
Escrita por: Letícia Black
Betada por: Caroline Cahill
Ultimato
null se cansava muito rápido. Acabei por questioná-la se ela não queria tomar um energético ou algo assim — qualquer coisa que me permitisse continuar a fodendo na hora que eu bem entendesse, sem ter que passar pela longa etapa que consistia em acordá-la.
Ela me disse que só estava sem prática. Dois anos sem sexo, foi o que me disse, e eu tentei não parecer tão admirado.
— Como você conseguiu? — perguntei.
Não que eu estivesse realmente impressionado e não pudesse adivinhar; eu tinha prestado bastante atenção nela e não via nenhum rapaz rodeá-la, além do idiota do amigo dela. E, por mim, qualquer cara que tivesse estado dentro dela deveria rodeá-la.
Como o ex, a procurando na casa do pai, e o primo passando a mão nela sem autorização. Perguntei-me onde estava o terceiro, mas defini que não queria saber.
Ela ficou uns dois minutos rindo da minha cara, antes de me responder.
— Eu também tenho alguns brinquedos — disse-me.
Tentei arrancar quais brinquedos eram, mas ela só fazia rir da minha expressão admirada, então ficou por isso mesmo.
Acabei deixando o resto da tarde e da noite pra lá, esperando que ela pudesse se recuperar mais rápido e totalmente. Até mesmo porque eu também podia utilizar um pouco de fôlego.
Passamos a tarde e a noite jogando vídeo-game, ainda assistimos um filme antes de irmos deitar, comendo uma pizza deliciosíssima, feita em casa, pela cozinheira do meu pai. null e eu comemos meia pizza cada um e ela ainda brigou comigo pelo último pedaço, que perdeu porque eu a distraí com um beijo.
— Você não joga muito limpo, joga? — ela me questionou, zangada.
Acabei dando um pedaço a ela, o que a fez parar de reclamar tanto.
Tomamos banho juntos, antes de dormir, e não transamos nele, embora nossos vários beijos quase nos levaram a um caminho sem saída nessa direção. Controlei-me no último minuto e foi quando eu informei a ela que era bom ela estar recuperada no dia seguinte, porque eu ia precisar.
E ela só ria da minha cara.
Dormimos enroscados de uma maneira que eu pouco compreendia e tudo era mérito dela, mas eu sentia sua bunda encostada quase em meu pau e eu tive que respirar fundo várias vezes antes de conseguir relaxar e, finalmente, dormir.
A promessa do dia seguinte estava pairando em minha mente e encantando meu sonho. Estava começando a aceitar o fato de que eu pouco iria ter chances de não me acostumar com aquilo — eu estava desejando que toda aquela situação se estendesse o máximo possível...
Foi a perspectiva ideológica que me fez acordar antes de null e deixar-me encará-la por longos minutos, me perguntando que droga era aquela que estava acontecendo comigo.
E se eu estivesse apaixonado, o que isso significava?
Admirei-a em sua totalidade, as bochechas ligeiramente coradas, os seios subindo e descendo à sua respiração calma e controlada, os lábios avermelhados bem moldados e ligeiramente entreabertos, a maneira com que o cabelo seguia o formato do seu rosto, o nariz arrebitado...
Tudo nela simplesmente parecia perfeito.
A curiosidade exacerbada e a maneira com que ela parecia sempre disposta a aceitar o que eu propunha, mesmo nunca tendo testado antes, sua receptividade aos meus toques, a forma com que ela gemia, seus olhos cerrados quando ela ficava com raiva de mim, sua risada estonteante, tudo era encantador.
Deixei um beijo atrás de sua orelha e ela se remexeu, mas não acordou. Eu ri, pateticamente, vendo o que seu ponto fraco fazia com ela, mesmo que ela ainda não estivesse desperta.
Ela era apaixonada por mim.
Com um suspiro, eu percebi que era a primeira vez que aquilo me lisonjeava, e não me deixava incomodado. Era um prazer esquisito, saber que ela estava caída por mim e inflava meu coração.
E se eu sentisse o mesmo?
Eu não fazia ideia de como lidar com aquilo e nem sabia em como fazia para descobrir isso, mas eu queria saber.
Porque, seja o que fosse, era bom para caramba e, ao mesmo tempo, era muito confuso.
Resolvi me levantar, um pouco elétrico demais para permanecer ali. null não pareceu gostar muito de me sentir escapando ao redor dela, mas não fez menção de acordar. Sorri ao vê-la procurar uma outra posição e ela acabou deitando de bruços, com a bundinha empinada em minha direção. Quase me engasguei.
Procurei pela câmera de null e meu celular, que ficara tão inutilizável nos últimos dois dias — descarregara e eu nem havia notado. Coloquei-o para carregar do lado da televisão e sentei-me no sofá, olhando as minhas fotos com null.
Puta merda, ela era linda demais.
Aquilo não estava ajudando meus pensamentos embaralhados e muito menos em minha meta em deixá-la dormir ao menos até que ela acordasse sozinha, então me arrastei até onde meu celular estava carregando e liguei-o, esperando encontrar algum joguinho estúpido que me distraísse ou alguma coisa na internet.
Encontrei null, online e muito ansioso por notícias minhas.
null: Eai, comeu?
Eu: E vc ainda pergunta?
null: krk, garanhão ein? Finalmente vc conseguiu a pesca. Como vc ta agr?
Eu: Esquisito. Ela disse q gosta de mim.
null: E vc ñ saiu correndo?
Eu: Não.
null: Bem q eu te falei heueheuheuehua
Eu: Oq?
null: Q vc ta caido por ela.
Eu: Eu não sei não cara.
null: Conheço vc, ok? Nunca vi vc tão embasbacado com uma garota quanto p ela. E tbm nunca vi você tão ciumento. Vai p mim.
Eu: Ah, fodase.
null: Não é uma coisa ruim, seu idiota.
Eu: Ta bom.
null: Admite q doi menos.
Eu: Eu acho q pd ser.
null: Viu? Agr é só curtir. E vê se não caga tudo porque se vc deixar ela escapar, qm vai ter q aguentar essa bosta sou eu.
Eu: Vai se foder!
Mas eu estava rindo. null era um panaca, mas ele era um amigo muito legal; já havíamos passado por poucas e boas e ele já me tirara de muitas merdas — e me colocara em algumas também.
Ia responder alguma trivialidade qualquer quando ouvi batidas insistentes na minha porta. Deixei a câmera e o celular em cima do sofá, de qualquer jeito, e abri, apenas para encontrar a nova governanta do meu pai, parecendo um pouco tímida e sem jeito de estar ali.
— Seu pai pediu que fosse almoçar com ele — disse.
Eu estava pouco surpreso. Eu sabia exatamente o que ele queria e estava até um pouco impressionado que tivesse demorado tanto para chegar até ele — aí me recordei que ele deveria ter voltado do cruzeiro ainda naquela manhã.
— Tudo bem — concordei.
Já estava pedindo licença e fechando a porta quando ela me impediu, parecendo ainda mais envergonhada.
— Ele pediu... Hm... Sem a null.
Ela ficou mais vermelha do que a blusa do uniforme que usava. Sorri amigavelmente para ela, não muito surpreso e ciente de que a culpa não era dela, mesmo que ela se sentisse dessa forma.
— Tudo bem, Soraia — garanti a ela. — null ainda está dormindo, mas você pode preparar algo pra ela almoçar? Se for rápido no meu pai, eu mesmo trago, mas se eu demorar, tem como você trazer pra mim?
Soraia ficou muito feliz em poder ajudar de alguma forma. Soltou um Claro! contente, me alertou sobre estar quase na hora do almoço e se foi com a minha promessa de que só ia avisar null de onde eu estava indo.
Voltei ao quarto rapidamente e me ajoelhei na cama, ao lado de null. Ela pareceu perceber que eu estava por perto e me procurou. Agachei-me ao lado dela, levando meus braços cada um em um lado de seu corpo.
— Baby, eu vou almoçar no meu pai — sussurrei, esperando que ela estivesse acordada o suficiente para compreender minhas palavras.
Ela reclamou e abriu os olhos vagarosamente. Logo, passou os braços ao redor do meu pescoço e eu sorri de lado, deixando um beijo casto em seus lábios.
— Temos quanto tempo? — perguntou-me.
Engoli a seco, percebendo suas intenções em cada letra proferida. Tomei um montante de ar e sorri meio nervoso para ela, tentando não me envolver muito no seu joguinho de sedução, sabendo que ele poderia piorar minha situação no momento.
— Estou basicamente atrasado — informei-a. Ela entortou toda a sua expressão e soltou um suspiro, se preparando para se levantar. — Ele... Hm... Não quer que você vá.
Ela levantou a sobrancelha, voltando a se jogar sobre a cama, me avaliando. Acabou que sorriu e senti suas unhas se movimentando lenta e gostosamente em minha nuca.
— Tudo bem — ponderou. — Você acha que é por causa... Hm...
Ela não conseguiu dizer o nome de Kamille e isso me fez sorrir. Tentei disfarçar que eu estava gostando de sentir os ciúmes em sua voz e sua expressão, mas ela ainda meneou a cabeça, percebendo minha mudança.
— Sim, provavelmente — concordei. — Se estiver tudo bem, vou levar as cartas que seu pai me deu.
— Já disse que tudo bem — reclamou — Não gosto de ficar repetindo as coisas e se você me perguntar isso outra vez, eu vou ficar muito zangada.
Gargalhei e beijei-lhe a boca, querendo que aquele beijo se estendesse por todo o dia, o que foi claramente compartilhado com ela. Encerramos, desgrudando os lábios e respirando profundamente, os narizes grudados, como se nos afastar fosse por uma hora sequer fosse mais complicado do que parecia.
— Sinto saudades de você zangada, sabia? — desabafei.
Ela riu e suspirou, antes de grudar os lábios nos meus mais uma vez. Sentia meu estômago se revirando e fui incapaz de me deixar demorar mais com a boca na dela, as mãos deslizando pelo seu corpo, explorando suas fraquezas.
— Você não estava atrasado? — perguntou, rindo, ao encerrar nosso beijo.
— Basicamente — corrigi-a.
Ela me empurrou da cama e deu um chute em minha bunda, rindo enquanto me apressava. Gargalhei, peguei o envelope de seu pai, ainda dentro da minha mochila, e voltei até ela para lhe dar um beijo antes de ir.
— Pedi pra Soraia pra trazer o almoço pra você — informei. — Mas acho que eu mesmo trago. Não pretendo nem comer lá.
— Não arrume confusão, amor — ela disse. Meu coração deu uma guinada forte e eu pensei que eu deveria continuar ali mais um pouco. — Não por minha causa. Ok?
Eu ainda estava meio embasbacado com a palavra que ela usou para me chamar e demorei um tempo a mais tentando compreender o que havia dito. Sorri, então, tranquilizando-a da maneira que eu podia.
— Não se preocupe — afirmei. — Essa é por mim, mesmo.
Como se esperasse por uma discussão feia, meu pai nem estava na sala de jantar, embora a mesa já estivesse posta. Encontrei-o em sua sala, onde ele costumava receber os amigos, seja fosse para um jogo de futebol ou para tratar de negócios; era seu lugar favorito na casa e eu achava que ele passava mais tempo ali que em seu quarto.
Entrei sem me anunciar e fechei a porta discretamente atrás de mim, batendo com o envelope em cima da mesa, antes mesmo que ele pudesse dizer qualquer coisa.
— O que é isso? — perguntou-me rapidamente.
Esperei que ele se movimentasse para abrir o envelope enquanto eu o encarava seriamente. Quando ele tirou as cartas de lá de dentro e arriscou uma leitura rápida, deixando a surpresa transparecer em sua expressão, eu disse:
— São cartas de recomendação que o ministro da agricultura deu em troca do favor que eu estaria lhe fazendo, ajudando a filha dele no que ela precisasse. — ri. — Filha, esta, que você resolveu excluir do nosso almoço.
Ele estava inteiramente chocado. Deixei-o absorver a informação e todas as coisas que vinham a seguir.
— Ela quase foi embora quando a Kamille se apresentou pra ela. — expliquei. — Por causa dessa sua palhaçada que eu nunca fui a favor, eu quase...
O a perdi ficou preso na minha garganta, antes que eu pudesse lhe dizer. Porém, meu pai, tão ciente e tão conhecedor da minha pessoa, percebeu que havia algo ali e levantou a cabeça dos papéis para me encarar, avaliando tudo em mim. Tentei não parecer muito incomodado, mas senti minhas bochechas esquentando e não pude como disfarçar.
— Você gosta dela — afirmou, com um sorriso de lado, muito parecido com os meus, quando eu estava convencido de alguma coisa (ou de mim mesmo).
Não neguei, nem concordei. Fiquei apenas ali, parado, encarando o chão, enquanto me perguntava como é que eu saía daquela situação, em que todo mundo parecia querer me empurrar para admitir que eu tinha sentimentos por null.
E eu sabia que, se eu dissesse em voz alta, tudo estaria mudado.
— Eu não acredito que, de todas as garotas que eu sei que já esteve, você foi se apaixonar justamente pela filha do ministro da agricultura — gargalhou. — null, você é sensacional.
— Por causa disso?
Eu estava horrorizado. Eu aceitei, um pouco, que ele quisesse me casar com Kamille porque eu não tinha qualquer outra perspectiva de criar família e eu sabia que era o que ele queria para mim. E ainda mais, juntando com a fazenda do pai de Kamille, nós teríamos umas das maiores fazendas do país.
— Não. Pela ironia — continuou, rindo. — Nunca achei que você se apaixonaria e você resolve fazer isso com uma conveniência enorme pra mim.
— O pai dela quer que parte do dinheiro chegue até ela — soltei, apressado e incomodado, tentando mudar de assunto.
Ele tinha voltado a ler as cartas com atenção e pareceu não me ouvir quando eu lhe dei o aviso. Repeti.
— Sim, sim. Claro que sim — comentou, meio que impaciente porque estava concentrado em outra coisa. — Queria conhecer a menina melhor, também. Tentar consertar o que eu fiz no almoço passado, se possível.
— Ela vai entender errado, agora — informei. — Vai achar que é por causa das cartas e tudo mais.
Ele levantou a cabeça e me avaliou com atenção. Fechei os olhos e fiz minha melhor cara de criança pega no flagra porque eu sabia que ele estava desvendando tudo o que estava acontecendo com facilidade.
— Você não disse pra ela. — balançou a cabeça, negativamente. — E ela disse? Garoto... — ralhou comigo, ao perceber que estava certo. — Quando a gente não diz, elas vão embora. E você não quer saber de quando elas vão embora.
Engoli a seco, sabendo que ele estava falando da minha mãe e aquele era um assunto delicado, quase proibido em casa.
— Se era só isso, pai — contestei. — Eu prefiro ir comer com ela, se não se importa.
Ele riu e apenas acenou com a mão, me dispensando.
Amarrado
Levou mais de uma semana até que eu conseguisse falar para null de que nós poderíamos tentar anal outra vez e que eu não seria um completo idiota, omisso se ela sentisse dor. Antes disso, ela apenas me cortava com outro assunto trivial ou fingia que nem estava me escutando.
Mesmo assim, quando eu estava quase conseguindo convencê-la, ela resolveu me anunciar que estava menstruada e que eu não iria encostar nela por, pelo menos, três dias.
— Isso é sério? — questionei, horrorizado. Ao vê-la concordar com a cabeça, sem nem se dignar a me olhar nos olhos, eu continuei — É só sangue!
Ela levantou o rosto para me olhar com sua pior expressão enojada. Eu ainda não estava acreditando que ela estava falando sério, mas foi bastante dura e persistente.
— Só sangue — repetiu. — Que horror.
E ela realmente segurou a barra, mesmo que eu estivesse insistindo arduamente em convencê-la. Ela sempre acabava gargalhando e escapando dos meus braços, antes que eu conseguisse algo interessante.
Mas valeu porque eu ganhei dois boquetes no período.
— Olha só, sua bundinha também pode quando você tá menstruada, não pode não? — eu questionei, quando ela voltou, depois de ir cuspir meu gozo na pia do banheiro.
null se jogou na cama, balançando a cabeça negativamente, mas com um sorrisinho no rosto. Eu sabia que eu estava quase lá, então, resolvi continuar o assunto.
— Se você não quisesse, não ia ficar esfregando essa bundinha em mim o tempo todo, né, gata? — inquiri.
Ela riu, revirando os olhos. Arrastou-se na cama até deitar ao meu lado e eu a puxei mais para perto, deixando um beijo em seus lábios, sentindo meu gosto em sua língua, o que só me deixou com ainda mais vontade de tê-la.
Ela também parecia bastante incomodada com sua própria regra de não podermos transar enquanto ela estava menstruada, mas fingia não se abalar.
— Doeu pra caralho, sabia? — confessou, fraquinho, assim que minha boca desgrudou da dela.
Eu imaginava. Minha culpa.
Torci meus lábios em uma careta, meio que por sua negação, meio que pela lambança que minha ansiedade havia feito. Agora eu tinha era que amargar atrás da aceitação dela, coisa que, antes, teria sido fácil, já que ela até apostara sobre aquilo, a curiosidade provavelmente falando mais alto que o medo.
— Mas você não gostou das bolinhas? — perguntei.
Foi a vez dela de torcer a cara. null tinha cedido ao brinquedo e até parecia ter gostado bastante dele, apesar de ter estado bastante tensa.
— Olha... Não muito. — sussurrou.
— Mentirosa — caçoei.
Ela acabou rindo também e nós nos beijamos, meio embolados na minha cama. Suspirei fundo, sentindo aquela reviravolta em meu estômago pela maneira com que ela me beijava, parecendo me informar seus sentimentos por mim a cada mexida da sua língua, cada toque dos seus dedos em meu peito.
— Por que você quer tanto isso? — insistiu.
Franzi a testa e levantei uma sobrancelha, sendo incapaz de conseguir encontrar uma resposta àquela pergunta. Não uma lógica. Nós, homens, sempre queríamos comer a bunda das mulheres porque... era legal.
Ensaiei algo melhor para dizer.
— Porque aí você vai ser todinha minha.
Ela soltou um longo suspiro, parecendo pesar minha resposta em sua decisão; sua expressão me pegou totalmente desprevenido: ela estava cogitando ceder justamente por causa das minhas palavras, como se desejasse ser inteiramente minha, tal como eu estava desejando tê-la.
Era toda aquela festa dentro da minha barriga, incansável, a cada instante que eu passava ao lado dela.
— Eu quero tentar, mas... — escorregou a cabeça para o próprio travesseiro e se afundou nele, nervosa.
— Olha... — empurrei-me para frente, tentando evitar que ficássemos muito afastados um do outro porque a ideia não me agradava muito. — Pelo que eu sei, se a gente tomar cuidado... e eu quero tomar, veja bem. Não dói de tipo doer, só deve ser desconfortável umas duas ou três vezes e aí fica bom.
Ela tampou o rosto com a mão, rindo, e eu não soube se era vergonha ou deboche. A confirmação veio com as palavras que ela disse a seguir:
— Nossa, muito obrigada por me avisar! — ironizou.
Eu fingi que não percebi que ela estava fazendo graça com a minha cara. Envolvi sua cintura, puxando-a para que sua virilha encostasse em meu pau, mesmo que ele já estivesse meio dorminhoco depois do carinho que tinha ganhado, apenas porque eu sabia que ela estava sensível e doida para dar com aquela história besta de não transar menstruada.
— É — continuei, sem não me abalar. — É que nem fumar. A primeira vez, você odeia, tosse e, então, você fica com vontade de fumar outra vez e aí você não consegue mais parar porque você gosta.
Ela franziu a testa em minha direção, avaliando toda a minha expressão, e eu estava achando que ela iria concordar ou dizer algo, pelo menos, esperançoso à minha causa, quando ela me solta:
— E você fuma?
— Já fumei, baby — informei-a — Parei por causa dos treinos pra correr. Eu tinha que estar com o físico bom e isso acabava com o meu fôlego todo, então... voltando! — exclamei, animado. — É sério. Depois, você vai querer fazer sempre e eu juro que nem vou me importar.
