Ever


Escrita por: Thayline S. Toledo.
Betada por: Laura Malik




CAPÍTULOS: [Prólogo] [1]


Qualquer tipo de plágio, parcial ou total da obra é crime.

Prólogo


Eu queria só uma chance de poder tocar seu rosto, lógico, eu e o resto do mundo. Todo mundo, mas não o mundo inteiro, apenas o seu mundo, nós directioners.
Com todo meu coração, eu amo vocês garotos. Agora entre na personagem e sinta-os mais perto. Até porque, se há uma coisa que aprendemos com esses caras é a importância de um sonho.

Capítulo 1


A realidade do último ano não era bem como "High School Musical", mas de qualquer forma era bom e eu não queria que passasse. Crescer é sempre tentador, mas não tem volta e isso assusta.
Bem, voltando a minha realidade não high school musical, porém não tão ruim a galera era praticamente a mesma, haviam entrado umas poucas meninas vindas da Carolina do Norte nos Estados Unidos (acho que eram primas, meio estranhas, sei lá, mas eram muuuuito bonitas) e apenas um aluno havia deixado a escola, pra minha felicidade, o meu ex. Ele planejava se mudar antes de terminarmos, aliás, foi mais ou menos por isso que o namoro acabou. No começo combinamos de ficar juntos apesar da distância, mas eu acho que éramos muito jovens pra prendermos um ao outro dessa forma, acabou numa boa, não sei se aguentaria tê-lo e não encontrá-lo todas as manhãs.
Era a primeira semana de aula e eu estava congelando, não sabia direito o que me esperava pra esse ano, pra falar a verdade, não havia criado expectativas. Arrumei-me com mil blusas, uma calça vermelha e um all star azul, um cachecol da mesma cor e uma touca da diamond e um make básico, aliás, make só fazia parte dos primeiros dias de aula, depois eu relaxava. Pronta, peguei meu celular, era um modelo bem simples, não tinha nem câmera, nem nada, peguei meu mp3 e minha bolsa, passei na cozinha e fui comendo uma maçã, o céu ainda estava meio escuro me fazendo sentir mais sono e a neve disposta pelas ruas estava acinzentada, aquela imagem daria um belo cartão postal "cidade dormitório". Depois de dois gelados quarteirões cheguei a escola, encontrei Lúcia e Rodrigo, melhor imagem pós ferias que alguém pode ter, nem havia se passado muito tempo, mas eu estava com uma saudade imensa daqueles babacas, corri até eles pulando no colo do Rodrigo, que escorregou no gelo, se segurando no braço da Lúcia e então estávamos todos no chão, belo começo de ano, rindo uns dos outros.
– É sério, só você consegue ficar tão linda no frio, cadê seus lábios rachados? Cadê o cabelo desidratado? – Lu dizia entre risadas e uns tapinhas no meu ombro. Ela sempre me analisava por inteira nesses reencontros, eu ria e fazia cara de indiferença, quem vê pensa que tinha pelo menos um fio fora do lugar nela. Haha. A Lu era uma Barbie, a perfeita presidente de grêmio estudantil, inteligente, bonita, simpática, mas diferente dos filmes da Disney, onde a garota popular é mesquinha e patricinha, Lúcia era um amor e a pessoa mais confiável que eu conhecia, desde os três anos pra ser mais exata.
– Quem leu a lista de livros do professor Height? – Rodrigo disse nos acordando da melancolia. "Igo" como Marilyn (sua namorada) gostava de chamar, era um garoto excepcional, estudioso, um ótimo amigo, tinha sempre as melhores piadas, mas era assim só na nossa frente, em geral ele era muito tímido, havia ficado com uma única garota na vida, sua namorada, uma menina, que, apesar de ser dois anos mais nova, era inteligentíssima, linda e doce.
Um silêncio tomou conta do grupo e depois mais risadas, até todos cansarmos de fingir e admitirmos que lemos porque somos nerds e não tivemos nada realmente legal pra fazer nas nossas viagens de férias pras casas dos avós.
O sinal bateu e cada um correu pra sua aula. Minha primeira aula do ano era química? Fala sério!
Fui à última a entrar na sala, apesar de britânica, pontualidade não era bem o meu forte, sorri para o professor e me sentei no único lugar disponível. Tive que dividir a mesa com Harold, e tratava-se de uma situação um tanto desconfortável, isso porque "Harry" pegava todas as meninas da escola, um típico cafajeste assumido, e todas as meninas que foram alvo do seu charme, a única que não caiu fui eu, sim, ele já pegou a Lu. Creio que ele levou apenas um fora na vida, e eu fui essa terrível heartbreaker.
Harry sorriu ao ver-me, não parecia um sorriso malicioso, encarei numa boa e sorri de volta, assim a aula de química seguiu e acabamos conversando e rindo um pouco, eu não fazia ideia de que ele era tão inteligente e de que ele podia se comportar como um não Don Juan por uma hora.
– Galerinha, vocês acabam de ganhar um trabalho que será a nota principal um do semestre, e como vocês provavelmente já sabem são quatro notas. Essa pode ser preenchida com um dez caso tragam, em duas semanas, um resumo completo e exemplificado da última matéria do ano passado, química orgânica. – o professor disse com uma risada meio maléfica no final, senti um frio na espinha, eu era péssima nessa matéria.
