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Última atualização: 28/04/2018

Capítulo 21


se remexeu no banco, tentando descobrir até quando conseguiria mexer tanto com ele. Olho-a nos olhos e viu que no fundo daqueles lindos olhos tinha dor, algo não se encaixava. Ele precisava tentar mais uma vez.
Reaproximou-se dela e levou suas duas mãos até o rosto da mesma e depois colou suas testas para falar baixinho:
- Se você não sente, por que seus olhos estão assim? Por que eles insistem em te desmentir? - ele indagou franzindo a testa, demonstrando toda sua aflição.
fechou os olhos por uns segundos, não podia chorar ali. Assim como não podia dizer a verdade total a ele. Porque a verdade era que aquele amor, ela realmente não sentia, mas estava apaixonada. Além disso, tinha Lindsay. Se não existisse Lindsay poderia se entregar totalmente a ele, só que ela continuava lá, no coração e até mesmo nos olhos de . Por que se arriscar em algo que já está fadado ao fracasso?
- Você está tentando ver o que deseja ver, . - falou, tentando manter a voz o mais firme possível.
- Então você não sente nada, é isso? - tentou arrancar a verdade de outra forma.
- Você sente algo, mas ama sua ex. Também sinto algo parecido, e assim como você não precisa me amar pra sentir, eu também não te amo. – explicou.
“Talvez o que eu sinta por você nunca deixe de ser amor, pensou, mas sabia que isto não faria o mínimo sentindo na cabeça fechada dela. Então, apenas a beijou novamente.
Deus, como estava sendo difícil para ela dar aquele beijo. Beijar alguém que você gosta, mas que esse alguém gosta de outro alguém, aquilo não estava certo. Buscou forças de onde nem sabia que tinha e espalmou as duas mãos no peito dele para que o mesmo se afastasse.
- Nunca, nunca mais, , faça isso. Não me venha falar de sentimentos por mim quando nós dois sabemos que você ama outra, não faz isso. – ela começou a falar com uma clara mágoa na voz e nos olhos. Ele não tinha o direito de fazer aquilo. Não quando ela sabia de tudo sobre ele. - Posso ver nos seus olhos que você queria uma resposta positiva minha, mas consegue ver o quanto isso doeria? Não em você, claro, mas em mim. Você ama outra pessoa, é incapaz de me fazer feliz. Posso ter sido uma vaca com você várias vezes, mas eu nunca pedi que me amasse quando eu sabia que não poderia te amar de volta. É egoísmo demais. – finalizou, pronta para se levantar e ir embora.
- Eu e a Lindsay não temos nada!
- Você consegue ficar solteiro, acredite em mim. Não é tão terrível quanto pensa. - ela respondeu, tentando forçar um sorriso.
Ele não podia cobrar isso dela. Já bastava todos os novos sentimentos que ela tinha descoberto, o fato de estar apaixonada por alguém que amava outra, ele não tinha o direito de querer que ela o amasse.
- Eu não estou falando que você é obrigada a me amar.
- Mas é isso que parece. - cortou-lhe, irritada e magoada.
- Eu só quero saber se existe a mínima chance de um dia isso acontecer.
- Por que isso importa tanto, ? - indagou, tentando conter a onda de sentimentos que tomava conta dela.
respirou fundo, as palavras seguintes iriam doer tanto nele, quanto nela. Ele sabia disto. Mas era a hora de parar com aquilo.
- Porque se a resposta for sim, eu estarei pronto para esperar a hora de tentar novamente. Mas se a resposta for não, ao levantar deste banco, esse tal e se morre para sempre. - respondeu, bufando no final.
- Isso é um ultimato? – indagou irritada, como ele sabia que ela ficaria.
- Não. É só o ponto de vista de alguém que está cansado dessa coisa toda.
Ela poderia ter sentido várias coisas naquele momento, mas só conseguiu sentir raiva. Ele estava mesmo cobrando algo dela quando ele nem estava disponível?
- Curta sua vida, eu não vou te prender a nada nem a ninguém.
Ele já esperava uma resposta desse tipo, por isso, mesmo um pouco triste, não se abalou nem voltou atrás em suas palavras. Estendeu a mão a ela e falou:
- Então, melhores amigos? Pronta para acabar de uma vez por todas com isso e ser a mesma coisa para sempre?
sentiu o coração acelerar com aquela pergunta e o olhar decidido de . Ele não estava brincando. O encarou novamente e não conseguiu deixar seu orgulho de lado e talvez cair no jogo dele e implorar que ele não fizesse isso.
Estendeu a mão também e respondeu:
- Melhores amigos para sempre, isso se você não me abandonar algum tempo deste. - respondeu, tentando fazer uma piada para buscar algo divertido naquilo.
- Agora eu não preciso mais me afastar de você, . - ele respondeu, com um sorriso tão largo que ela acabou acreditando que ele estava mesmo feliz com aquela decisão. Mesmo que por dentro ele sentisse um pedaço seu estar sendo arrancado para fora.

tinha reunido as duas amigas para uma espécie de noite do pijama. Achava que era a hora de contar porque estava tão mal durante aqueles dias e porque nenhum dos conselhos preocupados das meninas pareciam surtir algum efeito. Queria que elas soubessem que não eram amigas ruins e incapazes de compreendê-la, o problema nunca esteve nelas.
- Por que você está com essa cara? - indagou, percebendo que não parecia tão alegre como deveria estar para colocar os papos em dias.
- É que eu queria explicar umas coisas a vocês. Fazer com que finalmente vocês vejam sentindo nessa fossa que ando.
- Seria ótimo. - respondeu. - É sempre bom entendermos os motivos malucos que fazem uma princesinha como você, deixar um príncipe como o . – finalizou rolando os olhos. Nunca entenderia aquela separação.
- A princesa - ironizou um pouco o termo da amiga - tem uma doença que pode a impedir de ter filhos, principalmente se ela demorar para isso.
- O que?! - perguntou e exclamou ao mesmo tempo, um pouco chocada com as palavras da amiga.
- Isso mesmo. Eu tenho endometriose.
se preparou para aquele momento de contar a verdade para as amigas. Por isso, não ficou tão mal em colocar tudo para fora nem ao encarar os olhares chocados das meninas.
Mediante ao silêncio de e , ela resolveu falar sobre como era a doença.
- E bom, essa doença ela pode impedir...
- Sabemos o que é endometriose, . - falou calmamente. - Sentimos muito, mas acreditamos que tudo vai ficar bem para você. Acredita em mim.
- Obrigada. - foi tudo que a menina respondeu de volta.
- Posso fazer uma pergunta? - perguntou, levantando a mão.
- Sim.
- Onde isso entra no seu término com o ? - ela estava mesmo confusa. Como estar doente poderia impedi-la de seguir a vida?
- Eu posso não ter filhos, . Mesmo se fizer o tratamento, possa ser que eu não tenha filhos. Não quero privar o disto.
- Mas ele nem queria filhos. - argumentou.
- Não queria agora, mas quer um dia. Ele me disse isso.
- Adota. - deu uma sugestão que parecia bastante óbvia.
- Ele disse que queria ver minha barriga crescer, pirar com os meus desejos… Se eu adotar, não teremos nada disso. – respondeu cabisbaixa.
respirou fundo antes de falar o que achava. Ela entendia a preocupação e dor da amiga, quase todas as mulheres sonham em serem mães, e ver que há possibilidades de que isso não aconteça devia doer demais, mas isso não era motivo para sua amiga largar o cara que ela amava e que lhe amava de volta. Não mesmo!
- , você sabe que isso ainda assim não é motivo, não é? - perguntou como se fosse óbvio.
- É sim!
- Não é não! - falou um pouco mais alto.
O que aquela menina tinha na cabeça? a amaria independente disto e todos sabiam.
- Mas…
- , você ao menos disse a ele? O não é do tipo de cara que te deixaria por causa disso. O te ama com ou sem criança e é um verdadeiro cavalheiro, capaz de amar uma criança vindo ela de dentro de você ou não. Fora que isso ainda é POSSIBILIDADES, você sabe, né? Sua doença tem tratamento, você é nova, tudo pode dar certo! As estatísticas estão ao seu favor. Não deixa essa doença mudar toda sua vida, caramba! - finalizou deixamos as mãos caírem com força em sua coxa.
- Amo vocês, meninas. - falou, se jogando nos braços das amigas.
- Se nos ama, vai nos prometer uma coisa. - disse, em meio ao abraço.
- O que? - as outras duas indagaram curiosas.
- Você vai falar com o . Contar pra ele o que aconteceu e o que pode, talvez, acontecer. Não quero você sofrendo por causa de uma coisa que pode ser resolvida com uma conversa.
- Mas e se ele… - começou, mas cortou-a.
- O não vai fazer isso, e se fizer, que ele se dane. Mas você tem que contar e dar-lhe uma chance de escolha.
- Tudo bem. - concordou, sabia que ela tinha razão.
- Ótimo. Porque de vida amorosa complicada, já basta a da senhorita aqui. - falou, apontando para que rolou os olhos.
- Como assim? O que eu fiz? - ela respondeu, fingindo de desentendia.
- Como assim o que você fez? Você não decide o que quer com o e fica aí, com essa cara de cachorro que caiu da mudança. - disse rindo e apontando para o rosto da amiga com desdenho.
- É, . Se eu vou me resolver com o , você deve fazer o mesmo. - disse empolgada. Ela gostava muito de ver todo mundo feliz. Sentir-se preenchida com a felicidade de quem amava.
- Não contei para vocês? - indagou, já pronta para vestir sua máscara de garota inabalável, mesmo que estivesse triste por dentro. - Já nos resolvemos. - deu de ombros.
- Sério? - as meninas indagaram já aos risos.
- Sim. Somos melhores amigos e seremos sempre assim. Simples. - e novamente deu de ombros, tentando demonstrar indiferença.
- O te sugeriu isso? - perguntou.
- Meio que sim, meio que não. Ele disse que eu precisava decidir o que queria. Se sentia algo por ele para que ele ainda permanecesse aqui. Se eu não o escolhesse, ele estava oficialmente colocando um fim nesse drama adolescente que andava sendo nossas vidas. - rolou os olhos, novamente tentando parecer indiferente àquele assunto.
Metade de si queria que as meninas comprassem sua história e seguissem com outro assunto, já a outra queira poder falar tudo que estava sentindo para as amigas, acompanhada de um grande pote de sorvete.
Jesus, ela estava mesmo dentro de um drama adolescente. Jamais perdoaria por isso.
- E você disse que não queria? - indagou horrorizada, tirando-a dos seus devaneios.
- Não me olha com essa cara, tá bom? Parece até que acabei de cometer um assassinato. - falou, rolando os olhos para aquele espanto todo. - Mas sim, eu meio que disse isso. Ele ama a Lindsay e eu não estou a fim de ser lencinho pra ninguém. Ele que vá chorar suas pitangas para lá. – disse, balançando as mãos e sinalizando que queria ele longe.
rolou os olhos e bufou.
- Como se fosse isso mesmo que você quisesse. - falou.
- E é!
- Sério? Por que se eu bem me lembro, poucos dias atrás você tava toda tristonha por causa dele, pensando até em um selinho que tinham dado. Jura que não quer esse garoto?
- Não se trata de não querer. - defendeu-se, um pouco impaciente. - Se trata de que é melhor assim. Valorizo muito mais sua amizade do que seus beijos.
- Por que será que eu acho que isso vai dar merda? - indagou alto.
- Porque vai dar, . Vai dar. - respondeu antes de , fazendo-a praguejar baixinho.

- Então, você e a Mari estão se entendo, ? - perguntou.
Estavam todos quatro reunidos na casa de para mais uma vez comer da boa comida do amigo, e enquanto a mesma não ficava pronta, resolveram falar de um dos seus assuntos preferidos: mulheres.
- Se ela baixasse a guarda, sim. Mas ela não parece mais interessada. - disse, dando de ombros.
- Não é pra menos. - comentou como quem não quer nada.
- Nem vem, está bem? Eu estou arrependido. Até o já me desculpou, ela também deveria fazer isso.
- Eu não te desculpei. - disse calmamente. - Eu só resolvi que você é babaca demais pra que eu te odeie. E isso é sempre mais fácil entre homens, e também entre amigos. Mas ela era sua ficante, namorada, sei lá.
- Você por acaso ainda tem raiva da ?
- Não. Mas a gente tinha um rolo diferente do de vocês. E como eu disse: você é babaca demais, ela também foi algo aparecido. Só não tanto quanto você. Mas eu escolhi que não valia a pena guardar raiva de nenhum dos dois. Ela é uma menina legal, nem entendi por que sumiu.
- Você ainda ficaria com ela, não ficaria? - perguntou rindo do sentimentalismo do amigo.
ponderou sobre aquela pergunta. Antes a resposta seria um grande sim, mas muita coisa tinha mudado, muito embora não fosse contar isso aos amigos.
- Antes, sim. Hoje, talvez. Mas dessa vez não esperaria nada mais que uma amizade com benefícios. Talvez isso também dê certo com você e a Mari, . - sugeriu.
- Eu não queria ter isso com a Mariana, . - falou e rolou os olhos. - Eu estou mesmo arrependido.
- A que ponto chegamos. - falou em um tom dramático. - O é o menos sensível de nós quatro. Estamos mesmo perdidos.
- Vai se danar. - falou, jogando uma almofada no amigo. - Eu só escolhi que não vale a pena ir atrás de quem não me quer. Vocês três deveria pensar em fazer o mesmo. Assim poderiam enxergar outras possibilidades.
iria falar algo quando seu celular vibrou e viu o nome amor na tela. Era uma mensagem de .
“Será que a gente poderia conversar?”
- Falando nelas. - ele falou baixinho.
- Quem é? - os meninos perguntaram curiosos.
- A .
- Hmmm. - foi a única coisa que eles falaram antes de mudarem sua atenção para algo que passava na tevê.
“Quando?” respondeu.
Demorou menos de um minuto para a resposta chegar.
“Assim que você puder.”
Ele logo pensou em mandar os meninos irem embora, mas tinha acabado com ele sem motivos, ela poderia esperar até o outro dia.
“Posso amanhã.” Respondeu.
“Passo na sua casa, então?”
“Claro. Mas… Por favor, dessa vez faça sentido.”
sabia que ele estava certo em fazer aquele pedido. Até podia imaginar seu amado passando a mão nos cabelos e depois expirando forte, era sempre assim que ele ficava quando estava aflito.
Sorriu um pouco, feliz por saber que amanhã colocaria tudo em pratos limpos, estava tão aliviada. Mas na mesma medida que o alívio por contar a verdade chegava, o medo de que ele temesse o futuro junto a ela também começava a tomar conta.
- Você precisa acreditar nesse amor de vocês, . - falou quando a mesma largou o celular. - Eu, que nem sou ligada nisso, acredito. Acho que está na hora de você acreditar também.
- Você sabe ser um amor quando quer, sabia? - a garota perguntou com um sorriso grato nos lábios. - Obrigada por estarem aqui. - agradeceu as duas amigas.
- Sempre vamos estar. - respondeu, puxando as duas para cama e rindo em seguida.

