CAPÍTULOS: [Prólogo][1][2][3][4][5][6][7][8][9.1][9.2][10.1]




Última atualização: 25/11/2016




Prólogo


A mulher sentiu uma pontada na mão e percebeu que suas unhas estavam quase perfurando sua pele. Os punhos deixaram de ficar cerrados e ela suspirou, levando a mão até os olhos e secando os resquícios de lágrimas.
— Você... Você não tem o direito de me cobrar isso, . – ela falou, pausando a cada palavra para respirar e não cair no choro.
— Não tenho? – ele arregalou os olhos, andando até ela e percebendo que a cada passo que ele dava, ela se afastava com dois.
— Não. É o meu sonho, você deveria me apoiar, seu bastardo de merda! – ela parou de se afastar e agora se aproximava, os olhos em cólera.
— E você, sua vadia egoísta, deveria ter me consultado antes de tomar essa decisão.
Ela mordeu o lábio inferior para segurar o sorriso, mas isso acabou fazendo com que sua gargalhada saísse ainda mais alta. cerrou os olhos e assistiu a gargalhada maravilhosamente irônica dela até que acabasse aos poucos. secou o canto dos olhos e encarou novamente o mais velho.
— Consultado meu sexo casual em relação à eu adotar uma criança? – ela cruzou os braços logo abaixo dos seios, erguendo-os ainda mais.
— Você sabia que eu queria me casar com você, . Sabia disso e mesmo assim, você continua me afastando mais e mais.
— Você já parou para pensar no que eu quero? Eu quero uma família, , e você está longe demais de me proporcionar tal coisa. Você nunca disse qualquer coisa sobre ter filhos, seus planos para o futuro sempre envolviam o seu trabalho imbecil e você casando, mas nunca sequer mencionou uma criança!
— Porque eu nunca quis uma!
Ela assentiu, enchendo os olhos de lágrimas mais uma vez.
— Eu sei! Mas eu estou com quase trinta anos, minha carreira está decolando e eu não vejo momento melhor do que esse para ter um filho. Filha, na verdade. Eu fui conhecer ela no orfanato, ela é...
— Eu não vou mais ficar com você. – ele sentenciou, fazendo com que ela arregalasse levemente os olhos, chocada por ele ter cortado-a. – Se você adotar um filho. Eu não vou mais ficar com você, .
Ela fechou os olhos e permaneceu assim por longos segundos, até que seus pés a levaram para a porta de casa.
— Sai. – mandou.
— O quê? – ele arregalou os olhos.
— Vai embora.
— Você vai mesmo me trocar por causa de um sonho imbecil?
— Mesmo que eu não tivesse assinado os papéis ou marcado a data para buscar minha filha... , olha o barco em que estamos! Nós estamos nessa de transar sem compromisso já faz quase dois anos, e...
— Porque você não quer namorar! Eu já pedi um milhão de vezes.
— Como é que eu posso aceitar namorar uma pessoa que não quer as mesmas coisas do que eu? – ela arregalou os olhos, desacreditada.
— A gente se gosta, porra! Qual o problema em eu não querer uma criança enchendo o meu saco o dia todo?
— Sai da minha casa! – ela gritou, estirando ainda mais a porta.
E ele foi. Sem nem olhar para trás.

Capítulo 01


Milenna jogou a boneca que estava ao seu lado para fora do berço, gritando em seguida. Aquela risada que era uma gargalhada misturada com um grito. Aquela que fazia a pessoa fechar os olhos e era a coisa mais adorável de todo o mundo.
— Amor, já te pedi para não tacar as coisas para fora do berço. – apareceu no quarto, saindo do banheiro, e juntou a boneca. – Não joga mais. – a entregou para a menina.
Lenna olhava sapeca para a mãe, e quando a boneca atingiu o chão mais uma vez, cerrou os olhos para a garota.
— Ah, sua sapeca! Você vai ver só. – ela falou, pegando a menina no colo e a deitando na cama. Levantou a blusa da criança e abriu os dedos das mãos, posicionando-os nas pequenas costelas dela. A gargalhada veio alta e clara, e logo as duas riam em conjunto.
Qualquer um que passasse ali e visse aquela cena, ficaria bobo. Mas eram só as duas. Só elas, e aquilo era tão bom. não precisava dividir aquele pedaço de gente com ninguém, tinha até medo disso. Ela não sabia o que era amar uma pessoa de verdade até o último papel estar assinado. Até Milenna ter o sobrenome da família de . Até ela tornar-se um pedacinho dela. Quando ela foi ao orfanato e buscou a garota... Nossa! Ela havia ficado nervosa o dia todo, esperando o horário. Ficara em casa naquela semana, preparando-a para Lenna. O quarto lilás no fim do corredor, o berço branco tão delicado quanto o de uma princesa. As estantes cheias de ursinhos e bonecas, os armários com várias roupinhas maravilhosas que ela ou havia comprado, ou havia ganhado de amigos e parentes. Mas a verdade é que depois de dois dias dormindo em quartos separados, ela chamou o vizinho para ajudá-la a mover o berço da filha para sua suíte. Assim, qualquer resmungo que Milenna desse, ela ouviria. Chegava a ser engraçada a superproteção que havia adquirido em relação àquela criaturinha.
— Vamos tomar um banho? Já estamos atrasadas, e a culpa é sua que fica me distraindo. – falou, intercalando beijos pelo rosto da menina a cada palavra que dizia.
Milenna era maravilhosa. Ela tinha os olhos mais verdes que já tinha visto. Sua pele era de uma cor de mel, como uma mulher recém-bronzeada. Os lábios eram carnudos e o pequeno nariz arrebitado e delicado. Tinha grandes bochechas e o cabelo nem enrolado, nem liso. Era ondulado, com a raiz lisíssima e as pontas enroladinhas, e aquilo ia até a orelha. Ela ainda era tão nova, mas a amava tanto.
— Fecha os olhos. – pediu, juntando as mãos em uma concha e enchendo de água. Assim que a menina fechou os olhinhos, despejou lentamente a água que estava em sua mão, tirando todo o xampu do cabelo maravilhoso de Lenna.
As mãozinhas dela bateram na água, espirrando no rosto de . Ela fechou os olhos, rindo.
— Quer me dar outro banho, é? – beijou a testa dela. – Vem, vou te secar.
Milenna ainda não falava. Ela grunhia, resmungava. Mas não falava. até tinha perguntado para sua mãe se isso era normal, se ela também era assim quando criança. Jane riu, afagando a cabeça da filha caçula. “Claro que sim, meu amor.” Ela disse, “Essa menina linda só vai começar a falar palavras concretas quando tiver um ano e meio, dois. Você mesma, amor, só começou a falar pouco antes de fazer dois anos. É normal, seu irmão demorou ainda mais. Isso varia bastante, querida. Mas não se preocupe, daqui poucos meses ela já diz mamãe, você vai ver só.”
Fazia dois meses que Milenna havia virado, oficialmente, sua filha. As duas viviam uma vida maravilhosa juntas, nada dava errado. Mesmo quando ia buscar ela na creche e estava estressada com trabalho, assim que a via sorrir para ela, seu dia melhorava cento e vinte por cento.
Ela secou Lenna e a sentou na cama, enchendo-a de coisas em seguida.
Não negava que era exaustivo aquele tipo de coisa. Se arrumar enquanto arrumava a pequena. Colocar o seu vestido ao mesmo tempo que fechava a fralda e colocava a calcinha em Lenna. Calçar os saltos ao mesmo tempo que colocava a sapatilha branca com lacinhos nos pés ridiculamente pequenos da garota. Mas isso não importava. Não importava mesmo. Deus, como ela amava aquela criaturinha.
Quando penteou o cabelo da filha, e deixou-a em cima da cama para se arrumar completamente, percebeu que era observada. Enquanto passava o batom, Lenna apontou para os próprios lábios, como se pedindo que fosse maquiada também. O sorriso de não abandonou seu rosto tão cedo, e depois de pronta, passou vários minutos brincando em cima da cama com a filha, até que escutasse a campainha.
— Será que é o padrinho? – colocou a bolsa da filha em seu ombro e saiu do quarto, direcionando-se a sala.
— Meu Deus, você cresceu nos últimos três dias? – Eliott exclamou assim que elas abriram a porta. E, como era de se esperar, Lenna se jogou para ele quase instantaneamente.
— Não seja tão exagerado, querido. – Hanna rolou os olhos, aproximando-se para beijar o rosto da afilhada. – Oi, gatinha.
— Por que ela gosta tanto de você, Eliott? – franziu o cenho, tomando de volta a filha das mãos do homem.
— Por que você me ama tanto? Ou a Hanna? É minha aura masculina, amor. – ele sorriu.
Hanna deu um puxão no cabelo dele e aproximou-se da amiga em seguida, abraçando-a.
— Parece que ser mãe está deixando você ainda mais bonita, .
— Olha só quem fala. E esse barrigão, hã? – sorriu, acariciando a barriga da amiga.
— Ao que tudo indica, teremos uma menina. – Eliott a abraçou de lado.
— Jura? Escutou isso, Lenna? Vai ter uma pirralhinha para dividir seus brinquedos logo, logo. – sorriu, beijando a testa da menina.
— Não é certeza ainda, o médico não conseguiu ver certinho, mas...
— Não tem problema, no mês que vêm a gente descobre. – Eliott colocou a mão em cima da barriga da esposa. – Vamos?
assentiu, indo com eles até o carro de Eliott, que estava estacionado na frente do edifício dela.
Nathan estava fazendo uma festa de noivado. Ele era amigo de desde o colegial, fizeram faculdade juntos e graças a ele, ela conheceu . No seu primeiro porre universitário, na verdade. Os dois ficaram juntos por um tempo e não deu certo. Se reencontraram depois de formados, quando ele resolveu um caso que ela fora escolhida para julgar, e então voltaram a se encontrar, geralmente na casa dele. Geralmente à noite e, geralmente, na cama. E depois de dois anos, acabou mais uma vez. Por causa de Milenna. E, para falar bem a verdade... não se arrependia nem um pouco.
Então, sim. Ela o encontraria lá com toda a certeza, e podia imaginar o gelo que seria a conversa deles, se é que teria uma. era rancoroso, ela era orgulhosa. Nenhum dos dois cederia tão cedo e essa era a única certeza.
— É realmente engraçado, não é? Nathan e Benny, eu digo. Eles dois estão juntos desde o colegial, bem clichê. E tudo deu certo. E agora eles estão noivos e vai ser o melhor casamento gay da história! – Hanna sorriu, abanando-se com um papel. A gravidez a deixara tão calorosa.
— Bennet e Nathan sempre combinaram. – sorriu, afastando a mão da pequenina em seu colo de seu cabelo. – Querida, assim machuca.
Bennet, o noivo de Nathan, era simplesmente adorável. , infelizmente, não teve tanta proximidade a ele nas épocas do ensino médio, mas de um ou dois anos para cá eles se aproximaram bastante, talvez pelo trabalho. Todo o círculo de amigos de havia cursado Direito. , Elliot, Bennet, Nathan, Scott e Mackenzie. Talvez fora isso que aproximara todos eles. Ela tinha alguns amigos que haviam cursado outras faculdades, trabalhavam com outras coisas. Mas aqueles amigos eram especiais. Eles viveram juntos por tanto tempo, a maioria estudara com ela desde o ensino infantil até a graduação. Alguns, como , apenas na graduação, mas até pouco tempo atrás eram tão próximos quanto qualquer outro dos amigos.
— Eu acho que, com o perfeccionismo de Nathan, o casamento vai ser de longe o mais lindo do mundo. Fora o meu, é claro. – riu, olhando para trás e passando a mão no cabelo de Milenna.
— Tenho certeza disso. – Elliot disse, arregalando os olhos levemente ao olhar a casa dos amigos, enquanto estacionava o carro.
— Oh meu Deus. – sorriu, abrindo a porta do carro e saindo com a filha no colo.
A entrada da casa estava deslumbrante. A pequena escada de madeira que levava até a porta da casa estava com pisca-piscas no corrimão branco, trazendo um ar natalino ao lugar. Eles tinham até uma faixa com o nome deles na frente da casa! Tinha flores em todos os lugares da pequena varanda e luzes frias na trilha que levava até o jardim do lado de trás da casa. Eles podiam ouvir a música que estava tocando dentro da casa. riu ao escutar a gargalhada de Hanna.
— Quem faz uma festa de noivado tão... Desse jeito? – Eliott franziu o cenho, rindo em seguida. – É claro que foi ideia do Bennet.
— Você tem total razão, Elliot. – escutaram uma voz rouca dizer atrás deles e se viraram todos, olhando Benny com um sorriso no rosto. – Foi ideia minha. E vocês ainda não viram lá dentro.
— Ah, Benny. – sorriu. – Parece incrível, mas eu quero saber como você está se sentindo.
— Todo dia é o melhor dia da minha vida, só por eu acordar com aquela coisa ao meu lado da cama. – ele sorriu, aproximando-se da amiga e beijando-lhe a testa. – Eu não poderia estar mais feliz.
— Imaginamos. – Hanna sorriu.
— E esse bebê, como vai? – ele aproximou-se dela, acariciando a barriga da mulher.
— Ótimo. – Elliot respondeu. – Cada dia maior.
— E você, linda? – ele olhou para Milenna, que tinha os dedinhos na boca. Assim que ele se aproximou dela, ela se jogou para o seu colo e ele não poupou esforços ao agarrar a garota e sair andando com ela em direção à entrada da casa. – Nathan estava me enchendo o saco até agora esperando vocês chegarem para ver essa belezinha, vou levá-la até ele. Ah! – ele parou abruptamente, fazendo os outros três pararem de andar logo atrás dele, e então encarou . – Eu ainda te mato por não trazer ela aqui para a conhecermos. Faz dois meses que você a tem! É muita injustiça isso. – ele cerrou os olhos, finalmente entrando na casa.
soltou uma risada, passando os olhos para dentro, sem deixar de acompanhar cada movimento do amigo com sua filha. Segurou uma gargalhada quando viu a surpresa de Nathan ao ver o noivo segurando a menina, e então a roubando de seu colo. Suas pernas, automaticamente, a levaram até eles três.
E não demorou nada até que Nathan a visse. Milenna coçou os olhinhos e bocejou graciosamente, arrancando suspiros dos adultos que a cercavam.
— Certo, é o seguinte: Só me diga o quanto você quer, e eu consigo. Mas me venda essa garota, pelo amor de Deus. – ele arregalou os olhos de forma desesperada.
— Acho que não vai conseguir fácil, Nathan. Se eu não fui o suficiente... – escutaram uma voz maldosa vir detrás de e ela suspirou baixinho.
. – Bennet advertiu, franzindo levemente o cenho, como um pai brigando com o filho por ter quebrado o vaso da mãe.
— Ah, está certo. Eu nunca signifiquei muita coisa para ela, mesmo. – ele deu de ombros e sentiu o coração em chamas quando a mulher se virou, encarando-o com os olhos semicerrados.
Deus, ele poderia morrer e se aquela fosse sua última visão, ele ainda morreria feliz. Ela estava tão maravilhosa naquele vestido comportado que ele, por um momento, esqueceu-se do que tinha por debaixo dos panos. Ela iria dizer algo, ele sabia disso. Mas viu que ela desistiu, com um olhar magoado e virou-se para os amigos, pegando sua filha do colo deles e a apertando em seus braços. Ela disse algo para os dois e então saiu em direção à cozinha.
— Você não perde a oportunidade, não é? – Benny rolou os olhos.
— Não vou pedir desculpas.
— Pois devia. Esse seu rancor é que te impede de ter ela. – Nathan deu um leve tapa no ombro do amigo.
— O que me impede de ter ela é aquela garota.
— Não seja infantil. Ela é uma menina adorável, você viu isso.
suspirou e deu de ombros, bebendo o uísque em suas mãos.

estava na cozinha da casa, conversando com Mackenzie enquanto esquentava no microondas o leite de sua garota. Mackie, assim como todos ali, estava apaixonada por Lenna e estava a segurando nos braços.
— Ela é simpática assim com todo mundo? – perguntou, brincando com a pequena mão da menina.
— É, sim.
— Não acha isso perigoso?
— Pra falar a verdade, não. Eu não saio momento algum de perto dela.
— Eu entendo bem isso. Se eu tivesse uma garota linda assim em casa, não sairia de perto também.
— Tá com fome, amor? – perguntou, se aproximando da garota, que lhe estendeu os braços quase imediatamente.
— Ah, eu queria segurar ela mais!
— Você quer dar a mamadeira para ela? Eu preciso conversar com os noivos.
— Claro que quero.
— Tudo bem, qualquer coisa me chamar.
— Acho que ela vai dormir. Vou levar ela no quarto de visitas, para o barulho não atrapalhar.
assentiu e deixou um beijo na testa menina.
— Leva ela no último quarto do corredor, ninguém entra lá e não tem perigo.
— Tá bom, dona mãe coruja. Eu te chamo assim que ela dormir.
— Obrigada. – sorriu. – Se comporta, sua arteira. – fechou a cara de brincadeira para a menina, que sorriu.
Ela passou pela sala, entre os convidados, e parou de frente para uma estante, observando os porta-retratos.
— Cadê a minha menina? – Nathan surgiu atrás dela, fazendo-a rir.
— Sua é uma ova! – deu um tapinha no ombro dele. – Ela foi com a Mackie lá para cima. Vai fazer ela dormir.
— Me senti excluído, agora. – fez bico.
— Prometo que você ainda vai fazer muito ela dormir, tá?
Nathan sorriu, colocando a mão na cintura da amiga.
— Cadê o Benny?
— Boa pergunta... – Nathan olhou em volta. – Deve estar lá em cima. Ele foi procurar por .
— O que ele quer com o ?
— O mesmo que eu quero com você. – sorriu. – Te convidar para ser madrinha do meu casamento. Você aceita?
arregalou os olhos.
— Você tá falando sério? – um sorriso brotou em seu rosto assim que o viu assentir. – Ah, meu Deus! É claro que sim! – riu, o abraçando.
— Espero que não se importe de ter o como seu par. Nós planejamos isso há muito tempo, muito tempo mesmo.
— Eu não queria ter brigado com ele, Nate. Mas... Droga, aquele cara é impossível! Você sabe do que eu tô falando. Ele sempre consegue tudo o que quer, mas só porque eu não abri mão da Lenna, ele jogou tudo fora.
— É só até ele abrir os olhos, . E você também tem sua parcela de culpa. Ele queria assumir alguma coisa séria e você sempre fugia.
— Porque eu sabia! Eu sabia que ele não ia querer ter uma família e ao mesmo tempo que eu queria uma desesperadamente, eu queria ficar com ele.
— Então por que você não fala isso tudo pra ele?
— Eu já disse! Mas ele é um imbecil e preferiu se afastar do mesmo jeito.
! – escutaram a voz de Benny e os dois se viraram para vê-lo. – Você precisa ver isso.
— Isso o quê? – ela riu.
— Vai ver a Lenna. Só não faz barulho, é capaz de você assustar ele.
— Ele...?
— Só vai, garota! – ele riu, a virando de costas e a empurrando.
Ela olhou confusa para os noivos, mas subiu as escadas mesmo assim. Quando ela escutou o choro da sua menina, apressou o passo. Mas o que ela viu quando parou na frente da porta, a fez parar por um tempo.
estava cantando uma musiquinha para Lenna, que, aos poucos, parava de choramingar. Era por isso que Bennet havia dito para ela não fazer barulho, ou o iria assustar. Ele devia pensar que ninguém iria olhar aquilo, mas uma fresta mínima da porta estava aberta e conseguia ver bem um desajeitado embalar sua menina.
— Shh. Não chora, menina. Eu não quis te acordar, foi sem querer. – Lenna havia parado por alguns minutos, mas logo tornou a espernear e se controlou para não entrar e pegar ela dos braços dele, ou pelo menos ajeitar Lenna de forma que ela ficasse confortável e não chorasse mais.
Porque não sabia a segurar.
— Ei, sua diabinha. Estou falando sério. – ele riu, colocando uma mão nas costas dela. Lenna o olhou, com aqueles olhos verdes maravilhosos, e ele sorriu para ela. – Você não é tão ruim quanto eu pensava quando está quietinha.
riu, mas preferia não tê-lo feito. a ouviu e assim que seus olhos se encontraram com os de , ele colocou Milenna na cama, deitada do jeito que estava antes.
... – ela abriu a porta, mas o olhar dele continuava igual ao que ele lhe lançou todo o tempo.
— Não.
— Eu só...
— Não quero falar com você no momento. É sério, . Só me deixa em paz. – ele pediu, saindo do quarto.
Ela deixaria. Por ele, ela faria qualquer coisa. Qualquer coisa.

Capítulo 02


Bennet e estavam numa cafeteria perto da delegacia. pegou o seu pedido e voltou a olhar o amigo, que tagarelava sobre a ex-namorada dele. Quer dizer, nem isso ela era. Ele não sabia como nomear nem quando estavam juntos, como o faria agora que estavam separados?
— Onde você quer chegar, Bennet? – o rapaz rolou os olhos, sentando-se em uma mesa e observando o outro fazer o mesmo.
— Você é impossível, ! – reclamou. – Vocês dois são.
— Então você deveria parar de tentar me fazer falar com ela, porra. – ele bufou, bebendo seu café. – Como elas estão?
— Viu! Você está morrendo de vontade de falar com ela, só não quer admitir.
— Esquece. – resmungou, vendo a mensagem de seu celular que havia acabado de chegar.
— Estão ótimas. – o ignorou. – Parece que a cada dia que passa, Lenna cresce ainda mais. Eu e Nathan passamos toda sexta-feira à noite cuidando dela. Aquela garota traz felicidade onde quer que ela fique.
— A ... Ela tá saindo?
— Ah, não. Ela começou a fazer Pole Dance. – engasgou com seu café.
— Sério?
— Sim. Você precisa ver! É maravilhoso! E o corpo dela está ficando ainda mais definido, parece...
— Certo, já chega. Vamos, senão você vai me atrasar com esse papo todo.
— Você pode aparecer lá em casa sexta, se quiser. – Benny falou. – Olha, eu sei muito bem que você adorou a Milenna, o que era de se esperar. A deixa a pequena sete e meia, e só volta duas horas depois. Parece que ela faz meia hora de Pilates depois do Pole, não sei.
— Você acha que se eu for, a não vai ficar irritada?
— Ela não precisa saber, . É só você chegar depois e sair antes. O Nathan te adora, e você sabe disso. Pode ser muito divertido se você não der chilique sempre que falarmos algo sobre a .
— Cara... Eu amo ela. Amo de verdade. Mas não tem como dar certo, nós queremos coisas diferentes.
— Se você aceitasse a Lenna, vocês já poderiam estar casados. Ou morando juntos, como ela me disse que você propôs várias e várias vezes.
— Não é tão fácil assim, Benny.
— Você passou cinco minutos com a Lenna e se apaixonou. Não entendo o que é tão difícil para você.
— É uma longa história.
— Eu tenho tempo.
negou com a cabeça, pegando o celular que tinha vibrado mais uma vez. Mas agora não era a mensagem automática da operadora.
— Não tem, não. É o colecionador de bonecas, Benny. – mostrou uma mensagem recém-chegada do chefe deles.
— Puta merda. Agora?
— Foi o que o Bobby disse.
Bennet suspirou, pegando a chave do carro. Durante o caminho todo, os dois foram xingando, irritados.
Aquele caso era dos infernos! Mais de três anos naquela merda, e nada de descobrir o assassino. Nada!
Chegaram na cena do crime sem muito tardar. Toda a equipe deles estava lá, os peritos andando de um lado para o outro, confusos, nervosos.
— Emily Chandler, 27. Mutilada, assim como as outras. A boneca foi encontrada, assim como todas as outras vezes, em cima da cama. – Cher, outra policial, disse.
— Com o nome dela? – perguntou, ultrapassando a faixa amarela.
— Ele faz tudo igual, sempre. Nós temos que encontrar essa merda de assassino. – ela bufou.
— Onde está a boneca? – Bennet perguntou, caminhando com os outros dois até dentro da casa.
— Ali. – ela apontou. – Pode pegar.
Benny ficava com as bonecas. Ele trabalhava no laboratório investigativo da equipe deles. Era ele quem decifrava as digitais, quem coletava amostras de qualquer coisa. E, nesse caso, era ele quem ficava com as bonecas. Todas ficavam intactas num armário no laboratório, por ordens maiores. Se fosse por Bennet, já teria atirado fogo em todas elas.
O colecionador de bonecas era o caso, de longe, mais complicado que eles já tiveram. Mas estava começando a ficar nervoso com aquilo tudo, e estava mais do que disposto a descobrir o que era. Até agora, foram todas mulheres. Todas elas, loiras. Todas elas, entre vinte e trinta anos. Todas elas, órfãs. Todas elas, infiéis. Mas era só. Eles não conseguiam chegar no assassino nunca. Eles moravam em Nova York. Até quando esperariam até que cada mulher com essas características morressem? Até não sobrar nenhuma? Porque a mídia havia caído em cima desse caso e agora as mulheres que eram órfãs, na faixa etária de vinte à trinta anos, que eram loiras e traíam seus maridos ou namorados, começaram a se desesperar. Muitas se mudaram, outras tingiram os cabelos. Mesmo assim, ainda existiam milhares e o número não diminuiria mais. daria um jeito nessa porcaria.
caminhou até o centro do quarto, onde o tronco da mulher estava. Um braço estava no banheiro, o outro debaixo da cama. A cabeça, na cabeceira da cama. Uma perna atrás da porta e a outra dentro do armário. O desgraçado adorava embaralhar tudo.
Cher se afastou para conversar com o noivo desolado da vítima. O choro dele era incessável.
— Íamos ter um bebê. – ele soluçava.
— Sua noiva estava grávida? – Cher perguntou, anotando algo no seu caderninho.
— Ela não podia. Nós íamos adotar. – ele suspirou, se acalmando levemente. Pelo menos, conseguia falar.
— Onde você estava na hora do assassinato?
— Trabalhando.
— Às onze da noite? – perguntou, desconfiada.
— Eu sou bombeiro! Recebi um chamado para o incêndio na área oeste da cidade. Pode pesquisar, se quiser. Ela me pediu cuidado, como toda vez que eu saio para um trabalho, e de repente, quando cheguei em casa, ela já não estava viva.
— O senhor deveria encontrar algum lugar para ficar, a casa de vocês vai ser isolada por alguns dias. Por ora, está liberado. Podemos contatá-lo novamente caso algum problema na investigação aconteça.
O homem assentiu, se retirando. Cher se aproximou de , que olhava a cabeça da vítima, parecendo preocupado.
?
— O quê?
— Acho que já acabamos por aqui. Você vem?
— Ele vai comigo. – Bennet se aproximou, com a boneca em mãos.
— Certo. Vejo vocês mais tarde.
Quando Cher saiu, Benny fez careta.
— Ela não cansa de dar em cima de você?
— O Nathan é seu noivo, Bennet. Não eu.
— Ela não cansa de dar em cima de você? – repetiu.
— Eu não quero nada com ela. – deu de ombros, indo com o amigo até o carro dele.
— É claro que você não quer! Essa coisinha não chega aos pés da minha amiga.
— Para com isso.
— Não vou parar, não. Vou falar dela até você me mandar tomar no cu e correr atrás da sua mulher. Até lá, que me aguente.
riu, rolando os olhos.
— Você é impossível, Bennet. Impossível!
Bennet riu, dando os ombros.
— Vamos logo. Temos trabalho a fazer.
— Se o assassino fez o de sempre, esse noivo era um corno. Precisamos encontrar o amante e ver se ele tem alguma coisa a ver.
— Isso que é o estranho, Benny. Eles nunca tem. Nunca.

