Postada em: 12/11/2017

Capítulo Único

Nem os beijos molhados que Laura distribuía por seu pescoço conseguiam fazer tirar os olhos do outro lado da sala de estar da casa de . Se sentia estranho vendo no meio da rodinha formada por seus companheiros de Real Madrid e ignorando completamente sua existência. Sabia que não tinha o mínimo direito de reclamar, já que não havia tomado a iniciativa de procurá-la ao longo de toda a semana por simplesmente não saber como agir diante daquela situação, mas também achava injusto sair como o vilão da história, pois não tinha culpa se era apaixonada por ele desde os 16 anos e nunca havia dado indícios disso.
Ou será que era tão insensível assim para não perceber o que se passava com sua própria melhor amiga?
Laura se afastou e mexeu nos cabelos castanhos impacientemente enquanto seguia o olhar de . Bufou antes de segurar o queixo do jogador e virar a cabeça dele em sua direção.
- Quem é aquela garota? - perguntou sem rodeios.
- Que garota? - rebateu, um pouco desconcertado.
- A que desceu com o e você não para de encarar desde então - a morena disse e soltou um risinho debochado. - Você tá a fim da namorada do seu amigo?
- Ela não é namorada dele - o outro disse, revirando os olhos. Estaria tudo bem se Laura pensasse que ele era a fim de uma garota que estava o esnobando, mas achar que era namorada de já era o cúmulo do absurdo. - É a minha melhor amiga de infância.
- O que vai ser então? Vai continuar tomando conta da diversão da amiguinha ou vai se divertir comigo? - Laura questionou, cruzando os braços, e o encarou enquanto esperava por uma resposta. Quando percebeu que os olhos dele estavam novamente voltados para o outro lado da sala, riu ao mesmo tempo que balançava a cabeça de um lado para o outro. - Quer saber, ? Eu não vou ficar aqui implorando pela sua atenção. Você não é o único cara solteiro dessa festa.
- Laura! - ele exclamou quando a morena deu meia volta e suspirou ao vê-la sumir por entre as pessoas sem voltar atrás.
A verdade é que ver chegar à festa de aniversário de Nacho e havia sido como levar um balde de água fria na cabeça. Passar a noite com a amiga gostosa dos tempos de escola de Nacho subitamente perdera a graça, ele sequer teve vontade de ir atrás dela para fazê-la mudar de ideia. Sua melhor amiga da vida inteira estar chateada e tão indiferente à sua presença parecia algo mais relevante naquele momento.
Ao se ver sozinho em meio a um monte de desconhecidos, não teve outra escolha a não ser se juntar aos amigos e suas respectivas acompanhantes, o que significava se aproximar de também. Nacho foi o primeiro a notar sua presença e arqueou uma sobrancelha, estranhando vê-lo desacompanhado.
- Ué, cadê a Laura?
- Cansou da minha cara - respondeu, esboçando um sorriso irônico, antes de roubar o copo de cerveja do amigo e dar um longo gole na bebida.
- Como assim? - Nacho perguntou confuso e pegou de volta o copo que o outro estendeu sem se importar de, agora, o mesmo estar quase vazio.
- Deixa pra lá.
estava com preguiça de explicar toda a situação naquele momento, então apenas virou o rosto para não dar chance de o outro fazer mais perguntas. Seus olhos acabaram cruzando com os de , que o encarava com curiosidade, e os dois se encararam por alguns segundos até Macarena, noiva de Lucas Vázquez, chamar a atenção da garota ao dizer alguma coisa no pé do ouvido dela.
Por longos minutos, tudo que fez foi beber e observar a melhor amiga de longe, enquanto ela bebia e conversava descontraidamente com Macarena, Maite, a irmã mais nova de Nacho, e uma garota desconhecida que ele não sabia de onde havia surgido, mas por quem Marco Asensio parecia estar interessado. Ele queria ir até , pedir desculpas por ter agido feito um covarde nos últimos dias e esclarecer a pendência que tinham para que nada daquilo estragasse a amizade deles, mas era como se seus sapatos estivessem colados ao chão. Ele não conseguia dar um passo sequer na direção dela. Estava se sentindo um merda por tê-la magoado.
, por outro lado, estava fazendo um bom trabalho ao tentar se distrair da decepção que, volta e meia, a fazia sentir um aperto no peito. Estava se permitindo aproveitar a festa de aniversário dupla de e Nacho Fernández sem se importar com os pensamentos confusos que ainda habitavam sua mente e ignorando a forma com que lhe encarava parecendo sentir pena. Sabia que de nada adiantaria ir para casa e chorar encolhida debaixo do cobertor, pois isso não faria a dor da rejeição diminuir nem um pouquinho, então estava se esforçando para continuar ali como se tudo estivesse às mil maravilhas.
- Finalmente - Macarena disse, cutucando a cintura de , que voltou à realidade a tempo de perceber que observava um compenetrado na conversa com Nacho e Álvaro Morata há mais tempo do que era aceitável.
- Quê? - ela perguntou antes de levar o copo de cerveja à boca para disfarçar o desconcerto.
- Marco e Mía - a outra respondeu e virou a cabeça na direção que ela apontava. Encontrou, sentados em um dos degraus da escada, o casal trocando um beijo tranquilo.
- Eles ficam bonitinhos juntos - disse, esboçando um pequeno sorriso.
Estivera conversando com Mía algum tempo antes, ela era uma grande amiga da irmã de Nacho e estudava Arquitetura na Universidade Politécnica de Madrid. Como fazia Engenharia Civil na mesma universidade, acabou tendo papo de sobra com a garota que havia hipnotizado Marco Asensio desde que chegara à festa e, na primeira oportunidade que teve, apresentou um para o outro. Acabou sendo o empurrãozinho que Marco precisava para envolvê-la em uma conversa agradável e, em poucos minutos, estavam se afastando do restante do grupo.
- Servidas? - questionou ao parar em frente às duas com uma bandeja redonda repleta de salsichas enroladas em pedaços de bacon e fincadas em palitos.
- Obrigada - disse, pegando uma das salsichas, logo a levando à boca para saboreá-la.
- Valeu, - falou Macarena, também aceitando o petisco oferecido.
- Quer mais cerveja? - o jogador perguntou para , que sorriu, negando com a cabeça.
- Ainda tem bastante - ela disse, levantando o copo que segurava.
- Se precisar… - ele começou, mas foi interrompido antes de finalizar a frase.
- De alguma coisa, é só te chamar - a garota completou em um tom divertido e riu levemente. - Relaxa, . Estou bem.
- Tem certeza? - brincou ele, porém, antes que a outra pudesse dizer qualquer coisa, dois amigos dele chegaram tirando a bandeja de sua mão e dizendo que iriam roubá-lo por alguns minutos. - Daqui a pouco eu volto pra conversar com vocês.
observou os dois rapazes arrastarem para longe com um sorriso brincando em seus lábios. Ele também estava contribuindo bastante para que ela deixasse as preocupações de lado durante aquela noite. Apesar de, como um dos aniversariantes e dono da casa, ter que dar atenção para seus convidados, o jogador sempre dava um jeito de se juntar à e às outras garotas, participava da conversa por alguns minutos e fazia questão de, toda vez, se certificar que ela não estava precisando de nada. Ele estava sendo o cara mais fofo do mundo.
- O que eu perdi? - Macarena perguntou, chamando a atenção de .
- Como assim? - ela questionou, a confusão estampada em seu rosto.
- Tá rolando alguma coisa entre vocês?
- Tá doida, mulher?
- Por quê? Não vejo nada demais, os dois são solteiros - disse a mais velha, dando de ombros. - Além do mais, o é um amor de pessoa. Você não acha?
- É claro que ele é, mas isso não quer dizer nada - respondeu e soltou um riso anasalado.
- Desencana do , . Você merece mais do que isso - a outra disse, fazendo os olhos dela se arregalarem ao ser pega de surpresa por tal comentário. - Não adianta fazer essa cara, eu já percebi que você gosta dele. Sei pelo Lucas que vocês já ficaram, agora estão aí, cada um em um canto, trocando olhares de longe com essa cara de enterro… Tá um pouco óbvio que aconteceu alguma coisa, fofa.
Antes que pudesse reencontrar as palavras para dizer qualquer coisa, fosse para inventar alguma desculpa ou confessar que a outra estava certa, a música que tocava naquele instante foi desligada e, logo em seguida, protestos preencheram o ambiente.
- Desculpa, gente, mas vou dar início à primeira rodada do karaokê - falou alto para tranquilizar o pessoal e, em seguida, lançou um olhar cortante na direção dos amigos que haviam o tirado de perto de e Macarena ao mesmo tempo que a maioria dos presentes comemorava a mudança de planos. - Por livre e espontânea pressão, né?
Não que cantasse bem, pois não era o caso, mas um dos hobbies favoritos de era cantar. Noites de karaokê eram bastante comuns em sua casa, já havia estado em várias delas e sabia bem como eram divertidas. Canções antigas e românticas eram desenterradas e as performances eram cheias de muitas caras, bocas e vozes desafinadas. As risadas eram garantidas do início ao fim.
Depois de alguns minutos de indecisão, a primeira música escolhida por e seus amigos foi Corazón Partío, de Alejandro Sanz. A música soava pelo ambiente e o trio, cada um com um microfone em mão, cantava um verso da música. O ponto alto da apresentação foi no refrão, quando os três cantaram juntos como se aquela fosse a música de suas vidas e arrancaram risadas de todo mundo. O trio que os seguiu foi Nacho, Álvaro e e a música da vez foi A Puro Dolor, do grupo porto-riquenho Son By Four, o que fez protestar, pois era uma de suas favoritas para cantar no karaokê. A apresentação acabou sendo ainda mais hilária do que a primeira, especialmente porque a sala em peso cantava junto o refrão marcante “vida, devuélveme mis fantasías, mis ganas de vivir la vida, devuélveme el aire”.
Quando a música estava para acabar, se aproximou de , a fazendo fitá-lo com curiosidade.
- , vamos cantar a próxima?
- Eu? - ela rebateu, espantada, apontando para si mesma.
- É, eu e você - o outro disse, sorrindo. - A gente pode cantar alguma do El Canto Del Loco, já que você é fanática por eles.
Os olhos indecisos da garota encararam os olhos animados dele por algum tempo antes de se voltarem rapidamente para Macarena, María e Maite, que haviam se unido a ela novamente, e as três a incentivaram a aceitar o convite. estava tão entusiasmado com a ideia que ela não seria capaz de recusá-lo.
- Só se eu puder escolher a música - respondeu, por fim, em um tom divertido.
- Fique à vontade - o outro disse, piscando um olho, com um sorriso ainda maior estampado no rosto.
não demorou a optar por Contigo, que além de uma de suas favoritas da banda El Canto Del Loco, era também uma parceria com a cantora mexicana Natalia Lafourcade, o que fazia dela uma ótima música para cantar em dupla.
começou cantando a parte do vocalista Dani Martín sob as zoações de seus amigos e, enquanto tentava acompanhar a letra da música que passava na tela da televisão, mostrou o dedo médio para eles. Quando entrou na parte cantada por Natalia, entretanto, palmas e assobios de aprovação tomaram o cômodo. Se estivesse sóbria, talvez ficasse levemente acanhada, mas havia tomado copos de cerveja suficientes para apenas sorrir enquanto cantava. Também não era uma cantora profissional, é claro, mas sua voz suave era agradável de se ouvir. Sem dúvidas, a melhor que havia se atrevido a participar do karaokê até então.
precisou respirar fundo quando sua vez chegou novamente. Estava tão hipnotizado pela leveza de ao cantar a música de sua banda preferida com um sorriso doce nos lábios que só se forçou a parar de admirá-la porque realmente precisava ler os versos que não sabia de cor.