caminhava de um lado para o outro dentro da sua própria sala, já estava até ficando tonto com seus próprios movimentos de vai e vem. Por que ele tinha que ser tão apaixonado por ? O que aquela morena fez com ele para que o mesmo só conseguisse pensar em desculpar seja qual foi o motivo que a levou a acabar o namoro? Ele era o homem mais bobo da história e tinha pela consciência disto. Mas no fundo não sentia vergonha desse amor, quantos de nós tem a chance de passar por essa vida ao lado de quem ama? Podia até ser bobo, mas também era um sortudo e também sabia disto.
Escutou finalmente alguém tocar em sua casa e suspirou aliviado, nunca tinha demorado tanto para chegar em sua casa como naquele dia. Ou ela nem tinha demorado tanto assim, era só a teoria da relatividade do tempo sendo provada naquele exato momento por ele. Abriu a porta e tentou conter o sorriso ao ver o rosto da sua garota, mas ela não conteve, riu e suspirou como sempre fazia quando o via.
- Posso entrar? - indagou, um pouco sem jeito.
- Claro. - respondeu, tentando inibir sua vontade de tomá-la nos braços e beijá-la.
- Desculpa a demora, sabe como é o trânsito.
“Então ela realmente demorou.” pensou.
- Tudo bem. - deu de ombros. - Bom, - iniciou de maneira cautelosa - você disse que precisava conversar comigo.
- É. Acho que te devo algumas explicações, né?
- Não sei se é legal da minha parte concordar, mas sim. Com toda certeza. - falou, finalmente demonstrando alguma emoção. Aquela maneira distante já estava deixando nervosa.
- Eu só quero que você escute tudo. Tanto nosso término, como o motivo, são algo que dói demais e quanto mais rápido eu falar, melhor.
- Tudo bem. - limitou-se a dizer, mesmo nervoso com aquele início de conversa.
- Faz uns meses que eu estava sentindo dores fortes durante meu período menstrual, até te falei uma vez. Bom, eu fui ao médico e fiz alguns exames para descobrir de onde vinham aquelas dores tão fortes e descobri que tenho uma doença chamada endometriose. Que não entrando em méritos médicos, já que não vais entender, basicamente ela deixa a possibilidade de infertilidade batendo na minha porta. Há tratamentos, claro, mas também há essa possibilidade e isso a gente descobre tratando. Quando eu soube fiquei tão arrasada, você sabe do meu sonho de ser mãe, ver tudo podendo desmoronar me deixou em pânico, até porque várias mulheres tratam e começam logo a tentar, para ver se está dando certo. Agora você pode entender um pouco do meu medo de você só querer pensar nisso bem mais tarde do que eu. - parou um pouco, mas continuava calado, então, continuou: - Naquele dia no shopping você estava dizendo tudo que tecnicamente eu queria escutar, falou que mudava seus planos, que me amava… Mas daí você falou de como queria me ver de barrigão, enlouquecer com meus desejos e aquilo me deixou em pânico, não é certeza que posso te dar isso, . Eu não achei justo ficar com você e talvez tirar esses seus sonhos. - finalizou, respirando fundo e tentando não chorar.
ficou em silêncio mais alguns segundos, apenas para se certificar de que ela tinha mesmo acabado. Percebendo que não tornaria a falar, respirou fundo e falou:
- Por que você me escondeu isso esse tempo todo? Naquela sua fase para baixo era isso, não era? Por que você me manteve longe em um momento que te doeu tanto? – ele indagou, não escondendo a mágoa e a decepção.
- Eu não queria que você tivesse pena de mim, não queria que você talvez abrisse mão de seus sonhos porque estava me vendo sofrer.
sorriu sem humor. Aquilo não fazia o menor sentido em sua cabeça. Ele a amava, e a amaria com ou sem gravidez. Não se tratava de pena, falta de opção, ou seja lá o que ela poderia pensar, se tratava de amor. Quando alguém ama outro alguém, ele vai estar ali para tudo, inclusive nos seus momentos mais dolorosos, e ele não estará lá por obrigação, mas porque ama. Simples.
- Eu não estou com pena de você, . Esse não seria e nem é o motivo que me faz não entender porque você me privou desse lado da sua vida.
- Eu só não queria forçar a barra, te fazer tomar uma decisão baseada na emoção e depois te ver infeliz. Eu pensei na nossa felicidade. – ela tentou argumentar, quase implorando que ele a entendesse.
- Você acha que conseguiu algo? - ele perguntou forçando um riso. - Acha que estamos felizes? Aquele dia que você me deixou foi um dos piores dias da minha vida, eu achei que estava fazendo tudo certo e você foi lá e acabou com tudo por eu escolher o que você sempre quis. Acha mesmo que fez a melhor escolha? - indagou um pouco irritado. - Você escolheu por mim e não poderia ter feito algo pior que isso.
- Eu posso não ter filhos, você quer ter. - tentou argumentar.
- Eu não ligo se você vai ficar grávida ou não, se um dia vamos ou não ter filhos. Eu ligo para o que a gente sente um pelo outro, para o amor que eu sempre achei que era recíproco. O resto, , pode ser muito importante, mas não mais do que o amor que eu sinto. - falou, exasperado.
- Então, você… - falou e deixou que ele continuasse.
- Te amo? Por que acha que aceitei conversar? - perguntou, mostrando o quanto aquela pergunta nem fazia sentido. - Te amo com ou sem bebê, . Te amo mesmo que você tenha diversos filhos com nosso sangue, ou se todos eles não tiverem vínculo sanguíneo conosco. Eu te amo e amarei qualquer família que formar com você.
- Meu, Deus, ! Como eu amo você. - falou entre risos e lágrimas e depois se jogou nos braços do amado, torcendo para não ser rejeitada.
Mas como ele poderia rejeitar ela? Ele a amava!
ria abraçado a ela, que saudade sentia de tê-la em seus braços.
- Nunca mais faça isso conosco, . Seja qual for a questão, vamos decidir juntos.
- Eu nunca mais vou ficar longe de você.
- Para sempre. - falou com um sorriso bobo.
- Para sempre. - ela confirmou sorrindo de volta.

***


- Então deixa eu ver se entendi: e agora serão apenas melhores amigos para sempre. Sem aqueles olhares, sem o cuidado que um só tem com o outro, sem aquele clima. É isso? - Gih perguntou para .
Ela sabia que aquilo não daria certo, claro. Mas resolveu embarcar na do amigo, nem que fosse pra se divertir um pouco com as tentativas daqueles dois.
- Isso mesmo. Chega dessa coisa toda de e . Todos já cansaram disso.
- E é pra sempre, sempre mesmo?
encarou a amiga ao seu lado e percebeu que ela estava querendo apenas se divertir com a cara dele. Não tinha compreensão nenhuma, ela apenas queria anotar tudo mentalmente para rir depois.
- Você é a pior amiga que eu conheço, sabia? - perguntou, rolando os olhos.
- Mas eu fiz o que, ? - ela indagou, já sem conseguir conter a risada. - Só estou tentando entender direito esse negócio aí.
- Vai te catar, Gisele. - respondeu, dirigindo sem nem olhar para a amiga.
- Tudo bem, eu realmente não boto fé nisso. – confessou enquanto ainda tentava não rir da cara do amigo. - Mas em minha defesa, eu iria te apoiar, está bem? Mesmo sabendo que isso não daria certo.
Ela estava mesmo querendo limpar a sua barra, ou piorar? Porque se queria se limpar, não estava fazendo direito.
rolou os olhos e encarou Gisele. Por que ela desacreditava tanto nele?
- Por que você tem tanta certeza de que não vai dar certo? Não escutou que foi de comum acordo?
- Escutei. - ela respondeu séria. - Mas é que não vai dar certo, . - concluiu com sinceridade e ternura.
- Por que não? - ela indagou um pouco irritado, o jeito fofo de Gisele não iria amenizar nada.
- Porque vocês se amam! - respondeu alto dentro do carro, fazendo tirar os olhos da estrada e encará-la.
- Eu não a amo e ela nunca me amou.
- Ela acha que não te ama, ou melhor, ela não quer te amar, isso é bem diferente de nunca ter te amado. E você a ama sim, nunca deixou de amar.
Gisele não tinha nenhum deboche típico dela na voz, estava mesmo sendo sincera. percebeu isso e bufou, frustrado.
- Eu amo a Lindsay!
- Você quer amar a Lindsay, amá-la, mesmo longe, é bem mais fácil que amar alguém que sempre esteve aqui e nunca foi sua de verdade. - foi a vez dela bufar de frustração. - E seria bem mais fácil se vocês percebessem logo isso em vez de ficar com essa coisa de bota casaco, tira casaco.
abriu a boca para tentar argumentar, mas Gih levantou a mão e cortou-lhe.
- Vocês se amam, . E deveriam ficar juntos o quanto antes, mas não enxergam isso. Não é a Lindsay, ignorância da , , Flávia ou qualquer outra coisa que vai mudar isso. A única coisa que pode acabar com tudo é essa falta de fé que vocês têm no que sentem. Tá mesmo afim de seguir com isso e talvez perder a única garota que você já amou na vida?
Ela queria ajudar, sabia disto, mas estava na hora de todos perceberem que se queriam mesmo servir de ajuda, deveriam tirar aquela ideia de que ele e eram um bom casal. Quantas vezes eles chegaram perto e depois não deu em nada? Alguém sabe como era ruim ficar longe dela e sem sua amizade? Eles não davam certo como casal, nunca dariam e já sabiam disto, agora restava todos os outros saberem.
- Você não sabe nada disso, Gisele. Quando foi que amou alguém além de nós que somos seus amigos? Eu nunca te vi com ninguém! Sei que quer ajudar, mas faça isso quando entender do que fala. Porque ao contrário de você, eu entendo.
Gisele encarou e precisou baixar o olhar para que não chorasse na frente dele. Ele não podia achar-se melhor que ela só porque já tinha namorado várias, ela, diferente dele, apenas esperava a pessoa certa e sim, já tinha passado alguns dias para baixo se perguntando por que ela era a única que não estava com ninguém. , que se dizia alguém tão perceptivo e amigo, nunca percebia o quanto sua autoestima estava baixa às vezes, não via que nem sempre ela estava tão sorridente como era, claro que não, ele preferia apenas falar de seus muitos relacionamentos e falsos amores. Mas ela finalmente parecia ter encontrado esse alguém que tanto esperava, e estava mesmo querendo dizer a ele a novidade, mas talvez ele não merecesse saber disto.
- Realmente. - confirmou com um maneio de cabeça. - Quem sabe mais de amor do que o cara que diz amar umas dez dentro de um ano, não é mesmo? Eu, uma mera mortal, nunca vou saber mais de amor do que você.
Depois de passado o calor da irritação e de escutar aquelas palavras, finalmente percebeu o quanto tinha sido grosseiro com ela. Encarou a menina e sabia, pelo vermelho que estava em seu nariz, destoando da sua pele muito branca, que ela queria chorar.
“Você é um babaca”, pensou de si mesmo.
- Desculpa, por…
- Só cala a boca e me leva para casa. Se você entende ou não de amor, eu realmente não ligo. - concluiu respirando forte e olhando para frente para conter as lágrimas.
- Eu só…
- Cala a boca. - repetiu, pondo fim naquela conversa.

e estavam conversando por mensagem, como sempre costumavam fazer, quando ele decidiu contar a briga que teve com Gisele.
“Gisele e eu estamos brigados, ela já te contou?”
“Hã? Como você conseguiu a proeza de fazer a Gih se irritar contigo? Ela releva qualquer coisa que você possa fazer hahaha… Relaxa, amanhã vocês já estão de boa.”
“Acho que dessa vez pisei na bola.” escreveu, lembrando de como foi estúpido apenas por escutar a verdadeira opinião da amiga.
“Detalhes. Quero detalhes…”
Antes da resposta chegar, ficou se perguntando o que droga ele poderia ter feito para irritar Gisele. era chato e poderia irritar muita gente, mas não Gih. A menina o amava como não parecia amar ninguém, ele era como se fosse o irmão mais velho dela. Seja lá o que tinha sido, deveria ser sério.
Como estava demorando para responder, ela mandou uma mensagem para Gih.
“Como assim você brigou com o seu amor? O que aconteceu?”
A resposta de Gih e acabaram chegando na mesma hora.
“Ela queria me convencer de algo que eu sei que não é verdade… Perdi a paciência, mas vou me desculpar.” respondeu.
“Ele já te contou? Eu apenas disse o que todo mundo pensa.” Gih enviou.
“O que era?” mandou para os dois, curiosa e disposta a ajudar naquela questão.
“Que vocês se amam, mesmo que não queiram enxergar isso. E essa coisa de só amigos não vai durar. Nunca dura.” Gisele mandou, já se preparando para talvez também escutar coisas parecidas com as que escutou de .
leu a mensagem e ficou sem saber o que responder. Todos achavam que eles se amavam? Será que estava certa e aquilo que ela sentia era mesmo amor? Não, claro que não. Quem ama não deixa a pessoa ir viver com outra, não é mesmo? E ela deixou, ela sempre iria deixar ele seguir a vida dele se soubesse que esse era o melhor.
Durante seus devaneios sobre amor e o que ela sentia, sentiu o celular vibrar com a resposta de . Tomou o celular na mão já sentindo um frio na barriga. E se lá estivesse escrito que iria se desculpar com Gih porque ela estava certa? O medo de deixar alguém que talvez amasse ir embora estava dentro dela, por isso, começou a ler a mensagem pensando que talvez, apenas talvez, valesse a pena quebrar aquele trato. Mas todos os seus planos acabaram quando ela leu a mensagem de .
“Já disse: bobagem. Nada que realmente tenha importância para mim, foi por isso que a gente brigou: ela queria que eu me importasse.”
Talvez estivesse mesmo perto de amá-lo, ou até mesmo já estivesse o amando, ela não sabia qual das duas opções melhor se encaixava, mas depois daquela mensagem ela encontrou algo que encaixava perfeitamente: não importa o que ela sentia, os dois jamais estariam no mesmo timing.

