FFOBS – 06. Don't Stop, por Kah-Fly
06. Don't Stop
Finalizada em: 18/07/2018

Prólogo

- Às vezes a vida é um lixo. – Ela comentou amargamente, pegando mais duas pequenas garrafas de Coca-Cola na cozinha.
- Nem me diga. – Ele respondeu da mesma maneira, seco e cansado, ainda encarando um ponto perdido na parede da sala.
O dia estava cinzento. O mundo estava parado. O céu estava branco. usava um par de calças de moletom cinza e uma blusa branca, já furada de tão velha. Sentado no insosso sofá da sala, tinha os cotovelos apoiados nos joelhos e uma das mãos embrenhada nos cabelos, eternamente encarando o vazio na parede. Já usava uma camiseta igualmente velha e cinza, que ia até seus joelhos, com um shorts preto por baixo somente porque o amigo estava lá.
A moça se aproximou com passos secos, caindo no sofá com todo seu peso, parecendo um saco de batatas. Juntando-se a para encarar o ponto perdido enquanto estendia uma garrafa de Coca-Cola.
Após algum tempo, ele olhou para ela com olhos cansados e vazios, franzindo as sobrancelhas ao ver o refrigerante gelado sendo estendido. finalmente olhou para e ambos trocaram os olhares para o que havia em cima da mesa de centro.
Uma garrafa de whisky com dois copos – um com somente um gole sobrando, sendo o de , e o outro vazio.
- Coloca pra mim, por favor? – Ela perguntou, deixando as garrafas de Coca-Cola no chão e apontando para o whisky.
nem respondeu, somente esticou a mão em direção à garrafa. Depois que encheu metade de cada copo, pegou uma das garrafas de refrigerante do chão e completou o que faltava.
- Pra tirar um pouco do amargo. – Ele comentou enquanto entregava o copo para ela, os dedos deles se esbarrando no meio do caminho. – A realidade já tá suficientemente amarga.
- Eu vou beber em nome disso. – respondeu e levantou o copo. deu um pequeno sorriso sem humor e brindou com ela.
- À nossa desgraça. – Ele completou antes de descerem metade do drink em um gole.


Parte 1

e tiveram bons motivos para toda aquela amargura regada a whisky e Coca-Cola: ex-namorados.
Podiam até dizer que o problema deles era idêntico. sempre fora amiga de e ambos eram coordenados em quase tudo. Um mês depois que começou a namorar, apareceu com uma namorada. Pura coincidência: ele conhecera a moça durante uma viagem de intercâmbio e conhecera seu namorado durante um fim de semana que passara em uma cidade próxima para espairecer um pouco do trabalho.
Ficaram por volta de um ano e meio com esses relacionamentos. Logo todos se deram bem e era um costume saírem juntos para todo e qualquer tipo de programa – passeio no parque, teatro à noite, exposição de arte, jantar em restaurantes chiques, jantar em lanchonetes... O que quer que pensassem, os quatro estariam juntos.
e ficaram agradecidos quando seus queridos agregados não imaginaram que eles estavam ficando juntos – afinal, em qualquer lugar que fossem, estavam sempre um ao lado do outro, então era natural que todo mundo pegasse no pé deles falando que estavam namorando. De fato, foi até um choque para o seus grupos de amigos quando apareceram com namorados terceiros ao invés de finalmente admitir o amor pelo outro.
E assim foi. Os dois estavam felizes de viver daquela maneira e mais felizes ainda de nunca perder a amizade que tinham entre eles e tanto prezavam.
Até um dia que foram ao teatro, assistir uma adaptação de Otelo que tanto quanto não conseguiam parar de falar. Como iam ao local com frequência, ganharam ingressos para a noite de gala logo na estreia.
Sendo assim, lá estava e sua namorada, Ivy, aguardando a chegada de e seu namorado, Donnie. tinha escolhido cuidadosamente um terno preto e uma gravata igualmente preta, usando um xale bordô com rendas pretas em volta do pescoço. Enquanto isso, Ivy usava um vestido longo de tafetá vermelho escuro, provavelmente mais chique do que o lugar exigia.
- Você tinha que vir com esse xale ridículo? – Ela perguntou rolando os olhos, aguardando no hall de entrada ao lado do namorado, porém de braços cruzados.
- Esse xale é lindo. Só você não gosta. – respondeu com um pequeno sorriso, nem um pouco incomodado pelas palavras da namorada. Já estava acostumado com as críticas de Ivy a respeito de suas roupas, então não se importava nem um pouco. Já sabia levar tudo na esportiva.
Além disso, era louca por aquele xale. Se deixasse, ela se enrolaria nele e não soltaria nunca mais. Então, se ela gostava tanto, não via problema algum na peça de roupa.
- Eles já estão atrasados. Aposto que foi a que atrasou de novo. – Ivy bufou, claramente já sem paciência.
- Nós sabemos que ela sempre atrasa. – deu de ombros. – Não sei o motivo de você estar tão incomodada. Se fosse novidade, ok. Mas é de praxe dela...
- Se você falar que esse é o charme da ... – A moça respondeu quase entredentes, fazendo-o dar uma risada divertida.
- O quê? Você vai me morder? – Ele começou a provocá-la de brincadeira, achando aquela situação muito divertida. Ivy só conseguia suspirar e torcer para que Donnie e chegassem logo.
E ela foi salva pelo gongo. Como se pressentissem a presença dos dois, e Ivy se viraram novamente para a grande escadaria de mármore do teatro, encontrando e Donnie parados ao pé da mesma.
Donnie usava um terno vermelho escuro, combinando uma gravata preta por baixo. Já optara por um simples vestido preto, levemente esvoaçante, prendendo seus cabelos em um coque levemente bagunçado. Simples, mas efetivo o suficiente para deixar boquiaberto. Logo que chegaram ao topo da escada, a moça lançou a ele seu famoso sorriso radiante, capaz de deixar qualquer dia nublado mais aconchegante.
- Desculpem o atraso! – disse de maneira animada, as bochechas levemente coradas, combinando com os lábios avermelhados e brilhantes.
- Ela não conseguia achar o sapato. Ao invés de trocar de vestido, resolveu ficar procurando por esse sapato insistentemente. – Donnie comentou de maneira não muito feliz, recebendo um olhar sugestivo de Ivy. – Ninguém vai notar o sapato...
- Mas eu estava a fim de sair com esse. Não fiquei procurando por tanto tempo assim... Não preciso que ninguém note, só queria me sentir bem com a minha roupa. – E parecia genuinamente incomodada com aquele comentário.
- É o preto com bordados vermelhos, não? – perguntou e imediatamente recebeu olhares chocados de todos. Somente sorriu com aquele comentário. – Eu vi enquanto você estava subindo a escada. Ele é lindo, .
- Obrigada, . – E lá estava ela, sorrindo de maneira radiante novamente. – Viu? Tem gente que nota sim.
- Mas o é exceção. – Donnie reiterou de maneira teimosa. – Porque ele é estranho.
Dizendo isso, enlaçou o braço da namorada e começou praticamente a arrastá-la para dentro do teatro.
- Ele tem razão. – Ivy concordou enquanto esticava o braço para e esperava que ele a guiasse para seguir Donnie.
- Ei! Não precisa levá-la para dentro desse jeito também...! – começou a guiar a namorada, seguindo o casal à frente, mas sofrendo um pouco para se manter no ritmo dos passos rápidos de Ivy.
Para evitar mais conflitos, resolveram que o melhor a se fazer era se sentar e esperar a peça começar. Donnie e Ivy começaram um assunto que somente eles entenderiam – algo a ver com as movimentações do mercado e atuações do banco, ramo no qual eles trabalhavam. Sendo assim, perguntou à se ela já tinha ido à exposição de arte que tinha no bairro deles e, assim, começaram o próprio assunto que só eles entenderiam.
As conversas paralelas foram interrompidas pela voz de Otelo clamando sua primeira aparição no palco. e começaram a prestar atenção imediatamente, tendo que pedir a Ivy e Donnie que fizessem silêncio – afinal, estavam no meio da peça.
E daí surgiu mais um conflito: enquanto e se ocupavam com comentários sobre o texto, atuações, cenários e técnicas, Donnie e Ivy se ocupavam em fazer piadinhas sobre a peça, deixando os namorados desconfortáveis com a maneira como claramente insultavam um dos mais clássicos textos de Shakespeare.
Assim, quando tiveram o primeiro intervalo, tanto Donnie quanto Ivy se retiraram para ir ao banheiro – no que e preferiram permanecer em seus lugares, conversando sobre a peça.
Quando deram uma pausa na conversa, porém, fechou os olhos e suspirou, como se estivesse com um enorme peso nos ombros e quisesse se livrar dele.
- O que foi? – perguntou imediatamente, logo que observou a reação dela com o canto dos olhos. olhou para ele sem entender. – Você parece cansada, . O que foi?
- Ah, nada... – Ela murmurou de volta, ajeitando um feixe de cabelo atrás da orelha. – É só que... Não sei. O Donnie anda tão estranho ultimamente... Antes ele me respeitava, sabe? Conseguia respeitar as coisas que eu gosto e o meu tempo, mas agora você viu. Ficou pegando no meu pé porque eu atrasei com o sapato e só fica zoando uma peça de Shakespeare que ele sabe que eu gosto. Estou incomodada com essa falta de respeito.
- Eu entendo, ... Achei que era só eu que tinha esse problema. – E foi a vez dele de suspirar como se estivesse cansado. começou a prestar mais atenção à conversa. – Faz um bom tempo que a Ivy começou a implicar com as coisas que eu faço, deixo de fazer, visto ou até penso. Hoje ficou me criticando por causa do xale. E agora essa da peça... É tão estranho. Antes ela achava tão admirável que eu gostasse desse tipo de coisa, falava que eu era uma espécie de homem em extinção, e agora não consegue me respeitar nem um pouquinho.
- O que você acha que houve, ? Será que eles não gostam mais da gente? – jogou a ideia no ar e ambos ficaram se observando durante algum tempo, considerando o que ela tinha acabado de falar.
- Então por que não falam e terminam logo de uma vez? – estava visivelmente confuso, tentando entender a lógica por trás daquilo. somente suspirou.
- Não sei... Eu não entendo mais nada... – E ela passou a mão na testa, olhando para o teto. – Relacionamentos são complicados demais.
- O nosso não. – Ele complementou com um sorriso, fazendo-a rir.
- Mas você é o homem perfeito, ! Nenhum relacionamento com a sua pessoa é complicado!
queria responder que achava o mesmo dela, porém, no mesmo momento, as luzes do teatro se apagaram e novamente apareceu Otelo no palco, correndo em seu desespero.
- Onde será que esses dois estão...? – começou a procurar, porém não os via em lugar algum.
- Vamos procurá-los? – segurou a mão da amiga e ela concordou com a cabeça, o que o fez levantar e caminhar com até o lado de fora das grandes portas de madeira escura e adornada do teatro. – Onde você acha?
- Banheiro? Talvez o Donnie tenha passado mal. – Ela sugeriu preocupada. – Comemos frutos do mar no almoço e às vezes ele tem reações alérgicas. Se for isso, a Ivy deve estar cuidando dele e não está conseguindo nos avisar.
- Pode ser! Não recebi nada no celular, então deve ser isso. – Ele checou o aparelho uma última vez. – Eles devem estar no banheiro masculino. Vamos?
Andando rapidamente até o fatídico banheiro, e desejaram nunca ter aberto aquela porta.
Simplesmente porque, estampada na parede de mármore, estava Ivy, os lábios vermelhos e inchados por conta dos beijos de Donnie, a boca dele suja com o batom igualmente escarlate que ela usava. Uma das pernas da moça estava fortemente enlaçada na cintura dele, enquanto a outra mão de Donnie se ocupava em prender uma das mãos de Ivy na parede. A mão que ela tinha livre se enroscava nos cabelos de Donnie, arranhando os braços dele quando tinha vontade.
O tempo parou para os quatro envolvidos naquela situação. Donnie e Ivy encaravam e , sem saber muito bem o que fazer. Demoraram alguns segundos para entenderem que precisavam sair dos braços um do outro e falar alguma coisa – principalmente pedir desculpas.
Mas sabiam que tanto quanto estavam momentaneamente surdos por conta das faces sem expressão e olhar distante. Somente após alguns segundos é que voltaram até a Terra, sendo que foi o único que se atreveu a perguntar:
- Que porra é essa?!
- , meu amor, me desculpa... Podemos explicar... – Donnie se adiantou, ignorando completamente o outro homem no banheiro.
- Não se atreva a utilizar a palavra “amor”. Claramente você não sabe o que ela significa. – A moça respondeu com raiva, o som saindo entredentes. – Eu espero que você morra sufocado nos braços dessa víbora.
Dizendo isso, ela deixou o recinto, com passos duros e decididos. Quando Ivy abriu a boca e começou a se aproximar, somente ergueu a mão.
- Não. Só não. – As palavras dele tinham a força de um soco. – Não tenho condições de lidar agora. Sinceramente, espero que um dia você se sinta da mesma maneira como eu me sinto agora.
encontrou praticamente cambaleando nos próprios saltos enquanto descia a escadaria de mármore com pressa. O coque já estava quase se desfazendo, sendo que os cabelos da moça cascatearam assim que ele a alcançou, enlaçando o braço dela no dele.
- Para onde vamos, ?
- Qualquer lugar, . Contanto que você me tire daqui.
E os dois acabaram aquela noite em um pub, ainda vestindo roupas de gala, bebendo drinks que pegavam fogo para compensar as mágoas, xingando os mais recentes ex-namorados, revoltando-se contra o amor e as convenções sociais que os obrigavam a se enfiar em relacionamentos, dançando músicas de rock dos anos 70 e 80 até o sol nascente começar a colorir o céu de vermelho e praticamente desmaiando um no ombro do outro ao se sentar no sofá da casa de – claro, logo após chorarem tudo que suas almas necessitavam quando finalmente se encontraram no silêncio da casa dele e no vazio que sentiam por involuntariamente se tornarem solteiros de uma maneira tão horrível.
O amor não passava de uma mentira cretina.

