02. Love Me Like You



Finalizada em: 04/05/2017




Capítulo Único



"Sha-la-la-la
Sha-la-la-la
Sha-la-la-la"


- Céus, você é horrível! – Zayn reclamou, aos risos, ao puxar o violão dos braços da namorada, fazendo com que ela bufasse e cruzasse os braços, inconformada.
- Você é que é um péssimo professor. – Resmungou, vendo o garoto colocar o violão de lado, em cima da capa que estava no chão, aos pés da rede onde o casal se encontrava naquele momento.
estava de férias, finalmente livre, para sempre, de toda e qualquer coisa a qual tivesse que sobreviver no colegial, o que era ótimo em parte, porém péssimo por outro lado também.
Seu sonho sempre fora ir para Yale e com seu histórico perfeito as chances de não passar eram praticamente nulas, o que, apesar de não eliminar o nervosismo até que o escritório de administração de Yale enviasse a carta de admissão, lhe fazia pensar em ter que deixar a Califórnia. Aquilo seria outro problema agora que tinha Zayn. Não fazia muito tempo que eles eram um casal, alguns meses, mas, ainda assim, ela não gostava de pensar em ter que deixá-lo. Eles vinham evitando o assunto, mas era obviamente o elefante branco na sala.
Zayn trabalhava para o pai de quando se conheceram, com o jardim e coisas da casa e eles passaram algum tempo se provocando, explorando a tensão sexual óbvia entre eles para ver quem ia ceder primeiro, até acabarem enfiados num encontro romântico, sozinhos. Nenhum dos dois sabia explicar como chegaram aquele ponto, na verdade, mas fora provavelmente o que os levou até o dia de hoje, onde eram namorado e namorada, aprovados pelo pai super protetor da garota e até usavam anel de compromisso.
- Eu sou bom em tudo que eu faço, meu amor. – Zayn murmurou por fim, fazendo a garota arquear as sobrancelhas para ele, como se perguntasse de onde o garoto tirou aquilo. Zayn deu de ombros, sem realmente levar sua implicância a sério. – Você mais do que ninguém sabe disso.
- Não sei de coisa nenhuma. – Ela retrucou, fazendo pouco caso do namorado antes de fugir dali, deixando-o sozinho na rede.
Zayn riu com sua atitude, se pondo de pé em seguida para ir atrás dela, sabendo muito bem que era mesmo o que ela esperava. Não que ele não gostasse, aquelas brincadeiras, mesmo sem propósito nenhum na verdade, eram parte do que eram e nunca se cansaria daquilo.
- Peguei você. – Murmurou, puxando a garota para seus braços quando virou o corredor e a encontrou prestes a entrar no banheiro. Ela riu e o levou para dentro do cômodo consigo, lhe puxando pela roupa e moldando seus lábios.
Zayn segurou em sua cintura imediatamente, seus corpos se entrelaçando quando prendeu a garota contra a pia, segurando simultaneamente em seus cabelos, os juntando num bolo enquanto a garota invadia sua boca com a língua, apertando suas costas com uma das mãos. Ela adorava sentir os músculos firmes das costas de Zayn em suas mãos, mesmo por cima da camisa, adorava puxá-lo para perto e ditar o ritmo do beijo faminto que trocavam, assim como adorava quando ele lhe tocava com tanta pressa, quando retribuía os toques dela com a mesma intensidade, puxando suas pernas para fazer com que ela as usasse para abraçar sua cintura.
O garoto não precisava de muito para lhe enlouquecer, mas aquilo de jeito nenhum tornava o que faziam menos motivador para ele. Ao contrário, Zayn adorava ver se render aos seus toques, se entregar soltando gemidos sôfregos que soavam como música para o garoto, que rompeu o beijo, raspando os dentes em seu queixo enquanto começava a puxar sua blusa para cima, satisfeito com a sensação da pele quente e macia da garota em suas mãos.
sentia o corpo incendiar onde ele tocava e só conseguia querer mais dele, o puxando de volta pela nuca para outro beijo, correndo os dedos por seus cabelos em seguida, adorando mais do que era capaz de explicar, sentir os fios por entre os dedos, sentir que podia tocá-lo onde e quando quisesse, que podiam fazer aquilo ali ou em qualquer outro lugar, porque eram um do outro e nada parecia poder mudar aquilo.
Ao menos, era aquilo que ela achava naquele momento.
Zayn moveu a boca contra a sua, lhe beijando de volta e subindo sua saia ao entrar a mão por entre suas pernas, sentindo e se deliciando outra vez, como se fosse tudo de novo, com o quão quente ela era lá embaixo. Ele já havia lhe tocado inúmeras vezes, conhecia seu corpo quase como se fosse uma extensão do seu próprio, mas, céus, parecia que estava experimentando tudo de novo quando lhe tocava, não importava quanto tempo passasse.
Ele estava completamente apaixonado por ela e, tinha que admitir, morria de medo as vezes. Nem se lembrava da última vez que sentira aquilo, não tão intensamente e quão diferente os dois eram, seus destinos e estilos de vida, lhe preocupava mais do que era capaz de admitir.
Ainda assim, Zayn não podia imaginar o que estava por vir e a confusão começaria no instante seguinte, quando o telefone residencial soou alto e claro por todos os cômodos, fazendo com que resmungasse contra os lábios do namorado, não se sentindo exatamente satisfeita em se afastar.
- Deixa tocar. – Ele resmungou em resposta ao resmungo, sem soltá-la e ela suspirou, realmente tentada a fazer aquilo, mas podia ser seu pai e, se fosse, aquilo seria um problema, especialmente quando ele sabia que Zayn estava lá com ela. Seu pai gostava de Zayn, confiava nele, mas nenhum dos dois achava que cutucar a onça fosse uma boa ideia e a garota fez que não, tocando seus lábios brevemente.
- Pode ser meu pai. – Murmurou, afastando o namorado e passando em sua frente para seguir corredor afora. Zayn suspirou como se estivesse muito decepcionado, fazendo a garota rir, mordendo o lábio ao olhar por sob o ombro para o namorado, que fez bico para ela. imitou, precisando se conter para não simplesmente dar meia volta e enfiar a língua dentro da boca dele outra vez, sem saber se conseguiria explicar porque gostou tanto daquele bico, caso alguém perguntasse.
– Alô? – Ela murmurou, tirando o telefone sem fio do gancho ao chegar a cozinha.
- , querida. – Era mesmo seu pai e tomou impulso para se sentar na mesa ao ouvir a voz do homem, esperando que ele continuasse. – Adivinhe? – Ele pareceu empolgado e aquilo fez sorrir, já que não eram muitas as vezes em que via o homem animado com alguma coisa. Ele não fazia muito além de trabalhar desde a morte de sua mãe.
- O quê? – Ela perguntou, com um sorriso na voz por ver Zayn surgir na cozinha, se recostando ao balcão e lhe encarando.
- Vamos receber visita. – O pai da garota falou e sorriu, não precisando de mais para entender o que viria em seguida. A única visita que recebiam, afinal, era a tia da garota, irmã do pai dela e quase que uma mãe para . Ela cuidava dela e sempre fora a pessoa com quem ela conversava sobre tudo que não podia falar com o pai. Exceto Zayn, é claro. Ela ainda não conhecia Zayn. – Sua tia está chegando aí a noite. – O homem murmurou e sorriu animada com a notícia.
- Isso é ótimo! – Murmurou. – Mal posso esperar para apresentá-la para Zayn!
- É, boa sorte com isso. – Seu pai retrucou, rindo em seguida e ela fez uma careta.
- Qual é o problema? – Quis saber, na defensiva. As pessoas tendiam a ofender Zayn quando ela falava de seu relacionamento com ele, por isso estava sempre na defensiva.
- Filha, eu e você sabemos que sua tia pode ser bastante exigente as vezes. E critica. – Sei pai falou, cuidadoso. – Pelo menos prepare Zayn. – Sugeriu, delicadamente e ergueu o olhar para o namorado, que arqueava as sobrancelhas, passando a prestar atenção na conversa depois de ter ouvido seu nome.
Zayn não era mesmo o tipo de cara que sua tia esperaria ver namorando, no fundo a garota sabia disso, mas tinha esperanças que aquilo perdesse a importância quando visse o quanto os dois estavam felizes. Aquilo, no fim das contas, devia ser o suficiente para amansar sua tia.
- Fica tranquilo, papai. – Murmurou por fim, sorrindo para o namorado, tentando desfazer a tensão que devia estar em seu rosto agora, provavelmente causando a expressão de desconfiança dele. – Vou desligar, tá bom?
- Tudo bem, querida. Até mais. – Seu pai respondeu e a garota finalizou a ligação, colocando o telefone no lugar e pulando da mesa, sorrindo ao se aproximar de Zayn, que lhe encarava desconfiado.
- Por que parece que eu não vou gostar do que quer que você tem pra me falar agora?
- É claro que vai, não é tão ruim. – Ela retrucou e o namorado arqueou as sobrancelhas para suas palavras.
- Não é tão ruim?
- Vamos, vou te explicar tudo. – Ela rebateu, sorrindo para lhe provar que estava tudo bem enquanto lhe puxava para fora da cozinha. – Só preciso te apresentar uma pessoa.
- Uma pessoa importante? – O garoto perguntou, com a sensação que já sabia a resposta.
- Uma pessoa importante. – Ela confirmou.

