“I’ve been drinking, I’ve been drinking…”



O bar mais próximo da universidade estava lotado naquela sexta-feira, como de costume. Era possível avistar um monte de rostinhos conhecidos de onde eu estava, todos se agrupando em torno de mesas dentro e fora do estabelecimento, rindo e brindando o início do final de semana, bebendo suas cervejas de marcas famosas e se gabando por alguma coisa que o mérito do dinheiro havia lhes dado.
Eu olhava ao redor com pouco interesse, encostada no cercadinho de madeira que rodeava a área aberta do bar e mandando pra dentro o líquido gelado, torcendo para que o efeito viesse rápido. Havia chegado ali com Ivan, mas o ingrato que chamo de amigo me deu um perdido no momento que um dos seus casos apareceu com um papinho mole. Ótimo, eu queria beber e não me importava de fazer isso sem companhia. Teria que afastar dois ou três daqueles babacas das engenharias que achavam que podiam abordar qualquer mulher sozinha, mas podia lidar com isso.
Foi entre uma ida e outra ao interior do estabelecimento para trocar a long neck vazia por uma cheia, que senti seu olhar sobre mim. Ri sozinha e sem humor algum, dando mais um gole e já conseguindo mover um dos pés no ritmo da música que tocava. Não demorou muito para que o tal cara caminhasse na minha direção, e só então pude notar o charmoso corte de cabelo que ele tinha. Tal observação não me impediu de pensar em formas bem insolentes de dizer que eu não estava afim quando ele encostou o quadril no cercadinho, bem ao meu lado. A princípio ele nada disse, só continuou bebendo e observando a movimentação, como eu fazia, mas era óbvio que ele não estava ali só porque o lugar era ventilado, e constatei isso quando ouvi sua voz.
– Então, qual o seu motivo?
Começar a conversa com uma pergunta. Típico. Mas eu sequer havia entendido o que ele queria dizer e meu silêncio e sobrancelha arqueada em sua direção disseram isso a ele sem que eu precisasse abrir a boca.
– Mulheres bebendo sozinhas por aqui sempre têm um motivo. – explicou – Geralmente é algo meio depressivo, mas acho que isso não faz o seu tipo.
Já havia escutado muito papo bizarro de homem, mas conversa de analista em bar era novidade pra mim. Ri.
– Uma mulher nem sempre tem motivos previamente listados pra querer beber. E esse seu papo parece bem estereotipado, viu?
Tomei mais um gole da cerveja e esperei que meu tom impaciente o afastasse, mas não foi o que aconteceu. Ele soltou um riso fraco e arrumou as mangas da camisa enquanto voltava a falar.
– Outch, desculpe! Você é uma engajada, então? – ele tomou mais um gole, jogando seu olhar curioso sobre mim.
Não pude deixar de notar o quanto ele era atraente. Olhos instigantes por trás dos cílios escuros e um porte que certamente atraíra olhares. Talvez tenham sido essas observações que me fizeram atenuar o tom da minha resposta.
– É meio impossível não ser quando a gente se dá conta de que as coisas poderiam ser diferentes.
Minha vez de tomar a cerveja enquanto esperava a reação dele, torcendo para não ouvir de volta alguma piadinha ridícula. O que não seria uma surpresa, mas a gente precisa manter certa esperança, não?
– É... – ele me olhou com uma faísca de identificação, mas logo desviou para o vai-e-vem da entrada do bar – E o que você faz pra tentar mudar as coisas?
Ele sorriu quando voltou a me fitar, meio metido, talvez esperando que eu dissesse que fazia longos textos para publicar no Facebook, e pronto para desdenhar do meu hipotético ativismo de sofá.
– Eu escrevo.
– Que tipo de coisa você escreve? – foi rápido em perguntar.
– Chamam de um monte de coisa, mas é tudo utopia mesmo. – dei de ombros e terminei minha bebida em mais um gole – A graça toda é fazer as personagens agirem como queríamos agir, mas não temos coragem, e quem sabe, instigar qualquer leitora a fazer o que bem entende e quando quiser.
Ele colocou a garrafinha no chão, bem ao lado de seus pés, e esperou que eu continuasse, me olhando com curiosidade.
– A prosa me permite discutir qualquer coisa. Eu crio meu mundo com personagens despirocadas, loucas por viver, calmas, frias, qualquer coisa. E depois eu espero que isso atinja alguém, mesmo que minimamente.
