CAPÍTULOS: [1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8] [9] [10] [11] [12] [13]



Modest Girl




Última atualização: 14/05/2017

Capítulo 1


23 de Agosto de 2013 - Colégio Inspiração - 07:46
Aulas de segunda-feira sempre são tediosas. A de hoje não seria diferente, e o primeiro horário tinha que ser física para piorar o mau humor da maioria. Porém o professor não dava aula, conversava com alguns alunos – babões – enquanto o resto da turma não fazia nada de útil.
- Então, , o que você fará depois da escola? – Virei-me para a que sentava em minha frente, mas antes eu estava virada para a que sentava atrás de mim.
- Acho que nada, então pretendo ir para casa mesmo – Dei de ombros casualmente.
- Você poderia ir lá pra casa. – falou bem empolgada.
- Hoje não é dia de o Fernando ir à sua casa? – Perguntei sentando com as costas na parede para ficar de lado e aproveitei para ficar na posição de índio.
- Ele vai à noite, então a tarde todinha é livre pra gente. – Ela piscou o olho pegando seu celular.
- Tá, né! – Dei de ombros novamente e peguei meu celular que estava dentro do estojo. O mesmo havia começado a vibrar e não parou mais, achei estranho quando vi inúmeros sms de notificação do twitter. - Ai meu Deus! – Soltei um grito e todos olharam para mim, especialmente o professor. – Desculpa!
- Desculpa? – O professor se levantou com um tom de irritado. – Vá pedir desculpas na coordenação.
- Como é que é? – Me levantei bruscamente. – Você não está dando aula e está reclamando? Qual é? – Peguei meu celular e saí batendo a porta bem forte mostrando birra.
Eu amo fazer birra quando estou com raiva de alguma injustiça. Como ele ousou a me expulsar da aula se ao menos estava dando aula? Desci as escadas rapidamente e andei com passos largos até a porta da coordenação, acenei cinicamente para a câmera ouvindo em seguida a porta destrancar.
- Terceira vez no mês, ? – Rafael o coordenador se arrumou em sua cadeira.
- E olha que essa é a segunda semana do ano letivo. – Dei de ombros me sentando casualmente.
- O que veio fazer aqui desta vez?
- Vim pedir desculpas como o professor mandou. – Ele arqueou uma sobrancelha.
- Pedir desculpas de quê?
- Bom, ele estava lá na sala sentado conversando com algumas meninas, daí meu celular começou a vibrar, fui ver o que era... – Um sorriso gigante se formou em meus lábios por lembrar-me do que eu tinha visto –... e daí eu vi um sms perfeito, então involuntariamente eu dei um pequeno grito por impulso, mas deu para uma boa parte da sala ouvir.
- E...?
- Eu pedi desculpas e ele mandou eu vim me desculpar aqui. – Sorri terminando minha explicação.
- Você sabe que é errado o que você fez, não é? – Arqueei uma sobrancelha – Mexer no celular na sala de aula.
- Ah, isso? – Ele se levantou pegando alguns papéis no armário e então comecei a me preocupar, eu não podia ser suspensa novamente – Mas veja só Rafa, tem gente que está até com aqueles fones bem grandes. Eu não tinha o que fazer, por isso peguei o celular, podia ser algo muito importante e outra meu celular não vibrou normalmente, ele estava vibrando tanto que o estojo quase caiu no chão, logicamente pensei que era algo realmente muito importante. – Me defendi.
- Você não acha que se fosse importante iriam ligar para a escola?
- Se caso fosse um acidente com meus pais? – Bati de leve na mesa dele. – Acho que não ligariam para a escola e sim para mim, pois meu nome é o primeiro da lista.
- Mas você disse que era um sms. – Fiz bico para o Rafael que acabou fechando a gaveta do armário. - Está bem, não vou dar suspensão – Virou e se sentou novamente. - Espere o sinal tocar e entre para a próxima aula – Ele fez sinal para eu sair e o obedeci.
Após sair de sua sala caminhei lentamente pelo corredor até sumir da vista da câmera de sua sala, saí correndo desesperada até a escada. Sentei-me no antepenúltimo degrau da mesma, mas antes tirei meu celular do bolso. Quando desbloqueei a tela vi que o que tinha me feito gritar, o que me fez ser expulsa, porém é uma coisa tão boa que nada estava importando ao redor. Lá estava entre as centenas de mensagens, uma menção do Liam, exatamente, do Liam Payne e nela dizia:

I wanted to thank for having called me and woke me up from a nightmare. Love yooou @draftzaynmalik
(Eu queria agradecer a por ter me ligado e ter me acordado de um pesadelo. Amo você @draftzaynmalik)

Lá estava meu nome, meu user do Twitter. Havia chegado a notificação do Twitter do Liam, então acessei meu Twitter. Nas menções tinha gente que nunca vi na minha vida e em idiomas como, inglês, espanhol, francês, alemão... E, claro, português. Perguntavam quem eu era, se eu era algum casinho ou uma fã sortuda, desci bastante ignorando a maioria das frases de pessoas me xingando e encontrei algo que me fez quase dar outro grito.

@Real_Liam_Payne and @zaynmalik follow you

Grito não dei, porém um pulo enorme sim. Olhei para cima quando ouvi alguém descer as escadas rapidamente. Com apenas um sorriso enorme em meu rosto, se aproximou de mim confusa então eu pulei nos braços dela a abraçando.
- Você está bem? – Me afastei ainda com um sorriso gigante.
- Eu te amo, te amo muito, muito e muito. Não sei ao menos como te agradecer, mas saiba que cada centavo valeu, tudo valeu a pena. – A abracei de novo agora a levantando rapidamente e rodopiando nós duas.
- O que foi que aconteceu? – Um sorriso bobo havia brotado em seus lábios.
- Você simplesmente realizou um de meus sonhos, me fez falar com o Liam e como se não bastasse apenas isso ele lembrou de mim. – Mostrei a tela de meu celular a ela.
- Uau, ele te seguiu no Twitter? – Ela pegou o celular de minhas mãos com a boca bem aberta – Cara, você é muito sortuda.
- Você não viu nada – Peguei o celular de suas mãos e fui para as mensagens – Não tem como eu te mostrar no Twitter porque muita gente está mandando muita coisa para mim, mas olha só o que chegou. – Entreguei o celular novamente a ela que me abraçou ao terminar de ler.
- Caraca! Você é uma das pessoas mais sortuda que conheço. – Seu sorriso estava maior que o meu. – Liga pra um e o outro te atende e ainda faz outro te seguir. Na boa, preciso de um pingo de sua sorte. – A abracei mais forte ainda e lembrei-me de cada minuto da noite de ontem.

Flashback on
- Amiga, ela vai dar o número agora.
- Calma, tira print e depois anota – falou calma e eu afirmei com a cabeça.
Eu estava na casa da – uma das minhas melhores amigas – assistindo uma Twitcam de uma menina que dizia ter os números de todos os meninos da One Direction, e ela prometeu passar três números, um eu havia perdido que foi do Harry, mas eu iria pegar o número do Niall e do Zayn. - Peguei amiga, peguei! – Comecei a pular na cama dela e ela fez o mesmo comigo – Peguei do Niall.
- E o do Zayn?
- Não deu pra pegar, ela mostrou muito rápido. – Fiz bico.
- Relaxa, vamos ligar para esse do Niall. – Ela pegou o seu celular.
- Ligar? Mas deve ser a maior nota preta essa ligação.
- Relaxa, é só meu pai não saber. – Ela piscou o olho e eu me sentei ao lado dela. – Como é que liga?
- Me deixa ver. – Comecei a pesquisar os códigos e DDD para ligar.
Códigos em mãos, pegamos seu celular e ligamos. Chamou uma vez, duas, três, quatro, cinco, seis, sete... Até que...
- Hello? – Uma voz sonolenta soou.
- Niall? – Perguntei quase desmaiando.
- Sorry, it’s Liam, Niall is in another room (Desculpa, aqui é o Liam, Niall está em outro quarto) – A fala rápida entregou que realmente era o Liam, sem sombra de dúvidas.
- Oh My God! – Eu falei em um desespero de felicidade – Liam, I’m a Brazilian Directioner, my name is and I wanted to hear only the voice of you (Liam, sou uma Directioner brasileira, me chamo e eu queria ouvir apenas sua voz) – Falei num inglês desajeitado e aprendido no Google tradutor.
- Oh God, how did you get Niall’s phone number? – Não entendi, mas a sim e então ela falou baixinho.
- Como conseguiu o número do Niall?
- Sorry, but I can’t speak. Just wanted to say that I love you. (Desculpa, mas não posso falar. Só queria dizer que amo você.) – Falei e minha amiga fez joinha, pois minha frase saiu bem legal e dava para entender.
- Thank you, I love you too.
- Goodbye, Liam. – Falei já chorando de emoção e tristeza por ter que desligar.
- Hum, what’s your Twitter? (Hm, qual seu Twitter?)
- Draftzaynmalik– Falei e a ligação caiu – Espero que ele tenha ouvido. – Falei abraçada ao celular. – Eu falei com o Liam!
- Queria falar com um e falou com outro. – Ela me abraçou. – Parabéns, você merece.
- Eu te amo, sério, vou pagar cada centavo dessa ligação. – Olhei a mensagem que havia chegado ao celular avisando que ela tinha gasto R$57,33 – Amanhã mesmo coloco crédito no seu celular. – Então a abracei novamente, porém mais apertado.
Flasback off

Fiquei relendo o tweet por inúmeras vezes e nada da ficha cair, mas bem “... ter me ligado e acordado de um pesadelo”... Espera um pouco! Eu acordei o coitado do Liam?! Lembro de que era umas 22h00 então significa que lá na Inglaterra – onde eles estão atualmente – eram 01h00. Meu Deus, acordei o Liam!
- Você precisa respondê-lo rapidamente. – me tirou dos meus pensamentos.
- Ele provavelmente nem vai ver, ele segue milhares de pessoas. - me olhou com biquinho. - Tudo bem, só para não fazer desfeita e as pessoas se tocarem.
- Se tocarem de quê? - Sentou ao meu lado.
- Estão perguntando se eu e o Payne estamos tendo um caso. Mas olha só, eu com user de FC tendo um caso com o Liam Payne. Só podem estar me confundido com a Sophia. - Rolei os olhos.
- Bem, então responda como fã, porém sem chiliques.
- E o que eu respondo? – Ela deu de ombros.
- Você que é a fã sortuda, não eu.
- Hum... “Obrigada? Eu que tenho que te agradecer, você realizou meus dois sonhos de uma só vez. Te amo, Liam”? – Ela assentiu já traduzindo em meu celular.
- Bom, eu tenho que subir, passei muito tempo aqui. – Me deu um beijo na bochecha – Aproveito e explico à que se preocupou com seu surto repentino.
- Vai lá, responderei algumas pessoas. – Sorri sentando no degrau de antes enquanto ela subia rapidamente.
Tamborilei meus dedos pelas letras do meu celular e pensei em algo rápido que pudesse cessar com aquele bombardeio de xingamentos e euforia de algumas pessoas que achavam que ele estava tendo algum casinho com uma brasileira qualquer, então digitei uma frase simples.

Por favor, vamos cair na real, o que o Liam veria em mim para termos algum casinho? Apenas a sorte bateu em minha porta e eu a deixei entrar ;)

Procurei menções que dessem para responder e não precisasse levar algum fora, então quando achava algum eu respondia educadamente agradecendo os parabéns, até que me perdi por meu celular ter atualizado a página sozinha e mais trilhões – dezenas apenas – chegassem. Um novo chamou minha atenção, era a Lara, a minha amiga virtual, a qual eu conhecia desde o começo de tudo. Logicamente a respondi.

@SorriaHarold: @draftzaynmalik CRIATURA DO CÉU ME DIZ ESSA MACUMBA! HÁ DOIS DIAS ESTÁVAMOS PEDINDO O FOLLOW DO LIAM E AGORA VOCÊ ME APARECE COM ESSA REPLY?
@draftzaynmalik: @SorriaHarold_ aah amiga, nem precisei de macumba. Acho que foi sorte mesmo, apenas sorte *-* #VeryLuckyOnly


O sinal tocou me fazendo mandar um tweet de despedida e agradecendo a todos que mandavam mais parabéns e deixei claro que não passaria o número de ninguém, pois do mesmo jeito que acordei ao Liam eles poderiam ficar ligando e perturbá-los. Subi para a sala, mas antes de bater na porta para entrar, lembrei de que ainda era aula do mesmo professor. Toc. Toc.
- Posso entrar? – Meu sorriso era cínico.
- Eu te expulsei da minha aula – Caminhou até a porta querendo fechá-la na minha cara, porém coloquei o pé o impedindo.
- Pelo que me lembro, você me expulsou da sua aula anterior, essa é uma nova. – Ele bufou enquanto eu invadia a sala – Mas caso queira me fazer um favor pode me expulsar desta também, assim levo logo uma suspenção e vou para casa dormir. Ambos ficam felizes – Sentei na minha carteira e cruzei meus braços torcendo para ele não me expulsar se não eu me ferraria legal.
- Fique aí, não lhe darei esse prazer – Fingi bufar de raiva então sorri quando ele se virou.
- Menina sortuda! – cochichou no meu ouvido.
- Eu ainda não estou acreditando. – Falei baixo.
- Estou feliz por você – Ela riu e eu correspondi soltando uma risadinha.
As aulas passaram lentamente como todas as aulas de segunda que tem professores chatos dando algum assunto insuportável. Quando tocou peguei meu material e aguardei as meninas.
- Vamos logo? – perguntou já pronta ao meu lado.
- Vamos esperar a Manu, eu não vou ficar segurando vela. – Ela rolou os olhos, mas quando viu Manu saiu puxando ambas pela escada até chegarmos ao primeiro andar e ela encontrar o namorado.
- Obrigada por vir comigo, eu não iria suportar segurar vela até o ponto. – Manu riu e cruzou um braço no meu.
- Amigas sempre se ajudam. – Manu piscou o olho. – Agora me diz uma coisa, que fuzuê foi aquele no Twitter? Minha timeline tinha só você respondendo que não tinha relacionamento com o Liam, como assim? Você bebeu e está achando que vive um filme?
- Claro que não! – Ri encarando a na frente. – Lembra que hoje antes das aulas eu te contei que havia falado com o Liam? – Ela afirmou somente com a cabeça. – Então...
Contei tudo a ela enquanto caminhava até o térreo junto com que havia nos encontrado no corredor do banheiro, então quando chegamos ao ponto de ônibus eu já havia finalizado a história.
- Imagina se eu conseguisse o número do Luan e ele fizesse isso, eu pirava. – Manu gritou no meio da rua.
- Eu sei o quanto você piraria. – Ri e vi o ônibus vindo. - deixa desse beija-beija porque o ônibus chegou. – Dei sinal pedindo parada.
Despedi-me da Manu que iria pegar o ônibus que vinha atrás e puxei que beijava o Fernando, fui o caminho todo contando a ela até os mínimos detalhes.
- Amiga, lá em casa a gente liga pra ele.
- Você é louca? Eu já atrapalhei a vida do menino demais. E também estou zerada. - Fiz bico.
- Relaxa, poxa! Lembra que eu estou com crédito internacional desde que eu voltei da França.
- Ah claro, mas não. Imagina, ele vai pensar: “Essa menina é muito chata, fica ligando pra mim o tempo todo, vou trocar de número”.
- Mas quem atendeu foi o Liam, e o numero é do Niall, imagina, você liga e é o Harry que atende. – Ela gargalhou.
- Ok, a sorte não bate na mesma porta mais de uma vez não.
Chegamos à casa dela, tomei um banho, toquei de roupa e almocei. Enquanto eu almoçava, tomava banho e eu fiquei no Mac dela, aproveitei e entrei no meu Twitter. Tinha um monte de seguidores novos e também muitas menções, dei um lida em todos e respondi quase todos, outros apenas dei #RT e favoritei.
- Tá ocupada, famosa do Twitter? – riu quando chegou ao quarto e me viu entretida.
- Ai meu Deus! – Gritei de novo.
- Que foi? Liam mandou outro tweet?
- Melhor, o Zayn mandou uma DM pra mim. – Apontei para a tela.
- O que é DM? – Fez careta.
- Mensagem direta, tipo, como se fosse um chat de Facebook. – Abri um enorme sorriso.
- O que tem escrito? - se jogou do meu lado.
- Não sei, deixa eu ver. – Cliquei em cima. – Hello , it’s Liam, I borrowed Zayn’s twitter because I have many followers and I could easily lose your Twitter.
- O que é Borrowed? – perguntou.
- E eu sei lá, me deixa colocar no tradutor – Falei já tremendo.
- O que houve?
- Nessa última frase eu se eu não me engano ele disse “Eu tenho muitos seguidores e perderia seu Twitter fácil”
- Que fofo! – fez voz fofa. – Ain, eles são muito fofos mesmo. – Ela ficou ao meu lado.
- Olha, Borrowed significa emprestado, então a frase é: Oi , aqui é o Liam, eu peguei o Twitter do Zayn emprestado porque eu tenho muito seguidores e perderia o seu fácil.
- Ain, que lindo! – pegou outro Mac e veio para o meu lado. – Responde amiga, responde logo.
- Hm. Hi Liam, I'm glad you remember me. I’m sorry if have errors, but'm using the google translator. I can’t speak English. (Oi Liam, estou feliz por você lembrar de mim. Desculpa se tiver erros, mas estou usando o Google tradutor. Eu não sei falar inglês)
- Sabe o que eu estava pensando? – começou a falar.
- Não, em quê? – Perguntei atualizando a página.
- Vou fazer um Twitter pra mim, me ensina?
Passei toda a tarde ensinando a burrinha a usar o Twitter. Fui para a minha casa e contei ao meu pai o ocorrido, ele me disse que não iria colocar créditos no meu celular se eu gastasse ligando para o Niall. Passei a noite toda mexendo no Twitter, onde muita gente tentava puxar amizade comigo por motivos óbvios.
14 de Outubro de 2013 - Casa - 12:04
Eu não havia me acostumado com a “popularidade” no Twitter, ganhei mais de três mil seguidores e qualquer coisa que eu postasse tinha RT ou curtida. Continuei o contato com o Liam pelo Twitter do Zayn e até uma vez o próprio Zayn havia falado comigo. Eu estava – estou – me sentindo a pessoa mais sortuda do mundo, ou, como me chamam, Lucky Girl. Mas hoje mais cedo uma coisa que me deixou bem impressionada foi o Liam ter perguntado se o número que eu liguei para o Niall era o meu, neguei e então ele me pediu meu número. Dei com um pouco de receio, ele disse que não era para eu sair de perto do meu celular nem um segundo sequer e depois de um tempo me pediu desculpas, não entendi aquilo - só podia ser brincadeira, não é?!
Eu havia falado com o Liam bem mais cedo eles estavam gravando o novo álbum - Midnight Memories - e o Liam disse para eu nem me preocupar, pois vou ganhar um autografado antes de todo mundo. Todos do Twitter sabiam que eu tinha certo contato com o Liam, alguns diziam que era mentira, mas daí eu postei um print que tirei em que Liam, Niall e eu estávamos no Skype e aí à maioria começou a acreditar. Fui tomar meu banho, pois iria o shopping com o meu padrasto comprar o presente da minha mãe. Entrei no banheiro e tirei minha roupa, mas enrolei-me em uma toalha rapidamente quando o Christian começou a gritar.
- , seu celular está tocando! - Corri até onde ele estava.
- Alô. – Atendi antes que a ligação caísse.
- ?
- É ela! – Percebi que a voz era de alguém de fora, o R estava muito grave. – Quem é?
- Aqui é o Jimmy Stokes, sou da Modest! Management. – Ao ouvir aquilo um arrepio subiu pela minha espinha. – Prevejo que está desocupada.
- Eu estava indo tomar um banho.
- Esse banho pode esperar. – Britânico com certeza ele não era, já que britânicos são educados e esse daí faltou às aulas de boas maneiras. – Bom, eu liguei, pois tenho uma enorme proposta para você.
- Ah é? Que tipo de proposta? – Subi até o quarto e me sentei na minha cama.
- Bom, você ficou muito próxima do Liam, não é? Conversa com ele por vários meios de comunicação, certo?
- É...
- Então, você pode ficar mais próxima dele?
- Como? – Perguntei com um sorriso nos lábios.
- Bom, você tem que fazer um acordo com nossa empresa.
- Com a empresa de vocês? Não, obrigada.
- Bom, , ou você aceita nosso acordo ou nunca mais você verá a One Direction.
- O que você quer dizer com isso? - Sentei na cama agora prestando atenção nos mínimos detalhes da conversa.
- Bom, você aceita nosso acordo e ficará bem próxima dos meninos da One Direction. Se recusar, nem se você comprar mil ingressos entrará em um show e perderá o contato absoluto com eles, não falará mais com eles, imagina, nada deles.
- Isso é golpe baixo! - Murmurei. - E como seria esse acordo?
- Será a amiga brasileira do Liam.
- Mas isso eu já sou, nem preciso assinar nenhum contrato com vocês.
- Calma, lindinha, ainda não acabou. Iremos pagar um curso de inglês avançado que dura seis meses com direito a um intercâmbio. - Deu um belo ênfase na palavra "intercâmbio". - Então você virá para a Inglaterra.
- Só isso?
- E o que você achava que seria?
- Não sei, não imaginei nada, mas bem, se for assim eu aceito. – Falei sem pensar.
- Ótimo, essa ligação está sendo gravada; como você tem apenas 16 anos, precisamos falar com seus responsáveis para assinatura de papeladas.
- Você vai dizer que estarei indo para a Inglaterra por causa da banda?
- Claro que não, que você será a Modest Girl, será nosso segredo. Mas precisamos de autorização para você vir morar aqui. Então, seria bom que você fosse emancipada, e daí sim, você poderá se responsabilizar e assinará os papéis.
- Posso considerar não assinar?
- Assim que seus responsáveis derem a permissão, você já estará em nossas mãos.
- Então não quero isso.
- , pense direitinho, você vai ficar no lugar onde milhares de pessoas gostariam de estar.
- É mesmo? - Coloquei ironia no meu tom de voz, então ouvi uma pequena risada.
- Quero o contato de seu responsável, irei conversar com ele.
- Ah, meu pai irá muito aceitar que eu viaje para fora sem ele nem conhecer vocês. - Bufei.
- Não somos tão burros assim, temos convênio com a maior escola inglesa no Brasil, a escola em que você ganhou uma bolsa integral por sorteio.
- Que sorteio?
- Não seja bobinha. - Rolei os olhos e logo passei o e-mail do meu pai, rezando para não me meter em enrascada. - Ótimo, então já sabe, se alguém perguntar, você ganhou uma bolsa integral. Nada de envolver nosso nome ou de alguém aliado à Modest.
- Tudo bem. - Respirei fundo.
- Se você for fazer algum tipo de twitcam, postar algum print de skype, ou algo parecido, terá que me ligar e eu ficarei no seu ouvido dizendo o que você pode falar ou não.
- Agora vou ser cachorrinha?
- Não, será a Modest Girl.
- Que é a mesma coisa, só muda o nome. - Ele bufou. - E como eu ligo para vocês?
- No seu e-mail vai ter números que você vai poder ligar, e é de graça. – Respirei fundo. – Bom, já sabe de tudo, tenho que ir, até em breve. – Ele desligou sem eu responder.
- Isso deve ser pegadinha. – Entrei no Twitter e lá tinha uma DM do “Niall”.

I think Jimmy called u, I'm sorry to put you in such trouble. L x.
(Eu acho que o Jimmy ligou para você. Me desculpa por te colocar nessa roubada)

Respirei fundo por perceber que não era uma brincadeira, então respondi rapidamente.
He called me. I am now a modest girl :/
(Ele ligou. Eu agora sou Garota Modest).

Outra DM apareceu – Ele estava online!

Welcome, and remember, we're all on your side
(Seja bem vinda, e lembre-se, estamos todos do seu lado).

Thanks, that makes me a little more relieved. I'll have to leave. Kisses
(Obrigada, me sinto um pouco aliviada. Eu tenho que ir. Beijos).

Kisses, I love you
(Beijos, eu amo você)

Joguei-me na cama e fiquei olhando para o teto, até ser interrompida por Christian.
- , estamos atrasados, daqui a pouco a sua mãe chega e ela ficará nos enchendo de perguntas. - Rolou os olhos da porta.
- Ah, sim. Já estou indo. - Me levantei indo ao banheiro.
- Aconteceu alguma coisa? Preciso me preocupar?
- Não, acho que não.
- Quem era no telefone? - Quando o Christian queria ser perseverante ele conseguia.
- Era o diretor de um curso que me inscrevi. - Ele continuou a me encarar. - Curso de inglês, ganhei uma bolsa integral.
- E isso não é bom? Era tudo que você sempre quis, não era?
- Sim, só que a ficha ainda não caiu, e se eu consegui passar pelos seis meses, posso fazer intercâmbio.
- Mas é seu sonho, oras. - Ele abriu os braços, porém não me abraçou. - Agora vá tomar o seu banho, não quero que fiquemos irritados com as perguntas insistentes de sua mãe.
- Com certeza não queremos. - Ri batendo a porta do banheiro.
17 de fevereiro de 2014 - Casa da Manu - 13:07
Quatro meses havia se passado desde a ligação do Jimmy, meu pai havia concordado com tudo - não me perguntem como -, mas já estava preparando toda a minha papelada para a emancipação. Menos de dois meses faltavam para a minha partida para a Inglaterra, as passagens já haviam sido compradas, porém eu não havia recebido nenhuma, apenas uma que me informava da minha viagem para o Rio de Janeiro no dia 08 de maio, o que era o primeiro show deles aqui. Minha vida nesses últimos meses radicalizou totalmente, tive que abdicar minha saída com minhas amigas para me dedicar intensamente ao curso de inglês. Foi decidido que eu iria entrar na metade do 2º ano para me adaptar e em setembro eu já começaria o último ano do colegial, dando um pequeno atraso na minha escolaridade.
- , por favor, vamos gravar, poooor favor. - Manu prolongou com aquela manha irritante que só ela usava.
- Manu, por favor! Eu vou ter que ligar ao Jimmy se fizermos isso.
- Liga pra ele, vamos fazer rapidinho. - Juntou as mãos em súplica.
- Tudo bem, espera um momento. - Peguei o telefone dela e disquei o número do Jimmy. - Alô?
- ? - Afirmei com a boca. - Aconteceu alguma coisa?
- Não, está tudo bem, só queria saber se eu poderia fazer uma twitcam agora. - Falei rápido.
- Sem problemas, apenas coloque o fone de ouvido. - Respondeu calmamente.
- Farei com minha amiga.
- O que você contou a ela?
- Ela é de total confiança.
- Você sabe que se sair algo fora do combinado quem pagará é você? - Confirmei novamente. - Tudo bem, mande ela usar o fone também, mas não demorem, por favor.
- Ok. - Caminhei de volta a Manu que usava seu twitter em meu notebook. - Conecta o meu.
- Poderemos fazer? - Seu sorriso estava gigantesco.
- Sim, mas vamos usar o fone. - Ergui o acessório a ela que pegou sorrindo.
- Olá! - Ela falou para o Jimmy.
- Façam isso logo. - Ele falou não muito amigável. Manu fez uma careta em minha direção.
Peguei o notebook o conectando no site e fazendo o login. Manu estava bastante animada com a sua primeira twitcam. Me arrumei rapidamente a tempo de aparecer na frente da câmera junto com a Manu. Tinha apenas duas pessoas online.
- Ninguém nunca irá nos assistir. - Ela fez bico.
- A gente tem que divulgar. - Digitei algumas palavras como "Que tal uma twittcam...?" joguei o link e postei.
- Olha, já está subindo o número. - Manu riu.
- Alguém está nos vendo, ou ouvindo? - Perguntei para as pessoas.
- Sim, está tudo ótimo. - Jimmy respondeu.
- Sobre o que falaremos? - Manu perguntou pensativa.
- Você que inventou isso. - Rolei os olhos. - Bom, não temos muito tempo, então, podem nos fazer perguntas.
- É, mandem perguntas e iremos responder. – Manu sorriu bem empolgada.
- “Oi, quem é essa aí com você, ?”. – Eu li. – Essa é uma das minhas melhores amigas, é a Manu.
- Gente, se quiserem me seguir, é @_Manuzita_.
- Para de fazer propaganda de você mesma. – Rolei os olhos.
- Me deixa ser feliz! – Ela me empurrou. – Olha, as perguntas estão chegando aqui... “, o que você tem com o Liam?”
- Quantas vezes eu terei que falar que somos amigos? Conversamos apenas por telefone e internet, como poderia rolar um relacionamento?
- É verdade, e tem um trabalho que o Liam não iria querer. Ela roda bolsinha na esquina.
- Manu, cala a boca! – Dei um murro em seu ombro. – Do jeito que acreditam em um suposto relacionamento, irão acreditar nisso.
- Mas é verdade! – Manu riu dando de ombros.
- Manu! – A repreendi e ela riu. - Eu ainda gosto de você sabe quem. - Fiz bico.
- , você sabe que é 98% impossível.
- Mas acredito nesses 2%. - Dei língua. – Geralmente as pessoas falam 99, por que você falou 98?
- Queria te dar mais esperanças. – Começamos a rir. – Estão perguntando quem é. Vamos falar?
- Lógico que não, e se alguém que conhece ele tiver assistindo? Afinal tem mais de 1050 pessoas assistindo.
- Por que alguém que conhece ele iria estar te assistindo na internet?
- Manu, cala a merda dessa boca. – Bati nela.
- Por que a gente não pode dizer que você é ainda apaixonada pelo idiota do seu ex-namorado?
- Manu! – Bati mais nela que seu fone caiu.
- Agora tão perguntando o porquê de estarmos dividindo os fones. – Ela falou colocando o fone novamente.
- Estamos ouvindo música. – Respondi por impulso – Que música está passando?
- Alive. – O Jimmy falou e eu e Manu falamos em coro o nome da música
- Estão querendo que a gente cante. – Manu falou – Eu não canto, me nego a cantar.
- Qual é só o refrão, vai, não machuca. - Falei manhosa.
- Nem vem , você canta só. – Fiz bico. – Não caio nesse biquinho não.
- Você é muito chata. – Bati nela de novo. - “O amor das duas é perfeito, só vivem se batendo”. Claro, gente nosso amor é único. – Eu a abracei.
- , desgruda! – Me empurrou. - Estão pedindo para você ligar para um dos meninos.
- Gente, os meninos devem estar ocupados. - Rolei os olhos - Hoje tem show, devem estar passando som.
- Pode ligar pro Liam. - Jimmy falou dando a permissão.
- Liga amiga, assim elas percebem que você não é farsante.
- Será? Bom, vou tentar o Liam, mas se ele não atender não me culpem. - Peguei o meu celular e disquei o número do Liam que já estava salvo e mostrei na tela a foto dele com o nome.
- Fale com ele rapidamente, peça para ele dar um olá apenas e desligue. - Jimmy falou rápido durante o toque de chamada. No quinto ou sexto o Liam atendeu.
- Liam? - Perguntei com um careta aproximando o celular do microfone.
- ? - Sua voz estava ofegante.
- Yes. I’m in twitcam, say hello to the guys (Sim. Eu estou na twitcan, diz ‘olá’ para a galera)
- Hello guys!!! – Liam falou animado e um monte de gente começou a mandar “Meu Deus, é realmente o Liam que está na linha.” – Sorry , but we're rehearsing , I have to go. Goodbye. (Desculpa , mas estamos ensaiando, terei que desligar. Adeus.)
- No problem. Goodbye.
- Goodbye, - Encerrei a chamada e vi o pessoal falando que eu era tão íntima que ele me chamava por , que era o meu apelido.
- , você não está atrasada para a sua aula? - Manu tirou minha atenção das menções.
- Ah é! – Falei olhando a hora – Gente eu vou ter que ir, ou melhor dizendo, temos que ir. Eu vou para o meu curso de inglês e não sou doida de deixar meu Twitter na mão da Manu.
- Não sei por que, quando estou com seu Twitter aberto não faço nada, mas você quando entra no meu fica mandando coisas pra você.
- Não espalha! – Eu ri lendo mais um monte de menções que chegavam. – Ah sim, esse curso me dá direito a intercâmbio, passarei algum tempo na Inglaterra ou nos Estados Unidos.
- E é claro que ela vai para a Inglaterra! – Manu revirou os olhos.
- Lógico, não posso perder a oportunidade. – Vi a quantidade de pessoas assistindo. – Ai meu Deus, 2.537 pessoas nos assistindo, Manu. Valeu por ter assistido e espero que tenham gostado.
- Eu amei, fiquem ligados que podemos fazer uma twitcam novamente de última hora.
- Manu, não faça propaganda enganosa.
- Vai dizer que você não gostou? – Ela riu.
- Vou indo, galera! – Eu e Manu acenamos para a web e eu fechei a janela. – E aí? Como nos saímos? – Perguntei ao Jimmy.
- Muito bem garotas, gostei de ver. – Jimmy sorria – Bom , vá para o seu curso. Vejo que seu inglês está bom e se prepare para vir para a Inglaterra.
- Eu vou mesmo? – Perguntei
- Temos palavra.
- Estou começando a gostar do seu acordo, nem é tão mal quanto eu achei.
- Eu falei, muita gente gostaria de estar no seu lugar, então vá logo e fique fluente no inglês.
- Vou indo. – Desliguei o celular e Manu sorria para mim.
- E finalmente seus maiores sonhos irão se realizar.
- Eu aceitei, mas algo me diz que eu vou me ferrar com esse acordo.
- Para de pensar no pior, pensa que pode ser divertido.
- É verdade, vou pensar por esse lado.


Capítulo 2


Como toda menina apaixonada, elaborei filmes mentais para nosso encontro. Apesar de todos os sonhos e planos, nossa realidade conseguiu ser melhor...

08 de maio de 2014 - Aeroporto Internacional - 09:12am

E finalmente chegou meu dia de despedida e encontro. Passarei quinze meses na Inglaterra. Para todos eu iria fazer um intercâmbio cultural e terminar meus estudos. Minhas amigas falavam que era uma loucura eu abdicar de me formar com elas em dezembro e adiar minha formatura para o ano que vem, mas mesmo assim elas me apoiaram. Minha mãe havia parado de falar com meu pai desde que ele aceitou me emancipar para eu viajar; ele confiou em mim, e eu não queria decepcioná-los nunca.
- Você ainda tem tempo de desistir. – Virei-me devagar para minha mãe que já havia repetido isso umas... Quinze vezes?
- Mãe, eu não desistirei do meu sonho. Por que você acha que eu faria isso? Eu não desisti quando era impossível, você acha mesmo que vou desistir horas antes de realizar?
- Não fica assim filha, sabe como sua mãe é egoísta. – Meu pai me abraçou de lado recebendo olhares furiosos da mamãe.
- Não é sua “única” filha que está indo para bem longe.
- Essa conversa de novo não, Leila. – Papai rolou os olhos.
- Irei sentir saudades! – passou na frente dos meus pais e me abraçou.
- Ai amiga, é apenas um ano e meio. – Dei de ombros.
- Como você ousa dizer “apenas um ano e meio”? Você sabe o quanto iremos sofrer com isso? – Encarei a Manu que parecia magoada.
- Eu só quero dizer que passa rápido e iremos sobreviver, olha só a Dora, está em Washington há um ano. – Rebati.
- Um ano e cinco meses. – brotou de algum lugar com uma latinha de coca em mãos.
- Tanto faz, o que quero dizer é que ela se foi, e nunca mais voltou pra gente. Mas continuamos amigas. Eu tenho data pra voltar, só estou indo estudar, em breve estarei de volta e vocês vão me aguentar novamente. – Arrisquei abri um sorriso singelo, e como resposta as três me abraçaram. Fechei meus olhos fortemente engolindo as lágrimas.
- Não se esquece da gente, por favor. – Manu murmurou.
- Eu não vou. Eu prometo! – Me afastei delas.
- A Europa não é como aqui e lógico que você terá “ajudas” lá, mas se lembre, suas melhores amigas estarão aqui sempre lhe esperando. – me abraçou reconfortante.
- Serão só colegas de colégio. – Sorri fraco.
- Os meninos da One Direction não estudarão com você. – falou baixo sugando no canudinho. – Ah, antes que eu esqueça. – Então ela me entregou a latinha e tirou algo da sua bolsa. – Isso aqui é pra você abrir quando estiver no avião.
- O que é isso? – Perguntei olhando a caixinha.
- Só dentro do avião. – Manu pegou a caixinha colocando na minha mochila. – Vai falar com seus pais, eles ficarão chateados por você estar passando tanto tempo conosco.
Entreguei minha mochila a elas e corri para abraçá-los. Puxei os dois para um abraço e os apertei. Eu sabia que sentiria falta dos conselhos do meu pai, dos beijos da minha mãe, das palavras amigas de ambos. Eu iria sentir falta até das reclamações da minha mãe que como se não quisesse que eu esquecesse o quanto ela é “reclamona”, começou a falar.
- Você volta quando mesmo?
- Em agosto, mãe. – Ela começou a contar nos dedos. – Do ano que vem.
- Você vai passar o natal longe da sua família? – A boca dela caiu. – Me dê essa passagem agora, você não vai.
- O que? – Dei um pulo pra trás. – Não, claro eu vou.
- Você vai passar o natal longe, sabe que nossos natais são sagrados.
- Mamãe, o Natal em família deixou de ser “tão” especial desde que eu tive que me dividir em duas cidades. – Rolei os olhos.
- Mas esse ano era comigo. – Ela fez bico, meu pai como no automático passou o braço por seu ombro e a confortou, pois ele sabia que ela iria começar a chorar.
- Ano que vem passo com você. – Beijei sua testa. – Cuida dela, por favor, mesmo que de longe?
- Com certeza. – Meu pai beijou minha cabeça. – Eu te amo, filha.
- Te amo, papai. – Abaixei-me e abracei a mamãe. – Amo você também. se cuide.
- Você que se cuide. – Me afastei enxugando as lágrimas.
- E vocês três ai, nada de me esquecer.
- Te esquecer? – Manu se aproximou. – Você que está se afastando você que não pode nos esquecer, e outra, tem que se cuidar muito em um lugar novo.
- Não fica assim, amiga! – A abracei bem forte e ao nos afastar e vieram em minha direção.
- Tudo começou com uma brincadeira. – sussurrou.
- Eu nunca irei conseguir te agradecer pelo o que me proporcionou. – A abracei forte e depois chamei o Fernando. – Vocês dois, se cuidem. E se for para eu ganhar sobrinho, me avisem para eu trazer um monte de presentes de lá.
- Tá louca, garota?! – me bateu, mas logo me puxou para um abraço novamente. – Minha pequena voando pra Europa, é muito pro meu coraçãozinho.
- Ainda tenho quatro dias no Brasil. – Pisquei o olho então ouvi meu voo ser chamado. – É melhor eu ir logo. Me desculpa por tudo, eu amo vocês, nunca irei me esquecer de nenhuma.
- Tome cuidado com o dinheiro viu, lembre-se que quem está pagando sou eu, e o real não é o mesmo preço que a libra. – Meu pai falou me fazendo rir. Tadinho, mal sabe que nem vou tocar no dinheiro que ele me mandar.
Abracei todos mais uma vez, pela última vez em um ano e meio. Minhas malas já haviam sido despachadas, eram duas malas enormes, cada uma deu 32Kg que eram constituídos com objetos e produtos que uso diariamente, já que o Jimmy havia me dito para eu não me preocupar muito com roupa, pois provavelmente minhas roupas não serviriam para a Inglaterra. Coloquei em uma mala as minhas melhores roupas, vai que eu não goste das que eu ganharia, ou vai que não caibam em mim... Sei lá, sempre é melhor ter precaução.
Caminhei com minha mochila ainda sobre o ombro até a fila grande que havia se formado. Parecia que todos estavam indo para o mesmo voo que o meu, pois assim que chamou a fila começou a se formar. Evitei olhar na direção da minha “família”, eu sabia que todos estavam chorando, eu também estava, mas enxuguei o rosto com a ponta da manga do casaco e empurrei meu carrinho mais a frente.
- Bom dia! O bilhete, por favor. – Estendi o pequeno papel que estava no meu bolso, um dos papéis que iria mudar a minha vida.
- Não nos decepcione! – Minha mãe gritou no meio de seu choro, apenas assenti com a cabeça entregando a notinha para a mulher que sorriu gentilmente me devolvendo o papel e desejando uma boa viagem.
Fui passar pelo detector de metais. Tirei meus aparelhos eletrônicos, acessórios – pulseira, colar, brincos e até os anéis. -, passei pelo arco e nada foi detectado. Peguei minhas coisas e após colocar tudo, segui para pegar a mochila que havia passado pelo raio-x.
Não esperei muito tempo para descermos e entrarmos no avião. Achei rapidamente o meu assento e me acomodei, colocando os cintos de imediato e a almofada no pescoço. Começaram a dar as coordenadas então começou a bater um desespero dentro de mim “Estou indo embora, estou me afastando da minha família”, mas também tinha aquele sentimento “Finalmente meus sonhos estão se realizando”. Respirei fundo, fechei meus olhos e relaxei...
- Desculpa incomodar. – Alguém tocou no meu ombro.
- Sem problemas, eu não estava dormindo. – Sorri amarelo na direção do garoto de blackpower meu lado.
- Bem, será que podemos trocar de lugar? Eu não me dou muito bem com janelas e tem essa asa gigante aqui do lado o que está me dando bastante medo. – Ele falou rápido me fazendo piscar três vezes pra me adaptar ao seu raciocínio.
- Não é só fechar a janela? – Arqueei uma sobrancelha.
- Eu queria ler. – Ergueu um livro grosso o qual eu nunca havia visto na minha vida. – Tenho um seminário de direito assim que chegar lá, então queria ir estudando, mas essa vista... – Ele se interrompeu.
- Tudo bem, podemos trocar. – Levantei-me indo para seu assento. – Melhor?
- Sim, muito obrigada. – Piscou pra mim com seus olhos cor de mel.
Uma aeromoça parou ao nosso lado perguntando se estava tudo bem, respondemos que já estava tudo resolvido então voltamos a nos acomodar. Agora eu tinha a vista do alto, de tudo pequeno lá embaixo, como se fossem casinhas de lego. Também tinha a vista da asa, ou seja, se isso der problema eu serei a primeira, a saber. Coloquei meus fones de ouvido e comecei a rezar de olhos fechados.
A aeromoça mandando prender nossos cintos me fez acordar, apertei os mesmos ainda desnorteada por não ter percebido o tempo passar, eu havia dormido, não comi e nem bebi nada durante todo o voo. Assim que finalmente estávamos em terra firme, todos começaram a descer do avião. Peguei minha mochila e caminhei pelo corredor até a porta, desci as escadinhas colocando por fim o pé direito primeiro no solo. Um carinha começou a dizer pra onde deveríamos seguir e qual esteira estaria as malas. Tirei meu casaco e amarrei o mesmo na cintura por cima do meu short jeans.
Fui até o saguão, peguei as malas colocando num carrinho e sai da sala de desembarque. Foi meio que um choque sai e ver tantas pessoas esperando na frente, talvez alguém famoso estava chegando também. One Direction não era, já que o mesmo chegou ontem de madrugada pelo que acompanhei no twitter e a mensagem do Liam – ESTOU EM SEU PAÍS, VENHA ME VER!! – que ele enviou assim que pousaram. Andei entre as pessoas pedindo licença e logo avistei um cara com terno e um cartaz escrito “Bittencourt”. Andei mais rápido em sua direção e quase bati nele com o carrinho pela emoção.
- Você é a Senhorita Bittencourt? – Sua voz não era tão grossa, o que me fez por uma interrogação gigante em sua sexualidade. Ele me olhava dos pés a cabeça me fazendo pensar se minha roupa estava boa.
- Eu mesma. – Falei baixo.
- Vamos! Não poder pegar trânsito! – Arqueei uma sobrancelha.
- Pode falar inglês, é melhor. – Falei gentilmente no meu inglês praticamente fluente. Ele sorriu abertamente.
- Thank you! – Pisquei o olho então ele pediu para eu segui-lo.
Caminhamos até o ponto de táxi, pois ele disse que eu tinha que chegar como qualquer garota que iria se hospedar lá o hotel. Dentro do táxi ele se apresentou como Peter Willian e desceu várias quadras antes do prédio. Segui sozinha por mais uns 40 minutos pensando como seria minha reação ao encontrar os meninos.
Nesses últimos meses eu já havia conversado com todos, o Niall até havia me seguido, mas eu só conversava com eles – Liam e Niall principalmente - por Skype, paramos de usar o Twitter como meio de comunicação para treinar o meu inglês.
Quando o táxi finalmente chegou pude perceber o quão complicado seria entrar no hotel, mais ou menos umas mil garotas estavam gritando ao lado de fora. Tenho certeza que elas não sabiam que os meninos estavam passeando pelo Rio já que o Niall me contou a história de que sairiam no porta-malas de um carro. O que eu achei disso? Hilário, e iria zoar eles sempre que pudesse.
Desci do táxi e o motorista me ajudou a retirar todas as minhas malas do carro e passá-las para um dos caras do hotel. Percebi uma menina falar com outra olhando em minha direção e mais outra, e outra até que a maioria me encarava e falavam alto. Apenas entendi algumas frases como:
- Você é a ?
- Você vai ficar no mesmo hotel que eles?
- É a , sim! Meu Deus, vem cá.
- ? Nossa ela é diferente das fotos.
- Vem cá .
- Hey !
Olhei para os dois lados, o carinha do hotel entrava com minhas malas. Apertei a mochila no ombro e caminhei lentamente em direção aonde tinha menos gente, o que não deu muito certo porque um monte de gente viu e foi pra perto.
- Não vai falar nada garota? Na internet você é tão faladeira. – Sorri fraco para uma garota com cabelo verde extremamente liso.
- Sim, eu sou a e ficarei neste hotel. – Abri meu melhor sorriso e tentei ouvi as perguntas que elas faziam tudo de uma só vez.
- Você nasceu com a bunda virada para a lua cheia. – Alguém falou.
- Os meninos que devem estar pagando. – Fuzilei uma garota com o olhar.
- Não preciso de ninguém pagando para mim. O Liam me disse qual o hotel e eu reservei um quarto. – Uma mentira? Sim, em parte. Porque eu soube do hotel a meses, mas o Jimmy que fez as reservas e eles que estão pagando. Mas ninguém precisa saber disso.
- Você vai ao show? – Alguém perguntou e me senti em um tapete vermelho com aqueles repórteres todo fazendo perguntas.
- Claro, foi pra isso que eu vim...
- Você não ia para um intercâmbio?
- Só depois dos shows. – Respondi.
- Senhorita, por favor, me acompanhe. Você está tumultuando a entrada. – Acenei brevemente para as meninas e segui o carinha com roupa de porteiro.
- Você é realmente sortuda. – Ouvi alguém gritar, então sorri comigo mesma. É, realmente sou uma sortuda.
Assim que entrei caminhei até a recepção e dei meu nome, a mulher me entregou o cartão do meu quarto 3007, perguntei o andar da One Direction e ela disse que eu estava no mesmo que o dos meninos. Segui para o elevador onde eu disse o número do meu quarto.
- A sortuda da promoção, todos desse hotel não param de falar de você.
- Sério? – Perguntei confusa.
- Sim, você está com os meninos da One Direction, algumas meninas passaram inúmeras vezes por esse elevador achando que iria encontrá-los aqui.
- Ah, soube que está previsto mais de 2.000 garotas aqui na frente.
- Onde estão os pais dessas crianças? – Perguntou sorrindo.
- Uma boa parte está com os pais. – Ri fraco e a porta se abriu. – Nesse andar?
Encarei dois seguranças enormes na porta do elevador, nenhum dos dois sorria o que me deu medo. O senhor que controla o elevador disse que eu já poderia desembarcar. Um dos seguranças pediu para eu o acompanhar então ele me levou até o quarto 3008 e pediu para eu esperar lá dentro.
- Se precisar de algo estarei aqui na porta. – Falou sério e seguiu até a porta.
- Obrigada! – Sorri fraco caminhando até perto do sofá no meio do quarto.
- Sinta-se a vontade. – Sentei no sofá cruzando minhas pernas.
O quarto era enorme, mas não extrapolava minhas expectativas. Peguei meu celular e fiz um pequeno vídeo dele já mandando diretamente para a pelo Instagram, entrei um pouco no Twitter e vi que tinha um monte de gente falando que havia me visto no hotel. Relaxei minha cabeça para trás e resolvi ligar rapidamente para a minha mãe pelo Skype.
- Meninas, é a ! – Minha mãe gritou sem perceber que eu já estava a vendo.
- Ei, esqueceram que tem casa? O que ainda estão fazendo ai? – Perguntei brincalhona.
- Como você está, garota? – pulou atrás da minha mãe.
- Melhor impossível, o meu quarto é no mesmo andar dos meninos e me mandaram esperar em um quarto diferente do que eu ficarei. – Manu riu do outro lado.
- Vimos no Instagram o que você mandou.
- Aqui é muito legal, me senti uma diva entrando no hotel.
- Eu acompanhei no twitter. – falou. – , ta aqui.
- Opa! – apareceu na câmera. – Como é ai?
- Não viu o vídeo? – Perguntei confusa.
- Vi, mas to falando da recepção, corredor... – e suas paranoias por hotéis.
- Eu vi pouquíssimo, mas pelo que vi aqui é de luxo puro.
- Pouca informação. – fez bico. – Cadê os meninos? Não deveriam estar com você?
- Eles foram pro Cristo, mas pelo que sei já estão chegando. Então é melhor eu desligar para recebê-los.
- Tudo bem, mas vê se não esquece de contar pra gente depois o que aconteceu. – falou.
- Claro que não. – Pisquei o olho.– Mãe, para de chorar, eu hein...
- Filha, vendo você assim me dá tanto orgulho. – Ela enxugou as lágrimas.
- , não se preocupe, tomaremos conta dela. Agora divirta-se. – Manu acenou pra câmera.
- Tudo bem. Amo vocês!
- Tenha calma, respiração cachorrinho. – realmente imitou um cachorro.
- Farei. – Acenei para o celular. – Tchau, até mais, amo vocês.
Desliguei o celular e fui ao banheiro ver o estado do meu rosto, arrumei mais a maquiagem e fiz uma trança de lado no meu cabelo. Comecei a ouvir vozes bem altas no corredor, uma voz por cima da outra, todos estavam animados. Eram eles!
Sai do banheiro no mesmo momento que a porta se abriu mostrando o Liam que parou no meio de uma frase e me encarou perplexo. Harry veio logo atrás o empurrando, assim como o Niall, Louis e finalmente o Zayn.
Eu ainda estava parada na porta do banheiro encarando aquelas cinco criaturas que agora me olhavam surpresos, assustado, estupefatos... Ok, sem exagero. Abri um sorriso gigante fazendo meu rosto se iluminar, então corri até o Liam e o abracei.
- Finalmente! – Liam me apertou forte. Coloquei meu rosto em seu peito onde me permiti chorar no abraço.
Realmente “finalmente”, o tão esperando abraço do Liam James Payne. O carinha por quem que eu era obcecada desde meus 14 anos, que por obra do destino eu havia falado no telefone e daí em diante nunca mais havíamos deixado de nos falar. O cantor que aparecia em meus sonhos e que agora estava ali me abraçando e seu cheiro entrando por minhas narinas.
- Solta ela cara, eu também quero falar com ela! – Liam se afastou de mim e eu fui puxada pelo Niall que me abraçou forte. – Você falou com ela por acaso, o telefone era meu e o telefonema era pra mim. – Sorri entre o choro e abraço, mas saiu algo como um soluço fazendo o Niall se afastar e encarar meu rosto. – Meu Deus, ela está chorando.
- Deixa de ser insensível. – Era o Harry que se aproximou de mim e me abraçou. – Está tudo bem, estamos aqui juntos. Não precisa chorar. - O abracei o mais forte que eu pude, como se a qualquer momento ele pudesse sair de meus braços e partir.
- Tudo bem? – Era o Louis que segurava minhas mãos. – Achei que você era mais alta. – Riu de mim e me abraçou rapidamente, porém o abraço foi forte.
- Ela não fala. Hey! Você. Está. Nos. Entendendo? – Zayn falou pausadamente e fazendo gestos então afirmei com cabeça e o abracei, ele sempre foi meu choose.
- Estou sim! – Consegui finalmente falar algo, mas ainda com a cara no corpo do Zayn. – Desculpem-me pela minha reação, juro que fiz de tudo para não parecer uma fã desespero, mas está sendo impossível. Eu passei tanto tempo sonhando em como eu os conheceria, como eu reagiria, mas sabe, estar aqui na frente de vocês está... – Niall me interrompeu.
- Alguém ligou uma matraca! – Me calei formando um bico nos lábios. – É melhor você se sentar. – Assenti indo até o sofá que eu havia sentado antes.
- Bem, acho que deveríamos começar com apresentações. – Falou o Harry calmamente.
- Que apresentações? Se brincar ela sabe mais da gente do que nós mesmos. – Louis piscou em minha direção rindo.
- A gente poderia fazer um quiz. – Niall piscou.
- Sem quis, Niall. – Liam repreendeu. – Já que você está perto do freezer, pega uma água ai.
- Não sou seu empregado.
- É para a se acalmar.
- Se é pra tudo bem.
- Pra mim? – Fiz careta na direção deles, mas desfiz assim que o Niall me estendeu uma garrafinha de água com gás já aberta, simplesmente quase tomei toda a água.
- Está mais calma? – Louis perguntou.
- Acho que foi o calor do momento. – Sorri de canto e encarei o Niall que assaltava o frigobar.
- Alguém vai querer cerveja? – Niall perguntou então o Liam, Louis e Zayn afirmaram.
- A cerveja daqui é horrível, vocês não vão gostar. – Falei minha primeira frase completa e com sentido total.
- Como você sabe? Pelo que sei só é permitido beber a partir dos 18 anos. – Harry indagou.
- Não me diga que na Europa todo mundo respeita todas as leis? – Arqueei uma sobrancelha assustada.
- A maioria, mas essa lá também burlamos. – Niall respondeu rindo.
- Então se a cerveja daqui é ruim? – Liam abriu uma garrafinha. – Qual sua sugestão em relação à bebida?
- Caipirinha? – Arqueei uma sobrancelha.
- Tudo bem, é uma boa opção. – Louis respondeu abrindo sua garrafinha e já bebendo um gole. – Ela é mais amarga que o normal, porém da pra beber.
- Deve ser por isso que geral vicia. – Respondi baixo.
- Então, como sua família e amigos ficaram quando você embarcou? – Zayn perguntou tomando da sua garrafinha.
- Vocês não sabem o quanto eu falei sobre essa viagem, minhas amigas já estavam cheias de mim, acho que ficaram felizes por eu partir. – Dei de ombros.
- Praticamente expulsa. – Harry riu então o mesmo trocou de assunto do nada. - Já sabem o que iremos fazer amanhã antes do show?
- Quase quatro anos e ainda não me acostumei com sua burrice. – Niall deu uma tapa na nuca do Harry onde tinha um rabo de cavalo.
- Estamos esperando o Jimmy. – Falou o Louis dando mais goladas. Então para eu não ficar sem beber nada como o Harry, continuei tomando minha água.
- É verdade, ele vai nos dizer. – Harry soltou os cabelos e balançou de um lado para o outro. Foi tão gay que quase me engasguei com a água.
- Boa tarde, meninos! – Todos encararam a porta onde um cara com no mínimo 30 anos, altura do Zayn, barba bem feita e cabelos repicados entrou. Vestia uma polo listrada, calça social preta e um blazer da mesma cor por cima. – Oi, , eu sou o Jimmy Stokes. – Levantei-me para apertar sua mão estendida.
- Reconheci a sua voz. – Ele fez sinal para eu sentar, então voltei ao meu lugar.
- Pelo que vi as fãs viram você e a reconheceram, então não precisamos e nem podemos mais esconder você. Amanhã no tempo livre você ficará com o Harry e com o Liam.
- Para onde iremos? – Harry perguntou.
- Bom, vocês se quiserem podem ficar na piscina, mas quero que a não saia de perto de nenhum dos dois, não quero vê-la sozinha estão me ouvindo garotos? – Ele apontou para os cinco que responderam um “Claro” em uníssimo como se fosse ensaiado. - Vocês tem a tarde toda para conversar com a e para se conhecerem melhor especialmente o Harry que é o mais afastado da .
- Ok! – Harry se jogou lentamente ao meu lado. – Conte-me sobre você... – Gargalhei alto junto com os meninos.
- Tenho coisas a fazer, deixarei vocês a sós, quero amanhã as 7h00 vocês tomando café da manhã juntos no restaurante do hotel. – Após falar isso ele saiu do quarto sem dar tchau e nem nada.
- Mas a gente tem show hoje. – Zayn fez bico. – É sério que acordaremos cedo?
- Podíamos virar a noite. – Liam esfregou uma mão na outra.
- Vai ter a festa lá em cima, podemos virar lá. – Niall piscou tomando cerveja.
- Vai conosco ? – Liam virou-se para mim.
- Eu não sei. Se eu não estiver cansada. – Dei de ombros.
- Feito, depois do show conversamos. – Louis afirmou.
- O que será que ele quis dizer com “conversar com a melhor, especialmente o Harry”? – Niall perguntou e todos desmancharam o riso.
- É estranho sentir que isso não é nada bom? – Perguntei baixo então o Liam me encarou.
- , sabe o porquê eu pedi desculpas? – Neguei com a cabeça o encarando de volta. – Quando entrei em contato com você foi porque eu gostei de falar com você, eu gosto de falar com as nossas fãs e eu queria mostrar o quanto eu me importava.
- Então você mostrou que se lembrou de mim?
- Exatamente, mas como você respondeu a minha DM que mandei pelo Twitter do Zayn e assim começamos conversar eu não percebi no que estava te colocando.
- Como assim? – Parei a garrafinha perto da boca quase a deixando cair.
- Quando alguém se aproxima da gente a Modest se intromete e quer saber se a pessoa serve para eles, se não servir eles nem ligam, mas quando serve acontece o que aconteceu com você, eles encurralam até você fazer parte de tudo isso. – Falou o Niall.
- E agora eu estou nas mãos deles?
- Por aí. – Louis terminou sua cerveja então se levantou indo ao freezer.
Senti um calafrio, então me abracei afundando mais ainda no sofá. Os meninos me encaravam, uns com cara de pena outros com dó no olhar. Me senti uma merda ali ao lado deles, eles que pareciam tão centrados em mim, me olhando com “pena”. Merda! As lágrimas voltaram, não de alegria, mas sim de tristeza, medo, derrota... Eu estava derrotada!
- Não precisa chorar, eles não vão fazer nada radical com você, eu estou aqui com você até o fim. – Liam falou e me abraçou afagando minhas costas.
- Quando você me mandou isso eu me senti aliviada, agora realmente me sinto protegida. – Murmurei abafadamente entre soluços.
- Não precisa se preocupar, nós sete estamos juntos com você. – Me afastei do Liam encarando o Harry.
- Tem as meninas, Perrie e a Eleanor. – Zayn ergueu sua garrafa e tomou o resto. - Então realmente Eleanor e Zerrie são fake? – Foto e vídeos começaram a passar em minha mente me deixando atordoada.
- Você acha mesmo que esses namoros são verdadeiros? – Niall perguntou rindo.
- Nunca tive uma opinião formada sobre esse assunto. – Enxuguei as lágrimas tentando sorrir.
Passamos a tarde toda conversando e nos conhecendo melhor. Mesmo eu sendo fã, seguindo cada passo deles, tinha coisas que eu não sabia, e estava amando conhecer. Me contaram suas estadias na América Latina, as coisas que gostaram, que detestaram, o que sentiram no Cristo... E eu mais do que nunca me senti nas nuvens. Eles são reais, eles estão bem aqui na minha frente, e eu faço parte da vida deles agora.