- Não. Você não pode subir. Todas as suas coisas estão nessa caixa aí na portaria. – dizia com uma voz dura ao interfone enquanto Ivy insistia eternamente que queria subir para buscar o que estava faltando. – Pra quê? Pra você arrancar mais coisas de mim e levar embora sem eu ao menos notar? Não, obrigado. Você fica aí embaixo, Ivy, junto com todas as coisas. Nunca mais vai pisar um pé na minha casa. E essa discussão acaba aqui.
Com isso, ele desligou o interfone de maneira agressiva, batendo-o no gancho. E, depois de desligado, ainda bateu o aparelho mais três vezes no lugar.
Ele se sentia péssimo. Há mais de uma semana, ele e encontraram Ivy e Donnie se pegando no banheiro do teatro que mais gostavam. Não achavam que conseguiriam colocar os pés novamente no mármore daquele enorme hall que amavam tanto. apoiou a testa na parede da cozinha.
Sim, estava sofrendo. Estava sentindo um aperto no peito como nunca havia sentido antes. Quer dizer, sentira um aperto semelhante anteriormente... Quando vira com Donnie a primeira vez. Não entendia os próprios sentimentos e parecia que estava eternamente vivendo em uma realidade paralela a qual ele ao menos entendia. Tudo que ele sabia é que queria que a vida parasse de viajar daquela maneira e voltasse nos trilhos.
bateu a cabeça na parede, de leve, algumas vezes. Controlava-se para não começar a chorar – dessa vez não de tristeza, mas de raiva.
E provavelmente teria surtado se seu celular não tivesse tocado.
Ele desgrudou a contragosto da parede, mas logo ficou alerta quando viu o nome de estampado na tela de chamada. Atendeu imediatamente, sem ao menos pensar.
- Oi...!
- , eu preciso... – falou imediatamente, sem ao menos cumprimentá-lo, com uma voz completamente descontrolada. – Calma, te ligo depois.
Mas não desligara o celular. Ela achava que o tinha feito, simplesmente largando o aparelho em cima do sofá. Do outro lado da linha, ouviu o barulho de algo atingindo outra coisa com agressividade e rapidez. Ao mesmo tempo, Donnie soltou um grito e sabia que tinha batido nele. Ficou mais alerta ainda, desesperado por não estar junto com ela – e, principalmente, por não entender o que estava acontecendo.
- Há quanto tempo vocês estavam juntos?! – perguntou nervosa e Donnie parecia confuso.
- , de onde você...?
- Eu estava aqui separando as suas coisas, porque esse apartamento é meu e quem vai sair é você, até que achei isso...! – Quando disse essas palavras, gostaria mais ainda de estar lá para ver o que era. – O biquíni da Ivy, que ela disse que perdeu e não conseguia mais achar, e usou aqui, na nossa festa na piscina, há quatro meses. Quatro meses, Donnie! E esse biquíni só está perdido nas suas coisas, porque ela tirou aqui, nessa casa!
Os três ficaram em silêncio – Donnie, e . Parecia que ninguém queria tomar uma atitude e admitir o que ela tinha acabado de descobrir sozinha. Mas sabiam que era algo inevitável de acontecer – cedo ou tarde, teriam que falar.
- Cinco meses. Estamos juntos há cinco meses.
- Cinco meses?! – Nesse ponto, ouviu algo atingindo o chão e praticamente conseguiu ver o biquíni de Ivy se chocando à madeira do apartamento. – Vocês mentiram para nós por cinco meses?! Isso é nojento!
- Bom... A gente se encontrava aqui por várias vezes, , principalmente nas noites que você ficava trabalhando até tarde... – E Donnie tinha um sorriso insuportável nos lábios. – Então é melhor você rever o que considera nojento.
- Quer dizer que vocês transaram na minha casa toda? – Não era só que estava se sentindo ultrajada, também estava. – No sofá? Na cama?
O silêncio só consentiu: Donnie confirmou tudo. Parecia que ganhara confiança com aquele fato, confiança que não poderia inspirar em enquanto ela não estivesse emocionalmente desestabilizada.
- Transar com a Ivy é muito melhor do que com você. Eu não preciso esperar a boa vontade e ser todo carinhoso durante toda vez que nem tinha que ser com você. Ela não exige toda a carga emocional que você exige de um relacionamento, ela não quer essa coisa pesada e artística que você quer. Então é isso: você dá muito trabalho. Ela não. Bem melhor e mais fácil de lidar, . – Parecia que Donnie cuspia as palavras na cara da moça. ficou boquiaberto, encarando um ponto perdido da sala como se estivesse encarando o próprio Donnie. Imaginava como deveria estar se sentindo naquele momento.
- Mudei de ideia. – A moça comentou de maneira silenciosa e séria após um tempo e sabia que ela estava lutando contra as próprias lágrimas para se mostrar forte. – Não quero mais ficar com esse lugar. Eu vou sair daqui. Não aguento ficar nesse apartamento mais nem um segundo.
Não demorou para que literalmente jogasse todas as coisas dentro de algumas malas, pegasse o celular, e saísse daquele inferno sufocante. ficou alguns segundos ainda em choque, os olhos marejados de lágrimas enquanto desligava o celular. Queria socar aquele idiota que chamara de namorado durante tanto tempo. Ele não merecia. Ele não a merecia. era boa demais para aquele traste e provavelmente deveria estar se sentindo um lixo após aquelas palavras rudes de Donnie.
Tentou ligar para a amiga algumas vezes, porém ela não atendia. Sendo assim, deixou o celular sobre a mesa e ficou encarando, esperando até o momento em que ele tocasse indicando que queria falar novamente.
Mas o que tocou não foi o celular. Foi a campainha.
correu para a porta, abrindo-a e encontrando , parada no meio do hall do andar dele, rodeada por duas malas enquanto tinha uma mochila nos ombros, os olhos avermelhados e marejados de lágrimas que, até aquele momento, não insistiram em escorrer pelas suas faces que mais pareciam duas maçãs cor de rubi.
- ... Eu tô sem casa. Preciso de você. – Ela tentou dizer sem tremer a voz, porém era nítido que estava com o orgulho estraçalhado.
- Eu ouvi o que aconteceu, . Você pode ficar aqui pra sempre... – disse enquanto a puxava para um apertado abraço.
E, nesse momento, ambos deixaram as lágrimas fluir livremente. Sentiam como se tivessem sido esfaqueados várias vezes e precisavam do suporte do outro. Era uma situação surreal... Porém ainda tinham a amizade entre eles.

