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Apenas finja que nada aconteceu e continue vivendo. Afinal, crimes perfeitos não deixam suspeitos.


Capítulo 1


20h01min
— Os convidados já chegaram! - Gritou Gil do corredor.
— Já estou descendo. - Gritei de volta, dando uma última olhada em meu vestido. Perfeita, pensei.
Desci as escadas e todos os olhares vieram a mim. Encontrei meu pai e fui até ele, cumprimentando as pessoas em volta.
— Aí está você. - Disse ele esticando os braços todo sorridente. Falso. — Essa é minha filha . - Meu pai me apresentou a uma loira.
— Linda como o senhor. - Disse ela, que usava um vestido curto vermelho com um baita decote no meio.
Olhei em volta e vi Cameron roubando um champanhe do garçom à frente. Pedi licença e fui até ela. No caminho vi um cara me observando de longe, mas depois que cheguei perto de Cameron não dei importância para ele.
— Já bebeu quantos? - Perguntei a ela, que logo fez o número cinco com a mão direita enquanto tomava o resto do champanhe.
— Agora seis - Cameron disse, pegando outra taça.
— Vê se vai com calma. Não consigo carregar você lá pra cima. - Peguei o copo de sua mão e ela resmungou um “sua vaca”, me fazendo rir. Dei um só gole e peguei outra taça com o garçom que passava ao lado.
— Vai com calma você, que passa mal com champanhe.
— Não tenho culpa se é tão bom. – Disse, dando outro gole.
Ouvi aplausos e olhei para a direção onde todos prestavam atenção. Vi meu pai subindo dois degraus da escada e pegando o microfone que Raul, seu “braço direito” entregava para ele.
— Muito obrigado por terem vindo. - Disse ele e eu rolei meus olhos, já entediada com o “discurso” do querido prefeito. Quem vê pensa que ele é todo esse cara legal e educado.
Terminei com o segundo champanhe e peguei mais outros dois, bebendo um de cada. Fui para o jardim que só estava sendo iluminado pelas poucas luzes de fora, e fiquei olhando de longe a piscina. Suspirei fundo, bebendo o meu terceiro ou quarto champanhe. Senti alguém se aproximando e me virei para ver quem era, mas era tarde demais, quando as duas taças caíram das minhas mãos e eu nos braços de alguém.

Acordei e percebi que estava dentro de um carro. A minha primeira reação foi tentar gritar. Só então senti que havia algo cobrindo a minha boca: uma fita.
Olhei em volta e tinha dois homens de cada lado. O motorista do carro estava dirigindo muito rápido e as curvas estavam fazendo com que minha barriga revirasse.
— Ela acordou - um dos caras, que estava do meu lado, disse. Tentei falar, mas a fita abafava minha voz, já que nem abrindo a boca eu estava conseguindo. Um dos caras arrancou a fita com força da minha boca me fazendo gritar de dor.
— Quem são vocês? O que vocês querem comigo? – Perguntei, assustada, já com os olhos lacrimejados.
— Blá, blá, blá, acho melhor você ficar quietinha. - O cara que estava dirigindo disse, acelerando mais ainda. Vi pelo retrovisor do meio e percebi que ele era o mesmo cara da festa que me observava.
— Por favor, eu preciso voltar para a festa, se meu pai ver que eu não estou lá ele vai mandar vir atrás de vocês.
— É o que nós queremos. - Disse o mesmo cara, que na mesma hora fez uma curva que fiquei tonta.
— Eu acho que eu vou vomitar. – Disse, passando a mão na minha barriga. Maldito champanhe.
Ninguém deu a mínima para o que eu havia acabado de falar.
— Melhor parar o carro! – Falei, eu não estava bem mesmo. — Gente! - Eu não iria aguentar. — PARE O CARRO AGORA, OU VOCÊS QUEREM QUE EU BOTE TUDO PRA FORA AQUI MESMO? – Falei em um tom alto, eu já não ia mais aguentar segurar.
— Ai, credo, segura isso aí. , é melhor você parar o carro, não quero ficar cheirando a vômito.
O tal parou o carro, e eu sai correndo para o meio do mato, pondo tudo para fora. Vou tentar não beber mais champanhe na minha vida.
Voltei em direção ao carro, e antes que eu abrisse a porta para entrar, os 4 caras saíram dele ficando de frente para mim. A rua estava abandonada, só se via mato e um caminho de barro que dava passagem aos carros. Logo eu pus o que estava dentro de mim para fora de novo, fazendo os meninos virarem de costas para não ver aquela minha cena nojenta. — Preciso de água – Falei, me virando de frente para eles de novo.
— Entra no carro – o tal disse.
— Para onde vocês vão me levar?
— Entra no carro – ele repetiu, abrindo a porta para mim. Pensei em fugir, mas estava deserto e escuro demais. Fiquei parada pensando o que eles iriam fazer comigo, e senti um pouco de medo, eu lembrava das histórias que minha mãe me contava antes de morrer, quando eu era pequena, que tinham alguns homens malvados que queriam algo a mais com nossos corpos.
Entrei no carro pensando em todas as coisas possíveis que poderiam fazer comigo.
— Tinha tanta mulher bonita na festa, tinham que pegar justamente eu? - Perguntei.
— Não queremos seu corpo. - Um deles falou.
— Vocês querem o que, então? Dinheiro? Eu posso arranjar para vocês, meu pai é o prefeito da cidade.
— Sabemos disso, e é por isso que escolhemos você.
— Mas o que não faltava na festa era gente rica!
— Não queremos o seu dinheiro! - Disse o tal , irritado.
— E vocês querem o que, então? - insisti.
— Seu pai! Ele nós deve muita coisa.
— Tipo o quê? – Perguntei, curiosa.
— Você já quer saber demais, você não acha?
O carro parou e o cara do meu lado me pegou pelo braço, entrando comigo dentro de uma casa não muito pequena e nem muito grande.
Subimos as escadas e ele me jogou em um dos quartos, me fazendo cair no chão, me virei rapidamente para levantar e ele sorriu, fechando a porta e a trancando. Corri até a porta para impedir, mas foi em vão.
— Ei! – Gritei, socando a porta para ver se alguém me escutava. Andei pelo quarto e encontrei outra porta, imaginando que seria um banheiro. Na mosca. Fui até a pia e fiz um gargarejo. Ouvi batidas na porta e voltei para o quarto, me sentando na cama. Um dos caras entrou e ficou me observando.
— O que foi? - Perguntei.
— Diz a lenda que seu pai tem um quarto revestido de ouro, confirma? – Perguntou ele.
— Diz a lenda que bons sequestradores não mantêm contato com a vítima, confirma?
— Não sou um sequestrador.
— Então tenho autorização para ir embora sem que vocês venham atrás de mim, ou tentem fazer algo comigo e com a minha família? – Ele ficou quieto. — Vou ter que ficar aqui até quando? - Perguntei.
— Não sei, dependendo do acho que vai demorar.
Antes de eu falar alguma coisa o tal chegou, expulsando o rapaz para fora do quarto. Percebi que nenhum deles ia voltar e acabei caindo no sono.

Olhei para o relógio que marcava 23h36min da noite. Sonolenta, fui até a janela e olhei para baixo. Alto demais para ser só o segundo andar.
Abri um pouco a porta e vi que o corredor estava escuro, andei na ponta dos pés até a beira da escada. Casa silenciosa, perfeito. Desci os degraus e fui até a cozinha. Estava morrendo de fome. Abri a geladeira e vi um bolo já na metade, peguei um pequeno pedaço e comecei a comer. Olhei para o lado da geladeira onde tinha um telefone pendurado na parede. Meu coração acelerou. Fui até a porta da cozinha vendo se tinha alguém, olhei para os lados e nada. Peguei o telefone, que era daqueles com fio, e disquei um dos primeiros números do telefone que acabou fazendo o barulho da tecla, disquei o segundo que também fez barulho. Que droga de telefone que não pode ser silencioso!
Fui discando devagar os números do escritório de meu pai e esperei que ele atendesse.
— Alô, pai? - Disse quando o barulho da chamada parou. — Pai, sou eu. Alô? - Ouvi algo caindo e logo depois uns gemidos de longe.
Eu não acredito que ele pôde fazer isso.
— Eu não sabia que a segunda vez é melhor ainda, prefeito. - Ouvi a voz de uma mulher e soltei o telefone em seguida.
— Viu um fantasma? - Me assustei quando vi um dos caras parado ao lado do telefone.
Corri desesperada para fora da cozinha, indo em direção à escada. Chegando ao segundo andar, quase tropecei em uma coisa que eu não consegui ver o que era. Ouvi o cara subindo as escadas e corri para o primeiro quarto que estava à minha visão, fechando a porta e a trancando. O cara começou a chutar a porta com força, meu coração acelerava cada vez mais rápido.
— Não adianta fugir gata, eu vou arrombar. - Disse ele, sarcástico. Eu não sabia o que fazer. Comecei a olhar em volta do quarto... A JANELA!
Ouvi a voz de outro cara e mais chutes na porta. Eu estava ferrada.
Tive dificuldade em abrir a janela, ainda com o meu desespero tentei fazer a maior força.
— No três. - Pude ouvi eles. — Um... - Anda janela, faz uma forcinha. Falei pra mim mesma, e logo senti a janela ficando leve. — Obrigada.
— Dois. - Sentei na beira da janela e olhei para baixo. Alto demais. — Três!.
Ouvi um barulho, mas a porta continuou no seu devido lugar.
— Se afasta. - Disse um deles. Respirei fundo e olhei para baixo. Eu ia pular.
Ouvi um barulho de tiro e a porta se abriu. Me desesperei e fui para frente para poder saltar. Mas...



Capítulo 2


Antes disso, fui puxada pelo braço, com força. me arrastava no chão para fora do quarto, comecei a me debater mais isso fazia com que ele apertasse mais ainda.
Comecei a chamar por socorro, mas sabia que não iria adiantar. me pôs de pé e me mandou calar a boca, minha visão estava ruim por causa das lagrimas, consegui me soltar mas o outro cara me pegou mesmo assim e fez o favor de me dar um tapa estalado em minha bochecha. fez como positivo com a cabeça, olhei para trás e o outro cara vinha com um pano em minha direção. Comecei a me debater e apaguei.

Acordei jogada no chão no mesmo quarto. O quarto se encontrava escuro. Fui me arrastando até achar um móvel que eu conseguisse me apoiar para levantar, mas a tontura não deixava. Eu estava fraca, com uma dor de cabeça que parecia que eu tinha levado um chute. Ouvi passos pelo corredor e a porta do quarto foi aberta.
— Finalmente a bela adormecida acordou - O mesmo cara que havia me batido falava com um sorriso no rosto. Maldito. Ele veio em minha direção e me pegou pelo braço, eu não estava nem conseguindo andar direito.
Fomos até o andar de baixo e com três batidas na porta, uma voz dizendo para entrar soou dentro do cômodo. O cara que me arrastava me jogou em direção a uma poltrona que ficava em frente à mesa onde “” estava sentado logo atrás.
— Já estava pensando que você tinha morrido. - Ele se inclinou e apoiou seus cotovelos em cima da mesa.
— Eu bem que queria. - Disse rude. Ele deu uma simples risada.
— Pode sair, . Acho que essa mocinha não se atreverá de fugir outra vez.
"Você que pensa".
O tal saiu e fechou a porta.
— O que vocês querem de mim? Eu não tenho nada a ver com o meu pai. - Comecei.
— Claro que tem, você é filha dele.
— O que vocês querem?! - Perguntei outra vez.
— Matar seu queridinho pai. Mas se matarmos iriamos ter um grade problema, mas se matarmos você, o problema não seria tão grande assim.
— O que vocês vão ganhar se me matarem?. - Ele pensou um pouco, mas não ouvi nenhuma respostas.
! - Ele chamou e o cara apareceu na mesma hora. — Leve ela de volta para o quarto, ela faz muitas perguntas. Ah, e certifique-se que tenham seguranças o suficiente em frente a sua janela.
— Tá com medo de eu tentar fugir de novo? - Disse a enquanto me arrastava para fora do cômodo pelo braço.
— Não brinque com o fogo, garota. - Disse ele dando um daqueles seus sorrisos de dar medo. Me arrepiei.

POV

— Puta que pariu! - entrou brutalmente no meu escritório desesperado.
— O que aconteceu? - Perguntei.
! Quanto tempo. - Ele era a última pessoa que eu queria ver na vida.
— Mika! Que surpresa desagradável. - Estiquei meus braços, me levantando.
— Sempre - disse ele com um revolve na mão. Olhei para janela e meus homens estavam todos caídos no chão.
— Me diz, o que você quer? - Disse cruzando os braços.
— Calma, tá apressado? - Mika sentou-se no pequeno sofá. – Me sirva. - disse ele para , que pegou rapidamente três copos e uma garrafa de whisky servindo o cara moreno barbudo, com algumas tatuagens na mão. Ele tomou um gole e acendeu um cigarro.
— Eu não tenho a noite toda. - Disse rude.
— Você sabe o que eu quero. - Mika disse e eu cai na risada.
— E você sabe a minha resposta.
— Imaginei. - Ele sorriu se levantando.
— Desista. - Me aproximei um pouco.
— Escuta aqui! - ele enfiou seu revolve na direção da minha cabeça - Eu não estou pedindo, eu estou mandando. Você deveria me obedecer, .
— E você deveria ser menos teimoso - Apontei minha arma para sua cabeça e fez o mesmo do outro lado. Ele riu.
— Esperto. - disse ele guardando sua arma, fiz o mesmo – Soube que você tem algo do prefeito, é verdade?
— As notícias correm rápido. Estou surpreso.
— Podemos dividir, o que é? Dinheiro? Diamante?
— É só meu. - Completei.
— Não seja egoísta, . - Ele tomou mais um gole do whisky.
— Eu tenho motivo para ser egoísta - Ri lembrando da garota.
— Eu vou descobrir. Antes de você piscar. - Ele disse. Me aproximei e dei uma piscada lenta. — Brincalhão como sempre, . Vamos combinar de tomar um drink qualquer dia. - Mika se virou e saiu do cômodo.

POV

entrou escancarando a porta e eu acordei assustada pelo barulho. Ele veio até mim e me puxou pelo braço saindo do quarto.
— Pra onde você vai me levar?
— Cala um pouco a boca, vai. - Disse ele.
Descemos as escadas e ele me levou até um carro. Fiquei lá dentro cerca de 3 minutos, já que não parava de olhar para o relógio do carro.
apareceu com duas maletas em cada mãos e, quando entrou no carro, as escondeu debaixo do banco de trás.

Já estávamos na estrada e nenhum dos dois havia falado alguma coisa.
— Onde você está me levando? - Perguntei novamente mas não obtive respostas. Bufei entediada olhando pela janela. — Preciso ir ao banheiro.
bufou irritado dando uma batida no volante, encostando o carro em uma freada só.
— Vai logo.
— O quê? Tá de brincadeira, né? Não vou fazer no meio do mato, olha quantos carros estão passando e não tem nenhuma árvore por aqui. - Ele bufou mais uma vez. O carro rodou na pista e ao invés de seguir até um retorno mais próximo ele cruzou a pista quebrando todas as regras indo para o lado oposto.
Estávamos indo em direção loja de conveniência de um posto de gasolina, algumas pessoas passavam por ali tranquilas. Parecíamos até um casal. Quem observava de longe não tinha noção de que eu estava em poder de um sequestrador. Ele tocou minha mão e eu tentei lutar, mas foi em vão, sua mão agarrou meu pulso com força que estava começando a machucar. Entramos no local e apenas um casal de idosos desfrutava da mercadoria.
— Um banheiro? – perguntou a vendedora que estava com fones de ouvido atrás do balcão, mas não ouviu nada continuando com os olhos fechados chacoalhando a cabeça e mascando chiclete.
Ele soltou um suspiro longo. – Onde é o banheiro? - os fones foram arrancados da orelha dela.
— Hey? O que é isso? – a moça perguntou assustada.
— Banheiro. Onde é que é?
Ela nos analisou de cima a baixo.
— Segunda porta a direita... O feminino, o mascu…
— Não pense em fazer nenhuma gracinha. – Ele me olhou como se autorizasse minha ida até o banheiro.
— Tudo bem. – Murmurei contra partida.
Eu tinha uma pequena chance para fugir, dentro do banheiro tinha uma pequena janela que me levava para o lado de fora. Subi em cima do vaso e me pendurei tentando passar pela pequena janela, mas quem eu estava tentando enganar, nem uma criança conseguiria passar por ali, apenas um recém-nascido.
Respirei e inspirei completamente decidida a seguir viagem, saí do banheiro andando lentamente pelos corredores. O casal de idosos já não estava mais na loja, pensei que também não estivesse até que meus olhos alcançaram o indivíduo. A vendedora, que, por sinal, quando entramos na loja estava escondida atrás do balcão, já havia mudado de posição. A sem vergonha estava sentada em cima do balcão com as pernas absurdamente abertas, tendo entre elas. Os dois se beijavam e pareciam que iriam se engolir. Caminhei de pressa e fiz o maior esforço para ser desagradável e interromper o beijo.
Derrubei uma fileira de enlatados no chão, fazendo com que os dois me olhassem.
— Ah... Oi. Você está aí. – Ela sorriu sem graça. – Deu tudo certo? Conseguiu achar o banheiro?
— Vamos embora? – Ignorei as perguntas estupidas dela sendo um pouco mal-educada.
— Tá com fome? – Ele perguntou se afastando da garota, pegando uma garrafa de cerveja aberta, em cima do balcão. Eu estranhei pela sua pergunta, já que eu havia ficado um ou dois dias sem comer nada.
— Não, eu não estou. - Sim, eu estava faminta.
— Tudo bem, vá para o carro. – Ele estendeu a chave para mim.
— Você não vai?
— Estou mandando você ir à frente porque tenho coisas para resolver aqui, se é que me entende?
— Não, eu não entendo.
— Uma pena, faça o que eu mandei. Vá para o carro. – Peguei a chave com raiva das mãos dele.
— Não deveria confiar tanto em mim, seu babaca. – Ele riu.
— Nos vemos em breve.
— Nojento. – Murmurei batendo a porta com força.
Fiquei observando o carro, vi que ainda mantinha seus olhos em mim, a garota ainda estava no balcão dando beijos em seu pescoço, não sei dirigir muito bem mais iria ser legal se eu desse uma volta com o carro. Olhei pra trás com um sorriso malvado no rosto, balancei a chave em minhas mãos, e percebeu o que eu iria fazer e balançou a cabeça negando, balancei a cabeça que sim e andei em direção ao carro. largou a garota e saiu da loja, ouvi o sino da porta soar, dei um breve sorriso de canto e joguei a chave pra trás entrando no carro. a pegou fazendo o mesmo e sentando no banco do motorista.

Marcava 1h40min da manhã no relógio do carro, eu havia cochilado por uns 5 minutos, mas acordei assustada quando buzinou para um cara que estava atrapalhando sua passagem. Ele então acelerou e ultrapassou o cara entrando em um estacionamento de um.. MOTEL!!?
desligou o carro e saiu. Logo depois percebeu que eu não tinha abrindo a porta do carro e deu a volta abrindo para mim.
— Vai ficar aí parada ou quer que eu te pegue a força? - Ele perguntou rude. Engoli seco e desci do carro. acionou o alarme e subimos para o andar de cima.
Em frente a escada tinha um balcão com uma recepcionista dos cabelos ruivos presos em um coque, seu batom era mais vermelho que seu vestido. Ela nos olhou de cima a baixo e endireitou se na cadeira.
— Bem-vindos. - A ruiva disse sorridente.
— Vou querer um quarto. - disse direto, ignorando o sorriso enorme e vermelho da moça.
— Com hidro? - Ela perguntou, e me lançou um olhar, sorridente.
— Claro. - Ele disse olhando de volta a ruiva, que sabia o que ele queria dizer com o “claro”.
— Identidades, por favor. - Meu coração acelerou quando ele passou nossos documentos. Me perguntei como ele tinha conseguido minha identidade. Ela nos analisou e respirou fundo. — Aproveitem, senhor e senhora Miller. - Ela nos entregou a chave e me pegou pelo braço sem ela perceber. Burra.

Entramos no quarto e foi direto ao banheiro, pude ouvir a água do chuveiro caindo. Comecei a andar em volta do quarto olhando cada detalhe. Nunca havia entrado em um motel antes.
Encontrei um controle remoto na cabeceira e o peguei. Apertei o botão em direção à TV, mas não aconteceu nada. Apertei o outro e uma música lenta e romântica começou a tocar no quarto. Olhei em volta e encontrei o som, esticando meu braço em direção a ele apertando o mesmo botão que fez aumentar o volume, comecei a me desesperar e continuei apertando os botões, fazendo a cortina se abrir, as luzes apagarem e a TV ligar em um... PORNÔ!?

A porta do banheiro foi aberta e quando viu o meu desespero com o controle remoto, veio até mim só com a toalha enrolada em sua cintura, pegando o controle de minhas mãos e apertando um único botão fazendo as coisas se desligarem.
O cara estava a centímetros perto de mim, podia sentir o cheiro do sabonete em seu corpo. Ele me olhou e em seguida jogou o controle remoto em cima da cama.
— Você não vai tomar banho? - Demorei pra raciocinar e respondi um — Tá - Como se ele estivesse me obrigando a ir tomar o banho que eu estava querendo a muito tempo.
Assim que entrei no banheiro tentei abri o zíper de meu vestido que ficava na parte de trás, mas só tentei por que não consegui. Abri a torneira da banheira e fui até a porta tendo visão de olhando uns CDs que tinham por ali. Ele virou sua cabeça em minha direção.
— É - Comecei. — O senhor..
— Não me chame de senhor. - Ele me interrompeu — Não sou tão velho quanto você pensa.
— Meu vestido. - disse direto.
— O que é que tem? - Respondeu ele rude e eu já não queria mas prosseguir.

Coloque a música pra tocar, se quiser.

— Não consigo abrir. - Respondi um pouco com raiva. Ele largou o cd que estava em sua mão e veio até mim. Me virei de costas e lentamente foi descendo o zíper até o final de minhas costas. Engoli minha saliva e voltei para o banheiro, me sentando na tampa fechada do sanitário esperando encher a banheira.
Ouvi uma música de dentro do quarto e comecei abalançar meu pé com o ritmo.
Assim que a banheira estava enchida necessariamente, entrei nela e afundei minha cabeça. Abri os olhos por debaixo d’água e enxerguei tudo embaçado, ouvindo a mesma música entrando abafada pelos meus ouvidos. Meus olhos arderam depois de um tempo e eu os fechei, prendendo a respiração o máximo que era possível.
A água fria começava a incomodar, como se queimasse. Meus pulmões pediam oxigênio, enquanto eu forçava minha mente a relembrar momentos vividos com meus pais há muitos anos.
Meus punhos se fecharam com força para reprimir o desespero que o meu sistema respiratório entrava a cada segundo que eu permanecia submersa. Não me movi. Eu queria ficar ali. Por uma fração de segundos, eu desejei morrer.
Levantei de repente. Abri a boca e respirei o mais fundo possível. O ar que entrou por ambos os caminhos, queimou, chegando a doer com o ritmo que meu peito subia e descia em pouco tempo.



Capítulo 3


Voltei para o quarto e estava vestido todo de preto. Ele mexia em seu celular quando percebeu que eu estava na porta.
— Droga, o que vamos fazer com ela? - Perguntou para o celular quando olhou para mim.
Puts, verdade, a garota. - Ouvi uma voz soando no celular. estava em uma ligação no viva voz.
O que faremos com ela? - Uma segunda voz soou e eu imaginei como é que conseguiram fazer uma chamada a três.
Traz ela para o galpão. - Uma terceira voz soou, e eu fiquei mais curiosa ainda, eu precisava daquele aplicativo.
Estava vestida com o mesmo vestido, ele estava aberto pelo zíper de trás, me sentei na cama e senti um grande vento pelas costas, me fazendo arrepiar, olhei para o lado e encontrei um envelope em cima da cabeceira, tentei olhar mas perto e percebi que tinha dinheiro dentro dela.
Balancei minhas pernas e percebi que me encontrava sem nenhum calçado desde o dia que tentei fugir pela janela. Não iria consegui correr com saltos altos naquele dia.
desligou o celular e me pegou pelo braço, me arrastando para fora do quarto. Ele percebeu que minhas costas estavam descobertas e puxou o zíper com força, sem nem se preocupar se poderia quebrar ou não. Esperamos o elevador e quando finalmente chegou, entramos e ele rapidamente apertou o botão da garagem.

Estávamos há cerca de 20 minutos dentro do carro. Senti que havia algo vibrando nos meus pés, me abaixei para ver o que era e me deparei com um celular que no visor mostrava que ligava. Peguei e o entreguei para que logo tomou o celular da minha mão atendendo.
— Já tô indo, caralho – Ele disse em um tom alto, me assustando. desligou o celular e jogou o de volta em algum lugar atrás do banco.
Ele virou o carro saindo da estrada e entrou no meio do mato e em alguns minutos tive uma visão de um enorme galpão velho.
parou o carro e eu olhei para o retrovisor que logo atrás um outro carro estacionava. Vi também todo de preto saindo de dentro dele, também saiu do carro o cumprimentando logo em seguida. Os dois conversaram algo que eu não consegui ouvir e olharam em minha direção, abrindo a porta em seguida e me pegando pelo braço me tirando do carro.
— Pra onde vocês acham que eu iria fugir, hein?! - Disse rude me referindo já que estávamos no meio do nada.
— Temos que nos prevenir. - disse soltando um pequeno sorriso de canto. Rolei meu olhos, imaginando as marcas das mãos dos dois que ficariam talvez roxo em cada braço meu.
— Finalmente. - Um dos caras disse também vestido de preto. — Vamos logo, antes que passe da hora.
— Eu fico com ela. - Um deles falou e os outros três saíram.
— Pra onde eles vão? - Perguntei olhando para o cara que sentava em frente a um computador com um rádio em sua mão.
— Para o lugar que talvez eles nunca mais possam voltar.

POV .

Entramos pelos fundos de um hotel que tinha de frente para o banco. Não fomos notados, pois foi muito fácil subirmos as escadas de emergência. Fomos para o alto do prédio. De lá desceríamos de rapel até o prédio do banco. O banco que iriamos assaltar desta vez não era simplesmente um banco qualquer, era o banco da cidade do prefeitinho de merda. O banco principal onde todo o seu dinheiro ficava, tudo de valor que ele tinha. Os rapazes estavam aqui pelo dinheiro dos outros mas eu estava pelo seu dinheiro sujo, que em diante iria esfregar no asfalto das ruas, talvez jogar para o alto como se fosse nada.

jogou a corda e estávamos só esperando o comando de para começarmos tudo. Nos comunicaríamos todos por uma escuta ligados um a um. estava agachado olhando a movimentação lá de baixo.
— Estão me ouvindo? – disse com alguns chiados.
— Fala. – Respondi.
. — Já podem descer para o prédio. – ordenou e desceu na frente. Quando chegamos todos no topo do prédio do banco começou a dar as instruções.
— Aí tem uma porta que dá acesso para dentro do prédio. – Olhamos em volta procurando a porta e indo até ela. — Agora digitem o código para a porta abrir. – digitou o código e a porta abriu. — Nesse corredor, têm dois seguranças, deixe que o e o cuidam deles; , segue para o cofre. – e saíram na frente com cuidado e eu segui na direção do cofre.
Já em frente, tinha uma porta enorme blindada, qualquer toque errado o alarme dispararia. Depois de um tempo, chegou segurando uma chapa onde continha as digitais do guarda, digitei a senha e logo em seguida ele encostou a chapa para as digitais serem reconhecidas. Meu coração batia muito mais rápido, tínhamos que esperar a luz em cima da porta ficar verde e depois o cofre abriria, mas se ficasse vermelho estávamos ferrados daí em diante.
Três segundos depois a luz ficou verde e a porta automaticamente se abriu. O dinheiro estava no fundo do cofre, tinha várias barras de ouro, mas o nosso negócio era grana, só queríamos a grana. Eles só queriam a grana.
Cada um pegou um malote e foi enchendo até não caber mais dinheiro.
Bati o olho no cofre que era maior que os outros. Dei um sorriso malicioso, nem todo o dinheiro do mundo compraria a minha felicidade em roubar aquele cofre, por mais que estivesse levando uma boa quantia de dinheiro nada seria comparado a roubar o cofre do prefeito.
— Faltam cinco minutos para trocar os seguranças, vocês precisam sair daí. – nos avisou pela escuta. Comecei a ficar atordoado tinha que sair dali, mas também tinha que roubar aquele cofre. Saí andando no corredor e fui até o segurança que estava sedado, ele tinha um cartão aquilo servia para abrir todo tipo de porta existente no prédio, era como se fosse uma chave mestra. Quando estava voltando para o cofre, encontrei e arrastando os malotes.
— Tá louco, ? Faltam dois minutos pra casa cair nessa porra e você começa a brisar? – falou nervoso.
— Vai indo na frente, tenho que pegar um negócio.
— Cara, tá ficando louco? – segurou meu braço, quando tentei voltar para o cofre. – Vamos vazar daqui. – ele falou nervoso.
— Volta pro terraço com o , que eu já vou. – me livrei dele e escutei resmungar. Entrei no cofre, faltava 1 minuto e meio para trocar os seguranças. Se aquele cartão não abrisse o cofre eu iria colocar todo o esquema a perder. Fechei o olho e passei o cartão na porta para que abrisse.
A porta apitou e eu gelei.

POV

— Eu nunca fiquei tão nervosa por isso estar acontecendo. - Disse em voz alta, andando para um lado e para o outro. — Eu deveria estar torcendo para pegarem eles, mas eu não quero torcer ao contrário. - Disse histérica.
— Calma minha filha, e capaz de você fazer um buraco ai. - Disse o cara que eu tinha descoberto agora pouco o nome. Mas havia esquecido.
— Como você quer que eu tenha calma? Nem você está calmo.
— Mas eu tento ficar. - Ele respondeu.
— Me diz como é que vocês conseguem fazer tudo isso? Tipo, roubar o cofre de um banco - Perguntei na maior inocência.
— Primeiro precisamos dos hackers para eles entrarem no sistema da polícia desligarem a segurança do banco e manter todos os policiais longes. - Ele iria continuar mas mudou de assunto quando olhou para meus pés. — Seus pés não estão doendo? - Ele me perguntou e eu pulei rapidamente para o sofá que tinha ali perto.
— Ai meu deus, meus pés estão acabados! Eu tenho que ir a uma manicure urgentemente. - Disse olhando para meus pés que estavam sujos e ásperos. - Ouvi a risada alta de... Como era o nome dele mesmo? Ah sim, . Por o que pareça bizarro demais, comecei a chorar.

POV

Quando a porta se abriu eu quase caí pra trás, entrei no cofre e comecei a jogar tudo que eu via. Olhei no relógio que faltavam 30 segundos para a troca dos seguranças, mas eu não estava nem na metade do caminho.
Mudei o meu caminho e segui uma placa que dizia saída de emergência, subi as escadas com pressa sem fazer barulho, quando escutei vozes nos degraus abaixo comecei a subir as escadas de dois em dois. e já estavam desesperados à minha espera.
— Vamos vazar daqui, porque vão acionar os alarmes já, já. – falei um pouco ofegante.
— Cara, você sempre tem que dar dessas. – falou nervoso. jogou a corda e eu fui o último a descer, quando estávamos dando a volta no prédio para ir para rua principal e pegarmos os carro escutamos uma sirene, haviam disparado o alarme do banco, saímos correndo e cada um pegou seu carro.
— Saiam daí. – gritou pela escuta.
— Quero ver quem vai me pegar. – gritou e eu via o carro dele em minha frente.
— Eu encontro vocês no galpão. – Falei acelerando e passando na frente de que soltou uma gargalhada.

Já estava ficando de manhã quando voltamos. Eu por fim ganhei a tal corrida. chegou por último, ele me pareceu não muito animado.
Entramos dentro do galpão, e encontramos dormindo na cadeira em frente ao computador e dormindo encolhida no sofá. Me aproximei dela e seu rosto estava úmido. tocou no ombro de que deu um pulo parecendo ninja.
— Não faça mais isso cara, senão eu vou ter um troço. - Disse ele e nós caímos na risada.
— Ela estava chorando? - Perguntei indo em direção ao frigobar pegando umas cervejas e jogando para os caras.
— Sim, ela estava - Disse se levantando e pegando pelo ar a cerveja que eu tinha acabado de jogar para ele. — E acreditam que ela não estava chorando por causa de vocês e sim pelos seus pés.
— Doida essa daí. - disse abrindo em seguida sua latinha. Concordei mentalmente.



Capítulo 4


POV

havia me dito que estavam praticamente um ano planejando tudo isso, meu sequestro e o roubo no banco, haviam mais coisas, mas ele não quis me contar o que eram.
me acordou e mandou eu voltar para o carro.
Enquanto saía do local, percebi que ao lado tinha um enorme lago. Fui em direção a ele e fiquei parada observando como era lindo e quieto, o sol da manhã refletia entre a água meio azulada, tendo facilidade de ver os peixes nadando. Fechei meus olhos respirando fundo, sentindo o vento em meu rosto, bagunçando meus cabelos, dava para ouvir o barulho da água suave e os pássaros cantando.
Olhei para os lados, certificando que não havia ninguém, e em um momento estava correndo no meio daquele mato todo. Corri desesperadamente até achar alguma estrada ou sei lá o que tiver por perto, mas bem longe daquele lugar.

POV

— Ela fugiu! - apareceu de volta no galpão sem fôlego. Ele havia ido para fora para ver se a queridinha da havia me obedecido e entrado no carro.
— Merda! Vamos atrás dela, ela não deve estar muito longe.
Nos dividimos. Fui para o lado leste, correndo e olhando em volta no meio daquele nada, mas nem sinal da garota, esbarrei com que também não tinha visto ela em nenhum lugar, "eu vou matá-la" rosnei.
— Ai, droga. - escutei aquela voz feminina e sorri. "Peguei você" murmurei, pegando o meu comunicador que estava usando na noite passada e avisando os caras. — Achei ela. - Não esperei respostas e saí correndo em direção onde imaginei ter ouvido sua voz.
A garota foi esperta parando o primeiro carro que passou pela estrada.
— Pode me dar uma carona? – a ouço perguntar para o motorista. Destravei minha arma que estava carregada e antes que ela entrasse no carro, atirei na cabeça do sujeito.
— Não! - ela grita tentando ajudar o cara. — Não, não, não, não! - guardei minha arma na parte de trás da minha calça e fui até ela segurando seu braço, em seguida a afastando do corpo do cara. — Seu mostro! Não precisava matá-lo. – disse, socando meu peito com os punhos. — Por que fez aquilo? - me perguntou já chorosa quando segurei seus punhos com força. Afastei a um pouco e a olhei nos olhos.
— Não fui eu que matei ele, foi você. – disse sendo frio. — Acha que ele estaria morto agora se você não tivesse fugido? - ela me olhou com raiva mesmo com as lágrimas escorrendo pelo rosto. No mesmo instante e apareceram ofegantes. Vendo minha distração, a garota se soltou e correu para o lado oposto, mas antes de dar o quinto passo apareceu a pegando pelo braço.
— Leva ela para o carro, vamos dar um jeito nisso. - disse me referindo ao corpo e o carro.