Quando o refrão chegou, virou o corpo totalmente na direção de enquanto cantava:
- Y sólo quiero vivir contigo.
- Y sólo quiero bailar contigo - ele rebateu e, a olhando de maneira divertida, a pegou pela mão e a puxou para mais perto.
- Sólo quiero estar contigo - cantou em meio a risos, deixando um mais soltinho do que de costume a guiar em uma dancinha no ritmo da música.
- Y quiero ser lo que nunca he sido - cantou o aniversariante, piscando um olho.
- Sólo voy a soñar contigo - a outra cantou ao mesmo tempo que soltava sua mão da de para apoiar o braço no ombro dele, encenando uma expressão sonhadora, e ele a abraçou de lado.
- Sólo voy a cantar contigo.
- Lo voy a hacer todo contigo.
- Ya ves, sé lo que me digo.
Os dois se afastaram um do outro e cantaram o restante da música no mesmo clima descontraído, fazendo graça a cada verso e em meio a muitas trocas de olhares. Estava tão envolvida pelo momento que, só depois, foi parar para pensar em quão boa havia sido a experiência de cantar com pela primeira vez no karaokê. Eles formavam uma boa dupla.
E foi a mesma coisa que pensou enquanto os assistia cantar a música que ele e já haviam cantado juntos dentre outras tantas. Desde quando eram apenas crianças, sempre que tinham a oportunidade de participar de um karaokê ou até mesmo ali, na casa de , nas vezes que a levava para as reuniões com seus colegas de time, os dois costumavam cantar juntos. Sabia que estava sendo injusto, mas vê-la se divertindo sem ele o incomodou mais do que gostaria. Esse desconforto não o deixou pensar duas vezes quando viu cruzar a sala de estar e sumir pelo corredor que levava à cozinha.
fez o mesmo caminho que ela, desviando das pessoas com que cruzava pelo caminho, e encontrou a melhor amiga pegando uma garrafa de cerveja no freezer. Observou, enquanto tomava coragem para se aproximar, abrir a garrafa com a ajuda de um abridor e derramar a bebida em um copo. Quando ela se virou e parou, surpresa por vê-lo ali, ele finalmente deu alguns passos à frente.
Os dois fitaram os olhos um do outro por longos segundos sem se importar com algumas pessoas que entravam e saíam da cozinha. Era apenas a presença do outro que cada um deles sentia diante daquele medo de dar um passo em falso.
respirou fundo antes de soltar um longo suspiro. Uma série de afirmações e questionamentos que gostaria de dizer para passavam por sua cabeça e, quando ele percebeu, um deles estava saindo por seus lábios.
- Desde quando você o são tão amiguinhos?
O semblante da garota, de hesitante, se tornou confuso quando ela absorveu as palavras ditas pelo melhor amigo em um tom nitidamente descontente.
- Só porque ele é seu amigo, não pode ser meu também?
- Do nada? É, no mínimo, estranho - respondeu e soltou um risinho levemente irônico.
- A vida é engraçada, né? Do nada, a gente pode descobrir que alguém é mais amigo do que a gente pensava - rebateu em um tom debochado. - E, também do nada, a gente pode descobrir que alguém que se dizia nosso amigo não se importa tanto assim.
- É você quem tá dizendo que eu não me importo.
- Se a carapuça serviu, o problema não é meu.
- Caramba, , a gente se conhece a vida toda. Você realmente acredita que eu faria qualquer coisa que pudesse te magoar propositalmente? - o jogador disse em um tom indignado.
- Eu não sei, ! - ela exclamou antes de soltar um suspiro longo e frustrado. - O que eu sei é que eu passei anos me iludindo, achando que um dia você olharia pra mim como mais do que sua amiga de infância, e, enquanto isso, você esfregava na minha cara como a Victoria era o grande amor da sua vida - continuou e precisou respirar fundo quando um nó se formou em sua garganta. - E, quando você finalmente me enxergou como uma mulher, não passou de diversão.
- Me desculpa, . Eu não percebi - falou e passou as mãos pelo rosto. Estava decepcionado consigo mesmo por ter deixado que a situação chegasse àquele ponto, já que estava sempre tão envolvido nos próprios problemas. - Acredite, estou me sentindo um babaca egoísta por não ter percebido que minha melhor amiga gostava de mim.
não conseguiu evitar que algumas lágrimas teimosas escorressem por suas bochechas, mas logo passou a mão livre pelo rosto e levou o copo de cerveja que segurava à boca. Deu um longo gole enquanto sentia o desconforto que o silêncio que se instalou entre eles trouxe consigo, mesmo que estivessem ouvindo a confusão sonora que vinha da sala de estar, uma mistura de diferentes conversas com o karaokê que ainda rolava solto.
- Então você realmente não sente nada por mim? - ela perguntou depois de algum tempo, sem coragem o bastante para levantar os olhos e encarar os do amigo.
- Eu te acho incrível, . Você é muito importante pra mim… - começou, buscando pelas palavras que pudessem dar a resposta que nem ele próprio sabia qual seria, mas foi interrompido antes de encontrá-las.
- Não quero que você se justifique, só responde a minha pergunta.
respirou fundo e encarou os olhos decepcionados de . Estava claro que ela já sabia qual seria a resposta e ele se odiava por ser o responsável por fazê-la se sentir daquela maneira. Naquele momento, desejou mais do que qualquer coisa poder ser o homem que a faria feliz, quis ser capaz de corresponder os sentimentos dela, mas precisava ser honesto.
- Eu gosto de ficar com você. Rola uma química incrível entre a gente e estar junto de você me faz bem, mas eu não sei se o que eu sinto é o suficiente. Você merece mais do que isso.
fechou os olhos quando sentiu o nó em sua garganta se apertar ainda mais ao mesmo tempo que se sentia enjoada. Respirou fundo, esperando que a vontade de pôr tudo que havia comido e bebido durante a festa para fora e, algum tempo depois, finalmente abriu as pálpebras para encarar o rapaz à sua frente.
- Tá - murmurou em um fio de voz.
- … - disse em meio a um suspiro.
- Tá tudo bem, você não tem culpa de nada - a outra disse em seguida, esboçando um sorriso triste em meio a algumas lágrimas.
- Vai ficar tudo bem entre a gente? - ele questionou sem esconder a preocupação de que a amizade deles nunca mais fosse a mesma.
- Acho que sim. A nossa amizade é forte, vamos superar isso - respondeu e riu levemente antes de um semblante sério tomar seu rosto. - Mas eu preciso de um tempo.
O jogador franziu o cenho e levou alguns segundos para, com a voz trêmula, questionar:
- Um… tempo?
- Acho melhor a gente se afastar por um tempo, . Até, você sabe… - a garota respondeu, soltando um suspiro derrotado. - Até eu seguir em frente.
- Não quero me afastar de você, - o outro falou receosamente.
- Por favor - ela suplicou e apertou os olhos, sentindo mais lágrimas rolarem por suas bochechas.
Com o coração apertado, se aproximou dela e a envolveu em um abraço apertado. deitou a cabeça no ombro do amigo e se permitiu liberar não apenas as lágrimas, mas também o sentimento que, por anos, escondeu dentro de si a sete chaves. Um amor que muitas vezes a machucou, mas que também a fez sorrir e ter esperança. Naquele momento, entretanto, ela só queria se libertar dele.
- E se a gente tentasse? - sugeriu enquanto acariciava as costas da amiga, acalentando-a. - Não é como se fosse ser um sacrifício.
- Você sabe que não é assim que as coisas funcionam - respondeu entre uma fungada e outra e passou os braços pela cintura do outro, retribuindo o abraço. - Eu não quero que você fique comigo por obrigação. Às vezes é necessário sofrer um pouquinho pra cair na real. Eu vou ficar bem.
- Quando foi que você se tornou essa mulher incrível?
sorriu levemente com as palavras de e permitiu que ele se afastasse para poder observar seu rosto. Um singelo sorriso também despontou no rosto dele, que colocou uma mecha do cabelo comprido da garota para trás da orelha e acariciou a bochecha dela carinhosamente.
O jogador se aproximou lentamente e grudou os lábios aos de , que fechou os olhos e deixou que ele a beijasse suavemente.
- Me desculpa por tudo - sussurrou ao quebrar o beijo e, sem esperar por uma resposta, deu meia volta e foi embora da cozinha, deixando uma com os olhos perdidos no meio do cômodo.
Ela levou algum tempo para voltar a si e, assim que o fez, matou o copo de cerveja de uma só vez. Em vez de voltar para a sala, saiu pela porta de entrada e se sentou em um dos degraus da fachada da casa.
Logo depois, também passou pela porta e a fechou atrás de si. Havia visto sair da casa quando, depois de notar sua ausência da sala de estar, a procurava.
- ? Aconteceu alguma coisa? - perguntou, preocupado, ao ouvi-la fungar.
A garota passou os dedos pelo rosto e soltou um longo suspiro antes de virar o pescoço para encarar o rapaz que acabara de se sentar ao seu lado.
- Eu fui pegar uma cerveja, o acabou me seguindo e a gente conversou.
- Foi tão ruim assim?
- Nada que eu já não imaginasse - ela disse, dando de ombros. - Eu pedi pra gente se afastar por um tempo, até eu colocar as ideias no lugar.
- É, talvez seja melhor assim - respondeu, pousando uma das mãos nas costas de para confortá-la. - Vai ficar tudo bem. Eu não consigo imaginar um mundo em que e não sejam amigos.
- Pra falar a verdade, nem eu - ela retrucou, rindo levemente.
- Eu só tenho uma preocupação… - o outro disse, a fazendo levantar os olhos com curiosidade. - Isso significa que vamos ter que nos afastar também?
- Claro que não, . Você disse que, se eu precisasse de um amigo, poderia contar com você. Já mudou de ideia, é? - questionou em um tom divertido, cruzando os braços na altura do peito, postura que fez rir.
- Vem cá - disse ele, a puxando para um abraço de lado. - O que eu falei ainda tá valendo. Pode me ligar quando precisar.
Sorrindo sozinha, respirou fundo, se aconchegando junto ao corpo de . Estava tão confortável ali que ela quase se esqueceu de todo o drama que vinha vivendo nos últimos dias.
- Acho que eu vou embora - falou algum tempo depois, se afastando do jogador, e se pôs de pé, ajeitando a roupa que vestia.
- Eu não vou deixar você perder o bolo que minha mãe e a do Nacho mandaram fazer - outro rebateu, também se levantando, e a garota sorriu ao se lembrar do bolo confeitado que imitava um campo de futebol e tinha um bonequinho de cada um dos dois aniversariantes.
- Você pode guardar um pedaço pra mim - a garota disse, dando de ombros, e soltou um longo suspiro. - Eu perdi o clima, preciso ficar sozinha um pouco.
- Fica lá no meu quarto um pouquinho até se sentir melhor. Eu te chamo na hora do Parabéns.
fitou os olhos do outro por alguns segundos, até que rolou os olhos e deu meia volta.
- Você percebeu que conseguiu tudo que quis de mim hoje? - perguntou enquanto adentrava a casa seguida por .
- Nem tudo - ele respondeu, a fazendo sentir um frio na barriga ao mesmo tempo que esboçava um sorriso tímido sem ter coragem de encará-lo de volta.
- Eu vou ficar um pouquinho no seu quarto mesmo, tá? - disse ao parar em frente à escada.
- Pode ficar à vontade - o outro falou, sorrindo, e ela retribuiu o sorriso antes de se aproximar para depositar um beijo demorado na maçã do rosto de .
- Obrigada.
O rapaz observou subir os degraus antes de voltar a se juntar aos amigos. Seu coração batia forte e a sensação dos lábios delicados da garota contra sua pele demorou um longo tempo para sumir.
De longe, havia observado a cena sentindo-se esquisito. Pela primeira vez, tinha medo de perder a melhor amiga.