- Pelo amor de Deus, só não escolhe um filme de comédia romântica. – suspirou enquanto levava para a sala um balde de pipocas. Os dois já estavam morando juntos há quase quatro meses e ainda tentavam superar o que tinha acontecido. Não podiam chegar perto de nada que lembrasse o amor: queriam se afogar cada vez mais no amargor e não se importavam se aquela não era melhor atitude a tomar.
- Você acha que eu sou maluco de fazer uma asneira dessas? – perguntou de volta, escorregando no sofá para dar espaço à amiga. Ela se sentou ruidosamente, porém sem derrubar uma pipoca. Logo que se acomodou, ele pegou algumas pipocas. – As opções são ação ou terror trash dos anos 80.
- Fico com o terror trash dos anos 80. Nada consola mais do que aquelas mortes mal encenadas com tinta vermelha que mais parecia ketchup que sangue. – A moça respondeu friamente, fazendo-o rir. Pegou sua garrafa de Coca-Cola do chão e deu um longo gole enquanto colocava o filme. – A gente tá com uma mania péssima de colocar essas garrafas no chão. Temos que acostumar a deixá-las sobre a mesinha de centro, . Ou vamos acabar derrubando isso tudo no tapete.
- Hmmm, verdade. Isso aí é uma desgraça pra tirar mancha... Pode colocar a minha lá também enquanto eu me resolvo aqui com a Netflix? – E foi só ele perguntar que a amiga confirmou com um aceno de cabeça.
Colocando as garrafas sobre a mesa de centro, franziu as sobrancelhas ao ver uma correspondência em um envelope chique abaixo das contas do dia a dia. Pegou o grande envelope e o abriu, encontrando um convite branco e dourado com os nomes “ e ” escrito em uma bela caligrafia cor de ouro. Ao ler o conteúdo do envelope, a boca dela se abria cada vez mais, sem poder acreditar na maré de má sorte em que eles se encontravam.
- O que foi? – franziu as sobrancelhas ao ver a expressão da amiga.
- Você viu isso daqui? – Ela perguntou mostrando o envelope e ele imediatamente negou com a cabeça. – É o convite de casamento da Ruka e do Yang. A gente esqueceu completamente que eles vão se casar, ! E pra piorar: vamos ser madrinha e padrinho, sendo que os dois já pagaram nossas passagens e acomodações no hotel de campo em que vai ser o casamento! A Ruka escreveu uma carta pedindo desculpas e falando que soube do acontecido, só que tudo já estava acertado, então o Donnie e a Ivy também vão ao casamento!
- O quê?! – E praticamente arrancou os papéis das mãos de . – Eles também vão ser padrinhos?!
- Não! Pelo amor! O Yang e a Ruka têm o bom senso de não fazer isso com a gente! Nós somos amigos deles, não aqueles dois filhos da mãe desalmados e sem coração!
Os dois permaneceram em silêncio durante algum tempo, enquanto lia a carta de Ruka. O coração dele ficou pesado vendo a maneira como a amiga lhes pedia desculpas. Mas aquilo era demais para ambos. Como aguentariam três dias – um de ensaio e dois para a cerimônia e a festa – no mesmo ambiente das pessoas que acabaram com seus corações?
- Nós não vamos. Ponto final. – Ele jogou o convite sobre a mesa e cruzou os braços, recostando ao sofá. somente suspirou: esperava aquilo do amigo.
- ... – E foi só ela chamar que olhou para a moça. – É o casamento da Ruka e o Yang. Não tem como não irmos. Estamos planejando isso junto com eles há mais de um ano.
suspirou pesadamente e franziu as sobrancelhas, ainda pensando. Não queria dar o braço a torcer, queria que concordasse e o convencesse da própria ideia que ele ainda não tinha se convencido. Mas, derrotado, ele abaixou a cabeça, fechando os olhos.
- Eu sei... – Novamente, suspirou. – Por que as coisas tem que ser tão difíceis às vezes?
- Tô me perguntando isso até agora... – balançou a cabeça e se levantou do sofá. Precisariam de mais provisões da cozinha.
E foi assim que ambos terminaram sentados lado a lado, bebendo whisky com Coca-Cola e convencidos de que a vida era amarga e completamente desnecessária. Encaravam seus pontos perdidos com afinco e não faziam ideia do que fazer. Só sabiam que precisavam de um bom plano para aquele casamento infeliz – ou não teriam coragem de cumprir com suas funções como haviam prometido para seus amigos.
- Eu tive uma ideia, mas... – começou a falar, resolvendo que fora uma péssima ideia comentar aquilo. A ideia inteira era ruim e provavelmente não funcionaria.
provavelmente não aceitaria também. Ela o conhecia e sabia como ele era com sentimentos – sendo que ela própria era que nem ele. Sendo assim, não podia cobrar muito do amigo; não podia cobrar nada. já estava sendo simpático o suficiente para dar um lugar para ficar sem pedir nada em troca.
- Que ideia? – Ele só se limitou encará-la atentamente, os olhos dizendo que aceitaria qualquer coisa que os tirasse daquela enrascada.
- E se eu e você... – jogou a ideia no ar, porém não se atreveu a continuar.
- Formos juntos? – E se endireitou no sofá, observando-a com mais atenção e até com certo entusiasmo. – Como um casal?
- Isso! – Com isso, até se endireitou, cruzando as pernas sobre o sofá e ficando de frente para ele. também se virou de frente para ela. – Quer dizer, seria difícil fingir um relacionamento e provavelmente teríamos que nos beijar em algum ponto da viagem...
- Eu não me importo. – Ele respondeu imediatamente, quase a cortando no meio da frase. quis se bater de ter falado aquilo tão rápido, então resolveu remediar. – Claro, se você também não se importar.
- Não, não me importo com esse tipo de coisa. – respondeu quase tão rápido quanto ele tinha feito anteriormente, também querendo dar um tapa na própria boca logo em seguida. – Não que eu não me importe em beijar alguém e saia beijando todo mundo sem critério! Não é isso! É porque é você. Não vou ter nenhum problema em beijar você... Eu não tô me ajudando, né?
- Nem um pouco. – comentou com uma risada entre as bochechas levemente rosadas. O rosto da amiga, em compensação, estava quase tão vermelho quanto uma pimenta enquanto ela ria de si mesma. – Mas eu também disse que não me importo, porque é você. Acho que de todas as pessoas do mundo, só me sinto confortável pra fazer uma coisa tão idiota quanto essa com você.
Com isso, ambos ficaram em silêncio durante alguns segundos, somente trocando olhares. Em seguida, não conseguiram conter o ataque de riso.
- Então vamos como namorados falsos? – E finalmente colocou a ideia em palavras.
- Bom, todo mundo sempre achou que acabaríamos juntos! Acho que é a mentira mais crível que podemos contar! – deu de ombros, puxando para um abraço no sofá. – Só imagina a cara da Ivy e do Donnie quando nos virem juntos?!
- Nossa! Eu vou passar as próximas semanas só pensando nisso! – Ela respondeu, abraçando-o de volta, ambos praticamente rolando pelo sofá. – Você é o melhor amigo do mundo, !
- Isso porque você é a melhor amiga do Universo, !
Entre risadas, a idiotice ficou definida: eles fingiriam que estavam namorando, não somente para causar inveja nos ex-namorados, mas também para dar suporte um ao outro. Afinal, tinham plena consciência que só sobreviveriam àquele casamento se passassem pelo evento da mesma maneira como passavam pelas situações difíceis na vida: juntos.