+++


- Ah, você vai adorar ele! – Katherine murmuro, empolgadíssima, ao abraçar , na cozinha da casa da garota, que lhe encarava sem conseguir de jeito nenhum entender como funcionava a mente da tia. Nem se lembrava de quantas vezes lhe dissera que tinha um namorado, mas parecia que ela dissera o dobro das vezes que tinha alguém para lhe apresentar e que ela iria adorá-lo.
- Eu tenho um namorado. – Lembrou, pela enésima vez. – Você vai conhecê-lo essa noite. Já está tudo combinado. – Murmurou, olhando pelo canto do olho para o pai, esperando que ele confirmasse e o homem assentiu com a cabeça.
- Ele é um bom garoto, Katherine. – Murmurou, deixando claro que aprovava o namoro e ficou satisfeita por isso. Ela sabia que seu pai gostava de Zayn, sabia que ele aprovava o relacionamento dos dois, mas sabia também que sua tia podia ser persuasiva e, precisava admitir, ficava com medo que ela conseguisse envenenar seu pai contra Zayn, que ele já houvesse soltado alguma informação sobre o garoto e sua tia já estivesse decidida a odiá-lo.
- Ah, o cantor? – Katherine moveu a mão em descaso e fechou os olhos, se dando conta que tudo que temia já acontecera, olhando para o pai como se o culpasse por isso, já que ele era o único que podia ter contado qualquer coisa sobre Zayn a ela. – Besteira. vai para Yale e acreditem em mim pois sei do que estou falando, isso não vai durar. É um amor de verão. É gostoso, mas sem futuro. – Disse, sem parecer notar quão aquelas palavras eram propensas a magoar , que sentiu como se ela estivesse jogando em sua cara tudo no que ela mais evitava pensar, mas de alguma forma estava sempre ali, no fundo de sua mente.
- Katherine. – O Sr. repreendeu e ela rolou os olhos.
- Tanto faz, tanto faz. – Resmungou, claramente não levando o irmão ou a sobrinha a sério. – Eu vou me comportar, mas, , eu já te disse que o Seth vai para Yale também, não disse? – Encarou a garota, sorrindo e arqueando as sobrancelhas como se perguntasse se aquilo não era ótimo e olhou arregalou os olhos para ela, sem acreditar que ela ainda não desistira daquela história.
- Eu tenho um namorado! – Quase gritou, rindo em seguida. – Céus, tia, você é inacreditável!
- E você é uma boba, agora vá, vá tomar banho pra podermos ir logo para esse jantar. – Ordenou, virando a garota em direção a saída da cozinha. riu.
- Se comporte. – Pediu, olhando por sob o ombro para a tia quando pararam embaixo do arco que delimitava os limites da cozinha. – Ele é importante.
Katherine rolou os olhos em resposta, mandando ela ir logo para o banho.