tinha caído no sono no meio da tarde, e acordou alguns minutos depois com a perna de uma boneca dentro da boca. Ela riu, tirando a boneca de perto de si e olhou em volta, procurando a filha.
Seu coração acelerou quando não a enxergou em seu campo de visão.
— Lenna?
Escutou um gritinho, mais parecido com “ga!”, mas ela não saberia definir realmente.
A encontrou no corredor que levava à cozinha, engatinhando pelo chão.
— Meu amor, não assusta a mamãe assim.
A menina sorriu, abraçando o pescoço da mãe e derretendo totalmente a mulher.
— Vamos comer uma frutinha? – perguntou, sentando a garota na cadeirinha e se afastando para dar uma olhada na geladeira.
Encontrou alguns morangos já picados e resolveu que esse seria o lanche das duas. Milenna adorava frutas, até mesmo algumas verduras. Era uma garotinha saudável e isso despreocupava muito a mulher.
— Aqui, linda. – sorriu, entregando um morango à menina. – Hoje é quarta, dia de jogo. Que tal chamarmos o tio Benny pra vir aqui?
— Enny? – Lenna perguntou, abrindo seus lindos olhos verdes.
estava mordiscando um morango quando escutou.
— O que você disse?
Milenna a encarou por alguns segundos, e então voltou a comer sua frutinha, feliz da vida, alheia ao que havia acontecido.
— Amor, fala Benny. – a mulher sorria, colocando toda sua atenção na criaturinha ali presente.
— Enny!
— Bebê! Você tá falando! – gargalhou, tirando o celular de cima da mesa e colocando na opção de filmagem. – Fala de novo!
— Ovo.
— Não, linda. Fala Benny! Fala pro titio ver depois.
— Enny, Enny. – sorriu batendo palminhas.
A mulher precisou desligar o celular para que pudesse beijar e agarrar a filha à vontade. Pegou o celular mais uma vez e discou um número.
— Alô? Bennet!
? O que aconteceu pra você me ligar uma hora dessas?
— Você ‘tá ocupado?
‘Tava conversando com o , até agora. Por quê?
— A Lenna falou, Benny! Ela falou!
Meu Deus! É sério?
— Sim, eu estava falando que queria chamar você e o Nate para assistirem ao jogo comigo, hoje à noite. E quando ela ouviu seu nome, ela falou ‘Enny’!
— Você está realmente me dizendo que a primeira palavra da Lenna foi o meu apelido?
— Sim!
Pode fazer uma janta, porque hoje eu e o Nathan vamos na sua casa.
A mulher gargalhou, olhando para a filha. Aproximou o celular dela e falou Benny mais uma vez, incitando a filha à repetir.
Milenna! Ah, não estou acreditando!Aconteceu alguma coisa? escutou a voz de e apertou os lábios.
É a Lenna, ela disse meu nome!
— Escuta, Bennet. Eu tenho que ir. Preciso dar uma passada no mercado antes de vocês aparecerem. Sete horas, ‘tá bom? Não esquece.
— Pode deixar! – Bennet respondeu.
Ela sentia a felicidade dele. Bennet e Nathan eram tão apaixonados por Milenna que ela não duvidava que os dois a sequestrassem qualquer dia desses.
Desligou o celular e pegou a filha no colo.
— Viu só, meu amor? Agora o seu tio está ainda mais apaixonado por você. Que tal falar mamãe agora?
A menina a olhou, procurando entender o que a mãe dizia.
— É isso mesmo. Mamãe.
Lenna sorriu para a mulher, exibindo os pouquíssimos dentes.
— Ah, filha. Você ainda me mata com esse seu sorriso, sabia? Você é a coisa mais linda desse mundo inteiro. Mas acho que deu a hora de tomar seu banho, não deu? – fez uma careta assim que olhou o conteúdo na fralda da menina. – E depois vamos tchau, tchau. O que você acha?
Milenna estava totalmente absorta até o momento que ouviu a mãe dizer tchau, tchau.
— Au.
— É, amor! Tchau, tchau.
A mulher gargalhava enquanto subia as escadas para seu quarto.
Ligou a água em cima da banheira da filha, ainda a segurando no colo, e saiu do banheiro para despir a menina.
Milenna adorava água. Adorava tomar banho, escovar os dentes e lavar as mãos. já havia pensado sobre como seria no verão, dali a três meses. Ela já tinha planejado visitar a mãe que morava na Califórnia e mostrar o mar para Milenna seria a principal atração da viagem. A garota iria ficar doida, com toda certeza. E não havia nada nesse mundo que pagasse ver o sorriso no rosto da sua filhinha.

havia deixado Bennet na casa dele logo depois da conversa que ouviu o amigo ter com . Chegava a ser cômico, até. Só de ouvir a voz dela, baixinha, no celular do amigo, toda empolgada e feliz, fazia seu coração se aquecer de forma que ninguém mais fazia.
Ele já havia admitido para si mesmo que amava ela. Já havia admitido para si mesmo que alguns minutos com Milenna foram necessários para fazer com que ele se apaixonasse pela garota. Mas ainda faltava tanto para que ele conseguisse criar coragem e pedir para voltar com ela. Superar tudo o que havia acontecido na vida dele, ser um pai. Ele não sabia se conseguiria um dia fazer isso, mesmo que ser pai de Lenna era uma das coisas mais convidativas desse mundo. Ele ainda conseguia ouvir a voz de Benny, logo antes de ele sair do carro.
“Ela vai precisar de um pai, . pode não notar isso agora, mas ela vai precisar de alguma figura paterna. E se ela descobrir e você não tiver ido atrás dela, vai ser outro. E só Deus sabe que você não está preparado para deixar a ir. Ou a Lenna.”
E era verdade. Talvez nunca estivesse preparado, mas ouvir aquilo de Bennet só serviu para que tivesse a certeza que não era a pessoa certa para ocupar esse cargo. Se ele fizesse isso, virasse o pai de Milenna... Ele iria acabar com as duas. Ia ser horrível para Lenna, para ele, e principalmente para .
Encarou o celular, que ainda tinha a foto de como plano de fundo, e discou o número do amigo. Tinha que fazer isso.
Ele amava incondicionalmente aquela mulher, e era por isso que ia doer tanto.
Alô?
— Cara... Eu tô caindo fora.
Como assim, ? – Bennet parecia confuso, ele podia ouvir a voz de Nate atrás, pedindo o que ele queria.
O homem fechou os olhos e explicou o que iria fazer para o amigo. Era o certo.

O celular dela já estava lotado, mas isso não impediu que ela tirasse mais fotos de Milenna. Ela estava graciosa. Usava um vestido rosa e sapatilhas brancas como as de uma princesa. No cabelo ondulado, uma tiara com um enorme laço prateado que a deixou ainda mais menina.
Era até um crime aquelas roupas que tinha comprado para a filha. Eram uma mais linda do que a outra. Milenna seria uma mulher maravilhosa quando crescesse, disso não tinha a menor dúvida. Escutaram a campainha e foram as duas, uma segurando a mão da outra, atender.
Nathan roubou a menina assim que a porta se abriu, fazendo rir como uma criança.
— Então você falou o nome do seu tio e o meu não? Precisamos conversar sobre isso!
— Eu sou um tio muito melhor, não viu o tanto de presentes que já comprei para essa garotinha?
— Metade das roupas já não servem nela.
— Ah, mas vai ser assim pra sempre, até ela ter dezesseis anos. – Nate riu, beijando incontavelmente a bochecha da sobrinha.
— Entrem de uma vez, que o jantar já está no forno e o jogo já vai começar.
... – Bennet chamou, já sem o habitual sorriso em seu rosto.
— Fala. – a mulher ainda sorria quando encarou o homem. – Aconteceu alguma coisa?
— O .
— O que aconteceu? – agora a preocupação na sua voz era sentida, tanto que Nate deixou a sobrinha no chão para se colocar ao lado do noivo.
— Ele ‘tá indo embora.

Capítulo 03


A janela do seu quarto estava aberta e, logo pela manhã, um temporal começou. acordou assustada, correndo para fechá-la. Sentou-se na cama mais uma vez e enfiou a cabeça entre as mãos, suspirando alto.
Desligou o despertador antes que ele tocasse e partiu para o seu banho.
— Ah, ótimo! Não existe nem uma piranha nessa casa? – reclamou, irritada.
Tinha um julgamento em duas horas e nem a merda de uma piranha conseguia encontrar para não molhar os cabelos. Saiu nua do banheiro e encontrou um grampo na sua estante. Não tendo nada melhor, e correndo contra o tempo, decidiu que seria isso mesmo.
Ligou o chuveiro e suspirou, encarando suas mãos. Ela precisava dar um jeito nisso. Precisava conversar com , convencê-lo a ficar. Ele era tudo o que ela tinha, fora sua filha. Tudo.
Milenna acordou e se colocou em pé no berço, procurando a mãe. Ela já andava um pouco, embora ficasse cambaleando por aí, caindo pelos cantos. deixava. Estava sempre de olho, mas não impedia que a filha explorasse os lugares que quisesse. Lenna colocou uma perninha em cima da grade do berço, querendo escapar. A queda seria alta e, por sorte, saía do banho.
— Filha! – exclamou, rindo. – Não pode sair do berço. Já conversamos sobre isso.
A garota estendeu-lhe os braços, pidona. Queria colo e seria incapaz de negar isso a ela.
— Vem cá, coisa linda. – a levantou, beijando sua testa. – Vamos tomar um banho? Você já está indo para a creche, tem que ficar cheirosinha. – sorriu, a levando ao banheiro.

bebericou seu café, caminhando pelo Fórum. Estava num corredor que levava à sala de Tribunal que ele precisaria comparecer. Era um caso que cuidaria e só o pensamento de encontrá-la ali o deixava elétrico. Principalmente depois de ter decidido ir embora daquela cidade – para bem longe dela. Isso o estava matando. Não dormira nada na noite passada, apenas pensando em como contar a ela. Não conseguia parar de pensar em sua reação, no que faria se ela chorasse. Ela ia chorar. Apesar de tudo, os dois se amavam muito. Ele não sabia o que faria se ela um dia o deixasse de vez, como ele estava fazendo agora. E saber que ela ia sofrer por ele, o enlouquecia.
— ... e depois, podemos ir para a casa da vovó, o que acha? Ela deve estar morrendo de saudades sua. – ouviu a voz de e a procurou, olhando pelo corredor.
Ela vinha trazendo Lenna em seu colo, que tinha um urso marrom em mãos. Deus do céu, como ele podia olhar pra ela daquela forma e não agarrá-la? Ela usava uma saia preta que ia da cintura aos joelhos e uma camisa branca que ele rezava para que o primeiro botão estourasse, mostrando só um pouquinho daqueles seios maravilhosos. Ela o viu assim que cruzou o corredor, mas desviou imediatamente o olhar.
— Dá tchau pra mamãe. – mandou a mulher, beijando a bochecha de Milenna.
A garotinha abraçou seu pescoço e bateu na porta da creche, que logo foi aberta por uma das professoras. Era ótimo terem uma creche no tribunal. Lenna poderia ficar ali até os três anos, mas planejava a matricular em uma escola ainda antes.
— Tchau. – Lenna mandou um beijo, fazendo sorrir involuntariamente com a doçura da criança.
Ele se levantou, observando agora a mulher, que caminhava em sua direção.
... – sorriu para ela, que estava de cenho franzido.
— Quero conversar com você. Venha até minha sala. – pediu, tomando a frente.
O olhar dele desceu para o quadril da mulher, mas logo chacoalhou a cabeça. Não pense nisso, idiota!, brigou consigo mesmo. Entrou na sala e sorriu sozinho, olhando a mesa. Já tinham a usado algumas vezes, recordou-se.
... – ela sussurrou, ficando em sua frente. Jogou a bolsa na cadeira e olhou os olhos dele, pesarosa. – Por que vai fazer isso? Não pode ir embora.
— Não acredito que Bennet te contou. – bufou, caminhando pela sala. – Não é bem assim. Eu amo você, e a Lenna... – suspirou. – Ela é...
— Você gosta dela, não gosta? Vi isso nos seus olhos quando segurou ela no colo. Por que não pode ficar com a gente? – seus olhos começaram a inundar e ele caminhou até ela, até que nenhum passo fosse possível.
— Até ontem você abominava a ideia de viver comigo. Por que isso agora? Logo agora?
— Porque eu não posso viver sem você, . A gente esteve junto o tempo todo.
— Eu vou destruir vocês, . Se eu ficar com vocês duas, vou ser como meu pai. Eu sou igual a ele.
— Não tem nada a ver com seu pai, ! – arregalou os olhos. – Ele foi um filho da puta com você e com a sua mãe, mas você não tem nada a ver com ele! Ele era um viciado violento. Você é o homem mais doce que já conheci, da sua forma.
— E quem é que te garante que não vou ser que nem ele? Acha que meu pai era daquele jeito no começo? Minha mãe amava ele. E aí ele fez aquilo...
— Você não tem culpa disso! – exclamou, segurando o rosto dele. – Olha pra mim. – procurou seus olhos. Os dois estavam a ponto de chorar, mas pareciam segurar com toda a força. – Eu te amo.
Ele suspirou, grudando os lábios aos dela.
— Sei disso. – assentiu, com a testa ainda grudada na dela. – Por que foi me dizer agora? Eu já tinha tudo planejado, tudo... E você vem e faz isso e...
— Não vou deixar você se afastar de mim, . Mas agora temos um compromisso. – beijou a bochecha dele.
— Vá a minha casa hoje. Nós precisamos conversar sobre muitas coisas, e não terei tempo depois do julgamento. – explicou, ainda a segurando pela cintura. – Prometa que vai.
— Eu prometo. – assentiu.
Caminhou até sua cadeira e tirou a túnica que ficava ali, colocando-a em seu corpo.
Indicou a porta para e ele assentiu, saindo da sala. tinha uma outra porta atrás de sua mesa, mas só ela podia usá-la para o acesso ao tribunal.
Assim que entrou na grande sala, suas sobrancelhas arquearam com a quantidade de pessoas. O caso era aberto e os repórteres poderiam comparecer, apenas ao prometer seu silêncio. Ela sentou-se na cadeira do Juiz e ajeitou-se. Jenna, sua assistente, correu até ela, entregando-lhe as notas que havia preparado ao ler o caso.
O réu era acusado de abuso de menores. Ex-professor, abusava de alunas e alunos durante cinco anos, até ser finalmente denunciado. sentia nojo de homens como esses. E, ao ver o olhar de para o homem, percebeu que ele sentia o mesmo que ela.
Assim que o relógio marcou oito horas, ela deu início ao julgamento. Depois de uma denúncia da mãe de uma aluna, vários outros pais apareceram na delegacia, surpreendendo . O professor foi afastado do cargo e preso há uma semana, tendo que esperar pelo julgamento na cadeia.
Uma aluna de nove anos concordou em testemunhar, contanto que sua mãe pudesse ficar ao seu lado. sentiu o coração se partir ao ver o medo nos olhos dela, só de ver seu ex-professor ali, encarando-a, esperando que o acusasse.
— Não precisa ter medo, querida. – sorriu para a menina. – Diga tudo o que aconteceu.
— Ele não vai mais machucar você, minha filha. – a mãe secou as bochechas da filha.
Só de pensar que alguém pudesse ter machucado aquela garotinha indefesa, sentia um tremor nas pernas. Carlito, o autor do crime, mantinha sempre um sorriso cínico no rosto. olhou para a garotinha loira, que mordia a boca, indecisa se falava alguma coisa ou não. Imediatamente pensou em Milenna. Era muito engraçado. A segurou no colo apenas uma vez e já tinha esse instinto protetor sobre ela. Mordeu a boca, encarando , que parecia muito paciente com a menininha. Ele sabia que a briga já estava ganha. Que não ia embora porra nenhuma, que ela ia sorrir para ele e ele ia cair de joelhos, como sempre fazia. E, na verdade, ele nem tentava impedir que parecesse um otário, porque ele era mesmo.
— Se você não quiser falar aqui, nós podemos ir ali numa sala, o que você acha? – saiu da sua cadeira e caminhou até a garota. – Só nós duas e uma pessoa do júri. Eu deixo você escolher, se quiser. – sorriu, indicando o júri.
Nadia, a criança, assentiu, soltando a mão da mãe e segurou a de , que riu, derretida. Ela era uma bonequinha, era inacreditável que alguém lhe fizesse mal.
— Quer escolher ou eu posso? – perguntou.
— Pode escolher. – falou, baixinho.
— Tudo bem. Bryan, você pode vir? – chamou o amigo, que assentiu, levantando-se. – Lola, mantenha a ordem enquanto estou fora, sim? – sorriu para a mulher. – E, Jenna, mande arrumar a tela. – pediu, antes de sair pela porta que levava à sua sala.
sentou no sofá e pediu para que Nadia fizesse o mesmo. Bryan estava ajustando a câmera que tinha na mesa de , virando-a para as duas. O vídeo seria transmitido na sala do tribunal. piscou os olhos quando as luzes se apagaram e os mirou para a projeção. Bryan tinha acabado de se sentar numa poltrona em frente à , que começaria a questionar Nadia.
— Você acha que consegue falar agora? – segurava as mãos da menina, lhe passando toda a segurança possível.
Nadia assentiu, respirando fundo.
— Leve o tempo que precisar, querida.
— Ele era um professor bom. – começou. – E... E eu ia bem nas provas antes, muita gente ia. Mas aí... Aí as notas começaram a cair e ele chamou minha mãe e pediu se ela não queria que ele me desse aulas particulares. – os olhos da menina se encheram de lágrimas e ela soltou um soluço, caindo no choro.
— Nadia, não precisa chorar. Ele nunca mais vai encostar em você, eu prometo.
Ela assentiu, limpando as bochechas.
— Ele pediu que eu ficasse depois das aulas, todos os dias. Ele tinha uma faca e ele falou... ele falou...
— O que ele disse? – perguntou, calma, passando a mão pelo cabelo da menina.
Eu vou matar sua mãe na sua frente se abrir essa boquinha pra qualquer coisa que não seja chupar o meu pau. – ela sussurrou, chorando mais uma vez.
— Acho que é o suficiente. – Bryan disse, o cenho franzido.
— Venha, vamos te levar para a sua mãe. – estendeu-lhe a mão mais uma vez. – Eu falei sério, menina. Aquele homem não vai mais machucar você. Nenhum homem vai.
sorriu, encarando o desgraçado. Ele ia virar mocinha na cadeia e seria ele a se certificar que isso acontecesse.
Viu a menina correr para os braços da mãe e sentar-se mais uma vez, mexendo em alguns papéis.
— O Réu, Carlito José Hermanez, está condenado a oito anos e quero me certificar que nenhuma visita íntima seja permitida.
— Não pode fazer isso! – o homem gritou, levantando-se. – Sua puta desgraçada!
, que estava ali de escolta, o segurou com força pelo ombro.
— Sente e cale a merda da boca. – sussurrou.
— O senhor não está no direito de dizer uma só palavra, Senhor Hermanez. – , quando queria, assumia uma postura muito firme. – Essa sessão está encerrada.
— Obrigada. – leu os lábios da mãe de Nadia, que abraçava a filhinha com força.
Sob os protestos de Carlito, o levou para os colegas, que esperavam do lado de fora.
— Eu já vou. – avisou. – Podem me esperar no carro. E se esse filho da puta der um pio, podem socar a cara dele. Eu me entendo com Richard depois. – empurrou o preso até o amigo, que riu.
— Vai virar mulherzinha na cadeia, seu desgraçado.
— Vou comer sua bunda se não calar essa boca. – Carlito rosnou, levando um soco na barriga.
— Porra, Ryan. – riu . – Pega leve, alguém pode ver aqui. O leve para o carro, eu tenho que resolver uma coisa.
— Coisa, sei. – riu, negando com a cabeça. – Não demore.
revirou os olhos e foi até a sala de , que a trancava.
— Achei que não ia ter tempo depois do julgamento.
— Não tenho. – sorriu, acompanhando-a pelo corredor. – Só queria me certificar que não vai me dar o bolo.
Ela sorriu, fechando os olhos.
— Quero me resolver com você, . Por favor, não vá embora.
— Vamos conversar sobre isso essa noite. – prometeu, enquanto ela batia na porta da creche. – Oito horas, não se atrase.
— Você é o impontual. – rolou os olhos, sorrindo ao ver a filha no colo da professora da creche. – Oi, bebê.
— Oi, Lenna. – segurou a mãozinha dela, que lhe estendeu os braços. Ele riu, pegando-a no colo.
, ela te adora! Isso é impossível. Só a viu uma vez!
! – Lenna abraçou-o pelo pescoço, mordendo seu queixo.
Ela fazia muito isso, adorava morder o queixo de qualquer um. achou graça, rindo da cara de indignada que havia feito.
— Ela nunca me chamou de mãe. E aí vem você, e... Argh! – se irritou, rindo.
— Lenna, eu tenho que ir. Vai com a mamãe.
A menina obedeceu, jogando-se para o colo da mulher.
— Dá tchau pro . – a mãe mandou, acenando para o homem.
A menina imitou, fazendo o homem sorrir com os olhos.
Ele deixou um beijo na testa da menina e na da mulher, que sorriu para ele.
... – chamou, antes que ele fosse. – Vai você lá em casa. Eu posso fazer o jantar, se quiser.
— Tudo bem. – assentiu, partindo.
colocou a filha no chão, segurando sua mão.
— Vamos na vovó, meu amor?
entrou na viatura e permaneceu aéreo durante todo o trajeto até a penitenciaria.
— É um cachorrinho, mesmo. – Ryan provocou.
— Cale a boca. Você é um carneirinho perto da sua esposa. – acusou, saindo da viatura e tirando Carlito do carro. – ‘Tá pronto pra dar essa bunda, vagabundo?
— Você acredita em Deus, Carlito? – Ryan perguntou, vendo-o assentir. – É bom. Reze para que seu destino não seja como o de Lázaro.
— Lázaro? – perguntou, os olhos arregalados. – O-o que aconteceu com ele?
— Arrancaram as bolas dele. – Ryan deu de ombros, caminhando ao lado dos dois pelo longo corredor. Conseguiam ouvir a gritaria.
— Com os dentes. – sussurrou, vendo-o tremer. – Está assustado agora, grandão? E o que fez com aquela garotinha? Com todas as outras crianças? Elas te pediam pra parar? Porque você vai pedir, Carlito. Vai implorar.
— Pare de assustá-lo. – Ryan riu, tirando as algemas do homem. – Ali. Suas roupas novas. – indicou o macacão laranja em cima de uma mesa. Coloque todos os seus pertences no saco plástico ali.
esperou o amigo sair e fechou a porta, esperando-o se trocar.
— Como foi? – Ryan perguntou, enchendo um copo com água.
— Terrível. Como sempre. Ela... Ela era tão pequena, Ryan. Eu pensei em Milenna, sabe?
— Eu não consigo imaginar meus filhos passando por isso. Mataria um cara desses.
— A tem um jeito tão natural de conversar com crianças. Eu não consigo imaginar como será com Milenna, se eu permanecer aqui.
— Você vai aprender a ser pai, .
— E quem vai me ensinar? – suspirou, colocando as mãos no rosto.
— A Lenna. Acha que o quê? A gente nasce sabendo? A gente é pai a partir do momento que nos colocamos como tal. Se você esquecer todos os problemas que tem com esse lance de paternidade e começar a ver Milenna como sua filha, vai se tornar pai.
— Eu já vejo, Ryan. Desde a primeira vez que a peguei no colo. Ela... Ela é perfeita, não consigo odiar ela como pensei que faria.
— Então você já é pai dela, . O que precisa fazer é aceitar isso e convencer que você não vai fazer merda nenhuma com a confiança dela.
— Eu não vou. Deus do céu, quero me casar com ela faz meses!
— E por que renegou a garota?
— Eu tenho motivos.
— Isso não importa muito agora, importa? – arqueou as sobrancelhas.
respirou fundo e não precisou responder. Ele sabia.
Escutaram uma batida forte na mesa de metal e preparou as algemas, abrindo a porta.
Algemou o homem e sinalizou para que Ryan pegasse os pertences do prisioneiro. Agora aquele sorrisinho babaca tinha sumido do rosto do cara e imaginava que a ficha estivesse caindo. Quando o portão que levava ao extenso corredor de celas foi aberta, começaram a ouvir os gritos. “Carne nova!”, a maioria dizia.
— Qual a cela? – um guarda perguntou a , já separando as chaves.
— 32. – indicou com a cabeça,
A cela foi aberta e soltou suas algemas, jogando-o ali. Olhou bem no fundo dos olhos de Carlito antes de gritar, em alto e bom tom.
Estupro.

