Contador:
Fanfic finalizada.

Capítulo Único

As cortinas se abriram, deixando os raios solares dominarem cada canto do ambiente, antes revestido pela escuridão. O tom conhecido da música clássica começou a tocar em alto e bom som, cumprindo bem seu propósito de despertar .
Com um suspiro escapando por entre os lábios, o rapaz apertou bem os olhos, abrindo-os vagarosamente para que suas pupilas se acostumassem à claridade repentina. Ele ainda permaneceu deitado de bruços por mais alguns segundos, desejando internamente que houvesse apenas sonhado com seu despertador, mas no fundo sabia que não e que qualquer tentativa de lutar contra o objeto seria inútil. Se não se levantasse para desligar o aparelho, este tocaria cada vez mais alto, até que seus tímpanos já não aguentassem mais.
Sim, ele havia tentado ignorá-lo algumas vezes.
Virou-se de barriga para cima, repousando uma mão sobre o peitoral desnudo, acalmando seus batimentos cardíacos, que haviam acelerado devido ao susto, então se sentou na cama.
— Caramba, eu já vou! — resmungou mal humorado quando o despertador iniciou um novo ciclo de toques.
empurrou as cobertas para o lado, destapando-se e levantando em um rompante, socando o objeto que não lhe deixava faltar a um dia de trabalho nunca. Caminhou até o banheiro, encarando seu reflexo mal humorado no espelho e retirou a samba-canção, que era a única peça de roupa que ele usava para dormir, enfiando-se debaixo do chuveiro para que a ducha gelada cumprisse seu papel de levar embora todos os resquícios de sono.
Não poderia negar que no mesmo instante em que sentiu a água ir de encontro à sua pele pôde sentir também que seu humor começava a melhorar. No entanto, mesmo se odiasse aquela temperatura, não haveria nada que pudesse fazer, já que, assim como o despertador, seu chuveiro também era programado para que cumprisse todas as etapas de seu dia no tempo certo.
Ele não podia se dar ao luxo de deixar os pensamentos fluírem como a água em direção ao ralo. Se o fizesse, corria o risco de ter que sair todo ensaboado, sem nenhuma chance de retornar para se enxaguar melhor.
De qualquer forma, naquele dia, quando seu banho foi finalizado ele se sentiu muito mais disposto e menos irritadiço. Até sorriu quando chegou ao refeitório, devidamente uniformizado, e se aproximou do balcão para pegar a bandeja com seu café da manhã pronto. Acenou solemente para alguns conhecidos e se sentou em seu lugar costumeiro.
— Mais um dia com o bom e velho sistema — murmurou, bebendo um gole do café amargo que serviria para despertá-lo e mordeu um pedaço generoso da torrada com geleia. Apreciou o alimento da melhor forma que pôde, sentindo-se grato no fim das contas porque por mais chatas que fossem as regras, o sistema apenas coordenava tudo para o seu bem-estar.
— Ouvi dizer que Bill foi promovido. — Notou que Peter havia se curvado na direção dele, dizendo aquelas palavras em tom de segredo.
— Quem foi que te contou isso? — Arqueou uma sobrancelha, porque ele não tinha ouvido coisa alguma.
— O próprio Bill. — Soltou uma risadinha. — Mas ele não pode contar o que vai fazer agora porque…
— É contra as regras. É, eu sei — bufou frustrado.
Era assim que as coisas funcionavam ali. Quando alguém era promovido das funções diárias, ninguém sabia o que acontecia porque além do segredo essa pessoa simplesmente sumia.
— Juro que nessas horas eu fico pensando se vale ser promovido mesmo. Vai que essa história é toda uma grande mentira? — Peter comentou exatamente o que pensava, mas em vez de concordar ele negou com a cabeça.
— Podemos nos dar mal se ficarmos discutindo sobre isso. O sistema faz o melhor para cada um de nós e é isso que importa.
viu uma careta se formar no rosto do colega e ele parecia prestes a retrucar algo, mas o sinal de que o horário das refeições estava terminado soou e o rapaz imediatamente se ocupou em enfiar uma torrada inteira na boca.
— O quê? Eu já ganho pouca comida, não vou deixar essa aqui pra eles não — Peter disse com a boca cheia, espalhando farelo para todos os lados. apenas negou com a cabeça, contendo o riso.