+++


Estavam num dos melhores restaurantes de Hollywood, um que sempre gostara de ir com o pai, mas, de repente, odiava o lugar. Odiava a atmosfera daquela noite e tinha cada vez mais certeza que aquele jantar fora uma péssima ideia.
Zayn passara a noite inteira desconfortável e a cada instante estava mais irritado e frustrado. Já tinha afrouxado a gravata que lhe convencera a usar pelo menos umas cinco vezes e havia, realmente havia, tentado ser educado, conquistar a tia da garota, mas a mulher era uma cobra. Ela simplesmente não parou de soltar comentários inapropriados sobre todas as diferenças entre Zayn e e o garoto nem achava mais que ainda queria fazer aquilo, que se importaria se ela aprovasse ou não o relacionamento dos dois.
Por sorte, o Sr. pediu a conta logo que teve a chance, o que ainda assim não impediu Katherine de olhar feio para Zayn quando ele não tentou pagar a conta, mesmo sabendo que o garoto não tinha condições para bancar a conta de um lugar como aquele. Zayn era dois anos e alguns meses mais velho que , ainda que estivesse vivendo uma vida sequer parecida com a dela, estaria numa faculdade agora, não formado e pronto para assinar todo tipo de cheque, com todo tipo de valor, como Katherine parecia esperar. Ele sabia que no fundo ela queria apenas mostrar para Zayn quão desajustado ele estava ali, como devia ser óbvio que ele e não terminariam juntos, que tentar era estúpido e Zayn se odiava por estar de fato se deixando abalar por seu joguinho.
tentou intervir e puxou assuntos aleatórios a noite inteira, perguntando sobre como estavam as coisas em São Francisco, onde a tia morava, mas ela estava empenhada e completamente focada em Zayn, dando um jeito de voltar a conversa para o garoto o tempo todo e ele estava cheio dela. Estava cheio daquela noite.
Quando, finalmente, chegaram novamente a casa da família , Zayn avisou que precisava ir embora, pois morava longe e se prontificou para acompanha-lo até a porta, odiando o desfecho daquela noite quase tanto quanto ele. Esperava, pelo menos, que sua tia fosse odiá-lo calada caso, realmente, chegasse ao ponto, mas nunca aquilo. Ela passara a noite inteira atacando Zayn e se sentia péssima por ter contado para a tia que tinha um namorado, para início de conversa.
- Desculpe por essa noite. – Ela murmurou enquanto andavam, já mais perto do portão que dava acesso à rua do que das grandes portas de madeira que davam acesso ao interior da casa. – Eu não imaginei que fosse ser tão horrível.
- Tudo bem. – Zayn murmurou, sem encará-la, já puxando o portão para ir embora. – Te vejo depois. – Acrescentou, lançando um olhar breve a garota, que mordeu o lábio.
- Você está bem? – Perguntou, com um aperto no peito e Zayn soltou o portão, virando completamente de frente para a garota e suspirando pesadamente.
- Estou. – Murmurou, fazendo todo aquele esforço para que ela acreditasse nele. Completamente em vão, o olhar de deixava claro e ele bufou. – O quê?
- Eu não concordo com nada do que ela falou. – murmurou, passando a mão pelo rosto e respirando fundo, tentando conter o choro. Zayn notou isso e odiou ainda mais aquela noite, odiou vê-la daquele jeito. – Você sabe disso, não sabe?
- , agora não. – Ele retrucou, sem querer falar daquilo. Sabia que se deixasse a conversa seguir aquele rumo iam acabar brigando e a noite terminaria de maneira ainda pior. – Eu já vou, tá bom?
- Zayn, é sério. – Ela insistiu, se colocando entre ele e o portão. – Não quero que você saia daqui achando que eu penso como ela, por favor.
- Tudo que ela falou é verdade – Ele disse por fim, fazendo parar, surpresa, de repente temendo de verdade o rumo daquela conversa. – Você sabe disso. – Ele acrescentou e ela balançou a cabeça, passando a mão no rosto, nervosa.
- Então, o que você quer fazer? Quer terminar? – Perguntou, sem acreditar que estava proferindo aquelas palavras, que estavam cogitando aquilo. Eles se gostavam, caramba, não devia ser o suficiente?!
Zayn sentiu um gosto amargo na boca ao pensar naquilo, em terminar com ela. Ele não queria se afastar de , gostava dela de um jeito que não se lembrava de já ter gostado de alguém antes, mas ao mesmo tempo, parecia que não haviam chances para eles e ele simplesmente não sabia como devia lidar com aquilo.
- Talvez seja o melhor a fazer. – Murmurou por fim, lembrando-se em seguida que em alguns meses ela estaria na faculdade, longe dele. – Logo você nem vai estar mais aqui.
A pontada de rancor na voz dele foi como um tapa na cara para , que não pode evitar deixar a raiva inflamar dentro de si; ele estava chateado com ela porque ia para a faculdade?!
- Eu não acredito em você. – Falou, balançando a cabeça perplexa. – Porra, Zayn! O que você esperava? Eu ia para faculdade desde o inicio, é o meu sonho!
- E o meu é cantar. – Ele deu de ombros, não soando bravo, apenas cansado. – Só estou dizendo que queremos coisas diferentes. Talvez a gente deva pensar nisso ao em vez de insistir em algo que é, com certeza, um erro.
- Com certeza um erro?! – Ela arregalou os olhos, aumentando consideravelmente o tom de voz graças a incredulidade. – Puta que pariu, Zayn, sai daqui! – Ela apontou o portão e ele piscou, desviando o olhar para o portão, sem se mover por um instante. – Sai daqui! – Ela repetiu, antes que começasse a chorar na frente dele. Deus sabe o quanto odiaria a si mesma se aquilo acontecesse depois de ele ter sido um completo idiota.
Zayn saiu e ela bateu a porta atrás dele, levando em seguida as mãos ao rosto, já sentindo as lágrimas o molharem todo enquanto o xingava mentalmente.

