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Última atualização: 30/07/2018

Capítulo Único


O 121 St. General Hospital estava agitado naquela tarde. Mesmo estando há um mês naquele lugar, ele nunca se acostumava com a quantidade de pessoas que entravam e saiam de lá. Antes de isso acontecer em sua vida, ele não fazia ideia da quantidade de pessoas que sofrem diariamente. E mesmo ali, com tudo que estava acontecendo, ela conseguia fazer com que ele fosse um ser humano melhor. Ela tinha esse dom na vida dele, chegava a ser cômico como as coisas boas simplesmente aconteciam quando ele ouvia aquela risada ou recebia aquele abraço.
já conhecia aquele hospital de cima a baixo. Mesmo estando em recuperação da fratura que ele tinha no tornozelo, ele sempre fazia uma caminhada aos arredores do prédio, e até mesmo dentro dele, quando a noite caía. Médicos, enfermeiros, o pessoal da limpeza e da cantina já o conheciam, e fazia questão de trocar uma ou duas palavras com todas aquelas pessoas que, de alguma forma, tornaram a estadia dele mais agradável ali.
Muitas daquelas pessoas já confortaram suas dores e seus choros de desespero quando as coisas apertavam ou quando recebia alguma notícia ruim sobre o quadro clínico. Deu uma última volta pela área externa da cafeteria e seguiu seu caminho de volta para o corredor B12, ala sul. Ao chegar à frente da sala 238, lentamente deslizou a porta azul, de correr, para o lado, e assim que conseguiu uma abertura boa para passar o corpo, ele o fez, e como todos os dias naquele mesmo horário, puxou uma cadeira e se sentou ao lado de . Sua , sua garota.
Aquela garota, aquela que um dia o salvou, estava ali, entre a vida e a morte. Em coma, ela parecia não sentir nenhuma dor, seu rosto estava sereno, e mesmo com os cortes e alguns poucos hematomas, a alma dela parecia estar bem. Aquele acidente há um mês tinha simplesmente engolido o mundo do rapaz. Ele estava prestes a realizar um dos sonhos dela, ele estava levando-a para um lugar lindo. Para o lugar que ela mais amava na terra. Quem imaginaria que, em plena terça-feira, três da tarde, alguém estaria tão embriagado ao volante a ponto de causar uma fissura na vida das pessoas.
vinha se torturando mentalmente todos os dias desde o acidente, afinal era culpa dele. Se ele não tivesse saído com ela aquele dia, se ele não tivesse desviado o olhar um segundo da estrada para olhar a forma que o sol iluminava o rosto dela, se ele não tivesse se apaixonado por ela, se ele não tivesse entrado na vida dela, talvez ela não estivesse naquele estado. Ele tinha aprendido esses anos ao lado dela a não se sentir culpado de tudo de ruim que acontecia ao seu redor, de se sentir especial, útil e amado. Mas, ali naquele momento, enquanto ele segurava delicadamente a mão dela para não tirar o acesso do soro de sua veia, ele chorou pela culpa, ele sentiu toda dor de ter contaminado a vida iluminada dela com a escuridão da sua vida. Ela sempre foi galáxia, luz e estrelas e coisas lindas, ele sempre foi escuridão, meteoro, um buraco negro que sugava e destruía tudo ao seu redor. Ele devia saber que ele ia acabar machucando-a, ele devia ter pensado antes de entrar na vida da garota. Ele só queria se sentir feliz, e ela sabia o fazer feliz apenas por respirar, apenas por sorrir. O que seria da vida dele se ele fizesse dela alvo do seu buraco negro? Estava consumido pela dor e pelas lágrimas.

Dois anos atrás...

Os olhos de pareciam não acreditar no que estava vendo, aquilo não era possível, não podia ser. Ele estava sentindo a noiva estranha há algum tempo, mas achava que era só nervosismo pré-casamento. Ele mesmo estava se sentindo estranho com aquele passo tão repentino, mas com a vinda de um bebê era difícil não agilizar as coisas. Todo aquele nervosismo também, quando ela descobriu a gravidez, não soou nenhum alarde na cabeça dele, afinal era um filho não planejado para os dois, mas a forma desesperada com que ela chorava, que repetia copiosamente que precisava fazer um telefonema em particular, devia o ter feito perceber que alguma coisa estranha estava acontecendo.
Ele se sentia pela primeira vez com as coisas sendo encaminhadas, que a vida dele tinha tomado um norte e que as coisas iam começar a dar certo, afinal ele teria uma família agora e tudo ficaria bem, as coisas tinham que começar a ficar bem em algum momento.
Ele foi um covarde, imaturo e irresponsável a sua vida toda. Sempre era passado para trás ou fazia escolhas erradas. Não era intencional, parecia que ele atraia esse tipo de coisa. A vida toda pressionado pelos pais para parecer com o irmão mais velho, que era um funcionário público bem sucedido, casado e com dois filhos lindos, eram realmente crianças lindas, a vida de era realmente boa, sempre o aluno número um no colégio, passou em primeiro nos testes, quando adulto para garantir seu emprego. Sempre muito atlético e simpático, era difícil para viver à sombra do irmão mais velho. A vida toda ele foi comparado ou lembrado por causa de , mas depois que aconteceu na vida dele, ele realmente achava que poderia viver uma vida onde só os passos dele importavam. Como sempre, ele estava enganado.
– Está tudo bem, irmão? – chegou perto do amigo, trazendo o café dos dois, um em cada mão.
tinha arrumado um emprego em uma grande agência da indústria do entretenimento, ele era olheiro de novos talentos, junto com . Eles se conheciam há muito tempo, da época do colégio, mas tinham se afastado por algum motivo, e lá estavam os dois juntos novamente trabalhando e podendo retomar a convivência. descobriu que havia se casado com , uma de suas colegas do tempo da escola, e eles estavam com planos de ter o segundo filho em breve. Ele tinha realmente crescido e se tornado um adulto de bem e responsável. queria poder sentir esse orgulho que sentia do amigo sobre ele mesmo e ter alguém que o sinta meio que inspiração, como vinha sendo em sua vida.
– Me diz que aquilo é mentira, , por favor! – , sem tirar os olhos do local, levantou lentamente a mão e apontou para o casal do outro lado da rua, distribuindo carícias e beijos apaixonados.
Eles tinham ido até a área de Gangnam-gu acompanhar um evento aquele final de semana, estavam de olho em dois rapazes muito bem comentados na cena underground e que se encaixavam perfeitamente nos perfis para fecharem o novo grupo que a agência estava querendo lançar. Ali também era a área em que seu irmão mais velho trabalhava. pensou em almoçar com o irmão, se tivesse um tempo bom para isso aquela tarde, mas a surpresa que ele teve foi ainda maior que um simples almoço.
virou a cabeça lentamente, com medo do que seus olhos encontrariam, nunca tinha visto o amigo tão pálido e impressionado daquele jeito. E não era por menos, assim que ele visualizou a cena, ficou igualmente sem reação.