Capítulo 04


Milenna esperneava na cadeirinha e pegou o celular, enquanto tentava convencer a filha a comer uma maçã.
— Bebê! Colabora com a mamãe.
— Não. – resmungou.
riu. Ainda não fazia uma semana que a menina aprendera a falar, mas ainda assim, amava dizer não.
— Não vai assistir Enrolados.
Lenna mordeu a maçã picada e bateu na borda do pote, derrubando tudo no chão. Ela sorriu, com o dedinho na boca.
— Como eu fico brava com você quando faz essa carinha? – a mulher sussurrou, pegando o celular na mesa e discando o número de .
Como esperava, ele não demorou muito a atender a ligação e ela sorriu, mordendo a ponta do polegar.
— Oi, . – sorriu.
— Tá tudo bem? Não vai mais fazer o jantar? Eu posso fazer, ...
— Nada disso, calma. – riu da afobação dele. – Eu vou deixar a porta aberta, tudo bem? Sei que não gosta disso... – rolou os olhos. – Mas a pestinha tá tomando toda a minha atenção agora e eu tenho que tomar um banho ainda porque ela jogou maçã em mim.
— Tudo bem. – riu. – Te vejo às oito?
— Certo. – mordeu a boca, desligando a ligação.
pegou a filha e correu para o quarto quando viu que já eram sete horas. Ligou o chuveiro e sentou a filha no chão do banheiro, fechando a porta para que ela não escapasse e se despiu. Prendeu o cabelo e ligou o chuveiro, apressada.
Ela se sentia como uma adolescente mais uma vez, e era porque amava . Estava com medo, era verdade. Sabia que o negócio com o pai dele o deixava maluco, mas sabia também que ele era a coisa mais perfeita que conquistou na vida, fora sua filha.
Enquanto colocava um vestido soltinho e soltava os cabelos, Milenna, que havia de alguma forma subido em cima do vaso, caiu e gritou imediatamente.
— Filha! – correu até ela, a pegando no colo. – Ai, meu amor. Não pode subir nas coisas. Machucou?
A menininha chorou e fez um biquinho adorável, que arrancou um riso da mãe.
— Vai ficar tudo bem, meu amor. – pegou o ursinho marrom da filha e desceu as escadas.
Colocou a menina, que já não chorava, sentada na cadeirinha e lhe entregou o ursinho.
Começou a cortar o tomate enquanto cantarolava uma música, alheia a tudo. Colocou o macarrão na água quando ela começou a ferver e pegou outra panela para fazer abobrinha para Lenna.
conseguia ouvir a cantoria dela desde que saiu do elevador. Sorriu sozinho, abrindo a porta em silêncio. Da entrada conseguia ver parte da cozinha. Conseguiu, por exemplo, ver Milenna mordendo um ursinho e rebolando ao som de sua própria música. E então ele percebeu, sozinho, escorado na porta da cozinha, que viver sem não era uma opção. Nunca foi.
desligou o fogão e despejou a abobrinha num potinho enquanto dançava. Pegou uma colher pequena e se virou, soltando um grito imediatamente.
— Porra, ! Que susto! – ouviu a gargalhada dele e formou uma carranca.
— Eu ia te chamar, mas te ver dançando nunca teve preço. – deu de ombros, sorrindo e caminhando até ela, que deixava o potinho na mesa. – Eu posso beijar você agora ou temos que ir devagar com isso? – sussurrou, parando a dois centímetros dela.
— Não acho que nós vamos conseguir ir devagar, . – sorriu, o abraçando pela cintura e erguendo o rosto até o dele, deixando um selinho em seus lábios.
— Acho que tem razão. – riu, segurando o rosto dela e aprofundando o beijo, que não durou dois segundos, diga-se de passagem.
Milenna deu uma risada alta, fazendo os mais velhos se soltarem para rirem também.
— Eu estou quase terminando a janta, mas vocês vão me distrair, então pra sala! – mandou, tirando Lenna da cadeirinha e a entregando para . – Você pode dar comida para ela?
— Posso. – sorriu, pegando o potinho.
— Assopra bem porque a boca dela é sensível e ela pode se queimar.
— Calma, amor. Eu vou estar a três passos de você. – rolou os olhos.
— Tudo bem. – suspirou. – Coloca Enrolados para ela assistir? Ela ama esse filme. Já está dentro do DVD, é só ligar.
— Vai cozinhar, . – ele riu da afobação dela, indo até a sala e sentando no sofá, com Lenna em seu colo.
colocou o macarrão no escorredor e desligou o fogo que aquecia o molho especial de , como chamava. Ela colocou a mesa e já passou uma água nas panelas para colocar na lavadora depois.
Silenciosamente, ela caminhou até a sala. estava segurando Lenna para cima, como se ela estivesse voando. Milenna gargalhou quando ele beijou sua barriga e sorriu, mordendo o lábio. Tinha como não amar aquele cara? De verdade?
— O jantar está pronto. – assoprou, caminhando até os dois. – Estou atrapalhando?
— Não. – se levantou, sorrindo. – Ela comeu tudinho, não é, Lenna?
— Comeu mesmo? – fez carinho na bochecha da menina, que agora tinha a cabeça deitada no ombro do homem, os olhinhos pesados. – Ih, acho que ela vai dormir.
— E-eu não sei fazer ela dormir, . – o homem sussurrou, levemente assustado.
Ela riu, deixando um beijo na bochecha dele.
— Deita ela no seu colo. – ensinou, assistindo ele, cuidadoso, obedecer. – Agora é só balançar ela, devagar.
— Shh, fala mais baixo. – o homem uniu as sobrancelhas quando Lenna fez uma careta.
riu baixinho, colocando a mão no ombro dele.
— Você realmente quer fazer isso, não quer?
— O quê? – ele sussurrou, ainda embalando Milenna, que já roncava baixinho.
— Ser o pai da Milenna.
Ele suspirou e, com a mão livre, puxou a cintura dela para perto.
— Eu não tenho que querer isso, . É você quem decide.
— Eu? – ela perguntou, arqueando as sobrancelhas. – Eu disse que te amo, . E eu quero você na minha vida para sempre, mas é você quem tem que querer. Porque isso é um compromisso muito maior do que o casamento que você queria para nós. Você acha que está pronto para isso?
, você ainda não entendeu? Ao seu lado eu posso tudo. Eu faço qualquer coisa para ficar com você, e ser o pai dela não é algo tão ruim assim. – deixou um beijo em sua testa. – Agora, acho que precisamos colocar ela no berço.
entrelaçou as suas mãos e o levou até o quarto, acendendo a luz. Ela assistiu ele, cuidadosamente, colocar a bebê no berço e a cobrir.
— Vamos jantar agora? Vai esfriar e não vou esquentar de novo!
— Não seja ranzinza. – ele resmungou, a agarrando pela cintura e tascando-lhe um beijo. – Eu te amo, .
— Também amo você. Mas isso não enche a barriga, então pra cozinha!
Ele riu, obedecendo-a e sendo seguido por ela até a cozinha. A mesa já estava posta e o cheiro do macarrão o fez fechar os olhos instintivamente.
— Abre o vinho, ? – ela pediu, estendendo o vinho para ele.
se sentou, servindo os dois pratos e esperou ele servir a bebida nas taças, se sentando em seguida.
— Você sabe.
— O quê? – ele perguntou, franzindo o cenho enquanto levava uma garfada à boca.
— Fazer ela dormir. Você sabe. Quando te vi pegando ela no colo no noivado do Benny e do Nathan, eu imaginei que você nunca ia aprender. Mas foi só eu falar que você pegou ela do mesmo jeito que eu pego.
sorriu, tímido, e achou uma graça, sorrindo forte.
— Não precisa ficar com vergonha.
— Eu só não sei como reagir, . É estranho pra mim ainda.
— Não precisa ser. – ela mastigou o macarrão em silêncio, assistindo-o terminar seu prato.
Os dois se levantaram, levando as coisas para a pia e colocou tudo na lavadora, limpando a mesa em seguida.
já tinha ido para a sala e ela se encontrou com ele em seguida, sentando-se ao seu lado.
? – ele chamou, colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. – Agora você vai aceitar se casar comigo?
Ela suspirou, mordendo o lábio.
— Essa é a parte que precisamos ir com calma. – ela passou um braço pelo pescoço dele. – Não podemos arriscar agora, sabe? Vamos ver como a gente vai com o tempo, e aí eu respondo essa tua pergunta. Você precisa se acostumar com a rotina que é ter uma filha pequena, eu demorei bons dias para conseguir seguir o ritmo dela.
Ele assentiu, suspirando. Não ia insistir, sabia que isso só dificultaria mais as coisas e ela tinha razão. Ele precisava ter certeza de que não ia foder tudo com Milenna antes de casar com .
— Eu quero isso, . Quero ser o pai dela, quero ser seu marido, quero que sejamos uma família. Mas eu só quero isso com você, então diz que me aceita, apesar de tudo. – sussurrou.
— Você vai embora? – perguntou, subindo lentamente até estar no colo dele.
— Sabe que não vou conseguir, não depois de hoje. – deixou um beijo no ombro dela. – Eu só preciso ter certeza que vai me mandar embora quando eu... se eu for como ele.
Ela suspirou, segurando o rosto dele entre as mãos.
— Você nunca vai ser como ele, . Entenda isso, pelo amor de Deus.
— Me prometa, . Não quero acabar com a Lenna como meu pai acabou comigo.
— Eu prometo. – sussurrou, beijando o queixo dele. – Prometo, .
Ele assentiu, trazendo a cintura dela para mais perto e puxando seu lábio inferior entre os dentes, ouvindo um suspiro gostoso saindo da garganta dela.
— Precisamos conversar sobre o berço da bebê ficar no seu quarto.
— Eu não gosto de dormir sozinha e você sempre soube disso. – ela sorriu, deixando que ele tirasse seu vestido. – Ela não acorda mais durante a noite, talvez a gente possa levar ela para o outro quarto de novo.
— Podemos conversar sobre isso depois. – beijou o colo da mulher, segurando seus seios nas mãos e deixando beijos por todos os lados. – Deus do céu, eu senti falta deles.
Ela riu, desabotoando a camisa dele enquanto ele se divertia com seus peitos.
precisou soltar os dois quando ela terminou de desabotoar a camisa, tirando-a de seu corpo e jogando em algum lugar da sala.
Ela o puxou para um beijo mais uma vez e ele terminou de tirar suas roupas, não aguentando mais segurar. Ele sentia tanta falta dela, tanta.
— Me diz uma coisa, . – sussurrou, deitando por cima dela e colocando sua calcinha para o lado, enquanto esfregava seu membro nela, sem nunca penetrar. – Você transou com alguém nos últimos meses?
Ela agarrou os ombros dele com as unhas, se desesperando.
— Por favor.
— Me responde. – mordeu seu pescoço, chupando de leve.
Sentiu ela mexendo o quadril sob ele, procurando mais fricção, mas nunca satisfeita.
— Quietinha. – colocou as mãos nos quadris dela, a deixando paralisada em seu lugar.
— Não. – sussurrou, os olhos brilhando em desejo. – Eu juro.
— Não sei se acredito em você. – falou baixinho, deixando o membro longe de sua entrada agora, a fazendo arregalar os olhos.
, para com isso. – pediu, tentando o abraçar com as pernas, mas ele foi mais rápido, abrindo as duas e as segurando.
— Segura isso aqui. – mandou, puxando a calcinha para o lado com os dentes e esperando que ela o segurasse.
Ela levantou a cabeça, procurando os olhos dele. Quando ele caiu de boca nela, ela soltou um grito abafado.
— Toda minha. – riu, lambendo os lábios.
— Sim, sim. – sussurrou. – Por favor, .
Ele sorriu, mas também não agüentava mais. Se encaixou entre ela e abriu bem suas pernas, a preparando para o receber.
Ela fechou os olhos quando ele entrou nela, o segurando perto sem nunca o soltar.
Aquilo era eles. Se completando, se amando, grudados um no outro. Eles só precisavam daquilo, daquele amor, daquele sentimento louco que tinham dentro de si. Tendo aquilo, eles tinham tudo.

acordou num sobressalto quando ouviu seu celular tocando no quarto. resmungou alguma coisa, levantando-se de seu peito e se sentando na cama.
— Quem é uma hora dessas? – bocejou.
— Não sei... – resmungou, pegando o celular. – Alô? Benny?
A mulher se esticou na cama, atenta. Será que tinha acontecido alguma coisa?
— Você tem certeza? – coçou os olhos. – Tudo bem, estou indo.
Ele desligou o telefone e segurou seu rosto, preocupada.
— O que aconteceu?
— É aquela merda do caso que te falei. – explicou, exausto. – Eu preciso da sua ajuda, . Eu não aguento mais essa merda. Nós não chegamos nem perto do que pode ser e eu nunca cuidei de um caso por tanto tempo assim.
— Vou te ajudar, claro que sim. Quer que eu vá junto com você?
— Não, fica com a Lenna. Eu posso voltar quando acabar?
Ela sorriu, assentindo.
— Claro que sim, . – beijou sua bochecha. – A sua chave está na estante da sala. E manda o Richard te dar uma folga esse final de semana.
Ele riu, divertido, enquanto se levantava e se vestia novamente.
— É só falar pra aquele velho babão que você tá no caso.
Ela sorriu, voltando a se deitar.
— Não me acorde quando voltar. E traga os relatórios.
— Todos eles?
— Todos eles. – sussurrou, abraçando o travesseiro de .
Ele se abaixou para deixar um beijo em sua testa, se despedindo.
Agora, com no caso, não ia demorar muito. Ele realmente esperava isso, porque já fazia tanto tempo que queria pegar esse filho da puta.
Enquanto caminhava até a garagem da casa de , sentiu o celular vibrar no bolso e o pegou, abrindo seu carro.
Era uma mensagem de Bennet.
“Você precisa correr, encontramos uma coisa que pode ser a solução pra tudo.”


Capítulo 05


Existia um mapa grudado na parede da sala de , e assim que ele entrou, deu de cara com ele todo rabiscado.
— Mas que porra aconteceu aqui? – arregalou os olhos.
— Isso não importa. – Bennet largou a caneta permanente que tinha nas mãos, deixando com que visse o que havia no mapa.
— O que é...
, posso falar com você? – Robert caminhou até o mais novo, trazendo dois copos de café e entregando um a ele.
— Aquilo é um pentagrama?
— Sim. – parou bem em frente ao mapa, analisando-o. – Você consegue ver? As mortes foram muito bem planejadas, olha a localização. O desenho é perfeito e, você sabe o que tem bem no meio? – pegou um canetão vermelho, fazendo um círculo minúsculo em uma quadra da cidade.
arregalou os olhos, olhando de perto.
— O que isso significa?
— Não é estranho? Você é o encarregado de quase todos os casos mais sérios nos últimos anos, todos solucionados, a não ser esse.
— Você ‘tá me acusando de alguma coisa? – rosnou, prendendo o chefe contra a parede pelo pescoço. – Você pode ser a única figura de um pai que eu tenho, mas eu juro por Deus que da próxima vez que insinuar alguma coisa dessas...
— Tudo encaixa, ! – Bob se soltou, encarando o jovem. – Eu não quero pensar em você como um suspeito, sinto muito. É só que... Esse caso é o inferno, e quando encontraram o centro do pentagrama... Eu não sei se seria capaz de encarar você, se fosse o assassino.
— Se eu fosse a porra desse assassino eu não daria tudo o que tenho para resolver esse caso de merda.
— Eu sinto muito, ! – o velho gritou, assustando algumas pessoas que ainda estavam por ali. – Você sabe que eu preciso que resolvam esse caso. O povo lá de cima já está ficando neurótico com isso tudo, e não conseguimos nenhum perito ou policial novo que possa nos ajudar...
— A pode! – se lembrou. – A pode ajudar.
— Vocês estão juntos? – os olhos de Robert brilharam. – Meu Deus, ! Finalmente.
— Nem me fala. – riu, feliz em perceber que o clima entre os dois já tinha passado.
— Como foi virar pai de uma hora pra outra? – Bob sorriu e, só em pensar em Lenna, sorriu também.
— Eu só descobri que seria pai ontem, quando me aceitou de volta. A Lenna é perfeita. – sorriu. – É claro que eu ainda não sei o que é ter uma filha, pelo menos ainda. Mas parece que não vai ser tão difícil, sabe? Ela faz tornar mais fácil, a Lenna.
— Você vai conseguir isso, . E, comemorando que agora você não pode mais se preocupar só com a sua vida, vou te dar uma folga nesse final de semana.
sorriu, lembrando do que pedira. Eu sabia, pensou.
— Bom, eu tenho que ir porque são quase cinco da manhã e minhas garotas ainda estão dormindo. – saiu da sala, ainda com um sorriso no rosto, e pegou os relatórios que tinha em sua mesa, para mostrar à quando fosse para casa.
Entrou no carro e, antes de sair, viu que tinha uma mensagem de no celular, pedindo que ele ligasse para ela assim que estivesse liberado.
Como estava na discagem rápida, não demorou muito para ela atender, com a voz fraca demais.
Alô?
, aconteceu alguma coisa? – perguntou, preocupado.
Não fica preocupado, ‘tá bom?
— Como eu não vou ficar preocupado se você não me diz o que é?
Promete.
... – rolou os olhos, nervoso. – Não posso prometer nada. Me diz o que aconteceu, eu já estou indo pra sua casa...
Não estou em casa. Estou no hospital.
perdeu a respiração.
— O que foi que aconteceu?
A Lenna passou mal logo depois que você saiu, eu estou esperando na emergência porque o médico não está nesse hospital. fechou os olhos, sentindo um aperto no peito.
— É o Hospital que fica perto da sua casa, não é?
É. Você pode vir aqui? – escutou um soluço, percebendo que ela finalmente estava perdendo a compostura. – Ela está chorando muito e eu não sei o que fazer, . Por favor.
— Claro que sim, amor. – abriu os olhos, dando partida no carro. – Não vou demorar.

estava segurando a bebê no colo, que, por algum milagre, tinha parado de choramingar e agora estava bem quietinha. Ela viu antes que ele a visse, e acenou.
— Finalmente! – ela sussurrou, aceitando o abraço dele, que correu até as duas imediatamente, acolhendo-as.
— O que aconteceu hein, bebê? – ele perguntou para Lenna, que tinha um biquinho no rosto e os olhos molhadinhos.
— Ela está com muita febre e o médico não...
Antes que ela pudesse completar a frase, uma enfermeira falou o nome de Milenna e os três seguiram a mulher até o consultório do pediatra, que já os aguardava.
— Sinto muito a demora. – ele sorriu amarelo, apertando a mão de e então a de , que usou mais força que o necessário.
— Você não devia estar em plantão? – seus olhos cerraram.
! – a mulher o cutucou, envergonhada.
O médico desviou o olhar para Lenna, que coçava os olhinhos.
— Vamos ver o que essa garotinha tem? – ela o encarou, ainda com um biquinho na cara. – Você pode colocar ela ali? – apontou para a caminha cheia de bichinhos desenhados.
deixou a filha ali e ficou do seu lado, enquanto os encarava a dois passos de distância.
— Ela já fala? – o Doutor perguntou, usando o estetoscópio para ouvir o coraçãozinho da garota, que se contorceu ao sentir o objeto gelado encostar em sua pele.
— Só um pouco. – se pronunciou, passando o braço pelo ombro de , que se encolheu, tremendo de tanto medo que fosse algo sério.
— Você ‘tá vendo esse ursinho, Milenna? – o Doutor mostrou um ursinho preto bem peludinho e minúsculo.
Ela, toda manhosa, esticou os bracinhos e resmungou, querendo brincar com o bichinho.
— Se você fizer o que eu pedir, vou te dar ele. O que você acha? – ele a sentou na caminha, deixando o ursinho de lado e impedindo que ela o pegasse. – Abre a boca.
Depois de entender o que ele queria dizer ao vê-lo abrir também a boca, a menina obedeceu, deixando que ele iluminasse a garganta dela e descobrisse, por fim, o que estava acontecendo com a criança. Descobriu, também, que tinha algo em seu ouvido e a doença em dobro fazia a menina tão febril daquele jeito.
Ele a pegou no colo e, como prometido, entregou o ursinho nas mãos da garota, que o abraçou como se alguém fosse tirá-lo de suas mãos.
a pegou no colo, ainda irritado com aquele médico que não estava onde devia quando sua menininha estava chorando de dor.
— Eu entendo que vocês tenham ficado preocupados, mas não é nada demais. – sentou-se na sua cadeira, indicando que e fizessem o mesmo.
, percebendo como ainda estava preocupada, entregou a menina para ela.
— Ela tem uma infecção na garganta e no ouvido, por isso a febre. Hoje você vai precisar dar esse aqui. – entregou um papel à ela, com uma letra precariamente legível. – Para a febre passar. Ele também vai dar sono nela, então apenas quando ela acordar dê esses dois, que vai melhorar a dor de garganta e ouvido. Se ela não melhorar em uma semana, volte para podermos descobrir o que pode estar acontecendo.
— A cada quantas horas ela precisa tomar? – perguntou.
— O antibiótico e o anti-inflamatório de oito em oito. O da febre apenas quando ultrapassar 36.5.
Depois de entender exatamente o que deviam fazer, o casal foi embora, cada um em seu carro. se responsabilizou de comprar o remédio e o termômetro e, quando chegou em casa, estava dormindo no sofá, abraçada à Milenna, que brincava com seu novo ursinho, parecendo terrivelmente melhor. Ainda assim, pegou a menina no colo e a levou até a cozinha, onde os remédios estavam. Mediu a temperatura e, ao ver que a febre estava quase em 37, misturou os dois remédios em um só.
— O homem da farmácia falou que é bem docinho, Lenna. – sorriu, colocando a seringa que continha o medicamento rosado na boca dela, assistindo-a beber o remédio, satisfeita com a doçura. – Pronto, viu? Nem doeu. Vamos acordar a mamãe? Ela vai ficar toda dolorida se dormir ali.
Levou a menina até a sala e se ajoelhou ao lado de , que tinha um bico no rosto como sempre fazia ao dormir, como se sonhasse com alguma coisa.
— Chama a mamãe. – sussurrou.
Desde ontem, quando não olhava, ele tentava fazer a menina falar mamãe, para deixar feliz. Ela já havia dito algumas vezes, mas nunca para .
— Mamãe. – Lenna deu um tapinha no braço da mulher, a despertando.
— O que foi, aconteceu alguma coisa? – olhou para .
— Lenna, acho que ela não ouviu. – ele riu, olhando a menininha. – Fala de novo.
— Mamãe. – a criança sorriu, gostando da brincadeira. Mas a cara que fizera superou todas as expectativas.
! Ela falou! Falou mamãe! – riu alto, agarrando a filha enquanto o homem gargalhava. – Você fez isso?
— Ela ia aprender de qualquer forma, sabe dizer qualquer palavra que digamos a ela. – deu de ombros.
— Obrigada. – o beijou. – Eu queria tanto ouvir ela falando... Obrigada, .
Ele sorriu, envergonhado, e beijou a testa da namorada, se sentando ao seu lado no sofá.
— A Lenna vai dormir rapidinho, olha só. – indicou a garota com a cabeça, que tinha os bracinhos envoltos no pai e agora piscava lentamente.
— Pega a chupeta dela. – ele pediu, levando uma mão às costas da menina e fazendo carinho ali, como se isso fosse fazer a doença dela se curar.
se levantou do sofá e foi até o seu quarto, procurando pela chupeta da filha. Encontrou dentro do banheiro e lavou, sabendo que quando Milenna tirava aquilo da boca, esfregava em todos os cantos da casa.
Quando estava voltando, porém, ouviu a voz de conversando com a sua menina e se esgueirou pelo corredor, os observando silenciosamente.
— ...nem eu tô acreditando que ela me aceitou de volta, sabia? Quando você crescer, talvez você goste muito dessa história. – ele riu, fazendo carinho no cabelo da menina, que quase cochilava em seus braços. – Eu amo a sua mãe. Ela me ama também. E você pode não acreditar, mas nós amamos você. Nós dois.
riu fraquinho. Ele parecia uma criança, conversando daquele jeitinho com a Lenna. Mas aquilo era tão lindo.
— Eu sou seu pai agora e, se você quiser, pode me chamar de pai. É um pouco estranho gostar tanto de uma coisinha desse tamanho. Só percebi que te amava hoje, quando você ficou doente. Nunca mais faça isso, mocinha. – ele riu, percebendo que parecia um bobo conversando com uma criança de um ano e meio, que nem acordada totalmente estava. – Vou deixar você dormir agora.
Colocando a cabecinha dela apoiada em seu ombro de novo, ele começou a acariciar as costas da garota, que em menos de um minuto começou a roncar baixinho perto do ouvido dele.
Percebendo que nunca mais teria uma chance como essa, porque odiava fotos, pegou o celular e eternizou aquele momento, sorrindo feito uma boba.
— Ela já dormiu? – perguntou, trazendo a chupeta em seus dedos.
— Parece que sim. – ele riu. – Vou deixar ela no berço, os papéis estão ali. – apontou para a mesinha de centro. – Já te explico como foi hoje.
Ela o viu desaparecer pelo corredor e pegou os papéis, dando uma lida por cima.
— O chefe te quer pra ontem no caso. – se sentou ao seu lado mais uma vez.
— O que aconteceu pra você precisar ir de madrugada para a perícia?
— Alguns caras estavam mapeando os assassinatos e descobriram que forma um pentagrama, sabe? Uma estrela ao contrário. – tocou o pescoço, que carregava uma estrelinha de ouro.
— Eu não entendo como esses imbecis usam símbolos tão lindos para uma coisa tão suja.
tocou o colar dela e sorriu, deixando um beijinho na boca da namorada.
— Nós precisamos pensar sobre essa merda toda, mas pode ser depois? Eu tô com muito sono, amor.
Ela riu e se levantou, o puxando pela mão.
— Acho que vou colocar ela pra dormir com a gente, pode ser? Aí a gente tá pertinho se acontecer alguma coisa. – ela disse, pegando Lenna do berço e a deitando no meio da cama.
sorriu para a garotinha e deitou do seu lado, tirando os sapatos.
— Vai dormir de calça jeans? – pediu, tirando o vestidinho que cobria seu corpo e colocando sua camisola.
— Já tiro. – falou, fechando os olhos.
Claro que, em dois minutos, ele já tinha apagado.
Ela riu fraco e olhou para Lenna e . Mas então, ela começou a pensar. E se ele desistisse? E se ele realmente fosse como o filho da puta do pai dele? E se ele abandonasse as duas? Ela não conseguia nem pensar naquilo, seu estômago revirava.
Pensando nas possibilidades que aquele relacionamento podia tomar, ela nem conseguiu dormir.

Assim que acordou, procurou pelas duas, mas ele estava sozinho no quarto. Ele escutou um chorinho murcho e foi até a sala, onde tentava fazer Lenna se acalmar.
— É só febre, bebê.
— Hey. – coçou a cabeça, se aproximando delas. – Ela está com febre de novo?
assentiu, sem olhar para ele, e franziu o cenho.
— Tá tudo bem, amor? – segurou no braço dela.
— Sim. – ela se desvencilhou do homem, que ergueu as sobrancelhas.
, eu...
— Eu preciso dar o remédio da Lenna de novo. – abraçou a menina, que tinha a cabeça encostada em seu ombro. – Depois a gente conversa, .
Ele suspirou e se sentou no sofá, olhando enquanto ela desaparecia pelo corredor. Ela estava tão diferente antes de irem dormir. Tinha acontecido alguma coisa.
, o que aconteceu? – ele perguntou assim que ela se sentou no sofá, deitando Lenna no chiqueirinho.
— Aconteceu que eu amo você. E se você não percebeu, a Lenna também. – ela soluçou, caindo no choro. – Eu não sei o que vou fazer se você for embora, .
Ele respirou, aliviado de não ser nada mais grave.
— Ah, meu amor. Achei que tivesse deixado claro. Não vou a lugar nenhum. – beijou o topo de sua cabeça, a abraçando. – Não vou a lugar nenhum, nunca mais.
Ela assentiu e o abraçou, deixando-se ser mimada pelo namorado.
— Eu te amo, . – beijou a bochecha dela. – Não precisa ter medo de nada. Eu estou aqui.
Ela sorriu e limpou as bochechas, se afastando minimamente dele para que pudesse olhar em seus olhos.
— Que bom, porque eu te caço até o fim do mundo se você sair daqui. – abraçou seu pescoço. Mudando de assunto, ela arregalou os olhos com o esquecimento. – Ah, esqueci de te falar! Nós não compramos o presente de casamento do Benny e do Nate. É em uma semana!
— Uau, você sabe como mudar de assunto, huh? – riu alto com o tapa estalado que levou no ombro. – Ei, só estou brincando. – a puxou para o seu colo. – O que vamos dar a eles?
— Eu pensei em comprar alguma coisa de cristal. Você sabe como o Nathan é louco por decoração. – rolou os olhos.
— É uma boa. – assentiu. – Ou podemos comprar uma estadia de uma semana pra eles naquele chalé que fomos no verão, lembra?
— Nossa, eles vão adorar! – riu. – Falando nisso, bonitão, quando você vai me levar lá de novo?
Ele sorriu, apertando ela no abraço.
— Quando resolvermos esse caso, o que acha? Só assim eu consigo férias, e agora que você vai me ajudar...
— É bom que se lembre disso, mocinho. Vou me empenhar como nunca nisso agora. – ela sorriu, passando as unhas no pescoço dele. – Ainda mais que aquele foi o melhor final de semana da minha vida.
Ele sorriu, dando um selinho nela.
— Ah, eu me lembro bem do que aconteceu naquele final de semana... – sorriu, colocando as mãos dentro da blusa que ela usava.
— Pode parar por aí, querido. Nós temos que fazer o almoço e checar a temperatura da nossa filha a cada meia hora. – beijou o canto da boca dele, se levantando.
Ele, porém, a olhou com um sorriso enorme nos lábios.
— O que foi?
— Nossa filha... É o que ela é, não é? – sorriu ainda mais.
Ela mordeu o sorriso e estendeu a mão para ele, o levando até a cozinha.
— Sim, ela é. E falando nela... Agora que você praticamente mora aqui, precisamos arrumar as coisinhas no quarto dela. Eu acabei deixando pra lá quando levei ela no meu quarto, mas ainda falta pintar as paredes e arrumar os móveis. E então nós podemos levar ela para dormir lá.
— Eu só não moro aqui ainda porque você quer ir com calma. – beliscou a cintura dela. – A gente pode decidir isso quando ela melhorar? Não é bom levar ela para o outro quarto doentinha desse jeito...
— Quando ela melhorar, então. – sorriu, assentindo. – E nós podemos pedir para os garotos cuidarem dela por um final de semana, não é?
— Eles vão casar, amor. No próximo sábado. Vão ficar um ano na fase da lua de mel, é melhor pedir para o Elliot e a Hanna ficarem com ela. Além do mais, vai ser bom pra eles treinarem. Eu queria ter treinando antes desse furacãozinho, mas não deu...
— Furacãozinho? ! – ela riu alto, enquanto se afastava para pegar alguns tomates na geladeira.
— Você sabe que ela é! Fica correndo pela casa, derrubando tudo.
— Ela é uma espoleta mesmo. Mas eu não mudaria nada. – sorriu. – Agora levanta essa bunda daí e vem me ajudar a fazer nosso almoço.