Ela soltou uma gargalhada gostosa e deixou-se aconchegar em meu abraço, meio nervosa, mas eu sabia que ela estava quase — quase mesmo — aceitando minha proposta, e só de imaginar meu pau na bunda dela outra vez, nossa! Meu corpo inteiro já reagia, meio nervoso, muito ansioso, querendo o que o momento chegasse rapidamente.
— Posso pensar no seu caso? — ela perguntou.
— Claro.
Mas eu havia murchado um pouco.
Naquela noite, eu fiz questão de colocá-la para assistir vídeos de anal. Não assim, descaradamente. Chequei a programação dos canais eróticos e perguntei-a se ela queria assistir um filme — ela sempre queria. Quando eu coloquei no canal, ela apenas balançou a cabeça negativamente, com um sorriso no rosto.
Deixei minha atenção vagar entre ela e o filme, não demorando muito para ver os bicos de seus seios se eriçarem e ela começar a parecer um pouco desconfortável com a situação — não pelo que passava na tela, mas pela grevinha idiota de sexo que ela estava fazendo por motivo nenhum, já que eu batera na tecla dezena de vezes que eu não me importava se ela estava sangrando ou não e tudo o que eu ganhara com isso fora alguns tapas estalados em meu peito.
Não que eu não estivesse acostumado a apanhar, mas não tinha sido justo. Eu estava levando duas vezes — uma por não poder comê-la e outra por ser bastante sincero em dizer que eu queria comê-la, mesmo quando ela estava menstruada.
— Posso resolver seu problema rapidinho — prometi-a em seu ouvido, sentindo-a se arrepiar inteira. — Por que você não confia em mim?
A pergunta a pegou desprevenida no meio da excitação. Seus olhos se arregalaram e ela virou-se inteira em minha direção, parecendo um pouco chocada com a minha abordagem, antes de soltar um suspiro de quem estava compreendendo o que eu estava falando.
— Eu confio em você, ok? — retrucou. — Mas ainda preciso de um tempo pra me acostumar com a ideia, pode ser?
Concordei, mas um pouco decepcionado. Ela ficou ainda mais desconfortável e envergonhada com o filme. Enroscou-se em mim, escondendo o rosto em meu pescoço e fazendo todo o e meu corpo reagir àquela área.
— Você ainda vai me deixar maluco, sabia?
Ela gargalhou e o interesse pela TV se diminuiu ainda mais. Eu ainda estava dividido entre ela e o filme, minhas entranhas se revirando de desejo, mas ela mesma procurou o controle e desligou a TV, desconfortável.
— Talvez seja mesmo a minha intenção — brincou, rindo.
Ficou por aquilo mesmo.
null estava muito mais molenguinha naquela semana e ela teve a audácia de me dizer que estava cansada porque a menstruação a deixava fraca; por conta disso, tinha a desculpa perfeita para dormir até mais tarde quando bem entendesse. Eu, por outro lado, estava impaciente e com muita energia acumulada, então só conseguia acordar antes das oito da manhã — e ela só se levantava às onze.
No dia seguinte à minha tentativa de deixá-la assistir um filme sobre anal para amolecê-la, eu estava tão nervoso que não adiantou ficar jogando vídeo-game na sala até ela acordar; saí de casa e dei uma volta pela fazenda, encontrei com meu pai nas plantações, que pareceu bastante interessado em saber como null estava. Quando pareceu satisfeito com minhas notícias e convidou-nos para almoçar mais uma vez, mudou de assunto.
— Será que você não conseguiria entrar em contato com a prefeitura de São Paulo ou algo assim? — perguntou-me. — Queria ver se não conseguimos alguma coisa com o mercado por lá...
Respirei fundo e concordei com a cabeça, me sentindo idiota em não reparar antes que obviamente ele iria querer tentar uma parceria com a prefeitura da maior cidade do país, tendo uma carta de recomendação basicamente irrecusável.
Ao ver que se aproximava da hora do almoço, voltei para casa com a promessa que iria ver se null gostaria de almoçar na casa grande.
Minha surpresa foi incomensurável.
null estava com uma camisolinha minúscula, sentada em uma das cadeiras à bancada, com a bunda virada em minha direção, a calcinha enfiada no meio dela. Ao ouvir-me chegar, ela se assustou um pouco e virou para me ver; a câmera de null estava ali à sua frente, embora desligada, como se ela tivesse visto as fotos alguns minutos antes e, em suas mãos, estava a corda que eu a amarrara em nossa primeira vez, que ficara abandonada, sem uso, em algum canto da casa, durante aquelas duas semanas.
O que diabos ela tinha em mente?
Quer saber? Não importava. Aqueles elementos só podiam acabar em alguma coisa muito boa.
— Adivinha o que acabou essa noite — sussurrou, provocante.
Eu me dei o trabalho de movimentar-me o suficiente para fechar a porta quando ela pulou da cadeira, deixando que eu tivesse a visão completa do seu corpo, de frente. Foi a única movimentação que eu consegui, além dos tremeliques que eu sentia se perpassando por mim, antes que ela conseguisse me alcançar, de onde eu estava.
Passou a corda pela minha nuca, segurando ambas as extremidades e me puxando para ela. Segurei sua cintura com ambas as minhas mãos e avancei para beijá-la, mas ela afastou o rosto em uma risadinha.
— Eu não sou tão fácil assim, sabe? — riu, com um sorriso sapeca estampado em seu rosto.
Balancei a cabeça negativamente, o mesmo sorriso acabou se espelhando em mim, mas em uma versão mais idiota.
— É, eu sei — suspirei. — O que você vai fazer? Me torturar?
Ela mordeu o lábio inferior e eu fiz outra tentativa de beijá-la, o que acabou com ela se desvencilhando de minhas mãos em um passo para trás, sem afrouxar a corda ao redor do meu pescoço. Logo entendi o que ela queria e arrastei-me para segui-la até a mesa de jantar, ainda encolhida no canto, embora eu tivesse mandado recolherem a cama extra de volta para a casa grande.
Ela me empurrou contra uma das cadeiras da mesa de jantar que estava virada ao contrário e deu a volta em mim. Senti-a soltar a corda do meu pescoço e, então, envolvendo-a em minhas mãos em um nó um pouco confuso e frouxo que eu provavelmente conseguiria soltar sem nenhum esforço, se eu quisesse. Mas eu estava interessado na brincadeira.
Apareceu na minha frente, a camisola tão curta que mal lhe chegava as coxas, a calcinha tão que pequena que mal lhe cobria os grandes lábios e o meu short começou a parecer pequeno demais para a minha excitação.
Com um sorriso levado, ela começou a passar a mão pelo seu corpo, acariciando o pescoço, descendo pelos ombros, levando uma das alças da camisola para se arrear quase sem querer, enquanto ela escorregava as mãos para os seios lentamente.
Contraí minhas pernas, tentando conter um pouco da excitação exacerbada que me arrebatou quando eu vi suas mãos passeando pelos seios e apertando-os com força, da forma que eu gostaria de apertá-los naquele momento. Forcei minhas mãos contra a corda e, por algum motivo, o bolo que null fizera se apertou ainda mais contra meus punhos e eu não consegui me soltar.
Ela desceu as mãos para a barriga e eu forcei meu corpo para frente, conseguindo escorregar minha língua pela superfície exposta, ao passo que ela levantou o tecido. Gemeu, gostosamente, mas empurrou-me contra a cadeira mais uma vez, lançando-me um olhar zangado.
— null, me solta — implorei, nervoso, ao vê-la só de calcinha.
Ela sorriu como se estivesse desejando que eu ficasse doido assim e desceu suas mãos à virilha, acariciando-a por cima da calcinha, me fazendo me contorcer inteiro na cadeira. Empurrei meu corpo para frente outra vez e ela deu um passo para trás, com um sorriso esperto e balançando um indicador, de um lado para o outro, o não claro em seu gesto.
Bufei, jogando o corpo para trás e vendo-a encaixar os polegares pelas barras laterais da calcinha e ameaçar abaixá-las. Meu coração disparou e ela se aproximou, os lábios encostando-se aos meus, quase um leve esfregar, antes de movê-los até minha orelha.
— Eu quero que você coma minha bunda — sussurrou.
Eu juro que eu podia ter gozado bem ali. Eu cheguei a jogar a cabeça para trás, revirando os olhos, envolvido e excitado demais para controlar certas respostas do meu corpo, mas eu queria mais, queria arrebentar aquela corda inteira e fodê-la até minhas pernas estarem dormentes o suficiente para que eu não levantasse nunca mais da cama.
— Mas a gente... pode ir com calma? — pediu, nervosa.
— Claro. — a palavra quase não saiu da minha boca, de tão baixo que eu proferi-a.
Ela escorregou a calcinha para baixo e eu estava indeciso se a olhava sem perder nenhum detalhe ou se me rendia ao meu corpo e fechava os olhos, incapaz de conter todas as sensações que percorriam por debaixo da minha pele.
Sabia que estava ansiosa, mas ela me surpreendeu ao empurrar minha bermuda e minha cueca para baixo e sentar-se sobre meu pau ereto, escorregando-o para dentro dela com uma expressão completamente deliciosa, as mãos em meus ombros se apertando, o gemido ecoando por todo o cômodo.
Ela encaixou-se inteira, mordendo o lábio e de olhos fechados. Congelou-se assim e eu me remexi desconfortável, embaixo dela, querendo movimentação, querendo tê-la.
— null... — exigi. — Baby, vamos.
Ela soltou um gemidinho e abriu os olhos, deu uma guinada para frente, mas apoiou as mãos em meus peitos, respirando pesadamente, sem conseguir mais. Encostou a testa na minha e eu beijei-lhe a boca, esperando que isso a ativasse, sem sucesso.
— Me solta então, linda — pedi-lhe. — Me solta e eu como você.
Ela ainda estava com aquela expressão completamente perdida e toda enterrada em mim, mas concordou com a cabeça, mordendo o lábio. Demorou ainda para levar as mãos até minhas costas e soltar minhas mãos do seu nó, meio sem jeito, sem força e soltando gemidinhos deliciosos conforme eu me empurrava contra ela, desesperado.
Assim que minhas mãos estavam livres, eu segurei-a pelas coxas e nos levantei da cadeira, ela soltou um gritinho, envolvendo as mãos no meu pescoço e comecei a meter dentro dela, sustentando-a no ar.
Seus gemidos aumentaram e sua expressão era tão intensamente compenetrada que eu sabia que não iria durar muito. Procurando uma maneira melhor maneira de sustentá-la e poder aproveitá-la por inteiro, caminhei até o sofá, colocando-a sentada nas costas dele e enchendo minhas mãos com seus seios.
null se jogou por sobre o sofá, ficando de cabeça para baixo. A posição pareceu ainda ser mais excitante para nós dois e em meio aos nossos gemidos, gozamos ambos.
E quando eu a carreguei até a cama, deitei ao lado dela com o rosto enfiado em seu pescoço, eu entendi que não tinha como eu não estar apaixonado por ela. Simplesmente não havia outra opção.
Não passava nem pela minha cabeça que eu me perdesse em outra mulher. Cada segundo do meu dia era gastado desejando me enfiar no meio dela; ela apenas estava dominando tudo em mim e ao redor.
Eu estava apaixonado.
Que merda.
Confiança
— Você perdeu! — ela gargalhou, se jogando no chão, quase sem conseguir acreditar na sorte que havia tido.
Eu ainda estava segurando o controle em minhas mãos, olhando para a tela da televisão sem entender nada. Não fazia sentido nenhum null ganhar de mim naquele jogo de corrida. Se fosse um jogo com florzinhas, beleza, mas tudo o que ela havia feito era apertar botões descoordenadamente e dar alguns chutes no ar como se fosse ela dirigindo, e não o personagem do jogo.
— Como que isso aconteceu? — desabafei ao nada.
null continuava gargalhando sobre o tapete da sala, sem conseguir se conter. Nós tínhamos programado um piquenique para aquele dia, mas havia começado a chover torrencialmente pela manhã e embora já estivesse estiado, nós resolvêramos ficar em casa com uma aposta, que agora eu achava que era um pouco estúpida.
Como a aposta do sete minutos do paraíso, ela tinha sido programado para null perder. Ela queria perder, eu sabia, mas era apenas uma desculpa para que ela não dissesse sim por ela mesma.
Era para eu estar comendo a bunda dela naquele exato momento, mas, por alguma ironia do destino, ela ganhara.
Como ela ganhara?
— Eu não acredito! — berrou, estridente, em seu riso.
Eu sabia que ela não estava rindo mais da situação e sim do que ela propusera que eu fizesse. Era a coisa mais estúpida que lhe passara pela cabeça no momento — o que apenas me informara que era uma possibilidade tão remota que ela nem estava apostando algo que ela realmente quisesse.
Eu teria que dar uma volta de cavalo em um vestido.
Um vestido.
Eu ainda não acreditava.
— Vale uma melhor de três? — indaguei, ainda segurando o controle e de olho na mensagem, na metade da tela do meu personagem, que informava em letras garrafais que eu havia perdido.
null apertou os lábios, tentando e se esforçando em se controlar. Levantou o olhar para mim e negou com a cabeça, o corpo ainda balançando com os espasmos de riso que ela não deixava escapar pelos lábios.
Continuou balançando com a cabeça negativamente, desta vez, era apenas claro que ela estava tão incrédula que estava demorando para absorver a informação e nem ao menos conseguia fazer piadinhas sobre o assunto.
— Tenho um vestido que vai fazer você ficar uma gata — brincou.
Pronto, ela estava recuperada.
Fechei os olhos e respirei profundamente, me preparando para toda a série de zoações que viria a seguir, mas ela apenas se levantou e foi até o quarto, começando a mexer no armário, atrás de algo que pudesse caber em mim.
Ela escolheu o pior possível. Era um vestido florido, meio rosado, que nela deveria ir até o joelho. Ficou sacudindo em minha direção até que eu me levantasse, revirando os olhos, e fosse até ela.
Peguei-o, meio zangado, e arrastei-o até o banheiro sob as risadas contidas dela. Eu estava dividido se estava mais frustrado em não comer sua bunda, irado porque havia perdido a aposta ou envergonhado por causa da minha prenda. Era um trio um pouco complicado de se escolher qual era o pior.
Enquanto eu tentava descobrir o que eu fazia com as fitinhas que ficavam na cintura do vestido, voltou a chover e eu quase comemorei.
— Não vou cavalgar com isso na chuva! — urrei de dentro do banheiro.
Eu tinha certeza de que null sabia que eu estava atrás da desculpa que me fizesse fugir daquela e, ao me ver encontrar, ela gargalhou alto o suficiente para que eu ouvisse.
— Tudo bem! — gritou do lado de fora — Mas você vai ter que me deixar filmar você desfilando pela casa!
Revirei os olhos e respirei fundo antes de avaliar minhas opções. Certamente que aquele vídeo seria um perigo nas mãos de null; se ela ficasse irritada o suficiente, poderia mandar para todas as pessoas na escola em um segundo.
Depois eu percebi que estava sendo um pouco injusto. Ela confiara em mim para filmar nós dois transando em uma das nossas primeiras vezes e nem pestanejara quando eu lhe propusera — por mais que estivesse excitada com a situação, eu sabia que não aconteceria se ela estivesse insegura com o fato de eu usar ou não aquele filme.
Percebi, então, que eu não a deixara confortável sobre isso após. Eu simplesmente esquecera da existência da câmera, das fotos e dos vídeos, distraído demais com todas as coisas deliciosas que vinham junto com o pacote null.
— Tudo bem, então — concordei. — Tô saindo.
Abri a porta para encontrar null com o maior sorriso divertido de todos, segurando a câmera de null em minha direção, parecendo muito contente consigo mesma e com toda a sua sorte.
— Manda um beijo pra câmera! — pediu.
Ao invés de me irritar, resolvi que iria assumir o papel e diverti-la; dizem que quem está na chuva é para se molhar e, bom, estava chovendo bastante, mesmo.
Quando eu fiz o que ela pediu, ela gargalhou ainda mais, quase não conseguindo se conter. Parei a uma distância segura dela, com a mão na cintura e uma posição feminina que quase a fez cuspir de tanto que ria.
— Fale-me sobre você, gata — entrevistou-me.
Eu já estava começando a achar graça da situação também. Dei uma piscadinha para a câmera e continuei mantendo minha pose.
— Meu nome é Tallia, tenho vinte e um anos — null quase não conseguia mais filmar de tanto que ela ria — E o meu sonho é a paz mundial.
Aí ela desistiu de filmar mesmo. Abaixou a câmera e se jogou deitada na cama, com as mãos na barriga, passando mal de tanto que ria. Ela tossia, limpava a garganta e continuava encolhendo e esticando as pernas, perdida nas gargalhadas que dava.
Eu estava rindo também, mais dela do que de mim, era verdade. Corri em sua direção, pegando a câmera da beirada da cama por onde ela quase escorregara até o chão — null nunca me perdoaria, chutei a merda do vestido para fora, ficando só de cueca antes de me deitar ao lado dela. Ela conteve o riso assim que percebeu meus lábios se aproximando. Beijei-a com calma, sentindo sua respiração se recuperar do ataque de riso lentamente; minha mão deslizou até a sua cintura enquanto a outra mantinha a câmera firme.
— Estou me sentindo meio lésbico agora — confessei, encerrando o beijo.
O riso de null foi bem mais controlado enquanto ela apoiava a testa em meu ombro. Respirou profundamente e eu arrisquei um beijo no todo de sua cabeça, antes de escorregar para o lado.
Sobre o seu olhar curioso, retirei o cartão de memória do compartimento da câmera e o ofereci a ela, que pegou-o, fechando na mão, sem entender muito bem, com o mesmo olhar intenso em minha direção.
— Eu esqueci — contei-lhe. — Queria ter te dado antes, não quero que você pense que eu sou um merda que vou postar nossas coisas na internet ou algo assim. Sei que você fica nervosa com isso, então eu prefiro que fique com você.
Ela me encarou meio embasbacada por um longo momento, antes de voar em minha direção, os lábios ansiosos nos meus, beijando-me desesperadamente rápido e intenso, ativando o meu corpo inteiro com aquele simples contato.
Envolvi sua cintura com as mãos e puxei-a para o meu colo. Ela sentou-se em minha ereção crescente, as mãos deslizando pelo meu corpo, ao mesmo passo que as minhas procuraram seus seios.
— Eu quero — sussurrou.
Todo o meu corpo se arrepiou com suas palavras, mesmo já estando para lá de óbvio com suas atitudes. Mesmo assim, queria ouvi-la dizer mais, queria atiçá-la ao extremo, queria que ela explodisse em meus braços daquela forma estarrecedora que ela fazia, que me deixava sem chão.
— O que você quer? — questionei, empurrando-a para a beira do abismo em que eu adorava pular junto com ela.
Sua resposta quase me fez revirar os olhos de surpresa e adoração.
— Você, na minha bunda.
Não era bem o que eu estava esperando, era melhor. Eu congelei em meu lugar, absorvendo a informação, enquanto ela, perdida em seu próprio mundo, beijava meu pescoço e meu peito, como se suas palavras fossem simples como bom dia.
— Mesmo? — perguntei.
Minha insistência no assunto a fez parar e analisar a situação. Ainda assim, concordou com a cabeça, mordendo o lábio inferior.
Suspirei, devidamente ansioso. Sentei-me com ela em meu colo e segurei seu rosto com as minhas mãos, devorando sua língua com um beijo intenso, cheio de significados, mas com um obrigado implícito que a fez sorrir quando eu o encerrei.
— Você tem que fazer exatamente o que eu mandar — alertei-lhe, enquanto ela concordava com a cabeça. — Eu não quero machucar você, mas se você não me obedecer, pode acontecer, você entendeu?
Ela concordou com a cabeça mais uma vez e respirou fundo. Beijei-lhe os lábios rapidamente, antes de escorregar minhas mãos até a barra de sua blusa, meus dedos roçando pela sua barriga, sentindo-a contrair com o meu toque.