POV

me arrastava pelo braço com força em direção ao galpão. Quando finalmente chegamos, ele me jogou para dentro do carro e se aproximou colando seu nariz em minha bochecha e acariciando meu braço, descendo sua mão até minhas coxas.
— Não toque em mim, seu...
— Seu o quê? - pegou com firmeza minha bochecha apertando com força.
— Desgraçado. - Ele levantou o braço. Já sabendo o que iria fazer fechei meus olhos. Por sorte a porta do motorista se abriu e eu me aliviei quando entrou no carro e disfarçou-se.
— Sorte sua. - Sussurrou saindo de perto e voltando para dentro do galpão.
— Você que pediu isso. - disse se aproximando e me algemando em seguida.

Prosseguimos com a viagem e depois de meia hora, uma placa que dizia “Welcome to Miami” passou por nós e eu olhei para o homem ao meu lado assustada. Ele não havia dito nenhuma palavra durante o caminho e não seria agora que ele falaria alguma coisa.
Depois de 1 hora, paramos em frente a um enorme portão, que foi aberto automaticamente. Olhei para os lados e bem escondido haviam alguns seguranças pelo lado de fora da casa. E falando na casa, ela era enorme e linda.
— Tente fugir agora. - Disse ele.
Eu estava perdida.
A casa estava toda mobiliada e algo me parecia familiar.
— Não está lembrada? - chegou por trás, me assustando. — Seu pai tem uma grande dívida com a gente e por isso pra pagar a metade, ele deu essa casa para o e não foi só o que ganhou presentes. Tá lembrada da casa do lago? - Eu adorava aquela casa. — Ela agora é minha. Você pode passar uma noite lá comigo, o que acha? - Ele acariciou meu rosto mas eu virei com nojo.
— Deixa ela em paz, . - entrou na casa com as duas maletas na mão. — Cadê o ?
— Já deve estar vindo.
— Então você está dispensado. - entrou em um outro cômodo. passou por mim saindo da casa.
— Eu preciso de um banho. - Suspirei alto, falando pra mim mesma, ainda em frente a porta de entrada.
— E por que não toma? - Pulei de susto ao ouvir uma outra voz atrás de mim.
— Eu não tenho roupa. - Respondi para .
— Que pena. - Disse ele. — Você deve estar mais ou menos quantos dias sem tomar banho?
— Não me faça lembrar disso. - Ele riu. Me lembrei que havia tomado banho quando paramos no motel, mas estava com a mesma roupa.
— Que nojo. - Ele saiu de perto e foi até a porta onde havia entrado. Depois de alguns segundos, minha barriga chamou minha atenção pedindo por comida.
— Encontro com você amanhã cedo. - Disse saindo do local.
— Firmeza. – tocou sua mão. – Posso tirar folga essa noite?.
— Termina com o serviço. – disse, concordou e se virou para mim.
— Vai ficar aí parada, mocinha? - Ele era uma pessoa bem humorada.
— Acho que eu não tenho permissão para sair daqui. - Encarei e riu. — E se eu tivesse. Para onde eu iria? - Me referi à casa enorme e levantei meus braços mostrando que estava algemada.
— Acho que você não está se lembrando desta casa. - E mesmo se eu estivesse não ficaria mais nenhum minuto aqui, sei que seria idiotice da minha parte, mas sair correndo foi a única coisa que passou pela a minha cabeça, mas antes de pelo menos eu respirar o ar livre do jardim, pude sentir um soco na minha cara e eu caindo no chão.

~ Por que você fez isso .
~ Ela ia fugir!
~ Fugir para onde, é impossível, seu idiota.
~ Você quer ver o idiota?
~ Ei, vocês dois, parem, aqui não é jardim de infância.
~ Será que ela está morta, ?.
~ Acho que não, leva ela pra cima.


Já estava de noite quando comecei a recuperar os meus sentidos, e aos poucos pude me lembrar do que tinha acontecido. Antes de abrir os olhos, desejei que tudo isso não passasse de um sonho, mas pude sentir algo prendendo meu pulso. Estava presa entre o ferro da cama. Fiz esforço para me sentar e quando consegui não pude acreditar onde estava. Todas as coisas de quando eu tinha 14 anos de idade estavam ali. Estava começando a me lembrar da casa, eu morava aqui com os meus pais antes da minha mãe morrer e esse mesmo quarto era o meu, somente meu, com minhas bonecas, com a mesma cor de parede, rosa. Não haviam mudado exatamente nada na casa toda, ela ainda tinha um ar e o cheiro da minha família.
Sacudi meu braço onde estava algemada para tentar me soltar, mas aquilo me machucava ainda mais. Minha cabeça doía por causa do soco que havia levado. Antes de conseguir pensar em alguma coisa a porta foi aberta e apareceu com um prato de mingau em mãos.
— Por que não mudaram nenhum móvel desta casa? – Perguntei a ele que colocou a comida em cima da cama em minha frente.
— Não é porque ele irá devolver a casa. – disse ele rindo da própria piada sem graça. — Essa vai ser a primeira vez que ele dorme aqui. Aliás, que todos nós dormimos nas nossas novas casas. Olha em volta. – Ele abriu os braços — Estamos em Miami.
— Não tem como eu olhar, essas paredes atrapalham, estou pressa em uma cama e estou nas mãos de traficantes e sequestradores. – Gritei.
— Calma. Isso deve ser fome. Desculpa ser sincero, mas não vou te dar na boca - disse ele se referindo a comida. — Você tem um braço livre, pode comer sozinha.
— Eu não pedi a sua ajuda. – Disse rude e ele só sorriu. — E também não sou canhota, então não consigo comer pela esquerda.
— Não pense que vou te soltar. Tenta fazer um esforço.
Não fiz nenhum movimento, fiquei o encarando.
— É melhor você comer ou vai ficar fraca.
— E o que isso te interessa?
— Me interessa que eu não quero que você morra de fome. – Ele falou rispidamente. — Agora trate-se de comer.
— Me obrigue.

POV

– Mika veio em minha direção fumando um charuto e segurando um taco de sinuca. — Estou muito contente em saber que você me deu uma oportunidade para ouvir minha proposta.
Olhei para ele sem muita paciência, aquele lugar fedia e eu não queria demorar muito ali. – Fala logo o que você quer, eu não tenho muito tempo.
— Calma, . – Ele ia tocar no meu ombro quando eu me esquivei o fazendo recuar.
— Fala logo. – disse seco. me esperava lá fora, havíamos combinado de que se eu não voltasse em meia hora, ele teria que suspeitar.
— Tem um carregamento de armas chegando e eu sou responsável por ele, mas preciso de alguém mais poderoso como você para consegui por essa carga para dentro.
— Não. – falei sem ao menos pensar na proposta dele.
, estamos falando de milhões. O carregamento que está chegando vale muito e você vai querer perder isso?
— O que você irá fazer se o Peter descobrir que está pedindo minha ajuda.
— Ora, , não sei o que você tem contra o meu chefinho. Te demos chance de largar aquele bando e fazer parte da nossa equipe. Bem que falaram que você e sua turma não aceitam qualquer tipo de proposta.
— A gente não costuma se sujar com tão pouco.- Falei arrogante.
— Por isso que eu tenho uma segunda coisa para você.

~
POV

— O que você pensa que está fazendo? - perguntou e a raiva é mais que evidente no tom de sua voz. — É só eu sair por um dia que você resolve que vai se matar?
— Talvez assim te poupo o trabalho de meter uma bala na minha cabeça que nem você fez com aquele pobre rapaz. - Falo sem o encarar e ele ri.
— Você ainda está com isso na cabeça. Olha que morrer de fome demora - Ele diz calmo. Foi só mencionar a palavra com "f" que senti meu estômago doer de fome enquanto se retorcia e roncava, eu estava faminta, mas o plano tinha que continuar.
— Você está morrendo de fome! - Ele diz ao ouvir minha barriga roncar — Come logo esse troco e os meus problemas se acabam.
— Pois eu prefiro morrer a facilitar a sua vida!
— Foi você que pediu - Ele diz com o sorriso malandro indo até a bandeja de comida. — Você disse que prefere morrer de fome, só estou facilitando o processo e tirando a tentação do seu caminho. - Diz ele com a bandeja em mãos antes de sair do quarto.
Peguei o travesseiro, e joguei contra a porta, que acabou caindo no meio do caminho por pouca força e o mal jeito.
Me deixei cair no colchão. Com um braço só, abracei minhas pernas me encolhendo. Eu nem sei o que eu queria com essa ideia maluca de não comer, mas com certeza morrer de fome não era a minha verdadeira intenção.

(Até aqui betado por Flávia C.)




Capítulo 5



Passou-se uma semana e ninguém havia dado as caras, eu, pelo que parecia, dormi o dia inteiro, meu pulso estava cortado e eu não estava a fim de me machucar mais ainda tentando me soltar.
entrou com o primeiro prato de comida da semana, que me fez ficar com água na boca.
— Trouxe isso para você. - Ele disse colocando a bandeja na cama e empurrando em minha direção.
— Ai meu deus, nunca fiquei tão feliz por ver arroz e feijão. - Disse a ele, que riu. Era praticamente arroz e feijão, sem nenhuma mistura, nem mesmo um ovo.
Não demorei muito para comer tudo que estava no prato, mas tive com dificuldade, já que minha mão direita estava presa entre a cama.
— Eu tenho que ir, se o chegar e me ver aqui, bom... Sem comentários - Ele disse pegando o prato de volta.
— Ele não sabe? - Perguntei e negou. — Não acredito, ele realmente ia me matar de fome? - perguntei incrédula.
— Ele disse que era o que você queria. - disse seriamente. - E que iria respeitar o seu desejo. Era mentira?
— Não, eu realmente disse que preferia morrer de fome. - suspirei. Senti uma dor na bexiga e imaginei o que seria. — Preciso ir ao banheiro. - entortou a boca e colocou o prato em cima da cômoda em frente a cama, pegando uma chave que estava ao lado. Ele se aproximou e deixou meu pulso livre. Passei minha mão em volta tentando aliviar a dor e fui até o banheiro.
— É melhor não tentar nada. - disse ele quando fechei a porta. Levantei a tampa da privada e fiz o que tinha que fazer.
Depois que terminei fechei a tampa sem fazer barulho e subi em cima da pia, escalando até o basculante ao lado. Conhecia muito bem a minha casa. Fiz um esforço para passar e consegui.
Ouvi batidas na porta e dei uma improvisada.
— Espera um pouco, me deu dor de barriga. - Disse. Agora só precisava chegar até o chão.
Olhei para baixo para ver a altura, mas gelei em seguida quando vi lá embaixo com um sorriso debochado. O choque foi tão grande que acabei perdendo o equilíbrio e cai, sendo amparada por ele que me pegou antes que chegasse ao chão.
— Você é realmente teimosa, . - Ele disse se divertindo com minha expressão que era uma mistura de susto e raiva.
— Me coloque no chão! – Gritei, me debatendo na intenção de fazer com que ele me soltasse. Mas, ao invés disso, ele me jogou por cima do ombro, me segurando pelas pernas para seguir em direção à entrada da casa. Ele andava tranquilamente, ignorando o fato de eu estar me debatendo e socando suas costas, mandando que ele me colocasse no chão.
Quando passou pela sala, observei vários homens andando de um lado para o outro carregando caixas e móveis para fora da casa.
Ele subiu as escadas e quando chegamos ao quarto, me colocou no chão no meio do cômodo, voltando para a porta.
— Você me ensinou que não devo confiar em você, . - disse, pegando o prato vazio de cima da cômoda e saindo do quarto, trancando a porta em seguida.
Pelo menos estava livre das algemas.

POV

Estava em meu escritório tentando convencer Jenna a ir comprar algumas roupas para , já que eu não era fã de shopping, muito menos os caras.
— Eu tenho mais coisas para fazer do que ficar comprando roupas para uma garota estúpida! - Jenna me fitava irritada.
— Eu não quero que minha casa comece a feder por causa dela. – disse, me referindo a .
— Eu odeio shoppings. - Ela reclamou.
— Vem cá. - Estiquei meu braço e Jenna veio até mim, abrindo as pernas e sentando no meu colo, de frente para mim. — Faz esse favor para mim e eu prometo que te dou aquilo que você quer. - Eu me referia ao revolver Lefaucheux 20-Rounque que Jenna tanto pedia. Ela pensou um pouco e fez beicinho.
— Se for assim, eu topo. - Ela suspirou e me deu um beijo, eu pude ficar louco só pelo toque dela.

POV

— Seguinte. - Entrou uma loira alta e magra, me assustando. Ela era realmente bonita e charmosa. — Use o que tiver aí. - Ela jogou várias sacolas em minha direção, fazendo algumas cairem no chão. — E vai tomar um banho, porque daqui a pouco vou poder sentir o seu cheiro de longe. - E então ela saiu. Fiquei parada por alguns minutos processando o que tinha acabado de acontecer, mas logo levantei indo ao banheiro. Eu não estava tão fedida assim, estava?
Tive novamente dificuldades de tirar o vestido, tentei o máximo possível, mas não tive chances.
— Você tem que vir comigo. - entrou no quarto me assustando.
— Bem na hora! - Me aproximei dele, ficando de costas.
— O quê? - Ele perguntou confuso.
— Abre aqui, por favor. - Ele demorou um pouco para raciocinar, mas senti sua mão sendo delicada e abaixando o zíper até o final de minhas costas.
— Pronto. - Ele limpou a garganta.
— Obrigada. - Agradeci entrando no banheiro e fechando a porta.
— Vou te esperar no corredor. - Gritou ele do outro lado.
Tomei um banho demorado, já que estava há dias sem ter contato com a água. Me enrolei na toalha e fui olhar as sacolas que estavam em cima da cama. Umas ficaram largas de mais e outras justas. Tentei colocar algo simples e nada chamativo ou provocativo, mas a maioria só tinha isso, ou então pareciam roupas masculinas. Imagino que ela havia comprado essas roupas em uma sessão infantil. Provavelmente pegou o que viu pela frente.
— Estou pronta. - Abri a porta e estava lá, encostado na parede em frente. Ele me olhou e limpou a garganta.
— Ela realmente pensou que eu tivesse 12 anos. - Disse a ele apontando para a roupa curta que eu vestia.
— Ok, vem comigo. - Ele tentou desfaçar, mas eu conseguia perceber suas olhadas. Descemos as escadas e os mesmos homens com várias caixas e móveis nas mãos andavam por toda casa.
— O que está acontecendo? - Perguntei para que estava em minha frente.
decidiu mudar todos os móveis da casa. - explicou e um cara passou por nós com um quadro de parede folheado a ouro com uma foto onde estava eu, minha mãe e meu pai no jardim dessa mesma casa. Senti um aperto no coração e me segurei para não chorar ali mesmo, vendo minha mãe com um enorme sorriso no rosto. Sentia saudades dela. Nunca soube o motivo de sua morte, meu pai nunca quis tocar neste assunto.
— Olha só, fedidinha, eu realmente gostei dessa roupa. - Disse a loira deitada no novo sofá da sala com um sorriso aberto no rosto.
me guiou até uma porta de vidro fumê e a abriu. Me deparei com o escritório que antes era do meu pai. Lembro que enquanto eu e minha mãe nos divertíamos na piscina ele ficava trancado neste escritório dia e noite.
me colocou sentada em uma cadeira em frente a mesa enorme e vazia. Observei em volta e já não havia mais nada que pertencia ao meu pai. virou-se junto com a cadeira giratória em couro de espalmar alto para olhar diretamente para mim. Mas, antes que ele abrisse a boca, bati meu cotovelo no estômago de que ainda estava ao meu lado, e depois tasquei meu cotovelo na cara dele, enquanto com a outra mão pegava a arma em sua cintura. Antes que pudesse fazer alguma coisa, destravei a arma e a apontei para sua cabeça.
— Você vai me deixar sair... – comecei. - agora ou eu meto uma bala na sua cabeça. - Ele riu e vi o reflexo de em um pequeno espelho quadrado pendurado na parede. Ele deu um sorriso maldoso e eu olhei rapidamente assustada para trás o encontrando parado em pé no canto do escritório. Como eu não tinha o visto ali?
Me afastei um pouco tendo a visão dos três em minha frente.
— Me mata. - disse e eu o encarei com surpresa. — Duvido que tenha coragem.
— Resposta errada. - disse antes de apertar o gatilho.

POV

Continuei parado com os braços cruzados, rindo enquanto ela continuava apertando o gatilho e a expressão de frustração tomava seu rosto.
— Está sem bala se você ainda não percebeu. - disse a ela, tomando a arma de suas mãos. — Eu costumo andar assim. - Ele diz sorrindo. odiava andar com a arma carregada, já havíamos brigado uma vez por estarmos em uma “crise” lá fora e sua arma estar vazia, quando mais precisávamos.
— Merda – a ouvi sussurrar. a pegou pelo braço e a colocou em frente a poltrona, a fazendo sentar.
Voltei a me sentar também e joguei um jornal que estava em cima da minha mesa em sua direção, a assustando.

POV

Filha de Prefeito suspeita de ser sequestrada.
Na semana de sexta-feira, dia 14, o prefeito deu uma pequena festa com amigos e familiares próximos, comemorando 2 anos de mandato. Em seu discurso o prefeito chamou sua filha para se apresentar, mas ela não encontrava-se mais no local. Alguns amigos de sua filha quiseram chamar a polícia, mas o prefeito negou que estaria acontecendo algo.”

— Por que está me mostrando isso? - Perguntei rude, entregando o jornal de volta a ele.
— Pensei que estaria feliz em ver.
Feliz em saber que meu pai não está nem ai em me achar? Suspirei fundo. Sinceramente não.
— Calma que ainda tem mais. - Ele pegou um aparelho e apertou um botão ao lado. A voz de meu pai soou e meu coração se quebrou.
Pode ficar com ela.. - Ele dizia. — Só não apareça em minha cidade. Eu sei onde vocês estão. - As lágrimas queriam sair, mas me esforcei para segurar.
— Você não vai se incomodar de ficar na rua, não é? Já sabe que não precisaremos mais de você. - ajeitou-se na cadeira e eu percebi que uma lágrima escorria pelo meu rosto, logo a limpei, fungando o nariz em seguida.
, leve-a para cima. - Ele disse e se aproximou, me puxando pelo braço e me tirando da poltrona. A casa já não tinha mais ninguém, estava silenciosa e os móveis já não eram os mesmos.
Enquanto subíamos as escadas, observei saindo da casa e pude ouvir o motor do carro. soltou um sorriso e apertou ainda mais meu braço. Quando entramos no quarto, as minhas coisas já não estavam mais lá, todos os meus bichinhos de pelúcia, as fotos, a cor da parede que foi para o branco, todos os móveis daquele quarto haviam sido trocados. Aquilo partiu mais ainda o meu coração. Me perguntei o que ele iria fazer com as antigas coisas que estavam na casa.
Eu estava no meio do quarto e percebi que ainda estava lá, olhei para trás e ele trancava a porta. Me assustei com o olhar que ele tinha.
Enquanto ele se aproximava, comecei a rezar em pensamentos e nisso fui andando para trás até bater de costas na janela, que se encontrava trancada com um pequeno cadeado. Me virei para ela e fiz de tudo para abrir, mas foi em vão. Lágrimas escorriam em meu rosto e eu já não me importava. Olhei para um relógio que estava em cima do criado mudo e corri até ele para pegá-lo jogando em seguida na janela, que quebrou fazendo um enorme barulho. Corri em direção a ela, mas foi mais rápido e me pegou pelo braço.
— Ai! - Gemi quando ele me jogou em cima da cama, minhas lágrimas caiam e eu mal enxergava alguma coisa por causa delas.
Ele se pôs entre minhas pernas, puxando meu queixo para levar meu rosto até o seu. De modo totalmente indelicado, sua boca beijou a minha.
Não, eu não queria! Empurrei-o e ele me olhou, tirando um pacote de… Camisinhas?! Do bolso.
voltou para perto de mim, me puxando novamente. Comecei a me debater, mas sua mão segurou meus pulsos, me impedindo de correr. Eu queria gritar, mas minha voz falhava em gemidos, que para ele eram incentivos.
Ouvi um barulho estranho de envelope, eram as camisinhas!
O que eu pude ver é que ele estava com a calça e cueca no joelho, e sem camisa. "NÃO!"
— Você tá cheia de roupa... - A voz rouca dele soava. Sem esforço nenhum, conseguiu tirar meu short, me deixando só com a blusa.
— Não! - Eu gritei alto, tentando afastá-lo de mim. — Não quero! - Choraminguei. — Para! Sai, sai! - Eu já estava desesperada, me debatendo contra ele.
— Calma, gata! - Falou e me puxou forte, me fazendo ficar de costas para ele na cama.
— Não! - tentei gritar, mas era tarde, ele já estava dentro de mim, me penetrando de uma maneira brusca.
As lágrimas saiam de meus olhos molhando os lençóis e ele não parava. Suas mãos agarravam meus glúteos fortemente, e ele me penetrava freneticamente e dolorosamente. Sua mão correu até minha intimidade enfiando três dedos em mim. Ele segurava com força o meu cabelo, fazendo-me ficar encurvada para trás
Não, eu não aguentava!
Onde estavam as pessoas dessa casa?
Aquilo era horrível, eu me contorcia em tentativas falhas de fazê-lo parar, ou de conseguir sair dali. Eu me debatia, mas aquilo o fazia ir mais rápido.
Já sem forças, deixei meu corpo cair na cama, aquilo era torturante. Suas mãos agora batiam fortemente em meus glúteos, de uma forma ardida, e seus movimentos eram doloridos. Meus soluços eram altos.
Ele se levantou e colocou suas calças, pegando sua camisa no chão para sair do quarto.
Levantei-me dali cambaleante, caindo novamente na cama. Eu não conseguiria sair dali!
Levantei, mas caí com tudo no chão e lá fiquei, agora toda aquela dor saia em lágrimas fartas de meus olhos.
Eu era virgem, na minha vida toda nunca fiz sexo anal e não pretendia. Eu me sentia um lixo por ter sida usada como prostituta.
Como um brinquedo…




Capítulo 6


Não é porque o céu está nublado que as estrelas morreram.


Estava sentada no chão, encostada na cama enquanto olhava para janela quebrada em minha frente. Eu estava mergulhada em minha dor, em meio aos soluços e minha barriga roncava chamando por comida.
Queria que fosse tudo mentira, apenas um pesadelo do qual ainda não tivesse acordado.
Levantei-me com as pernas bambas e fui pegar minha calcinha no canto do quarto. Ainda fraca, a vesti, mas caí no chão logo em seguida, encostando-me junto à parede para ficar sentada ali, chorando até cair no sono depois de algum tempo.
Senti uma mão em meu ombro e me assustei, abrindo os olhos. Hesitei em virar para ver quem era, mas logo reconheci a voz, agora suave e calma:
— Você está bem? - perguntou. Como o quarto estava escuro e a única iluminação era da lua cheia, imaginei que seria tarde da noite.
Não consegui responder de imediato, tive medo de que minha voz falhasse ou não saísse naquele momento. Tentei limpar as lágrimas, mas foi em vão, pois mais vieram para substituí-las.
— O que aconteceu? - Ele pareceu preocupado, mas quando olhou para janela quebrada, sua expressão sumiu. — Tentou fugir de novo, é? - Abaixei meu corpo, deitando-me no chão e desabando a chorar ainda mais. — Você se cortou quando tentou fugir? - Ele perguntou.
Levantei-me irritada, sentindo tontura em seguida.
— Eu não tentei fugir! - Gritei derrotada, me sentando na cama e chorando ainda mais. — Na verdade eu tentei, mas era do . - Eu sabia que deveria estar com os olhos inchados e vermelhos, mas naquele momento, era o que menos me importava.
— O que aconteceu? - Ele perguntou mais uma vez.
— Ele... - Não consegui terminar a frase e abaixei a cabeça, pegando meu short que estava ao lado.
Percebi que havia me entendido.
— Não. - Ele disse, passando as mãos pelos cabelos. — É melhor você ir tomar um banho.
Tentei levantar, mas foi em vão. Minha cabeça girou e enxerguei tudo preto.
Vi se aproximar e me assustei quando me pegou pelo braço delicadamente, ajudando-me a levantar. Ele me guiou até o banheiro, abrindo o vidro do box e a torneira do chuveiro.
Não me importando com ele em minha frente, tirei a blusa bem na hora que o mesmo se virou para mim. não abaixou o olhar em nenhum momento, apenas se aproximou e saiu do banheiro, fechando a porta em seguida.
Já sozinha, tirei minha calcinha e entrei debaixo do chuveiro, desabando a chorar mais uma vez.

POV

Peguei a chave de um dos meus carros e desci para garagem.
Saí cantando pneus e quando pude chegar à casa do lago, onde agora morava, sai arrombando todas as portas que vi pela frente.
— O que é isso cara, está doido? - Perguntou, levantando rapidamente da cama enquanto vestia sua cueca, antes jogada no chão do quarto.
— Está com companhia, é? – Perguntei, vendo que a garota com quem estava me olhava assustada.
— Ficou doido e decidiu invadir tudo aqui? - Disse ele, ignorando a minha pergunta.
Fui em sua direção, sacando a arma em minha cintura para apontá-la em sua cabeça.
A garota correu para fora do cômodo e eu agradeci por isso.
— Doido está você por ter mexido no que era meu. - Disse e o desgraçado riu.
— Ah, fala sério, . Me diz que você não teve vontade de comer aquele cuzinho gostoso. - Sem pensar duas vezes, bati com o revólver na cabeça dele, que cambaleou para trás.
— Está pensando que é quem? – O sacudi.
— Está defendendo ela agora?! Ela ia pra rua, só estava me divertindo.
— Não estou defendendo ninguém, seu filho da puta! Já não bastava um sequestro, agora estupro também? Está ficando maluco? – O empurrei contra a parede, o soltando. — Eu avisei que ela não, sendo útil ou não. - Me virei e joguei um vaso no chão logo a frente, o quebrando. — Chegue perto dela novamente e eu te mato. Antes mesmo de sair, avisei que não precisaria dos seus serviços essa semana.

Cheguei em casa quando já estava amanhecendo. Pensei em subir para ver como a garota estava, mas antes ouvi um barulho de copos na cozinha e fui até lá ver o que era.
— Estava te esperando. - Jenna servia whisky em dois copos.
— Fui resolver umas coisas. - Disse a ela, pegando o copo de sua mão.
Ouvi barulho de carro do lado de fora e imaginei que seria um dos caras.
— Por que não vamos para o seu escritório? - Ela disse, com suas mãos presas na gola da minha camisa. A olhei e dei um pequeno sorriso. Não estava querendo sexo agora, mas era difícil negar quando se tinha uma loira gostosa a sua frente.

POV

Estava encolhida na cama, já trocada e com os cabelos molhados. Minha cabeça não parava de latejar e pela segunda vez, desejei morrer. Estava com muita fome e fraca. Tentei me levantar algumas vezes, mas cambaleava e voltava a cair na cama.
Olhei para a janela que ainda estava quebrada e fui até ela lentamente. Sentei-me no chão sentindo tontura, seguida por calafrios, e peguei um dos vidros quebrados que estavam ao lado. Cortei minhas pernas, meus braços, meus pulsos e por ultimo, ajeitei o vidro em minha garganta. Sabia exatamente o local onde poderia ir fundo e não teria mais volta, mas fraca pela quantidade de sangue que já saia pelos cortes, senti mais calafrios embora mesmo assim não tenha largado o vidro em minha mão.

POV

Jenna gemia baixinho em meu ouvido, fazendo-me delirar. Estávamos sentados em minha cadeira com ela cavalgando sobre mim.
Quando estava prestes a chegar ao clímax, entra desesperado, escancarando a porta de meu escritório e fiquei com mais raiva quando Jenna saiu de cima de mim, quando estava prestes a chegar na melhor parte.
— Caralho. – Reclamei, levantando minhas calças. Não seria a primeira vez que ele nos pegava fazendo esse tipo de coisa.
— Na próxima vez, me lembre de trancar a porta. - Jenna sussurrou no canto da minha orelha, abotoando sua camiseta.
— O que é? - Perguntei rude para , que ainda respirava ofegante.
— A garota, . Ela está desmaiada lá em cima, cheia de sangue. - Meus olhos se arregalaram e corri junto com para o andar de cima, ouvindo Jenna bufar antes disso. Provavelmente iria embora.
Entramos no quarto e a garota estava caída no chão cheia de cortes, com um enorme caco de vidro em sua mão.
Ela estava me dando sérios prejuízos.
— Precisamos levá-la para o hospital.
— Não. - O impedi.
— Como não? Está maluco, ? - desviou-se de mim e a pegou do chão. O sangue não parava de pingar e já achava que ela estava morta.
Descemos e apareceu na porta contente, cantando uma música que eu não identifiquei. Quando viu o que tinha nos braços de , seu sorriso broxou.
— Caralho, o que aconteceu? - Ele perguntou, vindo em nossa direção. Peguei em seu braço quando percebi que iria tocá-la. Já tinha os rastros de nela, não precisava de mais um.
— Ela simplesmente queria se matar. – Disse, abrindo a porta de traz do meu carro, que provavelmente teria que levar para o ferro velho depois disso tudo.

Chegamos ao hospital e alguns enfermeiros vieram em nossa direção assim que passamos pela porta da frente. Eles pegaram a garota nos braços de e a levaram para algum lugar.
— Senhor, me diz o nome dela, por favor. - Uma mulher que imaginei ser a recepcionista me perguntou, fazendo-me acompanhá-la até o balcão. Odiava chamar atenção, mas naquele momento, todas as pessoas que estavam ali comentavam sobre o que acabaram de ver.
— Percy - Olhei para , que me olhava sem nenhuma reação. - Jackson. - Completei e ele franziu a testa.
— Certo, o senhor está com a identidade dela? - Droga.
— Não. – Respondi, vendo a brecha que eu havia dado. — Encontramos a garota rua, não a conhecemos.
— Então como é que o senhor sabe o nome dela? – Ai, que vontade que eu tinha de dar um tiro na cabeça dessa mulher.
— Eu estou nervoso, não me faça perguntas. - Dei uma de coitado e ela me olhou desconfiada.
— Ok, tudo bem.
— Quando vamos saber se ela vai ficar bem?- perguntou, realmente preocupado.
— Avisaremos. - Ela respondeu. — Os senhores podem esperar sentados ali. - Apontou para uma sala com algumas poltronas. Parei quando começou a andar.
— Vai trocar de roupa, cara e leva meu carro para o galpão. - Que eu provavelmente irei queimá-lo.
Ele concordou sem dar uma palavra, saindo do hospital. Antes de sentar, vi o mesmo médico que acompanhou até a sala de emergência.
— Doutor, poderia me dizer como ela está? - Perguntei antes de ele entrar em um dos corredores.
— Estamos tentando reanimá-la primeiro. Vamos deter ou diminuir o sangramento e fazer os curativos. - Vi andar em nossa direção com uma cara nada boa. — Bom, até agora só posso dizer isso. Se me der licença... - Ele disse, se voltando em direção ao corredor. cochichou algo em meu ouvido e eu olhei para recepcionista, aquela vaca.
Fui até a porta principal, mas já era tarde, os policiais já saiam do carro. Disfarçadamente, andamos tentando procurar outra saída. Fomos para o fundo do hospital, encontrando um pequeno estacionamento de ambulâncias.
— E agora? - me perguntou.
— Corre. – Disse, saindo correndo em qualquer direção.
Já estávamos distantes do hospital quando comecei a sentir pingos em minha cabeça e quando paramos em frente a um mercado, a chuva forte começou.
— Eu vou ligar para o . - disse, pegando o celular do bolso.
— Não. Vamos esperar o - Respondi, o impedindo.
— Mas ele provavelmente vai demorar. - Protestou ele.
— Não ligo. – Disse, entrando no enorme mercado em frente. discou o número de e eu peguei o celular de sua mão.
— Fala . - ele atendeu.
— Toma banho de chuva e vem buscar a gente no mercado. - Falei rude, sem muita paciência.
— Que mercado? - ele perguntou. Olhei em volta procurando algum nome, mas não encontrei nada.
— Um que fica perto do hospital, se vira. – Desliguei, entregando o celular para que estava distraído olhando para algumas garotas que cochichavam e acenavam para ele.

Voltamos para o hospital no dia seguinte e foi direto para recepção perguntar sobre .
— Ela está inconsciente, mas está bem. - Disse a recepcionista, uma diferente da que nos atendeu no dia anterior. — Vocês vão visitá-la? - concordou com a cabeça e ela nos deu os crachás, liberando nossa entrada.
, e eu seguimos até o elevador.
— Qual é o quarto? - perguntou.
— 201. - respondeu sério. Ele não falava nada desde ontem. Tentávamos puxar qualquer tipo de assunto com ele durante a queimação do meu carro, mas o mesmo nos ignorava.
Quando chegamos ao andar, procuramos pelo quarto. gritou no meio do corredor que havia achado e alguns enfermeiros acabaram olhando de cara feia para ele.
Entramos e a encontramos de olhos fechados, com vários curativos em cada parte de seu corpo.
— Ela está em coma? - sussurrou.
— Ela só está dormindo, seu idiota. - respondeu, sem paciência.
— É melhor você não irritá-lo. - Sussurrei para e deu um passo para frente até ficar de encosto com a cama.
— O que iremos fazer com ela? - Ele perguntou, mas nem eu sabia.
— Podemos deixá-la aqui. Seria melhor do que na rua. - Dei a sugestão e ele bufou. — Tem ideia melhor? – Perguntei, já ficando irritado. Ele se virou e veio em minha direção, mas antes de abrir a boca, a porta do quarto foi aberta e uma enfermeira com corpo de dar água na boca apareceu, sorridente.
— Olá rapazes. Desculpa atrapalhar, mas vim trocar os curativos da nossa amiguinha ali. - Ela disse, aproximando-se de . A enfermeira a acordou de leve e me lançou um olhar antes de se virar.
Quando finalmente acordou, pulou de susto ao nos ver de frente para cama.
— Não. - Ela disse assustada.
Fiz um gesto para que ela ficasse em silêncio e olhou assustada para a enfermeira ao seu lado.
— Calma, só vou trocar os curativos. - A mulher disse em tentativa de acalmá-la e puxou os lençóis de suas pernas mostrando, vários curativos nas coxas. sussurrou algo para a enfermeira que se voltou para nós.
— Poderiam sair do quarto até eu acabar aqui? - Ela perguntou. me olhou e eu assenti, saindo do quarto. Ficamos em silêncio no corredor até que a enfermeira gostosa saísse do quarto.
— Vocês não poderiam me deixar em paz? - perguntou assim que voltamos.
— Viemos em paz. Bom, eu vim. - disse, sentando-se na poltrona no canto do quarto.
— Não vamos fazer nada com você, mas acho que é você quem está querendo fazer alguma coisa. Se cortar não é um bom jeito de se matar. - disse sério, com as mãos nos bolsos de sua calça.
— A culpa foi do amigo de vocês. Nada disso teria acontecido se não fosse por ele. - Disse ela e tanto quanto me ebcararam.
. — O que foi que você fez? - perguntou.
— Não foi ele. - disparou antes que eu respondesse.
— Eu que não fui! - se manifestou, levantando os braços.
— Foi o - ela respondeu baixo, mas todos puderam ouvir. — Ele achou que eu poderia ser sua prosti… - Ela começou, mas não terminou e pude ver uma lágrima escorrer de seu rosto. Ela limpou antes que outras a acompanhassem.
— O que ele fez? - quis saber, mas antes que respondesse, dei sinal para que ela não continuasse. Cochichei no ouvido dele e levantou-se rapidamente da poltrona querendo ouvir. se abaixou mais na cama, envergonhada, e cobriu o resto do seu corpo com o lençol. Quando terminei de falar, os rapazes olharam para ela sem nenhuma reação.
— Não me olhem desse jeito. - Ela disse, fazendo os dois virarem a cara na mesma hora tentando se distrair com alguma coisa. Vi uma expressão nada boa na cara de e soube que ele ia fazer alguma coisa.
— Aquele miserável. – Falou, me surpreendendo.
— Já dei um jeito. – Respondi, tocando seu peito antes que ele quebrasse alguma coisa no quarto.
— Rapazes. - A enfermeira gostosa voltou, chamando nossa atenção. — Sinto muito em dizer, mas o horário de visitas acabou. A amiga, ou namorada de vocês, estará liberada amanhã de manhã. - Disse ela antes de sair, pedindo licença. Iria conseguir o número dela ou eu não era o melhor conquistador de Miami.

