PERSECUTION


Escrita por: Sah
Betada por: Carolina Bezerra




CAPÍTULOS: [1] [2]



CAPÍTULO 1
Era mais um dia normal para todos, menos para . Era mais um dia que ela se lembraria de sua tristeza, da desgraça de sua vida. Seu despertador tocava fazendo com que ela se levantasse em um pulo da cama. se caminhou lentamente para o banheiro e tomou seu banho. Colocou o uniforme e foi falar com sua mãe que ainda estava na cama, chorando como sempre. Depressão. Sua mãe tinha depressão fortíssima. Ela ainda não havia procurado um médico por sua situação financeira. Toda a pensão que o pai dava, ia direto para a conta bancária de . Ela dava metade para sua mãe, mas não era o suficiente, todas as economias até agora dariam somente uns 4 meses internada na reabilitação. Sua mãe frequentava o psicólogo, mas ultimamente estava faltando todas as sessões. pensava em ajudar sua mãe, mas ela também tinha seus problemas de saúde. Ela pegou uma xícara e encheu de café. Aquilo a ajudaria a acordar. Ela saiu apressada, tropeçando em seus próprios pés. Chegou à escola atrasada. Era aula de matemática, caminhou até a sala 4 e entrou, se deparando com uma turma que não era a sua. corou de vergonha e saiu correndo para o corredor. Ficou parada uns instantes pensando em qual sala eles deveriam estar, a sala sempre foi aquela, por que mudara agora? Ela procurou um inspetor qualquer e ele lhe informou a sala. 11, a sala do 2º ano do ensino médio. O garoto que ela admirava era de lá. Ela entrou na sala e encontrou sua turma, deu um suspiro de alivio e se sentou.
— Onde a senhorita estava? – seu professor perguntou.
— Desculpe professor, eu entrei na sala errada e...
— Não quero saber – ele disse se virando para o quadro novamente escrevendo a matéria.

P.O.V
Eu queria sair daquela sala por vários motivos. Ela era toda fechada sem janela alguma, a aula estava entediante e essa sala me lembrava Niall. Fiquei desenhando enquanto o professor explicava alguma coisa. Não conseguia escutar sua voz, eu estava no meu próprio mundo onde ninguém podia me atrapalhar exceto . Era uma amiga minha desde o meu primeiro ano nessa escola.
— Pensando no quê, ? – ela puxou sua cadeira para mais perto.
— Você sabe que eu não gosto que me chamem de .
— É por isso que eu continuo fazendo – ela deu uma risadinha fazendo que o professor virasse para nós com um olhar ameaçador. Olhei para e ela entendeu a mensagem que eu estava passando. Fique longe. Ela logo retirou sua cadeira do meu lado. O professor deu uma saída para falar com o diretor e bolinhas de papel começaram a voar pela sala. Peguei meu livro "Instrumentos Mortais, Cidade dos Anjos Caídos" e fiquei lendo ele, como se nada mais me interessasse. participava desse grupinho da bagunça, mas não chegava a ir para a coordenação. O sinal tocou e eu agradeci a Deus por perder 20 minutos de aula do Ray. Uma inspetora baixa, morena, com cabelos encaracolados, entrou na sala avisando que tínhamos tempo vago até o a hora do intervalo. se sentou do meu lado e ficou me observando, mas que peste, eu não quero ninguém me observando.
— Vai ficar me olhando? – perguntei, fechando meu livro.
— Você nunca come nada, o que está acontecendo?
— Eu não estou com fome.
— Desde sempre?
— Sim. Agora para de encher meu saco e vai ficar com o seu grupo – eu rolei os olhos. De vez em quando ela era chata demais. Ela saiu e foi para a cantina, estava tão prendida no meu livro que nem percebi que ela havia colocado um salgado na minha frente. Só de sentir o cheiro fiquei enjoada.
— Anda, come – ela disse, cruzando os braços.
— Eu já disse que eu não quero comer.
— Você está muito magra. Se não comer isto, eu enfio na sua goela.