Capítulo 3


“Loucura é desistir de quem se ama só porque as pessoas não botam fé.”

08 de maio de 2014 – Hotel Fasano – Rio de Janeiro – 16:44

As 12:30 desci para almoçar com o Liam, Harry e Niall, comemos no restaurante do hotel e eu tive que me segurar para não dar muitas gargalhadas altas pois a cara do Harry lendo alguns nomes nos cardápios me fazia ter essa vontade. Por volta das 14:00 eu subi sozinha para meu quarto, os meninos iriam para a piscina ou algo assim, mas eu estava tão cansada que queria parar um pouco, deitar e pensar em tudo que estava acontecendo.
“Assim que entrei no meu quarto pela primeira vez eu dei de cara com uma cama enorme toda arrumadinha, me joguei de cara nos travesseiros para abafar um grito. Meu grito de felicidade, onde explodi todos os meus sentimentos. Levantei meu rosto e só percebi que estava chorando por ter manchado o travesseiro com maquiagem – alguém precisa trocar para maquiagem a prova de lágrimas. Encarei o teto e comecei a repassar tudo da minha vida desde o comecinho: A twitcam; A ligação; A minha expulsão de classe por ter gritado quando recebi uma mention do Liam; @Real_Liam_Payne and @zaynmalik follow you; minha primeira DM do Liam; Ligação do Jimmy; Formação no curso de inglês; Viagem para o Rio de Janeiro; Abraçar cada um dos meninos e ainda passar horas conversando como se fôssemos amigos de infância... Sonho, sonho, sonho. Tudo só poderia ser um sonho. “Tudo começou com uma brincadeira” me disse a . E por falar em ...
Corri até minha mochila e peguei a caixinha que era para eu ter aberto no avião, mas dormi todo o caminho, ou seja, nem sequer pensei em abrir a mochila. Peguei a caixinha em mãos e abri ali mesmo, tirei a fita vermelha que envolvia a mesma, e tirei a tampa. Dentro havia algo como um livro/caderno, a capa era branca com alguns desenhos na borda e no meio escrito ‘Suas amigas para todo o sempre...’ peguei o caderninho e segui para sentar na cama.
Abri com cuidado e atrás da capa estava a continuação da frase principal: ‘... não importa o que aconteça. Sempre!’. Eu já estava chorando, então comecei a ler o textinho da primeira folha.
Olá, realizadora de sonhos,
Não queremos colocar esse texto formal porque formalidade pra a gente nem em enterro, e você sabe disso. Então vamos lá...
Resolvemos te dar esse scrapbook para todas as vezes que você se sentir para baixo e não tiver com quem falar, você abrir, ler e ver nossos momentos juntinhas e daí você se lembrará que tem quatro meninas que lhe amam. Mesmo longe você continuará a ser amada e continuaremos a estar aqui.
Virei a página e dei de cara com nossa primeira foto juntas. Todas estavam espalhadas pela sala de aula no 1º ano do ensino fundamental. Manu sentava em uma ponta da sala na frente de onde a professora sentava, eu sentava na fileira do lado, porém na terceira cadeira. sentava na primeira cadeira ao lado da porta, era uma das mais inteligentes junto com a Manu – elas eram rivais nessa época, uma tentava chamar a atenção dos professores com a sabedoria -, era a que era amiga de todas, falava com todos e nunca tinha lugar fixo, mas nessa foto ela estava na ultima fileira conversando com uma garota chamada Gigi. Dora estava no fim da sala sorrindo mais que todo mundo.
A foto não foi tirada por alguma de nós, a professora tirou em uma aula para que cada uma tivesse uma cópia e lembra-se do primeiro ano escola e no futuro poderíamos comparar como as pessoas mudam, ou apenas sentir saudades – como estou agora. Em cima da foto tinha escrito: Nossa primeira foto...
Alguns desenhos estavam embaixo e se podia ler uma pequena frase com a letra da “Olha como éramos unidas – sqn – mas por incrível que pareça foi ai que tudo começou.”
Virei a página e vi mais um textinho:
Tudo começou com a gente se odiando – voice: Eu não odiava vocês, falava com todas -, e Manu era as que mais se odiavam, sempre brigava nas classes para ver quem estava certa. era a que só assistia as coisas e tentava sempre se enturmar em alguma turminha, mas nunca conseguia. era maria vai com as outras, porque “oh” menina pra nunca ficar num grupo quieta. Sempre estava andando pela sala, falava com todo mundo no colégio, e era a popular. Eu falava com quase todos porque eu tentava ser popular como a - haha -, não gostava de você por te achar metida demais, e Manu eu mal falava, mas enfim... bons tempos. – Dora.
Era realmente a letra da Dora, eu fiquei assustada porque, bem, ela está morando em Washington, mas mesmo assim havia mandando folhinhas com texto para o Scrapbook. Enxuguei as lágrimas que ainda teimavam em cair e vi a foto do lado.
Nós cinco sentadas juntas numa rodinha na sala de aula.
Em cima havia a frase: Melhor grupo escolar!
Virei a página para ler o textinho.
Eu que fiquei com a missão da nossa primeira foto juntas e “sozinhas”, a professora formou os grupos do jeito que ela quis. Quando ela anunciou que éramos nós cinco, uma raiva se apossou dentro de mim. Como ela ousava a me colocar no mesmo grupo que a ? Sinceramente, não é?! Mas tudo bem, a gente foi fazer a caixinha e tal, e acabamos nos conhecendo mais. Dora era um doce de menina que amava conversar, logo se apegou a ela, você já era mais reservada, começou a conversar pouquíssimas vezes, mas o foco era eu e a , porque a gente sempre discutia. Então você gritou do nada mandando a gente calar a boca porque estava chato. A sala toda olhou pra você, a cara de assustados não sai da minha mente, uma garota tão calada gritando assim do nada. Foi então que uma coisa me surpreendeu, e Dora começaram a gargalhar alto enquanto a professora reclamava do barulho da sala, você se encolheu na cadeira e a começou a lhe consolar. Fiquei com tanta pena que acabei indo também para seu lado, sem nem brigar com a que o que ela falava não estava certo que era do meu jeito... No fim da aula estávamos amigas. Assim, simplesmente amigas.
No outro dia sentamos as cinco juntas, depois disso não lembro mais de nós cinco afastadas na sala de aula, no intervalo, nos passeios, nas viagens... – Manu
Eu sorri relembrando desse dia, foi um dia louco, e depois que me juntei a elas, nunca mais fui à mesma menina que ficava no seu canto calada, as brigas da e da Manu eram por bobagem e depois estavam rindo. Elas até começaram a juntar suas sabedorias e nos ensinava o que ninguém entendia. E foi nesse dia que nosso quinteto se formou.
Na página ao lado estava inúmeras fotos em pequenos quadradinhos em todos os ângulos, no verso também... E assim se ia por três folhas, todas estavam com as fotos de nossas viagens colocadas aleatoriamente. Na última folha o verso tinha mais um textinho, escrito com caneta verde com glitter.
Consegui juntar todas as fotos da nossa viagem, eu queria poder ter colocado elas maiores, mas não daria em apenas um scrapbook são muitas fotos, mas também, são quantos anos de amizade mesmo? ONZE!!! Sim, temos mais de 11 anos de amizade, foi muita viagem, muitos momentos juntas e agradeço a Deus por cada momento. Sei que todas sentiremos muita falta de você, mas sei mais que tudo que você irá realizar seus sonhos e algo me diz que essa experiência louca e nova te trará tantas coisas boas. Meu maior medo é que você goste tanto daí que não queira voltar mais, ai vai ficar como a Dora, de vez em Washington – Dora voice’s: EU VOU VISITAR VOCÊS!!! – é, ela fala isso desde que se mudou pra lá. Quantas vezes ela voltou? Nenhuma! Então por favor, não a imite viu, não iremos aguentar mais uma do quinteto longe, com uma na América já é ruim imagina com outra na Europa – Manu voice’s: Mas isso é bom porque a gente compra as coisas no exterior e não paga tão caro. -, mas enfim amiga... Curta sua vida, curta seu momento porque cada momento é único e não deixe nada passar em branco. Você terá muito tempo para curtir conosco quando voltar, como já repetimos milhares de vezes a você “Estamos de braços aberto lhe esperando”, qualquer coisa você tem Skype, facebook e um monte de rede sociais que é bom para nos comunicarmos – voice’s: Manda ela baixar o whatsapp pelo amor de Deus. Já estou cansada dessa menina tão antissocial. -, a está certa, você já deveria ter baixado, mas não iremos discuti sobre isso porque você não tem como responder... Então vou finalizar isso que esta muito grande com: Eu te amo não importa o que aconteça. – .
Coloquei o scrapbook ao meu lado em cima da cama e voltei a chorar, não apenas um choro qualquer, mas sim um choro com soluço alto, choro de saudades das garotas. Somos amigas há 11 anos, e nunca – tirando a Dora – nos separamos por tanto tempo. Se uma fosse pra casa da avó no interior, iria as cinco juntas. Se uma estivesse de recuperação, ninguém saia, todas iriam estudar juntas, mesmo tendo passado direto. Muitas nos invejavam, não por termos ficado as garotas “populares”, mas sim por nossa amizade tão verdadeira e inseparável.
Alguém bateu na porta, tratei de enxugar as lagrimas com meu casaquinho e colocar o scrapbook dentro da caixinha. Fui até a porta e abri. Era o Liam.
- Oi. – Acenou com a mão me fazendo rir.
- Oi. – Respondi saindo da frente dando espaço para ele entrar.
- Está tudo bem? – Ele me encarou e depois olhou pra cama. Merda, a fronha.
- Está sim, não é nada demais. – Dei de ombros. – Algum problema?
- Ahn, não. Eu só vim te avisar que sairemos mais cedo, umas 05:00pm.
- Ah sim. Eu vou com vocês?
- Não, a gente vai mais cedo, você sai daqui umas 06:30pm, acho que o Jimmy vai lhe dar um crachá aqui ou lá, não sei.
- Não é muito cedo pra mim não? O show começa às oito horas.
- Está tendo greve de ônibus. – Ele fez careta como se achasse aquilo estranho. – Dai muita gente não está conseguindo chegar ao local em tempo, também tem avenidas congestionadas e tal, a empresa daqui está já colocando ônibus privados pra levar as fãs, está um caos.
- Nossa! Não sabia que a greve iria prejudicar tanto assim. Mas tudo bem, as 06:00pm estarei pronta, esperando.
- Pronto! Falarei com o Jimmy pra vir aqui lhe dar os detalhes. Agora vou indo porque a piscina está demais.
- Cuidado, viu. Passe bastante protetor.
- Não se preocupe. – Ele já estava do lado de fora. – Ah, tem umas fãs andando pelo hotel, sabe, se caso você estiver se sentindo sozinha e tal.
- Não se preocupe, estou bem. – Sorri então ele acenou e se foi. Fechei a porta atrás de mim e encarei o relógio no meu pulso. – Tudo bem, você precisa descansar.
Peguei meu Scrapbook e coloquei na caixinha e de volta a mochila. Peguei uma roupa mais aconchegante – Short de algodão turquesa, uma blusinha de alça branca -, tomei um banho de ducha, tudo bem que sou apaixonada por banheiras e hidromassagem, mas o que eu mais estava querendo era me deitar e dormir. Apesar de que eu dormiria pouco, mas seria alguma coisa. Peguei meu celular que estava abarrotado de mensagens e liguei o despertado para as 17:00, seria tempo o suficiente para eu acordar, tomar um banho e ir me arrumar pro show. Deixei minha roupa, acessórios e calcados tudo junto em cima do divã. Deitei na cama me cobrindo com as cobertas e fechei meus olhos.
Alguém batia na minha porta, levantei desnorteada até a mesma e dei de cara com o Jimmy. Ele entrou no quarto falando no celular e com uma sacola em mãos, pediu pra eu aguardar um minuto. Fui até meu celular e verifiquei as horas, faltavam um pouco menos de meia hora para ele despertar, então era melhor eu desligar já que eu não voltaria a dormir. Jimmy acabou sua ligação e abriu um sorriso para mim.
- Aconteceu algo?
- Não. Está tudo bem por aqui? – Afirmei com a cabeça. – Tem chorado? Ele apontou para meu rosto e minha maior vontade foi enfiar a cara no travesseiro de vergonha.
- Eu estava dormindo. – Cruzei meus braços atrás de mim. – Veio aqui para...?
- Eu me importo com você sabia? – Piscou o olho. – Você é uma preciosidade.
- Fingirei que acredito, porém, Jimmy, sem mais delongas, por favor.
- Só estava tentando ser legal. - Ergueu os braços como rendição. – Bem, aqui está o que você vai precisar. Está seu crachá para os shows aqui no Brasil. – Ele tirou de dentro um crachá com minha foto e meu nome. – Dentro desse envelope está à documentação para você levar no colégio lá na Inglaterra, de preferência leve um dia após o que você chegar.
- E quando eu vou pra lá? – Ele sorriu.
- Aqui dentro está sua passagem e passaporte já com o visto. Resolvemos tudo. – Piscou o olho me entregando a sacola. – Você viajará após o almoço no dia 11.
- Mas é dia das mães, eu ia ficar um bom tempo com minha mãe no Skype.
- Então acorde cedo. Porque você não pode ficar até o último show.
- Tudo bem. – Respirei fundo olhando dentro da sacola.
- Ah, ai dentro está seu novo celular. Por favor, me entregue o seu antes de ir pro show.
- Como assim?
- , esse celular que você usa não é digno de uma Modest Girl. Passe o que você quiser pro seu novo e está tudo bem. – Ele caminhou até a porta. – O Peter vai lhe levar as 18:00, esteja pronta.
- Tudo bem. – Falei sem nem olhar pra ele, mas olhei pra porta assim que ele fechou. Peguei a caixa dentro da sacola e tirei de lá uma caixinha da Apple. – Que ótimo, fugi tanto de você.
Usei o meu “tempo” livre pra passar TUDO que eu tinha para o notebook do quarto, depois passei tudo para o iPhone 5s. Acabei tudo já eram 17:32, então fui tomar banho para me arrumar, aliás, se eu iria para Inglaterra deveria agir como uma britânica. Totalmente pontual.


Capítulo 4


“Se você é fã, você tem que acreditar acima de todas as coisas, e JAMAIS desistir, por mais que as vezes pareça impossível.”

08 de maio de 2014 – Parque dos Atletas – Rio de Janeiro – 19:46

Assim que entramos no parque o Peter foi dirigindo o carro pela fila. Tinha tanta gente que me assustei, as filas davam inúmeras voltas, as meninas – a maioria – gritavam, cantavam, conversavam. Comecei a imaginar se eu estivesse indo como uma simples fã, eu estaria ali com elas no calor, na chuva, totalmente acabadas e cansadas, imagine só, tinha gente ali esperando mais de 10 horas, com fome, corpo doendo e ainda ficariam em pé durante o show.
- Para o carro, por favor! – Gritei de repente assustando o Peter.
- Aconteceu alguma coisa? – Tentei abrir a porta, mas a mesma estava trancada. – Senhorita , o que você está pensando em fazer?
- Acabei de ver minhas amigas, vou apenas dar um olá. – Sorri fraco.
- Não sei se seria o certo, o Jimmy pode querer reclamar.
- Por favor, por favor! – Juntei minhas mãos em uma súplica.
- Tudo bem, mas volte logo, se não posso entrar em problemas. – Afirmei com cabeça. Quando ele destravou a porta sai pulando do carro.
Corri em direção das meninas, as coitadas estavam dividindo um guarda-chuva pequeno, mas mesmo assim o sorriso no rosto delas ainda estava estampado. Assim que me aproximei delas fui recebida com um abraço caloroso. Todas me abraçavam, enquanto faziam perguntas sobre os meninos.
- Ai gente, deixem a Ju respirar. – Julieta falou levantando o guarda-chuva para eu me encaixar embaixo dele.
- Obrigada, Obrigada. – Respirei fundo. – Respondendo a algumas das perguntas: Os meninos são lindos, fofos e muito, mas muito carismáticos.
- Eu sabia, eu sabia! – Uma garota que eu nem sabia quem era começou a dar pulinhos enquanto as outras davam gritinhos histéricos.
- Você chegou agora? – Afirmei com a cabeça. – Podia ficar aqui conosco, não é. Qual seu setor?
- Eu não posso ficar aqui na fila, o Peter está me esperando. – Apontei pro carro que buzinou, fiz sinal que já estava indo.
- Quem é Peter? – Julieta olhou para o carro.
- É um segurança. – As meninas me encararam um pouco assustadas. – Eu não vou ficar com vocês, por isso preciso ir logo.
- , você ficará no backstage? É isso? – Dei de ombros.
- Realmente eu não sei, eu não tenho ingresso. Por isso preciso ir agora porque o Peter que vai me por lá dentro.
- Mano! Você é muito sortuda! – A garota que eu não conhecia falou.
- , já que não temos certeza se ficaremos na grade, então você podia fazer um favor pra gente? – A Julieta tinha uma expressão piedosa, fiquei com medo de realmente não pode ajudar.
- Se eu puder, ajudo sim. – Sorri de lado e mais uma vez a buzina soou. – Logo gente, por favor.
- Eu queria jogar essa bandeira no palco, tem o user de uma boa galera daqui da fila. Você pode entregar aos meninos?
- Não sei, mas vou tentar. – Peguei a bandeira e enfiei em minha mochila.
- Obrigada, ! Realmente você merece tudo que está ganhando. – Ela me abraçou.
- Preciso ir. – Abracei as outras rapidamente e voltei correndo ao carro.
- O que você pegou lá? – Peter me olhava carrancudo.
- Apenas uma bandeira. – Falei baixo.
- Não deixe o Jimmy ver, por favor.
- Tudo bem. – Encarei minha bolsa e logo as meninas que ficavam para trás ainda encarando o carro.
Não demorou muito, apenas passamos por um enorme portão e logo o Peter estacionou entre duas vans. Descemos do carro e caminhamos até uma porta. Tinha dois seguranças, ambos cumprimentaram o Peter com um abraço meio de mano, mas quando me viram atrás, me encararam da cabeça aos pés.
- Você... – Peter tratou logo de me apresentar, então o segurança estendeu a mão para mim. – Sua bolsa, por favor.
- O que? – Olhei incrédula apertando a bolsa melhor no braço.
- É a convidada do Harry e do Liam, eu que a trouxe. – Peter passou na minha frente.
- Desculpe-nos, mas precisamos revistar a bolsa dela, ordens de cima. – Dei um passo pra trás, não tinha nada de errado na minha bolsa, então porque queriam que eu fosse revistada. – Por favor, a bolsa.
Ergui totalmente tremendo, então ele abriu os bolsos pequenos. Não havia nada demais além de documentos, maquiagem, cartão do hotel e meu celular. Então ele abriu o bolso maior, revirou de um lado, revirou de outro e tirou a bandeira. Abriu toda a bandeira e encarou dos dois lados.
- Isso fica conosco. – Arregalei meus olhos.
- Mas por quê?
- Você não pode entrar com isso. – Então ele dobrou de qualquer jeito e entregou ao outro.
- Não é como se eu fosse matar alguém com essa bandeira. É apenas uma bandeira, que mal ela pode fazer?
- Garota, recebemos ordens de não deixar você entrar com nenhuma bandeira, plaquinha, bicho de pelúcia ou algum presente para os meninos. E se foram ordens, serão cumpridas. – Respirei fundo quase deixando minhas lágrimas de raiva transbordarem. – E acho melhor você colocar isso. – Me estendeu o crachá e a bolsa. – Podem entrar!
Peguei o crachá já passando a cordinha pela minha cabeça, sorri totalmente falso e peguei minha bolsa com birra. Passei pelos dois seguranças a passos largos, simplesmente querendo me afastar deles pra poder chorar em paz.
Eu estava com raiva de não poder ajudar as garotas, elas ficaram tão felizes sabendo que a bandeira delas estaria nas mãos dos meninos, mas agora, está numa lata de lixo. Elas nunca irão me perdoar.
- Senhorita , não ande assim tão rápido. – Peter me alcançou e ficou me acompanhando.
- Eu só quero ficar sozinha. Tem algum lugar que eu possa ficar? – Ele me olhou com pena então pegou levemente no meu braço e me levou ao camarim dos meninos.
- É disso que você precisa. Descansar um pouco.
- Não quero que eles me vejam assim. – Enxuguei as lágrimas que escorriam junto com minha maquiagem. – Está tudo mancha... – A porta se abriu e um Harry deu um pulo pra trás de susto. – Viu só, até assustando eu estou.
- O que houve? – Harry perguntou ao Peter.
- Acho melhor ela explicar. – Peter sorriu piscando o olho. – Vou dar uma volta, qualquer coisa me chamem.
- Obrigada. – Murmurei tentando abrir um sorriso.
- Hey, o que foi que aconteceu? – Harry me abraçou de lado me levando pra dento do camarim.
- ? O que houve? – Liam veio em minha direção e sentou ao meu lado em um sofá.
- O Jimmy mandou uns seguranças pegarem uma coisa dentro da minha bolsa. – Enfiei meu rosto nas minhas mãos.
- Pegaram algo seu? Como assim? – Harry perguntou.
- Não era algo meu, era mais de vocês. – Tentei respirar fundo controlando meus soluços. – Eu vi uma amiga minha lá fora, na fila, então fui falar com ela e tal, ela me entregou uma bandeira pra eu dar a vocês, mas o segurança revistou minha bolsa, pegou a bandeira e disse que eu não poderia entrar com nada de vocês.
- Isso é coisa do Jimmy. – Harry foi até um bebedouro e encheu um copinho descartável.
- Vamos resolver isso, okay? Não precisa chorar. – Liam passou suas duas mãos pelas minhas bochechas.
- Vocês não entendem, minha amiga não vai consegui chegar perto de vocês, ela queria pelo menos entregar um presente.
- Aposto que a bandeira estava cheia de users. – Harry me entregou o copo. – Não sei se você sabe, mas nem lemos os users que nos dão, mas lemos textos e frases.
- Isso é verdade. É meio cansativo aquele monte de arrobas e tal. – Liam deu de ombros.
- Tinha uma frase dela pra vocês.
- Iremos conversar com o Peter pra que isso não se repita. – Liam beijou o topo da minha cabeça, então tomei toda a água do copo e sorri.
- Obrigada. – Não que minha raiva de ser revistada estivesse se esvaído, mas agora eu estava mais calma e consolada pelos melhores do mundo.

08 de maio de 2014 – Hotel Fasano – Rio de Janeiro – 23:04

O show começou por volta das 22:45, os meninos entraram cantando Midnight Memories, não preciso dizer o quanto teve gritaria, certo? Eu fiquei assistindo o show entre o palco e a pista premium, porém em um lugar mais afastado e mais perto das caixas de som tendo que usar protetores auriculares. Após BTW quando o Harry parou tudo pra mostrar algo, eu paralisei. Ele começou a mexer na calça, até pensei comigo “Na UAN tour o Liam puxou a blusa do Harry, na TMH tour o Liam puxou as calças e agora o próprio Styles fará isso?”, mas ele começou a abaixar um pouco da bainha e ai os gritos foram ouvidos. Consegui ver apenas algo riscado, então me afastei pra olhar o telão e “O QUE? HARRY TATUOU BRASIL NA COXA?” fiquei sem reação alguma enquanto as meninas ainda gritavam. Com certeza esse foi o melhor momento da noite.
Após eles finalizarem o show com BSE os meninos começaram a agradecer ao público, soltaram até “Obrigado” em português, depois de tantos treinos no camarim. E então saíram do palco para se arrumarem e voltarem ao hotel.
O Peter apareceu para me levar ao hotel, então dei uma pequena passadinha no camarim, parabenizei os meninos pelo incrível show e segui o Peter até o estacionamento.
Saímos do estádio junto com os milhares de fãs, tinha um horrível engarrafamento o que fez demorar mais de duas horas para chegarmos ao hotel onde ainda tinha centenas de fãs esperando.
Me despedi do Peter e segui pelo elevador até o meu andar, fui para o meu quarto descansar um pouco. Entrei no mesmo, peguei um conjunto de roupas e fui tomar banho. Limpei a maquiagem do meu rosto, escovei os dentes para finalmente tomar o banho. Assim que terminei de trançar meus cabelos alguém bateu na minha porta.
- Oi? – Abri e fiquei uns segundos encarando o Josh na minha porta. GENTE, O JOSH ESTÁ NA MINHA PORTA! – O Payne pediu para eu vir aqui perguntar se você quer ir conosco pra festa.
- Festa? – Arqueei uma sobrancelha.
- Sim, uma que está tendo lá na piscina. – Me olhei de cima a baixo e ele acompanhou meu olhar. – Vai ser legal, vamos.
- Não sei se é uma boa ideia.
- Não temos nada a perder, temos? – Abriu um sorriso.
- Eu acho que, não. – Dei de ombros. – Espera eu me trocar?
- Promete ser rápida?
- Sim, eu prometo. – Sorri e fechei a porta. – Desculpa! – Gritei após perceber que havia batido a porta na cara dele, mas logo eu já estava correndo para as malas.
Coloquei uma blusa preta com mangas transparentes e um short salmão por cima, calcei uma sandália preta de salto e fui ao banheiro arrumar meu cabelo. Soltei a trança, apliquei uma maquiagem, passei um perfume forte e pronto. Não podia demorar muito, ou será que já demorei?
- Oi, espero não ter demorado. – Saí sem graça do quarto encontrando o Josh sentado no chão.
- Tudo bem, está ótima! – Segui ele pelo corredor até o elevador. Assim que chegamos a cobertura ele me pediu para espera-lo no bar, porque havia esquecido o celular.
Avistei o Liam brincando de barman enquanto a Louise filmava o mesmo. Fui à sua direção e percebi que ele derramava o líquido já dentro do copo. Ele me estendeu, olhei sugestiva em sua direção então arrodeei para trás do bar assim como ele.
- Olha só, até que está uma delícia! – Tomei um gole sentindo o gosto de limão e bastante álcool.
- Sabe fazer ou quer que eu te ensine?
- Você mal chegou ao Brasil e já quer ensinar receitas brasileiras a uma brasileira? – Ele deu de ombros. – Tudo bem, eu não sei fazer mesmo.
- De que você quer? Acho que morango é mais a sua cara.
- Tudo bem, vou querer de morango.
- Bem, é assim... – Então ele colocou dois morangos em um copo de mixer com um pouco de vodka. – Depois que ficar bem batidinho a gente coloca aqui dentro onde tem bastante gelo, coloca açúcar, morango picado e mais vodka, ai mexe. – Enquanto ele fazia o que dizia que me debrucei no balcão apenas o encarando.
- Cuidado para não apaixonar, esse já tem dona. – Ouvi a voz perto do meu ouvido. Virei-me assustada para a Louise sorridente.
- Ah... Eu não... Não... Claro que não... – Sim, eu estava vermelha, gaguejando e sem saber o que falar.
- Relaxa, eu não sou dessas que sai falando pelos cotovelos coisas que não são de meu interesse. – Ela tomou um gole do que eu imaginei ser tequila. – Mas estou apenas lhe alertando. Eu vi como você olhava pra ele hoje no camarim e ago... – A interrompi antes que ela me constrangesse mais ainda.
- Você não está entendendo, eu não estou me apaixonando ou algo como isso, ele é apenas um amigo, ele tem uma namorada linda, não vou tentar nada. – Ela continuou me encarando. – Sério, nada mesmo!
- Espero que sim, não quero que tenha problemas. Você é uma garota legal.
- Obrigada, eu acho. – Tentei sorrir, mas saiu mais falso que a cor do cabelo dela.
- Então está pronto. – Liam gritou sobre o funk que tocava e me estendeu um copo.
- Está magnifico. – Falei após tomar um gole. – Doce na medida certa!
- Ótimo! Se minha carreira na One Direction não der certo, me arrisco como barman. – Ele sorriu bebendo sua caipirinha enquanto dançava como um verdadeiro gringo.
- É disso que estou falando... – Louise falou e se virou caminhando para a direção oposta. Continuei a encará-la tentando entender o que era o aviso dela, mas... Eu não vejo o Liam como algo a mais, isso é impossível.
Liam começou a falar de algumas coisas sobre o Brasil, sobre como ele estava amando, perguntei como ele havia aprendido a fazer caipirinha, então ele começou a falar sobre a festa que teve ontem, a festa em que a Anitta estava. Perguntei tudo que eu queria saber, não só sobre ontem, mas sim sobre a Inglaterra, Peru, Argentina... Fiz todas as perguntas que uma fanática por viagens faz.
- Achei que nessa hora você já estaria no seu décimo sono. – Vire-me dando de cara para o Harry.
- Se vocês que fizeram aquele show incrível não estão dormindo, por que eu estaria? – Sorri e ergui meu copo em sua direção.
- Acho que o barman Liam poderia me fazer uma. – Liam soltou uma gargalhada já começando a fazer o do Harry com toda empolgação.
Conversa vai, conversa vem o Josh voltou, ficou reclamando porque era errado eu estar bebendo, mas o Harry calou a boca dele – Ainda bem, lição de moral, não. -, resolvemos ir dançar – Josh e eu – enquanto o Liam e Harry ficavam conversando no bar.
Após inúmeras músicas tocadas e dançadas começou uma bem calma e lenta que eu não conhecia. Nos primeiros acordes Josh estendeu a mão para mim, peguei-a e aproximamos nossos corpos para dançarmos no ritmo da música. Percebi alguns homens que dançavam sem par e saiam caçando garotas para dançarem.
Meus dois braços estavam jogados em seus ombros e suas mãos em minha cintura, eu estava mais alta que ele por causa do salto, então tirei meus sapatos e voltei para minha posição, agora segurando os calçados atrás de seu corpo e com nossos rostos bem no nível dele. Depois de dançarmos o finalzinho desta música colocaram outra que era mais lenta e romântica pela letra. Dançamos lentamente em uma sincronia perfeita, com nossos rostos um de frente para o outro, perto até demais, numa distância um pouco perigosa para duas pessoas de sexo diferente que estavam com um teor de álcool considerável. Ele se aproximou mais dos meus lábios e fechou os olhos, fiz o mesmo, fechei meus olhos e abri um pouco a minha boca. Senti seus lábios macios tocarem o meu por alguns milissegundos até ele aprofundar. Não dei para trás em momento algum, simplesmente cedi. Por favor, nunca mais me acordem se isso for um sonho.


Capítulo 5


“É impressionante como uma pessoa me conquista, só com um simples gesto bobo, com um simples olhar, um simples sorriso, como uma simples brincadeira, eu me apaixono.”

09 de Maio de 2014 – 06:33 – Hotel Fasano – Rio de Janeiro


Minha cabeça latejava um pouco, meu corpo pedia para ficar deitado por mais uns três meses, porém, gritos em inglês grave e robusto formavam frases do tipo “acorda, bela adormecida” ou “vamos acordar raio da manhã, pois o sol já raiou”, a primeira frase deduzi ser o Louis, pela voz fina e costumeira que eu ouvia nas músicas e vídeos, já a segunda era do Niall, sem sombra de dúvidas, pelo sotaque irlandês nunca perdido mesmo em quatro anos... Mas espera, se eu estou ouvindo as vozes deles, o que eu vivi ontem foi verdade?
- Que coisa gay, Niall! – Novamente o Louis que falava.
- Aprendi com o Harry. – Niall se defendeu.
Tentei abrir meus olhos, mas os mesmos ardiam por causa da claridade – todas as cortinas estavam abertas.
- Nem vem, tá, vocês ficam discutindo e me põe no meio. – Harry falava com voz ofendida.
- Mas você tem uma borboleta na barriga, isso é tão broxante. – Rebatia o Niall.
- Ainda isso? Superem, já lhes expliquei que...
- Hey! – Todos os três viraram o olhar em minha direção. – Vocês podem discutir quem é gay ou não fora do quarto, por favor? - Finalmente abri meus olhos completamente, os meninos começaram a rir. – Qual foi agora?
- Sério mesmo? – Arqueei uma sobrancelha em direção ao Louis.
- Sim, seríssimo.
- Ele não está falando da gente, está falando de você. – Niall apontou para mim com o queixo. – Seu pijama.
- Mas o que? – Puxei a coberta cobrindo todo o meu corpo escondendo a blusa de mangas e shorts dos Baby Looney Tunes. – Que foi? Eu gosto.
- Quantos anos você tem mesmo? – Harry perguntou zoando.
- Quantos anos você tem mesmo? Ah, 20 anos, ou seja, você pode ser preso por invasão de privacidade e pedofilia. – Os meninos morgaram a risada.
- Sério? – Niall tinha uma sobrancelha arqueada.
- Por que eu brincaria com as leis? – Dei de ombros e comecei a dar um nó em meu cabelo no alto da cabeça – Mas, o que vocês querem aqui mesmo?
- O Jimmy disse ontem que era para estarmos as 7h00 em ponto tomando café da manhã, e já se passam das 6h30, então como você não acordava resolvemos te acordar. – Respondeu o Harry abrindo seu sorriso novamente.
- E com estilo! Porque ser acordada com réplicas de deuses gregos e considerados os mais lindos do mundo não é para qualquer um. – Louis se gabou caminhando até a porta.
- Uau, que honra que vocês me deram! – Tirei o lençol do meu corpo quando avistei no relógio da cabeceira que realmente já se passavam das 06:30 há cinco minutos. – Agora, por favor, eu vou tomar um banho e me arrumar.
- Não precisa nos expulsar, estávamos de saída mesmo. – Niall já estava ao lado do Louis.
- Não estou expulsando ninguém, até pedi "por favor".
- Senti uma ironia no “por favor”, mas enfim, faremos o que você quer. – Louis colocou um tom de ofendido então me arrependi.
- Bom, eu vou me arrumar, se quiserem ficar aí esperando. – Dei de ombros e caminhei até as minhas malas no canto do quarto.
- Mas você vai trocar de roupa aqui ou dentro do banheiro? – Harry perguntou me fazendo arregalar os olhos.
- O que você quer dizer com isso? – Niall gargalhava alto da porta assim como o Louis que murmurava “Harry não perde uma.”.
- Eu topo ficar aqui se você não trocar de roupa no banheiro. – Fui até a porta onde os meninos gargalhavam mais alto.
- É melhor vocês irem mesmo. – Abri a mesma e dei de cara com um cara de quase dois metros de altura, se é que não tinha os dois metros. – Oi?
- Sou o José Armando, fiquei responsável por seu quarto. – Arqueei uma sobrancelha. – Pra ninguém invadir.
- Ela não conhece nossas fãs, não sabe do que são capazes. – Louis saiu do quarto depois de dois tapinhas no meu ombro.
- Cuidado com as invasoras. – Niall tremeu seus dedos na frente do meu rosto, bati neles o fazendo sair do quarto. Harry ainda permanecia parado perto da mesinha.
- Acho que deveria ir com eles. – Acenei com a cabeça em direção da porta.
- E ainda diz que não está nos expulsando. – Harry bufou enquanto passava por mim e atravessava a porta.
- Tchau! – Fechei a porta com o pé e corri em direção das malas. Já se passavam das 06:40, se eu não me arrumasse logo não sei o que o Jimmy seria capaz de fazer.
Puxei inúmeras roupas de uma das malas que estava já reviradas, joguei uma saia jeans, uma regata azul e um par de chinelos brancos com alguns detalhes coloridos. Bem, essa roupa estava aceitável para um café da manhã, certo? Caminhei até o banheiro com as roupas em mãos, porém alguém bateu na minha porta.
- Entra! – Falei e um Harry com um sorriso bem aberto apareceu.
- Não se esqueça de colocar um biquíni, tomaremos banho de piscina. – Não esperou eu responder e fechou a porta.
- Banho de piscina? – Virei-me novamente para as malas reviradas e peguei um biquíni preto .
Tomei um banho, escovei meus dentes, me troquei, amarrei meu cabelo numa trança lateral. Peguei uma bolsa de praia listrada azul e branca, joguei uma toalha dentro, gloss labial, protetor, fones de ouvido, o primeiro livro da série Pretty Little Liars e meu celular. Passei um pouco de base nas manchinhas e lápis de olho a prova d’agua. Coloquei meus óculos de aviador branco em meu cabelo e sorri vendo minha imagem no espelho. Eu estava aceitável, eu estava me achando aceitável.
- ... daí quando ele foi voltar não tinha mais laranjas. – Harry gargalhava. Encarei o tão do José e ele tentava forçar um riso. – Você não entendeu? Ele voltou e não tinha mais laranja alguma.
- Perdi alguma coisa?
- As piadas do Harry. – José deu de ombros.
- Você conta piadas? – Perguntei boquiaberta.
- Fiz a mesma pergunta e me arrependi. – José cochichou para somente eu escutar.
- Sim, lhe conto no caminho. Vamos, você demorou bastante. – Harry passou o braço por meu ombro me levando para o elevador.
- Eu não sabia que você estava me esperando. – Fiz meu famoso biquinho.
- Tudo bem, por isso irei contar umas piadas até o restaurante.
- Acho digno. – Sorri entrando no elevador quando sua porta se abriu.

09 de maio de 2014 – 09:56 – Hotel Fasano – Rio de Janeiro.
Quando o Harry oferecer-se para contar piadas, você não deve aceitar. Nunca! Vou anotar isso na lista de “O que nunca fazer com os meninos da One Direction”. Se você não tem uma lista dessas como eu, deveria aprontar uma logo.
Harry passou todo o café da manhã contado piada de pintinho, uma pior que a outra: a do pintinho de uma única pata que foi ciscar e caiu, a do pintinho que não tinha bico foi piar e explodiu... E por ai se ia. O pior? Ele gargalhava de cada piada. Ninguém na mesa ria, apenas ele. Algumas fãs ficavam o admirando rindo de longe, mal sabiam elas as merdas que ele estava falando.
Após o café da manhã “mais divertido do mundo”, Harry, Lia e eu caminhamos até a piscina para uma área um pouco reservada. Deitei em uma das espreguiçadeiras que ficava embaixo do guarda-sol, os meninos foram para água me deixando um pouco em paz. Tirei minha roupa, coloquei meus fones, meu óculos de sol e abri o livro. Louise chegou um pouco depois, sentou ao meu lado e pediu uma bebida, aproveitei que o garçom estava lá e pedi uma soda. Assim que ele se foi ela começou a falar da favela que havia visitado – na verdade passou apenas por baixo, conversamos sobre o Rio de Janeiro, logo após sobre as favelas, brasileiros e do nada o Niall chegou todo feliz ao nosso lado. Seu corpo estava completamente molhado, mas o mesmo não se importou com isso quando chegou no meio de nós duas.
- Vocês deveriam tomar um banho, a água está uma delícia.
- Estou ótima aqui, bebê. – Louise tocou em uma de suas bochechas. – Acho que a ) gostaria de tomar um banho.
- Não, obrigada. – Neguei com a cabeça várias vezes para que ele entendesse que realmente eu não queria.
Assim que Niall percebeu que nenhuma das duas entraria na piscina, ele correu e pulou na mesma respingando água nas duas. A página do meu livro molhou me fazendo xingá-lo de todos os palavrões existentes no meu conhecimento.
- Foi mal! – Riu de dentro da piscina.
- Você fez de propósito. – Fiz bico então ele nadou para longe e me mandou beijinho.
- Esses garotos não tem jeito. – Louise riu.
- São sempre assim? – Ela afirmou com a cabeça.
- E quando estão com a Lux eu nem sei quem é mais criança. – Ri junto com ela imaginando a cena.
- Eu queria muito conhecer a Lux. – Fiz novamente bico e a Louise abriu um sorriso enorme.
- No próximo show que você for, eu peço para o Tom leva-la. – Arregalei meus olhos com a surpresa.
- Sério mesmo? – Ela afirmou. – Já vi que me sentirei uma velha vendo-a em minha frente.
- Toda vez que olho pra ela me sinto também. – Louise gargalhou.
- Hey, mocinhas secas. – Harry saiu da piscina totalmente molhado e... bêbado? Estou vendo um Drunk Harry na minha frente?
- Harry, se afaste, não queremos nos molhar. – Louise alertou, mas ele veio para o meu lado com sua roupa escorrendo água.
- Nem vem, aqui está maravilhoso. – Apontei para o guarda-sol.
- Quem vem pra piscina é para se molhar. – Harry pegou meu livro rapidamente o jogando de lado. Antes que eu pudesse reagir a sua ação, o mesmo já estava comigo em seus braços e caminhando para um lado específico da piscina.
- Ei seu maluco, o que vo... – Minha frase foi interrompida por um: Tchibum!
Harry havia nos jogado na piscina. Durante o mergulho desajeitado eu bati com minha testa na perna do Harry enquanto eu subia após já ter batido minha cabeça no chão da piscina. Fui para a superfície um pouco desorientada por causa dos impactos, e claro tossindo muito por ter engolido água.
- Está tudo bem? – A voz do Harry havia mudado de arrastada para um pouco mais ativa, como se sua consciência tivesse batido na porta. Ele pegou meu rosto com as duas mãos e o analisou preocupado.
- Acho que sim. – Balancei minha cabeça tentando afastar a tontura o que não ajudou em nada, apenas tirou suas mãos de mim.
- Pensei que tinha te machucado, senti algo na minha perna. – Ele suspirou aliviado.
- Foi minha cabeça. – Falei sem graça. – Foi um mergulho desastrado, engoli um pouco de água.
- Quer ir para a enfermaria? – Seu tom de preocupado havia voltado.
- Não precisa, já estou bem. – Puxei mais algum ar mostrando que estava respirando bem. Mentira! Toda minha narina ardia.
- Vem, vamos nos juntar aos outros. – Me puxou pelo braço nadando, mas meu nado era submerso na água então o puxei para baixo também.
– Guerra? – Niall perguntou quando eu e o Harry chegamos perto deles.
– Sobe, tá. – Harry falou para mim.
- Eu, nas suas costas? Nem morta. – Falei me afastando.
- Vem, você é a mais leve, não quero colocar o Niall nas costas de novo e eu não aguento com o Liam. – Ele fez bico. Eu queria fazer uma piada sobre o peso do Liam, mas preferi ficar calada e subi nas costas do Harry quando o mesmo mergulhou passando por baixo de minhas pernas.
Logo eu já estava em suas costas, com minhas pernas em seus ombros sendo segurada por suas mãos grandes. Quando eu vi o Niall estava nas costas do Liam e então começamos a tentar um derrubar o outro. No final eu e o Niall caímos na mesma hora, um segurando o braço do outro.