– CARAMBA! – disse alto, soltando os copos no chão e colocando as duas mãos na boca. – Isso só pode ser uma piada. – Ele deixou as palavras saírem pelo meio dos dedos que ele apertava sobre a boca.
O barulho do líquido quente e dos copos batendo no chão chamou a atenção do casal do outro lado da rua. Assim que eles colocaram os olhos nos rapazes, ficaram tão surpresos quanto.
e disse, engolindo em seco e olhando o casal atravessar a rua em direção a eles.
Seus olhos se encheram de lágrimas, e se não fosse o amigo segurá-lo no momento em que o irmão surgiu a sua frente, ele teria acabado com a vida dele ali mesmo.
– Meu amor. – , nervosa, tentou agir como se nada tivesse acontecido, por sorte eles podiam ter acabado de chegar e ela poderia inventar uma desculpa qualquer.
lançou um olhar tão fuzilador para a mulher que ela sentiu o corpo todo estremecer, mas seguiu com seu plano em frente. – Fica calmo, meu amor, não é nada disso que você está imaginando. – Ela manteve a voz firme o máximo que pode, mas estava tão nervosa que sentiu que podia desmaiar ali mesmo.
– Quer dizer que além de corno, eu sou cego também? – Ele perguntou em um tom irônico, olhando friamente para a garota.
– Como assim corno, irmão? – também tentou maquiar a situação e reverter o que seja que ele tinha visto entre os dois. – Está imaginando coisas agora?
, eu vim conversar com seu irmão sobre nosso bebê. Como ele é pai, sabe como agir em certos momentos da gravidez, e eu não ando me sentindo muito bem esses dias. – Ela começou a esfregar os dedos e sabia que aquele era seu gesto quando estava nervosa.
– Acho que eu sou doido mesmo, isso sim. Além de corno, cego e agora eu imaginei a minha noiva, a mulher que está há três anos ao meu lado, estava com a língua enfiada dentro da garganta do meu irmão mais velho, o exemplo, casado, pai de família? – Ele começou a rir de nervoso de toda aquela situação, olhou nos olhos do amigo, que pereceu no mesmo instante seu sofrimento – Viu, , esses dois desgraçados estão tendo um caso pelas minhas costas e eu que sou o problema aqui. E ela não tem amigas, né? Para falar sobre gravidez. Era óbvio que você queria falar sobre seu filho com o pai dele. – riu fraco e respirou fundo.
– Vamos embora, , isso não está lhe fazendo bem. – usou seu olhar de serenidade e acolhimento para o amigo. Estar no meio de tudo aquilo era demais para o psicológico dele.
– Há quanto tempo estão saindo? Desde que nos conhecemos? Por quê? Como vocês puderam fazer isso comigo? – A mágoa e a raiva na voz dele era tão nítida que engoliu em seco, sentindo junto com o amigo aquelas sensações horríveis. – Como você pode ser tão baixa, ? Depois de tudo o que eu te disse, depois de saber como eu me sentia em relação a ele. – apontou para o irmão sem virar o olhar para ele. – Isso é cruel, fora que, meu Deus, ele é casado. Casado. Você conhece a mulher dele, suas crianças. Eu estou com nojo de você. – O olhar desaprovação era tão latente que só conseguiu emitir um som fino de choro.
– ELA ESTAVA ATRÁS DE UM HOMEM DE VERDADE. – disse, alterado, chamando a atenção de todos ali. – Você sempre foi um fracassado, um esboço de pessoa, um nada. queria saber como era ter um homem de verdade na sua vida, e por isso ela veio me procurar. – Aquelas palavras acertaram o mais novo como um soco na boca do estômago. – Todos esses anos e você não conseguiu nem dar um filho para ela, eu tive que fazer isso por você, como tudo na sua vida. – ficou paralisado. Como seu próprio irmão podia falar aquilo tão naturalmente? Pode ser porque talvez fosse verdade, tudo aquilo que ele disse não passava da mais pura verdade.
– Quem você pensa que é? Seu bastardo. – , alterado, passou à frente do amigo e desferiu um soco tão forte que levou o rapaz ao chão. – Você não passa de um asco para nossa sociedade. Alguém que fala assim com o próprio irmão pode ter tudo na vida, menos amor, e quem vive para ganância e luxúria recebe da vida apenas amarguras. Você é um desgraçado. – A raiva na voz de cortou bem dentro de . Ele sabia que o que o irmão disse era verdade, mas ter amigos como aquele o fazia ver que ele era realmente um covarde, que nunca conseguiria defender ninguém dessa forma.
Quando estava prestes a desferir outro soco, sentiu seu corpo sendo puxado.
– Vamos embora, , por favor, eu não posso mais ficar aqui. – As lágrimas escorriam incessantemente, e sua mente parecia que ia explodir.
sentiu todos os pontos nervosos esquentarem e, antes de seguir o amigo para o carro, ele deu outro soco em .
Eles voltaram para a agência e explicaram o que aconteceu. Felizmente um dos meninos era amigo dos destinados e ficou de falar com eles. O pessoal resolveu dar a semana de folga para os meninos, e realmente precisava de um tempo para assimilar tudo aquilo.
A primeira coisa que ele fez quando saiu daquela agência foi contar tudo para a cunhada, e mesmo que eles fossem irmãos e que a mulher dele soubesse da traição, ele precisava fazer isso, não podia deixar a mulher que há tanto tempo fazia parte de sua família e se dedicava tanto ao marido e as filhas fosse enganada dessa forma. Ele sabia o quanto era difícil para Jae tentar agradar não só o marido, mas sua sogra. A mãe dos meninos parecia fazer as coisas de propósito só para poder questionar ou humilhar a mulher sempre que podia, odiava aquilo e não ia deixar que continuasse depois de tudo o que ele sabia. O papo com a cunhada foi extremamente difícil. Ele a encontrou em um café próximo ao colégio das sobrinhas e, no momento em que pôs os olhos na mulher, sabia que ela imaginava qual o teor da conversa.
– Jae, perdoe-me, perdoe-me por cada palavra que eu te disser aqui, eu só quero que fique bem e que não passe mais por situações ruins. – começou a conversa e se sentia muito mal por fazer aquilo com a mulher.
