Finalizada em: 17/01/2018

Capítulo Único

- É... - ele gaguejou um pouco. - Eu queria muito te dizer uma coisa antes que você entre.
Por mais que aquele não fosse o melhor momento, ele desejou que fosse, que tudo aquilo, fosse apenas fácil.
- Era tudo uma mentira. - ele continuou, suas mãos foram em direção às dela que estava bem ali a sua frente. - Eu espero que entenda a demora das respostas, eu quero você sim, eu preciso de você sim, eu amo você sim, por favor, não se case.
Ele implorou, impondo todos suas mentiras já jogadas. Por medo, talvez?

Northwood, em algum lugar distante, 1894, 18 anos
- Você lê romances demais, Nanda! - disse desacreditada.
- E você não? - Nanda olhou estranho para a amiga. - me faz pensar que essas coisas são totalmente reais e você não me engana, , eu sei muito bem de suas apostas em .
- ? - a garota perguntou, fingindo não saber de nada.
- Ora, não se faça de boba! - riu. - Eu sei muito bem sobre seu amor por desde que nos conhecemos, por mais que você fale já ter esquecido dele dessa forma, não acredito em uma só palavra.
- E por que eu deveria me importar sobre você acreditar ou não? - a olhou de lado, a amiga quando queria, conseguia ser grossa e ainda sim parecer uma garota delicada, mas de delicada, em realidade não havia absolutamente nada.
- Você quando quer consegue. - a amiga respirou fundo. - Consegue ser detestável. Qual o problema de você gostar do seu melhor amigo?
- Vai contra minhas regras! - riu com a mentira. - Primeiro - ela fez uma pausa. - A família dele me detesta e você sabe muito bem o porquê. Segundo, ele não está nem aí para sentimentos e você também sabe muito bem disso. Terceiro, nós temos a grandiosa Louisa na história onde sabemos que chance não me resta nem mesmo se eu estivesse de bom humor.
- Você é muito pessimista! - levantou seu dedo até a amiga. - Você tem tudo para ser melhor que ela e sobre a família dele, você também sabe muito bem que isso de te odiarem é apenas fantasia da sua cabeça. Você consegue ter mania de perseguição desde que Joanna espalhou os boatos sobre você e Jay.
- Joanna nem mesmo sabe escrever o próprio nome, você ainda acha que foi ela quem espalhou os boatos pela cidade? - deu uma gargalhada alta.
- E quem mais seria? - perguntou confusa. - Ela é a suspeita principal e até mesmo já confessou.
- Joanna me odeia, mas não a esse ponto. - soltou uma respiração pesada. - Provavelmente a família dela estava precisando de dinheiro depois do naufrágio das colheitas, quem seria a pessoa que ofereceria dinheiro para me deixar fora de seu caminho? E olha que eu nem sou tão importante assim.
- Louisa? - olhou com os olhos semicerrados. - Acho que apenas ela faria isso.
- Na mosca. - riu. - Acho que aqueles livros que você anda lendo escondido até que estão te ajudando.
- E você anda muito amarga, por Deus. - riu, tocando os ombros da amiga, em seguida, direcionando o olhar para a sua frente. - Chegamos.
- Eu já disse que fazer entregas é horrível? - bufou. - Mas ela precisa tanto de ajuda, que eu nem me preocupo. - ela apontou em direção a mãe com a cabeça, a mulher estava agitada na loja, estava toda suja de fermento de pão, mas ainda sim fazia questão de sorrir e atender todos pessoalmente no local. - O bom disso tudo é que você e sempre estão comigo e eu nunca precisei fazer entrega nenhuma que nos causasse problemas. - ela disse, se referindo a família e a família Nollan, que no caso seria a de Louisa. - Acho que minha vida está onde deveria estar, estamos bem financeiramente. - ela olhou para o local em que a mãe tinha para si como negócio. - Eu estou longe de quem não me traz nada de bom, estou com vocês, está tudo onde deveria estar.
- Você sabe que está enganado a si mesma, não é? - apareceu atrás delas junto com . - Você nunca terá uma vida estável dessa maneira tendo ele. - olhou em direção ao garoto que se encontrava dentro do estabelecimento de sua mãe, sorrindo amorosamente a mais velha. - Em sua vida. - ela completou.
- Que calúnia! - reclamou. - Posso viver muito bem dessa forma, eu já disse que não sinto nada por ele, tudo aquilo foi quando éramos crianças e antes de Jay surgir com intensidade e desaparecer na mesma intensidade. - ela bufou inquieta.
- . - chamou a atenção para si, já que a garota ainda olhava para o outro dentro da loja. - Você sabe que ele não percebe fácil não é? Afinal, não é porque quase todos perceberam que ele perceberia.
- Ele percebeu! - disse baixo voltando seu olhar ao rapaz que saia do local sorrindo e indo em direção ao amigos. - Há muito tempo.