Capítulo 22


“Foi o seu sorriso, o seu jeito tímido. As suas manias, suas chatices. Foi a sua roupa, o seu cheiro. A sua vergonha, a falta dela.
É você, sempre foi você. Eu que não percebi antes. Tinha que ser você, por isso é você, sempre será você.
É esse teu jeito de me irritar, essa tua mania de fingir não ignorar. Esse teu poder de saber voltar quando tá sendo esquecido. É esse teu senso de humor que sempre me faz rir, ou a falta dele quando quer me tirar do sério. É você, não tem como mudar.
Isso fica claro todas as vezes que tu me escutas, que tu me entendes. Todas as vezes que de alguma maneira a gente volta ao passado, quase muda o presente. Cada vez que a gente ri de coisas nossas, no nosso mundo.
Resumindo, foi, é, será você. Você.”

leu o texto que tinha acabado de escrever e suspirou, não saía de sua cabeça, nem mesmo depois daquela maldita mensagem. Só de lembrar que antes de ler cogitava tentar algo com ele, ela sentia vergonha. Era por isso que não gostava de sentir nada por ninguém, as pessoas tendem a ficar tão bobas quando se apaixonam.
Seus pensamentos foram interrompidos com a entrada de em seu quarto. Intimidade é mesmo uma droga, a amiga nem batia mais na porta.
- Que cara é essa? - perguntou com um sorriso terno no rosto.
Se sempre carregava o sorriso nos rosto por onde andava, agora que tinha voltado com esse sorriso estava ainda maior.
- Estou pensando em como ficamos bobos quando sentimos algo por alguém. - respondeu, claramente frustrada e cansada daquela confusão em sua cabeça.
- Você sabe que pode contar para ele, não sabe? – sugeriu, arqueando uma sobrancelha.
- Não é o bastante, nunca vai ser. Ele quer que eu o ame, . E eu nem sei como se faz isso.
riu de maneira carinhosa, se compadecendo da situação da amiga.
- Não existe uma fórmula para amar, . Ninguém escolhe o momento certo de amar, acontece, quando vê, já amamos.
- Então por que raios ele me cobra isso? – ela indagou, exasperada.
- Porque o amor que o tanto prega, não é o amor de verdade.
- É isso que eu tento dizer pra ele! - exclamou, feliz por alguém entendê-la. - Ela não me ama.
- Epa! Eu não disse isso. - corrigiu. - Eu disse que ele prega um amor falso, mas não disse que o que ele sente por você é falso. Ele só se confunde e acha que é tudo a mesma coisa. O tá tão acostumado a fingir sentimentos para as namoradas da vida, que ele já não sabe até onde é fingimento e até onde é verdade. Mas por você, … Nada me tira da cabeça que por você é de verdade.
- O que só deixa tudo pior, se quer saber. - bufou. - Eu não o amo, , não desse jeito. E como amigo eu o amo demais para colocá-lo em um relacionamento desigual. Ele merece muito mais que isso.
- , você foi capaz de guardar tudo para si só para não atrapalhá-lo. O perdoou por ter sumido da sua vida, se preocupa tanto com o coração dele que tá disposta a quebrar o seu. Você não acha que isso basta?
podia enxergar o amor ali, em cada frase da sua amiga, mas não acreditava que pressioná-la era o melhor caminho. Ela precisava descobrir sozinha para que não houvesse dúvidas. Por isso, apenas tentou mostrar o quanto aquilo já podia ser grande.
- Não há nada melhor do que o sentimento altruísta como esse. Isso basta.
Como queria que alguém a entendesse de verdade. Aquilo que sentia podia bastar para todos, até mesmo para , a pessoa mais amorosa que ela conhecia. Mas não bastava pra ela, ou melhor, ela não achava que bastava pra alguém que ela se importava tanto.
- Pode bastar para você, e até para o mundo inteiro, . Mas isso só me mostra que o mundo inteiro não tem uma relação como eu tenho com o . Eu posso não amar como vocês amam, posso não sentir o que vocês sentem, mas eu o amo demais como amigo, mais do que quase tudo nesse mundo, e ele não merece menos que o máximo. E eu sou incapaz desse máximo.
- Mas e se você tentar…
riu sem humor ao lembrar-se da sua quase tentativa de dias atrás.
- Eu quase tentei, se quer saber. Cheguei a cogitar que valia a pena. Mas o desistiu, ele deixou isso claro no mesmo momento que achei que a gente pudesse estar juntos. Nunca vamos estar no mesmo tempo, e não há prova maior que é melhor deixar assim.
- Eu sinto muito, . - falou, passando a mão carinhosamente no braço da amiga.
- Eu também sinto, . Mas é o melhor.

estava em casa pensando em um jeito de se desculpar com Gisele. Odiava a ideia de que ela estivesse magoada e por isso, precisava logo dar um jeito naquela situação. Gih era sua irmã postiça, aquela pessoa que ninguém podia brigar além dele, aquela que ele não deixaria ninguém magoar. Mas, olha que surpresa, ele tinha a magoado. Precisava fazer algo.
Enquanto pensava em um jeito de se desculpar, Gih estava em casa esperando, com muita ansiedade, a chegada da pessoa que há semanas vinha mexendo com ela. Que surpresa foi quando viu alguém que ela sempre teve como amigo se tornar algo mais. E não foi nada forçado, nem mesmo estranho, foi tão natural que fez ela se perguntar por que nunca tinha rolado antes. Bom, ela sabia a resposta: antes ele gostava de outro alguém. E ela tinha visto tudo isso, tudo mesmo, até mesmo o dia que o coração do garoto fora quebrado e que mesmo ele tentando se manter bem, ela sabia que ele não estava.
Não se apaixonaram enquanto ela escutava as dores dele, se apaixonaram enquanto ela agia como sempre e sem nem perceber, acabou sendo a bela distração que ele precisava.
Foi assim que tudo aconteceu.
Entre um riso e outro, um silêncio bom que ninguém mais proporcionava, uma atenção, foi assim que tudo aconteceu.
Gisele escutou alguém tocar e correu para abrir a porta já com o coração acelerado. Quando abriu não encontrou quem desejava, mas sim, com um sorriso tímido no rosto e cara de cachorro que caiu da mudança.
- Será que você deixaria um amigo arrependido entrar?
“Na verdade não. Mas nada pessoal, sabe?” Gih pensou em dizer.
- O que foi? - ela perguntou, nervosa do outro alguém chegar com ainda lá.
- Não vai me deixar entrar? - o rapaz perguntou um pouco ofendido.
- Tudo bem, entra. É só que eu estou um pouco apressada.
- Vai sair? - ele quis saber.
- Quase isso. - murmurou.
- Eu fui babaca e sei disto. Embora você esteja completamente errada sobre mim e a , você não merecia escutar aquelas coisas.
Gisele respirou fundo e achou que valia a pena se arriscar um pouco, desde que isso resultasse em tempo e coragem para falar umas boas verdades na cara de . Porque ele, mais do ninguém, merecia ouvir umas verdades dela. Merecia demais.
- Sabe, . Eu sempre te tive como meu melhor amigo, ou como a gente já falou: como o irmão que nenhum de nós dois tivemos. Mas às vezes me pergunto se você é mesmo isso tudo, ou melhor, se eu sou isso tudo para você. - começou a despejar enquanto olhava o rapaz nos olhos, na intenção de que ele não duvidasse de o quanto tudo que estava sendo dito mexia com ela. - Eu te escuto TODAS as vezes, escuto as mesmas conversas CENTENAS de vezes, e quando você não chega contando, eu pergunto. Não porque eu não tenho nada para falar, mas porque, para mim, é isso que uma amiga e irmã faz, ela percebe quando o outro não está bem e pergunta o motivo. Mas você NUNCA fez isso comigo, quer dizer, algumas, vamos te dar esse crédito. Mas isso quase nunca acontece. E eu sempre pensei: tudo bem, o está apenas muito confuso, isso é normal, depois ele me nota. Mas isso não aconteceu, nunca acontece. Então, não me venha me diminuir por ser uma amiga que você jamais soube ser de volta. Porque você fala da , mas é pior que ela, é você quem não enxerga muita coisa além de você mesmo. Não me enxergou e agora também se nega a entender a verdade sobre si próprio.
- Acontece… - começou a falar, achando que ela já tinha terminado, mas foi interrompido.
- A garota que você ama pode até ser um pé no saco com essas coisas de sentimentos. Mas ela escuta as amigas, cuida de você, te aceitou quando qualquer pessoa se negaria a ter sua amizade de volta. Você deveria pensar mais em quem faz isso por você. E nem falo por mim, mas por ela. Se você olhar para as coisas, além do seu próprio umbigo ou sentimentos, vai perceber que a todo momento ela mostra que te ama. E você deveria agradecer por não ser do seu jeito, mas sim do dela, é mais sincero.
Estava sendo péssimo escutar tudo aquilo, claro que estava. Principalmente porque cada palavra, além de dura, vinha acompanhada por lágrimas da garota a sua frente, provando que tudo que estava sendo dito era mesmo sentido.
- Ela me disse que não me amava, ela escolheu dessa maneira, não fui eu. E eu não vim aqui falar da , estou aqui para falar da gente, me desculpar. Eu não deveria ter dito aquilo, eu apenas estava irritado. - bufou, sentindo uma dor no peito por ter magoado tanto sua amiga. - Eu amo você, Gih. E eu não me imagino sem sua amizade. Porque eu sou mesmo um grande idiota e egoísta, mas com você eu me sinto menos pior, alguém que ama incondicionalmente outra pessoa.
A menina escutava tudo calada, apenas com lágrimas escorrendo dos olhos. Esquecendo, até, que não deveria demorar tanto naquela conversa.
- Eu falhei, e pelo que você falou, falhei mais vezes do que eu tinha ideia. Mas me desculpa e promete que nunca mais vamos brigar na vida. Eu posso ter sido um cuzão esse tempo todo, mas eu realmente amo você, pentelha. Amo demais.
Não esperou que ela lhe demonstrasse perdão, puxou-a para um abraço do mesmo jeito.
Gisele era a melhor menina que ele conhecia. Um coração puro e uma boca grande que lhe encantava e o tirava do sério. Ela merecia tudo de bom, e ali, abraçado a ela, prometeu que jamais faria algo parecido e nunca permitiria que ninguém fizesse.
- Desculpa por ser uma babaca. - falou baixo, ainda abraçado a mesma.
- Tudo bem. - a menina respondeu com lágrimas nos olhos, mas não teve tempo de chorar, escutou seu celular tocar e largou o abraço.
Era ele.
Gih pensou em não entender, mas isso não fazia sentido. Se não queria que descobrisse, o melhor era que ela atendesse e falasse que não era um bom momento.
- Oi. - Gih falou, tentando parecer o mais natural possível.
- Olá. - a outra pessoa respondeu animada. - Sei que estou atrasado, mas é que..
- Tudo bem. - ela cortou. - É que estou um pouco ocupada agora.
- Por que você está falando assim? - ele perguntou, divertido. Gisele nunca era tão contida.
- Tô ocupada, garota. - ela falou, fingindo achar graça em algo que não existia. - Um amigo meu está aqui, depois te ligo.
- Aaah. Entendi. Tudo bem! Depois você me conta como foi. Te adoro.
- Também.
- Quem era? - perguntou, desconfiado. Gih não parecia estar tão normal. Será que não tinha o desculpado de verdade?
- Uma amiga minha.
- A Mari?
- Não. Uma menina que mudou de turma e agora está na minha sala. - ela respondeu, rápido demais para quem estava realmente segura.
- Hum. - respondeu, mas logo depois emendou: - Você ainda tá com raiva de mim ou algo assim?
- Hã? Por quê?
encarou a menina e deu ombros.
- Sei lá, tá estranha.
- Não é nada. Eu só não gosto de ficar tão emotiva. - falou e deu de ombros, tentando parecer natural.
- Bom, vou indo. Novamente, desculpa por tudo.
Gisele abriu um sorriso e abraçou forte o amigo. Era difícil ter raiva dele. era um cara legal e sabia se comportar como um príncipe.
- Tá tudo bem agora. É só não ser mais um babaca. Nem comigo, nem com ela.
- Tudo bem, mas confia mais em mim. - ele falou, dando aquele sorriso de lábios fechados que sempre dava quando estava sem jeito. - Não temos futuro. Independente de qualquer sentimento, não daríamos e eu quero muito que você me apoie nisso.
- Ainda acho roubada. - Gih falou, erguendo uma sobrancelha e com um sorriso zombeteiro nos lábios.
- Não é. - ele respondeu rolando os olhos, mas também rindo.
- Tudo bem. Se é isso que você quer, estou contigo.
- É por isso que te amo. - ele finalizou, puxando a menina para um abraço apertado.