, está tudo bem, pode falar qualquer coisa comigo, você sabe disso. – O tom maternal na voz dela e o conforto de suas mãos sobre as dele só o fizeram chorar ainda mais. – O que aconteceu, meu anjo? – O olhar doce dela só fazia com que o coração dele se comprimisse no peito. Como alguém era capaz de trair uma mulher como aquela?
– Jae, eu não consigo guardar isso para mim, e eu acho que você merece saber o que eu sei. – Ele respirou fundo, buscando coragem. – Eu... Eu, eu flagrei a traindo-me – As lágrimas voltaram a escorrer em seu rosto.
– Ai, , eu sinto muito, muito mesmo. Isso é horrível. – Ela apertou mais a mão sobre a dele em sinal de conforto.
– Eu, eu não posso fazer isso com você, Jae. – As palavras saíram desconexas dos lábios dele. A moça lançou um olhar de curiosidade, mas no fundo ele sentia que ela estava assimilando, porque antes de abrir a boca novamente, viu os olhos dela se encherem de lágrimas. – Perdoe-me, Jae. – Foi a vez de ele segurar as mãos dela. – Mas eu a peguei traindo-me com o .
A mulher a sua frente se desfez em lágrimas, ela chorava tão sentida que ele se quebrou ainda mais por dentro, mas sentia que aquilo era o certo a fazer. Não podia deixar que ela fosse enganada desse jeito pelo irmão, e muito menos sofresse mais que o necessário, conhecia a cunhada e sabia que era difícil ela aceitar esse tipo de situação. Talvez pela falta de submissão dela que a mãe deles a detestasse tanto, e talvez por esse mesmo motivo ele se importava em contar e deixar ela decidir o que era melhor para ela.
Depois de ele contar com todos os detalhes o que sabia sobre a traição, o bebê de e sobre os socos de , ele a levou para casa e a ajudou a arrumar as coisas do irmão. Aquilo não era normal na Coréia, mas muitas mulheres já estavam mudando seus pensamentos, e Jae era forte o suficiente para poder seguir a vida. Ela pediu ajuda de , e ele a ajudou o máximo que pode com tudo. Ela mandou as meninas para a casa dos pais e pediu para ela entrar em contato se acontecesse alguma coisa.
Já em casa, umas boas horas depois, ele recebeu a ligação histérica de sua mãe. Receber aquela ligação o fez ter um alívio no peito, Jae tinha conseguido se libertar, e ele não tinha feito com que ela se arrependesse e virado o jogo como sempre fez. Óbvio que ele não ia deixar barato e iria virar os pais contra o mais novo, mas isso era algo com que já estava até esperando.
– Como você pode acabar com a vida do seu irmão dessa forma? – A mãe disse, ríspida, do outro lado da linha. – Como você pode ser tão mesquinho e invejoso dessa forma? Esse tipo de coisa é resolvido entre homem e mulher, o que você quer com tudo isso ? Matar-me de desgosto. – O tom impassível na voz dela o fez chorar como um bebê.
– E quanto a mim, mãe? E a minha vida? E a minha família? E eu? – O choro saia alto de sua garganta e as lágrimas molhavam a gola de sua camisa.
– Você o quê, ? – A voz da mulher quebrou o silêncio assim que ele parou de falar. – O que você tinha de concreto? tinha uma família feliz, uma reputação. COMO VOCÊ ACHA QUE A REPUTAÇÃO DELE VAI FICAR PERANTE AOS COLEGAS DE TRABALHO COM UM DIVÓRCIO. – Ela começou a gritar do outro lado da linha.
– Foi ele quem procurou isso mãe, ele e mais ninguém, a culpa pela vida que ele tem é dele. – mal tinha um fio de voz naquele momento.
– NÃO, , A CULPA É SUA. – O tom de desprezo na voz da mais velha fez com que ele perdesse as forças nas pernas e sentasse no chão frio da sala de estar. – VOCÊ NUNCA FOI NADA NA VIDA, E POR SUA INVEJA VOCÊ ACABOU COM A VIDA DO SEU IRMÃO, VOCÊ ESTÁ FELIZ? POIS BEM, ESQUEÇA QUE TEM UMA MÃE E UM PAI, FINJA QUE VOCÊ É SOZINHO NESSE MUNDO, QUE EU MORRI, PORQUE EU VOU FAZER ISSO COM VOCÊ. – A ira o pegou em cheio, destroçou-o, e ele não conseguia fazer nada a não ser chorar com o telefone pendurado na orelha. – ESPERO QUE VOCÊ SIGA COM ESSA SUA VIDA MISERÁVEL. EU TE ODEIO. – Ela berrou o mais alto que pode antes de desligar o contato.
ficou naquela posição, mesmo quando não teve mais forças para segurar o aparelho na mão e o derrubou no chão. Ele chorou, ele nunca tinha chorado tanto na sua vida. Sabia que a mãe iria ficar brava, mas ele esperava pelo menos uma brecha para ele se explicar e que ela tivesse um pouco de compaixão, afinal ele também era filho daquela família. Mesmo que não fosse o filho que eles esperavam, ele acreditava que poderia pelo menos dessa vez ser compreendido. Mas ali, sentado naquele chão frio, com a roupa encharcada de lágrimas, ele começou a vacilar sobre seus atos.
Talvez a mãe tivesse razão, talvez todo mundo tivesse razão, ele era um nada, ele não tinha constituído nada na vida, talvez a sua sina fosse mesmo ser infeliz e destruir a felicidade das pessoas. Lembrou da expressão da cunhada mais cedo, do quanto ela chorou fazendo as malas e o estado em que ele a deixou quando ela pediu. Imaginou o sentimento do irmão, a vergonha que ele iria passar perante a sociedade por ser largado pela esposa, o pessoal do serviço sabendo de tudo e o motivo de chacota que ele ia ser dali em diante. A raiva a mágoa da mãe para com ele. Ela, que era quem o tinha colocado no mundo, estava falando aquilo, quem poderia provar o contrário? Ele devia ter aceitado o fato da vida dele não ser uma vida digna de felicidade e seguir sem envolver mais ninguém, mas a raiva que o invadiu no momento o fez estragar não só a sua vida, mas de tabela a vida de mais pelo menos oito pessoas ao seu redor.
A sua cabeça parecia que ia explodir, e sua boca estava seca de tanto chorar. Reuniu todas as suas forças para se levantar do chão, e quando colocou seu corpo em pé, sentiu um vento frio cortar a sua pele ressecada. A janela estava aberta, e ele notou que já tinha amanhecido. Não podia acreditar que tinha passado a noite toda sentado naquele canto chorando, seus olhos ardiam e ele precisava de uma aspirina. Pegou então as chaves do mezanino e vestiu um casaco que estava pendurado atrás da porta. De pantufas mesmo ele saiu de casa atrás de uma loja de conveniências.
