Capítulo Único
O Grande Prêmio da Hungria não terminou como o esperado.
assistia à corrida do paddock da Ferrari quando viu Charles Leclerc — que havia liderado boa parte da prova — cruzar a linha de chegada fora do pódio. A vitória escapou por uma decisão errada, e isso ficou claro no instante em que ele saiu do carro.
Ao fim da corrida, ela o observou de longe. Charles estava irritado, o maxilar tenso, o corpo rígido demais para alguém que ainda tentava disfarçar a frustração. Ele sabia. Sabia que, se não tivesse seguido a estratégia da equipe, teria conseguido. Naquele momento, tudo o que queria era esbravejar.
Foi então que sentiu o olhar.
Charles se virou quase por instinto e a viu em um canto do paddock, usando um boné da Ferrari, os olhos fixos nele. Não havia admiração exagerada, nem fanatismo. Era curiosidade pura, silenciosa, atenta.
Quando percebeu que havia sido notada, ela desviou o olhar imediatamente.
Mas já era tarde demais para ignorar. Ela caminhou para a saída, acompanhando o irmão. Charles voltou o olhar para onde seus olhos se encontraram a primeira vez e não a encontrou. Ele a buscou com o olhar por todo o local, até seus olhos se encontrarem mais uma vez.
Ele a viu. Ela se virou. Os dois se encararam por um momento, sem qualquer expressão. Apenas um último olhar.
acompanhou seu irmão de volta ao hotel onde estavam hospedados. Se dirigiu ao bar, ainda com o boné da Ferrari, e pediu uma bebida.
— Fim de semana ruim para a equipe? — Perguntou o barman
— Pode se dizer que sim. — Ela sorriu.
— O primeiro drink é por conta da casa. — Ele a serviu com uma dose de tequila e ela sorriu, agradecida. Virou a tequila de uma vez e notou que alguém sentou ao seu lado.
— Pelo visto, eu não sou o único frustrado hoje. — se virou para o lado de onde vinha aquela voz masculina. E ela o viu, o dono daqueles olhos verdes que encontraram os seus na saída do paddock. Charles Leclerc. — Eu sou o Charles… — Ele estendeu a mão. — …mas suponho que você já saiba disso. — Completou, ela apertou sua mão.
— Sim. — Respondeu com um breve sorriso. — . — Você estava lá hoje. — Ele inclinou a cabeça, seu olhar se demorando em seu rosto.
— Estava. — Respondeu ela. Um silêncio se instaurou entre eles, mas não um silêncio desconfortável. Um silêncio necessário.
— E então… você torce para Ferrari. — Charles começou, com um sorriso.
— Sim. — Respondeu ela. — E você corre para a Ferrari.
— Parece que sim. — Ele riu. — Estava sozinha no paddock?
— Não, com meu irmão. — Sorriu.
— O que achou da corrida? — Ele apoiou o cotovelo no balcão.
— Sinceramente? — Ela riu, ele balançou a cabeça sorrindo.
— Tem razão, não foi mesmo um bom dia. — Charles suspirou.
— Na verdade, foi um ótimo final de semana. Até a metade da corrida de hoje, não é? Sinceramente, não entendi a estratégia da equipe. — Ele apoiou a cabeça na mão, escutando a resposta dela.
— Sim. — Ele suspirou e ela inclinou a cabeça para olhar para ele. — Acho que nem eu entendi, sabe? Nós tínhamos tudo para uma boa corrida, tanto que eu… — Ele suspirou.
— Sim, você reclamou. — sorriu, e ele assentiu, um sorriso discreto surgindo nos lábios.
— Você já assistiu a uma corrida presencialmente antes? — Perguntou. Ela negou com a cabeça. — Nunca nos vimos?
— Não que eu me lembre. E eu certamente me lembraria — Respondeu, sorrindo de leve. Charles a observou por um instante a mais do que deveria.
— Não sorria assim — Disse, de repente.
— Assim como?
— Desse jeito que faz meu coração acelerar. — Ele soltou um riso baixo, quase divertido. — Eu me conheço o suficiente para saber que isso costuma dar problema.
— E isso é ruim?
— Depende.
— Do quê? — apoiou o queixo nas mãos, interessada.