— Primeiro vamos tirar essa sua roupinha linda, sim? — sugeri.
Ela levantou os braços e eu puxei sua blusa para longe, deixando-a apenas de sutiã. Eu simplesmente não cansava de vê-la de sutiã — ou sem ele —, ela era linda demais para ser real, seus seios eram simplesmente perfeitos, arredondados e grandes, ficavam sem nenhuma comparação em sutiãs de bojo de renda branca.
Tirando quando ela usava vermelho. Aí ela era uma espécie de deusa do sexo e da beleza, superior a qualquer outro reles humano, como eu.
Beijei seu colo enquanto soltava o fecho do sutiã. Ela exibia um sorriso perdido e, quando eu encostei meus lábios nos dela, ela mesma deslizou as alças do sutiã pelos braços, jogando-o de qualquer jeito do outro lado do quarto.
Deixei minha mão no cós do shortinho que ela usava e forcei-o um pouco para baixo, sentindo-a estremecer. Mordi seu lábio de leve e me postei à sua frente, admirando seus trejeitos.
— Está nervosa? — questionei, assim que ela abriu os olhos.
Ela desviou o olhar do meu e suas bochechas ganharam um tom rosado adorável. Tirei minha mão de onde estava e passei-a para sua cintura, acariciando-a com leveza.
— Um pouco — confessou.
Suspirei profundamente e levei meus lábios ao seu pescoço. Ela jogou a cabeça para trás e arriscou uns gemidinhos conforme meus beijos subiam em direção à sua orelha.
— Preciso que você relaxe, baby — murmurei. Tal como sempre acontecia, ela desmanchou-se às minhas palavras e aos meus beijinhos ao redor de sua orelha, me fazendo rir baixinho — Quer que eu te chupe?
Ela não conseguiu nem responder, apenas gemeu um pouco mais alto, as unhas se arrastando pelo meu peito de forma desesperada, implorando por qualquer coisa que eu pudesse lhe dar.
Rindo quase que debochado, levantei-me e arranquei seu short em um puxão, sem nem me dar o trabalho de abrir botões ou zíper. Ela soltou uma exclamação de surpresa e arregalou os olhos, mas desmanchou-se na cama quando me viu ajoelhar no chão em frente a ela.
Eu já sabia muito bem de tudo que ela gostava e minha garota curtia quando eu era mais bruto com ela. Não foi surpresa encontrá-la toda molhada quando eu puxei sua calcinha pra longe e encaixei minha boca entre seus grandes lábios, minha língua estimulando seu clitóris tanto quanto eu podia.
Ela começou a se remexer da forma que eu adorava — e era quase tão gostoso na minha boca, quanto ela no meu pau. Senti suas mãos desesperadas em minha cabeça, forçando-me a chupá-la mais e enfiei minha língua dentro dela, sentindo-a conter alguns gemidos.
— Pode gemer, bebê — murmurei, contra ela. — Eu adoro quando você geme desesperada assim.
Uma série de gemidos se seguiu às minhas palavras, meu nome perdido no meio deles, eriçando todos os meus pelos e inchando meu pau ainda mais, ainda dentro da cueca. Penetrei um dedo dentro dela e continuei lambendo-a e ela se desmanchou. Suas mãos saíram dos meus cabelos quando ela se deitou na cama novamente, agarrando o lençol com mais uma série de gemidos deliciosos.
— Vai gozar, gata? — questionei, afastando meus lábios e aumentando a velocidade de meu dedo, penetrando-a. — Goza pra mim, estou te vendo.
E foi o suficiente para ela explodir em minhas mãos com um espetáculo de pequenos esguichos de excitação que eu chupei, lambi e suguei pelo tempo em que eles escorreram.
Subi, então, sobre ela, beijando-lhe os lábios de uma maneira muito mais calma do que eu gostaria, sabendo que, se eu demonstrasse pressa demais, ela iria ficar assustada.
O beijo se encerrou e nós nos encaramos por um longo momento, enquanto eu esperava ela me dar a autorização final, que veio com seus dedos explorando meus braços ao redor dela e um leve balançar de cabeça.
Beijei sua orelha, sentindo-a suspirar e entranhar ainda mais suas unhas em meu braço.
— Pega os travesseiros — sussurrei-lhe. — Faz uma pilha e deita com a barriga em cima deles.
Ela concordou com a cabeça e engatinhou até a cabeceira da cama assim que eu me sentei, liberando-a. Começou a montar a pilha e eu dei um tapinha ao meu lado, fazendo-a concordar com a cabeça mais uma vez e deixar a pilha exatamente onde eu havia batido. Olhou para mim, meio incerta e mordendo os lábios, e, ao me ver concordar com a cabeça, ela deitou-se exatamente como eu lhe ordenei.
Suspirei, basicamente encantado. Minha língua voltou em sua boceta e a sensibilidade do gozo com a surpresa do contato a fez pular para frente, soltando um gemidinho delicioso. Ri, admirando a visão.
— Agora você está perfeita — confirmei.
Havia espelhos na cabeceira da cama, apenas um detalhe que eu nunca achei que teria utilidade, mas, pelo pedaço de um, pude ver null morder os lábios e senti-a suspirar, totalmente entregue.
Céus.
Olhei para bunda dela, ainda meio incrédulo. Aquela bunda que já me tirara o sono por ser abusada e se esfregar em mim em nossos passeios ao cavalo.
Aquela bunda linda e perfeita que nunca tivera ninguém dentro dela além de mim.
Tive que tomar ar umas três vezes para manter a calma que eu precisava para não ser um completo estúpido. Deixei-me levar a boca à sua boceta mais uma vez, sentindo-a estremecer. Desta vez, porém, puxei seu gozo com a língua até o anelzinho de sua bunda, empurrando para dentro e lambuzando com minha saliva e com seu próprio gozo.
Ela gostou e eu estava embasbacado, ouvindo-a gemer quase com vergonha e rebolar timidamente enquanto minha língua explorava ao redor das suas pregas. Meu pau estava quase gritando por fodê-la e eu achei que deveria estar mesmo na hora de deixar rolar.
Tirei minha cueca rapidamente e segurei-a firme pelas ancas na intenção de mantê-la parada. Besuntei meu pau em sua boceta e encaixei a cabeça dele em sua bunda, sentindo-a se empurrar para fora para encaixá-lo dentro, desejando aquilo tanto quanto eu.
— Quietinha, null — pedi, minha voz tão baixa, tão dominada pelo desejo, que quase não saiu. — Vamos bem devagar, ok?
O devagar não saiu muito bem quanto o planejado. Ela não sentiu nada enquanto eu a penetrava tão lento quanto o possível, seus gemidos foram total de prazer e suas mãos apertadas no lençol completavam o espetáculo com uma grandeza impressionante.
Suas palavras, ditas assim que eu me encaixei todo dentro dela, ecoaram na minha cabeça por dias.
— Pode ir, baby. Tá gostoso pra caralho.
E eu a comi como eu a queria, ainda montado um pouco na cautela, mas sem nenhuma complicação. Estapeei-a na bunda, ouvindo seus gritos de prazer e derramei-me dentro dela, deitando-me sobre ela, sua respiração tão acelerada quanto a minha. E quando eu achei que ela era simplesmente impressionante demais e não podia melhorar, ela ainda deu uma reboladinha deliciosa com meu pau enfiado em sua bunda e riu ao meu ouvir gemer.
Virou-se o rosto sobre o ombro e os lábios procuraram os meus. Envolvi sua cintura, mantendo-a grudada em mim, mesmo que meu pau já tivesse escapulido de dentro dela.
— Não foi tão ruim quanto eu pensava — confessou.
— E ainda melhora — prometi.
— Que bom.
E com um sorriso de lado, ela beijou meus lábios e suspirou. Deixei minha boca escorregar até seu pescoço, dando pequenos beijinhos de agradecimento até que ela acabou dormindo. Como sempre.
Piquenique
null estava insistente sobre o tal piquenique que queria fazer. Eu achava que era uma espécie de desperdício de tempo; nós sempre poderíamos gastar ele melhor com atividades puramente sexuais.
Mas como ela basicamente fazia tudo o que eu pedia e estava me subornando por causa das duas vezes que eu já havia comido sua bunda, achei que deveria ser um cara legal e aceitar o convite sem fazer qualquer reclamação muito prolongada.
Só que carregar caixinhas de comida e lençol florido já estava sendo um pouco demais para só duas vezes comendo a bunda dela, então eu resolvi que eu tinha direito a brindes.
— É sério, baby — resmunguei as risadas dela, quando estávamos quase chegando ao pomar — Você não pode simplesmente tentar destruir minha masculinidade assim. — null revirou os olhos, mas eu ignorei e continuei — Primeiro, aquele vestido, e agora isso! — ela riu enquanto eu levantava o lençol florido para mostrar a ela sobre o que eu estava falando — Tá difícil assim, então eu quero algo em troca.
Ela gargalhou abertamente, parando à sombra de uma das árvores do pomar, pegando o lençol de minhas mãos, sacudindo-o para desdobrá-lo e o estendeu sobre a grama. Sentei-me quase instantaneamente, enquanto ela ainda ria da minha cara e sofrimento.
— Deixa eu adivinhar — soltou, se sentando e colocando os potes de comida entre nós dois. — Você quer um boquete.
Nem ao menos foi uma pergunta e isso me fez rir. Acabei por concordar com a cabeça, achando que ela já estava me conhecendo melhor do que o recomendado, e ela riu ainda mais alto. null começou a tirar os pratos, talheres, copos e o nosso suco de dentro da bolsa que ela carregava.
— Essa é uma ideia muito legal mesmo, eu aprovo — concordei.
Ela balançou a cabeça negativamente, mas com um sorriso leve no rosto. Uma brisa leve passou por nós dois, levando seus cabelos e deixando-a indecisa se segurava seus fios ou os copos de plástico. Nós dois rimos e eu enchi ambos com suco enquanto ela segurava, agradecendo pelo vento que estava aliviando o calor de quase uma da tarde com Sol a pino.
Pela obsessão de null e minha vontade quase nula de levantar da cama para ir a um piquenique, acabamos adiando-o do café da manhã para o almoço, mesmo que o dia estivesse razoavelmente quente; como null mesmo dissera, o pomar era fresco o suficiente para não nos incomodarmos. Tanto.
— Põe na conta — brincou, ainda com aquele mesmo sorriso leve.
Por mais que eu sempre preferisse gastar minhas horas com a dupla ótima que ela fazia com sexo, eu tinha que admitir que eu estava descobrindo que também adorava aqueles momentos tranquilos e despretensiosos que gastávamos com a companhia um do outro, conversando, rindo, brincando...
A presença constante de null era tão agradável quanto qualquer amigo meu, com um bônus que eu podia transar com ela e era bom para caralho. Agora que nossas brigas haviam diminuído consideravelmente, eu sentia que só tinha a melhorar aquela sensação gostosa que me dominava quando ela estava por perto.
Não me admirava, na verdade, que eu estivesse apaixonado por ela, mesmo que isso fosse puta desconfortável e que eu não soubesse exatamente o que fazer ou como agir sem parecer um total idiota.
Se eu fosse parar para pensar um segundo sequer e listar todas as coisas boas, eu só conseguia concluir que, se eu fosse eu, eu também teria me apaixonado.
E vendo-a servir-nos com os sanduíches que preparara pela manhã, com o vento lhe bagunçando os cabelos de forma que suas bochechas já estavam ficando coradas de irritação e ela não parava de tentar prender os fios rebeldes atrás das orelhas, eu senti a necessidade de dizer alguma coisa, embora eu não soubesse nem o quê e nem como.
— Eu gosto de ficar com você — e saiu assim, essa coisa brega que parecia canção dos Tribalistas.
Sentia minhas bochechas queimando quando ela levantou o olhar curioso e atento em minha direção. Desviei meus olhos dos dela e o fixei-os no sanduíche à minha frente, pegando-o em minhas mãos de forma displicente, sabendo que o desconforto estava me fazendo agir como eu sempre agia quando meus sentimentos escapavam: eu fingia que nada de mais havia acontecido.
Isso transformou seu lindo e grande sorriso em um quase tímido e amarelo e eu só me senti um bosta.
— Eu também — respondeu, mesmo assim.
Seus olhos de águia continuavam sobre mim, tentando desvendar qualquer coisa que meus trejeitos pudessem lhe dizer sobre meus pensamentos, mas tudo o que eu fiz foi continuar sendo um completo idiota e dar uma mordida em meu sanduíche.
null desistiu e deu um suspiro, fazendo a mesma coisa que eu, e eu me senti um completo babaca.
O silêncio se fez presente por alguns longos momentos, o desconforto acabando por vencer nós dois e o nosso sempre presente bom humor.
Fiquei admirando-a pelo canto de olho, enquanto mastigávamos nossos sanduíches em silêncio, me perguntando o que eu poderia fazer com ela. null era linda em suas mais simples nuances e eu era um cara de uma puta sorte por ela ter se apaixonado por mim, mesmo eu tendo lhe oferecido o meu pior, no seu próprio pior momento.
Mas eu tinha que dizer que a melhor coisa que eu já fizera fora dar um sopapo no frutinha do seu melhor amigo, desencadeando os eventos que me levaram até o meio de suas deliciosas pernas.
Resolvi que eu tinha, ao menos, que tentar parecer menos idiota ou ela ia acabar sorrindo amarelo o suficiente para desistir completamente de mim.
Inesperadamente, segurei seu rosto pelo queixo e, apoiando e sustentando meu corpo acima de nossas comidas com a outra mão, beijei-lhe os lábios da mesma forma calma e doce que ela fazia.
Vamos, null, eu pensei. Foi assim que eu desvendei você.
Minhas entranhas estavam de cabeça para baixo em meio a um desfile de escola de samba quando eu me afastei dela e voltei ao meu lugar para admirar suas bochechas coradas e ela colocando seu cabelo atrás da orelha mais uma vez, dessa, parecendo um pouco desconfortável, não irritada.
Limpou a garganta.
— Então... — interrompeu o silêncio. Meu interior estava todo revirado e esperando a pergunta certa, desejando que eu fosse capaz de lhe dizer a verdade — O que você quer fazer hoje à tarde?
Eu quase deixei minha decepção escapar em um assobio, mas acabei soltando uma gargalhada, provavelmente de nervoso e causada por todo o excesso de emoção que eu estava acostumado a acumular e extravasar na academia e nas corridas.
— Que pergunta, a minha — riu. — Você não cansa mesmo, né?
Soltei uma risada ainda nervosa e decidi deixar para lá. Quando fosse para ela entender, entenderia, assumindo que eu dificilmente conseguiria dizer.
Escorreguei-me pelo lençol até sentar-me ao lado dela, enquanto ela me olhava com um sorriso contido, quase se segurando para não cair na gargalhada, e acabei por arrastar parte do lençol e quase derramar meu suco, o que fez com que ela me desse um tapa na coxa.
null já ia começar a ralhar comigo pela bagunça quando eu puxei-a pela cintura e coloquei a ponta do meu nariz no dela, desmanchando sua postura durona para uma completamente aérea.
— Não com você — murmurei.
null mordeu o lábio inferior e ficou com o olhar dividido entre meus olhos e minha boca, daquele jeito que garotas faziam quando queriam que o cara tomasse logo a iniciativa do beijo porque elas não sabiam se deveria.
Levantei uma sobrancelha para ela e vi que ela acompanhou o movimento; pareceu, então, menos afetada ao perceber que eu lhe estava desafiando. O primeiro a ceder, quem era? Bom, não seria ela, eu logo percebi. Então achei que a brincadeira não ia ter graça e me lembrei do meu plano de melhorar aquele piquenique.
— Quero que você coma uma coisa pra mim — pedi.
Ela revirou os olhos e quase caiu na gargalhada entre o espaço tempo em que eu a soltei e peguei um pote menor, que eu mesmo havia preparado, meio que escondido dela porque eu não queria que ela ficasse pensando no que eu havia planejado para nós dois — e aí fugisse de vergonha.
Eu a tinha enrolado um pouco antes do horário de sairmos e dei uma passadinha para colher morangos. Nossos morangos eram um dos melhores da região e a ideia de vê-la comendo-os era duplamente prazerosa, sua sensualidade e o meu próprio orgulho em uma só tacada — porque eu tinha certeza de que ela nunca comera nenhum morango tão delicioso como os meus eram.
— Morangos? — perguntou, admirada, ainda sem entender o teor das minhas intenções. Ao olhar em meu rosto, ela compreendeu ao menos metade — São seus?
Concordei com a cabeça, pegando uma das frutinhas em minhas mãos, voltando-me à posição original.
— E eu mesmo colhi — garanti a ela.
null abriu um sorriso meio bobo e encostou as costas em meu peito, enquanto eu envolvia-a pela cintura, deixando o morango em seus lábios deliciosos. Ela envolveu-o com a boca, os dentes pegando metade dele e passou a língua nos lábios, soltando um murmúrio de aprovação, que eu imitei.
Puta merda.
Eu já estava ficando duro e ela distraidamente levou a mão para bem em cima da minha crescente ereção para se apoiar. Levei o resto do morango em sua boca e ela repetiu o processo, só que, desta vez, mordiscou o lábio inferior.
Levei minha boca à sua orelha, mordi-a e lambi-a, sentindo null estremecer no meu abraço e soltar um suspiro ansioso.
— Você é muito gostosa, alguém já te disse isso? — sussurrei-lhe.
Ela suspirou outra vez e a mão em meu pau pareceu mais firme ao passo que ele crescia embaixo dela. Sua respiração já estava alterada, fazendo seus seios subirem e descerem mais rápido e chamarem ainda mais atenção; dali, de onde eu os estava vendo, eles eram ainda mais deliciosos.
— Você — sussurrou de volta. — Várias vezes.
Dei-lhe outro morango e, esse, ela envolveu-o todo com os lábios, deslizando-os até a pontinha, que foi a única coisa que ela mordiscou. Acho que soltei um gemidinho baixo em seu ouvido porque a senti se arrepiar antes de abocanhar o morango por inteiro, desta vez, para comê-lo.
— Está gostando? — perguntei.
Ela sorriu de lado, safada, enquanto mastigava o morango. Era uma delícia aos sentidos, o meu corpo inteiro berrando e se esperneando por ela.
— O melhor que eu já comi — respondeu.
Pela forma com que ela apertava meu pau, eu estava piamente crédulo de que ela não estava falando exatamente dos morangos.
Eu não iria conseguir brincar por muito tempo.
— Acho que eu vou querer meu boquete agora.
Eu já estava desabotoando a minha calça quando ela tentou me parar, os olhos arregalados enquanto ela olhava ao redor.
— Aqui? — indagou, assustada.
Tinha excitação em cada poro de sua pele, em cada letra de sua pergunta e inclusive em seu olhar assustado; ela queria que fosse ali mais do que eu e sequer se dava conta. Eu sabia que ela se excitava com aquilo, com a mesma perspectiva da possibilidade de ser pega, mesmo que ela não se sentisse confortável com o realmente ser.
E ela nem ao menos sabia disso direito.
Mas era fácil de ver, a começar com nossos passeios em Luvas, depois na Fazenda Radical — ela dissera que estávamos sendo observados, mas não pareceu realmente se incomodar —, na sessão de fotos, que ela simplesmente se superara e, claro, na sua demonstração mais clara: o boquete no nosso jantar.
Estava mais que na hora de eu mostrar para ela qual eram as coisas boas da vida que ela ainda nem compreendia que gostava.
— Estão todos na casa grande para almoçar agora — confessei-lhe, arriscando um leve e rápido beijo confortante em seus lábios. — Ainda vão tirar um cochilo, com certeza. Só voltam lá para às três horas. Temos tempo.
Passei meus dedos levemente por seu braço para que ela relaxasse e acabou concordando com a cabeça pela excitação, embora seu rosto ainda parecesse um pouco alarmado. Abri meu zíper com uma mão só e puxei minha ereção para fora, acariciando-a para acalmá-la, enquanto null ainda olhava um pouco nervosa ao redor.
— Vem cá, vem — pedi. — Me dá essa sua boquinha deliciosa.