Northwood, em algum lugar distante, 1895, 19 anos
Um ano se passou desde toda aquela conversa que havia caído em puro esquecimento, e nada havia mudado. Ali estavam eles no mesmo local, porém agora relembravam o passado.
- , já que estamos falando de passado, sabe o que eu ainda me lembro? - chamou a atenção da garota que estava entretida com um morango, os amigos ali presentes também começaram a prestar atenção. - Lembro de quando estávamos na grande árvore juntos e você se confessou para mim. - disse em seguida, rindo alto. - Lembro de ficar tão pasmo que até mesmo a empurrei e me vi correndo de volta para a casa.
Ali todos observavam a cena com atenção. Os olhos de brilhavam de pura raiva, os de de pura confusão, os de estavam bem parecidos com os de , mas conseguia-se ver a o desapontamento ali também. Já , ele conhecia bem o amigo, sabia o que pretendia com tudo aquilo e desaprovava as ações do mesmo, em seus olhos eram possível ver pura reprovação. sorriu sem graça ao amigo e fingiu não ter se recordado o quão passou a ser diferente para desde aquela época. Desejava nunca ter aberto a boca naquele dia, desejava ter apenas continuado com aquilo pra si, mas era impossível, era impossível não perceber, apenas um olhar já era possível saber a respeito, nos olhos de , a frustração era bem presente.
- Eu não me lembro disso. - ela mentiu. - Você deve ter uma memória boa.
- Como não? - ele sorriu fraco. - Você chorou por dias e eu até mesmo me senti mal e te comprei flores junto com minha mãe.
- Eu não me lembro de flores. - agora sim estava confusa, dessa vez, realmente não se lembrava do que ele estava falando.
- Isso foi porque eu nunca as entreguei. - Ele simplesmente disse, sem explicações ou algo que tirasse a tensão daquele momento, nada mais foi dito nem pelos amigos e nem por ele que a fitava sério, até que o relógio da torre da catedral central da cidade tocou e logo se levantou. - Tenho que buscar Louisa, vamos a um dos espetáculos de ópera hoje, vejo vocês depois. , você vem?
- Eu? - perguntou confusa.
- Você já se esqueceu que sempre a acompanho até o local onde sua mãe sempre a espera nesse horário? - Aquilo era uma brecha para ela e conversarem a sós, já havia acontecido antes, mas vindo de soava estranho, desde que Jay aparecera ele nem mesmo a dirigia a palavra diretamente.
Então ela recusou, ela não queria ver ele mentindo para ela mais uma vez. Não queria vê-lo agindo completamente normal perto dela, afinal, sobre aquela lembrança, suas versões não eram a mesmas.