- , querida, posso entrar? – Sua tia colocou a cabeça para dentro de seu quarto, cerca de uma hora depois. Não que soubesse disso, ela não tinha a menor ideia, na verdade, de quanto tempo havia se passado. Ela estava presa naquela discussão, no que parecia ter sido o fim de seu relacionamento, na sensação que misturava raiva e tristeza e parecia consumi-la.
- O que foi? – Perguntou, vendo sua tia entrar em seu quarto e limpando as lágrimas com as costas da mão. Será que não podia nem chorar em paz?! E nem era como se estivesse menos decepcionada com a tia depois de tudo que ela fizera naquela noite.
- Vocês brigaram? – A mulher perguntou, cuidadosa, ao se sentar na ponta da cama de , onde ela estava embrulhada. Ela rolou os olhos, achando a pergunta no mínimo estupida.
- O que você acha?
- Ah, querida. – Sua tia suspirou, passando uma mão por seu rosto antes que virasse, desfazendo o contanto. – Foi melhor assim, meu amor. Sei que acha que gostava desse garoto, que ele gostava de você, mas isso não é o suficiente em casos assim. Vocês são muito diferentes.
- Você pode, por favor, sair? – retrucou, sem disposição nenhuma para ouvir aquilo. Ela já entendera, parecia que estava todo mundo gritando para ela, de todos os lados, que eram diferentes, que não dariam certo, por que não simplesmente paravam?! Ela já entendera.
- . – Sua tia insistiu e ela bufou, lhe encarando novamente, com impaciência óbvia. Sua tia abriu um pequeno sorriso. – Eu ainda posso ligar para o Seth.
piscou, surpresa, sentindo coisas demais ao entender o que estava acontecendo. Sua tia falara sobre o tal Seth mais cedo, sobre ele estar indo para Yale também e, céus, ela insistira tanto naquilo. Mesmo depois de ter dito tantas vezes que tinha um namorado.
Bom, aquilo não era mais um problema.
- Está falando sério? – Perguntou, desconfiada. Não era possível que sua tia realmente esperasse que ela saísse num encontro com outro cara logo depois de terminar com Zayn, era?! Ela nem chorara a quantidade apropriada de lágrimas ainda.
- , você é jovem. – Katherine começou. – O melhor momento de sua vida é esse que está vivendo e se Zayn não quer ser parte dele, tudo bem. Você pode e vai encontrar alguém melhor.
rolou os olhos ao ouvir aquilo, duvidando. Não era como se fosse se apaixonar por outra pessoa instantaneamente, uma noite depois de ter terminado com seu namorado, por quem ainda estava apaixonada. Ao mesmo tempo que pensava naquilo, no entanto, pensava em tudo que Zayn dissera a ela e sentia raiva novamente. Talvez devesse ir nesse encontro, só para se sentir vingada, para dar a si mesma a chance de acreditar no que a tia dizia, mesmo que não achasse que aquilo fosse acontecer. No pior dos casos, iria dormir chorando outra vez, mas, ei, o que é uma gota de chuva para quem já está todo molhado, não é?
- Tá legal. – Cedeu por fim, porém não pelo motivo que a tia esperava, é claro. Ela só queria acreditar que podia superar Zayn. – Liga pra ele. Eu estou livre amanhã.
- Ótimo. – Katherine sorriu, animada. – Você vai adorar ele.
- É, você já disse isso. – rolou os olhos. – Posso ir dormir agora?
- Claro, querida. – Katherine se pôs de pé. – Boa noite.
não respondeu e Katherine deu as costas, fechando a porta atrás de si ao sair do quarto, deixando a garota sozinha com seu coração partido outra vez
.
+++


