Finalizada em: 03/10/2017

Capítulo Único

- Você é um... Idiota! – ela grita, não conseguindo se dar conta do quão estúpido era aquele xingamento graças ao seu nível de ódio e irritação.
De início havia tentado entender seu lado. havia perdido o irmão mais velho e estava tentando ocupar o seu lugar, empenhando-se em agradar o pai de uma forma que jamais havia se preocupado em fazer, já que tinha o irmão para isso. Todos os sonhos e metas do pai, antes sobre Liam, agora despencavam sobre de uma só vez. Era uma responsabilidade gigantesca, uma com a qual ele não sabia lidar e ficava evidente para qualquer um que tivesse olhos e um mínimo de consciência, menos seu pai, aparentemente.
, na verdade, desconfiava de que o homem fazia de propósito. Sua meta sempre foi que seguisse os passos do irmão. Que ele “tomasse jeito”, “encontrasse um rumo” e usou a morte de um dos filhos como oportunidade. Parecia horrível, sim, mas era a cara dele. Condizia muito mais com o homem do que aquela depressão que ele encenava para manter na linha, mas nem mesmo isso a deixava tão puta quando saber que além de não se dar conta, ainda estava se deixando mudar completamente por isso.
Havia se tornado outra pessoa perto dos outros. Uma pessoa que ela não conhecia e pior, que também a tratava de forma diferente em público. Da mesma forma repulsiva que seu pai, como se ela não fosse digna de atenção.
- , espera. – ele pediu, mas ela odiou a forma como soou, baixo. Ele tentava não chamar atenção e aquilo só fez com que ela se visse ainda mais empenhada em gritar, parando onde estavam. Algo em sua expressão, provavelmente a fúria, fez com que arregalasse os olhos, imaginando o que vinha a seguir. – Não grita. – ele ergueu as mãos em sua direção, como se pudesse controlá-la dessa forma e a garota praticamente rosnou, furiosa.
- Não grita?! – ela perguntou, gritando sem que pudesse se conter e soltou um resmungo insatisfeito, a segurando pelo braço. – O que você está fazendo?! – quis saber, usando o mesmo tom enquanto tentava se soltar e ele, em resposta, a segurou por trás, tampando sua boca a fim de arrastá-la para longe dali. Ela se debateu, fazendo com que os cabelos caíssem em seus olhos, mas não conseguiu dizer mais nada, o que só colaborou para deixá-la ainda mais irritada. estava brincando com fogo, mas sem se importar com isso, tudo o que ele fez foi erguê-la do chão quando prestou resistência, praticamente a arrastando para dentro do cômodo mais próximo, o banheiro, e trancou a porta, só então a soltando. – Você ficou louco?! – ela gritou ainda mais alto, o empurrando contra a porta ao estapeá-lo. – Quem você pensa que é?!
- Está cheio de amigos do meu pai lá embaixo e você está fazendo escândalo. – ele respondeu, segurando seus pulsos quando ela ameaçou atacá-lo novamente. – Para com isso.
- Eu que tenho que parar?! Quando foi que você ficou tão... Tão... Argh?! – exclamou. - Você está se achando legal, mas só está agindo como um idiota! Amigos do seu pai? Desde quando você se importa?
- Desde quando ele organizou tudo isso por mim. Ele está orgulhoso porque estou indo para Quântico, assumindo o lugar do Liam...
- Ele não está orgulhoso, está se gabando! – exclamou aos berros, sem conseguir acreditar que ele não conseguia ver algo tão óbvio. – Você não passou por mérito próprio, você passou porque ele comprou os resultados! Que sentido tem ele ficar orgulhoso?! Nós dois sabemos que não tem teste toxicológico no mundo no qual você passaria.
- questão não é essa. – respondeu ele, chocado. – Eu aceitei fazer isso. Esse é o motivo.
- Aceitou por causa do seu irmão, não por você!
- Eu quero fazer isso por ele! – se exaltou também. – Eu escolhi fazer isso por ele!
- Não, o seu pai escolheu por você e você aceitou porque está mal com a morte dele, mas não é o que você quer e Liam também não ia querer isso! Não ia porque sabe que você não vai ser feliz seguindo os planos de vida de outra pessoa! – declarou a verdade, que ambos reconheciam, embora tivesse decidido ignorar porque, pela primeira vez, tinha a total atenção do pai que o rejeitava. Ela entendia o motivo, mas não conseguia aceitar. Era totalmente injusto que ele precisasse ser outra pessoa para ter atenção do homem, do próprio pai, mas era exatamente o que estava acontecendo e não conseguia fazer nada para que ele enxergasse o quão errado soava.
- Pelo menos agora eu tenho um plano. – ele respondeu, ácido, e ela estreitou os olhos, não reconhecendo aquele tom de voz. - Não tinha nenhum antes, não tínhamos. Eu estou tentando fazer alguma coisa útil e sinceramente, você deveria fazer o mesmo.
- Coisa útil... – ela bufou, sem acreditar naquelas palavras, naquele tom. Ele nunca falara com ela daquela forma e não sabia se ficava mais irritada ou chateada por isso. – Se fazer alguma coisa útil for me deixar assim, como você, prefiro ficar como estou, obrigada. – retrucou inabalável e muito mais segura do que se sentia de verdade. Nunca brigara com o melhor amigo, mas de repente sentia aquela enorme barreira entre os dois.
- Assim como eu? – perguntou e ela sorriu, embora não tivesse qualquer humor ou animação no gesto. Era um sorriso cínico para esconder a dor e ressentimento e antes de responder, ela se aproximou, ficando à centímetros do amigo. – Cauteloso e infeliz. – respondeu, dando dois tapinhas em seu braço antes de se afastar, passando por ele para seguir até a porta. – Você precisa de um baseado. Me procure quando tiver tomado algum juízo.
- É isso que eu estou tentando fazer, . – ele respondeu, não a impedindo de abrir a porta.
- Está fazendo errado. – devolveu, não olhando novamente para antes de finalmente sair do cômodo, batendo a porta atrás de si com um aperto no peito muito maior do que poderia esperar.
era seu melhor amigo, afinal, há mais tempo do que podiam contar. Haviam sido o primeiro beijo um do outro simplesmente porque nenhum dos dois sabia o que fazer e queriam demais tentar. Haviam tomado junto o primeiro porre e enfrentado a primeira ressaca. era o único que se importava com ela, o único que se lembrava de seus aniversários e, até então, a única pessoa em quem ela confiava para nunca abandoná-la, mas aparentemente, estava errada e só se deu conta de quanto doía quando sentiu as lágrimas quentes escorrendo por sua bochecha, escapando por seus olhos sem permissão.
Ela não chorava, nunca, mas lá estava ela, chorando, e enquanto limpava as lágrimas com certa irritação, não conseguiu evitar as lembranças que lhe inundaram, fazendo-a lembrar de como tudo aquilo começou. Quando deixaram de ser melhores amigos para virar aquilo, duas pessoas que brigavam sempre que estavam juntos.