Ela soltou o ar e fechou os olhos, abrindo-os parecendo um pouco mais calma. Beijei-lhe os lábios, sentindo suas mãos tomarem o lugar da minha e, com as duas mãos livres, empurrei seu rosto até sentir sua língua na cabeça do meu pau.
E a sua excitação me deu o seu melhor. Seus lábios e sua língua brincavam ao redor do meu pau e das minhas bolas, seus dedos acariciavam o tudo e o ao redor, fazendo com que eu quase não conseguisse me concentrar ou manter meus gemidos em um tom mais baixo para não nos encontrarem ali.
Puta merda, eu não queria gozar, mas null simplesmente era impossível. Antes que eu o fizesse, porém, minhas mãos em sua nuca, que a guiavam nos movimentos, puxaram-na pelos cabelos até minha boca para um beijo com o meu gosto misturado com morango.
— Eu vou comer você agora — anunciei.
Levantei-me, ainda mantendo-a em meu comando pelos cabelos. Meio tonta, ela me seguiu sem conseguir contrariar; empurrei-a de frente à árvore que fazia sombra para nós dois.
— null... — implorou.
Era um pedido para parar, que eu ignorei, subindo a barra do seu vestido e colocando meus dedos na barra de sua calcinha, puxando-a para baixo.
— Você já está molhadinha? — perguntei.
Ela segurou a respiração, mas tentou impedir que eu lhe tirasse a calcinha, apertando as coxas e tentando empurrar minhas mãos.
— null... — ralhou comigo outra vez.
Eu estava tão excitado e eu sabia que ela estava como eu que não estava me importando nem um pouco com seu tom de voz exagerado. Puxei a calcinha dela para baixo de qualquer maneira e coloquei um dedo meu dentro dela, constatando que ela estava molhada sim, e muito.
— Você fica excitada quando me chupa? — perguntei, admirado.
null se desmanchou com a movimentação do meu dedo dentro dela — e eu sabia que suas reclamações não poderiam durar muito, não do jeito que ela estava.
— Sim — respondeu.
Meti dentro dela e ela berrou. Cravei minhas ralas unhas em sua cintura e levei a outra mão em sua boca, mantendo-me parado dentro dela com todo o meu autocontrole.
— Adoro os seus gemidos gostosos, baby — murmurei. — Mas não queremos que a festa acabe, então fica quietinha, sim?
Ela não conseguia nem concordar com a cabeça e sua situação só ficou ainda mais gostosa quando eu comecei a beijar seu pescoço e me movimentar contra ela. Sentia seus gemidos desesperados na palma da minha mão e basicamente nenhum movimento dela podia ser feito da forma com que eu a segurava, com uma mão em sua boca e outra em sua cintura, sem minha permissão, o que me deixava ainda mais louco.
Porém, ao afrouxar o aperto da sua cintura, ela começou a balançar a bunda para mim, fazendo meu pau dançar dentro dela. Fiquei tão embasbacado que parei de me movimentar e estapeei sua bunda, assistindo o espetáculo que era.
Um de seus gemidos escapou por entre meus dedos e eu voltei a tomar o controle, empurrando-a ainda mais contra a árvore. Senti-a se apertar ao redor de meu pau e as vibrações em minha mão serem maiores. Ela gozou, e a excitação do seu orgasmo acabou provocando o meu, que já estava sensível.
Saí de dentro dela e abaixei seu vestido, sabendo que ela ficaria mais confortável assim quando se recuperasse, porém não afastei meu corpo do dela um centímetro sequer. Minha mão continuou ao redor de sua barriga, a que estava em sua boca acabou fazendo a mesma coisa e eu aguardei enquanto ela tentava recuperar a respiração.
— Eu disse: o que eu gosto, com o que você gosta — murmurei em seu ouvido.
Ela mordeu o lábio inferior com força e soltou um longo suspiro, meio que contendo o sorriso satisfeito nos lábios, o mesmo que estava para lá de aberto nos meus.
— Eu nem sabia que eu gostava disso — ela riu.
— Eu sabia — eu lhe disse, sério. — Sei o que você quer na cama. — ela passou os braços ao redor dos meus, acariciando-os com calma e levemente. — Quero você cansada, suada, destruída, satisfeita... — cada palavra ganhava um beijinho em sua orelha e ela já estava toda molenga. — Com todo o prazer que você merece.
Ela soltou um longo suspiro e o sorriso em seus lábios era simples, mas estupendo de uma forma que eu não conseguia descrever.
— Nossa... — foi tudo o que ela conseguiu dizer.
E ficamos assim por mais um tempinho, até que eu a soltei e, ainda em seu torpor, consegui roubar-lhe a calcinha — o que a deixou muito zangada e rendeu uma aposta qualquer para que eu a devolvesse.
Só para constar: ela perdeu.
Surpresa
Eu comecei a achar que null estava me adestrando quando eu fui ao banheiro e abaixei a tábua do vaso sozinho. Isso era porque ela passara metade da semana anterior gritando por causa disso e só de pensar que ela falaria sobre aquilo por horas a fio, era mais rápido abaixar a tampa e foi isso que eu fiz.
Cocei a cabeça para minha nova ação, um pouco incomodado, mas resolvi deixar para lá. Lavei minhas mãos e escovei os dentes, pronto para iniciar um novo dia. Era um pouco cedo ainda, então estava pensando em dar uma volta nas plantações ou dar uma corrida. Talvez eu acordasse null para me acompanhar, mas ela estava dormindo tão tranquilamente que eu acabei desistindo.
Dei uma checada nos meus e-mails e encontrei a resposta da prefeitura de São Paulo sobre a carta de recomendação.
Resolvi imprimir e levar para o meu pai. Estava chegando à casa grande quando meu celular apitou.
Ei, cara, dá parabéns pra a null por mim!
Franzi a testa para a mensagem de null e já estava cogitando mandá-lo para a puta que pariu por ele estar com aquela brincadeira. Era, provavelmente, a foto que ela tinha postado no Facebook no dia anterior: ela estava me dando um beijo na bochecha e eu fazendo uma careta, tirada com a câmera de null, inclusive.
Vá se foder!, respondi, parado à frente da porta do escritório do meu pai, ouvindo ele conversar com alguém lá dentro.
Eu não quero comer sua mina, seu doido. Qual é? Só tô mandando você dar feliz aniversário pra ela por mim! Viado!
Era aniversário da null?
Abri o aplicativo do Facebook no celular. Eu quase não usava o Facebook para nada, mas eu sabia que ele informava os aniversários — e null provavelmente descobrira assim — e eu tinha colocado null como favorita, então eu sempre recebia as notificações do que ela fazia.
E lá estava marcado, fazendo vinte e um.
Puts, e eu não tinha preparado nada!
Foi mal, cara, acabei de descobrir que é aniversário dela agora. Grandão o toque, desculpa aí.
Mané.
— Oi, filho! — meu pai me cumprimentou, saindo do escritório com o telefone na orelha. Olhou para ele e acabou desligando. — O que foi?
Minha cara devia estar meio patética mesmo para ele ter reparando.
— Ah, eu acabei de descobrir que é aniversário da null agora, ela não me falou nada e eu não fiz nada. — guardei meu celular no bolso e dei de ombros. — Será que dá pra gente fazer alguma coisa essa noite? As meninas podem fazer um bolo ou qualquer outra coisa pra gente comemorar?
Meu pai riu e me deu um tapinha no ombro.
— Que pergunta, criança — concordou. — Claro, claro. Só a distraia porque você sabe como os funcionários são... Não conseguem segurar uma surpresa e eu já ouvi por aí que todos eles a adoram, então... Bom, é isso que traz você aqui?
Ficamos algum tempo conversando sobre o fornecimento para a prefeitura de São Paulo — ao qual meu pai estava muito animado e praticamente idolatrando null por ela tê-lo provido isso.
Eu ainda estava dando desculpas para que ela e ele não se encontrassem; estava com medo que meu pai dissesse alguma coisa que pudesse me envergonhar ou me complicar, mas eu já estava compreendendo que, agora, com a informação de que era aniversário dela, de hoje não passaria.
Ainda mais porque ele pareceu bastante empolgado com a ideia de ir até a cidade para lhe comprar um presente.
E em vez de pará-lo, dar alguma desculpa e simplesmente desistir da tal da festa, eu o acompanhei até o carro e pedi que ele comprasse algo para que eu pudesse presenteá-la também.
Antes que eu fizesse meu caminho de volta para a casa, dei uma passada na cozinha e deixei nossas quatro funcionárias em um furacão de preparativos para que a festa surpresa de null fosse o maior sucesso possível.
Faltava a mim decidir se ia deixá-la notar que eu sabia ou se eu iria fingir que não e deixá-la ter um dia como qualquer outro — com uma surpresa muito legal no final.
Acabei por me decidir quando cheguei em casa e a encontrei deitada com a bunda para cima na cama, o notebook aberto à sua frente, checando o Facebook e lembrei-me que ela deveria ter passado suas últimas férias e últimos aniversários sozinha. Achei que ela merecia algo diferente e ser paparicada, ao menos dessa vez.
Joguei-me por cima dela, fazendo com que ela soltasse uma gargalhada intensa e se debatesse embaixo de mim. Notei que ela estava com um chat da rede social aberto e passei o olho para ver se era do babaquinha bicha, mas vi que era uma garota chamada Manuela, o que acalmou o monstrinho do ciúme dentro de mim.
Passei meus braços ao redor dela, mantendo-a quieta, ao que ela soltou um muxoxo zangado por não conseguir se desfazer de mim. Eu era mais forte.
— Bom dia, aniversariante! — sussurrei, na orelha, admirando seu sorriso abobalhado pelo pedaço de espelho da cabeceira da minha cama. — O que você quer fazer hoje?
Ela riu e me empurrou para o lado, fechando o notebook para voltar a se embolar comigo, mas, desta vez, um ao lado do outro. Aproveitei-me da posição para deixar um beijo doce e caloroso em sua boca.
— O que você quer fazer? — devolveu, com um sorriso.
Apertei-lhe pela cintura e puxei seu copo para se encaixar ainda mais no meu, sugestivamente. Ela suspirou, os olhos apertadinhos, com os lábios formando o mais maravilhoso dos sorrisos bobos.
— Achei que você já tinha desistido de me fazer essa pergunta — brinquei, com a boca o mais grudado possível na dela, sem beijá-la, que eu conseguia.
Ela suspirou, afetada, mas acabou por rir. Tinha feito aquela observação há alguns dias, porque ela queria que eu lhe sugerisse novidades e eu sempre lhe oferecia apenas sexo. Então, comecei a fazer a pergunta de volta a ela, para podermos ter o que ela queria, sem passar pela minha resposta safada — não que eu não desse jeito de incluir safadeza em algum ponto da novidade, depois.
— Acho que hoje eu vou brincar de você — riu. — Então, você pode começar me presenteando com um oral e depois a gente pode fazer alguma coisa bem safada que você queira.
Cheguei a prender a respiração, antes de grudar a boca na dela, quase não acreditando que aquela garota podia ser real. Minha mente começou a se encher de possibilidades do que eu poderia fazer com ela, enquanto minhas mãos exploravam seu corpo, sobretudo seus seios, que eu tanto adorava.
Fui descendo os beijos lentamente da sua orelha para o pescoço, para o colo e, então, demorei-me bastante tempo em seus seios, despindo-os, lambendo, mordiscando, chupando, beijando...
Foi por aí que seus murmúrios contentes se transformaram em gemidos e sua perna se dobrou ao lado do meu corpo, deixando com que minha mão explorasse sua coxa e encaixasse entre ela e sua batata da perna, mantendo-a firme meu lado.
Deixei seus seios para voltar aos lábios e ela aceitou meu beijo de maneira fervorosa e intensa, embora eu pouco tenha me demorado. Voltei a descer, a vez de dedilhar, beijar, lamber e tudo mais que eu pudesse fazer com sua barriga. Aquele era o meu ponto fraco favorito, ao que null já havia descoberto, e ela também tinha uma ligeira fraqueza. Não tanto quanto qualquer coisa que eu lhe fizesse na orelha, mas tinha.
E quanto mais eu descia, mais ela se contorcia, sabendo onde eu estava prestes a chegar. Desesperada.
— null... — gemeu.
Como todas as vezes em que ela sussurrava o meu nome daquela maneira intensa e desejosa, a minha excitação respondia na hora. Não que eu já não estivesse duro, mas, agora, começava a doer a vontade de comê-la vorazmente para ouvir meu nome ser repetido diversas vezes por aquela boquinha linda.
Enganchei meus dedos na borda do shortinho do seu pijama e por dentro de sua calcinha, começando a descer ambos vagarosamente, enquanto rodeava minha língua em seu umbigo. Deixei meus dedos passarem bem próximos à linha de sua virilha e null arfou pateticamente alto e eu ri, beijando-lhe a frente da boceta apenas para provocá-la.
Ela gemeu gostosamente e balançou a perna, chutando minhas mãos e suas roupas de forma meio desesperada. Eu ri e ela apenas abriu as pernas em um espetáculo para lá de fenomenal.
— Vem, baby — pediu, mexendo com todas as minhas entranhas ao mesmo tempo — Por favor.
Eu não tinha nem como cogitar negar nada para ela. Não tinha como, nem se eu quisesse. Ela era a majestade, naquele momento, e eu, seu pobre servo, faria qualquer coisa que ela me ordenasse.
E chupá-la, com certeza, não era esforço algum.
Caí de boca nela, ouvindo seus gemidos e sentindo seus dedos desesperados em meu cabelo. Ela rebolou um pouco em minha boca e eu empurrei-a de volta para se deitar totalmente, estendendo a mão até seus seios e apertando o que eu alcancei. null resmungou um pouco da sua nova prisão e tentou rebolar mais um pouco, mas prendi-a novamente com a outra mão, segurando sua coxa. Agora ela mal conseguia se mover.
Empurrei sua coxa para o lado, abrindo-a ainda mais e deslizando minha língua por pontos específicos dentro dela. A mistura da minha saliva com seu gozo já estava deliciosamente irresistível e eu queria demais meter dentro dela naquele segundo, mas ela merecia que eu a chupasse até o final. Ela, se eu permitisse, sempre me chupava até o final. E, embora não gostasse de engolir, tinha feito apenas duas vezes: uma fora emergencial, no restaurante, era isso ou sujaríamos tudo, a outra fora só porque eu pedi (tudo bem que ela ficou o dia seguinte inteiro reclamando de enjoo, mas valeu a pena).
Deslizei a língua por toda ela até encontrar sua entrada e escorreguei-a para dentro três vezes, sentindo-a estremecer. Então, encaixei minha língua em sua extensão e guardei-a, meu dedo em seu clitóris começando a masturbá-la apenas para ajudá-la a finalizar o orgasmo, enquanto eu sorvia todo o líquido que jateava de dentro dela.
Era impressionante e eu tinha visto poucas vezes, mas null tinha uma sensibilidade para aquilo que era admirável. Não era incomum que ela ejaculasse, embora vezes mais, vezes menos. E aquilo me excitava quase mais do que qualquer outra coisa.
Tirei a cabeça do meio das pernas dela para admirá-la da forma que eu mais adorava: satisfeita, acabada, destruída; tudo mérito meu. Suas bochechas estavam coradas, a boca entreaberta e uma de suas mãos estava entranhada em seu cabelo, meio desesperada, os fios puxados um pouco para ela, como se uma tentativa de conter.
Beijei-lhe na virilha e ela se sobressaltou com um riso meio nervoso, a sensibilidade ainda explodindo por toda ela e, agora que eu não estava preso em meu próprio gozo, podia me aproveitar.
Deslizei a ponta dos dedos por seu corpo. Primeiro as coxas, passando pelo lado interno, ao redor da virilha, em sua barriga e ao caminho inverso do que meus beijos fizeram. Rodeei-lhe os seios e subi ainda mais, para substituir meus dedos por meus lábios em seu pescoço e orelha, sentindo seus braços envolvendo meus ombros.
Beijei-a da forma mais doce que eu conseguia no momento, ao que ela correspondeu, ávida e deliciosa, sugando seu próprio gosto de minha língua e deixando todos os pelos do meu corpo de pé com a sensualidade e a safadeza do momento.
— Quer que eu lhe diga o que eu vou fazer com você agora? — perguntei, sussurrando em seu ouvido e vendo-a se sobressaltar com a minha voz e o meu carinho em sua cintura.
Riu, então, com o bom humor que ficava logo após gozar. Senti suas unhas em minha pele e eu sabia que ela ainda estava sentindo alguns reflexos do orgasmo, talvez até mesmo por causa dos meus beijinhos em sua orelha.
— Posso ter um tempo para me recuperar? — indagou.
— Não — minha resposta a fez rir, mas, logo, seu riso ficou preso na garganta. — Vou te vendar e vou algemar seus pulsos em uma das cadeiras da bancada, lá na cozinha. Aí eu vou brincar um pouco com você, o suficiente para você ficar tão maluca que vai implorar pelo meu pau, quase não conseguindo mais se aguentar. Acho que vou usar aquele vibrador rosa que você gostou no outro dia, mas ele não vai ser o que você quer. Você sabe o que você quer?
— Você — murmurou, afetada.
Seus dedos se apertaram em minha nuca, as unhas entranhando em meu couro cabeludo já em urgência e eu fechei os olhos, respirando fundo e sentindo meu corpo inteiro se estremecer de desejo.
— Boa garota. Adoro mulheres que sabem o que querem. — continuei. — E você sabe o que vai fazer agora, não sabe?
Afastei-me para vê-la concordar com a cabeça e morder o lábio inferior com o meu sorriso convencido. Escorreguei de cima dela e fiquei-me em pé ao lado da cama, oferecendo-lhe a mão para que ela fizesse o mesmo.
Ela se levantou com a minha ajuda, aquele espetáculo de curvas sem nenhuma roupa para esconder bem à minha frente. Tentando fingir que não estava tão afetada assim com as minhas provocações e carícias, ela começou a pisar decidida para a cozinha, mas puxei-a pela cintura, encaixando minha ereção entre o meio de suas bandas da bunda.
— Gostosa — sussurrei-lhe, uma mão apertando a bunda e outra ao redor de sua cintura, mantendo-a grudada em mim.
Abruptamente como a segurei, soltei-a e ela cambaleou para frente, não conseguindo esconder a excitação ao sumir do quarto.
Assim que ela pisou fora, corri para o armário. Peguei uma blusa minha antiga para usar de venda, um par de algemas em um armário e o vibrador, seguindo-a para a cozinha e encontrada já sentada na cadeira, parecendo um pouco nervosa e ansiosa.
Quando eu me aproximei, ela se endireitou, ficando reta, o que me fez rir. Levei minha boca a ela, segurando-a pelo queixo, milímetros de distância entre nossos lábios, sentindo ambos nossos corpos estremecerem.
— Posso implorar agora? — perguntou.
— E estragar toda a brincadeira? — ri.
Beijei-a intensamente, mas fizemos ao contrário do que era usual: ela estava desesperada e eu, calmo, o que a fez ficar ainda mais nervosa.
— Eu já gozei — pontuou. — Não precisamos brincar mais.
Continuei rindo, mas sua pressa apenas estava me deixando ainda mais nervoso. Normalmente, era eu que ficava assim, embora eu me segurasse um bocado para brincar com ela o suficiente para que cada vez fosse satisfatória. Ainda não a deixara sem gozar nenhuma vez e eu não queria começar agora.
Ainda podia fazê-la gozar mais duas vezes antes de atingir meu próprio orgasmo.
Contornei a cadeira e prendi seus pulsos atrás dela sem nenhuma resistência além de um suspiro derrotado. Passei as mangas das camisas pelos seus olhos e apertei-a, checando se ela não conseguia ver nada.
Levei minha boca à sua orelha outra vez.
— Da próxima vez que eu te vendar, não vou lhe dizer o que vou fazer — prometi-lhe, sentindo-a se arrepiar. — Vai tudo ser surpresa e vai ser ainda mais gostoso.
— Tudo bem — concordou, afetada.