— Eu não vou comer – eu a desafiei. Ela pegou o salgado e ficou o pressionando contra minha boca, pedaços e mais pedaços desceram para meu estômago. Todos em volta estavam olhando o escândalo que estava fazendo. Eu não aguentei mais sentir o gosto de hambúrguer e corri para o banheiro. Fiquei lá parada esperando o vômito sair, eu sabia que ele sairia. E ele veio com força total fazendo-me vomitar até o que eu não comi. entrou desesperada no banheiro quando viu a cena.
— O que você tem? – ela colocou as suas mãos sobre meus ombros.
... Eu tenho bulimia – ela entrou em choque e a única coisa que fez foi correr.

"Não perca quem você é no borrão das estrelas
Ver é enganar, sonhar é acreditar
Tudo bem não estar tudo bem
Às vezes é difícil
Seguir seu coração
Mas as lágrimas não significam que você está se perdendo
Todo mundo se machuca
Basta ser verdadeiro com quem você é"



CAPÍTULO 2
Eu a deixei ir. Dar um tempo para ela e para mim. Saí do banheiro como se nada tivesse acontecido, mas todos sabiam que havia acontecido algo, já que estavam olhando para mim. Bebi um pouco de água para tirar o gosto de vômito de minha boca e fui para a sala. estava lá, de cabeça baixa em sua cadeira, chorando baixinho. Abracei-a de lado, mas ela se esquivou.
— Você está chateada comigo por que eu não te contei?
— Sai daqui! – ela levantou o braço e me empurrou para trás.
, eu só descobri isso anteontem e eu não queria que ninguém soubesse. Minha mãe já tem os seus problemas. Se ela souber disso a minha vida vai virar um caos!
— É o melhor para você, . Me desculpe, mas eu terei que contar para a minha mãe.
— Não, por favor não. A minha mãe já tem os problemas dela e ninguém faz nada, por que fariam algo por mim?
— Porque ela já é adulta e sabe o que fazer, você é adolescente e não sabe o que fazer.
— Eu sei o que fazer sim!
— E o que é que você tem que fazer? – eu fiquei calada, eu não sabia o que fazer mesmo. – Viu? Você não sabe!
— As vezes que só preciso do meu mundo – eu disse, calma.
— E como é o seu mundo?
— Silencioso e calmo, diferente desse que só tem agitação que não dá nem para pensar quanto é dois mais dois.
— Acorda para a realidade, seu mundo é esse e você não pode mudá-lo.
— A realidade dói.
— Infelizmente é impossível evitar a dor.
— Eu só preciso de um abraço – ela caminhou até mim e me abraçou – Obrigada por ficar do meu lado e se preocupar comigo.
— Esse é meu papel.
— Agora vamos lavar esse rosto – eu a levei para o banheiro. Descemos porque ainda tínhamos uma hora e meia de tempo vago. Eu fiquei observando todos, o que faziam... Olhei rapidamente para Niall que estava em um grupinho de metidos, os garotos falaram algo para ele que logo se virou para mim e sorriu. Fingi que não tinha visto e ele caminhou até mim e disse.
— Oi, eu sou Niall – ele estendeu a mão para que eu a apertasse.
— Oi, eu sou – falei, como se ele fosse um garoto qualquer, mas ele não era.
— Tudo bem, ?
— Tudo. Por quê?
— Ah, é que eu vi você correndo para o banheiro e logo depois sua amiga correndo lá para cima. Eu poderia ajudar?
— É que eu tive ânsia de vômito, mas já está tudo bem.
— E por que ela subiu?
— Para pegar um remédio na minha mochila, mas eu disse que não precisava.
— Então tudo bem. Qualquer coisa fala comigo – ele piscou e voltou para o seu lugar. Os garotos começaram a dar uns tapinhas e uns sorrisos. Me senti tonta e fui no banheiro lavar o meu rosto e logo depois...
— Ela acordou – disse a enfermeira da escola. Eu sabia que era ela, já frequentei muitas vezes a enfermaria. Olhei para o lado, e Niall estavam lá.
— O que você está fazendo aqui? – perguntei para ele.
— Você deixou a porta aberta e eu vi você caindo, eu fui te peguei e te trouxe para cá.
— Obrigado – eu sussurrei. Tentei me levantar, mas a enfermeira não deixou.
— Nada disso, mocinha – ela me deitou novamente.
