Última atualização: 08/10/2018

Capítulo Único

Era apenas mais uma manhã normal para null, com a rotina de sempre: Levantar as cinco da matina, banhar-se, tomar um café reforçado e chegar na cafeteria as seis e trinta em ponto.
Já em seu trabalho, começou a limpar as mesas enquanto esperava dar sete horas e abrir o comércio.
— Perdão pelo atraso, unnie. — era sua dongsaeng, null.
null deu apenas um sorriso para a mais nova, que trabalhava ali afim de ganhar um dinheirinho para ajudar em casa.
— Hoje será um dia cheio. — comentou enquanto limpava a última mesa — Feriado de dia das mães.
— Tem razão, unnie, hoje vamos estar cheias de tarefas.
Após a rápida troca de palavras, null se dirige até a cozinha da cafeteria, afim de organizar as louças e ver se estava tudo em ordem para virar a plaquinha do “aberto”.
Com tudo em ordem, pediu para que null apenas terminasse de varrer o chão, enquanto ela abria o estabelecimento.
Assim feito, null virou a plaquinha e foi até o balcão, aguardar seus clientes.
Era um domingo de dia das mães e nada melhor para se iniciar o dia do que um café da cafeteria mais renomada de Cheongnam.
Seu amigo de infância, null, aparece na conveniência, junto de sua mãe, tocando o sininho.

Quando te olho
O tempo para
Não sei desde quando
Comecei a me sentir assim

null se prontifica para atender os conhecidos, pedindo para que null cuidasse na preparação dos cafés naquela manhã.
— A que devo a honra de recebe-los aqui nessa linda manhã? — perguntou animada aos clientes ¬— Bom dia, dona Marta.
— Um ótimo dia, null. ¬— dona Marta sorri e abre o cardápio — Quero um ristretto.
— Uau, a senhora realmente gosta de café forte, não é? — null anotou o pedido num bloquinho de anotações — E o senhor, null?
— Eu aceito um café expresso mesmo. — sorriu ao ver a amiga ainda escrevendo no bloco — E a Diana?
— A chefe viajou para a França, visitar a mãe.
— E você, não irá visitar dona Rosa?
— Não... Ela ainda deve estar morando com aquele nojento. Ela pode ir na minha casa quando quiser que a receberei de braços abertos, mas naquele muquifo eu não entro, nunca mais.
— Entendi... Perdoe-me se estraguei sua manhã ao falar disso.
¬— Não se preocupe, null, eu estou muito bem, de qualquer forma. — olhou em volta e percebeu outros clientes entrando e se apressou — Bem, vou preparar o café de vocês e já volto.
Saiu um tanto desconfortável. Dia das mães não era mais uma data tão especial na vida de null, depois que viu sua mãe afundando nas drogas e indo morar com um desgovernado e assediador qualquer.
Levou os pedidos até null, que começou a preparar o café, enquanto null voltava a correria de atender de mesa em mesa, sem errar nenhuma petição.

Chegou um dia
Como sonho,
Balançando o meu coração
Posso sentir meu destino

Apesar de estar se distraindo bem ao anotar e servir mesas, seu subconsciente ainda se recordava de um sonho que tivera algumas noites antes.
Nele, basicamente, ela estava no dia das mães, trabalhando na cafeteria como sempre, cumprindo o papel de sua chefe, que estava viajando. E, sem aviso prévio, um cara desconhecido entrava no estabelecimento e tudo virava de cabeça para baixo.
null não acreditava em visões e deixara de crer em amor verdadeiro depois de ser abandonada pelo seu pai.
Com as horas passando, estava chegando na hora do almoço, e pouquíssimas pessoas adentravam a cafeteria. Nesse meio tempo, null e null se reuniram para jogar conversa fora, enquanto o lugar ficava meio deserto, sem clientes levantando os braços, aguardando atendimento, nem mesmo as vozes dos mesmo conversando e reclamando da vida.
— Manhã movimentada, né?
— Muito. — null respondeu ao rir do desespero de null — Desesperada por conta do silêncio, de novo?
Recebendo apenas um aceno concordando, um telefone começou a tocar. Era o de null.
Correndo, a mais nova atendeu a ligação e sua feição se tornava meio assustada e null podia vê-la engolir seco.
Ao finalizar a chamada, null correu até a mais velha com certa preocupação:
— Unnie, eu posso sair por apenas alguns minutos? Prometo não demorar nem mesmo uma hora... Minha irmã não deu os remédios de nossa avó e agora ela está com falta de ar e...
— Acalme-se. Eu cuido daqui por uma hora, sem problemas. É horário de almoço, poucos virão nesse tempo, pode ir.
— Muito, muito obrigada mesmo, unnie!
null saiu dando um beijo na bochecha de null, correndo de avental e tudo, com uma pressa preocupante. null se perguntava se a dongsaeng não seria atropelada com a pressa que andava em sua bicicleta.
Tentando não se entediar naquela hora, decidiu dar uma limpada nas mesas, esfregar o chão, lavar a louça... Chegou até mesmo a dançar com uma melodia qualquer em sua mente, enquanto ninguém abria a porta.
Entretanto, em um de seus passos desajeitados, acabou girando e virando o pé levemente, fazendo com que se estatelasse no chão.
Seu cabelo se bagunçou e, junto dela, o rodo que servia de acompanhante de dança, caiu em cima de sua cabeça.
E nessa fração de segundos, o sininho da porta toca, e uma pessoa surge.

Eu te amo
Pode me ouvir?


“Ai, que vexame...” fora o que null pensou assim que viu o rapaz adentrar a cafeteria.
— Meu Deus, está tudo bem? — o garoto se aproximou e ajudou a menina a se levantar — O que aconteceu?
— Eu tropecei... Enquanto limpava o chão!
Ele arqueou uma das sobrancelhas:
— Com um rodo sem pano?
É só você,
Quando fecho meus olhos


null olhou para o chão; que desculpa esfarrapada! Estava na cara que era mentira e o motivo dela ter caído era outro.
— Esqueça, quer alguma coisa? — a moça mudou de assunto enquanto ajeitava o avental e levava o rodo para dentro da cozinha, voltando para perto do rapaz rapidamente.
— Nem quero, entrei mais por que estava sem nada para fazer.
null piscou, sem saber o que fazer, até que percebeu a porta escancarada de quando o desconhecido tinha chego.
“Nem mesmo para encostar a porta! O que custa não a deixar totalmente aberta, trazendo poeira lá de fora?”, pensava enquanto ia fechar a porta.
Nesse ato, sentiu uma forte brisa entrando e batendo em seus cabelos, e um sentimento estranho lhe invadiu; ela nem mesmo sabia defini-lo.

O amor veio junto
Com o sopro do vento


Com a porta já encostada, voltou para perto do garoto e ficou em pé ao lado da mesa que ele estava sentado.
¬— Já que não irá pedir nada, não vai embora?
— Oras, uma atendente expulsando um cliente? Essa é nova para mim. — ele riu.
— Sei lá, às vezes você tem algum compromisso, não sei.
Ela olhou para o rosto do rapaz, que olhava para a mesma. Era o mesmo garoto do sonho!
— Você trabalha aqui faz quanto tempo?
— Sete meses.
— Entendi. Minha tia não tinha comentado de você para mim, nunca.
¬— Sei... Quem é sua tia?
— Diana Maccas, dona daqui.
null arregalou os olhos; ele era o tão famoso e gato sobrinho de Diana?

Sempre,
Onde quer que você esteja
Sempre,
Onde quer que você esteja
Oh, oh, oh,
Amor, amor, amor


— Você que é o famoso Dae-Young?
— Me chame de null, pelo amor de Deus.
— Não gosta de Dae-Young?
— Você não me parece coreana para não conseguir pronunciar null corretamente.
Ok, era um menino realmente grosso.
— Certamente não sou.
— Dá para saber pelo seu nome, null.
— Como sabe meu nome?
— Está escrito em sua plaqueta.
null olhou para seu seio direito e notou sua plaqueta que precisava usar no trabalho.
— As pessoas não erram na hora de pronunciar?
¬— Eu me apresento com meu nome coreano mesmo. Apenas aqui no serviço que eu sou a null.
¬— Qual seu nome coreano?
— Myung-Joo.
null combina mais contigo.
— Obrigada, eu acho?
null estava embaraçada, era a primeira vez que se sentia estranha perto de um garoto. Ele não era feio, muito pelo contrário, era lindo.
— Por que não está aproveitando o feriado com sua mãe? — ele voltou a puxar assunto.
— Não tenho uma boa convivência com minha mãe.
— Caramba, desculpa. Parece que dei uma bola fora?
— Um pouco só. — null riu — Mas não ligo para isso, não tem de se preocupar.
— Ufa!
Eles continuaram conversando, até que null voltasse da casa de sua avó e null dar a desculpa de que precisava voltar para casa, em tempo de ajudar seu pai no jantar.
— Quem era o gatinho, unnie?
— O sobrinho de Diana, meu amor. E já vai tirando o olho, ele tem 24.
— Só oito anos de diferença, não estou vendo problema algum!
— Kwon null!
— Estou brincando, unnie.
Ainda descontraídas, ouviram o sino da porta tocando e null foi atender os recém clientes.

Continuo te amando
Mesmo quando me afasta
Do teu lado
Meu coração só conhece você


null observava a unnie meio avoada depois que o tal sobrinho da chefe foste embora.
“Será que ela está gostando dele? Quantos anos a unnie tem mesmo? 22? 23?”, se perguntava enquanto passava um pano úmido no balcão.
— Estou acabada! — null reclamou assim que virou a plaquinha da cafeteria.
As duas se tacaram no chão e ficaram conversando, e reclamando da imensa preguiça que estravam para limpar aquilo tudo para segunda-feira já estar tudo organizado.
— Preciso descansar minhas pernas! Fiquei atendendo por doze horas, em pé!
— Meus pêsames, unnie.

Eu te amo
Pode me ouvir?
É só você,
Quando fecho meus olhos


Ambas estavam se lamentando do tanto de trabalho que tiveram naquele feriado. Parecia uma feira de tão movimentado que fora; tirando o horário de almoço.
— Ah é, unnie. — null estava disposta a voltar naquele assunto — Você está gostando daquele cara?
— Do null?
— Não sei o nome dele.
— Ah... Lógico que não. Conheci aquele garoto hoje!

Mesmo se tudo mudar,
Há apenas uma coisa
Que não o fará,
Você é meu amor
E eu sou o seu

null fingiu dar importância aquele fato, apesar de estar pouco se importando de ambos terem se conhecido faziam apenas algumas horas. null não parava de pensar no garoto e a mais nova não conseguia não tirar sarro.

Mesmo se você
Olhar para trás por
Um momento,

Foi assim ao longo dos dias; todas as manhãs, null zombava de null, perguntando se o príncipe encantado viria montado num cavalo branco e tiraria a princesa daquele trabalho cansativo.
Todavia, null não apareceu mais na cafeteria. E null não pode deixar de notar, até mesmo se desanimou um bocado.
— Não fique assim, unnie. Se for para ser, ele volta.

Mesmo se você passar
Perto de mim,

Dito e cumprido. Depois de duas semanas sem ver null, o rapaz voltou até a cafeteria, com a desculpa de ter de levar um doce que sua mãe gostava muito.
E essa ida totalmente anormal dele fora se repetindo ao longo dos dias e, o mais intrigante, ele só aparecia no horário de almoço, quando as atendentes podiam sentar e conversar um pouco.

Está tudo bem,
Porque estarei sempre aqui
Para você

null se sentia uma total estranha quando ele chegava. Parecia que um turbilhão de pensamentos a cobriam quando o viam chegar, mas quando se cumprimentavam, tudo e todos paravam a sua volta.
“Certo, isso definitivamente não é normal”, pensava enquanto o assistia sair do estabelecimento.
— Se ele fica um dia sem vir, a unnie terá abstinência.
Desatadas a rir da piada, null não pode parar de refletir e perguntar-se o que diabos aquele cara causava nela.
— Unnie. — null chamou após a onda de risadas — Você nunca namorou com alguém, né?
— Por que acha isso?
— Você se desconserta toda quando o null chega pra falar contigo. Até mesmo Diana já notou o clima entre vocês e, posso garantir que, ela apoia o casal.

Eu te amo,
Não se esqueça


¬— Você está sonhando, dongsaeng.
— Não estou, unnie! Você só pensa nele. Fica olhando o horário, esperando logo dar meio-dia e ele chegar, e vocês ficarem conversando por quase uma hora, todos os dias. De onde surge tanto assunto?
null parou para pensar: era péssima tentando puxar assunto, mas as palavras simplesmente saiam quando ele chegava.
¬— Vocês precisam se assumir logo. Esse rolo de vocês já vai chegar em seis semanas. Tão lerdinhos...
— Vai lavar a louça, null. Chega desse papo.
Sozinha, null ainda se perguntava se realmente estava gostando de null. Assim, ele era um ótimo amigo, mas... Um namorado? Não, aquilo não seria possível. Amor verdadeiro não existe, certo?
“É apenas um forte interesse, nada além. Apenas umas ficadas e vamos acabar nos enjoando, certo?”
Não.

É só você,
Minha dolorosa confissão


E ela sabia disso.
E foi assim, quando, enquanto null trancava a porta da cafeteria e estava a sair da conveniência, que ele surge atrás dela. Com um buquê, ainda por cima.
Bateu novamente o vento. Aquela mesma brisa da primeira vez quando se conheceram.

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O amor veio junto
Com o sopro do vento

Era o mesmo turbilhão, as mesmas sensações estranhas, o mesmo tremer no estômago.
— Namora comigo?
Não que null acreditasse em amor verdadeiro, muito menos em amor à primeira vista. Aquelas expressões não existiam em seu dicionário.
Mas, por que não se arriscar pelo menos naquela noite? Não importava o rumo que aquela escolha tomasse, null só conseguia pensar em uma coisa: ser feliz.
— Sim!

Sempre,
Onde quer que você esteja
Sempre,
Onde...
Quer que esteja.


FIM



Nota da autora: É realmente uma emoção poder contar um pouco das minhas histórias e das minhas ideias aqui no site! Uma novidade T O T A L!!! Espero que tenham gostado, e se sim, dá um comentário aí >.< thanks thanksss <3



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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