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Última atualização: 19/01/2020

Capítulo Único

Assim que os portões se abriram eu consegui ver finalmente minha liberdade. Mesmo que todos me diziam que hoje eu seria libertada de exatamente cinco anos nessa droga de vida, era difícil de acreditar. Aos quinze anos eu fui presa por ter sido encontrada com muita mercadoria dentro da minha mochila da escola. O que acontece era que se eu não escondesse essa merda toda meu padrasto tirava todos os meus dentes e matava minha mãe. Mas o plano de merda dele acabou dando super errado e eu vim parar na cadeia para os baixinhos, vocês entenderam. Sorri ao ver minha mãe ali com seu fusca amarelo. Corri até ela e a abracei o mais forte que pude, eu sentia uma puta falta dela.
— Como eu senti sua falta, minha vadiazinha! – soltei um riso nasalado com essa mesma maneira que ela costumava me chamar. Ela era uma porra louca, mas eu a amava demais. Ela era minha mãe e a única que eu tinha, uma mulher que só se fodeu nas mãos de homens lixos.
— Chega de fofura que eu preciso comer um hambúrguer com fritas! – praticamente implorei pra ela, a mesma me abraçou de lado para entrarmos naquele fusca e ir atrás de um lanche dos bons. No caminho ela me contou que o monstro do meu padrasto fora preso também e morreu lá dentro. Fiquei feliz mesmo e nem escondi. Aquele bosta fez eu perder toda a merda da minha vida. Ainda bem que na fundação temos aulas com professores pra continuarmos os estudos. O que era a única parte boa de toda situação. Toda semana minha professora me dava livros e mais livros, acabei me tornando uma nerd. Ler era minha liberdade naquela prisão.
Agora nossa casa era um apartamento alugado que se o vizinho de cima desse um pulo caia na nossa cozinha. Uma maravilha! Era cômico além de trágico. Mas o que me deixou mais feliz foi achar minhas coisas em meu quarto. Minhas musicas baixadas e um celular novo em cima da cama. Era tão bom ouvir música quando eu quisesse agora! Pra falar a real era bom pra caralho estar livre!