Estacionamos em frente a minha casa após o hospital. Notei um carro conhecido estacionado em frente e logo me lembrei de quem era.
Vi descer irritado de seu carro para entrar rapidamente na casa e sai do meu carro, o acompanhando. veio logo atrás.
— Seu filho da puta. - foi até quando o viu em pé em frente ao bar.
— Qual é, até você? - perguntou tranquilo, tomando um gole do meu whisky.
— Ela só é uma garota. - falou, aumentando o tom de voz e avançando em , que provavelmente estava bêbado.
correu até ele, o impedindo de dar mais passos agressivos.
— É uma mini prostituta. - disse entre risos e foi eu quem avançou antes de , dando um soco em sua cara.
— O que há com vocês? - colocou o copo no balcão e levou sua mão até a boca que agora sangrava. — A vadia é filha do prefeito, aquele com quem você tem uma rixa. Está se esquecendo, ? Por que estão defendendo ela? Não era você que queria se vingar? - Ele perguntou, dando um passo para frente, mas desistiu, saindo de perto e indo até a porta de entrada.
Me joguei no sofá, ligando o vídeo game. e foram para fora conversarem.
Fiquei tão concentrado no jogo que nem vi Jenna chegando.
— Está brava? - perguntei para ela quando se sentou ao meu lado, bufando.
— Nunca conseguimos ficar sozinhos. Nunca saímos juntos, nem mesmo para tomar um café. - Ela disse emburrada. Bufei, já ficando irritado, e pausei o jogo.
— Quer sair, vamos sair. – Levantei, indo em direção à porta para pegar a chave do meu carro.
— Para onde vamos? - Ela perguntou sorridente.
— Você não quer tomar café?
— Café? Fala sério, . Eu disse por dizer.
— Não quero mais saber, não está aí reclamando? Não estou com humor para ficar ouvindo reclamações. – Disse, já entrando no carro e percebi que ela havia ficado irritada. Não mais que eu.
O fato de eu estar com Jenna era porque ela fazia qualquer coisa, até no sexo. Sempre se consegue o que quer quando se tem uma mulher gostosa em suas missões de assalto ou algo do tipo. Ela era o que distraia as pessoas enquanto fazíamos o trabalho sujo.
Fomos até uma cafeteria não muito longe e foi então que a vi dentro de um carro, no banco de trás.
Não, estava no hospital. Como podia estar andando na rua agora?
— Seu cappuccino! – escutei a voz de Jenna e logo depois ela se sentou em minha frente. Olhei de novo para o lado de fora, mas não encontrei mais o carro.
— Você está ficando louco. – falei sozinho. Deveria ser sono, já que eu não havia dormido. Mas mesmo assim continuei pensando no que eu poderia ter visto.
Peguei a chave do carro e sai disparado. Ouvi a voz de Jenna atrás de mim, mas não dei atenção.
Cheguei no hospital e perguntei sobre a paciente.
— Senhor, o horário de visita acabou. – A recepcionista disse, mas virei de costas para ela e sem pensar duas vezes, saí correndo em direção ao elevador antes que os dois seguranças me alcançassem.
Cheguei no andar e fui até o quarto de .
Merda. Como eu imaginava, ela não estava ali. Dei meia volta e trombei com um dos seguranças que estava no andar de baixo. Virei em outra direção, mas eu já estava bloqueado. Um deles pegou meu braço, me arrastando até o elevador e não me atrevi a me mexer. Se eu fizesse alguma coisa eles iriam cair duros no chão e eu teria problemas.
— Eu sei que é difícil ter alguém que ama doente, mas você tem que respeitar as regras do hospital, cara. - O brutamonte disse enquanto estávamos no elevador.
Tive que dar uma desculpa sobre estar desesperado e blá, blá, blá, mas assim que sai do hospital, meu celular começou a tocar.
Dia difícil, ? - Reconhecia aquela voz.
— O que você quer? – Perguntei, indo em direção ao meu carro.
Nada, digamos que eu já consegui. Diga oi, querida. - Mika disse e a ligação ficou em silêncio até, logo depois, eu ouvir um estralo. — Diga oi. - ele repetiu rude.
Vai se ferrar. - disse e pude ouvi-la cuspindo.
Ela é muito nervosinha. - "Nem me diga".
— Onde vocês estão? - Fui direto, não querendo ter uma longa conversa.
Acha que será fácil? Ela é minha.
— Desgraçado. – Disse, jogando meu celular longe quando a chamada foi encerrada por ele. Entrei no carro e me certifiquei de passar por cima do telefone que estava no meio da rua. Aquele desgraçado ia ver o que acontece com quem mete no que é meu.



Capítulo 7


— Cara, você não sabe que eu só consigo rastrear a ligação com o celular? - disse logo após eu ter dito que havia quebrado meu celular. Estávamos e no galpão, pensando no que fazer com o desgraçado do Mika.
— Ele não é dono de umas três boates e duas delas são aqui? Vai ver ele está em uma delas. - disse e eu soltei um enorme sorriso.
— Cara, finalmente você disse uma coisa da qual eu possa me orgulhar de você. – Disse, dando um tapa em suas costas.
— Pô cara, não exagera.
— Não vamos perder tempo. - disse apressado, pegando sua jaqueta em cima do sofá. Acabamos indo todos no meu carro.

Paramos em frente a uma das boates de Mika, que a propósito, estava bem cheia. Havia uma fila enorme ao lado e um segurança na porta. foi até ele, o distraindo e puxando para perto de si para que e eu entrássemos rapidamente. O plano "A" estava indo, até agora, bem e não podia falhar já que não tínhamos o plano "B".
Assim que entramos, começamos a olhar para todos os lados, procurando algum tipo de coisa, sinal ou o Mika mesmo. Acabei achando um dos seus capangas que eu havia reconhecido por causa da mesma tatuagem de serpente na mão esquerda. Mika e seus capangas tinham essa marca para serem reconhecidos. Besta, não?
Ele estava observando tudo em volta e quando fui em sua direção, acabou percebendo e começou a correr para o outro lado da boate. Corri atrás dele, esbarrando em umas pessoas e sendo xingado por outras. Quando pensei que iria perdê-lo, acabou esbarrando nele, o que o fez cair no chão.
— Olha por onde anda, cara. - Meu amigo disse, não fazendo ideia de quem ele era. Fui até o garoto e o peguei pela gola de sua camisa, o puxando para cima.
— Onde está o Mika? – O encostei na parede, o prensando.
— Eu-eu não sei. - Ele disse, ficando sem ar. — Tem certeza? – Perguntei, levantando minha camisa para ele poder ter visão da arma em minha cintura. Ele continuou calado.
— Escuta aqui, cara. Eu não tô com vontade de ficar fazendo joguinhos, se ficar me enrolando, meto uma bala na sua cabeça fácil. - disse pra ele e me afastei, dando espaço para que começou dar socos em seu estômago.
— Ele-ele está em Lincoln, Beach, 320. - O garoto, que tinha uma cara de novinho, disse, cuspindo sangue em seguida. A boate estava escura e ninguém podia nos ver.
O deixamos de lado e caminhamos para fora, tendo a visão de agarrado com uma ruiva no meio da fila. Quando o mesmo nos viu, se despediu dela e veio atrás da gente.
— Eae, o encontraram? - Perguntou quando já estava ao nosso lado.
— Ele está em Miame Beach.
— Vamos que dia?
— Hoje mesmo. – respondi, destravando o alarme da minha Ferrari.
— Não vai ficar muito tarde?
— A noite ainda nem começou. – disse, entrando no carro.

Depois de mais ou menos 3 horas e meia, chegamos na tal boate. O local estava cheio e a avenida agitada em plena madrugada. Estacionei meu carro no outro lado da rua e assim que saímos todos de dentro dele, acionei o alarme. Haviam várias mulheres bonitas nos olhando, outras dando uns sorrisinhos meigos e safados enquanto entravamos na boate.
Ela estava ali na minha frente, seus cabelos soltos, sua franja caída um pouco nos olhos e uma roupa curta. Estava sentada em uma mesa com Mika ao lado, rindo e bebendo com outros caras. Ela olhava para todos os cantos e quando me viu, travou. Mika perguntou algo a ela que não havia respondido e assim que ele seguiu seu olhar, me viu.
Andei rapidamente em direção a eles quando o mesmo puxou , arrastando-a junto com ele. Seus capangas vieram até mim, me segurando. tentou correr para o outro lado, mas foi em vão, os caras já estavam em nossa volta.
Assim que nos levaram para rua, chutei tudo o que via pela frente. tanto quanto eu estava irritado.
— Já está indo embora, ? - Ouvi a voz de Mika assim que destravei minha Ferrari.
— Ora seu... - Assim que voltei para dar um soco em sua cara feia, seus seguranças entraram em minha frente.
— Calma lá, meu amigo. A noite está linda, não é bom ficar irritado. - ele dizia com um sorriso no rosto. não estava mais com ele. — Tentei te ligar, mas só dava caixa postal. Pensei que havia desistido.
— Eu não desisto.
— Se não desiste então vamos fazer um acordo. Entreguem o celular para ele. - Apontou para um dos seus seguranças, que veio em minha direção e me entregou o tal aparelho. — Vamos fazer um joguinho? Gosta de jogar, ?
— Vá se ferrar.
— Eu sei que gosta. Conhece aquele “o mestre mandou”? - perguntou e eu permaneci calado. Aquele miserável. — Bom, eu, claro, vou ser o mestre e a cada ligação minha você terá que fazer o que eu mandar para ter sua garotinha de volta. Simples. - Eu não podia desistir, não porque eu queria a garota, mas sim por que ele pensaria que eu não era corajoso o suficiente. Uma coisa que eu podia fazer agora era tirar a arma da minha cintura e dar dois tiros em sua cabeça. Mas eu não podia matá-lo. Eu me meteria em uma encrenca maior ainda com seu chefe. — O jogo começará assim que receber a primeira ligação. Nos vemos em breve. - Deu meia volta e entrou na boate. Eu andei em sua direção, mas me impediu de dar mais passos.
— Melhor fazer o que ele está pedindo.
— Eu não recebo ordens. – disse, me afastando e entrando em minha Ferrari.

Eu e os caras havíamos alugado um quarto em um pequeno hotel de estrada. O lugar era um chiqueiro e não tinha água quente.
Um bip irritante soava e vibrava em cima do criado mudo. Reclamei, me virando para o outro lado da cama enquanto abria um pouco os olhos para ver as horas. 8h30min. Que inferno.
Peguei o aparelho e sem dizer nada, o coloquei na orelha.
— Bom dia, dorminhoco. - Ouvi a voz de Mika, provavelmente estava com um sorriso no rosto. — Gosta de racha? Que tal darmos uma bela partida, só você e eu? O vencedor leva 10 mil.
— Que tal a garota?
— Calma, , ainda estamos no começo, tenta se divertir um pouco. Te encontro no norte a noite. - Desligou.

Uma mulher ruiva com roupas curtas e justas extremamente gostosa finalmente chegou no meio da pista, ergueu a bandeirinha e a abaixou.
Acelerei a Ferrari a toda potência, o vento que entrava pela janela esfriava meu rosto e me ajudava ser calculista. Pelo que havia me falado, a pista era reta por uns 300 metros, depois havia uma curva fechada para a esquerda, outra fechada para direita e assim por diante. A Ferrari era extremamente rápida nas retas, mas perdia velocidade nas curvas fechadas, por tanto aproveitar as retas era primordial.
E era isso que eu estava fazendo, estava mais ou menos no meio da reta e já havia ultrapassado o carro Lamborghini roxo de Mika. Forcei mais o motor da Ferrari, alcançando 250km/h. A curva estava próxima e fui obrigado a desacelerar e ver Mika me ultrapassar. O Lamborghini era rápido nas curvas e estava ganhando distância a cada curva que passava. A ultima reta estava a frente e eu aproveitei para ganhar velocidade enquanto Mika estava na minha frente.
Minha Ferrari alcançou 300km/h e em seguida, colei em Mika. A curva aberta estava logo a frente, sem tirar o pé no acelerador, entrei nela e lá estava a ruiva, me esperando com a bandeirinha em mãos.
A linha de chegada ficou para trás e a ruiva também. Foi ai que me toquei. Quem havia ganhado?

Assim que sai do carro vi um monte de gente vindo em minha direção me dando parabéns e falando que havia sido uma ótima corrida. e comemoravam entre eles. Vi Mika vindo em minha direção com a ruiva ao lado, com uma maleta cinza brindada.
— Parabéns, . Espere para a próxima surpresa.

Voltamos para o hotel por volta das 10 na noite. Fomos até uma máquina de salgados e bebidas que ficava um pouco distante do estacionamento e assim que colocou uma nota de 10 dólares na máquina. Ouvimos uma explosão.
— Caralho! - disse, deitando no chão. Assim que paramos de ouvir o barulho de coisas caindo, fui até a claridade de onde havia escutado o barulho.
Não. Não pode ser.
Aquele miserável. Filho da Puta.
Meu carro estava repleto de fogo, algumas peças estavam em volta do estacionamento. O dono do hotel saiu pra fora com as mãos na cabeça, mais preocupado do que eu.
Me desesperei mais ainda quando lembrei do dinheiro.
Mas assim que chegou ao meu lado, percebi o que estava em suas mãos. Um pacote de batatas chips e a maleta.
— Vocês não vão apagar isso? - o dono do hotel gritou enquanto subíamos as escadas até nossos quartos. Fiz um aceno com a mão e entrei em meu quarto. Meu segundo carro jogado fora e de novo era culpa daquela garota.
O celular tocou assim que entrei no meu quarto. Pensei em joga-lo pela parede mas me controlei.
— O que foi agora? – perguntei, rude.
— Ah, que pena. Pensei que tinha morrido. Estava torcendo para que isso acontecesse.
— Acho que você é muito azarento. - decidi entrar no jogo.
— Acho que também estou achando. Mas você mudará de ideia mais tarde. - e desligou.
Babaca.
Depois de uma ducha gelada, me chamou até seu quarto, que ficava ao lado. trocava os canais da pequena televisão, tentando achar algum canal que não estivesse chiando, mas nada prestava nesse fim de mundo.
— Acho que estamos com azar, . - começou, colocando a maleta aberta em cima da cama.
— Por quê? – perguntei, querendo concordar com ele.
— Dê uma olhada na grana. - Assim que pequei um bolo com notas de 100, saquei o que tinha de errado.
— Desgraçado. – disse, jogando a maleta em direção ao chão.
O dinheiro era falso.
— Esse infeliz ta querendo brincar com a pessoa errada. – completei, sacando minha arma da cintura e atirando contra a maleta. Assim que parei, ouvi três batidas na porta.
— Os senhores, por favor, poderiam fazer silêncio? - engoliu seco. — Já é bem tarde da noite e vocês já fizeram muita confusão aqui. - o velho, dono do hotel, dizia, olhando para a maleta no chão cheia de papel copiado.
— Bate aqui na porta de novo e eu dou dois tiros na sua cara. - Apontei minha arma no meio de sua testa. O velho se tremeu todo, levantando os braços. fechou a porta assim que dei dois passos para frente.
— Deixa o cara. - ele disse, indo em direção a maleta e juntando o dinheiro. — Vamos queimar isso aqui. - Assim que terminou, abriu a porta novamente e o cara ainda estava parado em frente a ela, com os braços levantados e a calça toda mijada. — O senhor pode voltar para o seu aposento, não faremos nada. Ele não fara nada com você.
dizia e conduzia o cara até as escadas, ele continuava tremendo com os olhos arregalados.
e eu fomos atrás e assim que chegamos no estacionamento, veio em nossa direção, jogando a maleta até o grande fogo. Coloquei as mãos no bolso da calça e acabei achando um cigarro.
— Alguém tem fogo? - Perguntei irônico e meus parceiros riram.
— Aqui tem fogo de sobra. - respondeu.
Andamos até achar um bar aberto e assim que encontramos, entramos nele. Os ponteiros do velho relógio de parede se esforçavam na passada do tempo, compondo o cenário perfeito para o início de uma noite longa e entediante. Mesas incompletas, vazias, o escorredor de louças lotado de copos secos. De trás do balcão apenas percebia as luzes intermitentes do letreiro pela porta do piano-bar. Como plano de fundo a música colérica de Jim Morrison. Riders on the storm tocava em som ambiente. Ah! Como eu queria que por aquela porta aparecesse a doce e esfuziante Marilyn Monroe com seu vestido branco e cabelos fios de ouro. Ouro, baby! Eu, em minha mente suja, imaginava ela se aproximando, dançando com o vento entre as pernas e se despindo todinha.
Fomos até o balcão e pedi uma dose de vodca; a bebi. O gosto amargo pela minha boca, descendo pela garganta, fez-me querer sentir novamente. Pedi outra dose da mesma bebida amarga e fui até a mesa onde os caras estavam sentados e bebendo.
Foi quando a campainha de sinos da porta de entrada anunciou a chegada de alguém, que me virei, deparando-me com um homem que me encarou antes de se sentar no balcão e pedir um duplo para o garçom. Meus olhos seguiam todos os movimentos rápidos do desconhecido, ele sacou uma arma e apontou para nossa mesa, atirando. Eu no mesmo movimento me abaixei atrás da mesa junto com e . Uma das minhas balas acertou em cheio a cabeça do homem que caiu mole no chão. Me levantei e fui em sua direção. O garçom se encontrava abaixado atrás do balcão com a cabeça entre as pernas. empurrou com o pé o homem que estava caído no chão e olhamos para seu rosto.
— Ele estava na corrida. - ele disse, mexendo nos bolsos do paletó do morto e encontrando uma fotografia. A peguei na mão de e me encontrei na foto. — Ele é da polícia.
Droga. O que a polícia queria comigo?
Olhei em volta do lado de fora do bar e não encontrei nada, a rua estava vazia, sem nenhum barulho ou algum morto vivo.
Voltei para dentro e coloquei um dinheiro para o garçom que continuava encolhido, quando outra vez o barulho do sino me desviou o olhar. Dessa vez era uma moça loira, generosamente com um vestido justo e um decote arredondado, ela olhou para o cara duro no chão e deu meia volta para sair do local. foi mais rápido e a pegou pelo braço.
— Calma, calma, calma. Ele só está bêbado. - Ele disse, mas a moça sabia que era mentira. — Que tal eu te pagar uma bebida?
, aqui não. - Disse a ele, que me olhou e voltou a atenção para a mulher. Provavelmente prostituta.
— Que tal darmos uma volta? - ele disse a ela que se tocou na hora o que ele queria. Concordou e os dois saíram.
— Ele não perde uma. - Comentou , concordei mentalmente.



Capítulo 8


Passou-se dois dias e eu não tinha recebido ligações de Mika. Ainda estávamos no hotel e não saímos por nada.
era o único que recebia visitas de mulheres bem vestidas e extremamente gostosas.
e eu por outro lado, havíamos arrumado um baralho na recepção. Assim que o velho do dono do hotel me viu, travou de medo. Por sorte estava comigo e o acalmou na hora.
Enquanto ouvíamos os gemidos da garota do quarto ao lado com , eu e jogávamos.
— Como é que ele consegue contato com elas? Essa dai já é a quinta e ele nem saiu do quarto pra fazer esforço nenhum. - comentou . Nosso parceiro era um grande conquistador.
O celular de Mika começou a vibrar em cima da cômoda. Desanimado, peguei o aparelho e aproximei até o ouvido.
— Sabe, , estou cansado de jogar. - começou Mika. — Essa garota é muito mal criada, adora cuspir e além disso, ela dá muito trabalho. - ele dizia. — Até porque só ganhei o corpinho de menina dela em vez da grana do pai. - assim que ele disse isso, senti pena de . — Acho que precisamos conversar pessoalmente. Te encontro na minha melhor boate. - e desligou. Pensei em qual boate ele estava se referindo e imaginei que seria a que vi ele com pela primeira vez.

As 10 da noite pegamos um táxi e fomos à tal boate. Nem precisamos dizer nossos nomes já que um dos seguranças nos revistaram e abriram passagem.
Assim que entramos percebi várias garotas dançando em cima do palco e dos postes de pole dance. Encontrei Mika sentado em uma das mesas e fui até ele, seguido de , já que resolveu dar uma “volta” pela boate.
! - Mika disse animado. - Sentem-se. – disse, apontando para as cadeiras vazias em frente à mesa. — Querem beber alguma coisa?
— Whisky. - disse para a mulher ao lado, que usava roupas pequenas e segurava um bloco e uma caneta para anotar os pedidos. preferiu não beber nada.
— Vamos esperar um pouco, irá ter um ótimo show, sei que vocês iram gostar. - Mika disse, enquanto fumava seu charuto e observava em volta.
Passou se dois minutos e as luzes abaixaram para anunciar o espetáculo.
Ela e mais três garotas apareceram no palco. Seus cabelos estavam soltos e sua franja caída um pouco nos olhos. Ela usava um collant vermelho cheio de glitter e suas belas e torneadas coxas estavam expostas a todos.
A música começou a tocar e eu olhei em volta. Todos que estavam no local, na maioria homens, prestavam atenção. As quatro começaram a dançar. Vi procurando algo enquanto rebolava, mas imaginei que já tinha encontrado quando seus olhos pararam em Mika e quando me olhou, paralisou. Uma das garotas que dançava ao seu lado cutucou a fazendo sair do transe e voltar a fazer a coreografia. Ao meu lado, Mika não prestava atenção, ao contrário de mim e . Percebi que balançou a cabeça disfarçadamente para o lado e eu olhei. Era um banheiro. Balancei a cabeça e olhei para Mika que estava entretido com seu charuto.

O show acabou e eu me levantei, indo ao banheiro. Mika não se importou em perguntar já que ele estava flertando com uma das mulheres de sua boate.
Cheguei na porta do banheiro feminino e entrei; Esperei um pouco e a porta foi aberta mais não era ela. Uma mulher com um vestido preto e cabelos totalmente cacheados entrou e me olhou assustada, mas sorriu indo para a pia.
— Sei que eu não estou tão bêbada para entrar no banheiro errado. - comentou. A porta abriu mais uma vez e apareceu. Ela olhou para a mulher que também a olhou.
— Ok, vou deixar vocês dois sozinhos, mas não vou esquecer os seus rostos, terão que pagar uma bebida para mim. - e saiu. me olhou e engoliu seco, se aproximando.
— Vocês não deveriam estar aqui. Ouvi Mika dizer que iria invadir sua mansão. - ela disse. Bati forte na porta ao lado que acabou fazendo um barulhão, mas não me importei. — Vocês estão perdendo por uma coisa que não é mais importante para vocês.
— Está dizendo que quer ficar com ele? Você gosta desse lugar?
— Não, claro que não. Nem aqui e nenhum lugar. - Não sei por quê, mas não gostei do que ela havia falado. — Eu só… - pausou e abaixou a cabeça. — Só quero ir para casa.
— Eu vou te tirar daqui. - disse a ela. — Fique aqui que eu já volto. - sai do banheiro e fui até a mesa de Mika, ainda estava lá sentado com o rosto sério.
— Achei que tivesse ido embora. - Mika disse. — O que achou do show? - perguntou. — Sabia que eu faturo com essa garota? Posso até te dar um presentinho. Tenho certeza que você é a fim de dar umas pauladas naquela bunda. - ele estralou os dedos para um dos seus capangas que estavam ao seu lado. — Traga a minha bonequinha para cá. - o cara concordou e foi até o banheiro. — Acha que consegue fazer tudo sem eu saber, ? - perguntou assim que eu olhei para onde o cara ia. — Sei que uma conversa não leva a lugar nenhum. Por isso deixei você livre por aí. Sabia que iria até ela ou ela até você.
chegou agarrada pelo braço por um dos homens de Mika.
— Quantos minutos mais ou menos você acha que pode dar prazer ao meu amigo aqui, minha princesa? - Mika perguntou, mas ela não respondeu. — Você ainda não aprendeu? - ele acenou com a cabeça e o seu capanga que a segurava deu um tapa estralado em sua bochecha. Ela se curvou para o lado por causa da força. Eu e nos levantamos da cadeira, mas dois caras nos seguraram por trás.
— Vou perguntar de novo… Aliais, sem perguntas. Você sabe o que fazer com ele princesa. Levem-a para o quarto. - ela foi puxada em direção uma escada e sumiu de vista.
— Ela ainda é nova. - foi a única coisa que consegui dizer.
— E a melhor. - ele respondeu. — Qual é, deveria estar feliz. Que oportunidade você vai ter para foder a filha do prefeito. - ele apontou para o meu lado esquerdo e eu olhei. Uma mulher com roupas curtas me entregava uma chave com o número dois marcado.
— Um dos nossos melhores quartos. - Mika disse sorridente. Um dos seus caras me acompanhou até o corredor onde ficava os quartos. Ele parou em frente à porta e ficou de segurança vigiado em volta. Olhei para o número dois que estava pendurado com prego na porta de madeira e girei a maçaneta, entrando e encontrando com roupas íntimas em frente à cama. Sua bochecha estava vermelha e pude perceber hematomas pelas suas pernas e braços.
— Não se preocupe, não vou fazer nada com você. - disse a ela assim que eu tranquei a porta.
— Não é você que tem que fazer algo, sou eu.
— Mas não precisa.
— Sim eu preciso. Tem uma câmera ali no canto esquerdo do quarto. Se não acontecer nada não é você que vai sofrer mais tarde. - ela disse séria. — Não vai ser a minha primeira vez mesmo, Mika já deve ter comentado, então não precisa se preocupar. - ela veio em minha direção e sem desviar os olhos dos meus arrancou minha camisa.
Senti sua pequena mão passar em meu abdômen e descer até o cós da minha calça. Arfei e segurei seu pulso fazendo-a parar.
— Por favor. - ela sussurrou. Saberia que se eu a impedisse eles iriam acabar machucando ela. Suspirei decidido e soltei suas mãos empurrando-a devagar até a cama. Subi em cima dela e comecei a beijar seus ombros e subindo até seu pescoço. Eu precisava entrar no clima para aquilo realmente rolar.
— É proibido beijar. - ela disse assim que eu fiquei com o nariz colado no dela. Concordei e lentamente fui tirando sua calcinha, assim que consegui por completo, a joguei em algum lugar do quarto e me levantei. Sem tirar meus olhos nos dela, abaixei minha calça e em seguida, minha box e ela se sentou na cama, arrancando seu sutiã e... Puta que pariu, que belos pares de seios.
Vi vários pacotes de camisinha no criado-mudo e peguei um deles para colocar.
Assim que me livrei do pacote, minhas mãos foram em sua cintura, minha boca em seu pescoço e o peso de meu corpo lhe deitando suavemente na cama. Enfiei, ela arfou, mas percebi que não de prazer e sim de dor. Olhei para ela que mantinha os olhos fechados com força e suas mãos agarradas nas conchas.
— Você disse que não era sua primeira vez.
— Eu precisei dizer se não você não iria fazer. - realmente eu não iria. — Eu aguento. - ela abriu os olhos, me encarando. Comecei a colocar lentamente até o final. Senti ela suspirando em meu ouvido e comecei os movimentos. acabou soltando um gemido baixo enquanto meus movimentos aumentavam. Ela cravou suas unhas nas minhas costas e soltou mais gemidos, que faziam ter iniciativa de acelerar. Soltei um único gemido assim que cheguei ao clímax. Senti relaxando em baixo de mim e eu sai de cima dela, indo até o banheiro, jogando a camisinha fora e voltando no quarto, deitando ao seu lado da cama.


Capítulo 9


’s POV

Os dias foram passando e eu continuava no pequeno quarto escuro, com apenas uma pequena janela com grades. Não havia nenhum móvel ou lençol, eu dormia sentada naquele chão gelado e sujo. Alguém vinha de vez em quando trazer comida e ainda tinha dias que esqueciam.
Ouvi a porta sendo aberta e alguém descendo, não imaginei quem seria até ver seu rosto. Ele aproximou-se de frente para mim e pegou meu braço com força, me fazendo levantar. Sua mão veio de encontro ao meu rosto, tirando o cabelo dos meus olhos e virei meu rosto. Tentei me soltar de seus braços, mas ele apertou mais ainda. Vi que se aproximava mais para beijar minha boca e acabei cuspindo nele, que se afastou imediatamente.
— Sua vadia. - ele veio em minha direção zangado e com os olhos cheio de ódio, começou a desabotoar o cinto, me dando um certo medo. Tentei fugir dele, mas o mesmo me pegou rapidamente e me empurrou brutalmente contra a parede, me certando. Eu não tinha pra onde fugir.
— Não faça isso, , por favor, não faça isso! - tentei fugir quando ele começou a passar as mãos brutalmente sobre o meu corpo, lutava contra, mas ele estava usando a força. Fui tentar correr e acabei caindo no chão, me pegou e me arrastou pelas pernas para junto dele. Com força, abriu minhas pernas enquanto eu berrava para que ele não fizesse isso. Ele trucidou a minha roupa, rasgou tudo até me deixar só de calcinha e sutiã. Eu estava desesperada. Socava o peito dele com toda minha força e me sacudia, mas ele não pareceu se importar. rasgou minha calcinha com uma única puxada e me penetrou com toda sua força, eu chorava de nojo e de ódio. Comecei a gritar, mas parecia que ninguém me ouvia.
Senti umas cutucadas e meu nome de longe ser chamado. Numa respiração, abri meus olhos e respirei fundo como se estivesse sido afogada. Encontrei Samanda na minha frente com umas roupas penduradas no braço, me levantei rapidamente e fui em direção a ela, lhe dando um abraço. Eu estava suada e tremendo. Foi tudo um sonho, , tudo um sonho.
— O que aconteceu? - Samanda disse, devolvendo o abraço.
— Eu tive um pesadelo horrível. - Eu gaguejava desesperada. Soltei de seus braços e fiquei andando de um lado pro outro. – Ele tinha descido aqui e... Ai meu Deus, foi horrível.
— Calma. - disse ela. — Foi apenas um sonho. - Concordei com a cabeça, e sequei minhas lágrimas.
— Eu acho que eu estou ficando doida, já é meu terceiro pesadelo. - Me sentei no chão e ela me entregou as roupas para o show.
— Volto daqui 2 minutos. - Ela levantou e saiu. Bufei, me levantando e tirando minha roupa para colocar o collant. Assim que o peguei, lembrei da noite em que fui obrigada a dormir com . Ainda sentia o toque dos seus dedos na minha pele nua assim como sentia sua respiração no meu pescoço. Eu queria parar de pensar, mas não conseguia. Ele foi o meu primeiro, não teria como esquecer, como não teria como esquecer o que fez comigo.
Me vesti e depois de um tempo a porta foi aberta. Samanda desceu as escadas entrando no quarto.
— Já está pronta? - perguntou.
— Infelizmente. - disse desanimada.
— Hoje depois do show você poderá dar uma volta pela boate até ser escolhida por um homem. - ela disse e eu paralisei quando andava para fora do quarto. — Eu sei que é horrível...
— Não, você não sabe! - gritei para ela. — Você pode ter escolhido essa profissão para se sustentar, mas eu não. Eu só tenho 17 anos, amanhã faço 18 e o meu presente de aniversário vai ser um velho safado idiota em cima de mim. - disse chorando. Subi rapidamente e sai andando pelo corredor até uma porta que dava para a coxia do palco da boate. As garotas já estavam posicionadas em seus lugares e eu ainda estava secando meu rosto, mas não adiantava porque mais lágrimas desciam. O cara anunciou e eu fiz a pose de começo. As cortinas se abriram e começamos a dançar. Tentando segurar o choro procurei alguém conhecido pela segunda vez durante aqueles dias, mas foi em vão. A música parou e em seguida descemos do palco. Andei no meio daqueles homens suados e nojentos e um deles acabou batendo com força na minha bunda que me fez dar um pulo assustada.
— Gostosa. – disse, me analisando de cima a baixo. Respirei fundo e continuei andando até um outro cara me parar.
— Você é nova aqui? - concordei com a cabeça. — Então sei que se eu te levar para fora custará mais caro.
— Acho que não.
— Por que acha isso?
— Eles não deixariam eu sair.
— Será mesmo? - ele foi até os fundos da boate e parou na porta onde ficava o escritório de Mika. Cochichou algo no ouvido de um guarda que acenou positivo com a cabeça e deu passagem para ele. Fiquei no canto da boate encolhida, olhando para todos os lado procurando algo que eu nem sabia, lamentei quando vi o mesmo cara se aproximando novamente com um sorriso no rosto.
— Foi difícil, mas consegui. - passou os braços em volta da minha cintura, me fazendo dar um pequeno pulo com o seu toque. — Não precisa ter medo de mim, eu não mordo. - eu o olhei assustada.
Assim que passamos pela porta da frente eu me toquei que estava saindo pela primeira vez daquele inferno. Senti o vento batendo em meus cabelos me fazendo sentir-se livre; Mas a sensação acabou quando vi um dos caras que trabalhavam para Mika nos seguindo. Reconheci o rosto, ele era o cara que havia me dado um tapa porque não respondi uma pergunta besta de Mika.
Paramos em frente a uma BMW enquanto o cara que nos seguia entrava em uma SUV preta estacionada logo atrás.
O homem ao meu lado ligou o som e começou a dirigir em alta velocidade pelas ruas de Miami Beach. Depois de um tempinho dentro do carro, finalmente ele parou em um único sinal vermelho. As ruas estavam cheias de automóveis e algumas pessoas passavam por ali. Enquanto o cara ao meu lado balançava a cabeça e os dedos no volante no ritmo da musica, eu tirava disfarçadamente os meus saltos. Ele se pendurava na janela dizendo coisas sujas toda vez que uma mulher passava ao lado na calçada.
Olhei para o retrovisor e vi o carro preto atrás de nós onde o grandalhão estava, olhei para a trava da porta e olhei para o retrovisor novamente. Mais uma vez o cara ao meu lado se pendurou na janela.
Seja o que Deus quiser.
Toquei na trava e sai do carro correndo o mais rápido que eu conseguia. Consegui desviar de algumas pessoas, trombando em poucas e assim que virei em um miserável beco sem saída tentei dar meia volta, mas acabei trombando no capanga de Mika. Assustada, comecei a andar de costas até sentir o muro atrás de mim. O desespero tomou conta e eu comecei a chorar já sentindo a surra que iria levar.
— Não, por favor! Não. - disse implorando. Ele sorriu e começou a andar devagar na minha direção, dobrando as mangas de seu casaco. Olhei para o lado e vi varias madeiras e sem pensar duas vezes, peguei uma rapidamente e com toda a minha força, fui em sua direção, batendo aquele troço pesado em sua cabeça. Na mesma hora, larguei a madeira assustada e vi com os olhos arregalados ele caindo no chão bem à minha frente, foi ai que percebi que tinha um prego preso em sua cabeça junto com a madeira. Fiquei parada sem nenhuma reação, vendo o sangue escorrer entre os meus pés descalços. Sai do transe assim que ouvi um barulho e desesperada, sem saber o que fazer, comecei a correr novamente sem nenhuma direção.
Eu havia matado um homem e isso iria me atormentar pelo resto da minha vida.