A segunda-feira tinha chegado mais cedo do que os dois esperavam. Entre idas ao seu apartamento e ao supermercado, percebeu que não seria nada fácil ser pai, mas ele realmente não ligava muito. A não ser quando o obrigava a trocar as fraldas da filha deles, aí era outra história... Lenna se recuperou muito bem, mas os dois continuaram a colocando no meio da cama de casal, porque só assim podiam ter certeza que a temperatura dela não subiria mais uma vez.
, acorda. – sussurrou assim que saiu do banho, enrolada numa toalha.
Ele piscou um pouco os olhos e a encarou, sorrindo de canto.
— Bom dia. – sorriu, malicioso, ao ver o que ela usava.
— Dia. – Lenna deu um tapa no peito do homem, que riu alto.
— Já acordou, bebê? – beijou a testa dela e a de . – Já te beijo de verdade. – sussurrou, pulando da cama para ir ao banheiro.
— Tenho que ir ao tribunal.
— Você não vai só uma vez na semana? – colocou a cabeça para fora do banheiro, com a escova de dentes na boca.
— Sim. – começou a se trocar. – Milenna! Isso não é de comer! – tirou o celular da mão da menina.
— Eu tô dizendo... essa menina é um furacão.
— Ão. – Lenna riu, o dedinho na boca.
— Viu? Até ela concorda! – ele acusou, rindo.
— Você fala isso porque ela não pode se defender. Quero ver quando ela crescer... – a mulher resmungou, sorrindo ao imaginar uma Lenna, um pouco maior, brigando com o pai. – Faz o café?
— Posso tomar banho antes? – segurou a cintura dela.
— Claro que sim, amor. – riu, abraçando o pescoço do homem. – Mas não demora. Oito horas eu preciso estar no tribunal e você na delegacia.
— Sim, senhora! – deu um selinho nela, encostando seus narizes. – Agora me dá um beijo.
Ela sorriu e o beijou, parando apenas ao escutar o barulho de alguma coisa caindo no quarto.
É claro, era Lenna, que tinha derrubado o despertador e estava na beirinha da cama, pronta para sair sozinha.
— Não! – a pegou no colo. – Não pode descer da cama. A mamãe já te falou.
sorriu e foi tomar o seu banho, escutando a voz abafada das duas, que pareciam conversar. Quer dizer... Lenna resmungava o que a mãe dizia, mas isso parecia derreter a mulher porque em um minuto ela não estava mais brigando. Sua voz mal podia ser ouvida. Ele saiu do chuveiro e começou a se secar, vestindo suas roupas que estavam na bancada do banheiro.
— Uau. – sorriu ao ver as duas prontas, ambas com vestidos. Lenna usava um vestidinho branco com algumas flores e um laço no cabelo, enquanto estava com aqueles vestidos que são colados até o joelho – que adorava porque as curvas dela ficavam ainda mais perfeitas. – Onde é que vocês vão?
Lenna começou a falar alguma coisa que muito bem poderia ser árabe, mas os adultos a olhavam com devoção, o que parecia agradar a criança.
— Agora o papai vai fazer o café, vamos lá? – estendeu a mão para Milenna, que correu até ele.
— Café, papai. – ela estendeu os bracinhos para ele, que a olhava totalmente atônito. Era aquilo mesmo...?
?
Ela sorria largamente, olhando para os dois.
— Você fez o mesmo por mim. E como você disse, não é nada difícil com essa tagarelinha aí... – se aproximou dele, que já tinha Milenna no colo e a abraçava, fazendo cócegas com a barba em seu rostinho.
Ele teve certeza naquele momento da besteira que faria se fosse embora. Ele não podia estar em nenhum lugar, senão ali.

Capítulo 06



Lenna bateu no ombro da mãe, esperneando.
— Não adianta espernear. Vai tomar banho, sim!
— Não. – Milenna mordeu a mão de , que gemeu.
Ai! Vai ficar de castigo!
A menininha pareceu entender, porque beijou o rosto da mãe e só com isso a ganhou.
colocou a filha na banheira e começou a banhá-la. Agora, ela estava quietinha brincando com seus bichinhos de banheira.
Lenna ficou com a boquinha roxa quando começou a sentir frio, e se apressou para secar sua menina.
— Vamos colocar uma roupa bem quentinha. – falou, colocando a filha na cama. Colocou a fralda e depois um pijama felpudo na bebê, que já estava quentinha.
— Vamos ligar para o papai?
Lenna se iluminou, repetindo papai e tentando tomar o celular das mãos da mãe.
Alô?
, onde você ‘tá? – perguntou, ajeitando a alça da camisola em seu ombro.
Acabei de sair da delegacia e já comprei o presente dos meninos. Por quê?
— Você quer vir dormir aqui? É que é sexta e...
Amor, não é preciso nenhum complemento. Só fala: vem dormir aqui, e eu vou. – ela riu.
— Tudo bem. Traz o jantar? Hoje ‘tá tão frio. Quero ficar debaixo das cobertas com vocês dois.
Então coloca na Netflix que eu chego rapidinho. – prometeu.
Ela desligou o celular e se colocou debaixo das cobertas, com a filha.
— Vamos assistir desenho? – pediu, colocando na Netflix.
Andy. – ela pediu, sorrindo.
— Billy e Mandy? De novo? – a mãe riu. – Tudo bem.
Como sempre, Lenna dormiu em menos de dois minutos de desenho. a pegou no colo e a deitou no berço., que já estava no quarto da menina fazia dois dias.
Desde a semana passada, quando a infecção passou, ela convenceu (o que não foi difícil) que eles precisavam de um tempo sozinhos. Então ele desmontou o berço da filha e o montou novamente, no seu próprio quarto dessa vez. Lenna não se importou. Ela tinha o sono pesado e, quando acordava pela manhã, chamava a mamãe e ia pegá-la.
sabia que esse cochilo não duraria mais que meia hora, porque no final da tarde ela cochilava até trinta minutos, e então acordava e só dormia depois das dez. Então, foi até a cozinha para preparar o jantar da filha.
Quando a sopa estava pronta e quente, ela escutou o barulho de chaves abrindo a porta de casa e sorriu um segundo antes de alcançar a cintura dela.
— Até que enfim. ‘Tô morrendo de fome. Ele riu no pescoço dela.
— Você sempre está. A pequena já acordou?
— Dormiu faz uns dez minutos. Ela já vai acordar, principalmente se ouvir sua voz. – ela sorriu, se virando para ficar de frente para ele. – O que trouxe para o jantar?
— É daquele restaurante que você gosta.
— O que traz arroz, carne e fritas? – ela se animou. – Meu Deus, eu te amo.
— Eu sei. – ele riu. – Vamos comer, vem. – colocou as sacolas na mesa e tirou as embalagens, colocando o jantar deles em dois pratos, já postos na mesa.
— Babe, preciso que você fique com a Milenna amanhã. Pode fazer isso?
— Claro que sim. – ele sorriu. – Por quê?
— Eu tenho que ir ao salão uma hora da tarde.
— Por que tão cedo? – ele riu, franzindo o cenho. – O casamento é só seis horas!
— Eu sei. Mas eu preciso fazer o cabelo e a maquiagem. Essas coisas demoram, .
— Você sabe que eu não me negaria a cuidar da nossa filha. Você não confia em mim?
— Claro que confio, amor. Você e ela se apegaram tanto nessa última semana. Só que eu sei que ainda é difícil para você, porque você não conviveu com ela desde o início. Eu sei que você vai cuidar dela como eu, apesar de tudo.
— Então você não precisa pedir se eu posso cuidar dela. – ele beijou a mão da namorada, voltando a comer logo em seguida. – Ela é minha filha também.
Ela sorriu, assentindo. Ele estava certo, ela não precisava pedir.
— Amor, você tem que me buscar direto no salão. Pode ser? Lá pelas cinco horas, tome o seu banho enquanto a Lenna fica dormindo e só então a acorde, senão ela não vai durar nada na festa.
Ele assentiu e esperou que ela terminasse também o seu prato para recolher a louça.
— Vem aqui. – ela chamou, o levando até o quarto deles. – Olha o vestido da Lenna. – mostrou, o que fez arregalar os olhos, de tão fofinho que era.
— Eu vou ter tanto trabalho com essa menina quando ela crescer. – negou com a cabeça, o que fez a namorada rir alto.
— Vai mesmo. – o beijou. – Quer tomar banho comigo? – pediu, sorrindo inocentemente.
— Não precisa nem perguntar. – a tomou pela cintura, mas assim que tirou a camisa de , eles escutaram um resmungo no quarto ao lado.
— Mamãe! – Lenna gritou, fazendo rir.
— Vai lá. – ela pediu. – Vou tomar meu banho.
— Tudo bem. – ele suspirou. – O jantar dela ‘tá pronto?
— Deixei dentro do micro-ondas. – avisou, tirando a roupa enquanto entrava no banheiro.
foi ao quarto da filha e ela sorriu ao vê-lo.
— Papai!
— Oi, princesinha. – beijou a testa dela. – Mesmo dormindo no seu próprio quarto, tem que deixar o papai e a mamãe namorar.
Ela riu, não entendendo nada, e abraçou o pescoço dele.
— Vamos jantar? – ele perguntou, a levando até a cozinha.
Sua sopa estava fria, então ele esquentou por apenas trinta segundos, ou Lenna se queimaria.
Ela tentou tomar a colher dele para comer sozinha, mas desistiu quando percebeu que não ia conseguir.
Ela empurrou com a mãozinha o pote quando estava cheia, e a levou para escovar os dentes – a parte preferida do dia dela. Ela adorava a pasta, que tinha gostinho de morango, e deixava escovarem seus dentes sem uma reclamação.
? Cadê você? – perguntou, saindo do quarto.
— Escovando os dentes da bebê. – avisou, colocando o copo de água na boca da filha, para que ela enxaguasse a boca como haviam lhe ensinado.
— Você quer tomar banho? – ela pediu, pegando a filha no colo assim que ele entrou no quarto deles. – Quero te mostrar uns panfletos de alguns colégios que fui visitar essa semana, como tinha te avisado.
— Tudo bem. – beijou seus lábios. – Pode deitar, se quiser. Não vou demorar.
— O que você quer fazer, meu amor? – perguntou para a filha, que apontou para o quarto dela.
foi até lá com a bebê e se sentou no chão, ao seu lado. Lenna pegou duas de suas bonecas e entregou uma para a mãe, que riu, aceitando brincar com a filha.
Quando Milenna cansou, a pegou no colo e foi até o quarto, para assistirem televisão. Ela colocou em uma série que estava assistindo ultimamente e Lenna brincou com o ursinho enquanto o pai não saía do banho. Quando saiu do banheiro, estava dormindo e Lenna fazia carinho na cabeça da mãe. Ele sorriu e se juntou a elas, satisfeito por ter pra quem voltar todos os dias. Ele amava aquelas duas como nunca pensou amar alguém.

Durante todo o sábado, e Milenna dormiram. A manhã inteira e um pedaço da tarde. Ele acordou só quando o celular despertou e tomou seu banho, como havia instruído.
Ele foi até a cama do quarto de , onde ele e Lenna dormiram à tarde porque ela tinha dormido em cima de seu peito enquanto assistiam a um desenho e ele morreu de dó de tirá-la de lá.
Ela estava deitada de bruços, então ele começou a cutucar as costas dela, provocando-a. Ela resmungou, irritada, e ele riu, cutucando mais forte.
— Não.
— Sim, sim. Pode acordar, vamos tomar banho.
Ela resmungou e se sentou, estendendo os braços para o pai, que a pegou no colo. A banheira dela já estava cheia, então ele abriu a porta do box e a deixou de pé no chão, para tirar sua roupa.
Só quando ele a colocou na água que ela despertou. Ela jogou água no pai e ele riu, segurando as mãozinhas dela para lavar seu cabelo.
— Papai? – ela chamou, soltando as mãos dele. Quando ele a olhou, ela esfregou espuma na cara dele, que riu alto.
— Se comporta, bebê. – pediu, terminando de dar o seu banho. – Vem, vamos nos secar. Quer ficar dodói de novo?
Ela negou com a cabeça e se levantou, se enrolando na toalha conforme o pai ensinava. Ele a secou e a sentou na cama, onde a roupinha já estava separada.
Pincesa. – ela apontou para o vestido enquanto colocava a meia-calça, com a ajuda do pai.
— É, seu vestido é de princesa. E tem até uma tiara, meu amor! – ele sorriu, mostrando a tiara.
Lenna levaria as alianças, ela só não sabia ainda.
Quando ela estava pronta, mandou ela buscar seu ursinho enquanto ele se trocava. Ela voltou para o quarto com o ursinho na mão e o pai a colocou no colo.
— Vamos buscar a mamãe?
— Vamos. – ela sorriu.
Foi o tempo de colocar Milenna na cadeirinha do carro e a amarrar corretamente para ligar, avisando que estava pronta.
avisou que estava saindo agora de casa e foi até o salão, que não ficava mais que quatro quadras longe da casa de . Ele abaixou o vidro e a boca abaixou junto. Ela estava maravilhosa. Seu vestido era vinho, com uma fenda enorme na perna esquerda e saltos pretos. Ela sabia que ele ficava louco quando ela usava salto.
— Uau. – ele arregalou os olhos. – Você ‘tá linda, amor.
— Obrigada. – ela sorriu, dando um selinho nele ao entrar no carro. – Meu Deus, filha! Que linda!
Lenna sorriu, mandando um beijo para a mãe.
— Trouxe o presente deles? – ela perguntou, colocando o cinto de segurança.
— Sim, está na minha carteira.
pegou a almofada que estava no banco de trás e tirou as alianças da bolsa, as amarrando nas fitas da almofada.
Ela olhou pela janela quando entraram na chácara onde o casamento seria e sorriu com a decoração perfeita. É claro que estaria tudo perfeito.
estacionou perto do salão de festas e foi abrir a porta para a namorada, que sorriu com o cavalheirismo.
Ele pegou a filha e fechou o carro, segurando a mão de com a mão livre.
— Finalmente! – escutaram um grito assim que entraram no salão, onde Bennet disse que estaria. – Eu vou matar vocês! Achei que não iam chegar nunca.
— Faltam cinco minutos para o casamento começar, Bennet. Calma. – riu, abraçando o amigo. – Muito nervoso?
— Ele já está lá esperando. – avisou. – Expliquem para a Lenna como ela tem que fazer, daqui a pouco eu entro.
Eles obedeceram e explicaram para a filha exatamente como fazer. Ela ficou tão feliz de aparecer pra todo mundo que já queria ir lá entregar as alianças.
— Temos que esperar, meu bem. – sorriu.
O casamento seria ao ar livre e Nathan estava suando, apesar de não estar calor.
E, quando a música começou, todos se levantaram para ver Bennet. Nathan quase desmaiou de ansiedade. Ele entrou ao som do instrumental de Photograph, do Ed Sheeran, e sentiu o nariz arder quando começou a lacrimejar.
O juiz anunciou a entrada das alianças e levou a filha até o início do tapete. Lenna, graciosamente, levou a almofada para os tios, que sorriam. esperou sua mulher voltar até o lugar ao seu lado, no altar dos padrinhos, e abraçou seus ombros, beijando o topo de sua cabeça. Ele riu ao perceber que ela chorava, achando graça.
— É a poeira. – ela falou, secando os olhos.
— Agora... – o juiz anunciou. – Nathan começará com os votos.
se sentou, assim como todos, e acenou para a filha vir ao seu colo. Ela obedeceu prontamente, escutando em silêncio o tio falando. Benny, no entanto, superou as expectativas e provavelmente não deixou um único olho seco, entre todos os convidados.
soluçou e escondeu o rosto no peito do namorado, para chorar em paz, mas ele cutucou sua cintura com um sorriso na boca e esperou ela olhar para ele.
— Casa comigo. – ele ainda sorria.
— O quê?
— Você ouviu direitinho, amor.
Ela sorriu e beijou a ponta do nariz dele, o olhando nos olhos.
— O que houve com a parte que combinamos de ir devagar?
— Você é que quer ir devagar. Por mim, teríamos nos casado na faculdade ainda.
Ela riu, porque sabia que era verdade.
— Se muda pra minha casa. – ela sorri. – Pra gente ver como fica. Você passa mais tempo lá, mesmo. Se em um ano der certo, você pode pedir de novo.
— Seis meses. – ele negociou.
— Como quiser. – ela riu, o beijando no mesmo momento que o juiz permitiu que os noivos se beijassem.
olhou para o altar, onde Bennet tinha agarrado Nathan, e depois o soltou, dizendo:
— Agora é festa!
Ela riu, como todos os convidados, e esperou, aos poucos, que a área externa fosse se esvaziando, para só então entrar com sua família.
Bennet acenou para eles, mostrando uma mesa ao lado da dos noivos. Nathan passou o braço pelo ombro do, agora, marido, e sorriu para o casal que se aproximava.
— Parabéns, meninos! – ela sorriu, abraçando os dois.
— Obrigado. – sorriram juntos, numa sincronia perfeita que admirou.
— Vi seus pais, Nate. Os seus vieram também, Benny? – perguntou, curioso.
— Não, eles... Eles não puderam. – ele sorriu, mas viu seus olhos mortos. – Eu não vou pensar nisso agora. É nosso dia, não é? – olhou para Nathan, que lhe deu um selinho.
achava tão triste que os pais de Bennet não aceitassem a sexualidade do filho. Em compensação, os de Nate praticamente adotaram Bennet. Eles souberam desde que ele era criança, antes mesmo de ele descobrir. E quando ele e Benny começaram o namoro, não podiam desejar nada a mais que a felicidade do filho. Então, o acolheram de braços abertos.
— É. – sorri. – E isso me lembra de uma coisa! Não tem como esse ano melhorar! Nós conseguimos, . Nós vamos adotar o Clint.
sorriu, abraçando, mais uma vez, os dois.
Há um mês e meio, Bennet socorreu uma garota grávida que ligou para a polícia quando seu bebê nasceu. Ela só tinha quinze anos, não sabia o que fazer. Bennet era o único que estava na delegacia às duas da manhã, pois era o seu dia de plantão, então foi até a casa da garota, já comunicando uma ambulância.
A menina chorava tanto, ela não queria o bebê. E é claro que Bennet não a culpou. Ela não tinha condições nem responsabilidade para criar um filho. Ele a ajudou a todo momento, desde o hospital até quando precisaram comunicar o conselho tutelar. Ele contou toda a situação para Nathan e os dois chegaram, juntos, à conclusão de que essa era a chance que esperavam há meses. Um bebê só deles.
Conversaram com Lori, que aceitou prontamente dar a guarda para os dois. Ela amava aquele bebê, ainda que não o quisesse para si, e saber que alguém estava pronto para cuidar dele acalmava seu coração. Assim ela podia seguir em frente, sem se preocupar com outra pessoa. Ela podia voltar a cuidar de si mesma como antes.
— A guarda provisória começa em duas semanas, logo quando voltarmos da lua de mel.
— Uau, isso é incrível. – sorriu. – Viu, bebê. Você vai ter um priminho. – falou para a filha, que encarava umas crianças que corriam pelo salão.
— Vocês já contavam com isso, não contavam? – riu, sabendo da afobação dos amigos.
— Claro que sim. O quarto dele já está pronto, e fomos todos os dias visitá-lo no hospital.
— Ele está melhor? – franziu o cenho.
Clinton nasceu prematuro e sem preparação médica nenhuma. Ele não tinha os pulmões formados quando nasceu e precisou ficar na incubadora, onde ficaria até melhorar. O que, provavelmente, aconteceria em menos de uma semana.
— Enquanto ele não sai do hospital, vocês podem visitá-lo? Só para nos avisar de como ele está. – Nathan pediu. – Nós íamos desistir da lua-de-mel, mas o médico dele garantiu que ele está bem e, de qualquer forma, só podemos levá-lo para casa em duas semanas. Ele ficará no orfanato enquanto isso, por ordens judiciais.
— Claro que sim, Nate! Nós vamos vê-lo uma vez por dia. – prometeu .
— Obrigado. – Bennet beijou a testa da amiga. – Agora, temos que ir. Os pais de Nathan querem tirar foto. – ele riu, indicando o casal que os olhava com expectativa.
— Claro, nós vamos nos sentar. – indicou a mesa.
— Brincar. – Lenna sacudiu as pernas, se soltando do pai e indo para o chão.
— Quando a mamãe chamar é pra vir pra cá, ‘tá? – segurou o rosto da filha. – E nada de ir pra fora!
— Sim, mamãe. – ela beijou o rosto da mulher, correndo para junto das crianças.
Ela ainda não sabia andar perfeitamente bem, então sentiu um frio na barriga com medo de que ela caísse.
— Ela vai ficar bem, meu amor. – sorriu. – Olha! Tem doce.
Ela virou os olhos, rindo fraco. Se tinha alguém que gostava de doce, esse alguém era .
— Hum. – ele gemeu. – Come esse. – estendeu uma bolinha marrom para ela, que comeu, adorando o doce.
— Que delícia! Do que será que é?
— Não sei. Só sei que é bom. – respondeu, enfiando mais dois de uma só vez na boca.
— Olha ali, meu bem. Eles vão dançar. – indicou a pista com o queixo, e o homem se virou, como todo mundo, para assistir a dança.
Eles dançavam tão imersos na bolha deles que todo mundo tinha um sorriso no rosto. Bennet, claro, fez uma reverência ao terminar, o que causou risos.
— Dança comigo, amor? – chamou, assim que uma música lenta começou a tocar.
— Pedindo com essa carinha, não tem como dizer não. – ele sorriu, dando um selinho nela.
pegou sua mão e a levou até a pista, onde, agora, vários casais dançavam.
Ela abraçou os ombros dele e sentiu seus braços enroscarem sua cintura.
— Olha. – sussurrou, mostrando Lenna na outra extremidade do salão, dançando com Nathan.
— Eles ainda vão roubar ela da gente. – riu.
— Agora que eu tenho vocês duas, ninguém vai roubar nenhuma de vocês de mim. – prometeu.
— É bom mesmo! – brincou, cerrando os olhos.
— Então, eu estava pensando... – desceu as mãos para o quadril da mulher e ela riu baixinho. – Alguma chance de eu conseguir entrar na sua calcinha hoje?
— Nós transamos hoje de manhã! – fingiu-se indignada. – Insaciável.
— Sexo matinal é uma mania sua. – ele mordeu o pescoço dela, murmurando.
— É o horário mais seguro, porque a Lenna acorda tarde.
— Você sempre gostou, mesmo antes dela.
— Tudo bem, você me pegou. – ela riu. – Agora, respondendo sua pergunta... É claro que você vai entrar na minha calcinha hoje. Você sempre entra.
Ele riu, porque era verdade.
— Hey. – Elliot sorriu para o casal, se aproximando. – Posso dançar com a ? A Hanna não consegue andar porque seus pés estão inchados demais. – lamentou.
— Claro. – entregou a namorada ao amigo. – Vai cuidar dela?
— Como se fosse minha. – brincou, arrancando um riso do amigo.
— Não brinca com isso. – ameaçou. – Vou buscar minha filha.
sorriu ao escutar o namorado dizer aquilo, aceitando a mão do amigo.
Ela abraçou seu pescoço e deixou que a música a levasse, como sempre fazia.
— Hanna está sofrendo muito com a gravidez?
— Sim, mas acho que faz parte. Ela está se irritando com tudo. Não cabe mais nas roupas de grávida que comprou recentemente e acha que vai explodir. Acho que só vamos ter esse bebê.
— Estou tão contente por estar formando uma família. Achei que depois da faculdade você fosse ficar solteiro para sempre. – riu.
— Não. – beijou a testa dela. – Nós dois encontramos nosso final feliz, não foi?
— Você não faz ideia. – ela sorri, olhando para que dançava com Lenna agarrada no seu pescoço.
— Ele faz você feliz?
— Do jeitinho que a Hanna faz você. – sorri.
— Que bom que você encontrou alguém pra amar. Você teve cada namorado...
— Ah, é verdade. – riu. – Hanna está acenando alguma coisa.
— Ela já quer ir. – fez um muxoxo. – Está muito cansada.
A música acabou e ela disse que vai voltar para a família dela. Lenna riu quando viu a mãe por perto e a chamou com a mãozinha.
Ela dançou com eles até comunicarem que o jantar estava servido. dividiu seu jantar com Milenna e se divertiu ao ver os dois disputando pelo macarrão.
Infelizmente, ela percebeu que a filha estava cansada demais e pediu para se eles podiam ir para casa. Eles se despediram de todos e, de repente, Lenna estava dormindo no ombro do pai.
— Leva ela, amor. – pediu. – Eu vou me despedir dos meninos. Onde está o presente?
— No meu bolso. – explicou, esperando que ela o pegasse.
— Eu vou em um minuto. – deu um selinho no namorado e foi até os amigos, que estavam observando a festa.
— Não me diga que estão indo. – Bennet reinou, fazendo a amiga sorrir.
— Não temos escolha. A princesa está morta de cansaço e nós queremos aproveitar a noite. – sorriu, arrancando um riso dos amigos. – Nós compramos uma estadia de uma semana em um chalé maravilhoso aqui perto. Vale por um ano, é só ligar e agendar. – mostrou o papel aos amigos. – É nosso presente.
— Obrigado, ! – Nate sorriu, feliz. – Nós vamos aproveitar, com certeza.
— Assim que voltarmos da lua-de-mel, cuidaremos da sapequinha pra vocês. – Bennet avisa. – Finalmente se acertaram. Agora vocês precisam transar bastante.
— Não é necessário. Se precisarmos, vamos deixar com Elliot e Hanna. Vocês precisam aproveitar a vida de casados e o novo filhinho. E nós transamos igual, Lenna tem o sono pesado.
— A oferta sempre vai estar em pé. – Bennet prometeu, rindo.
— Nós sabemos disso. – sorriu. – Tenho que ir.
Antes que saísse do salão, foi abordada por Mackenzie.
— Onde ‘tá a Lenna? – perguntou, curiosa.
— Ela está com o pai. Ela não aguentava parar em pé de sono, temos que ir.
— Que pena. Queria dançar mais com ela. – riu. – Ainda vou pegar essa menina pra mim, .
— Nem brinque. – riu, se despedindo.
Quando chegou ao carro, estava encarando Lenna, completamente sério. Ela riu e entrou no carro, o despertando totalmente de seus pensamentos.
— Que foi amor? Ela dorme bonitinho, né? – sorriu, se inclinando para ver a filha no banco de trás.
— O meu pai, ele... Ele foi solto, . – sussurrou.
Quando ela se virou, de olhos arregalados, para ver como ele estava, viu seus olhos repletos de lágrimas.
— Eu achei que ele ia cumprir mais dois anos. – franziu o cenho.
— Saiu por bom comportamento. Condicional. – ele negou com a cabeça, secando os olhos. – Não acredito nisso.
Ela não falou nada. Deixou que ele os levasse para casa em silêncio. Conhecia muito bem o namorado. Quando algo desse porte acontecia com ele, o melhor era esperar que ele viesse conversar com ela, e não o contrário. Pressionar nunca era bom, ainda mais se tratando de .
Ele não disse uma só palavra quando estacionou na garagem de , nem quando tirou Lenna do banquinho e a levou para dentro. foi alguns passos atrás, esperando que ele explodisse. O que não aconteceu.
— Eu não vou atacar você. – ele avisou enquanto fechava a porta do quarto de Milenna.
— Eu sei que não vai. Mas nunca foi bom pressionar você. Nossas brigas sempre são por motivos idiotas como esse, eu prefiro não arriscar. – ela sorriu, segurando a mão dele e entrelaçando seus dedos. – Preste atenção no que vamos fazer: Eu vou preparar a banheira, vamos tomar um banho juntos e, quando você quiser, quando se sentir confortável, vai me contar. Enquanto isso, pode pensar no que aconteceu. – beijou seu rosto. – Vou te chamar quando estiver pronta.