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— Tem certeza que vai tentar aquela bolsa? Você ralou tanto pra ser aceita e mesmo assim vai ser monitorada e olhada daquele jeito... Sabe? Que estão te julgando. – eu entendia a preocupação da minha mãe. Eu seria a aberrarão da faculdade, mas eu tinha o sonho de me formar e ter uma profissão, eu cumpri a pena que nem era minha, era minha vez de viver a minha vida. Foda-se os riquinhos de merda! Era o que eu pensava. Aliás, a fama de ex detenta deveria me servir de algo.
— Relaxa! Eu sei me cuidar e sei lidar com babacas. – dou de ombros, termino meu café e pego as chaves do fusca. – Você não vai usar mesmo, vai? – ela solta uma risadinha e nega com a cabeça. Pego o resto das minhas coisas e vou para o carro, pulo a parte de me despedir da minha mãe de novo porque não era uma despedida. Então partiu faculdade, não é assim que se fala hoje em dia? Ah sei lá, na cadeia não tem como ser atualizada.
Aumento o volume no último quando toca o solo de guitarra de “Don’t stop me now” do Queen. Batuco o volante mesmo e não seguro a voz ao cantar bem alto a letra contagiante da música. – “I’m having such a good time. I don’t wanna stop at all” – viro o volante para a esquerda com tudo para entrar no estacionamento da faculdade, vendo alguns mauricinhos e patricinhas ali em suas caminhonetes. Não liguei se tinha alguma regra para o estacionamento e as vagas, apenas peguei a primeira que eu vi. Mas antes de desligar o carro fiz o coro final da música, obviamente. Então desliguei e comecei a pegar minhas coisas.
— Essa vaga tem dono. – ouvi uma voz fina e chata perto de mim. Rolei meus olhos, pegando os fones do porta-luvas e o conectando no celular.
— Tem? – pergunto cinicamente, colocando os fones e sorrindo ouvir a música do Michael Jackson ecoar em meus ouvidos. O solinho de Beat It.
— Você é surda? – solto uma risada com a pergunta, negando levemente com a cabeça por achar engraçado mesmo. Faço o solo como se tocasse uma guitarra imaginaria. – Essa vaga é do ! – ela volta a dizer.
— Cadê o nome dele gravado aqui? – sabia que eu estava gritando por causa do volume dos fones. Ela revira seus olhos bem irritada e até tenho medo dela quebrar uma unha ou sei lá. – Fala pra esse estacionar onde ele quiser porque meu carro vai ficar aí. – mando um beijo pra ela, ignorando qualquer coisa que saísse de sua boca porque estava andando apressada com minhas coisas para dentro dos dormitórios a procura do meu.
Era no segundo andar mesmo e o quarto número 18, por enquanto eu ainda estava sem companhia de quarto. O que eu já imaginava bem o motivo, a direção não quis colocar ninguém com uma ex detenta. Não estava reclamando não, era o paraíso.
Não demorei muito pra arrumar tudo do meu jeito, então sai em busca do meu horário que ficava na secretaria é aquele campus era enorme. Fazia o campo da prisão ficar pequeno até. Mas nada me irritou mais que a incompetência da tia que ficava na secretaria, ela estava uns doze minutos naquele telefone conversando sobre como suas férias tinham sido uma maravilha. A pessoa do outro lado da linha deveria estar dormindo, só pode. – Da pra imprimir logo meu horário? – a cobro novamente. Ela apenas me olha feio e continua no telefone normalmente. Ela estava testando minha paciência? Porque não era muita não.
— Você foi a abusada que estacionou na minha vaga então? A novata folgada. – fechei meus olhos porque eu socaria aquele idiota na frente daquela mulher que tinha esgotado minha paciência. Nada de escândalo ou eu seria expulsa. Então respirei fundo e me virei para ver o babaca que falava comigo. O que deixava a situação um pouquinho diferente era que ele era uma delícia, eu acho que delicia era pouco ainda. Que cara gato, puta que pariu! Ele só podia ficar melhor se não implicasse comigo por causa da droga de uma vaga.
— Eu mesma. As pessoas têm costume de me chamar assim mesmo... abusada, folgada, novata e etc. Nada de novo sob o céu. – dou de ombros, descendo meu olhar por ele todo apenas pra apreciar a paisagem mais um pouco. Mas ri da maneira como ele se comportou ao notar meu olhar.
— O que foi? Gostou? – ele abriu os braços em questionamento, coloco a mão no queixo e o olho de novo como se ele fosse um pedaço de carne.
— Dá pro gasto. – esfrego o queixo, fazendo ele rir.
— Quem você pensa que é, garota? – ele semicerrou os olhos e isso me fez dar um passo para frente, o encarando bem nos olhos porque eu não tinha medo não, ele tinha que saber que precisaria de muito mais pra me intimidar e eu duvidava muito que ele iria conseguir. Mais um passo na direção dele e deixei minha expressão mudar pra uma mais sádica e isso fez ele ficar com uma certa ruga na testa sem entender o que eu iria fazer.
— Senhorita . , o seu horário. – ouvi a voz da secretaria fofoqueira, abro os braços e sorrio falsamente par ele.
— Parece que agora você sabe quem é a novata folgada. – pisco um olho pra ele, dando as costas e pegando o horário da mão dela com força e pressa, saindo dali e fazendo questão de dar um empurrão nele ao passar.
— Acho bom seu carro não estar mais na minha vaga, . – levanto o dedo do meio para ele assim que ouço sua ameaça de merda. Ele que não era louco! Mauricinho gostoso de merda.

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Se eu sabia que pra cursar Psicologia você tinha que ser surtado ou acabaria ficando? Sabia e por isso eu era mesmo. Adorava entender a mente alheia, galera era maluca de pedra e era ótimo viajar nessas doideiras. A mente é a melhor máquina já inventada, com certeza. A única aula que era um porre era uma aula de Antropologia que juntava uns outros cursos, sei lá, mas tive que aturar o mauricinho gostoso com sua turma insuportável. O que me surpreendeu foi ele ser inteligente e dedicado, enquanto sua galera zoava a mosca que passava, ele se mantinha focado nas anotações e parecia pronto pra responder às perguntas do professor.
Obviamente que eu fiz questão de roubar uma resposta pra mim, levantei a mão primeiro que ele e respondi perfeitamente. Ganhando um parabéns do professor e um olhar do senhor gostoso que pareceu surpreso. Sorri pra ele como se fôssemos melhores amigos e depois voltei a olhar pra frente como se ele nem existisse, mas conseguia sentir seu olhar em mim. Sabe aqueles olhares que conseguem perfurar sua alma? Então.

