sincero comigo mesmo e com ele, as coisas não teriam chegado á esse ponto.
Na verdade, eu nem deveria ter ido naquela merda de bar e se não fosse por e sua insistência para eu me divertir, eu não teria ido e não teria conhecido . Espera, eu estava me arrependendo de conhecê-la?
Estacionei o carro na porta de casa, nosso quintal, agora, estava totalmente vazio, exceto por que estava sentado na calçada com as mãos na cabeça. Aquele era meu filho remoendo alguma coisa, e só de pensar na probabilidade de ele estar se perguntando porque eu estava com sua ex namorada, já fazia minhas mãos gelarem.
Respirei fundo, abri a porta do carro e caminhei até ele, sentindo o cheiro de queimado imundar meu nariz e arder minha garganta. Me senti, brevemente, como um adolescente que deve explicações aos pais. Mas eu era o pai ali e não era eu quem teria de dar explicações.
- Qual o problema? - Perguntei, me jogando na calçado do seu lado. - Além do óbvio?
não respondeu de imediato, apenas levantou seu rosto e me encarou. E era aquilo que eu temia.
- Você está saindo com ?
Puta merda, apesar de eu ter previsto aquilo, havia uma parte de mim que se agarrara a esperança de que ele não faria aquela pergunta. Aquela pequena parte estava errada, como sempre.
- , eu...
- Só responda. - Numa fração de segundos o tom de mudou, sua voz assumiu aquele timbre que ele usava quando estava com muita raiva, como quando perdia no video game - Você está ou não transando com a minha namorada?
Eu não estaria mentindo se dissesse que não, chegamos perto, mas não.
- Não estou transando com a sua namorada. - Raspei a garganta, e procurei, no fundo da minha mente, todas as meias verdades que eu conseguia fabricar em tão pouco tempo. - Conheci sua namorada hoje, .
rodou seus olhos, se dando por vencido, ergueu seus braços e depois seu corpo e então, me estendeu a mão.
- é território proibido, velho.
Engoli em seco, se ele soubesse o que tinha acabado de acontecer, jamais me perdoaria. Forcei um sorriso e aceitei sua mão, que me puxou para cima.
- Estou pensando em chama-la para jantar aqui. - comentou caminhando até a porta, comigo em seu encalce, e entrando na casa. - Acha que ela aceitaria?
Talvez ela aceitasse, talvez não, mas de qualquer forma não seria uma boa ideia. Ter ali, embaixo de seu teto, tão perto do alcance de suas mãos, era tão tentador.
- A convide, talvez ela aceite.
- Ela ainda me ama, pai. - me encarou, seus olhos faiscaram, me fazendo ver todo aquele amor que ele transbordava pela garota. - Eu sei disso.
- Garotas não são brinquedos, . - Respondi, lhe puxando para perto e dando-lhe um beijo no topo da cabeça, antes de me afastar e subir as escadas depressa. Céus, eu precisava de um banho. - Limpe essa bagunça.
Ouvi a risada irônica de vindo do andar inferior mas, pela primeira vez, aquilo não me incomodou. costumava fazer aquelas coisas; dar festas e dar trabalho, o que normalmente me deixaria possesso e me levaria a dar o típico sermão que Elise, sua mãe, me ajudou a criar, mas não hoje, não depois de tudo o que aconteceu. E finalmente, depois de muito tempo, eu não dei a mínima.
Abri a porta do quarto, me apressando em tirar minhas roupas e caminhar até o banheiro. Minha cabeça ia explodir, eu tinha certeza. Precisava tomar um banho e fazer com que todos os vestígios dos toques de , fossem por ralo abaixo.
A água quente caiu sobre meu corpo, fazendo minha pele queimar, a sensação das mãos da garota sob o meu corpo, ainda se fazia presente, dificultando ainda mais a minha concentração. podia ser jovem, imatura e inexperiente, mas com toda a certeza do mundo, era capaz de fazer um homem perder a cabeça. Por mais centrado que esse homem fosse, ele jamais conseguiria resistir aquele par de olhos azuis cintilantes.
- Merda! - Resmunguei baixo, encostando minha testa no azulejo frio da parede.
Meu corpo ardia e minha mente borbulhava de vontade de sair daquele banheiro, vestir minhas roupas e entrar no carro, parando apenas quando estivesse parado na porta da casa da garota que estava me fazendo perder o juízo. Como era possível, ela tinha apenas dezessete anos, não tinha nem seu corpo formado ainda, e de alguma forma, eu sabia que poderia mergulhar naquelas curvas imperfeitas e irregulares, e me afogar nelas.
- . - A voz de soou do outro lado da porta me fazendo despertar. - Vai demorar aí?
Desencostei-me da parede e olhei para a porta do banheiro, parte de mim esperava que fosse entrar ali á qualquer minuto e fazer com que eu me arrependesse de ter beijado sua garota, e era justamente essa parte, que gostaria muito que ele fizesse isso, que fizesse com que a minha fixa caísse de vez, levando a culpa embora. Fechei o chuveiro e respirei fundo enrolando a toalha branca em minha cintura. Fechei os olhos, quando nos sentimos culpados por algo, cremos que há qualquer segundo tudo vai desmoronar e seremos desmascarados.
Abri a porta e então passei por ela, dando de cara com um totalmente nervoso e com os olhos esbugalhados. Minhas mãos soaram me fazendo apertar meus lábios com força, antes de falar.
- Qual o problema?
- Amanhã é o aniversário de , e também faz quatro meses que a pedi em namoro. - contou, se jogando na cama. - Quero convida-la para vir aqui, mas ela não vai vir se eu chamar.
- Não custa tentar. - Dei de ombros caminhando até o closet, retirando a toalha do meu corpo, a substituindo por uma calça larga e cinza de moletom. - Talvez ela aceite.
Ouvi bufar e depois ficar em silêncio. Nada bom viria daquele momento de pausa, tinha certeza.
- Talvez ela venha se você ligar.
A toalha com a qual eu secava meu rosto, ficou congelada sob ele por alguns segundos, até que a minha ficha finalmente caiu e eu a retirei de lá.
- O que te faz pensar que ela aceitaria meu convite? - Suspirei saindo do closet. - Eu nem a conheço direito, .
- Não precisa conhecer, só precisa ligar e convida-la. - deu de ombros, pegando meu celular e atirando-o para mim. O peguei no ar. - Diga que é um jantar para se conhecerem melhor.
- Está tarde, . - Murmurei jogando o celular de volta na cama. - Amanhã vamos lá pessoalmente, se quiser.
- Amanhã? Já são mais de seis. - riu. - Tenho umas coisas para fazer de manhã e a tarde vou ir comprar algo para ela. - começou a se afastar, e antes de passar pela porta, murmurou. - Você vai sozinho, coroa.
E se foi, me deixando ali totalmente sem resposta e com um turbilhão de pensamentos fazendo minha cabeça doer. Onde eu tinha me metido? Aquilo não terminaria bem, de qualquer forma, mas eu contava que nunca mais precisasse ver na vida, por mais que eu quisesse, isso facilitaria as coisas e as tornaria menos dolorosas, mas parecia que alguém lá em cima não estava afim de facilitar para mim.
- Merda. - Murmurei, me jogando de costas na cama e fechando os olhos. foi capaz de me levar do Céu ao Inferno em poucas horas, o que me levava a ter medo de descobrir o que ela faria se ficassêmos sob o mesmo teto.


Capítulo 4


Eu mal tinha pregado os olhos e sabia que não o faria tão cedo, graças a um pequeno deslize na noite anterior; graças à .
Respirei profundamente, absorvendo o máximo de ar que eu podia, e depois o soltei, tentando relaxar meu corpo, visto que a minha mente estava envolvida em um turbilhão de pensamentos e não descansaria tão cedo.
- . - A voz do meu pai fez com que eu me remexesse na cama, me fazendo sentar eufórica em seguida. - Tem um homem na porta te procurando.
Só podia ser brincadeira ou eu tinha dormido sem perceber, e estava sonhando. Era uma dessas duas coisas, seja qual delas fosse, eu não teria sossego por um bom tempo.
- Já desço. - Respondi, engolindo em seco ao ouvir os passos de meu pai se afastarem da porta. - Puta merda.
Pulei da cama, andando nas pontas do pé até a janela, me escondendo no vão da cortina. Espiei pela pequena brecha, observando o Jeep preto estacionado na porta da minha casa. Era ele, eu não pude ver seu rosto, mas tinha certeza de que aquele era seu carro.
Um sorriso fraco surgiu por entre meus lábios, fazendo com que eu me repreendesse em seguida. Suspirei, me afastei da janela e caminhei até o banheiro. Eu estava um caco pelo que pude ver na minha imagem refletida no espelho. Meu cabelo estava desengrenhado, meus olhos fundos e sem vida e minha pele em uma situação ainda pior que os dois anteriores.
Escovei os dentes, passei uma escova no cabelo e o lápis preto nos olhos, voltando para o quarto e em seguida passando pela porta. Desci as escadas depressa, totalmente desconcertada e surpresa por saber que ele estava ali. Porém, ao dar de cara com meu pai no último degrau da escada, meu sorriso ligeiro se foi, dando lugar a lábios que se apertavam.
- Você está tendo um caso com um homem casado, filha?
- Que novidade. - Nicholas rodou seus olhos me olhando brevemente e depois voltando a ver seu jogo de basebol. - Com esse pijama ele vai te adotar como filha.
- Não fale assim com a sua irmã! - Papai resmungou algo e me deu um sorriso. - Seja uma boa garota, .
Aquele era meu pai, o homem que confiava em mim acima de qualquer coisa ou fofoca que inventassem. Era reciproco, totalmente, eu sabia que ele sempre me apoiaria. Devolvi seu sorriso e então corri até a porta.
E céus, ele estava ainda mais lindo! A calça jeans pressa por um cinto de couro e seu tórax coberto por uma camiseta vermelha, o deixava ainda mais perfeito e delicioso.
Acho que me perdi por bastante tempo ali e me prendi demais nos detalhes, por que o som de sua garganta sendo raspada e o timbre divertido de sua voz, foram as únicas coisas capazes de me sugar de volta á realidade.
- Bom dia, .
- Bom dia, . - Respondi, o olhando nos olhos, tentando manter o pouco de auto controle que ainda me restava. - Quer entrar?
negou com a cabeça, apontando para a calçada com uma das mãos.
- Podemos conversar aqui fora?
- Claro. - Assenti batendo a porta vermelha nas minhas costas.
Meu coração batia acelerado e minhas mãos suavam, enquanto eu caminhava ao seu lado até a calçada. Eu estava nervosa, mas não parecia ser a única. As mãos de se mexiam inquietas e ele se recusava a me olhar diretamente, como se caso o fizesse, não fosse se controlar.
- me pediu para convida-la para ir jantar em nossa casa essa noite.
foi direto ao ponto. Curto e grosso, coisa que eu não esperava que ele fosse ser. Aquilo me pegou de surpresa, admito, assim como o fato de ele estar ali naquela manhã. Mas eu não deixaria que aquilo ficasse mais visível do que já estava, eu já parecia imbecil demais sem demonstrar o que eu sentia e pensava, imagina se o fizesse.
- Não acho que seria uma boa ideia.
- Ele ainda a ama. - repetiu a mesma frase da noite anterior, fazendo meu peito arder. Eu sabia disso, já não bastava todos meus amigos me lembrando disso, eu não precisava que também o fizesse. Não ele. - Não custa se dar outra chance de ser feliz.
- Vai bater nessa tecla até quando, Senhor ? - Perguntei irônica, bufando em seguida, afastando para longe todo sinal de piedade que eu pudesse ter por . - O que sente não é amor, é arrependimento.
Sabe a quanto tempo eu queria falar isso para alguém? Há duas semanas. Mas eu nunca tinha tido a chance e, bem, agora a chance estava ali, dada de bandeja e não podia ter hora melhor para ela ter aparecido.
- Então vá por mim. - suspirou, fixando seus olhos nos meus. - Vá por mim, .
Ele estava sendo apelativo, eu sabia disso, mas não pude controlar a chama que se acendeu dentro de mim ao ouvir aquilo. Sabia que mal nos conhecíamos e que tudo o que tivemos foi uma pegação proibida, mas aquilo que explodia dentro de mim ia além do carnal. Era como se eu o conhecesse a séculos, como se eu o desejasse antes mesmo de conhecê-lo.
- Por que está aqui, ? - Perguntei me aproximando. Minha mão direita procurou pela sua que pendia ao lado de seu corpo, quando a achei, apertei o mais firmemente que pude, sendo retribuída no momento seguinte. - Veio por ou por alguma outra razão?
Quando, finalmente, me permiti olhar firmemente para aquelas órbitas negras, eu pude sentir minha alma sendo sugada por ela, cada partícula do meu corpo se perdeu ali dentro e se moldou dentro daquelas esferas, pertencendo somente á elas.
- Não consegui tira-la dos meus pensamentos desde a hora em que a deixei ir. - murmurou, sua mão livre subiu em direção á minha bochecha, lhe fazendo um leve carinho, quando a alcançou. - Não posso ser egoísta com os sentimentos do meu filho, mas também não consigo tirá-la dos meus pensamentos.
Coloquei minha mão sob a sua e fechei meus olhos, sentindo seus dedos se juntarem aos meus e se encacharem. Nossas duas mãos estavam ali, unidas.
- Então, sim, - sussurrou. - Eu vim por , mas também vim por mim.
Aquilo era o que eu precisava ouvir para ter certeza de que eu não estava delirando. Seja lá o que fosse que nos unia, também era capaz de sentir. Havia algo, eu não sei ao certo o que era, que não nos deixava ir.
- Eu vou. - Falei soprando minha respiração em seu rosto, colei nossas testas, sentindo meu corpo estremecer pelo contato, e então uni nossos lábios brevemente. - Por mim.
E então me afastei, me virando de costas e caminhando depressa até minha casa, sem olhar para trás. Porque eu sabia que se o fizesse, voltaria e faria coisas que me dariam ainda mais pensamentos que eu não deveria ter.
Abri a porta e me joguei no sofá ao lado de Nicholas. Meu pai, que estava sentado na poltrona com o computador no colo, me olhou curioso.
- O que foi, pai? - Perguntei, levantando minhas pernas e escondendo a cabeça entre os joelhos.
- Aonde foi que você se meteu, ? - Morgan perguntou segurando o riso. - Quantos anos ele tem?
- gosta de caras mais velhos. - Nicholas riu alto e afagou minha cabeça, cinicamente. - Pobre .
- Pai. - Chiei, erguendo meus olhos e dando um tapa na mão do meu irmão. - Não é nada disso.
- Como não? - Papai se aproximou, sentando-se ao meu lado. - Sua mãe era vinte anos mais nova que eu quando começamos a namorar. - Morgan riu consigo mesmo, parecendo sentir saudades daquele tempo. Nicholas desligou-se totalmente da conversa, como sempre fazia. - E eu a olhava da mesma forma que aquele homem a olhou.
Rodei meus olhos, jogando minhas pernas sob as do meu irmão e encostando minhas costas nos ombros de meu pai.
- Aposto que o senhor não era pai do ex namorado da mamãe.
Papai arregalou seus olhos e Nicholas soltou um assobio com os lábios entre abertos.
- Ele é pai do ? - Concordei com a cabeça, totalmente frustrada. - Como se meteu nisso?
- O beijei ontem à noite. - Grunhi, jogando a cabeça para trás. - Mas eu não fazia ideia de quem ele era e agora... Agora quer voltar comigo.
- E você está "afim", - Papai fez aspas com os dedos. - Do pai dele?
- Vocês estão transando?
Um riso alto escapou por entre meus lábios. Eu sabia que o assunto era sério, mas fazia tanto tempo que não conversávamos nós três juntos, que eu não pude deixar de achar engraçado. Era ótimo e agora estava sendo como sempre foi, nossa família unida dividindo segredos.
- Minha filha, eu não sou um expert no assunto, mas acho que você deve esquecer a racionalidade e se focar no que sente.
- Eu não sei o que sinto. - Suspirei. - Só sei que daqui há umas horas vou jantar com eles e ficar ainda mais confusa.
- Vá mais cedo. - Papai se levantou, parando na minha frente e cobrindo a visão que Nicholas tinha da televisão, o fazendo resmungar. - Converse com , veja se ainda o ama, se ainda sente algo por ele.
- É, , - Nicholas afagou a minha cabeça, rindo. - Você tá ferrada.
Fiz um bico e me levantei, jogando meus braços ao redor da cintura de meu pai.
- E se eu não o amar? - Me arrisquei em perguntar, baixinho. - E se depois disso tudo, eu não sentir mais nada por ele?
- Então será hora de seguir em frente, menininha.


