06. Give the love around

Fanfic finalizada
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Capítulo Único

Quatro semanas antes

A movimentação na cafeteria estava normal, ia de um lado para o outro, as atendentes, arrumavam as mesas, e eu estava sentado num banco próximo ao caixa, observando e o agente literário conversarem, ele sorria enquanto lia os papéis, provavelmente os textos estavam ótimos, eu tinha certeza que estavam. Eu só não compreendia o porquê de ela não me deixar ler. Por que eu não entenderia nada? E provavelmente a atitude que eu tomei, foi uma das piores de todos os tempos. Sem pensar muito, estava bufando, saindo da cafeteria, depois de dois cruzados no agente literário, com em meu encalço, chorando.
Esse era um grande problema. Não conseguir passar confiança. Eu odiava não segurar as atitudes e agir por impulso. Era uma coisa que me seguia desde a primeira luta, e nessa luta, eu perdi, e agora, meu medo era perder . Perder tudo que nós construímos, perder todo o amor que eu nutria por ela, por falta de confiança na minha própria mente. Porque a minha mente, me traía o tempo todo.

Agora


Eu detestava tomar chás. Em geral, verde, preto, vermelho, qualquer tipo de chá. E pela pessoa que sou, sempre atraindo o oposto, adorava chá, todos eles. Verde, preto, vermelho, qualquer tipo de chá. E ali estávamos nós, outra vez, na loja de chás, as atendentes se divertiam olhando para mim nas primeiras vezes que entravamos ali, ela escolhia um chá sorridente, e minha feição sôfrega escolhia o menos pior de todos, com muito gelo, para tentar chegar perto do sabor de suco de fruta, chá de pêssego.
– Que tal um chá de hibisco hoje, ? Vamos inovar sabores, huh?
– Eu estou te mandando para algum lugar nada promissor, em pensamento, .
Ela sorria, e logo trazia os pedidos. era uma pessoa muito simpática, que tentava me empurrar chás diferentes todas as vezes que entrávamos ali.
– Quando é seu próximo corte na testa?
Sentamo-nos em uma das mesas no canto da cafeteria de chás e , e não dizia quando é sua próxima luta, como qualquer outra pessoa, na maioria das lutas, um novo corte na testa eu ganhava, ela torcia por mim, ia para as lutas comigo, e quando voltávamos para casa, ela fazia um curativo, era uma rotina exata em todas minhas lutas. Eu notava ela ficar tensa quando esses dias estavam chegando, ficava mais próxima, e mesmo que discutíssemos, ela ficava por perto, me abraçava e não dizia nada, se não estivesse ocupada ia comigo para os treinos, e observava sentada em algum canto, ligava o notebook, e escrevia, mas não se distanciava.
– Em dois dias.
Ela suspirou e olhou ao redor, cumprimentando algum conhecido. Coisa que eu não fazia. Se pudesse, me escondia para não precisar cumprimentar qualquer pessoa, apenas o fazia quando não tinha como disfarçar.
– Você vai para minha luta?
– Só se você experimentar o chá de hibisco.
...
Torci o nariz olhando para o líquido vermelho no copo dela, e eu tinha certeza que quase não estava doce, só em imaginar beber aquilo, eu mantive a cara enrugada. Era um teste.
– Sua cara estava ótima! Estarei presenta no próximo corte na sua testa.
– Se eu não terminar a luta com um corte, nós não viremos aqui tomar chá por uma semana, o que acha?
– Fechado. Não que eu não acredite no seu potencial como lutador, pois eu acredito, mas as chances são poucas.
– Eu agradeço pela confiança.
Nós ficávamos ali até que terminasse de fechar a loja, deixávamos nossa amiga na casa dela, e então, íamos para a nossa casa. Depois de um assalto na loja, ela ficou com medo de acontecer algo com ela e os funcionários, e quando o namorado dela não estava de segurança ali, eu ficava até que ela fechasse. Ela me oferecia um chá de brinde por essas vezes de segurança, mas nem se eu gostasse de chás, eu aceitaria sem pagar. foi minha vizinha por muito tempo, por toda minha infância, e adolescência, até que eu me mudei da casa de Conor, e ela foi para a faculdade. Nunca passamos por dificuldades, como não ter o que colocar na mesa para comermos, mas às vezes acontecia com a mãe dela e ela. Nós oferecíamos as refeições para elas quando esses dias chegavam, porque nem Conor, nem eu, imaginávamos como seria se nos faltasse algo um dia, se faltasse para que não pudéssemos dividir. Quando meu pai faleceu, foi à pessoa mais próxima que eu tive, depois de Conor. Me empurrava para todos os lugares possíveis para que eu não ficasse pensando em coisas ruins o tempo todo, e emprestava livros, e hqs, e assim mantivemos nossa amizade até nos mudarmos, até seguirmos caminhos diferentes, até conseguirmos dar uma vida melhor para quem tanto cuidava de nós. Ela se formou na faculdade, e com o que ganhava durante a faculdade em empregos, ela juntou e abriu a cafeteria de chá, e aparentemente muitas pessoas gostavam de chá, eu não via como podiam gostar daquilo, mas que bom que as pessoas gostavam, eu ganhava um bom dinheiro com as lutas, e por tudo que Conor me deu, eu ficava feliz em poder retribuir.
– A luta é no sábado. Meia noite.
Eu disse tirando o cabelo dela da frente do rosto e beijando sua testa, estava quase dormindo, e de olhos fechados, ela passou a mão no meu rosto e desejou boa noite.
e eu vivíamos em uma relação ótima. Sete anos juntos como namorados, oito como amigos, dividíamos a minha casa por insistência minha, e por mais que ela dissesse que podíamos dividir o apartamento dela, eu gostava dali, as coisas como estavam, os livros dela nas prateleiras do nosso quarto e sala, os livros de receitas na cozinha, e a maleta de curativos que ela comprou depois de alguns meses de nos conhecermos, eu gostava do fato de ela me esperar sentada no sofá para me fazer um curativo, eu gostava porque ela dizia ser importante para ela que eu deixasse que ela cuidasse de mim. Eu gostava do amor que nós dividíamos.
Sábado