tirou toda a roupa até ficar apenas com a lingerie, que tinha preparado para o fim da noite, mas certamente não a aproveitaria mais porque não estava em condições.
— Amor?
— Estou indo. – ele gritou do quarto e ela tirou o resto da roupa que restava, entrando, em seguida, na banheira.
Ela fechou os olhos para relaxar e só os abriu ao sentir entrando na banheira.
— Como estamos? – ela pediu, se engatinhando até ficar pertinho dele.
— Bem. Vou te contar tudo depois, mas podemos esquecer isso por enquanto? – ele implorou e ela não soube como negar.
— Claro que sim. – se sentou em seu colo e começou a massagear o ombro dele com a espuma do sabonete.
Ele a puxou para mais perto e ela sorriu quando se encaixaram. Tudo bem que não era a forma mais saudável de esquecer um assunto, mas a deixava maluca e sexo era a melhor distração que ela podia lhe proporcionar.
Eles transaram sem precisar falar uma só palavra um ao outro. sabia que ele estava mal, e ia resolver isso assim que acabassem o que estavam fazendo.
colocou a cabeça no ombro dela e deixou que se movimentasse. Ela não tinha parado com a massagem nos ombros, então ele não aguentou muito tempo, mas foi o suficiente para que ela alcançasse seu prazer.
Eles não precisaram falar nada. Ela olhou nos olhos dele e sorriu, assentindo, então saíram do banho.
Ela se secou e vestiu a camisola, se colocando debaixo das cobertas. Sentiu quando ele se deitou do outro lado da cama e abriu os olhos, se virando para encará-lo.
— Ele me ligou. – confessou. – Eu tinha acabado de prender a bebê na cadeirinha e então eu recebi uma ligação de um número desconhecido. Você me conhece, sabe que eu sempre atendo. – suspirou.
— O que ele falou?
— Que precisa conversar comigo. Eu não sei, eu só desliguei. Eu não quero nada que venha dele.
— Sei disso. Vendeu tudo quando ele foi pra cadeia, até mesmo as coisas da sua mãe.
— Vendi as coisas dela porque eu não conseguia parar de sofrer. – ele murmurou. – Não é justo, . Eu estou feliz. Eu tenho uma mulher e uma filha. Vocês duas são minha vida agora. Você sempre foi, mas eu me apaixonei por Lenna. Ela é minha filha, mesmo que não tenha sido desde sempre. – ela viu os olhos dele marejarem de novo. – Eu não posso deixar ele se aproximar agora. Não posso confiar vocês a ele.
— O que ele fez... Ele era doente, , mas nada justifica aquilo.
— Eu sei que não, por isso não posso vê-lo. Sem contar que eu o mataria, sem dúvidas.
— Não pense assim. Acima de tudo, ele é seu pai. E você é um policial, não pode matar ninguém por vingança. – ela o abraçou, apoiando a testa na dele.
— Por isso que vou ficar longe dele, e você também. Você sabe como ele é, mostrei as fotos. Se um dia sequer ver alguém parecido com ele, e eu não estiver por perto, vá embora. Me prometa, .
— Claro que eu vou embora, meu amor. – beijou a boca dele. – Eu te amo. Vou estar aqui sempre.
— Eu sei. – a envolveu em um abraço apertado. – Eu também amo você.
Ela ia voltar a falar sobre o pai dele quando o celular de tocou alto, interrompendo o momento dos dois.
— Eu pego. – ela murmurou, se levantando.
O celular dele estava em cima da penteadeira, e ela nem viu o número. Só atendeu.
Tinha que ser importante para ligar uma hora dessas.
?
— Não, é a . Quem é?
Ah, . É o Robert. Eu posso falar com ?
— O que houve? – agora ela estava preocupada.
Invadiram a casa dele. Um vizinho acionou a polícia quando ouviu o barulho.
Ela arregalou os olhos e desligou, se sentando na cama mais uma vez.
, invadiram a sua casa.
Ele se levantou, assustado.
— Vou me trocar. – ela avisou. – Você não vai sozinho.
Ele começou a se trocar no mesmo momento que ela, e ela mandou ele pegar Lenna e sua coberta. pegou seu celular e Elliot atendeu na terceira chamada.
Tudo bem, ?
— Você pode ficar com a Lenna essa noite? Ela já está dormindo.
O que houve?
— Invadiram a casa de , temos que ir ver o que aconteceu.
Meu Deus, claro. Tragam ela aqui, Hanna cuida dela amanhã o dia inteiro se preciso for.
— Obrigada. – ela desligou o telefone e foi até o quarto da filha, onde embalava a menina, mesmo que ela estivesse dormindo pesado. – Vamos? – chamou, pegando a bolsa da bebê.
— Sim. – ele murmurou. – Eu só... E se for ele?
— Não deve ser, meu amor.
— Ainda assim, onde vamos deixá-la?
— No Elliot. Eles foram embora logo depois que dançamos, nem jantaram lá. Hanna está cansada demais, mas eles vão cuidar dela pra gente. – explicou.
Ele assentiu e foram até o carro. Por sorte, Lenna não acordou até a entregarem para Elliot, que estava esperando.
— Sinto muito por aparecer uma hora dessas. – se desculpou.
— Eu estava só cochilando, não é problema nenhum.
franziu o cenho.
— Cochilando de tênis? – apontou para os tênis de corrida que ele estava usando.
— Eu não sabia se iam querer que eu fosse junto ver sua casa. Não é nada grave? Se for, eu acordo Hanna.
— Não é preciso. – sorriu e entregou a bolsa de Lenna ao amigo, que já segurava a filha deles no colo.
— Tudo bem, então. Amanhã, pela manhã, eu vou para a delegacia, mas Hanna cuida da pequena se vocês precisarem.
— Acho que vamos precisar. Se invadiram minha casa, mesmo com todos os aparelhos de segurança que tenho, lá não é seguro. Vamos empacotar minhas coisas e levar para a casa de . – explicou.
— Você vai morar lá? – Elliot perguntou, curioso.
— Sim, nós decidimos isso no casamento. De qualquer forma, íamos fazer isso logo. – riu.
— Bom, Hanna está de licença já, então sem problemas. – sorriu.
acenou e levou o namorado até o carro, ela dirigindo dessa vez.

A casa de estava repleta de policiais e os dois correram para dentro. Robert os esperava, não tinha tocado em nada.
— Parece que não levaram nada. – olhou em volta.
— Não levaram. É pessoal. – Bob avisou. Alguns policiais estavam andando pela casa, mas nada de valor parecia ter sumido.
— Vou checar o cofre. – avisou, correndo até o quarto. olhou para a sala. A televisão, o vídeo game, os jogos. Tudo estava ali, em perfeita ordem.
— Robert, como você sabe que é pessoal? – perguntou, curiosa.
! – escutou a voz de e franziu o cenho.
— Por isso. – apontou para o quarto e a mulher correu até lá, só para se espantar completamente ao chegar no antigo quarto do namorado.
Todas as fotos que tinha de , e que deixava guardado em três grandes caixas, estavam jogadas pelo chão. Muitas e muitas delas estavam rasgadas em pedacinhos. as deixava em caixas porque sempre brigava com e tinha cansado de tirar dos porta-retratos para colocar novamente logo em seguida, então as guardou todas dentro do closet, onde ficaria bem perto para que pudesse ver quando quisesse.
— Por que fariam isso?
— Não sei. Mas nós temos uma grande suspeita de quem tenha o feito. – Bob decidiu, dando de ombros.
— Quem?
— O colecionador, oras! Ele fez seu plano de assassinatos em volta da casa de , isso é só uma confirmação de que ele sabe onde mora. O porquê de querer rasgar as fotos de , nós não sabemos. Mas vamos descobrir.
— Faz sentido, . – assentiu. – Vamos mandar esses caras embora e dormir. Amanhã é um longo dia e temos que empacotar tudo isso. Depois levamos tudo pra casa e vamos até a delegacia para ver se vocês descobriram mais alguma coisa. Pode ser? – ela olhou para Robert, que sorria.
— Senti sua falta, garota.
Ela riu e foi até a sala para espantar aqueles policiais novinhos que mal sabiam o que faziam.
— Ela ainda manda em tudo, não manda? – Bob sorriu para , que assentiu, a olhando pelo corredor.
— Sempre mandou.

e não conseguiram dormir muito porque o namorado estava muito apreensivo por ter sua casa vulnerável agora. Antes dos policiais irem embora por definitivo, descobriram que todos os equipamentos de segurança que tinha foram desinstalados, e as câmeras não captaram nada durante as 24h passadas. Quem invadiu sabia bem demais o que estava fazendo. Fora que não estava gostando nadinha da ideia de deixar a bebê dormindo em outra casa. Se ela acordasse, teria medo e ele sabia disso.
— Ela está bem, amor! – rolou os olhos, no fim da tarde, porque ele andava de um lado para o outro, sem nunca largar o celular, que era por onde falava com Hanna, que estava cuidando da menininha deles. – A Han até mandou foto dela comendo uma manga. Olha. – mostrou o próprio celular, o que fez sorrir porque ela estava melecada até os pés.
— Só falta colocar as coisas da cozinha nas caixas. Posso buscá-la? Nós jantamos e eu coloco as caixas que vamos levar hoje na camionete. Amanhã eu volto pra buscar o resto.
— O que vamos fazer com a geladeira e essas coisas que já temos lá em casa? – ela perguntou, forrando uma caixa com o plástico bolha que tinha comprado mais cedo para não quebrar nada.
— Depois a gente vê isso. Eu só quero me mudar logo pra lá, aqui não é nada seguro.
— Esse é um dos bairros mais seguros que existe na cidade, .
— E o colecionador entrou aqui. O que me garante que ele não vai entrar aqui de novo?
— Não fica pensando nisso. É quase noite, busca nossa filha enquanto eu vou juntando as caixas perto da porta. Passa na nossa casa e pega minha camionete. Acho que só vai ser preciso duas viagens para levar tudo.
— Ok. – a beijou. – Vou buscar nossa janta.
— Quero comida japonesa! – ela gritou antes que ele saísse completamente.
Tudo estava embalado. Só faltavam as louças e ela deixou um par de garfos e facas para fora da caixa, assim como dois pratos. Lenna sempre comia com , então não tinha problema.
Quando escutou o carro na garagem, já tinha amontoado todas as caixas que faltavam perto da porta. Ela escutou conversando com a menina deles e sorriu, grudando com durex as abas de duas caixas abertas. Ela correu até os dois no momento que entraram na casa e roubou sua filha do colo do pai, que suspirou, indignado.
— Ei!
— Eu estava morrendo de saudades. – murmurou, enchendo o rosto da filha de beijos.
Milenna gargalhou, abraçando o pescoço da mãe e sorriu.
— Trouxe sua comida japonesa. – mostrou as duas sacolas que tinha nas mãos e ela sorriu, ainda agarrada na filha. – Vou servir nossos pratos.
— Eles estão em cima da mesa. – avisou. – Sentiu saudades da mamãe?
— Sim. – Lenna sorriu e apertou suas bochechas, indo também para a cozinha.
— Ela gosta? – perguntou, apontando para o sashimi.
— Adora. Come desde sempre. – sorriu, sentando a filha no seu colo.
Lenna enfiou a mão no prato da mãe e pegou um peixe cru, o enfiando na boca.
não aguentou e tirou o celular do bolso, precisando registrar aquela fofura toda. reclamou ao perceber que ele tirava, também, fotos dela, mas depois deixou de lado, se preocupando em alimentar sua filha.
perguntou para a filha se tinha sido legal ficar com seus padrinhos, mas ela nem deu bola. Continuou enfiando a mão dentro do prato e comendo, resmungando quando a mãe tentava pegar alguns sushis pra ela.
— Esse prato é meu também, sua safada.
— Aqui. – aproximou um sushi da boca da namorada, que sorriu e comeu.
— Eles falaram alguma coisa? Sobre a Lenna ter ficado lá? Ela é tão nova, tenho medo que ela incomode.
— Ela é um anjo, claro que não incomoda. – ele resmungou.
— Aham, falou o cara que a chamou de diabinha quando a viu pela primeira vez.
— Mas ela é uma diabinha. Olha isso! – apontou para ela, que tinha peixe até na testa e gargalhou, pegando seu paninho e limpando a filha.
, lave a louça. Vou trocá-la.
— Por que eu lavo a louça? – ele resmungou e ela beliscou seu braço.
— Você tá muito resmungão. Para de chorar e lave os pratos. E depois vai colocando as caixas na camionete.
Ele rolou os olhos, mas assentiu. beijou sua bochecha e ele não pôde evitar sorrir, porque a amava muito.
— Vou terminar de arrumar suas roupas. – ela avisou, saindo dali com a bebê nos braços e sua bolsa no ombro.
colocou Lenna na cama de e começou a trocá-la.
Quando voltou, as duas estavam dormindo.

— Lenna, volta aqui! – a mãe reclamou, deligando o fogo e correndo atrás da filha. – Bebê, para de andar pela casa. E se você cair?
— Para de ser tão chata. Ela precisa aprender a ficar solta. Se depender de você, ela não vai saber fazer nada. – sorriu, segurando na cintura dela.
Ele ainda estava de uniforme e ela sorriu ao ver o quepe na sua cabeça.
— Alguma chance de você continuar usando essa roupa quando a Lenna dormir?
— Toda chance. – ele prometeu. – Você tá cozinhando?
— Sim. Mas acabou o queijo e eu preciso para colocar em cima do arroz. Você pode buscar? – fez bico. – Só falta isso, . Por favor.
— Vou. – ele riu, beijando sua testa. – Quer mais alguma coisa?
— Você pode comprar um vinho, para nossa primeira noite morando juntos de verdade. Nem acredito que passei a tarde guardando suas coisas sozinha!
— Você que mandou!
— Você só atrapalha! – ela acusou, rindo. – Vai logo buscar meu queijo.
Ele a beijou e beijou também a menininha deles, antes de sair. Ela correu para o quarto, para tomar o seu banho e se aprontar para a noite com . Ela tinha comprado um conjunto de lingerie novo e sabia que ele ia adorar. Antes de sair da sala, percebeu que o maço de chaves de estava em cima da mesa e rolou os olhos, indo até a porta e se certificando que ela estava aberta. Ele odiava quando ela deixava a porta destrancada, mas a mercearia era logo ali do lado e ele podia voltar no meio do seu banho.
— Mamãe vai deixar o desenho ligado, tá? Vou tomar banho. – beijou a cabeça da filha e a colocou dentro do chiqueirinho que tinha no quarto. Quando não tinha aquilo, a deixava em cima da cama e a menina saía em um minuto, fuçando todos os cantos da casa.
Ela deixou o volume baixo o suficiente para ouvir a vozinha da filha, que amava conversar com a TV.
Ligou o chuveiro na água fria, porque estava muito calor e sua pele estava queimando.
Escutou Lenna cantando a música de abertura do desenho e sorriu, prendendo o cabelo. Entrou no box e fechou as portas de vidro. Ela só percebeu que estava há tempo demais no banho quando seus dedos estavam enrugados.
Escutou a gargalhada da filha enquanto desligava o chuveiro e sorriu, se secando com a toalha que estava estendida. Ela se virou para o espelho e pegou seus lenços umedecidos, limpando o restinho de rímel que estava.
Lavou o rosto de novo, dessa vez na torneira, e quando levantou a cabeça para o espelho, viu um vulto preto passar por trás dela, no quarto.
Se virou, assustada, e apertou a toalha no corpo, dando um passo trêmulo para dentro do quarto. Reprimiu um grito de pavor ao ver um homem vestido completamente de preto e com uma máscara preta cobrindo o rosto também. Em seus braços, Lenna brincava com a gola da sua jaqueta e pôde ouvir um riso do indivíduo.
Ela viu que ele tinha um taco de beisebol na mão, e foi a única coisa que pôde perceber. Antes de tentar pegar sua menina, ele lhe acertou a cabeça e ela apagou.

Capítulo 07


— Amor, cheguei com seu queijo! – ele falou, entrando na casa. – Quantas vezes vou ter que falar para não deixar a porta aberta? Eu tocava a campainha. – riu, deixando o queijo na cozinha.
Ele franziu o cenho ao notar o silêncio da casa e a chamou mais uma vez, sem resposta de novo. Ele tirou sua arma da cintura e a colocou na frente do corpo, com os braços estendidos, e caminhou silenciosamente até o corredor que levava aos quartos. Entrou no quarto da filha e não a viu ali, então saiu para o corredor novamente. Espiou dentro de seu quarto e largou a arma no chão ao ver ali, estirada no chão. Olhou em volta e viu que Milenna não estava ali também, e sempre a colocava no cercadinho. Virou-se para a mulher e a observou. Ela tinha um corte na cabeça, pelo que ele pôde perceber, porque tinha uma poça pequenina de sangue em volta dela.
, acorda! – ele gritou, dando tapinhas leves em sua bochecha. Ela estava respirando, ele conseguia ouvir.
Pegou o celular no bolso e ligou para Bennet, orando para que ele não tivesse ido viajar na sua lua de mel ainda.
Eu espero que seja muito importante o que tenha para me dizer, porque eu embarco em cinco minu...
— A tá desacordada, Benny. E a Milenna não está aqui.
O quê? Quando isso aconteceu?
soluçou, apertando mais o corpo de .
— Não sei. Eu saí de casa por vinte minutos, Bennet. Eu não sei o que fazer, ela ‘tá sangrando.
Eu e Nathan vamos do aeroporto direto para o hospital perto da casa de vocês. Coloca a no carro e a leva pra lá.
agradeceu e guardou o celular no bolso de novo. Pegou a mulher no colo e foi até seu carro, a colocando no banco de trás. resmungou, mas não acordou.
Ele sabia que não podia usufruir disso por problemas pessoais, mas ainda assim ligou a sirene e dirigiu o mais rápido possível até o hospital, que não ficava mais longe do que sete quadras.
Encontrou paramédicos na entrada do hospital e gritou com eles para que o ajudassem.
— O que houve com ela? – a paramédica perguntou, conferindo sua frequência cardíaca.
— Não sei. Alguém entrou na nossa casa. – chorou. – Eles levaram nossa filha.
O outro paramédico colocou na maca e a mulher olhou para .
— O senhor não pode entrar. Vou levar você até a sala de espera, e nós vamos chamar a polícia.
— Eu sou a polícia.
— Hoje você é só um pai e um marido. Então vamos, vou ligar para a central e eles vão recolher seu depoimento. – ela o tocou, mas ele puxou seu braço.
— Eu vou para a delegacia. – ele negou com a cabeça. – Eu agradeço sua ajuda, mas eu tenho que resolver isso sozinho. – limpou as bochechas. – Eu só preciso saber se ela vai ficar bem.
— Provavelmente foi uma concussão, vamos deixa-la de repouso até amanhã, mas se você quiser podemos fazer outros exames para ver se nada foi afetado.
— Seria bom. – assentiu. – Eu preciso ligar para nossos amigos, você pode me dizer onde fica a sala de espera?
— Logo ali, virando à esquerda. – apontou para o corredor e ele assentiu, caminhando até lá. Poucas pessoas estavam ali, então ele se sentou e ligou para o melhor amigo de , Elliot.
Alô?
— Elliot?
Sim. O que houve, ? Você ‘tá chorando?
— Você e a Hanna podem vir para o hospital? Alguém sequestrou a Lenna e a está desacordada...
O quê? – gritou. – Merda, estou indo aí.
desligou e suspirou de alívio quando viu Bennet e Nathan entrando na sala de espera.
, o que aconteceu? Onde ela ‘tá? – Bennet foi até o amigo e o abraçou.
— Acabaram de leva-la pra dentro. Vão fazer alguns exames, mas não tem como saber o que aconteceu sem que ela acorde e nos diga. Só o que eu sei é que alguém sequestrou a Milenna. – ele murmurou, voltando a lacrimejar.
— Por que fariam isso? Você já foi para a delegacia? – Nate perguntou, preocupado.
— Não. Não sei se tô em condições de dirigir até lá.
— Vou ligar para o Robert. Eu e você vamos para a sua casa e vamos procurar qualquer coisinha que o sequestrador pode ter deixado pra trás. – Bennet falou. – Amor, você fica aqui para nos dar notícias sobre a , tudo bem?
Nate assentiu e beijou a testa do marido, que foi embora junto com .

Bennet não falou nada o caminho todo, porque sabia que tinha um temperamento forte e estava machucado. perdeu tudo a vida toda, perder e Milenna custaria tudo o que ele era.
— Pronto? – Benny perguntou, baixinho, ao estacionar na frente da casa de e .
— Sim. – murmurou, saindo do carro.
Os dois foram imediatamente até o quarto do casal e começou a revirar os lençóis da cama, procurando qualquer detalhe.
Bennet pegou um ursinho que estava no chão e o colocou dentro do cercadinho, mas travou completamente quando olhou dentro dele.
...
— O quê? – o homem se virou.
— Vem aqui. – Bennet chamou, se afastando para que o amigo pudesse ver o conteúdo dentro do cercado.
arregalou os olhos.
Entre os vários brinquedos de Milenna, uma boneca que nunca foi da menina estava no meio. Ela tinha cabelos negros e cacheados, até os ombros, e usava um vestido de princesa. Assim como Lenna sempre usava.
— É do colecionador, . – Bennet murmurou. – Ele pegou a filha de vocês.
pegou a boneca na mão e a jogou na parede, irado.
!
— Eu não fiz nada. Eu nunca fiz nada de ruim para ninguém, Bennet. Tudo o que eu sempre quis foi . E agora, eu a tenho e tenho uma filha também. Elas duas são meu mundo inteiro, não consigo imaginar uma única razão para alguém ter feito o que fez.
Benny suspirou e assentiu.
Foi até o que sobrou da boneca e catou, pedacinho por pedacinho. E então percebeu que uma coisa que estava dentro da cabeça da boneca. Um papel preto pequeno, dobradinho.
— Que porra é essa? – perguntou ao ver Benny desdobrando o papelzinho.
— Um bilhete. – Bennet suspirou. – Está escrito ”.
— O quê? – murmurou, se aproximando do amigo.
Mal pôde tocar no bilhete, seu telefone tocou. Era Elliot.
— O quê? Ela tá bem? – foi logo perguntando.
Ninguém nos diz nada. Só dizem que ela quer você. Não quer ver ninguém. Só você.
— Estou indo. – escutou mais algumas palavras do amigo e desligou.
Bennet disse que levaria o que restou da boneca e o bilhete para a delegacia, e no caminho levaria até lá.
Elliot e Hanna estavam na sala de espera. A mulher acariciava a barriga e parecia preocupada. Ela não conhecia desde sempre, como o marido, mas amava a amiga com todo o seu coração. Ela era a única amiga que Hanna tinha.
— Como ela está? Alguém falou alguma coisa?
— Não. – Elliot se levantou. – Mas uma enfermeira saiu de lá chorando. Parece que a está brigando com todo mundo, ela só quer ver você.
— Tudo bem. Obrigado por virem aqui, mas agora eu preciso levar ela para a perícia. Eu sei que você é advogado, Lelliot, mas você pode ir lá? Ela vai precisar do máximo de amigos possíveis trabalhando no caso, porque eu a conheço e não confia em ninguém que não conheça.
— Claro. Vou deixar a Hanna em casa e vou direto pra lá.
— Mas eu quero ir junto! – a loira protestou.
— Você sabe que não pode ficar andando de um lado pro outro, amor. – Elliot reclamou. – E ir lá só vai te estressar.
— Ele ‘tá certo, Han. – suspirou. – Vou ver como a está.

gritou com a terceira enfermeira que tentou entrar em seu quarto, e estava prontinha para gritar com a quarta quando percebeu que era . Um médico vinha vindo com ele, mas ela não se importou dessa vez.
Ela soluçou e o homem se aproximou dela, sentando ao seu lado.
— Calma, baby. Vai ficar tudo bem. – ele murmurou.
Ela assentiu e secou as bochechas. Não aguentava mais chorar. Chorou por horas e gritou tudo o que tinha para gritar, então decidiu que precisava ser um pouquinho forte, nem que fosse para .
O médico suspirou, olhando para a prancheta.
— Ela ‘tá bem, né, doutor? – perguntou, se levantando.
— Perfeita. Foi uma concussão leve, ela só cortou a cabeça... Nada com o que se preocupar. Eu recomendo que ela fique em observação até amanhã, mas nenhuma das minhas enfermeiras estão dispostas a entrar aqui e...
— Ela não vai ficar aqui. Pode dar a alta que vamos embora. – ele murmurou.
olhou enquanto o médico lhe dava os papéis com a alta e os remédios que ela precisava tomar para impedir uma infecção e alguns para a dor. Falou que precisava a ver de novo em três dias, mas ignorou e pediu que o médico saísse para que se trocasse.
— O que vamos fazer, ? – ela perguntou baixinho, saindo da cama e tirando a camisola do hospital.
— Agora, vamos para a perícia. Eu e Bennet encontramos um bilhete com meu nome na boneca que o colecionador deixou na nossa casa. Foi ele, . E nós vamos descobrir o motivo.
— O-o quê?
— Você não precisa entender agora, meu amor. Só vamos lá, e depois vamos para casa. – ele a abraçou e beijou o topo da sua cabeça. – Vamos resolver isso.
— Eu sei. – ela murmurou. – Mas eu tenho tanto medo, ... – ela soluçou e ele a apertou no abraço, tentando confortá-la de alguma forma. O problema é que era quase impossível confortar alguém quando você também precisa de conforto.
a esperou se trocar e a levou para o carro. Foi direto para a delegacia e, chegando lá, não cumprimentou ninguém. Só pegou pela mão e a levou até o elevador que os deixou no andar da perícia.
Robert estava os aguardando, com Bennet logo ao seu lado. Os dois estavam discutindo alguma coisa quando o mais velho viu e .
— Como você está, ?
— Eu não vim aqui para falar sobre como estou. Vim aqui para ver se descobriram alguma coisa.
Robert suspirou com a frieza do amigo, mas entendia completamente. Se um dos seus filhos fossem sequestrados... Não gostava nem mesmo de pensar nisso.
— Fora os bilhetes? Não.
, não era só naquela boneca. Quando eu vi seu nome lá, achei que os bilhetes tinham a ver com uma pessoa próxima à vítima. – Bennet murmurou, coçando a nuca.
— Não era isso? – arqueou as sobrancelhas.
— Não. Venham aqui. – ele chamou e com a mão, mas Robert se colocou na frente deles.
— Eu não posso deixar irem. Isso é pessoal, vocês não podem se envolver no caso. É a regra e vocês sabem muito bem.
Bennet agarrou o homem pelo colarinho e o apertou, bem forte.
— Você não pode estar falando sério! – gritou, com o rosto bem perto do mais velho. – descobriu o caso. Ele não vai sair, e vai continuar ajudando.
— Ninguém envolvido pessoalmente pode estar no caso, Bennet.
— Todo mundo está envolvido com a Lenna! Todo mundo conhece ela e o .
— Bennet...
— É a minha filhinha, Robert. – se meteu. – Ela tem um ano e meio, ela mal sabe falar mamãe... Por favor. Não deixa a gente de fora.
Robert suspirou e empurrou Bennet.
— Ninguém pode saber disso. Se meus chefes desconfiarem...
assentiu e puxou pela mão. Os dois seguiram Bennet até a sala de provas, onde a estante das bonecas estava vazia. Na mesa da sala, todas estavam quebradas e Bennet tinha colocado os bilhetes um do lado do outro. Todos eles, sem exceção, estavam com o nome de .
— Oh, meu Deus. – soluçou, enterrando o rosto no ombro de .
O que eu estou dizendo, Cher, é que ela não sabia cuidar da menina. – os três escutaram a voz de Mackenzie e levantou o rosto, limpando as bochechas. Pelo som abafado, as duas estavam na sala ao lado, a de balística.
Como assim? – Cher respondeu.
— Bom, eu conheci Milenna e em meio segundo ela estava no meu colo. disse que não se importava se a menina gostasse de todo mundo. Claramente isso foi um erro. Se ela tivesse educado direito a coisinha, provavelmente ela teria gritado quando viu um homem estranho no quarto.
Oh, Benny falou mesmo que um homem entrou quando estava tomando banho. está destroçado, coitadinho...
Na outra sala, rugiu como um touro e saiu em passos firmes e pesados. e Bennet correram atrás dela, mas nenhum dos dois tentou segurá-la.
estava enfiando a porrada em Mackenzie, mas não moveu um só dedo.
— Você não vai fazer nada? – Cher gritou, olhando o homem.
Ele riu e deu de ombros.
— Quer apanhar também? Porque é o que ela vai fazer quando sair dali.
Cher bufou e saiu da sala, provavelmente indo chamar ajuda.
— Sua vadia! Como ousa falar isso! – gritou, arranhando o rosto de Mackie.
— É a verdade! – a outra se debateu, batendo algumas vezes na morena. Mas estava colérica e nada a faria parar.
Bennet suspirou e fechou os olhos.
— Vamos separá-las, a vai matar a Mackenzie.
suspirou e assentiu, puxando pela cintura com muita facilidade.
— Me solta!
— Já chega, . Ela ia morrer.
se acalmou e a levou para sua sala, encostando a porta.
— Se sente melhor?
— Eu só vou me sentir melhor quando nossa filha estiver com a gente, na nossa casa.
Ele suspirou e a abraçou pelos ombros.
Ela sentiu o peito doer quando o ouviu soluçar.
?
Ele limpou o rosto e a olhou, suspirando.
— Amor... – ela murmurou.
— Está tudo bem. – tentou sorrir. – Você está mais calma?
Ela bufou e cerrou os punhos, claramente respondendo sua pergunta.
— Aquela vadia me falou que ia roubar a Lenna. Ela falou várias vezes! E se for ela?
deu uma risadinha nervosa, enroscando os braços na cintura da mulher.
— Tenho certeza que se fosse ela, ela não ia sair falando assim...
deu de ombros, mas sua expressão dizia que ela ainda acreditava que Mackenzie tinha alguma coisa a ver com isso.
— O que você acabou de dizer, ? – Robert rosnou e olhou para ele, confuso. – Sobre a Stevens.
— Ela falou que ia roubar a Lenna de mim, Bob. Mas eu...
Ele não ouviu o resto. Saiu em passos largos e e foram atrás, curiosos com o que ele faria.
— Mackenzie! Você disse para a que ia roubar a Lenna? – ele berrou na cara da loira, que estava junto com Cher, limpando os machucados.
— O quê? – ela murmurou.
— Disse ou não disse?
— Sim, mas não foi sério... – ela se levantou da cadeira e parou na frente do velho, que colocou a mão na testa.
— Não acredito que a ameaçou, Mackenzie. Não pode fazer isso nem de brincadeira. – ele negou com a cabeça. – Eu vou ter que comunicar os superiores. Até que eles decidam alguma coisa, você está fora do caso.
— Mas eu...
Ele ergueu a mão e saiu. deu uma última olhada para Mackenzie e se sentiu um pouco culpada, mas aí lembrou que a vagabunda estava falando que ela não sabia como cuidar da própria filha.
— Você tem mais alguma coisa para fazer aqui? – pediu a .
— Vou pegar os últimos relatórios do caso e levar pra casa. Não vou descansar até encontrar nossa filha.
Ela assentiu e colocou a mão na cabeça, fechando os olhos.
— Não estou me sentindo bem. Minha cabeça está doendo. Vou esperar você no carro. – avisou.
— A chave está aqui. – lhe entregou e beijou sua testa.
foi até o carro e massageou as têmporas, embora não fosse só aquela área que doía. Fechou os olhos e sentiu que cochilou até escutar batidas na janela. Viu e destrancou as portas, encostando a cabeça na janela mais uma vez.
— Está com muita dor?
— Parece que minha cabeça vai explodir em um milhão de pedacinhos. – murmurou ela.
— Vou passar na farmácia pra comprar seus remédios, tenta descansar um pouquinho. – ele se aproximou e beijou sua bochecha, ligando o carro.
não precisou escutar de novo e abraçou o próprio corpo, se forçando a dormir nem que fosse por um minuto.

abriu a casa e voltou para o carro, onde dormia desde que saíram da delegacia. Ele a pegou no colo e a levou para a cama deles. A cobriu e beijou seu rosto antes de sair do cômodo. Ele espiou pela janela da sala e viu que estava começando a amanhecer, então foi preparar um café da manhã bem reforçado porque já fazia horas que ele e não comiam, e por mais que nenhum dos dois sentissem vontade, ele sabia que precisavam colocar alguma coisa no estômago. Mas antes, pegou o celular. Tinha uma ligação a fazer.

