Postado: 05/10/2017

Capítulo Único

despertou e logo precisou cerrar as pálpebras novamente quando a luz forte da lâmpada acesa adentrou seus olhos. Voltou a abri-los com calma, se acostumando aos poucos com o ambiente iluminado, e notou a ausência do corpo ao qual estava abraçado quando caiu no sono minutos ou horas antes; não tinha ideia de quanto tempo havia se passado. A mulher que andava de um lado para o outro do quarto, catando as roupas jogadas pelo chão e vestindo peça por peça, chamou sua atenção, e ele levou alguns segundos para compreender a cena.
— Por que você não veste minha camisa? É sexy quando as mulheres fazem isso — ele falou com a voz rouca e arrastada, soltando um risinho no final.
— Porque eu tenho minhas próprias roupas, não preciso das suas — rebateu, terminando de ajeitar a jaqueta no corpo, e piscou um olho na direção do homem antes de prender os fios de cabelo bagunçados em um rabo de cavalo com o prendedor de cabelo que estava em seu pulso. — E, além do mais, tenho que ir embora.
— Mas já? — o outro questionou, sentando-se no colchão.
O movimento do cobertor caindo e revelando seu tronco desnudo foi acompanhado pela mulher e um sorriso de canto surgiu em seus lábios.
— Não tenho tempo para ficar de bobeira como você, — ela disse em um tom espirituoso. — Não posso dormir aqui hoje, meu voo para Valência é amanhã bem cedo e eu ainda preciso fazer a mala.
— Te escalaram para o Valencia x Sporting, é? — questionou, só então se dando conta de que eles mal haviam conversado desde que chegara em sua casa no início da noite.
As três semanas sem vê-la por conta dos compromissos que ambos tinham, ele como jogador do Real Madrid e ela como árbitra da Real Federación Española de Fútbol (RFEF), estavam o enlouquecendo. O espanhol já havia se resignado a aceitar o poder que tinha sobre si, sempre presente em seus pensamentos e capaz de fazê-lo não enxergar nada além dela quando aparecia na porta de sua casa com o sorriso mais tentador do mundo enfeitando seu rosto. Ele mal conseguia se lembrar de ser educado e perguntar como havia sido sua semana conforme sentia o desejo de ter o corpo dela grudado ao seu crescer pouco a pouco. Nunca demorava muito para eles estarem com os lábios grudados, envolvidos em um beijo sedento, e um procurando pelos zíperes e botões das roupas do outro.
— Eu pedi pra apitar em Mestalla nessa rodada. Você sabe que é um dos meus estádios favoritos — ela disse, mordendo um sorriso divertido, e o jogador riu anasaladamente. Ele sabia muito bem disso, pois havia sido no estádio de Mestalla onde tudo começou. — Bom, , a gente se fala.
Ele assistiu mandar um beijo estalado no ar antes de dar meia volta e caminhar na direção da porta.
— Ei, , volta aqui! — exclamou antes que a espanhola deixasse o quarto. — Você vai ter coragem de ir embora sem me dar um beijo?
parou com a mão na maçaneta e apenas riu baixo antes de sair para o corredor.
jogou o cobertor para o lado e se levantou da cama para, em seguida, segui-la a passos apressados sem se importar de não estar vestindo nem ao menos uma cueca.
Mesmo que tenha percorrido rapidamente a enorme casa da qual era proprietário em La Moraleja, uma das duas urbanizações residenciais mais ricas de Madrid, o jogador conseguiu alcançá-la e espalmou a mão na porta de entrada, impedindo que ela a abrisse. A mulher soltou uma risada divertida ao ser prensada contra a madeira, sentindo o corpo do jogador grudar às suas costas.
— Você é cruel, — ele sussurrou com os lábios roçando a lateral de seu pescoço antes de depositar um beijo demorado ali. Com o divertimento mais do que expresso em sua voz, continuou: — Ué, não vai me afastar?
— Nah, deixa você realizar seu sonho de me pegar por trás um pouquinho — rebateu e o sorriso que tinha nos lábios se alargou quando puxou seu rabo de cavalo de leve e mordiscou suavemente o lóbulo de sua orelha.
— Ou será que esse é o seu sonho, uh? — ele questionou, rindo levemente, e fez com que ela se virasse para encará-lo, escorando as costas na porta. — Porque eu prefiro assim, de frente, olho no olho…
— Só faltou uma coisa — disse e pegou o jogador de surpresa ao inverter suas posições, empurrando-o contra a madeira da porta e espalmando as mãos no peito dele. — Você adora quando eu fico no controle de tudo, não adora?
não teve direito a réplica, pois, antes mesmo de pensar em uma resposta, os lábios da mulher estavam se chocando aos seus. Não que ele tivesse qualquer argumento contrário àquilo, era mais do que evidente que o tinha na palma da mão e ele não se importava nem um pouco com isso.
O beijo era voraz, como se os dois necessitassem daquilo para viver, enquanto as mãos da mulher deslizavam pelos músculos definidos do abdômen de , fruto de muitos anos de malhação, e os dedos dele adentravam a blusa que ela vestia para apertar sua cintura com firmeza.
a puxou para si, fazendo seus quadris se chocarem, e arfou em meio ao beijo quando sentiu o tecido da calça jeans de raspar em sua excitação crescente e descoberta. Em seguida, quebrou o beijo para enterrar seu rosto no pescoço dela e sugar a pele com força, fazendo-a soltar um longo suspiro.
— Você só se vestiu para eu ter o prazer de tirar a sua roupa de novo, não é? — o espanhol perguntou em um tom repleto de malícia.
— Nem pensar — a outra rebateu, deixando uma gargalhada escapar por sua garganta, e empurrou o jogador pelo peito. — Já ‘tá tarde e eu tenho que ir embora.
— Vai me deixar assim? Sério? — ele disse, indignado, apontando para baixo.
Os olhos de desceram por seu corpo e ela mordeu o lábio inferior.
— Você criou e caiu nessa armadilha por conta própria, guapo. Agora dá seu jeito — ela disse com descaso, levantando os ombros, mas prendia o riso.
— Você ‘tá ferrada na próxima vez que a gente se encontrar — retrucou ameaçadoramente.
— Será? Dia 18 a gente vê quem tá ferrado — falou com diversão e piscou um olho antes de abrir a porta e olhar os arredores da casa.
Depois de constatar que estava tudo vazio e tranquilo, ela saiu para a área externa da residência e caminhou até a moto que havia deixado estacionada atrás de um dos carros de .
O jogador pôs apenas a cabeça na fresta da porta, escondendo seu corpo nu.
— Você vai apitar o nosso jogo contra o Athletic? — ele questionou, surpreso, já que fazia tudo que era possível para fugir da arbitragem dos jogos do Real Madrid.
— Vou adorar lembrar como é fazer você me obedecer também dentro de campo — ela disse, pegando o capacete que havia deixado no guidão. — Te vejo em Bilbao.
ficou apenas observando a mulher colocar o capacete na cabeça, subir em cima da moto e ligar o motor antes de acelerar e sumir de suas vistas, enquanto sentia a ansiedade e apreensão crescer dentro de si. Ansiedade porque mal via a hora de encontrar novamente; apreensão porque encarar a frieza dela ao incorporar o papel de árbitra nunca era fácil.

