Última atualização: 07/11/2017

Capítulo Único

dava passos apressados, enquanto andava pela sala e depois pela cozinha, a fim de encontrar o local de onde vinham as risadas que conseguiu ouvir no segundo andar da casa, onde teve que ir para tomar um banho que tirasse de si um pouco do cansaço que a organização e a festa de Yangmi lhe causou. não demorou a perceber que os sons vinham da parte detrás da casa, e muito menos demorou em andar até lá. Ela não se assustou quando viu que seus melhores amigos e de ainda estavam ali, reunidos com seu marido que naquele momento, estava fazendo algo que sempre deixava desacreditada.
- Eu não acredito que vocês estão deixando o fazer isso. – afirmou, saindo do batente da porta e se aproximando do grupo de pessoas que eram tão importantes em sua vida. – Isso é judiação! – Falou e sentou-se no braço do sofá onde estava sentada junto com .
- Eu já falei isso, amiga. Mas ninguém me ouve. – respondeu a mulher quando a olhou. – O pior é o que ainda filma toda a cena que o faz com a filha dele!
- Vocês estão atrapalhando o vídeo. Fiquem quietas. – O pai da menina, que era judiada por , pediu, enquanto tinha a câmera de vídeo de seu celular ligada e virada para o marido de . Ele já tinha lhe enganado umas dez vezes com um morango, no mínimo, e ria do biquinho que surgia nos lábios da garotinha.
- Eu sou o padrinho dela, tenho meus direitos. – se defendeu enquanto segurava um dos morangos que pegou no prato cheio da fruta a sua frente, em cima da mesa. Mais uma vez, afastou o garfo de perto Sook, filha de e , quando ela tentou pegá-lo. A menina não tinha mais que três anos enquanto sua irmã, Sun-Hee, tinha a mesma idade que Yangmi estava fazendo naquele dia; oito anos. A mais velha estava sentada no colo de comendo o morango que segurava de forma despreocupada, parecendo não entender o porquê da mais nova não pegar de vez a fruta diretamente do prato como faziam.
- Por isso não te escolhemos como padrinho de Taeyang. – comentou, balançando levemente seu filho com . A mulher estava sentada ao lado dele com uma de suas pernas apoiadas na perna de , que deu um jeito de segurar com firmeza seu filho e deixar uma de suas mãos em cima do joelho de sua esposa. Teayang tinha menos de dois anos e dormia tranquilo nos braços do pai naquele momento. – Se você fizesse isso com ele, eu não filmaria.
- Eu daria um soco. – comentou de onde estava sentado no chão, enquanto brincava de boneca com Yangmi e com sua esposa que estava ali, mas tinha sua atenção no carrinho de bebê parado ao seu lado, o mais próximo possível de si para que nenhuma movimentação de Kwan, seu filho único que tinha apenas um ano de idade, com , passasse despercebida.
- Eu não faria nada. – comentou despreocupado, dando de ombros e rindo quando alguns de seus amigos o olharam.
- É claro que não. Chung-hee se defenderia sozinho. – comentou sorrindo de um jeito que todos ali, que a conheciam muito bem, souberam que em questão de segundos a mulher estaria rindo alto. – Como naquela vez que tentou tirar uma com a cara dele, e ele apenas revirou os olhos e saiu de perto!
- Nossa, aquele dia foi maravilhoso! – comentou, rindo junto com e com todos os demais que riam da risada dela e da história que, graças a Deus, todos tinham presenciado há oito anos, quando o filho de ainda tinha quatro. – Tenho aquele vídeo até hoje. Jamais apagarei.
- Aquele garoto me odeia. – bufou depois de pegar Sook no colo com cuidado para não derrubar a irmã da menina, que estava sentada em suas pernas, para dar a mais nova um morango e fazer com que ela parasse o choro que tinha sido começado quando cansou de ser testada por seu padrinho que não sabia a hora de parar de implicar.
- Ah, , tá vendo? Me dá ela. – pediu, se levantando e indo para perto do marido com suas mãos erguidas prontas para segurar a menina, que também era sua afilhada. a olhou e formou um bico nos lábios antes de lhe entregar a menina, que colocou o rosto no espaço do pescoço de . – Ele é feio, meu amor. Eu sei. – Ela falou com a pobre criança que chorava, mas não largava o morango que havia ganhado depois de minutos de judiação.
- Ei! – quis se defender, mas tudo que ganhou foi um tapa na cabeça dado por . – Ai!
- Bem feito. – deu de ombros para o drama de seu melhor amigo e aproveitou para tirar uma foto de sua filha com .
- Você também merece um por ter sido cúmplice dele. – afirmou depois de passar Taeyang para , que o colocou deitado em cima de si. – Idiota. – Xingou o amigo e deixou um tapa com certa força na cabeça de , que nem teve tempo de se levantar para se defender das outras mãos que lhe atingiram enquanto ele tentava, sem sucesso, se esquivar e dizer que não era culpado da idiotice de .
ria da cena que era apanhando enquanto balançava Sook, que continuava com a cabeça deitada em seu olho enquanto comia o morango e se sujava com o liquido que escorria da fruta.

