Finalizada em: 16/01/2018
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Capítulo Único

A marcha nupcial tinha começado a tocar, ela entrava na igreja deslumbrante, a calda de seu longo vestido branco se arrastava pelo chão. segurava firmemente o seu buquê de rosas vermelhas, acompanhada de seu pai que estava orgulhoso e muito feliz por estar ao lado dela nesse momento tão importante em sua vida. fazia questão de balançar a cabeça cumprimentando a cada um que estava ali, mesmo não conseguindo reconhecer nenhum rosto por estar tão nervosa. Suas mãos tremiam, a adrenalina corria por suas veias.
Mais a frente estava , que olhava abobalhado para . Ele balançava o corpo para espantar o nervosismo, mas fora impossível não sentir uma grande emoção à medida que ela se aproximava. Era a mulher mais linda que ele havia conhecido em sua vida, e ele a queria ao seu lado por toda a ela. Vendo que lágrimas escorriam do rosto do amado, não conseguiu segurar as suas, que desceram como cachoeiras.

- Eu te amo muito – ele sorriu maravilhado quando leu os lábios dela. E ele a amava, como a amava.

A distância que os separava por fim, se acabou. Eles pararam frente a frente, o pai de beijou a testa da filha demoradamente. Era impossível não sentir o coração sangrar por entregar sua bonequinha ao rapaz. Deu um afago no ombro de e conduziu a mão direita da filha e a entregou ao rapaz. Encaminhou-se ao altar, ao lado de sua esposa, que chorava copiosamente por ver sua filha casando.

- Que a paz de Deus esteja com todos – foram às primeiras palavras do padre, fazendo o sinal da cruz.

Todos os convidados disseram “amém” e se sentaram. O casamento seguiu, o padre leu algumas passagens da bíblia para abençoar o matrimônio e logo veio à pergunta mais aguardada pelo casal.

- Torres, você aceita como seu legítimo esposo? – o padre perguntou, e passou o microfone a moça.
- Sim! – ela respondeu rapidamente, sorrindo.
- , você aceita Torres como sua legítima esposa? – agora a palavra fora passada ao noivo.
- Eu aceito. – ele sorriu, seus olhos brilhavam.
- Tragam as alianças, por favor. – o padre pediu gentilmente.

A marcha especial começou a tocar e os sobrinhos de entraram no local tímidos, afinal, todos naquela igreja babavam pelo jeitinho meigo deles. No altar, Maria, irmã do rapaz olhava e sorria vendo seus gêmeos de cinco anos entrarem de forma correta na igreja, surpreendendo-a. Eles andaram rapidamente até onde e estavam e entregaram a cestinha com as alianças ao tio que as pegou e segurou a aliança de . Ela prontamente ergueu sua mão esquerda para que ele pudesse colocar a aliança. O padre começou a ditar as palavras e foi as repetindo.

- Eu, , aceito-te, Torres, como minha legítima esposa, para amá-la e respeitá-la na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, em todos os dias de nossas vidas. – ele respirou fundo e concluiu a frase por si só - Eu amo muito você! – novamente chorou e com a mão trêmula colocou a aliança no dedo anelar dela e deu um beijinho ali.

E com a voz embargada ela seguiu o discurso ditado pelo padre.

- Eu, Torres, aceito-te, , com meu legítimo esposo, para amá-lo e respeitá-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, em todos os dias de nossas vidas – ela colocou a aliança no dedo dele – Eu também amo muitíssimo você. – ela deu um singelo beijo no local onde tinha colocado a aliança.
- E agora, através da autoridade a mim investida, eu vos declaro marido e mulher – o padre os abençoou com o sinal da cruz – Pode beijar a noiva.