Capítulo 6


10 de maio de 2014 – Hotel Fasano – Rio de Janeiro – 13:45

Hoje iríamos para São Paulo, o Jimmy me ligou às 10:00 dizendo que eu iria para São Paulo antes que os meninos, para me juntar a equipe que iria recebe-lo. Comecei a me arrumar assim que desliguei o telefone, porém o Peter veio aqui às 12:00 – no horário combinado – e disse que eu teria que aguardar mais um pouco, os planos foram trocados e eu teria que esperar o comando.
Comecei a assistir TV enquanto esperava mais um aviso do que fazer. Na maioria dos canais de música falavam da One Direction no Brasil, que hoje eles fariam o primeiro show em São Paulo e blá blá blá, acabei adormecendo e só acordando com o Liam adentrando no quarto totalmente correndo.
- O que houve? – Pulei da cama assim que o percebi parado na divisa do quarto.
- Já está pronta? – Ele falou mais calmo. Tentei controlar minha respiração então me levantei meio tonta ainda.
- Acho que sim. – Peguei o celular e me olhei na tela. – Tirando essas olheiras toda aqui.
- Coloca os óculos. – Deu de ombros indo para minhas malas as pegando.
- Eu até ia te perguntar, você sabe onde estão meus óculos de sol? – Liam parou por alguns segundos como se pensasse na possibilidade de já o ter visto. – Eu estava o usando na piscina ontem.
- Aquele meio branco? – Afirmei com a cabeça. – O Harry estava com ele pendurado na camisa.
- Como ele conseguiu pegar meus óculos? – Peguei minha mochila e a coloquei sobre meu ombro.
- É melhor você perguntar no carro, estamos mega atrasados.
- Pode me emprestar o seu? – Fiz bico enquanto o mesmo estava já na porta. – Por favor, não quero sair com essa cara amassada em meio a esse monte de fãs.
- Tudo bem. Vamos logo. – Peguei os óculos que estavam pendurados em sua blusa e coloquei no meu rosto. Nem sequer pegamos o elevador. Descemos pela saída de emergência indo se encontrar com os meninos que já estavam impacientes.
Eram quatro carros, pretos, iriam dois escoltando e nos outros dois os meninos haviam se dividido. Liam colocou minhas malas no que estava o Peter, preferi ficar com minha mochila mesmo. Jimmy chegou mandando entrarmos logo no carro, pois iríamos nos atrasar. Mandou o Liam para o segundo carro e abriu a porta do terceiro, fazendo sinal com a cabeça para eu entrar. Harry estava sentado no meio, na outra ponta o Louis. Acenei somente com a cabeça e prendi o cinto.
- Hey, bom dia. – Louis falou um pouco alto. – Está animada para irmos a São Paulo?
- Não poderia ser mais tarde não? – Fiz bico o fazendo dar de ombros.
- Se há essa hora já tem esse amontoado de pessoas, imagina se fôssemos mais tarde. – Harry apontou para minha janela que estava fechada. Uns montes de meninas começaram a bater.
- Caraca, tem muitas aqui. – Virei o rosto para o lado oposto do delas.
- Está pensando em que, ? – Louis perguntou sorrindo.
- Que eu estaria no lugar delas.
- Ah, mas você está num lugar melhor, não está no sol quente e está aqui dentro no geladinho com a gente, isso não é perfeito? – Harry perguntou.
- Exatamente isso, eu estou num lugar tão bom que parece um sonho.
- E ainda deu um beijão do nosso baterista. – Louis cochichou para que o Jimmy que sentava na frente não ouvisse.
- Cala a boca! – Coloquei a mão em sua boca.
- Mas você acha que ninguém viu? – Perguntou rindo.
- Ela está ficando vermelha. – Harry arregalou os olhos. – Está envergonhada?
- Cala boca vocês dois, finjam que não viram. – Eu falei apontando para eles.
- O bom é ele fingir isso, pelo que eu soube o coitado nem dormiu ficou enchendo o Dan com isso. – Falou o Louis.
- Isso esta me constrangendo. – Falei.
- Tudo bem, parou. – Harry falou sério.
- Mas ele falava de bem. – Louis falou num outro sussurro, então enfiei minha cabeça na mochila.
- Mudando de assunto... – Harry pegou o celular, desbloqueou e leu algo. – Olha, os meninos estão querendo comer pizza.
- O que? – Jimmy colocou a cabeça pela portinha. – Diga a eles que nem pensar. Chegaremos ao aeroporto e ficaremos dentro do carro esperando o horário do voo.
- Pensei que estávamos atrasados. – Louis murmurou.
- Se não dissesse que estavam, vocês passariam anos pra se arrumar. – Jimmy voltou sua atenção pra estrada.
O carro ficou num silêncio, meu celular vibrou algumas vezes, peguei e fiquei conversando com minhas amigas, Louis estava em seu celular ouvindo música, Harry escrevia algo.
- , você está preparada para o que vai passar lá no aeroporto? – Harry falou de súbito.
- Eu? Passar o quê?
- Ué, você está com a gente, e vai conosco no avião e nos acompanhar desde o embarque até o hotel.
- Pensei que iríamos de hangar.
- E vamos, mas talvez tenha algumas garotas por lá, sempre tem. – Harry deu de ombros.
- Por que algo me diz que a Modest está tramando algo com isso? – Cochichei tendo um silêncio como resposta. – Espero que eu nunca me arrependa de nada.
- Não se preocupe... – Harry foi interrompido por o Louis que gritava.
- Hey, vocês poderiam calar a boca eu estou tentando assistir.
Eu jurei que ele ouvia música, Harry e eu o encaramos. Ele colocou o fone de volta e ligou o monitor que ficava no banco da frente. Harry deu de ombros e apontou para o monitor na minha frente.
- O que a florzinha está assistindo? – Harry perguntou.
- Procurando Nemo. – Louis piscou o olho.
- E eu ainda pensei que fosse um filme interessante. – Harry rolou os olhos.
- Hey, procurando Nemo é muito interessante, é uma história que poderia ser um exemplo de vida. – Louis rebateu sorrindo bobamente.
- Explique-se, por favor. – Harry pediu continuidade.
- Vejam só: o cara perdeu a sua família quase toda restando apenas um filho, e esse filho no primeiro dia de aula some, aí ele entra em uma aventura enorme e perigosa em busca do filho com uma mulher com problemas mentais. Isso realmente é ser pai. – Louis tinha um rosto brilhante e feliz como se estivesse maravilhado com sua teoria.
- Levando em consideração de que peixe palhaço pode trocar de sexo e como o macho perdeu a única fêmea da procriação, então se conclui que ele foi atrás do “filho” para não acabar com o ciclo. – Os meninos me encararam como se eu fosse o pior monstro do mundo. – Que foi, é a verdade.
- Você só acabou com minha infância. – Louis fez bico enorme. – Não quero ao menos assistir mais.
- Desculpa. – Murmurei com um sorriso torto. – Mas sabe, eu tenho uma amiga chamada Dora e ela era igual Dori.
- Ela era azul? – Harry perguntou confuso.
- Claro que não! – Arqueei uma sobrancelha. – É que ela falava e esquecia as coisas rapidamente. Ela também era doidinha como a Dori. – Dei de ombros. – Querem vê-la?
Os meninos assentiram. Comecei a procurar nas minhas fotos e mostrei uma antiga. A foto foi tirada antes da Dora ir morar em Washington com a madrinha. Estávamos em uma praça perto do colégio, não estávamos de uniforme, pois havíamos trocado em banheiros químicos que tinha lá, mas ainda estávamos com nossas mochilas no ombro. Dori, Manu, , e eu abraçadas sorrindo. Foi nosso último dia de aula e nosso último dia com Dora no Brasil.
- Essa daqui é a Dora, essa a Manu, e , a propósito o número que eu liguei para o Niall é dela.
- Elas são gatas. – Louis ficou encarando a tela.
- Tira o olho da , ela tem namorado. – Falei pegando o celular.
- E as outras? – Harry perguntou.
- Solteiríssimas. – Pisquei o olho.
- Já pode nos apresentar. – Louis sorriu todo sacana.
- Quem sabe um dia. – Dei de ombros. – Então, será que dá tempo de assistirmos algum filme? – Troquei de assunto, já que eu estava me mordendo de ciúmes.
- Acho que sim, olha só esse trânsito. – Louis murmurava chateado me fazendo olhar para os lados e perceber que estávamos em um engarrafamento.
- Quero assistir. – Falei fazendo o Harry pegar os fones e me entregar um lado.
Ele colocou um filme qualquer então começamos a assistir enquanto, Louis procurava um filme novo. Chegamos ao aeroporto no finalzinho do filme, entramos pelo hangar onde tinha umas centenas de garotas que bateram no carro enquanto entrávamos. Esperamos uns 20 minutos até que o Jimmy desligou o celular e saiu.
- Vamos, quero todos vocês aqui. – Nós três saímos do carro nos encontrando com os outros três que falavam de alguma coisa qualquer. – Quero atenção de todos vocês. Temos algum tempinho aqui antes que o jatinho esteja pronto, então como tem cerca de 150 fãs lá fora, resolvemos que deixaríamos 10 garotas falarem com vocês.
- Tipo um meet? – Zayn coçou a nuca.
- Sim, assim vocês terão alguns minutos rapidinho com elas, precisamos que vocês saiam com fama de “garotos bondosos e humildes” daqui. – Minha cabeça tombou para o lado. Minha ficha começava a cair de que a maioria das coisas feita pelo os meninos era simplesmente o mandado. - ... tudo bem para você, ?
- Eu o que? – Voltei à vida real. Os meninos me olhavam com sorrisos enormes.
- Você escolhe as garotas. Vá pegá-las de duas em duas.
- Simplesmente chegar e chamar? – Arqueei uma sobrancelha.
- Não, você faz um minúsculo discurso, dizendo que falou com os meninos e que deu a ideia de algumas delas conhecerem eles.
- Tudo bem. Posso ir agora?
- Claro, os meninos irão se arrumar. – Jimmy me empurrou para perto do Peter.
O segui até perto da cancela, as meninas começaram a gritar e algumas me chamaram pelo nome. E fiz um sinal pedindo silêncio e a maioria calou a boca. Assim que comecei o meu discurso algumas gritavam histericamente, outras me olhavam chorando em silêncio.
- ...então, apenas 10 de vocês vão poder ir. Será que tem como decidirmos isso rápido? – As meninas começaram a gritar “eu, me escolhe, eu aqui” e sinônimos. Minha cabeça começou a doer com tanta gritaria, então comecei a chamar aleatoriamente. – Você de rosa e você de verde.
Peter pegou as garotas e quando se aproximaram me cumprimentaram com abraços e beijos. Formos conversando até perto do carro. Pedi para terem calma, pois os meninos não gostavam dessa gritaria toda. Elas me prometeram que não gritariam.
Ainda bem que não confiei na palavra delas, assim que viram o Zayn de costas correram e o abraçaram gritando. Ele se assustou óbvio, mas depois elas se acalmaram, falaram “eu te amo” e eu peguei o celular de ambas para tirar foto.
Fui buscar mais duas garotas e fazemos tudo de novo, as duas primeiras ainda ficaram lá até as outras duas chegarem. Assim que as novas chegaram, eu levei as primeiras para fora. Assim se repetiu até as 10 garotas falarem com eles. Enquanto a última dupla abraçava e falava com eles, fui levar a quarta dupla para fora. As meninas não paravam de me agradecer e fazer inúmeras perguntas.
- Você lembra da @TesãoDa1D?– A garota perguntou sorrindo. Tentei procurar no meu cérebro se eu já havia visto esse user em algum lugar.
- Claro que lembro, amo esse twitter. – Mentira número um.
- Sério? É o meu twitter. – Ela me abraçou repentinamente. – As inimigas irão chorar sangue se souber que você gosta do meu twitter.
- Você é realmente linda pessoalmente. – O garoto falou. Sim, peguei um boydirectioner para conhecer os meninos.
- Muito obrigada! – Meu rosto estava ardendo.
- Você tá com o Harry? – Ele perguntou diretamente, assim, do nada.
- O que? Eu e o Harry? – Abri minha boca assustada.
- Qual foi? Vocês sempre estão juntos, sempre tão pertos... Parece um relacionamento sim. – Parei um instante de andar assim que chegamos à entrada/saída. Flashes dos últimos momentos com os meninos passavam na minha cabeça. Era verdade, eu e o Harry éramos sempre postos para ficar juntos. Sempre estávamos comendo, nos conhecendo melhor, nos divertindo, sempre mandado pelo Jimmy. Ai não! – Eu super shipparia vocês.
- Prefiro não falar disso, sério! – Abaixei minha cabeça com o rosto corando e por dentro querendo chorar.
Enquanto os dois saíram comemorando e se juntando a galera. Voltei em silêncio e de cabeça baixa para onde os meninos estavam se despedindo das duas garotas. Peter perguntou se estava tudo bem. Assenti com a cabeça e fiz o percurso de volta para devolver as meninas.
- Muito obrigada, ! Você é minha ídola. Obrigada mesmo! – A moreninha e baixinha me abraçou forte.
- De nada! Espero que tenha ajudado.
- Ajudado? Você realizou nossos sonhos. – Abri meu sorriso esquecendo um pouco o que estava na minha mente. – Peço desculpa se lhe xinguei alguma vez no twitter, na verdade você não é nada daquilo que eu falei, era apenas inveja minha.
- Ah, obrigada, eu acho. – Dei de ombros e finalmente chegamos.
- Você merece tudo que conseguiu. Boa sorte nessa jornada que está vindo ai viu. – A morena me abraçou novamente e as duas correram de encontro às outras.
- É, parece que o mundo gira mesmo. – Murmurei em português observando as garotas se esgoelarem por mim.
- O que disse? – Peter falou um pouco mais alto que os gritos.
- Nada, vamos embora. – Acenei um tchau para as meninas e dei as costas fazendo o mesmo percurso pela décima segunda vez.
Quando finalmente chegamos aos carros os meninos estavam já com suas malas. Jimmy falava algo, assim que me juntei a eles ele começou a falar novamente: Estávamos indo para São Paulo, de lá os meninos iriam gravar umas músicas para o novo álbum e eu ficaria no hotel esperando a hora do show.
Assim que formos liberados começamos a caminhar para o jatinho que estava na pista a nossa espera. Aproximei-me do Harry que estava mais afastado de todos. Ele me fitou e sorriu, minha espinha se arrepiou, mas eu precisava conversar com ele.
Eu não conseguia arrumar coragem para falar, nem sequer como chegar ao assunto. Mas estava tão na cara o plano do Jimmy que eu me sentia besta de dizer que não havia percebido. O pior! Se os meninos já sabiam disso tudo e for um plano? Será que eles seriam tão “pau mandado” a esse ponto? E outra, como iriam acreditar num relacionamento entre o Harry e eu? Sou uma brasileira que conhecia o Liam pela internet, mal nos conhecemos – pessoalmente - já teríamos um relacionamento? Não, por favor, isso é patético. Também tem aquela história de que o Harry curte as “coroas” – ou seja, nunca namorou uma menor de idade como eu.
- Hey, sabia que me perguntaram se estávamos juntos? – Harry falou do nada.
- E você entendeu o que elas estavam falando? – Soltei minha respiração, nem havia percebido que havia segurado.
- Bom, o inglês era desajeitado, mas entendi.
- E o que você respondeu?
- Que éramos amigos. – Suspirei aliviada. Se quisessem que fizéssemos um casal teriam contado a ele, certo? – Que foi?
- Me perguntaram o mesmo.
- E o que você respondeu.
- Que não queria falar sobre isso.
- Você sabe que eles podem interpretar algo a mais nisso, não é? – Dei de ombros.
- Eu sei, mas você não está achando estranho o Jimmy mandar tanto a gente ficar juntos?
- Como assim? – Ele olhou para os meninos ao longe.
- Sempre temos que está fazendo algo junto. E não só lhe perguntaram como me perguntaram o mesmo. Eles estão achando que estamos juntos.
- Isso é impossível, você nem é o meu “tipo”. – Ele fez aspas com as mãos.
- Obrigada, Styles. – Murmurei.
- Não é isso. – Passou o braço pelo meu ombro e me abraçou. – É que bem, não me leve a mal, mas você... Bem, você é...
- Nova? – Ele riu.
- Praticamente isso. – Seu sorriso ficou torto, mas assim mesmo ele continuou. – Porém, pensando no que você disse eu vejo razão. – Ele olhou pra trás como se procurasse o Jimmy, mas o mesmo já estava lá na frente. Os meninos foram buscar algo, deixando apenas eu e o Harry a sós para entrar no jatinho. – Você acha que eles estão tramando um possível namoro?
- Namoro eu acho que não, porque como você disse, eu não sou “seu tipo”, mas algo relacionado a isso... Não sei.
- Não sei o que pensar. – Ele deu de ombros apenas. Um carinha abriu a porta então subimos a escadinha para entrar.
Jimmy estava sentado em uma poltrona ao lado da janela com a cortininha fechada, tinha um iPad em mãos e lia algo. Seu sorriso estava estampado como se tivesse ganhado na loteria, ou como se... Seu plano estivesse dando certo. Os meninos entraram logo após uma longa encarada – Harry e eu/Jimmy-, eles conversavam sobre as fãs e sobre como foi bom esse “meet” repentino.
- Meninos e menina, vocês foram incríveis! – Jimmy se levantou colocando o iPad no assento para pater palmas. – Conseguiram o que mais queríamos mesmo sem eu ter pedido.
- Como assim? – O Zayn pegou uma garrafa com água e abriu.
- O que vocês acham de eu e a termos um relacionamento amoroso? – Harry falou meio carrancudo fazendo os meninos arregalaram os olhos e o Zayn cuspir a água.
- Como assim, você esta maluco, Harry? – Louis falou se aproximando de nós dois e encarando o Jimmy que ainda sorria.
- Perguntem ao Jimmy, é ele que está armando isso. – Harry apertou um pouco a minha mão e pediu desculpa, pois foi bastante forte. Os meninos se viraram para o Jimmy com as piores caras do mundo.
- Vai dizer que ninguém tinha percebido? – Jimmy falava como se estivesse dizendo que havia escolhido sorvete de chocolate para todos. – O Harry precisa entrar em um relacionamento sério, e apareceu numa oportunidade que ninguém poderia perder. – O Liam balançou a cabeça de forma negativa e percebi o Harry estremecer. – Agora que vocês já sabem, eu nem preciso explicar mais nada, não é?
- Claro que precisa. – Eu finalmente falei algo. – Como você acha que vão acreditar em algum romance entre eu e o Harry?
- Ué, já estão acreditando. – Ele apontou para o tablet.
- Você acha que estão acreditando, mas não estão. – Tentei rebater.
- Não se preocupem, se vocês forem bons, enganarão a todos, é apenas serem bem amigos e nos obedecer. Ah, e em relação da idade, essa é a intenção, Harry precisa perder essa faminha.
- Mas e se eu negar?
- Você não tem escolha, seu pai assinou um contrato lembra? Então já sabe o que acontece com a quebra de contrato. É presa, ou paga uma multa que bem, não é tão barata.
Com lágrimas nos olhos corri até o fim do corredor e me sentei em uma poltrona. Apoiei meu rosto nas mãos que estavam nas minhas pernas, senti as lágrimas escorrerem de meus olhos e logo senti alguém me abraçar. Não levantei minha cabeça, eu sei que se minhas amigas estivessem aqui do meu lado elas falariam “Chora, , derrama toda tua raiva/tristeza nas tuas lágrimas” era o que eu estava tentando fazer, derramar tudo ali. A pessoa que estava do meu lado me abraçando ergueu minha cabeça: era o Liam.
- Não chora, eu falei que estaria com você até o fim. – Começou a enxugar as minhas lágrimas com os polegares ainda segurando meu rosto com suas duas mãos.
- Liam... – Eu não consegui falar mais nada apenas o abracei forte, tão forte quanto abraçaria minhas amigas. Ele afagou meu cabelo. - Desculpa Harry, desculpa mesmo. – Falei me virando para o Harry que sentava na minha frente com as mãos no rosto e cotovelos nas pernas.
- A culpa não é sua, , você não tem culpa de nada desses planos mirabolantes. – Ele pegou uma das minhas mãos. – A gente vai conseguir isso, não vamos?
- Eu não sei como agir em relação a isso Harry. Eu mal consigo agir com namorado de verdade, imagina com um de mentira.
- Calma, iremos apenas acima de tudo ser amigos, está me entendendo? – Afirmei com a cabeça. – Você e eu seremos muito amigos. Ok? Juntos, independente de qualquer coisa.
- Amigos! – Ele se levantou me abraçando.
- Só não pega meu lugar. – Liam falou encarando o Harry. – Eu sou o único que pode se considerar melhor amigo dela. Somos como irmãos.
- E quem disse que eu quero ser irmão dela? Ela é minha namorada agora, cunhado. – Harry me tirou sorrisos. – Tá vendo, ela até ri do que eu falo.
- Deixa de ser besta! – Bati nele e o mesmo me abraçou de lado.
O piloto pediu para que nos sentássemos e apertássemos os cintos, já que iríamos decolar. Fiz o que foi mandando e segurei na mão do Liam – decolagens era sempre meu ponto fraco. -, ele sorriu e apertou minha mão. Continuamos assim até sentirmos que o avião já estava bastante alto a ponto de podermos nos levantar.
- Olá, galera, pelo que vejo está tudo bem, né? – Louis chegou e afirmamos – , será que poderia vir comigo na cozinha?
- Tem cozinha aqui dentro? – Arregalei meus olhos.
- Tem sim, e você vai me ajudar a cozinhar alguma coisa. – Ele me puxou e ouvi o Harry gritar.
- Peguem paraquedas e fiquem perto da porta, a qualquer momento esse avião irá explodir.
- Idiota! – Respondi mostrando meu dedo do meio.
- E aí o lance de você e o Harry, tá tudo bem? – Louis perguntou mexendo na geladeira que tinha de tudo um pouco.
- Acho que sim. – Encostei-me no balcão.
- Você foi a que reagiu bem, se você perceber, o Zayn e a Perrie demoraram um bocado para agirem como um casal e Eleanor e eu também.
- Desculpa, mas quando eu conheci a banda vocês já namoravam a um longo tempo. – Sorri sem graça e ele se levantou me olhando.
- Sério?
- Muito sério, mas dai comprei uma revista e vi a letra de uma música de vocês, pesquisei no google e boom.
- Virou fã?
- Quase isso. Sabe, quando eu procurei o nome da banda eu não imaginava que eu dedicaria tanto a minha vida a vocês.
- E nem que namoraria um de nós.
- Isso! – Apontei pra ele. – Mas como toda fã eu sonhava em namorar um de vocês.
- Ah é? Quem era o sortudo?
- O Zayn. – Falei e ele gargalhou. - É serio!
- Por que ele?
- Porque eu me identificava. Ele era o badboy e eu uma badgirl, mas daí descobrimos que ele não passava do Sunshine da mamãe. – Continuei minha fala fazendo o Louis gargalhar mais alto.
- Vocês estão cozinhando ou fazendo um stand-up? – Niall perguntou com a cabeça pela porta.
- Vocês estão perdendo, cara, a disse que se identificava com o Zayn por ele se mostrar um badboy, mas se decepcionou quando descobriu que ele era o Sunshine da mamãe. – Minhas bochechas começaram a pegar fogo.
- Hey, não foi uma decepção, só foi uma surpresa.
- Sunshine, estão falando de você lá na cozinha. – Niall gritou indo até o corredor.
- Qual é? – Falei já prevendo o Zayn chegar lá falando algo.
Zayn ainda não tinha muita intimidade comigo, nos falamos poucas vezes e ele por ser reservado demais, sempre se mantinha distante das conversas grupais. Só espero que isso não continue, seria muito azar meu.
- O que estão falando de mim? – Zayn chegou como eu havia previsto.
- Nada demais, Niall que é uma boca grande. – Respondi chateada. – Então o que podemos fazer?
- Oué, você é a garota, você que cozinha. – Louis ainda olhava as coisas. – Sabe o que você poderia fazer?
- Não sou uma mestre cuca, então maneire no pedido.
- Você é brasileira, com certeza sabe fazer.
- Eu quero! – Zayn apontou para ambos já sorrindo.
- Quer o que?
- Você não é loira, então não seja burra. – Louis rolou os olhos colocando um pote de chocolate em pó na minha frente. – O que é preciso, além disso, para fazer o famoso brigadeiro?
- Manteiga e leite condensado.
- Não sei se tem aqui, não tem nome. – Rolei os olhos.
- Sai dai, deixa que eu procuro. Pega a manteiga, uma panela e uma colher, por favor. – Procurei alguma caixinha do leite condensado, mas só achei no armário.
- Mal posso esperar. – Louis bateu palminhas assim que levei a panela para o fogo.
- Minhas amigas dizem que meu brigadeiro é ótimo.
- Bom saber, se o Harry te deixar eu me caso com você. – Louis sorriu bobo encostado no balcão.
- Fura olho! – Despejei o leite na panela quente.
Fiz o meu brigadeiro supimpa com ajuda do Louis, colocamos em uns copos descartáveis e depois foi logo para o refrigerador. Ficamos conversando besteiras na cozinha mesmo, ele foi ao banheiro e eu coloquei o que havia sujado dentro da maquina de lavar louça, depois fui sentarem um banquinho perto de uma janelinha enquanto o Louis demorava. Liam apareceu na cozinha e pegou uma garrafinha com água, caminhou até mim e perguntou se estava tudo bem.
- Claro que sim.
- Se precisar de algo sabe onde me encontrar. – Piscou o olho e se foi pela porta.
Louis voltou e ficou ansioso para comer o bendito brigadeiro e eu precisava o tempo todo arranjar algum assunto para que ele esquecesse e parasse de querer ver a todo instante se estava bom.
- No que você pretende se formar? – Do nada ele perguntou e eu sorri fraco.
- Sei lá, no que estiver em meu alcance. – Deliberadamente dei de ombros.
- Você estava no último ano do colegial e não sabe? – Pressionei meus lábios um contra o outro e mudei minha visão. – Sabe que precisa escolher logo.
- Claro que sei. – Dei novamente de ombros. – Mas o que me importa agora é se me darei bem lá.
- Claro que irá. – Passou de um banco para outro agora sentando em minha frente.
- Você já viu o seu colégio? – Neguei com a cabeça. – Ele é muito bom, um dos melhores.
- Eu sabia que a Modest não me colocaria em qualquer um.
- A Modest pode ter defeitos, mas sempre oferece coisas melhores, pra se mostrar superior.
- Percebe-se. – Murmurei olhando a densa nuvem por qual passávamos.
- O brigadeiro está pronto? – Louis jogou-se em meus braços apoiados na bancada e fez aquele biquinho irresistível. Sorri bobamente com aquele ato. Eu nunca pensei que o Louis poderia ser mais fofo do que ele era na TV/Computador/Rádios...
- Já deve está sim. – Disse por fim o fazendo da um pulo e correr para o refrigerador. – Vamos comer aqui ou lá?
- Vamos levar pra lá, podíamos conversar todos juntos.
- Vocês não se cansam de ficar conversando o tempo todo? – Peguei uns três copinhos já com pequenas colheres também descartáveis.
- Não, temos sempre assuntos mesmo com tanto tempo juntos. – Sorriu pegando a mesma quantidade.
Chegamos ao corredor perto da porta e chamamos todos, sentamos no chão e cada um pegou um copinho. Jimmy havia ido para a cabine do piloto então os meninos ficaram contando sobre o show e mais sobre a ida deles ao Cristo Redentor ou Mrs. Jesus como o Liam estava o chamando. Fiquei calada apenas os ouvindo falarem, nos dias que passaram aqui havia sido perfeito e tudo mais. Fiquei encantada por em apenas um show o Brasil ter se destacado muito mais que nos outros países.
- Isso está muito bom. – Harry falou do nada e todos lhe deram atenção. – Eu nunca comi um brigadeiro tão gostoso.
- Você nunca comeu brigadeiro, Harry. Mas realmente é muito bom. – Zayn piscou em minha direção.
- Obrigada – Corei então Louis me fez corar mais ainda.
- Está totalmente comprovado, , se o Harry te der um pé na bunda eu me caso com você. – Repetiu o que antes havia falado somente para mim e os meninos o encararam surpresos e o Harry confuso.
- O Louis estava falando lá dentro que é só você me deixar que ele vai dar em cima de mim, mas bem, uma grande parte das fãs preferem você com você. – Expliquei ao Harry.
- Você é Larry shipper? – Louis perguntou confuso.
- Eu não sou, mas tem gente que é. – Sorri e ele me abraçou de lado. – Apesar que eu não seria contra um romance. – Sussurrei.
- Vão para as poltronas e apertem os cintos, chegamos à Guarulhos. – Jimmy apareceu por uma portinha chamando a atenção de todos.
Levantamos-nos e obedecemos ao Jimmy, em pouco tempo já dava para ver o aeroporto e o chão chegando cada vez mais perto, ou melhor, cada vez nos aproximávamos do chão.
- Já sabe o que fazer, certo? – Encaramos o Jimmy. – Iremos pelo subterrâneo novamente. Cada um em um determinado carro e , você já sabe qual é o seu.
O avião pousou, descemos para a pista e esperamos os seguranças virem nos buscar para irmos ao estacionamento. Sentei junto com o Niall na escadinha do jatinho enquanto eu via um avião um pouco longe da gente decolar. Assim que nos deram permissão nos levantamos e formos caminhando por longos corredores até os carros. Novamente eram quatro carros, então fui junto com o Harry e o Liam, enquanto os outros três iram no primeiro carro.
Já dentro do carro, Harry pegou seus fones de ouvido e foi escutar suas músicas, o imitei pegando meus fones e ouvindo minhas músicas até o hotel.

10 de maio de 2014 – Renaissance Hotel – São Paulo – 13:23

Acordei com algumas batidas leve na porta, levantei meio desnorteada, me olhei no espelho que ficava perto da TV já ajustando minha touca abaixando o volume do cabelo. Olhei pelo olho mágico e abri a porta rapidamente quando vi uma moça com roupa do hotel e um carrinho.
- Te acordei? – Ela falou em inglês com um tom preocupado.
- Não precisa se preocupar com isso. – Falei em português bocejando sem querer. – Deseja algo?
- Mandaram-me servir seu almoço aqui no quarto, disseram que você estava muito cansada para ir ao restaurante. – Ela sorriu, então abri mais a porta para ela entrar com o carrinho.
- Muito obrigada, pode deixar ai em cima. – Apontei para uma mesa pequena com duas cadeiras que tinha no quarto.
- Senhorita, sabia que tem um monte de garotas lá fora que querem te ver? – Ela falou colocando a bandeja e jarra de suco em cima de uma mini mesa móvel perto de um sofá.
- Me ver? Acho que não. – Sorri fraco enrolando meu cabelo e colocando de lado.
- Sim, quando eu fui lá embaixo ouvi falarem seu nome. Você é a não é? – Ela finalmente terminou de arrumar tudo e virou-se sorrindo em minha direção.
- Sim. Mas elas não querem me ver e sim os meninos.
- Pense nisso direitinho. – Piscou o olho indo até a porta. – Se precisar de algo pode me chamar.
- Obrigada. – Sorri e fechei a porta sem esquecer de dar um aceno ao novo segurança na minha porta.
Espiei meu almoço, filé acebolado com suco de laranja. Fui até o banheiro tomei meu banho e escovei meus dentes. Coloquei uma blusa rosa da princesa jujuba, um short jeans e um tênis preto. Amarrei meu cabelo todo para trás num rabo de cavalo e fui almoçar enquanto entrava no meu Twitter. Tinha um monte de gente falando que havia me visto dentro do carro com o Harry e o Liam, que eu estava novamente hospedada no mesmo hotel que eles... Também havia inúmeras DM’s novas e uma que me chamou atenção.

@TesãoDa1D

Mel: Obrigada por ter me escolhido em meio a centenas de pessoas, obrigada por realizar meu sonho... E obrigada por se lembrar de mim Você é linda, e uma diva, já virei sua fã.

: Não precisa agradecer :) Todos merecem conhecer os ídolos e realizar todos os sonhos. Muito obrigada pelo elogio haha x

Fui para minhas mentions, não estava muito alvoroço nelas, então aproveitei para lê-las uma por uma, achei o fã clube de três pessoas que eu havia escolhido no hangar do Rio de Janeiro. Respondi as três, mas depois foi quase impossível responder outras pessoas por começar a chegar mais mentions.
Coloquei meu nome no “search twitter” e me preparei para entrar no mundo onde as pessoas falam sem pensar se irá ou não machucar. Muitos tweets falavam sobre o que “eu tinha feito” no hangar, que eu havia ajudado as pessoas e que era legal e simpática. Me senti melhor lendo essas coisas, até que resolvi procurar: Harry. Dai o falatório era maior, não só tinha falando que eu estava no carro com ele, mas sim que estávamos namorando e que tinham percebido isso por causa dos “olhares apaixonados no hangar” e até tinha:

Só eu acho que a está com o Harry? Ela até usou o óculos dele (fotos: Harry na foto com as fãs usando meus óculos./ Eu na beira da piscina usando o meus óculos)”.

Resolvi que eu deveria responder esse, então mandei simplesmente “Os óculos são meus na verdade, ele que me roubou para usar.”. A dona do fã clube começou a me mandar inúmeras mentions agradecendo pela resposta e pedindo desculpa pelo erro. Apenas fiquei rindo do desespero dela, e essa alegria me deixou melhor.
Liguei para minhas amigas no Skype para contar cada coisinha que aconteceu nesse tempo que não entrei em contato, agradeci pelas palavras que me mandaram no scrapbook, elas vibraram comigo por cada palavrinha dita, mas não as contei sobre “Harry e eu” por saber que o meu celular é rastreado e o Jimmy sabe de tudo que falo, faço e mando com ele. Após desligarmos liguei para o celular da minha mãe para ela salvar o número novo, pedi inúmeras desculpas por não passar o dia das mães com ela e pior, nem mesmo por Skype já que eu iria viajar cedo e tal. Ela claro que ficou bastante furiosa, mas logo mudei de assunto perguntando sobre ela e o Christian, ela ficou toda contente falando que o namoro ia tudo bem, que procuravam casas pra morar juntos, que ele iria comprar um carro pra ela... Enfim, consegui mudar o assunto.
Quando nos despedimos liguei para o meu pai, contei as novidades, ele perguntou sobre meu celular e eu expliquei que o meu havia caído no chão e se espatifado, como esse estava em promoção na loja eu consegui comprar, mas que ele não se preocupe, pois não foi tão caro – ótima mentira, almocei enquanto falava com ele sobre tudo, show, viagem, meninos, as fãs, as meninas... Contei que estava morrendo de saudades, mas que estava animada para sair do Brasil, daí falei sobre a escola e que eu iria na segunda mesmo visitá-la, ele se entusiasmou assim que eu falei que teria dias que eu iria ficar integral, ou seja, se eu estudar integral não irei “para festas e ficar louca nas drogas...” – frase dele.
Assim que acabei de almoçar me despedi dele e fui escovar novamente os dentes. Aproximei-me da janela onde observei a fachada – prédios e arranha-céus gigantes iam até onde nossa visão alcançava -, abri totalmente as cortinas e fui olhar a hora em meu celular. Já se passavam das 14:00, então fui até a mochila e peguei algumas maquiagens para me arrumar melhor.
Depois de maquiagem feita tirei algumas fotos minha – como de costume – e postei apenas uma com uma legenda fofinha. Depois saí do quarto para conhecer melhor o hotel.
Sabe aqueles lugares que você se sente um lixo? Então, é como estou me sentindo agora. Por onde eu passava tinha sempre alguém bem vestido, com um ar de arrogância. Caminhei um pouco mais rápido para não ser tão notada, entrei no elevador e pedi para ser levada para o saguão. Assim que cheguei lá fui bombardeada com decorações luxuosas, e muita gente como as que eu já havia encontrado pelos corredores.
Fui para a portaria e sim, havia garotas na frente do hotel, não eram muitas como no Rio de Janeiro. Como elas não me viram eu me senti livre para caminhar um pouco pela cidade, peguei o lado direito – da sorte – e caminhei um pouco dando de cara com um Starbucks e um Frans, andei mais um pouco pela quadra conhecendo um pouco do local até chegar à famosa Av. Paulista, peguei novamente o lado direito e fui até a próxima rua, lá encontrei uma gigante galeria onde havia dezenas de lojas, mas como eu não sou uma pessoa rica, não poderia me dar o luxo de entrar e ficar com desejo de compras. Então entrei na rua para dar a volta e finalmente chegar ao hotel. Porém antes mesmo de começar a caminhada meu celular começou a tocar, não havia nome, apenas um número. Atendi e ouvi um grito bem agudo.
- AONDE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ? – Quase fiquei surda.
- Andando. – Falei casualmente olhando para os lados e atravessando no meio do engarrafamento de carros. Engarrafamento há essa hora? Bem vinda a São Paulo, !
- Pois volte ao hotel, você não tem permissão nenhuma de ter saído dele.
- E desde quando eu preciso e permissão pra dar uma volta?
- Desde que você se tornou Modest Girl e está sob minha responsabilidade. – Bufei alto, quase dando um grito de raiva, mas me contentei, pois estou na rua.
- Ta, em um instante chego ai.
- Quero você aqui e agora! – Então ele desligou. Coloquei o celular no bolso e caminhei mais rápido até voltar ao hotel.
As meninas ainda estavam lá, as mesmas, na verdade estava faltando algumas. Uma delas me viu e apontou, fingi que não havia às visto, mas quando chamaram meu nome não pude ignorar. Vire-me num giro de calcanhar e abri um enorme sorriso.
-Olá?
- , onde eles estão? – Uma ruivinha de cabelo bem cacheado e curto com inúmeras sardas nos olhos e olhos pretos perguntou correndo em minha direção.
- Eu não sei.
- Como você não sabe? – Uma morena alta perguntou com a voz grossa, fiquei até com medo de apanhar. Imagina? apanha de Directioners porque não sabia onde os garotos estavam. Meu Deus, me salva!
- Você não está com eles? – Outra morena só que baixa perguntou.
- Bem, eu vim com eles, mas eu tenho meu próprio quarto, né. – Dei de ombros então as meninas olharam para o enorme prédio e depois pra mim. – Bem, estou meio que atrasada agora.
- O show é de noite, o que você faria nesse momento? – A ruivinha voltou a falar assim que as duas morenas começaram uma conversa dramática entre si.
- Coisas minhas?! – Era pra ser uma afirmação, porém saiu como tom de pergunta para não falar “Eu não te conheço porque tenho que te da satisfação, mesmo?”, mas eu não podia ser odiada. Eu não queria ser odiada.
- Por favor, ! Nos ajuda a entrar.
- Desculpa, flor, eu não posso fazer nada.
- Você ajudou as meninas no rio, nos ajuda aqui. Lá foram 10 aqui só têm nós três, por favor. – A morena segurou minhas mãos em prantos.
- Lá os produtores aceitaram, aqui estou sozinha, não sei se... – Fui interrompida pelo choro das três. Um manobrista veio até nós e perguntou se estava tudo bem, eu assenti com a cabeça então ele se afastou um pouco. – Vocês estão com celular?
- Aqui! – As três me empurraram os aparelhos.
- Só vou precisar de um. – Peguei o iPhone rosa da garota mais alta. – Olha só, não vou prometer nada, apenas que trarei seu celular de volta. Vou tentar tirar uma foto de algum deles, um áudio... Sei lá, vou tentar.
As meninas pularam me abraçando, eu pedi para elas se contentarem, pois eu não tinha certeza que iria consegui, a ruivinha ate soltou um “Do jeito que o Harry está apaixonado, ele fará tudo por ti”, mas ignorei para não dar uma risada histérica. Despedi-me rapidamente delas depois de pegar o nome de cada, então entrei correndo no hotel. No elevador mostrei meu cartão, o mesmo subiu rapidamente me deixando no andar onde toda a banda estava. Assim que dobrei o primeiro corredor dei de cara com o Jimmy que me olhava com raiva.
- O que você pensa que está fazendo? – Consegui esconder o celular dentro do short embaixo da blusa.
- Você me mandou voltar para o hotel, aqui estou eu. – Cruzei os braços o encarando.
- Seu quarto é pra lá? – Ele apontou pra direção de onde eu vim.
- Só queria conhecer mais o andar. – Pisquei o olho.
- O que você pegou lá embaixo?
- O que?
- O que você falou com as fãs?
- Cadê a famosa educação britânica? Não se mete na conversa dos outros. – O tom de ironia era perceptível em minha voz.
- Me entregue.
-E quem disse que eu peguei algo.
- !
- Jimmy Stocker. – Sorri abertamente.
- Posso cancelar sua viagem para Londres.
- Você é um chantagista de meia tigela. – Peguei o celular e estendi para ele.
- O que é isso?
- Quando peguei com as meninas era um celular, não sei se é um Pokémon e evoluiu. – Ele pegou o aparelho de minhas mãos e começou o examinar.
- O que você estava pensando em fazer com ele?
- Gravar um áudio ou um vídeo para as meninas.
- Com a autorização de quem? – Rolei os olhos.
- Olha só, você quer que eu e o Harry tenhamos um relacionamento, não é?
- Não quero, você terá. – Ele me interrompeu.
- Tanto faz, mas se eu gravar esse vídeo para as meninas, as fãs daqui do Brasil irão gostar de mim, então darão mais fama ao casal. Porque irão apoiar, sabe... – Não sei de onde isso surgiu, mas que foi uma boa desculpa foi sim.
- Pensando por um lado...
- Viu só, não sou apenas uma garota pau mandada, eu penso. – Foi sua vez de rolar os olhos e me devolver o aparelho.
- Um vídeo para as três, Zayn e Louis estão no quarto de jogos, grave, desça, devolva e volte. Tenho uma surpresa pra você.
- Que tipo de surpresa? – Eu não sabia se ficava feliz ou com medo.
- Quando você voltar saberá. – Ele virou-se de onde veio e se foi me deixando plantada olhando pro nada.
- Como eu te odeio! – Murmurei apertando o celular da Adrielle nas mãos.
Caminhei a passos largos até o quarto onde os meninos haviam pedido os jogos e vídeo games, eles sabiam que em São Paulo não tinha muita diversão como no Rio de Janeiro, então fizeram esse singelo pedido ao hotel: Um quarto com fliperama e videogames de alta geração. O quarto ficava no final do ultimo corredor, era o mais escondido. Assim que cheguei perto da porta pude ouvir os gritos do Louis e do Zayn.
- Opa! – Sandy chamou atenção da maioria para mim.
- Olha só, a lebre perdida voltou. – Louis jogou o joystick no sofá.
- Virei piada interna?
- Nada demais. – Zayn piscou. – Então, por onde se aventurou?
- Por uma quadra daqui, fiz apenas um balão. – Louis se afastou de mim com desinteresse. – Então, tenho um pedido a vocês.
- Pode fazer. – Sandy sorriu.
- JÁ ACHARAM A ? – Liam e Harry entraram esbaforidos no quarto me dando um susto.
- Ainda não, continuem procurando. – Louis ia os empurrar para fora.
- Não, será ótimo eles aqui também. – Liam assim que me viu correu na minha direção.
- Você é louca? Como você sai sem avisar a ninguém?
- Gente, eu só fui até o quarteirão e voltei.
- Poxa, deixava pelo menos uma mensagem “Estou indo dar uma volta” – Harry estava um pouco zangado. Ou muito.
- Eu tenho 17 anos, acho que não é perigoso andar um quarteirão, bem movimentado e a luz do dia. – Rolei os olhos.
- Sim, é perigoso quando muitas pessoas lhe conhecem. – Liam rebateu.
- Já levei sermão do Jimmy, posso voltar ao meu pedido? – Os meninos afirmaram - Bom, têm apenas três garotas lá embaixo, as três me imploraram pra ajuda-las a entrar aqui. Mas bem, como eu não podia fazer quase nada por elas, consegui a permissão do Jimmy para gravar um vídeo pra elas do celular de uma delas. – Os meninos me encararam então mordi meu lábio inferior como sempre faço quando estou nervosa. Harry riu torto e caminhou em minha direção.
- Se continuar mordendo o lábio assim você domina o mundo. – Falou baixo com um sorriso malicioso.
- Bom saber. – Respondi no mesmo tom. – Então vocês concordam em gravar?
- Bem, vou me encontrar com os meninos. Boa sorte ai. – Sandy saiu do quarto então encarei os meninos.
- Só faltou o Niall. – Fiz bico.
- Jimmy já falou com você a surpresa? – Zayn perguntou.
- Até vocês sabem da surpresa e eu não. – Bufei desbloqueando o celular e procurando a câmera.
- Claro sua boba, a surpresa é pra você e não pra gente. – Rolei os olhos apontando na direção deles.
- Posso gravar?
- Qual o nome das meninas mesmo? – Louis perguntou.
- Ah, sim. Drielly, Mands e Fabi. – Comecei a gravar e fiz o joinha.
- Hey Dri... Como é que é mesmo? – Repeti o nome das meninas um por um o fazendo dizer e seguida. – Aqui é o Liam Payne...
- Harry Styles...
- Louis Tomlinson...
- Zayn Malik...
- E estamos triste por não poder ir falar com você. – Liam fez seu bico, então o Harry o completou.
- Não desistam, continuem tentando um dia vocês conseguirão. Deus não coloca um desejo em nossos corações que não possa ser realizado. – Confesso que quase derramei alguma lágrima ao ouvir isso. A porta se abriu então assim que vi quem era apontei o celular para ele.
- Alguém jogará FIFA comigo? – Era o Niall.
- Diga olá para a Mands, Fabi e Drielly. – Ele sorriu.
- Oi meninas, querem jogar comigo? – Piscou então sorriu dando tchau.
Parei a gravação e agradeci aos garotos dizendo que eu precisava urgentemente devolver o celular, pois já estava curiosa demais para saber da tal surpresa. Pelo jeito como os meninos falaram era coisa boa. Cheguei ao térreo e corri para fora e procurei as meninas, assim que elas me viram correram em minha direção então informei o que havia gravado, que havia conseguido juntar todos e que esperava do fundo do meu coração que elas gostassem, pois não foi fácil conseguir isso.
- , você salvou nossas vidas! – A Fabi me abraçou. – Obrigada pelo vídeo.
- Não tem o que agradecer. – Sorri então a Drielly me abraçou agradecendo. – Meninas, me desculpem, mas preciso ir agora.
- Se você e o Harry tiver realmente algo eu sou primeira a shippar. – Mands gritou assim que eu já estava quase na entrada do hotel.
- Obrigada, eu acho. – Sorri acenando e entrando para ir atrás do Jimmy.