Capítulo 5


Ajustei o vestido florido em meu corpo, tentando me sentir confortável dentro dele, mas isso parecia longe de acontecer. Coloquei minhas mãos na cintura e joguei meu quadril para o lado, juntamente com minha cabeça, tentando achar um angulo em que ele ficasse perfeito em mim. Mas não deu certo.
Meu corpo não era bonito, eu não era extremamente magra e muito menos tinha uma bunda que moldasse o vestido para me fazer parecer gostosa, na verdade, se haviam duas coisas que me faziam parecer, no mínimo, atraente eram meu par de coxas e meus seios, fora isso, Deus tenha piedade de mim.
Respirei fundo, tentando encontrar no fundo da minha mente um bom motivo para querer algo comigo, se é que ele queria algo comigo. Devia ser algum defeito de fábrica que vinha na família , algum problema genético que fazia com que os homens da família sentissem atração por mim.
Arranquei o vestido, passando-o pela minha cabeça, e então arranquei minha segunda opção, do armário. Esse sim me parecia melhor. Um pretinho básico com alcinhas e um decote nada discreto nas costas, parecia-se com um balonê só que mais junto ao corpo.
Coloquei a sapatilha da mesma cor, começando a me sentindo mais confortável ao me olhar no espelho, deixei que meus cabelos caíssem pelas minhas costas, se enrolando automaticamente nas pontas.
Passei um pouco de lápis preto nos olhos e um batom rosinha nos lábios, apenas para dar um toque especial e casual. E estava pronta. Pronta talvez cedo demais, por que eram cinco da tarde e segundo o torpedo de , eu poderia chegar às sete.
Mas eu estava disposta a fazer o que meu pai dissera: ir mais cedo e conversar com , e tentar resolver as coisas de uma vez por todas.
Eu tinha que ter certeza que ainda sentia alguma coisa por , tinha de saber se realmente valia a pena insistir para tê-lo de volta e se ele valia o preço de engolir todo o amontoado de orgulho que eu vinha acumulando há anos.
Olhei-me mais uma vez, peguei minha bolsa e passei pela porta do quarto, descendo a escada depressa, pulando alguns degraus.
- vai se sentir lisonjeado de ter uma garota como você ao seu lado.
Dei a melhor risada que pude, rodopiando rapidamente, arrancando um assobio, brincalhão, dos lábios do meu pai.
- Não sei se é uma boa ideia ir nesse jantar.
- É o seu aniversário. - Papai afagou minha cabeça. - Você pode ir ou ficar com seu velho pai assistindo uma boa maratona de Supernatural.
Dei um sorriso, respirando fundo em seguida, fazendo uma cara falsamente sofrida.
- Como dispensar Supernatural?
Papai riu, me puxando pelos ombros e caminhando ao meu lado até á porta.
- É uma grande noite, menina.
- Estou nervosa. - Ri, esfregando minhas mãos uma na outra. - Não sei o que vou fazer ou dizer quando chegar lá.
- O nervosismo é essencial. - Papai me deu um beijo no rosto, abrindo a porta para mim. - Só não se deixe levar por ele.
Sorri para ele, me afastando lentamente, caminhando quintal á dentro. Estava insegura. Talvez uma noite com Supernatural fosse mais segura do que dividir uma casa com dois . Talvez não, eu tinha certeza que Sam e Dean Winchester me deixariam menos nervosa.
O caminho nunca me pareceu tão longo. Já havia ido até a casa de algumas vezes, mas as poucas que fui, nunca tinha conhecido . Segundo , ele trabalhava demais e raramente tinha tempo para ficar em casa e descansar.
A culpa que me invadia aos poucos, só fazia com que as coisas parecessem piores do que já eram. Eu era uma vadia, daquele tipo mais horrendo que você pode imaginar. Eu havia sido uma vadia ao beijar , não uma, mas várias vezes e agora eu estava sendo uma pessoa da pior espécie novamente, porque eu não estava indo até a casa de por sua causa, não era ele quem eu queria ver.
Tudo bem que não estavámos mais namorando, mas quem tinha inventado o jantar e ele era o único com quem eu podia manter um relacionamento normal e saudável, não com .
Caminhei por mais ou menos vinte minutos até chegar na varanda dos . Uma parte de mim queria que eles morassem mais longe, a outra parte, gostaria de ter ficado em casa, o único lugar seguro, para mim, na face da Terra.
Céus, também aonde eu estava com a cabeça de beijar um cara desconhecido? Eu havia prometido á mim mesma que nunca mais faria isso, porque das poucas vezes que fiz não acabou bem. Devia ter aprendido das outras vezes, porque só assim, eu não estaria naquela situação.
Fechei minha mão em punho e bati duas vezes na porta, aguardando que o rosto conhecido de , apontasse na mesma.
Mas não foi o rosto de quem apareceu na fresta da entrada, e sim o de . Eu já devia ter esperado por isso, o destino estava gostando de me sacanear mesmo.
Suspirei, alinhei minha coluna e dei o meu melhor sorriso, um pouco forçado, mas ainda assim um sorriso.
- Pensei que tínhamos marcado ás sete.
A voz de fazia com que o meu corpo se arrepiasse, fazia com que eu desejasse ouví-la o tempo todo, mas eu havia prometido á mim mesma que ignoraria o fato e o trataria como meu ex e, se tudo corresse como planejado, atual sogro.
- Achei que e eu precisaríamos conversar. - Murmurei. - Posso entrar?
Ele pareceu pensar nos prós e contras de ter de dividir a casa comigo, mas não demorou muito á acenar com a cabeça e dar espaço para que eu passasse. Caminhei em silencio sala á dentro, mantendo minhas mãos, inquietas, junto á frente do meu corpo, como uma proteção, uma prevenção para que elas não criassem vida própria e fizessem alguma bobagem. Quando parei de caminhar, me localizando no meio da sala, pude ouvir a porta bater e os passos de o trazendo para mais perto de mim.
- não está.
Puta merda, eu não contava com isso
Assenti brevemente com a cabeça, respirando fundo e tomando coragem antes de proferir as seguintes palavras. Aquelas malditas palavras que vinham rondando minha cabeça desde a noite anterior, me fazendo perder o sono e o rumo.
Eu não sabia se estava pronta para ter aquele tipo de conversa com , afinal, fazia um pouco mais de vinte e quatro horas que tínhamos nos conhecido! Mas, ainda assim, lutei contra mim mesma e contra meu desejo de sair correndo dali, e proferi aquelas três palavrinhas que estavam presas na minha garganta.
- Precisamos conversar, .


Capítulo 6


"Precisamos conversar, ", não fora minha melhor frase, longe disso, porém pareceu o bastante para , que assentiu com a cabeça, concordando totalmente com o que eu disse. Uma parte de mim, gostaria muito que ele se recusasse a ter uma conversa daquela nessa altura do campeonato, porém, por um breve momento, ele pareceu tão interessado no assunto quanto eu.
Meu coração batia acelerado, eu podia ouvi-lo. Minhas mãos ficaram automaticamente geladas e inquietas, e eu me senti, pela primeira vez em muito tempo, como uma verdadeira adolescente.
Meu relacionamento-não-relacionamento com parecia-se com um daqueles que a gente vê em filmes ou lê em algum livro, parecia um tanto quanto surreal e praticamente impossível de dar certo. Mas no final, bem, difícil saber o que acontece depois dos créditos.
- Quem teve a ideia insana de dar esse jantar? - Perguntei, me virando bruscamente, batendo minha testa no peito de , retraindo em seguida.
- . - Ele suspirou, mantendo-se no mesmo lugar, observando, atentamente, eu dar passos ansiosos para trás. Passou a mão sob o rosto, respirando fundo antes de voltar a falar. - O que queria que eu dissesse , que não achava uma boa ideia por que, - Baixou as mãos em sinal de rendição, olhando fixamente para os meus olhos. - Por que beijei sua namorada?
A primeira coisa que passou pela minha cabeça, foi grunhir o meu típico, "ex", como eu fazia ao ouvir as pessoas dizendo que e eu, ainda éramos namorados.
Mas eu havia tomado uma decisão, e iria fazer o que pudesse, para mantê-la. Me afastaria de , afinal, não seria tão difícil, eu mal o conhecia e era quem eu amava. Não era?
Ou será que meu coração estava partido demais, e o desespero de encontrar alguém para remendá-lo era tão grande assim?
- , beijar uma garota é uma coisa totalmente normal. - Engoli em seco, agora eu, realmente, estava agindo como uma adolescente. Uma adolescente imbecil. - Você não sabia quem eu era, e eu muito menos. E afinal, nos conhecemos há o que, vinte e quatro horas?!
Seria ainda mais fácil se eu soubesse esquecer as pessoas com facilidade.
Talvez seja pelo fato de eu estar tão frágil no momento em que cheguei naquele Pub, ou pelo simples fato de ser o que toda mulher queria que um homem fosse.
Doce, sexy, atencioso... Haviam tantas coisas que eu poderia associar á ele. Mas dentro todas as coisas boas, ele era terrivelmente persistente. respirou fundo, apertou seus pulsos e fechou seus olhos. Havia algo que ele queria dizer, mas não queria ou simplesmente não podia. Algo estava o incomodando profundamente, estava claro isso.
- Não pense mal de mim, . - Suspirei profundamente e me aproximei e tocando sua face. Aquela era a única maneira, que eu pude encontrar, demonstrar que me incomodava dizer aquilo e que eu me importava como ele reagiria ás minhas palavras.
- Gostaria que as coisas fossem mais fáceis, mas não são.
Mas para a minha sorte, ou não, bagunçou as coisas, fazendo seus olhos escuros assumirem aquele mesmo brilho, que eu havia visto na noite anterior.
- Quero beijá-la novamente.
Talvez eu já tivesse enlouquecido, antes mesmo de me dar conta disso. E agora, parecia ser, terrivelmente, tarde para fugir, e no fundo, eu não tinha tanta certeza que gostaria de me afastar.
Fechei meus olhos ao ouvi-lo, não conseguiria rejeitá-lo, sabia disso. Havia algo em que me puxava sempre para mais perto, algum tipo de magnetismo, algo que eu jamais conseguiria entender. Um desejo que se misturava com uma curiosidade avassaladora, incontrolável.
- Me beije. - Suspirei, soprando contra seu rosto, o encarando de perto quando ele, finalmente, abriu seus olhos. - Essa tem que ser a última vez, , não podemos repetir.
- Você já disse isso antes.
Ele riu baixo, colocando suas mão sob meu e finalmente, colando seus lábios nos meus.
É, eu já tinha dito isso anteriormente e tinha dito várias vezes para mim mesma antes de adormecer, que já tinha perdido á conta. Mas o universo não parecia querer colaborar comigo. Alguma coisa muito forte me empurrava sempre na direção de , e não havia nada que eu pudesse fazer, sempre acabávamos perigosamente próximos.
Era mágico, essa é a única palavra que consegui formular quando os lábios de encontraram os meus. Doce, macio, calmo e ao mesmo tempo, apaixonado, furioso, faminto.
Meu coração batia acelerado e minhas mãos suavam, como se fosse a primeira vez que eu beijava alguém. Era como se tudo aquilo jamais houvesse sido sentido e experimentado, totalmente novo e completamente incrível.
Minhas mãos tatearam por de trás das minhas costas, procurando se apoiarem no balcão. Estavam se preparando para serem usadas de apoio para que o resto de meu corpo se posicionasse ali em cima. Foi quando um som cortante fez meus dedos escorregarem e gelarem.
- Pai, tô tentando ligar para a faz...
A voz de estourou pela casa e quebrou todo o magnetismo que me prendia nos braços de seu pai. E em um piscar de olhos, a distância entre nós era, surpreendentemente, segura
Ergui meus olhos e os fixei nos de , me sentando na cadeira mais distante dele.
Ele não me encarou de volta, apenas virou-se de costas, encostando suas mãos na bancada, apertando a borda gélida com força.
- Oi! - A voz de soou agradável, como se ele não desconfiasse de nada, por isso eu pude, finalmente, relaxar e respirar normalmente. - Não sabia que você chegaria tão cedo.
- Houveram alguns contratempos. - Sorri, e não pude obrigar meus olhos a não se direcionarem a . - Se tiver algum problema, posso voltar mais tarde.
Ah sim, eu queria muito dar o fora dali.
Mantive meu sorriso e procurei ignorar o fato de que ainda apertava o balcão com força.
- Não! - se apressou a responder, sorrindo sem graça em seguida. - Eu só vou tomar um banho. Tenho certeza que meu pai vai te fazer sentir em casa. - Arregalei meus olhos e percebi de relance as costas de se enrijecerem. - A macarronada dele faz todo mundo se sentir confortável.
Ele riu, brincalhão e caminhou até as escadas, as subindo depressa.
Fechei meus olhos, tentando controlar as batidas de meu coração, que pareciam querer me informar de que ele estava prestes a pular do meu peito. Puta merda, eu estava, terrivelmente e completamente, ferrada!