xxx

A movimentação no quarto escuro e silencioso fez despertar. Em meio ao breu, ela pôde ver uma silhueta se mover pelo cômodo e levou algum tempo para reconhecer .
- Te acordei? Desculpa - ele disse com um sorriso culpado ao ouvir a movimentação sobre o colchão.
- Tudo bem - a outra falou, sonolenta, e se pôs sentada. - Que horas são?
- Quase 3h da manhã - respondeu enquanto largava o bolo de sacolas de presente que tinha em mãos sobre o sofá que ficava do outro lado do quarto e acendeu uma luminária.
- O quê? - perguntou, os olhos arregalados devido à surpresa, pois não imaginava que tivesse dormido por tanto tempo assim. Só então notou que, diferente de quando se deitou na cama de para descansar por alguns minutos, não podia mais ouvir a música alta e o falatório que vinham do andar inferior. - A festa acabou?
- Sim, o pessoal acabou de ir embora.
- Como assim? Você esqueceu de me chamar? - rebateu, indignada.
- Eu vim te chamar, mas você estava dormindo e parecia bem cansada. Fiquei com pena de te acordar - o jogador respondeu com um sorriso culpado.
- Pois deveria! Poxa vida, eu perdi o bolo - falou, fazendo um biquinho com os lábios.
- Relaxa, eu guardei um pedaço pra você.
- Que vergonha, eu deitei aqui só pra descansar um pouco, mas acabei caindo no sono - disse sem graça e, em seguida, fez uma careta. - Acho que bebi além da conta.
- Pode ficar por aí se quiser. Eu te levo pra casa pela manhã - ofereceu, dando de ombros.
- Não vou te atrapalhar? Eu posso chamar um Uber.
- Não vou te deixar sair por Madrid a essa hora, - ele falou categoricamente. - Não tem problema nenhum. Como os quartos de hóspedes já estão ocupados hoje, você pode dormir aí na minha cama mesmo e eu durmo aqui no sofá.
- Não tem cabimento você dormir todo torto nesse sofá - a outra disse após analisar o sofá que não era lá muito grande. Tudo bem que era poucos centímetros mais alto do que ela, mas não achava justo que ele não dormisse confortavelmente em sua própria casa. - Então deixa que eu durmo aí.
- É um sofá-cama pra situações como essa mesmo. Relaxa - ele disse, rindo levemente.
não se daria por vencida assim tão fácil, mas suspirou longamente e não retrucou. Se levantou da cama em silêncio e foi até o banheiro, onde lavou o rosto e bochechou um pouco de enxaguante bucal. Voltou para o quarto em seguida, sentindo o hálito fresco, e encontrou revirando as sacolas em cima do sofá.
- Ganhou o que de presente? - perguntou, se aproximando.
- A grande maioria é roupa. Alguns livros também - ele respondeu e mostrou um embrulho que tinha formato de livro.
- O que é aquela caixinha ali? - questionou, curiosa, apontando para uma pequena caixa perdida no canto do sofá.
- Que caixi… Ah, não é nada demais - disse ao olhar na direção apontada e reconhecer a embalagem. - É só zoação da ridícula da minha irmã.
- Agora eu fiquei curiosa - a outra disse, mas, antes que pudesse se inclinar para pegar a tal caixa, o jogador foi mais rápido.
- Você não tá perdendo nada - ele disse, jogando o presente dentro de uma sacola qualquer.
analisou a atitude dele por um instante e mordeu as partes internas das bochechas para controlar o riso que quis deixar escapar ao notar quão embaraçado estava.
- Você tá com vergonha? É tão ruim assim, é? - perguntou e o jogador suspirou.
- São dados eróticos - respondeu ele, rolando os olhos. - A Patricia me dá essas coisas só pra me deixar sem graça.
- Sua irmã é ótima - a garota disse, finalmente se permitindo rir. - Posso ver como é? Nunca brinquei com isso.
Os dois se entreolharam por alguns segundos e estalou a língua no céu da boca ao se dar por vencido e se inclinou para pegar a caixinha dentro da sacola.
- Pode abrir - disse ao estendê-la a embalagem ainda lacrada.
caminhou na direção da cama enquanto abria a caixa e se sentou sobre o colchão de pernas cruzadas. Tirou os dois dados que brilhavam no escuro de lá de dentro e leu as palavras estampadas nas faces de cada um deles sem deixar de rir baixo em reação.
- Nesse tem: morder, massagear, acariciar, beijar, lamber, chupar - disse, indicando um dos dados, enquanto se jogava no espaço vago ao seu lado, se deitando. - E, nesse outro: pescoço, peitos, bunda, coxas, costas e boca.
- Como se eu não soubesse o que fazer com uma mulher - ele murmurou, fazendo gargalhar em resposta.
- Não quer dizer que você não sabe o que fazer, é só uma brincadeira - ela falou, dando de ombros. - Deve ser divertido.
chacoalhou os dois dados dentro da mão fechada e, em seguida, os jogou sobre o colchão. Leu o resultado rapidamente e os pegou de volta sem dizer nada.
- O que caiu? - o outro questionou, curioso.
- “Peitos” - ela falou e reparou que, inconscientemente, os olhos de desceram de seu rosto para o volume que seus seios faziam sob a blusa de gola alta. Os seus próprios encaravam o rapaz sem piscar quando, em um tom de voz baixo, ela disse: - “Lamber”.
O quarto, de repente, pareceu quente demais para uma madrugada de inverno europeu. se sentiu estranha ao se dar conta de que estava se sentindo atraída por e que, bem lá no fundo, desejou colocar em prática aquilo que os dados haviam sugerido ou, pelo menos, beijar a boca redondinha dele que parecia tão convidativa. Os olhos ao mesmo tempo inocentes e intensos dele a encarando fixamente não ajudavam muito.
Entretanto, ela se lembrou de e da cumplicidade de toda uma vida que tinha com ele. Dos sentimentos que tinha por ele. De como estava quebrada por dentro por causa dele. Só podia ainda estar bêbada para se deixar distrair por pensamentos daquele teor com um dos grandes amigos do cara por quem era apaixonada desde os 16 anos. Queria sim seguir em frente, mas sem enfiar os pés pelas mãos.
- Você pode me emprestar uma roupa? - perguntou, desviando os olhos para bem longe dos de .
- Claro - ele respondeu, se levantando da cama. - Vou ver com minha irmã.