— Se você tiver certeza do que quer. — Ele sorriu, sincero. — Eu não sou muito bom em manter promessas, mas…
— Mas? — Ela insistiu. Charles girou o copo lentamente, como se escolhesse as palavras.
— Se você gostar de noites que começam sem plano… e terminam tarde demais. — Ela sorriu, dessa vez sem se conter.
— Parece que você já decidiu por nós dois. — O sorriso dele se alargou, tranquilo demais para alguém que sabia exatamente onde aquilo podia dar.
— Mas… — Charles se aproximou um pouco mais, diminuindo a distância entre eles. — Tem algo que você precisa saber antes.
— É mesmo? — inclinou-se levemente em sua direção, a voz quase um sussurro. — E o que é? — Ele a observou por alguns segundos, sério agora. Não havia charme ensaiado, nem jogo.
— Eu não sou um herói — disse, baixo. — Não sou o tipo de cara que aparece com respostas prontas, nem com planos perfeitos. — Ela não desviou o olhar. — Talvez eu nunca seja alguém para prometer futuros, ou apresentações formais, ou gestos bonitos que fazem sentido no longo prazo. — Ele deu um meio sorriso, honesto. — Minha vida não funciona assim. — Charles respirou fundo antes de continuar. — Mas eu sei estar aqui. Agora. — Seus olhos encontraram os dela com firmeza. — E, esta noite… eu posso ser exatamente o que você quiser que eu seja. — O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Foi decisivo.
— Acho que posso lidar com isso. — O sorriso em seus lábios continha uma pitada de desafio.
— Quer arriscar? — Ela não precisou responder em voz alta, apenas se levantou e ele entendeu o que aquilo queria dizer. Os dois subiram juntos para a cobertura que ele estava hospedado. A cobertura estava em silêncio quando a porta se fechou atrás deles.
A cidade brilhava do outro lado das janelas amplas, luzes refletidas no vidro como se fossem testemunhas discretas de algo que não precisava ser anunciado. deu alguns passos pelo espaço, absorvendo o ambiente, enquanto sentia a presença dele atrás de si — próxima o suficiente para ser notada, distante o bastante para ainda ser escolha.
Charles foi o primeiro a quebrar o silêncio, não com palavras, mas com um gesto simples. Tirou o relógio do pulso, deixou-o sobre a mesa, como quem abandona o tempo por algumas horas. O olhar que lançou a ela não tinha pressa. Não tinha urgência. Tinha intenção. Quando se aproximou, foi devagar. Como se quisesse ter certeza de que cada centímetro daquela distância era atravessado por vontade mútua, não por impulso. sentiu antes de ver — o calor, o perfume leve, a atenção inteira voltada para ela. O toque veio suave, quase um teste. Um pedido silencioso que ela respondeu sem palavras, inclinando-se levemente em sua direção. O sorriso dele surgiu pequeno, satisfeito, antes de desaparecer quando os lábios finalmente se encontraram.
Não foi um beijo apressado. Foi lento, explorado com calma, como se o mundo lá fora tivesse perdido importância. As mãos dele encontraram sua cintura, firmes, seguras, enquanto se permitia sentir — o cansaço do dia, a adrenalina ainda presente, a estranheza deliciosa de algo que nascia sem promessas. Entre beijos e silêncios, roupas foram deixadas para trás sem cerimônia, como detalhes irrelevantes. A cidade continuava ali, brilhando indiferente, enquanto eles se perdiam um no outro em meio a risos baixos, suspiros contidos e aquela certeza compartilhada de que aquela noite não precisava significar mais nada além do que era. Quando finalmente o silêncio voltou a ocupar o quarto, não havia arrependimento. Apenas a calma confortável de quem sabia que tinha vivido exatamente o que queria — sem planos, sem futuro definido, só o agora.
E, por enquanto, isso bastava.
Ela deitou a cabeça em seu peito, enquanto ele acariciava seus cabelos, o gesto lento, quase automático. Charles observava o reflexo da cidade nas janelas, sentindo aquele raro silêncio que só existia quando nada precisava ser dito. Ele não era o tipo de homem com quem se sonhava um romance de conto de fadas — e os dois sabiam disso.
— Você sabe — Ele disse, depois de um tempo — que a minha vida não é feita de linhas retas. — Ela ergueu o rosto para encará-lo.
— Eu percebi. — Charles sorriu de leve com sua resposta.