Capítulo 7


- Vou embora. - Chiei, começando a sentir toda a tensão do momento cair sobre minhas costas.
se virou, suas pupilas estavam dilatadas e seus lábios contraídos, ele parecia tão nervoso quanto eu, quando caminhou em passos cuidadosos e apressados até mim, parando em minha frente, levantando seus olhos antes de me olhar, se certificando que tinha subido.
Suas mãos geladas tocaram meu rosto, e eu não pude negar a passividade que aquele toque me proporcionava.
- Não posso ficar aqui, sinto muito , não consigo!
Ele riu baixo, seus dentes brancos, emoldurados por aqueles lábios rosados e carnudos, poderiam ser chamados de paraíso. Eram capaz de levar todo o peso de meu corpo embora, mesmo que por um curto período de tempo. Suspirei, não podíamos negar como as coisas aconteciam de formas estranhas. Ás vezes, parecia que todo o universo queria nos desmascarar e outras em que tudo parecia pateticamente correto.
- Não ria de mim! - Murmurei, baixando meus olhos. - , se em apenas um dia disso, - Apontei para ele e depois para mim. - Quase fomos pegos, como vai ser daqui para frente?
- Você quer ter um "daqui para frente comigo", ? - Seu sorriso se alargou e eu não pude conter a necessidade de sorrir de volta que senti. Rodei meus olhos e depois o encarei, esperando que falasse algo a mais, algo que me impedisse de me afastar e esquecer. - Não quero que saia por aquela porta, não quero que atravesse para o outro lado da rua quando me ver. - Seus lábios tocaram minha testa e depois encostaram na ponta do meu nariz. - É doentio, eu sei. - E então seu rosto se afastou, o bastante para manter um contato visual inquebrável comigo. - Nos conhecemos há pouco tempo, eu não sei quase nada sobre você, apenas que o certo seria deixar que e você se acertassem, abrir caminho. Mas eu não posso, não consigo. - Seus dedos desenharam sob a pele da minha bochecha e seguiram para meus lábios entreabertos, como se memorizassem cada parte deles. - Sinto-me como um adolescente, que acaba de conhecer uma garota e não consegue tirá-la de seus pensamentos, não consegue se esquecer dela e muito menos deixá-la partir. Eu não vou deixá-la ir.
Era aquilo que eu temia ouvir. Se não escolhesse facilitar para mim, para nós, eu não seria capaz de me libertar do desejo que sentia. Era algo crescente, que a cada milésimo de segundo se tornava mais forte e maior.
Eu amava , apesar de tudo o que aconteceu e tudo o que está acontecendo, mas não é nele que eu penso quando fecho meus olhos, nem que seja para piscar.
- Você é egoísta, . - Suspirei, toquei suas mãos que ainda descansavam sob o meu rosto. - Terrivelmente egoísta, o que faz de mim a garota mais estúpida de todo o universo.- Sorri fraco, aproximando meu rosto do dele, vagarosamente. - Você é o melhor presente de aniversário que eu podia querer. - Toquei seus lábios com os meus, umedecendo-os com a minha língua, brevemente. - Gostaria de subir essas escadas agora e contar para toda a verdade e ao mesmo tempo, sei que o certo, é esquecer isso tudo e ficar com alguém com quem posso caminhar de mãos dadas na rua.
- Podemos fazer isso. - soprou contra meu rosto, sem se afastar. - Podemos ser vistos juntos.
- Não sem magoar aqueles que amamos. - Falei, soltando minhas mãos das suas, dando alguns passos para trás. - Não quero ir, mas não posso ficar.
Estávamos de volta naquele empasse e mais uma vez não sabíamos como proceder. Eu não sabia como proceder.
havia declarado sua quase obsessão por mim, exatamente, como se eu fosse aquele brinquedo favorito que ele nunca teria.
Entretanto, me dizendo com quase todas as letras que me assumiria, que queria ter algo comigo, que iria contra todos para isso. Mas a pergunta era: eu seria capaz do mesmo?
tinha trinta anos, uma vida feita, uma família, um casamento, que mesmo terminando mal, foi um casamento, um emprego fixo, tudo em sua vida parecia correto demais, bom demais. E o que eu tinha? Várias cartas mandadas para faculdades que nunca me chamariam, um pai solitário e um irmão viciado em games. Como poderia funcionar?
- Você é terrivelmente complicada, . - Ele riu, inabalável, caminhando para perto de mim novamente. - Vai me deixar louco, menina.
- Você já é louco. - Descontrai, me afastando um pouco mais, sentindo minhas costas baterem na parede fria. Droga. - . - Soprei, fechando meus olhos, num pedido silencioso para que ele se afastasse. Porém, como já era de se esperar, ele entendeu errado. Pensando ser um convite, colocou suas mãos na borda da minha cintura. - Não é uma boa ideia.
- Esse vestido te deixa maravilhosa. - Suspirou, ignorando minhas palavras, roçando seu nariz da superfície da minha bochecha esquerda, até meu pescoço. - Você deveria ser proibida de usar essas coisas.
Eu estava entregue, não havia porquê negar. Estava totalmente à mercê de seus toques, exatamente como fiquei na noite anterior, como fiquei nessa manha e como estava há poucos minutos antes de chegar. E era por ter consciência disso, que eu sabia exatamente como terminaria.
Seus dedos se tornaram ousados, como na madrugada nos fundos daquele pub velho. A ponta gélida corria pelas minhas coxas nuas, desenhando, raspando, marcando, cada pequena parte.
Havia algo naquele homem, como se ele tivesse sido feito restritamente para mim. Cada parte sua, se encaixava perfeitamente, em cada parte minha.
- está aqui. - Comentei cautelosa. - ...
Seus lábios deixaram meu pescoço brevemente para que seus olhos se mirassem nos meus. Foi questão de segundos, para que um sorriso sacana surgisse e fosse apagado, por cada centímetro que ele descia para perto do meu colo. Ele estava tão cansado daquele joguinho de amassos quanto eu. A maior prova daquilo era sua impaciência em ultrapassar o tecido do vestido, tanto de minhas pernas quanto dos meus seios.
Estávamos visivelmente perdidos e totalmente insanos. Por que se existia algo na minha mente, que me impedia de puxar seu rosto para cima e juntar nossos lábios, havia sumido.
Na súbita coragem, desconhecida por mim, puxei os cabelos negros de e o beijei, saciando toda aquela fome incontrolável que crescia no meu ventre e que me fazia querer explodir.
Pude senti-lo sorrindo entre o beijo feroz que eu lhe dava, provavelmente se divertindo com a minha perda de controle e se agradando ao notar que eu estava totalmente entregue ás suas tentativas de me enlouquecer.
Suas mãos provaram cada ideia que passava na minha cabeça, se saciavam e se deliciavam apertando cada parte nua das minhas pernas, as erguendo e me impulsionando para cima contra a parede, quando teve a chance.
Passei minhas mãos sobre seu peitoral, subindo em direção aos ombros, agarrando a camisa verde escura com ás mãos, desejando arrebentar todos aqueles botões e depois acabar com toda e qualquer distância, que nos impedia de sentir o calor das nossas peles juntas.
- Não podemos continuar isso aqui. - Falou, procurando ar enquanto eu seguia para seu pescoço, o fazendo rir. - Estou falando sério, .
- O que?
riu, escondendo seu rosto entre meus cabelos, tentando abafar sua risada.
- . - Murmurou, puxando meu rosto para cima, buscando meus olhos. - saiu do banho.
Arregalei meus olhos e desci do colo de , ajeitando meu vestido no corpo. Fomos salvos por sua audição impressionante. Tão impressionante que funcionava perfeitamente bem no meio de amassos, repletos de suspiros e estalos.
- Eu tinha ouvido. - Sorri abertamente, voltando para a mesa.

Capítulo 8


- Desculpem a demora.
Já havia se passado, no mínimo, uns dez minutos, desde que alertou que desligou o chuveiro, o que significava que ele poderia descer a qualquer instante e nós pegar fazendo algo, que não deveríamos estar fazendo. Felizmente, ele apenas desceu sorrindo, se desculpando ao acenar com a cabeça. raspou a garganta, se afastando ainda mais do lugar aonde eu estava.
- Acho que eu quem preciso de um banho. - Falou, distraindo-se ao me encarar. Arregalei meus olhos. - Pois bem, distraiam-se.
Engoli em seco e olhei para , que o olhava ansioso, sorrindo. Suspirei, observando subir as escadas devagar, como se esperasse ouvir algo ou como se, simplesmente, quisesse que eu admirasse em câmera lenta a perfeição que estava sendo coberta por aquela calça preta justa.
Suspirei novamente. Puta que pariu, eu iria pirar de vez. estava sendo terrivelmente maravilhoso, e sim, aquilo era ruim.
Existia algum transtorno mental que eu podia dizer que tinha, só para não parecer tão esquisito querer transar com seu sogro, até que as luzes dos postes serem substituídas pela do sol?
- Fiquei feliz por você ter vindo.
Droga, pobre . Nesse momento, tudo parecia ainda mais injusto do que já era.
Sorri fraco, sentando-me na cadeira, ficando de frente para , que permanecia em pé, me olhando, sorrindo bobo, quase como se estivesse me analisando por completo.
- Pois é, fiquei feliz por ter vindo. - E como né, ? Feliz até demais, convenhamos, devido o acontecimento anterior à volta de . - Você disse que queria conversar comigo.
Ele suspirou, puxando uma cadeira, sentando-se ainda na minha frente. Parecia aquela típica cena de filmes, quando o casal principal vai ter uma conversa séria sobre o relacionamento deles. Sinceramente, eu esperava que não fosse tão séria como parecia. Por que sejamos claros, o último lugar em que minha cabeça estava, era naquela cozinha.
- Obrigada por tocar no assunto, eu não sabia como começar. - Naquele instante parecia, incrivelmente, puro, escondendo totalmente sua verdadeira identidade. Aquela, que eu me lembrava muito bem, que partira meu coração. - Não é um assunto para termos na mesa de jantar. Ainda mais com presente. Acenei com a cabeça em concordância e então o olhei, confusa.
- Ele é seu pai e ainda não sabe?
deu de ombros, não dando muita atenção à minha pergunta. E ali estava o que me traíra, o que eu não conhecia e odiei saber que existia.
- e eu não somos muito próximos, desde o falecimento da minha mãe.
- Compreendo. - Sorri amigável, tentando impedir que todas as coisas que passavam pela minha cabeça, saíssem pela minha boca. - , quero pedir que não se desculpe. - Comecei, ajeitando-me na cadeira. - Acho que essa conversa nem precisava existir, não irá mudar nada, por enquanto.
concordou em silêncio e então levantou seu rosto e franziu o cenho.
- Você está com outro?
Eu juro, pude sentir minhas bochechas queimarem! Se fosse esperto saberia que, não importava a mentira que eu contasse, a ardência avermelhada da minha pele, me denunciaria. Elas não estavam queimando pela pergunta de , mas sim, pela imagem que tomou conta dos meus pensamentos e cegou meus olhos por alguns instantes.
A imagem de , nu, no chuveiro dominou todas as coisas que eu podia pensar, naquele instante, e as esmagou. Eu podia visualizar tudo. A água morna caindo em sua pele, avermelhando a região, suas mãos passando em seu corpo, retirando os vestígios de sabão. À água de seu cabelo escuro, escorrendo por sua testa e nuca, caindo em pequenas gotículas, rápidas, demarcando a região.
E então, não pude fugir da imagem seguinte. Como em um passe de mágica, minha mente teletransportou meu corpo para o piso superior, e finalmente para o banheiro.
E em um piscar de olhos, as mãos de não passeavam pelo seu corpo e sim pelo meu. Suas mãos ásperas e grandes, deslizavam pelo meu pescoço, desciam pelos meus seios e modelavam minha cintura. Eu era capaz de sentir o calor que emanava de seu peito, nas minhas costas, tornando tudo, torturavelmente, real.
- ?
- Oi? - Despertei de meus pensamentos, nem um pouco impróprios, e voltei a encarar . - Sinto muito, , o que você disse?
- Desculpem a demora! - desceu animado, entrando na cozinha depressa, logo afagando a cabeça de . Qual era o problema? Eles tinham que falar a mesma frase mesmo ou foi combinado? - Espero que tenham se acertado. - suspirou, levantando-se da cadeira e colocando-a de volta em seu lugar. Sussurrou algo e caminhou em direção às escadas, sumindo rapidamente. - Falei algo errado?
Neguei com a cabeça.
- Acho que foi uma má ideia eu ter vindo. - Suspirei, escondendo meu rosto nas mãos, apoiando meus cotovelos em meus joelhos. - Não é justo com ele.
- Podemos ir para outro lugar, se quiser. - se abaixou, ficando na minha altura, tocando seus dedos gélidos nas minhas mãos, tirando meu rosto do meio delas. - A culpa não é sua, .
- Te beijar à vinte minutos atrás, foi culpa minha. - Soprei contra seu rosto, baixando minha voz. - E sabe o que fode tudo? Eu queria estar fazendo a mesma coisa, nesse exato momento. - Toquei seu rosto, desenhando sob sua pele com meus dedos, demarcando. - Como isso é justo com ele?
afagou minha mão que repousava em seu rosto, e a apertou.
- Você o ama, ?
Meus olhos arderam. Ontem de manhã eu tinha certeza que o amava, hoje, eu já não acreditava muito nisso. Como eu podia amar alguém e desejar outro?
Neguei com a cabeça.
- Não sei o que sinto. - Desviei meu olhar do dele. - Ontem, eu tinha certeza de que perdoaria e voltaria à amá-lo. Hoje, eu só consigo pensar... - Suspirei, voltando à olha-lo. - Droga, .
Aproximei nossos rostos e então encostei meus lábios nos dele, brevemente, me afastando em seguida.
Aparentemente, alguém lá em cima estava de bem comigo, fazendo com que eu me afastasse, em uma distância segura, de , no momento exato em que voltou à cozinha.
- Comprei um presente para você. - A voz de despertou e o fez se levantar. - Aconteceu alguma coisa? - Olhou de para mim. - Por que está chorando, ?
- Ela não está chorando, caiu algo em seu olho, eu estava retirando.
- Claro, . - rodou seus olhos. - Você é ótimo em tirar as coisas.
- Está insinuando algo, ?
Ok, aquilo estava ficando estranho demais, á ponto de me sufocar. Eu precisava de ar, precisava sair dali.
- Vou ao banheiro.
Banheiro era sempre uma ótima desculpa, né? Por que olhem, funcionou! Eles pararam de se fuzilar e voltaram seus olhos para mim. Ótimo, ser o centro das atenções não era minha intenção.
foi o primeiro a deixar de me olhar, caminhando até a pia, encostando-se nela, direcionando seu fuzilamento somente à .
- Subindo ás escadas, à esquerda. - O mais velho coordenou. - Mas você já deve saber disso.
E então, olhou para , profundamente irritado. Tudo bem, eles aparentemente tinham uma briguinha familiar, mas precisava me colocar, ainda mais, no meio com aquela frase? Infelizmente ou felizmente, a culpa daquela situação era minha, e no final das contas eu levaria sozinha.
Eles eram uma família e não importava o que estava entre eles, um sempre preferiria o outro.
Rodei meus olhos, bufando, marchando para fora da cozinha, seguindo para a sala e dando o fora dali, batendo a porta nas minhas costas. De drama familiar já bastava o meu, que já durava longos anos, com o desentendimento de meu irmão e meu pai. E agora, veja como as coisas são irônicas, eu estava no meio de uma briga de pai e filho, mais uma vez.