Àquela hora da manhã não teve muitas opções. Saiu dirigindo sem rumo pela cidade que estava começando a despertar e, quando parou, estava a muitos quilômetros de casa. Com a cara amassada e a garganta seca, ele entrou na loja de conveniência, comprou uma garrafa grande de água, alguns analgésicos e seguiu para a estrada e dirigiu sem ao menos prestar a atenção no que fazia, e o frio que entrava cortando pelos vidros abertos estavam começando a rachar os lábios dele.
Os pensamentos de culpa, de arrependimento, de vazio e de mágoa o perseguiram o caminho todo. Ele estava realmente questionando-se mentalmente o que era no momento; tinha um emprego medíocre, não tinha mais quem era a dona dos seus sorrisos e do seu esforço, não tinha um filho por quem lutar e amar, o amor que nunca recebeu dos pais, não tinha mais a família que mesmo nunca estando ao seu lado eles eram a sua maior base, não podia nem pensar na confusão que tornou a vida das sobrinhas. Ele devia ter realmente guardado toda aquela dor para si, não estava suportando a culpa de ter levado a dor que só ele devia sentir como sempre fez para essas outras pessoas que ele tanto amava. O que só o fez pensar o quanto a vida dele era realmente miserável. Que tipo de desgraçado fazia uma coisa dessas na vida das pessoas? A mãe estava certa, ele era um zé ninguém, e talvez a vida dele só servisse para trazer a dor para as pessoas.
Quando deu por si, estava em Busan. Nem tinha percebido o quanto tinha dirigido, e aquele inverno severo que acometeu toda a Coréia do Sul aquele ano também não ajudava para saber a quanto tempo esteve dirigindo. Ele estava se sentindo fraco, mas não conseguia desligar o cérebro, e isso o fazia ficar agitado. Parou o carro no pé da grande montanha de Jangsan. Estava se sentindo sufocado dentro daquele carro, o fato de estar há praticamente 24 horas sem comer e ter dirigido incessantemente fizeram com que o corpo respondesse à procura de ar puro, e o seu consciente o guiou para seguir subindo a montanha.
Os pés estavam frios naquelas pantufas, e o casaco parecia não existir à medida em que subia e o vento soprava. Não tinha começado a nevar ainda, mas as baixas temperaturas vinham cada dia mais intensas. O corpo dele estava se tremendo e, à medida que chegava ao topo, sentia que a cabeça fosse explodir de pensamentos, as lágrimas o acompanharam também. Ao perceber a altura que já estava, ele estava tão transtornado pelo cansaço e por tudo que aconteceu nas últimas horas que tinha tomado uma decisão, não ia deixar mais que a sua insignificância fizesse ninguém sofrer, ele iria acabar com aquilo naquele momento. Naquele lugar.
Ao chegar ao topo, o lugar estava tão branco pela neblina que mal conseguia enxergar o chão. Assim que foi se aproximando da ponta e passado um pouco da área com maior neblina, ele avistou uma silhueta em vestes grossas de frio pretas, estava segurando alguma coisa e parecia estar fazendo algum tipo de prece. Ele deu mais alguns passos para frente e conseguiu contemplar o rosto da garota, era como se ela fosse um anjo, sua pele reluzia mesmo com todo aquele vento e seus olhos eram de uma vivacidade da qual ele nunca tinha tido a oportunidade de presenciar na vida. Talvez fosse a mente pregando uma peça, e ela realmente fosse um anjo, mas vestida de preto era impossível. E aquela foi a última visão que ele teve antes de sentir o corpo cair e tudo ficar preto.
Ele não sentiu nada. Na cabeça dele, ele tinha caído daquele penhasco e estava indo para onde geralmente as pessoas vão quando morrem. Assim que foi recobrando a consciência, viu uma luz branca invadir a retina e foi difícil focar em alguma coisa. Assim que conseguiu abrir os olhos, viu a moça ao lado de sua cama, os cabelos dela eram uma bagunça de cores que naquele momento ele não conseguiu identificar, os olhos atentos e apreensivos em cima dele, e ele teve certeza que estava no céu e ela era o anjo que veio buscar a sua alma no alto daquela montanha.
– Anjo? – Ele disse com dificuldade, tentando levantar da cama, mas sentiu uma dor insuportável pelo corpo todo.
– Não se mexa, por favor. – Ela disse apreensiva e saiu chamando pela enfermeira.
Assim que seus olhos se acostumaram com a iluminação, ele percebeu que estava mesmo em um hospital, com roupas quentes cedidas pelo local, uma grande bolsa de soro ligada a seu braço e o corpo realmente doía muito.
– Oi, meu querido, como você está? – Uma mulher de estatura mediana se aproximou do leito dele e colocou a mão sobre a sua testa. – Sua febre foi embora, isso é um bom sinal. – Ela sorriu, anotando algumas coisas na prancheta em suas mãos. – Qual seu nome? – Ela olhou com afeto nos olhos dele e sorriu.
Com a visão periférica, ele observou a menina aproximando-se do lado oposto onde a enfermeira estava.
– Ele estava se sentindo tonto novamente. – . – Ele olhou em direção à garota que estava olhando com expectativa para a enfermeira.
– Como ele está, doutora? – A voz dela era tão doce quanto o olhar dela antes dele desmaiar, e a preocupação em sua voz fez com ele sentisse seu corpo todo aquecer.
– Ele vai ficar bem, precisa de mais uns dias de observação. Como estava semi-hipotérmico, desidratado e sem se alimentar, ele precisa recompor os líquidos e os minerais do corpo, mas nada que vá o deixar com alguma sequela. – Ela sorriu para a moça, que assentiu com a cabeça e agradeceu. – Preciso fazer a minha ronda, qualquer coisa pode me chamar, tá bom? – Ela se virou e saiu da sala.
– Eu desmaiei? – Ele perguntou ainda fraco para a garota que se sentou mais relaxada na cadeira ao lado da cama.
– Você quase morreu, meu rapaz. – Ela disse, respirando aliviada por ele estar acordado. Foram poucas horas inconsciente, mas de qualquer forma foi uma experiência horrível. – O que aconteceu para você estar sem agasalho daquele jeito? E pálido? Eu fiquei tão preocupada. O médico disse que não encontrou álcool nem drogas no seu sangue, então você tem alguma doença grave? É mendigo? – Ela desandou a falar, mas era algo que estava realmente curiosa em saber.
– Desculpe, mas qual é o seu nome? – Ele perguntou com curiosidade.
. – Ela abriu um grande sorriso. – Quer dizer, . – Aproximou a cadeira da cama. – Então...