xxx


“Si no te vas, tengo tardes de domingo y mil inviernos eternos…”
As vozes de India Martínez e Abel Pintos, que cantavam a música chamada Corazón Hambriento, saíam pela caixinha de som conectada ao celular de por Bluetooth, ecoando pelo quarto silencioso do hotel em Bilbao no qual ela estava hospedada junto aos outros membros da comissão de arbitragem, que apitaria a partida do Athletic Club contra o Real Madrid pela 26ª rodada de La Liga Santander. A espanhola estava sentada sobre um tapete, sentindo o sol da manhã que adentrava o cômodo pela janela tocar sua pele enquanto fazia seu costumeiro alongamento.
Segurava um braço após o outro, os esticando, ao mesmo tempo em que fazia movimentos circulares com o pescoço, e suas pernas estavam dobradas no formato de uma borboleta. Sentia os músculos de seu corpo relaxarem pouco a pouco conforme a música calma adentrava seus ouvidos. Esses exercícios faziam parte da rotina de especialmente em dias de jogo, pois eram essenciais para que ela mantivesse o equilíbrio físico e mental tão importante para que pudesse exercer sua profissão da melhor maneira possível.
Aos trinta e três anos, havia conquistado seu objetivo de ser uma árbitra respeitada na Espanha. O caminho que ela trilhara até chegar ao quadro de arbitragem da primeira divisão espanhola não fora nada fácil, por mais que as pessoas costumassem pensar que o fato de ser prima de terceiro grau de José María Gutiérrez, o famoso Guti, ex-jogador do Real Madrid, tivesse facilitado as coisas para ela. Ser árbitra não era um sonho de infância, muito pelo contrário, era algo que sequer passara pela sua cabeça antes de optar pela graduação em Educação Física. Foi Mario, um amigo dos tempos da faculdade, que, depois de muito implicar com seu jeito autoritário de ser, sugeriu que ela daria uma boa árbitra de futebol, pois, além de impor respeito como ninguém, conhecia muito bem as regras do esporte e possuía um ótimo condicionamento físico.
Só então, , que antes pensava em ser personal trainer, começou a considerar a possibilidade de se tornar árbitra e, para isso, foi em busca de todas as informações que precisava para tal. Ela se matriculou em um curso de formação de árbitros e passou a se dedicar completamente ao seu novo objetivo profissional para subir degrau por degrau até, quase uma década depois, conseguir apitar sua primeira partida de La Liga.
Por ser uma das poucas mulheres presentes no quadro de arbitragem da RFEF, sendo todas as outras assistentes, chamou a atenção de todos logo que seu nome foi divulgado para um confronto entre Osasuna e Real Zaragoza e, mesmo tendo feito um ótimo trabalho no jogo em questão, levou um longo tempo até fazer os jogadores do futebol espanhol e o público em geral a levarem a sério. Todos pensavam que ela era apenas um rostinho bonito, o que a fez, inclusive, receber inúmeras propostas milionárias de revistas masculinas para posar nua em seus primeiros meses apitando partidas da primeira divisão, e recusou cada uma delas sem sequer pensar sobre o assunto. Sua única opção para conquistar o respeito das pessoas foi, toda vez que vestia o uniforme de árbitra, vestir também uma máscara que a transformava em outra mulher.
A cara fechada e o tom seco e firme com o qual se dirigia aos jogadores em campo fizeram, aos poucos, todos entenderem que não estava ali de brincadeira. O lado ruim, entretanto, foi a fama de rabugenta que acabou conquistando, mas ela preferia que todos tivessem essa ideia sobre ela do que ter sua competência julgada ao exercer o trabalho ao qual dedicou anos de sua vida e abriu mão de muita coisa para que pudesse ser apta a desempenhar. Era até prazeroso, para ela, ser a autoridade máxima dentro de campo e fazer os jogadores a obedecerem, mesmo que aquilo ferisse o orgulho alimentado pelo machismo deles.
Ao finalizar o alongamento, se levantou do tapete e foi até a cama, na qual havia deixado o celular, no intuito de encerrar a música da Niña Pastori que tocava e ela não tinha certeza de como se chamava. Acabou, entretanto, encontrando uma nova mensagem de , e a curiosidade a fez desviar completamente de rumo. O jogador havia enviado dois áudios naquela manhã e ela não pensou duas vezes antes de dar play no primeiro deles.
Bom dia, — a voz rouca de disse, saindo pelo alto-falante do aparelho, e um silêncio de alguns segundos se seguiu até ele, sonolento, se pronunciar novamente. — Eu sonhei com você, nós fazíamos amor na areia da Playa de los Muertos. Foi tudo tão real que eu ainda tô sentindo a sua pele macia e quente por causa do sol contra a minha. Acho que tô com saudade.
mordia o lábio inferior, contendo um sorriso, quando o áudio terminou, pois sua imaginação não precisou de muitos detalhes para criar toda a cena em sua mente. Ela conseguia ver com bastante clareza o sol iluminar a pele rabiscada pelas diversas tatuagens que fizera ao longo dos anos e sentia a ponta de seus dedos tocá-la como tantas vezes já havia feito.