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Era divertido provocar o mauricinho, ainda mais quando eu percebi que seus olhares em mim eram com mais frequência. Mas devo confessar que eu me deliciava com ele, afinal, ele era muito muito gato mesmo. Parecia que tinha saído desses filmes de comédia romântica clichê que faz a gente se iludir e se apaixonar pelo principal do filme. O mais engraçado era que até na cantina a gente meio que ficava se encarando, sem motivo algum, apenas se encarando como se quiséssemos dizer que estávamos ali.
Mas as matérias começaram a apertar, trabalhos e mais trabalhos, acabei até perdendo a hora de uma aula na quinta-feira e tive que sair meio às pressas pra conseguir ir na próxima. Assim que passei correndo pelo corredor principal senti alguém puxar meu braço e me puxar para um canto, contra a parede. De imediato, o empurrei sem nem ver que era o mauricinho, mas ele não tinha o direito de pegar meu braço daquele jeito. Menino abusado!
— Encosta em mim desse jeito de novo que eu deixo um hematoma nesse rostinho lindo seu. — o ameaço, ainda assustada pela maneira como ele me abordou. Ele soltou uma risada pela ameaça e se aproximou, levantei o rosto em superioridade e como um aviso pra ele não se aproximar mais que isso.
— Rostinho lindo? Hmmm, então eu sou lindo? — ele arqueou a sobrancelha, sorrindo de lado, todo galanteador. Fiz uma careta de quem tinha comido algo azedo.
— Ah me poupe desse joguinho de sedução comigo. O que é que você quer? — cruzo os braços, demonstrando bastante pressa porque precisava ir para a aula. Ele ainda estava com aquele riso de que estava mesmo se divertindo com tudo aquilo. Um idiota mesmo, entretanto, um idiota gostoso. Puta merda, e que perfume era esse? Dava vontade de lamber todo. Eita porra, acho que eu estava ficando na TPM mesmo ou eu estava sedenta de sexo.
— O que é que eu tenho que fazer pra você tirar seu carro da minha vaga? — agora quem riu foi eu, não acreditando que ele ainda estava incomodado com aquela porra de vaga. Era só uma vaga.
— O que tem de tão especial naquela vaga? — afinal, se ela era tão valiosa assim eu queria mesmo saber pra poder estipular o valor digno. Grana nunca era pouco.
— É idiotice, pra ser bem franco, mas ela é minha e eu sou bem chato com essas coisas. Sou sistemático mesmo, desde novo eu sempre escolhi um lugar pra sentar e era naquela carteira que eu ficaria o ano todo, a mesma coisa com a vaga. — ele decide me explicar e isso só me comprova que ele era mesmo um mauricinho.
— Porra, você é muito mimado mesmo. — nego levemente com a cabeça, ele semicerra os olhos parecendo ter gostado nada de ouvir a pura verdade.
— Dá pra você tirar a droga do carro da minha vaga? — fechei a expressão também, o peitando.
— Eu não sou sua empregada, não sou sua subordinada e nem sua amiga. A porra da vaga é livre pra quem quiser usar e eu não vou tirar só pra satisfazer seu ego de merda. — aponto o dedo pra ele, encostando em seu peito. — Agora vê se fica longe de mim e vê se cresce porque a vida não é a Disneylândia, otário!
Ouvi ele mandar eu ir me foder, mas já estava caminhando apressadamente para longe dele. Gostoso, mas um idiota mesmo.

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Finalmente uma festa! A primeira depois de anos naquele lugar horroroso, estava animada sim e eu tinha conseguido fazer umas amizades. Tinha adorado umas meninas que vieram claramente perguntar como tinha sido ser presa, não me importava com as dúvidas e respondi normalmente. Notei também como o mundo estava mudando e como as pessoas pareciam estar mais mente aberta, sem tanto aquele preconceito de antes. Sabia que ainda existia, mas tinha ficado feliz em saber que o respeito estava crescendo também. Então elas viraram minhas colegas, talvez amigas, mas cedo demais pra falar.
Não precisei de muito tempo pra me vestir com um vestido preto curto e uma camisa jeans por cima, calcei o vans preto com algumas rosas vermelhas bordadas na lateral dele. As meninas apostaram em top, shorts e salto alto. Nada contra, mas nada disso era pra mim, bem capaz de tentar colocar salto alto e cair de boca no chão. A festa era no pátio que estava normal, tirando a galera dançando no meio dele, bebidas, muitas pessoas mesmo e era como uma festa deveria ser mesmo. Sorri com a batida da música e peguei um copo que só pelo cheiro pude reconhecer que era cerveja mesmo. Meus olhos passaram pela festa e pararam naquele par de olhos que me encaravam de volta. Desci meu olhar por ele só pra poder apreciar um pouco a bela paisagem que ele era, então desviei meu olhar dele pra não alimentar muito aquele ego enorme que mal cabia naquela festa.
Observei como as pessoas se divertiam em festas, beber, conversar, rir, flertar, dançar e se pegar. Era quase um ciclo e se repetia, era engraçado até de se ver, era bem divertido de se assistir, eu adorava ficar observando o modo como as pessoas agiam nesse círculo social. Era interessante e basicamente um estudo. As meninas que vieram comigo logo ficaram bêbadas, o que chegou a me divertir mais porque elas ficaram muito engraçadas.
— Se o fosse daqueles garotos que pegava geral, nossa... — ouvi uma delas dizer e então dei mais atenção, não gostando desse meu interesse todo.
— Ele não é? Tem maior cara de babaquinha que paga de o cara que transa com todo mundo e foge no dia seguinte. — comento, rindo baixo por isso.
— Não, ele tem essa cara mesmo e o jeito. Mas ele namorava sério por anos e tiveram que terminar porque ela foi embora para a Rússia, algo do tipo. — fiquei surpresa com a informação mesmo.
— E ele não pegou ninguém desde então? — pergunto como alguém que não quer nada, mas elas notaram meu interesse.
— Tá a fim também? Ele é um gato mesmo, inteligente, super rico e pelo jeito um bom rapaz. — fiz uma careta com tudo que ela disse.
— Ele é um mimado, isso sim. — coloco a língua pra fora como se tivesse com nojo, então saio de perto delas pra pegar mais cerveja.
Acabei me cansando da festa e fui dar uma volta pelo campus porque estava tão vazio e tranquilo, obviamente que acabei vendo uns casais transando em uns cantos bizarros pelos corredores, mas fingi que nem vi quando passei. Cheguei no estacionamento e arregalei meus olhos ao ver que meu carro tinha sido tirado da vaga, ele não estava mais lá. Meu coração gelou e no mesmo instante comecei a dar passos firmes atrás daquele babaca de merda. Pra minha sorte e azar dele, o encontrei no corredor. O empurrei com força contra uns armários ali e dei um soco em seu rosto.
— Cadê meu carro? — berrei com ele, agora ele tinha ido longe demais mesmo. Ele tocou sua bochecha onde tinha sido o soco e ficou me olhando chocado, surpreso e depois ficou puto.
— Você comeu merda, garota? Quem você pensa que é pra me socar assim? — ele se desencostou dos armários e foi andando na minha direção, dei passos para trás na mesma hora e acabei encurralada pelos armários que estavam atrás de mim, do outro lado do corredor.
— Você que comeu merda! Cadê meu carro, ? — não demonstro medo, nem porra nenhuma porque eu realmente não tinha. Ele não era maluco de tocar em mim.
— Em outra vaga, você é cega? — sua voz também estava alterada como a minha, então pude notar melhor como ela era grave e gostosa de se ouvir. E ver como suas veias estavam saltadas por ele estar bravo daquela forma acabou me excitando. Vai entender...
— Você realmente é um mimado de merda. Qual o problema de deixar meu carro lá? — o empurrei, mas dessa vez ele segurou meus braços com força e me prendeu nos armários. — Solta agora! — ordenei, deixando meus olhos praticamente pegarem fogo de tanta raiva por ele estar ultrapassando dos limites.
— Não dava pra só tirar o carro da vaga, ? Você quis criar caso comigo mesmo, por quê? É bom me provocar? — senti sua respiração bater contra meu rosto, quente e gostosa como deveria ser seu corpo. Puta que pariu, como controlava esse tesão todo? Droga!
— Desculpa te decepcionar, mas o mundo não gira à sua volta, príncipe encantado. — cuspi as palavras, fazendo ele apenas me olhar com mais raiva. — Estou te avisando mais uma vez pra me soltar ou você vai se arrepender! — o ameacei de novo e eu realmente não estava brincando.
— Você não me conhece pra me chamar disso. Julgar o livro pela capa parece sempre mais fácil, certo? Eu não te julguei, por que você tá me julgando? — sua voz estava mais baixa agora, quase que um sussurro e wow! Seu corpo se colou mais no meu e eu já estava me perguntando se eu queria mesmo sair dali.
— Vai se foder! — sussurro de volta, encarando seus olhos e me controlando para não descer meu olhar por ele todo. Ele soltou uma risadinha nasalada e rouca também. — Dá pra você me soltar agora?
Ele continuou me olhando profundamente e intensamente, até que senti suas mãos afrouxarem meus pulsos, mas quando achei que ele ia me soltar, ele grudou seus lábios nos meus em um beijo um tanto quanto selvagem. E quando dei por mim, vi que estava retribuindo no mesmo instante. Impulsionei meu quadril contra ele, querendo sentir mais o seu corpo perto do meu. O beijo não era nada calmo, era rápido e profundo, daquele que você já perde o ar logo de início e já te deixa ofegante. Mas que não te faz parar por nada e só faz você querer sentir mais. Ele desce as mãos dos meus pulsos, que estavam em cima da minha cabeça, deslizando-as em meus braços até chegar na lateral do meu corpo, causando deliciosos arrepios por onde elas passavam até chegar na minha cintura que sem delongas ele apertou com força contra si. Deixei todo o ar sair como um suspiro dentro de seus lábios, ele desceu seus lábios pelo meu queixo até meu pescoço, mordendo e lambendo de uma maneira que estava me deixando maluca. Segurei seu cabelo com certa força e puxei, o fazendo arfar e voltar me encarar só por alguns breves segundos antes de retomar o beijo. Suas mãos começaram a descer para minhas coxas apenas pra subir meu vestido, sorri entre o beijo. Mas ele parou e se afastou um pouco, apenas pra poder me olhar.
— Relaxa, eu não vou querer uma aliança ou nada do tipo. Você nunca transou por transar? — o impeço de falar qualquer coisa, ele sorri divertido com a minha pergunta e interrupção.
— Você fica melhor de boca fechada mesmo. — ele me zoa, mordendo meu lábio inferior.
— Você é um babaca de merda. — brinco de volta, provocando uma reação deliciosa dele de me pegar no colo e me prender mais gostoso ali naqueles armários daquele corredor escuro. Acho que não preciso dizer que ele acabou me surpreendendo por transar ali mesmo naquele lugar e não tinha sido uma rapidinha não como eu até suspeitei que seria. Ele fodia muito bem e isso estragava as coisas, ele era gato demais pra foder bem.

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E acabou acontecendo o que nós dois não queria que acontecesse, ficamos viciados no outro, precisávamos nos pegar pelo menos quase toda hora todo dia e era até chato se não fosse uma delícia.
A gente se pegava, transava em qualquer lugar que dava, chegava ser cômico até. Laboratório, sala de aula, corredores, banheiro, biblioteca e até no carro. Único lugar que era proibido era nos dormitórios, achávamos que era íntimo demais e coisas de namorados, coisa que a gente não era e nem nunca seria. Porque o sexo na cama resultaria a dormir juntos, isso já era demais pra mim e acredito que pra ele também. Era bom demais passar todo esse tempo com ele, não era apenas sexo, era bom conversar com ele. Ele era absurdamente inteligente, esperto, engraçado demais e tinha um sorriso que molhava minha calcinha quando eu estava usando uma.
Apesar de não nos desgrudarmos, era uma parada só nossa que ninguém sabia, ou que a gente nunca tinha falado pra ninguém também. Continuávamos solteiros, era um fato, então éramos livres. Hoje teria social no apartamento de um cara que acabou convidando minhas amigas e eu, nunca tinha ido em uma, mas me disseram que era como uma festa só que na casa de alguém.
Por que não chamar de festa então? Frescuras da década mesmo. Como era uma festa normal, optei por um shorts jeans alto, top preto rendado e um casaco grande de pelo cinza por cima. Calcei os coturnos depois de terminar a maquiagem pra poder ir encontrar as meninas no estacionamento pra irmos. Ficava quase na esquina da faculdade, mas mesmo assim fomos de carro. Achei tão perto que dava pra ir a pé numa boa, mas não seria a chata a reclamar.
A casa do cara era enorme e linda, como os filmes e séries mostram como são as festas na casa da galera, essa era a mesma coisa. Bebidas, pessoas bêbadas e aquela coisa toda. Nada de novo mesmo. Fiquei com as meninas na sala onde descolamos o sofá pra ficarmos de boa bebendo. Mas logo minha atenção foi pega pelo entrando na sala abraçado com uma garota loira. Engoli a seco, não entendendo porque minha garganta tinha ficado seca e meu estômago estava estranho.
Seus olhos encontraram os meus, mas ele logo desviou e puxou a sua companhia para longe dali com ele. Fora do meu campo de visão, com certeza. Rolo meus com isso, ficando irritada comigo por estar com aquela sensação estranha de que parecia que tinha comido algo estragado. E só podia ser isso porque ciúmes estava absolutamente fora de questão. Mas o que foi o bastante para pensar em ir embora dessa festa, só não fui pra não dar motivo pra ele achar que era ciúmes ou ele levaria um soco. Tentei beber mais pra relaxar, acabei até dançando quando começou a tocar “Gemini Feed” da Banks. Rodando pela sala com meu casaco tão lindo, acabei contagiando as meninas que dançaram comigo. Não era uma dança sexy ou pra agradar qualquer pessoa, era uma dança pra nos divertimos mesmo. Rimos muito dos passos uma da outra e eu só queria girar e jogar meus cabelos por estar curtindo aquele momento, não lembrando de já ter tido algum daquele tipo. Só parei de girar ao ver o olhar de em mim, ele sorria admirado ao me assistir. Acabei sorrindo de volta pra ele, voltando a dançar, sentindo aquele calorzinho gostoso que ele me fazia sentir sempre que ficava me olhando daquele jeito. Ele me olhava como se eu fosse a garota mais gostosa da sala e eu era mesmo, mas era bom ver isso no olhar dele.
Até que mais pessoas começaram a dançar pela sala e eu fui me encostando mais para o sofá novamente, estava precisando beber porque tinha me dado sede novamente. Peguei uma outra cerveja, sentei no sofá e fiquei me divertindo ao ver a galera dançando ainda e se divertindo sem nem pensar no amanhã. Mas acabou que meus olhos voltaram para aquele maldito cara lindo na poltrona do outro lado da sala. Ele estava tão lindo que dava vontade de socá-lo mais ainda de tanta raiva dele ser lindo daquele jeito. Era desnecessário na minha opinião.
, certo? — levei um pequeno susto com um cara sentando ao meu lado, puxando minha atenção para ele.
— Quem quer saber? — só vejo depois que tinha sido meio ríspida, mas era só meu jeito mesmo, então dou de ombros. Ele dá risada e gosto do som dela, ele era cabeludo e tatuado, bem gostosinho, sendo bem franca.
— Joseph, muito prazer. — ele estendeu a mão para mim, segurei em cumprimento e deixei um sorriso de lado nascer em meus lábios.
— O prazer é seu mesmo, pra mim ainda temos que ver. — pisquei um olho pra ele, tirando outra risada dele. Eita, era bom mesmo aquele som.
— Gosto do seu jeito. Bem garota de atitude! — ele apontou pra mim ao dizer isso com um sorriso encantador nos lábios. Aumento um pouco meu sorriso como um sinal de quem estava agradecendo. Desviei meu olhar dele que automaticamente foi a procura do olhar de , ele nos olhava sério e parecia estar bufando, mesmo estando longe eu conseguia notar isso perfeitamente, todos ali notariam. Ele deu um gole em sua cerveja e se levantou dali, fazendo eu franzir o cenho sem entender muito o que tinha dado nele.
— Foi um prazer, Joseph. Sua risada é um espetáculo! — dou um beijo em sua bochecha, então me levanto dali e antes que eu chegue na cozinha, escuto algo se espatifar no chão. Corro pra ver o que é assim como muitos, era que tinha jogado sua garrafa contra a parede e outro cara que mandava ele ir pra puta que pariu.
— Não dou a mínima para suas merdas, garotinho rico! — o outro gritou pra ele, mostrando o dedo do meio. riu de uma maneira sádica e pra mim até meio sexy, mas né, não conta minha opinião.
— Desde quando “rico” virou ofensa? Mas eu que não dou a mínima, otário de merda. — então ele virou as costas e antes de sair, seu olhar parou um pouco nos meus, mas ele apenas passou por mim e saiu da festa. Fiquei olhando toda aquela situação sem entender nada, um pouco incomodada por umas coisas idiotas. Queria poder ter defendido ele da merda que fosse, queria poder ir atrás dele, mas sabia que isso não era algo nosso e se eu fizesse isso estragaria tudo. Fechei meu casaco e sai dali também, ficando na parte de trás da casa pra evitar muvuca, evitar as fofocas também porque não queria saber mesmo. Antes das três da manhã acabei indo embora sozinha mesmo, voltando para o meu dormitório, estava exausta e já com um humor não tão bom para festas.
Assim que entrei no meu quarto levei um baita susto com uma sombra sentada na minha cama e tive que jogar uma almofada no que estava rindo do meu susto. Mostrei o dedo do meio pra ele, mas fiquei um pouco surpresa de vê-lo aqui no quarto. Afinal, era um lugar proibido. Então fiquei o encarando porque queria mesmo saber o que tinha dado na cabeça dele de aparecer ali e como ele tinha conseguido entrar também. Tudo bem que qualquer pessoas conseguia entrar naqueles quartos, segurança de merda daquele lugar, mas tudo bem que nem vinha ao caso no momento.
— Você não vai perguntar nada daquela ceninha idiota na festa? — ele perguntou, se levantando da cama e parando na minha frente e eu vi no olhar dele que ele implorava para que eu não perguntasse nada.
— Não vou te julgar se você não me julgar. Não vou perguntar, conta se você quiser. — respondo francamente, não estava interessada nos problemas deles porque eu também tinha os meus e odiava pessoas se intrometendo neles. Ele sorriu aliviado e colocou uma de suas mãos em minha cintura para me puxar pra perto dele.
— O quarto era proibido, lembra? — o alertei antes que ele começasse algo que eu não conseguiria parar nem por decreto nenhum.
— Por que mesmo? Você tem medo de dormir de conchinha comigo? — ele me provocou, colocando sua mão por dentro do meu casaco, tocando minha pele descoberta pelo top, na cintura. Causando uns bons arrepios e ao mesmo tempo ruim porque aquilo estava indo longe demais.
-Você veio aqui pra dormir de conchinha? Se foi, vai procurar sua namoradinha da festa. — minha voz soa um pouco azeda e ele solta uma risadinha rouca. Subindo sua mão pela lateral do meu corpo até o top, onde ficou brincando com as rendas.
— Vou precisar citar aquele idiota dando em cima de você no sofá e você retribuindo? — agora eu quem ri, o olhando bem e levando minha mão para sua nuca onde pude agarrar seu cabelo, o fazendo arfar baixinho.
— Vamos mesmo fazer isso? — pergunto seriamente pra ele. Sinto o olhar dele mudar no meu e o meu também, não era mais brincadeira, era sério. Sua respiração mudou também, ele respirava mais pesadamente e sua mão ainda em contato com minha pele também pareceu ficar mais quente.
— Eu tenho tantos problemas, . — ele suspira, abaixando levemente a cabeça, mas sem tirar o contato visual.
— Não é só você. — quem não tinha, certo? Mas o entendia plenamente sobre isso, problemas eram fodas demais e eu sabia bem disso.
— Mas o maior deles é o quanto eu quero você. — e foi assim que ele acabou comigo, não esperava por nada do tipo e foi como se eu levasse um tiro. Abri a boca sem nem ter o que responder, era uma surpresa, mas era boa pra caralho e queria muito poder ouvir de novo até. — Deixa eu resolver esse problema pra você. — sussurro antes de puxá-lo pra perto de mim, o beijando com uma puta vontade.
Não fazia ideia do que estava mesmo acontecendo com a gente, mas ele também era meu vício, eu o queria o tempo todo e chegava ser irritante até. Quando eu não estava com ele, estava pensando nele ou mandando mensagem pra ele. Isso era o que chamavam de se apaixonar? Era apavorante, pra ser bem sincera, mas era aquela sensação gostosinha de quando você vai fazer algum esporte radical, sempre tem a probabilidade de você morrer, mas só o fato de você fazer e ser bom pra caralho já vale a pena. Era a mesma sensação, era uma delícia escrota de boa. E agora poder sentir o corpo dele sobre o meu na minha cama, nós dois sem nada, só nossos corpos quentes se satisfazendo, sem ninguém para nos pegar ou nos atrapalhar. O foda-se ligado se iríamos ou não dormir juntos, que mal tinha se estava tão bom? Que mal tinha se acontecesse? A merda já estava feita mesmo. O que nos restava era terminar de se afogar mesmo e ver se era melhor no fundo do que na superfície.

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Acordei com um barulho irregular no quarto, mas demorei um pouco pra abrir os olhos completamente pela claridade. Espreguicei ao ver se vestir, recebendo um sorriso lindo dele assim que ele viu que eu tinha acordado.
— Ia fugir de mansinho? — perguntei, levantando com o lençol enrolado no meu corpo, caminhando até ele e dando um selinho demorado em seus lábios.
— Acabei sendo pego. — ele levantou os braços em rendição, mas depois me puxou contra seu corpo, beijando-me melhor e me empurrando de volta para a cama, subindo em cima de mim.
— Esses beijos não vão me fazer te desculpar por essa fuga, tá? — sussurro entre o beijo, puxando seu cabelo e arranhando sua nuca.
— Eu sei que não, mas talvez isso vá. — ele desceu seus lábios pela minha pele, beijando cada centímetro dela e descendo o lençol conforme seus lábios iam descendo também. Passando pelo meu busto, o meio dos meus seios e cada um deles.
— Ainda não está desculpado. — controlo os suspiros que estavam saindo sem minha permissão, escuto ele rir fraco e continuar descendo com mordidas agora pela minha barriga, cintura, quadril até chegar em minha virilha. Não reprimi o gemido alto, suas mãos abriram minhas pernas com uma certa brutalidade.
— Acho que isso vai te fazer me perdoar. — ele sussurrou antes de começar a me lamber inteira. Ele era uma desgraça na minha vida mesmo. E isso não era uma reclamação não, era um agradecimento mesmo.

Depois da primeira noite juntos, foi difícil não termos outras e mais outras. As meninas que andavam comigo começaram a notar e ficaram sabendo que ele era o cara que eu estava saindo, afinal mulher descobre tudo mesmo. Temos um sexto sentido absurdo pra essas coisas. Mas algumas coisas que eu andava ouvindo não estava me agradando e coisas que não deveriam nem me importar porque eram irrelevantes, mas estavam incomodando e me deixando puta mesmo.
No almoço consegui encontrar com ele atrás do prédio de biologia, o que também já me incomodava. Ele estava radiante como se nada tivesse errado e isso também já começava me irritar.
— Sentiu saudade mesmo depois da noite de ontem? Você me deixou inteiro marcado. – ele disse, assim que eu me aproximei.
— Você tem vergonha de mim? – pergunto de uma vez, ignorando tudo que ele tinha dito. Notei o sorriso e o semblante alegre desaparecer na mesma hora porque ele sabia que viria tempestade aí.
— Por que isso agora? Como assim vergonha de você? – na defensiva como eu esperava que ele ficasse mesmo. A resposta era que ele tinha sim. Suspirei pesadamente, odiando estar naquela situação que eu mesma tinha criado.
— Você andaria de mãos dadas comigo pela faculdade? Poderíamos nos agarrar nas festas perto dos outros? – cruzo os braços, ficando de frente pra ele.
— Por que? Você quer namorar sério agora? – odiei aquele sarcasmo e por isso o empurrei com força por ter me deixado puta, poderia ser pior que um empurrão. – Qual o seu problema?
Rolei meus olhos com a pergunta e me afastei dele.
— O meu problema é que eu estou apaixonada por você e sei que isso aqui nunca vai dar certo entre nós! Você e eu somos de mundos diferentes. – soltei tudo de uma vez porque sentia que eu iria explodir se não dissesse tudo que tinha que ser dito. Ele ficou estático por um tempo, sem conseguir dizer nada, surpreso até o topo do limite só pela expressão dele.
— Eu não vou conseguir ficar longe de você! – foi o que ele disse, sua voz estava abatida como se ele tivesse mesmo levado um soco. Mas eu não podia deixar ele me arrasar.
— Não quero ficar escondida e não quero ser piada para os seus amiguinhos ricos. – dei passos para atrás e comecei me afastar.
... Para com isso. – ouvi sua voz já afastada, ele não veio atrás de mim como eu esperava que viesse e isso acabou comigo aos poucos. Eu sabia que poderia ser frescura, mas era só problema meu. Todo mundo já tinha passado por essa merda que é gostar de alguém, agora era minha vez e já tinha chegado ao fim.

Semanas depois:

Não foi fácil, ainda não estava sendo, mas eu precisava seguir em frente e ele também. Nos evitávamos a qualquer custo e ele chegou até a sumir por uns dias da faculdade, o que foi ótimo pra mim porque olhar pra ele era sempre a pior parte. Ficava difícil esquecer dele quando eu tinha que olhar pra ele. Um saco! E os seus amigos idiotas começaram a pegar no meu pé, por mais que eu os ignorasse devidamente a minha bolsa e por sempre estarem de olho em mim, eu não podia realmente fazer com eles o que eu queria. Uns idiotas babacas!
O que mais me deixava puta da vida era o estar perto e nunca falar nada, só me
Comprovava que ele não era pra mim. Eu era um mulherão pra ele, isso sim. Foda-se que ele era rico e eu uma ex detenta, eu era incrível e ele só mais um babaca rico no mundo. Todo aquele conceito que eu tinha criado achando que eu o conhecia mesmo tinha acabado. Ele vivia dizendo que o dinheiro era uma maldição, aquele drama todo de pessoas ricas e ainda tinha a história que ele era adotado e por isso seus pais cobravam o dobro dele. Ele tinha que ser o melhor pra honrar o ato dos seus pais. Era uma merda ser ele e por isso eu sabia que não iria querer me envolver naquelas merdas. Chega!

Olhei para a batata ainda em meu prato, pensando seriamente em pular aquele prato delicioso porque não estava mesmo com a mínima vontade de comer.
— Você tem que ir no estacionamento agora! Alguma coisa aconteceu com seu carro. – uma das meninas interrompeu meu dilema de comer ou não comer, levantei no mesmo segundo pra correr até o estacionamento pra ver que merda agora tinham feito comigo. Aqueles idiotas iriam me pagar! Mas quando cheguei lá todos eles estavam me esperando, todos com uma cara de bunda e quando vi que notei meu carro na vaga do . Franzi o cenho, olhando bem para a vaga e o meu carro nela sem entender merda alguma.
— A gente vai ter que desenhar na sua testa que essa vaga é do ? – a idiotinha da voz irritante veio de novo falando merda. Antes que eu abrisse a boca pra responder algo pra ela, saiu de dentro do meu carro e me jogou as chaves.
— Na verdade a vaga é dela. – ele disse, piscando pra mim e olhando para ela e o restante do seu grupo que estavam tão confusos quanto eu. – Nem só a vaga se ela quiser. – ele se aproximou mais de mim, olhei em volta um pouco incomodada com aquela quantidade de gente vendo tudo aquilo.
— Você é muito maluca, tem um passado de merda e tem enormes problemas. Assim como eu tenho também. Mas o meu maior problema ainda continua sendo o quanto eu preciso de você, ! – ele segurou minha mão e me puxou pra perto, não segurei o sorriso nos meus lábios. Aquele maldito sabia mesmo como me ganhar.
— Você é perfeito, um circuito mal conectado. – subi uma de minhas mãos pelo seu peitoral até seu rosto. – Nós temos o tipo de amor que resolve as nossas merdas, certo? – alargo o sorriso ao ver o dele, então sem delongas ele me beija ali na frente de todo mundo. Éramos sim dois malucos de merda, casal improvável e que tem tudo pra não dar certo, mas quem decidiria isso era nós mesmos e mais ninguém. Até porque se algum de vocês nos julgarem...

But you don't judge me
'Cause if you did, baby, I would judge you too.




FIm!



Nota da autora: Obrigada a todos que leram e eu sempre fico imensamente feliz quando recebo retorno do que acharam, críticas construtivas também são sempre bem-vindas.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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