Postada: 29/08/2017

When I was six years old I broke my leg
I was running from my brother and his friends
And tasted the sweet perfume of the mountain grass I rolled down
I was younger then, take me back to when I

6 de julho de 2015, Conriston, Irlanda


O mar era mais bonito ali do que em qualquer outro lugar que ela já havia estado.
conhecia diversas praias em diversos países diferentes com águas cristalinas que até pareciam azul céu.
Mas o clima da Irlanda era similar com o de sua casa, Londres. A diferença era que lá não tinha uma praia como ali.
A modelo grudou a testa na janela do ônibus e observou as ondas quebrarem nas rochas, as águas pareciam turvas diante o céu nublado, mas ela imaginava que fosse sempre assim. Havia tentado, mais uma vez, iniciar uma conversa com Oliver, mas ele parecia extremamente enjoado e imerso nas músicas que tocavam em seus fones de ouvido, desligando-o do mundo.
A estrada que o ônibus passava no trajeto do aeroporto de Cork até o vilarejo era deserta e beira-mar. Não podia ser menos linda.
Ela recostou-se novamente na poltrona e pegou seu celular. Abriu o aplicativo de mensagens e enviou a mesma para Pam e .


“Chegamos bem”

Enviaria a mesma para seu pai, mas devido a todos os acontecimentos da madrugada, ele merecia algo mais detalhado, afinal havia adiado um voo de negócios para que ela pudesse usar seu jato privado.


“Chegamos bem em Cork, já estamos perto de Conriston… O ônibus é bem simples e estala, ahhaha”
“O avião já está indo de volta pra você. Muitíssimo obrigada”


A placa de “bem-vindo a Conriston” passou por debaixo de seus olhos e ela resolveu cutucar o amigo. Ele conhecia a cidade como a palma da mão, ela já não fazia ideia de onde ficava o hotel em que se hospedariam, mas ele havia garantido que o ônibus tinha uma parada bem na porta, não seria necessária outra condução.
— Oliver? Chegamos.
Ele abriu um olho e espiou a vista, reconhecendo a entrada da cidade.
Seu celular apitou diversas vezes seguidas.


“Já chegou em Conriston?”
“Como é aí?”
“Tire muitas fotos”
“Já estou com saudades. Não me bate.”


Mamma
“Aproveite a viagem… Espero que dê tudo certo! Beijos”

Dadda
“Por nada. Fico feliz que tenha ocorrido tudo bem. Mande notícias. Beijos”