, sem pensar duas vezes, aproximou-se de e grudou seus lábios no beijo mais importante de suas vidas, e mais salgado também já que ambos choravam extremamente emocionados por ter um ao outro eternamente.
Deram as mãos e se preparam para descer do altar no qual, todos os seus amigos gritavam felicitações, gracejos e batiam palmas. Ele se aproximou novamente e com uma chuva de papéis picados selaram mais uma vez o amor que tinham um pelo outro.

Sete anos depois...

estava deitada na cama sozinha, enquanto encarava a foto do casamento dela com , aquele dia sem sombra de dúvidas havia sido o mais feliz de sua vida. Era uma pena que a realidade não permanecia mais assim... Já eram 23h00hrs e nada dele aparecer.
Estavam tão distantes que eram pouquíssimas palavras que trocavam um com o outro e quando se falavam, discutiam. Todas as noites ele chegava tarde e ela aguentava aquilo, mas hoje seria diferente, ela o confrontaria.
Ela ouviu o barulho da chave na fechadura da porta, e suspirou, ele finalmente tinha chegado. entrou no quarto e ela o observou, calada. Ele a olhou rapidamente e a cumprimentou com um singelo oi e se dirigiu ao banheiro, pegando suas coisas para tomar seu banho, tinha sido um dia exaustivo no trabalho dele.
Ela o esperou pacientemente sair do banheiro, estava armada, aquilo não era hora para se chegar em casa. Ela só não tinha esbravejado assim que ele chegou, pois como sua avó sempre dizia: nunca devemos brigar com a pessoa assim que ela chega em casa, não sabemos como foi o dia dela.

- Não vai comer? – ela perguntou com a voz trêmula, a raiva estava passando por cada partícula de seu corpo.
- Não, eu já comi na rua – ele murmurou, enquanto secava o cabelo com a toalha.
- Comeu comida mesmo? – ela perguntou irônica. Só de pensar em traição seu sangue fervia. Ele respirou fundo e revirou os olhos.
- Só, ! Só comida! – ele largou a toalha em cima da cama.
- Pendura a toalha, o lugar dela não é ai – ele fez um bico enorme, pegou a toalha e como um garotinho birrento a pendurou na porta do banheiro.
- Satisfeita? – ele a questionou, ríspido.
- Só vou ficar satisfeita quando você me disser onde estava para chegar a essas horas. – ela se levantou da cama e o confrontou enquanto ele ia para a sala.
- Eu estava no trabalho, porra! – ele virou seu corpo totalmente para ela, assustando-a levemente.
- Aham, claro, trabalho! Eu devo mesmo ter cara de otária... Até às 23 horas no trabalho!
- Eu não tenho que te provar nada, se você quer acreditar bem, se não, foda-se – ela sentiu o sangue esquentar e explodiu.
- É claro que você precisa me provar. Eu sou sua mulher! Nós estamos juntos há quase sete anos! Como você pode falar algo assim? Você me enoja... – ela já gritava há essa altura.

Possivelmente os vizinhos escutariam e no dia seguinte eles receberiam uma multa por excederem o barulho após às 22 horas, mas nesse momento, nenhum dos dois se importava com isso.

- Caralho! – ele esbravejou – Agora eu te enojo, que ironia isso – ele riu debochadamente - Você me sufoca. Está pra nascer mulher mais insegura que você, se é que eu posso te chamar assim, porque parece mais uma criancinha mimada.
- Cala a sua boca! Eu não fico na rua até uma hora dessas, não sou um lixo de cônjuge. Se cobrar alguém te sufoca, sinto muito, que não cassasse então!
- Você não tem noção de como eu me arrependo de ter dado aquele maldito sim,. – aquilo foi à gota d’água para ela.
- Você passou de todos os limites – ela correu para o quarto com lágrimas nos olhos, de tudo o que ele poderia usar para atingi-la aquilo tinha sido o mais destruidor possível.
- Merda! – ele sussurrou, pesando as palavras que tinha dito. Tentou correr para alcançá-la, mas a porta do quarto já estava fechada – Abre essa porta, vai... – ele teve o silêncio como resposta.

estava deitada na cama com o travesseiro sobre seu rosto, chorava muito de raiva e desgosto, nunca pensou que ele estivesse arrependido de ter se casado, seu coração sangrava muito. O relacionamento estava ruim, mas ela nunca tinha se sentido arrependida por ter dito o sim.