— Eu quero sair daqui.
— Já ligamos para o seu responsável e ele vai vir te buscar.
— Meu pai? – eu disse, assustada – Por que você deixou ela fazer isso, ? Por quê?
— É o melhor para você e eu só quero te ver bem.
— Eu estou ótima!
— É o que você pensa.
Meu pai chegou e a enfermeira foi falar com ele. Niall me abraçou e eu o agradeci novamente. A enfermeira me dispensou e eu fui para a sala pegar minhas coisas, dei tchau para e entrei no carro em silêncio.
— Vamos para o médico.
— Eu já disse que estou bem, não precisa se preocupar.
— Eu sei o que você tem, .
— Me desculpe.
— Não é culpa sua – ele me abraçou e logo depois arrancou com o carro. Ficamos 1 hora na fila e finalmente fui chamada.
— Então, vou te examinar.
Ela sabia o que eu tinha só de ver meus dentes amarelados e sem brilho, efeito do vômito.
— Bom, sua filha tem bulimia. Ela apresenta todos os sintomas – meu pai pediu para ela explicar – Vasos sanguíneos rompidos nos olhos do esforço para vomitar, boca seca, aparência em forma de bolsa nos cantos da boca devido às glândulas salivares inchadas, erupções e espinhas e pequenos cortes e calos na parte superior das articulações dos dedos das mãos devido ao vômito autoinduzido. Nós temos um tratamento específico para bulimia e anorexia. As pacientes são alimentadas por uma sonda que é retirada quando ela voltar a comer normalmente. Não forçamos nada, a paciente só vai se quiser. – meu pai olhou para mim.
— Tudo bem, eu vou, mas são quantos meses?
— São 3 meses se o estado for mais grave uns 4 ou 5. Agora eu posso te fazer umas perguntas?
— Claro.
— Desde quando você faz isso?
— Desde que minha irmã morreu. Eu ainda comia um pouco até ano passado, mas várias coisas aconteceram e eu parei de comer totalmente.
— Vou marcar umas sessões com o psicólogo, você precisa também.
— Quando eu venho?
— Amanhã mesmo. Estão dispensados.
Meu pai me deixou em casa. Minha mãe estava lavando o banheiro, se arrastando.
— Mãe, vai deitar, deixa que eu faço isso – eu disse, pegando a vassoura da mão dela.
— Minha filha, eu estou com depressão e não paraplégica.
— Então tudo bem. Eu vou dar uma revisada na matéria de hoje – eu fui para o meu quarto. Pulei em minha cama e peguei meu material. Eu odiava matemática, mas tirava umas notas consideráveis. Olhei para a escrivaninha para ver que horas eram e lá tinha um porta retrato, o qual eu quase nunca olhava. Eu e minha irmã brincando na praia. Reprimi minhas lembranças e voltei minha atenção aos estudos, até que lembrei que amanhã eu teria que ir para a clínica e ainda não tinha feito minhas malas. Separei minhas roupas em ordem, shorts, vestidos, calças, casacos e coloquei tudo na mala. Peguei uma bolsa e coloquei minhas maquiagens e tudo o que eu iria precisar. Tomei um banho e me joguei na cama, ainda molhada. Depois de algumas horas, minha mãe me acordou, chamando minha atenção por estar dormindo nua, eu resmunguei e voltei a dormir.
" me ajude, me ajude!" – gritava minha irmã Isabelle. Ela estava se afogando na praia onde estávamos. Eu nadei até ela, mas o mar bravo a levava para mais longe de mim e como eu ainda era pequena não conseguia nadar muito.
, por favor! – ela disse, indo para longe quando uma espécie de tubarão a puxou para baixo. Acordei sem fôlego, esse pesadelo sempre me atormentou, o dia em que Isabelle havia morrido.