– Então, , é uma longa história você não vai querer saber. – Ele abriu um meio sorriso, ainda fraco pela medicação.
– Eu tenho uns dias de folga e vou ter que ficar com você aqui, porque eu já paguei a sua estadia, então teremos bastante tempo. Você pode descansar se quiser, mas eu vou querer saber depois. – O sorriso continuava nos lábios dela, mesmo os olhos com semblante de tristeza.
– Eu não sou um mendigo, não se preocupa. – Os olhos de estavam pesados e ele sentia o corpo flutuar. – Por que esses olhos tristes? – Ele lutou para ficar acordado e ouvir a resposta dela.
– Ah, eu estava jogando as cinzas da minha mãe no alto da montanha quando você desmaiou. – O sorriso dela desapareceu, ela abaixou o rosto. – Não se preocupe, eu já tinha terminado quando você desmaiou, e ela está descansando agora. – Ela se levantou da cadeira. – Vou ao refeitório, descanse bem. – E ele viu de novo aquele sorriso que fazia seu coração acelerar antes de cair no sono.
Algumas horas depois, quando ele despertou novamente, ela ainda estava lá sentada na cadeira, com uma roupa diferente e lendo alguma coisa que ele não foi capaz de identificar aquela distância.
– Eu ia me matar. – Ele disse, sentando-se com dificuldade na cama. levantou o olhar do Manhwa¹ que estava lendo e depositou a maior atenção para o rapaz. – Minha existência nessa terra não vale de nada no momento, então eu dirigi sem rumo, e à medida que eu subia a montanha, eu tinha decidido o que fazer com a minha existência, até ver você. – O choro ficou preso na garganta dele, mas ele segurou o turbilhão de emoções que estava vindo à tona.
– Tudo bem. – Ela se aproximou, pegando a mão dele. – Não precisa fazer isso, não precisa lembrar. – A corrente que ele sentiu ao ser tocado por ela fez seu corpo se encher de um sentimento com inesperado.
– Não, eu quero. – Ele sorriu, um sorriso completo dessa vez.
Seguiu contando tudo, desde o início, desde o colégio até aquele dia na montanha, ela seguiu a conversa toda segurando e afagando a mão dele, e aquilo estava deixando ele com o coração aliviado. Ele conseguiu tirar tudo o que sentia do peito para uma estranha, e isso estava fazendo muito bem para seu espírito.
– Não é culpa sua, . – Ela tinha se mantido calada enquanto ele contava toda a história, e assim que finalizou, ela sentiu uma angústia e precisava fazer alguma coisa por ele. Não era justo que alguém se sentisse daquela maneira. – Você, eu. A culpa não é sua, nunca foi . – Ela afagou a mão dele com mais carinho – Lares com abusos mentais são mais comuns do que a gente imagina, mas o fato de você ser quem é não te faz um ser humano horrível. E daí se você não era o melhor aluno, se não conseguiu o melhor emprego, se não quis frequentar uma faculdade, isso não te faz o monstro dessa história. – As palavras estavam impactando-o, que começou a chorar, enquanto ela olhava firme nos olhos dele. Um choro de alívio pelo sentimento guardado, e não mais por se sentir mal. – Não foi culpa sua seu irmão ter destruído a família dele e nem a sua, não vai ser culpa sua suas sobrinhas terem um cara escroto como pai, não é culpa sua sua mãe sentir o que está sentindo. Olha as coisas boas que você já fez na vida. Você é mais forte do que imagina, com uma pressão dessas sobre os ombros. Não deixe que a opinião negativa de quem está errado vire um gatilho para que você se desprenda da minha vida.
Os dois seguiram a noite conversando, e ela tinha ali naquele discurso convencido ele de que não havia nada de errado com ele. Coisas ruins acontecem com todo mundo, e isso é normal. E que, se as pessoas fizerem coisas ruins, elas serão cobradas. Os dias que se seguiram até a alta dele no hospital, ela sempre estava lá, sempre tão linda e o cheiro das roupas dela e do perfume que sempre estavam no quarto quando ele acordava e deixava cada segundo mais atento a tudo.
Eles se conheceram bem durante esses dias, ela era jornalista em um canal grande de TV, mas ela trabalhava na redação dos textos e apuração dos casos, não gostava de aparecer na TV, mas o fazia quando necessário. Filha única, seu pai havia morrido quando ela era pequena e a mãe que não queria deixar Busan por nada no mundo, ela adorava morar lá, e infelizmente uma doença grave havia a deixado praticamente sozinha no mundo agora. Claro que ela tinha alguns tios e primos por aí, mas ela gostava da vida independente que sempre levou. Estava em Busan realizando o último desejo da mãe, e como estava com alguns dias de folga, aproveitou para resolver as coisas do funeral e ficar com ele no hospital.
Era estranho como eles se conectaram logo de início, eles passaram a conversar sobre tudo, e as coisas em comum que tinham era surpreendente, e a força que ele vinha tendo por causa das coisas que ela falava também era ótima. Eles estavam muito ligados mesmo, e no último dia dele no hospital, ela o levou para a casa dele, em Seul, ela também morava lá. Ficaram o resto do dia no apartamento dele, e quando ela adormeceu no sofá como quem já frequentasse aquele lugar há muito tempo, ele percebeu que o que faltava na vida dele era ela. Ele precisava daquela luz, e ele precisava daquele sorriso, não entendia como alguém podia ser forte mesmo estando quebrada por dentro. Por causa dele, ela não tinha vivido o luto de maneira certa, mas ele não ia deixar que ela sofresse. A cabeça dela era tão boa quanto seu coração, e ele sentia que devia proteger isso.
Alguns meses depois daquela noite, e eles continuavam conversando e encontrando-se. Não demorou muito para que eles se envolvessem romanticamente, eles se davam muito bem e se divertiam juntos, os amigos também a adoraram, assim como os dela, ele. Não era difícil de apaixonar pela luz que ela transmitia quando abria aquele sorriso, ou quando falava as coisas que melhoravam sempre o clima, independente do assunto. era uma pessoa diferente, a mais diferente que ele tinha conhecido na vida. Ela o fez enxergar que a vida dela era o suficiente para ele e para mais ninguém, e enquanto o que ele fazia o fizesse bem, ninguém mais tinha nada a ver com isso.