Flashback: Grande Árvore, 12 anos
- Você sabe de tudo isso? - a garotinha disse, se sentando em um dos troncos baixos da árvore.
- Sim! - o garoto a olhou sorridente e em seguida mordeu a maçã colhida há pouco. - E você também sabia sobre essa história?
- A única história que me contaram sobre ela era completamente diferente - a garotinha coçou a cabeça confusa.
- E como era? - ele perguntou curioso.
- A mamãe contou a história de uma garotinha que não acreditava que um dia teria um amor para si e acabou encontrando o destino dela aqui. - a garotinha riu baixinho. - Ela me disse que em um dia de muito sol a garotinha subiu as pedras, como nós sempre fazemos para apanhar algumas frutas, assim que chegou, essa foi a primeira árvore que avistou, mas o sol estava tão forte que não a deixava enxergar direito e a árvore era tão alta nessa época que ela nem mesmo conseguia alcançar as frutas então escalou, mas não conseguiu parar. - a garotinha agora já havia se levantado e olhava para o alto, analisando o topo da árvore. - Mamãe disse que uma voz encantadora lá do topo a chamava, ela também disse que a voz era tão bonita que parecia canto aos ouvidos de qualquer um que a escutasse, mas que ela soava especialmente para a garota.
- Mas o que aconteceu? havia alguém naquele lugar? - a olhou mais confuso e sem deixar sua curiosidade de lado.
- Se me lembro bem, mamãe disse que a garota se soltou de um dos troncos por acidente e escorregou, caindo, mas que assim que seu corpo foi para ir de encontro ao chão ela podia ver flores roxas surgindo no local, iguais as nossas. - a garota disse, fazendo carinho em algumas plantas ali perto da mesma. - E que aquela voz que a chamava antes estava cada vez mais próxima, agora, fazendo-a despertar com prontidão. Tudo não havia passado de um sonho, a garota havia cochilado ao pé da arvore e ela lhe havia dado sonhos sobre como o destino funcionava, primeiro ele nos dá um grande pesadelo e depois esse pesadelo se transforma junto com todos nós, mamãe disse que tudo isso foi para dizê-la que ela encontraria o amor dela, bem aqui.
- O rapaz da voz, era o rapaz que a acordou? - ele riu, se sentindo óbvio.
- Exato! - riu do garoto que sorria bobo. - Eu gosto dessa história.
- Porquê? - ele pergunta, a olhando de olhos semicerrados.
- Porque ela me faz lembrar nós dois. - ela apenas disse, desde pequena sempre fora muito direta com as palavras, ela não pensava que meras palavras independente da importância pudessem fazer com que uma pessoa ficasse sem reação alguma.
- O quê? - ele perguntou baixo.
- Nós somos amigos, , eu sei disso, mas pense bem, nós também nos conhecemos aqui nesta árvore, isso não quer dizer que temos um destino juntos? - disse ingenuamente, afinal, realmente acreditava naquela historia. – Por que não podemos nos casar quando formos grandes? Teríamos um ao outro todos os dias, afinal.
se levantou vermelho, não se sabia se era de vergonha ou raiva pelas palavras da garota, então, pensou bem a respeito. E em meio aquilo tudo, a garota que ainda falava sobre o assunto também estava de pé o olhando. Foi aí que ele não conseguiu se segurar, olhando nos olhos dela, acabou se exaltando e empurrando a garota para trás pelos ombros e a mesma caiu sentada na ponta da árvore. Ela raramente chorava, mas sentia que aquele seria um momento certo para isso, nem mesmo ela sabia o porquê, mas, chorou.
E foi ao escutar ela chorando que ele, que já se encontrava com as costas viradas para ir em direção a sua casa, parou. Parou, a olhou e sentiu tristeza a ver que a havia feito chorar. Caminhou relutante a ela e se ajoelhou, a olhando e dizendo:
- Eu te machuquei? - a garota sacudiu a cabeça negativamente e ele continuou. - Me perdoe, eu não sei o que aconteceu comigo. - o garoto passou as mãos nos fios de cabelo da garota delicadamente, ela se encontrava ainda com a cabeça baixa e ele implorava para que ela o olhasse de novo, ele então sentiu o coração bater desproporcional assim que os toques da mãos da garotinhas pararam nas dele.
- Você promete que vai estar comigo sempre? - ele perguntou parando o carinho que ele fazia em sua cabeça. - Você não pode ir cedo como o papai foi.
- Eu não vou, eu prometo! - Ele sorriu fraco e despreocupado para ela, afinal, aquilo era apenas uma promessa de crianças.
Ou talvez não.
Flashback Off

Northwood, em algum lugar distante, 1896, 20 anos

- Você não precisa ir se não quiser! - A mãe de dizia com pesar. - Todos sabem o quão doloroso seria para você estar lá.
- Eu já disse a todos para pararem de dizer essas coisas. - suspirou. - Não se preocupe, eu estou e eu estarei bem.
- Já que insiste. - A mãe disse, deixando a garota terminar de se arrumar para o jantar de ensaio ao noivado de .

