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Última atualização: 30/07/2018

Prólogo


Soltei um suspiro alto, girando o corpo na cama, e apoiei a mão na barriga. Abri os olhos devagar e virei o corpo para o lado, encarando o relógio ao lado da minha cama. Arregalei os olhos ao ver o horário, joguei as pernas para um lado e cobertas para outro e senti meu corpo colidir com o chão quando caí de cara no mesmo.
Levantei correndo e saí desesperada pela casa, puxando minha camisola para cima e ignorando totalmente o banho daquela manhã. Vesti uma calça jeans, a camiseta da escola, um par de tênis brancos e saí correndo de casa, sentindo minha barriga roncar por falta de comida, mas resolveria isso quando chegasse ao colégio e comesse um croissant da madame Barbier.
Saí com meu carrinho pelas ruas de Saint-Tropez e tentei adivinhar por onde seguir, principalmente pelo fato de ter perdido meus 15 minutos de lucro e, com certeza, pegaria trânsito. Acabei optando por seguir o Mar Mediterrâneo, um dos cartões postais mais bonitos do mundo.
Fiquei feliz ao entrar na rodovia que circundava o mar e vê-la vazia como uma boa praia no inverno, mas a felicidade durou pouco. Em uma das curvas que se escondiam atrás de um ponto cego, eu me distraí com alguma besteira e senti a frente do carro se chocar contra a traseira do da frente. Revirei os olhos, batendo a cabeça no volante, e procurei um papel rapidamente no porta-luvas e saí do mesmo, vendo o motorista do carro da frente sair irritado.
– Você não olha por onde anda, não? – Suspirei, balançando a cabeça.
– Desculpe-me, senhor. Eu estava distraída, prometo que vou pagar seu conserto. – Estendi o cartão para ele. – Veja quanto vai sair para consertar que eu pago para o senhor.
– Como eu vou confiar em você? – Ele falou e eu suspirei.
– Porque eu sou uma pessoa decente. – Falei. – E porque nesse cartão tem o telefone de onde eu trabalho, e eu gosto muito de trabalhar lá.
– Olha lá, hein?! – Ele falou.
– Pode confiar. – Falei, assentindo com a cabeça. – Meu nome é Deschamps, eu sou professora. Ligue-me que você terá seu carro consertado sem gastar um centavo.
– Espero que eu possa confiar mesmo. – Assenti com a cabeça.
– Me liga! – Falei.
Olhei para frente um pouco, observando o trânsito que se estava formando, e encarei o relógio novamente. Eu estava muito atrasada. Entrei no carro novamente e dei seta, desviando daquele trânsito e deixando o carro com o para-choque amassado no acostamento, e saí dele novamente, puxando minha bolsa e mochila juntos.
Comecei a correr desesperada em direção ao movimento e senti meu peito começar a doer rapidamente. Em outras situações, eu até daria conta bem, mas não com a minha bolsa cheia de aparatos e brinquedos infantis e a mochila com duas trocas de roupa.
Tirei meu celular do bolso, discando o telefone da escola e colocando-o na orelha. Ouvi dois toques estranhos e observei a tela, enquanto a ligação era desligada. Olhei para o sinal e vi que não existia. Revirei os olhos, contendo-me em não jogar o aparelho no asfalto, e ajeitei a mochila no ombro, continuando a correr.
Cheguei ao problema do engarrafamento, notando que uma rocha havia escorregado depois da chuva da noite passada. Parei de correr na hora, vendo alguns policiais circundando o perímetro, e eu suspirei, revirando os olhos.
Conferi o relógio novamente e não tinha mais condições de chegar na hora. Aproximei-me da ribanceira, olhando o mar azul lá embaixo, e suspirei, olhando para cima e vendo que o céu não mostrava a mesma cor. O sol estava encoberto pelas nuvens, provavelmente não daria as caras hoje.
Chequei novamente o sinal do meu celular para pelo menos ligar para alguém vir me resgatar e guardei-o no bolso da calça. Olhei para cima novamente e me assustei ao sentir um empurrão forte em minhas costas. Só deu tempo de eu virar as costas para baixo, notando que eu havia sido empurrada por ninguém.
Meu grito ficou mudo, e eu senti meu corpo cair em direção às pedras e fechei os olhos, esperando pela dor. Só que ela nunca veio.


Capítulo Único


Acordei em um pulo, puxando o ar fortemente, assustando-me por estar viva. Conferi minha respiração, soltando o ar diversas vezes em minha boca, coloquei dois dedos embaixo da minha mandíbula, encontrando meu pulso, e passei a mão em meu rosto, notando que ele estava bem e sem cortes ou perfurações estranhas.
Olhei para o local que eu estava e ele era bem diferente de um quarto de hospital ou meu quarto, parecia uma cabana. Ergui meu corpo rapidamente, notando a roupa que eu estava... Parecia feita de folhas e flores. A luz do sol bateu em algo na parede, e eu me levantei em direção ao mesmo, vendo um espelho na parede.
Encarei-me no espelho e parecia que eu tinha entrado em um filme da Sininho. Meus cabelos não estavam da cor natural, eles se tornaram ruivos como o sol, longos até o bumbum e totalmente cacheados. Meus olhos eram coloridos, como se um arco-íris tivesse sido colocado neles. Abaixo deles, dois desenhos tribais pretos em formato de gotas. Em minha cabeça tinha uma coroa de flores, como se um maço de folhas e flores secas estivessem presas em meus cabelos após uma grande ventania.
O brilho dos meus olhos branqueou quando a luz bateu neles, e me assustei rapidamente, fazendo com que um par de asas translúcidas aparecesse em minhas costas, e eu arregalei os olhos, afastando-me do espelho. Passei a mão em minhas costas, sentindo-as finas como um papel de seda. Apalpei onde elas cresciam e senti que não estavam presas nas minhas costas, era como se alguma força as puxasse para mim.
Tentei me colocar em voo com o poder da mente e da felicidade, como eu havia lido em um dos livros dos meus alunos, e senti que saí alguns centímetros do chão, segurando-me rápido em algum lugar, e senti os chãos ao meu pé de novo, fazendo-me suspirar. Era mais fácil do que parece.
– Ah, você acordou! – Assustei-me com a sombra de uma senhora gordinha e com as mesmas aparições físicas e sobrenaturais que eu e joguei meu corpo para trás, de volta à cama improvisada.
– Quem é você? – Perguntei, receosa.
– Ah, é sempre a mesma história! – Ela deu uma risada gostosa e fofa ao mesmo tempo e se aproximou. – Eu sou Daphne, a supervisora do Paraíso das Fadas.
– Paraíso? – Perguntei, franzindo a testa.
– Sim! – Ela sorriu. – Você vai notar que aqui é o lugar mais feliz e confortável para pessoas como você viverem.
– Como assim? – Perguntei, levantando-me do local e aproximando-me da mais baixa.
– Vamos do início. – Ela riu. – Você se lembra de como chegou aqui? – Franzi a testa um pouco.
– Eu estava atrasada para o trabalho e senti alguém me empurrar para o abismo, mas eu acordei e estava aqui, viva, aparentemente. – Dei de ombros. – Apesar de que eu me lembro de olhar e não ter ninguém atrás de mim.
– É porque não tinha. – Ela deu um sorriso fofo e eu continuava assustada. – Você foi mandada para cá. É a forma que trazemos as pessoas aqui. Normalmente pegamos na hora que elas estão mais vulneráveis. – Suspirei.
– Eu bem que estava mesmo. – Ela sorriu, sentando-se ao meu lado. – E por que eu vim para cá? Qual é o motivo?
– Aqui é quase uma preparação para o mundo real. – Ela sorriu. – Aqui treinamos e escolhemos os bebês que irão para a Terra para viver com uma família que o ama. E somente trazemos para cá pessoas que são genuinamente boas.
– Mas eu sou só uma professora. – Falei, balançando a cabeça.
– Você é professora de pessoas especiais. – Ela falou. – Você cuida daquelas crianças como se fossem seus filhos, seus irmãos. – Suspirei. – Você faz voluntariado durante três dias da semana e ainda doa pouco do seu salário de professora regular para ajudar essas crianças. – Ela segurou minha mão. – Nem toda pessoa boa salva vidas. Talvez ela só as transforme. – Assenti com a cabeça, dando um pequeno sorriso.
– Mas isso quer dizer que eu morri? – Perguntei.
– Não! – Ela sorriu. – Caso você ache que deva voltar, você pode fazê-lo quando completar seu trabalho aqui. – Assenti com a cabeça, sem saber muito o que isso significava.
– Mas e as pessoas na Terra? Elas sentem a nossa falta? – Perguntei.
– O tempo acontece de forma diferente na Terra, querida. – Ela sorriu. – Caso você decida ficar aqui, será como se você nunca existisse. Mas, caso você decida voltar, notará que o que fez aqui terá consequências lá. – Assenti com a cabeça.
– É estranho. – Suspirei. – Eu não tinha família, mas eu tenho um... – Ponderei para falar. – Namorado.
– Ah, uma alma gêmea? – Ela perguntou, animada, e eu ri, envergonhada.
– Digamos que sim. – Suspirei, abrindo um largo sorriso.
– Bom, sua alma gêmea também foi mandada para cá, mesmo que vocês não estivessem juntos. – Assenti com a cabeça. – Caso decida voltar, ele pode te ajudar com isso. – Assenti com a cabeça.
– E como eu o encontro? – Inclinei a cabeça.
– Você que terá que achá-lo, querida. – Ela se levantou. – Mas, antes, gostaria de conhecer nosso paraíso? – Ela perguntou.
– Acho que sim. – Sorri. – Estou empolgada com que mais coisas eu consigo fazer com essas belezinhas. – Daphne riu e ela saiu da cabana, balançando a cabeça.