’s POV

— Tem um carregamento de armas chegando e eu sou responsável por ele, mas preciso de alguém que conhece o Danke para consegui por essa carga para dentro. Eles não vão com a minha cara e você conversando com o D eles aceitariam.
— Não. – falei sem ao menos pensar na proposta de Mika.
, estamos falando de milhões. O carregamento que está chegando vale muito e você vai querer perder isso? — A gente não costuma se sujar com tão pouco.- Falei arrogante, mas menti. Roubar bancos era o nosso pouco, mas era o nosso melhor.
— Por isso que eu tenho uma segunda coisa para você.


Nesses dias havia me esquecido que Mika e eu havíamos feito um acordo a mais ou menos uma semana atrás, antes desse acontecimento todo e mesmo eu não confiando nele, já que ele não é um bom cumpridor de contratos, fiz mesmo assim, sabendo que daria certo.
Fizemos um acordo que suas 3 boates seriam minhas se Mika morresse sem ser das minhas mãos. A única coisa que eu não poderia fazer era mata-ló, somente eu estava proibido e mais ninguém, então depois que a carga estivesse em seu devido lugar, mandaria a gangue Danke fazer o serviço de meter uma bala em sua cabeça, assim a responsabilidade não seria minha.
O acordo só iria ser feito se eu aceitasse ajudar com o carregamento de armas que estava por vim, eu não era de fazer esses tipos de serviço, mas estava precisando da grana, pois não está previsto em meu futuro roubar bancos para sempre, mesmo tendo ainda a ultima grana que havíamos pego no banco do prefeitinho de merda. Metade da minha parte havia sido gasta com carros que já nem tinha mais.
Eu e os caras estávamos decididos a voltar para Miami. Havia recebido uma ligação da gangue Danke sobre o carregamento que já tinha ultrapassado e chegado na cidade. Os caras não estavam sabendo de nada assim que a ligação foi feita pelo celular de , já que eu não estava com o meu. Um dos caras que trabalhavam para o D, o chefão da Danke, comentou que um dos caminhões foram parados pela policia e que acabaram descobrindo que eu estava nessa. fechou a cara comigo pois um dos agentes da policia já havia me encontrado esses dias no bar que frequentamos e se eu ficasse mais um minuto em Beach, eles me encontrariam novamente.
Estava resolvido.
Esqueceríamos até Mika ser morto.

Passamos em uma padaria para comermos algo e assim que saímos dela encontramos quem eu imaginava nunca ver mais.

’ POV

Os lábios perfeitos de haviam se curvado em um meio sorriso e seus olhos deslizaram por meu corpo de cima a baixo. P.s: eu ainda usava o collant da boate.
Me forcei a não abaixar o olhar como uma garotinha envergonhada e o sorriso dele pareceu se alargar com isso. jogou o cigarro no chão que ainda não tinha acendido e começou a vir na minha direção, porém, senti uma mão apertando o meu braço e me puxando para o lado oposto.
Era Mika.
Ele me jogou no banco de trás do carro e deu a volta entrando no banco do motorista.

’s POV

Meu sorriso brochou quando olhei para o lado e vi Mika. Fiz de tudo para seguir o carro. Corri o mais rápido que conseguia e quando vi um taxi passando, entrei nele, não me importando se estava ocupado ou não. Apontei minha arma para o motorista e disse a simples frase famosa, “siga aquele carro.” que por sinal estava longe.
Finalmente havia chegado onde Mika estava com . Mandei o taxista embora e segui em direção uma casa totalmente abandonada. Abri somente uma fresta da porta e o vi sorrindo como se estivesse genuinamente feliz em me ver.
— Você é um ótimo perseguidor . Mas muito lento. Passa a arma. - bufei e coloquei minha arma no chão, a chutando em sua direção.
! - a voz de tirou minha atenção. Ela estava amarrada nas mãos e nos calcanhares e sua mordaça jazia pendurada no pescoço. Ela parecia machucada na boca e nas bochechas. Seus olhos estavam marejados.
— Olha para ela e veja o quanto demorou. - Mika a jogou com força para o chão e ela gemeu de dor ao cair com os dois joelhos no cimento. — Fiquei sabendo que o pobre papaizinho não a quer. Então me diz, , o que quer com ela?
— Deixe-a ir. - ignorei sua pergunta e pedi, fechando as duas mãos em punho e dando um passo a frente. Mika tirou uma pistola PT 24/7 DAO 9 milímetros do cinto da calça e encostou na cabeça de , que fechou os olhos e deixou duas lágrimas escorrerem pelo rosto. Depois de um tempo, percebi que ela os abriu e moveu os olhos para o lado lentamente. Suspeitei que a única parte do corpo que conseguia mexer eram os olhos, olhei para o lado também.
Em um primeiro momento não soube para o que olhar, mas logo encontrei o que estava olhando.
Um pedaço de madeira com um prego na ponta. Um prego bem enferrujado. Ela começou a chorar como se estivesse lembrando de algo.
— Não, não... Eu acho que a única pessoa que deve morrer nessa sala hoje é você ! - ele continuou, o que me fez desviar o olhar do pedaço de madeira.
Eu precisava pensar! Pensar rápido e com clareza!
Como faria para acertá-lo?
— O que acha? - Mika ajoelhou-se em frente à , a arma apontando diretamente para o meio de seus olhos. Ela os fechou novamente e Mika pareceu achar graça naquilo.
Ele estava de costas para mim.
Era aquele o momento.
Quando fiz menção de se mexer, Mika levantou-se e apontou a arma para mim.
— O que você acha de morrer hoje, ? É um bom dia para morrer?
— Não gostaria de morrer hoje… Tantos dias para morrer e eu morreria justo em um domingo? É um tanto quanto deprimente.
— Você não gostaria?
— Não... – disse, sem tirar os olhos da arma que estava praticamente pendurada nos dedos de Mika. — Eu não gostaria. Será que podemos negociar isso?
— O que acha de nós negociarmos a velocidade da sua morte? - Mika aproximou-se e passou o cano gelado da pistola em minha bochecha. — Lenta ou muita lenta?
— Eu acho... - Comecei, sentindo o gosto amargo do ferro enferrujado do cano da pistola. - Que você deveria chupar o meu pau. - Empurrei Mika para frente e ele caiu para trás, a arma indo parar em frente , que estava com os olhos arregalados e com as lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
Dei um passo para o lado e peguei a placa de madeira encostada na parede. Ao mesmo tempo, Mika levantou-se e correu até a arma.
Tudo aconteceu muito rápido.
Mika virou-se com rapidez já com a arma nas mãos e eu corri em sua direção. Ouvi um disparo e o grito alto de . Algo duro se chocou contra a placa de madeira que eu segurava.
Fechei os olhos e cai de joelhos, protegendo o rosto. Uma nuvem de algo branco cobriu toda a extensão da sala e eu não podia saber o que estava acontecendo.
— Seu desgraçado! - pude ouvir a voz de reverberar pela casa.
Mais um disparo.
Mais um barulho alto.
Aos poucos a nuvem densa do material branco foi diminuindo e eu pude ver um corpo caído no chão, com sangue escorrendo pela nuca.
! - berrou. Vi ao lado do corpo, com a placa de madeira de um lado, a pistola do outro e uma mão no ombro, .
— Dói muito! - ela disse assim que aproximou-se dela. Corri até ela e percebi que uma bala havia atravessado seu ombro esquerdo. Os olhos de estavam turvos, zonzos, indo de um lado para o outro e que no mesmo instante despencou a cabeça no peito de .
, olha aqui para mim. - virou o rosto dela para ele. Ela perdia muito sangue. - Você precisa ficar acordada. Não pode dormir!
carregou-a até o carro de Mika.
— Será que eu vou morrer? - ela disse, tentando sorrir.
— Não fale besteiras, ! Você só tomou um tiro no ombro!
Não sabíamos o que poderia acontecer com ela, mas sabíamos que perder o tanto de sangue que ela estava perdendo esse mês todo não é bom. O sangue não parava de escorrer, mesmo depois que arrancou uma tira de sua camiseta para fazer um torniquete.
— Então... Então por que você está chorando? - ela perguntou para ele. Eu já estava na frente dirigindo enquanto os dois estavam no banco de traz.
— Por causa daquela fumaça idiota! - se forçou a rir. - Você é muito mais durona que isso, ! Você aguentou tudo isso durante muito tempo para acabar assim!
deixou um sorriso escapar.
— Feliz aniversario para mim. - foi as únicas palavras que ela disse depois de fechar os olhos.



Capítulo 10


’s POV

Você vai me deixar ir acreditando que estarei seguindo em frete e eu vou embora acreditando que estou seguindo em frente mesmo deixando o meu pedaço maior e mais importante parado na soleira da porta.
Então, eu volto pra realidade.
Vejo uma silhueta masculina se aproximar, pisco algumas vezes tentando me manter acordada, e então a silhueta aparece ao meu lado. Tento fechar meus olhos quando aquela luz forte e branca é direcionada para os meus olhos, cegando-me momentaneamente.
O homem fala algo, mas eu não consigo responder. Eu estava fraca e com muita sede. Vi mais três pessoas e elas pareciam correr comigo enquanto estava deitada. Em seguida, minha cabeça tomba para o lado e eu apago.

{...}


Naquela sala minha mãe estava praticamente sobrevivendo por causa dos aparelhos em seu corpo e nem eu a reconhecia mais. As lágrimas escoriam sobre meu rosto, mesmo pequena sabia o que estava acontecendo. Senti um arrepio, um frio na barriga, naquele momento eu sabia que ia perder minha mãe, mas não queria aceitar isso. De qualquer forma, ela se foi e hoje vejo todos os motivos dela não estar mais aqui comigo.

{...}


Minha cabeça doía, meu corpo reclamava e implorava por um pouco de alívio daquela dor. Qualquer movimento era quase letal.
Abri meus olhos com certa dificuldade e tornei a fechá-los quando o forte branco daquele lugar me cegou momentaneamente. Respirei fundo e aquilo doeu internamente, fazendo com que eu soltasse um gemido baixo de dor.
Ouvi o som de uma cadeira, ao meu lado esquerdo, ranger. Abri meus olhos e ignorei toda aquela luminosidade, piscando algumas vezes até conseguir enxergar claramente, sem aquele embaçado de antes.
— Se aparecer na minha cidade serei breve de matar você e seus amiguinhos inúteis.
Senti minha mão ser segurada e rapidamente meu ombro ardeu quando fiz menção de move-lo. Na mesma hora soltei um gemido de dor o que fez a pessoa soltar a minha mão rapidamente.
Fechei meus olhos e finalmente consegui ouvir o som do ambiente ao meu redor e aquilo não me agradou. Os bips da máquina que monitorava o ritmo das minhas frequências cardíacas estavam rápidos e audíveis. Novamente uma luz forte e branca foi direcionada até minhas íris oculares. Foram exatos 5 segundos com aquilo cegando-me e quando a luz sumiu, minha consciência foi levada consigo, me restando a escuridão.

{...}


O completo silêncio é algo completamente raro e inalcançável enquanto estivermos vivos, por isso que eu conseguia ouvir o som baixo da TV transmitindo algum jogo. Também conseguia ouvir o som calmo daqueles bips que aceleraram minimamente assim que eu abri meus olhos.
A pouca luz naquele ambiente fez com que a minha visão se acostumasse melhor com tudo, apesar de toda aquela cor clara e irritante das paredes e de alguns móveis. Respirei fundo e pesadamente, sentindo os músculos, ossos do meu ombro doerem ou latejarem no processo. Olhei ao meu redor e reconheci o lugar onde eu estava,Mercy Hospital, reconheceria os quartos daquele hospital sempre que o vissem em qualquer lugar não importava o tempo que passasse, afinal, foi em um desses quartos que eu vim pela primeira vez, no meu ataque de cortes quando fiquei internada e fui sequestrada pelo Mika.
Mexi minha cabeça, para a direita e me surpreendi assim que vi meu pai dormindo extremamente torto e desajeitado naquela poltrona minúscula para ele, porém apenas os sentimentos ruins permaneceram intactos.
O que ele faz aqui? Com certeza não é pelo fato dele estar arrependido, porque isso é algo impossível de se acontecer, especialmente quando tratamos de Bob, um alguém cujo o qual eu achava conhecer, mas que no final foi apenas a minha maior decepção.
Meus devaneios foram interrompidos assim que a porta daquele quarto foi aberta, quase que bruscamente e de lá surgisse Josh, meu ex namorado.
- Disse ele surpreso, aproximando-se imediatamente da cama. — Tive tanto medo de lhe perder. - Confessou ele. Eu não estava entendendo nada. Tínhamos terminado há3 meses atrás. Ele não se importou e gritou na minha frente por finalmente estar livre, sendo que ele já se sentia livre namorando comigo, porque o mesmo vivia me traindo.
— Josh. - Sussurrei cansada e confusa.
— Não diga nada, ok? - Pediu ele, apertando um botão próximo a minha mão.
— O que... Houve? - Perguntei serenamente após ter parado no meio da questão para respirar longamente, colocando alguma pouca ordem nas perguntas que se formavam a todo o instante em minha mente.
— Fugir não foi o único método de esquecer sua vida,. - O que ele queria dizer com aquilo?

’s POV

Os dois policiais entraram na sala, o mais gordinho se sentou e o mais alto ficou de pé ao lado. Ficamos nos encarando por alguns segundos até que o cara que estava sentado resolveu falar.
— Você tem duas escolhas: A. Você coopera e conseguimos uma redução de pena para você ou B. Você dificulta a situação e fica preso para o resto da vida. O que vai ser?
— Acho que a opção C, onde você beija a minha bunda.
O policial que estava em pé bate com força na mesa de ferro.
— Vinte e dois anos, acusado de roubos de carros, posse de armas, agressão e desacato a autoridade. Devo continuar?
— Se você continuar vamos ficar aqui até amanhã. - ri. — Acha que eu não conheço a minha própria ficha?
— Onde está ele? - finjo procurar algo em volta.
— Bom, não estou vendo ele aqui.
— Gosta de brincar não gosta? - ele se aproximou.
— Olha na verdade...
— Já chega! - o outro policial que estava sentado levanta. — Leve ele para a cela. Iremos encontrar o . Aquele desgraçado acha que pode trazer carga aqui, ele está muito enganado.

’s POV

— Que horas são? – Tentei enxergar o relógio.
— Acho que já são quase 17h00 horas. - Jenna respondeu sonolenta, abraçada comigo na cama.
— Saco. – bufei impaciente, me soltando de seus braços e levantando da cama.
— Que foi? – Ela perguntou triste.
está me esperando, combinei de encontrar com ele há uma hora.
— Vai me deixar? – ela fez biquinho, me abraçando por traz e eu revirei os olhos, me livrando dela e entrando no banheiro para tomar um banho. — , isso não é legal. – gritou e eu ri.
— Por que não? – gritei de volta, já ligando o chuveiro. Ela entrou em seguida no banheiro, se encostando na parede.
— Porque eu vim correndo para ficar com você, e você vai me deixar aqui?
— Tenho que resolver uns negócios porque a policia ta na minha cola. – ela não hesitou em se aproximar.
— Você se mete em muita confusão. Não precisava fazer acordo nenhum com o Mika, ele nunca foi confiável.
— Não preciso de babá, eu sei me virar sozinho.
— Grosso. - ela disse, se virando para o quarto.
— Muito. – disse, olhando para baixo e dando um sorriso.

Assim que sai do hotel peguei o carro de Mika que havia ficado comigo e fui até o balcão que não ficava em Miami e sim no caminho perto da cidade do prefeitinho de merda. Lá era o único lugar que ninguém muito menos Mika e o prefeito sabiam, tirando a mansão. Os policiais nunca iriam me achar por lá.
— O que está fazendo aqui? - disse para assim que o vi sentado no sofá do balcão.
— Fiquei sabendo sobre o , queria ajudar.
— Pode ajudar caindo fora daqui. - comentou, quase indo para cima de .
— Não podem ficar com raiva de mim para sempre, eu te ajudei quando você estava com dificuldade, eu te ajudei a chegar onde está hoje. - Eu realmente queria dar um soco na sua cara mas ele estava certo. Ele me ajudou até quando eu não tinha nada, nunca faríamos algo para nos prejudicar. percebeu o meu silêncio e ignorou todos os comentários. — O que nós vamos fazer?
— Acha que eles irão soltar o ? - perguntou , ignorando .
— Não. - digo. — Provavelmente vão deixa-lo apodrecer lá. - Ficamos em silencio até eu pensar em algo totalmente tosco e que poderia dar certo. — Quero as plantas baixas do prédio da delegacia. –digo, já tomado uma decisão.
, cara, aquilo é quase que um suicídio. - é o primeiro a discordar da ideia.
— Ele é um dos nossos. - contradigo.
— Conheço um rato lá dentro que pode ser útil. - se pronuncia.
— Desde quando? - pergunto desconfiado.
— Estava saindo com a filha dele um tempo, ele não me queria por perto e disse que se eu largasse ela, faria qualquer coisa para mim.
— Como você sabe que ele ainda faria o favor?
— Ela ainda me liga. - ele sorriu sacana.
— Ta bom, quero um plano. – digo, mudando de assunto. — Contate esse cara. - apontei para . — E , vai atrás das plantas, irei falar com Jenna, vamos precisar dela.

’s POV

Abri meus olhos lentamente e me ceguei com a claridade. Reclamei, me ajeitando na cama e olhei para o lado vendo a poltrona vazia.
— Você está bem? - Josh perguntou. Não, eu não estava bem. Estava irritada com ele e com todo mundo.
— Olhe bem pra mim e veja se eu estou bem. – disse, já imaginando as manchas no meu rosto. — Você acha mesmo que estou bem depois de tudo que aconteceu?
— Tudo vai voltar como era antes, nós dois juntos. \vai ficar tudo bem.
— Para! Acha mesmo que depois de todas aquelas palavras falsas de amor, eu estaria bem de uma hora pra outra com você? Não sou feito essa gente que consegue fingir amar, iludir um coração e depois ir embora como se nada estivesse acontecido. Não sou feito essa gente que encontra o amor da vida cinco vezes num mesmo mês. E para de achar que eu fugi porque terminamos. Eu não sei nem o que você está fazendo aqui! - o silêncio permaneceu na sala, respirei fundo contando até três. — Onde está meu pai?
— Ele… Ele voltou pra cidade porque tinha que resolver algumas coisas.
— Como sempre. - murmurei.
— Sua amiga insistiu em vim, talvez quando formos para o hotel que estou hospedado ela já tenha chagado.
Tomei um pequeno susto quando a porta do quarto foi aberta.
— Ótimas noticias senhorita . - o médico entrou com uma prancheta nas mãos. — Você está liberada, mas terá que ficar de repouso por pelo menos 5 dias. Como na ultima vez, não quero que faça esforço e poderá vir daqui uma semana para trocar o curativo do ombro. Vou receitar um remédio para quando sentir dor.

’s POV

Passei noites em claro montando um plano para o resgate de . havia conseguido com um agente corrupto horários dos funcionários, senhas, códigos e a localização de onde estava a cela de . Me joguei de cabeça nesse planejamento e agora estávamos perto de começar o plano.
Estávamos eu, e dentro do carro do outro lado da rua onde estava uma viatura e dois policiais dentro dele comendo. 5 horas da tarde e estávamos esperando Jenna.
Ela praticamente faria o plano todo sozinha.
Assim que abaixei minha cabeça ouvi o motor do carro velho e um barulho alto.
O carro da policia foi jogado para o lado e o carro onde Jenna estava arrastava ele.
— Você está bem? - perguntei assim que o carro parou. Ela saiu do carro velho que alugamos por 100 pratas e mexeu no ponto respondendo.
— Ahan. - Jenna usava uma peruca preta e um vestido muito curto para ela, assim que saiu do carro fingiu estar bêbada para os policiais que saiam tontos da viatura. Uma garrafa de vodka caiu do banco rolando até o meio da rua e os policiais rapidamente sacaram suas armas até ela.
— Poe as mãos sobre o carro! - um dos policiais grita. — As mãos sobre o carro, Agora!
— Ai, mais que estrago. - Ela diz com a língua enrolada. O policial a encosta sobre o capo do carro e a algema. Jenna começa a rir.
— Você está achando isso engraçado?
— NÃO, SENHOR! - ela grita rindo novamente em seguida. O policial a pega com força levando-a dentro da viatura. Depois que eles saem com o carro, seguimos atrás até a delegacia onde estava.
? - pergunto enquanto desligo o carro em uma esquina em frente a delegacia.
— Estou no sistema. - ele diz no banco de trás mexendo no notebook. Vejo no pequeno monitor pendurado no carro todas as câmeras de dentro da delegacia. Na câmera 3 conseguimos ver os dois policiais carregando Jenna até a mesa de um sargento gordinho.
— Não tem carteira de motorista, nem documento do carro e nem identidade, só uma carteirinha de biblioteca. - Ouvimos ele dizer enquanto Jenna se mexia na cadeira onde estava sentada. — Senhorita Velaine. - ri ao meu lado assim que escutamos o nome que o gordinho havia lido. — Você estava dirigindo embriagada, na contra mão e destruiu propriedade da policia.
— É só isso? - Jenna pergunta.
— E você quer acrescentar mais alguma coisa? - um dos policiais que estavam ao lado pergunta. Jenna faz um gesto com as mãos até a boca.
— Eu… eu vou vomitar. - ela diz.
— Ai não. Tirem ela daqui. - o sargento gordinho diz e os dois policias pegam a pelos braços. — E me tragam um café, vamos falar com ela amanhã, ela precisa dormir, pelo amor de Deus.

Esperamos até de madrugada, ao meu lado dormia e eu ficava de olhos abertos olhando fixamente para a câmera 16.
— Troca de guarda agora. - comenta. Vimos na câmera 16 a cela de Jenna. Uma guarda passa ao lado para dar uma olhada e sai trancando a porta. — Travei o sistema deles, agora é com ela.
— Está pronta? - pergunto a ela que responde na mesma hora. acorda na mesma hora.
— Eu nasci pronta, amor. - ela diz. Esperamos ela se trocar e vimos Jenna em frente as grades arrancando um grampo de seu cabelo e passando pela fechadura da cela. — Foi. - ela diz. Vemos a grade sendo aberta e ela saindo do corredor acionando a porta.
— Vai até o final do corredor ultima porta a esquerda. - comando ela. — Encosta, encosta. - digo assim que vejo um guarda passando. — Pode ir. - ela vai até a porta do corredor da cela de . — Abre pra ela. - digo e digita algo no computador e abre a porta para Jenna. Ela entra e para em frente a cela do nosso querido conquistador.
— Acorda dorminhoco. - Jenna diz e vemos se encostar na grade.
— Que demora. Achei que iriam me deixar aqui.
— O filho da mãe ainda reclama. - comenta, pegando seu celular e discando para seu tal amigo policial. Jenna pega seu mesmo grampo de cabelo e abre a cela.
— Guarda daqui 2 minutos. - comenta.
— Manda o ir até o banheiro e você volte para a cela. - O plano corria do jeito que havíamos planejado. O policial iria dar uma passada na delegacia para usar o banheiro e encontrar , que irá se trocar como um guarda enquanto Jenna voltava para sua cela e esperaríamos até amanhã ela ser solta.
— 1 minuto. - diz. Vemos saindo do banheiro atrás do policial já usando a roupa de guarda. O que me preocupava era que Jenna ainda estava no meio do caminho, pois um guarda não saia de frente do bebedouro.
— Anda, anda. - digo para mim mesmo assim que o guarda joga o copo fora e passa por Jenna indo até o banheiro. Ela corre pelo corredor e destranca a porta para ela.
Ouvimos um som fora do carro e assim que olho vejo saindo da delegacia, vindo em nossa direção e o policial saindo em seguida indo para o outro lado da rua como se nada tivesse acontecido.
— Ah, moleque! - diz assim que entra no banco de trás.
— Quase uma semana dentro daquele lugar não dá não. - ele comenta enquanto eu ainda olhava para o visor, vendo Jenna fechando a grade.
— 20 segundos. - comenta e nos olha confuso.
— Ela ainda não está pronta? - ele pergunta. Jenna encurtava o collant e vestia o vestido.
— 15. - Assim que terminou foi até sua peruca, colocando-a. Em seguida foi até a cama, mas levantou novamente para pegar algo que estava do lado de fora da grade. Seu grampo.
— 10. - ela no chão com o braço esticado tentando pegar aquela pequena coisa inútil. — 9-8-7... - dizia enquanto o resto de nós olhávamos sem piscar para o monitor.
— Esquece isso! - digo a ela que não responde.
— 6-5-4-3…
— Só falta pouco. - ela dizia se esforçando com o braço esticado.
— 2-1…
— Peguei. - Vemos um guarda abrindo a porta e Jenna se levantando rapidamente. A mesma guarda de antes passa até a grade, dá uma olhada, e sai novamente. Encosto a cabeça no banco do motorista aliviado.
— Bom trabalho. - digo para todos.



Capítulo 11


’s POV

— Vamos, , vai fazer duas semana que você não sai dessa cama. - Cameron pulava de joelhos em cima da cama que eu estava deitada. — Você não precisa mais estar de repouso, nossas passagens de volta já foram compradas e ainda não fizemos nada!
— Eu irei sair pra que? Não tem nada pra fazer lá fora.
— Estamos em Miami, há varias coisas para se fazer aqui! Me diga o que você fez todo esse tempo? - nada que eu gostaria de repetir.
— De novo com essa conversa não.
— Então vamos sair. Tem um pub que vai ser tipo uma nova inauguração porque está trocando de dono.
— E dai?
— E dai que mulheres bebem de graça. - Não estava a fim de sair, principalmente para um lugar cheio.
— Mas e o Josh? Duvido que ele vai deixar a gente ir para algum lugar. - estava procurando uma desculpa, eu não ligava para o que Josh pensava.
— Eu não sei o que ele veio fazer aqui, nem gostar de você ele gosta.
— Ei, não exagera, ele pareceu estar bem preocupado comigo no hospital. - digo, mas sabia que Josh nunca sentiu atração por mim.
— Na última vez que eu passei na sua casa o vi saindo de lá com seu pai e os dois estavam dando um aperto de mão.
— Estranho. - digo para mim mesma. — Mas meu pai sempre gostou dele. – digo, dando de ombros.
— Até porque foi ele que te apresentou o Josh. - o quarto fica em silencio. — Chega desse papo e vamos nos trocar. - Cameron me puxa para fora da cama e pega suas duas malas que havia trazido. — Eu tenho um vestido que ficaria ótimo no seu corpinho. - diz ela, fazendo uma dancinha engraçada.

Assim que ficamos prontas olhei no relógio e o mesmo marcava 20:45. Havia feito uma maquiagem um pouco mais pesada e deixei os cabelos soltos.
Peguei o travesseiro e coloquei em baixo das cobertas para que Josh pensasse que estávamos dormindo, mas talvez fosse bobagem, pois durante esses dias ele não bateu na porta e nem entrou nesse quarto.
Descemos pelo elevador do hotel e pegamos um taxi que já estava a nossa espera.
Cameron pagou para o motorista assim que chegamos em frente a boate. Descemos do carro e caminhamos juntas até a fila estava enorme. Assim que paramos comecei a ficar com a respiração pesada.
Ataque de pânico agora não, por favor.
Comecei a respirar fundo rapidamente e assim que vi uma parede ao nosso lado, me encostei nela, acalmando em seguida. Ficamos esperando alguns minutos na fila ao mesmo tempo em que jogávamos conversa fora, até que a nossa vez de entrar chegou.
Passamos pela porta de ferro e uma musica agitada começou a tocar. Cameron foi ao bar pegar umas bebidas e eu fiquei em um canto, esperando-a.
Depois de quase meia hora me toquei que ela ainda não tinha voltado. Olhei em volta e não a encontrei. Deveria estar no banheiro, também precisava dar um jeito na minha aparência, caminhei vagarosamente até lá e assim que consegui chegar na frente do espelho me encarei. Certo, não estava tão ruim. Arrumei meu cabelo, limpei a maquiagem que havia borrado e passei um pouco de gloss, a cada mulher que entrava eu olhava para o rosto. Nada de Cameron.
Ao sair do banheiro encontrei um casal se agarrando. Analisei bem a fisionomia do homem que pressionava a mulher contra a parede e reconheci quem seria. , eu tinha certeza.
Meu coração acelerou, parecendo que iria explodir. Sai apressadamente dali indo até a pista de dança, acabei trombando com um cara e meu ombro ardeu. Fiquei parada sem saber o que fazer, lembrei do meu celular e liguei para Cameron. Mas chamou, chamou e ninguém atendeu.
Merda, eu precisava sair dali.

’s POV

Fiquei alguns minutos sentado perto do bar e uma morena gostosa que usava um vestido justo roxo tomara-que-caia sentou do meu lado e pediu dois Sex On The Beach. A medi de cima a baixo ao mesmo tempo em que ela se acomodava e assim que ela me olhou com interesse, senti liberdade para puxar assunto.
— Está sozinha? - Falei como quem não quer nada e dei um gole na minha bebida.
— Estou com uma amiga. Ela está por ai dançando. - Olhei para a pista e depois para ela.
— Ah, entendi. - Dei mais um gole no conteúdo do copo. — E qual é seu nome?
— Cameron e o seu?
— Isso não importa. - Outro sorriso brotou nos meus lábios. — Então, Cameron, quer fazer alguma coisa enquanto sua amiga dança? - A olhei com malícia e ela entendeu o que eu queria, mas sugeriu que fôssemos para um lugar menos cheio. Assenti e a acompanhei até pararmos em frente ao banheiro feminino. Realmente, não tinha quase ninguém lá. Era a minha deixa. Encostei-a em uma das paredes e segurei em sua cintura enquanto beijava seu pescoço e alternava com mordidas. Suas mãos que antes me seguravam pelos ombros subiram até meu pescoço e começaram a puxar meu cabelo de leve. Depois de deixar algumas marcas em seu pescoço me dei por satisfeito e colei nossos lábios, iniciando um beijo intenso. Uma das minhas mãos que estava na cintura dela escorregou pelo seu quadril, bunda e coxas. Cami, Camila, Carol... Qual era o nome dela mesmo? Ah, Cameron!
Cameron mordeu meu lábio inferior e separou nossas bocas só o suficiente para puxarmos oxigênio e então voltamos a nos beijar.
Depois de alguns minutos nos agarrando pude sentir algo vibrando. E não era o meu celular.

’s POV

O desespero tomou conta de mim e eu já estava indo embora. Olhei para cima pela primeira vez e encontrei me observando.
O que ele fazia aqui?
Eu iria ser sequestrada mais uma vez!
Alguém me cutucou e eu olhei para o lado rapidamente. Era . Com medo olhei para cima novamente, mas não se encontrava mais lá.
— Por favor, de novo não. - lágrimas já estavam quase escorrendo pelo meu rosto. Eu sabia que não devia ter saído do hotel.
— O que aconteceu? - me perguntou preocupado. Como assim o que aconteceu? — O que está fazendo aqui? Pensei que já tivesse voltado para sua cidade. Na verdade pensei que tivesse morrido. - ele me perguntou. Eu, mais confusa ainda olhei para ele.
— Você não está aqui para me sequestrar de novo? - perguntei ainda com as lágrimas caindo.
— Não! - ele disse, se aproximando, mas dei um passo para trás, me afastando. Eu não podia confiar em ninguém. Eu precisava sair daqui, com ou sem Cameron.
— Eu já estou de saída. - Disse praticamente correndo em direção a porta principal. Meu medo aumentava só de pensar que poderia ser sequestrada novamente, ou o pior, que estava aqui.
— Espera! - gritou atrás de mim, mas ignorei, indo para fora procurando por um taxi no meio de todas aquelas pessoas na calçada. — , eu não vou te machucar!
Quando fui pisar na rua dei um passo frouxo e acabei caindo. Ainda no chão chorava cada vez mais, não sei se era pelo pé que doía ou pelo meu medo.
se aproximou e me abraçou, me ajudando a levantar. — Vem. - ele disse, me levando até um carro enquanto estava apoiada em seu ombro. — Você está bem? - perguntou assim que me deixou sentada no banco do passageiro, eu apenas neguei com a cabeça. — Está doendo muito? - eu sacudi a cabeça que sim. Ele cuidadosamente me ajudou a colocar minha perna para dentro do carro e fechou a porta, dando a volta no veiculo.
— Para onde vai me levar? - disse com a voz falha.
— Um hospital. - ele respondeu, sentando no banco ao lado e ligando o carro.
Assim que chegamos, um médico me examinou depois de um tempo, ficava ao meu lado observando tudo.
— Eu vou receitar um remédio para você tomar se começar a doer muito, mas você teria que ficar de repouso até desinchar. - Parece que esse era o ano de ficar de repouso.
O médico começou a enfaixar meu pé e assim que terminou, passou um remédio que eu já tinha por causa do meu ombro e uma pomada para inchaço. Ele saiu deixando eu e sozinhos na sala.
— Relaxa, não irá mais acontecer nada com você. - ele disse. Eu não botava mais fé em nada.
sentou no meu lado da maca do hospital e olhou meu ombro com o curativo. — Como você está?
— Continuo com vontade de me matar. - o silêncio pairou e eu sabia que ele ainda queria me fazer perguntas.
— O que estava fazendo na boate?
— Minha amiga me obrigou a ir, só que ai me deixou sozinha.
— Na boate do não entra menor de dezoito.
— Eu tenho dezoito. E como assim boate do ? - ele respirou fundo, arrependido de ter me contado algo.
— Não posso te contar. Sinto muito.
— Por quê?
— Seu pai!
— Eu já estou de saco cheio do meu pai! - respondi rude e ele bufou.
— Ok, mas não conte nada. - concordei com a cabeça. — Antes de você ser sequestrada pelo Mika, fez um acordo com ele. - murmurei um “hum” para ele continuar. — Se o ajudasse a colocar uma carga que estava vindo para cá, Mika iria fazer um contrato que se ele morresse o ficaria com suas 3 boates. não estava dependendo de nada e então topou, não sei se ele ia esperar Mika morrer ou iria bolar alguma coisa. Só sei que Mika morreu, a policia descobriu sobre a carga e está não só no pé do , mas no de todos nós.
— Nossa. - disse assim que ele terminou. — Que pena. - disse com deboche. — Eu poderia denunciar vocês, mas… - cocei minha cabeça. — Mas não quero que você seja preso, até por que você não fez nada. Tirando o . - ele abaixou a cabeça.
— Sinto muito por ter passado por isso. - ele disse, me parecendo sincero. Eu não respondi, não queria me lembrar do que passei.
Senti algo vibrando em minha bolsa e me desesperei, procurando meu celular.
— Onde você está!? - Ouço Cameron gritar no meio da musica alta.
— Onde está você! Eu te procurei em todo lugar! - disse com raiva.
— Eu estava com uma pessoa.
— E eu sou o que? - aumentei meu tom de voz, mas percebi que ainda estava no hospital.
— Vamos nos encontrar em frente o bar. To te esperando. - e desligou. Fechei meus olhos tentando me acalmar.
— Precisamos ir. - disse para .
— Claro. - Ele se levantou e ajudou a me apoiar nele.
— Obrigada. - disse e ele respondeu com um pequeno sorriso.

