FFOBS - 04. I Believe, por Flávia Coelho

Finalizada em: 06/09/2019

Prólogo

- Obrigado, Ryan! – Falei saindo do carro. – Eu tenho reunião às três horas, depois preciso ir até a fábrica me encontrar com o gerente da produção.
- Quatro e meia está bom? – Ponderei com a cabeça.
- Espero que sim. – Fiz uma careta e eu fechei a porta do carro, seguindo para o prédio empresarial espelhado em Chicago.
Assenti com a cabeça para o segurança que abriu a porta para mim e lá dentro ouvi o burburinho de diversos empresários e colaboradores entrando e saindo dos elevadores e lojas que ficavam no térreo. Chequei o relógio rapidamente e daria tempo para um café.
Segui até a fila da cafeteria e, enquanto ela seguia, peguei uma nota na minha carteira e chequei rapidamente as notificações em meu celular antes de chegar minha vez e, quando chegou, estiquei a nota sobre o balcão, me assustando ao ver uma funcionária que nunca tinha visto antes. Ela tinha os cabelos presos em um coque e usava o avental da cafeteria.
- Bom dia, no que posso ajudá-lo? – Ela perguntou com um belo sorriso no rosto e eu retribuí.
- Um duplo, por favor. – Falei e estiquei a nota para ela, que pegou e devolveu o troco.
- Qual seu nome? – Ela perguntou.
- Esse é , , dono da Sprinkle. – Jonathan disse esticando a mão para mim e eu sorri, cumprimentando-o.
- Desculpe. – Ela falou pegando um copo. – Eu ainda não estou familiarizada com as pessoas.
- Não se preocupe. – Sorri. – , certo? Prazer te conhecer.
- O prazer é meu. – Ela sorriu e eu me afastei para a fila do lado e a vi se debruçar para entregar o copo para a próxima pessoa e sorri. Ela era bonita e bem simpática, mais uma boa contratação do RH.
- Fala aí, senhor ! – Meg se aproximou, fechando alguns copos e entregando para os clientes.
- E aí, Meg, como está? – Perguntei e ela sorriu.
- Tudo certo, nada de novo e aí?
- Nada de novo? Quem é essa? – Apontei delicadamente com a cabeça.
- Ah, conheceu a novata? É a , ótima! Começou ontem com a gente, espero que dê certo. – Ela deu de ombros.
- Por que não daria? – Franzi a testa e ela me chamou para o lado.
- Eu não quis parecer intrometida, mas parece ter algo sobre engravidar de um cara fora do casamento, uma família que não aceitou e a abandonou. – Ela fez uma careta. – Ela está na cidade há duas semanas só.
- Nossa! Sério? – Ela deu de ombros, voltando a fechar os copos. – Que horror! Qual a idade dela?
- Bem mais nova do que você, isso eu posso garantir. – Rimos juntos e percebi a barriga saliente da nova funcionária. - Ela mencionou algo sobre uma família muito tradicional e religiosa. Ela tem um sorriso bonito, mas dá para perceber que ela tem uma mágoa sobre o assunto. – Suspirei e ela me entregou meu café.
- Até eu teria, Meg, vamos ser honestos! – Ela assentiu com a cabeça. – A gente se fala.
- Pode deixar! – Ela sorriu e eu me afastei, seguindo até a porta. – ! – A chamei e ela olhou para mim. – Precisando, pode chamar! – Ela sorriu.
- Obrigada, senhor . – Ela sorriu e eu abanei a mão com o café.
- Me chame de ! – Ela assentiu com a cabeça, passando a palavra entre os lábios.
- Pode deixar! – Sorrimos juntos e eu me retirei da cafeteria, dando espaço para os próximos clientes.