A garota não sabia de que forma agir ali naquele local, aliás, nem mesmo sabia o porque de ter sido convidada, não era exagero quando dizia que os boatos que Louisa mandara espalhar pela cidade sobre a mesma eram tão fortes quanto uma tempestade.
- ! - Louisa o repreendeu assim que a porta da enorme mansão fora aberta e a imagem de revelada em um vestido cor vinho que lhe caia muito bem com os ombros a mostra e os cabelos soltos, caindo sobre eles apenas com algumas faixas presas em um detalhe de flores também pintadas com a cor vinho. - Eu disse que não queria uma meretriz em nosso jantar.
A garota disse baixo mas audível o suficiente para que escutasse, acuando-se mais. Louisa sorriu ao ver aquilo.
A moça poderia ser de uma das famílias mais ricas da cidade, ela poderia ter tido a melhores aulas de etiqueta, ter as melhores roupas e até mesmo beleza, ela até mesmo poderia aparentar ser um anjo em meio a todos, mas de anjo ali nada existia.
- Você tem noticias do Jay, ? - ela perguntou mais uma vez, provocando.
- Louisa! - a chamou. - Eu já disse para não chamá-la dessa forma e muito menos falar sobre esse assunto.
- Você por acaso está defendendo uma Meretriz, ? - nesse momento o coração de se encheu de esperança, esperando que pelo menos o amigo, , aquele com quem cresceu, a defendesse, mas foi em vão.
- Eu não estou defendendo ninguém! - ele a olhou de soslaio. - Eu...apenas não quero confusão nesse dia que é tão especial para você, meu pais mandaram a convidar então apenas aceite isso.
- Tudo bem, querido - naquele momento certamente pensara que seu estômago todo viria para fora, não só por receber um choque tão grande de realidade, mas também ter que escutar coisas assim por uma noite inteira sem nem mesmo poder abrir a boca. Louisa se virou e deu um beijo de leve no rosto de .
- Vou ver como estão as coisas, leve a mere....desculpe, leve até onde ficarão os convidados, por favor! - ela sorriu maldosamente e saiu caminhando pelo local, olhou preocupado em seguida para ver se alguma reação aparecia em seu rosto, como tristeza ou raiva, se fosse alguma outra situação qualquer ele teria certeza que ela o olharia com raiva e que ele riria da mesma, mas essa não era a situação, a garota se encontrava parada na porta sem expressão alguma em seu rosto. E aquilo certamente o quebrou.
em todo o jantar e o pós, não havia dito uma palavra sequer, isso incomodava profundamente, porque neste momento, sua cabeça e seu coração concordavam na enorme vontade dele de escutar a voz dela com urgência.
Por que você a sujeita a isso? - se aproximou com um copo de alguma bebida cara e forte que os Nollan guardavam por ali.
O quê? - O amigo perguntou, se fazendo de desentendido tentando fugir do assunto. - Eu precisava vê-la a todo custo essa noite, eu precisava mesmo pensar seriamente no que ela faz que meu corpo, mente, alma e tudo se movem em direção a ela.
Para quem irá se casar, está em seu jantar de noivado e sempre recusou a linda garota que se encontra nessa sala, perdida nesse momento mesmo sabendo que ela sempre o amou, você está muito bem, meu amigo. - estava desapontado com a situação, o amigo, ali em sua frente pensava de forma tão egoísta. - Você em algum momento se perguntou o quão egoísta você está sendo? Você alguma vez pensou em como ela se sentiria?
- E-eu. - ele nem mesmo conseguiu completar um palavra, ele a olhou de novo, ela observava alguns quadros que estavam na parede, se demorasse mais um minuto ele iria em direção a ela e faria a mais pura questão de não deixá-la mais sozinha momento algum, ainda mais com aqueles olhares curiosos sobre ela. Mas sua oportunidade foi levada e os pais dele a abrigaram em uma conversa calorosamente amigável, fazendo todo o trabalho por ele.

Northwood, em algum lugar distante, 1897, 21 anos
havia voltado a tocar piano, ela fazia parte do corpo da orquestra do teatro, onde as principais peças de ópera se apresentavam. Ali, eles não ligavam para quem ela era e sim para o talento que a garota possuía. Por mais que naquela época, ter uma mulher trabalhando, mesmo que fosse com a arte, fosse sim mal visto. Mas de qualquer forma, nem , a mãe ou os amigos acharam ruim ou um absurdo, afinal, sabiam que ela não era normal, sempre fora mais avançada do que seu tempo.
- Você se apresentará essa noite? - a mãe perguntou sorridente. - Posso acompanhá-la?
- Sim! - a menina respondeu, sorrindo ao ver a empolgação da mãe. - Isso tudo é por terem aceitado minha sugestão sobre a história da grande árvore?
- Você sabe do meu amor com aquela história, . - a mãe sorriu sincera. - Passou por tantas gerações, você sabe que é a minha preferida.
- Eu sei porque você também conheceu papai no mesmo lugar. - se viu nostálgica. - Mas mesmo assim o destino foi um pouco absurdo demais.
- Não o culpe! - a mãe a repreendeu. - As vezes é preciso, amor demais pode fazer com que a ordem das coisas corram mal sucedidas.
- Eu sempre levei em consideração de que destino nós não temos, até porque nós o criamos. - a garota suspirou. - É apenas uma questão de tempo, sempre haverá alguém que ame mais, tendo uma relação ou não, o “destino”- ela disse com ênfase. -, só faz que alguém sofra.
- É triste vê-la dessa forma. - a mãe disse com pesar e a garota riu.
- Eu não estou sofrendo por ninguém, mãe. Ele nem mesmo está mais aqui para provocar isso. - ela riu fraco. - Quem deve estar sofrendo é Louisa.
- Ela apenas sofre se uma das unhas quebram. - a mãe riu. - Você deveria conversar com ele assim que ele voltar.
- Em relação a quê? - a olhou desconfiada.
- Você sabe o que! - a mãe saiu andando pela casa, deixando a filha sozinha.
- Eu não acho. - disse com sua expressão pensativa.

