03. Slow it down

Finalizada em 22/04/2025

Capítulo Único

O dia de começara como todos os outros: reuniões, telefonemas, um jogo interminável de manipulação e controle. Naquele mundo de cifras e segredos, ela nunca se permitia perder. Mas, naquela noite, a monotonia dos negócios parecia insuportável.
A limusine deslizou suavemente pelas ruas da cidade, refletindo as luzes douradas dos arranha-céus no vidro fumê. , impecável como sempre, ajustou a manga do vestido preto de seda, deixando um vislumbre da tatuagem discreta de serpente em seu pulso. Seu motorista, um homem de poucas palavras e lealdade inquestionável, não precisou perguntar para onde iam. Ela já decidira antes mesmo de sair de casa.
O clube não era um dos seus lugares habituais, mas sempre soubera onde encontrar algo... interessante. Era um hábito cultivado ao longo dos anos: Observar. Estudar. Escolher. O controle começava assim, no simples ato de prestar atenção onde ninguém mais olhava.
Ao entrar, os olhares se voltaram para ela, como sempre acontecia. Perfumes caros, vestidos cintilantes, risos abafados entre taças de cristal. Ela deslizou até o bar sem pressa, pedindo seu drink habitual, mas sem beber de imediato. Seus olhos percorreram o ambiente, avaliando, analisando, até pousarem na garota no palco.
.
Não era a primeira vez que a via ali, mas era a primeira vez que prestava verdadeira atenção.
A luz tênue demorava a iluminá-la por completo, como se o mundo hesitasse em revelá-la por inteiro. E compreendia essa hesitação — porque, por um momento, também segurou o próprio fôlego.
A introdução foi modesta. Voz firme, mas sem a arrogância dos que nasceram acostumados a serem ouvidos. E então, a música começou. inclinou levemente a cabeça, os olhos se estreitando. Havia algo nela.
Não era apenas a voz, nem a música. Era a maneira como se deixava tomar por aquilo, como se, por um instante, ela fosse mais do que uma garçonete cantando para os ricos entediados. Como se ela fosse algo maior do que eles poderiam compreender.
tomou um gole de seu drink sentindo o calor do álcool se misturar ao arrepio inesperado que percorreu sua pele. O ambiente ao redor desapareceu por um momento. Havia apenas a voz de , o movimento sutil de seus dedos enquanto interpretava cada nota, e a sensação irritante de que estava gostando daquilo mais do que deveria.
Ela não gostava de não ter controle sobre o que sentia. Mas, naquela noite, pela primeira vez em muito tempo, decidiu abrir uma exceção. Quando terminou, recolheu seu avental e voltou ao trabalho, a plateia oferecendo aplausos moderados. Mas não aplaudiu.
Em vez disso, observou. Cada passo, cada gesto, cada sorriso que ela dava ao amigo atrás do balcão. E, com um leve sorriso no canto dos lábios, tomou a decisão que sempre tomava quando algo chamava sua atenção.
Ela se levantou e deslizou entre as mesas com a confiança de quem sabia ser o centro de qualquer ambiente. Seus cabelos loiros estavam perfeitamente alinhados, sua postura era impecável. Quando se aproximou de , seus olhos azuis estavam firmes, intensos.
— Qual o seu drink favorito? — perguntou, jogando as mechas douradas de um lado só do ombro. — O que mais gosta de fazer, de tomar, de surpreender...?
A voz saiu baixa, rouca e aveludada, como um segredo sussurrado ao pé do ouvido. virou-se, claramente surpresa.
— Desculpe... acho que se enganou. Sou a garçonete.
manteve o olhar fixo. Cada detalhe naquele rosto parecia mais interessante de perto: os olhos verdes emoldurados por cílios longos, o rubor suave nas bochechas, a forma como os lábios hesitavam.
— Não me enganei. Você é a mulher que acabou de capturar um clube inteiro sem precisar de nada além da sua voz. — Ela deu um passo à frente. — E eu não costumo ignorar coisas que me interessam.
O sorriso que seguiu foi leve, preguiçoso, mas carregado de intenção.
— Então... qual o seu drink favorito? — A pergunta saiu com uma cadência envolvente, uma melodia em tom baixo que obrigava atenção. — Você parece ser do tipo que aprecia os detalhes. Algo sofisticado, mas com uma força inesperada. Talvez um Manhattan clássico... ou algo mais ousado?
inclinou levemente a cabeça, os olhos atentos a cada micro expressão.
— Mas não, acho que não. Você tem um gosto diferente, não tem?
Com a ponta dos dedos, tocou de leve a borda de uma das taças na bandeja, sem pegá-la. O gesto foi sutil. Quase provocador. Ela não precisava falar mais. A isca já havia sido lançada.
abaixou os olhos devagar, encarando os dedos de . Respirou pela boca e virou o corpo, pegando uma das taças.
— Você não conheceria esse, eu acho. Eu gosto de brincar com a criatividade… Acho que tenho um em mente para você. Mas é proibido. Um sabor proibido aqui. Uma nova criação.
deixou a taça de lado, roubou a que estava nas mãos de e foi para trás do balcão. a observou com atenção.
era ágil. Sabia onde cada coisinha estava. Na bebida, havia tequila, licor de pimenta, licor de café, xarope de romã. Finalizou com pó de cacau e gelo seco. Tudo parecia dramático, sexy e doce ao mesmo tempo. E então, a pimenta.
arqueou uma sobrancelha quando a viu levar a pimenta aos lábios, empurrá-la um pouco e puxá-la de volta antes de deixá-la brilhar dentro da taça. a empurrou para frente, provocadora.
— Seu drink especial está pronto.
envolveu o copo com os dedos e levou-o aos lábios, sem desviar o olhar.
— Impressionante.
Um gole. O calor subiu. E depois, a pimenta. levou-a aos lábios como havia feito.
— Você gosta de brincar com fogo, . — Ela saboreou. E sorriu. — Um sabor proibido, de fato. Agora me diga, você sempre prepara drinks assim para clientes… ou sou uma exceção?
A resposta de veio baixa, quase um sussurro:
— Apenas para você… mas não vá se achando muito.
sorriu, rindo baixo.
— Eu não preciso me achar, . Eu apenas sei. — Tomou mais um gole, ainda olhando nos olhos verdes da garota. — O que foi? Parece surpresa que eu tenha gostado.
girou o líquido na taça com elegância, depois a apoiou.
— Me diga, … o que mais você pode fazer além de criar drinks perigosos e cantar como uma sereia?
Ela não suavizou. Ela não recuou. Ela queria mais. tentou manter a pose, mas percebia tudo. O rubor, o vacilo nos olhos, a tensão nas mãos. Ela estava desarmando. E adorava.
— Eu gosto de desafios, — sussurrou , inclinando-se para frente, reduzindo a distância entre elas. — Acho que já descobri algumas coisas sozinha... Você gosta de provocar, mas não sabe o que fazer quando provocam você. E, pelo jeito que está corando... eu diria que, no fundo, gosta disso.
ergueu o copo com elegância e bebeu mais um gole, sem quebrar o contato visual.
— O que deseja de mim, senhora? — a pergunta de veio como um golpe. Direta. Corajosa.
saboreou o silêncio antes de responder. Inclinou-se mais uma vez, tão próxima que sua voz foi um sopro quente contra a pele de .
— Tudo. — Depois, recuou devagar. — Mas... acho que podemos começar com seu tempo. Quando você termina seu turno?
— Tenho mais uma hora — respondeu . — Por quê?
— Tempo suficiente pra me deixar com sede de novo — murmurou , os dedos contornando a borda do copo. — Mas tudo bem... eu espero. Vou ficar contando os minutos.
Ela mordeu o lábio, o olhar ainda cravado em .
— Porque quero mais do que um drink, .
— Passará rápido — disse a garçonete, os olhos brilhando, a respiração visivelmente alterada. — Serei rápida.
recuou com um último sorriso, provocante e prometedor.
[...]