estava saindo de mais uma das inúmeras baladas que tinha frequentado naquele final de semana, quando viu um rosto familiar no meio das dezenas de pessoas. Era .
Sentiu como se seu coração tivesse saído do lugar e caído diretamente na sua barriga, porque tudo dentro de si gelou, até as suas mãos ficaram geladas. Pensou em logo virar-se e fingir que não tinha o visto, mas antes de fazer isso, ele já estava sorrindo, o que lhe obrigou a dar meia volta e ir falar com ele.
, assim como , não entenda muito sobre sentimentos, mas ela entendia muito bem sobre erros, e sabia, que mesmo no estilo de relacionamento que ela tinha tido com , tinha errado com ele. Por isso, ter uma conversa com ele era algo do qual ela fugia. Gostava de , ele sempre foi um bom garoto, tão bom que não merecia o erro que ela cometeu e nunca soube como se desculpar ou pior, lidar com um ainda possível sentimento dele para com ela.
- Achei que fosse fingir que não tinha me visto. - falou, sorrindo e tirando a menina dos seus próprios pensamentos.
- Você não me deu esse tempo todo - respondeu em tom de brincadeira, mesmo que aquilo fosse mesmo verdade.
- Acho que quase quatro meses já é tempo o suficiente. - ele respondeu em uma mistura de brincadeira com acusação. - Fiquei preocupado com você, sumiu de verdade.
- Acho que depois de tudo, eu não era a pessoa que todos faziam questão de ver.
- Eu não estava te odiando, acho que a te falou isto.
- Vamos lá pra fora? Aqui tá muito barulho. - pediu. Se fosse pra ter aquele tipo de conversa, que não fosse aos berros, ao menos.
Caminharam em silêncio até fora da boate, e nesse meio tempo se perguntava como aquela conversa terminaria. Será que iram se pegar novamente? Ela iria mesmo querer? E ele, iria tentar?
Quando já estava em um lugar silencioso e longe da multidão que se aglomerava na fila, começou a falar.
- Você não precisava ter fugido de mim como o diabo foge da cruz.
- Eu não sou boa em me desculpar e essas coisas, e sabia que tinha que fazer isso, então… Acho que eu só quis evitar um clima ruim. - confessou.
- Entendi. - respondeu, com as sobrancelhas unidas. - Mas, e aí? Você está bem?
sorriu internamente. Bom, ele não parecia estar com raiva, então, já suspeitava em como aquela noite iria terminar. Tentou agir casualmente e respondeu:
- Tô sim, e você? Aproveitando muito?
riu um pouco com a pergunta. Estava aproveitando, mas certamente não da maneira que ela pensava.
- Eu tô bem, também. E acho que dá pra responder que sim, para a segunda pergunta também.
- Tava procurando diversão hoje? - perguntou, não conseguindo conter uma curiosidade que nem ela sabia que tinha.
- Na verdade, não. Um amigo de infância tava comemorando o aniversário.
Fez-se um silêncio desconfortável que estava deixando maluca. Ela nunca ficava calada em situação alguma. E muito menos, sem saber o que falar. Tentando chegar logo ao ponto que ela sabia que chegaria, foi pra frente de e colocou um sorriso no rosto.
- Quão magoado você ficou comigo?
- A gente não tinha nada a sério, embora você saiba que eu acabei esperando por isso. Acho que fiquei o equivalente a qualquer pessoa que descobre que sua ficante, também ficou com um dos seus melhores amigos. Se fosse qualquer outro, acho que eu só teria ficado frustrado comigo mesmo.
“Pergunta errada” pensou. Se queria terminar aquilo com beijos, precisava se desculpar e colocar um tema divertido na conversa.
- Desculpe por isso. Eu fui uma idiota e sei disto. O que a gente tinha era algo legal, sinto falta às vezes.
conhecia o suficiente para saber o que aquela frase, junto com aquele tom de voz e aquela cara queria dizer. Ela estava querendo ficar com ele.
Não sabia se achava a menina cara de pau, ou madura demais pra deixar as coisas do passado, no passado. Mas de qualquer maneira, aquilo não interessava mais.
Deu um sorriso um pouco convencido. Qual é, quem não se sentiria bem em dar uma volta como aquela? Fazia bem para o ego de qualquer um. Não dava para julgá-lo.
- … Você tá…
- Só se você estiver também. - responde, com um sorriso divertido. - Se não, a gente deixa pra lá e ignora. - deu de ombros.
respirou fundo, estando até ele mesmo duvidando das próximas palavras.
- Então, ignorado. - respondeu e sorriu, tentando não deixá-la constrangida. - Vou voltar para a festa, não some novamente. Xau.
E antes da menina responder qualquer coisa, puxo-a para um abraço e lhe deu um beijo no rosto.
- Volte a frequentar a turma.
Mesmo ainda um pouco chocada com o fim totalmente diferente do que esperava, conseguiu recobrar os sentidos e responder.
- Claro. - sorriu. - Xau pra tu também.
Enquanto entrava na boate com uma mistura de surpresa, felicidade e vontade de beijar - não , outro alguém, - ficou do lado de fora pensando que queria muito mais um beijo dele, mais do que fazia ideia.
A vida pode ser um pouco injusta, às vezes. Mas há momentos que ela é completamente justa e te dá exatamente aquilo que você plantou. E ela sabia que tinha colhido um toco muito merecido.

***


Aquela amizade de e , mesmo que natural, já que sempre se adoraram, não estava sendo tão fácil. Era ótimo ter o melhor amigo por perto, mas sempre desconfortável para lidar com os olhares de garotas que ela sabia que podiam se tornar namoradas de depois. Para também não era tão fácil, embora parecesse, ele tinha plena certeza que só queria a amizade dela naquele momento, mas via-se constantemente encurralado na própria proposta e com vontade de beijá-la. Seu cérebro já sabia o que queria, o problema era fazer seu coração entender.
Estavam trocando mensagens sobre trivialidades quando, entre uma brincadeira e outra, acabaram se provocando como antigamente, no início de tudo, e o teor das mensagens começaram a mudar.
“Você sabe que quer meu corpo.” brincou. Mesmo que sem desejo algum de retornar a amizade de antes.
“Eu? Por favor, você sempre me amou.”
“Amei, meu bem, amei. Hoje eu te aturo. Corta essa parte aí, porque ela não é importante.”
Aquele fim da mensagem fez lembrar da briga dele com Gih e de como ele se referiu ao assunto na época. Sabia que não fazia muito sentido, mas ficou brava ao ler aquilo e quando viu, já estava respondendo de forma um pouco irritada.
“Já percebeu que essas coisas perdem a importância rápido demais para você? Por essas e outras que nunca acreditei rsrsrs. Estava certa afinal, não?”
sabia que aqueles “rsrsrs” não eram verdadeiros, conhecia sua amiga o suficiente para saber que ela estava irritada e se sentindo no direito de cobrar algo. Mas quem era ela? Ah, sim, ela era a garota que negou a possibilidade de ter algo com ele durante todo esse tempo.
“Quando eu falei que seríamos só amigos, eu realmente quis dizer só amigos. Amigos se provocam, brincam, se zoam, mas não cobram sentimentos do outro. Então, vamos manter o trato, está bem? Você quis assim e não deve se sentir ofendida por eu querer também.”
Sabia que estava sendo um pouco grosso, mas tinha cansado de ser brinquedo nas mãos dela, mesmo que a menina nunca tenha o tido como diversão. O problema de e era esse: assim como todos, eles não eram perfeitos, mas cobravam essa perfeição de si mesmos. queria amar perfeitamente , e por não alcançar essa perfeição, se negava a tentar algo. E , ele queria um relacionamento perfeito, e se não houvesse, não valia a pena.
“Eu não estou cobrando sentimento algum de você, . Estou apenas relembrando um fato que TODOS os seus amigos sabem e comentam. Você finge amor. Mas não se preocupe, saberei meu lugar da próxima vez.”
Odiava quando ela colocava as coisas dessa maneira, como se ele tivesse feito ela ficar acuada.
“Chega, ! Chega! Eu me recuso a ficar com você por causa disto, na verdade, eu me recuso a ter qualquer tipo de conversa com esse teor. Eu te amei durante muito tempo, sempre estive aqui para você - ao menos, na maior parte do tempo, eu estive. E o que você sempre fez? Me mandou para longe, porque é isso que tu fazes, tu mandas qualquer pessoa que se importa contigo para quilômetros de distância. Eu tentei diversas vezes ficar, mas eu não sou perfeito e, da mesma maneira, não sou obrigado a te amar para sempre. Você vive querendo bancar a garota bem resolvida, desiludida, mas na verdade, espera viver um livro desses que você vive lendo, onde o “amor” fica até o final mesmo que a gente saiba que é apenas uma utopia. Mas deixa eu te dizer uma coisa: se a nossa história virasse um livro, não seria assim. Porque eu cansei de fazer o papel do trouxa que corre atrás de você para sempre. Não somos personagens de uma linda história de amor, sequer teremos papéis em uma história algum dia. Eu te amei muito, muito mais do que você pode imaginar ou acreditar, mas tudo tem seu fim, principalmente quando a gente se machuca tanto. E eu me machuquei o suficiente para cansar dessa espera. É por isso que não te amo mais. Não porque era mentira, balela, mas porque na vida real, nem todo amor suporta tudo.”
recebeu e começou a ler a mensagem cheia de raiva, mas conforme ia absorvendo as palavras, cada pedaço seu ia se quebrando um pouco. Era como se ele tivesse trincado todo seu coração, e nossa, como doía!
Mesmo sentindo uma dor muito maior do que ela poderia imaginar, se recusou a chorar e também a responder a mensagem. Deixou o celular de lado e foi tentar dormir enquanto falava para si mesma o quanto sempre esteve certa em relação a sentimentos. Eles não valiam a pena. não valia a pena.

Capítulo 23


Mari, Gih e tinham combinado de fazer uma noite do pijama. Coisa de adolescente, elas sabiam, mas é que já fazia tanto tempo que elas eram amigas que não se preocupavam mais com esses rótulos. Além disto, Mari parecia ter algo para falar e como boas amigas, as outras duas estariam ali para escutar sempre que fosse preciso.
- Conta logo o babado. - Gih disse sem muitos rodeios.
- Hã?
- Nem vem, Mari. Eu sei que você nos ama, mas a gente sabe que isso é porque você quer um conselho, quer um daqueles papinhos de garotas. - a menina disse e as duas amigas riram.
Mariana se deitou no meio das duas amigas e respirou fundo antes de falar.
- Vocês sabem que o tava tentando se reaproximar e tals…
- Aham. - as meninas responderam juntas.
- Eu sempre tentei deixar claro para ele que a gente não tinha chances, e eu até achei que ele estava aceitando isso, mas da última vez que fizemos nosso programa de amigos, ele simplesmente tentou me beijar.
- Mari, acho que no fundo você sempre soube que isso aconteceria, não? - perguntou, enquanto fitava o teto, assim como as amigas. - Todos nós sabíamos que ele queria algo mais que amizade.
- Sim. - a menina respondeu enquanto respirava fundo. - Mas eu apenas achei que ele fosse ver que seria melhor deixar as coisas como estão. Só que ele veio e me beijou e eu vi que não tem como deixar tudo como antes.
- Você não sente mais nada por ele? - Gih quis saber.
- Não sei. - ela sussurrou.
- Claro que sabe. - respondeu rindo e virou a cabeça para fitar a amiga.
Mariana retribuiu o olhar e de forma sincera e sem nenhum tipo de julgamento, perguntou:
- Você sabe exatamente o que sente pelo ? Tipo, sem nenhuma dúvida, sem nada…
Aquela era uma boa pergunta. Por mais que soubesse que sentia algo, que queria algo, ela não conseguia fazer aquilo ir para frente o suficiente para enfrentar tudo. Sempre havia aquela dúvida.
- Não exatamente. - foi obrigada a responder.
- É mais ou menos isso com o . Ele ainda mexe com algo dentro de mim, sei disso. Mas não é o suficiente para passar por cima de tudo, entende?
- Você acha que ele vai te trair?
- Não é exatamente esse o problema. Ele poderia fazer uma mágica e nunca mais olhar para outras garotas e ainda assim eu não me sentiria a vontade. - viu a confusão no rosto das amigas e respirou ainda mais fundo antes de voltar a fitar o teto e continuar. - Eu dei muito de mim ao daquela vez, mesmo que a gente não tenha tido um namoro de fato. E eu demorei muito para absorver tudo e ficar realmente bem com o que aconteceu. Quando ele foi ajudar a , todo preocupado, eu vi um que ele só era comigo e aquilo acabou comigo. Me fiz de forte, claro, não sou de estar morrendo por homem, mas ele conseguiu me magoar fundo. E é aí que mora o problema. Eu me quebrei em vários pedaços e custou me deixar inteira novamente. E embora ele nunca mais me quebre, eu acho que só de estar com ele eu é quem me quebro um pouco. Ficar com o é como dizer: tudo bem sofrer, tudo bem ficar aos cacos, tudo bem tudo isso. Nada daquilo teve importância.
Mariana fez um pouco de silêncio e mordeu o lábio, ponderado sobre coisas que ela só entendeu de verdade naquele momento.
Esperou as meninas falarem algo, mas as mesmas sabiam que ela precisava colocar ainda mais para fora, por isso, preferiram o silêncio. Quando ninguém falou, Mari continuou.
- Eu não sofro mais do que o necessário por ninguém. Não corro atrás. Não me abro para qualquer um. E eu não perdôo traição. Mesmo que ela tenha vindo antes do namoro de verdade.
- Acho que eu também não perdoaria. - Gisele respondeu sincera.
- Nem eu. - concordou.
- Olha, Mari. Eu amo o e acho que ele está arrependido, mas a gente colhe o que planta. De todos, a maior vítima foi você e por isso, não vou te julgar por não conseguir perdoar e recomeçar. Se você quiser tentar, tudo bem, mas se não quiser, tudo bem também. - Gisele finalizou.
esperou a amigas terminar de falar e depois falou:
- Quem sou eu para julgar através de alguém, não é mesmo? O que eu posso te dizer é que tenha certeza de que vai ser possível ser feliz e seguir com a escolha que fizer. Não fique com ele se isso for sempre te trazer alguma dor, mas também não deixe-o ir se vê alguma possibilidade de ser feliz.
- Por agora, eu não acho que eu consiga sem me machucar.
- Tudo bem. - as amigas lhe consolaram.
- Então é isso. O não tem mais chances comigo. - ela finalizou, um pouco triste.
Elas ficaram caladas, dando o tempo necessário que Mariana precisava, até que Gih disse:
- Você vai arrumar um homão daqueles de tirar o fôlego.
- Com um beijo maravilhoso. - continuou, rindo.
- Daqueles que te fazem esquecer até o seu nome.
- Que vai te deixar sem fôlego.
Continuaram nisso por mais algum tempo até que as três caíram na risada.
- Amo vocês, meninas. Amo vocês.
- Também te amamos.
- Agora, me contem da vida de vocês. Chega de falar de mim.
- Eu já falei da minha. Não ouviu? - perguntou, rindo.
- Se bem que todos nós sabemos um pouco demais sobre você e o , mesmo. - Mari concordou.
Como as duas já tinham falado, faltava apenas Gisele, que diga-se de passagem, vinha diferente quando tocavam nesses assuntos. As meninas olharam para Gih e deram um sorriso conspiratório.
- O que foi? - a garota perguntou quando viu os olhares das amigas.
- Você anda bem estranha, mocinha. - Mari acusou, levantando o dedo e rindo.
- E vive fugindo de papos como esse. - também acusou, rindo.
- Porque não tenho o que falar, ué! – deu de ombros.
- Não tem, ou não quer? - Mari indagou, erguendo a sobrancelha e encarando a amiga.
As duas se conheciam fazia bastante tempo e Mariana sabia que Gisele não aguentava muita pressão. Bastavam umas três insinuações e dois olhares fixos em seus olhos para que ela acabasse contando tudo que queriam saber. Diante disto, Mari usou tudo que podia para arrancar a verdade da amiga.
- Fala logo, Gih. A gente sabe que você tá com alguém. - ela disse, rolando os olhos pela relutância da amiga.
- Como vocês podem ter tanta certeza?
encarou a menina como se aquela pergunta fosse uma afronta a inteligência alheia.
- Você vive dispensando nossa presença. Tá cheia de ligações e mensagens. Parou de ficar brincando sobre os garotos que a gente vê. Tá até menos brincalhona sobre os sentimentos alheios.
- Todo Pokémon evolui, . - ela falou, como se fosse óbvio.
- Quando se está apaixonado se evolui até demais. - Mari brincou e voltou a encarar a amiga.
Gisele bufou de maneira exagerada.
- Você tem que parar de fazer essa cara. Isso é jogo sujo.
Mariana riu alto e bateu palmas.
- Finalmente você vai contar.
- Vou logo pedindo para aceitarem minhas informações, okay?
As meninas balançaram a cabeça em um sim e então ela continuou.
- Sim, eu estou enrolada com uma pessoa. - começou, um pouco envergonhada de falar daquilo. Gisele sempre tinha sido a ouvinte, era estranho para ela estar do outro lado. - Eu não falei nada antes porque não achei que fosse a hora, na verdade, nem acho ainda, mas se vocês insistem… A pessoa, que eu ainda não vou apresentar para nenhuma de vocês, é ótima. Ela tá me fazendo muito bem, tô sentindo coisas que nunca senti, sabe? - ela falou, sorrindo boba. - A gente começou com uma amizade comum, ele tava passando por uma barra e eu o ajudei, não servindo de lencinho nem nada disso, mas saindo, brincando, vocês sabem como sou. - as meninas riram, sabiam bem como ela era. - Mas resumindo, quando a gente viu, já tava rolando beijo e pronto, fomos nos aproximando e hoje estamos levando, vendo no que vai dar.
- Você não pode falar nem a primeira letra? - perguntou, fazendo carinha de coitada para tentar conseguir algo.
- Eu disse que vocês deveriam se conformar com o que eu falasse, não foi?
- Mas por que tanto segredo, Gih? - Mari indagou.
- Não é segredo, eu só acho que isso só deve ser dito se for dar certo. - deu de ombros.
- Tudo bem. Quando você estiver pronta para falar, a gente vai tá pronta para ouvir.
- Agora vamos mudar de assunto, chega desse mela, mela. - Gisele falou, balançando as mãos e fazendo cara de nojo.
- Tudo bem, vamos ver Garotas Malvadas e comer muita pipoca. A disse que vai fazer um doce que comem lá no Brasil.
se levantou, empolgada e falou:
- Preparem-se para comer o famoso brigadeiro de panela. O melhor doce que vocês já comeram na vida.