xxx

Três semanas se passaram desde que decidiu se afastar de por um tempo e o jogador do Real Madrid vinha respeitando sua vontade. Muitas vezes, ela se pegava desejando ligar ou mandar uma mensagem para o melhor amigo, especialmente porque, ao que tudo indicava, ele finalmente estava conquistando seu espaço como um dos jogadores essenciais para o sucesso daquela geração do Real Madrid. Com a lesão de Gareth Bale, Zinédine Zidane vinha o dando mais oportunidades no time titular e aproveitava cada uma delas da melhor maneira possível para conquistar a confiança do treinador. se enchia de orgulho quando via a enxurrada de comentários positivos sobre ele nas redes sociais, mas preferia continuar em silêncio até se sentir confortável o bastante para voltar a procurá-lo.
Em contrapartida, naquelas semanas, seu celular esteve sempre cheio de mensagens de . Quando estava na faculdade ou em casa, estudando, quase sempre conversava por texto ou áudio com mesmo que não tivesse o visto pessoalmente novamente depois do dia seguinte à sua festa de aniversário. Era até um pouco engraçado pensar que eles não tivessem se aproximado antes, pois vinha descobrindo que tinha uma sintonia muito boa com o rapaz.
Foi por isso que, encolhida no sofá por causa da dor forte que sentia no baixo ventre, ela se pegou abrindo a conversa com o lateral direito do Real Madrid no celular.

: Socorro 😩

Tentou prestar atenção no filme que passava na televisão, mas o aparelho vibrou poucos minutos depois, avisando que a resposta havia chegado.

: O que aconteceu?

: Tem um bebê dinossauro comendo meu útero.

: Cólica? Já tomou remédio?

: Já tomei, não tenho muito o que fazer além de esperar a bendita passar.

: E se tentasse dormir?

: Bem que eu queria, mas não consigo.

: Tô aqui tentando assistir um filme que nem sei do que se trata direito. 😅

: Então somos dois. 👊

mordeu o lábio inferior enquanto encarava a tela do celular. Estaria ficando louca ou realmente estava com vontade de chamá-lo para ir até sua casa? Sentiu-se um pouco estranha com o pensamento, pois seria quem ela chamaria para compartilhar o tédio se o momento fosse outro.
Antes que pudesse chegar a uma conclusão sobre convidá-lo ou não, notou que o jogador digitava uma mensagem. O aviso sumiu e reapareceu diversas vezes até, por fim, a mensagem dele surgir na conversa.

: Posso ir te fazer companhia se quiser.

Ela riu baixo enquanto digitava a resposta.

: Eu não reclamaria. 😊

: Daqui a pouco tô aí.

A cólica menstrual parecia mais suportável quando deixou o celular de lado com um sorriso discreto nos lábios.
- Precisa de alguma coisa, ? - Yolanda questionou ao chegar à sala de estar do apartamento e encontrar a filha esparramada no sofá.
- Não, mãe. Obrigada - ela respondeu, levantando a cabeça para encarar a outra. - Vai sair com o Alejandro hoje?
- Não, preciso terminar umas coisas pra reunião de amanhã.
- É que o vem aqui em casa daqui a pouco. Tem problema?
- Que ? - a mais velha perguntou, franzindo o cenho enquanto repassava mentalmente os nomes e rostos dos amigos da filha.
- - a garota acrescentou e, em seguida, se afundou no sofá.
- Ah, o barbudinho - Yolanda rebateu com um sorriso divertido. - Claro que não tem problema. Vocês estão ficando?
- Mãe! - exclamou em um tom reprovador que fez a outra gargalhar.
- Não tá mais aqui quem falou. Quer que eu peça alguma coisa pro jantar?
- Pode ser, mas deixa ele chegar primeiro.
- Tá bom.
Yolanda foi até a cozinha pegar uma xícara de café para espantar o sono e, então, poder finalizar as tarefas pendentes que tinha do trabalho. No caminho de volta para o quarto, percebeu que estava com o olhar perdido e isso a fez rir baixo. Por mais que a garota se recusasse a se abrir com ela sobre aquele tipo de coisa, não era boba e conhecia a filha muito bem. Não sabia o que, mas alguma coisa estava rolando entre e . E aquilo, mais do que feliz, a deixava também aliviada.
Alguns meses antes, flagrara e se beijando na sala quando pensavam que ela estava dormindo. Não comentou sobre o assunto com a mais nova, pois não gostava de bancar a mãe que se metia na vida da filha. Esperava pacientemente que a própria decidisse contá-la o que estava acontecendo, mas, conforme o tempo passava, via que aquilo não aconteceria.
Quando mais nova, Yolanda adoraria ver sua filha e o filho de sua melhor amiga juntos, mas, naquela altura, ela não achava mais que seria uma ideia tão boa assim por diversos fatores, desde a amizade de tantos anos que eles tinham, passando pelo fato de ter um filho e, por fim, aquela demora toda para os dois se assumirem. Ela morria de medo de ver a filha machucada no final da história.
Meia hora depois, o interfone tocou e se levantou feito um zumbi para autorizar a subida de e o esperar com a porta de entrada entreaberta. Abriu um sorriso fechado quando o viu sair pela porta do elevador e deu espaço para que ele adentrasse o apartamento antes de o cumprimentar com um abraço.
- Como você tá? - ele perguntou enquanto voltava a trancar a porta.
- Na mesma - ela respondeu e fez uma careta de dor antes de convidá-lo a segui-la.
- Eu trouxe uns cookies que minha mãe fez mais cedo e uma caixa de chocolate belga - disse, indicando a sacola que segurava, e a outra o encarou, surpresa. - Minha irmã se entope de besteira quando tá assim, pensei que talvez pudesse te ajudar.
- , você é um anjo! - exclamou, o fazendo rir levemente, pegou a sacola e se sentou no sofá. Abriu um pote que tinha lá dentro e tirou um cookie para si e outro para o jogador, chamando-o para se sentar ao seu lado. Depois de dar uma mordida, disse de boca cheia: - Isso tá muito bom.
- Que bom que gostou - disse ele, sorrindo. - Que filme é esse?
- Embarazados - ela respondeu, dando de ombros -, mas não me pergunte como é a história, porque eu nem prestei atenção. Só sei que eles estão tentando ter um filho.
- Acho que isso é meio óbvio, você não acha? - o outro rebateu, implicante.
- Eu tô aqui morrendo de dor e você vem até a minha casa pra zoar a minha cara. Valeu aí - disse, fazendo uma careta.
- Só tô brincando com você, bobona - disse e riu do rolar de olhos da garota. - Como foi a prova?
- Ai, nem me fale. Tirei 8,5 - ela falou e soltou um longo suspiro ao se lembrar da prova sobre a qual havia passado a semana inteira fazendo reclamações para , pois tinha uma quantidade enorme de matéria para estudar. Ao perceber que ele ria, continuou: - Qual é a graça?
- 8,5 não é ruim, . Bem que o sempre diz que você é nerd pra caramba.
- Ele não tem moral pra falar nada, nunca gostou de estudar - falou a garota, rolando os olhos.
- Tá, eu confesso que era assim também - disse, a fazendo fitá-lo com interesse. - Uma vez chorei porque tirei 9,75 numa prova de Inglês que eu podia apostar que tinha gabaritado. Foi bem frustrante.
- Você tá brincando - disse e não pôde evitar uma risada.
- Pior que não.
- Meu Deus, . Nem eu cheguei nesse nível.
- Eu era bem perfeccionista - o jogador disse, dando ombros. - Acho que ainda sou, isso não é o tipo de coisa que a gente deixa de ser.
- Não mesmo - ela falou, balançando a cabeça de um lado para o outro. - Eu também tento dar o meu melhor sempre. Fico chateada de tirar um mísero 8,5 numa prova que fez eu me matar de estudar, mas vida que segue.
sorriu levemente e os dois voltaram suas atenções para o final do filme que ainda passava na televisão, caindo em um silêncio que durou algum tempo.
- Tá melhor? - perguntou ao notar que tinha uma das mãos no ventre.
- Um pouco, mas ainda tá doendo bastante - ela respondeu e deixou um longo suspiro escapar. - Eu preciso de um remédio mais forte, esse não tem ajudado muito.
Com uma das mãos, empurrou a de para o lado e pousou a sua na barriga dela.
- Você vai ver como agora vai passar. Esses dedinhos são mágicos.
sentiu um arrepio subir por todo o corpo com a leve carícia que o jogador fazia, mesmo que sobre a blusa de manga comprida que ela vestia. A mão quente de a confortava em meio às dores, mas também a fazia estremecer por dentro.
Pelos minutos seguintes, tudo o que ela conseguia pensar era nos tais dedinhos mágicos. Maldita menstruação que fazia sua libido aflorar.
- Boa noite - uma voz feminina preencheu o ambiente, fazendo os dois se afastarem um do outro e se virarem para fitar a recém-chegada.
- Tudo bem, ? Sou a Yolanda, mãe da - a mais velha disse, simpática, se aproximando do jogador que já estava de pé. - Acredito que a gente já tenha se esbarrado em alguma festa do .
- É provável - ele respondeu com um sorriso estampado no rosto e cumprimentou a mulher com dois beijos nas bochechas. - Muito prazer.
- O prazer é meu. Sinta-se em casa - Yolanda disse, piscando um olho, e, em seguida, se voltou para a filha. - Não quero pressionar, mas vocês decidiram o que vão querer jantar? Já estou morta de fome.
- Minha mãe sugeriu pedir alguma coisa pra gente comer - explicou para e esboçou um sorriso esperto. - Pizza?
- Por mim, tá ótimo - o jogador respondeu, dando de ombros.
- Algum sabor de preferência? - a mulher perguntou, já caminhando de volta para o quarto.
fitou , o questionando com o olhar, e ele apenas balançou a cabeça em negação.
- Margherita - a garota disse para a mãe, que apenas levantou o polegar e sumiu pelo corredor.
Sozinhos novamente, os dois se entreolharam. sentia um vazio no local onde a mão de estivera pouco antes, mas nenhum dos dois teve coragem de voltar à posição anterior. A garota se acomodou mais próxima ao corpo do outro e deitou a cabeça em seu ombro. Já era o bastante.