Assim que passamos com muita dificuldade pela porta da boate, fui até onde havia marcado com Cameron.
— Ai meu Deus, por onde você andou e o que aconteceu com o seu pé? - ela perguntou, olhando para o meu pé e ignorando que estava no meu lado me dando apoio.
— Não sou eu que devo informações. - disse rude e alto para ela poder ouvir.
— Desculpa mais é que eu encontrei um cara e…
— Eu não quero saber. Só… Vamos embora.
— O quê!? Não! Por favor, só me dá alguns minutos. Eu esqueci de pegar o número dele e é sempre bom manter contato. - Ela disse com cara de cachorro querendo comida. Ela me olhava esperando a resposta.
— Por que ainda está aqui? - disse irritada, rolando os olhos assim que ela se aproximou e me deu um beijo na bochecha.
Enquanto ela se afastava procurando o tal cara, me ajudava a andar para algum lugar e quando percebi aonde era, meu coração acelerou.
se encontrava sentado em uma das mesas em que nos aproximávamos, ele nos olhava sério a cada passo que dávamos. encontrava-se ao seu lado, mas paquerando uma moça bem bonita.
Ninguém perguntou nada quando sentamos em volta da mesa, o silêncio incomodava e assim que tirou a atenção da garota, percebeu que eu estava ali.
! - ele disse surpreso e animado. Eu apenas sorri fraco e falso. — O que faz aqui? - perguntou curioso.
— Nem eu sei. - respondi sincera. olhou para meu ombro.
— Está melhor? - eu neguei com a cabeça e percebi que rolou os olhos dando um sorriso debochado.
— Não posso fingir que nada aconteceu durante esses meses! - disse irritada, olhando para ele. — E não, eu não estou melhor e não vou ficar nem tão cedo. – disse, olhando para .
— Quer que a gente faça o que? - perguntou, rude.
— Você está vendo eu pedir a ajuda de vocês? - perguntei com deboche. O assunto parou e eu olhei em volta da boate. — Agora entendi a sua rixa com o Mika. - ri pelo nariz. — Pura inveja, que coisa feia, senhor . - alfinetei.
Ele ameaçou se levantar de sua poltrona para me atacar, me fazendo encolher na poltrona de couro, mas o deteve.
— Calmo ai, bro, ninguém quer ver você batendo em uma mulher. - deu tapinhas no ombro de , para tranquiliza-lo.
— Talvez queiram. Ela já me irritou bastante ultimamente. — ele disse, me olhando e ajeitando o colarinho de sua jaqueta, completamente irritado. — Um obrigado seria bom por ter te salvado.
— Ah claro, por você ter me sequestrado também, né. Muito obrigada por ter acabado com a minha vida, seu idiota. - se levantou e eu pensei que agora sim ele iria me bater, mas foi mais rápido, se levantando.
— O que eu perdi? — disse a loira, a mesma que me deu as roupas de criança. Ela olhou rápido para mim e sorriu. — O que essa pentelha faz aqui? Sentiu saudades de ser trancafiada?
— Pega leve, Jenna. - diz e ela rola os olhos, sentando no colo de e o beijando. Desviei os olhos, ignorando, fingindo não ligar.
— Agora não, Jenna. - ouço a voz de e nossos olhos se encontram quando olho para ele. Me arrepio pelo corpo inteiro e desvio novamente o olhar na mesma hora.
— O que você tem? - ouço Jenna perguntar docilmente.
— Estou com dor de cabeça. - responde.
— Que estranho, isso não te impediu de me foder ontem. - ela diz com um sorriso no rosto, se afastando da mesa.
— Wow. — diz, escondendo uma risada. Eu olho para que mantém a cabeça baixa sem nenhuma expressão, fingindo não ligar para o que ela diz.
Eu era tonta de estar do lado dos caras que me fizeram mal. Eu precisava esquecê-los, mudar de vida, superar, querendo ou não.



Capítulo 12


Desci do carro e olhei aquela casa. Respirei fundo, sentindo o vento calmo bater nos meus cabelos. Tomara que eu não me arrependa em estar de volta.
Subi os degraus e assim que atravessei a porta principal, Gil, minha governanta, que meu pai contratou para tomar conta de mim e da casa, correu em minha direção de braços abertos.
— Deus me ouviu!. - disse ela, me abraçando. — Que bom que está de volta. - ela dizia chorando. Apenas dei duas batidas leve nas suas costas. Eu só queria subir para o meu quarto e dormir. — Não está novinha em folha, mas pelo menos está de volta. - ela disse assim que me largou e me olhou por inteira. — Ai meu Deus, o que ouve com seus pulsos? – disse, pegando meus braços, mas eu soltei rapidamente, colocando-os para atrás.
— Nada, um pequeno corte com vidro. - respondi. A maquiagem que eu passava todos os dias, não era o suficiente para esconder as cicatrizes e Gil era muito observadora.
— Torceu o pé também? - ela disse preocupada e sarcástica ao mesmo tempo. Eu apenas balancei a cabeça não a olhando nos olhos. — Está mais magra. Provavelmente está faminta. Venha, entre, seu pai está no escritório, deseja vê-lo?
— Não! - respondi rapidamente. Eu não queria vê-lo tão cedo. — Eu só quero ficar sozinha e dormir um pouco. - disse. Ela me olhou por um tempo, mas concordou, me dando espaço para eu subir as escadas.

Os dias foram passando e o meu contato com meu pai era mínimo. Eu almoçava e jantava no quarto evitando ver ele de todo custo. Eu com certeza iria tirar satisfação com ele por ter me deixado nas mãos de sequestradores, mas não seria agora.
Todos os dias da semana vinha uma professora particular me dar aulas de todas as matérias que eu tinha perdido no último mês. Era meu último ano e eu não queria repetir. Cameron vinha de vez em quando me puxar para sair, mas o que eu fazia era dar desculpas que estava com dor de cabeça ou algo do tipo.
Com o pé melhor, um dia desses me vi andando pela casa sem me preocupar com meu pai e pela primeira vez depois de três meses me encontrei entediada e sem nada pra fazer. Aquela casa era gigante, cheia de seguranças e eu estava começando a me sentir sozinha.
Então chegou a festa de Natal. Era 24 de dezembro. Todo ano meu pai dava uma festa. Haveria drinques, comida, música, dança. Eu gostava de festas, mas agora as pessoas me assustavam, especialmente lugares onde tinham muitas delas.
Cameron estava animadíssima olhando meu closet, procurando algo para nós duas vestirmos. Enquanto eu estava sentada na cama a ouvindo tagarelar, ouvi uma voz alterada no andar de baixo. Fui até o corredor e assim que olhei para baixo pude ver meu pai discutindo com alguém.
— Eu não quero só ele, eu quero todos! - meu pai gritava. — O resto do bando dele irá tramar algo para tirar ele de lá. - ele andava de um lado para o outro. — Mandem ficarem de olho em tudo. Quero policiais na avenida principal, ninguém entra e nem sai da cidade sem ser parado. - Me inclinei mais para frente para ver com quem ele conversava, mas quase cai quando vi o rosto. Josh mantinha-se em uma postura séria, enquanto meu pai falava. Na verdade, berrava.
— O que ele veio procurar aqui? - meu pai riu alto. — É um grande idiota. - Ele andou um pouco e eu voltei rapidamente a postura normal, sem estar pendurada na grade. O silêncio apareceu e quando olhei de volta para baixo, Josh não estava mais lá e sim meu pai, que agora mantinha seus olhos em mim.
— Desça, minha querida. - meu coração começou a acelerar à mil. Devagar, fui descendo as escadas, com vários pensamentos bons e maus rondando pela minha cabeça. Engoli saliva à baixo e parei em sua frente que na mesma hora passou as duas mãos pelos meus cabelos.
— Não tenha medo de mim. A única coisa que eu nunca iria fazer com você é te machucar. - ele disse com as mãos entre meus fios quando percebeu meu olhar assustado.
— Você sabia e não fez nada. - lágrimas queriam descer pelo meu rosto, mas respirei fundo, evitando chorar na sua frente. — Por quê?
— Eu queria, mas se eu fizesse alguma coisa eles me matariam e matariam você também. - tirei suas mãos do meu rosto e dei um passo para trás.
— Você deu a eles a nossa casa de verão. A casa que a mamãe adorava.
— Sua mãe não está mais aqui. - ele suspirou, dizendo baixo para si mesmo e passando uma das mãos na testa. — Desculpe, não foi o que eu quis dizer. - ele disse, assim que percebeu que eu havia escutado. — Eu vou acabar com tudo isso e assim poderei pegar a casa de volta para você. - Ele iria me tocar de novo, mas empurrei com força sua mão.
— Eu não quero mais! Eu só quero saber o que é que você fez para eles terem tudo que é seu. Para eles me sequestrarssem, abusarem de mim. Eu trabalhei até como dançarina de boate! - eu dizia com o choro entre a garganta. Ele deu um passo à frente novamente, para poder me tocar.
— Me desculpe, isso vai passar...
— Eu não quero suas desculpas! Eu não quero ver você. Eu não quero falar com você! - dei alguns passos para trás e subi as escadas rapidamente. Pela minha surpresa, Cameron ainda estava no meu closet cantando uma música que eu não queria nem saber qual era.

A festa tinha começado e eu estava no canto da casa observando as pessoas. A mulher do delegado se aproximava e meu pai vinha logo atrás, sem olhar para mim.
— Olá, , seu pai estava me contando que aquela reportagem que você tinha sumido não passava de um engano. Essas pessoas que ficam dando informações erradas deveriam abrir mais o olho. - ela sorria em minha frente, ajeitando seu cabelo loiro. Ela era uma pessoa um pouco metida e ainda assim amigável. Minha mãe e ela eram praticamente melhores amigas.
— Algumas pessoas simplesmente não valem à pena - olhei para meu pai, que na mesma hora abaixou a cabeça.
Sem dizer nada, sai de perto deles e assim que andava senti uma mão me segurando e meu coração disparou. Quando ia me soltar a pessoa apertou, me puxando para o meio da casa onde algumas pessoas dançavam lentamente. Não fiquei calma, mais um pouco aliviada por ver que era uma pessoa conhecida. Paramos no meio e ele me segurou forte pela cintura.
— Pelos velhos tempos? - Josh perguntou. Olhei para os lados, eu não queria dançar, principalmente com ele. — Então? - ele ainda esperava minha resposta enquanto estávamos parados no meio das pessoas. Rolei meus olhos e bufei.
— Ok, pelos velhos tempos. - Espalmei minhas mãos sobre seu peito e comecei a me movimentar no ritmo da música. A mão de Josh que segurava minha cintura me puxou mais pra perto de si e uma de suas pernas se encaixou no meio das minhas.
Me lembrei de mais cedo quando vi meu pai discutindo com ele, então puxei o assunto.
— Me diz. Por que meu pai estava tão bravo com você? - ele afastou a cabeça para poder me olhar.
— Como assim? - perguntou, pude sentir seus batimentos cardíacos acelerados.
— Eu vi vocês dois mais cedo aqui em baixo.
— Você ouviu a conversa?
— Não. - menti. — Cameron falava na mesma hora. - senti seus ombros relaxarem.
— Ele não conversava comigo, era no celular, eu só estava esperando ele desligar, queria ver se você estava em casa, mas ele disse que você estava muito ocupada com Cameron .- Josh disse, olhando para os lado. Juro que não vi um celular na mão do meu pai e ele nunca sabia quando Cameron vinha me visitar, os dois nunca se falavam e Gil não comentava essas coisas com ele porque o mesmo não se importava.
Quando ia continuar a falar, puxando mais perguntas, fui puxada pelo braço rapidamente até um canto.
— Estou com um seríssimo problema. - Cameron dizia preocupada e dramática como sempre. — Acho que meu vestido rasgou.
— Onde? – perguntei, procurando o rasgado.
— Não vou mostrar aqui. Preciso de outro vestido.
— Não podemos subir. - disse a ela que me olhou com carinha de cachorro molhado. Eu olhei para os lados e a puxei para o corredor. O único lugar perto era o escritório do meu pai.
Assim que entramos, fechei a porta e fui até Cameron que já estava sentando em uma das poltronas do cômodo. Pude ver o rasgo embaixo do braço da minha amiga, a ponto de mostrar o sutiã e um pouco a barriga.
— Como você fez isso? - perguntei curiosa.
— Ele meio que tava apertado em mim. Eu levantei os braços e ouvi rasgando. - olhei para ela me segurando para não rir.
— Fica aqui, vou ver se encontro a Gil pra ela subir e pegar algum vestido. – disse, dando a volta para sair.
— Um sexy pelo menos. - avisou. Quando fui abri a porta pude ouvir a voz de meu pai. Olhei para Cameron e ela me olhou também assustada. Corri em direção um armário e Cameron veio atrás desengonçada, segurando o tecido do vestido nas mãos e se equilibrando no seu salto. Assim que fechei a porta do armário estreito, ouvi a porta do escritório e pela fresta do armário vi meu pai entrando na sala com uma mulher loira.
Os dois andaram até o sofá e assim que ele sentou, ela tirou o vestido lentamente e subiu em cima dele. Fechei meus olhos, evitando ver aquela cena perturbadora. Ver meu pai transando com alguém não era agradável.
Senti um cutucão de Cameron e quando voltei a abrir meus olhos os dois se beijavam como se fossem adolescentes. Eu não iria aguentar ficar ali dentro por muito tempo, estava me dando ânsia.
Meu coração quase parou quando ouvimos batidas na porta. A mulher se levantou rapidamente e colocou seu vestido de volta e eu pude ver o seu rosto.
A mulher do delegado.
Como ele pôde?! Como ela pôde?!
Várias perguntas rolavam na minha cabeça e enquanto isso meu pai se levantava e ajeitava a gravata antes de abrir a porta. Raul, “o braço direito dele”, estava parado como estátua e parecia incomodado por ter atrapalhado seu patrão. Ele cochichou algo no ouvido do meu pai e ele respondeu logo em seguida. Assim que Raul saiu de vista meu pai virou-se para a mulher e disse algo para ela. A vaca acenou com a cabeça e saiu do escritório, deixando meu pai sozinho. 5 segundos passaram e bateram na porta novamente. Um cara careca, de terno entrou na sala. Ele usava vários anéis grandes e colares de ouro, ele era um cara que sem nem conhecer já saberia que era rico.
— Prefeito. - ele disse, estendendo o braço e meu pai meio inseguro apertou sua mão. — Gata essa mulher. - ele disse, apontando para trás. — Um belo petisco. - disse abrindo um botão do seu paletó branco e sentando no sofá. Meu pai apenas o observava confuso. — Soube que pegou o . - Meu coração parou. Ele foi pego, pelo meu pai! E eu pensava que ele nunca iria ser encontrado, mas eu realmente queria saber o que meu pai iria fazer com ele, e realmente estava com medo. — Prender ele não é suficiente.
— E o que você tem haver com isso?
— Eu só quero ajudar, meu amigo.
— Não somos amigos, eu nem te conheço.
— Não vai ser necessário me conhecer, a única coisa que eu quero é o na palma da minha mão. - meu pai riu nervoso.
— Pois vai ficar querendo - foi a vez do homem rir.
— Ele tem algo seu e eu posso pegar.
— Como sabe que ele tem algo meu?
— Tenho os meus contatos. - meu pai pareceu interessado em que o homem falava. — Podemos fazer um trato. O que acha? - ele disse, se levantando e indo até o home bar, pegando uma garrafa de wisky sem nem se importar o que meu pai falaria. — Trago a grande coisa que é sua e você me entrega o .
— Você é algum amigo dele? - meu pai perguntou e o homem riu.
— Não. O desgraçado fica no meu caminho todo o tempo e ainda matou um dos meus melhores caras. Não sou um homem que deixa barato, principalmente quando é aquele pivete.
— O que eu tenho para resolver com ele não é briguinha de bar como o seu.
— Me diga o que é que ele tem seu que eu pego, juro que você nunca mais irá ouvir o nome dele novamente se me entregá-lo. - meu pai andou pelo escritório pensativo.
— Preciso de umas fotos! - começou. — O trabalho que aquela mulher me deu para eu enterrá-la não vai me levar a cadeia. - meu coração parou com o que eu escutei e pude perceber que Cameron estava abalada igual a mim. — Ninguém pode saber, principalmente a minha filha.
— Fotos? - o homem se virou para o meu pai. — Apenas isso?
— Sim, ele me mandava cópias todos os anos em uma única data, depois de um tempo parou, eu até estranhei, foi aí que ele sequestrou a minha filha.
— Então você matou uma mulher. O senhor não tem esposa não é mesmo? Não me diga que era…
— Calado! - meu pai disse alto. Ele foi até a sua mesa e pegou um papel, escrevendo algo e entregando para o cara que colocou em seu bolso do paletó sem ao menos ler o que estava escrito. — Você vai precisar, aí é o único lugar em que eu não posso pisar, se não sou morto. - o homem acenou com a cabeça entendendo. — Ele vai ser transferido para um prisão maior daqui dois dias. Esse será seu prazo e se não conseguir, o moleque vai morrer dentro daquele lugar.
O outro cara pensou um pouco e depois de um tempo, os dois deram um aperto de mão. — Acordo fechado, então. - ele disse. Os dois saíram e eu continuei parada sem nenhuma reação, processando tudo.
Cameron abriu a porta e saiu suspirando firme. Ela me olhou e olhou para o que tinha atrás de mim, parecia que havia visto um fantasma. Andei em sua direção e me virei.
O armário que estávamos escondidas tinha várias armas de vários formatos e tamanhos diferentes. Senti um calafrio e medo. Agora sabia porque meu pai não me deixava entrar em seu escritório.

Saímos de lá rapidamente e fomos em direção a escada, mas antes de subir encontrei o homem careca que agora pouco conversava com meu pai. Rapidamente peguei uma taça de champanhe e fui em sua direção. Fingi que me esbarrei nele e derramei o líquido em seu paletó bem ao lado do bolso.
— Ai meu Deus, me desculpa. – disse, esfregando minha mão na mancha. — Chama aquele garçom ali. - estiquei o braço e o cara olhou para onde eu apontava. Puxei rapidamente o papel do seu bolso e coloquei no meio dos meus seios. — Desculpa mesmo. – disse, saindo do seu lado e subindo rapidamente as escadas.
Fechei a porta do meu quarto e me encostei nela.
Eu queria chorar, gritar, bater, espancar, de tanta raiva que eu estava sentindo. Eu não podia acreditar que...

— Seu pai matou a sua mãe. - Cameron disse, sentada na minha cama sem nenhuma reação com uma alça do vestido caído em seu ombro. Olhei para ela e escorreguei até o chão, deixando lagrimas e lagrimas cairem no meu rosto. Minha amiga veio até mim e se agachou ao meu lado, fazendo eu apoiar a minha cabeça nela.

“A vezes a vida é engraçada, nos tira tudo sem nenhuma razão, para nos fazer fortes.” Não sei quem disse isso mas, será que a pessoa estava certa? Eu já perdi pessoas importantes e não me sinto nem um pouco mais forte e sim cada vez mais vazia.

’’Não pode chover para sempre, . Um dia o sol sairá e tudo será melhor do que antes’’.
Foi uma das frases que ouvi da mulher do prefeito no dia do enterro da minha mãe. Aquela vaca.
— Vai ficar tudo bem. Não podemos ficar paradas, temos que fazer alguma coisa. - Cameron disse e ela estava certa. Funguei o nariz, limpei minhas lagrimas e me levantei, indo até meu closet, pegando uma mala de viagem que ficava no canto do quarto e coloquei metade das minhas roupas e calçados dentro dela. Eu não conseguia ficar nem mais um segundo dentro dessa casa, no mesmo ambiente que meu pai.
— O que está fazendo? - Cameron perguntou atrás de mim, mas não respondi. — Que seja, deixa eu ir junto. - parei na hora e me levantei, ficando em sua frente.
— Você vai ter que ficar. - ela ia começar a falar quando a interrompi. — Por favor! Eu preciso daquelas fotos e quero que você me ajude a ficar de olho no meu pai. Sabe as panteras? Podemos ser uma delas.
— Eu sou a loira. - ela disse e eu sorri, voltando a arrumar minha mala. Cameron começou a me ajudar pegando alguns vestidos e assim que arrumamos tudo, troquei de roupa, colocando uma mais casual, meu tênis favorito, uma calça cigarrete jeans escura, uma blusa simples por baixo e um blusão de moletom por cima. Já Cameron trocou por um outro vestido de festa.
— Como é que vamos levar essa mala lá para baixo sem ninguém ver? - Cameron perguntou e eu também queria saber como seria possível.
— Vamos ter que jogar pela janela. – disse, já lamentando a minha mala novinha em folha. — Desculpa malinha. - disse enquanto puxava a mala até a janela aberta. Iria ser uma queda e tanto.
Levantamos juntas a mala que a propósito, estava bem pesada e jogamos de qualquer jeito lá para baixo.
Nem ouvimos o barulho dela caindo pois a música lá de baixo e a falação estava alta demais.
— E agora? - Cameron perguntou.
— Você vai ter que distrair meu pai enquanto vou para o escritório dele. – disse, andando em direção a porta do quarto, mas percebi que Cameron não vinha atrás. — Vem! - disse assim que me virei e ela estava ainda parada ao lado da janela.
— Não posso. - ela disse.
— Por que? - voltei até ficar ao seu lado.
— Ele me dá medo agora.
— Ele também me dá medo, mas não podemos deixar quieto, foi você que disse. Ele é o prefeito da cidade e matou a minha mãe. Não podemos deixá-lo na folga, por mais que ele seja o meu pai. - Ela balançou a cabeça e saímos do quarto.
Descemos e Cameron foi para a sua “missão”, enquanto eu ia na minha.
Entrei no escritório do meu pai e procurei por qualquer coisa. Fui até sua mesa e abri as primeiras gavetas, não encontrando nada de interessante. Abri a segunda e novamente nada, assim que cheguei na ultima vi que estava trancada, olhei em cima da mesa procurando algo e antes de dar um passo pro lado, ouvi a porta se abrindo.
— O que pensa que está fazendo? - gelei.
Olhei para frente e vi Gil fechando a porta, vindo em minha direção.
— Se seu pai te pegar aqui é provável você levar um castigo de um ano. - ela disse baixo e apavorada.
— Me diga onde ele põe a chave da ultima gaveta. - pergunto à ela mudando de assunto.
— Menina, deixa isso pra lá, você vai acabar entrando em uma encrenca.
— Se você contar alguma coisa eu e você estaremos encrencadas. Não quer perder o seu emprego, quer? - ela pensou um pouco e foi até o home bar, pegou uma garrafa que estava no fundo e a virou de ponta cabeça, deixando cair em sua mão uma pequena chave.
Ela veio até mim e me entregou.
— Sabe o que tem aqui? - perguntei e ela negou com a cabeça.
— Só sei da chave porque vi ele guardando um dia. - ela explicou.
Abri a gaveta e me deparei com um pacote fechado. Peguei e abri vendo um bolo de dinheiro com notas de 100 dólares. Gil olhava com a boca aberta, e eu não muito diferente.
Peguei o bolo de dentro do pacote e guardei dentro das minhas calças.
— O que? Não, não, não, você não pode fazer isso. - ela disse, segurando meus pulsos.
— Gil, se você não calar essa boca e não me deixar fazer as coisas sozinha, vou denunciar você de roubo.
— Mas quem está roubando aqui é você, senhorita .
— Se você continuar falando eu ponho a culpa em você, é simples.- disse a ela que me olhou assustada. — Não estou fazendo por mal. Adoraria te contar o motivo, mas não posso. - disse fechando a gaveta novamente e indo até o home bar colocando a chave de volta na garrafa. Gil ainda me olhava assustada. — Por favor, não conte nada para o meu pai. Aqui… - Peguei acho que umas dez notas de cem e entreguei para ela, mas a mesma negou rapidamente, dando alguns passos para trás. — Gil, olha para mim, eu não sou uma pessoa má. Ele é meu pai, esse dinheiro que eu to pegando conta como uma mesada que ele nunca me deu. - eu ainda não tinha convencido ela. — Acredite em mim! - disse com a melhor cara de cachorro molhado para ela. — Você me conhece desde os meus 10 anos de idade. - ela concordou. — Então toma. - entreguei o dinheiro para ela. — Estou te ajudando e você está me ajudando e aliás, meu pai tem dinheiro de sobra.
Fomos para fora do escritório dele e antes de pisarmos na festa, Gil me parou.
— Mas senhorita e se ele descobrir?
— É só não contar nada. Ele achará que foi alguém da festa. Só não conte nada, por favor. – disse, dando um beijo em sua bochecha e indo no meio das pessoas.
Avistei Cameron ao lado do meu pai. Ele parecia não aguentar mais a voz dela e ela parecia super empolgada falando. Assim que ela virou o rosto para mexer no cabelo me viu. Disse algo para o meu pai e vi ele suspirando aliviado.
Fui para fora de casa até o jardim e Cameron apareceu no meu lado.
— E ae? - ela perguntou.
— Só consegui uma grana. – disse, andando para atrás da casa até a minha janela. — E você?
— Estava falando do colégio e sobre o meu cabelo, ele ia sair de perto de mim pela 3 vez, não estava mais aguentando eu falando na cabeça dele.
— Imagino. - disse rindo e indo em direção a minha mala. — Novinha em folha. – disse, levantando ela e não vendo nada quebrado. — Vamos pro seu carro.
Andamos até o um Fiet 500 vermelho e assim que ela destravou o alarme, coloquei minha mala no banco de trás e depois entramos no carro.
— Vamos para onde? - Cameron perguntou.
— Delegacia. - disse. Estranhei quando ela ligou o carro e não fez nenhuma pergunta.



Capítulo 13


Assim que ela parou em frente a delegacia eu senti um frio na barriga. Eu iria vê-lo novamente depois de 3 meses.
— Eu vou ficar aqui. - Cameron disse, me tirando do transe. Acenei com a cabeça e abri a porta, saindo do carro. Respirei fundo e atravessei a rua.
Era véspera de Natal então só haviam 4 pessoas na delegacia e todos pareciam ocupados. Olhei no relógio de parede que marcava onze e meia da noite. Fui até o balcão e me encostei nele.
— Eu vim aqui em nome do meu pai, o prefeito, ver o Senhor . - O homem me olhou e franziu a testa.
— Eu não recebi nenhuma ligação sobre isso.
— E realmente precisa? - perguntei séria.
— Se me der licença, vou ligar para ele para confirmar. - disse o cara, tirando o telefone do gancho.
— Sabe que está tendo uma festa na minha casa. Você vai mesmo atrapalhar meu pai para dizer algo que ele já sabe? - ele pensou um pouco, olhou para mim e para o telefone. Se ele ligasse para o meu pai eu estaria ferrada.
O rapaz suspirou e colocou o telefone de volta no gancho.
— Venha comigo. - ele disse, se levantando e andando em minha frente. Passamos por um corredor e ele abriu uma porta para mim. Uma pequena sala apenas com uma mesa e duas cadeiras de frente para a outra. — Espere aqui. - ele disse, saindo da sala. Sentei na cadeira e esperei. Meus dedos batucavam em cima da mesa e minhas pernas balançavam repetidamente. O que eu iria falar pra ele? Na verdade, o que eu estava fazendo aqui?! Várias perguntas rolavam na minha cabeça e eu nem percebi que a porta foi aberta quando os dois entraram.
O mesmo cara que vi na recepção voltou, segurando pelo braço algemado.
— Você tem 1 minuto. - O guarda disse, colocando sentado em minha frente do outro lado da mesa e saindo em seguida.
O silêncio era mínimo, só se ouvia o barulho da lâmpada no lustre do teto. Eu não sabia por onde começar e ele me olhava sem desviar ou piscar os olhos.
— Não esqueça que só tem um minuto. - quebrou o silêncio, me fazendo engolir em seco ao ouvir aquela voz grossa me fazendo arrepiar.
— O que você tem contra o meu pai? - foi a única coisa que eu consegui pensar. Ele riu.
— Ainda pensa que ele é uma boa pessoa?
— Não, eu sei o que ele fez. - seu sorriso desapareceu. — Sei das fotos. - sua expressão era confusa.
— Ele te contou?
— Não, eu ouvi ele conversando com outro cara. Que fotos são essas? – perguntei, me apoiando na mesa.
— Pensei que já soubesse.
— Eu não sei, o que é?
— Não te interessa.
— Me interessa sim! - disse rapidamente. Fechei meus olhos e passei as mãos pelo cabelo. — Eu não entendo porque ele é assim, porque ele fez essas coisas. - disse baixo. Matou minha própria mãe.
— Ele não tem coração. - talvez ele estivesse certo, em pensar que meu próprio pai me deixou nas mão de sequestradores, todos armados.
— Preciso da sua ajuda para tirar ele do cargo de prefeito. Preciso das fotos.
— O delegado é amigo do seu pai. Não vai adiantar nada falar algo para ele, os dois trabalham juntos. - me lembrei da ultima vez que fui em um jantar na casa do delegado, era uma casa enorme e linda, um salário de delegado não compraria uma casa daquelas e sua esposa nem trabalhava.
— Eu não pensei em entregar para ele. - pensei sim. Contar que o prefeito está dormindo com sua mulher faria ele ficar do meu lado. Mas nem eu sabia se daria certo.
— Então pensou em que? - Olhei para baixo e ele já soube que eu não tinha um plano em prática.
— Podemos fazer um acordo? – perguntei, olhando para ele de volta. sorriu e se encostou na cadeira de qualquer jeito. Suas duas mãos algemadas foram de encontro ao seu queixo para dar uma leve coçada. A blusa acabou levantando um pouco e eu pude ver um pequeno nome tatuado na cintura ao lado.
Natalie.
Como só agora, com ele de roupa pude perceber ela?
— Tem certeza que quer fazer um acordo com quem arruinou a sua vida? Olha que essas são as suas palavras. - ele disse, me fazendo olhar para outro lado rapidamente.
— Eu me lembro. - disse. — Eu posso arruinar a vida de outros também. - o encaro.
— E começará com o seu pai. - ele riu.
— E depois com seu amigo. - disse séria. Seu sorriso se fechou rapidamente. — Quer entrar na lista também? - perguntei sarcástica. — Bom, você me deixou passar fome por dias, mas... - fiz uma cara de pensativa. — Posso te livrar dessa se você me ajudar.
— Acha que eu tenho medo de você?
— Eu sei que não, mas você quer sair daqui, não quer? - perguntei. Meu Deus, como eu estava adorando estar no comando. Minha vontade era de soltar uma gargalhada e começar a fazer uma dança vitoriosa.
O silêncio pairou pelo ar e naquele momento, nenhuma palavra precisava ser dita, pois eu já sabia sua resposta.
Peguei meu celular no bolso de trás da minha calça e procurei pelo número de Cameron.
No primeiro toque ela atendeu.
— Distrai todos da delegacia, por favor, até eu sair?
— Minha fama de dramática finalmente vai ser levado a sério. - ela disse animada antes de desligar. Voltei a guardar meu celular do bolso, mas não voltei a olhar para .
— Vai me tirar daqui? - ele perguntou.
— Não é isso que você quer? - ele não respondeu. — Então, temos um acordo? - olhei para ele e o mesmo sorriu.
— Com certeza. - ele disse.
Enquanto esperávamos o sinal, eu me distraia com os meus dedos. Não queria ficar encarando sem motivo nenhum. Já estava constrangedor demais ficar em silêncio.
— Quer realmente fazer isso com seu pai? - ele puxou um assunto.
— Eu perdi uma pessoa importante na minha vida por causa dele, então ele devia perder a coisa mais importante dele. - mais um silêncio. — Como conseguiu que fosse preso? - perguntei depois de alguns minutos.
Ele demorou para responder, deveria estar pensando na resposta, mas quando foi abrir a boca para começar, ouvimos um grito feminino.
Cameron.
Percebi o alívio nos ombros de antes de levantar da cadeira. Aproximei minha cabeça até a porta e consegui ouvir várias vozes. Abri um pouco a porta, olhei para o corredor e depois para , que olhava para algo atrás de mim.
Meu traseiro.
— Tá olhando o quê? – disse, me virando de frente para ele.
— Só estava olhando. - ele disse com um sorriso no rosto. Rolei meus olhos e voltei a olhar para o corredor. — A propósito, bela bunda. - eu não sei se rolava os olhos ou se sorria.
Sai para fora da sala e andei até o final do corredor. A delegacia estava vazia. Voltei para pequena sala e puxei , que estava de pé pela mão algemada inusitadamente.
— Fique aqui. - disse assim que chegamos perto da porta de entrada. Sai para fora e um pouco longe havia uma roda cheia de pessoas um pouco no meio da rua. Provavelmente os policiais. Voltei para dentro e mexia nas mesas dos federais. — Não temos tempo pra você estar roubando. – disse, andando até ele.
— Não estou roubando, sua idiota, estou tentando achar a chave das algemas. - ele respondeu. Minha alto estima de estar no comando havia caído. — Abre aqui. - ele me entregou a chave e eu abri as algemas.
Saímos de lá e começamos a andar pelo lado ao contrário de onde estavam os policiais. Assim que passamos do lado do estacionamento da delegacia, foi a vez de pegar na minha mão e me puxar para o lado oposto. Ele andava em direção a uma viatura vazia.
— O que vai fazer? - perguntei.
— Precisamos de um carro. - ele disse, abrindo a porta da frente da viatura que estava destrancada.
— Temos um carro.
— Um carro desses é melhor, assim não vamos ser parados. - ele disse, entrando no carro. Suspirei e dei a volta, entrando no banco do passageiro.
Ele se abaixou e começou a mexer em uns fios embaixo do volante. Rapidamente o carro roncou, ligando.
Seguimos para estrada principal e antes de passarmos pelos policiais que estavam parando cada carro que passava, encostou o carro no meio do mato.
Depois de 1 minuto em silêncio total lá dentro, esperando Cameron com a minha mala, me lembrei da pergunta sem resposta que fiz a .
— Não me contou porque estava na cidade. - ele não seria tão burro de aparecer lá sem os outros caras.
— Não era nada. - porque eu sentia que isso era mentira?
Um pequeno carro vermelho encostou atrás da gente e eu sai apressada da viatura.
— E ai. – disse, indo até Cameron que saia do carro.
— Aqueles caras são uns tarados. - ela disse, abrindo a porta do banco de trás e pegando a minha mala.
— Obrigada. - disse assim que ela me entregou.
— Vê se toma cuidado. Não quero você voltando com outro curativo no ombro ou em outro lugar.
— Pode deixar. – disse, olhando para trás. não havia dado as caras, ele continuava dentro do carro.
— Lembre-se que o ponto fraco do homem é o saco. - ela sussurrou e depois rimos.
— Vou me lembrar.
— Bom, é agora. - ela disse, me abraçando. Eu não queria ir, mas também não queria ficar. Senti uma lágrima cair e me soltei do seu abraço para não vir outras. Fui até a viatura e destravou o porta malas para mim. Coloquei minha mala lá dentro e assim que fechei a traseira do carro, olhei novamente para Cameron. Suspirei fundo e andei até a porta do passageiro do carro para seguirmos viagem até Miami.