Ignorando o leve arrepio que sentiu em reação àqueles pensamentos, ela executou o segundo áudio.
Você vai realizar meu sonho?
A voz rouca do espanhol possuía um tom divertido e, ao mesmo tempo, sexy. riu levemente enquanto rolava os olhos e aproximou o celular da boca ao mesmo tempo que segurava o botão para gravar uma resposta aos áudios do jogador.
— A falta de sexo ‘tá tão grande assim para chegar ao ponto de ter sonhos eróticos comigo, é? — ela disse com diversão na voz e soltou uma risada. — Eu pensava que era mais fácil do que isso pra um jogador de futebol arranjar uma foda.
A espanhola encerrou o áudio e o enviou. Era, evidentemente, uma brincadeira, sua forma usual de sair pela tangente e não dar o braço a torcer sobre também estar sentindo falta de .
Segundos depois, o aparelho em sua mão vibrou, avisando que um novo áudio havia acabado de chegar.
Ha ha ha. Eu vou ignorar o que acabei de ouvir, ok? dizia sarcasticamente. Espirituoso, continuou: — Mas não vou ignorar que você ‘tá ouvindo Amor de San Juan. É a minha playlist, não é? Parece que não sou o único com saudade da gente.
— Merda — murmurou consigo mesma, só então se dando conta de que a música da Niña Pastori ainda saía em um volume alto pela caixinha de som.
Depois de encerrar o Spotify, gravou um novo áudio.
— Saudade? — questionou em um tom debochado antes de soltar uma gargalhada. — Eu acabei colocando essas músicas bregas para tocar sem querer e fiquei com preguiça de trocar. Não se iluda, .
Ela quase conseguia ver o sorrisinho satisfeito que sempre esboçava quando conseguia a encurralar em um beco sem saída. Era óbvio que ela estava escutando a bendita playlist porque queria, só preferia não admitir isso em voz alta.
Um novo áudio do zagueiro do Real Madrid chegou pouco depois.
Sei… Para quem odiava flamenco, isso já é um avanço — ele disse e riu levemente. — Vou descer para a reunião com o time, . A gente se vê mais tarde. Não morra de saudade, ‘tá?
estalou dois beijos antes de finalizar o áudio e aproximou o celular dos lábios mais uma vez para respondê-lo.
— Se eu fosse você, não ficava tão empolgado assim para mais tarde — ela disse, implicante. — Até.
Um pequeno sorriso tomou os lábios de quando ela finalizou a mensagem de voz e jogou o aparelho sobre o colchão para se despir do pijama que vestia. Em seguida, foi até o banheiro e se enfiou debaixo do chuveiro. A água quente escorria por sua pele conforme ela se perdia em pensamentos. Pensava sobre e a saudade que sentia dele, apesar de odiar admitir, inclusive para si mesma. Para , soava como uma loucura se dar conta de que o envolvimento inesperado com havia chegado àquele ponto.
Quando estudava para ser árbitra, havia o visto pessoalmente uma vez ou outra por intermédio de seu primo Guti, que fora companheiro de time de por alguns anos, mas só foi ter um contato maior com o jogador quando passou a apitar jogos do Real Madrid com frequência. Mesmo que ainda não fosse o capitão do time na época, era um dos jogadores mais proativos da equipe madridista, dos que tomavam as rédeas da situação e sempre vinham questionar suas decisões de arbitragem. Não era de maneira desrespeitosa, mas, desde essa época, não sabia lidar com a intensidade de , que, depois das quase cinco temporadas em que ela apitava pela primeira divisão espanhola, era o único jogador que ainda ousava enfrentá-la mesmo depois de perceber que só se daria mal por isso.
Conforme o tempo passava, as pequenas discussões no campo que terminavam com sacando o cartão amarelo para mostrá-lo na direção do jogador, que engolia a seco para não chamá-la de nomes não muito amistosos, acabaram por fazer uma tensão sexual crescer entre os dois. Entretanto, eles só perceberam que aquele desejo que sentiam um pelo outro existia depois de uma partida do Real Madrid contra o Valencia no estádio de Mestalla dois anos antes.
Na reta final do jogo, depois de uma falta dura de em Álvaro Negredo, atacante do Valencia na época, decidiu que ele merecia um cartão amarelo, pois já havia feito vista grossa para outras três faltas cometidas por ele ao longo da partida. Sabia que o jogador perderia a partida contra o Barcelona na rodada seguinte caso tomasse um cartão amarelo, mas não teve outra escolha depois de ter o alertado diversas vezes. não gostou nada daquilo e passou o restante da partida protestando pelo cartão que, em sua opinião, havia sido um grande exagero. Frustrado por saber que perderia El Clásico que poderia deixar o Real Madrid na liderança do campeonato, esperou até que estivesse sozinha no vestiário da comissão de arbitragem para invadir o local e tirar satisfação por aquele cartão amarelo.
ria sozinha enquanto espalhava o shampoo pelos fios de cabelo e recordava a cena. Havia dado um berro de susto quando a porta se abriu de supetão, pegando-a de surpresa. Por muito pouco não havia a encontrado apenas de calcinha e sutiã depois de tomar uma ducha rápida.

