Written on these walls are the colors that I can't change
Leave my heart open but it stays right here in its Cage
I know that in the morning now I see us in the light upon a Hill
Although I am broken, my heart is untamed, still


Praticamente meia hora já havia se passado desde o horário costumeiro de chegar do trabalho. Ela trabalhava em uma escola dando aulas de educação física, portanto sempre chegava em meu apartamento por volta das seis.
Mas eram seis e trinta e dois quando ela chegou.
, você está aí? — Sua voz fina e estridente me chamou assim que escutei a porta ser aberta.
Nada respondi, estive escondido em meu quarto por mais de meia hora, esperando o momento em que ela finalmente chegasse.
Fiquei calado para não estragar a surpresa.
Escutei ela fechar e trancar a porta do apartamento, logo seus passos ecoavam pelo local. Meu coração estava acelerado, eu até arriscaria dizer que suava de ansiedade.
Naquele dia, completávamos um ano de namoro. Durante toda a semana que se passou, perguntei-lhe várias vezes o que faríamos para comemorar, contudo, ela dizia que não queria nada em especial.
Nada de jantar em um restaurante japonês, ou uma sessão no cinema para um filme qualquer. Ela dizia que um ano de namoro era algo qualquer, não havia necessidade de todo aquele escarcéu.
Porém, eu não pensava daquele jeito. E como ela não aceitou nada programado, resolvi fazer do meu jeito.
Seus passos estavam cada vez mais próximos, com aquilo, meu nervosismo apenas aumentava. Sentia que meu coração poderia escapar-me pela boca a qualquer instante.
Eu havia fechado a janela e puxado a cortina para deixar o ambiente ainda mais escuro, portanto ela notaria tudo apenas quando acendesse a luz.
Ela não hesitou em levar a mão ao interruptor assim que adentrou meu quarto. Seus olhos logo me encontraram sob a cama, onde eu estava deitado rodeado com pétalas de rosas, e eu quase morri.
, eu preciso... — Ela disse desesperada, mas parou de uma vez assim que viu o excesso da cor vermelha no local.
Enquanto seu olhar percorria pelos balões vermelhos em formato de coração colados na parede, nas pétalas jogadas pela cama e pelo chão, eu a observava fascinado. O frio na minha barriga não me abandonou em momento algum.
, o que é isso? — Ela perguntou, ainda sem alterar seu tom de voz.
Ela não tinha gostado.
Droga.
— Uma... surpresa? — Ergui a sobrancelha. — Feliz um ano de namoro! — Me levantei da cama e peguei o buque de tulipas. Caminhei até quase tendo um infarto, já que ela não esboçava reação alguma.
— Ai, , assim você só dificulta as coisas! — Batia o pé impacientemente no assoalho, causando um barulho irritante. Levou a mão até a testa e bufou.
Merda.
O que eu fiz de errado?
— Você não gostou. — Choraminguei.
— Não é isso! — Chiou e rolou os olhos. Mas que saco! Por que estava assim, então?
— Então me explica! — Falei com raiva e joguei o buquê no chão, ele caiu sob nossos pés.
— Eu vim até aqui determinada em terminar com você! — Meu coração deu um solavanco dentro do meu peito, senti como se o chão tivesse desaparecido sob meus pés. Ela não me deu tempo para recuperar, logo já jogava mais coisas em cima de mim. — E eu não vou mudar isso... Mas então você arruma isso tudo, meu coração até dói! — E o meu, querida? Dói ainda mais!
— Você não está falando sério, está?
Ela suspirou, abaixou a cabeça e passou encolhida por mim, adentrando o quarto. Confuso, dei meia volta para observá-la. Ela estava sentada em minha cama, observando minuciosamente cada detalhe que eu preparei especialmente para ela com tanto carinho.
Cada bexiga que eu enchi mais cedo, eu mantinha em mente o pensamento que aquele esforço valeria à pena por ela. Pelo sorriso que eu veria em seu rosto e então eu saberia que ela gostou. A cada lufada de ar, os balões cresciam e eu ficava gradualmente cansado. Não negaria que eu era uma pessoa sedentária, me cansava muito facilmente, bastava o mínimo esforço para encher uma bexiga e eu já sentia que estava morrendo. Talvez eu tivesse algum problema nos pulmões. Mas não importava. importava.
Acreditei que o esforço valeria assim que eu visse aquele sorriso lindo em troca, mas ela estava triste, portanto, eu também estava.
— Por que não estaria? — Ela respondeu, me trazendo de volta ao meu quarto, para a cruel realidade em que minha melhor amiga da vida inteira terminava comigo.