Flashback: Grande Árvore, 20 anos
caminhou lentamente com um livro qualquer em mãos em direção a grande árvore que se encontrava ali, não esperando ver mais ninguém. Seus dias haviam sido tão conturbados desde o jantar para o noivado de . Ela apenas se sentiu menos desconfortável no momento em que os pais dele vieram conversar com ela, a mesma ainda tinha em mente o fato de que eles se afastaram desde o boato com Jay.
Jay. O garoto Francês cujo veio a cidade para tratar de negócios, se mostrava tão frágil e amante da arte quanto . Se conheceram em plena torre do relógio por acidente, assim como fingiram não se conhecer da mesma forma, por um acidente.
- Pensando no destino? - a voz tão inesperada e familiar surgiu como um raio sendo lançado em um dia de chuva intensa, a fazendo abrir os olhos no mesmo momento e se mexer desconfortável.
- Para ser exata, pensando se ele existe e se é para o bem ou para o mal. - ela disse pensativa, voltando a sua posição anterior e sorrindo fraco para o garoto, apesar de tudo sempre fazia questão de parecer bem e agia com simpatia.
- Faz tempo que não a vejo sorrindo. - ele comentou, distraído olhando para ela. - Você sempre fica muito bem sorrindo, combina com você.
A garota apenas permaneceu em silêncio, aquilo era desconfortável trazia confusão dentro de si. Mais uma vez ela resolveu ignorar aquilo, resolveu fugir dele, mas antes que se levantasse era como se ele lesse os pensamentos dela, ele a impediu apenas com palavras, mas de qualquer forma ele teve que agir também.
- Eu vim apenas me despedir. - ele suspirou. - Eu sabia que podia te encontrar aqui.
- Despedir? - perguntou ela sem entender.
- Estou partindo para Paris hoje. - ele sorriu ao se lembrar de como a garota falava em conhecer Paris quando era mais nova. - A negócios. - ele disse coçando a cabeça desconfortável. - Você sabe, antes que eu...que eu me... - ele foi interrompido.
- Antes que você se case. - ela completou a frase antes que ele pudesse ter chance de continuar. - Isso é ótimo, você vai conhecer Paris antes de mim. - ela ficou em silêncio enquanto ele a observava com uma expressão enigmática, até mais uma vez, o relógio da catedral soar por toda a cidade. - Hm, tenho que ir, tenho entregas a fazer para minha mãe já que Mark está cuidando da mãe doente por um tempo.
- A mãe dele está doente? - ele perguntou, puxando assunto e tentando fazê-la ficar mais um tempo.
- Sim, mas é apenas uma gripe passageira - ela sorriu carinhosa. - Mas como ela já é de uma idade mais avançada nós deixamos com que ele cuidasse dela, para que não se torne algo pior como pneumonia.
- Entendo! - ele disse, concordando com a cabeça. - É uma ótima escolha.
- Sim. - ela fez uma pausa e o olhou. - Vou sair agora. – disse, sendo educada. - Espero que tenha uma viagem agradável e prazerosa.
- Eu vou sentir sua falta. - ele disse assim que a viu se virar para partir, a fazendo parar. - Eu realmente vim apenas para me despedir, mas eu estava com medo, mas, esse medo desapareceu assim que eu vi aquele sorriso.
caminhou em direção a garota que ainda estava de costas sem ter reação alguma, suspirou pesado pois seu coração não parava um segundo sequer de dar vestígios de que ele a queria, estava a ponto de enlouquecer também com sua cabeça mandando sinais para seu corpo dizendo que aquilo não era certo por ele ter uma noiva, mas quem ligava? Todos sabiam que Louisa e eram apenas uma casal feito por negócios. Ainda sim, ele negava todos, dizia que a amava e quando perguntavam sobre , ele apenas mentia. Ele a abraçou levemente por trás e apoiou seu queixo nos ombros da mesma, deixando uma sensação de calor e aconchego.
- Eu sei que pode parecer errado. - ele disse perto do ouvido dela. - Isso nem mesmo é permitido, eu estar tão próximo assim de você poderia causar sérios problemas, mas eu não ligo, eu gosto disso e espero que me perdoe por fazer isso.
A garota ainda estava paralisada, ela apenas o escutava, já estiveram próximos assim antes, mas quando eram crianças. nem mesmo se lembrava de quando essa sensação estranha por ela havia começado então todos os seus ator foram apenas impulsos, ele não pensou a respeito de consequência, então ele aproximou mais seu rosto da bochecha da garota e deixou ali um carinho, fechou seus olhos sentindo suas peles próximas e suspirou. Ela até tentou se esquivar dele, fugir mais uma vez, mas nem ela sabia o porquê de estar ali parada apenas dando atenção às palavras dele.
- Eu... - ele ficou em silêncio por um segundo. - Eu esperei muito por isso, desculpe-me por ser assim.
O garoto levou uma de suas mãos em direção ao rosto dela, segurou seu queixo e virou o virou de lado levemente para si, ela hesitou, sua cabeça implorava para que ela escutasse sua consciência de que por mais que sabia querer aquilo a muito tempo, sabia que não deveria. Mas ele a beijou do mesmo jeito e ela apenas o correspondeu.
Flashback Off