Parte 2

- Quando eu for me casar, me lembre de deixar as coisas das madrinhas já na pousada se for em outra cidade. – surgiu do quarto parecendo que ia morder alguém, de braços cruzados e completamente descabelada.
somente conseguiu começar a rir.
- O que foi? – E já se levantou do sofá. Eles iam viajar no dia seguinte e, como já era de noite, resolveram arrumar as malas. Ele terminou sua tarefa em poucos minutos, mas ela estava em uma luta eterna.
- Como eu vou levar meu vestido sem amassar?! – estava indignada. Esperou até que o amigo se aproximasse o suficiente para se enfiar novamente dentro do quarto e mostrar a mala escancarada. – Sério. Eu não faço ideia.
- Não vai ter como enfiar aí sem amassar nada. O que você pode fazer é colocar aí e damos um jeito de desamassar depois. – piscou para ela e já se virou para a porta do armário onde o vestido estava pendurado.
Era de um tom azul safira, conforme definido pela noiva. Simples, com alguns bordados brilhantes, o decote suficiente e discreto – acinturado e com a saia reta, tinha uma abertura na perna até um pouco acima do joelho para que ela pudesse andar e dançar livremente.
- Uau. Você vai ficar linda nele. Não tinha visto antes. – estava sinceramente chocado. somente deu um pequeno sorriso e não entendeu o motivo das bochechas começarem a ficar rosadas.
- Obrigada. O seu terno é cinza chumbo com a lapela azul marinho, né? – Ela sorriu enquanto ele pegava o vestido com delicadeza.
- Yep. – E ele dobrou cuidadosamente o vestido, analisando a mala aberta dela. – Vai combinar direitinho com a sua roupa. Agora, quer que eu coloque na minha mala? Tem menos coisa.
- Ah, não precisa, ...
- Por favor, minha dama. – disse de maneira dramática, fazendo sinal para que ela parasse de falar. – Como minha namorada, minha mala é a sua mala.
E saiu do quarto a passos largos, caminhando dramaticamente até a própria mala.
somente o seguiu, rindo horrores.
- Duvido que você era assim com a Ivy. – Foi só a moça comentar que fez uma careta.
- Claro que não era. A Ivy era espaçosa e aproveitadora demais. Só depois que eu convivi esses dias tão de boa com você sob o mesmo teto é que me toquei disso. – Ele respondeu de maneira brava e levemente displicente, colocando o vestido dela com cuidado no espaço da própria mala que até parecia que tinha sido reservado para aquilo. – Respeitamos nosso espaço, dividimos igualmente as tarefas, dividimos igualmente quem vai pagar a comida que pedimos na rua...
No mesmo momento, a campainha tocou.
- Falando nisso, chegou a nossa pizza! – comentou alegremente. – Vou pegar os pratos, é sua vez de pagar.
- Mas claro, minha princesa! – deu um beijo rápido no topo da cabeça da amiga, dirigindo-se à porta da sala já com a carteira em mãos, enquanto ia até a cozinha.
- Credo, , que apelido mais brega! Esperava mais de você!
- Oi, boa noite! – Ele abriu a porta com um sorriso imenso no rosto e logo se virou para a cozinha. – Então pode deixar que essa noite você não escapa: vamos decidir nossos apelidos antes do casamento! Sabe como é, né... Namorada nova.
O entregador de pizza somente ficou olhando e concordou com a cabeça enquanto passava o cartão. Só ficava pensando em como ela podia ser uma namorada nova às vésperas do casamento.
- Vindo de você, precisa ser algo ridículo. Ou ninguém vai acreditar que realmente estamos namorando... Ah, oi! – E surgiu da cozinha com os pratos e bebidas, sorrindo alegremente para o entregador. Vendo a expressão no rosto do garoto, resolveu esclarecer algumas coisas. – Namorado novo. Precisamos achar nossos apelidinhos estúpidos. É a pauta da noite.
Após toda a interação com o entregador, os dois terminaram na sala, comendo pizza e jogando Crash Bandicoot no videogame de .
- Você não tinha apelidinhos de casal com o Donnie, né? – Ele perguntou repentinamente, tentando comer a pizza com uma mão e jogar com a outra.
- Não. Ele não gostava desse tipo de coisa... – deu de ombros, suspirando. – Sei lá. Acho que me acostumei com isso também. Ter algum apelido seria estranho.
- Bom, então vamos mudar isso. Eu gosto de apelidinhos e quanto mais trouxa, melhor! – respondeu com um sorriso bobo no rosto, fazendo-a rir.
- Mas você e a Ivy também não tinham!
- Eu tentei chamá-la de algumas coisas, mas ela sempre reclamava. No final, acabei desistindo.
Ambos passaram alguns segundos em silêncio, somente o barulho do Crash e da Coco correndo por aí ecoando pela sala.
- Então você quer me chamar do quê, docinho de coco? – perguntou repentinamente, fazendo-o lançar-lhe um olhar tanto feliz quanto chocado.
- Ah, não sei, minha tortinha de abóbora. Posso pensar em muitas coisas.
- Bom... Temos a noite inteira, meu príncipe.
E nisso, a noite foi tomada por risadas e um apelido mais brega que o outro. Os dois nem precisaram beber para se divertir daquela maneira. Pela primeira vez em muito tempo, nem sentiram o tempo passar, somente aproveitaram os momentos que tinham juntos – esquecendo-se completamente de todos os problemas e o motivos de todas aquelas risadas em primeiro lugar. Gostavam muito de ter um ao outro e, apesar de não quererem admitir, precisavam daquilo. Por isso, mal perceberam quando adormeceu no ombro de , os dois jogados no sofá, com os controles do videogame no colo, em plena véspera de viagem.
E ele mal teve coragem de acordá-la no dia seguinte quando a viu dormindo tão placidamente. A única coisa que queria fazer era ficar ali com e sorrir. Pelo resto da vida.

- ... Eu tô começando a me arrepender dessa ideia.
Foi a única coisa que anunciou quando o táxi parou na frente do enorme hotel de campo e ambos estavam prontos para sair do carro. imediatamente olhou para ela, um tanto chocado, segurando a mão da amiga logo em seguida.
- Ei! É você que sempre me fala “sem arrependimentos”, lembra? – Ele disse imediatamente, como se quisesse acordá-la de um pesadelo. – , você sempre me ensinou a fazer tudo na vida sem arrependimento algum, a sempre levantar a cabeça e ir em frente. Se eu consegui chegar aqui hoje, nesse casamento que promete ser um inferno, é porque eu tenho você do meu lado. Sozinho, eu não chegava nem no aeroporto. “Sem arrependimentos”. Ok, docinho de coco?
- Ok... – Ela respondeu com um pequeno sorriso envergonhado nos lábios enquanto o taxista só os olhava apaixonadamente pelo retrovisor. – Meu leite condensado.
- Ah, você se superou nessa! – O taxista comentou com boas risadas, fazendo com que os dois também começassem a rir. O senhor se virou para trás, a fim de dar um último conselho àquele casal louco. Afinal, já sabia da história toda, já que os dois foram do aeroporto até lá repassando toda a farsa como um itinerário. – Vocês têm de tudo pra se dar bem nessa. É só permanecerem juntos, lembrem-se disso! Você é a força dele, e você é o apoio dela. Tendo um ao outro, ninguém vai conseguir fazê-los de idiotas! Agora vão lá nesse casamento e mostrem pra todo mundo quem vocês são de verdade!
E depois que pagou o táxi, o senhor só ficou observando enquanto eles pegavam as malas – já fingindo que eram um casal de longa data – e simplesmente suspirou. Tinha certeza que aqueles dois virariam um casal de verdade eventualmente.
- Temos o ensaio do jantar hoje, né? – A moça perguntou suspirando enquanto ambos aguardavam no balcão do hotel para fazer o check-in. – Você acha que a Ivy e o Donnie estarão lá?
- Não faz sentido aparecerem no ensaio. – ponderou enquanto observava a moça pegar as chaves do quarto. – De verdade. Eles são convidados, não padrinhos como a gente. A não ser que tenham aparecido aqui com o único intuito de infernizar a nossa vida.
- Considerando que são eles, eu não duvido de nada... – fechou os olhos e apoiou a cabeça no ombro do amigo. – Ainda bem que esse ensaio é só depois do almoço. Temos tempo de nos preparar psicologicamente até lá.
- Yep. E não se preocupe, eu estou do seu lado. Tudo vai dar certo. – Ele respondeu com um sorriso carinhoso colorindo os lábios, repentinamente achando que só existiam eles dois no mundo. Até a moça da recepção colocar as chaves no balcão e dar uma risadinha, fazendo-o olhar para ela ainda meio perdido.
- Ah, desculpe, senhor. É que, se não se importam que eu fale, vocês são um casal excelente. – Ela deu um sorriso doce, sendo impossível que os dois não sorrissem de volta.
- Obrigada! De verdade! – comentou de volta, enlaçando os braços em volta da cintura de .
Com isso, lá estavam os dois caminhando até o elevador, com ainda parecendo um coala na cintura dele e as recepcionistas comentando entre si que eles eram um casal muito fofo.
- Posso saber de onde surgiu isso? – perguntou com uma risadinha, porém aninhando-a contra ele após passar os braços pelos ombros da amiga.
- Estamos namorando agora, não? Pode ter certeza que todo mundo que está aqui por causa do casamento vai saber disso antes mesmo que cheguemos ao ensaio hoje à tarde. – Ela respondeu com um sorriso sagaz no canto dos lábios. – Tudo friamente calculado, .
Ele a observou durante alguns segundos, pasmo. Em seguida, sorriu, cheio de orgulho.
- Você. É. Um. Gênio.
Mas, uma das coisas que os gênios em questão se esqueceram de calcular foi: o quarto de casal.
- A cama é de casal?! – Os dois disseram ao mesmo tempo, pasmos, derrubando as malas no chão.
- Eu não tava esperando por isso. – comentou imediatamente, suspirando com a própria burrice. Mas era óbvio que um casal ficaria em um quarto com uma cama de casal!
Os dois já estavam tão acostumados com um relacionamento que não funcionava como relacionamento que achariam normal se ficassem até em quartos separados.
- Bom, não podemos ligar agora e pedir camas separadas! – passou a mão pela testa, fechando os olhos. – Como a gente pôde ser tão estúpido?
- E isso porque quinze minutos atrás estávamos nos vangloriando de ser gênios. – Ela balançou a cabeça e se sentou ao pé da cama.
- Como você quer fazer? Quer que eu durma em outro lugar...?
- , não faz o menor sentido. – o cortou imediatamente. Ficava irritada de pensar nela mesma dormindo confortavelmente naquela cama enorme e nele dormindo em um sofá que era metade do tamanho de . – Além de que não existe um lugar onde você possa dormir confortavelmente nesse quarto.
- Nem você. Me recuso a te colocar pra dormir na banheira. – Ele respondeu seriamente enquanto cruzava os braços, fazendo-a rir imediatamente. Ao ver daquela maneira, não conseguiu deixar de sorrir. – Bom... Eu não tenho problema em dormir com você... Quero dizer! Em dividir a cama com você, não dormir efetivamente com você! Assim, dormir que eu digo não é dormir um do lado do outro, de olhos fechados, mas dormir... Eu só tô piorando a minha situação, né?
- Muito. – E a própria estava levemente corada com as coisas que ele dizia, porém estava rindo junto com , que somente sorriu e olhou para baixo. – Também não tenho problemas em dividir a cama com você, . Você é meu melhor amigo e acho que não vai ser estranho. Não que eu divida camas com todos os meus amigos!
- Mas eu sou o melhor deles, eu sei. – E ele piscou na mesma hora, fazendo-a se calar com um sorriso. – Ok. Então estamos bem pra dividir a cama. Qual lado você prefere?
- Qualquer um. Eu sempre durmo virada pra porta também, caso algo resolva entrar por lá. – respondeu seriamente e começou a procurar um canto do quarto para deixar a mala.
- “Algo”...? – perguntou com uma sobrancelha erguida, acompanhando os movimentos dela com os olhos.
- Claro. Você nunca sabe quais tipos de criatura habitam a noite, meu chuchu. – Ela comentou de maneira dramática, arrancando um sorriso dele.
- Ah, não se preocupe. Eu estarei aqui pra te proteger, amor! – A resposta de foi simples e recebida com risadas enquanto os dois começavam a se instalar definitivamente no quarto de casal.
Entretanto, esse foi o primeiro momento que tanto quanto começaram a duvidar do tom de brincadeira das próprias palavras e se questionar se não havia uma verdade escondida por trás das mesmas.