10 de maio de 2014 – Renaissance Hotel – São Paulo – 18:40

Terminei de me arrumar à uma hora atrás, eu estava muito ansiosa para encontrar a Valentina. Jimmy havia me feito uma surpresa maravilhosa, coisa que nunca esperei dele.
Ele simplesmente enquanto estava me monitorando, leu uma conversa minha com Valentina Miller, que é uma garota que conheci há três anos pela internet na mesma época que conheci a banda. Criamos uma amizade enorme, e bem sincera, uma sempre estava para outra mesmo que pela tela do computador ou do celular – o que dava enorme ciúme em nossas melhores amigas. E hoje, Jimmy disse que se eu quisesse poderia leva-la para o backstage comigo. Se eu fiquei feliz? Eu o abracei e pedi obrigada somente umas zilhões de vezes, sei que isso não foi ideia dele, tinha mais a cara do Liam – já que falei da Valen para ele -, mas mesmo assim, o fato dele ter aceitado já era uma coisa para agradecer.
Alguém bateu na minha porta, me olhei novamente no espelho. Estava vestida com uma blusa sem mangas preta por dentro do short também preto, um casaco enorme xadrez – que o Liam me emprestou no carro vindo para o hotel ou seja, era enorme e chegava a cobrir meu short -, uma bota de cano curto preta com alguns strass e um pequeno saltinho que nem passava de 1cm. Olhei para o pequeno colar em me pescoço onde havia apenas um pingente de coração, olhei para meus inúmeros anéis e sorrir. Eu estava pronta, eu iria conhecer a Valentina!
- Já podemos ir? – Perguntei abrindo à porta e dando de cara com o Peter sorridente.
- A hora que você quiser. – Ele piscou.
Voltei correndo até a cama e peguei a pequena bolsa de correia fina e grande da mesma cor da bota e com os mesmos tipos de strass. Coloquei sobre meu ombro e peguei o celular que estava carregando. Saí animada do quarto conversando com o Peter sobre minha amizade com a Valen, ele disse que era bom eu ligar pra ela pra perguntar onde ela estava e marcamos um lugar fixo.
- Bem, ela disse que morava numa tal de Rua Haddock Lobo, eu não sei onde fica.
- GPS do carro serve pra isso. – Sorri assentindo enquanto chamava o elevador.
- Eu estou muito feliz de poder está levando ela para o show, mesmo ela já tendo ingresso e tal.
- O Jimmy é legal.
- É, estou começando a achar que ele tem um coração. – Entrei no elevador então começamos a descer.
Chegamos ao saguão e muita gente me olhava, rolei os olhos sem importar e segui o Peter até a frente do hotel onde o manobrista nos entregou o carro. Entramos e saímos da portaria indo para a rua e estacionando a fim de procurar a rua.
- Como é o nome da rua? – Mostrei a ele então ele digitou. – Nossa, está dizendo que é essa rua aqui perto.
- Rua não, avenida, olha o tamanho. Vou perguntar o nome do edifício.
Entrei no facebook e comecei uma conversa rápida com ela, pedi o nome do edifício e ela me passou. Não era tão longe, porém andando era sim. Peter começou a dirigir como o GPS mandava e assim que chegamos admirei o enorme prédio.
- Quem deseja? – Peter me encarou assim quando o porteiro falou em português. Passei um pouco na sua frente e tomei posição.
- Valentina Miller, por favor. Ela está nos esperando.
- Esperando quem? – Ele arqueou uma sobrancelha.
- .
- Um momento. – Ele pegou um interfone e começou a falar. Logo em seguida o portão começou a se abrir. – Estacionamento B3, andar 13, número 3.235.
- Obrigada! – Dei as informações ao Peter que seguiu. Estacionamos ao lado de um Pajero preto. Sempre sonhei em ter um desse e a mãe da Valen tinha até falecer. Pelo que sei ele está parado desde que ela se foi. – Eu vou subir e a trago, tudo bem?
- Ok, mas não perca a hora. – Abri a porta e assim que coloquei um pé no chão o Peter me chamou. – Leve isso para ela e faça uma surpresa.
- Obrigada. – Peguei o crachá da Valen de suas mãos. Admirei a foto do perfil do facebook dela e após voltar dos devaneios corri até a entrada.
Foram quase 5 minutos para eu achar o apartamento dela. Os corredores eram enormes, maiores do que ela havia me falado uma vez. Assim que cheguei à porta se abriu como se sentisse minha presença, mas era apenas a Valentina que já estava pulando em meus braços.
- Meu Deus finalmente! – Falamos juntas quase chorando.
- Você não sabe o quanto já chorei quando você me ligou dizendo que iria vir me ver.
- E eu vou chorar, vou borrar toda a minha maquiagem. – Ela se afastou de mim sorrindo ainda mais.
- Você é linda. Você é perfeita.
- Deixa de ser besta garota! – A abracei novamente.
- Ai, entra logo pelo amor de Deus, a pipoca daqui a pouco chega gritando.
- Valen, cachorros não gritam, eles latem. – Ela me bateu enquanto puxava meu braço me forçando a entrar.
- Quero saber essa história de você e o Harry. – Ela me puxou para o seu enorme sofá.
- Somos amigos, aliás, eu sou amiga dos meninos.
- Amigos não beijam na boca... – Ela mexia no celular procurando algo.
- Mas a gente nunca... – Então ela me interrompeu enfiando o aparelho em meu rosto. – O que é isso, mano?
- Uma foto sua e do Harry na piscina.
- Não estamos nos beijando.
- Tem certeza? – Ela se aproximou mais de mim. Então me lembrei do Jimmy falando comigo e com o Harry depois que me contou que eu conheceria a Valentina.
Engoli em seco então falei com espinhos na minha garganta, que eu e o Harry estávamos ficando e que pelo que o “Louis” me disse poderia virar um namoro. Ela ficou boquiaberta, e claro que me senti mal, mentir para amigas é muito ruim, mas o Jimmy havia nos falado que nem nossas mães poderiam saber que era namoro fake.
- Me conta isso agora. – Ela me obrigou a continuar e eu comecei a falar o programado.
- Que eu e Liam éramos amigos você já sabia, né? Daí pessoalmente o Liam me trata como irmã mais nova, eu e o Harry ficamos conversando mais que os outros e em certo momento nos beijamos. – Falei vermelha e os olhos dela brilharam.
- Que perfeito, minha amiga é namorada do meu ídolo.
- Namorada ainda não, o deixe oficializar.
- Será que ele vai? – Ela fez bico fofo.
- Como eu já te disse, o Louis acha que sim. – Sorri e ela me abraçou. – E eu vou pra Inglaterra amanhã. – Fiz bico.
- Garota você vai pra Inglaterra, tá reclamando de quê?
- Eu vou ficar longe dos meninos, se o Harry resolver ficar com outras garotas pela turnê.
- Qual é, ele está todo na sua. Cala a boca e aproveita a sua sorte.
- Sorte não, destino. Ai, ainda não consigo acreditar que amanhã já estarei voando para lá e na segunda tenho que ir ao colégio.
- Parte chata. – Ela riu. – Mas é Inglaterra, não reclama! – Começamos a rir. – Bem, tenho uma novidade para ti também, eu iria te contar pelo Facebook, mas quando você disse que nos encontraríamos ai... – A interrompi.
- Para essa matraca e fala logo.
- Eu até te mostraria toda a minha casa, mas sei que temos pouco tempo. Daqui a alguns minutos temos show.
- Pois é. – Sorrir lembrando-me do crachá em minha bolsa. – Cadê seus avós mesmo?
- Em algum restaurante por ai, eles estão comemorando bodas de alguma coisa.
- Tá, voltando. O que você tem para me contar?
- Vem cá, preciso te mostrar. – Então após ser puxada por uma escada branca e passar por um enorme corredor bege chegamos a uma porta rosa pink.
- Não tinha uma porta mais chamativa não?
- Eu escolhi quando tinha cinco anos, não me amola. – Rolou os olhos. – Seja bem vinda ao meu cantinho.
O quarto da Valen era gigante, dava para dormir umas quatro pessoas ali sem nem precisar de beliche ou algo do tipo. Ela correu até uma prateleira onde tinha uma caixinha da cor da porta. Valentina pegou a caixa como se fosse a única barra de ouro do mundo. Aproximei-me dela assim que a mesma sentou na cama.
- O que tem ai de tão especial.
- Você é a primeira pessoa a quem contarei isso. Nem as meninas sabem ainda.
- O que? – Sentei ao seu lado tentando ver o que tinha dentro do envelope que ela segurava.
- Minha vida vai mudar com o que tem aqui dentro. – Ela me entregou. Abri rapidamente puxando uma carteirinha. Parecia até com...
- Você vai viajar? – Ela afirmou com um sorriso meio medroso. – Pra onde? – Abri o passaporte procurando para onde era seu visto.
- , estou indo morar com meu pai em Los Angeles.
- Seu pai? Mas ele nunca sequer lhe procurou.
- Pois é! Parece que ele descobriu que tem filha e resolveu que tenho que ir morar com ele e parar de dar trabalho aos meus avós.
- E você vai?
- Lógico! – Ela se levantou batendo palminhas. – , sei que meu pai foi um canalha por todos esses anos, mas se ele está querendo se redimir eu vou aceitar desculpas e... – A interrompi.
- Seu sonho sempre foi morar em Los Angeles.
- Isso. – Ela se virou em minha direção.
- Você me entende né? É a realização de meu sonho e me aproximar do meu pai é apenas um bônus.
- Um bônus que você está mega feliz por acontecer. – Ela não conseguiu segurar o sorriso. – Eu super lhe apoio amiga, que você seja muito feliz.
- Obrigada! Eu sabia que poderia contar com você. – Então me abraçou.
- Vamos realizar mais um?
- Show? – Ela se afastou enxugando as lágrimas e tentando sorrir.
- Sim, mas... – Então abri minha bolsa para pegar o seu crachá. – Backstage!
A sua boca se abriu e ela soltou um grito bem agudo. Ela puxou o crachá de minha mão, olhava para sua foto e depois me olhava, repetiu isso umas cinco vezes então em abraçou novamente. Ela me apertou me sufocando, soltou e me abraçou de novo ainda soltando gritinhos.
- Valentina Miller, por favor, vamos?
- Isso é sério mesmo? Isso não é uma zoação né?
- Claro, eu iria fazer um crachá pra te zoar. Com isso não se brinca. – Tirei meu crachá da bolsa e coloquei em meu pescoço. Ela fez o mesmo com o dela então nos abraçamos novamente.
- Preciso arrumar a minha maquiagem.
- Eu também, me empresta rímel?
- Claro! – Então começamos a nos arrumar novamente, fazendo aqueles gritinhos agudos de menininhas frescas.
Assim que acabamos a nossa restauração de maquiagem. Sorrimos na frente do espelho. Estávamos lindas e combinando. Sua roupa também era branca e preta, mas era short branco, blusa branca e um casaco de couro todo preto, sua bota era de cano longo e seus acessórios bem chamativos.
- Vamos tirar uma foto?
- Claro. – Formos pra frente do espelho atrás da porta dela, nós duas aparecíamos por completo. Coloquei uma mão na cintura e a outra no ombro dela, seus braços estavam em meus ombros. Sorri e ela fez bico.
- A melhor legenda de todas.

“Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado.”



Capítulo 7


Quando sonhamos só nos importamos com as coisas boas, sem nem pensarmos nas consequências ruins... Agora vejo que nem tudo são flores... -

11 de maio de 2014 – Renaissance Hotel – São Paulo – 04:13

O sol ainda estava nascendo e eu já estava terminando a maquiagem para poder descer. Meu voo era as 06:00, mas tinha que chegar no aeroporto de Guarulhos uma hora antes de embarcar. Assim que cheguei ontem do show fui direto para meu quarto, arrumei minhas malas e preparei minha roupa de viajar. Claro que antes entrei no google e pesquisei o clima e o atual modismo de lá. Estaria 13º e mínima 9º, logicamente eu iria colocar roupas mais quentes para não me congelar. Separei uma blusa de manga colada preta, outra de manga mais soltinha e branca, uma calça preta skinny e um par de botas da mesma cor. Separei alguns colares, anéis, pulseiras, um par de brincos e uma tiara branca. Fui dormir logo após um banho e escovar meus dentes. Acordei sem motivo algum as 03:36 e não consegui mais dormir, então fui me arrumar.
Minhas malas estavam ao lado da porta, minha mochila em cima da cama ainda aberta com algumas coisas minhas espalhadas na cama. Alguém bateu na minha porta, corri até a mesma deixando as coisas como estavam e fui atendê-la.
- O-oi? – Niall estava coçando os olhos.
- Oi! – Abri meu melhor sorriso. – Quer entrar?
- Não estou atrapalhando?
- Claro que não, estava vendo se tudo estava, ok.
- Já está pronta? – Ele me olhou torto, afirmei com a cabeça. – Ouvi o Liam dizer que você sairá as 05:00.
- Na verdade foi adiado para as 04:30, mas a ansiedade não me deixou dormir.
- Tem um remédio que o Harry sempre toma para dormir em voos longos.
- Acho que vou pedir a ele. – Niall sentou do lado da minha mochila, pegou algumas cartelas de comprimidos.
- Para que serve isso?
- Cólica. – Ele fez careta. – Está tudo bem mesmo?
- Eu não estou conseguindo dormir. –Ele deitou se espreguiçando. – Posso ficar aqui por um tempo?
- Claro, só vou terminar de colocar as coisas na mochila e pode ficar à vontade.
- Não precisa se incomodar. Pode fazer o que tiver que fazer. – Ele arrumou o travesseiro que eu havia dormido e deitou a cabeça.
Fiquei o admirando se cobrindo com o lençol e se aconchegando mais, ele tinha um sorriso bobo em sua carinha cansada. Realmente precisava descansar. Joguei meus remédios dentro da bolsinha de maquiagem e fechei a mochila com tudo dentro. No bolsinho da frente eu deixei meu passaporte com meu check-in já impresso, minha carteira com todos os documentos necessários para mostrar lá na Inglaterra e um gloss.
Sentei na cadeira onde fazia minhas refeições aqui e peguei meu celular para ver as horas. Ainda era muito cedo, provavelmente o Niall veio dormir aqui porque alguém estava dormindo no quarto dele depois da festa. Ele dormia de um jeito bem angelical, seu rosto tinha um semblante calmo com um pequeno sorriso. Não me segurei e tirei uma foto dele, meu celular fez barulho e ele se mexeu, mas não acordou. Sorri admirando aquela foto e logo depois ele no fundo com o mesmo semblante...
- E, quem diria? Niall Horan em meu quarto dormindo como um anjinho. – Alguém bateu na minha porta. Niall se mexeu novamente então corri para atender antes que a pessoa batesse novamente e o acordasse.
- Senhorita ? – Peter falou um pouco alto.
- Já estou pronta. – Falei baixo e fiz sinal para ele abaixar o tom.
- Aconteceu algo?
- Não, só que o Niall está dormindo.
-Vocês dormiram juntos? – A voz dele quase se elevou, mas tampei sua boca com minhas mãos.
- Claro que não, eu não sou uma groupie! Ele chegou há pouco tempo, disse que não estava conseguindo dormir e pediu para dormir aqui. – Peter arqueou uma sobrancelha. – Eu já estava pronta, ele somente deitou na cama e pegou no sono.
- Ah, bem. Eu vim lhe acordar, mas como já está pronta podemos ir tomar café da manhã.
- Claro! Preciso descer já com as malas?
- Não, alguém vem buscar. Pegue apenas a sua de mão. – Assenti e voltei no quarto, peguei minha mochila e o celular que havia deixado em cima da mesa. Escrevi em um post-it me despedindo do Niall então sai acompanhando o Peter.
Tomei um suco de laranja com alguns croissant e mini-cookies de chocolate. Peter se sentou comigo para me fazer companhia, me explicou tudo que eu falaria para o oficial de imigração. Me mostrou os documentos e me disse que eu deveria entregar todos os papéis assim que me perguntarem o tempo que passarei. Eu não poderia dizer que iria morar lá, somente que iria terminar meus estudos. Meu visto já estava acertado e minha estadia também.
- Olha só quem já está tomando café da manhã sem mim? – Me virei ao ouvir a voz do Harry.
- Hey, bom dia! – Recebi um beijo na bochecha.
- Como estão? – Ele sentou à mesa e chamou o garçom já pedindo um cappuccino.
- Ótima. – Sorri colocando um cookie na boca. – Porque está acordado tão cedo.
- Não fale de boca cheia. – Ele rangeu os dentes com uma cara de bravo. – Irei lhe acompanhar até o aeroporto, lembra que precisamos chamar atenção?
- Tão... – Ele me repreendeu com um olhar, engoli tudo que tinha em minha boca e bebi um pouco do suco. – Tão cedo?
- Ué, é a hora que você viaja.
- Mas você acha que terá fãs há essa hora aqui na frente para nos ver juntos?
- Sempre tem. – Ele piscou o olho.
Terminei meus mini-cookies e todo o meu suco, Peter estava no telefone e Harry mexia no seu. Peguei o meu e liguei para minha mãe, chamou inúmeras vezes até cair na caixa postal. Assim que ouvi o barulhinho avisando que eu podia falar eu comecei.
- Oi mãe, me desculpa por não está agora ao seu lado te enchendo de abraços e beijos, mas tem momentos na vida que precisamos ser egoísta e seguir nossos sonhos. Sei que às vezes sou mal-educada, preguiçosa e te respondo com birra, mas eu te amo, por tudo que você fez por mim, por tudo que você passou ao meu lado e me ensinou. Te amo por você ser minha mãe. Então... Feliz dia das mães! – Assim finalizei meu recado.
Harry me olhava com curiosidade, expliquei a ele que era dia das mães aqui no Brasil e como eu não havia conseguido falar com ela, deixei um recado. Ele contou que eu deveria gravar um vídeo e depois mandá-la por e-mail, que teria certeza de que ela ficaria feliz. Gravar um vídeo quando eu chegasse à Inglaterra. Falei que iria fazer isso e agradeci pela ideia.
- Bom, acho melhor irmos. – Peter deligou seu telefone já se levantando.
- Vamos. – Levantei junto com o Harry, o mesmo pegou minha mochila que estava na cadeira entre nós dois.
Seguimos para pegar o carro que o manobrista já havia ido pegar. Havia pouquíssimas pessoas na frente do hotel, Harry falou com todas as meninas enquanto minhas malas eram colocadas no carro. Peter mostrou o relógio e pediu para as meninas se apressarem. Assim que se despediram o Harry abriu a porta do carro e entrou comigo, logo o Peter deu partida.
- Como foi o show ontem, você gostou?
- Amei, a Valen ficou tão feliz. – Falei animada. – Muito obrigada.
- Ela foi bem legal.
- Ela é legal, a gente tirou tantas fotos que é capaz de termos fotos como se nos conhecêssemos pessoalmente há anos.
- Vocês garotas amam tirar foto. – Afirmei com a cabeça. – Por falar em foto, já sabe que tem que postar aquela foto, né?
- Sim, quando eu estiver no avião.
- Exato. – Ele piscou.
- Vou sentir falta dela.
- Da sua mãe? – Ele me encarou com curiosidade.
- Da minha mãe sinto saudades desde que me despedi no aeroporto, eu estou falando da Valentina.
- São apenas 4 horas de fuso horário, vocês podem manter contato como você manterá com sua família e amigas.
- Não, ela vai morar com o pai em Los Angeles.
- Então é mais fácil vocês se verem. – Arqueei uma sobrancelha.
- Harry, pelo que me lembro das aulas de geografia, Estados Unidos e Inglaterra é bem longe um do outro, não é um lugar que se vá de ônibus ou trem.
- Mas é um lugar onde tenho casa e costumo ficar. Quando a turnê der uma pausa você me faz uma visita e pode visita-la.
- Sério? – Ele afirmou com a cabeça.
- Namoradas visitam namorados. – Piscou o olho me fazendo corar.

11 de maio de 2014 – Aeroporto Internacional de Guarulhos – São Paulo – 05:37

Minhas malas já estavam despachadas, eu apenas segurava minha mochila nas costas enquanto esperava o voo ser chamado num local mais reservado do aeroporto. Harry havia tirado umas fotos nossa, mas só por tirar, pois a que deveria ser postada por ambos já havia sido tirada ontem antes do show. Liam havia me mandado um sms me desejando boa viagem que em breve nos encontraríamos. Eu me despedi dos meninos ainda no local do show, mas só me comuniquei pessoalmente hoje com o Niall e com o Harry.
- Acho que chegou a hora. – Harry virou para mim assim que meu voo foi chamado em inglês.
- Você acha que vão gostar de mim? – Perguntei tão baixo que até pensei ser no meu pensamento.
- Do que você está falando? – Harry pegou o meu rosto com suas duas mãos, seus dedões acariciavam minhas bochechas.
- Harry... – Ele colocou um dedo indicador em frente dos meus lábios.
- , as brasileiras irão lhe amar, você é uma delas. – Sorriu de lado.
- Espero que você esteja certo.
- Eu estou. – Sorriu mais e olhando de soslaio para a direção onde formos informados que um rapaz contratado estaria tirando nossa foto como se fosse uma fã escondida. – Bem...
- Tudo bem. – Fechei os olhos quando vi seu rosto se aproximar do meu. Ele simplesmente encostou nossos lábios por 4 segundos.
- Não se esqueça de mim. – Meus olhos ainda estavam fechados, mas abri um sorriso ao ouvir sua voz.
- Se eu soubesse como se faz isso...
- Ainda bem que não sabe. – Bati em seu ombro. – Quero que não ligue para comentários ruins no twitter, se puder nem entre.
- Mas como eu vou me atualizar? – Ele pareceu pensar um pouco.
- Te ligo quando você tiver que entrar. – Respirei fundo.
- Eu estou com medo. – Mais uma vez quase foi um sussurro inaudível, porém Harry estava abraçado a minha cintura e nossos corpos estavam colados.
- Não precisa ter medo, você não estará sozinha. – Ele me abraçou com um sorriso singelo. Afundei meu rosto na curvatura do seu pescoço.
- Estarei sozinha lá, não vou ter vocês ao meu lado sempre. – Ele se afastou percebendo que eu soluçava enquanto as lágrimas escorriam.
- , não fica assim! No seu celular tem nossos números atuais e os números que utilizaremos assim que sairmos do Brasil. E outra, a Eleanor estará lá para você.
- Se ela não gostar de mim?
- Eleanor? Não gostar de você? – Ele riu e afastou nossos corpos. – É mais fácil você querer ligar para a polícia para manter distância dela.
- Como assim? – Enxuguei meu rosto com a manga de minha blusa. Ops, manchou um pouco.
- A Eleanor é meia doidinha da cabeça, mas é bastante legal. É capaz de vocês virarem melhores amigas.
- Minhas únicas melhores amigas estão aqui no Brasil e uma em Washington. Sempre serão elas, ninguém substitui. – Ele sorriu, parando para ouvir meu voo ser chamado novamente.
- Tenho certeza que ela fará uma adição no seu grupo de amizade. – Me deu um beijo no rosto bem perto da boca, o que com certeza pareceria que foi na boca. – Se cuida!
- Tudo bem! – Ri fraco me afastando e arrumando minha mochila no ombro.
Caminhei em direção do embarque, assim que verificavam minha passagem olhei na direção do Harry que continuava no mesmo cantinho junto ao Peter, acenei então recebi a permissão para entrar. Passei diretamente pelo detector de metais, despachei minha mochila e meus acessórios pela esteira. Enquanto eu caminhava pela passarela para dentro do avião, entrei em meu Instagram e procurei a bendita foto. Ela era uma das primeiras da minha galeria. Era simples, porém bem atiçadora para fãs. Harry e eu estávamos deitados na cama com um lençol cobrindo nossas pernas e somente seu par de pés e minhas pantufas de tigre apareciam, nossas mãos entrelaçadas e na parede um filme de romance qualquer que eu nem sabia o nome. A legenda já estava no bloco de notas, o Jimmy havia mandado eu anotar para não esquecer. Copiei e colei – Sentirei fala disso... Espero que possamos repetir isso logo <3 Amo você – e logo fui postando. Como o Harry me advertiu, não esperei para ler comentários ou o que a foto iria repercutir. Coloquei o celular no modo avião e coloquei no bolso da calça. Assim que achei meu assento coloquei minha mochila no bagageiro e me sentei, dessa vez foi ao lado da janela, não precisaria trocar com ninguém. Coloquei minha almofada de pescoço e esperei pelas instruções.
O avião começou a decolar e o frio na barriga aumentou. Eu até ficaria histérica e bem agitada dentro do avião pelo simples fato de ter beijado o Styles, mas não fiquei. Não por ele ter beijado mal – aliás, foi apenas um selinho e um beijo no canto da boca -, mas eu estou tão nervosa por minha “nova vida” que não consegui pensar em nada além de: Será que vou me dar bem, lá? Será que irá dar tudo certo?
Olhei pela janela, tudo lá em baixo parecia montagem de lego, como se fossem uma cidade que montamos quando criança. Não parecia que lá embaixo existiam milhões de pessoas e cada uma com uma vida diferente... peguei meu celular já conectei meu fone de ouvido colocando na playlist aleatória.
Chegou a hora, é agora! Rumo à Inglaterra, país dos meus sonhos e agora realidade.

11 de maio de 2014 –Charles De Gaulle Airport – Paris – 11:40pm

Entrei no meu voo de conexão, após 1h40min de espera. O avião estava praticamente vazio, as instruções foram dadas em francês, espanhol, alemão, italiano e finalmente em inglês. Tirei meu casaco, apertei os cintos e me aconcheguei no assento, estava meio sonolenta por ter tomado o remédio que o Harry me deu, mas não consegui dormir assim que pousei na França. O voo duraria 1h40min e eu simplesmente fiquei admirando e tirando fotos da torre Eiffel por qual eu passei longe, mas dava para ver pela janela.

11 de maio de 2014 – Manchester Airport – Manchester – 10:34pm

Passamos mais de 10min sobrevoando por Manchester até ser autorizado o pouso do avião. Peguei minha bagagem de mão e segui a placa onde tinha escrito “ARRIVAL”, peguei todos os meus documentos que já estavam separados e entreguei no guichê, me mandaram para o oficial de imigração onde entreguei minha carta do consulado, respondi as inúmeras perguntas e quando ele me perguntou o que fui fazer, expliquei tudo o combinado. Perguntou o quanto de dinheiro eu estava levando, então mostrei a ele o envelope. Após ele ler fez uma cara feia em minha direção e logo me liberou.
Me perguntei o que tinha naquela carta, não abri com medo que desse problema, mas sei que nela tinha algo que me liberasse mais cedo. Fui pegar minhas malas que nem sequer foram abertas para serem revistadas. Ambas já haviam sido pegas e colocadas num carrinho que me foi entregue.
Caminhei seguindo as placas que me mandavam para a saída e ponto de táxi. Confesso que fiquei atordoada quando vi aquelas inúmeras placas em inglês, espanhol e alemão. Eu entendia o inglês, mas em cada placa que havia algo escrito era como se tivesse “Você está na Inglaterra”. Li o papel onde informava aonde eu iria: Milnrow. Procurei um quiosque para configurarem meu celular com número daqui, e assim que paguei conectei com a internet e pesquisei aonde ficava. Caminhei até a saída principal sem querer trombando em alguém.
- Opa! Desculpe-me! – Arregalei meus olhos assim que reconheci aquela voz.
- Ai meu Deus! – Ela arregalou os olhos com um sorriso gigante.
- Nossa! Você é a , não é? – Ela falou meu apelido como se fôssemos íntimas. – Claro que é você, está idêntica a foto. – Ela olhou na tela do celular e me reergueu.
- Aonde você conseguiu minha foto? – Arqueei uma sobrancelha.
- Louis me mandou por WhatsApp.
- Como ele pegou minha foto do celular? – Ela deu de ombros erguendo os braços como se não soubesse. – Aí, o que importa! Você está aqui, e eu não estou sozinha.
- Claro que não. – Ela me abraçou. – Você é menor que eu, já estou amando isso.
- Ah, será que podemos pegar um táxi...– Eu estava praticamente tremendo de frio, mas ela parecia não perceber mesmo tendo me olhado dos pés à cabeça. – O que foi?
- Você acha mesmo que eu iria vir te buscar de táxi?
- Não?
- Claro que não, vim de carro. – Ela balançou as chaves na minha frente. – Agora vamos procura-lo.
- Você não sabe onde estacionou? – Comecei a seguir empurrando o carrinho.
- Eu achei que estava atrasada, coloquei em qualquer lugar e sair correndo. – Ela ia andando rápido em cima de um scarpam rosa pink de salto agulha.
- O Harry estava certo... – Murmurei, ela me ouviu e virou-se para mim com uma sobrancelha erguida. Claro que eu não falaria o que realmente lembrei do Harry falando, então joguei rápido... – Ele me deu a ideia de gravar um vídeo para minha mãe já que é dia das mães, acho que eu deveria fazer isso agora.
- Ah, sim... pensei que o Harry havia lhe dito que você iria querer chamar a polícia para eu ficar longe de você. – Sorri falso em sua direção e engoli em seco. Rezei para que ela achasse logo o carro, pois daqui a pouco eu iria congelar. – Ah! – Ela parou subitamente. Agradeci aos céus por ter me ouvido. – Diga que também desejei feliz dia das mães. – Então ela voltou a andar pelos corredores do estacionamento. – Aonde está essa merda?
- Ai meu Deus, me ajuda! – Ela me olhou estranha sem parar de procurar o carro.
Peguei meu celular no bolso, liguei a câmera, arrumei meu cabelo na frontal. Tirei uns borrados de maquiagem e me achei boa para gravar. Segurei o celular junto com o carrinho, apressei meus passos para alcançar a Eleanor que ainda não havia achado o bendito carro.
- Oi mãe, cheguei aqui na Inglaterra, melhor dizendo Manchester. Ocorreu tudo bem, graças Deus. Fui para Paris, mas não fiz nada além de comer. – Ri um pouco olhando para minha cara tosca falando com o celular. – Ah, fiz esse vídeo para te desejar um feliz dia das mães e avisar que cheguei bem...
- ACHEI! – Eleanor gritou, corri na direção que ela estava.
- Essa é a Eleanor, a namorada do Louis que veio me ajudar a me instalar e conhecer as coisas. Ela é meia doidinha, mas o Harry disse que não havia perigo.
- Você ainda está mandando o vídeo para sua mãe? – Afirmei com a cabeça. – Feliz dia das mães! – Ela acenou.
- Ela disse feliz dia das mães em inglês. Então é isso, mãe! Te amo! – Desliguei o celular e pisquei para Eleanor que abria o porta malas.
- O que você colocou aqui dentro? Tem chumbo?
- Meus pertences, minhas roupas, sapatos...
- Você trouxe roupas e sapatos?
- Sim, porque?
- Você nem vai usá-los aqui.
- Porque não? – Ela fechou o porta malas e me fez sinal para o carro.
- , esse lado é o meu. – Ela gargalhou assim que fui para o lado direito. – Não se preocupa, você acostuma.
- Espero que logo. – Entrei no carro no mesmo momento que ela. – Então, porque eu não usaria minhas roupas?
- Na sua casa você verá. – Ela deixou inúmeras interrogações na minha cabeça.
- Por falar em casa, tem como você me falar mais da minha moradia aqui?
- Claro. – Ela então começou a dar ré e manobrar para sairmos do estacionamento. – Então, o plano era você morar perto de mim aqui em Manchester, mas você foi matriculada na Tong High School que fica em Bradford, o que ficaria muito longe para você ir. Então resolveram te colocar em Milnrow, numa cidade chamada Rochdale.
- Eu pesquisei aonde fica. É legal lá?
- Só fui poucas vezes com o Liam quando formos decorar, mas a vizinhança é calma, e você não terá muitas preocupações com fãs.
- Decorar? – Minha cabeça dava inúmeras voltas com tanta informação e tanto falatório da Eleanor. O que eu mais queria era descansar, dormir, mas eu não podia ser mal-educada e pedir isso.
- Espero que goste da decoração, eu e o Liam escolhemos cada detalhe com muito carinho.
- Obrigada, tenho certeza que irei amar. – Bocejei disfarçadamente.
Eleanor começou a falar que sobre ela ser Modest Girl há muito tempo, e que tinha uma quedinha pelo Niall, mas nunca houve nada entre eles. Sua relação com o Louis era de amizade, eles se consideravam melhores amigos e por isso que poucas vezes eles brigam. Perguntou um monte de coisa sobre mim e disse que seria legal ter uma amiga com quem compartilhar essas coisas da Modest, já que a Perrie é famosa e é difícil ela estar por perto.
Acabei me despertando e o cansaço indo embora. Acabamos conversamos sobre nós duas e falando das viagens que teríamos que fazer e o quanto seria divertido, até chegarmos ao assunto “meteorológico”, o qual todo Londrino ama.
- É normal fazer tanto frio? – Perguntei abraçando meu corpo pela milésima vez.
- Não está fazendo tanto frio, estamos no verão. – Arregalei meus olhos.
- Meu celular informa que estamos a 8º - Mostrei a ela.
- Essa é a temperatura frequente a noite no verão. – Sorriu parando em um sinal.
- Está totalmente comprovado que eu serei um ET aqui. – Fiz careta.
- ET? Você irá se integrar com a sociedade bem fácil. – Ela voltou a dirigir.
- Els. – Ela me olhou sorrindo. – Posso te chamar assim, né? – Após a afirmação animada dela eu continuei. – Eu estou congelando no verão, vou andar por aí com roupas mais compridas enquanto vocês nativos andam quase pelados. – Mostrei os vestidos que umas garotas que passavam na faixa de pedestre em nossa frente.
- Essas meninas estão indo para alguma boate, mas sua roupa não está de uma estranha. – Ela me examinou da cabeça as pernas.
- Els minha flor, eu vim com essa roupa porque eu li que estava fazendo frio, mas não imaginei ser tão frio, eu estou com muito frio nela. – Eleanor deu uma risadinha e ligou o aquecedor.
- Muito obrigada! – Confesso que quase me joguei nos aquecedores. –Hum... Els. – Ela me fitou rapidamente e voltou à atenção para o trânsito, mas mostrando que estava prestando atenção. – Você não falou se eu vou morar só ou terei alguém comigo.
- A princípio sozinha. – Fiquei um pouco paralisada. – Algum problema?
- Não, nada não. – Sorri fraco e virei meu rosto para a janela.
Eu nunca pensei que moraria só assim tão rápido, eu fiquei com medo de morar com alguém e não me dar bem, mas morar sozinha me assusta. Eu sei cozinhar, arrumar, limpar, afazeres domésticos em geral..., mas não pensei que eu realmente seria dona do meu nariz aqui e com 17 anos. Perdida em pensamentos e desespero acabei adormecendo, acordando somente quando Eleanor cutucou minha bochecha.
Estávamos numa pequena rua esquisita com inúmeras casas iguais. Olhei uma casa com uma placa de “vende-se”, mas passamos adiante até a Eleanor parar na frente de um portão vermelho de garagem.
- É aqui que vou morar? – Eleanor afirmou destrancando a porta. – Meu Deus, como em meus sonhos... Casas iguais!
Parei apenas observando a casa com dois andares. Ela não era gigante na frente, mas percebi que era um pouco comprida. Tinha duas janelas no primeiro andar e uma no térreo ao lado da porta com cortinas brancas. Caminhei até a frente da porta e Eleanor me seguiu com um molho de chaves.
- Será que antes de abrir poderíamos pegar suas malas?
- Claro! – Caminhei com ela até o porta malas e lá cada uma pegou uma, coloquei minha mochila sobre o ombro e caminhei rapidamente até a porta.
- Hey, você é a nova moradora? – Uma mulher que aparentava ter uns 30 anos descia de uma minivan na casa ao lado.
- Sim, é ela. – Eleanor respondeu por mim.
- Seja bem-vinda! – Ela caminhou com sua enorme bolsa no ombro em minha direção. – Meu nome é Mary Bolton, muito prazer em conhecê-la.
- Sou . – Ela arqueou uma sobrancelha enquanto apertava minha mão.
- Intercambista. – Eleanor respondeu dando de ombros. – Sou Eleanor Calder. – Eleanor também apertou a mão da Mary.
- Bem, se precisar de alguma coisa moro aqui do lado. É só bater na porta que estarei feliz em ajudar. – Ela apontou para a casa do lado onde um rapaz estava na porta segurando o bebe. – Aquele ali é o Brian, meu marido.
- Muito prazer. – Acenei para ele que acenou de volta.
- Bom, tenho que ir, aquele bebezinho ali nos braços do Brian é nosso filho, o nome dele é Bill e deve estar morrendo de fome. – Mary deu um sorrisinho fraco e apontou para o garotinho.
- Ele é lindo. – Sorri abertamente. – Muito obrigada.
- Não há de que. – Então a Mary foi andando rápido em direção à sua casa, se encontrou com seu marido e lhe cumprimentou com um beijo.
- Todos os britânicos são assim educados?
- Uma boa parte sim, mas essa vizinhança é boa para quem gosta de calmaria, aqui as pessoas escolhem para criar seus filhos. – Eleanor apontou para a porta.
- Eu não quero criar filhos, não agora. – Ri enquanto forçava a porta para abri-la.
- Vem, me deixa te ajudar. – Eleanor abriu a porta em um segundo. – Seja bem-vinda a sua casa nova!
Entrei logo com o pé direito examinando o hall de entrada que era um pequeno retângulo com um enorme espelho na parede direita e na esquerda havia vários cabides para pendurar coisas. Fechei a porta assim que entramos com as malas e caminhei até a sala. Ela não era gigante, mas aparecia ser bastante aconchegante. Havia um sofá que formava um L, sua maior parte ficava de frente para a TV que ficava na parede, ao lado do sofá fechando para um C haviam duas poltronas e entre elas uma pequena mesa com um telefone fixo e um vaso. No meio havia um tapete felpudo preto com uma mesa de centro de vidro, no meio dela havia controles dos aparelhos que ficavam na estante baixa que ocupava toda a parede.
- Esses portas retratos você decora como quiser. – Eleanor apontou para todos que estavam pela sala. – A casa não é grande, mas é bem... – A interrompi.
- Perfeita!
- Eu ia dizer aconchegante. – Ela riu. – Como dá para ver, aqui atrás é a sala de jantar.
No mesmo cômodo da sala, porém atrás das poltronas havia uma mesa de vidro com 8 cadeiras brancas combinando com a decoração da sala. Atrás da sala de jantar havia uma passagem aberta que dava numa cozinha. Segui a Eleanor que me mostrava que os armários e a geladeira já estavam cheios e eu não iria fazer supermercado por um bom tempo.
A cozinha não era diferente das salas, era bem pequena e tinha uma ilha com pia e fogão. Haviam três banquetas brancas encostadas na ilha. Na parede havia balcões com armários suspensos – menos no balcão do meio onde havia uma janela de basculhaste que dava vista para o quintal. A geladeira ficava no canto oposto da porta branca onde a Eleanor informou que dava para a área de serviço.
- Bem, lá tem máquina que lava e seca, mas se caso você não quiser ou não souber usar, tem uma lavanderia perto da minha casa, então qualquer coisa você me liga e eu te levo para lavar as roupas lá.
- Não precisa, me darei bem com isso. – Sorri um pouco sem graça enquanto voltávamos para a sala. – Que porta é essa aqui? – Havia uma porta embaixo da escada.
- É um quarto, se caso você não puder subir você usa ele. É bem grande, do tamanho do seu quarto lá de cima. – Ela abriu me fazendo dar de cara com um pequeno espaço que dava espaço para um quarto azul onde tinha uma cama, um tapete combinando com a roupa de cama, um criado mudo com um abajur e um aquecedor. Somente isso em todo aquele quadrado. – Não decoramos muito, pois esperamos que você não o use muito.
- Também espero que não. – Murmurei fechando a porta.
- Vamos subir, você precisa ver lá e cima, é um amor. – Ela me puxou com força, peguei uma mala que estava perto da escada, ela pegou a outra então subimos com dificuldade. – Apesar da casa não ser grande tem três quartos, sem contar com o de emergência e dois banheiros.
- Já é o suficiente. – Abri a primeira porta dando de cara com um quarto com dois beliches e ambos ainda tinham cama extra. Todo o quarto tinha uma decoração toda verde, um tapete verde no centro e as cortinas brancas. – Porque tantas camas?
- Caso alguns amigos vierem. – Deu de ombros.- Vê o resto.
Abri a porta do lado onde dei de cara com um quarto branco com duas camas de solteiro, a decoração era simples, porém bastante bonita, os tons em pastéis me lembravam os quartos de hotel que dormir no Rio e eu São Paulo. Perguntei a Eleanor porque na casa toda já tinha oito camas e eu nem havia visto meu quarto, ela disse que um dia eu descobriria. Tudo bem, mais uns mistérios da Eleanor.
- Abre logo essa porta. – Fui até o final do corredor e abri. Eleanor me xingou baixo me chamando de chata e estraga prazeres. – Sei que meu quarto é aquele, mas quero deixar por último.
O banheiro não era tão diferente dos banheiros que eu conheci, ele era banco e todo iluminado, havia um espelho ocupando quase a parede toda indo até o box de vidro. Não era nada luxuoso, mas achei perfeito, na verdade tudo na casa era perfeito. Sai do banheiro e fui até a primeira porta perto da escada. Era meu quarto, pois havia uma placa bem no campo de visão onde havia escrito “” com letras roxas.
- Antes de abrir já aviso que se não gostar da cor mate o Liam.
- Não vou matar ninguém, vocês já fizeram até demais. – Então abri a porta.
Toda a decoração era roxa e branca, a parede onde a cama queen estava encostada era roxa, todas as outras eram brancas. A janela havia persianas brancas com cortinas lilás e roxas. Havia um sofá embutido na janela onde havia inúmeras almofadas combinando com a decoração do quarto, assim como os travesseiros da cama. Ao lado da porta havia uma penteadeira com um pequeno espelho e um banco branco com o acolchoado roxo. De frente para a cama haviam duas portas. Eleanor apontou para uma lilás e mandou eu abrir. Assim que a mesma foi aberta dei de cara com um banheiro minúsculo, com uma pequena pia, uma farmácia, a bacia logo ao lado e após um box uma banheira.
- Espera! Aquilo é uma banheira? – Eleanor estava atrás de mim.
- O Liam disse que seria bom ter um lugar para você descansar depois de dias de estresse. Você gostou?
- Se eu gostei? Eu amei! Aliás, estou amando Milnrow.
- Ta bom, baba depois, agora acho melhor você trocar de roupa para darmos uma saidinha.
- Vai me dizer que isso é um closet?
- Você está vendo outra porta? – Ela riu. – Vai, abre logo.
Assim que abri dei de cara com um pequeno espaço onde havia inúmeras roupas. De todos os tipos e estilo. Agora entendi o porquê a Els disse que eu mal-usaria minhas roupas. Ela estava sentada na minha cama cutucando o carpete com seu scarpam. Peguei uma jaqueta de couro preta que estava pendurada e arranquei a etiqueta que ainda estava nela, assim fiz com uma calça legging e uma blusa roxa de mangas.
- Acho que só precisarei disso.
- Espero que sim! – Ela se levantou. – Bom, vamos logo, já está bem escuro. Sei que você está cansada, mas também deve está com fome.
- Morrendo de fome! – Falei tirando a minha blusa branca e vestindo a roxa que acabei de pegar. Fui para dentro do closet, tirei minha calça vestindo a legging e a minha novamente por cima dela.
- Pegue uma bolsinha aí e ponha o que acha que precisa. Ah, esqueci. – Ela cutucou sua bolsa. – Aqui está sua carteira, seus cartões, senhas e algum dinheiro em espécie.
- Sério? – Falei colocando a jaqueta.
- Lógico, não se vive aqui sem nada disso.
- Tudo bem, vou apenas pegar uma bolsa. – Entrei no closet e fiquei em dúvida com tanta opção, até parecia que eu estava em um outlet. Assim que peguei uma pequena transversal fui em minha mochila peguei meu passaporte e documento que sempre terei que andar então passei o gloss. – Pronta.
- Perfeito! Vem, vamos comer.
Assim que tranquei toda a casa novamente, seguimos até o carro da Eleanor e a mesma começou a manobrar para irmos. Passamos na frente de uma pequena lanchonete chamada JacksonsFarm, mas seguimos até uma avenida principal.
- Olha, primeiro vamos comer numa Starbucks, pois sei que você ama.
- Quem te falou isso?
- O Louis disse que você havia fugido em São Paulo, Jimmy ficou super enfurecido com você.
- Isso não tem nada a ver com Starbucks.
- Tem sim, você disse a eles que havia achado uma perto do hotel e se desse tempo voltava lá. Mas não deu tempo.
- Estou me sentindo vigiada. – Tampei meus olhos com as mãos.
- Não se preocupe, só coisa boa. – Piscou. – Depois podemos curtir bastante o centro de Manchester, tem uns pubs bons.
- Sou menor de idade...
- Não se preocupe, tenho umas cartas nas mangas. – Ela gargalhou.
- Você é tagarela mesmo? – Ela afirmou com a cabeça – Mas você nunca transpareceu isso.
- A Modest não deixa, sou a quietinha para todos.
- Mas pelo que vejo, de quietinha você não tem nada. – Ela riu afirmando.

12 de maio de 2014 – Rochdale – Milnrow – 03:54am

Eleanor me levou ao Sinclairs Oyster Bar, chegamos lá por volta das 11:40pm e Eleanor mostrou suas cartas nas mangas. Ela subornou o segurança da entrada vip e me colocou para dentro. Lá tinha todo tipo de gente, a maioria bebia e dançava na pista de dança. Eleanor me puxou para um bar e me ofereceu uma cerveja. Neguei preferindo beber um coquetel sem álcool com medo de ficar bêbada e não aproveitar nada.
Ela me trouxe até em casa e se foi sem nem entrar, rezei para que ela chegasse em segurança após ver a mesma bebendo dois copos grandes de cerveja.
Cheguei a casa, tomei um banho de banheira para relaxar, mas sem molhar os cabelos. Assim que saí do banheiro, já vestida com meu pijama e pantufas eu estava menos exausta, então resolvi arrumar o closet colocando minhas malas lá dentro, separando minhas roupas das novas e sapatos. Coloquei algumas coisas pessoais no banheiro, as fotos nos porta-retratos da sala e do quarto. Havia um MacBook em cima da penteadeira que eu não havia notado antes. O abri com curiosidade enquanto caminhava para minha cama, havia um papel colado na tela e nele dizia “Está mais do que na hora de você ter um twitter pessoal, mude sua conta do twitter para esses dados” e em baixo havia “User: @ Senha:ModestGirl”. Rolei os olhos lendo a senha e logo após li o resto do bilhete “Nos envie por e-mail seus dados atuais do seu facebook precisamos ter controle total sobre suas redes sociais. E aconselho a fazer um facebook privado onde você só adiciona pessoas próximas. Mas mesmo se fizer o novo quero todos os dados.” E embaixo o e-mail conhecido do Jimmy. Após mais uma rolada de olhos digitei no url: twitter.com
Por um momento eu havia esquecido do pedido do Harry – de não entrar no twitter - por causa da reação das fãs depois desse nosso rolo repentino, mas como o bilhete disse, eu precisava mudar o meu twitter, então não tinha como correr disso. Sem nem ler a timeline eu já fui em configurações editando tudo. Tirei a foto de capa onde era os meninos no show do Brasil com bandeira e coloquei uma foto que tirei da janela do avião onde se podia ver a Torre Eiffel, já a do perfil tirei a que estava eu e o Liam e coloquei uma só minha que a Eleanor tirou hoje no bar, troquei o BG por uma tela preta com corações vermelhos se repetindo. Após todas as mudanças fui a minha timeline, que estava uma confusão, então sem mais delongas joguei meu nome no search...3,2,1!

MEU JESUS!! QUE FOTOS SÃO ESSAS??? E HARRY SE EXPLIQUEM AGORA!
Sabia que tinha algum caso. Só não imaginei ser com o Harry.
groupie total. Pegou Liam e agora pegando o Harry?
Harry publicou a mesma foto que a com a legenda “I miss a rebellious princess”, mas apagou em seguida... sinto cheiro de ?
Graças ao voo da ser bem cedinho consegui conhecer o Harry. ELE É UM AMOR!
e Harry estão namorando? É isso mesmo produção?
, seja menos descarada. Posar aquela foto com o Harry no instagram foi ridículo.
Gente, por favor, parem de criar shipper desnecessário. não existe! Não iludam a
Harry mudou muito! Ta pegando uma garota mais jovem. é realmente uma sortuda
Sabia que era os meninos irem ao Brasil que fariam merda.
Sobre a foto do instagram da : SE CASEM!
MUDOU O HARRY!!!!
Seu viado, me traindo novamente, mas é com a então...ESTOU SHIPANDO !
, o faça feliz!
Harry no Brasil só está fazendo merda, primeiro a tatuagem e agora namoro com ? Harry, você nos decepcionou.
Novo sinônimo para Sorte:


Eu não conseguia decidir se as fãs estavam me odiando ou me amando. Fiquei atordoada com alguns dos tweets: groupie, mudei o Harry, shipper, casamento... Tudo era demais para minha cabeça. Sério que criaram um shipper só por causa dessas fotos implantadas? Realmente Jimmy estava conseguindo o que queria.
Entrei em minhas mentions e comecei a responder umas interessantes, ou seja, aquelas que não falavam do tal “”. Em menos de 5min meu celular começou a tocar o atendi reconhecendo quem era apenas pelo toque.
- Oi, Harry!
- E aquele nosso combinado sobre não entrar no Twitter? – Sua voz estava demonstrando decepção.
- Tinha no notebook que eu precisava trocar meu user, meu facebook... – Respirei fundo. – Enfim, eu precisava mudar minhas redes sociais. Era impossível eu não entrar, Harry.
- Que seja. – Ele suspirou. – Como você está?
- Estou bem e você?
- Estou falando das ofensas... – Continuei em silêncio encarando uma frase em caixa alta “ SUA VAGABUNDA, TE ODEIO!” – ?
- Ah, oi!
- Está tudo bem?
- São apenas meninas enciumadas. – Tentei sorrir. – E você, como está?
- Preocupado. – Suspirei e ele continuou. – O Jimmy mandou eu publicar algo para você.
- Hm... – Continuei rolando a tela lendo as inúmeras merdas que me mandavam. Comecei a curtir aquelas mensagens de apoio como a de um fã clube de 5SOS “@ não liga para esses comentários ofensivos, é gente que não tem o que fazer e morre de inveja. Felicidades”
- Te liguei para não te pegar de surpresa. – Harry continuou.
- Sem problemas! – Ouvi um clique do outro lado da linha e fui para o perfil dele onde havia uma postagem para mim.
Hey @ bateu saudades... Não vejo à hora de nos vermos novamente. Aposto que quem ganha na decisão de filmes sou eu. X
Nem sequer respondi, somente abri uma nova janela para ler minha timeline. Eu seguia mais de 2.000 pessoas, e elas estavam me pirando. Tinha xingamentos, alegria, ameaça, desejos de parabéns... tudo junto em apenas segundos subia mais de 1000 novos tweets. Respirei fundo e inspirei devagar lembrando da Manu me mandando ficar calma.
- Harry... O fandom... – Foi a única coisa que consegui falar após um bom tempo.
- Eu sei. Me desculpe! – Atualizei a página vendo inúmeras fotos minha que provavelmente pegaram do meu instagram aberto. – O Jimmy mandou você responder dizendo que nos encontraríamos na Irlanda.
- E vamos?
- Claro, eu já disse que você me acompanharia por um monte de lugares.
- Eu sei, mas não sabia que iria logo ao próximo show.
- Você vai e é melhor responder logo. – Soltei uma pequena risada falsa e comecei a digitar.
@Harry_Styles hm... duvido meu bem! Acho que vou dar uma passada na Irlanda só pra provar que eu sempre venço.
Após eu avisar que já havia publicado ouvi apenas um clique do lado do Harry – provavelmente já estava em meu perfil -, ele soltou uma gargalhada contagiante e começou a digitar, comecei a dar f5 e em um momento apareceu.
@ Totalmente convencida? Gosto assim... então, quem vença o melhor.
Ah, e vá se preparando para uma tarde como perdedora... vejo você em breve x

- Você é ridículo. – Soltei uma pequena risada verdadeira.
- Não abra as mentions! – Tarde demais...
Senti as gotas grossas escorrerem por meu rosto, caiam sem parar somente por duas ou três frases lidas. E por mais que machucassem eu não conseguia parar de ler cada uma delas. Claro que tinha uma minoria legal que mandava coisas como “Ual, tto amando essa troca de mention entre os dois...”, mas a maioria se resumia em zilhões de palavrões e xingamentos dirigidos a mim, além das ameaças de morte que estavam chegando. Ok, eu teria que me acostumar com isso, a Eleanor havia me alertado... mas se eu não me acostumasse?
Pensa positivo, ! Pensa positivo!
- ... – Cortei o Harry.
- Eu estou bem, foi apenas o choque.
- Você tem certeza? – A voz de preocupado soou tão fofa que eu fiz questão de fechar o notebook.
- Tenho! Já nem estou no site.
- Hm... Se caso você... – O cortei novamente e eu sabia que ele fazia careta.
- Eu não vou entrar nas minhas mentions, e se na minha timeline tiver algo eu paro de seguir a pessoa e já bloqueio.
- Perfeito! – E eu já sabia também que ele sorria.
- Harry, acho melhor eu dormir... – Falei caminhando com o notebook fechado nos braços até a penteadeira.
- O sono chegou? – Murmurei um sim com a boca fechada. – Então boa noite, durma bem e sonhe comigo.
- Você quer que eu durma bem ou sonhe com você?
- E sonhar comigo é ruim? – Sua voz aumentou e eu gargalhei.
- Deixa de ser bobo, foi uma brincadeira.
- Bom ser mesmo, senão você pagará um preço muito alto.
- Ah é? E que preço é esse? – Ele riu.
- Nem queira saber...
- Uau, fiquei com medo. – Após outra risada dele ele me respondeu.
- É bom que fique! Mas agora vá dormir, eu estou morrendo de cansaço do show.
- Ok, vamos dormir então.
- Isso ficou tão estranho.
- Vai dormir, Styles! – Ele riu e se despediu me fazendo desligar. – É , sua vida agora vai ser bem diferente!