Ele parecia surpreso com o meu pequeno discurso, me olhando de uma forma que eu gostei muito. Talvez fosse o álcool já fazendo efeito.
– Isso parece incrível. – ele também parecia sincero – Adoraria ler seus escritos.
– Quem sabe um dia. – sorri – Mas e você, faz o que para tentar mudar as coisas?
Ele moveu os ombros e pareceu pensar por alguns segundos, mas não posso dizer que fiquei menos do que satisfeita com sua resposta.
– Primeiro eu escuto. Escuto pessoas como você.
Naquela noite eu deixei que ele me pagasse uma bebida.

“I’ve been thinking, I’ve been thinking…
Why can’t I keep my fingers off it, baby?”



A última encarada no espelho foi apenas para conferir se tudo estava como eu queria. O tecido da saia preta ajustava-se perfeitamente ao meu quadril e o colo era valorizado pelo colar que combinava especialmente com a blusa azul escolhida. Com saltos nos pés e uma pequena bolsa nas mãos, saí do pequeno apartamento e peguei o elevador.
já estava à minha espera e aquela era a primeira vez que saíamos para dançar, em uma boate nova da cidade. Não era o tipo de lugar que eu costumava frenquentar, por ser caro demais, padrão demais e cheio de gente com quem não me enturmava. Mas vinha se mostrando uma boa companhia.
Ainda lembrava como fora seu convite, onde ele disse que não sabia se aquilo fazia o meu estilo, mas que tinha duas entradas VIPs e não queria desperdiçar. Depois de rir dele, eu obviamente aceitei. Já fazia pouco mais de um mês que nós falávamos e saíamos de vez em quando, mas daquela vez eu esperava que ele, enfim, percebesse que, como minhas personagens, eu podia ser quem eu quisesse.
E naquela noite eu seria a mulher maravilhosa que o deixaria boquiaberto quando começasse a dançar.
Depois da noite no bar, onde nos conhecemos, eu descobri que já sabia quem eu era quando me abordou para conversar. Em uma das vezes que almoçamos juntos ele confessou já ter lido algumas das cartilhas do coletivo feminista que eu participava, onde publicava meus contos e crônicas, e que ansiava o dia que me conheceria. Claro que fiquei lisonjeada com aquilo, então deixei que ele me conhecesse e esperava gostar de conhecê-lo melhor também.
O portão automático se abriu e eu logo avistei seu carro. Assim que cheguei à calçada o vi saltar do veículo para me receber. Estupidamente lindo, como sempre. Satisfação borbulhou em meu peito ao notar seu olhar impressionado e desejoso.
, você está...
– Eu sei. – sorri – Você também.
– Eu nunca vi você assim e – era fofo como ele parecia deslumbrado com a minha eu poderosa –, uau, sério. Você está maravilhosa!
Sorri novamente e cheguei mais perto para que nos cumprimentássemos com um abraço. Minha vez de ter a mente embaralhada assim que meus sentidos captaram o perfume que ele usava. Deslizei a mão livre para sua nuca e a segurei enquanto beijava sua bochecha carinhosamente. me apertou em seus braços e depois que nos largamos procurou minha mão para agarrar, voltando a me olhar.
– É sério, .
Gargalhei.
– Você ainda tem muita coisa pra ver hoje. Que tal irmos logo?
Ele assentiu e abriu a porta do carona para que eu entrasse. Acomodei-me no banco e coloquei o cinto enquanto ele contornava o veículo e fazia o mesmo que eu.
Ligou o carro e moveu a marcha para começar a manobrar, mas antes que entrasse na rua pouco movimentada, voltou a me olhar e indagar.
– Vai me dizer que você sabe dançar também? – ele parecia ansioso, mas também parecia saber que sua pergunta me desafiava. Ri de novo.
– Se eu quiser, eu sei.
Mulher, eu não estava preparado pra tudo isso. – brincou e pegou a rua principal.
– Ótimo! – sorri e coloquei uma mão em sua coxa, dando duas batidinhas de leve – Vai ser ainda mais divertido.
Liguei o rádio e fomos em direção ao centro da cidade, entre conversas triviais onde um assunto bobo puxava o outro. Eu me aproveitava de sua concentração para admirar seu perfil, porque parecia ainda mais atraente enquanto dirigia.
