“Olá, do futuro.
Talvez você não se lembre de mim, vou me apresentar.
Me chamo Roseline Andersen, tenho doze anos e sou você no passado.
Sou você com inúmeros sonhos e planejamentos; sou o que você vai sentir saudade quando tudo estiver complicado nessa fase adulta. Eu sou a sua melhor parte, você vai saber disso na hora certa, por enquanto estamos em conflito, odiando uma a outra um pouquinho. Te digo que é normal, às vezes bate aquela desavença entre o presente e o futuro, daí entra o passado junto e pronto, tudo vira uma porcaria. Mas a gente consegue, eu sei disso.
O intuíto dessa carta é para lhe lembrar, todas às vezes que você estiver em dúvida, o quão importante somos. Assim como manter o foco do que queremos.
No momento, eu estou querendo muito comer o bolo que a vovó está servindo para as visitas, mas mamãe não deixa porque meu regime deve ser mantido, por precaução no balé. Venhamos e convenhamos, não é como se eu fosse ficar obesa com um pedacinho. (Uma pausa para revirar os olhos). Então, aqui vai uma tarefa para você: comer tudo o que quiser. Você pode, você deve.
Além do bolo, já terminou sua faculdade? Iniciou aquele blog? Disse à sua mãe que quer trabalhar?
Não perca tempo, . Não deixe que os outros façam de você o que eles querem que você seja. Faça seus próprios sonhos.
Seja você a sua própria salvadora.


Capítulo Único

sentiu o frio na barriga aumentar quando ouviu seu nome ser chamado para entrar na sala de reuniões da chefe de RH do edifício da gloriosa revista Eudhora. Sua barriga estava roncando por causa de ansiedade, suas pernas poderiam lhe trair a qualquer minuto e a deixar cair. Em vinte e oito anos de vida nunca havia participado de qualquer processo seletivo para alguma vaga de emprego. Fora acostumada a ter tudo sem precisar mover um dedo para conseguir, sendo filha de pais de classe média alta e casada com um homem à mesma altura, que lhe dava uma boa vida, somente tendo que se preocupar com cuidar de casa e do casamento. Ou seja, sempre fora sustentada por terceiros, nunca por si só.
E era por esse motivo que a senhora estava entrando naquela sala tremendo dos pés à cabeça, ela estava cansada de não ser de si mesma. Não que estivesse reclamando do carro do ano que tinha, das milhares de roupas que podia comprar com o cartão de crédito do marido; ela só não queria mais ser aquela pessoa. Ela queria viver por si, ajudar a pagar as contas de casa, chegar tarde do trabalho igual ao marido; queria praticar o que aprendera na faculdade de jornalismo. Então procurou pelas revistas que tinha em Nova York e região, dentre elas conseguiu uma entrevista na, muito bem aclamada, Eudhora.
Eudhora era uma revista voltada para o público feminino que gosta de coisas da moda e também se interessa por novidade. A realidade de Diabo Veste Prada, estrelado por Anne Hathaway. Mas, gostava disso, querendo ou não ainda queria ser uma editora de qualquer coluna sobre moda.
Acompanhava todos os programas na televisão nacional e internacional sobre o assunto. Em todas as semanas de moda em Nova York ela arrumava alguma forma de ficar por dentro.
Então quando colocou seus pés dentro da sala e ouviu a porta ser fechada atrás de si, pensou em todas as noites que passara em claro planejando encontrar seu emprego dos sonhos, sua chegada em casa e poder compartilhar a alegria de ter conseguido um emprego bom em um lugar bom, e o melhor de tudo: sozinha. Pensava nos jantares com a família onde partilharia sobre os assuntos empresariais, suas experiências e visões de mercado. Tudo parecia distante, porém não impossível.
Violet Riordan a esperava de pé no centro da sala, entre as duas poltronas que ficavam uma de frente a outra, ela sorriu minimamente à mulher e lhe cumprimentou antes de a indicar que se sentasse em uma das poltronas.
Depois de uma introdução de ambos os lados, Violet decidiu abrir a conversa para o lado executivo.