++++


Já passava das onze horas da noite, e mesmo sendo tão tarde nem todas as crianças que estavam na casa tinha ido dormir. E esse era o principal motivo pelo qual a televisão da sala estava ligada em um canal de desenhos infantis.
Yangmi olhava para a tela da TV com um grande interesse após ter convencido e de que ela era capaz de segurar Kwan para que juntos assistissem a televisão. Ele havia dormido tanto a tarde que estava acordado naquele horário e para a garota, não bastou deixar o bebê olhando o desenho sem piscar no colo de , sentada ao seu lado, foi preciso fazer uma leve chantagem pedindo para segurar o bebê como presente pelo seu aniversário para que deixassem Kwan no seu colo. Mas, é claro que os pais do menino estavam sentados ao lado dela prontos para segurarem seu filho caso alguma coisa acontecesse.
Taeyang, que tinha acordado às oito horas da noite depois de ter dormido boas horas de tarde, estava em um andador, que havia sido de Mi quando a menina tinha a mesma idade que ele. não saia de perto do filho, o chamando o tempo todo e fazendo gestos que faziam com que todos ouvissem a gargalhada do bebê.
E enquanto isso Sook e Sun-Hee estavam dormindo em uma cama de um dos quartos de hospedes, o que fazia com que e ficassem atentos à babá eletrônica que estava perto do casal. Chug-Hee também já estava dormindo em um dos quartos da casa, no que ficaria junto com seu pai, que subiu com o menino no colo após tê-lo encontrado dormindo sentado no sofá que estava junto com Daehyun.
E graças a Deus, a vida, ao destino ou ao que quer que fosse, o desenho estava sendo o suficiente para manter calmas as crianças que estavam acordadas. E o andador também era o suficiente para manter Taeyang quieto e sem chorar. E agradecia por isso, porque mesmo amando ter seus amigos com seus filhos em sua casa após a festa de aniversário que ela e fizeram para Yangmi, sua filha caçula, a mulher não queria mais ouvir gritos de criança por aquele dia. E pela próxima semana. Os amigos da escolinha de Mi tinham gritado o suficiente para que sentisse uma leve dor começar a latejar em sua cabeça.
- Tudo bem? – perguntou, sussurrando no ouvido de sua esposa que estava sentada em seu colo de lado, com o braço em volta do pescoço dele que tinha a mão em sua cintura.
- Uhum. – murmurou quando encarou o homem com quem havia se casado há treze anos. E foi incapaz de não roubar um breve beijo dos lábios dele, que mesmo com tantos anos de convivência, amizade e casamento, ainda mexia com todo o seu interior com um simples olhar.
Por Deus, amava a cada minuto mais e mais.
- Mãe. – Daehyun chamou por ela, que olhou na direção do menino e o observou descer do sofá e caminhar até a poltrona onde ela e estavam sentados.
- Oi, meu amor. – respondeu enquanto olhava Hyun de cima a baixo em busca de algum machucado aparente, e sorriu para ele.
- Aconteceu alguma coisa? – questionou o garoto que parecia incomodado com alguma coisa. – Hyun?
- Na verdade... – O filho mais velho do casal começou e suspirou, parando de falar.
- Eu preciso que você me fale. O que houve? – perguntou, realmente preocupada com o semblante que o filho tinha no rosto. – Você está me deixando preocupada.
- Não precisa. Não é nada! – Hyun a respondeu de imediato, se sentindo culpado por ter deixado a mais velha preocupada com algo que não era grave ou grandioso. Ele tinha uma dúvida, mas não sabia se podia perguntar aos seus pais e se eles o responderiam de bom grado. Talvez os mais velhos entendessem errado e o castigassem.
- Confiança, lembra? Você precisa confiar em mim e na sua mãe, e nos contar tudo. Ou nos perguntar sobre tudo. – afirmou, olhando fixamente para o garoto que respirou fundo e sentiu-se um pouco mais confiante.
Daehyun lembrou-se, naquele momento, que ele estava falando com seus pais. As pessoas que mais lhe amava no mundo. E que ele mais amava no mundo também, junto com Yangmi que apesar de ser chata às vezes, ainda era a sua irmã mais nova e que teria toda a sua proteção pelo resto de sua vida.
- É que... Mais cedo, vocês contaram como se conheceram e como descobriram o amor. – Hyun começou a falar em um tom de voz baixo, não querendo atrair atenção dos outros adultos, que apesar de já estarem ouvindo toda a conversa e terem ficado preocupados com o garoto, disfarçavam muito bem e não deixavam com que o irmão de Yangmi percebesse. – Eu fiquei pensando e... O amor é realmente tão fácil assim? Vocês ficaram juntos pra sempre depois do baile?
- Vocês contaram a história de vocês pra ele e não me avisaram?! – perguntou, não conseguindo segurar o disfarce de falta de interesse na conversa alheia por muito tempo. – Fala sério! Eu ajudei nisso aí. – Apontou para e que riram da mulher.
- Eu também ajudei. – lembrou a amiga, que piscou para ela e se aproximou para darem um high-five. – Vocês deveriam ter nos chamado para contarmos como foi.
- Pra quê? Pra vocês colocarem um fundo completamente desnecessário na história? – perguntou, limpando a boquinha de seu filho com uma toalhinha e o tirando do andador.
- Quem chegou por último e não fez parte do pacto não tem direito a se pronunciar. – falou para , que riu e deu de ombros não se importando menos.
tinha chegado à vida de quando ela e já estavam juntos, por isso não estava quando e praticamente chantagearam o menino para que ele e começassem a sair para descobrirem de uma vez por todas se eles dariam ou não um belo casal. E como era de se esperar, eles deram um belo casal. O que não foi surpresa alguma para e que fazem questão de sempre lembrar sua participação na história do casal.
O problema é que e colocam enfeites demais na história.
- Mas eu já ouvi a historia tanto de quanto de vocês duas. E, a versão de vocês duas, - Apontou para e . – parece algo retirado do cinema de Hollywood.
- A está certa. Vocês fariam toda uma fantasia em cima da história. – respondeu e riu quando e se olharam e reviraram os olhos para ela. – E, não, meu amor. Eu e seu pai não ficamos juntos para sempre depois do baile. – Ela falou para o menino que ficou calado durante toda a pequena discussão das mulheres.
- Contem pra ele como foi depois que o teve o debut dele. – sugeriu antes de olhar para Yangmi e ver a menina dormindo com a cabeça no colo de , que em algum momento pegou o Kwan do colo da menina e agora segurava o filho deles com todo o cuidado que sempre teve desde que o menino nasceu.
- Esperem que vamos nos sentar pra ouvir. – falou enquanto andava ao lado de para o sofá que ficou vago quando Hyun foi pra perto de seus pais. Ele esperou que sua esposa se sentasse e se acomodasse com Taeyang antes de sentar-se ao lado deles e colocar o braço no encosto do sofá, o deixando detrás do corpo de . – Senta e respira fundo, Hyun. A história é longa.
- E um pouco triste também. – murmurou, sabendo que dali alguns minutos estaria chorando com a história que seria contada.
- Vem cá. – chamou o filho.
saiu do colo de , para que ele colocasse Daehyun em cima de suas pernas. Ela caminhou até o sofá onde estava e sentou-se no braço do móvel, se acomodando de um jeito que julgou o melhor. Sentiu quando a amiga encostou a cabeça em suas pernas e respirou fundo.
Talvez não fosse a única a estar chorando dali alguns minutos.
olhou para como se lhe pedisse permissão para começar a contar à história que causou dor no casal anos atrás.
E mesmo que quisesse não contar aquela parte de sua história com para seu filho, também sabia que não poderia deixar com que o menino pensasse que o amor é fácil.
Daehyun precisava saber que, às vezes, o amor pode ser complicado. Então, que ele aprendesse isso ouvindo a história de seus pais e não de outro casal por aí.