Ele arrumou tudo em cima de uma bandeja e levou para o quarto. Deixou na estante ao lado da cama e a observou por um momento. Ela tinha olheiras de tanto chorar e estava branca, provavelmente por conta do pouco de sangue que perdeu.
Ele aproveitou para arrumar os brinquedos de Lenna, colocando todos eles dentro do cercadinho. Juntou os cacos de porcelana da boneca que quebrara e os jogou no lixo. Na estante do quarto, bem ao lado da cama, tinha um porta retrato. Era uma foto que tinha tirado poucos dias atrás, quando voltou para ela. Ele estava conversando com Lenna no sofá e tirou a foto escondida, ele viu no mesmo dia, mas não conseguiu apagar porque era muito claro o carinho que tinham um pelo outro naquela foto.
Lenna o tinha escolhido. Desde que fora adotada, conheceu muitos homens, amigos ou colegas de trabalho da mãe. Mas ainda assim, desde que viu pela primeira vez naquele quarto na casa de Bennet e Nathan, ela o escolheu para ser seu pai. E sentia isso agora mais do que nunca. Ele soluçou e se sentou na beirada da cama, apoiando o rosto nas mãos. Ele só queria que aquela aflição parasse. Que Milenna estivesse bem, estivesse segura e com eles.
Sentiu o cheiro dela antes mesmo que ela o abraçasse. se enroscou nele, o abraçando por trás, e apoiou a cabeça no ombro do homem.
— Você não pode chorar, . Não agora que eu parei. – ela murmurou, sentindo a voz falhar. – Eu não vou conseguir... – soluçou, interrompendo a própria frase.
Ele se virou e a encarou. Limpou suas bochechas e depois as dela.
— Eu preciso te contar uma coisa, mas antes precisamos combinar como vai ser agora. – suspirou. – Um mês. Me dá um mês para achar a nossa filha. Se não conseguirmos, podemos chorar e entregar na mão da autoridade que você quiser. Mas não vamos conseguir encontrar Milenna desse jeito. Eu choro, você chora... assim não vamos para lugar nenhum.
— Um mês. – ela assentiu. – Um mês, e então nós podemos quebrar. O que você queria me falar?
— Liguei para a sua mãe. Ela chega amanhã de manhã.
ofegou, se afastando um pouco dele.
— Por que você fez isso?
— Porque você está péssima e sua mãe sempre conseguiu resolver tudo. E eu sei o quanto você sente falta dela.
Os olhos de brilharam com as lágrimas. Ela pulou em cima dele e o abraçou forte.
— Obrigada. Eu preciso tanto dela.
— Sei disso. – beijou o topo da sua cabeça. – Agora, vamos comer. Fiz sanduíches frios. – apontou para a bandeja. – E o café está na cozinha, vou buscar.
— Não precisa buscar, vamos comer na sala. Assim já podemos começar a procurar pela Lenna. – se levantou e pegou a bandeja, caminhando até a sala.
Ele foi até a cozinha e serviu duas xícaras de café. estava sentada em cima das pernas, no sofá, lendo um papel.
— Parece que temos muito o que ler para tentar descobrir o que esse desgraçado quer da gente.

acordou com um celular vibrando. Abriu os olhos e viu que já era noite. estava dormindo em cima dele, e ele se esforçou para pegar o celular na mesinha de centro, sem acordá-la. Mas descobriu ser necessário quando viu o rosto da mãe dela no visor do celular.
— Amor? – ele chamou, cutucando-a.
— Hm?
— Sua mãe ‘tá ligando. – mostrou o celular.
Ela se sentou e ele também, esticando os braços.
— Mãe? – se levantou e foi até a janela da sala.
aproveitou o momento para deixá-la conversar com a mãe, e então foi até o quarto. Precisava tomar um banho para despertar, já que não ia dormir até descobrir alguma coisa que pudesse ser utilizada no caso.
Ele pegou uma toalha e, quando estava entrando no banheiro, viu um álbum de fotos em cima da estante de maquiagens de . A curiosidade bateu mais forte e ele deixou a toalha na cama, pegando o álbum.
Sorriu involuntariamente ao ver que as fotos de lá eram fotos do colegial, de quando ainda era loira. amava seu cabelo natural, um loiro bem clarinho. Mas amava igualmente a cor morena que ela adotou desde que se formara na faculdade de Direito.
A primeira foto era dela com Elliot, Bennet e Nathan. Ele foi passando as fotos, até encontrar a primeira que os dois tiraram juntos. Era o primeiro encontro dos dois, na faculdade. Eles estavam com os amigos assistindo ao jogo do time da faculdade. estava o abraçando e ele olhava para ela. Desde aquela época, era possível ver o quanto ele a amava.
— Amor, minha mãe chega de manhã. Você vai comigo buscá-la no aeroporto?
levantou os olhos para , e ela se assustou com o que viu. Ele estava muito pálido.
— Eu descobri o que ele quer. Ele quer ser eu. Ele quer o que eu já tenho.
Ela suspirou e correu até ele, sentando-se ao seu lado.
— Não entendo, . O que você tem que o colecionador queira? Isso não faz nenhum sentido.
riu e negou com a cabeça. Não podia ser. Mas era, e agora, tudo fazia sentido.
— Você.
— O quê?
— Eu tenho você. É isso que o colecionador quer. Ele quer você.

Capítulo 08


olhou para o namorado, totalmente confusa.
— O que quer dizer com isso?
, pensa comigo. Olha essas fotos. – mostrou. – Você era loira. O colecionador quer alguma coisa que é minha. A única coisa minha que já foi loira é você, .
suspirou, olhando as fotos.
— O que mais as assassinadas tem em comum comigo?
— São órfãs. Mas, amor, quase ninguém sabe que você é órfã. As pessoas acreditam que sua mãe é biológica, não adotiva. – coçou a nuca. – Quem sabe? Para quem você já contou isso, fora eu?
Ela levou um tempo para lembrar, porque esse era um assunto muito pessoal. Ela não saía por aí contando que foi adotada quando pequena porque seus pais biológicos morreram em um acidente que só ela sobreviveu, com dois aninhos.
— A Mackie, o Lelliot, o Bennet e o Nate. Acho que só. – deu de ombros. – Por mais estranho que seja essas coincidências, não consigo imaginar que eu seja a razão para o colecionador fazer o que faz. E o que explicaria o sequestro da Lenna?
— Nós começamos agora a ser uma família. Eu não gostava da Lenna antes, mas justo quando nós começamos a virar uma família, roubaram ela. É alguém próximo da gente. A única coisa que não entendo é que todas as mulheres que foram assassinadas eram infiéis. Você não é, nem nunca foi.
olhou bem para as fotos e seus olhos se arregalaram.
— Olha isso, . – apontou para três fotos dos dois juntos. Em cada uma delas, Elliot estava em algum lugar do fundo, os encarando. – Só pode ser isso.
— Isso o quê?
— Eu namorei o Elliot durante o ensino médio. Terminei com ele no mesmo dia que te conheci naquela festa. – seus olhos se encheram de lágrimas. – Não posso acreditar que é ele. Não posso.
franziu o cenho.
— Você e o Elliot já namoraram?
o olhou, confusa.
— Nunca te contei?
— Não. – ele parecia muito chateado.
, eu achei que tinha te dito. Isso não importa, não foi nada. Foi um namoro de escola, não...
— Não importa? Ele sequestrou nossa filha! Ele nunca esqueceu você.
limpou as bochechas.
— Me desculpa. – murmurou. – Eu achei que você sabia. Todo mundo sabe, mas é uma coisa que morreu pra gente. O Elliot seguiu em frente e eu também.
— Exceto que ele não seguiu, não é? Ele virou um psicopata que mata mulheres como você. Todas loiras, órfãs e infiéis.
— Mas eu nunca o traí, nem você. Vocês foram meus únicos namorados de verdade.
— Você disse que terminou com ele no mesmo dia que me conheceu. Talvez ele nunca tenha aceitado, talvez para ele tenha sido uma traição.
soluçou.
— Meu Deus, será que é realmente o Elliot? Por que ele roubaria a Lenna?
— Porque ninguém estava mais feliz que nós três. Ele quer nos fazer sentir miseráveis.
a abraçou quando percebeu que ela ia chorar e beijou o topo da sua cabeça.
— Não pode ter sido ele, não pode. Ele me ajudou tanto com o processo de adoção, por que ele faria isso?
— Não sei, mas vamos descobrir. Eu prometo.

A campainha da casa acordou o casal, que não tinha dormido nem meia hora. foi até a porta e ficou na sala, esperando que ele a abrisse. Era oito da manhã, mas ela estava morta de cansaço. Eles só conseguiram pregar o olho quando já tinha amanhecido e dormiram na sala mesmo.
— Oi. – Hanna cumprimentou os dois, puxando o marido pra dentro da casa de .
Ela deu um passo pra trás quando viu Elliot na sua casa.
— O que vocês querem? – perguntou.
olhou para e franziu o cenho.
— Nós só viemos para ver como vocês estão, com tudo o que está acontecendo. – Elliot murmurou, olhando para a amiga. Ela evitou seu olhar e encarou o chão.
— É só que não é uma boa hora. – foi até e passou o braço pelos seus ombros. – Nós não conseguimos dormir, e daqui a pouco a mãe dela vai chegar...
suspirou e saiu da sala, indo até seu quarto. Ela fechou a porta atrás de si, mas ainda conseguia escutá-los na sala.
— O que ela tem? – Hanna perguntou.
— Ela está preocupada, Han. Nós dois estamos. A Lenna mal completou um ano e meio, ela é muito pequena. E se machucarem ela?
— Nada vai acontecer. – Elliot falou. – Vocês vão ver, logo vão ter ela de volta.
— Eu sei, mas...
Eles ficaram em silêncio. Hanna segurou o braço do marido e suspirou.
— Vamos, amor. Outra hora a gente volta, quando a estiver melhor. Pode ser, ?
— Claro, obrigado por virem mesmo assim. – se despediu deles.
foi até o quarto e estava sentada na cama, abraçando os joelhos. Ela parecia tão frágil, nunca tinha a visto daquele jeito.
Amor. – murmurou.
— Não consigo, . Não consigo acreditar que ele fez isso comigo. Ele é meu melhor amigo.
— Nós não temos provas, não sabemos, . E se não for ele?
— Não existe essa possibilidade. Tudo faz sentido. – ela sussurrou. – Temos que falar com Robert, ele vai prender o Elliot e tudo vai ficar bem.
— Você sabe muito bem que as coisas não são assim. Nós vamos precisar de provas, Robert nunca vai acreditar só em suposições. – suspirou. – Olha, sua mãe está chegando. Eu mandei uma mensagem e pedi pra ela pegar um táxi, vou pagar quando chegarem. Vamos conversar com ela, sua mãe é muito inteligente, ela vai saber o que fazer.
— Enquanto isso fazemos o quê? Fingimos que nada aconteceu?
estava tremendo e precisou apertá-la em um abraço, para conseguir acalmá-la.
Os dois ficam abraçados até que a mulher se acalmou. Quando ela estava quase conseguindo cochilar, seu celular notificou uma mensagem, a despertando.
— Deve ser sua mãe, será que ela chegou? – se levantou e fez o mesmo, pegando o celular na penteadeira.
— Não é minha mãe, é um número bloqueado. – a mulher desbloqueou o celular e abriu a mensagem.
Ao escutar que era um número bloqueado, correu para o lado de e olhou a mensagem com ela, desconfiando que fosse o Colecionador. Sua respiração trancou quando percebeu que estava certo.
— Ai, meu Deus. – começou a chorar. – Ela está bem. – soluçou, abraçando .
Ele pegou o celular da mão dela e leu a mensagem, nervoso. Era uma foto de Lenna brincando com várias bonecas, todas iguais às que o colecionador deixava na casa das vítimas. Ela estava sorrindo e não aparentava nenhum machucado. Ela parecia estar muito bem. O coração de se aqueceu e ele abraçou , se permitindo chorar também. Os dois se separaram quando perceberam uma notificação nova, e leram juntos a mensagem.
Ela está bem, por enquanto. E vai continuar assim se você obedecer, .
— O que vamos fazer agora?
— Você conhece o protocolo. Precisamos avisar a polícia e esperar entrarem em contato de novo. – ele murmurou. – Mas agora, você vai dormir. Pelo menos um pouco.
Ela assentiu e deixou que ele a levasse para a cama e cuidasse dela, até que ela caísse no sono. Ele acabou dormindo junto, de tão cansado que estava. Só conseguiam pensar em Lenna e quando a teriam de volta. Era tudo o que mais queriam.

A campainha tocou três vezes seguidas, despertando os dois.
levantou e foi até a porta da casa, a abrindo. Ela mal pôde acreditar quando viu a mãe ali, e pela primeira vez em dois dias, se sentia muito feliz.
— Mãe. – murmurou, a abraçando.
Vivien sorriu e abraçou sua menina, fazendo carinho em sua cabeça.
— Estou aqui, vai ficar tudo bem. – ela se afastou da filha. – Trouxe uma surpresa.
— Surpresa?
Quando ela perguntou, Christian saiu de trás da mãe, assustando . Ela sentia tanta falta do irmão, que tinha se mudado para a Espanha há dois anos. Eles se viam raramente agora. Ele tinha vindo com a mãe, logo que adotou Lenna, para conhecê-la. Os dois se apaixonaram pela menina, que os amou assim que os viu.
— Oi, maninha. – ele sorriu e a abraçou.
não aguentou e começou a chorar no ombro do irmão, que a apertou mais ainda no abraço.
— Nós vamos dar um jeito, . – ele prometeu. – Vai ficar tudo bem.
sorriu fraco ao ver com o irmão e foi até a sogra, a cumprimentando. Vivien amava , o que irritava muito quando eles brigavam porque ela adorava dar razão para ele, mesmo quando não eram namorados oficiais.
e explicaram tudo a Vivien e Christian, desde o sequestro até as mensagens. printou as mensagens e enviou para o celular de Robert. O homem respondeu quase imediatamente, pedindo que ele fosse até a delegacia.
chamou Christian com a mão e o cunhado o seguiu até o hall da casa.
— Chris, eu vou precisar ir na delegacia e não sei quanto vou demorar lá. Você pode cuidar dela pra mim?
— Você sabe que sim, cara. Ela é minha irmãzinha.
— Tenta fazer ela dormir um pouco, se ela não quiser, tem um remédio que eu tomo que está no armário do banheiro. É forte, então só use se precisar. Ela não vai conseguir acompanhar as investigações se continuar sem dormir, daqui a pouco ela vai entrar em exaustão. Eu não quero falar pra ela que fui na delegacia, senão ela vai querer ir junto. Quando ela perceber que eu saí, fala que fui no mercado ou na casa do Bennet.
— Claro, cara. Pode ir. – Chris sorriu e fechou a porta quando saiu.
Ele foi até a sala e estava deitada no colo da mãe, no sofá. Tinha finalmente caído no sono e ele agradeceu por não precisar usar o remédio. Vivien se levantou com cuidado para não acordar a filha e foi com Chris até a cozinha, preparar um chá.
— O que vamos fazer, mãe? Ela ‘tá acabada.
— Se o sequestrador mandou uma mensagem pra ela agora, não vai demorar muito. Nós vamos ter Lenna de volta e tudo vai acabar bem, com certeza.
Ele assentiu e suspirou, pensando no que um ser humano tinha na cabeça para fazer tanto mal a uma família. Ou era louco, ou não tinha um coração, porque normal não podia ser.

estacionou na frente da delegacia e foi direto para a sala de Robert. Ele percebeu que tinha um homem conversando com ele quando entrou e ia pedir desculpas quando o homem virou. arregalou os olhos e deu um passo para trás, desnorteado.
— Oi, filho.
— P-pai? – ele engoliu em seco. – O que você ‘tá fazendo aqui?
Steve suspirou e Robert fez menção em sair da sala, mas o olhou, com os olhos em fúria.
— Você fica. Anda, Steve, me responde. O que você ‘tá fazendo aqui?
— Eu vim pra te ver, filho. Eu fui até o seu apartamento e seu vizinho me falou que tinha se mudado, então eu te procurei por esses dias. Meu advogado te encontrou e me falou que trabalhava aqui, então eu vim te ver.
suspirou, colocando a mão na testa.
— Eu fui muito claro quando te visitei na cadeia a última vez. Eu não quero ver você nunca mais.
Steve assentiu e seus olhos marejaram, o que fez rir.
— Não ouse. Você matou a minha mãe.
— Não foi assim, . Você nunca me ouviu. Ninguém nunca me ouviu. Eu não saí da cadeia por condicional.
arqueou as sobrancelhas.
— Ah, não? E saiu por que então?
— Filho, esse é um assunto muito complicado para falar aqui. A gente pode ir em outro lugar? Tem um café perto da minha casa, talvez...
— Eu não vou ir a um café com você. Eu não quero ouvir sua versão da história, eu sei o que aconteceu.
— Você tinha quinze anos, . Você não sabe o que aconteceu como eu sei.
suspirou, irritado.
— Ótimo. Vou continuar sem saber.
... – Robert chamou sua atenção. – Escute seu pai.
— Ele não é meu pai e eu não vou escutar ele. Foi por isso que me chamou aqui?
— Sim, ele apareceu e enquanto você não vinha, escutei o que ele tinha a dizer. É verdade, .
— Não quero saber! – se irritou. – Eu tenho uma filha. – contou para Steve, que arregalou os olhos, surpreso. – Ela tem um ano e meio e foi sequestrada há três dias. Me desculpe se não estou disposto a ficar ouvindo suas mentiras.
Saiu e bateu a porta. Escutou seu nome enquanto ia até seu carro, mas não parou. Viu que Steve estava próximo quando entrou e, assim que colocou o cinto, viu o homem batendo em sua janela.
Ele a abriu e o olhou, claramente sem vontade nenhuma de conversar com ele.
— Filho, por favor. Me deixe te explicar o que aconteceu. Eu sei que está preocupado com a sua filha, mas você precisa encarar o seu passado também.
sabia que ia se arrepender da decisão, mas destravou o carro para ele entrar.
Steve lhe explicou o caminho até o café que ficava pouco mais que duas quadras distantes de sua casa. não falou nada o caminho todo e, mesmo quando Steve tentava quebrar o clima, ele respondia com respostas monossilábicas ou até mesmo com acenos de cabeça. Eles entraram no café e pediu um expresso, pois não dormiu direito nos últimos três dias e mal podia se aguentar em pé. Ele esperou Steve pedir um outro tipo de café e a garçonete se retirou, os deixando a sós.
— E então? – se recostou na cadeira e cruzou os braços, esperando.
— Você tem alguma pergunta? – Steve pediu.
mordeu o lábio para não ser mais grosso do que já estava sendo e contou até dez mentalmente, tentando ter um pouco mais de paciência. Ele não via o pai desde os dezoito anos, quando foi fazer a primeira e a última visita na penitenciária. Mas mesmo assim, quase nada mudou no homem, exceto pelos cabelos brancos que cobriam boa parte da sua cabeça e as rugas que apareceram com o tempo. Ele e eram muito parecidos e isso fazia tudo ser ainda mais difícil para . Ele amava muito o pai, mas depois do que fez... Ele costumava nem mesmo pensar nele.
Ele pensou em algo para perguntar e respirou fundo, falando em seguida.
— O que quis dizer com “eu não saí da cadeia por condicional”?
Steve suspirou, cruzando os próprios dedos sobre a mesa.
— Naquela noite em que sua mãe morreu, nada do que aconteceu foi minha culpa. E-eu tinha problemas com bebida, você sabe. – ergueu um ombro. – Eu gastava todo o dinheiro da casa com bebidas e bares e sua mãe ficou cansada. Ela me amava muito, eu sei disso. E nós tínhamos você, que era nosso maior presente. Mas um dia eu bebi tanto que quase bati nela. Foi por muito pouco, e se ela não tivesse desviado, eu teria socado ela. – abaixou a cabeça, envergonhado. – Você viu isso, eu me lembro de olhar para a porta da cozinha e ver você ali.
assentiu. Ele se lembrava daquilo como se fosse ontem. Ouviu os pais gritando e eles nunca faziam isso, então foi ver o que estava acontecendo. No momento em que chegou na cozinha, viu a mãe proteger o rosto e se inclinar para o lado só a tempo de desviar de um soco que o pai tentava lhe dar.
— Você era grandinho e defendia sua mãe por tudo no mundo, até queria me bater. Ela te levou para o quarto e explicou que não era nada do que você estava pensando, eu fiquei do lado de fora do seu quarto ouvindo e eu já estava ficando sóbrio. Ela me levou para o banheiro e me deu um banho gelado, cuidou de mim. E eu sabia que não tinha feito nada de bom na minha vida para ela ou para você para que ela me tratasse bem daquele jeito. Ela chorou o tempo todo, quando eu fecho meus olhos eu ainda consigo ver... – a voz dele foi sumindo. – Ela me disse que a bebida ia tirar vocês de mim, e eu sabia que com isso eu não poderia viver. Eu fiquei a noite toda acordado e a olhando dormir. Quando começou a amanhecer, eu escrevi uma carta dizendo que ia ficar fora por uns dias e ia procurar ajuda. Me internei numa clínica para alcoólatras paga pela empresa que trabalhava e em um mês recebi alta. Liguei para ela imediatamente e você tinha que ouvir a animação na voz dela. Eu sentia muito a sua falta, mas eu sabia que ela merecia uma surpresa e atenção, então pedi pra ela te mandar dormir na casa de um amigo.
Ele se lembrava vagamente desse mês que o pai ficou fora. Mas se lembrava exatamente do dia que ela pediu para ele dormir na casa de um vizinho da rua de baixo, porque foi a última vez que a viu.
— Sua mãe foi trabalhar e eu cheguei em casa quando ela ainda estava no trabalho. Eu peguei algumas das velas dela e coloquei na mesa. Fiz o jantar e quando escutei a porta sendo aberta, acendi as velas. Ela estava tão feliz e eu também, nós jantamos e... Eu ia colocar água para esquentar, porque eu sabia que ela gostava de chá depois do jantar. Mas ela me puxou e eu deixei o gás ligado. A gente estava com tantas saudades um do outro, eu sentia tanta falta do corpo dela e do amor que ela me dava, que minha cabeça ficou vazia por um momento. E nós nos esquecemos de tudo. O gás ligado, as velas acesas. Demorou, mas o gás explodiu a cozinha e nós nos assustamos. Nós nos vestimos e eu fui na frente, para ver se tinha caminho para sair. O fogo tinha se alastrado pelo tapete da sala e estava chegando nos quartos. Eu a puxei até a porta, mas ela se lembrou de você. Eu falei que você estava na casa do seu amigo, mas ela quis ter certeza e escapou de mim. Correu pra dentro de novo e quando caiu a ficha e eu tentei ir até ela, não tinha lugar nenhum. Eu comecei a gritar por ajuda, a polícia e os bombeiros vieram, mas já era tarde demais. Eu tenho pesadelos até hoje com os gritos dela, não sei se um dia vou ser capaz de esquecer.
estava com a garganta seca e as mãos tremendo.
— O que você está dizendo?
Steve suspirou e coçou a nuca, encarando o filho.
— Os vizinhos vieram e não deixaram eu entrar na casa quando ela começou a gritar. Disseram que era muito perigoso, mas ainda assim... Ela era minha esposa, eu tinha que tirar ela de lá. Os vizinhos mais próximos contaram para a polícia que eu gritava com sua mãe e sobre meu histórico de alcoolismo e, como eu já tinha sido preso duas vezes por estar dirigindo bêbado e tinha pago fiança, eles ligaram uma coisa na outra. Fui acusado de assassinato e não pude sequer te ver antes de me levarem preso. Você contou sobre aquele episódio para a polícia e eu não te culpo, você só falou o que eles pediram: se eu era violento. Eu demorei dois anos para conseguir contato com um advogado decente e, ainda assim, como eu não tinha como pagá-lo, demorou muito tempo para que ele realmente pegasse meu caso. Ele não conseguia os arquivos da clínica que provavam que eu não bebia mais e só foi conseguir no último ano. Daí foi fácil, mas ainda assim... Onze anos depois, eu finalmente consegui sair daquele inferno. Desde então, estou te procurando. Eu sei que, ainda assim, a culpa é toda minha. Só que eu não fiz aquilo de propósito, filho. Foi um erro bobo... Um erro bobo que a tirou da gente.
limpou os olhos, mas não estava conseguindo processar direito as informações.
— Então eu odiava você por nada? Como... Por que você nunca me contou isso?
— Eu não queria contar por telefone, filho. E eu sabia que se você ouvisse aquela voz eletrônica dizendo que era da penitenciaria, você sequer atenderia o telefone.
riu, porque era verdade.
— Eu sinto muito, pai. Você sumiu e eu só vi você quando estavam te colocando dentro de uma viatura, não deixaram nem eu chegar perto. Quando eu perguntei o que tinha acontecido, me falaram que você tinha matado a mamãe. Eu não pensei em ouvir você desde então, pra mim você também estava morto. Eu não fazia ideia...
Steve abanou a mão.
— Filho, eu só queria que você me escutasse. Se você não me quiser por perto, eu entendo completamente.
negou com a cabeça e secou o rosto, que insistia em ficar molhado.
— Eu sinto muito, pai. Eu não quero mais ficar longe de você. – ele murmurou. – Eu não sei como vai ser, não posso prometer nada. Mas acho que ter você na minha vida pode ser bom. Eu só quero que você tenha paciência. Eu ainda não consegui processar isso tudo e vai demorar um pouco, ainda mais agora com a Lenna sequestrada e...
— Eu respeito o seu tempo, filho. Eu só quero que você saiba que é sua decisão a partir de agora. Se quiser que eu suma, eu sumo. Se me quiser na vida de vocês, eu fico e não saio mais. Eu prometo.
sorriu e assentiu, se levantando e puxando o pai para um abraço. tinha um lado negro dentro dele desde aquele dia e, agora, parecia que tinha sumido quase completamente.