Chegamos à rua da casa noturna não muito tempo depois. Os arredores estavam lotados de gente e foi difícil conseguir vaga para estacionar, mas a entrada foi facilitada pelos contados do meu acompanhante.
Passamos pelo largo corredor onde uma luz azul neon brilhava, mas antes que nos misturássemos a toda aquela gente na pista, tomou meu braço e colocou a pulseirinha rosa, sorrindo e me fazendo sorrir de volta com o que falou a seguir.
– Mal posso esperar para ver tudo o que você tem para me mostrar.
Aproximei-me o suficiente para que nossos bustos se tocassem e encarei seus olhos ansiosos ainda sorrindo.
– Então não vamos perder tempo.
Agarrei sua mão e deixei que ele entrelaçasse seus dedos longos entre os meus. Com um último sorriso, seguimos para onde a festa acontecia. A música alta, de batida rápida e forte tomava conta do lugar, onde feixes de luz chicoteavam por entre as pessoas. A atmosfera ao redor logo mudou minha postura e caminhei ao lado de até o bar, desviando dos que iam e vinham naquela direção. Antes que chegássemos ao nosso destino, no entanto, fomos parados por um grupo que fazia parte do círculo de amizades dele. Alguns eu já enxergava de esbarrões pelo campus e não eram exatamente minhas pessoas favoritas no mundo. Segurei a vontade de rolar os olhos quando um deles, um grandalhão de rostinho bonito e olhos verdes, conhecido na Faculdade de Medicina por aplicar trotes ridículos, gritou animado ao cumprimentar meu acompanhante. Os dois se abraçaram pelos ombros antes de me apresentar a todos.
– Acho que já nos conhecemos. – um deles manteve um olhar espertinho sobre mim, um ar quase de deboche que é tão comum a esse tipo – Você é uma daquelas que não gostaram da nossa brincadeirinha na Festa Junina.
Minha mente se clareou e eu lembrei do sujeito que esteve à frente da organização da festa famosa da Atlética de Medicina desse ano. Uma das “atrações” era leiloar calouras e duas delas relataram terem sido beijadas à força depois de “compradas”. Óbvio que houve nota de repúdio. Óbvio que eles retrucaram alegando ser brincadeira e acusaram a reação de exagerada.
– A brincadeira só vale quando todo mundo se diverte. – retruquei, devolvendo o meio sorriso cínico.
Senti apertar minha mão um pouco mais, porém, antes que o rapaz respondesse a mim, uma mulher ruiva o interrompeu, e sua fala logo me trouxe simpatia à sua pessoa.
– Ignora o Oliver que ele não vale à pena. – lançou um olhar cínico ao cara antes de sorrir e me cumprimentar, apresentando-se.
se despediu deles e anunciou que íamos ao bar e logo demos às costas para o grupo, continuando nosso caminho entre as pessoas.
– Desculpe por isso. – ele chegou perto o suficiente para dizer sem precisar gritar – Vamos dar um perdido neles durante a festa, ok?
Ri e apertei um pouco sua mão, parando um pouco para apreciar o quanto ele estava bonito, mesmo em meio à penumbra do lugar.
– Você devia repensar suas amizades. – disse assim que chegamos ao bar, entrando na fila para pedir nossas bebidas. Fiquei de frente para ele, sem largar sua mão. riu.
– Estou fazendo isso. – olhou sugestivamente para mim, fazendo-me rir – São pessoas que eu conheço desde os tempos do colégio – ele começou a contar e eu prestei atenção –, eles conhecem minha família, conheço as deles. Ainda é meio estranho perceber que crescemos e já não temos nada a ver.
não é o tipo de cara comum em meu círculo de amigos. Nossos cursos na universidade são distantes, ele está alguns degraus acima na escada das classes sociais e frequenta festas deste tipo, com DJs famosos e drinks caros. Eu era o modelo desviante ali.
– Vocês ainda devem ter algo em comum. – constatei, andando com ele na fila – Ou seria insuportável pra você, não apenas na minha presença. – sorri e o vi arquear uma sobrancelha – Não é uma crítica, está bem? Não desta vez.
Ri antes de nos viramos para pedirmos as bebidas. Ele pediu cerveja e eu arrisquei um destilado. Um ou dois copos depois, eu já remexia os pés e o quadril junto ao ritmo que tocava. A mão, que antes pousava sobre um dos ombros de , agora já deslizava para sua nuca vez ou outra. Soube que ele apreciou o carinho no momento em que sua mão livre contornou minha cintura, retribuindo o toque à sua maneira.
