Capítulo Único
— Essa garota se tornou uma mulher que cheira a problema.
Sem desgrudar os olhos da mulher a quem Dave se referia, null apenas assentiu lentamente, mal prestando atenção nos resmungos que null, irmão dela, soltou em resposta ao que o amigo tinha falado. A verdade é que null não conseguiria desviar nem se quisesse porque null dançando era quase uma hipnose e agora ele estava vidrado.
— Ei, tira os olhos! — null rosnou, batendo na nuca de null com força o suficiente para que ele saísse do estupor.
O homem riu, desviando com relutância da figura da irmã do melhor amigo, que dançava parecendo alheia à atenção que recebia.
— Relaxa, cara. — null passou a mão pela nuca. — A null é quase uma irmã.
A mentira saiu doce nos lábios dele. null tinha sido quase uma irmã pra ele quando ela tinha doze anos, ainda era uma grande fã de boybands estúpidas e era uma tagarela engraçadinha que amava arrumar briga. Isso tinha mudado quando os dois se afastaram pela distância quando ele foi fazer faculdade e só aumentado agora. null agora era uma mulher de vinte e cinco anos, recém-chegada de uma viagem de longos meses pela Europa, inteligente e linda como o inferno. Depois de quase cinco anos sem vê-la, null definitivamente não a via mais como uma irmã.
— Você come suas irmãs com os olhos também? — Dave perguntou suavemente.
— Vai se foder. — null fez uma careta, afastando imediatamente a imagem das irmãs recebendo o olhar que ele tinha dedicado para null na última hora.
— Vocês são nojentos — null resmungou, descendo o último gole de bebida. — Eu preciso de mais bebida pra aguentar isso.
— Eu aceito outra cerveja — null avisou, balançando a long neck vazia.
O amigo saiu falando algo inaudível e null voltou sua atenção para null, mas ela tinha parado de dançar e vinha na direção dele com um sorriso nos lábios e cabelos bagunçados de quem tinha aproveitado sua passagem na pista de dança. A leveza que ela exalava o fez sorrir de volta mesmo que ela nem estivesse olhando para ele e sim para a amiga que a acompanhava.
— Onde está meu irmão? — null perguntou, sentando no banco alto que rodeava a mesa onde estavam.
— Acabou de ir para o bar — Dave respondeu, apontando para a direção.
— Eu vou pegar as nossas bebidas. — Kaya, amiga de null, se voluntariou.
— Isso é só desculpa. — null revirou os olhos, assistindo a amiga se afastar rapidamente.
— Desculpa para quê? — null perguntou, curioso.
— Para se livrar de mim — respondeu, sorrindo com malícia. — Ela quer descansar e só vai voltar quando ver que eu estou dançando acompanhada.
— Esperta — Dave brincou.
— E essa é a deixa de vocês — null acrescentou, olhando de um para outro.
— De...? — null arqueou a sobrancelha.
— De dar esse descanso para ela e dançar comigo! — anunciou alegremente.
null riu com a entonação extremamente empolgada da mulher, o que chamou sua atenção diretamente para ele.
— Nem pense — ele prontamente alertou. — Eu não danço.
— Mas estava particularmente interessado em assistir você dançar, null — Dave denunciou, recebendo um olhar irritado do amigo. — Nem me olhe assim!
— Ah, qual é, null! — A mulher mordiscou o lábio, puxando a mão dele. — Uma dança não vai te matar.
— Podemos ver, pelo desespero da Kaya, que pode matar, sim — ele justificou, apontando para onde a amiga dela tinha corrido.
— Eu pego leve com você — soltou, dando uma piscada pra ele.
Pensamentos impróprios inundaram a mente dele e nenhum deles envolvia null pegando leve com ele. Imediatamente balançou a cabeça para afastá-los e focou nos olhos brilhantes da mulher.
— Eu nem sei dançar! — Tentou se esquivar de novo.
— Eu ensino! — ela disse, pulando da cadeira imediatamente e o puxando pela mão que ela ainda segurava. — Vem, você não vai amarelar.
null a olhou com os olhos atormentados de cachorrinho, mas nem isso pareceu comover null, que continuou firme, o esperando levantar. Finalmente se rendendo, ele levantou e deixou ser guiado até a pista de banca abarrotada de gente.
— Vamos lá, null, não fica com essa cara — null reclamou, quando parou de frente para ele. — Já te obrigaram a fazer coisa pior.
— Já, mas me obrigarem a manter as mãos longes das irmãs bonitas dos meus melhores amigos foi uma dessas coisas e você está me fazendo descumprir — null confessou, provocando uma crise de risos em null.
— Essa desculpa foi péssima e, mesmo assim, não dou a mínima. Você pode se entender depois com os irmãos superprotetores, ridículos e machistas que são seus amigos — ela disse, puxando as mãos dele para a cintura dela. — Mas agora você vai dançar comigo.
— Você quer me botar em uma enrascada com seu irmão, não é? — Balançou a cabeça lentamente.
— Talvez eu queira — retrucou, divertida. — E se não for com ele, será comigo. Com qual dos nulls você quer acabar a noite de mal hoje, null?
— Oh, definitivamente não com a mais bonita.
— Você não acha que flertar comigo vai piorar a fúria do meu irmão? — Ela ergueu as sobrancelhas, colocando as mãos nos ombros dele.
— Com certeza, vai, mas se for pra dar motivo para null me bater, que seja um motivo real. — null abriu um sorriso cafajeste, a puxando para mais perto dele. — Melhor?
— Eu não sou de beijar e contar, sabia? — null umedeceu os lábios, falando bem perto do ouvido dele. — Não precisa se preocupar com o null.
null piscou lentamente, tentando se acostumar com a situação. Não fazia muito tempo que ele tinha parado de ver null como uma garota, mas ali, de frente para ele, ela até parecia outra pessoa. Ele era doze anos mais velho que null e nunca, nunca, tinha se permitido vê-la de qualquer outra forma, até que ela voltou do intercâmbio como uma mulher, não só a irmã mais nova do seu melhor amigo. Eles flertavam de brincadeira em casa, null fazia isso por ser natural, mas agora parecia muito real.