— Quem te deixou entrar aqui? — ela questionou com as mãos na cintura, indignada com aquela invasão.
— Qual é o seu problema comigo, ? Posso saber? — ele rebateu de braços cruzados e peito inflado, ignorando completamente a pergunta feita por ela. Também já estava de banho tomado.
— Eu não tenho culpa de você ser todo esquentadinho. Te avisei um montão de vezes que, na próxima, ia ser cartão amarelo e, mesmo assim, ainda perdoei duas faltas. Você procurou por isso, disse, apontando o dedo na direção dele e, em seguida, indicou a porta. — Agora, dá pra sair do meu vestiário ou eu vou ter que chamar a segurança?
Depois disso, tudo aconteceu muito rápido. Ela deu um passo para trás ao vê-lo se aproximar a passos largos e ficou encurralada, sentindo seu coração bater forte dentro do peito. No entanto, quando pensou que apanharia, seu corpo foi prensado contra a parede e os lábios de tomaram os seus antes que ela sequer pudesse entender o que estava acontecendo.


ainda conseguia sentir a língua do zagueiro invadir sua boca agressivamente enquanto as mãos dele a seguravam com nenhuma delicadeza, deixando, inclusive, marcas pela sua pele posteriormente. Ela poderia ter o empurrado e, se quisesse, ter gritado até que alguém aparecesse para fazê-lo levar uma suspensão de sabe-se lá quantos jogos, mas nada disso passou pela cabeça dela naquele instante. Muito pelo contrário, se viu totalmente entregue e retribuindo o beijo com o mesmo fervor.
Depois desse dia, eles só foram voltar a ter um momento íntimo como esse alguns meses depois, quando se encontraram no casamento de Guti e sua companheira Romina Belluscio, para o qual foram convidados apenas parentes e amigos próximos dos noivos. Muitas taças de champanhe foram necessárias para que os olhares que trocaram durante toda a festa se transformasse em beijos em um local afastado do salão. Acabaram passando a noite juntos nesse dia e, pelos meses seguintes, isso se repetiu inúmeras vezes.
No início, era apenas curtição, pois não gostava nem de imaginar a repercussão que o envolvimento dela com um jogador de futebol daria, mas, com o tempo, acabou se tornando algo normal os dois se encontrarem às escondidas quando as agendas de ambos coincidiam. Se dependesse de , o namoro já estaria escancarado para o mundo há muito tempo, porém não compartilhava a mesma opinião. Para ela, o que eles tinham sequer era um namoro, pois não se sentia no direito de cobrar qualquer tipo de exclusividade se não queria assumir publicamente que estava com ele, e tudo que restava para era aceitar essas condições.
O problema era que, nas últimas semanas, já não estava mais tão certa assim de que se relacionar com ele atrás da moita era o suficiente. Conforme os meses se passavam e ela conhecia melhor, suas opiniões mudavam cada vez mais. Havia até mesmo dado uma chance para a playlist de flamenco que o jogador montou especialmente para ela depois de ouvi-la dizer que não suportava tal gênero musical. Como sevilhano, ele se sentiu na obrigação de fazê-la mudar de opinião. , que, desde que se entendia por gente, costumava odiar toda e qualquer música nascida no sul da Espanha, se viu sabendo de cor diversas canções de cantores andaluzes.
Ainda não estava pronta para admitir isso, mas ela adorava . Adorava como, com seu jeito atrevido, ele insistia naquilo que rolava entre eles e nunca se abalava com os foras que levava. Adorava quando, sem mais nem menos, ele enviava áudios aleatórios como os daquela manhã e a fazia ter vontade de largar tudo para ir até onde ele estava.
As costas de se grudaram à parede e, com a respiração descompassada, ela desceu as mãos pelo próprio corpo, seguindo o mesmo caminho que a água quente do chuveiro fazia. Quando seus dedos tocaram delicadamente o ponto sensível entre suas pernas, seus pensamentos estavam na cidade de Carboneras, situada na província de Almería, mais precisamente na Playa de los Muertos. Ela e fazendo amor sobre a areia.