Por causa dela, ele foi procurar os pais, e mesmo eles tratando-o como se não fosse nada, ele os perdoou e deixou isso claro para eles. Não iriam seguir sendo uma família, mas ele não tinha feito nada de errado para guardar mágoa deles. Depois daquela ocasião, ele nunca mais viu seus pais, e ele não se sentia culpado por isso, a escolha disso tinha partido deles, e ele não ia carregar esse fardo sozinho. Foi atrás também da ex-cunhada, que estava superbem vivendo com as filhas, ela tinha até arrumado um namorado depois de tudo o que passou. As meninas estavam crescendo bem, e o brilho do olhar de Jae foi algo que ele nunca tinha visto antes na vida. Ele sentiu ali, enquanto tomavam chá e ele apresentava para as meninas, que ele realmente tinha feito algo bom para alguém. A aura que Jae passava agora era totalmente diferente daquela ela tinha quando casada com , ela estava feliz, e isso fazia bem a ela. Não foi atrás do irmão, mas sabia que ele não tinha ficado com a e nem assumido o filho, ela já tinha ganhado o menino àquela altura, e não tinha contado o verdadeiro motivo do divórcio para as pessoas. Ele era assim mesmo, nunca assumia os erros, e enquanto os pais passassem a mão na cabeça dele, ele não iria mudar. Então, para não se intoxicar, preferiu ficar longe do irmão e seguir a vida do outro lado da cidade, como sempre fez desde que resolveu sair da casa dos pais.
e foram uma bênção na vida dele nesse período negro de transição para luz. Eles eram amigos ótimos, e sempre se preocupava com que o amigo estava sentindo. O emprego dele era o mesmo, mas ele aprendeu a gostar do que fazia, ele enxergava nos olhos daqueles meninos esperança e uma paixão que ele não entendia como alguém podia sentir. Ele descobriu depois de um tempo que ele tinha aquele mesmo olhar sempre que encontrava com e que ela era o portal mágico dele para um lugar melhor. Assim como se separar foi o portal mágico para Jae, e a música era o portal mágico para aqueles meninos. Quanto mais ele conhecia e passava seu tempo com a garota, ele tinha a mais pura certeza de que era aquilo que ele queria ter na vida dele para sempre. Ela o ensinou que ele não precisava de ninguém para querer ser alguém melhor, mas ele sentia que, sim, precisava dela. Talvez fosse só o momento, talvez isso passasse com o tempo, mas naquele momento ele precisava muito dela.

Um Mês Atrás...

– Está me deixando curiosa, meu amor. – Ela vestia os tênis de corrida. – E esses tênis não combinam com essa roupa. – Ela riu alto, terminando de amarrar os mesmos.
– Relaxa, meu amor, é uma surpresa boa, eu só não quero que você machuque os pés onde estamos indo. – Ele vestiu a camisa azul-turquesa e arrumou os cabelos no alto. – Está pronta? – Ele a abraçou por trás e apertou seu corpo no dela, sentindo o corpo se arrepiar quando o perfume dos cabelos dela invadiu seus sentidos.
– Para você, eu estou sempre pronta, meu amor. – Ela girou o corpo, passando os braços pelo pescoço dele. – Eu te amo, . – Ela grudou seus lábios nos dele e iniciou um beijo calmo, lento e apaixonado.
Pelo que soltou “sem querer”, ela sabia que ele ia levar ela onde se conheceram, agora quando a amiga ia soltar o porquê, o marido tapou a boca dela, e assim não sabia o que era. Imaginou que ele quisesse falar alguma coisa com a mãe dela, já que na semana anterior eles tinham ido visitar o pai dela, e ele pediu um momento sozinho na sala onde estavam as cinzas dele. não quis escutar a conversa deles, se fosse algo que ele quisesse que ela ouvisse, não pediria para ficarem a sós. Ela já imaginava que ele queria falar alguma coisa para a mãe dela, e ela estava feliz por isso. vinha acompanhando a melhoria do rapaz esse um ano e pouco que estavam firmes juntos. E ela adorava a forma leve e descontraída sem todo aquele peso que ele vinha levando a sua vida. Toda a oportunidade de estarem juntos a deixava mais forte para ele, e ele mais forte para ela. Então estar ali nos braços daquele homem, que havia se tornado o grande amor da sua vida, era a coisa que ela mais gostava no mundo.
Assim que eles se desgrudaram, seguiram direto para o carro do rapaz. Estava cedo, e aquele clima gostoso do final da primavera estava deixando tudo mais quente. Ainda era cedo, mas como a viagem era longa, ainda queria jantar antes de irem para a casa da mãe dela, que ficava pela região de Busan.
Ele só não imaginava que ali, a poucos quilômetros da chegada no local, o destino seria tão traiçoeiro. Ele escolheu aquela data porque era o dia do aniversário da mãe dela. E mesmo ele não sabendo se ela sabia que ele sabia, queria fazer a surpresa para ela naquele dia e naquele lugar tão importante. , alguns meses atrás, tinha ido com ele até uma joalheria escolher o anel que ele carregava no bolso naquele momento, ela também conseguiu um anel da amiga para tirarem a medida certa, e ele estava empolgado, iria pedir a mão dela em casamento. Tinha certeza de poucas coisas na vida, mas estar ao lado de para o resto do seu sempre era tudo o que ele mais queria da vida.
Tudo aconteceu muito rápido. chamou sua atenção para ver as flores que desenhavam as montanhas por onde eles estavam passando, ele virou o rosto por meio segundo e ficou admirando a beleza da amada, enquanto o sol batia carinhosamente na pele dela. A última coisa que ele lembra de todo esse momento foi ouvir um barulho forte de colisão e ver o sorriso dela, aquele sorriso que o preenchia tanto. Mais uma vez a escuridão tomou conta do seu corpo. Mais uma vez ele pensou estar morto e, quando acordou no hospital cinco dias depois do acidente, ele só pensava em como estava.
Os médicos e os policiais contaram para ele tudo o que aconteceu, um homem na casa dos seus 50 anos estava embriagado e em alta velocidade, perdeu o controle do carro e ele se chocou ao lado do passageiro do veículo que eles estavam. O homem fugiu, mas logo foi preso pela polícia e, com a ajuda dos locais, eles foram socorridos o mais rápido que puderam, mas infelizmente tinha sofrido várias lesões internas e na cabeça e estava em coma. As primeiras cirurgias tinham sido feitas e ela reagiu bem, mas o estado era crítico, e aquilo simplesmente acabou com a vida do rapaz.

Atualmente...