— Às vezes é pegar a estrada no meio da madrugada, sem saber onde vai dar. Às vezes é acordar em lugares que nem parecem reais. — Ele respirou fundo.
— E quase sempre tem gente olhando. Câmeras. Expectativas. Barulho demais. — o observou em silêncio, absorvendo cada palavra.
— Isso não me assusta — Respondeu, tranquila. — Eu sempre gostei mais do caminho do que do destino. — O olhar dele suavizou.
— Mesmo sabendo que nada disso vem com garantias?
— Principalmente por isso. — Ela sorriu. — Eu gosto de fazer as coisas que fazem sentido só pra mim. Mesmo que durem pouco. — Charles fechou os olhos por um instante, como se guardasse aquela resposta.
— Então você é… — ele começou, mas parou, balançando a cabeça com um sorriso baixo. — Você é exatamente o que eu imaginei. — Ela se acomodou novamente em seu peito, ouvindo o coração dele desacelerar.
— Talvez amanhã a gente volte para mundos diferentes — Murmurou ela.
— Talvez — ele concordou. — Mas hoje… hoje foi real.
Ela fechou os olhos, deixando-se ficar. E, por aquela noite, aquilo era tudo.
26 dias depois, GP da Holanda.
Charles Leclerc não concluiu a corrida e saiu do fim de semana sem pontuar. Foi um domingo difícil para toda a Ferrari — Lewis Hamilton também não conseguiu levar o carro até o fim, e a frustração era visível em cada canto da equipe. Após deixar o box, os pilotos seguiram em direção ao paddock. O barulho das conversas, das câmeras e das transmissões tomava o ambiente, mas Charles mal percebia. Enquanto se preparava para mais uma entrevista, sentiu uma presença familiar. Virou-se.
estava ali, parcialmente escondida sob o mesmo boné da Ferrari que usava na corrida anterior. O olhar era o mesmo. Calmo. Atento. Inevitável.
Eles se encararam por alguns segundos. Não precisaram dizer nada.
Algumas histórias não exigem palavras.
Eles sabiam exatamente como aquela terminaria.
assistia à corrida do paddock da Ferrari quando viu Charles Leclerc — que havia liderado boa parte da prova — cruzar a linha de chegada fora do pódio. A vitória escapou por uma decisão errada, e isso ficou claro no instante em que ele saiu do carro.
Ao fim da corrida, ela o observou de longe. Charles estava irritado, o maxilar tenso, o corpo rígido demais para alguém que ainda tentava disfarçar a frustração. Ele sabia. Sabia que, se não tivesse seguido a estratégia da equipe, teria conseguido. Naquele momento, tudo o que queria era esbravejar.
Foi então que sentiu o olhar.
Charles se virou quase por instinto e a viu em um canto do paddock, usando um boné da Ferrari, os olhos fixos nele. Não havia admiração exagerada, nem fanatismo. Era curiosidade pura, silenciosa, atenta.
Quando percebeu que havia sido notada, ela desviou o olhar imediatamente.
Mas já era tarde demais para ignorar. Ela caminhou para a saída, acompanhando o irmão. Charles voltou o olhar para onde seus olhos se encontraram a primeira vez e não a encontrou. Ele a buscou com o olhar por todo o local, até seus olhos se encontrarem mais uma vez.
Ele a viu. Ela se virou. Os dois se encararam por um momento, sem qualquer expressão. Apenas um último olhar.
acompanhou seu irmão de volta ao hotel onde estavam hospedados. Se dirigiu ao bar, ainda com o boné da Ferrari, e pediu uma bebida.
— Fim de semana ruim para a equipe? — Perguntou o barman
— Pode se dizer que sim. — Ela sorriu.
— O primeiro drink é por conta da casa. — Ele a serviu com uma dose de tequila e ela sorriu, agradecida. Virou a tequila de uma vez e notou que alguém sentou ao seu lado.
— Pelo visto, eu não sou o único frustrado hoje. — se virou para o lado de onde vinha aquela voz masculina. E ela o viu, o dono daqueles olhos verdes que encontraram os seus na saída do paddock. Charles Leclerc. — Eu sou o Charles… — Ele estendeu a mão. — …mas suponho que você já saiba disso. — Completou, ela apertou sua mão.