O lugar estava bem mais cheio, parecia bem mais quente e a bebida gelada não parecia atenuar nada. Especialmente quando ele juntou nossos corpos, fazendo nossos bustos e quadris roçarem conforme eu me movia. Fechei os olhos por um momento, sentindo o efeito do álcool na leveza do meu corpo e na facilidade em manter a mente vazia. Tudo que eu captava era o som, que eu instantaneamente traduzia em movimentos, além do calor do homem que eu segurava junto a mim e na textura de sua pele, já que a essa altura eu já deslizava meus dedos por um de seus braços.
Sorri ao sentir seu rosto se aproximar do meu, colando nossas bochechas enquanto eu ainda balançava meu quadril próximo ao dele. não se movia, exceto quando começou a deslizar o nariz sobre minha pele e deixar beijinhos pelo meu rosto. Sorri com aquilo, apreciando o carinho e sentindo um formigamento gostoso aparecer, me estimulando ainda mais. Estava prestes a deixá-lo, enfim, me beijar, quando ouvi a introdução de uma música conhecida.
– Eu adoro essa! – anunciei, animada, soltando-me dele para dançar.
Afastei-me apenas alguns passos da mesinha alta e redonda onde estávamos apoiando nossas bebidas, ainda com meu copo em mão. Sorri para ele e o vi sorrir de volta, antes de levar a latinha de cerveja à boca, sem tirar os olhos de mim. Tomei um gole de minha bebida e comecei a cantar, movendo o quadril e o braço livre.
Havia algo como adrenalina ali, que fazia meu coração golpear com intensidade, pela batida forte da música e as luzes rodeando o lugar, mas especialmente a forma como ele me encarava. mantinha o sorriso pequeno e o olhar cravado em mim enquanto eu me divertia entre as pessoas, flexionando os joelhos e robolando conforme o ritmo pedia. Eu me sentia leve pelo prazer da dança e satisfeita com a expressão de diante de mim. Minha pele queimava sob seu olhar e o desejo só crescia dentro de mim. Fui até ele, ainda dançando o refrão, e tomei seu pescoço entre meus braços, sentindo-o agarrar minha cintura no mesmo instante. Eu colocava todas as minhas intenções naquela dança, roçando nossos corpos sem delicadeza, insinuando-me conforme o desejo borbulhava em meu peito. correspondia com as mãos grandes e firmes passeando pelas minhas costas e roçando a barba charmosa em meu maxilar. Ele nunca me pareceu tão sexy e minhas mãos pareciam decididas a arrastarem-se pelos seus braços fortes, apertando-os quando nossos quadris roçavam de modo a estimularem nossas intimidades.
Quando a música trocou, diminui meus movimentos. Pretendia provocar com alguma piadinha indecente, mas ele não parecia querer conversar. Sua expressão séria me deixou ainda mais desejosa e quando uma de suas mãos segurou os cabelos de minha nuca, forçando nossos olhares, eu quis que ele não parasse de me tocar durante todo o resto da noite.
Sorri furtivamente, levando a mão direita até seu rosto, contornando seu maxilar e queixo com as pontas das unhas. Inclinei-me até ter meus lábios próximo a sua orelha e beijei seu pescoço antes de falar:
Eu quero você.

“Feeling like an animal
With these cameras all in my grill…”



Festas de formatura e todas as suas formalidades me deixavam um pouco entediada. Discursos longos demais, infinitas poses para infinitas fotos, além das cores iguais nas roupas, entre vestidos e gravatas, o que eu julgava um tanto patético.
Havia dispensado aquilo, conformando-me com a cerimônia obrigatória de entrega do diploma, um jantar animado e barulhento em família e uma bebedeira arrasadora com amigos, mas a turma de vinha planejando aquilo desde metade do curso.
O lugar era enorme, um dos salões mais cobiçados para festas daquele porte na cidade, e estava luxuosamente decorado, com mesas ordenadas, garçons elegantes pra lá e pra cá, uma pista de dança digna das boates que aquelas pessoas costumavam frequentar, além de um open bar maravilhoso.
e eu estávamos juntos há quatro meses e era por isso que eu estava ali. Depois de confraternizar com sua família e rir muito ao lado de sua mãe, uma mulher formidável, e socializar com alguns de seus amigos com que tinha certa simpatia, nos infiltramos entre as pessoas que dançavam, tomando todo tipo de drink disponível.