— Porque eu não consigo ver sentido nisso! — Ela arregalou os olhos. — Eu te conheço desde sempre! — Bati as mãos em minhas pernas. Seus olhos se esbugalharam ainda mais. Eu estava tão enraivecido, que gritava desesperadamente. — Crescemos juntos, você morava de frente para mim... Eu te carreguei no colo, vi você andar, cresci sendo seu amigo... Éramos melhores amigos. — Balancei a cabeça, diminuindo meu tom de voz, já que eu a assustava. — E, finalmente, há um ano, você virou minha namorada... Eu sempre te amei, e você sabe disso! A gente sempre se deu tão bem...
— Sempre nos demos bem? — Ah, ótimo. Ela resolveu ser sarcástica. Maravilha, era tudo que eu precisava. — , onde você esteve no último ano? Garanto que não foi no mesmo planeta que eu. — Saltou da cama, ficando em pé na minha frente. Eu estava à beira da loucura. Não conseguia acreditar e aceitar nada do que ela dizia.
— Como assim? Todos os dias você vinha pra cá, nós ficávamos juntos e... — Tentei explicar, mas não estava disposta a colaborar e me interrompeu.
— O problema é exatamente este! — Gritou — Eu praticamente passei a morar aqui, e desde então, brigávamos quase sempre!
— Oras, não me venha com essa desculpa! Desde sempre, desde quando nasceu e eu vi sua mãe chegar com você em casa, no apartamento de frente ao meu, você já era especial. Eu ficava mais na sua casa do que na minha! Sempre estivemos juntos.
— Mas não brigávamos tanto.
— Lógico que sim! Quais crianças não brigam?
Era só eu levar um amigo para casa que no dia seguinte ela chorava, pois achava que eu havia trocado ela por eles. Ou a gente brigava pelo controle da TV, ou então quem escolheria a comida sexta à noite quando nossos pais reuniam. Ela sempre queria comida japonesa e eu pizza. Acabava sendo sanduíche, que a irmã dela escolhia já que não calávamos.
Ela calou-se por um tempo, talvez se lembrando das mesmas brigas bobas e infantis que eu.
— Viu? E é assim até hoje! Não aguento mais! Não dá! — Ela puxou os cabelos e deu algumas voltas no quarto.
— Como não dá mais? , se toca! Você tem vinte e cinco anos, há vinte cinco anos que somos assim... No final dá certo... Sempre deu.
— Mas agora nós temos um relacionamento. E relacionamentos não funcionam assim.
Como eles funcionavam? Havia uma regra, então? Por favor, que alguém me deixasse ciente delas, pois por , eu faria qualquer coisa.
Eu não estava disposto a deixá-la partir, jamais estaria.
Ela foi minha primeira paixão na adolescência, que se manteve até então. Eu nem conseguia imaginar uma situação em que eu gostasse de outra mulher que não fosse .
Carregava vinte e oito anos nas costas e ela no coração por longos e belos anos, meses, dias, horas, minutos e segundos. Para ficarmos juntos apenas há um ano atrás. Depois que ela se separou do babaca do ex-namorado.
Seu ex...
Não podia ser...
Bufei.
— Não é por causa do Andrew, é?
— Misericórdia, . Não sou trouxa a esse ponto. — Ela rebateu logo em seguida.
Ainda bem que ela não hesitou em me responder, pois se ela o fizesse, eu ficaria em sérias dúvidas.
Se ela voltasse para ele ou ainda tivesse qualquer sentimento por ele, eu nunca mais queria vê-la na minha frente. Nem banhada a ouro.
Mentira! Mentira pura. Talvez a maior de todas que eu já pensei a vida inteira.
Mas se ela tivesse qualquer coisa com aquele verme que batia nela, eu não responderia por mim.
Seus pais e amigos custaram a perceber que ela sofria calada nas mãos dele, por medo. Até que eu descobri e fui dar umas belas surras nele.
E eu que pensava estar tão bem com ela... Protegendo-a de tudo e todos, mas ela queria abrir mão daquilo.
— Me perdoa, . — Ela se aproximou e passou a mão pelo meu rosto. O mínimo toque com sua pele suave e macia me fazia arrepiar de cima até embaixo, e aquela sensação gostosa invadia o meu corpo por completo. — Mas não dá mais. — Sussurrou.
Ela concluiu e passou por mim amedrontada, porém depressa.
Me deixou sozinho no quarto com aqueles balões bregas que não me faziam mais sentido algum, com aquelas pétalas e rosas fedorentas, com o buquê no chão que minutos mais tarde fora para o lixo junto com todo o resto, inclusive a cesta de chocolates que eu tinha deixado escondida, pois eles deviam ter um gosto péssimo. Ah, e um coração quebrado em mil pedaços.
E eu era mais um ex. Não babaca que nem Andrew.