— Sim. — Respondeu com um breve sorriso. — . — Você estava lá hoje. — Ele inclinou a cabeça, seu olhar se demorando em seu rosto.
— Estava. — Respondeu ela. Um silêncio se instaurou entre eles, mas não um silêncio desconfortável. Um silêncio necessário.
— E então… você torce para Ferrari. — Charles começou, com um sorriso.
— Sim. — Respondeu ela. — E você corre para a Ferrari.
— Parece que sim. — Ele riu. — Estava sozinha no paddock?
— Não, com meu irmão. — Sorriu.
— O que achou da corrida? — Ele apoiou o cotovelo no balcão.
— Sinceramente? — Ela riu, ele balançou a cabeça sorrindo.
— Tem razão, não foi mesmo um bom dia. — Charles suspirou.
— Na verdade, foi um ótimo final de semana. Até a metade da corrida de hoje, não é? Sinceramente, não entendi a estratégia da equipe. — Ele apoiou a cabeça na mão, escutando a resposta dela.
— Sim. — Ele suspirou e ela inclinou a cabeça para olhar para ele. — Acho que nem eu entendi, sabe? Nós tínhamos tudo para uma boa corrida, tanto que eu… — Ele suspirou.
— Sim, você reclamou. — sorriu, e ele assentiu, um sorriso discreto surgindo nos lábios.
— Você já assistiu a uma corrida presencialmente antes? — Perguntou. Ela negou com a cabeça. — Nunca nos vimos?
— Não que eu me lembre. E eu certamente me lembraria — Respondeu, sorrindo de leve. Charles a observou por um instante a mais do que deveria.
— Não sorria assim — Disse, de repente.
— Assim como?
— Desse jeito que faz meu coração acelerar. — Ele soltou um riso baixo, quase divertido. — Eu me conheço o suficiente para saber que isso costuma dar problema.
— E isso é ruim?
— Depende.
— Do quê? — apoiou o queixo nas mãos, interessada.
— Se você tiver certeza do que quer. — Ele sorriu, sincero. — Eu não sou muito bom em manter promessas, mas…
— Mas? — Ela insistiu. Charles girou o copo lentamente, como se escolhesse as palavras.
— Se você gostar de noites que começam sem plano… e terminam tarde demais. — Ela sorriu, dessa vez sem se conter.
— Parece que você já decidiu por nós dois. — O sorriso dele se alargou, tranquilo demais para alguém que sabia exatamente onde aquilo podia dar.
— Mas… — Charles se aproximou um pouco mais, diminuindo a distância entre eles. — Tem algo que você precisa saber antes.
— É mesmo? — inclinou-se levemente em sua direção, a voz quase um sussurro. — E o que é? — Ele a observou por alguns segundos, sério agora. Não havia charme ensaiado, nem jogo.
— Eu não sou um herói — disse, baixo. — Não sou o tipo de cara que aparece com respostas prontas, nem com planos perfeitos. — Ela não desviou o olhar. — Talvez eu nunca seja alguém para prometer futuros, ou apresentações formais, ou gestos bonitos que fazem sentido no longo prazo. — Ele deu um meio sorriso, honesto. — Minha vida não funciona assim. — Charles respirou fundo antes de continuar. — Mas eu sei estar aqui. Agora. — Seus olhos encontraram os dela com firmeza. — E, esta noite… eu posso ser exatamente o que você quiser que eu seja. — O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Foi decisivo.
— Acho que posso lidar com isso. — O sorriso em seus lábios continha uma pitada de desafio.
— Quer arriscar? — Ela não precisou responder em voz alta, apenas se levantou e ele entendeu o que aquilo queria dizer. Os dois subiram juntos para a cobertura que ele estava hospedado. A cobertura estava em silêncio quando a porta se fechou atrás deles.
A cidade brilhava do outro lado das janelas amplas, luzes refletidas no vidro como se fossem testemunhas discretas de algo que não precisava ser anunciado. deu alguns passos pelo espaço, absorvendo o ambiente, enquanto sentia a presença dele atrás de si — próxima o suficiente para ser notada, distante o bastante para ainda ser escolha.