– Cansou da pose de dama comportada? – ele me perguntou, rindo, no momento em que colei nossos corpos e dancei mais sensualmente.
Certa vez, em uma de minhas idas à sua casa, sua mãe me contou sobre como detestava certas festas que precisava frequentar com os pais e depois com o marido, pai de . Eram sempre as mesmas pessoas falando de suas viagens para Miami ou Londres, exibindo ternos caros e vestidos de grife e tomando champanhe com expressões metidas risíveis. Ela me confessou fazer o mesmo que todas aquelas pessoas faziam naquelas reuniões: encenava. Divertia-se fingindo ser como todos, mas internamente rindo de como pareciam patéticos. Lembro de ter gargalhado bastante quando Lourdes me contou que, no final das contas, sempre dava um jeito para se divertir de verdade.
Inspirada em minha sogra, disse a que naquela noite eu seria uma dama como as que estariam na festa, que sorriria para todas as câmeras e que cumprimentaria todos os seus amigos bombadinhos como uma lady. Óbvio que ele caiu na gargalhada, e eu o acompanhei, mas estava seguindo o papel à risca até ali, fazendo meu namorado se divertir com me cinismo e cara de pau.
– O papel da Cinderela só vale até a meia-noite. – tomei um gole de champanhe na taça e juntei nossos lábios, beijando-o rapidamente – A noite passou. E o que restou? Passou da conta, ela bebeu demais...
Rimos juntos quando cantarolei o trecho oportuno daquela música famosa.
– Prefiro você bebinha. – ele me segurou pela cintura e eu sorri, sentindo-me bem por estar em seus braços.
– Pois agora vamos começar a comemorar como se deve.
Beijamo-nos lenta e sensualmente, abraçados no meio da pista de dança. dedilhava minhas costas do jeito que sabia que eu gostava, subindo para a parte não coberta pelo tecido do vestido.
Feixes de luz chicotearam o local fazendo um efeito perturbador. Uma música mais rápida tocava e eu virei de costas para ele, movendo os braços e o quadril, flexionando os joelhos no ritmo certo, sentindo se mover junto. Seus braços, já livres do paletó, agarravam minha cintura enquanto dançávamos. Estava com as minhas costas coladas em seu peitoral, rebolando minha bunda para ele, que beijava meu pescoço.
Eu adorava quando ele dançava comigo, e não apenas me observava. Ele imitava meus movimentos, enquanto subíamos e descíamos. Nossa sintonia era tal qual quando fazíamos amor, esfregando nossos corpos em uma dança única.
Já passava das duas da madrugada e eu me sentia molhada só por ouvi-lo dizer que me chuparia durante todo o resto da noite. Eu sentia sua barba roçar em meu ombro desnudo enquanto suas palavras me estimulavam e eu empinava ainda mais para ele. A penumbra do lugar deixava meus sentidos ainda mais aguçados, enquanto todos aqueles feixes de luz estavam sobre nós. Inclinei a cabeça para o lado quando sua língua tocou minha pele, fazendo desenhos abstratos e deixando rastros de saliva. Correspondi rebolando ainda mais, ouvindo-o gemer em meio ao som ensurdecedor ao redor.
Nossos corpos se esfregavam em urgência e a forma como ele me tocava fazia-me sentir vertigens. Minha mente já projetava nossa imagem sem roupa alguma, com seus dedos longos me apertando e deslizando para o ponto inchado e molhado entre minhas pernas. Eu queria que ele me tocasse logo, que colocasse sua boca em mim, que fizesse sua língua dançar em meus pequenos lábios, de um lado para o outro, para cima e para baixo, tão rápido que me faria rosnar e puxar seus cabelos. Eu queria me insinuar para ele bem mais abertamente, sem todo aquele pudor; e foi com isso em pensamento que pedi para irmos embora, vendo-o concordar rapidamente.
Despedimos-nos de algumas pessoas e entramos no carro. Minha imprudência alcoólica aliou-se ao tesão e eu sequer coloquei o cinto, inclinando-me para e lhe tocando por cima da calça social, primeiro lentamente, espalmando umas das mãos ali e deslizando de cima para baixo. Desabotoei a calça e desci o zíper, ampliando o contato, sentindo-o ficar rígido sob meu toque lento.