VINTE E UM ANOS ATRÁS


Já tinha se passado um ano desde a festa do baile de formatura e as coisas estavam diferentes... Bem diferentes. E mesmo após trezentos e sessenta e cinco dias ao dia do baile, ainda era difícil para decidir se as mudanças ocorridas ao longo desse tempo eram boas ou ruins de um todo. Era difícil saber o que achar quando tudo parecia ter um lado bom e outro lado ruim.
A única certeza que ela tinha era de que era tudo muito difícil e doloroso.
Afinal, fazia um ano que havia deixado Mokpo e ido para Seul, atrás de seu desejo de ser cantor, enquanto permaneceu na província de Jeolla. Porque mesmo que eles se conhecessem desde crianças, tivessem se tornado melhores amigos automaticamente e começassem a namorar há poucos dias antes da viagem dele, e não tinham os mesmos sonhos.
Enquanto o sonho de era entrar para o mundo da música, o de era de se manter no anonimato e levar uma vida normal, sem câmeras, microfones e gritaria. E ambos sempre souberam dessa diferença que seus sonhos tinham. sempre soube da vontade que tinha de virar cantor e sempre soube, também, da grande influencia que o pai dele, que tentou ser cantor quando mais novo e não conseguiu, tinha sobre o desejo de . E não era como se não apoiasse nessa sua vontade, pelo contrário, ele tinha todo o seu apoio.
só não estava pronta para ficar longe de como pensou que estava.
Era difícil ter que passar a conversar com o garoto por celular ou computador quando sempre teve a presença física dele em seus dias. Era difícil ter que ficar sentada em frente ao computador, do jeito que estava naquele momento, para poder conversar com o seu melhor amigo e namorado.
Por Deus, aquilo era tão difícil e doloroso.
- Voltei. – reapareceu após ficar vinte minutos ausente porque tinha ido tomar banho. Ele tinha chegado do ensaio que tinha diariamente com os meninos do seu grupo, Super Junior, e ligou o computador para fazer uma chamada de vídeo com que atendeu antes que pudesse tomar banho. Por isso, após dez minutos de conversa, ele avisou que iria tomar banho, mas que deixaria o programa de conversas de vídeo aberto. – Sentiu minha falta? – Perguntou enquanto se deitava no colchão e sentia seu corpo relaxar. colocou o notebook apoiado em suas pernas, que ficaram dobradas e colocou os fones em seus ouvidos.
- Claro... Que não. – mentiu, e ouviu a risada de com o auxilio dos fones de ouvido que usava.
- Aham, vou fingir que acredito. – Ele a respondeu, olhando para o rosto de que aparecia em toda a tela de seu computador. – Eu senti a sua. Eu sinto a sua falta todos os dias, . – Confessou sem esperar para ver se lhe perguntaria alguma coisa sobre saudades.
confessou porque, talvez, se ele dissesse em voz alta, doesse menos.
Se sentia saudades de , ele sentia muito mais.
Se era difícil pra ela ficar sem ele, era ainda mais difícil para ficar sem , sem sua família e longe do lugar onde nasceu e foi criado. Era difícil para ficar em Seul quando sempre morou em Mokpo, e mesmo que a viagem de trem durasse menos de três horas, ele não podia ir sempre que queria para lá. E nem podia ir sempre que queria para Seul. Afinal, agora eles tinham outras responsabilidades. Antes, estudavam no mesmo colégio e moravam praticamente na mesma rua. Hoje em dia, tem compromissos com o Super Júnior, e com sua carreira que estava no começo, e pedia tudo que ele tinha de si, e , bom, ela ainda tinha mais um ano para estudar sociologia no Junior College*, antes de ir para alguma faculdade.
não podia largar os estudos pra ir até . E, não podia largar o começo de sua carreira para ir atrás de .
- Eu também sinto a sua falta. – confessou depois de ter ficado alguns minutos em silêncio observando a face de , que tinha linhas de expressões que entregavam o cansaço do garoto. Ele estava visivelmente abatido, mas o sorriso que estava em seus lábios era o mesmo que se lembrava de ter visto da última vez em que se encontraram, há quatro meses, quando conseguiu ir para Mopko e passou um final de semana na cidade com sua família e . – Idiota. – Ela o xingou quando ele fez um careta engraçada, a fazendo rir. Deus, como ela sentia saudades de ter aquele garoto por perto. – Por que você não me diz como foi o seu dia, hein? - Pediu a , que não demorou mais do que dez segundos para começar a falar detalhadamente como foi o seu dia.
E o ouviu com atenção que tinha dentro de si. E enquanto o ouvia, ela reparou desde o tom de voz até as linhas de expressão que surgia na pele de . E se sempre teve algo que mais atraia a atenção de em relação à , era o olhar dele. Os olhos. O brilho que as íris do garoto possuía. Por vezes chegara a compará-lo com o brilho das estrelas. E enquanto olhava para a imagem de em seu computador, ela reparou que agora o brilho das estrelas que ele tinha nos olhos estava maior, mais brilhante, fascinante e encantador. parecia verdadeiramente feliz com a vida que estava levando em Seul, mesmo com o cansaço de estar em um grupo com tantos homens e com uma agenda realmente movimentada de ensaios e divulgações. Ele estava feliz em estar realizando seu sonho e dando orgulho para todos aqueles que sempre o conheceram e aos que estavam conhecendo-o agora.
E mesmo que tivesse tanta coisa para falar a respeito da saudade que sentia de , ela não se sentia no direito de falar o quanto a ausência dele doía, e principalmente, como doía ir a casa dele e não encontrá-lo em algum cômodo da casa ou descendo as escadas de um jeito apressado que quase o fazia cair em um dos degraus. Ela não poderia despejar tudo em cima de . Afinal, ele não estava fazendo nada de errado ao estar em Seul e não em Mokpo. sabia que o garoto estava indo atrás de seu sonho e sendo feliz, mesmo cansado com todo o esforço necessário, e encantando ainda mais pessoas com sua voz e ternura. E, acima de tudo, ele estava feliz. E essa felicidade tão visível no rosto de e em sua voz fazia com que ficasse quieta e guardasse para si a dor da saudade que sentia aumentar a cada dia.
não podia ser um peso na vida de . Ela não poderia deixar o garoto triste e nem fazê-lo pensar que sair de Mokpo, para ir atrás de seu sonho, fora um erro. Ela tinha que ser forte. Tinha que se manter firme e ter em mente que um dia tudo ficaria bem. Tudo iria melhorar. Aquele era apenas o começo, e começos são sempre difíceis. Dali alguns ou meses tudo iria melhorar.
Não iria?
++++


DOIS ANOS APÓS A CHAMADA DE VÍDEO

se virou de lado na cama, acabando por ficar de frente para o homem que dormia ao seu lado. Ela ergueu sua mão com cuidado e passou as pontas de seus dedos desde a testa de até a bochecha dele, local onde sua mão repousou e ficou.
Depois de meses, estava em Mokpo novamente. Ele havia chegado de noite e teria que voltar para Seul antes que a tarde chegasse no dia seguinte. teria poucas horas com ele e, talvez, fosse por isso que ela estivesse acordada às três horas da manhã observando atentamente a respiração regular e o semblante calmo dele.
Mesmo que fosse embora em menos de vinte e quatro horas, era bom tê-lo ao seu lado depois de tantos meses longes. Por isso, estava aproveitando cada minuto desde que ele chegou a sua casa, horas atrás.
Era bom poder sentir a respiração e o toque de em sua pele, era bom poder olhar para o brilho nos olhos dele pessoalmente e se sentir ainda mais encantada por ele. Era bom tê-lo de volta, mesmo que por algumas horas.
- Você precisa dormir. – Ele murmurou, e sorriu porque no fundo ela já estava desconfiada que pudesse estar acordado, afinal, todo mundo sabe que ele sempre teve o sono muito leve, qualquer toque quase sempre o despertava.
- Estou sem sono. – Ela o respondeu e sentiu a mão dele repousar em cima da sua. E era incrível que mesmo ficando meses sem se encontrarem, ainda conseguia aquecer a pele e o coração de com um único e simples toque.
- Você estava bocejando durante o filme, . Você está com sono.
Ela continuou olhando para o rosto de e nem se atreveu a respondê-lo, afinal, ele estava certo; estava com sono há horas. Porém, ela não queria perder nenhum minuto com ele.
Na verdade, tinha medo de dormir e acordar sem ao seu lado. Ela tinha medo de dormir e acordar sozinha como tem sido durante todos esses meses sem ele em Mokpo.
E saber que existia uma razão para a existência desse medo, fazia com que se esforçasse, ainda mais, em ficar acordada.
- Vem cá. – a chamou enquanto se movimentava pela cama até que encontrou uma posição confortável em que ele estivesse de barriga para cima e com o braço erguido em cima dos travesseiros. – Vem. – Ele chamou a garota mais uma vez.
E ela foi até ele. foi com cuidado para não machucá-lo de alguma forma, mas, descobriu que ela quem estava machucada, todo esse tempo, e havia sido curada no exato momento em que deitou a cabeça no ombro de e respirou o perfume natural que emanava dele. se aconchegou contra o corpo de , colocou a mão em cima do peitoral dele, que estava coberta com uma camisa de mangas longas, e deixou que ele os cobrisse perfeitamente com a colcha cinza que fazia parte do jogo de cama.
Foi dentro do abraço de e enquanto sentia os lábios dele depositarem um beijo em sua testa, que se sentiu em casa. Mesmo que nunca tivesse saído da residência que sempre morou com seus pais.
- .
- Hm? – Ele respondeu a ela que o chamou tão baixo que, com certeza, se não estivesse tão perto não teria escutado.
- Você vai estar aqui mês que vem? – Ela perguntou após ter fechado seus olhos e tomado coragem de tirar aquela duvida que só crescia dentro de si desde o mês passado. – Você sab...
- , desde que nos conhecemos, em algum ano eu faltei ao seu aniversário?
- Não. – Ela o respondeu e logo ouviu a risada dele soar baixa pelo quarto.
- Então, eu vou estar aqui mês que vem. – lhe garantiu e apertou a menina ainda mais contra o seu corpo. levou sua mão livre até a nuca de , entranhando seus dedos pelo cabelo dela e começou a distribuir carinho no local. – Eu vou estar aqui, não se preocupe.
- Você promete? – perguntou, abraçando-o e sentindo suas pálpebras pesarem, ainda mais, com o carinho que recebia.
- Se isso te deixa mais tranquila... Sim, eu prometo. – Ele prometeu e deixou mais um beijo na testa dela antes de suspirar e deixar com que o silêncio pairasse sobre os dois.
também suspirou, mas de alivio. Mesmo que seu aniversário estivesse deixando-a nervosa e a expectativa da presença de estivesse lhe custando às unhas, que eram roídas todas as vezes que ela pensava no evento, agora com a promessa feita por ele, se sentia mais calma e com a certeza de que tudo iria ocorrer muito bem e que sua festa de aniversário, que seria na casa de ao que os pais dela iriam viajar e liberaram a casa, seria incrível.
Porque mesmo sabendo da agenda corrida que o garoto tinha com o Super Junior, não ousou desconfiar das palavras dele... Porque, como sempre dizia: Promessas feitas por nunca são quebradas.

++++


pedia licença enquanto passava apressado pela entrada da casa e ia até a parte detrás, que era onde ficava a piscina, onde tinha lhe dito que iria acontecer a festa de aniversário dela. Porém, com a pressa em adentrar logo a casa e chegar à área onde seria festa, não percebeu os olhares que recebia dos funcionários da casa e de algumas pessoas que estavam ali, porque precisavam retirar algumas coisas que foram alugadas para a festa de aniversário de .
Ele estava com tanta pressa em correr e ir, quem sabe, contra o relógio, que não percebeu o que sua mente lhe dizia há duas horas: Ele estava muito atrasado para a festa de aniversário dela.
Atrasado ao ponto de chegar à casa de quando o som de festa não existia, todo mundo já tinha ido embora e o imóvel estava sendo limpo.
E só se deu conta disso quando parou há poucos metros da piscina e viu algumas pessoas limpando a bagunça que uma festa de aniversário poderia causar.
Ele respirou fundo quando colocou as mãos em sua cintura e jogou a cabeça para trás, a fim de olhar para o céu escuro, em busca de alguma coisa que indicasse que aquilo tudo era um sonho, pesadelo, na verdade, e que a festa de seria no dia seguinte e que ele iria conseguir chegar a tempo.
suspirou e respirou fundo algumas vezes, abriu e fechou seus olhos vezes demais para perceber que, não, aquilo não era um pesadelo. Ele tinha chegado ao final da festa de aniversário de sua namorada e melhor amiga.
Mesmo sem querer, tinha quebrado sua promessa feita há um mês.
- Arrumado demais pra uma festa de aniversário, não acha?
Ele se virou e encarou que surgiu atrás dele. Ela usava um conjunto de moletom de frio, tinha o cabelo preso em um rabo de cavalo, pantufa nos pés e o rosto limpo de qualquer maquiagem, que sabia que ela tinha usado durante a festa.
- . – suspirou enquanto buscava alguma coisa no semblante da menina. Alguma coisa que lhe desse um pingo de esperanças de que nem tudo estava tão perdido como ele sabia que estava.
- Gostei do colete. – Ela comentou, gesticulando para uma das peças que ele usava.
- Sai correndo de um evento, não consegui trocar a roupa. – justificou o fato de estar usando calça, sapatos e blusa social junto com uma gravata que estava por dentro do colete.
- Não correu o suficiente, pelo visto. – o respondeu quando cruzou os braços em frente ao seu corpo, e o encarou de um jeito que fez com que entendesse que, não, não havia esperanças. Ele tinha acabado com tudo.
- Eu vim o mais rápido que pude, ma...
- Você não deve desculpas a mim. – Ela o interrompeu, fazendo com que ele se calasse no mesmo segundo e suspirasse.
- Cadê ela? Onde está a ?
- No meu quarto. – informou, se virando um pouco de lado e apontando, levemente, com a cabeça, para o segundo andar da casa.
- Eu vou até lá.
afirmou, já dando passos apressados para entrar na casa e ir de vez até o quarto de , que gritou lhe informando que não estava sozinha. Ela estava com . E naquele momento, ele soube que falar com sua namorada ficaria ainda mais difícil com a presença da melhor amiga super protetora da menina.
Por já ter estudado no mesmo colégio que , e , não era surpresa que conhecesse a casa de como conhecia das outras duas garotas. Afinal, trabalhos em grupo acontecem e reuniões fora da escola precisam e são marcadas. E como o pai de , que a cria sozinho desde os quatro anos de idade da menina, que foi quando se separou da mãe da menina que não procurou pela filha desde o dia do divorcio, viajava bastante por conta do trabalho, ela sempre sugeria que os trabalhos poderiam ser feitos em sua casa. Nas palavras de “assim eu tenho companhia”, é que às vezes cansava só ter os funcionários da casa como companhia.
sabia que estava em seu encalço e agradeceu por isso quando parou na porta do quarto dela, encontrou a porta aberta, e recebeu um olhar que poderia transformá-lo em pó caso tivesse esse super poder.
- Vai embora. – A garota mandou quando o encarou. Ela estava sentada na grande cama de casal do quarto de com a cabeça de em seu colo.
- Eu preciso falar com ela, . – a respondeu, ignorando seu pedido e adentrando ao quarto. – . – Chamou pela garota que estava de costas para ele e de frente para . Ver se encolher ao ouvir a sua voz doeu mais do que doía ficar longe dela todos esses todos esses meses. – Me escuta. – Ele pediu em um murmuro. – Por favor.
- , vem. Vamos deixar eles a sós.
estava tão concentrada no corpo encolhido de que subia e descia por causa da respiração da menina, e dos sons de choro que ela emitia, que ele nem se importou em registrar o que quer que tenha dito após ouvir lhe chamando. não se preocupou com o olhar que a melhor amiga de lhe deu ou com o esbarrão que levou quando ela passou ao seu lado. Ele não tinha tempo para a raiva de . Ele precisava cuidar da dor que causou em .
- Eu vim o mais rápido que pude. Nós não teríamos compromissos hoje, mas surgiu um de ultima hora e...
- Vai embora. Por favor.
sentiu como se uma parte de seu coração tivesse caído naquele momento. Ouvir o mandar embora doía milhões de vezes mais do que ouvir esse pedido de . Chegava a ser cruel à dor que isso causava.
- , me esc...
- Vai embora. – Ela o interrompeu novamente para repetir o pedido. E se sentiu perdido. Ele não podia ir embora sem que o escutasse, ela precisava ouvi-lo, pelo menos. – Isso não vai dar certo. Não está dando certo, na verdade.
Ele ficou paralisado no meio do quarto quando as palavras de o atingiram em cheio. Ela estava terminando com ele enquanto se deitava na cama de e virava o rosto para a parede? estava, mesmo, terminando com sem ao menos olhá-lo no rosto? Pior: estava mesmo terminando com ele?
- Como assim? – Ele a perguntou e se arrependeu quando uma risada nervosa saiu de sua boca. – , olha pra mim. Você precisa me ouvir. Isso não pode acabar assim. Nós não podemos acabar assim...
- Assim como? Assim com você não aparecendo ao meu aniversário mesmo tendo me prometido que viria e sabendo que essa é minha data preferida do ano? Ou, assim com a gente se encontrando a cada seis meses ou mais? – Ela o questionava devagar, e isso só servia para prolongar a dor que sentia. Era como se as palavras de fossem alfinetes o acertando lentamente. – Eu sei o que você vai falar, . Você teve compromisso com o grupo e não pôde faltar. Você veio correndo, mas não chegou a tempo. Eu te vi lá embaixo com a , pela janela. Eu já olhei pra você hoje, e eu não quero mais olhar. Porque quando eu queria que você estivesse ao meu lado, ao alcance dos meus olhos, você não esteve. – passou a mão por seu rosto e acompanhou o movimento mesmo que não pudesse ver o rosto da menina. Ter de costas para si era tão doloroso quanto ouvir aquilo tudo. – Eu não sei onde estávamos com a cabeça quando pensamos que isso daria certo, porque, obviamente, não dá. Você tem um sonho que não cabe dentro do meu, e eu tenho um que não cabe no seu. Somos diferentes demais. Não sei como funcionamos como melhores amigos por tanto tempo... – riu, enquanto já chorava e tinha seu rosto molhado por lágrimas. – Eu tenho acompanhado você e o grupo, vocês vão longe. Acredite em mim. E eu, vou continuar aqui, . Eu vou te aplaudir e sentir orgulho do meu amigo. Mas, é só isso. Tudo que eu me ofereço pra sentir por você é orgulho, por que... Eu não quero mais sentir esperanças de ter você comigo. Eu não quero me convencer de que tudo está bem quando não está. Sentir saudades dói demais. Machuca. Maltrata. E eu não estou tão preparada pra sentir isso como eu achei que estaria. E eu sei que você também não.
- Amigo? Agora eu sou apenas um amigo? – Ele a perguntou, sentindo uma leve raiva da garota que estava terminando tudo que eles tinham e nem ao menos o encarava. não poderia estar falando sério. tinha errado, ok. Ele não tinha aparecido a tempo de chegar à festa de aniversário da garota e ele sabia que, no fundo, tudo que ela falava era verdade, mas... Por Deus, ela só não podia deixá-lo sozinho assim!
- Você sempre vai ser o meu melhor amigo. – Ela o respondeu quando se encolheu ainda mais.
- Olha pra mim. Fala isso olhando na minha cara, ! – implorou com o tom de voz um pouco alterado. – Fala isso olhando pra mim. Se for terminar comigo, ao menos olha pra mim enquanto faz isso.
- Vai embora, por favor. Só... Vai embora, . – Ela o respondeu sem virar para olhá-la ou para se ajeitar na cama.
descobriu, então, que não tinha mais nada que ele pudesse fazer. Apesar de amar com tudo que havia dentro de si, ele sabia que ela estava certa. A distância, a ausência, a esperança de reencontros que foram tantas vezes remarcados, expectativas... Tudo aquilo existia. E nada era de um jeito bom. Era realmente torturante aquela situação, mas ele pensou que iriam passar por cima daquilo tudo juntos. Que iriam superar as dificuldades e que tudo iria terminar bem.
O que não sabia, era que também achava que eles iriam passar por cima de todas as dificuldades. Que iriam ficar juntos e que, até iriam rir daquilo tudo no final. E ela o que queria ao seu lado naquele momento. Mas, não poderia tê-lo naquele momento porque precisava estar focado na sua carreira que estava apenas começando. não poderia ser egoísta a ponto de fazê-lo escolher entre ela e o sonho dele. Então, ela escolheu por ele. escolheu por quando ele não apareceu no horário combinado para a sua festa. Ela escolheu por ele quando decidiu que iria terminar tudo que tinham para que ele parasse de se esforçar tanto em ir até ela. Porque ela sabia que isso o deixava extremamente cansado, e, verdadeiramente triste quando não conseguia chegar.
saiu do quarto de sem saber que havia terminado com ele porque julgou ser o melhor a ser feito. Assim como ele também não sabia que ela não o encarou em nenhum momento porque se fizesse isso... Iria desistir.
E não poderia desistir. Ela precisava terminar o namoro com para que ele ficasse focado somente na sua carreira.
Ela sabia que eles se amavam o suficiente para se encontrarem em algum outro momento da vida.
Afinal, não dizem que tudo que é seu volta?

++++


Seis anos depois

- Nervosa?
- Um pouco. - respondeu enquanto estava com a garota e com dentro de um táxi, que as buscaram na casa que estavam morando há quase quatro anos em Seul, e as deixaria o mais próximo possível da Olympic Fencing Gymnasium.
- Também estou. – confessou baixo para a menina que sorriu e respirou fundo.
Se estava realmente um pouco nervosa, estava extremamente nervosa.

++++


- Você está tremendo, . – comentou, olhando para as mãos da amiga enquanto procuravam pelos seus assentos. – Precisa se acalmar. – Aconselhou, segurando em uma das mãos de que movimentou a cabeça de jeito positivo antes de seguir que estava mais a frente e que, aparentemente, havia encontrado seus lugares.
- Se você quiser ir embora, é só falar. – informou a que acabou ficando sentada no meio de suas duas melhores amigas.
- Ela não vai embora. Vamos ficar até o final, certo, ? – questionou, fazendo com que a garota respirasse fundo e assentisse, sem ter muita certeza se de fato ficaria até o final do show. Era difícil para estar ali naquela noite. E tanto quanto sabia que seria extremamente difícil para assistir ao primeiro show da primeira turnê do Super Junior, estando sem falar com há seis anos. Elas sabiam que seria difícil. Porém, também sabiam que deveria estar ali para assistir ao grande passo da carreira do grupo. E, principalmente, ao grande passo da carreira de .
- E se ele me enxergar aqui? – perguntou a suas amigas enquanto arrumava suas pernas, dando espaço para que duas garotas passassem e fossem para os assentos ao lado dos delas.
e olharam todo o espaço do lugar e respiraram fundo, percebendo que não estavam tão longe de uma das passarelas que vinha do palco principal. Elas sabiam que se passasse por ali, provavelmente, iria enxergar e reconhecer . Afinal, ambas sabiam que não existia no mundo outra pessoa que reconhecesse até no escuro.
- aceitou o término de vocês, . – quebrou o silêncio sem responder a pergunta de , tentando tranquilizá-la de alguma forma. – Ele não vai te odiar se ver você aqui. Pelo contrário, vai gostar.
- Então, se ele aceitou o nosso término... Por que ele não fala mais comigo?
- Aceitar não quer dizer que ele superou. – a respondeu, e suspirou sabendo que fazia sentido e era verdade.
Afinal, também tinha aceitado a sua própria decisão de terminar seu namoro com , há seis anos. Porém, ainda não havia superado.
sentia falta de todos os dias desde o seu aniversário em que ele não apareceu no horário correto. Ela sentia falta de toda e pequena coisa dele ou sobre ele. Do olhar, do sorriso, o toque quente, a pele macia, o hálito fresco e a risada escandalosa que é dada tão fácil. Ela sentia falta de tudo em , e de tudo que eles tinham. E de tudo que poderiam ter tido, se o destino, a vida ou o que quer que seja não tivesse separado seus caminhos.
Caminhos estes que poderiam ter se encontrados novamente quando, menos de dois anos após o termino, ironicamente ou não, precisou se mudar para Seul graças a uma bolsa que ganhou em uma das universidades de lá. Mudou-se junto com e que entraram na mesma universidade que ela. E no fundo, se mudou para Seul e deixou Mokpo esperançosa que em um dia qualquer, por alguma acaso do destino, ela encontraria . Ou ao menos o veria de longe e poderia respirar aliviada por tê-lo diante de seus olhos mais uma vez.
Mas esse encontro nunca aconteceu. Morando há alguns anos em Seul, nunca encontrou por algum acaso do destino ou encontro marcado. E ela já tinha entendido que se o destino não queria que eles se encontrassem, muito menos. Afinal, ele não respondera nenhuma das poucas mensagens que ela o enviou durante esse tempo. E não queria muita coisa com aquelas mensagens que sempre eram enviadas no meio da noite, quando a saudade apertava. Ela só queria parabenizá-lo por ter conseguido alcançar o que quer que seja que ele tenha alcançado com o Super Junior, e ela ficou sabendo através das mídias informativas.
Na verdade, só queria de volta. Assim, como só queria entender por que tudo que é bom fica assim? Por que as coisas boas não podem acontecer juntas? Por que tudo tem que ter um lado bom e um lado ruim? Quem disse que o lado bom não pode ter também... Outro lado bom? Por que as coisas desaparecem? Por que as rotinas e os gostos mudam? Por que tantas decisões precisam ser tomadas para que um setor de nossa vida dê certo.
Por Deus! Por que as pétalas das flores da história de com tiveram que cair?
Por que com eles? Logo com ele... Logo com ela...
Logo quando estava ultrapassando seu recorde em durabilidade de relacionamentos? Logo quando ela estava sendo capaz de ficar mais de um mês com um cara sem querer chutá-lo de sua vida? Logo quando ela estava sendo verdadeiramente feliz ao lado de alguém? Por que ela teve que abrir mão de para que ele fosse o cantor famoso e reconhecido de hoje? Por que ela não pôde ficar ao lado dele? Por que a vida não lhes deu uma solução para a distância? Por que o destino não lhes presenteou com um pouco mais de certeza de que tudo iria ficar bem no final? Por que jogaram pra ela a responsabilidade de terminar o namoro?
E, principalmente, por que teve que mandar ir embora se tudo que ela sempre quis era que ele ficasse?
E cadê todo aquele lance de que “o que é seu sempre volta”?
Isso era um castigo para aprender alguma coisa? Era um castigo para que ela pagasse por todos os caras que dispensou e teve um relacionamento sem nem ao menos gostar deles? Então, era isso? A vida estava mesmo lhe castigando por ter sido uma vadia em alguns momentos de sua existência na terra?
Eram tantas dúvidas que tomavam a cabeça de sempre que ela pensava em sua história com que naquele momento, enquanto olhava para o teto do ginásio, precisou se forçar para segurar as lágrimas que tomaram sua visão turva. Eram tantas perguntas sem respostas que a deixavam com vontade de sair do ginásio e correr para casa. Correr para debaixo do edredom e se esconder ali. Porém, como em todos os outros momentos em que tinha sua mente inundada com aquelas perguntas, não pôde se esconder no quentinho da sua casa. As luzes do lugar haviam sido apagadas. Gritos foram dados pelas treze mil pessoas presentes e espalhadas pelo ginásio. O telão começava a mostrar a foto oficial da turnê do Super Junior.
não pôde correr para sua cama porque o Super Show 1, havia começado.
E mesmo que não fosse ver de perto. Ela iria poder vê-lo fazendo o que sempre desejou: cantar em cima de um palco, diante de dezenas de pessoas que o acompanharia em um belo coral.
E isso, faria com que o coração de doesse menos.

++++


naquele momento não sabia se agradecia a , se a socava ou gritava dizendo que não poderia fazer aquilo e que tinha que ir embora. Assim como também não sabia como estava conseguindo andar se suas pernas estavam tão moles, e nem sabia como ainda não tinha desmaiado se seu coração estava tão acelerado que fazia com que todo o seu corpo tremesse e suas mãos suassem.
E, ela também não sabia como poderia parecer tão tranquila enquanto andava ao seu lado enquanto seguiam , que andava animada ao lado de um dos staffs da equipe do grupo que acabara de fazer o melhor show que já tinha ido em toda a sua vida.
- Como ela conseguiu esses passes? – perguntou a que estava ao seu lado.
- Provavelmente, com o . Você sabe... Eles ainda são amigos. – Respondeu sem muito interesse e deu de ombros.
- Sim, eu sei. Mas, não sabia que a amizade era tanta assim. – respondeu e bufou. Ela não queria, mas sentir um pingo de ciúmes de com foi inevitável. Ou, talvez ela tenha sentido um pouco de inveja porque sua melhor amiga ainda tinha contato com o garoto. E não. – E você, ainda não fala com ele também?
- Nah, apenas o essencial. Depois que vocês terminaram, eu e não temos muito assunto. Acho que ele tem medo de mim.
- Venham, lerdas! – gritou, encerrando a conversa das duas. e respiraram fundo antes de darem passos em direção à garota, que se notou o nervosismo de e o cansaço e desejo que tinha de ir pra casa dormir, ignorou perfeitamente.
esperou e entrarem no camarim logo atrás do staff antes que pudesse adentrar o local. E se antes seu coração estava acelerado, agora ele parecia estar pronto para sair de seu corpo.
sabia que Super Junior era um grupo com uma grande quantidade de membros e que quando juntos, eles podiam fazer bastante barulho. Ela já tinha assistido a alguns vídeos deles no youtube e algumas participações em programas de televisão. Mas, ver toda aquela bagunça pessoalmente era mais emocionante do que ela pensou que seria. Ouvir todos falarem ao mesmo tempo o quanto estavam felizes, comentando de coisas que fizeram durante o show e os ouvir rindo, era melhor do que escutar por seus fones de ouvidos. Ver o olhar de orgulho que cada um, que estava naquela sala, tinha, era ainda melhor. sentia como se ela fizesse parte, de alguma forma, de toda aquela alegria. Ela se sentia membro do grupo sem de fato ser. Naquele momento, se ela tinha dúvidas, agora ela tinha certeza que havia se tornado fã do grupo que fazia parte.
Elf, é o nome correto, né?
olhava quieta tudo que acontecia ao seu redor, cumprimentada algumas pessoas que aos poucos a enxergavam ali encostada na parede. E mesmo que não quisesse e tentasse se proibir; ela procurava por . Procurava pela bagunça que o garoto era em meio aquela bagunça que todos faziam após o show.
E ela o encontrou. Menos de um minuto depois de começar a procurá-lo. o encontrou.
E ela riu baixo e sozinha do que haviam feito com o cabelo dele que agora tinha um corte engraçado e que, se eles ainda se falassem, renderia alguns comentários maldosos de sua parte que fariam o garoto rir e pedir pra ela parar. riu por ter imaginado perfeitamente a cena que seria lhe pedindo para parar de falar do cabelo dele e começarem a falar das mechas roxas que ela fez em seu próprio cabelo há duas semanas. riu. Mas, logo parou. Parou porque imaginar algo que não aconteceria doía como o inferno. E ela não poderia lidar com mais dor. Ela não podia mais aguentar alguma dor naquela noite.
Na verdade, precisava ir embora dali. Ela já tinha assistido ao show, já tinha visto o olhar de orgulho de cada um deles, e, agora precisava ir embora.
Ela precisava sair daquele camarim. Daquele ginásio. Precisava respirar ar puro. Precisava estar em um lugar que não a deixasse com poucos metros de distância de . O que era irônico, já que tudo o que ela sempre desejou, durante todos esses anos, foi estar perto dele mais uma vez.
saiu do camarim sem nem ao menos ter andado dois metros dele. Fechou a porta com cuidado atrás de si, e sorriu tímida para o staff, que levou ela e suas amigas até ali, parado do lado de fora depois que elas entraram. Ela caminhou apressada pelo longo corredor e virou a sua esquerda parando em outro corredor. Sentiu o celular começar a vibrar em seu bolso e nem se deu ao trabalho de ver quem era. Ou era , ou .
E ela não queria falar com nenhuma das duas naquele momento. Tudo que ela queria, era ir embora dali.
- !
Mas, uma voz a parou antes que ela pudesse dar mais algum passo por aquele corredor.
E não era a voz de ou de .
Era aquela voz.
A voz dele.
E se enquanto ia para o camarim, se perguntou como ainda conseguia andar, naquele momento ela teve a resposta que queria: é porque enquanto estava indo para o camarim, não ouviu gritar o seu nome.
- Vai mesmo embora sem ao menos falar comigo? – A voz dele soou mais perto dessa vez, o que fez com que fechasse os olhos e suspirasse. – Eu pensei que fosse ao menos receber um “estou orgulhosa, ”.
E então, ele riu.
Aquele som... Aquele barulho.
Aquela risada depois de anos, estava soando tão próxima aos ouvidos de .
E, se recusou a abrir os olhos.
não queria levantar suas pálpebras e perceber que, mais uma vez, tudo não estava passando de um trabalho de sua imaginação e saudade.
Ela não queria verificar se era real. Não tinha coragem.
era covarde neste ponto.
- Você disse que iria continuar me aplaudindo e sentindo orgulho de mim. Você disse que eu, o Super Junior, iríamos longe. O show de hoje não foi o bastante para você? Você não sentiu orgulho do grupo... De mim?
A voz dessa vez soou tão perto.
E soube que havia alcançado-a e estava parado a sua frente quando conseguiu sentir a respiração dele batendo na pele de seu rosto. Aquecendo-a depois de seis anos.
- Você não está com orgulho de mim, ?
E mesmo com um medo absurdo que aquilo tudo fosse uma grande mentira, precisou abrir os olhos. Ela precisava encarar enquanto o respondia que sim, ela estava sentindo orgulho dele.
- Eu estou orgulhosa de você, . Muito orgulhosa.
Foi difícil não gaguejar quando olhou para aqueles olhos, donos do brilho mais bonito que já encontrou em todos os olhos que viu em sua vida. Foi difícil não gaguejar e não chorar ao ver na sua frente e perceber que, não, não daquilo era fruto de sua imaginação.
Ele estava ali.
Depois de seis anos... estava na sua frente.
mordeu seu próprio lábio inferior, não acreditando que ele estava na sua frente. Tão perto. Com os olhos cheios de lágrimas assim como os dela, e a olhando como se ela ainda fosse a coisa mais preciosa que ele tinha em sua vida. E mesmo com o corte de cabelo engraçado, continuava lindo. Maravilhoso. E, sempre, a deixando com vontade de tocar em sua pele para senti-lo.
- Eu esperava um “”, mas, tudo bem. – Ele riu baixo após sorrir e o acompanhou. Afinal, era impossível não rir quando ria. Ele sempre teve um negócio que puxava outras risadas quando a sua aparecia. E o amava ainda mais por isso. E a dor da saudade também doía ainda mais por isso. – Eu senti a sua falta.
- ...
- Não, eu vou falar. Da última vez que nos vimos você me interrompeu vezes demais. – Ele a interrompeu, e o viu fechar os olhos por alguns segundos antes de encará-la novamente.
- Por favor, não... – pediu, sabendo que ela não aguentaria mais se a dor aumentasse.
- Eu senti a sua falta todos os dias desses seis anos, . Eu chorei por você. Eu me perguntei o porquê de tudo ter acontecido do jeito que aconteceu. Eu te culpei. Eu me culpei. Mas, depois de algumas conversas com a , e até mesmo o idiota do , eu entendi que algumas coisas devem acontecer. Por mais que doa, elas devem acontecer. – respirou fundo, e suspirou querendo pedir que ele parasse, mas, não conseguindo. Ouvir a voz dele fez falta. – Por mais que a gente não entenda na hora, uma hora tudo é explicado. E eu entendi. Eu entendi que foi melhor que terminássemos naquele momento antes de tudo se transformar em coisas negativas por conta da distância, do meu sonho e dos seus estudos. Eu entendi, que mesmo que não tenhamos nos falado todos esses anos, precisamos deixar de ser namorados naquele momento para que a nossa amizade não fosse perdida... Para que nenhum ódio ocupasse o lugar do amor que sentíamos. E, que eu ainda sinto.
- Po...
- Eu ainda te amo, . Em seis anos, não houve um dia sequer que eu tenha deixado de te amar. – encostou sua testa na de enquanto levou sua mão até o pescoço da menina e deixou seu dedo anelar encostando na bochecha dela. – E em seis anos, eu prometi a mim mesmo que quando eu te encontrasse de novo... Eu não iria te deixar ir embora da minha vida. – Ele respirou fundo enquanto já derramava algumas lágrimas em silêncio. – Eu sei que você está morando em Seul agora. Eu sei que você está na universidade, e também sei que talvez ainda seja difícil. Mas, eu não posso te deixar ir, . Eu não posso te deixar sair desse ginásio sem antes te dizer, que eu sempre soube que o amor é um sonho passageiro, mas... Eu não quero acordar ainda. Então, só me diz... Só me responde; você ainda me ama?

++++


sentia a barriga doer de tanto que ria ao mesmo tempo em que sentia seu coração aquecido naquela noite fria de Seul. A sensação de aconchego não vinha das roupas grossas de frio que usava, mas da mão que segurava a sua em um toque quase apertado... Como se ele não quisesse soltá-la.
E, de fato, não queria soltar a mão de . Ele não queria soltá-la mesmo enquanto eles riam do outro lado da calçada do restaurante que foram banidos por terem perturbado os clientes e reclamado da comida que vinha em pouca quantidade.
Eles nunca souberam se portar em um restaurante chique cheio de mimimi. Desde que se conheceram lá na infância, nunca souberam como agir em um lugar com tanta frescura até na hora de pegar os hashis.
Se e não souberam agir de jeito contido no restaurante que foram em seu primeiro encontro, eles iriam saber como agir no encontro que estavam tendo na noite seguinte ao show do Super Junior?
O mundo realmente achou que e saberiam se comportar de forma fina na noite em que estavam tendo seu primeiro encontro após terem voltado e assumido para, quem quer que estivesse naquele ginásio, que não iriam desistir do amor que sentiam um pelo outro? E que iriam dar um jeito de ficarem juntos por um longo tempo?
Pois, se achou, se enganou.
e nunca saberiam se comportar em um restaurante chique. E eles sempre acabariam em uma barraquinha de ramen. Assim, como eles sempre voltariam após qualquer término ou briga que tivessem.
Afinal, eles se amavam.
E mesmo que o amor fosse um sonho passageiro... Em alguns casos, vale a pena se esforçar pra não acordar.

*Junior College: Costumam ser dois ou três anos de estudo especializado em disciplinas como agricultura, pesca, enfermagem, ciências da saúde, sociologia, educação física. Após os estudos há um período de estágio que proporciona conhecimentos técnicos e práticos.


Fim.



Nota da autora: Se eu compartilhar aqui, que chorei umas quatro vezes enquanto escrevia, vocês vão espalhar pra todo mundo? Gente, sério... Essa música é um tiro de bazuca. Deus me livre.

E ah, como vocês devem ter percebido, o filho do casal diz que já sabe como os pais descobriram o amor, certo? Então, lá na fic “06. This is Love”, a linda da Mayh Angeli conta essa parte da história deles... E, se eu fosse vocês, correria lá pra ler!
Enfim, é isso! Espero que tenham gostado! E não deixem de comentar o que acharam! X





Outras Fanfics:
Cause You’re the Only One – One Direction/Em andamento
Meeting – Cause You’re the Only One – One Direction/Finalizada
12. The End – Little Mix – Ficstape/Finalizada
02. Sign of the Times – Harry Styles – Ficstape/Finalizada
She Was Pretty – Dorama/Finalizada
01. Pray You Cath Me - Beyoncé - Ficstape/Finalizada

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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