No dia seguinte, Gisele não seguiu de metrô junto com . Disse que tinha algo para fazer e por isso, tomaria um rumo diferente. Precisou negar o convite da amiga que insistiu em lhe acompanhar.
- Não precisa, . Vou demorar. Pode ir pra sua casa. - falou.
- Tem certeza?
- Absoluta.
Agora ela estava a duas quadras de distância da casa de Mariana, esperando o carinha que fazia seu coração acelerar, chegar.
Quando o carro preto parou perto de onde estava, viu o vidro baixar e ele lhe dar um sorriso encantador.
- Olá, gatinha. Caiu do céu? Porque linda assim só pode ser um anjo. - ele indagou, brincalhão.
- Para de ser idiota. - Gisele respondeu, gargalhando enquanto entrava no carro.
- Bom dia, gatinha.
E deu-lhe um selinho.
- Bom dia, gatinho. Vamos para onde?
- Pensei em darmos uns de turistas por aí, que tal?
- Por mim, ótimo. - ela respondeu, sorrindo de orelha a orelha.
- E aí? Como foi a noite? - ele perguntou quando deu partida no carro.
- As meninas me fizeram falar de você. Quer dizer, não exatamente de você, mas da pessoa que eu tô gostando e tals. - ela respondeu, meio sem jeito.
- Gostando? Que insulto! Achei que estava perdidamente apaixonada.
- Isso eu deixo para você, baby.
- Vai achando.
Fez-se um silêncio diferente, queria dizer mais alguma coisa, mas nem ele mesmo sabia quais deveriam ser as próximas palavras. Assumir que realmente estava apaixonado? Ele estava mesmo? Pensou que talvez fosse até mais que isso.
- Vamos. Nosso dia será cheio. - ele escolheu falar.

estava na frente da casa de Mariana, esperando que ela saísse para que eles pudessem ir ao restaurante, como tinham combinado. Não sabia muito o que aquilo significava, a última vez que se viram ele tinha tentado beijá-la e ela recuou sem dar muitas explicações. Estava torcendo para que aquilo significasse algo bom, estava colocando toda sua fé nessa chance.
Quando viu a garota abrir a porta da casa e vir ao seu encontro, já preparou todo o discurso para que qualquer resquício de raiva pudesse ir embora e eles se entendessem de uma vez.
- Oi. - Mari disse quando entrou no carro.
- Oi. Olha, eu queria te pedir desculpas pelo outro dia, não deveria ter feito aquilo assim, sendo que eu tinha dito que seria de maneira totalmente platônica. Foi injusto. Sei que acabei te pegando de surpresa.
- Que bom que você percebe isso, mas vamos apenas deixar isso pra lá e seguir como antes. Nós dois juntos foi algo que passou.
Por essa não esperava.
- Mas eu quero retomar, Mari. Hoje eu tô aqui pra deixar tudo claro pra não te deixar em choque novamente.
- Retomar?
- Sim. Eu sei que errei, nem preciso que você me lembre disto. Mas eu gosto de você, Mari. Gosto de verdade.
ia falando e aos poucos aproximando a mão do rosto de Mariana, que escutava tudo calada e sem se mover.
- A gente pode dar certo, é o que mais quero. Que a gente dê certo dessa vez.
- , a gente já teve essa chance. Eu já te dei essa chance…
Dessa vez o rapaz segurou de verdade o rosto dela e a olhou nos olhos para dizer:
- Eu fui idiota demais pra perceber que você era muito mais que uma amiga com potencial pra namorada. Mariana, você é a única pessoa que demora mais de três minutos seguidos na minha cabeça. É a única garota que eu convido pra jantar e ir ao cinema. Eu gosto de verdade de você, e eu sei que você também sente algo. Apenas me dê uma chance pra mostrar que vale a pena.
Mariana baixou o olhar e depois voltou a encarar seu amigo.
- Mostrar como, ? Como você vai mostrar que a gente ainda pode ter algo?
- Fazendo isso.
E sem mais avisos, com as duas mãos no rosto da garota, ele a tomou pra si em um beijo cheio de desejo e pressa. Era tudo ou nada naquele momento, e ele precisava despertar nela o que há muito percebia que a mesma tinha despertado nele. E ele sabia que existia algo adormecido ali, torcia muito para que o beijo acordasse tudo. Mas não teve a resposta que ansiava.
- Se afasta, . - Mari pediu quando percebeu que ele emendaria mais um beijo daqueles.
- O quê? - o rapaz indagou, parecendo ainda estar dentro das emoções do beijo.
- Se afasta. - e sendo mais direta, Mariana tirou as mãos dele de seu rosto. - Eu vou embora, está bem? Chega dessa ideia de sairmos como amigos ou sei lá mais o quê.
- Mas, Mari…
- Se você sente realmente algo por mim, respeite meu espaço. Eu não quero mais que isso se repita.
- Você correspondeu o meu beijo. - apontou.
- O que não quer dizer que eu confie em você e queira voltar a ter algo contigo.
acabou se desesperando um pouco. Aquela noite estava muito diferente do que ele havia planejado.
- Eu mudei, Mari. Acredita em mim.
- Não se trata apenas de você não me trair, . Se trata de mim e dos valores que eu tenho.
- Isso é orgulho.
Mariana riu sem humor. Ele não tinha o direito de se sentir ofendido ou algo do tipo.
- Talvez. Cada um com seus defeitos.
E sem mais palavras, saiu do carro e tornou a entrar em casa.

- E foi isso. Eu vi o e ele me deu um toco daqueles. - terminou de contar a história a .
- Pudera, né? Você some por não sei quanto tempo logo depois de ficar com um dos melhores amigos dele e quando volta quer beijinho? Se toca, .
- Eu não sei o que me deu, ok? Eu estava carente, sei lá. O é muito gente boa, era bom ficar com ele.
- Tivesse pensado nisso antes. Mas e aí? Como você ficou com isso?
- Envergonha, claro. Mas vamos que vamos.
- Eu quis dizer se você não sentiu, sei lá, dor?
- O ainda não é o cara que vai me fazer chorar por amor, . Se é isso que você quer saber. Fora a vergonha, acho que de resto foi normal. Talvez seja mais estranho ver ele com alguém, ou não. Até agora tá tudo bem.
- Que bom então, . É…
Mas antes de terminar a frase escutou a campanhia tocar e levantou do sofá para atender.
Era .
- Posso entrar?
- Ér… Claro.
Que droga de coração acelerado era aquele? sentia que ele iria sair pela boca.
- ! - exclamou, já pulando do sofá.
- Quanto tempo, .
- Né?!
Depois de olhar para os lados sem saber muito bem o que fazer, emendou:
- Vou indo, . Mais tarde a gente se fala. - pegou a bolsa apressada e já na porta, falou: - Foi bom te ver, . Aparece mais qualquer dia desses.
- Ela sabe que foi ela que sumiu, né? - perguntou rindo a quando fechou a porta.
- Já desisti da . Mas, o que você veio fazer aqui?
- Dois dias de silêncio total, nem xingamentos foram enviados. Pensei em casa que talvez eu tenha sido meio grosso e magoado um certo alguém. - comentou como quem não quer nada e no fim deu seu velho sorriso de lábios fechados.
- Entendi.
- Talvez eu tenha passado um pouco da dose, mas é que eu não sou tão bom quanto você com as palavras. Eu só…
- Tudo bem. Talvez eu também tenha exagerado um pouco, não foi pra tanto. Dava pra eu ter falado contigo antes. É só que minha cabeça tá a mil, . Eu não sou boa com nada dessas coisas. - ela falou, enquanto se dirigia pra perto do sofá.
- Sua cabeça tá a mil por causa da gente? - indagou e sentiu a barriga fazer um loop com a pergunta.
- Talvez. - foi tudo que conseguiu dizer com ele lhe encarando.
- O que você tá fazendo com a gente, ? - indagou, parecendo com a cabeça tão a mil quanto ela.
- Eu não sei. A gente nem deveria mais estar tendo essa conversa, não foi esse o combinado? Você mesmo estava decidido a deixar assim, eu também estava. Mas olha só, já estamos aqui novamente tendo o mesmo tipo de conversa. - começou a falar, parecendo prestes a explodir se não colocasse tudo pra fora. - É muita coisa nova, sabe? É confuso demais pra mim. Provavelmente pra nós dois. Tava tudo tão bem resolvido, principalmente depois de eu saber que você brigou com a Gih porque não queria escutar ela dizer que a gente estaria aqui como estamos hoje. Eu tinha aceitado isso. Mas do nada eu começo a ficar estranha e dói pensar na realidade. Quando percebo já mandei mensagens como aquela pra você, mesmo que eu tenha total capacidade de aceitar a realidade. Eu não sei o que sinto.
não sabia se ela tinha mais alguma coisa pra falar, na realidade pouco importava para ele, apenas aproveitou aqueles segundos de silêncio e fez a única coisa que ele sentia no momento. A beijou. Com tanta vontade, tanta urgência, que mal se reconheceu.
Tomou pra si e a empurrou de encontro a parede. Parecia a única forma de se conter e não cair com ela em qualquer lugar.
Segurou firme pela cintura da moça, e quando a sentiu passar as mãos pela sua nuca, levou as duas mãos aos cabelos dela e os puxou. Não sabia se pela paixão ou por carência, mas aquele ato surtiu mais efeito do que ele esperava nela. Temendo que aquele momento escapasse de suas mãos, a guiou pra uma mesa sem separar sua boca da dela. A encostou lá e com um pouco de impulso fez com que ela sentasse na mesa. Não precisou fazer nada para que entendesse que precisava dar espaço para que ele se aproximasse. A puxou pra si e se perdeu naquela sensação quando sentiu as pernas da garota pressionarem seu corpo. Aquilo tudo estava sendo recíproco. Era bom saber disto.
não conseguia pensar se aquilo era ou não correto, muito menos na conversa que poderia vir depois. Ela apenas sentia, em cada milímetro do seu corpo e do seu coração, que precisava daquilo mais do que fazia ideia. Os toques de estavam diferentes de como ela se lembrava. Tinha mais ousadia, mais urgência, mais desejo, mais desespero. E foi quando sentiu esse último que ela separou suas bocas, mesmo que sem soltar o rosto dele. Sabia que tornaria a beijá-lo antes mesmo de pensar mais sobre aquilo, a ânsia já estava lhe consumindo, mas infelizmente ele não tornou a beijá-la como ela torcia para que ele fizesse. Em vez disso ele falou. E conversa era tudo que ela não queria naquele momento. Porque ela sabia que não podia pensar se fosse viver aquilo.
- Eu precisava disto.
- Não fala. - ela pediu, fechando os olhos pra tentar não ver o que não queria.
- Hã?
- Não fala, não estraga o momento. Só me beija.
E ele beijou. Beijou avidamente na intenção de acalmar a garota a sua frente, e pensando já ter acalmado, tornou a falar:
- Eu quero você, . Eu preciso de você.
- Eu…
- Eu te amo.
E ali, no momento em que ela pretendia dizer que também queria ele, conseguiu estragar tudo com apenas três palavras. O momento fora arruinado. E infelizmente não dava para apagar tudo com um beijo.
o empurrou de leve para que saísse do meio de suas pernas e ela pudesse descer. O toque ainda causou arrepio nos dois, mas não foi o suficiente para que toda a paixão voltasse à tona.
- Ér, eu acho melhor você ir. - disse, sem conseguir olhar nos olhos de .
- Você quer que eu vá embora? - indagou, parecendo magoado.
- Eu preciso que você vá embora. - respondeu, dessa vez olhando em seus olhos. - E por mais que você não entenda, isso quer dizer uma coisa totalmente diferente da outra.
- Você vai fazer novamente. Vai dizer que não quer a gente.
riu sem humor.
- Eu preciso me entender, ainda mais com você dizendo que me ama. Na verdade é outra coisa que eu preciso entender, tenho que encontrar uma lógica nesse seu amor.
- Mas…
- Eu não tô te julgando, nem duvidando, eu nem consigo pensar em nada de maneira coerente. Eu só sei que preciso de um tempo, . Nada de bom vai sair se a gente conversar sério agora. Vai embora.
- Você tá me mandando embora minutos depois da gente ter se entregado como nunca?
- Por favor, me dá esse tempo. - choramingou, sem nem saber direito de onde vinha a vontade de chorar.
- Tudo bem. Tchau, .
- Tchau, .
já ia embora, quando virou e falou:
- Eu juro que queria te entender.
- Também queira. Assim como queria te entender. Quem sabe um dia. - e deu de ombros, dando um sorriso leve.