– Eu não vou lhe pedir perdão, meu amor – Ele respirou fundo, tentando iniciar seu discurso em meio a todas aquelas lágrimas. – Eu sei que você me perdoaria mesmo se eu não pedir, eu não vou te falar que está tudo bem agora. – Ele passou a outra mão para a cabeça dela, acariciando de leve o local por cima da touca branca que protegia a lesão no local. – Tem sido um momento difícil para todos nós, mas sabe, meu amor, eu tenho muitas esperanças e todos os nossos amigos também. Eu sei que você sabe, mas eles vêm todos os dias te visitar, um deles pelo menos. Durante esses trinta dias que estamos nesse hospital, não teve nenhum dia sem a presença de , ou de . – Ele estava mais calmo e levou os lábios até a mão dela, depositando um beijo ali. Ele não sabia se ela sentia, ouvia ou conseguia entender alguma coisa quando estava em coma, mas conversar com ela daquela maneira o fazia sentir melhor, e não era como se ela não estivesse lá, ela estava, o coração ainda batia, as mãos eram quentes e o sopro, mesmo que fraco, ainda saia de seus lábios, então em algum lugar o subconsciente dela recebia aquela informação, e isso bastava para ele.
– Então nesse momento, meu amor, faça o melhor de você para voltar para nós. Faça o melhor que você fez por mim, para me tornar uma pessoa melhor, mas agora faça por você. – As lágrimas escorriam de seus olhos e parecia que não iriam cessar, ele evitava chorar na frente dela, mas era quase impossível segurar aquilo tudo. – Eu te amo, não se esqueça disso.
Ele deu um beijo na bochecha dela e, quando avistou o amigo parado na porta do quarto, limpou as lágrimas e sorriu, indo em direção a , que estava com os olhos cheios de lágrimas também. Pode ser que ele tenha ouvido boa parte do que ele disse, mas não ligava, ele já tinha mostrado todos os seus lados para o amigo, e o amor que sentia por aquela mulher não era segredo para ninguém. Chegou até onde ele estava parado e recebeu o abraço mais acolhedor do mundo, nunca tinha recebido algo com aquela magnitude de sentimentos do amigo. Ele o apertou forte e, por um segundo, escutou o amigo chorar. sabia que aquilo vinha sendo difícil não só para ele, mas também para as pessoas que amavam .
– Vai ficar tudo bem, irmão. – disse, apertando mais no abraço.
– Eu quem devia estar lhe falando isso, . – O rapaz simplesmente não conseguia parar de chorar e largar o amigo. – Eu sou muito orgulhoso de quem você se tornou e de como vem sendo forte com tudo isso. – conseguiu se recompor, e ele tinha soltado o abraço do amigo.
– Eu não sou nada, . – disse, pegando as flores da mão de e trocando as que estavam murchando no vaso. – Ela é. Ela é a minha força e a mudança de postura que eu adotei esses anos. Ela é a razão pela qual eu quis continuar vivo, e é por ela que eu luto todos os dias para ser alguém digno. O amor não muda ninguém, , mas uma pessoa pode mudar o mundo da outra, e foi isso que proporcionou para mim. Ela abriu as portas do seu coração e me levou à loja mágica que a alma dela é. Ela me trouxe essa magia, e eu não consigo nem imaginar viver sem essa luz. – Ele abriu um meio sorriso, suspirando alto.
– Vamos ao refeitório um minuto? – olhou o amigo que estava ajeitando o travesseiro atrás da cabeça de .
– Claro, vou aproveitar e entregar essas flores na recepção para as meninas. – Ele disse, pegando o pequeno arranjo que trocou antes e seguiu o amigo.
Eles seguiram até a pequena recepção e entregaram as flores para as enfermeiras de plantão, elas estavam acostumadas com aquilo, de tempos em tempos alguém trazia um arranjo novo, e ele sempre levava as flores que nunca estavam feias para as meninas enfeitarem a recepção. Naquele mês que ele passou no local, ele sabia a rotina de praticamente todos os plantões e fazia questão de não atrapalhar e ajudar no que podia. Mesmo com pé imobilizado, ele gostava de sair para tomar um ar com as enfermeiras de tempos em tempos e ouvir as histórias sobre suas famílias, seus filhos, seus sonhos e seus amores. iria amar estar vivendo tudo aquilo e conhecer aquelas pessoas tão incríveis.
Seguiram então para o refeitório, e quando chegaram lá, os olhos de não podiam acreditar no que viram: em uma mesa ao longe estava sentada de frente para a porta e um casal de pessoas mais velhas de costas para a mesma. O coração dele disparou e se apertou do mesmo jeito. Ele não estava preparado para enfrentar aquilo, não naquele lugar, nem aquele momento.
, o que está acontecendo? – Ele disse, parando na porta do local.
– Está tudo bem, , eles só queriam te ver. – Ele disse, segurando o ombro do amigo.
– Mas. – Ele engoliu em seco. – Tudo bem, nada agora é pior do que a está passando, eu preciso enfrentar a minha vida.
Eles seguiram até a mesa e Vivi se levantou para cumprimentar eles, fazendo com que os pais de se levantassem e os olhares se encontrassem, primeiro com o pai, depois com a mãe.
– Oi. – disse, curvando-se e logo depois esperando alguma resposta.
– Como você está? – O pai perguntou, quebrando o silêncio.
– Bem. – Ele sorriu. – Se era só isso, podem ir embora. – Ele se virou para pegar o caminho de volta.
– Filho! – A voz feminina soou pelo local e fez com que ele perdesse por um instante as forças nas pernas e tivesse que se segurar em para não cair. – Como ela está? – Ela finalizou.
ainda não tinha assimilado a palavra filho da boca dela, há mais de dois anos ele não a ouvia chama-lo assim, e mesmo negando o quanto aquilo era importante para ele, era. E ali ele sentiu o quando ele sentia falta de ser o filho de alguém.
– Ela está em coma, todas as cirurgias que ela tinha para fazer, ela fez, e agora estamos esperando para saber como o corpo dela vai reagir daqui para a frente. – A voz dele estava embargada e as lágrimas começaram a pingar no chão. – Ela é importante demais para mim, e a vida dela é muito importante para a minha.
Ele começou a chorar em tom de soluço. Não sabia por que daquelas palavras aquele momento e nem por que de toda aquela angústia. Mas sentiu que os pais deviam saber o quanto aquela mulher era importante para ele, não sabia se teria a oportunidade de fazer ou falar aquilo novamente para eles. Sentiu um abraço envolver o corpo dele, e mesmo depois de tanto tempo sem sentir aquele abraço, ele soube que era o colo de sua mãe que estava o amparando.
– Vai ficar tudo bem, . – Ela o apertou de forma materna e acolhedora. – Está tudo bem, a mamãe está aqui. – Ela estava chorando, mas tentou controlar o tom voz.
Os dois ficaram em silêncio um longo tempo dentro aquele abraço torto, em que só os braços dela envolviam o corpo dele. Aquilo foi outra coisa que inconscientemente conseguiu proporcionar na vida dele. Algum tempo depois, todos se sentaram em volta da mesa, e segurando a mão de sua mãe, ele percebeu que, independente de tudo, o coração de mãe dela ainda pulsava no peito.
