Finalizada em: 20/11/2017

Capítulo Único

Engraçado, como as coisas funcionam. Como nada é o que parece ser e como a vida sempre te surpreende quando você menos espera. não esperava nada demais sair daquele dia, não era como se fosse sua primeira campanha. Sendo esportista, sem falar uma atleta olímpica, ela já tinha sido procurada algumas vezes para trabalhar com algumas marcas.
Claro, essa era a primeira realmente grande, e sinceramente, um pouco fora de seu público. era uma amazona profissional. Com familiares donos de um rancho no Brasil, ela desde pequena teve contato com os majestosos animais que são os cavalos. A primeira vez em que esteve em cima de um não havia nem completado seu primeiro ano de vida, e antes do sexto aniversário, já conseguia montar sozinha. Passou sua infância inteira brincando entre estábulos, pastos e pistas de equitação, e conhecia cada uma das hípicas da região como a palma de suas mãos. Aos seis começou as aulas oficiais em um dos centros hípicos pertencentes a amigos da família, e aos oito já competia nos campeonatos estaduais.
Portanto, não foi surpresa para ninguém, quando mal saída da adolescência e com apenas 19 anos, a garota foi cotada para integrar a equipe de Salto e representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim, muito menos quando veio a confirmação que havia sido aprovada e era oficialmente uma atleta olímpica. Surpreendentemente não era a mais nova, já que uma colega da equipe de Adestramento tinha apenas 16, mas ainda era extraordinário, mesmo que quase não fosse surpresa para família e amigos. respirava e vivia cavalos desde antes de se entender por gente, e do jeito que era apaixonada, determinada e teimosa, era quase de se esperar que ela não se contentaria com nada menos do que as Olimpíadas e os Jogos Mundiais.
De oito anos para cá, ela havia participado de duas edições – e indo para a terceira, a mulher esperava –, se tornado uma veterana no esporte, conquistando medalhas, títulos e admiração dos colegas e amantes do esporte. Mesmo assim, tinha sido uma surpresa dar sua primeira entrevista (ainda era, na verdade) e participar de campanhas para linhas de produtos esportivos, geralmente equestres. Tímida e em um esporte que não possuía tantos adeptos e visibilidade como o Futebol ou o Vôlei, ela era modesta com seu reconhecimento, ou status de “celebridade”, por melhor dizer. Sim, era conhecida por muita gente, mas não era uma Daiane dos Santos ou até uma Serena Williams da vida.
Foi por esse motivo que ela ficou bastante surpresa ao ser contatada pela Fila, querendo que ela divulgasse a nova coleção “Red Line” deles. Certamente havia pessoas mais indicadas?
Mas é claro, se eles queriam, não seria ela que iria reclamar. Photoshoots sempre eram divertidos, e fazer tal campanha tiraria sua cabeça dos problemas. A mulher estava constantemente treinando e se preocupando com os Jogos daquele ano, que seriam em seu amado Rio de Janeiro, mas o mais importante, na doença de seu pai. Aliás, achava que era assim que tudo havia começado.
A mulher era de uma família mista, seu pai era americano e a mãe brasileira. Haviam se conhecido quando ele veio passar as férias no país, e acabou se apaixonando não só pelas terras brasileiras, mas também por uma de suas habitantes. Não resistiu e constantemente voltava para ver a mulher que havia roubado seu coração, e em uma de suas visitas, resolveu ficar permanentemente e construir uma nova vida ali.
Infelizmente, toda aquela paixão do início não durou tanto quanto eles esperavam. Nem os dezoito anos de casamento ou as duas filhas conseguiram deixar a chama acesa, e pouco antes de completar seu 15° aniversário, seu pai voltou para os Estados Unidos, e ela havia ficado ali com a mãe. Foi difícil, tê-lo tão longe, do outro lado do continente, quanto ela estava acostumada a tê-lo apenas do outro lado do corredor. Mas mudanças aconteciam e junto com elas vinha a adaptação, e logo e a irmã estavam constantemente em solo americano, visitando o pai. A mãe de se casou de novo, lhe deu dois meios irmãos enquanto seu pai nunca conseguia ficar com a mesma namorada por mais de seis meses. Então, após atingir a maioridade e quando não estava em temporada hípica, ela ficava com o pai na Califórnia, impedindo que ele se sentisse muito solitário, enquanto sua irmã estava perdida em algum canto do mundo. Aventureira até demais aquela ali, dizia .
A alegria de ter ganhado a medalha de ouro em Londres foi ofuscadapela notícia que seu pai tinha lúpus e precisava de cuidados. A jovem, na época, tinha automaticamente pensado em se aposentar, para poder dar mais atenção ao pai, só para ser praticamente proibida pelo mesmo. Ele lhe disse que vê-la competindo era uma das maiores alegrias que tinha, e que a deserdaria se ousasse fazer isso. Então concordou, mais pelo fato dele finalmente ter achado alguém para dividir a vida, Amy, e que poderia ficar com ele enquanto ela estivesse em treinamento ou nos campeonatos.
Claro que ela ainda sim se recusava a deixá-lo, então, depois de orquestrar como poderia ainda integrar a equipe olímpica brasileira, mas treinar na Califórnia, e de contar com a ajuda de sua irmã e Amy para cuidar de seu pai, ela continuou com a carreira.
E, a cada campeonato, a cada medalha, vinha mais e mais reconhecimento, mais prestígio e notoriedade. E, com eles, as propostas comerciais. Foi aos poucos, mas logo ela aparecia em revistas esportivas, campanhas para marcas, entrevistas na televisão e outros. Foi no meio disso, pouco antes da edição do Rio, que a Fila a procurou para participar da campanha da divulgação de sua linha.
De primeira, ficou um pouco receosa. Sempre ficava, quando fazia esses trabalhos. Ela era uma atleta, não uma modelo. Certamente tinham opções mais lógicas, melhores? Mas Lea, sua irmã, a convenceu do contrário. Disse que seria interessante, e a lembrou como sempre se divertia quando fazia fotos. Sem contar que ultimamente ela ia de casa para hípica e da hípica para casa. A irmã a lembrou que sim, tinha suas preocupações, mas ela não podia viver apenas preocupada com o pai. Antes que pudesse virar a noite lhe dando razões, aceitou.
Então, em uma manhã de quinta feita, ela chegou no estúdio para começar as fotos. Foi direcionada diretamente para a maquiagem e cabelo, onde uma assistente lhe explicou como funcionaria, falou um pouco do que era esperado dela, e logo depois a levou para conhecer o fotógrafo. havia sido avisada quando fechou o contrato que primeiramente iria ser uma linha masculina, e só depois pensaram em fazer uma versão para mulheres. Então, não só iria fazer a campanha, como iria ter um companheiro nela. Durante a reunião nem lhe passou na cabeça perguntar quem era, e naquela manhã, enquanto a prepararam, ninguém lhe disse quem seria seu parceiro. Sua irmã, que a estava acompanhando, de alguma forma descobriu, mas entrou no jogo e ficou de bico calado. Apenas lhe disse que seria surpresa e para tentar não ficar de boca aberta quando ele chegasse.
Na hora, tinha achado que era um exagero. Apenas revirou os olhos e mostrou a língua para a mais nova, num hábito claro de irmãos se provocando. Mas bom, ela teve que depois admitir para Lea que foi, sim, um pouco difícil manter a surpresa fora de seu rosto quando o Capitão América em pessoa entrou no recinto.
Seu involuntário “oh, céus”, junto com o pequeno “o” que se formou em seus lábios e suas sobrancelhas que se levantaram quase que até a linha capilar foram o suficiente para arrancar uma risada alta de sua irmã, que, se pudesse, teria tirado uma foto de seu rosto no momento. Invés disso, tudo que as duas brasileiras conseguiram foi atrair a atenção do loiro, que logo se prontificou a vir em direção das duas e se apresentar, com um sorriso que jurava ter feito seus joelhos balançarem.
– Nossa! Sim, sim, sei quem você é – ela disse rapidamente quando o homem se colocou na frente das duas e esticou a mão para cumprimentá-las, o sorriso simpático ainda nos lábios enquanto se apresentou. fechou os olhos firme e momentaneamente ao sentir as palavras saírem de sua boca. Onde estava a educação dela? Até parece que nunca tinha visto um homem bonito na vida. – Digo, eu sou bastante fã dos seus filmes. São muito bons.
Ela decidiu parar por ali, antes que falasse alguma besteira e ficasse mais constrangida. Sua irmã, sem vergonha nenhuma, se apresentou e aproveitou para apresentar também, que parecia ter entrado em um nevoeiro mental, já que nem ofereceu seu nome para o loiro.
– É, o nome me soa familiar. A gente já se conheceu? Por que eu acho que eu com certeza lembraria de você se a gente tivesse. – ele brincou, mas o jeito com que o homem a olhou de cima a baixo com um sorriso satisfeito (talvez? Ou seria só o desejo dela?) no rosto a fez lembrar do que aquele ditado “toda brincadeira tem um fundo de verdade” dizia. Será que era mesmo, ou ela só tinha perdido toda a noção para interagir com homens atraentes?
– Não, – ela começou, rindo um pouco. Sua timidez a deixou um pouco sem graça, mas o tom de vermelho em suas bochechas e o sorriso mordendo levemente o canto do lábio deixava claro que não era indesejada a suposta atenção dele. – Não sou atriz ou algo do tipo, então não teríamos oportunidade para nos encontrar antes. E também não faço isso com frequência, então...
Ela deixou as palavras soltas no ar, se desesperando um momento ao achar que aquele famigerado silêncio desconfortável se apossaria do ambiente, mas Chris foi rápido o bastante para puxar a ponta solta que ela deixou na conversa, uma expressão atenta e curiosa se fixando em seu rosto.
– Isso o que, exatamente?
– Isso – ela apontou o entorno deles, todas as câmeras e cenários que os cercavam – ensaios fotográficos, campanhas de promoção, essas coisas. Não sou modelo profissional e tal. – terminou com um riso sem graça, desviando os olhos por um milésimo de segundo, mas logo voltando, não conseguindo tirar a atenção do loiro à sua frente. Estaria ela em algum tipo de feitiço? Não era de seu feitio ficar encantada com alguém que havia acabado de conhecer, mas seja o que quer que fosse nele (a energia? O sorriso simpático nos lábios convidativos? O abdômen ridiculamente definido que ela sabia ter embaixo de sua blusa graças ao primeiro filme do Capitão América?), o homem estava a cativando e não conseguia fugir da órbita do ator.
– Ah, disso eu sei. Me disseram que você é atleta, né? O que você faz?
– Sou amazona.
– Tipo, como a mulher-maravilha? É um novo nome para lutadora? – perguntou Chris, torcendo a cabeça para o lado um pouco, um pequeno sorriso e um olhar interessado no rosto.
– Não – retrucou rindo, automaticamente sentindo o corpo relaxar. Não sabia se o homem em sua frente realmente não conhecia o termo (surpreendentemente, muitas pessoas não conheciam, até mesmo o equivalente masculino) ou se estava apenas tentando descontrair o clima, mas se a intenção era a última, ele havia conseguido. – Faço parte da equipe de Hipismo do Brasil. Bem, fiz nas duas últimas Olímpiadas, e espero continuar nessa.
– Nossa! Nunca tinha conhecido alguém que praticava o esporte. Que diferente. Digo, em um sentido interessante. Adoro cavalos, mas infelizmente foram poucas as oportunidades que tive em montar em um. – O homem completou, a olhando de um jeito que instantaneamente tirou um sorriso dela – E, infelizmente também não sou tão familiarizado com o seu trabalho tanto quanto você é com o meu. Mas aposto que viro um fã, quando tiver a oportunidade.
Oi? tinha ouvido direito? Estava imaginando ou Chris Evans tinha acabado de flertar com ela? Pelo jeito que Lea sorriu e beliscou o braço dela que estava entrelaçado com o da irmã, ela não foi a única a pensar isso. Instantaneamente, deu um risinho bobo que fez com que sua consciência quisesse lhe dar um tapa. Aquilo não era hora de reagir como uma garotinha de 13 anos. Foco, , foco!
– Espero que você vire. Normalmente a audiência me deixa um pouco nervosa, mas acho que não me importaria de ter você me assistindo. E, se gostar, podemos depois trocar autógrafos ou outra coisa, sabe? De fã para fã? – falou, transformando o risinho juvenil em um sorrisinho de canto, simbolizando que a mensagem implícita foi recebida com sucesso, processada e, mais importante, retribuída com o mesmo interesse.
Chris pareceu aprovar, já que se preparou para continuar as insinuações, mas foi interrompido pela mesma assistente que estava com antes, avisando os dois que a equipe já estava pronta para começar o trabalho. O olhar que os dois trocaram antes de irem se vestir com as roupas que usariam no ensaio deixou claro para ambos que não tinha acabado ali.
Aliás, quem pareceu se beneficiar com isso foi o fotógrafo, e subsequentemente,a campanha. Não que aquilo era para ser uma sessão sensual ou algo do tipo, eles estavam divulgando uma linha esportiva pelo amor de Deus, mas um pouco de química nunca faz mal, não é?
O dia passou com infinitos cliques da bendita câmera, diversas mudas de roupa e com o ator e a amazona constantemente se movendo, tanto para as fotos quanto para o vídeo promocional e do making off. E, ainda assim, os dois conseguiram trocar diversos sorrisos cúmplices e de antecipação enquanto não eram o foco das lentes.
Entre as pequenas pausas que tinham, os dois conseguiram conversar um pouco mais, e o interesse mútuo estava cada vez mais evidente em cada interação. Um sorriso sugestivo, uma insinuação, um toque leve. Era claramente perceptível que os dois haviam se gostado, e, conforme os minutos iam passando, a tensão e a antecipação cresciam em uma escala surpreendente, considerando que haviam se conhecido horas atrás.
Por fim, quando a sessão chegou ao fim e todos os envolvidos estavam satisfeitos com o resultado, os dois puderam finalmente dar continuidade à conversa que tiveram no início do dia. e Chris aproveitaram das dependências do local para um rápido banho, já que ambos pularam, correram, e fizeram mil peripécias para o trabalho. O loiro terminou de se arrumar mais depressa do que a mulher, mas continuou no cômodo esperando a mesma ficar pronta, já que não queria desperdiçar a oportunidade que tinha. Claro, podia pedir para sua agente conseguir o número dela, mas que graça havia nisso? Ele era um homem das antigas, e a caçada era tão estimulante quanto a conquista.
Após alguns breves minutos, saiu do estúdio, encontrando não só a irmã, como o ator do lado de fora. Seu rosto com certeza mostrou sua surpresa, mas também sem dúvida alguma demonstrou seu deleite com a situação. Chris disse que havia acabado de sair também, lhe rendendo um olharpor parte da irmã mais nova que dizia que ela sabia o que ele estava fazendo. Ele se ofereceu para acompanha-las até o carro, com o argumento de “estou indo para o mesmo lugar, melhor aproveitar a companhia. Aquela coisa de útil ao agradável, sabe?”, o que acabou por arrancar uma risada de e um revirar de olhos de Lea. Aqueles dois não podiam ser mais óbvios do interesse um no outro nem se estivessem com um sinal em neon escrito na testa. A irmã então começou a andar mais apressada, com a desculpa de que estava distraída com uma chamada no celular, dando a oportunidade do “casal” conversar com mais privacidade, não que eles tivessem percebido, do modo como estavam tão concentrados um no outro.
Os dois conversaram sobre eles enquanto caminhavam em direção ao carro da brasileira, tentando descobrir mais e mais sobre a companhia que tinham. Não que alguns minutos de caminhada até e pelo estacionamento lhes diriam muita coisa, mas estavam tão conectados naquele ponto que só queriam ouvir a voz do outro. Então, não foi surpresa nenhuma, quando eles estavam a poucos metros de distância do carro dela, que Chris começou:
– Sabe, agradável não chega nem perto de como foi o dia hoje. Algumas sessões podem ser estressantes, mas gostei de trabalhar com você. O dia passou voando, só porque eu estava me divertindo demais com a sua companhia. – ele disse, passando a mão direita rapidamente pelos cabelos e a apoiando na parte posterior de seu pescoço. O sorriso que o homem lhe deu foi terno, e a expressão de contentamento no rosto dele tirou um outro igual da mulher. Eles diminuíram ainda mais a rapidez dos passos, parando um pouco antes de chegar no carro preto em que Lea estava encostada com a cabeça baixa, encarando o celular em mãos.
– Eu também gostei bastante. Por não ser algo que eu faça com frequência e nem ser “meu mundo”, eu costumo ficar um pouco... tensa. Mas, bem, como você disse, foi divertido. Me fez ficar feliz por ter topado esse trabalho – respondeu, tentando controlar o sorriso que ameaçava se espalhar por todo rosto. Junto com algo quente que estava em seu peito, a animação que contagiava seu corpo inteiro e o frio no estômago que estava sentido, entendeu do que aquilo se tratava. A mulher nunca foi de namorar sério, seus cavalos e as pistas de obstáculos sempre roubando sua atenção dos caras com quem se relacionava, e depois de Londres não teve muita cabeça, tempo ou paciência para esse jogo de conquista. Então, ela acabou por esquecer como era bom ter tantas sensações diferentes simultaneamente que ameaçavam tirar a força de seus joelhos e, ao mesmo tempo, lhe dar asas para sair voando.
Curiosa, ela queria saber aonde aquilo iria dar, mas também conhecida por sofrer por antecipação, já começou a se preocupar se era de sua imaginação ou se aquilo era a coisa certa a se fazer. Acabou que ela não teve que ficar apreensiva, já que Chris logo se prontificou a sugerir o próximo passo:
– Já que nós dois nos divertimos tanto, podíamos prolongar essa diversão – falou, e imediatamente continuou ao notar o olhar inquisitivo da mulher – Digo, não esse tipo de diversão, bem, não agora, mas depois se você qui... enfim. Eu formulei a frase errada, perdão. O que eu quero dizer é, já que nós nos demos tão bem, podíamos sair e fazer algo juntos, o que acha?
quis tanto rir, mas achou que só pioraria a situação. Ele estava sem graça e começando a ficar vermelho, as mãos inquietas não sabiam se brincavam uma com a outra, iam para o cabelo ou gesticulavam no ar. Bom saber que ela não era a única tímida ali, apesar de ser meio difícil de acreditar em um Chris Evans envergonhado. Um galã do cinema, que deve ter namorado inúmeras atrizes maravilhosas e modelos, desconcertado ao chamar uma mulher para sair? Nah, improvável.
Mas não quis analisar aquilo, não no momento. O homem estava esperando uma resposta, mas qual? Sim? Não? Por quê? Havia gostado dele, muito. Não só pelo físico incrível, mas ele era um amor de pessoa pelo o que pareceu as últimas horas. Engraçado, simpático, extrovertido, interessante.
Fazia muito tempo que não namorava, não saía para se divertir; a situação de seu pai sempre exigindo sua atenção e cuidados. Mas, queria ela desperdiçar sua juventude assim? Já se privava de tanta coisa por sua carreira, e agora com a doença de seu pai, mais ainda. Contudo, e se ela saísse, e algo acontecesse enquanto estivesse fora? Não era seu dever cuidar de seu pai, que sempre fez o possível e o impossível para lhe dar céu e mar, tudo o que queria? Amy estava sempre com ele, mas ela sentia que era seu dever como primogênita, de estar ao seu lado para tudo que ele precisasse.
Entretanto, sua irmã, que era da opinião que ela não devia deixar de viver para cuidar do pai das duas, que tinha muitas pessoas que queriam o seu bem e cuidavam dele o cercando, respondeu o loiro antes que ela pudesse.
– Por favor, leve ela para fazer algo divertido. Ela está precisando, não é, ? – perguntou retoricamente Lea, ainda encostadano carro e a alguns metros de distância, mas se intrometendo na conversa do mesmo jeito. E, antes que pudesse reclamar, seja para irmã ou para o ator, Lea continuou, como se não estivesse vendo o protesto se fazendo claro no rosto da irmã – Não ouça qualquer desculpa que ela te dar. Ela quer sair contigo sim, confia em mim. Hoje ela tem compromisso, mas você está disponível amanhã? Sim? Então está combinado. , passa teu telefone ou endereço para ele, não me importo, só por favor, abre o carro que eu ‘tô cansada, e vamos logo, pelo amor de Deus? Tchau Chris, foi um prazer! – disse a mais nova, logo se desencostando do porta-malas, andando em direção ao lado passageiro do carro. apenas acionou o alarme, atônita demais para qualquer outra reação. Sua irmã sempre foi direta demais, impaciente demais, só que era necessário aquilo? Sim, ela queria sair com Chris Evans, mas devia? Bom, não é como se ela fosse contrariar a afirmação da irmã. Estava certa, afinal, e de vez em quando você tem que apenas ser corajosa. Se precisassem dela, era para isso que o celular servia né? E não era como se Lea tivesse dito alguma mentira.
Tanto ela quanto o ator ficaram um pouco surpresos com a atitude extremamente direta da mais nova, mas logo estavam rindo. De uma forma completamente sem graça, é claro, mas fazer o que?
– Ela não perde tempo né? – disse, ao vê-la entrar logo no carro, assim que o alarme havia o destravado. – Mas então você quer sair comigo, é? – ele perguntou, logo que controlaram os ânimos, mas o sorriso de canto de boca ainda se fazendo presente em seu rosto. Ela não sabia como ele fazia, mas parecia que com cada expressão ele ficava mais e mais atraente. Fuckable, como diziam seus amigos americanos.
– Bem, Lea não é de mentir... – começou incerta. Queria dizer sim, mas por que tanto medo? Ela encarava obstáculos de dois metros nos treinos hípicos, arriscando praticamente a vida caso caísse, como deixaria o medo de sair com um cara que ela estava afim a impedir de alguma coisa? Estava apreensiva por seu pai, claro, e sim, ele era um ator mundialmente famoso, era intimidante e aterrorizador, mas ela não era o tipo de garota que se esquivava das coisas. Dava medo, mas desde quando fugia de qualquer dificuldade? – Mas sim, eu topo sair com você. Só que Lea não estava mentindo, tenho treino no fim da tarde para compensar o dia aqui na sessão. Mas estou livre amanhã, se ficar bom para você? – disse, e o sorriso satisfeito e alegre dele foi o suficiente para sua resposta. O homem afirmou que sábado era um bom dia para ele, e eles combinaram de sair no dia seguinte. Trocaram telefones, e combinaram de se encontrar em downtown LA, já que Chris que estava fazendo a programação do encontro e queria fazer surpresa. Se despediram com sorrisos cheios de promessas para o dia seguinte e beijos nas bochechas que queriam estar em outros lugares, mas logo deixaram a locação.
Ambos não sabiam, mas passaram o fim da tarde, a noite e o dia seguinte inteiro pensando no outro. estava tão animada e apreensiva durante tal período que, ao ir imediatamente para o treino, marcou vários pontos nos percursos que praticou, para a indignação de seu treinador. Ela se desculpou, claro, e tentou focar nos exercícios que estavam em frente à Baloubet, seu cavalo, mas se provou definitivamente infrutífero. Chris, apesar de não ter nenhum compromisso no momento, não conseguiu se concentrar em nada, tendo que pedir para que várias pessoas repetissem frases e perguntas dirigidas a ele. A noite de sexta e o sábado inteiro se passou assim, se intensivando há poucas horas do horário marcado. Chris se preocupava em agradar a garota, e , bem, se preocupava com tudo, desde sua aparência até o que iriam fazer e em não arruinar o encontro. O loiro havia a aconselhado em se vestir confortavelmente, mas bem vestida, sugerindo dois tipos de atividades, e ela apenas seguiu as suas orientações.
Quando deu a hora e a mulher o encontrou no lugar combinado, parecia que seu coração iria sair do peito de tão forte que batia em seu peito. Não conseguindo tomar controle sobre seu corpo, só rezou para que ele não percebesse a reação que estava tendo. O ator a cumprimentou com um beijo o canto da boca, ou “na trave”, como chamavam, a deixando animada para o que a noite prometia. Ele não quis dizer o que fariam, mas logo ela descobriu se tratar de um Escape Room. Era um “jogo” real, onde eles ficavam presos à uma sala, lugar ou tarefa, tentando completá-la o mais rápido possível.
Pelo o que ele havia mencionado, o ator estava lançando um próprio, para apoiar e angariar fundos para uma ONG que ele havia fundado, apesar de particularmente gostar muito de tais atividades. A amazona, por sua vez, nunca havia participado, mas já havia ouvido falar e estava muito animada para participar.
Não foi surpresa, então, quando no fim ela acabou amando a experiência.
havia rido como nunca, levando sustos por vezes e o tempo todo tão concentrada em terminar a tarefa que ela mal viu o tempo passar. Chris havia escolhido um dos jogos mais curtos, caso a garota não gostasse, mas ela se divertiu tanto que insistiu uns bons cinco minutos para que fizessem outro. O ator, rindo, apenas concordou, feliz que ela tinha gostado do que planejou e adorando a animação da amazona, e principalmente o sorriso largo que ela mantinha no rosto.
Porém, como tinham reservas para jantar, não pode escolher a opção mais complexa e com maior nível de dificuldade, pois tinha mais de duas horas de duração. Alertou Chris que eles teriam que voltar para fazer tal opção pouco antes de entrarem pela segunda vez, tendo como resposta uma risada gostosa do loiro e a promessa de que voltariam, e que até iriam nos outros da cidade, caso ela quisesse. Satisfeitos, eles trocaram sorrisos cheios de promessas e antecipação, ambos contentes que, ao que tudo indicava, as coisas não se restringiriam à aquela noite.
A segunda vez foi tão boa e divertida quanto a primeira, com suspirando já saudosa ao saírem do prédio. Sua irmã estava certa, ela realmente precisava se divertir, e foi isso o que ela fez. Não que não gostasse de passar tempo com sua família, mas ultimamente só saía de casa para treinos e provas, e isso acabava por se tornar maçante depois de um tempo.
E bom, ator famoso ou não, quem teria coragem de recusar uma saída com um cara tão lindo e simpático quanto Chris?
Como tinha sido Lea que a havia levado, já que ela não sabia de nenhum dos destinos da noite, Chris a levou para seu carro, logo dirigindo para o restaurante que iriam jantar. Conhecendo Los Angeles e sabendo o que implicava em ser famoso em tal cidade, o ator teve muito cuidado ao escolher onde jantariam, decidindo por um lugar afastado do centro e bem, bem mais reservado.
Só que, apesar da primeira parte do encontro ter sido um sucesso, parecia que a sorte não estava mais do lado dele. Mesmo com todo seu zelo e discrição, Chris pode perceber alguns fotógrafos na entrada do restaurante logo que se aproximaram. Sabendo que mesmo deixando o carro no estacionamento e entrando pela porta lateral a chance de serem vistos e fotografados eram muito grandes, ele logo avisou a mulher ao seu lado.
— Mas, se eu abaixar a cabeça e entrarmos rápido não vai ter problema né? Está escuro, e a entrada não é tão longe assim da calçada — ela perguntou, um pouco preocupada. Teoricamente, sabia que isso poderia acontecer, mas estava tão preocupada com o encontro e depois se divertindo tanto, que acabou por esquecer desse detalhe. Ao ver o rosto dele sério, ela completou — Não é que é para ser segredo, ou algo do tipo, mas é que eu realmente não lido bem com exposição. Tento evitar o máximo possível.
— Eu entendo, . Me desculpe por isso. Eu juro que tentei achar um lugar reservado, mas isso é LA, no final das contas. — ele viu ela negar com a cabeça, sorrindo, dizendo sem palavras que não o culpava. Porém, do mesmo jeito, ele ainda podia perceber a preocupação no rosto dela. Pegando a mão esquerda de , ele entrelaçou os dedos e a trouxe em direção ao seu rosto, dando um beijo na pele macia da mulher. O gesto, que era tanto para complementar o pedido de desculpas quanto para assegurá-la, acabou por tirar um tímido sorriso dos lábios de , enquanto suas maçãs do rosto tomavam uma tonalidade rubra. Era algo simples, mas foi a intimidade que envolvia o gesto e o modo como Chris a olhou foi o que tirou tal resposta dela. O loiro, por sua vez, ficou muito satisfeito não só ao ver tal reação, quanto ao perceber que o nervosismo da garota havia diminuindo um pouco.
— Você quer ir para outro lugar? Posso procurar por algo mais… escondido. Certeza? — ele sugeriu, e logo quis confirmar ao receber um movimento de cabeça de negação, sabendo que ela não estava completamente confortável com aquilo. Ele a analisou por alguns instantes, procurando por qualquer sinal de dúvida, mas além de um certo nervosismo, ele apenas achou determinação. Ela sabia que não iriam encontrar nenhum lugar recluso e que não fosse muito afastado naquela hora da noite, e não queria estragar os planos que ele havia feito. Se escolheu aquele restaurante, tinha algum motivo. E, se ela podia encarar o caos midiático que eram os Jogos Olímpicos, ela poderia encarar alguns paparazzi. Então, acenou mais uma vez com a cabeça, lhe dizendo silenciosamente que queria entrar. O homem então concordou, logo continuando. — Então vamos. Prometo que te encubro, e não demoramos para estar lá dentro.
Para , foi um pouco apavorante ver a quantidade de flashes que apareceram ao saírem do carro em direção à entrada do estabelecimento. Sim, ela dava entrevistas e participava de campanhas comerciais, mas tudo aquilo tinha (e exigia) uma preparação psicológica prévia. O montante de luzes em sua frente de repente foi meio entorpecedor, mas Chris estava a guiando com o braço envolvendo seus ombros enquanto o outro tampava o rosto dos dois de tais flashes, então ela pôde se concentrar apenas em olhar seus pés e vê-los colocando-se um na frente do outro.
Em um instante que pareceu uma eternidade, eles adentraram o restaurante, o recinto bem mais calmo que seu exterior. O maître pediu desculpas (ah, tá; pensou. Como se aquilo não fosse publicidade para eles) e logo os direcionou para a mesa dos dois – afastada da janela, ela pôde ver com alívio. Os deixou com o cardápio e a carta de vinhos, dizendo que logo vinha pegar o pedido do casal.
Chis, por sua vez, não esperou um segundo para seguir o caminho do funcionário e lhe pedir desculpas, dessa vez muito mais sinceras. A mulher podia ver como ele estava chateado com a situação, e preocupado com a nem tão boa reação dela.
— Relaxa, Chris. Foi meio... assustador, mas agora está tranquilo. É meio desconfortável, mas você é importante, e eles só estão fazendo o trabalho deles. Só que, quem sabe da próxima vez, não podemos fazer algo mais discreto? — ela sugeriu, um tanto apologeticamente, esperando que ele pegasse a deixa. Não precisava do resto do encontro para saber que queria outro, e não era do tipo que ficava fazendo charminho esperando a outra pessoa sugerir primeiro. A atleta sorriu quando viu ele fazendo o mesmo, a preocupação não mais tão evidente em seu rosto.
— Quer dizer que a proposta para uma segunda vez ainda está de pé? — indagou, adorando o modo como ela estava olhando para ele. Quem diria que uma sessão de fotos poderia ser tão produtiva? — Fico feliz de saber que os urubus lá fora não te intimidaram o suficiente para você sair correndo. A gente nem começou direito...
A partir daí a noite fluiu novamente bem. Eles conversaram até quase o horário de fechar, tentando conhecer o máximo do outro, como se aquela fosse a última noite. Era óbvio que não seria, mas nenhum dos dois sentiu em momento algum a vontade de ir embora. Pelo contrário, não queriam sair da companhia um do outro, tanto que, mesmo tendo pedido sobremesas, decidiram passar em um drive-thru para comprar milk-shakes, enquanto dirigiam pela cidade, conversando, rindo, e aproveitando a companhia do outro.
Infelizmente o incidente da chegada se repetiu na saída, mesmo que já estivesse tarde da noite. A sorte, porém, é que naquele horário a escuridão estava mais densa, e como saíram de costas para os fotógrafos e com Chris a cobrindo com seu porte muito bem desenvolvido, ela não se preocupou tanto quanto no início da noite.
A necessidade de se estender a noite se fez intensamente presente, pois desde o momento que se viram no estúdio, uma forte química se colocou entre os dois e ali ficou. Estacionados em frente da casa dela, com as luzes da rua sendo a única fonte de iluminação, os dois trocaram beijos desejosos, querendo ao mesmo tempo parar o tempo e apenas saborear o momento, o gosto, a sensação do outro tão perto, mas também querendo acelerar os segundos, pois a necessidade de tomar o outro era tão voraz que, por fim, quando finalmente se separaram, parecia que ficaram a vida inteira sem ar, e a vermelhidão em volta dos lábios dava a impressão que duraria para sempre. Lamentavelmente, beijos urgentes e então vagarosos eram a programação final da noite, já que tinha treino pela manhã – ou, na realidade, dali algumas horas.
Quanto tempo eles ficaram ali, apenas apreciando a companhia e os lábios do outro eles não sabiam, parecia ser por horas e parecia ser por meros segundos, dando a sensação de ocorrer desde sempre por ser tão familiar, tão certo, mas de ser a primeira vez, tão breve e efêmero que nada, nunca iria ser o suficiente.
No final, estava encostada no peito dele – em uma posição totalmente desconfortável, por ter o apoio de braço no meio dos bancos entre os dois corpos, não que ela estivesse se importando no momento, querendo apenas sentir o corpo dele junto ao seu, mas sabendo que iria ficar dolorida no dia seguinte – ocasionalmente distribuindo beijos por seu pescoço e maxilar, enquanto o ator acariciava os cabelos macios dela, desenhando oitos e outras figuras pela cabeça. O ator decidiu que era hora de ir, ao senti-la bocejar contra seu pescoço pela quinta ou sexta vez. A sensação que aquilo provocava nele era agradável até demais, mas infelizmente, tinha que a deixar ir para que pudesse descansar para o treino.
Então, com uma outra, e para tristeza dos dois, breve rodada de beijos trocados, eles combinaram de se falar no dia seguinte, ambos loucos para repetir e “fazer melhor” que a noite que acabarem de ter. entrou em casa com um sorriso bobo, o que, se o espelho retrovisor do carro de Chris pudesse falar, era copiado pelo ator. Nunca se sabia o que uma sessão de fotos poderia trazer.

