nothing safe is worth the drive





15 de março de 2016

Fechei os olhos tentando organizar todos os pensamentos em minha cabeça. Os prós. Os contras.
Não me importava que nossos rostos estivessem tão próximos e nem que seus olhos me pedissem por uma resposta. Eu não conseguiria tomar a decisão certa se não fechasse os meus e ignorasse o turbilhão de sentimentos que se apossavam de mim enquanto nossas respirações eram uma só.
Eu sabia que ele me amava. Eu tinha certeza disso.
E o meu coração batendo tão forte contra o meu peito parecia querer gritar que eu sentia o mesmo.

31 de dezembro de 2015

Uma noite de ano novo parecia uma ótima data para conhecer alguém.
Eu já havia tomado algumas taças de champanhe quando vi a irmã de Louis abrir caminho entre as dezenas de pessoas vestidas de branco na pista de dança e correr até mim. Mesmo com a música alta, eu consigo ouvi-la gritar, a voz transbordando animação.
- Ele está aqui!
- Quem?
- Harry!
Ela morde os lábios e me encara em expectativa.
- Oh.
É só o que eu consigo dizer. Eu andava escutando bastante o nome de Harry ultimamente. E nem estou falando sobre talk shows ou rádios. Lottie falava nele o tempo todo desde meu término com Andrew.

- Você sabe o porquê de você e Andrew não terem dado certo, não é?
- Sei. Ele teve que se mudar para a Irlanda, e eu não quero um relacionamento à distância.
Lottie deu uma mordida em seu x-burguer antes de me responder, com a boca cheia.
-
Não. Vocês dois eram iguais. Foi por isso que não funcionou. Duas pessoas que não se importam em terminar um namoro por causa da distância?
Ela toma um gole da lata de refrigerante, e ergue a mão antes que eu rebata sua afirmação.
- Olhe pra você! Qual garota termina um relacionamento de dois anos e não fica em casa chorando por pelo menos uma semana?
- Você quer que eu me tranque em casa e sofra?
- Sim! - ela responde, enérgica - , você não amava o Andrew. Se você amasse, jamais se importaria com a distância.
- Eu não sou esse tipo de garota, Lottie. O amor sempre foi uma escolha para mim.
- Você tem certeza que é uma garota? Não tem testículos e coisas assim? - Ela pergunta, e antes mesmo de eu responder (sim, Lottie adorava monólogos), ela continua - É claro que você é. Nem um garoto conseguiria ser tão frio assim! Exceto o Andrew, é claro.
- E o Chace. - dou de ombros, mencionando meu ex-namorado antes de Andrew.
- O Chace não amava você, tampouco. Namorar você ou um espelho daria no mesmo. Porém ele era mais bonitinho.
Observo ela gargalhar com a própria piada.
- Obrigada, Lottie. Fico feliz em saber que nenhum dos meus namorados me amou.
- Só estou dizendo que você deveria tentar algo novo. - ela suspira.
- Eu irei. - concordo com a cabeça, complacente - Estou solteira agora.
- Não estou falando apenas de uma pessoa nova. Estou falando para tentar alguém diferente dos seus ex-namorados. E por ex-namorados, quero dizer diferente de você também.
Encolho os ombros, sem responder. Não era como se eu escolhesse meus namorados por eles serem iguais a mim. Eu os conhecia e de um jeito ou de outro, acabávamos namorando. E terminando. E eu não conseguia entender por que Lottie sentia tanta necessidade em me ver sofrer.
- Eu tenho alguém para te apresentar.
- Quem?
-
Harry Styles.
Eu a encaro por um segundo, esperando que ela ria novamente da ótima piadista que ela estava se mostrando para aquela noite. Mas quando os olhos dela piscam e os lábios se curvam levemente em um sorriso, é minha vez de gargalhar.
-
O quê?! O colega de banda do seu irmão? - eu ainda ria - Você enlouqueceu?
Ela encolhe os ombros e se junta a mim em uma risada sem graça, mas quando volta a falar, percebo que ela não está brincando.
- Pare de rir! Ele é lindo! Ele é doce. Um pouco inconsequente. E também é bem intenso.
- E ele faz turnês pelo mundo todo. Eu sei que ele é um popstar, mas eu acabei de terminar meu namoro com Andrew justamente por não querer estar ligada a uma pessoa que vejo uma vez por mês.
- Esse é o tipo de coisa que ele jamais diria! - ela grita, animada, como se estivesse constatando que tinha razão - Vocês são yin e yang!
- Esqueça essa história, Lottie.
Ela volta a rir.
- Apenas conheça-o, ok? Ou vocês se amam, ou vocês se odeiam. E eu quero pagar pra ver.
- Quanto? - provoco, e nós duas rimos.


E desde então ela adorava usar o nome dele para me contrariar. "Harry jamais diria isso". "Sabe quem jamais faria isso? Harry". "Você e Harry teriam uma bela briga sobre isso".
Bem, Harry já havia começado a me dar nos nervos.
Mas aquela era uma noite de ano novo e noites de ano novo regadas à champanhe me dão a sensação do que nenhuma escolha poderia ser uma má escolha.
- Por favor, apenas conheça-o! - ela implora.
- Ok, ok! - eu concordo, pegando outra taça de champanhe e a seguindo enquanto ela me puxa pela mão entre a multidão.
É uma imagem bonita para se lembrar. Talvez por isso eu a tenha guardada em minha mente com tantos detalhes. Ele e Louis estavam em uma roda de garotos vestidos com calças e camisas brancas, Harry usava um terno azul marinho escuro por cima da camisa - chamando atenção entre os outros, as mãos no bolso traseiro da calça enquanto prestava atenção em um terceiro cara. Ele começara a rir antes que eu ficasse próxima demais e Lottie tocasse o ombro de Louis, chamando sua atenção.
- Hey! Onde você estava? - Louis exclama ao virar para Lottie e abrir um espaço na roda para nós duas - ! Uau! Faz tempo que não nos vemos!
Eu costumava adorar Louis, ele sempre fora um irmão mais velho não só para Lottie, mas para mim também, e vê-lo ali me fez ter certeza de que nada havia mudado.
- Como foi a turnê?
- Ah. Foi ótima! Mas é bom estar aqui. - ele sorri - Você já conhece os garotos?
E foi só então que Harry e os outros dois pareceram nos notar.
- Meninos, essas são Lottie e . E eu sei que vocês sabem disso, mas esse é o Harry... - ele sorri como se fosse óbvio - E os outros dois são Parker e Noah.
Trocamos os cumprimentos e um breve silêncio se instalou, seguido por uma risada sem graça dos lábios de um dos garotos.
- Harry! - Lottie exclama de repente, atravessando a roda para tocar o braço do garoto - Sabe o que eu estava pensando? Você ouviu o novo álbum do Ben Howard?
Ele trocou a taça para a outra mão, erguendo as sobrancelhas com um sorriso.
- Ah! Sim! Não sabia que você gostava, Lottie.
Louis franziu o cenho ao meu lado, um olhar desconfiado no rosto. Inclinou-se um pouco para sussurrar:
- E ela não gosta. Ela não está tentando dar em cima dele, está?
- Não acho que esteja. - Comento com um sorrisinho, ainda observando minha amiga em sua missão de cupido.
- Sabe quem me apresentou para a genialidade musical do Ben?! - A voz de Lottie aumentou duas oitavas, obrigando-me a esconder o sorriso com mais um gole no champanhe - A ! - E me indicou com a mão - Não é, ?!
Lancei um olhar conspirador na direção de Louis quando sua irmã me incentivou a me aproximar. Não disse que ela não estava a fim?
Vejo de relance o sorriso que ele abre quando viro na direção das duas pessoas à minha frente.
- Oi? – Finjo-me de boba, olhando para Lottie com curiosidade.
- Você gosta de Ben Howard? - Harry fala antes que ela possa dizer alguma coisa, uma expressão de educada surpresa em seu rosto.
- Na verdade, não. - Respondo com uma risada, tentando ignorar a cara de horror que Lottie faz.
Ele parece confuso apenas por um momento antes de abrir um sorriso.
- Como você pode não gostar de Ben Howard? Ele é um gênio! - Fala como se fosse uma atrocidade, os olhos levemente arregalados.
- Há pontos discutíveis no quesito "genialidade". - Uso meu tom mais solene, tentando manter a expressão séria para os olhos atentos da amiga que nos observa.
- Não tem como discutir genialidade. Ou a pessoa é, ou não é.
- Então vamos ter que concordar que ele não é tão genial assim. - Faço um gesto firme com a cabeça, arrancando mais um sorriso do garoto à minha frente e uma expressão de repente preocupada da garota ao meu lado.
- Não concordamos, não!
Lottie reveza o olhar entre nós dois, o cenho franzido, parecendo contemplar pela primeira vez a possibilidade de que os opostos não se atraem nem se completam, no fim das contas. Ela solta uma risada exagerada, depositando a mão em meu braço.
- Mas você não pode ser completamente contrária ao fato de que ele é muito bom, não é, ?! - Diz em um tom bem humorado, os olhos fixos em mim como quem dizia que era melhor eu concordar pelo menos com ela.
- Na verdade, eu...
- , , ... - Lottie lamenta, desistindo do seu olhar em tom de aviso - Não esperava que seus gostos musicais se tornassem tão questionáveis.
- Uma divergência é boa, de vez em quando. - Harry comenta em um tom descontraído - Ás vezes, enche o saco quando as pessoas sempre concordam com o que você diz.
Quase escuto o "eu não te disse?!?!?!?!" do olhar que Lottie me lança.
- Ótimo saber que não serei obrigada a mudar meus princípios e elogiar Ben Howard apenas pela etiqueta. - Brinco, exagerando na expressão aliviada e no suspiro que solto.
- Acho que isso já pode ser um pouco demais. - Ele entra na onda, acompanhando a gargalhada que solto. - Ah, deixe-me encher isso pra você.
Harry indica a taça vazia em minha mão e a entrego com um sorriso, acompanhando suas costas conforme ele se afasta no meio das pessoas e seu campo de audição o acompanha.
- Não falei que vocês eram almas gêmeas? - Ela fala, assim que percebe que ele não pode nos ouvir - "Uma divergência é boa, de vez em quando." - Usa um tom pomposo para imitar Styles, parecendo se divertir bastante com o próprio monólogo, pois logo solta mais uma gargalhada - Divergência é o que ele quer? Pois vocês serão a maior divergência descrita na história da humanidade. Vocês farão a Guerra Fria parecer um desacordo na opinião sobre qual o tom certo de azul do céu.
- Lottie... - Tento fazê-la parar, balançando a cabeça com um sorrisinho no rosto.
- Divergência é o que ele gosta? Divergência é o que você precisa para sobreviver e não morrer sozinha com sua longa lista de namoros passivo-agressivos. Já posso sentir a estática da tensão sexual no ar. - Para finalizar, ela passa o dedo indicador na língua e o ergue pouco acima da cabeça, fazendo um barulho de faísca teatral.
- Você está exagerando. - Reviro os olhos para ela.
- Estou? - Lottie diz, em tom de desafio - Vamos ver.
- Tudo bem, Lottie.
- Você me agradecerá, senhorita .
Ainda estava rindo comigo mesma, balançando a cabeça em descrença para Lottie quando Styles retorna com duas taças de champanhe, estendendo uma na minha direção.
- O que foi que eu perdi?
- Nada! - Ela exclama de repente - Você se importa de fazer companhia para minha amiga, Harry? Tem uma coisa que eu preciso fazer.
E se afasta, sem mais, nem menos. Você poderia ser mais óbvia, Lottie?
- Ela é realmente única, aquela garota. - Harry comentou distraidamente, os olhos acompanhando a cabeleira loura que desaparecia pela multidão. Logo se virou para mim, uma mão no bolso e um sorriso emoldurando os lábios - Mas que tipo de música você gosta, mesmo?

Bebi um longo gole do copo de água, tentando ficar um pouco mais sóbria. Minha boca estava completamente seca; discutimos por tanto tempo, que o relógio quase marcava meia-noite em nossos telefones.
Nunca havia passado tanto tempo conversando com alguém tão interessante, ou soltado tantas gargalhadas com assuntos tão triviais. Mesmo que aquilo não fosse dar em nada, Lottie tinha razão: eu seria obrigada a agradecê-la mais tarde. Minha noite, em poucas horas, já tinha valido a pena.
- É melhor arriscarmos perder nosso sofá para ir até a varanda ver os fogos. - Harry sugere quando termino de beber a água, já se erguendo e estendendo a mão para mim - O que é que Charlotte foi fazer, que está demorando tanto?
Aceito sua mão e depois de me erguer, faço uma expressão ofendida.
- Se minha companhia é um fardo para você, posso procurar por ela. - Brinco, colocando ambas as mãos nos quadris.
- Não! - Ele exclama com urgência, os lábios se repartindo em mais um sorriso - De jeito nenhum. Espero que ela fique ocupada por muito tempo, se depender da sua companhia.
Ele estava flertando comigo? Eu era péssima em decifrar esse tipo de coisa. Geralmente levava para outro lado quando alguém dizia algo apenas na gentileza, ou não percebia quando segundas eram as intenções. Onde é que Lottie estava para me ajudar agora? Ela tinha que decidir nos dar privacidade logo quando não precisávamos?
Sinto meu rosto esquentar e desvio os olhos, sem graça.
- Acho melhor irmos até a varanda, ou talvez não sobre lugar. - Indico o parapeito do terraço com a cabeça, e as pessoas que já começam a se amontoar ali perto. Ele oferece o braço para mim, caminhando ao meu lado e se desviando das pessoas que passam por nós.
A noite estava gelada, e eu não esperava por algo diferente estando em Londres. É inevitável me encolher quando o ar gelado toca minha pele, e eu desejo ter lembrado de pegar o meu casaco - não aguentaria dois minutos ali fora. E ainda faltavam cinco para a virada.
- Aqui! - Harry diz, tirando o próprio terno e colocando sobre os meus ombros quando percebe que estou arrepiada.
- Um cavalheiro. - elogio, soltando uma breve risada.
- Hey, vocês dois! - Lottie chega do nada, de mãos dadas com um garoto que eu até então não conhecia - Faltam cinco minutos! Quem vai te beijar? - ela me pergunta, e então eu percebo que não sou a única de nós duas alterada pela bebida. E mesmo que o álcool pulse em minhas veias em igual quantidade que meu sangue, não consigo evitar ruborizar e arregalar levemente os olhos, pedindo para Deus que ela pare de falar naquele exato momento.
- Ah, por favor! É ano novo! - ela volta a exclamar - Harry. Quem você vai beijar?
E Harry, que estava acompanhando a conversa em silêncio, com leves risadas entre uma frase e outra de Lottie, ruboriza também.
- Uhm, eu...
Mas Lottie, obviamente, não o deixa concluir.
- Problema resolvido! - ela volta a me encarar - Vince vai me beijar, e Harry beijará você. - ela confere o relógio em seu próprio pulso e olha para o horizonte, sorrindo em expectativa, enquanto o garoto, que segura em sua cintura, sorri com a alegria de sua acompanhante.
Harry, que estava com sua mão levemente apoiada em minha cintura, dá um passo em minha direção.
- Tudo bem para você? - ele pergunta, e eu lembro de ter sentido meu coração vacilar nesse momento.
Concordo com a cabeça em resposta, posicionando-me diretamente de frente para ele enquanto trocamos sorrisos e ele firma um pouco mais as mãos em meu quadril.
As pessoas ao nosso lado começam a gritar.