não sabia o quanto tudo aquilo poderia interferir em sua amizade recém reerguida com , por isso, ficou deitada na cama durante a noite sem saber se deveria, ou não, mandar uma mensagem para ele. Graças aos céus não precisou gastar tanto tempo naquela dúvida, já que ele, para a total surpresa dela, lhe mandou uma mensagem.
“O Henry me mandou uma mensagem perguntando se eu poderia te levar até a casa dele amanhã, parece que ele tá planejando algo. Vamos?”
agradeceu por ele não falar do que ocorrera mais cedo, já estava demais pensar naquilo sozinha, alguém lhe lembrando e querendo falar sobre seria ainda pior.
“Claroooo.”
“Vou precisar passar na faculdade antes de irmos pra resolver umas coisas, então, te pego umas dez pra não demorarmos (não acorde tarde pra não perdermos a hora).”
“Para de ser mala, não vou acordar.”
“Vou dormir, beijos.”
Ele estava tão normal, constatou. Um que ela não esperava ver depois de tudo aconteceu. Porque ela, definitivamente, estava diferente.
“Beijos.”
Se limitou a responder, sem saber mais o que falar.
A verdade é que aqueles beijos e tudo que aconteceu mexeu tanto com que ela nem sabia mais como agir perto dele. Não conseguia esquecer de cada toque, ao mesmo tempo que também não esquecia que ele tinha ousado dizer que a amava quando dois dias antes tinha falado que todo amor tinha acabado.
Durante aquele beijo estava entregue ao momento, sem se cobrar e também sem cobrar nada dele. Não fazia questão de palavras, achava que seus corpos já estavam falando o suficiente. Por isso, doía perceber que ele tinha usado daquilo para mentir, ou uma opção não menos pior para ela, que ele realmente fosse tão levado por um momento e por isso talvez nunca viesse saber o que era amor de verdade. O que automaticamente faria com que uma vida com ele fosse baseada em mentira no âmbito emocional. Não tinha uma boa saída. Mas ao mesmo tempo, ela não conseguia esquecer e não desejar estar em seus braços novamente.
Tentou escrever algumas vezes, mas parecia que nem isso estava funcionando. Então resolveu dormir, pensando que amanhã era um novo dia e talvez dia de trilhar novos caminhos.

acordou cedo como deveria e pontualmente às dez horas apareceu na porta de sua casa para buscá-la. Chegaram à faculdade um pouco antes das aulas terminarem e graças ao fato dos alunos ainda estarem em aula, a sala de espera estava praticamente vazia.
Era estranho para ter que voltar lá vez ou outra, ter desistido da faculdade foi uma daquelas coisas que não queremos, mas temos que fazer. Sua mãe não tinha como lidar com a loja sozinha e pagar alguém naquele momento não era uma opção. Já que seu pai nunca gostou muito do seu curso, a ajuda dele era algo que ela sempre soube que não teria. Então, ela apenas desistiu, preferiu fazer isso sozinha para que a mãe não precisasse se sentir culpada. Era melhor ela achar que escolheu sem pensar muito nela.
- Vai ser bem rápido, já volto. - disse assim que viu seu número de senha ser chamado.
- Tá bom.
Realmente não demorou muito, cerca de quinze minutos depois já tinha voltado.
- Vamos.
Os dois começaram a caminhar pelos corredores da faculdade e começou a lembrar de como tudo tinha começado. Ali naqueles corredores mesmo.
- A galera tá largando, é bom que a gente rever alguns.
- Aham.
Entre as pessoas que eles reviram, de longe reconheceu Celeste se aproximando. Logo a imagem dela e de se beijando lhe veio à mente, aconteceu depois do dia que ele ficou com a Flávia na boate.
Celeste até tentou ter algo a mais com , mas logo viu que não teria como enquanto ele vivesse grudado em , por isso, desde aquele tempo, ela torcia o pescoço sempre que via passar.
- , querido. - falou, já se jogando em seus braços para um abraço.
- Oi, Celeste. - respondeu rindo, achando engraçado aquela recepção.
- Você nem disse que ia mudar de turno. Um belo dia te procuro e descubro que você não está mais aqui.
- É, foi tudo bem rápido.
via tudo calada, apenas rolando os olhos vez ou outra para a voz forçada da garota a sua frente.
- A gente deveria marcar algo esses dias, curtir uma balada. Tem sempre uma galera animada pra isso.
- Claro, qualquer dia a gente marca sim.
- Não precisa ir acompanhado - ela brincou.
- Tu não mudas, né?
- Nunca, baby.
E os dois riram, apenas os dois, vale destacar.
- Mas é sério, a gente precisa mesmo marcar algo. Espairecer um pouco. Você pode ir, garotinha. - finalizou, olhando pra e dando um sorriso forçado.
- Obrigada, mas deixa pra próxima. - respondeu, retribuindo o sorriso. - Vou te esperar no carro, .
E sem esperar que o garoto a seguisse, começou a caminhar.
Embora não tivesse entendido o mau humor repentino de , achou melhor ir até ela.
- Preciso ir, Celeste. Até a próxima.
- Já vai?
- Sim, preciso ir até a casa de um amigo.
- Nos falamos, então?
- Claro. - ele respondeu no automático.
Quando já estava virando para ir embora, Celeste segurou seu braço.
- Não vai nem dar um abraço? Onde está seus bons modos? - e começou a rir.
- Claro, vem aqui.
deu-lhe um abraço rápido e logo seguiu para o carro.
Assim que chegou lá destravou o carro, e quando pensou em perguntar algo, já foi logo falando:
- Vamos logo que eu não quero chegar muito tarde na casa do .
- Tudo bem. - se limitou a responder.

Vez ou outra durante o trajeto olhava de lado para , e se não fosse sua perna balançando algumas vezes, diria que ela estava brincando de estátua. Não falava uma palavra sequer e não tirava os olhos da estrada, como se olhar aquilo fosse bem mais interessante que conversar com ele.
- Que merda você tem? - indagou quando já não lhe restava mais nada de paciência.
- Nada. - ela respondeu ríspida
- Claro que você tem. Desde a faculdade que você não fala nada. Tá o caminho inteiro parecendo uma estátua, com a cara feia. O que você tem?
- Eu já disse que nada, mais que merda! Talvez seja melhor você voltar a não me dar atenção como fez hoje na saída da faculdade, assim eu fico em paz. Quer que eu chame a Celeste? Acho que ela pode ajudar na hora de chamar sua atenção.
- É isso? - ele gargalhou enquanto dirigia - Primeira coisa: eu não te ignorei; Segunda coisa: a Celeste não tem nada a ver com isso...
- Vai dizer que você não tava amando ela se jogando pra você? Você só faltou babar.
acusou rolando os olhos em repulsa. Só de lembrar sentia vontade de socar a cara de .
- Ela não tava se jogando em cima de mim, não seja louca.
- Claro que estava, e você adorando - ela bufou.
- E desde quando você se incomoda com isso? Você tá com ciúmes? - ele perguntou com um sorriso cheio de prepotência.
ELA ESTAVA COM CIÚMES DELE.
- Eu com ciúmes? É claro que não. - respondeu da maneira mais convincente que conseguia - Por mim vocês podem fazer o que quiserem, podem ficar onde quiserem. Só não suporto aquela melação toda.
- Novamente te pergunto: desde quando você se incomoda com isso? É óbvio que você tá com ciúmes. - brincou.
- Eu já disse que não estou - ela gritou e ele olhou assustado - Quer saber desde quando isso me incomoda? Isso me incomoda desde quando aquela vaca faz isso de propósito só pra me irritar. Tá na cara que ela tava te usando pra me atingir. Você é um idiota babaca que não percebe isso. Na verdade até percebe, mas como o idiota que é, ama a ideia de me atingir, daí entra na brincadeira dela. Babaca.
- Chega - Foi a vez de gritar.
Para poder olhar nos olhos, manobrou e parou o carro no canto da estrada.
- O mundo não gira em torno de você, minha querida .- ele falou gesticulando as mãos de maneira irritada - É tão inacreditável assim que as coisas aconteçam sem que você tenha algo a ver com isso? Alguém só pode se interessar por mim se for pra te atingir? Eu só posso me interessar por uma pessoa se for pra lhe atingir? Você ao menos sabe que não é o sol? - perguntou irônico.
- Isso não tem nada a ver com o mundo girar em torno de mim - ela gritava em resposta. - Só estou falando a verdade. Admite, você sabia que isso tava me incomodando.
- A Celeste poderia até estar se jogando pra mim, mas eu apenas estava sendo educado com ela. O que você queria? Que eu ignorasse a garota? E outra coisa, se eu tivesse mesmo babando por ela, que mal tinha? Eu sou solteiro. - e frisou a última frase.
- Eu sei disso, . Você não quer voltar lá e fazer o que estava com vontade, não? Vai lá.
parecia quase fora de si enquanto apontava para trás.
- Eu não estava com vontade de nada! Mas que merda! - ele gritou - Mas você está certa, eu bem que poderia ir lá e dar uns pegas nela. Talvez assim eu me torne o tipo de cara que você gosta. Não é mesmo?
- Como? - ela perguntou confusa.
- Isso mesmo. Talvez se eu não der a mínima pra você, sair pegando todas na sua frente, te tratar como um nada, uma qualquer, você se interesse por mim. Não é de caras assim que você gosta?
- Cala boca! Do que você tá falando?
- Estou falando que é de caras assim que você gosta. Bom, você já me falou de um Paul que passou meses com você mas nunca te assumiu. Falou de outro que nem lembro o nome que te trocou pela ex namorada. Falou de outro que você nunca teve nada com ele, mas o esperou por meses pra no fim ele dizer que gostava de outra. Tu nunca namoraste, mas não quer dizer que nunca quis. Você gosta que te maltratem, você fala da Celeste, mas você tem tanto em comum com ela...
- Retire o que você disse! - disse entredentes e segurando a vontade de pular no pescoço dele e lhe acertar na cabeça.
- Você sabe que estou certo, a Celeste ama caras que não sentem nada por ela. Você é do mesmo jeito. Se eu fosse ao menos um pouco parecido com esses carinhas que você já gostou, te tratasse da maneira que eles te trataram, você estaria aqui babando por mim. Porque é disso que você gosta - ele cuspia as palavras com toda raiva. - Você gosta de ser desprezada, que te tratem como uma garota qualquer.
iria falar mais coisas, mas foi interrompido por uma tapa de em seu rosto.
- Eu te odeio, ! - ela gritou abrindo a porta do carro - Eu te odeio!
- Pra onde você vai? - ele perguntou ao vê-la sair do carro, furiosa.
- Você não precisa se preocupar com isso. Só não vou continuar no seu carro.
- Você sabe que eu não vou insistir, não sabe? - ele realmente não queria insistir, estava puto demais com ela.
- Não faço questão. Na verdade, a única coisa que quero é que você vá embora e morra no caminho. - falou irritada.
- Então, tchau.
Ele se esticou pra fechar a porta que ela deixou aberta e foi embora.
- Dane-se. Eu não tenho obrigação com ela. - falou pra si mesmo assim que deu partida no carro.
Bastou dar partida e ir embora pra cair no choro. Ela não conseguia acreditar que ele, logo ele, a tratasse assim. Se ele queria que ela se sentisse um lixo, parabéns, ele tinha conseguido.
Foi depois de uns dois minutos de choro que ela parou pra olhar onde estava. Era literalmente o meio do nada. Logo pensou em ligar pra alguém, mas viu que tinha esquecido o celular no carro. Isso foi motivo pra mais choro.
estava muito puto com a , se ela não fosse uma garota iria receber um bom soco como troco daquele tapa. Mas jamais faria isso com uma mulher, na verdade não era de trocar socos com ninguém.
Ele achava que estava certo naquela briga, afinal, só falou verdades. Olhou pra o lado e viu o celular dela tocando.
- Idiota.
Fez o retorno e foi buscar ela. Tudo bem que ele achava que ela não merecia, mas ele jamais a deixaria sozinha no meio do nada sem conseguir ligar pra ninguém.
- Você é um idiota, , por isso ela não tá nem aí pra você. - ele falou pra si mesmo.
Não demorou muito pra ele chegar onde ela estava. Estacionou e abriu a porta pra ela entrar, mas ela estava de cabeça baixa sentada numa pedra e nem percebeu. Então ele buzinou, assustando a garota.
- O que você quer? - ela perguntou limpando as lágrimas.
- Entra
- Eu já disse que não vou pra casa com você, será que pode me deixar em paz?
- E você vai pra casa como, então? Você sabe que corre risco de te assaltarem? - indagou irritado.
- Talvez com esse meu jeito de qualquer, algum cara goste de mim e pare pra me dar carona.
- E te estupre depois. Porque nesse meio do nada é bem capaz de acontecer isso. - ele falou irritado e ao mesmo tempo com raiva de si mesmo, ela não era uma qualquer - Entra logo, .
Ela continuou parada.
- Por favor, entra.
acabou cedendo. Ela sabia que era o melhor.
- Eu quero ir pra casa. Pra nenhum outro lugar. - falou, referindo-se ao antigo destino deles.
- Vamos pra casa - ele falou, se sentindo péssimo.
Os dois estavam calados o caminho inteiro. nem pra cara de olhou, olhava pra janela desde que entrou no carro. Já ele olhava quase que o tempo inteiro pra ela pelo canto dos olhos. Ele sabia que tinha pegado pesado, - não em tudo - e precisa se desculpar.
- Me desculpa, tá bom? Eu estava irritado, não pensei no que falei.
- Hum - foi a única coisa que ela disse.
achou melhor não falar mais nada, na verdade ele nem sabia mesmo o que falar, sempre foi péssimo nessas coisas.
- Não precisa me deixar em casa. Aqui tá bom. - finalmente ela falou alguma coisa.
- Para de bobeira, eu te deixo lá.
Novamente ela voltou a ficar em silêncio. estava quase surtando com aquilo. Preferia dez mil vezes ela xingando-o do que calada e com cara de choro.
- Chegamos.
Quando se virou pra abrir a porta, a segurou pelo braço.
- Desculpa mesmo, . Eu falei sem pensar. Reconheça que você também errou - ele falou tentando fazer graça, mas ela não pareceu achar graça alguma - Você me deixou puto da vida, daí acabei falando o que devia e o que não devia. Me desculpa?
- Não se pede desculpas por falar o que se pensa. - disse.
- Acontece que eu não penso isso. Quer dizer, não daquele jeito. Você não é uma qualquer. E eu sou sim um idiota.
- Hum. - falou e abriu a porta saindo do carro - Boa noite - ela fechou a porta do carro e virou as costas, entrando em casa de maneira rápida e chorando logo que fechou a porta.
ficou lá, sem saber se deveria ter beijado-a, tê-la abraçado, implorado de joelhos por perdão. A única certeza que sabia, era que tinha pisado feio na bola.
- Merda - falou e deu um murro no volante.