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não se recordava de um dia que tivesse ido dormir e acordar tão contente. Ela não entendia porque estava se sentindo dessa maneira por alguém que conhecia há dias. Estava constantemente lembrando seu subconsciente que não era mais uma menininha de 13 anos para agir toda apaixonada por qualquer cara atraente que lhe desse atenção, mas os beijos de boa noite que recebeu na noite passada, combinados com a mensagem de bom dia em seu celular, que foi uma das primeiras coisas que ela viu no dia, botou-lhe um sorriso tão grande em seu rosto que parecia que os cantos de seus lábios iriam rasgar.
A mensagem mostrava que havia sido enviada horas atrás, não muito depois deles terem dito boa noite, o que a levou suspeitar que o ator havia ido deitar bem tarde e a enviado antes de dormir. O fato dele não esperar muito para conversar com ela alimentou ainda mais seu bom humor, que se aumentasse mais um pouco, estaria na estratosfera.
Bom dia, Chris. Sim, eu dormi bem, e sim tive sonhos bem agradáveis. Um certo ator talvez seja responsável por isso. Acho que você deve conhecê-lo rs. Só que eles não foram tão bons quanto noite passada, então concordo com outro encontro. Sono é importante, e manter a qualidade dos sonhos ajuda muito! Brincadeiras à parte, estou livre hoje de noite sim, e estou ansiosa para combinarmos algo”.
Assim que sua resposta foi enviada, ela não pode evitar de ficar ansiosa para que o tempo passasse rápido e ele respondesse logo. O que, era no mínimo, irônico. Os treinos, e bem, qualquer momento que passasse em cima de um cavalo, eram a melhor parte de seu dia. E agora ela mal podia esperar para que ele acabasse, sabendo que só iria conversar com Chris após o mesmo. Estava se achando totalmente patética com tal comportamento, mas não conseguia evitar. O sorriso de antes, que ainda se fazia presente em seu rosto, era exemplo disso. Então ela resolveu se distrair, não perdendo tempo em se arrumar e ir para a hípica, ir dar atenção a quem podia no momento. Baloubet, para variar, estava bem contente em devorar todas as cenouras que ela havia levado para ele, e o trote tranquilo e contente que deu durante os drills indicava que ela não era a única de bom humor.
Amava a conexão que tinha com seu cavalo, que sempre parecia pelo menos entender e por várias vezes refletir o que ela sentia. O conforto emocional que Baloubet lhe dava era um dos mais importantes que ela possuía, e o fato do animal não poder lhe responder com palavras não era empecilho algum para intensidade do laço que mantinham.
Então não foi surpresa que ela lhe contou sobre os acontecimentos recentes durantes as pausas dos exercícios e dos minipercursos, enquanto acariciava seu pescoço e passava a mão por sua crina carinhosamente. O treino sempre lhe cansava, apesar de não tanto quanto seu cavalo, e junto com os rituais de cuidados que ela o dava após os treinos (banho, cenouras e passear com ele pelo pasto) foram o suficiente para acalmar a excitação que a acompanhava desde cedo.
Porém, de nada adiantou ao chegar em casa e ver que o ator havia lhe respondido, dizendo que também havia dormido bem e que os sonhos dele certamente tinham algo a ver com os dela, terminando a mensagem comunicando que, já que os dois estavam livres, ele passaria às oito para buscá-la.
Infelizmente, Lea também havia lhe enviado uma mensagem enquanto estava no treino, porém com links invés de palavras. Ao abri-los, ela pôde ver as fotos da noite passada estampadas em alguns sites de tabloides.
Chris Evans é visto acompanhado por uma mulher misteriosa” e “O secreto e romântico encontro do Capitão América” eram algumas das manchetes que ela viu.
havia se esquecido dos paparazzi na porta do restaurante, e para sua surpresa, haviam tirado fotos dela no carro com ele. Ela imediatamente se sentiu exposta e desconfortável.
Nunca havia aparecido na mídia sem consentimento e conhecimento, como as campanhas publicitárias que participara ou as entrevistas esportivas que concedia. Apesar de não aparecer seu rosto ou nome, aquilo lhe parecia uma grande invasão de privacidade. Coitado de Chris, que tinha que lidar com tal tipo de situação constantemente.
não pôde evitar ficar apreensiva. Sim, ela só teve um encontro com ele, e apesar de ter um segundo marcado, não dizia nada, na verdade. Porém, a situação séria ou não, ela não queria dividir aquilo com qualquer pessoa com acesso à Internet. Apesar do Hipismo ser um esporte de prestígio, não era tão aclamado midiaticamente como o futebol, o basquete e outros do tipo. A amazona estava acostumada com o anonimato, a discrição e a privacidade. Aquilo lhe deixava receosa. Contudo, imediatamente lembrou de como se divertiu na noite passada. Como Chris havia sido atencioso, gentil e engraçado. Como conversaram por horas e parecia que nunca iriam ficar sem assunto, descobrindo várias coisas em comum e até mesmo quando discordaram de alguns assuntos, discutiram de modo entretente: a luz brincando nos olhos deles, mostrando que apesar de tudo estavam se divertindo, o sorriso quase convencido que davam ao fazer um bom argumento ou quando contra argumentavam de maneira desarmante. Claro, a atração e a tensão sexual ajudaram a deixar a conversa leve e envolvente mesmo em tais momentos, mas esse era um exemplo claro da química entre os dois.
E, por fim, os beijos. Ah, os lábios dele colados nos seus, lhe roubando o ar e consumindo cada suspiro seu, o toque sensual que deixou sua mente intoxicada por horas e ansiando por mais, para ser envolvida toda por tais carícias.
Ela não iria negar uma chance de experimentar tudo isso novamente por medo e apreensão. Só que também não iria chegar no escritório do TMZ dando detalhes da sua noite. Foi por isso que, ao responder confirmando de se verem mais tarde, ela anexou uma das fotos e lhe enviou:
Eu topo, mas só se for nós dois hoje. Não estou acostumada a dividir meus encontros, e detesto candelabros.
Ele lhe respondeu prontamente, pedindo desculpas (que a mulher logo disse não serem necessárias, afinal não era culpa dele, só queria impedir que aquilo se repetisse daquela vez) e a assegurando que o programa dos dois não teria nenhuma outra parte exterior participando, nem que minimamente. Curiosa, ela perguntou ao ator qual era a programação da noite, mas mais uma vez ele a deixou no escuro, lhe dizendo que gostava de fazer surpresas.
Ansiosa, ela não sabia esperar para saber o que se passava pela mente dele, mas o conhecimento que ele estava fazendo aquilo por ela lhe provocou o famigerado e agradável frio na barriga, então concordou na omissão temporária. Após isso, e não surpreendentemente, passaram o dia conversando, mesmo com compromissos das duas partes, já que a sensação que provocavam um no outro era viciante demais para ficarem em radio-silence até de noite.
Chris novamente a aconselhou a se vestir confortável e com todo o segredo, foi lhe buscar em casa, agora que tinha o endereço. O comitê de boas-vindas que lhe deu durou uns bons quinze minutos, após os quais ela teve que limpar o rosto dos dois para tirar as manchas de batom, logo reaplicando uma nova camada nos lábios, enquanto lançava olhares reprovadores para ator.
Mesmo que fosse de brincadeira, ele respondeu com um sorriso convencido que dizia exatamente o quão arrependido estava. Balançando a cabeça e rindo, a mulher viu sua casa ficar mais e mais distante no horizonte, concentrada apenas no humor relaxado e contente que estava começando a associar com o ator.
se surpreendeu ao perceber que não estavam indo em direção ao centro, e ainda mais quando entraram em uma área residencial. Impressionada, ela observou as casas — mansões, na verdade, que deviam valer mais que Baloubet e seus filhos juntos (cavalos, principalmente os de raça, eram caríssimos) — passarem, levemente desconfiada, mas ficando quieta e apenas admirando a arquitetura de cada uma. Não sabia o que pensar, principalmente quando o ator estacionou na entrada da garagem de uma residência. Já meio que suspeitando sobre o que seria aquela noite, a amazona apenas se virou para ele e arqueou uma sobrancelha, a pergunta não vocalizada clara em seu rosto.
— Você disse que não queria mais ninguém envolvido, — disse Chris, rindo da cara que a mulher fazia, mas um pouco sem graça, massageando o pescoço enquanto falava — acho que não tem nada mais discreto que uma noite de filmes caseira, não é? Juro que não tem segundas intenções.
Ela observou por mais uns instantes antes de sorrir, aprovando e virando-se para sair do carro. Apesar de estar de costas para o ator, ela quase pôde ver em sua mente o suspiro de alívio que ele silenciosamente soltou, e teve que se controlar para não soltar uma risada.
Chris tinha uma casa muito bonita, a qual lhe impressionou bastante a decoração. Ou não fazia jus ao estereótipo de homens solteiros morando sozinhos ou certamente tinha dedo de algum designer de interiores no ambiente. Seja o qual for, ela havia gostado bastante, mencionando para o ator enquanto o mesmo lhe dava um tour pelos cômodos da área comunal da casa.
Sua surpresa ficou ainda maior quando, ao lhe mostrar a área externa e a piscina, eles não voltaram para dentro. Em um canto mais afastado, longe da piscina e das portas de vidro, se encontrava uma chaise dupla, imitando duas espreguiçadeiras, com cobertores e almofadas, voltada para uma parede. Entre elas havia uma lareira de chão, já acesa e quanto mais ela se aproximava, mais confortável ficava ao sentir o calor que o fogo emanava. Mesmo na Califórnia, estavam no inverno, e a noite podia ser fria na cidade quando queria, principalmente nos bairros mais altos, como o de Chris. No tablado que envolvia a lareira, ela viu um certo tipo de panela que a fez sorrir, seu cérebro enchendo de piadas que queria fazer, mas se controlava.
— Sei que pipoca é mais tradicional para acompanhar um filme, — começou o homem, ao vê-la olhando para a comida. — Mas quis deixar as coisas um pouco melhores. Espero que goste de fondue.
— Você vai me julgar muito se eu fizesse alguma referência à Capitão América? — respondeu, tentando controlar o riso que surgia em seus lábios, sem graça por lembrar de um detalhe tão pequeno de um dos filmes do ator. Apesar de ser secretamente uma geek incorrigível, não queria se passar como uma das fangirls dele, mas a necessidade de fazer menção ao meme era mais forte que ela. — Meu cérebro está implorando para que eu diga algo como “não sou garota de fondueing nos primeiros encontros”.
O riso acabou sendo mais forte que ela e escapando de sua boca ao notar a coloração rosada nas bochechas do ator. Decidindo não fazer mais graça, já que havia sido muito atencioso da parte dele preparar algo tão romântico quanto aquilo, ela continuou sorrindo, porém agora com um “tom” mais doce, um pouco mais calma do que os instantes anteriores.
— Desculpa, foi só para descontrair. Mas fondue, vinho, filme sob as estrelas… você certamente sabe agradar uma garota. — disse, o olhando ternamente, tal sorriso se alargando um pouco mais ao vê-lo se aproximar e abraçá-la pela cintura, depositando um pequeno beijo em sua têmpora, despertando um arrepio e causando com que ela soltasse um suspiro. Jesus. Nem parecia que se conheciam apenas há poucos dias. A conexão e química que tinham não devia ser tão forte assim, mas ela não estava reclamando, estava descobrindo que gostava de ser abraçada pelo homem.
— Bom, ontem foi uma ótima noite, mas vi como você ficou desconfortável com os fotógrafos. Achei que algo mais reservado e íntimo seria melhor dessa vez. — Chris falou, o modo como estava sorrindo para ela mais uma vez tirando seu fôlego, as chamas do fogo dançando refletidas e contrastando com o azul claro de seus olhos a deixando um pouco intoxicada com tal visão. Como alguém poderia ser tão atraente assim, ela não sabia.
— Foi uma ótima decisão. — concluiu , se debruçando nele para dar-lhe um pequeno beijo, demonstrando como havia aprovado o que o ator havia planejado pelos dois. Queria se aprofundar no beijo, mas sabia que havia tempo suficiente para aquilo ao correr da noite, então o terminou após alguns segundos. — Bom, já temos o que fazer, já temos o que comer, mas o que iremos assistir, afinal?
Chris, na realidade, tinha deixado para escolherem juntos. Foi um pouco difícil, com a grande coleção de filmes que o ator tinha, mas por fim decidiram começar com uma comédia, algo leve para acompanhar enquanto comiam, e depois assistiram um de suspense.
Mesmo com a lareira e as cobertas, continuava a sentir frio, porém nem fez questão de fingir que era uma desculpa para se aconchegar ao corpo do loiro. Ele, por sua vez, não ousou (e nem quis, na verdade) protestar. Então, passaram as próximas horas abraçados um ao outro assistindo os filmes que haviam escolhido. Bom, assistindo no termo mais amplo da palavra, já que desde o início do segundo filme suas bocas não desgrudaram.
O tempo foi passando, a noite caindo e ficando mais e mais fria, porém ambos só tinham atenção um para o outro. Beijos ávidos eram trocados, as bocas quase se fundindo com o contato intenso que tinham, não ficando segundos separadas antes de voltarem a se tocar. Mãos corriam por todo lado, acariciando tudo e qualquer lugar que alcançavam. Simplesmente implacáveis.
Foi só quando de repente uma luz azul forte se fez presente que notaram que o filme havia acabado e as chamas da lareira quase se extinguiram, fazendo que de repente o frio intenso da noite se fizesse presente. Nenhum dos dois queria se separar, mas colocar outro filme não passaria apenas de uma desculpa, uma que não precisavam. Não foi surpresa então, enquanto encarava o ator com olhos cheios de expectativa, luxúria e antecipação, a amazona sugeriu: — Talvez seja melhor levarmos isso para dentro?
Chris não precisou ser perguntado duas vezes, e nenhum dos dois se preocupou com as coisas que estavam ali, além de apagar a lareira, já que tinham outro tipo de chama para se preocupar.
E bom, se no momento em que se conheceram já se enamoraram imediatamente um pelo outro, depois de tal noite ficou evidente que não conseguiram se separar tão cedo. Uma após a outra, noites como aquela se repetiram, alternando o papel de anfitrião entre os dois. Tinham encontros a cada dia possível – até mesmo nos impossíveis com um pouco de esforço —, e aprendeu que não só gostava de ser surpreendida, como também adorava surpreender o loiro.
Na verdade, o novo casal meio que disputava entre eles sobre quem conseguia orquestrar um encontro melhor, sempre tentando agradar o outro e fazer um programa memorável. Não eram luxuosos, algumas vezes bem longe disso, já que nem nem Chris se importavam com tais trivialidades. Não, o que eles tentavam (e, em sua maior parte, sucediam) era agradar o outro, fazendo programas como picnic em uma praia afastada ou alguma trilha que acabava em uma cachoeira não muito conhecida. Claro, também tinham os encontros mais mundanos, como preparar um jantar especial em casa ou pedir comida e passar horas assistindo filme agarrados um no outro. Não importava como, eles só queriam ficar juntos, aproveitando a sensação dos corpos juntos, das peles se tocando, de sentir a respiração e o batimento cardíaco do outro. Era clichê, e romântico a ponto de alterar a glicose de qualquer um para níveis alarmantes, mas considerando como ambos eram cheios dos compromissos e passavam semanas sem se ver em algumas ocasiões, segurar o outro perto de si como uma confirmação de que aquilo estava sim, acontecendo e era sim, real, não era tão surpreendente assim.

