Get to You
Autora: Camis
Beta-Reader: Abby

Fanfic revisada por Nathalie Scheidt



O carro deslizava pelo asfalto com uma rapidez perigosa, mas não parecia se importar. Na verdade, ele já tinha parado de se importar há tempo. Para ser mais exato, desde que ela havia ido embora. Não totalmente embora, porque ela permanecia em seus pensamentos e, principalmente, em seu coração. Ela apenas foi para outro lugar, outro país. apertou o volante com esse pensamento, sentindo a saudade invadir cada parte do seu corpo, ainda sem perceber a velocidade em que estava. Ele só queria fugir, mas não tinha certeza se do lugar onde tudo lembrava ela ou se para os braços da garota.
Para angustiar ainda mais o rapaz, garoava, fazendo com que os pingos da chuva deslizassem pelos vidros do carro. Por um momento, ele imaginou que os pingos fossem lágrimas e se sentiu como seu carro. Talvez ele estivesse sentindo falta dela. Isso não tinha muito sentido, mas era a verdade. odiava se odiar, mas não existia um jeito de aliviar a sua culpa. Como pôde perder uma garota dessas? Como pôde ficar tanto tempo com ela e nunca perceber que ela era a garota? Aquela que faz com que um sorriso involuntário apareça no seu rosto quando ela ri; aquela que sua mãe um dia falou que ele iria conhecer e que, daquele dia em diante, sua vida mudaria; aquela garota que o seu pai falou que iria ‘‘te colocar nos trilhos’’. Aquela garota que hoje era só uma lembrança.


- Você tem que me apoiar, é só isso que eu te peço! – falou, já sem forças pra gritar ou chorar. Por que não conseguia entender e, principalmente, apoiá-la? Não era como se ela estivesse indo embora para sempre. Ela voltaria. Ela voltaria para ele.
- Eu não posso te deixar ir! – gritou virando para a parede, não conseguindo mais encarar a garota. Lutava com todas as suas forças para não chorar, mas já imaginava o final dessa briga. Ele não podia parar de lutar, pois talvez ainda houvesse alguma esperança, alguma salvação.
- Você sabe que isso é importante para mim! – foi até dele, abraçando-o sem jeito, e ele encostou a cabeça na parede. Ela sentia os músculos dele tensos, sua respiração descompassada e ela queria poder falar que tudo não passava de uma brincadeira. E então ele se viraria e a abraçaria. Mas isso não iria acontecer, e ambos sabiam. Era uma despedida, por mais que não quisessem. se virou ao sentir o toque da garota e colocou a mão no seu rosto, mantendo-a perto. – Por favor, ...
- Eu não vou conseguir, e você sabe disso. – falou calmamente, passando a palma de sua mão pelo rosto da garota, tentando decorar os seus traços enquanto ela olhava fixamente para seus olhos.
- Você vai, . – ela disse, antes de abraçá-lo pela última vez. – Você tem que.



E se ele tivesse apoiado-a desde o começo? Teria ele conseguido fazê-la desistir? E se ele tivesse falado o quando ela significava para ele, em vez de simplesmente deixá-la ir, será que o convite de casamento no chão no carro existiria? Ou será que seria o nome de ali, junto com o de ? se questionava, mas não conseguia pensar em uma resposta plausível. Por que ela tinha mandado o convite?
Porque você ainda é o melhor amigo dela, seu animal.
Merda. E ela ainda queria que ele fosse o padrinho. Será que não era mais fácil pedir para ele se matar?
tinha diminuído a velocidade porque já estava chegando ao lugar desejado, mas ele ainda corria por puro prazer. Gostava de sentir a cidade se tornando apenas borrões, parecia que ele possuía super poderes. E também fazia ele lembrar de , que adorava tudo que se movimentava, desde crianças até formula 1. Ela estava por toda parte, sem que ele ao menos percebesse. Ele sabia que ela tinha arrumado um namorado por lá e, por mais que tivesse ciúmes, aceitava, pois ele acreditava que ela voltaria. Voltaria para ele.
Mas casar?
Quantas vezes, quando eles ainda eram adolescentes, ela disse que nunca iria se casar? Que casamentos eram coisas para loucos e sem amor à vida? Quantas vezes eles combinaram que iriam ser velhos sozinhos e com vários gatos, mas que rodariam o mundo todo? E agora ela encontrou alguém que deu outras certezas a ela.
Certezas que nunca havia dado.
Como ele se odiava! Ele só queria bater com o carro em algum poste e acabar logo com isso, mas nem isso conseguia. Era um inútil mesmo. Mas havia algo pior do que ele: o amor que ele sentia. Sim, porque era amor! Era um amor que ia da raiz dos fios de cabelo até a unha do dedão do pé, fazendo com que cada vez que ela telefonasse, mandasse sms ou alguma mensagem pela internet, ele virasse um adolescente e entendesse porque ainda sonhava com aquilo.
Quando conseguiu avistar a praia, estacionou o carro, saindo do mesmo logo em seguida e indo em direção à areia. Ainda garoava, mas não passavam de algumas gotas solitárias que resolviam cair algumas vezes. Assim que seus sapatos tocaram a areia, ele relaxou pela primeira vez naquele dia. Foi como se ele estivesse voltando no tempo.


- Se eu fosse embora hoje, o que você faria? – perguntou a adolescente para o garoto que estava mais atento ao videogame do que à ela. Assim que ouviu a pergunta, ele pausou o jogo e se virou para ela.
- Que pergunta idiota, , até parece que eu iria deixar você ir. – e riu, voltando a se concentrar no jogo.

- Você pula e eu te pego antes de cair. – explicou , olhando para o lado, tentando ver se alguém passava pela rua. Estava limpo. – Vamos, ! Alguém vai aparecer!
- Eu não consigo! – respondeu a garota, com a voz fraquejando. Estava com medo. Maldita a hora em que concordou com nessa loucura.
- Você confia em mim? – perguntou, e como resposta recebeu a garota em seus braços.

- Isso é muito gay. – disse , e riu.
- Não é gay, é romântico. – explicou, voltando a olhar as estrelas.
- Mas não somos um casal, somos só amigos.

- Não acredito que você saiu com o James, justo o James! – disse irritado assim que contou o que tinha acontecido na festa.
- Qual é o problema com ele, ? Ele é legal!
- Ele não é a pessoa certa para você!
- E quem seria essa tal pessoa certa?! – ironizou .



se jogou na areia com as mãos na cabeça, querendo arrancar essas memórias da sua vida. Por que ele havia estragado tudo? Justo ele, que sempre achou que tinha razão. Como ele queria poder voltar no tempo...


- O que aconteceu? Por que você está chorando? – perguntou assim que entrou no quarto da garota e a encontrou com lágrimas nos olhos. Ela olhou para ele e se jogou em seus braços, procurando por algum conforto.
- Você tinha razão sobre o James, ele não presta.

- Uma comida?
- Pizza.
- Uma música?
- Get To You, do James Morrison.
- Um sonho?
- Estudar na Califórnia.
- Uma pessoa?
- Você. – então parou, olhando para ela sem saber o que responder, e ela sorriu.

- Promete que não vai me esquecer? – perguntou , fazendo a última pergunta antes de deixá-la embarcar para a Califórnia.
- Nem que eu quisesse, .

- Queria que todos os homens fossem que nem você. – disse enquanto recebia carinho do amigo no topo da sua cabeça.

- ! – gritou, tentando alertar o garoto de que a escada que subia estava quebrada. Tarde demais. Os dois caíram no chão, em cima dela e a escada ao lado dos dois. Por mais que a queda tivesse doído, ambos começaram a gargalhar da situação, até que a gargalhada se tornou um riso, que se tornou um suspiro. não conseguia não olhar para os lábios da amiga, não conseguia não imaginar como eles deveriam ser macios e bom de ser beijados. Era errado, mas por que parecia tão certo?



esteve presente em todas as fases de sua vida que ele conseguia se lembrar: seus pais eram amigos de infância, e assim que descobriram que seriam uma menina e um menino, fizeram de tudo para juntar os dois. Mas sempre foi só amizade. Nenhum beijo, nenhum comentário malicioso. Nada. Os dois viviam nessa grande bola chamada amizade até o dia em que eles começaram a decidir o que fazer da vida. ia a audições para as mais diversas bandas, atrás de alguma que pudesse dar certo, para ele poder fazer o que realmente ama: a música. Já passava noites e noites estudando para as mais difíceis provas, tudo para realizar o seu sonho de conseguir uma bolsa de estudos em uma boa faculdade. Então as brigas começaram a surgir com mais frequência e pelos motivos mais idiotas, fazendo com que algumas coisas fossem escondidas do outro simplesmente para evitar as brigas.
Sentimentos também.
sentia algo diferente quando chegava na sua casa; quando ela contava algo e ele só ria depois de alguns minutos; quando ele olhava pra ela daquele jeito que fazia com que ela se sentisse transparente, como se ele fosse capaz de ler os pensamentos dela. Uma vontade doida de agarrá-lo, de sentir o corpo dele junto ao seu, mas aquilo era tão errado!
Eles só precisavam de um tempo e tudo ficaria bem. Mas eles deram tempo demais.


- Se você pudesse ter um super poder, qual seria? – perguntou a garota, deitada no chão ao lado de .
- Acho que o poder de ir ao passado. - eles riram e puxou-a para um abraço, que foi retribuído com prazer.

- Toma, é o meu presente. Para você nunca mais esquecer de mim. – colocou na mão dele um chaveiro com uma tartaruga. Não era grande coisa, mas era o seu chaveiro favorito.



sorriu ao lembrar-se do chaveiro e, se mexendo um pouco, conseguiu pegar a chave do seu carro, que carregava, junto a ela, o pequeno objeto. Pegou-o e ficou olhando, lembrando-se daquele dia. Como ele queria voltar no tempo.
Suspirou.
Colocou a tartaruga bem no centro da sua mão e a fechou, deitando logo em seguida, sem se importar com a areia que poderia grudar em seu corpo molhado. Quem liga se ele está em uma praia de madrugada e, ainda por cima, garoando? Não havia ninguém ali, apenas ele e suas memórias.


- Você já imaginou o quão legal seria se a gente pudesse voltar no tempo? – perguntou , virando-se para o rapaz que dedilhava qualquer coisa no violão.
- Legal? Por favor! Prefiro ir para o futuro.

- Se você pudesse parar o tempo em algum momento da sua vida, qual seria?
- Provavelmente agora.
- Por quê?
- Para eu ficar para sempre com você.



Mas agora tudo isso parecia uma mentira, ou talvez como se ele nunca tivesse vivido tudo aquilo. Ela iria se casar! A sua garota! Ele queria correr para o aeroporto mais próximo, pegar um avião e ir para a Califórnia dizer tudo o que sentia, mas não conseguia. Porque antes de ela ser sua garota, ela era sua melhor amiga, e ele queria o seu bem.
E algumas vezes você tem que se abdicar da sua felicidade pelos outros.
Era por isso que ele estava ali, jogado na areia, esperando que algum milagre acontecesse e ele pudesse ter uma chance. Só uma chance. Uma última chance.

Talvez fosse alguém com sorte.

*

acordou meio tonto, sem se lembrar de ter caído no sono. Estranhou ao sentir falta do cheio salgado da brisa do mar e, principalmente, por estar em um quarto. Tentou lembrar se havia conhecido alguma garota no meio tempo em que esteve na praia, mas não conseguia lembrar de nada. Provavelmente ele deveria ter voltado para casa e, como estava cansado, não conseguia lembrar do que havia acontecido. Observou o teto branco, juntando forças para sair das cobertas quentes e encarar a realidade, mas o seu olhar se prendeu em um pôster do Bruce enquanto olhava a mobília. Então encarou os armários, a outra parede e, num pulo, levantou-se. Ele conhecia aquele lugar.
Porque era a casa da sua mãe.
Era o seu antigo quarto.
Então ele se sentiu como se tivesse 16 anos de novo e ficou ainda mais confuso. Como ele tinha parado em Bolton? E desde quando sua mãe mantinha o seu antigo quarto? Na última vez em que estivera lá, Vicky planejava mudar de quarto, pois o dela era bem menor.
Sentou-se na cama, passando os olhos mais uma vez pelo seu quarto, até que uma voz lhe tirou o foco.
Não era uma voz, mas sim a voz.
- Puta que pariu, , você é tão inútil que não consegue nem dormir quieto. – bufou, olhando diretamente nos olhos do rapaz. Dizer que quase conheceu Deus mais cedo do que o previsto não seria um exagero. A boca dele formou um "o" perfeito e a garota, percebendo que algo estava errado, se sentou ao lado dele, pousando a mão em suas costas nuas. – O que houve?
Mas não houve resposta, porque tinha coisas melhores para fazer. Ou pensar. Ou sentir. Ou tentar achar um sentido em meio a tudo isso. A primeira ação dele foi tocar o rosto da garota que, por reflexo, curvou-se para trás. Mas foi mais rápido e conseguiu segurá-la. A outra mão passeou livremente pelo rosto dela, contornando desde o seu olho até o queixo, mas o seu olhar sempre se mantinha fixo nos olhos dela.
- Você realmente não acordou bem hoje. – sussurrou baixo, incapaz de protestar por aquele carinho tão suave e dedicado. nunca fora de mostrar seus sentimentos, mas também nunca foi preciso. Ambos sabiam que podiam contar um com o outro, eles sentiam isso. Mas estava confusa, também por ter acordado daquele jeito, mas principalmente pelo jeito que ele a olhava. Nunca havia sido desse jeito, ou pelo menos ela nunca percebera. Ela nunca tinha notado o jeito que ele olhava para os lábios dela, como se fossem alguma maravilha do mundo antigo em exposição. Também nunca notou o quanto os lábios dele a atraíam, como se fossem tão perfeitos que cabia a ela a missão de comprovar sua existência. Mas ele era o seu melhor amigo, seu amigo de infância, filho da melhor amiga da sua mãe. Tinham crescidos juntos, tinham uma história juntos. Era errado. – , o que você pensa que vai... – e antes que ela pudesse completar a frase, ela viu que sim, aqueles lábios eram reais. Já ele, teve a certeza de que não importa qual tinha sido o milagre que o trouxe de volta ali, ele iria fazer valer a pena.


- Se eu fosse embora hoje, o que você faria? – Perguntou para o garoto, que estava mais atento ao videogame do que à ela, mas que assim que ouviu a pergunta, deu pause no jogo e se virou para ela.
- Você não faria isso. – riu, voltando a se concentrar no jogo.
- Por que você acha isso? – perguntou ela, em tom de deboche. Não havia gostado da resposta dele.
- Porque eu não deixaria. – respondeu, jogando o controle do videogame na cama e puxando a garota para um beijo apaixonado.

- Você pula e eu te pego antes de cair. – explicou olhando para o lado, tentando ver se alguém passava pela rua. Estava limpo. – Vamos, ! Alguém vai aparecer!
- Você não vai aguentar o meu peso, eu sou gorda! – respondeu, tentando achar a melhor posição para acabar com essa loucura.
- . Primeiro: você não é gorda, é gostosa. Segundo: dá para pular logo? - e antes que ele pudesse soltar mais algum comentário, ela caiu em seus braços.

- Isso é muito gay. – disse , e ela riu.
- Não é gay quando você está sozinho com sua namorada em um lugar abandonado. – explicou, voltando a olhar as estrelas como quem não quer nada. gargalhou, chegando mais perto da garota e cheirando seu pescoço. Como ele amava o perfume dela.
- Isso foi uma indireta, mocinha? – perguntou, levantando o rosto e ficando de frente para ela.
- Talvez. – respondeu, antes de puxar o namorado para um beijo.

- Uma comida? – perguntou, entrando na brincadeira.
- Pizza.
- Uma música?
- Get To You, do James Morrison.
- Um sonho?
- Ficar com você para sempre. – ficou sem reação com a resposta tão direta da garota, que continuava a sorrir como se tivesse falado a coisa mais normal do mundo, mas depois ele sorriu daquele jeito que só sorria com ela, e eles se beijaram mais uma vez.

- Promete que não vai me esquecer mesmo com fãs malucas, groupies e tudo mais? – perguntou , fazendo a última pergunta antes de deixá-lo entrar no palco para o primeiro show oficial de sua banda.
- Nem que eu quisesse, .

- Se você pudesse ter um super poder, qual seria? – perguntou a garota, deitada no chão ao lado de .
- Acho que o poder de ser a pessoa mais forte do mundo. – riu.
- Mas por quê? – perguntou confusa, apoiando seu cotovelo no chão para olhá-lo melhor.
- Para eu poder te proteger de qualquer coisa. – ela sorriu, e a puxou para um abraço.

- Se você pudesse parar o tempo em algum momento da sua vida, qual seria?
- Provavelmente agora.
- Por quê?
- Para eu ficar para sempre com você.



O carro deslizava pelo asfalto com uma rapidez perigosa, mas não parecia se importar. Ele precisava chegar a tempo. Quem em sã consciência conseguia se atrasar para o próprio casamento?


THE END



Nota da Autora: Depois de exatamente um ano sem conseguir escrever qualquer tipo de fanfic, eis eu aqui. Sim, eu também achei a história fraca/bobinha e até um pouco confusa, mas até que eu gostei do resultado final (considerando que eu fiquei um ano sem escrever nada, até que dá para o gasto). Por isso eu preciso MUITO que vocês comentem, nem que seja um comentário de uma linha, porque eu estou bem insegura, hehe. E se você aí, pessoa linda maravilhosa, quiser deixar um comentário dizendo onde eu posso melhorar, eu irei te amar pra sempre!
E como eu acho que ninguém vai entender muito, eu vou explicar: o seu guy voltou no tempo e fez diferente (tanto é que a primeira frase do último parágrafo e do primeiro é a mesma, assim como alguns flashbacks mudaram de contexto/frase, mas em tese são os mesmos).
Enfim, é isso. Obrigada por ter chegado até aqui. Qualquer coisa (se você for uma pessoa muito envergonhada e não quiser comentar, com medo de que eu descubra o seu nome e jogue macumba), pode dizer o que achou no meu askfm.
É isso. <3



Nota da Beta: Erros? Envie diretamente para mim pelo email awfulhurricano@gmail.com ou através de um tweet para @mimdeixa (lembrando que eu NÃO sou a autora da fic). Não use a caixinha de comentários, por favor. xx Abby


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