Ele sabia que uma hora ou outra o sistema daria um jeito em Peter por conjecturar teorias e agir impulsivamente porque era o que tinha acontecido a tantos outros.
seguiu para a sala seguinte, onde haviam as mesmas mesas de sempre com os computadores onde o trabalho deles deveria ser cumprido.
Peter costumava sentar na máquina ao lado de e não foi exatamente uma surpresa quando o nome do colega foi emitido na grande tela logo à frente das mesas, avisando que ele precisava ir até o escritório central.
Horas de trabalho passaram, mas Peter nunca mais voltou. No intervalo para o almoço, o rapaz continuava ausente, assim como no período seguinte.
voltou para seus aposentos imaginando o que teria acontecido, mesmo sabendo que nunca teria respostas e foi dormir temendo que fosse descobrir em seus sonhos.
Mas no dia seguinte, quando o alarme despertou, parecia que ele havia acabado de se deitar.
Repetindo toda a rotina do dia anterior — aquela que ele conhecia desde que se entendia por gente —, caminhou até o refeitório com um pouco mais depressa, desejando encontrar o amigo bem. Frustrou-se quando isso não aconteceu.
As esperanças de de encontrar Peter novamente sumiram quando ele se deparou com a vaga no computador ao lado do seu preenchida por uma mulher.
Era isso, o sistema havia punido Peter por questioná-lo.
Aquilo não era justo. O rapaz apenas era curioso demais.
balançou a cabeça em negação, espantando os próprios pensamentos. E se o sistema pudesse ouvi-los? Certamente ele seria o próximo.
Determinado, focou seu olhar na tela do computador para que pudesse dar início ao seu trabalho, mas por algum motivo seu olhar foi atraído pela garota ao seu lado.
Observou as feições da moça por alguns segundos, seus olhos ficando momentaneamente presos à forma como ela tamborilava os dedos em cima da mesa e mordia levemente os lábios ao mesmo tempo.
Subitamente, ela virou-se para encará-lo, o pegando de surpresa sem que ele ao menos tivesse como disfarçar. Um sorriso pequeno emoldurou as feições da jovem.
— Sinto muito — ela foi a primeira a falar em um tom compreensivo.
— Pelo quê? — questionou completamente perdido e sem entender do que ela falava.
— Pelo seu amigo. Eu entrei no lugar dele, não foi? É por isso que você não para de me olhar — afirmou, encarando-o como quem pede desculpas embora aquilo realmente não fosse culpa dela.
— Eu… — não era de ficar sem jeito na presença de qualquer pessoa, mas aquela garota em especial lhe deixou levemente desconcertado. — Tudo bem, você me pegou — mentiu porque talvez essa fosse a opção menos constrangedora.
— Eu sinto muito mesmo. Já perdi alguém dessa forma e nunca é fácil — solidarizou-se por ele. — . — Estendeu sua mão na direção de , mas a recolheu assim que viu o olhar de alerta que o rapaz lhe lançou.
Aquele era o horário de trabalho e não de conversas entre eles.
Calliwell — abaixou um pouco seu tom de voz ao responder. Lançou um olhar ao redor para ver se alguém os encarava, mas todos pareciam concentrados em seus afazeres. Lhe sorriu torto, sendo retribuído por ela. Seus dentes eram tão brancos que o rapaz ficou mais alguns segundos vidrado a encarando.
— Então, . Como que isso aqui funciona? Digo, o que eu devo fazer? Não me deram nenhum manual de instruções, nem nada do tipo.
— É porque não precisa. Você coloca esses fones ali. — Indicou o headset diante da garota. — E ele vai te levar para a simulação de hoje. Certifique-se de cumprir todas as missões que te passarem, ou amanhã eu recebo mais um colega novo.
— Como isso ajuda em alguma coisa? Quero dizer, o que eles ganham com tanta gente fazendo simulações? — o perguntou curiosa.
— Vou ficar te devendo essa resposta, mas, se quer um conselho, não faça perguntas.
voltou a encarar a tela de seu computador, colocando seus fones enquanto ainda sentia o olhar da jovem sobre si. Queria poder mesmo parar para respondê-la, mas não podia naquele momento, precisava cumprir suas obrigações diárias.