— É, não é com o null que eu preciso me preocupar — null murmurou, deixando as mãos deslizarem pelo corpo dela no ritmo animado da música. — É com você.
— Não era você que me chamava de encrenca? — null sorriu com leveza, mexendo os quadris onde as mãos dele tinham parado. — Eu preciso honrar meu apelido de alguma forma agora que não arrumo mais briga tão frequentemente.
— Tenho certeza de que agora o tipo de encrenca que você causa são corações partidos — brincou, arqueando uma sobrancelha. — Não narizes quebrados.
null riu, recordando de quando ela tinha quebrado o nariz dele com um soco no que deveria ser uma pegadinha de Halloween. Em sua defesa, ele e null tinham armado para assustá-la e sabiam muito bem que não devia fazer isso com uma pré-adolescente que estava se tornando boa demais no karatê.
— Eu realmente deixo uma trilha de corações partidos por onde passo — concordou, entrando na onda do homem. — Tá se oferecendo para ser o próximo?
null soltou um riso rouco e sexy que reverberou pelo corpo todo de null devido à proximidade que a boca dele estava do ouvido dela. As mãos da mulher apertaram de leve os ombros dele e seus quadris se moveram para ainda mais perto do de null.
— A ter o nariz quebrado ou o coração? — questionou, mantendo um sorriso divertido nos lábios.
— O coração — respondeu, rindo novamente. — Embora eu ache que isso seria uma tarefa quase impossível.
— Eu não te subestimaria, null. — null soltou a cintura dela e a segurou pela mão, fazendo-a girar ao redor de si mesma antes de puxá-la contra seu peito. — Você é bonita e sagaz demais para o bem de qualquer homem sensato.
— E você é um homem sensato? — provocou, levemente ofegante agora.
— Estou longe de ser um. — null passou a língua pelo lábio inferior, movimento que foi captado pelos olhos atentos de null. — Mas até eu sei o perigo que é. Pura encrenca.
— Você gosta de se meter em encrencas — ela retrucou, deslizando a mão até a nuca dele, aproximando seus rostos.
— Acho que eu estou velho demais para me meter em encrencas — disse, fitando os lábios vermelhos que estavam tão próximos dos dele.
— E é exatamente por isso que você devia se meter. — null arranhou a sua nuca suavemente, balançando os quadris no ritmo sexy e lento do reggaeton que tinha começado a tocar.
— Você sabe que nós nunca daríamos certo, né? — null a apertou ainda mais contra si.
Apesar de estar de olho em null desde quando ela voltou e foi morar temporariamente com ele e null — que estava morando com null enquanto seu novo apartamento ficava pronto —, ele sabia que nunca iriam funcionar. Gostava de null, os dois eram bons amigos, flertavam por hobby, falavam sobre relacionamentos passados e criavam cenários onde os dois eram um casal só para irritar null.
— Eu sei disso. — null deu de ombros e virou de costas para ele, jogando o cabelo para um lado do ombro. — E é por isso que eu estou falando de sexo, null. Não precisa se preocupar com sentimentos, pois os meus estão muito bem trancados.
O corpo dele agitou só com a mera menção de sexo com ela, um pensamento que tinha começado a rondar sua cabeça depois das muitas vezes que a encontrou usando shorts minúsculos em casa. Envolvendo um braço ao redor dela, null abaixou o rosto e seus lábios roçaram a pele exposta do ombro livre de null. O corpo dela arrepiou por inteiro e, por instinto, tombou a cabeça para o lado oposto, dando ainda mais espaço para ele.
— Eu quero você — ela murmurou. — E você me quer.
— Eu quero — falou contra a pele dela, beijando de leve a nuca de null. — Mesmo sabendo que não devia.
null sorriu, inebriada demais por um momento. O perfume dele era uma droga que ela tinha se tornado viciada morando na mesma casa e agora com ele tão perto, ela podia muito bem estar prestes a uma overdose de null. O peito largo dele estava contra suas costas, o braço ao redor do seu corpo, a respiração irregular contra sua pele e a boca a provocando levemente. Por Deus, ela o queria há tanto tempo que ter essa palinha parecia o paraíso, ainda mais quando o ouvia confessar isso.
— Vocês podiam guardar esse show para um quarto?
null revirou os olhos quando Dave apareceu em seu campo de visão e se afastou um pouco de null, para o desgosto dela.
— Eu sou uma defensora de demonstrações de carinho em público. — null deu uma piscadela para ele.
— Você aprendeu muita coisa errada em Amsterdã, null. — Dave fez uma careta, a repreendendo.
— Eu posso te ensinar um pouco qualquer dia desses — ela sugeriu, cheia de malícia. — O Nathan iria adorar.
— O Nathan já aprende coisa demais com você. — Dave riu. — Mas, de qualquer forma, estamos indo embora.
— Por quê? — null perguntou, confuso.
— Porque enquanto vocês estavam aqui no bem bom, a Kaya arranjou briga e foi escoltada pelos seguranças até lá fora. O null estava com ela e foi junto, mas me ligou para avisar — ele relatou, já virando as costas para ir na frente.
— Ai meu Deus, ela tá bem? — null arregalou os olhos, disparando na frente.
— Ele não deu muito detalhes — acrescentou, mas a mulher já tinha saído na frente, abrindo caminho entre os corpos dançantes na pista de dança.
Quando saíram e ouviram o relato de null e Kaya sobre o acontecido, null finalmente respirou novamente e até riu ao saber de como Kaya, com um metro e meio, tinha defendido null de um cara de quase dois metros, que tinha resolvido arrumar briga com null por ter derrubado um pouco de cerveja nele. Apesar de não ter acontecido nada sério com os dois, resolveram ir embora mesmo assim e depois de deixarem Kaya em casa, voltaram para o apartamento de null.