se dirigiu ao teatro para poder ensaiar até o momento em que a apresentação fosse começar, o que não demoraria muito.
- Boa tarde! - O homem mais velho disse sorrindo a . - Você chegou cedo.
- Vim praticar antes das pessoas chegarem. - ela sorriu ao mais velho de volta. - Incomodo se fizer isso?
- O piano é todo seu, querida. - ele disse. - Mas não se esforce tanto, você é esplêndida de qualquer maneira.
- E o senhor sabe como elogiar as pessoas. - ela riu baixinho.
- Por falar em elogiar. - ele passou os olhos pelo local. – , você pode vim aqui um momento, por favor? - disse ele ao garoto que aparentava ter a mesma idade de .
- Sim, tio, como posso ajudá-lo? - o garoto era composto de olhos charmosos e ao mesmo tempo amorosos, seus cabelos eram compridos, mas não muito, ele era mais alto que e aparentava ser forte.
- Essa é . - o mais velho a apresentou e a mesma se curvou por educação. - , esse é , meu sobrinho, ele se mudou para a minha casa depois que os pais faleceram, mas estava viajando e aprendendo mais sobre Arte em Paris. - o garoto repetiu o ato da garota, a cumprimentando corretamente. - Ela é a esplêndida pianista em que eu havia citado assim que você chegou.
- Ele falou muito bem sobre a senhorita. - ele sorriu a ela. - Tanto pessoalmente quanto pelas cartas, escutei muito sobre seu talento.
- Eu fico agradecida. - ela sorriu amorosa ao senhor ali presente. - Ele não sabe o quão importante saber que ele acha isso é.
- Não há porque ser importante. - ele a olhou abismado. - Você já deveria saber disso tudo, vamos, toque alguma coisa assim ele pode presenciar o que acontece na melhor parte do meu dia.
- O senhor realmente sabe agradar as pessoas. - ela riu dele e prontamente já sentou passando alguns dedos nas teclas.
Pôde-se dizer que foi nesse momento que se encantou por ela.

Northwood, em algum lugar distante, 1898, 22 anos
- Eu não acredito que o meu bem mais precioso está se casando hoje. - A mãe olhava orgulhosa para a garota que se arrumava em seu vestido branco e de estilo antigo, nada bufante, nada exagerado, simples como ela, com sua beleza natural.
- Mãe, pode ser sincera, você nunca achou que esse dia chegaria, não é? - ela jogou um sorriso brincalhão para a mãe.
- Não foi isso que eu quis dizer. - a mãe desviou o olhar rindo. - É que, você sabe, você com essa sua independência toda, nem mesmo parece que precisaria disso um dia, por mais que eu achasse que estaria naquele lugar.
- Nem se eu quisesse. - ela sorriu sincera para a mãe.
- Eu disse, quando algo ruim acontece, outra melhor aparece. - ela sorriu de forma terna. - te fez tão bem, eu acho que nem mesmo você imagina.
- Ele fez, não foi? - reafirmou, sorrindo.
- Sim! - ela sorriu de volta e segurou em uma das mãos da filha - está pronta?