- Então, senhora , vejo em seu currículo que não há nenhum portfólio de algum trabalho seu. – analisou as folhas em sua mão e franziu o cenho, apesar do anúncio feito por ela própria não haver alguma restrição sobre experiência, era estranho um currículo limpo aparecer em sua mesa. – Vejo que há algum tempo que terminou a faculdade. – Violet levantou o olhar de forma cética para . – Me diga, – se ajeitou na cadeira a olhando por cima dos óculos. –, por que está tentando essa vaga?
E então a olhou por alguns instantes pensando consigo mesma se dizer a verdade de forma explícita era o correto para aquela conversa. Talvez pudesse por em prática tudo o que praticou em frente ao espelho de seu quarto. Mas não foi o que decidiu fazer, talvez encarar sua realidade fosse mais saudável.
- Eu nunca precisei trabalhar. – desviou o olhar. – Meus pais não exigiram isso de mim, nem meu esposo o faz. A faculdade foi uma escolha minha para sair do tradicional padrão de vida da minha filha: esposas voltadas totalmente para a vida dentro de casa e os chás da tarde entre as mulheres para falar sobre coisas fúteis. – virou-se para Violet. – Eu me casei depois que finalizei a faculdade, era meu namorado desde os quinze anos. A faculdade foi o mais longe e fora de padrão que eu cheguei. – sorriu com as lembranças. – Mas agora eu quero viver minha profissão, fora do meu mundo online. Eu quero viver a vida que eu planejava quando tinha dezoito anos.
Violet tirou os óculos e analisou as palavras de com cautela, ouvindo uma por uma sair de forma suave da boca da moça. Se recordou de sua mãe e todo o processo pós divórcio de seu pai que fora bem traumático. Ela também não teve muita opção igual a mulher em sua frente e o seu recomeço foi tardio, porém com muito êxito. Ainda era estranho ver moças jovens, assim como , estarem em um padrão de vida como esse sem ter tido a mínima chance de escolha. Então decidiu não fazer julgamentos, não sabia sobre a vida dela, não podia dizer o quanto aquilo a afetava. Entretanto decidiu abrir aquela porta para ela.
- Seu perfil é o que mais se encaixou, . – colocou os papéis em cima da mesinha ao lado de sua poltrona. – Normalmente não procuramos por pessoas com muita experiência. – tirou o óculos e o colocou junto com as folhas. – A vaga é sua.

era só sorrisos enquanto estacionava seu carro esportivo na calçada de casa. Não se deu o trabalho de colocar dentro da garagem coberta, mais tarde sairia para comprar as coisas que mais gostava de comer enquanto assistia a um jogo de futebol nacional na televisão. Estava tão animada que sequer reparou o corte torto do arbusto no gramado que cobria a volta da varanda de sua casa, não por falta de aviso do jardineiro e de anos da família. Ela só não estava deixando que nada atrapalhasse seu humor.
Entrou pelos fundos da casa, conferindo a limpeza de Morgana, ficou ainda mais contente quando entrou pela cozinha e viu a mulher preparando o almoço que seria amazenado para a janta. Pelo cheiro que emanava ela tinha plena certeza de que na panela Morgana cozinhava uma costela, daquelas bem gordurosas e saborosas. ficaria feliz com o jantar. Não que a comida de sua esposa fosse ruim, mas ninguém resistia às delícias de Morgana. Uma sorriu para a outra. Contudo, por mais que estivesse extremamente feliz, ela queria contar a novidade primeiramente a . Deu uma desculpa fajuta sobre uma consulta ao médico, apenas para que Morgana não questionasse sua ausência naquela manhã que ela estaria fazendo a faxina para .
Morgana sempre fora de confiança para a família de ; sua mãe a tinha como braço direito em casa, tanto que chegou a dar a edícula para que a mulher morasse com seu esposo e filho. Pelo menos uma vez por semana Clary mandava sua ajudande fiel para a casa da filha.
- Eu te conheço há anos, então pode me dizer: qual o motivo desse sorriso todo? – Morgana abriu os braços e se apoiou no enorme balcão quadrado no meio da cozinha, ficando de costas para a pia, analisando abrir e fechar a geladeira.