Eu realmente fui mandada para o filme da Sininho e não me contaram. Lá fora tinha vários níveis que pareciam cascas de árvore, cada nível com uma cabana no formato de um cogumelo. Eu entrei em um filme da Disney e já me tinha beliscado diversas vezes para me certificar que eu não estava sonhando.
– Venha, venha! – Daphne me chamou e eu a segui, pulando alguns níveis. – Cada pessoa tem um trabalho diferente aqui na vila. – Ela falou, apontando para os diferentes lugares. – Cada pessoa que é mandada aqui fica responsável por alguma parte, para que nosso paraíso seja cuidado da melhor forma possível. – Assenti com a cabeça, seguindo-a, pulando por entre os níveis. – Nós temos o pessoal das hortas, das obras, dos serviços gerais, dos animais e, nossa ala principal, a educação, que é a base do que fazemos aqui. – Ela falou, sorrindo. – E como você é professora no mundo real, pensamos que poderia gostar desse desafio.
– Espera aí! – Toquei seu ombro, fazendo com que ela virasse em minha direção. – Isso não existe?
– Bem, de certa forma, estamos entre o plano terrestre e o divino, algo entre os dois. – Ela ponderou com a cabeça. – Mas, sim, tudo que acontece aqui tem uma reação interessante lá no plano terrestre. – Assenti com a cabeça. – Então, o que acha?
– Do quê? – Perguntei, franzindo a testa.
– De ser uma das professoras para nossas crianças especiais. – Abri um sorriso, assentindo com a cabeça.
– E o que exatamente vocês ensinam a elas? – Perguntei, distraindo-me com alguns homens e mulheres que tinham as mesmas características que as minhas, de olhos, marca abaixo dos olhos, cabelos e roupas.
– Valores, é claro! – Ela sorriu. – São ensinamentos que quando elas forem mandadas como bebês, se lembrarão com o ensinamento dos pais.
– Com licença, Daphne. – Interrompi-a. – Eu estou um pouco confusa. Acho que eu caí dentro de um livro de histórias, então para mim está sendo tudo diferente... – Usei uma palavra mais delicada. – Eu sou uma pessoa real?
– Sim! – Ela falou.
– Eu posso voltar quando quiser?
– Quando você completar sua tarefa, sim.
– Certo! – Suspirei. – Quando eu voltar, eu serei eu mesma?
– Sim! O tempo terá passado um pouco e sua vida estará diferente baseada nos seus aprendizados aqui, mas, sim, você será Deschamps, professora de uma ONG para crianças especiais e alma gêmea de outra pessoa. – Fiquei meio confusa, mas preferir continuar meu raciocínio.
– Mas essas crianças que estão aqui, que eu vou ajudar na criação deles, elas não serão mandadas da forma que estão aqui?
– Não! – Ela falou e riu em seguida. – Elas são almas mandadas por uma divindade acima da nossa. – Ela suspirou. – Elas precisam de alguma forma para viver entre nós, mas dentro delas não existe sangue ou batimentos cardíacos, elas são bolas de luz que vivem entre nós e nos dão felicidade. – Cocei a cabeça, sentindo uma folha ficar presa entre eles e balançando a mesma. – Sei que é difícil de entender. Para mim também é. – Ela sorriu. – Eu simplesmente surgi aqui, como você. Mas eu não quis voltar. – Ela arqueou os ombros por um tempo.
– Por quê? – Perguntei, arrependendo-me em seguida. – Não quero parecer curiosa.
– Foi sua curiosidade que a trouxe aqui. – Ela fez um carinho em meu rosto e assenti com a cabeça.
– Vamos dizer que eu não tive sorte com a minha alma gêmea. – Ela franziu os lábios. – Quando chegamos aqui, seguimos para caminhos diferentes. – Ela me olhou. – E quando somos mandamos para cá com nossa alma gêmea, precisamos cumprir nossa tarefa juntos.
– E vocês não cumpriram?
– Eu cumpri. – Ela sorriu. – Mas quando consegui, já era tarde demais. – Assenti com a cabeça, preferindo não seguir com o assunto.
– Ah, então, esse trabalho... – Cocei a nuca. – Eu tenho horário para cumprir? Eu vou a algum lugar?
– Sim! – Ela sorriu, entendendo a mudança de assunto. – Aqui nós não recebemos nenhum salário, tudo que você precisa é providenciado para você quando necessitar. Você tem algumas trocas de roupas na sua cabana, o café da manhã é entregue na porta dela todo dia, pontualmente. O almoço é feito no refeitório situado acima do arco-íris. – Franzi a testa. – E toda noite o jantar é servido ao lado da fogueira. Fazemos uma linda fogueira para recepcionar os novos.
– Legal! – Sorri. – Mas, acima do arco-íris? – Perguntei e ela gargalhou.
– Você vai se ajeitar aos poucos. – Ela sorriu. – Bem, tenho outras pessoas para recepcionar. – Ela se virou para mim. – Fique à vontade em explorar por aqui hoje. Na fogueira lhe dou outras explicações. Você vai poder conhecer seus deveres, outras fadas... Fique à vontade. Esse é seu novo lar. – Assenti com a cabeça, sorrindo.
– Obrigada, Daphne! – Falei e ela se retirou.
Observei rapidamente a vida acontecendo no Paraíso das Fadas, e eu ainda estava um pouco confusa sobre tudo. Mas eu sabia de uma coisa: precisava achar o mais rápido possível, descobrir qual era meu dever nesse mundo especial e voltar para minha querida França.
Parei por um segundo, começando a rir sozinha, imaginando a gargalhada que eu daria quando encontrasse com roupas de folhas e flores, olhos nas cores do arco-íris, desenhos pretos abaixo dos olhos. Tudo isso naquele corpo robusto e mal-humorado de um metro e noventa. Suspirei, lembrando-me de quanto tempo fazia que eu não o via, e fiquei chateada por alguns segundos, mas logo relevei, começando a caminhar pelo meu novo lar.

Fiquei o dia inteiro procurando por , mas não o encontrei em nenhuma situação, nenhum trabalho, nenhuma das novas cabanas que eu havia descoberto que surgiam quando novas pessoas surgiam e sumiam quando elas decidiam voltar ou completavam seu destino. Ele não estava lá. Comecei a pensar que ele poderia não ter vindo junto, mas, segundo Daphne, toda alma gêmea vinha para cá. Com isso em mente, comecei a pensar que ele não era minha alma gêmea.
Isso não seria surpresa, na verdade. Eu o amava incondicionalmente, mas ele não demonstrava a mesma paixão e o mesmo amor por mim. Ignorei esse pensamento por alguns segundos quando notei que o sol começava a se pôr e uma luz avermelhada começava a surgir por entre as cabanas: eu estava atrasada.
Banhei-me com rapidez em uma banheira de orvalho, isso é sério! E vesti uma nova combinação de flores e folhas, mas dessa vez cor-de-rosa, e saí correndo para o local. Poderia ter voado, mas eu não queria fazer um pouso desregulado quando chegasse lá. Isso poderia me fazer pagar um grande mico.
Chegando lá, eu percebi que o tempo no mundo das fadas acontecia de forma diferente. Eu não estava atrasada, eu estava pontual como todos que me faziam inveja ao chegar voando graciosamente e não suando como uma mera mortal.
Mesmo inventando histórias mirabolantes sobre mim e , eu o procurei aquela noite. Olhei por baixo de toda coroa de flores e atrás de toda asa translúcida por aquele que eu acreditava ser minha alma gêmea.
A fogueira não era feita de madeira e fogo, como eu imaginaria. Parecia uma faísca saída diretamente do sol e que pairava sobre nossas cabeças em um iluminava branco como uma lâmpada de LED. Sentei-me em um dos troncos de árvore ajeitados em formato de auditório, próximo à algumas pessoas tão perdidas quanto eu, e esperei. Daphne surgiu em um voo perfeito e se colocou abaixo da fogueira, sorrindo para todas nós.
– Boa noite. – Ela sorriu. – Hoje, como todos os dias, estamos aqui para receber nossos novos moradores e pessoas de boa luz. – Ela falou, apontando na direção que eu estava, e todos nos entreolhamos, dando sorrisos envergonhados. – Quero que vocês se sintam confortáveis, felizes e úteis aqui na nossa pequena sociedade. – Assenti com a cabeça, sorrindo. – Caso vocês queiram voltar para o plano terrestre, aconselho que procurem pela sua meta aqui e tentem cumpri-la dignamente. – Ela sorria. – E divirtam-se, é claro. – Assenti com a cabeça. – Para cada um dos novatos, vocês terão uma companhia, são nossas crianças que os ajudarão nesse começo. Extraia deles tudo necessário para que sua vida aqui seja mais confortável. – Apoiei as mãos no queixo. – Divirtam-se aqui, aproveitem nossas comidas e tenham uma boa noite. – Ela falou e uma música animada começou a tocar, assustando-me, e eu balancei a cabeça, sentindo-me em um acampamento de férias.
Observei uma bonita mesa, cheia de queijos e frutas, surgir abaixo da fogueira e franzi a testa, balançando a cabeça. Observei as pessoas ao meu lado começarem a levantar-se e algumas crianças se aproximarem de nós.
– Oi! – Ergui o rosto, vendo um menino se aproximar de mim. – Eu sou Armand, seu acompanhante. – Ele falou, animado, e esticou a mão para mim.
– Olá, Armand! Sou . – Ele assentiu com a cabeça, sorrindo.
– Eu sei tudo sobre você, . Sua vida, seu trabalho, como você veio parar aqui...
– Que bom! Alguém sabe pelo menos. – Ele riu e se sentou ao meu lado.
– Eu vou te acompanhar no que você precisar aqui no Paraíso das Fadas. – Assenti com a cabeça.
– E você estuda, Armand? Ou você é permanente aqui?
– Eu estudo! – Ele sorriu. – Você vai me ensinar algumas lições valiosas, certo? – Ele perguntou e eu sorri.
– Espero que sim!
– Que bom! Vai me ajudar a evoluir para uma pessoa melhor, e eu vou poder ir para o plano terrestre. – Assenti com a cabeça.
– Sim! E espero que você seja muito feliz lá. – Ele sorriu, tímido.
– Então, , você tem alguma pergunta para mim ou posso te apresentar as opções de alimentação que temos aqui? – Não me contive em rir e balancei a cabeça, suspirando.
– Você disse que sabe de tudo sobre mim, certo?
– Sim, senhorita! – Ele sorriu.
– E você sabe tudo sobre mim porque eu fui designada a você, ou...?
– Eu sei tudo sobre os novatos, na verdade. Conhecemos sobre eles para ver se nossas personalidades batem. – Assenti com a cabeça.
– Então você sabe sobre todos que chegaram aqui hoje ou nos últimos dias? – Perguntei.
– Sim! Há uns oito dias, na verdade. Mas, sim.
– Por acaso algum apareceu por aqui? – Perguntei, franzindo os lábios.
– Não, não. Eu me lembraria. – Ele falou e eu suspirei, coçando a cabeça. – Por quê?
– Daphne disse que, quando viemos para cá, nossa alma gêmea vem também. E eu achei que tinha uma, mas ele não veio para cá, e eu estou começando a achar que estava enganada. – Suspirei, dando de ombros.
– Você amava alguém no plano terrestre? – Ele perguntou e eu assenti com a cabeça. – Se você veio para cá, ele também te amava. Porque só trazemos casais, para que eles possam cumprir sua tarefa juntos. – Suspirei.
– Mas ele não está aqui. – Virei para ele. – Eu andei por aqui o dia inteiro e todas as fadas estão aqui. Ele não está. Só se ele veio com outra aparência ou...
– Não, isso não! Facilitamos ao máximo para que duas almas gêmeas se reconheçam aqui. – Ele suspirou, segurando minha mão. – Tem uma opção...
– O quê? – Virei para ele, que franziu a testa.
– Você tem certeza que ele era 100% bom, ? – Ele virou para mim e eu franzi a testa.
– Claro que sim! – Suspirei. – Ele é o melhor de mim. – Suspirei.
– Tem certeza? – Suspirei, parando de mentir para mim mesma. – Ele era honesto contigo? Sempre te tratou bem?
– Bem... – Ele revirou os olhos.
– Diga! – Ele falou.
– Ele nunca me assumiu, para falar a verdade. Ele é de uma família rica e poderosa, e eu só era uma professora com um salário ridículo. – Suspirei, ponderando com a cabeça. – Ele me escondia dos outros, sempre ficávamos em casa. – Senti meus olhos marejados. – E também teve um pequeno problema de corrupção na empresa do pai dele, que eu acho que ele estava metido com isso, ainda está em julgamento. – Virei para Armand. – Isso vale de alguma coisa? – Perguntei.
– Vale, sim. – Ele suspirou. – Vale para ele ter ido para outro caminho.
– Como assim? – Perguntei.
– Quando uma pessoa vem para cá, ela tem duas opções: ser uma pessoa boa e cair no Paraíso das Fadas, ou ser uma pessoa ruim e ir direto para a Aldeia das Lágrimas. – Ele se virou para mim. – Ele está aqui, , mas se ele não viveu dignamente durante esses anos, se ele não te tratou dignamente durante esses anos, ele não se tornou uma fada. Ele se tornou um vampiro. – Arregalei os olhos. – E nós não coexistimos com ele.
– O quê? – Destravei depois de um tempo.
– Ele está aqui, ele só está na parte sombria deste plano. – Ele deu de ombros e eu suspirei, fechando os olhos.
– E como eu o tiro de lá? – Virei para ele, que se levantou.
– Talvez isso faça parte da sua tarefa aqui. – Ele sorriu. – Tentar transformá-lo em alguém bom.
– E isso já aconteceu? – Perguntei.
– Algumas vezes, mas Daphne, que é uma das nossas fadas mais evoluídas, não conseguiu. – Engoliu em seco. – Quando uma pessoa se torna vampiro, é porque não sobra muita parte boa no coração dela. – Ele deu de ombros. – Boa sorte.
Coloquei a mão na cabeça e senti as lágrimas começarem a rolarem pelo meu rosto. Tudo que a vida tinha me mostrado finalmente havia se concretizado em uma forma sobrenatural estranha e cruel. E eu tinha certeza que aquela batalha já estava perdida.

O dia seguinte começou cedo. Eu não precisei de despertador, eu simplesmente acordei quando o sol bateu no espelho da cabana e fez com que um arco-íris se formasse dentro do quarto. Eu me senti feliz ali, fazendo-me suspirar. Um toque na porta me distraiu, e eu joguei a folha de bananeira, ou coberta, para o lado e segui até a mesma, abrindo-a devagar. Uma revoada de vagalumes saía da mesma e eu observei uma cesta ao pé da porta e trouxe-a para dentro.
Apoiei-a na pequena mesa que tinha lá dentro e tirei dali um pequeno galão de leite e outro de suco, algumas frutas, queijos e até flores aromatizadas comestíveis. Contive-me em beber o leite e comer uma maçã e alguns pedacinhos de queijo. Deixei a cesta na mesa e fui tomar meu banho. A água estava fresca pelo fato de ser captada direto do orvalho da noite, então pude relaxar por alguns minutos na mesma.
Vesti-me com o look usual do Paraíso das Fadas e saí da cabana, encontrando um feliz Armand acenando para mim lá de baixo. Pulei por entre as cascas de árvores e me aproximei dele.
– Bom dia! – Ele falou, animado.
– Bom dia, Armand! – Falei, feliz. – O que faremos hoje? – Abracei-o de lado.
– Vamos conhecer a escola? – Ele perguntou.
– Claro! – Falei, rindo. – Depois eu tenho uma tarefa para nós dois. – Falei, rindo.
– O quê? – Ele perguntou.
– Surpresa! – Falei, animada, mesmo sabendo que poderia não ser.
– Vem! – Ele me puxou pela mão e seguimos em direção à escola.
Eu poderia falar que o lugar era legal, maneiro, simples e tudo mais. Mas ele era simplesmente demais! Imagina aquelas escolas fantasiosas que desejamos quando criança? Ela era assim e muito melhor.
Para começar que os alunos aparentavam ter diversas idades. Havia descoberto quando cheguei que os que aparentavam mais idade, como Armand, que eu suporia ter uns dez anos, eram os que estavam mais prontos para retornar. Os mais novos, aparentando três ou quatro anos, tinham acabado de chegar. Mas, como o tempo corria de forma diferente ali, não saberia dizer se eram literalmente alguns anos que eles demoravam para ser mandados e como eles eram mandados para lá.
E segundo que aquele lugar era simplesmente mágico. De verdade! As poltronas para sentar eram botões de flores ou miolos de girassóis, muito confortáveis por sinal. As luzes eram gotas da chuva que batiam em contato com o sol e espalhavam brilho para todos os lados.
A aula não era bem uma aula, era mais como uma roda de conversa em que as crianças perguntavam sobre nossa vivência no plano terrestre e como elas deveriam agir e se portar ali. Meio como se elas tivessem se baseado em algum mito que lhes fora contado quando chegaram ali. As perguntas que mais me surpreenderam foram por que chorar, para que sorrir e como ser educado. Parecia mesmo que eu estava falando com crianças, mas para mim aquilo era tão natural que eu não conseguia usar a obviedade para responder.
Notei que Armand era bem evoluído. Ele me parecia curioso pela forma que eu falava e queria saber mais detalhes sobre tudo que pudesse. Não perguntei, mas pude suspeitar que faltavam poucos passos para Armand voltar para a vida real. Imagine que bonitinho seriam aqueles cabelos cacheados quando bebê.
As crianças saíram com seus guardiões, como eu gostaria de chamar os mais velhos que eram protegidos por eles, ou vice-versa, e eu fiquei alguns minutos brincando no meu miolo de girassol, enquanto Armand falava com um dos seus amiguinhos.
– E aí? O que achou? – Ele perguntou, sentando-se à minha frente.
– É bem diferente do que eu imaginei, confesso. – Falei e ele riu. – É simples e profundo ao mesmo tempo, faz com que pensemos coisas nas nossas vidas.
– Legal, não é?! – Ele riu.
– Minha vida? – Perguntei.
– Sua vida também, mas tudo isso, como o corpo humano e as relações são perfeitas. – Ele sorriu. – Mal vejo a hora de chegar lá.
– Pude notar que você está perto. – Ele assentiu com a cabeça.
– Sim, minha porcentagem está em 94%, quando chegamos a 100%, somos mandados para lá. – Ele sorriu.
– E como é contada essa porcentagem? – Perguntei.
– Varia com as ações e aprendizados que temos aqui. – Ele deu de ombros. – Não sei ao certo as pontuações e como elas variam, mas elas vão aumentando, e, quando vemos, simplesmente surgimos em uma bola de luz e sumimos.
– Já aconteceu contigo antes? – Franzi a testa.
– Uma alma pode retornar diversas vezes, mas ela volta com novas características, então não lembramos. Mas eu sei porque já vi outras pessoas retornarem. – Assenti com a cabeça, sorrindo. – Simplesmente acontece. – Assenti com a cabeça.
– Bom, Armand, o que você vai fazer agora? – Perguntei.
– Depende do que você vai fazer agora. – Ele falou. – Eu te acompanho, esqueceu? – Ele perguntou e eu ri. – Eu sou tipo seu guarda-costas.
– Legal você dizer isso. – Falei, rindo e abrindo um largo sorriso.
– Por quê? – Ele falou receoso.
– Eu quero que você me leve à Aldeia das Lágrimas.
– O quê, hein? – Ele gritou e eu corri colocar as mãos em sua boca.
– Eu preciso ir atrás do , Armand. Eu adorei aqui, achei magnífico, mas eu preciso voltar, eu preciso voltar para as minhas crianças. – Suspirei, tirando as mãos de sua boca. – E, se cada alma gêmea tem sua missão aqui na terra, ele pode ser a minha.
– Mas eu não posso simplesmente ir lá, é contra as regras. Além de que Daphne proibiu depois que sua missão falhou.
– Ela não precisa saber. – Falei, seguindo de um sorriso.
– Tem certeza que você veio para o lugar certo? – Ele perguntou, encarando-me, e eu suspirei, rindo fraco.
– Mentir para fazer algo bom não é uma coisa ruim, ok? – Falei e ele suspirou.
– Ok! Eu te levo lá. – Ele falou, suspirando. – Mas com uma condição.
– Quem é o mau agora? – Perguntei. – Cadê seu altruísmo? – Ele riu, debochado. – Diga!
– Que me ajude a completar minha porcentagem. – Ele esticou a mão e eu suspirei.
– Fechado! – Falei, apertando sua mão. – Como chegamos lá?
– Primeiro precisamos sair daqui, isso é fácil, mas você vai precisar voar se quiser nos ajudar. – Ele falou e eu suspirei.
– Eu vou aprendendo pelo meio do caminho. – Falei, levantando-me. – Vamos!
– Você quem manda. – Ele deu de ombros e saiu da escola, corri para alcançá-lo.
O Paraíso das Fadas era realmente outra aldeia, cercada por uma força mágica poderosa. Não tinha nenhuma proteção descomunal para sair dela, você simplesmente passava por um portal de folhas – o que era esperado – e estava em uma estrada.
Quando se caía na estrada, toda a claridade que tinha no mundo das fadas era reduzida, e parecia o mundo real outra vez. A iluminação era mais comum, mas parecia uma estrada no meio da floresta, com árvores dos dois lados.
– Levante voo. – Armand falou, passando por mim com suas asas sacudindo na velocidade da luz, e eu fiz uma rápida força no pensamento, sentindo minhas asas baterem devagar, e segui Armand, levemente instável.
Eu parecia um jato com uma turbina quebrada. Eu não conseguia ficar estável igual Armand e me senti até mal por ele ser uma criança e conseguir fazer melhor do que eu, mas depois me lembrei que ele era um ser de luz muito mais puro do que eu, então ele era bem mais evoluído.
Tentei puxar papo com Armand, mas ele estava muito tenso, então preferi não falar mais nada, talvez ele soubesse onde estávamos entrando. Fiquei sentida por Armand, mas depois comecei a pensar o que acontecia se eu morresse ali.
– O que acontecesse se morrermos? – Perguntei baixo para ele.
– Ninguém nunca voltou para contar. – Armand falou baixo e eu fechei os olhos, suspirando.
– Isso não me parece bom. – Falei.
– Xí! – Ele chiou para mim e eu me calei.
Algum tempo depois, a estrada ficou escura, como se tivesse virado noite de repente. A única iluminação era a lua cheia que pairava sobre nós. Eu senti calafrios só por estar ali e comecei a imaginar o que tinha se tornado.
Aproximei-me de Armand e segurei sua mão, voando ao seu lado de forma mais graciosa e estável. Caímos no chão quando um rosnado alto e estranho nos distraiu, e de repente eu estava no meio de vários lobos brancos como a luz e negros como a noite. Engoli em seco e respirei fundo, tentando erguer voo novamente, mas eu estava travada.
– Vamos agora! – Armand falou, levantando voo rapidamente, tentando me puxar pela mão, mas eu era muito pesada para que ele me levasse.
Comecei a notar os lobos aproximando-se cada vez mais e eu não consegui me concentrar para levantar voo. Olhei a feição de desespero de Armand, enquanto os lobos se aproximavam devagar, e eu fiz uma cara de súplica para ele e puxei minha mão, vendo-o voar para longe. Assenti com a cabeça, como se estivesse tudo bem, e fechei os olhos, sentindo meu corpo desfalecer quando o primeiro lobo pulou em cima de mim.
Talvez tenha sido um mecanismo de defesa.

Abri os olhos em um relance e puxei o ar fortemente, notando que estava viva. Olhei para os lados rapidamente e fiquei triste por saber que não estava de volta em Saint-Tropez. Deitei meu corpo novamente na superfície macia e franzi a testa, levantando-me novamente com os olhos arregalados.
Observei em volta e notei que tudo parecia incrivelmente gigante, incluindo a cama que eu estava. Levantei-me na cama e notei que eu estava pequenininha. Quinze centímetros de altura ou menos. Achei estranho e engraçado, ao mesmo tempo, e fiquei imaginando que eu ter apagado não era meu mecanismo de defesa. Ficar pequena que era.
Notei um pote ao meu lado na cama e franzi a testa, perguntando se tinha sido por meio dele que eu tinha chegado, mas aquilo estava estranho. Além do fato do meu corpo estar irradiando uma luz estranha naquela escuridão, como se eu fosse uma lanterna. Olhei para minha pele, e ela brilhava levemente. Balancei a cabeça e suspirei.
Ouvi um grito vindo do lado de fora e levantei voo rapidamente, pairando sobre a cama. Tentei reduzir minha iluminação, mas isso não era possível, eu não funcionava da mesma forma que um smartphone, e isso me irritava naquela escuridão.
Era uma casa, até que grande, pelo que parecia. Os corredores estavam iluminados por grandes tochas que esquentavam o local. Pairei devagar pelos cômodos, notando que eu deveria estar em um dos cômodos principais da casa.
Passei por uma porta, empurrando-a devagar, e me assustei com várias pessoas jogadas no canto dos corredores, como se elas tivessem sido chutadas ou simplesmente descartadas. Observei alguns pontos vermelhos no chão e na parede e engoli em seco, notando que era sangue.
Passei por uma divisão na parede e travei. Um homem, se eu podia chamar assim, segurava com força o pescoço de uma pessoa e sugava o sangue sem dó. Engoli em seco, olhando para o lado sem saber para onde ir, e travei ao olhar um quadro antigo na parede onde reconheci , fazendo-me olhar para o homem novamente.
O homem finalizou seu trabalho com a pessoa que ele comandava e passou a mão em sua boca, fazendo com que eu gelasse com as presas afiadas que brilharam sob a minha luz. As veias estavam saltadas pelo seu pescoço e seu olhar avermelhado, fazendo-me duvidar se realmente era ele, além dos olhos negros que ele não tinha antes. O sangue escorreu da sua boca para seu queixo e pingou em seu peito nu, e eu engoli em seco, sabendo que deveria fugir dali, mas não acreditei que ele me machucaria.
? – Falei baixo, arrependendo-me logo em seguida, quando aqueles olhos negros se tornaram brancos, e eu respirei fundo, suspirando.
– Ah, meu prêmio acordou! – Ele falou e notei que ele parecia embriagado.
– O que você está fazendo? – Perguntei baixo.
– Ei, eu falo aqui! – Ele falou, passando a mão pelo queixo ensanguentado, e eu respirei fundo, engolindo em seco. – Como você sabe meu nome? – Ele me tocou, e eu senti meu corpo descer devagar, e ele não era mais um monstro para mim, eu estava na altura normal novamente.
– Sou eu, . . – Falei, engolindo em seco, e foi como se uma luz acendesse na cabeça dele.
– Oh, meu Deus, ! – Ele falou, animado em meu ver, segurou-me pelos pulsos e me puxou para um abraço.
Tentei aproveitar um pouco, mas no segundo seguinte eu comecei a suar, e meu corpo começou a queimar como se eu estivesse em chamas. Soltei-o rapidamente, notando algumas manchas escuras onde ele tinha me tocado.
– O que você fez? – Ele perguntou e eu notei que ele tinha algumas manchas claras onde eu havia o tocado.
– Eu não sei! – Passei a mão nas manchas escuras e senti como se elas queimassem minha pele.
– É tão bom te ver... – Afastei-me dele.
– Não se aproxime! – Falei. – Por sua própria conta e risco. – Suspirei.
– Pensei que estava sozinho aqui. Eu acordei nesse lugar estranho e com pessoas que eu não conhecia. Eu não sabia quanto tempo ficaria preso aqui, eu preciso voltar.
– Pare, ! – Falei alto. – Eu não sei sair daqui também. – Suspirei. – Vim atrás de você, porque dizem que podemos sair daqui juntos, que talvez sejamos a missão um do outro. – Suspirei. – Mas não é isso que está preocupando-me, . É o fato de você estar do outro lado desse mundo. No lado mau. – Respirei fundo, batendo a mão na cabeça. – Você nunca se importou comigo, você nunca foi decente, e eu fui idiota o bastante para acreditar em você.
... – Ele segurou meu braço e eu o puxei, sentindo-o queimar.
– Não me toque! – Falei, respirando fundo. – Você mentiu para mim, ! – Suspirei. – Você sempre teve vergonha de mim, da sua namorada pobre. Mas você é podre. – Balancei a cabeça. – Eu só fui estúpida o suficiente para acreditar que um dia você melhoraria. Deve ser por isso que eu estou desse lado, por sempre acreditar no melhor das pessoas. – Balancei a cabeça. – Eu preciso de você para voltar, e eu preciso voltar, mas não por causa de você. – Suspirei. – Se depender de mim, eu não quero ter nunca mais algo a ver contigo. – Balancei a cabeça. – Você é mau, . E nesse mundo eu aprendi que ser mau não é só roubar as pessoas, assassiná-las ou algo assim. É ser mau com pessoas boas, que a vida me mostrou que eu sou. – Suspirei.
, por favor, ouça-me. – Ele falou, tentando se aproximar, e eu fui colocando-me para trás à passos rápidos.
– Fique longe! – Falei, respirando forte. – Não se aproxime. – Balancei a cabeça, olhando para baixo, e franzi a testa quando notei alguma coisa translúcida brilhar e abri os lábios perplexa. – Você está alimentando-se de fadas? – Gritei, sentindo-o colocar as mãos sobre a minha boca e me empurrar para dentro de um quarto, fechando a porta em um baque.
– Fica quieta, por favor! – Ele falou, escorando-me na parede e colocando a mão na minha boca.
Sacudi minhas mãos, fazendo-o soltar.
– Isso queima, seu idiota! Para! – Falei, vendo-o se afastar um pouco.
– Você vai me deixar falar? – Ele falou e eu cruzei os braços no peito, sentindo os punhos doerem.
– Você é malvado, . – Cruzei os braços. – Você só pensa em si mesmo, nunca teve nenhum respeito comigo, e eu sempre fui estúpida achando que você fosse mudar um dia, que isso era só uma fase. – Suspirei. – Mas, não. – Balancei a cabeça. – Não sei o quanto desse mundo real é verdade, mas com certeza vai mudar minha opinião quando a gente voltar.
– Se a gente voltar, né?! – Ele falou e eu revirei os olhos.
– Espero que eles estejam errados sobre alma gêmea, porque você não é a minha. E com certeza não vai me ajudar a sair dali.
– Claro que vou! Eu quero minha vida de volta também. – Ele falou.
– Suas várias namoradas? O roubo do dinheiro da empresa? A decepção do seu pai? É tudo isso que você quer?
– Como você sabe disso? Você o conhece?
– Não o conheço, porque você nunca me apresentou. Mas seu pai está quase morrendo, e ele não te transferiu a empresa ainda, . Você realmente acha que ele está em condições de cuidar de uma empresa? Ou é decepção pelo filho?
– Você não sabe o que está falando. – Revirei os olhos.
– Encare, , a única pessoa que gosta de você nesse mundo sou eu, e você não é nem capaz de retribuir. – Suspirei. – Eu fui uma tonta de ficar com você todos esses anos, de aguentar suas lamentações e mentiras de que me apresentaria para sua família, para a empresa, para a imprensa francesa e tudo mais, mas eu só fui uma tonta. – Suspirei. – Na noite que eu vim para cá, eu ia te contar que estava grávida, mas espero que nossas memórias sejam esquecidas, porque você nunca vai saber disso... – Arregalei os olhos, levando as duas mãos à minha barriga. – Meu Deus! Cadê meu bebê?
– Você está grávida? – Ele falou um tanto baixo, e notei que ele ficou perplexo.
– Oh, meu Deus! Oh, meu Deus! – Comecei a surtar, erguendo minha blusa e passando a mão na barriga, à procura de algum sinal do meu bebê. – Diz para mamãe que você está aqui, diz. Ouvi seu batimento essa semana! – Comecei a cochichar com o mesmo e sentir as lágrimas começarem a rolar de minha bochecha.
... – se aproximou e eu estiquei a mão em sua direção.
– Não se aproxime! – Ele ergueu as mãos.
– Esse bebê é meu? – Suspirei, passando a mão nos olhos e olhando para ele.
– Não sou eu que fico transando com qualquer uma por aqui, sou? – Engoli em seco, balançando a cabeça. – Eu ia te contar no jantar, se você aparecesse. – Abaixei meu corpo, sentando no chão e puxei o ar fortemente. – Não que isso fosse motivo de felicidade, baseado na forma que vivemos, mas ele é seu filho. – Engoli em seco. – Mas agora ele sumiu... – Falei chorosa e observei a sombra de sobre mim. – Isso é tudo culpa sua! – Falei.
– Minha? – Ele gritou, balançando a cabeça. – Não fui eu que nos trouxe para cá.
– Mas se você tivesse seguido pelo lado bom, talvez nem estivéssemos aqui! – Gritei de volta.
– Ah! Agora a culpa é minha? – Ele perguntou, rindo em seguida. – Poupe-me, . Estamos juntos nessa.
– Juntos? Eu nunca mais quero te ver na minha vida. – Levantei-me, passando a mão no meu bumbum.
– Estou tendo tantos pensamentos impuros contigo nessa roupinha gracinha aí. – Segurei-me para não lhe mostrar o dedo do meio, achando que pudesse ser expulsa do mundo das fadas.
– Adeus! – Falei, começando a andar, e ele me puxou pelo braço, fazendo-me bater nele novamente, devido ao queimado que sua mão causou.
– Você pode nunca mais olhar para mim quando voltarmos para casa, mas eu preciso de você para sair daqui. – Suspirei, bufando.
– E você sabe como sair daqui? – Perguntei.
– Não. – Ele falou e eu revirei os olhos. – Mas não quer dizer que não podemos descobrir juntos. – Balancei a cabeça.
– Só me diz uma coisa? – Perguntei e ele ergueu os olhos negros para mim e escondeu as presas. – Por que você estava bebendo sangue de fadas? – Ele bufou.
...
– Só me diga, ! – Falei.
– É quem eu sou! – Ele falou. – Quando eu cheguei aqui, isso foi me ensinado. Ou eu me alimento, ou eu morro. – Ele falou, dando de ombros.
– E você gosta disso? – Perguntei, cruzando os braços, e ele suspirou.
– Te ver assim me faz pensar que tinha uma alternativa melhor. – Suspirei.
– Sempre tem, . – Ergui minha mão para tocá-lo, mas abaixei quando senti o gelado de sua pele próximo a ela. – Eu tenho que ir.
, por favor! – Ele segurou minha mão, mas soltou-a logo em seguida. – Não desiste de mim. – Engoli em seco.
– Eu não faço isso, você sabe. – Falei, suspirando em seguida. – Mas eu também preciso parar de ser trouxa.
– Você não é! – Ele falou e eu balancei a cabeça.
– Se você não se importa, eu vou embora agora. Essa escuridão está sugando minha energia.
– Se você descobrir alguma forma de sair daqui, avise-me. – Ele falou e eu assenti com a cabeça.
– Você também. – Falei, retirando-me pela porta.
! – Ele me chamou e eu virei a cabeça. – Sinto muito pelo bebê. Eu gostaria de ter sido pai.
– Tudo bem, , você sabe como a vida pode ser desgraçada às vezes. – Dei de ombros, saindo pela porta à procura da saída.

Coloquei-me pequena novamente e saí de lá o mais rápido possível. Vários lugares no meu corpo estavam doendo, as partes em que havia tocado. Aquilo ardia de uma forma diferente e deixava um tom mais escuro para minha pele, como se eu fosse uma placa de LED e alguns tivessem sido queimados. Então minha pele ficava com tons mais acinzentados.
Acabei reparando algumas semelhanças por aonde eu vim, e minhas asas bateram muito forte para que eu chegasse ao meu destino o mais rápido possível. Eu estava muito cansada, além de voar meio desengonçada ainda. Havia notado que ficar na Aldeia das Lágrimas nos consumia de uma forma diferente. Minha primeira descoberta foi que eu não podia ficar na escuridão, aquilo realmente acabava com a minha energia, supus que aconteceria a mesma coisa com se ele viesse para a luz.
A segunda era que as manchas escuras de onde havia me segurado realmente machucavam. Senti que meu nível de vida havia decaído um pouco, e ele havia me tocado em vários lugares, além de eu parecer um pisca-pisca de Natal com algumas lâmpadas quebradas. A terceira era que eu precisei vir para outro plano para perceber o quão idiota e ingênua eu fui. Eu sabia de tudo que tinha acontecido com ele, de tudo que ele não fazia por mim e das suas besteiras também, mas eu insistia em não enxergar isso. Eu acho que a definição de boa, no mundo das fadas, era de idiota mesmo.
E sabe o pior de tudo? Eu continuava apaixonada por ele. Como se nada tivesse acontecido. E sabia que eu precisaria passar mais um tempo junto dele se quisesse sair dali. Mas eu estava disposta a mudar minha vida quando voltasse para casa. Ele não faria mais parte da minha vida, nem que eu sofresse muito por isso. Apesar de que Daphne disse que tudo mudava no plano terrestre quando voltávamos, quem sabe ele não faria mais parte da minha vida?
Passei pelo portal do Paraíso das Fadas e foi como se aquela luz e felicidade me enchessem novamente. Quase como uma bateria que fosse carregada. Olhei os acinzentados em meus braços e vi que eles não haviam sumido.
Caí perto de um campo de tulipas e respirei fundo, puxando o ar fortemente, deitando-me sob a grama macia e forçando para que o máximo de ar entrasse em meus pulmões ou o que for que me forçava a respirar.
– Ajudem aqui! – Ouvi uma voz e vi algumas pessoas pararem o que estavam fazendo para me ajudar e senti meu corpo ser levantado.
– É a . Levem-na para sua cabana! – Daphne falou e eu senti o meu corpo em movimento, provavelmente em voo, e ele foi depositado em uma manta macia novamente. Fechei os olhos por algum tempo, tentando relaxar um pouco. – O que aconteceu contigo? Estávamos preocupados.
– Cadê Armand? – Perguntei, respirando fundo. – Ele está bem?
– Ele está bem, sim, só um pouco assustado. – Vi Daphne aparecer no meu campo de visão e suspirei, com a respiração ainda apressada.
– Eu preciso vê-lo.
– Ele não...
! – Ouvi sua voz fina aparecer e ele se debruçou sobre mim, abraçando-me fortemente. – Meu Deus, você está bem! Você está viva! – Ele falou, animado. – Eu pensei que tivesse te perdido. – Ele falou, começando a chorar, e eu ergui a mão em seu rosto, fazendo um carinho de leve.
– Eu estou bem, querido. Você foi muito corajoso. – Ele sorriu, passando as mãos nos olhos.
– Você o encontrou? – Assenti com a cabeça, respirando fundo.
– Encontrei, sim. Ele está do outro lado, querido. – Suspirei. – Não vai ser tão fácil sair daqui.
– Alguém pode me explicar o que está acontecendo? – Daphne nos distraiu e eu me levantei, dando espaço para Armand sentar ao meu lado.
– Lembra o que você disse sobre nossa alma gêmea vir conosco para cá? – Ela assentiu com a cabeça. – Eu não encontrei a minha.
– Mas isso é impossível. Então você não amava alguém lá embaixo?
– Eu não o encontrei aqui, mas encontrei na Aldeia das Lágrimas. – Falei, seguindo de um suspiro longo, e ela assentiu com a cabeça, calando-se.
– Ele é um vampiro...
– Sim! – Assenti com a cabeça. – É por isso que eu estou toda manchada. – Balancei a cabeça, cruzando os braços. – Eu o encontrei.
– Ah, querida, sinto muito. – Ela balançou a cabeça. – Acabou de ficar mais difícil para você voltar. Quando se tem uma alma gêmea, vocês precisam voltar juntos para completar seu destino lá embaixo. Mas sendo um vampiro... Isso acabou de ficar 100% mais difícil.
– Mas ele também me pareceu compreensivo sobre isso. Ele também quer sair daqui.
– Vampiros são maldosos, egocêntricos, querem passar por cima de tudo e de todos. Se ele falou que vai te ajudar, provavelmente vai pensar nele antes. – Suspirei.
– Mas existe um jeito de sair daqui? – Ela assentiu com a cabeça.
– Tem, sim! – Ela falou.
– Como? – Ela deu de ombros.
– Nós nunca sabemos quando uma pessoa volta. Ela simplesmente some, não sabemos para onde ela foi.
– Não tem um registro ou algo assim? – Perguntei.
– Só com as crianças, querida. – Ela deu de ombros. – Os adultos vêm e vão, e não temos controle disso. – Assenti com a cabeça, suspirando. – Eu poderia te pedir para prometer que não vai voltar lá, mas eu sei que não vai, então tente não se machucar, ok?! Você pode voltar, mas você também pode morrer aqui. – Ela suspirou.
– Eu vou me cuidar. – Assenti com a cabeça e ela se retirou da cabana, deixando Armand comigo.
– Você vai voltar, não vai? – Ele perguntou.
– Eu tenho que voltar, Armand! Agora é questão de honra para mostrar para que eu consigo viver sem ele. – Suspirei, virando para ele.
– Não sei se isso é ser uma pessoa boa, . – Ri, balançando a cabeça.
– Eu vim para cá pelos meus feitos, porque se fosse agora, eu estou muito brava e com certeza desejando algo muito ruim para ele.
– Mas você precisa dele para voltar. – Ele falou e eu assenti com a cabeça.
– Sim, e eu vou usar ele, da mesma forma que ele vai me usar. – Ele arregalou os olhos e deu de ombros.
– Só espero que você consiga. Daphne não conseguiu, e ela está aqui pelo resto da vida.
– O que aconteceu com a alma gêmea dela?
– Ele era vampiro também. Eles tentaram uma forma de escapar, mas eles demoraram, e quando ela foi atrás dele, ele já tinha sido corrompido pelo mundo dele. – Ele deu de ombros. – Foi morto algum tempo depois por um dos vampiros.
– Vampiros matam sua própria espécie? – Perguntei, assustada.
– Eles matam qualquer um que estiverem pelo caminho. – Suspirei.
– Bem, acho que terei que tentar, certo? – Levantei-me, ajeitando minha roupa. – Se tem uma coisa que eu sou, é otimista.
– Não inventa, .
– Falou a criança que me levou lá. – Coloquei as mãos na cintura e ele revirou os olhos.
– Depois que você passar direto para o plano de cima ou um dos dois morrerem, quero só ver. – Ele balançou a cabeça, saindo da cabana, e eu suspirei, sabendo que estava entrando em uma batalha impossível de ser vencida.

Acordei assustada no dia seguinte, com raios e trovões estourando do lado de fora. Abri a porta da minha cabana, surpresa, e vi tudo meio acinzentado lá embaixo, como se o sol e o arco-íris estivessem escondidos sobre pesadas nuvens de chuva.
Eu acharia isso normal, até ouvir alguns gritos estranhos, e segui na direção do mesmo para descobrir o que estava acontecendo lá embaixo. Passei pelo meio da multidão e empurrei algumas pessoas para poder chegar perto do que estava acontecendo.
Assustei-me ao ver , como eu vi mais cedo, só que vestido com um terno. Se não fosse pelos olhos negros e os caninos saltando da boca, pareceria o que eu conhecia no plano terrestre. Ele estava dentro de uma cela de bambu, enquanto outras fadas mantinham um pó arroxeado a sua volta, fazendo-o abanar as mãos o tempo todo.
! – Ele falou, agarrando-se nas grades, e todos que estavam próximos se afastaram, assustados.
– O que você está fazendo aqui? – Aproximei-me das grades, segurando-as.
– Eu não podia deixar você me esquecer. – Ele falou em um tom de voz que eu pude notar seu sofrimento.
– Eu não vou te esquecer, ! – Coloquei a mão dentro da cela, tocando seu rosto de leve, mas tirando-a em seguida pela queimação. – É impossível me esquecer de alguém como você. Mas talvez nós só não sejamos feitos um para o outro. – Suspirei.
– Não! Somos, sim! Eu não sou nada sem você. – Ele tentou me tocar, mas puxou a mão para si. – Por favor, dê-me outra chance... – Parei por um segundo, dando a volta no próprio corpo, vendo alguns curiosos ali.
– Hum, vocês podem me dar uma licencinha? – Perguntei.
– Vamos dar privacidade a eles. – Ouvi Daphne sussurrando para um dos homens, e a poeira roxa se dissipou, e o pessoal em volta saiu aos poucos.
– O que é isso? – Perguntei, sentindo o pó roxo grudar em minha pele.
– Verbena. – Ele falou. – Isso nos...
– Eu assisti The Vampire Diaries, . – Falei e ele riu, olhando para mim.
– Podemos tentar de novo? – Ele perguntou e eu balancei a cabeça.
– Nesse mundo não podemos tentar nada, . – Balancei a cabeça. – Precisamos arranjar um jeito de sair daqui. – Ele suspirou.
– Eu ainda não encontrei nada. – Ele falou. – E você?
– O pessoal me colocou em isolamento depois que cheguei toda empipocada. – Falei, dando de ombros. – Vou ver se descubro algo hoje. – Ele assentiu com a cabeça.
– Como você está? – Ele perguntou.
– Mais ou menos... – Balancei a cabeça. – Eu só quero fugir daqui, daqui a pouco eu perco o controle. – Suspirei.
– Nós vamos. E eu vou ser melhor para você. – Ri fraco.
– É impressão minha ou você está ficando menos acinzentado? – Brinquei.
– Fazemos loucuras por amor. – Balancei a cabeça.
– Para de graça! – Falei. – A gente vai sair daqui. – Falei, afastando-me da cerca e seguindo para uma fada que estava ali perto.
– Pode liberar ele! – Falei. – Ele vai voltar para o lugar de onde veio. – Falei, olhando para , e ele assentiu com a cabeça. – Avise-me se descobrir alguma coisa. – Falei, vendo a cela ser aberta.
– Você também! – Ele falou e saiu, sendo escoltado por dois homens, e eu suspirei, balançando a cabeça.
Vi-o sair pelos portais do Paraíso das Fadas, e, de repente, o sol se abriu novamente, cegando-me.
– É ele? – Assustei-me com Armand ao meu lado.
– É, sim! – Suspirei.
– Ele descobriu como sair daqui? – Ele perguntou.
– Não. – Falei, desencostando-me da cela. – Vamos! Temos que ir para escola. – Falei, puxando-o pela mão.

– Daphne? – Aproximei-me da fada, que conferia alguma coisa em uma prancheta, e ela se virou para mim.
– Sim? – Ela falou.
– Eu notei falta de duas pessoas na reunião hoje. A Emily e o Alberto. – Falei e ela olhou rapidamente em minha direção, assustando-me. – Aconteceu alguma coisa? – Perguntei.
– Eles morreram. – Ela falou e eu franzi a testa.
– Como assim? – Perguntei.
– Eles simplesmente sumiram, querida. – Ela balançou a cabeça. – Esse é o termo que usamos para quem morre ou volta.
– E o que aconteceu com eles? – Perguntei.
– Nós não sabemos. – Ela falou. – Nós nunca sabemos. Eles simplesmente somem de nossos registros e não podemos confirmar o que aconteceu com eles. Se eles foram para o plano de cima ou para o de baixo.
– Tem que ter algum jeito de saber isso, Daphne. – Segurei-a pelos ombros. – Eu não posso ficar aqui. – Suspirei. – Ficar aqui só me fez perceber como eu não me encaixo aqui. – Balancei a cabeça. – Eu amo crianças, mas eu não quero vê-las desaparecendo de repente. Eu preciso de contato, vê-las crescendo, ter as minhas próprias. – Suspirei. – Precisa ter um jeito.
– Eu não sei, querida. Eu realmente não posso falar para você, porque eu não sei. – Ela suspirou. – Armand já deve ter contado minha história, certo? – Assenti com a cabeça.
– Rapidamente. – Suspirei.
– Eu achei que morrer fosse uma forma de levar a mim e minha alma gêmea de volta. Mas ele morreu antes, e eu fiquei. – Ela deu de ombros. – Não sei se ele voltou sozinho ou se ele realmente morreu. Ele só ficou lá, estatelado no chão.
– Estatelado? – Perguntei.
– É, quando uma pessoa fica deitada no chão, como morto mesmo. – As luzes se acenderam em mim.
– Oh, meu Deus, Daphne. Ele morreu mesmo!
– Eu sei! – Ela falou, franzindo a testa.
– Não, Daphne. Não isso. Quer dizer que, quando uma pessoa morre nesse plano, ela simplesmente morre de verdade, entendeu? Como uma pessoa mesmo. – Falei, sacudindo-a. – Agora quando ela desaparece...
– Quer dizer que ela retorna para o plano terrestre?
– É! – Falei animada. – Bem, eu acho. – Suspirei.
– Mas, e como faz para descer para o outro plano? – Suspirei, ficando quieta.
– Essa é a parte complicada. – Suspirei, colocando as mãos na cintura.
– E se as almas gêmeas precisarem morrer juntas? Na mesma hora? – Coloquei a mão no queixo, pensativa.
– Emily e Alberto conseguiram. – Falei, virando para ela. – Eles sumiram, certo?
– Sim, certo! – Ela franziu a testa.
– Oh, meu Deus, Daphne! Eu preciso tentar. – Falei, animada, e ela me segurou pelos ombros.
– Não faça isso, . Escute-me! – Ela suspirou. – Além de ser um vampiro, as chances de isso acontecer são minúsculas. Ninguém morre exatamente ao mesmo tempo. – Dei um pequeno sorriso, com uma ideia em mente. – São milésimos de segundos a ser considerados.
– Eu acho que eu tenho uma ideia. – Sorri.
– Qual? – Ela perguntou.
– Bem, isso seria uma suposição no caso meu e de , que somos os opostos... – Dei de ombros. – Mas eu sugo a energia dele, e ele a minha quando estamos próximos. É proporcional. – Dei de ombros. – Talvez...
– E como você vai fazer para que isso aconteça? – Ela cruzou os braços e eu fiz uma careta.
– Isso é o que eu vou ter que descobrir. – Falei, rindo. – Cadê Armand? Preciso contar para ele.
– Eu não o vejo desde ontem na cela. – Cocei a cabeça.
– Ele também não apareceu na aula hoje. – Virei para ela. – Tem como você saber a porcentagem dele? – Perguntei.
– Sim, claro! Tenho acesso à porcentagem de todas as crianças. – Ela mexeu na sua prancheta, que mais parecia um tablete, e soltou um suspiro surpreso. – Ele sumiu. – Ela se virou para mim e eu abri um largo sorriso.
– Será que...?
– “Será” nada... Ele desceu para a Terra. – Ela falou e eu abri um largo sorriso, sentindo meus pelos arrepiarem. – Ele vai nascer em uma família. – Gargalhei alegre e abracei Daphne apertado, balançando a cabeça.
– Oh, meu Deus, ele vai ser tão feliz. – Falei, suspirando, e ela riu em meu ouvido. – Ele merece tanto.
– Ele merece! Ele vai ser realmente um anjinho quando chegar lá. – Suspirei, rindo.
– Ah, vou sentir falta dele. – Suspirei. – Queria ter me despedido. – Fiz uma cara triste e ela fez um carinho em meu rosto.
– Quem sabe você não o encontra quando voltar? – Ela falou e eu assenti com a cabeça.
– Isso se eu conseguir voltar. – Dei de ombros.
– Você vai dar um jeito. – Assenti com a cabeça, sorrindo.

Eu simplesmente pulei a fogueira no fim do dia. Terminei meu banho, comi algumas sobras do café da manhã e me arrumei dignamente com minha troca de folha mais bonita. Vai saber como eu chegaria na Terra?
Eu sentia que eu realmente voltaria, mas eu só esquecia que não estava sozinha nessa. Voei em direção à Aldeia das Lágrimas. Eu não sabia muito bem o caminho, só tinha ido uma vez, mas eu simplesmente segui em direção à parte mais escura da floresta, a ponto dos pelos da minha nuca se arrepiarem e minhas asinhas congelarem.
Coloquei-me pequenininha novamente e notei que estava chegando perto quando ouvi o uivado dos lobos. Aproximei-me devagar, engolindo em seco e observei o castelo gigantesco de onde eu havia visto.
Fui pega desprevenida e eu fui jogada para um lado como se eu fosse uma bola de neve. Os lobos começaram a se aproximar como se fossem ursos gigantes, pelo tamanho, e eu desfaleci, igual a última vez.
Acordei devagar, sentindo-me frustrada, e me ergui sobre a superfície macia, passando a mão em minha roupa e tirando os pedaços de gelo colados em meus cabelos, que começavam a derreter pela quentura lá de dentro.
– Você não pode simplesmente me convidar para entrar? Abrir a porta para mim e me convidar para tomar um chá? – Bufei, pisando firme na superfície, e ergui o rosto.
Engoli em seco ao notar que tinha cerca de seis vampiros à minha volta e que nenhum era . Observei também que eu estava em cima de um pires na sala onde eu havia o encontrado da última vez. Mas a diferença agora é que não tinha nenhuma fada jogada no chão.
– Quem trouxe esse lanche aqui? – Um deles falou e eu tentei me manter calma, pensando qual qualidade me faria fugir deles.
Só me lembrei de voar, mas eu era péssima nisso.
– Acho que não tem dono, Percy. – Ri sozinha.
– Você é um vampiro e chama Percy? – Perguntei para o primeiro e ri sozinha, realmente alheia ao perigo que eu estava correndo, mas eu precisava enrolar. – É de Percival?
– É, sim! – Ele falou, encarando-me com o olhar confuso, e eu coloquei a mão no queixo.
– Acho que combina mais. – Assenti com a cabeça, suspirando. – Talvez você deva adotar. – Coloquei as mãos na cintura.
– O que está acontecendo aqui? – Relaxei o corpo quando apareceu por uma das portas e foi visível meu alívio.
– Oi! – Falei, acenando para ele, e ele arregalou os olhos e virou o rosto para todos os vampiros presentes na sala.
– O que você está fazendo aqui? – Ele falou, bravo e confuso ao mesmo tempo.
– Será que podemos conversar? – Perguntei.
Muito ingênua, eu sei.
– Conversar? O que você quer com ela? – Percival perguntou a , que realmente não tinha como sair dessa.
– Ela é meu lanche. Eu a trouxe aqui, agora caiam fora. – Ele falou, fingindo-se de bravo, e eu suspirei, sabendo que ele poderia ter feito melhor.
– Nós a achamos antes. Ela é nossa. – Ele falou e eu me sentei na ponta do pires, esperando eles se decidirem.
– Mas pequena desse jeito não vai servir nem de palito de dente. – Um bobalhão falou e eu franzi a testa.
– Com licença? – Coloquei-me em voo e fiquei em frente a ele. – Com quem você pensa que está falando?
, é melhor você se afastar. – falou e eu o ignorei.
– Isso não é jeito de falar com as pessoas, queridinho. – Coloquei as mãos na cintura.
– Você é engraçadinha, fica mais bonitinha quando irritada. – Ele me segurou pelas asas, sacudindo-me, e eu não me segurei.
– Solte-me! – Senti meu corpo expandindo até ficar do tamanho normal e me vi mais alta que o bobalhão.
Assoprei minha mão, fazendo com que um pó roxo saísse da mesma direto para o seu rosto. Ele grunhiu alto, mostrando suas presas, e foi como se aquilo ligasse todos os vampiros da sala.
– Abaixe-se! – me empurrou para o lado e eu caí forte, batendo na parede, fazendo um quadro cair em minha cabeça.
Distraí-me com a dor em minha cabeça por um momento e, quando eu olhei para o meio da sala, assustei-me com o que estava acontecendo, voltando a me encolher. Ali tinha virado uma luta generalizada. Todos os vampiros lutavam contra , tentando chegar a mim. Ele mantinha os pés fincados no chão e mordia, arrancava e quebrava membros, fazendo com que sangues e pedaços eram jogados para os lados.
Mas ele também era mordido e dilacerado aos poucos. Queria voltar ao meu tamanho normal e ajudá-lo, mas eu estava extasiada demais para falar alguma coisa. Eu sabia que não era bom, mas eu nunca o havia visto com tanta raiva. Engoli em seco quando mudei minha visão e percebei que ele estava fazendo tudo aquilo por mim. Ele estava protegendo-me.
Finquei os pés no chão e respirei fundo, sentindo meu corpo crescer novamente e eu observar tudo normal novamente. Observei os dois vampiros que ainda estavam inteiros em cima de e me aproximei de um, esticando minha mão novamente e assoprando verbena em seu rosto, fazendo-o se distrair rapidamente.
Não que eu fosse muito boa em lutas, mas suspeitei que todo vampiro homem havia permanecido com suas partes baixas, então mirei na mesma e chutei, vendo-o se arquear para frente rapidamente. Virei para o lado, vendo girar o pescoço do outro, fazendo-o cair no chão duro e vir atrás do outro. Ele segurou-o pelo pescoço, mordendo-o pelo mesmo e depois puxou sua cabeça para fora, fazendo-me arregalar os olhos.
– Oh, meu Deus! – Falei ao ver os seis corpos caídos ao meu lado e segurei para não vomitar.
Observei rapidamente o sangue escorrendo pelo chão e balancei a cabeça, sentindo meu corpo arrepiar. Ouvi um baque forte no chão e vi caído ao meu lado com diversas partes do corpo abertas e os olhos entreabertos.
– Não, não, não! – Falei, abaixando-me ao seu lado e colocando a mão na sua testa, ignorando a queimação. – Não faz isso comigo agora. – Senti as lágrimas começarem a cegar-me e respirei fundo.
– Sinto muito, . Eu tentei. – Ele falou com a voz fraca e eu passei a mão em sua testa.
– Não, não. – Falei chorosa. – Você não pode me deixar agora. Não agora.
– Eu queria que a gente pudesse voltar e tentar novamente. – Suspirei, balançando a cabeça.
– Não, você precisa aguentar mais um pouquinho, só mais. – Espalmei minhas duas mãos em seu peito, fazendo uma careta com a queimação que começou a subir na ponta dos e ele tinha a mesma feição no olhar.
– Não. Escute-me! – Ele falou, segurando meu pulso. – Desculpe-me por tudo. Sei que é tonto falar isso agora, mas você foi a melhor coisa que me aconteceu.
– Fica quieto, ! – Falei, vendo meus dois braços acinzentados. – Isso tem que dar certo.
– Do que você está falando? – Ele perguntou.
– Cala a boca e me beija! – Debrucei meu corpo sobre o dele, colando nossos lábios.
Ele não tinha forças para continuar, e eu senti meu corpo fraquejando mais a cada segundo. A queimação foi diferente aquela vez. Ela não começou de nossos lábios, como acontecia quando a parte do corpo estava tocando. Ela começou por toda parte do corpo, mas não era uma queimação como se eu estivesse em chamas, como da última vez. Era um formigamento.
Abri os olhos devagar, observando o local ficar cada vez mais opaco, como se o branco e o preto estivessem se juntando em um tom prazeroso para ambos. Observei em minha frente e ele tinha os olhos fechados, mas ele não estava cem por cento visível também. Ele estava começando a desaparecer.
Ergui minha mão para seu rosto, vendo que minha mão estava similar a ele, e pressionei nossos lábios mais forte até que senti uma pressão forte no meu corpo, que fez com que eu me jogasse para o lado. Apertei a mão no peito fortemente, sentindo a queimação de fogo novamente em meu corpo, e me contorci no chão, sabendo que tudo tinha dado errado.
Tentei tocar minha mão na de mais uma vez, mas eu não conseguia alcançá-lo, era como se nós dois fôssemos fantasmas agora. Senti meu coração bater uma única vez forte e alto, e tudo ficou quieto.


Epílogo


Abri os olhos em um pulo e passei a mão em meu peito, sentindo que ele não doía, e ergui meus braços, notando que eles estavam no meu tom de pele novamente, e não no acinzentado que eu estava acostumada.
Sentei rapidamente e notei que estava em uma cama de casal centralizada em um quarto branco. Observei meu corpo coberto com uma camisola branca, e não as flores e folhas que eu já tinha me acostumado, e levantei da cama em um pulo. Corri para a porta mais próxima, vendo o espelho no banheiro, e abri um sorriso largo ao notar que meus olhos estavam castanhos novamente e meus cabelos também.
Respirei, aliviada, passando a mão em meus cabelos, e virei de costas à procura de asas presas a mim e tentei me encolher como a pequena polegar, e não deu certo. Senti lágrimas chegarem ao meu rosto de felicidade e saí do banheiro novamente.
Olhei para o quarto que eu estava, ele era inteiro branco, com poucos detalhes coloridos. Talvez o plano de cima seja uma versão de um hospício. Porque era isso que eu precisava. Observei uma janela fechada e me aproximei da mesma, segurando as duas pontas da cortina e abrindo-a em um rápido gesto, assustando-me em seguida.
Do outro lado da janela de vidro, Paris estava branca, coberta de neve em cada centímetro da minha visão. E, ao fundo, a Torre Eiffel crescia e deixava a paisagem ainda mais bonita. Soltei um suspiro, vendo que eu estava realmente de volta.
Observei um quadro na parede que me fez tombar a cabeça para o lado. Um casal de mãos dadas, com grossas alianças nos dedos. Ergui minha mão e vi que era a mesma aliança da foto, fazendo-me franzir a testa. Notei outras duas fotos similares e me vi bonita em um vestido de noiva de mangas cumpridas, depois eu com o noivo.
O noivo sorria de volta para mim e eu suspirei, notando que era , abraçando-me, com um terno habitual preto e os cabelos penteados para trás. Sentei-me na beirada da cama, suspirando com aquelas três fotos, feliz por saber que as coisas realmente tinham mudado, como a fada Daphne havia me dito.
Ouvi uma risada alta e fina e franzi a testa. Levantei-me novamente, colocando meus pés descalços para andar no chão de madeira, e abri a porta do mesmo, ouvindo a risada cada vez mais alta. Virei o rosto para outro quarto do corredor, vendo um quarto com decoração azul, e, ao fundo do mesmo, um homem erguia um bebê no alto.
? – Falei baixo, com receio, e o homem se virou em minha direção com um largo sorriso no rosto.
– Olha! A mamãe acordou! – Vi e o bebê sorrirem para mim e senti um enorme alívio passar pelo meu corpo.
Observei alguns porta-retratos no quarto do bebê e sorri ao ver a foto do bebê recém-nascido em uma roupa que imitava os trajes que eu usava no mundo das fadas, tecidos coloridos e rodeado de flores e folhas.
Notei outras fotos minhas grávida, vestida de fada, com coroa de flores na cabeça e vestidos coloridos e esvoaçantes. Outra minha na sala de parto, outra de com o bebê no colo. Todas lembranças que eu não tinha, mas que eu fiquei feliz em ver meu rosto ali.
– Está tudo bem? – Virei o rosto para novamente, vendo-o se aproximar de mim com o bebê.
– Eu tive um sonho tão estranho. – Falei, rindo, vendo o bebê esticar as mãos para mim e eu o segurei em meu colo, aninhando-o na dobra do meu pescoço.
– Com vampiros e fadas? – Ele perguntou e eu ri fraco.
– Você também? – Perguntei e ele confirmou com a cabeça.
– Foi muito estranho. – Ele balançou a cabeça e eu ri.
– Não sabia que era possível casais terem o mesmo sonho.
– Não é possível. – Ele falou, rindo.
– E você está falando o quê? Que aquilo foi real? – Virei o rosto para o outro lado do quarto, onde um nome estava escrito na parede, com letras de madeira, fazendo-me sorrir.
– Não sei! Mas eu não bebo faz tempo. Então, juro que não estou brincando contigo.
– Armand? – Perguntei com um sorriso no rosto.
– A gente não tinha combinado de chamá-lo de Mand? – Ele se virou para mim.
– Não é isso! – Suspirei. – Eu conheci um Armand no meu sonho. – Ele franziu a testa, encarando-me.
– Foi um sonho, não foi? – Ele falou.
– Só pode ter sido. – Falei, rindo, e ele franziu a testa. – É besteira, amor. O que importa é que estamos juntos. – Ele assentiu com a cabeça, dando um beijo em minha testa.
– Mas, amor, se tudo não passou de um sonho... – Ele se virou para mim. – O que é isso no seu pescoço? – Entreguei Armand delicadamente de volta a ele e me olhei num espelho colado na parede, vendo uma mancha escura no meu pescoço, como se fosse queimado.
– Não é possível... – Falei, rindo, passando a mão na mancha, vendo que ela não estava alta, era só uma mancha, como as acinzentadas do meu sonho.
– Tem certeza que foi um sonho? – perguntou e eu comecei a gargalhar sozinha, sentindo-o me segurar pela cintura e estalar um beijo em minha bochecha.
– Sonho é estar feliz contigo depois de tudo que passamos. – Ele falou, e eu sorri, apoiando meu rosto em seu ombro.
– Você se lembra? – Perguntei, virando para ele, que assentiu com a cabeça.
– Toda briga boba, toda discussão que não levou a lugar nenhum, as brigas com a minha família, tudo. – Assenti com a cabeça. – Colocar-me naquela reabilitação foi a melhor coisa que você e meu pai fizeram. – Franzi a testa.
, eu não me lembro de nada disso. – Falei, colocando a mão em seu rosto. – Eu me lembro de Paraíso das Fadas e Aldeias das Lágrimas.
– Isso é sua cabecinha fantasiando, mas a reabilitação se chamava Aldeia do Paraíso. – Suspirei.
– Agora, nós, é um sonho?
– Claro que não! – Ele falou. – Você está bem, querida? – Suspirei, balançando a cabeça.
– Estou! – Sorri. – Feliz que deu tudo certo no final. – Ele assentiu com a cabeça, e eu colei meus lábios nos dele por alguns segundos, vendo-o sorrir. – Vem aqui, Mand! – Tirei meu filho dos braços de , sorrindo para ele, que retribuiu sem nenhum dentinho na boca. – Vamos brincar um pouco? – Falei, rindo, e ele gargalhou. – Vou te colocar em muitas encrencas, menino! – Falei, rindo, apertando-o em meus braços novamente e tentando conter a ansiedade e esperando reencontrá-lo aos dez anos novamente.


Fim.



Nota da autora: Estou realmente me livrando de ideias antigas nesse ficstape! Essa fanfic é uma pouquinho de uma ideia que eu tive quando McFLY ainda era banda e lançou aquele filme de Nowhere Left to Run com o Harry sendo vampiro. Demorou uns bons anos, mas finalmente saiu do papel. Claro que bem menor do que eu esperava, pois eu perdi muito da ideia lá atrás. Mas fico feliz em poder ter escrito e espero que vocês tenham gostado! Não se esqueçam de deixar seu comentáriozinho aqui embaixo e caso tenha gostado e queira mais histórias minhas, acompanhe pelo grupo do Facebook.
Beijos, beijos!





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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