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E então dias viraram semanas, que viraram meses, e quando deram por si, logo completaram um ano de namoro. Levando em conta como os dois eram românticos e praticamente não se desgrudavam, principalmente nos primeiros dias, o pedido de namoro até que demorou um pouco para acontecer.
Chris sabia que tinha pavor da atenção de Hollywood na relação dos dois. Ela engolia quieta, pelo menos até aquele momento, a excessiva exposição que o relacionamento deles estava tendo, mas ele via como a feição dela ficava séria toda vez que via um paparazzo, ou como ficava sobrenaturalmente quieta ao ver alguma notícia dos dois na internet.
O ator lembrava como seu rosto ficou branco ao ver que infelizmente um fotógrafo teve um dia de sorte e capturou com clareza o rosto dela, não demorando muito para que o nome da mulher fosse liberado na mídia. Os assessores de ambos os avisaram que era só uma questão de tempo, mas ela preferiria que fosse bem mais tarde. Após horas de um comportamento introvertido, se aconchegou no peito de Chris, virando o rosto para que pudesse enxergá-lo melhor. Os dois estavam na sala da casa dela, passando a tarde fria assistindo filmes.
— Me desculpe, Chris — ela disse, e esclareceu para o loiro quando viu o rosto dele, que tomava por uma expressão confusa e curiosa. Entretanto, ela podia ver a mágoa da reação dela mais cedo escondida bem no fundo. — Não estava brava com você, sei que não tem culpa nenhuma, mas não sei lidar bem quanto o assunto é a mídia.
— Eu sei disso, , muito bem. Só que já faz dois meses que estamos saindo, com as fotos frequentemente nos tabloides. Não estou dizendo que você deveria estar acostumada, nem perto disso, só não entendo a sua surpresa toda vez que isso acontece. Já deveria ser algo que você esperasse.
— Não, eu sei — a mulher concordou, suspirando e encostando a cabeça no ombro dele, enquanto sentia os dedos do homem se entrelaçando em seus cabelos e fazendo carinho no couro cabeludo dela. Ela não sabia se aquilo era uma mania dele ou se era apenas com ela, mas não importava, adorava sentir o toque sutil dele. A relaxava e a acalmava, e era disso que ela precisava no momento. — Talvez eu apenas seja uma otimista incorrigível, nesse aspecto. Eu não sou a pessoa mais who da existência, Chris, e sei disso. Mas também não sou mundialmente famosa e tenho paparazzi me seguindo cada vez que saio de casa. Eu gosto do meu pseudo anonimato. Gosto de saber que posso ir ao mercado sem que o resto do Planeta Terra saiba. E eu gosto, até demais, para falar a verdade, de estar com você, mas…
— Mas você não gosta que todos saibam também. — o ator a interrompeu, a voz calma e baixa. Porém, o tom machucado nela era impossível de não notar, e se surpreendeu com a pontada rápida, contudo forte, que sentiu em seu âmago ao perceber que suas palavras (pelo menos as que ele achava que seriam) haviam o ferido.
— Não, não, não — a mulher exclamou, levantando o torso de onde estava apoiando-se no ator, para que pudesse se virar e vê-lo melhor. Colocou a mão delicadamente na bochecha dele, instantaneamente trazendo o olhar dele para o seu. Suas pupilas iam de um lado ao outro, observando atentamente os olhos dele, tentando transmitir a firmeza de sua próxima afirmação não só com as palavras que deixavam seus lábios, mas também com o olhar. — Eu não tenho vergonha de estar com você, Chris. Nem um pouco, nunca. Não por você ser famoso e bonito e bem-sucedido e blábláblá. Eu fico orgulhosa de ser vista ao seu lado, de me associar com você pela pessoa incrível que você é. Por favor, não duvide disso. Nunca, jamais eu ficaria embaraçada de ter sua companhia.
Ela o encarou até que suas palavras se registrassem e gravassem no cérebro dele. Ao perceber que ele entendeu e aceitou o que ela dizia, um leve sorriso se formou em seus lábios, logo sendo retribuído pelo homem, porém terminado ao receber um delicado, mas sentido beijo do mesmo. Ao terminarem, mantiveram os rostos próximos, as testas se tocando e as respirações se mesclando. Continuaram em tal posição por alguns segundos, antes de se afastar e voltar a encará-lo, sua voz agora mais branda, combinando com a expressão serena dele.
— É uma questão de privacidade apenas, sweetheart. Se fossemos pessoas comuns, acho que não controlaria o nível de PDA em público. Ou talvez se eu fosse mais exibida, os tabloides teriam muito mais manchetes envolvendo nós dois. Mas, mesmo lidando com a mídia de vez em quando, eu vivo em uma bolha reservada. E eu não sei lidar com as pessoas tentando furá-la. Me orgulho de ser… bem, o que quer que somos, mas a relação é nossa, não deles. E eu quero que continue assim. — ela terminou suavemente, vendo nada mais que compreensão e carinho no rosto do homem. Ela respirou aliviada com a bomba que evitou, e não pôde evitar de fazer uma graça para deixar o ambiente mais leve. Voltou a se aconchegar nele, ficando confortável no sofá e virando sua atenção para a televisão, mas o loiro ainda pode ouvir o riso e o deboche na voz da mulher.
— Eu te avisei, logo após nosso primeiro encontro, que eu era ciumenta e não gostava de candelabros. Você não me ouviu, agora vai ter que aguentar.
E foi assim que Chris soube que era mais do que uma relação passageira, e que não esperava por tornar o relacionamento dos dois oficial. Eles sendo eles, não passou em momento algum pela mente do ator que uma simples pergunta ali mesmo faria o trabalho. Novamente, eles não precisavam de luxo e demonstrações os tentos as e chamativas, mas a essência romântica dos dois sempre fazia com que eles tentassem ao máximo fazer qualquer programa especial.
Então não, era a vez dele planejar o próximo encontro dos dois, e se ele iria a pedir em namoro, tinha que ser algo para deixá-la de boca aberta. Mas o que ele podia fazer para surpreender uma atleta olímpica com medalhas de ouro e prata?
A resposta, na verdade, veio duas semanas depois. Aquela tinha sido a última vez que haviam se visto, já que estava se preparando para um campeonato regional em cima para os treinos para as provas de triagem da equipe olímpica, e Chris estava começando o processo de pré-produção de seu novo filme, Gifted. Parecia que o ditado era verdade afinal, já que a distância realmente aumentava o sentimento. Apesar de não se verem, não passavam o dia sem trocar mensagens nos momentos possíveis, e quando estavam com uma folga maior, chamadas longas no facetime preenchiam o tempo dos dois.
Então, após semanas sem se ver, os dois conseguiram folgas sincronizadas, e estava empolgada para ir para Napa Valley, onde teria um festival de vinhos. Nascida e criada no Sul por uma família quase que sommelier, a mulher adorava a bebida, e eles mereciam um getaway romântico, não?
Chris, que estava no estágio em que se lhe pedisse uma estrela, ele construiria uma escada até o céu azul para lhe dar uma, concordou sem delongas. Foi apenas quando estavam de fato planejando a viagem, que lhe veio a ideia à mente.
Eles saíram sexta cedinho de manhã de Los Angeles querendo chegar logo para poder aproveitar o dia. Resolveram ficar em Yountville, um pequeno vilarejo com menos de três mil pessoas. Sempre priorizando a privacidade, os dois também queriam fugir um pouco da agitação da cidade grande. O Yountville Hotel, que na verdade se tratava um conjunto de lodges em que as pessoas se hospedavam, oferecia todo o entretenimento que precisavam além dos passeios que haviam programado. Fora que qualquer emergência, a pequena vila ou até mesmo um pequeno percurso até Napa resolveria o imprevisto. Aquele fim de semana era dos dois, então “mais remoto possível, melhor” era a regra da viagem.
Logo que chegaram se dirigiram ao hotel para check-in, mas apenas deixaram as malas antes de pegarem a estrada novamente, conhecer a cidade de Napa e fazer o famoso passeio de trem era o programa do dia.
O ator queria fazer o pedido durante algum momento da viagem, mas não tinha nada exatamente preparado. Não era como se fosse um pedido de casamento, e ele sabia que planejar não adiantaria de nada, já que o melhor momento se apresentaria em algum ponto do fim de semana. Por tal motivo, ele não se surpreendeu quando pediu para apenas pedirem serviço de quarto para jantar, exaustos de andar para cima e para baixo o dia inteiro, sem contar com a viagem que apesar de não ser tão longa, era um pouco cansativa. A animação e excitação de conhecer lugares novos e tão bonitos por tanto tempo também afetou a disposição dos dois.
Com a decisão tomada, a mulher sugeriu que tomassem um banho na banheira maravilhosa que havia na suíte dos dois. Não tendo nenhuma objeção (e mesmo se tivesse, não era como ele fosse manifestá-la), o loiro logo se pôs a enchê-la, jogando todos os sais que havia no canto da mesma para os aromas e espuma. Quando o banho já estava pronto, ele chamou a mulher, obtendo um baixo muxoxo.
Estranhando, ele voltou ao quarto, rindo ao encontrá-la na cama imensa, estirada e de olhos fechados. Por um segundo, pensou em deixar a mulher dormir, mas sabia que uma hora ela teria que levantar para tomar um banho ou comer alguma coisa, portanto se aproximou dela, a chacoalhando delicadamente e chamando seu nome baixinho. Sabia que ela não estava realmente dormindo, porém mais alguns minutos e não teria tanta facilidade em conseguir a atenção da amazona.
Entretanto, pediu cinco minutinhos a mais, alegando que estava cansada e precisava de um pouquinho mais para levantar. Ele sabia que ela tinha passado o dia anterior inteiro na hípica, e juntando com a noite mal dormida para arrumar as coisas da viagem e o dia agitados, não era de se surpreender que ela estivesse exausta. Só que ele sabia que se desse os tais cinco minutos, ela cairia no sono verdadeiramente, portanto não poderia ceder ao pedido.
Foi a feição exausta da mulher que o derreteu por dentro, incentivando-o a seguir com um súbito pensamento. Ele logo se despiu, e pediu baixinho para a mulher se podia fazer o mesmo com ela. Sabia que ela havia acordado por hora, então não teve receio em perguntar. Nunca faria mal à , só sabia o quão cansada ela estava, e queria ajudar. Ao receber uma resposta afirmativas, ele retirou as meias e a calça delicadamente da jovem, a mesma levantando levemente o quadril para ajudá-lo, enquanto seus braços tiravam com movimentos lentos a blusa e o sutiã que usava. Chris pediu para que ela se levantasse por um momento da cama, o que ela respondeu com um longo suspiro, mas fazendo-o do mesmo jeito, enquanto fazia um coque de modo relaxado nos longos cabelos, que estavam enroscando-se no pescoço dela e a irritando.
Enquanto amaldiçoava os fios, ela mal percebeu Chris se aproximando, apenas registrando o que acontecia quando o loiro a levantou da cama, um dos braços sustentando suas pernas encaixando-se na parte de baixo dos joelhos dela, e quanto o outro sustentava sua parte superior do corpo a pegando por baixo do braço, dando a volta em suas costas e terminando em seu ombro oposto.
Um pouco sobressaltada com o movimento súbito, a atleta demorou alguns segundos para reagir, mas logo envolvendo os braços envolta do pescoço do ator e descansando a cabeça no ombro dele, porém mal teve a chance de voltar a fechar olhos antes dele a depositar no degrau que adentrava a banheira. Ele entrou primeiro, se acomodando e dando espaço para que ela sentasse em sua frente, de costas para ele.
A água estava bem quente e a espuma ocultava qualquer à vista, mas ao se posicionar dentro da mesma logo sentiu o corpo de Chris envolver o seu, os braços a puxando em direção a si, fazendo com que ela descansasse no peito do ator. Não demorou muito para que toda a tensão deixasse seu corpo, e a jovem sentisse como se não tivesse osso algum, de tão leve e relaxada que se sentia. O cansaço do dia estava sumindo, enquanto seus músculos relaxavam com o banho quente.
Pelos primeiros momentos, ambos ficaram quietos, apenas aproveitando a água quente e a sensação de ter o outro perto. apoiou a cabeça novamente no ombro dele, mas nessa vez em um ângulo que pudesse ver sua face e com a ajuda de seu braço, trouxe seu rosto para perto de si, os lábios não hesitando por um instante para se conectar.
O beijo era lento, refletindo a atmosfera calma do ambiente. Os lábios moviam-se um contra o outro quase que preguiçosos, como se tivessem todo tempo do mundo, a necessidade de aproveitar o gosto e o momento maior do que a de apressar para chegar ao destino final. Contudo, eram apenas mortais, e alguma hora o desejo fez-se falar mais alto.
Os primeiros minutos cheios de beijos sedutores, os lábios se acariciando e as línguas massageando-se, perdidos no próprio mundo, tentando mostrar a significância de tal momento com os toques invés das palavras. Porém, não importando a velocidade com que iam, uma hora a necessidade de respirar veio, os pulmões gritando por oxigênio, e imediatamente se arrependendo, as bocas se separaram, logo querendo voltar para o quente contato.
sugava o ar fortemente, seu corpo querendo armazenar o máximo de oxigênio se fosse continuar a passar os próximos minutos sem fazer o uso da respiração. Chris, no entanto, não se importou com tais trivialidades como respirar, já que logo que sua boca se soltou da dela, desceu para seu maxilar, começando a distribuir beijos por seu rosto e indicando que desceria ainda mais. As mãos, que até agora estavam a envolvendo em um abraço, começaram a se movimentar por seu corpo.
Não demorou para que eles decidissem que a banheira não era o melhor lugar para fazer o que queriam, e se movessem para de volta para o quarto, as bocas ávidas e ansiosas nunca deixando a outra, somente após toda a paixão que continham em si naquele momento fosse expelida enquanto faziam amor pela noite inteira.

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No dia seguinte, ambos acordaram cedo, apesar de ficarem até tarde se entretendo. queria fazer o máximo de programas possíveis, como exemplo o Wine Train, um passeio ferroviário que que passava por Napa e todos os vilarejos vizinho, mas principalmente tirava o fôlego com as impressionantes paisagens dos vinhedos pelos quais a região era famosa. Eles passaram parte da manhã em um City tour de Napa, visitando todos os pontos turísticos da cidade antes de ir conhecer os principais vinhedos, já que por serem tantos, não poderiam conhecer todos.
Escolheram um para conhecer naquele dia, o Chateu Montelena Winery, e então fariam o passeio de trem. Almoçaram na cidade mesmo, optando por algo mais leve, mas que os satisfizesse para poderem aproveitar a degustação no vinhedo.
O qual, na verdade, acabou se apaixonando. Vindo de uma família de sommeliers, não havia como não gostar da bebida, mas ela se encantou com o lugar. Na luz dourada da tarde, ela fez fotografias que não tinha como descrever. Por já conhecer bem a mulher, Chris sabia dessa outra paixão na vida de , e observou com um sorriso bobo enquanto ela fotografava cada detalhe que via pela frente.
A atmosfera descontraída e relaxada da tarde, e em geral da viagem inteira, fez com que ele se juntasse a ela para algumas. Não era como odiasse tirar fotos, afinal era ator e ironicamente foi assim que se conheceram, apenas não fazia muita questão delas. Mas o modo como se sentia e como o sorriso de parecia cativar toda sua atenção, fez com que ele quisesse registrar tal viagem. Não só com fotos da paisagem, mas com fotos dela e dos dois, não que sua mente fosse algum dia esquecer o modo como os olhos dela brilhavam ou como o sorriso da mulher parecia nunca deixar seu rosto.
Ao final do dia, retornaram ao quarto, decidiram que iriam jantar no restaurante do hotel. Descansaram por um par de horas, para repor as energias do dia, mas logo se puseram a ficarem prontos para sair, tomando banho (separados e de chuveiro dessa vez, infelizmente) e se arrumando. Tendo crescido com duas irmãs e com suas relações anteriores, Chris não se surpreendeu com a quantidade de tempo que demorou para ficar pronta, aproveitando, na verdade, para passar o tempo a observando, admirando a mulher que queria desesperadamente chamar de sua.
Sentindo o olhar dele em si o tempo todo dispensou o uso de blush, pois acreditava que nunca voltaria a sua cor normal. Mas no fundo, gostava da atenção que estava recebendo ator, de saber que o encantava tanto quanto como ele a enamorava.
Logo se dirigiram para o restaurante, um salão médio e charmoso, com uma certa penumbra devido à luminosidade reduzida do lugar, criando um ambiente aconchegante. Escolheram uma mesa no canto, perto das paredes de vidro que davam para as montanhas da região, agora pouco visíveis pela noite, mas luzes externas iluminavam os jardins e o início do vinhedo do hotel, dando uma visão encantadora de onde estavam sentados.
A vista mais do que linda, o ambiente mais do que agradável e a comida estava espetacular. A noite estava fazendo jus ao dia que tiveram, cada momento deixando a viagem ainda mais especial. Quando a música ambiente deu lugar a uma banda que começou a tocar baladas mais calmas, atraindo a atenção dos casais e chamando-os para um espaço no meio do salão considerado como a pista de dança, Chris e não puderam evitar de fazer o mesmo.
Levantando-se, Chris deu a volta na mesa e ofereceu sua mão para , perguntando: — Dança comigo, sweetheart?
A amazona não hesitou nem por um segundo, lhe dando um sorriso terno ao pegar sua mão e acompanhá-lo até a pista, logo sentido ele a puxar para perto e começar a mexer o corpo em junto com a música.
Dançando ritmo dos acordes lentos que saíam da caixa de som, Chris puxou o corpo de para próximo do seu, querendo que cada centímetro dela estivesse em contato consigo, pelo menos o apropriado para um local semi-público. Sua mão direita estava entrelaçada na dela, enquanto a esquerda repousava em sua lombar, certificando-se que ela estava ali, perto de si, e de vez em quando a pressionando levemente contra ele.
Sentia os suspiros de contentamento que a mulher soltava quando fazia isso, e mesmo sem olhar em seu rosto sabia que ela estava tão contente como ele. O dia havia sido maravilhoso, conhecendo vários locais impressionantes, mas nada comparava com aquele momento, com a sensação de segurá-la em seus braços, os corpos balançando levemente seguindo a música. Não fora planejado, e nem tinha aquela urgência de “agora ou nunca”. Não, era mais natural, era instinto. Era o que parecia certo, como se tudo a sua volta estivesse no local ideal apenas esperando que ele abrisse seus lábios. E então, foi assim que fez.
— Sabe, , — começou o loiro murmurando no ouvido dela, sem se soltar e seguindo o passo que a melodia pedia — você me faz um bem que não faz ideia. Quando estou com você parece que não tem nada de errado, mesmo que eu tenha um monte de problemas. E eu gosto disso. Gosto de como você me faz sentir.
— Você não vai fazer uma declaração de amor e se ajoelhar, né? Porque se fizer isso, eu te deixo falando sozinho. — ela respondeu contra seu peito, mas ele pode senti-la sorrir contra sua camisa, antes de se afastar um pouco e encará-lo, as feições um pouco mais sérias, mas sem perder a o brilho no olhar e sem desfazer por completo o sorriso — Você também me faz bem, Chris. Você sabe que a situação com meu pai é estressante, e que mesmo sendo minha paixão o hipismo exige muito de mim, por vezes até demais. E quando você está comigo, é como você me recarregasse. Me desse uma energia nova e vontade de encarar tudo de novo no outro dia, só para te ver novamente.
O ator suspeitava que ela sentia o mesmo pelos sorrisos ou até mesmo pelo jeito que ela o olhava, como tudo se acinzentasse em comparação a ele. Era como ele a olhava, também, e por isso era tão fácil dizer para ela. Então, sorrindo, ele voltou a trazê-la ainda mais perto, lhe dando um beijo demorado na testa, antes de abaixar um pouco e sussurrar em seu ouvido:
— Eu não consigo te tirar da minha cabeça. Fico pensando em quando vou te ver, em como tudo em você me hipnotiza, e fico passando nosso tempo juntos em minha mente em replay quando não estou com você. Você me faz bem porque quando estou com você parece que eu posso fazer tudo. Parece que eu poderia tocar o céu e o engraçado é mesmo assim eu só consigo me concentrar em você. É como se você tivesse me enfeitiçado. Eu quero continuar sentindo isso todos os dias, . Quero acordar e saber que te terei comigo, mesmo quando eu estiver gravando do outro lado do mundo. E não quero que ninguém mais sinta isso.
A mulher voltou a se afastar, olhando-o meio desconfiada. Ela estava brincando antes, mas ele não iria realmente fazer aquilo, ia? Em contramão, o ator vendo a confusão e a suspeita no rosto dela.
— Seja minha, . Quero que namore comigo. Quero que quando for te apresentar para alguém que eu conheça, eu possa dizer que a mulher encantadora e extraordinária na minha frente é minha, e de mais ninguém. O que acha, sweetheart? — Chris perguntou, a olhando com as irises azuis quase cintilando de tanto que brilhavam em antecipação, os lábios em um sorriso que a tirava o fôlego e fazia seu coração ficar mais quente, enquanto batia insanamente rápido.
Sem reação pelos primeiros segundos, ela nem se importou com palavras enquanto suas mãos moviam-se para o pescoço dele, pressionando sua cabeça para baixo, para que as bocas dos dois pudessem se conectar.
Não teve os fogos de artificio que os filmes de Hollywood mostravam ou qualquer outra coisa exotérica que mistificavam os beijos apaixonados famosos. Era apenas um homem e uma mulher tentando demonstrar tudo que se sentiam pelo toque dos lábios: como o ar parecia não ser mais a coisa mais importante para a existência deles; como os corpos se transformaram em eletricidade, a adrenalina no sangue dos dois dando tal sensação em resposta à presença do outro; como só com um beijo eles podiam se tornar um.
Se separaram antes que pudessem sufocar, ainda próximos e respirando audivelmente, os pulmões desesperados por conseguir oxigênio, caso os dois loucos resolvessem novamente que respirar era superestimado.
Ao passar dos minutos, quando voltaram a respirar normalmente, olhou para Chris, seu rosto todo iluminado pelo sorriso excitado que portava. O homem riu de tal expressão, lhe lembrando como seus sobrinhos ficavam quando ele os dava um presente que tanto esperavam.
— Isso foi um sim, aliás. Um claro, óbvio, com certeza também. – ela disse de maneira debochada, fazendo graça, mas sem malicia no comentário. Deu mais alguns beijos no ator, antes de voltar a falar para perguntar: — só que isso de apresentar, bem, não estou pedindo para escondermos, mas a gente não precisa anunciar no Entreteniment Weekly, né?
Rindo, ele fez sinal de negação com a cabeça. A relutância com a exposição de não era nem um pouco desconhecida por ele, na verdade, até partilhava de um pouco dela. Claro que teriam que sentar e discutir o assunto e como proceder para não parecer que estavam escondendo algo, mas também de uma maneira que eles pudessem manter máximo de privacidade.
Contudo aquele não era o momento para tal discussão. Ele só queria continuar com ela em seus braços e não teve objeção nenhuma de continuar dançando abraçada com Chris pela madrugada, até o amanhecer.
O dia seguinte passaram no quarto, com a desculpa de que já haviam conhecido muito no dia anterior, e que precisavam repor o sono por terem ido dormir tão tarde. Na verdade, só queriam que a sensação de seus corpos se tocando nunca terminasse. Então, assim passaram as horas daquele domingo preguiçoso, hora fazendo amor hora apenas se abraçando, com Chris fazendo carinhos no cabelo dela, o toque leve como uma linha de costura, tecendo com as pontas dos dedos desenhos em sua cabeça, enquanto ela repetia a carícia no abdômen do ator. Ela não sabia se ele percebeu, mas intercalava círculos com oitos que viravam símbolos do infinito.
Só saíram no dia seguinte para o check-out e seguindo viagem de volta a Los Angeles, deixando o hotel que agora tinha uma grande significância na relação do casal e uma cama com lençóis tão bagunçados que parecia que uma maratona havia sido corrida ali. Quase.