Dia seguinte. 10h00am

Ainda estávamos na estrada. Pois é, não tínhamos chegado em Miami ainda, pois assim que passamos pelos policiais na estrada, paramos em um hotel e pedimos dois quartos. Não estávamos mais com a viatura, havia abandonado, feito uma troca ou sei lá o que, por um outro carro. Era um pouco velho, mas o som era ótimo.
— Já vai começar com essas músicas de mulher. - Ele disse assim que liguei o som e a música Fance da Iggy Azalea começou a tocar.

First thing, first, I'm the realest. (Realest)
Antes de mais nada, eu sou a autêntica. (Autêntica)
Drop this and let the whole world feel it (Let them feel it)
Largue isso e deixe o mundo inteiro sentir. (Deixe-os sentir)
And I'm still in the Murda Bizness.
E eu continuo causando inveja.

Eu cantava junto com a música enquanto ele dirigia.

I can hold you down, like I'm givin' lessons in physics
Eu posso te atrapalhar, como se tivesse ensinando física.
(Right, right?)
(Certo, certo?)
You should want a bad bitch like this
Você devia querer uma vadia do mal assim.
Drop it low and pick it up just like this
Que desça até embaixo e suba de volta assim.

Quando começou o refrão eu abaixei o volume.
— Preciso ir ao banheiro.
— Não vamos começar com isso novamente.
— É sério!
— Por que não fez no hotel?
— Porque não estava com vontade. - ele bufou e encostou o carro. — Não vamos discutir isso de novo. Está parecendo até um déjà vu. - Ele bufou novamente e voltou a dirigir, mas dessa vez não deu a volta e andou na contra mão que nem um doido.
Passou um tempo e um posto de gasolina estava logo a frente, e para a minha surpresa, era o mesmo posto da outra vez.
estacionou e assim que descemos do carro, andamos em direção a loja de conveniência. Dessa vez não era uma mulher que se encontrava atrás do balcão e sim um homem barbudo e bem cabeludo, ele ouvia um rock pelo celular no alto falante.
Nem precisei perguntar nada para ele, porque já sabia o caminho do banheiro. Assim que cheguei, a porta estava trancada, provavelmente ocupado.
— Chegou bem na hora que eu estava saindo. - Uma mulher com os cabelos longos cacheados e mais alta que eu disse assim que abriu a porta. — Tem uma poça de água no chão. - ela olhou para os meus tênis air force branco de cano baixo da Nike. — Ainda bem que não está de salto. - a mesma disse, apontando para suas sandálias que tinham um salto grande, era por isso que a moça era maior que eu.
Eu apenas sorri torto e ela seguiu para fora do banheiro. Entrei nele, fiz o que tinha que fazer e assim que terminei, fui até a pia lavar minhas mãos. Fiquei me encarando no espelho procurando algo que eu não gostava. Talvez as olheiras que ultimamente eu estava tendo por não dormir direito por causa dos meus pesadelos. Balancei a cabeça, despachando o pensamento e mexi no cabelo, o arrumando.
Sai de lá e andei pelo corredor até chegar no mercadinho. Encontrei a mesma mulher de frente para . Ela mexia no cabelo e mordia os lábios quando dizia algo para ele. Ele parecia não se importar com ela ao seu lado e também não prestava atenção no que ela falava.
Andei em direção a eles e quando me viu, pude ver seus ombros relaxarem.
— Vamos? - ele perguntou. A mulher me olhou assim que apareci em sua frente.
— Hãm, estão juntos? - ela perguntou sem graça. Eu apenas dei um sorriso de canto, meio antipática, e ela já soube a resposta. — Me desculpe. - ela disse, se afastando da gente.
— Vamos? - foi a minha vez de perguntar. Assim que passei ao lado de uma estante de óculos, peguei um, experimentando, e achei que realmente ficou bom. O sininho pendurado na porta soou assim que saímos do lugar. — Fiquei surpresa por não encontrar ela em cima do balcão e vocês se agarrando. - comentei enquanto andávamos em direção ao carro. Pude ouvir o atendente da loja gritar. “Ei você não pagou por isso!”, mas não dei importância.
— Ela tinha cheiro de naftalina. - disse sério, entrando dentro do carro, também ignorando o cara que agora saia da loja.
— Achei que era por causa da Jenna. – disse, me lembrando do nome da garota que agarrou ele na boate, mas me arrependi novamente já podendo ouvir sua resposta ignorante.
— Temos um relacionamento aberto. - ele disse numa boa, me deixando surpresa.
— E ela sabe disso? – perguntei, colocando o cinto de segurança e ele sorriu sapeca. O cara do balcão estava logo à frente do carro, pensando que, com aquele gesto, iria nos parar. — Imaginei. - disse baixo, sorrindo também. deu ré, deixando o posto longe e um cara indignado.
Não deu 5 minutos e meu celular começou a tocar. Olhei no visor e não era Cameron.
— Seu pai? - perguntou.
— Não. – disse, olhando para o visor.
— Sua amiga?
— Não. - ele limpou a garganta.
— Namorado? - não respondi e neguei a chamada. Josh não era mais meu namorado, mas ele insistia que estávamos juntos novamente. — Acho que a resposta é sim.
— Não. Não namoramos mais, mas ele não entende.
— Como que ele não entende? – perguntou, interessado.
— Eu também não sei. Foi ele que terminou, mas assim que voltei para casa depois de tudo aquilo que aconteceu, ele age como se nada tivesse acontecido. Ele terminou comigo dizendo coisas sem sentido que agora estava livre de mim e de todos. Que ele não aguentava mais ordens. Eu nem queria namorar com ele, meu pai que me obrigou, achou que seria melhor para mim. - Assim que terminei de falar meu celular começou novamente a tocar. — Rww. - disse com raiva. Olhei para tela e Josh ligava novamente. Abri a janela do meu carona e o vento começou a sacudir o meu cabelo. — Adeus meu amor, vou sentir saudades. - disse beijando meu celular e jogando-o em seguida pela janela.

Os portões se abrem quando aperta um botão de um pequeno controle remoto. Ele dá a volta na fonte que ficava em frente a casa e para o carro ao lado dos degraus da porta principal. Desço do carro olhando em volta, não encontrando nada de diferente. A casa era a mesma, o jardim era o mesmo, os coqueiros eram os mesmos e até o clima era o mesmo. Eu não sentia saudades daqui.
sai do carro e sobe os degraus, entrando. Respiro fundo nervosa e atravesso a porta da sala, me vendo perdida. Não era bom estar de volta, em vez de me lembrar de como eu era feliz com minha família eu me lembrava de como eu sofri estando aqui.
— O que ela está fazendo aqui? - me assustei quando Jenna apareceu na sala.
— Ela me ajudou a sair da cadeia. - diz, sentando de qualquer jeito no sofá.
— Cadeia? - ela pergunta assustada. — Como assim?
— Cadeia, ué. Você já esteve em uma. - responde, grosso.
— Onde? - ela pergunta e ele demora para responder. Jenna olha para mim e depois volta a olhar para ele. — Onde ficou com a cabeça de ir pra lá? - ela diz indignada, já sabendo a resposta. — Por que não avisou pra gente?
— Eu estou aqui não estou? - diz, levantando os braços impaciente. Jenna apenas me olha com raiva e vai até o sofá, abrindo as pernas e subindo em cima dele. Quando ela se aproxima para beijá-lo, ele a afasta, se levantando.
— Estou cansado. - ele diz, indo até as escadas.
— Desde quando? - Jenna perguntou, sentada no sofá, indigitada por ser rejeitada.
— Desde agora. - diz, subindo as escadas, mas parou em seguida, virando o corpo. — Deveria dormir um pouco. - ele diz olhando para mim, eu não respondo, ainda continuo perdida em frente a porta de entrada. Assim que ele sobe, Jenna me olha novamente com raiva e vem até mim, parando em minha frente.
— Eu quero passar, piveta. - ela diz me encarando com raiva.
— Deu para perceber que você está um pouco gordinha para querer tanto espaço. – digo, dando um passo para o lado e abrindo um dos meus braços fazendo um gesto para ela passar.
— Não devia mexer comigo.
— Você que não devia mexer comigo. - digo confiante. — Pode me olhar com essa cara feia quando quiser, eu não tenho medo de você. - Não mais, pensei.
Ela me dá uma última olhada antes de sair da casa, batendo o pé. Eu não me sinto feliz por tê-la provocado, ela poderia fazer algo ruim contra mim.
Tiro esses pensamentos da cabeça e ando até as escadas, subindo-as. Assim que chego no corredor vou até o meu antigo quarto, mas não consigo entrar. Flashbacks vêm em minha mente quando olho para a cama e eu me viro rapidamente, trombando em algo ou alguém. Antes de levantar a cabeça para ver quem é, eu me acabo em chorar. Lágrimas escorrem pelo meu rosto enquanto estou apoiada no ombro de alguém, mais para peito do que ombro. Senti a pessoa passando as mãos pelas minhas costas me consolando. Era , eu tinha certeza, ele seria o único que deixaria eu me apoiar e chorar em seus ombros.
Assim que funguei meu nariz, senti o cheiro do perfume.
Não era o .
Fiquei tanto tempo dentro do carro com essa pessoa que já até sabia o cheiro de seu perfume.
Me afastei lentamente, passando as mãos nas minhas bochechas para secar minhas lágrimas e olhei para o rosto da pessoa.
me olhava sem nenhuma expressão no rosto, mas sabia que não estava com raiva ou algo do tipo.
— Desculpa. - digo com a cabeça baixa, não querendo olhar diretamente para ele.
— Tem outro quarto se você quiser. - eu apenas balanço a cabeça que sim. Ele anda em minha frente e eu vou logo atrás, para o final do corredor. O quarto era do mesmo tamanho que o outro, mas esse tinha uma pequena sacada em frente ao jardim.
— Estou no quarto ao lado. - Ele diz, dando a volta entrando em uma das portas um pouco afastada que havíamos passado em frente. Entrei no quarto e encostei a porta. Tirei meus tênis e subi na cama, me enrolando na coberta. Não passou muito tempo para eu cair no sono.


Capítulo 14


Havia se passado 1 dia. Eu não tinha um plano, eu não tinha ideia nenhuma, eu não tinha nada. Só era eu e os meus pensamentos inúteis.
Olhei rapidamente para porta assim que bateram nela. entrou e eu me aliviei por ver que era ele.
— Ainda está viva? - Eu me encontrava sentada no chão, mexendo no meu novo celular. — Bom, eu estou livre hoje, está a fim de sair desse quarto e ir na boate do .
— Não, obrigada. Não estou afim de ver a cara de você sabe quem.
— Ele não vai estar por lá. tem algo para fazer. - eu continuava fuçando no celular. — Juro que ele não vai estar lá.
— Sei não. Eu… - bufei e larguei o celular no chão. — Eu não acho legal ficar saindo por aí. Prefiro ficar aqui. - disse com a cabeça baixa. Eu ainda tinha medo das ruas de Miami.
— Não vou encher o seu saco, mas posso ficar do seu lado. Não vou deixar que ninguém chegue perto. Se quiser posso fazer ninguém te olhar.
— Não exagera. - ri baixo.
— Então, você vai? Ficar parada, sozinha, socada nesse quarto não vai te levar a lugar nenhum. - respirei fundo com medo da minha própria resposta.
— Tá bom, eu vou. - disse com um frio na barriga.
— Eu volto aqui às oito. - ele diz animado, saindo do quarto. Fechei meus olhos e tentei me acalmar. Era só uma boate, o que poderia acontecer de ruim lá? Ai meu Deus, muita coisa. Polícia, tiroteio, morte, Mika. Não, Mika está morto. Só de pensar nele me arrepio toda.
Eu estava fazendo errado em estar junto com traficantes, bandidos, sequestradores ou sei lá mais o que eles eram. A minha regra agora vai ser não confiar em ninguém. Mas me parecia confiante. Não, não, não, , ele é igual aos outros, nenhum deles é diferente. E eu estou passando dos limites convivendo com um deles nessa casa. Eu tinha que sair daqui e pensar em tudo sozinha; Mas eu ainda precisava das fotos.

A noite caiu e eu fui tomar um banho. Assim que terminei fui me trocar. Coloquei um vestido preto, aberto nas costas e deixei meus cabelos soltos. Achei que seria melhor assim.
Já estava pronta quando bateu na porta. — Entra!
— Uau. - ele disse, segurando a maçaneta da porta.
— Eu não fiz o meu melhor. - Não mesmo. Minha maquiagem só era um lápis preto e um gloss.
— Bom, imagino como seria você fazendo o seu melhor. - ele diz. — Vamos? - balanço a cabeça e pego uma bolsa estilo carteira com o meu celular dentro e um canivete. Nunca se sabe o que pode acontecer.
— Só vamos nós? - perguntei assim que passei pela porta.
— Não, e já estão lá. - mais um frio na barriga. — Eles não fazem ideia que eu estou te levando. – Ótimo, minha sensação de que algo vai dar errado voltou.

Entramos no lugar cheio. A música alta entrava e saia dos meus ouvidos. Eu olhava toda hora em volta para ver se não encontrava alguém conhecido. Acabei encontrando e sua atenção parou em mim.
Eu não estava entendendo até perceber que não estava olhando para mim, e sim olhava para alguma coisa atrás de mim.
Me virei para olhar o que tanto estava chamando sua atenção e vi Josh encostado no balcão com duas garotas ao seu lado, conversando com ele.
Me virei de costas rapidamente e sem que ele me visse, fui até mesa onde já estava sentado.
— O que ele faz aqui? — perguntou para os outros. Essa era a única pergunta que rodava agora pela minha cabeça.
ao seu lado colocou a mão na cintura e vi de canto seu revólver. Ele levantou e foi na direção de Josh, mas eu rapidamente fiquei na sua frente.
— Não vai! - disse com a minha mão direita encostada em seu peito. me olhou feio e tirou minha mão brutalmente do seu corpo. Ele deu um passo para o lado e eu dei um rapidamente ficando na sua frente.
— Qual é a tua? - ele disse irritado.
— Não pode ir lá, ele vai saber que eu estou aqui.
— E daí? - ele diz, olhando bem para os meus olhos e eu me arrepio. Não sei se eu sentia medo dele ou…
— Meu pai não pode saber que estou com vocês. - me olhou confuso.
— O que seu pai tem haver?
— Josh é meu ex-namorado - disse obviamente. — Ele é da minha cidade. Meu pai deve ter mandado ele aqui para me encontrar, sei lá. - olhou pela última vez atrás de mim e me puxou.
— Ai. - disse assim que sua mão segurou firme meu braço. Passamos por uma multidão e subimos umas escadas.
— Desculpa. - disse assim que pisamos em uma sala que parecia um escritório. Passei a mão em meu braço, esfregando para tirar a dor. — Te machuquei? - ele disse, vindo em minha direção.
— O que você acha? - respondi grossa. Ele passou a mão na atrás do pescoço e virou de costas. Ele tinha outra tatuagem atrás da nuca. Assim que fui tentar adivinhar o que era ele se virou, ficando de frente para mim.
— Me diz mais sobre o… - ele gesticulou com as mãos tentando lembrar o nome.
— Josh.
— Isso.
— Eu já disse. - ele passou a mão no queixo. — Ele era do meu colégio, mas nunca tinha visto ele até meu pai me apresentar. Ele conhecia os pais do Josh, mas eu nunca tive a oportunidade, porque eles viviam viajando à trabalho, era o que Josh me dizia.
— Você sabe o sobrenome? - perguntou. Eu tentei, juro que tentei lembrar de alguma coisa, mas eu nunca soube do seu sobrenome. Eu não acredito que eu estava sendo enganada esse tempo todo.
Passei uma mão pelos meus cabelos.
— Ele trabalha pro meu pai, não é? – perguntei, já sabendo a resposta.
— Costa vem sempre espionar o que estamos fazendo. Um ano atrás ele quis me encontrar querendo trabalhar comigo porque estava de saco cheio de seu chefe. Ele nunca me contou quem era.
— Que mês era? - perguntei instantaneamente.
— Sei lá, Maio. - ele disse. Foi o mês em que terminamos e ele estava bem irritado, falava várias bobagens para mim. No mesmo dia havia sumido durante 1 semana. — Na última vez que eu o vi foi essa semana quando fui para sua cidadezinha.
— O que estava fazendo lá? - perguntei novamente e ele não respondeu. — Ah, qual é?!
— Fui ver como você estava. Satisfeita? - ele disse com raiva. Parei de respirar na mesma hora e disfarcei, indo para o sofá, mas voltei andando em direção a porta, e antes de abri-la, foi mais rápido, me segurando.
— O que está fazendo? - ele perguntou.
— Vou falar com aquele desgraçado. – disse, tentando me soltar das mãos dele. Ele, mil vezes mais forte que eu, me virou rapidamente de costas para a porta, onde acabou batendo com força a minha cabeça, mas ele não se importou.
— Ele não pode saber que está aqui. Seu pai vai fazer de tudo para te levar de volta para casa e não vai ser diferente de como você ficou comigo, é capaz dele te trancar para não abrir a boca pra ninguém. - Senti um arrepio da cabeça aos pés. Balancei a cabeça, negando.
— Ele não seria capaz. - disse sem piscar, procurando algumas respostas nos olhos meio verdes de . Eu podia sentir sua respiração de perto.
— Quer tentar? – disse, me soltando e apontando para porta.
Eu não me mexi, não queria passar pelas mesmas coisas que passei. Por não acreditar que meu pai fizesse isso, eu não iria arriscar.
— Deixa que eu vou. Não saia daqui. - me afastei, engolindo saliva à baixo e saiu, me deixando sozinha.

’s POV

— O que você quer aqui? – falei, cruzando os braços e o encarando. — Veio ver como é que eu saí da prisão? Não ficou sabendo? Eu tenho super poderes.
— Sei como saiu e com quem. Está escondendo ela?
— Ela quem? - ele sorriu e eu sabia que não iria poder enganá-lo. — Ah, a garota. Diga ao seu chefe que ela está tendo bons sonhos. - apenas senti suas mãos no colarinho da minha camisa.
— O que fez com ela, seu infeliz? - ele disse irritado. Senti umas mãos nos separando e vi e ficando ao meu lado.
— Se você não quer morrer agora é melhor sair daqui, eu não estou querendo sujar minhas mãos. De novo. – Disse, e ele ia vim novamente na minha direção, mas e deram apenas um passo. Costa me olhou pela última vez e pegou seu casaco em cima do balcão, dando meia volta.
— O que ele queria? - perguntou.
— Saber da .
— Eu estava procurando por ela, você a viu? - ele perguntou novamente.
— Está lá em cima. - disse e ele rapidamente saiu do meu lado.
— Você disse o quê? - perguntou.
— Que matei ela. - foi o que tentei fazer ele pensar.

’s POV

A porta rapidamente foi aberta, me dando um grande susto. Viro a cabeça e vejo me olhando aliviado.
— Está tudo bem? - pergunto.
— Eu ia te perguntar a mesma coisa. - ele diz, entrando.
— Eu quero ir embora. - digo desanimada.
— Tá bom. Eu só vou passar na minha casa primeiro pra pegar uma coisa. Ok? - balanço a cabeça que sim e me levanto do sofá. Descemos as escadas e andamos no meio da multidão, mas assim que passamos ao lado do balcão de bebidas, vira em minha direção, fazendo-me trombar em seu peito.
— O que foi? - digo para ele que me segurava pelos braços.
— Não olhe agora, mas Pither está aqui. - ele dizia, dançando.
— Hãn? Quem é Pither? - pergunto. Ele vira a cabeça rapidamente e volta. Olho na direção e vejo o mesmo homem que conversava com meu pai em seu escritório.
— Vem. - pega na minha mão e vai me puxando de leve até a saída da boate. — Está com frio? - ele pergunta assim que pisamos na calçada e eu me encolho por causa do vento. Eu balanço a cabeça e na mesma hora ele começa a tirar seu casaco.
— Não precisa. - digo rápido.
— Eu faço questão. - ele diz, colocando nas minhas costas.
Fomos até o seu carro e assim que entramos ele me pareceu mais aliviado.
— Quem é aquele homem? - pergunto. liga o carro e dá partida.
— Ele era o chefe de Mika, comanda portes ilegais de armas e cocaína. não gosta de mexer em nada que é dele, mas Mika era teimoso e sempre pedia ajuda sem Pither saber, o que era perigoso demais. Mendes é muito mais forte e poderoso. Tipo o seu pai. A diferença é que Pither não tem medo do e o seu pai sim.
— Você sabe onde ele mora? - ele nega com a cabeça.
— Só sei que ele tem 4 boates em South Beach, porque lá é a área que ele comanda.

estacionou em frente um prédio. Descemos do carro e entramos. Fomos até o elevador e ele apertou o penúltimo botão, vigésimo nono andar. Era andar pra caramba. Assim que chegamos demos de cara com uma parede, viramos a direita e lá estava a sala de estar.
— Esse apartamento era do meu pai também?
— Não, mas o dinheiro com que comprei sim. - ele riu, colocando sua arma em cima de uma mesinha de vidro e depois sumiu em algum corredor por alguns minutos, voltando rapidamente. — Pronto, podemos ir.
— Vocês sempre têm que andar com isso? – perguntei, me referindo o revólver.
— Proteção. - ele diz meio chateado. — Eu não gosto muito, mas foi o que eu escolhi.
— Por quê? – perguntei, mas ele não respondeu. — Tudo bem. Foi mal.
— Meu pai bebia muito e sempre arranjava dívidas com uns caras da pesada, tinha vezes que chegava todo machucado em casa. Os caras não aguentaram e mataram ele. Na época que eu conheci o , ele vibrava por vingança igual a mim. - ele dizia sem olhar diretamente para mim. — Eu acabei me juntando a ele e me vinguei dos caras. Mas acabou que eu comecei a ser o alvo de outros grupos. - ele disse, voltando do transe em que contava sua história.
— Você tem mais dessas? - perguntei sem nem pensar.
— É, eu tenho, mas porque quer saber?
— Nada. - me olhou desconfiado, mas ignorou, mudando de assunto.
— Vamos?
— Ta. - Fomos até o elevador e ele apertou o botão. Assim que chegou entramos. — Esqueci meu celular. – disse, saindo do elevador e voltando para sala. Enquanto evitava que as portas se fechassem, eu pegava sua arma escondida e colocava dentro do casaco.

’s POV

— Vejo que aqui está tudo tranquilo. - Pither diz sem olhar para mim. Ele bebia um copo de whisky em frente o balcão do bar, enquanto dois caras de preto estavam em pé atrás dele.
— Espero que continue assim. - ele dá um gole em sua bebida e pensa um pouco.
— Eu ainda me pergunto como é que Mika foi tão burro em te dar isso aqui.
— Não é minha culpa se ele era um idiota.
— Era. - ele repetiu baixo, rindo. — Por que ele morreu? - ele me olhou tenso e pensativo.
— Eu já falei. Ele era um idiota. - assim que termino de falar Pither se levanta do banco do bar e bate sua mão forte no balcão.
— Idiota é você por estar no meio do meu caminho. - nós estamos frente à frente e ele não podia fazer nada ali no meio de tanta gente. — Você matou um dos meus...
— Você não tem provas. - eu disse antes dele terminar de falar. Pither passou a mão na sua barba e depois olhou para mim.
— Se você for homem de verdade eu quero você… - ele apontou para mim tocando meu peito com força. - Apenas você, amanhã, cara a cara comigo, ou então eu mato todo mundo que está aqui, principalmente esse seu grupinho infeliz. - eu podia ver o ódio em seus olhos mesmo através dos óculos escuros que ele usava. — Eu quero respostas.
— Eu sei que você não quer só isso.
— Está com medo, ? - passo a mão no queixo e olho para o lado. Ele ri. — Não esquece. Tic Tac. - Pither dá um último gole na sua bebida e sai andando com os dois caras atrás dele.


Capítulo 15


’s POV

Havia amanhecido e eu não tinha dormido. Vários pensamentos rondavam pela minha cabeça pelo fato de eu estar com uma arma. O medo era grande em fechar os olhos e ouvir um barulho de tiro pra cima de mim.
Levantei da cama e troquei de roupa. A casa estava silenciosa desde ontem, então eu poderia fazer qualquer tipo de barulho.
Trêmula, peguei a arma e sai do quarto, descendo as escadas rapidamente e indo até o enorme jardim. Meu coração acelerava cada vez mais rápido quando eu tentava procurar um alvo.
Uma casa de passarinho colorida em cima de uma árvore. Eu havia feito ela quando tinha 11 anos de idade.
Andei um pouco e fiquei em uma distância razoável em frente a casinha de madeira.
Com as duas mãos apontei e mirei a arma em direção ao meu alvo. Com um olho fechado e o outro aberto eu sentia confiança de que iria acertar.
Apertei o gatilho, mas nada aconteceu.
Merda. Provavelmente estava sem bala. Igual a última vez que peguei a arma de .
Bufei irritada e me virei, dando um pulo em seguida quando vi andando na minha direção. Ele olhou para a arma e franziu as sobrancelhas, cerrando os olhos confuso.
— Onde arrumou isso? - ele me perguntou grosso. Ótimo, iria levar bronca.
— Tenho mesmo que responder? - perguntei com um pouco de medo dele que se aproximava cada vez mais.
Ele ainda queria respostas.
— Quero aprender a usar. - disse antes de levar uma patada ou bronca.
— Pra que? – perguntou, levantando uma de suas sobrancelhas e parando em minha frente.
— Defesa. – disse como se fosse óbvio. Ele pensou um pouco e pegou a arma das minhas mãos, a abrindo.
— Sem balas. - ele disse um pouco mais baixo. — Arranjou isso com o ?
— Ele não sabe. - disse envergonhada. me olhou e jogou a arma na grama, pegando a sua no cós da calça e destravando-a. Na mesma hora, ele me puxou pra perto dele, guiando minhas mãos e posicionando-se no revólver.
— Mira em um foco. - ele disse firme, respirei fundo e mirei na casa. – Tem certeza que é lá que você quer acertar? – falou bem perto do meu ouvido e eu balancei a cabeça dizendo que sim. — Então atira. – minhas mãos tremeram um pouco e eu atirei. O barulho e o impacto era impressionante.
Cerrei os olhos e vi que eu não havia acertado onde queria. se afastou de mim.
— De novo. – ele falou em um tom mandão e novamente mirei na casinha, e acertei. — Descarrega o revólver. – ele ordenou e eu pisquei algumas vezes, mas fiz. Passei a língua entre os meus lábios e descarreguei o revólver no mesmo lugar, depois de um tempo quando eu me toquei que eu apertava o gatilho, mas não saia nada.
Soltei o ar de forma exagerada.
— Nunca desconte o ódio que tem enquanto atira, sempre mantenha a calma. – ele pegou a arma das minhas mãos, carregando-a. — Pode ficar com ela. – disse, me entregando de volta. — Eu tenho que ir. Não esqueça de entregar essa aqui pro . - Ele disse pegando a arma da grama e me entregando. Assim que ele começou a andar e se afastar eu o chamei.
? - ele olhou para trás. — Obrigada.
— Não precisa me agradecer, eu não fiz nada. - ele diz, voltando em seguida a andar. Ouço o barulho da porta de seu carro e assim que ele dá partida, nem me passa na cabeça que aquela seria a última vez que eu iria vê-lo hoje.

’s POV

Desço do carro e entro no tal lugar abandonado. Dou alguns passos à frente e ouço passos atrás de mim, mas assim que viro para ver quem era, algo tapa a minha visão e a minha respiração. Um saco preto havia sido colocado na minha cabeça.
Fui jogado em cima de uma cadeira e amarrado atrás das costas no pulso.
O saco foi arrancado da minha cabeça, me fazendo puxar com força o ar, mas mal terminei e uma fita adesiva foi colada na minha boca.
A primeira coisa que vi foi Pither na minha frente.
— Fredo, chegou cedo para festa. - ele começou. Me movimentei tentando me soltar. — É melhor não. - então puxou a fita da minha boca com força, e aquela porra doeu bastante.
— Achei que você era homem também. - comecei.
— Mais que você.
— Pois não parece, achei que era eu contra você, não eu contra 5.
— Está com medo?
— Não parece que eu estou com medo já que vim sozinho, diferente de você. Por que não acabamos logo com isso? Está com raivinha porque o seu cara foi morto? Quer saber como foi?- digo com raiva, mas tentando me acalmar no mesmo tempo. — Lenta e dolorosa, ou foi rápido? Só sei que eu não queria estar no corpo dele aquela hora.
— E eu não quero estar no seu agora. - ele diz, olhando depois para um cara atrás de mim. — Aquele ali é o Yvo.
— Que nome de gay, hein, Yvo.
— Brinca, . Brinca o quanto quiser. Mas vai ter uma hora que você irá se arrepender. Mostre para ele o que você sabe fazer. - o tal Yvo vem até mim e começa a me dar socos no estômago. Eu não conseguia nem me curvar já que estava amarrado. Pither faz um sinal com a mão e Yvo se afasta. Eu solto uma cuspida de sangue em direção ao Pither que acaba parando em seus pés. Ele vem até mim e me dá um soco na cara. Sinto mais sangue na minha boca.
— Onde estão as malditas fotos? - ele pergunta e eu olho para ele, confuso.
— Puta que pariu. - começo a rir. — Você agora está trabalhando para aquele desgraçado. Não é capaz de fazer nada sozinho? - levei um outro soco.
— Não brinque comigo.
— Me bate quantas vezes quiser, aquele infeliz não vai se safar dessa. - Pither dá uma olhada de canto para um dos cinco caras.
— Quero te ouvir gritar. - um deles diz perto de mim e o outro desenrola um saco com várias facas dentro.
— Eu bem que queria te ver ser cortado fatia por fatia, mas eu tenho outros planos. - Pither diz, batendo de leve a mão nas costas de Yvo. — Cuidem dele até eu voltar. Comporte-se.

’s POV

Estava na cozinha quando ouço barulho de carro e novamente um barulho dentro da casa. Vou até a porta e três homens de preto entram rapidamente, indo até o escritório de . Ouço barulho de algo sendo jogado no chão. Os três voltam e eu me escondo, olho de soslaio, mas não vejo o que está nas mãos de um deles.
Começo a processar o que eu tinha acabado de ver e vou até o escritório, vendo o mesmo bagunçado e revirado. Subo as escadas e vou até meu quarto, procurando pelo meu celular. Realmente não era normal o que havia acabado de acontecer.
Mando uma mensagem para que me responde logo em seguida. Ele já estava a caminho.
Voltei para sala e esperei.
— O que houve? - ouço passando pela porta preocupado. Ele não tinha demorado muito quando mandei a mensagem.
— Três homens de preto entraram aqui rapidamente e foram até o escritório do .
— Não. - disse, passando por mim e indo até o escritório. Fui atrás dele. Ele foi até a estante de livros, que a propósito, estavam espalhados pelo chão. E passou as mãos pelos cabelos e eu fui até ele ficando do seu lado. Agora sabia porque os livros estavam jogados no chão. Eles escondiam um cofre.
— O que tinha aí? - perguntei curiosa.
— As fotos. - ele respondeu. Olhei para ele e depois para o cofre. As fotos do meu pai. — Você viu quem era? Conheciam os caras? - balancei a cabeça que não. Eu nunca se quer tinha visto aqueles caras na minha vida.
— Você acha que foi meu pai? – perguntei, tendo certeza que foi meu pai.
— Eu não sei. - ele disse, indo até o cofre e observando a porta dele. — Não foi arrombado. Como ele saberia o lugar e a senha? - estava mais confuso que eu. — não deu as caras? - neguei com a cabeça. Havia três dias que ele não dava notícias. e estavam realmente preocupados e eu também estava começando a ficar.