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Um a um, os jogadores do Real Madrid chegavam ao vestiário do time principal no centro de treinamento em Valdebebas naquela manhã de sexta-feira. Teriam o penúltimo treino prévio à partida que disputariam domingo à noite em sua própria casa, o Santiago Bernabéu.
calçava os pares de meias e chuteiras com uma lentidão exagerada, pois estava lutando contra o sono. Havia ficado na casa de até mais tarde do que deveria, o que resultou em poucas horas de sono e muito mal dormidas, diga-se de passagem. Deitado em sua cama, ele não conseguia parar de pensar no sorriso da garota e nas tantas vezes que precisou se controlar para não beijá-la enquanto conversavam e brincavam um com o outro no sofá da sala de estar dela.
- Onde você estava ontem à noite que não quis ir comer japonês com a gente? - pôde ouvir Lucas Vázquez perguntar assim que se sentou ao seu lado. Comia uma banana despreocupadamente.
- A estava com cólica, fui fazer companhia pra ela - respondeu, se inclinando para amarrar os cadarços das chuteiras.
- Que ? - Nacho perguntou ao se juntar aos dois.
- A do ? - rebateu Lucas, franzindo o cenho.
- Que eu saiba, ela não é propriedade de ninguém - foi o que disse em resposta sem deixar de soltar um risinho debochado.
- Ah, você entendeu - o outro disse e deu um soquinho no joelho dele. - Tá pegando ela, é?
- Não te interessa.
- Então não tá pegando - Nacho debochou e riu junto a Lucas enquanto rolava os olhos. - É com ela que você tem conversado? Você nunca foi de ficar entretido no celular por tanto tempo como tem ficado ultimamente.
- E sorrindo que nem um idiota, vale ressaltar - completou Lucas.
- É, a gente tem se falado mais - comentou, dando de ombros, sem dar muita importância.
- E por que não se pegaram ainda? Ela não quis? - perguntou Nacho.
- Tudo bem que ela é uma garota muito bonita e merece alguém à altura, mas você já foi mais feio - Lucas Vázquez brincou.
- Vão se ferrar - disse enquanto os outros dois gargalhavam.
- Mas, falando sério agora, chama ela pra sair - Nacho disse com maior seriedade. - Até falo pra María dar um empurrãozinho pra ela aceitar.
- Não é assim, cara.
- Então é como?
Quando respirou fundo e abriu a boca para explicar que estava esperando o tempo certo para que pudesse pensar em qualquer tipo de investida, um barulho chamou a atenção dos três. Uma garrafa d’água rolava no chão e saía a passos duros do vestiário.
- Pensando bem, se você não estiver realmente apaixonado, deixa pra lá - falou Nacho, quebrando o clima estranho que ficou por algum tempo, enquanto os três se perguntavam se aquela revolta de tinha alguma coisa a ver com a conversa deles. - Isso vai dar merda.
nada disse, apenas se levantou e seguiu o fluxo de jogadores para fora do vestiário. A questão era exatamente essa: estava apaixonado.
O treino começou com o time se dividindo em dois grupos para os rondos, exercícios em que os jogadores se colocavam em círculo para trabalhar o toque de bola. Dois jogadores, no centro, tentavam roubar a bola que os outros passavam uns para os outros e quem perdia a posse da bola era o próximo a ir para o centro.
já estava um pouco irritado de correr de um lado para o outro sem conseguir interceptar a bola e, para completar, acabou levando uma caneta de Marco Asensio que gerou muita zoação da parte de seus colegas. Aquilo o deixou ainda mais incomodado e, quando viu a bola no pé de , se aproximou para marcá-lo. A ponta da chuteira do outro atingiu com força a bola, que acabou indo direto contra o rosto de . Ele imediatamente levou as mãos à região próxima ao olho atingida, sentindo a pele arder.
- Qual é a tua, ? - esbravejou, partindo para cima do outro de peito inflado, mas dois braços o interceptaram.
- Para de show, cara. Foi sem querer - rebateu, rolando os olhos.
- Não vai brigar por causa de uma bolada, né? - Sergio Ramos perguntou enquanto puxava para longe da roda.
- É porque não é o seu olho que tá doendo, porra - o outro retrucou com a mão ainda sobre o rosto. - Não tinha nenhuma necessidade de ele dar esse bico na bola.
- Depois você dá uma rasteira nele no rachão e tá tudo certo - o capitão do time disse em um tom divertido, estendendo uma garrafa para ele. - Eu tô zoando, hein? Não vai fazer isso mesmo.
- Bem que ele merecia - murmurou antes de derramar um pouco de água no rosto. - Tá muito feio?
- Um pouco vermelho, mas você vai sobreviver - Sergio debochou e deu dois tapinhas nas costas do lateral direito. - Vamos voltar pra lá.

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mal conseguia prestar atenção no que o professor dizia tamanho era seu sono. Ficar conversando até tarde com havia sido ótimo, ele tinha conseguido a distrair da maldita cólica menstrual, mas acabou não sendo a melhor ideia considerando o fato de que ela tinha aula bem cedo na manhã seguinte. Para completar, seu estômago já roncava de fome devido à proximidade ao horário de almoço. Ansiando que os últimos vinte minutos de aula que restavam passassem de uma vez, a garota checava o feed de notícias do Facebook.
Dentre os diversos posts de seus amigos e páginas que ela seguia, um post em especial chamou a atenção de , pois tinha uma foto de sendo segurado por Sergio Ramos. Era uma publicação do jornal esportivo AS sobre uma bolada que teria tirado o jogador do sério no treino daquela manhã. Curiosa, ela clicou no link e foi redirecionada para a página que continha um vídeo curto do ocorrido. Se surpreendeu quando constatou que o autor da bolada havia sido ninguém mais, ninguém menos, do que , e não pôde deixar de se assustar com o clima pesado que ficou entre os dois.
fechou o aplicativo do Facebook e abriu o do WhatsApp para, em seguida, abrir a conversa de para digitar uma mensagem.

: Você e o brigaram? Acabei de ver um post do AS sobre isso.

Bloqueou o celular e fingiu prestar atenção na apresentação de slides de seu professor combinados a um blá-blá-blá infinito, mas acabou desbloqueando o aparelho assim que o mesmo vibrou, indicando uma nova mensagem.

: Ele me deu uma bolada na cara.

: E acho que foi de propósito.

: Por que ele faria isso?

: Posso ser sincero?

: É o que eu espero.

: Ele tá com ciúme da gente. Não sei se pela amizade ou se resolveu se dar conta de que gosta de você nessa altura do campeonato, mas isso é ciúme.

soltou um longo suspiro enquanto lia e relia as palavras de . Como se não bastasse ter que lidar com a distância que estava tendo que manter de e com os sentimentos que havia sido obrigada a arrancar de seu peito de uma só vez e que haviam deixado seu coração em carne viva, agora teria mais essa.

: O problema é dele.

: Você tá bem?

A resposta demorou alguns segundos e, quando chegou, foi em forma de foto. Era uma selfie de com um dos olhos um pouco avermelhado.

: Tirando esse olho vermelho, sim.

: Me desculpa por isso, . 🙁

: Você não tem culpa, relaxa. E ele próprio se desculpou comigo no final do treino.

ficou conversando com até o fim da aula e combinou de passar na casa dele à noite. Tentou agir como se sua única preocupação fosse ele ter se machucado com aquela bolada, mas a verdade era que estava puta da vida com a atitude do melhor amigo. Não queria acreditar que começaria a implicar com a amizade entre ela e feito uma criança de 5 anos.