Estávamos chegando a um cruzamento e me afastei dele para não distraí-lo demais. Tirei os saltos e apertei as pernas uma na outra, sentindo-me encharcada. Com um risinho, afastei o quadril do banco e deslizei a calcinha até os pés, afastando minimamente as coxas para levar um dos dedos até meu clitóris, esfregando-o lentamente. Ouvi xingar dois ou três palavrões quando desviou o olhar para mim e soltei mais algumas risadinhas bêbadas.
Assim que entramos na rua do condomínio, parei de me tocar, virei para ele novamente e passei minhas mãos por suas coxas antes de puxar seu pau para fora e começar a masturbá-lo devidamente, subindo e descendo uma das mãos, alternando a pressão conforme seus gemidos saíam.
A sensação de ter seu prazer em minhas mãos, sob meus movimentos, era engrandecedora. Sentia-me poderosa e meu ego inflou ainda mais quando o toquei com minha boca, ouvindo-o urrar já na primeira chupada.
Quando o carro estacionou, parei apenas para levantar o rosto e encará-lo com um sorriso.
– Minha vez de te dar o presente de formatura.

“We be all night
Love, love”



Cambaleamos apressados para dentro do novo apartamento dele. Livrei-me das sandálias enquanto trancava a porta e voltava para mim. Pulei em seu colo e senti suas mãos espalmarem minhas coxas, segurando-me firme em seus braços.
Encarei seu rosto de perto e sorri. Seus traços únicos eram tão bonitos que não era difícil ser capturada por seu charme singular. tinha algo que me deixava em êxtase, e o mais absurdo é que eu não sabia explicar exatamente o quê.
Podiam ser seus olhos gentis, que agora me encaravam com faíscas de desejo, antes dele os fechar para me beijar profundamente, fazendo meu peito borbulhar em satisfação. Agarrei seus cabelos, que tinham sido cortados recentemente e estavam como quando nos conhecemos, há um ano, exceto pelo fato de estarem molhados pelo banho de mar que havíamos tomado há pouco. Apertei-me contra ele, deixando meu corpo dizer o quanto eu o queria, o quanto eu estava pronta.
Enquanto ele caminhava comigo para o quarto, minhas mãos indecisas percorriam seus braços e costas nuas. Meu sorriso se alargou ao sentir seus músculos contraírem sob meu toque e eu esfreguei nossos rostos, sentindo sua barba me arranhar de um jeito gostoso.
Desci de seu colo quando paramos diante da cama, mas não me desgrudei dele. Meus lábios deixaram os seus para percorrem seu pescoço e minha língua se agraciou com o gosto salgado de mar.
Ajoelhei-me no colchão e o beijei novamente. Nossos hálitos alcoólicos se misturando conforme nossas línguas se moviam sensualmente. tocava meu corpo com as mãos seguras de seu feito em me estimular. Infiltrando a blusa de renda, ele subiu a peça até livrar meu busto dela.
Seu sorrisinho esperto me deixou a par do que viria a seguir e eu esperei pelo toque mais íntimo quando seus dedos soltaram o nó atrás da peça superior do biquíni. Minha pele quente pelo contato com o sol agora se eletrizava em deleite. Suas mãos em meus seios e seus polegares rodeando meus mamilos despertaram sons de minha boca e o sorriso escancarado dele mostrava a aprovação para meus gemidos.
Minha reação posterior foi desabotoar sua bermuda e descer o zíper para poder empurrá-la para baixo. se inclinou para beijar meu pescoço e eu enfiei os polegares no cós de sua cueca, puxando-a até suas coxas. Contornei suas entradas com as unhas antes de tomar seu pau com uma de minhas mãos, sentindo-o arfar em meu ombro. Meus dedos apertaram-se ali, rodeando o membro duro e masturbando-o de cima a baixo.
Logo o peso de seu corpo me empurrou e minhas costas foram de encontro ao colchão. Espiei atenta ele se livrar totalmente da cueca e avançar em minha direção. Seu corpo bonito se elevando sobre mim, os músculos de seus braços fortes em evidência enquanto ele apoiava todo o seu peso ali. Nada nunca me pareceu tão atraente. Sua pele bronzeada roçou na minha quando ele se abaixou para me beijar e eu me movi para ampliar o contato, arrastando minhas mãos em suas costas largas.