- Vamos lá, querida, qual é a sua crise? – comentou repentinamente, parando ao lado de e quase a fazendo enfartar com o susto.
- Desde quando você saiu do banheiro, criatura do além? – Ela perguntou enquanto o fuzilava com os olhos, uma das mãos no coração.
- Desculpa, acabei de me trocar agora. – Ele comentou rindo, combinando perfeitamente uma camisa bege clara dobrada até os cotovelos e uma calça creme. – Tô decente?
- Tá mais que decente. Você fica bonito em qualquer roupa que você coloca. – respondeu com um suspiro, olhando desconsoladamente para a própria mala em seguida. – Eu não faço ideia do que colocar...
- Hmmm... Espera que eu tenho quase certeza que você trouxe o que eu acho que vai ser ótimo pra hoje... – E praticamente mergulhou na mala dela, buscando incessantemente entre as roupas até seus dedos alcançarem um tecido fino e leve. Ele sorriu imediatamente, começando a puxar a roupa com cuidado. – Sabia.
Com isso, pegou o vestido e desdobrou-o, estendendo-o para . Era um vestido curto, um pouco acima dos joelhos, lilás e esvoaçante, que a moça tinha mandado fazer, pois sempre quisera um vestido parecido com o da Liesl em A Noviça Rebelde. Mas, enquanto sorria animadamente com o vestido nas mãos, somente o lançou um olhar um tanto incrédulo.
- Eu não vou com isso.
- Por que não?! Esse vestido é maravilhoso, ! – E parecia que ela tinha acabado de falar a uma criança que não ganharia presentes de Natal. – Vamos começar que você também fica linda com tudo que veste, se colocar isso então...
- Vai ficar um pouco... Demais, você não acha? – A moça respondeu incerta. – Não quero ir muito simples, mas também não quero ficar... Muito... A Ruka que tem que aparecer hoje e amanhã, não eu.
ficou observando a amiga durante alguns segundos, o vestido dobrado no antebraço. Depois desse tempo, ele se aproximou, estendendo novamente o vestido para ela.
- Querendo ou não, você sempre vai chamar atenção, . Não porque está maravilhosa ou deslumbrante, mas porque você, quem você é, tem um brilho natural que é impossível tirar os olhos. – Ele deu um pequeno sorriso um tanto envergonhado, as bochechas levemente coradas. – Não importa se você aparecer lá de calça jeans e moletom ou nesse vestido. Você vai chamar atenção, da melhor maneira.
silenciosamente pegou o vestido que ele estendia e tentava controlar o tom avermelhado que cismava em surgir nas próprias bochechas.
- Eu nem sei o que responder quando você fala essas coisas, . – Ela deu uma breve risada, fazendo-o sorrir largamente de volta. – Bom... Você também chama atenção em qualquer lugar, então acho mais que justo irmos minimamente deslumbrantes.
- Exato. – E ele a acompanhou com os olhos enquanto a moça ia até o banheiro. – Além de que, se o Donnie estiver aqui, quero ver a cara dele quando você aparecer linda desse jeito como minha namorada.
- Ah, mas eu também quero! – Repentinamente, lá estava a risonha novamente, somente a cabeça para fora da porta do banheiro antes de fechá-la, um sorriso maldoso nos lábios. – Quero ver a Ivy também. Ela vai se arrepender de ter deixado um homem que nem você! Agora só me dá dez minutinhos que eu já fico pronta!
Enquanto se trocava, ficou pensando enquanto ficava esperando sentado no pé da cama. A melhor ideia que tiveram foi de ir juntos naquela viagem. Estar lá com deixava tudo melhor e ele nunca esteve tão confortável. Podia ir com ela em qualquer evento, qualquer coisa que precisasse ou simplesmente quisesse uma companhia. Podia conviver bem com ela em casa e, sinceramente, não queria que ela deixasse o apartamento.
Após o tempo que convivera com ele, repentinamente acordou um dia e começou a folhear os classificados dos jornais. Quando foi tomar café da manhã com ela, encontrou-a circulando alguns anúncios de apartamento e franziu as sobrancelhas enquanto preparava o próprio chá.
- O que é isso? – Ele perguntou na época, fazendo um gesto com a cabeça para apontar o que ela tinha na mão.
- O quê? Isso? – Ela franziu as sobrancelhas e, ao ver o que tinha circulado, entendeu o que ele queria dizer. – Ah, isso! São classificados, . Já me aproveitei demais da sua hospitalidade, tá na hora de procurar um apartamento pra mim.
- Mas já? Por que você quer ir embora tão cedo? – Ele estranhou, sentando-se à frente dela.
- Cedo? Já se passou um mês. Logo nos encaminharemos para mais um mês, e outro e outro... – suspirou, estendendo um prato com panquecas quentinhas para ele. – Fiz para nós dois, pode pegar. Não quero me aproveitar tanto de você. Sei que estou ajudando com as despesas e tudo mais, mas entrei na sua vida de repente, devo ter interrompido o seu dia a dia...
- Você não interrompeu nada, . – respondeu seriamente enquanto colocava mel sobre as panquecas. – Foi até melhor, acho... Não sei se teria lidado muito bem com o que aconteceu se você não estivesse aqui. Ou melhor, não sei se vou lidar bem sem a sua companhia e acho que posso dizer o mesmo sobre você.
- Pode sim. – Ela respondeu com um sorriso contido. – Mas não quero te atrapalhar. De verdade. Preciso tomar um rumo definitivo e não posso ficar aqui para sempre, né?
Depois daquela pergunta, o assunto acabou. não respondeu mais nada enquanto somente a observava procurando pelos apartamentos nos classificados e circulando em vermelho as opções que pareciam boas. não parecia muito feliz com aquilo também, mas sentia que não podia ficar para sempre de maneira indefinida na vida de . Afinal, eles não eram um casal e, se ele arranjasse uma namorada, aquela situação seria um tanto estranha de se explicar.
A partir daquele dia, começou a colocar casualmente todos os jornais em cima de um armário que não conseguiria alcançar – somente ele. No começo, ela reclamou e ele fingia que fazia aquilo como algo automático, sempre pedindo desculpas, mas nunca tirando os jornais de lá. Ela poderia olhar os classificados no computador também, mas ele sempre começava a conversar com ela e perguntar se queria fazer algo junto com ele – o que a distraía de seu objetivo.
E assim, o tempo foi passando com ela lá. Se pudesse, sempre faria de tudo para que ela permanecesse no apartamento. Foi nesse momento que ele percebeu que estava parado em frente à própria mala, com uma corrente de prata em mãos. Nessa corrente, havia um pingente antigo, de pedra azul da cor do mar, adornado em ricos desenhos cravejados aqui e ali com pequenas pedras brilhantes que lembravam estrelas.
Aquele colar era da avó dele. Ela dera a , dizendo que era para ele dar somente a uma mulher que confiasse e sempre quisesse em sua vida. Ela estava falando de amor – mas, depois do que acontecera com Ivy, ele começava a duvidar que um dia viveria um amor que valeria a pena entregar aquele colar. Pensando em como não queria que deixasse o apartamento e sempre ficasse com ele, foi levado automaticamente ao colar. Pensara em dar a ela antes, mas tivera algumas dúvidas. Agora, naquela viagem e naquela situação, considerava aquilo novamente.
Afinal, de todas as pessoas do mundo, tinha certeza que nunca o machucaria.
- Estou pronta! – Ela disse animadamente, saindo do banheiro.
praticamente jogou o colar dentro da mala e cobriu com uma de suas blusas, virando-se imediatamente com um sorriso para falar com . Porém, ao vê-la naquele maravilhoso vestido lilás, ficou sem palavras.
- Por favor, fala que eu estou minimamente decente.
- Minimamente?! – Ele perguntou de volta, indignado. – Você está linda. Vamos?
- Espera! Tá faltando uma coisa em você... – E foi até a mala de , começando a procurar entre as roupas.
Ele imediatamente se sentiu congelar no lugar. Mal conseguia respirar, pedindo com todas as forças que ela não achasse o colar. Queria dá-lo a , mas não queria que ela o encontrasse daquela maneira. Além disso, seria algo muito difícil de explicar naquela situação.
- Aqui! – E, por sorte, o colar ficou perdido entre a bagunça de roupas. se virou para ele com um enorme sorriso nos lábios, sendo que tudo que sentia era o maior alívio da vida toda. – Seu blazer cor de vinho. Acho que vai ficar bom com a sua roupa e vai combinar com o meu vestido.
- Ah, então já vamos usar roupas de casal, é isso? – Ele perguntou para provocá-la, rindo enquanto colocava o casaco.
- Mas é claro! Quanto mais loucamente apaixonados estivermos, melhor! – respondeu com uma risada e abriu a porta do quarto. – Vamos?
Nisso, o caminho até o local onde seria o jantar – um salão de festas rodeado por um enorme jardim – foi calmo e divertido. fez questão de enlaçar o braço dela como se realmente fossem um casal e caminhar de maneira que pudessem observar o jardim a sua volta. segurava o braço dele carinhosamente, inconscientemente acariciando de vez em quando.
Não podiam mentir: esqueciam da vida quando estavam juntos daquela maneira. Parecia que nada era real quando estavam juntos e que a beleza daquele momento sumiria em um piscar de olhos. Sentiam que precisavam aproveitar ao máximo, sem questionar nada – principalmente seus sentimentos.
Os dois riam juntos de alguma coisa muito boba, os braços dados e as cabeças quase unidas enquanto se aproximavam do belo local onde seria o jantar.
Mas, logo que se aproximaram, avistaram Ivy e Donnie. Ninguém conversava com os dois e claramente estavam lá só para incomodá-los. parou de andar e também de sorrir logo que avistou os dois.
- Eu não sei se consigo fazer isso, . – Ele comentou repentinamente, baixinho o suficiente para que só ela escutasse.
- Ei. Foi você que me lembrou: “Sem arrependimentos”. – Ela respondeu e, quando não olhou para ela, segurou o rosto dele com ambas as mãos e forçou-o a focar nela. – Fecha os olhos, respira fundo e vamos. Eles estarão esperando tudo, menos isso. Todas as nossas reações são familiares para eles, mas aposto que jamais esperariam que estivéssemos juntos. Precisamos entrar lá de cabeça erguida, . Mostrar que precisa de muito mais para nos derrubar. Ok?
Ele sorriu para ela logo em seguida, o olhar tão carinhoso que sentiu as bochechas ruborizando levemente.
- Ok. O que eu faria sem você para me dar forças? – perguntou piscando para ela e entrelaçando os braços novamente.
- A recíproca é verdadeira. – comentou com uma breve risada e, de cabeça erguida, ambos entraram no local.
- ? ? – Ruka, a noiva mais linda e alegre do mundo, praticamente gritou ao avistar os dois, saindo correndo em direção a eles quase no mesmo segundo. – Vocês chegaram! Como estou feliz que estão aqui!
- Olá, Ruka! – Os dois disseram ao mesmo tempo, com sorrisos enormes estampados nos lábios. Ela praticamente se jogou em cima deles, abraçando os dois como podia.
- Eu simplesmente não consegui acreditar quando vocês me falaram que estavam juntos! – A moça estava quase chorosa, fazendo com que eles trocassem olhares e começassem a rir. – De verdade! Esperei por isso a minha vida toda.
- Nossa, que exagero. – comentou da maneira fria e analítica de sempre, fazendo Ruka fingir estar indignada e realmente a ponto de chorar.
- Foi só metade da sua vida. – franziu as sobrancelhas, fingindo seriedade.
- De qualquer maneira, estamos felizes que vocês estão felizes. – Yang chegou ao grupo calmamente, cumprimentando ambos da maneira relaxada de sempre. – Não poderia haver um casal melhor como padrinhos do nosso casamento.
- Agora vamos, vamos! – Ruka segurou as mãos deles e começou a arrastá-los pelo salão. – A mesa de vocês será pertinho da nossa! Preciso mostrar todos os detalhes!
Quando ela disse isso, os dois sabiam que o dia estaria completamente perdido: somente ouviriam Ruka falando de todos os detalhes do casamento e, em algum ponto, ela começaria a chorar.
Não foi algo difícil de aguentar, muito pelo contrário. Acharam que se incomodariam com a presença de Ivy e Donnie, mas não podiam se importar menos. Estavam tão envolvidos com os preparativos e em dar atenção a Yang e Ruka que mal perceberam a presença dos ex-namorados.
Claro que não deixariam que aquilo durasse muito tempo. Afinal, Donnie e Ivy ficaram literalmente boquiabertos ao ver e chegando de braços dados entre as portas cobertas de folhas de videiras.
- Agora é o momento que todos poderemos dançar livremente! – Ruka anunciou alegremente e Yang não demorou muito para chamá-la para dançar. Adorava dançar com Ruka, apesar de ficar mais tempo em silêncio. Ela já falava o suficiente pelos dois e, sinceramente, Yang adorava aquilo.
- Você quer dançar? – estendeu a mão para , um perfeito cavalheiro. A valsa ecoava de maneira leve pelo salão, combinando com o fim de tarde que coloria tudo com um véu dourado enquanto as pétalas de flores faziam sua própria dança no jardim. Ele não pôde deixar de pensar em como estava bonita naquele dia. – Sei que você ama dançar.
- Sei que você também não passa a oportunidade. – Ela piscou para ele, repousando o copo de água sobre a mesa e segurando a mão de . Ele a segurou gentilmente, levando-a com calma para a pista de dança. Quando alcançaram o lugar onde os outros casais também já dançavam, segurou a mão dela sobre a cabeça, fazendo-a girar antes de segurá-la pela cintura, mais próxima de si. – Você está bem melhor agora.
- Claro, tive a melhor professora. – deu uma breve risada, logo ajustando os passos deles no ritmo calmo e melódico da valsa. Qualquer um que olhasse podia jurar que ambos estavam flutuando. – Ainda me lembro de quando você me ensinou todas aquelas coreografias quando a gente não tinha nada pra fazer.
- Aposto que você fica dançando sozinho em casa nas suas horas vagas. – lançou um olhar engraçado e ele fez cara de quem estava ouvindo a coisa mais óbvia do mundo.
- Elementar, meu caro Watson! Você acha que eu faço o que durante o banho?! – A indignação na voz de foi tão grande que ela não conseguiu ficar sem cair na gargalhada. Ele imediatamente a girou e colocou ao seu lado, segurando as mãos dela e continuando a dançar a valsa, exatamente da maneira como ensaiaram a vida toda.
- Eu disse. Esses dois não tomam nem banho juntos, imagina dormir!
E todo o sonho que estavam vivendo foi quebrado pela voz de Ivy fazendo o comentário mais rude que ela conseguira no momento.
e somente encararam Ivy e Donnie com as expressões mais vazias que conseguiram no momento.
Só queriam ficar juntos em paz, aquilo era pedir muito?
- O chuveiro é muito pequeno pra ele dançar junto comigo durante o banho, né? – perguntou de volta, como se a frase dela fizesse o maior sentido. – Temos o resto da casa toda pra dançar.
- E é só nisso que ela pensa. Em dançar. – Donnie rolou os olhos, dando uma risadinha de escárnio junto com Ivy logo em seguida.
imediatamente franziu as sobrancelhas. Ninguém ria da cara de daquela maneira na frente dele e sairia impune.
- Ela é uma pessoa linda, Donnie. Se você foi burro o suficiente para não perceber isso, azar o seu. – deu de ombros, como se mal ligasse para aquilo. – Nós pensamos em fazer tudo juntos, não só uma fração da nossa vida. , pelo que eu vi, eles estão servindo docinhos lá fora. Já faz algum tempo que você não come alguma coisa e não pode ficar zonza em cima desses saltos, ou vai te fazer mal. Vamos?
Quando chegaram ao jardim, suspirou, parando de frente a e soltando o braço – porém, de maneira inconsciente, ainda continuou segurando uma das mãos do amigo.
- Obrigada, . Eu sempre falo umas coisas ridículas que não me ajudam, você me salvou lá.
- Ridículas? Você não falou nada de ridículo. – Com uma risada, colocou uma mecha de cabelo de atrás da orelha da moça, a fim de tirar do rosto dela. – O banheiro é realmente muito pequeno para dançarmos juntos.
Os dois continuaram se observando durante alguns segundos, sorrindo, como se o tempo tivesse parado. Pela primeira vez, sentiu as bochechas arderem com o toque dele, enquanto tinha em seu peito aquele sentimento estranho de querer abraçá-la e não soltá-la nunca mais.
- Ai... – Ruka suspirou, apoiando a cabeça no ombro de Yang, com o olhar mais apaixonado do mundo. Ambos observavam e à distância. – Já estava na hora. Eles são a melhor notícia do nosso casamento, meu amor.
- Mais uma prova além de nós dois que o amor existe de verdade... – Yang respondeu da maneira silenciosa de sempre, apesar de ter um pequeno sorriso nos lábios. Aproximando a cabeça do rosto de Ruka, abaixou a voz. – Eles se amam de verdade. Sabe como eu sei? Observa como eles se olham... É o mesmo olhar que trocamos quando decidimos que queríamos passar o resto da nossa vida juntos.