Capítulo 8


May 12, 2014 – Milnrow – Rochdale – 01:45pm

Uma luz fraca invadia meu quarto criando uma bendita feste em cima dos meus olhos. Meu celular tocava enquanto a campainha também, peguei o aparelho e dei um pulo correndo para a porta da frente. Pelo olho mágico vi um carteiro segurando impacientemente uma caixa. Me olhei dos pés à cabeça agradecendo pelo frio de morrer ao qual me fez vestir um pijama moletom.
- Um momento. – Falei para o celular que eu já tinha atendido e abri a porta. – Posso adá-lo?
- Senhorita ? – Afirmei com a cabeça. – Uma entrega para você. Assine nesses dois papéis, por favor. – Peguei a papelada e a caneta fazendo da caixa uma área firme para finalmente assinar.
Assim que entreguei de volta o papel ele me agradeceu e se foi me desejando boa tarde – tarde? Após ele ir embora fechei a porta e caminhei até a cozinha colocando a caixa em cima da ilha e indo procurar uma faca.
- Agora posso falar, Liam. – Voltei minha atenção ao telefone.
- Opa, está tudo bem?
- Está tudo ótimo, acabei de acordar. – Bocejei, mas logo dei um gritinho animado assim que achei a gaveta de talheres. Peguei uma já indo para o pacote. – O carteiro e você me acordaram.
- Carteiro? Mas já está recebendo cartas?
- Na verdade é uma caixa, não sei o que é. – Falei tentando abrir a todo custo.
- De quem é?
- Modest. – Murmurei lendo o remetente.
- Ah... – Consegui finalmente abrir encontrando um pacote plástico. – Gostou da casa? – Eu sabia que ele sorria como um bobo.
- Amei tudo isso aqui. – Ouvi ele rir com minha animação. – Como vocês estão?
- Estamos bem, vamos entrar de folga da turnê, mas não vamos parar de gravar. Vai ter algumas apresentações, idas à programas e claro... – O completei.
- O CD! – Ele riu. – Estão realmente ansiosos por esse novo álbum, certo?
- Bastante! – Essa era sempre a resposta. Eu ouvi umas das músicas que não sei o nome, na verdade ouvi apenas o solo do Liam.
- Já tem data prevista?
- Fim do ano, acho que...
- É a blusa do Harry? – O cortei sem nem perceber. Ele falou um “oi?” confuso então continuei. – A Modest me mandou a blusa xadrez do Harry, aquela que ele “recicla”.
- A quadriculada vermelha e preta?
- Exatamente e tem um bilhete: “Seja vista com ela”. – Bufei por só ter isso em toda a caixa.
- É melhor usar. Pra onde você vai?
- O Jimmy disse que já era para eu ir para a escola um dia após minha chegada. Ou seja, hoje.
- Ele quer que você seja vista no colégio. – Murmurei um sim baixo. – Então é melhor ir se arrumar, não?
- Acho que vou lá para as duas da tarde. – Joguei a caixa de qualquer jeito no lixo e segui para meu quarto.
- no, já são quase isso. – Olhei a tela do celular sem nem acreditar.
- Merda! – Corri diretamente para o closet. – Eu esqueci de pegar com a Els o número do taxista que ela conhece.
- Por falar nela, vocês estão se dando bem?
- Sim, ela é legal. Às vezes me assusta, mas como companhia ela é ótima.
- Ainda bem! Então, espero que se mantenha viva o maior tempo possível.
- Harry disse que eu iria querer chamar a polícia, você me manda ficar viva... Eleanor é tipo, de uma gangue ou coisa do tipo?
- Não, ela é só maluca mesmo. – Acompanhei sua risada. – Então, se mantenha viva e voltaremos em breve.
- É mais fácil eu ir encontrar vocês.
- Eu sei sua besta, mas você tem que continuar bem até nos encontrar. O Harry não pode ficar viúvo.
- Ah, se preocupe mais com o status do Harry. – Me fiz de ofendida.
- Deixa de drama, acho melhor você se arrumar e sair, daqui a pouco escurece.
- Ah, irei sim. – Olhei novamente o relógio. – Meu Deus, são mais de duas, as horas aqui passam num estralar de dedos.
- Eu disse que estava tarde.
- Tchau, Liam, vou me arrumar.
- Tchau, , se cuida. – Desliguei já procurando a temperatura atual.
Hoje o máximo seria 18º ou seja, FRIO PRA CARAMBA, como onde eu morava a mínima era 20º e nunca se passava disso, eu já sabia que teria que implorar por várias roupas. Peguei duas calças leggings, uma jeans escura, três blusas de mangas compridas e duas meias, achei um connto de roupa intima bem confortáveis e quentinhas. Corri para o banheiro e regulei a temperatura da água.
Após banho – sem lavar os cabelos-, escovar os dentes e me vesti, eu já havia perdido 40min, então corri para a frente do espelho, penteei meus cabelos e coloquei uma touca vermelha por cima abaixando o volume – como sempre. Calcei um coturno preto que deixou meus pés quentinhos com ada das meias, coloquei um par de brincos que estava na primeira gaveta da penteadeira nto com anéis. Arrumei meu costumeiro colar e passei maquiagem e perfume.
- Como imaginei, uma ET na Inglaterra. – Falei vestindo o colete do Harry. O mesmo ficou grande, então fiz uns pequenos astes marrando suas pontas na altura da cintura.
Eu precisava passar a imagem de que não me importava com o que pensassem de mim, aliás, olha a temperatura que estamos e os KG de roupa que estou usando. Pesquisei na internet números de táxis e pedi um com urgência, me prometeram que chegariam em 20min. Agradeci e fui esperar na sala.
Entrei no twitter e fiquei lendo o fandom mais calmo, sem toda aquela briga de shipper as fãs estavam falando do adeus aos meninos, de como Summer Love fazia sentindo para elas e coisas do tipo. Mas pensando bem, Summer love realmente fazia sentido.
O táxi chegou, então peguei a mesma bolsa que usei ontem e sai de casa após apagar e fechar tudo. Conversei um pouco com o motorista se ele sabia se esse percurso de transporte público era melhor, então, ele educadamente me explicou tudo que eu teria que fazer para chegar. Simplesmente seriam mais de duas horas, então decidi que eu iria pegar táxi todo o santo dia para ir e talvez voltasse de ônibus/metro. Em cerca de 35min estávamos estacionando na frente de um enorme prédio escolar. Após pagar a corrida sai abobada olhando cada centímetro daquele lugar. Caminhei até sua entrada principal e como uma boa supersticiosa entrei novamente com o pé direito.
- Opa, aluna nova? – Encarei um senhor de mais ou menos 50 anos de idade. Ele me olhava dos pés à cabeça com um sorriso simpático.
- Ah... sou sim. Eu preciso ir para a secretaria, mas não sei nem por onde começar a procurar. – Ele arqueou uma sobrancelha em minha direção.
- Não é daqui, certo?
- Intercambista. – Lembrei-me do que a Eleanor falou a minha nova vizinha.
- Bem, você tem que seguir esse corredor até o final, depois dobre a direita e vá até a última porta. Terá uma placa grandinha com o nome “Secretaria” é só bater.
- Muito obrigada Senhor... – Ele abriu seu sorriso.
- Max, me chamo Karl Max. –Franzi minha testa. – O sobrenome da minha família é Max, e como meu pai era professor de filosofia sempre sonhou em por esse nome no seu filho.
- Eu gostei. – Pisquei o olho e estendi minha mão. – Sou a no .
- É sempre bom ter alunas tão educadas.
- Obrigada. – Sorri novamente e acenei já caminhando pelo longo corredor.
Foram mais ou menos 5min andando. Sim, a escola é gigante, tem um pátio enorme e até uma fonte no meio do refeitório. Assim que cheguei finalmente à sala que o Max havia falando, dei pequenas três batidas na porta ouvindo um “entre” baixo. Entrei já caminhando até a mesa.
- Posso adar? – Encarei a jovem que levantava de trás de sua mesa e caminhava até mim.
- Hum... sou aluna nova e gostaria de fazer minha grade de aulas.
- Seu nome, por favor. – Respondi respirando fundo. – Ah, sim! Estávamos esperando por você. Irei avisar que chegou. Sinta-se à vontade.
- Obrigada. – Respondi sentando em um sofá enquanto ela ia para outra sala anexada.
Quando a Sophia Slim – li em sua plaquinha na mesa – saiu da sala já me mandou entrar porque a Sra. Franklin me aguardava. Caminhei e adentrei na sala enorme e bege, me lembrou muito aquelas diretorias de filme americano, mas atrás da senhora de mais ou menos uns 50 anos, estava a bandeira do Reino Unido e da Inglaterra.
- Seja-bem-vinda Srta. ! – Ela levantou-se da cadeira estendendo a mão para mim, apertei-a e sentei assim que ela fez sinal para eu sentar. – Estávamos ansiosos para a sua chegada. Não temos muito estrangeiros latinos aqui, quando o Sr. Stokes nos ligou ficamos imensamente felizes por poder lhe receber.
- Obrigada! – Forcei um sorriso mesmo estando tremendo de vergonha.
-Como você está se sentindo? Gostando da cidade? Gostando do país?
- Hã... Cheguei ontem, sai um pouco, mas não conheci muito. Porém estou amando o que já conheci. – Ela sorria mexendo em seu computador enquanto eu respondia.
- Seu pai nos informou que... – A interrompi.
- Meu pai?
- Sim, o Jimmy Stokes quando nos ligou. – Soltei um “ah” lembrando de que aqui o Jimmy seria meu pai adotivo. – Bem, ele nos informou que você já é independente, mas ainda assim temos que comunicar seu desempenho a ele.
- Hum, tudo bem.
- Então já sabe faltas, notas baixas demais, má desempenho e má conduta será avisado a ele sem nem pensar duas vezes. – Dei de ombros, eu realmente não pensava em faltar ou ser uma péssima aluna. – Bem, você tem que escolher sua grade de horários de acordo com o que você pensa em se formar. Já sabe quais matérias?
- Não, mas se a senhora puder eu gostaria de ver a lista, por favor. – Ela me entregou uma folha de ofício onde eu assinaria as matérias que eu gostaria de fazer e assim ela na hora montava meu horário. – Aqui está. – Entreguei após alguns minutos.
- Inglês, Biologia, Matemática...? Matérias diferentes. Acha que é necessário?
- Na verdade eram as matérias que eu mais gostava no Brasil. – Dei de ombros.
- Bem, você precisa escolher uma língua estrangeira e duas aulas extracurriculares. – No papel havia as opções para línguas: Espanhol; Francês. Para aulas: Teatro; Cozinha; Informática; Música.
- Francês. Teatro e Cozinha. – Ela assinalou e pegou o telefone chamando a Srta. Slim.
- Leve a Srta. para conhecer o colégio enquanto preparo a grade de horários. – A mulher acenou para a porta e eu a segui.
O colégio era imenso, três andares, portas e passagens por todos os lados, um teatro, quadras de tênis, futebol e basquete, o pátio principal era gigante, o ginásio e a acade nem se fala. Passamos pelo refeitório, laboratório, corredores de armários e finalmente o prédio das salas de aulas. Após voltarmos para a secretaria eu parei antes para beber um pouco de água em um dos bebedouros.
- Cansou Srta. ? – A Sra. Franklin sorria docemente para mim.
- Aqui é muito grande, passarei um tempo para aprender tudo. Mas os principais eu já decorei.
- Perfeito. Aqui está seu horário e regras da escola. A Srta. Slim irá lhe entregar as chaves e você já pode começar as aulas amanhã. – Me olhou dos pés à cabeça quando falou “regras”.
- Ah, sim. Com certeza já venho amanhã. Muito obrigada! – Forcei um sorriso.
- Não há de que. Espero que se adapte logo.
- Eu também espero. – Nos cumprimentamos e nos despedimos em seguida.
Andei um pouco em direção da saída e percebi que algumas meninas tiravam fotos minhas. Tenho certeza que eu vou virar motivo de muita falação no Twitter e Tumblr, assim como o Jimmy quer. Saí correndo para pegar um táxi que estava parado e fui direto para a minha casa. Apesar de ter dormido bastante eu ainda estava bem cansada e só queria me jogar no sofá e falar com minhas amigas todas as novidades.

May, 12, 2014 – Milnrow – Rochdale – 21:43

Cheguei à minha casa tomei um banho bem demorado e depois comecei a catar calças e moletons bem quentinhos para vesti. Corri para a cama assim que já estava pronta. Liguei o notebook e conectei o Skype no grupo onde estavam as meninas. e Dora estavam online, então comecei a conversar, contei tudo desde ontem que cheguei até o atual momento. Enquanto conversava com elas editei o vídeo da minha mãe e enviei um e-mail superfofo. Dora disse que tinha aula e iria dormir, tinha curso de canto e teve que sair. Liguei para meu pai que estava no trabalho, mas mesmo assim me atendeu e conversou por um bom tempo comigo vibrando quando falei que o colégio me prenderia por o dia todo. Meu pai teve que desligar, então após eu me despedi percebi que estava “tarde” e era melhor eu dormir, pois amanhã eu tinha que está na escola às 08:00am no mais tardar... Porém, uma passada antes em minha timeline.

no precisava mesmo esfregar na nossa cara que estava com a blusa do Harry? Outch, magoou.
Não é porque a no estava com o colete do Harry que ele ta namorando com ela, se for assim todos da 1D se pegam.
rry já está em tempo de ser assumido.


Eu havia prometido ao Harry que iria dar unfollow em quem falasse mal de mim ou algo do tipo, mas cara, eu necessitava responder alguns deles senão eu ficaria muito mal depois. Continuei lendo as coisas até que achei um que necessitava de uma resposta:

@LittleSmille1D: Se o Harry assumir um namoro com aquela vagabunda eu começo a segunda guerra mundial.
Não pensei muito e já fui digitando: @no: @LittleSmille1D Sinto lhe informar, mas a segunda guerra mundial não só começou como já acabou. Esqueça um pouco do Twitter e vá estudar, você estar precisando
.
O Fandom explodiu com memes e hastags falando da minha resposta. Claro que teve milhares de pessoas falando o quanto eu era grossa, assim como teve aquelas que me apoiaram na resposta. Apesar das merdas eu estava me sentindo melhor, só espero que o Jimmy não encrenque. Desliguei o notebook, peguei o celular programando o despertador e apaguei as luzes. Amanhã é um novo dia. Boa noite!

May, 13, 2014 – Milnrow – Rochdale – 05:40am

O despertador tocou pela primeira vez, levantei em um pulo meio desnorteada. Olhei para a janela aonde eu não havia fechado nenhuma cortina e pude ver o céu ainda preto. Caí de costas na cama não querendo levantar nunca mais, a cama era superconfortável, os travesseiros bem fofos e o lençol estavam bem quentinhos. Toda vez que eu olhava para a janela e via aquele céu escuro me dava vontade de faltar aula.
- Meu Deus, no! Seu primeiro dia de aula numa escola nova, na Inglaterra e você com preguiça. – Rolei os olhos com minha fala e peguei o celular.
Desliguei todos os despertadores do dia e fui lutando contra minha preguiça até o banheiro. Regulei a temperatura da água – já que o termômetro marcava 9ºC -, deixei a temperatura alta e enquanto ela era esquentada fui ao closet. Havia inúmeros cabides numa área separada que havia escrito: UNIFORM
Eu havia lido na lista que o colégio havia regras, não era como naqueles filmes onde você colocava qualquer roupa e ia, nem sequer o sapato poderia ser de salto, tinha que ser preto e fechado. E como previsto lá tinha as blusas brancas sociais, blazers da escola, saias plissadas e sapatos. Tudo organizado por ordem de dias e clima.
Peguei um cabide, caminhei até o banheiro e o pendurei. Me despi já seguindo para o Box onde eu iria tomar meu banho e lavar meu cabelo. Assim que terminei escovei os dentes enrolada na toalha e só depois me vesti. Foi complicado colocar aquela blusa social e dobrar as barras sozinha, sempre que eu vestia uma blusa desse tipo, eu pedia para alguém ataca-las. Tive que tomar cuidado para nenhuma das minhas blusas que vesti por baixo dela aparecesse, pois era proibido pela escola. Vesti duas calças legging e por cima a saia que só era três dedos acima do joelho, peguei três meias e as vesti para por último colocar meus sapatos.
Sequei e penteei os cabelos deixando ele solto, coloquei apenas um par de brincos simples – os acessórios eram proibidos, apenas brincos e relógios discretos se podiam usar -, passei maquiagem somente que tirava as manchas do rosto, o mínimo de blush pra não me deixar com cara de doente, rímel transparente e lápis de olho marrom. Peguei a mochila jogando uma pequena bolsa com várias coisas de maquiagem – vai que eu precise - e meus fones de ouvido dentro dela. Minha chave do armário, os papéis para entregar nas aulas, meu caderno e estojo já estavam dentro. Era só eu chegar à escola e ir diretamente para a aula de biologia no segundo andar.
Desci para a cozinha e vi que estava quase ficando atrasada, peguei meu celular e liguei para o táxi de ontem, ele estava ocupado, mas disse que passava na minha casa em exatos 30min, agradeci então terminei o café da manhã que eu havia já começado a fazer – torrada com geleia e café -, comi sem nem mastigar direito e subi novamente ao quarto para escovar os dentes. Borrifei o perfume nas áreas necessárias e desci para esperar o táxi que faltava pouco tempo para chegar.

May, 13, 2014 – Milnrow – Rochdale – 07:00am

Como prometido o taxista realmente chegou em 30min – amo a pontualidade britânica -, peguei minha carteira e mochila, fechei a porta e segui para o táxi. Após nos cumprimentarmos com “Bom dia!” educado o informei que estava indo para a Tong High School e assim ele começou a dirigir e eu passar o gloss que estava na bolsa. Após uns 25min meu celular começou a tocar, olhei a tela vendo uma foto minha com o Zayn então atendi.
- Bom dia! – Falamos ntos então rimos. Sua risada era gostosa e contagiante, mas então, ainda animado ele continuou.
- Animada há essa hora? A Inglaterra está lhe fazendo bem, não é?
- Com certeza! – Ele riu novamente - Posso saber o porquê você está me ligando há essa hora?
- Queria saber que horas você iria para a escola.
- Ah, já estou em um táxi indo para a mesma – Respirei fundo.
- Táxi? – Não sei por que, mas eu sentia que ele fazia alguma careta estranha.
- Algum problema com táxis?
- Não, aliás, é melhor táxi do que metro ou ônibus, certo?
- Para falar a verdade eu nem usei o metrô, nem ônibus... E o taxista disse que era mais rápido de carro, transporte público eu demoraria muito para chegar lá.
- Isso é verdade, acho que mais de duas horas. – Assenti. - Acho que o Jimmy não vai querer que você fique indo para a escola de táxi, então provavelmente vai arrumar um jeito.
- Transporte escolar? Arqueei uma sobrancelha.
- Não, algo como “carteira de motorista”, já ouviu falar?
- Não, o que é isso? É de comer?
- Idiota! – Ele ainda ria.
Percebi que já estava na avenida do colégio, avistei um grupo de três meninos que andavam em direção ao gigante prédio. Eu não estava atrasada, tinha até tempo, mas eu não queria chegar quando todos estivessem na sala de aula.
- Zayn, é melhor eu desligar, acabei de chegar ao colégio.
- Ah, sim, estude bastante.
- Ah, claro, papai. Ops, meu papai é o Jimmy. – Ironizei fazendo o Zayn gargalhar. – Espera aí rapidinho, Zayn. – Paguei ao taxista assim que ele disse o preço da corrida. – Muito obrigada. – Desci do táxi arrumando a mochila no ombro.
- De nada! – Ouvi o Zayn responder.
- Eu não falei com você. – Ri da tosse repentina dele. – Você é muito idiota! – Comecei a caminhar na mesma direção que os outros alunos.
- Bem, mas você realmente deveria agradecer a esse idiota, pois ele avisou a irmã que você estava indo para a mesma escola que ela.
- Espera! A Waliyha estuda aqui? – Ele afirmou com minha surpresa. – Putz grila, Zayn! Muito obrigada!
- Vou fingi que entendi o que você falou no começo da frase, mas não vou dizer “de nada” novamente. – Murmurei um “vai se ferrar” o fazendo gargalhar. O Karl Max estava em pé recebendo os alunos educadamente. – Nossa, precisa aprender muito para ser uma britânica.
- Já sou educada! – Acenei dando bom dia ao Max e entrei caminhando bastante rápido em direção ao prédio de salas.
- Olha, ela sabe dar bom dia. – Novamente o mandei ir se ferrar. – Olha a boca mocinha!
- Ai, droga! – Falei o ignorando
- O que houve? - A voz do Zayn soou preocupada.
- Estou perdida! – Falei apressando meus passos pelos imensos corredores. – Tem um monte de salas aqui, mas não sei qual é o meu de biologia.
- Pergunta a alguém. – Zayn falou normal.
- Zayn, muita gente aqui está me olhando estranho. Você acha que vou parar e falar com qualquer pessoa? – Cochichei com a mão na boca para ninguém saber com quem eu estava falando.
- Bem... – O interrompi com um pequeno grito baixo. – Achou?
- Acho que sim. – Duas garotas entraram na sala e fecharam a porta assim que o sinal tocou. Eu estava encostada na parede ao lado da mesma já que estava ao telefone enquanto conferia na minha lista de horários se aquela era a sala certa.
- Esse sinal quer dizer que você já tem que estar dentro da sala.
- Droga! É melhor eu desligar.
- Desligue e entre! Boa aula, se cuide. – Soltou um beijo.
- Obrigada! Se cuide também. – Estalei um beijo e desliguei o celular o colocando no bolso pequeno.
Dei três pequenas batidas na porta enquanto respirava como um cachorrinho de nervosismo, abri na mesma hora que um cara iria abri-la por mim. Ele provavelmente não chegava aos 30 anos, vestia uma blusa social cinza com uma bata branca, calças pretas levemente folgadas e um sapato social. Ele sorria em minha direção enquanto arrumava a gravata. Fez sinal para eu entrar ainda com seu sorriso que mostrava um de seus caninos meio torto, mas mesmo assim ele continuava com um sorriso lindo.
- Com licença, você é? – Alargou um pouco mais seu sorriso e eu agradeci por ainda segurar a maçaneta da porta enquanto a fechava atrás de mim.
- Ah, me chamo no. ... no . – Deixei meu sorriso se alargar ao ver que o seu também se alargara.
- Ah, Srta. a aluna brasileira. – Rolei os olhos enquanto pegava o papel na mochila. – Prazer sou o Willian Azack, professor de Biologia. – Estendeu a mão em minha direção me obrigando a apertá-la. – Ouvi muito falar de você, sinto muito, mas você perdeu muita matéria.
- Eu sei, mas vou me esforçar para acompanhá-los. – Estendi o papel a ele.
- Espero que consiga! – Ele abriu o papel, olhou rapidamente dobrando no meio seguindo para a sua mesa. – Bem, qualquer coisa fale comigo. – Piscou o olho. – Sente-se ali ao lado da Srta. Lee. – Ele apontou um lugar bem no meio da sala onde observei que todos me encaravam. Uns com sorrisos simpáticos, outros com cara emburrada e já outra garota balançava seu braço freneticamente em minha direção.
- Sr. Azack, ela poderia sentar aqui ao meu lado. – A garota parou de balançar o braço.
- Se a Srta. não se importar. – O professor deu de ombros.
- Ah, eu amaria! - Falei andando em direção da Walyiha.
- Não se preocupe, eu vou te adar. – Ela falou sorrindo enquanto eu me sentava, sorri agradecendo.
- Bom, turma como eu estava falando antes de nossa amiga nos atrapalhar, e peço que isso nunca mais ocorra pois odiamos atrasos, a genética é um ramo na ciência que... – E então começou a aula.

May, 13, 2014 – Tong High School – Bradford – 09:10am

A aula passou rápido, o Sr.Azack é um ótimo professor e apesar de eu ter perdido mais de um semestre de aulas eu consegui o acompanhar durante esta, pois os assuntos dados eu já havia dado há bastante tempo no colégio, então apenas tive que relembrar inúmeros pontos. Foi apenas uma aula de biologia, então a minha próxima seria matemática que meu pai havia me obrigado a colocar, pois quando eu voltasse ao Brasil teria que fazer o ENEM e bem... Precisava de matemática.
- no, é um prazer te conhecer pessoalmente. – Walyiha se aproximou me cumprimentando com um aperto de mão. – Pode me chamar apenas de Waly, essa é a Jeniffer Zadan. – Ela apontou para a garota que estava ao seu lado.
Ela tinha o cabelo bem escorrido e loiro, seus olhos eram azuis quase transparentes de tão claro, seu corpo era magro, porém a mesma era alta, mais alta que eu e a Walyiha. Ela era bastante bonita, mas apesar de todas estarmos com uniformes iguais, suas roupas eram mais folgadas e tortas, como se ela tivesse pegado do fim do guarda-roupa e vestido. Seus tênis estavam bastante desgastados e seu cabelo um pouco desgrenhado amarrado num coque baixo.
- Pode me chamar de Jeni, apenas. – Ela sorriu estendendo uma mão em minha direção.
- ! – Apertei sua mão como fiz com a Waly. – Você gosta de reggae? – Ela corou com a pergunta e arqueou uma sobrancelha. – A sua pulseira.
- Ah, sim! Nossa, preciso esconder mais. – Ela começou a enfiar a pulseira mais para baixo.
- Aqui são proibidos os acessórios. – Waly rolou os olhos.
- Horrível isso. – Repeti o seu ato a fazendo soltar um risinho.
- Você também gosta?
- Mais ou menos, não sou fã, mas ouço bastante. – Waly e Jeni abriram um sorriso.
- Iremos nos dar muito bem! – Jeni falou animada.
- Só não me troque! – Ela apontou para a Jeniffer que riu assim como eu. – Bom, eu tenho aula de sociologia e você?
- Eu tenho matemática.
- Ah é sério? Eu também! – Jeniffer pulou e Waly a repreendeu com um olhar. – Qual é?
- Nada! – Waly murmurou.
- Relaxa, eu não quero roubar ninguém não. – Sorri a mais simpática possível.
– Vamos, já estamos bem atrasadas. – Waly falou apontando para o relógio.
- O professor de matemática é um porre e não tolera atrasos. – Jeniffer revirou os olhos tediosamente enquanto nos dirigíamos para a porta.
- Srta. um momento, por favor. – Virei-me para o Sr. Azack que antes estava entretido em inúmeros papéis, mas agora se levantava vindo em minha direção. – Posso falar com você? – As meninas me olharam com um sorriso sapeca e me deram um pequeno empurrão, olhei para trás resmungando algum palavrão em português.
- Claro! – Mudei minha expressão confusa para um sorriso e ele pediu para sentar na sua frente. Olhei para as meninas faziam sinal de joinha sorrindo e fechando a porta.
- Bom, como eu já lhe disse, você perdeu o começo do assunto.
- Eu sei Sr. Azack, mas eu prometo que irei me esforçar ao máximo para lhe acompanhar.
- Calma! – Ele sorriu. – Foi para isso mesmo que eu lhe chamei, as aulas que dei foram muito importantes e falamos muito de você quando você foi matriculada, então eu estava pensando, que tal você receber aulas extras?
- Aulas particulares?
- Sim! Você já sabe no que quer se formar? – Neguei com a cabeça.
- Amo a área de saúde, mas tem algumas de humanas que gosto bastante, mas não sei qual carreira melhor. – Olhei de canto.
- Bem, eu posso te auxiliar na escolha. – Sorriu me fazendo abri um gigante sorriso... E que sorriso! - Então, topa as aulas particulares?
- Por que não? – Sorri. – Quando começamos?
- Eu vou largar na mesma hora que os alunos, então lhe espero na saída. – Alguns alunos começaram a entrar.
- Ok, então. – Ele sorriu. – Bom, acho melhor eu ir, me falaram que o professor de matemática não é muito fã de atrasos. – Falei já me levantando.
- Ah, então é melhor eu lhe levar. – Ele se levantou e avisou aos alunos que já estavam na sala que voltaria em breve. – Matemática? – Percebi arquear uma sobrancelha. – Pensei que você iria para saúde ou humanas.
- Pois é, ordens do meu pai. – Dei de ombros. – Eu não sei onde fica essa sala. – Olhei o papel que estava em cima do meu caderno.
- Eu lhe mostro. – Andamos mais rápido por algumas portas, subimos as escadas e paramos na frente da primeira porta. – Aqui estamos!
- Muito obrigada! – Eu já ia bater.
- Deixe-me lhe adar. – Piscou o olho.
- Como assim? – Perguntei confusa.
- Você verá!
- Está atrasada. – Um velho quase gritou assim que abri depois de bater. – Você não poderá assistir a minha aula. – Ele sorria vitorioso para mim enquanto eu ainda estava atordoada com o susto.
- Ela estava comigo. – O Sr. Azack passou na minha frente e toda a turma começou a cochichar. – Sente-se Srta. .
- Obrigada – Respondi sem graça e o professor me fuzilou com um olhar.
- Hum, o professor gato tá te salvando. – Jeni cochichou assim que sentei em sua frente. – Pode ter certeza que você está na lista negra desse velho caduco.
- Como assim? – Cochichei de volta.
- Não se preocupe, a maioria da sala está. Eu estou em primeiro lugar. – Ela riu.
- Srta. , já não basta você chegar bem atrasada, tem que conversar em minha aula atrapalhando os seus colegas? Seja bem-vinda ao 10º lugar.
Ele pegou uma foto minha – a que estava na minha matricula – e colocou em uma lista que tinha um monte de alunos. Alguns desceram já que minha foto ocupou a décima posição. Simplesmente fiquei atônita encarando aquela lista... E olha só! A Jeniffer realmente estava no topo.
- Já chegou batendo meu recorde. – Jeni riu baixo.
O professor que atendia pelo nome de Ophelio Kyle estava dando aula demonstrando nenhuma vontade de ensinar. Falava com tédio, explicava irritado e eu simplesmente estava tendo sono a cada palavra proferida. Eu nem sequer mais entendia porque o X havia virado Y e o delta estava sendo resgatado de uma equação já finalizada. Ele passou para o exercício e me encarou, me arrumei mais ereta na cadeira com seu olhar.
- Então Srta. , você poderia me dizer a resposta da primeira questão? – O velho me chamou a atenção e toda a sala olhou para mim.
- Eu?
- Existe outra ? – Ele arqueou uma sobrancelha.
- Sou novata, não sei o nome da maioria, mas acho que não. – Falei ficando em pé ao lado da carteira.
- Então poderia responder meu problema?
- Desculpa, seus problemas, sua solução. – A sala soltou uma risada.
- A questão da lousa! – Falava entre os dentes.
- Esse aí? – Ele afirmou, reli aquela bosta milhares de vezes e não entendi nada. – Eu responder essa pergunta?
- Você!
- Foi você quem a criou?
- Eu sim, por quê?
- Esse problema está perfeito, está bem elaborado, acho que o senhor merece uma salva de palmas. – Bati palmas achando que iria parecer uma tonta só, quando vi a sala toda estava batendo palmas e rindo. – Está vendo, o senhor é um gênio, somente um gênio para criar uma pergunta tão inteligente e bonita ao mesmo tempo.
- Srta. responda logo esse problema, não tenho saco para gracinhas.
- Professor, isso está tão fácil que tenho vergonha de responder. – Ouvi uma gargalhada e olhei para trás rapidamente, era a Jeniffer que se contorcia de tanto rir. – Me recuso a responder isso.
- Por que se recusa?
- Você sabe a resposta?
- Lógico que sei.
- Então para que quer que eu fale se você sabe? – Dei de ombros e me sentei.
- Quero que você ensine para a turma.
- Esse aí é o seu trabalho. – Pisquei o olho, a sala toda soltou uma gargalhada alta, o sinal tocou informando o fim da aula.
- Acabou a aula e não respondeu. Parabéns, você bateu o recorde, primeiro lugar. – Sua voz estava grave.
A sala toda parou o que estava fazendo e me encarou assim como eu encarava minha foto em primeiro lugar fazendo a Jeniffer descer para o segundo. Guardei minhas coisas ignorando toda a sala e joguei dentro da mochila. Percebi Jeni parada apenas me olhando. Joguei a mochila no ombro e saí da sala como se nada tivesse acontecido.
Soltei o ar assim que me encostei à parede ao lado da porta. Inúmeros alunos passavam em todas as direções, eu me senti meio sufocada com toda aquela roupa, mas logo esqueci quando a Jeniffer brotou ao meu lado.
- Garota, você sabe que está ferrada? Ele te odeia, e você nem passou 50 minutos já que chegou ao finalzinho da aula.
- Eu sei que estou não precisa ficar me lembrando. – Fiz bico.
- Eu amei essa aula. – Ela sorriu me fazendo sorrir também.
- Opa! – Dois garotos pararam ao nosso lado. – Vocês são amigas?
- Sim. – Respondi vendo que a Jeniffer estava perdida no garoto que falava.
- Cara, com você agora as aulas não serão as mesmas. – Ele sorriu abertamente mostrando seu aparelho verde. – Ah, desculpa, sou o Jean Colosso. – Ele estendeu a mão direita.
- Prazer! – Sorri. – no .
- Todos te conhecem! – O carinha ao lado estendeu a mão para mim. – Ken Topper.
- Prazer! – Apertei sua mão fria.
- Caraca, as aulas realmente não serão as mesmas com vocês duas. – O Ken falou então corei. – Temos que ir, até a próxima. – Ken e Jean se despediram e sumiram entre o mar de alunos no corredor.
- Opa, terra chamando Jeniffer! – Passei a mão na frente de seu rosto.
- Oi? – Fez careta.
- De qual dos dois você gosta?
- O quê? De onde... de onde você tirou isso? Ér...Claro que não. – Eu gargalhava com a mão na barriga enquanto ela gaguejava e tentava explicar totalmente nervosa.
- Prazer sou a Rainha Elisabeth. – Estendi minha mão para ela que bateu a fazendo abaixar. – Qual é, Jeni. Está estampado na sua testa. Só não sei por qual dos dois.
- Claro que não. – Ela tocava em sua própria testa enquanto olhava para o lado onde pessoas ainda transitavam sem nem se importar conosco ali.
- Só faltou você babar quando pararam aqui. – Rolei os olhos.
- Jean é o afilhado do diretor, um dos atacantes do time de futebol, e muito cobiçado pelas garotas de todos os anos desse colégio. – Aumentei meu sorriso.
- E uma dessas garotas é você.
- Não! Eu sou uma das que não cai na lábia dele. – Ela falou arrumando a saia que era abaixo do joelho.
- Já disse que sou a Rainha Elisabeth? – Foi sua vez de rolar os olhos. – Aí Jeni, por favor, só porque ele é garanhão não te impede de gostar dele. E melhor, não te impede de ter algo com ele.
- Aham, tá!
- Sério, eu mesma já fui afim de um menino bem assim e consegui namorar ele.
- Mas lógico, olha para você, é linda.
- Eu, linda? Garota olha para você! – Apontei meu celular em sua direção. – VOCÊ é linda, magra, olhos azuis, cabelo liso e loiro. Por favor! Você tem tudo que a sociedade impõe de ser a garota perfeita.
- Você está com problemas de visão. – Ela bateu em meu ombro.
- Você só precisa de uns astes nas roupas, maquiagem e tal... nada que uma passada em uma costureira não resolva. – Pisquei o olho. – Essa saia está enorme, essa blusa amassada demais, esse blazer desbotado e seus sapatos? Precisando de outros com urgência.
- Assim você está me humilhando. – Sua voz saiu baixa. Me senti mal com isso.
- Desculpa, às vezes esqueço de filtrar o que falo. – Bati minha mão na testa. – Mas fui sincera.
- Eu sei que não sou cuidada, minhas roupas não são novas e blá blá blá... Mas no, eu não sou como vocês! – Ela apontou para todo o colégio.
- Meninas, ainda aqui? – Waly brotou ao nosso lado. – Nossa, o que houve aqui?
- Eu estava falando que a Jeni precisa rever suas roupas. – Falei baixo percebendo a Jeni abaixar a cabeça. – Mas não falei por mal, ro!
- Eu poderia rodar a minha mão na sua cara por isso, mas sinto por suas palavras que você não falou por mal. – Meus olhos estavam arregalados na direção da Waly. – Sei que mal nos falamos, mas pelo que o Zayn falou de você eu posso confiar porque você. Entããão, já te considero minha amiga. – Ela passou o braço pelo meu ombro me abraçando. – Mas voltando aqui ao assunto: Jeniffer/Roupas. Realmente você está certa e eu já falei isso a ela mil vezes.
- Ela precisa se valorizar mais.
- Já estou te amando! Você pensa o mesmo que eu! Falo isso sempre.
- Isso se chama insegurança. – Eu falava encarando a Jeni de cabeça baixa.
- Gente, eu estou aqui. – Jeni ergueu a cabeça.
- Eu sei, estou olhando bem para você. – Rebati assim como a Waly que proferiu as mesmas palavras que as minhas.
- O que eu faço? – Jeniffer mantinha a voz fraca.
- Seja você mesma. – Falei e a Waly deu um pequeno pulinho de animação.
- Podíamos começar agora mesmo. – Waly olhou Jeniffer da cabeça aos pés.
- Como? – Jeni perguntou.
- Põe essa saia mais para cima. – Apontei.
- Podemos passar uns lencinhos umedecidos nesses tênis. – Waly apontou.
- Soltar e dá uma penteada nesses cabelos. – Jeni coçou a cabeça.
- no, você está pensando no mesmo que eu?
- Não sei, mas sei que aqui na bolsa tenho uma nécessaire com algumas maquiagens. – O sorriso da Waly aumentou.
- Devo ter um kit costura no meu armário. Mas sei que aqui na bolsa tem alguns cremes para cabelo.
- Isso está ficando cada vez melhor. – Meu sorriso se estendeu.
- Vocês estão me assustando. – Eu e Waly nos encaramos e depois encaramos a Jeniffer que mantinha sua expressão apavorada.
- Você vai com ela para o banheiro e faz uma maquiagem, eu vou lá ao meu armário pegar meu kit e encontro vocês.
- Perfeito! – Falei entrelaçando meu braço no da Jeniffer.
- Está no horário do intervalo.
- Jeniffer, quem pensa em comer quando se tem uma Barbie para arrumar. – Waly acenou dando as costas e andando rápido em direção as escadas.
- Vamos, temos muito que fazer e pouco tempo. – A puxei procurando um banheiro.

May, 13, 2014 – Tong High School – Bradford – 12:03pm

Caminhei com minha bandeja - contendo suco e frango ao molho doce e azedo acompanhado de arroz e salada- nta as garotas até uma mesa um pouco perto da porta. Muita gente olhava em nossa direção desde que saímos com a Jeniffer transformada do banheiro. Sentei de costas para todos ao lado da Jeni enquanto Waly sentou na minha frente.
- É impressão minha ou tem um monte de gente nos olhando? – Perguntei abrindo a garrafa do suco.
- Você já abriu algum site de fofoca? – Jeniffer levou um olhar repreendedor da Waly. – Que foi?
- Esse tipo de coisa é muito delicado.
- Não, podem falar. – Tomei um gole do meu suco.
- Em todos os sites estão comentando sobre a nova affair do Styles. – Parei minha garrafa ainda na boca. - Que no caso é você.
- Nossa! – Coloquei a garrafa de volta à mesa perdendo o apetite.
- Mas não liga não, é só você não se importar com esses abutres. – Waly colocou um pedaço de frango na boca. – Sabe, eles só querem ganhar dinheiro, aí posta qualquer coisa.
- Mas, cá entre nós... você e o Styles? - Waly provavelmente deu um chute nas pernas da Jeniffer por baixo da mesa pude sentir o movimento.
- Que foi agora? Não posso mais fazer pergunta nenhuma. – Ri pelo nariz. – Não sou nenhuma jornalista e nem vou vender notícia.
- Sim, estamos meio que no começo de um relacionamento. E também sei que vocês não vão vender notícia, na verdade, não tenho nada que esconder de vocês. – A não ser que não namoro ninguém e isso é apenas um contrato.
- Meu Deus! – Jeniffer tampou a boca com as mãos. – É um relacionamento bebê?
- É assim que vocês chamam ficadas aqui? – Arqueei uma sobrancelha.
- Não, mas a Jeniffer é toda gay nesses assuntos. – Waly rolou os olhos. – Sabe, eu sempre achei que o Harry era gay.
- Não! Ele não é. – Falei rápido demais.
- Pelo visto não é mesmo. – Jeni se divertia com a situação. – Vem cá, eu posso tomar esse suco?
- Jeniffer, você toma ele há uns três anos, porque não poderia? – Waly arqueou uma sobrancelha em sua direção.
- É que há três anos eu não estava usando batom. – Ri enquanto co um pouco do arroz.
- Ele é matte amiga, não se preocupa não, pode beber à vontade. – Waly apontou.
- O que significa matte? – Jeni perguntou após beber e tocar na boca.
- No termo de maquiagem tudo que é “matte” quer dizer sem ser cintilante, sem brilho. – Respondi.
- Decore isso, pois você vai usar muito. – Waly piscou o olho.
- O que vocês estão tramando? – Ri enquanto tomava mais do meu suco que mesmo não sendo natural da laranja, estava muito bom.
- Vamos às compras mais tarde? – Waly falou bastante animada.
- Walyiha, você sabe que eu não tenho dinheiro. – Jeni abaixava o tom de voz.
- Presente de aniversário. – Waly deu de ombros. – E aí, , topa?
- Ah, eu não sei. O Sr. Azack irá lá a casa hoje. – Falei sem graça e as meninas arregalaram os olhos em minha direção.
- O professor mais gostoso de toda a escola irá à sua casa? – Waly quase gritou.
- Waly! – A repreendi nto com a Jeniffer.
- Ai, desculpa! Empolguei. – Ela se aproximou mais. - Você não nos contou ainda sobre a conversa que teve com ele. – Seus lábios tinham um sorriso muito malicioso.
- Ele só me ofereceu aulas particulares. – Respondi fechando a já garrafa vazia.
- Ai, meu Deus, ele está dando em cima de você! – Jeniffer quase gritou chamando atenção de alguns meninos na mesa ao lado que nos olhou com tédio.
- Claro que não, ele só foi gentil, faltei muita aula dele. – Cochichei.
- Aham. – Jeniffer murmurou olhando para trás. – E agora, o assunto de meninas será morgado.
- Finalmente! – Virei na direção que a Jeniffer olhava, mas o garoto já estava ao lado da Waly a beijando. – no, esse é meu namorado, o Caleb Franklin.
- Prazer, no . – Apertei sua mão.
- 95% do colégio está falando de você. – Ele riu sentando na frente da Jeni e eu me encolhi.
- Amor! – Waly bateu em seu braço.
- Não era para falar? – Ele cochichou.
- Sem problemas, eu me acostumo.
- Espero que você se acostume com isso. – Arqueei uma sobrancelha para a Waly, mas comecei a entender assim que uma garota parou ao meu lado.
- no, não é? Estou te reconhecendo, você é a garota que está beijando o Harry Styles no aeroporto do Brasil.– Ela quase gritou a última frase e quase todo o refeitório olhou para mim. – Ai, meu Deus, você é muito sortuda cara, e ainda veio estudar no meu colégio! – Ela começou a dar uns pulos e falar alto demais. – Caraca, como você consegue agir tão normal?
- Eu... Hã... eu sou normal! – Seu sorriso aumentou fazendo eu me encolher quase me colando na Jeniffer.
- Você é amiga da Waly! Claro que é! Você é amiga do irmão dela então... – A garota falava muito rápido, e a cada palavra se aproximava mais de mim.
- Estava demorando. – Waly se levantou vindo para o lado dela. – Felipa, por favor, estamos almoçando.
- Desculpa! – Ela fez um bico. – Não me aguentei quando ouvi os boatos, tive que vir constatar.
- Pronto, já viu, agora vaza. – Waly apontou para o outro lado. – Nos deixa comer em paz, por favor.
- Tudo bem. – A garota se afastou. – Ah, sou a Felipa Rocky. – Ela acenou andando de costas e quase batendo em um garoto.
- Uma Directioner louca. – Jeniffer murmurou.
- Espero que não tenha mais dessas aqui. – Cochichei tentando voltar a minha respiração normal.
- Acho melhor se acostumar. – Caleb sorriu torto.
- Sinto que esses cochichos são falando de mim. – Murmurei olhando de soslaio sobre meu ombro.
- Boa parte está mesmo. – Jeniffer falou. – Mas com a Waly era assim também.
- “Aquela não é a irmã do Zayn Malik? Meu Deus é ela sim...” – Caleb fez voz afetada. – Era bem assim quando o Zayn começou a cantar.
- Ele ainda estudava aqui, e antigamente eu não era o foco, mas assim que ele saiu eu fiquei o centro. Era horrível. – Waly rolou os olhos.
- Mas daí, ela deu um basta. – Jeni riu.
- Um basta do tipo...? – Caleb não me deixou continuar.
- Um basta tipo Waly!
- Um dia você vai entender. – Jeniffer tocou no meu ombro.
- Opa! Mesa centro das atenções. – Eu já havia ouvido essa voz, mas só tive certeza de quem era quando percebi a Jeniffer congelar.
- Podemos sentar? – Agora era o Ken.
- Não sei para que perguntam, vocês sempre sentam. – Waly bebeu o suco do Caleb.
- Estava sendo educado, vejo que não só tem as mesmas pessoas aqui. – Jean me encarava com um sorrisinho. – Já formos apresentados? – Sentou ao meu lado.
- Sim. – Sorrir em sua direção. – Jean, estou certa? – Claro que eu sabia seu nome, aliás, sabia nome, sobrenome e o nome do meio, sabia sua data de nascimento, onde morava e até que tinha um cachorro chamado Pringles. Mas eu não entregaria que a Jeniffer havia me falando tudo isso enquanto a arrumávamos no banheiro.
– Hey, você está diferente. – Ken falou olhando para a Jeniffer.
- Verdade! – Jean falou agora a encarando.
Percebi o rosto da Jeniffer ficar vermelho, parecia que havia levando dois tapas na cara. Ela ficou toda sem jeito então a Waly começou a falar o quanto ela estava linda e que todos os garotos se preparassem, pois ela iria arrasar corações. A Jeni ficava vermelha a cada elogio proferido, e percebi ela esfregar as mãos a todo tempo em sua saia.
O resto do almoço foi só falando sobre a mudança da Jeni, depois falamos sobre as próximas aulas o que descobri que o Ken faria culinária comigo. Assim que o sinal tocou, segui nto a ele para a cozinha do colégio enquanto os outros quatro seguiam direção oposta.