CINCO!

QUATRO!

TRÊS!

DOIS!

UM!

E nós escutamos os gritos de alguns e o silêncio de outros, e mais ao fundo, dezenas de fogos de artificio explodem, quase fazendo com que a noite vire dia, tamanha a claridade.
Me sinto como uma criança: quando ele se aproxima, quero aproveitar a música que toca ao fundo e começar a dar risada, mas mantenho a expressão firme, encarando seus lábios - cada vez mais próximos - com um sorriso nos meus. Fecho os olhos quando ele está perto o suficiente para que eu possa ver cada mancha castanha em sua íris, meu estômago revirando em expectativa.
Nossos lábios se tocam levemente, e ele ergue a mão para minha nuca tão lentamente que parece me pedir permissão mais uma vez. Quando deposito os dedos em seu peito, usando a outra mão para puxar o rosto dele para o meu, Harry deixa sua língua abrir caminho pela minha boca, os dedos pressionando minha pele com mais força.
Mal tenho tempo de aproveitar o momento, ou de tocar qualquer outra parte de seu corpo; Lottie solta um grito ao nosso lado que faz com que nos separemos para dar risada. Ele continua olhando para mim por alguns segundos, e ao invés de me sentir decepcionada com o quanto aquele beijo não durou, levo a mão até seu pescoço mais uma vez.
- Para dar boa sorte. - Brinco, e ele se aproxima com um sorriso que logo se desmancha para que continuemos exatamente de onde havíamos parado.
Não sei por quanto tempo nos beijamos. Os gritos eventualmente se dissiparam e pudemos ouvir os pés das pessoas se afastando, mas era difícil prestar atenção em muita coisa com os dedos de Harry no meu quadril, meu pescoço, meus cabelos e meu rosto; estava devidamente concentrada em sentir os músculos de seus braços por baixo de sua camisa branca, ou em passar as mãos vagarosamente por suas costas. Por fim, quando meus lábios começaram a ficar dormentes e minha língua um pouco dolorida, escutamos um pigarro bem discreto ao nosso lado.
Afastei-me, envergonhada, para ver Louis com uma expressão maliciosa e Lottie com um sorriso, parados ali.
- Se vocês quiserem continuar, acho melhor procurarem um lugar mais privado. - Ele começou em tom de aviso, mas eu já me afastara do toque de seu companheiro de banda. - As pessoas estavam encarando demais.
- Que bom que ninguém pôde entrar com o celular. - Harry fala baixinho, alongando o pescoço.
- , na verdade, detesto interromper o prazer de vocês para te dar essa notícia. - Lottie começa, e até forja uma expressão decepcionada, os olhos tristes em mim - Mas não tem como você voltar comigo. Nosso carro está lotado. - Ela coloca a mão na testa teatralmente, fechando os olhos muito azuis - Que situação horrível.
Penso em fazer um comentário engraçadinho, mas me abstenho, contentando-me em balançar a cabeça em negação na direção dela e daquele truque ridículo.
- Tudo bem, Lottie. Ela pode ir comigo. - Harry se vira para mim - Quer dizer, se você não se importar.
- Tudo bem, por mim. - Ergo as mãos em rendição, acompanhando seu sorriso.
- . - Louis diz, em tom de reprovação, balançando a cabeça negativamente - Eu vi você crescer. Não pensei que viveria para ver o dia que você se jogaria nos braços de um popstar.
- Você é um popstar. - Argumentei.
Louis ergue um dedo para me silenciar.
- Isso não vem ao caso. - E aponta o dedo para mim - Você é uma má influência para a minha irmãzinha. - Lamenta mais uma vez, afastando-se lentamente, fazendo com que os três de nós que ficamos para trás comecemos a dar risada.
- Já que você é tamanha má influência para mim… - Lottie começa, andando de costas enquanto fala conosco - Vou aproveitar seu poder de influência e ir ali dar uns amassos. Tenho a desculpa perfeita.
- Que a culpa é minha?
- Completamente sua! - Ela chega a franzir as sobrancelhas, fingindo indignação, então se vira e desaparece mais uma vez.
Quando me volto para Harry, ele olha para mim com uma expressão pensativa. Checa o relógio em seu pulso e me olha de novo, franzindo os lábios.
- O que foi? - Pergunto, já sorrindo.
- O quão disposta você está para fazer uma coisa meio louca? - A feição pensativa se desmancha em um sorriso, e ele estende a mão para mim.
- Quão “meio louca”? - Pergunto em um tom desconfiado, rindo da expressão que ele faz.
- Se sairmos agora - E consulta o relógio de pulso mais uma vez - Podemos chegar em Cleethorpes antes do sol nascer.
- Cleethorpes? - Repito, tentando não soar tão incrédula quanto realmente me sinto - Uma praia?
- Sim, Cleethorpes, uma praia. – Confirma, sem recolher a mão estendida.
Olho para ele, então ao nosso redor, antes de soltar mais uma risada.
- Está congelando. - Pontuo, dando um passo em sua direção.
- Se sairmos agora, - Styles repete, aproximando-se também, e pegando minha mão ao lado do meu corpo - Podemos passar em algum lugar e comprar cobertores. Vários, se você quiser. Mas você tem apenas trinta segundos para decidir, antes que eu retire minha oferta!
- Trinta segundos?! Não soa nem um pouco justo! - Reclamo, inclinada a dizer que sim sem pensar duas vezes, mas uma brisa gelada passa por nós como se fosse um sinal para repensar aquela loucura.
- Dez, nove… - Harry não tira o sorriso do rosto, e me puxa pela mão em direção à escada - Vamos lá, ! Onde está seu senso de aventura?
- Quem vai dirigir?! Você bebeu a noite inteira!
- Se tivesse prestado atenção, veria que não exatamente. E outra, , é ano novo! - Ele solta minha mão para segurar meus ombros, me balançando. Ele se aproxima, segurando meu queixo e roubando um beijo antes que eu possa reagir à sua animação - Vamos comemorar. - Conclui em um tom de voz muito baixo.
- Se alguma fã louca nos atacar na praia… - Começo em tom de aviso, mas ele me beija mais uma vez, calando minha boca.
Solta outra risada e puxa minha mão pelas escadas, correndo até o elevador e desviando das pessoas que passam por nós com olhares curiosos. Não sei exatamente do que estamos rindo, mas continuamos com os lábios esticados até mesmo dentro do elevador. Quando o chofer traz seu carro, Harry segura minha mão mais uma vez, e sem se importar com os fotógrafos, ele corre comigo até a entrada.
- Que matéria ótima daremos pela manhã!
- Não se preocupe com isso. - Diz em um tom descontraído, prendendo o cinto de segurança e esperando que eu faça a mesma coisa. - Primeira parada: Walmart.
- Com um cartão de crédito ilimitado? Parece a coisa mais perigosa do mundo! - Harry não para de sorrir. Olhando para ele, tão animado, faz com que eu me sinta numa aventura adolescente ridícula, e também não consigo tirar o sorriso do rosto.
A sensação de adrenalina no meu estômago vai passando à medida em que nos distanciamos da boate. Harry e eu não trocamos muitas palavras no começo, pois todas as frases são seguidas de risadas e sorrisos cúmplices, mas conseguimos fazer nossa lista de coisas a comprar: um isqueiro - por precaução, duas lanternas, dois edredons, água, marshmallows e espetos. Se meu ano começaria ao lado de Harry Styles com um passeio surpresa a uma praia do litoral da Inglaterra, eu fazia questão que contássemos com todos os clichês possíveis.
Tateio o painel do carro, tentando ligar o rádio, procuro pelas diversas estações salvas. Quando clico na 4, Ben Howard começa a tocar, fazendo eu e Harry darmos risada.
- Se deixar aí, te compro um chocolate. - Tenta me subornar, levando uma mão para limpar o batom da boca enquanto presta atenção na estrada.
- O que te faz pensar que eu gosto de chocolate? - Digo em tom de desafio, e afasto as costas do banco para fazer uma postura rígida.
- É melhor você parar de falar agora mesmo. - Harry diz, o rosto sério - Ou vou ter que te jogar para fora do carro. Eu não posso beijar alguém que não gosta de Ben Howard e não come chocolate.
- Mas você já me beijou. - Deixo a coluna voltar para uma posição mais confortável e sinto um sorriso se abrir em meus lábios. Ergo uma sobrancelha, esperando, e a expressão de Styles se torna solene.
- Bom, eu planejava te beijar mais. Mas se você continuar com esse papo, vou ser obrigado a cancelar esses planos.
Quando ele para no semáforo, mesmo que nosso carro seja o único na longa avenida e não haja sinal de outra alma viva no cruzamento, aproveito o momento para me inclinar e tocar seus lábios com os meus, segurando ele ali mesmo quando a luz verde começa a refletir em nossos rostos. - Então é uma boa coisa o fato de que eu adoro chocolate. - Falo baixinho, a mão ainda segurando seu rosto - Todos os tipos. Absolutamente qualquer um.
- Que bom que The Wolves continua tocando. - Ele concorda, segurando meu pescoço e me puxando, deixando a língua entrar em minha boca sem qualquer cerimônia.
Quando a música termina, algum pop recentemente lançado começa a tocar, mas com seus dedos mexendo nos cabelos em minha nuca e sua outra mão segurando meu braço com firmeza, não consigo forçar meu cérebro a se lembrar quem canta. O sinal fecha mais uma vez, e abre mais uma vez também, até que eu empurre seu peito e olhe em seus olhos.
- Achei que tínhamos pouco tempo.
Ele suspira, me olhando como se eu tivesse corrompido suas boas intenções e atrapalhado todos os seus planos. Volta a dirigir, prestando atenção na estrada enquanto encaro seus lábios inchados.
- Bom, acho melhor não termos mais nenhuma interrupção do tipo. No meio da avenida é dificilmente o lugar apropriado para te beijar como eu quero.
O carro para no estacionamento do supermercado, mas Harry não faz qualquer movimento para descer. Vira o rosto para mim, no entanto, e sorri.
- E como você quer me beijar? - Pergunto, a pressão em meu estômago aumentando com a expectativa.
- Direito.

Assim que o carro para no Walmart, Harry se estica até o banco traseiro para me alcançar um trench coat masculino, de lã e pesado, para diminuir o impacto do frio em meu corpo. Eu e ele arrumamos nossas roupas de forma a esconder a maior parte de nossos rostos, ficando apenas com os olhos desprotegidos. Contamos até três juntos, e descemos do carro ao mesmo tempo, correndo até a porta eletrônica da loja.
- O que pegamos primeiro?
- Café. - ele responde.
- Não estava na nossa lista. - Paro por um momento, meio desesperada com a pressão de ter o tempo cronometrado, e sinto as pernas tremerem, meio que dançando no mesmo lugar enquanto espero sua resposta.
Ele arregala os olhos e eu posso sentir o sorriso por trás da manta que esconde sua boca. - Café está sempre na lista. - Fala como se fosse óbvio.
Assim que sorrio para ele, ele me puxa pela mão até o starbucks ao lado e entra na fila. Ele me abraça, o corpo se encaixando no meu, impedindo que eu me mexa. Coloca o rosto em meu pescoço, e ficamos ali, abraçados por alguns momentos, um pouco mais quentes ao compartilharmos o calor de nossos corpos. Era estranho o quanto abraçar um quase-completo estranho parecia certo àquela altura.
- Ninguém me reconhece vestido assim. Vou aderir à burca. - ele fala baixinho.
Solto uma risada sincera e logo somos chamados pela garota do balcão. Harry faz o pedido e saímos com nossos dedos entrelaçados, em busca do que viemos ali comprar. Quando passamos pelo departamento de CDs, eu paro no meio do caminho e o encaro.
- O que temos para ouvir?
Ele devolve o olhar, a cabeça pendendo levemente para o lado antes de me responder, cuidadoso.
- Ben Howard?
Eu começo a balançar a cabeça de um lado para o outro, freneticamente.
- Sem chances, Styles. Vamos procurar alguma música.
- Ben Howard é música. - ele discute, a voz firme enquanto me segue entre os milhares de CDs da loja.
- Te deixei escutar Ben Howard suficiente por uma noite.
Dou de cara com o último de One Direction, e o pego em minhas mãos, virando-me para Harry na ponta dos pés e o exibindo enquanto o balanço em minha frente, rindo.
Harry gesticula com a cabeça.
- Sem chances, . - ele imita meu tom de voz anterior e tenta pegar o CD da minha mão, mas eu o escondo atrás de mim.
- Ok! Ok! Ok! - digo, acalmando-o - Não quero escutar One Direction tampouco.
- Você está desdenhando da minha banda? - ele pergunta.
- Eu?! - Exclamo em um tom que beira a ultrajado - Jamais! Se você prometer cantar junto, pago eu mesma pelos cinco álbuns!
- Rá! - Ele ri na minha cara, tentando alcançar o CD mais uma vez - Aposto que você ia adorar.
- Com certeza. - Concordo imediatamente, entregando o álbum em suas mãos - Devo procurar pelos outros?
- Se eu cantar pra você - Ele começa em um tom sugestivo - Não vai sobrar energia para fazer mais nada.
- Nada? - Repito, desanimada, entendendo bem aonde ele quer chegar.
- Nadinha.
- Você é um estraga prazeres, não é mesmo? - Debocho, devolvendo o CD para a prateleira quase com violência - Qual o ponto de fazer uma road trip se o caminho não é divertido?
- Ei! - Exclama ofendido, e puxa meu braço quando começo a andar na direção de outro corredor - Eu sou divertido!
- Qual é o ponto de ter você por perto se você não canta? - Insisto, franzindo as sobrancelhas.
- Tenho mais atrativos do que a minha voz.
- Claro! - Debocho, e me afasto mais uma vez com um sorriso - Anda, Harry! - Bato em um relógio imaginário no pulso - Olha o tempo!

- Proteção contra o frio. - Enumero como se estivéssemos contando nossos suprimentos de guerra, erguendo um dedo, e Harry coloca as quatro embalagens com as cobertas na esteira.
- Aqui.
- Não precisamos disso tudo. - Comento, distraindo-me da lista em meu celular e o encarando.
- Melhor prevenir do que remediar. - Diz em tom de sabedoria.
- Ok. - Concordo depois de um momento, pouco convencida - Suprimento de energia.
- Aqui.
Olho para o saco de marshmallow que ele tira do carrinho, assentindo, e pego um dos chocolates no display.
- Não esqueci. - Ergo um dedo para ele quase acusatoriamente. Harry ri, e ambos ignoramos a expressão divertida da garota no caixa. - Bebidas.
- Aqui. - Harry responde imediatamente, atraindo meu olhar para as garrafas d’água e a garrafa de champanhe.
- Isso não estava na lista. - Comento como mais cedo, mas dessa vez sorrio.
- Não é noite de ano novo sem champanhe! - Harry exclama - Seguindo em frente, !
- Suprimentos para criar calor. - Falo por último, e Harry coloca dois isqueiros junto aos outros produtos.
- E nossos espetos! - E coloca um pacote com vários espetos na esteira.
- Nós sobreviveríamos ao apocalipse. - Elogio solenemente, dando um tapinha em suas costas.
- Eu não sei se passaria pelo apocalipse com você, . Eu posso muito bem querer um pouco de música boa na minha vida enquanto o mundo acaba.
- Ah, amor, você pode cantar para si mesmo.
Ele ri, entregando o cartão quando as compras já estão embaladas, e faz questão de pegar todas as sacolas.
- Ei! - A garota chama quando começamos a nos afastar, os braços entrelaçados, e Harry vira a cabeça para olhar - Você não é…
- Aquele ator pornô? - Me viro para Harry - Eu te disse que te reconheceriam um dia.

Levou um pouco mais de uma hora para irmos de Doncaster à Cleethorpes. E no passar de uma hora, eu já conhecia um pouco de cada lugar incrível em que Harry esteve, um pouco de cada uma das pessoas importantes na vida de Harry, tinha uma visão nova de famosos com quem ele anda, e no final, senti um leve aperto no peito quando ele contou que já está com a passagem comprada para Los Angeles e que partiria em menos de 24 horas. Mas eu sorrio para ele e comento despreocupada que nunca estive nos Estados Unidos antes, mas que Los Angeles deve ser incrível. Eu conto a Harry que eu e Lottie somos amigas de infância, e ele se surpreende por nunca termos nos encontrado já que, assim como eu, ele vive na casa de Louis. Conto sobre meu emprego na empresa de papai, uma multinacional, e quanta responsabilidade e cobranças aquilo me traz. Com o passar do tempo e com o nível da conversa cada vez mais intimista, acabo contando que Lottie planejava aquela noite há tempos, e que eu neguei a ideia várias vezes.
- E hoje eu já estava um pouco bêbada. - dei de ombros, finalizando - Então decidi que mal não faria.
Eu já consigo ver o mar à nossa frente e começo a sentir o carro diminuir a velocidade. Harry desvia o olhar da pista para me encarar, ultrajado.
- Porque você estava bêbada você aceitou me conhecer? - ele questiona.
- Um pouco bêbada. - repito, rindo.
Harry estaciona o carro e ficamos em silêncio por alguns momentos, encarando as ondas do mar baterem timidamente na areia. Não havia ninguém ali, nós éramos os únicos malucos a encarar uma praia em uma temperatura de seis graus celsius.
- Descemos? - ele pergunta.
Engulo em seco. Eu sabia que nem as quatro cobertas e uma fogueira seriam capazes de me proteger do lado de fora, mas concordo com a cabeça e o encaro. Nós já estávamos ali, não fazia sentido não descer. Harry se vira para trás e pega uma por uma das embalagens, tirando duas e me ajudando a me cobrir, deixando mais uma vez apenas meus olhos desprotegidos. Ele faz o mesmo com as duas que comprou para si e ri nervoso ao segurar as outras coisas desajeitadamente.
- Vamos! - ele decreta, e nós dois abrimos juntos as portas.
O barulho do mar se intensifica e eu e Harry andamos a passos duros até a areia para um ponto em comum. Harry joga os pacotes no chão e abdica de parte de suas cobertas para me oferecer a mão e encolhidos caminharmos até uma das passarelas que se estende até o mar. Quando chegamos ao limite, viramos um para o outro e começamos a rir.
- E agora? - pergunto.
Harry balança a cabeça, perdido. Ele envolve meu corpo com seus braços, e mesmo com as várias camadas de cobertas nos separando, sinto-me mais aquecida.
- Foi uma péssima ideia, não foi? - ele ri, encostando a boca à minha testa.
Concordo com a cabeça.
- Tentei te avisar.
Ele flexiona os joelhos um pouco, para ficar com os olhos na altura dos meus. E os olhos dele são tão intensos mesmo na pouca luz que nos ilumina, que sinto meu corpo inteiro aquecer instantaneamente. Olhos que queimam, nunca fizera tanto sentido antes.
- Eu posso deixar as coisas um pouco mais quentes. - ele sussurra com um sorriso e afasta a manta que cobre minha boca.
Abro a boca, sem paciência para preliminares, mas o menor dos sorrisos toma seus lábios. Harry leva uma das mãos até a lateral do meu corpo, a outra segurando minha nuca, e olha para minha boca pelo que parece uma eternidade antes de tocar os lábios nos meus, devagar, e se afastar para beijar um dos cantos da minha boca, logo dando atenção para o outro.
Penso na possibilidade de pedir que ele só me beije logo, mas Styles cola os lábios aos meus mais uma vez, os dentes beliscando a parte inferior antes que ele se afaste, tão logo começou. Passa o nariz por meu pescoço, beijando ali também, e quando abro a boca e solto um suspiro, se demora em um ponto próximo da minha orelha.
Totalmente em descontrole das ações que meu corpo toma, seguro a gola do seu casaco, pressionando nossos corpos e suspiro mais uma vez. Harry se afasta, a mão sobre minha boca, os olhos fechados.
- Se você quiser que eu continue, tem que parar de fazer esses sons. – ele me repreende em uma voz muito baixa, e antes que eu tenha a oportunidade de me defender, ele me beija. Sem qualquer aviso, deixa a língua tocar a minha e segura minha nuca com força, a outra mão apertando minhas costas.
Era meio difícil fazer toda a parte de “tocar” com tantas camadas de roupas entre nós, mas, Deus, Harry fazia um bom trabalho. Ajudou-me a sentar na mureta que protegia a passarela das ondas, e antes mesmo que eu tivesse tempo para tomar fôlego, volta a me beijar. Os dedos seguram minhas coxas com tanta força, que sinto a pressão mesmo através do meu vestido a da sua calça de moletom que vestia ridiculamente. Quero suspirar mais uma vez, mas engulo o gemido e sinto o seu gosto na minha língua, tentando usar minhas mãos como ele usava as dele, mas a cada nova coisa que ele fazia com minha boca, eu perdia completamente a determinação e deixava os dedos descansarem em seu rosto.
Uma parte mais racional em mim me diz que estamos em plena vista, no maior amasso, em um local público, mas a que Lottie me influenciou a ser quando ainda era 2015 segura o rosto dele bem ali, e fala seu nome baixinho quando passa a língua quente na pele exposta em meu pescoço. Quando enlaço as pernas em sua cintura, por mais sutil que seja, o corpo de Harry fica mais tenso.
Beijamo-nos pelo que pareceram horas, meus lábios tão doloridos quanto os lugares que eu tinha certeza que Styles deixara sua marca - por mais que sempre tivesse achado esse tipo de coisa meio nojenta e desrespeitosa, e tivesse impedido qualquer um dos meus ex-namorados de fazer algo parecido, sequer pensei na possibilidade de impedir Harry também. Era outro ponto para Lottie, mas eu não queria pensar nela com seu corpo ainda no meio das minhas pernas e a língua ainda contra a minha, mas algum tempo depois até mesmo a mais insensata parte de mim tem um pouco de sensatez e me obriga a me afastar para recuperar o fôlego.
- Nem tão má ideia assim. - falo, um pouco sem fôlego, quando nossas bocas se distanciam, mas nossos corpos não.
Ele morde meu rosto, rindo. E por um milagre de Deus, ou por um beijo de Harry Styles, eu não sinto mais frio algum.
- Quero meus marshmallows. - falo, quebrando o clima, e desço de onde estou, puxando-o pela mão em direção à areia novamente.
- Como vamos fazer fogo aqui? - ele pergunta, olhando para os lados e procurando por pedaços de madeira, sem encontrar nada.
Havíamos esquecido do combustível para nosso fogo. Espertos.
Caminhamos novamente para onde havíamos deixado nossas coisas e Harry corajosamente senta na areia e me obriga a sentar também. Ele me puxa para perto e juntos nossos corpos se encaixam, com ele servindo de apoio para as minhas costas.
- Você é louco. Sério.
- Obrigada. - ele ri, puxando o saco de marshmallows e pedindo para que eu alcance um dos isqueiros.
Harry segura um dos doces com a ponta dos dedos, e em minha frente, tosta-o com a chama do isqueiro. Estou sorrindo com a genialidade do garoto quando ele alcança o doce em minha boca, e não consigo deixar de pensar que aquilo era ainda melhor do que o clichê que eu havia planejado. Nós ficamos em silêncio até acabarmos com a metade do pacote e Harry soltar, do nada:
- Você deveria ir para Los Angeles comigo.
Eu engasgo. Não consigo evitar, e nem responder imediatamente quando levanto de seu colo e o encaro, novamente sentada.
- O quê? - ele pergunta, parecendo tão assustado com a minha reação quanto eu com sua proposta.
Eu não esperava por aquilo. Nos primeiros segundos, minha cabeça explicou aquela conversa como algo movido pelo álcool. Mas Harry não parecia bêbado. Senti um pouco de falta de ar com a surpresa e começo a balançar a cabeça.
- Não posso.
Ele parece calmo quando eu levanto e tento afastar a areia de minhas roupas, e se levanta também.
- Ei! Calma! - diz ele, puxando-me pela mão novamente. - Que foi?
- Não tem como, Harry. - continuo, ainda gesticulando com a cabeça - Eu volto a trabalhar em dois dias. Não existe essa chance.
E com nervosismo, percebo que aquilo era loucura. Olho no relógio e ao ver que passavam de cinco horas da manhã, duas coisas me vêm à mente: 1) Eu voltaria a Londres em 48 horas e, 2) Harry seguiria para Los Angeles ainda naquele dia. Estou dividida entre o arrependimento de ter deixado tudo aquilo acontecer, e o medo de que nada daquilo aconteça novamente. Mas não falo nada disso em voz alta.
Harry parece entender a necessidade de me acalmar e junta uma das garrafas de champanhe sujas de areia. Ele me alcança uma taça, e o sorriso dele me acalma por hora. O líquido borbulha até o limite do cristal, e Harry bate a dele com a minha.
- Feliz ano novo, .
- Feliz ano novo, Harry.

A volta foi um pouco mais silenciosa, e Ben Howard tocando no rádio pareceu propício até para mim, por incrível que pareça. Nós acompanhamos o dia clarear enquanto o carro avançava pelas paisagens opacas de inverno da Inglaterra. Quando chegamos, eu e Harry trocamos um abraço desajeitado dentro do carro, e eu saio contrária a minha vontade depois de sorrirmos um para o outro.
Não quero pensar em nada, por isso, me jogo na cama ao lado de Lottie quando chego, e adormeço quase imediatamente.