estava com seu pijama fofinho, acomodada sobre a cama, um palito de chocolate entre os dentes e o olhar concentrado em um livro que levara na viagem, as pernas cruzadas enquanto aguardava sair do banho.
O que não demorou muito, pois logo ela sentiu o vapor quente do banheiro batendo em seu rosto assim que ele abriu a porta, caminhando despreocupadamente até a cama enquanto secava o cabelo de maneira displicente com a toalha.
- Sinceramente... Eu achei que ia ser pior. – comentou jogando a toalha sobre uma poltrona e se acomodando na cama em frente a amiga.
Ela somente lançou um olhar para a toalha por cima do livro.
- Pode deixar, eu penduro no banheiro antes de irmos dormir. – Ele chamou a atenção dela enquanto segurava o livro e o balançava de leve. A moça sorriu.
- Agradeço, . – respondeu fechando o livro e apoiando no colo. – Engraçado né... Com esse tempo vivendo juntos, já até acostumamos com as manias um do outro.
- Exato. Onde mais você encontraria uma pessoa maravilhosa que te entenderia tão bem quanto eu? – Ele perguntou com uma breve risada, batendo de leve na ponta do nariz da amiga com o indicador. Em seguida, pegou o livro do colo dela, observando cuidadosamente a capa de couro esfolado. – Esse livro eu nunca vi você lendo... Por um acaso você comprou em um sebo recentemente?
- Não... – E abraçou as próprias pernas enquanto observava analisando a capa do livro. Ele tinha as mãos tão cuidadosas, tanto carinho nos olhos. Manuseava o objeto com tanto cuidado quanto ela. Aquilo a fez suspirar e tomar uma decisão que há muito estava com dúvidas. – Era da minha mãe, ela me deu quando fiz 15 anos. É um livro de poesias, com coisas muito bonitas... Ela falou para eu passar para frente quando encontrasse alguém que valesse a pena. Decidi dar pra você, .
- O quê? – Ele foi pego de surpresa, completamente em choque com aquele comentário. Tinha certeza que não tinha entendido direito.
- É seu, . Acho que você vale a pena. – A moça deu de ombros, mas tinha um sorriso um tanto envergonhado nos lábios. – Além de que acho que vai gostar.
- ... Eu não sei nem o que dizer...
- Sim...? – Ela perguntou tentativamente, fazendo com que os dois começassem a rir.
E assim terminaram a noite, com dormindo de um lado da cama enquanto , do outro lado, lia seu mais novo livro com a luz do abajur em seu criado-mudo acesa para que conseguisse enxergar.
Aquilo não o impediu de descansar o livro sobre seu peito e observar dormindo placidamente ao seu lado. O livro mudara muita coisa... Principalmente a decisão de sobre o colar que aguardava silenciosamente na sua mala.