— Nossa parada é a próxima. — Oliver anunciou.
Ela assentiu e guardou o celular no bolso, e se levantaram para pegar as malas no bagageiro superior.
Ele a ajudou a descer do ônibus, carregando a mala Louis Vuitton dela e sua mochila nas costas. Não entendia muito bem pra que ela havia levado uma bagagem daquele tamanho para uma viagem tão curta.
O ônibus se foi e deu uma volta, olhando os dois lados da rua. Seus olhos localizaram a placa “Pensão da Vovó Margret” logo acima da cabeça de Oliver. Ela olhou para a casa azul, que não tinha nenhum destaque das outras além daquela placa.
— Você me disse que era um hotel.
— Disse? Querida, você está em Conriston, aqui é um buraco. Não tem hotel e nem outra opção, só a pensão da dona Margret mesmo. Erro meu. Me desculpe. Você não vai se importar, não é?
— Contanto que seja limpa… — deu de ombros.
Aquilo parecia com o chalé de Pam e Ruth, então era algo que ela já estava bem acostumada. Ela sorriu para o amigo e entrou primeiro na instalação. O piso de madeira gemeu debaixo de seu sapato Valentino e ela sentiu a atmosfera tranquila do interior envolvê-la.
— Senhor e senhora ? — uma idosa se aproximou, saindo de trás do balcão da recepção e estendeu a mão em um cumprimento.
— Sim, somos nós.
lançou um olhar para Oliver. Senhor ? Mas o quê?
— Ah, é um prazer! Sou Margret! Estava aguardando vocês! — ela exclamou com as mãos ao alto, e depois repetiu o gesto sacudindo as mãos da modelo. — fizeram boa viagem? — disse com um inglês carregado.
Como ela era fofa! Dava vontade de apertar!
— Sim, obrigada! — a modelo sorriu.
Havia dormido o tempo inteiro no avião para compensar a saída de Wiltshire às cinco da manhã. Não sabia ao certo como havia chegado em Londres, ainda mais dirigindo. Nem entrou em casa, só deixou e Pam em seus lares, passou num caixa eletrônico e foi atrás de Oliver.
Chegou lá com o dinheiro suficiente para pagar o aluguel de seis meses para o amigo, três atrasados e três futuros, até ele se virar. Talvez ela pagasse mais alguns depois. Oliver não ficou nem um pouco contente com aquilo, mas também não conseguiu impedi-la.
A viagem para sua cidade natal porque os pais estavam divorciando também não era muito clara. Afinal, ele nem era próximo deles…
Ela se perdeu em pensamentos enquanto Oliver lidava com o check-in. Percebeu que tentava encontrar a conexão por trás de todos os problemas do amigo, mas simplesmente não tinha sucesso. Haviam peças faltando e ela não conseguia descobri-las sozinha.
Margret guiou-lhes pela sua pequena e acolhedora pensão, subiram as escadas e ela destrancou a segunda porta do corredor. sorriu sem mostrar os dentes ao passar por ela e viu só uma cama de casal. Ficou encarando-a enquanto ouvia Oliver atrás de si educadamente dispensar a senhora e fechar a porta do quarto.
— Quer dizer que você virou um ? — cruzou os braços e se virou pra ele com um sorriso travesso nos lábios.
— Me desculpe por isso! Eu não podia falar que era um MacLeese. — deu de ombros e acomodou as malas no canto do quarto, sentando-se na beira da cama depois.
assentiu e sentou ao seu lado.
— Será que agora podemos conversar? Com você sendo mais claro e tudo mais?
Ele soltou um suspiro longo e assentiu relutantemente.
— Por que não somos MacLeese?
— Porque a cidade inteira conhece minha família.
Ela assentiu. Ficou um tempo esperando ele continuar a contar a história, mas não veio nada. Começou a balançar os pés extravasando a ansiedade, e nem assim ele colaborou.
— E então… — incentivou.
Oliver respirou fundo, mais uma vez. Não tinha mais escapatória. Ela estava fazendo demais por ele, o mínimo que ela merecia era a sua sinceridade.
— Meus pais pararam de me mandar dinheiro agora com o divórcio, por isso eu estou passando aperto.
Ah.
Estava explicado. O aluguel, por hora. O que eles faziam ali ainda era uma incógnita. Será que ele ia pedir dinheiro?
— Eu não sabia que você tinha fundos com eles.
— Não é só você. Mas também não é igual você! Nem de longe! Era uma ajuda, porque meu padrão de vida era mais elevado que meu salário. Mas não era um J.P. Morgan Chase Palladium ilimitado. — repetiu, frisando.
— Quando podemos ir? — ela perguntou, referindo-se à casa dele.
— Eu preciso de um tempo pra assimilar que estou realmente aqui. — colocou a mão na ponte do nariz e fechou os olhos.
A modelo assentiu e virou o rosto para observá-lo. Ele parecia cansado, meio cabisbaixo. Não imaginava que aquele divórcio o afetaria tanto, ele era tão desligado dos pais… e pelo visto ele não queria realmente conversar.
— Vou te dar um tempo, então. Estarei no andar de baixo se precisar de mim. — deu de ombros e se levantou.
Ele assentiu e agradeceu baixinho, se jogando na cama depois que ela saiu do quarto.
desceu com desejo de café. Pra sua sorte, Margret estava na recepção e lhe ofereceu um sorriso.
— Posso ajudar?
— Queria saber se tem algum café aqui perto — sorriu também. Estava adorando aquela cidade.
— Ah, tenho café aqui! — ela dispensou com a mão — aceita alguma coisa pra comer também?
— Não, não, obrigada, só um cafezinho mesmo.
— Vou pegar.
assentiu e viu a senhora se afastar. Deu uma olhada nos arredores e ficou intrigada com a vista da janela. Foi até lá e se debruçou no parapeito, observando toda a cidade. A pensão ficava praticamente no topo de um morro e todo o vilarejo estava aos seus pés. Podia ver a encosta e bem distante, no limite da cidade, um castelo de tijolinhos acinzentados, chamando toda a atenção da cidade com sua majestosidade.
— Aqui está.
Ela se virou e pegou a xícara das mãos de Margret, sorrindo.
— Obrigada.
A senhora ainda a encarava e enquanto ela bebericava a bebida super quente, deu outro sorriso de aprovação.
— E então, o que lhes trouxe aqui? — ela perguntou, indo ao refeitório ao lado e puxando uma cadeira pra e outra pra ela.
A modelo ergueu uma sobrancelha.
Será que já havia sido reconhecida? Torceu o nariz.
Margret ficou a encarando, simplesmente esperando por uma resposta e então se deu conta que provavelmente ela não a conhecia e ela era uma ninguém ali naquela cidadezinha. Ela deveria apenas estar sendo hospitaleira, devia fazer aquilo com todos. A modelo se aproximou devagar e sentou-se de frente pra ela, cruzando as pernas e fitando o mar pela janela.
— Você sabe onde os MacLeese moram?
Soltou a pergunta sem perceber. Devia estar com aquilo preso na garganta. Havia pensado muito em Brittany desde o momento em que soube que ia visitar sua cidade natal, havia sonhado com ela no avião, inclusive. Sabia que ela havia crescido na casa de Oliver, era da família há gerações, e que era enorme. Descobrir a resposta para aquela pergunta, trazia a amiga para mais perto, de alguma forma.
— E quem não? Deus, todo mundo na cidade sabe quem eles são.
Ela sorriu e apontou na direção em que anteriormente havia ficado encarando. Para o castelo.
Oliver e Brittany moravam em um castelo! Como ele um dia ousava dizer que ela morava em uma mansão? Era um castelo, por Deus!
Por isso a amiga gostava tanto da praia. Ela morava tão perto dela, e agora tão distante…
Sentiu seus olhos pesarem e a visão ficar embaçada. O clima parecia ter perdido as cores aos poucos e tomado tons cinzas, sugando toda a felicidade, alegria e vontade de explorar o local que havia aparecido dentro de si.
— Você os conhece?
Ela fungou fazendo um barulhão e limpou os olhos. Sentia o rosto todo inchado. Droga! Estava chorando as pitangas com gente que ela mal conhecia! Não gostava de chorar nem com
— É, eu estou aqui para vê-los — informou-a, limpando o rosto novamente.
— Ouvi dizer que eles estão divorciando. A cidade inteira fala sobre isso.
— É… — deu de ombros.
encolheu-se dentro de um abraço a si própria, tentando ficar mais confortável. Terminou o café e se levantou, foi até a janela e debruçou no parapeito, ficou encarando o castelo.
— Você não é de conversar muito, não é mesmo?
Ela riu. Nunca na vida alguém havia lhe dito aquilo, muito pelo contrário, diziam que ela falava era demais. Margret apenas havia pego-a em seu pior momento.
— Não, só estou tendo alguns sentimentos.
Sentiu uma mão em seu ombro e virou-se para observar a senhora. Ela era tão fofa, gentil e prestativa. Parecia Brittany. Brittany era doce e generosa e tudo que ela não era, mas queria ser. Todos a amavam. A garota era um bebê que todos queriam defender a todos os custos.
— Você é próxima deles?
— Do casal? — perguntou e Margret assentiu. — não… mas conhecia alguns familiares. — deu de ombros.
— É, dizem que é por isso que eles estão se divorciando. Ele têm mais negócios a fazer e não têm mais familiares para mantê-los unidos. Todo mundo morreu de câncer, a última era tão nova… Jesus!
Bem que Pamela dizia que notícias corriam igual água em cidades pequenas. Todo mundo sabia falar sobre tudo e todos. Pareciam uma gigante família fofoqueira.
Então ela se deu conta de que Margret se referia à amiga. Como se ela fosse uma coitada. A família inteira; uma vítima de uma doença que poderia muito bem ser classificada como inferno vivo. Talvez eles fossem, quem era ela para saber? Nunca havia passado por aquilo e esperava jamais passar, mas por tudo que havia presenciado com a melhor amiga, concordava um pouco. Mas ouvir de alguém que havia ficado de fora durante toda a tempestade era um pouco ousado e estranho.
De qualquer modo, aquilo era um soco em seu estômago.
— Eu sei! — sua voz saiu sôfrega devido o choro.
A senhora esfregou suas costas e desejou abraçar a garota, mas se sentia sem lugar para aquilo. parecia estar distante, inalcançável, então lhe deu o suporte que era capaz de fornecer. A garota soluçava alto e nenhum oxigênio do mundo parecia ser suficiente. Seus pulmões trabalhavam de forma rápida e desesperada, acompanhando o choro.
— E o único vivo é um rapaz que vive em Londres. — soube que ela se referia à Oliver. Por mais que suas intenções fossem das melhores, ela não estava colaborando tanto quanto imaginava, mas a modelo não queria intervir. — dizem que ele é gay e que o senhor MacLeese desaprova, não sei por que essas pessoas são tão intolerantes, meu Deus. — suspirou.
Ela sorriu.
Até que enfim algo que ela podia se agarrar.
— Sim, também não entendo.
Margret deixou as cerimônias de lado e puxou a garota de uma vez para um abraço apertado. aos poucos foi cedendo e retribuiu, envolvendo-a pela cintura, sentindo o coração já diminuir o ritmo. Quando já estava muito mais calma, Oliver apareceu nas escadas e chamou a amiga, não muito consciente do que acontecia. Ela se despediu da anfitriã lhe desejando um bom dia e dizendo que a veria mais tarde, depois indo até Oliver. Ele acenou e foram para a rua.
— Ok, então nós precisamos resolver onde vamos almoçar que sirva opções de acordo com sua dieta. — ele disse enquanto desciam a rua.
— Não se preocupe comigo, tenho certeza que posso abrir umas exceções durante as férias.
Oliver se virou de frente para a amiga, prostrando-se de frente a ela e impedindo que ela continuasse andando. enfiou as mãos nos bolsos do casaco e fitou o amigo, percebendo então pela sua feição que a última coisa que aquela viagem podia representar, seriam férias.
— Me desculpe por isso.
— Tudo bem.
Voltaram a descer a rua e chegaram em um ponto de táxi, Oliver conversou com o motorista e entrou no carro, a amiga o acompanhou em seguida.
— Então não iremos mais ficar em sua casa? — ela quebrou o silêncio.
— Lá não é minha casa, , e você sabe disso.
Ela quis suspirar, mas se sentiu intimidada até para fazer aquilo. Ficou em silêncio mais uma vez e ficou observando as construções coloridas do vilarejo. Em dias ensolarados, devia ser a coisa mais alegre que ela podia imaginar.
Como podia parecer tão triste agora?
— Olha, eu entendo que você está tendo alguns sentimentos e eu também estou, mas estou tentando tornar essa situação aqui mais fácil, Olie. Eu sinto muito se estou te machucando ainda mais, só me diga para que eu possa parar.
Não aguentou ficar calada. Prova de que Margret estava errada, de novo. Ninguém a entendia de primeira, muito menos por um bom tempo. Só . Aquilo ainda era um mistério para ela.
Oliver apenas assentiu.
— É que… da última vez que eu estive aqui, ela também estava. Na verdade, todos eles.
o imitou, balançando a cabeça.
— É, eu entendo. Quer dizer, eu nunca vim aqui antes, mas na Irlanda… foi pra enterrá-la… Ah, eu vou calar a boca. — suspirou e inclinou a cabeça, deitando-se contra a janela do carro.
— Não, tudo bem. Conversar sobre ela meio que ajuda. — deu de ombros.
concordou, mas já não havia mais nada pra falar. Havia cortado o clima.
De qualquer modo, o carro parou em frente ao portão do castelo. espiou pelas grades, não havia movimento algum lá dentro. Parecia um lugar esquecido no canto da cidade.
Oliver ficou na ponta do banco e colocou a mão no ombro do motorista.
— Pode mandar a conta pra o senhor MacLeese? — o mais velho disse.
O taxista concordou, arregalou os olhos e começou a revirar sua carteira.
— Não precisa! — chiou e pegou alguns euros, entregando-os ao motorista.
Eles desceram do carro e Oliver chutou umas pedrinhas na entrada, abriu os portões e esperou passar para fechá-los novamente.
— Você precisa parar de ficar pagando tudo pra mim! — reclamou enquanto caminhavam até a entrada. rolou os olhos, já estava acostumada com aquele tipo de chiado vindo do amigo. — meu aluguel atrasado já foi mais que suficiente, depois você me deu três meses futuros só porque eu não deixei você pagar por seis e eu já disse que vou dar um jeito de te pagar de volta quando eu conseguir uma estabilidade de novo. Aí você arruma o jato privado do seu pai para nos trazer até aqui e eu não posso reclamar porque eu ia passar seis horas em um trem, só porque é mais barato que uma passagem aérea. Mas, , aqui na cidade meu pai pode pagar o táxi, ele pode pagar qualquer coisa e eu posso ser que nem você. Todo mundo aqui é acostumado de ir prestar contas pra ele quando pedimos. Brie era quem mais fazia isso de “va até o senhor MacLeese e peça pra ele te pagar”, os cidadãos têm muita confiança um no outro.
Ela riu.
Que monólogo.
Ela não ligava para nenhuma palavra do que ele havia dito. Só achava graça em saber que a amiga fazia igual ela com o tio, mas em Londres era igual Oliver, não aceitavam nada vindo dela.
— Olie, relaxa. Eu não preciso que você me pague de volta. Tá tranquilo. Eu também te disse que você podia ir morar no meu apartamento se quisesse, tudo bem também. Não se preocupe comigo. Isso não é sobre como eu estou te ajudando. É sobre você. Eu quero você melhor e eu farei tudo em meu poder para ver você assim, mesmo que isso envolva dinheiro, então supera!
— Deus! Eu só queria poder te pagar de volta, sabe? — lamuriou.
riu.
— Eu sei! Mas você foi quem me diagnosticou corretamente mesmo quando não estava envolvido em meu tratamento. Você me salvou e me fez buscar a ajuda que eu precisava. Amizade não vem apenas em dinheiro, mas em amor também! E você já me dá tanto amor! Eu queria fazer o mesmo, mas você me mantém muito por fora de tudo, então dinheiro é a minha maneira de ajudar. Eu poderia ter simplesmente mandado você pra cá, mas eu vim também. Então pelo amor de Deus, veja o outro lado e simplesmente esqueça do dinheiro por um tempo.
Ele bufou e deu um sorriso vitoriosa.
Eles chegaram à entrada da casa, Oliver sentia as palmas das mãos suando frio, ele esticou o dedo trêmulo para tocar a campainha e deu um suspiro.
sentiu o coração acelerando em pura expectativa que ele havia criado.
Uma empregada vestida em uniforme preto e branco e com touca abriu a porta.
— Oi, sou o Oliver.
Ela ergueu uma sobrancelha.
— Ah, me desculpe. Não me avisaram que estavam esperando visitas. Me dê licença, já volto. — ela fechou a porta com um sorriso.
arregalou os olhos e recuou.
— Você não avisou sua mãe que estava vindo? — deu um tapa em seu ombro. — e como assim, a empregada não te conhece?
Céus, aquilo parecia estar tão bagunçado quanto a sua família. Nunca imaginou que fosse ver algo do tipo.
A porta foi aberta mais uma vez.
— Sigam-me. A senhora MacLeese está aguardando vocês.
lançou um olhar para o amigo e aguardou para que ele fosse na frente. Quando ela entrou, a mulher recolheu seu casaco e o pendurou ao lado da porta. O castelo estava todo aquecido, totalmente o oposto do clima nas ruas. O interior era decorado em tons escuros e tinha cheiro de casa velha, mas agradável.
— Eu disse que viria, eu só não sabia quando e posso ter esquecido de avisar hoje cedo. — sussurrou apenas para a amiga ouvir, enquanto seguiam a mulher.
Eles pararam na entrada da sala de estar e a viu na outra extremidade do ambiente, espiando pela janela, de costas para eles, vestindo roupas extremamente sociais e finas.
— Senhora MacLeese? Eles estão aqui. — a mulher anunciou e se retirou, sumindo de vista.
Oliver estava sem coragem de entrar no cômodo, e ao notar isso, foi na frente e o puxou pela mão.
Bridget se virou e lhes observou rapidamente, de cima à baixo. Ela tinha um olhar penetrante e sentiu um arrepio na nuca no mesmo momento em que Oliver apertou sua mão com mais firmeza.
A última vez que ela havia visto o filho era no enterro da sobrinha, em março do ano anterior. Um ano e meio sem vê-lo e ela não havia lhe dado nem um sorriso. Até Grace ficaria mais contente em ver após todo aquele tempo.
Ela caminhou levemente até eles e encarou a garota.
— Conheço você… — comentou.
— É a melhor amiga de Brittany. — Oliver respondeu antes que pudesse processar qualquer coisa.
— Ah… , certo? — a modelo desviou o olhar do amigo até a senhora e assentiu. Ela estava completamente diferente da última vez que havia a visto. A única, na verdade… Muito diferente. Senhora MacLeese estava com os cabelos curtos e grisalhos, olheiras profundas, tinha perdido bastante peso e uma aura carregada. Havia envelhecido demais dentro de pouco tempo. — é um prazer revê-la. — estendeu-lhe a mão e retribuiu o cumprimento. Estava imaginando o abraço de urso que Oliver daria na mãe e ela faria o mesmo, assim como havia sido da última vez, então ela apenas se refreou e conteve-se com o aperto de mãos.
— O prazer é todo meu. — sorriu. — trouxe-lhe um presente.
A modelo sorriu e lhe entregou o embrulho com o vinho francês que ela havia recentemente virado fã. Havia lido na internet que quando convidado à uma casa de amigo ou parente na Irlanda, deveria levar um pequeno presente como apreciação.
— Obrigada, querida. Sente-se, por favor. — estendeu a mão e indicou o sofá.
sorriu de novo, tentando arrancar um de Bridget, mas a mulher parecia dura como uma pedra. Ela conhecia aquilo muito bem… Ela estava tão depressiva… Tão pra baixo… Como aquilo poderia acontecer quando se tinha um filho como um excelente psicólogo? Ele poderia ajudá-la… não diretamente, mas da mesma maneira que havia feito consigo, direcionando. De qualquer forma, não era lugar dela em dizer algo, mas tinha certeza que Oliver perceberia, afinal, era o negócio dele.
Ela sentou e chamou Oliver para ficar ao seu lado. Ele ainda não havia cumprimentado a mãe, de maneira alguma.
— Vocês aceitam algo? Café, chá? — ela ofereceu.
gostou da oferta, afinal havia percebido que precisaria sobreviver àquela viagem na base de cafeína.
— Não, obrigado. — Oliver foi mais rápido e antecipou seus movimentos, lhe lançou um olhar frustrado.
— Tem certeza? — Bridget insistiu e continuou lhe fitando, doida para intervir.
— Sim. — confirmou.
A senhora MacLeese então desviou o olhar para a garota, percebeu e retribuiu. Não ia deixar de aceitar algo que queria por luxo de Oliver.
— Eu gostaria de café, por favor.
Foi a vez de Oliver a encarar torto. Desde quando ela escolhia café acima de chá? E todo aquele monólogo que ela disse lá fora sobre apoiá-lo?
Uma empregada ruiva e que aparentava ter a idade de entrou na sala carregando o café da garota em uma bandeja dourada. pegou sua xícara e sorriu, agradecendo em seguida.
— Onde estão as criadas que eu conheço? — Oliver perguntou assim que a garota se saiu da sala.
— Jesus, eu sempre as troco, porque Martin dorme com todas elas, mas parei de mudá-las uma vez que a cidade estava quase ficando sem empregados, e aí o divórcio veio… — ela deu um longo suspiro.
arqueou a sobrancelha ao ouvir o nome do empresário e arregalou os olhos. A maneira como ela falava do pai de Oliver… Era puro sarcasmo, ela se segurou para não rir.
Senhor MacLeese era dono de praticamente metade da cidade e tinha um escritório próximo à igreja matriz, de acordo com Brittany, mas aquela era uma informação velha, provavelmente ele já havia aumentado a fortuna.
— O café está ótimo, obrigada.
mudou de assunto e indicou a xícara, levantando-a brevemente. Bridget levantou o olhar dos seus pés até a garota e finalmente deu um sorriso minúsculo e discretíssimo.
— Você trouxe um guarda-chuva ou uma capa? — ela perguntou. — aqui começa a chover qualquer hora… — deu de ombros e voltou a encarar os próprios pés.
percebia que ela não conseguia encarar ninguém por muito tempo. Tempo quase nenhum, na verdade. Sintoma clássico de ansiedade social… Estava ficando agoniada com aquilo, pois parecia que ela percebia o que acontecia e Oliver não! Ou ele fingia não perceber! O que exatamente acontecia ali?
Ela piscou os olhos.
Não podia julgar.
Ela era muito similar.
— Não… não sabia disso, na verdade. — justificou.
— Pois é… Um casaco, pelo menos?
assentiu. Droga, ela não tinha nada de chuva nem na pensão. Quão molhada ela ia ficar no fim do dia?
— Não tive a oportunidade de olhar a previsão do tempo. — explicou.
— Oh, Deus… — lamuriou, ainda olhando os pés.
soltou uma risadinha. Já havia perdido a conta de quantas vezes havia ouvido “Deus” e “Jesus” desde o momento em que chegou naquele lugar. Era algo, aparentemente.
— Cadê o Poppy? — Oliver interrompeu a conversa das duas.
A modelo franziu o cenho. Ele estava batendo recorde de frieza e distância naquele dia.
Ela sequer havia se dado conta do que ele havia dito. Quando sua ficha caiu, seus olhos arregalaram e ela passou a suar frio. Passou a olhar para Bridget com outros olhos.
— Ele está aqui? — disse meio abobada.
— Quero vê-lo. — Oliver completou.
desviou o olhar até o amigo. Por que ele nunca havia lhe dito que o cachorro da amiga havia continuado na família? Pois houve uma discussão enorme quando ela estava em seus momentos finais sobre aquilo, já que ninguém queria ou podia ficar com ele, no seu caso, porque ela queria. E ela resolveu se abster do assunto depois, para não sofrer tanto. Eles falavam de tudo com tanta frieza… como se não sentissem, não se importassem.
A empregada ruiva voltou a entrar na sala por um sinal de Bridget que passou despercebido aos olhos dos visitantes. Ela caminhou até a patroa e abaixou-se para conversar com ela.
— Traga o cachorro para eles verem?
A menina fez uma feição estranha que não conseguiu ler e em resposta ela enrugou a testa. Ter seu coração esmagado depois uma adrenalina de esperança era sempre recorrente. Um costume, talvez, mas muito desagradável.
— Eu o mandei para o pet shop, senhora.
— Pra que? — Bridget vincou a testa.
— Pra tomar banho. — ela estranhou a atitude da patroa e notou sua postura tornando-se defensiva.
Para tomar banho. Pra ficar arrumadinho.
Ela havia enviado o cachorro por conta própria, sem a patroa nem saber.
Por que a empregada havia preparado-o para eles e Bridget não?
queria perguntar.
Mas não ali.
Não na frente de Bridget.
— Eu queria ir ao banheiro. — ela disse, pensando rápido.
— Mostre-a o caminho. — senhora MacLeese ordenou e a garota assentiu.
levantou-se e seguiu a moça pelos corredores do castelo. Se estivesse sozinha, ia ficar perdida. Não era tão extenso, mas era tudo igual.
— Como o Poppy está? — começou a puxar o assunto.
— Bem. Um pouco sapeca. — sorriu.
— Você gosta de cachorros? — presumiu.
A ruiva assentiu orgulhosamente.
— Tenho três em casa. E você?
— Gostaria de ter, mas meus pais não deixariam… — suspirou. — por isso não fiquei com ele.
— Quando ela morreu?
— É. — suspirou novamente.
Elas chegaram até o banheiro e a modelo recostou-se à parede, a empregada ficando de frente para ela.
Sentia algo negativo no ar.
Carregado.
Aquela casa estava cheia de energia pesada. Ela não se sentia muito bem ali.
— Sabe, eu me ofereci para ficar com ele. — quebrou o silêncio, capturando a atenção da babá mais uma vez. — agora com o divórcio, nenhum dos dois o querem. — explicou pesarosa — eu que cuido dele aqui, de qualquer forma. Gostaria de tê-lo. — deu de ombros. — vocês não estão aqui para levá-lo?
— Eu não sei. Estamos? — ela ergueu a sobrancelha, o coração ficando mais acelerado.
Desde quando?
Como?
Pra onde?
Aquilo foi um baque. Se eles não ficaram com o cachorro antes, por que eles imaginavam que poderiam agora? Tanto ela quanto Oliver?
— Bridget me disse que ela acha que Brittany gostaria de mantê-lo na família, por isso tentaram ver com o Oliver. Que ele o quis.
— Ele é alérgico! — cruzou os braços e um calafrio estranho passou pelo seu corpo e ela se esfregou, tentando se aquecer.
— Mas o cachorro não morava com ele antes? Meu Deus…
— É, com a Brie também. Mas Oliver nem chegava perto, ela quem cuidava… Isso é tão estranho! — murmurou.
— Bem, tudo é bem estranho para mim, mas quem sou eu pra dizer algo? — deu uma risada forçada. — você não quer usar o banheiro? — apontou para a porta do cômodo.
— Ah, não. Era só uma desculpa pra falar com você. — dispensou com a mão. Aquela garota era tão natural, e parecia saber muito… — você vê a tensão lá? — indicou a sala onde estavam, gesticulando com a cabeça. — eu não poderia perguntar ali.
A ruiva deu uma gargalhada gostosa e também riu junto.
— Ei, você quer vir pra cozinha? É lá que nós, criadas, costumamos ficar.
— Claro!
A garota foi andando na frente, guiando novamente pelos corredores.
Estava decidido.
Ela adorou aquela menina.
— Por sinal, meu nome é Ciara. — ela disse quando a modelo percebeu que se aproximavam.
O ambiente exalava um cheiro divino de comida. Logo da porta, todas as outras três mulheres já vieram com sorrisos nos rostos e lhe cumprimentaram, dizendo seus nomes e a babá já não se lembrava de nenhum. Era péssima com nomes.
— Eu sou .
Elas se entreolharam de maneira disfarçada enquanto seguravam uma risada, mas decidiu ignorar.
Puxaram uma cadeira na mesa para a garota e todas se acomodaram nos arredores, a mais velha mexia no fogão e se dividia a também lhe dar atenção.
Eram todas fofas.
A cozinheira logo colocou uma porção de batatas fritas na mesa e os olhos da modelo brilharam em pura animação. Há muito tempo não comia aquilo. Se seu nutricionista ou assistente sonhassem com aquilo, ela tinha que pagar o resto da semana.
Mas… por que eles precisavam saber, mesmo?
Todo mundo se esbaldava com as batatas e a conversa alta. Há tempos não se reunia assim, entre mulheres.
— Sabe, agora com tudo isso acontecendo… Jesus, eu morro de medo de chegar aqui um dia cedo e eles me mandarem de volta pra casa. — a criada que os recebeu soltou de uma vez.
arregalou os olhos.
Será que os MacLeese não tinham realmente a mínima consideração com aquelas pessoas? Seriam capazes de deixá-las desempregadas num piscar de olhos só por que estavam a fim?
Ela se lembrou de Bridget dizendo que todas dormiam com Martin e ela sentiu a bile subir-lhe à garganta. Elas eram tão adoráveis, duvidava que fossem capaz daquilo. E seus salários provavelmente eram essenciais para suas famílias… uma cidade tão pequena daquelas…
— Olha, eu sei que é totalmente inapropriado, mas eu posso tirar uma foto com você? Eu acho você tão maravilhosa… Seu trabalho!
A ruiva quebrou o silêncio. passou a encará-la, ela mordia os lábios de forma insegura.
— Ciara! — as outras três a repreenderam em uníssono.
— Céus! Ela foi bem clara quando disse que nós não deveríamos, sob hipótese alguma, fazer isso! — a outra chiou.
ficou com dó da menina. Ela sentia que ela fez aquela pergunta só para trocar o assunto, pois já tivera a oportunidade para aquilo antes e não o fez.
— Meninas, por Deus, eu não posso perder essa oportunidade — se defendeu.
não sabia o que dizer.
Bridget era tão controladora. Ugh. Oliver talvez estivesse certo. Por que ela não tentava ficar mais próxima das mulheres? Elas eram ótimas. Ela mesma, particularmente, não sabia como seria sua vida sem Pam, na sua casa. Pam era mais que uma mãe. Era sua amiga.
— Sim! Eu não vejo porque não. — deu de ombros, sorrindo.
Ciara abriu um sorriso de fora a fora, mostrando todos os dentes e se levantou. imitou-a e deu a volta pela mesa, enquanto a outra entregava o celular para a companheira de trabalho. Ela passou o braço ao redor da ruiva e tirou algumas fotos.
— Posso tirar também? — outra pediu.
— Claro!
A modelo posou com todas elas. Quando estava acabando de tirar as fotos com a última, ouviu alguém raspar a garganta. Ela se virou e todas acompanharam, dando um pulo e consertando suas posturas para Bridget que estava na entrada da cozinha.
— Posso saber por que minha convidada está na cozinha? — disse fria.
Elas ficaram caladas, sem saber o que dizer. não tardou em tomar a frente e soou natural, assim como se sentia.
— Está tudo bem, elas são todas legais e gentis. — sorriu. — e estão me dando comida, que está deliciosa, por sinal. — se virou e deu uma piscadinha para a cozinheira, que corou no mesmo instante.
— Oh, então junte-se a nós para o almoço! — Brigdet mudou a postura e ergueu as sobrancelhas, surpresa.
— Sim, eu adoraria!
— Vou fazer mais comida, então! — a criada disse e Bridget assentiu. Ela foi até o fogão, e outra virou-se para ajudar.
— Não, ! — Oliver disse, chegando correndo atrás da mãe. — eu não disse que ia te levar naquele restaurante maravilhoso beira-mar? — ergueu as sobrancelhas, enfatizando.
— Disse? — ela vincou a testa.
— É, eu disse! — ele fez uma careta sugestiva.
— Bem, eu não me lembro. Podemos ir amanhã, de qualquer modo. — deu de ombros.
— Isso, deixem pra outro dia! — Bridget tentou soar animada e se incomodou com aquilo, desviou o olhar até Oliver e ele negava com a cabeça.
Ele não queria almoçar ali.
Que pena, porque ela queria.

Found my heart and broke it here
Made friends and lost them through the years
And I've not seen the roaring fields in so long, I know I've grown
But I can't wait to go home


— Está gostando, ? — Bridget perguntou.
A modelo virou a cabeça até ela e engoliu a comida que tinha na boca.
— Está uma delícia. Elas são ótimas. — Talvez ela pudesse levá-las consigo para Londres, caso a senhora MacLeese não quisesse mais.
Oliver estava calado o tempo todo. começou a ficar com remorso, pois por um breve tempo esqueceu-se de que estava ali para ajudá-lo e como sempre se colocou por cima.
— E você?
— Está ótimo. — se limitou e continuou focado na comida, sem olhar pra nenhuma das duas.
— E o trabalho, como vai?
— Está ótimo. O pessoal da universidade é legal. Bons de trabalharem. — deu de ombros.
E detalhes demais.
Para quem estava passando a viagem inteira sem detalhes.
levantou uma sobrancelha.
Desde quando ele trabalhava em universidade? Ele tinha consultório numa clínica perto do apartamento dela!
Tinha furo naquele bolo! Mais um! Toda aquela viagem não fazia sentido! O que mais estava errado?
— Mudando de assunto… — Bridget começou assim que todos acabaram de almoçar — por que não ficam aqui? Posso mandar arrumarem quartos para vocês…
Aquele convite estava de pé? Ali era muito mais confortável que a pensão! Era claro que ela queria.
— Nós ado… — Oliver fechou a cara e negou com a cabeça antes que pudesse finalizar. Ela fez careta tentando ajustar tudo — agradecemos o convite. Fica pra próxima.
— Estamos aqui só para pegar o Poppy, e já devemos voltar pra Londres até o fim do dia.
— O quê?! — exclamou, sacudindo a cabeça.
Ela havia ouvido direito?
Ambos MacLeese se viraram para ela. Oliver de olhos esbugalhados, sem entender as reações da amiga, porque ela já sabia das condições e agia completamente o oposto. Bridget estava espantada com a novidade. Seu rosto estava igual o da modelo.
, podemos conversar por um momento? A sós? — enfatizou. — eu tenho certeza que você está morrendo de vontade de conhecer o quarto que costumava ser meu, se é que ele está intacto. — ele olhou de lado para a mãe. Ela abaixou a cabeça olhando para o colo.
— Todos estão, fiz questão de mantê-los. Até então. — suspirou.
Era claro. Martin acabaria com tudo.
Oliver assentiu e se levantou, a modelo pediu licença à anfitriã e o seguiu até o seu antigo quarto. Assim que ela entrou, ele fechou a porta do ambiente e o trancou.
Ela deu uma olhada a sua volta. Aquele quarto estava rosa demais para ser dele…
Era de Brittany.
Ela viu um retrato da garota na mesa ao lado da porta e o tomou em suas mãos, lembrando-se em seguida do que ele havia dito.
— Eu não sabia que voltaríamos hoje! Meu pai está usando o avião agora! Ele está indo pra Copenhague a negócios! Eu disse pra ele que voltaríamos dia oito.
No mesmo momento, seu celular vibrou indicando uma nova mensagem. Era seu pai, enviando uma foto. Ela sorriu ao vê-lo na praia. Mal havia chegado à Dinamarca e já estava passeando… sentiu o coração aquecer meio a tanta energia estranha ao seu redor e se prendeu àquilo. Faria o resto do dia ficar assim.
— Olha, — mostrou a Oliver e ele assentiu, achando aquilo diferente. Se a viagem era a negócios, por que o passeio? Aquilo não era a cara dele, não pelo que a falava.
No mais, falar tanto do trabalho do pai lhe despertou uma lembrança.
— O que foi aquilo sobre seu trabalho? Desde quando você mudou? Por que eu não sabia que você tinha voltado pra universidade.
— Eu não troquei. Eu perdi o emprego.
tomou um soco no estômago. Todo o almoço quis subir-lhe à garganta e ela viu tudo rodando, apoiou-se na soleira da porta, deixando o retrato de Brie cair no chão.
— Você o que? — ela murmurou.
— Eu perdi o empre… você tá bem? — colocou a mão nas costas dela e ela se ergueu, recuou-se e o fitou com desdém.
— Oliver MacLeese. VOCÊ O QUÊ? — berrou. Tudo dentro de si voltou a rodar. — desde quando?
— Eu não queria que você se preocupasse! — lamuriou e tentou se aproximar, ficou quieta e deixou-lhe tocar nos ombros.
— Desde quando? — repetiu ainda com a voz baixa, sorrateira.
Oliver suspirou.
— Você estava em Los Angeles fazendo um ensaio na Harper’s Bazaar. Estava ocupada! Não quis incomodar! — argumentou firmemente.
Aquilo fazia TODO O SENTIDO.
Ele estava desempregado há três meses, mas os seus pais haviam parado de mandar dinheiro apenas no último mês.
— Você tava com dívidas de três meses e não me fala nada? — gritou. — eu poderia te ajudar!
— É exatamente por isso que eu não falei! Você não tem que pagar minhas contas, não é sua obrigação.
— Mas é minha vontade!
TRÊS MESES.
TRÊS MALDITOS MESES SEM DINHEIRO.
A modelo procurou o lugar mais próximo para se sentar e acabou sendo na cama da amiga, mesmo. No mesmo momento, o colchão soltou o cheiro da menina e ele espalhou por todo o quarto.
Três meses.
Antes de ela começar a namorar.
Quando ela estava estourando como modelo.
Quando ela conquistou sua carreira.
E ele até a ajudava, fazendo maquiagens e tal…
As maquiagens! Ele havia dito a que ganhava dinheiro em Oxford com maquiagem profissional e agora estava ganhando de novo, fazendo um bico!
Aquele dia na casa dos s ela percebeu e não quis insistir. Deveria ter forçado mais um pouco a barra para ele se abrir. Disse que faria depois e acabou caindo no esquecimento. Era uma amiga terrível. Aparentemente não sabia ser amiga, só sabia receber dos seus. Pôs a mão na testa e soltou um suspiro longo.
— Eu estou manejando com uns trabalhos extras aqui e ali, porque eu estava com tanto medo de precisar voltar pra cá… — lamentou, colocando a mão na testa e arfou.
— Você quer voltar para Londres antes? — o puxou para perto e ele sentou-se ao seu lado na cama.
— Eu nem queria ter vindo, mas não dava pra enviarem Poppy. Ia ficar mais caro. Eu não posso com esse luxo.
Ela assentiu. Ia arrumar passagens num voo comercial para eles.
— Posso te dar um conselho? — ele concordou. — isso é tão estranho vindo de mim. Geralmente eu sou a bebezona que recebe, mas enfim… você pode estar machucado e tal, mas não precisa ser agressivo. — disse bem tranquila e ele assentiu contragosto, e sabia que ela estava certa.
— Mas você é.
deu risada, assentindo.
— Mas eu sou assim. Você é fofo, carinhoso… só está ferido. E vá por mim, ferida não se cura assim. — fez bico pra sustentar seu argumento — me desculpe, eu tenho estado com medo de como agir com você, porque eu quero te ajudar, mas não sei o que fazer, porque ao mesmo tempo eu pensava no que eu queria. Eu não sei ser uma amiga como você é pra mim, dinheiro foi o jeito que eu achei de te apoiar.
Ele balançou a cabeça, compreendendo.
— Obrigado, . — sorriu e tomou sua mão, entrelaçando seus dedos. — podemos sair daqui?
A modelo assentiu.

I'm on my way
Driving at ninety down those country lanes
Singing to "Tiny Dancer"
And I miss the way you make me feel, and it's real
We watched the sunset over the castle on the hill