CAPÍTULO 3
Eu não pude deixar de chorar quando cheguei naquela clínica. Várias meninas com a mesma idade que eu em estados bem piores. Umas com anorexia nervosa, outras com bulimia, outras com distúrbios alimentares... E eu pensava que estava doente. Ver aquelas meninas só me fez querer continuar viva. Minha mãe soube do meu estado e logo deixou eu vir para a The Priory. Era uma das melhores clínicas de Londres e é obvio, meu pai estava bancando. Ele já estava com outra mulher e já tinha um filho, Alec, então não podia sair bancando qualquer coisa para mim, mas isso ele fez questão. Sua esposa, Savana, implicava comigo, dizendo que eu queria tirá-lo dela. Meu pai já fez questão de aumentar minha pensão, mas Savana discordou. Levaram-me para um quarto com paredes brancas e alguns móveis simples. Cama, guarda-roupa, uma mesinha e um banheiro. Havia dois retratos pendurados na parede, eu com o meu pai e aquela foto que eu não queria que estivesse aqui. As enfermeiras já iriam chegar para colocar aquela tal sonda em mim. Cada paciente tinha duas enfermeiras. Tomei um banho bem relaxante. Eu adorava o cheiro do meu sabonete de Erva Doce impregnado em mim. Deitei-me na cama e as enfermeiras logo chegaram, auxiliadas por um médico. A sonda foi introduzida suavemente pelo meu nariz, descendo até o estômago, não era doloroso por isso não precisei de anestesia, engolir a sonda foi a pior parte. Por enquanto as enfermeiras iriam me alimentar, mas depois eu mesma iria fazer a tarefa. A minha primeira refeição foi um caldo ensopado com legumes bem picadinhos. Eu via a comida de outra forma, eu não tinha mais apetite. Aquilo era como lixo, mas agora eu pude ver como é saboroso, mesmo meu estômago estando contra. A hora do jantar chegou e eu me recusei a comer, ainda estava cheia. Parecia que meu estômago diminuíra de tamanho. Contra minha vontade um caldo com carne seca foi colocado em minha sonda e logo depois suco de goiaba, ah como era bom sentir aquele gosto. Meu pai veio me visitar no dia seguinte junto com . Ele trazia um ramalhete de rosas para mim, as minhas favoritas. perguntou se eu estava me adaptando à sonda, e eu disse que inicialmente incomodou, mas logo passou. Eu pude fazer várias tarefas, visitar algumas meninas, fazer atividades físicas, andar de bicicleta. Não era tão ruim como eu pensava. Minha mãe não me visitou durante esses 3 meses. Eu me recuperei muito bem e a médica me deu alta um pouco antes do esperado. Fernanda, uma das minhas novas melhores amigas, teve alta também, ela tinha distúrbios alimentares. Depois de muito insistir, sua mãe deixou ela ir para a minha escola. Era um domingo de Páscoa e Londres toda estava animada. Eu estava ansiosa para ir para a escola novamente, ver e Niall... Ah, Niall, ele me causava suspiros. Algumas irmãs da minha mãe estavam lá em casa e como sempre levaram ovos de páscoa para mim. Eu me lembrava dessa data. Eu, Isabelle, meu pai e minha mãe reunidos na sala trocando ovos, como era bom. Era bom estar de volta em casa e ver minha mãe melhor, vê-la saindo da cama.
Eu não aguentava mais ficar em pé.
— Mãe, eu vou dormir um pouco. Desculpe tias, mas eu estou muito cansada até a próxima – eu subi, apressada, segurando meu vestido. Coloquei uma música lenta em meu celular para me ajudar a dormir, eu não aguentava mais pensar em Niall até que meu telefone tocou, número desconhecido.
— Alô?
— Olá , sou eu, Niall. me avisou que você já havia saído da clínica então eu liguei para saber se ocorreu tudo bem.
— Ah, claro, ocorreu tudo muito bem, mas quem te deu meu número?
, a gente virou amigos durante esse tempo já que ela ficava sozinha.
— Só podia ser ela – eu dei um riso nervoso.
— Você vai amanhã?
—Vou sim, estou com muita saudades da .
— Então tá, nós vemos lá – ele desligou.
Sempre era . Sempre. A voz dele ficou dando replay em minha mente. Eu dormi e exatamente às cinco e meia da manhã acordei pronta para ir à escola. Minha rotina iria começar a ser a mesma de sempre. Coloquei minha saia azul marinho e a blusa social com uma gravata, eu odiava esse uniforme. Não faria mal a ninguém ir com calça jeans à escola. Minha mãe anda tomando conta das minhas refeições e começou a preparar meu café da manhã, panquecas com um café bem quentinho. Não me apressei muito, pois estava adiantada. Fui caminhando lentamente passando pela casa da Dona Margaret, que estava lavando sua calçada.