Quando chegou, estava dormindo no sofá. Ele escutou as vozes de Vivien e de Christian e foi até a cozinha, onde eles estavam.
— Oi, querido. Como foi na delegacia?
— Ah... O Robert não tinha nada ainda sobre o assunto.
— Oh. – Viv suspirou.
— A ‘tá dormindo faz tempo?
— Desde que você saiu. – Viv sorriu fraco. – Ah, um tal de Elliot ligou algumas vezes no celular dela, mas eu não atendi.
franziu o cenho.
— Vou ligar pra ele. – avisou e saiu dali, indo até o quarto deles.
Ele discou o número de Elliot e ele atendeu no terceiro toque.
— Elliot, tá tudo bem?
— Eu posso ir aí?
— Agora a ‘tá dormindo, a gente não dormiu bem por esses dias.
— Ah, tudo bem, eu entendo. É que como eu estou sozinho, pensei que poderia ajudar.
— Sozinho? Onde a Hanna ‘tá?
— Ela ficou muito nervosa com essa história de sequestro, disse que estava com medo de levarem nosso bebê também... Nós achamos uma clínica de repouso para grávidas, ela vai ficar uma semana ou duas lá, depende de como as coisas vão se desenrolar aqui.
arregalou os olhos. Se ele tinha sumido com Hanna, ele podia estar querendo agir nos próximos dias. Talvez assassinasse outra mulher ou fizesse alguma coisa com Lenna.
Ele desligou o telefone depois de se despedir e se sentou na cama, preocupado. Ele não sabia o que faria se machucassem sua garotinha. Estava ficando cada vez mais claro que era Elliot e isso estava começando a assustar . Como nunca perceberam nenhuma tendência assassina nele? Geralmente, seriais killers tem distúrbios mentais e isso não se esconde com facilidade.

acordou pouco antes do jantar ficar pronto e a chamou para conversar no quarto. Ele contou tudo sobre seu pai e ela ficou feliz por ele estar resolvendo seus demônios com o passado. Ele chorou um pouco quando confessou como esteve errado esse tempo todo e ela o abraçou, o confortando.
— Vai ficar tudo bem, amor. Nós vamos encontrar nossa menininha, aí vamos chamar seu pai e vamos apresentá-los. Ela vai adorar ele, tenho certeza. – ela sorriu, tentando amenizar um pouco o sofrimento dos dois.
— Ela ama todo mundo, não ama? – ele sorriu também.
— Ama. – sentiu os olhos molharem, mas abanou o rosto, se recusando a chorar mais. – Vamos jantar?
Ela se levantou e o puxou, o levando até a cozinha. Vivien tinha feito uma carne assada no forno e arroz, apenas. não estava comendo muito nos últimos dias, mas a obrigou a encher seu prato porque ela estava ficando fraca já.
estava colocando na boca a primeira garfada quando escutou o telefone da casa tocar. Ela arregalou os olhos e olhou para , que levantou no mesmo momento que ela. Os dois correram até a sala e ela atendeu quando já tinha engolido a comida.
— A-alô?
Ela escutava uma respiração e, de repente, uma música começou a tocar. Ela conseguia ouvir ruídos e reconheceu a música em dois segundos. Era o áudio do vídeo da formatura, aquela música foi uma das que dançou com Elliot, que a namorava na época.
O Colecionador desligou o telefone e suspirou, colocando a mão na boca.
— O que foi? Quem era? Era ele? – bombardeou-a com perguntas.
— Era o vídeo da formatura. Eu dancei aquela música com o Elliot. Por que ele ‘tá fazendo isso? – ela perguntou, agoniada. – O que eu fiz, ?
Ele a abraçou e fez carinho na sua cabeça, a acalmando.
— Nós vamos conseguir desmascarar esse desgraçado, meu amor. Eu prometo.
Ela ergueu o rosto e ele limpou os rastros de lágrimas abaixo de seus olhos.
— Agora que sabemos que é ele, fica tudo tão claro... Quando eu terminei com ele na faculdade, na noite que te conheci... Ele ficou tão bravo...
a apertou mais no abraço e beijou sua testa.
— Não fica pensando nisso, meu amor. Se ele está deixando assim tão claro que é ele, nós vamos conseguir nossa menina de volta logo. Ele só está preparando o terreno até mandar um de nós atrás dele.
Ela assentiu, suspirando.
Aquela noite de verão voltou à sua mente, como se fosse ontem.

FLASHBACK

ligou para Elliot e o mandou ir encontrá-la em seu quarto, no dormitório feminino. Ele chegou em cinco minutos, sorridente como sempre.
— Oi, amor. – ele foi beijá-la, mas ela se afastou e ele cerrou os olhos. – O que foi?
— Eu quero conversar com você. – ela murmurou, se sentando na cama e esperando que ele fizesse o mesmo.
— Você vai terminar? – a voz dele saiu como um fio, quase que não deu para a menina ouvir.
— Lelliot. – ela murmurou, se aproximando para o abraçar. – Você sabe que isso não tá certo. A gente não se gosta desse jeito. Eu quero sair, tem tanta festa por aqui e a gente só fica nos nossos quartos.
— A gente pode sair se você quiser, . Mas não termina comigo.
— A gente só namora porque é cômodo, e você sabe disso. Eu sei que você também quer sair...
— Eu só quero sair se for com você. Por que você ‘tá fazendo isso?
— Porque eu sei que nosso relacionamento não é de verdade. – ela se levantou. – Por que você não consegue entender isso?
— Porque pra mim é de verdade! Você cansou de dar pra mim e quer sair dando pra todo mundo agora? – ele perguntou, com raiva. – Você sempre foi uma puta.
— Elliot! – ela arregalou os olhos e, quando percebeu, tinha lhe dado um tapa na cara. – Nunca mais fale comigo desse jeito.
— Que seja. – ele se levantou e foi até a porta, mas ela o segurou pelo braço.
— Você é meu melhor amigo, Elliot. Eu não quero perder isso.
— Parece que você já perdeu.

/FLASHBACK


Se agora, nesse momento, ela pudesse voltar no tempo e nunca ter namorado ele, ela voltaria. Voltaria sem nem pensar duas vezes.

Capítulo 09 - Parte I


Já fazia uma semana desde que o Colecionador tinha entrado em contato pela última vez. estava ficando louca e não estava muito atrás. Vivien e Christian continuavam na casa de , porque tinham prometido ficar até encontrarem Milenna. Hoje fazia dez dias que ela tinha desaparecido e não conseguiu cumprir sua promessa de não chorar mais.
ficou fazendo carinho na cabeça dela até acreditar que ela tinha dormido. esperou ele dormir e saiu da cama, indo para o quarto de Lenna. Ela se sentou na caminha que ficava ao lado do berço e pegou seu celular enquanto abraçava o ursinho preferido dela.
Ela entrou no álbum do celular que tinha o nome da filha e assistiu. Uma, duas, ela perdeu a conta de quantas vezes. Não conseguia dormir de jeito nenhum e ela rezava para qualquer força superior a ajudar a encontrar sua menininha, porque estava difícil. Nunca tinha sido tão difícil como estava sendo agora.
Seu celular vibrou em sua mão e ela levou um susto, apertando o ursinho entre os braços. Era de um número desconhecido e ela desbloqueou a tela, ansiosa. Sabia que era ele.
Quando demos nosso primeiro beijo, era outono. Agora é outono de novo e a árvore continua igual. Venha sozinha, você tem uma hora.
Ela arregalou os olhos e se levantou, andando silenciosamente até o quarto. Pegou um moletom e calçou os tênis, em silêncio. estava tão cansado que nem mesmo se ela fizesse barulho ele acordaria, mas sua mãe dormia no quarto ao lado e o irmão no sofá, ela precisava fazer silêncio. Christian tinha um sono muito leve, então ela pegou a chave na penteadeira ao lado de e foi até o quarto da Lenna, abrindo a janela e a pulando.
Ela correu até o carro e o ligou, acelerando imediatamente. A chácara do colégio que ela e Elliot estudaram no ensino médio não era perto de casa, mas ela não ligava para nenhuma lei de trânsito no momento. Já passava das três da manhã e ela tinha pressa.
e Elliot se beijaram pela primeira vez debaixo de uma árvore, numa viagem do colégio. Era o primeiro ano do ensino médio e a turma deles tinha ganhado uma gincana, o prêmio era um acampamento na chácara do colégio em um final de semana.
Ela levou vinte minutos para chegar lá. Estava tudo escuro e ela estava com medo, mas viu que a cabana dos professores estava com a luz acesa e estacionou lá na frente. Ela tinha uma lanterna pequena no porta-luvas, então a pegou e ligou antes de sair do carro. Ela estava tremendo. Não tinha nem mesmo lembrado de trazer sua arma, ia matá-la quando descobrisse. Se descobrisse.
A cabana tinha dois andares, mas assim que ela pisou na entrada e tocou na porta para abri-la, as luzes se apagaram.
— Oi? – ela disse, alto. – Elliot? É você? – sua voz saiu tremida.
Ela gritou e pulou para trás quando seu celular começou a tocar, a assustando. Seu coração estava batendo tão forte, ela estava tão nervosa que nem mesmo pensou em olhar quem era. Sentiu seu coração acalmar quando ouviu a voz de .
! Onde você ‘tá?
— Eu vou levar a Lenna pra casa, meu amor. Eu vou achar ela. – sua voz saía delirante.
, o que você ‘tá falando? – ele gritou. – Eu acordei e procurei você... Onde você ‘tá? Me fala que eu vou te buscar.
— Não dá, eu tinha que vir sozinha. Ele mandou.
— O Elliot?
— Sim. Eu vou voltar, . Vou buscar a Lenna e vou voltar pra casa. Eu prometo. – ela desligou o celular e o guardou no bolso.
Ela abriu a porta e colocou a lanterna na frente do corpo, iluminando o caminho.
— Olá! – sua voz fez eco na casa e ela suspirou, indo até as escadas.
Seu celular vibrou no bolso e ela o pegou, tremendo.
Era uma mensagem de um número desconhecido e ela a abriu imediatamente.
Brilha, brilha, estrelinha... Se contar onde está, sua estrelinha vai parar de brilhar.
Ela arregalou os olhos e correu até o andar de cima, indo até a sala onde ficava a sacada. Era o único lugar da casa onde era possível ver as estrelas.
não prestava atenção por onde andava e, talvez por isso, não iluminou o chão. Logo na entrada da sacada, uma boca de lobo estava armada no chão e ela gritou quando a armadilha se fechou na sua perna esquerda.
Ela conhecia aquele tipo de armadilha, com certeza tinha quebrado a perna de uns três jeitos diferentes. Ela não conseguia parar de gritar e as lágrimas começaram a escorrer. ligou umas três vezes até ela atender de novo, porque mal conseguia se mexer de tanta dor.
Ele escutou o grito dela assim que ela atendeu e se desesperou, preocupado.
, o que ‘tá acontecendo? – ele gritou do outro lado da linha e ela conseguia ouvir a voz da mãe dela e do seu irmão.
— Tem uma boca de lobo na minha perna. – ela murmurou, soluçando. – ‘Tá doendo muito.
Eu já chamei o Robert, eles estão vindo aqui com o pessoal. Nós vamos ir até onde você está de qualquer jeito, mas fica mais fácil se você me falar. – ele tentou dizer de forma calma, mas não estava conseguindo.
— Eu não posso, ele vai matar a Lenna. Me desculpe, . Eu não posso. – ela finalizou a ligação e desligou e o celular de uma vez. Ela não podia se arriscar.
A luz da varanda se acendeu com um click forte e teve que fechar os olhos para poder se acostumar com a claridade.
— Elliot, por que você ‘tá fazendo isso? – ela pediu, soluçando.
Quando conseguiu abrir os olhos, ela focou no teto da varanda, que tinha algumas coisas penduradas. Eram fotos. Fotos de todas as mulheres que foram assassinadas no ato do assassinato.
— Meu Deus, você é maluco. – ela murmurou. – Me tira daqui, seu monstro!
Ela percebeu uma silhueta se aproximando, mas como era na direção da luz, demorou para se acostumar.
— Por que a luz está tão forte? Eu já sei quem é você! Não precisa se esconder. – ela gritou, irada.
A silhueta se aproximou até parar na porta da varanda, e arregalou os olhos quando viu quem era.
— Hanna?

Capítulo 09 - parte II


— Hanna? — perguntou ao ver o rosto da amiga ali. — O que...
— Ah, meu Deus! — A outra se desesperou ao ver como tinha sangue na perna de . — E-eu vou te ajudar, mas eu não sei o que fazer...
suspirou e tentou sentar-se de um jeito que sua perna não doesse, mas era impossível.
— Você pode tirar sua jaqueta? — perguntou ao ver que a jaqueta que ela usava era de couro.
Hanna fez o que ela pediu e segurou a peça na mão. Seus olhos estavam cheios de água e ela soluçou.
— Coloca na... — Respirou fundo. Estava perdendo muito sangue com os machucados na perna e sua cabeça estava tonta. — Na boca de lobo e faz força de um lado, que eu faço do outro.
Hanna assentiu e, quando colocou as mãos em uma parte da boca de lobo, Hanna colocou na outra e as duas fizeram força para lados contrários. A boca abriu levemente e gritou, juntando toda a força que tinha para puxar sua perna para cima. Uma vez que estava fora da armadilha, ela abraçou a perna com as mãos, tentando ver o que poderia fazer. Ela queria só chorar, mas tinha que ser o mais forte possível para pegar sua garotinha.
— Onde o Elliot tá? — perguntou. — Por que ele tá fazendo isso comigo?
— Não sei. Ele me deixou aqui e saiu. — Hanna murmurou. — Eu não sei o que tá acontecendo.
— Eu vou te explicar, mas eu preciso sair daqui e... — Sua voz sumiu e ela respirou fundo.
Deus! Doía tanto!
— Bebe um pouco de água. — Hanna pegou uma garrafinha, que estava perto da porta, e entregou a , que bebeu metade do conteúdo, sedenta.
começou a sentir sua tontura aumentar e colocou a mão na cabeça, tentando alinhar as imagens duplicadas que via da amiga.
— O que... — Ela arregalou os olhos. — Você...
Hanna riu, levantando-se.
— Eu o que, amiguinha? Você realmente acreditou que era o Elliot quem estava fazendo tudo isso? Ele não consegue matar uma mosca.
fechou os olhos, para aliviar a dor na cabeça e na perna, e suspirou, abrindo-os de novo. Ela precisava sair dali, aquela mulher não era sua amiga. Ela era louca.
— Socorro... — tentou gritar, mas sua voz não passava de um sussurro, e Hanna abaixou o tronco, até ficar com o rosto alinhado ao dela.
— Ninguém vai poder te ajudar, . Você é minha agora.
Tudo ficou preto, e ela sentiu seu corpo em movimento, antes de apagar por completo.

acordou em um lugar preto e que cheirava a mofo. Tudo estava um breu, ela não enxergava nada e sua cabeça doía, mas não era nem perto da dor que sentia em sua perna. Ela não se lembrava de muita coisa, mas, então, tudo veio na sua cabeça:
As fotos;
A armadilha;
Hanna.
Hanna.
Ela escutou um barulho e a luz se acendeu, revelando que ela estava no que, antes, deveria ser a cozinha da cabana, mas, agora, estava sem os móveis e, no centro, apenas a cadeira que ela estava sentada existia. Ela via uma mesa logo à frente, mas não conseguia enxergar o que tinha em cima. A sala da cabana ficava logo ali do lado. Ela precisava dar um jeito de ir lá e sair da casa. Mas Hanna surgiu na porta, e se encolheu com os olhos arregalados.
— O que você tá fazendo? — murmurou.
Ela trazia uma cadeira de madeira e a colocou na frente de , curvando as costas para trás e colocando suas mãos na barriga de, agora, sete meses. Só agora que notou que suas mãos estavam amarradas e ela gemeu quando tentou girar as mãos, fazendo a corda as queimarem. A loira sorriu e levantou, indo até a mesa.
Hanna pegou alguma coisa na mesa e, quando aproximou-se de , ela notou que era um vidro de álcool.
— O que...
Ela gritou quando Hanna despejou por inteiro na sua perna machucada, causando uma ardência infernal. As lágrimas surgiram imediatamente no rosto de , e ela soluçou. Por que ela estava fazendo aquilo com ela?
— Para! Por favor, para! — berrou, chorando.
Hanna riu alto e deixou o vidro vazio na mesa, sentando-se de frente para .
— Nós não queremos que esse machucado horrível infeccione, queremos? — ela murmurou, acariciando o rosto de , que tentava afastar o rosto dela, mas não era possível.
— Onde está a minha filha?
Na menção da garota, Hanna sorriu e levantou, saindo imediatamente da cozinha.
olhou à sua volta, tentando procurar algo para se soltar, mas não achou nada. Tateando pela cadeira, viu que tinha um parafuso em uma madeira e ele estava metade para fora. Ela começou a girá-lo, tentando tirá-lo de lá. Ouviu passos e olhou para a porta. Seus olhos se encheram de água ao ver Lenna no colo de Hanna, brincando com uma boneca de porcelana.
— Ai, meu Deus! — Ela soluçou. — Oi, meu amor.
Lenna olhou para a mãe e sorriu, esticando os bracinhos.
— Mamãe!
Hanna rolou os olhos, impaciente.
— Eu já te falei, Lenna, eu sou sua mãe. — Hanna rosnou. — Me chama de mamãe.
Milenna olhou para Hanna, mas não a respondeu, e a mulher irritou-se, deixando a menina no chão. Ela não foi tão cuidadosa, e rosnou:
— Cuidado! Ela é só um bebê!
— Quando você morrer, ela será o meu bebê, e nada que você falar agora mudará isso. — Hanna arqueou as sobrancelhas. — Isso se a menina sobreviver aos ferimentos, é claro.
— Sua vadia! — Ela se contorceu na cadeira, e Hanna riu, adorando suas tentativas de se soltar. — Do que você tá falando? Não encosta nela!
— Ah, meu plano era só matar você e largar Lenna aqui, para que os policiais encontrassem. Eu tenho as digitais de em todos os cantos. Eu invadi a casa dele e rasguei todas as suas fotos. Ele tinha digitais em todos os lados da casa, então levei o que precisava e peguei várias. Não existe uma só digital minha aqui. O que tinha era na jaqueta e na garrafinha, mas as duas estão queimando na lareira agora.
olhou para as mãos dela e notou que ela usava luvas pretas.
— A polícia vai encontrar você morta e as digitais dele, então vão prendê-lo. Eu queria ficar com a Lenna para mim e Elliot, junto com nosso bebê, mas acho que será mais divertido se eu machucá-la também. Machucar você seria fácil demais. Quero que você assista quando eu cortar esta menininha de cima a baixo.
arregalou os olhos, sentindo-os marejarem de novo. Hanna era uma lunática, não estava em seu juízo normal.
— Por favor — ela murmurou.
— Não adianta pedir por favor. Não vai mudar nada.
A morena sentiu seu sangue ferver e cuspiu na cara da outra, irritada.
— Você tem algum problema? — ela gritou. — Você é doente! Por que você fez isso com as outras mulheres? E por que eu? O que eu fiz?
Hanna riu, limpando o rosto.
— Você tem razão, amiga. Eu sou mesmo doente. — Ela sorriu. — Tenho alguns distúrbios mentais, mas vamos deixar isso entre a gente — ela pediu. — Isso pode me fazer muito... Violenta.
arregalou os olhos.
— O fato é que eu não machucava ninguém há muito tempo. Quando eu era criança, empurrei uma menina no parquinho, e ela bateu a cabeça na gangorra. Precisou ir ao hospital. Foi aí que papai e mamãe descobriram que eu era doente e me internaram em uma clínica. Isso só piorou, porque eu tive raiva deles. Nós nos mudamos quando eu tinha treze anos, porque ameacei um vizinho com uma faca. Queriam me internar de novo, mas não deixei. Disse que os mataria. — Sorriu. — O que você acha que eu senti quando cheguei à minha casa, depois do colégio, com dezessete anos, e eles tinham ido embora?
engoliu em seco quando Hanna pegou uma faca em cima da mesa, brincando com a ponta dela em seu dedo indicador, o que o fez sangrar.
— Eu pirei e fui internada quando as autoridades me encontraram, querendo me levar a um orfanato. Quando fiz vinte e um anos, eu era maior de idade e pude sair da clínica quando decidiram que eu não oferecia mais perigo. Meu pai e minha mãe deixaram dinheiro para mim, apesar de me abandonarem, e eu gastei boa parte dele pagando um cara para limpar minha ficha. Antes, eu era Giorgina Rooth, mas, agora, sou Hanna Osen-East. Conheci Elliot quando ele estava no último ano da faculdade, e eu, no primeiro de Arquitetura. Ele acreditou em tudo o que contei: meus pais tinham morrido em um incêndio em que apenas eu sobrevivi, que eu era muito sozinha... Ele se apaixonou facilmente por mim, e eu também.
continuou com os dedos no parafuso e foi girando, tentando tirá-lo de lá.
— Acontece que ele mentiu para mim. Não tinha me dito sobre vocês. Eu estava arrumando algumas coisas lá em casa quando encontrei tudo; cartas de amor, fotos, a fita do baile de formatura. Faz dois anos que isso aconteceu.
O tempo exato que as mortes começaram.
— Elliot me explicou tudo, disse que não significava mais nada aquilo, e eu acreditei. Mas e você? Eu não poderia deixar você se safar disso. Você vivia com Elliot, dizendo que ele era seu melhor amigo, mas como eu poderia confiar em você? Eu comecei a matar mulheres parecidas com você, comecei a seguir você... E, então, você colocou na cabeça que iria adotar. Ficou enchendo o saco do meu marido, até ele te ajudar em tudo, e eu pensei: e se ele quiser ficar com ela e com a criança? Então, joguei meus comprimidos fora e engravidei.
— Fácil assim? — murmurou.
— Foi muito fácil. — Sorriu. — Eu chorei quando fiz o teste, disse que sentia muito, que não era planejado... Mas ele ficou tão feliz que eu não poderia contar a verdade. Que eu tinha feito de propósito. Acho que, se eu contasse, não faria diferença, mas ele ainda acredita que foi acidental. Ele está feliz comigo. Você não pode destruir isso!
arregalou os olhos.
— Eu não quero destruir...
— Cala a boca! — Deu um tapa na cara da outra. — Eu sei que você quer. Você está com apenas para fazer ciúme ao meu Elliot. Ele é tudo o que eu tenho! Não vai tirá-lo de mim!
Ela arregalou os olhos e engoliu em seco. A mulher estava louca, mas ela entraria no jogo dela, se preciso fosse. Ela só precisava que ela continuasse conversando. Quanto mais tempo ela falasse, menor a chance de machucar Lenna.
— Por que matar outras mulheres? Por que não me matar?
— Porque elas são iguais a você. São órfãs, loiras, como você era quando namoraram, e são infiéis. E se ele as encontrasse e visse você nelas? E se ele se apaixonasse por uma delas? Eu não poderia deixar isso acontecer — ela falava mais sozinha que com , e a morena percebia como ela estava louca.
— Eu nunca o traí. — Ela negou com a cabeça.
— Transar com no dia em que terminou com ele foi traição, querida. Você nem sequer respeitou a dor dele.
mordeu o lábio quando sentiu um fiapo da corda arrebentar e continuou. Sabia que era questão de tempo até conseguir sair dali, e Hanna não parecia que calaria a boca.
— E por que não morenas? Eu sou morena agora.
— Ele te amava quando você era loira, não faria sentido matar mulheres morenas. — Ela rolou os olhos.
— Você não precisa me machucar, Hanna. Eu vou sair da vida de vocês, se você quiser, mas me deixa pegar minha filha e ir embora. Não tem jeito desse seu plano doentio dar certo.
Ela riu, negando com a cabeça.
— Tudo será perfeito. Meu plano não tem falhas, é claro que vai dar tudo certo. — Negou com a cabeça.
— Por que você quer colocar na cadeia?
— Porque ele nunca gostou do Elliot, sem meu marido ter feito nada para merecer isso! Ele é louco e vai para a cadeia. E eu precisava de alguém para culpar, ou sempre iriam continuar procurando e, uma hora ou outra, iriam me achar.
riu, rolando os olhos.
— Você é muito ingênua, se realmente acredita que vai sair dessa tão fácil. Vão te achar, uma hora ou outra.
Enquanto Hanna continuava falando, conseguiu tirar um prego que estava quase saindo da cadeira e estava raspando na corda. Era difícil, mas ela sentia que a corda iria arrebentar facilmente. Só precisava fazê-la falar mais.
— Até lá, eu e Elliot estaremos morando longe.
— Como você conseguiu escapar dele? Ele não deixa você sair de perto dele.
— Eu disse que estava com medo de roubarem nossa filha também, fingi que estava desesperada e falei que queria me internar em um spa para grávidas. Comprei a estadia de uma semana, mas não fiquei lá nem um dia.
— E onde minha filha ficou nesse tempo?
— Ela ficou com uma babá que contratei para ficar com ela aqui, na cabana. Paguei muito caro por isso, então ela ficaria de bico fechado. Mas não sabia se poderia confiar nela, então cortei seu pescoço. Ela está no porão, apodrecendo, provavelmente.
soluçou e assustou-se com a facilidade com que ela falava disso.
— Um homem foi até a minha casa. Não tinha como ser você. Ele usava uma máscara, mas era um homem. Quem te ajudou?
— Eu tenho contatos. Ele ganhou muita grana e está morando na Rússia agora. Vocês nunca o encontrariam, é só um velho amigo. Eu poderia tê-lo matado, mas preferi deixá-lo se matar sozinho. A vida que leva, uma hora ou outra, vai condená-lo.
— Você é um monstro.
— Você verá, agora, quem é o monstro. — Hanna rosnou irritada e levantou-se com a faca na mão.
gritou quando ela se aproximou de Lenna e a pegou no colo.
— Por favor!
— Agora, não adianta pedir por favor. — Ela sorriu e colocou a faca no ombro de Lenna, que olhou para o objeto.
Hanna fez força, e Milenna gritou, chorando quando o sangue escorreu. Tinha sido um corte fino, mas ela era muito pequena e não tinha tanto sangue no corpo. Qualquer gota que saísse do corpinho dela preocupava .
— Por favor, não a machuque. — soluçou.
Hanna colocou Lenna no chão de novo, e puxou o braço com força, não se preocupando em rasgar o resto da corda, e acabou machucando seus pulsos, mas ela não ligava. Precisava tirar sua menina dali.
Ela se apoiou em uma perna e pulou em cima de Hanna, que caiu junto com ela e derrubou a faca no processo. Hanna tentou escapar dos socos e tapas, mas não conseguiu e começou a tentar revidar. Como estava por cima era mais fácil para ela.
— Eu estou grávida!
— Deveria ter pensado nisso antes de sequestrar minha filha, sua vadia! — ela gritou, socando o nariz de Hanna, que começou a sangrar.
não percebeu quando Hanna esticou o braço para pegar a faca. Quando viu o objeto na mão da mulher, já era tarde demais. Hanna a esfaqueou na barriga e girou a faca no processo, fazendo abrir a boca e arregalar os olhos.
Elas ouviram as sirenes, antes das luzes azuis e vermelhas brilharem pela casa, mas era tarde demais. sentiu quando Hanna saiu debaixo de si e ela colocou a mão no estômago, que saía uma quantidade absurda de sangue.
Ela apoiou-se na mesa e se colocou de pé, com dificuldade. Esticou os braços e pegou Lenna, abraçando-a com força. Ela sabia que era tarde demais, que aquele era o último abraço.
— A mamãe ama você — ela sussurrou.
Hanna pegou uma arma em cima da mesa e apontou para , que arregalou os olhos.
— Por favor — ela murmurou fraca. — Você tem uma chance de fugir. Só me deixa entregar minha filha aos policiais, por favor. Eu preciso que ela fique bem.
— Você chamou a polícia, sua filha da puta? Eu mandei não chamar ninguém! — A mão da loira tremia ao apontar a arma para . — Agora, eu vou morrer... Então você também vai.
A mão de , que cobria o ferimento, estava encharcada de sangue, e ela tremia com a filha no outro braço.
Lenna estava abraçada ao pescoço da mãe, choramingando pela dor no braço.
— Você pode fugir. Por favor, nos deixe em paz!
Elas ouviram quando a porta da frente foi arrombada e Hanna arregalou os olhos.
— Não tem escapatória.
, Rober e Elliot entraram na cozinha. Hanna estava de costas para eles, mas os três conseguiram ver que era uma mulher.
— Mãos atrás da cabeça! — gritou.
Ele olhou para e arregalou os olhos ao vê-la sangrando não só na perna, mas no estômago também. Alguém saiu de trás de , e percebeu que era o pai dele, pelas fotos que já viu dele. Ele usava um colete também, mas não tinha arma nenhuma nas mãos. Ela sabia que ele não deveria estar ali. Provavelmente, veio para salvar a neta, e ela ficou grata.
Hanna deu dois passos à frente, com a arma apontada na direção de Lenna, e mais se desesperaram.
— Renda-se! Isso não é um jogo, você vai morrer também! — Robert gritou, apontando a arma.
Elliot olhou para a mulher, franzindo o cenho.
— Ela tá grávida, porra! — gritou ao ver a barriga.
Hanna arregalou os olhos ao ouvir a voz do marido e puxou o gatilho. Quando percebeu que ela iria mesmo atirar, abraçou a filha e virou-se, só a tempo de Hanna disparar. e gritaram juntos quando foi atingida. Ela caiu ajoelhada no chão, e atirou junto com Robert.
Elliot gritou, porque ela estava grávida e não achava certo atirarem. Quando a mulher caiu no chão, ele viu seu rosto e gritou desesperado.
— Hanna!
arregalou os olhos ao ver Hanna jogada no chão, mas ele não poderia se preocupar com isso. Sua mulher estava muito machucada, ele precisava dar um jeito nisso.
— Amor, eu preciso que você segure firme, tá? O tiro foi no braço, vai ficar tudo bem. Os paramédicos estão ali fora e... — Ele assustou-se quando tocou no rosto dela e sentiu sua temperatura. Ela estava fria como o gelo. — Nossa menininha está bem, você vai ficar também.
— Eu acho que não, amor. — Ela sorriu fraco. — Você vai tomar conta dela, não vai?
— Nós vamos, porque você não está indo a lugar nenhum. — Ele chorou. — Eu não posso perder você, .
Os paramédicos, que tinham vindo junto com os policiais, entraram no lugar, carregando vários equipamentos, e foram afastando todos das mulheres, para prestarem os socorros. segurou Lenna no colo e não soltou a mão de , até que entrassem na ambulância. Ele sabia que “O Colecionador de Bonecas” era o caso mais importante de toda a sua vida, mas ele não se importava com o que ganharia por ter ajudado a solucionar o caso, se, depois de todo o sofrimento, morresse. Ele só precisava dela viva. Era só o que pedia.