📡


No intervalo do almoço, percebeu a nova colega um tanto perdida no refeitório, então acabou não resistindo ao impulso de ajudá-la.
— Você espera aqui nesta fila e quando chegar a sua vez, precisa esperar a luz verde acender para se aproximar e pegar a sua bandeja.
— Certo. — assentiu, prestando atenção e acompanhando os gestos do rapaz.
— Depois que pegar a bandeja, você escolhe um lugar em uma das mesas. Tenha em mente que esse vai ser o seu lugar definitivo para as refeições daqui para a frente.
não entendia o porquê daquilo tudo, mas não disse nada, apenas concordou mais uma vez com um aceno de cabeça.
foi buscar sua bandeja assim que o sinal verde lhe foi concedido e poucos minutos depois sentava-se ao seu lado. Alguma coisa nele se agitou por ela ter escolhido acompanhá-lo dali para frente. Não era cego e tinha sim percebido que além do sorriso, inteira era uma mulher bastante atraente.
Precisou reprimir aqueles pensamentos. O sistema também determinava com quem ele deveria ficar, obviamente, e como nunca recebeu nenhum sinal de que fosse ela, certamente lhe reservavam outra pessoa.
— Não é estranho? — As palavras atraíram a atenção dele, que a encarou intrigado. — Eu não devo ser a primeira novata que você ajuda por aqui, tampouco serei a última. Se nós fomos todos criados por esse sistema, como eles dizem, por que eu tenho que aprender de novo coisas como o horário de acordar ou como devo pegar minha refeição?
piscou os olhos brevemente. Ele nunca tinha parado para pensar nisso. Por mais que vez ou outra se visse confuso com as ações do sistema, aquele tipo de questionamento realmente nem lhe passou pela cabeça.
— Provavelmente é porque você mudou de funções. As coisas mudam, não é? — tentou justificar.
— Ah, vamos lá, . Você acredita mesmo nisso? Me diga uma coisa então… Você lembra qual era seu outro emprego antes desse de agora? — arqueou uma sobrancelha.
— exalou. — Melhor não falarmos mais sobre isso. Pelo seu próprio bem.
Por hora, a moça se calou, levando uma garfada com um brócolis à boca e mastigando enquanto fazia uma careta de nojo.
— Eu odeio brócolis — resmungou e abriu um sorrisinho de canto, tendo uma sensação estranha de que aquela não era a primeira vez que a ouvia dizer isso.
Talvez ele a viu falar algo na fila?
Não sabia ao certo, mas se recusou a ficar pensando nisso. Concentrou-se então na própria refeição.
não voltou a bombardeá-lo com suas perguntas e se mostrou bastante disposta a aprender tudo o que lhe propunha. Ela tinha uma grande facilidade para gravar as informações.
Quando ambos se despediram no final da tarde, a encarou demoradamente, com a sensação engraçada mais uma vez tomando conta de si e dessa vez lhe dando um leve aperto no peito, como se ele não quisesse se afastar de .
Aquilo não fazia o menor sentido. Eles haviam acabado de se conhecer, não é?
Horas depois, deitado em sua cama, não conseguiu evitar que a conversa do almoço voltasse aos seus pensamentos. Respondendo a pergunta de , não, ele não lembrava do que fazia antes de estar onde estava, mas talvez isso se devesse ao fato de que ele simplesmente sempre viveu ali.
Era isso, tinha certeza de que morava no mesmo lugar desde que se entendia por gente. Seus pais certamente…
Franziu o cenho, de repente se colocando sentado porque simplesmente não conseguia se lembrar do que seus pais faziam ou até mesmo de suas feições. Ele teve pais?
Tentou vasculhar sua mente à procura de lembranças de sua infância, qualquer coisa que deixasse tudo aquilo menos estranho, mas nada veio.
Como era possível que não se lembrasse de nada?

