05. Cry

Finalizada

Capítulo Único

O som da chuva tamborilava suave contra a janela, quase como um lembrete insistente de que o mundo lá fora continuava girando — mesmo quando o de parecia ter parado.
Ele estava sentado no sofá da sala, uma xícara de café esquecida ao lado, já fria. A televisão ligada em um canal qualquer, sem som. A luz azulada piscava no fundo da sala, mas ele não via nada além da imagem fixa no celular.
Aquela maldita foto.
.
Sorrindo como se nunca tivesse sumido. Como se nunca tivesse dito que estava grávida.
Como se nunca tivesse chorado nos braços dele dizendo que não sabia o que fazer.
Como se nunca tivesse existido entre eles nada além de um borrão.
A legenda ainda pulsava na memória:
"A segunda chance que a vida me deu."

... — a voz de Ben, seu melhor amigo, ainda ecoava na cabeça dele. Foi ele quem mostrou a postagem.
Tinha mandado no grupo de mensagens, uma imagem mal cortada da publicação, depois o link do perfil. No início, não reagiu. Pensou que era montagem. Uma brincadeira idiota. Até que Ben ligou.
— Cara... me responde. Viu o que eu te mandei?
— Que porra é essa?
— É ela, . É a . Está com outro cara, outro nome. Tá... grávida. De novo, eu acho, porque tá segurando a barriga igual gravide, mesmo com a barriga inexistente. E noiva.

Silêncio.

O tipo de silêncio que grita dentro da cabeça.
não respondeu. Abriu o aplicativo de mensagens com as mãos trêmulas, clicou no link que abriu diretamente a foto, dando a possibilidade dele acessar o perfil. Não era o mesmo de antes, claro — era esperta. Era outro nome, outro @, outro mundo. Mas o rosto era dela. O sorriso era dela. E o anel... era outro capítulo.
Ele não lembrava exatamente quando o celular caiu das mãos. Só sentiu o vazio. Como se o ar tivesse sumido do quarto.
Se jogou no sofá, os cotovelos nos joelhos, as mãos enterrando o rosto.
Três semanas.
Foi o tempo que ela levou pra evaporar da vida dele e aparecer como noiva de outro homem, em outra cidade, com outra vida.
As palavras de dançavam na cabeça dele. Frases soltas, ditas com voz trêmula e olhos marejados.
"Eu não tô pronta, . Não sei o que fazer."
"Você não precisa ficar por obrigação. Eu consigo sozinha."
"É só... às vezes eu sinto que você vai embora, e eu fico desesperada..."
Ele acreditou. Em tudo.
E o pior: ele quis.
— Filha da puta... — sussurrou, com os olhos fechados.
Levantou do sofá de súbito, sem saber o que estava procurando. Andou até o quarto que eles tinham começado a montar — o lugar que agora era um altar de lembranças vazias.
Havia uma caixa ainda fechada em cima da cômoda. Ele não teve coragem de abrir. Dentro dela, havia sapatinhos, algumas roupas que ele mesmo escolheu, e um porta-retratos vazio.
Ela nunca deixou que ele fosse às consultas. Nunca mandou exames específicos. Sempre dizia que se sentia mal, que era cedo, que a médica era distante.
E ele, burro, respeitou. Confiou.
Mas agora... agora tudo fazia sentido demais.
Voltou pra sala, e o telefone apitou. Era Ben.

Ben:
“Você tá bem? Quer que eu vá aí?”

:
“Não precisa, eu estou bem!.”

Por um momento, ele pensou em responder outra coisa. Algo menos seco. Algo mais justo. Mas não havia mais justiça. Havia só ela — de vestido claro, mãos na barriga, e outro homem segurando sua cintura como se o futuro todo estivesse ali.
A chuva engrossava lá fora.
E dentro de , tudo desmoronava em silêncio.

Flashback


O banco traseiro do carro ainda cheirava a couro e perfume. Não o perfume dele — mas o dela. Doce, envolvente, como uma promessa sussurrada no escuro. Os vidros estavam embaçados, o ar rarefeito, e os risos abafados ainda pairavam no ar, misturados aos suspiros e às batidas aceleradas dos corações.
— Você é um problema — murmurou, a testa colada à dela, a mão ainda pousada em sua cintura.
soltou uma risada baixa, provocante, e desviou os olhos como quem não queria admitir o quanto aquela frase lhe agradava. Vestia a camisa dele, mal abotoada, os cabelos desfeitos, a pele ainda quente.
— Então por que você continua voltando? — ela sussurrou, com aquele sorriso torto que sempre o desarmava.
Ele poderia ter respondido que era pela forma como ela dizia seu nome, ou pelos olhos que pareciam esconder labirintos, ou talvez pelo jeito como ela fazia o mundo parar por algumas horas. Mas não disse nada. Só a observou, quieto, tentando memorizar cada traço.
Ela se vestiu devagar, como se não houvesse pressa. Depois, encostou-se na porta do carro, os dedos brincando com uma mecha de cabelo.
— Você nunca me pergunta nada — disse de repente, a voz quase tímida. — Nem meu sobrenome.
— E você nunca oferece — ele rebateu, com um meio sorriso. — Acho que é parte do acordo não escrito, não é?
o olhou por um segundo a mais do que deveria. Como se esperasse que ele dissesse algo diferente. Como se quisesse que ele pedisse para ela ficar.
Mas não era esse cara. Nunca foi.
E talvez fosse justamente por isso que ela sempre voltava.
O relacionamento, se é que podia ser chamado assim, era um acúmulo de noites em silêncio e mensagens fora de hora. aparecia quando queria, desaparecia sem aviso. Um cometa — belo, veloz, e destinado a partir.
Ele nunca perguntou onde ela ia. Nunca insistiu quando ela sumia. E talvez fosse porque, no fundo, sabia que aquilo era frágil. Que perguntas demais podiam rachar a ilusão. Que qualquer tentativa de controlar era como tentar segurar água nas mãos.
Um mês depois A chuva batia contra as janelas como dedos impacientes. Era fina, constante, quase melancólica — do tipo que silencia a cidade e convida à introspecção. estava largado no sofá, o corpo afundado nas almofadas, a atenção dividida entre a TV e o tédio. Uma série qualquer passava, com personagens cujas vozes pareciam mais distantes a cada segundo.
Então vieram as batidas.
Três toques curtos, hesitantes, como se quem estivesse do outro lado tivesse considerado não bater. franziu o cenho. Era tarde, e ninguém costumava aparecer assim. Levantou devagar, ajeitou a camisa amassada e caminhou até a porta com o peso da curiosidade nos ombros.
Quando abriu, foi como se o tempo prendesse a respiração.
estava ali.
A primeira coisa que notou foram os olhos — vermelhos, marejados, como se tivesse chorado o caminho todo até ali. Os cabelos colavam-se ao rosto pálido, pingando água no chão frio do corredor. Ela usava um casaco aberto, e os braços cruzados sobre o peito pareciam mais uma armadura do que proteção contra o frio.
Ela não disse "oi". Não sorriu. Não fez charme, nem piada.
Disse apenas:
— Estou grávida.
Silêncio.
A frase ficou suspensa no ar como fumaça densa. sentiu o próprio corpo congelar, as palavras rodando na mente como se precisassem de tradução. “Grávida”. Ele repetiu mentalmente, tentando encaixar a informação em algum lugar onde ela fizesse sentido.
Seu primeiro impulso foi rir. Não de deboche — era aquele riso leve, nervoso, como quem tenta recuperar o fôlego depois de uma notícia absurda. Parte dele esperava que ela sorrisse em seguida, dissesse que era brincadeira, que tudo fazia parte de mais uma das suas entradas dramáticas. sempre soubera como dramatizar até o silêncio.
Mas ela não sorriu.
Ela permaneceu firme. Os olhos fixos nele, úmidos, vacilantes. Os ombros levemente curvados como se carregassem muito mais do que a chuva.
— Eu não… — ela começou, hesitante, a voz falhando no meio da frase. — Eu não quero que você se sinta preso, ou forçado a nada. Só… só achei que devia saber.
estendeu um teste de farmácia que exibia dois traços fortes em vermelho, junto com um exame de sangue dobrado, com as letras “positivo” brilhando de tinta preta aos olhos dele. engoliu em seco pegou os objetos da mão dela. Ainda sentia o gosto amargo da incredulidade na boca, mas havia algo no rosto dela — algo cru, real — que o fez parar.
Ele deu um passo para trás, sem quebrar o contato visual, como se oferecesse abrigo. Inspirou fundo, sentindo o cheiro da chuva misturado ao perfume dela, fraco e familiar. Aquela presença sempre deixava tudo mais intenso. E agora… agora ela trazia algo a mais.
— Eu quero saber — ele disse, com firmeza. — E não vou a lugar nenhum.
piscou. A reação dele parecia ter a atingido de surpresa. Como se estivesse pronta para a rejeição, para um discurso de irresponsabilidade ou um portão que se fechava. Mas não para isso. Não para o acolhimento.
O alívio que atravessou seu rosto não veio sozinho. Veio com medo. Como se ela não tivesse considerado a hipótese de querer ficar.
Ela mordeu o lábio, desviou os olhos por um segundo. O silêncio entre eles era carregado de uma intimidade diferente agora. Não era o tipo de silêncio que antecedia o desejo, nem o tipo confortável de quem já se conhece. Era o silêncio tenso do desconhecido.
Ele abriu mais a porta.
— Entra. Você tá encharcada.
hesitou por um momento. E então entrou.
O barulho da chuva ficou do lado de fora, mas o que ela trouxe com ela parecia ainda mais tempestuoso.

O primeiro mês foi estranho.
Não ruim, nem difícil — só… estranho. Como se estivesse vivendo entre dois mundos: o que ele conhecia e o que ainda estava tentando compreender.
Seria pai.
A frase ainda soava surreal cada vez que a dizia em voz alta. Pai. Pai. — pai. Era um título grande demais, imponente demais, para alguém que ainda dormia no sofá porque esquecia de ir pra cama, que comia cereal no jantar e reclamava da louça como se ela tivesse vida própria.
Mas havia algo doce nessa estranheza. Uma ternura silenciosa que crescia nos detalhes.
Ele começou a pesquisar nomes em segredo, como se fosse um ritual íntimo entre ele e aquela ideia abstrata de uma criança que ainda não tinha rosto, nem som, nem presença. Nomes curtos, nomes longos, nomes com significados. Criou uma nota escondida no celular com seus favoritos, e apagava tudo e recomeçava quase toda semana.
Baixou aplicativos de gravidez. Aprendia, com mais dedicação do que jamais teve na escola, sobre células que viravam corações, sobre semanas que se transformavam em meses. Enquanto cozinhava — mal e com pressa — deixava vídeos rodando no fundo: "O que esperar no primeiro trimestre", "Como apoiar a parceira na gravidez", "Sintomas comuns das primeiras semanas".
Às vezes pegava o celular e via as abas ainda abertas, como se o seu inconsciente tentasse mantê-lo conectado àquele universo novo. À noite, quando a TV deixava de fazer sentido, ele olhava para o teto e se perguntava como seria o rosto da criança. Se teria o sorriso torto dele. Ou os olhos de .
Mas
era um mistério. Um quebra-cabeça com peças que não se encaixavam direito.
Ela não queria que ele a acompanhasse nos exames.
— O consultório é apertado demais, eu fico meio tonta — ela dizia, sem encará-lo direito. — E você detesta esperar. Eu sei que detesta.
Ele tentava entender. Dizia que tudo bem. Que respeitava o espaço dela.
Mas o incômodo crescia. Devagar. Quase imperceptível, como uma rachadura atrás da tinta da parede.
As imagens dos ultrassons chegavam por mensagem. Fotos borradas, como se tivessem sido tiradas às pressas. Os ângulos eram estranhos, as datas quase sempre apagadas ou cortadas. Em uma delas, ele não sabia dizer se estava vendo um bebê ou uma sombra.
— A máquina tava ruim — explicou. — Não deu pra escanear direito. Mas tá tudo bem, tá?
acreditava. Ou melhor, escolhia acreditar.
O coração dele já tinha se amarrado à ideia — à criança, à fantasia. E quando você sonha com algo todas as noites, acordar vira um desafio que ninguém quer enfrentar.
O segundo mês chegou com cheiro de tinta fresca e promessas sussurradas entre móveis desmontados.
apareceu com uma sacola de revistas de decoração e uma vontade repentina de fazer do apartamento dele um lar — ou algo próximo disso. — Quarto do bebê — ela disse, traçando com o dedo um quadrado invisível em uma das paredes da antiga sala de leitura. , surpreso mas animado, não questionou. Apenas sorriu, comprou latas de tinta e forrou o chão com jornais velhos.
Escolheram um verde-claro suave, quase imperceptível, “como se o próprio ar ficasse mais leve naquele tom”, comentou, e fingiu que não reparou no quanto ela parecia fugir dos olhos dele cada vez que sorriam. Pintaram juntos. Ela com os cabelos presos de qualquer jeito, usando uma camiseta larga dele; ele com gotas de tinta nos braços e no queixo, rindo quando ela erguia as sobrancelhas a cada respingo.
Naquela mesma semana, voltou do trabalho segurando um pequeno embrulho nas mãos.
— Comprei o primeiro presente do bebê — disse, abrindo o pacote com cuidado. Era um macacão branco, com pequenas estrelinhas amarelas bordadas. Tão pequeno que cabia na palma da mão dele.
pegou a peça com delicadeza, mas não disse nada. Só sorriu, e depois virou o rosto rápido demais.
não percebeu o desconforto. Ou talvez tenha escolhido não ver.
Falava sobre o bebê com quem quisesse ouvir. No elevador. No café. Até o carteiro sabia que estava “esperando um filho”. Ainda não sabiam o sexo, mas isso pouco importava pra ele. Menino, menina, o que fosse — já era parte dele.
E todas as noites, mesmo quando dormia sem dizer boa noite, ele se deitava ao lado dela e sussurrava para a barriga invisível:
— Ei, bebê. Aqui é o seu pai. Prometo que vou fazer tudo certo dessa vez, tá?
Promessas que ninguém pedia, mas que ele fazia com fé.
chorava. Constantemente.
Por motivos que mudavam tão rápido quanto o clima. Uma noite foi porque sonhou que o bebê nascia e eles esqueciam de dar um nome. Em outra, porque a comida que queria estava fechada. Às vezes, chorava porque ele demorava a chegar do trabalho. Outras, porque ele a abraçava forte demais. Ou não abraçava o suficiente.
Era como tentar abraçar o mar: quanto mais ele tentava, mais ela escorria pelos braços.
Mas não recuava. Ele era todo entrega. Toda paciência.
— Você tá assustada — dizia, encostando a testa na dela. — Eu também tô. Mas a gente vai dar um jeito.
não respondia. Apenas assentia com os olhos vermelhos, perdidos, como quem ouvia de longe. Como quem já sabia que aquela promessa seria quebrada.
Mas não via.
O tempo passou rápido demais para . E lento demais nos dias em que sumia.
Entre o terceiro e o sexto mês, ela era como vento de tempestade: imprevisível. Havia semanas em que o apartamento parecia casa de verdade. Em que ela dormia com a cabeça encostada no ombro dele, ria das tentativas dele de cozinhar saudável, deixava suas meias espalhadas pelo chão como se nunca mais fosse embora.
Nesses dias, se pegava imaginando o futuro. Um quarto com berço, brinquedos de pelúcia, risadas de criança no corredor. Ele falava com a barriga dela como se ela estivesse mesmo ali, crescendo com eles, crescendo neles.
— Acha que vai ter seus olhos? — ele sussurrava uma vez, com a mão repousando sobre a barriga ainda discreta. sorriu sem responder, os olhos distantes.
Mas então vinham os silêncios.
Dias inteiros sem notícia. Chamadas não atendidas. Mensagens visualizadas, mas não respondidas. Tudo com um ar de ausência ensaiada. Como se ela soubesse exatamente o que estava fazendo.
E ele… ele esperava.
dormia no sofá por costume, como se ela fosse voltar a qualquer momento e ele não quisesse perder o som das chaves na porta. Cozinhava para dois, ainda que só um prato fosse usado. Mantinha o abajur do quarto aceso. Por hábito. Por esperança.
Quando ela finalmente voltava — às vezes depois de dois dias, às vezes depois de uma semana —, vinha sempre com a mesma calma desarmante. Um sorriso pequeno. Um toque no rosto. E uma explicação vaga, mas melancólica.
— Tô bem… só preciso de um tempo, às vezes — ela dizia, os olhos carregados de uma tristeza que tentava não decifrar.
— Você sumiu — ele murmurava, com a voz presa no nó da garganta.
se encolhia contra o peito dele, como se pedisse desculpas sem usar palavras.
— A gravidez me deixa... estranha. É como se eu estivesse em guerra com meu próprio corpo. Com a minha cabeça.
E ele acreditava.
Ou se obrigava a acreditar.
Porque amar alguém era também se agarrar ao que você quer que seja verdade. se culpava pelas dúvidas que surgiam quando ela não atendia. Pelas noites em que, sozinho, encarava os ultrassons mal escaneados e tentava encontrar neles alguma certeza.
— Você acha que eu tô louco de amor por você? — ele brincou certa noite, tentando aliviar a tensão que ainda pairava no ar depois de uma dessas ausências.
o olhou por um instante longo, como se pensasse em dizer algo que nunca seria dito. Depois encostou a testa na dele e respondeu:
— Eu acho que você é bom demais pra mim.
E naquele instante, acreditou que amor era mesmo isso: entregar-se, mesmo com o coração inquieto. Mesmo com os sinais gritantes que, por amor, ele se recusava a ver.
O tempo parecia uma brincadeira cruel — ora acelerado, ora arrastado, sempre desalinhado ao ritmo do coração de . Quando estava com ele, as horas voavam, dissolviam-se em meio aos risos tímidos, às noites no sofá, aos cochilos entrecortados por sussurros de promessas que ele mal percebia estar fazendo. Mas quando ela ia embora — e ela sempre ia — os dias se esticavam como uma estrada deserta, sem fim à vista.
Nos primeiros meses, tentou ignorar as ausências. Quis crer que aquilo fazia parte do temperamento dela, da forma intensa e dispersa com que parecia existir no mundo. Não era uma mulher de rotinas ou certezas. Ela era caos doce, impossível de prever. E ele, encantado demais, escolheu amar mesmo assim. Ou talvez por isso.
Mas à medida que as semanas avançavam, os detalhes antes ignorados começaram a ganhar contornos mais nítidos. Tornaram-se ruídos incômodos em um silêncio cada vez mais presente.
O corpo de não mudava.
Não como imaginava que mudaria. Havia, sim, um leve inchaço na região do abdômen. Mas era sutil. Quase tímido. E, estranhamente, variava. Em certos dias, ela parecia mais arredondada, o vestido caía com uma curva delicada no ventre. Em outros, era como se o volume tivesse encolhido. Como se tivesse sumido.
— Genética — ela dizia, como quem recita algo ensaiado diante do espelho. — E também tô fazendo yoga. Meditação. Li que isso ajuda a controlar o inchaço. Ajuda o bebê a crescer com menos estresse.
Ela sorria ao falar, mas nunca deixava a frase se prolongar. Mudava de assunto. Oferecia café, trocava a música, dizia estar com sono. E ... aceitava. Ou fingia aceitar.
Ele queria tanto acreditar.
Queria tanto ser aquele homem com os olhos fechados e o coração entregue, que ignorava a inquietação em seu próprio peito. Que achava normal o modo como ela sempre posicionava um travesseiro em frente à barriga quando se deitava de lado. Ou como ela virava de costas no exato instante em que ele tentava abraçá-la por trás. Como se antecipasse o toque antes mesmo que ele o oferecesse.
— Tá sensível demais — ela murmurava certa noite, quando os dedos de escorregaram para o ventre coberto apenas por uma camiseta fina. Ela riu, um som baixo e rápido. — Parece que minha pele inteira tá em carne viva.
sorriu de volta, tentando parecer compreensivo, mas o gesto foi vazio. Um reflexo. No fundo, uma pergunta latejava. Baixa, insistente.
Por que ele nunca podia tocar?
As outras grávidas do mundo pareciam adorar isso. Ele vira vídeos, fotos, relatos. Parceiros cantando para a barriga. Conversas entre pai e filho através da pele. Carinho. Conexão. Mas com era sempre uma barreira invisível, um limite não dito — e nunca cruzado.
Certa manhã, enquanto ela dormia profundamente no sofá com uma manta fina sobre o corpo, hesitou. A ponta dos dedos parou a centímetros do ventre escondido, e ele sentiu um nó na garganta.
O que estava fazendo? Duvidei dela?
Afundou a mão no próprio cabelo, respirando fundo. Não, não era dúvida. Era medo. Medo de ser injusto. Medo de ver algo que não queria ver.
E então fez o que sempre fazia: afastou a angústia. Afastou a lógica. Abraçou a esperança.
— Tá tudo bem… — sussurrou para si mesmo, como uma prece. — Ela tá com medo. É só isso.
Mas mesmo a esperança, quando forçada, pesa.
E naquela noite, deitado ao lado de uma mulher que dizia carregar o filho dele, percebeu que nunca se sentira tão sozinho.
A partir do sexto mês, as certezas de começaram a criar raízes. Não por alguma prova concreta ou exame definitivo, mas por aquilo que seus olhos queriam ver. A barriga de , enfim, parecia crescer.
Não muito. O suficiente para criar uma ilusão delicada — como um truque de luz. Nas ruas, vizinhos começaram a notar. Uma senhora no elevador sorriu para ela e perguntou o nome do bebê. Um colega de no trabalho comentou sobre como ele “já estava com cara de pai”. E , entre sorrisos tímidos e orgulho abafado, sentia um alívio sutil tomando conta do peito.
Está acontecendo, ele repetia para si. Está mesmo acontecendo.
começou a se vestir de forma diferente. Largou os moletons largos e camisetas folgadas e passou a usar roupas que delineavam melhor o corpo. Vestidos que realçavam a curva da barriga. Um em especial ficou gravado na memória dele: branco, justo, quase etéreo, que a envolvia como uma promessa viva.
Ela girou devagar, com as pontas dos dedos tocando a barra do vestido, e perguntou:
— Tô bonita?
sorriu. Os olhos marejaram antes mesmo que percebesse.
— Você tá perfeita.
E ela estava. Ao menos, naquele instante. Bela de uma forma que doía.
Mas, como sempre, havia um limite. Quando ele se aproximou, com as mãos ansiosas para sentir a criança que crescia ali, ela recuou. Suavemente, quase imperceptível, afastou os dedos dele com carinho ensaiado.
— Tá sensível. De verdade — murmurou, com um sorriso que não tocava os olhos.
E ele acreditou. Tinha lido também relato de mulheres que pegavam aversão a toques na gravidez.
Só que as rachaduras começaram a se expandir.
Numa noite qualquer, chegou mais cedo em casa. O silêncio do apartamento o acolheu com estranheza. Sem avisar, empurrou levemente a porta entreaberta do quarto e ficou parado.
estava de costas para o espelho, concentrada demais para notá-lo. Vestia o mesmo vestido branco, mas o corpo não estava totalmente coberto. A parte superior ainda pendia nos ombros, enquanto ela ajeitava uma faixa firme, envolta em tecido bege, sobre o ventre. Ajustava com precisão — como alguém que repetiu o gesto inúmeras vezes. O tecido se moldava, como um x nas costas dela
não fez barulho, mas ela sentiu. Virou-se num salto, puxando o vestido para baixo de forma rápida para tampar a barriga, o olhar alarmado demais para fingir surpresa.
— É só um suporte lombar — disse, a voz controlada, suave demais. — Tô com dor nas costas. Ajuda a sustentar melhor o peso.
Ele ficou imóvel por um segundo longo. O olhar dele encontrou o dela, e ali havia uma coisa que ele queria acreditar que era verdade.
Então ele assentiu. Só isso.
— Claro. Faz sentido.
Não perguntou mais nada. Porque a verdade, naquele momento, era como vidro fino. E ele não estava pronto para quebrá-la.
Nos dias seguintes, seguiu como se nada tivesse acontecido. Fez o jantar preferido dela, comprou mais macacões, colou estrelinhas no teto do quarto do bebê. E todas as noites, mesmo quando ela virava de lado, mesmo quando a barriga parecia artificial demais sob o tecido, ele sussurrava para ela — ou para o que queria acreditar que estava ali:
— Oi, bebê… É o papai. Tá tudo bem. A gente tá te esperando.
Era mais fácil assim. Amar o sonho. Proteger o silêncio.
A barriga dela crescia mais todo mês, então, ele começou a acreditar mesmo que aquilo poderia ser um suporte para a lombar, afinal, até ali a barriga não tinha crescido como o salto que deu nos 6 meses.
Quando completou 7 meses, eles tinham marcado uma sessão de fotos para eternizar aquele momento da gestação e também para o convite do chá de bebê, tudo parecia bem, mas no dia marcado ela sumiu novamente. Ele já estava acostumado, então só desmarcou o compromisso e esperou que ela entrasse em contato.
O telefone tocou, interrompendo a quietude da casa. estava no sofá, folheando distraidamente um livro, mas sua mente estava distante, ainda absorvendo o que tinha acontecido nas últimas semanas. A gravidez, agora avançada, já ocupava todos os espaços da casa e da sua vida. Mas o corpo de ainda não estava completamente entregue à ideia de ser mãe, nem de ser amada de maneira plena. Às vezes, ele achava que a distância entre eles era como uma linha tênue, em que um empurrãozinho para o lado errado poderia levá-los a um abismo. Mas ele não queria pensar nisso.
Atendeu o telefone, o número de piscando na tela, mas a voz dela, quando soou, estava diferente. Ele podia ouvir o cansaço, a tensão, até o pânico.
... — A voz de estava trêmula, abafada, e ele soube, antes mesmo de ouvir as palavras, que algo estava errado.
— O que aconteceu? — Sua respiração se acelerou, coração batendo forte, como se tudo o que ele tinha temido estivesse prestes a acontecer.
Havia silêncio do outro lado, só o som de uma respiração arrastada, como se estivesse se recompondo. A cada segundo de silêncio, a apreensão de aumentava.
— Eu... eu tive sangramento. Fui para o hospital. Não queria te preocupar, então eu fui sozinha — ela disse, a voz vacilante, uma explicação que soava mais como uma desculpa. — Eu tô bem, o bebê tá bem. Foi só um susto.
Aquelas palavras... Aqueles segundos... Pareciam uma eternidade. Ele podia sentir o peso delas caindo sobre ele, como uma pedra imensa esmagando seu peito.
ficou em silêncio por um momento, a mente cheia de imagens, de preocupações. O susto. O medo. Ela foi sozinha, sem sequer tentar a acalmá-lo, sem deixá-lo fazer parte do processo. E ele? Ele que estava ali, esperando. Tentando, a cada dia, acreditar que tudo estava bem. Tentando ser o parceiro que ela não pedia, mas que ele achava que ela precisava.
Sua voz, quando finalmente falou, saiu rasgada, cheia de dor.
— Por que você não me ligou? Por que não me deixou estar lá com você? — Ele queria entender, queria sentir que tinha sido parte da solução, que a confiança dele era merecida.
Mas parecia mais distante do que nunca. A justificativa dela foi suave demais, tentando passar uma falsa calma. Não queria que ele largasse tudo, disse ela. Mas o que significava isso? Ela sabia o quanto ele estaria disposto a deixar para trás para estar ao lado dela, para cuidar dela e da criança que agora se tornava, a cada dia, mais real para ele.
— Eu não queria que você largasse tudo. Eu não queria que você ficasse preocupado. Eu sei como você é... — Ela engoliu seco, e o silêncio se instalou entre eles. — O bebê tá bem. Eu tô bem. E, por favor, não me faça sentir que fiz algo errado. Não era nada, .
Não era nada. As palavras dela pareciam suaves, mas ele sabia que não era verdade. Não era nada, mas estava em toda parte. Ele sentia o vazio crescente, a ausência de . Era como se ela estivesse cada vez mais distante, afastando-se sem sequer notar.
Ele não respondeu imediatamente. Seus dedos estavam apertados ao redor do telefone, sentindo a pressão em sua garganta como se quisesse gritar. Mas, em vez disso, ele engoliu em seco, respiração falhando, tentando encontrar algo para dizer.
— Eu só queria estar lá, . Só queria... estar com você, mesmo que fosse para segurar sua mão enquanto a gente enfrentava isso juntos. — As palavras saíram mais suaves do que ele esperava, uma confissão de um medo que ele não tinha coragem de admitir antes.
Mas ela não respondeu de imediato. Havia um vazio no ar, algo não dito, uma frieza no tom dela que ele não sabia como interpretar.
— Eu sei, . E eu te agradeço, de verdade. Mas... agora, eu preciso descansar. Não me liga mais hoje. Vou ficar bem. Eu prometo — ela disse, sem hesitar, antes de terminar a ligação sem mais explicações.
E foi isso. se afastava outra vez, deixando-o com o peso de suas palavras, com o medo que se aninhava dentro dele e que ele não podia mais ignorar.
desligou o telefone e se recostou no sofá, os olhos fixos na tela da TV desligada. O som da chuva contra a janela parecia intensificar o silêncio na casa. Ela estava bem. O bebê estava bem. Ele queria acreditar. Queria desesperadamente acreditar.
Mas, no fundo, uma parte dele sabia que algo estava errado. Algo havia mudado, e ele não sabia mais como alcançar , como tocar aquele lugar dentro dela onde ele acreditava que ainda havia espaço para ele.
O nono mês chegou como uma promessa, uma barriga imensa que ainda não podia ser tocada por mais ninguém além dela — e também como uma ameaça silenciosa. contava os dias com ansiedade e esperança, esperando o momento em que finalmente veria seu filho. Seu mundo girava em torno disso agora. Mas, junto com o tempo, veio também o afastamento.
começou a se distanciar.
Ela dizia que estava cansada. Que precisava de um tempo sozinha. Que as dores eram mais fortes, que o corpo estava sensível demais, que as emoções estavam à flor da pele. E que, por isso, queria passar uns dias na casa de uma prima, longe da pressão, longe dos olhares.
achou estranho. Mais estranho do que qualquer outra atitude dela até então.
— Eu posso ir com você — insistiu, a voz quase suplicante. — Posso cuidar de você lá. Não preciso ficar em cima, só quero estar perto.
Mas ela negou, com aquele sorriso suave e impenetrável que ele já conhecia bem.
— Não quero que você me veja assim. Vulnerável. Inchada, chorando por nada, reclamando de tudo. Não é assim que quero que me lembre de mim antes do bebê chegar. Eu volto. Antes do nascimento, eu volto. Prometo.
Foi a última vez que ele a viu.
ficou parado na porta por longos minutos depois que ela partiu, com a mala leve demais para alguém prestes a dar à luz. O vento que entrou pela fresta da porta carregava um frio que ele não sentia há meses. Um frio que vinha de dentro.
Naquela noite, pela primeira vez, ele terminou de arrumar o quarto do bebê sozinho.
O berço, que antes pareciam peças de um quebra-cabeça difícil demais para montar, agora estava firme, em pé, esperando por uma presença que já começava a parecer distante. dobrou cada roupinha com um cuidado quase cerimonial — como se aquele gesto simples fosse um escudo contra o medo que crescia dentro dele.
Alisou o urso de pelúcia que haviam comprado juntos, lembrando da risada baixa de na loja, quando ele insistiu em levar o mais fofinho. Tocou com reverência a manta tricotada pela tia. Alinhou os frascos de loção e xampu na prateleira. Encheu a banheirinha de brinquedos pequenos, de cores vibrantes.
E então sentou-se na poltrona de amamentação.
Ficou ali por muito tempo. Sem luz. Sem barulho. Apenas o som abafado de seu próprio coração, batendo forte, incerto, dentro do peito.
O quarto estava pronto.
Mas o silêncio... o silêncio ali dentro era denso, cheio de presságios. Ele ainda não sabia, mas aquele seria o som que marcaria o fim de tudo. A ausência. A quebra. O vazio.
E, mais do que tudo, o começo da verdade.
Quando a data prevista para o parto passou sem qualquer sinal de , entrou em pânico.
Primeiro vieram as mensagens. Longas, curtas, cheias de pontos de interrogação. Depois, os áudios — a voz trêmula tentando soar calma, fingindo que não havia algo errado. Tentava acreditar que ela só precisava de espaço. Que estava em repouso. Que era o cansaço. Que ela voltaria, como sempre voltava.
Mas o tempo, cruel e implacável, não trazia nenhuma resposta.
No terceiro dia sem contato, ele começou a ligar. Sem parar. Vinte chamadas em uma manhã. A cada toque encerrado, uma nova fisgada no estômago. Na noite do quarto dia, já não dormia mais. Andava pela casa em silêncio, olhando para o berço vazio, como se ele fosse mudar de lugar sozinho, criar vida, dar algum sinal.
Na madrugada seguinte, a urgência virou ação.
Pegou o carro e foi até o hospital onde dizia fazer os exames pré-natais. Entrou com o coração aos saltos, perguntando pela mulher grávida de nove meses. Esperava encontrar enfermeiros que dissessem: “Ela esteve aqui ontem”, ou “Está na maternidade agora”. Mas o que recebeu foram olhares confusos, pedidos por documentos, e depois, a frase que partiu alguma coisa dentro dele:
— Desculpa, senhor. Não temos nenhum registro com esse nome.
O sangue gelou.
Tentou outro hospital. Depois, um consultório. Mais um. A cada negativa, o mundo parecia inclinar um pouco mais, como se tudo estivesse prestes a tombar. Ninguém conhecia . Ninguém a tinha atendido. Nenhum ultrassom. Nenhuma ficha. Nenhuma gestação registrada.
Foi como se ela nunca tivesse existido.
Ou pior — como se o bebê nunca tivesse existido.
Na volta para casa, dirigiu em silêncio. O volante apertado demais entre os dedos, os olhos fixos na estrada como se olhar para frente fosse impedi-lo de cair. Mas já estava caindo. Por dentro, já estava em pedaços.
Chegou no apartamento, entrou devagar. O cheiro ainda era o mesmo. Camomila. Travesseiros com a marca do corpo dela ainda no sofá. A parede verde-claro que pintaram juntos. O macacão branco com estrelinhas amarelas pendurado na porta do armário. As roupas dobradas. O berço montado. A poltrona de amamentação.
Tudo estava ali.
Menos a verdade.
Ele caiu de joelhos no meio do quarto, os olhos fixos no urso de pelúcia que tinham escolhido em uma tarde qualquer, quando tudo ainda parecia real. Quando ele ainda achava que o amor podia consertar qualquer coisa.
O castelo de areia que ele construiu com tanto zelo — feito de promessas sussurradas para uma barriga que nunca respondeu, de noites em claro sonhando com um futuro que jamais viria — começou a ruir.
E enquanto as paredes daquela ilusão desabavam ao redor dele, ainda não fazia ideia de até onde tudo aquilo ia afundar.

Atualmente


não tinha mais espaço para dúvidas. Três semanas desde o sumiço de e a descoberta daquela postagem foram o suficiente para convencê-lo de que ele precisava expor a farsa de uma vez por todas. Ele reuniu todas as provas: as conversas, os registros falsificados, os documentos que mostravam claramente que não era quem ela dizia ser. Tudo estava ali, pronto para ser exposto.
Ele sabia que precisava fazer isso. Não para ela, não para si mesmo, mas para as pessoas que estavam sendo manipuladas por ela. A verdade precisava ser dita.
Com um último suspiro, ele pegou o pendrive e as evidências, e saiu de casa. Ele não iria mais esperar ou tentar entender. O tempo de espera havia passado. Agora, o que restava era a justiça. Ele sabia o que tinha que fazer.
Ele dirigiu até a cidade de , cada quilômetro mais distante de sua vida anterior, mas mais perto da verdade que ele precisava revelar. Quando chegou à casa onde ela estava morando, encontrou a festa em pleno andamento. A luz brilhante da casa contrastava com o céu nublado. O ambiente estava alegre, mas sabia que aquele seria o último lugar onde ele se sentiria qualquer tipo de saudade ou esperança.
Ele entrou na festa com a frieza de quem já havia tomado sua decisão. As pessoas o olharam curiosas, mas foi quando seus olhos cruzaram com os de que ele soube que nada mais importava. Ela estava lá, com um sorriso forçado, e no instante em que ele apareceu, sua expressão vacilou. Ela empalideceu, e a ansiedade tomou conta de seu rosto. Mas era tarde demais.
pediu a atenção de todos, e quando o silêncio tomou conta da sala, ele se adiantou.
— Boa noite a todos. Meu nome é , e sou... amigo de .
A palavra "amigo" soou amarga nos seus lábios, mas ele não ligou. Ele sabia que a mentira de precisava ser exposta de uma vez por todas.
— Ou melhor, sou o ex dela. O nome que ela usava comigo era diferente, mas hoje ela se apresenta como Isla para todos. Acontece que, por três semanas, ela desapareceu da minha vida sem mais nem menos, e, na mesma semana, apareceu aqui, com outro homem, dizendo que estava noiva. Mas, na verdade, vocês estão diante de uma grande mentira. — O noivo de parecia confuso, começando a entender, mas sem saber por onde começar a questionar. então, sem hesitar, começou a entregar os papeis com as evidências. Conversas falsas, registros médicos falsificados, fotos e documentos que provavam que estava mentindo para todos. — O que vocês estão vendo aqui é uma farsa. Ela provavelmente não está grávida, pois a três semanas atrás estava com uma previsão de parto marcada, sim, segundo ela, estava grávida de 9 meses, então, nesse exato momento ainda estaria de resguardo, ela não tem uma vida perfeita. Eu sou uma das vítimas dessa farsa. E a pessoa que está sendo enganada aqui, no meio de tudo isso, é você. Ele olhou diretamente para o noivo de , deixando a tensão no ar.
Mas , desesperada, tentou agir. Ela se adiantou, colocando-se entre e os convidados, tentando interromper a exposição de suas mentiras.
— Não! Isso é mentira! Ele... ele é o meu ex tóxico! Ele me perseguia, estava obcecado por mim! Eu nunca quis que ele voltasse! Eu já falei tudo isso para você, lembra? Eu nunca pedi que ele aparecesse aqui! Ele não pode fazer isso, ele inventa nomes e situações.
Damien, o noivo de estava visivelmente confuso, mas o olhar de era firme. As evidências estavam claras, e ele sabia que nada mais importava.
— Você realmente acha que alguém vai acreditar nessa história, ? — Ele falou com um tom desdenhoso. — Tente os convencer, mas as provas estão aqui. O que você está tentando fazer agora é manipular todo mundo, como fez comigo. Isso acabou.
, no entanto, não desistiu. Ela se aproximou ainda mais de Damien, tentando convencê-lo de que tudo o que ele estava vendo era uma invenção de um homem obcecado.
— Eu te contei tudo, amor. Ele é um ex que não consegue aceitar o fim. Ele mentiu para você, mentiu para mim. Eu... eu não fiz nada de errado!
não respondeu. Ele não estava ali para discutir ou tentar entender o que estava acontecendo na cabeça dela. Ele sabia exatamente o que ela era, e nada mais o surpreendia.
Sem dizer mais nada, ele pegou o pendrive e o entregou diretamente nas mãos do noivo de .
— Isso é tudo o que você precisa saber. As provas estão aí. O resto, você vai descobrir por si mesmo. — Ele fez uma pausa, olhando a expressão desesperada de . — Você vai precisar disso mais do que eu.
Com isso, se virou, sem olhar para trás. Ele não queria mais saber. Não importava mais se o noivo acreditaria nas palavras de ou nas evidências que ele havia entregado. Ele já havia feito o que precisava fazer.
Enquanto ele saía, gritava, tentando se justificar, tentando fazer com que todos acreditassem nela, mas ele já estava fora da porta.
No carro, a estrada estava silenciosa, e o som de seu motor era a única coisa que ouvia. Ele já não se importava com o que aconteceria. Ele já havia liberado a verdade, e agora estava livre. O peso de tudo o que ela fizera estava finalmente nas mãos de alguém que poderia fazer algo a respeito.
E enquanto ele se afastava da casa, sem olhar para trás, o único som que ecoava em sua mente era o grito de tentando desesperadamente se justificar.

Epílogo


Algumas semanas haviam se passado desde aquele dia tumultuado na festa. estava de volta à sua cidade, vivendo sua rotina, mas, por dentro, tudo ainda parecia estar em uma espécie de neblina. A verdade sobre estava feita, mas a sensação de traição e engano continuava pairando sobre ele.
Ele estava na mesa de café da manhã, mexendo em seu celular, quando uma notificação apareceu. Era uma DM no Instagram. O nome no perfil não lhe era familiar de imediato, mas ao abrir a mensagem, ele rapidamente reconheceu o rosto: o noivo de .
"Oi . Aqui é o Damien. Eu só queria te agradecer por tudo o que você fez. Eu terminei com a Isla, quer dizer, a . A verdade que você me trouxe à tona foi mais do que eu poderia imaginar. Ela mentiu pra mim de tantas maneiras. Eu sei que você provavelmente não espera uma resposta, mas achei que você merecia saber. Eu sinto muito que tenha sido necessário tanto para que ela fosse exposta. Eu só espero que, de alguma forma, você consiga encontrar paz."
ficou ali por um momento, lendo a mensagem. O que mais lhe impressionou não foi a parte sobre a separação, mas o fato de que alguém finalmente havia enxergado a verdade por trás de tudo.
Ele não respondeu. Não precisava. Ele já tinha feito o que deveria. Ele já havia deixado a mentira de para trás, e agora a vida seguia. Mas algo dentro dele, uma sensação de alívio e até um pequeno toque de justiça, o fez encostar o celular e respirar mais fundo.
Ele sabia que, em algum lugar, a verdade sempre se faria presente, mesmo que demorasse.
E, ao contrário de tudo o que ele havia passado, o que restava agora era o silêncio... mas, desta vez, um silêncio que trazia paz.



Fim



Nota da autora: Olá Jiniers, como estamos? babado essa Thea mentirosa, mas sabem, isso é mais comum do que a gente imagina, estava pesquisando sobre, quando me veio o plot de gravidez falsa e eu fiquei chocada e passada.então Se você ou alguém que você conhece sofre com compulsão por mentir ou comportamentos autodestrutivos, procure ajuda profissional, porquê isso faz mal a todos ao redor. Espero que goste e não esquece de comentar, ok?

ps: Se quiser conhecer mais fanfics minhas vou deixar aqui embaixo minha página de autora no site e as minhas redes sociais, estou sempre interagindo por lá e você também consegue acesso a toda a minha lista de histórias atualizada clicando AQUI.
AH NÃO DEIXEM DE COMENTAR, ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA SABERMOS SE ESTAMOS INDO PELO CAMINHO CERTO NESSA ESTRADA, AFINAL O PÚBLICO É NOSSO MAIOR INCENTIVO. MAIS UMA VEZ OBRIGADA POR LEREM, EU AMO VOCÊS. BEIJOS DA TIA JINIE.