Capítulo 9


Minha cabeça fervilhava, eu podia jurar que iria entrar em combustão á qualquer instante. Sem contar ás centenas de pensamentos que a enchiam e atolavam-na, ainda mais.
Se eu sabia que meu ato foi totalmente infantil? Sim, eu tinha plena e total consciência disso.
Mas quando, os dois motivos de eu ter ido até aquela casa, começaram a ter uma briguinha e envolveram meu nome, eu sabia que era hora de dar o fora.
Para ser sincera, acho que nem e nem sabiam do que o outro estava falando, mas de alguma forma, associaram suas dúvidas á minha pessoa.
E agora, as nove da noite, todos meus planos tinham ido por água à baixo. Tipo, aqueles prédios que mesmo marcados para serem demolidos, desmoronam antes da data prevista.
Eu estava tão fodida psicologicamente, que até um prédio em processo de demolição podia ser comparado comigo.
Puxei a fumaça do meu cigarro e a segurei firme antes de soltar lentamente, fechando meus olhos.
Como eu pude ser tão imbecil de me envolver com ? O ponto chave não era nem ele ser pai de , quer dizer, essa era a parte que fodeu ás coisas. Mas a culpa era minha de qualquer forma. Uma adolescente de dezoito anos não devia se envolver com um cara de trinta e cinco, por mais bonito e gostoso que ele seja.
Suspirei, apertei o cigarro entre meus lábios mais uma vez e traguei. Eu estava tentando relaxar, juro! Mas parece que e seu Jipe preto, não estavam afim de cooperar e sim de me matar.
A buzina alta do carro, fez com que a fumaça descesse pelo lado errado, me fazendo engasgar alguns segundos, antes de parar de caminhar e olhar para trás.
E lá estava ele, totalmente formal em uma calça social preta e uma camisa de botões da mesma cor. podia ser mais novo que meu pai, mas quando se tratava de jantarem importantes, ambos se vestiam da mesma maneira. Quer dizer, quase da mesma maneira, meu pai não era tão gostoso.
- O que você quer?! - Gritei, tampando os olhos com as mãos por causa do farol forte, que estava ligado bem na minha cara. Bufei. - Vá embora, !
Mas como já era de se esperar, ignorou meu pedido e se lançou para frente, me puxando para seu peito, apertando seus braços ao meu redor. Seus lábios tocaram a parte superior da minha cabeça, em um beijo terno e morno.
- Nunca mais saia desse jeito. - Sussurrou, afastando nossos corpos, levantando meu rosto pelo queixo, para olhar em meus olhos. - Céus, como temi ser á te encontrar.
Soquei seu peito em punhos e me afastei dele, revirando meus olhos.
- Como você mesmo disse, eu sou a vadia dele, quem devia me encontrar.
me encarou confuso, apertando seus lábios um no outro.
- Do que você está falando, ?
Neguei com a cabeça, me afastando ainda mais, preparando-me para virar de costas, quando a mão quente de , segurou meu pulso.
- Sinto muito por tudo o que eu disse e pelo que você ouviu. - Murmurou. Mesmo sem me virar para ele, eu podia sentir o calor emanando de seu corpo e se transportando para o meu, partindo e levando embora, qualquer vestígio de frio que eu pudesse ter. - Meu problema com , não tem nada haver com você. Eu não devia ter dito o que disse.
- Mas o fez. - Suspirei, virando brevemente meu rosto para vê-lo e depois o voltando para frente, á fim de dar o fora logo dali. - Preciso ir, .
- Não. - Sussurrou mais para si do que para mim, me fazendo encara-lo, confusa. - Deixe-me leva-la há um lugar antes.
- Não acho que seja uma boa ideia. - Engoli em seco. - Pretendo dar uma chance á .
O quê? Eu pretendia? Uma mulher desesperada, diz coisas desesperadas, não é mesmo?
- Do que está falando? - me encarou confuso, suas sobrancelhas se juntaram e seus olhos se apertaram. Suspirei. - ?
- De voltar a ter minha vida como ela era, antes de entrar naquele maldito estacionamento, daquele maldito pub e conhecer você.
- Tudo bem. - soltou meu pulso, caminhando de fastos para longe de mim. - Tenha uma boa vida, .
Aquela era a última reação que eu podia imaginar que ele teria. Mas também, qual era meu problema, eu realmente pensei que discutiria isso comigo e me convenceria á ficar com ele? A gente mal se conhecia, por Deus!
- Essa é sua frase final? - Ergui minha voz. - Vai abrir mão de mim?
Pude ver o sorriso, coberto de segundas intenções, de , graças a luz do farol. Mas antes eu não tivesse parado para reparar. Aquele sorriso, puta que pariu, me fazia delirar só de vê-lo.
- Não abri mão de você. - Ele ergueu os braços, em sinal de rendição, e então se virou, erguendo ainda mais sua voz. - Você sabe onde me encontrar, no minuto seguinte em que perceber o quão imbecil é a sua nova decisão.
- E onde seria isso?
Ouvi minha voz se tornar alta e proferir aquelas palavras, antes mesmo que eu pudesse impedir. E naquela rua totalmente deserta, eu sabia que o que quer que eu fizesse a seguir, seria a maior merda da minha vida, mas me faria sentir a pessoa mais feliz do universo. Puta merda, tanto lugar pra você se meter, , tantas pessoas no mundo.
Suspirei baixo, observando abrir a porta do carro lentamente e antes de entrar, se virou para mim, baixando sua voz, como se esperasse que eu estivesse excitada demais para ouvir qualquer coisa que ele dissesse. E bom, ele estava certo, por que eu ouvi claramente e completamente.
- No meu carro, .
Ah droga, era isso que eu temia, e era também o que eu sabia que ele diria. Estava óbvio o que viria á seguir, sabia que eu não o rejeitaria, que não daria as costas e iria embora. Aquela era eu, no final das contas. A garota totalmente fascinada por um homem mais velho, o pai do meu ex namorado, e o cara que me fazia perder, totalmente, a linha só de me olhar ou sorrir.
E foi tendo consciência disso, que eu caminhei até o carro, esquecendo todo meu orgulho e meus planos para trás, mantendo minha cabeça erguida e meus passos apertados.
Eu sabia como a noite terminaria, sabia que aquela pequena escolha que eu tinha acabado de fazer, traria problemas com coisas e pessoas que eu não sabia como lidar.
O fato de querer transar com um cara depois de conhece-lo, fazia de mim uma vadia. Mas algo dentro de mim me lembrava que não era como esses outros caras, com quem eu podia transar. Ele não me deixaria sozinha na cama na manhã seguinte, ele não sairia e diria para todos que pudesse, que tinha passado á noite comigo.
Talvez fosse pelo simples fato, de não ser um homem comum. Ele era triste, no fundo, como se algo o tivesse quebrado, assim como algo se quebrou dentro de mim. Sentíamos ás mesmas coisas e com a mesma intensidade.
E naquele momento, eu pude jurar que meu desejo era maior que o dele.
Abri a porta do carona e me joguei lá dentro, e sem nem mesmo me dar ao trabalho de falar algo. Joguei a bolsa no banco de trás, e tombei meu corpo para o lado, colando meus lábios nos dele.
Foi diferente dessa vez, talvez pelo fato de não ter ninguém por perto, ninguém para olhar ou interromper.
Passei minha mão sob seu peito, e desabotoei os botões o mais depressa que eu pude, puxando a camisa escura pelos seus braços, quando terminei.
Aquela era a primeira vez que eu tinha visto , com o torso nu, e foi muito melhor do que qualquer pensamento erótico que eu pudesse ter tido.
Procurei seus olhos brevemente, sorrindo ao vê-lo sorrir, tomando uma coragem distinta, quando suas mãos procuraram minhas coxas e pediram impulso, para que eu o ajudasse a me colocar sobre ele.
Minhas costas chocaram-se contra a buzina, brevemente, nos fazendo rir e obrigando a afrouxar o banco para trás, nos dando um pouco mais de espaço.
Voltei a beijá-lo, agora mais ferozmente , sentindo suas mãos dançarem sobre cada parte paupável do meu corpo. Passando do meu pescoço, seios, barriga e pernas, erguendo meu vestido rapidamente, quando alcançou sua barra, o puxando para cima, com uma destreza, que me faria imaginar os mil e um motivos, mas em outra hora.
- Gosto de azul. - suspirou, deixando minha boca, correndo seus lábios pelo meu pescoço, enquanto segurava um de meus seios. - Te deixa mais madura, do que já é.
Era incrível a forma como ele conseguia falar as coisas certas, quando eu precisava ouvi-las.
E naquele momento, eu realmente precisava que ele dissesse que eu era madura, já que no momento que meu vestido se foi, eu me arrependi de não ter colocado, sei lá, o vermelho.
Sua mão livre, tateou pelas minhas costas agilmente, desabotoando o feixe com cuidado, deixando a passagem livre para os meus seios.
havia sido meu primeiro namorado e minha primeira transa. Foi especial, foi mágico, mas não havia chegado nem aos pés da excitação que eu estava sentindo nesse exato momento.
Grunhi baixo e apertei os cabelos de com força, quando senti seus lábios sob a pele de um de meus seios, enquanto o outro era apertado por sua mão firme.
- Mas prefiro sua cor natural.
Sua língua massageou meu mamilo por alguns segundos, me obrigando a jogar minha cabeça para trás, aproveitando o momento o máximo que eu podia. Meus olhos se apertavam cada vez mais, e relaxaram por um breve instante, quando a mão de deixou meu seio. Foram por alguns milésimos apenas, já que aparentemente, ela tinha encontrado outro lugar para visitar.
Sabe o arrependimento de não ter colocado o sutiã vermelho? Multiplica ele por dez, foi o que eu senti quando ás mãos de se sobrepuseram em minha feminilidade, passando seus dedos ásperos, pela renda que cobria o tecido.
Controlei meus impulsos e minhas falas, optando apenas por segurar sua cabeça o mais perto possível de meu seio, enquanto massageava seu couro cabeludo. deixou meu seio no instante em que um de seus dedos, ultrapassaram a barreira protetora da minha calcinha. Suas pupilas estavam dilatadas, quando ele procurou meu rosto, e focou seus olhos nos meus.
Suspirei, encostando minha testa em seu ombro, enquanto sentia seus dedos descobrirem cada parte íntima minha. Seus lábios tocaram o topo da minha cabeça, em um carinho silencioso, mas não o suficiente para acalmar meus hormônios, que estavam explodindo dentro de mim. - Não vamos fazer isso aqui, . - soprou, retirando seus dedos de dentro da minha calcinha, levantando meu rosto com a outra mão. - Você merece mais do que uma transa violenta, dentro de uma carro. - Ele riu, provavelmente da minha cara de decepção, tocando seus lábios nos meus. - Podemos ter uma transa dessas em outro lugar, se você quiser.
Se eu queria? Provavelmente, mais do que qualquer coisa.
Sorri para , acenando com a cabeça positivamente, antes de sair do seu colo, voltando para o banco do carona, e colocando meu vestido, sem nem me dar ao trabalho de colocar a peça de baixo. Coloquei minhas pernas sob o banco, encostando minha nuca na janela, procurando ter o máximo de contato visual que eu poderia ter com , naquela noite.
Ele ligou o carro e acelerou, seus olhos se perdiam nos meus, algumas vezes, enquanto uma de suas mãos optava por fazer um carinho terno em meu joelho. Sorri com a cena, sentindo meu rosto arder. Era completamente estranha, a forma como conseguia tornar as coisas mínimas, incrivelmente especiais.

Capítulo 10 - Parte 1


Eu não sabia dizer quais sensações dominavam meu corpo com mais rapidez. Parecia que cada mínimo suspiro que dava, repercutia em meu corpo, chocando-se contra minha pele, me arrepiando.
Fora todas essas coisas que me impediam de pensar direito, ainda tinha o fato de meu cérebro gritar para mim, em cada troca de segundos, o quanto, o que eu estava prestes a fazer, era errado e todas as consequências que aquilo me traria se eu realmente o fizesse.
Suspirei, sentindo a mão de acariciar meu joelho, mais uma vez, antes de deixa-lo, assumindo o volante com ambas as mãos.
- Dois dólares pelos seus pensamentos.
Soltei uma risada abafada e fiz uma cara de séria, assistindo dividir sua atenção entre mim e a rua.
- Você é muito pão duro, mesmo! - Neguei com a cabeça, fazendo minha melhor pose de inconformada. - Dois dólares?!
- Dobro a oferta se seus pensamentos tiverem algo haver comigo. - riu alto, subindo sua mão para o meio de minha testa, aonde uma pequena ruga se formava. Seu rosto se enrijeceu e sua voz ficou séria, ele havia notado que algo estava me incomodando. Eu odiava ser tão transparente para ele. - Isso aqui não significa boa coisa, não é?
- Significa - Tomei sua mão, a entrelaçando na minha. - Que eu estou incrivelmente feliz, e um pouquinho preocupada.
- Você é bipolar. - riu, parando quando o sinal ficou vermelho. - Sei porque está preocupada, mas ficaria grato se não colocasse entre a gente, nesse momento.
Suspirei.
estava certo, depois de tanto me ferrar com , eu merecia uma noite de paz de espírito. Eu queria e precisava de uma noite de sossego, mesmo que na manhã seguinte tudo desmoronasse.
- Você está certo. - Arrastei a voz, desafivelando o cinto, aproximando meu corpo do dele. Assoprei contra seu rosto, chegando meus lábios tentadoramente perto de seu ouvido. - Espero que nada fique entre nós, essa noite.
- . - Chiou, xingando baixo. - Achei que tinhamos concordado de não fazer isso aqui.
- Você falou. - Discordei me afastando, voltando minhas costas para o banco. - Eu não concordei com nada.
Estiquei minhas pernas colocando-as sobre o painel, no exato momento em que o sinal abriu. Meu vestido se ergueu um pouco, deixando boa parte de minha coxa e bunda amostra.
- Ótimo, continue assim e vou esquecer do que falei.
Ri alto, tombando minha cabeça para trás, esticando ainda mais minhas pernas. Eu podia sentir os olhos de em mim, analisando cada pedaço, focando-se em cada parte, como se quisessem guardar cada centímetro de mim em sua memória.
Olhei para ele brevemente, vendo-o focalizar seus olhos na estrada. Havíamos saído da cidade e eu nem mesmo tinha notado. Às vezes eu tinha a impressão de que quando estava com , meu corpo e me mente eram sugados para uma realidade alternativa, aonde nada ao nosso redor tinha importância. E foi exatamente isso que aconteceu, mais uma vez. Nós havíamos deixado Rockford e eu nem tinha me dado conta disso, até notar que as luzes dos postes haviam sido substituídas pelo breu da estrada.
- Para onde estamos indo? - Indaguei, voltando meus olhos para a janela, tentando enxergar algo lá fora. - Se queria me sequestrar, era só ter pedido.
riu, fazendo uma curva, entrando em uma estradinha ainda mais deserta.
- Vou pensar seriamente na sua proposta.
- É uma boa proposta. - Ri, ajeitando-me no banco. - Mas eu gostaria de ser feita prisioneira na sua casa e não no meio do nada.
- Você vai gostar. - abriu seu melhor sorriso e parou o carro. - É um lugar especial.
E realmente parecia ser, visto o brilho de seus olhos ao mirar em frente. Sob a luz da lua, eu não pude ver claramente, mas consegui chegar à conclusão de que era uma casa de dois andares, que parecia estar fechada há algum tempo, mas ainda assim sem perder o toque de magia que a rodeava.
- É sua? - assentiu com a cabeça, me olhando com curiosidade. - É linda!
- É um presente que meus pais me deram. - Suspirou. - Ana, a empregada da família, vem limpa-la algumas vezes no mês.
- sabe desse lugar?
- Se ele soubesse, a casa estaria aos pedaços. - riu, desafivelando seu cinto, abrindo a porta. - É nosso segredo.
Acompanhei seu movimento e sorri para ele, me colocando á seu lado.
passou seus braços ao redor da minha cintura, me posicionando na sua frente, descansando seu queixo sobre a minha cabeça, enquanto apertava meu corpo contra o seu.
Parecia mágico a forma com a qual nos relacionávamos, como se nossas almas fossem antigas parceiras em um crime perfeito.
O relógio em meu pulso se arrastava, lentamente, em direção à meia noite, chegando bem perto de dar um fim ao meu aniversário. Havia sido uma noite especial, e eu contava que a madrugada também seguisse a mesma linha de alegria. havia sido meu melhor presente e por um breve instante, ao sentir seus beijos no topo da minha cabeça, eu cogitei a ideia de como seria bom amá-lo.
- Está fazendo aquilo de novo.
riu baixo, mexendo seu peito contra as minhas costas ao fazê-lo. Meus lábios se abriram em um breve e singelo sorriso, que não pode ser visto por ele.
- O quê? - Perguntei, virando meu corpo, ficando de frente para ele. - Ficar em silêncio?
- Ficar pensativa. - Corrigiu-me, refletindo seu sorriso no meu. - Me deixando preocupado.
Encostei meu queixo em seu peito, escondendo meu rosto em sua jaqueta, respirando profundamente na tentativa de guardar seu cheiro em minha memória.
- Não existem motivos para você se preocupar. - Murmurei, fechando meus olhos ao sentir os braços de me rodearem. - Só estava pensando em como à noite está seguindo um rumo diferente do que eu pensei.
- Não imaginava terminar sua noite comigo? - riu baixo e suspirou quando seu celular tocou no bolso de sua calça. - Um momento. - Me afastei alguns centímetros de seu corpo, dando-lhe acesso ao telefone e privacidade para atende-lo. - O que foi, Dan? - Ouvi esbravejar no fundo, no exato momento em que piscou para mim. - Ela deve ter voltado para casa. Não, não, acho melhor você procura-la amanhã. - Balancei a cabeça de um lado para o outro, repreendendo , que tentava conter o riso. - Não volto hoje. Até amanhã, Dan.
- Você é uma péssima influência pro seu filho. - Dei um tapa em seu braço. - Vamos entrar, está congelando aqui fora.
acenou com a cabeça, rindo, enquanto colocava o celular no bolso.
Sua mão grande, se agarrou a minha enquanto ele me puxava para dentro.
- Você não deveria ligar para o seu pai?
Dei de ombros, observando-o pegar seu molho de chaves no bolso e destrancar a porta, rapidamente, para em seguida adentrarmos por ela.
- Ele deve achar que fiz as pazes com e que vou passar a noite por lá.
- pode ir atrás de você, na sua casa.
Sua mão se soltou da minha, me dando livre acesso para observar cada detalhe da grande sala.
Pinturas, sem significado algum para mim, estavam espalhadas pela sala. Um grande sofá de couro estava posto no centro, de frente á uma televisão embutida na parede.
não havia mencionado que sua família tinha dotes o suficiente para ter como pertence uma casa daquela. Eu não deveria esperar que mencionasse isso, devido a grande quantidade de segredos que ele guardava de mim.
- Aí ele vai me ligar. - Sorri, me virando para , que permanecia no mesmo lugar, encostado na parede. - não mencionou que vocês era tão "bem de vida".
- Nós não somos. - Ele deu de ombros, caminhando até mim. - Meus pais são. - Seu corpo se aproximou, perigosamente, do meu e sua mão tocou meu rosto. - Mas não vamos falar disso, é seu aniversário.
- Você não quer conversar? - Pisquei meus olhos, rindo, vendo sua boca se aproximar da minha.
- Nossos corpos podem conversar. - explicou, passando seus lábios suavemente sobre os meus. - Nossas bocas vão fazer outra coisa.
Sorri, encostando meus lábios nos dele, sentindo aquele arrepio, já conhecido por mim, subir pela minha coluna, arrepiando todos os pêlos do meu corpo. Passei meus braços por de trás da sua nuca, o puxando para mais perto, encostando o máximo possível nossos corpos.
Ele deslizou sua mão pelo meu rosto, meu pescoço e me apertou contra si. Abri meus lábios e gentilmente, sua língua foi ao encontro da minha. Enrolei meus dedos em seus cabelos, puxando-os carinhosamente, sentindo sua textura, procurando me lembrar dela quando tudo aquilo acabasse.
Abrimos nossos olhos assim que partimos o beijo por alguns segundos, refletindo nossos sorrisos um no outro.
se abaixou um pouco, colocando os braços em minha cintura, me levantando um pouco do chão, para que eu entrelaçasse minhas pernas em volta de sua cintura, antes que ele voltasse a me beijar, agora com mais intensidade do que antes. Uma de suas mãos foi em direção á minha nuca, puxando meus cabelos, enquanto caminhava, comigo nos braços, até o sofá.
Minhas costas encontram apoio no estofado macio, enquanto quebrava nosso beijo e seguia em direção ao meu pescoço.
Seus lábios dançavam sob minha pele, marcando cada centímetro, me arrepiando, me fazendo gemer baixo.
- Estou tentando ir com calma aqui, . - Sussurrou, aproximando sua boca do meu ouvido. - Não me faça perder o controle.
Senti suas mãos em minha cintura, seus dedos roçando por dentro do meu vestido, se arrastando em cada pedaço palpável. Senti sua outra mão em minhas coxas, apertando minha bunda, desesperadamente. Sua boca deixou meu pescoço, seguindo para minha barriga, levantando meu vestido, aonde começou a beijar, sua língua deslizando sobre minha pele trazendo consigo todos os pensamentos obscenos que eu podia ter, levando embora qualquer vestígio de sanidade. Quando chegou na beirada do sutiã, ele parou e voltou a beijar minha boca.
Soltei um grunhido de desgosto, fazendo-o rir sob meus lábios, puxando o inferior para si, voltando a me beijar ferozmente. Suspirei e gemi baixo quando senti suas mãos voltarem para minha coxa, a erguendo, colocando-a em volta de sua cintura. Seus lábios deixaram os meus por alguns segundos, tempo suficiente para que ele me olhasse nos olhos e dissesse o que eu mais queria ouvir desde que o conheci.
- Vamos terminar isso lá em cima?
Era uma pergunta retórica, mas ainda assim eu abri meus lábios em forma de um sorriso, e acenei com a cabeça positivamente, tomando a decisão que mudaria totalmente minha vida.
- Estava esperando você dizer isso.


Capítulo 10 - Parte 2


Senti minhas costas baterem no colchão macio da cama de casal de , e instantaneamente meu corpo acolheu o dele e meus olhos se fecharam.
Ele deslizou sua mão pelo meu rosto, meu pescoço e então colou seu corpo no meu. Seus lábios dançaram sobre os meus, fazendo meus olhos fechados, se apertarem na excitação da espera. Abri meus lábios e de forma gentil, cuidadosa, quase como se estivesse controlando todos seus movimentos, sua língua foi ao encontro da minha.
Aquele sentimento estranho, explodiu dentro de mim, me enchendo de um tipo de felicidade, que eu ainda não conhecia.
Repousei minhas mãos em sua cintura, deslizando os dedos sobre as entradas de seu quadril, erguendo sua blusa, lentamente.
Senti a respiração de sob meu rosto, no curto segundo em que afastamos nossas bocas, suas mãos agarraram meus pulsos e os impulsionaram para cima, repousando-os sob o travesseiro macio.
- Vamos com calma. - riu baixo, soprando contra meu ouvido. - Tente não controlar tudo.
Suspirei, brevemente, antes de sua boca se chocar contra a minha, mais uma vez.
Coloquei minhas pernas uma de cada lado do seu corpo, pressionando-o contra mim, movendo meus lábios bruscamente contra os dele, sentindo sua língua dançar em minha boca e se enroscar na minha, enquanto fazia o percurso.
Enquanto uma de suas mãos segurava as minhas sob minha cabeça, a outra caminhou pelo meu corpo até alcançar minhas coxas, e quando o fez a apertou lentamente e subiu meu vestido. Senti minha pele se arrepiar a cada movimento que a mão firme e áspera de fazia sob meu corpo, demarcando cada território, como se fosse seu.
Eu já havia passado por aquilo várias vezes com mas, de alguma forma, era diferente dessa vez. Existia um toque de excitação mistura com ternura em cada movimento de , de uma forma que eu nunca tinha visto em , e que, como se eu soubesse, não havia em nenhum outro homem.
Enrosquei meus dedos nos seus, tentando soltar minhas mãos de seu aperto firme, enrolando meus pulsos e puxando meus dedos para baixo. Vendo o esforço que eu fazia, para poder toca-lo, aliviou a pressão, possibilitando á mim, livre acesso á seu corpo.
Desci minhas mãos pela parte traseira de seu corpo, sentindo o tecido grosso de sua blusa limitar todos meus toques, fazendo com que um gemido frustrado escapasse pela minha boca.
Ouvi a risada nasalada de se perder, quando passei minhas mãos para seu tórax, tateando sob seu peito até encontrar os botões de sua camisa e me livrar deles.
Quando o último botão foi aberto, corri meus dedos pelo seu abdômen o sentindo se retrair ao meu toque. suspirou e rapidamente se livrou da peça, começando a fazer o mesmo com meu vestido, cortando o beijo para passa-lo sobre minha cabeça.
Abri meus olhos e encarei os seus, aqueles olhos de tom esverdeado, já conhecidos por mim, me encaravam com curiosidade e certo receio, como se esperasse que a qualquer momento, eu desistisse daquilo tudo e fosse embora. Mas eu não desistiria, não naquela noite, não tão fácil.
Sorri abertamente, procurando por sua nuca com os dedos, e o puxando para mim, de volta á meus lábios, recomeçando nossa longa dança novamente. Senti suas mãos em minha cintura, seus dedos roçando em cada centímetro da minha pele nua, subindo em linha reta até meu sutiã, para depois voltar para o ponto inicial e fazer o mesmo trajeto.
Separei nossos lábios e comecei a beijar seu pescoço, enquanto arranhava de leve seu peitoral e abdômen, roçando meus lábios em sua orelha, o ouvindo suspirar devido ao meu ato.
Soltei um gemido impaciente quando senti o membro de friccionar contra minha intimidade, ainda coberta pela roupa intima. Suas mãos ágeis, sabiam exatamente aonde me tocar, deslizando sob minhas coxas, arranhando, enquanto descobria meus pontos fracos.
Entrelacei minhas pernas na cintura de , possibilitando que meu corpo obtivesse, o máximo de contato possível, com o seu. Suas mãos, calmamente, se dirigiram até minhas costas, procurando o fecho do meu sutiã, quando o encontrou, rapidamente o jogou para longe, voltando a deslizar suas mãos pelo meu corpo.
Seus lábios deixaram os meus, seguindo o caminho até meu pescoço e seios, demorando-se, deliciosamente, em cada um deles. Aquilo me fez sorrir, soprando uma risada contra o ar quente que nos rodeava. Apertei minhas unhas na pele nua de suas costas, arranhando-a cuidadosamente enquanto aproveitava o toque de seus lábios, procurando manter minha mente sã o bastante para me lembrar de cada detalhe.
As mãos de torturavam minha parte inferior, enquanto seus lábios úmidos se divertiam entre meus seios e pescoço, roçando fez ou outra na minha orelha, fazendo com que todos os pelos do meu corpo se eriçarem, me deixando ainda mais excitada. Quando se cansou da tortura superior, baixou seus lábios até a pele da minha barriga, fazendo pequenos círculos com sua língua, enquanto deslizava seus lábios e beijava toda a superfície visível. Seus dedos, delicadamente, se puseram nas beiradas da minha calcinha, demorando-se a baixá-la, levantando seus olhos até os meus procurando alguma parte de mim que poderia impedi-lo de desfazer-se de uma das peças que nos mantinham longe do corpo um do outro.
Quando não encontrou nenhum empecilho, ele voltou seus olhos para a minha barriga e depois, os desceu até minha intimidade, soprando ruidosamente contra ela, antes de depositar seus lábios e movimentar sua língua calmamente, pressionando meu clitóris, fazendo lentos movimentos de vai e vem. Movi minhas mãos até seus cabelos, passando minhas unhas em sua nuca, deslizando-as até suas costas, lateral e peitoral. Eu podia jurar que estava a ponto de perder o pouco de sanidade que ainda me restava, mas a parte que permanecia ciente, gritava para mim o quão impossível aquilo, que estava acontecendo, era. Quer dizer, talvez em algum de meus sonhos pecaminosos, algo como transar com meu sogro, soasse normal e possível, mas na vida real, tudo parecia, incrivelmente, inventado. E ainda assim, ali estava eu; totalmente entregue as caricias de , me deliciando com seus toques e beijos, e desejando, mais do que qualquer coisa, tê-lo dentro de mim.
Minha ansiedade não pode ser contida dessa vez, quando dei por mim, minhas mãos já estavam puxando a cabeça de para cima, trazendo seu rosto para perto do meu, sentindo sua respiração se misturar a minha e seus lábios vermelhos se juntarem aos meus. E então fechei meus olhos, e em um ato de coragem, desci minhas mãos até seu cinto, retirando-o o mais rapidamente que eu podia, demorando-me no botão e no zíper, e então sentindo todo meu corpo ferver novamente, quando meus dedos esbarram em seu membro. Minhas mãos se tornaram certeiras e uma coragem absurda dominou meu corpo enquanto eu tateava o cós preto de sua boxer, puxando-a para baixo, sentindo seu membro rígido encostar levemente contra a minha intimidade.
Suspirei contra os lábios de , abrindo meus olhos e encontrando os dele. esticou sua mão esquerda até alcançar o criado mudo ao lado da cama. Seus dedos agéis envolveram o pacotinho cinza, antes de abri-lo e se afastar, brevemente de mim, colocando a camisinha em seu membro. Seus olhos escuros refletiram nos meus, enquanto senti seu membro escorrer pela pele úmida da minha intimidade, me penetrando aos poucos, me preenchendo.
Voltei a fechar meus olhos e arfei, sentindo a testa de se apoiar em meu ombro, deixando seus gemidos ainda mais audíveis para mim. Entre abri meus lábios quando investiu, dessa vez, mais forte contra mim. Suas mãos se entrelaçaram nas minhas, apertando meus dedos, fazendo toda a superfície suar. O ar dentro do quarto estava terrivelmente quente, deixando cada sensação ainda mais deliciosa e marcante.
Senti os lábios de deslizarem sob a pele do meu pescoço, chupando lentamente cada pedaço que alcançava, deixando uma de minhas mãos ao descer uma das suas até minha coxa, impulsionando-a para cima, arranhando a superfície, da forma mais delicada que podia.
Seu corpo se chocava contra ao meu á cada momento em que acelerava os movimentos, fazendo meus mamilos duros se deslizarem pelo seu peito definido, me excitando ainda mais. Meu corpo tremeu, brevemente, no exato momento em que apertei minhas mãos nos ombros de . Senti meus olhos arderem por alguns segundos, para no momento seguinte, as mãos firmes do meu ex sogro, me impulsionarem para cima, fechando-se nas minhas costas, me trazendo para mais perto de si.
Fechei meus olhos, apertando minhas pálpebras, sabendo que aquele conhecido clímax me atingiria á qualquer instante, me fazia delirar e depois desejar por mais. Enrolei meus dedos dentro de minhas mãos, ainda mantendo meus punhos sob os ombros de , deixando que toda aquela sensação deliciosa me invadisse por completo, eriçando meus pelos e arrepiando minha pele, fazendo com que uma felicidade descomunal tomasse conta de mim.
me apertou ainda mais contra si, deixando que um grunhido rouco escapasse de sua garganta, alguns poucos minutos depois de eu ter dado o meu último suspiro antes de relaxar totalmente.
A sensação de plenitude que me invadiu não poderia ser descrita, na verdade, eu concordava com o que minhas amigas diziam, é realmente diferente quando você faz sexo com alguém de quem gosta. É como se, de alguma forma, você se sentisse completa e sem problemas, por alguns minutos.
Suspirei contra os cabelos de , ouvindo-o rir baixinho no pé do meu ouvido, fazendo com que um sorriso bobo brotasse em meus lábios. Ainda de olhos fechados, senti quando deixou de ocupar o lugar entre meu pescoço e passou a olhar meu rosto, eu podia sentir seus olhos queimando sob a minha pele, podia sentir seus dedos deslizarem sobre a mesma, sentido as pequenas rugas que se formavam na minha testa.
Aquela conhecida preocupação ainda estava presente dentro de mim, apesar de ter desaparecido por algum tempo, ela ainda existia.
Respirei fundo e quando, finalmente, abri meus olhos e me deparei com seu rosto, parte dela se foi, dando espaço para que eu pudesse sorrir e respirar tranquilamente. Mas, aquela pequena parte que restou, não pode ser escondida de . Seus olhos escuros se focalizaram nos meus e as pontas de seus dedos voltaram a desenhar sob minha testa, exatamente como fizeram antes que entrássemos em sua casa.
- Não está feliz? - Sussurrou, tocando seus lábios nos meus. Balancei a cabeça de forma positiva quando o vi se afastar um pouco, voltando a me olhar nos olhos. - Fiz algo de errado, ?
- Não! - Me apressei a dizer, passeando meus dedos por sua barba por fazer, acariciando seu rosto, como se meu gesto pudesse tranquilizá-lo. - Não é nada. Não vamos falar de coisas preocupantes por agora, tudo bem?
concordou, saindo de cima de mim, rolando para o lado, enquanto me puxando para seu peito. Depositei meu rosto ali, entrelaçando minha mão na sua em cima de seu abdomem, suspirando profundamente antes de fechar meus olhos e adormecer.