📡


Ao contrário do que imaginava, não voltou a tocar no assunto no dia seguinte, muito menos nos outros que se passaram. Ela estava cada vez mais familiarizada com o sistema e progredia cada vez mais nas simulações que precisava executar. De fato, e até mesmo estabeleceram uma competição silenciosa entre si, cujo prêmio era apenas a massagem diária no ego.
— Seis simulações em uma manhã? O que é você, uma máquina? — murmurou incrédulo assim que a mulher se sentou ao seu lado no almoço.
— Isso porque fiquei quase meia hora presa em um quarto escuro. Eu detesto lugares assim — confessou, respirando fundo antes de comer o bolo de carne daquele dia. Era um tanto insosso para seu gosto, mas pelo menos não era brócolis.
— Fala sério! Tô achando que você encontrou um jeito de burlar as coisas — estreitou os olhos para , que revirou os seus.
— Se eu soubesse como burlar qualquer coisa, eu daria um jeito de tirar a gente daqui.
Fazia tanto tempo que ela não dizia nada sobre aquilo e por isso a primeira reação do homem foi se engasgar.
? — se assustou, fazendo menção de se aproximar para ajudá-lo por mais que não tivesse ideia de como poderia. Ele fez sinal para que ela esperasse, então tossiu mais diversas vezes, pegou a garrafinha de água da bandeja e bebeu alguns goles para ajudar a comida a descer. — Droga, você me assustou!
— Eu só levei um susto com o que você acabou de dizer — foi sincero. — Não imaginava que você ainda pensava em se livrar do sistema desde… Bem, desde o dia em que chegou.
suspirou.
— É claro que eu penso. Só aprendi a dançar conforme a música, como você me disse para fazer.
Alguns minutos de silêncio reinaram entre os dois enquanto tentava colocar seus pensamentos em ordem e se questionava se fazia o certo em falar sobre aquelas coisas com ele. Não sabia como explicar, mas de alguma forma ela sentia que podia confiar naquele homem desde o primeiro momento em que se viram, como se eles tivessem uma conexão muito antes de se conhecerem pessoalmente.
— De qualquer forma, eu vou virar e ganhar de você essa tarde. Me aguarde, . — O comentário dele arrancou uma erguida de sobrancelha dela.
— Nos seus sonhos, meu amor — retrucou em tom zombeteiro.
— Para os meus sonhos tá reservado outro tipo de coisa — respondeu em um tom um tanto ousado em meio a um sorriso de canto.
— Ah é? Que tipo? — o instigou e negou com a cabeça. — Qual é? Atiçou e agora vai amarelar? Não sabia que era covarde, querido.
Mais uma vez, ele estreitou os olhos em sua direção.
— Não posso dizer. Provavelmente o sistema vai me censurar.
E definitivamente, ouvir aquele tipo de coisa era frustrante até demais. Viver sob vigilância constante, sendo controlados por um sistema que regia tudo não era viver, era ser idiota.
— Eu odeio esse sistema ridículo — confessou e num ato corajoso levou sua mão até a de , entrelaçando seus dedos nos dele.
O homem encarou aquele gesto por alguns segundos, mas não conseguiu controlar a vontade de retribuir, segurando a mão dela de volta e sentindo que não queria mais soltar.
Mais uma vez, era como se eles se conhecessem há anos e não dias. Como se a conexão deles fosse mais forte do que qualquer outra coisa.
Seria esse o sinal do sistema de que era ela.
— Você também sente? — Se viu perguntando, atraindo o olhar de para si. — Como se nós nos conhecêssemos há anos? Como se o que estamos vivendo aqui não é tudo?
Um sorriso brotou nos lábios dela.
— O tempo todo. Até mesmo quando eu não estou com você.