×


Impressionantemente o casal conseguiu se manter longe da mídia após oficializar a relação. Com a sensação de ser algo mais sério e firme também veio uma intimidade que os dois não estavam dispostos a dividir com o público. Não era como se estivessem se escondendo, mas como havia dito semanas antes, aquele era um relacionamento a dois, e nenhum deles queria mais alguém envolvido.
Mesmo depois de comprometidos, continuaram com o hábito de intercalar a programação dos encontros, e mesmo que brincadeira de bolar uma atividade melhor ainda estivesse presente, eles apenas estavam contentes em ter um ao outro, seja no meio do nada ou no meio da sala.
Só que também não era como se excluíssem da sociedade. Não, eles não tinham medo de sair na rua, só preferiam os programas low-key que não iriam estampar capas de tabloides no dia seguinte. Chris arranjou de irem ao campo de paintball, onde as máscaras de proteção e capacete “disfarçavam” eles de qualquer atenção não desejada, e achou a programação de um daqueles cinemas ao ar livre drive-in antigos, clássicos de filme, onde fizeram o máximo da situação clichê e passaram a maior parte se agarrando no banco de trás, a noite escura e as janelas com insufilm camuflando qualquer imagem de dentro, mas a consciência de estarem em público só ajudou o desejo a aumentar.
Game night nos quais descobriram que era boa demais nos jogos de cartas e que Chris sempre dava um jeito de roubar nos de tabuleiro, mesmo que ela não conseguisse provar, eram frequentes, já que a imaginação dos dois não era infinita, e nem tudo estava dentro do controle deles, como noites chuvosas ou disposição para colocar qualquer coisa que não fosse moletons e saíssem de casa.
Em tais dias, que a exaustão falava mais alto, seja dos longos dias na hípica ou dos cansativos treinos e rotinas de filmagem de Chris, o casal preferia fazer programas mais domésticos, como competições no Xbox dele ou até mesmo tentavam cozinhar iguarias na cozinha dela, só para acabarem com comida por todo canto do cômodo e em si mesmos menos no prato, mas o modo como suas bocas se atraíam a cada alguns minutos como imãs mostrava como os dois estavam desapontados com tal desenrolar.
Life is good, era o consenso entre os dois, perdidos no encantamento da fase de lua de mel da relação. Só que nem tudo era flores, e apesar de não mencionarem em voz alta, ambos sabiam que tal bolha seria rompida a qualquer momento, e foi dito e feito.
sabia que não acompanhar o namorado em sua press tour era uma coisa, já que ela também tinha um trabalho e não podia (nem queria) ficar o seguindo o dia inteiro, mas não tinha justificativa alguma para faltar a première de seu novo filme, o último da trilogia do Capitão América. A amazona sabia o quão importante o trabalho era para o loiro, como tal papel havia se tornado especial para ele depois de tantos anos o interpretando, e o ator fazia, logicamente, questão de sua presença no tapete vermelho.
— Chris… — começou ela receosa, dias antes quando havia comentado que tinha escolhido o vestido para a ocasião, com que o mesmo respondeu “mal posso esperar para mostrar para todos o quão maravilhosa é minha namorada. Capaz de roubar toda atenção dos fotógrafos quando estivermos no Red Carpet”, brincou. Só que não passou despercebido pelo homem como ela ficou tensa com tal comentário. Ele logo a perguntou sobre o que era. — Eu só acho que, bem, talvez não seja uma boa ideia eu aparecer no tapete com você? Acho melhor que eu te encontre dentro do Teatro.
Ela pode ver instantaneamente o estrago que fez, a feição machucada passando rapidamente pelo rosto de Chris antes que ele o reajustasse com uma máscara que não denunciava expressão alguma. Como ela odiou a capacidade dele de esconder o que sentia, certamente devido há anos de atuação.
— Eu achei que já tínhamos passado dessa fase, . — disse, desapontado. Era uma discussão recorrente, e ela afirmava que não ligava de ser fotografada com ele. Verdade, mas não quando teria que enfrentar uma horda de abutres querendo saber se a marca que ela estava usando estava à altura do Capitão América. — Você disse que não tinha vergonha de ser vista comigo, mas quando é para colocar suas palavras à prova, você dá para trás?
— Não é isso, Chris. Você sabe. Todos dentro daquele cinema saberão que eu estou com você. — retrucou ela, com o rosto apologético, mas sem se arrepender de ter dito o que achava.
— Então que diferença faz você entrar comigo ou não, meu Deus?! — perguntou, passando a mão nos cabelos, em um gesto que gritava frustração. Tais discussões que tinham sobre o assunto vez em quando não afetava muita coisa, então não se importavam tanto. Mas se recusar a entrar com ele, no evento para promover seu trabalho, que dedicou anos de sua vida? Sim, ele estava magoado com aquilo. Como ela não via como aquilo era importante para ele, e queria compartilhar com ela?
certamente sabia ser enfuriante quando queria.
— Chris do céu, não se trata de as pessoas saberem! — Ela falou, impaciente, não acreditando que ele ainda não tinha entendido a raiz do problema — Se trata de dar a oportunidade de as pessoas falarem!
, se as pessoas sabem, é claro que elas vão falar. — tentou argumentar o loiro, falando como se estivesse se dirigindo uma criança. A mulher teve que fechar os olhos e respirar fundo para não dar uma resposta estúpida.
— Pelo amor de Deus. Eu não querer me expor não significa eu querer me esconder, Chris. Não, são duas coisas opostas. Eu só não quero dar chance de as pessoas comentarem coisas que eu não estou interessada que elas comentem! — falou, tentando ao máximo controlar o tom para que não acabasse gritando — Eu posso ser da área esportiva e nova em Hollywood, mas eu sei como fotógrafos e jornalistas funcionam. Só que invés de comentarem minha habilidade, minha performance, minha experiência, você sabe, coisas que realmente importam, vou estar sujeita a comentarem sobre meu vestido, minha maquiagem, minha aparência.
Talvez ela não tenha sido tão clara, já que o olhar que Chris lhe lançou daria inveja ao basilisco de Harry Potter. teve que lutar para não soltar um suspiro cansado quando o ator perguntou “quer dizer que não vai estar comigo, me apoiando, só porque um comentário que você possa receber na première não será tão importante quanto seu oh-tão-precioso esporte? Você não pode aguentar uma noite sem que seu tão amado Hipismo não seja mencionado?”.
Ah, como a mão dela coçou para fazer contato com a bochecha dele. Invés, (in)felizmente, ela voltou a respirar fundo e tentar se acalmar um pouco antes de se explicar.
— Você, Christopher Evans, é um extraordinário ator, e você sabe que eu valorizo seu trabalho. Nunca disse que o meu era mais importante. Então, por favor, não seja tão juvenil. Não te faz jus. — ela disse, tentando fazê-lo entender que não quis diminuir seu trabalho. Pegando suas mãos, a mulher continuou, falando mais atenciosamente, os olhos observando o homem com ternura. — Te disse várias vezes o quanto me orgulho de você. Te apoio cem por cento, e estarei com você, do seu lado, demonstrando isso.
“Só que não irei no Red Carpet, Chris. Não tem nada a ver com você, nada a ver com seu trabalho. É, pela milionésima vez, por causa da mídia. Não quero aparecer no Fashion Police, por exemplo. Não quero ser escrutinada por não satisfazer o gosto de Giuliana Rancic, só porque não tomo a palavra dos grandes estilistas como lei e uso o que gosto. Não quero todos comentando que eu não sou boa, bonita ou bem arrumada o bastante para estar com você. É o seu momento, e você merece brilhar. Eu estou satisfeita de olhar pelos bastidores. Tudo bem?”
Chris sabia reconhecer uma batalha perdida. Queria lhe dizer mil coisas, como ninguém em sã consciência diria tais coisas dela, mas infelizmente, não era verdade. Não haviam feito isso com todas suas outras namoradas? O homem sabia que não era insegura e tinha uma boa autoconfiança, mas era humana e ele sabia que o jornalismo poderia ser brutal quando queria. Então, contrariado, ele aceitou. Sabia que ela estaria lá com ele, mesmo que os fotógrafos no tapete vermelho não soubessem, e teria que se contentar com aquilo.
Portanto, como combinado, eles se encontraram dentro do teatro, após o Red Carpet. Claro que havia fotógrafos dentro do evento, e até mesmo na after-party, mas fugia deles como pragas. Chris estava meio chateado, sem sombra de dúvida, mas se contentou com o fato de poder apresentá-la a todos seus colegas de elenco, conhecidos e convidados como sua namorada. Obviamente, nada permanecia segredo em Hollywood por muito tempo, então os dois nem se importaram em fingir para os outros que não estavam juntos. Nos dias seguintes, a mídia não hesitou em comentar o novo relacionamento de Chris Evans, mas como era boa em ser evasiva, não era como se tivessem muito o que relatar sobre a amazona, o que acabou sendo uma situação que satisfez os dois, apesar das brigas que a antecederam.
Brigas, que naturalmente na maioria das relações, passaram a serem mais frequentes. Claro que não era único motivo, afinal, apesar de se tratar de um dos atores mais conhecidos do momento, eles eram um casal normal. Discutiam sobre coisas triviais, um pouco de ciúmes de ambas as partes, frustração com manias irritantes e até mesmo por coisas faladas da boca para fora. O casal sabia, de outras relações, que era comum e como faziam as pazes não muito depois, e se esforçavam para não repetir os erros, não os incomodava tanto.
Não, o maior conflito no relacionamento dos dois era justamente o que provocou o encontro deles.
não conseguia lidar com o fato de estar no olho do público. Ser discutida na televisão global por comentadores de seu esporte, dar entrevistas sobre suas provas, cavalo, treinos — bem, isso era fichinha. Era um trabalho como qualquer outro, e ela não sabia de uma profissão que não tivesse que se relacionar com uma outra alma nesse mundo.
O problema da amazona era ter sua vida privada em display. Era sair com seu namorado, e no dia seguinte todo o país soubesse que tinham saído para caminhar com seus cachorros. Era ter todos os veículos midiáticos — programas de fofoca, tabloides, canais no YouTube — comentando sobre sua aparência, se sentindo no direito de julgar se ela era isso ou aquilo. Como se fossem Deus, e tivessem o direito de julgar o modo como fazia uma outra ou outra coisa certa ou errada.
O pior, algo que a surpreendeu e ela deveria ter esperado, era a internet. A quantidade de tweets que ela recebia de estranhos, pessoas que ela nem sequer imaginava que existiam, dizendo que era isso ou aquilo a deixou boquiaberta. Ela tinha as coxas muito grossas. A barriga não era reta o suficiente. Os peitos não eram grandes como deveriam, só que a bunda era grande demais. Olhos pequenos. Voz irritante.
Eram tantas mensagens indesejadas que simplesmente desistiu de suas redes. Desativou o twitter, bloqueou os comentários no Instagram e trancou o feed. Até o Facebook teve que excluir porque não estava dando conta do acesso que todos tinham a seus perfis.
Não foi algo da noite para o dia, havia percebido como as mensagens começaram e aumentaram gradualmente desde a primeira vez que seu nome apareceu associado ao de Chris na mídia, mas, apesar de nenhum comunicado oficial ter sido feito, no momento que foi divulgado que estava com ele na première de Civil War, não teve mais volta.
Foi a primeira vez que ela chorou desde que havia conhecido Chris.
Simplesmente não sabia processar tudo aquilo. As outras vezes ela sabia que estava nos meios de comunicação, mas não tinha ido atrás ver o que diziam, justamente por esse detalhe. Só que ser atacada nos seus perfis pessoais, bom, aquilo tinha que ser um limite, não? Como as pessoas no holofote nem tão metafórico conseguiam lidar com toda aquela exposição? Como tal nível de infração de privacidade, com tantos ataques?
não conseguia respirar. Sabia que não seria fácil namorar com Chris, mas aquilo era insanidade. Havia conhecido um lado de Los Angeles que a apavorou. Hollywood era pura insanidade, e tudo em seu corpo estava gritando para que ela saísse correndo.
Apesar de meio que ser o motivo, Chris foi também seu alicerce. Foi ele que a segurou quando ela despedaçou ao ler todas as coisas vis que estavam dizendo a seu respeito, a abraçando fortemente em silêncio. Não disse que ficaria tudo bem, ou que passaria, já que os dois sabiam que era mentira. Era uma realidade terrível e que a deixou muito machucada, mas ao se acalmar, virando-se para encarar o ator com os olhos ainda marejados e com soluços fazendo seu corpo tremer, ela soube que não se deixaria vencer, mesmo que todos seus instintos a implorassem para que o deixasse, para que se auto preservasse.
Só que a mulher sabia, mesmo com os poucos meses de namoro, que ele valia a pena. Ela não queria isso, queria se esconder no quarto mais fundo de sua casa, ou voltar para sua cidadezinha no Brasil, onde se soubessem o nome do loiro seria muito, mas ela se recusou a recuar. Não deixava Baloubet recuar quando estavam em frente à obstáculos de dois metros de altura, até parece que iria recuar mediante tal crise. Não. Havia levado inúmeros tombos e criado uma casca grossa o suficiente para encarar o que vinha pela frente, se isso significava ficar com Chris.
O ator, por sua vez, se sentia terrivelmente impotente. Sabia que isso aconteceria, mas machucava ver o quando isso afetava sua namorada, e ele não podia fazer nada sobre o assunto. Sentia que havia a decepcionado, mesmo que nunca tivesse a prometido que iria barrar qualquer contato que a mídia pudesse fazer com ela. Então, fez o que pode no momento, a abraçando forte, deixando-a saber que mesmo que não pudesse lhe prometer que não aconteceria novamente, o ator podia e estava prometendo que estaria com ela, sendo seu suporte enquanto eles a tiravam o chão.

×


Depois com tal confronto com a bruta realidade que rodeava o relacionamento dos dois, as coisas melhoraram, por um lado. Chris havia sugerido e apoiado quando ela trancou e desativou algumas de suas redes, argumentando que ela não era obrigada a aguentar a tortura psicológica que vinham com eles. Por um lado, concordava. Quem realmente importava tinha seu número de telefone e acesso a ela, então não estava se excluindo do mundo. Porém, em algumas ocasiões que faziam odiar a si mesma com tanta força que seus ancestrais se reviravam em seus túmulos, ela procurava pelo o que diziam sobre ela.
Não era como se fosse masoquista, mas sua curiosidade e a necessidade de estar no controle de tudo falavam mais alto, e ela acabava fazendo o que havia prometido a si mesma e a Chris que não iria fazer. Sempre acabava chorando, ligando para Lea aos prantos pois não queria colocar mais tensão no relacionamento sobre tal assunto. Sua irmã sempre a dava um sermão, dizendo que estava pedindo para ser machucar, mas acabava por consolá-la e lembrá-la porque continuava com aquilo: Chris.
Tirando a sombra enorme que a presença da mídia fazia sobre eles, o relacionamento dos dois fluía de uma maneira tão natural, tão certa, que brincavam serem destinados. Brincavam também sobre outros assuntos, casamentos e filhos, mas era muito cedo no relacionamento para evoluírem. Mais que brincadeiras. Principalmente, quando já sofriam pressões demais das duas famílias.
A mãe de , quando veio visitar as filhas, se apaixonou pelo genro. “Você tem que nos visitar, no Brasil, principalmente quando (e quando, porque eu sei que você vai ser escalada, meu amor) estiver em casa para as Olimpíadas. Faço questão que vá nos ver, Chris, querido”. Quando não estava o convidando para ir visitá-la, passou a viagem inteira dizendo que se não se casasse com o loiro, ela se divorciaria do padrasto da amazona para ficar com ele. Rindo da irmã revirando os olhos, Lea concordou, “de uma maneira ou de outra você vai entrar para a família, Evans. Já deixa o smoking separado”. A mulher, morta de vergonha, queria estrangular a duas, mas o ator achou graça, feliz que a família de havia gostado dele tanto quanto ele havia gostado delas.
Já o pai da atleta não era muito melhor. suspeitava que seu pai preferia o namorado a ela, tamanho era o bromance que tinham desenvolvido. Sendo grande fã de quadrinhos quando mais novo, ele tinha grande admiração pelo intérprete do Capitão América. Chris, que ajudava quando Amy não estava disponível para levá-lo ao médico, exames, e quimios, havia criado uma grande relação de amizade com o pai da namorada. Andrew, certa vez quando estavam jantando na casa do casal mais velho, de repente em um tom brincalhão, mas os olhos cheios de seriedade e sinceridade, disse: “Ninguém chega aos pés da minha menina, Christopher. Mas acho que é inevitável, e não teria pessoa melhor para ser o companheiro de vida dela. Até porque, quem melhor para ser o marido da minha princesa do que o próprio Capitão América?”
A mulher quis cavar um buraco para se enterrar, mas Chris adorou que o senhor pelo qual passou a ter tanto respeito, retribuída em um nível que afirmou não considerar outra pessoa para confiar sua filha.
, porém, teve sua vingança quando ela e a Chris foram visitar a família dele em Boston, para o dia das mães. Apesar de um pouco nervosa e receosa, ela amou a família do namorado. Havia se dado bem com Carly e Shana, e Scott havia a feito rir a viagem inteira. Foi Lisa, no entanto, que a fez se sentir mais do que bem-vinda, como se pertencesse ali, junto com aquelas pessoas incríveis. Não era surpresa que Chris era do jeito que era, crescendo em meio a todos aqueles ótimos exemplos.
Foi uma visita rápida, já que a agenda de Chris estava uma loucura com as filmagens do novo filme, e os treinos dela haviam se intensificado ainda mais com a chegada das eliminatórias para a equipe oficial. Porém, fazia um bom tempo que o ator não via sua família, então fizeram um esforço para estarem em Boston no feriado, mesmo que por apenas um par de dias.
Foi no dia que eles iriam pegar o avião de volta para Califórnia, após o almoço em família em homenagem à matriarca da família Evans devido ao dia das mães. estava brincando no chão perto da mesa com os sobrinhos do ator, Ethan e Miles, quando ouviu algo que ela provavelmente não deveria.
— Você já tinha percebido como é boa com crianças? — Pausa. Ela não queria se virar para não dar indicação de que estava ouvindo a conversa, então não sabia com quem Lisa estava falando, mas não demorou muito a ter sua resposta. Um desconfiado “Mãe…” foi ouvido na voz do seu namorado. Interessada, ela tirou sua atenção um pouco dos pequenos, querendo saber para onde a conversa iria.
— O que? — perguntou Lisa, em um tom inocente, claramente ignorando a suspeita do homem, o que com certeza era mais incriminador, principalmente com o que completou. — Você está perto dos quarenta, Chris. Já passou da hora de começar a pensar em me dar mais netos.
engoliu o breve choque em que sentiu ao ouvir aquilo da sogra, por não querer demonstrar que estava bisbilhotando a conversa alheia, mas mais para controlar o riso que surgiu ao ouvir o indignado e completamente chocado “Mãe!” que saiu novamente de seu namorado.
— Nós só temos alguns meses de namoro, por favor. Sem falar de carreira, e só termos tocado no assunto de brincadeira… cedo demais, mãe, cedo demais. — falou o ator, claramente sem saber como se sentir, o choque, a surpresa e algo mais que ela não pode detectar com certeza (seria um tom esperançoso?) se fazendo presente na voz dele. — E pelo amor, não vai me chegar na com essa conversa.
— Claro que não, querido. Mas só estou dizendo, e desculpe, mas não é nem um pouco cedo demais — retrucou a mulher mais velha. — E, só para constar, já que está claro que você não quer levar a conversa adiante, seria uma ótima mãe para meus netos. Eu certamente aprovaria.
virou o rosto levemente por cima do ombro, vendo Lisa se levantar e dar um beijo na testa do filho e sair do cômodo, deixando uma visão clara do rosto avermelhado do homem, o que fez a vontade de rir ainda maior. Porém, foi a expressão pensativa e o pequeno sorriso que estava em seu rosto que fizeram um frio aparecer estômago, a famigerada sensação de borboletas dentro de si. Provavelmente o pânico iria se fazer presente e ela teria um ataque de ansiedade nos próximos instantes se não fosse a sensação de algo gelado em seu pé.
Quando se virou, pode ver que Stella havia pegado a tinta que estavam pintando nos papéis espalhados pelo chão para pintar seu pé. Atônita com a situação inteira, sua única reação foi começar a rir forte, o que atraiu olhares confusos dos dois meninos e de seu namorado para si, mas que lhe deu um sorriso contente de Stella. Olhando para a pequena, ela decidiu que sim, ela conseguia se ver tendo um pequeno Evans.

×


O bom de terem tirado um pouco de tempo para visitar a família do ator é que puderam dar uma pausa no ritmo insano que tinham em LA e recarregar as energias, principalmente porque estava se preparando para as eliminatórias para a escalação da equipe, entãopassaria os próximos meses treinando sem parar. Chris passaria boa parte desse tempo em Savannah e Atlanta, filmando seu novo filme. Era um período difícil e estressante, estarem tão ocupados e por períodos prolongados sem se ver. Tentavam visitar sempre que podiam, mas grande parte de tais viagens eram passadas nos sets e na hípica. havia se apaixonado por McKenna, chegando ao ponto de perguntar à sua mãe se daria a garota para ela adotar. Chris, por sua vez, acabou ficando muito amigo de seus treinadores, de tanto tempo que passava lá, enquanto ela treinava.
A amazona se sentia mal, já que o tempo que tinham era curto, mas ela tinha que treinar e ele havia deixado claro que não se importava, que gostava de vê-la montando, a concentração e determinação fixas em seu rosto, os olhos focados e calculando cada movimento dos dois — dela e de Baloubet —, prevendo a distância, velocidade e cadência necessárias entre cada obstáculo, sempre no controle para que o cavalo não disparasse demais e acabasse derrubando uma das barras ou refugasse. Deus a livrasse de tal mal durante uma prova. Chris dizia que era fascinante observá-la completando percursos, como tudo parecia natural a ela e ao mesmo tempo podia enxergar todo o trabalho que tinha para certificar-se que faria uma prova zerada para trazer a vitória para si e seu amado companheiro.
Era um dos dias que estavam na hípica, logo após um treino curto, já que ela e Baloubet teriam as eliminatórias nos próximos dias. A verdade é que disputaria também com um outro cavalo caso entrasse para equipe, Babylotte, mas Baloubet era sua aposta para o ouro, e por ter uma relação maior (já que havia disputado em Tóquio e Londres com ele) com o cavalo, seus treinos eram na maioria com o sela francesa.
Contudo, Baloubet estava em Clínica, garantindo que estava em sua melhor forma para os próximos dias. Estava dando uma volta com Babylotte quando o namorado chegou. Apesar de todas as visitas, nunca havia conseguido fazer com que o ator montasse. Então, depois de alguns minutos o convencendo (não por medo, mas ele estava filmando afinal, e não podia se acidentar) e dizendo que nem marchar em trote iriam, ele concordou. Se dirigiram aos estábulos, onde devolveu Babylotte e pediu por dois dos cavalos mais mansos. Quando o cuidador havia voltado, um puro sangue negro e um baio vinham o acompanhando. não sabia os nomes, mas ambos receberam seus carinhos sem se afetar, aceitando facilmente.
Logo selaram ambos, e emprestando seu capacete adicional (infelizmente Chris iria ter que montar de tênis, já que eles não chegavam nem perto de calçarem o mesmo número), saíram para uma pequena cavalgada em torno dos pastos que havia no local, que além de hípica também era um haras, então bem espaçoso. Levaram seu tempo, cavalgaram com calma, aproveitando a calmaria que o ambiente passava e a sensação de paz que só a natureza sabia dar. Chris acabou por adorar o passeio, se perguntando porque nunca tinha experimentado antes. apenas riu, lhe dizendo que depois dos Jogos, quando ela teria mais tempo e estivesse com a agenda mais calma, o ensinaria a trotar e galopar, e quando ele menos esperasse, estaria saltando. O ator achava meio improvável que acontecesse, contratos de seguro e compromisso e tudo mais, mas não queria estragar o humor da namorada, que parecia radiar felicidade no momento.
Ela sempre focava assim, ele pensou, quando estava ali. Qualquer um poderia dizer que ela pertencia entre cavalos e obstáculos. Ele meio que estava hipnotizado com o sorriso largo dela enquanto desselava os cavalos, os olhos brilhando ao falar sobre Baloubet e as provas, as bochechas rosadas do esforço que fazia. Estava linda, mesmo que com as botas e culotes sujos de terra, o rabo de cabelo bagunçado pelo capacete e pelo vento. Mas ela estava fazendo o que mais amava no mundo, e não havia algo mais bonito que contente, principalmente quando os resultados das eliminatórias chegaram poucos dias depois.
Chris tinha certeza que nunca havia visto a mulher tão feliz na vida, quando a mesma lhe contou, com os olhos brilhando de felicidade e repletos de lágrimas, o sorriso se espalhando por seu rosto de um modo que provavelmente era impossível ficar maior, ou rasgaria as bochechas, que era mais uma vez parte da equipe brasileira olímpica de Salto. O ator tampouco deixou de perceber como ele foi a primeira pessoa para quem ela havia contado, a necessidade de dividir a felicidade que ameaçava transbordar em seu corpo com ele irresistível, ultrapassando até mesmo seus pais, cujo normalmente eram seus maiores apoiadores. Não, ela havia achado seu novo fã número um, e não hesitou por um segundo em lhe lascar um beijo longo, profundo e envolvente, ávido como se quisesse lhe passar um pouco das sensações que a tomavam pelo toque dos lábios, tendo logo que mover a comemoração para o quarto.

×


O bom humor, contudo, não duraria muito, achou o ator. Com eles estando longe, o tempo que passavam juntos se resumia à hípica e aos sets do ator. Com a frequência que isso acontecia, não demorou para que os paparazzi percebessem a presença dela na Geórgia nem para onde Chris iria constantemente quando estava em Los Angeles. Não foi surpresa então, quando fotos dela acompanhando o namorado em Savannah e Atlanta foram divulgadas. Não, o que a surpreendeu foi justamente a foto dos dois voltando da cavalgada aparecer na Internet, mencionando como “a suposta namorada de Chris Evans” estava agora oficialmente na equipe brasileira de Hipismo.
viu o mundo se tornar vermelho. Como as brigas sobre a mídia começaram a ficar muito frequentes para o gosto do casal, que não queria que tal assunto afetasse tanto a relação, a mulher estava tentando fingir que não se importava. Toda vez que via em algum lugar (revistas, sites, canais de fofoca) fotos deles ela sentia o sangue ferver, e queria entrar debaixo de dez cobertas para se esconder, tamanho o desconforto que sentia sendo exposta de tal jeito. Chris entendia, mas dizia que infelizmente era daquele jeito, e a não ser que virassem reféns da própria casa, teriam que se acostumar com a possibilidade de estarem em veículos de notícias caso saíssem. Isso levou à uma das maiores brigas do casal até o momento.
Eles estavam caminhando pelo píer de Santa Mônica, em uma tentativa frustrada de acalmar a mulher sobre a classificação da equipe. simplesmente não conseguia parar quieta, mesmo já sendo uma veterana no esporte, pois podia participar dos Jogos quantas vezes fossem, sempre parecia que era a primeira vez para ela, que era de novo aquela menina assustada mal saída da adolescência, com medo de estar dando um passo maior que a perna. Não entrava em sua cabeça que aquilo era uma formalidade, que era quase certo que estava na equipe. Então, parecia que havia desenvolvido hiperatividade, já que não conseguia focar em nada enquanto não tinha uma resposta. Chris havia tentado de tudo para fazê-la relaxar, então, em um recurso desesperado, sugeriu uma caminhada pela praia. O ator esperava que a brisa marítima e o som das ondas do mar a acalmassem, mas não obteve sucesso. Como estava começando a escurecer e ficar mais frio, resolveram voltar para o carro.
Contudo, ao chegarem no estacionamento à beira do calçadão, foram surpreendidos pelos paparazzi, ou como gostava de pensar, pelos abutres. Seu humor, que não estava dos melhores, só piorou. Chris, além de educado, sendo a pessoa pública que era, sabia que se respondesse algumas perguntas e deixassem tirar algumas fotos, eles iriam embora sem que uma cena se formasse. , porém, sem paciência e sempre defensiva de sua imagem, apenas abaixou a cabeça, levantando o capuz do moletom que usava. Só que, quando estava quase entrando no carro, um dos fotógrafos puxo seu braço e enfiou uma câmera em seu rosto, perguntando da natureza de seu relacionamento com Chris. Ela, assustada e irritada, apenas chamou alto o nome do namorado e empurrou o homem para longe de si, não perdendo um segundo para entrar no carro.
Poucos instantes depois, o ator entrou no veículo, logo dando início e saindo do local. Ao ver que estavam se afastando, ela abaixou o capuz, louca da vida. Não se conteve. Sabia que a culpa não era de Chris, mas aquilo era um absurdo.
— Dá para acreditar? — ela perguntou irritadamente. — Será que ninguém nessa cidade já ouviu o termo “espaço pessoal”? Como se os stalkers e os flashes não fossem o suficiente. Agora acham que têm permissão para pegar em mim? Inacreditável.
O ator, por sua vez, apenas dirigiu, segurando forte o volante. Estava além de si ao saber que o fotógrafo havia agarrado o braço de . Porém, não havia muito o que fazer, e isso o matava. Sabia da necessidade da namorada em manter sua privacidade e sentia por ela ter sido atacada de tal maneira. Ele podia estar acostumado, mas ela não. Maldita ideia de vir à praia. A mulher, no entanto, perdida na sua fúria pelo o que havia acontecido, ficou ainda mais fula com o silêncio do homem.
— Aliás, por que você parou? Sabe que detesto fotógrafos, Chris, e você deu brecha para eles. Por que, me diz, fazer uma coisa dessas. Se tivesse me acompanhado até o carro, isso não teria acontecido.
— Porque eu preciso, . É meu trabalho. — tentou retrucar pacientemente, mas a irritação, não com ela, mas com a situação, se fazendo presente da mesma maneira em sua voz. — Gosto tanto quanto você, mas eu preciso dar atenção a eles algumas vezes, mesmo que não queira. E sabia que se fizesse, me deixariam ir depois de alguns instantes.
— Seu trabalho? — devolveu indignada. Sabia que estava exagerando, a parte racional de seu cérebro estava gritando para ela parar com aquilo, mas não dava. Sentia um turbilhão de emoções. A ansiedade e inquietude de antes continuavam tão forte, senão ainda mais intensos, e juntando com o susto, o desespero e a sensação de impotência em não poder fazer algo normal como caminhar na praia com o namorado sem que os abutres viessem para cima deles só pioravam tudo. — Não sabia que dar atenção à tabloides de quinta entravam nos requerimentos de ator. Ou você achou que aquilo era uma coletiva de imprensa?
— Esse é meu trabalho, sim, . Minha imagem faz parte dele, e sair passando por cima de fotógrafos não ajuda em nada a ela. Pare de deboche e de descontar sua raiva em mim. Sei que você está nervosa não só com isso, mas com toda a situação dos últimos dias, mas não precisa descontar em mim. E sobre a mídia, não há nada que eu possa fazer sobre isso. Meu trabalho envolve sim, conversar com a mídia, mesmo que sejam paparazzi oportunistas atrapalhando nosso tempo pessoal. A não ser que você esteja falando sério e brigando comigo pelo simples fato do meu trabalho envolver isso. Não está me pedindo para parar com ele, não é? Por que, me desculpe, mas isso não cabe a você achar nada.
Silêncio. Chris, irritado com tudo, fez justamente o que a acusava, de descontar nela coisas que não eram sua culpa. Juntando com sua frustração de não poder protegê-la, estava se sentindo um lixo no momento que as palavras deixaram sua boca. , entretanto, o encarava atônita. O namorado nunca havia tomado aquele tom com ela, e ela havia detestado. Agora que tinha parado um pouco, seu cérebro a fez acalmar um pouco, mesmo que pelo choque do que ele havia dito. Não queria soar como uma vadia mimada que só se importava consigo mesma. A mulher tinha que controlar o estresse com a situação, para que não agisse de tal forma de novo, mas primeiro tinha que se resolver com Chris.
— Não, baby, nunca. Amo seu trabalho, você sabe disso. Sinto o maior orgulho de você. — começou, agora mais calma, mas também querendo discutir o problema, e não jogar para debaixo do tapete como sempre faziam. — Mas ele não é ser atacado toda vez que você sai de casa. Não é ter privacidade nem quando sair para caminhar comigo. Ter que responder perguntas de tudo e para todos.
— Só que você não percebe, mas você faz o mesmo, . Cada competição, cada prova que você tem depois você dá entrevistas. Lida com repórteres, com fotógrafos. Isso é o que vem ao ser uma pessoa pública. Só porque é em bem menor quantidade isso é diferente?
— Sim, Chris, é! Porque ali eles estão interessados no meu trabalho apenas. Sim, tem algumas perguntas pessoais, mas a maior parte é sobre o que eu faço! — retrucou a amazona, tentando ao máximo se segurar ao mínimo de paciência que não tinha. Odiava brigar com Chris, mas aquela discussão era necessária. Porém, perder a compostura e começar a gritar não era.
— Você faz parecer que eu dou entrevista à cada bala que coloco na boca. — comentou, contrariado com a afirmação da namorada. Não era assim. Comparado a outros artistas, ele era alguém até que muito privativo. Só que havia coisas que não podia escapar. Fazer o quê, eram ossos do ofício.
— Não, o que eu quero dizer é que nesse momento, não tem muita distinção entre sua vida particular e sua vida pública. Você pode não ser a pessoa mais exposta de Hollywood, e sim, sei como você tenta ao máximo ser reservado, mas não é o bastante! — exclamou ela, tendo que fazer uma pequena pausa para não deixar que o tom de sua voz demonstrasse ainda mais sua frustração e aumentasse o volume. Respirou fundo, antes de continuar, sabendo que o ator não iria gostar do que ir aí dizer, mas era a verdade, e precisava ser dita. — E, para ser sincera baby, precisamos que tenha mais distinção. Eu namoro o Chris Evans ator e eu namoro o Chris Evans pessoa. Entendo isso, e que não dá para separá-los. Mas só peço um pouco mais de esforço. Talvez seja pedir muito, mas se for para preservar esse relacionamento, então sim, vou pedir.
Depois disso, a quietude reinou no carro. Chris, claramente ainda irritado, mas refletindo o que a namorada dizia. E ? Ela apavorava-se, achando que tinha passado dos limites. Porém, era algo que devia falar para ele, mesmo que dúvidas lhe viessem à cabeça. Tirando esse episódio, ela tentava evitar discutir sobre o assunto, mas ele tinha que a encontrar no meio do caminho e fazer um esforço também.
Foi por isso que quando as fotos deles na cavalgada saíram, o clima instantaneamente ficou tenso. A hípica em que treinava fazia parte de um haras, e tinha centenas de hectares, muitos dos quais eles aproveitaram, e que não teria como tivessem tirado por estarem tão a fundo da propriedade, em meio à mata. Então, provavelmente as fotos o foram capturadas quando passavam pela parte principal da hípica aberta ao público, quando estavam voltando em direção às baias. O que significava que eles ficaram ali, provavelmente esperando mais de duas horas do passeio, apenas para alguns segundos para tirar fotos dos dois. Aquilo era… extremamente perturbador. A sensação de violação foi instantânea, já que a hípica era seu oásis, seu refúgio. Que os abutres tivessem acesso a ela por meio do lugar em que ela se sentia mais livre, mais segura e pertencente era muito mais que desconcertante.
Contudo, não pode dar atenção a tal acontecimento como queria. Não por causa de seu relacionamento — Chris ficou tão furioso quanto ela, apesar de, novamente, dizer que não havia nada a fazer, a não ser conversar com os proprietários e pedir uma restrição de acesso —, mas por falta de tempo. Depois de meses de treino e trabalho duro, ela estava indo para o Brasil. Voltando para sua terra natal, mas não para visitar familiares, e sim para representar sua pátria nos Jogos Olímpicos.
Estava uma pilha de emoções. Nervosismo e ansiedade para as provas, receio e medo de sua performance, orgulho e honrada por estar fazendo parte da equipe, principalmente por representar seu país em terras brasileiras. Cada instante era tomado por uma emoção diferente, constantemente à beira das lágrimas ou tomada por uma excitação que lhe deixava com vontade de sair voando pelos ares. realmente não estava sabendo lidar com o que estava acontecendo, o que não entendia, já que essa era sua terceira vez como atleta olímpica. Mas tinha algo sobre participar em casa que deixava tudo mais especial.
Chris ria do estado da garota, mas porque sabia que apesar de todo esse mutirão de sentimentos, ela estava feliz. Estava fazendo o que amava, e estava sendo reconhecida por isso. Ele não podia estar mais orgulhoso da namorada, e constantemente lhe dizia isso. Infelizmente, contudo, o homem não poderia acompanhá-la para o campeonato. As filmagens estavam intensas, já que estavam perto de acabar, e mesmo implorando para o diretor para modificar o calendário, não teve como. estava chateada, obviamente, mas entendia. Quantas vezes não pode ir à um evento da carreira do ator por ter treinos ou competições? Claro, eram as Olimpíadas, mas o mesmo princípio se aplicava.
Então, no final de julho, voltou para o Brasil, enquanto Chris continuou em Atlanta. treinou por vários dias antes da abertura, mas também teve a oportunidade de rever vários familiares que vieram ao Rio só para vê-la competindo. Aliás, em questão de competição, sua mãe disputava com ela o posto por quem estava mais emocionada. Lea, que havia vindo também, revirava os olhos e debochava das duas por serem tão sentimentais, mas viu a irmã com os olhos marejados em várias oportunidades, principalmente quando a amazona vestiu o uniforme oficial da equipe, e quando estava se preparando para cerimônia se abertura.
A qual, foi sem sobra de dúvidas, o momento mais surreal da vida de . Mal adentrou na pista do Maracanã, durante a Parada dos Atletas, e começou a chorar. Porém praticamente não sentia as lágrimas correndo no seu rosto, tamanho era o sorriso que sustentava e alegria que a consumia. Ela não tinha palavras para descrever a experiência, quando todos (sua mãe, seu pai e Amy, Chris, Lea, basicamente todos que a conheciam) a perguntaram depois. Só seus colegas entendiam a magnitude daquele momento. Mágico. Sobrenatural. Imensurável. Inesquecível. Inexplicável.
Aproveitou muito em tal noite para dançar, cantar, comemorar. Para apenas celebrar estar viva para viver aquele momento. Aquela era uma das noites que com certeza lembraria de cada segundo pelo resto de sua vida.
Só que, como sempre, a realidade estava lá no dia seguinte, para mostrar que não era só festa e tinha um trabalho a fazer. Felizmente ou infelizmente, as provas de salto eram as últimas da modalidade do Hipismo, o CCE e o Adestramento acontecendo primeiro. Mais tempo para treino e preparação, mas mais tempo para a ansiedade a torturar. Sua mãe e irmã diziam e faziam de tudo para tentar ajudá-la a ficar calma. Seu treinador e colegas de equipe tentavam ajudar também, mas o único que chegava perto era Chris, cujo as ligações, mensagens e chamadas de vídeo eram como uma droga para ela naqueles dias. O nervosismo ameaçava a todo momento a subjugar, mas o ator sabia perfeitamente como ela funcionava, e sabia como prevenir que um surto acontecesse. O que quase certamente ocorreria se não o tivesse, mesmo que ele estivesse do outro lado do mundo no momento.
Medo, apreensão e receio à parte, a amazona agradeceu quando 14 de agosto finalmente chegou, sua ansiedade estava em níveis extraterrestres e ela não aguentaria mais um dia de espera. Foram os quatro dias mais insanos da sua vida, não diferente de Tóquio e Londres. Naquele primeiro dia era a fase classificatória do Salto individual, o qual ela ficou extremamente feliz quando passou, junto com os colegas Doda Miranda e Pedro Veniss.
Tiveram o dia quinze para descanso, mas logo na manhã seguinte já estavam disputando as classificatórias de Salto por Equipe. Foram prejudicados logo de cara, pois um dos integrantes foi desclassificado pelo uso excessivo da espora em seu cavalo, acionando a “regra de sangue”, que consistia na instância eliminação do conjunto caso fosse reportado qualquer corte ou machucado no cavalo com sangue fresco durante as provas.
Apesar de terem chegado para a segunda e para última rodada no dia dezessete zerados em faltas e liderando a competição com as equipes americana, alemã e holandesa, as apresentações teriam que ser impecáveis já que Stephan havia sido eliminado, devido à regra do sangue, eles não poderiam eliminar o pior resultado. Junto de Doda, Pedro e Eduardo Menezes eles ficaram em quinto lugar, já que todos derrubaram obstáculos e sofreram faltas, sem falar que Pedro havia sido penalizado por ultrapassar o tempo limite de 82 segundos.
Era triste, sim, estar fora do pódio. O esporte exigia uma perfeição em um tempo mínimo, e as vezes nem os humanos nem os cavalos estavam à altura de tal meta, mesmo em nível olímpico. Infelizmente, em tais casos, experiência não ajudava muito. Eram tantas variantes que não podia se prever o resultado. Estava chateada, mas sabia que haviam feito o melhor, e ainda tinha a rodada individual no dia dezenove.
Porém, houve algo que lhe deu ainda mais determinação para pelo menos ganhar uma medalha para seu país no individual. Ao terminar a cerimônia de premiação da fase de Equipes, ela se dirigiu para seu apartamento na Vila dos Atletas para descansar, tomar um banho e se arrumar para encontrar sua família para jantar. Nenhum de seus companheiros de equipe estava no humor de se juntar, sem falar que Doda e Pedro estavam descansando para a final do dia seguinte.
Entretanto, o que ela menos esperava, era encontrar Chris no lobby do restaurante, esperando para a acompanhar até a mesa. Ao cruzar seus olhos com os dele, ela não pensou no como ou no porque, apenas correu para seus braços, imediatamente selando seus lábios com os dele, sentindo falta de seus beijos afrodisíacos que a faziam perder a cabeça. Sua mente havia ficado em branco, concentrada apenas na sensação de ter o corpo dele junto ao seu, seus músculos relaxando ao entrar em contato com o melhor lugar do mundo: o abraço de Chris Evans.
Ela não sabia se ria, se chorava, ou se disparava mil perguntas ao namorado quando finalmente de soltaram, seu cérebro ainda tentando processar a ideia que ele estava ali, em carne e osso, a abraçando e a beijando. Sua expressão deve ter dito tudo que sua boca não pode, já que o ator apenas riu e disse, enquanto a olhava amorosamente, colocando uma mecha de cabelo atrás de sua orelha, aproveitando para acariciar sua bochecha:
— Você realmente achou que eu não estaria aqui para ver você ganhando aquela medalha de ouro amanhã, love?
Sua única resposta foi se jogar novamente contra ele, o abraçando pelo pescoço, chorando em seus braços. Feliz por ele estar presente, feliz por ele acreditar que ela conseguiria o suficiente para atravessar o continente para vê-la, feliz por ter seu apoio em um momento tão singular. Claro que também chorava por estar ainda um pouco chateada por não terem conseguido o pódio naquela tarde e pelo estresse acumulado pelos últimos dias. Mas, especialmente, ela chorava por ter ele consigo, ali em sua frente, a envolvendo com os braços fortes e deixando que ela soltasse toda sua bagagem emocional das últimas semanas nele. Chorava por Chris ser Chris, e por ter a sorte dele ser dela e ela dele.
Quando finalmente se acalmou e se soltou do ator, eles foram em direção à mesa onde sua família se encontrava. Descobriu que Chris só havia descoberto que conseguiria vir fazia menos de uma semana, e com ajuda de Lea, decidiu fazer surpresa para ela. Havia chegado naquele dia mesmo, enquanto ela estava na prova por Equipes. Como sabiam que com o caos que estava a cidade ele não chegaria há tempo em Deodoro, resolveram marcar tal jantar, para que ele pudesse surpreendê-la.
estava radiante. Havia perdido naquele dia, e mesmo ainda chateada com tal fato, não pode evitar de ficar estática por ter o namorado ali. Aproveitaram o jantar para discutir sobre os dias que ficaram separados, coisas que não conseguiram conversar no telefone, e para ela apresentá-lo para seus familiares que ele ainda não havia conhecido. Entretanto, não se demoraram muito ali, já que ela ainda tinha um último dia de provas pela frente.
Apesar de ainda ser torturada pela ansiedade e nervosismo, a presença de Chris a ajudava se manter sã, e o constante apoio e encorajamento do ator lhe deu ainda confiança ao entrar na hípica no dia dezenove, sabendo que não se contentaria com menos a não ser sair dali com uma medalha em seu pescoço.
Todos os conjuntos da equipe individual passaram na primeira volta, mas Doda fez quatro pontos e foi prejudicado para a segunda. Já Pedro, além de também ter perdido quatro pontos, perdeu mais um por estourar o tempo.
Quando chegou em sua última rodada, parecia que seu coração iria saltar juntamente com ela e Baloubet, de tão freneticamente que batia em seu peito, ameaçando sair por sua boca. O último percurso foi certamente o minuto e meio mais insano de sua vida. tinha certeza que nunca esteve tão focada em sua vida. Chris comentou que chegou a ser palpante a determinação que ela manteve em seus olhos, o mesmo podendo perceber estando à dezenas de metros dela, observando-a passar de obstáculo por obstáculo, seu coração se transbordando orgulho, amor e felicidade ao ver a mulher que já tanto amava acabar com a prova sem marcar um único ponto. Totalmente zerada, muito diferente dele, que transbordava mil e um sentimentos por ela naquele instante.
Ela foi a única que zerou todas as provas individuais da equipe brasileira, e foi a única com chances de medalhas quando a última volta chegou. Estava empatada com outros seis cavaleiros pelo ouro. No final da disputa acirrada, foi quem fez o percurso em menos tempo e sem penalidades, ganhando por questão de milissegundos do competidor britânico, Nick Skelton, que acabou com a prata. O bronze foi pra Suécia, com Peder Fredricson.
A mulher não acreditava. Havia conseguido. Havia ganhado o ouro. Havia ganhado o ouro para sua equipe, em sua terra natal. Ela ficou por diversos segundos completamente estática, sua mente sem capacidade para compreender a magnitude daquele momento, apenas sentindo braços a envolverem, passando de abraço em abraço, sentindo beijos e felicitações sussurradas para si que passaram por seus ouvidos sem registrarem-se em seu cérebro.
Apenas despertou quando sentiu o abraço que havia se transformado em definição de lar, o perfume tão familiar sendo captado por seu olfato e parecendo agir como um clareador para o nevoeiro que havia se formado em sua mente. A primeira coisa que viu quando finalmente pareceu retomar a percepção de tudo em sua volta foi o sorriso que mais amava no mundo dirigido para si, acompanhado pelos olhos azuis que refletiam o turbilhão de emoções que sentia dentro dela, o olhar dele parecendo acompanhar o abraço físico e a envolvendo com tanto amor e orgulho e admiração e carinho e tantas outras coisas que ela subitamente não estava mais apenas cheia de si, mas também cheia dele, transbordando sentimentos dos dois, parecendo refletir cada uma das sensações que passavam em um no outro, tão conectados e envoltos em si mesmos que mal perceberam a festa que faziam em volta dos dois pela vitória dela.
Não, só soube processar o cheiro do perfume dele que ela tanto adorava, os braços do homem a envolvendo em um grande, mas apertado abraço, a voz rouca, feliz e doce soando em seu ouvido a dizendo o quanto estava orgulhoso, como ele sabia que ela conseguiria e como ela era incrível, o quanto a amava e dizendo as palavras que ela mais queria ouvir naquele mundo. A amazona só soube sentir então os lábios dele tomando os seus intensamente, a beijando como se a vida dos dois dependesse de tal toque, querendo passar tudo que sentiam em tal carícia e gravar aquele instante na boca, na mente e no corpo dos dois para sempre.
Mais tarde, quando subiu ao pódio, com a mão em seu peito esquerdo e tocando a tão aclamada medalha de ouro, enquanto estava virada em direção à bandeira de seu amado país sendo estiada e ouvindo o hino nacional brasileiro, praticamente todos supuseram que o largo sorriso que ela carregava no rosto era de alegria por ter ganhado, e as lágrimas que escorriam por sua face eram de orgulho e de sensação de dever cumprido. Bom, não estavam errados, em parte era por tal motivo. Mas o que ninguém mais sabia além dela e de um certo ator americano, era que o sorriso e as lágrimas também eram de amor e felicidade por acabado de ser pedida em casamento.
Dezenove de agosto foi, definitivamente, o melhor dia da vida dela.

×


O pedido foi sim, um pouco estupor de última hora, meio que um improviso. Chris sabia que queria pedir em casamento já havia algum tempo, desde a conversa com sua mãe durante a visita à Boston. Os argumentos que o ator havia feito para ela ainda eram válidos, já que sim, eles tinham pouco tempo de relacionamento, mas existia algum tempo certo para noivar? Não é como se fosse algo mecanizado, definido por períodos, ter que namorar por tanto tempo e noivar por tanto tempo antes de casar. Claro, ele nunca pediria em casamento alguém que estivesse saindo há apenas uma semana, mas não era uma daquelas pessoas sistemáticas que precisavam de um tempo fixo para dar o próximo passo.
O que aconteceu foi apenas… natural. Sabia que, apesar dos pesares (já que nenhum relacionamento era livre de conflitos), era a única para ele. A relação dos dois era perfeita, não porque não havia nenhum defeito, mas porque eles não importam no plano maior. Afinal, ela suportava as piores situações (semanas separados apenas com visitas rápidas que mal duravam um beijo e o incessante assédio da mídia, para nomear alguns fardos que tinha que aguentar). Aliás, ficar pulando da Geórgia para a Califórnia a cada chance que podia só para estar com ela, mesmo que significasse passar algumas horas do sábado e domingo para que, antes da madrugada de segunda, estivesse em Atlanta demonstrava isso. E o fato de fazer o mesmo, exigindo que alternassem às vezes, mesmo estando estressada e sobrecarregada com os treinos para os Jogos demonstrava que a dedicação para a relação deles era tão importante para ela quanto era para o ator.
E, que motivo a mais ele teria para querer casar com ela a não ser que a amava loucamente. Aquela garota tímida, mas engraçada, extrovertida, mas determinada, recente em sua vida, mas já dona de todo o aspecto dela… Ele a queria para sempre. E quando a viu celebrando, feliz como nunca ele havia visto, surpresa com o resultado mesmo depois de tanto, tanto, tanto trabalho e dedicação que ela teve para alcançá-lo… ele simplesmente não resistiu. Se não tinha se decidido antes, tal momento foi o que resolveu.
Só que, apesar de ter sido especial para ambos, a espontaneidade de Chris não veio sem consequências. Nada sério, mas ele não pode colocar em prática nenhuma de suas ideias românticas para o pedido, e, especialmente, não pode oferecer um anel à mulher, já que não foi para o Brasil preparado para fazer o pedido.
riu, e disse que foi sim, especial de uma maneira singular, que não se importava de não ter recebido o anel. Contudo, como Chris era um romântico no fundo, insistiu que a garota merecia sim, um anel e uma noite extraordinária para acompanhar. Portando, os dois haviam decidido que ele iria lhe dar o que era seu direito assim que voltassem para os Estados Unidos, já que decidiram que o Brasil tinha jornalistas demais para o gosto dos dois no momento para sair procurando algo tão denunciante da relação como um anel de noivado, sem contar que nenhuma das famílias sabia ainda.
Então, quando voltaram para as terras do Tio Sam, Chris começou a procurar pelo anel ideal, já que sentia que tinha que compensar por um pedido tão planejado. discordava, é claro, sabendo que a única coisa que a deixaria mais feliz que o ouro havia acontecido naquele mesmo dia, mas sabia que discutir com o homem era inútil, então deixou ele ter sua diversão. Sabia também que o ator tinha conhecimento de seu gosto mais discreto, então não tinha dúvidas que acaba ia satisfeita com o que ele escolhesse. A amazona mal podia esperar, louca para contar para sua família.
Entretanto, já que parecia que o universo adorava brincar com ela, o relacionamento discreto dos dois tomou uma proporção muito mais pública que ambos esperavam. O beijo de comemoração — se foi pela vitória ou pelo “sim”, nenhum dos dois soube dizer — havia sido capturado. tinha noção que quando foi anunciado que havia ganhado, virou alvo de todos os fotógrafos presentes no centro hípico de Deodoro, mas esperava que sua família a rodeando escondesse os beijos que o ator havia lhe dado. Quando nada havia sido divulgado no dia seguinte, a amazona achou que havia sucedido. Porém, o que aconteceu foi que o fotógrafo que conseguiu os sortudos cliques, sabendo que não interessava aos jornais esportivos, estava discutindo por quem pagaria mais para poder publicá-las. Foi por isso, então, que só depois de duas semanas desde o fim dos jogos que as benditas fotografias apareceram.
De certo modo, a foto do beijo viralizando tanto ajudou quanto piorou as coisas. estava tão feliz com sua vitória e o novo status de sua relação, que nem percebeu o que havia acontecido, só depois de uns dois dias das fotos o saírem, quando hype de uma confirmação pública oficial que o casal estava junto diminuiu quase por completo, lhe mostrando que talvez tivesse sido um pouco irracional com a situação antes. Afinal, se estavam em público, fotos em tais momentos não eram tão prejudiciais, não?
E o conhecimento que ela teria que enfrentar a música completamente agora que sua relação com Chris se tornou ainda mais concreto. Sem mencionar que como não estava de férias já que os jogos haviam acabado, e como seu pai e Amy não foram para o Rio devido à saúde debitada do homem, ela foi passar uns dias na casa do pai, ergo, se isolando ainda mais do público que mal teve que lidar com a repercussão. Acabou por ver aquilo como uma coisa boa, já que havia confirmado sua relação com Chris sem nenhum estresse envolvendo a mídia, além de comentários soltados para a imprensa pela assessoria dos dois. A mulher ficou tão feliz de ter sido uma situação tão branda e pacífica que quando o ator perguntou como ela se sentia a respeito daquilo ela apenas sorriu e lhe beijou.
Só que ela não estava preparada para voltar a realidade de ter stalkers com câmeras seguindo os dois. Por algum milagre Chris não foi clicado entrando, dentro ou saindo de nenhuma joalheria, o que ela agradeceu a todo céu, pois assumir a relação publicamente depois de meses de especulação e sendo vista com ele era uma coisa, mas os abutres os devorariam vivos caso soubessem que haviam ficado noivos.
Não, o Universo, Carma, Destino, seja o que for, havia tomado piedade dela e a poupado de mais esse estresse.
Como prometido, Chris pode lhe dar o anel oficialmente de uma forma mais especial. Passou por sua cabeça recriar o primeiro encontro dos dois ou levá-la para Napa novamente, mas queria algo mais impactante, disse. Pensou em irem para Lake Tahoe já que a beleza do lugar além de incrível também providenciava uma certa quantidade de privacidade, mas descobriu por Lea que já conhecia o local. Então, sabendo da preferência da mulher pelo clima frio e que, surpreendentemente, nunca havia visto a neve, planejou uma pequena viagem para Whistler.
Por ser bem, bem, bem, mais longe que Napa ou Tahoe, tiveram que pegar um avião, já que levaria dias para chegarem até lá. Só que estavam no fim do verão americano, e todas as estações do país não haviam aberto para a temporada de ski ainda. Ambos tinham consciência que sabia o que a viagem significava, mas não queriam estragar a graça mencionando em voz alta. Até porque, Chris conseguiu colocá-la no avião sem que soubesse o destino, dando-lhe um headphone e fazendo-a usar até que desembarcassem, sem mesmo poder olhar pelas janelas.
Quando finalmente descobriu que estavam indo para uma estação de ski, a mulher pulou animada várias vezes, antes de agarrar o noivo-namorado (noivo oficialmente só quando eu te dar o anel, baby) em um impressionante beijo que fariam os diretores de seus filmes ficarem com inveja.
O final de semana surpresa havia sido mágico para . Não só pelo jantar extraordinário que o ator havia organizado para pedir oficialmente sua mão em casamento na varanda da suíte que dava para as montanhas. O qual, aliás, ela notou risonha, mas com muita ternura, tinha como sobremesa fondue. Não, não havia sido apenas o pedido, mas também a oportunidade de ver, tocar e brincar na neve pela primeira vez. Esquiaram, fizeram tirolesa e ski-bunda, snowboard e tudo que a Estação tinha disponível. Claro, não significava que haviam sido perfeitos, os roxos dos hematomas que decoravam os corpos dos dois pelos inúmeros tombos deixavam isso claro, mas ao mesmo tempo era o que deixou a experiência ainda mais fantástica. Parecia que com Chris, não importava o que estava fazendo, sempre acabava extraordinariamente feliz, achando que nada superaria tal momento, só para ele ir lá e prová-la do contrário.
A amazona suspirou saudosa ao retornar para Los Angeles, pois além de ter amado o lugar, o frio e a neve, ela amou a bolha particular em que estiveram, e não queria que terminasse. Chris a lembrou como as coisas com a imprensa estava melhorando, e agora que estavam publicamente juntos, não seria tão ruim.
Era como se tivesse feito uma aposta com o Universo. Apenas uma semana após de chegarem de viagem, Chris foi chamado de volta ao set, dessa vez ali em Los Angeles mesmo, para regravar algumas cenas. , que ainda estava de férias, e sabendo que Lea estaria na cidade para ficar com seu pai, decidiu acompanhar o noivo nas filmagens. Porém, por algum motivo desconhecido por ela, sua gastrite resolveu atacar, fazendo com que a amazona tivesse uma crise intensa e passou mal os primeiros dias inteiros, não podendo ir visitá-lo no set como queria, já que amava vê-lo gravando. Não, foi apenas no fim da extensão das gravações, quando ela estava se sentindo boa o suficiente para sair de casa, que a mulher foi visitá-lo. Sabia que tinha fotógrafos no local, tentando conseguir algo das gravações ou algum dos atores, mas se forçou a não se importar. Já era público, e como iria se casar (ah, como ela não ainda não conseguia acreditar que aquilo era verdade) com o ator, teria que se acostumar. Bem, pelo menos por um tempo. Chris já havia expressado para ela e para o público que queria deixar a carreira de ator de lado por um pouco, e se dedicar à carreira de diretor. aprovava totalmente, e não porque isso o tiraria da mira dos paparazzi por maior parte do tempo (apesar de ser um bônus, ela admitia), mas porque era o sonho do homem, e era seu dever, como companheira, apoiá-lo tanto quanto ela a apoiava.
Então, tensa ela chegou ao set, já avistando alguns dos abutres, mas não foi ruim quanto ela pensou, principalmente por ter um dos produtores do filme por perto, que a encobriu da maior parte dos flashes, logo a pondo para fora de alcance deles. Se havia durado dez segundos, havia sido muito, e a mulher respirou aliviada com aquilo. O problema foi que, apenas um par de horas desde que havia chegado ao local, voltou a passar mal. Chris, que havia ainda algumas cenas para gravar, disse que a acompanhava até a saída, ainda se lembrando do acontecido no píer, e não queria que se repetisse.
O que, infelizmente, acabou sendo inútil. não havia se iludido esperando que os fotógrafos tivessem ido embora, só que ela não esperava que tivessem aumentado em quantidade. Claramente sem condições para lidar com aquilo, a mulher só abaixou a cabeça, sendo abraçada pelo noivo até o carro. Porém, nenhum dos dois contava que a atleta seria agarrada de novo, na certeza da teoria que um raio não caía no mesmo lugar duas vezes. Lamentavelmente, foi exatamente isso que aconteceu. Não sabiam e nem queriam saber porque o tal fotógrafo havia puxado o braço da mulher para si, forçando com que ela fosse em sua direção, só sabiam que tal situação tinha que acabar e rápido. Chris, vendo vermelho ao ver sua noiva sendo puxada contra vontade, imediatamente se prontificou a soltar a mulher do punho que a fisgava, a trazendo de volta para perto de si. Vendo que não conseguiriam chegar até a calçada para que a mulher entrasse no carro e não querendo que ela fosse emboscada de novo, ele a guiou de volta para o estúdio, onde pediu para que alguém trouxesse o carro para saída dos fundos, dos funcionários.
Surpreendentemente não mencionou nada da emboscada que havia sofrido, se concentrando apenas em não ver sua última refeição voltar para fora de seu corpo. Não entendia porque estava tão mal assim. Sabia que era algo relacionado com sua gastrite nervosa, desenvolvida desde pequena, por causa da imensa quantidade de ansiedade e estresse que ficava antes dos campeonatos. Seus pais por vezes a ameaçaram tirar do esporte já que o mesmo estava lhe fazendo tão mal, mas acabava que só a sugestão piorava ainda mais os sintomas. Desde então, havia aprendido a controlar não só sua ansiedade, mas como gastrite, tentando e conseguindo na maioria das vezes evitar que ela atacasse.
Era inútil, mas havia tentado até nas Olimpíadas. O que, sem nenhuma surpresa, havia sido inútil, e teve um de suas piores crises nos dias que antecederam às provas de Tóquio. Ela achava incrível como passava dias mal, mas era só subir em cima da cela no dia da prova que se acalmava o suficiente para interromper tal crise. Em Londres e no Rio havia sido a mesma coisa.
E era isso que a confundia. Se já haviam passado os Jogos, e estava de férias com os treinos em pausa, porque sua gastrite estava atacando tanto?
A resposta veio imediatamente, ao lembrar dos últimos minutos. Só podia ser do estresse acumulado por situações como aquela. Talvez, tão concentrada com as Olimpíadas, a mulher não tivesse percebido como o estresse de lidar com a mídia estava a afetando. Mais tarde, naquela noite, depois de finalmente conseguir sair do estúdio, e com Chris a abraçando enquanto assistiam TV em seu quarto, ela argumentou com ator, que já fazia dias que estava preocupado com seu mal-estar. Aproveitou para indicar que já estava passando da hora de lidarem seriamente com assédio e superexposição da mídia. Seu noivo não acreditava que era aquilo, mas discutiu com ela opções de como tratariam a situação se ela concordasse ao ir no médico.
O que, se provou ser uma visita interessante. Havia passado por uma bateria de exames antes das classificatórias, exigidas pela Comissão Olímpica Brasileira, mas não havia feito uma endoscopia. Seu médico sugeriu uma, suspeitando que sua gastrite estivesse se transformando em uma úlcera, mas a mulher não queria passar por aquele exame terrível de novo, seu reflexo de engasgo inconscientemente se apresentando só de pensar. O homem concordou em tentar primeiro exames não tão invasivos, mas não prometendo nada, pois não podia descartar a suspeita de uma úlcera totalmente.
Mesmo sabendo de seu histórico médico, ele pediu outros exames como o de sangue para ver se ele tinha a bactéria Helicobacter Pylori, que poderia piorar o seu quadro, ainda que sua gastrite fosse a do tipo nervosa. Felizmente, não foi constatado a bactéria, mas os resultados surpreenderam tanto o médico quanto a paciente, que acabaram no final ter que fazer um exame diagnóstico por imagem, para acompanhar o de sangue.
Passou vários dias inconformada, de como a mídia tinha mais impacto nela do que a mulher imaginava. Acabou que havia sido agarrada na saída do estúdio por um fotógrafo que, com a maldita sorte dela, viu um anel em seu dedo anelar, e agarrou seu braço para fotografar o objeto. Mal havia saído do consultório quando foi bombardeada de ligações da família dela, querendo saber se era verdade o que estavam dizendo na internet e nas notícias.
Chris e queriam fazer algo, um almoço ou jantar em família para anunciar o casamento dos dois, mas não puderam, já que todos haviam descoberto pela maldita foto do anel. Tal situação, juntamente com sua condição, a deixaram ainda mais hesitante e com raiva dos veículos midiáticos. Parecia que sua vida não era mais só sua, e ela estava exausta disso. Não iria aturar mais, não tinha como aturar mais depois de tal consulta.
Passou dias e dias discutindo com Chris sobre isso, que não era justo eles roubarem um momento tão importante do casal só para lucrarem com manchetes. O ator dizia que concordava, mas o que estava feito, estava feito, e não podiam lastimar o leite derramado. A mulher passou então a lembra-lo do acordo que fizeram, que iria no médico se ele considerasse discutir medidas para lidarem com a situação. Ambos, depois de inúmeras brigas, concluíram que não havia o que fazer, se estavam em público e não fossem tocados, não havia com quem reclamar. Serem seguidos por alguns quilômetros ou os fotógrafos estarem presentes nos lugares que os dois frequentavam não poderia ser considerado stalking. Chris acreditava que estavam com as mãos atadas, mas sabia a solução. O denominante comum era a massiva quantidade de atenção que aquela cidade dava às celebridades. Então, se não queriam a atenção, tinham que sair dali.
Obviamente, Chris não aceitou nem um pouco bem tal sugestão. Aquela cidade era seu trabalho e a mulher esperava que eles a deixassem? Não importava de que ângulo tentasse, Chris não queria ouvir. Entendia os motivos dela, e sabia que a sugestão fazia todo sentido. Mas não tinha como ir embora de Los Angeles sem dar adeus à sua carreira.
A amazona o provou o contrário, argumentando que era desejo do ator focar mais na direção de filmes do que a atuação quando seu contrato mais extenso se expirasse, o que era logo. A mulher construiu todo um plano, explicando para ele que deixar Los Angeles não significava dar às costas à sua carreira, mas ele não queria ouvir. Brigas após brigas após brigas, e o assunto continuava o mesmo. Não haviam nem começado a planejar o casamento por causa daquilo, pois se recusava a ficar na cidade após estarem casados. Aquilo estava afetando a relação do casal de uma maneira que insatisfazia a ambos, mas nenhum dos dois queria ceder, mesmo que parecesse que a mulher estivesse o convencendo aos poucos, o que acarretava em mais brigas.
A pior delas foi algumas semanas depois, quando em uma tentativa de apaziguar as coisas, Chris a chamou para jantar fora, no mesmo restaurante que haviam ido no primeiro encontro. E, como da primeira vez, tiveram companhia ao chegar ali, o que, infelizmente, desencadeou outra discussão no meio do jantar.
— Babe, — começou a mulher, o tom sério e o rosto em uma feição frustrada, utilizando o apelido para tentar manter a paciência. — Eu juro, depois de tantas experiências, mesmo que quase todas desagradáveis, com a mídia, que entendo a importância dela não só na sua carreira, mas também na minha, porém esse negócio de sermos “recebidos” por paparazzi em todos os lugares que formos tem que acabar. Você viu o que aconteceu no outro dia. Desculpa, mas aquilo foi agressão, e não foi a primeira vez. Tudo por causa do mald… do anel. Você tem que admitir que isso é inaceitável.
— Sim, sweetheart. — concordou o loiro, o rosto cansado e sua voz demonstrando a mesma frustração que a dela. — E te disse ontem que eu descobri quem era. O mesmo cara, nas duas vezes. Liguei na editora e ameacei entrar com uma ordem de restrição. O que vou fazer, de qualquer forma, mas me garantiram que ele não chegaria mais perto de você.
— Obrigada, Chris, mas você sabe que isso não resolve as coisas. — falou, o tom suave saindo sem querer um pouco condescendente. Ao ver a feição confusa do ator ela explicou, e logo pode ver que voltou a ficar frustrado. Porém, invés de ser com a situação, ela sabia que era com ele. — Ele pode não chegar mais perto, o que, me desculpe, eu duvido, mas os outros chegarão. Quem me garante que não irão fazer o mesmo? Agora foram só dois puxões de braço, mas vou ter que pagar para ver se vai ficar apenas nisso?
Já sabendo que sairia outra discussão dali, e grande pelo visto, o ator perguntou, o que ela esperava que ele fizesse. Não era como se ele pudesse fazer milagres.
— Não sei, Chris. Só que fazer nada e só enfrentar a maré toda vez não adianta também. Você tem que me ajudar a pensar em algo que te beneficie na carreira, mas que não prejudique meu bem-estar físico e social. — argumentou, os olhos faiscando de raiva ao vê-lo soltar uma risada debochada.
— Os paparazzi afetam seu bem-estar social, ? Por favor, não acha que está exagerando?
— Não, Christopher, não estou! — retrucou, a voz alta e o nome de batismo servindo como sinais vermelhos para o ator de que realmente havia a irritado. Pois bem, ele também não estava nenhum pouco feliz de ter aquela conversa pelo o que parecia ser a milésima vez. O que ambos não sabiam, é que pensavam a mesma coisa: porque ele/ela não entendia seu ponto de vista? — Eu fico receosa só de sair na rua, preocupada com quantas imagens minhas serão tiradas em tal hora, me perguntando se minha família lá no Brasil irá saber pelo E! ou o TMZ que eu saí para caminhar com você e o Dodger porque alguns imbecis acham que meu relacionamento e vida pessoal merecem ser manchete. Fico tão ansiosa quando vejo um fotógrafo, que minha gastrite, que não me incomodava há anos, desde minha primeira Olimpíada, me dá crises diariamente agora. Fico em pânico cada vez que vejo paparazzi, com medo que eu seja agarrada de vez por algum deles dessa vez, que evito sair de casa e só uso o carro, para tudo agora. Então sim, Christopher, os malditos desgraçados filhos de uma puta dos paparazzi afetam meu bem-estar social.
Sabendo que toda palavra da mulher era verdade, o ator suspirou resignado. Havia perdido as contas de quantas vezes ficou enjoada e passou mal nos últimos dias por causa da sua gastrite. A mulher precisa também cansada, estressada e pálida de forma constante ultimamente. Mas, perguntou novamente o que ela esperava que ele fizesse. Estava frustrado com a sensação de impotência. Não achava que era tão ruim, mas se a afetava tanto, ele tinha que fazer algo. Mas o que?
— Não sei, Chris! Esse é o maldito objetivo dessa conversa! Mas alguma coisa tem que ser feita. Pelo menos diminuir a exposição à tais situações nós temos, ou nem Deus saberá o que pode acontecer. — explicou, cansada. Por que ele não se manifestava? Por que não era mais proativo? Senhor, ela precisava do apoio dele mesmo sabendo que o homem não considerava o problema tão grande como ela. Mas ele não fazia nada!
— E como fazemos isso,? Não é como se eu tivesse uma capa de invisibilidade. Não é como se eu pudesse pedir ordem de restrição para todos com uma câmera ao nosso redor. — retrucou o loiro. Não era sua intenção ser difícil, e não queria piorar ainda mais a situação, mas realmente não sabia o que fazer, e podia perceber que ela tinha, ou pelo menos achava, uma solução. Por que não lhe dizia logo, pensou Chris, irritado, ao invés de ficar fazendo joguinhos com ele?
, por sua vez, estava estressada. Estava agoniada. Frustrada. Cansada. Magoada. Mas, principalmente, estava fula da vida com Chris, que aparentemente não entendia a situação dela, ou pelo menos não achava que seus sentimentos eram justificáveis. Indecisa onde colocar as mãos e em um desesperado ato de se acalmar para não gritar com o noivo, seus dedos viajaram por si, primeiramente esfregando o rosto, para então passar e se enroscar nos seus cabelos, descendo até o pescoço e indo em direção ao seu busto, suas mãos uma na outra, juntando-se para não agarrar o pescoço do loiro.
— Sei que você não controla as pessoas. Mas você controla o seu ambiente — disse, sendo logo interrompida pelo homem.
— Ah, tá. Então vamos viver trancados em casa? Nunca sair e quando sim, com disfarces e blecautes? É esse tipo de ambiente que você quer?
— Não, Chris. — negou a mulher, com uma paciência que ela não sabia de onde tinha vindo, pois claramente não tinha mais um pingo sequer em si. — O ambiente que eu não quero é Los Angeles. Acho que devemos nos mudar. — Não era a primeira vez que ela tocava no assunto, principalmente depois do pedido de casamento. Ela sabia que o contrato dele com a Marvel estava terminando, e como ele estava decidido em se concentrar na carreira de diretor, ela achava ideal. Claro, o maior foco dele continuaria em Los Angeles, mas do que adiantava continuar ali se a maior parte das filmagens ocorriam em outras cidades ou até mesmo em outros países? Não, ficar em Los Angeles era apenas tortura, tanto para ela, quanto para ele e para o relacionamento dos dois. Chris até concordava, mas não levava a sério nas conversas que haviam tido sobre o assunto. Pois bem. Chega de brincadeiras.
— Caso você não tenha percebido, , meu emprego é em Los Angeles. Você pode treinar em qualquer lugar, mas eu trabalho aqui.
— Ah é? Então porque você sempre vai gravar fora, em outras cidades e países, sendo que aparece nos estúdios só uma vez ou outra? E como tem outras pessoas, outros atores, que estão em atividade, mas não moram em Los Angeles? Admita, Chris. Você só não quer mudar porque é o que você está acostumado. — amazona disse, o observando atentamente para ver qual seria sua reação, mas ficando decepcionada e ainda mais irritada ao ser presenteada com nenhuma. — Mas me diga uma coisa: você não quer ser diretor? Para isso você precisa estar o tempo todo em Los Angeles? Sei que você vai precisar estar na cidade de tempos em tempos, mas você consegue me olhar nos olhos e me dizer que grande parte do processo, você não pode fazer de outro lugar? Reuniões, pré e pós-produção…
Depois de esperar alguns segundos para que ele lhe respondesse, e vendo que ele não iria lhe dizer nada, ela se levantou da mesa, balançando a cabeça, descrente do que estava acontecendo. Inacreditável. Era o que ele queria, o sonho que ela o incentivava a correr atrás, mas ele não modificar só alguns aspectos para incluí-la. Pelo amor de Deus, eles iriam se casar. Não era para ser uma parceria?
— Quer saber? Para mim já deu. Tem um limite para o que eu possa fazer, Christopher, depois de tudo que você me faz passar. Bom jantar. Me procure quando você tirar a cabeça da sua bunda e estiver disposto a agir como meu companheiro. — jogando o guardanapo de pano que estava em seu colo na mesa, ela pegou sua bolsa e foi em direção à saída. Ouviu o homem chamar seu nome, mas não lhe deu atenção, continuando a seguir em frente. Foi só sair do restaurante que ela começou a correr.
Não percebeu que as lágrimas escorriam em seu rosto, até parar algumas quadras depois para respirar.
Não. Não. Aquilo não poderia estar acontecendo. Era só mais uma briga, eles iriam se entender. Era normal os parceiros decepcionarem o outro, nenhum casal era perfeito. Aquilo não era o fim, ela estava exagerando. Sim, era exagero, e eles iriam ficar bem. Porém, quanto mais tentava se convencer disso, mais ela chorava. Aquele não podia ser o final da história dos dois, se recusava, mas toda vez que repassava a conversa em sua cabeça, mais certeza tinha que nenhum dos dois ia ceder, e aquilo era impossível de continuar. Havia decidido que não ficaria mais em Los Angeles. Não tinha condições, emocional ou psicológica, inferno, nem física para continuar ali. Ela tinha que ir embora, e iria com ou sem seu noivo.
Tal pensamento a fez chorar ainda mais. Amava seu noivo. Deus, como amava aquele homem. Queria passar o resto da vida com ele. Mas não daquele jeito. Não sendo observada constantemente, julgada pela mídia e pelo público, mal podendo sair de casa. Amava Chris com todo seu ser, mas do que adiantaria se ali significava acabar com si mesma, não sobrando nada para amá-lo?
Perdida em seus pensamentos, seus sentimentos e suas lágrimas, ela mal percebeu que havia chegado em sua casa, que havia caminhado mais de uma hora. Adentrou rapidamente, se dirigindo para o quarto sem pensar, despindo-se e trocando pela blusa que usava para ficar casa e dormir, voltando a chorar fortemente ao lembrar que na verdade ela pertencia à Chris.
A mulher, tão desolada, não percebeu que havia mais alguém na casa. Lea estava em Nova York, onde as duas tinham um apartamento juntas, fazendo sabe-se lá o que. Não, o “intruso” era Chris, que logo depois da saída abrupta da mulher do restaurante, não hesitou em fechar a conta e ir atrás dela, mas quando chegou no lado de fora, não tinha vista alguma dela. Deu uma volta nos arredores para ver se a achava, mas sem sorte. Então, decidiu ir até a casa dela, esperando que ela aparecesse ali. Como havia lhe dado a chave, esperou na sala, começando a se preocupar quando passado mais de uma hora e ela não havia chegado, mas, como invocada pelo seu pensamento, a porta se abriu, e ela estava ali.
Só que o ator não esperava que ela estivesse tão transtornada. Preocupado com o estado dela, logo se levantou para se aproximar, mas a amazona não perdeu tempo em subir as escadas e ir para seu quarto. Indeciso por alguns segundos, Chris logo a seguiu, chegando no batente da porta, vendo que ela havia acabado de colocar a blusa com que dormia e se sentava no meio da cama. Estava abrindo a boca para perguntar o que havia acontecido, se ela havia se machucado, se ela havia sido atacada, quando a mulher agarrou a parte da frente da blusa e a levou ao rosto, cheirando o tecido e chorando ainda mais forte, se fosse possível.
Encostando a cabeça no batente da porta e fechando os olhos, ele continuou a ouvi-la chorar. O que havia acontecido com era ele. Ele, seu noivo, seu companheiro e a última pessoa no mundo que a devia machucar, era o motivo pelo qual ela chorava tão desesperadamente, soluços balançando fortemente seu corpo, frequentemente arfando enquanto os pulmões da mulher imploravam por ar, o rosto competente vermelho e encharcado pelas lágrimas. Porém, o pior eram os sons — ou a falta deles. Não era um choro escandaloso. Era o tipo de choro tão profundo que mal fazia barulho, já que não havia som algum que traduzisse tal dor que sentia. As únicas coisas que se ouviam da mulher eram as tentativas aflitas para conseguir oxigênio. Ele nunca tinha se odiado tanto quanto naquele momento, ao vê-la tão miserável e sabendo que era culpa sua. Não aguentava tal visão, mas sem ideia do que fazer, apenas descalçou os sapatos, tirou a calça e a blusa social que vestia, e entrou no quarto, indo diretamente para cama e sentando-se atrás dela, trazendo o corpo da amazona para si.
Parte dele achou que ela o xingaria, ou empurraria e voltaria a discutir com ele, mas ela apenas apoiou-se contra o peito dele, a cabeça descansando na curva de seu pescoço e ombro, o choro se intensificando ainda mais. De alguma maneira, aquilo foi ainda pior para Chris, saber que ela estava tão machucada por ele que discutir não valia nem a pena, chorar a dor que sentia sendo a única opção para a mulher.
Não precisava do relógio para saber que ficaram ali por horas, os músculos contraindo e protestando por ficar tanto tempo na mesma posição lhe dava noção de quanto tempo se passou, mas ele não ousou se mexer até que a última lágrima caísse dos olhos da mulher. Então, ao perceber que a noiva já havia se acalmado, ele afrouxou um pouco o abraço, seus bíceps e tríceps agradecendo, mas não se afastou, pelo contrário. Suavemente, saiu detrás da mulher, colocando-se ao seu lado e com delicadeza fazendo com que ela deitasse. não disse nada, apenas se deixou levar até que seu corpo todo estivesse apoiado na cama, ainda com o rosto e os olhos vermelhos e molhados do choro. Nenhum dos dois falou nada, apenas ficaram deitados na cama dela, com o homem a abraçando por trás, ambos pensando em como chegaram naquele ponto, e para onde iriam.
Não demorou muito para que o sono chegasse para a mulher, a tempestade emocional e a longa caminhada que deu fizeram com que o corpo dela exigisse que repusesse a energia perdida. Se entregou aos braços de Morfeu sem hesitar, a escuridão que vinha com o descanso era muito mais preferível do que o turbilhão de pensamentos e emoções que circulavam sua mente no momento.
Chris esperou até que ela estivesse em um sono profundo para se mexer saindo da cama e deixando o quarto, indo se sentar no sofá da sala. Apesar de estar sozinho, a quantidade de vezes que suspirava e o estado bagunçado de seu cabelo por ter passado tantas vezes seus dedos pelos fios, em um gesto nervoso, denunciavam a aflição do homem. Não era a primeira vez que eles brigavam, nem de longe. Mas o ator não sabia se era o peso do noivado, a feição completamente destruída de ao lhe olhar pela última vez antes de sair do restaurante ou o jeito como o corpo da mulher balançava tamanha era a força dos soluços de seu choro, mas algo o dizia que aquela não era como as outras brigas.
Contudo, como havia dito para ela no restaurante, não sabia o que fazer. Sabia que ela não estava pedindo para deixar sua carreira, mas sair de Los Angeles? Nunca pensou que viveria o resto de sua vida na Cidade dos Anjos, mas ele tinha muita para conquistar ali. Porém, ao mesmo tempo que tal raciocínio vinha, soava em sua mente, em uma voz incrivelmente parecida como a de sua noiva, que ele não era um novato na área. Deus, era atualmente um dos maiores astros de um dos maiores estúdios do mundo. Não é como fosse ficar sem papel algum e passar fome caso deixasse a cidade. Até porque, haviam vários atores de sucesso que ainda estavam em atividade e não moravam ali. E, que não descobrissem que ele estava admitindo aquilo, mas ela estava certa quando discutiram mais cedo no jantar: queria deixar na carreira de ator de lado para se dedicar a ser um diretor — pelo menos por um tempo. E não precisava estar na cidade para isso. Sem falar que o pai de morava em San Diego, nunca ela iria embora para longe, e a cidade era apenas há uma hora de LA.
Pensando mais logicamente e com mais calma, ele podia ver o ponto dela, e admitia que a ideia tinha seus méritos. Ah, inferno, considerando que estavam se casando e os dois queriam ter uma família logo, aquele parecia o caminho mais sensato, casando vez mais. Então porque estava tão apavorado, tão contrário à ideia? Parecia ser o certo a se fazer, e haviam discutido várias vezes aquilo. Logo após a visita à casa de sua mãe, após o pedido no Rio, sonhando acordados com o futuro em Whistler, quando ele lhe entregou o anel. Certamente não era surpresa alguma. Só não podia entender sua relutância.
Sendo tarde da noite, de um dia exaustivo sem mencionar, ele resolveu se juntar à amazona, sabendo que não chegaria à uma resposta naquela hora, e que quando conversassem no dia seguinte, talvez o receio que sentia sumisse, e ele conseguisse fazer a coisa certa.
Entretanto, mal sabia ele que não teria tal oportunidade. Sentindo uma imensa dor de cabeça ao acordar de repente, as que costumavam acompanhar as noites em que ela chorava até dormir, nem precisou se virar para saber que o noivo estava atrás de si, sentindo a presença dele perto de seu corpo. Automaticamente, lembranças da noite passada vieram à mente, e a mulher suspirou enquanto olhava para a janela, vendo o céu ainda escuro, o amanhecer ainda para acontecer.
Se levantando, ela saiu do quarto e foi até a cozinha, onde preparou um copo de leite quente com achocolatado, enquanto se perdia em pensamentos. Sabia que havia exagerado um pouco na noite pesada, mas ela tinha suas razões. E Chris, tão enfuriante, fingia que nada acontecia! Como podiam iniciar suas vidas daquele jeito? Ela não suportava mais um dia com o pensamento de ter que enfrentar o inferno que era certamente com umas boas fotos da noite passada, quem dirá passar meses, quem sabe até anos em tal situação. Não. Não era possível, e por mais que amasse Chris e não quisesse mudar nada ele, ela se recusava a continuar ali.
Foi despertada de seus pensamentos ao ver o celular piscando, mostrando uma chamada de sua irmã. Apesar de sua cabeça estar pulsando de dor um pouco ainda e não estar nem de perto em controle do seu emocional, ela atendeu.
— Posso saber porque estou vendo fotos suas abandonando Chris em um restaurante ontem? — Lea perguntou brincalhona, mas ao ser respondida com silêncio, interrompido apenas por um suspiro estrangulado que sem querer havia escapado da boca da atleta, a outra mulher percebeu que havia algo errado. Mais delicadamente, perguntou: — Sis? Aconteceu alguma coisa?
E foi apenas isso para que desabasse. Novamente aos soluços, mas tomando conta para que não fizesse tanto barulho, já que não queria acordar o ator, ela recontou a noite passada, relembrando acontecimentos da semana anterior e até da vez que haviam sido abordados no píer. Lea apenas a ouviu e a tentou acalmar, sabendo que nada entraria na cabeça dura da irmã enquanto ela não voltasse ao controle, ou perto disso.
Quando finalmente parou de chorar pela segunda vez em menos de um dia, Lea argumentou com ela, aceitando que a irmã tinha um ponto de vista válido, mas pedindo para que ela visse as coisas pela visão de Chris. Quando disse que estava tentando fazer isso, mas mesmo assim não conseguia ver outra solução, e aquilo estava a desesperando-a, pois não sabia o que fazer. Um pouco surpresa com a facilidade com que sua irmã voltou a chorar, já que ela havia se acalmado há apenas alguns segundos, Lea a perguntou se não estava exagerando.
— Claro que eu sei que não é para tudo isso! Mas eu realmente não sei como lidar com a situação, Lea. Amo tanto o Chris, mas não posso mais viver assim, não mesmo. E ele vai acordar, e entraremos na mesma briga de sempre. Ontem fui eu que fui embora, mas e se não conseguirmos nos entender… — lamentou , determinada em sua posição, mas morrendo de medo do que a mesma podia custá-la, a deixando ainda mais alterada. Lea, por sua vez, só queria estar perto da irmã, abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem. Claramente algo estava errado com , e ansiava por ajudar a irmã.
— Olha, — começou a outra, devagar, receosa de piorar a situação. — Talvez, o que vocês precisem, é não discutir isso agora. Esfriar a cabeça, relaxar a mente, se acalmar sabe? Não irá fazer bem algum conversarem sobre isso esse estado. Porque não vem ficar comigo em São Francisco por uns dias? Diga para Chris que você precisa pensar um pouco, ele também, e depois de uns dois ou três dias, volta e vocês dois conversam. Irá dar uma nova perspectiva para o assunto e pode muito bem ajudar vocês. E, mesmo se não der alguma luz, pelo menos vocês não brigarão por estarem de cabeça quente.
Imediatamente ao receber a sugestão de sua irmã, sabia que era aquilo que iria fazer. Estava uma bagunça total e não tinha como conversar sobre nada, ainda mais decidir algo tão importante, naquele estado. Sem falar que precisava de um tempo para se recompor antes de enfrentar o noivo. Agradecendo sua irmã por ouvi-la e aconselhá-la, ela aceitou o convite, lhe dizendo que logo mais iria para o aeroporto e em algumas horas a veria.
Tomando alguns minutos para se acalmar, ela logo voltou para o quarto, pronta para arrumar algumas coisas para a pequena viagem. Porém, a silhueta na cama a lembrou que Chris estava ali, e se ela o acordasse e dissesse que estava indo embora, mesmo que por um par de dias e para o bem deles, o ator não a deixaria ir.
Era uma imensa falta de consideração, mas não havia outra maneira. Não podia encará-lo, tinha que sair dali o mais rápido possível, e infelizmente o jeito era ir embora escondida.
Silenciosamente para não o acordar, ela se moveu pelo quarto, se vestindo e colocando algumas roupas e essenciais dentro de uma pequena mala. Aproveitou para pegar as roupas e coisas dele que estavam jogadas no chão colocá-las na poltrona do quarto. Por duas vezes fez um barulho um tanto quanto alto e achou que o acordaria, mas com sono pesado, o loiro só se mexeu na cama.
E foi então que, uma hora mais tarde e com o coração pesado, quase se despedaçando, que ela olhou seu rosto na cama pela última vez, sabendo que era o melhor a se fazer, logo saindo do quarto e da casa, o táxi que havia chamado já a esperando para levá-la ao aeroporto.

×


Chris, não fazendo a mínima ideia do que o esperava quando acordasse, só despertou de seu sono apenas quase uma hora depois de a porta da frente se fechar. Sabia que algo estava errado logo ao abrir os olhos, ao notar a cama vazia e fria, estranhando, já que era o tipo de pessoa que gostava de dormir até tarde. Porém, considerando o dia que tiveram ontem, ele sabia que a mulher havia acordado mais cedo, a briga de antes ainda na mente dela. Ainda sonolento, ele suspirou, sabendo que o dia de hoje não seria nenhum pouco mais fácil, mas esperando com tudo em si, que quando fosse dormir, não estivessem mais brigados. A falta de barulhos no banheiro denunciou que ela não estava na suíte, então vestiu a calça jeans que de alguma forma havia ido parar na poltrona do quarto, e foi em busca de sua noiva.
Esperava encontrá-la na cozinha, já que era cedo ainda e provavelmente estaria tomando café, mas seu rosto tomou uma expressão desapontada e confusa quando não a viu no cômodo, e sabendo que não estava na sala de estar, já que havia passado por lá para chegar no ambiente, sua procura se tornou ainda mais determinada. Contudo, após passar por todos os cômodos da casa procurando-a e chamando seu nome sem resposta por várias vezes, soube que ela não estava ali.
Tirando o celular do bolso, começou a mandar mensagem para a mulher, tentando descobrir onde estava, já que em sua procura havia visto o carro dela na garagem. Após minutos e minutos sem resposta, e sabendo que ela estava recebendo suas mensagens, Chris deixou de estar apenas preocupado e ficar inquieto e exaltado. O que havia acontecido, para sair sem pelo menos deixar uma mensagem, sem levar o carro e nem ao menos responder suas mensagens?
Após uma hora sem notícias ou resposta, ele começou a ligar para noiva, seu desespero começando a surgir. Por que ela não o atendia? Havia acontecido algo? Após quatro ligações, três das quais chamaram até caírem na caixa postal e uma indo direta para a mesma, o homem passou a intercalar as chamadas para a amazona com ligações para Lea e Amy. A primeira também não o respondeu, mas a segunda o atendeu na terceira chamada, se desculpando por não poder antes, explicando que havia acabado de chegar em casa. Quando perguntada se algo tinha acontecido, Amy negou e logo se preocupou, querendo saber se ele sabia se algo havia acontecido. Não querendo assustar a mulher sem ter certeza de nada, ele também negou, pedindo desculpas, dizendo que havia se enganado. Desconfiada, Amy pediu para que fosse avisada de qualquer coisa, o que ele logo concordou, e se despediram.
Deduzindo que se fosse algo com o pai de ou o resto da família Amy saberia, concluiu que a resposta era justamente a incógnita da pergunta. Algo havia acontecido com , e com o coração batendo freneticamente, a respiração alterada com a preocupação e os cenários terríveis que corriam em sua mente, ele deixou o desespero tomar conta de si.
Ligando para a noiva de seu celular e do telefone de casa dela, ele não esperava um segundo quando caía na caixa postal para ligar novamente. Havia perdido a conta de quantas ligações fez, mas sabendo que havia sido pelo menos mais de duas dezenas, ele estava por desistir e sair procurando-a por aí, ligar para todos os conhecidos, quem sabe até ir na polícia, quando finalmente um dos dois aparelhos, o qual ele não soube dizer no momento, conectou a ligação e ele finalmente pôde ouvir sua noiva dizendo, com a voz baixa, rouca e transbordando medo e dor, um “Oi, Chris”.
do céu! Onde você está?
— Chris… — ela tentou, mas foi interrompida pelo o noivo, as perguntas saindo de seus lábios na rapidez de balas saindo de uma metralhadora.
— Por que não me atendeu antes? Aconteceu alguma coisa? Por que saiu de casa sem o carro ou pelo menos sem deixar um recado? — perguntou, claramente agoniado. — Por que não respondeu minhas mensagens?
A mulher suspirou antes de responder, sua voz saindo baixa e cansada, e ainda soando magoada, o que era como uma faca entrando no peito de Chris a cada palavra. Ela estava daquele jeito por causa dele, e ele não estava com ela para consertar as coisas.
— Eu estava ocupada. Só peguei o celular agora, e por acaso. Não vi suas mensagens, e só vi sua ligação porque o visor me avisou, já que ele está no vibratório. Desculpe. — Ambos sabiam que aquilo era uma mentira. Talvez nas primeiras ligações, mas para cair direto na caixa postal sem a voz robótica da mesma mencionar que o celular estaria fora de área ou desligado, ela só poderia ter intencionalmente recusado as ligações. Foi um golpe inesperado, quase se traduzindo em dor física, mas ele tinha perguntas mais importantes do que inquirir porquê estava sendo ignorado. Então, optou por esconder e mentir que não estava tudo bem, mas ambos, novamente, sabiam que aquilo não era verdade.
— Sem problemas. Mas aconteceu algo? Eu acordei e você não estava aqui, mas o carro estava na garagem. Onde você está? — Ignorando a dor e a mágoa que se começava a consumir seu ser, voltou a questionar o paradeiro da mulher. Porém, antes que ela pudesse responder, ele ouviu uma terceira voz soando do lado da ligação dela, e era inconfundível o tom mecanizado anunciando que o embarque para o próximo voo para San Francisco estava para fechar. Por um breve segundo o homem sentiu a confusão se apossar de si antes de seu coração começar a bater extremamente rápido em seu peito, entendendo as implicações de tal voz. — , você está no aeropor… o que você está fazendo no aeroporto?
— Chris, eu… bem… é que eu — a amazona tentava, mas nenhuma frase conseguia se formar em seus lábios. Mesmo estando a quilômetros, ela quase podia ouvir o som metafórico do coração dele se quebrando. Mesmo que não fosse o que o homem estava esperando, sabia que a verdade também não era muito melhor. — Eu… eu sinto muito, Chris.
— Não, — se desesperou, ainda mais como se fosse possível, a urgência em sua voz sendo espelhada por todo seu corpo. O tom ofegante mesmo que estivesse sentado no sofá, suplicante, dolorido e atormentado falava por si só, mas do mesmo jeito ele suplicou para que ela não fizesse o que pensava que iria. — , por favor. Não faz isso, volta, a gente se resolve. Não entra nesse avião, eu te peço.
Mais baixo, seu tom completamente torturado, ele completou: — Não me deixe, . Por favor.
A mulher, mesmo sabendo que não era nada permanente, atraiu olhares na sala de embarque ao começar a chorar. Seu peito estava apertado, como se toneladas estivessem em cima dele, e o estômago embrulhado, sem ter relação nenhuma com sua condição, enjoado com o que ela estava fazendo os dois passar. Sabia que era melhor, mas não tornava menos doloroso.
— Babe — disse a mulher, o apelido carinhoso não fazendo nada para acalmar a situação, o choro baixo, mas sentido dela falando mais do que o tal. — Isso não é um adeus. É apenas um tempo para clarear minha cabeça. Eu… nós precisamos disso, Chris.
— Não, sweetheart, não. A gente resolve agora. Por favor, não faz isso, volta. Eu te amo, , volta para casa, volta para mim. — disse o homem desolado, lágrimas saindo de seus olhos, uma risada nervosa deixando seus lábios ao perceber que, depois de esperar paciente, ela não repetiu o que havia dito, apenas chorando nem tão silenciosamente do outro lado da linha. Aquilo não podia estar acontecendo, ele não conseguia acreditar.
— Desculpe, Chris. — ela respondeu, seu choro fazendo-se claramente presente. Sua voz com um tom arrependido, machucado, mas mostrando certeza em sua decisão. — Eu preciso ir. Eu realmente preciso ir, e nós precisamos desse tempo para repensar algumas coisas. Te mando mensagem avisando que cheguei, e te aviso quando for voltar, em alguns dias.
E então ela desligou o telefone, e o som do homem se despedaçando completamente por dentro tomou conta do ambiente.

×


realmente tinha avisado que havia chegado em San Francisco, e que por enquanto, planejava ficar por um par de dias lá. Fazia apenas algumas horas e a cada segundo que passava e se lembrava da situação, Chris sentia como se uma navalha perfurasse seu peito. Quem havia dito que a perda mostrava o valor das coisas claramente sabia do que estava falando, já que desde que havia se acalmado após a ligação, o ator passou a se torturar com suas memórias e lembranças.
Começou apenas repassando a noite passada, o que tinha sido tão grave para fazê-la ir embora, mesmo que temporariamente. Como havia deduzido antes de dormir, havia sido uma briga séria, mas era ao ponto de fazer com que ela fugisse? Ou havia feito algo mais, coisas que haviam se juntado e a noite passada tinha sido apenas a gota d’agua? Passou um longo tempo pensando em como havia provocado aquilo, o que poderia ter feito diferente, que mal percebeu que sua linha de raciocínio logo mudou para lembranças dos dois juntos.
Cruelmente, sua mente o lembrava do sorriso dela, e como não estava ali para vê-lo. A risada, por vezes harmoniosa, por vezes tão natural e espontânea que arrancava roncos dela. A mulher ficava super constrangida, mas ele achava engraçado, e secretamente adorava, fazendo de tudo para provocar outras. Lembrou das vezes que a segurou perto, após tomá-la para si ou apenas a abraçando enquanto dançavam, saboreando a sensação de ter o corpo dela colado no seu, como se fossem um até o amanhecer.
Também o lembrava da frustração que vinham com as brigas, se sentindo terrível por ser tão teimoso. A mulher sempre deixava claro seu descontento, e até mesmo desprezo, por vezes, dos holofotes. Chris sempre achou que a compreendia e apoiava, mas olhando para trás ele perdia a conta de quantas vezes só a escutou, sem fazer nada para pelo menos melhorar a situação, já que não podia impedir.
E, mesmo assim, ela colocava sua máscara de bravura, e enfrentava as diversas situações que a deixavam desconfortável, por ele. A mulher o acompanhava para assistir os jogos do New England Patriots (mesmo que estivesse exausta na final, quando foram para o estádio, tendo treinado o dia inteiro todos os dias daquela semana, acabou cochilando por uns bons 20 minutos, os quais Chris não conseguiu se forçar acordar ela, deixando que descansasse contra seu ombro até o intervalo do espetáculo), enfrentando todos os paparazzi presentes. Como ela ainda saia com ele, mesmo que relutantemente, sabendo que estariam em sites de notícias no dia seguinte, com a internet inteira discutindo a relação dela, justamente a pessoa que tanto prezava por sua privacidade.
Lembrou de como ficou inúmeras vezes chateado, e até irritado, com as reclamações dela por não querer ser vista em público, achando que ela não entendia que aquilo era parte de seu trabalho. Talvez. Mas ele também não tinha entendido que ele era o único com quem ela podia falar sobre aquilo, sendo a única pessoa na vida dela que se via na situação.
Era inegável o quanto se amavam. Também o quanto ele a fazia feliz, mas também, percebendo com o coração pesado, o quanto a despontava e a deixava na mão. Todos esses momentos, pensamentos, sentimentos, acompanhavam a sensação de impotência, de fracasso, de como havia falhado com ela e esse era o preço que estava pagando.
Mas não estava desistindo. Não, ele fez o amor dela, e não o deixaria ir nem que sua vida dependesse disso.

×


Haviam passado dois dias e Chris estava começando a se preocupar, mas pelo menos sabia que não havia nada de errado com ela, excluindo a situação entre os dois. Apesar de não querer conversar com ele, lhe mandava uma ou outra mensagem para avisar que estava tudo bem. Lea, apesar de estar tomando o lado da irmã, conversava mais com ele, dizendo que , apesar de bem fisicamente, emocionalmente estava uma bagunça. Lea o incentivava a fazer algo, o que ele desesperadamente queria, mas não queria pressionar a noiva ainda mais, optando por crer que tudo daria certo no final.
O homem queria acreditar naquilo, e quase aconteceu, se convencendo de que ela voltaria logo e ele a surpreenderia dizendo que concordaria com os planos dela. Havia pensado e repensado muito nos últimos dias, enquanto não estava sentindo falta dela e se torturando com lembranças. Ao recordar o que tinha pensado na noite anterior de ela ir embora, começou a discutir consigo mesmo, pesando os prós e contras. Havia até ligado para sua família, pedindo opinião principalmente para sua mãe — que lhe disse poucas e boas, tomando também o lado da nora, o lembrando da conversa que tiveram quando o casal havia visitado, antes da brincadeira sobre as crianças (que ela sabia que estava entre ouvindo, mesmo que Chris ou a mulher não desconfiassem. Não custava nada dar um empurrãozinho naqueles dois, que claramente pertenciam juntos) —, cujo o lembrou, enquanto afirmava que não importasse sua decisão, ela o apoiaria, mas que também já estava na hora de não priorizar tanto a carreira, e começar a pensar na família que estava para formar. Após refletir e discutir extensivamente sobre o assunto — consigo, com sua mãe e até com Lea, já que não queria falar com ele por enquanto —, havia decido que não só era melhor o que ela tinha proposto, mas também era o que ele queria, só estava com medo de dar tal passo, diminuir a atuação por um tempo, por estar tão acostumado com tal modo de vida. Só que mudanças eram necessárias, e qualquer mudança que tivesse partilhando a vida com ele era bem-vinda. Mal esperava para a volta dela, para que pudesse surpreendê-la com sua mudança de opinião.
Porém, quem se surpreendeu foi ele, e um arrepio correu por sua coluna enquanto via o objeto no fundo da caixa de madeira.
O que havia acontecido, é que o homem deu falta de seu relógio enquanto se arrumava na terceira manhã desde que foi embora. Normalmente, teria deixado para pegar quando ela voltasse, mas o objeto era presente de seu avô, mais antigo que o loiro, quase uma relíquia de família. Não queria correr o risco de perder, e ainda tinha a chave da casa da mulher, portanto decidiu ir buscá-lo.
Ao chegar lá, revirou o quarto da mulher, sem bagunça-lo é claro, não querendo piorar a situação delicada dos dois, atrás do bendito relógio. Se lembrava de tê-lo tirado junto com suas roupas, na porta do quarto, e de que as mesmas estavam na poltrona de manhã. Só que o objeto não estava ali, e após quase desmontar o assento, concluiu que deveria estar em algum lugar. tinha uma arrumadeira de confiança que arrumava sua casa, então a senhora deveria ter colocado em algum lugar. Procurou nos criados-mudos, em todo closet da mulher e na cômoda. Por fim, o achou na penteadeira da mulher, em uma gaveta em que guardava suas joias, mas não foi contentamento e alívio que sentiu quando abriu a gaveta.
Na verdade, o que sentiu foi choque, tão grande que até se esqueceu do que estava procurando. Ali, repousando em cima de um envelope no meio da caixa de madeira, estava o anel de noivado que ele havia dado para ela.
Todo ar saiu repentinamente de seu corpo como um soco. Toda dor que sentiu durante a ligação com ela no aeroporto e durante os dias que ficaram separados tomou conta subitamente e com força total de seu corpo. Não acreditando no que estava vendo, ele alcançou o anel com os dedos trêmulos, o choque dando lugar à sensação de seu peito sendo rasgado no meio e se abrindo. Fechando os olhos, ele sentiu as lágrimas escaparem uma por uma pelo canto de seus olhos, até que perdesse a conta, tentando em vão não se entregar ao pranto que estava exigindo de si mesmo. não só tinha ido embora, mas pelo o que ele estava vendo, ela havia o deixado.
Seu mundo havia caído.
As mãos tremendo cada vez mais, seu corpo ansiando para imitar tal comportamento, ele voltou a depositar o anel na gaveta, pegando o envelope. Aquilo só poderia ser uma despedida. Um bilhete com ela encerrando o noivado. Agora tudo fazia sentido, porque ela não atendeu suas ligações e porque mal falou com ele durante aqueles dias. estava terminando o relacionamento dos dois.
Sentindo navalhas queimando seu peito pelo buraco metafórico que havia ali, hesitante, abriu o envelope, tirando a folha e começando a lê-la.
O que tinha diante de si ele não podia acreditar. Não tinha como… não podia ser. Seu coração, sua mente, seu corpo gritava por enquanto olhava para aquele pedaço de papel, a respiração quase inexistente em seus pulmões, seus olhos cedendo ao pranto que antes o ameaçava dominar. Chris não acreditava que era aquilo que bastava para fazê-lo chorar como uma criança.
Instantaneamente ele soube que aquilo não podia ficar de tal jeito nem por mais um segundo. não podia fazer aquilo com ele, e obedecendo aos seus instintos que gritavam cada vez mais desesperados pela mulher, ele decidiu ir atrás dela.
Ao sair da casa dela, dirigiu como um maníaco até o aeroporto, não sabendo como não havia sido parado por uma blitz, mas tendo a certeza de que havia levado pelo menos um par de multas pelos radares. Chegando ao LAX, o ator agradeceu aos deuses por ter mais de trinta voos diários entre Los Angeles e San Francisco, não tendo que esperar muito para o próximo voo para a cidade. Mesmo sendo bem-sucedido, foi muito bom ter a companhia vendendo a passagem à um preço razoável, querendo preencher os lugares vacantes. Mas, mesmo se tivesse sido diferente, ele teria ido naquela mesma hora. Necessitava ver o mais rápido possível, e estava disposto a dar o céu e a Terra por aquilo.
A uma hora e meia de voo foi a mais longa de sua vida. Não conseguia parar quieto no seu assento, constantemente tocando em seus bolsos para ter certeza que tinha tudo consigo. Impulsivo, ele estava viajando apenas com que tinha no corpo, e não sabia se isso o deixava mais tranquilo por ter tudo que precisava tão perto de si, ou nervoso por estar fazendo uma loucura daquelas.
Logo que desceu em São Francisco, não tendo que esperar por bagagem nenhuma, ligou para Lea que, agradecendo ao universo, atendeu de primeira, para perguntar onde estava e pedindo o endereço de seu apartamento ao receber a resposta da irmã. Rapidamente se despediu dela, recebendo um “é bom que você ajeite as coisas com minha irmã ou vou te castrar, Evans” antes de desligar. A ameaça apenas o fez rir, apesar da mulher ter falado mais seriamente do que já a havia ouvido, mas com seu emocional sem controle algum para realmente levá-la à sério.
Tal emocional, se havia perdido qualquer compostura nas últimas horas, também perdeu qualquer sentido ao táxi estacionar em frente ao prédio de Lea. Ele queria gritar, chorar, rir e vomitar ao mesmo tempo. Não estava acostumado a ter tantas sensações conflituosas ao mesmo tempo, e era desconcertante. Chris pediu a qualquer um ou qualquer coisa que estivesse o ouvindo, para que o aceitasse pois não sabia o que faria sem ela, antes de entrar no edifício.
O apartamento de Lea era um dos dois no quinto andar, o que fez parecer que as escadas chegariam na lua, mas não chegariam no apartamento, mas também parecendo que não levou um segundo para estar na frente da porta dela. Respirando fundo e fazendo uma última prece, ele tentou colocar as emoções em controle — e não sendo bem-sucedido, mas pelo menos conseguindo colocar uma expressão que não gritasse mil e um sentimentos em seu rosto — e então, bateu na porta.
Os segundos entre ouvir o “coming” de e o momento que a mulher abriu a porta ressoaram em seus ouvidos com tambores, seu batimento cardíaco sincronizando com tal som, lhe ensurdecendo por instantes, cujo ele só pôde encarar a porta de madeira e então o rosto de sua noiva, que logo que percebeu se tratar do ator, assumiu uma expressão surpresa. Ele viu a boca dela se mexendo, mas seu cérebro só processava a visão dela e o ressoar em seus tímpanos. Ele só ouviu ela chamar seu nome na terceira vez.
— Ah, é… Oi, . Posso entrar? — perguntou, sem graça por ser pego tão despreparado, sem graça por estar em uma situação tão desconfortável. A mulher apenas lhe abriu espaço para passar, logo fechando a porta atrás de si quando ele entrou no apartamento. Ele observou o seu redor rapidamente antes de voltar sua atenção para a mulher, que pegou as pontas de seu casaco e fechou em volta dela, o tecido a abraçando enquanto ela cruzava os braços e o encarava.
— O que você está fazendo aqui, Chris?
Ele pensou na viagem inteira o que iria lhe dizer, mas no momento que ouviu as palavras dela, todo seu discurso sumiu de sua mente. Se antes não estava conseguindo controlar duas emoções, a situação piorou ao notar o tom resguardado na voz dela, quase temeroso, a expressão receosa acompanhada de um rosto pálido e olhos cansados, tomados por um olhar machucado e apreensivo. O homem odiou vê-la de tal jeito, mas odiou ainda mais ver parte de suas emoções refletidas nela. Ele não era o único culpado. Ela tinha ido embora, fugido, o abandonado. Ela também havia feito aquilo com eles.
— Estou aqui porque você não me responde. Porque você está fugindo de mim, porque você foi embora, sem me dar explicações. Se você não vai atender minhas ligações, responder minhas mensagens, então você vai me responder em pessoa. Você me deve pelo menos isso, . — ele falou, não agressivamente, apesar de suas palavras soarem meio ríspidas, mas em um tom encharcado, que pingava e transbordava toda dor que ele sentia, que demonstrava o quanto a amazona havia o machucado. Chris podia ter a machucado, ele admitia, mas ela havia feito o mesmo, e não iria esconder isso dela. — Estou aqui para saber porque você foi embora, porque você não ficou para enfrentar os problemas comigo.
— Eu não fiz isso, — disse frustrada, mas sem energia para levantar a voz. — Eu te disse, eu não estava indo embora. Só precisava de um tempo para pensar e reorganizar minha mente.
— E você precisava fazer isso longe de mim? Sumindo no meio da madrugada sem me avisar?
— Chris… — suspirou a mulher, e novamente ele notou o quão exausta ela soou. A atleta já soava assim fazia alguns dias, bem antes daquela confusão, porém parecia que estava pior após três dias sem se verem. Chris entendia, sabia o que estava acontecendo e odiava estar fazendo aquilo com ela, mas não podia nem por um segundo dar a chance de ela escapar. Não depois de tudo. Não com tudo por vir. — Nós estávamos no meio de uma briga. Eu não conseguia pensar sem acabar em lágrimas. Estava com medo de ficar e não conseguir lidar com a situação. De levar ao extremo.
— E você não acha que simplesmente ir embora para uma outra cidade e me avisar minutos antes de embarcar não é levar as coisas ao extremo, ? Pelo amor de Deus. A gente podia ter resolvido numa boa, você nem deu a chance de eu manifestar o que eu pensava! Quem te garante que ia tudo para o pior lado? Você nem tentou! — acusou o homem, a frustração de dias acumulada se fazendo claramente presente na voz dele. Definitivamente não era o que ele tinha planejado para essa discussão, mas sua consciência se deu conta que precisava expor tais pensamentos e sentimentos antes de partir para o motivo de estar ali.
— Eu tentei! Tentei por todo nosso tempo juntos, tentei intensamente por dias antes da briga, e principalmente tentei em nosso último jantar! — falou, exaltada. Nenhum dos dois queria outra briga, apontar dedos e jogar a culpa, mas sabiam que aquilo era necessário, infelizmente. — Sei que não devia ter te abandonado no restaurante, mas estava demais ali para mim, e não conseguiria expor minha opinião sem me alterar, então fui embora. E vim para San Francisco no outro dia, porque do mesmo jeito, sabia que não estava preparada emocionalmente para o queria te dizer, então precisava de um tempo.
“O problema, Chris, é que eu estou decidida, e não importa o que você argumente, eu não vou mudar de ideia. Não sabia como dizer para você, e por isso vim ter um tempo para decidir como te falaria isso. Gostaria de um dia ou dois a mais, mas como você não me deixou opção, então vamos lá: eu não vou continuar em Los Angeles. Eu não posso, não quero, e nem vou continuar com toda essa exposição que essa cidade maldita traz. Não quero que mude seu jeito por mim, que mude sua carreira por mim. Mas acho que, se formos nos casar, temos que estar dispostos à sacrifícios. O meu é que sei que nunca estaremos completamente fora do radar da mídia, e aceito isso. Só que preciso, desesperadamente, que a nossa exposição mude. O que eu peço de você, Chris, o seu sacrifício é me dar isso. Ninguém tem que ceder nada, babe. Mas os dois tem que se encontrar no meio do caminho. É o melhor, e o mais justo.
O silêncio dominou o ambiente por instantes, ambos pensando no que ela havia dito. A mulher o olhava com expectativa, querendo avidamente saber o que ele tinha para dizer. O ator, por sua vez, respirou aliviado, ao saber que ela não o deixaria como havia pensado previamente. Combinado com o que veio preparado para lhe dizer, facilitava demais as coisas. Contudo, uma última pergunta ficou em sua mente, o que surpreendeu a mulher máximo quando ele a vocalizou.
— Por que tirou seu anel?
— Eu… O que? Você ouviu alguma palavra do que eu disse? — perguntou, primeiramente confusa, mas logo ficando irritado. Por um acaso Chris não estava prestando atenção nela? Por que ele queria saber de seu anel? E como ele sabia?
— Sim, e antes que eu possa responder, preciso que me diga: por que você tirou, e deixou, seu anel em Los Angeles? — perguntou novamente o ator, a encarando profundamente, não deixando nenhuma emoção denunciar o que estava por vir. Ele podia ver a confusão no rosto dela, a frustração e exasperação, e queria logo apagar tais emoções, mas precisava saber. — Se você só veio reorganizar sua mente, e se ainda pretende ficar comigo, por que tirou seu anel de noivado?
— Tirei porque estava apertando meu dedo, me machucando. Se quisesse romper o noivado, Chris, eu te devolveria. Eu te disse, eu só precisava de tempo para pensar. — respondeu, sem paciência. Ele realmente iria ignorar o que havia dito? — E enfim, como você sabe disso?
Ignorando a última pergunta dela, ele começou a dizer, e por tabela, responder o ultimato que a mulher lhe deu antes.
— Eu pensei muito na noite antes de você ir embora, , depois de você chorar até dormir em meus braços. E comecei a pensar que talvez você estivesse certa. Entendo que você precisava de um tempo para pensar também, e talvez se você tivesse ficado as coisas não aconteceriam dessa maneira. Mas me deixar, do nada, sem saber o que aconteceu ou qualquer justificativa não foi certo. Eu enlouqueci, . Pensei que algo sério havia acontecido com você, quando não me respondeu naquela manhã. Liguei até para Amy, achando que talvez algo terrível aconteceu. E quando você me disse que estava indo embora, você me despedaçou, babe. Você me disse que seria temporário, mas parecia que você estava indo para sempre, e foi como se eu tivesse morrido por dentro. Prefiro mil tiros, ser atropelado por mil trens antes de passar por isso de novo. Preciso que você entenda. Preciso que você prometa que nunca vai me fazer passar por isso novamente, porque eu não vou resistir, . Não é drama, ou exagero. Vou continuar existindo, mas viver sem você não dá. Por favor, me prometa isso.
Com os olhos úmidos das lágrimas que se acumulavam ali, e transbordavam escorrendo uma atrás da outra por seu rosto, logo se tornando uma fina e triste cachoeira, ela assentiu. Queria dizer que nunca foi sua intenção machucá-lo, só que não sabia como lidar com a situação e acabou o ferindo ao tentar amenizá-la. Queria pedir desculpas, que nunca faria aquilo novamente, porque se ele doía tanto como ela, a mulher não queria que jamais passasse por aquilo novamente. Porém, o homem apenas fez um gesto que não havia terminado, então ela só acenou com a cabeça, afirmando em uma promessa silenciosa. Haveria tempo para discutir aquilo mais tarde, esperava.
— Contudo, como as coisas aconteceram de tal maneira, mesmo que tenha doído como o inferno, talvez tenha sido melhor. Pensei ainda mais no que você veio me dizendo, refleti todos os prós e contras, e depois de tudo, de experimentar a vida sem você, dos mil conselhos que ouvi, principalmente da minha mãe, eu percebi que você estava, e pelo o que acabou de me dizer, ainda está certa. Los Angeles não é o lugar certo para nossa família mais. Foi uma cidade maravilhosa para minha carreira, e foi onde eu conheci você, mas ela é demais. Exposição demais, fotógrafos demais, atenção demais. Loucura demais. Olha o que ela fez conosco. Aquela cidade nos enlouqueceu, e eu concordo, realmente, nós temos que ir embora.
Chris manteve a atenção da mulher a cada palavra que deixava seus lábios, ávida e ansiosa para saber o que ele tinha decidido, esperançosa para que concordasse com ela, e ao mesmo tempo temerosa que ele não a escolhesse. Porém, quando últimas frases saíram de sua boca, ela começou a chorar com mais força, mas dessa vez a felicidade tomando o lugar de qualquer emoção que estava ali, suspiros aliviados deixando seu corpo. Ao final, não se conteve, e correu para abraçá-lo forte.
Foi como voltar para casa. Apenas alguns dias longe e era como se ela houvesse perdido seu ponto de equilíbrio, sua referência de estabilidade, a gravidade que a mantinha no chão. Os braços fortes a envolveram em um abraço quente e familiar, o lugar que ela pertencia. Respirou fundo, sentindo o cheiro característico do perfume dele, que seu olfato identificava como seu lar. Queria permanecer ali para sempre, mas logo ele colocou alguns centímetros os separando, retirando uma caixinha de dentro do bolso interno de sua jaqueta.
— Chris, — ela disse rindo, incrédula, não reconhecendo a caixa, mas seu formato denunciava o que era esperado que ela contasse. — Não me diga que só porque eu deixei meu anel de noivado em LA e nos separamos por alguns dias você me comprou um novo.
O homem, com um sorriso convencido, nega a afirmação, apenas dizendo para ela abrir. Ao ter tal caixa em suas mãos, ela a abre, apenas para sua surpresa, encontrar uma chave dentro. Confusa e achando graça, ela apenas volta a encará-lo, seu olhar inquisitivo.
— Lembra daquela casa grande branca, em um condomínio perto da casa de seu pai, em San Diego? — ao receber um aceno afirmativo, o homem continuou. — Bom, ao chegar à conclusão de que queria sair de Los Angeles com você, e sendo sincero, querendo ganhar alguns pontos contigo, já que para mim você estava considerando terminar comigo, lembrei dela enquanto conversava com minha mãe, quando dona Lisa me convencia que não afetaria minha carreira, já que com certeza você gostaria de estar perto de seu pai.
“Isso me fez lembrar de como você ama San Diego, e da animação que se formou em seu rosto quando você me mostrou a casa, quando a gente passeava pelas ruas, observando os quarteirões, fazendo planos longínquos e que acreditávamos serem apenas sonhos para uma possível família nossa. Então, se você quiser, ela pode ser nossa. Enquanto estamos longe, pensei ser um gesto para mostrar que realmente quero embarcar nessa nova fase com você. Pedi para a imobiliária segurar até chegarmos lá e você puder vê-la por dentro. Mas se você disser que sim, aquele pode ser o primeiro lar da nossa família.”
O choque se transformou em completa euforia e entusiasmo ao ouvir aquilo, e de repente ele estava sendo atacado por beijos da mulher, que os distribuía por toda sua face, intercalando-os em sua boca, mas não conseguindo parar por um segundo tamanha animação. O homem apenas ria, mas sua face demonstrava que partilhava da felicidade dela. Ele mal podia esperar por tudo que estava para acontecer na vida dos dois. Depois de minutos de ataque, ela apenas o abraçou forte, enquanto, mais calma, sua boca se juntava na do ator. Os lábios se pressionaram por alguns minutos, as línguas se acariciando, ambos tentando traduzir todo amor e felicidade que sentiam no momento naquele gesto.
Quando o beijo finalmente terminou, ela continuou o abraçando, desejando ficar nos braços do homem pela eternidade. Após uns instantes, a mulher levantou o rosto de onde repousava no peito do ator para encará-lo, lágrimas de felicidade presentes em seus olhos. Mas, antes que pudessem continuar, ela precisava confirmar uma última vez, mais como uma reafirmação para si mesma do que para o loiro: “— San Diego? Você tem certeza, Chris?”
— Como você disse, meu contrato com a Marvel está no final, eu quero começar a dirigir mais filmes, então não vou focar tanto na atuação por um tempo. E San Diego não é tão longe de Los Angeles, posso ir para lá quando necessário, mas voltar sempre para nós. Só que quero tirar um tempo para nossa família primeiro. — respondeu calma, mas firmemente o homem, tentando demonstrar para ela o quão comprometido estava com aquilo. O que pareceu ter dado certo, já que ela apenas lhe deu um sorriso maior, e se aproximou para um beijo, mas logo se separou, rapidamente, com um olhar desconfiado.
— Nossa família. Você fica dizendo isso toda hora, e de uma maneira… diferente. Engraçado, como se tivesse certeza de algo. O que você não está me contando? — inquiriu , com um olhar semicerrado, mas o jeito como o canto de seu lábio tremia, denunciava que ela já sabia do que aquilo se tratava.
Os dois ficaram se encarando por vários instantes, desafiando o outro a admitir primeiro. Quando ela se afastou, silenciosamente cruzando os braços e ainda o fitando, ele soube que não ganharia da amazona. Então, suspirando, mas sorrindo amorosamente para sua noiva, ele perguntou:
— Você não vai me contar que está grávida?
— O que te faz pensar que eu estou grávida, Chris? — retrucou a mulher, não admitindo nada, mas os tremores em seus lábios ficaram mais intensos, e diziam que não era uma negação não sairia dali.
— Isso aqui. — disse o homem, retirando do mesmo bolso em que a caixa com a chave estava antes, o envelope que ele havia encontrado na gaveta dela. Dentro, continha um exame de sangue que a mulher havia feito algumas semanas antes, preocupada com suas constantes crises de gastrite. Imagine a surpresa, de quando soube que havia confundido seus constantes enjoos da gravidez com seu frequente sintoma da gastrite.
Com os olhos marejados, o rosto sendo marcados por lágrimas que voltavam a escorrer por seu rosto, os lábios dela por fim cederam aos tremores, se transformando em uma confirmação silenciosa. finalmente sorriu para ele.


Fim.



Nota da autora: Hey babes!
Outra ficstape que deveria ser shortfic mas acabou não sendo tão short assim. Claramente não tenho controle algum haha. Em minha defesa, não tenho culpa se meus personagens simplesmente tomam conta da história e a coisa cresce mais do que eu esperava. Aliás, por esse mesmo motivo, não me responsabilizo por nenhuma atitude dos personagens (principalmente da pp), já que eles que ditam o rumo da história, eu só escrevo. Então, por favor, não matem essa pobre autora, pois já até fui ameaçada de morte antes mesmo dela ser postada. Acontece, bora seguir o baile. Até porque, no final tudo deu certo, yay!
Enfim, sou apaixonada por hipismo desde criança, então foi meio bittersweet e nostálgico escrever essa história, lembrando dos meus anos de amazona. Infelizmente não cheguei na equipe olímpica e apesar do meu meio imenso crush nesse homão da porra, também não arranjei um Evans para mim. É a vida, fazer o que? Pelo menos dá para sonhar e foi gostoso relembrar.
Espero que vocês tenham gostado, que não tenham me xingado muito como certas pessoas (oi, Bruna), e me digam nos comentários o que acharam. Sou carente e preciso de amor <3
Besos e até a próxima (já que entrei para esse vício de ficstape, e esse não é nem de longe o último haha).



Outras Fanfics:
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