Capítulo 24


Depois de ter deixado em casa, não estava mais com cabeça para ir a casa de , pensou que era melhor desistir, não estava com saco para ter que explicar a ausência de , mas antes mesmo de sair do quarteirão onde a garota morava, viu seu celular tocar com mensagem de dizendo que ele precisava chegar logo para que tudo pudesse acontecer. Acabou indo para a casa do amigo.
- Ué! Onde está a ? - perguntou.
Estavam todos lá, inclusive , que andava bem sumida das reuniões dos amigos.
não pensou muito bem na resposta e disse a primeira coisa que lhe veio à cabeça.
- Ela acabou ficando com enxaqueca e preferiu não vir.
Até que não tinha ido mal, tinha esse tipo de dores constantes.
o encarou desconfiada, mas sua preocupação passou assim que o namorado passou o braço por sua cintura e falou:
- Bom, já que estão todos aqui, acho que já posso fazer o pedido.
- Pedido? - todos perguntaram juntos, até mesmo .
- Sim, pedido. - disse com um sorriso travesso nos lábios.
- Do que você está falando, amor?
- Acho que todos sabem que eu sofri como um condenado ao perder essa garota aqui. - começou, abraçando a namorada mais forte pela cintura. - Mas esses dias longe serviram para um monte de coisa. Tipo descobrir que eu não perco minha masculinidade quando choro muito, se vocês querem um exemplo.
Todos acabaram rindo daquela afirmação e ali, no sofá da sala, Gisele e acabaram dando as mãos sem que ninguém percebesse.
- Também fiquei sabendo que embora eu seja um ótimo cozinheiro, não consigo fazer um macarrão à carbonara como o da minha namorada. Vi que os dias sem ela não tem a menor graça, mas o principal foi que eu vi que ela é, sem dúvida alguma, a mulher da minha vida.
Dito isso, virou de frente - que já chorava - e ficou de joelhos em frente dela ao dizer:
- Embora eu ainda continue bem homem, eu não quero mais chorar se não for de alegria por você, tipo como estou prestes a fazer agora. - puxou a mão da garota e continuou. - Eu quero ter os meus dias preenchidos pela tua felicidade, por seus macarrões à carbonara e principalmente pelo te amor. , amor da minha vida, você aceita casar comigo?
Não houve palavras como respostas. A garota preferiu puxar o namorado pela mão com toda força e beijar-lhe como se estivessem apenas os dois naquela sala.
Era um beijo misturado com lágrimas, mas nenhuma lágrima se parecia com as que ambos derramaram tempos atrás, essas eram de plena felicidade e certeza do amor que ambos compartilhavam. Eram lágrimas que concretizavam o que ambos já sabiam: eles tinham nascido um para o outro.
- Droga! Eu não posso chorar. - murmurou baixinho pra que ninguém ouvisse.
- Tá bom, tá bom. Chega de pega, pega. - disse, saindo do sofá e indo em direção ao casal.
- Para de ser chato, esse é o momento dos dois. - Mari repreendeu, puxando o amigo para longe.
Finalmente o casal se separou aos risos.
- Não acredito que a não está aqui. Esse era um dos momentos que eu sempre sonhei em ter ela por perto.
tentou esconder a pequena culpa que estava crescendo dentro de si. Se aquela briga não tivesse acontecido ela estaria ali com a amiga. Ele demorou um pouco mais com os amigos, mas logo se despediu. Não estava no clima para tanta socialização.
Quando já estava no carro, mandou uma mensagem para falando sobre a desculpa que usou e torcendo pra que ela já o respondesse.
“Falei que você teve enxaqueca. Acho que a vai querer confirmar. Você perdeu uma coisa bem importante, depois as meninas te contam tudo. Desculpe.”
estava cochilando quando a mensagem chegou, o barulho acabou despertando-a um pouco, mas ela não se interessou para saber quem era e logo virou para voltar ao sono.

e Gisele foram os últimos a saírem da casa de e agora os dois estavam em um parque de Londres em silêncio, apenas curtindo a presença um do outro.
- Foi lindo, não foi? - Gih perguntou, colocando um fim no silêncio.
- Foi sim. Acho que só agora tá me caindo a ficha que daqui uns tempos terei um amigo casado.
Gih acabou rindo.
- Achei que ele fosse ter um troço. - ela comentou.
- Já eu achei que eles fossem fazer amor ali mesmo. Ignorando totalmente nossa existência.
- Por que você leva tudo na brincadeira? Eles foram super fofos. - ela perguntou meio rindo.
fez um silêncio e acabou ficando sério, coisa bem incomum para . Gisele o encarou de lado, e antes de perguntar o que havia com ele, logo contou.
- Eu fiquei pensando nas palavras do . Não em todas, claro. Mas no lance de que a deixava o dia dele mais alegre. Que ele gostava e precisava disso na vida dele. - falou, pensativo.
- É, foi bem bonito. - Gisele respondeu, embora sem entender muito bem a finalidade daquelas palavras.
pensou que aquela era a hora. Era mesmo, mas quando olhou para a menina as palavras lhe faltaram, e ele acabou apenas beijando-a.
O beijo era um beijo calmo, de uma certeza silenciosa. Aquelas que são tão certas que não precisam ser gritadas, apenas sentidas.
passou os dedos de maneira carinhosa pelo rosto de Gih, enquanto sentia ela fazer um carinho nos seus cabelos. Depois de algum tempo os dois se separaram com um sorriso nos lábios.
- Vamos? Já está um pouco tarde.
Gisele demorou um pouco mais para se recompor. Aquele beijo tinha mexido demais com ela.
- Ér… Vamos.
Levantaram e sem precisar de palavras e nenhum constrangimento, deram as mãos.

ficou esperando uma resposta de por tempos, mas acabou percebendo que ela não responderia. Ponderou ir até a casa dela, mas logo concluiu que não seria a melhor coisa a se fazer. A garota estava irritada e tinha todo direito para aquilo, talvez o melhor a se fazer fosse dar tempo a ela. Amanhã ele tentaria outra mensagem. Mas não aguentou e assim que anoiteceu decidiu mandar uma mensagem nova. Agora se desculpando de verdade.
“Desculpa. Eu fui um idiota e não medi minhas palavras. Eu não queria dizer nada daquilo. Apenas, na hora da raiva, selecionei as palavras que mais podiam te deixar irritada. Queria passar aí amanhã pra gente conversar melhor, que tal? Se você estiver com tempo, me responde dizendo a hora que posso passar aí.”

escutou seu celular tocar sinalizando outra mensagem, e assim que pegou o celular em mãos e viu que se tratava de mensagem de , uma outra mensagem chegou, dessa vez de . Obviamente abriu primeiro o da amiga.
“Você está melhor? Foi enxaqueca mesmo? Posso passar aí? Preciso te contar as novidadeeeeeeeees.”
Pensou em ignorar, mas logo depois respondeu que ainda não estava completamente bem, mas que amanhã ela passasse lá.
Leu a mensagem de e acabou se perguntando como ele poderia ser tão cego. Ela não estava irritada com ele, nem de longe. A verdade é que ela estava magoada, magoada como nunca e olhar para ele era sentir tudo ainda mais forte. Não sabia se um dia seria capaz de ser amiga dele novamente.
Não respondeu nada. Acreditava que ele até esperava isso, mesmo achando que ela faria isso por orgulho, não por dor. apenas deixou o celular de lado e derramou uma lágrima solitária antes de levantar para tomar um banho e tentar esquecer como tinha sido aquele dia.

No dia seguinte não conseguiu evitar , era melhor recebê-la do que levantar qualquer suspeita. Tudo que menos queria era ter que explicar algo para sua amiga. Queria apenas fingir que aquele dia não tinha existido, e já que cada vez que pensava percebia que isso era difícil de acontecer, decidiu que podia, ao menos, manter toda sua humilhação apenas para si.
- Sabe, quando éramos mais novas a gente sempre disse que queríamos estar presentes em todos os momentos primordiais da vida da outra, e você com sua enxaqueca quebrou isso, sua vaca. - abriu a porta do quarto já falando.
- Hã?
- Acho que o dia em que sua melhor amiga fica noiva é um dia bem primordial. - lhe falou levemente enquanto balançava a mão direita.
correu ao encontro da sua amiga e agarrou a mão dela querendo ver o anel de perto.
- Como assim você ficou noiva e eu não estava lá? O não podia ter feito isso.
- Ele ficou esperando você e chegarem, mas daí você inventou de adoecer…
queria gritar de raiva naquele momento. Não acreditava que tinha perdido um dia como aquele. Sua amiga tinha noivado e ela não estava presente.
- Se eu soubesse que era isso, eu teria ido de todo jeito.
- Como se você conseguisse fazer alguma coisa quando está com enxaqueca. - desdenhou da possibilidade que a amiga levantou. mal saía da cama quando a dor batia.
“Isso se eu estivesse mesmo.” pensou em dizer, ainda segurando a vontade de gritar ou quebrar algo.
- Mas me fala aí, como é que foi? - indagou empolgada, tentando deixar a chateação para lá.
correu e se jogou de costas na cama de , parecendo flutuar.
- Foi lindo, . - suspirou apaixonada. - Ele falou do quanto ele aprendeu sobre nós no tempo que nos separamos, falou de um jeito que não me deixou dúvidas que ele fez isso de espontânea vontade, sabe? Ele me quer mesmo ao lado dele.
- A gente sempre soube disso, bobona. é louco por você.
- Mas a melhor parte foi entender além do que você todos vêem. - disse, sentando na cama e olhando para a amiga. - Ele não é só louco por mim, a loucura da paixão não é nossa base, entre nós há amor, sabe? Ele me deu essa certeza que amo e sou amada.
deu um sorriso de lado. Estava feliz pela amiga e também refletindo sobre as palavras dela. sabia mesmo o que era amor.
- Depois daqueles dias tão difíceis, eu sinto que estou vivendo um sonho. Dá até medo de acordar.
se dirigiu a cama e sentou-se ao lado da amiga, lhe abraçando de lado.
- Não tenha medo, meu amor. Isso é tudo real e não há ninguém que eu conheça que mereça mais essa felicidade que você. Você sempre foi puro amor e agora recebe muito amor de volta.
- Teria sido ótimo ter tido você lá. - disse, olhando a amiga nos olhos e dando um sorriso um pouco melancólico. tinha mesmo feito falta.
deu o mesmo sorriso de volta.
- Mas eu vou estar ao seu lado sempre, mesmo que não fisicamente. E sim, eu amaria ter estado lá.
- Sabia que a ficou emotiva lá? - disse, já tirando o clima melancólico e rindo.
- A ? - indagou, também rindo.
- Se você perguntar ela vai jurar que não, mas pode perguntar para todos lá. Ela ficou toda sensível.
- Ahhh - deu um gritinho - Perdi coisas demais para um dia só.
voltou a deitar na cama e falou:
- Quando o chegou, achei que tivesse rolado alguma treta entre vocês. Ele não tava com uma cara muito boa, foi melhorando aos poucos.
“Eu não vou falar.” disse para si mesma.
- Que nada. - tentou tirar por menos. - Tá tudo bem, eu só estava mesmo com uma dor dos infernos.
Quando balançou a cabeça em um sim, confirmando que acreditava, soltou a respiração que nem sabia que prendia. Respirou fundo mais uma vez e depois mudou de assunto:
- Mas me conte mais dessa fase de noiva. Quero todos os seus planos.
As meninas seguiram conversando até tarde, fazendo lembrar poucas vezes do assunto que não lhe saía da mente antes da amiga chegar. Mas quando ficou sozinha, logo após ter jantado com a mãe e a irmã, recebeu outra mensagem de .
“Não sei se você vai responder essa mensagem, mas eu acho que deveria tentar mais uma vez. Vou tentar achar que a anterior não chegou no seu celular, mesmo que a da tenha chegado, já que o me disse que ela falou contigo por mensagem. É… Eu só quero dizer que você é importante, tá? Eu jamais repetirei aquilo novamente. É isso.”
Se fosse responder aquela mensagem, a resposta seria para que ele não enviasse mais nada. Não porque ela estava morrendo de ódio dele, mas porque ela precisava de uma distância para que um dia pudesse voltar a sentir qualquer coisa que não fosse mágoa por ele. Mas sabia que se enviasse a mensagem, seria mal interpretada e que seu pedido não seria acatado.