Peguei o vibrador e liguei-o, o barulho fazendo-a sobressaltar e ficar esperando por ele, mas eu apenas levei meus lábios à sua boca e comecei a passar o vibrador por seu corpo nu, explorando suas terminações nervosas.
Eu estava quase o descendo para sua virilha quando pulei, ouvindo batidinhas na porta.
— null? — null perguntou, sem entender nada.
— Caralho — xinguei.
Desliguei o vibrador, abandonando-o sobre a bancada. Puxei minha camisa para fora da cabeça de null e ela piscou, voltando a se acostumar com a claridade. Passei a chave pela fechadura da algema e soltei-a, vendo-a passar o dedo pelos pulsos, um pouco desconfortável, encarando-me sem entender.
— Tem alguém na porta — avisei. — Acho que é o meu pai. Ele tinha ido comprar um presente para você.
Ela pulou da cadeira e começou a desamassar a camisa que eu havia usado para vendá-la para vestir-se. Vendo-a se ajeitar, fui até a porta, antes que ficasse ainda pior pela demora para atendermos.
Abri a porta e encontrei a pessoa que eu menos podia esperar naquele momento.
null.
Parabéns?
— Cadê ela? — inquiriu, de supetão.
Porra, nem um bom dia o ogro sabia dizer.
Olhei para trás, para null que ainda se vestia sem nenhuma ciência de quem estava na porta. Enquanto eu a olhava, ela percebeu o vibrador sobre a bancada e começou a procurar um lugar para escondê-lo.
Fechei a porta mais um pouco só, impedindo que o campo de visão dele conseguisse pegar qualquer área sequer perto de onde ela estava, seminua e com um vibrador e uma algema em suas mãos.
— O que você está fazendo aqui? — perguntei, puto da vida.
Ao invés de me responder, ele avançou contra a porta e o inesperado me fez tropeçar em meus próprios pés com o seu movimento e cair sentado ao lado. null congelou onde estava ao ver null entrando em casa, os olhos arregalados em terror e vergonha em ser encontrada daquela forma.
Ela estava com o pé no pedal da lixeira ao lado da bancada, segurando o vibrador e as algemas como se fosse jogá-los ali para escondê-los. Alguns botões da camisa ainda estavam abertos, o decote delicioso à vista, mas sem mostrar nada demais.
Eu estava achando aquela visão magnífica, mas null pareceu não gostar muito; virou as costas para ela e saiu bufando pelas ventas, fazendo o caminho para fora de casa. null ficou instantaneamente nervosa, olhou em minha direção, ainda sentado ao chão perto da porta, balancei a cabeça negativamente para ela, mas acabou que ela fez o que fazia de melhor: me ignorou. Abandonou nossos brinquedos na cadeira e correu atrás dele.
— null! — berrou, passando por mim.
Eu tive duas vontades naquele momento. A primeira era puxá-la pelos cabelos e fodê-la duramente por horas, até que ela se lembrasse a quem pertenciam seus orgasmos e a quem ela deveria seguir se lhe dessem uma escolha. A segunda era mais razoável, simplesmente segui-la e ver que merda era aquela antes de tomar qualquer atitude descabida.
— null, espera! — ela já estava bem afastada da casa, seguindo-o quase de perto até onde o carro do pé rapado estava estacionado. — null!
Bufei, batendo os pés atrás dela, já querendo interromper tudo e lhe pedir satisfações. Os dois alcançaram o carro dele e ela o impediu de entrar, falando algo que eu fui incapaz de escutar.
— Eu não vim aqui pra ficar vendo você transar com esse imbecil — cuspiu as palavras na cara dela.
null se encolheu, um pouco assustada com suas palavras duras e inesperadas e tudo o que eu queria era falar eu não te disse que ele era um babaca?, mas apenas me postei atrás dela e esperei minha vez para me meter.
— Eu não sei o que você tem com isso! — ela se esguelhou. — Você aparece do nada e quer se meter com quem eu transo? Eu transo com quem eu quiser!
Estufei um pouco o peito, deliciando-me com suas palavras e um bocado mais calmo ao notar que ela não poderia tê-lo chamado para ir até ali, embora ainda não fizesse sentido. Isso pareceu tê-lo chamado a atenção e ele me encarou; sorri debochadamente para ele, o que lhe deixou puto.
— Eu tô dando em cima de você tem uns dois anos e, porra!, você resolve abrir as pernas pro primeiro cara que te trata como uma puta! Vai ver aquelas notícias que saíram sobre você tinham razão, mas eu caí na sua como um patinho. E me enganei. Você é mesmo uma piranha da pior espécie!
Eu avancei para pegá-lo na porrada, mas null reagiu rápido, empurrando-o tão forte contra o seu carro que ele chegou a dar uma balançadinha com o impacto de null nele. Achei que ela estava indo muito bem sozinha e apertei minhas mãos em punhos, tentando me controlar e não descer o cacete no filho da puta do amigo dela.
— Seu babaca! — berrou — Eu não tenho que dar pra você só porque você me trata bem e se você não é homem o suficiente pra...
Ela não chegou a terminar a frase porque ele estourou um tapa em sua face que a derrubou no chão.
Foi o suficiente para mim.
— Então você gosta de bater em garotas, hein? — questionei, segurando-o pelo pescoço, contra o seu próprio carro. — Eu não sei quem você pensa que é, mas se levantar sequer a voz para null outra vez...
— null!... — null me chamou, meio chorosa e com urgência e eu sabia que ela estava tentando me controlar para que eu não o matasse. Senti sua mão em meu tornozelo e expirei o ar, tentando me controlar.
null estava ficando cada vez mais vermelho, as duas mãos estavam na mão que eu mantinha em seu pescoço, tentando afrouxar o aperto para que conseguisse respirar. As unhas de null, em minha perna, é que me fizeram soltá-lo dali para segurá-lo pela camisa. Joguei-o outra vez contra o carro em troca.
— ... Eu te deixo quebrado o suficiente para dar entrada em um hospital — continuei. — Agora saia da minha fazenda...
— null! — null me chamou mais uma vez com urgência, mas eu estava puto demais com o cara para ouvir seus alertas de controle.
— Antes que eu mude de ideia e dê sua bunda para o meu cavalo.
Finalmente me afastei dele e ele cambaleou, mas, fracote como era, escorregou para dentro do carro e deu a partida naquela máquina mais velha que meu pai, impregnado o ar com a fumaça que saiu dele.
Respirei fundo, ainda tentando manter a calma, e finalmente me virei para null, que me encarava ansiosa, os olhos cheios de lágrimas, mordendo o lábio. Procurei pelo problema, a expressão de dor era tamanha que não podia ser apenas pela mancha avermelhada em sua bochecha; logo encontrei. Ela segurava o pulso direito com a mão esquerda e parecia estar protegendo-o com sua própria vida.
— Ei — chamei-a, um pouco impressionado em como minha voz poderia mudar de um tom assassino para um leve e doce em tão pouco tempo — O que houve, baby?
Ela continuou segurando o pulso e afastou-o protetoramente de mim quando eu tentei pegá-lo para checar.
— Eu caí... — choramingou. — Acho que escorei... de mau jeito.
Estendi a mão para ela mais uma vez e ela me encarou por um longo momento, antes de finalmente ceder e me estender seu braço com todo o cuidado. Apoiei seu pulso em uma mão e, com a outra, avaliei delicadamente ao redor. Estava acostumado com pequenas fraturas; a vida na fazenda me derrubara um pouco do cavalo, de puxar carrinho com a colheita, além de um acidente em uma das corridas, logo no meu primeiro ano no circuito, que me deixou engessado por um tempo.
— Não quebrou — eu disse a ela. — Deve ser uma torção ou algo menor. Tá doendo muito?
Ela concordou com a cabeça, mas eu tinha a ligeira impressão que null não era muito forte para dores fora do contexto sexual. Sorri para ela e olhei para onde o meu carro estava estacionado, próximo à casa grande.
— Vou levar você ao médico, então — eu anunciei. — Consegue se vestir sozinha enquanto eu vou pegar o carro?
Ela concordou com a cabeça e eu lhe dei um beijo leve nos lábios meio salgados dela, ajudando-a a se levantar.
Eu queria matar null. Não deveria tê-lo soltado e estava cogitando ir atrás dele enquanto ela trocava de roupa.
Ainda conseguia ver o carro de null no portão da fazenda quando entrei em meu carro e pensei em segui-lo, mas null também já me aguardava na porta de casa, com um shortinho vestido e a minha blusa no mesmo lugar, só que com as pontas para dentro do short.
Estacionei na frente de casa e ela entrou rapidamente, meio nervosa e meio chorosa ainda. Passamos por null na estrada e eu fiz questão de fechá-lo e jogá-lo para o acostamento e, aos berros de null, lhe ofereci o dedo do meio, mesmo que quisesse parar e arrastá-lo até o meio do matagal e amarrá-lo ali, para morrer de fome e de sede.
Eu estava mesmo tendo ideias bastante criativas de formas para torturá-lo.
— Sinto muito — sussurrei para null, enquanto dirigia, ao me recordar que era seu aniversário — Eu queria que hoje fosse legal...
— Não é sua culpa — acalmou-me. Percebi um ligeiro tom de emoção em sua voz e achei que fosse ainda pelo choro. — Está tudo bem, você está sendo ótimo.
Eu ser ótimo não significava que ela estava tendo um bom dia, embora eu achasse que podia melhorar. Não, é claro, com ela reclamando que teve que tirar raio-x na veterinária da cidade porque nosso pequeno posto médico não tinha equipamento.
— Não se preocupe, mocinha, isso aqui é comum. O null mesmo já passou por lá várias vezes — o médico disse a ela, assim que ela demonstrou sua vontade nula de ser tratada em um veterinário.
— Moça de cidade grande — expliquei seu comportamento a ele, que riu.
O que deixou null ainda mais zangada.
Ela ainda estava zangada quando paramos em uma das pensões para almoçar. Imobilizada por sete dias porque tinha dado um jeito no pulso e tomando remédios para amenizar a dor. Dois comprimidos por dia, deixou-a bicuda.
Tentei passar a mão na perna dela enquanto comíamos lado a lado, assistindo a pequenina televisão da pensão, e ela não afastou minha mão. Suspirei, um bocado aliviado e levei meus lábios até sua orelha, deixando um beijinho que a fez se encolher um pouco, com um sorrisinho nos lábios.
— Não está mais zangada? — perguntei.
Deu de ombros sem tirar os olhos do prato, com dificuldades para comer com a mão imobilizada. Tinha sujado a mesa toda e eu já havia acabado meu prato, mas ela ainda lidava com o garfo.
— Não — respondeu. — Eu estava sendo boba e você tem sido um fofo o dia todo. Então... obrigada.
Nossa, aquilo era novo.
Sorri para ela, que sorriu de volta. Dei um beijinho casto em seus lábios, a mão ainda sobre sua coxa, fui fazendo carinho até conseguir encaixá-la pela área interna. null suspirou e balançou a cabeça negativamente, ainda com um sorriso no rosto.
— Talvez esteja na hora de devolver aquele favor? — perguntei.
Belisquei sua coxa e ela soltou o ar com força, jogando o corpo para trás. Beijou-me a boca e deixou o caminho livre para eu encaixar minha mão no entre suas pernas, por cima do short.
— null... — ralhou comigo.
Ela levou a mão machucada à minha para me empurrar e acabou fazendo uma careta de dor. Ri, mas tirei minha mão do local e a envolvi pela cintura, encostando meu rosto na curva de seu pescoço e deixando um beijinho no lugar em que meus lábios se encontraram com o seu colo.
— Nem um carinhozinho? — perguntei, fazendo bico.
Ela gargalhou, mas balançou a cabeça negativamente. Olhou para frente e soltou um suspiro, piscando os olhos algumas vezes, e eu aguardei sua reação antes de fazer qualquer coisa.
— Não estou com humor — concluiu, por fim.
Mordi o lábio e me afastei dela, deixando apenas a mão em sua cintura. Ao ver que ela não diria nada e eu não tinha mais nada para falar também, pedi a conta e nos dirigi para casa, onde gastamos algumas horas assistindo televisão — ou melhor, eu assistindo televisão e null cochilando.
Procurei meu celular, onde eu havia abandonado, tencionando ligar para meu pai e perguntar que horas seria legal levar null. Encontrei-o jogado ao chão entre duas cadeiras da bancada e me admirei ao ver que tinha uma mensagem nele, de null.
Ah, aquele amigo dela me ligou pedindo o seu endereço pra ir aí falar com ela hoje! Então fica ligado!
Puta que pariu.
Eu iria matar null na primeira oportunidade que eu tivesse.
Resolvi que responder sua mensagem agora só faria com que ele recebesse umas três mil ameaças de morte, então só liguei para meu pai e combinei um horário para a festa, oito horas, duas horas após os funcionários largarem o turno, o que daria tempo de tomarem banho e buscar a família para a comilança. Tirando as moças da cozinha — que já haviam deixado claro que não se importavam em ficar, nem em receber pela hora extra.
Rindo delas, desliguei meu telefone e fiquei parado na porta do quarto, a corpo encostado no batente e deixando o ar gelado do condicionador circular por toda a casa enquanto eu admirava null dormir, sem saber o que eu poderia fazer para melhorar seu aniversário.
Achei que tinha como, sim.
— null, sério, eu estou ok em comer pizza em casa, vamos voltar? — null estava repetindo isso a cada passo com os olhos vendados.
Eu estava segurando-a firmemente pela cintura, guiando-a na brincadeira, mas tinha esquecido totalmente que o estábulo tinha um cheiro para lá de característico e só me lembrei quando a ouvi fungar e franzir o rosto.
Mesmo assim, levei-a para o cercado que eu pedira para preparar àquela tarde. Luvas tinha uma filha que estava crescendo com a mãe, na fazenda do vizinho. Eu tinha me esquecido completamente. Ainda não era adulta, mas eu duvidava que null se importasse ou sequer soubesse a diferença.
— Tadã! — tirei o pano de prato que eu usara como venda dos olhos dela e deixei-a ver a pequena égua que estava à nossa frente.
Demorou um longo minuto até que ela percebesse o que estava acontecendo.
— É minha? — perguntou. — Ela é um bebê, ainda.
Ah, é. Eu tinha esquecido que ela era uma bióloga e aparentemente politicamente correta. Certo, mudança de planos.
— Ela é filha de Luvas e, se vocês se gostarem, é sua agora. — informei-a. — Só a trouxe pra vocês se conhecerem... Depois eu a levo de volta pra mãe dela até estar grande — inventei.
Isso me fez ganhar um beijo, então estava tudo bem. null nomeou a eguinha de Explosão, o que eu achei o máximo, e as duas se deram super bem.
Ficamos cerca de meia hora no estábulo, até eu olhar no relógio e ver que precisávamos ir. Chamei null de onde ela estava, penteando Explosão.
— Meu pai chamou a gente pra jantar hoje, acho que ele quer te dar o seu presente — contei.
null achou razoável e se despediu de Explosão. Passei o braço ao redor da cintura dela, ganhando outro beijo.
— Obrigada — disse.
— Disponha.
Levei-a até a casa grande e, ao abrir a porta, ela quase teve um enfarte. Tinha cerca de cinquenta pessoas no hall de entrada da casa, gritando surpresa com uma faixa de parabéns com seu nome escrito errado, mas ela não se importou.
Ouvi muitos obrigados emocionados àquela noite. E ela se divertiu, riu, ganhou presentes...
Parecia ter se esquecido completamente o que acontecera pela manhã. O que era ótimo.
Novidades
null quis me acompanhar na devolução de Explosão para a mãe, o que foi um pouco constrangedor porque era para a fazenda do pai de Kamille e ele resolveu soltar algumas indiretas para null, o que, obviamente, a fez discutir com ele e, bom, acabamos voltando todos para casa: eu, null e Explosão.
— Não se preocupe, bebê — tentei convencê-la. — O pessoal vai cuidar bem dela, ela vai crescer linda e forte como você.
O elogio a distraiu um pouco e a fez parar de andar pela casa e se sentar ao meu lado no sofá. Passei meu braço ao redor de seus ombros e ela se aconchegou, encostando todo o corpo no meu, me deixando um pouco abobalhado com o quanto aquilo já nos parecia tão natural quanto... todo o resto.
— Me sinto um pouco mal por separá-la da mãe por causa daquele idiota — reclamou, bufando.
Ri e deixei um beijo no topo de sua cabeça, ao que ela fez uma careta, parecendo perceber que eu estava assistindo um filme de terror. Pegou o controle e começou a zapear os canais até que encontrasse algo que a agradasse.
— Ela agora tem o pai e ele é demais — eu disse.
Riu, parando de zapear os canais em um filme brega de comédia romântica qualquer. Passei o braço livre pela cintura dela e meus lábios foram automaticamente para o seu pescoço, que ela me ofereceu sem nenhuma resistência. Ah, isso era infinitamente melhor que todos aqueles gritos que null guardara para mim anteriormente.
— E lá vai você... — murmurou ainda rindo, embora um pouco mais timidamente agora que eu começava a lhe provocar.
Levei minha mão que estava em sua cintura até sua coxa e a fiz descruzar as pernas, puxando a que estava por cima para deitá-la sobre minhas próprias coxas, abrindo-a o suficiente para que minha mão se posicionasse sobre sua boceta.
Sua reação fora quase instantânea e era maravilhosamente excitante: ela arqueou as costas e soltou um suspiro entorpecido, os lábios procurando pelos meus com certa urgência desesperada.
Às vezes, quase o tempo todo, eu achava que null era tão insaciável quanto eu, mas se dignava um pouco mais a esconder suas vontades — certa que eu lhe facilitaria o trabalho e lhe chamaria para dar uma volta no meu pau —, ao passo que eu descarava e a envolvia em minhas artimanhas.
— Não tenho culpa se o Sargento Pimenta fica pedindo por você o tempo todo... — murmurei. — Na verdade, ninguém mandou ser tão gostosa.
Apesar de ligeiramente sem fôlego comigo abrindo sua calça lentamente e enfiando minha mão por dentro da calcinha para lhe fazer carícias que a arrepiavam, ela riu alto e deliciosamente, me dando um estalado tapinha.
— Sargento Pimenta? — questionou, ainda rindo.
Puxei-a para o meu colo, encaixando sua bunda sobre a minha ereção. Senti todos os pelos de seu corpo se arrepiarem, meus braços enlaçando-a pela cintura e mantendo-a presa sobre mim.
Ela deu uma reboladinha quase tímida sobre o meu pau e eu expirei em sua orelha, sentindo um arrepio intenso perpassar em meu corpo e sendo visivelmente espelhado por ela pela forma que ela mordia o lábio.
— É claro — confirmei em sua orelha, deixando outro beijo por ali, porque eu sabia que era o local em que ela mais se derretia. — É um nome forte — outro beijo. — Intenso — e mais um. — Viril — outro. — Duro...
Eu sabia que não estava mais falando coisa com coisa e que metade das palavras usadas para descrever o motivo do nome nada tinham a ver, mas null também havia se perdido em meio às minhas palavras intensas e pôs-se a balançar involuntariamente em cima do meu pau, bagunçando meus pensamentos.
— Hum... — suspirou.
Pelo visto, bagunçara os dela também. Eu tinha certeza de que null tinha alguma resposta inteligente para me dar, mas se perdera em meio às sensações dos nossos corpos em contato, em ebulição.
O filme ainda estava passando na TV, mas eu não tinha assistido nem dez segundos dele para entender porque a mocinha estava no meio de um campo de beisebol com um microfone. E, de verdade, não importava. null era devidamente muito mais interessante.
Respirei fundo, meus lábios em sua orelha, analisando todas as possibilidades do que poderíamos fazer hoje. Logo, um pouco inspirado por nossas posições naquele momento, ficou claro o que eu queria — e nem era algo que eu realmente gostava ou preferia, mas null já tentara algo do gênero e embora não tivéssemos exatamente feito, todo com ela era estupidamente melhor.