Flashback: Grande Árvore, 21 anos
- eu sei que nós conhecemos há pouco tempo, mas você realmente me fez ficar encantado por você. - ele sorriu. - Cada detalhe seu me deixa sem saber o que fazer e eu não aguento mais estar longe de você.
- O que você quer dizer com isso? - perguntou, confusa.
- Eu não te quero como namorada, não te quero como noiva. - ele suspirou e arqueou as sobrancelhas, eles estavam em um tipo de relacionamento estranho, ele a fazia bem e ela o fazia bem, mas ainda sim, não estavam com um status além de amizade resolvido.
- Eu pretendi te trazer aqui porque sei que é seu lugar favorito. - ela sorriu ao saber que ele era observador. - A forma em que você contempla as coisas, como se tudo, até mesmo o lugar mais horrendo ou o dia mais cinza do mês, tudo para você é como se fosse uma obra prima, tudo tem o seu valor, você é maravilhosa e faz com que eu não saiba explicar como eu me sinto. - estava sentada na ponta de um tronco grande da árvore e ele se sentou ao lado dela a olhando nos olhos. - Você me deixa nervoso, me deixa sem palavras, você me deixa até mesmo sem expectativas e eu sei que provavelmente você está se perguntando porque sem expectativas. - ela sorriu por saber que ele notava sua expressão de quando se fazia perguntas mentais. - Sem expectativas seria exatamente por pensar em não ter você comigo, eu sei de toda sua fase complicada com ele. – disse, se referindo a e junto retorcia a cara em desgosto. - Eu sei de como as pessoas são absurdamente ruins também. - agora se referia à aos boatos e a Louisa. - E, é exatamente por isso que eu a quero por perto sempre, desde que nos conhecemos. Pode parecer algo egoísta da forma que eu vou dizer agora, mas eu quero proteger você de todos eles, daqueles que não te fizeram bem e não fazem, deixar você ser feliz apenas com as pessoas que vão amar você sempre. – disse, se referindo a , , , , e obviamente, disse referindo-se a si mesmo. - Me desculpe por estar sendo egoísta, mas eu quero você só para mim também. O que eu quero saber, é se você vai deixar que seja assim? Se você vai me querer dessa forma na sua vida, porque mesmo se não quiser, eu vou estar nela, mesmo você me rejeitando, eu vou cumprir cada palavra que eu disse, eu vou me manter ao seu lado.
- Você vai me fazer chorar - ela disse rindo fraco, mas seu encanto ainda era visível.
- Eu não terminei. - ele lançou mais um sorriso.
se levantou e ficou de joelhos na frente da garota, que agora o olhava assustado.
- Como eu disse antes, eu não te quero como amiga, namorada ou noiva, eu te quero como minha mulher, eu sei que somos novos e que você é tão independente quanto ele pensava que você era. - mais uma vez se referiu a , que já fora motivo de muita conversas entre si, já até mesmo havia dito que apenas tinha medo, já que ela era demais para ele, por isso ele mentia, por isso ele fingia, por isso ele tentava se afastar. Mas tudo não passava da mais pura mentira. - Eu te apoiarei. - ele sorriu amorosamente e buscou uma das mãos da garota. - Você quer se casar comigo?
Ela não pensou tanto a respeito, sabia que depois de mentiras de , se não estivesse por perto, provavelmente quando ele voltasse tudo seria a mesma coisa, ela voltaria a fingir que nada acontecia e continuaria com um jogo invencível e interminável de mentiras e declarações em formas de desculpa.
- Eu aceito! - ela disse prontamente fazendo com que ele abrisse o sorriso mais bonito que ela já poderia ter visto.
Flashback off

