06. I Don't Need a Man

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Finalizada em: 19/12/2018

Capítulo Único

estava em uma cadeira com o seu nome enquanto a maquiavam, até que percebeu um alvoroço próximo de si. Olhou na direção e revirou os olhos. Ah, não. Instantaneamente bufou e pegou seu celular, tentando disfarçar e poder evitar a pessoa que estava recebendo uma atenção extra. Falhou.
- Ora, ora, ora, se não é a pessoa mais lindamente desprezível que eu conheço. – o via pela sua visão periférica, mas apostava que se virasse veria o sorriso convencido de .
A mulher sorriu amarelo e se virou, encarando o rapaz.
- Olá, . Tudo bem com você? – o encarou.
- Estou ótimo, obrigado por perguntar, docinho – ele mantinha o sorriso no rosto. Ele sabia que ela odiava aquele apelido – Ei, capricha na maquiagem, porque só assim pra esconder a víbora que essa aí é – pegou um objeto qualquer e jogou na direção de , que desviou prontamente. Gargalhou enquanto seguia pra sua própria cadeira pra poder ser maquiado também.
A verdade era que seria obrigada a aturar hoje, já que o programa de culinária que apresentava e ia ao ar nos finais de semana recebia um convidado diferente para julgar diversos pratos que os participantes faziam, tentando ser o mais próximo possível do modelo dado: o da chef.

era chef de um dos restaurantes mais famosos de Nova Iorque, e, consequentemente, frequentado pela alta sociedade da cidade.
, por outro lado, era ator há anos, mas ficou mais famoso após fazer um filme adolescente que arrancou diversos suspiros de mulheres e boa votação da crítica. achava engraçado, porque sabia que era atuação, mas não conseguia ver de outra maneira a não ser o que ela já estava acostumada: o cafajeste.
Falava isso por ter tido sua própria experiência com o rapaz. Se conheceram numa festa de um amigo em comum e até se deram bem. Tão bem que terminaram com bocas borradas de batom, cabelos bagunçados e roupas amassadas. Nada que ela ou ele assumam em voz alta que gostariam de repetir a cena.

A moça estava quase pronta. Ajustava o retorno no ouvido enquanto esperava o comando para iniciar o programa.
- Sabe, não esperava ter que ficar num mesmo lugar que você por mais que dez minutos. - olhou pra ele e arqueou a sobrancelha. Ele olhava ao redor, analisando o cenário. Se virou pra ela e sorriu. - Mas fico feliz que isso aconteceu, afinal. Acho que em muitas das vezes estamos de sangue quente e interpretamos mal o que um diz ao outro.
- Oh não, querido, eu entendo muito bem o que me é dito e eu rebato à altura.
- Sei disso, o que torna as nossas conversas ainda mais interessantes. O que você ainda não percebeu é que somos parecidos em muitos aspectos e talvez seja por isso que nosso santo não bata. Mas estou cansado de ser assim. Principalmente com você.
- E por que principalmente comigo?
ainda estava com a guarda alta, pois estava estranhando toda aquela conversa. nunca foi assim. Ali tinha coisa.
- Porque você é interessante. - ele sentiu o olhar dela sobre si e riu. - É, eu sei reconhecer a beleza interior, não precisa se assustar, tá legal? Sei que às vezes eu sou imaturo, mas você me faz agir assim e de certo modo eu gosto, porque toda essa coisa de gato e rato me diverte.
- Quem é você e o que fez com o que eu conheço?
- Por que a estranheza? Esse é o meu verdadeiro eu. Só pessoas privilegiadas a conhece.
- Isso quer dizer que eu sou privilegiada? - a mulher fez cara de nojo.
- Sim, é. Sai comigo hoje à noite, ?
- Sabia que você queria chegar em algum lugar! Você é inacreditável, – revirou os olhos e observou os participantes entrarem aos poucos no cenário e se colocarem em seus lugares.
- Não, eu... - foi interrompido no momento seguinte.
- Entraremos ao ar em... - o câmera fez contagem com os dedos e assim era dada a partida.
- Olá, boa noite! Estamos ao vivo dos estúdios Food Network. Começa agora mais um episódio de Faça Melhor 2016. Hoje teremos como convidado . - a plateia foi ao delírio e sorriu. O ator, que estava em pé ao lado da moça acenou para a plateia - Hoje, pessoal, o desafio será pra lá de importante. O vencedor do desafio de hoje ganhará um kit de eletrodomésticos completo da Tramontina, com o adicional de uma semana de curso com um dos chefs mais renomados da culinária francesa: Claude Troisgros. Por isso, fiquem ligados aqui conosco para descobrir quem será o grande sortudo ou sortuda. Mandem suas apostas pela hashtag do programa #FaçaMelhor. Sem mais delongas, o prato que trago pra vocês hoje é... - soltam uma música de fundo para dar mais emoção. - Lagosta grelhada com alcaparras.
Após feitas algumas instruções do modo de preparo, os participantes começaram a preparar seus pratos. dava algumas chamadas de atenção em muitos deles e perguntou algumas coisas do novo filme que estava fazendo, sempre mantendo o profissionalismo. Ele também respondeu algumas outras perguntas que internautas mandaram via Twitter.
Dado o tempo estimado para preparar o prato, todos os participantes trouxeram até a mesa retangular com seus nomes, mas que e não conseguiam ver para assim poderem avaliar melhor. Dois em especial tinham um problema, fazendo com que nem e nem comessem: não tinham feito a devida higienização na lagosta. Outro estava todo despedaçado por não ter conseguido cortá-lo da forma instruída, mas no ponto de vista dos dois estava bom.
Todos os pontos dos pratos já haviam sido apresentados, e já haviam discutido e agora era hora da verdade.
- O melhor prato dessa noite foi... - andou de um ponto da mesa até o outro. - Esse aqui. - apontou e Lily pulou na própria cadeira, sendo abraçada pelos companheiros. - Parabéns, Lily. Seu prato estava no ponto certo. - manteve as mãos juntas na frente do corpo e sorriu para Lily. Se direcionou para a câmera próxima e disse: - Bom, por hoje é só, pessoal. Obrigada por ter nos ajudado hoje, e...
- Espera! - arqueou a sobrancelha e alguém gritou do retorno no seu ouvido “O que ele tá fazendo?” - Antes de darmos por encerrado esse programa, gostaria de fazer um pedido especial. Gostaria de fazer aqui, porque sei que seria impossível dela dizer não. - sorriu para a câmera. - , já fiz esse pedido antes e recebi um não como resposta, mas como você sabe, eu não aceito não como resposta.
- O se sei – revirou os olhos.
- Então vou fazer o mesmo pedido: Sai comigo? Por favor? - fez uma cara de cachorro pidão que não colava com a moça. Ela estava prestes a dizer outro não, mas um coro de “Aceita” foi ouvido e ela não queria fazer feio, então aceitou.
- Tá, tá, só assim pra você sair do meu pé, né? Agora posso encerrar meu programa?
- Fique à vontade.
E assim ela pôde finalizar o programa.
saiu apressada até os bastidores, mas sentia que estava sendo seguida. Parou bruscamente e se segurou para não tropeçar nela.
- O que deu em você, ? Ficou louco?
- Eu só queria sair com você - deu de ombros.
- Você é muito baixo, isso sim.
- Mas o jantar ainda está de pé, né?
- Tá sim, mas é bom que você escolha um ótimo lugar pra gente ir.
- Sim, senhora – bateu continência, o que fez segurar um riso que tentava sair.
Virou de costas e estava prestes a ir embora quando ouviu a voz dele dizer:
- Te pego às 19h amanhã. Onde você mora?
- Onde mais seria? No restaurante.
- Você tá brincando, né?
- Claro que não. Moro no andar de cima. - sorriu com a cara de chocado do ator. - Te encontro às 19h, . Não se atrase. Odeio atrasos.