Duas horas depois de chegarem à casa, null ainda não tinha conseguido dormir. A cama parecia desconfortável e o calor — que não tinha nada a ver com a lareira acesa — estava incomodando. null tinha a atiçado e a sensação da boca dele em seu pescoço parecia ter deixado uma queimadura em sua pele. Foi por isso que desistindo de dormir, alcançou o celular na mesa de cabeceira e torceu para que null ainda estivesse acordado.
Enviada a mensagem, null encarou o teto e as sombras provocadas pelas chamas da lareira, mas rapidamente voltou sua atenção para o celular quando este anunciou uma nova mensagem.
null sorriu para a tela antes de mandar a próxima mensagem.
Não houve resposta por alguns minutos e quando null estava prestes a levantar e ir para o quarto dele, a porta do seu quarto abriu. A única luz do quarto vinha das chamas da lareira e ela assistiu enquanto null trancava a porta e caminhava lentamente em direção a ela. A calça de moletom caía baixa nos quadris dele e a boca de null secou em antecipação ao admirar o corpo dele. As omoplatas salientes, o abdômen definido e o V tentador que se perdia no cós da calça.
— Perdeu o sono, linda? — ele perguntou, parando na beira da cama.
— E a culpa é toda sua — respondeu, sentando na cama.
— E o que eu fiz? — null retorceu os lábios, fingindo não entender.
— É o que você não fez, na verdade. — null ergueu o canto da boca, deixando o edredom cair até sua cintura.
O olhar de null acompanhou a queda do lençol e os olhos azuis queimaram como as chamas da lareira ao ver que null realmente não estava usando nada, como tinha dito na mensagem.
— Você dorme assim toda noite? — null indagou, umedecendo os lábios.
null segurou o sorriso de satisfação com o olhar vidrado de null e, ainda lentamente, afastou o lençol que ainda cobria metade do seu corpo e engatinhou até a beira da cama, parando de joelhos na frente de null. Dessa forma, ficaram de frente um para o outro e o olhar dele viajou pelo resto do corpo da mulher, admirando cada centímetro de pele exposto.
— Toda noite — null confirmou. — Nunca fui muito fã de pijamas.
— Como diabos eu vou dormir direito agora que eu sei disso? — Ele fez o primeiro movimento, apoiando um joelho na cama e agarrando a cintura dela com as duas mãos.
— Vamos descobrir. — null sorriu, roçando a boca na dele. — Mais tarde.
null envolveu os braços ao redor do pescoço de null e o puxou para junto dela, caindo de costas na cama com tanta força que null precisou ser rápido ao segurar seu peso no antebraço para não esmagar a mulher. Quando as bocas se encontraram, null perdeu tudo. Agarrou os cabelos dele com força, ansiosa, e abriu os lábios sob os de null, provando o gosto de menta quando suas línguas encostaram. Ele grunhiu contra o beijo, erguendo uma das pernas dela e enganchando em seu quadril para que ele pudesse se acomodar melhor contra ela. Os dedos de null apertaram a coxa de null, provocando um arquejo desesperado por parte dela.
Tudo ao redor parecia ter desaparecido, ficando apenas null e null no momento, nenhum dos dois se importando mais em ser quietos ou não. Tudo que null sentia agora era a maciez e o calor exalando do corpo de null e como ele queria beijar cada centímetro dela até o amanhecer. Todos os toques e beijos enviavam correntes de choque pelas terminações nervosas de null, que já estava ávida por mais.
null separou o beijo, parando um momento para admirar os lábios inchados e vermelhos de null, sorrindo por ela parecer tão inebriada quanto ele. O azul dos olhos dele tinha se tornado quase preto com as pupilas dilatadas, tamanho era o desejo que um mísero beijo já o fazia sentir. Ele escorregou os lábios pelo queixo dela, deixando uma trilha de beijos pelo pescoço, sugando e mordendo a pele, se deliciando com os múrmuros satisfeitos de null até descer um pouco mais.
A respiração de null se tornou ainda mais ofegante — se é que era possível — quando null ergueu o olhar para ela, um sorriso insolente emoldurando os lábios dele antes que sua boca fechasse ao redor do mamilo enrijecido de um dos seios dela. Ela conseguiu morder o lábio bem a tempo de reprimir o gemido de prazer com a mistura de dor e prazer que inundou seu corpo quando null beliscou e puxou o outro mamilo enquanto sua boca estava ocupada. null fechou os olhos, sentindo sua boceta latejar como resposta a null.
Ele brincou com um, depois com outro, circulando a língua ao redor do mamilo, sugando e mordendo com força o suficiente para que null fosse ao céu e voltasse com o prazer que a dorzinha trazia.
— Por Deus, você é tão sensível — ele sussurrou, a voz rouca e deliciosa. — Eu mal posso esperar pra fazer todos os tipos de depravações com você.
null soltou uma risada rouca e agarrou os cabelos dele com força, o fazendo erguer o rosto para ela.
— Ótimo. — Ela mordiscou o lábio inchado. — Não acho que eu esteja se quer perto de acabar com você.
— Você ainda não viu nada, amor — null falou e a promessa na voz dele quase a fez estremecer.
null o puxou para cima e ergueu o tronco, capturando a boca dele em outro beijo feroz. null, que não era fã de delicadeza, enrolou a mão no cabelo dela e puxou sua cabeça para trás, ficando sob ela enquanto suas bocas se provavam com desejo e sem pudor algum. null se remexeu contra dele, necessitando do contato e null sorriu, sabendo exatamente o que ela queria.
null mordeu o lábio inferior de null, transformando o sangue nas veias dele em fogo puro e ardente. null grunhiu baixinho e voltou a jogá-la de costas na cama, mas dessa vez escorregou até estar entre as pernas dela e beijou o interior da coxa de null, recebendo um gemido sonoro como recompensa. Ele beijou o interior da outra coxa, escovando os lábios na pele dela por provocação.
— Para de brincar — ela exigiu, o que o fez rir.
— Mas é tão bom... — suspirou preguiçosamente, segurando a coxa dela e deixando mais um beijo.
— Não quando... — Antes que null terminasse a frase, null a silenciou com o toque da língua exatamente onde ela queria.
null gemeu, arqueando as costas da cama com o prazer que explodiu por seu corpo quando null a lambeu. Jogando a perna dela em seu ombro, ele a provou, girando a língua em movimentos circulares que tornava impossível para ela se manter quieta. null estava duro, o corpo rígido e tenso, ficando ainda mais dolorido a cada som que saía da boca dela. Se ela não gozasse logo, ele iria, e não seria muito bom para o ego dele, mas excitada como estava, não demorou para null se desmanchasse em seus lábios. Os dedos dela apertaram o lençol freneticamente e a força com que mordeu o lábio podia muito bem rasgar sua boca.
— Com essa boca, você vai direto para o inferno — null sussurrou, sem fôlego.
null sorriu presunçoso com o comentário e levantou da cama e tirou um preservativo do bolso da calça antes de abaixar o moletom junto com a boxer. null se apoiou nos cotovelos, apreciando a vista imponente do homem em sua frente.
— E eu vou junto por gostar tanto — declarou, ajoelhando na cama quando null subiu novamente.
null beijou o pescoço, depois o peito largo e quente, enquanto suas mãos exploravam o corpo dele como se quisessem gravar cada cantinho para um mapa. Os olhos de null eram pura luxúria e null sabia que podiam muito bem ser um reflexo dos dela.
— Me fode — ela pediu, mordiscando o lóbulo da orelha dele.
— Porra, sim. — Ele a segurou pela nuca, chocando seus lábios em outro beijo intenso.
null colocou a camisinha e, no momento seguinte, agarrou null pela bunda, apertando com tanta força que ela sabia que estaria roxa amanhã.
— Assim é melhor — null disse, sentando de joelhos na cama e a trazendo para frente, de costas pra ele. — Agora senta, amor.
A respiração de null ficou ainda mais irregular quando ela olhou para frente e viu o que ele queria. O espelho enorme do outro lado do cômodo refletia a imagem dos dois na cama e de repente tudo pareceu ficar ainda mais intenso. null apoiou as mãos nos quadris dela e lentamente a ajudou a sentar. Os olhos dela fecharam em prazer puro e primitivo com cada centímetro seu que era preenchido por null. Ele xingou, grunhiu e respirou fundo com a boceta dela envolvendo seu pau.
— Abra os olhos — ele pediu, afastando o cabelo dela para um ombro só. — Assista.
null fez o que ele pediu ao mesmo tempo que começou a se mover em um ritmo lento, sem pressa a princípio. Era estranhamente ainda mais excitante se assistir enquanto fazia isso. A boca dele encontrou o pescoço dela, seu quadril se movendo contra o de null a cada descida. Mesmo começando devagar, os dois estavam necessitados demais para permanecer assim e logo o ritmo se tornou frenético, desesperado.
Os gemidos de null em seu ouvido eram puro êxtase para null, que rebolava e descia rápido. Ele segurou os seios dela com as mãos, os apertando e empurrando para cima, tornando o reflexo no espelho ainda mais erótico. Os gemidos cada vez mais altos, as respirações cada vez mais falhas preenchiam o quarto junto ao crepitar do fogo da lareira.
— O que aconteceu com a parte de saber ser silenciosa? — null provocou, mordendo o ombro dela com força.
— Você tornou mais difícil. — Com um sorrisinho inebriado, ela o encarou por cima do ombro. — Me beija.
null a beijou de forma desajeitada pela posição, envolvendo uma mão ao redor do pescoço dela. Segurou o lábio inferior dela entre os lábios, mordendo com delicadeza, depois voltando a beijá-la enquanto brincava com o mamilo dela com a outra mão. null grunhiu, sufocando um grito quando null abandonou o outro seio e desceu até sua boceta novamente, esfregando o clitóris com movimentos precisos. Ele sentia que estava prestes a explodir a qualquer momento e sabia que null não estava longe disso também.
Ela cravou as unhas no braço dele, na mão que ainda estava a segurando pelo pescoço. null sentia que podia muito bem estilhaçar com o prazer que estava nublando sua mente e quando desceu mais uma vez, seu corpo finalmente cedeu. As paredes dela apertaram ao redor do pau de null e null soltou o som mais gostoso que ele já tinha ouvido na vida, uma mistura de múrmuros e gemidos entoando o nome dele baixinho e sem fôlego. null não precisou de mais do que isso para gozar também, a segurando com mais força contra ele enquanto gemia o nome dela.
Por um momento, os dois apenas se encararam pelo espelho, ainda inertes demais para fazer qualquer outra coisa. null foi a primeira a se recuperar e lentamente saiu dele, caindo de costas na cama. null se livrou da camisinha e em seguida deitou ao lado dela, se apoiando no antebraço para apreciar a visão no rosto vermelho e encharcado de suor da mulher ao seu lado.
— Tá pensando em quê? — ele perguntou, espalmando a mão na barriga nua da mulher.
— Em como nossas sombras ficam boas.
null riu, erguendo o olhar para o teto onde, de fato, as chamas da lareira faziam com que eles refletissem.
— Acho que ficamos bem em qualquer coisa que nos reflita — murmurou, presunçoso.
— Quer testar? — ela perguntou, maliciosa. — Sem sentimentos, é claro.
null se inclinou para cima dela, rodeando seu corpo com um braço.
— Sem sentimentos me parece bom — concordou, abaixando o rosto para perto do dela.
— Ótimo — null disse, satisfeita. — Agora me beija.
Sem pensar duas vezes, null a beijou.
Sem desgrudar os olhos da mulher a quem Dave se referia, null apenas assentiu lentamente, mal prestando atenção nos resmungos que null, irmão dela, soltou em resposta ao que o amigo tinha falado. A verdade é que null não conseguiria desviar nem se quisesse porque null dançando era quase uma hipnose e agora ele estava vidrado.
— Ei, tira os olhos! — null rosnou, batendo na nuca de null com força o suficiente para que ele saísse do estupor.
