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Capítulo Único


Come just as you are to me
Don't need apologies
Know that you are worthy
I'll take your bad days with your good
Walk through the storm I would
I do it all because I love you, I love you



– Oi, mamãe! – Escutei a vozinha de Nala me chamar, e ergui o olhar. Seu sotaque era único naquela escola de Pìttsburgh. Em tão pouco tempo ela já havia se tornado especial, era inconfundível para mim. Ela estava sorridente e corria até mim. Guardei o celular no bolso e preparei para acolhê-la em um abraço, mas ela chegou e agarrou minhas pernas. Me desequilibrei, mas por sorte consegui apoiar no meu carro atrás de mim.
– Oi, meu amorzinho. Como foi a aula? – Passei as mãos em sua cabeça, acariciando-a. Ela se afastou e sorriu para mim mais uma vez.
– Foi ótima! Fiz uma amiguinha. – Ela sorriu, e aquele me sorriso me envolvia de uma forma tão especial que eu nunca me continha. Me abaixei para pegá-la no colo e dei um beijo em sua bochecha.
– Céus, como você está pesada. – Exclamei exagerando um pouco na brincadeira enquanto a erguia. Ela irradiava felicidade constantemente, mas assim como eu, adorava quando a elogiavam em relação ao seu tamanho ou peso, já que ela era muito miúda quando eu a trouxe comigo. – Como sua amiga se chama?
– Emily. – Ela respondeu e começou a mexer em meus cabelos, admirada. Ela julgava ser a parte mais bonita de mim.
Nala começou a me contar como tinha sido seu dia na escola, envolvendo detalhadamente seus diálogos com a nova amiga. Poucos minutos depois, Kwame também chegou. Um pouco atrasado, até estranhei. Mas assim como Nala, me abraçou quando me viu, porém já me alcançava na cintura, por ser mais velho, portanto mais alto. Não disse nada, apenas entrou no carro e se sentou em seu assento. Aproveitei para colocar Nala no dela e voltarmos para casa.
Buscá-los na escola era como um hobby para mim. Não tinha nada mais gratificante do que ver o sorriso em suas faces por terem aquela oportunidade de estarem ali. E saber que eu posso proporcionar isso a eles, me deixa ainda mais envolvida.
Mas hoje, Kwame não sorriu.
Não disse nada.
Algo havia acontecido, e eu ia investigar. Porém, ele não era como Nala, era mais reservado, então eu precisava de um momento a sós com ele, caso quisesse descobrir algo.
Tomei o meu lugar no carro e comecei a dirigir rumo à casa.
Kwame e Nala eram nigerianos. Durante minha ida até seu país no ano anterior em um programa voluntário, trabalhei com as crianças órfãs. A pequena Nala era uma delas e se tornou mais próxima de mim do que o recomendado, então tomei a decisão de trazê-la comigo para os Estados Unidos. Dei entrada nos papéis de adoção, e quando estava prestes a conseguir a maternidade dela, descobrimos que ela tinha um irmão: Kwame.
Eu não queria ser a responsável pela separação dos dois, então decidi entrar com o processo para a adoção dele também. Neste período de espera, a de Nala saiu, mas ficamos por mais seis meses esperando a de Kwame, mas continuei no voluntariado enquanto aguardava a aprovação.
Assim que essa saiu, voltei para minha terra natal; Pittsburgh, com os dois. Foi um choque cultural para os meninos, mas em pequenos passos eles começaram a se adaptar, e até hoje ainda estranham várias coisas.
Essa ideia do voluntariado surgiu logo após minha formação em assistência social. Ao fim do curso, fui diagnosticada com depressão, e todos os médicos me indicaram a fazer coisas que me deixassem feliz. Criar novos hábitos, mudar de ares... Então minha irmã, psicóloga, surgiu com essa ideia do voluntariado.
Contei aos meus pais sobre meus planos do voluntariado na Nigéria. A primeira vista, eles piraram. Foi um grande choque e a preocupação foi exagerada, - bem, era o que eu considerava na época, já que eu não era mãe ainda e não fazia a mínima ideia daquele sentimento todo.
“Imagina, uma filha de engenheiros se voluntariando na África?” Só porque me julgavam mimada não significava que eu era fresca. Eu realmente era mimada. Meus pais me deram uma casa, tudo que eu precisava após me formar. Por isso fui mais afinco na ideia de partir para a Nigéria.
“E se você pegar ebola?” Aconteceu, ué. Pelo menos eu estaria feliz por ter feito algo que eu queria.
“Mas, , e sua depressão? Como cuidaremos de você?” Um dos maiores medos dos meus pais a aceitarem e concordarem com minha ida, era o empecilho que eles enxergavam com a depressão.
Eles eram muito conservadores, e eu não conseguiria ir deixando-os para trás preocupados. Novamente graças a minha irmã, eles ficaram mais tranquilos, já que ela trabalhou bastante esse quesito com eles.
Depois, surtaram novamente quando ficaram sabendo da adoção de Nala. Mais uma vez - já até perdi a conta de quantas vezes foram - minha irmã conversou com eles. Eles compreenderam tudo muito bem, e durante o processo da adoção de Kwame até me apoiaram.
Os dois se tornaram minha vida, a razão pela qual eu acordo todas as manhãs feliz, bem disposta, pronta para mais um dia. E arrisco dizer que graças a eles, jamais terei depressão novamente.
– Vão lavar as mãos para podermos lanchar. – Os instruí assim que abri a porta de casa. – Em breve o tio estará aqui.
– Oba! – Nala comemorou e foi rumo às escadas, alegre, com Kwame ainda calado atrás de si.
Conheci no programa voluntário. Nos tornamos próximos, e inevitavelmente, aconteceu... Naquela época, eu não tinha em mente a ideia de me envolver em um relacionamento, não era meu foco, minha vontade... Assim como eu não esperava adotar duas crianças, mas aconteceu, e acabei voltando para casa com três novas adições extremamente importantes e fundamentais em minha vida. Começamos a namorar mais ou menos na época em que o pedido de adoção de Nala foi aprovado. As crianças também já estavam muito acostumadas com ele, simplesmente o adoravam. Principalmente Kwame, cujo ficava mais espontâneo e menos reservado quando estava próximo. Eu nem tentava disfarçar meu ciúmes, era algo tão evidente que não me restava saídas.
Assim que as crianças sumiram para o andar de cima, a porta se abriu e entrou em casa. Eu havia lhe dado uma chave dali, caso algum dia houvesse uma emergência - na verdade, era porque já tínhamos intimidade suficiente para isso.
– Oi! – Ele exclamou alegre e veio até mim ligeiro, me puxou pela cintura e me deu um beijo. Rápido mesmo.
Mordisquei levemente seus lábios e passei a mão pelo seu rosto. Ele interrompeu brevemente o beijo sem se afastar sequer um milímetro, apenas para sorrir. Logo ele já havia retomado sua ocupação anterior e fez carícias em minha cintura, onde sua mão estava e a outra foi até minha nuca, afastando meu cabelo dali. O contato de sua mão quente diretamente em minha pele me deixou arrepiada, fazendo com que eu também desse um sorriso.
– Tio ! – Nala gritou alegre, fazendo com que nos afastássemos. Ela terminou de descer as escadas e correu até ele, pulando em seu colo.
– Oi, princesa! – Ele a ergueu e deu um beijo em sua bochecha, enchendo-a de cócegas logo em seguida. A risada dela era a coisa mais linda que eu já ouvi, e sempre que eu a escutava, um enorme sorriso invadia meu rosto.
– Oi, tio . – Kwame disse assim que desceu as escadas. Andou até e lhe deu um abraço rápido.
– E ai, campeão? – Ele tentou retribuir o abraço, mas foi meio desajeitado, devido Nala estar em seu colo.
Kwame se afastou, e me pediu para assistir televisão. Eu deixei, claro. Mas eu estava relutante entre ir atrás dele ou deixar para mais tarde. Aquele comportamento não era normal dele.
– Fica com a Nala, por favor? – Pedi para apontei para a sala, onde meu menino havia ido. Esperei profundamente que ele compreendesse, já que ele havia erguido as sobrancelhas assustado com a reação de Kwame ao vê-lo. Geralmente Kwame tinha a mesma reação de Nala, mas dessa vez não houve espontaneidade alguma ao vê-lo.
– Claro! – Me respondeu, sorriu e assentiu. Obrigada Deus, por me dar um namorado compreensivo. – Por que você não me mostra as atividades que fez na escola hoje? – Pediu para Nala, ela concordou rapidamente e desceu do colo dele, puxando-o escada acima. Aproveitei para ir atrás do pequeno.
– Hey... – Falei assim que entrei na sala. Ele desviou sua atenção da TV para me observar. Caminhei até o sofá, onde me sentei ao seu lado. Peguei sua mão e suspirei. Meu Deus, eu não sabia fazer aquilo! – Por que você está assim? – Nossa, como sou burra! Ele é uma criança, não devo ser tão direta! Como eu queria ter mais experiência com maternidade...
Mas eu precisava fazer aquilo. Kwame meu amor, por favor, colabore.
– Não é nada, mamãe. – Ele respondeu tristonho, claramente mostrando que havia algo errado sim.
Senhor, como eu faria aquilo?
Naquele momento eu quis ser uma psicóloga igual a minha irmã.
– Você sabe que sou sua amiga, certo? – Perguntei carinhosa e ele assentiu. O puxei para meus braços e ele se aconchegou ali. – E como sua amiga, você pode me contar tudo, porque irei guardar o seu segredo. – Ele ergueu a cabeça para me observar e dei uma piscadela para ele.
– Hoje na escola... – Ele começou após algum tempo calado me observado. Talvez estava analisando se poderia realmente confiar em mim, e ri mentalmente. – meus colegas disseram que você não é minha mamãe de verdade.
Eu tive uma vontade enorme de ir atrás daqueles moleques e mostrar com quem eles estavam lidando, que eu era SIM a mãe de Kwame e quem eles eram para negar aquilo. Mas me lembrei de que eram crianças e eu não deveria fazer aquilo. Controlei minha raiva e sorri para Kwame.
– Como assim? É claro que eu sou a sua mamãe, e você sabe disso! – Falei animada, para ver se eu conseguia arrancar ao menos um sorriso dele.
– É porque eles falaram que eu não nasci de você. – Deu de ombros, e se encostou em mim novamente.
– Mas não precisa nascer de mim para eu ser sua mamãe. Existem os filhos de sangue e os de coração... – Ai, acho que falei termos complexos demais...
– E eu sou qual dos dois? – Ele perguntou e eu morri de vontade de agarrar suas bochechas. Obrigada por não complicar minha situação!
– Você é de coração, porque você não tem o mesmo sangue que eu, mas tem todo o meu amor. – Socorro, eu deveria ser filósofa e jamais ser uma pedagoga, porque claramente eu não sabia lidar com crianças. – E eu te amo demais, sabia? – Falei sincera, pelo menos aquilo ele entenderia.
Mas Kwame era tão inteligente, que ele se sentou de frente para mim e me lançou um olhar como nenhum outro que eu tivesse visto antes por sua parte. Às vezes eu subestimava os dois, sei que não deveria fazer aquilo, mas era inevitável, devido as condições em que cresceram. Mas com o tempo eu estava parando de fazer aquilo, e odiava quando fazia.
– Eu também te amo. – Ele sorriu e se jogou em mim para um abraço muito gostoso. Emocionada, retribui e fiz carinho nele.
– Te amo incondicionalmente... – Falei sincera, e uma lágrima me escapou. Finalmente eu conseguiria ser mais próxima do meu menino.


Acceptance is the key to be
To be truly free
Will you do the same for me?


Fim!


Nota da autora: (30/07/2015) Quase tive um treco para conseguir uma ideia para essa fic... Importunei várias pessoas (agradeço todas de coração) a procura de ideias, mas no final fiquei com a minha própria ideia ehuehu.
De casamentos até pedidos de noivado e umas três falhas (acho que cheguei a começar três fics diferentes euhehuehu) resolvi procurar no google de onde a Katy se inspirou para fazer essa música. Descobri que veio do John Mayer e da África! (Para quem quiser saber mais, clique aqui. Infelizmente só achei em inglês :x)
Dai resolvi misturar um pouquinho dos dois, e me lembrei desse comercial que tinha assistido há alguns anos atrás e BOOM, surgiu essa oneshot bem curtinha.
Meu foco não era mostrar o amor incondicional entre os pps, sequer focar no romance entre os dois ('sorry), porque existem vários tipos de amor e eu achei esse muito fofo!
Sem maiores rolos. Espero que vocês tenham gostado da fanfic assim como eu gostei de escrever. E todo e qualquer comentário é bem vindo!
Espero encontrá-la em minhas fics e futuros ficstapes (são muitos, sos)!

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Minhas histórias:
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Beijos mil,
Berrie.




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