FFOBS - 02. 1 of 1, por M. Angeli

Finalizada em: 29/04/2018

Capítulo Único

não era capaz de se lembrar de um dia em que estivesse estado tão nervoso quanto estava naquele exato momento. Já havia passado por situações que o deixaram a beira de um ataque de pânico, tanto profissionalmente quanto em sua vida amorosa, mas então ele finalmente atingiu ao ápice e suas mãos tremiam tanto que ele tinha quase certeza de que iria entrar em colapso. Isso se já não tivesse entrado.
Não deveria ser tão difícil, deveria? A escolha parecia óbvia demais para que ele precisasse pensar tanto.
Quantas pessoas no mundo tinham a oportunidade de realizar um sonho, especialmente quando era aquele sonho? O mesmo que o dele? Quantas pessoas triplamente mais talentosas do que jamais conseguiram chegar onde ele havia chegado? Ele havia dado seu sangue por anos para conseguir aquele contrato, mas algumas pessoas passavam a vida treinando e jamais teriam a chance. Era o início da sua carreira, da sua vida, da fama que sempre desejou, então porque era tão difícil?
levou uma das mãos até seus próprios cabelos, puxando-os sem se importar com a força aplicada, ou com a dor. Estava cogitando a possibilidade de abandonar o grupo, os meninos e tudo que sempre quis. Como podia cogitar algo como aquilo? Amores deveriam ser passageiros, então por que ele mal podia pensar naquela possibilidade de deixá-la, mesmo pelo grupo? Por que doía tanto imaginar aquilo quando tudo dentro dele gritava que era o certo?
A verdade era que sua mente em contradição gritava milhares de coisas. Se nunca antes havia estado tão nervoso, tão confuso então ele nem poderia imaginar que fosse possível. Suas possibilidades eram terríveis, uma mais angustiante do que a anterior e ele tinha aquela vontade simultânea de chorar, gritar e vomitar porque não tinha a mínima idéia de qual escolher. Todas tinham um lado que o apavorava mais do que ele era capaz de descrever, todas eram assustadoras demais para que ele pudesse escolher uma: A idéia de deixar seu sonho, deixar seu amor, ou sufocar ambos ao ser egoísta a ponto de tentar mantê-los simultaneamente.
Sentindo a garganta se fechar, olhou mais uma vez para a chave do carro em suas mãos. Fazia pelo menos vinte minutos que a segurava, tentando decidir se ia ou não atrás de , se era ou não a melhor hora. Ele estava agitado, suas mãos tremiam e seus olhos provavelmente estavam vermelhos com as lágrimas que ele insistia em segurar.
Ele queria ir atrás dela, mas não sabia se podia, se devia, se era o momento certo. Talvez devesse ir após tomar uma decisão, mas tinha medo que vê-la o fizesse esquecer de qualquer uma que fosse sua escolha. Queria contar para ela e pedir ajuda, gritar por socorro, mas também não sabia se podia ou se era justo simplesmente porque escolheria o que era melhor para ele, mesmo que precisasse se privar de sua própria felicidade. sabia, no fundo, que precisava escolher sozinho, mas quanto mais ele pensava menos ele sabia o que fazer e quando notou, já chorava sem que pudesse mais se conter.
urrou, sem se importar se os vizinhos ouviriam, ou os rapazes lá dentro. Não saber o que fazer o deixava tão irritado quando angustiado porque, além de tudo, todas as possibilidades o deixavam também culpado por cogitá-la. Como poderia deixar ou como poderia abandonar o grupo? A mulher que amava contra seus melhores amigos. E ele também os amava.
viu as luzes do carro de e a culpa apertou ainda mais em seu peito ao pensar em deixá-lo. No entanto, junto com ela, também veio uma pequena dose de alívio como se o garoto pudesse resolver absolutamente tudo. era quase como uma extensão dele, a pessoa em quem mais confiava e se tinha alguém capaz de fazê-lo tomar a decisão certa, este era .
Sem pensar duas vezes, se aproximou do carro e assim que estacionou, ele abriu a porta e se jogou no banco do passageiro, sobre os olhares confusos do outro.
- … o quê? - ele perguntou, com os olhos um tanto quanto assustados e uma expressão preocupada que jamais seria capaz de notar, não naquele estado.
- Eu preciso ir até o apartamento da . - ele disse simplesmente, a voz embargada com as lágrimas que ele tentava em vão segurar e apenas o encarou sem dizer uma só palavra. Havia um certo medo em seu olhar, receio. Uma mistura de confusão e desespero, o mesmo que provavelmente sentia. Era como se tivesse muito a dizer e, no entanto, não tivesse ideia de por onde começar.
Quando , então, cobriu o rosto para chorar, ele finalmente se voltou para frente, dando partida no carro e atendendo ao seu pedido enquanto tremia ao seu lado com as lágrimas que escorriam de seu rosto. Ele esperava que ver lhe desse a coragem necessária para fazer o que do fundo do seu coração sabia que era o certo, mas não deu porque também não parecia feliz com a notícia do contrato.
Era seu melhor amigo, no final das contas. Se tinha alguém que entendia o conflito mental pelo qual ele passava, este era e se sentiu ainda pior porque privou o amigo de se satisfazer com a melhor notícia que poderiam ter tido. Ambos deveriam estar felizes, comemorando o feito que haviam alcançado, mas enquanto pensava no que deixar para trás, se preocupava com a decisão que ele tinha pela frente.
Quando deu por si, já estavam parados em frente ao apartamento de e desligava o carro. sentiu o pânico crescer ainda mais em seu peito e o ar se esvaiu de seus pulmões porque. Era agora. Esse era o momento de decidir e ele olhou para no mais completo desespero porque permanecia sem ter ideia do que fazer, mesmo que no fundo tivesse sim.
Ele sabia o que ele tinha que escolher. E sabia o que ele queria escolher. Duas coisas completamente diferentes.
- C… como? Como eu posso cogitar fazer isso?! - perguntou, a voz mais estridente do que o normal e duas vezes mais alta do que costumava usar. soava como uma pessoa em crise, mas nem mesmo se importou porque era exatamente assim que ele se sentia, em crise.
- O quê? - perguntou apenas e se falava mais alto que o normal, falou mais baixo, quase em um sussurro assustado. - O que você vai fazer, ? - quis saber, mas a pergunta apenas fez com que o outro chorasse mais, voltando a esconder o rosto em suas mãos enquanto negava com a cabeça, em pânico.
- Eu não sei. - respondeu entre soluços angustiados. - O nosso debut finalmente é real depois de anos, . - ele falou com a voz embargada, tirando a mão do rosto para encarar o amigo que só conseguiu concordar minimamente com a cabeça, sem dizer nada. - Foram dez anos de treinamento. - continuou, jogando-se para trás no banco enquanto pensava em tudo que haviam passado para estar onde estavam. Todos eles. - Demos duro por dez anos por isso. Uma vida baseada nisso, não foi? - perguntou atropelando as palavras, olhando para em expectativa por uma resposta e o garoto, com aquela expressão de quem estava prestes a vomitar, concordou minimamente outra vez. - Como… como… eu posso deixar isso, não é? Eu não posso deixar, eu posso? - perguntou e congelou, olhando para ele de forma assustada. riu nervoso. - Eu quero muito deixar, . - choramingou, voltando a chorar e por alguns minutos aquele foi o único som que puderam ouvir dentro do carro.
Mesmo , que sempre tinha algo a dizer, não foi capaz de dizer nada.
Escolher levaria o BTS ao fim da carreira antes que ela começasse. Escolher privaria não somente ele de viver o seu sonho, mas também privaria todos os garotos. Era um contrato para sete e não para seis membros. Escolher colocaria não só dez anos de sua vida a perder, mas também dez anos da vida de cada um deles. Como ele poderia fazer isso? Ele não podia fazer isso mesmo que essa escolha o fizesse desistir de seu grande amor.
Aquela era a decisão.
voltou a erguer a cabeça, deixando que as mãos caíssem em imóveis em seu colo. Desistir do BTS seria a opção mais egoísta de sua vida e jamais perdoaria a si mesmo por estragar aquilo.
Sentiu seu coração quebrar em pedaços ali mesmo, sentiu cada parte de si ser consumida na mais profunda dor que poderia sentir, a ponto de não sobrar absolutamente nada. Ele parou de chorar, porque até mesmo sentir pena de si mesmo parecia errado quando ele decidiu.
Se terminaria com ele não podia dizer o motivo, não podia dar a ela a chance de argumentar ou de sugerir que manter os dois poderia dar certo: Sua carreira e seu relacionamento.
Era um ou outro e pelo grupo, não podia ser ela, por mais que a escolha destruísse seu coração, que levasse embora o maior amor que ele já havia sentido.
- Eu sei o que fazer. - ele falou apenas, mas mal pôde reconhecer a própria voz quando o fez. Ela parecia quase mecânica, em consequência a parte de si que ele, agora, deixaria com ela ao terminar tudo que tinham. A única parte do seu coração ainda inteira porque o resto acabara de se quebrar.
- … O quê…? - começou, soando tão assustado como quando entrou no carro, mas o outro já tocava a maçaneta do veículo.
- Não vou deixar o grupo, não se preocupe. - falou ele e arregalou os olhos enquanto a porta era aberta.
- Não… eu não quis dizer… - negou com a cabeça, rápido demais. - …?!
Mas ele já fechava a porta, sem ouvir o que o outro tinha a dizer. Olhou para trás, já do lado de fora do carro, e teve a impressão de ver uma lágrima escorrer dos olhos do amigo, mas não teve tempo em meio a sua confusão mental de se perguntar o motivo daquilo. Alívio? Pesar por ele? Jamais saberia dizer e sem lhe dar tempo de pensar mais sobre o assunto, caminhou até o portão, apertando o botão da recepção no interfone para que o porteiro o deixasse subir sem que ele se anunciasse pessoalmente a .
Tudo a partir dali, foi um completo borrão. Desde falar com o porteiro até o portão ser aberto para que ele subisse.