Aquilo pegou de surpresa. Ele sentiu seu peito agitado, mas, antes que pudesse responder qualquer coisa, sentiu uma dor aguda em sua nuca, tão forte que ele levou uma mão até o local enquanto se curvava um pouco, exclamando.
— Oh, meu Deus. ! O que está acontecendo? O que você está sentindo? — a moça disparou as perguntas, sentindo-se agoniada por mais uma vez não conseguir ajudá-lo.
— Parece algo pressionando a minha nuca. Nunca senti uma dor como essa!
continuou encarando-o sem ação por alguns segundos, então seu olhar recaiu sobre as mãos deles ainda unidas e franziu o cenho quando algo lhe ocorreu.
Seria isso?
Experimentou soltar sua mão da de e instantaneamente o alívio chegou ao rapaz, que acabou notando a mesma coisa, já que encarou com uma expressão intrigada.
— O que isso quer dizer? — perguntou, mesmo sem esperar uma resposta.
— Quer dizer que o sistema não nos quer juntos. — o olhou triste e o rapaz suspirou. Era como se uma pedra fosse jogada em seu estômago.
— Isso não faz o menor sentido.
— Pense bem, . Você não lembra do que aconteceu antes daqui, não é? E se nossas memórias foram apagadas para obedecermos a esse sistema, só que juntos um poderia despertar as lembranças do outro?
— E por que deixariam você vir trabalhar logo ao meu lado?
— Eu… Eu não sei, mas se você quer saber a minha opinião, essa dor que você sentiu na nuca não é normal. Acho que implantaram alguma coisa aí que ajuda a nos controlar. Quem sabe um microchip? — teorizou, fazendo com que franzisse o cenho.
— Microchip? De onde você tirou essa ideia? Tem filmes de ficção nos seus aposentos, não tem? — Ele riu, mas de repente teve uma sensação de incômodo na nuca, como se só então tivesse notado que havia algo ali.
— Só pensa nisso, . — se levantou ao ouvir o alarme anunciando o fim do intervalo e os dois se prepararam para voltar ao trabalho.
não conseguiu se concentrar o suficiente para ultrapassar como havia prometido. Muito pelo contrário, ele precisou reiniciar algumas missões e isso lhe deixou com um rendimento muito abaixo do normal.
Não conseguia parar de pensar naquela conversa e em tudo que aquilo implicaria se as teorias da garota fossem verdadeiras.
O jantar decorreu silencioso entre os dois, mas quando ambos estavam prestes a retornar aos seus dormitórios, inesperadamente, puxou para si e o abraçou com força.
— Senti que precisava fazer isso — disse, afundando o rosto pequeno na curva do pescoço do rapaz, que respirou fundo, inalando o perfume doce da garota.
— Até parece que está se despedindo, — brincou, mas quando ambos se soltaram os olhos de estavam tomados por lágrimas.
— O sistema não nos quer juntos. Talvez isso seja mesmo uma despedida, .
engoliu a seco, ignorando a dor forte em sua nuca por estar mantendo aquele contato todo com a garota. Não se importava mesmo.
— Nesse caso, eu quero me despedir do jeito certo.
Seus lábios se uniram aos de e ela os aceitou como se estivesse esperando por isso o tempo todo.
Mesmo em meio à dor, a sensação era a de reconhecimento. A boca dela pertencia à dele e vice-versa. As mãos delicadas da garota apertaram os ombros de e um suspiro escapou dela.
Com calma, ambos se separaram e permaneceram se encarando por segundos a fio, até que já não era mais possível suportar a ideia de que poderiam nunca mais ver ou sequer lembrar um do outro.
— Boa noite, . — Ele engoliu a seco, seus lábios ameaçando tremerem.
— Boa noite, . — Ela respondeu com uma lágrima escorrendo por sua bochecha esquerda.
Então correu em direção ao seu dormitório e tudo o que mais desejava era que as teorias dela estivessem erradas.