Tenho a sensação de estar caindo. Quando abro os olhos de supetão e me agarro no criado mudo, tenho certeza de que era o que iria acontecer, mas apoio um pé no chão e suavizo o impacto do mesmo contra meu corpo. Esfrego os olhos, irritada, e agarro meu travesseiro para jogar em Lottie, que dormia transversalmente na cama.
O relógio marca quase quatro horas da tarde, fazendo com que, apenas por breves segundos, eu me arrependa de toda a fuga para ver o nascer do sol. Me lembro dos beijos de Styles, da garrafa de champanhe que dividimos, e do horizonte alaranjado passando pela janela do carro com a música calma. Quem diria que eu passaria a gostar de Ben Howard?
Decido descer até a cozinha e fazer uma xícara de chá para apaziguar um pouco a dor de cabeça. Voltar para a cama com Lottie estava fora de questão, e ir dividir a de Louis era mais impossível ainda: se sua irmã já era uma terrível pessoa para se passar a noite junto, as dolorosas memórias de todas as noites de sono que perdi com o Tomlinson mais velho eram lembrete suficiente para que eu nunca mais sequer me deitasse no mesmo colchão que ele.
Quando estou no último degrau da escada, escuto vozes. Fico paralisada, meio passo no andar de baixo, meio passo na possibilidade de subir correndo e fugir pela janela. Não reconheço quem são, muito menos consigo entender o que estão dizendo, de forma que agarro o vaso de vidro cheio de pedras no aparador, me preparando para agredir quem quer que fosse o fora lei que invadia a casa dos Tomlinson, e me direciono, na ponta dos pés, ao arco de passagem que divide o hall e a cozinha. Viro de uma vez, segurando o vaso sobre os ombros:
- Eu já liguei para a polícia! - Grito com todo o ar de meus pulmões e fecho os olhos, ouvindo outro grito agudo e o barulho de algo caindo no chão.
Atiro o vazo com toda força que consigo, ouvindo outro grito e o barulho do vidro se espatifando.
- Você tá louca?! - A voz de Louis chega até meus ouvidos, assustada, e quando abro os olhos, vejo que ele recua contra a bancada, uma mão no coração, enquanto Harry cobre a cabeça na porta.
- Você está tentando me matar? - Pergunto com violência, o coração acelerado, e fico olhando para os dois parados ali, ninguém ousando falar qualquer coisa.
- O que está acontecendo aqui?! - Lottie pergunta com urgência, descendo as escadas correndo, só de moletom e calcinha.
- Louis queria que eu tivesse a porra de um ataque cardíaco! - Acuso com veemência, lançando o braço na direção dele.
- Eu? Você que chegou gritando igual uma louca!
- Porque eu pensei que você estava invadindo a casa!
- Por que eu invadiria minha própria casa, ?!
- São quatro da tarde! - Falo como se fosse óbvio - Nos catorze dias de ano novo que passei com você, nunca te vi em pé antes das seis! Seus pais e suas outras irmãs estão viajando, Lottie estava dormindo, o que você queria que eu pensasse?
Tomlinson balança a cabeça, ainda meio chocado, e solta uma respiração profunda antes de virar na direção de Styles.
- O que foi que você fez com ela?
Todos ficam em silêncio por alguns segundos, antes de finalmente cairmos na gargalhada. Entro na cozinha, ainda rindo, e tomo a cadeira ao lado de Harry para esconder o rosto nas mãos. Ele passa os dedos por minhas costas, ainda soltando algumas risadinhas, enquanto Louis se abaixa para pegar a chaleira no chão e Lottie procura por uma vassoura.
- Não acredito que você me atacou. - Escuto a voz aguda de Tomlinson do outro lado da ilha, e ele se ergue com uns pedaços maiores de vidro nas mãos, despejando-os em qualquer lugar - Como é que você esperava acertar quem quer que fosse, se você fechou os olhos?!
Não respondo - ao invés disso, continuo balançando a cabeça em negação enquanto Harry ri do meu lado. Lottie volta para a cozinha e paralisa na entrada, me encarando descaradamente, a expressão passando de surpresa para desconfiada em poucos segundos.
- Por que você está com as mesmas roupas de ontem? - Pergunta, em alto e bom tom.
Louis se vira no meio do processo de fazer o chá, as sobrancelhas erguidas, e os dois pares de olhos azuis se revezam entre mim e Harry em expectativa.
- Porque não troquei antes de deitar. - Respondo com simplicidade, dando de ombros. Tento jogar o cabelo para esconder de Styles o rosto vermelho, mas me lembro que o prendi em um coque e quase suspiro com resignação.
- E que horas você chegou? - Lottie pressiona, um sorriso ameaçando surgir em seus lábios.
- Quase oito. - Harry responde por mim, e só percebo que ele havia parado de me acariciar quando sua mão volta a se mover.
Charlotte abre o maior dos sorrisos presunçosos e finalmente adentra a cozinha.
- Bom... por nada. - Diz, antes de se abaixar para limpar a bagunça no chão - Espero que vocês tenham usado proteção.
Balanço a cabeça, sentindo meu rosto ficar ainda mais quente, e escuto a risadinha que Louis solta, mas não me preocupo em dizer que não aconteceu nada - com aqueles dois, qualquer coisa que eu dissesse só poderia piorar a situação.

O café da manhã atrasado se passa com poucas piadas sobre minha noite e a de Harry, para minha completa surpresa, e quando Louis se levanta para ir ao banheiro, sua irmã logo inventa qualquer desculpa para sair dali também. Fico sozinha com Harry, remexendo em um pedaço de torrada com os olhos fixos no prato, as costas recostadas na cadeira enquanto ele tem o braço sobre meus ombros.
- Sobre mais cedo… - Ele começa.
- Quando estávamos em Cleethorpes ou a parte que quase te assassinei com um vaso de decoração? - Interrompo, tentando quebrar a tensão.
Ele solta uma risada baixa e encosta a cabeça à minha, segurando a mão que mexia na torrada e trazendo-a para baixo da mesa, os dedos entrelaçados nos meus. Não esperava vê-lo tão cedo, muito menos que ele agisse daquela forma.
- Em Cleethorpes. O que eu disse sobre Los Angeles…
- Eu sinto muito. - Saio de seus braços para encará-lo - Esse emprego é muito importante para mim. Se eu não tivesse qualquer obrigação, juro que adoraria tomar um pouco de sol com você.
- Vai me deixar terminar, ou vai ficar me interrompendo? - Harry pergunta em um tom sério, mas há um ar de riso em seu rosto.
- Sinto muito. Pode continuar.
Ele assente, satisfeito, e puxa meu braço para que eu possa estar contra seu corpo mais uma vez. Quando me aconchego mais contra ele do que contra a cadeira, Styles começa a acariciar meu braço, pensativo. Vejo Louis se aproximar, parando perto da escada - quando vê como eu e Harry estamos, dá meia volta como se aquele fosse seu trajeto o tempo todo.
- Então?
- Estava pensando sobre Los Angeles. - Fala baixo, meio distraído - E decidi ficar.
- O quê? - Exclamo, surpresa, a meio caminho de me afastar dele mais uma vez, mas Styles volta a me puxar para si - Como assim? Pensei que já estivesse com as passagens compradas.
- Não tem nada demais. - Claro que não - Tenho tempo para ir até Los Angeles depois. Por que não ficar aqui, perto da minha família e do meu melhor amigo, e aproveitar para te conhecer melhor?
Não acredito no que ele está dizendo. Fico em silêncio por um bom tempo, um sorriso no rosto, e balanço a cabeça em descrença.
- Eu não sou tão fascinante. - Aviso, ainda meio boba.
- Acho que além de Ben Howard, está aí mais uma coisa sobre a qual seremos obrigados a discordar. - Fala em um tom galante, puxando meu rosto de forma que sei que ele quer olhar para mim. Eu não precisava dizer que Ben Howard vinha crescendo cada vez mais no meu conceito, de forma que me contentei em abrir um pequeno sorriso.
- Está escolhendo ficar aqui, nesse frio, para me conhecer melhor? Não tem muito o que conhecer, posso te garantir isso.
- Estou escolhendo a sua companhia. Queria ela em LA, mas se não posso ter, posso muito bem passar um tempo por aqui. - Dá de ombros, como se realmente não fosse nada, e seus olhos se desviam para minha boca - Sobre o quanto de você tenho para conhecer e quão fascinante você é… - Ele faz uma pausa, distraído quando mordo o lábio inferior. Quando continua, sua voz é muito baixa - Deixa que eu decido. - E me beija.

03 de março de 2016

Estou sentada no sofá do meu apartamento depois de um longo e cansativo dia de expediente. No apartamento inteiro, só é possível ouvir a televisão à minha frente e o barulho dos meus dentes triturando a pipoca que mastigo. Espero pela entrevista de Harry com os garotos em um dos programas da televisão americana, já um pouco entediada e sonolenta. Checo meu telefone pela milésima vez no dia, mas já faz algumas horas que ele não dá as caras, e eu sou obrigada a lembrar a mim mesma de todos os passos que uma entrevista exige e que ele já me explicara anteriormente.
A minha bacia de pipocas já está quase vazia quando o programa começa e eu me ajeito onde estou. O apresentador faz algumas piadas antes de chamá-los, e eles finalmente entram. Harry veste uma roupa bem diferente das que ele usou nas vezes em que o vi, mas já estou acostumada a isso.
Os quatro garotos se sentam um ao lado do outro e sorriem simpáticos para o público até que os gritos cessem. O apresentador segue o script que eu via se repetir desde que comecei a acompanhá-los: 1) Vocês são a maior boyband do momento; 2) As garotas os amam; 3) O novo CD está incrível; 4) Quantos de vocês estão namorando?
Não necessariamente nessa ordem, mas nessa entrevista em questão, quando chega na quarta pergunta, todos eles riem para si mesmos e permanecem calados esperando que o apresentador mostre as fotos.
- Eu sabia que nenhum de vocês se acusaria, então… - o apresentador se vira para o telão atrás deles - Eu trouxe algumas fotos e quem sabe assim…
Ele para de falar quando a foto de Niall acompanhado por uma garota ruiva aparece no telão. Todos os garotos riem.
- Engraçado vocês saírem juntos em todas as after parties, não é? - o apresentador diz, se direcionando a Niall, que está sorrindo desde que as fotos começaram a ser trocadas para dias diferentes.
- Ela é uma grande amiga. Nós gostamos de fazer as coisas juntos.
O apresentador revira os olhos.
- Eu sei que os outros dois estão solteiros e aproveitando a vida, mas você e Harry não me enganam.
Harry arregala os olhos e vira a cabeça para o lado contrário quando ouve seu nome, como se não estivesse esperando por aquilo - mas nós sabíamos que estava.
- Ei, ei, ei! Não ouse fingir que não estou falando com você, mocinho! - o apresentador ri e meu coração vacila ao ver as fotos que substituíram as de Niall com a garota ruiva. - Como está sua namorada que você deixou na Inglaterra?
Começo a balançar a cabeça negativamente para mim mesma - sabia que não havia mais ninguém ali comigo além do meu cachorro ao meu lado. Harry segura o queixo e não desvia o olhar da tela que reveza as fotos dos nossos dias juntos, e eu gemo baixinho ao ver que o sorriso envergonhado não deixa seu rosto. São muitas fotos, então o ritmo em que elas aparecem vai aumentando até uma velocidade que não permite que vejamos mais nada além de um casal em várias posições e roupas diferentes.
- Foram férias bem românticas, certo? - o apresentador tenta mais uma vez.
Harry sorri antes de responder e espera que os gritos da plateia se dissipem outra vez. Ele continua na mesma posição quando murmura contra o microfone a mesma frase de Niall:
- Ela é uma grande amiga. Nós gostamos de fazer as coisas juntos.
A plateia ri e eu a acompanho, soltando uma risada pelo nariz e desligo a televisão. Sei que agora eles cantarão uma música e o programa terminará, e eu infelizmente, sou obrigada a levantar cedo no dia seguinte.

Acordo assustada no meio da madrugada com meu celular tocando. Ligações de madrugada sempre me assustam. Demoro um segundo para acalmar meu coração quando vejo o número de Harry piscar na tela e atendo, voltando a deitar a cabeça no travesseiro.
- Vou matar você. - decreto, minha voz dois tons mais grossa que o normal. - São três horas da manhã, Harry.
- Em Londres. Aqui ainda é aceitável fazer ligações. - ele ri do outro lado da linha - Você assistiu?
- Assisti. - respondo, virando-me para deitar de costas na cama, encarando o teto enquanto mexo no meu cabelo - Mas não houve nada novo, na verdade.
- Eles só teriam algo novo para mostrar se você tivesse aceitado vir para os Estados Unidos comigo.
Sorrio sozinha, lembrando da última vez - entre inúmeras outras, em que ele tentou me convencer a segui-lo até a América. Estou imersa em minhas lembranças quando ele chama minha atenção pelo telefone outra vez.
- ?
- Sim.
O lado de lá do telefone fica mais barulhento, com várias pessoas falando ao mesmo tempo.
- Preciso desligar. Desculpe, durma bem.
Ele desliga sem ao menos esperar minha resposta. Encaro o celular que atualiza a tela de ligação para o plano de fundo com meu cachorro e engulo em seco. Mesmo que aquele tipo de despedida fosse corriqueira, eu jamais me acostumaria com o fato de que, em um momento, Harry estava lá, e no outro, não.

O dia seguinte transcorre normalmente - lento e um pouco entediante. No final do dia, antes de deixar o escritório, resolvo checar as novidades do mundo de Styles, e quando digito o nome dele no Google, as chamadas de notícias recentes relatam que ele compareceu à after party do programa que os entrevistou – fazendo-me entender o seu “preciso desligar” da noite anterior. Nas fotos, ele aparece com os olhos apertados graças ao flash da câmera e o braço tentando esconder o rosto, sem sucesso. Ao seu lado, Louis aparece acompanhado por uma garota morena.
Fecho a página sem ler a notícia e saio decidida a fazer algo diferente naquela noite.

Encaro meu reflexo no espelho, e estou vestida como se estivesse pronta para um encontro. Rio da minha solidão nada engraçada e ajeito o vestido amassado na altura da cintura. Retoco o batom e deixo meu apartamento com o som dos meus sapatos batendo contra o soalho.
- Aposto que está sentindo falta da Lottie agora. - Lauren comenta assim que saio do prédio, sorrindo para mim de dentro do carro.
- Das caronas da Lottie, com certeza. - Comento, forçando uma risada, que logo deixo morrer.
Lauren não faz nenhum comentário sobre meus esforços para fingir estar de tão bom humor quanto ela - como o completo oposto de Charlotte que ela era, respeita meu espaço pessoal e passa o maior tempo do trajeto em silêncio, exceto pelas poucas vezes em que pergunta se quero trocar de música ou faz algum comentário.
- E o seu namorado? - Pergunto quando já estamos caminhando até o pub - Está aí?
- Ah! - Ela ajeita os óculos no rosto, tentando arrumar os cabelos que se bagunçaram com o vento - Ele vai vir depois do trabalho. Ele trabalha pra você, na verdade.
Sua risada quando diz aquilo é meio nervosa, e quase paro de andar de tão surpresa que fico.
- É mesmo? Qual o nome dele?
- Jake. - Lauren me olha de rabo de olho, esperando qualquer reação, mas o nome não me lembra ninguém - Você provavelmente não vai se lembrar. Deve ver um milhão de rostos por dia.
E não me lembrava mesmo, mas Lauren não precisava saber que era porque ficava completamente distraída cuidando da vida de cinco outras pessoas do outro lado do oceano. Eu acompanhava contas de update sobre os garotos, sim, e cheguei até a ativar as notificações para cada um de seus twitters, mas minha vida estava completamente sob controle. Pelo menos era o que eu vinha dizendo a mim mesma, até Lauren me dizer que seu namorado trabalhava para mim e eu sequer sabia quem ele era.
Ela abre a porta para nós, completamente alheia ao meu monólogo mental, e somos recebidas por cumprimentos animados de nossos amigos de infância. Dou um boa noite geral, nem um pouco a fim de me aproximar de pessoa por pessoa, e tomo uma das extremidades da mesa.
- Então, . - Um dos garotos chama minha atenção, e o resto do pessoal também cala a boca - O que é que você manda?
Demoro provavelmente mais do que era considerado educado para responder, fazendo uma expressão confusa.
- Só estou trabalhando muito, para ser sincera. - Solto a resposta mais sem graça que alguém deve ter dado para aquela pergunta em toda a história da humanidade.
Ele parece um pouco desapontado, mas não tem tempo de dizer mais nada: Chloe, que estudou comigo e com Lottie, se inclina sobre a mesa com um sorriso.
- Veio se divertir um pouco, não é? - Diz em um tom de até sétimas intenções - Seu namorado também vai vir?
Eu sabia muito bem de quem ela estava falando pelo termo “namorado”, mas mais ninguém pareceu pescar a indicação. Aparentemente, Chloe era a única que tinha tempo de se preocupar com popstars. Além de mim, é claro.
- Eu não tenho a menor ideia do que você está falando. - Minto descaradamente, arregalando um pouco os olhos como se a história toda fosse absurda.
- Posso ligar para um amigo meu e te apresentar, . Você parece mesmo estar precisando de uma boa companhia. - O namorado de Chloe brinca, chegando até a tirar o celular do bolso - Você prefere o estilo mais atlético ou alternativo?
- Obrigada. - Agradeço com uma risada - Mas eu estou vendo alguém, na verdade. Só é… - Faço uma pausa quando vejo o olhar de sua namorada, engolindo em seco - Complicado.
Quando Jake finalmente se junta a nós, o assunto “vida amorosa da ” é imediatamente esquecido: a próxima rodada é por conta dele. Olho para o rosto de Jake, e ele realmente parece familiar, mas desisto de tentar fazer qualquer conexão.
Fico a maior parte do tempo em silêncio: para meu completo horror, sou a única pessoa desacompanhada na mesa, e embora ninguém fique se agarrando na frente de todo mundo, a situação fica cada vez mais incômoda. Assistindo a todos, começo a querer que Harry estivesse ali, nem que fosse para sentar do meu lado ou me carregar completamente bêbada para casa. Olho o celular, mas nenhum indicio dele, nem por mensagem.
Lauren se levanta, e dou a desculpa de que vou com ela ao banheiro para me aproximar. - Escuta, eu… Hm. Recebi uma ligação. Tenho que voltar para casa. Não se preocupe! - Interrompo quando ela abre a boca para falar - Eu pego um táxi.
Afasto-me em direção à porta, agradecendo a Deus mentalmente quando ninguém repara na minha saída nada elegante, e faço sinal para o carro que se aproxima. Lembro-me da expressão decepcionada de Lauren enquanto me via ir embora e abro um sorrisinho meio triste. Sei bem como você se sente, Lauren.

Vejo os homens encostados às muretas do lado de fora das paredes de vidro, rindo e conversando entre si, muito consciente das câmeras em seus pescoços. Digo para mim mais de setenta e cinco vezes que sou a última pessoa que eles iriam reconhecer na lista de todas as subcelebridades do mundo, mas mesmo assim coloco os óculos escuros, só para ter certeza.
Era para eu estar dentro do carro de Lottie há aproximadamente vinte minutos. Isso quando ela completou meia hora de atraso. Agora, podia jurar que as pessoas começavam a me encarar, meio com pena, meio curiosas. A cada minuto que passava, eu me sentia mais exposta àquelas lentes brilhando, à distância, mesmo que daquele ângulo a única coisa que poderiam capturar fossem meus pés. Desistindo de fingir estar mais calma e paciente do que me sinto, tiro o celular do bolso e ligo para Charlotte.
- Oi! Me desculpa. Quão ferrada eu estou? - Diz tudo de uma vez do outro lado da linha, não me dando tempo para dizer nada. Há uma barulheira onde ela está, mas não consigo reconhecer nenhuma voz além da dela.
- Você está há dez minutos de completar uma hora de atraso. - Digo friamente, sentindo-me realmente estúpida, parada ali no meio do aeroporto.
- Eu preciso dizer que sinto muito? Você já sabe que eu sinto muito. Esse problema já foi resolvido, meu amorzinho.
- Não me chame de amorzinho quando estou pensando em maneiras diferentes de matar você. - Dou as costas para os fotógrafos do lado de fora do aeroporto - Lottie, tem paparazzi aqui. - Digo a última parte em um sussurro, como se eles pudessem me ouvir a tantos metros de distância.
- , eu sinceramente duvido que estão aí por você.
- Eu posso jurar que eles estão me encarando. - Essa parte eu sabia que era mais pela paranoia, mas não ia facilitar para a consciência de Lottie.
- E daí? Você já enfrentou paparazzi antes. - Sim. Com um metro e oitenta de fama na minha frente e um segurança atrás, ou quando estava distraída demais para notar a presença deles. Aqui são oito contra uma, bem na minha cara, e meu coração vai parar de bater.
- , relaxe. Deve ter um cara bem grandão procurando por você. O nome dele é Steve. Te vejo daqui a pouco.
E desliga na minha cara.
Eu não tinha a menor ideia de quem era Steve. Nunca tinha visto nenhum Steve na minha vida, grande ou pequeno, e Charlotte só podia estar louca se achava que eu encontraria aquele cara em um aeroporto do tamanho do LAX. Ir para Los Angeles foi a pior ideia que já tive depois de decidir não bater na porta do banheiro na casa de Louis, uma certa manhã de um julho distante, quando nossa intimidade não era tanta e a imagem dele tomando banho ficou queimada a ferro em minha mente. Soube disso no momento em que entrei no avião, mas já era tarde demais para pedir o reembolso da passagem, então lá estava eu, naquele calor dos infernos, depois de um voo de dez horas, sem meu possível namorado/amigo com benefícios para vir me salvar, porque também não contei para ele que estava indo, é claro. Eu não devia ter deixado Lottie me convencer tão facilmente de que aquela era uma boa ideia.
Era trabalho de Lottie me arrumar um passe para o show, e me buscar no aeroporto. Ela havia falhado miseravelmente na segunda parte do acordo, mas eu esperava, do fundo do meu coração, que não me decepcionasse mais uma vez e eu acabasse barrada pelos seguranças como uma stalker louca. Depois de um mês sem vê-la, esperava que ela tivesse a menor consideração pela nossa amizade e honrasse seus compromissos, mas devia ter aprendido a lição de não esperar muito comprometimento dos Tomlinson há muito tempo.
- ? - Uma voz chama às minhas costas, quando eu estava prestes a caminhar até o guichê da British Airlines e comprar minha passagem de volta para casa. Viro-me para dar um rosto a voz, deparando-me com o maior homem que eu já tinha visto na minha vida, o iPhone virado na minha direção com uma foto minha e de Harry, caminhando em Londres e comendo batata frita. - Me mandaram para buscar você. - Esclarece quando vê minha expressão de terror. Pelo mais breve segundo, pensei que ele tivesse me reconhecido pela foto e quisesse tirar mais, mas Steve só me acompanha até o SUV preto em silêncio.
No trajeto para onde quer que ele esteja me levando, faz algumas perguntas sobre como estava o clima do outro lado do oceano, e se eu estava muito cansada da viagem. Também pergunta o que eu era de qual dos garotos, mas como minha relação com Harry era uma gigante interrogação até mesmo para mim, falo que era amiga de infância de Louis e Lottie, o que lhe arranca um breve aceno de cabeça. Para minha completa decepção, Steve nos leva direto para o Staples Center, não para o hotel, como eu esperava. Já que ia ver Harry pela primeira vez depois um mês inteiro, queria pelo menos tomar um banho. E colocar uma roupa mais bonita, gastar bons dez minutos tentando arrumar o cabelo e se estivesse com o humor o suficiente, poderia até mesmo arriscar um pouco de maquiagem.
Steve me guia pelo estádio, parando no corredor acarpetado e entrando em uma sala para pegar meu passe, que coloco no pescoço imediatamente. Ele me explica quais salas são quais, e se oferece para me levar até Louis, mas o agradeço e deixo que siga para fazer o que quer que ele fizesse, mandando uma mensagem de socorro para Lottie. Alguns bons minutos depois, ela aparece, correndo pelo corredor e se atirando contra mim com tanta força que quase nos derruba sobre minha mala.
- Graças a Deus! Não aguento mais ver eles sem camisa, eu preciso de alguém que me mostre os peitos.
- Não eu. - Digo solenemente.
- Me diga que vamos trançar o cabelo uma da outra e falar sobre garotos. - Implora, revirando os grandes olhos azuis.
- Lottie, se você me disser que tem umas peças de roupa para me emprestar e conhece um bom chuveiro onde eu possa tomar um banho, antes que Harry me encontre totalmente destruída como estou agora, deixo você raspar minha cabeça. - Fecho os olhos, esperando que ela tenha piedade do meu semblante cansado e minha barganha.
- É claro que posso arrumar umas roupas pra você. – Me puxa pela mão, pegando minha mala com a outra - Vem, vamos te achar um bom chuveiro.

Depois que insisti em ao menos olhar se havia algo usável na minha mala, e eu e Lottie nos deparamos com todas as roupas meio amassadas, aceitei sua calça preta colada, calçando uma bota baixa e pegando a blusa menos elaborada que ela tinha. Por mais simples que minhas escolhas fossem, ainda assim parecia que eu estava me arrumando para um evento - Charlotte quase deitou no chão em uma súplica para poder me maquiar, o que cedi, por fim, quando não aguentava mais sua voz dizendo “! Por favor!”.
- Eles ficam aqui. - Lottie para em frente a uma porta em que há um compartimento transparente para colocarem uma identificação, mas agora está vazio.
Posso ouvir vozes lá dentro, e tento identificar algumas antes de deixar que minha melhor amiga abra a porta.
- Quantas pessoas tem aí dentro? - Sussurro, olhando para ela por cima do ombro.
Lottie ergue os dedos conforme começa a contar.
- Todos os quatro, a Lou, a outra assistente dela, a stylist, a irmã do Harry também veio, uns três seguranças…
Respiro fundo quando ela revira os olhos e passa por mim sem a menor cerimônia, mas quando a sigo, só Lou e um segurança olham para nós. Há dois sofás, dispostos de frente um para o outro, com uma mesa de centro cheia de frutas entre eles. Vejo algumas araras com roupas e vários pares de sapato, e também vejo a bancada disposta com produtos de beleza, mas olho tão rápido que não assimilo muita coisa: vejo a cabeça de Harry, sentado de costas para mim, meio erguida para prestar atenção no que Niall fala.
Em pé, atrás do outro sofá, Louis ergue os olhos para mim, parando a lata de red bull a meio caminho da boca.
- ! - Quase grita, abrindo os braços e caminhando na minha direção. Ele ri, a expressão surpresa, quando encerro a distância para abraçá-lo - Que surpresa! Pensei que tivesse um país para governar.
Dou um tapa em seu braço, franzindo as sobrancelhas para a brincadeira, mas sorrio mesmo assim.
- Pensei em tirar uma folga, e por que não atravessar o oceano e pegar um pouco de sol? - Vejo Harry se erguer, mas a criança ansiosa dentro de mim fala mais alto, e tento manter os olhos longe dele.
- Não precisa disfarçar, , todos sabemos que você não aguentou a saudade… - Meu rosto esquenta quando ele diz aquilo, e como se para me deixar ainda mais constrangida, Louis deixa a frase inacabada pairar no ar.
Quando finalmente consigo ver o rosto de Harry, identifico sua expressão confusa e surpresa de uma só vez. Ele se aproxima, a boca meio aberta quando ele empurra Louis para o lado e faz uma pausa, me olhando de cima a baixo, como se quisesse ter certeza de que eu não era uma miragem. Solto uma risada nervosa antes de ele me puxar pela mão e me envolver em um abraço.
- O que... - ouço ele dizer, e fico feliz por poder ouvi-lo tão perto de mim - O que você está fazendo aqui?
Sinto ele se distanciar para poder me olhar mais uma vez, e sorrio quando consigo ver seu rosto também.
- Surpresa! - exclamo baixinho, um pouco sem jeito e envergonhada por sentir todos os olhares em cima de nós dois, e explico - Lottie. Foi ela quem me convenceu.
Ele solta uma risada pelo nariz, visivelmente bem mais descontraído do que eu, e assim que o vejo abrir a boca para responder, vejo Lottie saltar atrás dele, segurando em seus ombros e jogando o cabelo loiro platinado para o lado.
- Só porque eu não aguentava mais ouvi-lo reclamar sobre a agenda corrida e a falta de tempo para voltar a Londres e ver você. Todo aquele papo de "ela vai conhecer alguém novo e eu vou me odiar por isso"... Ele estava me enlouquecendo.
Ergo as sobrancelhas e arregalo um pouco os olhos. Não esperava nem que Lottie entregasse o jogo assim. Vejo as bochechas de Harry corarem, e ele sorri sem jeito, abaixando a cabeça.
- Lottie. - ouço Louis repreender, apoiando as duas mãos sobre os ombros da garota e começando a redirecioná-la para o lado contrário a nós - Não estrague tudo.
Harry ri de forma simpática para os dois e, após percorrer com o olhar cada rosto das pessoas da sala, que já haviam voltado a se distrair com outras coisas que não com nosso encontro, ele me puxa para um compartimento fechado e cheio de roupas, longe de qualquer olhar.
- Aquilo... - diz ele após um suspiro, referindo-se ao que Lottie havia dito - Não é totalmente verdade.
- Parcialmente verdade, talvez? - brinco, rindo, e deixando que meus braços envolvam seu pescoço enquanto meu corpo caminha sem pressa até o dele.
Deixo meus olhos percorrerem cada traço de seu rosto, e sinto meus lábios sorrirem involuntariamente ao flagrarem seu olhar em minha boca.
- Não acredito que você veio até aqui. - sussurra ele, de uma maneira que ninguém além de nós dois pode ouvir.
Seus olhos ficam um pouco baixos quando aproximo meu rosto do dele, encostando nossos narizes um ao outro e sentindo o ar quente contra minha pele. Eu não sabia que era possível sentir tanta saudade de alguém. Nossas bocas já estão entreabertas e próximas quando ele começa a colocar todo o meu cabelo para trás, até que ele decide envolver meu pescoço com as mãos e diminuir os milímetros que nos separam para juntar nossos lábios - naquele momento não parece que já se passou um mês desde o nosso último beijo e mal me lembrei das inúmeras vezes em que fiquei descontente por sua ausência ou por suas ligações furtivas. O tempo com Harry ali, me beijando, ainda não havia sido suficiente quando ouvimos a voz de um dos garotos gritando pelo nome dele, avisando que estava na hora. Nós nos distanciamos de uma vez só, meu coração acelerado quando nos olhamos.
- Preciso ir. - murmura ele, segurando em meu pulso pousado sobre seu peitoral.
Ele cola os lábios nos meus mais uma vez e eu lhe dou espaço para que ajeite sua roupa levemente amassada. Antes que ele saia, o puxo de volta e começo a rir ao perceber que ele está com a boca inteiramente marcada com o batom nada convencional que Lottie escolhera para mim naquela noite. Eu limpo qualquer resquício que possa haver e o deixo ir, esperando que a sala fique quase completamente em silêncio antes de ir também.
Quando apareço, apenas Lottie está ali me esperando, arrumando as coisas na mesa de produtos de beleza. Ela vira o rosto apenas uma vez para assistir a eu me aproximar, e continua o que está fazendo.
- Você acha que pode vir para LA e ficar se agarrando dentro de um closet com o primeiro garoto que aparecer? - provoca ela.
Rio de sua piada e me jogo no sofá, exausta.
- Eu estou ferrada, Lottie. E a culpa é toda sua.

A garota loira platinada largou tudo o que tinha em mãos de uma só vez tão logo terminei de falar e se juntou a mim no sofá, as duas pernas encolhidas descontraidamente e a cabeça apoiada em seu próprio punho.
- O que eu fiz? - pergunta ela, e pelo seu tom de voz animado, eu sei que ela sabe exatamente qual será a resposta.
- Eu estou apaixonada por ele. - declaro, escondendo meu rosto com as mãos e jogando meu cabelo para frente ao inclinar meu corpo - Eu tinha esperanças de que quando eu chegasse aqui…
Lottie está rindo ao meu lado. Gargalhando. Paro de falar para encará-la por baixo dos vários fios de cabelo embaraçados que caem sobre o meu rosto.
- Ai, meu Deus! - exclama ela, respirando um pouco - Eu não erro uma, não é?
- Isso não é engraçado! - exclamo, exasperada e começando a gesticular com as mãos - Você sabe o quanto é desesperador ficar atrás de um telefone? Eu não sou o tipo de garota que espera por uma ligação ou por um encontro. E ele não está ajudando, tampouco. Eu tentei dizer um milhão de vezes que isso não era uma boa ideia e ele continua sendo gentil, e amável, e me ligando de madrugada, e beijando tão bem…
Nas últimas frases, minha voz não passa de um grunhido descontente.
- Ele ficou o mês inteiro de férias dele na Inglaterra, com você. - Lottie ergue as sobrancelhas como se aquilo significasse alguma coisa - Ele está apaixonado por você também.
Jogo meus cabelos para trás e fico encarando um dos cantos da sala, pensativa. Não é nenhuma surpresa para mim. Harry estava repetindo isso há semanas, ele não fazia o tipo calado quando o assunto era falar sobre sentimentos. Mas ele estar apaixonado por mim não ajudava também. Aquilo só significava que a decisão teria que partir de mim.
Enquanto eu estava em Londres, era fácil me questionar sobre o quanto o sentimento dele poderia ser recíproco em mim… Mas estar ali, e tê-lo tão perto e tão lindo, ao alcance das minhas mãos e da minha boca, mudava tudo. Eu só não sabia quanto da de Londres ficaria contente em namorar com um cara que só está disponível às três da manhã através de uma ligação rápida pelo celular, em noventa por cento do tempo.
Estou em silêncio quando a voz de um dos garotos cantando começa a soar alta para nós ali na sala. Lottie dá dois tapinhas na minha coxa e se levanta, puxando-me para acompanhá-la.
- Vamos lá assistir ao show do seu namorado. Você pode continuar reclamando mais tarde.

Lottie vai saltitando à minha frente durante todo o percurso, tagarelando sobre as lojas que precisamos visitar em LA, e só para quando sua voz se torna inaudível graças à música que os garotos cantam.
Nós duas vamos parar em um corredor ao lado do palco, onde é possível enxergar os quatro de costas para nós, interagindo com a plateia. Gemma está ali, e eu, mesmo sem jeito, a cumprimento com um breve aceno de mãos. Ela responde animadamente e com um sorriso muito parecido com o de Harry, provocando um sorriso em meus lábios também. Lottie me deixa onde estou e caminha até ela, virada de costas para o palco. Ela começa a gritar alguma coisa, e Gemma parece concentrada tentando escutar. Solto uma risada e mordo os lábios, voltando a prestar atenção nos garotos.
Eles são animados, concluo quando começo a martelar minha perna no chão conforme a batida da música e tenho que me controlar para não ir além disso. Tento prestar atenção em todos eles, cortando o show de luzes que os iluminam, mas meus olhos se fixam em Harry em quase todo o tempo, que pula para todos os lados, corre, gesticula e tenta alguns passos de dança vez ou outra, sem sucesso. Estou totalmente dentro do show enquanto eles cantam, murmurando baixinho as partes que conheço das músicas que apresentam.
Durante uma das pausas em que eles conversam com as fãs, Harry anda com paciência até a porta do corredor onde eu, Lottie e Gemma estamos, e eu fico um pouco perdida com aquilo. Era permitido que ele desaparecesse do nada?
- Ei! - diz ele, levemente sem fôlego. Uma garota dos bastidores joga uma toalha e uma garrafa de água em sua direção, e ele alcança tudo de primeira e com certa maestria - E aí?
- Você é ótimo. - elogio, gritando para que ele possa me ouvir, depois pigarreio, corrigindo - Vocês todos são.
Ele sorri, limpando o suor do rosto com a toalha e bebendo um gole de água. Eu tento não olhar demais enquanto ele faz isso, mas sinto a leve cotovelada de Lottie em meu estômago, avisando para eu me recompor. Balanço a cabeça e viro o rosto para o palco novamente, mas Harry dá dois passos até mim e segura meu rosto, selando nossos lábios.
- Só mais três músicas e podemos dar o fora daqui.
Ele volta ao palco cantando pelo microfone a introdução de The Wolves, e eu reconheço a música que tocou no carro no dia da praia durante nosso beijo. Solto uma risada sozinha, e pela expressão de Lottie, tenho certeza de que ela me acha maluca.
- Falling from high places, falling through lost spaces, now that we’re lonely, now that there’s nowhere to go - canta ele pelo microfone, e quando termina, vira para o lugar onde estou e dá uma risadinha também.
Agora Lottie tinha entendido.

Já passa da uma da manhã quando Harry sai do camarim secando os cabelos molhados com uma toalha e usando uma camiseta branca confortável. Ele era o primeiro dos três garotos a sair do chuveiro enquanto estou sentada no sofá analisando minhas unhas e um pouco entediada. Gemma e Lottie entram pela sala no mesmo momento em que Harry aparece.
- Onde vocês vão? - pergunta Gemma.
Harry balança a cabeça, sem me olhar.
- Vamos comer alguma coisa e ir para o hotel.
- Posso ir junto? - pergunta ela e eu sinto a animação em sua voz.
Harry solta um risinho que eu tenho certeza que virá acompanhado de um “acho melhor não” se eu deixar ele continuar, por isso me precipito:
- Claro que pode!
- Você tem certeza? Não quero ser um incômodo…
Agora Gemma estava se direcionando a mim, e Harry estava de fora, olhando de um rosto para o outro. Eu confirmo que está tudo bem e que será um prazer, e ela se distancia, avisando que irá pegar seu casaco. Lottie dá de ombros:
- Eu ia deixá-los sozinhos, mas se a Gemma vai, eu também vou.
- Onde iremos? - Louis interrompe assim que aparece.
Harry suspira, escorando-se no sofá e se dando por vencido:
- Jantar.

Gemma decide pegar carona comigo e Harry, enquanto Lottie e Louis decidem ir no próprio carro. Durante o trajeto, percebo o quanto estou cansada, lutando para deixar meus olhos abertos ao sentir o carro balançar. O restaurante onde paramos é bastante informal. As luzes brancas ajudam a afastar um pouco do meu sono.
Lottie senta do meu lado esquerdo, agarrada ao meu braço como uma criança, Gemma à minha frente com Louis ao seu lado, e Harry à minha direita, segurando minha mão com bastante firmeza.
- O que vocês vão fazer amanhã? - Gemma pergunta para mim e Lottie.
A garota ao meu lado se apressa em responder, fazendo uma pose sorridente.
- Vou levá-la às compras! Quer ir com a gente?
A irmã de Harry concorda imediatamente.
- Vão atrás de roupas? Ou maquiagens?
- Não faço ideia. A Lottie sempre decide meus destinos. - respondo.
- Ela faz isso com você também? - Gemma sorri.
Nós começamos a rir quando Lottie faz uma expressão exagerada de aborrecimento, como se nada daquilo fosse verdade. Para provocá-la ainda mais, eu, Gemma, Harry e Louis começamos a trocar experiências sobre todas as vezes em que ela agira como se soubesse exatamente o que era o melhor para nós. Após a quinta ou a sexta história, ela já havia desistido de tentar se defender e escuta tudo de forma entediada, pois sabe que é a única maneira de nos fazer parar - o que só fazemos em meio a risadas quando nossos lanches chegam.
Ao fim da noite, por sorte, Harry parece tão cansado quanto eu me sinto. Eu nunca o vira tão quieto. O silêncio vai chegando para todos aos poucos, até mesmo para Lottie. Quando Harry olha para o relógio e oferece o pulso para que eu verifique também, já passa de três horas da manhã - ele propõe irmos embora, e todos aceitamos no mesmo momento.

O elevador já deixara Gemma no andar de seu quarto quando a porta se abre e os irmãos Tomlinson saem. Começo a andar para acompanhá-los, mas Harry me puxa pela mão, impedindo-me. Lottie se vira:
- Vamos? - diz ela, erguendo as sobrancelhas enquanto me espera.
Viro-me para Harry, esperando que ele explique alguma coisa a mim ou a ela que fosse.
- Ela vai dormir comigo essa noite. E todas as próximas em que estiver por aqui.
Ele tenta um sorriso simpático e forçado de desculpas, me fazendo rir.
- Sem chances! Eu trouxe ela pra cá! - discute ela, tentando me puxar pela outra mão, mas eu a interrompo.
- Prometo que amanhã você pode me levar onde quiser, me maquiar como quiser e fazer o que quiser com o meu cabelo. Posso ficar com ele hoje?
Ela direciona a Harry um olhar descontente e sai revirando os olhos.
- Eu vou te cobrar por roubar minha melhor amiga, Garoto Cacheado. - diz ela, dando as costas a nós.
Louis levanta a mão direita em um aceno de despedida silencioso e sai arrastando os pés logo atrás de Lottie.
A porta do elevador finalmente se fecha e Harry me puxa pela cintura para ficar bem em frente a ele. Sua boca está direcionada à minha, mas ele não parece prestes a me beijar.
- Minha irmã, Lottie e Louis? Pra um jantar depois de um mês em que fico sem te ver? Sério?
Começo a rir, afundando uma de minhas mãos em seus cabelos.
- Ah. Foi divertido, não foi?
“U-hum”, murmura ele, a boca cada vez mais próxima da minha.
- Mas eu tinha outra coisa planejada pra quando fosse te ver. - diz ele, mordendo levemente meus lábios e os cantos da minha boca, enquanto a sua língua provoca a minha sem verdadeiramente tocá-la.
A porta do elevador se abre e ele me empurra pra fora, sem desgrudar o corpo do meu. Sua boca está se arrastando por todo meu pescoço até ele encaixar o cartão na porta e a abrir de uma só vez. Eu tenho que lembrar a mim mesma de respirar quando já dentro do quarto ele volta a me empurrar pra parede e puxa uma das minhas pernas ao redor de seu corpo, a mão inteira apertando minha coxa enquanto pressiona o volume de suas calças contra as minhas. Sua mão livre sobe por toda a minha cintura até chegar em meu peito e tudo aquilo combinado com sua boca deslizando para o meu colo me faz suspirar mais alto do que planejo. Ele para.
Meu peito sobe e desce vergonhosamente, impedindo-me de disfarçar meu estado. Harry encosta a testa à minha, e pelo menos posso ver que ele está tão alterado quanto eu. Ele volta a me beijar, sorrindo com o sucesso de seus toques, mas desta vez seus lábios são gentis e calmos, acalmando nossas respirações. Ele me conduz até a cama devagar e me deita, se posicionando ao meu lado. Nosso beijo aos poucos é substituído por mãos calmas que afagam, até virar apenas nós dois, abraçados e adormecidos.


Acordo sozinha no dia seguinte, e me sinto um pouco perdida quando abro os olhos e percebo que estou com a roupa do dia anterior, deitada na cama em um lugar nada convencional e ninguém mais no quarto. Quando tateio pelo meu celular no criado mudo, descubro que já passa do meio dia e já recebi oito chamadas de Lottie. Ao lado do telefone, um bilhete de Harry:

“Te vejo à noite, xx
Harry”


Franzo a testa para o pedaço de papel e respiro fundo. Te vejo à noite? Não era aquilo que eu estava esperando ler, e nem o que eu esperava quando decidi largar tudo em Londres, mesmo que temporariamente, para ir até LA. Levanto-me da cama pouco satisfeita e vou direto ao banho, para só então retornar as ligações de Charlotte.
- Eu estava prestes a mandar eles arrombarem a porta do seu quarto! Qual é o seu problema?! - ela grita assim que atende.
Rio pelo telefone, nem um pouco surpresa. Após oito ligações, e conhecendo Lottie como eu conhecia, nenhuma reação não exagerada se encaixaria na situação.
- Eu estava dormindo.
- Pensei que estivesse morta. Te liguei um milhão de vezes e bati no seu quarto por horas seguidas.
- Desculpe. Onde você está? Estou com fome.
Ouço Lottie soltar o ar de seus pulmões do outro lado da linha, e responder um pouco mais controlada.
- Estou com a Gemma. Vou passar para te buscar. Me espere no estacionamento.
Seco meus cabelos e desço, não me importando com maquiagem. Quando Lottie chega, sua feição se contorce em uma expressão horrorizada assim que entro no banco traseiro do carro:
- Acabou sua base? Seu delineador, e seu rímel?
Gemma, que está no banco da frente, gargalha ao seu lado, virando para trás para me encarar por entre os bancos e analisar meu rosto limpo. Reviro os olhos:
- Eu acabei de acordar! Me dá um tempo, Charlotte.
- Tem uma necessaire ao seu lado. Se vira. Não vou descer do carro com você desse jeito.
- Deixa a garota! - Gemma me defende, virando-se novamente para o meu lado - Não tem nada errado em não usar maquiagem. Eu não uso a maior parte do tempo.
- E nós já conversamos sobre isso. - Lottie responde, erguendo as sobrancelhas na direção da garota ao seu lado.
Gemma e eu rimos juntas, balançando a cabeça - não havia outra forma de lidar com Lottie se não com humor, mas no fim acabo me rendendo ao delineador e ao rímel. Acabo optando por um lanche qualquer ao invés de um almoço elaborado logo depois de acordar, elas me levam a uma cafeteria e nos sentamos em uma das mesas mais distantes no canto.
- Entãaao… - Lottie começa, as mãos entrelaçadas em sua frente enquanto eu mastigo um pedaço do croissant que escolhi - Os garotos estão com a agenda cheia hoje. O que você quer conhecer primeiro? A calçada da fama? Malibu?
Balanço a cabeça em negativa.
- Vocês escolhem. Sou toda de vocês.
- Compras. - elas afirmam, juntas.
Dou de ombros, concordando.
- O que os garotos vão fazer hoje? E como você está aqui? - pergunto à Lottie. Se os garotos estavam em horário de trabalho, ela também não deveria estar?
- A Lou me deu folga pra sair com vocês. Eles vão ficar ensaiando agora a tarde, e à noite tem o último show aqui.
- E depois vocês vão para onde?
Lottie e Gemma se encaram, confirmando uma para a outra o destino:
- Acho que é San Diego. - as duas respondem juntas.
Mas quando elas falam, acabo dando de ombros por perceber que não me importava verdadeiramente. Após Los Angeles nossos caminhos não seriam mais os mesmos, de qualquer forma.
Termino de comer e elas me levam para uma ruazinha estreita e abarrotada, tanto de pessoas quanto de produtos expostos. Com tanta gente ali, ninguém parava para notar ninguém. Não era o tipo de rua onde imaginei Gemma se divertindo, mas ela parecia interessada em todas as lojas pelas quais passávamos. Era o tipo de lugar onde você conseguiria encontrar tudo o que imaginasse e até o que você nem sequer imagina. No fim da tarde, saímos com dezenas de sacolas preenchidas com os mais diversos produtos, e completamente exaustas.
Jantamos no próprio hotel, cansadas demais para pensar em um destino alternativo. Depois, mesmo sem pensar em convidá-las para o quarto de Harry por só desejar deitar um pouco e descansar, elas me acompanham e se deitam na cama ao meu lado, entretidas com as coisas que compraram. Eu até tento acompanhá-las, mas não leva muito tempo para eu adormecer em meio a suas vozes.
Estou sonhando com ensaios e um show dos garotos, cheio de luzes e barulho ao redor quando alguém segura minha mão, e abro os olhos para encontrar Harry sentado ao meu lado no quarto à meia luz. Sento-me na cama, ainda um pouco adormecida.
- Oi. - murmuro com um sorriso, olhando para todos os cantos do quarto e tateando na cama por algo que não sei o que é - Charlotte e sua irmã? Onde estão?
Ele ri, e eu demoro a perceber que é de mim.
- Elas estavam aqui.
- Elas devem ter ido embora quando você dormiu. Já passa de uma da manhã agora. - diz ele, deitando-se em um lado da cama e me puxando para deitar novamente, agora de frente para ele.
- Como foi o show de hoje?
Eu me deito, aceitando seu braço para apoiar a cabeça e fecho os olhos, tentando me manter acordada para escutar sua resposta.
- Foi legal. Achei que você iria nos assistir.
Sorrio, sentindo sua mão afagar meu cabelo e tendo certeza, mesmo de olhos fechados, que seus olhos estavam sobre mim.
- Eu estava sonhando com o show. Conta?
Mas eu não lembro de sua resposta, pois volto a adormecer.

Na manhã seguinte, sou eu quem acordo e dou de cara com Harry ao meu lado. O rosto sereno e a respiração levemente pesada. Ainda é cedo e eu me esforço para não acordá-lo quando levanto da cama, mas ele acorda mesmo assim.
- Bom dia. - Sua voz está com o tom rouco de todas as manhãs e ele se espreguiça antes de ficar em pé também.
- Ei. Pode dormir. Ainda é cedo.
Ele consulta o relógio na cabeceira, que marca nove horas da manhã. Eu sabia que as duas últimas noites não haviam sido suficientes pra rotina que ele costumava ter, mas ele balança a cabeça e não volta a deitar.
- É o seu último dia aqui. Não vou perder tempo dormindo.
Apesar de preocupada com o cansaço que estava infligindo a ele, não posso deixar de me sentir satisfeita com sua escolha, sorrindo ao vê-lo caminhar até o banheiro antes mesmo de mim.

Styles sempre opta por ele mesmo dirigir quando estamos juntos, alegando preferir privacidade ao estar comigo. Ele não me pergunta aonde eu quero ir, e de início também não pergunto aonde ele está me levando. É uma manhã ensolarada e de clima confortável.
- A que horas temos que estar de volta? - pergunto, o vento entrando pela janela aberta e bagunçando meus fios de cabelo, mas não me importo.
De óculos escuros e com os cabelos soltos também, ele vira o rosto para mim rapidamente, sorrindo.
- Estou com o dia livre.
Eu grito uma expressão de comemoração, erguendo os braços enquanto o faço, fazendo Harry rir.
- Apesar de que acho que vou deixar Charlotte e Gemma bem decepcionadas com nosso desaparecimento hoje.
- Seus planos para nós hoje levam o dia inteiro?
Ele solta uma risadinha pelo nariz, pousando a mão sob a minha.
- Eu tenho uma vida inteira de planos para nós, meu amor.
Ele soa tão galanteador, que eu sei bem que uma frase como aquela não é o tipo de coisa a ser levada a sério, por isso não é difícil rir quando ele termina de falar. Em nenhum momento o trajeto que Harry segue parece o caminho para os pontos turísticos que eu já havia escutado falar de Los Angeles. As ruas são sempre de bairros residenciais, com grandes casas e terrenos extremamente limpos. Minha primeira viagem aos Estados Unidos já revela o grande contraste entre a Europa e a América, e Harry vai me explicando e apontando cada detalhe enquanto avançamos. Já estamos há mais de meia hora dentro do carro em movimento quando ele decide ligar o GPS e digita Mt Lee Dr. Eu nunca havia escutado nada sobre este lugar, por isso, decido acabar com a surpresa:
- O que é Mt Lee Dr? - pergunto, lendo o nome no computador de bordo do carro.
- Uma rua. Para o letreiro de Hollywood.
Ergo as sobrancelhas, satisfeita. O letreiro de Hollywood era algo interessante, afinal. O caminho é longo e cheio de aclives, e após entrarmos em diversas travessas e ruas cada vez mais estreitas, acabamos em um pedaço de curvas sinuosas com alguns pedaços de estradas de terra, cercadas por uma vegetação rala e de terra arenosa, exatamente como achei que seriam as paisagens naturais da Califórnia. Após uma última curva, damos de frente com um terreno fechado, algum tipo de estação com várias antenas e torres. Harry vira à esquerda e estaciona o carro no meio do nada, ao lado de outro carro que tenho certeza que era de turistas também. Dali de cima, é a primeira vez que noto o quanto havíamos subido. Los Angeles inteira estava abaixo de nós e a paisagem deixaria qualquer um maravilhado.
Desço do carro e dou uma volta de 360 graus parada onde estou, para poder contrastar os dois opostos. Enquanto de um lado não havia absolutamente nada além de montanhas e uma vegetação extremamente seca, do outro estava a cidade majestosa com um lago azul bem ao centro de nossa visão.
- Onde está o letreiro? - pergunto tentando um pouco de vento enquanto me abano com as próprias mãos.
Estava muito quente.
- Pra baixo de nós. - diz ele, indicando com a cabeça o outro lado da rua que deixamos para trás.
Harry me oferece a mão e começa a andar despreocupado pelo caminho já íngreme do qual viemos até a cerca que limita a estrada e a montanha. Ali, estão dezenas de placas em vários idiomas avisando que aquele era o limite para turistas. Quando estamos próximos o suficiente, consigo ver, além da montanha extremamente íngreme, alguns pedaços do letreiro de Hollywood muito próximo, mas de costas e com a escrita espelhada.
- Hum. - comento, esticando-me para além da cerca e um pouco decepcionada - Acho que ele deve ser mais interessante quando visto de frente.
Harry ri, analisando o lugar onde estamos, e concorda com a cabeça.
- Também acho. - diz ele, e eu sinto que algo está implícito naquela frase, mas não faço comentário nenhum.
As únicas outras três pessoas do lugar estão há uma distância segura de nós, sem mal nos notar. Eles trocam de lugares com uma câmera em mãos, fotografando a cidade dali do alto e rindo em alto e bom tom. Harry decide copiá-los, e me obriga a posar para ele também, enquanto ele gira com o celular em mãos e em minha direção, me manda sorrir, passar a mão nos cabelos, olhar para ele ou qualquer outro lugar. Quando ele já tirou as fotos de todos os ângulos possíveis, volta a caminhar até mim, analisando o próprio trabalho com um sorriso satisfeito no rosto.
- Eu não sei se eu que sou um bom fotógrafo, ou você que é uma modelo sensacional. - ri ele depois de checar a primeira foto que tirou, segurando em minha cintura e grudando a boca na minha.
Correspondo ao beijo ainda sorrindo com o elogio e jogando meus braços ao redor de seu pescoço. O barulho da câmera de seu celular soa mais uma vez em sua mão e eu começo a rir, ele tira outra foto. Quando ele me mostra, fico satisfeita com a imagem colorida e com boa iluminação em uma posição linda como a que estávamos.
- Me manda depois. - peço, voltando a olhar para a paisagem atrás de nós - Para onde vamos agora?
Harry se vira de um lado para o outro, até constatar que os turistas que ali estavam antes, não estão mais.
- Para o letreiro de Hollywood.
Eu o encaro com os olhos semicerrados, sem entender nada. Nós já não estávamos no letreiro de Hollywood? E entro em pânico quando Harry passa as longas pernas por cima da cerca e pula para dentro do lugar. Arregalo os olhos, falando baixo como se alguém pudesse nos ouvir:
- O quê você está fazendo?! Volta aqui!
Harry ri do outro lado, segurando em minha mão e esperando que eu o acompanhe. Começo a gesticular com a cabeça em negação, freneticamente.
- Tem um milhão de avisos dizendo que é proibido ultrapassar, Styles! Volta! - estou apavorada. Já havia escutado falar sobre como as coisas nos EUA eram, e sobre como as leis eram severas ali. Eu não havia atravessado o oceano para ser presa. Quando falo isso em voz alta, Harry apenas responde, achando graça:
- Você já está em lugar proibido, meu amor. Havia um milhão de placas na estrada falando para retornarmos.
- O quê?! Volta, volta, volta. – digo e tento puxá-lo, mas ele nem se mexe, por isso imploro - Vamos embora, por favor.
Meu coração está disparado e eu começo a virar para todos os lados, com medo de que em algum momento apareçam policiais por todos os cantos.
- Não vai acontecer nada. Eu juro.
Eu paro para encará-lo e de uma maneira muito errada, o olhar dele consegue me acalmar. Os olhos, que daquele ângulo eu não conseguia decidir se eram verdes ou azuis, o sorriso confiante no rosto e sua mão segurando a minha com firmeza, me convencem a erguer a perna e ir parar ao lado dele. Se já estávamos em lugar proibido… O que eram mais alguns passos, afinal?
A montanha é extremamente aclivada e o solo seco parece fácil de resvalar. Por isso, Harry envolve minha cintura com um dos braços à fim de me ajudar. Ele tem que ter paciência - não sou o tipo de garota acostumada com caminhadas, trilhas ou qualquer coisa do tipo. Nós vamos parar em um caminho levemente marcado por outras pessoas que já haviam ultrapassado os limites anteriormente - o que de certa forma ajuda a me acalmar, se outras pessoas já haviam estado ali, não era a mim e a Harry que iriam descobrir.
Mas esse pensamento só continua até estarmos a cerca de cem metros do nosso destino, onde Harry tem que me segurar com mais firmeza porque um pedaço do trecho está liso demais e eu quase caio - é no meio disso que um alarme extremamente alto começa a soar e eu demoro a entender que o alarme soava graças a nós dois - nós dois em um lugar onde não deveríamos estar. A expressão de Harry fica preocupada pela primeira vez, simplificando para que o pânico se alastre por todo o meu corpo. Como ele poderia estar preocupado?! Ele não tinha certeza de que nada aconteceria!?
- Harry… - sinto minha voz tremer quando falo o nome dele, esperando que ele me explique alguma coisa.
- Nós temos que ir embora. - diz ele, tirando o celular do bolso e o erguendo para tirar uma foto. Eu não entendo nada e começo a tentar empurrá-lo para subir.
- Você está maluco? Sobe!
Harry tira a foto e eu me impressiono, ainda descrente, com o sorriso que ele dá para a câmera. Ele tenta subir a passos largos, mas se a descida já era difícil, a subida era ainda pior e nós levamos o dobro de tempo e gastamos o dobro do fôlego para voltarmos até a cerca, onde, para o meu desespero, caminham em nossa direção dois policiais que seguram armas enormes em mãos, e apesar de elas não estarem empunhadas, ainda causam arrepios na minha espinha. Eu paro onde estou, engolindo em seco e imóvel, erguendo os braços para o alto de forma patética, mas não sei o que mais posso fazer para mostrar que não ofereço perigo algum. Harry leva mais tempo que eu para perceber, e quando o faz, se posta em minha frente como se estivesse me protegendo e espera que eles se aproximem, sem se mover.

Is the 1D boy our new badboy?
Estrela da One Direction cria confusão em Los Angeles.

Imagine nossa surpresa ao descobrir que um dos rostos da boyband britânica ficou perigosamente mais atraente: Harry Styles (21), foi fotografado saindo de uma delegacia em Hollywood, onde pagou uma multa por invasão de propriedade privada.
Acontece que, como se não bastasse ter um rostinho lindo - e um quê de rebeldia também -, o gato passou por toda essa confusão por amor. A suposta namorada, (21), estava junto a Harry durante o ocorrido, e ao que tudo indica, os dois resolveram se aventurar durante o encontro romântico.
O casal pulou algumas das barreiras de restrição por trás do Monte Lee, disparando diversos dos alarmes recentemente instalados pela polícia de Los Angeles, e chegou até a registrar o momento do crime!
A pergunta agora é: como alguém pode continuar tão bonito mesmo após sair do xadrez?

O artigo era curto e, em alguns pontos, exagerado. Logo que o texto terminava, havia a foto que Harry postou no Instagram: ele está com os lábios esticados em um sorriso, minhas sobrancelhas e meu rabo de cavalo aparecendo logo acima do seu ombro enquanto tento empurrá-lo, embora meu rosto continuasse oculto. Os dois “L” e um pedaço do “Y” apareciam logo atrás de nós dois, assim como um pouco da vista de LA, o que me fez abrir um sorriso. Logo em seguida ele postara outra foto, minha, de costas para a câmera e olhando para a paisagem que se estendia tão longe quanto a lente podia enquadrar, e então havia a legenda, logo embaixo, fazendo outro sorriso surgir em meu rosto: “Que vista.”
Também postaram fotos que os paparazzi tiraram quando saíamos da delegacia, logo depois de pagar a multa, mas não estava muito afim de me ver em todas elas, de forma que bloqueei o celular. Harry me encarava, saboreando a casquinha de sorvete com uma expressão divertida.
- Você é oficialmente uma quebradora de regras. - Lambe o sorvete que escorre para seus dedos, os olhos em mim.
- Espero que isso te mantenha acordado à noite.
Styles me olha com uma expressão de descrença, prestando bastante atenção em meu rosto.
- Não estou preocupado com isso. Tenho certeza que outra coisa é que me manterá acordado essa noite. Mordo meus lábios ao encará-lo, sabendo exatamente do que ele estava falando. E ansiosa para voltarmos até o hotel.

Acordo no dia seguinte com a perna e o braço de Harry enlaçando meu corpo e me mantendo imóvel. Seu rosto adormecido está ao meu lado, inspirando e expirando calmamente o ar de seus pulmões. Fico um tempo ali, admirando-o, até que meu tempo se torne realmente escasso e não me reste outra escolha a não ser levantar e começar a arrumar minhas malas. Tento me desfazer de seus braços da melhor maneira que posso, mas logo lembro de onde havia deixado minhas roupas na noite anterior, e rio quando puxo o lençol e me enrolo nele, acordando Harry.
Ele me encara e estica o braço em minha direção. Os olhos cansados e a voz suplicante:
- Não vai. Volta aqui.
- Já estou super atrasada. - respondo, rindo e seguindo em direção ao banheiro para tomar banho.
Quando volto ao quarto, enrolada na toalha, Harry está sentado na cama, vestindo apenas uma calça de moletom escura e com uma badeja de café da manhã ao seu lado. As roupas que estavam no chão já não estão mais, e quando as procuro, elas estão dobradas em cima de um balcão. - Bom dia. - diz ele, um sorriso de canto tomando seus lábios e seu braço me chamando para me juntar a ele.
Sorrio e caminho até onde ele está, esticando meu braço também para poder tocar sua mão antes mesmo de poder me sentar em uma de suas pernas, mas apesar de tudo, sinto algo errado dentro de mim quando ele pousa a mão em minha cintura e seus dentes puxam meu lábio inferior gentilmente, para só então tocar minha língua com a sua própria em um beijo doce. Quando nos separamos e Harry tocou um de meus ombros com os lábios, eu sei que ele está pensando na mesma coisa que eu.
- Café da manhã? - diz ele com um suspiro, a voz está mais baixo que o normal.
Eu até podia estar com fome. Mas o nó no meu estômago pela despedida que se aproximava de nós não me permitiria colocar nada na boca, então nego com a cabeça, tocando seus cabelos e os puxando para trás para poder ver seu rosto direito antes de me levantar e procurar uma roupa para vestir.
O resto do tempo que separa aquele momento até a hora em que fecho o zíper da mala segue com poucas frases trocadas - basicamente Harry me oferecendo ajuda, perguntando mais de uma vez sobre o horário do voo, e brincando sobre improváveis situações que me permitiriam ficar nos Estados Unidos com ele por mais tempo.
- Três dias por aqui e eu já fui presa por você, Styles. - falo em tom de julgamento - Preciso voltar a Londres e retomar meus bons modos.
Encaro-o de onde estou, sorrindo, e ele respira fundo, passando a mão nos cabelos. Sinto que o clima ficou ainda mais tenso entre nós quando coloco minha mala no chão, e ofereço a mão livre a ele para ajudá-lo a levantar para me acompanhar.
Ele segura em meus dedos, mas não se levanta. Ao invés disso, me puxa para si e, com o rosto levantado em minha direção, engole em seco.
- Fica. - murmura ele, entrelaçando os dedos nos meus.
Solto uma leve risada e me posiciono entre suas pernas, afastando os longos fios de cabelo de sua testa e deixando que meus lábios toquem sua pele várias vezes.
- Eu preciso ir.
Até eu me surpreendo com quão doce minha voz soa, por isso solto uma risada sem graça. Harry balança a cabeça, como se eu não tivesse entendido.
- Fica comigo. Com você aqui ou em Londres, eu quero que você fique comigo, com milhões de quilômetros nos separando, ou mesmo quando estamos juntos assim. - diz ele, obrigando-me a sentar em uma de suas pernas e afastando a mecha de cabelo que cai sobre o meu rosto.
Eu permaneço em silêncio, sabendo aonde ele queria chegar.
- Eu quero você. - completa ele.
Eu tinha plena consciência do que aquilo significava. Eu tinha certeza que cedo ou tarde eu teria que tomar uma posição sobre aquela situação.
Fechei os olhos tentando organizar todos os pensamentos em minha cabeça. Os prós. Os contras.
Não me importava que nossos rostos estivessem tão próximos e nem que seus olhos me pedissem por uma resposta. Eu não conseguiria tomar a decisão certa se não fechasse os meus e ignorasse o turbilhão de sentimentos que se apossavam de mim enquanto nossas respirações eram uma só.
Eu sabia que ele me amava. Eu tinha certeza disso.
E o meu coração batendo tão forte contra o meu peito parecia querer gritar que eu sentia o mesmo.
Muitas pessoas me perguntam qual é o meu maior medo, e eu sei que deveria responder "lugares muito altos" ou "lugares muito fechados" ou até mesmo "palhaços". Sempre hesito por um longo período de tempo, porque não sei como dizer - e só agora, com Styles me encarando tão esperançosamente, é que por fim aceito a verdade - que com meus antigos relacionamentos aprendi que os mesmos motivos que fazem você se apaixonar por alguém, são a causa do fim do relacionamento. Que a adorável teimosia se torna medo de compromisso, e a personalidade decidida vira apenas mais uma forma de imaturidade, e as pernas em cima da mesa deixam de ser charmosas e se tornam apenas mais uma distração. Nada me entristece ou me assusta mais do que pensar que me tornarei uma coisa horrível para alguém que via todas as estrelas nos meus olhos.
Já havia dito à Lottie que amar alguém era mais uma escolha do que um sentimento, e naquele momento, com seus olhos em mim e suas mãos quentes me tocando, nunca tive tanta certeza. Amar alguém é um comprometimento consciente. É algo que você faz com que funcione todos os dias, com uma pessoa que escolheu o mesmo. Parece óbvio para mim que em algum momento, por mais breve que seja, a sensação do amor se esvai. Sentimentos estão sempre mudando e não podemos construir toda uma vida na ideia de algo tão instável.
É fácil para eu entender o porquê de casamentos arranjados darem certo. A diferença entre um sentimento e um comprometimento. Eu nunca fui por alguém que faria meu coração acelerar e minhas pernas tremerem. Eu sempre fui pelas pessoas que estavam prontas para escolher enxergar algo de bonito mesmo nos meus dias mais feios. Agora, na fraca iluminação das enormes janelas de vidro, eu não sei em que ideologia incerta acreditar.
Styles me ama. Eu sentia isso na forma que o silêncio que se instalou sobre nós não era incômodo - como se ele estivesse pacientemente esperando que eu tomasse a minha decisão. Que eu fizesse a minha escolha, como muitas vezes ele fizera por mim. Era um amor quieto, tácito. Veio sem preâmbulos. Nós nunca dissemos a palavra amor - não acho que precisássemos. Estava no jeito em que ele me beijava, e em como eu queria poder ficar com ele naquele quarto para o resto da minha vida. Era um amor gentil, um amor tátil. Todo mãos, lábios e coração. Havia algo no jeito que nossos corpos se encaixavam e nossos olhos se encontravam. Eu era uma exploradora e ele era um viajante, e nos encontramos no meio de uma encruzilhada. Sei que sempre acreditei que o amor era um tipo de escolha, e poderia jurar que sim até mesmo agora. Mas também vi amor em seu sorriso e soube que era a primeira vez que eu reconhecia aquilo na minha vida.
Tento não sorrir quando me aproximo para beijá-lo, pois sabia que aquilo seria suficiente para respondê-lo. Eu estava escolhendo ficar com ele. Eu estava escolhendo passar a maior parte dos dias e das noites sozinha. Estava escolhendo ver meu namorado poucas vezes em um mês. Estava escolhendo depender de uma ligação ou de uma mensagem para conversar sobre meu dia, e comparecer à maioria dos meus compromissos sozinha. E ainda assim, era a melhor escolha que eu poderia fazer: escolhia, naquele momento, ser dele e que ele fosse meu. E ao mesmo tempo em que eu escolhia todas aquelas coisas, eu também sentia meu coração acelerado bater contra o peito e as minhas pernas tremerem descontroladamente. Afasto minha boca da de Harry, e o vejo sorrir com uma expressão que não demonstra outra coisa a não ser felicidade. Rio para ele, também me sentindo bastante boba. - Agora que estamos namorando, você pode ficar? – pergunta ele. Balanço a cabeça em negativa e me levanto de seu colo. - Não. Mas agora você pode levar minha mala. Os lábios dele se curvam em um sorriso um pouco triste, que ele logo trata de mudar quando saímos pela porta com os dedos entrelaçados, discutindo sobre quem de nós dois irá pegar um avião da próxima vez.



Fim



Nota da autora (Iza): Oláaaaaaa! Espero que gostem tanto das aventuras da principal e do Harry quanto eu e a Cami gostamos de escrevê-las (embora esse anjo que é a Camila tenha feito grande parte do trabalho sozinha).
Queria agradecer a essa autora maravilhosa que me deu A HONRA de saber como é passar por um processo criativo com ela, e que se dedicou tanto para T. e se apaixonou pelos principais junto comigo; Camila, você é sem igual! Fico muito feliz de poder ver de pertinho como uma escritora tão incrível quanto você trabalha. (Juro, pra vocês terem noção, fiquei tentada a deixar ela escrever a fanfic inteira sozinha só pelo prazer de ler as cenas que ela descrevia).
Infelizmente a história dos nossos protagonistas fica por aqui, mas vocês podem acompanhar o trabalho maravilhoso da Cami em We Got A Secret e se apaixonar por esse jeitinho de escrever junt comigo.
Obrigada!
Xx

Nota da autora (Cami): A ideia de escrever alguma coisa com a Iza já é antiga. Desde o momento em que dei de cara com Awaken e me apaixonei pela forma como ela descrevia tudo tão minunciosamente, fazendo com que nos sentíssemos verdadeiramente dentro da cena. Isso já tem mais de dois anos! Então eu mal posso explicar o quanto me sinto honrada em finalmente conseguirmos cumprir isso e o quanto fiquei impressionada com ela, sem esforço, cria cenas incríveis e cheias de criatividade! Quando tenho que falar de amor por alguma autora, a Iza é sempre a primeira que me vem a cabeça. Além do mais, ela dedicou seu tempo em Londres pra finalizar T, então isso só demonstra o quanto ela é apaixonada pelo o que faz! Hahah Obrigada e mil vezes obrigada, por esse prazer imenso que é criar algo com você e por T. ter nos aproximado ainda mais como amigas! Não deixem de ler as outras histórias dela, juro que ficarão muito satisfeitos com o que vão encontrar! Treacherous foi se moldando aos poucos, com inúmeras ideias iniciais, e formando esses dois personagens por quem acabei me apaixonando enquanto nós os criávamos. Apesar da dificuldade em descrever um romance em menos de 40 páginas, fiquei muito satisfeita quando chegamos ao final e percebemos que tudo se encaixou! Não deixem de comentar e de nos darem suas opiniões. Não tem coisa mais importante pra quem escreve do que um feedback, haha.
Beijo, beijo! Feliz 2016!




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