Seth era um verdadeiro cavalheiro, com um sorriso encantador e os modos de um príncipe. Estava deixando maluca, com aquele encontro caro e seu carro enorme, a cada minuto provando ser um pouco mais diferente de Zayn e aquilo estava lhe enlouquecendo simplesmente porque, ainda assim, não conseguia parar de pensar no garoto.
Agora, os dois haviam acabado de chegar a um restaurante estrelas e fingiu para si mesma que aquilo era ótimo, afinal Zayn nunca lhe levava a lugares como aquele, mas no fundo odiou estar ali tanto quanto odiou a si mesma por pensar aquilo sobre Zayn, como se a culpa fosse dele. Os dois eram diferentes, mas aquilo nunca fora um problema de verdade para ela. Não achou que aquilo fosse significar o fim do melhor relacionamento que já tivera.
Se odiou ainda mais por estar pensando naquilo e aprumou o peito, sorrindo em agradecimento para Seth quando ele puxou a cadeira para que ela sentasse, o fazendo em seguida. Seth deu a volta para sentar de frente para ela e, enquanto isso, ela pegou o cardápio para olhar, sorrindo triste para a capa dura e as folhas perfeitamente limpas. Nenhum pouco de gordura.
Zayn com certeza faria piada com aquilo se estivesse ali.
- Argh, – Ela resmungou consigo mesma, se ajeitando na cadeira e colocando o cardápio de lado, sorrindo para Seth. Precisava focar em Seth. Zayn era um idiota. – Então, você também se inscreveu para Yale? – Perguntou, demonstrando animação com aquilo. Seth sorriu, fazendo que sim.
- Me inscrevi. – Confirmou. – Se tudo der certo, seremos colegas no próximo ano.
- Incrível. – Seu sorriso quase rasgou o rosto, mas qualquer um que lhe conhecia bem sabia quão falso era. Seth não era nem remotamente interessante e ela odiava cada vez mais aquele dia, sua tia, sua vida e até Yale. Odiava Yale e odiava Zayn. Odiava todos e só queria sumir.
Queria também que sua menstruação descesse de uma vez para que aquele humor de merda fosse embora, mas aquela era uma história completamente diferente. Podia tentar culpar sua TPM, mas não duvidava que estaria chorando ou esmurrando quem aparecesse na sua frente se, além de tudo, também estivesse tendo que lidar com algo próximo de cólica.
- Boa tarde, desejam pedir? – Ao ouvir aquela voz, deu um sobressalto na cadeira, chegando a pensar até mesmo que estava ficando louca antes de erguer o olhar e ver que era mesmo Zayn ali. Seu garçom era seu ex-namorado. Puta que pariu.
- Zayn? – Engasgou, soando tão chocada quanto realmente se sentia, sem acreditar no tamanho de sua sorte. Aquilo não podia estar acontecendo de verdade, podia? Devia haver, tipo, um limite para quão ruim podia ser um encontro ou, sei lá, um dia no geral. Pelos céus.
- Vocês se conhecem? – Seth perguntou, surpreso, olhando de um para o outro. Zayn não encarava , apertando os dedos com mais força do que o necessário contra a caneta em posição para rabiscar o pedido dos dois no bloquinho. Ele não conseguia acreditar que ela estava ali, bem em sua frente. Esperava poder ter pelo menos uns dias até ter que vê-la de novo e, como se aquilo não bastasse, com outro cara. Porra, o que ela estava fazendo com outro cara?!
- Sou o ex-namorado da sua acompanhante e você... – Ele virou para encarar Seth, parando de falar para analisa-lo, fazendo uma careta de reprovação em seguida. – Não vai satisfazê-la. – Murmurou, como se sentisse muito por ele em seguida e tossiu, sem acreditar que ele estava fazendo mesmo aquilo. Zayn virou para encará-la, arqueando as sobrancelhas. – Vai?
Sua voz misturava confusão e deboche, mas conseguiu ver a decepção em seus olhos, a curiosidade quase agressiva e engoliu em seco.
- Foi você quem quis terminar. – Ela sussurrou, como se estivesse se defendendo de uma acusação que Zayn nem mesmo chegara a fazer, mas não precisava. Ela o conhecia bem o suficiente para reconhecer a mágoa em seus olhos.
- Ela vai pedir frango para fazer pose, mas prefere picanha. Malpassada. – Zayn disse, num rompante rápido demais para que conseguisse absorver enquanto seu cardápio era arrancado de sua mão e ele colocava debaixo do braço. Seth abriu a boca para rebater, mas foi mais rápida.
- Frango está ótimo. – Murmurou, encarando o garoto como se o desafiasse a falar alguma coisa, mas ele só desviou o olhar, anotando seu pedido.
- Dois então. – Seth murmurou, estendendo a mão por cima da mesa para tocara de , que olhou as duas mãos juntas com náuseas, mas não fugiu do toque. Zayn encarou o outro garoto e rolou os olhos, se perguntando se tinha como ele parecer mais como um cachorro tentando marcar território.
- É para já. – Murmurou, dando as costas ao casal em seguida, o que foi o suficiente para puxar a mão de volta, desviando o olhar desconfortável para a toalha de mesa que adornava o móvel.
- A gente pode ir embora, se você quiser. – Seth murmurou, sem jeito e ela fez que não, alinhando a postura.
- Está tudo bem. – Garantiu, mesmo que não estivesse, mesmo que nem que quisesse ela fosse capaz de acreditar naquilo. Tudo estava, na verdade, uma droga. – Eu vou ao toalete, ok? – Avisou, se pondo de pé e dando as costas antes mesmo que Seth tivesse a chance de responder.
A garota se escondeu no banheiro feminino por vários minutos, lavando o rosto e puxando o ar incontáveis vezes na tentativa de se sentir melhor, de pensar direito. O que estava fazendo era ridículo. Seth não era e nunca seria como Zayn, não tinha como chegar remotamente perto de ser como o cara de quem ela mais gostara na vida e, lá estava ela, presa naquele encontro sem propósito com ele, o cara que nunca seria Zayn.