Capítulo 11


Os raios de sol, que atravessaram a fina cortina do quarto, invadiram meu rosto e banharam meus olhos, me obrigando á abri-los. Depois de fazer um muxoxo e me revirar na cama, eu finalmente abri minhas pálpebras e voltei meus olhos para meu lado, onde dormia tranquilamente.
Suas costas estavam posicionadas contra o colchão macio, e seu tórax se erguia de acordo com sua respiração. Ele estava em um sono profundo e parecia ainda mais lindo. Por um breve momento, me senti como aquelas adolescentes que tem a sua primeira vez com o cara que gostam, e no dia seguinte o enxergam ainda mais lindo do que achavam ter visto um dia. Mas eu não era como elas, e aquele breve momento nostálgico se foi, trazendo de volta a minha consciência, que insistia em me lembrar de que o mundo no qual eu vivia estava prestes a desmoronar.
Fechei meus olhos com força e me apoiei sobre meu cotovelo esquerdo, impulsionando meu corpo para perto do de , passando a mão livre sobre os fios rebeldes que caiam sob sua testa.
Eu teria de dar o fora dali antes que ele acordasse, ou então, todo o plano que eu fazia na minha mente, iria por água abaixo.
A noite havia sido maravilhosa, mas o sol trazia á tona todos os motivos que me impediam de ficar com ele. Talvez eu fosse só mais um caso, no final das contas. Eu possivelmente só estava me iludindo e criando expectativas de coisas que não existiam.
Baixei meus lábios até perto dos seus e depositei ali um leve beijo, me preparando para sair da cama.
Mas, de repente, como se despertasse de seu sono profundo, a mão de se prendeu em meu pulso, fazendo com que eu me sobressaltasse e procurasse seus olhos com os meus.
Aquele belo par de olhos escuros se focalizaram nos meus, quase como se lessem a minha alma e meus pensamentos, sabendo tudo o que eu planejava e tudo o que eu faria, antes mesmo de eu me decidir.
Forcei um sorriso no canto dos meus lábios e murmurei um bom dia, totalmente sem graça de ter sido pega.
Mas, não caiu nessa, sua testa se enrugou brevemente e seus lábios se comprimiram, em uma expressão de confusão.
- Fiz algo de errado, ? - Perguntou. Sua voz rouca de sono eriçou todos os pelos do meu corpo, fazendo com que eu me repreendesse e me sentisse estúpida em querer ir embora. Neguei com a cabeça e deixei de olha-lo nos olhos, esperando-o prosseguir. - Então qual é o problema? Você ia embora, não ia?
Não era exatamente uma pergunta, porque sabia a resposta. Ele sabia todas as respostas de quaisquer pergunta que me fizesse.
Voltei a olha-lo, sentindo meu rosto arder e todo meu sangue se concentrar em minhas bochechas.
- Sinto muito... - Suspirei, soltando meu pulso de seu aperto forte, enroscando meus dedos nos dele. Dobrei meu corpo para o lado, me ajeitando na cama, ficando frente á frente com ele. - Eu achei que, sei lá. - Rodei meus olhos, me sentindo incrivelmente imbecil. Como eu pude cogitar a ideia de ir embora? não era como os outros caras com quem eu tinha me relacionado, e eu sabia disso. - Sinto muito.
- Não quero que sinta. - afagou meu rosto com a mão livre, deixando que um sorriso sapeca escapasse por entre seus lábios. - Só não tente fugir antes de comer minha macarronada.
Soltei um riso alto, me alinhando no travesseiro, mirando meu rosto no seu.
- Sua famosa macarronada?
concordou em silêncio, eu pude imaginar seus olhos se fechando brevemente e um sorriso singelo se abrindo em seus lábios, aquele mesmo sorriso que me chamou atenção naquela noite no Pub, o mesmo sorriso que me mantinha vidrada nele.
Antes que pudesse responder, meu celular vibrou na mesinha ao nosso lado, fazendo com que um breve arrepio corresse minha coluna. Respirei fundo, me soltando de seu abraço firme, virando meu corpo e estendendo meu braço para pegá-lo. O nome de piscava, freneticamente, no visor, e mesmo sabendo que aquilo ia acontecer, eu me senti, instantaneamente, mal.
Suspirei.
- , oi! - Dei uma breve pausa, antes de voltar a falar e encarei , me encaixando de volta em seus braços. Encarei á tela por alguns segundos, vendo a notificação de "12 chamadas não atendidas" continuar a piscar no topo. - Desculpe não ter atendido antes.
- Tudo bem, . Podemos nos ver?
Ouvi um suspiro no fundo da linha e imaginei, por um breve momento, no quão aflito deveria estar. Eu era uma péssima pessoa.
- Pode ser mais tarde? - Murmurei, fechando os olhos, apertando-os firme, como se fosse uma das formas de me esconder do possível olhar reprovador que deveria estar me lançando. Talvez eu estivesse parecendo uma vadia, por mais que não estivesse me relacionando com os dois, era exatamente isso que eu parecia e como eu me sentia. - Depois do almoço, talvez?
- Claro. Nos vemos mais tarde, então. Obrigada, .
Murmurei um "tchau" e desliguei o telefone, criando coragem para abrir meus olhos, só depois disso.
Eu estava sendo injusta com ao aceitar me encontrar com , depois da noite maravilhosa que tivemos e estava sendo cruel com pelo mesmo motivo, por não ser sincera e abrir o jogo de uma vez, lhe dizer que estava tudo acabado, de fato.
- Sou uma péssima pessoa. - Sussurrei, virando-me de lado, escondendo meu rosto em seu peito, ainda sem olhar em seus olhos. - Céus!
riu baixo, seus dedos firmes acariciaram os fios rebeldes dos meus cabelos, depois desceram até minha bochecha direita, aonde seu polegar descansou.
- Não, você é uma garota maravilhosa. - Balbuciou. Eu podia imaginar seu, já conhecido por mim, sorriso agradável dançar em seus lábios, aquele sorriso que era capaz de levar todos meus problemas embora. - Tão incrível, que mesmo machucada está com medo de ferir as pessoas que ama.
Levantei meus olhos, tendo o apoio dos dedos de sob o meu queixo, seu sorriso ainda permanecia lá, por mais que seus olhos parecessem distantes.
- Estou ferindo você.
- Isso não faz de você, uma má pessoa. - Tocou minha testa com seus lábios, apertando minha cintura com a mão livre. - Te faz humana.
- Você não está ajudando. - Ri baixo, mesmo que o momento não fosse engraçado, apenas soou natural, como algo para aliviar o ambiente.
- Não vou te pedir para escolher entre e eu, . - Suspirou, tomando um semblante sério pela primeira vez desde que a conversa teve início. - Você vai decidir quando estiver pronta e eu vou respeitar sua escolha.
Concordei com a cabeça em total silêncio.
Por mais que eu soubesse que tinha razão, toda hora que parecia que minha decisão havia sido tomada, algo acontecia e mudava todos os planos.


Capítulo 12


Quando reuni coragem e forças para sair do quarto, já estava na cozinha há muito tempo. Já havia passado das dez da manhã e tudo que meu corpo pedia era cama. Meu cansaço ia muito além do físico, meu emocional estava abaladíssimo, mas, de alguma forma, toda vez que eu pensava em me arrepender de tudo o que tinha acontecido, os flashes da noite anterior pairavam em minha cabeça, me lembrando o quanto ela havia sido agradável. Eu sabia que poderia lidar com o que estava por vir, se permanecesse ao meu lado e eu tinha esperança que ele ficasse.
Entrei na cozinha, dando-lhe meu melhor sorriso, tentando deixar todos meus problemas e dúvidas no andar de cima. Não era justo com ele, que eu o tratasse de forma diferente, depois de uma escolha que fizemos juntos.
- Se sente melhor? - Perguntou, passando seus braços em volta do meu corpo, depositando um beijo em minha testa. Assenti, ainda sorrindo. - Isso é bom, por que devem ter umas seis chamadas do seu pai no seu celular.
Fechei meus olhos e franzi minha testa, em uma careta, frustrante, de dor. Encostei minha bochecha no peitoral de e suspirei, apertando meus lábios firmemente.
- Eu não atendi. - murmurou, acariciando meus cabelos, na tentativa de me acalmar. Mas eu não estava nervosa, só preocupada pelo fato de papai estar preocupado. - Achei que não seria educado atender.
- Na verdade, senhor . - Respondi, afastando-me, plantando um riso sacana por entre meus lábios. - O senhor ficou com medo de atender. - rodou seus olhos, virando-se de costas para mim, voltando a fazer o que ocupava-lhe o tempo antes de eu descer. - Coisa que é desnecessária, visto que ele já sabe sobre nós.
Eu pude imaginar os olhos assustados de , procurando-me para me fuzilar, mas naquela altura do campeonato, eu já estava na sala, digitando depressa na tela do celular, antes que alcançasse a sala e me enchesse de perguntas.
Assim que apareceu na soleira da porta, papai atendeu a ligação. Sua voz rouca e cansada disse meu nome, sendo cortada pelo grito desconexo de meu irmão. Rodei meus olhos, murmurei um "oi" e olhei para .
"- Não quero ser um pai controlador, Ammy, mas realmente preciso saber aonde você está."
- Desculpe. - Chiei, jogando-me no sofá. - Eu deveria ter ligado, eu sempre ligo.
"- Querida, sabe que confio em você e que sei que não está se metendo em problemas que não pode resolver. Mas se aparecer na porta da minha casa mais uma vez, vou ser obrigado a chamar a policia."
. Era o que eu, de fato, temia. Sentei-me, novamente, no sofá e procurei os olhos de , tentando deixar claro o que eu queria dizer, sem nem ao menos proferir uma única palavra. Aparentemente, compreendeu, pois balançou a cabeça para os dois lados e deixou a sala com o telefone nas mãos.
- O que o senhor disse?
"- Que você estava na casa de uma amiga. Ammy, não sou seu amigo adolescente querida, não consigo inventar mentiras consistentes. E acho que já está passado da hora de conversarmos sobre seu novo amigo."
- Pai... - Sussurrei, fechando meus olhos, sentindo-os arder. - Me desculpe.
" - Somos amigos, , sempre fomos. Quero que venha para casa, para que resolvamos isso como a família que somos. Tudo bem, querida?"
- Claro. - Assenti, suspirando, para o vazio. - Já estou indo.
Não foi necessário que eu encerrasse a ligação, papai se encarregou disso. Eu não havia ficado chateada com sua ligação, como se ela significasse alguma desconfiança da parte dele, por que eu sabia que não era isso.
Morgan e eu sempre fomos muito próximos, nunca houveram mentiras entre nós, e eu não me lembrava ao certo em que parte da minha vida que comecei a lhe esconder o que fazia ou deixava de fazer.
- está em casa. - voltou a sala, secando suas mãos em um pano branco. Soltou um longo suspiro, se aproximando de mim. - Como seu pai reagiu?
Dei de ombros, sem saber ao certo o que responder. Dizer a que abriria, totalmente, o jogo com meu pai, poderia não soar muito agradável para ele. Mas ao mesmo tempo, tomar uma decisão dessas sozinha e de forma precipitada, poderia colocar tudo a perder.
- Papai quer conversar. - Murmurei, encostando minha testa em seu abdômen, sentindo seus dedos se embrenharem em meus cabelos. - Você ficaria chateado se eu contasse sobre nós?
riu baixo, me possibilitando imaginar sua expressão. Aquela passividade, aquela forma de ver as coisas com uma clareza diferente, com toda certeza, estavam presentes ali.
- Você disse que ele já sabia sobre nós, o que faz de você uma ótima mentirosa, . Devo tomar cuidado?
Bufei, segurando minha risada, que caso escapasse, ficaria entre o irônico e o divertido. Rodei meus olhos, dando um tapa em seu peito.
- Estou brincando, querida. - continuou rindo, mesmo quando ergueu meu queixo e fixou seus olhos nos meus. - Confio na sua decisão e o mais importante, apoio ela.
Soltei um riso baixo, tocando seus lábios com os meus.
- Sou grata por isso. - Sussurrei, contra sua boca. - Obrigada pela noite passada e por me entender...
- Na verdade, - deu um sorriso de lado, afastando nossos rostos. - Eu não te entendo, estou trabalhando nisso.
Rodei meus olhos, erguendo-me do sofá, ficando frente à frente com ele.
parecia ainda mais alto do que eu me lembrava, seus olhos pareciam-me ainda mais cintilantes e seus lábios ainda mais tentadores. Eu sabia, sabia que estava á ponto de enlouquecer.
- Tenho que ir. - Passei meus dedos por sua barba por fazer, acariciando seu queixo. - Pode me levar?
assentiu silenciosamente, puxando-me pela cintura, afagando-me as costas. Soltei um suspiro pesado, rendendo-me aos seus carinhos.
- Não sei por onde começar. - Apertei meus olhos, pressionando meus lábios com força. - Não sei o que dizer.
- Para o seu pai?
- Para todo mundo. - Dei de ombros, erguendo meus olhos, na esperança de encontrar os dele. - Passei tanto tempo tentando adivinhar como seria, e agora não sei o que fazer.
riu baixo, acariciando meu rosto. Seus dedos ásperos, ocuparam-se com uma das mechas de meu cabelo, me fazendo sorrir.
- Você sabe o que fazer. - Murmurou. - Precisa começar do princípio, ser sincera consigo mesma e o resto vai fluir.
- Você faz parecer fácil.
Afastei-me dele, rodando meus olhos. No meu ver, era uma reação de recusa, mas , simplesmente, parecia não ver dessa maneira. Entrelaçou sua mão na minha, nos encaminhando até a porta.
- Minha garota é complicada demais. - Passou seu braço sob meu ombro, me fazendo bufar. - Confio na sua decisão, , você deveria confiar também.
Eu não soube o que responder, tinha tanta confiança que eu faria a escolha certa e que faria dar certo, que eu não pude, simplesmente, lhe dizer a confusão que se passava na minha cabeça.
Encostei-me no banco do carona, sem voltar a olha-lo, descansei minha testa no vidro da janela e observei enquanto o carro me levava para longe, daquelas poucas horas de tranquilidade, que eu tivera.
Pude sentir os olhos de queimarem sobre mim, pude ouvir seus suspiros pesados e principalmente, pude sentir o quão longe dele, eu estava.
Talvez, toda aquela bagunça dentro de mim não significasse nada. Eu sabia o que sentia, não tinha dúvidas. A parte sensata de mim, me pedia calmamente para analisar todas as consequências de minha decisão, mas, a maior parte de mim, a que tinha certeza sobre , só me lembrava o quão parecia ser certo ficar ao lado dele.


