Última atualização:03/06/2018
Contador:

Prólogo

A sala da casa de estava uma bagunça. , se estivesse em casa, teria um surto e faria todos os rapazes ajudarem na limpeza, enquanto gritava e xingava até a quarta geração deles. Mas ela não estava. E não ligava para a bagunça enquanto estava assistindo futebol com os amigos. E para ser bem sincero, ele não ligava para a bagunça quase nunca. Se não fosse por chamando sua atenção, ele jamais perderia tempo arrumando a casa e a deixando cheirando a flores.
- Esse cara é muito ruim. - reclamou, quando o atacante do time perdeu uma bela chance de fazer um gol. O homem estava jogado na poltrona, comendo salgadinhos e bebendo cerveja, assim como os outros amigos e o próprio dono da casa, que dividiam o sofá de 3 lugares.
- Não acredito que vai acabar o primeiro tempo e eles não saíram do 0x0. - resmungou, inconformado.
- Eu disse que não haviam chances desse jogo ser bom. - disse, bebendo mais de sua cerveja. - Os dois times estão uma droga.
- Quem nos convidou foi o . - reclamou, atraindo a atenção de , que olhava para a TV mas mantinha o pensamento longe. Esperou que o intervalo começasse para então iniciar a conversa que queria ter com os amigos.
- Caras. - Chamou a atenção deles, suspirando baixo. - Eu tenho uma coisa para falar.
- O que foi? - indagou, curioso. Baixou o volume da TV com o controle remoto e largou o pote com salgadinhos na mesa de centro, se virando em direção ao amigo.
- Quando vocês souberam que estavam prontos para casar e passar o resto da vida com a mesma pessoa? - questionou, deixando os amigos ainda mais confusos. Apesar disso, foi o primeiro a se pronunciar.
- Quando eu tive a certeza de que jamais encontraria alguém tão sensacional quanto minha esposa. - Deu de ombros. - Eu nunca tive uma relação como a que tenho com ela, mesmo antes do casamento. Sempre foi diferente. E eu sempre senti que com ela era certo.
- Eu sempre procurei companheirismo. - respondeu. – E encontrei. Não foi fácil e passamos por muita coisa. E mesmo assim permanecemos um ao lado do outro.
- Não sei, exatamente. - deu de ombros. - Eu só fui ter a certeza de que queria me casar após fazer o pedido. Ela sorriu com tanta alegria e disse que me amava com tanta sinceridade, que eu simplesmente entendi que queria passar o resto da vida com ela, porque eu também a amava da mesma forma.
- O “eu te amo” é sempre definitivo. - concordou, com um aceno de cabeça. - Mas porque você está perguntando isso?
- Quero pedir a mão de . - disse por fim, encarando as expressões surpresas e animadas dos amigos no instante seguinte.
- Sério? - indagou, sem conseguir conter o sorriso.
- Sim. - suspirou. - Se não for com ela, não será com nenhuma outra.
- Parabéns cara! - também sorriu, enquanto abraçava pelos ombros.
- Todas suas dúvidas, se ainda tiver alguma, vão sumir quando ela disser que aceita e que te ama. - afirmou. - Apesar de todas as outras vezes, esse “eu te amo” é o mais especial.
O jogo retornou e eles logo voltaram a prestar atenção na TV, enquanto puxava em sua mente todos os momentos em que ele e compartilharam daquele amor que explodia em seu peito todos os dias, ao vislumbrar os cabelos da mulher jogados sobre os travesseiros. Abriu um sorriso, que tão rápido como veio, sumiu, quando deu-se conta de que , sua , nunca o lhe havia dito que o amava. Era sempre um “eu também" ou outras frases que indicariam um “eu te amo” implícito, já que nenhum dos dois tinha o costume de ficar repetindo seus sentimentos um pelo outro a todo o momento.
Mas dizia que a amava, com todas as vogais e consoantes. E ela sempre respondia com “eu também”.
Tomado pelo pânico e pelo medo de ser rejeitado em seu pedido, ou pior ainda, que não retribuísse o amor que ele sentia por ela, se pôs de pé e fitou os amigos com o nervosismo estampado na face.
- ? - indagou, confuso.
- Ela precisa dizer que me ama. - Ele falou, tendo a noção de que não fazia nenhum sentido para os amigos.
- Espera, o que? - questionou, tão confuso quanto o amigo.
- ! - exclamou, enquanto andava de um lado para o outro, gesticulando com as mãos. - Ela nunca disse que me ama, com todas as letras!
- Claro que disse. - defendeu a amiga sem pestanejar. - Eu já ouvi.
- Ela diz “eu também” quando eu digo que a amo. Ela nunca disse todas as palavras. - explicou e a expressão nervosa não abandonava seu rosto. - E se ela não me amar?
- Não fale asneiras. - cortou. - é louca por você e dá para ver isso nos olhos dela.
- Mas ela nunca disse! - Retrucou o loiro, já em pânico. queria rir da cara do amigo, mas seria maldade demais, mesmo para ele. realmente estava preocupado com aquilo e rir não ajudaria em nada no problema.
- Cara, você tem certeza? - questionou, meio em dúvida. e estavam juntos a quase quatro anos. Era tempos demais para jamais ter dito que amava o loiro.
- Absoluta. Ela sempre responde quando eu digo. Ou fala coisas nas quais fica implícito. Mas as três palavras, completas? Nunca. - disse, sentando-se novamente e deixando os ombros caírem, em desânimo. - Eu só fui dizer que a amava depois do nosso primeiro ano. E nós não somos o casal mais meloso do mundo no que se diz respeito a palavras. Então eu nunca percebi.
- Você a ama? - questionou, com seriedade.
- Pra caralho. - respondeu.
- Certo. Então arranque o “eu te amo” dela. Porque ela te ama cara. Não duvide disso.