a aguardava no hall de entrada do hotel. O terno perfeitamente alinhado, os cabelos penteados da melhor maneira, o perfume importado. O casamento ia começar em meia hora e ainda não havia descido para encontrar com ele.
Apesar disso, o que mais o preocupava não era o horário. Ele não podia se importar menos com aquele detalhe. O que o deixava suando frio durante o momento de espera era exatamente a pedra azul que ele mantinha em uma das próprias mãos, dentro do bolso do paletó.
- !
E ele quase deu um pulo ao ouvir a voz dela chamando à distância.
- Atrasada. Como sempre. – Ele se virou com um sorriso no rosto, ouvindo os saltos de batendo apressadamente contra o chão liso de pedra.
Mas logo que a viu, ficou sem palavras. sempre foi bonita, algo que ele nunca se importara em ressaltar, mas naquele dia o brilho natural que ela tinha emanava de uma maneira que fazia com que todos parassem para observá-la. E não havia nada de mais: o vestido era simples, o coque era simples, o sapato prateado era simples, a bolsa igualmente prateada era discreta, os brincos e a pulseira não passavam de pequenos pontos de brilho que não chamavam muita atenção. Mas tudo aquilo ornou perfeitamente, fazendo com que ela se tornasse a mulher mais bela que ele já vira na vida. Não dava nem para acreditar que era de verdade.
- Desculpa, eu tentei ficar pronta no horário, mas não achei meu colar... – Ela passou a mão pelo pescoço nu. – Não sei onde foi parar. Procurei que nem uma doida e não achei nada.
- Ótimo! – disse animadamente e ela franziu as sobrancelhas. – Eu tenho uma coisa para você.
Falando isso, ele parou atrás dela e prendeu o colar no pescoço de . Em seguida, ofereceu o braço à amiga para que começassem a se encaminhar para o casamento em si. Afinal, a própria Ruka esperava que eles se atrasassem, mas ia ser muito feio se atrasassem demais.
- ! É lindo! – E não conseguia acreditar naquilo, revirando a pedra azul com a mão que não segurava firme no braço do amigo. – Você comprou pra dar pra Ivy?
- Não, era da minha avó... – Ele suspirou com um sorriso um tanto envergonhado, fazendo-a olhar em choque para ele. – Ela me disse para dar a alguém e acho que você vale a pena. Você me deu seu livro porque confia em mim. Eu estou te dando o meu colar.
- Uau...
Os dois passaram alguns momentos em silêncio, somente caminhando pela grama e ouvindo a música do casamento aumentar conforme se aproximavam do local da festa e da cerimônia.
- Não sabe o que dizer...? – sugeriu com um sorriso provocativo, fazendo-a imediatamente explodir em risadas. – Agora você sabe como eu me senti ontem à noite, sua ordinária!
- Onde já se viu chamar sua mulher de ordinária, ? – Yang perguntou logo que chegaram ao local, sem dar a oportunidade para responder.
- Yang! Você está tão lindo! – E a moça ficou impressionada com a roupa formal bordô que o amigo usava. – Tão diferente! Que estilo lindo! A Ruka não erra nunca, né?
- Tá tão óbvio assim que foi ela que escolheu? – O próprio Yang começou a rir enquanto os dois só confirmavam com as cabeças, rindo junto com o amigo. – Fazer o quê. Ela é a melhor mulher do mundo. Mas tenho certeza que quando vocês dois forem casar, quem vai escolher a própria roupa é o , ele também nunca erra.
- Ah, sim, sim, quando formos casar, claro! – respondeu um tanto enrolado, as bochechas de ficando imediatamente vermelhas. – A estará com o vestido mais lindo do mundo, disso eu tenho certeza. Aposto que a Ruka terá algum detalhe para combinar com a sua roupa.
- Claro que terá. Eu a ajudei a escolher o vestido, lembra? – ergueu uma sobrancelha, soltando-se de . – Agora, se me dão licença, vou reconhecer o perímetro.
Dizendo isso, a moça saiu andando, deixando os dois na completa curiosidade.
- Yang, me perdoa... Mas ela precisa me contar como é o vestido. – Dizendo isso, começou a seguir , porém foi segurado pelo amigo.
- ... Só cuida bem da , tá? – E Yang deu um pequeno sorriso com a cara de tonto que fez em seguida. – Ela é a mulher da sua vida. Não a deixa escapar, jamais. Eu quase perdi a Ruka uma vez e não sei o que faria sem ela.
somente sorriu e concordou com a cabeça, encontrando em uma questão de segundos. Assim que a viu, enlaçou seus dedos nos dedos dela e ficou o mais próximo possível que podia da moça, ouvindo tudo que ela tinha para falar com a maior atenção do mundo.
Nem se lembrava mais o real motivo de estarem fingindo aquele namoro.

Quando Ruka entrou – o vestido maravilhoso, com uma faixa bordô na cintura – o esperado aconteceu: os olhos de se encheram de lágrimas. Somente quando a mulher chegou ao altar e a cerimônia efetivamente começou é que percebeu algo, de fato, peculiar: uma lágrima solitária escorria pela bochecha de , a amiga tentando ao máximo segurar todos os sentimentos, como sempre.
Com isso, ele tirou um lenço do bolso do paletó e limpou cuidadosamente a lágrima, para não manchar a maquiagem de , chamando a atenção do olhar dela.
- Pode ficar com o lenço durante a cerimônia... E se precisar de algo mais me avisa, viu? – perguntou com o olhar mais doce do mundo nos olhos.
- Ok. Obrigada, . – Dizendo isso, notou um olhar não tão simpático de uma das pessoas que assistia ao casamento.
E assim, usou aquilo como uma ótima desculpa para abraçar o braço de e apoiar a cabeça no ombro dele. Erguendo uma sobrancelha, mas nem um pouco incomodado, estava para perguntar o motivo daquilo quando encontrou o olhar mortal de Ivy. O que o fez dar um beijo no topo da cabeça de , enquanto a amiga somente abria um enorme sorriso.
Nem perceberam o tempo passar até chegar a hora da fatídica festa. Os dois aplaudiram como nunca enquanto Ruka e Yang faziam a famosa primeira dança de casal. Discursos foram feitos, bebidas foram tomadas, foi arrastada por Ruka até a pista de dança e forçada a tentar pegar o buquê – algo que a moça falhou miseravelmente e, sinceramente, nem tentou fazer.
No meio de toda aquela animação, e foram obrigados a dar as mãos em algum momento e se refugiar em algum lugar sem muito movimento para tomar alguma coisa e limpar o suor das testas.
- Por que você não tentou pegar o buquê? – Ele estava desconsolado com aquilo, porém ria como nunca.
- Qual a finalidade, ? O fato de pegar o buquê não muda se eu vou casar logo ou não! – Ela deu de ombros e virou o resto da bebida que tinha em seu copo.
- Se depender desse aí, você não vai casar nunca. – E quase deu um pulo com a voz cheia de ódio que surgiu ao pé do seu ouvido, distanciando-se conforme andava. Ivy tinha um sorriso de pura maldade estampado nos lábios, olhando para como se quisesse machucá-lo.
O que teve certo efeito, pois ele travou o maxilar e a observava como se fosse matá-la.
- Já vai ser um milagre se ele levar essa frígida pra cama, Ivy. – Donnie respondeu com uma risada cruel, antes mesmo que conseguisse abrir a boca para defender .
E sim, parecia que o amigo logo ia bater nos dois. O álcool podia ter algo a ver com aquilo.
- Pelo menos mais do que você ele consegue, seu incompetente. – respondeu com ódio. E o motivo de toda aquela raiva dela era nada menos que “ninguém machuca o na minha frente e vive para contar a história”. – Vamos dançar, . É melhor do que ficar aqui.
Dizendo isso, ela imediatamente agarrou a mão do amigo, arrastando-o para o centro da pista de dança enquanto Ivy e Donnie somente observavam.
- ... Você se importa se eu fizer uma coisa? – perguntou ao pé do ouvido dela, aproximando-se da amiga logo que se juntaram para dançar.
- Se for pra dar uma na cara daqueles dois, não me importo com nada.
Foi só ela autorizar que a puxou para perto possessivamente, grudando o corpo da moça no seu e olhando-a de uma maneira que nunca olhara antes. imediatamente se esqueceu de tudo, focando somente em . Ambos começavam a se questionar se realmente estavam fazendo tudo aquilo somente por causa de Ivy e Donnie.
- Eu vou te colocar um pouco mais para o lado só pra você poder me falar discretamente o que aqueles dois estão achando disso, ok? – nem terminou de falar e já virou .
- Filho da puta. – E ela não conseguiu ficar sem xingar.
- O que foi?
- Ele está sendo todo romântico com a Ivy. – rolou os olhos. – O Donnie sempre me falou que achava qualquer coisa romântica uma grande besteira, por isso não estou acostumada com coisas normais de relacionamentos: dar as mãos, acariciar o rosto e tudo mais. E agora ele tá fazendo tudo isso com ela. Ele tá me mostrando que eu nunca mereci amor, mas a Ivy sim.
a observou durante alguns segundos, em choque. Queria esganar Donnie por ter machucado sua melhor amiga daquela maneira, mas ao mesmo tempo queria que se sentisse amada. queria consertar aquele estrago que um namorado idiota como aquele fizera com ela, pois merecia todo o amor do mundo.
- É porque você não merecia o amor da pessoa errada.
Quando disse isso, sentiu uma das grandes mãos aconchegantes do amigo repousar na sua face. Aquilo a fez se esquecer imediatamente de tudo e prestar atenção somente nele – o que não durou muito tempo. No segundo seguinte, os lábios de estavam grudados aos lábios de .
Os dois não sabiam mais o que estavam sentindo. Fogos de artifício, viagens pelo céu, montanhas russas desenfreadas, alegria, saudades, vontade de rir e de chorar – tudo ao mesmo tempo. Nada daquilo era real – mas, a partir daquele momento, tornou-se a coisa mais real que tiveram em suas vidas. Algo novo e antigo, algo esperado e inesperado, um amor que sempre estivera lá e nenhum dos dois se deu conta – finalmente perceberam que estavam completamente apaixonados pelo outro.
Quando se separaram, passaram algum tempo se observando, completamente sem acreditar no que acabara de ocorrer. Somente conseguiram voltar à realidade quando começou a se distanciar.
- Desculpa, ... Não sei o que me deu, não devia...
Mas ela o segurou no lugar, colocando a mão de de volta no próprio rosto e puxando-o para perto, a ponto de quase ter seus lábios se tocando novamente.
- ... Não para.
Aquilo o fez sentir não só o amor que sempre tivera por – mas também o desejo.
Sem se importar com mais nada, segurou o rosto dela com ambas as mãos, grudando os lábios nos de novamente. As mãos dela seguravam a camisa de como se sua vida dependesse daquilo e nenhum dos dois quisesse que aquele momento acabasse. Aquele momento surreal e delicioso, a primeira vez que notaram como precisavam um do outro.
Ruka praticamente chorava no ombro de Yang, emocionada ao ver o amor que ela esperara tanto tempo para presenciar entre e . Enquanto isso, Ivy caminhava pelo hotel louca da vida, xingando todas as gerações de Donnie, enquanto ele corria atrás dela, igualmente irritado, os dois se direcionando para o carro a fim de ir embora do hotel – por mais que não houvesse lógica nenhuma naquilo.
Enquanto isso, tanto quanto somente aproveitaram o sentimento aconchegante de finalmente achar o amor nos braços um do outro.