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- Vai, chuta pra mim - disse e o garotinho que estava do outro lado da sala de estar tomou impulso para chutar a bola na direção do pai. - Uau, que forte!
Como toda vez que Jr. passava uns dias em sua casa, havia afastado os sofás da sala de estar para que os dois pudessem bater uma bolinha. Filho de um jogador de futebol, o garoto não poderia ser menos amante do esporte desde o berço, e, conforme ele crescia e conseguia se equilibrar melhor em cima de suas perninhas de uma criança de 2 anos de idade, adorava ensiná-lo novos truques.
A brincadeira só foi interrompida quando a campainha soou pela casa e o meia do Real Madrid foi abrir a porta. Se surpreendeu quando, do outro lado, encontrou .
- Tia ! - Jr. exclamou e passou pelo pai correndo rápido feito uma flecha para ir até sua madrinha, que, surpresa, se agachou para abraçá-lo.
- Ei, pequeno. Não sabia que você estava aqui - ela disse e beijou o topo da cabeça do garotinho. Levantando os olhos para encarar , perguntou: - Por que você não me avisou?
- Nem vem, foi você que pediu pra gente se afastar.
- A regra não se aplica ao meu afilhado - rebateu com obviedade.
- Valeu pela parte que me toca - o jogador disse ironicamente e apontou para dentro da casa. - Entra aí.
- A Victoria tá aí também? - questionou e o outro bateu a porta assim que ela adentrou a casa.
- Não, ela só deixou ele e foi embora. Por quê?
- Quero conversar com você - a garota falou, mas foi interrompida por Jr. a puxando na direção da sala de estar. Mostrou um sorriso fechado para o amigo e completou: - Depois.
A saudade que sentia do afilhado acabou falando mais alto do que qualquer outro problema que tinha no momento, então passou as horas seguintes brincando com Jr. e dando atenção toda vez que ele se aproximava com um brinquedo diferente. Também ajudou a dar a janta para o menino e a colocá-lo para dormir. Só depois que ele pegou no sono, os dois mais velhos desceram e, silenciosamente, arrumaram a bagunça.
- Quer comer alguma coisa? - o jogador questionou quando terminava de colocar os carrinhos de Júnior na caixa de brinquedos.
- Não, estou sem fome.
- Sobre o que você queria conversar? - ele perguntou, se sentando no braço do sofá, e observou a amiga se virar em sua direção e o fitar por algum tempo.
- A bolada que você deu no hoje de manhã - respondeu sem delongas. - Foi de propósito?
riu baixo, não estava surpreso com a pergunta.
- Não foi de propósito, mas eu não fiquei tão arrependido quanto deveria - confessou, dando de ombros.
- Você é muito cara de pau - a outra rebateu, semicerrando os olhos. - Ele ficou com o olho vermelho.
- Tá com pena, é? Leva pra casa - o rapaz murmurou, rolando os olhos.
- Eu não acredito que você tá com ciúmes - acusou e não pôde evitar uma gargalhada.
- Ciúmes? Quem disse que estou com ciúmes? - rebateu com certa indignação.
- Ah, não? Então o que é essa súbita raiva do , justamente quando eu e ele ficamos mais próximos? Pensei que ele fosse seu amigo.
- Eu tenho meus motivos, tá bom?
- Me dá um motivo plausível - ela disse, cruzando os braços, e o outro apenas bufou, dando a entender que, se existia um motivo plausível, não diria. - Eu acho que a gente não tem mais idade pra isso, sabe? Ele tem sido um grande amigo nessas últimas semanas.
- Não seja ingênua, tá na cara que ele quer muito mais do que a sua amizade - falou, se levantando do braço do sofá.
- E se eu também quiser mais do que a amizade dele? - rebateu e esboçou um sorriso divertido.
- Ah, me poupe, ! - o jogador exclamou ao mesmo tempo que dava as costas para a amiga.
- Ué, qual é o problema? - ela perguntou, rindo, enquanto o seguia até a cozinha.
- Você não era apaixonada por mim até outro dia?
- Isso não quer dizer que eu não vá querer me apaixonar novamente.
nada respondeu, apenas abriu a geladeira, pegou uma garrafa de suco de lá de dentro e derramou o líquido em um copo. o fitou enquanto ele bebia o suco sem encará-la e, quando achou que o assunto estava encerrado, ouviu a voz dele ecoar pelo ambiente.
- É muito errado eu estar com ciúmes? - perguntou em um volume de voz baixo, cauteloso. - Eu fiquei chateado de saber que você chamou ele pra te fazer companhia ontem, tenho medo de virar a segunda opção, mas não é só isso.
- O que mais? - questionou, curiosa, e se apoiou no balcão.
- Não sei se estou preparado pra te ver ficar com um cara como o . Entende?
- Sinceramente? Não - ela respondeu, rindo. - Como assim? Que tipo de cara o é?
- Um cara que tem tudo a ver com você, que vai ser um namorado perfeito.
- Meu Deus, . Eu nem dei uns pegas nele ainda e você já tá falando de namoro.
- Eu conheço você e conheço ele, sei muito bem o que estou falando - pontuou enquanto largava o copo na pia e deu meia volta para voltar para a sala de estar.
o acompanhou e se sentou ao lado do amigo, que se esparramou no sofá. Respirou fundo antes de perguntar:
- Tá bom, mas por que isso te incomoda tanto, afinal?
- Porque eu ainda tenho vontade de ficar com você - o outro confessou, levantando os olhos para buscar pelos da amiga. - Sei que é muito errado pensar assim, mas, como somos os dois solteiros, poderíamos estar dando uns amassos nesse sofá. No dia que você se envolver com alguém, essa possibilidade não vai existir mais.
ficou sem reação diante daquelas palavras. Seu coração batia forte e cenas das tantas vezes que ficou com passavam por sua cabeça. Ela quase podia sentir o toque dos lábios dele nos seus, os beijos intensos em meio a provocações e brincadeirinhas que faziam os dois não apenas terem momentos de prazer, mas também de diversão. Era por isso que ela gostava tanto de , ele a fazia se sentir leve e despreocupada.
- Acho melhor eu ir embora - disse, por fim, se levantando.
- Não precisa, . Eu não vou forçar a barra, sei que não depende apenas do fato de sermos os dois solteiros.
- Eu sei que você jamais ultrapassaria meu limite, , é só que… - falou e soltou um longo suspiro. - Tá faltando bem pouco pra eu jogar o pouquinho de dignidade que me resta no lixo. E, pelo jeito, a gente vai acabar na cama quando isso acontecer.
Sem dizer nada, a observou pegar a bolsa e dar meia volta. Ignorou a vontade que tinha de segurá-la pelo braço e impedir que ela fosse embora com um beijo que realmente os fizesse acabar na cama. Ignorou até mesmo a vontade de fazê-la ficar para que os dois apenas passassem um tempo juntos assistindo um filme ou jogando videogame como nos velhos tempos, pois não se sentia no direito de exigir nem a amizade dela naquele momento. Estava se esforçando para respeitar o espaço que a amiga precisava.
- - chamou antes de ela sumir de suas vistas. - Você poderia ficar com o amanhã e levar ele no jogo domingo?
- Claro que posso - a outra respondeu, sorrindo levemente.
- Valeu, vou deixar ele na sua casa quando estiver indo pro treino.
- Ok. E nada de boladas no meu futuro namorado, hein? - brincou, o fazendo revirar os olhos.
- Pode deixar.
Ela deixou a casa de e, quando se sentou atrás do volante do carro da mãe, soltou um longo suspiro aliviado e frustrado ao mesmo tempo. Antes de dirigir rumo ao bairro onde morava, pegou o celular dentro da bolsa e encontrou algumas novas mensagens. Dentre elas, três de .

: Vou pedir alguma coisa pra gente jantar. Que tipo de comida você gosta?

: Você ainda vem?

: ?

arregalou os olhos ao se dar conta de que, enquanto brincava com o afilhado, havia se esquecido completamente de ter combinado de passar na casa de .

: Meu Deus, ! Me desculpa! Eu passei a noite na casa do e perdi a noção da vida.

: Acho que tá tarde pra eu ir aí, né? A gente combina outro dia.

A resposta só chegou quase uma hora depois, quando ela já estava em casa e escovando os dentes antes de dormir.

: Ok.

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- Vamos esperar o papai lá embaixo? - perguntou para o garotinho que corria pela área VIP do Santiago Bernabéu depois de se desinteressar pelo jogo de futebol que estava quase acabando naquela altura.
Jr. balançou a cabeça freneticamente, assentindo, e deixou que a madrinha segurasse sua mão e o guiasse pelos corredores do estádio. Desceram de elevador até o andar dos vestiários, ao qual tinham acesso graças ao crachá pendurado no pescoço de . Por uma televisão, a garota pôde ver o momento em que o árbitro apitou o final da partida e, poucos minutos depois, o corredor estava uma confusão, jogadores dos dois times passavam conversando, trocando camisas e se saudando antes de irem cada um para o vestiário de sua equipe. cumprimentou alguns rostos conhecidos, incluindo os amigos mais próximos de , que fizeram questão de parar para um abraço rápido e mexer com o garotinho. Quando avistou o pai, Jr. soltou a mão dela para correr na direção do jogador, que, mesmo todo suado, o recebeu de braços abertos.
, entretanto, não se manteve entretida por muito tempo com a cena comovente entre pai e filho, pois a imagem de sem camisa andando em sua direção tomou totalmente sua atenção. Ele ainda não havia notado sua presença, então não percebeu os olhos da garota descendo por seu abdômen definido. riu sozinha ao se dar conta de que não estava sendo muito discreta.
- Tá querendo seduzir alguém, ? - ela perguntou, chamando a atenção do jogador antes que ele passasse direto, e ele parou, surpreso por vê-la ali.
- A gente usa as armas que têm, né? - rebateu em um tom divertido.
- É, até que você não é de se jogar fora - disse com um sorrisinho divertido estampando o rosto e se permitiu admirar o tronco desnudo de de mais perto, aproveitando que tinha a brincadeira como desculpa.
- Só não vou te dar um abraço porque estou suado - ele disse, sorrindo, e a beijou na bochecha. - Não que eu não tenha gostado da surpresa, mas o que tá fazendo aqui?
- Vim trazer o Jr. - a garota respondeu, apontando para o amigo, que exibia o filho para outros jogadores.
- Ah, tá - falou, ocupando as mãos com a camisa do time adversário que havia trocado pela sua própria. Se sentiu um pouco decepcionado, tinha esperança de que ela estivesse ali por causa dele. - Até mais.
Quando fez menção de seguir pelo caminho que fazia anteriormente, o segurou pelo braço que, mesmo que úmido de suor, ela quis deslizar os dedos por toda sua extensão.
- Tem algum compromisso depois daqui?
- Depende. Por que o interesse?
- A gente pode fazer alguma coisa - ela disse, mordendo o lábio inferior em sinal de insegurança.
acompanhou a ação e quis beijá-la.
- Pode ser.
- Vou te esperar.
Os dois sorriram um para o outro antes de o jogador seguir para o vestiário e ir cumprimentar o melhor amigo, que pediu que ela ficasse com o filho para que ele pudesse tomar um banho rápido.
Quando voltou, os dois foram para o campo com o garoto. Jr. corria livremente pelo gramado, fugindo do pai, enquanto os observava e admirava o estádio que, dali, tinha uma aparência bastante diferente. A visão das arquibancadas quase vazias a fazia se arrepiar. Não era fanática por futebol, mas havia aprendido a amar o esporte com . Se sentia bastante sortuda por ser amiga de infância de um jogador de futebol que havia conquistado um espaço em um dos melhores clubes do mundo e a proporcionava momentos como aquele.
- Quer ir lá pra casa? O vai gostar de passar mais um tempo com você - o rapaz disse, chamando sua atenção. Deu de ombros e acrescentou: - Eu também.
- Não vai dar, estou esperando o - respondeu, rindo baixo. - Saindo daqui, a gente vai fazer alguma coisa.
- Como amigos ou…? - o outro questionou, deixando a frase que não tinha necessidade de ser completada morrer.
- Eu não sei - ela disse, levantando os ombros. Queria passar um tempo com e compensar dois dias antes, quando acabou esquecendo de passar na casa dele, mas a verdade é que não tinha mais tanta certeza de que eles seriam apenas amigos por mais muito tempo.
- Você quer ficar com ele? - questionou, se esforçando para não deixar transparecer o tamanho de sua curiosidade.
- Quero - respondeu sinceramente.
apenas sorriu e não disse mais nada. Tinha praticamente certeza de que os dois se beijariam pela primeira vez ainda naquela noite.
Quando notaram a presença de ao longe, caminhou em direção ao túnel e segurou a mão do filho para segui-la.
- Vamos? - ela perguntou a e sentiu o perfume dele invadir suas narinas.
- Cuida bem da , cara - disse, dando um soquinho no ombro do amigo.
apenas soltou um riso anasalado antes de estender a mão para , que a segurou e deixou que ele a guiasse até o estacionamento do estádio.