Sorri quando ele esfregou nossos rostos, sussurrando palavras de estímulo enquanto uma de suas mãos deslizava pela lateral do meu corpo. Agoniada pela demora, larguei-o e desabotoei minha bermuda, movimentando o quadril para empurrá-la para baixo. me ajudou na tarefa e eu respirei aliviada e desejosa quando suas mãos foram parar em minha bunda, apertando-a.
Meu corpo se elevava do colchão em busca de mais contato no momento em que sua boca descia entre meus seios, deixando rastros de seus beijos molhados, que criavam zonas arrepiadas em minha pele. Os beijos e chupões eram distribuídos na parte interna de minhas coxas e minha voz já ordenava que ele agisse logo. No momento seguinte, a peça inferior do biquíni já não era um empecilho e eu me remexi esperando pelo que viria a seguir.
Minhas pernas foram afastadas e seus dedos puxaram os grandes lábios, enquanto um único dedo deslizou de cima a baixo, fazendo-me resmungar pelo toque superficial. Quando, enfim, seus dedos aceleraram o toque, subindo e descendo, elevou o tronco para beijar-me na boca. Um beijo desastrado, porque eu pouco conseguia me concentrar em algo que não fosse meu quadril se insinuando para ele.
O toque de seus lábios não demorou a chegar, quase me fazendo engasgar quando a pontinha de sua língua tocou meus pequenos lábios, até chupar meu ponto mais sensível.
Aquele era, então, seu trunfo. A forma magistral como ele se esforçava para me dar o prazer máximo, movendo sua língua de cima a baixo e horizontalmente sobre meu clitóris numa velocidade que trazia espasmos e gemidos. Eu me remexia sobre seus dedos, querendo ampliar o contato pela pressa.
Usei meus pés para empurrá-lo e o puxei para cima, tomando seus lábios nos meus de maneira urgente, enquanto entrelaçava minhas pernas em sua cintura para não perder o contato. Empurrei-o para baixo e o protegi, masturbando-o antes de me posicionar sobre ele.
Suas mãos me auxiliaram e eu o deixei deslizar para dentro, suspirando antes de começar a me movimentar. Seus urros logo se tornaram evidentes conforme eu rebolava sobre ele, inclinando-me para frente e depois voltando para trás.
Fazíamos amor como mais gostávamos, atentos às reações um do outro, deixando palavras íntimas escaparem conforme nossos corpos se movimentavam. O choque dos quadris se tornou mais rápido e desesperado, de uma maneira deliciosamente sôfrega, e nossos sons cada vez mais altos preenchiam o quarto.
Era assim que nossos corpos se tornavam velhos conhecidos. Era desse jeito, virando a noite pelo prazer do outro, que mantínhamos aquela conexão única, que começou entre um gole e outro de cerveja, que cresceu com as nossas identificações pessoais e ideológicas e que amadurecia com nossos sentimentos envolvidos. É o corpo dele que ativa minha ebriedade, me aquece e me estimula. E é o meu que paira sobre o dele quando seu rosto se contorce em prazer máximo. Esse havia se tornado meu papel preferido.
Quando relaxamos no colchão, lado a lado, nossas mãos se procuraram e eu me agarrei a ele.
, eu... – sua voz fraca soou entre os suspiros.
Sorri.
– Eu sei, . – beijei seu ombro – Eu também.
E quando ele me sorriu de volta, soube que a noite estava apenas começando para nós.



Fim



Nota de autora: Em minha defesa, digo que essa é minha primeira (tentativa de) +18. Sei que a música pede e merece mais e eu juro que tentei. Mudei de enredo umas três vezes até me sentir minimamente satisfeita com esse. Espero que, de qualquer forma, vocês gostem da protagonista. Coloquei muito carinho ao construí-la e acho que ela super combina com esse álbum maravilhoso.
Obrigada à Abby pelo convite e paciência com a procrastinadora aqui. <3
Obrigada por lerem e aproveitem as outras fics. Um CD da rainha só pode dar em boas estórias, né?
xx
Thainá M.

OUTRAS FICS:

Don't Close The Book (Jonas Brothers/Finalizada) | Thankful (Especial Extraordinário) | Amor em Irlandês (Especial Equinócio de Setembro) | Can You Feel It? (Outros/Finalizada) | 12. Don’t Stop Me Now (Ficstape Memory Lane) | Love Affair (One Direction/Em andamento)



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