– To ferrada. – dei uma risadinha sem graça.
– Ninguém se ferra em química quando eu, O Salvador dos Burrinhos, estou disposto a ajudar. – Harry disse com intuito de me animar, ele tava falando sério? Tipo, acho que eu aceitaria ajuda... Ele parecia realmente bom nessa maldita matéria e estava sendo legal, não parecia estar jogando charme...
? Que tal voltar pra realidade, já disse que te ajudo a estudar, se você quiser, é claro... – ele disse meio tímido, parecia constrangido com meu silêncio.
¬– Estava aqui pensando... Não quero tirar zero, então melhor fazer sem a sua ajuda, posso tirar um três talvez. – eu ri no final, não aguentei a piadinha tosca que tinha acabado de fazer.
Harry deu risada e me deu um tapinha no ombro fazendo bico, quando eu finalmente disse que aceitava a ajuda, vi seu bico se transformar em um sorriso largo sincero, o mais bonito que eu já tinha visto na vida, acho que fiquei boba com aquele rosto, parecia um criança que acabara de ganhar um sorvete.
Saímos da aula e fomos pra direções diferentes do corredor, fui ao meu armário peguei os materiais necessários pra a aula seguinte, mandei uma "sms" pra Lúcia e Rodrigo perguntando quais foram suas primeiras aulas e qual seria a aula de cada um agora. Felizmente, minha segunda aula era a mesma do Igo, Literatura, minha matéria favorita.
Dessa vez cheguei no horário, antes da aula belisquei uma barrinha de cereais, conversando com Rodrigo que estava sentado atrás de mim, diferente da sala de química e de biologia, onde as mesas tinham dois lugares, as outras salas tinham carteiras individuais, assim, quando percebi que a aula estava pra começar, e me virei pra frente, dei de cara com uns cachos rebeldes num tom castanho dourado e ri da coincidência, mais uma aula com Harry, e sentado na minha frente... Será que ele sentou ali por minha causa? Olhei em volta e vi os meninos do basquete ao redor, quase dei um tapa na minha testa! Larga de ser idiota né, claro que não!
Dei-me conta de que havia um bilhetinho na minha mesa, o abri meio desconfiada, e a mensagem que encontrei redigida em caligrafia perfeita foi: "Que tal hoje às 15h na sua casa? Espero que tenha cookies e uma aluna muito animada com química orgânica".
Ri sozinha, constatei que aquele menino, levemente robusto, destaque do time de basquete, tinha letra muito mais delicada que a minha, aliás, a minha sempre fora horrível. Respondi em letra de forma, pra disfarçar minha ogrisse, não sei por que, mas eu estava nervosa com esse "encontro" e com a forma que ele estava me tratando. Acho que o motivo era toda aquela beleza e charme, mas eu não era tola, não aceitaria de jeito nenhum ser mais uma da lista dele. Pensando nisso acabei escrevendo: "Pode ser, mas não garanto cookies".
Ele me respondeu em segundos, dessa vez por sms: "Não garanto 10 sem cookies", apesar de não ser uma mensagem super engraçada, eu comecei a rir, chamando atenção da sala, inclusive do professor Height, que sério, me perguntou o que havia de tão engraçado em sua aula, eu olhei com cara de quem havia aprontado e pedi desculpas.
"Isso é porque você ainda nem me viu contando piadas de pontinho". – mais uma sms dele, dessa vez segurei a risada.
"Como conseguiu meu número?". – enviei, mas depois pensando melhor, vi que fui meio grosseira. – "Você não é engraçado, dei risada porque sei que sou charmosa rindo". – dei um tapa na minha testa, ele vai achar que eu to tentando jogar charme nele, droga!
"Tenho meus contatos". – a Lu talvez? Acho que não... Ela não entregaria meu número pra um conquistador barato, ou entregaria? – "Pra caras que curtem o som de uma gralha com hiena, realmente, sua risada o deixará no chão".
Tive que segurar a risada de novo, por que tão idiota?! Pensei, repensei, tripensei até responder: "HA-HA, sem graça". – mas sem graça mesmo era essa minha resposta, acabei enviando logo depois: "Que tal prestar um pouquinho de atenção na aula?”.
"Eu acredito que Clive Staples Lewis não gostaria que tivéssemos as mesmas quatro a cinco obras pra discutir desde o primário". – tive a impressão de ficar boquiaberta com sua resposta... Como ele podia ser tão inteligente?
"Gênio da química e de literatura? Hmm... Tipo estranho". – tentei voltar minha atenção pra aula, que estava quase acabando, o professor falava da obra "Matilda" de Roald Dahl, então eu pensei no que Harry havia dito... Estava na hora de aprender algo novo, gerações suficientes já estudaram William Shakespeare e Cia.
"Não achei que você fizesse parte do tipo "estereótipador", sabe... achar que eu sou determinado tipo de garoto, que eu sou previsível...". – fiquei chocada e sem reação, acho que eu faço estereótipo, comparo todas as pessoas ao meu redor com tipos de filme americano, será que isso é tão horrível? Af, isso não importa, não to tentando agradar ninguém!
"O ser humano é previsível”. – respondi com um nó na garganta e o vi ficar com a postura rígida meio como quem tinha sido desapontado, meio como quem queria fingir não ligar.