A noite caiu e eu não conseguia dormir. Devia tomar a droga dos comprimidos outra vez. Me levanto da cama, olhando as horas, 2h00 da manhã e eu ainda não tinha pregado o olho. Provavelmente uma ducha quente vai criar a magia do sono. Vou até o banheiro e arranco minhas roupas entrando debaixo do chuveiro em seguida.
Assim que saio do banho, coloco uma blusa que vai até um pouco abaixo da minha calcinha. Meus olhos caiam de sono. Porcaria de insulina, estou completamente exausta, mas não consigo dormir.
Deito-me na cama e assim que fecho os olhos ouço um pequeno barulho que para na mesma hora. Eu ia jurar que ouvi algo. Acho que estou começando a enlouquecer. Fechei meus olhos e novamente ouvi o barulho. Levantei, indo até a porta do quarto. No escuro consegui ver se segurando na parede do corretor.
— Ai meu Deus, está ferido. Vou chamar uma ambulância. - disse rapidamente assim que me aproximei dele, mas com medo de tocá-lo.
— Não. - ele disse fraco. — Sem ambulância, só me ajude a ir para o quarto. - disse com a voz falha. Lentamente, coloquei meu braço em volta da sua cintura e ele apoiou o seu no meu ombro. Ele mancava a cada passo que dávamos.
— Está mesmo mal. Você precisa de um médico. - disse para ele assim que o ajudei a sentar na cama.
— Devo ter uma ou duas costelas quebradas, não vai me matar. Mas dói pra caralho. - ele diz enquanto acendo a luz de seu quarto e volto para tirar seu casaco. Seu rosto estava roxo, com sangue seco. Vou ajudá-lo primeiro e fazer perguntas depois.
— Sua cabeça está sangrando, parece profundo. - digo e vou até o banheiro, procurando alguma coisa que eu possa desinfetar as feridas.
— Debaixo da pia. - ouço dizer. Me ajoelho e vejo uma maleta branca e pequena. Assim que pego, volto para o quarto e deixo-a em cima da cômoda. estava apoiado com um braço na cama e o outro em cima da costela.
— É capaz de arder bastante. - digo quando coloco o líquido no algodão. Passo lentamente na sua testa, limpando-a. Nunca havia feito sequer um curativo, nem os meus, eu ia sempre ao hospital.
Percebo que me olha, mas não desviei meu olhar do ferimento. Eu poderia ouvir os batimentos do meu coração rápidos agora. Engoli em seco. Eu realmente estava ficando envergonhada do jeito que ele me olhava.
— Pronto, pelo menos não vai piorar. - eu acho.
— Obrigado. - ele diz abaixando a cabeça. Olho para a maleta e encontro um analgésico paracetamol. Pego ele e leio no vidro “administrar em casos de dor intensa. Tomar outro em 24 horas.”
— Tome, isto vai te fazer bem. – digo, entregando comprimento.
— O que é?
— É um analgésico. Ajuda a diminuir a dor. - ele pega o comprimido e coloca na boca sem precisar de água. Quando vou guardar o vidro, pega da minha mão, abrindo a tampa.
— Aí diz que tem que tomar outro daqui 24 horas. Não me parece boa ideia ultrapassar a dose. - ele não me ouve e engole mais um.
— Não posso esperar. – diz, colocando o vidro de qualquer jeito na caixa. — Vou tomar um banho.
— OK, eu te ajudo. – digo, o ajudando a se levantar. Assim que chegamos na porta do banheiro eu paro, o soltando, e ele continua andando.— Eu vou esperar aqui na porta, se precisar de alguma coisa é só dizer. - ele deixa a porta entreaberta e eu consigo ver pela brecha da porta ele tirando a blusa com dificuldade. Suspiro e fecho os olhos, depois de um tempo ouço a água do chuveiro caindo. Vou até a cama e me sento nela. O sono estava quase batendo. Só porque agora não posso dormir.
O que será que havia acontecido com ele? Será que foi Josh a pedido do meu pai? Esses tipos de pensamentos rondam na minha cabeça e eu nem percebo que a água do chuveiro parar de cair. Depois de um tempo a porta do banheiro é aberta. Ele diz algo que eu não consigo escutar porque estou em transe olhando para sua toalha enrolada em seu quadril.
— Me ouviu? - ele diz assim que dá um passo à frente. Eu pisco um pouco e levanto meu olhar até ele.
— Ahn?
— Eu disse obrigado por ter ficado. Já estou um pouco melhor. - eu me levanto e ele vai até o closet buscar uma roupa limpa.
— Ok, eu vou para o quarto. - saio fechando a porta. Volto para meu quarto e deito na cama. Minhas pupilas caem e quando finalmente durmo ouço um barulho. Acordo assustada e rapidamente me levanto, indo até o quarto de .
— Ô meu Deus. - digo assim que o vejo desmaiado no chão ao lado da cama. Ele usava apenas uma calça de moletom cinza, enquanto na sua mão ele segurava uma blusa de manga curta.
Olho perdida para ele caído diante de mim. Tem que haver alguma coisa que eu possa fazer. Me agacho ao seu lado e toco seu rosto, ele realmente estava apagado. Me levanto, colocando uma perna de cada lado do seu quadril e pego seus braços tentando levantá-lo até ficar a altura da cama. Como ele é pesado!
Coloco ele deitado na cama e apoio sua cabeça no travesseiro.
? , consegue me ouvir? – digo, afastando seus cabelos da testa. Ele parece acordar um pouco. Mas apaga novamente. Dou a volta na cama e sento ao seu lado, pensando em esperar ele acordar. Tomara que não demore.
O sono bate e eu começo a cambalear para os lados. Olho no relógio da cabeceira que marca 3h20 da manhã. Quando passa um minuto, eu caio de uma vez na cama e durmo.

— Ai. - ouço. Abro os olhos rapidamente e vejo se sentando na cama. Ele geme de dor por causa das costelas.
— Como está se sentindo? – pergunto, me sentando na cama e bocejando em seguida.
— Já estive melhor. Estive inconsciente muito tempo? - ele pergunta e eu olho para o relógio.
— Umas 2 horas. – digo, coçando os olhos e me levantando. — Eu vou para o quarto.
— Megan. - ele diz e eu viro olhando para ele.
— Obrigado. - dou um pequeno sorriso e fecho a porta. Hora de dormir.

Acordo ainda com sono, me rastejando até o banheiro. Tomo uma ducha e me troco. Assim que sento na cama e pego meu celular, me lembro de . Levanto, largando meu celular em qualquer lugar e vou até seu quarto. Paro de frente a sua porta e então bato, escutando um “entre” em seguida. Giro a maçaneta lentamente e entro, dando de cara com sentado no chão com várias papeladas em sua volta. O quarto estava bem claro, as cortinas das janelas estavam todas abertas, até as da sacada.
— Está tudo bem? - pergunto indo até ele.
— Tá, eu só estou conferindo umas coisas. - Diz sem olhar para mim. Me pergunto como ele conseguiu sentar no chão com as costelas ruins. Me inclino e sento ao seu lado, o fazendo me olhar confuso.
— Tenho que contar algo. - Vejo as pupilas de seus olhos vidradas no meu rosto. A cor um pouco verdes em volta era um paraíso.
— Diga. - ele diz me tirando do transe, o lado esquerdo da sua bochecha estava um pouco roxa e havia um pequeno machucado em sua testa.
— Uns caras vieram aqui e abriram um cofre que estava na estante do seu escritório.
— Eu sei. - ele diz, voltando a sua tensão nas papeladas.
— Achei até que foi meu pai.
— Não foi. - olho para os papéis e depois em volta do quarto. Este costumava a ser o quarto dos meus pais. Era o maior de todos, por mais que os outros também fossem grandes esse daqui era mais. Tinha dois closets e o banheiro era o único que tinha uma jacuzzi.
sabe que você está de volta? Ele estava muito preocupado.
— Não tenho mais celular. – responde, mexendo nos papéis.
— O que são tudo isso? - pergunto e ele me olha. — Eu só quero fazer alguma coisa. Não é a toa que estou passando uns dias aqui. Eu preciso saber de algo. - digo tristonha e desanimada. não diz nada, apenas olha para mim. Como se estivesse pensando ou sei lá, mas ele apenas olha em meus olhos como eu estava olhando para os dele. Um frio na barriga passou como se borboletas voavam pelo meu estômago. Ele desvia o olhar rapidamente para novamente dar atenção nos papéis.
— Alguns documentos. - ele responde. Engoli em seco e vi que sua testa sangrava, ele também havia percebido. Me levantei e peguei a maleta que continuava ao lado da cama. Peguei um algodão, água boricada e um tecido pequeno. Voltei até ele e molhei o algodão com a água, passando em seguida em sua testa. Ele não hesitou, apenas ficou parado. Quando ele molhou os lábios com a língua quando me olhou, passei a sentir um pouco de calor, eu não sabia se olhava para seus olhos, sua boca ou para o machucado. Eu estava sentada de joelhos de frente para ele, não estava tão alta que ele, pois nossos rostos estavam de frente para o outro. Sua mão pousou na minha coxa exposta pela camisa grande e meu coração acelerava cada vez mais, o desespero me consumia junto com o prazer. Sua mão passou a dar carinhos pela minha perna e ele tocou meus cabelos, os colocando atrás da minha orelha com delicadeza. Eu estava parada igual uma estátua enquanto segurava o algodão úmido em sua testa.
puxou minha cabeça para mais perto e eu pude sentir sua respiração bem próxima. Eu não piscava, eu não respirava e não me mexia. Ele se aproximou e finalmente seus lábios colaram nos meus.
O beijo era calmo, lento, molhado e ardentemente sensual. Soltei o algodão e deixei minha timidez de fora, passando minha mão atrás da sua nuca devagar e carinhosamente. Sua língua mergulhou em minha boca e ele segurou firme suas duas mãos em minha cintura, fazendo-me sentar devagar em cima dele. Suas mãos foram de encontro nas minhas costas e lentamente foi indo para baixo da minha blusa, acariciando, passando pela lombar até minhas nádegas enquanto as minhas estavam enlaçadas nos seus cabelos. Senti alguns papéis nos dedos dos pés, mas não dei importância, eu queria realmente sentir mais daquele beijo.
Desci minhas mãos pelos seus ombros e passei pelo peito e depois pela barriga, puxando sua camisa para cima com calma. Eu não queria machucá-lo.
Assim que sua camisa saiu por inteiro e eu joguei no chão em qualquer lugar, nossos olhos se encontraram. Um frio na barriga novamente voltou quando estávamos nos olhando, apenas um encarando as pupilas do outro. Ele era tão lindo, eu nunca tinha reparado tão bem quanto hoje.
Ele foi se aproximando e novamente seus lábios se encostaram nos meus. Lentamente seus beijos foram fazendo caminho até o meu pescoço. Levantei a cabeça com os olhos fechados e puxei os cabelos da nuca dele. arrancou minha blusa e me deitou no chão lentamente, em cima dos papéis. Começamos a nos beijar antes mesmo dele descer a mão até a minha calcinha e depois subir até meus seios expostos, percebendo que eu estava sem o sutiã.
— Aí. - ele diz com uma careta fofa assim que minha mão passa em algum machucado de seu corpo.
— É melhor não. – digo, o afastando de leve e me levantando, pegando minha blusa. Praticamente corri para o meu quarto, trancando a porta. Apesar de querer estar com entre os lençóis, eu realmente deveria manter distância entre nós. Não tive tempo suficiente para me convencer de que não deveria me conectar emocionalmente a ele.
Fiquei parada no meio do quarto, olhando para qualquer lugar, pois meus pensamentos estavam longos. Coloquei um sutiã, uma outra blusa e um shorts, e sem perceber o que estava fazendo, comecei a caminhar pelo corredor às cegas. Desci as escadas e fui até o jardim, sentando no gramado verde e cortado. Olhei para a cerca que estava a pequenos metros de mim.
O que pensa que está fazendo, ?.
Perguntei para mim mesma, cobrindo minhas mãos no rosto.
Ouço um barulho vindo da frente da casa. Se for 1 da tarde, deveria ser , era a hora que ele vinha para cá. Ele não saberia que estava no jardim então me levanto e entro na casa. Assim que apareço na sala, já estava na ponta da escada indo para o corredor no andar de cima. Quando começo a subir ouço ele.
? - silêncio. — Onde você esteve cara? - Ando em passos lentos pelo corredor e paro ao lado da porta encostada na parede para ouvir a conversa. — O que aconteceu com você? - pergunta preocupado e confuso.
— Pither. - Ele diz com a voz de dor.
— O que aquele desgraçado fez?
— Me torturou por causa das fotos. O desgraçado está trabalhando para o prefeito. - Na conversa que ouvi deles lá em casa durante a festa de natal. Em troca das fotos meu pai dava o para Pither, mas ele não estava mais preso, como que ainda faziam um acordo?
— Por isso a me ligou avisando que uns caras vieram aqui e reviraram seu escritório. - novamente silêncio.
— A qualquer momento o prefeito pode vim aqui querendo me matar. Ele já tem as fotos, não há mais nada para ele temer e vim aqui. - disse. Olhei para dentro do quarto e os dois não podiam me ver. Corri para o quarto que estava e tranquei novamente a porta sem fazer nenhum barulho. Fui até o guarda roupa e troquei de roupa. Hoje eu não iria ficar dentro dessa casa mais uma vez fazendo nada.



Capítulo 16


“Tudo vai ficar bem. Pego as fotos e então eu dou o fora”, digo para mim mesma quando entro na boate. Nem e nem sabiam onde eu estava, havia me trocado, pegado a minha arma e saído escondida da casa sem ninguém me ver. Acabei pegando um táxi, pois nem carro eu tinha e segui até Miami Beach para a boate de Pither. Tive que pesquisar muito antes para ver qual era e onde ele estaria.
Eu não tenho nada contra eletrônica e até gosto, mas realmente a música estava muita alta.
Comecei a andar em volta para ver se encontrava meu alvo, mas nada.
Acabei achando o garçom, ele provavelmente vai saber onde posso encontrar o Pither. Ando no meio das pessoas eufóricas até o balcão onde ele colocava bebida no copo de uma pessoa.
— Estou procurando por Pither. Pither Mendes! - praticamente grito por causa da música.
— O quê?! - ele grita de volta. Me encosto no balcão quase ficando em cima dele.
— Pither Mendes! Você o conhece?
— Claro, ele é o chefe! Ele está ali! - aponta para o seu lado esquerdo. — Na área VIP!
— Ok! Obrigada! – digo, saindo e me esquivando das pessoas à frente. Quando me aproximo, vejo um segurança em frente à entrada da área VIP. Aproximo dele e falo em sua orelha para me escutar melhor.
— Eu preciso falar com o Pither.
— Não vai ser possível. - ele me responde. — Sr. Mendes pediu para não ser incomodado. - Olho para Pither, que está sentado no grande sofá de couro e suspiro, me afastando um pouco. Droga.
Vejo Pither chamar o segurança e ele vai até seu chefe e depois volta indo a uma garota sexy que dançava em um cubo de azulejo fora da área VIP.
Não quer ser incomodado por mim, mas quer por ela.
A garota desce e entra na área VIP, sentando-se ao lado de Pither. Eu tinha que achar um jeito de falar com ele. Talvez poderia chamar sua atenção.
Dei meia volta e fui até o banheiro feminino. Deixei minha bolsa de mão em cima da pia e me olhei no espelho.
— Hora de ficar sexy, . - digo para mim mesma. Chacoalho um pouco os cabelos e rasgo minha saia que é um pouco acima do joelho até o meio das minhas coxas. Me viro de costas para o espelho para ver como ficou. Um pouco torto, mas estava sexy, era o que importava. Abro um botão da minha camisa e ajeito meus seios no sutiã. Abro minha bolsa e pego meu batom o deixando mais forte do que estava em meus lábios. Me olho novamente no espelho.
— Vamos ver se você pode resistir a mim. - digo a mim mesma.
Respiro fundo e dou uma última olhada na minha bolsa. A arma continuava lá.
— Ok, hora do show. Agora sim ele vai me notar. - Sai do banheiro e fui em frente a área VIP. O cubo em frente estava sem ninguém então eu subi e comecei a dançar bem na hora que a música foi trocada por uma bem sexy e lenta.
Observei de cima a garota apoiada nos ombros de Pither e ele passando as mãos em sua coxa. Enquanto dançava passei as mãos em meus cabelos e depois passei em meu quadril, o movimentando de um lado para o outro. Percebi seu olhar e me virei de costas, indo até o chão e voltando.
— Ei, você! - me virei rapidamente, um pouco assustada e percebi que o segurança me chamava. Na mosca.
Desço do cubo e vou até ele.
— Hoje é seu dia de sorte, querida. O chefe quer convidá-la para sua mesa. - e me dá um espaço para eu entrar. Meio nervosa, entro e fico na frente de Pither que já tinha dispensado a garota que estava ao seu lado. Será que ele lembrava de mim, na vez que derrubei a bebida de propósito em seu paletó?
— Obrigado por aceitar meu convite. - ele se levanta e toca nas minhas costas, me guiando até o sofá. — Você é nova por aqui? Eu queria ter te notado antes. - ele senta ao meu lado. — Meu nome é Pither, e o seu? - O tarado pergunta. Não iria mentir. Ele tinha que saber quem sou eu.
.
— Gosto da maneira como você dança, Megan. Estava me deixando animado.
— Eu poderia dançar para você em um lugar... Privado? - digo com os lábios perto de sua orelha. Eu parecia solta por fora, mas por dentro eu vibrava de medo.
— Claro, gata. Venha comigo. - ele levanta e anda pela área VIP. Sigo ele, mas sinto minhas pernas gritarem pedindo para eu parar.
Ele sobe umas escadas e eu vou atrás. Eu não estou tendo um bom pressentimento sobre isso. Ninguém sabe que estou aqui. Merda! Eu estou cometendo o pior erro da minha vida.
“Tudo vai ficar bem”, digo para mim mesma. “Tudo vai ficar bem”, repito, respirando e inspirando. É só eu fazê-lo falar com a arma e sair antes que alguém me pegue. Falar é fácil, quero ver fazer.
Entramos em uma sala.
— Bem vinda ao meu pequeno reino! - era seu escritório, não era nada pequeno e sim enorme. Tinha um sofá L em um canto da sala e no outro, uma mesa de madeira com papéis em cima com um notebook. Esqueci de mencionar que tinha um aquário gigante com vários peixes dentro. Antes de perceber, Pither ligou o som onde começou a tocar uma música lenta.
— Vou pegar isso. - ele diz, pegando minha bolsa e jogando de qualquer jeito em uma das cadeira em frente à mesa. — Pesada hein. – diz, colocando as mãos em minhas costas me guiando para o sofá. Mas dessa vez não sentei.— Agora me mostre o que você sabe fazer. Tire tudo, bebê. - ele diz, sentando e apoiando seus braços abertos em cima do sofá.
— Poderíamos... Nós poderíamos tomar uma bebida? - minhas mãos estavam começando a suar. — Você sabe apenas um pouco de bebida para quebrar o gelo?
— Nós já quebramos o gelo, agora vamos ficar molhados. - engoli seco. — Vamos lá, garota. Faça algo.
— Hm, podemos apenas falar primeiro?
— Aw, não. Nós não precisamos falar mais nada, bebê. - ele abre os braços. - Estão todos falando lá fora agora, me mostre o que você pode fazer.
— Desculpe, mas eu acho que houve algum pequeno engano. Eu posso ir sem danos causados? – digo, dando um passo para trás. — Outra hora talvez. - digo me tremendo toda. Ele abre seu paletó e saca uma arma.
— Eu acho que é você que teve um mal entendido. - ele disse apontando a arma para mim. — Estou farto de perder tempo. É agora ou nunca e eu nunca aceitei um nunca como resposta. - Com a outra mão ele faz um sinal para eu me aproximar. — Tire tudo. - manda. Bem devagar, comecei a desabotoar a minha camisa. Se ele me tocar, vomito!
Ele me olhava enquanto ainda desabotoava a blusa.
Faz o que for preciso, . Ganhe tempo…
Ele apontou novamente a arma para mim quando percebeu que estava enrolando. Engoli a saliva e tirei minha blusa, jogando ela devagar no chão. Podia pedir ajuda, mas duvido que alguém vá ajudar a pequena , não é?
E se lhe disser que sou lésbica? Hm, não é altura para brincadeiras.
Ele se ajeitou no sofá e eu com medo comecei a abrir o zíper do canto da minha saia. A minha bolsa de mão estava muito longe, não dava pra pegar a arma. Tenho que pensar em outra solução.
Minha saia escorrega nas minhas pernas.
Podia tentar atacá-lo, apontar para a garganta... Nem pense nisso, ele é muito forte, não tinha hipótese. Ele vê que eu demoro para fazer algo e aponta novamente a arma para mim. Fecho meus olhos e tiro meu sutiã e quando eu os abro novamente ele faz sinal com a mão para eu me aproximar mais ainda. E assim eu faço, um pequeno passo.
Havia um abajur atrás de mim. Se ao menos eu arranjasse uma forma de pegá-lo.
Pensei em algo.
Comecei a rebolar mais solta. Passei minhas mãos no quadril até os meus cabelos e pisquei para ele, me virando de costas ainda rebolando conforme a música. Ele pareceu cair. Me inclinei para frente e coloquei minhas mãos nos joelhos, rebolando o bumbum e vi que ele sentou-se mais para frente do sofá.
— Oh, minha coisinha linda! - ele disse, olhando para as minhas nádegas. O abajur estava na minha frente e eu só precisava ser rápida. Olhei novamente para ele e percebi que havia largado a arma ao lado para me observar.
Era a minha chance.
Peguei rapidamente o abajur e bati em sua cabeça. O mesmo gritou de dor na hora e caiu no sofá desacordado.
“Isso que eu chamo de pancada. Aí sim, garota!”, digo para mim mesma feliz. Me visto rapidamente e pego uma cadeira e coloco ao lado do sofá. Meu Deus, vai ser difícil colocá-lo sentado ali.
Depois de um tempo, na quinta tentativa, consigo.
— Essa música está me irritando. – Digo, indo até o som e desligando o aparelho. Procuro algo nas gavetas na mesa para prendê-lo entre a cadeira e acabo achando uma fita adesiva. Ótimo. Prendi seus braços entre o braço da cadeira e suas pernas. Assim que faço, olho à minha obra e começo a rir descontroladamente. Eu nem acreditava que estava fazendo isso. Eu realmente estava feliz, por enquanto.
Espero ele acordar, mas desisto rapidamente e bato com força na sua cara, mas o infeliz não acorda, vou até a minha bolsa, pego minha arma e bato novamente na cara dele com mais força.
Faço uma careta quando ouço ele gritar de dor.
Megan, não é hora de sentir dó.
Ele acorda e olha para seus braços e vê que está amarrado, então começa a se chacoalhar. — Se você gritar, eu te mato, entendeu? – digo, apontando a arma para ele. Ele cospe o sangue pro lado. Seria nojento ele cuspir em mim.
— O que você quer?
— Onde estão as fotos? - pergunto rapidamente, sem enrolação.
— Não sei do que está falando. - dou um soco em sua cara que parece que a dor foi mais em mim do que nele.
— Ah! Sua vadia. Eu vou te matar. - ele diz alto e eu aponto o revólver no meio de sua testa. — Você não tem balas. - Ele diz completamente certo. Minhas balas haviam acabado quando estava treinando. Eu abaixo o revólver na mesma hora e o observo.
— Patrão, está tudo bem? - ouço uma voz na porta e aponto novamente a arma para o seu rosto. Ouço batidas na porta. Droga.
— Eu posso não ter balas, mas você sim. – digo, apontando para sua arma em cima do sofá. Ouço mais batidas e meu coração acelera.
Pensa, . Olho para todos os cantos e depois olho para ele. Tampo seus olhos e começo a gemer alto para que o segurança pudesse ouvir. Pither dá um pequeno sorriso ouvindo a minha interpretação.
Depois um tempo, paro, percebendo que ele já havia ido embora.
— Eu posso não ter balas, mas você tem bolas. – Digo, me ajoelhando e apertando com a mão as bolas do seu saco.
— O que você está fazendo!? Pare... Pare. - gritou de dor.
— Eu estou só começando. – disse, apertando minhas mãos.
— Desgraçada!
— Pode me xingar à vontade.
— Eu lembro de você. Estava naquela maldita festa do prefeito.
— Que boa memória. - digo. — Me diz, onde estão as fotos? - ele ri.
não está mais com a vadia daquela loira?
— Infelizmente sim. A vadia ainda está lá.
— Você é alguma amante dele? - continua rindo.
— Eu sou a pessoa que vai cortar seu pau fora. Onde estão as fotos?! – digo, apertando minha mão.
— Há uma pasta ali em baixo da mesa. Está ali! - ele diz e eu levanto, indo até a mesa e pegando a pasta. Abro ela e vejo o pacote branco.
— Não foi tão difícil, foi? - perguntei irônica, percebendo que ele tentava se soltar. Abri o pacote e me deparei com um pen drive.
— Se essa merda fosse minha não seria tão fácil para você.
— Será? – disse, pegando a minha bolsa e guardando minha arma e o pen drive. Também peguei a arma de Pither, colocando dentro da minha saia cobrindo-a com a blusa.
— Eu vou acabar com você. - ele diz com raiva. Eu me arrepio.
— Como eu acabei com o Mika primeiro? - disse olhando para ele. Era mentira, mas ele não sabia, não é mesmo?
— Você?! – perguntou, confuso e pensativo.
— Aquele desgraçado fez da minha vida um inferno. - ele ainda pensava.
— Me diga seu sobrenome.
— Hora, hora, você deveria já saber, pois está trabalhando para o meu pai. – digo, me gabando. — E é claro que você não iria querer nem sonhar em tocar em mim. Aliás, meu pai está muito mais acima que você.
— A garotinha do papai, jogando contra ele. Deixa só ele saber disso. A nova vadia do . - assim que ele diz dou um tapa em sua cara. Minha mão começa a arder, mas eu não me importo. Eu só não matava ele ali, porque tinha medo de ser presa. Olha a velha de volta ai.
— Adeus. – digo, saindo de lá o mais rápido possível.

(***)


Eu não volto para casa de . Não tinha mais nada para fazer lá, pois eu já tinha tudo que precisava. Peguei um taxi e ele me levou à um hotel de estrada. Assim que ele parou de frente o lugar, paguei o motorista e fui até a cabine para me hospedar. Vejo que está vazio e tem apenas uma pequena tv ligada. Em cima do balcão tinha um sino onde eu rapidamente toco.
— Olá, querida, o que é que eu posso fazer por você? - aparece um cara barbudo, limpando as mãos em um pano.
— Queria um quarto. - respondo.
— Por você, tudo! - ele diz, parando em frente o balcão e pegando um caderno e uma caneta. — É só preencher o registro. - pego a caneta da sua mão e anoto meu nome, sobrenome e minha idade. Era o que pedia ali.
... 18 anos… Solteira? - ele lê e pergunta ao mesmo tempo. Mas não respondo. — Quanto tempo vai ficar aqui, menina ?
— Ainda não sei. - digo. Ele vira de costas e em um armário pega uma chave pendurada.
— Quarto 23. Penúltima porta. – diz, me entregando a chave com um sorriso safado no rosto.
— Obrigada. – digo, pegando rapidamente a chave se sua mão e andando em direção a porta.
— Prazer foi todo meu. - ouço ele dizer. Espero que aquele recepcionista nojento não tenha outra chave do quarto. Só de pensar nisso tenho até arrepios.
Entro no quarto e olho em volta. Uma cama de casal no meio, em frente, uma cômoda que em cima tinha uma televisão pequena. Reparei em um quadro de uma paisagem na parede em cima da cama, ainda por cima, torto, e uma porta ao lado. Suspirei entediada e fechei a porta, colocando minha bolsa em cima da cômoda, junto com a arma em minha cintura. Tirei meus saltos altos e peguei meu celular de dentro da bolsa. 1 mensagem de texto e outra de voz que havia acabado de chegar. Comecei por ouvir primeiro a mensagem de voz. Coloquei o celular no ouvido e esperei.
“Se você pensa que está segura com esses fracotes, que se dizem profissionais, está muito enganada.” Ouço meu pai. Então Pither já tinha falado com ele. Ouço mais uma vez e assim que termino penso em ligar para ele. Mas desisti na mesma hora, deixando meu celular de lado. Mas acabo pegando novamente e ligando para ele.
— Sei sobre as fotos. Eu sei de tudo. - digo assim que ouço ele atendendo.
— O que você viu, não é o que parece. E nós não vamos discutir isso.
— Então parece o que? - pergunto. — Pai, eu preciso de explicações. Por que fez aquilo?
. Venha para cá e nós conversaremos calmamente sobre isso.
— Está sendo um pouco difícil confiar em você ultimamente.
— Eu sei, mas tudo que eu fiz foi pra proteger a nossa família.
— Até homicídio?
— Mas é claro que não. Eu juro pra você.
— Então por que matou ela?
— A mãe dele usava drogas. Eu encontrei ela em overdose. Eu entrei em pânico. - a ligação estava começando a falhar.
— A mãe de quem? Por que não pediu ajuda? Pai!
— Eu sinto muito, minha querida. - e a ligação caiu.
— Droga. - digo alto, quase jogando meu celular contra a parede, mas ele começou a tocar e dessa vez não era meu pai.
— Oi, onde você está? - pergunta calmo por trás do telefone.
— Eu to em um lugar. - não queria que ele descobrisse onde eu estava. Não quero distrações.
— Você não avisou nem para o aonde ia.
— Eu não estou mais sequestrada. Então posso fazer o que quiser. - digo grossa, mas me arrependo. é uma pessoa legal, não há motivo de eu tratar ele assim. — Desculpa.
— Está segura pelo menos? - perguntou. Mas nem eu sabia a resposta.
— Eu não sei mais.
, o que você fez? – suspirei, decidida a contar.
— Fui atrás do Pither. - disse rapidamente, mas já podia ouvir xingando. — Não fica bravo!
— Como não ficar bravo? Onde você está?!
— Eu quero ficar sozinha. Obrigada pela hospedagem, mas eu já tenho tudo que preciso. - e desliguei. Ele ia descobrir rapidinho o que fui fazer atrás de Pither. Agora que tenho as fotos não precisava da ajuda de ninguém.

Eu estava completamente confusa. Não sabia se acreditava ou não que meu pai matou a minha mãe. A mãe de quem usava drogas? Várias perguntas rondavam pela minha cabeça me fazendo entrar em desespero. Era outro dia e eu ainda não tinha coragem de pegar naquele pen drive. Sai do quarto e fui até a recepção, encontrando o mesmo cara que me atendeu ontem sentado de pernas para cima assistindo algo na tv.
— Sabe onde encontro um lugar para comer aqui? - pergunto e ele parece não gostar quando o atrapalho.
— Daqui 2 km fica a cidade. - ele diz, voltando em seguida prestar atenção na tela que chiava. – bufei, olhando em volta e não encontrando nada. Absolutamente nada.
— Sabe como posso estar indo para lá? - me viro.
— Andando? - ele diz como se fosse óbvio. Parece que ele não estava mais interessado em mim.
— Tem algum carro para alugar? - ele ri e se levanta da cadeira.
— Minha querida, eu não alugo carro, só quartos.
— Nem por 200 dólares? – pergunto, pegando o dinheiro no meio dos meus seios, já que eu não tinha bolso. Continuava com a roupa de ontem e eu agradecia por estar fazendo calor.
O cara me olha pensativo e pega embaixo do balcão uma chave.
— A caminhonete está aqui atrás. Não demore. - ele disse, me entregando a chave. Peguei ela rapidamente e sai com um sorriso no rosto. Era uma caminhonete caindo aos pedaços, mas pelo menos eu não iria a pé com a barriga roncando.
Subi nela e sentei no banco. O que eu faria agora? Ligar, óbvio.
Girei a chave e na primeira e segunda tentativa a caminhonete morreu, na segunda o motor rugiu. Tá bom. Eu admito. Eu não sei dirigir.