Capítulo 10 - parte I



Já fez mais de oito horas que ela estava em cirurgia quando um médico apareceu na sala, tirando uma touca cirúrgica do cabelo. notou como ele estava cansado e não conseguiu decifrar sua expressão, até caminhar até ele, ansioso. Bennet e Nathan ficaram sentados com Lenna. Sabiam que aquele era um momento que só poderia ter. Ele tinha que receber a notícia, fosse boa ou ruim.
— Como ela está, doutor?
O doutor suspirou e encarou .
— Você não acredita em milagres, acredita?
negou levemente com a cabeça e já sentiu seus olhos lacrimejarem.
— Pois deveria. Ela sobreviveu, garoto. — O senhor deu um leve sorriso. — Ela deveria ter chegado morta aqui. Perdeu sangue demais. O ferimento na perna, a facada... O tiro, por incrível que pareça, foi o mais leve de todos. Foi de raspão e causou apenas uma pequena lesão no músculo.
— Ela está acordada? — perguntou enérgico.
Não conseguia acreditar que ela estava mesmo viva. Precisava vê-la.
O doutor riu, negando com a cabeça.
— Foram quase nove horas de cirurgia, senhor Shepard. vai passar por uma longa recuperação. Não sabemos as sequelas...
— Sequelas? — Arregalou os olhos.
— Nós a perdemos duas vezes durante a cirurgia. O coração dela parou por quase um minuto. Ela pode ter um coma ou pode acordar assim que diminuirmos a medicação. Não temos como saber ainda. Fizemos tudo o que pudemos. Agora, só depende dela. — Ergueu um ombro. — Ela vai passar a noite na UTI, em observação. As primeiras 24 horas são extremamente críticas. Depois, a moveremos para um quarto.
— Por que você fala isso tão calmo? — murmurou.
— Porque eu tenho esperança, . Sou médico há mais de trinta anos. Eu sei reconhecer um caso perdido.
— Não diz isso. Não me faz acreditar que ela pode estar bem. Não vou suportar se...
— Acredite, . É a sua esperança que vai fazê-la se recuperar. — O doutor sorriu fraquinho. — Não posso fazer isso, mas vou deixar você e a menina de vocês visitarem-na assim que possível. Não devo deixar nas primeiras 48 horas, porque pode ser perigoso para ela, mas, se ela continuar estável, deixarei vocês a verem em 24 horas.
abraçou o médico e agradeceu, sucumbindo ao choro assim que ele saiu. A sala de espera estava cheia de gente, mas a única pessoa ali que importava realmente estava no colo de Bennet, chupando uma chupeta. Assim que aproximou-se dela, ela sorriu e estendeu os bracinhos. Ele a pegou no colo e a abraçou, soluçando.
— A mamãe está bem, meu amor. Ela tá bem — ele murmurou, grato ao que quer que seja que tenha a mantido viva.
Benny e Nate levantaram e o abraçaram, também emocionados. aceitou o abraço dos amigos e deixou que o consolassem. Não sabia o porquê não estava conseguido parar de chorar... Só de pensar que ela poderia estar morta, mas não estava... Era tudo o que importava.
— Não! — Ouviram uma voz feminina e os três se separaram, dando de cara com Vivien. Ela derrubou a sacola que estava trazendo consigo e encarou o genro, desolada. — Por favor, . — Os olhos dela estavam cheio de lágrimas.
— Ela está bem — murmurou, dando um sorrisinho leve. Benny pegou Lenna, e foi até a sogra, abraçando-a.
— Eu achei...
— Eu também. — murmurou.
explicou tudo a eles; inclusive, que ela poderia ficar em coma. Christian soluçou e sentou, enterrando o rosto entre as mãos. Demorou muito tempo para que todos se recompusessem e, quando finalmente o fizeram, Nathan e Bennet decidiram dar um tempo para a família dela.
— Nós vamos ver Clint — avisaram.
Os outros assentiram e deixaram que fossem ver o filho deles, que estava internado naquele mesmo hospital.
— Você disse que só vão deixar você vê-la daqui a 24 horas, certo? — Vivien falou.
assentiu.
— Então você vai pegar minha netinha, vai pra casa, tomar um banho e dar um banho nela também, porque ela tem sangue da e dela no corpo inteiro.
concordou com a cabeça e pegou a filhinha no colo.
— Eu trouxe algumas frutas para ela, mas, se quiser trazer mais alguma coisa...
Ele assentiu mais uma vez e se despediu, indo até o estacionamento com a filha. O caminho não era longo até sua casa, mas pareceu imenso porque ele ficava pensando que não encontraria lá quando chegasse. Só o pensamento de dar alguma coisa errada durante essas 24 horas... Ele não conseguia nem imaginar.
Por questão de segurança, deixou Lenna dentro do banheiro enquanto tomava banho. Nunca mais a deixaria sozinha em algum lugar. Ele nem conseguia acreditar que ela estava bem. Não sabia o que fariam se a perdessem.
Depois que se vestiu, deu um banho em Milenna e colocou uma roupa quentinha, pois estava chegando uma frente fria na cidade, e tudo o que ele menos queria era ter a filha doente quando acordasse.
— Quer comer alguma coisa? — perguntou, indo até a cozinha.
— Sim.
Assim que começou a preparar um sanduiche de pasta de amendoim para ela, sua barriga roncou e decidiu fazer um para ele também. Fez dois achocolatados e colocou um na mamadeira dela, que ela foi tomando sozinha no caminho até o hospital. De vez em quando, ela reclamava do braço, que estava dolorido por causa dos pontos, mas logo passava. não gostava de vê-la assim.
Algumas quadras antes do hospital, avistou uma barraca de flores e estacionou para comprar um buquê para . Decidiu pegar um de rosas brancas, porque eram as preferidas dela. Lenna adorou o presente e achou que era para ela, então tirou uma flor do buquê e deu à filha.
Vivien e Christian estavam conversando com Benny e Nate quando chegaram. Bennet foi direto pegar Lenna no colo.
— Nossa! Como minha menina tá cheirosa!
Ela sorriu para o tio.
— São para ? — Viv perguntou, com um sorriso no rosto.
assentiu levemente, sentando ao lado da sogra.
— Como está Clint? — perguntou aos amigos, que estavam mimando a garotinha dele.
— Ele vai ganhar alta esta semana, aí vai ao orfanato. Vai ficar lá na próxima semana. Depois, ele vai ser nosso de verdade. — Nate comentou feliz.
? — Bennet chamou sua atenção. — Eu acho que você devia falar com o Elliot.
arregalou os olhos ao notar que não tinha nem pensado nele até agora. Ele deveria estar arrasado.
— Onde ele está?
— No berçário. A menininha deles nasceu. Ela é linda e o nome dela é Carly. — Nathan sorriu.
— Eu vou lá. — colocou o buquê na cadeira em que estava antes e foi pedir informação a uma enfermeira, que o guiou até o berçário.
Ele o viu assim que chegou lá. Havia mais dois homens olhando os bebês pelo vidro, mas Elliot estava mais afastado e dava para perceber que ele não estava bem, mesmo estando de costas. colocou uma mão no ombro dele, e ele se sobressaltou, olhando para trás.
. — Elliot virou-se por completo. — Como a tá?
— Saiu agora da cirurgia. Ela está bem. Mas, e você, Elliot? Como você tá?
— Eu sinto muito, . — Seus olhos se encheram de lágrimas. — Não fazia ideia...
— Eu sei. — deu um passo à frente e o abraçou.
Nunca foi com a cara dele, é verdade. Mas não podia imaginar pelo que ele estava passando. A esposa era uma sociopata e sua filha havia nascido prematura... Devia ser um inferno.
— Como você tá? — repetiu ao se afastar.
— Não sei, . Eu não consegui nem parar para pensar. Hanna foi mandada para a sala de cirurgia assim que chegou. Tiveram que tirar a bebê, e ela veio pra cá. Ela estava quase pra nascer, então não precisou de incubadora. Mas ela é tão pequenininha. Eu estou com tanto medo de... — Ele soluçou, cobrindo o rosto com as mãos.
— Nada vai acontecer. Ela vai ficar bem — garantiu ao outro.
— Eu espero.
— Qual delas é a sua? — perguntou, sorrindo, ao ver os bebês.
— Aquela com uma cobertinha de ursos. — Apontou. — Ela é minúscula.
— Ela é linda, Elliot. — sorriu. — Mas eu preciso perguntar... Você já foi ver a Hanna?
— Não sei se consigo. Ela mentiu pra mim. Por anos.
— Você deveria vê-la, Elliot. Por anos, ela mentiu pra você, mas ela é a mãe da sua filha. Você precisa resolver as coisas, preferencialmente, antes da acordar, senão, ela vai levantar daquela cama e vir te dar uma surra.
Elliot riu e assentiu, porque sabia que era verdade.
— Eu vou. Prometo. Não sei quando, mas vou.
assentiu.
— Depois, se você quiser, pode ir à sala de espera. Os caras estão lá e a família da também. Logo poderemos vê-la. Ela vai querer te ver.
Elliot concordou com a cabeça, e se retirou, deixando o outro com seus pensamentos. Elliot viu sua filhinha levantar as mãozinhas, espreguiçando-se, e sorriu sozinho, admirando-a.
— Senhor East? — uma enfermeira o chamou.
— Sim?
— Quer pegá-la? — Ela sorria, e ele caminhou rapidamente até ela.
A enfermeira o conduziu até o berçário, e ele parou ao lado da filha. Ela era minúscula, e ele só tinha a visto pelo vidro, até agora, pois os médicos a colocaram em observação por algumas horas. Ele já a achava linda... Vendo de perto, então...
A enfermeira a pegou no colo e aproximou-se de Elliot, que estava tremendo.
— Calma. Ela é pequenininha, mas não é de vidro. Não vai quebrar se você segurá-la, eu prometo. — Ela tinha um sorriso acolhedor, e Elliot não pôde evitar se sentir menos nervoso.
A enfermeira estava balançando Carly, e ela estava acordada com os olhinhos abertos, procurando alguma coisa.
— Seu papai está aqui. Quer vê-lo?
Carly soltou um gritinho daqueles que os bebês soltam, e Elliot achou maravilhoso. Ela parou de olhar para a enfermeira e começou a olhar para o pai, estudando-o.
— Está pronto?
— Sim — falou num fio de voz.
A mulher aproximou-se de Elliot e o ajudou a pegar Carly, que não reclamou ao ser transferida para o colo do pai. Elliot sorriu para a menininha e inclinou a cabeça para beijar sua testa.
— Oi, meu amor. Eu sou o papai — ele murmurou e sorriu quando ela estendeu a mãozinha, enroscando os dedinhos na sua barba.
A enfermeira sorriu, admirando o carinho do homem com a bebê.
— Meu nome é Yana — a mulher falou. — Eu que estou cuidando da Carly aqui, junto com o Dr. Octavius. Qualquer coisa, é só me chamar. Vou deixar vocês se conhecerem agora. — Ela sorriu e fez um carinho na bochechinha de Carly, antes de se afastar, indo verificar como os outros bebês estavam.
Elliot desviou o olhar da enfermeira quando a filha puxou sua barba, fazendo-o rir.
— Você gostou, meu amor? — perguntou baixinho. — Eu sei que você deve estar querendo conhecer a mamãe, mas não vai dar. Eu nunca vou deixá-la machucar você, tá bom? Eu prometo. — Beijou sua testa. — Somos só nós dois agora.

não dormiu nadinha. Estava à base de café e cochilos de cinco minutos. Lenna dormiu por horas, e ele agradecia, porque, quanto mais tempo ela dormisse, menos sentiria a falta da mãe. Ela perguntou várias vezes onde a mamãe estava, e já estava sem desculpas.
?
levantou-se quando o médico o chamou.
acordou. Ela está muito bem e acabamos de tirar a medicação, então ela está sonolenta, mas, aparentemente, não corre mais riscos. Vou deixar a família toda vê-la. Dois por vez, apenas.
olhou para Vivien e indicou que ela fosse primeiro. Estava enlouquecendo, mas ela era a mãe de . Viv estava muito nervosa, ela merecia ir primeiro. Christian a acompanhou, e permaneceu na sala de espera.
O doutor aproximou-se dele e sentou ao seu lado.
é muito forte, sabia? — comentou. — Eu não deveria deixar vocês todos vê-la, principalmente, a bebê. É proibido a entrada de crianças menores de dez anos, mas eu sei que é necessário e vou deixar, como já disse. O tempo de visita é meia hora, então, em quinze minutos, você pode ir. Só peça que a mãe dela espere aqui, junto com o outro rapaz.
— Obrigado, doutor. — sorriu fraquinho. — Ela precisa disso. Ver que todo mundo está esperando-a aqui. Vai ajudá-la a se recuperar mais cedo.
— Tenho certeza disso, filho. — O médico sorriu. — Qualquer coisa, é só me chamar. Ela vai se recuperar rápido e logo estarão em casa.
assentiu e viu o médico sair da sala. Elliot e Nate foram ver o filho mais uma vez, então ele estava sozinho com a filhinha. Os quinze minutos se passaram como horas, mas ele aguardou ansiosamente. Assim que deu o horário, foi até o quarto de . Ele abriu a porta devagarzinho, mas ela o viu imediatamente. Viv estava falando alguma coisa, mas quando viu que não estava prestando atenção, olhou para a porta e viu ali. Ela sorriu para o filho e o chamou para saírem dali. e nem perceberam. Estavam imersos numa bolha só deles e nada mais importava. fechou a porta e aproximou-se da cama dela, com a filha no colo e o buquê na mão livre. olhou para Lenna e seus olhos transbordaram. Ele deixou as flores de lado, na mesinha, e sorriu ao ver o quanto ela estava feliz por vê-los.
— Ai, meu Deus! — ela murmurou. — Ela tá bem.
— Ela tá perfeita. — sentou Lenna na cama, ao lado da mãe, e sorriu. — Só levou um curativo e uns dois pontos.
— Fizeram exames nela? — Com a mão livre, pegou na filha, certificando-se de que tudo estava bem.
— Sim, todos os possíveis. Ela estava um pouco desidratada e com poucos nutrientes no corpo. Parece que aquela vagabunda não estava alimentando-a bem. Mas, agora, tá tudo certo. Ela tá comendo bastante e bebendo muita água. Não precisou nem ficar em observação, porque não era nada sério.
assentiu e respirou fundo, beijando o rosto da filha.
— Eu estava com saudades, meu amor — murmurou.
Lenna sorriu e encostou-se no peito da mãe, aceitando o abraço.
— Ela morreu? — perguntou, fazendo carinho na cabeça da filha, que estava quase dormindo já.
— Não. Teve a bebê e está internada. Eu falei com o Robert. Ela tá sendo vigiada por quatro policiais. Não vai escapar. Só que precisam que você dê seu depoimento, amor.
— Eu vou dar. — Assentiu. — Eu achei que ela mataria a Lenna — murmurou. — Nunca senti tanto medo na minha vida.
— Shhh! — Ele aproximou-se e a abraçou. — Tá tudo bem. A Milenna tá bem.
— E o Elliot? — Ela arregalou os olhos, afastando-se dele. — Meu Deus! Ele...
— Ele tá bem. Tá com a filhinha dele. O nome dela é Carly e ela é linda. É muito pequena, mas é forte, pelo visto. Não estava chorando quando fui lá. Estava bem quietinha, observando tudo.
— Ele deve estar arrasado — murmurou. — Eu queria vê-lo...
— Eu falei a ele que você iria querer. Ele vai vir aqui mais tarde.
Ela assentiu, e ele aproximou-se, fazendo um carinho em sua bochecha.
— Foi o pior dia da minha vida, . Não sei o que foi pior: achar que você morreria, ou ver você ser atacada na minha frente...
— Foi o pior dia da minha vida também. Eu achei que iria morrer, mas não estava com medo. Sabia que cuidaria da nossa filha.
Ele sentiu os olhos marejarem e encostou suas testas.
— Nunca mais me faça passar por isso, por favor.
Ela assentiu, limpando suas bochechas.
— Eu tenho que ir. O médico vai vir me arrancar daqui, se eu não sair — murmurou.
— Tudo bem. Você pode vir junto com Robert quando ele vier recolher meu depoimento? Eu não quero estar sozinha.
— Claro que sim, amor. — Deu um selinho nela.
— Eu sei que você não dormiu nada. — Ela tocou seu rosto. — Vai pra casa. Dorme lá com a nossa bebê. Se Robert vier aqui, eu digo que só vou falar com ele quando você voltar. Mas você precisa descansar.
— Tudo bem, eu vou. Mas volto amanhã cedo.
— Vou estar esperando. — Beijou-o. — Eu te amo.
— Eu também amo você.
Ele pegou a filha, que estava dormindo no colo da mãe, e foi até a sala de espera. Falou que ia para casa, e Viv e Christian decidiram ir junto, porque também não dormiram muito. Bennet e Nathan já tinham ido, então não tinha mais ninguém ali.

acordou algumas vezes durante o sono, porque estava tendo alguns pesadelos. Decidiu, na terceira vez, que ficaria acordada. Até porque já era quase seis da manhã, logo estaria ali, e ela não precisava mais temer.
Depois de tomar seu café, lá pelas sete, ouviu batidas na porta e pediu que entrasse, quem quer que fosse. Seu coração apertou ao ver Elliot. Ele estava acabado. Tinha olheiras de quem não dormiu nos últimos três dias, e ela sabia que era possível. Se fosse ela no lugar dele, também não dormiria.
— Oi — ele murmurou.
Ela sentou na cama e o chamou com a mão, puxando-o para um abraço assim que estava perto o suficiente. Ele a soltou quando ela gemeu de dor, provavelmente, pelo braço baleado. Ou, talvez, fosse a facada no abdômen.
— Eu sinto tanto, . — Sua voz saiu baixinha. Ela olhou em seus olhos e, quando viu as lágrimas, segurou as mãos do amigo, tentando passar algum tipo de conforto.
— Por favor, não faça isso. Não foi sua culpa.
— Foi, . Ela começou com isso quando descobriu que você foi minha namorada. Foi por minha causa.
— Elliot, ela tem sérios problemas. As causas não importam, foi culpa dela. Nunca mais fale isso. — Ela franziu o cenho. — Eu não quero você se remoendo por isso. Você é muito novo para ficar se remoendo por uma maluca. — Suspirou. — Sei que você a ama, mas ela...
— Eu amei a imagem que eu tinha dela. O que ela me fez acreditar que ela era. Mas ela não era aquilo que eu pensava. Eu não amo essa Hanna. A mulher que eu amo nem existe. Eu não sei nem se esse é o nome dela. — Bufou. — Tudo foi uma mentira. E isso não me deixa parar de pensar... Será que a minha filha é mesmo minha? E se ela não for? Se não for, e a Hanna se safar disso... Ela vai tirá-la de mim. Eu já a amo tanto... Não consigo imaginar...
arregalou os olhos.
— Não fique pensando isso, Elliot! Ela é sua, sim! Hanna me disse, na cabana... Ela é sua, e é sua. A Hanna nunca vai poder tirá-la de você.
— Eu espero que você esteja certa, . Não vou aguentar se a tirarem. Ela é tudo o que eu tenho agora.
sorriu com o carinho que ele falava dela.
— Dá para perceber que você já a ama. Seus olhos brilham quando fala dela.
— Ela é minha vida. Acho que nunca senti nada igual como quando a vi pela primeira vez, pelo vidro do berçário. — Sorriu. — E quando a segurei... Foi maravilhoso.
— Ela deve ser linda.
— Ela é. — Sorriu grande. — Eu tenho vídeos... Vários deles... — Pegou o celular. — Olha. — Deu play em um em que era ele e Carly. Ela estava coçando os olhinhos, e ele estava cantando uma música para ela. sorriu, achando lindo. A menininha era linda também. — Este aqui é dela com a enfermeira dela. — Sorriu. — Ela a adora.
A enfermeira estava dando a mamadeira a bebê e conversando com ela, fazendo caras e bocas. Quando percebeu que Elliot estava filmando, ela ficou vermelha e fez um bico, emburrada, pedindo que ele parasse com isso.
— Essa é a enfermeira dela?
— Sim. Carly gosta mais do colo dela que do meu — falou emburrado. Olhou para , e ela estava com um sorrisinho na cara. — Que foi?
— Ela é linda. — Arqueou as sobrancelhas. — Será que é solteira?
! — Ele arregalou os olhos. — Eu não perguntei! Eu não acredito que tá insinuando isso...
Ela riu, mas parou ao perceber que podia ter ido longe demais. Ele havia descoberto há três dias que a esposa era uma serial killer. Não era justo colocá-lo nessa posição agora.
— Sinto muito — ela murmurou. — Eu só tô tentando te distrair. Eu quero que você seja feliz.
— Eu vou ser, . — Ele sorriu. — Eu prometo. Mas será só eu e minha menina, por um bom tempo. Não sei se um dia vou ser capaz de confiar em outra pessoa de novo.
— Eu sei. — Ela apertou o ombro do amigo. — Não será fácil, mas você sabe que vai me ter sempre por perto, não sabe?
— Será bom. — Ele sorriu. — Não sei nem trocar fraldas. Você vai ter que me ensinar.
— O que acha de treinar agora? — Ouviram uma voz e viram na porta com Lenna no colo. — Ela encheu os pacotes quando estávamos vindo ao hospital. É toda sua.
Elliot arregalou os olhos. Uma porque não tinha visto chegando e levou um pequeno susto. Outra porque não queria trocar fraldas, não sabia o que fazer.
— Agora, vai ter que trocar. — riu. — Vamos lá! Não é muito difícil.
Ele pegou Lenna como se ela fosse uma bomba pronta para explodir a qualquer momento.
— Ela já explodiu, Elliot. Agora, é só limpar. — riu, encostando-se na porta.
Aquilo seria divertido.
Ele a deitou na mesinha que ficava no canto do quarto e começou a tirar a calça da menina, que estava com os dedinhos na boca, achando graça.
— Você fica rindo porque não é você quem tem que trocar isso, né? — ele reclamou.
Abriu a fralda dela e franziu o nariz quando sentiu o cheiro.
— Jesus! Milenna! O que você come?
riu alto, e isso causou uma dorzinha abdominal, mas passou logo. foi até ela e a cumprimentou com um selinho. Os dois voltaram a atenção para o homem, que parecia desesperado.
— O que eu faço?
— Limpa o bumbunzinho dela com a fralda, para tirar o excesso. — Observou . — Assim mesmo. Agora, pega o lencinho... Amor, dá a ele.
pegou a bolsa da filha e entregou os lenços, o talco e a pomada.
Elliot conseguiu terminar direitinho, com a ajuda dos amigos, que ficavam ditando o que fazer.
— Você parece que é fofinha, mas só parece — ele murmurou para Lenna, que o abraçou.
Ele riu e a devolveu ao .
— Eu tenho que ir. Vou vê-la de novo. — Despediu-se.
— Elliot, você devia ver a Hanna. — falou. — Sei que não quer, mas ela pode responder todas as suas perguntas.
Ele assentiu, mas não disse se iria ou não.
Ela suspirou quando ele saiu e olhou para , que beijou sua testa.
— Ele vai. No tempo dele.
Ela assentiu e pediu que ele colocasse Lenna em seu colo, porque não podia pegá-la por conta do braço mobilizado. Abraçou-a com o braço livre e beijou seu rostinho, assistindo-a rir.
— Eu posso chamar o Robert?
Ela concordou com a cabeça e continuou conversando com a filha, tentando se distrair. Não sabia se estava pronta para aquilo, mas tinha que fazê-lo.
Robert e apareceram minutos depois, e ela suspirou, sem vontade nenhuma de contar tudo o que tinha acontecido.
— Como você tá, ?
— Ainda não caiu a ficha, na verdade. — Sorriu fraco.
— Você quer me explicar tudo aqui, ou prefere ir à delegacia quando receber alta?
— Prefiro fazer tudo agora, Rob — ela murmurou —, mas quero que o fique comigo.
— Você sabe que isso não é permitido.
— Pois, então, finja que ele não existe. Você sabe que não vou falar nada se ele não estiver aqui.
sorriu, olhando para Robert. Conhecia bem demais sua mulher. Era óbvio que ela mandava em tudo ali. Até Robert sabia disso.
Por fim, o mais velho suspirou e assentiu, indo até a porta para chamar o auxiliar que tomaria nota do depoimento de .
sentou na cama, com a ajuda do namorado, e, então, contou tudo o que tinha acontecido, desde a mensagem que recebeu no celular, até o momento em que os amigos e invadiram o local, libertando-a e libertando também sua filha.
Ela sabia que não seria fácil, a partir de agora. Seria ainda mais difícil ter que encarar Hanna no tribunal, mas era necessário. A justiça estava para ser feita e, agora, não faltava muito.

Continua...



Nota da autora: (25/11/2016) Quem é vivo sempre aparece, né? Rs Vou tentar escrever rápido o prox cap, prometo! QUERO SABER OQ ACHARAM LINDASSSS
Beijinhosssssss
Até a próxima pessoallllllllll
Entrem no Grupo do Facebook (link) porque lá sempre tem spoiler pra vocês.
Mandem um oi no twitter (@dougiefuck), prometo responder.
Mwaaaah, até a próxima. Não esqueçam de comentar!

Outras fics:
Regress - Restritas/Em Andamento Fruto Proibido - Restritas/Em Andamento 15. Once In A Lifetime - Ficstape #003





comments powered by Disqus




Qualquer erro nesta atualização são apenas meus. Para avisos e/ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa linda fic vai atualizar, acompanhe aqui.



TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO SITE FANFIC OBSESSION.