May, 13, 2014 – Tong High School – Bradford – 04:00pm
O sinal tocou no exato momento pelo qual quase implorei. A aula de culinária de hoje foi como fazer cookies e como deixar as gotas de chocolate ainda molinha mesmo depois de assar. Claro que amei as dicas e a professora que arrisquei ter uns 80 anos, mas eu queria muito ir para casa. Estava cansada e com muita fome, o almoço já havia perdido todo o seu efeito, como eu recusei a sobremesa eu estava mais do que faminta.
Guardei o meu material no corredor onde me despedi das meninas e Caleb, segui até a portaria onde avistei o Sr. Azack, ele fez sinal discreto para segui-lo. Comecei a caminhar na mesma direção, porém mantendo uma distância enorme até ele parar em um mini Cooper Countryman azul marinho que estava no fim do estacionamento.
- Desculpa, mas é melhor que ninguém nos veja no mesmo carro. – Coloquei uma mecha do meu cabelo atrás da orelha um pouco sem jeito. – Não posso arriscar que criem boatos comprometedores para ambos os lados.
- Não se preocupe, eu lhe entendo. Não posso ter boatos como esse.
- Sua família? – Arqueou uma sobrancelha enquanto destrancava o carro e abria a porta do motorista.
- Hm... Não, minha família não chama muita atenção do público. – Ri fraco sentando ao seu lado. – Mas bem, namoro com um cara que qualquer coisinha eu posso me dar mal para todos.
- Ah, você namora um daqueles caras da One Direction.– Assenti com a cabeça enquanto ele dava ré para sairmos dali. – Me desculpe, mas não sei o nome de todos somente o do Zayn que estudava aqui.
- O nome dele é Harry Styles. – Sr. Azack balançou a cabeça mostrando que estava prestando atenção em mim, mesmo estando dirigindo. – Não temos muito tempo de “namoro sério”. – Claro, nem namoramos de verdade.
- Então você tem que se manter no máximo do anonimato para ninguém saber sobre você?
- Na verdade, saiu umas fotos nossa quando vim para cá. Então muita gente já sabe de mim, mas prefiro não ter boatos errados na mídia.
- Ah, acho que estou entendendo. – Sorri olhando para a rua. – Bem, onde você mora?
- Milnrow... Mas não sei como chegar lá. – Tampei meu rosto com as duas mãos.
- Sem problemas, por isso que temos o GPS. – Ele apontou para o aparelho no painel. – Pode pôr o nome da rua e ele nos diz como chegar lá.
- Ótimo! –Falei já digitando a rua que graças a Deus eu já decorei.
Alguns minutos depois chegamos finalmente na minha casa, o Sr. Azack estacionou o carro na garagem e então me acompanhou até a porta. Abri a mesma entrando na casa e agradecendo aos céus por não ter tido tempo de bagunçá-la.
- Bem, não sei você, mas eu estou morrendo de fome.
-Tudo bem, eu espero você comer. – Eu ia falar que ele poderia me acompanhar, mas ele não me deu tempo. – Estudaremos aqui? – Ele apontou para a sala.
- Acho melhor... se quiser afasto a mesinha do centro. – Joguei a mochila no sofá.
- Ele aí está ótimo, podemos usar como mesa. – Piscou o olho.
- Então tudo bem. – Caminhei até a cozinha percebendo que ele me seguia. – Sr. Azack o que gosta de comer? - Perguntei caçando algo nos armários.
- Por favor, não me chame de Sr. Azack quando estivermos fora do colégio, apenas Willian, professor me torna muito velho e eu tenho apenas 21 anos. – Deu um sorriso torto. – E não se preocupe, não estou com fome.
- Não me faça comer sozinha. – Fiz bico – Sabe o que mais? Vou pedir uma pizza, todos amam pizza.
- Pizza? – Fez careta.
- Você não gosta? – Arregalei meus olhos.
- Claro que gosto e pizza parece uma boa ideia.
Peguei uma lista telefônica que tinha dentro de uma gaveta que a Els havia me dito e procurei uma pizzaria mais próxima e mais rápida. Enquanto não chegava arrumamos a sala para ficar mais confortável. A pizza chegou, peguei duas latas de refrigerante, pratos, talheres e voltei à sala lhe entregando um de cada.
- Me avisava, eu lhe adava. – Dei de ombros. – Bom, eu gostaria de saber qual o seu nível de biologia atual. – Encarei o Willian com uma sobrancelha arqueada. – Qual seu último assunto na sua antiga escola.
- Bem, estávamos dando evolução.
- Ótimo, não está tão atrasada. – Sorriu. – Uma pergunta rápida.
- Por favor, maneire na dificuldade. – Fiz careta com o nervosismo.
- Aposto que você vai acertar. – Respirei fundo – Quem derrubou abiogêneses? – Fiz outra careta. – Seu primeiro nome é o nome de um dos carinhas da One Direction.
- Louis Pasteur?
- Perfeito! E você disse que não sabia.
- Willian, se tiver dicas assim eu acertarei sempre. – Ele riu pegando um livro.
- Bem, então vamos falar sobre a abiogênese e depois como o Pasteur derrubou essa teoria...

Capítulo 9


May, 13, 2014 –Milnrow – Rochdale – 07:54PM
A aula além de construtiva foi muito divertida, passamos de evolução para corpo humano e quase chegamos ao assunto de genética. Eu estava tentando colocar na minha cabeça aquelas novas palavras em inglês, às mesmas palavras que dei duro para aprender em português. A única coisa que me tirava à concentração da aula era aquela gargalhada que o Willian dava quando eu acertava alguma questão, e também, aqueles sorrisos tortos no final de cada explicação.
- Os humanos têm 46 cromossomos distribuídos em 23 pares, eles são diploides. 22 pares destes cromossomos são autossomos e um par são cromossomos sexu... – A campainha tocou me fazendo tomar um susto. – Esperando visita?
- Que eu saiba não. – Olhei no relógio vendo que já ia dar quase oito horas. – Deve ser algum vizinho.
- Tudo bem, eu espero. – E me deu mais uma piscadela.
Levantei rapidamente e caminhei em direção da porta. Olhei-me no espelho percebendo um risco de caneta perto do meu lábio inferior, esfreguei para tirá-lo e logo olhei no olho mágico. Surpresa! Abri a porta rapidamente para o Harry entrar e não ser visto ali na rua ou atacado por alguma fã – vai que tivesse. Harry estava com um enorme trench coat preto, blusa azul dando destaque já que sua calça jeans e sua bota também eram pretos.
- Opa! – Falei o encarando dos pés a cabeça.
- É assim que você recebe seu namorado? – Ele riu vindo me dar um beijo na bochecha. – Estava treinando beijo pra me dá?
- Eu nem sabia que você vinha.
- Sua boca está vermelha. – Me olhei no espelho constatando que era verdade. – Ah, e de quem é aquele carr... – Harry se interrompeu assim que chegou à sala. – Quem é ele?
- Olá, sou o Willian Azack, profe... – Willian já estava em pé estendendo a mão ao Harry que ignorou o interrompendo.
- O que você está fazendo aqui, sozinho com a ? Vocês estavam se beijando? – A voz do Harry demonstrava nojo.
- Você não me deixou terminar, sou professor de biologia da e... – O Harry novamente o interrompeu.
- Pensei que as aulas fossem no colégio. – Harry deu mais um passo agora se encostando ao sofá que era a única coisa que os separava.
- São no colégio, mas ela chegou atrasada demais, então vir aqui dar aulas perdidas.
- Os outros professores vêm também? – Harry perguntou o desafiando.
- Na verdade foi uma opção que eu encontrei, não sei o que os outros professores farão. – Willian deu de ombros se abaixando para suas coisas. – Pelo que soube, semana que vem ela irá perder aulas.
- Semana que vem ela vai me acompanhar. – Harry vociferou.
- Vai perder aulas. – Willian repetiu fechando sua bolsa.
- Vai dizer que eu sou o culpado?
- Ela vai faltar inúmeros assuntos para lhe acompanhar em shows.
- Ela é minha namorada, tem que estar comigo nos momentos importantes. – Harry aumentava seu tom de voz a cada frase dita.
- Verdade, ela é sua namorada, e você como namorado deveria ver o que é melhor para ela. E ter aulas para passar de ano é uma das coisas importantes. – Willian tocou no peito do Harry com seu indicador.
Eu estava estática ao lado dos dois, meus olhos arregalados e minha boca quase abria uma cratera no chão. Meu professor de biologia e o Harry discutindo na minha frente e por minha causa? Eu não sabia o que fazer, apenas sabia que o Harry estava com muita raiva por essa atitude dele.
- Chega! – Afastei a mão grande, macia e quentinha do Willian. – Harry, ele veio apenas me ajudar não vejo problema nisso.
- Não acredito que você não vê nenhum problema nisso. – Harry gritou mais alto. – , esse daí não tem cara de professor.
- E precisa ter cara para ser professor? Pelo que eu saiba precisa ter diploma e ele tem! – Falei no mesmo tom de voz.
- O que eu estou querendo dizer... – Harry havia começado a tentar argumentar, mas o Willian o interrompeu.
- Harry, eu só vim dar aula, como eu já disse. me desculpe por todo esse transtorno, eu acho melhor ir embora. – Ele arrodeou o sofá e caminhou para a porta. Joguei um olhar mortal na direção do Harry.
- É o melhor que você faz mesmo. – Harry atacou enquanto eu jogava um olhar mortal em sua direção e ele fazia sua cara de sonso.
- Me desculpa pelo Harry! – Repeti a apalavra desculpa mil vezes. - A gente marca outra aula?
- Sim, eu não irei lhe prejudicar mais do que já está prejudicada por causa dele. – Apontou na direção da sala. – Mas marcamos em um dia de show que você não vá e ele não possa aparecer.
- Tudo bem! – Assenti segurando a maçaneta. – Muito obrigada.
Fiquei encarando o Willian pegar seu carro e desviar do carro do Harry que estava parado no meio fio. Seu carro ficou distante na rua, então era agora que eu iria encarar pela primeira vez um Harry com raiva de algo. Não que eu estivesse entendido o porquê tanta raiva, mas agora que ele está... Rezar para que todos saiam com todos os membros e ótima saúde.
- Satisfeito? – Foi à única maneira que arranjei de começar um diálogo com o Harry que ainda estava parado no mesmo lugar admirando alguma coisa na estante.
- Muito. – Murmurou sem nem virar-se para mim.
- Não acredito que você fez toda essa cena. – Caminhei na direção das latas vazias.
- Cena? Ele estava dando em cima de você!
- ELE NÃO ESTAVA DANDO EM CIMA DE MIM! – Talvez... Talvez eu estivesse flertando com ele. Talvez ele estivesse flertando comigo... Mas Harry não precisava saber de nada disso.
- EU VI NA CARA DELE! – Harry gritou com a mesma altura que me grito anterior.
- VOCÊ FICA IMAGINANDO COISAS.
- EU O VI TE OLHANDO COM DESEJO.
- NEM AQUI VOCÊ ESTAVA PARA DIZER COMO ELE ME OLHAVA! – Nós dois paramos. Encaramo-nos pela primeira vez desde que o Willian foi embora. – Harry, olha só. Eu perdi muitas aulas e é bom eu dar duro para acompanha-las porque junho daqui a pouco chega com as provas finais e eu nem sei como são as provas daqui. Hoje foi meu primeiro dia de aula e já foi turbulento o bastante. Tive aulas que nunca tive na vida, fui para a lista negra do professor de matemática, tive encontro com uma fã sua que deu um chilique para todo o refeitório e eu já estava exausta o suficiente até você chegar e fazer todo esse escândalo.
- Eu não estou fazendo escândalo. – Harry encarava meu dedo indicador que estava no mesmo lugar onde o Willian havia colocado o dele momentos antes.
- Ah, não? E o que é isso aqui? – Ele permaneceu calado. – Você vem sem avisar, faz toda essa “cena” e depois diz que não é escândalo? Porque você veio mesmo?
- Porque você é minha namorada. – Ele deu de ombros com um sorriso torto e sem graça.
- E a gente nem namora de verdade...
Paramos novamente. Encarávamo-nos piedosamente, sem nenhum mostrar nenhuma reação. Eu tentava decifrá-lo pelo seu olhar, sei que mil coisas se passavam em sua mente – assim como na minha – e eu daria de tudo para ser um Edward Cullen e lê-la. Mas apenas fiquei o olhando nos olhos, um dos dois iria piscar primeiro, e não seria eu.
- A gente namora por mídia, isso já é o bastante para eu me preocupar. – Ele bufou virando suas costas para mim.
- Se preocupar com o quê? Se vão sair notícias por aí como: “Harry Styles é traído”?
- Nem ligo pra isso, mas se já lhe tratam mal sem você nunca ter feito nada, imagina se saísse algo como isso.
- Harry, sei me virar sozinha.
- , deixa de ser assim!
- Assim como? – Fui até o sofá e me joguei no mesmo.
- Eu só quero o seu bem. Vamos parar com essa briga tola e agirmos como dois adultos. – Então ele resolveu me encarar.
- Eu não sou adulta. – Sim, eu estava tentando esvair a tensão.
- Mas não é nenhuma criança. – Respirou fundo comigo lhe acompanhando. – Olha, desculpa, tá bem? Eu realmente agi como um tolo. Quando eu vi aquele cara te olhan...
- Harry... – Ele se ajoelhou na minha frente colocando um dedo na frente da minha boca.
- Lembra no avião que eu disse que era só sermos amigos e tudo fluiria bem? – Afirmei com a cabeça. – Então, vamos fazer com que esse nosso tempo juntos não sejam de brigas e sim um momento maravilhoso.
- Como assim?
- Seremos amigos acima de tudo.
- Sem essa sua atitude controladora?
- Eu não sou controlador. – Ele bufou se levantando.
- É sim, fica reclamando quando entro no twitter, o que faço ou deixo de fazer...
- Tudo bem, prometo não ficar no seu pé. – Deu um sorriso torto.
- Nem demonstrar esses ciúmes?
- Não era ciú... – O cortei com apenas um olhar. – Tudo bem.
- Então aperta aqui. – Estendi meu mindinho para ele.
- Sério isso?
- Vai logo! – Ele entrelaçou o dedo no meu. – Prometo que você não irá precisar se preocupar tanto.
- Prometo não ficar implicando. – Ri da careta dele. – Isso foi gay!
- Claro que não. – Harry sentou do meu lado antes que desse tempo de avisar que tinha um prato sujo de ketchup.
- Você fez isso de propósito! – Me encarou enquanto passava a mão na calça melada.
- Juro que não! – Eu estava em gargalhadas então ele simplesmente passou a mão melada em meu rosto. – Harry, seu vagabundo.
- Tá engraçado. – Peguei um sachê de maionese e espremi em seu braço.
- Ai meu Deus! Você é tão branco que nem aparece
- É o mesmo que passar mostarda em você. Também nem vai aparecer.
- Ah, vai à merda! –Falei passando um guardanapo no rosto enquanto me limpava. – Como você é idiota!
- Somos idiotas. – Ele sujou apenas meu nariz com a ponta do seu indicador. Ergui meu dedo do meio em sua direção. - É, bem que o Malik disse que você precisa de aulas de boas maneiras.
- Zayn é outro idiota! – Resmunguei me levantando e juntando as coisas sujas da sala. – Me ligou bem cedinho pra me zoar.
- Ele disse que havia falado com a Walyiha, vocês se viram?
- Passei o dia todo com ela e o grupinho dela. – Caminhei até a cozinha com a pilha de louça, Harry veio logo atrás com as embalagens vazias.
- Gostou da escola?
- Sim, é bem legal lá. Apesar de ter algumas pessoas com problema mental, tipo uma tal de Felipa que ficou pulando do meu lado enquanto falava de você, e claro, sem esquecer do meu professor preferido... – Olhei para Harry de soslaio e vi rolar os olhos. -... Ophelio Kyle.
- Quem? – Harry colocou as coisas no lixo.
- Meu lindo e careca professor de matemática. – Coloquei toda a louça dentro da pia.
- A lista negra que você entrou? - Afirmei com a cabeça. – Então, já pode me contar tudo.
- Posso tomar um banho primeiro? – Encarei meu uniforme ainda vestido.
- Tudo bem, vá logo. – Sai correndo até a sala, jogando tudo na mochila e correndo escada acima.

May, 13, 2014 – Milnrow – Rochdale – 11:34PM
- Podemos assistir outro, que tal? – Harry acabou me acordando de um pequeno cochilo. – Não acredito! Você dormiu na melhor parte?
- Claro que não! – Cocei meus olhos vendo os créditos passarem na TV. – Eu assisti tudo.
- O que aconteceu então? – O encarei e ele simplesmente tinha o olhar cravado em mim.
- Sabe o que mais? Eu preciso dormir! – Me levantei pegando a vasilha de pipoca e as latinhas de refrigerante. – Amanhã cedo tenho aula.
- Olha que garota dedicada. – Harry desligava a TV e arrumava as almofadas no sofá.
- Será que o Charlie está acordado há essa hora?
- Quem? – Harry me seguia até a cozinha.
- Charlie, o taxista que tenho o número. – Coloquei as latas no lixo e a vasilha na pia onde já tinha alguns pratos e copos então virei para ele.
- Eu estou aqui. Acho que está um pouco tarde para eu voltar para minha casa. – Harry deu de ombros.
- Estaria se insinuando para me levar à escola amanhã? – Harry afirmou com a cabeça. – Por mim tudo bem.
- De que horas saímos?
- Às sete! – Voltei meu troco para a pia pensando seriamente em lavar tudo naquela hora. – As louças poderiam se lavar sozinha.
- Coloca no lava louças, oras. – Meu olhar se iluminou.
- Sério? – Harry riu e me encaminhou para uma porta onde jurei ser o forno.
- Então, você põe aqui dentro e... – Ele me explicou e colocou fazendo todos os passos. O que achei perfeito, pois como eu com certeza mal irei cozinhar, eu usaria aquilo todos os dias.
- Isso é um presente dos deuses.
- Deixe de ser lesa. – Estendi meu dedo do meio. – E mal educada.
- Já que você está com a mão na massa, pode muito bem secar e guardar. Enquanto me preparo pra dormir. – Falei colocando um pano de prato em seu ombro. – Boa noite Styles, até amanhã.
- Se aproveite mesmo, mocinha. – Me deu um beijo na bochecha. – Boa noite.
Segui para a sala de jantar ouvindo o lava louças informar que já podia retirar tudo de dentro, pensei em voltar para ajudá-lo, mas a preguiça foi maior então peguei meu celular no sofá e fui para o quarto. Antes de chegar ao mesmo havia duas mensagens novas, abri para ler.
Oi, lembrei que não trocamos os números, então como visitei o Zayn hoje ele me deu seu número. Ah, anexado está o número da Jeniffer. Então, já pode salvar, iremos precisar muito. – Waly.x
Sem esquecer... Como está a aula com o professor gostoso? Ele já foi explícito? Que sorte a sua! – Waly. Ansiosa por detalhes . X

Ri sozinha lendo as mensagens e salvei o número das meninas. Respondi a Waly informando que amanhã eu contava as duas o que aconteceu, mas que acabassem com as expectativas de que rolou algo entre nós dois. Peguei um conjunto de pijamas moletom, enrolei minhas roupas íntimas juntas e fui ao banheiro. Tomei um banho rápido, me enxuguei e me vesti. Escovei meus dentes e fui para a cama. Quase iria dar meia noite, peguei meus fones de ouvido conectando no meu celular e ligando numa playlist aleatória. Regulei a temperatura do quarto esquentando até os 22°C onde não era quente, mas também não era frio de morrer, era confortável. Me aconcheguei nos lençóis fechando os olhos tentando dormir o que não foi muito difícil.

May, 22, 2014 – Milnrow – Rochdale – 09:09AM
Malas prontas desde ontem, roupas separadas junto com o par de calçado e os acessórios. Olhei para meu reflexo de roupão e toalha enrolada na cabeça pelo espelho. Sentei de frente para a penteadeira pensando no que fazer em meu cabelo. Não sabia se passava uma chapinha e deixava todo liso, ou babyliss para deixar ondulado... Com certeza o secador eu usaria! Peguei o aparelho, tirei a toalha da cabeça e comecei o processo. No meio da secagem resolvi passar chapinha e assim que terminei todo o meu processo do cabelo comecei a passar maquiagem. Bastante corretivo e base pra tirar todas as minhas olheiras por causa das noites mal dormidas, passei o pó, lápis de olho bem pretos, três rímel diferentes para deixar meus cílios bem alongados, um blush pêssego pra dar um ar de viva. Assim que tirei todos os borrados, peguei minha roupa e comecei a vesti. Era apenas um vestido branco, justo no busto e solto pelo resto das extensões, seu cumprimento era um palmo acima do joelho. Como fazia 17°C atualmente coloquei uma jaqueta de couro preta e calças leggins da mesma cor que se misturava na meia calça. Meus calçados eram botas de couro com canos longos. Coloquei um pequeno cinto preto na cintura dando um laço na frente, fui até o closet e peguei um diadema preto de laço também que combinava perfeitamente com o cinto.
Ouvi uma buzina soar, corri até a janela vendo uma BMW e a Eleanor acenando com as mãos freneticamente. Fiz sinal para ela me aguardar já voltando correndo para o espelho. Passei todos os produtos necessários para ficar cheirosa por um longo tempo e peguei minha bolsa de mão preta média. Joguei meu celular dentro que estava enrolado no fone de ouvido, me olhei no espelho vendo se tudo estava certo. Ok! Tudo bem! Peguei minha mala e saí puxando pelo carrinho até o andar de baixo. Verifiquei se a porta dos fundos estava trancada então desliguei o aquecedor e segui para a porta da frente a abrindo já dando de cara com a Eleanor segurando dois copos de café e um pacote de papel. Tranquei a porta da frente depois me virando novamente para ela.
- Bom dia! – Ela sorria, não se passava das 10:00 e ela tinha um enorme sorriso no rosto. – Sei que não tomou café da manhã, então trouxe algumas coisinhas para enganar o estômago.
- Bom dia e obrigada! – Sorri tentando não parecer grossa ou tediosa. Peguei o pacote de suas mãos e caminhei puxando minha mala até o carro.
- Bom dia Srta. . – Peter apareceu ao lado do carro já abrindo o porta-malas.
Acenei com a cabeça entregando minha mala, ele colocou ao lado da mala da Eleanor que era igual a minha, porém azul. Caminhei calmamente até a porta de trás e entrei apertando minhas têmporas como se isso fosse afastar a dor de cabeça que começava a me importunar.
- Está tudo bem? – Eleanor perguntou calmamente sentando ao meu lado.
- Sim, só estou com uma dor de cabeça chata.
- Tenho aspirinas. – Ela começou a revirar sua bolsa.
- Não precisa, já tomei. – Menti. – Obrigada!
- Não há de que? – Ela deu de ombros. O Peter entrou, apertou os cintos e começou a dirigir. – Pronta para a Irlanda?
- Não! – Confessei então ela murchou seu sorriso.
- Mas temos que ir. – Ela segurou minha mão. – Foi algo que leu na internet?
- Mais ou menos. – Olhei de soslaio para ela.
- , esquece esses negócios, estamos juntas. Farei você aproveitar o máximo. – Balançou seu cabelo divino.
- Obrigada! – Sorri verdadeiramente em sua direção. – Sempre pensei que você fosse tímida.
- Sou obrigada a parecer assim, mas nunca fui. – Ela fez bico. – E você? Já deram alguma regra de como ser?
- Bem, ainda não. – Encarei meu vestido.
- Ainda bem, eu odeio esse lance de ficar só rindo fraco e toda quietinha quando estou na frente das câmeras, essa não sou eu. Mas eu e o Louis nos damos bem por eu ser o feminino dele.
- Percebi isso. Eu e o Harry estamos nos dando bem também, graças a Deus. Lógico tirando aquele ataque que ele deu na terça.
- Harry é bastante protetor.
- Percebi isso. Vive me mandando mensagens, às vezes esqueço que só somos amigos. – Ela riu enquanto eu corava. – Posso te contar um segredo?
- Todos!
- Eu tenho uma quedinha pelo Zayn. – Cochichei a fazendo abrir a boca num enorme O. – Ai meu Deus! Assumi isso em voz alta!
- Isso deixa os fatos muito mais verdadeiros. – Me deu uma piscadela. – Eu tenho pelo Niall, quase ficamos numa balada, mas por ser pública não pudemos. Mas às vezes a gente se flerta ainda. – Eleanor sorriu. – Mas olha você é de sorte! A Perrie é daquelas pessoas que não se importa em ser chamada de corna.
- Muito bom saber de tudo isso! – Ela gargalhou. – Bem, espero que essa viagem seja muito boa!
- Também espero! Não vejo a hora de chegarmos à Irlanda, lá é muito lindo!

May, 22, 2014 – Dublin Airport – Ireland – 11:32AM
Assim que o avião encostou ao chão meu coração gelou. Não de frio, mas sim de medo! Medo por eu ir está encontrando o One Direction, medo porque eu e o Harry iremos confirmar o relacionamento, medo do que as fãs irão falar após tudo isso, medo do que as fãs irão fazer... Eleanor desatacou seu cinto e me olhou de soslaio, eu devo esta parecendo uma maníaca segurando os braços do assento com força.
- Hey, está tudo bem? – Afirmei com a cabeça. – Você acha que elas poderão fazer alguma coisa diretamente a você? – Afirmei novamente. – Não poderão não, ok? Estou aqui, o Peter também está e nada de mal irá nos acontecer.
- Elas não gostam de mim. – Sussurrei.
- Não é que não gostem, elas tem inveja de você e do que você conseguiu.
- Não fiz nenhum mal a elas. – Ela olhou em direção a janela aberta ao seu lado.
- , elas não estão nem ai pra isso, simplesmente querem culpar as pessoas por seus sentimentos frustrados e acabam culpando você, ou melhor, nós. Você tem que aprender a não ligar para elas e pronto. – Abriu um imenso sorriso. – Agora quero você sorrindo assim como eu e vamos descer desse avião, pegar um carro e ir para o hotel porque estou bastante ansiosa para o The Fitwilliam Hotel!
- O que? – Ela gargalhou.
- O nome do hotel. É estranho, mas lá é muito legal.
- Tanto faz. – Dei de ombros.
- Nada de “tanto faz”, você vai amar. – Piscou o olho.
Assim como todo mundo, pegamos nossa bagagem de mão e seguimos as pessoas até sair do avião. Encaramos o Peter que desceu algumas pessoas após a gente e seguimos para o ônibus que nos levaria até a sala de desembarque. Assim que chegamos pegamos nossas malas e atravessamos o portão. Muita gente estava esperando as pessoas que saíam tinha gente com placas de “Fáilte”, o que quer que seja isso... Algumas choravam abraçadas com outras, uma menininha – provavelmente dois anos – chorava inconsolavelmene com um pacote nas mãos, um homem segurava um ramalhete e um café... Opa!
- Els, acho que vou comprar um café. – Falei já avistando um Starbucks. – Você me espera lá fora?
- Amiga, não somos qualquer pessoa não, mas sem proble... – Ela se interrompeu. – Olha, Louis está aqui.
- Como você sabe? – Me aproximei dela para ver a tela de seu celular.
- SMS, já ouviu falar?
- Não, nunca! – Rolei os olhos.
- Va tomar seu café para ver se o mau humor evapora. – Ela me empurrou em direção da cafeteria. – Obrigada por deixar a mala aqui. – A ouvi gritar, mas nem dei ouvidos, só continuei a caminhada.
Assim que chegou à minha vez eu pedi um enorme cappuccino com calda de chocolate e chantilly extra, paguei com o cartão – já que estou com nenhum euro no momento – e assim que peguei o cupom fiscal virei para o balcão onde receberia meu pedido. Muita gente começou a olhar para a porta, então fiz o mesmo por curiosidade abrindo um sorriso em seguida. Lá estava ELE, com uma calça jeans cinza, uma blusa xadrez azul com os dois primeiros botões de cima aberto, um par de botinas claras, um par de óculos de sol de armação dourada e lente escura. Em seu rosto havia um sorriso torto nos lábios enquanto caminhava em minha direção rapidamente, assim que se aproximou de mim depositou um beijo de segundos em meus lábios.
- Pra você! – Então ele tirou uma mão das costas me erguendo uma rosa.
- Essa foi à coisa mais linda e fofa que já fizeram para mim. – Segurei seu rosto com minhas mãos e depositei um selinho mais demorado. Sim, eu iria tirar uma casquinha, aliás, é o Harry Styles. Assim que nos afastamos ele me deu um beijo na testa pegando o café que estava logo atrás de mim e tomou um pouco.
- Desculpa, estou com sono. – Ele mantinha seu sorriso torto, mas seus olhos o entregavam que realmente estava quase caindo de tanto sono.
- Tudo bem, eu posso pegar outro.
- Não pode não! – Um segurança que agora o percebi ali falou com as mãos em minhas costas. – Dividam esse daí, temos que sair rápido. Venham logo! – Harry entrelaçou seu braço no meu pegando a minha bolsa e me passou o café.
- Não tenha nojo por dividirmos o mesmo copo. – Harry sussurrou em meu ouvido arrepiando meus cabelos da nuca.
- A gente já se beijou. – Tomei um enorme gole enquanto o mesmo me fitava. – Sabe, com sua saliva no canudo ficou até mais gostoso.
- Você não presta! – Ele ria passando o braço que antes estava entrelaçado no meu, por meeu ombro juntando nossos corpos e auxiliando o segurança que estava atrás da gente. – Nossa!
Parei assim que o Harry parou, o segurança passou em nossa frente e ligou para alguém pedindo reforços. Havia simplesmente cinco garotas com câmeras, cartazes e caixas de presente. Encarei o Harry que passava seu olhar de mim para as fãs e novamente para mim. Na minha cara deveria está bem estampado: Estou morrendo de medo!
- Não seria melhor atendê-las? – Cochichei encarando uma garota com um cartaz “Larry is real”.
- Finalmente! – Ouvi o segurança murmurar e logo vi a Eleanor de mãos entrelaçadas com o Louis. – Vocês vão atendê-las, mas sejam rápidos.
O segurança que estava com o Louis se aproximou de mim e sorriu simpático. Peter apareceu de algum lugar auxiliando o segurança que estava comigo e o Harry. Eleanor se aproximou de mim, Harry me entregou a bolsa então se juntou ao Louis tentando atender as garotas.
- Façam uma fila, por favor! – Harry falou um pouco alto entre as falações das garotas que se animaram mais ainda. Reparei que uma garota olhou o Harry com curiosidade e fascinação, olhei para a enorme mochila que a mesma carregava e percebi uma bandeira de Cuba.
- Aquela garota não deve ter entendido muito. – Mostrei a Eleanor que franziu a testa. – Um momento. – Hey chica! – Somente a garota virou-se para mim então continuei sem nem me aproximar. - Harry hablará con usted, pero usted necesita formar una fila. – Ela abriu um enorme sorriso em minha direção se arrumando na fila que já se formava.
- Mandou bem! – Eleanor bateu nossos cotovelos.
Os meninos começaram a tirar foto com cada garota, uma foto com os dois, autógrafos e um abraço em cada. Parecia um tipo de meet&greet, as meninas sorrindo e chorando, os meninos com sorrisos estampados como se aquilo fosse a melhor coisa do mundo e eles não estivessem com sono. A penúltima garota foi a do cartaz Larry, ela olhou para mim e a Eleanor com cara de nojo e depois entregou o cartaz ao Harry que leu e dobrou novamente informando sobre a foto. Ela falou algo com eles e depois olhou para mim e a Eleanor novamente com um sorriso vitorioso, rolei os olhos para a mesma notar, mas logo mudei minha atenção para a última. Era a garota cubana.
- ¿Puedo dar un beso? – Harry arqueou uma sobrancelha na direção da garota, Louis também tinha um ar confuso. Chamei a atenção do Harry com um aceno e quando ele me olhou eu mostrei minha bochecha e soltei um beijo.
- Claro! – Harry sorriu se abaixando ao lado dela, Louis parecia ter entendido o recado, então ambos a beijaram na bochecha. O sorriso da garota foi tão grande que seus dentes bastante brancos pareciam refletir o flash.
- ¡Ah, gañí besos! – Ela pulou vibrando enquanto o Harry assinava algum caderninho.
O segurança que estava comigo e a Eleanor fez sinal para nos aproximarmos, pisquei o olho para a garota que me agradeceu pela ajuda e depois olhou para o Louis que assinava seu caderno agora. Harry a abraçou tão forte que achei que iria quebrá-la em várias partes. Assim que se separaram o Louis foi abraçá-la, me aproximei mais do Harry que passou seu braço por minha cintura e encostou o queixo no topo da minha cabeça.
- Só para deixar uma coisa clara: Ela pediu para dar beijo em vocês e não ganhar. – Harry riu pelo nariz.
- Você não foi boa na mímica, mas se ela ficou feliz é o que importa. – Afirmei com a cabeça ainda fitando a garota abraçada ao Louis.
- Muito obrigada, eu amo vocês! – A garota falou finalmente falando inúmeros “Eu te amo”, os meninos deram mais um abraço então ela se foi.
- Vamos logo antes que mais gente apareça. – Peter fez sinal para o acompanharmos.
- A manda muito bem no espanhol. – Eleanor começou a falar enquanto caminhávamos para sair do aeroporto. Harry havia pegado minha bolsa novamente e Louis empurrava o carrinho que continha minha mala e a da Els. – Aquilo era espanhol, não era? Em Cuba se fala espanhol?
- Claro que ela iria saber falar espanhol, é isso que se fala no Brasil, não? – Louis falava meio confuso.
- Não Lou, no Brasil falamos português, por-tu-guês. – Louis rolou os olhos. – E sim, aquilo era espanhol.
- Tanto faz, mas mandou muito bem. – Eleanor repetiu.
- Minha garota! – Harry apertou minha cintura de leve.
- Eu mal sei falar espanhol, só passei seis meses em um curso. – Falei em um cochicho. – Fui reprovada.
- Você não é uma boa aluna? – Louis perguntou.
- Nunca fui ruim na escola, mas meus professores deste curso era um pé no saco. – Tomei um gole do café então olhei para cima vendo o Harry que me fitava mesmo enquanto andávamos. – Quer mais? – Ele afirmou com a cabeça então levei o copo até sua boca.
- Gostou da surpresa? – Ele perguntou e eu sorri olhando a rosa que ainda estava na minha mão.
- Eu nunca tinha recebido nenhuma flor de algum garoto.
- Sério? Nenhum namorado te deu? – Ele arqueou uma sobrancelha.
- Não. – Suspirei mudando minha visão para o carro que parava em nossa frente.
- Você gostava muito dele? – Continuei sem manter contato visual com ele, encarei a Eleanor e Louis entraram juntos conversando sobre algo. – Você ainda gosta dele?
Balancei a cabeça tentando afastar a imagem do Gabriel da minha cabeça. Sim, eu ainda pensava nele toda noite antes de dormir depois de acabarmos – menos os últimos dias porque foi coisa demais para minha cabeça e não deu espaço. Nunca entendi direito o fim do relacionamento, estávamos bem, ele passou como sempre na minha casa, formos juntos para a escola e assistimos às primeiras aulas juntos. Na hora do intervalo ele foi jogar futebol e eu fiquei com as meninas, não deu cerca de cinco minutos e ele estava de volta, com uma cara brava. Perguntei se ele queria conversar então após ele afirmar formos para um canto do pátio... Após isso foi tudo muito rápido, brigamos, gritamos um com o outro e acabamos. Passei o resto do dia trancada no banheiro sendo consolada por uma das meninas que ficavam se revezando entre ficar no banheiro comigo e assistir aula me dando cobertura. No dia seguinte o Gabriel tentou conversar comigo, mas eu ainda estava machucada com as palavras dele do dia anterior, soltei umas coisas que não gosto de lembrar, mas foram as causas para o fim total não tendo voltas. Entrei no carro indo para os últimos bancos, Harry me acompanhou então sentamos lado a lado. Peter entrou no carro e sentou ao lado do Louis, os outros dois seguranças entraram na frente já dando partida.
- Esquece ele, é um babaca por não gostar de você. – Encarei o Harry de soslaio vendo seu rosto com um sorriso.
- Todas as minhas amigas falaram isso. – Respirei fundo.
- Gostei delas! – Harry riu. Sua risada desde que o conheço me contagiava e não seria agora que não iria. – Elas dão ótimos conselhos.
- Apesar de todos me dizerem isso eu nunca consegui esquecê-lo totalmente. – Murmurei então o Harry segurou minha mão que ainda estava à rosa e entrelaçou nossos dedos a fazendo ficar firme no meio.
- Sei bem como é isso. – Ele deu uma pequena pausa para suspirar. – Já tive namoradas que me marcaram desse tipo.
- A Taylor? – Agora foi sua vez de não manter contato visual. – É... Tivemos frustrações parecidas no amor.
- O que nos une mais. – Ele piscou o olho com seu típico meio sorriso. Retribui e encarei a bolsa em seu colo.
- Posso pegar meu celular?
- Claro! – Ele estendeu a bolsa para mim.
Com apenas uma mão peguei o aparelho já o tirando do modo avião e conectei meu fone de ouvido, Harry roubou um lado do fone e não reclamou de estarmos ouvindo Katy Perry, simplesmente deitou sua cabeça em cima da minha e fechou os olhos – sim, vi pelo reflexo da tela do celular -, encostei minha cabeça em seu ombro então pude sentir seu sorriso em meu cabelo. Bem, se é pra “namorar” o Harry Styles, porque não se aproveitar...

May, 22, 2014 - The Fitzwilliam Hotel – Dublin – 12:24AM
Harry retirou meu fone de ouvido, percebi que o carro estava em uma avenida pequena, do lado direito havia um enorme parque, na frente dele passou um bonde - que mais parecia um metrô ou trem -, já ao meu lado esquerdo havia inúmeras lojinhas e boutiques. Não demorou muito para pararmos na frente de um prédio onde se tinha no letreiro “The Fitzwilliam Hotel”, o carro parou e assim percebi algumas garotas na frente do mesmo.
- Como elas descobriram? – Ouvi o Louis perguntar.
- Eu não sei, mas é melhor andarmos logo. – Peter se aprontou para descer.
Na verdade todos nós começamos a nos arrumar, as garotas pulavam animadas, gritavam pelo nome dos meninos. Olhei-me na tela do meu celular e arrumei o diadema no meu cabelo, percebi que estava com alguns frizz na franja, só espero que ninguém note e fique zoando com isso. Respirei fundo lembrando que eu passaria pelas fãs como namorada do Harry, isso me deixava sem ar e quase entrando em uma crise de pânico. Harry sorriu para mim então retribui, enrolei o fone no celular e joguei dentro da bolsa, ele segurou minha bolsa, eu apertei a rosa então pude ver mais um sorriso – falei que nossas mãos ainda estavam entrelaçadas? Quando o Louis desceu estendeu a mão para a Eleanor e a ajudou a descer, ele acenou para algumas meninas e falou com algumas antes de entrarem abraçados no hotel. Harry continuava me fitando com seu sorriso, eu sentia isso mesmo ainda estando olhando para as garotas que deixavam de dar atenção ao casal Eleounor e focavam no carro.
- Não se preocupe, tem inúmeros seguranças – Suspirei e então dei passagem para ele sair antes de mim. As meninas foram à loucura e aí foi minha vez de sair.
- É a nossa vez. – Assenti respirando fundo.
- Tudo bem, posso roubar seus óculos desta vez? – Ele riu colocando os óculos no meu rosto.
- Ficou bem em você.
- Vou ficar então.
Harry estendeu a mão para eu descer, a rosa estava na minha outra mão já que ele é tão cavalheiro que sempre leva a minha bolsa. Assim que desci Harry passou o braço pela minha cintura e acenou para as garotas, falou de longe com outras e me encaminhou para dentro do hotel. No percurso do carro até dentro do hotel, eu mantive minha cabeça baixa sem nem olhar para elas, só me importava em saber como se anda porque com toda essa atenção até esquecemos como se faz. Tinha umas três fãs dentro do hotel, enquanto eu e a Eleanor iríamos fazer o check-in os meninos conversavam com ela. Assim que toda a burocracia foi finalizada nos juntamos aos meninos que disseram que estávamos cansadas e precisávamos subir. Pegamos o elevador principal e seguimos para o terceiro andar onde ficava nossos quartos.
- Viu, não foi tão difícil. – Encarei o Harry tirando os seus óculos.
- Eu não olhei na cara de ninguém. – Ele riu. – Sério e se você visse o que...
- Vou leu mais o Twitter não foi? – Suspirei então o Harry puxou meu rosto pelo queixo. – Não entre no Twitter quando ainda não estiver preparada.
- Já conversamos sobre isso. – Rolei os olhos e cruzei os braços.
- Estou falando para o seu bem, você sabe disso.
- Tá bom. – Murmurei.
- Me promete. – Fingi que não havia nem ouvido. – , me prometa!
- Tá, tá. Eu prometo. – Cruzei os dedos enquanto segurava à rosa.
- Assim que eu gosto! – Me deu um beijo na bochecha e o elevador se abriu.
Liam, Niall e a Lou estavam conversando perto do elevador, Liam foi o primeiro que nos viu e veio em minha direção já me abraçando. Abraçar o Liam era como abraçar meu pai, era uma braço forte, confortável e me passava proteção, dentro dele eu sentia como se nada no mundo fosse me atingir.
- Eu estava morrendo de saudades. – Falei abafado com meu rosto no seu tronco.
- Não mais que eu. – Então ele me rodopiou rapidamente e pude sentir meu vestido levantar um pouco demais.
- Apesar da Inglaterra ser o lugar dos meus sonhos, estava sem graça sem sua companhia. – Liam riu da minha careta e beijou minha testa.
- Então quer dizer que só tem graça se o Liam estiver lá? – Um Niall chateado aproximou-se e eu o abracei forte.
- Deixa de ser ciumento, você também não foi me visitar – Ele me levantou e deu um pulo.– Tá ficando fortinho.
- Lógico, com um corpo malhado vou conquistar várias.
- Você não precisa disso, meu amor. – Pisquei o olho.– Cadê os outros?
- Bom, o Zayn está no quarto e disse que queria que avisassem a ele quando você chegasse. Josh, John, Dan estão jogando videogame, não sei do Sandy e Tom, mas Lux e Gemma estão no quarto da Gemma. – Niall enumerava em seus dedos.
- Lux e Gemma estão aqui? – Perguntei com um sorriso gigante.
- Eu pedi para o Tom trazê-la e você conhecê-la. – Lou se aproximou da gente então a abracei.
- Obrigada, obrigada! – Falei rapidamente.
- Gemma disse que queria te conhecer. – Harry coçou a nuca – Falou algo como “Você só continua a namorando se eu aprovar”. – Falhou em imitar a voz da Gemma.
- Lógico, ou você acha que namoraria alguém sem minha aprovação? – Gemma surgiu no corredor segurando a mão da pequena Lux.
- Ai, meu Deus! – Corri até as duas e ainda pude ouvir os meninos rirem. – Me deixem ter um momento de fã.
- Então você é a ? – Gemma estendeu uma mão para mim e eu a apertei.
- Só , por favor. – Dei de ombros.
- Ah, pra que formalidades... – Gemma me puxou para um abraço. – Você parece ser uma garota legal. Gostei de você!
- Obrigada? – Arrisquei a sorrir e ela gargalhou.
- De nada? – Agora foi minha vez de rir.
- Então, já foi aprovada? – Harry se aproximou por trás.
- Mais que aprovada! – Gemma piscou. – Bom, ouvi as vozes de vocês então trouxe a Lux porque sei que você a queria conhecer.
- Filha, essa é a Tia . – Lou aproximou-se da gente e pegou a Lux no colo.
- Oi! – Lux falou de um modo tão fofo que quase desmaiei na frente de todos.
- Oi, pequena. – Sorri pra ela – Tudo bem?
- Uhum! – Então a Lux virou para Lou – Tô com fome.
- Tudo bem, já vamos almoçar. – Lou sorriu de um jeito que somente uma mãe poderia sorrir. – Vou levar essa draguinha para comer, me acompanha Gem?
- Claro, estou morrendo de fome. – Gemma sorriu então acenou para todos os outros que estavam atrás da gente falando algo que não me importei. – Tchau cunhada e tchau Mané. – Quando se despediu de mim me deu dois beijos na bochecha e quando foi se despedir do Harry deu uma tapa em sua nuca.
- Odeio irmãos mais velhos! – Harry rolou os olhos.
- Mentira, você a ama. – Ri dele. – Vou falar com os outros meninos. – Dei um beijo rápido na sua bochecha, na do Niall e Liam que acenaram enquanto eu me afastava.
Segui pelo corredor e parei no penúltimo quarto, sempre o penúltimo quarto era do Zayn, então bati na mesma já abrindo. Não vi ninguém então segui para dentro o chamando, mas a única resposta que recebi foi à porta do banheiro sendo batida.
- Zayn? Que cheiro é esse? – Caminhei mais pelo quarto e encontrei no criado mudo ao lado da cama um pacotinho então em aproximei dele.
- , você chegou! – Zayn abriu a porta do banheiro e veio até mim com os braços abertos.
- Isso é... – Peguei o pacotinho e ele puxou da minha mão. – Zayn, isso é... – Ele me interrompeu.
- , por favor, eu... – Agora foi minha vez de interromper.
- Por favor, nada. Eu sei muito bem o que é isso. Você está maluco, garoto?
- ... – Mais uma vez interrompi. Agora ele vai me ouvir.
- Zayn você sabe o quanto irão falar se descobrir que você está fumando maconha? Onde você conseguiu isso?
- No Peru... – Rolei os olhos.
- Lá é legalizado, aqui não. Você pode ser preso. – Seu olhar era de arrependido. – Me diz que você só fumou a natural. Quantas vezes você fumou?
- Essa é minha segunda vez no dia... – Arregalei meus olhos.
- Você está louco, garoto! Uma vez perdida até que vai, mas várias vezes não.
- Ok, , sem lição de moral. Por favor! – Sentou-se na cama.
- Lição de moral uma ova, eu estou falando para seu próprio bem.
- Até parece minha mãe. – Bufou.
- Bem melhor eu do que sua mãe, olha só o desgosto que você estaria dando a ela se você fosse pego com isso. – Peguei o pacotinho da sua mão e caminhei até o banheiro.
- O que você irá fazer? – E com resposta dei descarga. Sim eu joguei a maconha no vaso sanitário e dei descarga. – Você não... – Saí do banheiro dando de ombros.
- Você não chegará perto de maconha enquanto eu estiver por perto. – Apontei pra ele – Você é o ídolo de milhares de garotas que estão entrando na puberdade e criando sua própria personalidade. Você acaba sendo influência para elas, sabia?
- Me desculpa!
- Não quero suas desculpas Zayn, não tenho nada haver com isso. Quer fumar? Fume na sua casa, mas em um hotel onde pessoas podem flagrar você é bem complicado.
- . Não irá acontecer mais.
- Espero que não, Zayn. Eu realmente não quero ouvir na mídia seu nome relacionado a isso.
- E não ouvirá. – Ele me abraçou forte.
No nosso abraço eu pude sentir o cheiro forte da droga em sua roupa, me afastei rapidamente dele ou eu ficaria com aquele cheiro também e isso não seria nada legal. Ele deu seu sorriso bobo, não resisti e sorri junto.
- Eu te amo, Zayn. Não quero ver você sofrendo por estar em todas as capas de revistas como uma pessoa que você não é. – Enxugou as lágrimas e começaram a escorrer enquanto eu falava – Por favor!
- Está acontecendo algo aqui? – Um Harry com uma voz nada agradável apareceu na porta nos pegando de surpresa.
- Nada! – Eu e Zayn falamos em coro um pouco desconfortáveis.
- Vou indo agora. Se cuida! – Dei um beijo na bochecha do Zayn e ia saindo, mas o Harry se achando um poste ainda estava parado na porta. – Com licença! – Sorri o olhando nos olhos, o mesmo não deu nenhum sorriso sequer, apenas saiu da frente me dando espaço pra passar.
- O que aconteceu aqui? – Ouvi a voz do Harry que não mudara de tom soar e a porta se fechar forte.
Olhei meio atordoada pra porta sem nem entender o motivo dessa voz – a mesma que ele usou na minha casa assim que viu o Willian -, será que ele também sentiu o cheiro da maconha e ficou bravo por eu está lá dentro? Será que ele ficou bravo com algo que aconteceu antes de chegarmos? Balancei minha cabeça afastando os pensamentos e caminhando até o último quarto, onde como sempre era a o quarto com os videogames. Dava para se ouvir uma gritaria com frases do tipo: “Sai daí cara! Não, sai você!”. Lógico que eu já sabia quem estava lá...
- Tem lugar para mais uma? – Abri a porta de surpresa e os meninos se assustaram me encarando.
- ! – Dan colocou o jogo em pausa sorrindo e vindo até mim. – Pensei que você chegaria na hora do almoço.
- Mas já é a hora do almoço. – Falei apontando para o relógio do seu braço.
- Meu Deus, jogamos cinco horas seguidas? – John se aproximou e me cumprimentou.
- Provavelmente! – Murmurei e encarei Josh meio sem jeito atrás. – Não vai falar comigo? – Após meu bico dramático ele se aproximou de braços abertos.
- Claro que vou! – Então me abraçou forte. Sim, o Josh foi o único que me abraçou enquanto os outros apertaram a minha mão. – Eu queria falar com você.
- Pode falar, ué. – Ele nos afastou com o olhar no meu.
- Em particular. – Sua voz foi tão baixa que só entendi o que era pela leitura labial. – Podemos ir lá fora?
- Claro! – Acenei um tchau para os outros que voltavam a jogar então saí do quarto com Josh.
Andamos um pouco pelo corredor vazio, chegamos a um hall onde tinha duas poltronas perto uma da outra e um criado mudo com um vaso no canto direito. Cada um sentou em uma das poltronas, mas nenhum deu um “piu” sequer.
- Acho que você já pode falar. – Ele riu de canto e olhou para seus tênis azuis. – Aconteceu alguma coisa? Você está bem?
- Não, não aconteceu nada. E sim está tudo bem comigo, eu acho.
- Você acha? – Arqueei uma sobrancelha num tom divertido, mas ele ainda parecia nervoso. – Josh...
- Eu estava querendo falar com você... – Ele coçou a nuca parecendo pensar no que falar.
- Bom, eu estou aqui agora. – Ele sorriu e me fitou.
- Eu te procurei depois do show lá no Brasil, mas você estava ocupada e logo depois foi dormir. No outro dia você viajou tão cedo que nem deu tempo de nos falar.
- Pois é, depois do show o Jimmy me chamou pra combinarmos umas coisas, no outro dia sai madrugando. – Ele riu do meu suspiro. – Você poderia ter ido me visitar nesses dias de folgas.
- Eu não tinha seu endereço.
- Ligava para mim, ué. – Sorri.
- Eu também não tenho seu número. – Foi a vez dele de rir.
- Poderia pegar com algum dos meninos, os cinco tem meu número.
- , o que eu quero falar tem que ser dito assim pessoalmente.
- Ah, então é sério, muito sério! – Eu falei um pouco nervosa já imaginando o que seria. – Então, estamos pessoalmente, pode falar.
- Lembra-se do que aconteceu na balada?
- Aham... – Um nó se formou na minha garganta.
- Então, eu gostaria de saber se teve algum valor.
- Como assim?
- Tipo, se significou algo para você.
- Josh... – Respirei fundo. – Beijos para meninas como eu sempre significam algo.
- E o que significou para você?
- Que eu beijei o baterista mais gato de todo mundo. – Arrisquei a sorrir.
- E, além disso?
- O que você quer saber?
- Bom, é que eu não queria que você tivesse... Como eu posso falar...
- Me apaixonado por você?
- É exatamente isso. Desculpa, mas eu não quero relacionamentos e com você seria... – Eu comecei a rir e ele parou de falar. – O que houve?
- Josh, eu não me apaixono por um beijo. – Comecei a rir mais a ainda o fazendo ficar mais confuso. – Não se preocupe, na minha mente não passou de um beijo, pode relaxar.
- Não sabe o quanto rezei para ouvir isso. – Então ele levantou me puxando para um abraço, retribui enquanto o mesmo murmurava “Graças a Deus deu tudo certo!”.
- , eu posso falar com você? – Harry surgiu do nada. Estou começando a suspeitar que Harry em algum poder e o usa para atrapalhar meus momentos legais/fofos com pessoas bonitas.
- Tudo bem! – Falei me afastando do Josh. Ambos trocaram olhares significativos então Josh se virou para mim.
- Obrigada . – Beijou minha bochecha e se foi em direção aonde os meninos ainda deviam está jogando.
- Pelo que vejo você está tendo todos os meninos aos seus pés. – Ele sentou na mesma poltrona que o Josh sentou minutos antes.
- Todo não, falta um. – Sorri de canto e ele não sorriu. – Desculpa, o que houve?
- Nada, eu só queria saber se você estava melhor, eu percebi que você estava chorando quando conversou com o Malik.
- Estou sim, valeu por se preocupar comigo.
- É isso que namorados fazem. – Ele riu de canto e eu sorri. – Posso te perguntar mais uma coisa?
- Claro.
- Se não quiser responder, não responde.
- Pode perguntar, responderei qualquer pergunta. – Eu estava com medo do que poderia ser, então sentei na poltrona e segurei minha respiração para a pergunta a seguir.
- Você já se apaixonou por algum cara em pouco tempo?
- Como é que é? – Minha voz saiu um pouco alta demais.
- Você já se apaixonou por um cara mesmo o conhecendo por pouco tempo? – Mudei meu olhar para o vaso. O que o Harry estava querendo com isso. – Você está apaixonada?
- É cla... Quero dizer, não, não estou apaixonada. – Ele arqueou uma sobrancelha em minha direção.
- Tem certeza disso? Você parece meio confusa com seus sentimentos.
- Harry... é que.... – Mais um suspiro. – Lembra-se do meu ex que falamos mais cedo? – Harry apenas afirmou balançando a cabeça. – Então, acabamos há mais de um ano, mas sim, ainda penso nele.
- Porque vo... – Levantei meu indicador interrompendo sua fala.
- É uma coisa complicada, sem muita explicação. Em resumo foi porque ele achava que eu era infantil demais para estar com ele e a gente brigou, e acabamos.
- Infantil?
- É, e olha que namoramos por mais de um ano, eu tinha a mesma idade que ele, mas essa foi a desculpa mais exata para o fim. – Suspirei. – E acho que por ser um fim tão incluso eu meio que não superei. – Harry ia falar algo, mas o interrompi. – Por favor, as únicas pessoas que sabem dessa história são minhas melhores amigas porque foram elas que me consolaram, o Liam, pois eu meio que pedi conselhos a ele do que deveria fazer. – Harry riu. – Do que você está rindo?
- Pensei que era o único a pedir conselho a ele. – Sorri negando com a cabeça.
- Eu já conhecia o Liam, o Gabriel tinha muitos ciúmes dele e até usou vocês na nossa briga de fim. O que foi bem forçado. – Mordi meu lábio inferior, Harry cruzou as penas então se encostou à poltrona.
- E pelo visto você ainda gosta muito dele.
- Não tanto quando gostava, não sei se ainda sou apaixonada por ele ou só sinto falta dos momentos vividos. – Harry continuou calado me fitando. – Mas sabe o que levo pra vida atualmente?
- Não se apaixonar? – Harry arriscou.
- Tipo isso! Sabe a música Heart Attack da Demi? – Ele apenas afirmou. – O começo dela diz exatamente: “Armando minhas defesas porque não quero me apaixonar, se alguma vez fizer isso acho que teria um ataque cardíaco”, então, é o meu lema atual.
- E por que isso? – Sua voz falhou.
- Se apaixonar dói, eu sofri e ainda sofro muito com essa de se apaixonar pela pessoa errada.
- Não pensa em dar uma chance para quem realmente gosta de você? – Soltei um sorriso nervoso. Aonde ele queria chegar com isso?
- Harry, olha só a minha situação. Você acha mesmo que poderei cogitar a ideia de me apaixonar?
- Se a pessoa... – Ele foi interrompido por um Niall afobado.
- O Zayn... Hospital... Corram. – Olhei para o Harry e sai correndo na direção do Niall.
Apenas vi uns enfermeiros carregarem o Zayn em uma maca descendo pelo elevador dos funcionários, eu não pude descer no elevador, mas corri para a escada e desci em menos de um minuto. Percebi que não descia sozinha, Niall e Harry desciam correndo junto comigo. Assim que chegamos ao fundo do hotel o colocaram dentro de uma ambulância.
- Apenas uma pessoa. – Um dos socorristas falou.
- Eu! – Falei e o Harry me puxou.
- Não, você não vai.
- Eu vou! – Liam apareceu tentando respira mostrando que também veio correndo. Entrou na ambulância e fechou à porta, a mesma foi embora em alta velocidade, encarei-a virar a rua coma sirene ligada até o Harry me abraçar.
- O que aconteceu? – Perguntei ao Niall.
- Eu entrei no quarto e ele estava caído, liguei logo para a emergência. – Niall falou nervoso.
- Meu Deus, o que houve? – Louis e Eleanor chegaram.
- O Zayn desmaiou. – Respondeu o Harry – Vem, vamos subir.
- Nada de subir, eu quero ir até o hospital! – Falei alto.
- Você não vai, olha só o seu estado. – O Louis apontou para mim. – Quem foi com ele?
- O Liam. – Niall respondeu.
- Então vamos esperar notícias. – Falou a Eleanor – Vamos subir. – Segurou meu braço me puxando com ela para dentro do hotel.
- Eu não quero subir, Els, eu quero saber como ele está. – Algumas lágrimas escorriam enquanto eu tentava contestar.
- , sem reclamações. – Apertou o botão do elevador, o mesmo já estava no andar então subimos para nosso andar. – O Zayn está bem, foi apenas um desmaio, vamos esperar notícias e se ele não voltar hoje iremos para o hospital.
Eu não queria ir só depois, se algo de pior acontecesse? Eu não queria nem imaginar, não queria pensar em nada de ruim em relação ao Zayn, mas apenas isso que se passava na minha cabeça. Eleanor me levou para um quarto que estava um pouco bagunçado, percebi ser o quarto do Harry por ter uma blusa sua pendurada no dossel da cama. Apontei para a blusa então a Eleanor deu uma pequena risada.
- Algumas fãs se hospedaram no hotel, então nós ficaremos no quarto dos meninos para nenhuma nos ver entrando em quartos diferente dos deles.
- Ah, tanto faz. – Me sentei na cabeceira da cama. – Meu Deus! Zayn está hospitalizado. – Parecia que a realidade havia voltado à tona.
- Não é nada demais , você vai ver.
- Eleanor, eu o flagrei com maconha. – Sussurrei rápido olhando para minhas mãos trêmulas.
- Como é que é? – Segurou meus ombros firmes.
- Maconha, Marijuana, Mary Jane... Ah, você já entendeu. – Me levantei começando a caminhar pelo quarto.
- Calma, não acusará nos exames e se acusar vão manter segredo.
- Não estou preocupada com o fato de cair na mídia. – Ela me encarou com uma careta - Tá, estou preocupada sim, mas primeiro com a saúde dele. Deus meu! – Me joguei sentada na cama.
- Calma, tudo vai dar certo. – Eleanor me abraçou me deixando chorar em seu ombro.
- Se o Zayn tiver com algum problema de saúde grave?
- Como o quê? – Ela me olhou confusa.
- Não sei, isso os médicos irão nos dizer, mas pra isso acontecer temos que ir ao hospital. – Me levantei.
- Você não vai a lugar algum! – Ela me puxou me fazendo cair sentada na cama.
- Com licença?! – O Harry entrou no quarto com uma bandeja e um copo. – Trouxe pra você se acalmar.
- Harry, tem água aqui. – Apontei ainda soluçando para o que imaginei ser o frigobar.
– Mas essa tem açúcar. – Ele sorriu e a Els se levantou.
- Vou deixar vocês a sós. – Ela saiu então resolvi tomar a água que provavelmente estaria com algum calmante para eu apagar.
- Está melhor? – Harry perguntou assim que eu entreguei o copo vazio para ele.
- Só vou ficar quando tiver certeza que o Zayn está bem.
- Vem cá. - Ele sentou ao meu lado me deitando em seu ombro, um de seus braços estava pelo meu pescoço e sua mão afagava meu braço.– Você sabe que o Zayn vai ficar bem, não sabe?
- É que ver ele naquele estado... Foi horrível! – Falei já voltando a chorar.
- Calma, calma! – Ele afagou meu braço mais rápido me apertando um pouco. – Ele vai ficar bem, pode ficar tranquila.