A aula terminou, e tudo seguiu como normal, tive mais três aulas nesse dia, duas delas com Harry, que droga, porque caralho de motivo eu tenho só uma aula com a Lu e uma com o Igo, mas com Harold eu tenho quatro?
O fato é que: eu não falei mais com o dito cujo, não sei se ele se ofendeu com o que eu disse, ou só não tava a fim de puxar assunto, nem sei se ele ainda ia me ajudar com química, mas resolvi não perguntar nada, apenas esperar pra ver.
Eram umas 14h40min e eu imaginei que ele não viria, estava deitada no sofá com um pijama de moletom e o cabelo preso, nadinha de maquiagem, uma princesa! Beliscava, ironicamente, uns cookies quando a campainha tocou. Levantei-me pausando a TV, e abri a porta me deparando com... MEU DEUS, COM HARRY.
– Você estava aguardando ansiosa a minha chegada, presumo. – ele disse com um largo sorriso, enquanto entrava em casa com alguns livros e uma sacola da padaria. Eu estava perplexa, dei uma pequena olhada no meu estado e pensei em pedir licença e ir me arrumar um pouco, mas iria parecer que eu estava querendo impressionar, então só sentei no sofá, dei play no meu querido “hora de aventura” e continuei devorando meus cookies, pude perceber que ele me olhava sorrindo, fazendo um gesto como um “não”, balançando os cabelos cacheados de um lado para o outro.
– Como você pode comer essa porcaria? Ótimo gosto para desenhos, péssimo para comida. – ele disse segurando a risada, de uma forma idiota ele era charmoso.
– Não foi você que disse que gostava de cookies? – perguntei com a boca cheia, derrubando alguns farelos.
Ele não se conteve, rindo de mim e da situação. Jogou-se no sofá, abrindo um pacote que exalava um vapor quente com cheiro delicioso, me olhou como quem queria causar boa impressão, me lembrava até professor em primeiro dia de aula. Quis rir, mas continuei o encarando séria.
– Isso sim é cookie, percebe? Não essas suas bolachas murchas, cheias de conservantes. – ele tirou uma bolacha do pacote, estava realmente com uma cara maravilhosa. Sinceramente, não sei se ele levou o doce até minha boca ou eu fui em direção a ele, sei apenas que no final daquela situação entorpecente eu estava com a cabeça debruçada em seu colo e nós dividíamos aquele manjar dos deuses enquanto assistíamos cartoon.
Percebi que ele olhava mais pra mim, enquanto alisava meus cabelos, do que para televisão em si. Acho que notei isso porque dava umas longas olhadas nele também... Tão indecifrável. Eu daria tudo pra saber o que se passava em sua mente.
– Chega de desenho né? – ele disse com uma voz preguiçosa.
– Okaaaaaaay. – respondi me levantando, e então fomos pra cozinha. Passamos a tarde toda estudando, e o que eu tenho a dizer sobre isso é que ele vira outra pessoa quando vai estudar. Harry tem foco, fica sério e, além disso, explica muito bem. Fomos tão produtivos que, em uma tarde, terminamos os trabalhos de química.
Minha mãe chegou enquanto eu preparava sanduíches e Harold fazia um suco.
– Que janta saudável. – foi o cumprimento dela.
– Oi mamãe, esse é o Harry, e só estamos fazendo um lanchinho. – disse abraçando-a.
– Porque não disse que teríamos visita? Eu teria saído mais cedo do serviço e fazia uma comidinha gostosa. – minha mãe era sempre tão legal (só era protetora demais), será que todas as mães são assim?
– Fomos estudar química e a hora passou mais depressa do que o previsto. De qualquer forma, se você quiser ficar pro jantar. – disse olhando aqueles olhos azuis encantadores. – Acho que não tem problema. Tem mãe?
– Imagina, problema nenhum, será uma honra. Só não se esqueça de avisar seus pais que irá jantar fora. – ela disse sorrindo, como sempre.
– Mãe, ele tem 17 anos. – eu disse rindo.
– É nessa idade que a gente mais se preocupa. – ela piscou.