não se lembrava de chamar o elevador, de subir nele e menos ainda de apertar o botão para o andar de . Ele fez todo o caminho de forma automática, como um robô. Era meio assim que ele se sentia, entorpecido depois de tanta dor. Era quase como aquele momento em que jogavam álcool em uma ferida e depois de tanto sofrimento a dor sumia. Ela ainda estava lá, sentia seu coração latejar, mas era quase suportável agora e se agarrou a isso para fazer o que sabia ser o necessário.
Chegou em frente a porta de , e respirou fundo ao tocar a maçaneta. Por um instante, fechou os olhos e se permitiu pensar em como tudo seria se a deixasse agora. Em como seria sua vida se tivesse a fama que sempre desejou, mas não tivesse ela ao seu lado. Valeria a pena?
era A primeira de todas e isso significava que era também a única em sua vida. Seu primeiro e único grande amor e ele também não podia desistir disso. era o único sentido do seu mundo, sua inspiração. Era para ela que ele cantava quando cantava. Ela era como uma doce canção que passava pelo seu ouvido, que inebriava todos os seus sentidos e não via sentido em não fazê-lo mais.
teve um vislumbre dela em sua frente, sempre tão perfeita e deslumbrante como ele nunca havia visto antes. Pensou no seu sorriso, em seu beijo doce e em seu toque contra sua pele. Pensou em tudo que sentia sempre que ela estava perto, ou quando seus olhos se encontravam sem nenhum aviso.
A voz dela chamava por ele e quando voltou a abrir os olhos se deu conta de que era a sua resposta, sem dúvida. Seu amor brilhava e ele estava apaixonado por ela. Mais do que isso, ele a amava e nunca se cansaria de dizer isso, o quanto a amava.
O BTS já havia tido diversas formações antes daquela e podia ter mais uma. havia sido o último a entrar, podiam se recuperar daquela perda. Eram talentosos o suficiente para lidar com aquilo. Eram talentosos o suficiente para fazer qualquer coisa e , com a cabeça em outro lugar, só atrapalharia. Já estava atrapalhando, os impedindo de comemorar o sonho que finalmente haviam alcançado.
O grupo podia aprender a viver sem , mas não podia aprender a viver sem . Não quando o seu coração era iluminado com a luz que ela emanava.
Aquela era a decisão final e a forma como seu coração se acalmou deu a ele a certeza de que era a decisão certa.
Sem bater, abriu a porta, mais decidido do que poderia estar naquela situação. Não a deixaria falar antes que contasse todos os motivos o que levavam a sair do grupo, antes que justificasse todo o seu amor e não deixaria que ela o fizesse voltar atrás. escolheria , uma vida inteira ao seu lado, mas quando a viu parada bem a sua frente, a imagem se desfez diante de seus olhos e todo o cenário desapareceu de imediato.
acordou em um sobressalto, a respiração pesada, o suor escorrendo de sua testa e colando a camisa branca que ele vestia, em seu corpo. sentiu as lágrimas voltarem para os seus olhos junto com toda a dor por se dar conta de que aquela escolha, a de ficar com ela, nunca foi tomada. Ao se dar conta de que tudo era um sonho e que na realidade tão terrível, a havia perdido por culpa sua.
Nunca escolheu , muito pelo contrário. escolheu terminar o relacionamento de forma cruel para que ela pudesse seguir em frente sem pensar nele em momento algum. Pensar na dor que havia causado não só a ela, mas como em si mesmo, o fez segurar seu próprio peito enquanto curvava-se para frente para chorar, mas agora outra pessoa também vinha em sua mente e lembrou-se do coberto de desespero que viu dentro daquele carro, em seu sonho.
não sabia quanto daquilo era verdade. Ele nunca havia escolhido de fato, mas uma grande parte do sonho havia sido, na realidade, uma lembrança. Se perguntou se aquela lágrima que viu deixar escapar não fazia parte disso. Lembrava-se de pensar que a angústia de era com a possibilidade de perder o contrato, mas não lembrava o que o havia feito chegar a essa conclusão. Foi aquilo? O medo em sua expressão? O desespero? A lágrima que ele deixou escorrer enquanto o via se afastar sem dizer nada para impedir?
havia sido o único com poder o suficiente para fazer escolher na vida real, mas não o fez e mesmo depois daquele sonho, de rever seu estado, não sabia se era capaz de perdoá-lo por saber tudo o que sabia, mas não fazer nada para impedí-lo de tomar a decisão errada.
estava grávida e apenas além dela tinha conhecimento disso, mas não fez nada.
E , por sua vez, havia escolhido deixar , independente de todo amor que sentia por ela. era a primeira e única e a havia deixado. Agora precisaria sofrer todas as consequências que sua própria escolha havia causado.
E quanto aquilo, não podia culpar a ninguém.


Fim.



Nota da autora: Aaaaah, espero que tenham gostado! E espero, mais ainda, que o spin-of tenha ficado a altura LINO, a original. Hahaha
Obrigada a todas que leram. E se ainda não conhecem a fic original, é só clicar aqui.
Xx
Mayh.



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