Capítulo 10


May, 22, 2014 - The Fitzwilliam Hotel – Dublin – 07:12PM
Abro meus olhos e dou de cara com o Harry dormindo, o rosto virado para mim e a minha perna em cima de suas pernas. Minhas bochechas arderam de vergonha, então eu tirei a minha perna, mas o Harry se mexeu se aproximando mais de mim passando seu braço na minha cintura e colocando uma de suas pernas sobre a minha. Sorri com aquele ato e fechei meus olhos tentando dormir novamente... Tentativa falha. Não consegui dormir, nem sequer conseguia fechar os olhos. Tirei o braço do Harry que envolvia meu corpo e a sua perna. Ele resmungou agarrando o meu travesseiro. Levantei-me e fui escovar meus dentes, prendi meu cabelo num rabo de cavalo e me despi para tomar meu banho. Quando acabei, vesti um roupão por cima da lingerie já vestida e fui pegar a minha roupa que eu havia esquecido de pegar em cima da mala. Acabei dando de cara com um Harry sentado na cama com o cabelo todo bagunçado e me olhando um pouco confuso.
- Há quanto tempo acordada? – Perguntou ainda sonolento.
- Pouco tempo. – Sorri e me sentei na cama mexendo em seu cabelo numa tentativa de arrumar.
- Está mais calma?
- Sim. – Ri fraco o fazendo dar um sorriso. – Valeu por me dopar.
- Se precisar eu te dopo mais vezes. – Sua voz não tinha como sair mais maliciosa.
- Bom, vou colocar minha roupa, e vou ver se alguém tem alguma notícia do Zayn.
- Antes de pegar no sono eu falei com o Liam e ele disse que o Zayn havia recebido alta e já estavam vindo. – Abri um sorriso indo até a minha mala.
- Acho que ele já chegou então. - Me levantei já indo para a mala.
Ela estava num cantinho do quarto ao lado do guarda-roupa, em cima dela estava dobrado minha calça jeans escura, uma blusa azul de tecido grosso e com um decote em V. As peguei e corri ao banheiro, tranquei a porta e comecei a me vesti. Não demorei muito, mas foi o tempo necessário para o Harry sumir. Fui ao frigobar pegar um refrigerante, mas logo desisti quando só encontrei chás gelados e água com gás. Eu precisava encontrar o Zayn e com meus próprios olhos ver que ele estava bem. Peguei dentro da mala uma sapatilha azul e as calcei indo até a porta para sair, e lá havia uma post-it grudado.
“Me sinto bem quando você está bem. Harold Beijos x”

Sorri lendo pela primeira vez, sorri lendo pela segunda, terceira, quarta... Até que eu senti que precisava agradecê-lo pelo que o mesmo vem fazendo por mim. Coloquei o bilhete no meu bolso da calça onde tinha meu celular então sai do quarto. O corredor estava vazio, então caminhei rapidamente até o quarto do Zayn. Hesitei em abrir lembrando-me de hoje mais cedo quando abri e o flagrei com droga, e agora ele havia voltado de um hospital.
- É só entrar. – A voz do Liam soou me dando um susto.
- Hey! – Corri até o mesmo e o abracei. – Como ele está?
- Está se recuperando, mas não foi nada grave.
- O que os médicos disseram? – Liam coçou a nuca como se procurasse em sua memória o que o médico havia dito.
- Bem, o Zayn pulou duas refeições, então a sua pressão caiu bastante. Mas foi somente isso, pressão baixa.
- Esse menino não tem jeito. – Bati na minha testa. – Não deu nada nos exames, certo?
- Nada que você precise se preocupar. – Seu celular começou a tocar. – E você está melhor? Soube que lhe deram calmantes.
- Estou sim. Obrigada. – Dei um beijo em sua bochecha. – Acho melhor atender isso ai. – Pisquei um olho apontando para seu bolso.
- Pode deixar. – Soltou um sorriso nervoso.
- Liam, a adolescente aqui sou eu, por favor, vocês dois são adultos. – Coloquei minha mão na cintura.
- Vá ver o Zayn. – Ele me empurrou até a porta.
- Atenda o telefone. – Falei rindo, mas meu sorriso sumiu assim que abri a porta.
Tive a visão que nenhuma fã gostaria de ver. O Zayn deitado na cama, com os olhos fechados, com a pele muito mais pálida que o normal e em uma de suas mãos ainda tinha um curativo – provavelmente do soro que deve ter sido obrigado a tomar. Eu nem havia me aproximado dele, mas dava para ver que o mesmo não estava bem. Fechei a porta atrás de mim indo em sua direção.
- document.write(Juno) - Qual foi? – Abri os olhos agradecendo pelo quarto não está tão claro.
- Você precisa tomar café da manhã, as nossas queridas sogras perguntaram por você ao seu querido namorado que já saiu há muito tempo para comer.
- Problema é dele. – Rolei os olhos. – Mas vem cá, elas vão embora quando?
- Mais tarde, mas antes claro que a Anne vai querer dá uma passeada com você. – Sentei na cama tentando entender as palavras da Els. – Sim, iremos sair juntas com a Anne e a Johannah.
- Sério?
- Seríssimo, então é melhor você se arrumar, ir comer e depois se arrumar para sairmos.
- Que inferno! – Murmurei indo até minhas malas. – Els?
- Oi? – Eleanor estava indo embora, aliás, o quarto dela é um pouco longe do meu.
- Você pode escolher uma roupa para sairmos? Eu não sei que roupa usar já que a...
- Tudo bem, quando você voltar do café da manhã já estará dobradinha na mala.
- Obrigada! – Assenti com a cabeça em forma de agradecimento.
- Não precisa disso. – Piscou o olhou e fechou a porta quando saiu.
Sentei no chão ao lado da minha mala, eu estava exausta, o show ontem – tirando logicamente a minha paranóia de que o Harry cantava para mim - foi perfeito. Quem diria que eu, a garota que nunca havia ido para um show, fui para três quase seguidos. Abri a mala sem nenhum ânimo e então peguei a primeira roupa que estava separada para ficar dentro do hotel mesmo: Uma calça jeans surrada no joelho e uma blusa preta com alguma frase de efeito. Fui até o banheiro e escovei meus dentes tomando banho logo em seguida. Calcei as sapatilhas que usei ontem e fui pentear meu cabelo para descer, mas antes mesmo de pegar a escova alguém bateu na porta.
- Entra! – Não seja o Harry, não seja o Harry...
- Opa! – Era o Zayn.
- Oi. – Caminhei até ele recebendo um beijo na bochecha. – Está melhor? Já comeu?
- Encontrei a Eleanor e ela disse que você estava se arrumando para ir comer, então resolvi te chamar para ir comigo.
- Falta o meu cabelo ainda. – Fiz bico indo arrumá-los.
- Sem problemas, eu espero. Todo mundo já comeu não quero ir sozinho.
- Tudo bem, prometo ser rápida. – Então me tranquei no banheiro.
Após eu estar pronta – roupa, cabelo, calçado, perfume... -, desci com o Zayn até o restaurante que ficava no térreo. Dentro do elevador formos conversando sobre como as fãs da Irlanda eram bem diferente das do Brasil e eu o fiz repeti umas mil vezes “O Brasil tem as melhores fãs do mundo”... Chupa, gringas! Assim que arrumamos uma mesa sentamos e formos bem recepcionados com um garçom que entregou um cardápio a cada um.
- Já sabe o que vai querer? – Zayn me olhou sobre o seu menu.
- O que é normal de comer num café de manhã aqui? – Perguntei baixo.
- Geralmente torradas, panquecas, pretzel, frutas... Por quê? – Sorri boba.
- No Brasil comemos mais pães e bolachas. – Agora foi sua vez de sorrir.
- Então, vai querer algum pão recheado? – Neguei com a cabeça.
- Nunca comi pretzel, é bom? – Ele afirmou com a cabeça. – Então vou querer um desse de chocolate.
- E vai tomar?
- Um Frappuccino.
- Um Frappuccino, um cappuccino, e três pretzel de chocolate. – Zayn falou ao garçom que se foi após pedido feito.
O celular do Zayn começou a tocar então ele pediu licença para atender na mesa, vi o Harry chegar à entrada e depois que nos viu foi embora com uma cara emburrada. Tentei ignorar o acontecido pegando meu celular e como sempre meu twitter estava a todo vapor, meu facebook também, então não me restava muita alternativa para entrar em conto com minhas amigas. Cliquei em instalar o Whatsapp com um pouco de receio do que as minhas amigas falariam, com certeza jogariam milhares de “GRAÇAS A DEUS! FINALMENTE!”, mas ainda eram umas 06:00 da manhã no brasil, e elas estariam dormindo. Deixei uma mensagem para todas e quando elas entrassem já saberiam. Até que uma notificação me fez abri um enorme sorriso.

Valentina: Como assim a futura Senhora Styles com Whats?
, eu necessito de sua ajuda urgentemente! – Sentei um pouco tonta na cama.
- Como é que é?
- Você entendeu, , eu estou precisando muito de você. – Eleanor falava um pouco nervosa.
- Então me explica o que você quer que eu faça. – Levantei-me rapidamente caminhando até a janela.
- Eu preciso resolver um negócio de família lá no vale.
- E você quer que eu vá com você?
- Exatamente! – Sua voz era de felicidade.
- Quando iremos?
- Agora
- Agora? Eu já estava dormindo, amanhã tenho aula.
- Por favor, você não irá se arrepender.
- Tem certeza que não?
- Uhum...- Ponderei por alguns instantes até que por fim cedi.
- Puta que pariu! Em quantos minutos você passa aqui? – Já andava na direção do banheiro.
- Já estou saindo de casa.
- Ok. – Desliguei o celular e o joguei pela cama.
Dentro do banheiro estava pendurada a roupa que eu havia usado antes do banho e ir dormir, mas ela não seria decente para ir com a Eleanor resolver coisas de família. Pelo que a Eleanor já me falou sobre eles, são pessoas cheia de frescura que gostam de etiqueta e boa aparência - com certeza não gostariam de calça legging roxa e blusa branca. Fui até a parte de vestidos do closet e peguei um de algodão azul que continha mangas compridas, peguei uma meia calça de lã preta e vesti por cima da de legging. Calcei uma bota preta de cano curto e fui até a penteadeira. Meu cabelo ainda estava alisado arrumei a touca na cabeça, passei apenas base embaixo dos olhos, rímel nos cílios e um gloss nude. A campainha tocou. Peguei minha bolsa e meu celular constatando que a Eleanor só demorou 20min para chegar aqui, conclusão: Ela infringiu todas as leis de trânsito possível ou ela já estava no caminho quando me ligou. Desci correndo as escadas e quando abri a porta Eleanor já ia bater na mesma.
- Calma ai, já estou aqui. – A olhei de cima a baixo e constatei que eu perdi meu tempo. – Se eu soubesse que você iria de pijamas eu não teria vestido essa roupa.
- Essa roupa está ótima. – Ela começou a me puxar para seu carro depois que eu tranquei a porta. – Entra logo no carro.
- O que aconteceu? – Eu já estava apertando os cintos enquanto ela arrancava o carro sem nem por o dela. – Eleanor, está tudo bem?
- Ai Deus, esqueci os cintos. – Ela soltou o volante para puxá-los e apertá-los.
- Eleanor porra! – O sinal ficou vermelho e ela freou quase em cima da faixa de pedestre. – O que está acontecendo?
- Nada, só estamos atrasadas.
- Para?
- Você não é de muitas perguntas, porque está fazendo várias?
- Porque você me colocou dentro de um carro sem mais nem menos quase três horas da madrugada, me levando para um “vale” pra resolver coisas da SUA família e ainda não me disse nada. – Ela me olhou de soslaio então deu uma risadinha. – Do que você está rindo?
- Você está estressada. Ainda é o Styles?
- Não, agora é você. – Ela murmurou algo e voltou a dirigir. – Vai me falar o que iremos fazer ou não?
- Não é nada demais, eu só não queria ir sozinha e você como a modest girl mais próxima resolvi te trazer.
- E me tirar de casa do nada depois de ter me acordado?
- Te acordar foi apenas um bônus. – Rolei os olhos e joguei minha cabeça para trás.
Quando a Eleanor queria ela conseguia ser irritante – na verdade acho que faz isso até sem querer -, ela começou a falar sobre como os pais dela são loucos, que ligou no meio do filme dela e passou quase uma hora tentando a convencer de que ela tinha que ir lá no vale, que era muito importante e isso era o que iria determinar a paz da humanidade. A história era bastante estranha, e ficou ainda mais quando do nada ela passou o assunto para Harry Bipolar Styles.
- Claro que não falei com ele. – Continuei a olhar pela janela. – Qual o porquê dessa pergunta? – Ela parou o carro após uma subida grandinha.
- Você irá saber logo. – Seu sorriso era sapeca então soltei meus cintos rapidamente.
- O que você está fazendo?
- Nada demais! – Saltei do carro com medo do que ela poderia fazer, mas me xinguei mentalmente após ela trancar as portas.
- Eleanor Calder abre essa porta! – Bati inúmeras vezes contra os vidros das janelas, ela nem sequer se importou.
- Está vendo esse caminho ai? Então, pode seguir ele porque nesse carro você não anda mais hoje. – A encarei com meus olhos arregalados ao máximo. – Boa noite , se cuida! – Soltou beijos no ar, deu ré catando pneu e foi embora.
Minha cabeça só faltava explodir, porque soltar fumaça com certeza já estava. Fiz uma pequena lista na minha cabeça sobre o que eu teria que fazer depois dessa. Em primeiro lugar: Avisar ao Louis que ele ficará viúvo em breve; Em segundo lugar: Avisar a Modest que irá perder duas Modest Girl – uma morta e a outra presa. Olhei ao meu redor e percebi que realmente tinha uma trilha por ali, estava iluminada com algo e fazia um caminho não muito distante. Segui o que a Eleanor falou – coisa que eu não deveria fazer depois do que ela acabou de acontecer – e dei e cara com um espaço onde tinha um carro preto de onde saía alguma música.
Me aproximei mais até o lado do motorista sem nem perceber que em meus lábios eu tinha um sorriso bobo, e eu só vim perceber quando começou a tocar uma música pela qual eu era apaixonada. Eu estava me sentindo dentro daqueles filmes de comédia romântica onde o mocinho tenta impressionar a mocinha. E o pior, o mocinho da vida real estava agindo como o de um filme. O mesmo se aproximou, então me virei para encará-lo e ver se tudo isso não era um dos meus sonhos malucos. É, realmente ele estava ali. Um sorriso enorme se formou em seu rosto que contagiou o meu. Harry se aproximava cada vez mais sem tirar os olhos dos meus em cada passo que dava até ficar a centímetros de distância do mim.
- And if I let you down, I’d turn it all around ‘cause I would never let you go... – Apenas o fitei, eu não sabia o que lhe responder. Fiquei o encarando enquanto ele se aproximava mais e passava seus dedos nas maças do meu rosto descendo pelo pescoço, ombros, braços até segurar minha mão e entrelaçar nossos dedos. Ele me puxou até a frente do carro, o farol estava apagado e nós dois só estávamos iluminados pela lua e as estrelas.
- Nesse meu tempo aqui na Inglaterra essa é a primeira vez que vejo o céu tão estrelado. – Murmurei mais alto que a música baixa que ainda dava para ser ouvida.
-Até as estrelas estão ao nosso favor. – Ele riu nervoso.
Sorri de volta enquanto sentávamos no gramado. Harry continuava me fitando e eu queria saber o que se passava na sua mente, o que ele queria fazer agora, o que ele iria fazer. Então ele me beijou. Não era um beijo fingido – já que estávamos sozinhos -, era um beijo confuso, com sentimentos… Sentimentos esses que eu não destinguia no momento o que eu sentia. Será que realmente eu estava me apaixonando por ele? Ou eu estava atraída apenas? O que eu sentia? O que eu estava fazendo da minha vida? O que eu estava fazendo comigo mesma. O empurrei de leve separando nossos lábios, tendo o olhar assustado e confuse dele sobre mim.
- Desculpa. Harry, me desculpa, por favor, eu... – Ele colocou o dedo indicador em meus lábios.
- Shh, eu que te peço desculpas. Não era para eu ter falado aquelas coisas. – Ele continuava me fitando como se quisesse demonstrar sinceridade, mas mudei minha visão para minha mão. – ... – Sua voz falhou e eu o fitei.
A única coisa ouvida ainda era a Avril cantando “I will be all that you want and get myself together. ‘Cause you keep me from fallin’ apart all my life. I’ll be with you forever to get you through the day and make everything okay”. Nossos olhares ainda estavam fixados uns nos outros até parecia que ele estava vendo a minha alma com apenas um olhar profundo. Eu não sabia o que falar ou o que fazer até que o Harry se pronunciou cantarolando.
- ‘Cause without you I can’t sleep, I’m gonna ever, ever let you leave. You’re all I got. You’re all I want... – Puta que pariu!
- Harry, as coisas que você falou doeram muito. – Consegui arrumar forças para falar algo.
- Eu sei, por isso que eu estou te pedindo desculpas. – Ele sorriu, ainda se via nervosismo no seu sorriso.
- Acho que percebi isso, mas o que eu queria te dizer é que um pedido de desculpas não faz a dor das palavras saírem assim tão rápido. – Seu sorriso se desmanchou e o Harry adotou uma carranca. Sua feição não demonstrava tristeza e sim algo mais como um garoto mimado não querendo ser contrariado.
- E o que você quer que eu faça? – Como eu disse, ele não estava triste e sim emburrado. Soltou nossas mãos e se levantou rapidamente
- Que você demonstre que realmente está arrependido. – Levantei-me assim como ele.
- Não é isso que estou fazendo? – Levantou um pouco a sua voz.
- Ah, claro! Harry Styles pedindo desculpa de um modo tão clichê como se estivesse numa fanfic!
Harry virou as costas para mim e caminhou até a porta do motorista, fui até a porta do passageiro e entrei logo que ele entrou no carro. Ele me fitou balançando a cabeça negativamente. Continuei o fitando até que ele deu ré e começou a dirigir saindo daquele conto de fadas.
Foram por volta de 10 minutos em silêncio, Harry apenas dirigia e nem sequer olhava pra minha cara, eu não tinha o que fazer além de olhar para a estrada ou meus dedos. Por puro orgulho eu não comecei uma conversa, eu queria falar, perguntar se a música significava algo ou era porque ele sabia que eu gostava, se ele realmente está mal como eu por estarmos brigados... Tudo isso girava na minha cabeça de uma forma estranha, eu estava com vontade de vomitar, cabeça doendo e agora começando a sentir calafrios. Cruzei meus braços sobre minha barriga numa forma nula de me aquecer. Senti pela primeira vez o Harry me olhando de soslaio, e logo em seguida mexeu no aquecedor aumentando a temperatura.
- Está melhor assim? – Encarei no painel e ele havia colocado em 26°C.
- Não precisa se preocupar. – Tentei sorri simpática, mas o frio que eu estava começando a sentir fez meus dentes baterem.
- Está tudo bem?
- Sim, por favor, só quero dormir. – Ele voltou sua atenção para a estrada e isso me incomodou. Não que eu quisesse que o Harry estivesse de alguma forma preocupado comigo, mas ele poderia pelo menos continuar uma conversa. – Harry, minha casa não fica para lá?
- O carro está quente pra caralho e você está batendo os dentes de frio.
- Não é nada demais, é apenas sono.
- Ninguém bate os dentes de sono, . – Ele entrou em um beco onde no início havia uma placa escrita: The Highfield Hospital. Parou na frente de uma rampa não tão grande.– Você desce e vai fazendo sua ficha, daqui a pouco eu chego.
- Mas Harry... – Ele me interrompeu com um dedo indicador em frente aos meus lábios.
- Eu não vou deixar você se queimando de febre em casa. – Então destravou meus cintos. – Vá adiantando sua ficha, chego em um minuto.
Saí a contra gosto do carro, Harry está sendo exagerando, pois eu poderia ter tomado um remédio em casa e ir dormir... Simples! A recepção era enorme e azul, tinha uma enorme bancada branca onde só se via umas três cabecinhas por trás. Nem sequer olhei para a quantidade de gente sentada, ou nem sequer me importei se alguém sabia ali quem eu era. Apenas caminhei até a recepção com um sorriso falso e desejei boa noite.
- Boa noite, em que posso ajudar? – Porra, o que se fala em um hospital?
- Eu não estava me sentindo bem e meu namorado resolveu que seria melhor me trazer aqui. – A mulher olhou sobre meu ombro e fez uma careta estranha.
- Você tem plano aqui?
- Acho que não. – Ela fez outra careta. Será que tem algo estranho em meu rosto?
- Seus documentos, por favor. – Catei dentro da bolsa meu passaporte e o entreguei. – Um momento.
- Tudo bem. – Respirei fundo a vendo digitar algo em seu computador.
Olhei para o relógio na parede que já mostravam ser 04:20AM o que era horrível pois eu acordava as seis para ir à escola, ou seja, eu não dormiria nada mais hoje. Comecei sem querer uma batucada com as unhas na bancada, a mulher me entregou o meu passaporte, pediu os dados de onde eu morava, telefone, responsáveis... E assim quando acabou as perguntas, pediu para que eu esperasse para imprimir minha ficha e logo eu seria chamada. Enquanto o papel não saia da impressora para ela me dar comecei a ouvir uns murmúrios, cochichos vindo de trás de mim, quando olhei para a recepcionista ela olhava em minha direção com sua boca levemente entreaberta, então senti alguém passar um casaco por meu ombro.
- Achei que fosse precisar. – Ele sorriu de lado passando um braço pelo meu ombro e me juntando mais nele.
- Obrigada. – Sorri sincera, senti que não era apenas teatrinho por estarmos em público.
- Aqui está, Srta. . – A recepcionista que eu não sei e não queria saber o nome me entregou um papel. – Agora é só aguardar.
- Obrigada. – Harry assentiu então me levou para as cadeiras mais afastadas de todos que nos encaravam.
- Me diz que não terá fotos nossa aqui no hospital. – Murmurei passando meu braço por sua cintura tentando pegar o calor do seu corpo.
- Você quer que eu minta? – Neguei com a cabeça. – Então saiba que terá fotos sim.
Sentamos juntos, eu ao lado da parede e o Harry do meu lado, eu continuava abraçada com sua cintura tentando realmente me aquecer e por o orgulho de lado, Harry continuava abraçado comigo com uma mão e a outra ele ligava para alguém. Harry havia ligado para o Louis e avisou que não se juntaria a eles hoje, explicou que estava no hospital, que não sabia algo pois estávamos esperando ser chamados e que qualquer coisa avisava... Depois de um breve diálogo sobre algo que não sei porque Harry falou em códigos, ele desligou. Com sua mão que estava abraçada comigo ele começou a fazer carinhos, mesmo por cima do seu casaco e do meu vestido eu sentia o calor de sua mão sobre minha pele. Harry cantarolava uma música da Demi, o que me fez rir pelo nariz.
- O que foi? – Ele perguntou parando o carinho.
- Desde quando você ouve Demi?
- Não tenho costume, mas às vezes passa nas rádios que ouço. – Deu de ombros.
- Essa música é antiga e nem em rádio se passa mais, como você aprendeu? – Ele me afastou um pouco ainda com um sorriso travesso e me fitou.
- Onde você está querendo chegar?
- Você realmente escutava I Will Be e Give Your Heart A Break ou é porque gosto de ambas que você as utilizou?
- Não é seu nome que está sendo chamado? – Harry falou nervoso, mas foi quando eu percebi que realmente estava sendo chamada.
- Não acabamos essa conversa ainda. – Me levantei puxando seu casaco sobre mim e caminhei onde a recepcionista indicava. – Harry você não vai entrar comigo.
- Não se preocupe, ele pode entrar. – A recepcionista sorriu tão simpática que fez meus nervos borbulharem. – Boa consulta! – Então se foi.
- Porque ela desejou “boa consulta”? – Harry olhou para onde a recepcionista ainda seguia.
- Porque ela quis ser educada?
- Mas eu nunca ouvi ninguém desejar isso.
- Pode abrir essa porta logo para ser atendida?
- Você não deveria nem estar aqui.
- Mas estou porque sou seu namorado.
- Eu não deveria estar aqui. – Murmurei pegando na maçaneta.
- Deveria sim, você está doente.
- Olha só Harry eu... – Fui interrompida por uma quase queda pela porta se abrir e eu estar me segurando nela. – Ops!
- Desculpe-me, eu não sabia que tinha alguém segurando. – O médico era maravilhoso, me lembrava o Noah que iria contracenar com a Valen, porém ele era mais velho, mas não tinha feição séria. Seu sorriso até passava um conforto que só médicos legais conseguem.
- Sem problemas. – Consegui responder.
- Eu ouvi um barulho vindo de cá e a paciente não havia entrado, então vim ver se tinha acontecido algo. – Seu sorriso aumentou e o meu também.
- Não aconteceu.
- Ah, aconteceu sim. Ela não quer se consultar.
- Não é preciso! – Rebati o Harry.
- Porque não entram e vamos constatar se é preciso ou não? – Harry sorriu vitorioso provavelmente pelo médico tê-lo mandado entrar. Assim que entramos o Dr. Smith nos mandou sentar na sua frente e começou uma série de perguntas.
- ...Se alimentou bem hoje?
- Eu acordei na hora do almoço, então não tomei café da manhã, mas além disso comi bem o dia todo. – Fiz uma careta.
- Bem? – Dr. Smith me olhou sobre seus óculos.
- Comi muita besteira o dia todo. – Harry riu pelo nariz então dei um tapa leve em sua perna. – Besteira tipo, docinhos, pipoca, gominha e refrigerante.
- Nossa, que bomba! – Harry riu mais ainda, mas antes de eu o agredir ele segurou minha mão e entrelaçou nossos dedos. – De que horas você decidiu que seria melhor vir?
- Na verdade quem decidiu foi ele. – Apontei para o Harry com minha mão desocupada.
- Porque você achou melhor ela vir?
- Agora pouco estávamos no carro e eu já estava quase suando de tanto calor e ela batendo os dentes de frio, presumir que estivesse com febre. – O médico tocou na minha testa.
- Bem, nem é preciso um termômetro para definir isso, mas peço que use este para sabermos a temperatura exata, okay? – Ele me estendeu um aparelhinho branco então coloquei na axila por dentro do vestido. – Está com mal estar, dor em algum lugar?
- Dor de cabeça e enjoada. – Ele examinou meus olhos, boca e ouvido depois voltou a escrever algo.
- Alguma probabilidade de estar grávida? – Ele novamente me olhou sobre os seus óculos e depois olhou para o Harry.
- Não! – Respondemos juntos.
- Tem tanta certeza assim.
- Certeza absoluta, impossível uma gravidez. – Respondi com tamanha confiança que fez o médico rir.
- Bem, o que posso concluir é que essas suas “besteiras” que comeu durante o dia não fez muito bem para seu estômago, então passarei alguns remédios para o enjoo e se caso você chegue a vomitar, para sua dor de cabeça e febre irei passar uma injeção que irá embora rapidinho. – Assim que arregalei meus olhos o termômetro apitou. Tirei rapidamente o entregando. – Como eu previ, 39°C... Sua febre tem que ser controlada imediatamente.
- Viu só! Imagina se você fosse para casa e dormisse, sua febre poderia aumentar. – Harry falou e um tom de repreensão.
- Você fez muito bem em trazê-la, se aumentasse mais poderia causar uma convulsão. – Arregalei meus olhos.
- Posso tomar essa injeção logo?
- Imediatamente. – Ele terminou de escrever algo e me entregou dizendo como tomar tais remédios, me entregou outro papel onde era a prescrição para o tal do remédio injetável. – Seria bom que você descansasse hoje.
- Ela vai sim. – Harry respondeu e eu olhei para seu relógio.
- Vou lhe dar um atestado, hoje já é o suficiente, mas se você não se sentir bem, nem questione voltar aqui, venha imediatamente e iremos fazer uns exames. – Assenti enquanto ele escrevia algo no meu atestado. – Aqui está. Melhoras, mocinha.
- Obrigada Doutor. – Apertei sua mão. Harry também apertou e o agradeceu.
- Tome conta dela, Sr. Styles.
- Pode deixar! – Harry acenou abrindo a porta para mim. – Quem estava certo?
- Harry não enche.
- Hey, não é assim que se agradece ao namorado. – Ergui meu belo dedo do meio em sua direção. – Muito mal agradecida você.
- Posso ir logo tomar essa merda e irmos para casa, eu estou morrendo de sono.
- Vou anotar que quando você está com sono fica mal educada e com boca podre. – Rolei os olhos.
Assim que cheguei à recepção entreguei o papel para a mesma recepcionista que havia me atendido, ela anotou e carimbou algumas coisas e me mandou ir à outra sala no mesmo corredor. Assim que chegamos lá encontrei três enfermeiras, a mais gordinha delas caminhou com um sorriso enorme no rosto e apanhou meu papel.
- Hum, você não tem alergia a nenhum remédio, não é?
- Não que eu saiba.
- Então vou aplicar apenas um pouco, se não tiver nenhuma reação alérgica aplicaremos o resto, tudo bem? – Afirmei com a cabeça. – Venha para cá e levante o vestido, abaixe a meia calça e a calcinha.
- É na bunda?
- Sim, Srta. ! – A mulher deixou escapar um sorriso fraco enquanto o Harry gargalhava bastante alto ganhando uma repreensão das outras enfermeiras.
- Quanta humilhação para uma pessoa só. – Fui para onde ela havia mandado e deixei apenas uma parte da minha bunda sem nada.
Quando ela aplicou veio todos os palavrões do mundo que eu conhecia, não teve um que não passou na minha cabeça. Eu queria matar o médico por ter me passado esse remédio, queria matar a enfermeira que com seu sorriso eu jurei que ela estava sendo simpática só que agora aposto que ela estava rindo de mim por não saber o que me aguardava e queria matar o Harry que graças a Deus não poderia ver minha cara de dor e estava do outro lado do biombo apenas me esperando.
- Vamos aguardar uns minutinhos, se não tiver nada você volta e a gente aplica o resto.
- Você não aplicou toda? Essa dor todinha para apenas um teste?
- É o protocolo minha querida. – Ela colocou um algodão com bastante álcool e segurou com minha meia calça.
Caminhei até o Harry que estava sentado me encarando, ele se levantou e perguntou se eu queria sentar. Neguei e me encostei na parede tomando o maior cuidado para não encostar minha bunda em canto nenhum. Se passaram vinte minutos e a dor não havia passado, a enfermeira voltou me examinou então decidiu que seria a última aplicação. Minhas pernas já estavam bambas quando entrei no biombo e repeti o que já havia feito com minhas roupas anteriormente, porém desta vez ela pediu o outro lado, repetiu o mesmo ato – passou o algodão com bastante álcool, segurou minha bunda com seu polegar e indicador e enfiou a agulha.
Se antes eu havia pensado nos palavrões nesse eu soltei em alto e bom som um lindo “PORRA!”. Ouvi a risada do Harry e agora eu tinha certeza que eu queria o matar, vender seus órgãos para a Deep Web e jogar seu corpo para os crocodilos. Senti uma pequena lágrima escorrer dos meus olhos quando a enfermeira colocou o algodão em cima do segundo furo e prendeu novamente com a meia calça. Eu não me aguentava em pé, mas sei que se me sentasse iria doer também. Eu queria apenas deitar de bruços e chorar no travesseiro com tamanha dor.
- Está tudo bem? – A enfermeira perguntou.
- Já estou liberada para ir pra casa? – Ela abriu um sorriso e acariciou meu braço.
- Sim, está. – Assinou algo na minha ficha e me entregou.
Assim que saí de trás do biombo encarei apenas o Harry que estava parado na porta com a mão na maçaneta, ele apenas acenou para todas as mulheres lá e pegou minha ficha levando para a recepção. Logo depois Harry passou o braço por meu ombro e me levou até o seu carro no estacionamento, o achamos rapidamente já que havia pouquíssimos carros ali.
- Está tudo bem? - Ele finalmente perguntou algo.
- Eu quero morrer! – Ele riu fraco e abriu a porta.
- Acha que consegue sentar? Se quiser por... – Levantei meu indicador em sua direção e me sentei no banco xingando todo o mundo por tamanha dor.
- Acho que entendi o propósito desse remédio. – Harry me olhou enquanto ligava o carro. – Doí tanto que você se esquece da dor de cabeça e da febre.
- Quando chegarmos à sua casa eu posso dar compressa de gelo.
- Eu colocarei gelo. – O corrigi.
- Tudo bem, como preferi.
- Podemos ir logo?
- Claro, mas antes iremos passar em uma drogaria.
- Tudo bem! – Fechei meus olhos e encostei a cabeça no banco.
- Tenta dormir, ok? – Então o Harry travou meu cinto e colocou o seu começando a sair dali.
Encostei minha cabeça na janela e o obedeci, eu estava exausta, cansada, minha bunda ainda doía e o banco de couro não ajudava muito. Peguei no sono, mas não demorou muito para eu acordar, pois havíamos chegado a casa e o Harry estava me carregando até minha cama. Minha sonolência me impediu de reclamar, ele tirou minha touca, seu casaco e meu sapato, colocou um par de luvas nas minhas mãos e me vestiu um agasalho de lã. Tudo isso com o máximo de cuidado, logo depois ele colocou minha cabeça em uma posição bem confortável no travesseiro e me cobriu com a colcha. Assim que ouvi a porta se fechar eu provavelmente adormeci, pois só lembro-me de sentir algo fofo perto dos meus braços e um beijo na testa. Provavelmente um sonho.
Capítulo 12


May, 26, 2014 – Rochdale – Milnrow – 12:00PM
O quarto ainda estava escuro, tateei a cama a procura do meu celular, mas a única coisa perto de mim que encontrei foi um panda que caiu dos meus braços. Peguei o objeto e o encarei mais de perto tentando o enxerga-lo no escuro. Ele era médio, e tinha uma rosa segurada em uma das patinhas com uma fitinha escrito “Sorry! Please!”
- Puta que pariu!
Não, não tinha como o Harry ser mais clichê. Ele simplesmente usou todas as ideias clichês e colocou em prática. O que amo fazer de madrugada, músicas preferidas, animal preferido de pelúcia... ainda escrito desculpas? Mas infelizmente meu coração não gostava de ficar chateado com ele, eu me sentia mal, ficava para baixo... O que era horrível em todos os lados, pois tínhamos que conviver. Quando eu finalmente avistei meu celular no criado mudo a porta do quarto se abriu com um Harry sorridente segurando um copo e uma caixinha.
- Vou ser dopada? – Sentei na cama com dificuldade dando espaço para ele sentar perto das minhas pernas.
- Não, apenas arrumei um horário bom para você tomar que não precise ficar acordando de madrugada.
- Obrigada! – Peguei o copo e o comprimido que ele havia tirado do envelope e tomei.
- A febre já baixou. Está sentindo alguma dor de cabeça?
- Não mais.
- A inje... – O interrompi.
-Ainda está doendo. – Ele riu.
- Bem, posso pegar uns gelos lá embaixo e quando você for tomar banho pode passar.
- Eu vou tomar banho agora, pode pegar pra mim?
- Claro! – Ele se levantou pegando o copo da minha mão e indo em direção da porta.
- Harry... – Ele virou-se somente com um giro dos calcanhares. – Obrigada pelo pandinha e... – Seu olhar brilhava em minha direção. – Acho que... Não estou mais brava com você. Muito obrigada.
- Não precisa agradecer. – Ele piscou o olho e fechou a porta.
Levantei devagar, minha bunda ainda estava doendo muito, tirei as luvas, o agasalho e a meia calça as jogando pelo meio do quarto que não estava mais tão frio como na madrugada. Peguei um short, uma blusa rosa, roupas íntimas e caminhei para o banheiro. Harry chegou rápido e me deu um copo cheio de gelos, agradeci então fui fazer o que era preciso. Demorei pouco mais de trinta minutos no banho, gelo, escovar os dentes, cremes... Sai do quarto com o copo para por na cozinha, mas assim que cheguei à sala encontrei o Harry mexendo no celular e vendo algo que o fazia rir. Caminhei mais para perto dele e sentei ao seu lado, seu sorriso aumentou então olhei para a tela. Era um site de alguma revista juvenil, tinha uma foto nossa sentado na sala de espera e o título eram simplesmente: “Harry leva ao hospital e fica com a namorada até ela receber alta.”
- Harry Styles foi flagrado com a em um hospital, mas não precisam ficar preocupados com os pombinhos, pois pelo que foi dito ambos estão bem.
– Li um trecho da publicação com uma careta estranha. - ... Pois é, quem não quer um namorado fofo como o Styles que leva a namorada ao hospital em plena madrugada?
- Os comentários estão divididos.
- Em que? – Tirei minha visão da tela.
- Pessoas preocupadas com você e pessoas achando fofo nós dois no hospital.
- E as pessoas me odiando fica em que porcentagem? – Ele arqueou uma sobrancelha. – Tudo bem, vamos mudar de assunto?
- O que você quer comer? – Abri um sorriso enquanto várias comidas gostosas passavam por minha cabeça.
- Que tal um clichê de adolescentes? – Ele riu assim que pronunciei a palavra “clichê”.
- Será uma boa ideia?
- Não sei, mas me deu uma enorme vontade de comer. – Lambi meus lábios me levantando e indo até a cozinha deixar o copo. Assim que voltei Harry falava algo no celular.
- Já está pronta? – Arqueei uma sobrancelha. – Ué, vá se agasalhar para irmos.
Corri pulando os degraus de dois em dois até chegar ao meu quarto, peguei as roupas de malha para por dentro das que eu escolhi – Blusa de mangas rosa com alguma frase, uma calça jeans azul clara e botas brancas -, me vesti dentro do closet mesmo e logo depois corri para passar uma maquiagem e esconder as imperfeições do rosto. Peguei meus óculos de sol com lentes redondas e espelhadas, um agasalho branco, a mesma bolsa que usei ontem e passei os produtos que me deixariam cheirosa. Meu cabelo já estava preso em um alto rabo de cavalo, então desci as escadas encontrando o Harry já pegando suas chaves e jogando o celular no bolso. Ele acenou para a porta então o segui até o carro após trancar a porta.
- Você deveria ligar para seu pai e sua mãe, as notícias que estávamos no hospital podem aparecer para eles. – Harry falou colocando a chave na ignição.
- Você tem razão, do jeito que minha mãe é ela deve está louca achando que morri.
- Então é melhor ligar. – Assenti com a cabeça vendo a Mary caminhar com o Bill pela calçada. Peguei meu celular e entrei no Skype, meu pai não estava online, então deixei uma mensagem para ele que dizia:
Papai, estou morreeeeeeeeendo de saudades sua. Aqui é tudo tão incrível, mas estou tão ocupada nesses últimos tempos. A escola está tomando quase todo o meu tempo, e quando não estou lá, estou estudando em casa, e ainda tem o Harry... Tentamos conciliar nosso tempo livre para curtir um pouquinho – PS: Viajei recentemente para a Irlanda. Lá é muito lindo, o senhor iria amar. Ah! Quando o senhor estiver livre podemos fazer uma conversa pela web e lhe apresento ao Harry, ele está louco para te conhecer... E sim, ele já conheceu minha host family e todos o amaram... Só falta vocês. Se você ver alguma publicação ou fotos minha e do Harry no hospital, nem precisa se preocupar. Harry me levou porque eu estava com um pouco de febre e dor de cabeça, mas não deu nada demais, deve ser meu corpo se adaptando ao clima... AQUI É MUITO FRIO. Estou com saudades!!! Com amor, sua filha que te ama muito. .
Li em voz alta para o Harry que disse que eu estava me saindo muito bem e que realmente queria conhecer meus pais, nem que seja por uma tela de computador. Entrei no grupo do Skype das minhas amigas e deixei uma mensagem dizendo que estava tudo bem comigo e foi apenas um mal estar que senti. Maia e Manu responderam dizendo que foi bom eu ter aparecido porque elas ficaram preocupadas, mas eu era pra eu ter avisado no whatsapp porque agora que eu tenho, só irão usar Skype para me ver. Cretinas! Então por último liguei para minha mãe que estava online a todo esse tempo, falei com ela, fiz o Harry falar com ela – mesmo que ela não entendesse nada -, Christian estava em casa, então nós quatro tivemos um diálogo bem legal – Sim, meu padrasto é fluente em inglês. Ficamos conversando por um bom tempo até Harry e eu chegarmos ao shopping. Me despedi e me ajeitei no espelho para sairmos.