Capítulo 13


Assim que abri a porta e passei pela mesma, encontrei os olhos de Morgan, encarando-me da mesma maneira que me olharam quando eu tinha quinze anos e cheguei bêbada em casa, depois de ir para um barzinho com meus melhores amigos. Eu estava bem encrencada, não tinha como negar.
- Oi, pai. - Murmurei, jogando minha jaqueta no sofá, fazendo o mesmo com o meu corpo em seguida.
- Aonde você estava, ? - Perguntou, sentando-se ao meu lado. Apesar dos olhos duros, papai fora capaz de manter sua voz doce e amigável como sempre e para ser sincera, aquilo me assustava bem mais do que aconteceria se ele perdesse o controle e gritasse comigo. - A verdade, querida.
- Eu perdi o controle, pai. - Sussurrei, encostando minha cabeça em seu ombro. Sua mão áspera tocou meu ombro, antes de seguir até o topo da minha cabeça e descansar por lá. - Não sei quando aconteceu e nem o que aconteceu. Sinto muito...
Morgan precisava de respostas e tinha me dito que eu poderia dá-las. Eu sabia que podia confiar em meu pai e sabia que não necessitava da aprovação de para tudo, mas ainda assim, era extremamente complicado abrir minha boca e contar sobre tudo o que estava acontecendo e tudo o que já tinha acontecido. Era como se, há cada segundo, as coisas se complicasse mais. Como uma bola de lã, que se embola e embola, até que você seja incapaz de soltar todos os nós.
- Princesa, - Chamou, depositando um beijo sob meus cabelos, antes de refazer a pergunta. - Onde você estava?
- É uma longa história. - Suspirei, rindo nervosamente. - Não sei como começar, papai.
- esteve aqui diversas vezes ontem e hoje de manhã. - Ouvi sua voz prosseguir, como se não tivesse ouvido o que falei. - Perguntou sobre você, disse que seu pai tinha saído para procurá-la e não tinha voltado, que ele estava ficando preocupado. - Apertei meus olhos, sentindo meus dedos doerem pela forma com a qual eu os apertava um contra os outros. - Sou vivido, ... é um bom garoto, mas nunca foi muito inteligente.
- Pai...
- Aquele senhor, - Prosseguiu. - Que esteve em nossa casa há alguns dias, quem era ele?
Alguns dias... Era estranho pensar em como as coisas aconteceram rápido, talvez até rápido demais. Dizem que você leva menos de um segundo para se apaixonar por alguém e quem sabe seja essa a grande diferença entre a paixão e o amor. Pode ser que se viva uma vida inteira com alguém sem amá-la, mas no fundo, você é pelo menos apaixonado por ela.
Eu não amava , estava apaixonada por ele e por isso, eu sabia que podia acordar amanhã e perceber que tudo aquilo fora uma tremenda loucura e que eu estava perdidamente arrependida. Talvez fosse essa a razão da grande dificuldade que eu tinha em falar sobre o que tinha com , até para mim mesma, porque eu não o amava, não como amava . Isso não significa que não é verdadeiro, que eu não o queira e nem que não esteja apaixonada por ele; só significa que o amor leva tempo, um tempo que ainda não tínhamos vivido.
Como quando conheci e me apaixonei por ele. Em menos de uma semana já trocávamos olhares e beijos apaixonados, mas foram precisos meses para que eu sentisse que o amava e que o queria de uma maneira diferente.
Era tudo tão complicado. Era como se existisse uma fina linha que ligava a paixão e o amor e nesse momento, eu me sentia presa no meio dela.
- Eu o conheci quando sai com e fomos naquele Pub. - Comecei, sentindo minha voz vacilar. Era agora ou nunca, eu não teria outra chance e não tentaria de novo. - Não sabia quem era de início e nem ele sabia quem eu era. - Pausei, levantando meu rosto do ombro de Morgan, tentando assumir a postura mais séria que eu pudesse ter naquele momento. - Naquela noite, houve um incêndio na casa do , nós só descobrimos quem o outro era quando veio até mim me falar sobre o ocorrido. - Fechei meus olhos, sentindo-os arder. A história parecia tão absurda quando dita em voz alta, Morgan deveria estar, tremendamente, decepcionado comigo. - Sinto muito, papai, se eu soubesse...
Morgan cortou minha voz, soltando um riso baixinho, me permitindo abrir os olhos quando suas mãos abraçaram as minhas. Seu olhar paterno estava lá novamente, aquele olhar que era capaz de levar todos os meus medos embora desde que eu me conhecia por gente.
- Querida, - Suspirou, sorrindo. - É uma história insana, devo dizer que não estou surpreso, principalmente porque não temos controle de como as coisas acontecem em nossa vida, .
- O que o senhor quer dizer? - Perguntei, franzindo minha testa e apertando meus lábios, totalmente confusa com sua reação. - Papai, eu realmente não estou entendendo.
- , acho que você já é grandinha demais para que eu lhe dê broncas. - Papai ergueu sua mão em direção ao meu queixo, erguendo-o. - Além do mais, não é á mim que você deve explicações.
A reação de Morgan foi diferente da que esperava, mas eu não deveria ter me surpreendido tanto. Aquela era sua forma de agir, ele confiava em mim e queria que eu fosse feliz e livre á cima de qualquer coisa, porém, parecia existir uma parte de mim que queria ter levado uma bronca ou simplesmente ter ficado de castigo. As coisas eram tão mais fáceis quando eu tinha dez anos.
- Não posso contar para o . - Suspirei, apertando as mãos de papai, que ainda continuavam firmes na minha. - Não é justo com ele.
- Não é justo que você continue mentindo, querida. - Morgan me corrigiu, retomando sua postura séria. - Quero que saiba que não estou concordando com seu relacionamento, porém não existe nada que posso fazer sobre seu namoro. Você tem dezoito anos, sabe o que faz e com quem faz.
- Não estamos namorando. - Respondi, baixando os olhos. e eu nos conhecíamos há pouco tempo e mesmo que não fosse dessa forma, acredito que não conseguiríamos manter um relacionamento sério, aonde todos saibam do que tenhamos. - Obrigada por entender, papai.
- Traga-o para um jantar aqui em casa. - Morgan exigiu, levantando-se. - Não se esqueça que seu irmão tem que aprová-lo também. - Sorriu, abaixando-se para beijar minha testa. - Tenha cuidado, minha querida.
Assenti, sorrindo fraco, vendo-o se afastar lentamente em direção a cozinha. Passei as mãos pelo cabelo e fechei os olhos com força, voltando meu rosto depressa em direção ao papai, antes que ele sumisse de vista.
- Pai! - Chamei, fazendo com que ele me encarasse, curioso. - O que eu devo fazer?
- Não tenho nenhum bom conselho na manga, querida. - Riu, encostando-se no batente da porta. - Faça o que vem fazendo, não tire os pés do chão, você sabe se virar. - Piscou, virando-se e entrando na cozinha, deixando-me sozinha e totalmente, perdida.
Não era justo com , papai estava certo, não foi justo com ele desde o principio. Apesar do que tinha acontecido entre e eu, aquele tipo de traição era ainda pior do que a dele e conhecendo-o bem, da maneira com a qual eu o conhecia, não haveria brecha para que ele me perdoasse.
Afinal, quem perdoaria?


Capítulo 14


P.O.V -

Assim que deixei em casa e voltei para mim, senti como se todo aquele peso de me relacionar com ela, estivesse caindo de uma vez sob as minhas costas.
era amável e maravilhosa de formas que eu mal podia nomear, era bom tê-la ao meu lado me fazendo lembrar de como era bom ser jovem e livre. No auge de meus trinta e dois anos, eu já não podia me dar ao luxo de agir por impulso e de muitas formas, estar com ela era extremamente imprudente. E dessa maneira, seria ainda mais egoísta de minha parte não imaginar como estava sendo para ela.
era jovem, sonhadora e tinha o mundo nas mãos, estar comigo poderia ser como uma corrente para ela, por mais que a mesma não admitisse, se relacionar comigo poderia colocá-la frente a frente com um universo que ela não conhecia e que não gostaria de conhecer.
Suspirei, passando minhas mãos por entre meus cabelos.
Como seria dali para frente? Era tarde demais para liberta-la? Eu queria liberta-la?
O egoísmo sempre falava mais alto, em todos nós, por mais que negássemos. Minha cabeça girava, se perdendo em flashes da noite anterior, vagando até noites atrás quando a conheci e senti algo inexplicável, algo que a muito eu pensei que tivesse deixado meu peito.
Talvez eu precisasse de um tempo, talvez precisasse desse tempo, para quem sabe facilitar as coisas se distanciando de mim, voltando para . Apertei minhas têmporas, fechando os olhos com força. Que tipo de covarde eu era, afinal?
Não havia meio termo, de qualquer forma, eu seria um imbecil.
Mas aquele sentimento era como uma erva daninha, que se impregna nas árvores e se alastra por ela, até toma-la de vez. Eu não queria ser aquilo para . Principalmente quando tinha plena consciência de como aquela história iria terminar. Não seria um final justo, para ninguém.
Parecia-me a hora certa para aceitar o pedido de William e ir lhe dar uma força nas empresas em Londres, dar um tempo de tudo isso e organizar as coisas. Era a coisa certa a se fazer, então porque era tão difícil apenas cogitar a ideia?
Eu sabia a resposta. Bem lá no fundo, no amontoado de coisas que eu colecionava dentro da minha mente, dentro de mim, eu sabia o que tudo aquilo significava. Duas semanas. Apenas duas malditas semanas e minha mente estava dando sinais de que entraria em combustão. Nunca tinha durado tanto, com nenhuma delas.
Aspirei o ar com força e deixei que meu corpo tombasse sobre o colchão macio de minha cama. Meus pensamentos bombardeavam minha mente, causando espasmos e arrepios em minha pele, quase como se me alertassem do quão errado aquilo era. Havia tanto a perder; todas as coisas que eu já tinha conquistado e principalmente, meu filho. Há cada instante que eu pensava em como reagiria, tudo se tornava milhões de vezes mais doloroso. Eu havia feito uma promessa para ele, não havia? E agora ali estava eu, tomado por coisas que eu não deveria dar permissão para me invadirem; quebrando sua confiança mais uma vez.
- Finalmente, ! - A voz do mesmo invadiu meus ouvidos, no exato momento em que seu corpo apareceu em meu campo de visão. - Te liguei a noite toda, me senti como se fosse seu pai.
- Graças a Deus você não é. - Caçoei, sentando-me no colchão para olhá-lo. - Qual o problema?
bufou, ignorando minha gracinha e caminhando até a cama, sentando-se ao meu lado. Pousou seu rosto sob as mãos e soltou um grunhido baixo e frustrado.
- Acho que me odeia.
Aquele aperto no peito, ainda estava ali. A sensação cruel de estar enganando meu garoto, ainda permanecia em mim. Mas agora, parecia que algo estava diferente e eu temia imensuravelmente saber o que era.
- Por que ela te odiaria?
- Por que ela não me odiaria, essa é a pergunta certa, . - rodou seus olhos ao me encarar. Soltei um riso frouxo, apoiando minha mão esquerda em seu ombro, tentando confortá-lo ao mesmo tempo que tentava fazer o mesmo comigo. - Tem alguma coisa errada, estamos mais distantes do que já éramos.
- Você a traiu e vocês terminaram, . - Constatei, lentamente, absorvendo minhas próprias palavras. - não me parece com uma garota que rasteja por alguém.
- Você nem a conhece. - franziu as sobrancelhas, em irritação. Esperei que sua expressão se suavizasse, antes que eu tentasse falar mais alguma coisa. Mas antes mesmo que eu pudesse abrir minha boca, o fez, contrariado em uma careta de desgosto. - Só queria consertar as coisas, , mas tenho a impressão de que ela não quer que eu o faça. - Voltou seus olhos para o teto, pensativo e em um único impulso, ergueu-se da cama. - Talvez ela já tenha alguém.
e eu tínhamos problemas, nos desentendíamos na maior parte do tempo e na maioria das vezes, nossas confusões se resumiam a relacionamentos que interligamos, mesmo sem querer. O grande problema, era que não foi "sem querer", talvez tenha sido no começo, mas não era agora. O certo a fazer, de um pai que ama seu filho, era se afastar e deixar para lá, como se nunca tivesse acontecido. E era o que eu deveria ter feito. Nada era mais importante que para mim e foi com esse pensamento que abordei o assunto que vinha pairando pela minha cabeça nas últimas horas.
- Vou passar um tempo fora. - , que estava na porta, congelou e me encarou confuso. Não éramos bons em palavras e muito menos em demonstrações de afeto, mas eu sabia que ele entenderia que, mesmo sem saber o que era, eu tinha minhas razões. - William me ligou há umas três semanas, oferecendo um cargo em uma das empresas de Londres, pensei que seria uma boa hora para aceitar.
- Londres é um pouco longe. - Pontuou, mantendo-se imóvel. - Por que essa decisão agora? Pensei que estivesse feliz na empresa do Carlos.
- E estou. - Dei de ombros, levantando-me do colchão, sentindo-me, por alguns momentos, como um filho que tenta justificar aos pais porque quer sair de casa. - Preciso de um tempo fora para colocar a cabeça no lugar e você precisa fazer uma boa faculdade, por mais que ache que não me importo com isso.
Ri baixo, entrando no closet na expectativa de que entendesse que aquela era a deixa para o assunto acabar. Mas ele era parecido demais comigo para isso e era por isso que eu sabia que não estava preocupado e sim desconfiado, o que o levaria a adentrar no assunto sempre que tivesse a chance.
- Você sabe o que faz. - Ouvi sua voz se afastando do quarto, seguida de alguns resmungos que me fizeram rir, enquanto me dirigia ao banheiro. - Vou sair!
Assenti para mim mesmo, sentindo o sorriso em meu rosto se desfazendo no exato momento em que encarei minha imagem no espelho. Algo havia mudado em mim, como se o que estivesse quebrado, começasse a se refazer.
Soltei um suspiro, balançando minha cabeça em descrença, afastando-me até o chuveiro e deixando que a água morna levasse toda aquela tensão embora, preparando-me para um novo dia, na esperança de que ele fosse bom.