— Bom dia, Dona Margaret – eu dei um tchauzinho e ela retribuiu. A rua da escola já estava lotada, com gente por todo lado saindo de seus carros luxuosos. E eu? Eu não podia me dar o luxo de ter um carro. Não dava para entrar na escola, aquilo parecia um formigueiro. No meio de tantas pessoas, encontrei os olhos de Niall azuis como mar procurando por algo. Não dei bola, só queria entrar e dar um abraço bem apertado em . Vi-a em um grupo de garotas, seus cabelos que eram até a cintura estavam acima do ombro com pequenas mechas pretas. Corri até ela e me intrometi no meio daquele pequeno grupo, ela me olhou espantada, mas logo depois me abraçou bem forte. Ela comentou que eu estava ótima, sem aquela aparência de doente. As garotas o qual ela estava falando eram da tarde e já estavam indo embora.
— Nós já vamos, – uma garota com cabelos pretos e com shorts curtos falou.
— Tudo bem – ela disse, dando um beijo em cada uma.
Elas andaram até o estacionamento e entraram em uma Range Rover. Patricinhas.
— Sério que você é amiga dessas garotas? – eu disse, parando no bebedouro.
— Sim, algum problema?
— Não, eu só pensei que eu fosse sua única amiga.
— Fala sério, . Elas são legais.
— Não, não são – eu fiz uma cara de séria – Elas são patricinhas, como você consegue ser amiga de pessoas desse tipo?
— Você sabe que eu sou amiga de todo mundo.
— Então tá, espero que ano que vem elas passem para de manhã – eu disse, caminhando mais à frente.
— Para de besteira.
— Para mim não é besteira. Quantas vezes você foi me visitar naquela merda de clínica? Uma! Enquanto eu estava lá internada, você devia estar no shopping com elas!
— Isso é ciúmes.
— Eu só quero atenção, . Eu não tenho atenção do meu pai ou da minha mãe, eu só tinha a sua. Eu fiquei contando os dias para você ir me visitar e o único dia que você foi – eu engoli o choro – foi porque meu pai te levou.
— Tudo bem, isso pode ser verdade. Eu estava em uma festa do pijama com elas e olha, foi bem legal. Melhor do que as suas em que nós ficamos vendo anime e comendo brigadeiro.
— Ótimo saber disso – eu ajeitei minha mochila nas costas e saí. Por que ela fez isso comigo? Eu achava que ela se importava comigo, eu realmente pensava que não tinha ninguém para levá-la à clínica, mas ela estava em uma festa de pijama. Suspirei fundo antes de entrar na sala e ter que aguentar todos aqueles olhares estranhos.
— Olá, – Niall disse, entrando na minha frente.
— Oi.
— Aconteceu alguma coisa? Está com uma cara de choro.
— Briguei com , não me pergunte o porquê, estou atrasada.
— Eu também estou. Já vou indo – ele deu um beijo na minha bochecha e saiu. parou do meu lado com cara de quem queria falar alguma coisa, ignorei e entrei. O professor ainda não havia chegado e eu rezei para que ele demorasse, teria que entregar um trabalho em dupla e eu não havia decorado nada.
— Bom dia alunos – o Sr. Parker entrou meio desajeitado – Espero que vocês tenham feito o trabalho – ele jogou suas pastas na mesa, deixando uma cair. Ele olhou disfarçadamente para mim, esperando que eu a pegasse. – Poderia pegar para mim, ?
— Eu não quero ser grossa, mas você tem duas mãos, não está aleijado – ele só apontou para a porta. Eu sabia que ele queria me ferrar, ele me odeia porque eu nunca presto atenção nele ou em suas aulas de literatura chatas. A coordenação não era uma coisa muito normal para mim, ninguém me via lá, eu nunca fui. A coordenadora ficou surpresa em me ver, ela me achava a mais inteligente, a mais focada da sala, ela soube dos meus problemas e me fez umas visitas sempre com palavras boas. Como foi a minha primeira vez, eu não levei comunicado, mas se ocorresse de novo eu levaria. Eu fiquei aguardando o sinal tocar, sentada em uma das bancadas que tinha no pátio. Eu não iria subir, o intervalo seria daqui a pouco.
! – a voz veio do lado de fora. Minha mãe estava nas grades.
— Mãe? – eu corri até ela.
, você precisa ir embora agora.
— Por quê?
— Nós vamos viajar.
— O quê? Não! Eu não posso, eu já perdi várias aulas por conta do tratamento mãe! Foram 6 meses, 6 meses! – eu gesticulava.
— Nós precisamos ir – ela falou, calma.
— Você precisa ir! Eu não.
— Se você não for... Vão te matar.
— Mãe o que você fez?
— Eu pedi dinheiro para um agiota e eu não paguei, agora eles estão atrás de mim.
— Você é louca?
— Se você não quiser foi uma escolha sua, você vai matar a si própria.
— Você vai para onde?
— Eu já comprei passagens para irmos para o Brasil.
— Sério? – eu dei um sorrisinho, mas quando me lembrei que iria faltar mais aulas, ele se murchou. — Eu sempre soube que você gostaria de ir ao Brasil.
— O vôo é 13:15 – ela olhou seu antigo relógio de prata – E são 10:40.
— O aeroporto é bem longe, você pode esperar o sinal tocar para eu pegar minha mochila? – ela fez que sim e acenou para uma pessoa e quando eu olhei para trás, Sr. Parker.
— Quanto tempo, Marcos! – ela deu um abraço nele.
— Vocês se conhecem? – eu fiz uma cara de confusa.
— Nós moramos juntos, éramos amigos coloridos – ele disse e minha mãe corou de raiva e depositou um soco em seus ombros – Inclusive Jocelyn, eu a mandei para a coordenação hoje.
— Eu nunca esperaria isso de , mas qual foi o motivo? – seus cabelos ruivos estavam bagunçados por causa do vento deixando-a com um charme a mais.
— Ela estava conversando em minhas aulas.
— Que mentira! – protestei – Você é um mentiroso, você me mandou para a coordenação só porque eu não quis pegar suas pastas com filmes pornô.
— Eu não assisto filmes pornô.
— Me esqueci que você os faz, você é o diretor ou o "personagem"?
— Mesmo se eu fosse os dois, eu ainda estaria assistindo.
— Eu não quero saber! Você é um babaca.
— Chega, , vá pegar sua mochila – olhei mais uma vez para ele e sai pisando forte no chão. O sinal tinha acabado de tocar.
— Já vai embora, ? – um garoto de olhos verdes e cabelos enrolados perguntou.
— Hã... Sim, não quero ser mal educada, mas eu te conheço?
— Ah, me desculpe – ele sorriu exibindo suas covinhas – Eu sou Harry, amigo do Niall. – Ele era uns dos garotos que estava na rodinha quando Niall veio falar comigo pela primeira vez.
— Desculpa Harry, mas eu já vou indo – eu acenei. Enquanto estava descendo apressadamente as escadas, vi Niall parado em um dos quadrados que separava uma escada da outra, olhando o mural de avisos. Só que ele não estava sozinho, ele estava com . Eu tentei passar direto, mas Niall percebeu minha presença e falou comigo.
— Oi, – ele sorriu, suas bochechas estavam levemente coradas – Eu não vi você descer e resolvi te esperar aqui.
— Na verdade você deve ter vindo só para ver o quadro de avisos mesmo – eu tentei não parecer grossa.
— Não! Claro que não, eu realmente estava te esperando tanto que até perguntei para onde você estava.
— Você quer falar comigo sobre algum assunto em especial? – eu desviei meu olhar dele e olhei para que ainda observava o quadro.
— Eu queria ter uma conversa particular, pode ser na minha casa que tal?
— Tudo bem, mas eu vou viajar durante uns dias ou até semanas. Minha mãe arranjou encrenca, depois te ligo.
— Poxa – ele pareceu decepcionado.
— Eu volto logo, juro. Tenho que ir meu vôo e daqui a pouco – eu dei um beijo na sua bochecha. Quando me virei, vi que Harry, Zayn, Louis e Liam estavam parados no topo da escada nos observando. Tentei parecer simpática.
— Olá, meninos – dei um aceno breve a saí envergonhada.
Minha mãe ainda me guardava do lado de fora furiosa, eu deveria ter demorado bastante. Um táxi nos aguardava já com as bagagens dentro.
— Mãe, eu vou com roupa de escola e mochila?
— Você troca no aeroporto, enquanto a mochila, vai ser bom para você estudar – o carro arrancou.
O trânsito estava muito pesado e a gente ainda não havia chegado no aeroporto.
— Pode deixar a gente aqui mesmo – ela abriu a bolsa e tirou 150 reais e deu para o motorista. Ele abriu o porta malas e retirou as bagagens. O aeroporto era do outro lado da rua.
Minha mãe deu uma rápida olhada no relógio e arregalou os olhos.
— 13:00 horas.
— Calma, a gente já tá aqui, é só fazer o check-in e ir pro portão – eu gesticulei.
O check-in foi feito. Na televisão dava que nosso vôo era imediato, já estava autorizada a entrada no avião. Eu e minha mãe sentamos separadas, e eu odiei isso. Eu não gosto sentar sozinha, principalmente do lado de garotos.
— Olá, eu sou Jace – ele estendeu a mão e eu ignorei, dei só um sorriso.
.
— Nome bonito, – eu olhei para ele pasmada. Tentei saber se o conhecia, mas nada me veio na mente.
— Como você sabe meu apelido?
— Jace Wayland – eu fiquei boquiaberta, como eu poderia me esquecer dele?
Jace Wayland, meu primo, não de sangue. Ele sempre viajava de Miami para Londres, passávamos as férias juntos, mas ele foi crescendo e foi se relacionando mais com o futebol. Eu o nunca vi na televisão ou em revistas, talvez ele não fosse tão famoso.
— Desculpe Jace, eu realmente me esqueci de você – fui sincera – com o passar dos anos eu fui me esquecendo, de tudo.
— Eu sei que você ainda acha que a morte de Isabelle foi culpa sua – ele pegou minha mão – Mas não foi , você ainda era pequena e não sabia de nada, não sabia o que fazer, você era inocente.
— E... Eu – gaguejei – não gosto de tocar nesse assunto – Se eu contasse para ele todos os pesadelos relacionados a isso.
— Senhores passageiros, favor colocarem o sinto de segurança – a aeromoça disse. Afivelamos os cintos para não ficarem largos. Tinha um mp3 embutido na poltrona, eu só precisaria de fones. Vasculhei minha mochila, mas nada, era impossível, eu tinha trazido os meus fones.
— Jace – eu disse sem jeito – Tem um fone para me emprestar?
— Bom, eu tenho fones, mas não para emprestá-los.
— Idiota – falei baixo, pegando minha mochila e olhando-a de novo. Fiz uma careta ao encontrá-lo no bolso do lado, todo enrolado. Eu estava relaxada, meus músculos não estavam contraídos como o normal e ainda estava escutando minha música favorita, "Drunk In Love", de Beyoncé. Era estranho estar do lado de Jace depois de tanto tempo, ele continuava o mesmo. Seus olhos dourados, os cabelos loiros acima do ombro com a parte de cima jogada para trás. Eu não podia dizer o mesmo de seu corpo que agora, era muito atraente. Dava para ver seus músculos debaixo de sua regata branca encardida.
— Soube que você teve alguns problemas – ele jogou sua jaqueta por cima da regata.
— Você quer dizer sobre minha doença? – eu tirei um dos fones.
— Exatamente, por que você estava fazendo aquilo?
— Sinceramente Jace, depois desses anos todos você quer saber da minha vida? – falei, indignada.
— Tudo bem – ele olhou para o lado – Eu só queria ter aquela ligação de novo, igual quando éramos pequenos.
Não respondi, o avião estava pegando velocidade para decolar nos deixando jogados um pouco para trás. Eu podia sentir os olhos de Jace sobre mim enquanto olhava a paisagem pela pequena janela.
— O que você vai fazer no Brasil?
— Minha mãe arranjou umas confusões, e você, o que vai fazer lá?
— Cuidar de você – eu olhei surpresa para ele – Sua mãe me chamou para isso, ou você achou que nosso encontro aqui foi coincidência?