xxx


Três horas antes do início do jogo, já estava em San Mamés para realizar a vistoria do campo junto a Diego, o quarto árbitro. Os dois trataram de verificar se tudo estava de acordo com as normas do campeonato para a disputa da partida e se uniram a Pablo e Mauro, os árbitros assistentes, para terem uma última reunião antes de vestirem o uniforme e saírem para um rápido aquecimento no campo. Alguns torcedores já começavam a se acomodar nas cadeiras do estádio, o que resultou em algumas vaias e xingamentos direcionados ao quarteto de arbitragem, mas nada que eles já não estivessem acostumados a ouvir naquela altura de suas carreiras. Pouco depois, já estavam novamente no vestiário para organizar todo o material que usariam, além do equipamento que utilizavam para se comunicarem uns com os outros durante o jogo, enquanto os jogadores de ambos os times já saíam a campo para se aquecerem.
— ‘Tá na hora, pessoal — disse ao checar o relógio em seu pulso, chamando a atenção dos três homens espalhados pelo vestiário. — Eu sei que vocês já estão cansados de me ouvir dizer a mesma coisa sempre, mas vamos manter o foco e prestar atenção em cada jogada. Vamos dar o nosso melhor lá naquele campo, porque o jogo mais importante das nossas vidas é agora.
Depois de se certificar de que tinha o apito em mãos e os cartões amarelo e vermelho no bolso da camisa, seguiu para fora do vestiário, acompanhada pelos três colegas. Os corredores do estádio estavam bastante tumultuados com os times também saindo de seus vestiários e algumas câmeras espalhadas que mostravam o momento pré-jogo na televisão espanhola.
Passando rapidamente por entre os jogadores ao andar pelo túnel, os olhos de se cruzaram com os de , que cumprimentava os companheiros de seleção que defendiam a camisa do Athletic Club. A troca de olhares foi intensa, apesar de ter durado dois segundos, e foi a árbitra quem quebrou o contato visual para continuar seu caminho com uma expressão impassível no rosto.
Depois de os dois times entrarem enfileirados e seguirem todo o protocolo, fez sinal para que os capitães das equipes se aproximassem.
— Cara ou coroa? — ela perguntou a Ander Iturraspe, o capitão do time basco, mostrando a moeda personalizada que, de um lado, tinha a logomarca da RFEF, e, do outro, estava escrito “”.
— Cara — ele respondeu e jogou a moeda para o alto. Quando a mesma caiu no chão, seu sobrenome estava voltado para cima, então ela se voltou para .
— Campo ou bola?
— Campo — o espanhol disse e apontou com o polegar na direção de seus companheiros de time. — Esse lado daqui mesmo.
Os dois capitães posaram para a tradicional foto com a equipe de arbitragem antes de trocarem as flâmulas com os escudos de seus clubes e, em seguida, todos se cumprimentaram rapidamente. Como em toda rodada em que acabava cruzando com a arbitragem de , apertou a mão dela como se fossem completos desconhecidos, situação que sempre lhe causava estranheza, mas que não havia maneira de escapar antes de os dois estarem de volta a Madrid.
Quando todos estavam posicionados em seus devidos lugares, esperou até que fosse 20h em ponto em seu relógio para soprar o apito e autorizar Raúl García a rolar a bola.
O Athletic iniciou a partida com a posse da bola, os jogadores a tocando entre si com cautela enquanto os do Real Madrid ocupavam os espaços e tentavam os atrapalhar. Isso perdurou por alguns minutos, até Casemiro acertar a panturrilha de Beñat ao tentar roubar a bola, fazendo com que apitasse para interromper a partida.
— Pega leve aí! O jogo ‘tá só começando — ela falou em um tom firme, apontando para o brasileiro, que não retrucou e ajudou o adversário a se levantar antes de dar as costas para voltar para sua posição.
O próprio Beñat cobrou a falta assim que a árbitra deu autorização para tal, retomando a partida.
Apesar de, no final do primeiro tempo, o Athletic abrir o placar com um gol de Aduriz, que aproveitou uma falha na defesa do Real Madrid, os primeiros 45 minutos de jogo foram bastante equilibrados. levou o apito à boca para sinalizar o intervalo e pediu a bola, que estava na posse de . Pôde notar, quando o jogador se aproximou, a frustração estampada no rosto dele. Sabia, mais do que ninguém, como era bastante exigente com o time e, principalmente, consigo mesmo. Ficava uma fera quando erros daquele tipo aconteciam.
— Obrigada — ela disse com um sorriso quase imperceptível quando ele lhe entregou a bola.
— De nada — o outro respondeu, piscando um olho.
Os dois seguiram na direção do túnel, andando lado a lado, lançando alguns olhares de canto que ignorava, apesar de se sentir observada e querer retribuí-los.
Um garotinho que gritava por no meio da torcida, próximo à entrada do túnel, chamou a atenção do jogador, que tirou a camisa que vestia e a jogou para ele. riu discretamente com a cena e precisou de um esforço extra para não descer os olhos para o tronco desnudo do zagueiro do Real Madrid antes de apressar o passo para acompanhar seus assistentes até o vestiário da arbitragem.