Frustrada, a garota bufou, saindo do banheiro só depois de prometer a si mesma que se comportaria naquele encontro, que não tinha porque magoar Seth também. esqueceu, no entanto, da promessa, assim que saiu do banheiro e seu olhar encontrou o de Zayn no salão. Ele servia outra mesa, mas lhe encarou por alguns segundos, segundos que pareceram congelar todo o resto para ; ele era tudo que ela via.
A garota não precisou de mais para saber que, não importava quantos caras tentassem lhe levar num encontro, nenhum superaria Zayn. Ele sempre seria seu número um.
Quando o garoto desviou o olhar, foi como se ele estivesse quebrando o coração dela outra vez, exatamente como na noite anterior quando disse que tudo fora um erro e engoliu em seco por sentir tudo de novo e pela lembrança, desviando o olhar também e seguindo até a mesa onde estava antes com Seth, sorrindo para ele ao se sentar.
- Me desculpe. – Murmurou educadamente e ele fez que não com a cabeça, indicando que não se importava. Bom, sorte a dele, porque se importava muito menos.
- Você quer beber alguma coisa? – Seth sugeriu, cuidadoso e ela ergueu de imediato o olhar para ele, sem se importar com quão alcoólatra parecia com a atitude. Ela não queria beber, ela precisava.
- Acho que ia cair bem. – Sorriu de leve, como se estivesse muito culpada por concordar e Seth sorriu mais abertamente, fazendo sinal para o garçom. engoliu em seco, contendo o ímpeto de se encolher na cadeira, mas, por sorte, não era mais Zayn quem os estava atendendo e Seth pediu uma dose de Grey Goose para si e um Martini para , que fez uma careta para o pedido, mas conteve o ímpeto de corrigir. Achava Martini agridoce demais, mas aquele encontro já estava sendo bosta o suficiente para que ela ainda ficasse corrigindo o pobre coitado.
O encontro em si não fora ruim, Seth era educado e não tinha culpa nenhuma de ter sido colocado no meio da bagunça que era a vida amorosa de , mas conseguiu lidar bem com a situação. Ignorou todas as vezes que acabou deixando o olhar cair sobre Zayn, falou de outras coisas, assuntos aleatórios que julgou seguro do tipo não trazer a tona todo o drama com o ex-namorado e precisou admitir que, a algum tempo atrás, antes de ter estado com Zayn e sido completamente enfeitiçada por ele, ele seria exatamente o tipo de cara com quem ela ficaria. Com quem ela teria orgulho de ficar e o mundo seria dele, tudo seria perfeito, pois tinham os mesmos sonhos, eram, enfim, iguais. Mas Zayn já era o dono de seu coração e semelhança nenhuma com outro cara parecia capaz de mudar isso.
Por fim, Seth foi pegar o carro com o manobrista e, enquanto ele esperava, foi outra vez ao banheiro. Quando saiu, ela mordeu o lábio, observando de longe Seth conversando com o manobrista do lado de fora antes de olhar em volta, procurando Zayn. Não ia conseguir sair dali sem falar com ele, sem tentar de novo. Ela viu o garoto do outro lado do salão, colocando os pratos sujos de uma mesa em cima da bandeja e, sem pensar muito, foi apressada até ele.
- Zayn. – Chamou, pousando as duas mãos na mesa.
- , agora não. – Ele resmungou em resposta, sem erguer o olhar para lhe encarar. mordeu o lábio com mais força em resposta.
- Tudo bem, não olha pra mim, mas eu vou falar de qualquer jeito. – Ela retrucou, insistente e Zayn bufou, mas não falou nada. Satisfeita, se aprumou em sua frente. – Primeiro, eu vim nesse encontro porque estava com raiva de você, mas nunca teria vindo aqui se soubesse que você estaria trabalhando nesse restaurante. Acho importante você saber disso, porque por mais que tenha me magoado ouvir você dizer que o que tínhamos era um erro, que, basicamente, não valia a pena lutar...
- Eu nunca disse isso. – Zayn a interrompeu, finalmente lhe encarando. – Nunca disse que não valia a pena lutar.
- Mas era exatamente nisso que estava pensando naquela noite. – Ela insistiu. – Você não disse porque não teve coragem, mas foi no que pensou. Você se deixou acreditar que eu e você não éramos tão importantes assim e isso doeu.
- E, para se sentir melhor, para acreditar que você é sim importante, você quis sair com outro cara? Quando a gente acabou de terminar? – Ele rebateu e soltou o ar todo de uma vez, se sentindo frustrada por parecer que, quanto mais falava, mais bagunçava tudo.
- Eu nunca disse que era perfeita ou que estava fazendo a coisa certa. Só estou tentando me explicar. – Ela retrucou, soando tão frustrada quanto realmente se sentia. – Eu não quero terminar, Zayn. Eu acredito na gente e juro, nada mais vai fazer diferença, nada vai importar, se você acreditar também. – Ela murmurou, chegando a tremer ao ficar em silêncio no instante em seguinte, esperando nervosa por uma resposta, uma reação, qualquer coisa vinda do garoto, mas ele não lhe encarou ou falou mais nada, sequer mudou o ritmo da respiração, como se não houvesse sido abalado por suas palavras e limpou o rosto com as costas da mão, tentando engolir o choro. – Zayn. – Chamou novamente, com a voz inevitavelmente embargada e ele ergueu o olhar para ela, fazendo o coração da garota se apertar assim que ela notou os olhos vermelhos dele, como se ele também estivesse prestes a chorar.
- Não posso falar disso agora. – Ele murmurou, limpando em seguida a garganta. – Estou trabalhando.
Zayn deu as costas a garota em seguida e ela piscou, se segurando na cadeira para não simplesmente ir ao chão, com a sensação que suas forças haviam se esvaído todas de uma vez, como se aquela conversa houvesse exigido muito mais do que esforço mental e emocional da garota.