– Jae nos disse o que aconteceu. Ela disse o que você passou, como você estava, e sobre também. – O pai de disse, olhando para o filho.
O pai de nunca foi uma pessoa que costumava tomar decisões por si, se sua esposa não gostasse ou não quisesse que ele fizesse alguma coisa, ele não o fazia. Mantinha-se neutro nas questões familiares e quase nunca conversava abertamente com os filhos.
– Ela é uma mulher maravilhosa, sempre se preocupando com os outros. – sorriu ao lembrar-se da ex-cunhada. – Ainda bem que Jae não saiu da minha vida. – O tom de mágoa na voz dele fez com que seus pais engolissem em seco.
Assim que a mãe ia abrir a boca para falar alguma coisa, uma das enfermeiras entrou no refeitório como um raio, e assim que ela avistou o rapaz, correu para onde eles estavam.
, o doutor quer falar com você! – A voz dela era em um tom de cansada e tensa ao mesmo tempo. – Siga-me, por favor.
A visão do rapaz começou a ficar embaçada e a cabeça girou, o que estava acontecendo? O médico nunca ia procurar por ele, nunca mesmo. Sempre esperava que ele retornasse ao quarto para falar das melhorias ou das pioras no quadro clínico da garota. O coração se comprimiu no peito, e ele mal conseguia respirar.
Levantou com certa dificuldade e foi em direção ao quarto de o mais rápido que pode, as pessoas que estavam com ele permaneceram no mesmo lugar, só foi atrás do amigo, caso fosse algo ruim, ele não ia aguentar sozinho.
chegou à porta do quarto, que estava fechada, mais rápido que a enfermeira que foi chamá-lo. Assim que ele correu a porta para o lado, viu o médico na ponta da cama bem no campo de visão para a mulher deitada na cama.
– Doutor. – Ele sentiu os joelhos fraquejarem quando viu o homem a sua frente olhar no relógio e anotar algo na prancheta dele
– Oi, meu amor. – ouviu uma voz bem fraca quase inaudível, que ele sabia que era de .
– Meu Deus do céu! – disse, da porta, e o médico saiu de frente da cama, olhando com felicidade para ele.
. – Ele se aproximou da garota, passando mão de leve em seu rosto. – Minha vida. Como você está se sentindo?
Ela abriu um sorriso pequeno, buscando alguma força para falar.
– Eu voltei por você. – A dificuldade na fala dela o deixou com um aperto dentro do corpo que transcendia o coração.
– Xiiu. – Ele disse, passando a mão pelo rosto dela, fazendo carinho, e com a outra mão segurou a mão dela. – Não, . Você não voltou por mim, você voltou para mim, mas por você. – Ela sorriu e fechou os olhos, estava se sentindo exausta e dolorida. – Você não precisa de mais ninguém além de você para lutar pela sua vida, meu amor. Eu te amo, minha vida, não se esforce agora. Descansa. – Ele beijou o topo da cabeça dela.
Não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Ela tinha caído em um sono profundo, e ele tinha esperado tanto pelo momento que ela abriria os olhos, que falaria com ele que aquilo parecia ser um sonho. Ele ficou ali ao lado dela até ela acordar novamente, e depois que ele teve certeza que não era um sonho, ele conseguiu respirar aliviado.
Ali estava ela, com os olhos abertos, escutado junto com ele atentamente o que o médico estava falando, acordada, viva e com a luz de sempre para a vida dele. Ele podia sentir que puxava ela para o buraco negro que ele era, mas sentia também que, com ela, ele estava se transformando em galáxia também, e isso fez com que ele lutasse por essa mulher internamente com ele mesmo. Não pensando mais nas coisas ruins, mas focando nas coisas boas que vão dali em diante conquistar juntos.
¹ Manhwa é um termo geral coreano para designar histórias em quadrinhos. Fora da Coreia, o termo se refere especificamente a histórias em quadrinhos da Coreia do Sul.


Fim.



Nota da autora: Ai gente, assim eu nem sei como começar essa nota de autora. Sabe que BTS é a minha grande paixão e sempre vai ser, mas a era TEAR é sem a menor sombra de duvida a minha favorita. eu já sei cantar todas as musicas e eu passei mais de um mês inteiro só com ele no repeat na minha playlist. O amor que eu carrego em mim por esses meninos e por esse álbum é algo que o mundo deve saber, estou aqui contando para vocês.
Magic Shop é sobre se dar o melhor, ser alguém melhor, sair da escuridão. EU AMO DE PAIXÃO. A loja mágica que é o coração das pessoas é algo tão lindo, que quem tem a oportunidade de sentir o amor, em uma de suas mais sinceras faces e jeitos é alguém muito muito muito abençoado. Eu como disse em uma das linhas dessa estória, não acredito que alguém seja capaz de mudar a vida de ninguém, mas é capaz de mudar o mundo de outra pessoa, mudar o norte e essas coisas podem sim, mudar toda uma perspectiva. Eu acredito no amor, e no quanto esse sentimento deve ser, sentido e demonstrado sempre. Ninguém perde por amar, e nunca nunca por ser amado.
Eu to aqui falando nada com nada, eu sei kkkkk eu disse que não sabia o que colocar aqui nessa nota.
O amor ao BTS me move, e esse movimento me trouxe até vocês com essa fanfic. OBRIGADA POR SEREM A MINHA VIDA AGORA MEUS MENINOS, EU SEI QUE VOCÊS SABEM O QUANTO EU OS AMO <3
E sobre esse (?) no final, fica ai no ar. Provavelmente eu esteja trabalhando em uma segunda parte para a historia desses personagens kkkk fiquem atentos. eu amo todos vocês <3 <3

ps: Ah minha lista de fic vai estar ai embaixo, mas ela atualizada vocês podem achar, tanto no grupo de autoras de kpop que temos em conjunto com algumas autoras do site, clicando no ícone do Facebook, quanto na minha pagina de autora aqui do site, que é só clicar no cone com o F do Obsession. Meu tt ta sempre disponível também, podem me gritar por lá, aqui pela caixa de comentários ou onde me acharem kkkkkk
AH NÃO DEIXEM DE COMENTAR, ISSO É MUITO IMPORTANTE PARA SABERMOS SE ESTAMOS INDO PELO CAMINHO CERTO NESSA ESTRADA, AFINAL O PUBLICO É NOSSO MAIOR INCENTIVO. MAIS UMA VEZ OBRIGADA POR LEREM, EU AMO VOCÊS.



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