May, 26, 2014 – Rochdale- Rochdale Exchange Shopping Centre - 5:54PM
Harry e eu caminhávamos como duas pessoas normais, na verdade, como um casal normal. Nossas mãos estavam entrelaçadas, eu deixava bem visível meu sorriso gigante no rosto, eu havia colocado o óculos no topo da cabeça, o do Harry estava pendurado em sua blusa que havia um botão desabotoado. Caminhamos por alguns minutos até parar na frente de uma loja de chocolate onde havia uma cachoeira de chocolate.
- Isso é uma perdição. – Murmurei.
-Podemos comprar.
- A cachoeira? – Meu sorriso aumentou.
- Não, o chocolate. – Murchei para um simples sorriso. – A gente compra vários.
- Oba! – Bati palminhas como uma criança. – Mas eu posso comer?
- Eu já ia me esquecendo! , já comemos no Mc Donalds hoje, acho melhor irmos comer algo mais saudável.
- Ai não, não curto naturebas. – Fiz bico voltando a entrelaçar nossos dedos e começando a caminhar em direção ao estacionamento.
- Não precisa ser. – Harry olhava em alguma direção. – Podíamos comer sushi, você gosta de sushi, não é?
- Ideia perfeita, melhor natureba do mundo. – Harry passou um braço por minha cintura para conter meus pulos.
- Tudo bem, então vamos. – Ele aproximou mais nossos corpos enquanto caminhávamos novamente para fora.
Eu percebia muitos olhares em nossa direção, não havia uma única pessoa por quem passávamos que não parava o que estava fazendo para nos encarar. Abaixei meus óculos e voltei a sorrir largamente até chegarmos ao carro. Entramos e o Harry começou a manobra-lo para fora. Demorou cerca de 10 min após o Harry ter pego a rodovia principal de Milnrow e então chegamos ao The Milnrow Balti Restaurant, o Harry estacionou o carro então seguimos para dentro. O lugar era quente e aconchegante, e estava um pouco vazio por ser uma segunda feira.
- Mesa para dois. – Harry falou para uma mulher morena e baixinha que nos recebeu na entrada, a mesma nos levou para uma mesa longe das janelas.
- Aqui está bom?
- Aqui está ótimo. – Harry puxou a cadeira para mim. – Já tem ideia do que pedir?
- O que você achar melhor. – Sorrir respondendo, então o Harry sentou ao meu lado.
- Tudo bem, então dois norimaki, por favor.
- Já volto, Sr. Styles. – Assim que eu a seguir sair com o olhar, voltei minha atenção para o Harry que brincava com a taça de água em cima da mesa.
- Vem muito aqui? – Perguntei então ele riu.
- Me cantando Srta. ?
- Não, apenas curiosidade. – Ele riu novamente então me olhou.
- Primeira vez, porém, já estou gostando. – Assenti bebendo um pouco da água. – Você está se sentindo melhor?
- Esto... – Meu celular começou a tocar, então o peguei na bolsa e vi o nome da Waly na frente. – Posso?
- Claro. – Ele apontou para o celular então aceitei a chamada.
- SCHULZ COMO VOCÊ ESTÁ? – Afastei o aparelho da orelha assim que ouvi o grito vindo do outro lado.
- Não grita com a coitada. – Ouvi a voz do Caleb no fundo.
- Oi pra você também Walyiha Malik.
- Você está bem? Não foi para o colégio. – Ela falou mais baixo então ri pelo nariz.
- Estou sim, o médico me deu um dia de folga.
- Esse dia é para você ficar em casa descansando e não indo a shoppings.
- Como você... Ah, esquece, já deve está na internet.
- Sim, bem aqui na minha frente tem uma foto sua e do Harry abraçadinhos no shopping. PORQUE VOCÊ NÃO ME CHAMOU, SUA VACA!
- Waly, decidimos de última hora e formos apenas para comer no Mc Donalds. – Harry pegou seu celular e começou a mexer em algo.
- Me ligava de última hora. Estou com o Caleb e não temos o que fazer.
- Estudar talvez? – Ela gargalhou bem alto do outro lado.
- Meu amor, estudar não está atualmente no meu dicionário. – Avistei um rapaz alto que segurava uma bandeja com dois pratos contendo no mínimo 8 sushis cada.
- Waly, meu jantar chegou vou ter que desligar.
- Seu o que? Você está jantando fora?
- Sim, sim. Tenho que ir. Beijos. – Desliguei o celular rapidamente e quando a Waly ligou de volta eu ignorei e joguei o celular dentro da bolsa.
- Está tudo bem? – Harry perguntou admirando o rapaz se aproximando e colocando o nosso pedido na mesa.
-Waly dando seus ataques.
- Ela é diferente do Zayn?
- Depende do astral do Zayn. – Ele sorriu como se entendesse do que eu estivesse falando.
-Hashi? – Afirmei com a cabeça. – Itadakimasu!
- O que?
- É tipo um agradecimento pela comida, aprendi quando a gente foi no Japão.
- Lembro desse episodio. – Ele riu assim como eu.
Comemos conversando sobre tudo, falei o quanto foi constrangedor conhecer sua mãe e ele ria um pouco nervoso. Se passou na minha cabeça perguntar a ele se era alguma paranoia minha na música Right Now, mas coragem me faltou. Balancei a cabeça rindo de alguma piada sem graça que ele havia contado e voltei minha atenção para sua fala. Não demoramos muito no restaurante, Harry viu alguma foto nossa no Twitter e ficou com medo que alguém aparecesse por lá e iria ficar um dia chato. Nem sequer pedimos sobremesas e assim que o Harry pagou, seguimos para o carro.
Quando chegamos à avenida principal eu vi que iria me irritar, o trânsito estava um inferno. Abri o porta luvas do Harry tentando achar algum CD ou algo que não me irritasse naquele trajeto, ele parecia pensar o mesmo que eu, então conectou seu celular no som, uma música que eu nem sequer conhecia e muito menos sabia a banda começou a tocar. Sorri agradecendo e encostando minha cabeça no encosto do banco com os olhos fechados. Harry cantarolou algumas músicas até perceber meu celular tocar então se calou e me fitou de soslaio, provavelmente curioso para saber quem era.
- Número estranho... – Falei assim que na tela só apareciam números. – Será que devo atender.
- Pode ser alguém do Jimmy ou até do colégio, porque você faltou. – Harry respondeu calmo.
- Tudo bem, ok. – Aceitei a chamada e falei um “Alô?” casual.
- ?
- Quem é? – A voz não era desconhecida, mas ainda não havia assimilado a alguma pessoa.
- Willian Azack. – Um sorriso se formou sem nem eu mandar, mas contive uma alegria maior já que o Harry estava ao meu lado.
- Ah! Olá! – Ele perguntou se eu estava bem e claro respondi com um sim e perguntei de volta.
- Ah, aqui está tudo ótimo. Bem, eu lhe procurei hoje pelo colégio, mas a Srta. Zadan disse que você havia faltado. Está tudo bem mesmo? Vi umas fotos na internet, você no hospital.
- Hm... – Comecei a enrolar uma mecha do meu cabelo no dedo indicador. – Estou muito bem, obrigada. Só peguei licença hoje, o médico me mandou descansar, mas não foi nada demais, apenas um mal estar.
- Ah, e amanhã, nossa aula está de pé?
- Totalmente! Amanhã irei para o colégio.
- Mesmo horário, não é?
- Sim, por favor. – Ele falou algo sobre os assuntos que iríamos ver e que iria passar os assuntos perdidos por mim semana passada. – Muito obrigada Sr. Azack!
- Só Willian, por favor.
- Tudo bem, Willian. – Harry praticamente brecou o carro do nada. – Puta que pariu!
- Está tudo bem? – A voz do Willian soou preocupado.
- Você está louco? – O ignorei me virando para o Harry.
- O que ele quer com você? – O tom da voz estava o mesmo que ele usou no corredor do hotel na Irlanda.
- Ahn, , eu não sabia que você ainda estava com o Harry, posso ligar outra hora. – Willian parecia arrependido.
- Não! Está tudo bem, o Harry ia atropelando um gato. – Inventei na hora ignorando os xingamentos do Harry que estavam em outra língua. – Pronto, está combinado, amanhã após a escola.
- Tem certeza?
- Absoluta.
- O Harry não vai nos incomodar? – Queria sentir alguma malícia na sua voz, mas não obtive nenhuma.
- Ele vai embora hoje. – Respondi seca. – Não se preocupe, poderemos estudar o quanto der. – Harry bufou e bateu com raiva no volante.
- Ok, se você diz... – Afirmei mais uma vez. – Nos vemos amanhã.
- Até amanhã. – Ele desligou então encarei o Harry que estava vermelho com os lábios formando uma linha. – O que deu em você? Queria nos matar?
- Aqui tratamos os professores com Sr. e não pelo primeiro nome. – Rolei os olhos.
- Você tem quase a idade dele e nem por isso eu lhe chamo de senhor.
- Você é minha namorada!
- POR CAUSA DE UMA PORRA DE CONTRATO! - Rebati alto.
Harry continuou calado assim como eu, não demorou nem um minuto e ele parou o carro no acostamento, então percebi ser a minha casa. Parei um pouco após ter tirado os cintos e o encarei. Ele continuou fitando o para brisas então sem querer soltei um suspiro.
- Muito obrigada pela companhia! – Arrisquei sorrir, mas a única coisa que recebi foi um riso pelo nariz debochado. – O que houve dessa vez?
- Você acha que depois de tudo que fiz ainda seria capaz de te deixar sozinha? – Agora ele estava me encarando com o tom de voz grave.
- Harry, eu só quis ser educada.
- Então boa noite! – Ele apontou para a porta.
Assim que coloquei o pé para fora ele aumentou o volume do som. Por mais que fosse tolice ou loucura minha eu parei. A música que tocava no carro era Change My Mind, e querendo ou não ela fazia algum sentido naquele momento se o Harry não fosse o grosso. Respirei fundo ainda de costas e segurando a porta enquanto Liam cantava: But baby if you say you want me to stay, I’ll change my mind, cause I don't wanna know I'm walking away. If you'll be mine, won't go, won't go. So baby if you say you'll want me to stay, stay for the night, I'll change my mind. Me virei em sua direção e ele tinha um olhar que eu não consegui decifrar. Virei-me para minha casa novamente fechando a porta do carro mantendo minha cabeça baixa. Caminhei sem nem olhar para trás até minha casa e peguei as chaves abrindo a porta e entrando. Joguei minha bolsa no chão e me sentei ao lado dela. Não ouvi nenhum sinal de carro saindo, mas não quis olhar para ver se ele havia ido embora. Respirei fundo, peguei minha bolsa e caminhei rapidamente para meu quarto sem evitar a janela que estava com as cortinas abertas e pude ver o carro começando a pegar velocidade.
- Porque ele tem que ser tão complicado? – Me joguei na cama dramaticamente e deixei todas as lágrimas que haviam ficado entaladas desde o começo escorrer. – Porque nada na minha vida pode ser normal?
Normal. Era isso que eu precisava. Algo normal na minha vida. Peguei o celular dentro da bolsa de qualquer jeito e entrei no meu Facebook para falar com minhas amigas, como eu queria as quatro do meu lado me abraçando como fizeram com o Gabriel. Mas elas não estavam ali, e a única coisa que vi no meu facebook foi inúmeras marcações de fãs dizendo o quanto eu estava sendo aproveitadora da boa vontade do querido Harry.
As lágrimas começaram a escorrer mais rápido e em mais quantidade. Joguei o celular na cama e me cobri tentando achar algum consolo em simples tecidos. O pandinha estava ao meu lado me olhando com pena. O joguei para bem longe e fechei os olhos mais forte que o normal. Eu precisava dormir. Que o mundo explodisse... Mas eu necessitava dormir.
Eu sabia que se ele chegasse na minha porta com a aquela carinha e bico que ele sempre faz, eu iria ceder, e voltaríamos a ser amigos até ele foder com meus sentimentos e tudo se repetir. Seria um ciclo, um ciclo vicioso... É bom eu me acostumar com ele, pois teremos muito tempo juntos.
Esse é só o começo.
Então, sabe aquela noite em que você está tão mal que chora até dormir? Era exatamente eu nesta noite. Chorei, chorei, chorei até que peguei no sono.
Capítulo 13


No meio da euforia, aquele alguém me protegia. — Tiê.
May, 27, 2014 –Milnrow – Rochdale – 04:54AM
Eu estava dentro de um carro com alguém que dirigia, mas não dava para reconhecer quem era somente que o carro estava em uma velocidade absurda. Estávamos em uma discursão enquanto chovia bastante. Eu tentava o mandar parar o carro gritando desesperada, mas a velocidade não diminua, somente aumentava. Quando finalmente eu conseguia enxergar a estrada era apenas uma luz vinda em minha direção. O carro freou bruscamente logo após um impacto tão forte que me senti voando para fora, então caí na pista e o carro explodiu fazendo tudo se apagar.
Abri meu olhos em um susto, tudo estava escuro ainda, porém eu não estava mais caída na estrada, não havia carro nenhum, apenas chovia lá fora. Meu quarto estava mais frio que o comum, a cortina aberta da noite anterior mostrava um céu com nuvens pesadas onde era desabada a chuva. Sentei na cama tocando no meu rosto e o mesmo estava bastante úmido, eu estava ensopada de suor mesmo o quarto estando frio. Peguei o celular e olhei a hora constatando que era muito cedo, mas eu não iria consegui dormir mais. Ainda sentia o impacto do chão contra meu rosto, ouvia a explosão que aconteceu na minha frente, via a luz forte em minha direção... Mas o pior de tudo era que eu discutia com o motorista como se alguém estivesse em perigo e não éramos apenas nós dois. O pesadelo parecia real, eu senti que quando abrisse os olhos estaria dentro de um caixão ou de um quarto de hospital. Como se alguém realmente estivesse em perigo e eu não pudesse fazer nada.
Minha visão já estava acostumada com a pouca luz, então pude encarar cada centímetro do quarto tendo a certeza de que tudo estava normal, claro, tirando um fato de que tinha uma panda de pelúcia jogado perto do closet. Meu celular começou a tocar e era a Valentina atendi sem nem sequer pensar.
- ? – Sua voz estava bastante animada.
- Hey estrela preferida!
- Boa noite!
- Bom dia! - Ouvi ela batendo em alguma parte do seu corpo, imaginei ser a testa. - Você está bem?
- Sim, só estava com saudades de conversar com você. - Ouvi ela tossir.
- Você está tão engraçada há essa hora que até me dá medo. - Levantei-me da cama para pegar meu uniforme no closet. - Sério, o que aconteceu?
- Eu só queria compartilhar minha felicidade com alguém.
- Se está feliz, algo aconteceu. Me conte! - Após uma risada dela, ela começou a falar rápido.
- Noahmechamoupraalmoçar!
- Opa, opa opa... Fala mais lento aí que a lerda aqui só entendeu Noah. – Parei com a mão no conjunto de roupas que eu chamava de uniforme.
- O Noah... Ele me chamou... Ele me chamou para almoçar!
- NAO ACREDITO! - Gritei ao telefone junto com ela. - Você disse sim não foi? É claro que você disse sim!
- Nããããão... - Minha animação caiu. - Eu disse que iria ver se dava pra eu ir.
- Perfeito, faça doce mesmo. - Ela gargalhou. - Provavelmente você está dentro do seu closet olhando para todos os lados sem consegui decidi uma roupa para usar.
- Você me conhece muito bem. – Ouvi uma risada nervosa. – Por favor, me ajuda.
- Com certeza. – Olhei para a tela do meu celular vendo se realmente daria tempo. – Para onde vocês vão e a que horas?
- Lanchonete que tem perto do estúdio no horário do almoço.
- Então vai casual. Bonita mas sem transparecer que passou horas se arrumando e que pra você é um mero almoço com amigo.
- Vestido soltinho branco com uma rasteirinha ou um vestido preto e uma bota?
- Primeira opção sem nem pensar.
- Mas amo essas botas.
- Valen, mostre que você é bonita com qualquer roupa e não precisa de super produção para ficar bonita. Ponha uma rasteirinha, vestidinho e vá almoçar com o gatinho.
- Isso, você é perfeita! Por isso que te amo.
- Deixa de coisa Valentina, amigas são pra isso mesmo.
- Você deveria ser minha conselheira de moda pessoal. – Ouvi um baque abafado, provavelmente ela se jogou na cama.
- Amorzinho, você vai ser tão famosa que é capaz de ter uma sim, e não será eu. – Ela gargalhou.
- Sabe o que você me fez lembrar?
- Conte antes que esqueça.
- Os produtores resolveram que vão gravar um CD e olha que a série ao menos foi para o ar.
- VALENTINA ISSO É MARAVILHOSO! – Eu pulava alegre abraçada com o uniforme. – Isso é tão perfeito.
- Você é a primeira pessoa para quem estou contando.
- Estou me sentindo privilegiada. – Ela riu.
- Isso é tão engraçado. – Fui ao banheiro enquanto mandava ela continuar. - Éramos amigas virtuais de muito tempo, mas morávamos no mesmo país. Agora uma mora do outro lado do mundo e mesmo assim nossa amizade é a mesma coisa.
- Isso se chama amizade verdadeira. – Ajustei a água para em breve tomar banho. - Por falar em distância, quando a senhorita Miller vem me visitar?
- Hum... Eu não sei, está uma enorme correria para gravar as cenas, já que em breve a série será lançada.
- Poxa, Valen. - Suspirei. - Sinto sua falta.
- Eu também sinto a sua, mas infelizmente não tenho muito a fazer. - Suspirou também. - Bem que você poderia vir para cá né?
- Quem sabe um dia. - Sorri imaginando eu e a Valentina nas ruas de Hollywoody. - É Valen, seria um sonho.
- Que poderia se realizar em breve. Quando começa suas férias?
- Eu não sei, eu só fui umas duas semanas e já faltei ontem, aqui também está correria.
- Acha que vai para a recuperação?
- Espero que não. - Dei de ombros. - E como você está com as aulas particulares?
- To de boa, os professores são um amor, dedicados e atenciosos, mas não são gatos como o seu de biologia. - Choramingou.
- Ai, ai Willian! – Falei piscando meus olhos docemente.
- E também não tenho um namorado mais gato ainda que morre de ciúmes a ponto de expulsá-lo da minha casa.
- Mas você tem um pai que com certeza faria isso com você.
- Você é ridícula garota. – Ela murmurou.
- Aprendi com você. – Respondi rindo – Valen, é melhor eu ir agora, vou tomar banho e me arrumar para a escola.
- Eita, eu esqueci que você estuda de manhã, desculpa !
- Não atrapalhou, mas agora é melhor correr.
- Tudo bem, vou desligar e me aprontar para dormir, amanhã o dia será longo.
- Não esqueça de me contar cada detalhe dele.
- Prometo que não!
- Então boa noite, até mais.
- Até meu amor, bom dia pra você e boa aula. Beijo.
- Também te amo. - Ri pelo nariz.
- Eu amo você, bocó.
Como eu havia perdido um certo tempo livre que eu tinha, corri para tomar banho na água que já estava quente, me vesti num piscar de olhos, escovei os dentes e amarrei o cabelo num rabo de cavalo alto por está com preguiça de penteá-lo. Minha mochila já estava pronta desde a semana passada, fui até a cozinha, comi algumas coisas, subi para escovar os dentes, me maquiei como sempre e passei bastante perfume. O taxista já estava vindo então apenas olhei para ver se tudo estava pronto e desci para espera-lo na sala.

May, 27, 2014 – Tong High School – Bradford – 12:16pm
- A gente deveria ir hoje. – Murmurei tomando o suco artificial de laranja.
- Também acho, deveríamos ir para Manchester. – Waly comia sua sobremesa como se fosse a única comida do mundo.
- Manchester não é meio longe? – Perguntei fazendo o Caleb rir. – Que foi? Pelas minhas contas são horas de carro.
- Mas existe metrô. – Caleb deu de ombros. – Amor, já chega, daqui a pouco você faz um buraco no prato.
- Não tenho culpa se está gostoso. – Waly resmungou quando o namorado tirou o prato de sua frente.
- Opa, alguém me chamou? – Jean se aproximou da mesa com sua sobremesa intacta.
- Alguém falou convencido ou metido? Acho que não, então ninguém lhe chamou. – Waly deu língua.
- Essa garota tem a resposta na ponta da língua, não? – Ken riu sentando ao meu lado.
- Então, vamos hoje ou não? – Voltei a perguntar. – Ops, o Willian vai lá para casa hoje.
- É verdade, você tem aulas particulares com o professor gostoso. – Caleb apertou a Waly bem descaradamente.
- Ele já foi explícito? – Jeni perguntou.
- Em relação a? – Todos me olharam com malícia. – Gente, eu tenho namorado.
- O que não impede dele dar em cima de você. – Jean encheu a boca com um pedaço de torta.
- Ele me trata com respeito, como se fosse um amigo.
- Tenha cuidado, essa aproximação de “amigo” pode ferrar com ambos os lados. – Jeni me olhou séria.
- Ai gente, são apenas aulas, e eu estou realmente precisando. – Rolei os olhos.
- Espero que continue apenas em aulas mesmo. – Waly falou baixo, mas a mesa toda ouviu.
- Então, vocês já fizeram o trabalho de inglês para entregar amanhã? – Troquei de assunto na cara de pau.
- Soube que a professora pegou uma doença e está de cama. – Jeni falou.
- Ela descobriu que está grávida. – Jean riu fraco.
- Como uma mulher de 80 anos engravida? – Waly falou com nojo.
- Do que estão falando? – Ken sentou ao meu lado completando o nosso grupo.
- Da Srta. Bulton... – Encaramos o Caleb. – Espera! Se ela é senhorita como pode estar grávida?
- Não é necessário está casada para fazer um filho. – Jeni falou incomodada.
- É verdade! – Concordei com a mesma.
- Mas ela tem 80 anos. – Waly falou um pouco mais alto. – É biologicamente impossível.
- Tirando o fato de que ela não tem 80 anos. – Jean rolou os olhos.
- E quantos anos aquela criatura tem? – Foi a vez do Caleb perguntar.
- 34. – Jean respondeu fazendo todo mundo engasgar. – Pois é, essa foi minha reação quando li na ficha.
- Você leu a ficha dela? – Jeni perguntou horrorizada.
- Eu queria tirar minhas dúvidas.
- Isso é crime! – Falei
- Só se alguém me entregar, mas aposto que nenhum daqui vai... – Ele rolou os olhos.
- Mas então, quem é o pai? – Waly falou rindo.
- Isso não se tem em uma ficha profissional.
- Ai gente, o que isso importa? Ela vai ser mãe, isso é maravilhoso. – Jeni abriu um sorriso.
- Como você sabe? Já foi mãe? – Waly perguntou brincando.
- Claro que não! – Jeni respondeu rapidamente. – Mas tenho uma irmã, é como se fosse né?
- Eu não me senti mãe quando a Clear nasceu. – Caleb deu de ombros.
- Porque você é um ogro. – Ken finalmente resolveu falar.
- Eu tenho irmãs e nem por isso tenho espírito materno, acho que não serei mãe. – Waly pegou a minha garrafinha de suco.
- Qual é? Eu quero ter filhos. – Caleb resmungou.
- Acho que isso é uma permissão para traição. – Ken murmurou.
- Não é nada, resolvemos isso no futuro. – Waly fechou a cara.
- Senhora Irritada não gostou. – Jean riu e a Waly estendia o dedo do meio.
- O sinal já deveria ter tocado. – Jeni ainda estava sem graça pelo seu comentário que a maioria não concordou.
- Em 3...2...1. – Assim que acabou a contagem do Ken o sinal realmente tocou e a voz do diretor soou mandando todos irmos para a sala.
- Esses intervalos deveriam ser mais longos. – Waly se levantou com má vontade.
- Por mim nem aula teríamos. – Caleb passou o braço pelo ombro da namorada.
- Você já é burro com elas, imagina se não tivesse aulas. – Ken deu um tapa na cabeça do amigo. - Vamos Jean?
- Claro! – Ele colocou o celular no bolso. – Até mais tarde meninas. – E soltou beijo de longe indo para um corredor diferente do nosso.
- Aula de francês, aí vamos nós! – Waly rolou os olhos enquanto a Jeni comemorava. Só Deus sabe o porquê essa garota gosta dessa aula.

May, 27, 2014 – Milnrow – Rochdale – 19:45pm
- Então por hoje é só.
- Concordo, já tem biologia demais na minha cabeça. – Apoiei meu braço no sofá enquanto o Willian se arrumava para ir embora.
- Bom, espero que realmente esteja lhe ajudando e não atrapalhando. – Ele parou de guardar os papéis na maleta e coçou a nuca.
- Está me ajudando muito, obrigada mesmo. – Sorri simpática.
- E o seu “namorado”?
- Com ele eu me resolvo sozinha. – Rolei os olhos. – Sério, Harry é o menor dos meus problemas atualmente.
- E o seu maior?
Parei para pensar um pouco, se passou coisas na minha cabeça como: Modest, as fãs loucas que eu já conhecia somente como fã e agora sinto diretamente, meus pais, minha distância e falta de tempo para minhas amigas, meu pesadelo que ainda não tirei da minha cabeça...Ah, esse sorriso perfeito, esse cabelo arrumadinho, essa roupa perfeitinha que o Willian está usando e está deixando meus hormônios loucos.
- O professor de matemática. – O sorriso do Willian aumentou e agora saia som.
- Ophelio Kyle?
- Esse mesmo! No meu primeiro dia ele me colocou numa lista.
- A lista negra? Nossa, você está muito ferrada. – Abri minha boca como susto... Até parece que eu já não sabia disso.
- Então você sabe sobre a lista negra dele? – Me levantei no mesmo momento que ele.
- E já fui aluno dele, e eu já estive no topo da lista. – Willian falou baixo como se fosse um segredo e ninguém pudesse ouvi-lo.
- Então se despreocupe, pois ocupei o seu lugar. – Respondi no mesmo tom o fazendo rir.
- Então realmente você está realmente ferrada. – Ele abriu seu sorriso maior sorriso mostrando seus dentes super brancos. Acalmem-se hormônios.
- Isso realmente me deixou menos despreocupada. – Sorri de lado e o acompanhei até a porta.- Muito obrigada por ter vindo hoje.
- É um prazer imenso vir, já lhe disse. – Minha mão que pairava na maçaneta começou a soar. – Então, até amanhã no colégio.
- Sim, até amanhã. – Willian aproximou seu rosto do meu, com o susto acabei virando meu rosto rápido demais e nossos lábios se encontraram.
Foi tudo muito rápido. Lábios se tocando, lábios se separando, olhos se encarando e lábios se tocando novamente. O Willian estava me beijando. Em um movimento automático, coloquei minha mão em sua nuca onde pude senti seu cabelo liso e macio. Uma de suas mãos passeavam por minhas costas e a outra segurava minha nuca não me dando nem chance de afastar. Algo no meu bolso começou a vibrar, o Willian pareceu sentir também então nos afastamos. Peguei o celular no bolso já sabendo quem era. Minha mão tremia e minha respiração ofegante entregava o meu nervosismo, eu não poderia atender naquela hora. Harry até parecia que tinha um radar, sempre que acontecia algo ele aparecia ou ligava. Se eu atendesse naquele momento ele saberia que eu fazia algo... Pior, ele sabia que o Willian estava na minha casa.
- Pode atender. – Willian falou baixo.
- É o Harry! – Percebi o mesmo engoli o seco. – Eu... Eu não quero atender.
- É o seu namorado. – Agora quem engoliu em seco foi eu. – Você vai dizer o que acabou de acontecer?
- Eu não sei. – Coloquei o celular no bolso novamente. – Ele vai ficar muito puto, é capaz de te denunciar. Não, não falarei.
- Desculpa, eu... – Ele segurou minhas mãos.
- Tudo bem, a culpa não foi somente sua, agimos sem pensar.
- Qualquer coisa me liga? – Respirei fundo.
- Tudo bem, acho melhor você ir. – Girei a chave da porta e abri para ele sair. – Obrigada pela aula.
- Nos vemos amanhã ainda?
- Eu não vou mudar de escola por causa de um beijo. – Arrisquei a sorrir. – Um beijo que ninguém saberá.
- Obrigada. – Após ele me dá um beijo na testa se foi caminhando até seu carro.
Fechei a porta antes dele chegar no carro, corri até a sala e me joguei no sofá. Como isso foi acontecer? Se o Harry souber aposto que vai ficar enfurecido, vai querer matar o Willian, vai querer processá-lo e dizer mil vezes na minha cara “Eu te avisei”. O celular continuava tocando como um louco, eu não queria atender, eu não queria falar. Eu estava com vergonha de falar com qualquer pessoa. Não por eu ter beijado um professor, mas sim por eu ter caído na lábia dele enquanto todo mundo mandava eu ter cuidado. Respirei fundo. Eu precisava tomar um banho, precisava relaxar, precisava ficar sozinha comigo mesma. Eu não conseguia tirar da cabeça as mãos do Willian por meu corpo e nossos lábios juntos...
- Eu preciso esquecer que isso aconteceu. – Era pra ser um sussurro, mas saiu muito mais alto do que devia.
Subi para o meu quarto e preparei a banheira. Santo Liam que pode prever que eu precisaria bastante dela. Após 40min, escovei os meus dentes, arrumei meu pijama em meu corpo e peguei a pandinha. Eu me sentia a pior pessoa do mundo, e quando eu olhava para a fitinha na rosa eu ficava pior. Mas era isso que eu precisava, eu necessitava dessa culpa. Se eu não quisesse beijá-lo eu teria me afastado, eu teria evitado.
Pensando bem... Eu estou virando a puta que as fãs tanto me chamam.

May, 28, 2014 – Tong High School – Bradford – 11:34AM
- Amores!!! – Waly entrou na sala caminhando saltitante para sua típica cadeira ao lado do Caleb. – Amo as aulas de inglês.
- O que tem de diferente das outras? – Ken perguntou.
- Estamos todos juntos. Isso é magnifico. – Ela tinha um sorriso esplêndido.
- Waly, o que você aprontou? – Perguntei baixo e ela colocou a mão na boca.
- Não é o que aprontei, é o que iremos aprontar hoje.
- Meu Deus, segura essas meninas. Amém. – Jean tinha suas mãos juntas e olhos fechados.
- Walyiha, já conversamos, não iremos. – Jeni rebateu.
- Ah, iremos sim, eu não vou... – Waly dava um discurso que eu ainda não havia entendido, então como estava ao lado do Ken perguntei num cochicho.
- Do que elas estão falando?
- Da mesma coisa que estavam no café da manhã. – Arqueei uma sobrancelha. – , aonde você estava quando estávamos comendo mais cedo?
- Na mesa com vocês. – Falei o óbvio.
- Não, seu corpo eu sei que estava lá, mas e sua mente? Onde você estava com seus pensamentos? – Então eu gelei.
Lembro que no café da manhã o Willian apareceu na cantina e falou com uma das cozinheiras, ele estava com um semblante diferente, mais sério, mais preocupado com algo. E quando ele me viu paralisou, assim como eu, após alguns segundos ele acenou um tchau tímido e se foi, deixando minha mente conturbada com a noite passada.
-? Você está aí? – Waly passava a mão na frente do meu rosto.
- Estou! O que houve?
- Queremos saber se você vai hoje conosco em Manchester.
- Claro! Pode contar comigo.
- Ótimo, já planejei inúmeras lojas para irmos. Hoje será dema... – Ken sorriu fraco ao meu lado e aproximou seu rosto de mim.
- Viajando em pensamentos novamente? – Respirei fundo.
- Algumas coisas me atormentando.
- Tem haver com o Styles? – Balancei a cabeça devagar. – Saiba que o que precisar pode contar comigo.
- Muito obrigada Ken, mas me meti numa confusão que ninguém pode me tirar. – Fiz um bico.
- Nossa, não consigo imaginar nenhuma confusão em que você não possa sair. – Assim que a frase do Ken acabou a porta se abriu.
Willian entrou na sala de inglês com inúmeros livros nas mãos, assim que nossos olhares se encontraram ele quase derrubou tudo, porém ele conseguiu olhar por onde andava e colocou os livros corretamente na mesa. Graças a Deus ninguém percebeu nada, então continuaram a perguntar o motivo da presença dele ali, brincaram que ele havia errado a sala... Até que ele explicou que nossa professora faltou, mas tínhamos um exercício para fazer baseado no livro que ele iria entregar para as duplas. Após as duplas formadas, ele passou entregando um livro a cada. Assim que chegou à minha carteira ele olhou para o Ken e entregou sem nem olhar na minha cara. Ninguém percebeu, ou pelo menos, quase ninguém. Ken arrancou uma folha do caderno e escreveu algo rápido demais e logo depois me passou, assim que li a folha praticamente arregalei os olhos e me engasguei com a própria saliva.
- Algo errado Srta. ? – A voz do Willian soou então sem nem erguer a cabeça eu me levantei e caminhei até a porta. – Precisa de algo? Aconteceu alguma coisa? – Willian estava ao meu lado então comecei a suar sem saber o que responder.
- Ela não está se sentindo bem Sr. Azack, acho melhor leva-la a enfermaria. – Ken estava com os braços em meu ombro.
- Tudo bem. Melhoras então. – Willian abriu a porta então finalmente sai acompanhada do Ken.
Quando senti o ar gélido do corredor, minha maior vontade era cair no chão e chorar. Tudo bem, isso está parecendo patético. Eu apenas fiquei com ele, e isso não deveria ter acontecido em hipótese alguma. Mas toda vez que olho ou penso nele, o rosto do Harry chateado comigo vem na minha mente e me da vontade de chorar. Eu odeio o Harry chateado – agora com razão -, odeio o fato de que eu fiz merda e agora não tenho nem a capacidade de olhar na cara do Willian. Imagina como irei olhar na cara do Harry?
- Me conte o que aconteceu! – Ken havia entrado em uma sala e trancado a porta.
- Hã? O que? – O fitei desnorteada tentando assimilar que ele havia me guiado até ali e eu nem sequer percebi.
- O que aconteceu entre você e o Sr. Azack ontem?
- NADA! – Minha voz saiu alta demais.
- Não vem com essa ! As meninas estavam tão entretida em lojas e roupas que não perceberam, mas eu percebi que você começou a voar no refeitório assim que o Sr. Azack apareceu e agora na aula ficou tudo mais claro.
- Eu não sei do que você está falando, Ken. Só não estou me sentindo bem. – Passei a manga do blazer por minha testa, eu senti algumas gotas de suor brotando.
- , eu te conheço a menos de um mês, mas não é por causa desse pouco tempo que isso te faz ser menos importante para mim. Eu te adoro muito e não quero que coisas ruins aconteçam com você.
- Ken... – Eu procurava palavras para responder, eu procurava formas de retribuir um carinho tão grande... Mas nada me vinha à cabeça. Comecei a chorar do nada então senti o Ken me abraçar bem forte numa forma de consolação.
- Não precisa me contar agora, se acalme primeiro.
- Eu fiquei com ele. – Ken me separou de seu corpo em um pulo de susto. Sim, eu falei assim na cara de pau.
- Vocês o que? Como? Hã...?! E o Styles?
- Ai meu Deus! Eu sei que foi errado! Foi sem querer.
- Ah, sem querer? E você não podia afastá-lo? – Olhei para o chão. – ! Você traiu o Harry.
- Não precisa me lembrar disso eu já me torturei toda a madrugada com esses pensamentos.
- Eu nunca imaginei isso de você.
- Ken... – Minha voz falhou. Na verdade, minha voz sumiu e eu só queria chorar.
- Tudo bem, tudo bem, não vou lhe julgar. Venha cá. – Então ele me abraçou novamente e agora eu retribui o apertando com todas as minhas poucas forças do momento.
Após certo tempo Ken me levou para sentar numa carteira e eu acabei “desabafando”, contei tudo que havia acontecido, não escondi nenhum detalhe da noite. A cada palavra proferida uma lágrima escorria por minha face e desaguava em minhas mãos que estavam entrelaçadas em meu colo. Depois que contei tudo, Ken prometeu que não falaria nada a ninguém, mas disse que eu necessitava contar ao Harry, que eu não poderia ficar ignorando as ligações e as mensagens do mesmo.
- Eu vou contar, só preciso de um tempo para isso.
- Tudo bem, isso realmente não é coisa para se contar do nada.
- Dessa semana não passa. Prometo! – Ken abriu um singelo sorriso para mim e segurou minhas mãos.
- Sei que você não fez por mal, mas espero que isso nunca mais se repita. Tudo bem?
- Não irá! – O abracei novamente. – Muito obrigada Ken, muito obrigada mesmo.
- Não precisa agradecer, pequena.
Assim que separamos nossos corpos, seguimos realmente para a enfermaria para pegar uma autorização para a próxima aula. Não se passou muito tempo então encontramos com as meninas – que foram nos ver na enfermaria – e lá decidimos que sairíamos após a escola já que hoje a quadra seria usada pelo técnico e os demais alunos seriam liberados.

May, 28, 2014 – Albert Square – Manchester – 08:45PM
Após andarmos por inúmeras lojas, acabamos indo ao parque Albert Square, Jeniffer ainda reclamava que tínhamos comprado muitas coisas, Waly cantarolava alguma música para ignorá-la e eu tinha que aguentar as duas. Eu estava morrendo de fome, sem muita paciência e no meio das compras para ignorar a Jeni acabei atendendo a ligação do Harry, ele se mostrou bastante preocupado, perguntou se eu estava bem e claro, o motivo de eu ter ignorado tanto suas chamadas. Após eu o enrolar bastante, prometi que mais tarde ligaria para ele e conversaria algo sério, Harry novamente se mostrou preocupado e eu desconversei. Esperaria para contar a noite, quando eu estivesse sozinha e casa e não na rua com duas garotas discutindo ao meu lado sobre quem estava certa ou não.
Avistei três caras sentados no chão da praça fabricando alguma coisa, curiosa eu fui na direção deles e pude perceber – ainda de longe – que eram hippies. Um estava sentado na frente de outro que fazia deads em seu cabelo, o outro estava ao lado de um painel cheio de pulseiras, colares e brincos artesanais, um mais lindo que o outro.
- Olha só essa pulseira! – Waly havia me acompanhado, ela se abaixou colocando algumas sacolas na mão e tocou no objeto. – É de verdade?
- É sim. – O que estava desocupado perto da tela falou. – Esse dente ficou na barriga do meu amigo.
- Oi? – O encarei assustada enquanto a Waly parecia nem se importar.
- Ele foi mordido por um tubarão na Austrália e um dente ficou preso na pele dele.
- Ai, minha nossa, e você colocou numa pulseira para vender? – Jeni se aproximou rindo do meu espanto.
- Foi ele que fez moça, e está bem ali. – Apontou para o cara que fazia o dread do outro – Reclame com ele e não comigo.
- Por quanto está esse colar? – Jeni perguntou apontando para o que tinha uma conchinha pendurada.
- 5 Libras. – Sorri pegando minha carteira, mas a Jeni disse que não iria levar.
- Ah, vai levar sim, você amou. – Waly pegou o colar já colocando no pescoço da Jeni – Olha isso, ficou lindo.
- Por favor, gente, olha o tanto de sacolas que já temos. – Jeni apontava para nossos braços.
- Lembrando que nem tudo é seu. – Waly respondeu mexendo na bolsa. – Eu ou você?
- Eu! – Falei já tirando algumas libras da carteira e entregando ao rasta – Hum... Esses brincos são lindos. – Falei passando a mão por inúmeros deles.
- Enquanto você olha aí vamos olhar aquelas vitrines. – Waly puxou a Jeni pelo braço então me deixaram sozinha.
- Quer experimentar? – Neguei com a cabeça um pouco assustada. – Porque não, pode ver, não paga.
- Hm... Não sou muito de usar brincos grandes, acho que vou querer um filtro dos sonhos – Sorri fraco.
- Se quiser posso fazer um pra você agora. – Ele abriu seu sorriso tão grande que percebi um dente de ouro em um dos caninos.
- Eu não quero chegar tarde em casa, então é melhor escolher um pronto mesmo.
- Tenho esse aqui. – Ele pegou um do tamanho médio com penas rosas e roxas. – Eu fiz ele pensando em uma garota que corre atrás de seus sonhos como se eles custassem sua vida.
- Uau! – Peguei de suas mãos o colocando em minha palma.
- Acho que combina com você. – Piscou o olho.
- Sendo assim, fico com ele. – Sorri de lado então ele embalou rapidamente e logo depois o paguei.
- Hey, posso te presentear?
- Me presentear? – Perguntei meio abobada.
- Sim, você é uma garota bonita, simpática. Mesmo com esse tanto de sacola de lojas caras ainda parou aqui para ver as artes de rua. Você parece ter um coração de ouro. – Ele se abaixou e pegou algo em uma bolsinha, mexeu rapidamente e depois me estendeu. – Aqui está, a estrela de Davi, para trazer ótimas vibrações em sua vida – Ele sorriu enquanto me mostrava um anel com o símbolo de Davi.
- Que lindo, obrigada! – Sorri sem graça.
- Você quer casar ou noivar? – Perguntou sorrindo.
- Casar. – Falei rápido, não queria ficar noiva eternamente.
- Então a mão esquerda. – Ele pegou minha mão delicadamente e colocou o acessório. – Agora estamos casados.
- Nossa! – Falei encarando aquele anel diferente, mas mesmo assim era lindo. – Obrigada novamente.
- Você tem boas vibrações, será muito feliz.
- Que assim seja! – Falei caminhando de costas e sem querer bati em alguém. – Desculpa.
- Sem problemas! – Era a Jeni que encarava alguns meninos.
- Jean Colosso está bem ali, né? – Waly afirmou com um sorriso sapeca.
- Bom, acho que podemos voltar para casa.
- Será que ele vai me convidar? – Jeni encarou a Waly com os olhos amedrontados.
- Convidar para que? – Perguntei confusa.
- A festa da irmã do Caleb, é amanhã e lógico todas formos convidadas.
- E para que a Jeni está nervosa se já foi convidada?
- Porque é melhor chegar acompanhada do que ir sozinha. – Abri minha boca mostrando que havia entendido.
- Espera! Se eu for irei sozinha? – Waly e Jeni riram.
- Claro que não boba, o Ken deve ir com você. – Waly respondeu por fim. – Ah, Jeni, não se preocupe, se ele não chamar eu faço ele te chamar. – Então a Waly saiu rebolando em alguma direção.
- Ela vai aprontar? – Perguntei baixo ainda parada no mesmo lugar.
- Ela vai aprontar! – Jeni respondeu medrosa.

May, 28, 2014 – Milnrow – Rochdale – 01:59pm
Cheguei em casa por volta das 11h00pm fui direto para o meu quarto guardar as coisas que havia comprado e logo tomei meu banho. Vesti um pijama bem confortável, me joguei na cama com meu celular e fui conversar com as meninas – se tivesse alguma online no WhatsApp. Deixei uma mensagem para o grupo “Estou com saudades...” e virei-me para apagar o abajur. O sono logo chegou me fazendo dormir profundamente até ouvir gritos e batidas bem fortes. Corri rapidamente até a porta e no meio da escada reconheci a voz – Harry -, abri a mesma rapidamente vendo ele com o um semblante raivoso. Ele vestia uma calça de moletom e uma regata preta, seus cabelos estavam bagunçados para todos os lados como se o mesmo tivesse os puxado.
- O que houve? – Perguntei assustada.
- O que houve? Você ainda pergunta o que houve? – Ele balançava o seu celular na direção do meu rosto, porém não vi o que tinha na tela – Então era sobre isso que você queria falar comigo e nem sequer teve coragem de me ligar como o combinado? Você queria avisar que me tornou corno mundialmente na frente das câmeras?
- Como é que é? – Peguei o celular e finalmente vi o motivo da raiva toda do Harry. Tinha bem enorme “Será que o Harry Styles está sendo traído?” e uma foto do hippie colocando o anel no meu dedo. – Como assim? Que merda é essa?
- Eu que te pergunto. – Puxou minha mão e viu o anel que ainda estava lá – Que merda é essa?
- Bom, fui com as meninas na praça e o hippie da foto me presenteou com um anel. – Arrisquei sorrir fraco, mas o Harry não demonstrou nenhuma emoção. – Ele disse que traria boas vibrações.
- Trouxe realmente foi um par de chifres para mim. – Ele falou ainda me fuzilando.
- Eu não tenho culpa de me terem flagrado nesse momento, foi apenas uma brincadeira.
- Brincadeira que teve repercussão mundial. – Puxou o cabelo para todos os lados.
- Você realmente precisa ficar assim? Foi um deslize.
- DESLIZE? – Ele olhou em volta após ter aumentado o tom de voz. – E aquela história de que tomaria cuidado? Você quer mesmo ser taxada de puta?
- OLHA AQUI HARRY! - Respirei fundo e o puxei para dentro de casa trancando a porta. – Se eu fosse uma descuidada você seria chamado de corno e com razão, mas não por causa da porra desse hipster que me deu a porra desse anel. – Tirei o anel do meu dedo e coloquei em sua mão.
- Ah é? E com quem seria? O seu professorzinho? – Falou com tom de nojo.
- Ele mesmo! – A boca do Harry se abriu assim como seus olhos.
- Do que você está falando? – Sua voz mudou. Não consegui distinguir se era pra decepcionado, triste ou desacreditado.
- É Harry, é isso mesmo que você está pensando. Você não dizia que ele vinha pra dar em cima de mim e não pra me ensinar? Pois a gente se beijou e foi nesse exato lugar onde estamos.
Harry virou a cara indo em direção da sala, seus passos estavam fortes e com raiva. Ele resmungava algo que eu não entendi – novamente em outra língua -, chutou o sofá, depois esmurrou uma almofada e virou sua atenção para mim. Harry vociferou inúmeras palavras estranhas em minha direção e claro, eu só podia ficar calada, ou não...
- Você sabe que eu não entendo nada, não é? – Murmurei entre sua respiração ofegante.
- EU SABIA QUE ISSO IRIA ACONTECER! EU VOU PROCESSAR ELE, VOU DENUNCIÁ-LO PARA A ESCOLA E PARA A POLÍCIA, ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM.
- Ah, vai sim! – Segurei suas mãos. – Você não vai fazer nada contra ele, está me ouvindo? Ele não fez nada demais.
- Ele te beijou!
- Você também já me beijou.
- Ele é seu professor, eu sou seu namorado.
- POR CAUSA DE UM CONTRATO! – Relembrei ele em voz alta.
- Então por isso que você rejeitou minhas chamadas desde ontem. – Harry sentou no braço do sofá com uma expressão indecifrável.
- Desculpa! – Murmurei sentando ao seu lado. – Juro que não foi por mal e não passou de um único beijo.
- Como isso foi acontecer? – Harry não me encarava.
- Ele foi se despedi com um beijo na minha bochecha e sem querer eu virei.
- Você sabia que aqui na Inglaterra cumprimentos com beijos no rosto só se você for íntima da pessoa? – Então ele me encarou. Não, eu não sabia disso e agora estou me sentindo usada.
- Não, mas... – Harry iria se levantar então puxei sua mão. – Eu queria isso também, foi força do momento. Logo depois me arrependi.
- Ainda posso processá-lo.
- Não Harry! Deixa isso para lá, não vai acontecer nunca mais. – Ele respirou fundo me encarando. – Eu prometo que não vai acontecer nunca mais.
- Ele vai continuar vindo aqui para lhe dar aulas e vai querer novamente. – Agora foi minha vez de respirar fundo. É, eu iria me arrepender.
- Eu vou cancelar as aulas. – Um sorriso brotou em seus lábios. – Eu posso me virar com o assunto que está sendo dado.
- Promete?
- Que vou me virar? – Ele soltou um riso pelo nariz.
- Não sua boba, promete que irá cancelar as aulas e eu não precisarei me preocupar?
- Prometo! – Harry estendeu o dedinho. – Eu não acre...
- Vai logo. – Ri entrelaçando nosso dedos. – Agora sim!
Harry me puxou para um abraço. Foi como se nunca mais eu o tivesse abraçado. Eu sentia um conforto inexplicável, sentia um carinho imenso pelo Harry, não apenas de fã, mas um carinho tão grande que eu daria tudo por ele, até minha própria vida se preciso. Ele passou de um ídolo para uma das pessoas mais importantes para mim, e isso pesava muito quando brigávamos, pois eu odeio passar mais de uma hora brigada com alguém que eu amo.
- , você ainda precisa ter mais cuidado quando andar na rua.
- Ah, o episódio do anel não irá se repetir mais, eu prometo também.
- Obrigada!
- Foi apenas uma brincadeira inocente que não imaginei que daria tudo isso. Vou ter mais cuidado com essas brincadeiras.
- Desculpa, por eu ter vindo aqui lhe culpar. – Sorriu de canto – Quando vi essa notícia fiquei puto.
- Imagino. – Suspirei rolando os olhos. – Agora eu acho melhor a gente ir dormir, olha a hora – Apontei para o relógio pendurado na parede e o mesmo marcava 01h15AM.
- Então eu vou indo.
- Você dirigiu quase quatro horas até aqui e agora vai dirigir de volta? Não! Vai dormir aqui.– Falei com um bico o vendo abrir um mega sorriso. – Sem malícia, mas como você me acordou, acho justo me colocar para dormir.
- Pedindo desse jeitinho. – Ele se rendeu ao meu puxar e me seguiu até meu quarto.
Assim que entrei no quarto tirei as pantufas e me joguei na cama dando espaço para o Harry deitar ao meu lado. Então ele fez isso assim que tirou seus sapatos e a regata preta, sentou ao meu lado enquanto eu me aconchegava agarrada ao pandinha que o Harry assim que viu em meus braços disse que o nome dela deveria ser Sky, não entendi nada, mas ele disse que um dia me explicaria. A letra de Let her go começou a ser cantada, e assim que chegou no finalzinho eu estava calma como um bebê, mal conseguia assimilar o que era sonho e o que era realidade, e claro que o Harry sabia disso, pois assim que ele deitou de costas para mim ele falou:
- Eu estava em Holmes Chapel e vim com a desculpa da manchete, mas na verdade estava apenas com saudades. – Um sorriso se brotou em meu rosto.
Quem me dera se o Harry fosse eternamente fofo assim...
Continua...



Nota da autora: sem nota.




comments powered by Disqus




Qualquer erro nessa atualização são apenas meus, portanto para avisos e reclamações somente no aqui.



TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO SITE FANFIC OBSESSION.