- E como eu vou fazer isso? - Indagou, confuso.
abriu um sorriso e os amigos logo fizeram careta. Aquela era a expressão de “estou bolando” um plano e os planos de Jones normalmente era uma merda. Mas naquele momento, não tinha ideia nenhuma. E a de parecia até razoável, com alguns ajustes. Por fim, aceitou o plano. Iria arrancar as três palavras de com o plano idiota de .

Capítulo Único

acordou extremamente animado no sábado. A conversa com os amigos no dia anterior estava fresca em sua memória e apesar de ainda sentir um breve desconforto ao lembrar que nunca havia dito que o amava com todas as letras, estava resignado se que arrancaria as palavras da mulher até a noite de domingo. Faria todas as coisas que a namorada gostava, na esperança de que ela finalmente declarasse o amor que ele já sabia que ela sentia por ele. Se sentia um idiota por precisar ouvir as palavras da boca da mulher, mas não podia conter o medo de pedi-la em casamento e ter seu pedido negado por ela não o amar tanto quanto ele imaginava.
Suspirou baixinho e levantou com cuidado, agradecendo aos céus por ter o sono pesado. Parou ao lado da cama e fitou a namorada, não contendo o sorriso que se abriu em seu rosto. estava de bruços, agarrava sua almofada favorita com um braço e o outro repousava ao lado de seu corpo. O rosto virado em direção ao lado em que ele dormia e os cabelos jogados pelo travesseiro, formando uma cortina com os fios escuros. Ela era linda. E a amava demais.
Após fazer sua higiene matinal e vestir uma roupa comum, se pôs para fora do quarto, descendo as escadas e deixando a porta trancada, pois sabia que não acordaria caso alguém entrasse na casa e ele não gostaria de arriscar, mesmo que sua ida até a padaria favorita da namorada durasse menos de 20 minutos. Comprou um pouco de cada coisa que amava e ao chegar em casa, pegou uma bandeja e montou um café da manhã que faria inveja na própria rainha da Inglaterra, em sua opinião. Espremeu algumas laranjas e serviu o suco em dois copos, decorando a bandeja com algumas trufinhas de chocolate que achou na geladeira. Subiu as escadas com cuidado, largando a bandeja no criado mudo e sentando na cama perto da namorada. Beijou seu rosto com cuidado, fazendo carinhos em seus cabelos, em uma tentativa de acordá-la sem provocar a Terceira Guerra Mundial. odiava ser acordada cedo aos finais de semana e ela já tivera sua cota de reclamações do mês estourada.
despertou lentamente, sentindo os carinhos de e suspirando baixinho. Abriu os olhos e fitou as írises azuis do namorado a encarando e ambos abriram sorrisos enormes.
- Bom dia, minha linda. - desejou, deixando um selinho nos lábios de .
- Bom dia, amor. - Ela murmurou, ainda um pouco sonolenta. - Que horas são?
- Quase 10h. - O homem respondeu. - Eu te fiz café.
- Hm. - sorriu. - Vou me lavar e descemos para comer os bacons queimados que você fez. - Falou, já conhecendo o café que fazia quase todos os dias. O homem era um bom cozinheiro, mas pela manhã era muito sonolento e desatento. Queimava quase tudo que inventava de fazer para a primeira refeição do dia e já estava acostumada. E por mais bizarro que fosse, ela achava adorável.
- Na verdade, é um café especial. - sorriu misterioso e moveu os olhos pelo quarto, deixando o queixo cair quando percebeu a bandeja cheia de comida em cima do criado mudo.
- Uau. - Foi tudo que ela disse. - Qual o motivo disso?
- Nada demais. - deu de ombros, mentindo descaradamente. - Só queria mimar a minha namorada maravilhosa.
- A sua namorada maravilhosa amou, acredite. - Ela selou seus lábios rapidamente, levantando num pulo e correndo para o banheiro.
Cinco minutos mais tarde e já estava de volta na cama, usando uma camiseta de e os cabelos presos em um rabo de cavalo. sentou-se se ao lado dela e colocou a bandeja na frente da mulher, que sentara com as pernas cruzadas.
- Você comprou tudo que eu gosto, amor. - observou, beijando-o novamente. - Obrigada.
- Não precisa agradecer. Você merece. - E com isso, fizeram sua refeição. suspirava de satisfação ao comer um pouco de cada coisa que havia comprado. Entre dois sabores de bolo e quatro tipos de salgado, ela finalmente bebeu o suco de laranja e afastou a bandeja, colocando o objeto novamente em cima do criado mudo, sendo observada em todos os detalhes por um totalmente ansioso. Ele se perguntava quando ela iria dizer as palavras e precisava estar preparado para pedi-la em casamento, pois não queria esperar mais.
Conhecendo como ele conhecia, ela provavelmente xingaria por achar se tratar de uma brincadeira até perceber que ele falava sério. E então, gritaria e o abraçaria. E ele esperava que ela dissesse “sim”.
- O que faremos hoje? - Ela questionou, se aconchegando nos braços de e descansando a cabeça no peito do homem.
- Fiz reserva para o almoço naquele restaurante que você ama. E depois, podemos passear pelo parque. - Ele sugeriu, como se tivesse pensado naquilo naquele instante. - comentou ontem que estão com uma feira por lá, mas ele não soube me dizer sobre o que se tratava. - Mentiu, mas não sabendo de seus planos, apenas assentiu com animação e aproveitou os carinhos que recebia de .
- Seria fantástico. - Ela disse por fim. - Falando em , achei um milagre chegar em casa e não encontrar bagunça. - Ela ergueu o olhar para o namorado. - Vocês estavam doentes ontem?
riu, balançando a cabeça para os lados.
- Nós limpamos tudo quando o jogo acabou. - Explicou.
- E que milagre foi esse?