Capítulo Único

Segui para dentro da cafeteria naquela manhã, mas, diferente das outras vezes, eu não entrei na fila de pedidos, segui pela lateral da mesma e apoiei os antebraços no balcão de entrega, vendo Meg entregar e gritar os nomes dos clientes. Quando me aproximei da mesma, ela abriu um sorriso entediado e eu alarguei o meu, vendo-a sorrir.
- Que surpresa te ver aqui, ! – Ela falou irônica e eu sorri. – Eu vou chamá-la.
- Obrigado! – Falei e ela se afastou, colocando a cabeça no corredor de serviço e gritando por .
- Seu amigo está aqui! – Ela completou e voltou para o lugar. – Ela estava terminando de se arrumar, logo ela aparece aí.
- Obrigada, Meg! – Ela sorriu e voltou a seu trabalho.
Minutos depois, apareceu com o avental da cafeteria, sua jardineira já conhecida por mim e sua barriga de quase nove meses para minha felicidade. Ela me procurou com o olhar e, quando me encontrou, abriu um largo sorriso, vindo em minha direção.
- Oi, ! – Ela sorriu e se debruçou na bancada, dando um beijo em minha bochecha e eu sorri.
- Como vocês estão? – Perguntei e ela levou as mãos à barriga.
- Bem, cansados, mas felizes que entrarão de licença em... – Ela olhou o horário e fez algumas contas de cabeça. – Sete horas! – Ela riu fracamente. – Mal vejo a hora dele sair daqui, estou com muitas dores. – Sorri com sua preocupação.
- Eu trouxe uma lembrancinha para vocês. – Estendi o embrulho por cima do balcão e ela sorriu.
- Você é bom demais para mim. – Ela fez um bico e eu sorri, me debruçando sobre o balcão e estalei um beijo em sua testa.
- Você é boa demais para mim, a real é essa. – Ela sorriu envergonhada. – Você me tirou de um lugar que eu nem sabia que estava e fico feliz por te me encontrado.
- É para isso que são os amigos, . – Ela suspirou animada e eu relaxei meus ombros. – E é mentira quem diz que amizades recentes não contam. – Ela piscou, abrindo o embrulho e tirando um par de tênis para o bebê. – Ah, ! – Ela falou manhosa e saiu de trás da bancada, me abraçando fortemente e eu suspirei com o cheiro do seu cabelo. – Você vai ver, vou chamá-lo de . – Revirei os olhos.
- Vai ser uma menina, não estou confiante com aquele ultrassom, tinha tudo menos um pintinho naquela imagem. – Ela bateu em meu ombro e riu fracamente.
- Eu falando que vou te homenagear e você me faz isso. – Sorri, estalando um beijo em sua bochecha.
- Agradeço, mas você sabe que não é necessário. – Sorrimos. – Agora, além do presente, a empresa Sprinkle também está te oferecendo um pacote vitalício de remédios e vacinas para você e para o seu bebê. – Ela sorriu. – Pelo menos os que fabricamos. – Fiz uma careta e ela sorriu.
- Acho que é melhor do que os sapatinhos. – Sorri.
- Senhor ? – Virei para o lado, encontrando um dos acionistas da empresa que nos encarava com a feição confusa de sempre.
- Olá, senhor Johnson. – O cumprimentei.
- Nos vemos na reunião? – Ele perguntou, claramente secando de cima a baixo.
- Claro, até breve! – Sorri e ele se afastou. Antes de virar o rosto novamente, ouvi bufar.
- Eu odeio isso. – Ela sussurrou.
- Já te falei para não se preocupar, você é minha amiga, você sabe disso. – Ela suspirou.
- Eu sei, mas eu sou a moça da cafeteria e você é o CEO da Sprinkle e não deve passar seus tempos com uma ralé e blá, blá, blá. – Ela revirou os olhos e eu a encarei sério.
- Nada disso importa, . – Bufei. – Você é minha amiga, eles que lidem com isso. – Ela suspirou, me abraçando apertado mais uma vez.
- Macarrão em casa mais tarde? – Ela perguntou e eu sorri, encarando-a quando ela nos afastou.
- Eu levo as coisas e você descanse, ainda faltam duas semanas para essa criança sair daí, não vamos apressar. – Ela sorriu.
- Só você! – Ela revirou os olhos. – Que horas você vai ficar livre?
- Com sorte, oito horas. – Ela bufou.
- Dá para eu dormir e comer umas duas vezes até você chegar lá! – Sorri.
- Guarde um pouco de jelly beans para mim, por favor!
- Farei um esforço. – A puxei pelo braço para deixar mais um beijo em sua bochecha e acenei para ela e outros funcionários atrás do balcão.
- Tchau, gente, até amanhã! – Falei.
- Seu café! – Meg gritou e eu franzi a testa.
- Não pedi café hoje! – Ela colocou as mãos na cintura.
- Agora quer! – Ela disse, me entregando um copo e eu revirei os olhos, pegando minha carteira do bolso.
- É por conta da casa! – falou mais rápido, piscando para mim e eu agradeci com a cabeça.

- Bom dia, senhor . – Adam me cumprimentou quando eu entrei na minha sala.
- Bom dia, pessoa que eu já mandei me chamar de . – Coloquei minha maleta em cima de sua mesa, terminando de tomar o café.
- Força do hábito. – Ele disse.
- E aí, quais as novidades? – Perguntei.
- Faltam somente duas pessoas chegarem para começar a reunião do conselho, e os urubus já estão atacando! – Ele disse.
- É, eu sei o que eles dizem. – Chequei meu relógio. – Faz seis meses que eu conheci e faz seis meses que eu recebo olhares julgadores. – Revirei os olhos. – Não faz sentido na minha cabeça. Só porque eu possuo mais valor monetário do que ela na minha conta bancária, não podemos ser amigos? Eu e você somos amigos, certo, Adam? – Ele me encarou.
- Já que somos amigos, chefe, me dá um aumento? – Revirei os olhos, rindo fracamente.
- Falou o estagiário que trabalha seis horas por dia e ganha mais de dois mil dólares. – Suspirei. – Já disse que se suas avaliações continuarem bem, eu te contrato no fim do estágio.
- Eu te amo. – Ele disse e eu ri. – Mas então, já disse para que gosta dela? – Revirei os olhos.
- Todo dia você pergunta isso e todo dia eu respondo...
- “Não, somos só amigos”. – Ele fez uma péssima imitação da minha voz e eu ri. – Me engana que eu gosto. Você já passou os 40, cara! Não tem mais idade para ficar escondendo sentimentos.
- Vou retirar minha oferta de contratação, hein?! – Apontei para ele.
- Só estou dizendo que você encontrou a garota da sua vida e...
- Não gostaria de usar minha superioridade contigo, Adam, pare, por favor.
- Você só usaria porque sabe que eu tenho razão. – Suspirei, sabendo que ele estava certo.
- A sala de reuniões já está pronta? – Perguntei, mudando de assunto.
- Sim e todos os slides e papeladas estão arrumados.
- Ok, eu vou indo para lá. – Chequei o relógio. – Receberei uma ligação em 45 minutos. – Adam pegou o celular e mexeu nele rapidamente.
- Despertador estrategicamente colocado.
- Obrigado, e me salve, sim?! – Brinquei e ele sorriu.
- Boa sorte! – Bufei com mais uma reunião que eu odiava comparecer e segui pelos corredores da empresa até a sala de conferências, no meio do caminho, cumprimentei os funcionários que passaram por mim.
Pelas paredes de vidro, eu pude ver os acionistas presentes para a prestação de contas do mês. Eles estavam em diversos círculos como sempre e eu respirei fundo antes de empurrar a porta, entrando na mesma.
- Bom dia, senhores! – Falei, cumprimentando os que estavam em meu caminho até a ponta da mesa. – Todos presentes? Podemos começar? – Perguntei, movimentando a caneta para ligar a tela com os slides preparados.
- Eu gostaria de colocar um assunto em pauta, caso seja possível. – Senhor Johnson falou e eu apontei para o centro da mesa, dando permissão para que ele falasse.
- Sua relação com seus... – Ele procurou palavras para falar. – Subordinados. – Revirei os olhos.
- Se o senhor está se referindo à minha amizade com a moça da cafeteria, pode parar por aí. – Apoiei as mãos na mesa. – Minha vida pessoal não tem nada a ver com essa empresa e, enquanto ela não afetar minha vida profissional, vocês não têm nenhum direito em opinar ou até comentar sobre. – Falei calmamente. – Além de que eu não consigo entender qual o grande problema que o senhor e vários outros vêm com a minha relação com ela ou qualquer pessoa da cafeteria. – Os encarei que ficaram em silêncio.
- Sua vida pessoal pode não valer agora, mas caso queira se casar e constituir família com essa perdida, isso afeta a empresa sim.
- “Perdida”... – Passei as palavras pela boca. – Meu Deus! Quem está perdido é o senhor, senhor Johnson! Todos somos iguais, independente de cor, raça ou poder aquisitivo. – Revirei os olhos. – Não me faça tomar suas ações, porque eu tenho esse poder. – Ele bufou e se sentou novamente. – Mais alguém tem problemas com minha vida pessoal com pessoas perdidas? – Olhei para os acionistas de diversas idades. – Ótimo. – Disse. – Vamos começar, estamos há algumas semanas do Natal e as contas precisam fechar antes das férias coletivas da empresa, vamos lá. – Cliquei, mudando o slide. – Departamento de compras...