Até virar no corredor que levava ao vestiário do time visitante, observou se afastar, observando seu leve rebolado ao caminhar. Não via a hora de estar a sós com ela, longe de todas aquelas pessoas e câmeras, e poder jogá-la sobre a primeira superfície que encontrasse. Como se não bastasse o sonho que não saía de sua cabeça desde quando abriu os olhos pela manhã, a maldita ficava deliciosa naquele uniforme de árbitra. Era quase humanamente impossível manter o foco na partida enquanto imagens do corpo dela sobre o seu invadiam sua mente toda vez que ela surgia em seu campo de visão durante o jogo.
Um tapinha leve em sua bunda o tirou de seus devaneios e, ao olhar para o lado, viu Lucas Vázquez.
— A gente vai virar o jogo, fica tranquilo — ele disse, piscando um olho.
— É claro que vamos — respondeu antes de adentrar o vestiário.

xxx


Logo após o Real Madrid empatar o jogo aos 63 minutos, os ânimos começaram a esquentar. Algumas faltas mais duras faziam precisar chamar os jogadores de ambas as equipes para dizer algumas palavras duras e, quando julgava necessário, mostrava também o cartão amarelo, além de se comunicar constantemente com os árbitros assistentes para que os quatro mantivessem o controle da partida.
Em um contra-ataque do time madridista, o zagueiro Aitor Loyola, do Athletic Club, se viu sem alternativas para impedir que, depois de o goleiro Gorka Iraizoz ser driblado, um chute de Isco terminasse com a bola no fundo da rede, então, sem ao menos perceber o que estava fazendo, levantou o braço para mudar o rumo em que a bola ia. Como a jogada havia acontecido dentro da grande área, apitou para sinalizar o pênalti e uma confusão de jogadores do Real Madrid exigindo que Loyola fosse expulso se formou em volta dela. Ignorando as reclamações que eram feitas em seus ouvidos, ela desviou de todos e pediu que Loyola se aproximasse. O garoto caminhou em sua direção com uma mão coçando o nariz e a outra na cintura, ciente de que agira de maneira errada, porém, mesmo assim, a indignação estampou seu rosto quando o cartão mostrado pela árbitra foi um vermelho direto.
— Essa foi a minha primeira falta no jogo inteiro! — ele exclamou, revoltado.
— Você é um jogador profissional, presumo que conheça as regras e saiba que mão na bola em uma chance clara de gol é vermelho. Não tem discussão — ela disse, checando o relógio, e, em seguida, pegou a caneta para anotar o número que o jogador levava estampado nas costas e o número 73, minuto da expulsão.
já estava habituada a situações como aquela. Era bastante fácil, para ela, fechar os ouvidos para a chuva de reclamações não apenas do jogador expulso, mas também de seus companheiros, que não desistiram mesmo ela deixando claro por meio de sua postura que não voltaria atrás na decisão.
— Vai embora, cara, deixa o jogo continuar — a voz de disse, se sobressaindo em meio à gritaria, fazendo-a levantar os olhos em sua direção a tempo de vê-lo segurar o braço de Aitor Loyola, que lançou um olhar raivoso para o adversário e se livrou do toque com um puxão.
— Isso é ridículo, você fez vista grossa para um monte de faltas do Real Madrid — disse o zagueiro do clube basco, exasperado.
— Se retire do campo, por favor — rebateu sem se deixar abalar pela pressão que vinha não apenas dos jogadores, mas também da torcida do Athletic Club, que lotava as arquibancadas do San Mamés e vaiava sua decisão. — Se eu precisar repetir, não vai ser mais um pedido.
— Queria saber quem foi o imbecil que teve a ideia de colocar uma madridista para apitar jogo do Real Madrid — o outro falou, finalmente se convencendo de que não conseguiria argumentar contra aquela expulsão, e deu meia volta. Antes de se afastar, entretanto, se virou novamente e, levantando o indicador na direção da árbitra, completou sem medir as palavras antes de pronunciá-las: — Você deve mesmo ser muito mal comida como dizem por aí.
Antes mesmo de absorver as palavras ditas, passou como um raio por ela e segurou o outro jogador pela gola da camisa.
— Pede desculpas para ela — ele bradou, ignorando Marcelo e Dani Carvajal, que suplicavam para que ele soltasse Loyola.
— Desculpas? — ele questionou em um tom irônico e soltou uma risada debochada. — Eu tô fazendo um favor em falar na cara dela o que todo mundo diz pelas costas. Quem sabe assim ela não procura alguém que a coma direito, uh?
Os olhos de escureceram e sua primeira reação foi empurrar o outro grosseiramente, fazendo-o cair com tudo na grama. A agressão fez outra confusão se formar, parte dos jogadores indignados e outros prontos para separar uma possível briga.
respirou fundo antes de sacar o cartão vermelho do bolso da camisa novamente e, dessa vez, mostrá-lo na direção de . O capitão do Real Madrid arregalou os olhos em surpresa.
— Já deu. Os dois para fora — ela disse, apontando para e, em seguida, para Loyola, que já estava de pé. — AGORA!
— Por que você ‘tá me expulsando? Eu estava te defendendo, ! — exclamou, o choque estampado em seu rosto.
O jogador, atônito, assistiu dar meia volta enquanto dizia para os assistentes que queria os dois zagueiros fora do campo para que o Real Madrid pudesse cobrar a penalidade máxima e a partida continuasse a rolar. Por fim, ele apenas bufou com irritação, tirou a braçadeira de capitão de qualquer jeito e a arremessou na direção de Marcelo antes de se retirar do jogo e ir direto para o vestiário tomar uma ducha fria para esfriar a cabeça. Metade de fervia de raiva, mas a outra metade ansiava por jogar contra a parede como na primeira vez em que eles se beijaram.

xxx


respirava fundo para, em seguida, soltar o ar lentamente. Tentava controlar a vontade que tinha de socar a televisão, pois algo a impedia de pegar o controle e, simplesmente, desligá-la.
Na tela, passava o famoso quadro Lo que el ojo no ve, do programa El Día Después, que mostrava momentos curiosos e inusitados dos jogos de cada rodada de La Liga de forma bem humorada. Como, naquela rodada, todas as atenções estavam voltadas para a confusão ocorrida em San Mamés na disputa entre Athletic Club e Real Madrid, o foco do programa acabou sendo esse.
Por si só, o fato de ser uma das protagonistas de todo aquele bafafá já era algo que a aborrecia, mas a maneira sensacionalista com que o programa estava abordando o acontecimento estava tirando do sério. Além de apresentarem uma leitura labial de toda a cena, eles haviam conseguido falar rapidamente com Loyola, que, debochadamente, disse que não entendia por que havia tomado as dores da árbitra para si e que isso era apenas mais uma prova de que a liga espanhola não poderia ser levada a sério enquanto os árbitros fossem amiguinhos do Real Madrid.
Apesar de nunca ter admitido publicamente, era sim madridista desde que se entendia por gente. Nascida e criada em Madrid, não apenas ela, mas toda sua família era merengue. Para completar, seu primo de terceiro grau havia sido um jogador de futebol formado no Real Madrid e, até poucos anos antes de se aposentar, defendera a camisa blanca. Era óbvio que ela era madridista. Entretanto, a partir do momento em que decidiu seguir aquela profissão, ela passara a ser, em primeiro lugar, árbitra de futebol. E odiava que duvidassem de sua imparcialidade.
A campainha soou pela casa, fazendo-a tirar os olhos raivosos da televisão para se levantar e ir até a porta. Pelo olho mágico, viu, parado do outro lado, , o que a fez respirar fundo antes de levar a mão à maçaneta para abrir a porta e dar espaço para que ele adentrasse a casa antes que tivesse sua presença notada pela vizinhança.
Os dois se encararam por algum tempo, silenciosamente, até que resolveu se pronunciar:
— Não vai dizer nada?
— Dizer o quê? Quem veio até a minha casa foi você. E sem ser convidado, vale ressaltar — disse e soltou um risinho debochado antes de caminhar até a sala de estar. Apontando para a televisão, perguntou: — Você viu a gracinha que o Loyola soltou na zona mista?
— Esse garoto é um babaca — o outro rebateu, rolando os olhos. — E até agora eu não entendi por que fui expulso por botá-lo no lugar dele.
— Você agrediu outro jogador, . Queria que eu fizesse o quê? — ela falou, dando meia volta para fitar o jogador, e abriu os braços dramaticamente.
— Eu não agredi outro jogador, eu te defendi! — ele disse em um tom indignado.
— Eu não pedi para ser defendida, pedi? — questionou, franzindo o cenho, e se sentou no sofá.
fitou a expressão despreocupada dela por alguns segundos e soltou um longo suspiro.
— O que ele disse é verdade, . Todo mundo diz por aí que você ‘tá sempre de cara fechada porque é mal comida, frustrada e coisas piores. Sem contar os que ficam tentando adivinhar para quem da RFEF você deu para conseguir apitar na primeira divisão.
revirou os olhos e deixou uma risada baixa escapar.
— E daí?
— E daí que eu sinto vontade de socar todo mundo toda vez que escuto uma dessas conversas, mas não posso fazer nada.
... — disse em meio a um suspiro impaciente. — Eu sou alguma dessas coisas? Eu abri minhas pernas para alguém da RFEF?
— Claro que não, mas isso não diminui a falta de respeito.
— Eu não tô nem aí, deixe-os dizerem o que quiserem. Nada disso me define como árbitra, mulher, pessoa… Para a infelicidade de todos esses idiotas, eu vou continuar ferrando as vidas deles a cada rodada do campeonato — ela falou, dando de ombros. Em seguida, se pôs de pé, esboçando um sorrisinho divertido, e se aproximou de a passos lentos. — Inclusive, se tem uma coisa que eu não sou, é mal comida. Se você não fosse muito bom de cama, eu não faria questão de repetir a dose sempre que possível.
Quando foi perceber, estava tão próxima que a respiração dela batia em seu rosto. Sentiu as mãos dela subirem por seus braços lentamente, dedilhando sua pele, e foi abraçado pelo pescoço antes de os lábios dela se colarem aos seus. No segundo seguinte, ele se viu completamente entregue ao beijo, que sempre o fazia perder a noção da realidade. Magicamente, ele se esqueceu completamente de que, minutos antes, dirigiu até ali disposto a tirar satisfação por aquele cartão vermelho, pois achava injusto ter sido punido da mesma maneira que Loyola depois de tê-la defendido de insultos, e decidido a colocar contra a parede. estava exausto de se relacionar com ela daquela forma, mas era impossível conversar sobre o assunto quando, com um simples beijo, aquela maldita mulher o tinha na palma da mão.
Suas mãos seguraram a cintura da árbitra com firmeza enquanto suas línguas se embolavam, puxando o corpo dela ainda mais contra o seu. Em meio a beijos sedentos, os dois cruzaram a sala de estar e deixaram as camisas que vestiam pelo caminho. partiu o beijo com uma mordida leve no lábio inferior de e seus lábios foram para o pescoço dela, no qual distribuiu beijos molhados entre um chupão e outro, que a fizeram suspirar sofregamente. Deslizou por entre os seios cobertos pelo sutiã e foi descendo até ficar de joelhos e alcançar a barra do short jeans que ela vestia.
mordeu o lábio inferior. Adorava ver a despindo ansiosamente, com os olhos escuros de desejo. No segundo seguinte, o short já estava em seus pés e ela apenas levantou uma perna após a outra para que o jogador puxasse a peça de roupa e a jogasse longe. Ele subiu as mãos pelas pernas da mulher e, ao mesmo tempo em que enterrou os dedos na carne das nádegas dela, seus dentes brincaram com a barra da calcinha que ela vestia.
— Eu fiquei com tanta raiva de você ontem… — ele confessou, descendo os lábios para a região entre as pernas dela, que fraquejaram com aquela aproximação, e soprou contra o tecido úmido da peça íntima: — Tanta raiva que eu só conseguia pensar em te foder em todas as posições imagináveis enquanto você implorava por mais.
Ele passou os dentes de leve sobre intimidade coberta de , fazendo-a morder as partes internas da bochecha como reação à expectativa crescente de receber um dos orais maravilhosos de que ela conhecia muito bem.
— E você pretende colocar o seu sonho de princeso em prática agora, é isso? — ela questionou em um tom debochado, enterrando os dedos por entre os fios de cabelo do outro para acariciar seu couro cabeludo.
— Seria uma boa ideia, uh? — ele rebateu e esboçou um sorriso enviesado.
— Acho que não, capitán — a árbitra retrucou e sua gargalhada ecoou pelo cômodo antes de ela surpreender ao levantar um de seus pés até o peitoral descoberto dele para empurrá-lo, o fazendo cair para trás. — Você sempre esquece que quem manda aqui sou eu, esse é seu grande erro.
se ajoelhou no tapete felpudo que decorava a sala, com o corpo do jogador entre suas pernas, e o fez se deitar. Se sentou sobre ele, imediatamente sentindo a ereção já evidente apertada pela calça jeans e abriu um sorriso malicioso enquanto rebolava lentamente.
— Quem vai implorar por mais mesmo? — questionou em um tom de voz baixo e intenso ao vê-lo fechar os olhos e se inclinou para, contra os lábios dele, sussurrar: — Eu deveria te dar um belo de um castigo pra você deixar de ser tão nervosinho, parece que os cartões amarelos e vermelhos não são o suficiente.
— Isso é injusto, sabia? — o outro retrucou e reprimiu um gemido que quis escapar por sua garganta quando uma das mãos de envolveu seu membro sobre a calça jeans de surpresa. — Eu espero que aquele moleque pegue vários jogos de suspensão para compensar.
— Vou me encarregar pessoalmente disso — ela respondeu, piscando um olho. Apesar de não se abalar pelos insultos, não deixaria aquele episódio passar batido. Ela mesma entraria com uma denúncia contra Loyola para que o mesmo tivesse sua merecida punição. Com diversão, completou: — Mas vou me encarregar de você primeiro.
Antes que pudesse retrucar qualquer coisa, a boca de cobriu a sua, e corresponder ao beijo foi inevitável. Enquanto se beijavam, o ambiente foi se tornando cada vez mais quente conforme suas peles roçavam uma na outra, de forma que parecia que nunca estariam plenamente satisfeitos com a proximidade de seus corpos. abriu o sutiã de com a agilidade de quem já havia feito aquilo outras centenas de vezes e os dois partiram o beijo apenas pelos segundos necessários para que ela se livrasse da peça e voltasse a beijá-lo com ainda mais urgência.
quebrou o beijo algum tempo depois e, com um sorriso descarado, voltou a ficar de joelhos para que pudesse abrir e tirar a calça jeans que ainda vestia. Ele estava vestido demais para seu gosto.
quis inverter suas posições, assumir o controle e realizar as cenas que se passaram por sua cabeça enquanto tomava a ducha fria depois de ser expulso do jogo no dia anterior, nas quais estava completamente entregue a ele, mas qualquer intenção que tinha disso foi extinta quando uma das mãos dela puxou sua cueca para baixo. Seu membro pulou para fora da peça e foi envolvido pela mão livre de , que começou a massageá-lo com uma lentidão torturante. Foi impossível, para , não soltar um longo suspiro em aprovação.
— Isso faz parte do plano? — ele perguntou com a voz entrecortada.
— Eu deveria te deixar na mão, isso sim — a outra respondeu, rindo. — Só não faço isso porque eu mereço um pouco de diversão.
— Você não resiste a mim, admita — murmurou e não pôde evitar um gemido audível quando passou a subir e descer a mão pela extensão de seu pênis em uma maior velocidade. Ela se inclinou, em seguida, e, ao movimento que fazia, uniu também sua boca.
Os gemidos e suspiros que soltava entre um palavrão e outro faziam a excitação de crescer cada vez mais. Ter um homem como ele, que sempre estava à frente na situação que fosse, tão vulnerável e a deixando ter o controle em suas mãos era algo que a fazia sentir uma sensação muito prazerosa dentro de si. Sentia-se ainda mais poderosa do que quando tinha vinte e dois jogadores dependendo de suas decisões dentro das quatro linhas de um campo de futebol.
Os dois se encaravam intensamente enquanto chupava o membro de sem pudor, e ele, se apoiando em um dos cotovelos, passou os dedos por entre os fios de cabelo dela carinhosamente enquanto admirava seu empenho em dar prazer não apenas a ele, mas também a si mesma ao afastar sua calcinha e acariciar o ponto que implorava por ser tocado.
Ela deslizou a língua lentamente pelo pênis ereto e esboçou um sorriso enviesado ao se afastar. Empurrou para que ele voltasse a deitar as costas no tapete e cobriu o corpo dele com o seu, grudando suas bocas para iniciar um beijo repleto não apenas de desejo, mas também de carinho. Talvez, no início, o sexo entre eles fosse para extravasar a necessidade que os dois tinham do corpo um do outro, mas, com o tempo, a cumplicidade vinha acrescentando algo a mais. levantou o quadril e o desceu lentamente, sua intimidade envolvendo o membro de , e os dois se movimentaram em sincronia em meio a gemidos abafados que trocavam vez ou outra até, algum tempo depois, seus corpos se esparramarem sobre o tapete, completamente saciados.
Eles ficaram por ali mesmo, abraçados, ouvindo o programa que passava na televisão sobre a rodada daquele fim de semana da liga inglesa de futebol sem realmente prestar atenção. Sabiam que precisavam ter uma conversa para esclarecer as coisas, que o sexo, apesar de delicioso, não resolveria a situação que estava se encaminhando para ficar insustentável. Ele estava a uma semana e meia de completar seus trinta e um anos e ela, em agosto, faria trinta e quatro. Não eram mais adolescentes para se relacionarem às escondidas.
— Eu te amo, sussurrou, puxando-a ainda mais para perto de si, e depositou um beijo no topo de sua cabeça.
Foi naquele momento, ao sentir seu coração bater mais forte, que percebeu que também o amava.
O clima foi cortado completamente quando o toque do celular de ecoou pelo cômodo. A contragosto, ele soltou do abraço para ir até a calça jeans, que havia sido deixada de lado, para pegar o aparelho no bolso traseiro. Viu o nome de René, seu irmão, piscar na tela antes de apertar o botão para aceitar a chamada.
— Fala, cara.
Eu pensei que você confiasse em mim, .
— Quê?
Você ‘tá saindo com a , não ‘tá? Por que você não me contou?
— Como você sabe? — questionou, arregalando os olhos em surpresa.
Um paparazzi tirou umas fotos de você entrando na casa dela e todo mundo concluiu que vocês estão juntos, ainda mais depois do barraco de ontem. Na verdade, eu joguei verde, e você nem para disfarçar.
— Fodeu — ele murmurou e soltou um longo suspiro ao mesmo tempo em que passava a mão pelo cabelo.
Relaxa, daqui a alguns dias ninguém vai se importar com isso mais — René, com seu jeito tranquilo de sempre, disse, fazendo pouco caso.
— A gente pode se falar mais tarde? Eu preciso conversar sobre isso com a . Ela ‘tá aqui na minha frente, eu tô na casa dela.
É claro que você ‘tá — rebateu em meio a risos. — Tudo bem, mas saiba que eu tô realmente puto por você não ter me contado.
Ao perceber que a chamada havia sido encerrada sem que tivesse a chance de se despedir, encarou o aparelho por alguns segundos antes de deixá-lo de lado.
— Conversar comigo sobre o quê? — questionou, curiosa, o fazendo levantar os olhos para encará-la.
— Um paparazzi estava aí na frente e tirou fotos de quando eu cheguei.
A frase curta e grossa foi o suficiente para se levantar em um salto e correr até a janela. Ela afastou a cortina minimamente e sentiu um baque em seu peito ao ver uma movimentação fora do comum na rua. Alguns curiosos e três ou quatro fotógrafos preparados para flagrarem o momento em que deixasse a casa de , uma foto que certamente valeria muito dinheiro para ser postada e, posteriormente, o triplo para ser deletada.
— E agora, ? — ela questionou, encarando o jogador, que tinha a preocupação estampada no rosto.
Os dois se encararam em silêncio por algum tempo até um sorriso de canto despontar nos lábios dele.
— Deixe-os dizerem o que quiserem — repetiu as palavras ditas por mais cedo, dando de ombros, e piscou um olho.
— Vai sonhando — ela retrucou e soltou uma risada debochada antes de catar as peças de roupa espalhadas pelo cômodo. As de , jogou na direção dele e, com suas próprias em mãos, seguiu em direção à escada. — Se veste enquanto eu vou chamar a polícia para botar esse povo para correr e você poder ir embora.
revirou os olhos por ver , mais uma vez, fugindo de assumir o que rolava entre eles. Acabou obedecendo, entretanto, pois já estava conformado de que, naquele relacionamento, era ela quem mandava. E o pior era que ele gostava disso. Estava disposto a esperar o tempo que fosse necessário até que ela estivesse pronta para dar um passo a mais.


Fim



Nota da autora: Hola! Mais um ficstape da loka dos ficstapes no ar! Espero que vocês tenham curtido a história. Fazia tempos que eu tinha vontade de escrever uma fic em que a PP fosse árbitra de futebol, por mais improvável que isso possa ser no mundo real, e essa música veio bastante a calhar. Apesar de o PP ser interativo, Sergio Ramos, o rei dos cartões amarelos e vermelhos, acabou sendo uma inspiração e tanto!
Por um mundo onde as mulheres tenham mais espaço no futebol. ❤
Se quiser bater um papo, é só entrar no grupo do Facebook!
Beijos!





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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