— Quer saber o que eu quero fazer com você hoje? — perguntei em sua orelha, sentindo suas unhas se entranharem em meu braço, me informando que ela estava totalmente embevecida de minhas palavras. Acabou por concordar com a cabeça, ciente de que eu estava esperando sua resposta para continuar com minhas provocações e insinuações. — Quero que você me coma nesse sofá.
Ela aspirou um monte de ar em meio a um gemido delicioso e eu a admirei; seus olhos fechados e mordendo o lábio inferior, apertando as unhas e os dedos nos meus braços que a envolviam em um aperto na altura da cintura, tentando se concentrar acima das minhas palavras e entender o que eu realmente lhe estava sugerindo.
— Eu que vou comer você agora? — perguntou, por fim, sem compreender o que eu queria lhe dizer.
Sua voz afetada me deu pequenos choquinhos na nuca, que desceram por toda a minha coluna e me obrigaram a apertá-la ainda mais contra minha ereção. Apesar de ambos estarmos de jeans grosso, as carícias e sensações eram tamanhas que nos parecia estarmos nus em pelo.
— É... — murmurei, a imagem já dominando minha mente o suficiente para que eu nem conseguisse manter concentração para continuar aquela conversa decentemente — Você sentada em mim — continuei, sentindo-a se arrepiar por inteira — Que nem naquele outro dia, só que agora você vai ter que se mexer...
null era um tremelique só, suas mãos estavam ainda mais urgentes em meus braços e sua respiração ficou ainda mais entrecortada. Percebi, porém, pelos ligeiros trejeitos de seu corpo, que nem tudo era tensão e ansiedade. Tinha um bom bocado de preocupação e um pouco de medo nela.
Voltei para aquele dia maravilhoso, quando ela foi abusada o suficiente para me amarrar e me provocar: ela congelara assim que subira em mim. E eu sabia muito bem o que deixava null sem reação — e não eram muitas coisas.
— Isso é novo pra você também? — perguntei.
Ela mordeu o lábio inferior com ainda mais força e jogou a cabeça para o lado, enquanto eu a admirava, esperando-a impacientemente. Comecei a beijar seu pescoço agora exposto e ela suspirou, rendida.
— Às vezes eu fico tão nervosa com você saber tanto a mais que eu — ela confessou e eu ri baixinho, deliciado pelo mesmo motivo que a assustava. — Já passou pela minha cabeça sair por aí transando com todo mundo até eu não me assustar com as suas novidades.
Grunhi, sentindo meu interior todo berrando em pavor com a sua ideia abestalhada. Minha mente, que antes estava lotada de imagens imaginárias de null sobre mim, rebolando e gemendo, agora estava sendo atacada por flashes repugnantes de null com outros homens sem face, mas que me incomodavam terrivelmente e eu estava começando a achar que mereciam um bom soco.
— Nem pensar! — exclamei rapidamente. — Eu te ensino, baby. Tudo o que você precisar. Você não faz ideia do quão gostoso é te ver testar alguma coisa nova e é ainda melhor quando você está convicta que não vai gostar...
— E aí você faz mesmo assim — interrompeu. — E eu gosto — completou.
Ri e levei uma mão à sua bochecha, puxando seu rosto para o meu e enfiei minha língua em sua boca, sem impedimento e sem pudores, porque null já era toda e inteiramente minha, e, por escolha dela, eu tinha até seu coração.
Toda vez que eu me lembrava disso, meu próprio coração acelerava de vontade de tê-la de todas as formas, de gastar meus segundos livres com ela, de assistir seu sorriso, suas expressões de prazer e tudo mais o que null fazia que merecesse minha atenção.
Escorreguei minha mão pelo seu corpo e voltei com ela para dentro de sua jeans aberta e de sua calcinha, sentindo-a arquear e se remexer em cima de mim instantaneamente, soltando um montante de ar.
— O que você acha, hein? — perguntei, em seu ouvido.
null deu um longo suspiro e acabou por concordar com a cabeça levemente, causando-me um sorriso de orelha a orelha. Beijei-lhe na nuca e a empurrei para fora do meu colo, ao que ela acabou em pé e virando-se para mim, meio que dando de ombros.
— Então...? — perguntou.
Suas bochechas estavam graciosamente avermelhadas e ela parecia um bocado fora de lugar. Achei engraçado e me curvei para frente, acariciando sua perna, do joelho para as coxas, os olhos fixos nos dela.
Encaixei meus dedos por dentro da calça dela, minha palma encostando nas bandas de sua bunda com propriedade, e a puxei até que suas pernas estivessem encostando nas minhas. Beijei-lhe a barriga ligeiramente exposta pela blusinha curta de verão que ela usava, sentindo-a jogar a cabeça para trás e respirar profundamente.
— Ah, null, eu tenho certeza de que você sabe exatamente o que fazer agora. — murmurei, deliciado.
Encostei-me de volta no sofá, vendo-a passar a mão pela nuca, tentando conter os prováveis arrepios de seu corpo; e eu sabia, porque sentia os mesmos no meu. Ela sorriu meio de lado, meio nervosa, e eu lhe arrisquei uma piscadinha, puxando a minha blusa para fora do meu corpo, a última dica caso ela ainda não tivesse entendido.
Ela escorregou a mão que estava na nuca para o seu colo lentamente, rodeando e envolvendo os seios de uma forma tão sensual que eu tive que segurar a respiração. Ela continuou descendo as carícias, a outra mão decidindo acompanhar a primeira, passando levemente pela barriga e alcançando a barra da calça, escorregando-a para baixo, junto com a calcinha, em um mar de erotismo e certeza.
Nem parecia que estivera tão cheia de dúvidas menos de dois minutos atrás...
Eu queria enfiar a mão no meio das pernas dela e puxá-la para mim, chupá-la inteira e ouvi-la gemer e gozar em minhas mãos, mas aquilo era mais sobre ela que sobre mim, então a deixei se exibir, deixei-a se excitar com meu olhar sobre ela, sem que eu me desse sequer tempo para piscar.
Colocou os joelhos um em cada lado do meu corpo, encostando-se inteira em mim. Sua barriga ficou na altura da minha boca e eu segurei-a pela cintura, a barra da blusa em minhas mãos, e ela escorregou para baixo, a virilha desnuda deslizando pelo meu peito, barriga, até se encaixar bem em cima da minha ereção.
— Nossa... — admirou-se, ao sentar-se sobre meu pau, ao mesmo tempo que eu lhe arrancava a blusa e mordia-lhe os bicos dos seios.
Ri baixinho, procurando seus lábios. Ainda com a mão em sua cintura, empurrei-a para longe de mim e de volta para perto, sentindo sua respiração se alterar ao passo que ela compreendia, as mãos deslizando deliciosamente pelo meu peito, suas unhas marcando a passagem.
— Ah, que droga, null — reclamei.
Que droga. Por que você é simplesmente tão gostosa assim? Por que eu não consigo parar de pensar em você? Por quê?
null mordeu o lábio e abaixou a cabeça um pouco, enquanto eu beijava-lhe a bochecha e o ao redor, atrás dos seus lábios doces, em que eu podia depositar minha fúria e o meu desejo e notar que eu estava sendo devidamente correspondido.
À altura.
Ela escorregou do meu colo e eu quase reclamei, apenas para notar a pressão em minha cintura: ela puxando minha calça e minha cueca para baixo, se livrando das últimas peças de roupa que nos impedia de finalizar aquilo de uma vez só.
Ajudei-a, apressado, chutando as pernas da calça para longe, sentindo suas mãos urgentes apertando os músculos rígidos da minha perna com destreza e com cobiça. Não demorou para eu sentir os lábios em meu pênis, a língua em minhas bolas, os dentes em minha barriga.
Então, ela voltou a subir sobre mim como se tivesse feito isso centenas de vezes anteriormente. Levei uma de minhas mãos à sua nuca, puxando seus cabelos um pouquinho, tentando relaxá-la para que ela soltasse os dentes dos lábios, nos quais estavam presos em extrema tensão.
— E agora? — questionou.
Sorri-lhe de lado, meus lábios foram aos delas por minha perdição a ela estar seguindo exatamente o que eu estava mandando, mesmo que em sua inocência. Soltei a mão de sua nuca e levei-a ao meu pau, esfregando a cabeça dele em sua virilha, vendo-a segurar o ar e apertar as unhas contra meu ombro.
— Agora a gente posiciona e... ah!
null não me deixou terminar a frase e fez exatamente o que eu iria lhe mandar fazer, colocando-me inteiro dentro dela de uma vez só. Como da outra vez, ela ficou parada, a cabeça jogada para trás, o corpo inteiro emanando uma energia erótica difícil de se equiparar, toda vontade ao redor de mim.
— Isso, gostosa — apreciei. — Agora rebola, rebola pra mim, sua safada!
Ela arfou e se moveu lentamente, como se estivesse ainda meio sem jeito do que deveria fazer. Joguei a cabeça para trás, sentindo, mais do que vendo, ela repetir o movimento com mais um pouco de certeza e um gemido delicioso.
null foi pegando o jeito e deixando a vergonha de lado, cada vez ficando mais intensa e mais certa do que estava fazendo, e eu fui me afundando no delicioso mundo em que ela me carregava e me jogava.
Aquela mulher era o paraíso.
Senti-a quase lá e soltei a mão de sua cintura, que estava ainda meio guiando-a, e levei até seu rosto, procurando sua boca, que me veio, sedenta. Encostamos as testas, nossos gemidos ecoando e se equiparando pouco a pouco.
— Você gosta, não gosta? — perguntei-lhe, sentindo-se estremecer ao meu redor. — De poder. Se você gosta de poder, baby, eu te dou poder. — ela fincou as unhas ainda mais em meu ombro e os dentes foram aos seus lábios deliciosos enquanto ela tentava se controlar para aguentar mais um pouquinho sequer. — E isso é só você. — soprei, em sua boca, vendo-a soltar os dentes e gemer.
E explodiu em prazer assim, as mãos envolvendo meu pescoço enquanto seus gemidos desesperados continuavam a eclodir e ela terminava de se movimentar contra mim, para cima e para baixo, seu orgasmo aos poucos se acalmando.
Apoiou a testa em meu pescoço, movendo-se lenta e calmamente, sem muita força, fraquinha que sempre ficava depois que eu acabava com ela. Levei minhas mãos à sua cintura e forcei-a a se movimentar para que eu pudesse gozar.
— E isso é só seu — murmurou, de surpresa, em minha orelha, arrepiando todos os pelos do meu corpo. — Só seu, baby.
E eu gozei gloriosamente, gritando alto que ela era minha e só minha e as palavras que eu tinha medo de dizer quase saíram da minha boca, mas foram interrompidas pelos beijos desesperados de null.
Respirei até um pouco aliviado, mas eu não sabia como sequer reagir. Se aquela era a primeira vez de null por cima, aquela era a primeira vez que eu me importava com uma garota e isso me assustava.
Mas era ótimo.
— Acho que eu já consigo montar Explosão sozinha agora — brincou, em meio às suas gargalhadas.
— Acho que você consegue montar um touro agora, se quiser — confessei, em tom de elogio.
null riu e suas bochechas coraram maravilhosamente. Levei minhas mãos a elas e puxei-a para beijá-la.
Linda e minha.
Riacho
Nossas férias estavam se esgotando pateticamente rápido e me fazendo ficar cada vez mais receoso por não poder mais passar todo o meu dia enfiado em null ou tentando me enfiar nela. E cada segundo mais que eu passava ao seu lado, mais minha mente se embaralhava e mais eu não conseguia parar de pensar nela.
Tinha dias que null acordava com mais fogo que eu, como se partilhasse exatamente o mesmo medo do tempo findando-se magicamente rápido. Nesses esplendorosos dias, ela tinha o dom de ficar ainda mais acordada depois do sexo e me provocava para ter mais e mais.
Aquela manhã estava particularmente boa. Tivéramos uma bela sessão de sexo antes mesmo que ela sequer se levantasse para escovar os dentes e, quando o fez, vestindo apenas um conjuntinho de lingerie azul de renda, que eu tinha certeza de que era para me provocar, eu fui atrás dela, nu e duro, e me encaixei em suas nádegas.
Então, lá estávamos nós dois. Ela já havia escovado seus dentes, mas continuava curvada sobre a pia, o sorriso de lado visível através do espelho, a bunda empinada e rebolante no meu pau, que eu esfregava em sua calcinha, já enfiada no rego.
Segurei-a pelas ancas e puxei-a para mim, impaciente, fazendo com que ela risse e ficasse ereta, deixando seu corpo todo encostar-se no meu. Beijei-lhe o pescoço, as mãos sobre sua barriga, e sentia-a desmanchar com minhas carícias lentas e precisas, nos pontos exatos de seu corpo que eu já sabia e conhecia; era onde ela sentia mais prazer em me ter.
Pelo espelho, vi-a fechar os olhos e respirar profundamente ao sentir meus dedos dedilhando por sua barriga desnuda. Tracei um caminho até seu seio e o apertei com vontade, como eu sempre fazia, e ela gemeu de forma deliciosa em resposta, também como sempre fazia. E nunca perdia a graça.
— Quer tomar banho comigo? — perguntei, em sua orelha, vendo-a suspirar e estremecer de expectativa.
null mordeu o lábio inferior mais uma vez e abriu os olhos, encarando-me através do espelho. Senti suas mãos procurarem as minhas, uma em sua barriga e a outra sobre seus seios, e apertou ambas, embora a direita com menos força, ainda um pouco sensível com a torção em seu aniversário, uns quinze dias atrás.
— Sabe uma coisa que eu sempre quis fazer? — questionou, surpreendendo-me por não me dar uma resposta rápida e direta como normalmente fazia quando eu lhe oferecia sexo no chuveiro.
null estava com aquele olhar magnífico e sexy que fazia quando eu lhe sugeria alguma posição nova e ela gostava instantaneamente e, apesar de adorar transar com ela em pé e no chuveiro, com a água caindo ao nosso redor, dificultando ainda mais nossas respirações e aumentando nosso desespero, eu estava bastante interessado em saber o que ela tinha em mente.
— Hum... — acabei por murmurar, minha mente embaraçada com todas as possibilidades — Se for algo tipo sexo, você nem vai precisar falar duas vezes.
Ela riu e eu beijei atrás de sua orelha, sentindo-a estremecer e se arrepiar, deliciado. null, então, se remexeu e deu de ombros para disfarçar seu ponto fraco e eu aguardei, querendo rir, mas segurando isso fortemente porque eu tinha certeza de que, se eu soltasse a risada, a festa iria acabar bem ali.
— Sempre quis transar numa banheira — confessou.
Imediatamente, as imagens povoaram minha mente fértil como se sempre estivessem ali e eu percebi que era, também, um desejo meu, que eu ainda não havia descoberto até aquele momento. Talvez, apenas fosse porque os desejos de null viravam automaticamente meus desejos ou porque eu tinha certeza de que comê-la em uma banheira seria absolutamente estupendo.
Imaginá-la nua e molhada, a espuma pateticamente posicionada para esconder-lhe ligeiramente os seios, nossos corpos se movendo com a mesma destreza e harmonia de sempre e a água nos envolvendo ao redor, deslizando pequenas e grandes ondas até sua borda, provocadas por nossa movimentação, aos poucos transbordando e deixando o banheiro tão molhado quanto a boceta de null...
— Eu não tenho uma banheira — resmunguei, voltando à realidade, um pouco decepcionado em me recordar desse fato.
null riu baixinho enquanto eu lhe beijava o pescoço desnudo que ela me oferecera; eu estava tentando conseguir mais sexo de qualquer maneira, com banheira ou sem. Ela entrelaçou os dedos nos meus e eu respirei profundamente, tentando pensar em como resolver aquela vontade louca que me arrebatara com suas palavras.
— Eu já notei isso — ironizou, ainda fazendo piada da situação.
Mordi meu lábio, mania que estava acabando por pegar de null, tentando analisar a situação com a cabeça de cima. Comecei a listar mentalmente tudo o que poderia resolver aquele problema e me recordei de algo tão rapidamente que quase me parabenizei. Mas era eu, então não era novidade alguma.
Havia um riacho que cortava o limite norte da fazenda. Ele não era muito grande ou fundo e nem tinha muita correnteza; parecia perfeito para nós dois. O único problema era que ele ficava na divisa entre nossa fazenda e a do pai de Kamille, razoavelmente perto da casa principal, onde a família e os caseiros moravam.
Decidi que era melhor omitir esse fato de null ou eu não chegaria nem perto de ter o meu sexo no riacho.
— Quer transar num riacho? — perguntei, casualmente, como alguém pergunta se quer batata frita para o almoço.
Foi a vez de null morder o lábio inferior mais uma vez, enquanto analisava a opção que eu lhe oferecia. Virou-se, então, de frente para mim, passando os braços pelo meu pescoço e me deu um beijinho casto.
— Quero — respondeu, simplesmente.
Sorri tolamente para ela, vendo-a espelhar a mim.
Meu pau estava meio encaixado, meio socado entre suas pernas, e eu já estava pensando que talvez fosse melhor a gente transar por ali mesmo, antes de ir, quando null se desvencilhou dos meus braços e saiu para o quarto.
— Escove os dentes, seu porco! — berrou de lá.
Ri, balançando a cabeça negativamente, mas acabei por fazer o que ela me pedira, vendo-a trocar a lingerie pelo biquíni vermelho enquanto eu escovava meus dentes lentamente, sem prestar atenção, concentrado em muitas outras coisas muito mais interessantes do que higiene bucal.
Ela terminou de se vestir e reparou que eu estava parado à porta do banheiro com a escova na boca e me jogou um travesseiro, meio raivosa, fechando a porta em seguida. Quando terminei e saí do quarto, ela não estava mais por lá, mas tinha deixado minha sunga sobre a cama. Vesti-a sorrindo.
Fazia algum tempo que eu não era cuidado daquela forma, com carinho, por alguém que se importava de verdade. Não que outras garotas não tivessem tentado, mas eu tinha certeza de que eu não me sentia assim desde minha mãe. Acho que a palavra certa para isso era algo como amado.
Quando deixei o quarto, null estava colocando a garrafa de suco sobre a bancada. Aproximei-me por trás dela, seu vestido de crochê espetando meu corpo, beijando-lhe o pescoço que ela já me oferecia automaticamente e, então, encarei o nosso café da manhã, o usual pão, manteiga e suco de laranja fresquinho, que mandavam para a gente da casa grande em dias alternados.
— Você vai assim? — perguntou.
Soltou do meu abraço e escorregou para cima, sentando-se em uma das cadeiras e já cortando o seu pão e passando manteiga por ele inteiro, cruzando as pernas apenas para personificar ainda mais meu desespero por não tê-la exatamente naquele momento.
— Algum problema? — questionei, arqueando uma sobrancelha.
null levantou uma sobrancelha também, em resposta ao meu desafio, como se o meu descaso fosse algo completamente absurdo. Servi-nos suco enquanto ela me encarava, tentando me entender. Sorri de lado, pegando o meu pedaço de pão, ouvindo-a suspirar, rendida.
— Nenhuma bermuda, nenhuma camiseta...? — continuou insistindo.
Eu conhecia aquele tom muito bem: ela estava com ciúmes e aquilo me aqueceu inteiro por dentro. Mordi o lábio, segurando a risada e resolvi continuar prolongando a brincadeira, provocando-a, então dei de ombros.
null fez a última coisa que eu esperava que ela fizesse, como quase sempre acontecia. Ela puxou o vestido por cima da cabeça, ficando só de biquíni. Eu queria gargalhar, mas resolvi continuar a implicar com ela.
— Você vai assim? — remedei-a
Ela sorriu maleficamente, mordendo seu pãozinho, crente que eu caíra em sua rede, mastigando lentamente e prolongando o momento, a tensão antes de sua resposta.
— Algum problema? — repetiu também.
Riu e eu acabei sorrindo, balançando a cabeça negativamente para ela, que parecia bem satisfeita consigo mesma.
— Vou botar uma roupa — anunciei. — Satisfeita?
— Sim, muito — ela levou os lábios aos meus em um selinho rápido e discreto. — Obrigada.