— Pensei que você tinha compromissos com o seu trabalho.
— Ah – ele sorriu – Você ainda acha que eu fui embora por causa do futebol?
— Bem, eu achava.
sempre tão inocente – ele olhou para mim – Você já deveria ter percebido, se eu realmente fosse um jogador, eu seria famoso – ele se gabou.
— Então você é o quê? Babá? – eu gargalhei e ele olhou sério para mim – Desculpa, mas foi engraçado.
— Não, , eu trabalho em uma agência de—
— Modelos? – o interrompi.
— Não, caralho! – ele falou baixo – Eu trabalho em uma agência de seguranças, mas se você quiser me chamar de espião, fique à vontade.
— Faça-me um favor, Wayland – eu gargalhei alto.
— Você não vai se livrar de mim tão cedo. Sua mãe não vai ficar no apartamento com você, eu vou ficar.
— Daqui a pouco você vai querer limpar meu cú.
— Talvez – ele foi irônico.

*****************


Jace parecia não se incomodar com as turbulências, ou pelo menos demonstrava isso.
— Por favor, uma água – ele disse, sorrindo para a aeromoça com cabelos cor de grafite.
— Com gás ou sem gás?
— Sem – ela assentiu e caminhou rapidamente pelo corredor, parando em um suporte com várias bebidas. Jace saiu cuidadosamente de sua poltrona, mexendo nos cabelos e caminhou até ela, cochichando algo em seu ouvido que a fez sorrir igual ao coringa. Em questão de minutos, segundos talvez, eles não estavam mais lá. Eu realmente não me importava de ele estar pegando a aeromoça, não mesmo.
— Com licença, eu gostaria de utilizar o banheiro – Jace olhou para mim ligeiramente, com um olhar de raiva, como se eu estivesse interrompendo algo extremamente importante.
— Desculpe senhorita, eu realmente não tinha a intenção de beijar seu namorado – ela colocou as mãos na bainha da saia ajeitando.
— Nós não somos namorados – eu falei com indiferença – Somos primos.
— Desculpe novamente – ela falou envergonhada – Mas não podemos ficar aqui.
— Bom, que eu saiba você que veio para cá, eu só quero usar o banheiro.
— Ninguém está te impedindo – ela retrucou.
— Se você não percebeu a senhora está parada em frente à porta – eu soltei uma gargalhada. Jace nervoso e intimidado pelo flagra, voltou para sua poltrona.
— Você não queria usar o banheiro? – ele perguntou, afivelando seu cinto.
— Queria, mas com todo esse flagra. Eu nã...
— Você não esperava isso de mim? – ele me interrompeu – Vamos colocar as cartas na mesa, . Eu não sou mais aquele garoto inocente, eu não sou mais menino. Não preciso de ninguém me vigiando.
— Não acho decente você e nem ninguém se pegar dentro de um avião, ainda mais com a aeromoça – eu fui direta.
— Eu pego quem eu quiser.
— Fora daqui, porra! – ele me olhou espantado, eu nunca havia soltado um palavrão publicamente.
— Isso tudo é ciúmes?
— E se for? Você acha que eu ainda gosto de você?
— Você gostava quando era pequena, por que não vai gostar agora que estou ainda mais gostoso?
— Porque você é um babaca – murmurei.
— Nós dois sabemos que nunca tivemos uma relação de primo e prima.
— Incesto, e daí? Eu realmente gostava de você e claro, o gostosão aí estragou tudo.
— Eu ainda sinto aquilo.
— Eu também sinto – ele olhou esperançoso para mim – por outra pessoa.
— Niall Horan? – ele jogou sua cabeça para trás, em sinal de cansaço.
— Como? Como você sabe?
— Eu andei te vigiando na escola e grampeei seu celular, então descobri.
— Primeiro – eu fiz um no dedo – Eu não preciso de ninguém me vigiando, segundo – fiz dois no dedo – Grampear é crime, a não ser que você tenha autorização.
— Eu tenho, e sim, você precisa, ou já se esqueceu que está sendo procurada por uma máfia?
— Esse é o motivo de você estar aqui, como esquecer? – eu sorri, cínica.



CONTINUA





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