+++


perdeu a conta de quantas vezes havia tentado ligar para Zayn antes de decidir pegar o carro do pai escondido para ir atrás dele em sua casa, mas, se olhassem em seu aparelho celular, a contagem de chamadas discadas já chegava aos noventa e pouco. Ela precisava falar com ele.
Zayn usara a desculpa de estar trabalhando para fugir dela, mas ele não estava mais e ela faria com que ele lhe ouvisse, de um jeito ou de outro. Obrigaria o garoto a conversar com ela, porque acreditava nos dois, acreditava no sentimento deles e acreditava que podiam salvar o que tinham.
O problema é que Zayn não atendia e, quando ficava nervosa, ela fazia besteiras. Como agora.
Ela nunca havia estado na casa de Zayn antes e o mais perto que chegara disso fora nas vezes que fora assistir o garoto tocar nos bares mais próximos da vizinhança dele do que da dela e agora estava, como era de se esperar, perdida. Enfiada no banco do motorista do carro do pai, a cada esquina que dobrava tinha menos certeza de onde estava, as casas começavam a parecer menores, as ruas mais escuras e o ambiente em si mais intimidador.
Ela tentou ligar para Zayn novamente assim que notou que estava perdida, mas ele parecia empenhadíssimo em não lhe atender e começava a sentir medo, pescando o celular novamente e discando outra vez o número de Zayn quando seu olhar caiu num grupo de garotos que passava, olhando de maneira desconfiada para o carro luxuoso demais para aquela vizinhança.
- Porra, , o que é?! – Zayn não se preocupou em ser educado ao atender a garota, mas ela não pôde se importar menos, sendo inundada de alivio por ouvir sua voz, como uma boia sendo jogada para ela no mar violento.
- Zayn, graças a Deus. – Sussurrou, fungando para não simplesmente cair no choro.
- O que foi? – Ele perguntou, misturando tanto a preocupação quanto a confusão na voz, dando um pulo na cama onde estava jogado, há horas tentando ignorar as ligações da garota.
- Estou perdida. – Ela murmurou, chorosa. – Estava tentando encontrar sua casa, ir atrás de você, mas eu me perdi. – Confessou, em meio as lágrimas que não conseguia mais conter e fungou, tentando em vão fazer aquilo parar.
- O quê? Você ficou louca? – Zayn retrucou, procurando apressado os sapatos enquanto falava com ela, enfiando as chaves de casa no bolso quando passou por elas e pegando simultaneamente um casaco. – Me fala alguma coisa sobre o lugar onde está, por onde passou, eu sei lá. Vou te encontrar.
- Eu não sei, as ruas são muito escuras aqui. – Ela retrucou, nervosa, olhando em volta e tentando se concentrar. Devia haver alguma cosia ali que pudesse ajudar Zayn a lhe localizar, tinha que haver. – Eu passei por uma farmácia bem pequena algumas esquinas atrás. Duas. – Ela murmurou, contando mentalmente há quantas esquinas vira a farmácia, o único ponto comercial do qual conseguia se lembrar naquele lugar.
Havia farmácias demais naquela região e a informação de não fora exatamente útil, mas Zayn sabia muito bem que falar aquilo a ela agora não tinha como ser uma boa ideia. A garota provavelmente já estava assustada o suficiente; Zayn a conhecia bem o suficiente para saber.
- Eu estou indo aí. – Ele murmurou, tentando tranquiliza-la. – Está com o carro do seu pai?
- Sim. – respondeu, fungando. – Vem logo?
- Vou. – Ele prometeu. – Mantenha o carro trancado. Eu te ligo.
Assim que Zayn finalizou a ligação, a garota trancou o carro, se sentindo aliviada de ter conseguido falar com ele, mas ao mesmo tempo amedrontada por ainda estar sozinha naquela rua escura que não conhecia. Tentou se distrair, encolhendo o corpo no banco e abrindo um joguinho qualquer no celular, mas desistiu de mexer no aparelho assim que notou o olhar desconfiado de alguns rapazes, rondando o carro.
Ela quis sumir dali, sentindo-se verdadeiramente surpresa por não estar tremendo àquela altura. Não sabia se era mais seguro fingir que não havia percebido nada, ligar a luz para mostrar a si mesma e, sei lá, torcer pela clemência daqueles homens ou sair de dentro do carro e correr para longe dali, optando por ficar quieta em seu lugar, tentando fervorosamente não se desesperar.
Quando Zayn finalmente chegou, fazendo com que ela pulasse de susto no carro por forçar a porta, ela sentiu um alivio imensurável, destravando o carro e passando sem reclamar para o banco do passageiro, mesmo que aquilo fosse tão atípico dela. Nada naquela situação era realmente típico.
- Graças a Deus. – Sussurrou quando Zayn girou a chave na ignição, mas ele não falou nada enquanto ela limpava as lágrimas que o alivio trouxera. – Obrigada por ter vindo. – Murmurou, com a voz embargada. Zayn virou para lhe encarar, engolindo em seco por ver sua cara de choro, que quase foi o suficiente para desarmá-lo se não estivesse tão irritado pela maluquice que a garota fora fazer.
- Nunca, nunca mesmo, faça isso de novo, ouviu bem?! – Ele falou, sério. – Aqui é perigoso. Você poderia ter se machucado. – Falou, desviando o olhar em seguida e dando a partida com o carro.
Zayn estivera preocupado, de verdade, mas quanto mais andava pelas ruas escuras e sem policiamento de sua vizinhança àquela hora da noite mais puto ficava também por decidir simplesmente fazer o que dava na telha sem pensar nas consequências, no que poderia acontecer.
- Eu precisava ver você. – Ela sussurrou baixinho, fungando para não voltar a chorar e, de repente, sentiu raiva de si mesma por estar chorando tanto nos últimos dias. Céus, estava chorona demais nos últimos dias. – Precisava falar com você...
- Falou comigo ontem. – Ele retrucou, bufando. – No seu encontro.
- Zayn, eu sei, eu nunca devia ter saído com ele. – Ela resmungou, frustrada de ter que bater na mesma tecla tantas vezes para que ele entendesse. – Estou tentando fazer você entender que estou arrependida.
- Não acho que isso mude alguma coisa agora. – Ele retrucou, já sentindo dor de cabeça com aquela conversa. Era tudo tão difícil com e, caramba, é claro que sentia falta dela, é claro que queria estar com ela, que queria acreditar neles, mas isso tudo parecia muito difícil quando a vida dos dois apontava para direções tão diferentes.
- Caramba. – sussurrou, balançando a cabeça um tanto desacreditada. Parecia que não importava o que falasse, Zayn estava condicionado a lhe ignorar, a menosprezar como se não mexesse com ele e ela não sabia mais o que fazer, especialmente quando sabia que o sentimento que tinham não ia simplesmente embora, não foi com ela e não iria com ele. Ela não acreditava que podia. Frustrada, começou então a despejar tudo no que estava pensando, toda a verdade e o motivo de achar tão estúpido ainda manterem aquela briga. – Eu sei, acredite sou quem mais sabe, quão estúpido foi sair com aquele garoto, mas eu estava com raiva e você melhor do que ninguém sabe como é fazer coisas estúpidas com raiva, Zayn. Você sabe.