Era exatamente daquilo que eu estava falando: null fazia com que eu me sentisse único e especial, como se o simples fato de eu vestir ou não uma roupa fosse mudar todo o seu dia e todo o seu humor. Ela movia tudo ao seu redor, mudava o ambiente com o seu sorriso e inflava ainda mais o meu ego. Afinal, como eu podia sequer crer que ela finalmente me dera bola? E mais: como eu podia acreditar que ela era muito mais intensa e gostosa que meus sonhos mais insanos?
Pegamos Luvas para nos levar até o riacho, já que null insistia que Explosão ainda era pequena demais para carregá-la (embora eu suspeitasse que era apenas uma desculpa para nos esfregarmos na cavalgada, o que inevitavelmente acontecia). Soltei Luvas assim que descemos à beira da água e ele saiu trotando alegremente e pastando ao redor. Provavelmente me daria trabalho para recolhê-lo depois, mas eu não gostava muito de amarrá-lo quando eu o levava para sair; ele já passava muito tempo preso no estábulo, merecia gozar plenamente dos seus raros momentos de liberdade.
Ao longe, atrás das poucas árvores ribeirinhas que nos garantiriam o suficiente de privacidade, eu conseguia ver o casarão de Kamille, o que me fez sentir um esquisito frio no estômago, logo deixado de lado pela movimentação de null.
Como em câmera lenta, vi-a tirar o vestido, descobrindo cada pedaço de pele pouco a pouco e torturantemente, as partes mais importantes tampadas por minúsculos pedaços de pano vermelho, presos por frágeis lacinhos.
Acabei pateticamente salivando.
Ela enrolou o cabelo em uma grande mecha e começou a dobrar o vestido cuidadosamente, deixando-o sobre a raiz protuberante de uma das árvores mais próximas a ela. Caminhou até a borda do riacho e afundou o pé no mesmo, retirando-o rapidamente, enquanto estremecia levemente. Virou-se, então, para mim de súbito, encontrando-me parado feito um babaca. Franziu a testa e me mostrou sua expressão divertida.
— Você não vem? — perguntou.
— Ah... Claro! — exclamei, meio sem jeito, fazendo-a rir.
Arranquei minha camiseta de qualquer jeito e chutei minha bermuda para longe de mim. null revirou os olhos e se aproximou, recolhendo ambas as peças e dobrando-as com uma destreza impecável.
— Você é muito bagunceiro, null — ralhou comigo, enquanto empilhava as roupas em cima do seu vestido — Abandona tudo por aí e...
Agarrei-a pela cintura e pulei no riacho, arrastando-a comigo aos berros e tapas. A água gelada nos envolveu e afundando, os gritos sendo silenciados e os tapas se transformando em unhadas e apertos, enquanto ela tentava se manter próxima a mim, apesar do impacto tentar nos separar em meio aquele monte de água espalhada.
Emergi, espalhando água ao meu redor e passando minhas mãos pelos olhos, abrindo-os em seguida, a procura de null. Ela apareceu logo em seguida, alguns metros à frente, parecendo a menina de O Chamado, bufando, irritada, e sacudindo o cabelo, tentando se arrumar. Afundou-o novamente, jogando a cabeça para trás e todo o cabelo foi junto, o que me fez deixar o queixo cair um pouco.
— Você é um idiota! — berrou de lá, tentando se manter em pé naquela parte ao que me parecia ser mais fundo.
Nadei até ela, sem me assustar com seu xingamento frequente. Alcancei-a sem muito esforço, nadando a favor da corrente parei-me à sua frente, puxando-a pela cintura para ter o corpo grudado no meu.
— Será que hoje eu consigo soltar essa cordinha? — perguntei.
Ela girou os olhos e espalmou a mão em meu peito; pelo estalo, ela tentou me dar um de seus tapas fraquinhos que eu quase não sentia. Ri, aproximando meu rosto do dela, deixando nos lábios inferiores se encostarem levemente, mas nada além disso, porque eu sabia que ela respeitava o limite e se excitava com aquilo tanto quanto eu.
— Você é um idiota — repetiu, mas sem o mesmo foco que antes.
Sua boca roçou na minha quando ela disse e seu lábio inferior foi automaticamente ao meio de seus dedos, tentando se conter da vontade que eu sabia que já a assolava, a mesma que explodia em minha virilha e aumentava ainda mais minha ereção, já mostrando o ar de sua graça desde nossa esfregadinha sobre Luvas.
— O que mais eu sou? — perguntei-lhe, instigantemente.
Deixei meus lábios escorregarem até sua orelha e mordi a pontinha dela, sentindo sua respiração falhar com um quase gemido na minha. Uma de minhas mãos escorregou de suas costas para a sua coxa, levantando uma de suas pernas e a encaixando em minha cintura, sentindo seus braços envolvendo meu pescoço.
— Babaca... — murmurou.
Ri, ainda em sua orelha, deixando um sopro fraquinho nela, sentindo-a se arrepiar por inteiro e estremecer no meu abraço. Apertei ainda mais seu corpo contra o meu e olhei para seu rosto, admirando-a com a boca meio entreaberta, os olhos levemente fechados, inspirando profundamente.
— Algo mais? — questionei.
Minha mão estava em sua outra coxa e levantei sua perna, envolvendo-a em minha cintura tal como a outra. Ela cruzou ambas na altura da minha bunda e se empurrou contra a minha ereção, ansiosa.
— Completamente irritante — respondeu, quase como um sussurro.
Eu ri mais uma vez de sua declaração, esperando pelo momento exato em que ela iria ceder e me dizer o quanto me queria. Podia ficar naquela brincadeira pelo resto do dia porque estava bom demais e eu sabia que quanto mais nós prolongássemos as implicâncias, melhor iria terminar.
Depois de dois anos esperando para conseguir fodê-la e todo aquele verão inesquecível, eu tirara aquela lição.
— Só isso, null? — perguntei, provocando-a ainda mais.
Ela grunhiu, já impaciente com a minha demora para acabar logo com aquilo, ao que eu respondi mordendo ao redor da sua linha da mandíbula, descendo lentamente até o seu pescoço, ao que eu mordi também, ouvindo um gemido quase tímido escapar por seus lábios ansiosos.
— Gostoso pra caralho — murmurou.
Então, eu entranhei uma mão em seus cabelos, puxando seus fios e enfiei minha língua em sua boca, sedentamente.
Batatas
Senti seus dedos em meu cabelo, devolvendo o puxão com a mesma intensidade, seus gemidinhos deliciosos explodindo em minha boca em nossas ligeiras paradas para conseguir ar. Estava sustentando-a com apenas uma mão em sua bunda, apertando-lhe o pedaço de pele com vontade, deixando-lhe espaço apenas para se empurrar ainda mais contra a minha ereção.
Soltei sua bunda, deixando-a se sustentar sozinha e comecei a beijá-la no pescoço ao mesmo tempo, ouvindo-a gemer de surpresa, alto e gostoso, enquanto levava minha mão aos seus seios. Puxei seus cabelos de forma restritiva, voltando minha boca aos seus lábios e mordendo-o o seu inferior com mais força que o necessário, ao que ela reclamou, gemendo e tentando se afastar.
— Você sabe que eu adoro os seus gemidos deliciosos... — disse-lhe, em sua orelha, um braço se passando por sua cintura, não deixando que ela se afastasse — Mas se você continuar gemendo desse jeito, vão encontrar a gente — ela parecia não estar entendendo nada do que eu estava lhe falando, pendendo o rosto para o outro lado, oferecendo seu pescoço para que eu o beijasse. — E você também sabe o que eu penso sobre outras pessoas vendo você ter um orgasmo, não sabe? — ela definitivamente não estava prestando nenhuma atenção, então a sacolejei e ela acabou por concordar com a cabeça de forma relutante, provavelmente porque não sabia com o que estava concordando. — Então, vamos fazer silêncio hoje, sim?
Ela grunhiu em resposta, nada satisfeita com o meu pedido, se remexendo contra mim o suficiente para arrancar um gemido quase tímido de minha boca. Se sustentando com as pernas firmemente apertadas ao redor de minha cintura, levou ambas as mãos ao meu rosto, apertando-o entre elas com um dos polegares se colocando dentro da minha boca, forçando-se pelos meus lábios.
— Cala a boca e me fode — disse.
Eu já havia reparado que havia uma tênue linha no vocabulário de null e cada vez ficava ainda mais claro: apesar de ser sempre direta e evitar rodeios para dizer exatamente o que queria, dificilmente falava alguma palavra que fosse considerada chula, preferindo buscar sinônimos mais educados e discretos para me explicar o que queria dizer. Porém, quando eu a excitava o suficiente, ela pisava para fora da linha e explodia seu vocabulário sempre impecável, me fazendo crer que ela estivera, sim, me ouvindo durante todo o verão e havia aprendido um monte de palavras mal-educadas muito rápido. Ou, talvez, ela já soubesse. Não importava, o importante era que quando isso acontecia, nós falávamos a língua do sexo, nos limitando a palavrões e sacanagens sem pudor algum.
Eu não sabia por que eu ainda me impressionava, mas acabei por arregalar os olhos e deixar meu queixo cair um pouco, sempre embasbacado com seus trejeitos mais do que qualquer outra coisa que fizesse. Ela pareceu nem perceber que eu estava meio chocado com a sua ligeira audácia. Ainda com as mãos em meu rosto, ela me puxou para sua boca, demonstrando toda a pressa que sentia para terminarmos logo aquilo.
Em meio ao beijo, desamarrei o nó de seu biquíni, em seu pescoço, deixando os dois triângulos que lhe cobriam os seios caírem para frente, se embolando entre nós dois, minhas mãos indo quase automaticamente para a nova área descoberta, beijando-lhe a boca e sentindo seus gracejos aos meus apertões e beliscões certeiros em busca do seu — e do meu — prazer.
— null... — ralhou comigo, me alertando ainda mais de sua pressa.
Ri, mordendo-lhe o lábio enquanto brincava com o lacinho de sua calcinha, observando sua reação exagerada a isso. A água nos cobria quase até o pescoço, eu estava em cima de uma pedra mais alta, naquela área relativamente mais funda do rio, com null encaixada em minha cintura, mas, mesmo assim, eu conseguia ver seu peito subindo e descendo de forma rápida e precisa em busca de fôlego às minhas gracinhas através da água clara, seu desespero e sua pressa transbordando a cada gesto meu.
— Quem precisa de uma banheira, huh? — perguntei, para atiçá-la ainda mais.
Ela revirou os olhos, fechando-os e apertando-os enquanto jogava a cabeça para trás, soprando sua respiração desembestada em meu rosto. Sorri satisfeito, beijando-lhe o pescoço exposto, sentindo suas mãos desesperadas puxando meus fios em minha nuca, minhas mãos agora em sua bunda, sustentando-a enquanto ela se impulsionava em minha ereção, pedindo, implorando, que eu parasse de torturá-la e acabasse logo com aquilo.
O que eu podia fazer? Amava levá-la ao limite, deixá-la tão louca que as palavras que saíam de sua boca não faziam mais sentido algum, as mãos puxando e apertando tudo ao seu alcance, os seios cada vez mais exibidos por sua respiração acelerada, com seus bicos retraídos de tensão e prazer...
Ela forçou o rosto de volta ao meu, o nariz encostando em minha bochecha enquanto ela se forçava a respirar o suficiente para se manter desperta. Os lábios procuraram os meus de uma forma tão doce que eu não sabia que poderia sair dela naquele estado; casto e calmo, o beijo se encerrou com uma esfregada de nariz e um gemidinho baixo e delicioso, que me arrepiou por inteiro.
— Eu quero tanto você... — murmurou.
Já sentia a calma controladora me abandonar e ser substituída pelo total desespero ao passo que meu coração pareceu dobrar o seu ritmo cardíaco já acelerado. Soltei ambos os nós de sua calcinha e abaixei minha sunga, deixando a cabeça do meu pau roçar em sua boceta e vendo-a morder o lábio pela tensão de antecipação.
— Você me quer, é? — ainda consegui provocá-la, vendo-a revirar os olhos e apertá-los — Mostra pra mim...
Demorou um longo momento de tensão até ela entender o que eu estava lhe pedindo. Quando entendeu, porém, valeu completamente a pena. Ela apoiou as mãos em meus ombros para se equilibrar, as minhas entre sua cintura e sua bunda, mantendo-a encaixada e pronta.
Ela avançou contra mim ágil e forte, consentindo que eu a penetrasse por inteiro de uma vez só, cravando as unhas em meus ombros e deixando um longo e excitante gemido escapar de seus lábios antes de grudarem nos meus, sedentos e desesperados.
Não perdoei, embora estivesse para lá de gostoso. Dei-lhe um tapa espalmado na bunda, que saiu um pouco mais fraco que o pretendido por causa da água, mas o suficiente para fazê-la soltar uma exclamação indignada e surpresa.
— O que nós conversamos sobre os seus gemidos, sua puta safada? — perguntei.
Ela congelou em seu lugar, franzindo a testa, e correspondeu meu beijo de uma maneira estranha quando eu avancei contra si, tomando o controle dos movimentos e me derramando dentro ela após alguns poucos momentos, enquanto apertava os lábios com força.
Beijei-a mais uma vez e apesar do meu apelo, ela não abriu a boca para deixar minha língua entrar. Franzi a testa, achando que havia algo muito errado quando ela começou a se desvencilhar de mim muito rapidamente.
— Acabou? — debochou, escorregando para longe dos meus braços ao passo que eu congelei de choque.
Que merda. Ela não devia nem ter gozado.
Aquela era a porra da fantasia dela e eu não tinha nem a feito gozar. Que merda eu tinha arranjado dessa vez?
Nadou para área mais rasa, amarrando o biquíni de volta ao pescoço, enquanto eu pensava no que poderia fazer para corrigir o que eu nem sabia o que era; não era difícil que eu lhe desse tapinhas durante o sexo e normalmente eles eram bem mais pesados do que eu lhe dera, sempre falávamos putarias durante e ela nunca se importara. Eu já a fizera berrar que era safada enquanto a comia de quatro e tinha sido delicioso.
Qual era o problema?
— null... — tentei.
Ah, merda, ela nem se virou para mim. Queria fazer qualquer coisa para ela gozar. Qualquer coisa. Eu nem me importaria de arrastá-la até a borda e chupá-la, mesmo correndo o risco de alguém vê-la. Eu não me importava mais. Ela não podia me dar um voto de crédito? Eu já tinha a feito gozar duas vezes aquela manhã. Mas que droga!
— Onde está minha calcinha? — indagou abruptamente.
Fiz uma careta e tentei repassar o que fizemos mentalmente, tentando me lembrar. E aí, lembrei, eu desamarrei a cordinha e não me lembro de tê-la pego. Ainda olhei ao redor, na esperança dela ter prendido em uma pedra ou afundado, mas obviamente tinha sido carregada pela correnteza.
Minha movimentação alertou null.
— Você perdeu minha calcinha? — ela estava ainda mais furiosa.
Eu não via null zangada assim desde quando Kamille passara por ela; naquele dia, eu conseguira jogar a culpa de volta para Kamille, mas agora eu sabia que tudo era inteiramente eu sendo um idiota.
— null... — chamei-a mais uma vez, vendo-a nadar até a borda.
Tentei segurá-la pelo braço, mas tudo o que ela fez foi empurrar-me e continuar nadando para longe. Olhou para os lados e fez que ia sair da água não vestido nada por baixo. O pânico me fez agarrá-la pela cintura.
— Onde você vai assim, null? — inquiri.
Ela se debateu nos meus braços e tentou se soltar, mas ela estava louca que eu a deixaria sair por aí sem uma calcinha. Ok, que eu tinha sido um babaca e tinha perdido a calcinha dela, mas ainda não era retardado o suficiente para deixá-la assim.
— Me solta, seu babaca! — gritou. — Me solta agora, seu idiota, seu otário, eu odeio você! Odeio você!
E aí ela começou a chorar e eu descobri que eu odiava vê-la chorando e que também não sabia o que fazer quando isso acontecia. Acabei fazendo o que ela queria e ela escorregou para fora do riacho, correndo até a raiz onde empilhara as roupas e vestiu minha bermuda rapidamente.
Empurrei-me para fora da água e fui parar ao lado dela, na árvore da raiz alto, enquanto ela tirava o excesso de água do cabelo, torcendo-o. Não ficou nem um pouco contente ao me ver se aproximando e me arriscou uma olhada que quase me fez dar um passo para trás, mas persisti.
— null, desculpa... — nem sabia pelo que eu estava pedindo desculpas, mas ela obviamente estava certa. Ninguém ficava tão puto assim da vida do nada por qualquer coisa. Eu tinha feito algo muito, muito ruim.
— Me deixa em paz, null — ralhou, agora com a voz parecendo mais calma.
Tentei abraçá-la, mas tudo o que eu consegui foi levar três tapas seguidos em cada braço. Ela estava irada, louca. Desvencilhou de mim e começou a andar para o nada, para além do limite da fazenda, sem nem saber o que estava fazendo.
— Eu sinto muito, null, por favor, volte aqui! — berrei, enquanto ela se afastava. — Você tá indo pro lado errado!
Ela obviamente me ignorou. Comecei a procurar Luvas com os olhos, na esperança de conseguir convencê-la a subir nele e evitar os vinte minutos de caminhada até nossa casa, mas, quando o encontrei, não pude acreditar.
null passou cavalgando-o rapidamente por mim, quase como um flash. Ainda arrisquei assoviar para fazê-lo me obedecer e parar, mas, obviamente, ele estava tão caído por ela quanto eu e fez o que ela mandava: correu ainda mais rápido.
E eu estava completamente fodido.
A cena que eu encontrei quando cheguei em casa foi absurdamente chocante. Eu não sabia em que ponto me concentrar primeiro.
Kamille estava sentada em uma das cadeiras da bancada, as mãos estavam algemadas atrás de si, presas em um dos ferros de sustentação da cadeira, com uma corda amarrada na cintura e um pano de prato amarrado em sua boca. Quando me viu, arregalou os olhos e começou a se sacudir, murmurando coisas ininteligíveis através pano.
null estava três passos dali, despreocupadamente sentada em uma das cadeiras da mesa de jantar, virada de frente para Kamille, descascando batatas com uma faca três vezes maior que o necessário.
Ah, eu amava aquela garota.
Fechei a porta atrás de mim, fazendo null finalmente reparar que eu estava em casa. Ela levantou uma sobrancelha debochadamente ao me ver depositar seu vestido com cuidado em cima da mesa e caminhar em sua direção.
— Sua noiva quis nos fazer uma visita às escondidas — anunciou, quase cuspindo o noiva e eu não sabia se era por raiva de mim ou de Kamille — Encontrei-a mexendo no meu computador e tem um monte de roupa jogada pelo quarto.
O que eu queria entender era como Kamille havia acabado amarrada daquele jeito, mas eu devia admitir: estava me divertindo.
— Eu disse a ela ah, por favor, não sente na minha cadeira favorita e ela obviamente sentou — null disse, respondendo minha pergunta muda com um sorriso orgulhoso. Meio maníaco, mas ainda bem interessante. — Então, a algemei. O resto foi por diversão. E pra calar a boca dela.
Ri, sem poder me conter; Kamille reagiu se debatendo e continuando a berrar através do pano sem que eu conseguisse entender. Eu sabia que, apesar de ter conseguido me livrar de casar com ela, eu estaria em maus lençóis se a deixasse assim por muito tempo, então me aproximei e tirei o pano de prato que cobria-lhe a boca, ouvindo um suspiro resignado de null.
— Ela é louca! — Kamille berrou assim que eu a soltei. — Louca de pedra!
— E o que você veio fazer agora, sua retardada? — questionei.
Ela se debateu e eu comecei a desfazer o nó embolado que null fizera para prendê-la com um suspiro. Kamille era desagradável o suficiente para merecer ficar ali por horas e eu cogitei mentalmente fazê-lo, mas eu sabia que aquilo já havia sido o suficiente para balançar o seu precioso ego e ensiná-la que não podia se meter com null.