Peguei a sacola do mercado e saí do carro, batendo a porta e tranquei a mesma pela chave, ativando o alarme. Andei para dentro do corredor e passei pela área coberta do prédio de e contei três portas antes de bater na última com a mão livre, esperando que ela atendesse com aquele lindo sorriso de sempre.
- Ei, ! – Ela disse e eu entrei em sua casa, estralando um beijo em sua bochecha.
- Você nem está com cara de sono. – Comentei e ela riu fracamente, fechando a porta de seu estúdio.
- Eu estava fazendo algumas colagens e comendo jelly beans. – Ela fez uma careta ingênua e eu coloquei o saco na sua bancada, começando a tirar os ingredientes para a macarronada daquela semana.
- O que trouxe para gente hoje? – Ela se apoiou do outro lado da bancada e sorri.
- Mac and cheese, algo simples e que não precisa dedicar tanto.
- A gravidazinha agradece por isso. – Ela sorriu. – O que eu preciso fazer?
- Descanse, , eu cuido disso. – Tirei o paletó, jogando na cadeira da mesa em que ela trabalhava e ela sorriu, passando por mim e me abraçando rapidamente.
- Você é demais. – Ela falou e eu sorri.
- Depois quero ver o que está aprontando aí. – Falei, me referindo às suas colagens e ela sorriu.
- Pode deixar. – A vi voltar para a mesa com suas coisas e abri um pequeno sorriso, me sentindo à vontade para começar a mexer em suas panelas.
Coloquei o molho para cozinhar, fazendo uma grande mistura com três tipos de queijos que eu havia comprado, enquanto o macarrão cozia na água. Quando tudo estava pronto, misturei o macarrão com o molho, fazendo com que ele penetrasse pelos buracos do macarrão e coloquei fatias de muçarela e queijo ralado por cima, colocando a travessa no forno pré-aquecido.
Quando fechei o forno, segui para pegar as vasilhas, garfos e taças para bebermos o suco de laranja da nossa grávida. Inicialmente eu trazia um vinho, mas eu estava sozinho nessa, então começamos a acompanhar a pessoa que crescia dentro dessa mulher incrível.
Deixei tudo separado em cima do balcão, colocando o timer para dali 40 minutos e enchi as duas taças com suco, levando-as para a mesa de colagens da . Observei suas mãos delicadas mexerem nas diversas polaroids, sujando-as de cola branca e também fazendo corte com a tesoura para ela se encaixar nos espaços necessários.
Observei uma mulher muito parecida com ela na foto em que ela segurava, imediatamente soube que era sua mãe. Ela era muito bem resolvida com a questão de sua família tê-la expulsado de casa quando ela engravidou após uma transa qualquer em uma badala, mas era palpável a mágoa dela com tudo isso e como ela gostaria de ter sua mãe perto dela nesse momento tão importante.
Ela conta que nunca foi o tipo de pessoa a ir em baladas e tudo mais, mas queria aproveitar a despedida de solteiro de sua melhor amiga, bebeu demais e acordou em um hotel qualquer em algum lugar. Dois meses depois descobriu a gravidez, no terceiro já estava morando aqui em Chicago, tentando se virar com a sua vida.
Por mais trágico que isso pudesse parecer, eu era a pessoa mais feliz nessa história toda. Se nada disso tivesse acontecido com , eu não teria ganhado uma grande amiga, nem teria me apaixonado por ela e muito menos descoberto que existe muito mais do que somente o trabalho em minha vida. Ela havia me mostrado algo novo da minha vida, e que eu não posso mais viver sem.
- Com saudades? – Perguntei, entregando o suco na sua mão e apoiei a mão livre em seu ombro.
- Acho que são os hormônios. – Ela soltou um longo suspiro.
- Não tem problema nenhum, você sabe disso. - Ela girou o corpo, passando a mão livre pela minha cintura e encostando a cabeça na lateral do meu corpo, me fazendo acariciar seus cabelos cacheados.
- Eu tenho você, não preciso de mais ninguém. – Ri fracamente.
- Vou deixar você continuar mentindo para si mesma sobre isso pelo bem do bebê. – Ela riu fracamente.
- Ele agradece! – Depositei um beijo em sua cabeça e puxei uma cadeira, me sentando ao seu lado.
- Então, o que vai fazer nessas duas semanas antecipadas que o RH gentilmente te presenteou? – Ela riu fracamente.
- Agradeço por mexer os pauzinhos por mim, eu não aguento mais essa barriga. – Ela arqueou o corpo para trás, passando a mão na barriga por cima da jardineira.
- Essa criança precisa nascer logo também, você já está chegando em nove meses. – Ela suspirou.
- Eu vou marcar a cesárea para daqui duas semanas, só por precaução. – Assenti com a cabeça, olhando para as fotos que ela havia tirado de diversas situações, pessoas e fatos da sua vida.
- Precisamos tirar algumas fotos suas para você fazer uma colagem para o bebê. – Apoiei o cotovelo na mesa e a mão no queixo, passando os olhos pelas fotos.
- Eu já comecei a juntar. – Ela disse e vi um flash estourar em minha direção, me assustando e virando para ela que gargalhava, enquanto esperava sua câmera imprimir a foto. – Faltava uma do tio . – Ela sacudiu a foto e colocou na mesa, fazendo com que eu aparecesse no espaço da foto, me fazendo sorrir.
- Ficou bonita. – Comentei e ela sorriu.
- Claro, com um amigo bonito desses, impossível não. – Passei o braço pelos seus ombros, trazendo-a para perto de mim.
- Eu sempre estarei aqui contigo, com vocês dois. – Ela assentiu com a cabeça, sorrindo.
- Eu sei, ! Obrigada. – Ela estalou um beijo em minha bochecha e logo começou a mexer nas fotos novamente.

- Aqui, para você! – Entreguei o segundo pote de macarrão para ela, me sentando em sua frente na sua cama de casal.
- Ah, isso está divino, você deveria parar de fabricar remédios e ser cozinheiro. – Gargalhei, vendo-a queimar a boca.
- É macarrão com queijo, , todo mundo faz. – Falei, começando a comer meu segundo pote também.
- Mas isso está bom demais. – Sorri.
- Você que está esfomeada como sempre. Comendo por dois. – Brinquei e ela gargalhou, me ameaçando com o garfo.
- Não começa! – Ela falou brava e eu sorri. – Qual a sua desculpa?
- Eu sou comilão, isso não é segredo para ninguém. – Ela gargalhou, negando com a cabeça.
- Isso é verdade. – Ela olhou para o pote, espetando os pedaços de macarrão um a um, me fazendo rir pela sua animação. – Mas você se superou nessa.
- Para de graça! – Peguei um macarrão, desequilibrando e derrubando sem querer em sua cama.
- Vai, suja minha cama! – Ri fracamente, pegando o pedaço com a mão e colocando-o na boca. – Eu durmo aqui, ok?!
- Eu também, ok?! – Brinquei e ela gargalhou mais ainda, tampando a boca cheia com a mão, me fazendo sorrir.
- Tonto! – Me levantei com meu pote vazio e apoiei na pia, pegando o pano úmido na beirada da mesma e levei até a cama, passando-o pelo local sujo de molho de queijo.
- Pronto! Nem vai notar diferença! – Falei e ela sorriu.
- O cheiro de queijo está pelo estúdio inteiro, não vai fazer diferença. – Ela gargalhou e me entregou o pote. – Leva para mim?
- Claro, vossa majestade. – Falei e peguei seu pote e taça, e levei de volta na pia. Ajeitei tudo lá dentro e voltei para a cama, vendo-a se ajeitar no meio das almofadas.
- Vamos assistir algum filme? – Ela perguntou e eu suspirei, me sentando ao seu lado, encostando as costas na cabeceira da cama e estiquei os pés descalços em cima da cama.
- Você vai dormir igual ontem, antes de ontem e antes de antes de ontem. – Comentei calmamente e ela se aproximou de mim, me abraçando pela barriga e colando a cabeça na mesma.
- Vamos continuar o de ontem, então. – Ela falou manhosa. – Assim eu termino de assistir. – Ri fracamente.
- Ah, eu já vi. No final, o cara...
- Não me conta! – Ela falou um tanto alto, me fazendo gargalhar.
- Até parece que vai terminar de ver. – Comentei e ela riu.
- Liga a TV, pelo menos. Veja o que está passando. – Ela comentou e eu virei o corpo para a mesa de cabeceira, pegando o controle e ligando a televisão, procurando pelos canais de filmes. – Viu?! Uma Linda Mulher. – Ela suspirou quando Richard Gere e Julia Roberts apareceram na televisão e eu deixei, sorrindo com ela. – Esse eu posso dormir, porque eu já vi. – Sorri, negando com a cabeça.
- Descansa, , dorme com os anjos. – Comentei, levando a mão a seus cabelos, acariciando-os lentamente.
Como ontem, antes de ontem e antes de antes de ontem, ela dormiu nos primeiros 20 minutos de filme, impedindo que eu me mexesse pelas próximas horas, com medo de ela acordar caso o fizesse. Olhei para seus olhos fechados sereno e suspirei, apoiando a cabeça na cabeceira também e fechando os meus, tentando continuar com os movimentos em seus cabelos até adormecer também.

Nós nos encontrávamos quase todo dia desde que nossa amizade começou a engrenar, lá pelos seus quatro meses. Algumas vezes eu precisava viajar com a empresa ou ficava trabalhando até muito tarde e não podia aparecer na sua casa, mas religiosamente eu passava na cafeteria para pegar meu primeiro café do dia com ela.
Muitas pessoas me criticam por essa amizade, mas não entendo qual problema elas enxergam nisso. Eu ser o dono de uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo e ela ser barista na cafeteria da minha empresa? Eu não costumava fazer amizades pelo quanto elas tinham em sua conta bancária, normalmente pelo o que elas tinham em seu coração e pela preocupação delas comigo. Nem tínhamos tanta diferença de idade, ela era somente seis anos mais nova do que eu, o que, para nós, não estava fazendo diferença nenhuma.
Com ela eu sou feliz, só que eu preciso assumir que meu assistente estava certo, eu deveria me declarar para ela enquanto ela não tinha mais ninguém, mas tinha medo de perder tudo o que temos. Ela era a melhor coisa que havia me acontecido em muito tempo. E em breve seríamos em três, como eu sonhava em nós três como uma família, era o meu maior desejo.
Eu era originalmente de Boston, fiz faculdade, a vida foi me dando oportunidades e eu fui pegando. Abri a Sprinkle quando minha pesquisa sobre a diabetes começou a avançar, então, ela foi crescendo e as coisas simplesmente foram acontecendo, um dia depois do outro. Claro que tive muita sorte e amigos influentes para essa empresa crescer, os quais eu sou grato até hoje.
- Você deveria pedir para casar com ela. – Adam comentou, girando uma caneta entre os dedos.
- São nove horas da noite de um sábado, você está preso aqui comigo, mas não começa a me provocar, Adam. – Suspirei, recomeçando a ler o relatório pela milésima vez. – Além de que, de onde veio isso? – Perguntei, abaixando o mesmo e tirando os óculos de leitura.
- Ah, ela postou um vídeo do bebê mexendo na barriga nos stories, só comentei. – Ele deu de ombros e eu revirei os olhos.
- Ela postou isso tem algumas horas, você que só viu agora. E por que você segue ela?
- Por que ela é legal comigo? – Ele me olhou, tirando os pés da mesa e se sentou direito.
- Ela é legal com todo mundo. – Dei de ombros.
- É só uma ideia, chefe. Sei lá, vocês não são mais tão jovens, não é mesmo? – Ele deu de ombros e eu joguei uma caneta em sua direção. – Ei! Eu estou tentando te ajudar!
- Para, Adam! Não preciso de mais uma pessoa dizendo o que eu devo ou não fazer. – Bufei. – Eu sei o que eu deveria fazer, eu só tenho um pequeno problema que é perdê-la caso eu seja rejeitado.
- Mas você realmente acha que ela te rejeitaria? – Ele se levantou. – Qual é, chefe! – Ele veio em minha direção. – Aquela mulher pode não te amar no quesito casal, mas ela te ama de alguma forma. Que mulher dedica uma amizade no ponto de te receber em casa todo dia? Deixar você ficar confortável na casa dela? Dorme abraçado contigo? Deixa você abusar da liberdade dela que só falta tomar banho contigo? – Ele apoiou as mãos em minha mesa. – Ela te ama, pode só não saber disso. – Dei de ombros.
- Eu não sei, Adam.
- Talvez ela não queira se relacionar contigo pelo bebê também, vai saber. Você sabe toda a história, e você sabe que ela não se sente bem da forma que engravidou, vai ver ela tem algum receio também.
- Ela não é assim... É? – Olhei para ele que deu de ombros.
- Se você não se importa, comece mostrando isso a ela. Ela sabe que tem uma guerra na sua empresa por você ser só amiga dela? Ela sabe o quanto você ama essa criança como se fosse sua? – Suspirei.
- Eu não sei, nunca achei que fosse necessário falar. – Passei as mãos nos cabelos.
- Posso te garantir que as mulheres adivinham muitas coisas, mas elas também gostam de ouvir. – Ele disse e nos assustamos com meu celular tocando. – Falando nela... – Olhei para o aparelho e vi o nome e a foto de no mesmo. – Eu posso te dar licença, se preferir. – Neguei com a cabeça, deslizando o botão e colocando-o na orelha.
- Oi, ! – Falei.
- Oi, , você está ocupado agora? Eu estou com uma emergência! – Ela falou rápido demais e eu me levantei.
- Estou na empresa ainda, por quê? O que houve? – Falei com a mesma rapidez.
- Acho que o bebê quer nascer, minha bolsa estourou. – Arregalei os olhos.
- Você está com dores? Aguenta esperar eu chegar aí? – Ela soltou uma forte respiração pelo vocal.
- Acho que sim, mas as contrações já começaram. – Ela soltou um gritinho e eu balancei a cabeça.
- Estou indo para aí agora! – Desliguei o telefone, virando para Adam.
- O que houve, cara? – Ele perguntou.
- O bebê vai nascer.
- Aproveita, cara! Eu fecho as coisas aqui, vai! - Ele disse e eu peguei o paletó em minha poltrona, a maleta com a outra mão e passei pelas portas da sala. – É a sua chance! – O ouvi gritar, antes de eu encontrar o elevador aberto e entrar pelo mesmo.

Freei com tudo na frente do apartamento dela, assustando alguns adolescentes que estavam conversando na calçada, e desci correndo do carro, ouvindo algumas palavras de reclamação. Entrei rapidamente pelo corredor, empurrando a primeira porta do lado direito, feliz por ela continuar destrancada.
- ! – Dei de cara com sentada em uma das cadeiras de sua mesa de colagens, com o rosto suado e a respiração ofegante.
- Oh meu Deus, como você está? Tudo bem? Demorei demais? – Segurei sua mão, puxando-a para cima, fazendo-a se levantar.
- Eu estou bem, eu estou bem, só... – Ela fez uma careta de dor. – As contrações estão mais frequentes, mas está tudo bem. – Ela suspirou, soltando a respiração levemente. – Desculpa te ligar a essa hora, eu não tinha mais ninguém para quem...
- Ah, , pelo amor! – Respondi rapidamente. – Somos amigos, ok?! Eu estou aqui para você para tudo. Nos bons e nos maus momentos. E se você não me ligasse, eu ficaria muito bravo. – Ela riu fracamente.
- Obrigada! – Ela sorriu.
- Aonde estão as coisas? A bolsa está pronta? – Perguntei rapidamente.
- Está ali na cama e está tudo bem, . Se acalma, até parece que é você quem vai ter um filho. – Ela falou seguindo até a porta e eu corri para dentro do estúdio, encontrando a bolsa de bebê azul perfeitamente arrumada.
- Nunca fiz isso antes, ok?! – Coloquei a bolsa no ombro e segui de volta até ela. – Consegue andar? Quer que eu te carregue?
- Só me dá a mão, ! Pelo amor! – Ela segurou minha mão fortemente, apoiando a mão livre na barriga e seguimos para fora novamente.
Puxei a porta de sua casa e a ajudei pelo caminho até meu carro. Joguei a mala do bebê no banco de trás e a ajudei a amarrar o cinto, ouvindo-a rir da minha preocupação. Dei a volta no carro, me ajeitando no banco do motorista e pisei fundo.
- Liga para o hospital, avisa que estamos chegando. – Estiquei meu celular para ela.
- Eu já avisei, , eles estão esperando. – Sua voz afinou quando ela fez uma careta de dor e eu respirei fundo.
- Tem certeza que você está bem? – Perguntei novamente e ela abanou a mão.
- Dirige, ! – Ela falou nervosa e eu foquei nas ruas e avenidas em minha frente.
Pelo horário tarde e a distância da casa de do centro da cidade, chegamos no hospital mais próximo em menos de 15 minutos. Freei o carro na entrada de emergência e um enfermeiro já apareceu com uma cadeira de rodas.
- Obrigada! – falou, sentando-se na cadeira e eu peguei a bolsa no banco de trás e afastei a mão do enfermeiro para que eu empurrasse sua cadeira.
- Nome, por favor. – A moça da recepção falou, com uma prancheta na mão.
- , . – Ela disse e a moça lhe entregou um crachá.
- Ligamos para sua médica e ela já está chegando, podemos te levar para a sala de preparo. – assentiu com a cabeça.
- Por favor, está doendo demais. – gemeu e eu dei um pequeno sorriso.
- E o senhor, o que é dela? – O enfermeiro de antes me parou com a mão no ombro e eu dei uma leve travada.
- Ele é meu amigo. – falou e me encarou. – Ele é... Nós somos... – O enfermeiro continuava nos olhando.
- Eu sou o pai da criança! – Falei rapidamente, engolindo em seco logo em seguida.
Olhei para baixo, encontrando o olhar mais aliviado de e ela assentiu com a cabeça, comprimindo os lábios como quando estava emocionada. Passei a mão em sua cabeça e depositei um beijo em sua testa.
- Ele é minha família! – Ela disse e eu sorri, apertando seu ombro.
- Bom, acho que está entendido, você pode colocar esse crachá. – A moça da recepção me deu um crachá e eu colei na blusa social. – E levem-nos até a sala, logo a médica vai estar aqui.
- Obrigada! – falou e eu segui o enfermeiro pelo elevador.
Ele nos levou até o quarto andar e ajeitou em um quarto. Uma enfermeira veio ajudar a se trocar e logo ela estava deitava na maca com diversas conexões monitorando ela e o bebê. Vesti a roupa cirúrgica do hospital e aguardei ao seu lado, vendo sua respiração falhar diversas vezes enquanto o aparelho que monitorava suas contrações apitava a cada 10 minutos.
- Oi, ! Cheguei! – A médica ruiva, a qual acompanhei outra vezes, chegou correndo e sorriu para nós. – , como entrou? – Ela me cumprimentou.
- Ele é o pai! – falou, rindo em seguida.
- Fico feliz, então! – A médica sorriu. – Bom, vamos começar? – Ela colocou a cabeça para fora do quarto. – Cadê minha equipe de parto? – Ela gritou. – Vai ser normal mesmo, ?
- Eu acho que aguento. – sorriu e eu passei a mão em sua testa suada.
- Vamos nos organizar, então. – Ela se colocou em frente à , puxando um banco. – , do lado esquerdo de , tente não andar pela sala, por favor. A equipe já fará todo esse trabalho.
- Pode deixar! – Outros quatro enfermeiros homens e mulheres entraram na sala rapidamente com diversos apetrechos e começaram a se organizar pela sala.
- Está calma, ? – A médica perguntou e assentiu com a cabeça sem fazer um som, apertando a minha mão em resposta.
- Eu nunca fiz isso antes, então não sei responder. – Ela disse fracamente e eu sorri.
- Eu vou dar uma olhada na sua dilatação, ok?! – Ela disse e olhou embaixo da cortina que o outro enfermeiro já tinha preparado quando chegamos.
- Ok! – disse com dor em sua voz, franzindo a testa a cada minuto.
- Você está bem? – Perguntei, jogando seus cachos para trás, ela somente assentiu com a cabeça, sorrindo.
- Obrigada por estar aqui comigo. – Depositei um beijo em sua testa.
- Sempre! – Falei sorrindo.
- Precisamos esperar um pouco ainda. – A médica falou. – Logo estou de volta, qualquer coisa, me chamem. – Ela disse e assentimos com a cabeça.

Quase uma hora depois, o parto realmente começou. As dores de ficaram mais frequentes e seu incômodo começou a ser demonstrado por meio de gritos finos que ela deixava escapar pelos seus lábios. Era visível que ela já estava incomodada em ficar ali, só queria que tudo aquilo acabasse, o brilho eu seu rosto já havia sumido há algum tempo.
- Ok, , se prepare, só faça força, está bem?
- Ok... – Ela falou em meio a um gemido e eu segurei sua mão livre.
- Eu estou aqui contigo. – Cochichei próximo a seu ouvido e ela passou a mão em meu rosto, sorrindo.
- Obrigada. – Ela cochichou e gritou de novo, fazendo força para frente e apertando minha mão.
- Contração! – A enfermeira falou e os gritos de começaram a ficar mais frequentes, enquanto ela apertava minha mão e o braço do outro lado da maca, em uma tentativa de se conter.
Observei o rosto de se contorcer diversas vezes enquanto a enfermeira repetia a palavra “contração” e a médica espiava de para o bebê que chegava, mas minha preocupação era só com a mulher que estava na maca. Mesmo com os cabelos bagunçados, o rosto completamente molhado e a feição de dor, ela era a pessoa mais bonita para mim e não tinha outro lugar em que eu gostaria de estar, a não ser ao seu lado.
- Ele está chegando! Vamos, mais forte! – A médica falou e eu olhei surpreso para ela. – Um último empurrão mais forte, , vamos! Para liberar os ombros! – Ela disse animada.
- Argh! – gritou, apertando minha mão fortemente e um choro igualmente alto invadiu o quarto, fazendo arregalar os olhos para mim.
- Ah, aqui está ele! – A doutora falou e eu sorri, vendo deitar aliviada novamente, com um largo sorriso no rosto.
- Você conseguiu! – Cochichei, colando meus lábios em sua testa e ela sorriu, rindo fracamente.
- Aqui está ele. – A médica trouxe o pequeno enrolado em uma manta branca e finalmente puder ver seu rosto ainda ensanguentado. – Parabéns, gente! – Ela o colocou no colo de que imediatamente o ninou em seus braços.
- Ah meu Deus! – falou com um largo sorriso no rosto e vi o bebê movimentar a boca com o choro que ainda saía de seus lábios. – Ah, amor, eu estou aqui. É a mamãe! – falou com uma voz mais afinada e deu um beijo na cabeça da criança. – Ah, eu te amo, eu te amo tanto. – E assim, sem mais nem menos, o choro de seu filhote calou, voltando ao silêncio anterior. – Ele é lindo.
- Ele é sim! – Sorri, vendo-a perceber minha presença novamente e ela se aproximou de mim, sorrindo.
- Você está bem, ? – A doutora perguntou e ela assentiu com a cabeça sorrindo.
- Eu estou ótima! – Ela virou para a ruiva sorrindo.
- Precisamos fazer alguns exames, dar um banho nele, mas podemos deixá-los a sós um momento. – Ela comentou e assentiu com a cabeça.
- Por favor, só uns minutos. – Ela disse e eu sorri, vendo a doutora piscar. Ela abaixou as pernas de novamente, desfazendo a cortina e saiu da sala junto de alguns enfermeiros.
- Como você está? – Perguntei, quebrando o silêncio.
- Eu estou ótima, . – Ela suspirou. – Foi como se todos os problemas que eu sofri para chegar até aqui sumiram e me deixaram esse presente perfeito. – Assenti com a cabeça, sorrindo.
- Você fez um ótimo trabalho, . – Ela suspirou.
- Não foi perfeito, nem da forma que eu gostaria, mas ele está aqui agora e é a melhor coisa que já me aconteceu. – Sorrimos.
- Deus escreve certo por linhas tortas, algumas vezes dá certo. – Rimos juntos. – E então, já escolheu o nome dele? – Perguntei e ela suspirou.
- Eu já te disse, não? Vai ser ! – Ela sorriu e eu ri fracamente.
- Ah, que isso! – Ela sorriu.
- Você é a melhor coisa que me aconteceu, . Não tem escolha melhor. – Assenti com a cabeça, sentindo uma lágrima escorrer de meu rosto.
- Obrigado. – Suspirei.
- Vamos, segure-o, titio! – Ela me estendeu o bebê e eu o segurei, ajeitando-o em meus braços, vendo-o se incomodar com a mudança de posição. – Você merece esse crédito tanto quanto eu. Cuidou tão bem da gente nesses meses.
- Vocês são importantes para mim, eu não brinquei com o que falei lá na frente. – Ela franziu a testa. – Eu posso ser o pai dele se você quiser. Não só o tio.
- Não faça isso, , você não precisa. – Dei um pequeno sorriso, olhando para ela.
- Eu quero! – Suspirei. – Você não vê, ? Eu sou apaixonado por você desde o primeiro dia. – Ela mordeu o lábio inferior. – Você e esse bebê foram as melhores coisas que me aconteceram em muito tempo. – Suspirei. – E eu não sei mais viver sem vocês. – Ri fracamente. – Não tem mais volta.
- Ah, , por que você nunca me disse nada?
- Não sei. – Suspirei. – Medo de rejeição? Medo de perder você? Perder essa amizade? Posso fazer uma lista enorme, mas todas são baseadas no medo. – Ela ergueu a mão livre, tocando meu rosto. – Mas você me mostrou algo que eu realmente não sei mais viver sem, e é você e essa família. – Ela abaixou a mão e passou em seu rosto, limpando uma lágrima que escorreu pela sua bochecha.
- Sem você, nada disso seria possível, sabia disso? – Ela suspirou. – Minha vida aqui em Chicago, essa gravidez saudável, minha sanidade mental depois de tudo o que aconteceu. – Ela soltou a respiração fortemente. – Você esteve do meu lado, toda noite, todo dia, você é minha âncora, . – Ela suspirou. – Eu acredito que tudo só deu certo por causa de você.
- Que tal toda vida? – Perguntei e ela franziu a testa. – Você disse toda noite, todo dia, que tal a vida toda? – Suspirei. – Porque eu estou aqui para ficar, eu sempre vou estar ao seu lado, nos tempos bons e ruins. – Ela riu fracamente e eu entreguei o pequeno para ela novamente.
- O que você está tentando dizer? – Ela franziu a testa.
- Bem, me chame de louco, mas eu estive esperando uma razão para fazer isso e agora não tem volta mais. Casa comigo. – Ela arregalou os olhos e percebi que sua respiração falhou por alguns segundos.
- Mas, ... – Ela respirou fundo, me encarando profundamente. – As pessoas vão dizer que fomos rápido demais. – Suspirei.
- Elas já dizem. – Rimos juntos. – Mas nada disso importa mais, agora que eu te tenho comigo. – Sorri, rindo fracamente. – Bom, se você aceitar.
- Eu sou louca demais se falar que aceito? – Abri um largo sorriso.
- Não, mas vai me fazer o cara mais feliz do mundo. – Respondi e ela ergueu a mão livre para meu rosto e eu me aproximei dela, apoiando o braço no espaço da cama e ela sorriu, antes de fechar os olhos e colar os lábios levemente nos meus em um curto beijo.
- Eu te amo, . É impossível eu não amar o cara que me salvou de tudo isso e ainda se tornou o melhor presente da minha vida.
- Eu te amo e eu vou cuidar de vocês dois. – Sorri e colei nossos lábios novamente, vendo-a sorrir entre o mesmo.
- Vemos que a evolução de amigos para pai da criança e depois casal foi rápido, não?! – Nos separamos ao ouvir a voz da médica e viramos o olhar para ela. – Viu?! Eu disse que ele gostava de você. – Franzi a testa.
- Ela te dava conselhos? – Virei para .
- Falávamos de você sempre que você não vinha. – Ela cochichou e rimos juntos fracamente.
- Adam me falava a mesma coisa. – Ri fracamente.
- Adam gosta de se meter na sua vida, não é mesmo? – Ela comentou e eu ri fracamente.
- Talvez, mas preciso agradecer a ele por tudo que aconteceu aqui hoje. – Suspirei, fazendo um carinho em sua cabeça.
- Alguém tinha que fazer algo, não é mesmo? – A doutora falou e sorrimos. – Bom, vamos dar um banho nesse meninão? Fazer todos os exames? Tentar fazer a primeira amamentação e tudo mais? – Ela falou e pegou o pequeno dos braços de . – Já decidiram o nome? – Ela perguntou.
- . – sorriu e virou para mim. – Como o cara que salvou minha vida. – Sorri, dando um beijo em sua testa.
- Existem diversas formas de salvar uma vida, creio que estamos quites, então. – Ela sorriu e me puxou para mais um beijo.
- Ah, esses dois, parecem adolescentes agora! – Rimos quando a doutora falou e sorrimos cúmplices. – Vamos trabalhar um pouco, não é mesmo?
- Sim, agora começa o trabalho de verdade. – falou, suspirando.
- Você não estará sozinha mais. – Falei e ela sorriu, segurando minha mão.
- Tem alguma coisa que eu posso fazer? – Ela perguntou para a médica.
- Você acabou de ter uma criança, sossega aí! Qualquer coisa me ajuda. – Ela comentou e rimos juntos.
- Enquanto isso... – Ela se afastou para o lado um pouco. – Fique comigo. – Ela disse e eu me sentei na beirada da cama, abraçando-a de lado.
- Para sempre. – Sorri, dando um rápido beijo em sua testa e apoiando minha cabeça na sua, sorrindo.


Epílogo

Olhei o relógio mais uma vez no último minuto e respirei fundo, mantendo as mãos em frente ao corpo, enquanto olhava o pequeno corredor vazio em minha frente. Balancei a cabeça, respirando fundo e vi uma sombra aparecer na porta e andar apressadamente pelo corredor, chegando em minha frente.
- Desculpe, foi difícil fugir sem que os acionistas soubessem aonde eu estava indo. – Adam falou e ele suspirou. – Ainda bem que ela não chegou ainda.
- Ela já chegou. – Doutora Jennifer cochichou do outro lado do altar, sorrindo para o padre quando o fez.
- Acalmem-se todos. – O padre falou baixo, mantendo sua pose serena e rimos fracamente. – Ela já está aqui.
Uma melodia suave começou a ser tocada pelo próprio coral da igreja mais escondida de Chicago e os pouco mais de 50 convidados se levantaram para receber a noiva. Engoli em seco, respirando fundo e olhei para o primeiro banco, aonde se encontrava meus pais e a mãe de , todos sorrindo para mim. Soltei o ar devagar e vi uma sombra se formar na entrada da igreja novamente e suspirei, sentindo minhas mãos suadas.
, com seus quatro anos, andou pelo corredor com uma cestinha na mão, jogando pétalas de flores pelo chão, deixando alguns suspiros escapar de todos os convidados e uma pequena lágrima deslizar pelo meu rosto. Quando ele chegou mais perto de mim, saiu correndo em minha direção, abraçando minhas pernas, com o rosto avermelhado de vergonha. Todos riram e eu me abaixei para ficar em sua altura.
- Você está bem, pequeno? – Cochichei e ele assentiu com a cabeça, me abraçando apertado.
- Você está pronto? – Ela cochichou para mim. – Ela está linda!
- Ah é?! – Perguntei e ele assentiu com a cabeça animado.
- Fica aqui com o tio Adam. – Adam o chamou pela mão e meu assistente pegou meu filho no colo, apontando para a entrada da igreja.
Outra sombra me cegou e dessa vez eu respirei fundo, prendendo a respiração por alguns segundos e, quando a sombra não impediu mais minha visão, pude reconhecer vindo em minha direção no pequeno corredor da igreja. Do seu lado, vinha seu pai que havia ressurgido alguns anos atrás com muitos pedidos de desculpas e um largo sorriso no rosto, igual minha menina. Quando ela chegou em mim, seu pai lhe deu um pequeno beijo na testa, fazendo-a sorrir e me abraçou fortemente, sorrindo.
- Não seria justo eu pedir para você cuidar dela, quando você já o faz muito bem há quase cinco anos. – Ele sussurrou para mim e eu assenti com a cabeça, recebendo um beijo em minha bochecha, me virando para a mulher em minha frente. Segurei a mão de , dando um leve beijo em sua testa e ela sorriu.
- Você está pronta para isso? – Perguntei e ela suspirou.
- Já enrolamos demais com isso. – Ela sorriu. – Apesar de que uma celebração e uma assinatura em um pedaço de papel não vão mudar nada para mim. Você é meu amor.
- Nem para mim, só gosto de te exibir para meus amigos de vez em quando. – Ela riu fracamente e eu dei o braço para ela, andando novamente em direção ao altar e me colocando em frente ao padre.
entregou o buquê para Jennifer ao seu lado e esticou os braços para mãe, fazendo-a se aproximar e receber um beijo gostoso, me fazendo sorrir. Adam piscou para mim, me fazendo sorrir e suspiramos, virando para o padre que começou a celebração com palavras bonitas separadas por nós dois, mas a única coisa que eu conseguia prestar atenção, era a mulher ao meu lado.
Quatro anos haviam passado de tudo isso e muita coisa havia mudado. Seus pais apareceram quando tinha poucos meses de vida implorando pelo perdão, abrindo os olhos por uma decisão errada. Rolou muito choro e indecisão da parte de , mas a real é que família acaba sendo uma âncora muito pesada para não levar em conta, independente dos erros cometidos.
Depois tivemos o problema da aceitação do nosso relacionamento pela minha empresa, meu afastamento como CEO, queda das ações, minha volta como CEO e diversos problemas irrelevantes de mencionar. Agora, a única coisa que não mudou, foi meu amor por essa mulher ao meu lado que só cresce a cada dia. Viver com ela diariamente como amigos já era uma surpresa e uma felicidade, agora tendo-a ao meu lado, compartilhando minhas decisões, era o melhor presente que eu podia ter pedido.
Muitos passos foram tomados durante esses quatro anos, muitas lutas para enfrentar as decisões da vida, e agora estávamos aqui, prontos para dar mais um passo na decisão mais acertada de minha vida: passar o resto da minha vida com ela.


Fim



Nota da autora: Isso sim que foi escrever de forma kamikaze! Quando esse ficstape começou a ser montado, só tínhamos os nomes das músicas, nem as letras tinham saído ainda! Claro que houve aquele receio de se comprometer com algo sem ter ideia, mas não podia deixar de participar desse ficstape sobre a volta da minha banda favorita!
Eu adorei poder fazer parte desse ficstape e escreve uma história sobre essa música que, obviamente, acabou se tornando uma das minhas favoritas do álbum! Além de que pude usar uma ideia antiga.
Espero que vocês tenham gostado e não se esqueçam de deixar aquele comentário aqui embaixo!
Para mais informações sobre essa história ou outra, entre no meu grupo do Facebook!
PS: Toda semelhança com o filme Amor e Outras Drogas é intencional.





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus