Última atualização: 05/10/2017

1. Mission: Soren Arnesen

Oh say, can you see? This is not who I'm supposed to be
Without you I'm nobody killing time
I tried to deceive, tried to win you desperately
Now I'm lost in this swirling sea of your sorry eyes


Ela não sabia o porquê, mas essa parte que não aceitava perdê-lo a matava todos os dias. Meses haviam se passado desde a última vez que estivera em seus braços, todavia a sensação de abandono nunca lhe deixava. Ver os sete juntos treinando como se tudo fosse perfeito não permitia que ficasse, porém não a deixava ir embora. Há onze meses King deixara de compor aquele time. E agora, ali parada, fitando-os através da porta de vidro tudo o que conseguia sentir era seu coração acelerando e estilhaçando a cada batida. Como ela confessaria que o amava, depois de abandoná-lo acreditando que já não o queria? Como pediria o perdão daqueles que foram sua família quando agiu como uma vadia traidora aparentemente sem motivos? King sabia que eles poderiam matá-la assim que a mesma passasse por aquela porta, e não era exatamente com armas que eles fariam isso. poderia simplesmente incapacitar todos os seus poderes, Calum se transformaria em um animal grande o bastante para atirá-la na parede mais longe possível, Michael brincaria com sua cabeça jogando-a em realidades tão catastróficas que lhe destruiria em cada uma delas, pararia o tempo apenas para que a tortura fosse mais prazerosa; se ainda restasse algo da garota com vida lhe acertaria com um golpe cruel e forte demais para ser humano e a atiraria na vala de metal que Ashton teria cavado usando as próprias mãos; e por fim ele, Luke... Provavelmente olharia com desprezo para o que um dia foi um corpo inteiro e como num ato quase de misericórdia por sua própria consciência, mostraria o verdadeiro significado da palavra caos. E ela? Ela não se defenderia, não moveria um dedo para detê-los, e então se tornaria nada mais do que uma lembrança indesejável.
Não aguentando mais resolveu acabar com a tortura da espera. Girou a maçaneta e adentrou a imensa sala de treinamento que eles ocupavam. Estavam entretidos numa luta que parecia acirrada. Limitou-se a fechar a porta e andar. Dois passos. O som do salto batendo no pedaço de chão de madeira descoberto. Os golpes pararam, os olhares se voltaram em sua direção, e então tudo aconteceu rápido demais para que se pudesse compreender.
Calor. Saudade. Lembranças...
Braços a cercavam e não tentavam lhe matar, simplesmente tiravam-na do chão e o ar. Ao olhar para pessoa responsável por aquele gesto encontrou os olhos claros e sinceros de , tão brilhantes quanto às lágrimas que escorriam por seu rosto. Ela a sufocava em um abraço cheio de saudades e não sabia como reagir.
- Não acredito que você voltou. – A voz esganiçada pelo choro, o sorriso infantil que eu tanto sentira falta. Minha melhor amiga estava ali. Assim que ela me soltou eu fitei os demais, um por um, todos me olhavam com a mesma expressão de espanto.
Exceto ele.
Talvez estivesse errada, o que Luke sabia fazer de melhor não era usar seu poder da magia do caos, mas o de seus olhos para mexer com as emoções dela.
- Tenho uma missão pra vocês. – As únicas palavras que fora capaz de dizer pareciam devolver todo o ar que estivera suspenso na sala. Naquele momento ela não estava olhando para seus velhos amigos, companheiros de batalha que considerava uma família. Nesse momento King estava olhando para os agentes secretos do governo britânico.
Dizer que fora bem recebida soaria como eufemismo.
Seu aparecimento repentino resultara em seu corpo preso entre a parede e as mãos ágeis de , que a fitava com tanto ódio que seria capaz de fulminá-la sem lasers. permaneceu calada, com a mesma expressão arrogante que a ex-melhor amiga odiava. Foi necessária a intervenção de Kyle Hummels, o supervisor de departamento, para que suas mãos se afastassem do pescoço de King.
Após o fatídico episódio do quase assassinato da recém-chegada, todos agora encontravam-se na sala de reunião do nono andar do prédio onde se localizava a sede de investigação paranormal da Inglaterra. O silêncio reinava no recinto enquanto Kyle apresentava os slides com as imagens turvas de Soren Arnesen, as câmeras que a ex-agente instalara em lugares estratégicos captaram os movimentos do terrorista norueguês, mas devido à localização não era possível distinguir seu rosto com precisão.
- Certo, mas qual o objetivo disso tudo, afinal? – Questionou ao supervisor.
- Soren é um conhecido traficante de armas, está na lista de procurados em mais de dez países estando no topo da lista da Interpol. – Kyle passou os slides para ilustrar as informações que disse. – Mas recebemos informações de uma fonte confiável que agora seus planos são outros, Soren está traficando pessoas pela fronteira da Irlanda. – Uma batida de coração errou no momento em que essas palavras foram proferidas, outra simplesmente deixou de existir.
desviou o olhar para suas mãos sobre a mesa, Ashton a acolheu, abraçando-a de lado. apenas se abraçou, evitando olhar para os presentes.
- Certo, e qual é o plano? – questionou, o ambiente estava pesado demais, com palavras de menos e era necessário que se mantivesse o foco ali.
- Ele sabe sobre vocês, ou melhor, sobre pessoas com dons como o de vocês e é possível que tenha aliados com essas qualidades ao seu lado, por isso vocês irão nessa missão resgatar as pessoas que encontrarem e prendê-lo. – Hummels respondeu, entregando uma pasta para cada presente com as informações sobre o investigado, o esquema que coordenava as propriedades que tinha e os lugares que costumava frequentar. – King vai liderar a missão e vocês saem em...
- Eu não vou trabalhar com ela. – Ashton disse de pronto, os olhos que costumavam ser tão acolhedores a fitaram com uma frieza capaz de congelar o planeta. – King, não pense que ao voltar para cá tudo vai ser como antes, você não é mais parte de nós. – A voz que costumava ser tão suave soltava as palavras cruéis como um escorpião que pica repetidas vezes sua vítima antes de dar a picada final e arrebatá-la num golpe de misericórdia. – Para falar a verdade, acho que você nunca foi.
E desde que pisara naquele lugar o sentimento maior de rejeição a tomou, se sentiu pequena e dispensável. Ela sabia que o melhor era se manter quieta, não havia nada a ser dito, qualquer coisa mencionada lhe entregaria. Kyle suspirou audivelmente e passou as mãos no rosto em claro sinal de irritação.
- Vai sim, senhor Irwin, essa missão é muito maior do que as rixas e mágoas que há entre vocês, não é uma opção. A senhorita King me pediu a melhor equipe que eu tinha, portanto se não for para ajudar posso convocar a equipe dois. – Kyle foi duro, os olhos azuis cristalinos brilhando a cada palavra proferida. O silêncio pesou como chumbo no ar, três suspiros e alguns resmungos depois houve a troca de olhares que todos sabiam que era a concordância, exceto Luke, este continuava fitando o nada e se limitou a levantar e sair sem olhar para trás.
Aos poucos todos deixaram a sala, exceto , esta permanecia sentada aguardando o momento certo de fazer o que desejara por exatos onze meses. Talvez mágoa e ressentimento a movessem, ou apenas a curiosidade a levara até ali, nada era certo, mas muito precisava ser dito e não haveria momento melhor que aquele.
- Precisamos conversar.


2. Past: Countdown


Os socos desenfreados no saco de areia não eram o bastante para fazer parar a onda de sentimentos que os invadia. Uma sequência de chutes ao lado também não parecia ser bom o bastante para distrair, afinal, os três homens presentes naquela sala sofriam de males semelhantes demais para deixar passar, mas o orgulho os impedia de tocar no assunto.
Exceto para um deles, é claro.
- Até quando vai rolar o clima de velório? – Questionou Michael, encostando-se na soleira da porta que acabara de abrir. O jeito descontraído e as feições serenas quase disfarçavam o turbilhão de sentimentos que o tomavam, mas seus olhos eram como espelhos, capazes de refletir até as verdades mais ocultas que seus lábios jamais diriam. Os olhares céticos que recebeu o fizeram bufar e Mike se limitou a morder a maçã que trazia consigo, entrando na sala de vez. – Se querem descarregar vamos fazer isso de forma descente. – Ele sorriu maroto e recebeu o apoio de Calum, é claro, quem mais apoiaria uma ideia dessas além dele? – Vamos começar em duplas, chega aí, Ash.
Irwin se aproximou do meio do tatame e tomou a posição de ataque, Clifford entregou a maçã meio mordida à Luke, que fez uma careta e passou-a para Calum.
- Sem poderes, certo? – Questionou Ashton, olhando-o seriamente. Um resmungo dos demais o fez olhá-los feio. – Lembram da última vez que usamos nossos poderes aqui?
A lembrança os tomou de imediato, a sala completamente destruída, colchonetes pelos ares, espelhos quebrados, metade da parede no chão e dois agentes não paranormais feridos. Em concordância, todos assentiram e o embate começou.
Ashton atacou primeiro, sua mão passou perto do rosto de Mike que abaixou-se rapidamente e mirou a costela do companheiro de equipe. O impacto o fez recuar alguns passos, mas foi o suficiente para Clifford ter espaço para avançar. Um chute na lateral, um soco no estômago e uma rasteira que, por pouco, não levaram o outro ao chão. Seriam os golpes perfeitos, mas Irwin previu o último ataque e pulou, girando o corpo e lançando o amigo para alguns metros à frente.
- Eu ia apostar no Mike, cara. – Resmungou Calum, fazendo os demais rirem. Michael colocou-se de pé e bateu a poeira da roupa, resmungou algo incoerente antes de cair na risada e cumprimentou o oponente. Agora era a vez de Luke e Calum.
- Se forem apostar é bom que o dinheiro seja alto. – Avisou Hood convencido.
- Cala a boca e luta. – Mandou Ashton.
O embate desta vez era diferente, os dois costumavam usar técnicas de ataques defensivas em momentos complicados, dificultando a estratégia do oponente. Luke foi o primeiro a reagir, mirando no rosto de Calum e passando muito perto. O rapaz recuou a tempo e virou o corpo para acertar com a parte de trás da perna as costelas de Hemmings. O golpe lhe arrancou o ar tempo o bastante para que recebesse um soco no rosto, derrubando-o sentado, todavia não por tempo bastante, pois no momento seguinte o loiro estava de pé esperando mais um ataque; uma brecha e ele poderia agir como gostaria. Sem perceber, Calum baixou a guarda ao correr em sua direção com os punhos em riste, esquecendo-se de proteger as demais partes do corpo. Um desvio pela direita, um ganho de esquerda no estômago e um movimento rápido de chute no ar fez Calum cair com estrondo no chão.
- Acho que estão se divertindo sem a gente. – A voz esperta de invadiu a sala antes que os dois lutadores pudessem se recuperar. Ao seu lado, olhava os amigos com um sorriso meigo no rosto. Seus olhos se arregalaram ao ver o estado das roupas do namorado, a baixinha correu para saber como ele estava e ao receber um beijo e a garantia de que estava bem ela se voltou para o irmão.
- Mandou bem, dude. – O olhar indignado de Clifford fez todos rirem. se aproximou do rapaz e o cumprimentou com um beijo, em seguida parabenizou Luke e aproveitou para sacanear Calum. – Tá chateado por que perdeu, Hood? Fica assim não, na próxima você ganha, certeza. – Fez um gesto de joia para o garoto que lhe direcionou uma careta. Olhando ao redor, percebeu que a namorada não estava a vista.
- Cadê a ?
- Não a vimos desde a sala de reuniões. – Informou , dando-se conta de que estivera tão entretida na conversa com que só notara a ausência da outra amiga agora. Suas bochechas coraram com o pensamento. Mike, que estava ao seu lado, sorriu e a apertou em seus braços, sua doçura era incontestável.
- Vou procurá-la. – Avisou Hood, encaminhando-se para fora da sala, mas foi parado ao dar de cara com a figura sumida. tinha o semblante sério e os olhos levemente avermelhados, parecia ter chorado a pouco tempo. – O que houve?
- Nada, vamos comer alguma coisa? – Chamou brevemente, os presentes se entreolharam confusos com a reação da garota.
Harrisson costumava ser uma das pessoas mais tranquilas e divertidas do grupo, era a mais centrada, sem dúvidas, mas nunca negava uma piada ou gracinha para os amigos. Porém, no momento em que atravessaram as portas do refeitório e encontraram cabisbaixa e de costas para porta souberam que algo havia acontecido entre as duas. Os ombros da garota se moviam com truculência, ela chorava copiosamente e mesmo que jamais fosse admitir, o coração de Luke sangrou ao ver a cena. Os sete se dirigiram para uma mesa afastada e a ocuparam, o silêncio reinava entre eles.
- Certo alguém quer dizer algo? – Opinou visivelmente curiosa. A verdade era que seu sexto sentido lhe dizia que e haviam conversado, e mais, as duas sabiam de algo que não seria compartilhado com eles. Essa ideia a matava.
- Vou pegar comida. – A resposta de Calum acabou rendendo algumas risadas e descontraindo o clima. Enquanto o moreno se afastava com alegria evidente e pegava a bandeja azul, se distraía com os amigos. Sua mente insistia em chamar sua atenção para o passado, para as imagens da conversa que tivera com a traidora do grupo e as que tivera com a melhor amiga. Ambas se misturavam como um redemoinho de sentimentos.
Havia poucas pessoas no refeitório, o que facilitou e muito a vida de Hood. Depois de encher a bandeja e se encaminhar de volta para mesa onde seus amigos estavam limitou-se a comer como se não houvesse amanhã. Ashton ousou roubar uma batata frita e foi ameaçado de morte com uma faca de plástico, o que rendeu oportunidade para outros saques vindos de , e , que riam como crianças. Apesar da situação adversa, o clima na mesa era descontraído e bom. Mas não para todos, os olhos de Luke dirigiram-se para imagem da garota por quem seu coração insistia em lhe trair e o sentiu apertar violentamente quando a mesma ergueu a cabeça e puxou o capuz cinza da blusa de frio, os olhos frios que vira mais cedo estavam vermelhos e úmidos, o nariz e as maçãs do rosto tingidos do mesmo tom o fez ter vontade de levantar e ir até ela, puxá-la para seus braços e prometer que toda dor passaria. Lembranças de um passado não tão distante o acometeram como um vendaval.

All my life I've been waiting for moments to come
When I catch fire and watch over you like the sun
I will fight to fix up and get things right
I can't change the world but maybe I'll change your mind

Ele a viu sorrindo como costumava fazer sempre que via um dos membros do grupo ao qual pertencia. Hemmings registrou cada movimento feito enquanto a moça jogava um pedaço de pão em Michael e ria da careta que ele fizera. Sentiu a conhecida sensação de calor e aconchego quando seus olhos pousaram na figura dele, que passava pelas portas de metal do refeitório. Num átimo a garota correu para seus braços e o usou como um falho escudo das tentativas de ataque de migalhas que Calum e Ashton insistiam em jogar sobre ela na tentativa de defender Clifford.
A sensação da pele dela sobre a sua quando a puxou para seus braços e a envolveu num gesto protetor, a felicidade em seus olhos quando assegurou que teria volta e que ele estaria sempre ali para protegê-la, ainda que ela se recusasse a aceitar proteção.
- Bom saber, porque eu pretendo fazer o mesmo por você. – Ela piscou para o rapaz enquanto se afastava e seguia os demais para ala de treinamento.
- Me proteger ou ficar comigo para sempre? – Perguntou Luke, se aproximando dela e a abraçando de lado.
- Que tal os dois? – Ela devolveu a pergunta antes de parar em sua frente e puxá-lo para um beijo. – Agora vamos treinar; essa cidade não se salva sozinha e nós não somos o Batman. – Disse ao se afastar e correr para pular sobre as amigas.

Dedos estalando na frente do detentor do caos o fizeram pular, era perguntando se estava tudo bem. Olhando ao redor todos estavam de pé, esperando por ele para fazer a reunião definitiva se trabalhariam com a traidora ou não.

Os passos ritmados os guiaram até a sala de reunião mais uma vez, porém com a vantagem da ausência de Kyle. Todos se reuniram ao redor da mesa e esperaram que alguém se manifestasse, o que de fato não aconteceu. Estar ali significava que poderiam aceitar trabalhar com ela, mesmo que para um membro da equipe significava mais do que isso, todavia não vinha ao caso. Um suspiro. Duas batidas de pé. Um arroto. Olhares feios.
- Ok, quem vota em trabalharmos com a traidora? – A pergunta mais direta que flecha no alvo veio de Ashton. Todos se olharam.
- Sabemos que a vai topar, está só carinhos com a estranha desde que ela chegou. – alfinetou, não perdoando as atitudes da amiga. – Daqui a pouco vai dar o prêmio de amiga do ano pra ela.
- Você está certa, , vou trabalhar com ela sim, mas não por que ela merece o prêmio de amiga do ano. – a olhou feio. – Eu senti falta dela, assim como todos vocês sentiram, a diferença é que eu demonstrei. – A pequena Irwin se pôs de pé. – Em momento algum eu disse que o que ela fez foi certo, mas até onde eu me lembro ela não voltou exigindo nosso amor incondicional, tudo o que ela quer é resolver um caso que cedo ou tarde chegaria à nós. Mas vocês preferem me condenar por estar tentando ajudar do que compreender e resolver o problema.
Estarrecidos. Seria uma ótima palavra para descrever a situação dos demais. Em anos de amizade nunca haviam visto a jovem Irwin ser tão direta e autoritária como naquele momento.
- Olha... Eu não sei quem você é ou o que fez com a Irwin, mas eu tô contigo e não abro. – Hood levantou e foi abraçar a amiga, o gesto e a frase os fizeram rir.
A decisão estava tomada, eles iriam para briga com o traficante norueguês. Iriam para batalha ao lado de King.


3. The Action


Quinze horas, esse era o tempo que havia se passado desde a chegada de . A noite passara rápido demais para alguns agentes, como Calum, e que amavam dormir. Mas fora demorada para quem estivera acordado pensando em como poderiam agir durante aquela operação tão arriscada para seus corpos, porém ainda mais para seus corações.
- Dormiu bem, ? – O tom zombeteiro de Kyle assustou a moça que havia acabado de deixar o quarto. Os olhos estavam fundos e rodeados por olheiras escuras, os cabelos presos em um rabo de cabelo para não mostrar o quão desgrenhado estavam os fios. Com um sorriso forçado que mais parecia uma careta, ela o revirou os olhos.
- Dormi sim, até sonhei com você.
- Opa, alguém está de mal humor. – Com um empurrão no ombro a garota o respondeu. Os dois seguiram em direção ao refeitório enquanto o supervisor comentava sobre as pistas da missão e as estratégias. Acertaram que após o café se reuniriam para saber a decisão da equipe, e caso necessário, contatar outra.
As portas do enorme salão se abriram para que os dois passassem, a fila imensa onde o buffet se encontrava foi evitada, pois os dois preferiram ir direto a cozinha. Kyle encheu uma bandeja com frutas e pães, preferiu frutas com aveia e mel.Um copo de café forte e estaria pronta para enfrentar o que viesse.
Isso é, quase.
Os componentes do grupo Fire, ou grupo cinco, como eram conhecidos, adentraram o refeitório atraindo atenção dos demais, como de costume. As garotas riam de algo enquanto os rapazes conversavam entre si com o costumeiro charme que abalava das novatas às veteranas da agência. King e Hummels assistiram enquanto os sete caminhavam em direção à mesa onde o café estava servido. foi a primeira a pegar uma bandeja e colocar alguns alimentos ali, na volta para ocupar a corriqueira mesa do canto esquerdo seus olhos foram atraídos para garota que a fitava. Um aceno discreto de cabeça durante a troca de olhares foi um gesto quase imperceptível, até mesmo para Kyle, porém não para e Ashton, que acabavam de se virar para seguir a amiga. Moore estreitou os olhos diante da ação avistada e Irwin franziu o cenho, todavia aquele não era o melhor momento para comentar, puxariam Harrison para um interrogatório na primeira oportunidade que tivessem.
Tomaram o café da manhã com mais pressa do que o normal, o dia seria cheio e havia assuntos pendentes a serem resolvidos. foi a primeira a se colocar de pé para entregar a bandeja, seguida de , Luke e Michael. Calum tentava decidir se comeria os bolinhos ou os biscoitos primeiro.
- Se você não andar logo com isso vamos para reunião sem você, gracinha. – Michael implicou, assustando o rapaz.
- Ah, qual é, estou com fome. – Resmungou Hood mal humorado.
- Então acho bom se apressar, estamos indo pra sala de reuniões. – Ashton avisou ao se levantar também, todos já estavam de pé prontos para deixarem o refeitório. Sabiam que adiar a decisão só faria tudo ser pior. Com alguns xingamentos Hood entregou a bandeja com metade da comida para uma das funcionárias e correu para alcançar os amigos que já estavam na metade do corredor.
olhou a cena com nostalgia, há alguns meses ela fazia parte daquele grupo, era querida pela equipe e respeitada no complexo. Agora não passava de uma estranha mal vista pelos agentes que ali residiam, todavia não mudaria o que fez, jamais se arrependeria da decisão que tomara.
- Se demorar mais um pouco as vítimas de Arnesen se salvarão sozinhas. – Implicou com o supervisor que a fitou de soslaio. A garota prendeu o riso e balançou a cabeça. – Me empresta isso aqui. – Pediu, colocando a mão no bolso do paletó de seu superior e retirando dali os óculos aviadores que vira ao sentarem-se.
- Ei.
- Devolvo depois, prometo. – Disse ao se levantar, caminhou até a cozinha onde deixou a bandeja e retornou. Hummels já estava de pé e caminhava rumo a porta. – Ei, educação passou longe. – Apontou para o objeto que o rapaz deixara sobre a mesa.
- Uma das vantagens de ser o chefe. – Indicou com a cabeça. Uma funcionária de aparência jovem e belos cabelos ruivos recolhia o objeto e sorria para ele, que de certo retribuiu. King revirou os olhos e o seguiu para sala que ocuparam no dia anterior.
As portas se abriram revelando os dois agentes que faltavam, Kyle ocupou a cabeceira da mesa enquanto King preferiu se manter de pé. A equipe cinco se entreolhou procurando entre si quem daria a resposta, Hummels suspirou audivelmente indicando sua irritação com a demora e estava abrindo a boca para reclamar quando se pronunciou.
- Vamos na missão, Kyle.
- Ótimo, os equipamentos já estão separados, os carros estão prontos e o esquema é simples. – Assumindo a postura de supervisor Kyle se colocou de pé. – Vocês devem resgatar as vítimas que estão no galpão onde demarquei na pasta entregue ontem, dois carros disfarçados serão guiados por Malcom e Jane, eles ficarão responsáveis por transportar as vítimas para um lugar seguro enquanto vocês estiverem em batalha. A agente King estará liderando a missão e deve convocar algum de vocês para ajudá-la em segundo comando, estão todos entendidos? – Indagou, olhando cada pessoa presente na sala. Ao ver as cabeças assentirem, repetiu o gesto. – Reunião encerrada, vocês saem em uma hora.
Estava encerrada a reunião, e com ela a paz de espírito, pois os olhos dos sete ex- companheiros de equipe da líder a fitaram com diferentes sentimentos expostos. Ela sabia que deveria ignorar qualquer coisa que a afastasse da missão.
- assumirá o segundo comando caso algo aconteça comigo. – Com a voz altiva ela se pronunciou. – Ficaremos em três equipes, Ashton e Calum vigiam as portas. – Uma imagem do terreno para onde iriam surgiu no projetor ligado por ela. – São duas entradas simples por onde eles levam e tiram as reféns. e podem vigiar a parte de cima, onde há uma saída direta e uma pelos dutos, eles podem escapar por ali. – Apontou para área superior do galpão. – , Michael e Luke entrarão comigo para soltá-las e montar o esquema de emboscada caso consigam entrar. Vamos.
Sem esperar resposta ou contestação a jovem deixou a sala rumo ao seu quarto. Se estivesse certa, seu uniforme ainda estaria no armário dentro da terceira gaveta. Sorriu minimamente com o pensamento e apressou o passo.
Os demais se dispersaram em busca dos documentos e uniformes, aproveitou o momento para puxar para dentro de uma das salas vazias de treinamento.
- Certo, pode começar a falar.
O olhar perdido de Harrison indicava que ela desconhecia o motivo da frase da amiga. Moore bufou e revirou os olhos. – Você está de segredinho com a traidora, quero saber o que é. – Determinou. Com uma sobrancelha arqueada e um misto de descrença e zombaria foram as reações de .
- Acho que você está vendo coisas onde não tem, . – Respondeu firmemente. – Se não se importa temos uma missão para ir e preciso trocar de roupa. – A moça deixou a sala sob o olhar mortal da amiga. Ela escondia algo, tinha certeza, precisava apenas descobrir o quê.
O lugar era esmo, não havia sinal de habitação a pelo menos dez quilômetros de onde o galpão se encontrava. Era um lugar esquecido em plena Londres. Uma fina chuva caía ininterruptamente, os oito agentes acabavam de estacionar os carros em um lugar mais afastado da estrada para seguir um trecho a pé, não poderiam despertar curiosidade.
Em seus uniformes pretos e de tecido com material desconhecido, criado originalmente para suportar seus poderes, os oito se dirigiram rumo ao local onde as vítimas estavam. Munidos com uma glock cada um, se dispuseram nas posições indicadas. Era óbvio que não precisavam das armas, ao menos não com seus poderes, mas o agente que ficasse ao lado de era incapacitado e tinha apenas a força bruta para se defender, durante uma batalha era impossível prever onde e quando ela estaria.
- Vou para os fundos verificar o perímetro, está com o rádio aí? – Ashton questionou o amigo que pronto assentiu. O loiro se deslocou a passos rápidos e com os olhos atentos rumo a parte dos fundos, o lugar era gigantesco, ocupava pelo menos duas quadras em tamanho e um pequeno prédio de três andares em sua altura. Nenhum movimento, como era de se esperar. Aquela missão seria brincadeira de criança, ao menos era o que Irwin achava.

Enquanto os rapazes se ocupavam em vigiar o perímetro, as duas garotas subiam os últimos degraus das escadas laterais. Tudo estava quieto e sombrio ali em cima, poeira misturada a fina chuva formava uma lama escura sobre o piso de cimento. ocupou-se do lado esquerdo, o único onde logo abaixo havia janelas. ficou com o direito, o mesmo em que Ashton montava guarda.
- Tomara que isso não demore, estou com mau pressentimento. – Palpitou Moore observando os arredores, desconfiada.
- Pra alguém que não acredita no além você anda muito sensível. – Debochou a jovem Irwin e recebeu uma careta em troca.
- Tá muito engraçada, cunhadinha. – riu ainda mais da reação da amiga.

Dentro do galpão tudo o que se conseguia ver era poeira e escuridão, apenas a luz do dia passava parcialmente pelas janelas possibilitando que os agentes se locomovessem sem grandes problemas. Luke estava ao lado de , evitando todas as formas lembrar quem era a outra pessoa próxima de Michael, ainda que seu perfume não lhe permitisse esquecer.
O som de algo se quebrando chamou atenção do quarto. Rumaram para o fundo do lugar onde uma porta trancada impossibilitava que vissem o que havia lá dentro. Com um literal estalar de dedos, Hemmings fez a fechadura ceder e abriu a porta. A escuridão chegava a ser claustrofóbica, tudo parecia pequeno e apertado ali dentro. Murmúrios vindos debaixo os fizeram dirigir o olhar na direção.Com uma lanterna ligada foi possível ver o rosto de uma mulher. A jovem estava sentada no chão abraçada aos joelhos, com mãos e pés atados por cordas. Seus olhos denotavam pavor, ao esticar o feixe de luz revelaram-se mais de trinta rostos, todos com o mesmo olhar.

Oh say, do you know? I'm a fool in a one man show
I'm a broken stereo, out of time
So how does it feel? All alone, is it so surreal?
Cause the ghost of survivor's guilt can be so unkind


- Acho que vamos precisar de mais de dois carros. – Murmurou Clifford, seu tom era sério e frio. Sem que pudesse controlar seus olhos fitaram , a garota olhava fixamente para as mulheres presas, seu rosto estava pálido e ela parecia estar longe dali. Luke deu um passo em sua direção, aquela imagem trazia lembranças que ele gostaria de esquecer. Sabia que aquela situação tocava em algo na jovem líder que ela se recusava a falar e Hemmings odiou-se por sentir mais uma vez. Harrison despertou a garota com um toque no ombro.
- Vamos tirá-las daqui. – Com a voz sombria ela se encaminhou para o fundo da sala, começando a soltar as prisioneiras. Sem opções os demais fizeram o mesmo.


4. The Beginning of the End


Com muito esforço e quatro viagens depois restavam apenas duas mulheres a serem transportadas para os carros quando o silêncio foi cortado pelo som de tiros estourando próximo demais para se enganarem. Michael apressou-se em correr até a porta na tentativa de impedir a entrada de quem quer estivesse atirando, todavia era tarde demais. Os homens de Arnesen já estavam dentro do cômodo com armas em punho, disparando contra todos. Luke rapidamente atirou de volta e com a ajuda das parceiras atingiu todos os presentes. Michael, que havia tirado as mulheres para uma realidade paralela as trouxera de volta para saber como proceder.
- Precisamos ir. – O grito de Harisson os despertou.
- Não podemos passar no meio deles, e não há outro meio. – Hemmings anunciou o óbvio.
- Clifford, leve elas para outra realidade, e vá junto. – começou a falar enquanto sacava a glock e postava ao lado da porta, ninguém ousara invadir ainda, mas sabia que isso não demoraria a acontecer. – Leve-as para o carro, em seguida entregue sua arma para .
- E vocês? – A pergunta escapou por seus lábios com mais preocupação do que ele admitiria, gostaria de dizer que era apenas por Luke e , mas algo dentro dele insistia em dizer que King também estava inclusa.
- Vamos abrir caminho e limpar aqui dentro, ele deve estar com os agentes especiais esperando para atacar. – respondeu pela líder, ainda que não aceitasse ela conhecia bem demais a garota. Com um aceno de King dando confirmação, Clifford se foi, abrindo um portal no ar e adentrando-o logo a pós as mulheres.
- Vou abrir caminho, Luke vem comigo e cobre a gente. – pronunciou, a arma ainda em mãos. Ninguém se moveu e isso a fez rolar os olhos impaciente. – Se preferirem eu mesma cubro vocês. – Sugeriu ácida, com um bufar Luke postou-se ao seu lado. – Harrison não use seus poderes, você precisa estar forte para o que virá. – Avisou antes de se colocar na frente da porta e começar a atirar, logo os disparos de revido já se faziam presente.

Ashton já derrubara pelo menos meia dúzia dos traficantes que atiraram contra ele, agora o rapaz ajudava Calum que se transformara em um leão e atacava dois homens ao mesmo tempo.
e atingiram o maior número de bandidos que conseguiram, aproveitando-se da ampla visão que tinham. Poucos ainda existiam, e foi quando os quatro agentes que estavam dentro do prédio saíram que o caos realmente se instalou. De um carro preto de vidro filmado saíram oito pessoas com uniformes vermelhos, o símbolo da máfia ao qual o traficante liderava estava ali, estampada no peito. Três mulheres e cinco homens encaravam os jovens da equipe cinco. correu junto da amiga para deixarem o telhado, sabiam que o embate não permitiria que ficassem no alto. No momento que seus pés tocaram o solo a outra equipe atacou.
Uma mulher jovem de cabelos vermelhos como fogo e olhos de cor laranja se moveu em direção a , atingindo-a com tamanha força que fez seu corpo voar. Sem que estivesse recuperada seu rosto foi atingido por uma série de golpes que a desnorteou.
- Ajudem a . – O grito de Calum chamou atenção dos demais, que também enfrentavam batalhas difíceis. Harrison pareceu acordar ao ouvir a voz do namorado e com um pouco de esforço fez seu poder entrar em ação, parando o tempo e com isso estabilizando a velocidade da desconhecida. O olhar de pavor dado pela agressora quase fez a jovem rir, era hora da revanche.
Com o dom controlado, Harrison parara o tempo apenas o bastante para tornar a luta justa, pois sabia que os demais tinham batalhas travadas. se esgueirava dos golpes de um homem baixinho de aparência esquelética e olhos escuros como a noite, com o dom da autorregeneração ela estava impossibilidade de atirar e feri-lo gravemente e ainda de fazê-lo parar, pois seu dom era interno e ela precisaria tocar no homem. Após desviar de uma rasteira a garota pulou sobre o agressor e tocou em seu ombro, sacando a pistola em seguida e atingindo-o fatalmente na cabeça.
Ashton estava num embate quase desigual com uma mulher capaz de se multiplicar; seus clones eram tão grandes quanto ela. Com mais de dois metros de altura e cabelos pretos como breu ela lutava como uma guerreira amazona. Ashton desviou de um gancho, mas não conseguiu escapar de um chute na costela que o derrubou. Ao olhar para ela que se aproximava a passos lentos percebeu o cinto de metal que adornava sua fina cintura, assim como os braceletes que reluziam a luz baixa dos faróis. Levantou a mão com dificuldade e perdeu o fôlego por alguns segundos, seu pulmão com certeza estava danificado, os metais que residiam no corpo da mulher começaram a tremer e a se fechar ainda mais em volta da mesma. O grito fino e alto indicava que ele estava tendo êxito, mas com a dor que sentia não sabia por quanto tempo. Erguendo o corpo sobre as pernas trêmulas ele a ergueu no ar e atirou-a longe, fazendo seus clones sumirem e ela desmaiar.
Um, dois, três, quatro golpes seguidos fizeram respirar fundo, seu poder de invulnerabilidade lhe permitia não sentir tanta dor quanto uma pessoa normal, mas isso não significa que os chutes e socos que levava do homem asiático de sorriso cruel não fossem realmente irritantes. Ele já havia a acertado no rosto, nas costelas e no estômago, e em todas as vezes ela revidara com destreza e ainda mais força. Sabia que precisava aprender a controlar esse lado de seu dom ou jamais sairia rápido de uma luta dessas. Mas foi após um gancho de direita em seu nariz que a raiva a dominou e o golpe de revido fez o homem desmaiar.
Mais afastado de todos, quase tanto quanto a namorada estava, Michael enfrentava um homem de pele clara e olhos brancos, com uma voz capaz de alucinar qualquer pessoa normal. Seu grito já deixara o loiro surdo há muito tempo, e o desnorteara por alguns segundos, o que levou seu corpo a ser jogado no chão. Seus ouvidos sangravam, seus olhos estavam vermelhos e o cansaço começava a abatê-lo, foi quando avistou Moore se aproximar. Num rompante fez surgir uma fenda e levou o homem para outra dimensão, apenas para trazê-lo de volta completamente desnorteado e acertá-lo em cheio fazendo-o desmaiar.
- Você viu o Ash? – Indagou a moça preocupada.
- Estava lutando ainda pouco, vamos procurá-lo.
Os dois rumaram para o centro da briga onde avistaram ajudando a abater mais três agentes armados que surgiram de repente. Próximo a lateral do prédio Calum lutava bravamente contra uma mulher dotada de uma força sobre-humana, a moça de aparência frágil e cabelos tão brancos quanto neve desferia golpes contra o rinoceronte que atendia pelo nome de Calum. O rapaz teve o rosto prensado contra a parede antes de se transformar em um mosquito e fugir das mãos da estranha mulher, apenas para no momento seguinte virar um jacaré e abocanhar a perna da mesma, jogando-a longe o bastante para que desmaiasse com a queda. Entretanto ao voltar a forma humana percebeu que sua visão começava a ficar embaçada, com certeza pela pancada que levara na cabeça. Antes que pudesse se refrear seu corpo atingia o chão.

- É o melhor que pode fazer, docinho? – Indagou sarcástica fitando seu adversário, um homem de pele escura e olhos castanhos que seriam belíssimos se não fosse a situação. O rapaz era um telepata e durante toda a luta se aproveitava do dom para antecipar o golpe e acertar King com força total. O sangue já escorria de sua boca e nariz, mas ela sabia que não podia parar. Havia muita coisa em jogo. Reunindo a força que já imaginava não possuir a garota fez surgir uma bola de fogo na palma da mão, ainda que soubesse que seu oponente previra isso ele não imaginava que um raio potente o bastante para tremer a terra o atingisse.
- É, acho que é o melhor. – Resmungou a garota, levantando-se.
Não foi preciso olhar muito longe para ver algo que a preocupou. Hemmings lutava contra um homem realmente irritante. Com olhos violetas e cabelos azuis o rapaz tornava-se invisível para bater em Luke sem piedade. O loiro defendia-se como podia, mas não era exatamente fácil, os capangas do norueguês eram bem treinados. A irritação lhe tomava aos poucos e isso não era bom sinal. se precipitou na direção de onde a luta ocorria, mas não foi rápida o bastante para impedir que os olhos de Luke revirassem nas órbitas e tornassem tudo o que eles conheciam em um completo caos. O céu ganhou tons de vermelho e laranja, tudo ao redor se tornou poeira, o ar estava árido e escasso e um fio de medo passou pelos presentes. Imagens de pessoas sendo atingidas por fogo e tiros cercavam o lugar, o calor era insuportável e sangue banhava o chão. King suspirou pesadamente ao ver uma adaga ser atirada em sua direção, não precisou olhar ao redor para saber que seus companheiros estavam estáticos e lutavam contra o medo.

All my life I've been waiting for moments to come
When I catch fire and watch over you like the sun
I will fight to fix up and get things right
I can't change the world but maybe I'll change your mind


- Hemmings, você precisa se conter. – Ela falou com a voz vacilante, começando a andar na direção do garoto que permanecia parado com os olhos brancos e o corpo tenso. – Luke, não deixe isso te dominar, volte para terra. – Finalmente de frente para ele, soltou um suspiro e evitou olhar para o chão, seus passos eram cercados pelo som gotejante do sangue. – Luke, olhe para mim, olhe. – King tocou seu rosto e estremeceu, foram precisos alguns segundos até que o agente começasse a recobrar a consciência. – Vamos, Hemmings, você sabe quem eu sou, volte e fale comigo. – A voz dela o trazia para mais perto, naquele momento o ódio não existia para ela e saber disso fez o coração da garota acelerar. Os olhos do homem retomaram o tom de azul que a fazia tremer e ele piscou três vezes antes de olhá-la diretamente.
- Está tudo bem, eu machuquei nossos amigos? Feri você? – Ela sorriu involuntariamente, sabia que assim que ele estivesse bem negaria a última pergunta feita, mas esse momento fora o bastante para fazê-la acreditar. Com a negativa de cabeça ele suspirou.
- Precisamos de ajuda. – O grito de o fez voltar à realidade completamente, o oponente de Luke estava no chão desacordado, seu nariz sangrava e ele parecia pálido, mas estava vivo. Olhando mais adiante foi possível enxergar e Michael carregando um Calum desacordado, o rapaz estava sobre o ombro direito de Clifford enquanto a Moore tentava acordar o garoto. Logo ao lado ajudava a carregar Ashton, o rapaz estava com os olhos fechados e andava com dificuldade. Luke correu para ajudá-las, porém King permaneceu estática ao ver que do carro de onde saíram os oponentes superpoderosos que acabavam de lutar vinha um homem de cabelos brancos e olhos cinzentos trazendo consigo um homem alto, de aparência jovem, músculos salientes e expressivos.
- Ora essa, parece que você realmente conseguiu o que queria. – A voz do senhor era alta e imponente, não parecia em nada pertencer a alguém de idade tão avançada. Todos olharam na direção do estranho que fitava ameaçador a líder da operação.
- Luke, Mike tirem todos daqui. – Pediu ela em um fio de voz.
- Está louca? Quem é esse? – Mike questionou desafiador.
- Apenas vá e não olhem para trás, se eu não voltar peçam para Kyle levá-lo ao galpão cinquenta e quatro, ele saberá o que é. – Ela suspirou ao ver o homem sorrir maldoso. – Vão logo.
Como fizera antes Michael abriu a realidade paralela, levando todos consigo exceto e Luke, que decidiram permanecer. Harrison porque sabia exatamente o que estava para acontecer; Hemmings porque não admitiria, mas estava preocupada com a ex-namorada.
- Vai me dizer quem é ele ou o quê? – Sussurrou o loiro.
- Soren Arnesen, ele veio me matar.


5. Back Home


O sorriso dado pelo homem fez as pernas de tremerem, seu coração estava apertado pelos amigos e o namorado que haviam partido sem eles. Porém, ela sabia que aquele momento seria crucial. Pelo pouco que escutara de King, aquele homem era um monstro capaz de qualquer coisa.
- Achei que lutasse suas guerras sozinha, jovem King. – Murmurou sarcástico, contendo o homem ao seu lado com uma das mãos. O jovem tinha os olhos apavorados, e sabia que teria que fazer coisas as quais o faria se odiar pelo resto da vida.
- E luto, Soren, pare de gracinha e ande logo com isso.
Não foi preciso mais, no momento seguinte o rapaz era lançado para frente com rapidez, e em cada passo que dava as coisas ao seu redor se tornavam nada mais do que poeira.

The words you speak, surrounding me
This is broken love in the first degree
The air you breath is haunting me
Maybe I'll change your mind


- Não o machuquem. – Foi a ordem dada por antes de desviar de um golpe do desconhecido e se dirigir para Soren, pegando senhor completamente desprevenido. Os olhos de Luke escureceram ao ouvir aquela ordem, ele só não sabia se pela dúvida, a raiva ou o ciúmes que o tomara.
Então era isso?
Arnesen lutava bem demais para alguém de sua idade, enquanto a agente chutava ele pulava e revidava com um soco. Olhando de longe parecia uma dança mortal. Logo atrás Harrison se esquivava dos golpes e gritava palavras sem sentido algum para Hemmings, que acertava o oponente sempre que podia.
O traficante ergueu uma arma, disparando contra King. O tiro atingiu de raspão seu braço, mas isso não a intimidou, o chutou na mão, fazendo a arma voar, em seguida fez surgir água o bastante para afogar Soren em pleno ar.
- Isso é por tudo o que fez comigo. – Uma pausa. Uma olhada para trás. – E com ele. – O homem tossia e se engasgava repetidas vezes, a garota parou quando o homem caiu desacordado. O rapaz, que antes lutava contra os dois agentes parou de fazê-lo, olhando ao redor atordoado. Ao virar-se viu a mulher responsável por tudo aquilo correr em sua direção e atirar-se em seus braços.
- Senti tanto a sua falta.
A frase foi motivo de alívio para as mulheres presentes, afinal mostrava que tudo estava bem. Mas para Luke fora o golpe final.

No complexo os componentes da equipe cinco ocupavam a enfermaria depois de receberem cuidados e o diagnóstico de que Ashton havia trincado duas costelas. Deveria ser medicado e permanecer em repouso por alguns dias. Calum tivera uma concussão leve e também já passava bem. Todos estavam de observação até a manhã seguinte.

O dia nasceu com a notícia de vitória espalhando-se pelos corredores do complexo, todos pareciam reluzir de felicidade. As reféns estavam sob os cuidados da Scoland Yard, que colheria informações e as devolveria para suas famílias. O bandido estava preso, assim como os capangas que estavam vivos. Apenas Harry estava livre, esse era o nome do homem que lutara com e Luke.
- Fala sério, você acha mesmo que Kyle vai deixá-lo impune? – Perguntou Michael para Luke enquanto os dois se encaminhavam para sala de reuniões.
- Não duvido de mais nada. – O rapaz deu de ombros. – Descobri que ela nos deixou por causa dele, o que mais me surpreenderia? – Não foi possível esconder o misto de ciúmes e rancor na voz, o que no fundo despertou vontade de rir em Mike, ele sabia que depois de tudo o que passaram algo estava faltando naquela história.
Todos aguardavam o momento em que toda a confusão fosse explicada, contrariando todas as ordens médicas até mesmo Irwin e Hood estavam presentes.
- Convoquei a reunião porque há muita coisa que vocês precisam saber. – King começou a falar assim que todos se acomodaram, Hummels assentiu, incentivando que ela prosseguisse. – Estive fora por nove meses sob os comandos de Soren. Ele tinha informações capazes de destruir este departamento, e consequentemente a vida de vocês. Comecei a receber ameaças logo após a prisão de Kisha, a espiã indiana. Ele sabia sobre nossos poderes e a ligação que tínhamos, então descobriu algo que me machucaria de forma ainda mais profunda. – King suspirou para prosseguir. – Arsenen encontrou alguém do meu passado e utilizou essa informação para me fazer deixar vocês, quando cheguei ao esconderijo dele fui mantida prisioneira por alguns meses, apenas para que pudesse me estudar e chantagear extraindo informações mais pessoais sobre vocês. As ameaças aumentaram e com ela as missões de sequestrar algumas pessoas surgiram. – soltou um pequeno guincho e teve seu corpo puxado para mais perto dos amigos. – Ele fazia questão de detalhar o que faria com cada um de vocês na primeira oportunidade que tivesse, e acreditem, ele é capaz de fazê-lo. Então eu descobri onde ele escondia esse alguém que um dia pertencera a minha vida e dei um jeito de tirá-lo de lá, escondendo-o no galpão cinquenta e quatro que eu informei ontem.
Uma mão foi erguida no ar.
- Quem é essa pessoa, afinal? – Calum questionou.
- Vou chegar aí. – Assegurou a moça. – Quando fomos para batalha eu nunca imaginei que ele havia descoberto o esconderijo, então estava disposta a me entregar para salvar Harry, faria qualquer coisa para livrar vocês e ele da mira de Arnesen. – Luke revirou os olhos diante do nome citado, Ashton o fitou de soslaio e prendeu o riso. – Harry King é meu irmão mais novo, Soren o encontrou, soube de seus poderes e o usou para nos atingir. Não me perguntem como, mas ele conseguiu controlar a mente de Harry e assim o poder que ele exerce, que para quem não estava lá, é o controle da matéria.
Os queixos de oito entre os dez presentes na sala quase tocaram o chão. Hemmings se engasgou com absolutamente nada enquanto soltava um assovio, afinal, essa era a parte da história que ela desconhecia.
- Um minuto. – chamou atenção. – Esse rapaz extremamente charmoso é seu irmão? – O cutucão dado por Ashton fez Michael rir enquanto King assentia e seu irmão corava.
- E o que acontece agora? – Foi quem questionou.
- Se vocês puderem me perdoar e me aceitar de volta eu ficarei, caso contrário devo deixar a base e assumir um cargo em outro país. – Respondeu temerosa. A equipe cinco se entreolhou e pediu que ela deixasse a sala por alguns minutos na companhia do irmão e de Kyle, que ria dos pensamentos que tivera ao ver Harry e juntos. Ele não diria em voz alta, mas um alívio tremendo percorreu seu corpo com a informação.

Dez minutos se passaram como uma lesma na maratona, tudo acontecia menos a chegada da resposta. King estava a ponto de bater na porta quando a mesma foi aberta por Harrison, que com um sorriso contido pediu que a garota entrasse.
- Não vou enrolar porque sei que você está nervosa. – sorriu meiga. – Nós entendemos você, . Sabemos que tudo o que fez foi para nos proteger, e ao seu irmão. Melhor do que ninguém eu entendo sua decisão, e acredito que qualquer um de nós faria o mesmo em seu lugar. – A pequena Irwin piscou para o irmão e riu abertamente para amiga. – Nós queremos você de volta, e dessa vez pra ficar.
Um alívio se instalou no peito da garota.
- Oh, sim, e faça o favor de nunca mais sumir sem dar notícias. Se algum imbecil te ameaçar deixe um bilhete, um sinal de fumaça, qualquer coisa que nós te acharemos. – Clifford fechou a mão e bateu na outra num sinal de que socaria alguém, o ato despertou o riso em todos. – Você é parte de nós, nanica. – Ela riu ao ouvir o apelido que ele amava chamá-la, sem que esperasse seu corpo fora erguido do chão pelos amigos, e ao fundo um pedido de desculpas vindo de Ashton veio para fazê-la chorar.
- Vamos parar antes que eu desmonte amo vocês e realmente sinto muito. – King ainda estava abraçada as amigas quando percebeu que alguém não fazia parte da confraternização. Hemmings estava no canto mais afastado da sala, fitando o chão.
- Vamos todos tomar um suco de laranja e rir da cara de Shane, ele não vai aceitar que não vai para equipe dele. – Ashton tomou a dianteira e foi embora junto com os demais.
Então o silêncio reinou no cômodo, apenas as respirações eram ouvidas.
- Vai continuar calado? – Ela sabia que o orgulho do rapaz estava ferido, sabia que ele acreditava não ser digno de sua confiança. Mas nada poderia ser feito a respeito de suas decisões, já havia passado.
- Poderia ter confiado em mim.
- Luke, eu confio em você, mas era a sua vida, da equipe e do meu irmão que estavam em jogo. Soren é cruel e ardiloso, mataria todos vocês e isso me destruiria, será que é tão difícil compreender? – King passou as mãos pelos cabelos, irritada. Luke suspirou, tinha completa noção de que a mulher estava certa, e que cederia a ela, mas seu orgulho o sufocava.
- Passei todos esses meses acreditando que você havia acordado um belo dia e descoberto que não era isso o que queria para sua vida. – O tom de voz cansado era triste, ela caminhou até estar perto o bastante para tocá-lo. – tinha certeza que você voltaria, mas o restante de nós acreditou que você achara algo melhor para fazer, que alguém mais normal e menos complicado seria melhor do que eu. – Um suspiro audível foi dado antes que seu corpo estivesse de frente para oitava agente do grupo. Ela balançou a cabeça e tocou o rosto do loiro, atraindo sua atenção para si
- Você achou mesmo que eu faria isso? – Não houve resposta.

All my life I've been waiting for moments to come
When I catch fire and watch over you like the sun
I will fight to fix up and get things right
I can't change the world
I know that I can't change the world
But maybe I'll change your mind


- Luke, eu jamais faria isso, essa equipe é minha família e você é a pessoa que amo desde a primeira vez que me derrubou em um treino. – Ele riu do comentário dela e balançou a cabeça, aproximando-se ainda mais e envolvendo o corpo da garota com seus braços. – Ainda que tudo tenha saído errado, eu voltei, prometemos que estaríamos sempre juntos e é para isso que estou aqui, além de roubar os biscoitos que o Calum esconde da no piso solto do quarto dela. – Dessa vez a risada dele foi alta, era claro que sentira falta da garota.
- Se eu disser que...
- Vai soar clichê, vamos deixar isso para e Mike e pular pra parte do beijo. – King o puxou pela nuca, selando seus lábios e despertando a loucura nos curiosos de plantão que ouviam tudo do lado de fora.
- Você esconde biscoitos de mim? – Harrison fitou o jovem Hood, que tinha as mãos na cabeça em desespero.
- Nós somos melosos? – Questionou a pequena Irwin.
Kyle e Harry riam das reações dos agentes, que agora se acusavam e riam uns dos outros e do casal que nem imaginava o que se passava do lado de fora, em meio aos comentários. A equipe Fire era extremamente competente e isso era incontestável, mas havia um lado deles que poucos conheciam o de fangirl de casais.


Fim.



Nota da autora: Oi galera, como estão? Depois de quatro anos estou de volta ao FFOBS, dessa vez com a felicidade de escrever sobre essa banda amorzinho que é 5SOS. O meu muito obrigada vai para Ingrid Vieira, que me apoiou e surtou comigo. Para Claudi Possamai, Babi Spengler e Alle Mazzieri que foram minhas inspirações. Para Mayh De Angeli, essa beta maravilhosa que me socorreu nos meus momentos de dúvida e surto, e a vocês, que leram. Espero não ter decepcionado, por favor, comentem bastante. Se quiserem saber mais sobre as minhas histórias venham para o grupo de fanfics. Xx Mary.





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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