O homem riu, desviando com relutância da figura da irmã do melhor amigo, que dançava parecendo alheia à atenção que recebia.
— Relaxa, cara. — null passou a mão pela nuca. — A null é quase uma irmã.
A mentira saiu doce nos lábios dele. null tinha sido quase uma irmã pra ele quando ela tinha doze anos, ainda era uma grande fã de boybands estúpidas e era uma tagarela engraçadinha que amava arrumar briga. Isso tinha mudado quando os dois se afastaram pela distância quando ele foi fazer faculdade e só aumentado agora. null agora era uma mulher de vinte e cinco anos, recém-chegada de uma viagem de longos meses pela Europa, inteligente e linda como o inferno. Depois de quase cinco anos sem vê-la, null definitivamente não a via mais como uma irmã.
— Você come suas irmãs com os olhos também? — Dave perguntou suavemente.
— Vai se foder. — null fez uma careta, afastando imediatamente a imagem das irmãs recebendo o olhar que ele tinha dedicado para null na última hora.
— Vocês são nojentos — null resmungou, descendo o último gole de bebida. — Eu preciso de mais bebida pra aguentar isso.
— Eu aceito outra cerveja — null avisou, balançando a long neck vazia.
O amigo saiu falando algo inaudível e null voltou sua atenção para null, mas ela tinha parado de dançar e vinha na direção dele com um sorriso nos lábios e cabelos bagunçados de quem tinha aproveitado sua passagem na pista de dança. A leveza que ela exalava o fez sorrir de volta mesmo que ela nem estivesse olhando para ele e sim para a amiga que a acompanhava.
— Onde está meu irmão? — null perguntou, sentando no banco alto que rodeava a mesa onde estavam.
— Acabou de ir para o bar — Dave respondeu, apontando para a direção.
— Eu vou pegar as nossas bebidas. — Kaya, amiga de null, se voluntariou.
— Isso é só desculpa. — null revirou os olhos, assistindo a amiga se afastar rapidamente.
— Desculpa para quê? — null perguntou, curioso.
— Para se livrar de mim — respondeu, sorrindo com malícia. — Ela quer descansar e só vai voltar quando ver que eu estou dançando acompanhada.
— Esperta — Dave brincou.
— E essa é a deixa de vocês — null acrescentou, olhando de um para outro.
— De...? — null arqueou a sobrancelha.
— De dar esse descanso para ela e dançar comigo! — anunciou alegremente.
null riu com a entonação extremamente empolgada da mulher, o que chamou sua atenção diretamente para ele.
— Nem pense — ele prontamente alertou. — Eu não danço.
— Mas estava particularmente interessado em assistir você dançar, null — Dave denunciou, recebendo um olhar irritado do amigo. — Nem me olhe assim!
— Ah, qual é, null! — A mulher mordiscou o lábio, puxando a mão dele. — Uma dança não vai te matar.
— Podemos ver, pelo desespero da Kaya, que pode matar, sim — ele justificou, apontando para onde a amiga dela tinha corrido.
— Eu pego leve com você — soltou, dando uma piscada pra ele.
Pensamentos impróprios inundaram a mente dele e nenhum deles envolvia null pegando leve com ele. Imediatamente balançou a cabeça para afastá-los e focou nos olhos brilhantes da mulher.
— Eu nem sei dançar! — Tentou se esquivar de novo.
— Eu ensino! — ela disse, pulando da cadeira imediatamente e o puxando pela mão que ela ainda segurava. — Vem, você não vai amarelar.
null a olhou com os olhos atormentados de cachorrinho, mas nem isso pareceu comover null, que continuou firme, o esperando levantar. Finalmente se rendendo, ele levantou e deixou ser guiado até a pista de banca abarrotada de gente.
— Vamos lá, null, não fica com essa cara — null reclamou, quando parou de frente para ele. — Já te obrigaram a fazer coisa pior.
— Já, mas me obrigarem a manter as mãos longes das irmãs bonitas dos meus melhores amigos foi uma dessas coisas e você está me fazendo descumprir — null confessou, provocando uma crise de risos em null.
— Essa desculpa foi péssima e, mesmo assim, não dou a mínima. Você pode se entender depois com os irmãos superprotetores, ridículos e machistas que são seus amigos — ela disse, puxando as mãos dele para a cintura dela. — Mas agora você vai dançar comigo.
— Você quer me botar em uma enrascada com seu irmão, não é? — Balançou a cabeça lentamente.
— Talvez eu queira — retrucou, divertida. — E se não for com ele, será comigo. Com qual dos nulls você quer acabar a noite de mal hoje, null?
— Oh, definitivamente não com a mais bonita.
— Você não acha que flertar comigo vai piorar a fúria do meu irmão? — Ela ergueu as sobrancelhas, colocando as mãos nos ombros dele.
— Com certeza, vai, mas se for pra dar motivo para null me bater, que seja um motivo real. — null abriu um sorriso cafajeste, a puxando para mais perto dele. — Melhor?
— Eu não sou de beijar e contar, sabia? — null umedeceu os lábios, falando bem perto do ouvido dele. — Não precisa se preocupar com o null.
null piscou lentamente, tentando se acostumar com a situação. Não fazia muito tempo que ele tinha parado de ver null como uma garota, mas ali, de frente para ele, ela até parecia outra pessoa. Ele era doze anos mais velho que null e nunca, nunca, tinha se permitido vê-la de qualquer outra forma, até que ela voltou do intercâmbio como uma mulher, não só a irmã mais nova do seu melhor amigo. Eles flertavam de brincadeira em casa, null fazia isso por ser natural, mas agora parecia muito real.
— É, não é com o null que eu preciso me preocupar — null murmurou, deixando as mãos deslizarem pelo corpo dela no ritmo animado da música. — É com você.
— Não era você que me chamava de encrenca? — null sorriu com leveza, mexendo os quadris onde as mãos dele tinham parado. — Eu preciso honrar meu apelido de alguma forma agora que não arrumo mais briga tão frequentemente.
— Tenho certeza de que agora o tipo de encrenca que você causa são corações partidos — brincou, arqueando uma sobrancelha. — Não narizes quebrados.
null riu, recordando de quando ela tinha quebrado o nariz dele com um soco no que deveria ser uma pegadinha de Halloween. Em sua defesa, ele e null tinham armado para assustá-la e sabiam muito bem que não devia fazer isso com uma pré-adolescente que estava se tornando boa demais no karatê.
— Eu realmente deixo uma trilha de corações partidos por onde passo — concordou, entrando na onda do homem. — Tá se oferecendo para ser o próximo?
null soltou um riso rouco e sexy que reverberou pelo corpo todo de null devido à proximidade que a boca dele estava do ouvido dela. As mãos da mulher apertaram de leve os ombros dele e seus quadris se moveram para ainda mais perto do de null.
— A ter o nariz quebrado ou o coração? — questionou, mantendo um sorriso divertido nos lábios.
— O coração — respondeu, rindo novamente. — Embora eu ache que isso seria uma tarefa quase impossível.
— Eu não te subestimaria, null. — null soltou a cintura dela e a segurou pela mão, fazendo-a girar ao redor de si mesma antes de puxá-la contra seu peito. — Você é bonita e sagaz demais para o bem de qualquer homem sensato.
— E você é um homem sensato? — provocou, levemente ofegante agora.
— Estou longe de ser um. — null passou a língua pelo lábio inferior, movimento que foi captado pelos olhos atentos de null. — Mas até eu sei o perigo que é. Pura encrenca.
— Você gosta de se meter em encrencas — ela retrucou, deslizando a mão até a nuca dele, aproximando seus rostos.
— Acho que eu estou velho demais para me meter em encrencas — disse, fitando os lábios vermelhos que estavam tão próximos dos dele.
— E é exatamente por isso que você devia se meter. — null arranhou a sua nuca suavemente, balançando os quadris no ritmo sexy e lento do reggaeton que tinha começado a tocar.
— Você sabe que nós nunca daríamos certo, né? — null a apertou ainda mais contra si.
Apesar de estar de olho em null desde quando ela voltou e foi morar temporariamente com ele e null — que estava morando com null enquanto seu novo apartamento ficava pronto —, ele sabia que nunca iriam funcionar. Gostava de null, os dois eram bons amigos, flertavam por hobby, falavam sobre relacionamentos passados e criavam cenários onde os dois eram um casal só para irritar null.
— Eu sei disso. — null deu de ombros e virou de costas para ele, jogando o cabelo para um lado do ombro. — E é por isso que eu estou falando de sexo, null. Não precisa se preocupar com sentimentos, pois os meus estão muito bem trancados.
O corpo dele agitou só com a mera menção de sexo com ela, um pensamento que tinha começado a rondar sua cabeça depois das muitas vezes que a encontrou usando shorts minúsculos em casa. Envolvendo um braço ao redor dela, null abaixou o rosto e seus lábios roçaram a pele exposta do ombro livre de null. O corpo dela arrepiou por inteiro e, por instinto, tombou a cabeça para o lado oposto, dando ainda mais espaço para ele.
— Eu quero você — ela murmurou. — E você me quer.
— Eu quero — falou contra a pele dela, beijando de leve a nuca de null. — Mesmo sabendo que não devia.
null sorriu, inebriada demais por um momento. O perfume dele era uma droga que ela tinha se tornado viciada morando na mesma casa e agora com ele tão perto, ela podia muito bem estar prestes a uma overdose de null. O peito largo dele estava contra suas costas, o braço ao redor do seu corpo, a respiração irregular contra sua pele e a boca a provocando levemente. Por Deus, ela o queria há tanto tempo que ter essa palinha parecia o paraíso, ainda mais quando o ouvia confessar isso.
— Vocês podiam guardar esse show para um quarto?
null revirou os olhos quando Dave apareceu em seu campo de visão e se afastou um pouco de null, para o desgosto dela.
— Eu sou uma defensora de demonstrações de carinho em público. — null deu uma piscadela para ele.
— Você aprendeu muita coisa errada em Amsterdã, null. — Dave fez uma careta, a repreendendo.
— Eu posso te ensinar um pouco qualquer dia desses — ela sugeriu, cheia de malícia. — O Nathan iria adorar.
— O Nathan já aprende coisa demais com você. — Dave riu. — Mas, de qualquer forma, estamos indo embora.
— Por quê? — null perguntou, confuso.
— Porque enquanto vocês estavam aqui no bem bom, a Kaya arranjou briga e foi escoltada pelos seguranças até lá fora. O null estava com ela e foi junto, mas me ligou para avisar — ele relatou, já virando as costas para ir na frente.
— Ai meu Deus, ela tá bem? — null arregalou os olhos, disparando na frente.
— Ele não deu muito detalhes — acrescentou, mas a mulher já tinha saído na frente, abrindo caminho entre os corpos dançantes na pista de dança.
Quando saíram e ouviram o relato de null e Kaya sobre o acontecido, null finalmente respirou novamente e até riu ao saber de como Kaya, com um metro e meio, tinha defendido null de um cara de quase dois metros, que tinha resolvido arrumar briga com null por ter derrubado um pouco de cerveja nele. Apesar de não ter acontecido nada sério com os dois, resolveram ir embora mesmo assim e depois de deixarem Kaya em casa, voltaram para o apartamento de null.
Duas horas depois de chegarem à casa, null ainda não tinha conseguido dormir. A cama parecia desconfortável e o calor — que não tinha nada a ver com a lareira acesa — estava incomodando. null tinha a atiçado e a sensação da boca dele em seu pescoço parecia ter deixado uma queimadura em sua pele. Foi por isso que desistindo de dormir, alcançou o celular na mesa de cabeceira e torceu para que null ainda estivesse acordado.
null
online
online
A sua cama está mais confortável que a minha?
Enviada a mensagem, null encarou o teto e as sombras provocadas pelas chamas da lareira, mas rapidamente voltou sua atenção para o celular quando este anunciou uma nova mensagem.
null
online
online
A sua cama está mais confortável que a minha?
Eu teria que ir testar a sua pra saber...
Sinta-se convidado para vir
Estou deitada usando nada mais que um par de brincos se servir de incentivo.
Muito tentador...
Como vou dormir sabendo que você tá pelada no quarto vizinho?
null sorriu para a tela antes de mandar a próxima mensagem.
null
online
online
Não vai dormir, porque você vai vir para cá
Seu irmão está no quarto ao lado
As paredes são grossas e eu sei ser bem silenciosa quando quero, null.
Então você vai parar de perder tempo e vir para cá agora se souber o que é bom para você
Não houve resposta por alguns minutos e quando null estava prestes a levantar e ir para o quarto dele, a porta do seu quarto abriu. A única luz do quarto vinha das chamas da lareira e ela assistiu enquanto null trancava a porta e caminhava lentamente em direção a ela. A calça de moletom caía baixa nos quadris dele e a boca de null secou em antecipação ao admirar o corpo dele. As omoplatas salientes, o abdômen definido e o V tentador que se perdia no cós da calça.
— Perdeu o sono, linda? — ele perguntou, parando na beira da cama.
— E a culpa é toda sua — respondeu, sentando na cama.
— E o que eu fiz? — null retorceu os lábios, fingindo não entender.
— É o que você não fez, na verdade. — null ergueu o canto da boca, deixando o edredom cair até sua cintura.
O olhar de null acompanhou a queda do lençol e os olhos azuis queimaram como as chamas da lareira ao ver que null realmente não estava usando nada, como tinha dito na mensagem.
— Você dorme assim toda noite? — null indagou, umedecendo os lábios.
null segurou o sorriso de satisfação com o olhar vidrado de null e, ainda lentamente, afastou o lençol que ainda cobria metade do seu corpo e engatinhou até a beira da cama, parando de joelhos na frente de null. Dessa forma, ficaram de frente um para o outro e o olhar dele viajou pelo resto do corpo da mulher, admirando cada centímetro de pele exposto.
— Toda noite — null confirmou. — Nunca fui muito fã de pijamas.
— Como diabos eu vou dormir direito agora que eu sei disso? — Ele fez o primeiro movimento, apoiando um joelho na cama e agarrando a cintura dela com as duas mãos.
— Vamos descobrir. — null sorriu, roçando a boca na dele. — Mais tarde.
null envolveu os braços ao redor do pescoço de null e o puxou para junto dela, caindo de costas na cama com tanta força que null precisou ser rápido ao segurar seu peso no antebraço para não esmagar a mulher. Quando as bocas se encontraram, null perdeu tudo. Agarrou os cabelos dele com força, ansiosa, e abriu os lábios sob os de null, provando o gosto de menta quando suas línguas encostaram. Ele grunhiu contra o beijo, erguendo uma das pernas dela e enganchando em seu quadril para que ele pudesse se acomodar melhor contra ela. Os dedos de null apertaram a coxa de null, provocando um arquejo desesperado por parte dela.
Tudo ao redor parecia ter desaparecido, ficando apenas null e null no momento, nenhum dos dois se importando mais em ser quietos ou não. Tudo que null sentia agora era a maciez e o calor exalando do corpo de null e como ele queria beijar cada centímetro dela até o amanhecer. Todos os toques e beijos enviavam correntes de choque pelas terminações nervosas de null, que já estava ávida por mais.
null separou o beijo, parando um momento para admirar os lábios inchados e vermelhos de null, sorrindo por ela parecer tão inebriada quanto ele. O azul dos olhos dele tinha se tornado quase preto com as pupilas dilatadas, tamanho era o desejo que um mísero beijo já o fazia sentir. Ele escorregou os lábios pelo queixo dela, deixando uma trilha de beijos pelo pescoço, sugando e mordendo a pele, se deliciando com os múrmuros satisfeitos de null até descer um pouco mais.
A respiração de null se tornou ainda mais ofegante — se é que era possível — quando null ergueu o olhar para ela, um sorriso insolente emoldurando os lábios dele antes que sua boca fechasse ao redor do mamilo enrijecido de um dos seios dela. Ela conseguiu morder o lábio bem a tempo de reprimir o gemido de prazer com a mistura de dor e prazer que inundou seu corpo quando null beliscou e puxou o outro mamilo enquanto sua boca estava ocupada. null fechou os olhos, sentindo sua boceta latejar como resposta a null.
Ele brincou com um, depois com outro, circulando a língua ao redor do mamilo, sugando e mordendo com força o suficiente para que null fosse ao céu e voltasse com o prazer que a dorzinha trazia.
— Por Deus, você é tão sensível — ele sussurrou, a voz rouca e deliciosa. — Eu mal posso esperar pra fazer todos os tipos de depravações com você.
null soltou uma risada rouca e agarrou os cabelos dele com força, o fazendo erguer o rosto para ela.
— Ótimo. — Ela mordiscou o lábio inchado. — Não acho que eu esteja se quer perto de acabar com você.
— Você ainda não viu nada, amor — null falou e a promessa na voz dele quase a fez estremecer.
null o puxou para cima e ergueu o tronco, capturando a boca dele em outro beijo feroz. null, que não era fã de delicadeza, enrolou a mão no cabelo dela e puxou sua cabeça para trás, ficando sob ela enquanto suas bocas se provavam com desejo e sem pudor algum. null se remexeu contra dele, necessitando do contato e null sorriu, sabendo exatamente o que ela queria.
null mordeu o lábio inferior de null, transformando o sangue nas veias dele em fogo puro e ardente. null grunhiu baixinho e voltou a jogá-la de costas na cama, mas dessa vez escorregou até estar entre as pernas dela e beijou o interior da coxa de null, recebendo um gemido sonoro como recompensa. Ele beijou o interior da outra coxa, escovando os lábios na pele dela por provocação.
— Para de brincar — ela exigiu, o que o fez rir.
— Mas é tão bom... — suspirou preguiçosamente, segurando a coxa dela e deixando mais um beijo.