***


Antes mesmo das 19h ele já estava lá, à espera dela, mas não iria falar isso pra ninguém. Ficou do lado de fora do restaurante encostado no seu carro. Tinha o lugar perfeito para levá-la. Era bem inusitado, já que pelos gostos da garota, pelo que ele percebeu até o momento, ela só gostava de coisa fina. Esperava que ela gostasse da escolha que ele fez.
Olhou o relógio no pulso. 19h. Levantou os olhos e lá estava ela, com seus famosos vestidos chamativos no quesito cores. O recorte do mesmo era até que simples.
- Vamos logo! O quanto antes isso terminar, melhor.
- Calma lá, apressadinha.
tirou de trás de si uma margarida e estendeu até a moça.
- Só pra tirar o clichê de rosas. - deu de ombros e se virou para abrir a porta do carro.
Em menos de quinze minutos estavam no lugar que o ator escolheu para jantarem. nunca havia ido para aqueles arredores de onde estavam. Talvez porque raramente saía do restaurante para passear. No geral estava tão cansada após um dia inteiro de trabalho que ao entrar em casa só queria saber de sua cama.
- Espero que a comida daqui seja do gosto da chef. - o rapaz disse ao lado dela enquanto andavam pra dentro do estabelecimento e se sentavam em uma mesa.
Logo ela notou que era uma hamburgueria. Ela achou inusitado? Achou. Os últimos encontros que teve os rapazes tentavam a levar nos restaurantes do mesmo nível que o seu, mas essas experiências foram tão desastrosas que ela não gostava nem de lembrar.
ficou encarando a mulher para ver se ela falava ou demonstrava algo que não tinha gostado do lugar. , por outro lado, pegou o cardápio e analisou as opções da casa.
- Vou querer o número catorze, batata frita e um suco de laranja, por favor. - entregou o cardápio pra garçonete e encarou o rapaz.
- O mesmo que ela, obrigado.
Esperaram a moça sair para enfim poderem conversar. Quer dizer, ele, já que ela analisava o lugar. Era bem confortável, de um jeito bem rústico e decorações com várias fotos de bandas antigas de diversos gêneros.
- E então? Gostou do lugar?
- É um ambiente bem agradável e diferente do que estou acostumada. Sim.
- Ótimo. - sorriu e esperou que ela puxasse assunto com ele. Não fez. Ela apenas ficou batendo o pé no chão e olhava pra tudo, menos pra ele. - Então, me conta um pouco mais sobre você.
- O que tem pra saber de mim que você já não sabia?
- Muita coisa. Sei que você não é daqui. Por que Nova Iorque? Por que culinária? O que você mais gosta de fazer além de cozinhar?
Ela se ajeitou na cadeira e ponderou se responderia àquelas perguntas ou não. Suspirou e começou.
- Bem, em Barbados eu tinha um pequeno negócio com minha família. Eu era a modelo deles, a que eles queriam que minha vida fosse do jeito que eles haviam planejado: casada com um carinha que frequentava muito nosso quiosque, mas acabei engravidando de uma outra pessoa por lá. Logicamente eles não gostaram muito da única filha engravidar sem estar casada. Aconteceu que na mesma noite que contei eles me expulsaram de casa. Tinha uma amiga por aqui que me acolheu nesse meio tempo até me estabilizar. Ela me emprestou dinheiro para montar o restaurante. Ele passou por muitas reformas desde o que é hoje. Escolhi culinária porque sempre fui rodeada disso. Minha família inteira sempre fazia um verdadeiro banquete quando se encontravam, então era natural que eu acabasse entrando nesse meio. Adoro experimentar coisas novas. - pausou um pouco e encarou o rapaz que prestava atenção em tudo o que falava. - E nas minhas horas livres eu gosto de escrever.
- Gosta de escrever? Que tipo de histórias?
- Suspense e Terror, meus gêneros preferidos.
- Você vai ter que me mostrar um dia desses.
- Certo, mas e você? Por que atuação? Você sempre morou aqui?
- Sim, sempre morei aqui. Descobri atuação nas peças que participava na pré-escola que frequentava. Você vai rir, mas foi amor à primeira vista, sério. Minha primeira apresentação foi como Ursinho Pooh e, mesmo criança, eu adorei sentir aquele frio na barriga de ansiedade e toda aquela emoção e prometi que repetiria tudo aquilo um dia. No meu tempo livre eu gosto de sair, me divertir com meus amigos, mas também aprecio muito minha casa e minha cama, então dão um empate essas coisas. - riu no final, ficando sério em seguida. – Desculpe perguntar, mas não passou despercebido. Você disse que teve um bebê?
- Não, eu disse que engravidei. Perdi o bebê logo em seguida que me mudei pra NY, o que me deixou de cama por algum tempo, já que eu estava gostando da ideia de ser mãe. – colocou o cotovelo na mesa e apoiou a cabeça na mão.
- Sinto muito, .
- Tudo bem. Talvez não fosse minha hora mesmo – deu de ombros.
Foram interrompidos pela garçonete que trazia seus pedidos. Continuaram nesse ritmo de conversa até perceberem que havia ficado apenas os dois no recinto. gostou bastante da noite. Teve a chance de conhecer mais e havia adorado.
Na volta pra casa, ouviram alguns clássicos da música e cantaram todas.
- Bem, acho que chegamos. – segurou sua bolsa e sorriu na direção do rapaz. – Obrigada pela noite, . Eu adorei. – ela ia se despedir com um beijo na bochecha, só que na hora que virou pra olhar pra ela, seus lábios se encontraram. Foi um tremendo de um susto pros dois. Instantaneamente, começaram a rir da situação.
- Meu Deus, desculpa por isso – ela disse entre um riso e outro. – Que vergonha, nossa.
- Desculpada. Mas eu não peço desculpas pelo que vou fazer agora. – ele colocou uma das mãos no rosto da mulher e aproximou seus lábios dos dela, dando um selinho leve ali. Pressionou o local mais um pouco e logo iniciaram um verdadeiro beijo. Ambos estavam gostando muito da situação e tirando proveito um do outro.
foi a primeira a se soltar, logo saindo do carro sorrindo e balançando a cabeça.
abaixou o vidro do carro.
- Amanhã nos vemos.
Os dias foram passando e eles se viam com mais frequência a cada dia. Estavam tendo um lance, mas nenhum dos dois queria rotular o que estavam fazendo. também sabia que não era um homem de uma mulher só. Pra ela estava bom porque não queria nada sério com homem nenhum também. Sua carreira vinha acima de tudo.
Em uma das noites que passaram juntos ele havia se precipitado tanto ao ponto de ter pedido ela em casamento com a promessa que nada lhe faltaria. A resposta veio curta e grossa. “Não preciso de uma aliança no dedo para me fazer sentir completa”, mas logo em seguida ela percebeu o que estava acontecendo. Ele confundiu a atração física que sentiam um pelo outro como sendo algo a mais e era por isso que precisava dar um basta naquilo. Ele sabe que ela tem sua própria vida. comprou tudo que está nela. Ela queria amor de verdade, coisa que ele não poderia lhe dar.
Então, no meio daquela noite, pegou suas coisas e saiu de fininho da casa do ator, prometendo a si mesma que aquilo não se repetiria mais.




Fim.



Nota da autora: Olá! Obrigada por ter lido até aqui. Espero que tenha gostado e não se esqueça de deixar um comentário.
Beijos,
Baby.




Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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