- , vamos lá, abre essa porta! – ele apelava, mas nada de ela abrir. Ele escorregou até a porta e sentou-se ali. Ficou por alguns minutos naquela posição, mas percebeu que ela não abriria, desistiu e foi para a sala. Acomodar-se-ia no sofá mesmo.

***

levantou-se cansado, tinha dores por todo o corpo, aquela noite no sofá não havia sido fácil. Mesmo que os dois discutissem, ele nunca havia dormido ali. Foi até o quarto e a porta estava aberta, entrou e não viu ninguém, provavelmente já tinha saído para trabalhar, deveria ter sido escalada no hospital para às 06h30min. era fisioterapeuta. Tomou um banho relaxante e colocou seu terno preto e gravata vermelha. O rapaz era advogado.
Ele viu que o café estava quente ainda e apenas o tomou. Pegou sua pasta e saiu em disparada para o trabalho, o dia seria bem cansativo.



Já se passavam das 13 horas, havia combinado de almoçar com sua irmã. Sua vontade era de desmarcar, não estava com cabeça para aquilo, mas não podia, Maria piraria. Ele estava sentado na mesa, enquanto a aguardava chegar.

- Oi, meu amor – ela deu um beijo na bochecha dele – Me desculpe, fique presa no trânsito.
- Ah, tudo bem – ele chamou o garçom para que pudessem fazer seus pedidos.
- Xi... você tá estranho, bebê – ele suspirou, evitando encará-la – Olha pra mim! – ela exigiu, e sem conseguir evitar, ele a encarou. – O que houve?
- Não quero despejar meus problemas no almoço – ele deu uma risadinha sem graça.
- Estou aqui para te ouvir. O intuito do nosso almoço também é compartilharmos as coisas – ele assentiu. Quantas vezes não passaram o almoço juntos falando dos problemas que Camila, a gêmea mais problemática de Maria, estava dando na adolescência. Realmente era uma troca.
- Ok, tudo bem – o garçom os interrompeu enquanto coletava os pedidos de ambos – ! É tudo sobre ela.
- Discutiram de novo? Qual foi o motivo? – ela o encarava.
- Sim, discutimos porque cheguei bem tarde em casa, acabei me empolgando com um novo caso. – ele sorriu, amava o que fazia – Foi uma porra de uma briga, nos ofendemos muito! Acho que nunca chegamos tão longe assim em uma discussão... – ele passou a mão no rosto e suspirou. – Mas eu passei muito dos limites.
- Ai, , o que você disse? – ela arqueou a sobrancelha, apreensiva.
- Eu disse que eu me arrependi de ter me casado com ela – a irmã deu um tapa no braço dele – Ai! – ele alisou o local – Eu acabei dormindo no sofá.
- Com razão, que merda, hein? Que grosseria! Você se superou dessa vez! - ele abaixou a cabeça, arrependido. – Louis, por que chega tão tarde? Você a trai, é isso?
- Não! – ele respondeu rápido – Eu não consigo fazer algo assim com ela, e olha que já fui tentado muitas vezes.
- E por que não fez? – ela perguntou curiosa.
- Porque eu a amo, e eu me recuso a esquecer das coisas boas que nós tivemos juntos. A gente errou, e continuamos a permanecer errando.
- Sim, eu concordo – ela buscou o celular na bolsa e o pegou parecendo procurar algo nele – Olha – mostrou o aparelho para ele.
- Terapia de casal? Você tá falando sério? - o garçom trouxe o pedido, colocou em frente a eles e saiu rapidamente.
- Não, eu tô brincando - ela fez uma cara bem séria - Terapia de casal ajuda, mas se você não quiser fazer nada, aí é contigo, porque a separação será eminente.
- Eu não sei se quero continuar nessa relação, está nos machucando tanto... - ele mexia na comida como se aquela tarefa fosse a mais interessante.
- Estou te dando uma sugestão, não é como se você fosse obrigado a aceitar - ela alisou a mão do rapaz - Eu só quero o melhor para você - ela levou uma garfada à boca.
- Eu prometo que vou pensar com carinho sobre isso. - ela assentiu em compreensão.
- A Camilla vai me deixar sem cabelo, ! Ela só tem 13 anos e acha que pode ser dona de si - sorriu levemente, percebendo a súbita mudança de assunto e agradeceu sua irmã, queria esquecer mesmo que seja minimamente .
- O que houve? Minha última conversa com ela não tinha ajudado? - ela suspirou como se recordasse de algo.
E assim se seguiu o almoço, escutando os problemas da irmã, e distraindo-se mesmo que um pouco dos seus.

***


tinha alguns processos trabalhistas acumulados, mas decidiu que hoje não ficaria até às 22h30min no trabalho. Olhou no relógio e já eram 19h38min, decidiu que era hora de ir embora. Enfrentar o vulcão que o esperava em casa.
Hoje ele estava a pé, já que havia levado o veículo por ter entrado mais cedo. Era sempre assim, quem saia mais cedo levava o veículo.
Pegou o metrô, que há essa hora não estava mais tão cheio e encostou-se a porta. Ir para casa parecia um martírio para ele. Tentou puxar pela memória desde quando estavam assim, mas o momento preciso não vinha à memória.
Com os pensamentos longe viu que era sua estação e desceu. Foi caminhando até sua casa, mas não contava que em plena 20h00min, fosse se deparar com dois indivíduos montados em uma moto.

- Passa tudo, playba! - o rapaz que estava na garupa o intimou.

percebendo que os rapazes estavam desarmados, tentou reagir, dando um soco no motorista e disparou a correr, mas os dois o alcançaram facilmente, descerem do veículo e começaram a bater nele, lhe dando chutes na região abdominal. acabou desiquilibrando e caindo. Foi o momento perfeito para que um deles continuasse a chutá-lo e o outro pegasse o aparelho celular do bolso do terno dele. Montaram na moto e foram embora.
O rapaz ficou um tempo no chão em agonia, até conseguir se levantar com muito esforço e se arrastar até sua casa com o sentimento de impotência. Trabalhava duro para que seres humanos desprezíveis lhe roubassem... Que raiva sentia.
Chegou em frente ao prédio e logo foi avistado pelo porteiro.

- ! - o porteiro lhe abordou, horrorizado.
- Oi, seu Augusto - ele murmurou e apoiou-se na mesinha que o porteiro tinha na recepção. - Uns vagabundos aí me assaltaram - a tarefa de falar e andar fazia doer cada partícula de seu corpo.
- Pedro! - ele gritou pelo seu filho mais velho, o rapaz apareceu depois de alguns segundos - Ajude a levar até a casa dele.
- Nossa, pai! – o rapaz olhava surpreso – Claro que eu ajudo. Vamos, – eles foram caminhando devagar com se apoiando em Pedro. Eles foram até o elevador e o rapaz apertou o botão número quatro.
- Obrigado, Pedro – esboçou um sorriso. O rapaz assentiu.
- De nada, Sua esposa está? Alguém precisa te ajudar, dependendo da situação um hospital...
- Não precisa de hospital, é sério. E quanto a , deve estar, eu não sei... – ele suspirou, derrotado.

Chegaram ao andar, indicou onde estava sua chave, e com dificuldades Pedro as pegou e abriu a porta. Era provável que pela hora estivesse em casa. Pedro o colocou com cuidado no sofá.

- ! – Pedro gritou pela moça, que saiu da varanda no qual recolhia as roupas. Ela se assustou. O que o rapaz fazia dentro de casa?
- Oi? O que está... – quando ela viu deitado no sofá em estado deplorável, sua fala sumiu – O que houve!? – ela perguntou chocada.
- Oi! Eu fui assaltado! – ele respondeu cansado.
- Bom, eu já vou. – Pedro se afastou do casal indo em direção à porta.
- Obrigado – os dois responderam juntos ao homem, que assentiu com a cabeça, saindo do apartamento.
- Meu Deus! – ela o olhava, preocupada – Vem, vamos para o quarto. Você precisa de um banho. – se apoiando em , ele se levantou do sofá e eles caminharam até o cômodo, no qual a mulher lhe deixou sentado no vaso sanitário. Ele tirou os sapatos com certa dificuldade, tudo doía.

tirou a camisa dele com cuidado para não machucá-lo mais, alisou a região abdominal, e viu que aquilo estava bem feio, com certeza ficaria roxo. Ao seu toque, foi impossível que não se arrepiasse. Percebendo isso ela tirou a mão do local, balançando a cabeça negativamente. Ela desabotoou a calça dele e a desceu até a região das pernas, a observava calado. Ela segurou a barra da cueca em dúvida se descia ou não.

- Não é como se você não tivesse visto o que está ai embaixo – ele não pode evitar um sorriso maroto. Ela piscou aturdida.
- Sim, eu já cansei de ver – ela sorriu falsamente, estava o ajudando, mas a mágoa ainda estava em seu coração. Ele calou-se sem graça quando percebeu a reação dela.

Primeira vez em semanas que os dois dialogavam sem brigas. Ela desceu a cueca até o meio das pernas dele, e tirou junto com a calça. Respirou fundo, o olhando preocupada, ele tinha hematomas por todo o corpo.

- Consegue tomar banho sozinho?
- Acho que sim. Qualquer coisa eu te chamo, – há quanto tempo ele não se dirigia a ela assim? Ela o olhou estranho. Era sempre – Ah, muito obrigado.
- Tudo bem, e de nada – ela suspirou encostando a porta, o deixando com seus pensamentos.

Depois de alguns minutos, saiu com uma toalha na cintura, andando com dificuldade. Ela se levantou da cama e o ajudou a se sentar ali.
Na cama já estava a postos os itens de primeiros socorros que ela tinha. Ela o examinou minuciosamente.