Harry mandou uma sms pra mãe dele, enquanto eu finalizava os lanches, voltamos para o sofá, mas dessa vez assistimos um filme. “O quarto do bebê” uma obra de péssima qualidade cinematográfica, mas com uma história bem interessante, era latino, parecia mexicano, sei lá. Tratava-se de uma mistura de suspense e terror, então a cada clímax eu apertava aquele braço levemente musculoso com um pouquinho mais de força. Tive a impressão de que ele achava a situação engraçada, parecia segurar a risada em alguns momentos, mas dessa vez estava muito compenetrado no filme, assim como eu, nos olhávamos apenas nos intervalos, e não era bem olho no olho, era mais como eu prestando atenção em seus traços, suas mãos, sua pele, e ele vidrado em meus cabelos e minhas orelhas cheias de furos.
A janta já estava quase pronta quando o filme acabou, deixei Harry na sala e fui tomar um banho. Não demorei muito, mas minha vontade de verdade era passar o resto da vida debaixo daquela água quente, sentindo minha pele arder, mas esse é um devaneio que não vem ao caso. Estava de camiseta e calcinha procurando uma calça de moletom pra vestir, quando Harry me aparece na frente da porta que estava escancarada, levando um susto e corando num tom quase beterraba. Envergonhado, em um gesto rápido tampou o rosto com a mão, tal atitude foi seguida de uma torrente de desculpas. Explicava que haviam chegado muitas mensagens da Lú no meu celular, e ele imaginou que era algo importante, além disso, achou que a porta estaria fechada... Ele parecia uma criança perdida, estava de longe muito mais constrangido do que eu, como se nunca tivesse visto uma mulher de calcinha. Toda a cena na verdade me fez rir um bocado, jamais imaginei que ele teria semelhante postura em uma ocasião dessas.
Passado o ocorrido, eu expliquei que Lúcia era exagerada então sempre me chamava daquela forma, Harold ouviu tudo calado, a ainda não conseguia me olhar nos olhos, eu disse que tava tudo bem e dei um soco leve em seu ombro. Aquela atitude pareceu despertá-lo de um transe, ele sorriu e me abraçou, fiquei sem entender nada.
– A propósito, você é muito gata, mas usa calcinha de gente idosa, isso não é legal. - ele disse sorrindo.
– Vá se ferrar, não vou colocar lingerie pra seduzir meu ursinho de pelúcia.
– Nunca se sabe quem pode aparecer na sua janela de madrugada.
Fiquei confusa. Será que ele planejava vir me ver? Por quê? E pra fazer o que de madrugada? Melhor parar de pensar nisso, vou enlouquecer.
Estava tão presa em meus devaneios que Harry estralava os dedos no meu rosto pra ver se eu despertava. Quando dei por mim estava olhando pra ele sentindo meu rosto corar.
– A janta está pronta! - Minha mãe gritou nos tirando daquele momento constrangedor.
Descemos correndo, meio que apostando corrida escada a baixo. Minha mãe assistiu a cena rindo, até sermos interrompidos pela campainha. Papai chegou, olhou desconfiado para Harry, depois olhou pra mamãe.
– É o caso de pegar a espingarda, amor? – minha mãe riu e fez que não com a cabeça. Eu tive uma crise de gargalhadas com a cara do Harold, parecia que ele ia pular a janela e sair correndo. – Calma rapaz, foi só uma brincadeira. – meu pai disse se aproximando dele. – A menos que você tenha más intenções com a minha filha. – disse num tom mais baixo. Então nem ele resistiu. Caiu na risada e deu uns tapinhas nas costas do Harry.
– Eu tenho o melhor pai do mundo. – dei um beijinho em sua bochecha, e fomos todos pra mesa.
No meio do jantar, onde ocorreram algumas conversas paralelas, meu pai olhou sério pra mim e perguntou quando sairia o casamento. Vimos um garoto de 17 anos ficar branco, pálido, se engasgar com a comida e depois piorar a situação ao tentar beber um gole de água. Todos na mesa caíram no riso, até mesmo Harry, depois de perceber que havia, mais uma vez, sido trolado por meu pai.
Estávamos sentados em uma balança do lado de fora, envoltos por dois cobertores, observando toda aquela neve e falando sobre algumas coisas referentes à escola, quando ele me olhou nos olhos, de forma serena, mas intrigante, e disse: “sabe por que eu vim hoje?”.
– Por que eu sou linda?
– Eu não podia fazer com você a mesma coisa que fez comigo. Estereotipar. Achar que você era só mais uma menina fútil que adorava julgar os outros. Achar que você fosse esse tipo de menina. – eu gelei, não conseguia olhar em seus olhos, não conseguia ao menos me mover.
– Qual foi sua conclusão depois de um dia pra me analisar? – ele riu.
– Eu não te analisei em momento nenhum, só deixei rolar, deixei me surpreender. E foi o que fez afinal.
– Então tudo isso foi um teste? – ele riu novamente. Comecei a ficar desconfortável, odiava quando não tinha o controle da conversa, apesar de que ele, e tudo aquilo que me dizia, era realmente interessante.
– Não . Não foi um teste. Foi um dia maravilhoso, ao lado de uma menina surpreendente que está craque em química. – eu não sei exatamente de onde saiu esse impulso, mas ele veio, rápido e forte, me induzindo a abraçar Harry, e foi o que eu fiz.
– Eu acho que você já sabe disso, mas só pra constar, você é a personificação da palavra surpreendente.
Depois de um tempo em silêncio, começamos a falar sobre música. Era incrível o conhecimento que ele tinha nessa área.
Eu o conhecia há menos de 24hrs (fora todos os anos que estudamos juntos e eu não troquei uma única palavra com ele) e parecíamos tão amigos, tão íntimos, era uma coisa meio difícil de explicar, e eu esperava que ele estivesse sentindo o mesmo. Era muita coisa para um dia só, lembranças demais e acontecimentos demais e sentimento demais. Não! Definitivamente! , eu não acredito que você está caindo nessa, eu repetia pra mim mesma mentalmente.
– Acho que já vou.
– Não peço pra ficar porque estou cambaleando de sono, então... Até amanhã. – ele levantou e entrou em casa, acho que foi se despedir dos meus pais, ouvi algumas risadas e fiquei curiosa, mas estava com preguiça demais para levantar, então ele apareceu na porta, me olhando, sorrindo, com a feição de uma criança que vê um brinquedo que almeja, me deu um beijo na testa, disse “até amanhã” e foi embora.
Eu fiquei ali sentindo o momento, vendo-o andar com as mãos no bolso no meio de toda aquela neve, reparando na roupa que estava trajando, como era estiloso. Assim fiz, até sua mais longínqua sombra sumir na imensidão, então entrei em casa.
Meus pais assistiam alguma novela, nem me perceberam ali, eu subi pro meu quarto, e fiquei lá, só olhando pro teto, sem vontade se quer de pegar o celular pra ver o que tinha acontecido com Lúcia. Tive uma incontrolável vontade de escrever no meu diário, coisa que eu não fazia há uns dois anos. Comecei a rir de mim mesma e fui procurar o dito caderninho.
“Querido diário,
Existem coisas que nos dão vontade de desabafar, mas não com alguém, difícil explicar isso. É que às vezes você não precisa e não quer a opinião de ninguém sobre um determinado fato, por outro lado apenas guardar cada detalhe sobre tal não te basta, às vezes um acontecimento, um pensamento, um toque, o que for, mas que seja intenso, transborda em você, te faz querer gritar, um grito surdo, que não chegue aos ouvidos de ninguém.
É exatamente assim que eu estou me sentindo hoje, cheia de um sentimento que não cabe em mim, mas que eu não quero deixar fluir. Talvez por isso eu tenha procurado você depois de tanto tempo, é essa a sua serventia, escutar tudo que queremos gritar, e depois guardar pra você, o nosso segredo e a sua opinião sobre ele. Obrigada diário.
Harry é um menino encantador, mas o maior e mais conhecido encanto dele é apaixonar garotas e partir seus corações. Eu não aceito isso, mas parte de mim repete incessantemente que adoraria ter o coração partido por Harold Styles.
Vamos ver onde isso vai dar,
Grata por sempre me entender, ”.
Abracei meu diário e dormi.

CONTINUA...






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