Por vários dias as coisas seguiram assim: lhe mandava um monte de mensagens que jamais eram respondidas. Até que resolveu não abrir mais nenhuma, não enquanto não estivesse mesmo bem para lê-las.
Tentava se manter ao máximo ocupada com a loja da família, assim tinha a desculpa perfeita para não sair com os amigos, e quando saía, era em dia de aula, onde ela tinha certeza que não iria, já que agora ele estudava à noite. Mas sempre deixava para confirmar em cima da hora, apenas para ter certeza que ele não ficaria sabendo.
tentava sempre saber como ela estava, e essa tarefa estava sendo bem difícil, já que ela não respondia as mensagens e ele não dizia aos amigos que os dois estavam sem se falar. Uma vez desconfiou, perguntou se eles estavam brigados, mas negou.
- Ela só sai quando você não vai. - o amigo disse.
- Você mesmo falou que ela anda ocupada com a loja. A loja só fecha à noite e eu estudo essa hora. Para de bobagem, se tivesse alguma coisa eu já teria dito. - tentou fazer com que o amigo acreditasse.
Mas aquilo na verdade já estava cansando.
Estava cansado de tantas mensagens sem respostas. De tanta distância. De tanta raiva da parte dela. Depois de pensar sobre o assunto, resolveu que era a hora de parar de correr atrás. Mandaria sua última mensagem e só tornaria a procurá-la se obtivesse resposta.
“Acho que ao todo já foram mais de cinquenta mensagens sem respostas, né? Eu não sei mais o que fazer ou dizer para você me desculpar, parar de me evitar…
Você tá fazendo mais falta do que eu imaginava que faria, tá sendo um saco saber que estou sendo evitado por você. A galera já começou a desconfiar, um dia desses o me perguntou sobre. Alguém já fez isso com você? Me admira a Gih ainda não ter falado nada comigo.
Eu já te disse tudo que poderia ser dito. Reconheci que errei, que falei coisas que não penso, que você não é o que eu disse. Falei que não deveria ter ido embora, mesmo quando você pediu e mais um monte. Tudo que qualquer um poderia achar necessário. Mas já que nada disto serviu, vou falar o que talvez nem falte, mas que é o que resta.
Quando eu te vi chorando na beira da estrada eu quis socar a minha cara. Olhei pra você e nunca me senti tão péssimo. Eu quis quebrar a distância e tomar você nos braços, fazer carinho até que seu nariz perdesse o tom vermelho e seus lábios parassem de tremer. Mas eu sabia que nada daquilo podia acontecer. Que você jamais deixaria. Quando te deixei em casa segurei a vontade de te beijar, de ficar ali abraçado a ti até que você falasse que me desculpava, mas isso foi outra coisa que eu não fiz por saber que você jamais deixaria. Fico pensando se não fui fraco, se eu não deveria ter tentado.
Desculpa pelo que fiz e talvez pelo que não fiz. Mais uma vez me desculpa.
Espero obter resposta dessa vez. Quero muito te ver.
Beijos.”
Pronto. Estava feito. Era tudo ou nada. Ou respondia, ou aqueles pedidos de desculpas terminavam alí.

continuava compenetrada no trabalho da loja. Fazia algumas horas que ela organizava uma papelada já perfeita aos olhos da mãe. Kátia não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que aquele comportamento não era normal da filha e que tinha algo errado. E mesmo se não tivesse, ainda assim tinha cansado de toda aquela determinação de , ela precisava de uma folga.
- A me disse que seu pai está indo para o Brasil. Você sabia?
- Aham. - foi tudo que disse enquanto pendia o cabelo em um coque alto.
- Sente falta de lá?
- Sim. - disse, sem nem levantar a cabeça.
- Pensei que seria bom você ir passar um tempo lá também. Espairecer um pouco, matar a saudade dos seus avós e tios…
levantou os olhos e aos poucos também foi levantando a cabeça para encarar a mãe.
- Como assim?
- Eu queria muito que você conversasse comigo, me falasse o que está acontecendo, mas suspeito que se você tivesse essa intenção, já teria feito. Tem alguma coisa acontecendo contigo. – não perguntou, afirmou.
- De onde você tirou isso, mãe?
- Você não suporta trabalho administrativo e de repente entrou nisso de cabeça igual uma louca por trabalho.
- E você não deveria estar me agradecendo por isso?
- Por você parecer ter desistido de seu sonho para viver em prol dessa loja? Você quer jornalismo, não administração. Devo agradecer por minha filha estar arrumando uma papelada que já estava perfeita desde a décima vez que ela arrumou? Essa não é você, . Cadê seus amigos?
- Na casa deles? – indagou, irônica e seca.
- Suas mudanças de humor não vão me fazer sair dessa sala. - Kátia advertiu. - Um tempo no Brasil seria ótimo, baixaria a adrenalina e o estresse.
- Deixa eu ver se entendi. Você quer que eu vá com meu pai para o Brasil tirar o estresse? Vou repetir: Ir ao Brasil com meu pai tirar o estresse? Com meu pai? Você está se escutando?
Kátia respirou fundo. sempre abusava da ironia quando queria se livrar de alguém.
- Você não precisa ficar ao lado dele o tempo todo. Fique na casa da mamãe, dos seus tios.
- Por que essa necessidade de me mandar para longe?
- Porque não quero você parando no hospital por esgotamento físico e mental. Quero te ver bem.
rolou os olhos.
- Se eu prometer pensar no assunto você me deixa terminar isso?
- Tudo bem. - Kátia respondeu, já levantando. - Vou mandar sua irmã saber quando seu pai pretende ir e tornaremos a falar disso depois.
- Ótimo. Agora me deixa trabalhar.
Depois que sua mãe saiu, foi olhar o que tinha chegado no seu celular, já que no meio da conversa tinha escutado o barulho do celular tocando. Antes mesmo de desbloquear, viu o nome de na tela. Sentiu um frio na barriga e se repreendeu mentalmente por tal atitude. não deveria mais causa qualquer tipo de coisa como aquela nela.
Quando abriu a mensagem e leu, o frio tornou a aparecer na barriga dela. Ele tinha mesmo sentido vontade de beijá-la? Se sim, por que não tentou nada? Releu a mensagem e se segurou em um trecho específico “Tudo que qualquer um poderia achar necessário.” Qual era o tudo de ? Palavras vazias enviadas por mensagem de texto porque ele não era corajoso o suficiente pra dizer tudo em sua frente? Ela continuava morando na mesma casa, trabalhando na mesma loja, tendo os mesmos amigos. Mas falava como se fosse difícil demais conseguir achá-la e se desculpar ao vivo.
Riu sem humor ao perceber como parecia vazio muitas vezes. Talvez ele não soubesse o que era fazer tudo. Talvez nem soubesse o que queria de verdade. E se não sabia, não seria ela que explicaria. Deixou o celular de lado e voltou ao seu trabalho.

esperou a resposta por todo aquele dia. Chegou o sábado, um dia depois dele ter mandando, e ela ainda não tinha respondido. Esperou até o fim da tarde, deu todo tempo que ele achava necessário, mas nada de resposta. Então mandou uma mensagem para os amigos perguntando se não seria uma boa ideia eles irem à balada. Mandou apenas para os meninos. Queria uma noite típica de caras, sem interferência das amigas.
Para sua surpresa não estava tão disposto a ir, e depois de alguma insistência ele ainda sugerira de chamar as meninas, mas estava do lado de e defendeu que era melhor sem as garotas. Depois de até topar, também acabou aceitando. Iriam se encontrar às oito na porta da boate.
- Que vontade era essa de curtir uma balada, hein? - perguntou, curioso.
- E por que a proibição das meninas? - dessa vez era quem queria saber.
- Vocês parecem duas mocinhas. - desdenhou rolando os olhos. - O cara quer curtir, vocês deveriam estar felizes. Suspeito que o não saiba mais nem o que é beijar na boca.
- E você por acaso sabe? Não te vejo pegando ninguém faz bastante tempo. - acusou e apenas rolou os olhos. Não iria admitir que ultimamente só deseja uma garota. Mariana.
- Eu quero curtir sem que nenhuma das meninas se choque ou dê opinião. Uma noite com os caras. - explicou, agoniado com aquelas perguntas.
- Tá bom.
Até metade da noite a curtição estava mesmo sendo apenas com os caras, mas um tempo depois uma garota começou a encarar os quatro, e como era comprometido, e , e pareciam pouco dispostos a descobrirem quem ela de fato queria, resolveu que só restava ele e que seria uma falta de educação não dar atenção a ela.
- Sou um cavalheiro, rapazes. - ele falou, arrancando risadas dos amigos.
Chegou onde estava a garota e apenas segurou sua mão, já guiando-a para a pista de dança. Ela não se opôs. Deu a mão a ele e seguiu para a pista.
- Posso saber seu nome? - perguntou quando já estavam dançando.
- Jeny. E o seu?
- .
Não houve muito mais diálogos depois desses. Os dois começaram a dançar colados e um tempo depois já estavam aos beijos no meio da pista de dança.
Mesmo que não costumasse dançar muito e também não tivesse o hábito de beber demais, naquele dia ele se deixou quebrar as próprias regras e fez tudo isso. Achou que seria capaz de ir mais longe, mas quando chegou a hora, não conseguiu.
- Que tal irmos para um lugar mais reservado? Pode ser a sua casa. - Jeny sugeriu.
parou um pouco, ponderando a ideia. Quase se socou quando só uma coisa lhe veio à mente: .
Ainda não seria aquele dia que ele viraria por completo a página.
- É que eu vim com uns amigos e prometi que voltaria com eles. Você poderia me dar seu número. Quem sabe a gente não marca de curtir uma balada novamente?
- Você não é comprometido não, né?
- Como?
- Sua cara. - ela apontou. - Você parece um pouco culpado.
forçou um riso.
- Não. Eu sou solteiro. É sério. É que hoje não dá mesmo.
A menina também deu um sorriso.
- Tudo bem. Anota aí meu número.
Depois disso resolveu apenas beber mais um pouco e também beijar mais um pouco Jeny. Até que os meninos cansaram e ele resolveu que também era a hora de ir embora.

No dia seguinte estava em casa graças a uma folga que sua mãe impôs que ela deveria ter. Antes mesmo que pensasse em alguma coisa, apareceu lá com doces, sorvete, pipoca e mais um monte de coisas gostosas e ainda alegando que tinha sido uma baita sorte ela estar em casa. Mas sabia que isso tinha dedo de Kátia. Tudo tinha sido milimetricamente pensado.
- A tá vindo aí também, mas vai demorar. Mandei uma mensagem pra ela dizendo que você estava em casa.
pensou em desmentir e dizer que não teve mensagem alguma e que elas já sabiam que ela estaria em casa, mas depois de ver tudo que as duas e sua mãe tinham feito para ela, apenas ficou grata e não foi contra nada.
- Se os meninos puderam ter uma noite dos garotos ontem, a gente pode ter a manhã e a tarde das garotas hoje. - falou rindo.
- Noite dos garotos? - indagou, curiosa sobre aquela frase.
- O não te disse? Ontem resolveram curtir uma balada sem garotas e até o topou.
- O ? - perguntou, tentando não deixar transparecer sua curiosidade sobre essa saída, mas também sendo sincera na surpresa.
- Sim. - disse, rindo da cara da amiga.
- E você não se incomoda?
- Dele na balada? Não. - negou, balançando as mãos em descaso. - Claro que eu não pensaria a mesma coisa se ele me falasse que estava indo a uma casa de stripper, mas é só uma balada. Ele tá comigo, mas ainda tem amigos. Pra mim é de boa.
- Pra muitas meninas nem é, viu?
- Eu sei. Mas acho que o amor é isso, sabe? Abrir mão desse medo de perder. Até porque, amar é deixar a pessoa ir se ela assim quiser. E acreditar que é amada é acreditar que essa pessoa não vai. E caso ela for, entra o famoso amor próprio. Se ela foi, não era amor. E se não era amor, não tinha porque estar nessa relação.
ficou uns segundos em silêncio absorvendo as palavras sábias da amiga.
- Se é amor a pessoa nunca vai?
- Se um dia ela amou, ela vai ter a decência de não te trair na hora de ir embora. E se for amor, não é uma noite na balada que vai colocar tudo no chão.
- Entendi.
Conversaram um pouco mais sobre a relação de e até que chegou e escolheram ver um filme enquanto se entupiam de guloseimas.
- Obrigada, meninas. Eu estava precisando disto. - disse quando o filme acabou.
- Para de bobagem. Não precisa agradecer. - falou, rolando os olhos. Ela sempre estaria ali para , e nunca cobraria um obrigada em troca.
- Eu sei que minha mãe falou com vocês e isso foi bem combinado, obrigada por aceitarem vir. Acho que não sabia o quanto eu precisava disto até ter esse momento.
- Vamos estar sempre aqui uma pra outra, . Sei que você faria o mesmo no lugar de qualquer uma de nós duas.
- Faria sim. - ela confirmou a enquanto sentia uma enorme gratidão por ter amigas tão boas como as dela.

Quando as meninas saíram e voltou a ficar só, ela usou seu tempo para pensar um pouco em como sua vida estava.
Estava colocando todas as suas energias em um trabalho do qual não gostava; Tinha deixado seu sonho de lado; Sua relação com seu pai, embora hoje mais suportável, ainda não era fácil; e ainda tinha , alguém que estava lhe tirando dos eixos. Sentia que estava só seguindo, mas não tinha onde chegar.
Precisava de um tempo longe daquele trabalho para poder amar mais quem ela era, afinal, não amava quem estava sendo agora. Talvez também precisasse de uma conversa com seu pai, uma em que ela soubesse em que situação sua relação com o pai se encontrava. E também precisava de um tempo pra si, um tempo sem todo esse tumulto que era sua relação com .
Respirou fundo antes de falar em voz alta o que já estava decidido em seu coração. Ela iria para o Brasil.



Continua...



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Nota da autora: Esse capítulo foi escrito bem rápido, mas não sei se ele saiu como vocês esperam. Acontece que não dava para colocar muita coisa fora isso, eu quis mesmo focar nessa parte de decisão da PP. Espero que gostem e até mais.

Outras fanfics:
02. Me Voy [Ficstape RBD]
12. I Want it All [Ficstape High School Musical]
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Nota da beta: Uma das melhores decisões que a pp tomou. Ela realmente precisa desse tempo pra ela. Tomara que assim o pp também caia em si e peça desculpas de verdade, sem ser por mensagem. Ai, e esse pedido de casamento? Muito fofo, né? 😍

Qualquer erro nessa atualização são apenas meus, portanto para avisos e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa linda fic vai atualizar, acompanhe aqui.






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