Voltei já no fim de tarde. A cada metro que eu dava com o carro ele desligava. Não me julgue, nem carteira de motorista eu tinha. Mas pelo menos eu havia conseguido ir e voltar, e voltei com uma sacola de roupas e outra com alguns lanches. Devolvi a chave para o dono e subi para o meu quarto. Comi vagarosamente e depois de um tempo tomei um banho. Me troquei e assim que coloquei a toalha na minha cabeça para secar meus cabelos, bateram na porta.
O que aquele cara queria? Eu nem sequer arranhei aquela lata velha.
Abri a porta e pela minha surpresa não era o cara da recepção.
— Como conseguiu me encontrar? - pergunto curiosa e nem um pouco assustada.
rastreou seu celular. Você ficou doida quando foi procurar pelo Pither? - ele diz, entrando no quarto mancando com uma mão na costela, sem ao menos perguntar se podia entrar. Olhei para fora para ver se estava acompanhado, mas ele tinha vindo sozinho.
— Era a única coisa que eu podia fazer. Você não me deu as fotos antes e ainda deu pra outra pessoa. Eu peguei de volta. – disse, fechando a porta.
— Você sabe que podia ter morrido, não sabe? - balancei a cabeça que sim. Afinal, o que poderia vir de pior do que a morte? Eu já havia me fudido várias vezes, mais um pouco não era nada. passou a mão pelos cabelos e depois olhou em cima da cômoda.
— Onde arranjou isso? – perguntou, se referindo ao segundo revolver que não era dele.
— É do Pither. - ele arregalou os olhos e depois me olhou. Antes mesmo dele fazer uma pergunta, eu já me adiantei. — Peguei as fotos e sua arma.
— Como? – perguntou, ainda querendo mais.
— Eu bati nele com um abajur e o amarei, fazendo-me contar. - eu não estava me exibindo enquanto contava, ao contrário, estava envergonhada. A expressão de ainda era confusa e surpresa. Tirei a toalha da minha cabeça, sacudindo o cabelo e me sentei na cama para contar passo a passo, e quando terminei, ele começou a rir.
— Eu queria ter visto a cara dele.
— Foi até que engraçado. – disse, soltando um pequeno sorriso. Na hora estava tenso, mas realmente foi engraçado amedrontar o “chefão” de Beach.
parou de rir e me olhou sério.
— Não faça nunca mais isso. - eu queria levantar daquela cama e gritar com ele dizendo que ele não mandava na minha vida e que eu sei muito bem me cuidar sozinha, mas eu não disse nada. E é claro que eu não seria louca de fazer novamente. Mas como Pither havia me dito naquela hora. Já que a coisa não era dele, ele me deixaria sair impune. Dessa vez.
— Ouviu bem? - perguntou, me fazendo sair dos meus pensamentos.
— Ouvi. - disse desanimada. Ele estava perto demais, na verdade nós estávamos perto demais, sentados um ao lado do outro. — Se eu te disser que meu pai negou tudo você acreditaria? - ele riu, balançando a cabeça.
— E você acredita nele? - perguntou me olhando, levantando uma de suas sobrancelhas.
— Eu ainda não vi as fotos. - olhei para as minhas mãos. Eu não sabia se queria ver, eu tinha medo da minha reação depois. levantou e foi direto para onde o pen drive estava, pegou e voltou a sentar do meu lado. — Eu não sei se eu quero ver.
— Então como vai saber se seu pai realmente é um assassino? - assim que ele disse a palavra assassino, estremeci inteira. — Onde tem um computador?
— Eu não sei, talvez na recepção. - mal terminei de falar e foi levantando e abrindo a porta do quarto. — Não vai vim? - novamente estremeci, mas levantei decidida a acabar com todo aquele mistério. A noite já havia caído, e como sempre o lugar em volta estava vazio e abandonado. Poucos carros passavam pela aquela estrada.
Entramos na recepção e o homem estava sentado na cadeira dormindo, com os pés em cima do balcão e a tv ligada. pega o caderno de anotações de clientes e joga no chão, fazendo um grande barulho.
— Ei, cara, ta maluco? - o cara disse assustado.
— Tem algum computador ai?
— Não. - ele responde super seguro na sua resposta. Há uma porta atrás dele, em nossa frente e nela vejo muitos papéis jogados no chão, uma mesinha de madeira, e um notebook em cima dela. Cutuco e aponto para a sala, ele segue meu dedo e depois olha para o cara que também olha onde olhamos.
— Grande mentiroso. - diz, dando a volta no balcão e entrando. Faço o mesmo.
— Ei, vocês não podem entrar ai. - o cara se levanta e vem atrás, mas é mais rápido e saca sua arma, fazendo eu e o cara se assustar.
— Tem certeza? - ele não esperou por respostas e foi até o notebook, conectar o pen drive.
— Senta aqui. - ele disse, me dando espaço para sentar na cadeira em frente. Sentei, sentindo meu coração bater cada vez mais rápido. Abri a pasta e comecei a ver as fotos, fui olhando uma por uma. Realmente mostrava meu pai cavando um buraco, na outra foto puxando um saco com obviamente um corpo dentro, na outra olhando para os lados e na outra enterrando o corpo. Mas o que eu não havia reparado era na data que estava mostrando na observação.
28/07/2012, onde eu tinha ainda 13 anos de idade e minha mãe havia morrido um ano depois.
— Não pode ser ela. - eu dizia para mim mesma. — A data não combina. Não é a minha mãe. - disse nem feliz e nem triste.
— Claro que não é a sua mãe. É a minha. - e então tudo fazia sentido. Toda a sua raiva e vingança pelo meu pai. — Durante todo esse tempo achou que seu pai havia matado a sua mãe? - fiz que sim com a cabeça. — E ele não te disse nada?
— Ele disse que ela - sacudi as fotos. — morreu em overdose. - ele balançou a cabeça que sim.
— Minha mãe usava drogas por causa dele. Mas não foi assim que ela morreu.
— O que sua mãe era do meu pai? - perguntei com medo da resposta. Olhei para ele enquanto o mesmo se apoiava de costas para a mesa.
— Eles eram casados. Seu pai traia a minha mãe e nem a sua e nem a minha sabiam. Ele levava duas vidas totalmente diferentes. Uma, ele vivia na riqueza pensando em ser político da merda daquela cidadezinha e na outra, não conseguia sustentar ninguém na casa. Imagina em qual você vivia? - Ele perguntou. Eu já sabia a resposta e não queria pensar na possibilidade de sermos irmãos. — Não somos irmãos. - ele disse, lendo meu pensamento. — Minha mãe encontrou seu pai com os meus cinco anos de idade. - ele começou. — Os dois se juntaram e ele começou a morar na mesma casa em que vivíamos antes dela o conhecer. Passou 1 ano e ele começou a agir estranho, não dormia em casa e mal ia para lá. 4 anos se passaram e finalmente resolvi seguir seu pai e acabei descobrindo que ele tinha outra mulher e uma filha que já tinha 4 anos de idade. - Eu. — Resolvi não contar para a minha mãe porque eu não queria que ela sofresse. Então isso foi acontecendo até eu ter 17 anos, sim, são muitos anos. Ela acabou descobrindo e começou a se drogar. Em uma noite seu pai chegou no meio da madrugada depois de 4 meses sem aparecer e eu acordei ouvindo os dois brigando. Minha mãe falava que havia descoberto sobre a outra mulher e sobre você, que já tinha 11 anos de idade, mas mesmo assim ela não queria se separar dele, mesmo quando ele mentiu todos esses anos. Ele, então, bateu nela, porque ela chorava implorando para ele não larga-lá. Ele foi para o carro com o resto das suas coisas que tinha na casa e ela foi atrás bem na hora que ele saia com o carro. Ele acabou a atropelando. - ele parou e eu não queria que continuasse. — Ela bateu a cabeça e não acordou mais. Desde então comecei a ameaçá-lo, mandando as fotos que eu tinha tirado quando ele enterrava a minha mãe e ele passou a fazer tudo que eu pedia. - Mas nunca era o suficiente para . Pensei.
— Qual era o nome dela?
— Natalie. - e foi ai que soube o que era aquele nome tatuado no canto de sua barriga.
Não disse nada dali em diante. Ninguém estava certo e ninguém estava errado. Meu pai estava errado sim, mas vingança não levava a nada.
Tirei o pen drive do computador e sai de lá.
— Obrigada. - disse assim que passei ao lado do cara emburrado. Voltei para o quarto e coloquei o pequeno objeto em cima da cômoda. andava lentamente e me senti culpada por deixar ele voltar sozinho.
— E agora? Vai voltar para os braços do seu pai? - Ele disse assim que passou pela porta, sem deboche, humor ou sarcasmo. Me virei e apoiei na cômoda pensando. Ele se sentou na cama cansado, de frente para mim. Uma de suas mãos estava encostada na costela e a outra apoiada no colchão. Ele me olhava docilmente. estava mais cansado dessa história do que qualquer outra pessoa.
Rapidamente andei até ele e o beijei. Não era por dó. Nem eu sabia o por que. Eu realmente não queria pensar em mais nada. Eu só queria viver e beijá-lo.
Estava no meio das suas pernas, enquanto minhas duas mãos estavam no seu rosto. Como imaginei, não se afastou. Ele queria, tanto quanto eu.
Sua mão que estava na costela foi para a minha cintura, apertando-a, mas separei antes que o clima esquentasse.
— Você não acha que já tem demais e que meu pai já perdeu muita coisa? - ele negou com a cabeça.
— Isso que eu tenho dele pra ele não é nada. Foi como você disse, a coisa mais importante que ele tem é o cargo de prefeito.
— E você quer tirar isso dele. - digo afirmando, me afastando.
— Achei que quisesse isso também. - olho para o outro canto do quarto. — Ele pode não ter matado a sua mãe, mas deixou você nas mãos de traficantes.
— Nas suas mãos. - completei e bufou.
— Se eu parar ele vem atrás de mim. Mesmo assim eu não vou parar só porque você pediu.
— Ótimo. – disse, virando de costas. — Por que você veio aqui mesmo? - perguntei com deboche.
— Por que eu insisto em ficar mesmo? - ele pergunta para si mesmo. Pego o pen drive e entrego para ele. — Achei que quisesse.
— Quando eu achei que era a minha mãe. - suspirei. — Eu ainda não sei como foi que ela morreu, mas eu não quero continuar com isso. - ele estremeceu, não sei por quê.
— Pode ficar. - ele diz, não pegando o pacote das minhas mãos e ignorando o meu comentário de antes.
— Não tenho mais nada para fazer com isso. Eu não quero pensar em vingança. Eu sofri. Ele ignorou. Eu estou com raiva dele? Claro que estou. Mas... onde tudo isso vai me levar? Eu não vou ficar mais feliz e nem mais triste. Pode ficar com isso e fazer o que você sempre fez, mas eu não vou continuar com isso. - repeti. Ele novamente não aceitou. — Eu posso fazê-lo parar de vir atrás de você entregando isso a ele. A vingança não vai te levar a lugar nenhum. - ele se levantou devagar com a mão na costela e passou por mim irritado.
— Faça o que você quiser. – disse, batendo a porta com força assim que saiu.


Capítulo 17


Assim que passou a placa que minha cidade ficava daqui 1 kilometro, meu estômago revirou e eu comecei a suar frio.
— Desculpa, moça, mas eu não posso passar daqui.
— O quê? Achei que você iria passar pela cidade.
— Está cheio de policiais e eu não sou daqui. - olhei pra frente e bem lá no fundo estava uma fileira de policiais.
— Tudo bem. Obrigada mesmo assim. - desci do carro e o observei dar a volta e voltar pelo mesmo caminho que chegamos.
Bufei e comecei a caminhar em direção os policias. A placa de “Bem Vindo” passou por mim e meu estômago revirou, me fazendo suar frio.
Para cada carro que passava os policiais paravam. Um deles me notou e veio até mim quando eu já estava perto.
— Aonde a senhorita vai?
— Para casa. - ele riu.
— Onde você mora?
— Aqui. - ele me olhou e riu.
— Ei, Marcos. Essa garota disse que mora aqui. - O tal Marcos se aproximou. — Ela mora aqui. - bateu o pé no chão. - Bem aqui! - os dois riram.
— Poderiam me levar até a prefeitura? - disse séria, não achando graça daquilo.
— Prefeitura? - e ele riu mais. O outro policial não ria como ele, mas ria.
— É, eu quero ver meu pai. - eles continuaram rindo.
— O faxineiro.
— Não, o prefeito. - um deles tossiu.
— Qual é o seu nome, minha querida?
e eu não sou sua. - eles não responderam. - Podem me levar, por favor?
— Claro, senhorita . - ele gaguejou e me guiou para um dos carros.

Assim que chegamos subi, pedindo para falar com o meu pai. O pen drive com as únicas fotos que tinha, estavam comigo. Estava nervosa com o que poderia acontecer daqui pra frente.
— Oi. - digo assim que entro em seu escritório e vejo ele sentado em sua cadeira. Ele me olhou surpreso e tirou os óculos de grau se levantando vindo em minha direção para me abraçar.
— Oi, minha querida, estava tão preocupado. Não é bom ficar andando por ai sozinha com más intenções.
— Por favor, não faça eu me arrepender por ter voltado. – disse, soltando rapidamente de seu abraço.
— Não, claro que não. Estou feliz por estar de volta. - ele me olhou nos olhos. Eu não me sentia culpada em tê-lo incriminado de ter matado minha mãe, coisa que ele não fez com ela e sim com outra mulher.
— Só me diz uma coisa. – digo, olhando para ele. — Por que não pediu ajuda? - ele me olhou confuso, mas na mesma hora soube do que eu estava falando.
— Porque isso teria destruído a sua mãe.
— Ela ou você?
— Eu não podia fazer isso.
— E com a mãe dele sim? - ele não responde, mas muda de assunto rapidamente.
— Eu sinto muito, minha querida, mas nós vamos sobreviver a isso. Eu vou destruir todos eles. - me arrepiei. — Eu quero que seja forte com tudo isso que está acontecendo. - nego com a cabeça.
— Como posso ser forte sabendo que meu pai só liga para o seu emprego?
— Isso não é verdade. O que aquele idiota botou na sua cabeça?
— Ele não pôs nada, pai, é só você que não enxerga que está errado.
— Eu não vejo nada de errado.
— Como não?! - grito. — Eu fui sequestrada e você ao menos fez alguma coisa? Foi atrás de mim? Você só ficou com a vadia da mulher do delegado! E não diz que é mentira porque eu vi vocês dois! - ele parece surpreso, mas tenta manter a postura firme. Olho para o pen drive nas minhas mãos. — Eu tinha trazido isso aqui de volta, mas eu acho que você não merece. – digo, me virando para sair de seu escritório.
— Se sair por essa porta e voltar para eles você vai se arrepender muito, porque não vai ser das minhas mãos. - estava parada de costas, em frente à porta. — E eu não vou querer te aceitar de volta. - eu realmente não sei em que lado deveria ficar.
Sai da sua sala, batendo a porta com força e dando de cara com Josh.
. - ele disse surpreso. Rolei meus olhos.
— Não precisa mais atuar na minha frente. - ele franziu as sobrancelhas. — Não se faça de desentendido. - olhei para o lado e soltei um risinho nervoso. — Sabe, ainda lembro quando você disse que me queria. Para sempre. “Eu quero você pra mim. Pra sempre.” Talvez tenha sido coisa de momento para o seu ator interior ser valorizado, dramatização romântica, frase de filme água com açúcar que você tirou ou apenas uma tática para derreter meu coração. Mas sabe… - dei uma pausa, juntando os lábios em uma linha reta enquanto olhava em seus olhos. Eu não podia chorar. Não ali, na frente dele. — Eu acreditei. Eu acreditei na sua frase, nas suas letras, nas suas sílabas, no seu olhar, nas suas promessas, no passado que tanto me fez feliz e nos altos e baixos. - ele não disse nada, nem abriu a boca. — Era o que eu esperava mesmo. - voltei a andar, me distanciando dele.

Fui para casa e subi direto para o meu quarto, pegando meu notebook em cima da escrivaninha e indo para a cama rapidamente.
— Senhorita , você voltou! - Gil aparece na porta do meu quarto, contente e aliviada por eu estar de volta. — Cameron me pediu há uns dias atrás que quando você voltasse era para avisá-la imediatamente, devo fazer isso? - minha resposta foi um “pode ser” enquanto eu colocava minha senha de segurança para ligar o notebook. Gil juntou as mãos alegremente e saiu.
Depositei o pen drive na entrada do notebook e passei as fotos para ele.
Eu não podia fazer isso com o meu próprio pai. Ele provavelmente batalhou muito para ter esse cargo que ele tem agora. Ou não.
Depois de um tempo ainda olhando para tela, Cameron entrou no quarto e a primeira coisa que ela fez foi me agarrar para me abraçar em cima da cama mesmo.
— Está novinha em folha. Ai sim, garota. - ela disse, me soltando e me olhando de baixo para cima. Mas assim que viu o que eu tanto olhava seu sorriso broxou. — São elas? - perguntou e eu fiz que sim com a cabeça. Ela colocou meu notebook em seu colo e começou a passar uma por uma. — Então ele matou mesmo a sua mãe? - fiz que não com a cabeça.
— É uma outra mulher. - seus olhos se arregalaram.
— E o que você vai fazer com isso? - eu não respondi, ela mesma viu quando sem querer entrou na pagina onde eu estava. — Vai mandar para a imprensa? - não respondi novamente, pois mesmo assim não sabia a resposta. Ela fechou meu notebook e se virou para mim.
— Vamos pensar em outra coisa agora. - me joguei desanimada de costas na cama, mesmo estando sentada nela.
— Tipo o quê? – perguntei, abraçando o travesseiro.
— Tipo me contando o que fez em Miami. - ela soltou um sorriso.
— Nada, fui lá para as fotos, lembra? Então estou aqui. - ela franziu a testa, me olhando séria.
— E como conseguiu?
— Seduzindo um cara. - ela abriu a boca chocada.
— Aquele bonitão caiu na sua? Sabia que iria rolar algo ali.
— Não o . O homem que estava aqui na festa, lembra? - ela arregalou os olhos. — Não brinca. - fiz que sim com a cabeça. — Mas, por que você fez essa carinha quando disse do ?
— Nada. – disse, abrindo de volta meu notebook.
— Nada? - ela me olhou desconfiada. — Conheço essa sua cara, e esse nada me diz tudo. Tu pegou ele ou não? - eu não consegui e sorri. — Sabia! Aquele cara é gato demais pra você não comer com os olhos. Só queria saber o que ele fez pra ter sido preso. - ignorei o seu comentário, voltando a encarar o e-mail e Cameron rapidamente esqueceu do que conversávamos, ainda bem.
— Tem certeza disso? - ela perguntou quando eu mexi no mouse do notebook.
— Ele matou uma pessoa, não é? - disse a ela. — Ele só pensa nele mesmo.
— Pensa bem. - minha amiga disse, me encorajando. Vi meu e-mail aberto e as fotos arquivadas, já prontas para serem enviadas.
— Eu já pensei. – disse, apertando o ENTER.


Capítulo 18


“Há um telefone ao lado na cabeceira da minha cama… Penso em te ligar pelo menos umas vinte vezes, e todas essas vezes que eu pensava em discar seu número, ficava ali na esperança que ele tocasse e fosse você. Mas ele não toca, e se toca, nunca é você.” –Justin Bieber


A noite caiu e Cameron já tinha ido para sua casa. Nós ficamos conversando praticamente a tarde toda sobre a faculdade. Ela queria trabalhar com eventos. Ter sua própria boate. Eu? Bom... Eu não sabia se iria fazer. Não tinha nem me inscrito em uma universidade. E por o meu pai ser prefeito, eu conseguiria fácil as entrevistas. Mas, mesmo assim, faculdade não é o que me preocupa agora.
Meu celular tocou e eu estranhei, pois quem tinha meu número era apenas Cameron e…
! — Alô!? – disse, estranhando e com medo de que voz eu iria ouvir.
? - ufa, era . Procurei pelo controle da tv e abaixei rapidamente o volume dela.
— Oi. – disse, me jogando na cama.
— Eu sei que agora você quer viver sua vida aí, mas... - uma pausa e uns cochichos. — O está aí com você? Porque sabemos que ele foi até você ontem. - pisquei algumas vezes.
— Não, por quê? - perguntei desconfiada. Ele havia sumido de novo?!
— Estamos sem notícias dele.
— Ele sabe se virar sozinho. – disse. Não queria ser rude, mas o cara já tinha idade pra se cuidar.
— Não se tem duas pessoas atrás dele querendo matá-lo. - fiquei em silêncio. — Achamos que seu pai pode estar envolvido.
— Por que acham isso?
— Por que ele ligou na mansão querendo falar com o . E parece que os dois iriam se encontrar.
— Eu estava com meu pai mais cedo. Não acho que... - me lembrei da nossa conversa e me toquei que meu pai dizia que tudo iria voltar ao normal, para eu não me preocupar que iria destruir todos eles. — Eu queria acreditar que ele não fez nada, mas sei que estaria enganando a mim mesma. Eu vou ver se consigo alguma coisa. - disse chateada para .
— Tudo bem. - ele disse. — Ela vai ver. - disse para outra pessoa e eu ouço de fundo a voz de , mas não consigo saber o que ele havia dito. — Obrigada, . Fique bem. - e depois desligou.
Com o celular ainda colado no ouvido, fiquei olhando para o teto.
Será que novamente meu pai o prendeu? Aqueles polícias não estavam fechando a estrada por nada.
Levantei e coloquei uma calça jeans e meu sutiã.
Eu só queria um pouco de paz nessa vida. Me sinto um revólver carregado, carregado de angústias, sentimentos e pedidos de socorro. Eu só quero atirar tudo isso que me machuca para longe, mas parece que sempre que consigo, vem alguém e me carrega novamente.

, que surpresa. Duas vezes seguidas vindo me visitar é inesperado. - meu pai diz assim que me vê passando pela porta de seu escritório. Há um cara sentado em frente à mesa dele.
— Eu sei o que está acontecendo. – digo, ignorando os dois e indo direto para o assunto. Meu pai olha para o cara sentado e faz um gesto com a mão para ele se retirar, e é o que ele faz. — Eu sei o que você fez. — Dá pra falar baixo?
— Pai, o está desaparecido e eu sei que você encontrou com ele, não sei quando, mas se encontrou.
, não faço a menor ideia…
— Pai eu estava te defendendo. Tentando convencer a mim mesma que eu estou errada. Eu quero que me diga a verdade. Você sabe onde está o ?
— Querida, eu juro. Não faço ideia. - ele diz, mas mesmo assim não consigo acreditar. ainda estava ferido por causa de Pither, sei que não conseguiria ficar em pé no primeiro soco.
— Quero mesmo que esteja falando a verdade. - digo antes de sair de seu escritório e novamente encontrando Josh. Só que agora ele não havia me visto, estava no canto do corredor falando no celular.
Sem querer fazer barulho andei para a escada, mas minha curiosidade falou mais alto.
— O prefeito ordenou que tirássemos os policiais da rodovia. - silêncio. — Não, não. A pessoa já foi encontrada e alguns policiais foram atrás. Podem mandar o resto para casa. - e desligou. — Então ele novamente está preso? – disse me aproximando e Josh, que se assustou, virou para mim surpreso.
— Ahn, não. Ele não está preso. Por que não pergunta para o seu pai? - ele diz, não olhando diretamente para mim.
— Porque eu estou perguntando para você. O que meu pai foi fazer se encontrando com ele? - ele passou as mãos pelos seus fios loiros de cabelo.
— Não foi seu pai que marcou o encontro. - franzi a testa. — Assim que você saiu ele recebeu uma ligação. Seu pai foi sozinho e voltou sozinho.
— Sabe sobre o que conversaram? - perguntei. Josh coçou a nuca.
— Fizeram um trato de não publicar as fotos e não ir atrás um do outro. - minha boca abriu um pouco, mas a fechei rapidamente. — Mas parece que ele só queria brincar já que a imprensa toda está sabendo. - eles não desconfiam que foi eu. — Isso que dá confiar em quem não presta. Deveria abrir o olho. - ele disse, saindo de perto de mim.
Merda.
O que eu havia feito?
— O que você quis dizer com a pessoa já foi encontrada? - fui atrás dele. Ele pareceu confuso. — No telefone. Você disse que a pessoa já foi encontrada e alguns policiais estão atrás. Quem foi encontrado?
— Eu não posso ficar falando esse tipo de coisa com uma menina.
— A menina que é filha do seu chefe. Eu não estou de brincadeira, Josh.
— Eu não tenho obrigação de ficar te dando informações. - e assim voltou a andar. Eu iria voltar a ficar atrás dele quando um policial apareceu do outro lado do corredor, indo até a sala do meu pai. Eu o esperei entrar e fiquei com o ouvido na porta, me arrependendo de vez.
— Achamos o corpo, senhor. - corpo, que corpo?!
— Detalhes, por favor. - ouço meu pai.
— Os policiais perseguiram o carro onde o indivíduo estava e antes mesmo dele conseguir sair da cidade, dei ordens para atirar. Foi quando o mesmo perdeu o controle e saiu da estrada.
— Bateu as botas? - meu pai perguntou.
— Sim senhor. - Não, não, não.
Lágrimas caíram pelo meu rosto e eu me sentia culpada por chorar por alguém que me fez mal. Mas mesmo assim estava chorando. Chorando também por ter deixado formar um sentimento por uma pessoa totalmente diferente de mim.
Funguei o nariz e corri para fora da prefeitura. Mas algo inesperado aconteceu.
Umas luzes brancas me cegaram. Câmeras de um lado, repórteres de outro me cercaram, fazendo-me perguntas.
— Senhorita Fontini, é verdade que seu pai matou a sua mãe, Leonora?
— Senhorita Fontini, o que você está sentindo agora por saber que seu pai matou alguém?
— Senhorita Fontini, já teve tempo de ver as fotos que estão rodando por aí?

Um dos seguranças da prefeitura me pegou pelo braço e me levou até um dos carros que meu pai estava usando.
O motorista iria me levar para casa, mas fiz com que ele fosse para outro caminho, e rápido.
Assim que ele parou o carro eu desci rapidamente, correndo no meio daqueles policiais e outras pessoas.
Fui até o carro que estava fora da estrada e assim que fiquei de frente para o automóvel, não me movi mais.
O vidro da frente estava com as marcas das balas de revólveres. E um dos bancos estava cheio de sangue.
Meu coração bateu mais ainda quando vi a ambulância colocar um corpo em cima de uma maca lá dentro.
Não!
Corri até eles, mas um dos polícias me impediu de subir no carro. Eu queria pelo menos vê-lo pela última vez.
Meus olhos estavam encharcados e eu chorava nos braços do homem.
Não acredito que tudo isso foi culpa minha. Se eu tivesse ficado na minha. não iria morrer desse jeito.


Capítulo 19


28 de Julho de 2012

Senti o impacto contra algo no carro e me desesperei. Não podia ser. Não, não, não, não, não. Sai do carro apressado e a vi caída no chão. O sangue escorria pela sua cabeça enquanto ela estava inconsciente ali. Morta.
Me agachei com cuidado e coloquei dois dedos no seu pescoço. Sem batimentos. Era só o que faltava.
Olhei para os dois lados e a rua estava deserta. Todos estavam dormindo naquela madrugada.
Peguei os braços dela e a arrastei até o matagal do lado da casa. Entrei correndo para dentro da casa e fui até a cozinha, procurando um saco grande de lixo. Assim que achei, me toquei que não estava sozinho. Devagar e sem fazer barulho fui até o corredor, parando de frente para a porta do quarto de . Ela deu um pequeno rangido quando abri e fechei assim que vi o dormindo. Peguei uma pequena pá na lavanderia e voltei para onde havia deixado o corpo. As luzes do farol do carro eram a única iluminação que tinha ali e facilitava fazer as coisas. Eu precisava ser rápido para sumir de uma vez por todas.

Depois de dois dias recebi as primeiras fotos.
Eu havia jurado que não tinha ninguém acordado naquela maldita vizinhança. Mas sabia quem era o desgraçado, mesmo pensando que estava dormindo.
— Tem um minuto? Preciso da sua ajuda para achar - digo, entrando na sala do xerife.
— Tem que preencher um registro de pessoa desaparecida. - ele diz, teclando algo no computador. Não satisfeito, me sento na cadeira em sua frente e coloco meus pés em cima de sua mesa, atrapalhando-o.
— O problema é esse. O rapaz não está sumido, ele só está me evitando.
— Deve ter um bom motivo para isso. - esse cara já estava começando a me irritar.
— Eu gostaria de falar com ele. - digo tranquilamente, continuando o assunto.
— Isso aqui é uma delegacia, não agência de encontros. - ele diz, ainda prestando atenção no computador.
— Esse moleque me ferrou e sumiu da cidade. Eu quero que encontre ele. Agora! - digo sem paciência.
— Acha que isso faz parte do meu trabalho?
— Sou eu quem vai te ajudar a continuar nesse emprego se eu ganhar as eleições e é claro aumentar esse seu salário de merda. - abaixo meus pés da mesa e apoio meus cotovelos na mesa. — Por enquanto, espero que você seja meu amigo, ou você quer um inimigo por perto? - ele pensa um pouco.
— Eu aviso quando encontrá-lo. - ele diz, finalmente olhando para mim.
— Foi tão difícil assim? - digo com deboche, levantando-me da cadeira e saindo da sala.

E ele não encontrou. O desgraçado do ainda me mandava as fotos. Sempre quando chegava o correio eu era o primeiro a pegar as cartas.
No ano seguinte, ganhei as eleições e as fotos pararam de ser enviadas. Surgiu a maldita morte da minha esposa e ele voltou com as fotos, mas dessa vez não foi para mim.
— Não é o que parece. - digo assim que o xerife joga as fotos em cima da mesa. Ele havia me chamado para a delegacia e estava me interrogando.
— Sério? Porque parece que está enterrando um corpo. E sei que o garoto que mandou eu procurar a um anos atrás está te chantageando.
— Ele é um psicopata, igual a mãe que usava drogas.
— Bob. Esse garoto vai fazer de tudo pra ferrar com você. Então eu sugiro que você me conte o que aconteceu antes que a imprensa saiba.
— Eu vou contar. Mas faça de tudo para que a minha filha não saiba.

Agora.



Voltei para casa por volta da 1 da manhã e ninguém se encontrava nela.
Subi para o meu quarto e entrei debaixo do chuveiro, me encolhendo no chão enquanto a água caia pelas minhas costas.
A madrugada chegou e eu não consegui dormir. Desci para o andar de baixo e peguei o telefone do gancho, discando os números que estavam no meu celular. Mas apenas chamava e ninguém atendia.
Eu não iria conseguir dormir. Não agora nessa situação.
Mandei uma mensagem para , pedindo desculpas e revelando que a culpa toda havia sido minha.
Ele me respondeu depois de um tempo.
— Não se preocupe, ele entende. - então desabei de chorar mais uma vez.
— Não sei se ele entenderia. - respondi.
— Pois eu sei.
Ouvi um barulho de porta lá em baixo e desci rapidamente.
— Você disse que não sabia de nada! - gritei com meu pai quando ele apareceu em frente a escada.
, por favor, agora não.
— Sério que foi necessário matar ele?
— Eu não estava lá. As ordens eram para pegarem ele de qualquer jeito.
— Você nem ao menos se sente culpado.
— Isso que dá, dar carona para um bandido. - juntei as sobrancelhas confusa.
— An? - meu pai bufou. Subindo as escadas.
— Megan vai dormir, amanhã conversamos. Foi um dia longo e eu não quero aprimorar. - e desapareceu no meio do corredor.
Eu não iria dormir essa noite. Com raiva de mim mesma, do meu pai e do universo, fui até a sala de jantar e peguei uma garrafa de bebida no armário, sentei no chão e comecei a beber pelo gargalo de uma vez só, fazendo com que a bebida descesse queimando em minha garganta. Quando soltei a boca da garrafa e respirei me deu ânsia que eu quase vomitei ali mesmo. Eu não queria dormir então liguei para Cameron e disse de uma vez, sendo justa:
“Vamos sair agora e entrar em qualquer balada que estiver aberta, não quero um não como resposta.” e ela ao menos me respondeu com um “ta.”
Infelizmente minha cidade era pequena demais para ter balada. Acabamos encontrando pela internet uma festa de formatura. Algumas pessoas já estavam com os olhos pequenos de bebida e sono, outras que ainda estavam com bastante energia.
Eu não bebi mais nada e logo no começo havia perdido Cameron de vista. Umas três músicas agitadas tocaram e logo em seguida começou a porra de uma música lenta e meus sentimentos queriam aparecer. Sai do lugar rapidamente e pela minha sorte havia um táxi passando pela rua. Entrei nele e sem pensar para onde ir apenas disse:
— Para Miami, por favor.

Assim que entreguei o dinheiro para o taxista desci do carro e corri até a porta principal.
A casa estava silenciosa e por um momento me arrepiei em pensar que Jenna poderia estar aqui. Subi rapidamente as escadas e andei reto até o quarto em que eu estava. Tinha que pegar minhas coisas para levar de volta a minha casa e hoje era o dia que me deu vontade de fazer isso.
Assim que passei do lado da porta dele me arrepiei. Eu me sentia culpada por ele ter morrido, mas foi por minha causa!
Estava de frente a sua porta e quando ia continuar a andar ouvi algo baixinho.
Pressionei o ouvido contra a porta e pude ouvir o som de uma televisão. Será que algum dos caras estava aqui para não se sentir sozinho? Bom, era o que eu fazia quando não tinha mais a minha mãe por perto, entrava em seu closet e vestia algumas de suas roupas.
Surpreendendo a mim mesma, bati, vai que era , eu poderia me desculpar, mas e se fosse Jenna?
— Entre. - ouvi uma voz rouca dizer. Meu Deus. Meu coração disparou como um trem.
Contei até cinco no pensamento e inspirando profundamente, abri a porta. E lá estava ele, sentado, recostado na cabeceira da cama de madeira maciça. O quarto estava escuro e a única luz que iluminava era a tv, que quando olhei era um noticiário ao vivo sobre as fotos do meu pai.
não disse nada quando, finalmente, meu olhar encontrou o seu. Não se moveu um centímetro sequer. Ele estava sem camisa e usava apenas uma calça de moletom. Meu coração batia muito forte e eu poderia ter um ataque ali mesmo.
Em vez de dizer um “Pensei que estivesse morto” ou dizer um “oi, voltei”, coloquei a mão no fecho do vestido que usava e o puxei para baixo.
Em um movimento rápido, a peça caiu no chão e ele ofegou quando joguei para trás os cabelos que estavam caídos na frente do meu corpo. Eu estava imóvel, usando apenas uma calcinha mínima cor preta e sapatos de salto alto.
— Venha aqui. - Sua voz era profunda e intensa. Me arrepiei quando comecei a caminhar lentamente até a lateral da cama, parando a meio metro dele. Quando o olhar de observou cada centímetro do meu corpo, meus mamilos endureceram dolorosamente, enquanto o espaço entre minhas pernas latejou. A cada minúsculo movimento de seus olhos sobre uma curva, uma parte nua, meu clitóris pulsava, implorando para ser tocado.
— Vire-se. - foi a segunda coisa que ele disse depois que entrei. Não falei nada, apenas me virei, mostrando a ele o meu traseiro. Uma carícia, leve como uma pluma, começou em minha nuca, descendo pelo pescoço e se movendo lentamente pela coluna, fazendo-me arrepiar. Fechei meus olhos quando o toque leve ficou mais intenso, a mão de segurou meu braço e me puxou para perto dele. Pele contra pele.
Pude sentir sua respiração em meu pescoço quando ele afastou meu cabelo para o lado. O outro braço me envolveu e uma mão forte apertou um seio nu assim que seus lábios tocaram a base sensível do meu pescoço. Não pude evitar. Gemi no momento em que o polegar e o indicador pressionaram a ponta dura. Inclinei mais em sua direção, pressionando a bunda contra sua grossa ereção. Ele gemeu e contra-atacou, torcendo meus mamilos e adicionando uma quantidade perfeita de dor ao prazer.
De repente ele me virou, caiu de joelhos e desceu minha calcinha. Ela ficou presa em meus tornozelos, já que eu não tinha tirado os sapatos. Quando meu olhar se fixou nos seus, ele me abriu com os polegares, tocando-me com a língua, descendo direto para o clitóris. Quase cai. Inclinei-me para trás e ele me ajudou a me deitar na cama, com as pernas balançando sobre a beirada, abrindo-as ao máximo com ele entre elas.
— Aí meu… - sussurrei, enquanto sua língua se movia sobre o meu sexo, mas parei bem na hora que iria dizer um nome que não era apropriado dizer naquelas horas. Eu estava no limite quando ele deu um pequeno sorriso de lado e novamente eu pude sentir os sopros de ar. Seus movimentos aceleraram e eu mantive uma mão em seus cabelos e a outra no lençol. Eu gemia de vez em quando, alto e baixo. Até que finalmente eu me inclinei um pouco para frente e gozei. Ele se levantou e foi até a cabeceira, abrindo a gaveta e pegando um pacote de camisinha. Abaixou a calça e rasgou o preservativo com os dentes, colocando-o em sua ereção. olhou para mim e lentamente pegou minha perna, tirando meu salto. Pegou a outra, fazendo a mesma coisa. Ainda segurando a minha perna, seus dedos passaram por ela toda até chegarem ao meu quadril. Subiu na cama e se posicionou, colocando apenas a ponta ali dentro. Arqueei, querendo mais, precisando de mais. Olhei para ele enquanto me tomava centímetro por centímetro. Gemi, inclinando a cabeça para trás. Lembrei da nossa primeira vez, que foi totalmente tensa por causa de Mika já que também estávamos sendo obrigados a fazer algo que nem queríamos e vigiados.
. - ele sussurrou, com a voz tensa. Meus olhos se abriram e encararam seu olhar repleto de luxúria. Apoiando-se nos cotovelos, ele segurou meu rosto com as duas mãos. Levou os quadris para trás e começou a se mover enquanto seus lábios estavam no meu pescoço. Envolvi as pernas e os braços ao redor dele, segurando-o enquanto ele se movia. Gemi em seu ouvido quando a primeira onda de orgasmo atingiu meu corpo. deu um leve beijo em meus lábios e, em seguida, saiu de dentro de mim. Antes que eu pudesse protestar, ele me virou e puxou meu quadril para cima. — Porra. - ele disse baixo. Agarrou minhas laterais e estabeleceu um ritmo punitivo. Eu podia ouvir os sons dos nossos corpos se chocando um contra o outro. Seus dedos se concentraram em meu gatilho e eu me perdi. Estremecendo ferozmente. As paredes do meu sexo apertaram seu pau duro até que ele rugiu. Mais três estocadas rápidas e todo o seu corpo ficou imóvel sobre a minha bunda enquanto ele pulsava dentro de mim. desabou sobre meu corpo, sua respiração saindo em ondas curtas contra os pelos da minha nuca. Nós dois estávamos sem fôlego. Ele saiu de dentro de mim e me puxou para seu peito.
Não dissemos nada, apenas ficamos em silêncio ouvindo nossas respirações calmas.
— Pensei que você não voltaria mais. - ele começou.
— Pensei que estivesse morto.


Continua...



Nota da Autora (06/11/17): Miiiiil desculpas pela demora!!

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