The story of my life
I take her home
I drive all night
To keep her warm
And time is frozen
The story of my life
I give her hope
I spend her love
Until she's broke inside
The story of my life


— Nossa, papai. Que história triste. — Minha pequena Taylor disse, bocejando.
— Não é triste, bebê. — Ela tinha quatro anos, mas seria minha bebê para sempre. — Depois de uma semana, a voltou para o arrependida, por isso nasceu uma linda menininha chamada Taylor.
Ela sorriu e se espreguiçou. Dei um beijinho em sua testa, lhe desejei boa noite e a cobri.
Não sei se ela desconfiaria que aquela era a verdadeira história dos seus pais, já que todas as noites que ela me pedia para ler ou contar-lhe uma história, ela pedia para substituir os nomes dos personagens pelos nossos.
Fechei a porta do quarto, e esbarrei com no corredor.
— Então você fez propaganda enganosa para a pequena, falando que eu voltei após uma semana? — Ela ergueu a sobrancelha, me afrontando. Para completar a cena e deixá-la ainda mais linda, ela apoiou a mão em seu quadril, evidenciando ainda mais a sua barriga enorme.
— Até parece que você não estava doidinha pra voltar pra mim. — Imitei-a. A diferença era que eu não carregava um menino em minha barriga, então eu não ficava tão bonito quanto ela.
— Se você não tivesse passado a semana inteira me provando que eu estava errada, talvez eu não tivesse voltado... — Ela provocou e passou reto por mim, indo ao nosso quarto.
E eu a segui, claro.
Fazer o quê. Quando se tratava de , eu era o maior bobo apaixonado mesmo.

And I've been waiting for this time to come around
But baby running after you is like chasing the clouds


Fim!



Nota da autora: (18/07/2015) Muito obrigada por ter lido meu primeiro ficstape (primeiro que entra, porque eu já finalizei alguns futuros u.u).
Há aqueles que dizem que Story of my Life é sobre um relacionamento conturbado, e eu não discordo. Porém não consegui afastar esses dois melhores amigos definitivamente. Eles foram mais fortes do que eu e ficaram juntos n_n
Não sei se vocês já perceberam, mas finais não felizes não são minha praia UHEHUEHUE
Sei que prometi pra uma galera uma fic em Ibiza, mas meus dedinhos não se contiveram e a fic passou do limite de páginas (de novo). Mas dessa vez eu juro que não farei igual à Sleeping in Wonderland, que transformei em longfic assim que cheguei às 57 páginas (risos). Já guardei o roteiro todo, e assim que eu me folgar com a triologia de Vide e algumas outras prioridades, a de Ibiza vem aí. Talvez uma long, talvez uma “short” maiorzinha... MAS TÁ MUITO BAPHONICA! (sou suspeita à dizer).
Me deu uma dorzinha no coração em não mandá-la. Sério, não sei como consegui me controlar UHEUHEHU.
Quero agradecer a May por ter me dado um help com a ideia, já que depois da fic de Ibiza, eu não consegui ter nenhuma outra para essa música, e eu queria demaaaaaaais escrevê-la. Aproveitem para ler a outra fic minha que entrou nesse ficstape, 01. Best Song Ever, que eu escrevi com ela!
E é claro, por último, mas não menos importante (talvez a mais importante), quero agradecer à vocês, minhas leitoras lyndas! É o carinho de vocês que me motiva a continuar escrevendo a cada dia!
Espero vocês em minhas atuais (e futuras) fics. ;)

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Minhas histórias:
Best Nanny Ever | If Every Day Was Christmas Especial de Natal de Best Nanny Ever | Vide | 01. Best Song Ever | 02. Send My Love (To Your New Lover) | 02. Story of My Life | 02. Who's That Boy | 04. Neon Lights | 05. Run Wild | 05. Unconditionally | 06. Nightingale Spin-off de Vide | 07. Fearless | 08. Confetti Falling Spin-off de Best Nanny Ever | 08. Forget Forever Spin-off de Best Nanny Ever | 08. Happily | 08. Never Grow Up Spin-off de Vide | 09. Olivia Especial de Ano Novo de Best Nanny Ever | 10. A Year Without Rain | 10. Give Your Heart a Break | 11. Witchcraft | 11. You're Not Alone Spin-off de Best Nanny Ever | 17. Superman | 18. The Best Day Spin-off de Vide

Beijos mil,
Berrie.




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