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Os dois foram jantar em um restaurante e o clima entre eles era bastante agradável, apesar de notar que estava mais calado do que o normal. Era ela quem estava puxando a maioria dos assuntos. Quando terminaram de comer, decidiram que era melhor irem para casa, já que passava das 23h de domingo e cada um tinha seus compromissos pela manhã do dia seguinte, então se acomodaram no carro de , que dirigiu rumo à casa da garota.
- Por que você tá tão calado hoje? - questionou depois de alguns minutos de total silêncio dentro do automóvel que percorria as ruas de Madrid.
- Sei lá - o jogador respondeu, dando de ombros. - Só estou cansado.
- Tem certeza? Você parece aborrecido com alguma coisa - ela observou, fitando o perfil dele, que estava concentrado no trânsito. - Foi por eu ter me esquecido de ir na sua casa?
- Claro que não, - ele respondeu, rindo, como se fosse algo absurdo.
- Foi o que o te disse sobre cuidar de mim? - ela arriscou novamente e o outro negou com a cabeça. - Me fala o que é, .
soltou um longo suspiro e levou algum tempo para, finalmente, perguntar:
- Você não foi na minha casa porque estava ficando com o ?
- Por que você acha isso? - questionou, surpresa.
- Quando você disse que estava com o , foi a única coisa que passou pela minha cabeça. E eu quis morrer - ele confessou e a outra não foi capaz de segurar a risada.
- Não acredito nisso, !
- Não é engraçado. Eu vi a chance que eu pensei estar tendo com você ir por água abaixo.
- Você é sempre tão dramático assim? - disse, fazendo uma careta. - É óbvio que eu não fiquei com o , não sou tão trouxa assim.
- Sério? - rebateu, desconfiado, mas já se sentia bastante aliviado.
- Estou aqui fazendo de tudo pra você me notar e você pensa que fiquei com outro? Me ajuda, - a garota disse em um tom divertido.
- Já tem tempo que eu te notei, - o outro rebateu e, quando parou no sinal vermelho, a fitou nos olhos. - Sabe quando?
- Só espero que tenha sido depois que você terminou com sua ex-namorada - ela disse com a intenção de descontrair. Seu coração já começando a dar indícios de que, a qualquer momento, ia começar a pular feito doido dentro de seu peito.
- Foi ano passado, na final da Champions - respondeu, para a surpresa de . - Você deve lembrar quando foi me abraçar depois da entrega do troféu, quando liberaram nossos familiares e amigos pra entrarem no campo...
- É, eu lembro - ela disse e, como se fosse um filme, viu a cena passar diante de seus olhos.
- Aquele abraço era tudo o que eu estava precisando naquele momento - o outro disse com um semblante bastante honesto. - Quer dizer, eu estava feliz pra caramba de ganhar minha segunda Champions League, ainda mais depois de um jogo complicado como aquele que foi parar nos pênaltis, mas eu estava arrasado de ter que sair no meio do jogo por causa daquela maldita lesão e já sabia que era grave o suficiente pra não me deixar jogar a Eurocopa também.
- Eu fiquei bem chateada por você. Partiu meu coração te ver sair do campo chorando, não é algo que a gente quer que aconteça com um amigo - disse e soltou um longo suspiro, mas logo abriu um sorrisinho divertido. - Então foi naquele momento que o nosso cupido flechou o seu coração?
- Acho que sim - ele respondeu, rindo, e deu partida no carro quando o sinal abriu novamente. - Só que o cretino não fez o serviço completo.
- Fez sim, só demorou um pouquinho, tá? - a garota falou e mostrou a língua. - Estou custando a acreditar que você gosta de mim esse tempo todo.
- Bom, foi nesse dia que eu comecei a reparar em você e quis te conhecer melhor, mas você sempre ficava quieta no seu canto e eu não tinha coragem de me aproximar. Só ficava te admirando de longe. O seu sorriso é lindo, sabia?
Um sorriso bastante tímido despontou nos lábios de ao mesmo tempo que ela sentia o coração bater forte e as bochechas esquentarem de vergonha. Para piorar a situação, parou o carro em frente ao seu prédio e voltou sua atenção totalmente para ela, esperando por uma reação.
- Você acabou de descobrir uma coisa nova sobre mim. Não sei lidar com elogios.
- Poxa, mas eu ainda nem elogiei seus olhos. E nem como você canta bem ou como eu acho o fato de você ser toda estudiosa sexy - o jogador brincou, a deixando ainda mais envergonhada.
- ! - ela exclamou em meio a uma risada sem graça. - Se ser estudiosa é sexy, o que eu vou dizer das suas entradinhas na barriga então?
- Se você vai levar pra esse lado, então tenho que dizer também que, além de inteligente, você tem um corpão - o outro rebateu, piscando um olho.
- Eu sempre te achei bonitinho, mas como também acho o Nacho e o Morata, por exemplo - comentou, dando de ombros. - Acho que comecei a reparar em você quando você me ligou pra insistir que eu fosse na sua festa. E aí você foi todo fofo comigo, justamente quando eu precisava, não tinha como não me encantar - continuou e esboçou um sorriso verdadeiro e fechado antes de suspirar. - Eu só tenho medo de que isso seja carência, de enfiar os pés pelas mãos e acabar te magoando de alguma forma.
- Eu sei que você precisa de um tempo, - disse, sorrindo. - Relaxa, eu não vou a lugar nenhum.
Ele soltou o cinto de segurança em seguida e saiu do carro para dar a volta e abrir a porta do banco do passageiro para , que aceitou a mão que ele estendeu para ajudá-la a sair do automóvel. Os dois ficaram se encarando por alguns segundos, até a garota sorrir e puxá-lo para um abraço apertado. As mãos dele foram parar na cintura dela enquanto os dois fechavam os olhos para apreciar o momento que encerrava a conversa tão honesta que haviam acabado de ter.
a soltou quando quis quebrar o abraço, mas ela se afastou apenas o suficiente para ficar cara a cara com ele e, então, grudar seus lábios em um beijo. Se beijaram sem pressa, conhecendo o gosto um do outro. Um beijo terno que demonstrava a afeição que um tinha pelo outro e como nenhum dos dois tinha pressa de qualquer coisa. Ambos queriam curtir toda a caminhada que os levaria ou não para algo a mais.
- Obrigada pela carona - disse quando o beijo foi quebrado e mostrou um sorriso que foi retribuído. - Sonha comigo, barbudinho.
- Barbudinho? - perguntou, fazendo uma careta, conforme observava a outra se afastar em direção ao prédio onde morava.
- É o apelido que minha mãe te deu - ela disse antes de soltar uma gargalhada. - Ela vai adorar saber que eu beijei o barbudinho.
- Então manda um beijo pra minha futura sogra - ele brincou, rindo anasaladamente, e a outra levantou o polegar em sinal afirmativo antes de mandar um beijo no ar e entrar no prédio.