- O jogo foi uma droga. Se você chegasse e brigasse conosco, seria duas vezes pior, porque nem teria valido a pena.
- Não posso dizer que não gostei. - deu de ombros. - Estou secretamente desejando que todos os próximos jogos sejam uma droga também. - E com isso, gargalhou alto, puxando para seus braços, colando seus lábios aos dela e a beijando com intensidade.
- Essa sinceridade e esse humor me deixam ainda mais louco por você, sabia? - Ele confessou e o beijou com cuidado.
- Você é um amor, . - Ela falou e teve que conter a careta decepcionada que queria surgir em seu rosto, por não ouvir as palavras que esperava. Mas jogou a decepção para o fundo de sua mente e apenas puxou para mais perto, beijando-a novamente.

vestia uma bermuda e camiseta, enquanto arrumava os cabelos em frente ao espelho duplo que tinham no quarto. , ao seu lado, tinha os cabelos presos em um coque e usava apenas um lingerie preta, decidindo o que vestir.
- O dia está bom? - Ela indagou, com um vestido em mãos. - Para eu saber se uso vestido ou não.
- Está ótimo. - respondeu. - Tem sol e uma brisa bem leve. E qualquer coisa, eu te esquento. - Sorriu malicioso, puxando a namorada para si e grudando suas mãos na cintura dela. suspirou, beijando-o com intensidade, com as mãos envolta de seu pescoço.
- Você quer almoçar mais tarde? - Ela indagou, sugestiva. - Podemos perder algum tempinho por aqui, aproveitando.
- Seria sensacional. - O loiro acariciava as costas da mulher, lhe provocando arrepios. - Mas nós temos uma reserva.
- Tudo bem. - fez biquinho. - A gente aproveita mais tarde.
- Sem dúvidas. - sorriu. Esperou terminar de se arrumar - ela acabou optando por um vestido azul claro florido e tênis branco, e ambos desceram para a sala de mãos dadas. pegou sua bolsa e logo ela e estavam no carro dele, ouvindo a playlist favorita de ambos enquanto o homem dirigia até o restaurante italiano favorito de .
Aquela era a cena costumeira deles. dirigindo, batucando com a mão no volante. ao seu lado, rindo e cantando em plenos pulmões. O timbre de voz dela não era dos melhores, mas achava adorável a forma como ela sentia a música e a cantava com tanta vontade. Essa foi uma das coisas que mais chamou sua atenção quando se conheceram, quatro anos atrás, em uma entrevista que a banda de deu para o programa de TV que apresentava.
- No que está pensando? - Ela indagou, curiosa. sorriu para ela brevemente, voltando a atenção para a estrada em seguida.
- No dia em que nos conhecemos. E a forma como você cantou nossa música com tanta animação. - Ele respondeu e riu, se divertindo com a memória.
- Poxa, eu estava conhecendo minha banda favorita. - A mulher deu de ombros, se defendendo. - Não tinha como manter a animação dentro de mim.
- Foi adorável. - comentou. - Já te disse que foi a coisa que mais me chamou a atenção em ti.
- Fora os meus lindos olhos, obviamente. - brincou.
- Fora os seus lindos e magnéticos olhos. - Ele completou, sorrindo.
Deixou o carro no estacionamento do restaurante e seguiu de mãos dadas com a namorada até o estabelecimento. Escolheram uma mesa no terraço e logo estava em um conflito interno sobre o pedido para o almoço. Ela era simplesmente apaixonada por todas as massas daquele restaurante, que eles visitavam muito pouco por ser distante demais de onde moravam e exatamente por esse motivo havia resolvido levar ela lá: quanto mais feliz estivesse com as coisas que faria por ela, mais chances de ela dizer as palavras para ele. Ele não havia preparado grandes surpresas, pois queria que ela dissesse as palavras envolta de situações de seu cotidiano juntos, pois aquela era a vida que ele teria junto dela. Nada de passeios de balão semanais e viagens para Paris.
- O ravióli é sensacional. - Ela suspirou. - Mas eu não como lasanha a tanto tempo!
- Que tal assim, você pede lasanha e eu ravióli. E aí, trocamos algumas garfadas e você fica feliz. - sugeriu, deixando o menu de lado e focando a atenção no rosto de . A mulher sorriu, suspirando alto.
- O que seria de mim sem você, hein? - Ela questionou, retoricamente. Se voltou para o garçom e fez os pedidos, adicionando dois sucos de laranja com mamão e a sobremesa favorita de ambos. O garçom se retirou e voltou a olhar para o namorado. Estendeu a mão para ele e entrelaçou seus dedos levemente. - Você é o máximo, de verdade.
- Eu sei. - sorriu superior e a namorada revirou os olhos.
- Já são quase quatro anos. - Ela comentou. - Era de se esperar que eu já estivesse acostumada com você.
- E não está? - indagou, esperançoso. O rumo da conversa lhe deixava crente de que logo falaria as palavras e ele sentia suas mãos suarem. Não tinha ideia do quanto a expectativa de ouvir ela falar que o amava o deixaria ansioso.
- Não. - Sorriu. - E não acho que algum dia estarei, para ser sincera. Você é maravilhoso demais para que eu me acostume com isso.
se aproximou da mulher, beijando seus lábios com cuidado e devoção. A amava tanto que não conseguia imaginar sua vida sem . Mal lembrava de seus dias antes dela chegar e tornar tudo um verão constante.
e havia começado a namorar pouco mais de um mês após se conhecerem. Na época, a banda do rapaz estava lançando algumas músicas novas e o programa que apresentava os convidou para uma entrevista. O magnetismo - segundo - entre eles foi absurdo desde a primeira troca de olhares. E eles não demoraram muito a assumir o romance. Se tornaram inseparáveis e dois anos após o início do relacionamento, foram morar juntos. não imaginava mais sua vida sem . Todos os planos que fazia a incluíam. E toda vez que a banda saia em turnê, ele sentia tantas saudades que sua vontade era a de levar a mulher junto nas viagens. Havia feito até uma lista das coisas que sentia falta quando não estavam juntos - guardava a lista dentro de sua carteira, para mantê-la sempre consigo, onde quer que fosse.
- Não imagino mais minha vida sem você há um bom tempo. Sabe disso, não é? - questionou.
- Sei, sim. - o beijou novamente. - E você sabe que eu me sinto da mesma forma, não sabe?
- Eu sei, amor. - O loiro sorriu. abriu a boca para falar mais alguma coisa, sendo interrompida pelo garçom, que trazia os pedidos do casal. Ela apenas agradeceu ao homem e se voltou para a lasanha em seu prato. E como prometido, cedeu parte de seu almoço apenas para ver sorrir e murmurar o quão maravilhoso ele era. E aquilo era o suficiente para fazê-lo feliz naquele momento, ele notou, independente de ela ter dito as palavras ou não.

estava sentada no guidão da bicicleta que havia alugado no parque. A mulher soltava alguns gritinhos de susto enquanto segurava o vestido para que ele não levantasse com o vento, enquanto pedalava e fazia algumas curvas ameaçando derrubá-los no chão.
- , se você me deixar cair, vai passar uma semana sem tocar nesse corpinho! - ameaçou, contendo o riso após ver a careta de .
- Como se você conseguisse passar uma semana tem tocar no meu corpinho. - blefou. - Seria uma catástrofe para nós dois.
- Tem razão. - disse, após passar os olhos pelo corpo do namorado, que já conhecia bem demais e não cansava de admirar. - Eu não conseguiria aguentar uma semana inteira sem você. Não sei como sobrevivo quando você sai em turnê com a banda.
- Eu sou gostoso demais. - Ele riu.
- Isso eu não posso negar. - A mulher deu de ombros.
- É claro que não pode. - retrucou, convencido. - Eu te conheço bem demais para saber quando você mente.
- E eu sou esperta demais para evitar mentir para você. - exclamou, no mesmo instante em que parou a bicicleta.
- Chegamos a feira. - Ele avisou e pulou para o chão. - E realmente, você é esperta demais. - Concordou, recebendo um beijo rápido da namorada.
virou a atenção para a feira que havia mencionado e soltou um gritinho animado ao constatar o tema: - , é uma feira de adoção de animais! - Ela exclamou.
Uma faixa estava pendurada indicando a entrada e várias cercas estavam montadas, contendo animais dos mais variados tamanhos, cores e raças.
Claro que já sabia o que iria encontrar no parque, pois o havia avisado sobre a temática da feira, então estava preparado. Já , estava totalmente encantada e radiante com tanto animais a sua volta. Ela sempre havia comentado sobre a vontade de ter um cachorro, mas nunca chegaram a realmente procurar um centro de adoção de animais, devido a correria de seu cotidiano. E a ideia de comprar um bichinho de estimação nunca havia passado pela cabeça de nenhum deles, já que consideravam a atitude totalmente revoltante. Haviam muitos animais abandonados e sem lar para que eles gastassem dinheiro e colaborassem com um negócio tão horrendo e explorador como o mercado que vendia filhotes.
- Podemos contribuir! - apontou para um ponto mais a frente, onde uma bancada estava montada e uma faixa indicava que estavam recolhendo doações para os abrigos de animais da cidade.
- Sim, por favor! - arrastou o namorado pela mão. Acabou contribuindo mais do que esperava, mas ele se sentiu orgulhoso e ainda mais apaixonado pela mulher com quem queria se casar. tinha uma empatia gigante e por ter uma boa condição de vida, ela tentava ajudar todas as causas com as quais se identificava. A casa deles era um exemplo vivo de que ela não precisava de luxo e móveis caros. Era mais gratificante fazer o bem do que ter uma piscina aquecida no quintal, segundo as próprias palavras da mulher.
acabou prendendo a bicicleta em um dos bicicletários perto da feira e e ele passearam pelo local de mãos dadas. parava em todo cercadinho para acariciar os cães - já que ela tinha alergia a gatos - e seus olhos brilhavam a cada contato com os animais. acabou tirando uma foto da namorada brincando com um filhotinho peludo de cor marrom claro, sorrindo ao vislumbrar a felicidade de ao interagir com o pequeno animal. De longe, aquele filhote era o que mais havia encantado a mulher e sorriu ainda mais ao perceber isso.
- Amor? - Ele chamou e desviou os olhos da bola de pelos e os focou no namorado.
- Sim?
- Vamos levar ele? - sugeriu e deixou o queixo cair.
- Está falando sério? - Ela indagou, surpresa e animada. assentiu, pegando o pequeno cachorro e o colocando em seus braços, como se segurasse um recém-nascido. O animalzinho era extremamente fofo e dócil e não via motivos para não o levarem para casa.
- Sim. - Confirmou. - Ele é a coisa mais fofa!
soltou um gritinho animado, pulando em cima de no instante seguinte. Beijou-o rapidamente, voltando a atenção para o responsável pelo cercadinho onde o cachorro que queria adotar estava.
- Como fazemos para adotá-lo? - Ela questionou, empolgada. O homem sorriu para o casal e indicou uma banca no canto oposto ao que eles estavam e avisando que deveria assinar todos os papéis lá e depois voltar para buscar o filhote com ele. agradeceu ao homem e seguiu com até o local indicado, tendo apenas uma distração no caminho. Um último cercado continha alguns cães adultos e era o menos visitado de toda a feira. acabou por se aproximar, especialmente encantado por um cão de pelo mesclado em tons de marrom. Acariciou o animal embaixo das orelhas e o cão esfregou a cabeça contra a mão de , buscando mais daquela afeição que estava recebendo.
- Esses cães, além de adultos, têm alguma doença. - disse, após ler as informações da placa de identificação daquele cercado.
- E ninguém vai querer adotá-los. - sentenciou, com o semblante triste. envolveu o namorado pelos ombros com um braço, esticando o outro para acariciar os animais do cercado.
- Podíamos levá-lo. - sugeriu, olhando para o cão que havia despertado a afeição em , igualmente encantada pelo animal. - A casa é grande. Não vai faltar espaço para nós.
virou o rosto em direção a ela e sorriu largamente. Puxou-a para um abraço e beijou seus lábios.
- Você é maravilhosa demais, . - Ele disse e foi a vez de ela sorrir. - Você me faz feliz. Não teria motivos para negar algo que te fará feliz. - A mulher deu de ombros, encarando o cão em seguida. - E esse carinha é adorável. Vou adorar tê-lo em casa.
beijou-a mais uma vez, antes de seguirem para o balcão e registrarem as adoções dos cães. O cachorro adulto, que descobriram atender pelo nome de Merlin, sofria de displasia da anca e tinha uma prótese no encaixe da pata traseira esquerda com a cintura pélvica. Merlin não corria ou caminhava como um cachorro normal e precisava de tratamento adequado, mas nem isso impediu e de adotarem o animal. Ficaram aliviados por serem eles a cuidar de Merlin dali para frente, pois sabiam ter condições para oferecer todos os cuidados dos quais o cão precisava.
levou o filhote - que ela nomeou de Bisteca - no colo, enquanto prendeu Merlin no banco traseiro do carro. Pararam em uma petshop e deixou Bisteca com , enquanto foi comprar todas as coisas que os cães precisariam dali para frente. Com o porta malas lotado, deu por encerrada a tarde. As três palavras ainda não haviam sido ditas por , mas a felicidade que a mulher emanava não o deixava ligar para aquilo por nem um segundo sequer.
Bisteca dormia no sofá, ao lado de , enquanto Merlin estava deitado aos pés da mulher, que assistia Friends na Netflix. Usava uma camiseta velha e um short de algodão. Os cabelos presos em um coque improvisado e nada além de um creme hidratante no rosto. A mulher ria alto com o seriado, mesmo já conhecendo a maioria das falas de cor, assistir Friends era sempre riso certo e ela jamais cansaria daquela série.
Na cozinha, vestia uma calça de moletom e nada além do avental branco amarrado na cintura, que denunciava o que o homem fazia no cômodo: havia sugerido a namorada que ficassem em casa naquele sábado à noite e ela mais do que rapidamente concordou e destacou que iria adorar caso ele cozinhasse e eles fugissem do delivery. Então lá estava , sovando uma massa para o empadão de frango que era sua especialidade e simplesmente amava. Ela havia feito a sobremesa - brownies de chocolate - e o sorvete de baunilha já estava no freezer. Era a noite de sábado que eles mais adoravam: cozinhar as comidas favoritas um do outro, assistir séries e matar as saudades, como se não estivessem juntos a quatro anos.
- Amor, você quer ajuda? - indagou da sala, soltando uma nova risada graças ao episódio que assistia. analisou sua situação por alguns segundos: a pia não tinha muita louça suja, já que ele colocava tudo na lava louças assim que utilizava. A massa para o empadão estava pronta e o recheio também e só ficava a montagem pendente.
- Na verdade, não. - Ele respondeu. - Já estou finalizando aqui.
- Tudo bem. - disse. - Qualquer coisa, me chama.
- Ok, linda. - finalizou o diálogo. Pegou uma forma redonda com fundo removível e montou o empadão, pincelando com ovo batido e colocando no forno em seguida. Eram necessários 40 minutos para assar, então apenas colocou o restante dos objetos sujos na lava louça e seguiu para o banheiro, para tirar o cheiro de massa das mãos. Voltou para a sala e sentou ao lado de , que, minutos antes, havia colocado Bisteca na pequena cama que havia comprado para o filhote e também, levado Merlin para a almofada que o cachorro havia adotado como cama - ignorando totalmente o objeto felpudo que havia comprado para ele.
sorriu para o namorado, movendo o corpo para a ponta do sofá - tinham um sofá cama na sala, então espaço não faltava - para que deitasse ao seu lado. Com a cabeça repousada em cima da barriga da namorada e abraçando-a pela cintura, estava mais do que confortável naquela posição. iniciou um cafuné nos cabelos de , que fechou os olhos e suspirou, agradecendo o carinho com um sorriso frouxo. As pernas entrelaçadas de ambos eram apenas uma ilustração de como era realmente suas vidas: não havia distinção do que era e o que era . Eles eram “nós”.
- O que vamos assistir? - Ela questionou, já com o celular em mãos e o catálogo da Netflix aberto.
- Temos que terminar aquele filme com a Lily Collins, não temos? - questionou.
- Ah, verdade! - A mulher estalou os lábios. Digitou o nome na área de pesquisa e deu play no filme que não haviam terminado de assistir e logo voltou sua atenção para a TV, sentindo a respiração calma de contra seu corpo.
Aqueles eram os momentos que mais gostava. Nada de extravagante. Apenas os dois juntos, assistindo TV e compartilhando o sentimento que os unia. Para , a única coisa que lhe era necessária para ser feliz estava ali ao seu lado e sua mão estava enfiada em seus cabelos. Ela sabia que não era de muitas palavras, mas esperava que soubesse o quanto ela o amava e o quanto ela era feliz com ele.
Em algum momento do filme, acabou se emocionando - o que não era algo incomum, visto que a mulher era muito sensível a qualquer coisa e chorava facilmente - e derrubou algumas lágrimas. O filme falava sobre distúrbios alimentares e todas as narrativas dos personagens eram bastante fortes. não teria como se manter inteira assistindo aquelas cenas.
- Não chora, linda. - suspirou, abraçando-a com mais intensidade. deixou o corpo escorregar pelo sofá, enfiando o rosto na curva do pescoço do namorado e deixando as lágrimas caírem sem receio.
- Você sabe que eu sou coração mole. - Ela resmungou, entre soluços. assentiu, beijando o topo de sua cabeça em seguida. Passou os braços pela cintura da mulher e a puxou para mais perto de si, fornecendo o amparo e o consolo que precisava naquele momento. Para qualquer outra pessoa, parecia uma coisa boba, mas para eles, significava muita coisa. entendia como ninguém, a amava e cuidava dela, fossem quais fossem as dificuldades que ela enfrentasse. Aquele abraço significava que ele estava ao lado dela, para tudo e qualquer coisa. E aquilo era tudo que poderia pedir.
O sinal do forno soou pela casa, mas nem isso fez soltar . Ele permaneceu com ela em seus braços, até que a mulher parasse de chorar e o beijasse nos lábios, em uma demonstração de que estava bem e agradecia pela presença dele.
- Obrigada por estar aqui. - sussurrou, arrepiando os pelos de , devido a proximidade de sua boca com o pescoço dele.
- Eu não gostaria de estar em nenhum outro lugar. - afirmou, sorrindo. Roubou um selinho da mulher e ambos ficaram se olhando por longos minutos, apenas analisando os detalhes que já sabiam de cor e aproveitando a presença e o amor que sentiam um pelo outro.
- E eu não gostaria que você estivesse em nenhum outro lugar. - disse. - Nunca.
sorriu, sentindo-se subitamente animado com a esperança de que ela falasse que o amava. Eles haviam tido um dia maravilhoso. Um dia repleto de coisas que gostava. Finalmente tinham adotado cachorros - coisa que queriam a muito tempo, e agora estavam ali, entrelaçados, aproveitando daquela felicidade que apenas a companhia um do outro poderia proporcionar. Se havia um momento que arrancaria as palavras de , era aquele. esperava e contava com isso. Então quando abriu a boca e proferiu três palavras, ele não pode deixar de conter o desânimo, por se dar conta de que não eram as três palavras que ele esperava.
- E aquele empadão?
- Vamos comer aqui, que tal? - O homem sugeriu, sorrindo fraco. assentiu e logo estava na cozinha, fazendo um prato para cada e voltando para a sala com uma bandeja contendo o jantar de ambos.
Sentou-se novamente ao lado de , rindo dos murmúrios de prazer que a namorada soltava a cada garfada. Finalizaram a noite comendo os brownies que havia feito junto com o sorvete de baunilha e foram para o quarto, não sem antes conferir se os cães estavam confortáveis e aquecidos. tomou um banho rápido e vestiu uma boxer, caindo na cama ao lado de e puxando a mulher para perto de si, enterrando o rosto no pescoço dela e suspirando em seguida.
Conhecendo como conhecia, logo notou que algo não estava certo e guiou o rosto de até que seus olhares estivessem na mesma linha.
- O que foi, amor? - Questionou, preocupada.
- Nada, . - respondeu, sem convencer a mulher nem por um minuto.
- E “nada” quer dizer exatamente o que?
- Eu tô legal, de verdade. - sorriu fraco. - Só um pouco cansado e com dores nas costas.
- Uma massagem ajudaria? - sugeriu, arrancando um sorriso malicioso do namorado.
- Depende. - Falou. - Onde você vai me massagear?
riu alto, buscando os lábios de para si e o beijando com vontade. Os quase quatro anos de relacionamento não haviam apagado ou deixado suas vidas sexuais caírem na rotina. De alguma forma, nenhum deles havia perdido o desejo um pelo outro. Só sentiam aquela vontade crescer, dia após dia, assim como o amor que sentiam.
- Onde você quiser. - pontuou, apenas fazendo o sorriso de crescer.
- Podia começar pelo pescoço então.
- Com todo o prazer. - Finalizou, antes de voltar a beijá-lo com toda a paixão e desejo que sentia pelo homem com quem dividia sua vida a quatro anos.

não acordou animado na manhã daquele domingo. Estava pensativo e um pouco decepcionado. Havia tido momentos maravilhosos com no dia anterior e apesar de sentir a felicidade irradiar da mulher, não entendia como ela simplesmente não dizia as palavras. Ele tinha certeza de que ela o amava. Sabia disso. Então porque ela não as dizia? Será que ele havia feito algo errado? Ou tinha algum bloqueio que a impedia de expressar amor por livre e espontânea vontade? Será que ela tinha aversão aquelas palavras e por isso não as dizia, usando outras formas de se expressar?
Em quatro anos de relacionamento, pela primeira vez, não soube interpretar . Não entendia seus pensamentos e seu modo de agir. E aquilo o estava matando. Queria compartilhar sua vida com ela, oficialmente casados, mas se não havia compartilhado aquele detalhe de sua vida com ele, como poderiam insistir naquele relacionamento? Será que ela ainda não confiava nele o suficiente?
A pergunta que mais doía, era pensar que talvez ela não o amasse o suficiente para lhe dizer aquilo. Que ela gostava de e estava apaixonada. Mas não o amava.
Aquela simples possibilidade deixava desesperado. Não sabia se gostaria de saber se aquilo era verdade. Preferia quando não tinha conhecimento da falta daquelas palavras ditas por .
- Amor, você está bem? - Ouviu o sussurro de ao seu lado, virando o corpo em direção a mulher e dando-se conta de que estava acordada, vestida e com uma bandeja de café da manhã em mãos, o observando com preocupação.
- Bom dia, linda. - sorriu fraco e a preocupação de apenas cresceu. Largou a bandeja no criado mudo e se aproximou do namorado, deitando ao seu lado e beijando-o levemente, antes de puxá-lo para seus braços.
- O que aconteceu? - Questionou novamente, recebendo apenas um suspiro como resposta. não queria compartilhar seus pensamentos com . Tinha medo de ouvir as palavras da boca dela por pena ou pressão ao descobrir que ele queria que ela dissesse.
- Estou bem. - O homem disse, mas não convenceu .
Temendo pela conversa, levantou e rumou para o banheiro, sendo seguido de perto por . Lavou o rosto, escovou os dentes e penteou o cabelo, enquanto a mulher o observava escorada na porta. Uma expressão preocupada no rosto e os braços cruzados, demonstrando que não estava satisfeita com a situação. quase riu. A conhecia bem demais para interpretar seus sinais.
E perceber aquilo, fez querer bater a própria cabeça na parede. dizia as palavras para ele, diariamente. Quando preparava o café dele com leite, pois sabia que ele não gostava de café puro. Quando ajeitava seus cabelos e organizava suas roupas antes de ele sair de casa. Quando comprava produtos específicos para pele sensível, pois sabia que não eram quaisquer produtos que se poderia usar sem ter uma reação alérgica. Quando o ouvia após um dia estressante sendo seguido pelos paparazzi. Quando liberava a casa na sexta à noite, mesmo sem ter o que fazer, para que ele assistisse o jogo sossegado com os amigos. Quando lhe fazia cafuné, lhe abraçava inesperadamente ou apenas lhe fazia algum carinho que indicasse o quanto ele lhe era importante. Ela não dizia as palavras por livre e espontânea vontade. Mas ela o amava e ele sabia disso. Era um completo idiota. Tinha se apegado em um detalhe absurdo, pelo medo de seguir em frente com a ideia de pedir em casamento. Medo de perder aquela vida que eles já tinham. Medo de que as coisas mudassem entre eles.
Apenas medo.
- Olha, sabe que pode me falar qualquer coisa, não sabe? - questionou, de aproximando do namorado com cuidado. Segurou seu rosto por entre as mãos e acariciou as bochechas dele, fazendo suspirar. , que até então encarava um ponto inexistente a sua frente, focou o olhar no de e assentiu levemente.
- Eu sei. - Ele disse.
- Seja o que for que esteja te incomodando, compartilha comigo. - pediu, num sussurro. - Eu odeio te ver assim, perdido e confuso, amor. Me dá uma angústia, pois não sei como te ajudar se você não falar comigo. - Ela suspirou. - Foi algo que eu fiz? Algo que não te deixou contente?
- Não, eu… - E novamente travou, sem saber o que falar. suspirou novamente, deixando um selinho em seus lábios e o encarando com intensidade.
- Eu estou aqui, . Para o que quer e vier. Não me deixa no escuro, ok? - Ela fechou os olhos por alguns instantes, sem saber o que falar. - Seja o que for que está te incomodando, pode compartilhar comigo e eu vou te ajudar a resolver. Ou então, vou te abraçar e consolar, se não pudermos fazer nada. Quero que seja tão feliz quanto eu sou. Eu te amo, amor. Me deixa te ajudar.
E ali estavam. As palavras que tanto queria ouvir, no momento em que mais precisava. E para sua surpresa, elas não tiveram um efeito gigante, como seus amigos haviam dito que teriam. Pois demonstrava que o amava de outras milhares de formas. Aquelas três palavras, sem toda a bagagem que eles já tinham, seriam apenas palavras. não via necessidade em proferi-las se podia demonstrar seus sentimentos por ele de outra maneira e agora entendia. E todas as vezes em que um “eu te amo” era a melhor forma de expressar aquele amor, o dizia primeiro. E apenas sorria feliz e respondia com “eu também". Porque eles se amavam. Ele a amava e ela também o amava. Por fim, havia feito tempestade em um copo d'água.
- Eu só queria te perguntar uma coisa. - confessou, pousando as mãos na cintura da mulher e acariciando sua pele por baixo da blusa. - E estava com medo da resposta. E então fui um idiota por me apegar em detalhe tosco.
- Eu estou confusa. - Ela admitiu e riu baixinho.
- Casa comigo? - Ele propôs e arregalou os olhos, prendendo a respiração. - Eu poderia fazer esse pedido em muitos outros lugares, que não o nosso banheiro. Mas eu te amo e quero me casar contigo. - Falou. - Merda, eu fodi tudo te pedindo em casamento aqui. , me desculpa…
- Cala boca, . - retrucou, incrédula. - Você quer mesmo casar comigo?
- Eu quero demais.
- Então me dê o anel, . - Ela sorriu. - Não existe um cenário, mesmo com o pedido sendo feito no nosso banheiro, em que eu pudesse te dizer não.
- Eu te amo, . - Ele suspirou, sem conseguir conter a felicidade que parecia transbordar de si.
- Eu também, . - E ali estavam as palavras que não o incomodariam nunca mais.
Porque o amava. E ele sabia disso.

Epílogo

levantou da cadeira que ocupava, com sua taça em mãos. Bateu gentilmente com a colher no objeto, chamando a atenção de todos os convidados, distribuídos em formato de círculo a sua volta. A pista de dança ao centro era ocupada pelas crianças e suas brincadeiras, mas logo seria palco da primeira dança dos noivos. , sentado ao lado de , interrompeu a conversa que estava tendo com e observou os traços da esposa - ele finalmente podia chamá-la daquela forma e estava transbordando felicidade por conta disso, curioso quanto a sua próxima ação.
estava linda e não sabia colocar em palavras o quanto. O vestido branco era de um tecido leve, que caia em camadas na saia, dando volume e um ar de Princesa da Disney. O corpete era rendado, com finas alças e decote em formato de coração. A maquiagem era leve e seus cabelos caiam em ondas as suas costas, enquanto uma pequena tiara de flores estava presa no topo de sua cabeça.
se sentia o homem mais sortudo do mundo, não apenas pelo casamento, mas por ter aquela mulher ao seu lado muito tempo antes de oficializaram sua união.
- Eu queria dizer algumas palavras. - disse, após todos os presentes ficarem em silêncio e observarem a noiva com atenção. Se virou para e sorriu. - Eu sei que combinamos nossos votos para serem apenas uma frase, que significa muito para nós, mas ainda sim, eu tenho algumas coisas para te dizer.
- Não diga que vai me abandonar e fugir para Las Vegas. - comentou, brincando. Os convidados riram e revirou os olhos, mandando-o não falar besteiras no instante seguinte.
- Creio que nem todos saibam, mas eu nunca havia dito que amava , com todas as palavras, até o dia em que ele me pediu em casamento. Sempre demonstrei com gestos e outras palavras, mas nunca havia dito isso com todas as letras para ele, em quatro anos de relacionamento. E isso pode ser chocante, mas nem eu mesma havia percebido isso. - deu de ombros. - Amar sempre foi a coisa mais fácil em minha vida. Eu nunca tive meu coração quebrado por ele e a maioria de nossas discussões, eram a respeito do último pedaço de pizza de bacon, que para ser sincera, ele sempre cedia para mim, pois sempre odiou me deixar irritada.
“Nós nunca fomos um casal de muitas palavras melosas. Um beijo ou um cafuné sempre foi o melhor “eu te amo” que poderíamos dar e receber. Quando dizia que me amava, eu respondia que o amava também. Porque para mim, sempre foi óbvio. Mas então, percebeu que eu nunca havia dito as palavras para ele. E ao contrário de qualquer pessoa nesse mundo, que teria iniciado uma briga que poderia destruir nosso relacionamento, ele simplesmente criou o final de semana mais perfeito que eu já vivi. Satisfez todas as minhas vontades, fizemos todos os programas que eu gostava e foi o melhor namorado que eu poderia ter em mil vidas. Tudo isso, para arrancar um “eu te amo” de mim. E ele conseguiu. Não teria como negar alguma coisa a esse homem após todas aquelas demonstrações de amor. Mas eu não acho, que daquele dia em diante, tenha falado o quanto eu te amo vezes o suficiente. - disse para , que a encarava com um sorriso largo, olhos brilhantes e um amor que transbordava por seus poros. - Então, aqui estou eu, com uma lista das coisas que eu amo em você, . Uma lista como aquela que você escreveu para mim, sobre as coisas que sentia falta quando estávamos longe um do outro e eu guardo na minha carteira com todo o amor e carinho”.
arrancou risadas dos convidados ao puxar um pequeno pedaço de papel de dentro do corpete de seu vestido de noiva. gargalhou, afirmando que guardaria aquela lista com todo o cuidado do mundo, assim como cuidava daquela parte em especial do corpo da esposa. bateu nele com o guardanapo, arrancando mais risos dos convidados. A mulher respirou fundo e abriu o pedaço de papel, iniciando a leitura enquanto desviava o olhar do papel para os olhos de vez ou outra.
“Eu te amo, . Eu te amo e digo isso de todo o coração. Sinto isso em meus ossos e em cada célula do meu corpo. Eu amo o som da sua risada e a forma como ajeita os cabelos de manhã cedo. Amo a forma como você me beija, o sabor dos seus lábios e o abraço que me dá quando estou chorando. Eu amo o café da manhã que você prepara sonolento, mesmo sabendo que vai queimar grande parte da comida. Eu amo teu cheiro, o jeito que me segura quando dormimos e o som da tua voz. Eu amo o fato de que você tem tanta empatia e sempre tenta ajudar as pessoas, mesmo aquelas que você não conhece. Amo a forma que trata as pessoas e a forma como cuida de mim. Amo a textura dos teus cabelos e por isso eu vivo fazendo cafuné em você. Eu amo a forma como você se instalou na minha vida, mudou para o meu coração, fechou a porta e jogou a chave fora porque não quer ir embora. Eu amo que você me conheça tão bem a ponto de quase ler meus pensamentos”. – sorriu, suspirando em seguida antes de finalizar. – “Eu te amo e sou grata demais por você também me amar, mesmo que eu quase não diga que te ame. Mas eu te amo e pretendo te dizer isso, todos os dias, pelo resto de nossas vidas”.
Ao finalizar o discurso, tudo que pode sentir foram os braços de envolvendo sua cintura e a boca do homem contra a sua. Todas as palmas, assovios e gritos foram abafados pela presença de , como sempre acontecia quando estavam juntos. Ao findar o beijo, ambos tinham as respirações falhas e os lábios vermelhos. sorriu, encostando sua testa na da mulher e suspirando em seguida.
- Eu te amo, minha linda. - Ele disse.
- Nunca mais me deixe ficar sem te dizer isso. - Ela sorriu. - Eu te amo.
- Eu sei.


Fim.



Nota da autora: Alou, moças, tudo bem? Por aqui estamos bem demais, principalmente por ter finalizado essa ficstape do jeito que eu tinha imaginado ao pegar a música. Foi umas das primeiras músicas que ouvi do McFLY na vida (sim, conheci eles na época Radio:Active e me assusta pensar que já fazem 10 FUCKING ANOS) apesar de apenas ter me assumido fã deles após o lançamento do Above The Noise (e eu odeio o fato da banda ter morrido após isso e o álbum seis ser apenas uma lenda urbana no fandom). Eu espero que vocês tenham gostado, porque eu amei escrever essa ficstape e revisei ela umas dez vezes antes de realmente enviar ela, por medo de ter algum erro ou incoerência na história. Não deixem de comentar e dar opiniões. Até a próxima, um beijo!





comments powered by Disqus