— Não quando... — Antes que null terminasse a frase, null a silenciou com o toque da língua exatamente onde ela queria.
null gemeu, arqueando as costas da cama com o prazer que explodiu por seu corpo quando null a lambeu. Jogando a perna dela em seu ombro, ele a provou, girando a língua em movimentos circulares que tornava impossível para ela se manter quieta. null estava duro, o corpo rígido e tenso, ficando ainda mais dolorido a cada som que saía da boca dela. Se ela não gozasse logo, ele iria, e não seria muito bom para o ego dele, mas excitada como estava, não demorou para null se desmanchasse em seus lábios. Os dedos dela apertaram o lençol freneticamente e a força com que mordeu o lábio podia muito bem rasgar sua boca.
— Com essa boca, você vai direto para o inferno — null sussurrou, sem fôlego.
null sorriu presunçoso com o comentário e levantou da cama e tirou um preservativo do bolso da calça antes de abaixar o moletom junto com a boxer. null se apoiou nos cotovelos, apreciando a vista imponente do homem em sua frente.
— E eu vou junto por gostar tanto — declarou, ajoelhando na cama quando null subiu novamente.
null beijou o pescoço, depois o peito largo e quente, enquanto suas mãos exploravam o corpo dele como se quisessem gravar cada cantinho para um mapa. Os olhos de null eram pura luxúria e null sabia que podiam muito bem ser um reflexo dos dela.
— Me fode — ela pediu, mordiscando o lóbulo da orelha dele.
— Porra, sim. — Ele a segurou pela nuca, chocando seus lábios em outro beijo intenso.
null colocou a camisinha e, no momento seguinte, agarrou null pela bunda, apertando com tanta força que ela sabia que estaria roxa amanhã.
— Assim é melhor — null disse, sentando de joelhos na cama e a trazendo para frente, de costas pra ele. — Agora senta, amor.
A respiração de null ficou ainda mais irregular quando ela olhou para frente e viu o que ele queria. O espelho enorme do outro lado do cômodo refletia a imagem dos dois na cama e de repente tudo pareceu ficar ainda mais intenso. null apoiou as mãos nos quadris dela e lentamente a ajudou a sentar. Os olhos dela fecharam em prazer puro e primitivo com cada centímetro seu que era preenchido por null. Ele xingou, grunhiu e respirou fundo com a boceta dela envolvendo seu pau.
— Abra os olhos — ele pediu, afastando o cabelo dela para um ombro só. — Assista.
null fez o que ele pediu ao mesmo tempo que começou a se mover em um ritmo lento, sem pressa a princípio. Era estranhamente ainda mais excitante se assistir enquanto fazia isso. A boca dele encontrou o pescoço dela, seu quadril se movendo contra o de null a cada descida. Mesmo começando devagar, os dois estavam necessitados demais para permanecer assim e logo o ritmo se tornou frenético, desesperado.
Os gemidos de null em seu ouvido eram puro êxtase para null, que rebolava e descia rápido. Ele segurou os seios dela com as mãos, os apertando e empurrando para cima, tornando o reflexo no espelho ainda mais erótico. Os gemidos cada vez mais altos, as respirações cada vez mais falhas preenchiam o quarto junto ao crepitar do fogo da lareira.
— O que aconteceu com a parte de saber ser silenciosa? — null provocou, mordendo o ombro dela com força.
— Você tornou mais difícil. — Com um sorrisinho inebriado, ela o encarou por cima do ombro. — Me beija.
null a beijou de forma desajeitada pela posição, envolvendo uma mão ao redor do pescoço dela. Segurou o lábio inferior dela entre os lábios, mordendo com delicadeza, depois voltando a beijá-la enquanto brincava com o mamilo dela com a outra mão. null grunhiu, sufocando um grito quando null abandonou o outro seio e desceu até sua boceta novamente, esfregando o clitóris com movimentos precisos. Ele sentia que estava prestes a explodir a qualquer momento e sabia que null não estava longe disso também.
Ela cravou as unhas no braço dele, na mão que ainda estava a segurando pelo pescoço. null sentia que podia muito bem estilhaçar com o prazer que estava nublando sua mente e quando desceu mais uma vez, seu corpo finalmente cedeu. As paredes dela apertaram ao redor do pau de null e null soltou o som mais gostoso que ele já tinha ouvido na vida, uma mistura de múrmuros e gemidos entoando o nome dele baixinho e sem fôlego. null não precisou de mais do que isso para gozar também, a segurando com mais força contra ele enquanto gemia o nome dela.
Por um momento, os dois apenas se encararam pelo espelho, ainda inertes demais para fazer qualquer outra coisa. null foi a primeira a se recuperar e lentamente saiu dele, caindo de costas na cama. null se livrou da camisinha e em seguida deitou ao lado dela, se apoiando no antebraço para apreciar a visão no rosto vermelho e encharcado de suor da mulher ao seu lado.
— Tá pensando em quê? — ele perguntou, espalmando a mão na barriga nua da mulher.
— Em como nossas sombras ficam boas.
null riu, erguendo o olhar para o teto onde, de fato, as chamas da lareira faziam com que eles refletissem.
— Acho que ficamos bem em qualquer coisa que nos reflita — murmurou, presunçoso.
— Quer testar? — ela perguntou, maliciosa. — Sem sentimentos, é claro.
null se inclinou para cima dela, rodeando seu corpo com um braço.
— Sem sentimentos me parece bom — concordou, abaixando o rosto para perto do dela.
— Ótimo — null disse, satisfeita. — Agora me beija.
Sem pensar duas vezes, null a beijou.
FIM
Nota da autora: Eu mudei de plot no mínimo umas oito vezes, sem zoeira algumaaa! Quando pensei que tinha decidido uma, já tinha escrito umas doze páginas, empaquei de novo e decidi começar essa do nada no dia de entregar. Então, depois de tanto perrengue, espero realmente que vocês gostem, gente. Não deixem de comentar o que acharam porque foi uma luta pra terminar aqui. Beijos!
Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.