- Sorriso? Que sorriso? – a mais nova se virou mastigando alguma bolacha, desviando o olhar para não ser pega em sua mentira.
- ... – Morgana cruzou os braços e franziu o cenho. – Assim você me ofende rouxinol.
- Morgana! – exclamou, indignada. – Não sou mais criança para você me chamar assim. – deu a volta no balcão e se postou de frente para a mulher. – E não tem nada, só acordei feliz hoje. O dia está lindo. – deu um beijo em sua bochecha e saiu mastigando a bolacha.
- O dia está nublado, senhora !
riu enquanto subia os degraus da escada em direção ao seu quarto. Foi direto para o guarda roupa, abriu porta por porta analisando suas roupas. Que tipo de roupa deveria usar na segunda, em seu primeiro dia de trabalho? Não sabia. Estava animada demais para isso que não conseguia se concentrar para escolher o que usar. Sentou-se na ponta da cama e pensou por alguns instantes, analisando as opções à sua frente, seria legal usar saia preta tubinho, algum scarpin e uma camisa. Poderia facilmente formar isso seu uniforme.
levantou da cama e fechou as portas do guarda roupa, saiu do quarto e seguiu para a cozinha. Não encontrou Morgana, então gritou que estava saindo novamente e que a mais velha não a esperasse. Entrou no carro e saiu com ele após checar se sua bolsa estava no banco de trás, como de costume. O trajeto até o shopping mais próximo fora calmo e rápido. Antes de se divertir nas lojas parou para almoçar rapidamente. Entretanto, suas compras se estenderam até perto da cinco e meia da tarde. Quando se deu conta do horário seguiu em direção ao mercado, comprou o vinho mais caro e favorito do marido, escolheu o melhor pacote de verduras e ao chegar em casa, depois de se desfazer de suas sacolas de roupas preparou o jantar – apenas a carne fora a que Morgana fez, o resto ela mesma cozinhou.
O som no rádio não estava alto, assim como não estava baixo, mas não viu quando chegou e foi direto ao quarto para se trocar e em seguida descer. O cheiro da comida estava maravilhoso, como sempre, durante o trajeto silencioso que ele fez para se aproximar, viu rebolar sutilmente ao ritimo da música enquanto mexia, provavelmente, o tempero na salada. Não deixou de admirar o quão bonita ela estava, com aqueles movimentos leves e radiando felicidade. Apesar de ser sempre bem recebido em casa quando chegava de um dia totalmente cansativo, haviam alguns diferentes, e aquele era. Alguma coisa devia ter acontecido para deixar sua esposa tão feliz.
sorriu ao ver que ela estava se divertindo e se deliciou em saber que podia lhe deixar confortável em casa, assim como podia confiar que todos os dias depois de horas trancafiado em um escritório financeiro, a teria lá, esperando por ele.
resolveu diminuir o ritimo e foi virando com o corpo de vagar, se assustando com a presença surpresa de seu marido. Sentiu seu corpo formigar ao vê-lo parado em sua frente, vestido com uma calça de moletom e uma camiseta polo, sorrindo para ela com aquele olhar carinhoso e que demonstrava muito afeto. Ela sorriu levando a mão ao peito depois de colocar a tigela em cima do balcão.
- Há quanto tempo está aí? – perguntou sem graça.
- O bastante para te vislumbrar enquanto se divertia com a música. – ele riu, se aproximou e lhe deu um beijo casto. – Depois de comer essas delícias eu quero saber sobre seu dia.
sorriu com os lábios fechados, porém um sorriso enorme, concordando com a cabeça frenéticamente.
Durante a refeição ela ficou em silêncio, gostava da tradicionalidade e o respeito enquanto estava à mesa. Porém não estava mais conseguindo se segurar. Depois de ter ajuda do marido para organizar as louças na pia, o viu caminhar para o andar de cima. lavou a louça organizando em sua mente as palavras certas e assim que terminou usou a geladeira de inox para checar sua aparência. Enfim subiu para o quarto, ao entrar no mesmo levou mais um susto naquela noite.
Seu marido estava sentado na cama com as sacolas de roupas que ela havia comprado naquela tarde espalhadas por todo o cômodo. Algumas peças estavam no chão e na mão dele a pasta com o logotipo da Eudhora chamava sua atenção. Ele estava lendo o contrato de trabalho dela. O seu cenho estava franzido e sua feição não era uma das melhores. Assim que percebeu a presença dela, fechou a pasta e a encarou com seriedade.
- Eu estou tão feli...
- Você não vai. – a cortou de forma rude, porém sem elevar o tom de voz.
- Desculpe? – respondeu confusa.
- Trabalhar. Você não vai, . – o homem levantou-se da cama e cruzou os braços, estufando o peito. Os dois se encararam por um tempo, tentando encontrar no olhar dele qualquer indício de que aquilo não se manteria como a opinião do marido. Se decepcionou ao esperar por um tempo considerável e perceber que aquilo ela verdade. - Você não precisa trabalhar, não tem que trabalhar... Pra que isso? – questionou com o mesmo tom rude.
recebeu o questionamento como se aquilo fosse um tiro no peito e outro na cabeça. Doía não receber o apoio de seu marido que, pelo contrário, tinha aquela mente machista que tanto suas amigas falavam.
- Você terminou a faculdade e não fez nada na áera. O seu blog não conta. - ele continuou e ela permaneceu no mesmo lugar, absorvendo cada palavra enquanto questionava a si mesma. – Você não tem experiência, não tem nada. Seu lugar não é em uma empresa...
- Não complete essa frase! – gritou, para a surpresa de . – Não ouse dizer qual é o meu lugar, quando você não sabe nem onde está sua gravata da sorte!
Suas amigas sempre a questionaram por que ela estava com ele, se sujeitando àquela vida que não lhe pertencia de fato. Por mais que o amasse e, desde mais nova, gostasse de cuidar das coisas de uma casa; por mais que ela sonhasse com um casamento sólido, que era o que ela não tinha, aquilo estava passando dos limites. era carinhoso, demonstrava amor e sempre cuidava para que ela tivesse tudo, contudo, não lhe dava apoio quando o assunto era trabalhar fora, além do voluntariado. Infelizmente ele fora criado com a ideia errada de que se o homem só é homem se sustenta uma família sozinho e domina a casa. Ele era o patriarca.
- Você escolhe, então. – pegou sua carteira em cima da cômoda e o celular, encarando-a na espera por alguma resposta. – Ou essa sua ideia maluca, ou nosso casamento.
Era doloroso para não se sentir segura com o homem a qual havia escolhido para ser seu até que a morte a levasse. Era doloroso imaginar que teria de escolher entre seu sonho e o amor. Mas ignorou as boas lembranças, dando lado para aquelas que ela ignorava. Poderia chamar de abusivo o que vivia com sua família. Felizmente nunca fora tóxico, ele só tinha uma visão limitada da vida e das pessoas. O olhou com pena, imaginando-se como seria se ela não tivesse empatia como ele. Com esse olhar ela enxergou o oposto do homem a qual passara tantos anos, o que a olhava agora era um desconhecido tão conhecido. Um desconhecido que esteve presente todo este tempo ali.
- Você vai ficar surpreso comigo então... – iniciou. – Olhe ao seu redor. Tudo o que eu tenho está aqui, neste quarto, nesta casa... Ou pelo menos tinha, . – sentiu seus olhos marejarem. – Mas eu não posso esconder que gosto, que viveria isso pro resto da minha vida. – deu de ombros. – Assim como não posso esquecer meus sonhos, minhas vontades. – sorriu nostálgica, lembrando de quando passava horas sonhando com a sua vida de adulta. – Eu planejei tudo, iria ter tempo pra você, pra mim e pra nossa vida. Suas roupas continuariam do jeito que você gosta. A única coisa, – fez uma pausa, sentindo o amargo da bile. – A única coisa que eu preciso é do seu apoio, porque quando a gente ama quer ver a pessoa amada feliz.
- Isso não vai te fazer feliz, . – ele respondeu sério.
- Realizar meu sonho? – ela riu, amarga. – Você não faz ideia da felicidade que isso me traria. – sorriu empolgada. – Queria que você fizesse parte disso, mas agora... Bom, eu só quero ter o prazer de daqui alguns dias assinar o divórcio e guardar isso tudo – girou o dedo no ar, mencionando a estrutura. – no passado. a assistiu pegar uma mala e colocar tudo o que podia dentro, ela não chorava, não se desequilibrava. Ela estava decidida e o tanto que ele a conhecia fez com que uma chama em sue coração o alertasse que havia perdido ela e que seu orgulho o deixaria ali, parado e petrificado, assistindo a mulher que amava o deixar porque ele não fora capaz de lhe estender a mão. O pior era seu interior em conflito, uma parte querendo desistir daquela ideia fajuta de dividir coisas de homem e coisas de mulher; a outra brigava por sua integridade, batendo os pés para que ele não movesse um dedo e mantivesse sua opinião.
havia fracassado como homem, isso o quebrou por inteiro e foi de suma importância que deixasse ir embora. Ela não era para ele.

Alguns meses depois.
estava parado no batente da porta do escritório, seu blazer estava aberto e mostrava a camisa branca de linho que conhecia muito bem de todas as vezes que se preocupou para que suas roupas ficassem bem cuidadas. Ela se levantou e fechou o notebook, sentia os olhos dele em cima de si. Guardou o computador portátil na bolsa feita para o mesmo e empurrou a cadeira de volta ao lugar, caminhando, em seguida, para a porta.
Ela estava feliz consigo mesma, conseguira levar aquela reunião numa boa, tendo ele a encarando com expectativa o tempo todo. Quem sabe agora ela teria o provado – mesmo que não sentisse necessidade para tal – que era capaz de ser quem sempre quis, não somente a sombra dele.
- Com licença. – a voz de saiu mais baixa que o provável, fazendo-a se sentir mal, não queria que ele pensasse que ela estava se sentindo diminuída perto dele.
- Podemos conversar?
A voz de era urgente e sua mão a segurou pelo braço de forma leve. Os olhos se encontraram e ambos sentiram a tensão da última discussão não finalizada, a qual levou os dois ao divórcio.
- Pode falar. – respondeu se esquivando do toque dele.
- Você está... – pareceu pensar um pouco. – ótima. – ele sorriu simples e retribuiu. – E seu projeto para o novo edifício da Eudhora está muito bom!
- Obrigada. – ajeitou a bolsa no ombro e fez menção de voltar a caminhar. – Preciso ir...
- ! – ele ousou chamar quando a viu caminhar.
parou e se virou para ele; estava a poucos passos de si, longe do batente da porta e parado um pouco mais a frente dela, com sua postura rígida que foi suavizando quando ela se virou para ele. A esta altura só tinham os dois naquele andar, e mesmo que tivesse mais alguém eles não se importariam, de qualquer forma iria parecer que somente os dois estavam ali e nada, nem o tempo, em segundo plano.
Ela não disse nada, apenas ficou o olhando. Foram poucos segundos, mas duraram horas naquele momento.
- ... Eu... – para , a chamar pelo apelido o fazia se sentir mais próximo, como se todo o drama anterior do casamento tivesse ficado no esquecimento. – Eu sinto muito, por tudo.
E ele sentia, soube disso ao encarar os olhos dele brilhando, estava sendo sincero e ela não se lembrava de uma única vez que o vira daquele jeito que fosse mentira. Foram, ao todo, sete anos ao lado dele, ela o conhecia.
Caminhou os poucos passos que os separavam e lhe deu um beijo na bochecha, sorrindo minimamente.
- Eu também, .
Vendo-a se afastar ele sentiu a necessidade de ir atrás, mas seus pés o traíram fazendo com que ele ficasse parado no lugar, a vendo ir embora mais uma vez. Contudo, agora ele se sentia bem em deixar a mulher que deveria ter cuidado, amado e respeitado, ir. Ela merecia o que estava buscando e se fosse para ela ser dele mais uma vez, o destino se encarregaria disso.





Fim.



Nota da autora:





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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