Prestes a entrar na igreja onde seus pais haviam se casado escondido, sua mãe a acompanhava, haviam decidido se casar em uma igreja apesar que poderia ser muito comum essas coisas serem feitas em casa, e haviam decidido que assim que o relógio da cidade soasse as as seis da tarde entraria. Mas antes disso era óbvio que algo aconteceria.
- Faltam quinze minutos para entrarmos. - a mãe sorriu orgulhosa. - Está pronta?
- Pronta eu nunca estou! - ela riu. - Olhe só, minhas mãos, estão tremendo. - a garota sorria para a mãe, era possível ver que estava feliz e ansiosa, mas toda essa sensação se tornou em estranheza, frio na boca do estômago e um certo desespero ao ver a figura de um rapaz correm em direção a elas, como havia comentado antes, definitivamente tinha bons olhos para tudo, até mesmo aquela cena era de se admirar, enquanto ele corria em direção a elas, o sol brilhava atrás de si fazendo com que os fios de cabelos do mesmo brilhassem de forma bonita ou melhor, era impossível explicar aquela cena, apenas que era uma das mais bonitas que já havia visto.
- Por favor, não! - ela ouviu ele dizer de longe, mas se aproximando apressadamente.
- Não podemos entrar agora? - a garota perguntou. - Por favor!
- Como você quiser! - a mãe ficou confusa. - Vou avisá-los.
- Não precisa, apenas vamos entrar, certo? - ela olhava ansiosa atrás de si.
- O que você tanto olha? - a mãe disse tentando se virar, mas impediu.
- Vamos! - a mais nova se virou em direção a porta e segurou a maçaneta com força, mas não houve tempo para prosseguir.
- ! - ele a chamou e a mãe arregalou os olhos, reconhecendo a voz.
- Você voltou! - ela fingiu simpatia.
- Eu cheguei? - ele se viu pasmo. - Eu chego e vou procurá-la em sua casa, mas ninguém apareceu, esperei por horas, até que Mark apareceu me perguntando o que estava fazendo ali, se eu não iria ao casamento, ele também disse que estava apenas pegando algo que esqueceu na loja antes que viesse. - ele jogou todas as palavras, parecia desesperado. - Como você vai se casar?
- Eu não o convidei porque você estava fora - ela o olhou sincera - sim eu irei me casar, muita coisa mudou desde que você viajou, para melhor.
- Você seguiu sem mim? - ele a olhou nos olhos, era possível ver tristeza ali, mas já foram tantas mentiras que talvez fosse impossível dizer se eram verdadeiras.
- Passo por passo, degrau por degrau - não era de seu feitio mas ela havia sido fria o suficiente para aquilo.
- Cinco minutos - a mãe alertou.
- Desculpe, tenho que me preparar. - sorriu fraco para ele. - Se quiser ficar para assistir e depois ir à festa que teremos na casa do senhor, Owen, está convidado. - ela disse, se virando para a porta e sorrindo fraco para a mãe. – Ah. - ela disse olhando para antes de ficar de frente para a porta. - Espero que você seja muito feliz, , sua volta é algo grandioso para todos. - se virou sem hesitar mais.
- É... - ele gaguejou um pouco, estava nervoso e não a reconhecia. - Eu queria muito te dizer uma coisa antes que você entre. - por mais que aquele não fosse o melhor momento ele desejou que fosse, que tudo aquilo, fosse apenas fácil. - Era tudo uma mentira. - ele continuou, suas mãos foram em direção às dela que estava bem ali em sua frente, porém já olhava para a porta a sua frente. - Eu espero que entenda a demora das respostas, eu quero você sim, eu preciso de você sim, eu amo você sim, por favor, não se case. Ele implorou, impondo todos suas mentiras já jogadas... Por medo, talvez?
- Você só pode estar louco. - ela se desprendeu da mão que ele havia pego.
- Três minutos. - a mãe avisou mais uma vez.
- Então apenas me responda algo, antes que entre. - ele respirou fundo. - Isso tudo. - ela o olhou de lado. - É apenas para me esquecer ou você realmente quer se casar com alguém que não ama? Por mais que você queira, não diga, não diga que não me ama porque eu sei que não passa de uma mentira.
- Um minuto. - assim que a mãe disse o som do relógio pode ser ouvido por todos os lados naquela pequena cidade.


Fim.



Nota da autora: Eu sei que pode ter ficado confuso, mas afinal, era seu primeiro amor contra aquele que te amou primeiro e você escolheu o quem? Me conte porque eu realmente estou curiosa para saber. Agradeço a você que leu, essa é uma das minhas mais xuxuzinhas e eu realmente espero que tenham gostado.
Obrigado por estar aqui, você já está em meu coração só por ter lido, mas me diga o que achou ou melhor, me diga quem você escolheria…

Xoxo Lay



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