Zayn perdeu o controle do carro por um instante e o veículo virou para a esquerda, saindo da pista e só no último instante foi que ele conseguiu frear, pulando junto com a garota para a frente e se segurou, assustada, no painel. Zayn respirou fundo, desviando o olhar para ela, se odiando por ter perdido o controle daquela forma com tão pouco e odiando um pouco a garota também por não entender qual era o real problema ali.
- Ele te levou para fazer tudo que eu nunca pude, . Isso é o que me deixa mais puto. – Falou por fim – Você só precisou que eu saísse da sua vida por um dia para sair com outro cara, outro cara que pudesse te dar tudo que eu não podia. Que pudesse te levar a restaurantes chiques e fazer tudo que eu nunca tive condições de fazer por você, mesmo querendo, porque, acredite em mim, eu quis. O tempo todo que você estava comigo, que sorria para mim, eu pensava que você merecia o mundo. Eu queria te dar o mundo e me sentia um merda por não poder, então imagine como foi para mim ver você com ele um dia depois de eu sair da sua vida. – Zayn falou tudo de uma vez, olhando em seus olhos e tentando fazê-la entender porque aquilo ainda era um problema para ele, porque parecia não importar quantas vezes ela pedia desculpas, ainda doía.
fungou, chorando outra vez, agora se sentindo ainda pior do que antes. Já sabia que não devia ter saído com Seth, que não devia ter escutado sua tia, mas agora, vendo o tamanho do problema que aquele encontro causara, ela só queria sumir, queria desaparecer e chorar num canto, quieta, já que não podia simplesmente voltar no tempo e impedir aquilo de acontecer. Não ter nunca deixado sua tia falar tantas merdas para Zayn.
- Eu não me importo com o mundo...
- Se importa. – Zayn a interrompeu, não soando bravo, apenas pesaroso e aquilo, de alguma forma, quebrou ainda mais o coração da garota. – Não é culpa sua, se eu fosse você também me importaria, de verdade, mas não pode me dizer que não se importa depois de ter sido tão rápida em sair com outro cara, outro cara que podia te dar o mundo. – Ele murmurou, magoado. – Mas a questão é que não posso te dar o que precisa, . Por mais que eu queira. – Ele falou e ela respirou fundo, tentando parar de chorar.
- O que vai fazer então? – Perguntou, com certo medo da resposta.
- Vou deixar você em casa e torcer para que tenha entendido porque não pode mais insistir nisso. Ficar longe já está sendo difícil o suficiente sem você ligando o dia inteiro. – Ele falou, dando a partida novamente após conseguir voltar para a estrada e não se sentiu inclinada a dizer nada, com as lágrimas descendo silenciosas por seu rosto.
Então era aquilo, era o fim para os dois. Não funcionavam juntos, aparentemente.
Nenhum dos dois falou mais nada durante todo o caminho até a casa de e não foi nenhum pouco fácil, para nenhum dos dois, ver as luzes mudarem, as ruas mais limpas e as casas maiores, mais sinuosas, conforme chegavam mais perto da casa da garota. O contraste entre o estilo de vida dos dois nunca doeu tanto, nunca pesou tanto e limpou o rosto, tentando se desfazer de qualquer resquício das lágrimas quando Zayn finalmente estacionou. Seu pai já vira a garota chorar demais nos últimos dias. Zayn saiu de dentro do carro junto com ela, estendendo as chaves para a garota ao dar a volta para ficar de frente para ela e, com a mão tremendo um pouco, a garota pegou.
- Não vamos nos ver de novo, não é? – Ela perguntou e ele fez que não, não se sentindo exatamente capaz de proferir aquelas palavras. nunca saberia explicar como não simplesmente caiu no choro ao assentir com a cabeça, dando as costas para ele. Se tivesse que continuar lhe encarando por mais um segundo desabaria e sabia disso, porém assim que tocou o portão de casa, por algum motivo, sua mente deu um estalo. Ainda havia o que dizer; o mais importante. – Zayn, espera! – Virou, apressada, para lhe encarar e o garoto que já dava as costas, virou confuso de frente para ela, com as mãos nos bolsos.
- O quê? – Perguntou, baixo.
se lembrou da primeira vez que o vira, no portão de sua casa com aquela pose arrogante mesmo para um subordinado, se lembrou de tudo que mudou desde então, de como o sorriso dele era capaz de derreter seu coração e fungou, chorando outra vez.
- Antes de você ir, preciso te dizer uma coisa. Para ter certeza que você sabe. – Murmurou e, sem jeito, o garoto assentiu. respirou fundo. – Sou louca por você. Ele pode ter um carro enorme, ele pode ter muito dinheiro, pode querer Yale, o que for, mas nem ele, nem ninguém, tem o que você tem. Nenhum deles pode amar como você, não importa quantos outros caras eu conheça. Você ainda tem o que eu quero, ainda sabe o que é. Eu nunca vou ter tido demais de você e eu sinto muito se não te disse isso antes, se te fiz sentir inseguro por qualquer motivo. Você sempre foi o suficiente para mim e, acredite em mim, eu nunca vou me perdoar por ter tido que te perder para precisar falar isso. Para deitar na cama e compreender que ninguém pode me amar como você. - Ela soltou de uma vez e, sem que esperasse, Zayn desfez o espaço entre eles, trazendo a garota para seus braços e lhe beijando de uma vez, o gosto das lágrimas salgadas dela se misturando ao de seus lábios, mas Zayn não pôde se importar menos. Seria muita estupidez deixar aquela garota ir por causa de sua insegurança e ele ia garantir que ela soubesse disso.
- Ninguém vai precisar tentar. – Ele garantiu quando se afastaram, sob o olhar atônito da garota. – Desculpe por essa confusão, . Nada vale apena que a gente simplesmente não tente e, se você ainda quiser, eu vou tentar. Vou tentar com todas as minhas forças fazer isso dar certo. – Prometeu e, chorando ainda mais, o abraçou, escondendo a cabeça em seu peito enquanto ele a envolvia em seus braços, sentindo-se aliviado demais por tê-la em seus braços, como se finalmente estivesse completo e se deu conta que a única coisa melhor que nunca ter tido o coração quebrado era tê-lo remendado pela pessoa certa.
- Cara, eu quero isso todos os dias. – Ela murmurou por fim, rindo ao lhe encarar. – Eu quero você todos os dias. – Sorriu e Zayn sorriu também, fazendo o coração da garota se aquecer de outra vez quando ele voltou a tocar seus lábios.
Nada mais importava para nenhum dos dois e eles finalmente haviam entendido; as diferenças podiam doer, podiam pesar, mas não eram capazes de vencer o que sentiam e, com essa realização, o destino foi mais gentil com eles dali em diante. tirou um ano de folga da faculdade e foi numa turnê com Zayn no carro que o garoto comprou no final das férias, depois disso ele conseguiu um lugarzinho para morar em New Hampshire, perto dela, onde compôs mais e mais músicas. Não demorou muito para que ele conseguisse seu sonho também.



Fim.



Nota da autora: Hey ya, sisters! Tudo bem? Nossa, esse final quase que não sai e eu, na real, ia deixar eles separados mesmo, mas quem disse que meu coração guentou? Sou muito manteiga pra essas coisas, sei lidar não gente oasoajsoakoa enfim, espero que tenham gostado! <3

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