01. Steal My Girl

Finalizada

Capítulo Único

A manchete ocupava duas páginas inteiras, impressa em letras ousadas, acompanhada de uma fotografia perfeitamente calculada.

“QUÍMICA FORA DAS TELAS?”
é flagrada em clima íntimo com colega de elenco durante turnê mundial.

Abaixo, a imagem congelava um momento banal — um riso próximo demais, uma mão apoiada no braço dele, o reflexo de flashes estourando ao redor. O parceiro de cena, conhecido tanto por seu talento quanto por ostentar uma aliança discretamente ignorada pela legenda, tornava tudo ainda mais… inflamável.
Fontes afirmam que a conexão entre os dois vai além do roteiro.
Ele é casado. prefere manter sua vida pessoal em absoluto sigilo.

Mistério vendia.
Escândalo, ainda mais.
passou os olhos pela revista apenas uma vez antes de dobrá-la com cuidado e colocá-la ao lado do caixa, entre o pote de gorjetas e a máquina de cartão. O café estava cheio — o cheiro de grãos moídos, o vapor do leite, o burburinho constante de vozes jovens enchendo o espaço.
— Você viu isso? — uma adolescente comentou com a amiga, deslizando o dedo pela tela do celular. — Dizem que a e ele estão juntos desde o começo das filmagens.
— Ele é casado — a outra respondeu, chocada e empolgada ao mesmo tempo. — Isso só deixa tudo mais intenso.
— Sinceramente? Se eu fosse ele, também cairia — riu. — Todo mundo quer a .
ouviu.
Ouvir fazia parte do trabalho.
Mas não reagiu.
Continuou preparando pedidos, chamando nomes, limpando a bancada com a mesma calma de sempre. Era conhecido por isso — a serenidade quase irritante, o jeito firme de quem parecia não se abalar com boatos, modas ou tempestades passageiras.
Na televisão pendurada no canto do café, o assunto reapareceu. Um programa de entretenimento exibia imagens da turnê mundial de divulgação do filme: tapetes vermelhos, entrevistas coreografadas, perguntas insinuantes demais para serem inocentes.
— Vocês acham que é só marketing? — a apresentadora questionou. — Ou estamos diante de um romance proibido?
abaixou o volume quando uma cliente pediu açúcar.
Ele sabia como funcionava aquele mundo.
Sabia como olhavam para — como homens se aproximavam um passo além do necessário, como elogios vinham carregados de intenção, como convites surgiam mesmo quando ela nunca os procurava.
era linda de um jeito que não precisava ser explicado.
Gentil de um jeito que confundia educação com interesse.
Desejada não porque provocava — mas porque simplesmente existia.
E, ainda assim, nunca duvidou.
Quando fechou o café naquela noite, Londres estava fria. As luzes refletiam nas calçadas molhadas, e o silêncio do caminho até casa contrastava com o ruído constante do dia inteiro. Ele entrou no apartamento e deixou as chaves no mesmo lugar de sempre.
A porta se abriu logo depois.
entrou apressada, ainda com o casaco, o cabelo preso de qualquer jeito, os olhos inquietos. Havia algo urgente em seus movimentos — como se tivesse ensaiado aquele momento desde o aeroporto.
… eu preciso te explicar uma coisa — disse, sem nem tirar os sapatos. — Antes que você veja qualquer coisa, ou leia…
Ele não deixou que ela continuasse.
Apenas se aproximou e a envolveu com os braços, firmes, conhecidos, reais. O corpo dela relaxou quase imediatamente, como se o peso que carregava finalmente encontrasse um lugar para descansar.
— Eu sei — murmurou contra o cabelo dela.
Ela se afastou um pouco, surpresa.
— Você… sabe?
— O suficiente.
respirou fundo, a testa franzida.
— Estão dizendo que eu tenho um caso com ele. Que é mais do que o filme. Que… — a voz falhou. — Eu odeio isso. Odeio como transformam tudo em algo que não é.
segurou o rosto dela com as duas mãos, obrigando-a a encará-lo.
— O mundo pode querer o que quiser — disse, calmo. — Mas eu conheço a mulher que chega em casa exausta. Que dorme do meu lado. Que me conta sobre o dia enquanto tira a maquiagem no espelho.
Os olhos de se encheram de lágrimas — não de medo, mas de alívio.
— Eu nunca te daria motivos pra duvidar de mim.
— Eu sei — respondeu, com um sorriso suave. — E é por isso que não duvido.
Ele a puxou para um abraço mais apertado, como quem reafirma algo que nunca esteve realmente ameaçado.
Lá fora, o mundo continuava criando histórias.
Desejando o que não podia ter.
Ali, não era uma manchete.
Era apenas dele.
E isso sempre foi suficiente.
Na manhã seguinte, abriu o café no horário de sempre.
O sol entrava tímido pelas janelas, refletindo nos copos e nas mesas ainda vazias. Ele estava atrás do balcão quando ouviu a porta se abrir — e, por um segundo, o mundo pareceu desacelerar.
entrou sem alarde. Jeans, casaco claro, óculos escuros. Nada que chamasse atenção… exceto o fato de ser impossível não notar.
Algumas cabeças se viraram.
Sussurros começaram antes mesmo que ela chegasse ao balcão.
— É ela…
— Meu Deus, é a .
— O que ela tá fazendo aqui?
sorriu, como sempre fazia quando ela aparecia.
— Bom dia — disse, simples.
— Bom dia — ela respondeu, devolvendo o sorriso com algo que não oferecia a ninguém além dele.
Ele preparou o café dela sem perguntar. Colocou a xícara na bancada, exatamente do jeito que ela gostava.
apoiou os cotovelos ali, relaxada demais para alguém sob constante escrutínio público. se inclinou um pouco para ouvir quando ela falou baixo:
— Tem gente olhando.
— Sempre tem — respondeu, tranquilo.
Ela riu, um riso baixo, íntimo.
— Eles acham que sabem tudo sobre mim.
— Eles não sabem nada — disse . — Só o que inventam.
Ela estendeu a mão por cima do balcão, tocando a dele de leve. Não foi um gesto escondido. Não foi um desafio. Foi apenas natural.
E isso foi o suficiente.
Celulares surgiram.
Olhares se multiplicaram.
Teorias começaram a nascer ali mesmo, entre goles de café e cochichos apressados.
Naquela mesma tarde, as notificações explodiram.

“EXCLUSIVO: é vista em clima de romance com moreno misterioso em café londrino.”
Longe das câmeras de Hollywood, a atriz parece confortável ao lado de um homem fora dos holofotes.

As fotos mostravam pouco — um sorriso, mãos próximas demais para serem coincidência, um olhar que não precisava de legenda.
viu a manchete mais tarde, quando alguém deixou o celular esquecido sobre a mesa.
Ele apenas balançou a cabeça, quase divertido.
Naquela noite, chegou em casa rindo.
— Agora você é o moreno misterioso da vez — disse, jogando o casaco no sofá. — Moreno misterioso. Dono do coração da atriz.
a puxou pela cintura, encostando a testa na dela.
— Viu só? — murmurou. — O mundo sempre precisa de uma história nova.
Ela sorriu, beijando-o devagar.
— Que continue precisando — disse. — Porque a única que importa… a gente já conhece.
E, mais uma vez, o mundo quis roubar .
Mas nunca teve chance alguma.
Na manhã seguinte as coisas pareciam ter tomado proporções totalmente diferentes e pesadas. leu a manchete três vezes antes de realmente entender o que estava escrito.

“DEPOIS DE QUASE DESTRUIR UM CASAMENTO, QUEM É O PRÓXIMO ALVO?”
A atriz surge novamente cercada por homens e reacende debates sobre sua conduta nos bastidores de Hollywood.

Não havia foto comprometedora.
Não havia prova alguma.
Apenas o peso das palavras.
Ela deslizou o dedo pela tela do celular, sentindo o estômago apertar a cada linha. O texto não dizia nada de concreto — insinuava. Usava verbos vagos, fontes anônimas, opiniões disfarçadas de fatos.

parece confortável em ocupar o papel de musa problemática.
Seria apenas coincidência que homens casados gravitem ao seu redor?


Ela fechou os olhos por um instante.
Era assim que funcionava.
Nunca precisavam provar nada.
Bastava sugerir.
O quarto ainda estava em penumbra quando saiu do banho, secando o cabelo com a toalha. Ele percebeu o silêncio antes mesmo de vê-la sentada na beira da cama, o celular esquecido na mão.
— Saiu alguma coisa nova? — perguntou, com cuidado.
assentiu devagar.
— Agora eu não sou só um rumor — disse, a voz baixa. — Sou um padrão.
sentou ao lado dela.
— O que estão dizendo?
Ela entregou o celular sem responder. leu tudo em silêncio, a mandíbula tensa não por ciúme, mas por indignação.
— Isso é cruel — disse por fim. — E desonesto.
soltou um riso curto, sem humor.
— Bem-vindo à minha carreira.
Ela se levantou e foi até a janela. Lá fora, Londres seguia normalmente. Pessoas indo e vindo. Uma vida que não a incluía — não daquele jeito.
— O pior — continuou — é que eles falam como se eu tivesse algum controle sobre isso. Como se eu escolhesse ser desejada.
se aproximou por trás, apoiando as mãos na cintura dela.
— Você não deve nada a ninguém — murmurou. — Muito menos explicações.
encostou a testa no vidro frio.
— Mas cansa, . Cansa ter que ser impecável o tempo todo pra não virar vilã.

A festa de pré-lançamento aconteceu dois dias depois.
entrou no salão com o mesmo vestido elegante que já tinha usado em outras estreias. Sabia exatamente o que ele transmitia: classe, segurança, inacessibilidade. Mesmo assim, sentiu os olhares grudarem nela assim que deu os primeiros passos.
— Você está deslumbrante — disse alguém.
— Sempre um prazer te ver — comentou outro.
Ela agradeceu, sorriu, seguiu em frente.
O problema nunca foi atenção.
Foi a sensação de posse que alguns homens carregavam nos olhos.
Ela estava conversando com uma colega de elenco quando sentiu alguém se aproximar demais. Um toque sutil no braço. Familiar demais para alguém que ela mal conhecia.
— disse ele, confiante. — Você virou o assunto favorito da imprensa.
Ela deu meio passo para trás.
— Não por escolha própria.
Ele riu, despreocupado.
— Ah, vamos. Você sabe como isso funciona. — Inclinou-se um pouco mais. — Quase derrubou um casamento. Isso dá manchete.
O sorriso dela desapareceu.
— Eu não derrubei nada — respondeu, firme. — Não me envolvi com ninguém comprometido.
Ele levantou as mãos, teatral.
— Calma. Não estou julgando. Só tentando entender. — O olhar dele era avaliador. — Me diz… você nunca me deu uma chance, o que eles têm que eu não tenho?
respirou fundo antes de responder.
— Limites — disse. — E respeito.
— Você devia aproveitar mais esse poder que tem. — O homem pareceu surpreso por um instante. Depois, sorriu de canto.
— Isso não é poder — retrucou, sentindo a voz falhar pela primeira vez. — É um peso.
Ela se afastou sem esperar resposta, o coração acelerado demais para aquele ambiente cheio de música e risadas falsas. Foi até o banheiro, trancou-se em uma das cabines e apoiou a testa na porta.
Não chorou.
Mas quis.
Quis ser invisível por cinco minutos.
Quis não ser desejada, analisada, julgada.
Quando chegou em casa naquela noite, estava acordado, sentado no sofá. Ele não perguntou onde ela esteve nem como foi.
Apenas abriu os braços.
foi até ele e se deixou cair naquele abraço, cansada demais para sustentar qualquer máscara.
— Eles me odeiam por algo que nunca fiz — murmurou. — E me querem ao mesmo tempo.
segurou o rosto dela com cuidado.
— Então deixa que te queiram de longe — disse. — Aqui, você é só a . E isso basta.
Ela fechou os olhos, respirando no ritmo dele.
— Eu só não quero mais ser forte sozinha.
— Você não é — respondeu . — Nunca foi.
E, naquela noite, enquanto o mundo continuava escrevendo histórias sobre ela, adormeceu sabendo que, pelo menos ali, ainda existia um lugar onde não precisava se defender.
A decisão não nasceu em voz alta.
Ela se formou aos poucos, nos gestos pequenos: no jeito como demorava mais para sair da cama, no cansaço que nem o descanso resolvia, no cuidado excessivo ao escolher roupas que não parecessem convite, nem desafio.
percebeu antes mesmo que ela colocasse em palavras.
Na manhã em que a estreia foi oficialmente confirmada — Londres, tapete vermelho, imprensa internacional — estava sentada à mesa da cozinha, girando a xícara de café entre os dedos.
— Eles já estão perguntando com quem eu vou — comentou, quase distraída. — Assumem que vai ser alguém do elenco. Ou alguém… conveniente.
apoiou-se na bancada, observando-a.
— E com quem você quer ir?
ergueu os olhos devagar. Não havia drama ali. Apenas verdade.
— Com você.
O silêncio que se seguiu não foi de surpresa. Foi de entendimento.
se aproximou, puxou uma cadeira e sentou à frente dela.
— Se a gente fizer isso — disse, com calma —, não tem volta. Eles vão saber. Vão especular menos… mas observar mais.
— Eu sei.
— Vão querer te colocar em outra narrativa. — Ele sorriu de leve. — A atriz finalmente “domesticada”.
revirou os olhos, cansada.
— Que tentem. — Depois, mais baixo: — Eu não quero mais me esconder para proteger mentiras que nunca foram minhas.
segurou a mão dela sobre a mesa.
— Então vamos — disse simplesmente.
E foi assim.
Sem anúncio.
Sem entrevista exclusiva.
Sem preparação estratégica.
A confirmação vazou como tudo sempre vazava: por um comentário solto, um convite impresso com dois nomes, um sussurro em corredores que nunca dormiam.

Na noite da estreia, Londres parecia respirar diferente.
As luzes do cinema histórico iluminavam a rua, refletindo nos flashes incessantes. desceu do carro primeiro, como sempre fazia. O vestido era elegante, sóbrio — nada pensado para chocar.
Os fotógrafos chamaram seu nome.
!
— Olha pra cá!
— Uma foto, !
Ela sorriu. Profissional. Segura.
Foi então que saiu do carro.
Por um segundo, o som pareceu diminuir.
Ele não usava nada chamativo. Um terno escuro, bem cortado. Postura tranquila. Nenhuma pressa em agradar.
Alguns fotógrafos hesitaram.
— Quem é ele?
— É do elenco?
— Espera… é ele?
ofereceu o braço.
aceitou.
O gesto foi simples. Natural. Definitivo.
E, naquele instante, algo mudou.
Os flashes voltaram com mais intensidade, mas agora havia menos frenesi e mais curiosidade real.
, quem te acompanha esta noite?
— É oficial?
— Esse é o moreno misterioso?
Ela parou por um segundo. Não para posar — para responder.
— Sim — disse, com um sorriso calmo. — É ele.
Nada mais.
Não houve beijo calculado.
Não houve discurso.
Não houve desafio.
permaneceu ao lado dela como sempre esteve: presente, sólido, invisível para quem só enxergava fama — e absolutamente essencial para quem sabia olhar.
Dentro do cinema, sentaram-se lado a lado. segurou a mão dele quando as luzes se apagaram, como se, pela primeira vez em semanas, pudesse finalmente respirar.
— Obrigada — murmurou.
— Pelo quê?
— Por não tentar me salvar. — Ela sorriu de lado. — Só por estar aqui.
— Você nunca precisou ser salva. — apertou a mão dela de leve.
No dia seguinte, as manchetes foram diferentes.

SURGE ACOMPANHADA NA ESTREIA E ENCERRA ESPECULAÇÕES.”
Atriz aparece ao lado de parceiro fora dos holofotes e reafirma postura discreta.

Alguns tentaram minimizar.
Outros romantizaram.
Alguns poucos ainda resistiram à realidade.
Mas algo havia mudado.
não era mais um espaço vazio para projeções.
Havia alguém ao lado dela.
Alguém que não competia com o mundo — apenas permanecia.
Naquela noite, em casa, deixou os sapatos perto da porta e se jogou no sofá ao lado de .
— Engraçado — disse, rindo baixo. — Passei meses sendo desejada por todos… e bastou você aparecer para eles entenderem que não havia espaço.
sorriu.
— O mundo gosta de finais claros.
Ela virou-se para ele, apoiando a cabeça em seu ombro.
— Ainda vão falar de mim.
— Sempre vão.
— Mas agora… — ela fechou os olhos — não dói do mesmo jeito.
beijou o topo da cabeça dela.
Porque o mundo podia até querer roubar .
Mas, finalmente, tinha entendido:
ela nunca esteve disponível.


Fim



Nota da autora: Olá Jiniers, como estamos? Eu não sei vocês, mas eu absolutamente estou obcecada por essa história. Espero que goste e não esquece de comentar, ok?

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