📡


Dessa vez, não havia sido como na partida de Peter.
Quando abriu seus olhos naquela manhã, antes mesmo de o despertador irritante soar, ele sabia que não estaria à sua espera.
Ele não podia aceitar aquilo. Dentre todas as coisas que o sistema impunha a ele, comandar seu coração era a gota d’água.
Nenhuma daquelas coisas que ele fazia durante o dia eram capazes de preencher o vazio da ausência dela. Nem mesmo o novo colega que veio ocupar o lugar da garota.
O que havia acontecido com ela?
Levaram-na para longe? Apagaram suas memórias?
E se tivessem a matado?
Não. Ele não podia mais aceitar aqueles absurdos, precisava se livrar daquilo. Não conseguiria mais viver como se nada tivesse acontecido.
Levantando-se subitamente de sua mesa de trabalho, correu em direção aos seus aposentos, ignorando olhares de surpresa ou avisos de que ele não podia sair dali.
Sentiu a mesma pontada na nuca e as palavras de voltaram a ecoar em sua mente.
Acho que implantaram alguma coisa aí que ajuda a nos controlar. Quem sabe um microchip?
Se era mesmo um microchip, ele conseguiria tirá-lo.
Procurou a caixa de primeiros socorros dentro de seu dormitório, achando estupidamente idiota o fato de haver um bisturi ali. Talvez o sistema se achasse confiante demais a ponto de nunca imaginar que alguém tentaria fazer o que tinha em mente.
, obviamente, não conseguia enxergar a parte de trás de seu pescoço, então esticou o braço o máximo que pôde para alcançar o local que pulsava dolorosamente, como se sentisse o que aconteceria e estivesse lutando contra isso.
Respirando fundo, encontrou algo que pudesse morder e em um ato de coragem enfiou o bisturi em sua carne, fazendo uma incisão e buscando algum sinal do objeto que tanto o controlava e oprimia.
A princípio, não havia nada além da dor.
— Tem que haver. Tem que haver — repetiu aquilo, insistindo em sua buscar, tentando mentalizar o rosto de para que a determinação não perdesse a batalha para aquele maldito microchip.
Quando estava quase sucumbindo, o encontrou.
O barulho do despertador ecoou de forma ensurdecedora, tomando conta do ambiente e até mesmo o atravessando, então o rapaz se deu conta de que era um alerta para o prédio inteiro. Em poucos segundos, quem levou Peter e irromperia pela porta e tudo estaria perdido mais uma vez.
Os dedos de adentraram o corte recém aberto, envolveram a peça presa em si e era como se ele estivesse arrancando seus próprios nervos.
No mesmo instante em que a porta se abriu, se desprendeu do sistema.


Leia a parte 2 >>



Nota da autora: Oi, meus amores. Eu espero que vocês tenham gostado dessa loucurinha da minha cabeça hahahaha. Não se desesperem, ela continua em Jesus of Suburbia. Corram lá!
E se quiserem saber mais sobre minhas histórias, me sigam no meu instagram e entrem nos meus grupos do whatsapp e facebook.
Beijinhos.
Ste.



Outras Fanfics:
Acorrentados no Inferno [Restritas - Originais - Em Andamento]
Aliferous [Restritas - Originais - Em Andamento]
Extermínio [Restritas - Originais - Em Andamento] - Parceria com Sereia Laranja
Histeria [Restritas - Originais - Em Andamento]
Hold me Tight or Don't [Restritas - Livros/Harry Potter - Em Andamento]
Lover of Mine [Restritas - Originais - Em Andamento] - Parceria com Dany Valença
Lycanthrope [Restritas - Originais - Em Andamento]
Mindhunters [Restritas - Originais - Em Andamento] - Parceria com Vanessa Vasconcellos
Reckless Serenade [Restritas - Livros/Harry Potter - Em Andamento]
Unholy Darkness [Restritas - Livros/Harry Potter - Em Andamento] - Parceria com G.K Hawk
Trilogia Sweet Psychosis:
Sweet Monster [Restritas - Seriados - Shortfic] - Parte I
Sweet Symphony [Restritas - Originais - Shortfic] - Parte II
Sweet Psychosis [Restritas - Originais - Shortfic] - Parte III
Acesse minha página de autora para encontrar todas as minhas histórias


comments powered by Disqus