Charles foi o primeiro a quebrar o silêncio, não com palavras, mas com um gesto simples. Tirou o relógio do pulso, deixou-o sobre a mesa, como quem abandona o tempo por algumas horas. O olhar que lançou a ela não tinha pressa. Não tinha urgência. Tinha intenção. Quando se aproximou, foi devagar. Como se quisesse ter certeza de que cada centímetro daquela distância era atravessado por vontade mútua, não por impulso. sentiu antes de ver — o calor, o perfume leve, a atenção inteira voltada para ela. O toque veio suave, quase um teste. Um pedido silencioso que ela respondeu sem palavras, inclinando-se levemente em sua direção. O sorriso dele surgiu pequeno, satisfeito, antes de desaparecer quando os lábios finalmente se encontraram.
Não foi um beijo apressado. Foi lento, explorado com calma, como se o mundo lá fora tivesse perdido importância. As mãos dele encontraram sua cintura, firmes, seguras, enquanto se permitia sentir — o cansaço do dia, a adrenalina ainda presente, a estranheza deliciosa de algo que nascia sem promessas. Entre beijos e silêncios, roupas foram deixadas para trás sem cerimônia, como detalhes irrelevantes. A cidade continuava ali, brilhando indiferente, enquanto eles se perdiam um no outro em meio a risos baixos, suspiros contidos e aquela certeza compartilhada de que aquela noite não precisava significar mais nada além do que era. Quando finalmente o silêncio voltou a ocupar o quarto, não havia arrependimento. Apenas a calma confortável de quem sabia que tinha vivido exatamente o que queria — sem planos, sem futuro definido, só o agora.
E, por enquanto, isso bastava.
Ela deitou a cabeça em seu peito, enquanto ele acariciava seus cabelos, o gesto lento, quase automático. Charles observava o reflexo da cidade nas janelas, sentindo aquele raro silêncio que só existia quando nada precisava ser dito. Ele não era o tipo de homem com quem se sonhava um romance de conto de fadas — e os dois sabiam disso.
— Você sabe — Ele disse, depois de um tempo — que a minha vida não é feita de linhas retas. — Ela ergueu o rosto para encará-lo.
— Eu percebi. — Charles sorriu de leve com sua resposta.
— Às vezes é pegar a estrada no meio da madrugada, sem saber onde vai dar. Às vezes é acordar em lugares que nem parecem reais. — Ele respirou fundo.
— E quase sempre tem gente olhando. Câmeras. Expectativas. Barulho demais. — o observou em silêncio, absorvendo cada palavra.
— Isso não me assusta — Respondeu, tranquila. — Eu sempre gostei mais do caminho do que do destino. — O olhar dele suavizou.
— Mesmo sabendo que nada disso vem com garantias?
— Principalmente por isso. — Ela sorriu. — Eu gosto de fazer as coisas que fazem sentido só pra mim. Mesmo que durem pouco. — Charles fechou os olhos por um instante, como se guardasse aquela resposta.
— Então você é… — ele começou, mas parou, balançando a cabeça com um sorriso baixo. — Você é exatamente o que eu imaginei. — Ela se acomodou novamente em seu peito, ouvindo o coração dele desacelerar.
— Talvez amanhã a gente volte para mundos diferentes — Murmurou ela.
— Talvez — ele concordou. — Mas hoje… hoje foi real.
Ela fechou os olhos, deixando-se ficar. E, por aquela noite, aquilo era tudo.
26 dias depois, GP da Holanda.
Charles Leclerc não concluiu a corrida e saiu do fim de semana sem pontuar. Foi um domingo difícil para toda a Ferrari — Lewis Hamilton também não conseguiu levar o carro até o fim, e a frustração era visível em cada canto da equipe. Após deixar o box, os pilotos seguiram em direção ao paddock. O barulho das conversas, das câmeras e das transmissões tomava o ambiente, mas Charles mal percebia. Enquanto se preparava para mais uma entrevista, sentiu uma presença familiar. Virou-se.
estava ali, parcialmente escondida sob o mesmo boné da Ferrari que usava na corrida anterior. O olhar era o mesmo. Calmo. Atento. Inevitável.
Eles se encararam por alguns segundos. Não precisaram dizer nada.
Algumas histórias não exigem palavras.
Eles sabiam exatamente como aquela terminaria.
FIM
Nota da autora: eu achei essa música totalmente a cara do nosso piloto monegato, então espero que tenham gostado <3
Outras Fanfics:
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Além do Acaso
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My Lovely Lover
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