— Você não pode se safar assim! — gritou, enquanto eu tirava a corda do seu redor. — A gente sabia que ia casar desde os doze anos, isso não é tão simples assim! E quem ela pensa que é pra chegar aqui agora e querer sentar na janela?
— Filha do ministro da agricultura, cursando biologia da UFG com notas acima de oito até agora, leio mais cinquenta livros por ano, já viajei para mais de quinze países e falo três línguas. — null listou, tranquilamente, enquanto descascava a batata. Levantou um olhar para Kamille, que a olhava com raiva. — Ah, desculpe. Achei que você queria saber.
Eu simplesmente amava aquela garota.
— Baby, onde está a chave? — perguntei a ela, tranquilamente, querendo que ela entendesse que eu estava adorando o que ela havia feito e rezando que não estivesse mais zangada comigo.
— Joguei na privada — respondeu, sem levantar os olhos da batata.
Respirei fundo, tentando conter o sorriso em meu rosto, com Kamille se debatendo na cadeira com tanta força que se ela fosse um pouquinho menos estável, já teria se estatelado no chão.
Pensei em deixá-la passar a vergonha de eu ter que chamar um chaveiro, mas eu podia ver que cada segundo dela ali estava afetando ainda mais o humor de null e eu não queria chateá-la mais do que eu já havia feito. Mesmo que Kamille estar presa fosse, na verdade, culpa dela.
— Tenho uma reserva — garanti à Kamille, que se debatia e repetia seu refrão de ela é louca sem parar.
Corri até o quarto, que estava realmente uma bagunça, e achei a caixa com os brinquedos jogada no chão, alguns deles espalhados ao redor. Torci que não tivesse perdido e, por sorte, logo encontrei, um saquinho vermelho de TNT jogado aos pés do guarda-roupa. Logo estava girando a chave e soltando os pulsos de Kamille, que se levantou já batendo os pés na direção de null.
null, claro, não se intimidava fácil. Com uma revirada clássica de olhos, apontou a ponta da faca para Kamille, para lembrá-la de que ela era mesmo louca. Doida de pedra. E eu estava sorrindo, completamente embasbacado com o quão maravilhosa ela conseguia ser.
— Vai embora, Kam — eu disse. — Sério.
Kamille virou, completamente irritada para mim e, surpreendentemente em silêncio, saiu de nossa casa, batendo os pés e bufando, assumindo a derrota sem muito esforço. Assim que ela se foi, virei-me para null e descobri que ela ainda estava furiosa.
— Kam? — questionou-me, com deboche.
Jogou a faca no chão de qualquer jeito e se levantou, passando por mim em direção ao quarto. Segurei-a pelo braço e tentei impedi-la, mas agora ela já sabia que tinha o total poder e, quando puxou o braço, eu deixei-a ir.
— Baby, vamos conversar, por favor — quase implorei.
Ela já estava dentro do quarto, empurrando a porta para se trancar lá dentro. Coloquei o pé para impedir e quase gritei de dor quando ela tentou fechar a porta de qualquer jeito.
— Eu não sou sua puta! — berrou, raivosa. — Eu não sou qualquer uma que você fode do jeito que quiser, da maneira que quiser, como bem entender e sem se importar. Eu não...
Ela não conseguiu terminar e eu ouvi seu gemido choroso sem poder ver suas lágrimas, enquanto ela se escondia atrás da porta do quarto.
Ah, merda. Era isso.
Segredos
Empurrei a porta e, desta vez, null não me ofereceu nenhuma resistência; entrei no quarto e encontrei-a com a cabeça apoiada na porta, chorando copiosamente. Meu coração pareceu murchar por inteiro e, além de tudo, sabendo que ela estava assim por minha causa acabava me deixando um mal-estar horrível no estômago.
Passei meu braço ao redor de sua cintura, mas tudo o que eu consegui foi fazer com que ela me desse um tapa. Suspirei e fiz uma nova investida e levei vários tapas seguidos em um novo ataque de raiva.
— null... — chamei-a.
Puxei-a mais uma vez e não deixei que ela me empurrasse ou me assustasse com suas ameaças de me bater. Ela continuou estapeando meu peito, enquanto eu fechava meus braços ao redor dela, mantendo-a presa. Aos poucos, ela foi parando de me socar e seus soluços aumentaram, seu rosto se escondeu na curva do meu pescoço e senti suas lágrimas quentes molharem minha pele.
— Eu não quis dizer isso, null — expliquei-a, acariciando seus cabelos ainda um pouco úmidos pelo nosso banho no riacho, tentando acalmá-la. — Eu só... me empolguei com você, linda.
Ela se apertou ainda mais contra mim e pareceu chorar mais também. Suspirei e a ergui do chão, sentindo seus braços se passarem pelo meu pescoço sem muita resistência da parte dela. Carreguei-a e a depositei com cuidado sobre a cama.
Acabei me afastando dela um pouco, sentando-me ao seu lado e ela passou a mão pelo rosto, olhando para o lado oposto, envergonhada de suas lágrimas, o que eu achei bonitinho e acabei sorrindo feito um idiota.
— Eu não quero que você pense que eu estou com você só por causa do dinheiro — revelou, por fim.
Deixei meu queixo cair completamente chocado. Eu nunca, em toda minha vida, sequer pensaria em algo assim. Eu poderia pensar que ela estava comigo por conveniência, pelas férias com companhia, pelo sexo... Por dinheiro? Nunca. E não depois de ela ter tido que era apaixonada por mim.
A lembrança fazia algo dançar no meu estômago. Era completa e total idiotice.
Levei minha mão até a dela e a entrelacei com carinho, passando meu polegar pela curva entre o seu polegar e o seu indicador, o que pareceu lhe provocar uma comoção suficiente para fazer com que ela olhasse para mim.
— Ai, null — ri. — De onde você tirou essa bosta, linda?
Levei minha mão ao seu rosto e ela empurrou a bochecha contra a minha palma, contente pelo carinho, fechando os olhos e mordendo o lábio inferior de nervosismo. Deu de ombros, então, e eu sorri, vendo-a abrir os olhos novamente, balançando a cabeça negativamente para ela, lhe informando que aquela era uma grande besteira.
— Não é por causa do dinheiro que seu pai tá me passando — repetiu e eu suspirei por ela estar insistindo no assunto. Meu pai tinha lhe depositado dois meses de mesada para null, o mês de janeiro e adiantado fevereiro porque tinha se dito preocupado com as despesas com material do início do semestre; tudo isso em cima dos nossos novos lucros da fazenda, por causa das cartas de recomendação que o pai dela nos dera. Eu devia adivinhar que ela ficaria encanada com aquilo tudo, mas ela parecera tão normal quando eu lhe avisei que iria cair um dinheiro na conta dela que eu não me antenei com o fato de que ela poderia, mesmo, ficar nervosa com aquilo tudo. — Eu gosto mesmo de você.
Ela mordeu o lábio inferior com ainda mais força e eu sorri, bobo e contente por estar ouvindo aquilo mais uma vez. Avancei para beijar-lhe os lábios, mas ela abaixou o rosto, não permitindo, então, suspirando, deixei um beijo na ponta do seu nariz, de qualquer forma.
— Eu sei, null — eu disse. Eu sabia que eu não teria outra chance melhor que informá-la como eu me sentia. Era só dizer eu também, não teria que voltar o assunto e nem que jogar a informação. Era só concordar. Mesmo assim, parecia ter um bolo engasgado em minha garganta. — Eu...
— Tudo bem — interrompeu.
E lá estava eu, paspalho, com a boca meio entreaberta, sem conseguir dizer para ela como eu me sentia mais uma vez. Droga.
— Você pensa demais — eu disse, em vez daquilo.
null soltou um urro de raiva e frustração e roubou o meu travesseiro, colocando sobre o rosto, escondendo-se embaixo dele. Continuei ouvindo-a chorar e gritar através do travesseiro, provavelmente fingindo que eu não estava ali.
Achei engraçado, mas resolvi que não queria deixá-la continuar irritada ou triste, então comecei a cutucá-la pela barriga exposta, pensando com meus neurônios o que eu poderia fazer para ela relaxar.
— null! — cantei — Seus cabelo é da hora! Seu corpão, violão!
null soltou uma gargalhada nervosa através do travesseiro e eu arrisquei arrancá-lo dela, vendo-a revirar os olhos, segurando um sorriso que ela não queria que eu visse. Minha barriga inteira decretou festa e começou a se revirar simplesmente porque ela era linda demais, mesmo zangada, mesmo chorando, mesmo chata como uma porta.
— Tenho certeza de que essa música diz mina, não null — reclamou.
Estalei os lábios porque ela estava correta e minha intenção era apenas fazê-la rir, o que eu consegui com sucesso. Sorri para ela, sentindo suas mãos procurarem as minhas em sua barriga.
— Ah, você quer uma música que tenha null? — ela apertou os lábios, na dúvida se deveria responder minha pergunta ou não, e eu cantarolei mentalmente todas as músicas que eu conhecia e quase gargalhei ao encontrar. — Oh, null! Mil e uma noites de amor com você...
— Ah, não! — exclamou.
Levou os braços ao rosto, tentando se esconder, enquanto eu me joguei por cima dela, uma perna de cada lado do seu corpo e comecei a pular, super animado.
— Na praia, no barco, num farol apagado, num moinho abandonado!
— null!
Ela tentou me bater com o travesseiro, mas explodiu de gargalhadas e escondeu o rosto novamente, envergonhada.
— Em um mar grande, alto astral! Lá em Hollywood pra de tudo rolar, vendo estrelas caindo, vendo a noite passar! — cutuquei a barriga dela, tentando fazê-la parar de dengo e olhar pra mim — Ei, null, isso aqui são todas ótimas ideias!
Ela abriu o espaço entre os anelares e os mindinhos para me olhar entre os dedos. Estava sorrindo com os olhos, mas envergonhada que eu a tivesse pego chorando por algo tão bobo e depois a tivesse feito rir escandalosamente.
— Vá se foder! — berrou, do nada.
Pegou o travesseiro e me deu uma travesseirada que me fez escorregar para o lado dela, na cama, ainda gargalhando. Puxei-a, rindo, e ela berrou e tentou me empurrar, mas acabamos abraçados e com nossos sorrisos grudados um no outro, em um beijinho besta que não deu nem para tirar um gosto.
— Ele me chamava assim — null disse, assim que nossos lábios se afastaram, me pegando de surpresa.
Franzi a testa para ela, tentando entender quem a chamava do quê. null ficou olhando para minha cara, esperando que eu compreendesse, mas quando viu que eu não conseguiria, revirou os olhos.
— Renan — disse, já sem paciência. — Ele me chamava de... Daquele jeito.
— De pu...? Ah! — interrompi automaticamente, vendo sua expressão nublar outra vez.
Ela respirou fundo e concordou com a cabeça. Envergonhada, desviou o olhar do meu e encarou a parede ao nosso lado.
— Eu era tipo isso mesmo — deu de ombros. — A gente transava, ele me dava comprimidos, bebida, me colocava de graça em umas festas que não pediam minha identidade... Ele não se importava comigo e eu fingia não me importar com nada também, mas... machucava. — suspirou e voltou a me olhar, com os olhos marejados. Senti seus dedos passearem pelo meu peito desnudo e estremeci ao seu toque — Você não. Você...
Ela parou de falar abruptamente e suas bochechas ganharam cor. Ri baixinho e me aproximei de seus lábios mais uma vez, deixando-os se encontrarem; ela entreabriu os seus e eu invadi sua boca com minha língua, deixando-a sentir o quanto eu a desejava, minhas mãos correndo para sua barriga e meus joelhos escorregando para o meio das pernas dela, empurrando-as para o lado para que eu pudesse me encaixar.
— Eu... — murmurei, sugestivamente. Soltei meus lábios dos dela e levei-os até sua orelha, sentindo-a se arrepiar como sempre. — Fiquei bastante chateado por você ter me deixado ir pro paraíso sozinho, lá no riacho. Então, eu estava pensando...
Minhas mãos estavam descendo pelo seu corpo, uma já tinha alcançado a barra da minha bermuda que ela ainda vestia, mas suas mãos me pararam e eu soltei um suspiro resignado e nervoso.
Vamos, null. Eu só quero fazer você gozar e relaxar.
Era impossível eu conseguir lidar com ela naquele humor, irritadiço e chorão. Só de olhar para o seu nariz vermelho pelo tanto que ela havia chorado, eu sentia meu coração sendo esmagado de impotência.
— Tem algo que eu precise saber sobre a sua Kam? — perguntou, em tom de completo deboche.
Ah, droga. Eu provavelmente estava encrencado.
Pelo tom da pergunta, eu só podia crer que Kamille havia dito mais do que eu tinha contado para null e que ela estava me dando uma chance de equiparar antes de começar a gritar comigo, então eu não tinha escapatória, eu teria que contar a história toda ou estaria correndo o risco de ela chorar mais ou de ficar tão zangada comigo que não deixaria eu não tirar nem mais uma casquinha sequer.
Isso era um pouco mais incômodo do que a vergonha que eu poderia sentir contando para ela. E depois do que ela me contara sobre o ex-namorado, talvez não fosse nada de mais deixá-la saber do meu passado também.
Não pude impedir minhas bochechas de corarem. null franziu a testa e escorregou os polegares por ambas, como se quisesse prevenir que aquilo era meu mesmo, e não alguma maquiagem dela que, sei lá, tivesse escorregado para a minha bochecha sem querer enquanto a gente se beijava.
— Depois de muito tempo que nossos pais perderam brigando pra quem ia comprar a fazenda do outro, eles resolveram que a gente devia casar pra, sabe, juntar tudo. — comecei, meio sem jeito e muito envergonhado.
null franziu a testa e ficou me encarando, as mãos ainda no meu rosto, como se esperasse que a cor fosse sumir magicamente caso ela parasse de esfregar ou sequer piscasse os olhos.
— Sei. — disse. — Isso eu já sei.
Revirei os olhos e encarei-a, zangado. Ela também revirou os dela e suspirou, nervosa, mas entendeu. Era para me deixar contar.
— Eu tinha uns catorze e meu pai achou por bem que a gente deveria namorar de verdade — disse. — Antes que eu me apaixonasse por algum rabo de saia qualquer e tal. Então, a gente namorou de verdade, eu ia na casa dela, a gente saía junto e tudo mais. — Ai, droga, tudo o que eu queria era poder fugir do olhar de águia de null só por um segundo. Talvez me esconder no travesseiro, qualquer coisa. — Só que ela é chata pra caralho e eu não aguentava a mina. E eu achei por bem que eu deveria pastar outros pastos e, bom, ela não gostou muito da ideia, quando descobriu. E aí ela transou com todos os meus amigos do ensino médio e tal. Foi, tipo assim, horrível.
— E você mereceu — ela disse, ainda me encarando.
Fiquei zangado e cutuquei-a na barriga.
— Todos os meus amigos! No meu ano de formatura! — resmunguei. — Foi horrível — repeti.
Ela riu, achando graça de mim. Eu estava verdadeiramente ofendido, então me sentei e cruzei os braços na frente do meu corpo.
— Mas você também estava a traindo — riu.
— Mas eu não transei com as amigas dela — reclamou. — Na verdade, eu estava tentando tomar o cuidado de não transar com ninguém que ela conhecia.
— Nossa, você é mesmo um amor! — ridicularizou.
— A gente pegou DST — confessei. null parou com a brincadeira no mesmo momento e me olhou com atenção. — Eu peguei, acho. E passei pra ela. E ela passou pra todo mundo. E aí ninguém mais falou comigo.
— Você me disse que era limpo — sussurrou, quase sem nem respirar.
Enlacei minha mão na dela antes que ela pudesse se assustar ainda mais.
— Eu fiz tratamento por um ano inteiro — contei. — Ainda vou sempre no médico pra fazer testes. Eu sou limpo. Aprendi minha lição.
— Ah, é! — resmungou. — Transando comigo o verão inteiro sem camisinha. Aprendeu mesmo sua lição preciosa.
Acabei me zangando o suficiente com a sua insensibilidade à minha confissão para me levantar da cama, mas antes que eu pudesse dar um passo, senti seus braços ao redor do meu pescoço e me puxou de volta pra cama. Caí quase que em cima dela e ela soltou uma gargalhada, rapidamente se desvencilhando e subindo em cima de mim para eu não fugir.
Eu subitamente esqueci que estava zangado, com minhas mãos firmes em sua coxa e meu pau crescendo em minha sunga, enquanto ela se mantinha alguns centímetros acima dele e eu torcia para ela se sentar.
— Tudo bem, vai — murmurou, ainda rindo, as mãos em meu peito, firmes. — Vamos supor que você estivesse certo, se isso te deixa feliz. Afinal, não acho que meus dedos e meus vibradores tenham me passado alguma doença desde a última vez que eu fui ao ginecologista.
Por favor, se sente. Por favor, se sente. Por favor, se sente.
Era a única coisa que passava na minha mente, então não era muito bem surpresa que minha resposta tivesse sido um mero:
— Ãhn?
Ela revirou os olhos, mas eu não estava prestando muita atenção porque estava com o olhar preso da barriga dela para baixo. null pareceu perceber, porque abaixou o rosto, os olhos cerrados, tentando avaliar minha expressão.
— Você já quer sexo outra vez? — perguntou.
Eu simplesmente amava isso nela. Sem rodeios, sempre direta ao ponto. Falava o que pensava e, se fosse sexo, ela falava até o que não pensava.
Apertei ambas suas coxas com um pouquinho mais de força e escorreguei minha mão para cima e para baixo, meu pau já quase inteiro duro só com o pouco de pele que eu descobria de suas pernas, levantando a minha bermuda.
null sorriu levemente, percebendo meu humor, mas não se moveu um centímetro. Eu sabia que era de propósito e era capaz de eu amargar sem ela por algum tempo por castigo — eu sabia disso. Ela era muito vingativa; e eu também adorava isso nela.
Escolhi minhas próximas palavras com todo o cuidado que o meu cérebro embaralhado de vontade conseguia se concentrar.
— Você não gozou — murmurei, meio nublado. — Não é tão bom quando você não gosta também. É quase como se não...
Eu não consegui terminar. Os lábios de null vieram aos meus, vorazes, e eu subi minha mão por suas coxas, levando-a para o meio de suas pernas, por cima da bermuda mesmo e, então, null gemeu um pouco mais desesperada que o normal.
Tremi por dentro e soltei seus lábios.
— O que você quiser — deixei-a saber. — O que você quiser, do jeito que quiser, é só pedir e eu te dou.
Eu abri os olhos e a encarei com os seus apertados, a boca entreaberta, quase chocada demais para compreender minhas palavras. Eu estava dizendo mais. Não era sexo, não era tesão; eu queria que ela compreendesse que era tudo, tudo mesmo.
Sempre tivera problemas com o que eu sentia; se eu me machucava, eu dizia que estava bem, mesmo que não estivesse; se eu estivesse doente, eu fingia que não porque era melhor. Começou com a morte da minha mãe.
Acho que foi demais para mim vê-la naquele estado e, depois, como meu pai ficou. Pensei que se eu fingisse que não me importava, ele conseguiria também. Então eu comecei a fingir sobre tudo.
Mas aquela garota, aquela coisa maravilhosa que eu tivera a sorte de se enrolar junto com os meus lençóis, ela era tudo. Eu queria tudo dela e queria lhe dar tudo. E eu só desejava que ela pudesse entender isso sem que eu pudesse dizer.
As palavras do meu pai sempre ecoavam na minha mente: Quando a gente não diz, elas vão embora.
— Devagar — sussurrou, contra a minha boca. — Quero sentir você todo.
Os pensamentos foram jogados para o fundo da minha mente e ela cedeu, deixando-me subir para cima dela. Retirei sua bermuda, vendo sua umidade nítida, escorregando para suas coxas e ela, apressada, empurrou minha sunga para baixo.
E eu finalmente a fiz gozar comigo dentro dela, aliviando aquele monstrinho que ficava repetindo que eu era um incompetente por não ter conseguido no lago.
No final, era como dizia o ditado: antes tarde do que nunca.