O táxi lhes deixou na porta da pensão e dessa vez desceu rápido para deixá-lo “pagar”. Pegou seu celular e foi na discagem rápida, ligando para seu pai.
— Não vai entrar? — Oliver apareceu na sua frente e só então percebeu que ela estava no telefone.
— Daqui a pouco, pode ir. — falou baixo.
O amigo assentiu e entrou na estalagem, Peter ainda demorou um pouco para atender.
Oi, querida! Tudo bem?
— Oi, pai. — ela olhou ao redor, conferindo se Oliver não estava por perto, mas saiu andando pela rua, mesmo assim. Era melhor evitar a fadiga. — tudo, e você?
Também. E a viagem, como vai?
— Estranha. — mordeu os lábios. — espero que a sua esteja melhor. — saiu chutando pedrinhas na rua.
O que houve?
— Logo te explico. — suspirou.
Certo… Aqui vai tudo bem… Estou me preparando para uma reunião.
— Ok, então vou agilizar. Quando você volta?
Dia oito mesmo, por quê?
— Ah, então deixa. É porque parece que precisaremos voltar antes, mas vou comprar passagens, então. — deu de ombros e atravessou a rua para ficar vendo a praia lá embaixo, no fim da cidade. O céu cada vez ficava mais escuro e ela achou melhor não se afastar muito da pousada, caso precisasse correr para não molhar.
Ok… — a linha ficou silenciosa e a garota pensou que ele a ligação havia caído, mas logo a voz do pai voltou a preencher seus ouvidos. — a praia aqui é tão diferente… espero voltar um dia com você, sem ter que ser pra cuidar de assuntos da Rede…
Ela sorriu.
— Também quero te trazer aqui. É parado igual à cidade da Pam, do jeito que você gosta.
Peter começou a dizer sobre como adoraria fazer todas aquelas viagens com ela quando tivesse tempo e sua cabeça começou a voar, a palavra hospital ressoando no fundo, trazendo uma ideia perfeita.
— Olha, tem outra coisa. — ela deu um sorriso e mordeu o canto da boca, falando depois que ele terminou. — preciso te pedir algo.
Peter riu. Desde quando ela dizia assim? Ela simplesmente pedia.
Você falando assim… fiquei curioso. O quê é? Sabe que eu faço qualquer coisa por você. Quase. — completou rindo.
— Eu preciso que você contrate meu amigo, o Oliver.
Os segundos em que seu pai ficou calado processando aquilo foram maçantes. Jurava que seu coração ia pular fora em questão de tempo.
Esse que você está acompanhando?
— É.
O que ele é?
— Psicólogo. Tem PhD por Oxford. — ela frisou, porque Oxford era a queridinha do pai. Era onde ele próprio havia estudado e vários outros , onde ela mesma estudaria, inclusive, se não tivesse mudado os planos. — ele tem experiência na área por pelo menos três anos.
Peter ficou em silêncio mais uma vez e sentiu pingos de chuva começarem a cair, ela rolou os olhos porque ainda não era a hora de entrar na pensão, Oliver não podia nem sonhar sobre aquela conversa enquanto ela não fosse mais concreta, mas teve que sair correndo, pois ela engrossou de uma vez. Ia ficar completamente molhada.
Me manda o contato dele, eu mesmo ligarei.
Ela soltou o ar que nem havia percebido que prendia de uma vez. Aquilo era um alívio. Sua parte estava feita, agora Peter só precisava agradar com o currículo de Oliver.
— Ok! Muito, muito obrigada! Mas espere até o dia nove, quando ele estará em Londres.
Tudo bem. Agora eu preciso desligar, tenho que me arrumar.
— Beijos! Eu te amo! Muito obrigada — repetiu, eufórica.
Eu também.
Ela finalizou a ligação.
Subiu as escadas dando pulinhos de alegria! Havia quase conseguido! Peter nem sempre contratava quem ela pedia, mas Oliver era excepcional! Tinha certeza que ia conseguir.
Ela parou na frente da porta do quarto deles e respirou fundo, para se acalmar. Não podia transparecer para ele… Um, dois, três…
Abriu a porta e o encontrou esparramado na cama, com a cara enfiada no travesseiro, chorando.
Seu coração apertou na hora, um incômodo que chegou a doer.
Trancou a porta e caminhou até ele, sentando ao seu lado. Estendeu a mão para acariciar suas costas, meio incerta do que fazer. Se deveria conversar com ele ou lhe dar privacidade. Não sabia como ele preferia, como ele funcionava em momentos assim.
Ele demorou um pouco para notar a presença dela ali, mas ergueu o tronco e a encarou.
? — sua voz saiu fina.
— Sim? — ela estendeu a mão devagar e a colocou sob sua bochecha, fazendo carícias.
— Eu estou me sentindo um bosta aqui. — confessou.
Seu rosto estava inchado e vermelho. Ela secou suas lágrimas com a manga de sua blusa e ele fechou os olhos. fez um beicinho amuado, com dó do amigo. Não queria estar no lugar dele, muito menos vê-lo assim.
— Olie, eu…
— Mas ao mesmo tempo, sinto tanta falta desse lugar. — a cortou com uma confissão inesperada.
ergueu uma sobrancelha. Ele havia passado o dia frisando como ali era uma merda e como ele queria dar o fora logo…
Mas era sua casa… seu lar… seu berço, apesar de toda a atmosfera problemática. Ela aparentemente não sabia um terço dela… Como entender? Não era nem como comparar se ela trocasse Londres por Los Angeles, coisa que não pretendia fazer, exatamente porque amava Londres, mesmo tendo vivido todo o caos lá. Mas com Oliver ainda era diferente, um diferente que ela não compreendia.
— Por que você não quis ficar lá?
— Porque são muitas memórias… tristes. — completou, após buscar uma palavra certa, mas que ainda não parecia a ideal. — não me sinto bem vindo.
— Mas sua mãe parecia tão…
— Não pela parte dela. — interrompeu.
concordou, assentindo.
— Seu pai?
Ele imitou seu gesto.
A modelo desceu as mãos até a nuca do homem e o puxou para si, dando-lhe um abraço muito apertado. Ele sorriu a contragosto.
— Por que não damos uma volta na cidade? Você pode me mostrar os lugares que gosta…
— Não sei se estou no clima para isso… — lamentou.
— Pode ajudar a espairecer.
— Eu sei… é só que… eu… — não sabia como se expressar. — não quero. Quem sabe depois? — tentou, mas não queria prometer nada.
— Você não vai nem me levar a um pub irlandês? — brincou, ele negou tristemente. — tudo bem, eu vou sozinha.
— Não sei como você consegue ficar tão alegre.
— Nem eu. — suspirou, lembrando-se de sua amiga loira. — nem eu… — repetiu mais baixo.
Oliver se afastou e os dois acabaram deitando-se na cama, aconchegando debaixo dos edredons e assistindo Capitão América Soldado Invernal pela enésima vez, enquanto esperavam a chuva passar.
Depois, ele adormeceu e ela foi se aprontar para sair. Optou por um conjunto branco desenhado pela sogra, desceu e pediu ajuda à Margret, que lhe indicou o pub preferido dos locais e pediu um táxi para ela.

Fifteen years old and smoking hand-rolled cigarettes
Running from the law through the backfields and getting drunk with my friends
Had my first kiss on a Friday night, I don't reckon that I did it right
But I was younger then, take me back to when


— Com licença, você é ?
Um rapaz tocou seu ombro e ela se virou para observá-lo. Estava sentada no balcão do pub aguardando sua cerveja e o observou. Era moreno, tinha uma barba linda que dava vontade de raspar o queixo.
— Sim. — sorriu e jogou o cabelo de lado.
passou pela sua cabeça e no mesmo instante ela se lembrou que não pertencia mais àquela vida. Que agora era comprometida.
— Posso tirar uma foto com você?
— Claro! — seu sorriso aumentou no mesmo instante por puro alívio.
— Kevin, tira uma foto pra mim, por favor? — ele se debruçou sobre o balcão e pediu ao barista que preparava a cerveja da modelo. Ele trouxe o pedido da garota e pegou o celular do fã. se levantou e ficou ao lado do homem, que tentou passar a mão na sua cintura, mas ficou meio sem jeito e apenas se inclinou em sua direção. Eles sorriram enquanto o garçom bateu algumas fotos.
— Muito obrigado. — ele sorriu para ela. — posso te comprar uma bebida? Sou o Jack, por sinal — estendeu-lhe a mão.
desceu o olhar até ela e ficou pensativa.

“— Se alguém quiser te comprar um drink, não recusa que é feio. — Oliver disse.
— E se quiserem me envenenar? Eu sou figura pública, sabe… — deu de ombros.
— Nesse buraco aqui? Acho que ninguém em Conriston sabe o que é isso”.


— Bem… pode? — respondeu meio em dúvida, mas o tal Jack gostou e abriu um sorriso ainda maior do que o da foto.
— Kevin? Essa é por minha conta — apontou pra cerveja da modelo, ainda intocada sob o balcão. — pega uma pra mim também. — ele se debruçou na mesa. — melhor ainda, manda pra minha mesa toda. A primeira rodada é minha! — deu um tapa na mesa e deu um pulinho no tamborete. O barista assentiu e se virou para preparar o pedido. — hey, que tal se sentar comigo e com os meus amigos? Não sou muito fã de ver gente sozinha em um pub… — piscou convidativo.
ainda não conseguia processar o fato de como todos ali eram tão próximos, então ela piscou rapidamente umas duas vezes antes de dizer “claro!”, pois também odiava ficar sozinha.
Aparentemente todos os amigos de Jack a conheciam, mas não quiseram aproximar para tirar foto como ele fez, mas com o passar do tempo e algumas rodadas de cerveja, ela já posava com eles também.
Na terceira rodada ela já estava se considerando entre amigos.
Na quarta, já estava mais descontraída.
A quinta era a sua vez de comprar. Ela pediu o mais forte do cardápio para ela e para os outros quatro homens, que ficaram impressionados. Quando Kevin se afastou com o pedido dela, seu celular vibrou e ela o pegou para encontrar mensagens de .


“Quem são essas pessoas com você?”
“Tem um monte de foto nova sua no instagram”


Ela rolou os olhos. Estava curtindo o momento demais e não queria encheção de saco. Nem Grace, Peter ou até mesmo Pamela se preocupavam com o que diabos ela fazia, quem era ele e sua curiosidade?
Kevin voltou e ela guardou o celular de volta no bolso.
— Uma dose de Bán Poitín para cada. — cantarolou e colocou os copos na mesa em frente a cada um.
Damian, um moreno de olhos azuis, esfregou as mãos uma na outra, criando expectativa. Ele era, sem um pingo de dúvidas, o mais bonito da mesa, mas os outros não ficavam pra trás.
— Você primeiro. — Jack disse para ele.
— Não… todos juntos! — sugeriu e deu uma piscadela para a única mulher da mesa.
assentiu e pegou seu copo, todos imitando-a em seguida. Ela foi a primeira a virar.
Tudo ardeu. A garganta queimou pra caramba, há tempos ela não sabia como era aquela sensação, mas continuou virando. Quando terminou, bateu o copo na mesa e fez careta.
— Ergh.
— Santa Mãe de Deus! — Connor reclamou.
— Parece doce. — Killian se gabou e rolou os olhos.
— Então termina o meu. — Jack escorregou o copo pela mesa até o amigo.
— Você já foi mais hardcore. — Killian riu e pegou o restante, mandando para dentro como se fosse água. arqueou a sobrancelha e assentiu.
— Que tipo de magia é essa?
— Magia “eu bebo seis dias da semana” — Connor zombou e o outro apenas negou com a cabeça, rindo.
O celular vibrou mais uma vez e ela caiu na mesma bobagem de olhar.


“São fãs? Não parecem fãs… Você tá tão relaxada, parece estar entre amigos :) fico feliz que esteja curtindo a viagem”

Merda, , merda…
Por isso diziam que quanto mais mexia em merda, mais fedia.
Ele tentava consertar ao ver que ela o ignorou e só pagou mais mico.
— E então, ? Topa mais uma rodada de Bán Poitín conosco? — Jack convidou, tendo a atenção da modelo de volta, que pôs o celular no modo “não pertube” e o colocou de volta ao bolso.
— Mas é claro! — sorriu.

We found weekend jobs, when we got paid
We'd buy cheap spirits and drink them straight
Me and my friends have not thrown up in so long, oh how we've grown
But I can't wait to go home


Oliver sentou-se na cama e esfregou a toalha nos cabelos para secá-lo. Havia acabado de sair do banho quente e por ele ficaria mais tempo no chuveiro, pois lá fora fazia frio e ele não era o maior fã.
Estava pronto para se enroscar debaixo das cobertas mais uma vez e prosseguir a maratona Marvel sozinho, quando seu celular tocou. Ele levantou-se e pegou o aparelho no criado.
.
O quê diabos o garoto poderia querer com ele?
— Oi, ! — atendeu.
Oliver! Tudo bem? Como vai a viagem?
— Ótima! — mentiu e soltou um suspiro, mas seu tom de voz não enganava nem a si mesmo.
Ah… — Oliver agradeceu aos céus que era educado demais para não perguntar. Obviamente o garoto devia saber da situação, confiava bastante nele e era meio impossível não explicar a viagem de última hora pra Irlanda com ele. — você sabe do paradeiro da ?
— Ela saiu há pouco, foi a um… — ele calou-se. Se a própria não havia contado, por que ele deveria?
Um…?
— Não sei se é da minha conta te dizer. — ela claramente não gostaria disso.
Eu sei onde ela está. Eu vi na internet. Eu só queria saber com quem ela está. Você por acaso os conhece? Digo, agora ela tem que ser mais cautelosa e tal…
Oliver suspirou.
Ele estava fazendo tudo errado.
Será que ele não entendia que ela não gostava de ninguém cuidando da vida dela? Ela era uma pessoa livre e independente, que quanto mais presa ficasse, mais escaparia entre os dedos da mão.
— Eu não vi nada, não sei…
Você não tá com ela?
— Ahn… Não? — soou como uma própria pergunta. Devia estar? Será que suas companhias tinham uma aparência tão preocupante assim?
Por que você não vai dar uma olhada? Estou preocupado, afinal ela é uma celebridade e tal… Acho que ela ainda não se acostumou — riu. — ela pode se meter em problemas…
Oliver suspirou e colocou a mão na testa.
, acalme-se. Ela já sobreviveu a anos de bebedeira, ela sabe lidar muito bem.
Mas agora ela está mais famosa do que nunca, uma figura pública! Ela tem que pensar na imagem dela e…
Será que era aquilo que Victoria e David ensinavam a ele? Ou…
Só podia ser.
— Você tá com ciúmes?
Não, não estou! — sua voz soou brava e Oliver segurou o riso. Típico pisciano.
— Deixa a menina viver… — comentou.
não respondeu nada, muito menos ele disse mais alguma coisa. A linha ficou muda por vários segundos, minutos talvez.
Por que você tá tão quieto? questionou, estranhando o comportamento do homem. Oliver era a agitação em pessoa. — geralmente você faria uma brincadeira, me zoaria.
O psicólogo suspirou.
— Eu não te conheço o suficiente para falarmos sobre isso.
Bem, você conhece minha namorada… é o melhor amigo dela e você gosta de mim ao ponto de ter encorajado-a a me namorar e tudo mais, quando ela estava insegura sobre relacionamentos e etc, então isso deve ser motivo o suficiente para você confiar em mim. — Oliver mordeu os lábios. confiava nele mais do que ele imaginava. Como ela havia contado tudo aquilo pro ? Santo Jesus, ela havia mesmo mudado. — vamos lá, me deixa ser seu amigo. — encorajou.
Oliver suspirou e disse a si mesmo que era um erro, mas já não aguentava mais guardar aquilo dentro de si.
— Eu não sei… parece que o mundo está caindo debaixo dos meus pés, nada faz sentido. Eu quero estar aqui, mas quero sair correndo daqui. — suspirou. — eu não aguento ficar na casa dos meus pais, e a nem queria sair de lá. É tudo muito conflitante.
Sinto muito pelo divórcio. Se eu puder ajudar de alguma forma…
— Não há nada a fazer. Eu não sinto nada pelo divórcio, eles já tinham problemas há anos… quando eu morava aqui, ficava rezando pra eles separarem porque eu não suportava mais as brigas, a culpa, o clima… Acho que é um alívio que isso esteja acabando.
Nunca imaginei que fosse ouvir alguém dizer isso, mas… o mundo é realmente grande, não? — riu fraquinho.
Bem, aparentemente ele nunca havia presenciado uma crise -Bradshaw para ver desejando o mesmo dos pais. Tanto que com o tempo, ela aprendeu a ficar indiferente assim como eles eram. Não eram um casal, mal se falavam. Então ela aprendeu a lidar com o fato de que tinha pais diferentes de todos os outros colegas… Mas aquilo também não era da conta do enquanto não decidisse ser.
— Meu filho, você ainda não viu nada. Quando você chega perto dos MacLeese ou , tudo é possível. — riu.
Pois é… estou percebendo. Toda essa coisa com o Benjamin e tal…
— Ah! Isso então, nem se fala. — suspirou.
A cada segundo ficava mais surpreso com o quão aberta era com aquele garoto. Não estava acostumado com aquela versão da amiga quando se tratava de relacionamentos.
— Tá ficando bem tarde, acho melhor ir lá conferir como ela está. — disse, sem saber ao certo por que havia concordado com o garoto. Talvez pelo fato de que ele sabia demais.
Obrigado, cara. Eu queria vê-la bêbada, deve ser engraçado — riu do outro lado da linha e Oliver acompanhou.
— É bem legal. — parou de rir para lembrar-se de algo importante. — e, ?
Sim?
— Fica esperto. Você faz muito bem pra ela, mas sagitarianos são capazes de afeto só até o momento em que são livres. Não tente prendê-los. E ciúmes não é fofo, é feio.
E desligou antes que pudesse ouvir uma resposta. Tinha certeza que por um tempo ficaria fitando a tela do celular sem entender nada, mas depois ia captar a mensagem, porque ele era bem esperto. Escolheu a palavra “afeto” em especial para não falar amor, porque não sabia se a garota já havia chegado naquele ponto.
Ele trocou a roupa e pediu à Margret para que chamasse um táxi para ele.

I'm on my way
Driving at ninety down those country lanes
Singing to “Tiny Dancer”


Oliver desceu do táxi e caminhou com as mãos enfiadas no bolso do casaco até a entrada do recinto. Eles já desciam as persianas, então ele se apressou. Um homem já de mais idade se aproximou e fechou a porta atrás dele. O psicólogo o reconheceu como o dono dali, vivia frequentando aquele pub quando mais novo.
— Deu sorte, rapaz. Estamos fechando para a noite. Ela está fazendo todo mundo se divertir ao máximo! — sorriu e apontou para um canto do bar, onde a maior parte dos clientes estava concentrada. Oliver engoliu seco, já imaginando o que encontraria.
Ele assentiu em um agradecimento e caminhou sorrateiramente até a mesa que as pessoas rodeavam. Sentiu as palmas das mãos suarem frio, enquanto o coração acelerou e o estômago esfriou. estava sentada no tampo da mesa, banhada em suor e sem blusa, apenas de sutiã. Segurava um copo enorme de cerveja e dava gargalhadas aos comentários feitos com ela. Todo mundo vibrava à garota, quem não estava sentado ao seu redor, estava de pé rodeando-a, incluindo algumas mulheres.
Ele foi tocando no ombro de todos aqueles que estavam entre eles e pedia licença, com dificuldade fez seu caminho até a amiga.
— Oliver! Finalmente você chegou! — ela gritou e ergueu seu copo o mais alto que o braço permitiu. — um brinde a ele, pessoal!
Um coro gritou o nome do homem, que fez careta e deu um passo adiante, ficando de frente pra ela.
— Sabe, seu namorado me ligou porque ele viu fotos suas na internet ficando bêbada.
— Ah, ele que se dane! — dispensou com a outra mão, e escorregou a bunda pela mesa até a beirada e puxou Oliver pela mão até deixá-lo entre suas pernas. Ela largou a cerveja ao lado e ficou brincando com o colarinho dele.
— Namorados são bobalhões! — uma voz masculina e forte gritou aos fundos.
— Ei! Não fala assim dele! Ele é muito doce! — retrucou, gritando para o aglomerado no mesmo tom, com o dedo em riste na direção dele. — só eu posso falar assim dele. — deu de ombros. Oliver fez careta quando o bafo alcoólico da garota bateu em seu rosto e ele recuou. Também fazia muito tempo que ele não bebia. — Oliver, estou me divertindo tanto! — comemorou feito uma criança na Disneylândia e balançou as pernas — não me sinto assim há um tempão! Você se lembra de quando eu ia a Oxford te visitar? Aquilo era maravilhoso! — gritou e jogou a cabeça para trás, ele se manteve estático. Ela ergueu a cabeça novamente e consertou a postura — eu sei que eu tenho namorado, dã! Eu não estou fazendo nada de mais aqui que possa prejudicar nosso relacionamento, não é mesmo, meus amores? — completou gritando e Oliver se desviou tampando o ouvido.
— Claro que não! — um deles disse e se levantou de uma das cadeiras próximas, erguendo seu drink. Ele chamou a atenção de Oliver, que virou-se para ele no mesmo instante.
— Jack?! — gritou surpreso, sentindo as mãos suarem ainda mais. Ele deu um passo até ele, instintivamente.
— Oliver! — o rapaz retrucou e terminou a aproximar, parando na frente de Oliver. — meu pai do céu, quanto tempo! — puxou o psicólogo para um abraço de uma vez, pegando-o de surpresa e prendendo ambos seus braços. Ele ganhou vários tapas nas costas, ficou imóvel e apenas arregalou os olhos. também passou a encará-los.
— Vocês se conhecem? — sorriu.
— Sim! — Jack deu um sorriso enorme e lindo, sorriu junto.
— E os outros?
— Que outros? — Oliver finalmente voltou a falar.
— Meu Deus, é verdade! Preciso chamá-los, eles adorariam vê-lo! — Jack pôs as mãos na cabeça e saiu correndo entre todos para achar os amigos que haviam sumido para pegar mais bebida.
— Quem mais tá aqui, ? — ele voltou-se para a modelo engolindo seco. Jack também estava super chapado, aparentemente todos ali.
— Ahhhhh, Jack, — ela ergueu um dedo e foi contando o nome dos amigos do moreno na mão. — Connor, Killian e… Damian! — comemorou ao lembrar o nome do último. Oliver arregalou os olhos.
— Da-Damian está aqui?
A modelo assentiu.
— Eu mesmo! — o homem falou. Oliver sentiu um calafrio correr pelo seu corpo e virou-se para encontrá-lo atrás de si. — quanto tempo! — e o puxou para um abraço de urso antes que ele pudesse, mais uma vez, assimilar as coisas.
Ele retribuiu dando dois tapinhas na cintura dele, que era onde suas mãos alcançaram e sentiu seu coração falhar. Ergueu o olhar e se deparou com Connor e os outros dois atrás de Damian, apenas esperando ele se afastar para também o cumprimentarem do mesmo modo.
— Pera aí… — disse, coçando o queixo. Nisso, todos os outros já haviam afastado. — vocês todos se conhecem?
— Mas é claro! — Jack berrou.
— Estudamos juntos! — Damian completou. — éramos uma turma de amigos no colegial!
A modelo ficou de queixo caído.
— Acho que eu quero outro drink. — riu.
— Seu desejo é uma ordem — Jack piscou para ela e sinalizou para que Kevin se aproximasse. — manda mais uma rodada, e acrescenta mais uma pro nosso amigo Oliver aqui! — apontou para o loiro, que ainda estava completamente desnorteado.
— Eu não vou beber… obrigado. — recusou acenando com a mão, ainda meio perdido.
— Ah, vai! Deixa de ser careta. — a modelo disse, descendo da mesa ao perceber Connor e Damian puxando as cadeiras de volta ao lugar, pegando uma cadeira extra.
Quando todos se sentaram, o homem ficou de frente para a amiga, que estava entre Jack e Damian, os dois que ela havia mais gostado.
— E você, não te conheço… — Oliver olhou para o moreno a sua esquerda.
— Sou Killian, — estendeu-lhe a mão em um cumprimento. — cheguei aqui há quatro anos, para dar aulas de matemática.
O psicólogo assentiu.
Suas bebidas chegaram e a dele tinha vindo da mesma forma, o que adorou, e notou o amigo beber sem nem perceber, ou havia percebido e decidido que aquilo era demais para digerir sobriamente.
Oliver engajou em uma conversa com o novato e percebeu algo diferente ali entre todos eles. O clima de gritaria para seu mini strip-tease havia cessado e retornado para a reunião entre amigos. Damian observava os dois com um olhar inusitado.
— Qual é a história? — a modelo perguntou para ele, deslizando o dedo pela boca do seu copo. Ele se virou e a encarou de cima a baixo.
— Oliver e eu? — ela assentiu. — a gente já namorou. — arqueou as sobrancelhas levemente.
— Uau, e ele deixou um peixão feito você passar? Estou precisando trocar umas ideias com ele… — Damian caiu na gargalhada, chamando a atenção dos outros que logo voltaram às suas conversas paralelas. Ela deixou o corpo escorregar e cruzou os braços, se tapando da rajada de vento frio que passou ali. O corpo estava começando a esfriar e sua blusa e casaco haviam desaparecido.
— Nós terminamos tranquilamente… — suspirou e imitou a modelo, cruzando os braços sobre o peito. — foi quando ele passou em Oxford… ele me chamou para ir com ele, mas eu não tinha passado, tinha sequer aplicado, não me via fora daqui, amo essa cidade, e seria muito injusto da minha parte prejudicar a carreira dele, o seu futuro, por causa de um relacionamento… ainda mais quando ele era um dos poucos aqui que almejava aquilo… então concordamos que o melhor seria terminar amigavelmente. — sorriu tristonho, sendo pego por inúmeras memórias — Connor era o melhor amigo dele, então nos aproximamos para apoiar um no outro para superar a sua partida, e então acabamos ficando juntos… estamos até hoje — ergueu o olhar e sorriu para o rapaz do outro lado da mesa, que conversava com Killian e Oliver descontraidamente, sem perceber que o encaravam, e também sorriu.
— E o que Oliver acha disso? — apoiou o cotovelo na mesa e o rosto nas mãos — o ex-namorado e o melhor amigo dele juntos?
— Ele é uma pessoa muito compreensiva, apoia bastante, será nosso padrinho de casamento quando a lei permitir, se Deus quiser, em breve. — sorriu para a garota. Ela o imitou. Sentia-se constantemente contagiada pela alegria e boas vibrações das pessoas ali.
— A lei aqui não permite casamento do mesmo sexo? — chiou e o sorriso sumiu de seu rosto. Era triste ver como tudo ainda era tão retrógrado.
— Só união civil, por enquanto. Mas houve um referendo em maio e a votação a favor ganhou, Oliver até tentou vir aqui rapidamente só pra votar, mas não pôde, contratempos no trabalho… só falta a lei ser aprovada. Estamos nos programando para o casamento acontecer em janeiro.
— Que lindo! — ela lamuriou, feliz, seus olhos brilhando ao ver a alegria da conquista no olhar de Damian. Merda, estava bêbada pra porra. — eu nunca me vi casando até conhecer esse cara… ele é tão especial!
Damian estendeu a mão e limpou as lágrimas dos olhos dela.
— A gente nunca vê certas coisas até o momento certo, até a pessoa especial chegar. — sorriu confortando-a. Não estava sóbrio, mas também não estava se debulhando em lágrimas igual a ela. — eu nunca achei que meu país chegaria a esse ponto, ele é tão católico… sabe, eu sempre soube que eu era gay, então é um sonho recente também. Bem, você está mais do que convidada para o casamento, e traga sua pessoa especial também, adoraria conhecê-lo.
sorriu e assentiu, deitando a cabeça no ombro de Damian, que acariciou seus cabelos.
— Eu adoraria, será um prazer. — ela afastou suas próprias lágrimas. — eu acho que eu amo casamentos. — deu de ombros e riu, Damian acompanhou. — mas então, estávamos falando sobre Oliver! — se levantou e já não chorava mais, apesar de estar com o rosto inchado e vermelho.
— Certo, onde foi que eu parei? — esfregou as mãos, animando-se.
— Você não me disse por que ele tentou Oxford. Por que ele não ficou por aqui, perto de vocês? — pôs a mão no queixo. Quando Damian abriu a boca para responder, ela ergueu o dedo em riste e o impediu — mas antes, vou ao banheiro. Não cabe mais cerveja aqui — apontou para sua própria barriga.

And I miss the way you make me feel, and it's real
We watched the sunset over the castle on the hill
Over the castle on the hill
Over the castle on the hill


— Oliver tinha problemas em casa com os pais, então ele deu duro para ser aprovado em uma boa universidade fora daqui, pois assim eles não poderiam impedi-lo ou pensar que ele estava fugindo, tentarem segura-lo e tal, porque afinal, era Oxford.
— Mas você ficou!
— Não se deve prender aquele que ama — sorriu docilmente — ainda mais quando é para o bem maior. Olhe aonde ele chegou! PhD em psicologia. Ninguém aqui já chegou tão longe assim. — sorriu com orgulho. — ele é uma inspiração.
— Mas por que ele fugiu? — ela chiou. — não entendo.
Damian suspirou e colocou as mãos na mesa.
— Sabe, os pais de todos nós lidam bem com o fato de que namoramos rapazes, a cidade em geral lida bem. Mas os MacLeese não, Martin principalmente. Aquela loirinha era a única que aceitava e defendia, foi por isso que ela o acompanhou.
sorriu. Sempre soube que Brittany era uma pessoa iluminada. Tinha tanto orgulho dela… Queria ser um terço da pessoa que ela foi.
Mas se os pais dele não aceitavam o próprio filho…
Puta que pariu.
Era por isso.
Era esse o motivo que Oliver estava passando dificuldades. Por isso seus pais pararam de lhe dar dinheiro. Deviam pensar que ele estava estável e com o divórcio não se dariam o luxo de bancar o garoto independente fora de casa.
Ela corrigiu a postura instintivamente. Precisava encontrar uma maneira de contar aquilo a Oliver… Ou não. Talvez ele não devesse saber, não precisasse. Talvez ficaria melhor sem saber outra maneira que os pais haviam encontrado de renega-lo.
Damian deixou a garota afundar em seus pensamentos e entrou no papo de Killian e Oliver.
pegou seu celular e ficou encarando para a foto de fundo de tela. Ela e em Wiltshire, na casa de sua mãe que tanto a amava e apoiava, apesar de todos os seus problemas.
Ela não imaginava sua vida sem Pamela, Peter, e até mesmo Grace. Riu com o próprio pensamento, tendo certeza que tudo era culpa da bebida.
Ela precisava de ajuda. De alguém para clarear seus pensamentos… Mas não sabia a quem recorrer naquele momento. Pam? Não. Peter? Pior ainda… Estava sozinha. Ninguém compreenderia. Nenhum deles tinha a vida atolada de problemas e conflitos como ela e Oliver.
Uma mensagem de Peter chegou naquele instante. A garota franziu o cenho, era madrugada e na Dinamarca ainda era uma hora a mais. Mas era bem típico do pai passar o dia e noite trabalhando.
Ela abriu e deparou com imagens dele ao longo do dia. Estava sempre sorrindo, um sorriso genuíno e alegre, não era de fachada como aqueles que ela cresceu vendo-o dar para entrevistas, fotógrafos e mídia. Abriu uma por uma e quis estar com ele. Peter na praia, Peter em uma reunião, Peter dando palestra, Peter em um jantar. A da praia era sua favorita, ficou encarando-a por um bom tempo, observando todos os detalhes. As pedrinhas, o sol se pondo, as pessoas ao fundo, uma mulher ruiva próxima e outro casal também.
— É a minha mãe? — ela entregou o celular para Oliver, mostrando-lhe a foto. Antes que ele pudesse se ligar no que ela dizia, ela puxou o celular de volta — esquece, estou vendo coisas. É da bebida… — soltou um muxoxo. Têm tanta ruiva no mundo… — riu, bocejando em seguida.
Tinha terminado pelo dia. Logo seria um dia novo, cheio de novas oportunidades.
— Quer ir embora? — o psicólogo perguntou para a modelo sonolenta, que negou.
— Não, aqui tá muito bom.
— É, Oliver, aqui tá ótimo. — Jack riu.
— Não se preocupe, podemos entregá-la sã e salva para você mais tarde — Connor completou e ela assentiu, gostando da ideia.
— Você está praticamente dormindo em cima da mesa, . — ele se levantou e deu a volta, colocando a mão no ombro dela.
— Não tem problema, eu durmo…
— Você devia ir… amanhã é um novo dia, podemos repetir a dose, se quiser. — Damian propôs com um sorriso.
— Gosto disso. — ela assentiu e Oliver conseguiu fazê-la levantar-se e apoiar-se nele.
— Ótimo, está marcado então. É bom que chamaremos o resto da turma para que possam conhecê-la.
Ela assentiu novamente, enquanto os outros acenavam, despedindo.
— Tchau, Damian. Adorei te conhecer. — ela disse e ele assentiu, agradecendo.
— Eu também.
E então, Oliver a levou.

7 de julho de 2015, Conriston, Irlanda


— Acorda, !
Oliver a sacudiu mais uma vez, gritando, decidido que seria a última tentativa. Ela abriu os olhos de uma vez e deu um pulo na cama, puxando a coberta instintivamente.
— Porra, Oliver. — resmungou, coçando os olhos e voltando a se deitar. — o mundo tá acabando?
— Não! Mas o café sim! Já são quase nove, daqui a pouco ela para de servir. — deu as costas e voltou para o banheiro, escovando os dentes.
— Você me acordou só pra isso? — chiou, puxando a coberta acima da cabeça, ficando no escurinho quentinho.
— Foi, se não você não vai comer!
— Me deixa dormir mais, eu tô um caco, Oliver. Depois eu compro lanche.
— Eu esqueço que você pode — riu e ela o ouviu cuspir — eu sei que está quebrada. O que se lembra de ontem?
— Que eu estou com sono. — choramingou. — depois a gente fofoca, vai.
Ele puxou a coberta dela mais uma vez pelos pés e ela coçou os olhos. Não era daquela vez que conseguiria mais algumas horas de sono…
— Certo. — resmungou e sentou-se. — você tem minha atenção agora. Ou parte dela.
— O que se lembra de ontem?
— Pouco… — mais pelo fato de não ter tido tempo de assimilar as coisas do que pela bebida. Tinha várias memórias flutuando em sua mente, apenas misturadas.
— Seu macho tava atacado de ciúmes. — falou de longe, enquanto trocava de roupa.
— Não me diga. — resmungou e rolou os olhos, procurando pelo seu celular e não o encontrando. — não estou aguentando mais isso… qualquer hora eu corto as asinhas dele.
Oliver assentiu, e sentou-se na beirada da cama, já pronto para saírem.
— Eles tentaram me juntar com o Killian. — confessou em um murmuro.
ficou o encarando enquanto tentava lembrar do rosto de Killian.
— Ah… ele era bonitinho. Todos eles na verdade. Damian, hein? Uau, que peixão. Nunca namorei um peixão igual à ele. — ela engatinhou até o amigo e lhe deu uma cotovelada, rindo. Ele também deu uma risada fraca. — mas você o beijou?
— Não. Eu não estava no clima… — suspirou e ergueu o olhar até a garota, fitando seus olhos azuis. — ontem foi tão bom, ! Faz tanto tempo que eu não me divertia assim!
— Acho que eu usei essa frase com você primeiro. — coçou o queixo, mas abriu um sorriso enorme depois, e se jogou de braços abertos no amigo, envolvendo-lhe pelos ombros. — fico tão feliz.
— Usou sim, é por isso que eu estou repetindo-a em você. — acariciou os braços da modelo, retribuindo o afeto.
— E olha que você só ficou um pouquinho com a gente… Consegue imaginar o que eu fiz antes? Meu Deus, eu arranquei a blusa. — riu e bateu a mão na testa. — pros seus amigos gays.
— Jack não é gay.
— Não acredito. — ela sentiu um frio na barriga e se jogou no colchão, tampando o rosto. — eu estava totalmente na dele e saí e… Céus! — Oliver riu. — se eu fosse solteira…
— Seria uma noite melhor? — sugeriu.
ergueu o tronco e apoiou-se com os cotovelos, fitou o amigo.
— Não sei… As noites com valem a pena. — deu de ombros.
Oliver ficou de queixo caído.
— Ai. Meu. Deus. Você está apaixonada pelo ! — gritou.
A modelo arregalou os olhos e sentiu o queixo cair devagar.
— É o quê?
— Você! Apaixonada! — ele tampou a boca. — por !
— Não estou! — bateu no colchão.
— Está sim! — a acusou, estendendo um dedo em riste no seu rosto. Começou a dar pulinhos na cama e a bater palmas. — eu não acredito.
— Ah, Oliver! Para com isso! Eu já disse que não!
Levantou-se de uma vez e pegou seu travesseiro e jogou no homem, que o abraçou e rolou na cama, rindo. pegou o outro e começou a bater nas costas dele, que não parava de rir. Ela logo também começou a rir e subiu em cima do amigo, que se virou e defendeu-se com o outro travesseiro. Ela parou de atacar, sem fôlego, e sentou-se na barriga dele.
— Santa mãe de Deus! — ela suspirou, colocando a mão na testa, digerindo aquele fato. Ainda não sabia ao certo o quê fazer com ele.
— Olha ela, já aprendeu a falar que nem uma verdadeira irlandesa! “Santa mãe de Deus!” — imitou e a garota balançou a cabeça, descrente, e calou a boca do amigo com o travesseiro pela última vez, sentindo o coração desacelerar.

One friend left to sell clothes
One works down by the coast
One had two kids but lives alone


— Não vai acompanhá-lo hoje?
sobressaltou-se e virou para ver Margret ao seu lado, também observando Oliver do lado de fora esperando o táxi.
— Vou sim… só estou pensando… em problemas da vida… — falou incerta, dando de ombros. — descobri algumas coisas, não sei se deveria contá-lo… — se abraçou.
Margret deu um passo à frente e pôs a mão no ombro da modelo.
— Segredos são como… — parou para pensar — suponhamos que você ganhou uma barra de chocolate e seu amigo ama chocolate, mas você a escondeu dele para não ter que dividir.
ficou a encarando, tentando entender.
Era o melhor para ele? Ou até mesmo para ela? Ser egoísta?
Não… porque uma barra só não faz mal…
Saber a verdade era o direito dele.
— Obrigada, Margret. — abaixou a cabeça.
— Por nada. Geralmente dou metáforas às pessoas e elas decidem o quê fazer. — deu de ombros e riu.
O táxi estacionou em frente à pensão e Oliver se virou, chamando a amiga. Ela saiu da janela, despediu-se da senhora e entrou no carro com ele.

One's brother overdosed
One's already on his second wife
One's just barely getting by
But these people raised me and I can't wait to go home


— Antes de entrarmos, — freou Oliver quando ele estendeu a mão para abrir o portão do castelo. Ele abaixou a mão e ficou a encarando. — eu preciso te contar uma coisa.
Oliver deu um passo para trás, enfiou as mãos no bolso e a fitou.
— O quê?
Ela suspirou.
— Eu tenho alguns motivos para achar que seus pais pararam de mandar dinheiro para você só por causa da sua escolha sexual.
O imitou, fazendo a mesma pose e mordeu os lábios. Oliver arregalou os olhos e arqueou as sobrancelhas, mas ficou assentindo repetidamente. Seu peitoral havia esfriado, como se o ar estivesse rarefeito.
— Como você…?
— Não vem ao caso… — chutou umas pedrinhas, evitando mencionar que Damian havia lhe contado uma coisa ou outra que ele não havia feito.
!
— Tá! — suspirou e rolou os olhos. — eu vejo que você ficou inconfortável aqui, não quer ficar perto dos seus pais… Damian me disse sobre vocês, Oxford e tal… Não o culpe, Olie. Ele não fez por mal. — o rapaz assentiu, para a surpresa da garota. — você tá ok com isso?
— É… acho que era hora de você saber algumas coisas… — deu de ombros. — coisas que eu não tinha coragem de contar. — repetiu o gesto.
— Oliver MacLeese! — riu — não acredito que pediu Damian para me contar!
— Claro que não! — se defendeu, falando mais alto, erguendo os braços. — mas ele me conhece bem demais… todos sabem do divórcio… não é muito difícil assimilar as coisas. Ele viu que você veio comigo e entendeu que era pra ajudar… — suspirou — Sabe, eu deveria ter percebido isso antes. — assentiu, erguendo o olhar até o céu nublado. — eu preferia dizer a mim mesmo que eles pararam de me mandar dinheiro por causa do divórcio, por causa da disputa de bens e… — bufou. — enfim, é isso.
— Oliver?
Um vozeirão passou pelo ouvido dos dois, e eles viraram a cabeça juntos em direção ao som, à entrada do castelo.
Martin MacLeese estava vestindo um terno, engravatado e segurando um guarda-chuva, saindo de casa para ir trabalhar. Seu carro estava parado logo atrás dele. percebeu aquilo e pensou que deveria ter colocado maldade antes. Virou-se para o amigo e o percebeu pálido.
Caminhou até ele e entrelaçou seus dedos, notando a palma de sua mão suar frio.
O rapaz sentia o coração na garganta.
— Pa-pa… Martin. — engasgou e se corrigiu. franziu a testa e virou a cara para o senhor, que agora caminhava na direção deles.
Você não está sozinho. — sussurrou em seu ouvido, apertando ainda mais sua mão, dando-lhe força.
Quanto mais perto o senhor MacLeese chegava, mais compreendia o medo que todos pareciam ter dele. Ele tinha um rosto estranho, amassado, mas não de rugas, e cara de poucos amigos. Ele parou atrás do portão, a centímetros deles, e virou para a modelo, estreitando os olhos.
— E você… é aquela amiga da Brittany. — falou firmemente.
A modelo assentiu.
— Sou, senhor.
Uau! Como havia saído algo educado daquele jeito quando tudo que ela queria era não ser educada?
— A que levou-a para o mau caminho… — ele riu com deboche, balançando a cabeça negativamente, enquanto tirava o cadeado do portão e abria para eles.
ficou de queixo caído, a boca aberta em um perfeito e enorme “o”, impressionada com aquele homem. Oliver sentiu o sangue ferver e deu um berro.
— Pai! Não tem nada disso! — falou, já dentro da propriedade.
A modelo ainda não conseguia pensar em nada
Mau caminho.
Mau caminho.
Mau caminho.

Aquilo vibrava em sua cabeça.
Má influência.
Má influência.
Má influência.

Era assim que os MacLeese a viam? Justo eles, tios da pessoa que ela mais amou na vida? O que será que passaram a pensar da própria Brittany quando ela fugiu com Oliver? Será que ali já não deveria ser um “mau caminho”, no ponto de vista deles, que tinham um cérebro do tamanho de uma semente de girassol?
POR QUE A PORRA DA CULPA ERA SEMPRE DELA?
Por que ela sempre causava os problemas?
Onde. Quer. Que. Fosse.
Ela não percebia nada ao seu redor, a visão falhava e as auras similares às de enxaquecas tomaram conta. Pontinhos luminosos, tudo piscava. Só sentiu alguém abraçar-lhe.
— Oliver… — ela sussurrou.
Mais aquilo… Era ela quem supostamente deveria estar cuidando do amigo, não ele dela, mais uma vez. Sentiu o homem sentá-la em um local próximo. Ela pôs as mãos na cabeça, depois coçou os ouvidos e sentiu o rapaz se afastar e bater boca com o pai, mas nada era entendível… Tudo chiava. Tudo estava fora de ordem.
Como que aquele velho ousava falar de Brittany com ela e implicar que ela era o problema pelo “mau caminho”.
E que porra de mau caminho era aquele? Brittany era um anjo. O melhor de todos. A pessoa mais pura e iluminada que ela já tinha tido a honra em conhecer.
Ela aos poucos abriu os olhos e destampou os ouvidos, encarando Oliver e Martin gritando um com o outro na sua frente, os olhos do amigo completamente vermelhos e marejados.
— Eu não sou seu pai! — Martin berrou, esticando o dedo para o psicólogo.
Aquilo foi a epítome para a sua ira.
Ela não soube de onde tirou tanta força, mas se pôs de pé e entrou na frente do amigo, e com os braços para trás, o segurou.
— Quem você pensa que é para falar essas coisas? Deve se achar um Deus. — ela riu sarcasticamente, o olhando de cima a baixo. — Oliver é uma pessoa maravilhosa. Você deveria se orgulhar por ter um filho tão único como ele. Você tem ideia de quão injusto você é, sendo homofóbico com seu próprio filho? — gritou. — porque ele continua sendo o mesmo Oliver que você criou e educou, a preferência sexual dele não muda nada nele!
A cada instante, ela berrava ainda mais alto, sentindo tudo dentro de si querendo explodir. Seu coração parecia que não aguentaria, e isso a fazia pensar no seu pai. Ia morrer de problema cardíaco enfrentando gente com um miolo no lugar de cérebro, tendo um pai cirurgião cardiotorácico, há quilômetros de distância, impossível de ajudar.
Ela não notou como ou quando, mas todas as criadas estavam espiando da entrada do castelo, cada uma expressando sua surpresa de maneira diferente. Bridget foi a última a chegar, que saiu correndo de dentro do castelo com a bola de pelo amarela correndo atrás dela, todo alegre. Oliver se abaixou e chamou pelo cachorro, sorrindo ao pegá-lo em seus braços. Poppy lambeu todo o rosto do rapaz, e observou àquela cena sentindo uma alegria enorme crescer dentro de si, ainda assim, não o suficiente para acalmar-se. o puxou do chão, ajudando-o a ficar de pé e passou o braço ao seu redor.
— Vamos, Olie. — o puxou em direção à saída, dando uma última olhada às criadas, procurando Ciara, querendo ver sua reação e talvez acenar um adeus, mas não a encontrou, e depois virou-se para Bridget. A senhora estava pálida e com a mão na boca, mantendo uma distância considerável de Martin. — sabe, você está se fazendo um enorme favor divorciando-se dele. — indicou com o queixo para o mais velho. Ela suspirou e soltou Oliver, que continuou caminhando rumo ao portão com Poppy no colo. fez o caminho contrário, indo até a mãe dele. — eu sei que você ama seu filho, percebi em cada gesto seu com ele ontem. — sussurrou, para que apenas ela ouvisse. — mas ele não sabe disso, porque você está deixando Martin te ofuscar. Jamais deixe que alguém te oculte novamente. Você é uma mulher poderosa e forte, Brittany falou coisas maravilhosas sobre você para mim e Oliver o fez também. Ele a ama ternamente e eu sei que você também sente isso por ele. Então não deixe ele ou qualquer coisa entrar no caminho do seu amor novamente… — finalizou, dando alguns passos para trás. — Nunca é tarde para ganhar o perdão. — ela falou alto e também encarou Martin, depois estalou a língua, se virou e seguiu o amigo.
Ele já estava dentro de um táxi, aguardando-o com Poppy. sorriu ao observá-los, não havia tido tempo para comemorar a presença do cão e matar saudade. Ele era uma extensão de Brittany e só de tê-lo por perto já tornava tudo mais leve.
— Ei, espera! — ouviu gritarem atrás de si e ela se virou, prestes a entrar no táxi.
Viu os cabelos ruivos de Ciara balançarem ao vento, enquanto ela corria em sua direção com uma caixa enorme em mãos. — aqui, as coisas do Poppy… estou juntando tudo há dias! Tem um restinho de ração, deve dar até vocês chegarem em casa… coloquei a caminha dele e os brinquedos também… — suspirou, cansada da correria. ergueu o olhar até ela.
— Muito obrigada, Ciara. — ela sorriu e pegou a caixa das mãos da garota, que deu um suspiro. — sinto muito que eles coloquem vocês no meio disso. Se algum dia tiver interesse em ir para Londres, tenho certeza que adoraria tê-la por perto. — piscou.
Os olhos da menina brilharam, mas ela abaixou a cabeça e negou.
— Muito obrigada pela oferta, senhorita…
, eu já disse… — corrigiu.
! — riu — mas preciso ficar… ajudar em casa… tenho dois irmãos mais novos, pais bem doentes, não podem trabalhar… e aqui é minha casa. — suspirou, dando de ombros.
assentiu. Era um problema maior que ela conseguia compreender. Mas tinha a capacidade de ajudar. Provavelmente nunca mais veria a garota, não tinha dinheiro ali…
Colocou a caixa no chão aos seus pés e levou as mãos à nuca, soltando a corrente de ouro rosado da Tiffany & Co., depois tirou o anel de seu dedo e puxou as mãos de Ciara, colocando-os dentro dela e fechando em seguida.
tentava ao máximo não se apegar a objetos, mas às vezes falhava consideravelmente. Aquele conjunto lhe representava a vida. Era como se estivesse se afogando, até ser socorrida. O momento em que recebeu uma das melhores notícias da vida, uma das mais simples, porém significativas. Tinha uma oferta de emprego… poderia ser uma babá de novo. Sairia da isolação do seu quarto.
Havia comprado-o no dia em que recebeu aquela notícia. Usava bastante.
Mas seria mais importante em outras mãos.
— Eu não posso aceitar… — choramingou.
— Pode e vai. — determinou. — venda-os para Martin… darão um bom valor para ajudar com seus pais. — sorriu e pediu o taxista para abrir o porta-malas, colocando a caixa de Poppy lá atrás, depois entrou no táxi, sentando-se ao lado de Oliver. — obrigada por ter tomado conta dele.
— Eu que agradeço. — indicou sua mão.
apenas deu um sorriso leve e acenou, enquanto o taxista arrancou com o carro. Ela se virou para o amigo sorrindo e pegou o cachorro de seus braços, dando um abraço e conversando com ele.
— Você definitivamente é borderline… — ele falou, meio assustado. ergueu o olhar até ele e franziu a testa.
— Ué, ainda tinha dúvida? Até eu achei mais convincente do que tudo que já me disseram antes… Cem por cento convencida, na verdade… Achei que ia ficar fora disso.
— É verdade, me desculpa. — abafou com a mão e passou a encarar a paisagem pela janela.
— Não! Por favor, fique o máximo que puder. — riu — mas por que disse aquilo?
— Você foi totalmente impulsiva. Não vou dizer que não adorei o que você disse, mas… Que coragem… Uau. Você se levantou e booom! — imitou uma bomba com o barulho e gesticulou com as mãos. — e depois faz uma coisa… imprudente, ou melhor, ousada com o colar e tal.
— Não foi imprudente. Eu fiz de coração… Você sabe que eu gosto de ajudar as pessoas, faço isso há tanto tempo, tudo que cabe às minhas mãos… Make-A-Wish e tal…
— É verdade… Mas eu sei o quanto eles significavam para você. — deu de ombros.
— Quê? Como? — gritou, assustando o cachorro que pulou de volta no colo de Oliver.
— Você foi lá em casa me dar o meu presente de aniversário atrasado no mesmo dia que o comprou. Você me mostrou o colar que já estava usando, disse que o laço de diamantes representava o laço que estava criando com a sua nova vida. Eu peguei o anel e coloquei em você, enquanto assistíamos Thor.
Ela deixou o queixo cair.
— Uau, que memória. — ela riu e ele deu de ombros.
— Faz parte do ofício.
Ela assentiu, sorrindo, e estendeu-lhe a mão. entrelaçou seus dedos, sentindo uma calmaria tomando conta de si. Efeito Brittany causado por Poppy. O cão se virou e lambeu sua boca.
— Eca. — ela reclamou, limpando com a manga do casaco, rindo.
Quando a risada cessou, ela olhou para o cachorro e lembrou-se do propósito maior.
— Eu conversei com meu pai ontem, disse para ele que ficaríamos até amanhã, porque eu achei que você fosse querer aproveitar aqui, e é o máximo que posso ficar sem atrapalhar os … — mentiu sobre a primeira parte. Era conveniente, podia perceber que uma parte dele estava realmente gostando de estar em Conriston.
— Sério, ? Isso tá sendo um inferno… — bufou.
— Tem certeza? Acho que Jack, Damian e Connor são capazes de fazerem você discordar disso… Ah, não se esqueça do Killian! — riu. Ele lhe lançou um olhar mortífero e rolou os olhos, a modelo caiu na risada. — Olie… eu acho que você pode ter aqui o seu inferno particular, assim como eu tenho o meu… mas não creio que a cidade inteira seja… só uma pessoa, talvez? — tentou. Ela tinha a sua pessoa-inferno, que havia desaparecido de uma vez por todas, mas… não podia julgar que era diferente só porque Martin era pai. Anthony a machucou. Martin o machucou. E continuaram fazendo… — Damian me chamou para uma segunda rodada hoje, lembra? Disse sobre chamar mais amigos… O que você acha de irmos? Vamos aproveitar as poucas horas que ainda temos aqui, amanhã cedo o avião dele já pode nos pegar… é, eu esqueci por conveniência de olhar as passagens. — riu. — o que me diz?
— Não há lugar como em casa… — sorriu. — até gostei de você ter deixado as passagens de lado…
— Te conheço bem também, viu? — fez cócegas nele.
— E que tal se eu te contar mais algumas histórias minhas?
— Eu adoraria! — sorriu e deitou a cabeça no ombro dele. — ligue para seus amigos, diga a eles que vamos acabar com aquele lugar hoje. — riu.
— E eu quero te levar na colina, o pôr do sol visto de lá é estonteante.
— Até que enfim! — comemorou a animação do amigo, que finalmente havia chegado.

And I'm on my way, I still remember
This old country lanes
When we did not know the answers


— Aí estão eles! — Damian gritou ao ver e Oliver entrando no pub.
Nem precisou acenar. O psicólogo guiou a amiga e seus amigos ficaram de pé para cumprimentá-los. Todos já estavam ali, eles que haviam atrasado um pouco, culpa do banho eterno da modelo.
Uma loira saiu correndo e deu um abraço apertado em Oliver, que não preveu aquilo, se desequilibrou e quase caiu, rindo.
— Meu Deus, como eu senti sua falta! Por que não me disse que estava na cidade?
Ele suspirou.
— Aparentemente ele não ia dizer pra ninguém. — alguém comentou.
— Senti a sua falta também. — ele retribuiu o abraço e depois se afastaram.
— Ok, agora seja um bom garoto e me apresente à sua amiga. — ela sorriu para e acenou.
A modelo deu um passo a frente e estendeu a mão para cumprimentá-la, mas a irlandesa a puxou para um abraço igual o que deu em Oliver.
, essa é a Saoirse, a garota que me fez descobrir que eu era gay instantaneamente quando eu a beijei. — riu.
— Oliver! — repreendeu.
— Ah, relaxa, nós somos muito bem resolvidos — dispensou com a mão, ao soltar-se do abraço. — e eu sei quem você é.
— Quem não sabe? — um homem elegante disse, parando atrás da loira com a mão na cintura dela.
— Esse é o Emmett, o marido dela. Ele casou uma vez, assim que formamos no ensino médio. — riu.
O moreno estendeu-lhe a mão e retribuiu o cumprimento.
— Não duramos um ano juntos. Prazer em conhecê-la.
ergueu as sobrancelhas e riu.
— O prazer é meu. Estou adorando conhecer os amigos do Olie. — sorriu.
— Eu também! Digo, nunca estive tão perto de uma celebridade antes. — riu e o achou charmoso. Formavam um belo casal.
— Emmett! — Saoirse repreendeu, dando um tapa em sua barriga. — deixe a garota se sentir normal.
— Ah, tudo bem — dispensou. — isso é o normal pra mim, eu cresci assim — deu de ombros e fez careta. — era entediante, às vezes… agora eu acho divertido, estando por conta própria e tal… enfim, é quem eu sou.
Eles não piscaram por um momento sequer.
— Ela me parece muito bem resolvida, também. — Emmett comentou ao ouvido da mulher, mas alto para que todos ouvissem.
— Ela é. Você nem imagina — Oliver fez careta e rolou os olhos. — vamos aos próximos… Meu Deus, Niall! O que faz aqui? — ele disse alto e abraçou o rapaz, dando tapas um no ombro do outro.
— Eu poderia te perguntar o mesmo, mas eu já sei a resposta porque é a única coisa que falam por aqui…
Oliver mordeu os lábios.
— Sim, mas hoje é uma noite para esquecermos isso. — deu de ombros e virou-se para trás, puxando . — ok, , esse é Niall. Ele se mudou pra Cork assim que formamos pra abrir uma loja de roupas.
— Amo roupas. — a modelo comentou ao abraçá-lo.
— Eu sei! Quem sabe eu poderia ter uma foto sua na loja?
— Definitivamente! — ela assentiu. — depois mande-me algumas por Oliver, posso pedir para fotografar.
é o namorado dela, ele ama fotografia — Oliver explicou.
, né? Meu Deus, vou à falência. — deu um tapa na própria testa. — quanto seria isso?
— Pra um amigo do Oliver? — riu — nada, ué.
— Ai meu Jesus Cristo, eu amo essa garota. — comentou com o psicólogo.
— Todo mundo ama. — riu e a puxou para o próximo. — Esse é o Garrett. Ele é pai de um casal, eles são muito fofos. — falou. A garota estendeu-lhe a mão e ele a cumprimentou com beijos na bochecha. — Gary, ela ama crianças.
— Já fui babá de tantas… — ela suspirou, rindo.
— Vou te dar os meus, aqueles capetinhas… Você não durava duas horas com eles… — pegou o celular e mostrou uma foto dos dois na maior bagunça com tintas para a modelo, que sorriu.
— Parecem adoráveis. Já lidei com alguns assim. — deu de ombros. — adoraria conhecê-los. Onde estão?
— Com a mãe. — suspirou.
— Em casa?
— Sim… mas tecnicamente, não é minha… somos separados.
— Ah! — fez careta, com pena. Ele parecia ainda não ter superado. Tocou-lhe no ombro e ofereceu um sorriso murcho.
— Ok, , esse é o Jack, que você já conhece. — Oliver apontou.
— Tive a honra — sorriu e ele a puxou para um abraço.
— Ele trabalha na lanchonete do Damian, de frente para a praia.
— Falando em Damian… — o próprio apareceu e agarrou a garota, tirando-a do chão e a rodando no ar. Ela gargalhou.
— Ok, … por último, mas não menos importante, meu otp número dois, porque você e o são o primeiro, Damian e Connor. — riu e indicou os dois. — Connor também ajuda na lanchonete, mas eles estão passando por uns probleminhas.
— Oh! — ela fez careta — que tipo de problema? Podemos ajudar?
— Eu dificilmente acredito nisso… Estamos encarando direto nos olhos da falência — riu com descrença.
— Bem, talvez eu possa ajudar — deu de ombros.
— Comprando o lugar?
Oliver brincou e riu sozinho, parando ao ver que ninguém achou graça. negou com a cabeça.
— Claro que não, Oliver! Não vê que ele gosta do lugar? — imitou Saoirse e deu um tapa na barriga do amigo.
— É, Martin já tentou isso. — suspirou.
— Meu pai? — Oliver gritou, assustado. O amigo assentiu. — não acredito… — bufou.
— Bem, talvez um pouco de possa causar certa publicidade? — sugeriu, puxando uma cadeira na mesa da turma, finalmente se sentando.
Damian arregalou os olhos e puxou uma cadeira ao lado da modelo.
— Fale mais sobre isso… — cruzou os braços, mostrando interesse.
— Bem, eu vi na internet há algumas horas que já sabem onde estou, então vamos fazer um negócio… Eu posto nas minhas redes sociais que amanhã cedo estarei lá para um café da manhã e convido-os para participarem comigo… posso pagar o lanche deles — deu de ombros. — o que acha?
O homem abriu a boca para responder, mas não conseguiu emitir som algum, ficando apenas encarando-a boquiaberto.
— Meu Deus, é sério isso? Quero dizer, chamar o público, seus fãs? — Connor entrou no assunto, totalmente animado e com um brilho contagiante nos olhos.
— É claro! Não vejo por que não — deu de ombros, sorrindo. — topam?
— Mas é claro! — responderam juntos, dando os maiores sorrisos de todos.
— Eu ouvi na lanchonete? — Jack estendeu a cabeça.
— Quando? Eu vou! — Niall respondeu.
— Caramba, vocês são todos conectados.
— É uma cidade pequena. — Saoirse respondeu e todos concordaram, enquanto a primeira rodada de drinks da noite chegava.
— E eu já vou pedir antes, que se a ficar mega bêbada de novo, não vendam as histórias dela pra mídia — Oliver disse e a garota rolou os olhos. Ele sempre cuidando dela…
— Mas é claro que não! — Jack respondeu.
— Ela é uma de nós, agora.
Damian sorriu e passou o braço ao redor dos ombros da garota, puxando-a para si. sorriu e sentiu-se nas nuvens, rodeada de amor.
— Um brinde à inglesinha! — Jack propôs, erguendo seu copo. Todos o acompanharam e sentiu as bochechas corarem.
— E então, Oliver? — a modelo chamou o amigo, do seu lado oposto. Todos viraram para encará-la. — você me deve algumas histórias.
— Quais histórias? — Connor franziu a testa.
— Dele…
— Ele já te contou que fumava? — Saoirse disse.
O queixo de caiu e ela virou-se para o amigo.
— Você?! — berrou. Não que ela ligasse, só não via o amigo fazendo aquilo. Nem nessa e nem em outra vida.
— Sissy! — Oliver repreendeu. — não me defama!
— Não vejo problema nenhum nisso… — riu, bebericando sua cerveja.
— A gente tinha quinze anos… — Emmett explicou, erguendo uma sobrancelha, desafiando-a a achar estranho.
— Olha você falando com a menina que chapa desde quatorze… — Oliver rolou os olhos. riu.
— Uau… — Damian riu.
— Também não esperava isso? — Ela o encarou de lado, ele negou com a cabeça.
— Emmett fazia uns cigarros pra gente.
Saoirse continuou contando, apesar dos melhores esforços de Oliver para fazê-los parar, mas depois se aquietou porque lembrou que havia prometido aquilo para a amiga.
— Escutávamos Tiny Dancer…
— E fugíamos da polícia pelo campo…
Os amigos se alternavam, aumentando a história. abria os olhos cada vez mais, totalmente não esperando aquilo de uma pessoa tão certinha como Oliver, que ficava na biblioteca enquanto ela e Brittany faziam festas no seu dormitório em Oxford…
— Me beijou numa sexta-feira. Foi seu primeiro beijo, né? — a loira disse docemente e riu, dando uma cotovelada nele.
Ele escondeu o rosto atrás das mãos.
— Estou quase me arrependendo de ter dito que contaria coisas para ela. — chiou. — não pensava nesse tipo de história.
— Ih, isso nem é o pior. Ele me disse que achou que tinha beijado errado — Saoirse gesticulou com a mão, chamando a atenção de , como se ela já não fosse completamente sua.
— Eu estava bêbado! — se defendeu, voltando a mostrar o rosto.
— Depois ele me beijou e soube que o problema era a Sissy — Damian disse, piscando para ele.
— No mesmo dia. — Sissy disse, piscando também.
— Uau, Olie. — riu. — acho que nem me lembro do meu primeiro beijo. — choramingou.
— Mas você se lembra da primeira vez? Essa a gente nunca se esquece. — Saoirse perguntou.
olhou para as próprias mãos e sentiu o rosto esquentar muito.
— Opa! — alguém berrou, zoando.
— Argh, foi péssimo. Sem comentários. Também achei que fosse virar homossexual. — riu.
— Viu? Não sou o único! — Oliver argumentou, apontando para a amiga.
— Mas você já estava em dúvida… e a não é, ou é, ? — Jack perguntou.
Ela o olhou de lado. Ele tinha um sorriso lindo.
Ah, merda. Se estivesse solteira…
— Não. Cem por cento hetero. Com o tempo ficou bom — deu de ombros e apoiou o cotovelo na mesa, o rosto na mão.
Aquilo era estranho, novo para ela. Não era como se ligasse para aquilo na época de Anthony… Mas com .
TUDO era diferente.
— Enfim… — Connor retomou, quebrando o gelo, e ela pensou em lhe agradecer. Ia ser feio, então ficou quieta. — a gente arrumava emprego de final de semana só pra ter dinheiro pra comprar vodca.
— A mais barata do mercado. — Damian completou.
— E bebíamos de uma vez. — Oliver disse.
— Olha só, entrou no clima das confissões? — brincou.
— Quem está na chuva é pra se molhar. — deu de ombros.
— A gente vomitava demais. — Garret balançou a cabeça.
— Tem tanto tempo que eu não vomito — Damian disse, imitando o amigo.
Todos na mesa, sem exceção, concordaram.
— Estamos velhos.
— E maduros.
— Não sei vocês, mas de madura eu não tenho nada. — riu e pediu mais cerveja. — meu namorado mais novo é mais cabeça que eu. — cruzou os braços.
— É verdade. — Oliver assentiu.
— Ótimo amigo, você.
— Achou que eu ia discordar, bonitinha? Sou realista.
— Vocês falam tanto do que parece que já o conheço — Damian falou.
— Ah, deveria conhecer… ele é tão fofo.
Fofo…”. pensou sarcasticamente. Até parece que gente fofa fodia com a namorada na cama da mãe dela, com ela no andar de baixo… Ou transava no quarto de descanso dos médicos hospital do pai… Ah tá…
— Lembra-se de Aaron? — Connor perguntou, do nada.
— Quem é Aaron? — franziu a testa, desviando o olhar para ele.
— Meu irmão. — Connor explicou.
— Ah, cara, como ele está? — Oliver perguntou e percebeu todos na mesa se ficarem desconfortáveis, movendo-se nas cadeiras e formando conversinhas paralelas.
Ali tinha.
— Ah… ele teve overdose.
Oliver ficou de queixo caído e arregalou os olhos.
— Enfim… — Connor prosseguiu, deixando os dois amigos estáticos e confusos. Saoirse estava certa, eram muito bem resolvidos — um dia, Oliver e eu resolvemos descobrir o que ele fazia com os amigos escondidos na colina…
— Velho, que trauma — Oliver comentou e balançou a cabeça, negando.
— A gente tinha quantos anos? Sete, né?
— Seis. Foi quando eu quebrei a perna.
— Sim… mas então, os encontramos fumando maconha e achamos que era cigarro normal. Fui até ele falar que ia contar pra mamãe e eles nos colocaram pra correr… foi quando você rolou morro abaixo e quebrou a perna… seu irmão também estava, lembra?
virou a cabeça e fitou Oliver.
O quê?
— Seu irmão? — disse suavemente, ainda tentando entender aquelas palavras. — você tem um irmão? Como eu não sabia disso? — berrou, fazendo o pub inteiro parar para olhá-la, cessando toda e qualquer conversa.
Oliver moveu-se desconfortavelmente na cadeira e bebeu o resto de sua cerveja de uma vez.
— Tinha. — corrigiu, dando de ombros.
Ela ficou o encarando, ainda em choque, sentindo tudo dentro de seu corpo querendo parar, querendo mais respostas.
— Liam morreu de câncer aos quinze… Oliver tinha doze. E também teve Rory, que morreu no parto, Olie tinha seis. — Damian disse para ela, próximo ao seu ouvido.
A modelo deixou o queixo cair e ficou boquiaberta por um bom tempo, alternando o olhar entre os dois.
— Olie, eu sinto muito — estendeu a mão sobre a mesa e entrelaçou a sua com a dele.
Ele assentiu, agradecendo.
— É, aparentemente todo mundo morre de câncer nessa família… — tentou ser engraçado, mas ninguém riu além de si mesmo — uma vez meu pai gritou comigo falando que o mais velho morreu de câncer e o mais novo no parto porque minha mãe já era velha — deu de ombros. — e que o único que sobrou era gay, como Deus podia ter feito aquilo com ele, se esse era seu legado. — lamuriou.
nunca sentiu tanta dor no peito antes, causada por tanta intolerância. Ela se levantou, deu a volta na mesa, abraçou Oliver e beijou o topo de sua cabeça.
— Eu acho um ótimo legado.

8 de julho de 2015, Cork, Irlanda


— Achei tão legal isso que você fez pelo Damian… não imaginava que ia aparecer aquele tanto de gente. — riu e cruzou os braços.
Ela tirou os óculos de sol e guardou na bolsa, entregando-a também para a aeromoça guardar no avião do pai, enquanto aguardavam liberar para a entrada deles, no hangar.
— Ainda duvidava da minha capacidade?
— Não, mas duvidava da cidade. — deu de ombros. — achei que não fossem aderir.
— Quem não quer café de graça? — ela riu e Oliver assentiu. — a comida deles é bem gostosinha, realmente espero que dê certo… afinal, eu e você temos um casamento para vir, não? — sorriu.
— Ele te contou? — ela assentiu. — fico muito feliz por eles, de verdade.
— Sei que sim. — suspirou.
— Senhorita, estamos prontos. — a aeromoça voltou até a modelo e a chamou com um gesto, sorrindo.
agradeceu e a seguiu para dentro do avião, Oliver atrás de si. Ela já estava lá dentro quando viu um carro preto executivo estacionar-se ao lado do jato. Ela chegou à janela para observar, estranhando o movimento. Vários seguranças se posicionaram na entrada do avião e alguns até se aproximaram da modelo, dando-lhe instruções que ela não prestou atenção.
Oliver congelou na escada e não moveu um músculo sequer.
— Oliver MacLeese, não ouse entrar nesse avião sem despedir-se de mim. — Bridget abriu a porta traseira e desceu rapidamente.
O homem arregalou os olhos.
— Mãe? — ele berrou, abaixando o rosto para observá-la. — o que está fazendo aqui?
— Está tudo bem, é uma amiga.
disse para os dois seguranças ao seu lado, que avisaram os outros e eles baixaram a guarda, ainda mantendo a proximidade. Oliver desceu as escadas do avião, correndo até a mãe. manteve-se na janela, observando, apesar de não ouvir. O barulho do jato atrapalhava.
— Eu andei pensando muito em tudo… desde ontem, não consigo deixar as palavras que disse de lado. Ela é bem…
— Impactante.
— Sim. — assentiu, ainda misteriosa e incerta. — eu sinto muito, querido, por tudo que houve entre nós… se eu pudesse voltar atrás, não permitiria que nada disso acontecesse. — suspirou e tomou as mãos do filho notando-o trêmulo. — sinto muito que você tenha passado por tudo isso… desde Oxford e recentemente com o corte do dinheiro…
— Do que você… — ele falou, gelando de cima à baixo, com o simples medo de ela saber do emprego.
— Era eu quem mandava o dinheiro para te ajudar, seu pai não sabia… mas com o divórcio, o dinheiro não era mais meu, eu não podia mais movimentá-lo… e ele se recusou. Ah, Oliver, eu sinto tanto… — estendeu os braços e o homem ficou encarando-a, sem reação.
Com algum tempo, ele deu passos à frente e caiu em seu abraço, dando um suspiro e retribuindo da forma mais intensa que sabia. Sentia o coração da mãe batendo forte em seu peito e tinha certeza que ela era capaz de sentir o mesmo.
— Eu te amo muito, querido. — sussurrou.
Ele não aguentou mais, e deixou as lágrimas rolarem, apertando a mais ainda mais firmemente.
— Eu também amo você.
— Você me perdoa?
Ele a afastou e a encarou no fundo de seus olhos, assentindo. Bridget deu um sorriso aliviado e o puxou para um último abraço de despedida.
— Qualquer coisa não hesite em me comunicar… farei o possível e o impossível por você…
— Mãe… isso não é um adeus.
— Claro que não! — ela riu — é um até logo. Em breve irei em Londres visitá-lo.
Ele sorriu.
— Agora vá, e chame . Preciso falar algo com ela.
O psicólogo assentiu e deu um beijo na testa de sua mãe, afastou-se e acenou um adeus. Dentro da cabine, ele sinalizou para a aeromoça que ainda não estavam liberados. Foi até e ela já o esperava de pé, oferecendo um abraço de conforto, ao ver as lágrimas.
— Ainda não. — ele negou com um gesto. — ela quer falar com você.
A modelo franziu o cenho e ficou o encarando torto, meio sem entender aquilo. Oliver deu de ombros, também não sabia o que era. Ele se acomodou enquanto voltava ao solo do hangar. Bridget se aproximou com os braços abertos e a modelo apenas retribuiu, sem dizer nada.
, muito obrigada. — suspirou, enquanto afagava os cabelos da garota.
— De nada… — soou desconfiada e se afastou.
— Eu decidir abrir mão de tudo no divórcio. — a modelo arregalou os olhos. — porque você me ajudou a perceber que eu não preciso de nada dele. Estou mudando de volta a Dublin, para minha vida antiga. — sorriu e a modelo a imitou. — espero que apareça por lá, com Oliver.
A modelo assentiu freneticamente.
— Venha nos visitar em Londres. Será muito bem vinda! — repetiu o convite.
— Obrigada. — sorriu e se aproximou, beijando a testa da mais nova. — façam boa viagem.
A modelo assentiu e voltou para dentro do avião.
Enquanto ela se ajeitava em seu assento, os dois acenaram para Bridget. Quando perderam-na de vista, soltou um suspiro feliz.
— Essa viagem me mudou demais, Oliver. Pra sempre.
O psicólogo sorriu.
Havia sido uma página importantíssima adicionada em suas vidas.

And I miss the way you make me feel, it's real
We watched the sunset over the castle on the hill
Over the castle on the hill
Over the castle on the hill


Fim



Nota da autora: Migas que não leram BNE e caíram aqui de pára-quedas, sejam bem vindas. Primeiramente queria dizer fora Temer que o Brooklyn não é assim, então não se espantem dkjdkdk é porque vocês pegaram o bonde andando mas enfim, deem uma chance pra long ❤️ (e mesmo porque, se ele fosse, a Liv não deixava durar)
Conriston é uma cidade fictícia que eu criei, mas inspirada em Kinsale. Não quis usá-la por causa de toda a história dos MacLeese sendo donos de metade do vilarejo.
E quem amou o Damian como eu amei??? Aaaaaaaa já quero mais Damian, socorro! olha eu tendo ideia errada, não posso inventar mais história kkkkkk Enfim, achei ele um Oliver 2.0, morro de amores.
Quem pegou a referência de Grey’s da vez??? Bailey e as metáforas? A diferença é que eu não sei fazer metáfora legal UHAUHAHUA
Último pensamento: Real oficial? Odeio escrever cenas com muitos personagens… Essa segunda noite no pub foi muito estranha, senti falta de narrativa mas não consegui encaixar 💔
Enfim, é isso. Castle definitivamente é meu spinoff favorito, ela ficou bem maior do que eu previa (apesar de ter ficado chateada com esse final por motivos de vários tells e pouco show porque eu tive problemas com o prazo MAIS UMA VEZ ~juro que to trabalhando nisso), porque o Oliver é meu bolinho (roubei esse apelido no grupo aaaa) ❤️
XXO

Fanfics: Best Nanny Ever (Restrita - Em Andamento)
If Every Day Was Christmas (Outros - Shortfic) Especial de Natal de Best Nanny Ever
Vide (Restrita - Finalizada)
01. Best Song Ever (Ficstape Midnight Memories, One Direction - Restrita, Finalizada)
02. Castle on the Hill (Ficstape Divide, Ed Sheeran - finalizada) Spin-off de Best Nanny Ever
02. Send My Love (To Your New Lover) (Ficstape 25, Adele - finalizada)
02. Story of My Life (Ficstape Midnight Memories, One Direction - Finalizada)
02. Who's That Boy (Ficstape Unbroken, Demi Lovato - Finalizada)
04. Neon Lights (Ficstape DEMI, Demi Lovato - Finalizada)
05. Run Wild (Ficstape 24/Seven, Big Time Rush - Finalizada)
05. Unconditionally (Ficstape Prism, Katy Perry - Finalizada)
06. Nightingale (Ficstape DEMI, Demi Lovato - Finalizada) Spin-off de Vide
07. Fearless (Ficstape Fearless, Taylor Swift - Restrita, Finalizada)
08. Confetti Falling (Ficstape 24/Seven, Big Time Rush - Finalizada) Spin-off de Best Nanny Ever
08 Forget Forever (Ficstape For You, Selena Gomez - Finalizada) Spin-off de Best Nanny Ever
08. Happily (Ficstape Midnight Memories, One Direction - Finalizada)
08. Never Grow Up (Ficstape Speak Now, Taylor Swift - Finalizada) Spin-off de Vide
09. Olivia (Ficstape Made in the A.M., One Direction - Restrita, Finalizada) Especial de Ano Novo de Best Nanny Ever
10. A Year Without Rain (Ficstape For You, Selena Gomez - Finalizada)
10. Give Your Heart a Break (Ficstape Unbroken, Demi Lovato - Finalizada)
11. Witchcraft (Ficstape Fifty Shades of Grey - Restrita, Finalizada)
11. You're Not Alone (Ficstape Elevate, Big Time Rush - Finalizada) Spin-off de Best Nanny Ever
15. Young God (Ficstape Badlands, Halsey - Restrita, Finalizada) Spin-off de Best Nanny Ever, crossover com American Boy, da Mandie
17. Superman (Ficstape Speak Now, Taylor Swift - Restrita, Finalizada)
18. The Best Day (Ficstape Fearless, Taylor Swift - Finalizada) Spin-off de Vide

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