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Fazia quase um mês que e estavam juntos. Nada oficial, nenhum pedido de namoro havia sido feito, mas todos já estavam se acostumando a verem os dois agindo como um casal. Inclusive , que vinha se reaproximando da melhor amiga aos pouquinhos.
- Ei, você tá dormindo - acusou ao notar que , deitado ao seu lado na grama do quintal da casa dele, estava de olhos fechados.
- Não estou, não - ele logo tratou de dizer. - Só estou descansando os olhos.
- Ah, conta outra - ela rebateu, rindo, mas não deu muita importância e voltou a admirar o céu estrelado.
Estavam ali fazendo nada em especial, apenas conversando, olhando as estrelas e curtindo a companhia um do outro depois de um dia exaustivo de treino para um e de estudos para a outra.
apoiou a cabeça no peito de , que a puxou para mais perto com um braço só, a fazendo se aconchegar junto a si. Ela adentrou uma das mãos pelo casaco que ele vestia e mordeu o lábio inferior enquanto deslizava os dedos suavemente por sua pele. Pôde sentir os músculos do abdômen dele se contraírem em reação ao contato de seus dedos frios e apenas prendeu o riso sem interromper a carícia.
- O que você acha de a gente entrar, ir pro seu quarto? - sugeriu com a voz baixa, rouca e, na opinião de , bastante envolvente, enquanto passava as unhas por uma das entradinhas que tinham virado sua nova obsessão.
A mão de também adentrou o casaco que vestia e acariciou as costas dela, a fazendo sentir um arrepio subir pelo corpo.
- Eu acho uma ótima ideia.
A garota riu baixo antes de se pôr de pé, estender as duas mãos para ajudar o jogador a também se levantar e, em seguida, os dois adentraram a casa escura e silenciosa de mãos dadas.
A verdade é que tinha ido para a casa de naquele dia com a intenção de que algo a mais acontecesse. Os pais e a irmã dele estavam viajando e seria uma ótima oportunidade para avançarem mais um passo na relação, já que, a cada vez que se encontravam, os beijos quentes e mãos bobas eram inevitáveis e estavam começando a não serem mais o suficiente para saciar o desejo que sentiam um pelo outro. Não gostava de planejar e idealizar muito momentos como aquele, preferia que as coisas acontecessem naturalmente, mas havia, inclusive, comprado uma lingerie nova à tarde para que pudesse estreá-la com ainda naquela noite.
Quando chegaram ao quarto de , esperou que ele fechasse a porta para envolver seu pescoço com os braços e, em seguida, depositou um selinho demorado em sua boca.
- O que você acha de a gente brincar com aqueles dados? - questionou contra os lábios dele.
- Pra que dado? Eu digo o que a gente pode fazer - o outro rebateu em um tom divertido. - Pra começar, “apertar” e “bunda”.
Suas mãos desceram pelas costas de até pousarem em sua bunda e ele apertou as nádegas dela sem cerimônia, a fazendo gargalhar em resposta.
- Assim não tem graça, seu bobo - ela disse, o empurrando, e caminhou até a cama. - Vai, pega os dados.
rolou os olhos, fazendo uma careta engraçada, e foi até o criado-mudo, onde os dois dados eróticos estavam desde o dia em que os ganhou e descobriu que achava aquele tipo de brincadeira divertida. Ele não mentiria que havia os deixado ali com a certeza de que um dia seriam usados e justamente com a garota que o esperava sentada com as pernas cruzadas sobre o colchão.
pegou os dados estendidos na sua direção e, ansiosamente, os jogou sobre o edredom.
- Caiu “boca” e “morder” - disse para , que havia se acomodado de frente para ela, e abriu um sorrisinho esperto. - Vem cá, fofo.
apenas riu enquanto a via aproximar o rosto do seu. As bocas se roçaram brevemente, mas foram os dentes de que tomaram o lábio inferior dele, o fazendo fechar os olhos e sorrir conforme sentia a mordidinha se tornar ligeiramente mais forte. roubou um selinho antes que ela se afastasse e levou um tapa que teria ardido sua pele se não estivesse de casaco.
- Respeita o jogo, palhaço. Sua vez.
esperou com bastante expectativa o jogador chacoalhar os dados na mão e largá-los sobre o colchão.
- “Acariciar” - ele disse lendo o dado que caiu mais próximo e se inclinou para ler o outro. - “Bunda”. Estou começando a gostar desse negócio, uh?
- Safado - disse em meio a risos e se levantou da cama, ficando de costas para o outro. - Vem.
- Mas de calça?
- A gente mal começou e você já quer que eu fique pelada aqui, ?
riu e também se levantou para se aproximar de , que prendeu o cabelo em um coque quando sentiu a presença do outro logo atrás de si. Ele passou o nariz de leve pelo pescoço dela ao mesmo tempo que suas mãos envolviam a bunda coberta pela calça jeans justa. A garota sentiu o próprio corpo se aquecer em reação aos dedos de que apertavam a carne de suas nádegas levemente somados aos beijinhos que ele distribuía pela sua nuca.
Os dois nada disseram quando se afastaram e voltaram a se sentar na cama.
Foi a vez de jogar os dados novamente e, ao ler o resultado, ela esboçou um sorriso.
- Tira a camisa e o casaco. Deu “costas” e “massagear”.
- Você não pode ficar pelada, mas eu posso? - disse em um tom debochado, mas, ao mesmo tempo que reclamava, puxava o casaco e a camisa que vestia por baixo de uma só vez, o que a fez rir.
O jogador se deitou de bruços, atravessando a cama, e se sentou sobre ele para massagear suas costas com toques suaves que o fizeram soltar diversos suspiros em aprovação. Logo depois, foi ela quem teve que tirar o casaco e a blusa que vestia, pois os dados se combinaram para que beijasse suas costas e ele exigiu direitos iguais.
sorriu satisfeita quando revelou o sutiã rendado rosa claro e notou que os olhos do outro admiravam seu busto. Se virou de costas e sentiu os lábios de deslizarem por sua pele ao mesmo tempo que ele a abraçava por trás. Enquanto ele ainda distribuía beijinhos molhados que faziam os pelos de sua nuca se eriçarem, aproveitou para jogar os dados novamente.
a observou se virar para ele, curioso em saber qual seria a próxima ação, e, quando a garota se sentou em seu colo, suas mãos imediatamente foram parar na cintura dela.
- O que caiu? - ele perguntou, seus olhos vidrados na boca que estava louco para beijar.
- “Pescoço” e “beijar”.
A partir daí, as coisas começaram a esquentar. beijou o pescoço de , intercalando com algumas mordidinhas e leves chupões que nenhum dos dois se importou de quebrar as regras do jogo. A sugestão seguinte dos dados foi que chupasse a boca de e, logo em seguida, que ela beijasse sua boca, e isso rendeu vários minutos de beijos que os fizeram se esquecer completamente dos dados eróticos.
já estava deitada sobre o colchão naquela altura, o corpo de sobre o seu enquanto suas línguas se embolavam em um beijo intenso. Se afastaram, ofegantes, e o lateral direito desceu sua boca até a barriga da garota, que se deliciava com as sensações que a barba dele causava conforme escorregava por sua pele. As mãos ágeis abriram a calça jeans que ela vestia e, com os olhos cravados nos dela, puxou a peça de roupa para baixo até tirá-la.
Um sorriso quase imperceptível surgiu nos lábios inchados de enquanto seus olhos subiam pelo corpo de , coberto apenas pela lingerie. Seu coração batia forte, mal acreditava que a mulher que não saía de seus pensamentos estava ali, deitada em sua cama, e parecia mais bonita do que nunca. Voltou a cobrir o corpo dela com o seu e a puxou para um beijo apaixonado.
Enquanto se beijavam, os dois rolaram na cama, invertendo suas posições. arfou em meio ao beijo ao sentir as duas mãos dele espalmadas em sua bunda, puxando a cintura dela contra a ereção coberta pela calça jeans já em evidência. Suas mãos, apressadas, procuraram pelo botão da calça dele ao mesmo tempo que as dele subiram por suas costas até alcançarem seu sutiã e, sem qualquer dificuldade, abriram a peça íntima. a pegou de surpresa invertendo as posições deles mais uma vez e riu da careta que fez quando se afastou para se livrar da própria calça jeans.
Nos poucos segundos em que estiveram afastados, já sentia falta da quentura do corpo de contra o seu, fato que logo foi resolvido quando ele voltou a se deitar por cima dela. O sutiã da garota foi parar no chão do quarto antes de os lábios de cobrirem um de seus seios, a fazendo soltar um gemido contido enquanto arranhava as costas dele de leve.
Os dois se encheram de expectativa pouco a pouco quando o jogador desceu os lábios pela barriga de até chegar na barra de sua calcinha. Ele abaixou a peça lentamente e não tirou os olhos dos dela nem quando sua língua tocou a região quente e úmida entre suas pernas, onde estava concentrada toda a ânsia de ter que sentia.
Não que com o sexo não fosse bom, que ele não fosse carinhoso e nem tivesse o cuidado de satisfazê-la da maneira mais prazerosa possível, mas, com , sentiu algo diferente e único. Cada toque dele era firme e intenso e os olhos dele estavam sempre atentos às suas reações, a fazendo se sentir completamente exposta.
Naquela noite, entendeu que, por mais que seu melhor amigo fosse alguém muito especial, que os dois tivessem crescido juntos e que ele tivesse sido seu primeiro amor, o primeiro homem em sua vida, outras pessoas poderiam ser tão boas para ela quanto ele era. Percebeu que não apenas havia se privado de estar com um cara como porque não tinha olhos para outro que não fosse , mas também de ter outras grandes amizades. Naquela noite, ela descobriu como era se sentir amada.
a surpreendeu ainda mais quando, depois que os dois caíram sobre o colchão, ofegantes e radiantes, pegou no criado-mudo uma caixinha de veludo. Lá dentro, tinha duas alianças de compromisso.
- Pra mim, o nosso namoro começou nesse dia - ele disse, indicando a data gravada nas alianças, o dia em que se beijaram pela primeira vez -, mas você sabe que eu sou perfeccionista demais pra simplesmente ignorar o roteiro. Quer namorar comigo, ?
Uma risada escapou pela garganta dela não apenas por achar graça da franqueza de , mas também porque se sentia genuinamente feliz de estar prestes a chamar de namorado alguém com quem sabia que poderia contar quando precisasse, que sempre estaria a uma ligação de distância para salvar o dia. E ela estava disposta a ser aquilo tudo para ele também.
- É o que eu mais quero, .



Fim.



Nota da autora: E aí, gente? O prometido foi cumprido, essa foi a continuação de 09. Wrong e espero que vocês tenham gostado!
Por mais que eu já tivesse a pretensão de escrever essa continuação, foi uma delícia reencontrar esses personagens e escrever algo bem leve, apesar do drama todo que envolveu a PP ser apaixonada pelo melhor amigo e não ter seus sentimentos correspondidos. Agora o PP foi o outro carinha, e ele é o cara mais fofo do mundo ou não é? 😂
Agradeço ao meu namorado (nos meus sonhos) Dani Carvajal por ter inspirado essa história. rsrs 💜
Se quiser bater um papo, é só entrar no grupo do Facebook!
Beijos!





Nota da beta: Os surtos que eu dei lendo essa fic foram bem fortes, confesso. Não estou sabendo lidar com esse final, em ter que me despedir desse casal maravilhoso. Desse homem maravilhoso. PELO AMOR DE DEUS! Arrasou, Bárbara, sem mais. Espero ver muitos comentários de amor aqui embaixo viu. E por fim, mas não menos importante: ta bom, Daniel hahaha xx-A

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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