– E outra vez, Sean Price vence a luta! Desenrolando a bandagem das mãos, e com as luvas embaixo dos braços, eu caminhava com uma ansiedade enorme me consumindo, nós ficaríamos uma semana sem chá? Tinha algum corte na minha testa? Eu sabia que ela estava me esperando do lado de fora, dentro da camionete, e antes de colocar a roupa, eu olhei no espelho que tinha no corredor.
– Uma semana sem chá.
– Eu fico feliz de não ter que fazer um curativo em você.
– Será que vai aguentar ficar sem nossa ilustre presença na cafeteria?
– Nossa presença está por lá, com certeza.
– Com certeza.
– Talvez quando voltarmos, tenha algo novo.
– Aposto que sim. Chá de maçã com abóbora.
Ela me empurrou um pouco, e logo, estávamos outra vez em casa. tinha deixado a caixa de curativos sob a mesa de centro, e eu comemorei colocando-a de volta na pia do banheiro.
– Eu tenho uma coisa para te contar, .
Ela estava sentada nos pés na nossa cama, com os pés balançando por não tocarem o chão, e o rosto estava um tanto quanto corado, mais que o normal. Eu me sentei ao seu lado, e segurei sua mão.
Ela ergueu um teste de gravidez de farmácia, e eu sabia que por aquele sorriso, era que nós teríamos mais uma responsabilidade. Que nós teríamos que ter todo o cuidado do mundo com o que falaríamos, porque, ela, era uma pessoa que adorava falar palavrões, em todas as ocasiões possíveis, nas boas, ruins, prazerosas, odiosas, em todas.
– Nós teremos um bebê.
Depois de sete anos juntos, nos últimos meses, nós conversávamos muito sobre aumentar nossa família, eu pedi por um cachorro, e ela disse que estava ok um cachorro, que ela gostava de cachorros grandes, e eu não reclamei, estava ótimo para mim. Alguns dias depois, nós estávamos cuidando de Sox, ainda filhote, dando leite com uma mamadeira, e antes de percebermos, estávamos sentindo falta de mais uma coisa. Ela tinha família grande, o irmão, Tom, tinha dois filhos, e nós ficávamos de babá para ele e a esposa saírem. A conversa que tivemos depois foi a de quando teremos o nosso?, enquanto cuidávamos de Austin e Luke numa sexta-feira a noite. E ali estava a resposta.
vai surtar.
disse sorrindo e eu torci o rosto, repetindo a frase.
vai surtar.
Em algum momento depois, nós estávamos deitados na cama, abraçados, e planejando o quarto do bebê, as roupas, e dizendo nomes. Com a certeza de que seria a madrinha, e que Tom seria o padrinho. Mesmo que decidimos não contar até que ela completasse o terceiro mês, já estava decidido.
Eu dizia o tempo todo que não me imaginava com uma família, com filho, e Conor me dizia o tempo todo que o carma vai e volta, e quando eu vi , eu vi meu carma passando e me dando tchau. E eu agradeci por isso. Eu presava por isso todos os dias quando acordava e ela estava ali, ao meu lado, e agradeceria mais nos meses que estavam por vir, nós seríamos quatro, eu imaginava que Sox, cuidaria também. E eu tinha a certeza de que nós viveríamos bem com o amor ao redor.




Fim!



Nota da autora: Sem nota.

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