Quando terminou o turno e caminhou até ela, apenas disse:
— Você veio.
E sorriu. O jogo estava apenas começando.
se levantou, ajustando o vestido com a ponta dos dedos, e estendeu a mão.
— Vamos. Quero te ver relaxando pela primeira vez hoje.
conduziu para fora do clube sem pressa, como se aquele momento já estivesse predestinado a acontecer. O ar noturno trouxe um frescor bem-vindo depois do calor do ambiente fechado, mas o verdadeiro calor ainda estava ali, no espaço invisível que existia entre as duas.
Um carro luxuoso as aguardava na calçada. Preto, brilhante, imponente. O motorista já sabia o que fazer sem precisar de ordens. Ele apenas abriu a porta para que ambas entrassem, e deslizou para dentro primeiro, os movimentos sempre calculados, sempre carregados daquela aura de controle despreocupado que a envolve. entrou logo depois, e antes mesmo que o carro começasse a se mover, já estava olhando para ela.
Os olhos azuis passeavam pelo rosto da garçonete, explorando cada detalhe sob a luz baixa do interior do carro. O silêncio que se instalou não era incômodo, pelo contrário... era um jogo de olhares, de provocações silenciosas, de sorrisos velados que diziam muito mais do que palavras poderiam.
se recostou cruzando as pernas devagar, como se estivesse se ajeitando, mas, na verdade… era algo muito mais calculado. A fenda do vestido abriu sutilmente, revelando a extensão de sua perna lisa e bem cuidada. A posição escolhida não era por acaso.

Seus olhos encontraram os de novamente. Então, como se fosse a coisa mais natural do mundo, ela roçou o pé suavemente na perna de . Não era um toque invasivo, apenas um roçar leve, uma promessa embutida na casualidade do gesto. Como se fosse acidental. Como se não tivesse sido pensado nos mínimos detalhes.
— Me conta, … — murmurou, o tom de voz leve, quase sonolento, mas carregado de insinuação. — Que tipo de bebida você gosta de beber? — Ela observou a reação da outra, percebendo o momento exato em que entendeu a pergunta. — E não vale dizer que gosta de tequila só porque combina com o seu jeito ousado.

Ela sorriu de canto, ainda brincando, ainda deixando o jogo se arrastar um pouco mais.

— Eu quero saber… o que você pediria para beber se pudesse escolher qualquer coisa agora?

— Acho que um Negroni — ela murmurou simplesmente

observou cada pequena reação, cada hesitação, cada detalhe da forma como lutou para manter o controle da situação—e falhou. Lindamente. O arfar discreto quando seu pé roçou na perna dela? Delicioso. O jeito como os olhos verdes percorrem seu corpo, tentando absorver tudo ao mesmo tempo? Melhor ainda.

Ela sorriu devagar, saboreando o momento como se fosse um drink raro.

— Um Negroni… — Ela repetiu, inclinando um pouco a cabeça enquanto tamborilava os dedos contra a coxa exposta. — Clássico, intenso… ligeiramente amargo.

A provocação estava ali, mas daquela vez, havia algo mais. Uma avaliação. gostava de entender as pessoas por suas escolhas, e essa, em especial, dizia muito sobre .

— Gosto disso — murmurou, os olhos escorregando novamente pelos traços da morena, absorvendo a forma como ela se recosta no banco, como se estivesse tentando encontrar um pouco de controle naquela situação.

Ela se inclinou levemente para frente, diminuindo a distância entre elas outra vez, como se estivesse prestes a revelar um segredo.

— Sabe o que dizem sobre o Negroni? Que é uma bebida para quem gosta de prazer e dor na mesma medida.

— Meio termo… — mastigou o lábio e volta a olhar a mulher loira. — Mas talvez, eu não sei, depende do momento. Eu posso gostar de um pouco de tudo.

Ela apertou as sobrancelhas e a encarou mais profundamente.

— Por quê?

Ela deslizou a língua rapidamente pelos lábios antes de continuar.

— Eu gosto de entender as pessoas. Saber do que gostam, o que desejam, o que as faz vibrar.

se inclinou um pouco mais, não de forma agressiva, mas sim envolvente, como se estivesse compartilhando um segredo proibido. Ela piscou, brincando, antes de relaxar novamente no assento, cruzando as pernas com elegância.

— Mas não se preocupe… temos a noite toda para descobrir.

A provocação estava ali, aberta, esperando para ser respondida. O jogo segue, e , pacientemente, aguardou para ver se iria corresponder ou fugir. Mas ela já sabia. Já via nos olhos da morena.

não fugiria.

O carro deslizou suavemente pelas ruas iluminadas da cidade, cortando o tráfego sem esforço, como se o próprio mundo abrisse caminho para . Quando finalmente chegam, o prédio diante delas não era apenas luxuoso— era o tipo de lugar que nem mesmo a elite comum tem acesso. As portas douradas refletiam as luzes da cidade, e o porteiro não precisa perguntar nada. Apenas abre caminho, como se fosse parte da estrutura do lugar.

Ela sai do carro primeiro, estendendo a mão casualmente para .

— Não se preocupe, prometo que não estou te sequestrando… ainda — ela brincou, piscando enquanto entrelaça os dedos nos dela e a conduz para dentro.

O elevador as leva diretamente para o topo do prédio, onde não há um simples restaurante, mas uma experiência exclusiva. As portas abriram, revelando um espaço que parecia flutuar sobre a cidade. A iluminação era quente e discreta, as paredes de vidro deixavam a vista livre, e tudo ali exalava sofisticação e intimidade.

parou diante de uma porta discreta e murmurou uma senha ao anfitrião, que apenas assentiu e as conduziu para dentro. O garçom, impecavelmente vestido, guiava as duas para o terraço—onde a verdadeira surpresa as esperava.

A cidade inteira se estendia diante delas, um mar de luzes brilhando contra o céu escuro. Mas a parte mais impactante? Elas completamente sozinhas ali. Assim que entraram, o garçom discretamente fechou a porta atrás de si, deixando-as isoladas do resto do restaurante. Nenhum outro cliente. Nenhuma distração. Apenas a vista, a noite e elas.

se virou para o garçom antes que ele saísse.
— Um Negroni para a minha convidada — disse ao garçom, com um olhar para . — E um Cosmopolitan para mim.
Sozinhas, no alto do terraço envidraçado, com a cidade inteira brilhando aos pés, se virou com um sorriso.
— Agora sim. Isso parece melhor, não acha? — Ela se aproximou. — Viu? Eu disse que você não precisaria servir nada essa noite.
E então, mais baixo:
— Gostou da surpresa?
— Gostei, tudo isso é… incrível. Nunca vi nada assim, eu… — meneou a cabeça, tocando a própria roupa e esfregando brevemente o tecido — Estou terrivelmente desarrumada para esse lugar.

sorriu de canto, já sabendo exatamente como queria lidar com isso.

— Você acha que está desarrumada? — Ela murmurou, cruzando os braços e inclinado a cabeça para o lado, como se estivesse estudando a outra. O olhar azul deslizou por sem pressa, apreciando cada detalhe.

Depois de alguns segundos, ela aproximou-se mais, diminuindo a distância entre elas.

— Você não tem ideia do quão errada está.

soltou um pequeno suspiro, como se aquilo fosse uma pena. Então, seus dedos se moveram, escorregando lentamente pela barra da camiseta de , sentindo o tecido sutilmente entre os dedos antes de largá-lo de volta no lugar.

— Sabe o que eu vejo? Vejo alguém que não precisa de vestidos de grife para chamar atenção. — Os olhos dela subiram novamente, e havia algo ali… fome. — Alguém que chegou aqui e conseguiu roubar todo o brilho das estrelas. — Ela sorriu de lado, aquele tipo de sorriso que não deixava dúvidas de que está flertando descaradamente. — Você é completamente… — deslizou a ponta do dedo pelo próprio queixo, os olhos vagando preguiçosamente pelo rosto de . — Magnética.

E então, de repente, ela se afastou ligeiramente, apenas para manter o jogo interessante. se moveu até a borda do terraço, apoiando as mãos na grade enquanto olhava a cidade abaixo, como se estivesse se dando um tempo.

— Mas então, me conta, ... — Ela usou o nome, deixando-o deslizar da língua como algo delicioso. — O que você vê quando olha para mim? — Ela lançou um olhar por cima do ombro, os olhos brilhando, brincando, provocando. — Porque até agora, tudo o que vejo é você lutando para não me devorar com esses olhos lindos.

E eu não estou? Fala sério! Aquele foi o olhar que ela deu à mulher, mas não disse aquilo. era bem expressiva. via o jeito como tentou se segurar, como hesitava antes de falar, como o corpo dela quase a seguia quando se afastava. Quase. Mas esse “quase” era tudo que precisava.
— Eu… hm… você é magnética, mas sabe tudo. Acredito que tudo o que eu diga, você já saiba. Vejo uma mulher forte e intensa, que sabe jogar e que ganhará e sabe que ganhará. Vejo… — Ela suspirou e volta a olhar — Fogo.

Os olhos, por cima do ombro, tão azuis mesmo tomados pela noite, encaravam por cima do ombro. vacilou e corou pela provocação tão direta.

— Talvez… — cantarolou baixo, até que se aproximou e apoiou as mãos na grade também — Como se chama? Nunca me disse.

Ela apoiou o queixo na própria mão enquanto ouvia a resposta da garçonete, os olhos brilhando conforme as palavras saiam. Fogo. Ah, ela gostou disso.

se permitiu brincar um pouco mais. Ela inclinou o corpo, deixando seus ombros quase se tocarem, sentindo o calor que emanava da outra sem precisar realmente encostar.

— Agora sim, uma pergunta interessante — murmurou, a voz saindo baixa, íntima.

Ela olhou para frente por um momento, contemplando a cidade, antes de virar o rosto devagar, os olhos deslizando até encontrar os de .

. . — E então, sem aviso, se inclinou um pouco mais, os lábios perigosamente perto do ouvido da outra. — Agora que já sabe meu nome, o que pretende fazer com essa informação, ?

O sussurro carregado de intenções, como se desafiasse a morena a dar o próximo passo. Ou a ceder.

— Agora você se torna completa para mim. Agora eu tenho um nome para… — E então, a hesitação. A pequena pausa, o rubor que coloriu a pele de quando quase disse algo que não deveria. Delicioso. percebeu. Ela sempre percebia. — …Para pensar sobre amanhã. Para entender.

deslizou um pouco mais perto, eliminando qualquer espaço que ainda restava entre seus rostos. Seus lábios pairaram a centímetros dos de , próximos o suficiente para que ela possa sentir o calor, a respiração entrecortada da morena.

Ela levantou uma das mãos lentamente, os dedos deslizando pelo próprio pescoço antes de pararem na alça do vestido. Um movimento sutil, casual, mas suficiente para chamar atenção.

— Interessante. Eu estava mais interessada no que você quer fazer agora. — Ela inclinou a cabeça, os olhos grudados nos de , esperando. — A menos que… você prefira ficar só pensando.

sussurrou as últimas palavras contra a pele quente de , sem pressa, sabendo que aquele jogo já estava prestes a acabar. apertou os dedos com mais força na grade, a esmagando. Então não pensou muito mais. Ao invés disso, ela soltou o ar e grudou seus lábios com os de , quebrando a única minúscula distância que ainda existia entre elas.

O beijo começou com um impacto urgente, quase bruto, como se tivesse guardado aquela necessidade por tempo demais. Talvez tenha. saboreou isso.

Ela retribuiu com o mesmo desejo, mas no seu próprio ritmo, explorando, aprofundando, tornando o beijo um jogo que só ela conhecia as regras. Sua mão deslizou sem pressa pela lateral do corpo de , sentindo o calor através do tecido fino da roupa, enquanto a outra se ancorava na grade do terraço, como se quisesse prendê-la ali, como se não houvesse mais espaço para fuga.

A cidade inteira brilhava ao redor delas, mas só se importava com o calor entre seus corpos, com a maneira como ela suspirou contra o beijo, com o arrepio que sente ao tocar a pele macia da morena. Quando finalmente separou os lábios, apenas o suficiente para recuperar o fôlego, manteve os olhos fechados por um breve instante, sentindo o gosto da outra mulher ainda em si.

Então, ela abriu os olhos: Azuis, intensos, carregados de algo que ia além da provocação. A respiração quente ainda entre elas, os lábios roçando de leve antes que mordesse o próprio sorriso.

— Delícia — murmurou e se aproximou novamente, lambendo os lábios de lentamente, debaixo para cima.

As mãos da loira puxaram a outra com mais brutalidade contra seu corpo, prendendo-os ainda mais naquela grade, a cidade toda de vista atrás delas. Então desceu os lábios e começou a beijar o queixo, lambendo-o, até descer e começar a dar toda a atenção a lateral do pescoço de , beijando onde ela mais se arrepiava, chupando a pele.

— Está gostando da vista — provocou, passando os lábios pela clavícula.

— Cale-se… — Ela sussurrou, mas seu rosto estava vermelho, enquanto seu ar saia entrecortado e seus olhos se fecham — N-Não… está me surpreendendo ainda…

riu contra a pele quente do pescoço de , um som baixo e arrastado, repleto de diversão.

— Não estou te surpreendendo? — murmurou contra a pele sensível, seus lábios roçando na curva do maxilar de antes de subir novamente até sua boca.

Ela não a beijou de imediato. Não. Ela brincou. Deixou os lábios pairarem ali, próximos o suficiente para que sentisse seu hálito quente, para que desejasse, para que implorasse sem palavras.

— Isso parece um desafio. — Ela continuou, a voz macia e carregada de algo mais denso, mais perigoso.

E então, ela atacou. Suas mãos deslizavam para a cintura da morena, puxando-a mais para si, mais contra seu próprio corpo. O beijo que naquele momento era diferente. Mais fundo. Mais intenso.

queria fogo? Aqui está.

sentiu os dedos de apertando mais em seus cabelos quando ela mordeu seu lábio inferior antes de aprofundar o beijo outra vez. E quando finalmente separou as bocas, era apenas para deslizar os lábios pela mandíbula da morena, pelo pescoço que já carregava seu toque, seus dentes.

Ela sorriu, ainda com os olhos fechados, ainda saboreando o gosto da pele de , o cheiro dela, o calor.

— Se isso não te surpreendeu ainda… — sussurrou, os lábios tocando a pele úmida com um beijo lento, arrastado. — … Então eu realmente preciso tentar mais.

Ela se afastou ligeiramente, apenas o suficiente para que seus olhos encontrassem os de , para que visse o estrago que causou. Os lábios inchados, os olhos grandes e escuros, a respiração falha. mordeu o próprio sorriso antes de erguer uma sobrancelha.

— Me diga, … quer que eu continue tentando?

— E-Eu… — Ela pigarreou pela voz trêmula, se dando um tapa mental ao soar tão estupida — Não queria que parasse…

A respiração quente de estava ali misturando-se à dela e a sensação do corpo da morena pressionado contra o seu fez um arrepio percorrer sua espinha. Ela queria mais. Muito mais. deslizou os dedos pela cintura de , sentindo a curva quente do corpo sob o tecido. Seu toque era mais firme agora, não por controle, mas porque ela não queria perder aquela conexão. O beijo ainda estava ali, pendurado no ar entre elas, e queria continuar. Queria afundar os dedos nos cabelos negros de , puxá-la para mais perto, explorar cada centímetro da sua pele com os lábios.

— Mas acho que devemos. Estamos… em público. — murmurou, mas olhou ao redor do lugar vazio, então franziu o cenho — Parcialmente.

— Eu nunca fui boa em parar quando quero mais. — A confissão escapou dos lábios de antes que ela pudesse controlá-la.

Ela soltou devagar, os dedos deslizando pela lateral do corpo dela antes de finalmente ceder ao espaço entre elas.

— Mas você tem razão… — murmurou, com um sorriso pequeno, sincero, diferente dos anteriores. — Aqui não é o lugar para isso.

afastou-se o suficiente para que pudesse respirar, mas manteve o olhar fixo no dela, como se estivesse tentando decifrá-la, tentando guardar cada detalhe. Ela passou a língua pelos próprios lábios, ainda sentindo o gosto do beijo, e balançou a cabeça de leve, como se estivesse frustrada consigo mesma.

— Me diga uma coisa, … você sempre faz isso com as pessoas?

O tom de voz não era de acusação, mas sim de curiosidade. De alguém que, contra todas as expectativas, realmente quer saber a resposta. Ela riu baixo e suspirou.

— Ou sou só eu que estou me sentindo assim?

— Não fiz nada. — afundou os dedos nos bolsos de trás da calça e pôs-se a observar a brisa balançar algumas mechas de cabelo em seu pescoço e bochechas. — Acho que é apenas sua culpa. Você me fez ser… agir assim.

observou afundar os dedos nos bolsos, como se tentasse esconder as mãos, controlar o corpo, conter a vontade de avançar. percebeu. Ela percebia tudo. Mas ao contrário do que imaginaria em qualquer outra situação, não sentia a necessidade de provocar.

estava sendo sincera.

E essa sinceridade — esse jeito vulnerável, um pouco confuso e intensamente honesto — atingia em um lugar mais fundo. Um lugar que ela mesma raramente visitava.

— Eu também tenho uma pergunta… — Ela começou lubrificando os lábios assim como fez, e podendo sentir o gosto das duas ao mesmo tempo — …Não estou acostumada com nada disso. Quero entender você. Não cheguei a essa parte onde sou levada as estrelas da cidade com minha bebida favorita. Quero… quero que me diga.

Ela deu um passo mais perto, não o suficiente para tocar, mas o suficiente para que sua presença aquecesse o espaço entre elas outra vez.

— Não fiz nada, você diz… — Ela repetiu, como se estivesse saboreando as palavras. — Mas você fez. Fez algo que ninguém faz.

desviou os olhos por um segundo, como se escolhesse com cuidado o que dizer a seguir. E então, encarou de novo, mais suave dessa vez.

— Você me desarmou. — A revelação saiu sem floreios, sem jogo. Ela soltou um suspiro e passou a mão nos cabelos, ajeitando os fios bagunçados que havia puxado. A verdade é que ela não se importava. — Eu sou boa em esconder as coisas. O que penso, o que quero, o que sinto. Não sei o que você fez, nem como fez, mas… aqui estou eu. Querendo te contar.

riu baixinho, quase sem acreditar. Ela, que sempre esteve no controle, agora sentia a necessidade de abrir o peito e entregar palavras que normalmente esconderia com mil camadas.

— Eu te vi no palco. Você nem estava tentando ser vista. E mesmo assim… eu não consegui olhar para mais nada. — Ela deu de ombros, um gesto pequeno, contido. — Eu te trouxe aqui porque… queria te ver fora da multidão. Queria saber quem era você sem a bandeja nas mãos, sem os olhos dos outros te atravessando.

se aproximou mais um pouco, dessa vez deixando os dedos tocarem de leve o braço de , como se ainda buscasse alguma âncora ali.

— E agora que eu tô aqui… — ela sorriu, meio sem jeito, pela primeira vez naquela noite — … tô com medo de querer mais do que devia.

— Eu? Ninguém fez? — indagou. — Não imaginei que isso fosse acontecer, eu não… nem fazia ideia. Nunca pensei que alguém como você fosse aparecer assim — murmurou baixo, tão intrigada quanto nunca — Mas acho que posso fazer isso, deixar… você ver. É o mínimo. Não estou acostumada com nada disso. Não faço essas coisas. Nada assim. Costumo ser rápida e sem conversas. Costumo dizer que não tenho tempo… só que agora eu quero… um pouco mais. Quero que me dê mais. E não quero que sinta medo sozinha — sussurrou a última parte, as sobrancelhas apertando e os olhos atentos.

sorriu. Mas dessa vez, não é um sorriso provocador, nem divertido. Era pequeno, contido, mas verdadeiro.

Ela se aproximou mais, até que os corpos tocassem por completo, como se aquele gesto simples fosse uma resposta silenciosa.

As mãos de tocaram o rosto de com delicadeza. Os polegares passaram pelas bochechas, como se estivessem desenhando mapas invisíveis ali, guardando o calor, a textura, o momento.

— Eu gosto quando você fala assim — sussurrou a loira em resposta, quase como uma confissão. — Gosto da sua coragem… do seu jeito direto, mesmo quando está tremendo. Gosto das suas sardas… e da forma como você não faz ideia do efeito que tem.

Os olhos dela mergulharam nos de por mais alguns segundos. Havia fogo ali, claro. Mas também ternura, algo mais quieto e perigoso de sentir.

— Eu vou te dar mais.

A frase saiu simples, sem pretensão. Mas carregou tudo.

Ela não disse “prometo”, não prometia nada. Não precisava. Apenas se inclinou e tocou os lábios nos de com uma doçura diferente. Um beijo lento, íntimo, como se dissesse: eu entendi você. fechou os olhos no contato, permitindo-se sentir, não guiar.

, você… eu não… não tinha ideia, mas posso ter. Posso ter agora… que você está me mostrando tudo isso. — murmurou, então apoiou os dedos na barriga da mulher. — Gosto disso em você, de como sabe o que eu quero mesmo mal me conhecendo e como me viu melhor do que aquela gente e como me tocou como preciso. Como eu sempre quis. Como sabe o que dizer e quando dizer. Também gosto dos seus sorrisos e dos seus olhos. Acho que você quer me afogar neles. E eu quero deixar.

Isso tocou num lugar que ninguém alcançou.

Ela não estava acostumada com pessoas assim. Com palavras tão cruas. Tão limpas. Tão verdadeiras. E isso a desarmou mais uma vez.

Os olhos de falavam o tempo todo.
Os verdes mais vivos que ela já viu.

Ela quase sorriu quando ouviu que estava sendo afogada neles, mas dessa vez não sorrisos. Apenas a beijou.

E no beijo, também se entregou. Sem controle, sem técnica, sem pensar no que vem depois. Só ali. Naquele momento.

O vestido amassado, o mundo lá fora esquecendo de existir. A cidade abaixo continuou brilhando, como se nem soubesse que acima dela, duas pessoas estavam se encontrando de verdade.

levou uma das mãos à cintura de , puxando-a com mais firmeza agora, como se dissesse sem palavras: não solta.

E a outra mão subiu devagar até os cabelos dela, acariciando, segurando, respondendo à doçura do toque na nuca com o próprio toque.

Ela não precisava de mais. Não agora.

Não queria que aquilo fosse pressa.

Queria guardar. Queria sentir cada segundo.

E entre um beijo e outro, o rosto dela encostou no de , as bocas ainda próximas, as respirações unidas.

— Isso que você me faz sentir… — ela sussurrou, sem nem abrir os olhos — eu não sabia que estava procurando.

Mas agora, ela queria procurar junto. Com . Até onde desse. Ela encostou a testa na de por um instante, em silêncio, apenas respirando junto dela, antes de sorrir — um sorriso leve, pequeno, íntimo.

Então, sem dizer nada, apenas entrelaçou os dedos nos dela e a puxou pela mão. Os passos eram lentos, mas firmes, e escolheu uma das poltronas de veludo escuro mais ao fundo do terraço, perto da mureta de vidro, onde as luzes da cidade continuavam tremeluzindo abaixo delas como um mar em movimento.

Ela se sentou primeiro, e, com um gesto sutil, puxou pela cintura para que se sentasse ao seu lado. O garçom surgiu no momento exato. Discreto, profissional, e como se tivesse esperado pela pausa da respiração certa, ele apoiou as bebidas na mesinha baixa à frente delas. Um Negroni perfeitamente equilibrado para . Um Cosmopolitan vibrante para .

pegou sua taça com calma, girando o líquido por alguns segundos antes de levá-lo aos lábios. O gosto conhecido, cítrico e adocicado, a trouxe de volta ao momento. Ela virou o rosto para , apoiando o cotovelo no braço da poltrona e observando-a com curiosidade genuína.

— Posso fazer uma pergunta meio boba?

Ela sorriu, dessa vez com um brilho diferente no olhar — menos sedutor, mais curioso, como quem realmente quer saber.

— Quando você era criança… o que você queria ser quando crescesse?

A pergunta vem simples, mas cheia de intenção. Não era só uma curiosidade trivial — era querendo acessar aquela parte que ninguém pergunta mais. A parte que fica guardada e que, talvez, ainda viva dentro de .

— Uma princesa — respondeu, então sorriu um pouco — Mas não durou muito. Comecei a achar que as princesas eram irritantes, então… cantora. Eu queria ser cantora. Queria cantar para todo o mundo e queria que todos ouvissem minhas canções, mesmo que elas falassem sobre as árvores do bosque atrás de casa. Ou sobre meu travesseiro favorito.

apoiou o corpo no encosto do sofá. Ela bebeu mais um pouco, mas não parou de encarar quando pigarreou para continuar logo depois.

— E você? O que queria ser, ?

levou a taça aos lábios, mas não bebeu. Ficou apenas com ela entre os dedos, observando falar sobre as canções infantis e os bosques, e o travesseiro.

— Eu consigo imaginar você pequena escrevendo sobre seu travesseiro como se fosse o maior romance da sua vida — comentou, com um sorriso contido, mas real. — Eu queria ser astronauta. — Ela sorriu de leve, mas não parece uma piada. Não há ironia. Há nostalgia. — Achava que o mundo era pequeno demais. E que se eu pudesse flutuar no espaço, sozinha, cercada por estrelas, talvez encontrasse paz. — Ela girou o copo entre os dedos antes de voltar a olhar para . — Mas aí eu cresci e percebi que estava sempre flutuando, mesmo com os pés no chão.

A voz dela suavizou um pouco mais. se inclinou um pouco, como se não resistisse à força suave que exercia sem perceber.

— E é estranho, sabe? Me sentir inteira com alguém depois de tanto tempo. — Ela sorriu pequeno, os olhos azuis se perdendo nos verdes que tremeluzem à sua frente. — Eu gosto de saber o que tem atrás dos seus olhos, . Acho que posso passar horas só… perguntando.

— Sinto muito que tenha se sentido assim. — Ela suspirou baixinho. inclinou seu tronco devagar. Ela apoiou a bebida em seu joelho ainda a segurando com uma mão. Com a livre, a esticou para tocar o rosto de . — Acho que não é a única — sussurrou, antes de encolher o ombro. — Pode me perguntar o que desejar, eu… eu quero responder tudo. Assim como quero saber de você, e como é possível que seja tão diferente daquelas pessoas da boate. Você… quebrou em mil pedacinhos todos os pré-conceitos que eu tinha. Você é diferente. Diferente de todos eles. — Ela soltou o ar devagar e abaixou os olhos. — Isso está me deixando louca. Não tem ideia.

apoiou a taça na mesa, voltando a encarar a morena com os olhos mais suaves, mas ainda atentos. Ainda no controle.

— Eu não sou tão diferente assim, . Só aprendi a mostrar só o que eu quero. A esconder o que é meu. Mas você… — ela levantou o olhar novamente, firme agora — você tem um jeito de tirar isso de mim sem pedir licença. E isso, sim, tá me deixando meio fora de mim. — se inclinou levemente, sem tocar, só o suficiente para encurtar a distância. — Eu também tô ficando louca. A diferença é que você é o motivo e, honestamente… eu tô aceitando isso com uma facilidade assustadora.

apoiou o cotovelo no encosto do sofá, virando totalmente o corpo pra agora. Os joelhos quase encostavam. Os olhos, esses não desgrudavam.

— E é isso que tá me deixando assim. Você… você me deixa fácil. Me desmonta. E nem tenta. — Ela passou os dedos pelo próprio pescoço, como se tentasse se conter, mas a verdade era que nem queria mais conter nada. — Eu queria só te beijar agora. Sem pensar. Sem me preocupar. Só... isso.

A voz dela saiu baixa, meio rouca, meio crua. E a forma como ela olhou pra … era como se o mundo tivesse parado e só existissem elas duas ali.

— Está fazendo algo comigo também. Eu costumo… eu não fico. Você está me fazendo ficar e querer mais. Mais… e mais… — Ela suspirou, os olhos caindo para os lábios da mulher, numa tentação absoluta e febril. — Me beije então. Me faça sentir mais. Me faça sentir suas palavras. Me dê isso,

respira fundo. Levou a mão até o queixo de , tocando com a ponta dos dedos, levantando o rosto dela só um pouco mais.

— Então sente.

Ela não sorriu. Não provocou. Só disse e então beijou, mas não como antes. Não como um convite, não como uma brincadeira. a beijou como se estivesse gravando seu nome na boca de . Como se fosse a última coisa do mundo.

O beijo começou fundo, sem hesitação, mas depois desacelerou. saboreou. Explorou com cuidado. Uma dança de respirações, de bocas se encontrando e se afastando só para se buscarem de novo.

A mão dela escorregou até a nuca de , os dedos entre os fios escuros. A outra, na cintura, apertando com precisão — segura, presente. Ela não precisava dizer que estava ali. Estava provando. E quando se afastou, não era por vontade. Era só para olhar. encostou a testa na de , ainda com os olhos fechados.

— Você tem um gosto diferente de tudo o que eu conheço — sussurrou, com a voz rouca, arrastada. Ela encostou os lábios mais uma vez, mas agora num beijo rápido, quase uma promessa, e voltou a abrir os olhos. — Só não foge de mim depois. Não faz isso.

Não era uma ordem. Não era um pedido. Era só uma verdade que não podia mais esconder. E que agora pertencia só a ela. fechou os olhos, e sua risada escapou baixa e junto com um suspiro.

— Estava preocupada sobre isso. Sobre… o quanto eu não quero fugir agora. O quanto eu não pretendia, mas… temia que você sim… — soou aliviada, então abriu os olhos devagar e tocou o vestido da mulher, roçando os dedos no tecido agradável. — Você não deveria ser tão viciante. É ilegal.

— Eu sou viciada em coisa que me faz sentir alguma merda de coisa real. E você me faz sentir umas paradas que eu nem sei dar nome, . — Ela afastou só um pouquinho o rosto, só para olhar bem dentro dos olhos dela, mesmo com tudo acelerando por dentro. A voz sai mais baixa. — Então se isso for ilegal... que se foda. A gente comete o crime juntas. — encostou a testa de novo na dela, e falou baixinho, mas com um sorriso que é meio confissão, meio perigo, meio verdade. — Você tá ferrada comigo, . Porque agora que eu te beijei assim... agora que eu senti... eu não sei se eu vou querer parar.

— É… maluco, mas acredito em você. Você é o meu oposto e algo que sempre coloquei numa prateleira alta, num lugar onde eu nunca alcançaria e estaria tudo bem, mas… mas agora… tudo parece tão diferente! Você mudou isso, confessou, genuína e suave, e como se pudesse até mesmo sentir o que dizia, as palavras de soaram e ela corou, fechando os olhos.

Seus narizes roçavam bem na ponta. riu baixo, desacreditada naquela ligação tão distinta, mas tão real.

— Você sabe mesmo usar as palavras certas. — A morena sussurrou, percorrendo os dedos no rosto de , a ouvindo com atenção e emoção presa no canto do lábio. — Você não precisa parar. Eu não quero que pare. Não tão cedo. Preciso de mais de você. Mais beijos. Seu toque… é diferente. Eu gosto dele. Gosto quando me tocou — afirmou, e era um segredo mesmo havendo só elas duas ali.

fechou os olhos de novo e encostou a boca no canto do maxilar de , um beijo calmo, quase inocente — mas que deixou na pele dela um arrepio inteiro.

— Então fica — ela sussurrou, bem baixinho, como quem teme que o vento leve — Só fica comigo mais um pouco.

Era isso. Nada mais, nada menos.

— Amanhã quando o dia nascer provavelmente voltaremos as nossas vidas… E, eu literalmente tenho que voltar ao Olimpo onde vivem os deuses egocêntricos e nojentos. — rolou os olhos e desceu os lábios até o pescoço de , ela beijou a pele exposta lentamente. — Céus… seu cheiro é delicioso — sussurrou com a voz tomada de uma rouquidão abatida pelo que sentia por aquela doce estranha.

— Mais um pouco… eu fico. Eu fico. — Ela sussurrou, os olhos fechados — Não pense neles agora. Pense em mim. Pense em meu cheiro com o seu.

Ela amassou o vestido de . O tecido já estava esmagado por conta de e seus sentimentos aflorados. não parecia achar problema algum. trouxe o rosto da mulher para o seu, não resistindo ao beijar profundamente, precisando fora.

A loira gemeu baixinho contra a boca da morena quando o beijo voltou quente, profundo, desesperado do jeito que só quem tá tentando guardar alguém dentro de si consegue fazer. A mão dela subiu pelas costas de , sentindo o calor da pele mesmo por baixo da roupa, e ela se aproximou mais, os joelhos quase subindo no sofá, quase querendo se jogar de vez no colo da garota.

— Eu tô pensando em você… só você — repetiu entre os beijos, como se fosse uma oração meio falha, dita de olhos fechados, com fé.

O gosto, o cheiro, o som da respiração dela. Tudo estava entrando em como tatuagem, como memória de pele. Ela se afastou o suficiente pra encostar a testa na dela de novo, ofegante, a voz falha, quase rindo da própria condição.

— Quer sair daqui? — decidiu perguntar. — Ir para um lugar onde será apenas você e eu? — se aproximou e mordeu o lábio da dona de seus desejos naquele momento, puxando o lábio com os incisivos até escorregar.

— Sabe que não posso resistir… — soltou o fôlego, a expressão se retorcendo e suas bochechas aquecendo quando se sente febril o suficiente para ser quase preocupante — Onde?

esticou o canto do lábio e rastejou a ponta dos dedos na lateral do corpo de . Estava estudando como se fosse uma escultura perfeita, gravando as curvas em sua mente e as aprisionando lá.

— O que… pretende? — indagou, e seu sorrisinho se torna mais visível e brilhante.

— Podia ser na minha casa, mas não quero retornar ao meu mundo hoje. Quero que o meu mundo essa noite seja apenas você — sussurrou com a voz baixa e carregada de intenções, estremecendo levemente ao sentir os dedos de em sua lateral. Mordeu o lábio, segurando o som que ameaçava escapar, e logo completou com um sorriso provocante: — Comer alguma coisa… além de você, claro. Pretendo... — ela pausou, como se saboreasse a palavra — ...te ouvir gemer o meu nome até esquecer o seu. Ainda sorrindo, roçou o nariz no pescoço da morena e murmurou: — Quero ver a sem palco, sem drink na mão. Só você. Cravada em mim.
A respiração quente bateu contra a pele de enquanto a observava com aquele olhar que misturava vício e afeto.
— Podemos pegar um quarto e transformar em nosso. Ou talvez um lugar inteiro — continuou a loira, mordiscando o queixo da outra antes de pegar o celular e abrir um aplicativo de aluguéis.
Procurou algo por perto, mas não perto demais. Quando encontrou algumas opções, se aproximou de novo, lambeu os lábios de , mordendo-os sem pudor, e se acomodou no colo dela.
— O que me diz? — provocou, a voz baixa, os olhos brilhando em pura expectativa.
— Eu… eu quero isso. Quero você. Quero em todos os lugares. Ou qualquer um. — esticou o canto do lábio — Que me coma… e me faça gemer. Aposto que consegue isso como ninguém. Eu digo que preciso disso. Muito. Preciso de você, … Digo sim então — sussurrou, ofegando em surpresa e agarrou a lateral de com firmeza e lamentou baixo, se contorcendo sutilmente. — … Mais. Me dê… me dê mais de você.

Ela ousou quando seus dedos tocaram as nádegas da mulher.

— Vamos. Vamos logo.

se levantou num impulso rápido, firme, sem quebrar o contato dos olhos. A mão dela segurou firme a de , e era como se a puxasse para dentro de algo sem volta.

— Vem.

Elas cruzaram o terraço em silêncio, o som dos saltos e dos passos apressados sendo engolido pelo barulho distante da cidade, o carro as espera — motor ligado, vidros fumê, conforto absoluto.

A porta foi aberta e foi praticamente guiada pra dentro, com logo atrás. Quando a porta se fechou, o silêncio tomou conta. Mas só por um instante. Porque no banco de trás daquele carro luxuoso, com a cidade passando em vultos coloridos pelas janelas… não esperou. Ela se jogou.

Beijou com mais intensidade do que antes. As mãos nos quadris subindo pela blusa, já segurando firme a nuca da garota. Ela gemeu contra a boca dela e sussurrou, sem controle:

— Como você é gostosa.

sorriu contra a boca da morena. Descendo sua mão do quadril, adentrando a calça e a calcinha de , suspirando ao deixar os dedos encostarem na pele úmida, íntima e apetitosa. O sorriso ficou mais malicioso conforme ela foi movimentando os dedos dentre os grandes lábios, os molhando mais ao tocar na parte que sabia que causaria mais prazer a , apertando e pressionando aquela região, em círculos.

Mas não se prolongou, logo retirou os dedos molhados e os levou até sua boca, chupando-os e gemendo em seguida.

— Deliciosa mesmo — admitiu com mais mência. — Estou louca pra te comer — sussurrou com desejo. — Acelera, Antônio! — berrou para o motorista ouvir.

… preciso de você. Quero que me coma tão bem… — Ela roubou mais beijos da mulher, lambendo seus lábios e suspirando com a sensação.

O carro acelerou assim como pediu. se apertou contra a outra de modo ansioso e esfomeado. Ela costumava se excitar assim quando estava sozinha. estava tornando tudo ainda mais quente.

— Você não tem ideia do quanto eu pensei em te ter assim. Desde o primeiro segundo.

lambeu os lábios dela, depois os próprios, e apertou os dedos contra o seio da morena, agora sem pudor nenhum. Fazendo o bico ser esmagado em sua palma. gemeu mais alto, ela mordeu o lábio inferior dela e riu baixo, rouca, sem conseguir mais fingir autocontrole.

— Me sinto bêbada por você — respondeu secretamente para , e não hesitou ao prender o fôlego.

O carro desacelerou. As luzes da estrada sumiram aos poucos, dando lugar a uma estrada cercada de árvores altas, quase como se a floresta tivesse engolido o mundo. A noite estava espessa, coberta de um silêncio profundo, quebrado apenas pelo som leve da água e do motor ronronando baixo.

apertou a mão de , ansiosa para estar sozinha logo com aquela mulher. O beijo ainda latejava nos lábios. O corpo ainda pulsava onde foi tocada.

O carro parou e não disse nada de imediato. Ela só olhou pela janela escura, com os olhos brilhando sob a luz fraca do painel. Então, se virou para o motorista com a voz calma, porém firme:

— Pode voltar só pela manhã. Eu te aviso a hora.

O motorista apenas assentiu com um “sim, senhora”, e saiu do carro com discrição. Ele não questionou. Nunca questionava. Logo, o som da porta sendo fechada, os passos se afastando e o carro indo embora deixando as duas completamente sozinhas.

A casa diante delas parecia ter saído de um sonho. Pequena, elegante, coberta por tábuas escuras e janelas altas que espelham a água ao redor. Uma varanda de madeira avançava sobre o lago calmo, refletindo a luz da lua. As árvores ao redor balançavam lentamente, como se fossem cúmplices do que estava prestes a acontecer ali.

A única iluminação vinha de dentro da casa — lâmpadas quentes, amarelas, que criavam sombras aconchegantes nas paredes e brilhavam pelas janelas como promessas de conforto e desejo. O cheiro do mato, da terra molhada e do lago preenchiam os pulmões.

segurou firme na mão de e a guiou pelas pequenas escadas até a varanda.

— Bem-vinda — ela disse, baixinho, como se estivesse apresentando não só uma casa, mas uma parte de si que ninguém mais via.

Ela abriu a porta, pegando a chave embaixo de uma pedra falsa como fora instituída assim que pagou pela estadia. A madeira rangeu suave, e o calor do ambiente as envolveu. Lá fora, só o som da água. Lá dentro… só elas.

Assim que fechou a porta atrás delas, ela tirou os saltos. Ajeitou a temperatura da casa, deixando quentinha. Se aproximou de de novo e entrelaçou os dedos, puxando-a para explorarem a casa. Era pequena, mas era confortável, gostosa, rústica, e era linda. Subiram até o quarto que era uma suíte e dentro do banheiro tinha um ofurô.

— Olha só onde podemos fazer uma festinha — comentou, sorrindo de lado, e rodou a morena como se estivessem dançando.

soltou risos baixos e tocou o rosto dela, juntando suas testas e roçando seus narizes.

— Eu gosto de festinhas, mas… uma com você? Soa mesmo muito mais divertido — cantarolou, abrindo um sorriso igualmente.

— A gente pode fazer nossa própria pista de dança aqui… — ela sussurrou contra os lábios da garota, a voz quase inaudível, quase um arrepio — … mas sem roupa. Eu não vejo a hora de nos duas ficarmos apenas ao… natural.

Ela riu baixinho, o som abafado pelas respirações das duas, e então deslizou os dedos pela lateral do corpo de como se quisesse mapear tudo o que ela já tinha memorizado mentalmente.

— Você é boa nisso. Diz as coisas certas… — sorriu, precisando morder o lábio logo depois ao ter os dedos de deslizarem pela lateral de seu corpo.

Ela caminhou até uma mesinha no canto do quarto, ainda rindo, e pegou um controle, ligando a caixinha de som. Um jazz antigo começou a tocar, macio, cheio de alma.

— Eu sei, eu sei… meio clichê. Mas juro que funciona melhor do que qualquer coisa quando a intenção é te conquistar.

Ela virou o rosto para e fez uma pose exagerada de charme, puxando os ombros pra trás e colocando uma mão na cintura como se fosse uma atriz de musical dos anos 50. Mas acabou gargalhando, jogando a cabeça para trás, os cabelos loiros balançando, e então ela puxou o vestido para remexer ao som clássico.

foi se aproximando de novo, mais devagar agora, ainda sorrindo. O clima não era mais só febre — era um tipo de leveza gostosa. Como se, pela primeira vez, ela não precisasse provar nada. Sem ter que ser sempre a mulher sedutora, sexy, com tudo na ponta da língua, sempre na defensiva como ela tinha que ser na maioria dos dias com aqueles monstros estrategistas que ela convivia. Ela passou os braços pelos ombros de , se inclinando com o nariz encostando no dela de novo.

— Você é meu tipo de caos favorito — sussurrou isso antes de voltar a beijar . Dessa vez, com mais calma.

escutou o jazz de fundo e sorriu contra a pele de , ainda colada nela, com as mãos passeando distraidamente pela cintura, como quem já sabia que iria cometer algum crime bom. Ela respirou fundo, se afastou devagar, mas sem soltar a mão da garota.

— Me acompanha — disse com um sorriso malandro, puxando mais para o centro do quarto, onde a luz era baixa e amarelada, e tudo parecia um sonho morno.

Ela girou os próprios ombros de leve, com aquela expressão debochada, provocante, enquanto deslizou os pés pelo chão numa dança improvisada, divertida, desajeitada de propósito. Os quadris balançavam no ritmo lento do jazz, e a mão dela já estava fazendo a alcinha do vestido deslizar pelos ombros com um charme preguiçoso. Os olhos azuis presos em , o sorriso nos lábios e o convite silencioso. Ela tirou o vestido sem pressa. Deixou que caísse no chão como quem não se importava, porque era a verdade. Não havia como se importar naquele momento. Não com olhando daquele jeito.

— Quer que eu tire todas as suas também? — ergueu as sobrancelhas.

Com respiração presa, observou seminua, era perfeitamente esculpida e desenhada por mãos habilidosas demais para a própria compreensão de . Seus olhos queimavam a pele bonita da mulher. Eles deslizavam por todo o corpo. Sua boca parecia precisar de mais. se pegou dando um passo para perto entregando os próprios desejos, mas se controlou e piscou, levantando os olhos para o rosto da mulher.

Ela provavelmente estava vermelha. A pergunta de então era o que faltava. nem hesitou ao concorda com a cabeça, embora devagar. segurou a barra da blusa de com os dedos e puxou devagar, como quem desembala um presente com medo de estragar o papel. Quando os braços se ergueram e a blusa se foi, a olhou como quem olha uma obra que vai ficar presa na memória para o resto da vida.

— Merda, você é linda — ela soltou, sem jeito, sem filtro, com um riso embargado que morreu na garganta. — Linda demais para a pouca sanidade que ainda me resta. — Mordeu seu próprio lábio voltando a olhar para os olhos de .

Ela dançou de novo, agora com as mãos na cintura de , encostando os corpos. Os quadris se moviam, as mãos desciam mais um pouco, e os sorrisos ainda estavam ali. Ainda havia riso entre um toque e outro. E isso tornava tudo mais real.

girou devagar, colando o corpo por trás agora, o queixo no ombro dela, as mãos no ventre nu. E ali, entre beijos no pescoço e dedos brincando na pele, ela sussurrou:

— Vamos descobrir juntas o que mais a gente gosta…

segurou a mão de com a sua e trouxe para perto de seu rosto. Ela enfiou o indicador da mulher em seus lábios e o empurrou. A sensação a deixou quente. Mais quente do que deveria ser permitido.

— Porra… — ela sussurrou, bem baixinho, quase com raiva de tanto desejo, a voz rouca e desfeita na nuca da garota.

sentia seu corpo queimar, sua intimidade molhada pulsar de tanta excitação, o ventre queimando em desejo. Ela até movimentou os dedos dentro da boca de , esfregando na língua e gemendo mais manhosa. Ela apertou mais o corpo contra o dela por trás, os seios colando nas costas nuas, os quadris seguindo a dança suave, mas agora com menos charme e mais… necessidade. O dedo que não está na boca da apertou a cintura dela, e fechou os olhos só para sentir melhor. Só para absorver tudo.

Os lábios da loira distribuíam beijos, mordidas e leves chupões na lateral do pescoço todo. Passou a língua em seguida por toda a pele. A mão que estava na cintura, deslizou pela barriga, alisando e depois desceu, passando pela virilha, descendo por dentre a intimidade quente e úmida, e dessa vez não prolongou, ela enfiou os dedos, o médio e o indicador, começando a movimentar eles por dentro de , a prendendo contra ela.

retirou devagar o dedo da boca da garota e observou a trilha brilhante que ficou, quase hipnotizada. Depois ela beijou o ombro nu de , um beijo quente, demorado, como se quisesse se fundir ali.

— Vem… — ela disse com voz falhando no final, tomada de um carinho tão intenso quanto o desejo — Vem pra cama comigo. Quero te provar nela primeiro.

beijou devagar, com os olhos ainda abertos no começo, como se quisesse ver o exato segundo em que a garota se rendia. E quando os lábios colaram, ela sussurrou entre eles:

— Eu não quero te ter só agora. Quero te guardar em mim. Pra depois. Pra amanhã… Pra depois do depois. — Sorriu de lado, e chamou a morena com ela para a cama.

No caminho, se livrou da calcinha e se deitou completamente nua, chamando para elas finalmente começarem a se contemplar. respirou meio pesado e como se hipnotizado, seguiu devagar, se jogando na cama e voltando à terra.

Se sentindo com fome e tendo o maior e mais gostoso banquete de toda a vida em sua frente.

— Faça isso… faça. — sussurrou — Guarde…

Arfando baixo, levou seus dedos para o peitoral de assim que juntou seus corpos, não tardando a esmagar um dos seios. Ela brincou com o mamilo e inclinou o rosto, capturando um deles. Finalmente. Finalmente estava sentindo mais. Tendo mais.

deslizou sua mão pelo peitoral de , descendo para sua barriga lisa e bonita e indo para baixo e baixo. Ela não era profunda porque gosta de provocar. Ela brincou suave ao redor da intimidade de , a apertou por um segundo e então levantou o rosto para a beijar, não sendo capaz de estar tanto tempo longe dos lábios viciantes e lindos de . A loira retribuiu o beijo ofegante, gemendo aos suspiros doces conforme a língua se sacia da boca da outra, com desespero, com intensidade e profundidade.

terminou de despir , não aguentando mais se controlar, ela queria para ela naquele momento. Quando ambas estavam completamente despidas, se encaixou por cima de seu corpo, deixando as pernas intercaladas nas de , os seios amassados contra os outros.

— Você é… — começou, mas não terminou. Porque não havia palavra certa. Então ela riu um pouco sem fôlego. — Me dá você, . Inteira. Essa noite é minha, mas o que a gente tá fazendo… Isso, amor… É só o começo.

O beijo ficou mais e mais denso, profundo, rápido e cheio de um tesão que só crescia e ficava maior. O barulho do beijo ecoava o quarto, se misturando com a música que ainda tocava. começou a se esfregar na coxa de , deixando a vagina molhada passar apertadamente, e fez o mesmo com sua perna, pressionou a de , apertando e esfregando a perna para estimular mais ainda a morena.

— O que quiser… — arfou, a respiração pesada e pele mais avermelhada por tanto sangue fervor.

Então rompeu o beijo, erguendo o tronco, e encaixou as intimidades uma na outra, deixando os clítorises bem pressionados e começou a movimentar o quadril, gemendo mais alto, fazendo a voz ecoar através da música.

— Porra… — arfou, olhando dentro dos olhos de e começou a aumentar a força e a pressão que fazia.

A mão esquerda desceu até o seio de , o qual ela pegou com fome, com desejo, apertando, e puxando o bico entre seus dedos. soava desesperada e fora da própria mente. Ela agarrou o corpo de e esmagou os dedos em sua bunda bonita, gemendo e sendo sem sentido pela sensação deliciosas e tão única. Gemendo, a pressão e intensidade a fazia parecer tão molhada quanto nunca em toda a vida. provavelmente estava numa maldita poça. Ela gemeu e teve espasmos, levando uma das mãos até os cabelos de antes de os agarrar e puxar. O toque em seus seios a levou além.

— M-Merda! Sim… sim, por favor… — Ela lamentou, jogando o rosto para cima e sugando mais ar para os pulmões que queimavam um pouco.

! — gemeu em alto som.

Apertou os seios dela com mais vontade, descontando todo o desejo e tesão na forma como amassava os seios, brincava com os biquinhos enrijecidos. gemeu manhosa com a puxada de cabelo que recebeu. Os olhos revirando por baixo das pálpebras em puro deleite.

sorriu com os gemidos de prazer de , as mãos apertaram forte, amassando, massageando, e rebolando com mais vontade, fodendo as intimidades com força. A loira se afastava e voltava com afinco, batendo os clitóris com extrema força um no outro. Quando ela sentiu que estava mais molhada ainda, a vagina pulsando em sinal de que iria gozar. Ela parou com os movimentos e ficou de quatro na cama, se colocando entre as pernas da morena e então faz o que prometeu a noite toda: Devora ela.

A boca avança com fome na intimidade, a lambendo, se lambuzando toda, afundando sua língua dentro dela e gemendo alto, porém abafado. levou seus dedos até lá e começou a enfiar dois dele dentro de , seus lábios subiram até o clitóris — onde ela começou a chupar, sugar aquela região tão quente e pulsante.

Ela gritou o nome da mulher, afundando dedos em seus cabelos e dobrando as coxas. Seus quadris tremiam. A sensação quente e molhada, os dedos… vazava, ofegando e tombando o rosto. Seu coração bate nos ouvidos.

! Ah, sim… sim! — Ela rolou os olhos e estremeceu quando atingiu o ápice intenso e forte, num nível que a faz se contorcer e choramingar.

lacrimejou em algum momento e então afastou os quadris, agarrando um punhado de fios de cabelo de e a puxando para si. Ela era mais selvagem, mas nunca passou do ponto. De algum modo, sabia a dosagem exata.

Quando o corpo de bateu nos lençóis, ela pairou sobre ele esfregando a língua no meio de seus seios, antes de os contornar e os chupar. acabou com seu rosto na intimidade da mulher, arrastando a língua por ela e a abocanhando, a sugando e enfiando a língua, podendo sentir seu gosto quente e pulsação. era intensa, sugando o ponto perfeito de e afundando dedos dentro dela logo depois. Ela os empurrou mais rápido, a sugando com fome e puro desejo.

— Porra… Isso! Que boca deliciosa! — se contorceu na cama, sentindo o ápice a tomando lentamente de forma extremamente intensa.

gemia alto, não ligava, o som ecoava pela casa toda. A mão no cabelo da morena, puxando os fios entre os dedos, rebolando o quadril, fazendo a intimidade se esfregar nos lábios dela.

— Ah! ! — urrou entre uma arfada e outra, sentindo chegar ao orgasmo pelos espasmos que faziam seu corpo tremer com mência.

foi parando os movimentos e os deixando mais lentos, o quadril rebolava fraquinho, os gemidos eram tão roucos que saiam falhos e curtos. A mão livre acariciou os próprios seios sensíveis. O abdômen contraído enquanto ainda sentia o orgasmo sair de seu corpo e ir direto aos lábios doces de . A loira puxou quando sentiu que estava acabada, e a tomou com um beijo sedento, molhado, sexy. O sabor das duas se misturaram, e isso fez gemer manhosa.

— Isso sim que é um sabor perigoso — contou entre o beijo, sorrindo preguiçosamente.

— Você acabou comigo. Acho que não posso caminhar sem cair. Me sinto… uma geleia — sussurrou, afundando alguns dedos nos quadris de , porque ela era linda e não conseguia ficar muito tempo sem tocar naquele corpo tão bem desenhado.

Ela afundou o rosto no pescoço de , estendendo a língua e lambendo a pele dela.

— Uma geleia sexy — sussurrou ofegante, passando a mão nas costas dela em carinhos circulares, preguiçosos — Uma geleia deliciosa.

Ela beijou o canto da boca de com carinho, depois o nariz, depois a bochecha, como se quisesse marcar cada pedacinho com uma lembrança doce, ainda que suada, ainda que ofegante.

— Você foi absurda — disse com uma voz completamente tomada — E eu… acho que nunca mais vou me recuperar disso. — sentiu a língua na pele e estremeceu de novo, agora com aquele riso quase infantil, meio embriagado de prazer. — Vai me lamber inteira, ? Já não me deixou de pernas bambas o suficiente?

Mas gostou, na verdade, estava adorando mais do que deveria e podia se permitir. Mas ela já tinha metido o foda-se desde aquele restaurante.

— Desculpe. Gosto de lamber você. É sobre o gosto de sua pele… é mesmo muito bom. — Não havia medo ao confessar, nada além de palavras genuínas.

Ela inclinou o rosto e virou devagar, fazendo deitar-se com ela meio por cima, as pernas entrelaçadas, o lençol meio bagunçado embaixo delas. O mundo parecia longe. As estrelas distantes. Todavia, tudo que realmente importava para a loira estava ali entre elas, somente elas.

— Podemos ter essa casinha no meio do nada apenas para nós duas. Sempre que quisermos fugir do caos e do barulho, e quisermos ser apenas e , poderíamos vir pra cá. O que acha?

Porque a verdade era simples. , acostumada a se despedir de tudo que sentia, não queria abrir mão daquela garota. Não ainda. Talvez… não nunca.

mordeu o lábio e encarou o mais puro azul que já viu na vida que havia sido aprisionado nos olhos da mulher.

— Jura? Isso… isso parece mais do que bom. Eu estava pensando sobre isso, sobre… sobre eu não querer que você vá, sobre como ainda desejo você. — diminuiu a voz logo em seguida. — E sobre como isso me assustou um pouco. Não estou acostumada a me sentir assim.

sorriu de leve, um sorriso pequeno, sincero e raro, desses que surgem quando o coração amolece de verdade. Ela levou a mão até o rosto de e passou os dedos delicadamente pela linha do maxilar, como se quisesse memorizar cada traço.
— Eu também não estou acostumada — sussurrou, num tom quase sem ar. — Mas com você… tudo parece novo. E, ainda assim, certo. Como se eu tivesse esperado sem saber. Como se eu tivesse desacelerado só pra te alcançar.
Ela aproximou o rosto, encostando a testa na de .
— Então não vamos correr, . Não precisamos. A gente só… fica. Devagarzinho. Até doer de tão bom.
A noite ao redor parecia se dissolver. Só restava o som da respiração delas misturada, o calor da pele tocando pele, e um céu inteiro testemunhando em silêncio o começo de algo que ninguém ali sabia nomear — mas que ambas, de algum jeito, já pertenciam.
E naquele instante, entrelaçadas, elas não precisavam dizer mais nada.
Só sentir. Devagar. E sempre.




FIM



Nota da Sereia: Essa história nasceu de um RPG — mas, pra mim, é muito mais do que isso. May e Verena são um daqueles casais que simplesmente acontecem com força, que ocupam a mente, o peito e até a pele da gente. Escrevê-las foi como mergulhar num universo só delas: lento, intenso, bonito demais pra não ser registrado.
E aqui vai meu agradecimento mais especial: Andy, obrigada por ser a Verena. Por dar vida a essa personagem tão cheia de camadas, personalidade e brilho. Vee é tudo, absolutamente tudo. Ela é charme, é fogo, é doçura sem saber que é — e a sua Verena fez minha May existir de verdade. Eu amo essas duas mais do que consigo explicar. E, com toda certeza, ainda vou escrever muitas e muitas noites de estrelas só pra elas. Com amor,
Sereia Laranja 🩵


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