Capítulo 15


Era segunda.
Mais uma semana estava tendo inicio, seguindo seu percurso como se nada na minha vida estivesse uma bagunça.
Essa era a parte mais divertida de viver, não importa o quão chateado, machucado, confuso ou apaixonado que você esteja, os dias continuam a passar, eles não esperam que você melhore, a vida não espera que você se recomponha. Por mais que ás vezes, os ponteiros do relógio pareçam se arrastar, o dia sempre tem um fim.
- Espero que você esteja muito ocupada. - Nick resmungou, invadindo meu quarto em um rompante, com a cara fechada. - Por que eu pausei meu jogo preferido, pra atender a porta e dar de cara com seu namorado número um.
Ri baixo, atordoada demais para retrucar. Nicholas se jogou ao meu lado, deitando a cabeça em minhas pernas, tampando seus olhos com o antebraço.
- está aqui?
Nicholas assentiu, fazendo uma careta. Bons foram os tempos em que e ele se davam tão bem á ponto de marcar partidas de futebol nos finais de semana.
Nicholas não demonstrava muito carinho por mim, mas se preocupava comigo, fazia com maestria seu trabalho de irmão.
- Você tem outro namorado número um?
Rodei meus olhos, empurrando sua cabeça para longe dos meus joelhos.
- Eu só tive um namorado.
- Agora tem dois. - balbuciou, subindo sua nuca para as minhas coxas, aconchegando-se lá. - E o primeiro, está plantado na porta da nossa casa, com cara de taxo.
Franzi a testa e o empurrei para longe, dessa vez, ele se aconchegou em meus travesseiros, como se nada demais estivesse acontecendo. Levantei-me depressa, abaixando meus shorts de pijama, enquanto o encarava abismada.
- Você não o deixou entrar?!
- E por que eu deixaria?
- Por educação? - perguntei retoricamente, fazendo-o rir de forma irônica. - Estou falando sério.
- Não está, não. - Nick se sentou, cruzando as pernas, como uma criança de creche. Aquilo me faria rir, porque trazia lembranças da nossa infância, mas aquele momento não era propício. Se eu o fizesse, ele ficaria ainda pior com seu monologo de que "eu nunca amei o , é tudo drama". - Você nem gosta do cara.
- E lá vamos nós. - murmurei, procurando uma blusa mais decente em meu guarda-roupas. - Eu já decorei suas falas sobre o assunto, Nick.
- Mas ainda não aprendeu. - retrucou, bufando audivelmente. - Você não é uma vadia, mas age como uma ao sair com dois caras ao mesmo tempo.
Virei-me indignada, ao ouvir sua frase final. Que porcaria era aquela?!
- Você faz isso! - apontei o dedo em sua direção. - Sou uma vadia, porque sou uma garota? Garotas não podem fazer isso sem serem taxadas de piranhas?!
- Eu nunca sai com duas garotas e me apaixonei por elas. - meu irmão se levantou, adquirindo um tom sério. Parou seu corpo pálido em frente ao meu e me encarou com seus grandes olhos azuis, antes de prosseguir. - Você não é uma vadia por sair com dois caras. Mas age como uma ao enganar os dois.
- Eu não engano os dois. - murmurei, baixando meus olhos. Eu preferia quando trocávamos farpas. Era extremamente estranho ter aquele tipo de conversa com ele.
- não sabe. E o pai dele só sabe por que, bem, é o pai dele. - suspirou, postando seu dedo indicador sob meu queixo, me obrigando a encara-lo. A encarar a verdade. - Você precisa se decidir, por que é errado, por que eles são uma família e principalmente, por que você é a que mais vai sair ferida se resolver levar isso á diante. - pontuou, calmamente. E então sorriu fraco. - E não por que é uma vadia.
Devolvi seu sorriso, atirando meus braços para envolver sua cintura. Senti suas mãos apertarem a pele das minhas costas, me fazendo aumentar o sorriso.
- Eu amo você, mas espero que se esqueça que eu disse isso, em no máximo, cinco minutos.
- Prometo. - gargalhou, afastando-se. - Vista uma camiseta e vai resolver isso. - indicou, dando alguns passos em direção a porta. - Você não precisa ficar com ele porque sente pena ou porque ainda o ama. Essas coisas passam e você vai esquecer esse sentimento louco e seguir em frente. - parou de repente, apertando a maçaneta antes de me olhar uma última vez. - Mas o que ele fez... você não vai esquecer, mas vai superar. Eu garanto.
Assenti, mantendo meu sorriso por entre os lábios, mesmo que no fundo, eu estivesse prestes a desmoronar em seus braços e chorar copiosamente, admitindo que ele tinha toda razão, em tudo o que havia dito.
- Obrigada. - pisquei, apanhando uma camiseta. - Significou muito.
- Sou seu irmão. - ofereceu-me a mão, depois de eu me encontrar devidamente vestida. - Não importa quantos anos tenhamos ou o tamanho das nossas desavenças. Você é minha irmãzinha, e eu estou aqui por você.
Aceitei seu convite, saindo junto á ele do meu quarto. Continuei sorrindo, agora, sentindo-me verdadeiramente feliz. Não importava o que acontecesse, Nicholas e meu pai, estariam ali para mim, mesmo quando mais ninguém estivesse.
- Você tem razão em tudo o que disse. - falei baixinho, descendo as escadas ao seu lado. - Eu sou uma vadia sem coração.
- Ei! - Nicholas empurrou meu ombro, me fazendo rir. - Eu nunca disse isso!
- Mas pensou! - devolvi o empurrão, rindo, minutos antes de fechar a cara e parar de andar. Nick parou também, virando-se para me encarar. - Não existem chances de algo dar certo com o , não é?
- . - revirou seus olhos. - Você é insegura demais.
Dessa vez, fui eu quem bufou, com meu orgulho controlando a vontade de concordar com ele.
- Ele tem uma vida, Nick! - pautei, lentamente, como se dissesse para mim mesma aquelas palavras- E eu estou bagunçando ela!
Nicholas riu baixo, como se realmente achasse graça naquilo tudo.
- Qual é? - perguntou, indiferente. - Você o ama, é isso?
- Eu o conheço há duas semanas.
- Conheci a Sarah há três dias e me sinto um idiota, porque sinto como se sempre tivesse esperado por ela. - rebateu, citando sua nova "ficante", com um tanto de nostalgia, que não era de seu costume. - Tempo não significa nada.
- é filho dele. - murmurei, sentindo-me estranha ao falar em voz alta, tudo aquilo que eu vinha falando para mim mesma durante todos aqueles dias. - Não há maneiras de algo dar certo entre nós, se não ficar de acordo. Coisa que nunca vai acontecer.
- Você não respondeu a minha pergunta.
Analisei sua pergunta, de forma cautelosa, mas não fui fundo o suficiente na minha análise, porque teriam grandes chances de eu surtar, se o fizesse.
- Eu... Eu não o amo.
- Mas?
- Mas talvez... - baixei ainda mais o tom de minha voz, me esforçando para abrir-me completamente, com meu irmão. - Fosse bom amá-lo. - admiti, baixando meus ombros. - Ele... eu não sei, tem aquele ar de responsabilidade e de quem sabe o que quer. Mas ao mesmo tempo, acho que ele está tão confuso quanto eu.
- Você o ama! - Nicholas riu alto.< br> Apertei minhas mãos, voltando a dar passar incertos enquanto descia os últimos degraus.
Nicholas não estava ajudando. Na verdade, falar aquelas coisas com ele, me deixavam ainda mais confusa, obrigando-me a analisar todos os fatores da história.
Eu não amava , não hoje, mas sabia que se continuasse a encontra-lo, corria um grande risco de me apaixonar e me dar muito mal.
não é o tipo de garota que não se apaixona fácil. Eu era uma daquelas meninas, que ficam "caidinhas" por algo bem simples, como um gesto gentil ou palavras bonitas. Mas precisava de algo mais para que eu me apaixonasse perdidamente, e haviam grandes chances de possuir esse ingrediente secreto.
- É claro que não!
- Mas está apaixonada por ele.
- Você não está ajudando! - reclamei, dando voz aos meus pensamentos, enquanto parava meus pés pouco antes de alcançar o último degrau. - O que eu devo falar para ele?
- Não sei. - Nicholas admitiu, parando ao meu lado. - Você quer ficar com ele?
- Não posso. - balancei a cabeça, dando mais sentido ás minhas palavras. Encarei os olhos de meu irmão, assustadoramente parecidos com os meus. Sempre achei que Nicholas fosse a cópia exata de nossa mãe, mas quando aquela postura séria tomava conta dele, deixando seus olhos incrivelmente escuros, eu só podia ver Morgan na minha frente. - O que ele fez... Nick, acho que não posso perdoar isso, não importa o quanto eu o ame. - Nicholas assentiu, concordando, me dando a oportunidade de continuar. - E... Eu não tenho certeza se ainda sinto esse tipo de amor por ele. - diminui ainda mais o tom de voz ao falar, um tanto quanto incerta se podia nos ouvir do lado de fora. - mudou as coisas.
Meu irmão sorriu, virando meu corpo em sua direção, frente á frente com o dele, para então pousar suas mãos em meus ombros e dar um leve apertão ali.
- Eu te vi chorar, por dias á fio, trancada naquele quarto. E então, quando eu ouvia sua porta abrir e seus passos no corredor, eu percebia que a garota que havia deixado o cômodo ao lado, não era minha irmã. - suas palavras foram gentis, com um toque de amargura. Sempre acreditei que Nicholas estava alheio a tudo que havia acontecido, principalmente depois de discutirmos após e ele se desentenderem, coisa que ele jurava que não fora por minha causa. Agora, depois de tanto tempo, ouvi-lo dizer tudo o que já tinha dito hoje, eu pude ter certeza de que Nick jamais esteve indiferente quanto á mim e que ele jamais estaria. - E então, falei com a e ela lhe chamou para sair, e foi maravilhoso te ver tão viva naquela noite. Mas ainda estava lá, , nos seus olhos. - os mesmos citados, começaram a lagrimejar, fazendo-me rir envergonhada. Nicholas passou seu indicador sob eles, levantando as gotículas embora, espantando a dor, como sempre costumava fazer. - Você estava machucada, e eu tive muito medo de perde-la, ali mesmo. E então você chegou de madrugada, xingando palavrões baixos, enquanto subia as escadas aos tropeços. - riu, fazendo-me acompanha-lo na risada cúmplice. - Haviam semanas que eu não te ouvia xingar. Então, se conseguiu despertar o seu lado raivoso, mesmo após papai e eu pensarmos que tudo que você podia sentir era melancolia, - bufei, dando um empurrão em seu peito. - Talvez, ele seja um cara legal e talvez lhe desperte outros sentimentos, como a vontade avassaladora de seguir em frente.
Sorri abertamente, encantada com suas palavras. Eu não conhecia a famosa Sarah ainda, mas devia agradece-la por ter despertado aquele lado, há tanto adormecido, do meu irmão.
- Quem é você e o que fez com o meu irmão?! - abri a boca teatralmente, fazendo Nick rodar os olhos e resmungar consigo mesmo. - Obrigada, Nick, essa conversa foi muito importante para mim.
- Todo mundo merece um pouco de felicidade. - ele deu de ombros, fingindo, ao máximo, indiferença. - Você é um porre, mas ainda merece ser feliz.
Ri do seu desajeito, passando meus braços sob seu pescoço, em um abraço confortante. Momentos como aquele eram importantes. Momentos esses, que tínhamos diariamente quando mamãe estava viva. Era bom relembrar o sentimento de vive-lo.
- Que tal aproveitar a boa vontade e me levar para o show da sua bandinha?
Nicholas me afastou abruptamente, rindo nervoso.
- Nem pensar.
- Por quê não?
- Por que não, . - Nick bufou e eu o imitei, cruzando meus braços na frente do peito. - Vai atender o logo, antes que eu mude de ideia e o faça sair correndo daqui.
Ri alto, descendo o último degrau e caminhando até a porta.
- Você está surpreendente hoje, senhor .
- Você não viu nada, senhorita .
Continuei rindo por alguns instantes, enquanto ouvia os passos de Nicholas desaparecerem pela casa. E então, em um choque de realidade, perdendo toda a nostalgia, eu respirei fundo e toquei a maçaneta.
e eu não havíamos nos falado depois do dia fatídico em que deveríamos jantar com seu pai, automaticamente não havíamos tido contato depois que eu passara a noite com .
Se as coisas já estavam estranhas antes de que eu dormisse com , eu tinha medo só de pensar como seriam daqui pra frente. Eu não devia mais nada á , mas não era tão insensível á ponto de fingir que nada tinha acontecido, por mais de que ele não soubesse de nada.
Respirei, profundamente, mais uma vez e então, coloquei meu melhor sorriso no rosto e abri a porta em um rompante.
- ? - indaguei, franzindo minha testa, fingindo surpresa. - Aconteceu alguma coisa?
- , oi! - parecia tão sem jeito quanto eu. É claro que seu desconforto era por conta do que tinha acontecido e por causa de todos seus telefonemas. O meu por outro lado, era por ter de encara-lo após fingir que nada no mundo existia na noite em que passei com . - Não, está tudo bem. - Soltou um riso nervoso. - Eu... eu posso entrar?
- Ahn... - murmurei, incerta. O que eu deveria fazer? Era claro que, como uma garota ferida que encarava seu traidor, eu deveria manda-lo embora. Melhor, eu nem deveria te-lo deixado entrar. Mas esse era o ponto, acredito, eu deveria encarar e tudo que havíamos vivido, para poder seguir em frente. Sem odiar-lo, sem magoas, sem reticências. Mas seria eu capaz disso? Eu não era boa em lidar com problemas e, com toda certeza, não era boa em lidar com . - Eu não sei, Nicholas está em casa e... eu não sei se é uma boa ideia.
- Não quero incomodar, . - resmungou, contorcendo seus lábios em uma, aparente, batalha interna. - Vou ser rápido, não quero brigar, eu prometo. Mas, você sabe que precisamos ter essa conversa.
- Nós já tivemos essa conversa. - rebati, respirando fundo. - Ok, você tem cinco minutos, vou sair com meu irmão.
- Obrigada. - acenou com a cabeça, passando pela porta, contornando meu corpo e caminhando para se aconchegar no sofá. Não falei nada, apenas bati a porta contra a soleira e me aconcheguei na poltrona, em uma distância segura dele. - Eu não sei como começar, por que, bem, não existe nada que eu possa dizer para que você possa me perdoar. - riu consigo mesmo. - Eu não me perdoaria.
- , eu realmente não estou no clima de falar sobre o passado. - sorri nervosa, começando a me sentir incomodada. - Não existem formas de você mudar o que aconteceu e mesma se fosse possível, eu prefiro as coisas como são hoje.
assentiu, apertando suas mãos uma na outra. Lançou-me um sorriso triste, segundos antes de prosseguir.
- Eu sei que não é da minha conta, mas eu preciso saber a resposta, só para ter certeza que não estou me esforçando por nada. - prosseguiu, incerto. Eu sabia qual seria sua pergunta, e enquanto seus lábios se mexiam, eu só conseguia pensar em uma resposta que fosse o mais convincente possível. - Você está com alguém?
E era isso. A pergunta de ouro. Eu não queria que se iludisse com nada que eu dissesse e por isso, minhas respostas deveriam ser devidamente calculadas. Mas não explicativas o bastante para que ele supusesse algo comprometedor.
Assenti.
- Estou vendo alguém.
estalou os lábios em um muxoxo.
- Certo.
- Não vou mentir para você. - completei. - Estou vendo alguém e tentando me reerguer, não é nada sério e nem ao menos pode ser chamado de relacionamento, mas estamos nos conhecendo.
- Obrigada pela sinceridade, é mais do que eu mereço. - murmurou a última parte para si mesmo. - Ele a trata bem? - pausou, rindo amargamente. - Melhor que eu?
Céus, como aquilo estava sendo difícil! não facilitava as coisas. Nosso término havia sido abrupto e doloroso, e por vários dias pareceu bem. Mas então, quando eu finalmente acordei daquele pesadelo, ele reaparece, querendo consertar as coisas.
Ele havia quebrado meu coração, mas eu não queria ter de fazer o mesmo com o dele.
- Estou bem. - escolhi aquelas duas palavrinhas, que serviam para tudo, mas não respondiam nada. - Não quero que me odeie, mas preciso ver o que é melhor pra mim agora, . - levantei-me da poltrona, caminhando até o sofá e me sentando ao seu lado. - Talvez, ter ido até sua casa, tenha lhe dado uma ideia errada dos fatos.
- disse que era cedo, eu deveria ter escutado. - concordou, perdendo-se em pensamentos. - Eu sei que você não vai perdoar o que eu fiz e, por Deus, eu me arrependo todos os dias. Mas eu estou aqui, fui seu amigo antes e posso ser agora. - arriscou-se a tocar minha mão, lançando-me um sorriso amistoso. - Não precisamos falar sobre isso por hora, mas eu estou aqui, , no minuto em que você me quiser de volta.
- Eu amo você. - sussurrei, afagando sua mão. sabia o que aquelas três palavras significavam naquele momento. Ele era meu melhor amigo, aparou-me nos momentos mais difíceis da minha vida, talvez nosso erro tenha sido expressar aquele amor da forma errada. - Mas hoje, não estou mais apaixonada por você.
- Te esperei por dois anos, , posso esperar mais algum tempo. - piscou, compreendendo o real sentido do que eu falara. E então, a procura de escapar da melancolia, me olhou, sorrindo fraco. - Recebi uma proposta de uma faculdade em Londres, tenho vinte anos e acho que seria bom mudar os ares um pouco.
- Londres?
- É, meio longe, eu sei! - dessa vez, sorriu abertamente. - A vaga é pro ano que vem, mas está indo para lá por um tempo, e eu pensei em ir de penetra.
Ergui meus olhos para ele, franzindo minha testa.
- O quê?!
- Penetra, sabe? - deu de ombros, sem desfazer o sorriso. - Sem ser convidado. Atormenta-lo na Terra da Rainha.
- vai para Londres? - perguntei de forma automática, mas me dando conta disso tempo suficiente para poder consertar. - Quero dizer, você não deveria falar desse jeito do seu pai.
Eu era péssima nessa coisa de corrigir erros. Mas era um tanto quanto lento para perceber minhas gafes, então: ponto para mim.
- Ele não é meu pai. - revirou os olhos, prosseguindo normalmente. - Achei que já soubesse, se casou com a minha mãe quando eu era mais novo, depois que ela morreu, minha guarda ficou com ele. Enfim, - suspirou. - Londres, o que acha?
Informação demais. Raspei a garganta, procurando manter o foco.
- Vai ser bom para você.
revirou os olhos.
- É um convite, . - riu. - Como amigos. Você tendo seu próprio quarto de hotel, bem longe do meu, se preferir.
- , você não ouviu nada do que eu disse, não é?
- Eu ouvi. - falou, encarando-me nos olhos. - São só alguns dias, preciso ver como vai ser o lance da bolsa, a gente conhece alguns pontos turísticos e só.
- E... E seu pai?
- tem uma reunião com um cara da sede de Londres, não é nada sério, mas ele parece querer muito a vaga. - ergueu seus ombros, enquanto falava, uma evidente mania sua. - Mas acho que tá de boa você ir.
- Não acho que vai ser uma boa ideia.
- , não estou fazendo isso para te convencer á voltar comigo. - esclareceu, calmamente. - Você sempre quis conhecer a Inglaterra.
- Eu sei. - rebati, surpresa demais com seu convite, para pode dar-lhe uma resposta consistente. - Mas... Eu começo a trabalhar em duas semanas e...
- Duas semanas me parece ótimo!
- . - ri, sendo acompanhada por ele. - Posso falar com meu pai antes? Não me sinto confortável em decidir algo, sem saber o que ele acha sobre o assunto.
- Claro. - respondeu, levantando-se, dando como encerrada nossa conversa constrangedora. - A relação de vocês sempre foi linda. - alongou os braços. - Preciso ir. Vou conversar com o sobre você ir conosco, - continuou, rindo ao me ver encara-lo como quem dizia "eu ainda não lhe confirmei nada". - Caso queira.
- Prometo pensar com carinho. - lancei-lhe um sorriso, acompanhando-o até a porta.
passou pela mesma, estendendo-me a mão em uma despedida formal demais, alarguei meu sorriso, apertando sua mão. Apesar do clima espontâneo que surgira de repente, eu podia perceber que não estava completamente satisfeito com o final.
Mas quem podia culpa-lo? Nem mesmo eu estava completamente satisfeita com aquele desfecho, que parecia ser tudo, menos um capítulo final.



Continua...



Nota da autora: (21.12.2016) Oi migas! Quem é vivo sempre aparece, né non? E eu ressurgi das cinzas como uma fênixxxx... Sdds TVD, sdds Rayna Cruz Quero pedir desculpas pela demora :( Sou uma péssima pessoa, sinto muito! Enfimmmm, obrigada á quem está lendo - ainda -, mas assim, um hiper-super-mega OBRIGADA. Você são fodas e eu to muito feliz!!! Obrigada por não desistirem de mim! Eu amo vocês tudo! <3
Bom, não sei se essa att vai chegar antes do natal e do ano novo, mas já quero deixar meus votos de coisas boas para vocês. Muita saúde, felicidade e Deus no coração <3 See ya soon <3
Minhas redes sociais: @_hellouist no twitter e Julia Brito no facebook! bora lá papear <3




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