- Quando eu faço isso dói? – ela perguntou, com medo que ele tivesse fraturado alguma costela.
- Sim – ele respondeu com dores.
- Estou preocupada de você ter fraturado alguma costela... Só o raio X teria alguma precisão. – ela tinha preocupação no olhar. – Essa cidade anda tão perigosa, céus!
- Nem vem que eu não vou ao hospital – revirou os olhos.
- Nós vamos sim, ! Esses machucados estão muito feios e... – ele segurou a mão dela, que direcionou seu olhar a ele.
- Me desculpa por ontem. Eu fui muito duro com você – ele disse às palavras que estavam o sufocando, sentiu-se aliviado.
- , eu não quero falar sobre isso agora – ela desviou o olhar dele. Aquilo tinha lhe magoado muito.
- Mas eu quero – ela revirou os olhos – Eu fiquei pensando o dia inteiro em nossa relação, , será que temos solução?
- Eu não quero brigar! – ela respondeu, exausta.
- Eu também não quero, e minha pretensão não é essa com essa conversa, eu só quero entender. Em algum lugar nós erramos, nós éramos tão fortes... – ela não pode deixar de sentir seus olhos marejarem.
- Sim, nós éramos um – ela se ajeitou na cama e sentou-se lado a lado a ele. - Desde a viagem que você fez para outros estado para defender uma causa importante, as coisas começaram a ficar estranhas. Talvez pelo dinheiro que aquele caso te deu, você se enterrou no trabalho, chegando tarde todas as noites, não querendo mais sair, foi inevitável que as brigas não começassem. – ela mexia no lençol enquanto falava. Ele prestava total atenção a tudo – Eu também tenho culpa, ! Eu deveria ter me feito mais presente, você se enterrava na advocacia e eu na fisioterapia, de repente meu trabalho virou minha vida.
- Sim, é verdade, aquela viagem trouxe coisas tão benéficas para nós, conseguimos quitar o apartamento, compramos o carro – ele passou as mãos no rosto.
- Talvez se tivéssemos endividados, fôssemos mais felizes – ela sentiu uma lágrima escorrer por seu rosto, ele rapidamente a limpou, acariciando o rosto dela. – Eu só sei que não estamos mais bem, acho melhor a gente...
- Não termina essa frase, por favor – com dificuldades, ele conseguiu virar o corpo totalmente para ela, gemendo um pouco no processo. - Nosso amor é como uma canção, você não pode esquecê-lo. Por favor, não esqueça – ele segurou a mão dela - Não se esqueça.
- É difícil não esquecer. Nós perdemos o respeito um pelo outro, e não há amor que suporte isso – ela estava triste - Você se arrependeu de ter sempre segurado minha mão?
- Não, eu não me arrependi, casar com você foi a melhor coisa que me aconteceu – ele suplicava. Ela tinha a cabeça baixa, seu rosto banhado por lágrimas – Olha pra mim – ela levantou o rosto – Eu amo você, e isso é um fato. Eu não vou esquecer de nós! Eu só quero que me ajude nessa... – ele segurou a mão esquerda dela – Olha, o que acha de terapia de casais?
- Definitivamente não foi você quem teve essa ideia – ela sorriu, achando graça.
- Touché – ele riu e sentiu dor - Maria – ele piscou marotamente pra ela.
- Sabia! Coisa dela – ela respirou fundo, retomando o assunto – Casar com você nunca pareceu tão certo naquele momento – ela mexeu no cabelo, nervosa – Você nunca me traiu? Seja sincero, já que estamos tendo esse bate papo.
- Nunca! Eu realmente estava trabalhando muito. E você? Me traiu? – ele fechou os olhos, temendo a resposta.
- Não – ele respirou, aliviado.
- Vamos recomeçar, . Eu te amo, você me ama... Podemos dar certo!
- Eu... – ela estava confusa.

Se não tivesse chegado daquele jeito em casa, ela estava com as malas prontas para ir embora dali. Tinha ligado para sua mãe, pedindo seu bom e velho quarto de volta. Quando ele chegou, recolhia as últimas peças de roupa que estavam penduradas no varal para completar suas malas, estava decidida a pedir o divórcio.

- Por favor, meu amor – ele suplicava. Se pudesse estaria ajoelhado aos seus pés.
- Eu não quero me arrepender disso – ela colocou a unha do dedo mindinho na boca – Eu te amo muito. – ela respondeu, cansada. – Tudo bem, vamos tentar uma última vez.
- Eu não vou te decepcionar, eu juro! – ele sorriu, os olhos brilhavam.

Ela se aproximou de seu rosto, sentiu a respiração pesada dele devido aos machucados, e juntou seus lábios com os do homem. Foi só um encostar de lábios, que tinha muito significado. passou a língua nos lábios dela, que abriu a boca percebendo a intenção do rapaz, e se beijaram. Um beijo que tinha gosto de recomeço, prometeram silenciosamente os mesmos votos de sete anos atrás: sempre juntos na alegria, ou na tristeza, na saúde ou na doença. Todos os dias de suas vidas.




Fim!



Nota da autora:Gente, eu escrevi essa ficstape em tempo recorde, foram três dias, peço perdão por ter sido muito rápido, eu a peguei para que o álbum entrasse completinho, porque eu amo muito ele rs! Obrigada a cada um que tirou o seu tempinho para ler e agradeceria muito se deixasse sua opinião ai embaixo!
Beijos <3





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