DOIS MESES ANTES


jogou a mochila por cima do muro, para , e colocou o baseado na boca para que tivesse as mãos livres para escalá-lo. Para uma garota, ela era ótima nesse tipo de coisa. Pelo menos era o que diziam, porque ela achava uma grande babaquice machista dizer algo desse tipo e também. Para a sorte dele.
O muro não era tão alto. Já haviam escalado alturas piores e ela não teve dificuldade nenhuma em pular para o outro lado, ágil como um gato enquanto o rapaz olhava ao redor, garantindo-se de que não tinham sido vistos. Não se preocupou em ajudar, sabia que ela não precisava e sabia também que, mesmo que tentasse, ela recusaria. Isso se não lhe matasse por cogitar que ela não conseguiria.
Anos de convivência faziam com que entendessem um ao outro sem que fosse necessário muitas palavras e, as vezes, palavra nenhuma.
- Se for preso, papai te solta. – ela disse após tirar o baseado da boca, empurrando o rapaz no percurso para que voltasse a andar. – Eu que deveria estar preocupada.
- Exatamente. – ele respondeu, tirando o cigarro de suas mãos para levar até a própria boca. – Você não liga, por isso tenho que olhar por nós dois. – piscou para ela antes de devolver o baseado, jogando a mochila sobre seus ombros para seguir caminho enquanto ela ficava para trás por um instante, estreitando os olhos. Ela odiava quando ele fazia aquele tipo de coisa. Era bem natural para ele e costumava deixar as garotas de quatro. Ele fingia não perceber, mas sabia muito bem disso, por esse motivo fez da atitude um hábito que ela odiava quando era usado contra si. O maldito era bonito demais para que ela ignorasse, mesmo que não gostasse dele daquela forma, romanticamente.
- Odeio quando faz isso. – resmungou indo atrás dele e sorriu por isso. Um sorriso de lado que a fez revirar os olhos por estar ciente de que era proposital agora que havia comentado.
- Você odeia o fato de gostar, na verdade. – respondeu, convencido. - Mas eu vou fingir que não sei disso para que se sinta melhor.
- Vai se fuder. – reclamou emburrada ele deu de ombros.
- Você vem junto? – perguntou, rindo quando ela o empurrou em sinal de reprovação.
- Babaca. – xingou enquanto ele passava um dos braços sobre seu ombro para que andassem lado a lado, roubando o baseado de seus lábios novamente para levar até os dele. Ela o empurrou pela atitude, mas ele não a soltou ou reclamou, limitando-se a rir novamente.
- Já decidiu o que vai escrever? – ele perguntou ao invés disso e ela, em resposta, apenas sorriu largamente.
- Espere e verá. – falou, soltando-se dele para se adiantar a frente e parando pouco mais adiante, erguendo a cabeça para olhar para cima, mais precisamente para a passarela que ligava um bloco ao outro. – Alí. – apontou enquanto ele parava ao seu lado e a encarou com uma mistura de surpresa e desconfiança.
- Quer pichar ali? – perguntou, mas já sabia a resposta.
- Todo mundo vai ver, assim que chegar. – ela respondeu o obvio e ele gesticulou em sua direção, como se dissesse: “exatamente”.
- O segurança também, assim que rasgarmos as telas de proteção. – verbalizou. Não que esperasse realmente convencê-la a não fazer o que pretendia com aquele argumento. Ele nunca tinha argumentos o suficiente para ir contra ela.
- Só preciso de cinco minutos pra escrever. Ele precisa de vinte pra chegar até nós. – se defendeu e mais uma vez ele olhou para ela um tanto quanto desacreditado.
- Um pra chamar a polícia e nós estamos chapados. – respondeu e ela apenas deu de ombros.
- Não o suficiente já que você está preocupado com isso.
- Mas você sim. – devolveu e ela riu, concordando com um aceno de cabeça.
- Estou. – concordou, mas isso não a impediu de seguir caminho e ele fez o mesmo após negar com a cabeça. Ela era louca, mas não era como se ele não soubesse, ou não gostasse, a acabou rindo enquanto a acompanhava.
Quando chegaram até a passarela, se abaixaram para continuar, parando somente após estarem no local correto. Após se levantarem, estariam visíveis e, dessa forma, o tempo começaria a correr. Não que tivesse se dado conta disso, claro, e teve um certo trabalho para convencê-la de que, daquela forma, era o melhor jeito.
Jogou a mochila no chão, tirando de lá o que iria utilizar para romper a proteção. Uma simples tesoura bastaria, mas tudo que tinham era um corta vergalhão e foi ele que utilizaram. utilizou, na realidade, enquanto , sentada de costas para a mureta, cantarolava Moves Like Jagger no ritmo de Misery, provavelmente achando que estava certo. Quando ele riu, ela parou, erguendo o olhar para ele que segurou o riso, olhando para o outro lado como se nada tivesse acontecido.
- O quê? – ela perguntou e ele fingiu confusão ao encará-la.
- Uhm? – falou simplesmente, recebendo um olhar desconfiado como retorno. – O quê? – repetiu, a fazendo revirar os olhos antes de se levantar. – , falei pra ficar abaixada! – exclamou, a segurando pelos ombros para fazer com que se abaixasse novamente enquanto ela bufava.
- Você está de pé! – protestou, batendo os pés, mas ele ignorou a atitude.
- Espera a sua vez! – respondeu, decidindo que fingir que era um jogo era a melhor opção, mesmo que ela resmungasse em protesto. Quando terminou, olhou dela para fora da mureta, a altura da plataforma até o chão, e fez uma careta. Não parecia nem remotamente seguro deixá-la se pendurar ali. – O que quer escrever? Eu faço. – se ofereceu, mas ela negou com a cabeça, levantando-se no mesmo instante.
- Não, eu! – falou rapidamente, tentando empurrá-lo para baixo exatamente como havia feito com ela, mas não deu certo. Não quando ele era uns quinze centímetros mais alto.
- Não tem como se pendurar ali sozinha. Eu também precisaria de ajuda. – ele tentou argumentar, mas suspirou quando ela apenas olhou feio para ele, inabalável. – ‘Tá, vai logo. Estamos perdendo tempo. – se rendeu. Logo a ronda passaria, não tinham tempo para discutir. Não que ele, de qualquer forma, pretendesse simplesmente deixá-la fazer isso sem supervisão. – Mas vai aceitar ajuda, ou te arrasto daqui e ninguém faz nada. – ameaçou, a fazendo revirar os olhos antes de abaixar para pegar a lata de splay.
Sem novos protestos, se virou para a mureta, sentando-se sobre ela e estendendo a mão para que , como o imposto, lhe ajudasse.
tinha apenas um pequeno filete de espaço onde se equilibrar e, parando para pensar, ele provavelmente não conseguiria ficar parado ali em cima. Foi por esse motivo que não conseguiu evitar a preocupação de que ela escorregasse. Faziam aquele tipo de besteira o tempo todo, era bem normal para eles, mas isso não significava que ele não ligava. No geral, preferia se arriscar no lugar dela, mas não era como se alguém pudesse impedir que fizesse qualquer coisa.
Por questões de segurança, tudo o que pode fazer foi segurá-la um dos braços, o que não foi muito bem recebido por ela que o olhou feio pelo gesto.
- Vai logo, começa. – disse, como se nada tivesse acontecido apesar do olhar duro da garota em sua direção.
- O que é que você está fazendo? – ela devolveu, erguendo uma sobrancelha ao olhar dele para o próprio braço de forma sugestiva.
- Te segurando. – respondeu, como se fosse obvio. - Agora vai logo. – insistiu, gesticulando para o pequeno muro a sua frente.
- ...
- Vai, . – repetiu, a fala e o gesto, mas agora indicando com a mão livre para frente a fim de exemplificar que logo os seguranças apareceriam. Em resposta, ala revirou os olhos, mas o obedeceu, chacoalhando a lata de spray para começar.
manteve-se focada em seu trabalho enquanto ele olhava ao redor e não levou mais do que cinco minutos para que o segurança aparecesse. a segurou com mais firmeza quando viu a lanterna, garantindo-se de que ela não cairia no caso de se assustar. Avisou que o homem se aproximava e pediu que voltasse, mas a garota negou, tentando se soltar para terminar o que fazia.
- ! – ele a chamou novamente, mas foi ignorado e desviou o olhar dela para o segurança, que corria na direção das escadas a fim de alcançá-los. – ! – ele insistiu.
- Espera. – ela respondeu, impaciente, e ele bufou.
- Ele está vindo! – alertou, mas ela se quer olhou em sua direção para respondê-lo, soando mais tranquila do que o normalmente faria.
- A gente sai pelo outro lado. – respondeu e, se não estivesse cuidando de segurá-la, teria aberto os braços frustrado e impaciente. Principalmente impaciente visto que o segurança estava prestes a alcançá-los.
- Que porra, quanto falta? – perguntou, inclinando-se para ver seu progresso.
- Espera... – retrucou, o empurrando de volta.
- !
- Pronto! – comemorou, aceitando a ajuda dessa vez para que pudesse voltar para o outro lado.
Assim que a viu segura, a soltou, abaixando-se para pegar a mochila e a colocando nas costas antes que tivesse oportunidade de guardar a lata. Quando notou, virou as costas para que ela o fizesse e assim que a garota fechou o zíper, ele a pegou pela mão, arrastando-a consigo enquanto corriam na direção oposta ao que o guarda vinha.
- Aposto que ele já ligou para a polícia. – falou, olhando por sobre os ombros, mas não se importou, mordendo o lábio inferior de forma travessa que o fez rir. Ela sorriu por isso.
- Pelo menos nós terminamos.
- Louca. – respondeu, negando com a cabeça desacreditado enquanto viam as escadas se aproximar. Não que tenha tido oportunidade de respirar aliviado, pois outro segurança os esperava ali embaixo. – Droga. – reclamou, mas ela apenas riu, soltando sua mão para seguir na direção do homem. – ! – exclamou, os olhos arregalados pela surpresa.
- Não tem outro caminho! – ela gritou por sobre os ombros. – Nos encontramos no lugar de sempre.
- Ficou louca?! – perguntou, mas não teve outra escolha a não ser seguí-la.
- Seus moleques! – o segurança xingou, abrindo os braços para impedir que passasse, mas a garota se abaixou bem em tempo, passando por baixo de seus braços. – Mas o quê...? – enquanto ele olhava por sobre os ombros, também passou por ele sem que tivesse oportunidade de agarrá-lo e o garoto correu em direção a antes que realmente se separassem, segurando sua mão novamente para guiá-la pelo caminho enquanto a garota ria.
- Ele é um péssimo segurança. – ela falou, olhando para trás novamente, para o homem, que corria e gritava logo atrás deles.
também acabou rindo daquela loucura, mas não parou, seguindo até a saída o mais rápido que podiam.
- São eles, peguem eles! – ouviram um dos seguranças gritar e, ao espiar o que acontecia, viram: A polícia havia chegado.
Se fossem bandidos de verdade, se estivessem fugindo de um assalto a mão armada, era improvável que os policiais tivessem chegado tão rápido quanto chegaram devido a uma simples pichação e xingou baixo enquanto a garota apenas ria novamente, como se o fato de estarem sendo perseguidos pela polícia fosse a melhor notícia do ano.
- Por ali! – gritou, apontando para a frente. – Vamos para os trilhos.
- Não aponte. – a repreendeu. – Eles não precisam saber para onde estamos indo.
- Ah. – ela soltou, como se só então se desse conta de que aquilo fazia sentido e riu novamente, o fazendo repetir o gesto enquanto negava com a cabeça, desacreditado porém divertido.
- Parem onde estão, é a polícia! – o policial gritou, como se ninguém o tivesse visto ainda, mas ambos o ignoraram, esgueirando-se por um pequeno beco já conhecido e pouco iluminado. – Suspeitos seguindo para os trilhos. – ouviram o homem falar pelo aparelho de comunicação, chamando reforços para ajudá-lo.
- Mais rápido! – gritou para a garota, realmente preocupado em ser pego agora. Se o guarda da estação fosse esperto, poderia simplesmente esperar por ambos do outro lado.
- Não dá pra ir mais rápido que isso! – ela reclamou, ofegante, mas a puxou para acelerar o passo mesmo assim. – ! – ela protestou, mas não teve tempo de dizer mais nada quando chegaram do outro lado, arregalando os olhos ao ver o segurança já perto demais. – Pro outro lado! – exclamou o óbvio, mesmo que fosse impossível que conseguissem escapar agora. Ou pelo menos foi o que pensaram antes de ouvir o apito da locomotiva.
- Não deixem que eles sigam para o trem! – um dos guardar gritou, mas já era tarde, era exatamente isso que faziam e com forças renovadas, apertaram o passo.
- Temos que chegar lá, ! – gritou, mas soava mais divertida do que alarmada ou preocupada, o que o fez rir ao concordar, ficando satisfeito ao ver a locomotiva pouco mais adiante, iniciando o movimento lentamente.
- Vamos! – exclamou, percorrendo com ela os últimos passos e parando somente ao chegar, olhando para trás apenas para averiguar se os guardas estavam tão próximos quanto acreditava e, bom, estavam. – Sobe, ! Rápido! – falou, a fazendo soltar um gritinho ao erguê-la repentinamente no ar para ajudá-la a alcançar apoio para subir. Ela o fez, caindo do outro lado enquanto a locomotiva ganhava velocidade.
- , vem! – ela estendeu a mão para ajudá-lo enquanto ele corria do lado do trem, tentando alcançar a passagem novamente. – Mais rápido! – ela pediu, em alerta agora que o via perder o ritmo. Com um resmungo, ele acelerou o passo e se recuperou no último instante, alcançado sua mão e a segurando antes de impulsionar-se para cima, conseguindo apoio para subir enquanto os guardas atrás gritavam.
caiu por cima de e a garota jogou a cabeça para trás, gargalhando junto com ele que escondeu o rosto em seu ombro por um instante, apoiando-se nos braços para não esmagá-la. Estavam livres dos guardas e policiais e permaneceram daquela forma por um instante antes que ele tirasse a mochila das costas e se deixasse cair ao lado dela, encarando o teto do vagão com um ar divertido e um sorriso no rosto, recuperando o ar depois de tantos risos.
- Foi divertido, devemos fugir da polícia mais vezes. – ela falou e ele virou a cabeça em sua direção para encará-la, uma expressão desacreditada no rosto que a fez rir. – Foi divertido. – repetiu, como se aquilo justificasse.
- Você está chapada demais, definitivamente. – ele respondeu, rindo novamente e ela se sentou, puxando a mochila para si.
- E você definitivamente está sóbrio demais. – ela devolveu, o fazendo rir antes de concordar com a afirmação, deixando que ela procurasse o que sabia que ela estava procurando. O baseado.
No dia seguinte, eles acordaram no vagão, com o celular de . Riram ao notar onde estavam, mas aquele foi o último momento bom que tiveram, o último onde ainda era . Foi aquele dia, aquela ligação, e a notícia trazida por ela que mudou tudo, junto com a morte de seu irmão.


DIAS ATUAIS


estava no píer, os sapatos de salto emprestados jogados ao seu lado, o vestido cumprido de festa amontoado até a altura de suas cochas enquanto ela se mantinha sentada na plataforma, os pés para fora e braços apoiados nas grades se segurança para que pudesse se inclinar para a frente e ver o mar, mesmo que estar ali sem , pela primeira vez, apenas fizesse da situação ainda mais dolorosa.
Sentia falta do amigo. Sentia demais e levou o baseado até a boca, dando uma tragada e desejando que o efeito viesse logo para que parece de pensar naquilo. Não aguentava mais remoer o fato de estar perdendo a pessoa com quem mais se importava no mundo, de não estar tendo sucesso em impedi-lo de ir.
Ouviu passos atrás de si e suspirou, fechando os olhos enquanto ele se aproximava. Sabia que era sem que fosse necessário se virar para conferir e foi ainda pior se dar conta disso. Ele ainda estava longe quando a brisa do mar trouxe seu cheiro até ela sentiu uma lágrima escorrer. O conhecia bem o suficiente ao ponto de identificar até mesmo coisas como aquela, mas não para usar os argumentos certos para fazê-lo ficar e suspirou decepcionada com si mesma.
- Você não deveria estar aqui quando estão dando uma festa só pra você. – falou antes mesmo que fosse capaz de vê-lo. O tom de voz um tanto quanto amargo.
- Eu deveria estar onde você está. E você está aqui. – ele respondeu, a fazendo revirar os olhos. Clichê, mais clichê impossível e ainda pior por ser da boca para fora. tirou os sapatos e sentou-se ao seu lado, não dizendo mais nada enquanto a observava dar mais uma tragada.
- Eu te ofereceria, mas não é como se você pudesse usar. Precisa ser um garoto exemplar agora. – disse sem encará-lo, preferindo olhar para o mar do que para ele.
- Meu pai deu um jeito nisso. – ele respondeu, pegando o baseado se suas mãos delicadamente para levá-lo até a própria boca. – Olha para mim. – ele pediu após uma tragada, mas ela permaneceu como estava, não disposta a fazer aquilo, especialmente quando seus olhos, muito provavelmente, estariam vermelhos devido as lágrimas que escaparam enquanto ele não estava ali.
- O jeito como você age, como se fosse outra pessoa, me deixa frustrada... – ela falou em um suspiro, abaixando o olhar para seu colo, cansada de discutir com ele.
- Não sou outra pessoa. Não mudei. – ele falou e ela sorriu sem humor, sombria, enquanto concordava com a cabeça.
- Age como se fosse. – respondeu convicta. – É só estarmos com outras pessoas. Você tem deixado as coisas tão complicadas e nem se dá conta.
- Estou tentando entrar em Quântico, . Eu não posso agir como um inconsequente perto das pessoas que estão tentando me por lá.
Ela suspirou. A questão não era aquela, era o fato dele estar fazendo tudo isso por outra pessoa, mas não adiantava repetir. Já havia repetido milhares de vezes e ainda não havia resolvido. Mais uma surtiria tanto efeito quanto as outras.
- Faça como quiser então. – respondeu simplesmente, deixando-o surpreso com a falta de insistência. Como se pudesse ler nas entrelinhas, ele estreitou os olhos, inclinando-se para tentar ver os olhos da garota que ainda encaravam qualquer ponto enquanto o evitavam. Ao notar a atitude, tudo o que ela fez foi virar o rosto antes de continuar. – Eu só gostaria que você não me pedisse mais para fazer parte disso. – falou em um sussurro, a fala doendo tanto nela, quanto nele.
- Eu preciso de você, . – disse com pesar e ela pode até mesmo sentir a dor em sua voz. Não que isso lhe fizesse repensar a decisão. Fazia apenas com que fosse mais difícil.
- Para quê? Você me ignorou e me tratou como seu pai me trataria. – respondeu, pegando os sapatos e levantando-se dali. – Não vou mais fazer parte disso. Se quer ir, vá. – falou, com uma força e convicção que não sentia de verdade.
- , não. – ele protestou, levantado-se rapidamente para segurar seu braço, impedindo-a de se afastar. Sem conseguir fugir dessa vez, a garota fez o que mais tentava evitar, ela o encarou, vendo a dor estampada em sua expressão. – , por favor. – insistiu suplicante.
- Não posso continuar fazendo isso, . – ela falou, mas não tentou se soltar dele. – Já é triste saber que você vai embora, ainda pior por saber que não é por você, que está fazendo isso pelos outros. É triste te conhecer bem o suficiente para saber que está cometendo um dos maiores erros da sua vida, que vai estar infeliz no caminho que escolheu seguir, mas nada é mais difícil do que ver a pessoa que você está se tornando, ver como está agindo. Você me magoa sempre que estamos juntos e eu não quero mais participar disso. Eu cansei, . – completou, sentindo uma lágrima escorrer enquanto puxava delicadamente seu braço, sentindo o coração se apertar ainda mais ao ver no rosto dele o que suas palavras haviam causado.
- Não se acaba assim com uma amizade, . – ele sussurrou, mas por mais que concordasse, ela negou com a cabeça simplesmente porque não estava sendo uma decisão impensada e tampouco repentina. Aquilo vinha acontecendo gradativamente dos últimos dois meses. Ele apenas não podia ver porque a culpa era dele.
- Você acabou com ela, . – sussurrou também, sentindo as lágrimas queimarem seus olhos com aquela sensação terrível de despedida.
- Não. – ele negou, mas ela não disse mais nada, apenas deu alguns passos para trás a fim de se afastar enquanto ele lhe encarava sem reação. – . – a chamou novamente, mas com lágrimas nos olhos, ela deu as costas para se afastar dele. Antes que tivesse a chance de ir embora de fato, no entanto, sentiu os braços de se envolverem ao seu redor, a abraçando por trás antes de esconder o rosto em seu pescoço.
Sem que pudesse evitar, fechou os olhos, fazendo com que mais lágrimas caíssem enquanto sentia seu calor e seu perfume tão próximos. A respiração dele em seu pescoço e a garota segurou as mãos dele que a envolviam, apreciando cada segundo daquela contato tão intimo e precioso.
- Não vou deixar você ir assim. – ele sussurrou, deixando um beijo em seu ombro enquanto ela juntava seus lábios em uma linha fina, tentando convencer a si mesma a não voltar atrás mesmo quando aquilo era tudo o que ela mais queria. – Eu te amo, e não vou deixar você ir assim.
- Vai ser melhor... – ela respondeu incerta, com a voz embargada.
- Melhor pra quem?!– quis saber, a soltando delicadamente para fazer com que se virasse para frente, para ele, e a segurou pelos ombros para lhe encarar.
- Vai ser melhor para mim. – ela respondeu, deixando que as lágrimas caíssem. – Vai ser melhor para mim não ver o que está fazendo com a própria vida, estragando tudo.
- Você sabe que está errada. Não vai se sentir melhor por isso, muito pelo contrário, e eu também não. Eu preciso ir, . Mas quero fazer isso sabendo que quando voltar, ainda posso ter minha amiga ao meu lado. – falou, olhando em seus olhos como se tentasse enxergar sua alma através deles. - Não quero te perder, não suportaria.
- E eu? – ela perguntou sem desviar o olhar. – Você acha que eu estou bem vendo você fazer a coisa errada?
- Eu preciso descobrir isso por mim mesmo, . – respondeu. – Vamos cometer erros, o tempo todo. Já cometemos vários, inclusive. Eu, você, mas sempre tivemos um ao outro como apoio quando as coisas davam errado, sempre tivemos para onde voltar.
- . – ela o chamou, soltando-se dele para segurar seu rosto entre suas mãos. – Eu estou do seu lado. Não estou indo porque não quero ficar do seu lado. Estou tentando, mesmo sabendo que vai se arrepender, mas é difícil continuar quando você age como outra pessoa. Como seu pai. É isso que dói, ver que está se deixando mudar.
- Eu não estou, eu sou o mesmo. Me deixa provar. – respondeu, segurando as mãos dela nas suas.
- Você já provou que não quando debochou de mim na frente dos amigos influentes do seu pai. – o lembrou com pesar, referindo-se a eles com nojo. Não era o tipo de pessoa que se importava com o que diziam, que se ofendia ou magoava facilmente. Eles poderiam falar qualquer coisa, seu pai também, mas não foram eles, foi , e isso que a quebrou. Isso que a magoou.
- Eu agi como eles esperavam que agisse. – respondeu, mas ela o interrompeu antes que continuasse, soltando suas mãos.
- E você acha isso certo? – rebateu e ele negou com a cabeça imediatamente.
- Não! – exclamou, aproximando-se mais ao dar mais um passo em sua direção. – Eu sei que foi errado, . Não estou tentando me justificar, muito pelo contrário. Eu estou arrependido, e culpado. Estou tentando pedir desculpas porque eu fui um babaca e porque eu te amo. Porque não posso te perder. , por favor, me desculpa. – implorou, voltando a segurar suas mãos. – Me deixa provar que ainda sou o mesmo, por favor.
- Não adianta ser o mesmo comigo e repetir a atitude quando estivermos novamente com seu pai. – ela respondeu, mesmo que aquela fosse a última coisa que ela queria dizer de verdade. Era a última coisa que ela quisesse que fosse verdade, mas era. Infelizmente era. - Sabemos que é o que vai acontecer.
- Não é. – ele insistiu e ela negou. Não acreditava naquilo de jeito nenhum. – Não é. – ele repetiu, ciente de que ela não havia acreditado mesmo que não tivesse dito nada. – Vem, vamos comigo. – disse ele, a puxado para longe por uma das mãos.
- O quê? – ela perguntou, confusa pelo gesto tão repentino, mas se deixou arrastar. – , o que está fazendo?
- Vem. – repetiu simplesmente, a fazendo franzir o cenho ao seguí-lo, praticamente tropeçado nos próprios pés, para acompanhar seus passos quando ele tinha pernas tão mais longas.
- Para onde estamos indo? – ela insistiu, mas ele não disse nada. – ?! – exclamou, mas acabou rindo dessa vez, sem que se desse conta até vê-lo fazer o mesmo e tratou de mudar a expressão, tentando lembrar a si mesma de que deveria estar brava. também segurou um sorriso, mesmo estando claramente satisfeito e riu quando ela bufou.
Por fim, cerca de cinco minutos depois, chegaram até a mansão próxima ao píer. Já haviam invadido a casa uma vez, quando mais jovens, apenas por curiosidade. Parecia sempre estar vazia, mas era uma bela casa vista por fora. Não que por dentro ficasse longe, muito pelo contrário, o que eles descobriram no dia da invasão.
Sem dizer nada, passou a escalar o portão alto de metal, sobre o olhar confuso da amiga. Nunca haviam voltado lá simplesmente porque não havia necessidade. O mar estava logo ali se quisessem nadar e não era como se também não tivesse uma piscina. Não havia nada para se fazer ali que não poderiam fazer na casa dele.
- O que está fazendo? – ela perguntou ao vê-lo já no topo do portão, pronto para pular do outro lado.
- Vem logo, vamos nadar. – disse e ela apontou para o mar logo mais adiante, o fazendo revirar os olhos antes de apontar para dentro. – Piscina aquecida.
- Para de graça e se segura. – ela o repreendeu por ter soltado as mãos e ele apenas deu de ombros.
- Vem logo. – chamou, finalmente pulando para o outro lado e ela, após suspirar, voltou a erguer o vestido para que pudesse fazer o mesmo, encontrando do outro lado, a esperando com seus saltos em aos já que ela os havia jogado antes de subir.
- É uma ideia estúpida. – ela falou enquanto caminhavam para os fundos, onde lembravam-se ficar a piscina, mas ele ignorou o comentário mal humorado feito por ela, virando-se de frente para a garota enquanto tirava a camisa, andando de costas.
- Você não acharia estúpida há alguns dias. – ele falou, sorrindo convencido e ela voltou a revirar os olhos em pouco caso.
- Não, mas eu estou irritada com você por sem um babaca. – resmungou, o fazendo dar de ombros.
- Você sempre soube disso, não é uma novidade.
- Mas agora está me irritando. – ela sorriu cínica.
parou onde estava, mas ela não fez o mesmo, cruzando os braços para passar por ele. Quando o fez, no entanto, foi surpreendida por ele que a agarrou pela cintura, a erguendo no ar e colocando-a sobre seus ombros, arrancando um gritinho da garota que se segurou em suas costas para não cair.
- Ficou louco?! – ela gritou, o fazendo rir e tentou esmurrá-lo, mas parou ao ver a necessidade de se agarrar a ele novamente, impedindo-se de cair quando ele fingiu soltá-la. – , me coloca no chão!
- Você precisa relaxar. – ele respondeu, nem mesmo um pouco inclinado em obedecê-la.
- ... – ela chamou, em tom de aviso, e quando ele começou a assoviar ao invés de obedecê-la, a garota mordeu suas costas, pouco abaixo do obliquo externo. gritou, levando uma das mãos para a região enquanto a garota ria, mas ela não perdeu muito tempo com isso, vendo ali uma nova oportunidade. Enquanto reclamava, ela mordeu sua mão também, não o soltando mesmo quando ele tentou puxá-la de volta.
- ! – ele reclamou, entre resmungos de dor e risadas e ela acabou o soltando para rir.
- Eu disse para me por no chão! – ela pediu, mas em vingança, tudo que ele fez foi ameaçar deixá-la cair novamente, recebendo outro gritinho em retorno. tentou mordê-lo mais uma vez, mas antes que o fizesse, ele a tirou de seus ombros para puxá-la para seus braços e ela lhe evolveu pelo pescoço. – Pode me por no chão agora? – ela perguntou, erguendo uma sobrancelha para ele que imitou o gesto em provocação.
- Você me morde e acha que eu vou te recompensar? – perguntou. – Você vai para a piscina, de roupa e tudo.
- Você nem é louco! – ela protestou rapidamente, o esmurrando no peito e ele apenas riu.
- Não? – riu debochado. - Vamos ver.
- , essa roupa sequer é minha! – ela gritou, soando ligeiramente histérica.
- Pensasse nisso antes. – respondeu, já aproximando-se da borda iluminada da piscina. Da última vez que estiveram ali, as luzes também estavam ligadas apesar de não haver morador na casa, mas tiveram que cuidar de achar o aquecedor que, por sorte, ainda lembrava onde ficava. – Vou te jogar. E na água fria.
- Não se atreva... – o ameaçou, mas o rapaz já tentava soltar os braços dela ao redor de seu pescoço. apenas se agarrou ainda mais, o fazendo rir. – Não, você vem junto. – falou, e ele sorriu como se a ideia lhe agradasse demais. Ela arregalou os olhos. – Não! ! – reclamou, fechando os olhos e se encolhendo quando ele fez de pular, mas ao invés disso apenas riu, beijando sua testa antes de se afastar, colocando-a no chão antes que pudesse se dar conta do que havia acontecido.
Quando voltou a abrir os olhos, ele sorria.
- Tira a roupa, vou ligar o aquecedor. – avisou, afastando-se dela em seguida enquanto a garota piscava algumas vezes, ligeiramente confusa antes de dar de ombros, puxando o vestido pela cabeça.
não era de muitas frescuras. Por baixo do vestido, usava um conjunto simples de lingerie preta e não era como se, depois de mais de quinze anos de amizade, já não tivesse visto a garota daquela forma milhões de vezes. Já não se importava de trocar de roupa na frente dele, o rapaz tampouco e na maior parte das vezes apenas faziam piada um com o outro.
A garota ouviu um pequeno estalo e imaginou que o aquecedor tivesse sido ligado. Demoraria até que fizesse efeito, mas a noite não estava fria, muito pelo contrário.
- Acho que você deveria entrar primeiro para testar a água. – falou, abrindo o cinto preso a calça social.
- Depois de você, querido. – ela respondeu, gesticulando para a água e ele apontou para si mesmo em resposta.
- Estou vestido ainda.
- Se desvista então. – retrucou ela. – É bem simples, precisa de ajuda? – perguntou, recebendo um sorrisinho travesso em resposta que a fez revirar os olhos. – Idiota. – xingou baixo, o fazendo rir mais antes de finalmente se livrar da calça, aproximando-se da garota vestindo apenas uma cueca box preta.
olhou para ele de canto de olho, desconfiada, mas fingiu não notar, cruzando os braços em frente ao peito como se estivesse com frio, o que ambos sabiam, não estava.
- Sério, você deveria mesmo entrar primeiro. – falou como quem não quer nada, sem encará-la, mas quando a garota se voltou para ele, pronta para retrucar, já era tarde. lhe agarrou pela cintura, arrancando um grito dela ao derrubá-la na água junto consigo.
Quando emergiram, ele chacoalhou os cabelos, fazendo com que a água voasse para todos os lados em obvia provocação. gargalhava e urrou irritada, jogando os cabelos para trás enquanto lançava a ele um olhar um tanto quanto irritado.
Sem dar tempo para que ela falasse qualquer coisa, espirrou água nela, em seu rosto, e em resposta ela se jogou sobre ele, tentando derrubá-lo. Mais uma vez, riu e acabou por fazer o mesmo enquanto envolvia sua cintura com as pernas, tentando segurar seus braços para evitar que ele a derrubasse. Sem precisar pensar muito sobre como sair daquela situação, no entanto, tudo o que ele fez foi se jogar para frente, na água, e caiu junto com ela na piscina novamente. Submersa, ela tentou empurrá-la, mas a envolveu com os braços, quase se afogando ao rir das tentativas frustradas da garota de se livrar dele enquanto mantinha os dois embaixo da água.
Quando começou a ficar sem ar, voltou a emergir e levou consigo, rindo enquanto ela tossia. ajudou a arrumar seus cabelos, empurrando os fios bagunçados para trás e mal humorada, ela o esmurrou, mesmo que, na verdade, não estivesse nenhum pouco incomodada por aquilo.
Finalmente pareciam os dois novamente. As brincadeiras com as quais estava acostumada e ela não podia se ver mais satisfeita por isso, se deixando sair da pose ao sorrir para ele, verdadeiramente satisfeita.
- O quê? – ele perguntou, sorrindo também e ela apenas negou com a cabeça, sem deixar o sorriso morrer. – O que foi? – insistiu, mas quando ela apenas repetiu o gesto, ele beliscou de leve sua barriga, a fazendo pular para trás a fim de se afastar dele. – Fala. – pediu novamente, se aproximando enquanto ela se afastava. – !
- Não é nada! – ela disse, entre risos, embora sua expressão falsamente emburrada não estivesse colaborando para sua seriedade.
- Você está rindo!
- E daí? – ela perguntou, mas soube que estava perdida assim que parou de avançar, estreitando os olhos.
- Um... – ele começou e ela deixou o queixo cair.
- Não. – respondeu, em tom de aviso apesar dos risos. Estendeu uma das mãos para frente, como se tentasse mantê-lo afastado, mas ambos sabiam que aquilo não seria o suficiente para impedi-lo.
- Dois...
- !
- Três... – continuou, a expressão divertida, especialmente quando ela arregalou os olhos, dando as costas para correr. Se tivesse tentado isso antes, bom, talvez tivesse conseguido, mas não o fez e sua tentativa de fuga acabou completamente frustrada por ele que a segurou novamente pela cintura, fazendo com que se virasse de frente para ele.
- Me solta! – ela pediu, entre gargalhadas enquanto ele lhe fazia cócegas, segurando a garota em seus braços. tentou se soltar, se afastar, mas antes que tivesse oportunidade de chegar perto de conseguir tal feito, as luzes da casa se acenderam e eles se afastaram um do outro em um pulo assustado, mesmo antes das lanternas serem apontadas na direção deles.
- Saiam daí agora, seus baderneiros. – falou o homem recém chegado, mais precisamente, um policial que para o azar deles, também não estava sozinho. Ele viera em dupla, com um parceiro e ao lado deles, imaginava-se ser o dono da casa, encarando ambos com um olhar severo.
Era isso, não tinha mesmo como escapar dessa e ela suspirou enquanto trocava olhares com o amigo.
Agora estavam ferrados.

+++


batia os pés em ritmo quase frenético e qualquer um, mesmo que não o conhecesse, podia ver que ele estava igualmente nervoso e ansioso. Sentada ao seu lado, colocou a mão sobre sua perna, fazendo com que ele parasse. lhe encarou devido ao gesto e sem dizer nada, ela lhe perguntou qual era o problema simplesmente porque costumavam ser assim, entendiam-se sem que fossem necessárias palavras.
Na verdade, ela lhe entendia bem o suficiente para saber também a resposta para a questão não verbalizada, mas preferia que ele dissesse.
estava nervoso pelo pai, pelo que aquela passagem pela polícia traria para ele, especialmente depois de ser aceito em Quântico e da fortuna que seu pai pagou para sumir com toda a merda que ele havia feito na adolescência.
O problema era evidente, afinal, estaria rindo por isso há alguns meses e aquela reação totalmente não condizente a ele era como um balde de água fria sobre , especialmente depois dos minutos que tiveram na piscina. Os minutos que lhe permitiram esquecer qualquer problema estúpido.
- Para com isso. – ela sussurrou para ele quando não disse nada e tampouco parou o que fazia, mesmo com a mão dela sobre seu joelho, limitando o movimento. – .
- O quê? – perguntou impaciente, mesmo estando ciente ao que ela se referia. Quando lhe encarou com a mesma expressão de antes, como se perguntasse qual era a droga do problema, ele choramingou, levando as mãos até seu rosto para escondê-lo. – Ele vai me matar...
- Você era muito mais legal quando não se importava. – resmungou ela, tirando a mão que mantinha em seu joelho e lhe encarou desacreditado.
- É sério? – perguntou. – Agora?
- O que é, ? Estou apenas sendo sincera. Você não daria a mínima para isso há alguns dias e nos divertíamos muito mais com a situação naquela época.
- Naquela época eu não estava tentando ser um agente do FBI. – falou e ela acabou rindo em deboche, sem que pudesse se controlar. Ele nunca havia exposto aquilo daquela fora, com todas as palavras, mas agora que o fizera, a piada só ficava mais obvia. Não era possível que ele não fosse capaz de notar e achou melhor manter aquele pensamento para si antes que ele lhe acusasse de falta de apoio.
Tudo bem, ela não apoiava, mas não era como se ele se ajudasse. podia ter escolhido ser qualquer coisa no mundo, mas agente do FBI?
- Você podia pelo menos fingir que se importa. – acusou em um resmungo e ela deixou o queixo cair, virando-se para ficar de frente para ele.
- Você acha que eu não me importo? Que estou agindo contra essa sua ideia porque não me importo? – perguntou, vendo o outro dar de ombros. – Sei que nunca tivemos grandes planos para nossa vida, mas você vai largar tudo para fazer algo que não quer, que nunca quis, por outra pessoa. Se estivesse fazendo isso por você, teria todo meu apoio por mais absurdo que fosse, mas não é. Sequer é por Liam, pois ele preferiria que achasse seu próprio caminho, que vivesse a sua vida e não a dele. , você está fazendo isso pelo seu pai e já está até se vestindo como ele, se portando como ele e não consegue ver. Está se afastando e não consegue ver que não é por mim. Não é porque eu não te dou apoio, é porque você está diferente, cada dia mais parecido com ele, e nós sempre concordamos que isso não é um motivo para se orgulhar.
- Ele é meu pai, . – respondeu, finalmente lhe encarando. – O que você espera que eu faça, uhm? Ele é meu pai e sim, eu quero agradá-lo. Qual é o problema? O que tem de errado em tentar deixá-lo orgulhoso?
- O problema não é tentar deixá-lo orgulhoso, . É a forma como você escolheu para isso, mudando quem é, fazendo o que não quer. Isso está errado. Não é certo que você tenha que mudar completamente para agradar seu pai. Ele deveria te amar como você é e não a pessoa que ele quer que você se torne. Especialmente quando ele está tentando te transformar em Liam para isso.
Apenas depois que falou, percebeu o tamanho da besteira que havia dito, a crueldade escondida em suas palavras, mesmo que aquela jamais tivesse sido sua intenção. Sugeriu que a única forma de seu pai ter orgulho dele, era transformando-o no irmão. Sugeriu que seu pai nunca tinha tido orgulho dele, apenas do irmão. Estava tentando transformá-lo em Liam porque Liam fazia falta, ele não.
Sem dizer nada, se afastou dela. Foram poucos centímetros na verdade, mas o gesto não passou despercebido por ela que sentiu seu coração murchar imediatamente, não só pelo que havia causado a eles, mas também pelo que havia causado a ele, a dor que aquelas palavras provavelmente traziam.
Ela havia acabado de magoá-lo, algo que nunca imaginou que aconteceria e sentiu as lágrimas ameaçarem surgir em seus olhos.
- ... – chamou em um choramingo, mas antes que ele sequer tivesse tempo de encará-la, duas batidas na grade da frente chamaram a atenção dos dois, fazendo com que ambos encarassem os homem logo ali.
Era o pai de , acompanhado por um policial.
- Vamos embora. – seu pai falou, olhando para que se levantou lentamente, a amargura estampada de forma terrível em seu rosto. Ele sabia que o que ela havia dito era verdade, e por isso doía. Ela havia jogado na sua cara justamente o ponto que já o vinha consumindo, sem que ela tivesse notado.
Sempre se gabou tanto de conhecê-lo com a palma de sua mão, mas só então percebeu que havia deixado passar a parte mais importante. Era por aquilo, era justamente por aquela parte, que ele precisava de apoio, porque sabia que seu pai havia se aproximado dele apenas porque não tinha mais Liam para satisfazê-lo.
Assim como ele havia feito, se levantou. Não estava pensando realmente no que estava fazendo, ela apenas precisava seguí-lo, acompanhá-lo, ampará-lo, mas o policial lhe barrou assim que passou, chamando imediatamente a atenção do rapaz que se voltou para ela enquanto a grade era novamente fechada, agora entre os dois.
- O quê...? – perguntou espantado, antes de olhar dela para seu pai. – Você não pode deixá-la ai! – exclamou, desacreditado.
- A cadeia é exatamente o lugar dela. – o homem respondeu com desdém, olhando para a garota com repulsa antes de dar as costas. – Por favor, . Você podia pelo menos tentar encontrar algo melhor. – completou enquanto ele se matinha parado em frente a cena, encarando as costas do pai com uma expressão um tanto quanto perplexa.
- Eu não vou a lugar nenhum se ela não for junto. – falou, firme, e o homem parou onde estava, levando pelo menos meio minuto para se virar novamente para o filho.
- Perdão? – perguntou, como se lhe desse a chance de voltar atrás com aquela besteira.
- Não vou a lugar nenhum se ela não for junto. – repetiu, falando de forma um tanto quanto lenta demais, pausando entre as palavras. Normalmente, ela odiava quando faziam isso, mas naquele caso dizer que amou era muito pouco.
enfrentando o pai era tudo que ela queria para a vida.
- Você pensa o que, moleque? – ele perguntou, avançado na direção do filho em passos largos. – Você acha que é fácil manter sua ficha limpa com esse monte de merda? – perguntou, gesticulando irritado para lugar nenhum. – Eu dei duro para sumir com os seus registros e você me vem com mais essa? Vamos agora para a casa, , e acho bom não me provocar antes que eu decida ter aqui a conversa que te espera quando chegarmos.
- Já disse que não vou. - insistiu de forma simples, porém inabalável.
- E pretende o quê? Passar a noite aqui? Ser fichado igual a um bandido? – perguntou e não teve nenhuma dificuldade em notar a risada irônica e debochada que segurou pelo comentário. Não seria a primeira vez que passavam a noite ali, menos ainda a primeira passagem pela polícia por aquele tipo de coisa. Também não seria uma novidade seu pai lhe deixar lá, já havia feito isso, como castigo, mais de uma vez, mas de repente ele se importava e se viu satisfeita por ter notado, mesmo que a sensação não tenha durado nem mesmo um minuto ao se dar conta de que aquilo lhe destruiria.
- Se eu bem me lembro, da última vez que estivemos aqui você me deu um sermão e depois foi embora. Você me largou aqui, então qual é o problema dessa vez?
- Você vai mesmo me fazer repetir a ordem, ? – perguntou, claramente impaciente.
- Depende, você vai responder a minha pergunta? – devolveu, recebendo um olhar ameaçador como retorno.
- Eu vou fazer melhor, vou fingir que sequer ouvi para me poupar dessa palhaçada. – disse ele, agarrando agressivamente pelo braço. A intenção era arrastar para fora, mas o outro se esquivou com maestria, vacilando alguns passos para trás enquanto suas bochechas ganhavam uma coloração um pouco mais avermelhada devido a irritação que, de repente, tornou-se aparente.
- Tira a mão de mim! – reclamou, olhando desacreditado para o pai. – Não vou a lugar nenhum sem ela e, sinceramente, eu realmente não me importo de passar a noite aqui se for o caso.
- E perder a chance que finalmente conseguiu?! Que eu consegui pra você?! – exaltou-se o homem, avançando em sua direção e só parando ao estar cara a cara com ele, próximo demais para ser aceitável. Não que tenha parecido abalado com o gesto, muito pelo contrário, manteve-se firme, orgulhosamente firme.
- Se significar isso, sim! – respondeu de uma vez, decidido.
- Você é uma piada mesmo. – o homem falou, finalmente afastado-se do outro que se manteve no mesmo lugar sem dar um passo, sem mudar um centímetro se quer da postura. – Foi realmente uma enorme tolice minha pensar, por um segundo, que você poderia ser um homem como o seu irmão teria sido.
- Eu sei disso, e sei também que não sou o Liam. Você precisa parar de tentar me transformar nele.
- É impossível te transformar em alguém como ele. – seu pai devolveu, dando a conversa por encerrada ao dar as costas, afastando-se sem nem mais uma palavra.
O guarda olhou confuso de um para o outro, como se tentasse decidir o que fazia com e . Ele apertou os passos para alcançar o homem, tocando seu ombro para fazer com que lhe encarasse.
- Senhor... – chamou, apontando para os dois ao final do corredor e, após olhar com desdém para o filho, o homem deu de ombros.
- Solte os dois. – o homem falou. Dinheiro para fiança não era exatamente um problema para ele que nunca conheceu uma vida de dificuldade. – Mas você - apontou para o filho. -, não volte mais para a casa. Se vire com sua mãe já que foi ela a responsável por te deixar assim.
não tinha qualquer problema com a mãe, muito pelo contrário. Apenas não vivia com ela porque seu pai lhe impedia, mas, ainda assim, ser expulso de casa não era a melhor experiência pela qual alguém poderia passar, especialmente após as palavras um tanto quanto duras do homem e, assim que a cela foi aberta, foi até ele, segurando a mão do amigo enquanto ele via o pai se afastar.
- Está tudo bem? – ela perguntou e, após alguns segundos, ele se voltou para ela, sorrindo ao concordar com a cabeça.
- Estou, na verdade. – respondeu, soando até mesmo sincero apesar da ligeira melancolia que ela conseguia ver em seus olhos. – Sabe, estou aliviado agora que passou.
sorriu, aproximando-se mais dele sem soltar sua mão.
- Você vai encontrar algo que queira fazer de verdade, por você. – disse ela e ele concordou com a cabeça, voltando, em seguida, a olhar para o local onde seu pai havia sumido. – Mas, sabe... Antes você deveria tirar essas roupas de mauricinho. Não enganam ninguém. – brincou, puxando levemente sua camisa.
Em resposta, ele ergueu uma sobrancelha.
- Você não reclamou quando roubou meu paletó para se esquentar. – respondeu, fingindo estar ofendido e ela apenas fez bico, como se ponderasse sobre o assunto.
- Para alguma coisa ele tinha que servir, vamos concordar. – respondeu, o fazendo rir antes de passar um dos braços por seus ombros.
- Vem, eu vou te lavar para a casa. – falou, a fazendo caminhar consigo. Estavam sem carro e a delegacia era longe demais de onde ele havia sido deixado. Sabia que tinha se esquecido desse detalhe, mas ela apenas concordou satisfeita, abraçando-o de lado.
Não se importava se teriam que andar quilômetros até chegarem a algum lugar. Ele estava de volta e ela não deixaria que se afastasse novamente.



Fim.


Nota da autora: Aeee, mais um ficstape! E confesso que esse foi difícil de sair, hein. Scrr! São tantos que já nem consigo mais pensar em plots! Hahaha
Enfim, espero que tenham gostado e, caso quieram, vou deixar abaixo links para redes sociais e outras fics.
Bjão!





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