- Eu quase morri... – dizia entre os beijos enquanto tentava abrir a porta do quarto deles com pressa. – Quando vi você com Donnie pela primeira vez.
- Eu nunca entendi... – Ela foi interrompida pelos lábios vorazes do amigo enquanto os dois cambalearam para dentro do quarto. empurrou a porta com o pé para que esta fechasse, sem se desgrudar de nem por um segundo. Ela somente conseguiu retomar a frase quando ele decidiu que era uma boa ideia encostá-la na parede mais próxima, os braços de cada lado do corpo de , e descer os beijos pelo pescoço dela, enquanto a moça mantinha os dedos embrenhados pelos cabelos dele. – Eu nunca entendi o que senti quando você apareceu com a Ivy. Não fazia sentido.
- Por que você ficou com ele...? – perguntou em um murmúrio um tanto sofrido enquanto os beijos já começavam a se aproximar do decote do vestido de .
- Hã? – Ela franziu as sobrancelhas, confusa com a pergunta, o que fez os olhos de se voltarem novamente na altura dos olhos dela, observando-a decididamente.
- Por que você ficou com ele, ? Pelo que está falando... – E a fala dele já estava levemente sem ar. – Você nunca quis ficar com ele. Você não chegou a amar o Donnie. Por que ficou com ele?
- Eu... Eu não sei... – Ela parecia confusa, sem conseguir olhá-lo nos olhos. pousou uma das mãos no queixo de , levantando a cabeça dela novamente. Era evidente que os olhos dele tinham um pouco de sofrimento por todo o tempo que eles ficaram com as pessoas erradas. – Acho... Que eu estava curiosa. Queria saber como era amar... Como era ter alguém. Acho... Que sempre faltou algo entre nós... Eu queria ter o que tínhamos e um pouco mais, mas achei que nunca podia cobrar isso de você. Quer dizer, você sempre foi o meu melhor amigo...
Os lábios de se conectaram novamente com os de em um beijo lento enquanto as mãos dele desciam pelo corpo da amiga e parando na cintura. Depois de algum tempo, ela finalmente tomou a atitude de tirar o paletó de e desfazer a gravata, abrindo alguns botões da camisa. observava as mãos dela trabalhando com destreza enquanto mordia o lábio inferior, até que parou. Ele olhou novamente para ela, confuso, encontrando os olhos levemente preocupados da amiga.
- Por que você ficou com a Ivy?
- Acho que... – E suspirou, apoiando novamente na parede. Ele abaixou a cabeça, franzindo as sobrancelhas e tentando entender os próprios sentimentos. – Fiquei chateado quando você apareceu com o Donnie... Senti um aperto no coração que nunca senti antes. Mas sabia que não podia cobrar que você terminasse com ele porque era minha. Você nunca foi minha, nós nunca tivemos esse tipo de relacionamento... E aquilo me deixou desesperado. Achei que fosse só o fato de que minha melhor amiga não estaria ao meu lado toda hora como antes e tentei substituir por algo diferente. Acho que foi isso...
- ... – suspirou e envolveu o pescoço dele com os braços, novamente unindo os lábios dos dois em um beijo cheio de desejo. Quando ela começou a apoiar todo o peso, entendeu o que estava tentando fazer: levantou a saia da amiga o máximo que conseguiu até ter acesso às coxas dela e a segurou no colo, fazendo-a imediatamente fechar as pernas em volta da cintura dele. a encostou na parede e continuou a beijá-la enquanto movimentava as mãos para cima e para baixo naquelas pernas maravilhosas que ele nunca pensou que teria tanta vontade de tocar. De repente, ela separou o beijo, encostando a testa na dele, ambos ofegantes. – Eu sempre fui sua.
- Eu te amo, . – disse finalmente, desgrudando-a da parede e beijando-a enquanto caminhava com ela até a cama. – Eu te amo tanto, . Sempre amei, mas...
- Não se preocupa... – comentou, segurando-se firme nele enquanto ambos caíam no colchão macio da cama de casal. Assim que as costas dela atingiu a superfície, a moça segurou o rosto do amigo com as duas mãos, olhando-o nos olhos. – Eu também só percebi agora.
sorriu e voltou a beijá-la. Naquela noite, os dois sentiram como se tudo finalmente fizesse sentido e jamais queriam parar.


Parte 3

- E aí?! – se levantou do sofá, cheio de expectativa, assim que entrou em casa.
Sim, no apartamento dele. Agora os dois estavam oficialmente juntos e aquilo indicava que também moravam juntos – dessa vez, dormindo no mesmo quarto e aproveitando as tardes livres para dançar debaixo do chuveiro, por mais que o espaço fosse bem pequeno para dois corpos em movimento.
- Meu querido... – fez certo suspense enquanto fechava a porta. Aproximou-se dele e, com um sorriso enorme nos lábios, estendeu um maço de papel para . – Agora podemos comprar o que quisermos: casa de campo, casa na cidade, viagem absurdamente cara para o exterior... O que você quiser!
- Você tá brincando! – Ele pegou os papéis, sem acreditar, começando a folheá-los em choque. – O que ele disse? O que você disse?!
- Eu simplesmente falei “Olha aqui, Donnie. O apartamento é meu. Se você quiser, podemos fazer isso do jeito fácil ou do jeito difícil”... – Enquanto falava, ia até a cozinha, a fim de pegar duas cervejas para comemorar com . – “Jeito fácil: você compra o apartamento pelo preço que eu falar e que sei que você tem na sua conta. Jeito difícil: eu entro com uma ação para reaver meu apartamento e chuto você e seu chaveirinho chamado Ivy pra bem longe daqui, vendendo pra alguém que presta. Você escolhe”.
- E ele comprou pelo preço que nós conversamos! – concluiu largando o contrato de compra e venda em cima da mesa de centro e pegando uma das cervejas das mãos da namorada.
- Exatamente. Meu querido ... – E ela ergueu a garrafa para um brinde. – Estamos ricos!
- Eu não acredito! – Ele quase gritou, rindo logo em seguida. – Um brinde para você e suas maravilhosas técnicas de negociação!
- E a você que teve essa ideia genial! – riu e os dois bateram as garrafas, tomando um bom gole em seguida.
- É que nós somos um time imbatível, minha querida. – piscou para ela, com um sorriso convencido nos lábios.
- Sempre fomos e sempre vamos ser. – Ela respondeu com uma pequena risada e, em um impulso, abraçou .
Com ela nos braços, ele quase se esqueceu de tudo que tinha em mente. Enquanto observava com seu sorriso satisfeito e absurdamente contente nos lábios, pousou uma das mãos sobre a cabeça dela, afagando os cabelos da amiga e namorada.
- E vamos continuar mesmo depois de casados, né?
franziu as sobrancelhas e se distanciou um pouco de para observá-lo – encontrando o amigo e namorado com um sorriso divertido nos lábios. E ela sabia o que aquilo significava, sempre soube.
- ... Você acabou de me pedir em casamento?
Mas não respondeu, somente começou a rir enquanto ficava com as bochechas vermelhas.
ficou alguns segundos em choque, começando a rir junto com ele logo em seguida. Não conseguia acreditar, mas sabia, com certeza, que aquele era o melhor dia da sua vida.
- Sim! Seremos eternamente o melhor time, mesmo depois de casados, !
- Ótimo! Não esperava menos de nós!
Dizendo isso, abraçou , retirando-a do chão e girando-a no ar. Demoraram anos para perceber o que realmente sentiam um pelo outro – mas, agora que estavam juntos, não havia força nesse mundo que os parasse... Eles ficariam juntos para sempre.




Fim.



Nota da autora: E olha eu aqui em um ficstape do Shinee! Peguei Don’t Stop no susto, não estava programada, mas resolvi escrever sobre algo que queria já há algum tempo: namoro falso!
Quem nunca quis fingir um namoro perfeito pra esfregar na cara de alguém que não gosta que atire a primeira pedra.
O objetivo dessa história foi escrever algo bem leve para descontrair e se divertir. Na hora que escutei a música, pensei que parecia daquelas que tocam em festas chiques, sabe? Então por isso quis um casamento.
Espero que vocês tenham se divertido lendo assim como me diverti escrevendo! Acabei gostando mais desse casal do que imaginei anteriormente e espero que vocês gostem também!
Fiquem à vontade para comentar, que respondo o quanto antes! E até a próxima!
XX
PS:
Ah, e segue meu grupo no Facebook pra vocês ficarem de olho nos meus próximos projetos – tenho mais alguns ficstapes para entregar e sempre atualizo por lá! Tem espaço pra todo mundo, sempre procuro conversar bastante com o pessoal que faz parte e realmente vou ficar feliz de vê-los por lá.

Disclaimer: Essa história é protegida pela Lei de Direitos Autorais e o Marco Civil da Internet. Postar em outro lugar sem a minha permissão é crime.

Não gosto de falar essas coisas, mas como já tive problemas antes, acho bom deixar avisado. Nem tudo que tá na internet é do mundo, minha gente. Quer postar em outro site? Fala comigo! Eu não mordo! Hahaha a gente vê de me dar o crédito e linkar para o original aqui no FFOBS! Só me mandar um e-mail ou pedir aí nos comentários!




Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus